Netflix - A Desconhecida (La desconocida) (The Marked Woman)

6/07/2026 10:26:00 PM |

Costumo dizer que gosto muito de suspenses, mas o que gosto mesmo são de filmes com reviravoltas que me surpreenda, pois do contrário o resultado acaba ficando apenas morno na tela, faltando o famoso impacto para que seja lembrado depois como um filmão realmente. E hoje queria muito um filme que me trouxesse um impacto interessante, mas desisti de caçar e parei no longa "A Desconhecida" da Netflix, que até tem uma boa pegada de suspense, mas entrega tudo com uma facilidade, que acaba não indo muito além na tela. Não estou dizendo que seja um filme ruim, pois até tem bons momentos na tela, mas faltou trabalhar um algo a mais para que os personagens impactassem na tela, e levasse o público a desejar mais da investigação, o que acaba não ocorrendo.

O longa acompanha a investigação de um caso liderado pela detetive Anna Ripoll, após a descoberta de uma mulher, amordaçada e amarrada, dentro de um contêiner no porto de Barcelona, ​​incapaz de se lembrar de quem é ou como chegou lá. Anna, juntamente com o policial Quique Zárate, embarca numa corrida contra o tempo para descobrir a identidade da mulher desconhecida e os segredos ocultos em sua memória.

Diria que o diretor Gabe Ibáñez foi bem sucinto com o que desejava entregar, e isso em um suspense é o maior erro possível, pois você deve deixar a história fluir sozinha, e deixar que o mistério em si seja desenvolvido, e aqui ele já foi entregando tudo muito antes da hora, não deixando que o público visse ou se surpreendesse com cada situação. Ou seja, acabou rolando na tela daqueles filmes que você não fica esperando as coisas acontecerem, pois elas já acontecem sozinhas bem antes de tudo, e isso acabou pesando na mão do diretor. Claro que não é um filme que dava para causar tanto, mas ainda assim dava para impactar mais com poucos ajustes.

Quanto das atuações, senti que faltou desenvolver um pouco mais a personagem de Anna Ripoll para o que Candela Peña entregou na tela, pois ok o lance de ter perdido o irmão com um suicídio, mas a atriz e a personagem tinham algo a mais para contar, ficando meio que subjetivo demais para algo que geraria talvez alguns frutos na tela, mas tirando esse detalhe, a atriz foi bem no estilo e chamou muito o filme para si. Ana Rujas trabalhou sua desconhecida com traquejos realmente de quem perde a memória e fica misteriosa para tudo, sendo até bem bacana suas cenas de lutas junto da entrega que faz, ou seja, trabalhou bem para que suas expressões fossem reais dentro do que o filme pedia. Já Pol López fez seu Zárate um pouco impulsivo demais, de modo que demorou para que o público conseguisse se conectar com ele, mas o ator foi tão bom, que mesmo ele não sendo um policial "bonzinho" acabou conquistando com sua entrega. Quanto aos demais, a maioria ficou meio que jogado na tela, e até mesmo os "vilões" não encantaram, valendo um leve destaque para Carlos Troya com seu Enric trabalhando como um bom parceiro para a protagonista.

Visualmente o longa teve alguns atos interessantes, principalmente para o clima dentro dos containers, mostrando ali atos de tortura e também dos transportes de tráfico de pessoas, tivemos alguns momentos em hotéis mais escondidos de uma Barcelona bem diferente da maioria dos filmes, cenas nos portos com um iate simples, mas bem colocado, e até uma loja de flores de fachada, mas o que mais chegou a surpreender foi o tamanho da delegacia de investigações, com uma tonelada de policiais e a jovem podendo andar tranquilamente por lá, ficando um pouco meio fora de contexto.

Enfim, foi um bom passatempo para o domingo, mas para quem desejava algo bem mais imponente na tela, com um suspense mesmo que impactasse, o resultado acabou ficando mediano demais, ou seja, não é ruim, mas não vá conferir esperando algo cheio de mistérios, que não vai rolar. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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