Juntos Para Sempre (A Dog's Journey)

6/13/2019 01:49:00 AM |

Sempre temos continuações de livros aos montes, porém ultimamente tem sido bem mais raro um filme baseado em algum livro conseguir o sucesso suficiente para ter uma continuação nas telonas, e se em 2017 houve diversos boicotes ao filme "Quatro Vidas de um Cachorro", por algumas pessoas acharem que os animais tinham sido maltratados, algo que foi muito bem explicado depois por ser uma montagem de vídeos, poucas pessoas imaginavam que o segundo livro viraria filme, porém como teve um lucro pequeno, mas razoável, resolveram investir e entregar essa segunda história, chamada de "Juntos Para Sempre", que contém a mesma intensidade, essência e consegue soar bem gostoso, emocionando como o primeiro filme, porém se lá tivemos um foco maior nas vidas do cachorro, aqui a trama foca mais no crescimento da garota, e as encarnações do cachorro que vão tentando seguir ela para que seja bem cuidada. Não digo que o resultado soe perfeito, pois tivemos alguns momentos bem cansativos, mas de modo geral é tão bonitinho ouvir os pensamentos do cachorro, e sua tentativa para que tudo de certo, que acabamos nos emocionando e se envolvendo com a trama, resultando em um filme até mais bacana do que realmente é.

A sinopse nos conta que há amizades que transcendem uma vida. Aqui o adorado cão Bailey descobre o seu novo destino e cria um laço inquebrável que o levará, bem como às pessoas que ama, numa viagem que nunca imaginaram. Bailey tem uma vida boa, na quinta do seu "rapaz", Ethan, e da sua mulher Hannah, no Michigan. Tem até uma nova companheira de brincadeiras, a neta bebé de Ethan e Hannah, CJ. O problema é que a mãe de CJ, Gloria, decide levar CJ para longe. Quando a alma de Bailey se prepara para deixar esta vida e começar uma nova, ele promete a Ethan encontrar a CJ e protegê-la, a qualquer custo.

Chega a ser até interessante ver uma diretora renomada por diversas séries, encarar um longa-metragem tão particular como esse, ainda mais uma continuação, e Gail Mancuso foi precisa nas situações, criando uma trama bem leve e gostosa de acompanhar, usando claro a base do livro de W. Bruce Cameron que também trabalhou na adaptação do roteiro para o filme, ou seja, uma junção bem interessante que acabou resultando em um filme bem dirigido, aonde cada momento flui com muita facilidade e encontra rumos bem coerentes e funcionais, o que acaba agradando bastante. Claro que o filme não é daqueles que vamos colocar entre os melhores, pois possui algumas falhas bem bobas como a química da garota com alguns personagens, a cena do capotamento também é bem jogada, e algumas cenas junto da mãe (que poderiam certamente ter pego uma louca muito melhor!) destoaram da beleza gostosa junto do cachorro, que se limpado desses detalhes, aí sim teríamos um filme incrível. Além de que muitos foram ver pelos cães, e acabaram vendo um drama familiar meio que jogado, ou seja, o filme precisava de uma retocada melhor, mas ainda assim a diretora soube conduzir bem cada momento, utilizar bem os cães treinados, e resultar em um filme fofo e gostoso de ver.

Quanto das atuações, diria que tivemos alguns bons atores encaixados em bons personagens, mas principalmente o elenco canino que foi muito bem escolhido, por serem agradáveis, terem carisma, e incrivelmente se expressarem muito bem para cada momento, fazendo seus devidos truques de forma a mostrarem muito mais do que tudo, além claro da voz de Josh Gad muito bem encaixada no pensamento dos cães, dando um tom sereno e perfeito para cada momento. Já no elenco humano, tivemos Dennis Quaid mais uma vez bem encaixado, agradando bastante nos seus momentos, já que aparece pouco com seu Ethan, mas sempre fazendo o valor da amizade transparecer nos olhares para com seu cão, ou seja, perfeito em tudo. Kathryn Prescott fez bem o papel de CJ adulta, trabalhando com bons olhares, sentimentos e encontrando em seus atos dinâmica para não soar boba demais, o que acaba agradando. Da mesma forma Henry Lau deu um bom tom para seu Trent adulto, não forçando muito a barra, e soando interessante para o papel, mesmo que soubéssemos logo na primeira cena o que acabaria rolando. Os jovens CJ e Trent também foram bem colocados, então temos de parabenizar Abby Ryder Fortson e Ian Chen respectivamente. Agora sem dúvida alguma não sei o que colocaram no roteiro de Betty Gilpin para que sua Glória fosse completamente exagerada de trejeitos, parecendo uma maluca desvairada desde o começo da trama, ou seja, parecia desvairada com cada ato seu, não encaixando nada com nada, e não agradando dessa forma. Quanto os demais foram razoáveis, sem chamar muita atenção, mas também não saindo nada de muito errado.

No conceito visual a trama teve boas passagens pelas cidades, tendo como base praticamente a pequena casa da protagonista, e depois o apartamento do protagonista, e muitos passeios pelas ruas com os cachorros, de modo que não temos um envolvimento maior como tivemos no primeiro filme, voltando para a fazenda somente ao final, mas aqui os elementos cênicos foram bem pouco usados, mais na cena do cachorro gigante na loja de conveniência que foi bem bacana de ver, e um ou outro elemento em alguns dos atos, de modo que a equipe de arte diria que foi bem preguiçosa, mas não chega a atrapalhar felizmente, tendo um resultado visual satisfatório, principalmente junto da fotografia nas cenas no "paraíso" com as mudanças de vida bem encaixadas de um tom incrível de amarelo com o sol de contraluz, ou seja, poderiam ter ousado mais se quisessem nas cenas normais.

Enfim, tivemos um filme com certos erros, mas que por trabalhar bem o contexto de forma bem agradável, acaba emocionando e envolvendo bastante o público, de modo que funciona para o propósito que foi moldado de sabermos que os animais são extremamente inteligentes e conseguem passar verdade em tudo o que fazem, além claro de mexer com o elo espiritual, que aí vamos muito além. Ou seja, vale a recomendação, principalmente para quem gosta de cachorros, e curte uma história mais simples. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Um Homem Fiel (L'homme Fidèle) (A Faithful Man)

6/12/2019 01:16:00 AM |

Sabemos bem que alguns estilos de filme possuem propostas ousadas, outros entregam diversas amarrações, mas geralmente o drama romântico costuma pelo menos dar leves pitadas no decorrer para que um conflito fosse resolvido ao menos, não para o diretor Louis Garrel, que em seu longa "Um Homem Fiel" entregou uma proposta tão simples e jogada, que mesmo tendo até uma boa desenvoltura acaba parecendo mais um capítulo rápido de novela aonde os casais se trocam por algum motivo, nos é entregue alguma interação de pensamentos, e só, de modo que o melhor da trama é o garotinho cheio de boas sacadas, e a ideologia de dúvida que paira em cima de todos os personagens para terem praticamente 80% das cenas faladas somente em pensamento. Ou seja, um filme simples demais para ser lembrado mais para frente, que até serve para passar um tempo bem rápido, mas nada que vá fazer diferença em não ver.

A trama nos conta que Marianne deixa Abel por Paul, seu melhor amigo e pai de seu futuro filho. Oito anos depois, Paul morre. Abel e Marianne voltam a namorar, despertando sentimentos de ciúmes tanto no filho de Marianne, Joseph, quanto na irmã de Paul, Ève, que secretamente ama Abel desde a infância.

Diria que o diretor e roteirista Louis Garrel tinha uma boa sacada em mente quando escreveu seu filme, porém necessitava alguém mais amplo para trabalhar a ideia e criar um filme mais cheio de detalhes, desenvolver a ideia e depois voltar para suas mãos, de modo que o filme teria mais conteúdo, trabalharia talvez as ideias de dúvida do garotinho, as sacadas românticas da jovem Eva, e até outros romance de Marianne com outros homens para que houvesse um pouco mais de ciúmes, intrigas e afins, pois somente a triangulação rápida que a trama nos entrega, com poucas vertentes, poucas cenas de impacto, sem quase nenhuma simbologia acaba resultando em um filme que começa, aparece e termina, não indo muito a fundo em nada. Ou seja, Garrel fez um episódio rápido que veríamos talvez em uma série ou novela, e depois em outro capítulo veríamos outros desenvolvimentos, e não um filme como realmente se esperava dele.

Sobre as interpretações, ao menos nesse quesito tivemos bons trejeitos de todos, com sacadas mais expressivas de um ou outro, mas no geral um belo elenco que se desenvolveu bem. Para começar o próprio diretor, que é um ator muito melhor que diretor, Louis Garrel entregou bons olhares para seu Abel, fazendo um estilo meio despojado, mas muito intrigado também com tudo o que ocorre entre as mulheres, e claro desconfiadíssimo das ideias do garotinho, e essas boas sacadas e olhares fazem com que ríssemos muito do que ocorre, o que acaba funcionando bastante. Laetitia Casta encontrou em seu sorriso sedutor, e nos olhares bem dominantes a forma de fazer sua Marianne bem envolvente, e cheia de armadilhas, de modo que acaba passando bem o resultado em cada momento do filme, agradando com o pacote completo. Eis que a filha de Johnny Depp com Vanessa Paradis resolveu ser atriz também, e Lily-Rose Depp veio toda provocante para cima do protagonista com sua Ève, trabalhando trejeitos bem colocados, e mostrando que sabe dosar bem o ar de desânimo juntamente com o ar de satisfeita, o que acaba sendo uma grata visualização. Mas sem dúvida o melhor do filme ficou a cargo do garotinho Joseph Engel, que nem fizeram questão de lhe dar um nome de personagem, e o seu Joseph trabalhou ótimas sacadas, encaixando olhares determinados a convencer qualquer um do que desejava passar, emocionando com o choro e sendo cínico com muita precisão, ou seja, tem futuro o garoto.

