No Olho do Tornado

domingo, agosto 31, 2014 |

Há alguns anos atrás o que podemos considerar praticamente como um subgênero do drama misturado com aventura acabou virando moda e criando com ele diversos diretores que ficaram famosos por destruir tudo nos filmes de catástrofes. E se na época tínhamos uma tecnologia escassa para fazer tudo que eles queriam, agora com o lançamento de "No Olho do Tornado", o diretor teve possibilidades mil de criar devastações bem semelhantes às que vimos nos últimos anos nos EUA. Porém o longa tem um problema muito forte que o diferenciou dos demais, a falta de um clima de tensão mais forte nos espectadores, principalmente no Brasil que não sofre desse mal, então enquanto os demais filmes acaba deixando todos com falta de ar, medo ou algo do tipo, esse aqui acaba mais divertindo do que qualquer outra coisa, e isso não é ruim, mas também não fará com que o filme se torne um sucesso.

O filme nos mostra que em apenas um dia, a cidade de Silverton é totalmente devastada por tornados. A cidade está à beira dos instáveis e mortais ciclones, mas o pior ainda está por vir. Enquanto a maioria das pessoas procuram um meio de salvar suas vidas, outras correm para o centro do desastre natural, testando o quão perto um caçador de tempestades pode chegar.

O roteiro em si poderia ter trabalhado mais com a devastação do que com os problemas pessoais dos protagonistas, de forma que alguns momentos emotivos do garoto junto da moça acabam sendo chatos demais e cansam. Agora um grande trunfo do diretor foi poder colocar diversos bons ângulos de câmera que com auxílio das pequenas câmeras foi possível colocar os espectadores em diversos momentos como parte da ação mesmo o longa não sendo em 3D. E isso agrada bastante o andamento do filme para que ao sair de momentos mais parados nos envolvesse com as loucuras dos caçadores de tempestade. Com a tecnologia atual de computação gráfica também foi possível criar efeitos e tornados se formando de uma maneira muito incrível e bonita de se ver, e assim o diretor ao menos teve grandes sacadas ao mostrar a todo momento isso.

No quesito de atuação, Richard Armitage ficou como um pai tradicionalista demais e em alguns momentos chega a ser até chato com o que faz em cena, mas como sabemos do seu potencial de atuação, nem podemos dizer que a culpa foi sua e sim do roteiro mal desenvolvido. Sarah Wayne Callies foi bem colocada como uma jovem climatologista, mas decepciona ao tentar querer ser humana demais enquanto a maioria da área é mais precisa em dados. Matt Walsh como um diretor documentarista ficou exatamente como a maioria dos diretores são arrogantes e só pensam no filme que estão fazendo, então conseguiu convencer bem. Os jovens Max Deacon e Alycia Debnam Carey funcionam inicialmente como uma química bonitinha, mas logo começam a cansar. Nathan Kress consegue soar prepotente mesmo em poucas cenas como o filho mais velho e não empolga em momento algum. Os caipiras caçadores de tempestade Kyle Davis e Jon Reep soaram bobos demais ao fazerem coisas do estilo Kickass. Dos demais atores nem vale falar muito, mas todos tem algo em comum, de ouvirem que nada vai acontecer e em seguida o mais clichê acontece.

Com elementos cênicos bem feitos, o longa agrada por mostrar muita coisa voando, mas ao exagerar na quantidade de câmeras para dar um estilo mais "found footage" com as câmeras nas mãos dos protagonistas, acabaram acontecendo diversos erros com momentos que não eram câmera de ninguém que estava filmando e ainda assim os protagonistas sorriam pra ela. Outro elemento cênico muito bem trabalhado foi o carrão usado para buscar as tempestades, que fizeram questão de detalhar explicando como funcionava para dar um show a parte. E um erro exagerado que ficou bonito visualmente, mas que foi de uma falha imensa foi a quantidade de aviões num aeroporto da cidade, que por ser totalmente interiorana com certeza não teria aquela quantidade de veículos estacionados. Com uma fotografia bem puxada para o azul o longa ficou visualmente interessante, mas acaba não dando tanto envolvimento na trama.

Enfim, é um bom filme, mas faltou ao diretor mais coragem de fazer o público ficar com o coração na mão, que aí sim teríamos algo digno do prêmio desespero que só Rolland Emerich sabe fazer bem e agradar mesmo que exagerando. No geral vale a pena conferir pelos bons efeitos especiais e por ver o que um tornadão pode fazer com uma cidade pequena, mas com muita certeza não vai agradar os mais exigentes. Encerro aqui a semana cinematográfica, já que não vieram para o interior os filmes mais artísticos e como já vi também a maioria que deve estrear semana que vem fico com medo de que não tenha nada para ver semana que vem, vamos torcer e aguardar os horários. Então abraços e até breve pessoal.


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Hércules em 3D

sábado, agosto 30, 2014 |

A lenda de "Hércules" já foi contada nos cinemas muitas vezes pelo que me lembro, inclusive uma no começo desse ano, mas e a história por trás da lenda? Com essa proposta o filme que estreia no dia 4 de setembro conseguiu mostrar um filme diferenciado dos demais ao mostrar que o místico acaba aparecendo por meio de falações, um que conta um feito, outro aumenta e por aí vai, mas quando um herói demonstra sua força por uma causa, aí sim ele não necessita ser filho de nenhum Deus para sagrar-se um grande homem. Adaptei um pouco as palavras que são ditas no filme, mas a ideologia que nos é mostrada nele é bem pautada em cima disso e pra quem assim como eu for totalmente despretensioso assistir ao filme é capaz de sair da sessão muito feliz com o resultado passado, pois temos muita ação, batalhas bem feitas e todo um clima mítico que aos poucos vai sendo quebrado com algo mais real de ser acreditado e possa ter até existido de certa forma.

O filme nos mostra que séculos atrás, um semideus atormentado andou pela terra: Hércules era o filho do poderoso Zeus. Isso não lhe trouxe nada além de sofrimento a vida inteira. Após 12 trabalhos árduos e a perda de sua família, essa alma sombria e desgastada deu as costas para aos deuses, encontrando seu consolo em batalhas sangrentas. Ao longo dos anos, ele teve a companhia de seis amigos, que tinham como único princípio o amor pela luta e a presença da morte. Eles nunca questionaram onde ou contra quem lutar, apenas perguntavam quanto ganhariam, até que o Rei da Trácia resolve contratá-los para treinar seus homens e criar o maior exército de todos os tempos.

O roteiro que é baseado nas HQs da Radical Comics conseguiu um feito enorme, dar a Dwayne "The Rock" Johnson um papel do nível que precisaria, alguém forte, que só precisasse arremessar as pessoas e desenvolver carisma pelos "seus" feitos. E o diretor foi muito esperto ao trabalhar tanto com o roteiro minucioso aonde continha uma história envolvente que se bem desenvolvida daria um novo rumo para um personagem que já havia até enchido o saco de tanto que víamos seus grandes feitos, como colocar um ator gigantesco de forte que tivesse carisma com o público. Falando mais sobre Brett Ratner, ainda não vai ser com esse filme que vai conseguir se redimir da bagunça que fez em "X-Men: O Confronto Final", mas já conseguimos enxergar que o seu potencial é dar algo que encaixe sacadas mais cômicas dentro da trama, o que aqui é feito tão bem com toda a equipe de apoio de Hércules que o filme deslancha sozinho. Uma outra grande sacada do filme foi de não se ater tanto ao misticismo, procurando colocar em pauta mais as batalhas por território que existiam nas antiguidades, e assim o filme acaba nos convencendo bem mais pois ver ele lutando com um bicho que sequer sabemos a existência é complicado de acreditar, mas ao ver lobos assassinos e brigas de reis e rebeldes, já é algo mais satisfatório de crer.

Como falei mais acima, o acerto no quesito atuação é montado mais pelo lance do carisma que os atores conseguem nos passar do que por algo mais elaborado que façam com seus personagens, pois mesmo cada um tendo um "poder" específico no seu modo de lutar, o que vemos é uma boa equipe de mercenários que sabem lutar muito bem e têm características bem interessantes com suas histórias de vida, que felizmente são contadas num trecho bem curto, mas que já valeu a pena aparecer na trama. Dwayne Johnson tem cada dia mais apagado o "The Rock" do seu nome, mas ao aumentar cada vez mais seu nível de músculos está virando realmente uma pedra imensa que ou logo explodirá, ou vai ter de trabalhar somente em filmes desse estilo, seu modo de atuar é engraçado, pois sempre com suas características marcantes de brucutu, ele mesmo nos momentos mais fortes, mantém seu sorrisão estampado na cara, e isso nos agrada ao ver ele fazendo um bom papel escolhido a dedo para ele. Ian Mcshane conseguiu juntar sua irreverência para contar a história do filme e  também agradar com seu modo único de vida no personagem de Amphiaraus, de forma que suas previsões sobre o futuro acabam sendo bem bacanas de acompanhar. Ingrid Bolsø Berdal trabalhou tanto personalidade quanto beleza na amazona Atalanta que não necessitou ser forte para mostrar tanto habilidade com o arco como nas cenas mais ágeis, agradando em cheio no quesito velocidade e sendo cheia de impacto nos momentos que precisou declamar algum diálogo. Rufus Sewell fez seu Autolycus praticamente um gladiador bem colocado na trama e esse desenvolvimento agradou bastante nos momentos que temos mais conversa entre os protagonistas, mostrando que está ali para o que foi designado e nada mais, o ator ainda soube manter sempre um semblante bem próprio e coerente. Aksel Hennie fez seu Tydeus como literalmente um animal de guerra e nos diverte ao ser realmente de feitio animal, conseguiu trabalhar bem nas cenas que lhe foram mais exigidas versatilidade. Reece Ritchie dentre todos foi o que mais trabalhou nos diálogos, já que seu Iolaus não sendo um lutador, mas sim um contador de histórias, coube a ele enfatizar todos os feitios de Hércules e ser a voz ativa dentro do grupo, o jovem garoto mandou bem em praticamente todas as cenas, sendo um bom orador e chamador de responsabilidades. John Hurt como Lord Cotys fez boas caras e mostrou todo um ar de nobreza mesmo com seu país sendo um lugar nada bonito de se governar, mas agradou bem nas cenas mais dramáticas e aparentou medo somente quando foi necessário, bem convincente. Rebecca Ferguson embora seja a protagonista do cartaz teve momentos bem apagados e não agradou tanto quanto deveria, quem sabe se inventarem uma continuação ela possa ter mais valor na trama. Dos demais personagens, a maioria serviu de elo, valendo destacar apenas alguns momentos de Joseph Fiennes como Rei Eurystheus e Tobias Santelmann como Rhesus.

