Toy Story 4 em Imax 3D (Toy Story 4)

6/20/2019 09:28:00 PM |

A única coisa que sabemos quando vamos ver um longa da Pixar é que terá diversas mensagens impregnadas na trama, para que o público as leia de forma diferente do comum e se emocione com elas, além claro de um primor fora do comum de texturas, de forma a quase achamos que os brinquedos em cena são tão reais que foram filmados realmente ao invés de ser computação gráfica. Tirando isso, cada filme novo é uma nova proposta, que mesmo que siga caminhos extremamente iguais aos predecessores, sempre acaba fluindo de forma diferente, e aqui em "Toy Story 4" temos um filme novamente lindíssimo, cheio de texturas impressionantes, novamente brincando pelo fator casual de nenhum brinquedo fica para trás, mas que ao trabalhar a sensibilidade humana de saber o seu propósito no mundo (seja você um humano ou um brinquedo), e ouvindo sua voz interior (no caso a nossa consciência), o resultado acaba soando bem agradável de ver. Claro que está bem longe de tudo o que falaram nos últimos dias de ser o melhor isso, o mais forte naquilo, e tudo mais, mas ainda assim acaba sendo uma trama gostosa de conferir, que interage bem dentro da proposta, e que agora sim aparentemente temos um final, não uma passagem, mas que vai saber o que pensam produtores, e assim sendo pode ser que daqui 10 anos novamente lancem outra continuação.

O longa nos mostra que agora morando na casa da pequena Bonnie, Woody apresenta aos amigos o novo brinquedo construído por ela: Garfinho, baseado em um garfo de verdade. O novo posto de brinquedo não o agrada nem um pouco, o que faz com que Garfinho fuja de casa. Decidido a trazer de volta o atual brinquedo favorito de Bonnie, Woody parte em seu encalço e, no caminho, reencontra Betty, que agora vive em um parque de diversões.

Antes de mais nada, não espere ver um  seguimento completo da história, pois praticamente toda a equipe original da trilogia foi alterada, desde produtores, roteiristas, até diretor, ou seja, utilizaram somente a base original para que o rumo não se perdesse, e trabalharam as essências com muita coisa nova, e aí logo de cara já temos no primeiro minuto de filme um erro de data monstruoso, pois o ato que acontece ali foi entre o segundo e o terceiro filme, ou seja, entre 1999 e 2010, e a trama mostra apenas 9 anos atrás, que foi quando ocorreu o terceiro longa, aonde Andy já estava grande e indo para a faculdade, e não um garotinho assustado correndo pela casa atrás de seu boneco. Felizmente esse foi só a maior bomba, pois depois o tempo volta para os dias atuais e não precisamos ficar tão perdidos. Digo isso, pois fiz a maratona dos longas anteriores ontem, então estava bem conectado com cada momento do filme, senão era capaz de passar em branco esse detalhe, que não atrapalha em si o resultado do longa, só acaba sendo estranho. Dito isso, o filme tem uma desenvoltura bem próxima dos anteriores, com várias oscilações de felicidade e tristeza, com alguns alongamentos, mas que de toda a forma sempre se verte para a máxima de todos os longas: o de não deixar nenhum brinquedo para trás, mesmo que esse brinquedo não queira ser um brinquedo, como é o caso aqui, e dessa forma, o diretor estreante Josh Cooley soube conduzir sua trama como uma boa saga, encontrando personagens rápidos, e situações simples de serem resolvidas, não colocando nenhum grandioso vilão, mesmo que os bonecos sejam levemente feios, e assim, o resultado é bem feito, o que agrada de certa forma, sem ser apelativo, e principalmente, dando agora um final realmente para a trama, sem precisar que o público lave a sala do cinema.

