Carol

1/24/2016 11:14:00 PM |

Certa vez alguém me disse que a beleza estava na sutileza das coisas, mas se existe algo que me cansa em alguns filmes é quando um diretor toma como proposta um romance e faz ele de forma tão melosa que parecem sair borboletas em slow-motion da tela do cinema, e até mesmo o clímax ou momento de tensão da trama ainda é tratado por uma turma de hippies que nem espetando o dedo no 220V falariam que estão com dor. Claro que não esperava ver um Lars Von Trier dentro da proposta de "Carol", mas o filme é tão bonitinho, calminho e sem sal que o romance todo cansa, e a duração parece interminável. Em hipótese alguma a culpa se deve às atrizes, muito pelo contrário, vemos atuações impecáveis de ambas, que se doaram completamente com olhares e toques, a produção também está maravilhosa cenicamente criando uma ambiência de épica única, mas a direção faltou trabalhar de maneira mais determinada para agradar como filme.

O longa nos mostra que a jovem Therese Belivet tem um emprego entediante na seção de brinquedos de uma loja de departamentos. Um dia, ela conhece a elegante Carol Aird, uma cliente que busca um presente de Natal para a sua filha. Carol, que está se divorciando de Harge, também não está contente com a sua vida. As duas se aproximam cada vez mais e, quando Harge a impede de passar o Natal com a filha, Carol convida Therese a fazer uma viagem pelos Estados Unidos.

É interessante observarmos que a base do longa é até bem interessante, afinal é baseada em fatos reais, e acredito que até o livro possa ser mais quente e simbólico do que a versão 14 anos que foi entregue nos cinemas pelo diretor Todd Haynes. O diretor em si possui essa característica de ocultar suas opiniões nos filmes que faz, mas ao ser singelo em demasia aqui, acaba cansando o espectador que for procurando ver um drama mais denso. Claro que o filme possui alguns bons momentos, afinal o formato de road-movie no miolo chega até ser visualmente interessante, e alguns momentos de descoberta da jovem também são simbólicos e bem característicos de um início de paixão. Mas esses bons momentos se deveram mais à atuação das protagonistas do que do diretor, e assim sendo, vamos ficar na expectativa de que em seu próximo filme ele decida opinar mais.

Falando na atuação, Rooney Mara é conhecida por pegar papeis estranhos e incorporar neles uma beleza ímpar e ainda dar dinâmica para eles, e sua Therese é tão simbólica, cheia de perspectivas e que trabalhou tão bem uma gama de olhares, que é impossível não se conectar com a atriz e sua personagem, claro que se tivessem dado mais espontaneidade agradaria mais, mas ainda assim ela deu um show de atuação. E Cate Blanchett não deixou barato, indo no mesmo rumo de Mara, mas dando uma personalidade mais forte para sua Carol, de modo que ao mostrar seus sentimentos, mesmo que de uma forma não tão clara, consegue emocionar e comover a todos, talvez se tivessem trabalhado mais a dramaticidade da perca da guarda da filha, o filme teria um viés maravilhoso, afinal a atriz sabe muito bem como é usar o drama para comover. Kyle Chandler aparece pouco na trama com seu Harge, e quando aparece, ele transparece a falta de direção do diretor, aparentando estar perdido em cena, com olhares vazios de forma que não consegue se expressar para mostrar que ainda deseja aquela mulher e a quer como sua "propriedade", ficando bem vago sua presença, e se ele gravou mais cenas, certamente foram cortadas devido à essa falsidade aparente. Sarah Paulson até entra em bons momentos e seus olhares também possuem muita simbologia, mas sua Abby funcionaria mais se optassem por mostrar mais do passado de Carol do que o momento em si, pois apenas com uma frase dita em restaurante, fica muito fraco o envolvimento emocional que tentaram passar. Jake Lacy até trabalhou bem seu Richard e no seu momento de mais raiva mostrou uma dramaticidade impactante bem bacana de ver, porém mesmo seu personagem voltando em determinada cena, ele acaba não sendo algo tão forte na trama.

Agora algo que certamente chama muita atenção na trama é a representação dos anos 50, muito bem feita pela direção de arte, com muitos carros, restaurantes charmosos e até mesmo nos locais fechados tiveram todo o trabalho para dar uma representatividade bem interessante de ser vista, ou seja, algo que deu muito trabalho para a equipe, mas que certamente agrada e deve ser visto cuidadosamente em cada ângulo do que foi mostrado. Filmes gravados na época de neve nos EUA sempre possuem um charme a mais para a fotografia, e essa simbologia reflete bem na pegada romantizada que o longa tanto quis trabalhar, claro que as luzes em tom mais baixo também ajudaram para isso, mas é inegável que essa escolha de tom ajudou o filme a ter um ritmo mais lento, que tanto reclamei, e muitos reclamarão também.

Enfim, é um bom filme, possui uma boa produção, tem atuações impecáveis, mas cansa demais pelo não determinismo no rumo que o diretor acabou passando, ou seja, é daqueles filmes que quem tiver muita paciência pode até sair comovido com o que verá, mas quem for esperando uma dramaticidade mais forte e dinâmica, certamente vai sair desapontado. Dessa forma recomendo ele pelo visual e boas atuações, mas com a ressalva de não ver ele de forma alguma se estiver cansado após um longo dia de trabalho. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia dessa semana, então abraços e até breve.

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Irmãs (Sisters)

1/24/2016 02:34:00 AM |

Festas... este é um mote que Hollywood adora trabalhar em suas produções, e na maioria das vezes, usam para quebrar tudo no melhor estilo possível, como se não houvesse amanhã. Agora como bem sabemos, com o passar dos anos, os adultos vão ficando mais responsáveis, chatos e as festas costumam ficar no ritmo das pessoas, ou seja, mais chatas. Mas e se, com drogas, bebidas e tudo mais fizesse com que as pessoas deixassem seus limites para trás e resolvessem jogar tudo para o alto? Pois bem, com essa ideologia, que não faz parte da sinopse de "Irmãs", mas vai estar presente no conteúdo da trama, o filme acaba tendo alguns momentos bem risíveis e interessantes de acompanhar, mas também conta com momentos que mostram o desespero do diretor em colocar coisas abusivas para que o público ria até de absurdos. Não digo que é um filme ruim, muito pelo contrário, me fez rir em diversos momentos, mas talvez de uma maneira menos apelativa, continuaria agradando, porém, o importante é vermos que em qualquer idade, extrapolar (seja por muita responsabilidade ou muita irresponsabilidade) pode causar danos em todos à sua volta.

O longa nos mostra que as irmãs Maura Ellis e Kate Ellis sempre foram muito diferentes: enquanto a primeira é conhecida por ser responsável e ajudar os outros, a segunda é especialista em perder empregos e namorados, o que deixa a sua filha adolescente furiosa. Quando as duas descobrem que a casa da infância será vendida pelos pais, elas decidem dar uma última festa, e aproveitar tudo que não puderam fazer no local quando eram mais novas.

É interessante quando vemos roteiristas de programas satíricos atacarem no mercado cinematográfico, pois procuram ironizar em tudo que veem pela frente, de modo que algumas piadas funcionam, e outras acabam sendo jogadas na tela e você fica com a cara sem saber o motivo do ator estar falando aquilo. Aqui Paula Pell, que foi roteirista por muitos anos do Saturday Night Live e que também costuma escrever as piadas dos apresentadores do Oscar, acabou fazendo um texto irônico sobre a situação festiva que muitos não gostam de celebrar (a mudança de uma casa, que pode ser representada como a quebra de um ciclo, uma passagem), e com isso ela trabalhou bem o roteiro para que alguém pegasse e criasse as piadas em cima de seu texto, e por sorte, ou até mesmo por indicação, o acerto caiu com duas das atrizes/comediantes que estão mais acostumadas com seus textos (claro que para isso elas também entraram como produtoras, botando seu dinheiro para jogo, meio que comprando as personagens), e felizmente não foi entregue para um diretor 100% de comédias, pois a chance de seu texto virar algo completamente escrachado era muito alta. Com isso, o diretor Jason Moore (que acertadamente só havia feito "Escolha Perfeita) volta para o cinema trabalhando com um rumo mais direto do que musical e soube dosar a energia das atrizes para os momentos corretos, transformando o longa em algo que até possui uma boa pontada moral, mas que sempre procura mostrar o aproveite o momento.

Não posso dizer que sou fã do estilo cômico das duas protagonistas, pois costumam forçar para divertir, mas confesso que aqui não teria duas atrizes melhores para os papeis, mesmo que para isso elas tiveram que virar produtoras, e botar dinheiro no longa para que fossem realmente "escolhidas" para o filme. Amy Poehler com sua cara estranha, entrega para sua Maura Elis uma personagem com carisma e estilo responsável que quer se divertir, mas precisava ter experimentado um pouco mais de drogas para saber que fez expressões de boba e não de quem estava amalucada, poderia ser menos ingênua em alguns momentos que agradaria mais, definitivamente sua melhor cena é a da bailarina junto com Ike Barinholtz, pois seu James longe de ser um partido bonitão para o que qualquer filme pediria, aqui ele encaixou por ser o avesso disso, mas que serviu bem para a piada. Por mais incrível que pareça, o humor ácido característico de Tina Fey foi usado bem pouco com sua Kate, pois mesmo ela sendo a mais escandalosa da família, deixaram isso como algo subjetivo que foi mostrado ao ler os diários, e claro que a personalidade caberia completamente para ela, mas no filme, por tentarem inverter os papeis ao menos por uma noite, ela ficou somente engraçada de uma maneira mais simples, o que é legal de ver, mas certamente se fosse do estilo tradicional quebraria tudo e seria bem mais engraçado. Bobby Moynihan faz de seu Alex o excesso que ora diverte, ora queremos poder dar um tiro no personagem de tão chato com piadas bobas, claro que todo grupo de amigos possui aquele que faz bobeiras para divertir os demais, mas aqui sob efeito de droga ficou absurdamente forçado. A personagem Brinda de Maya Rudolph é outro que de tão forçado acaba divertindo, mas que está completamente deslocado na produção, o que não é algo legal de ver em trama alguma. Dos demais atores, todos procuram ter seus melhores momentos durante a festa, mas nenhum consegue grande destaque, valendo apenas frisar a pose séria do lutador de WWE que já está fazendo mais filmes do que lutas, John Cena.