O conceito cênico da trama nem foi muito elaborado, mas contou com boas ambientações, desde os dois apartamentos bem diferentes de formatação, um mais amplo, outro bem pequenino, mas mostrando quase nada que tivesse algum elemento cênico mais coerente para as situações, um escritório riquíssimo afinal a protagonista trabalha na presidência, uma ilha de edição bem simples, que possivelmente foi a do próprio filme, alguns momentos em um campinho de rua, e um cemitério, ou seja, nada que chamasse atenção.

Enfim, um filme simples demais para envolver, e rápido demais para causar qualquer sentimento, de modo que até rimos de algumas situações, principalmente as envolvendo o jovem garotinho, mas que ao chegarmos no final ficamos tão desapontados com o que nos é mostrado que nem dá para dizer que valeu a pena. Ou seja, um filme mediano que também esqueceremos bem rapidamente, e sendo assim nem tenho como recomendar. Bem é isso pessoal, encerro aqui todas as críticas dos 17 filmes do Festival Varilux, já ficando na espera do que virá no próximo ano, mas volto amanhã ainda com mais um longa que estreou nessa semana, e logo mais outras estreias da próxima semana, então abraços e até logo mais.

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O Mistério de Henri Pick (Le Mystère Henri Pick) (The Mistery of Henri Pick)

6/11/2019 09:34:00 PM |

Fico tão feliz quando lançam obras investigativas no cinema, para tentarmos descobrir algo ou alguém, trabalhar toda a situação, ir a rumos deslocados para tentar alguma pista, mas geralmente é um estilo que acaba tendo muitos furos, e claro pessoas procurando os erros, então hoje nem vemos mais tantas obras assim, porém hoje felizmente eis que apareceu "O Mistério de Henri Pick", que trabalha de uma forma bem sagaz a busca do verdadeiro autor de uma obra que estragou a vida de um apresentador, e que com boas desventuras divertidas e bem agradáveis acaba entregando uma boa investigação. Diria que o longa funciona bem dentro do que se propõe, e agrada pelo estilo mais envolvente e desacreditado da trama, brincando bem com o espectador, porém o desfecho tão jogado e explicativo acaba desapontando um pouco, pois poderiam ter criado um vértice mais forte e imponente para que a trama explodisse ao final, e não apenas nos falasse o que era realmente. Ou seja, um bom filme, que causa todo um grandioso mistério, que nos instiga junto com o protagonista, mas que fecha com simplicidade demais, o que é péssimo para o estilo.

A sinopse nos conta que em uma estranha biblioteca no coração da Bretanha, uma jovem editora descobre um manuscrito extraordinário que imediatamente decide publicar. O romance se torna um best-seller. Mas seu autor, Henri Pick, um bretão fabricante de pizza que morreu dois anos antes, nunca teria escrito nada além de suas listas de compras, segunda a viúva. Convencido de que se trata de uma fraude, um famoso crítico literário decide liderar a investigação.

A direção e o roteiro de Rémi Bezançon é digna de um grandioso livro no estilo de Agatha Christie, pois trabalhando bem o mistério com boas investidas, encontrando bons símbolos para representar os momentos, o filme consegue se desenvolver bem, tendo atitude e carisma para prender o espectador até o final, moldando cada ato para ser resolvido, e claro, sempre deixando o ar misterioso ao redor de cada envolvimento, demorando e passeando pelas belíssimas locações, porém, como disse no começo do texto, acredito que ele tenha se cansado do mistério, e preferido um final mais romantizado, com nuances mais simples, e dessa forma apenas deu o desfecho que vimos no cinema, e acabou levemente brochando um pouco. Porém longe de estragar completamente, diria que o filme inteiro possui seu brilho, é o resultado final não é um grande estrago, sendo assim ainda um bom longa para conferir.

Dentro das atuações, posso dizer que Fabrice Luchini foi incrível como Jean-Michel Rouche, trabalhando bem os olhares expressivos, buscando desesperadamente a solução de seu enigma, mas principalmente tendo muita classe e estilo, o que acaba nos envolvendo demais na sua busca, transmitindo um carisma sem igual para o seu personagem, que certamente poderia parecer arrogante por inúmeros motivos, mas acaba que nos conectamos de tal forma que ao final já nos vemos torcendo por ele, e isso é ótimo para o estilo, mostrando a ótima capacidade interpretativa do ator que foi perfeito. Camille Cottin deu um tom bem gostoso para sua Joséphine Pick, de modo que ao virar quase um Watson para o protagonista na busca de saber mais sobre seu próprio pai, a atriz acaba se entregando e fazendo ações gostosas de ver e que funcionam bem. Alice Isaaz faz de sua Daphné uma boa personagem, que até aparece pouco na trama, em momentos bem estratégicos, fazendo claro olhares bem interessantes, mas que talvez se fosse mais usada na trama chamaria mais atenção. E por fim temos de dar um leve destaque apenas para algumas cenas de Bastien Bouillon como Fred, pois o jovem teve algumas dinâmicas interessantes e acaba chamando atenção ao final, mas que assim como outros bons atores da trama acaba sendo mal aproveitado.

A equipe de arte foi bem simples, mas cheia de grandes detalhes, criando uma biblioteca incrivelmente delicada e interessante, locações belíssimas numa cidadezinha pequena da Bretanha, outra biblioteca imponente de pesquisa, e claro as tradicionais festas de lançamentos e homenagens, sempre bem colocadas para não exagerar em momento algum com o filme que tinha de ser mais leve, ou seja, fizeram um trabalho delicioso no conceito visual, que acaba trabalhando mais a simbologia, e que funciona por isso.

Enfim, um filme bem feito, que acaba de forma jogada demais, e que poderia ser impressionante caso quisessem, mas fazer o que, porém ainda assim recomendo ele como um bom passatempo investigativo que vale as horas dentro da sala do cinema, só não espere se deslumbrar com o resultado final, se não a chance de decepção é bem alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas vamos la para o último longa do Festival Varilux 2019, então abraços e até logo mais.

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Filhas do Sol (Les Filles du soleil) (Girls Of The Sun)

6/11/2019 05:56:00 PM |

Quando um filme é forte na medida certa, encontrando dentro do estilo que se propõe impacto visual, emoções, tensões e tudo de uma maneira bem colocada, acabamos saindo da sessão com tanta empolgação que ficamos até alguns minutos pensando em como falar dele, e isso aconteceu com "Filhas do Sol" que com uma precisão minuciosa nos entrega alguns momentos vividos por uma jornalista no meio de um batalhão feminino na Guerra do Curdistão, que não apenas retrata a tensão ocorrendo ali, como flui também ao mostrar a história de fuga da comandante do pelotão de quando estava refém dos terroristas. Ou seja, é daqueles filmes que ficamos até sem respirar com tudo o que se passa na tela, tendo todos os tipos possíveis de sensações durante a projeção, mostrando não só técnica por parte da diretora, mas um conhecimento que vai muito além do que vemos, e como bem sabemos, a diretora não foi jornalista de guerra, mas sim uma grandiosa atriz que acabou estudando muito para realizar com precisão cirúrgica um filme forte, empoderado, e que mostra a força de uma mulher mesmo no meio de algo completamente machista como é uma guerra, e ainda impondo muita força sentimental, o resultado acaba brilhando frente ao que vemos.

A trama nos conta que Bahar é a comandante das Filhas do Sol, um batalhão composto apenas por mulheres curdas que atua ofensivamente na guerra do país. Ela e as suas soldadas estão prestes a entrar na cidade de Gordyene, local onde Bahar foi capturada uma vez no passado. Mathilde é uma jornalista francesa que está acompanhando o batalhão durante o ataque. O encontro entre as duas mulheres, dentro do cenário caótico que as cercam, irá mudar a vida de ambas permanentemente.

A diretora e roteirista Eva Husson conseguiu não só captar a essência principal de grandes filmes de guerra que usou de base para criar o seu, como também deu um vértice polêmico em cima de algo incomum de vermos nesse estilo de filme, mulheres combatendo, e que ousando de uma maneira completamente coerente, ela foi sincera nos atos e criou com muita disposição uma trama que envolvesse sem soar falsa, que dramatizasse bem cada ato ao ponto de ficarmos desesperados pela conclusão, ou como a protagonista diz, esperando o barulho de um tiro, pois o silêncio não significa algo bom em uma guerra, e com isso o resultado final não poderia ser outro senão o de ficarmos tensos ao final, mas completamente felizes de ver mais uma bela obra na telona, de modo que ficaremos esperando outros bons filmes da diretora.

Sobre as atuações, temos que praticamente dar uma grandiosa salva de palmas para a iraniana Golshifteh Farahani pelo que fez com sua Bahar, entregando uma personalidade forte, porém cheia de desejos humanos em busca de reencontrar seu filho, mesmo que isso seja uma possibilidade mínima, e com uma desenvoltura própria bem encaixada, cheia de bons olhares expressivos e incríveis de ver, o resultado acaba fluindo e agradando demais do começo ao fim, com muito impacto e perfeição. Emmanuelle Bercot também entrega uma Mathilde perfeita de expressões, com um carisma próprio, e encontrando não apenas bons tons nos seus diálogos para representar a jornalista ali, como bem homenagear esses malucos que são designados para cobrir guerras, que acabam se ferindo, mas mais do que o físico, se ferem na alma por retratar tudo de ruim e forte que acontece nesses lugares, ou seja, a atriz foi fundo na pesquisa e saiu perfeita também. Quanto os demais, todos se doaram bem para os papéis, encontrando muita desenvoltura visual, trabalhando seus personagens com coesão para emocionar e vivenciar tudo da melhor forma possível, tendo como destaque apenas Zübeyde Bulut como Lamia, pois além de estar guerreando teve uma grande cena de parto, que emociona bastante.

