Hamnet - A Vida Antes de Hamlet (Hamnet)

1/11/2026 02:54:00 AM |

Confesso que não tinha esperanças que as premiações desse ano fossem estar imponentes de filmes, pois tivemos um ano de 2025 mediano aonde poucas obras surpreenderam realmente, tanto que havia falado para um amigo que assistiria esse ano sem ter muito bem em quem botar minhas fichas, mas sabemos que muitos dos grandes filmes de fora só aparecem por aqui agora no comecinho do ano, e que final de semana está sendo esse com pré-estreias incríveis, de tal forma que nem sabia direito de que falava o longa "Hamnet", e muito menos que a diretora era Chloé Zhao que tem seu estilo próprio e sabe fazer dramas como ninguém, já tendo uma prateleira imensa de prêmios. E eis que hoje fui conferir tendo visto apenas um trailer e lido somente a sinopse, e meus amigos, que filme potente a diretora nos entrega, sendo um pouco lento realmente, demorando para acontecer as situações, e até sendo alongado pela carga dramática em si, fazendo com que suas duas horas parecessem até maiores na tela, mas quando chega nos atos finais, me arrepiou como nunca tinha acontecido em algum filme de drama, e fez muitos dos que estavam na sessão (bem cheia felizmente para uma sessão das 22hs) chorarem de soluçar, ou seja, é um impacto bem acertado na composição criada por inteiro. E digo mais, já vi alguns filmes baseados na peça "Hamlet", assisti algumas peças teatrais, mas nunca tinha entendido a profundidade da trama pela ótica colocada aqui, que deu um sentido muito maior para tudo, ou seja, não chorei, mas senti uma vontade imensa de aplaudir o fechamento dramático, mas não era lugar para isso.

O longa nos situa na Inglaterra em 1580, aonde o modesto professor de latim William Shakespeare conhece Agnes, com seu espírito livre, e os dois, cativados um pelo outro, iniciam um tórrido romance que os leva ao casamento e a três filhos. Mas, enquanto Will persegue uma nascente carreira no teatro na distante Londres, Agnes mantém sozinha a vida doméstica. Quando a tragédia atinge a família, o vínculo antes inabalável do casal é posto à prova, e a experiência compartilhada prepara o terreno para a criação da obra-prima atemporal de Shakespeare, o incomparável “Hamlet”.

Sabemos que o estilo da diretora Chloé Zhao é mais lento e espaçado, tanto que seu filme de super-heróis não deu muito certo com esse como sendo um dos motivos, mas com dramas ela sabe fazer algo muito bem que é amarrar a trama para que o público se envolva do começo ao fim com os personagens, e aqui junto de Maggie O'Farrell que escreveu o livro em que o roteiro se baseia, conseguiram dar um vértice bem novo em cima da história, criando um carisma completamente diferente para a personalidade de Shakespeare como conhecemos, e sabendo dimensionar bem isso dentro do contexto da época, junto de uma desenvoltura pegada para emocionar, o resultado acabou indo para rumos impactantes e tão perfeitos quanto o que qualquer um esperava. Ou seja, a diretora soube carregar a trama com um luto impregnado, com um ódio marcante pela situação, mas que funciona perfeitamente para o fechamento escolhido, e isso é algo que acaba sendo incrível de ver acontecendo.

Quanto das atuações o longa traz Jessie Buckley tão forte, mas tão fora de tudo o que já vimos da artista, que sua Agnes impacta com olhares, com dinâmicas, mas principalmente pela essência que a atriz conseguiu dar para a personagem, de tal forma que você vê ela no começo e não se conecta tanto, mas vai dando seus textos, vai colocando presença, e quando chega nos atos fortes se entrega de corpo e alma, agradando demais com tudo o que faz. Paul Mescal é um ator tão completo que mesmo quando faz papeis que pareceriam não impressionar, acaba indo para rumos aonde você não consegue desgrudar os olhos dele, e aqui foi bacana que até antes da cena final em momento algum lhe chamaram de William Shakespeare, deixando aquela dúvida se realmente era a história do escritor ou não, mas isso em momento algum desmerece o que ele faz em cena, sendo imponente e acertivo demais, brilhando muito. Vale ainda dar ótimos destaques para as três crianças Bodhi Rae Breathnach com sua Susanna, Olivia Lynes com sua Judith, e Jacobi Jupe incrivelmente perfeito com seu Hamnet, conseguindo ser marcante demais com olhares, trejeitos e tudo mais em suas cenas. E claro vale dar uma boa olhada nos momentos precisos de Emily Watson com sua Mary e Noah Jupe fazendo um Hamlet perfeito na cena de fechamento.

Visualmente o longa conseguiu representar bem o interior inglês do século XVI, com figurinos bem trabalhados, casas com nuances mais fechadas e escuras, todo o lance da floresta e das ervas para cura, bem como uma Londres marginalizada, cheia de pobreza e doenças, com claro a peste dominando tudo, além de um teatro incrível e diferenciado para os atos finais, ou seja, foram bem representativos com tudo, chamando atenção para os personagens em suas dinâmicas, e claro um fechamento de uma peça bem representada.

Enfim, é um filme fui sem esperar nada e saí encantado com tudo o que vi na tela, tendo apenas o defeito do alongamento cênico pelo ritmo mais calmo, e talvez a falta de desenvolvimento maior de alguns personagens importantes para conhecermos mais dos adultos, mas nada que atrapalhe o resultado final imponente, denso e emocionante para envolver a todos que forem conferir. O longa estreia na próxima quinta 15/01, mas felizmente tivemos prés espalhadas pelo país nesse final de semana, então quem tiver oportunidade não perca. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, agora bem mais preparado para as premiações, e volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado por comentar em meu site... desde já agradeço por ler minhas críticas...