Boyhood - Da Infância à Juventude

sábado, maio 23, 2015 |

Contar a história da vida de alguém já foi tema de diversos filmes, alguns abordando problemas da infância, outros da adolescência, outros da juventude, muitos da vida adulta, e alguns com passagem pela velhice, mas quando um longa usa crianças fica um pouco complicado mostrar essas metamorfoses que o corpo e a mentalidade sofrem nas diversas fases, então o que fazer, a solução da maioria dos diretores é arrumar crianças de diversas fases parecidas, mas Richard Linklater não, ele é um maluco que quis fazer seu "Boyhood - da Infância à Juventude" contando 12 anos da vida de um garoto filmando ele, e os demais atores por reais 12 anos, gravando uma semana por ano, e montando o roteiro conforme ia acontecendo os fatos, claro já com uma base sólida do que desejava, mas o grande mote foi rolando ano a ano, e aí é que está o maior problema do filme, pois 1 semana de gravação, com teoricamente tudo que ocorreria naquele ano da vida da família não tem como ser desenvolvido, e a falta de um clímax geral aliado à conflitos e problemas na vida de uma pessoa (não me venha falar que os padrastos bêbados são conflitos) não acabam gerando um longa com precisão, fica morno demais, e assim o resultado até é um bom filme, mas que acabou sendo mais cheio de comentários pela loucura de se filmar as mesmas pessoas por tanto tempo do que uma história que comovesse, agitasse ou questionasse o público em si.

No longa acompanhamos 12 anos na vida de Mason Jr., ou MJ, entre os 5 e os 18 anos, da infância até o fim da adolescência, vivendo em Austin, capital do Texas, com sua irmã e os pais divorciados. Mason, o pai, parece mais infantil que o próprio menino, muitas vezes sumindo por meses com a justificativa de estar tentando deslanchar sua carreira musical; enquanto Olivia, a mãe, luta para terminar seus estudos e vive se apaixonando pelos homens errados.

Uma coisa que temos de falar com muita certeza é que o diretor Richard Linklater foi salvo pela genética das crianças que durante todos os anos mudaram muito visualmente, mas se tornaram adultos bonitos e todos deram interpretações satisfatórias para chamar atenção durante todos os seus momentos. E embora o roteiro tenha sido bem feito, a falta de conflito que na vida comum até funciona de uma pessoa que tem tudo acontecendo bonitinho, sofre uma ou outra discussão, bate em alguém, todos quebram um braço, batem um carro, brigam feio, e por aí vai, de modo que a temperatura do longa ficou sempre no mesma, e sempre que víamos algum problema que certamente geraria algum conflito ou choque no longa, que todos na plateia já ficavam aflitos para o que aconteceria, lá vinha o diretor na edição e já mudava de ano sem impactar em nada na trama. A edição funcionou muito bem para não ficar estranho as mudanças de ano, mas algumas são assustadoras e descompassam o longa, aparentando até de certa forma um erro de continuísmo. E mesmo com ângulos inusitados, a falta de diálogos mais incisivos e questionadores, que costumam ser um dos pontos fortes do diretor em seus trabalhos, o resultado final acaba sendo bacana, mas longe que faltou detalhes para se tornar uma trama realmente.

É interessante ver que mesmo o elenco adulto não mudando tanto visualmente, as mudanças temporais funcionaram bem e a maturidade que impregnaram para seus personagens deu um charme a mais na trama. Patricia Arquette foi bem na trama, mas muito longe de ser a ganhadora do Oscar, pois fez o tradicional, colocando expressão forte e trabalhando as entonações clássicas dentro do que a personagem pedia, mas poderia ter em algumas cenas emocionado mais e ter trabalhado os olhares também. claro que ela já merecia a premiação por outros papéis que fez, mas aqui foi algo simples e tradicional. Ethan Hawke caiu bem para o papel de um pai que vive viajando longe da família e que quando encontra com os filhos faz tudo o que não pode com a mãe, mas seu crescimento profissional nesses 12 anos também foi algo interessante e que acabou sendo mostrado na trama, poderia ter feito alguns olhares mais encaixados, mas saiu bem no geral. Podemos dizer que o jovem Ellar Coltrane foi melhorando sua atuação durante os anos e seu Mason passou a ter vida juntamente com seu crescimento e claro que acabou aprendendo muito durante os anos, mas o diretor poderia durante alguns anos ter dado mais técnica aos olhares do jovem para que passasse um pouco mais de sentimento. A filha do diretor, Lorelei Linklater já foi exatamente pelo lado inverso e acabou a produção de uma maneira tão tímida que nem parecia ser mais a garotinha viva e falante do início da trama, mas acabou saindo bem com tudo que fez, e deve em breve aparecer em mais produções com o pai famoso que tem. Dos demais como acabam participando da vida da família acabam fazendo apenas bons papéis, mas nada que chegue a chamar atenção, claro que os momentos de bebedeira de Steven Chester Prince e Marco Perella dão o que falar, mas como não tiveram muitas oportunidades para se destacar acabaram ficando apenas com a fama de rude e nada mais. Outro ponto legal de ver foi na cena da festa de formatura como algumas pessoas ficaram após vários anos, pois alguns atores engordaram, outros mudaram tons de pele e isso é bacana de ver nessas reuniões de amigos do passado.