Nesse estilo de filme, as preocupações da direção de arte permeiam apenas em quanto mais podemos colocar na tela, pois parece que desesperadamente querem mostrar mais coisas do que cabem na projeção para que a festa fique mais e mais agitada, e confesso que foram bem criativos com tudo, desde usar tinta na água, passando por Picaço, quebras de gesso, danças coreanas com sabão, e por aí vai, portanto espere ver de tudo no filme, inclusive destruição já que é um filme para quebrar tudo. Desse modo a equipe artística apenas fluiu a ideia e colocou nas mãos dos atores para fazerem a festa completa, e isso funcionou bem para que tudo chamasse atenção para onde olhássemos. Além disso, os momentos de lembranças da infância e juventude das protagonistas contou com uma cenografia completa no quarto delas, representando muito bem a época escolhida com diversos objetos cênicos perfeitos. Com muitas luzes de diversas cores para dar o tom da festa, e principalmente trabalhando sempre com cores bem vivas para elucidar a comicidade, o filme acaba agradando bastante no visual, e claro ganha um ritmo interessante que não cansa em momento algum, então podemos dizer que no conceito técnico só tivemos bons acertos.

Enfim, é um filme bacana para assistir, mas que está longe de ser uma obra-prima. Poderia ser muito menos apelativo para envolver bem as piadas sem que ficasse forçado, mas aí não seria um texto de um escritor do SNL na tela. No geral vale o ingresso pela boa comicidade, mas quem não gostar de filmes envolvendo festas malucas, passe longe, pois a chance de se incomodar com a apelação é ainda maior para estes. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda faltam duas estreias dessa semana para conferir, então abraços e até breve.


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Pai em Dose Dupla (Daddy's Home)

1/23/2016 07:30:00 PM |

Tudo bem que quando vi o trailer já sabia que "Pai em Dose Dupla" seria um filme bem mediano, mas não imaginava que fosse passar o longa inteiro sem ter quase nenhum momento de diversão! O filme trabalha até que bem com a ideologia que muitos padrastos sofrem para conseguir que as crianças o assumam como pai, mas não existe praticamente comicidade alguma nessa situação, e nem forçando a barra como Will Ferrell faz no longa que ele mesmo produz, conseguirá tirar muitas risadas do público. Digo isso, pois até que havia uma quantidade interessante de pessoas na pré-estreia hoje, e deu pra contar em uma mão os momentos que o público riu de algo. Felizmente o fechamento foi engraçado, e infelizmente ele abre possibilidade para uma continuação, então oremos para que não permitam isso.

O filme nos mostra que Brad é executivo em uma rádio e se esforça para ser o melhor padrasto possível para os dois filhos de sua namorada, Sarah. Mas eis que Dusty, o desbocado pai das crianças, reaparece e começa a disputar com ele a atenção e o amor dos pimpolhos.

Se existe um nicho que faz muito sucesso nos EUA é o de series cômicas envolvendo família, e essa premissa de um tempo para cá tem rumado também para os cinemas. Porém uma coisa que os roteiristas e diretores precisam começar a pensar mais antes de achar que uma história é boa para ser lançada, é o público que desejam atingir, pois se ficarem em cima do muro, como é o caso dessa produção, não vão atingir ninguém, pois o longa trabalha a disputa dos pais, como se fosse um filme para ser visto pelos filhos bem pequenos, que sequer sabem o que é uma separação, quanto mais uma disputa entre dois homens por sua atenção. E dessa maneira tanto Brian Burns errou na concepção do texto quanto Sean Anders (que costuma fazer comédias escrachadas e bem divertidas) errou na direção do longa. Não posso dizer que foi algo mal produzido, mas está longe de ser algo que valha a pena gastar seu tempo e dinheiro vendo o filme quiçá numa Sessão da Tarde, quanto mais em um cinema.

Se existe uma coisa difícil é rir de algo que Mark Wahlberg faça nesse filme, o ator é próprio para longas de ação, fez sim algumas comédias que deu boas conexões, mas aqui parece perdido fazendo caronas de macho-alfa e só com seu Dusty, de modo que não chama a atenção em quase cena alguma, precisando de outros personagens na trama para que sua comicidade desenvolva. Um dos que tentam ajudar Wahlberg é o outro protagonista, e produtor do longa, Will Ferrell, que possui uma vasta carreira dentro da comédia, mas seus personagens são sempre bobos demais para passar alguma lição de moral ou divertir, e seu Brad recai sempre para o lado emotivo que não funciona dentro da proposta cômica do filme, talvez se fosse algo mais dramatizado e adulto, suas piadas funcionariam, mas para um filme familiar, foi fraco demais. Outro que aparentemente caiu de paraquedas na trama, principalmente para ser usado com piadas racistas é Hannibal Buress, que até consegue dar boas gags divertidas nas cenas próximas à geladeira com seu Griff, mas nos demais momentos ficamos nos perguntando o que ele está fazendo ali. Falar de Linda Cardellini no filme com sua Sara é o mesmo que falarmos que determinada planta ficou bem exposta em cima da mesa de jantar do filme, de modo que nem lembro se tinha alguma planta na mesa, quanto mais vou lembrar se a atriz fez algo bom, ou seja, teve seus dois momentos de aparição com seus pulinhos ao saber do grande médico e depois quando fica brava no baile, e só. Thomas Haden Church até tira boas histórias para contar com seu Leo, mas como quase nenhuma faz referência ou servem de consolo para o protagonista, também fica jogado demais no filme, então poderiam ter dispensado, já que nada é engraçado. As crianças até tentaram ser fofas e agradáveis nas cenas, mas estão longe de qualquer outra criança que chamasse atenção em um filme, ou seja, se quiserem seguirem carreira, ainda vão precisar trabalhar muito.

No conceito visual, a trama certamente deu um trabalho imenso para a equipe de arte, pois fazer uma casa na árvore, uma pista de skate, correr com uma moto por dentro de uma casa cheia de elementos cênicos, pegar um jogo de basquete lotado para fazer algumas babaquices, e ainda arrumar muitas figurações em todos os lugares, para depois entregar um filme sem vergonha como esse! Certamente o diretor de arte ao ver o trabalho finalizado chorou não de emoção, mas sim de tristeza por ter recebido para fazer isso. A fotografia foi bem clássica, sem muito para chamar atenção, nem colocando angulações nem nada, apenas câmeras sem muito movimento, luz clara para todas as cenas e um ou outro momento dando uma tonalidade de sono nas cenas dos quartos, mas nada que mereça muita atenção.

Enfim, é um filme extremamente fraco que pode ser completamente evitado. Como disse antes, se passar em uma sessão da tarde da vida em casa, e não tiver mais nada para fazer, até serve para passar algumas horinhas, mas sempre tem alguma louça na pia para lavar, então é melhor deixar a pia limpa. Vou rezar muito para que não façam uma continuação, pois aí a atriz brasileira Alessandra Ambrosio faria mais do que uma participação na última cena, e sofreria também dentro da mesma proposta. Portanto, não recomendo de forma alguma esse longa para ninguém, pois é gastar dinheiro à toa com toda certeza. Fico por aqui agora, mas hoje ainda confiro mais um longa, e volto mais tarde com outra crítica, então abraços e até breve pessoal.

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Spotlight - Segredos Revelados

1/23/2016 01:48:00 AM |

Temas polêmicos sempre flutuam perante os grandes roteiristas do cinema e da TV, mas poucos são os corajosos em pegar um tema real que aponte o dedo na cara de determinado público e faça um filme com valor amplo, mostrando com firmeza a ideologia que deseja passar. E se tem um filme que certamente podemos colocar no topo máximo de coragem para desenvolver uma história real bem polêmica é "Spotlight - Segredos Revelados", que consegue mostrar apenas com boas interpretações e uma direção precisa, toda uma denúncia que a equipe Spotlight do jornal Boston Globe acabou ganhando um Prêmio Pulitzer e ainda revelou para o mundo todo o mundo sujo por trás da Igreja. Ou seja, se você é uma pessoa religiosa, talvez saia revoltada do cinema com tudo o que é mostrado, mas se você gosta de um bom filme investigativo, certamente essa é a pedida para o fim de semana, afinal o longa já está sendo premiadíssimo e provavelmente deva levar o Oscar.

O longa nos conta a verdadeira e fascinante história da investigação ganhadora do Prêmio Pulitzer feita pelo jornal Boston Globe, que viria a abalar a cidade e causar uma crise em uma das instituições mais antigas e confiáveis do mundo. Quando o time de repórteres da tenaz equipe "Spotlight" mergulha nas alegações de abuso na Igreja Católica, a investigação de um ano desvenda décadas de encobrimento nos mais altos níveis dos estabelecimentos legais, religiosos e governamentais de Boston, desencadeando uma onda de revelações ao redor do mundo.

Alguns longas possuem um conteúdo textual tão grandioso que poderiam ser feitos dentro de uma sala simples apenas que sairíamos felizes ainda com o resultado, e esse certamente é um deles, pois os roteiristas Josh Singer e Tom McCarthy foram expressivos na medida certa para que o filme não sobrepusesse a importância do que os jornalistas fizeram, e isso é algo raro dentro da história do cinema, pois em suma, os diretores e roteiristas preferem desenvolver algo novo e deixar o fato real apenas como bônus na trama, o que aqui não acontece, felizmente! O diretor Tom McCarthy também foi bem coeso aonde queria atingir, enaltecendo e muito o trabalho da equipe, fazendo com que cada ato fosse desenvolvido em conjunto (para não precisar ficar explicando cada execução de cada personagem), apresentando eles bem rapidamente durante a própria condução e com isso deixando o filme dinâmico, e principalmente, determinado com a proposta de agradar quem gosta de um bom longa investigativo. Claro que pra isso, assim como o jornal arriscou perder boa parte dos seus leitores que eram católicos, o filme também entra numa briga de gigantes, afinal em diversos países mais fervorosos pela Igreja, o longa tem sofrido represálias e não está sendo exibido, mas afirmo que mesmo quem acredita na fé e tudo mais, vai ficar muito indignado ao ver tudo que o longa proporciona, e dessa maneira volto a afirmar o que faz valer ver um longa que é diversão e informação, e aqui essa última vertente, vem com tudo, seja pelas mãos do diretor que soube dominar toda a situação, do roteiro bem escrito e completamente focado, do elenco maravilhosamente bem conectado ou até mesmo da edição dinâmica que foi trabalhada para que o longa não cansasse, ou seja, um trabalho completo e perfeito.