No contexto visual temos mais uma vez que parabenizar a todos, pois a intensidade da guerra retratada é tão forte que acabamos nos sentindo junto das protagonistas nos lugares que param para "dormir", dentro do túnel na maior tensão possível, na casa tentando fugir dos terroristas, e até mesmo na hora do combate máximo sentimos a pressão não como meros expectadores, mas sim como combatentes, ou seja, a escolha da câmera proximal foi algo tão incrível, que juntamente de um figurino bem propício, locações extremamente coerentes com tudo explodindo e abarrotado de tiros, e claro muita sensibilidade para demonstrar cada ato como talvez o último acabaram dando um tom tão bem encaixado que o resultado soa perfeito, e que juntamente de uma fotografia densa com iluminações quase mínimas, resultaram em um filme de nível supremo, que faz valer cada minuto.

Além de tudo isso de bom, o longa ainda conta com as protagonistas entoando canções e gritos de guerra tão emocionantes, juntamente com danças emocionantes em meio aos guerreiros homens, que tudo vai muito além de um simples filme de guerra.

Enfim, um filme perfeito, que ac6aba nos transportando para o meio da guerra, que passa emoções e sentimentos a cada minuto de projeção que não tem como dar uma nota menor, sendo colocado como um dos melhores filmes do Festival Varilux, que recomendo com toda certeza por trabalhar tensão na medida certa, e emoção precisa como todo longa do estilo deve ser. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com os dois últimos textos do festival, então abraços e até logo mais.

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O Homem Que Matou Dom Quixote (The Man Who Killed Don Quixote)

6/11/2019 03:23:00 AM |

Imagine todo tipo de loucura possível que possa conter em uma única produção, claro tirando animais bizarros, pois aí a loucura sairia de um ponto impossível de conter! Pois bem, "O Homem Que Matou Don Quixote" tem tudo e muito mais, misturando filmagens, loucura, fantasia, terroristas, russos, vodca, encenações circenses, abstrações poéticas, mineiros, escravistas com armas de choque, e isso é só o que consigo imaginar lembrando, pois as quase duas horas e meia de projeção funcionam bem como era a história de Dom Quixote, algo que soa encantador pela salvação da amada, mas que em detrimento da loucura, misturando com o sol desértico acabava ficando muito maluco de se acompanhar. Porém olhando todos os problemas pelo qual a produção passou nesses quase 30 anos (o diretor Terry Gilliam começou a escrever o roteiro da produção em 1989, tiveram diversos acidentes, trocas de elenco, problemas de ordem judicial, brigas na produção, dilúvio em set, e tudo mais que se pensar), acho que o filme saiu até light, pois no lugar do diretor teria viajado ainda mais nas loucuras para compensar tudo. Ou seja, é um filme maluco, porém muito bacana de curtir, que mistura vários estilos, técnicas, e principalmente fantasia uma história que é sem dúvida uma das mais fantasiosas que já foram escritas, então vá conferir e se divirta, pois vale o tempo na sessão.

O longa nos mostra que quando faz seu filme de conclusão de estudos, o jovem cineasta Toby viaja à Espanha para filmar uma versão independente de Dom Quixote. Para o ator principal, escala um sapateiro da região, que nunca trabalhou no cinema antes. Doze anos se passam, e Toby, agora um renomado diretor de comerciais de televisão, tem a oportunidade de fazer uma superprodução também baseada no livro de Cervantes. Ele retorna à Espanha, começa as gravações, mas logo enfrenta uma crise criativa. Buscando inspiração, tenta reencontrar os atores do projeto anterior. Toby descobre que o sapateiro enlouqueceu, e realmente acredita ser Dom Quixote. Pior ainda, o cavaleiro maluco confunde Toby com seu fiel escudeiro, Sancho Pança.

Diria que o diretor e roteirista Terry Gilliam é realmente daqueles persistente, pois conseguir lançar sua obra criativa de mais de 30 anos atrás passando por tudo o que passou, certamente a maioria teria desistido da ideia, largado mão, e partido para outros filmes esquecendo sequer de um dia ter passado perto desse texto, porém não, brigou com tudo e todos, e conseguiu finalizar entregando agora uma obra que digamos foi bem fora dos eixos, que em diversos momentos pensamos como será que vão conseguir fechar tudo, que a cada novo minuto piora ainda mais todas as ideias possíveis, mas que mostra bem o estilo de Gilliam, com câmeras em ângulos diferentes do usual, muitos personagens aleatórios, e claro muita bizarrice por conta da fantasia completa criada para cada momento, de modo que tudo soa vertiginoso, tudo possui uma abertura mais coerente do que prática, e sendo assim o resultado funciona como algo a mais, que agrada, mas ao mesmo tempo ficamos pensativos: será que gostamos realmente ou fomos enganados, e essa é a grande sacada que faz o filme se encaixar bem em qualquer época que tivesse sido lançado.

Um ponto bem engraçado certamente foi na escolha de Adam Driver para viver o protagonista Toby, pois antes passaram pelo papel Johnny Depp e Ewan McGregor, que possuíam um estilo mais debochado para o papel, mas Driver até que entregou bem os momentos da trama, soube dosar o nível da loucura, e até suas orelhas serviram de piada para o filme, ou seja, acabou caindo perfeito no pacote, encontrando bons olhares e dosando bem as entonações para que o filme funcionasse. Já Jonathan Pryce felizmente caiu como uma luva para o papel de Dom Quixote, de modo que se ele quiser fazer mais outros filmes no papel, certamente lhe darão na hora, sendo até melhor que as outras opções que eram no passado de Jean Rochefort e John Hurt (ambos mortos antes mesmo do filme ser lançado!), ou seja, Pryce pegou um peso imenso sobre os ombros e não decepcionou incorporando cada ato com muita paixão pelo papel. A portuguesa Joana Ribeiro fez boas cenas como Angelica, dando olhares sedutores, incorporando bem o estilo espanhol para a produção, e agradando bastante no papel que inicialmente foi da esposa (que ainda nem era esposa) de Depp, Vanessa Paradis. Stellan Skarsgård fez suas cenas como O Patrão tão rápidas, e sem muitos elos, que qualquer um poderia fazer o papel, e não chega a ser impressionante nenhum ato seu, o que é uma pena. Olga Kurylenko deu um ar bem imponente para a sedutora Jacqui, chamando a atenção até mais do que a protagonista, e isso não é algo que deveria acontecer, mas convenhamos que a escolha aqui foi intencional. Outro que chamou a atenção, embora seja bem secundário o papel, foi Óscar Jaenada como o cigano, e aqui ele certamente se inspirou em tudo o que Depp já fez com seu famoso pirata, pois o estilo lembra demais, e ele acaba agradando por essa simbologia. Quanto aos demais, tivemos personagens aos montes para ficar falando pouco de cada um, e diria que todos foram interessantes dentro de suas proporções, agradando bem, e tendo pouquíssimo destaque apenas ao final Jordi Mollà como o russo Aleksei.

No conceito visual, arrumaram boas locações na Espanha e em Portugal para que o filme tivesse o teor completo que a trama pedia, e junto dessas locações ainda criaram ótimas vilas, arrumaram castelos, montaram muita coisa em meio a um deserto, ou seja, recriaram um mundo completo para as aventuras de Dom Quixote, trabalhando com muitos objetos cênicos bem encontrados, e desenvolvendo tudo com muita sutileza, e claro loucura para que o filme ficasse bem criativo e cheio de detalhes, ou seja, uma trama bem luxuosa, que certamente será lembrada por sua grandiosidade, e claro todas as loucuras que fizeram parte disso. A fotografia praticamente adotou o laranja, vermelho e amarelo como elo próprio da trama, de modo que chegamos quase a sofrer insolação junto dos protagonistas, e o resultado é até bonito de ver refletido nos figurinos.

Enfim, um filme que surge com uma proposta ousada, e que entrega um trabalho muito criativo em cima de uma história maluca, mostrando que mesmo adaptando uma obra, é possível ousar em cima dela, e sair com uma criatividade fora dos padrões, de modo que vemos algo que teria funcionado facilmente se lançado lá nos anos 90 como era planejado, se tivesse dado certo na segunda tentativa nos anos 2000 seria perfeitamente bem conduzido, e que agora ainda agrada com vertentes fantasiosas bem colocadas, ou seja, um filme atemporal, que agrada bastante, mesmo sendo bem maluco, e que quem gosta de propostas malucas acabará se divertindo muito com o que verá. Sendo assim fica a minha recomendação para o filme, e também encerro o dia por aqui, então fiquem com meus abraços e até amanhã com os últimos filmes do Festival Varilux.