A trama tem uma pegada visual bem interessante de observar, trabalhando bem os elementos antigos e um figurino totalmente convincente. Cada lutador usando um tipo de arma diferenciado também agradou tanto em movimentação quanto cenograficamente e isso faz toda diferença numa boa produção. Claro que tivemos muitos elementos criados dentro dos computadores, mas ficaram bem bacanas de ver, e por serem usados mais fortemente no início quando estão mostrando os trabalhos de Hércules, acabam saindo da nossa mente bem rápido. Os cenários usados tiveram todo um capricho especial tanto nas locações que por serem bem bonitas deram algumas tomadas extras sobrevoando o local para enfatizar o trabalho na busca da equipe de locações, quanto nos cenários fechados que abusaram de cores mais escuras para não realçar imperfeições técnicas, o que acabou sendo uma saída e tanto para a trama. Com uma fotografia bem densa, utilizando nos cenários mais escuro tochas que deram um tom avermelhado para a trama, o resultado é de um longa mais sombrio, que funciona nas cenas mais complexas, porém quando em campo aberto foram expertos o suficiente de estourar a cor amarela para que a batalha tivesse mais impacto quando o sangue dos oponentes vai caindo. Quanto do 3D, temos diversas cenas que a tecnologia funciona muito bem e foi usado mais como um chamariz de efeitos saindo da tela durante as pancadas fortes do herói, além de que nas cenas de batalha tivemos uma grande amplitude da profundidade de campo que juntamente da tecnologia Imax chamou bem a atenção e já nos deixou com um gostinho a mais do que virá em Dezembro.

Com uma trilha sonora envolvente, acabamos entrando no clima que o diretor optou por segurar, e isso faz com que os momentos mais tensos sejam colocados na medida correta da trama, mas sem perder em momento algum o bom ritmo de aventura característico dos longas épicos.

Enfim, é um filme gostoso de assistir pelas boas sacadas cômicas e pelas batalhas envolventes que recomendo e muito ver na maior tela que puder, como vi no Imax, acabo recomendando para o pessoal ver lá, mas aonde não tiver a sala pode ser MacroXE, XD ou qualquer coisa do tipo para entrar no clima das batalhas, e quem gostar as cenas de 3D estão bacanas também nos momentos que foram colocadas, afinal nunca temos um filme inteiro na tecnologia. O filme estreia na próxima quinta-feira e deve ser um grande movimento afinal como todos já disseram é o papel perfeito para o brutamontes que é o protagonista. Fico por aqui hoje, mas mais a noite irei conferir a última estreia da semana que veio para o interior, e amanhã comento com vocês o que achei. Então abraços e até breve.


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Lucy

sábado, agosto 30, 2014 |

Sei da quantidade de amigos que estavam esperando para ver "Lucy" e confesso que inicialmente não fiquei muito empolgado com o trailer, mas daí uma curiosidade aparecia num canto, outro comentário em outro, e ao saber que o filme não foi bem lá fora já estava no desespero para saber os motivos disso ocorrer. Pois bem, a explicação é totalmente simplória para o filme não ter decolado, não é americano e não é algo tão simples de se envolver, pois para ter 100% do aproveitamento do longa será necessário acreditar em alguns processos físicos que envolvam o principal elemento da natureza que ainda não conseguiram explicar bem e cada vez bagunçam mais a nossa mente que é o tempo. Dito isso prometo que é o único spoiler que precisava dizer para explicar a frustração de muitos que chegaram a mil na sala prontos para uma aula de educação física com a professora gostosa e saíram parecendo que viram uma aula de matemática das mais pesadas com um professor chinês.

O filme nos apresenta Lucy, uma jovem que é recrutada por mafiosos orientais para transportar drogas no próprio estômago. Depois de seu corpo absorver a substância, Lucy passa a usar a capacidade total de seu cérebro, se transformando numa supermulher, capaz de adquirir conhecimento instantaneamente, mover objetos com a mente e incapaz de sentir dor.

Um fator interessante é ver um filme todo trabalhado em ideologias, ter cara de algo gigantesco e ter custado somente US$40 milhões, essa façanha que Luc Benson conseguiu fazer pode ser uma jogada de sorte, mas prova que o cinema francês que já fazia bons filmes artísticos, também pode brincar com coisas mais lotadas de ação que poderá dar muito certo. Claro que o filme não foi bem em seu início nos EUA, mas já que coloquei matemática na abertura do texto, posso exemplificar ele melhor com uma equação bem simples: "Pegue aquele Powerpoint imenso que Terrence Malick fez em 'Árvore da Vida' e extraia apenas as ideologias para que aqui seja mostrado realmente o valor, adicione as ideias malucas do filme 'Transcendence' porém aqui usando algo menos complexo, mas que ainda envolva bastante, coloque uma atriz maravilhosa que saiba atuar divinamente, salpique com um ator que não faz um filme ruim que seja, e pronto temos o filme perfeito". Não precisaria dizer mais nada sobre o longa, mas vale ressaltar ainda o ritmo frenético gostoso que faz dos curtos 89 minutos de duração, algo menor ainda, mas que teve um começo bem explicativo, um miolo interessante de acompanhar e um fechamento que dispensa palavras, pois quem prestar atenção na explicação que a protagonista dá ao personagem de Morgan Freeman alguns minutos antes vai pegar o queixo no chão com o que acontece. O diretor foi sábio em trabalhar bem no desenvolvimento inicial, usando diversas metáforas com imagens bem trabalhadas que não estão ali soltas, mas sim bem encaixadas com tudo que é dito, ou seja, um brilhantismo único, e além disso, mesmo não facilitando tanto as coisas, com ângulos bem colocados de câmera e acelerações bem trabalhadas, o filme vira algo que não sabemos como pode terminar, mas que agrada demais com todo o conteúdo passado, não ficando nem heroico demais, como muitos esperavam, e nem ficando bobinho demais para ser entregue sem razão, um raro acerto de mão que o diretor não fazia há tempos.

Falei muito da direção, mas boa parte do sucesso do filme vai recair tanto pela beleza de Scarlett Johansson quanto pela boa atuação que ela faz de uma maneira tão interessante que nos vemos rapidamente torcendo para ela detonar todos os chineses do planeta, e mais do que isso, a atriz que já vem despontando há bastante tempo, soube colocar sua expressão num nível abaixo do estrelato, parecendo ser uma jovem iniciante disposta a tudo, o que nos faz pensar a diferença que seria o filme se a escolha principal para o papel(Angelina Jolie) tivesse aceitado de cara. Morgan Freeman é um ser único de outro planeta que pode fazer até ponta em comercial de suco diet que ficará bem colocado e não erra na interpretação jamais, aqui em diversos momentos vemos que mesmo ele sendo um cientista bem colocado no meio, que já tem todo um embasamento na pesquisa, sua reação é a mesma de qualquer cientista que quando vê que suas teorias existem mesmo não sabem o que fazer, façam o teste, quando alguém ficar falando muita coisa diga que ele está certo, a reação você verá que é a mesma do grande ator aqui no caso, ou seja, perfeito. O egípcio Amr Waked faz umas caras tão assustadas frente a ser confrontado como macho alfa no papel do delegado Pierre Del Rio, mas não consegue ter reação para o nível da protagonista, o que acaba ficando divertidíssimo observar dentro dos seus movimentos, além de que não recaiu graças a Deus no casalzinho banal tradicional, que é mais um ponto para o roteiro de Benson. Min-sic Choi faz um vilão interessante, mas fraco de engatar, tanto que se o longa fosse algo mais voltado para super-heróis com toda certeza poderíamos reclamar de suas atitudes, mas como ele faz algo mais envolvente por não dar chances para a vítima, valeu suas insinuações e reações. Dos demais, a maioria faz pontas e nem quase vale a pena seus atos, servindo apenas para dar ligação ao filme, então vale apenas observar cada um na maneira que joga a bola da cena para os protagonistas.

Outro ponto que vale a pena observarmos é que mesmo tendo muitos efeitos visuais, o diretor priorizou locações simples, não necessitando criar nenhum mundo abstrato, nem um laboratório cheio de engenhocas estranhas, claro que nas cenas finais temos alguns elementos diferenciados como auge dos 100% e com isso tudo acaba sendo mágico, mas temos boas cenas em prédios comuns, hospitais e mostrando uma cidade bem realista que conseguimos observar tranquilamente. As imagens escolhidas para ilustrar de forma explicativa o início do filme foram bem colocadas, mas ao mostrar os primórdios dos homens das cavernas, acredito que poderiam ter melhorado mais já que tivemos filmes bem mais realistas nesse quesito, mas somente isso me incomodou um pouco, nada que chegasse a atrapalhar qualquer outro mérito que o filme atingiu. A fotografia foi bem incorporada na trama e com as cores vivas para chamar atenção nos elementos que a arte definiu como importante, souberam trabalhar as nuances dos filtros e dos efeitos mais malucos possíveis de uma forma bacana, que até poderia ser melhorada, mas como estamos falando de algo de médio orçamento, não podemos cobrar algo cheio de loucuras.