Como disse acima o elenco possui uma conexão incrível, que nem se fosse um romance meloso teríamos tanta química entre os personagens, de modo que é quase possível em algumas cenas, um completar a frase do outro sem que o texto precisasse estar por ali, e isso só é sentido quando tudo flui corretamente, então podemos ver que todos se doaram para a trama, e o resultado é um filme condizente com a força da proposta. De certa forma Michael Keaton é o líder da equipe com seu Robby, mas ele ao mesmo tempo que age exatamente como um bom líder deve ser, conseguiu sempre tocar a bola, ou no caso, o diálogo como uma luva para qualquer um que estivesse em cena com ele, e isso claro que mostra toda a experiência de muitos anos do ator, mas também o estilo que optou por colocar na personalidade do personagem, e isso é muito bacana de ver em todas suas cenas. Mark Ruffalo é daqueles atores que nunca vamos saber qual é o melhor estilo que pode interpretar, pois seja fazendo um herói ou um músico ou um jornalista sedento de informações, ele sempre vai imprimir seu estilo maluco repleto de expressões e que vai agradar a todos, então seu Mike Rezendes é interessante de ver e acompanhar, mesmo que para isso você quase não respire e nem pisque, pois diferente da idade do ator, o jovem personagem parece aqueles novatos na redação que não param nem para beber uma água. Rachel McAdams trouxe um estilo forte para sua Sacha Pfeiffer, mas sem perder a beleza e dinâmica característica de seus personagens, e se mostrando completamente interessada em todos os depoimentos que colhe, trabalhando na tonalidade das perguntas e somente mostrando suas angústias com olhares, a atriz acaba emocionando e envolvendo o público. Deram para Live Schreiber um personagem calmo demais, pois a personalidade do ator é algo mais explosiva e que confronte tudo, mas de certo modo, seu Marty Baron consegue chamar atenção. Vários outros atores também possuem boas cenas(Brian d'Arcy James como Matt, Stanley Tucci como Mitchell Garabedian, John Slattery como Ben Bradlee Jr., Neal Huff como Phil Saviano, entre outros), mas como disse acima todos estão ótimos, então vale a pena focar mais nos textos e nos protagonistas senão a chance de você sair do eixo é bem alta.

O conceito visual da trama não é o ponto forte do filme, mas souberam escolher bem as locações e criar outros locais em estúdios para representar bem a sala da equipe, aonde bons diálogos expressivos ocorrem, sempre mostrando muito material de jornal sobre as mesas para investigações, no melhor estilo jornalístico possível (o que agrada bem mais do que investigações policiais), sempre ao saírem para colherem depoimentos os locais também chamam atenção pelo visual mais antigo para manter a época do caso, mas sem que fossem chamativos demais, afinal a importância da produção cênica, como disse, não é em momento algum quem deve predominar, e isso fazem questão de elucidar mesmo quando estão em uma festa de gala. A fotografia trabalhou sempre num tom vivo, mas sem iluminar demais, para que a tensão fosse criada e ficasse sempre presente durante toda a cena, e quando era preciso apimentar com algo a mais, baixavam a luminosidade e o clima ia lá para cima, ou seja, um trabalho bem minucioso para segurar o texto, mas trabalhando também a temperatura cênica.

Enfim, um filmaço que vale muito a pena ser visto, que alguns podem reclamar de ser polêmico demais, com diálogos em demasia, mas isso é o jornalismo internacional bem investigado à ponto de mostrar uma notícia completa sem pestanejar e sair colocando algo no meio que possa atrapalhar o auge da matéria, e o filme seguiu o mesmo estilo para que tudo fosse mostrado sem necessitar forçar a barra ou apenas jogar ideias para que o público criasse na mente o que estava ouvindo, ou seja, um filme que dá o seu recado e mostra a opinião que quer que vejamos na tela. E dessa maneria com o tanto de elogios que fiz acima, é claro que recomendo o longa para todos, com a ressalva de que se você é extremista católico, vá ver sabendo que é um filme contra a Igreja em si, e se não gosta de coisas contrárias fique em casa. Fico por aqui agora, mas ainda tenho muitos longas para conferir no fim de semana, então abraços e até breve.

PS: Pensei em dar um 9 ou até um 9,5 caso tivesse, mas o filme me fez ficar vidrado na telona sem quase nem piscar, e ainda sair pensando revoltado com toda a situação apresentada, então vamos com 10 mesmo.


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Joy - O Nome do Sucesso

1/22/2016 12:30:00 AM |

Quando vamos assistir um longa baseado em alguma biografia, já vamos sabendo que na maioria das vezes procuram enaltecer as qualidades do personagem principal e tudo que ele sofreu para chegar ao sucesso. E isso é um fato que nem exigimos que o filme nos entregue, pois é de praxe, mas quando tentam nos enganar mostrando apenas isso, sem dar o algo a mais que faça o filme realmente valer a pena, mesmo as situações acontecendo de forma envolvente, fica parecendo que o filme foi entregue faltando partes. E infelizmente isso é o que ocorre com "Joy - O Nome do Sucesso", pois prepararam tanto o ambiente para destacar tudo o que a personagem principal sofreu para conseguir chegar ao topo do sucesso, deixando que Jennifer Lawrence dominasse a tela completamente, que esqueceram que os demais personagens precisariam aparecer e chamar o mínimo de atenção também, ou que pelo menos mostrasse mais da sua carreira de sucesso e não só os tombos, ou seja, temos sim um bom filme, com uma boa ideia, mas que pecou em ser singelo demais, e isso não cativa o público para que saia motivado a continuar insistindo em seus projetos, como tanto fez a biografada, mas apenas com a mensagem de que não desistindo se consegue se for insistente. E certamente se tivessem focado mais no sucesso que conseguiu depois sem ficar com a apelação dramatizada familiar, o filme seria daqueles que o público sairia do cinema com um gás imenso.

O filme nos mostra a emocionante jornada de uma mulher que é ferozmente determinada a manter sua excêntrica e disfuncional família unida em face da aparentemente insuperável probabilidade. Motivada pela necessidade, engenhosidade e pelo sonho de uma vida, Joy triunfa como a fundadora e matriarca de um bilionário império, transformando sua vida e a de sua família.

Fazer amizades dentro de um meio que muitos sequer só pensam no próprio umbigo é algo bem complicado, mas podemos dizer que o diretor David O. Russel e os atores Jennifer Lawrence, Bradley Cooper e Robert De Niro constituem quase que a mesma família após três filmes juntos, nem sendo mais questão de amizade, o que é algo bem bonito de se ver, mas que já está ficando um pouco desgastado nas telas, afinal não vemos mais aquele brilho e impacto que víamos nos seus primeiros filmes, e junto de uma história mesmo que sofrida de uma mulher que sofreu demais para conseguir o sucesso, acabou ficando leve demais para chamar a atenção, de modo que até comovemos em alguns momentos da história, mas nada que faça você vibrar com as conquistas (tirando claro o momento do primeiro acerto). Acredito que Russel nem tenha mais que falar o que quer de Jennifer, pois ela já sabe de cor e salteado como o diretor gosta de suas aparições, e isso é algo que facilmente se nota na tela, pois a jovem parece se dirigir e chamar a atenção bem mais do que qualquer um em qualquer momento. Não digo que isso seja ruim, mas como todos fazem parte da situação, caberia chamar mais atenção para cada detalhe dos outros personagens, e principalmente daria muita liga se desenvolvessem a convivência de Joy e Neil, do que a família maluca da garota, e isso o diretor poderia ter resolvido facilmente, junto com a roteirista.

Falar da atuação de cada um é algo até fácil demais, pois Jennifer Lawrence dominou o longa inteiro e fez dele seu porto seguro para mostrar o quão boa é de interpretar diversas facetas com os diversos momentos de sua Joy, e isso claro que vem lhe garantindo indicações à diversos prêmios, os quais alguns até está levando. Robert De Niro está tão deslocado na trama como pai da moça, que cada vez que seu Rudy entra em cena, ficamos pensando é esse mesmo o cara que ganhou já dois Oscar e fez "Poderoso Chefão"? Pois mesmo mostrando mais afinidade com a primeira filha, acaba sempre sem angulação nos olhares e isso não é legal de ver. Teoricamente, ou melhor logo de início somos apresentados a Diane Ladd como Mimi, a narradora da história, mas há uma quebra de roteiro tão fora de moda lá pelo meio do filme, que faz dessa escolha da direção algo tão errado, que ainda devem estar se perguntando por que raios foram fazer isso, e infelizmente sua personagem embora sempre alegrinha, não chama atenção nenhuma. Colocar alguém apenas para assistir TV o filme todo e em alguns momentos soltar algumas pérolas filosofais de vida é algo que não consigo imaginar de ver em longa algum, mas aqui deram esse cargo para Virginia Madsen com sua Terry, ou melhor mãe da protagonista, e convenhamos que gastaram dinheiro a toa com o cachê, e ficou péssimo de ver. Édgar Ramirez até tenta ser um ponto chave agradável como o ex-marido que mora junto Tony, e possui bons momentos, mas como a perspectiva de seu personagem fica sempre de lado, não chama atenção alguma, e mesmo na cena do mercado aonde aparentemente ele teria algo forte para dizer, apenas sai andando e logo em seguida nada foi importante de ver, ou seja, falharam com ele, e ele não empolgou também. Isabella Rossellini é uma tremenda atriz italiana que geralmente chama a atenção nos papeis que faz, e sua Trudy até teve uma personalidade forte e chamativa para convencer, de modo que ficamos bastante de olho nas suas participações, mas o modo que entra nas cenas foi algo muito picotado (assim como o longa inteiro) e acaba não chamando muito a responsabilidade das cenas fortes para si, o que é uma pena. E para finalizar, não menos importante Bradley Cooper, que sempre carismático consegue puxar a câmera para sua atuação na maioria dos filmes, e com seu Neil não é diferente, agradando bastante nas poucas cenas que aparece, e esse é o maior problema do filme, pois seu personagem é muito bom, e acabou ficando apagado demais sabe-se lá por qual motivo, mas acredito que o principal seja por ter alguma grande divergência na biografia que optaram por não mostrar, afinal o personagem é um grande nome da TV Fox, e o longa que é distribuído pela Fox, deve ter preferido amenizar isso.

