Vidas Entrelaçadas (Coutures) (Couture)

4/14/2026 01:38:00 AM |

É interessante que todo longa que envolve doenças dão uma certa quebra na gente, de modo que a sensação de enfrentar as situações e percepções acabam fluindo tanto que você se vê ali, e no longa "Vidas Entrelaçadas", que estreia na próxima quinta 16/04 nos cinemas nacionais, traz além dessa cineasta que vai fazer o seu primeiro vídeo para um desfile descobrindo lá sua doença grave, o vértice de uma jovem maquiadora que está tentando virar escritora no meio de vários bicos entre um desfile e outro dando a vida para que as modelos estejam perfeitas para as fotos e passarelas, uma jovem costureira que terá um vestido seu na abertura de moda de Paris, e uma modelo completamente fora dos padrões que saiu do Sudão do Sul escondida do pai para tentar ganhar a vida. Ou seja, são vidas que estão sendo mudadas no meio do conflitivo caos que é uma semana de moda de Paris, mas que sendo desenhado bem pelas personagens e suas dinâmicas, o filme acaba sendo bem fluido e funcional, não sendo algo que te impacte diretamente, mas que fará você se conectar a elas e pensar mais sobre tudo.

A sinopse é bem simples e nos conta que a cineasta americana Maxine (Angelina Jolie), chega a Paris para a Semana de Moda em uma jornada de vida ou morte, enfrentando desafios e autodescoberta.

Estou aqui pensando que posso me considerar fã do trabalho da diretora e roteirista Alice Winocour, pois mesmo sem saber que o longa é dela, no final quando descubro já estou apaixonado pelo que vi, sendo que dos seus cinco longas conferi quatro (contando com esse), sendo que os três anteriores dei notas 8, 10 e 8, ou seja, lá no topo, e acredito que ao final desse teremos mais uma nota 8, ou seja, ela consegue me pegar na curva com histórias bem amarradas, dinâmicas emocionais na medida sem precisar quebrar o espectador, e faz o principal, que é não enrolar na tela, pois suas tramas fluem fácil, e aqui juro que quando vi a temática já imaginei que seria algo cansativo sobre a semana da moda, conversas fúteis jogadas entre modelos e suas rivalidades, mas não, todo o vértice da trama recai sobre os medos das mudanças nas diversas profissões ali envolvidas, aonde cada dinâmica no meio de um caos (que vai ser de nível máximo no final) poderá atingir não só elas, mas a nossa vida mesmo, e assim temos um resultado perfeito de nuances e completamente funcional na tela, mostrando que a diretora tem estilo, e sabe o que faz.

Quanto das atuações, posso dizer de modo bem fácil que o carisma de Angelina Jolie aqui foi num nível fora do comum, de modo que sua Maxine entrega um francês tão leve, tão cheio de facetas, que se não soubéssemos que ela não é francesa realmente poderiam entregar a chave da cidade pra ela tranquilamente, mas mais do que isso, ela está belíssima em cena, com olhares prontos para envolver do começo ao fim, sabendo passar a emoção de estar ali "numa primeira vez" e ao mesmo tempo com as dúvidas da doença, do que fazer, se jogar, se tratar, ir além, e isso funcionou bem demais na tela, mostrando todo o seu potencial que conhecemos. Ella Rumpf trabalhou bem sua Angèle não apenas como uma personagem que dá cor e transforma o sangue em pé novinho paras as modelos, mas também como uma narradora de tudo, sem precisar ficar contando minuto a minuto tudo, mas dimensionando seu sonho de ser escritora e sair da vida corrida de bicos, sendo sutil, carinhosa e bem encaixada em todas as dinâmicas. É interessante que não foi apenas a estreia da personagem Ada nas passarelas e nos vídeos promocionais, mas também a estreia da modelo Anyier Anei atuando para o cinema, de modo que soube transmitir a insegurança com um potencial bem chamativo e sabendo como se portar para demonstrar isso puxou muitos atos para si, o que acabou bem interessante de ver na tela. Outra que teve tão poucos momentos, e valeria ter dimensionado um pouco mais de tempo de tela foi Garance Marillier com sua Christine fechada e preocupada em conseguir terminar seu vestido, dormindo em cima do trabalho e cheia de expectativas e símbolos, ou seja, soube segurar seu pouco tempo para que funcionasse. E quanto dos homens da produção Louis Garrel entrou seu estilão meio desleixado, porém sensual tendo alguns momentos até bem presentes e outros apenas como qualquer homem reagiria com a cantada de Jolie, de modo que seu Anton agrada sem ser algo chamativo na tela, e por fim temos Vincent Lindon como o famoso médico das ótimas notícias diretas na cara, sem amenizar ou dar ao menos um docinho para a pessoa respirar ao falar que a pessoa está com um câncer, e sabemos que existem muitos assim, ao ponto que seu Laurent foi apenas uma boa representação na tela.

Visualmente o longa teve momentos bem espalhados entre pequenas entrevistas num hotel, os vários camarins, o estúdio, um hospital, e claro os quartos aonde as modelos compartilham suas vidas, tendo ainda algumas festas e também o desfile imponente no meio de um caos climático, ou seja, tudo muito bem representado, com ambientes chiques e também mais simples, sendo coeso na simbologia visual, mas funcional para o momento, sem precisar de mil objetos cênicos, mas sim os principais bem presentes como sapatos, vestidos, agulhas, tecidos, cenários da filmagem, equipamentos, e tudo mais que sabemos existir nos bastidores de um bom desfile chique.

Enfim, é o famoso longa simples que funciona muito bem na tela, que agrada, emociona e ainda faz refletir, ao ponto que como disse valeria ter trabalhado um pouco mais as demais personagens, mas talvez eu estaria aqui reclamando de ficar novelesco dessa forma, então vou aceitar que fizeram bem, e o resultado final agrada bastante na tela. Então fica a dica para conferirem nos cinemas que for lançado, e eu fico por aqui agradecendo a Synapse Distribution, a Sofa DGTL e a Atomica Lab Assessoria pela cabine de imprensa, então abraços e até amanhã com mais dicas.


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