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O Professor Substituto (L'heure de la sortie) (School's Out)

6/10/2019 10:38:00 PM |

Pode até parecer algo preconceituoso o que irei falar aqui, mas definitivamente os franceses sabem fazer bem comédias, dramas e romances, e só! Portanto parem de tentar se verter para suspender, ficções e afins, pois costumam cair par o abstrato demais, e o resultado geralmente são grandiosas bombas. Claro que temos exceções, como tivemos ano passado no Varilux também, mas são bem raras, e o que foi mostrado hoje com "O Professor Substituto" foi um daqueles filmes que ficamos nos perguntando o motivo de estarmos conferindo aquilo, pois é algo tão jogado na tela, cheio de situações até tensas de ficarmos pensando como tudo poderia acabar melhor, com cenas investigativas tensas, momentos subjetivos bem colocados, mas que nada acaba levando a lugar algum. Claro que dá para pensar na ideologia da trama de que os alunos por serem mentes a frente de todos na sala, que imaginavam pelo clima exageradamente quente, pelos maus tratos a natureza, pelas fugas dos animais, e outros detalhes presentes para sugerir o que aconteceria, mas é tudo tão preparado para algo diferente e melhor, que quando simplesmente ocorre soa brochante, ainda mais por ser um filme de Festival, aonde o público espera uma seleção mais bem feita, e o que vemos não chega nem aos pés do imaginado, ficando apenas como um filme que não atingiu lugar algum.

A trama nos conta que um professor comete suicídio se jogando pela janela da sala de aula em frente aos alunos adolescentes e Pierre Hoffman entra no colégio para ser seu substituto. Hoffman percebe que um grupo de seis dos seus novos alunos parecem estranhamente indiferentes ao que aconteceu. Ele percebe que esse pequeno grupo exerce uma sinistra influência sobre o resto da escola. Obcecado, Hoffman descobre que o inteligente grupo se liga por uma visão sombria do futuro e desprezo pelos adultos. Uma obsessão que se transforma em terror.

O diretor e roteirista Sébastien Marnier trabalhou com muitos símbolos para criar seu filme em cima do livro de Christophe Dufossé, pois ao criar um longa abstrato de pensamentos e situações, ele acaba nos preparando para algo que vai muito além das cenas, com algo cheio de densidade, com muitas imagens de destruições da natureza, com muitos ambientes hostis, mas sempre com uma trilha densa fazendo com que víssemos algo além que não desejávamos ver, com algo preparatório até para um mundo pior, mas não para algo que aconteceria num filme, e dessa forma, acabamos não indo no mesmo fluxo que a trama pedia, e o resultado acaba desapontando, não por algo ruim do texto, mas sim por o filme desejar entregar esse subjetivismo ruim para com um futuro desesperador sem atitudes, de modo que sem entregar qualquer ação ou interação acabamos vendo um filme fraco e sem muitas, ou melhor nenhuma, virtude.

Sobre as atuações, vemos um desperdício tremendo em cima de Laurent Lafitte como Pierre, pois sabemos do seu potencial pelo que já vimos em outros filmes, e aqui ele apenas faz caras e bocas em cima de algo inútil, não chegando a lugar algum com o que entrega, e principalmente soando jogado, o que não é bom para um ator do porte dele. Não vou me prender muito aos demais, pois todos entregaram bem pouco resultado, mas os jovens conseguiram fazer trejeitos bem interessantes, se mostrando estranhos, mas preparados para os personagens, o que costuma ser incomum na idade deles, então posso dizer que não decepcionaram fazendo o que lhes foi pedido que eram caras estranhas e imposições fortes, com leves destaques para Luàna Baajrami como Apolline, Victor Bonnel como Dimitri, e Thomas Guy como Brice por apanhar bastante. Além de boas cenas meio estranhas também com Gringe como Steve.

No contexto cênico a trama teve digamos que muitas cenas com texturas ruins para passar o estilo de gravação amadora, locações estranhas, como uma escola meio que abandonada no meio do nada, um lago bem bacana, e uma pedreira abandonada também, que acaba desenvolvendo as situações de forma bem abstrata e interessante pelo menos, não chegando a cansar, mas também não empolgando como poderia, ou seja, estranho e fraco demais para chamar atenção. A fotografia brincou por vezes com tons escuros para criar uma tensão, mas nada que mostrasse em prol da produção, resultando apenas em estilo, o que não funciona muito.

Enfim, um filme que destoa completamente do estilo, que até causa um certo suspense em cima do que pode acontecer, mas que não atinge nada, e sendo assim não tenho como recomendar ele para ninguém de forma alguma. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais um texto de hoje, então abraços e até logo mais.

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Boas Intenções (Les Bonnes Intentions) (Best Intentions)

6/10/2019 07:04:00 PM |

Chega a ser engraçado ver todo o desespero da protagonista cheia de "Boas Intenções" para conseguir ensinar francês para imigrantes e refugiados, ajudar doando coisas da família para centros de coleta, comprar remédios, e ainda ajudar que seus alunos passem na prova de trânsito, de modo que o filme parece até fluir para um lado demagógico exagerado, mas ao trabalhar também o vértice da família, de fazer acontecer os diversos conflitos, conseguem nos passar bem mais emoção de que a amizade e a ajuda pode voltar para si, de modo que temos sim um longa recheado de boas intenções, que trabalha a humanidade maior e ainda consegue divertir, porém faltou para o diretor encontrar o algo a mais que fizesse o longa mudar de conceito humanitário e ficasse em algo mais cinematográfico, de modo que não seja algo ruim de acompanhar, muito pelo contrário, mas que empolgasse melhor, e tivesse uma finalização mais encaixada, embora a escolhida emocione bem.

O longa nos mostra que sempre envolvida em uma série de trabalhos humanitários e causas sociais, Isabelle atua como professora de francês para imigrantes. Ao descobrir que seus alunos, na realidade, precisam de uma licença de habilitação, ela decide ajudá-los a passar na prova. Ao mesmo tempo, precisa lidar com a própria família que reivindica mais atenção.

O diretor e roteirista Gilles Legrand encontrou uma forma bem colocada para representar dois dos problemas que muitos encontram na França atual, a da grande quantidade de refugiados e imigrantes cheios de problemas particulares, mas que principalmente precisam aprender a língua e encontrar trabalho, e ainda mostrar que a ajuda nunca é demais, e se bem feita sempre volta como algo bom para a pessoa, algo que muitos acusam os franceses de não olharem nem para o lado. Ou seja, com dois motes bem fortes, encontrar comicidade bem trabalhada, dramaticidade no limite, e ainda emocionar é algo que poucos conseguem, e Legrand foi por caminhos bem colocados, sem muita força, mas que acaba agradando, não criando nem um longa forçado demais, nem um filme emocionante, sendo na medida simples e correta, o que acaba sendo o problema, pois talvez uma ousadia a mais chamaria a atenção e resultaria em um filme mais forte e interessante ao invés do simples feito aqui. Não digo que tenha sido falho, apenas poderiam ter ido mais longe com tudo o que tinham nas mãos.

Quanto das atuações, encontraram bons personagens para cada tipo de imigrante ou refugiado, criando claro diversos clichês, mas pelo menos todos se esforçaram bem para mostrar bons trejeitos, divertir e agradar na medida certa, sem que tenhamos que destacar nenhum. Mas agora falando dos protagonistas, certamente a melhor escolha foi Agnès Jaoui para o papel de Isabelle, pois a atriz sempre se entrega bem, tem o carisma necessário, e ainda conseguiu passar uma verdade para a personagem, criando bons vínculos, de modo que mesmo mostrando desespero em certas cenas acabasse resultando em algo bacana de ver. Alban Ivanov entregou o instrutor Attila de uma maneira bem exagerada, mas que coube bem no que o papel pedia, de modo que resulta em algo coerente ao menos. Claire Sermonne inicialmente parecia levemente forçada para sua Elke, mas com o deslanchar da trama acaba mudando o eixo e entrega bons momentos, com olhares sinceros e interessantes de ver. Foi bem engraçado ver o desespero de Tim Seyfi como Ajdin em cima de todo o conflito com a esposa, mas assim como todos, sempre achamos estranho quem ajuda muito. Quanto aos demais familiares, meio que desnecessário, embora a vozinha seja bem bacana e mostre de onde veio toda essa vontade da protagonista de querer ajudar cada vez mais.

A equipe de arte fez o básico e simples de modo que tudo se encaixadas dentro da proposta, não exagerando em momentos, mas colocando bastante conteúdo para que cada elemento cênico representasse algo, passando desde bons figurinos para representar os diversos países, passando pela forma de estudar e mostrar como são as provas de transito na França, até mostrar a casa dos protagonistas cheia de cultura, e sem exageros, ou seja, o simples bem feito.

Enfim, o longa passa bem longe da perfeição, mas também passa bem longe de ser algo ruim de ver, de modo que funcionam dentro da proposta e usando do próprio nome, entrega boas intenções para o filme, mas nem sempre boas intenções funcionam para todos, assim como vemos no próprio filme. Sendo assim, recomendo ele como um divertido passatempo que agrada, mas para quem esperar um pouco mais dele acabará se decepcionando um pouco por não atingir um ápice maior. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou para mais uma sessão, então abraços e até logo mais.

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Graças a Deus (Grâce à Dieu) (By The Grace Of God)

6/10/2019 03:23:00 AM |

Que o diretor François Ozon é daqueles que sabem impactar o público com algo forte todos sabemos bem, e que quando pega algum assunto para trabalhar costuma ser enfático no tema e criar bons vértices para que o público se surpreenda, e aqui em "Graças a Deus", que lhe deu o Urso de Prata em Berlim não foi diferente, pois ele foi contundente com diversas histórias para mostrar sua contundente acusação ao silêncio que a Igreja faz em cima dos relatos de padres pedófilos, e usando de diversos artifícios nos conta de casos que ocorreram nos anos 90, porém foram revelados em 2016, e até hoje continuam sem ter um desfecho bem efetivo. Ou seja, a trama dele até nos lembra um pouco "Spotlight - Segredos Revelados", só que ao invés de pousarmos em Boston, aqui ficamos entre Paris e Lyon, porém se no filme americano foram enfáticos com o estilo mais em cima da mídia, com a imprensa revelando tudo, trabalhando com os materiais e tudo mais, aqui o foco foram mais as vítimas, e com isso o elo se perde um pouco em determinados momentos, e fica alongado demais para chegar a uma conclusão mais impactante, o que faz do filme forte de intenção e fraco de entonação, o que é uma pena, pois poderia com toda certeza ser mais duro, ao ponto de que saíssemos da sessão chocados e revoltados com tudo, o que não ocorre.