Com uma trilha sonora de primeiro nível que nos envolve desde o início e finaliza de forma melhor ainda, o filme cativa um ritmo único para a trama, fazendo com que saíssemos mais empolgados do que entramos. Podemos dizer que Eric Serra sempre fez boas trilhas, mas aqui chegou num ápice incontestável de seu trabalho brigando bastante com o que fez de bom em sua parceria com o diretor no "O Quinto Elemento".

Enfim, é um excelente filme que vai conquistar quem estiver com a cabeça livre para algumas ideologias, mas que vai pegar feio com quem for esperando ver um "Sem Limites" feminino, pois aqui a essência mesmo envolvendo drogas é outra e particularmente mesmo sendo mais viajada agrada bem mais. Como gostei de ambos sou suspeito pra falar, mas não vá com expectativa de ver um filme idêntico, senão a chance do tombo é bem alta. Recomendo com toda certeza para quem gostar de algo diferenciado e envolvente, apenas deixando bem explícito o que disse acima. Até que o texto não ficou tão grande como imaginava, mas espero ter falado bem dos pontos que achei importante sem colocar claro spoilers nem contar a história que é algo que sempre prezo aqui, então vá ao cinema, tire suas conclusões e volte aqui para discutirmos mais, ou me convide para uma discussão num bar que esse filme merece muito bate-papo. Fico por aqui agora, mas ainda tenho uma estreia e uma pré para conferir, então deixo meus abraços com vocês e volto logo com mais posts.


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Anjos da Lei 2

sexta-feira, agosto 29, 2014 |

É engraçado começar a semana cinematográfica com o filme que vai estrear somente na próxima semana, mas como o Coelho aqui é doido mesmo, já foi um dos 3 pagantes pela sessão de hoje de "Anjos da Lei 2", e vou começar dizendo que quem não gosta de rir deve passar bem longe, porque se eu já ri muito com ele, imagino quem ri com qualquer coisa o que irá fazer na sala. Pois bem, o primeiro filme foi tão surrado pelos críticos por mudar muitas das ideologias da série original, pelos protagonistas não emplacarem tanto e tudo mais, mas na época ri bastante e adorei ele, e agora 2 anos depois temos sua continuação com mais agilidade nos diálogos, com os protagonistas mais encaixados, e principalmente mantendo o humor nas alturas sem perder a ação proposta pelo tema, ou seja, temos uma versão melhorada do primeiro filme, com situações bem inusitadas que diverte muito no melhor estilo dos filmes que víamos na Sessão da Tarde dos anos 90.

O filme nos mostra que os oficiais Schmidt e Jenko têm agora uma nova missão: se infiltrar em uma faculdade local. O problema é que, em meio à investigação, Jenko conhece sua alma gêmea em plena equipe de futebol e Schmidt, após se infiltrar no centro de arte boêmia, começa a questionar a dupla. Em meio aos inevitáveis problemas de relacionamento, eles precisam encontrar um meio de desvendar o caso que estão investigando.

O roteiro que novamente é assinado por Jonah Hill junto de Michael Bacall, que também vem se aprimorando em boas comédias inusitadas, conseguiu montar situações engraçadas e bem colocadas para que a trama tivesse um ritmo interessante tanto de questionamento da relação dos protagonistas, quanto movimentasse bem a investigação do caso, claro que a investigação para quem for mais rápido no gatilho vai pegar rápido demais tudo, mas como ela passa a ser um pano de fundo tão rapidamente dentro da trama, a comédia rola solta com as demais situações, e nos momentos junto de Ice Cube, os protagonistas nos fazem chorar de tanto rir. Você deve estar se questionando, mas Coelho o filme com certeza está lotado de clichês, não está? Respondo sim, temos muitos, mas a irreverência que optam em colocar eles, mais como uma forma de deixar o longa leve, acaba servindo bem para dar ritmo no filme e agradar bastante. Ainda está longe de ser algo perfeito, mas como cumpriu brilhantemente com a função de uma comédia que é fazer rir, o longa está mais do que recomendado. Outro fator que ajudou e muito a casar a sintonia do filme é a volta dos dois diretores originais, Phil Lord e Chris Miller, que só fizeram filmes bons até agora: "Tá Chovendo Hamburger", "Anjos da Lei", "Uma Aventura Lego" e agora esse, ou seja, ambos têm uma conexão perfeita no tino cômico que vai com certeza agradar a todos que for assistir.

Se no primeiro filme ambos pareciam se conhecer bem pouco, agora podemos dizer que Jonah Hill e Channing Tatum viraram praticamente irmãos pela conexão que conseguem manter em cena, isso se não quisermos apelar e chamar de casal como acontece na maioria das situações que tentam explorar o relacionamento deles no filme. Hill já melhorou muito sua atuação desde que começou, mas está começando a se achar demais, e isso é perigosíssimo para um ator que tem tino cômico, mas ataca em outras vertentes também, ou seja, o rapaz está mandando bem, mas pode virar estrelinha demais e logo morrer aparecendo somente nos filmes que for produtor e acabar pagando para atuar num papel melhorzinho. Em compensação Tatum mostra humildade mesmo colocando habilidades de parkour e força para tentar agraciar as moças que forem ver o filme apenas por ele, claro que existem momentos exagerados demais, mas ainda assim agrada ver que é um dos poucos que tem chance de crescimento também sem precisar tirar a camisa. Ice Cube conseguiu colocar novamente em suas cenas como chefe do departamento, as nuances mais divertidas possíveis, e quando ele estiver em cena é preparar para chorar de rir, pois encaixaram diálogos e situações que precisariam muitos anos para outros comediantes chegarem perto. Wyatt Russell faz as cenas mais irritantes e ao mesmo tempo cômicas do longa que acaba brincando bastante com a ideologia de gêmeos, de forma que ficamos na dúvida se gostamos do seu personagem ou não, mas dá pra rir de algumas situações também. Amber Stevens fazendo a namorada de Smith serve mais como ligação para a melhor piada da trama, mas não convém contar aqui para não estragar o longa para quem vai assistir, e também se sai bem no momento que precisa aparecer em ação, ou seja, já acho que deverá aparecer num terceiro filme caso ocorra continuação. Jillian Bell ficou mais próxima de ser inconveniente nas cenas que aparece no como colega de quarto de Amber, mas suas cenas finais são referências tão boas que acaba divertindo bastante, mesmo sendo algo totalmente improvável de acontecer. Dos demais vale apenas fazer menção honrosa para Dave Franco e Peter Stormare que protagonizaram boas cenas no primeiro filme e aqui aparecem apenas para divertir com besteirol puro, quem for mais paciente veja a cena extra bem no final dos créditos onde colocam mais uma piada deles.

Diferente do primeiro filme que tínhamos algo mais contido visualmente, com menos locações, aqui a equipe de arte, assim como é dito em uma piada sobre investir mais dinheiro logo no começo, teve grana suficiente para brincar com cenários gigantes e locações bem amplas e diversificadas, valendo destacar claro as festas, perseguições e os jogos de futebol, onde muitas cores e objetos cênicos são usados para envolver o espectador, ou seja, quem gostar de reparar em cenografias conseguirá brincar bastante na duração do filme, e com isso claro ver também algumas falhas que como todo filme de ação acabam despercebidas da equipe de continuidade, mas isso não atrapalha em nada a comicidade que é o ponto chave da trama e com muitas cores vivas, a equipe de fotografia também soube dosar os ângulos para os momentos relevantes chamarem atenção com luzes mais focadas.

Musicalmente, as escolhas foram bem coerentes tanto para dar ritmo ao filme quanto para agradar nos pontos chaves, e com Mark Mothersbaugh voltando para a equipe dos diretores, ele deu seu tom animado para cada ato ficar bem próximo das esquetes humorísticas que estamos acostumados tanto nas animações que faz as composições, quanto nos filmes que opta mais por canções cantadas, e dessa forma conseguimos colocar cada ato do filme separadamente com um ritmo musical mais interessante que o outro.

Enfim, é um filme bem bacana de acompanhar e que cumpre totalmente o quesito fazer rir sem muito apelo, ou seja, uma comédia na medida certa para quem gosta de rir não ter do que reclamar. Vamos ter com certeza alguns que vão odiar e falar que a continuação não convenceu, da mesma forma que tivemos os que odiaram o primeiro filme, mas repito veemente que gostei bem mais desse pelos conflitos de relacionamento que serviram de base para mais piadas e com isso fazer o público rir bastante. Infelizmente por ser uma sessão num horário pouco convencional e sendo uma pré-estreia, a sala não estava do jeito que gosto para sentir o feeling das outras pessoas rindo, mas se eu que não costumo rir muito acabei até chorando de rir em alguns momentos, acredito que vai funcionar bem para todos. Fico por aqui agora, mas ainda tenho duas estreias e mais uma pré para conferir, então volto em breve com mais posts falando o que achei de cada um. Então abraços e até breve pessoal.

PS: Sei que muitos irão discordar da minha nota, mas me diverti demais com o filme e como aqui quem dá a nota sou eu, vai ser essa nota mesmo, descontando apenas alguns erros técnicos e Hill se achando demais.