A cenografia foi bem trabalhada, e com toda certeza matou a equipe artística para cada ano não cometer gafes de continuidade e ainda assim ter processo criativo para trabalhar com diversos elementos cênicos para representar as idades de cada personagem, e em 12 anos, claro que muitas tendências visuais mudaram, os diretores passaram a gostar mais de cada cor, e ficou bem bacana de ver elementos que costumaram marcar as épocas ficando em evidência, isso com certeza foi um ponto bem positivo de ver. A fotografia do longa ficou muito bonita, e junto com a cenografia, acabaram escolhendo locações bem pontuadas para chamar a atenção e isso já é um costume que o diretor abusa nos seus outros longas, aonde temos sempre uma boa valorização da natureza ao redor, procurando usar ao máximo a iluminação natural para dar as nuances de sombra e contraluz, algo que é bem bonito de ver mesmo.

No quesito sonoro, poderiam ter abusado mais das canções de cada época, que mesmo tendo uma pitada aqui outra ali, acabaria dando uma vertente inteligente e agradável, mas as canções usadas corresponderam bem, e auxiliaram o longa que tem quase 3 horas a passar de maneira bem tranquila sem cansar o espectador.

Enfim, é um longa tecnicamente muito bem produzido e que foi concebido literalmente como uma loucura, pois o diretor arriscou muito de suas fichas ao trabalhar secretamente com essa quantidade imensa de atores, e principalmente por ter crianças envolvidas, jamais se saberia como estariam em 12 anos, se gostariam de continuar sendo atores e por aí vai, mas o resultado agrada bem e se não fosse a falta de virar realmente uma história com problemas e uma vida mesmo contada, era garantido que todos adorariam e ganharia todos os prêmios a que foi indicado, mas do jeito que ficou deu apenas melhor atriz e com muito pesar ainda. Estou falando claro do Oscar, mas o longa foi feliz em diversas outras premiações e assim com certeza a equipe ficou feliz com o final. Bem é isso pessoal, encerro aqui minha participação no Festival Sesc Melhores Filmes, já que os outros que irão passar no Sábado e Domingo já conferi quando estreou, mas garanto que são bons filmes e valem a pena assistir, então compareçam, mas volto com a minha opinião das demais estreias que vieram para o interior, então abraços e até breve.


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Sorria Você Está Sendo Filmado - O Filme

sexta-feira, maio 22, 2015 |

Fazer cinema é algo caro, isso é um fato que não temos como questionar, mas daí vir a querer fazer um estilo de peça cenográfica com 1 cenário, 1 câmera parada durante todo o filme é diversos atores-produtores que saem fazendo qualquer miquice para tentar criar uma história é apelar para não chegar a nada. E dito isso, minha única vontade é encerrar meu texto de "Sorria, Você Está Sendo Filmado" aqui mesmo falando que o longa é algo que nem que a pessoa tivesse matado um familiar meu eu recomendaria para ela assistir essa tortura de quase 80 minutos, mas vou fazer um esforço e pontuar alguns pontos críticos de tudo para enumerar a falta de problemas, de texto, de história, de tudo.

O filme nos apresenta o roteirista Mathias que trabalha na Globo e vive um inferno pessoal. Num momento de desespero ele se suicida, em frente à webcam do computador. Ao poucos o aparamento dele é tomado por várias pessoas como o porteiro Geneton, a faxineira Neide e o síndico Valdir e sua mulher, Vera. Quando percebem que estão sendo gravadas pela mesma câmera do computador passam a se preocupar com as suas atitudes no lugar e agindo sem naturalidade.

O diretor Daniel Filho não é um qualquer que costumam rasgar dinheiro, mas ainda estou confuso com o que ele queria atingir ao fazer um texto ruim com interpretações caricatas, e principalmente a total falta de direção mesmo que a trama acaba desenvolvendo, de modo que os atores foram soltos praticamente para fazer o que desejar em cena contando apenas com sua base de perfil, mas sem um rumo que fizesse uma história acontecer, e assim senso o resultado é uma lambança tão grande que o público que estava na sala aguardou até o último crédito para ver se não aparecia o Sérgio Malandro para falar que foi uma pegadinha ou algo do tipo, pois como não teve uma equipe tão grande para fazer essa caca toda, os créditos foram rápidos e a decepção de sair da sala foi iminente na cara de todos.