Assim como a maioria dos longas que dirige, Russel prezou bastante pelo visual da trama, e de um modo acertado, tivemos boas locações e até elementos cênicos bem característicos para mostrar o começo dos canais de vendas pela TV (que certamente merece um longa a parte) e claro colocar toda a simbologia dos personagens com muitos elementos cênicos, destacando claro para a criatividade de Joy desde os primórdios. Destaque também para o figurino e cabelo, claro da protagonista em diversos momentos, que valem a pena serem vistos detalhadamente, mas tirando isso, a simplicidade domina. Mesmo sendo gravado em sua maioria com cenas em momentos de inverno, fotografia não funcionou tanto visualmente como costuma agradar longas gravados nessa época, principalmente por manterem cores neutras nos demais personagens e isso em geral deixou o longa marrom demais.

Enfim, não chega a ser um filme que deva ser desprezado, mas está muito abaixo dos demais do diretor, dando somente destaque mesmo para Jennifer Lawrence, e assim sendo, somente algumas boas sacadas cômicas do início devem empolgar o público. Portanto não posso dizer que recomendo o filme, mas deve agradar quem gosta de coisas mais leves. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda faltam muitas estreias dessa semana para conferir, então abraços e até breve.


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A Quinta Onda (The 5th Wave)

1/21/2016 02:19:00 AM |

Fico cada dia mais abismado, e claro querendo tirar o chapéu em nível máximo, com a capacidade que uma equipe de edição de trailers pode causar em um espectador! Pois, parem três minutinhos e vejam o trailer abaixo, certamente irão falar: "nossa que filmaço de destruição alien", depois revejam o pôster acima, e vão falar: "é realmente esse filme parece dos bons". Daí detesto destruir expectativas, mas só fiz isso após assistir e já solto a primeira bomba que muitos não sabem, mas "A Quinta Onda" é o primeiro longa baseado no primeiro livro de uma trilogia que ainda não teve nem seu último livro lançado, na sequência solto mais uma pérola, o que inicialmente começa bem tenso e deixando o público cada vez mais curioso é substituído no miolo por algo bem romanceado, das quais algumas teenagers vão curtir muito ver e outros vão acabar apenas achando que poderiam ver bem mais dentro de toda a possibilidade da história, que é facilmente desvendada o mistério todo logo de cara. Ou seja, está longe de ser um filme ruim, mas também não chega nem perto de ser algo sensacional, agora é torcer para que se fizerem a adaptação dos demais livros("O Mar Infinito" e "A Última Estrela") coloquem um incremento mais forte e chamativo para não ser apenas uma obra voltada para jovens adultos.

O filme nos mostra que a Terra repentinamente sofre uma série de ataques alienígenas. Na primeira onda de ataques, um pulso eletromagnético retira a eletricidade do planeta. Na segunda onda, um tsunami gigantesco mata 40% da população. Na terceira onda, os pássaros passam a transmitir um vírus que mata 97% das pessoas que resistiram aos ataques anteriores. Na quarta onda, os próprios alienígenas se infiltram entre os humanos restantes, espalhando a dúvida entre todos. Com a proximidade cada vez maior da quinta onda, que promete exterminar de vez a raça humana, a adolescente Cassie Sullivan precisa resgatar seu irmão mais novo e descobrir em quem pode confiar.

Tudo bem que sempre vão tentar substituir as sagas adolescentes que vão acabando por outras novas, algumas que seguem a mesma linha base e outras que vão por fluxos completamente diferentes, mas sempre existirão no mercado depois do sucesso estrondoso que a saga "Crepúsculo" arrebatou. Isso é um fato, que muitos vão negar e reclamar. Mas se eu fosse escritor também seguiria nessa linha, afinal é dinheiro garantido. Só confesso que quando li "O Monstrologista" há uns 4 anos, nem imaginava que Rick Yanley seguiria para essa vertente, afinal o livro é muitíssimo interessante e gerou outras três continuações. Porém em 2013, o escritor debandou para o lado alienígena da força, e claro, vendo que o sucesso teen que havia explodido bilheterias havia encerrado sua participação nos cinemas e nos livros, por que não tentar a sorte também com esse estilo, e eis que iniciou seu livro "A Quinta Onda", que teve sua sequência("O Mar Infinito") lançada no ano passado e tem previsão do último livro sair ainda em 2016, ao menos nos EUA.  E claro que vendo esse filão, todo produtor que se preze, quer ganhar dinheiro, e lá foi o ator Tobey Maguire(sim, o primeiro homem-aranha que ganhou dinheiro e agora produz filmes também) comprar os direitos do livro, e como não tinha tanta certeza de dar certo colocou seu amigo J Blakeson(que só tem no currículo de direção um longa, mas completamente desconhecido, e alguns roteiros de terror) para dirigir a trama. Não podemos dizer que ele foi perfeito, afinal entregou o ouro muito cedo, claro que isso deve estar assim também no livro, mas a percepção da leitura não é tão rápida como a visual, e ver os ônibus é algo que de cara já dá um leve soco na cara, e dessa forma isso acaba sendo um erro grande num filme, porém certamente com a cena de descoberta dos jovens do que é a quinta onda dá um belo encaixe, e assim sendo, o diretor volta a ganhar créditos. Como disse a culpa não pode ser toda apontada para o diretor, afinal uma equipe de três roteiristas, inclusive com nomes de grande pompa de Hollywood acabou desenvolvendo o texto final do longa, então quem sabe ele ganhe experiência e continue melhor na continuação, caso ainda optem por alguém barato para fazer o filme.

Falar da atuação em um longa que contém Chloë Grace Moretz é algo que nem dá para discutir, afinal venho falando desde "Kick Ass" que ela é uma das melhores atrizes dessa geração e certamente vai explodir ainda mais no momento certo para ganhar todos os prêmios possíveis,  o que ainda não foi dessa vez, pois sua Cassie embora tenha muita dinamicidade e ação como a personagem que lhe despontou, nos momentos mais romanceados, ela ainda não agrada tanto, mas vai melhorar nesse quesito também com muita certeza, e em breve vamos aplaudir muito ela. Nick Robinson até chama a atenção por seu Ben Parish/Zombie, mas falta um pouco de carisma para emplacar e agradar, além de sempre estar com uma cara de medo de tudo o que está fazendo, mesmo depois de tudo o que encarou, mudar a face para algo mais maduro é o mínimo que se esperava de alguém, e olha que o ator ganhou nos testes de diversos grandes nomes, ou seja, estão precisando revisar os testes, ou ele vai decolar mesmo nos próximos, por ter feito o que o diretor pediu de uma maneira não tão boa aqui. Pelo contrário de Nick, Bailey Anne Borders já chega na sua primeira cena mostrando que mesmo sendo mulher possui muito mais colhões que o rapaz, e mostra que vai passar por cima de quem aparecer com sua Julia, e certamente no próximo filme vai ter muito mais responsabilidade para chamar a câmera para si em mais momentos, pois já agradou bastante aqui. O galã do longa, Alex Roe, tem jeitão clássico para agradar as moças, e até se deu bem nos momentos mais dialogados de seu Evan Walker, mostrando ser misterioso o suficiente para mudarmos de opinião sobre seu personagem umas três vezes pelo menos, e segurando bem o desenvolvimento até a cena do carro, pois depois dali, era melhor que tivessem arrumado uma morte bonita pra ele, que seria bem melhor do que fez, mas lendo a sinopse do segundo livro, vemos que o personagem é importante, então, vamos ver o quanto ele vai pular no próximo filme. Liev Schreiber caiu bem na personalidade do Coronel Vosch e chama atenção pelo semblante sempre sério e forte que impacta nos momentos certos, claro que assim como reclamamos em todos os filmes, quando tem de atirar, os vilões desse estilo de filme nunca atiram, só falam algo e deixa rolar para que tenhamos mais filmes, então vamos aguardar ainda qual será seu desfecho, mas o ator mandou bem também.

No conceito visual da trama, souberam dosar bem a cenografia real, com a computadorizada, afinal as ondas iniciais como mexeram com coisas bem impactantes, necessitaram de cenas fortes que vimos nos trailers, e elas foram apenas mais alongadas do que já havíamos visto no trailer, e agradam bastante por não economizarem com poucos elementos cênicos, claro que alguns efeitos poderiam ser melhorados, mas isso também onera custo, e o filme foi de certa forma pelo gênero bem barato. Porém quando a trama entra no seu momento mais realista, com cenas filmadas numa floresta bem bacana pelo formato dividido da tela, que tem todo um charme e quando os jovens vão para a batalha campal mesmo, a equipe optou por colocar menos objetos cênicos marcantes e focaram mais no continuísmo da história, o que é bacana de ver também, mas poderiam ao invés de entregar tudo de cara, ir dando apenas detalhes mais simples e que fizesse o público montar o quebra-cabeça completo somente mais para o final. A fotografia trabalhou bem o tom marrom para dar dramaticidade tanto nas cenas internas, quanto nas cenas noturnas, usando bem o figurino de guerra, e claro botando algumas explosões para realçar o visual com muito laranja, e quando puxado para os momentos mais romanceados ou de encontros, souberam botar o azul de contraste como um chamariz legal de ver.

A trilha inicial bem pautada deu o tom scy-fi comum e amarrou bem o que desejavam, depois não temos muitas canções e trilhas acompanhando o filme, deixando meio de lado para que a sonoridade cênica predominasse mais com tudo o que vinha ocorrendo. Porém o fechamento de créditos com "Alive" da Sia se prestarmos atenção na letra vamos ver que a ideia casou muito bem com a canção.

Enfim, volto a repetir o que falei no começo, o longa vai com certeza criar alguns fãs, mas também terá pela frente muitos inimigos costumeiros das sagas teen, porém o longa está bem longe de ser um início frustrante de séries, e certamente podem melhorar bem a ideologia nos próximos. Portanto recomendo ele mais para quem gosta de séries mais joviais, e menos pensantes, pois quem não curtir esse estilo, vai reclamar muito do filme. Bem é isso pessoal, mais uma vez agradeço a parceria com o pessoal da Difusora FM 91,3Mhz que proporcionou essa super-pré-estreia, mais uma vez lotada, para os ouvintes, e volto amanhã com mais uma estreia que veio para a cidade, então abraços e até breve.


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Snoopy & Charlie Brown - Peanuts, o Filme em 3D

1/16/2016 02:12:00 PM |

Quem disse que fazem animações somente pensando nas crianças de hoje? Com essa ideia em mente, mas sem colocar um tom adulto, já que o personagem que tanto emocionou a infância de muita gente dos anos 50 até 2000 sempre foi bem cabeça, mas com uma sensibilidade doce e fofa de ver, os produtores da Blue Sky nos entregaram um novo episódio muito bem desenhado de "Snoopy & Charlie Brown - Peanuts, o Filme", que ao contar algo completamente novo agrada bastante por manter toda a ideologia gostosa que já conhecíamos, sem a necessidade de causar espanto ou até mesmo recomeçar algo para mostrar o início de tudo. Claro que muitos que nunca leram nada do famoso beagle e seu amigo Charlie Brown, ou nunca viram sequer algum episódio animado vão reclamar de não ser apresentado à cada personagem da trama, e sim esse até pode ser considerado um defeito da trama, mas é inegável que a fofura da trama não cative qualquer um, mesmo que o andamento já vá direto ao ponto.