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Deus Não Está Morto

sábado, agosto 23, 2014 |

Se no Brasil tem sido produzidos diversos filmes espíritas, nos EUA uma moda paralela à dos grandes estúdios está sendo de filmes cristãos, e de uma forma interessante é que podemos ver salas lotadas em todos que acabam sendo lançados por aqui pela Graça Filmes, claro que nem tudo são flores, pois a distribuidora não bota fé que as pessoas gostem de ler, então só traz filmes dublados para todo o país. Mas isso não vem ao caso no momento, pois a ideologia de "Deus Não Está Morto" é tão bem montada e pautada em situações reais de defesa que ocorreram em algumas universidades americanas, as quais todas são citadas no final do filme, que acabamos nos interessando pelo que é mostrado no longa e acaba sendo até engraçado ver a reação dos demais espectadores que devido o filme ser montado num estilo bem novelesco acabam que vemos muitos conversando e ficando bravos com certas situações que ocorrem.

O filme nos mostra que em seu primeiro dia na universidade, o estudante, Josh Wheaton, terá sua fé desafiada diante de todos os seus colegas na aula de Filosofia. O pretensioso professor Radisson diz não querer perder tempo com tolices e orienta seus alunos, categoricamente, a negarem a existência de Deus. Josh encontra-se dividido ao ter de escolher entre sua crença e seu futuro. Angustiado e nervoso, ele não cede às pressões, provocando a ira do professor. Agora, Josh, terá de defender a existência de Deus para toda a classe. Sem muito apoio, ele questiona se, de fato, pode lutar por aquilo em que acredita.

O roteiro possui uma vertente interessante que vai agradar bem o público para o qual o filme foi desenvolvido e também não decepcionará tanto quem acabar indo de intruso sem saber do que ser trata o filme. Claro que pelo desenvolvimento novelesco demais, onde diversas histórias tanto dos protagonistas quanto do elenco secundário acabam se envolvendo, alguns podem achar o filme um pouco cansativo, mas como a premissa é bem trabalhada desenvolvida, o resultado em si acaba satisfatório. Porém não posso dizer que o filme é perfeito, pois o diretor Harold Cronk com certeza não pôde contar com um orçamento decente para as cenas externas, principalmente as finais, e o filme acaba soando falso nesses momentos, e ao querer dar fechamentos para todas as histórias acabou sendo atrapalhado, de forma que poderiam ter fechado na história do protagonista que já estaria bem feita e agradável, mas como foi abordado 6 histórias, precisariam fechar todas. Claro que esses defeitos técnicos estão perceptíveis mais para quem não for aficionado tanto pela ideologia do filme, que é a proposta religiosa, pois quem for mais envolvido na causa irá apenas curtir o filme sem reclamar de nada com toda certeza.

Mais uma vez não poderei analisar a atuação dos protagonistas pela entonação de voz, pois infelizmente a dublagem está muito ruim, de forma que uma crise de choro pareceu que a pessoa estava engasgada e não chorando, mas vou falar um pouco do envolvimento dos personagens com a história. O jovem Shane Harper se mostrou bem colocado dentro de um papel difícil, que é defender Deus num ambiente onde a maioria parte para o lado científico da coisa que são as universidades, e seus atos durante o longa se mostraram na maior parte bem feitos, claro que a briga do casal nem em novela é tão de boa como ocorreu ali. Kevin Sorbo se fez bem prepotente em diversos momentos como professor, mas quem já fez qualquer faculdade sabe que alguns lá dentro se acham deuses e seus atos ali são justificáveis, porém ao sair de lá, as situações tanto no refeitório quanto em sua casa são tão mal desenvolvidas que como disse deixaram novelesco até demais, e quem sabe numa série caberia desenvolvimentos. David A. R. White faz um reverendo meio em dúvida da sua fé e isso é algo que pode causar discussões grandes dentro de grupos de amigos, então é melhor nem discutir tanto aqui, mas seus atos no longa são bem colocados junto de Benjamin Alfred Onyango Ochieng, que faz um missionário africano. As moças todas tiveram participações bem fracas que tentaram ser encaixadas, mas não convenceram em momento algum com suas histórias, de forma que foram bem jogadas para que tentassem servir de elos para novas tramas, mas acabaram só ficando na tentativa sem muito desenvolvimento. Claro que o ponto da história é desenvolver a fé e os atos de cada um, mas poderiam não ter forçado tanto a caricatura de cada personagem, precisaria ver legendado para saber até onde ficou extremista demais, mas do jeito que nos apresentaram senti pontas fortes que poderiam ter sido amenizados.

Visualmente o filme tem dois momentos interessantes de serem observados, dentro da universidade, pois sendo um campus tem boas locações externas onde os jovens aparecem no melhor estilo de estudos e andanças como em qualquer outro filme, bibliotecas bem encaixadas onde o protagonista a cada momento busca mais informação e uma sala de aula bem bacana onde a história principal desenvolve, todos com elementos cênicos característicos bem colocados para representar tudo sem precisar de legendas, porém quando sai dali, as casas de repouso, casa dos protagonistas e até mesmo a igreja são mostrados tão de relance que parecem ter sido feitos às pressas, e acabam não chamando tanta atenção, ou seja, aonde as histórias paralelas poderiam se desenvolver mais, acabaram correndo e ainda assim optaram por deixá-las na história. O show final ficou bem colocado dentro da trama, claro que deve ter entrado algum dinheiro na produção ou no mínimo algumas trocas musicais para acontecer da forma que ocorreu, mas ficou bem feito pelo local escolhido e por tudo ser encaixado naturalmente. Na questão fotográfica poderiam ter optado por menos câmeras na mão e movimentos mais leves, pois em certos momentos temos quase vertigem com o trepidar desnecessário, além de usarem alguns filtros que não tinham motivo algum de usarem. Enfim, no quesito técnico o filme desapontou bastante, mas como a história se comprometeu de forma coesa, acabou sendo minimizado.

No quesito musical, o filme agrada, principalmente por terem mantido as versões originais com legenda, mostrando que as canções foram bem escolhidas para desenvolver o tema do filme e junto com a banda Newsboys mostraram bem o âmbito que vem crescendo que são diversos ritmos entrando para a música religiosa para atrair mais jovens.

Enfim, é um filme que poderia ser bem melhor, e quem sabe se ver legendado passe até a gostar mais dele, mas da forma que foi apresentado, no interior e pelo que andei consultando na maior parte do Brasil, dublado, e com diversas situações novelescas mal desenvolvidas, o filme fica bem mediano para a maioria que não for assistir ele com o propósito religioso, ou seja, se você gosta de ideias religiosas pode ir que acabará gostando do que verá, mas se você apenas quer um bom filme para curtir tranquilo numa sala de cinema, talvez seja melhor procurar outras opções. Bem é isso pessoal, ia ver ele mais no meio da semana, mas acabou dando certo um horário hoje, e acabei já fechando todas as estreias que vieram pra cá. Volto na quinta-feira com mais estreias, rezando para que finalmente venha uma boa quantidade para nos divertir. Então abraços e até mais pessoal.

PS: Estou dando minha nota com um olhar bem crítico, mas como disse, quem for com um olhar religioso talvez consiga enxergar um 7 ou 8 coelhinhos.


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Sex Tape: Perdido na Nuvem

sábado, agosto 23, 2014 |

Se existe um estilo que anda bem fraco ultimamente e que cada vez menos convence o público é a comédia americana, pois os últimos filmes tem apelado tanto para que o público risse nas sessões que a maioria acabava saindo da sessão desapontada com o que viu. Mas hoje felizmente estreou "Sex Tape: Perdido Na Nuvem", um longa mais antenado na atualidade mundial que está tão ligada em aplicativos para smartphones e tablets que muitas vezes nem sabe operar direito aquilo, mas acha legal alguma funcionalidade, e utilizam dessa interação juntamente com uma cagada da tradicional forma de apimentar um casamento que tinha tudo para dar errado. Pois bem, sem falar muito mais, o longa mesmo apelando em diversos momentos, é engraçado na naturalidade dos fatos, fazendo o que uma boa comédia deve ter como base, que é fazer o público rir, e tirando pouquíssimas pessoas da sala que assisti, a maioria riu demais durante toda a duração, tendo apenas alguns respiros dramáticos para relaxar.

O filme nos mostra que quando Jay e Annie se conheceram, o romance era intenso; mas 10 anos e dois filhos depois, a chama do amor deles começa a se apagar. Para apimentar um pouco a coisa, eles decidem -- porquê não? -- gravar um vídeo de uma maratona de 3 horas onde eles tentam fazer todas as posições do livro A Alegria do Sexo. Parece uma grande ideia, até eles descobrirem que o seu vídeo não é mais tão privado assim. Com a reputação em jogo; sabendo que estão a apenas um clique de terem sua intimidade revelada ao mundo; eles partem em uma corrida para evitar que o vídeo vaze, o que dá aos dois uma noite inesquecível e mostra que o vídeo pode ser ainda mais revelador do que eles imaginavam.

A base do roteiro não podemos dizer que é algo inovadora, mas apenas algo montado de forma a entrar mais dentro do mundo tecnológico que vivemos atualmente. Com a história de Kate Angelo, que fez boas séries, o roteiro acabou desenvolvido a três mãos inclusive por Jason Segel, que protagoniza também o filme, o diretor Jake Kasdan, que finalmente conseguiu ter Cameron Diaz pelada completamente no seu set depois de tentar muito em "Professora Sem Classe", teve capacidade de montar um filme com uma premissa simples, a busca por algo, que tantos outros já fizeram, alguns bem sucedidos, outros nem tanto, e ao trabalhar com situações, foi capaz de focar a cada momento numa situação, embora absurda, bem divertida e que por ser inusitada acabou bem encaixada na trama. Claro que não podemos falar que é o melhor filme do planeta, mas com as boas sacadas e câmeras bem posicionadas para não seguir uma nuance tradicionalista, o filme acaba divertindo até mais do que muitos imaginaram, e assim cumpre o princípio básico de uma boa comédia, que é fazer o público rir, claro teremos alguns chatos de plantão que vão odiar o estilo do filme, mas garanto que a maioria irá divertir muito com a exibição.