Das atuações talvez dê para aproveitar alguns momentos de desespero de Lázaro Ramos como um porteiro invejoso que quer aparecer e mostrar serviço, sua esposa a faxineira interpretada por Roberta Rodrigues, e Suzana Vieira como um atriz de papéis ruins que só faz figuração nas novelas mesmo sendo importante, mas o restante beira o ridículo ao tentar fazer seus papéis fracos e sem rumo, destaque nesse caso para os dois minutos da médica Debora Secco.

Visualmente como o diretor quis um longa sem custos, a utilização de um único cenário, mas com a câmera bem posicionada de modo a pegar a maior quantidade de elementos do apartamento do morto, menos o morto, afinal ninguém merece passar um longa inteiro deitado no chão e embora pareça ter sido filmado em plano sequência temos pontos de corte que deve ter demorado ao menos 1 dia para filmar tudo. Mas com um apartamento bem decorado, e com mais coisas entrando em cena, ao menos no conceito visual o filme funcionou aliado a um bom trabalho de construção, e a ideia toda foi passada. Quanto do trabalho da fotografia, podemos dizer que não foi algo que tenha sido feito, pois a câmera não saiu do lugar, a iluminação também não foi afetada, somente algumas aberturas e fechamentos de janela, que devem ter sido utilizadas para trabalhar as mudanças de horários de gravação, portanto não dá para falar que foi um trabalho brilhante nem que tenha sido feito realmente.

Enfim, é um longa que não dá para recomendar para ninguém de forma alguma, lembrando um pouco o antigo "Sai de baixo", com personagens aparecendo, se apresentando, fazendo alguma coisa inútil, porém sem graça alguma, e em um longa classificado como comédia, isso é o maior crime. Fico por aqui agora, mas hoje ainda confiro outro longa que não veio para o interior na estreia, mas agora com o Festival Melhores Filmes poderemos conferir. Então abraços e até breve.

PS: a nota vai pela cenografia e só, pois do restante valeria nem dizer nada, e mesmo Daniel Filho sendo um dos melhores diretores de comédia do Brasil, dessa vez ele sem dinheiro resolveu bagunçar com um estilo diferenciado, que é até muito interessante, o lance de 1 câmera só parada, parecendo plano sequência, mas acabou dando tudo errado.


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Mommy

sexta-feira, maio 22, 2015 |

Ser mãe! Taí algo que muitas mulheres desejam, e que na sua maioria já nascem ou acabam criando um dom para conviver e amar o ser que sai de seu ventre! Mas como dito no filme "Mommy", uma mãe jamais deixa de amar seu filho, mesmo com muitos problemas ou cagadas que ele faça na sua vida! Isso é lindo de ouvir, e principalmente de ver com a inflexão fortíssima que o diretor e roteirista Xavier Dolan nos entrega nessa obra de arte completamente irreverente e bem feita. Muitos dizem que o cinema nacional é cheio de palavrões nos filmes, olha acho difícil esse canadense aqui perder para a maioria dos nossos filmes nesse quesito, mas aqui por uma boa causa, todos funcionam como liberdade poética e principalmente com o choque que o diretor entrega para o problemático jovem com TDAH, ou como muitos conhecem hiperatividade, que no caso aqui ainda é acrescida de violência. O filme todo pode até não passar a mesma mensagem para todos os espectadores, mas é inegável que o candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por parte do Canadá, que venceu Cannes e diversas outras premiações, consegue ser um show de atuações aonde os diálogos e interpretações são cravados no peito sem dó, e com muita certeza os atores foram fortes na maioria das cenas.

O longa nos mostra que Diane é uma mulher viúva que vive constantemente mal humorada. Mãe solteira, ela se vê sobrecarregada com a guarda em tempo integral de Steve, seu filho de 15 anos, que sofre de déficit de atenção, e que acaba de ser expulso do reformatório onde vivia por botar fogo na cafeteria do local. Enquanto eles tentam sobreviver e lutar em meio a essa situação imprevisível, Kyla, uma garota que mora do outro lado da rua, se oferece para ajudar. Juntos, os três encontram um novo equilíbrio e a esperança volta a aparecer.