O longa nos conta que um dia, Alexandre toma coragem para escrever uma carta à Igreja Católica, revelando um segredo: quando era criança, foi abusado sexualmente pelo padre Preynat. Os psicólogos da Igreja tentam ajudar, mas não conseguem ocultar o fato de que o criminoso jamais foi afastado do cargo, pelo contrário: ele continua atuando junto às crianças. Alexandre toma coragem e publica a sua carta, o que logo faz aparecerem muitas outras denúncias de abuso, feitas pelo mesmo padre, além da conivência do cardeal Barbarin, que sempre soube dos crimes, mas nunca tomou providências. Juntos, Alexandre, François e Emmanuel criam um grupo de apoio para aumentar a pressão na justiça por providências. Mas eles terão que enfrentar todo o poder da cúpula da Igreja.

Chega até ser contraditório pensar nisso, conhecendo um pouco das obras do diretor e roteirista François Ozon, mas aparentemente ele deu diversas aliviadas quando o tema iria pegar fogo, desviando o foco para contar um pouco da vida e dos desenvolvimentos de outros protagonistas, tanto que teve alguns momentos que praticamente alguns personagens somem, e isso talvez em um livro ou num longa capitular funcionasse melhor, mas jogado ao comum linear como o filme se desenrola, acabamos nos perdendo um pouco, e esfriando o clima quente conforme era desenvolvido. Não digo que tenha sido errado, afinal o longa conta um pouco de cada um até formar a associação, e muito menos falo que o filme tenha ficado ruim ou sem o nível forte de acusação que Ozon claramente impõe em sua obra, só acredito que poderia funcionar muito melhor de outra forma, que não a entregue, pois a trama impactaria diretamente nas acusações, sem precisar explicitar a vida atual das famílias, ou seja, o diretor quis mostrar que felizmente os protagonistas conseguiram ocultar de sua mente levemente o ocorrido, tendo conseguido conquistar uma família bonita, se desenvolver pessoalmente e tudo mais, mas ao acender a lamparina que estava apagada, precisaram explodir.

Sobre as atuações, diria que todos os atores foram bem concisos nos seus momentos dramáticos de explicitação dos abusos, demonstrando cada um a sua maneira com choro, raiva, explosão, até tendo crises epiléticas, mas em suma todos se mostraram claros, bem direcionados, e com uma sintonia bem simpática, o que não costuma acontecer com os protagonistas de Ozon, ou seja, tivemos aqui um filme mais dócil do diretor, e todos ao menos se saíram bem nos papeis. Melvil Poupaud fez de seu Alexandre, um personagem sério como um executivo mais clássico, e encontrou muitas dúvidas no estilo, trabalhando sempre o pensamento além com olhares fluindo também para esse vazio de pensar, o que acaba chamando muita atenção. Denis Ménochet já trabalhou seu François como alguém mais explosivo, determinado a fazer o caso explodir também, e com uma desenvoltura cheia de movimentos ele acabou tendo bons destaques nas suas cenas. Swann Arlaud como Emmanuel já foi daqueles que ficamos preocupados em destruir o filme, pois ao mesmo tempo que suas crises eram fortes e bem chamativas, ele oscilava demais no âmbito familiar com sua namorada, fazendo com que o filme destoasse demais do caminho que andava seguindo, e diria que foi algo completamente desnecessário, e atrapalhou muito o andamento da trama, mas não por culpa do ator, e sim do roteiro. Agora Bernard Verley nos entregou um Padre Preynat daqueles que muitos sairão das sessões revoltosos, pois mesmo assumindo sua doença, fez cara de cordeirinho, algo muito impactante de se ver num filme, e isso mostra um tremendo acerto do ator, pois qualquer outro ato faria com que o público ficasse com dó dele, e não era essa a intenção do diretor, ou seja, o ator foi genial. François Marthouret também acertou demais como Barbarin, fazendo com que seu cardeal fosse praticamente um advogado daqueles que tentam minimizar as vítimas em prol do culpado, sendo muito incoerente em diversos momentos, e claro dando em seu diálogo o nome do filme ao final, o que causa muita revolta. Quanto aos demais, diria que todos foram bem expressivos e completamente coerentes trabalhando de uma forma bem bacana de ver as diversas mulheres dando muito suporte para seus maridos, e de uma forma muito revoltosa diversos pais e alguns parentes indo na contramão dos filhos em prol da igreja, não querendo acreditar no que aconteceu, ou até mesmo ignorando, ou seja, algo para se discutir muito, mas não tanto pelos atores, e sim pelos personagens em si.

No conceito visual, a trama trabalhou locações bem simples, e outras imponentes, para realçar cada momento, colocando muitas cenas iniciais dentro das igrejas, com missas e tudo mais, trabalhando sempre com fundos escuros e densos para criar a tensão necessária para o filme, e certamente encontrando bons atos nas diversas casas dos protagonistas, com as diversas cenas nas noites mais tradicionalmente católicas como é o caso do Natal, com os familiares à mesa, cheias de detalhes, e claro as reuniões junto aos membros da igreja, sempre cheias de simbologias bem colocadas, e rezas, fora as cenas de memórias mostrando os escoteiros sofrendo os abusos através de cenas simbólicas também bem colocadas para não necessitar serem explícitas, mostrando os jovens sendo chamados pelo padre para rezar, ou fazer diversos outros afazeres em lugares separados dos demais, para acontecer os atos. Ou seja, a equipe de arte foi mais simbólica do que o comum, e isso foi bom para não pesar tanto no resultado, afinal souberam usar inclusive os tons da fotografia para criar as tensões e impactos.

Enfim, é um filme muito bem feito, com uma proposta sólida e determinada que poderia resultar ainda em um daqueles longas que sairíamos da sessão revoltadíssimos querendo explodir tudo ao redor, ou desesperados para gritar para todos os lados, mas com diversas pausas e mudanças de elo, o clima sempre que pesava era amenizado, e com isso o filme funciona dentro do que desejavam mostrar, que é acusar o silêncio da igreja para os casos, e demonstrar algumas atitudes que foram feitas para isso, mas esperava mais do diretor, e talvez por isso não tenha saído tão empolgado. Sendo assim, até recomendo o longa pela mensagem, para que outros vejam, apesar de que as pessoas que necessitam dessa abertura de mente não verão de forma alguma, ou seja, veja, discuta, e quem sabe um dia todos os culpados sejam exonerados, presos e tudo mais, o que dificilmente ocorrerá. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Cyrano Mon Amour (Edmond)

6/09/2019 09:49:00 PM |

Magistral, encantador, genial!!! São poucos os adjetivos para definir "Cyrano Mon Amour", uma obra incrível que nos mostra, de uma forma fictícia claro, como foi a concepção de uma das maiores peças do teatro francês, que virou depois um dos grandes clássicos do cinema francês, no caso "Cyrano de Bergerac". Ou seja, um filme de bastidores, que mostra como o autor Edmond sofreu para criar tudo, sob pressão, inicialmente sem uma musa, com tudo pronto para dar super errado, mas que como costumamos dizer, uma peça só acaba quando termina, e de preferência sob muitos aplausos, o que acaba acontecendo, e sendo assim, esse Coelho sendo um produtor, saiu apaixonado da sessão, com muita vontade de aplaudir, e querendo ver mais ainda, pois valeu cada minuto na sala.

O longa nos situa em 1897, Edmond Rostand não tem nem 30 anos de idade ainda, mas já tem dois filhos e muitos anseios. Desesperado por trabalho e há dois anos sem conseguir escrever nada, ele oferece ao renomado Benoît-Constant Coquelin uma nova peça, uma comédia heróica a ser entregue na época das festas. Só tem um problema, ele ainda não a escreveu. Esta peça viria a ser o clássico Cyrano de Bergerac.

Em sua estreia na direção de longas Alexis Michalik, que já dirigiu e escreveu a peça de mesmo nome no teatro, faz algo que poucos conseguiram, mostrar os bastidores de um clássico sem precisar de making of, aliás imaginando claramente como tudo aconteceu, pois naquela época não existia essa tecnologia, ou seja, sua criatividade foi algo tão bem colocado que acabamos nos surpreendendo a cada momento, vivenciando os atos, resolvendo cada ponto, cada inspiração para os diálogos, fazendo com que o filme ficasse ainda mais grandioso com todos os elementos possíveis. Cada ato do filme se desenvolve com primor técnico incrível, fazendo os muitos personagens terem boas importâncias, mas nunca em momento algum apagando a desenvoltura do protagonista, que aliás foi ótimo. E sendo assim, por ser o primeiro filme de Michalik, ficarei muito de olho nele, pois certamente surpreenderá nos próximos!