No quesito atuação, mesmo já tendo feito par romântico, Segel e Diaz aparentam não ter tanta ligação química, de forma que nas cenas onde o envolvimento precisaria ser maior, a interpretação deles acaba soando bem falsa. Porém tirando esse detalhe, Cameron conseguiu voltar aos seus bons tempos de comédia fazendo das sacadas rápidas e do bom humor um detalhe bem chamativo para seu personagem. Jason por ser naturalmente um comediante, trabalhou mais com as piadas e menos com feições, e por isso é difícil que quem não entrar no clima tecnológico da trama vai acabar achando suas situações mais chatas do que engraçadas, tanto que em diversos momentos parecia que somente eu estava rindo na sala (sou doido?). Rob Corddry sempre trabalha bem, mas é um ator que apela demais nas feições e ao invés de fazer rir, muitas vezes até nos assusta com suas caras e bocas, mas aqui seu personagem embora repetitivo demais caiu bem na trama. Rob Lowe poderia nem fazer parte da trama, já que suas frases ficam no meio termo do que seria divertido, mas as situações que promove em sua casa, aparecendo em quadros inusitados nas paredes e com músicas completamente fora do âmbito natural foi algo completamente hilário de ver, então acabou valendo a participação. Por mais incrível que pareça, Jack Black fazendo uma ponta para mostrar conhecimento de todos os sites de vídeos pornô e sendo dono de um deles, acabou sendo mais preciso do que divertido e apelativo, então ficou bem encaixado a sua pontinha na trama, claro que seu momento conciliador foi falso demais, mas valeu pela tentativa. Dos demais atores todos são participações especiais que nem valem muito que seja falado algo, mas as expressões chantagistas de Harrison Holzer nos mostram que o garoto tem futuro.

Visualmente o longa optou por montar uma casa de classe média bem trabalhada nos elementos cênicos, para encaixar no vídeo erótico e nas gags interessantes, e prezou bastante nos quadros e diversos elementos da mansão do futuro chefe da protagonista, que com toda certeza quem observar os diversos detalhes vai rir demais nas cenas. Com uma iluminação bem trabalhada em sombras corretas e não forçando cenários claros demais, a equipe de fotografia obteve um resultado interessante, pois não precisou abusar de cores alegres demais para divertir, e isso é raro em comédias.

Enfim, é um filme que fará todos rirem bastante, claro que não teremos ninguém surtando nas salas de cinema por aí, mas que vale a pena ser conferido na sala escura, já que por termos cenas mais pesadinhas diríamos assim, quando sair na TV, mesmo que fechada, é capaz que picotem um pouco ele para não dar tanto conflito, e é justamente nessas cenas que o longa acaba ficando mais engraçado. Recomendo pra quem gosta de comédias com um pouco de apelação, pois quem preferir algo mais clássico é capaz de sentir ofendido com algumas cenas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda tenho mais um longa para conferir nessa semana, então abraços e até breve.


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Os Mercenários 3

quinta-feira, agosto 21, 2014 |

Vou começar minha crítica hoje no melhor estilo RPG (que não tem muito a ver com o filme, mas vai valer a pena):  Se você não curte filmes de ação que valham a pena ser visto apenas pela pancadaria, comendo uma boa pipoca e rindo horrores das situações mais absurdas, nem continue lendo meu texto, afinal esse filme não é pra você. Dito isso, significa que você gosta do estilo e continuou lendo, "Os Mercenários 3" conseguiu trabalhar bem uma história simples, afinal essa não é, e nunca será a premissa do filme, ainda mais sendo escrita por Stallone que já bateu a cabeça umas centenas de vezes, mas aqui conseguiram encaixar boas situações, juntamente de atuações divertidíssimas que quem for disposto a se divertir sem pensar em nada, conseguirá compensar os diversos, e põe diversos nisso, erros de efeitos especiais e cenas de continuidade praticamente ignoradas. Como nem eles mais se levam a sério, a franquia já pode ser classificada como diversão com explosões, então compre um pacote jumbo de pipoca e ria de todos os absurdos, pois como já muitos filósofos falaram: rir é o melhor remédio pra tudo, então a cura dos diversos males está nas mãos desses malucos por explosivos.

O filme inicia mostrando que Barney e sua trupe de mercenários resgatam Doc, um dos integrantes originais do grupo, que estava preso há oito anos. Logo em seguida eles partem para cumprir uma missão, onde têm uma grande surpresa: o reencontro com Conrad Stonebanks, que Barney acreditava ter matado. Antigos colegas que se tornaram inimigos, Barney e Conrad agora se enfrentam em um grande duelo onde os demais mercenários são também envolvidos.

Como citei no início, não dá para ir assistir ao filme esperando ver uma história complexa, mas por mais incrível que pareça, Stallone conseguiu em sua cabeça maluca elaborar uma trama interessante e convincente que jogada nas mãos dos demais roteiristas, eles montaram uma boa ideologia de onde proveio a vilania de Gibson e motivos suficientes para montar uma nova equipe, claro que primando por algo que já havíamos visto tanto nos trailers como pela falta do que pensar na retomada do conceito "família" para buscar os antigos parceiros também. O diretor Patrick Hughes, que podemos considerar quase um iniciante já que seu primeiro filme foi algo bem pequeno que praticamente nem saiu da Austrália para o mundo, soube brincar bem com o orçamento limitado que teve para filmar, já que só de cachê para pagar esse elenco monstruoso já vai quase tudo que os produtores poderiam colocar na mesa, e foi consciente suficiente para junto de uma equipe sensata gravar muitas cenas nos estúdios e em locações que pudessem ser explodidas facilmente, afinal o que mais queríamos ver além das estrelas, é tudo voando pelos ares como acontece em todos os filmes, e não sendo em cidades conhecidas como nos anteriores ficou bem mais fácil trabalhar e desenvolver o conteúdo, tanto que ficamos olhando a cenografia pensando nossa onde pode ser um lugar tão bacana assim, a maioria original é na Bulgária, mas muita coisa foi recriada em estúdio. Além disso, o diretor trabalhou bem os egos e conseguiu com ângulos bem dinâmicos tentar, friso bem a palavra pois não conseguiu, então a melhor palavra é minimizar a quantidade de erros de continuidade, mas como filmes de ação isso é algo duríssimo de controlar, aqui a situação foi mais complicada ainda com armas mudando de mãos continuamente, pessoas que estão de pé e com uma simples virada de câmera já estão abaixadas ou até mesmo sentadas, então quem gosta de procurar esses furos o longa é um prato cheio, mas quem quiser relevar e apenas curtir é bem fácil também.

Falando mais sobre o elenco, tentarei ser sucinto que se falar de todo mundo o texto ficará tão grande quanto a soma das idades dos protagonistas, o grande chefe da trupe Sylvester Stallone ainda é o mesmo brucutu das antigas e consegue puxar o enquadramento sempre para sua personalidade forte, agradando bem, mas a cada filme que passa vemos que a idade já está pesando bastante, daqui a pouco vai conseguir apenas falar e atirar, pois as cenas que exigiram mais habilidade o esforço era nítido de ver na sua expressão. Mel Gibson encaixou perfeitamente num papel de vilão de maneira que mesmo tendo momentos cômicos, chegamos até odiá-lo, e isso mostra seu perfil convincente para chamar atenção. Antonio Banderas incorporou seu personagem "Gato de Botas" e só faltou fazer os olhinhos de clemência tradicionais para pedir vaga na equipe, sensacional o tino cômico que deu para a trama, de forma clara que particularmente até queimou suas boas atuações mais dramatizadas, mas mostrou uma vertente sua tão perfeita para a comédia que acaba chamando até mais atenção pra ele que pros demais protagonistas mais fortes. A piada master foi o uso da prisão real de Wesley Snipes que acabou servindo tão bem para a trama que seu personagem nem precisaria chamar mais atenção nenhuma que ainda nos divertiríamos com o que faz, trabalhou bem na ação, mostrando que ainda tem gás para os filmes que desejarem ter ele agora depois de 4 anos preso. Harrison Ford conseguiu também ter bons momentos, mas não nos envolveu como de costume, sendo apenas bem colocado nas cenas dentro do helicóptero. Se falei da velhice de Stallone, então Schwarzenegger já deveria ter parado há tempos, chega realmente dar pena do nível de envelhecimento que já lhe atingiu, tanto que a cada dia lhe dão papéis mais técnicos do que botar pra luta mesmo, mas nem por isso deixou de ser bacana ver ele em ação com sua super metralhadora. Enfim, a velha guarda agrada bastante com boas gags de Terry Crews e Jason Statham também, mas como prometi não vou falar muito mais. Da nova turma finalmente Kellan Lutz conseguiu ter um papel decente e bem moldado tanto para o ator quanto para o personagem que souberam colocar coisas de sua própria personalidade e isso ficou bem bacana de ver na telona. Ronda Rousey ainda não me convenceu como atriz, é uma boa lutadora e com certeza nem precisou de dublês para as cenas mais fortes, mas quando precisou fazer caras e bocas soou bem falsa, veremos o que vai aprontar na próxima produção do ano. Os demais jovens tiveram papéis interessantes para os seus momentos, como Victor Ortiz e Glen Powell, mas não foram tão bem utilizados para chamar atenção tirando o segundo que acabou sendo colocado como uma pessoa mais tecnológica.