Próximo das férias de inverno, a vida de Charlie Brown e sua turma sofre uma mudança com a chegada na cidade de uma garotinha de cabelo vermelho. Brown logo se encanta pela jovem e tenta lutar contra sua timidez e sua baixa autoestima para falar com ela. Ao mesmo tempo, Snoopy encontra uma máquina de escrever e começa a imaginar uma história pra lá de fantasiosa e heróica.

Com a morte do escritor Charles M. Schulz em 2000, muitos acharam que ninguém daria continuidade à seu trabalho de devoção por 50 anos com o beagle famoso e seu amigo, mas eis que seu filho Craig Schulz e neto Bryan Schulz resolveram escrever algo novo e bem original para que um bom diretor de animações, no caso Steve Martino("A Era do Gelo 4", "Horton e o Mundo dos Quem!") nos entregasse uma trama envolvente e bem interessante de ver na telona. E com uma situação gostosa de acompanhar, afinal quem nunca teve tropeços na vida e se sentiu desmotivado para tentar conseguir alcançar seu objetivo, a trama se desenvolve com bons personagens, modelados na medida para que não ficassem nem reais demais, nem mal desenhados, e continuassem com os traços clássicos do seu criador, afinal praticamente todos já leram alguma tirinha do personagem pelo menos uma vez na vida. Agora para aqueles que nunca leram ou viram algo do Snoopy, no caso as crianças, foram ao menos espertos em trabalhar bem a comicidade da trama, com cores vivas e bem interessantes, para que os pequenos se divertissem com toda a confusão, mesmo não sabendo quem é quem ali, claro que tirando os protagonistas, afinal esses ficam na tela a todo momento. Não digo que isso tenha sido algo errado, de não começarem rapidamente nem que fosse uma abertura qualquer simples mesmo, com algo mais corrido para mostrar o início dessa amizade toda, pois seria algo bonito de ver na telona, mas optaram por já ir direto ao ponto, e assim sendo, o resultado é bacana e fofo de ver, mas nada que impressionasse.

Quanto dos personagens, claro que o carisma todo fica em cima do cachorro super inteligente (e muito maluco, para aqueles que não estão vendo seu mundinho) Snoopy que de uma maneira muito bacana acaba criando sua própria história paralela dentro da história toda, e dos tropeços de Charlie Brown que sempre com sua baixíssima auto-estima acaba fazendo as maiores trapalhadas que pode se meter. Mas além dos dois que comandam o filme, o destaque claro fica pelos passarinhos comandados por Woodstock que divertem bastante e pela irmãzinha de Charlie, Sally, que ao organizar excursões e vender souvenirs de seu irmão acaba agradando bastante. Todos foram bem dublados e principalmente souberam incorporar boas piadas sem desgastar a história original.

Outro bom ponto na trama foram as canções inseridas para tanto para dar comicidade, quanto para envolver, e essa boa escolha, além de dar ritmo para o filme, agradaram no conceito completo da história.

Sobre o 3D da trama, até podemos dizer que possui boas cenas interessantes, principalmente as de voo do cachorro, e alguma profundidade em diversas cenas, mas utilizaram mais o recurso para dar formato tridimensional nos desenhos, do que para ficarmos brincando com os personagens, ou seja, até vale o ingresso na tecnologia, mas dá para ver tranquilamente sem perder muita coisa pagando mais barato.

Enfim, é um bom filme que cativa, emociona e agrada bastante todo público que for conferir, desde os pequenos até os mais velhos e assim sendo deve ser recomendado, principalmente por ser bonitinho e fofo. Não posso dizer que é algo perfeito, pois funciona para o momento em que ele foi colocado, e se não continuarem com algum estilo de série, em breve não será lembrado tanto quanto merece, o que é uma pena, pois Snoopy é eterno e sempre cativará nossos corações. Portanto vá aos cinemas e confira essa boa história, compre os personagens dos lanches e quem sabe, voltem com os desenhos na TV, afinal é muito melhor que muita coisa que passa atualmente. Agradeço mais uma vez todo o pessoal do Shopping Iguatemi Ribeirão Preto e o pessoal do Cinépolis Iguatemi pelo ótimo evento. E é isso pessoal, fico por aqui nessa semana, afinal não vieram nem metade de todas as estreias para o interior, mas volto na próxima Quinta com mais posts, então abraços e até breve.


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A Grande Aposta (The Big Short)

1/16/2016 01:44:00 AM |

Conheço muitos que poderiam ficar na dúvida se classificaria "A Grande Aposta" em comédia dramática ou terror financeiro, pois ao trabalhar de uma forma sarcástica e divertida com algo que foi tão duro e forte tanto nos EUA como no mundo todo, o filme nos mostra o quanto alguns malucos que jogam literalmente com números bem grandes podem tanto se dar bem ou mal, como podem acabar com a vida de diversas pessoas, apenas com um estalar de dedos, e de uma maneira bem gostosa e divertida de ver (para quem gosta de economia/investimentos), o filme se desenrola tão cheio de boas quebras que passa voando a hora e mesmo sabendo como foi feio o estrondo da bolha imobiliária nos EUA, o filme acaba passando coisas novas e interessantes para todos. E mesmo com muitos jargões da bolsa no longa, conseguiram passar tranquilamente mesmo para quem nunca ouviu sequer um dos termos, pois aí é que entra a grande sacada do diretor, ao colocar de uma forma bem-humorada personalidades explicando ao seu jeito de viver, o que significa tudo aquilo que tem nome estranho, e aí é que a sacada muda o ponto de vista e envolve todos na sessão.

O longa nos mostra que Michael Burry é o dono de uma empresa de médio porte, que decide investir muito dinheiro do fundo que coordena ao apostar que o sistema imobiliário nos Estados Unidos irá quebrar em breve. Tal decisão gera complicações junto aos investidores, já que nunca antes alguém havia apostado contra o sistema e levado vantagem. Ao saber destes investimentos, o corretor Jared Vennett percebe a oportunidade e passa a oferecê-la a seus clientes. Um deles é Mark Baum, o dono de uma corretora que enfrenta problemas pessoais desde que seu irmão se suicidou. Paralelamente, dois iniciantes na Bolsa de Valores percebem que podem ganhar muito dinheiro ao apostar na crise imobiliária e, para tanto, pedem ajuda a um guru de Wall Street, Ben Rickert, que vive recluso.

Um fator interessante na direção de Adam McKay é que ele quis trabalhar de uma maneira leve, mas desafiadora, ao colocar alguns personagens como "contadores" de sua própria história e personalidade, então não se assuste se de repente você está lá curtindo sua cena, e o ator enquadrado resolver parar a cena e vir falar algo para a câmera, pois esse recurso que já foi usado em diversos outros filmes costuma funcionar ou muito bem, ou ser um desastre completo, e aqui felizmente fez um papel diferenciado para a trama, pois ao colocar tantos personagens em um único filme, a trama pode ser que acabe confundindo o espectador menos atento aos principais nomes, e essas quebras fazem com que, mesmo sendo um alívio diferencial (cômico em sua maioria), possamos respirar em meio à tantos termos técnicos que nos é jogado. Claro que por ser baseado em um livro totalmente voltado para administradores e economistas, o filme acabe chamando mais atenção desse público, mas quem não for da área pode até curtir a trama, ficando um pouco confuso claro, mas certamente irá se divertir com tudo, já que as explicações de alguns termos são o ponto mestre do longa. Outro ponto bem forte do longa fica a cargo da edição, que ao inserir diversas cenas fora do contexto completo da trama, para ilustrar alguns pensamentos, conseguiu dar um tom artístico tão bacana que tudo acaba compensando e agradando bastante, ou seja, uma montagem épica e diferenciada para os padrões de dramas/comédias.

Agora se eu for falar de todos os atores que agradaram em seus papeis, meu texto vai acabar virando quase de uma monografia de 100 páginas, pois temos muita gente boa fazendo expressões interessantes e trabalhando muito bem no filme, então vou me ater à alguns nomes, mas saiba que qualquer um que você escolher acompanhar na trama, vai acabar se divertindo e gostando demais do que vai ver. Christian Bale, o famoso homem elástico que muda tanto de visual ora engordando, ora emagrecendo para seus papeis que logo mais não vamos mais saber quem é ele em algum filme, e aqui seu Dr. Michael Burry está incrível, com uma personalidade completamente aquém do que já vimos ele fazer, e principalmente de conhecer alguém assim na vida, quase um devorador de números, mas totalmente maluco que consegue nos envolver no olhar e com uma personalidade única e interessante de acompanhar. Steve Carell trouxe uma personalidade ímpar para seu Mark Baum, de modo que suas cenas em Las Vegas são tão empolgantes que mesmo sendo inteligentíssimo para vivenciar cada momento com uma expressão diferenciada, o ator que costuma fazer caretas demais em seus longas, aqui mostrou que pode ser simples se bem trabalhado a ideologia da causa. Ryan Gosling ficou bem bacana com o oportunista e praticamente um apostador nato da situação Jared Vennett, que a cada ato só impactava mais na incrementação de seu personagem e de uma forma bem agradável conseguiu chamar atenção. Mesmo estando mais recluso, por ser também o produtor do longa, Brad Pitt conseguiu chamar atenção em algumas cenas com seu Ben Rickert, e como sempre quando ele é sutil, acaba desenvolvendo bem o carisma do personagem, de modo que ficamos interessados nas suas loucuras. Como disse todos foram muito bem nos devidos papeis e para não alongar muito tenho de dar mais um destaque para Jeremy Strong que foi impactante com seu Vinnie chamando atenção pelo jeito forte que desenvolveu o personagem, de uma maneira pouco incomum de ver na bolsa.