Quanto das atuações, posso dizer com toda certeza que a escolha de Thomas Solivérès como Edmond foi incrivelmente certeira, pois o jovem conseguiu encontrar trejeitos tão perfeitos para cada momento, de modo que conseguiu expressar desespero, tensão, paixão pela musa e pela inspiração de seu trabalho estar fluindo, que acabamos nos apaixonando por tudo o que faz em cena, sendo um nome que tranquilamente mereceria estar nas premiações por agradar demais no papel. Olivier Gourmet como Olivier foi muito divertido, cheio de boas posturas, incorporações gestuais e trejeitos tão bem colocados que acabaram dando ao longa ótimos momentos que foram até além da história de Cyrano, transformando o personagem em alguém muito além do papel, com um ator incrível misturando o fora e o dentro do palco. Mathilde Seigner trabalhou sua Maria com muita loucura e trejeitos fortes, botando sempre a frente a imposição vocal e as vontades que vemos em grandes estrelas de teatro, ou seja, perfeita para o papel. Tom Leeb encontrou em seu Léo bons trejeitos, uma desenvoltura bem interessante de amizade com o protagonista, e com muita sagacidade encaixou perfeitamente o que vemos no filme clássico, dando um ótimo acerto também para o papel. Igor Gotesman entregou um Jean bem engraçado, com momentos levemente bobos, mas com outros tão bem sagazes mais para o final que acabamos rindo demais com o que faz. Alice de Lencquesaing entregou sua Rosemonde como a tradicional esposa apoiadora, mas ciumenta em cima do grande autor que passa a sonhar mais com sua musa do que com a própria mulher, e os olhares desapaixonados mostram isso com um tom muito bem feito, e interessante de acompanhar. Lucie Boujenah caiu como uma luva também para sua Jeanne, trabalhando graciosamente como musa, bem colocada em todas as cenas, e sabiamente indo além de trejeitos para romantizar o personagem. Poderia falar de muitos outros, mas acabaria ficando com um texto imenso, então prefiro dizer que a grande participação de todos foi algo incrível, mesmo tendo papéis pequenos, com leve para as cenas de Jean-Michel Martial como Honoré.

Toda a cenografia visual é incrível, mostrando o trabalho minucioso da equipe de arte não apenas para criar o filme, cada momento, cada cena dentro e fora do palco com cenários incríveis, figurinos magistrais,  e tudo mais que pudessem colocar na telona desde a montagem da peça no palco até incluindo também os momentos na cidade cheia de elementos bem colocados para representar a época e encaixar tudo como uma grandiosa produção que vemos nascendo na telona, ou seja, incríveis na medida certa, encantando em cada pequenino papel escrito pelo autor da peça, passando pelos grandes cafés e bordéis, até chegar em cada casa, cada coxia, cada elemento perfeito que encontraram para representar o filme, aliando inclusive com uma ótima fotografia cenográfica bem colocada que agrada demais, e nos coloca vendo o nascimento da grande obra prima.

Enfim, incrível demais, recomendo a todos que vejam muito esse longa, se possível revendo antes o clássico, mas esse não fique sem ver, pois, é muito bom mesmo, e quem não imagina como é fazer uma produção, verá todas as dificuldades, todo o processo do começo ao fim, que certamente empolgará e emocionará quem for da área, então foi incrível ver tudo acontecendo. Bem é isso, ainda estou em choque com o maravilhoso filme que vi, que divertiu a todos na sala e mexeu demais com o Coelho, mas borá lá ver o próximo do Festival. Então abraços e até logo mais.

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Meu Bebê (Mon Bébé) (Sweetheart)

6/09/2019 02:42:00 AM |

Um filme-homenagem bonito e emocionante, essa é a melhor definição de "Meu Bebê" que não entrega nenhum grandioso dilema, nem um drama conciso de acontecimentos, nem nada que você olhe e enxergue um roteiro tradicional, pois o filme trabalha as situações vividas pela protagonista, sua família e amigos durante os últimos dias/meses da filha mais nova na casa da mãe antes de ir estudar fora, enquanto a mãe lembra dos filhos pequenos, do que vivenciou com eles, e claro as atitudes desesperadas e tradicionais que muitas mães fazem. Ou seja, todos vão enxergar um pouco de sua mãe em Héloïse, de modo que o filme vai remeter boas lembranças, ter sentimentos e num apanhado geral chegar a se envolver, não tendo muito uma interação direcionada para como filme, mas tudo funciona tão bem que acaba sendo agradável ver.

O longa nos mostra que quando Jade, a filha mais nova de Héloïse, está prestes a completar 18 anos e anuncia que vai para o Canadá completar seus estudos, a decisão causa um inesperado impacto na mãe. A relação entra em um clima de saudosismo antecipado, e as duas passam a refletir sobre o passado e o futuro.

A diretora e roteirista Lisa Azuelos trabalhou muito bem para o que desejava entregar, criando algo mais amplo do que um filme com um conflito direto, pois conseguimos enxergar vértices de uma série longa, conseguimos enxergar trejeitos novelescos, e também conseguimos ver alguns pontos tradicionais de filmes familiares, de modo que seu longa acaba sendo uma junção completa de situações conflitivas na mente das duas protagonistas ao analisarem tudo que já viveram, as lembranças, sentimentos e tudo mais, afinal como a mãe cuidou dos três filhos praticamente a vida toda sozinha, todos possuem bons momentos com ela, possuindo lembranças, desejos e claro a velha rixa de qual filho é o preferido, ou seja, a diretora brincou com as diversas situações de uma maneira leve e bem gostosa de acompanhar, fazendo com que o filme remetesse a todos diversas emoções e sentimentos, como algo bonito de se ver, e principalmente muito bem interpretado, pois talvez se a protagonista enxergasse um rumo só, o filme acabaria não entrando tanto no clima, e assim sendo o acerto não seria nem metade do que acabou resultando.

E já que comecei a falar das atuações, já vou colocando Sandrine Kiberlain como uma atriz completa, pois sua Héloïse é mais do que viva, sendo daquelas personagens que nos remetem não só algo de nossas mães, mas encontra vértices de referências a mães do cinema em geral, com muita simplicidade, loucura, paranoia, irresponsabilidade, responsabilidades, e tudo mais junto em uma única personagem, que encontra vértices e trejeitos tão bons, que já havia elogiado o que fez em outros filmes, mas aqui ela foi completa. Thaïs Alessandrin, que é filha da diretora, soube dosar bem sua Jade, entregando momentos corriqueiros de raiva, situações do primeiro amor, e até botando o corpo pra jogo a jovem foi, mostrando estar bem desinibida na frente das câmeras, mas principalmente seu acerto foi encontrar trejeitos bem moldados para não soar nem aquelas jovens irritantes, nem parecer bobinha demais, e isso deu um charme a mais para a personagem. Os outros filhos apareceram pouco como adultos/jovens, mas sempre que surgiam davam bons tons para conectar as atitudes da mãe, de modo que acaba sendo boas participações de Victor Belmondo como Théo e Camille Claris como Lola, enquanto as crianças escolhidas foram todas muito graciosas e bem colocadas em cada momento, com destaque claro para Mila Ayache como Jade criança. E dentre os demais, vale certo destaque para Mickaël Lumière como Louis e Patrick Chesnais como Jules, que apareceram bem como o namorado da garota e o pai da protagonista.

O conceito visual da trama é simples, e fica praticamente oscilando entre o apartamento da protagonista com a mesa lotada de cadernos e anotações da filha, o seu restaurante, e algumas boates aonde ocorrem festas, inclusive festa no apartamento, tendo como objetos cênicos marcantes o celular que usa para fazer vídeos que leva até uma explicação muito boa de como jogar coisas na nuvem, que tanto explicamos aos nossos pais, e que de forma bem singela acaba sendo bem importante para determinado momento do filme, ou seja, foram singelos na arte, não gastando muito, mas elaborando boas cenas com momentos marcantes. A fotografia trabalhou com a iluminação sempre de um tom abaixo, para dar a noção de emoção e sentimento, o que é bacana de ver, e funciona sempre.

Enfim, temos um filme bonito de ver que não é nenhuma obra prima, que talvez até nem lembremos dele mais para a frente, mas que consegue nos tocar e agradar de certa forma, valendo a conferida mais como eu disse, por ser uma homenagem as mães, e trabalhar bem esse sentimento de nos envolvermos com essas mulheres que tanto cuidaram de nós. Sendo assim, fica minha recomendação. Bem é isso pessoal, encerro aqui o dia no Festival, já passei da metade dos filmes inclusive, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Finalmente Livres (En Liberté) (The Trouble With You)

6/08/2019 09:40:00 PM |

São raras as produções que trabalham atualmente o gênero da comédia pastelão, pois geralmente abusam de trejeitos forçados, de situações bobas, e até de exageros desnecessários para angariar o riso do público, mas os que tem feito e funcionado, ao menos para divertir, são os pastelões franceses, e aqui em "Finalmente Livres" vemos exatamente essa essência que víamos nas comédias policiais de antigamente, porém vertendo aqui para o lado da culpa de uma policial pelo que o marido policial corrupto fez no passado, é o acerto até que agrada na maior parte, de modo que poderiam ter entregue uma história mais trabalhada nas atitudes que funcionaria da mesma forma, e não precisaria apelar tanto, mas aí seria outro gênero. Diria que é um filme divertido de essência, e que faz rir, mas apela demais para conseguir isso.

O longa conta a história de Yvonne, uma jovem inspetora de polícia, que descobre que o marido, o capitão Santi, herói local morto em combate, não era o policial corajoso e íntegro que ela pensava, mas um verdadeiro bandido. Determinada a reparar os erros cometidos por ele, Yvonne cruza o caminho de Antoine, injustamente preso por Santi durante oito longos anos.

O diretor Pierre Salvadori foi bem sagaz no que desejava mostrar, trabalhando bem em cima de diversas referências, que conseguem entregar estilos e possibilidades bem encontradas para que a dinâmica agitada do longa sobrepusesse os momentos mais pensantes, de modo que seu roteiro não fica cru, e possivelmente muito do que vemos na telona seja até providos dos atores. Digo isso pois esse estilo pede um pouco de abstração, e a trama em momento algum tenta ser correta ou que traga algo proveitoso de símbolos, fazendo com que demos risada até de momentos mais bobinhos que normalmente não iriamos rir, ou seja, o diretor jogou a linha e esperou que puxássemos, e assim o filme flui e diverte, pois, o texto ao menos é bom.