Visualmente o filme tem locações e cenografias interessantes, que como disse ao falar da história nos deixou até bem confusos para pensar aonde se passa tudo aquilo, por exemplo as cenas finais em uns prédios abandonados bem bacanas tanto propriamente, como ao seu redor para chegar passando por pedras gigantescas bem colocadas que não deu para reparar de serem digitais, mas como preferem destruir tudo nesse estilo de longa, acho pouco provável que tenham apelado tanto para a computação, optando mais em pôr a vida de todo mundo em risco com explosões reais. A equipe de arte abusou mais dos efeitos, alguns extremamente malfeitos que até assustam deixarem ir para a cópia final no cinema, do que usar de elementos cênicos mais chamativos, mas como só os atores já servem como objetos mesmo e já valem um grande investimento para o filme, o jeito foi ser mais amplo do que minimalista, e isso até não chega a pesar tanto. A fotografia usou muito dos tons puxado para o marrom e não abusou quase nada do vermelho, ou seja, mesmo tendo diversos tiros, não temos muitas mortes sanguinolentas, e isso deu um tom mais cômico que queriam abusar mesmo. Em quesito técnico os aparatos gigantes foram bem encaixados tanto na cenografia como fotograficamente, pois preencheram vazios de cores e envolveram bem as cenas, mas como disse logo no início, a zoação é total, afinal são explosivos pesados que não fazem nem cócegas nos protagonistas e meros tiros ou lutas matam qualquer adversário, ou seja, não dá para confiar tanto nas armas não é mesmo.

No quesito sonoro, temos uma mixagem de som interessante, que compôs bons barulhos de tiros, explosões e tudo mais que o filme tanto abusou, e juntamente com trilhas bem dinâmicas, o resultado obtido foi bem eloquente de ser acompanhado. A música final cantada pelos jovens foi mais do que uma homenagem para a trama e encaixou perfeitamente para o momento, ou seja, bem escolhida.

Enfim, em quesitos artísticos, como disse não dá nem para colocar o filme, de forma que se for avaliar dessa forma daria uma nota até baixa demais devido à diversos erros, pela história simples e tudo mais, mas como vou preferir dar meu olhar como diversão, e é somente dessa forma que recomendo qualquer um que queira entrar na sala de cinema para ver ele, o filme é sensacional e agrada bastante, então repito, vá para o cinema sem nenhum preconceito, compre muita pipoca e refrigerante e cai na gargalhada ao ver esse misto de velha e nova geração da ação nos cinemas. E assim ficou por aqui hoje, recomendando uma boa diversão lotada de coisas falsas para todo lado, mas ainda volto no fim de semana com mais filmes para comentar, então abraços e até breve.

PS: Mais uma vez frisando sobre a nota, vale ver como uma grande produção divertida, retirei 1 coelho pelo exagero de erros e 1 pela história fraca demais, poderia até tirar mais um pela falta de esforço de alguns protagonistas, mas os demais compensaram esse ponto ao jogar seus prêmios dramáticos pelo ralo. Se fosse avaliar como um filme tradicional mesmo no máximo ficaria entre 4 e 5 coelhos.


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O Que Será de Nozes? em 3D

segunda-feira, agosto 18, 2014 |

Já venho enaltecendo há algum tempo que bons filmes de animação têm surgido cada vez mais de países onde nem imaginávamos existir alguém fazendo desenhos, e agora eis que surge a Coréia do Sul, claro que em coprodução com EUA e Canadá para ter mais visibilidade, mas como a maior parte da equipe é do país do músico Psy, podemos dizer que "O Que Será de Nozes" mostra que a técnica dos olhos puxados está dominando por trás de uma história tradicional dos parques canadense/americanos.

O filme nos mostra que após ser expulso de um parque na cidade grande, o teimoso esquilo Surly(que no Brasil sai com o nome Max) precisa encontrar outros meios para sobreviver. Sua sorte parece mudar quando ele descobre que muito perto dele está a Maury's Nut Store, uma loja com nozes, castanhas, amêndoas... tudo o que Surly sempre sonhou. Agora, o esquilo vai reunir todos os seus amigos para pensar em um jeito de invadir o estabelecimento e roubar toda a comida.

Acho divertido quando mudam nomes de personagens nas animações, pois sempre ao chegar de um filme e buscar as sinopses para colocar aqui fico com cara de será que ouvi o nome errado o longa inteiro? Mas não são as empresas nacionais de dublagem que gostam de inventar novas histórias. Mas tudo bem, falando do filme, a história em si é bacana de acompanhar, com diversas reviravoltas em alguns personagens, vários momentos tentando mostrar alguns moralismos, e até alguns momentos divertidos, claro que todos usando de apelos para puxar o riso da criançada, como peidos, arrotos e pancadarias, que são os modos mais fáceis de fazer com que a criançada entre no clima, já que hoje é assim que levam as vidas. A montagem da história é envolvente, mas não cria nada de novo talvez até a ideia original tenha nascido com o filme "A Era do Gelo", mas o que sabemos é que o longa veio proveniente de um curta muito premiado em 2007.

Os personagens em si possuem características que conseguem chamar a atenção tanto dos pequeninos quanto dos mais velhos que forem aos cinemas, mas a ideologia é tão infantilizada e junto com uma dublagem tão forçada nas gírias nacionais, que talvez até alguns adolescentes saiam do cinema incomodados com a apelação usada. Além disso, mesmo sendo um filme 3D não temos tantas texturas nos personagens, claro que isso já estamos mal-acostumados com o que a Pixar e a Disney nos apresenta, mas daria para terem trabalhado um pouco mais que agradaria não só as criancinhas. O herói da história, Max ou Surly dependendo da versão que assistirem, consegue amarrar nossos olhos sempre pra ele, devido principalmente a sua cor diferenciada dos demais e isso é um fator interessante que vale a pena ser pensado, pois como não tem um grande carisma, por ser meio que um anti-herói logo no começo, acabaria desaparecendo frente aos demais, então essa foi uma boa sacada para prestarmos atenção nele. A mocinha da história ficou fraca demais e não nos convence a nada, faltou dinâmica no personagem e trabalhar mais nas emoções. O ratinho amigo do protagonista parece mais um cão de tão abobado, mas ajuda a trabalhar bem a moral da amizade para as crianças. E já vi desenhos com vilões ruins, mas dessa vez o pessoal falhou feio tanto no lance mafioso do guaxinim quanto no ladrão mafioso que foi quase um enfeite de cena, tudo bem que é algo voltado para crianças, mas nem o bebê mais bobo vai ficar com medo ou bravo com nenhum dos dois.

Visualmente o longa possui elementos bem coloridos e que se encaixam bem na trama, recriando ambientes bem elaborados, como a cena da cachoeira e as dentro do porão, enquanto algumas mais simples acabam sendo bem coloridas para ilustrar a quantidade de elementos cênicos, por exemplo as do parque. E dessa forma, eles conseguem nos manter com os olhos fixos na tela durante os 85 minutos de duração sem cansar, mas também sem empolgar muito. Quanto do 3D, temos algumas cenas com um bom uso da tecnologia, mas são tão poucas que não dá quase diferença alguma no resultado passado.

A parte sonora do filme é bem convincente e agrada ao colocar ruídos em diversos momentos e usar da música mais conhecida do país em 2 momentos durante o próprio filme e para fechar com chave de ouro todos os personagens dançando Gangnam Style junto com a versão de Psy animada durante todos os créditos.

Enfim, é um filme que vale a pena ser visto para conhecer a tecnologia de outros países que não passam tanto por aqui, e para levar a criançada que acaba gostando bastante e rindo das piadas colocadas, não será nada esplendoroso de se ver, mas é possível sair feliz da sessão se for preparado para ver algo mais simples do que parecia ser no trailer. Talvez se não tivessem infantilizado tanto, teríamos um filme mais agradável para todos e não somente para as crianças, mas isso foi uma opção do diretor. Bem é isso pessoal, encerro aqui a semana que infelizmente foi curta no interior, e poderia ter sido bem mais proveitosa se tivesse vindo os 10 filmes que estrearam no Brasil, mas já estamos acostumados com isso. Fico por aqui então, voltando na quinta-feira com mais estreias, então abraços e até lá.


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As Tartarugas Ninja em 3D

sexta-feira, agosto 15, 2014 |

Conheço muita gente que ao ouvir falar em reinício de uma franquia começa a tremer desde o dedinho do pé até começar espumar a boca de tanta raiva, mas como não sou fã de rever filmes, até gosto da proposta de uma repaginada para tentar dar certo e acabar vendo um "novo" filme. E fico ainda mais feliz quando vejo que ela acabou funcionando como no caso de "As Tartarugas Ninja" que inicialmente causou um grande rebuliço já que colocaram o lançamento junto com o aniversário de 30 anos do lançamento da franquia, com diversas pessoas reclamando do visual dos mutantes e que não havia necessidade e tudo mais, porém agora que conferi, vi que a maioria das pessoas, claro que os amigos críticos chatos continuam com o mimimi, tem saído das sessões bem contentes com o que estão vendo, pois o filme é lotado de ação, possui uma história bem bacana ao contar como as tartarugas acabaram se tornando heróis e principalmente consegue manter o nível de humor na medida exata sem forçar demais trabalhando com tudo que conhecíamos e gostávamos do desenho ou até mesmo das HQs.

O filme nos mostra que a cidade precisa de heróis, pois a escuridão tomou conta de Nova York depois que Destruidor e seu clã maligno dominou tudo com pulso de aço: da polícia aos políticos. O futuro era incerto até que quatro irmãos marginalizados surgem do esgoto e descobrem um novo destino como Tartarugas Ninja. As Tartarugas precisam trabalhar com a destemida repórter April O' Neil e seu operador de câmera sagaz Vern Fenwick para salvar a cidade e desvendar o plano diabólico do Destruidor.