A equipe artística foi muito esperta no desenvolvimento do filme, pois ao trabalhar somente com salas fechadas, e um ou outro momento em locais mais amplos como salões lotados, puderam trabalhar a cenografia de um modo clássico sem precisar apelar visualmente cada ato, além claro de manter o filme datado da época em que tudo ocorreu. Claro que a perspectiva visual nem é algo que chame atenção, afinal o filme todo é desenvolvido nos diálogos e situações, mas para representar bem algumas cenas, foram abusados, principalmente quando a equipe vai visitar algumas casas em condomínios de luxo. Certamente o maior trabalho da equipe de arte foram nas cenas soltas cômicas, como na da cozinha, e também para montar a sala de Michael Burry, afinal o cara era maluco com bateria e muita coisa diferente espalhada pela sala. A fotografia trabalhou com nuances mais fechadas para manter um tom mais sério na trama, afinal tudo foi dramático no contexto completo, mas quando jogava para o ar satírico, sempre havia tons mais coloridos ao redor para contrastar, o que é bem legal de ver.

Enfim, aliado à boas canções, principalmente canções de rock clássico, o filme se desenvolve bem rápido e agrada bastante. O longa concorre à cinco categorias no Oscar(filme, ator principal com Christian Bale, direção, roteiro adaptado e edição), mas confesso que somente edição teria uma chance mais provável. Talvez o maior erro foi usar demais termos técnicos e se voltar completamente para quem entende um pouco de economia, pois alguns que não forem tão fãs desse meio, vão acabar rindo de diversas cenas por serem engraçadas, mas no restante do filme vai acabar perguntar para alguém o que é, ou vai ficar boiando completamente com a situação, o que não é muito legal, então embora seja um bom filme, não recomendo ele para todos, mas para os amigos da área de finanças é mais um longa para por na lista de ver e usar nas aulas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com o último longa que estreou por aqui nessa semana, então abraços e até breve.


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Creed - Nascido Para Lutar

1/15/2016 12:37:00 AM |

Após muitos anos com filmes de lutas que não empolgavam mais nossas noites, que procuravam chamar atenção apenas ser trabalhando com moralismos e dramaticidades, mas sem colocar toda aquela pompa que agradava o público à ver uma boa luta de boxe nos cinemas, que desse motivação e fizesse com que torcêssemos demais para o protagonista, como acontecia nas décadas de 70 a 90, finalmente resolveram agradar àqueles que adoravam ver "Rocky" e todas suas continuações, com um spin-off muito bem feito e que usa de todos os artifícios clássicos para fazer com que o público se emocione e vibre com cada momento do longa, ou seja, um longa feito para fãs da série, e principalmente para mostrar ao mundo como fazer um excelente trabalho de integração público/filme, pois nas cenas do ringue é impossível não se sentir dentro das quatro cordas ouvindo os múltiplos sons vindo das caixas laterais dos cinemas.

O longa nos mostra que Adonis Johnson nunca conheceu seu famoso pai, o campeão mundial peso-pesado Apollo Creed, que morreu antes dele nascer. Ainda assim, é inegável que o boxe está em seu sangue, então Adonis vai para Philadelphia, o local da lendária luta de Apollo Creed contra um aguerrido novato chamado Rocky Balboa. Já na Cidade do Amor Fraternal, Adonis encontra Rocky e pede para que ele seja seu treinador. Apesar de sua insistência em se afastar do mundo das lutas por bons motivos, Rocky enxerga em Adonis a força e a determinação que ele conheceu em Apollo - seu feroz rival que acabou se tornando seu melhor amigo. Concordando em ajuda-lo, Rocky treina o jovem lutador, mesmo que para isso o antigo campeão tenha que desafiar um oponente mais mortal do que qualquer um que ele já tenha enfrentado no ringue. Com Rocky em seu corner, não demora muito para que Adonis tenha sua chance de disputar o título… mas será que ele pode desenvolver não somente o jeito, mas também o coração de um verdadeiro lutador a tempo de entrar no ringue?

Bem, é apenas o segundo longa que Ryan Coogler dirige, e com tantos elogios/prêmios que ganhou em "Fruitvale Station: A Última Parada" e vem ganhando com esse novo longa, não demorou nada para que já colocassem ele em outro grande blockbuster que vem por aí, e certamente virão outros grandes filmes, pois o jovem diretor de apenas 29 anos mostra tanto sensibilidade para trabalhar bem os momentos mais densos e comover, como coloca dinamicidade e impacto nas cenas de ação para que o público se envolva e vibre, ou seja, não deixa na mão em momento algum. Claro que os mais chatos, vão reclamar de clichés e afins do gênero que o diretor utiliza, mas para que inovar em algo que sabemos que dá certo se ao fazer algo diferente vamos reclamar? Então os acertos são imensos e quando trabalha alguma coisa nova no quesito de enquadramento, o acerto também é muito bom, pois em diversos momentos o longa aparenta utilizar recursos claros que os videogames tem colocado em pauta, de imersão do público para ao lado do personagem principal, e outras vezes até assumindo em primeira pessoa, o que é bem legal de ver em um longa de luta. Ou seja, não podemos dizer que o roteiro é algo maravilhoso, pois possui alguns defeitos, e também não podemos dizer que a direção é fantástica, por também abusar de estilos comuns, mas o contexto completo é tão bom, e tão emocionante de ver, que saímos da sessão querendo mais, e como um bom burburinho, já estão falando em uma continuação, agora é esperar pra ver se a ideia vai vingar.

Muito está se falando sobre Sylvester Stallone estar ganhando prêmios por homenagem apenas, mas após conferir o longa, vemos que seu Rocky Balboa não é apenas um retorno do seu personagem mais tradicional, mas sim todo um trabalho emotivo sobre as diversas lutas na vida que temos de passar, e a que ele enfrenta no longa, embora não fiquem somente enroscando nela, é uma das mais duras da sociedade atual, e ele como um machão tradicional, mostrou de uma forma cativante que dá para encorajar os demais a lutar também, além claro de que não quis lutar como um velhinho, como ocorreu no longa "Ajuste de Contas" há dois anos atrás, mas sendo mais impactante como orientador e mentor de vida mesmo, ou seja, fez por merecer o reconhecimento que está levando prêmio em cima de prêmio. Michael B. Jordan é um dos atores que precisam trabalhar mais, lapidando as pontas falhas, pois faz um filme bom, na sequência um péssimo, depois outro bom e por aí vai, e ele tem potencial para chamar a responsabilidade para si e detonar em papeis que necessitem de eloquência, como é o caso agora de seu Creed, que certamente tanto pela semelhança física com Carl Weathers quando mais novo (Apollo Creed em "Rocky") quanto pela persistência nas cenas de lutas bem coreografadas, vai acabar chamando muito a atenção de outros produtores para filmes que necessitem disso, e se bem trabalhado, logo verá muitos louros, pois ele tem expressividade e agrada bastante. Tessa Thompson até consegue agradar bem com sua Bianca, e possui bons instintos motivacionais impressos em seu personagem, porém ela funciona apenas para dar liga completa na trama com os demais, já que o relacionamento seu com o protagonista não é algo que querem focar tanto, e isso é bom para o filme, mas ruim para a atriz, que por bem pouco se cortassem mais cenas dela, quase acabaria excluída do filme. Phylicia Rashad é uma atriz que nunca havia visto em filmes, não como alguém que tivesse grande destaque, afinal seu forte sempre foi TV, mas aqui embora apareça somente em três cenas, conseguiu trabalhar tão bem o semblante de sua Mary Anne que não tem como não rir de sua última cena, e certamente toda mãe/madrasta que se preze faria a mesma coisa. Os demais atores são importantes apenas para as lutas, e quase não possuem falas para analisarmos suas interpretações, mas claro que o grande destaque fica por conta do boxeador Tony "Bomber" Bellew, que estreando no mundo da atuação em um filme como Conlan conseguiu mostrar bem como é o mundo artístico das encaradas nas pesagens e nas entrevistas coletivas e agradou bastante com sua expressividade.

No conceito artístico além de boas locações para as academias, shows musicais e ginásios de luta, a equipe artística trabalhou também de uma forma bacana com o conteúdo digital inserido no filme, de modo que a cada luta mostrada parecia estarmos vendo o "card" de vitórias de cada lutador como acontece em lutas reais, mas de uma maneira mais puxada para os jogos de videogame e isso ficou bem bacana de ver, funcionando como um elemento cênico a mais para a trama, que contou com muita simbologia nos cartazes que estão espalhados por todo o cenário, além claro de locais tradicionais que nos remetem aos demais filmes da franquia original. A fotografia usou bem o tom marrom para segurar a densidade dramática das cenas, colocando muito vermelho nas cenas de lutas, contrastando com elementos de cores neutras para chamar um destaque ou outro da cenografia, e com a dinâmica mais acelerada, o filme ainda trabalhou os cenários com luzes e sombras bem doces, para emocionar mesmo.

Não sei se é um spoiler, ou não, mas claro que a trilha sonora vai comover, ao trabalhar coisas novas e clássicas da franquia, nos devidos momentos e claro que agrada demais.

Enfim, podemos até reclamar de ser um filme acelerado, que já entrega todo o material que poderia ser trabalhado em mais de um longa, mas é óbvio que o diretor não esperava o sucesso que o filme está conseguindo, e para aqueles que gostam de algo mais sucinto, certamente não vai se decepcionar com o que verá na tela, mas tirando esse mero detalhe e alguns pequenos errinhos que poderiam ser sanados que citei acima, o filme é algo que merece muito ser visto (preferencialmente em um cinema com o melhor som distribuído em diversos canais, para imersão total no longa) e que vai agradar demais quem gosta de longas de luta e superação. Portanto, mais do que recomendo o longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda tenho mais algumas estreias para conferir, então abraços e até breve.


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O Bom Dinossauro em 3D (The Good Dinosaur)

1/08/2016 01:39:00 AM |

A Pixar acabou acostumando mal o público que gosta de animações que não fossem exclusivas para crianças, e com isso, sempre que um novo filme do estúdio é lançado, a expectativa já vai lá em cima, e claro que já disse isso inúmeras vezes aqui, que uma expectativa alta detona um filme mediano, e como "O Bom Dinossauro" possui uma das histórias do estilo voltando para casa mais fracas que o estúdio já pegou para fazer, nem o contexto visual lindíssimo consegue empolgar o público que for ver a trama e tiver mais que 10 anos, pois tirando alguns momentos sentimentais e outros com boa dose de comicidade, nenhum personagem consegue ter um bom destaque, nem carisma suficiente para segurar 100 minutos de tela, e dessa maneira com uma boa premissa por trás, o filme só conseguirá vender alguns bonecos e parar facilmente frente à outros que em breve surgirão nos cinemas.