Quanto das atuações, posso dizer com toda certeza que a maioria não costuma fazer comédia, pois são bem secos de expressões, mas aqui como a situação faz rir, acabaram se encaixando bem. Adèle Haenel trouxe para sua Yvonne o lado mais sensual, preocupado em apagar sua culpa, e sempre com trejeitos desesperados acaba encaixando bons momentos, mas nada que valha ser lembrado mais para frente em seu currículo. Pio Marmaï trabalhou bem seu Antoine para alguém que não liga para o exagero, de modo que acabamos rindo de seus atos, mas não impacta como algo bom, soando meio bobo demais. Audrey Tautou infelizmente fez um papel jogado na trama como Agnès, de modo que pode dizer que nem participou da trama. Damien Bonnard fez boas cenas com seu Louis, encaixando atos até bobinhos, mas seu ar apaixonado acaba funcionando para a trama. Vincent Elbaz como Jean Santi só serviu para os atos mais montados da história policial, ficando bem lembrado do estilo antigo, mas também nada que seja um grande expoente.

Visualmente o longa encontrou bons momentos para ter suas sacadas, como o tiro no parque de diversões, o quarto de sadomasoquismo para as roupas, que são usadas na delegacia também divertindo, a briga no restaurante com o que ocorre depois, e até mesmo o assalto final soou bem encaixado como uma novela, ou seja, a equipe de arte trabalhou até mais do que o diretor em si, é o resultado exagerado funciona ao menos.

Enfim, um filme bem forçado que serve para passar um tempo, mas que amanhã nem lembraremos de ter visto ele, e sendo assim só recomendo ele se você gostar muito do estilo, e estiver sem mais nada para conferir. Fico por aqui agora, mas volto em breve com o último texto de hoje, então até logo mais.

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Astérix e o Segredo da Poção Mágica (Astérix - Le secret de la potion magique) (Asterix - The Secret of the Magic Potion)

6/08/2019 06:49:00 PM |

No Festival Varilux de 2015 tivemos outra animação do Astérix, e lá fiquei muito feliz de ver que as ideias das piadas ainda se mantinham e seguiam com o mesmo propósito de animação, porém agora com o lançamento de "Astérix e o Segredo da Poção Mágica" tivemos algo que seguiu o formato visual, os personagens com seus atos bobos, porém foi mudado quase que completamente a essência da trama, colocando quase que um vilão entre eles próprios, com discussões fora do eixo, e jogadas próprias que passaram quase que completamente longe da briga entre gauleses e romanos, que é o que vem mantendo a diversão há tempos. Ou seja, não digo que o resultado final tenha sido algo ruim de ver, pois a essência ainda diverte bastante, mas a trama não consegue seguir uma linha mais carismática com os personagens, nem nos conecta como antes, entregando algo comum demais para uma animação que fazia rir do começo ao fim.

Na nova história, Astérix e Obelix embarcam em uma jornada inédita. Dessa vez eles precisam ajudar o velho druida Getafix a encontrar um novo guardião para a poção mágica de Gália. Durante a viagem pela região, eles devem impedir que a receita mágica caia nas mãos erradas, dando início a uma inesperada aventura.

O mais interessante é que continuando o sucesso que fizeram com a franquia em 2015, e também vimos no Varilux daquele ano com "O Domínio Dos Deuses", os mesmos diretores Alexandre Astier e Louis Clichy voltam para criar um vértice bem diferente, ousando procurar um rumo mais inventivo aqui, tanto que a trama sai quase que completamente do protagonista Astérix, ou seja, acabaram colocando o grande personagem quase como um figurante de luxo na trama, e assim sendo o resultado desanda um pouco. Não digo que tenha virado uma bomba imensa, apenas nos remete a um filme que não é o tradicional que esperávamos, e que não empolga como casualmente ocorreria, ficando estranho demais. Ou seja, é quase como se fizessem um filme do Mickey aonde o Tio Patinhas fosse o protagonista da trama, o que resultaria em algo bem falho embora o personagem fosse bom também.

Quanto do conceito gráfico da trama diria que evoluíram imensamente, pois temos gráficos de primeira linha, com personagens bem moldados, texturas interessantes, e cenários bem trabalhados que funcionaram bem para retratar cãs momento, de modo que tudo se encaixa, além claro de colocar bons personagens representativos, com nomes sempre terminando em "fix", com cada druida de uma região da Gália e seu respectivo discípulo, tendo até um grandioso e famoso aprendiz bem conhecido de todos por multiplicar os pães, ou seja, ainda mantiveram boas sacadas para cada momento.

O colorido bem colocado tradicionalmente funciona e agrada, resultando em algo que agora tendo melhores texturas acaba impressionando, e trabalhando muita magia, é capaz que os pequenos que nunca ouviram falar das histórias do personagem se encaixem na ideia, e se divirtam com isso, mas quem já conhecia um pouco acabará ficando triste por não ver o formato original das boas brigas.

Enfim, passa bem longe de ser algo ruim de ver, pois ainda tem conteúdos divertidos, personagens bacanas, e situações bem colocadas, mas não é daquelas animações que saímos da sessão empolgados com o que vimos na telona, e assim sendo recomendo ele com ressalvas demais para somente aqueles que não forem esperando ver um longa do protagonista, funcionando quase como um adendo a parte das histórias dele. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas vamos já para mais um longa do Festival, então abraços e até logo mais.

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X-Men - Fênix Negra em Imax 3D (X-Men: Dark Phoenix)

6/08/2019 03:02:00 AM |

Até entendo alguns críticos que não gostaram do novo "X-Men - Fênix Negra" por achar ele lento, faltar entregar algo mais novo e tudo mais, porém confesso que gostei até que bastante da pegada que trabalharam, entregando uma nova raça alienígena entrando na Terra atrás de um super-poder, ficou bem interessante as lutas finais, e o estilo encontrado para cada momento foi bem desenvolvido, porém concordo com muitos que poderiam ter criado mais histórias, ter ido para outros rumos, e até deixado a porta mais aberta para um futuro incerto do que a Disney irá fazer com o que tem de material até agora, ou se vão zerar tudo o que ocorreu. Mas ouvi de muitos críticos e até de alguns fãs de se tratar o pior filme de X-Men já feito, e acho que esse pessoal está meio maluco, pois embora a cronologia seja um dos maiores problemas da trama, aqui o filme seguiu até que um rumo bem colocado, encontrou motes para as situações fortes ocorrerem, e o filme seguiu uma dinâmica própria para mostrar que os poderes de Jean são muito mais fortes do que tudo, e que ninguém iria lhe parar, ninguém desse mundo, e isso ficou legal de ver. Claro que ainda não é o fã-service que muitos esperavam, mas não é a bomba que diziam ser, e quem for com a mente aberta irá gostar também do resultado satisfatório feito na telona.

O longa nos situa em 1992. Os X-Men são considerados heróis nacionais e o professor Charles Xavier agora dispõe de contato direto com o presidente dos Estados Unidos. Quando uma missão espacial enfrenta problemas, o governo convoca a equipe mutante para ajudá-lo. Liderado por Mística, os X-Men partem rumo ao espaço em uma equipe composta por Fera, Jean Grey, Ciclope, Tempestade, Mercúrio e Noturno. Ao tentar resgatar o comandante da missão, Jean Grey fica presa no ônibus espacial e é atingida por uma poderosa força cósmica, que acaba absorvida em seu corpo. Após ser resgatada e retornar à Terra, aos poucos ela percebe que há algo bem estranho dentro de si, o que desperta lembranças de um passado sombrio e, também, o interesse de seres extra-terrestres.

Chega até ser engraçado que o roteirista da primeira versão dos X-Men aonde surgiu a Fênix, em 2006 com "O Confronto Final", vem agora 13 anos depois entregar seu primeiro filme como diretor nos mostrando novamente a Fênix surgindo, ou seja, Simon Kinberg tem fixação por essa personagem, e conseguiu entregar algo bem melhor do que o que vimos lá, apesar de que naquela época prezaram pela batalha, e aqui mais pelo contexto em si, criando uma origem mais forte para a força e trabalhando outros elos mais comuns de ver na Marvel que são extra-terrestres. Diria que se o diretor tivesse se empolgado um pouco mais e criado mais lutas desde o começo, os fãs estariam vibrando até agora, querendo muito mais, ou então se ele tivesse matado todos e não apenas um o resultado seria outro, porém certamente a ideia dele como um bom roteirista de estilo, foi deixar que a trama ficasse bem aberta para outras propostas futuras, e essa escolha foi bem feita, embora mude os rumos que muitos costumeiramente sempre viram, com um final digamos fora do eixo, mas ainda assim, o resultado é interessante de ver.