Como já disse algumas vezes, não é porque um filme é totalmente comercial e não voltado para filosofias pensantes que ele vai deixar de ser algo interessante de ver no cinema, e isso é algo que a maioria da crítica especializada acaba criticando e torcendo o nariz para alguns blockbusters que são lançados. Eu particularmente já disse que prefiro ver um filme bem produzido lotado de ação do que um plano de 10 minutos de câmera parada com alguma ideologia filosófica, e por isso muitos acabam torcendo o nariz também para minhas opiniões. O que vemos aqui é que o diretor Jonathan Liebesman, trabalhou bem da forma como fez seus dois últimos filmes "Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles" e "Fúria de Titãs 2", onde a ação deve predominar até nos momentos mais sérios da trama, e isso acaba dando um ritmo frenético que empolga qualquer espectador, e com a tecnologia de captura de movimentos, acabou colocando mais alma nos personagens computadorizados para que não fossem meros objetos do filme, mas sim protagonistas fortes e determinados, cada um com sua característica própria e bem encaixada para a trama, fazendo um filme gostoso de acompanhar, cheio de ângulos inimagináveis e que desenvolve um enredo bacana para quem curte apresentações de heróis, agora é ver se não estragam ele nas demais continuações que devem fazer com certeza.

Falar da atuação nesse caso é um pouco complicado, já que tivemos 3 estilos bem colocados, os humanos que interpretam, as tartarugas que interpretam e atuam, e as tartarugas/rato que possuem um intérprete de corpo e outro de voz, então o mix é bem variado para falar. Vamos começar pelos humanos, com a mulher mais contraditória do cinema chamada Megan Fox, que quebrou o pau com o produtor do filme em "Transformers" e agora voltou a trabalhar de bem com ele, e aqui mais que nos seus filmes anteriores, possui uma grande importância para a trama com sua April, entrando bem na conexão com os demais personagens e até conseguindo fazer algumas caras e bocas diferentes, claro que ainda está bem longe de ser perfeita no quesito expressivo, mas já melhorou muito do que reclamávamos tanto. Will Arnett soube não ser um total paspalhão com seu Vernon, mas chega alguns momentos que achamos tão desnecessária sua participação que se fosse no Brasil íamos dizer que era filho de algum grande investidor do filme para participar da trama. Tohoru Masamune fez de seu Destruidor um vilão bem impactante e cheio de ação com toda a tecnologia que deram para sua roupa, além claro dos imponentes diálogos que impôs de forma determinada e marcante. William Fichtner fez bem seu papel, mas exagerou no tom em alguns momentos, de forma que o personagem Sacks acabou logo de cara se revelando demais, talvez pudesse ser mais sombrio em determinados momentos para agradar mais. Todos os atores que fizeram os movimentos das tartarugas agradaram muito bem na captura, e isso mostra que muito em breve como já falamos a Academia deve ser obrigada a lançar prêmio de melhor atuação por trás de captura de movimentos para que diversos atores briguem com Andy Serkis, mas claro que vale destacar muito as boas sacadas de Noel Fisher com seu Michelangelo lotado de bom humor, e na pontuação forte da voz que Johnny Knoxville deu para o seu Leonardo.

O trabalho visual da equipe de arte, tanto cenográfica como digital, foi bem feita e souberam usar de locações interessantes para a trama sem necessitar exagerar em elementos cênicos, claro que gostaríamos de ver mais ambientações do super QG das tartarugas no esgoto, ou até mesmo alguns detalhes do lado sombrio que conhecíamos do local onde vivia o Destruidor, mas esses detalhes talvez sejam mais explorados nas continuações que deverão aparecer. A casa de Sacks foi bem montada com um laboratório interessante de se ver, mas forçaram a amizade com um computador prontinho na tela para que a protagonista fizesse o que é falado para ela. Um grande destaque da trama que já citei mais para cima foram os planos diferenciados que foram feitos, e o que nos deixa mais feliz é que o diretor de fotografia é o nosso brasileiríssimo Lula Carvalho que utilizou de filtros mais escuros para dar um ar ao mesmo tempo sombrio para as cenas noturnas e ainda assim se aproveitar das luzes coloridas de contraluz para chamar atenção de quem estivesse enquadrado, ou seja, algo muito bem feito tanto para valorizar o ambiente, quanto não esmaecer os efeitos tridimensionais. E falando em 3D, nas cenas que foram usadas a tecnologia, afinal é raro aparecer um longa inteiramente com a tecnologia, vale cada centavo pago a mais, dando destaque claro para a sequência do caminhão na neve que chega a dar até tontura com a quantidade de movimento de câmera, com personagens voando pra fora da tela sem parar.

Com uma trilha sonora envolvente no mesmo ritmo acelerado da trama, o filme acaba agradando bastante no quesito musical, claro que contendo o tema original antigo e inovando ao colocar músicas que envolvessem e dessem até sensações humorísticas nos momentos certos, ou seja, boas escolhas que fizeram o filme não ficar pesado e nem virar uma palhaçada só.

Enfim, um filme bem divertido de assistir, que vale a pena pagar mais caro para ver em 3D e que reinicia a franquia de uma forma saudável e bem disposta para continuações interessantes. Como disse, muitos críticos por aí estão de mau humor pela quantidade de refilmagens que andam surgindo, mas se você gosta de ação + 3D bacana + boa história de iniciação pode ir pro cinema agora que é garantia de boa diversão na sala escura. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda falta conferir uma última estreia que veio para o interior, das 10 que estrearam no Brasil, então volto mais uma vez no fim de semana com mais um post para alegrar a vida dos meus leitores. Abraços e até mais pessoal.


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Não Pare Na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho

quinta-feira, agosto 14, 2014 |

Quando vejo que meu avô com seus 82 anos já leu todos os livros de Paulo Coelho e de vez em quando até relê eles, ficava apenas curioso para saber de onde surgiu esse ser estranho que vez ou outra aparece na mídia e possui obras marcantes em seu currículo, mas o que muitos não sabiam era de suas participações compondo para Raul Seixas e tudo que sofreu para virar esse grande nome que é hoje na literatura mundial. E o filme "Não Pare Na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho" pode até não ser a sua melhor história já escrita, mas foi tão bem desenvolvida e produzida que ficou uma biografia 100% crível, gostosa de acompanhar e que vale muito a pena ser conferida como uma das grandes obras do cinema nacional.

O filme que é a cinebiografia de Paulo Coelho, é baseado em depoimentos do escritor, e acompanha sua trajetória em três períodos diferentes: a juventude, nos anos 1960; a vida adulta, nos anos 1980; e em 2013, quando alcança a maturidade. O longa nos mostra a vida do "mago" desde seus traumas e torturas durante a Ditadura Militar no Brasil, até sua parceria com Raul Seixas e o seu sucesso como escritor.

Como a história foi roteirizada por tudo que Paulo disse para a roteirista Carolina Kotscho não podemos esperar nenhuma irreverência contraditória que mostrasse alguma coisa fora do eixo que sabemos pela mídia que ele já fez, mas também acabamos descobrindo muitas coisas interessantes da vida dele e ver como sofreu para virar o que virou hoje. Outro fator que devemos ponderar e parabenizar muito é a estreia de Daniel Augusto na direção de um longa de ficção, pois com curtas e documentários premiados, agora foi seu desafio maior de pegar uma história densa e trabalhar ela de forma bem coerente e interessante para que qualquer espectador que for ao cinema sabendo muito ou pouco da vida do escritor, saia da sessão satisfeito com o que viu, e felizmente conseguiu utilizando de uma montagem completamente quebrada, misturando as três fases da vida do protagonista, que acabou funcionando bem, mas que no início acabou até cansando um pouco o excesso de legendas informativas do ano e lugar aonde está acontecendo para que nos situássemos. Ou seja, tirando esse detalhe técnico de necessitar demasiadamente de posicionar o espectador de qual momento estamos falando, o filme em si fala sozinho e foi tão bem trabalhado pelos atores e pela produção cenográfica, a qual falarei mais nos próximos parágrafos, que com toda certeza muitos sairão da sessão achando que o próprio escritor fez muitas cenas no filme, mas não tirando os irmãos Andrade, Ravel e Júlio, em duas épocas ninguém mais fez o escritor, o que demonstra precisão de direção com sincronismo de uma boa atuação.

Falando mais sobre a atuação, Ravel Andrade começa a colher bons louros após apenas participar de curtas e ter ganho destaque em algumas peças, aqui por necessitarem de alguém parecido com o protagonista nas fases mais adultas encaixou bem por ser irmão de Júlio Andrade e não decepciona ao conseguir mostrar tudo que o personagem sofreu diante do seu pai, ainda necessita tirar alguns vícios e exageros do teatro, mas pode vingar bem no cinema por saber manter a expressão forte no rosto. Júlio Andrade já havia mostrado seu potencial fazendo Gonzaguinha, e protagonizando "Serra Pelada", mas agora mostrou força técnica e coragem para encarar tanto o momento mais rebelde da carreira do protagonista nos anos 80 quanto a atualidade, onde precisou carregar quase 5kg de próteses para ficar semelhante ao Paulo que conhecemos sem descaracterizar sua atuação, ou seja, um trabalho minucioso e desgastante, que mostrou mais do que perfeição no trabalho do ator. Nancho Novo não apenas fez algumas aparições, como foi o responsável por toda a narração dos ensinamentos que o mestre de Paulo o ensinou, e sua voz tênue ficou muito interessante de ouvir e agrada bastante. Lucci Ferreira trabalhou bem fazendo um Raul Seixas da forma que muitos ainda imaginam, todo rebelde e caricato, e sem forçar muito nos trejeitos, o jovem ator soube concentrar para termos uma participação mais que envolvente na trama. Um grande destaque fica também para Enrique Diaz que não hesitou em fazer um pai ríspido e com semblante sempre fechado, mas que ao colocar a música que foi feita para ele, acaba comovendo não só a si, mas como todos para o que vai ocorrer mais para frente. Fabíula Nascimento faz a mãe doce e interessante de ver e principalmente consegue fazer de seu personagem algo que não estrague sua carreira cômica, e por ter feito algo bem colocado acaba agradando. E por fim vale a pena destacar as mulheres de Paulo, tanto as cenas da beldade Paz Vega como a primeira esposa, quanto Fabiana Gugli que faz a atual esposa desde o fim dos anos 80 até hoje demonstrando sempre carinho e enaltecendo mais o escritor. Claro que temos momentos bobos demais com alguns atores, e Luiz Carlos Miele como avô de Paulo, Gillray Coutinho como o editor e Zéu Britto como representante da seita são os destaques negativos de caras e bocas mais nulas da história de um filme.