Os dinossauros foram extintos após a colisão de um gigantesco asteróide com o planeta Terra. E se este evento não tivesse ocorrido? O filme parte desta premissa para trazer a história de dinossauros que ainda hoje controlam o planeta. E mostra a amizade de Arlo, um dinossauro adolescente, com um jovem menino humano, Spot.

Em sua estreia como diretor, já que passou por diversas outras funções na Pixar antes de ganhar um longa para chamar de seu, Peter Sohn até procurou usar o modelo tradicional do estúdio de jogar um sentimentalismo ali, uma piadinha acolá, alguns personagens bobos e filosóficos no miolo com pequenas participações e claro, a ideologia do "e se?" que tantos outros filmes já agradaram pais e filhos nos cinemas. Mas não posso afirmar logo de cara sem uma pesquisa mais a fundo ou ver o longa com pausas para ver pequenos cortes, pois aparentemente o longa seria bem mais longo do que os 100 minutos mostrados na tela, já que a cada ponto marcante da história, tudo ocorre e logo em seguida já estamos com algo novo acontecendo, sem que a priori a apresentação dos personagens que foram inseridos à 1 minuto tenha deslanchado e finalizado. Além disso, a simbologia e o enredo lembram tanto outro filme, "Em Busca do Vale Encantado", que se ao invés do garotinho, tivessem outros dinossauros, poderíamos dizer que o plágio foi perfeito, mas esse mero detalhe acabou dando uma nuance mais fofinha para a trama, transformando os seres humanos em animais selvagens que os dinossauros tentaram domesticar, mas não de forma tão implícita.

Agora, poderiam ter usado mais o apelo dramatizado, ou até inserido mais personagens cômicos para que a trama deslanchasse e criasse um carisma mais forte do público com os desenhos, mas preferiram manter o tom mais infantil de funcionar apenas com cores, o que não deu tanta simbologia nem envolvimento para a trama, o que é de certa forma ruim. Então não vá ao cinema esperando sair amando determinado personagem, que isso não acontecerá, de modo que os protagonistas Arlo e Spot até possuem uma química gostosa de ver durante toda a jornada, mas todos os demais que entram em seus caminhos acabam sendo tão repentinos que no final nem vamos lembrar mais quem é quem.

Agora se temos de aplaudir de pé algo do filme, isso certamente se deve ao visual criado para compor toda a cenografia da trama, que em diversos momentos nos pegamos olhando tanto ao fundo para ver se não foi gravado realmente alguma paisagem e inserido apenas os personagens por cima. De maneira que com muita certeza, esse pode ser considerado o melhor trabalho gráfico do estúdio para composição cênica, fazendo com o que já havíamos comentado que em breve não precisarão mais de locações para os filmes de live-action pois tudo no computador está ficando cada vez mais perfeito. Ou seja, pelo menos para ver lindas paisagens, o longa vai funcionar e muito, pois cada detalhe mínimo foi pensado para envolver nesse quesito. E não digo nem tanto que a profundidade causada pelo 3D foi trabalhada, claro que ajudou na perspectiva cênica, mas não temos quase nada vindo em nossa direção ou que tenha sido usada na modelagem para dar uma melhor ambientação, mas sim todo o contexto de materiais, e menos o bom uso da tecnologia com os óculos. Ou seja, antes que me perguntem, o preço do 3D é quase inviável para a trama, mas ajuda a compor o visual de profundidade.

Outro detalhe que poderiam ter aproveitado mais, e que a Disney precisa ensinar o pessoal da Pixar, é o uso das trilhas sonoras, pois mesmo usando diversas músicas empolgantes no trailer, durante toda a exibição o filme fica apenas com sonoras calmas e bem simples, nada que desse um ritmo melhor, ou até mesmo fizesse com que mexêssemos nossos pés para acompanhar a jornada dos personagens, de modo que o filme ficasse muito morno, e isso não é algo que esperamos de uma animação.

Enfim, poderia agradar bem mais com a ideia toda, e optaram por segurar um filme mais light que agrade as crianças pelas vendas de pelúcias, e não vão conseguir tanta bilheteria, ou seja, o trailer de 3 minutos foi anos-luz melhor que o filme inteiro de 100, e dessa maneira infelizmente não tenho como recomendar ele. Longe claro de ser algo ruim, não digo isso, mas não chega nem perto de qualquer outro filme que o estúdio tenha feito. Bem é isso pessoal, fico por aqui com a único longa que veio nessa semana, além claro dos outros que já haviam vindo como "pré-estreia"(se possui mais do que uma sessão não dá para considerar como pré-estreia), então volto somente na próxima quinta-feira, então se a abstinência de filmes me permitir deixo meus abraços e até lá.


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Vai Que Dá Certo 2

1/03/2016 01:11:00 AM |

Se tem um gênero que sempre vai funcionar no Brasil é a comédia, pois tem público garantido, ainda mais se colocarem atores e comediantes conhecidos. Jurava que não fariam continuação de "Vai Que Dá Certo" quando vi o longa em Março/2013, e até assustei o dia que numa sessão de algum filme vi o trailer de "Vai Que Dá Certo 2", mas se conseguissem arrumar uma boa conexão para desenvolver a trama, que mal teria, afinal o primeiro divertiu bastante sem necessitar apelar para nada! E cá estou hoje após conferir o longa em uma das sessões de pré-estreia, já que o lançamento oficial é somente no dia 07, e posso dizer que conseguiram alcançar essa meta, de continuar divertindo sem apelar para escatologias ou forçar com piadas prontas, como acaba ocorrendo com muitos longas nacionais. Não posso dizer que foi algo muito melhor do que o primeiro filme, mas certamente o encaixe aqui para tentar ficar rico, foi mais provável do que o ocorrido no primeiro longa, e só esse engajamento já faz valer o ingresso, e claro que com cenas hilárias de Felipe Abib e Fabio Porchat, a trama se desenvolve tão rápido que nem parece ser um longa-metragem. Ou seja, diversão garantida, só não precisa ficar esperando nada após o começo dos créditos, que não vai ter nada agora, quem sabe num próximo filme.

A sinopse nos mostra que depois de tentar enriquecer com um plano mirabolante onde nada aconteceu como era esperado, Amaral, Rodrigo e Tonico estão precisando de grana mais do que nunca. A crise aumenta quando Jaqueline aceita casar com um deles. Mas um DVD com cenas comprometedoras e que vale uma boa grana cai nas mãos de Danilo, empurrando os amigos para uma nova e inesperada aventura que pode virar esse jogo. O sonho de faturar uma bolada tem apenas alguns obstáculos: um malandro capaz de tudo pra se dar bem, uma prima sensual e perigosa e dois policiais nada federais. Agora é só seguir o plano cuidadosamente improvisado por eles, que dessa vez não tem como dar errado!

O maior problema do longa, assim como aconteceu no primeiro filme é a bagunça generalizada que é a história, pois muitos podem até dizer que é tudo sem pé nem cabeça, mas a trama toda tem uma base, e essa condução deveria ser mantida para que o vértice do filme continuasse divertido, mas ainda assim agradasse também como história contada. Não digo que isso vá atrapalhar quem for ver o filme apenas por diversão, mas certamente ajudaria os críticos mais chatos, a não reclamarem tanto das comédias nacionais, pois algumas sim devem ser jogadas fora, outras divertem e cumprem com o papel que uma boa comédia deve ter. E esse longa é um dos casos que agradam bastante o público, pois do começo ao fim praticamente a sala toda riu sem parar, e assim sendo, o trabalho de Mauricio Farias foi novamente bem feito na direção e no roteiro. Outra coisa interessante, é que o diretor não trabalha com subtramas no longa, como acaba acontecendo em novelas e diversos outros filmes, então estamos sempre com os mesmos personagens ora juntos, ora em parte fazendo tudo da mesma forma, e isso acaba conectando muito o público com a trupe toda, o que é muito bom. No conceito da edição, já disse que o longa passa bem rápido e seus 90 minutos aparentam ser bem menos na telona, o que é um mérito da dinâmica de edição escolhida, porém há um pequeno erro de edição de uma cena que surge do nada logo após ela ter acabado, e se não fosse um filme digital, falaria que o pessoal da projeção montou o filme com um pedaço errado, é um mero detalhe que não atrapalha em nada o andamento do longa, mas ficou estranho solto com a cena seguinte.

No quesito atuação, praticamente todos os protagonistas possuem o mesmo tempo de tela, mas por mais incrível que pareça, dois conseguiram se destacar muito nessa nova trama. Se no filme anterior Felipe Abib ficava bem escondido atrás dos demais, com a saída de Gregório Duvivier, ele foi o responsável pela boa química com Fábio Porchat para que o longa decolasse, e seu Tonico ficou bem engraçado com as piadas de filmes e trejeitos desesperados à cada nova situação, o que agrada muito no estilo que procuraram seguir na trama. Falando em desespero, já vi personagem medroso, mas o jeito que Fábio Porchat colocou seu Amaral em cena, está pra nascer alguém medroso e desesperado desse jeito, cada piada melhor que a outra, de modo que ele vem numa crescente tão boa com seus filmes tanto cômicos quanto dramáticos que podemos em breve ver que o que era apenas uma previsão de ser um grande ator de cinema vai se tornar realidade de forma bem fácil. O sotaque estranho do personagem Danilo, interpretado por Lúcio Mauro Filho acabou soando forçado demais nesse longa e seus atos foram bizarros demais também de ver, mas no contexto geral até dá para agradar com o que faz nas suas aparições, só não precisaria abusar tanto de irreverências. Seu pai, Lúcio Mauro, já pelo contrário fazendo o papel de avô trabalhando sempre com sutilezas consegue ser o alívio moderado entre doçura cômica e irreverência bem casada, o que é sempre bom de ver em um filme de comédia. Danton Mello poderia ser considerado o protagonista do filme, mas como podem ver, falei bastante de outros personagens até chegar nele, e isso tem um motivo forte, pois mesmo ele tentando agradar com seu Rodrigo, acaba soando simples demais em tudo que faz, não causando nem risadas, nem conflitos, servindo mesmo de ligação apenas entre tudo o que ocorre na trama, e isso para um ator do porte dele é pouco em qualquer produção. Natália Lage, assim como no primeiro filme é participação especial com sua Jaque, e mesmo aparecendo quase de relance em diversos momentos do filme, não causa grande furor, nem com o visual que tanto chamou atenção no longa original. Agora quem faz a vez dela é Verônica Debom, que passa a ser a visão sedutora para com os protagonistas da trama com sua Simone, e só serviu para isso, já que se atrapalhou bastante nas cenas que exigiram mais expressividade. E para fechar Vladimir Brichta como "vilão" Elói não empolga muito e também não atrapalha, apenas caiu bem dentro do plano completo da história e assim como aconteceu com Bruno Mazzeo no primeiro filme serviu para o feito, e nada mais. No caso dos policiais, melhor nem comentar.