Com uma boa dinâmica entre os personagens principais, a trama flui e agrada, apesar que diferente dos anteriores onde a maioria participava bem, aqui o filme praticamente todo fica em cima de Woody, Buzz e Betty dos antigos, e de Garfinho e da boneca Gabby Gabby dos novos, deixando os demais praticamente sempre no furgão desenvolvendo bem pouco, mas sendo divertidos no que se propõem. De forma geral, todos se mantêm bem consistentes de aventura, encontram sua sina bem encaixada em cada um dos elos, e assim como já ocorreu, se mostram sempre carismáticos, de modo que Woody ainda é aquele personagem desengonçado, mas com um propósito humano tão bem encontrado que não tem como não se apaixonar por suas atitudes, que mesmo as vezes autoritárias demais, acabam encaixando na história e agradando por completo. Buzz aqui está bem mais sério, e cheio de formas para suas aventuras, fazendo com que não se arriscassem tanto no desenvolvimento, mas agradasse como resultado. Aqui é explicado logo de cara o que aconteceu com Betty por não aparecer no terceiro filme, e claro sua volta é bem trabalhada com muito cuidado, mas incrivelmente a colocando em grandiosas cenas de ação (será que os roteiristas tinham noção de que ela é feita de porcelana, e que quebra com grandes atritos?), de modo que ela acaba quase sendo a protagonista dessa nova trama, que com muita sagacidade acaba chamando a atenção e empolgando bastante, com bons diálogos e muito carisma próprio. Dentre os novos, diria que Garfinho foi um personagem que não apareceu no primeiro momento, pois é muito fraco se pensar em um garfo plástico como brinquedo, e mostrar suas dúvidas e afinidades, mas se pararmos para olhar crianças pequenas acabam fazendo brinquedo de tudo, então a ideia foi bem encontrada, e o resultado acaba tendo um gracejo bem gostoso de acompanhar. O coelhinho e o patinho mereciam muito mais espaço, pois os personagens tecnicamente soaram bem interessantes, tinham propostas terroristas bem elaboradas para conseguir suas coisas, e certamente a dupla Antonio Tabet e Marco Luque de dubladores mereciam algo melhor do que meia dúzia de falas. A vilã Gabby Gabby juntamente com seus aliados que lembraram muito o boneco do mal, Slappy de "Goosebumps", foram bem imponentes em suas primeiras cenas, mas ao contrário do que vimos no terceiro filme com um vilão com propostas fortes, aqui tivemos alguém até com algo forte, mas sem muita desventura, e com um final adocicado demais. Quanto aos demais, apenas apareceram, e foram precisos no que precisavam, não chamando nem atenção, nem atrapalhando.

Agora certamente a equipe de arte merece apanhar, pois criaram uma cenografia tão incrível, com um parque de diversões imenso, um antiquário cheio de detalhes, e até mesmo um trailer de viagens cheio de ambientações, e optaram por fazer tudo nas espreitas, se escondendo por trás de fios, de poeira, de bastidores, o que sim é a ideia dos brinquedos não aparecerem para os humanos com vida própria, mas mereciam muito mais, mais brincadeiras como a que é feita nos créditos, mais interações como a da festinha, mais movimentação como na chegada do gambá e da caixa de areia, ou seja, mais em tudo, pois dentre os quatro filmes, certamente agora é o que temos mais detalhes de texturas, afinal, a tecnologia melhorou demais, e dessa forma tudo parece incrivelmente real, e valeria muito mais envolver a todos dentro de algo que fosse além. Quanto do 3D, é quase melhor eu nem falar nada, pois só serviu para dar formato e perspectiva para os personagens e cenários, coisa que um bom diretor de fotografia conseguiria fazer em 2D mesmo, ou seja, completamente desnecessário em todos os momentos.

Enfim, um filme que não chega a ser incrível, mas que consegue agradar bastante, divertir, e até emocionar, que muitos talvez até se decepcionem um pouco, afinal esperar quase 10 anos por uma continuação é algo que o público aumenta demais quando se começa a falar sobre, e sendo assim, até que recomendo ele para todos, que mesmo os mais pequenos vão curtir todo o colorido, porém não entenderão nada das mensagens, e os mais velhos devem ir sem esperar muito, pois aí certamente o longa ficará melhor visualizado. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos. Então abraços e até logo mais.

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