Quanto das atuações, posso dizer que Sophie Turner não teve a pegada forte e expressiva para chamar o longa de seu, pois sua Jean é um personagem interessante, mas a atriz ficou sempre com efeitos exagerados e posturas fortes demais, de modo que ela nem teve tempo suficiente para trabalhar diálogos e expressividades corporais que fizessem nos conectar mais a ela, ou seja, soou sempre falso demais, embora quando incorporada de poderes fez bem os movimentos ao menos. James McAvoy sempre se entrega para os personagens, mas aqui aparentou um Xavier levemente cansado de expressões, parecendo já não ter a mesma dinâmica dos filmes anteriores, mas longe de ficar ruim de estilo, o ator foi bem em diversos momentos, puxando até a responsabilidade para si em diversos atos, o que faz ficar em evidência seu desgaste. Michael Fassbender também entrega um Magneto bem trabalhado, que incorpora boas cenas e chama o close para si, agradando bem no que faz, porém gostamos dele violento em cena, e aqui ficou um pouco cordeirinho demais para o seu papel. Nicholas Hoult trabalhou bem sua Fera, encontrando momentos chamativos para se expressar, oscilando bem sua tristeza e sua raiva, o que faltou mesmo foi chamar a responsabilidade em alguns momentos. Chega a ser até engraçado ver Jessica Chastain sem estar ruiva, e aqui sua personagem Vuk é bizarramente estranha, de tal maneira que com expressões quase robóticas ficamos esperando ela se transformar em algo diferente, mas sempre mantendo o mesmo tom de voz, os mesmos olhares, acaba impressionando ao mesmo tempo que assusta de forma estranha. Quanto aos demais, podemos dar destaque para a garotinha Summer Fontana que fez a jovem Jean de uma maneira bem doce e interessante de ver, e dizer que praticamente todos tiveram um bom tempo de tela para chamar de seu, não sendo nada muito chamativo, mas ao menos agradando.

Visualmente o longa possui um tom bem mais denso e escuro que os demais filmes da franquia, escolhendo ambientes sempre mais fechados e/ou cenas noturnas com muitos elementos saltando e sendo destruídos (o que ajudaria bem o 3D caso quisessem, mas que não foi muito além!), além claro de bons elementos cênicos sendo usados como ferramentas/armas para cada cena, o que deu um tom forte para a trama, destaque claro para as cenas no espaço e na pequena vila aonde a jovem vai atrás do pai, e também na ilha de Magneto que mostrou um ambiente praticamente novo e interessante que poderia ter sido mais mostrado na trama. Embora seja um filme escuro, abusaram muito de tons vermelhos para os efeitos, e isso acabou chamando muito a atenção para o ambiente ficando claro como a protagonista, e isso acaba sendo bem interessante de ver, contrastando sempre o ar da trama, e com esse tom mais escuro todos os efeitos tiveram muito destaque, o que acaba soando um ponto bem positivo para o filme. Quanto do 3D, poderiam ter usado imensamente mais tanto a profundidade dos ambientes com muitos personagens, como com coisas saindo da tela, pois a destruição vem de todos os lados, e o resultado empolgaria muito os que gostam da tecnologia, mas não fizeram, e sendo assim, somente quem tiver com muita vontade deve ir ver com a tecnologia, pois não fará diferença nenhuma ver no modo comum, tirando uma ou duas cenas bem encontradas com a técnica.

Enfim, é um filme que poderia ter sido muito melhor, mas que não desaponta dentro do que foi proposto, de modo que mesmo não trazendo muitas novidades para a franquia, poderia ter fechado o ciclo melhor, mas ao menos não desaponta quem não for esperando muita coisa, como foi o meu caso, e assim sendo recomendo que quem for conferir vá assim, pois a chance de gostar é bem maior. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Através do Fogo (Sauver ou Périr) (Through the Fire)

6/07/2019 09:03:00 PM |

Muitas vezes olhamos para algumas pessoas e enxergamos elas como heróis, como vencedores, que não possuem problemas pessoais, e tudo mais, mas não sabemos o que elas estão sentindo por dentro, e quando essas pessoas mais precisam de ajuda, geralmente elas não aceitam isso, sofrendo muito e tendo de mudar completamente para poder voltar a viver. Usando dessa ideia o longa "Através do Fogo" nos entrega algo quase como em uma montanha-russa de sentimentos, inicialmente nos apresentando o personagem bem de leve com uma subida clássica, para quando estando já no ápice da carreira vir o acidente impactante, que sofremos junto com ele, depois as diversas curvas tensas que causam muitas dores ao ver o tratamento no hospital, para daí continuarmos batendo nos atos mais fortes da recuperação que quando achamos estar bem vem algo para atrapalhar, até chegarmos ao fim que necessita de uma redenção e de um reencontro com as próprias pernas para seguir. Pois bem, se você é desses que foge de montanhas-russas, certamente não será algo nada agradável conferir o longa, mas lhe digo que faça um esforço e vá sentir na pele do protagonista o sentimento de ter de recomeçar do zero tudo o que já tinha conquistado, mudando suas perspectivas, e se reencontrando por dentro, afinal as cicatrizes ficarão, mas a essência precisa estar pronta para ir para frente. Diria que é um dos filmes mais intensos de presença que o Festival trouxe nesse ano, pois até temos filmes densos de ideia, mas aqui o jovem ator que já vinha sendo cotado como um dos melhores da França precisou mostra que um bom ator não precisa de traquejos expressivos na face para envolver, mas sim todo o restante pode entregar, e isso o filme faz por demais.

O longa nos mostra que Franck Pasquier é um jovem bombeiro extremamente dedicado ao seu trabalho e que vive feliz em companhia de sua esposa. Durante um incêndio, ele se sacrifica para salvar um colega. Quando acorda em um hospital de Les Grands Brûlés, Franck percebe que seu rosto ficou gravemente queimado. Agora, ele terá de reaprender a viver e aceitar sua nova condição.

O diretor e roteirista Frédéric Tellier quis aqui criar algo que vai muito além de uma homenagem aos bombeiros, mas que consegue passar toda a forma de reconstrução familiar, e ainda mais a reconstrução de um ego, de uma alma machucada por mudar seus anseios, e com isso o filme dele não permeia situações fáceis de ver, de modo que confesso mesmo sendo um fã de filmes de terror, fiquei quase com vontade de fechar os olhos nas cenas do hospital, pois foram feitas com muita dor, além das cenas no incêndio completamente fortes e vivas dando um tom bem realístico para a trama, de modo que até sendo um filme não tão complexo, acabamos fluindo os vértices para pensamentos que vão para muito além da telona, como por exemplo o que faríamos no lugar de Franck (pois como os médicos no filme falam, a maioria de queimados desiste no próprio coma, não aguentando brigar com o corpo, quanto mais brigar com o ego depois), ou então o que faríamos no lugar de Cécile (tendo de cuidar de dois bebês, mais o marido entrando em completo lado contrário do que usualmente fazia), ou seja, um filme para se pensar, para se discutir, e muito mais, que faz dele uma grande obra visual para ser conferida.

Quanto das atuações, confesso que tinha um certo ranço pelo ator Pierre Niney nos outros festivais, pois nos últimos festivais só falavam dele, o colocavam no centro das atenções, diziam ser o novo nome expressivo do cinema francês, mas não conseguia enxergar isso com suas atuações sempre sendo boas, mas não para o tanto que falavam, porém aqui ele mostrou a que veio com seu Franck, não no primeiro ato que entrega como fez em todos os filmes, mas ao não poder colocar sua cara para fazer expressões, apenas entoando uma voz embargada com a boca queimada, sem usar olhares densos por trás da máscara, fazendo com que ficássemos tristes por ele, sentidos pelo seu ego, e com uma desenvoltura precisa acertando ainda cada momento com o tom certo, ou seja, agora sim posso falar que ele é um dos grandes nomes do cinema francês atual. É engraçado que estava olhando para a protagonista Anaïs Demoustier, e pensando que outro filme ela fez que não me era estranha, e agora ao ver seu perfil, vi que ela estava no longa anterior de hoje do Festival como Esther, que nem cheguei a pontuar, pois era uma personagem simples de professora de latim que se envolvia com um dos filhos, mas nada que chamasse muita atenção, porém aqui como Cécile, ela trabalhou a expressividade sua com trejeitos fortes, ousou brincar com um ar sedutor mais simples porém efetivo, e com muita graciosidade passou diversos sentimentos para o público, de modo que como disse precisamos até entrar na mente da personagem para entender tudo o que estava sentindo, e isso é algo que poucos atores conseguem transparecer. Quanto aos demais, todos apareceram com sinceridade para a trama, alguns dando um tom a mais, outros fluindo um pouco menos, valendo destacar apenas Vincent Rottiers como o amigo bombeiro Martin que também sofre um acidente, e Chloé Stefani como a médica Nathalie que cuida do bombeiro com muito amor e sentimento, ou seja, se doaram também para o filme.

A trama entrega também um bom trabalho da equipe artística, criando momentos fortes como nas cenas de fogo no armazém, o charmoso corpo de bombeiros aonde foi nos primeiros atos a casa do protagonista também cheia de detalhes, um hospital bem montado para tratar os queimados, e os detalhes marcantes da volta do protagonista para sua nova casa toda removida de espelhos, para marcar forte, depois na escola de música a reintegração bem feita e tudo mais, ou seja, um trabalho minucioso que não chega a ser imponente, mas que agrada demais por tudo o que fizeram. Outro grande ponto do longa ficou claro para a equipe de maquiagem, que fez algo forte, bem marcante e que chega a arrepiar só de lembrar cada cena de pele desmanchando, ou seja, algo feito em detalhes marcantes que honraram os profissionais da classe. A fotografia trabalhou com cores bem neutras, mas sempre puxando para algo mais escuro para aumentar a dramaticidade da trama, o que marca bastante cada momento, e funciona como elo de virada para as cenas finais todas bem iluminadas, que mostram o renascimento, ou seja, um show visual.

Enfim, um filme forte, bem feito, que até possui leves defeitos de alongamento e poderiam ser resumidos para termos uma dinâmica melhor, mas que acabaria não marcando tanto quanto o que acabou acontecendo, e sendo assim melhor manter todas as cenas extras colocadas. Sendo assim recomendo muito o filme para todos, mas que vá ao cinema preparados, pois os momentos do acidente e do hospital são bem duros de ver. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje com os filmes do Festival Varilux, mas volto logo mais com uma crítica de uma das estreias normais da semana, então abraços e até logo mais.

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