No conceito visual, o longa não procurou chamar tanta atenção, sendo mais contido no orçamento e trabalhando mais com locações simples, e isso de certa maneira até ficou interessante de ver, pois diferente do primeiro filme que tínhamos uma super mansão, aqui galpões abandonados e casas e apartamentos menores representaram mais a realidade dos personagens do filme. E dessa maneira tirando a bolsa com o dinheiro e o DVD, não tivemos elementos cênicos que representassem tanto para a trama, e isso de certa maneira funcionou mais para que os protagonistas criassem piadas entre eles, sem abusar e necessitar de algo como referência. Ou seja, não veremos nada que encante os olhos visualmente, afinal a proposta não foi essa de comédia que fomos no cinema para assistir. Por ser um longa bem dinâmico, a equipe de fotografia cometeu algumas pequenas falhas de iluminação que até poderiam ser corrigidas na edição, mas não tiveram esse cuidado, então em algumas cenas externas, percebemos furos visuais comuns de filmes de ação, o que também acaba sendo parte da proposta da trama, mas nada que chegue a atrapalhar muito, porém poderiam ter sido mais cautelosos e agradar nesse contexto também.

Enfim, é um longa que está longe de passar perto do hall dos melhores do ano, mas assim como o filme original, diverte bastante, e como costumo falar, essa é a obrigação máxima de um longa cômico. Então, se você não se preocupa com tanta técnica e quer apenas rir de coisas absurdas que um grupo de amigos faz para tentar ficar milionário, certamente o longa é uma boa pedida e recomendo, mas se você for esperando ver uma obra prima do cinema de comédia, com referências clássicas e tudo muito novo, nem passe perto da sessão, senão a chance de sair bravo é alta. Como gosto muito do estilo, e apenas tenho que pontuar algumas falhas, ri bastante e me diverti com a proposta recomendando ele com certeza. Fico por aqui nessa semana sem estreias, mas que pelo menos já deu para adiantar dois longas da próxima, então abraços e até quinta pessoal.


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Os Oito Odiados (The Hatefull Eight)

1/02/2016 01:17:00 AM |

Falar o gênero de um filme de Quentin Tarantino é algo que não é das mais fáceis tarefas, por isso quando perguntarem do que é o filme, fale apenas que é um filme de Tarantino e já está valendo, pois sempre tem comicidade, tem investigação, tem dramaticidade, tem muito sangue e tudo mais que você desejar ver na tela do cinema, ou seja, uma obra completa sempre. Com "Os Oito Odiados", o diretor nos entrega seu oitavo filme de uma forma tão recheada de estilo que acabamos nos divertindo mesmo com algo um pouco alongado demais e explicadinho tintim por tintim, que muitos acabam reclamando, mas assim como diversos livros, as vezes precisamos frisar algo de outro capítulo para mostrar o que queremos, e como essa é a cara de Tarantino, vamos preparados para tudo, e ainda acabamos surpreendidos.

O longa nos mostra que durante uma nevasca, o carrasco John Ruth está transportando uma prisioneira, a famosa Daisy Domergue, que ele espera trocar por grande quantia de dinheiro. No caminho, os viajantes aceitam transportar o caçador de recompensas Marquis Warren, que está de olho em outro tesouro, e o xerife Chris Mannix, prestes a ser empossado em sua cidade. Como as condições climáticas pioram, eles buscam abrigo no Armazém da Minnie, onde quatro outros desconhecidos estão abrigados. Aos poucos, os oito viajantes no local começam a descobrir os segredos sangrentos uns dos outros, levando a um inevitável confronto entre eles.

Trabalhar com o estilo western é algo que ou você ama, ou acaba entregando algo meia boca, pois não dá para montar simbologias num gênero complexo, apenas jogando um duelo ou personagens como cowboys andando por uma paisagem quase desértica. E Tarantino sempre teve uma pegada interessante no estilo western, mas com "Django Livre" usou mais o lance de escravidão que o estilo rústico mesmo, e agora ele trabalhou todas as referências possíveis do estilo, em algo simbólico, cheio de metalinguagens e principalmente deixando o público curioso até o penúltimo capítulo para saber tudo, ou seja, assim como acontecia nos westerns tradicionais, não temos como afirmar uma agulha até o último segundo da trama. E assim sendo ele volta a mostrar o quão bom é com diálogos e estruturas narrativas, fazendo do seu filme, literalmente um livro que conseguimos folhear capítulo a capítulo, instigando a cada momento para sabermos mais de cada personagem. E para isso, usou e abusou de ângulos diferenciados, para não mostrar nada além do que queria para aquele capítulo, retornando a cena anterior quando necessário para mostrar outro ponto de vista e apontar para onde deveríamos ter olhado, e não olhamos, dando um baile de classe total para os suspenses que entregam tudo logo de cara.

É difícil achar um ator tão impactante quanto Samuel L. Jackson, pois se lhe é dado um personagem forte, ele vai lá e encontra um meio de deixar ele ainda mais marcante, e com o seu Marquis Warren, o ator conseguiu mostrar personalidade e até de certa forma criar um carisma com o público, o que é algo difícil de acontecer em longas mais violentos, mas com um senso de humor único e uma dinâmica bem característica, o personagem chama bastante atenção e agrada desde a maquiagem até tudo o que faz em cena. Kurt Russel é um ator com muitos altos e baixos, e por incrível que pareça, ele transparece isso também nos personagens que pega, de modo que o seu John Ruth até chama bastante a atenção, mas de protagonista da trama, acabou ficando jogado para coadjuvante e por bem pouco não sumiu mais em cena, frente aos outros atores, posso até estar enganado, mas o papel originalmente não seria dele, e sim de outro querido do diretor. Agora, uma atriz que não me recordo de nenhum outro grande papel seu, e aqui simplesmente detonou foi Jennifer Jason Leigh com sua Daisy Domergue, trabalhando expressões incríveis que junto de um texto impecável e muito sangue artificial na cara, acabou fazendo suas últimas cenas num nível fora do comum de adrenalina dramática, o que acabou lhe garantindo ao menos mais uma indicação para o Globo de Ouro. Walton Goggins inicialmente estava bem jogado de canto com seu Mannix, e de certa forma até estava incomodando sua presença junto os demais personagens, mas nos últimos capítulos tomou um crescente tão bacana, que passamos a gostar de tudo o que faz e acaba ficando bem divertido acompanhar seu deslanche. Os outros atores até tiveram seus bons momentos em cena, mas nenhum obteve grande destaque e apenas serviram para criar o mistério todo da cena, claro que sem eles o longa ficaria sem graça alguma, mas de modo geral, não podemos dar grande destaque para eles.

O principal fator de um bom western sem dúvida alguma é o conceito visual, que na maioria das vezes mostra um sertão árido quase desértico de tanto calor, e aqui ao colocar o deserto completo numa montanha gelada rodeada de uma grande nevasca, o diretor não só mudou o tom marrom costumeiro para o branco e cinza, como criou um âmbito cênico muito bonito de se ver, e claro que a equipe de arte não economizou em detalhes antigos para que os elementos cênicos chamassem a atenção e ainda servissem para todo o contexto da história, conforme vai deslanchando mais ao final com a resolução completa do mistério. Ou seja, um trabalho de arte impecável que agrada demais na composição do pequeno espaço que é a estalagem aonde ocorre a maior parte dos atos. Claro que assim como a maioria dos westerns tradicionais, pouquíssimos efeitos computacionais foram colocados, abusando mais de efeitos mecânicos e para isso muito sangue artificial foi usado, então aqueles que forem mais nojentos, certamente irão reclamar de quase vazar sangue pela tela do cinema, mas que isso é algo muito bonito de ver do trabalho da equipe de maquiagem, certamente é, e estão de parabéns por todo o conceito que deram para cada personagem, seja enquanto estavam vivos ou após muitos tiros. A fotografia do longa é algo incrível de ver, e não se assustem que ao começar a exibição a tela da maioria dos cinemas vai reduzir bastante ficando bem retangular na exibição, pois o diretor quis ser ousado e filmou usando uma câmera Panavision 70mm, o que dá uma perspectiva diferenciada, e de certo modo chama a atenção para o estilo que tanto desejava mostrar, não chega a ser uma revolução e também não vai ser algo que o público em geral vá sentir diferença, mas aliado à todo o conceito cênico ao redor, o diretor de fotografia conseguiu ter uma iluminação bem clássica e bonita para que cada ângulo representasse a simbologia densa que o diretor tanto desejava alcançar. Em suma, são pequenos detalhes técnicos que pontuaram cada item para chamar atenção.

Que existem grandes nomes por trás das trilhas atualmente, isso é um fato totalmente conhecido por todos, e que cada dia mais nomes surgem também é um fato marcante, mas se existe um nome dentro de trilhas western que diretor algum pode sequer não cogitar trabalhar é Ennio Morricone, que com uma maestria completa deu suavidade em cada nota, criando a ambientação perfeita que o longa pedia, e certamente muito em breve veremos outros utilizarem as novas toadas que escolheu demonstrar junto de Tarantino, para criar musicalmente o ritmo denso que gostariam de alcançar.

Enfim, é um filme que certamente muitos desejam ver, e vão sair felizes com o resultado, e também um longa que chamará a atenção de curiosos e que acabarão tendo opiniões diferentes sobre gostar ou não, mas aí volto no que falei no parágrafo inicial, que é um longa do Tarantino e vai conseguir cativar o público certamente por algum elemento da trama, seja pela comicidade, pelo sangue voando pra todo lado, ou até mesmo pelo mistério que é criado em cima da história, ou seja, agrada à todos. Se tenho uma reclamação a pontuar é a duração de 187 minutos, que ainda por cima não tendo um ritmo tão dinâmico acaba cansando um pouco, e justamente com isso, ele acabou explicando demais cada detalhe, o que não era 100% necessário, mas ainda assim foi um excelente filme para abrir o ano de 2016. Então certamente recomendo ele para todos, e fico por aqui agora com a crítica desse longa que só estreia na próxima semana oficialmente, mas como veio em pré-estreia durante toda a semana, vale a pena conferir. Amanhã volto com outra pré-estreia que apareceu por aqui, então abraços e até breve.

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