Agora o ponto melhor da trama sem dúvida alguma está na concepção artística que colocaram nos três momentos do filme, mostrando tanto os anos 60 bem retratados por figurinos, carros e até mesmo em diversos elementos cênicos da casa, passando depois para os anos 70 e 80 com figurinos mais hippies e toda as caracterizações de cabelos e ambientes coloridos, e ao chegar na modernidade atual com os figurinos despojados do escritor, com carros tecnológicos e tudo mais que acabam nem importando tanto para ele, se formos analisar a ideologia de sua vida. Além claro dos maravilhosos cenários do Caminho de Santiago que enaltecem todo o ar mais religioso da história. Ou seja, perfeições totais no quesito cênico que só mostram o quanto uma produção nacional se quiser ser bem feita consegue. A fotografia trabalhou com iluminações mais densas para tratar os momentos chaves e utilizou das passagens onde o escritor diz se encontrar com cores mais claras e isso chama bem a atenção para o que deve ter sido solicitado enaltecer mais, e ficou bacana de ver.

Deixei um parágrafo somente para a maquiagem para falar mais do que foi o uso das próteses pela equipe DDT, a mesma de "O Labirinto do Fauno" que aqui fizeram Júlio de Andrade a cada dia de gravação das cenas atuais do filme ficar 5 horas colando um rosto falso e pesado na sua cara, de modo que conseguisse ainda assim atuar decentemente, continuar sendo o próprio ator e parecer com o escritor da forma que vemos na mídia atual, ou seja, um trabalho perfeito, minucioso e maravilhoso de ver, que como disse no início muitos com toda certeza saíram da sala pensando que o escritor atuou no filme, portanto deixo aqui o link para quem quiser ver a transformação do ator e confirmar que não estou louco. Ou seja, um trabalho rico e perfeito de ver nas telas dentro de um filme nacional.

No quesito musical, praticamente todas as canções que Paulo compôs e foram cantadas por Raul Seixas estão presentes na trama, afinal é mais fácil conseguir autorização com o próprio autor das canções num filme que fala dele mesmo não é mesmo? E com isso o longa ganha um ritmo bem envolvente, já que todo mundo conhece a maioria das músicas e acaba cantando junto e isso ajuda bem a deslanchar a história que também optou por uma montagem diferenciada do que estamos acostumados.

Enfim, é um filme muito bem feito que agrada bastante, não é o melhor filme nacional que possamos sair falando bem para todo lado, mas podemos dizer que tivemos uma produção invejável tanto tecnicamente quanto no quesito de uma boa história atuada e dirigida. O longa ficou devendo falar mais sobre os motivos da briga dele e do Raul, mais sobre a ordem que ele faz parte, mas precisaria de um longa bem maior para falar sobre tudo isso, então vale a pena conferir a trama, com a garantia da certeza de ver algo bem feito e que quem gostar de conhecer história sobre a vida de alguém famoso vai sair bem satisfeito com o trabalho, então dessa forma acabo recomendando ele para a maioria do planeta. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda temos mais alguns filmes que apareceram pelo interior para conferir, então volto em breve com mais posts por aqui. Deixo meus abraços para todos e agradecimento especial para a equipe do Cinépolis Iguatemi que continua nos proporcionando boas premières para conferir. Até breve.


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The Rover - A Caçada

sábado, agosto 09, 2014 |

Aquele selo em cima do pôster já diz muita coisa pra quem, como eu, não procura ver trailer nem ler nada antes de assistir uma produção, ou o filme será excelente ou será algo que você sairá da sala sem entender nada pensando porque gastou 2 horas da sua vida assistindo a isso. Com isso em mente, o longa "The Rover - A Caçada" consegue provocar algumas curiosidades com o andamento da trama, mas é de um ritmo extremamente lento, que quase acabamos não reparando nas grandes expressões e sentimentalismos que os protagonistas nos proporcionam, ou seja, é um bom filme, mas quem não curtir algo completamente fora do tradicional fuja rápido do guichê do cinema, senão a chance de reclamar como 90% da sala fez é altíssima, ainda mais com o final proposto, que com certeza gostaria de que me deixassem sem saber mais do que com o que foi mostrado.

Ambientado num futuro próximo, o faroeste se passa dez anos depois que o sistema econômico do mundo ocidental entrou em colapso, e os recursos minerais da Austrália passaram a ser dominados por forasteiros desesperados. Eric viaja sozinho pelas estradas e já perdeu quase tudo o que tem, e torna-se um homem duro e impiedoso. Quando uma gangue de ladrões rouba seu carro, ele vai atrás destes homens. No caminho, ele é obrigado e levar consigo Reynolds, o ingênuo membro da gangue, abandonado por seus comparsas.

A síntese do roteiro é bem interessante e dá base para a trama, mas matamos tão rápido a charada de que o protagonista deseja mais o carro por algo que tem dentro dele, do que a raiva de apenas terem pego algo seu, porém como já perdeu tudo que tinha na vida, o que nos agracia mais na trama é ver a forma que a frase dita no pôster: "Tenha medo do homem que não tem nada a perder" toma uma proporção monstruosíssima e só vai nos intrigando mais ainda com a direção minuciosa de David Michôd que soube transformar Guy Pearce em algo melhor do que já é naturalmente, e Robert Pattinson em algo mais próximo de ser um bom ator. O que faltou no filme foi trabalhar com mais dinâmica, pois não perderia a essência das atuações e quem sabe conquistaria mais o público, já que em momento algum nos vemos envolvidos com o que está acontecendo na tela, e filmes que nos fazem pensar sem que nos seja dado ferramentas, acabam dando mais sono do que servindo para algo.

Ver um ator talentoso mostrando que domina bem suas expressões é algo que sempre aumenta a qualidade de um filme, e Guy Pearce entra com tudo na trama e sem dizer muitas palavras ao longo de toda duração consegue ser didático e pontual para qualificar seus atos, claro que como disse gostaria de ter saído da sessão sem saber o que tinha no carro, mas em momento algum podemos negar que vale ver o filme pelo que faz nas cenas em que dá ordens fortes para o personagem de Pattinson. E falando no ex-vampirinho é possível começar a ver uma evolução nos seus trabalhos, de forma que o que fez em "Cosmópolis" só vem sendo consolidado e aqui nas suas cenas finais chega até parecer que é um grande ator pelo desespero envolvente que consegue criar, merecendo quase que a câmera ficasse somente nele ao invés de mostrar os outros atores, realmente perfeita a atuação em diversas cenas. Dos demais atores infelizmente aparecem muito pouco e nos envolvem menos ainda, valendo destacar apenas a cena mais forte de Scoot McNairy com Pattinson por forçar o jovem ator, e nas suas cenas dentro do carro no início.

A cenografia desértica é assustadoramente linda de ver e acaba nos dando uma profundidade que acaba dizendo até mais do que deve sobre a ideia do longa. A equipe de arte soube trabalhar bem para demonstrar o caos que se tornou o lugar sem recursos para nada e com isso quanto menos aparecer melhor, e dessa forma a escolha das locações foram de suma importância para que o filme tivesse o mesmo realismo. Claro que com muita paisagem seca e sem uma trilha mais forte, como disse acaba cansando, mas ao menos a ideia da trama foi bem passada. A fotografia granulou a imagem num tom amarelado puxado para o laranja bem forte de forma a parecer que o filme estava sendo rodado à uma temperatura de uns 50°C no mínimo e em alguns momentos dá até um certo sufoco para procurar uma sombra onde não existe, ou seja, também um trabalho bem interessante de ser visto.

O quesito sonoro infelizmente foi o que mais pecou na trama, pois além de não dar ritmo, as batidas atrapalharam o andamento do filme, cansando demais o espectador sempre com a mesma toada, e por mais incrível que possa parecer, ao aguardar os créditos é possível ver que são diversas faixas diferentes, mas não é notável quase diferença alguma de uma cena pra outra, tirando as cenas que músicas cantadas passam a fazer parte da trama, e é nesses momentos que acabamos nos envolvendo mais com o teor da trama e quem sabe se tudo seguisse dessa forma teríamos um longa bem diferente.

Enfim, é um filme com um mote bem interessante e atuações precisas que foram muito bem dirigidas, mas que vai agradar uma gama bem pequena dos espectadores que forem aos cinemas conferir, principalmente pelo ritmo fraco e a falta de envolvimento que como disse logo nos primeiros minutos já dá para sentir o que vem pela frente. Recomendo ele somente para quem gosta mais de longas artísticos por já estarem acostumados com o estilo. Bem é isso pessoal, fico por aqui nessa semana de poucas estreias, mas volto na quinta-feira com o que está parecendo ser o retorno das semanas quentes de estreias, aguardaremos para acabar com essa sina de apenas 1 ou 2 filmes, então abraços e até mais pessoal.


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