Se existe um estilo de filme bom é aquele que os diálogos encaixam bem com os atores, pois ter uma boa história é função quase que obrigatória de todo filme que se preze estrear para alguém ver, mas quando existe o casamento diálogo perfeito com atores dispostos a atacar nas interpretações, o sucesso é apenas questão de tempo, e disso o diretor e roteirista canadense Xavier Dolan, que é quase um bebê com apenas 26 anos, vem provando o sabor já tem algum tempo, pois desde o seu filme de estreia "Eu Matei a Minha Mãe", ele já vem colecionando prêmios e elogios em cima de elogios tanto da crítica quanto dos espectadores (que claro vale muito mais). E isso se deve principalmente por trabalhar com temas mais vivos na cabeça das pessoas e não viajar tanto nas ideologias poéticas, embora seu filme aqui tenha toda uma liberdade ficcional e que ao ser desenvolvida acaba até de certa forma chocando muitas pessoas, mas essa irrealidade é o charme para que o problema duríssimo que é apresentado nos envolva e ao mesmo tempo de forma simples, sem que tenhamos de refletir sobre mil coisas a fundo, comover e fazer pensarmos nas nossas mães, no nosso convívio e em diversas outras coisas simples que raramente arrumamos tempo para pensar, e valem muito ser discutidas. Portanto o acerto do diretor vai muito além do simples feitio do longa, que é perfeito, mas para um mar de reflexões que através de algo belo e bem feito acaba trazendo à tona uma sintaxe interessante de acompanhar.

Agora se temos de fazer uma coisa primeiramente antes de refletir sobre tudo que o filme fala é aplaudir incansavelmente o trio de protagonistas, pois a entrega deles aos personagens é tão perfeita que não parece que estamos diante de um filme, mas sim de uma peça aonde todos se encaixam e saboreiam os diálogos de seu par de cena, para em seguida revidar com o mesmo afinco, ou seja, um luxo que poucos longas nos permitem essa visão. Para iniciar temos de falar da mãe Anne Dorval que nos entrega uma Diane magnífica, cheia de temperamentos, expressões e tudo sem soar artificial em momento algum, só a conhecia dos outros filmes do diretor, mas não lembrava de sua potência e me deu até vontade de rever os outros dois para ver se aqui foi seu ápice ou se já vem numa crescente faz tempo, claro que aqui seu papel foi primoroso, mas ainda torço para um estouro seu no mundo mais comercial americano, pois ela merece. Agora uma confissão, quando vi o trailer do filme há muito tempo, e praticamente na mesma época apareceram algumas fotos estranhas de Macaulay Culkin, eu jurava que o protagonista do longa era ele, principalmente pela loucura, mas não temos aqui o brilhante Antoine-Olivier Pilon que transpirou uma loucura comportamental para seu Steve muito além do que sequer o diretor esperava, e com expressões leves, em diversas cenas (principalmente nos seus momentos de calma) parece flutuar diante da câmera com um respiro quase que ele mesmo necessitava para suas cenas subsequentes, ou seja, perfeito demais e espero também vê-lo despontar em longas que abra sua vitrine. O outro pilar da trama que chegou até ser espantoso a forma de gaguejar e todos seus trejeitos foi Suzanne Clément com sua Kyla, que de certa maneira aparentava inicialmente ser uma personagem simples, mas com o andamento da trama vai nos entregando uma complexidade tão envolvente que não beira a perfeição, mas passa fácil logo na sua cena mais forte com o protagonista. Dos demais, a maioria funciona quase que como figuração, despontando alguns em poucos momentos que entram em diálogos com o trio principal, mas sempre ficando bem em segundo plano, salvo Patrick Huard que deu uma boa expressividade para o seu Paul na cena que tudo parecia tomar um dos rumos mais desastrosos do cinema mundial, mas acabou melhor do que a encomenda.

Visualmente o longa também trabalha muito com a cenografia, e embora não tenha muitos elementos cênicos sendo trabalhados, já que o foco do filme está na interpretação dos atores, alguns detalhes ficaram bem pontuados como o colar da protagonista, que foi usado como motivo da primeira discussão, o skate passa a ter uma certa simbologia de liberdade e até mesmo os objetos velhos das casas funcionaram como meios de representação do modo de viver das duas protagonistas, e isso é bacana de observar, pois quando um filme foca tanto nos atores, costumam falhar no conceito visual, já que muitos acabam nem reparando no contexto por trás de tudo, mas quando a equipe artística trabalha bem, o funcionamento de tudo cai bem. Apenas para pontuar uma curiosidade, o diretor também foi o figurinista do filme, ou seja, escolheu e montou com sua equipe como desejava a caracterização dos personagens também além do seu roteiro, pois geralmente outras pessoas pegam, leem o que está escrito e criam, mas aqui Dolan quis fazer pessoalmente. Em uma semana ver dois filmes com janela quadrada é algo que acho que nunca tinha me acontecido, mas diferente do que ocorreu em "O Homem das Multidões", aqui temos cenas onde o sufoco cênico causado pela tela menor é aberto para wide com função dramática de representação de liberdade, respiro, e isso é algo lindo que foi trabalhado tanto pela equipe de fotografia quanto o pessoal da edição, e aliado aos bons contraluzes, que inclusive é citado num momento de foto dentro do filme, o resultado de um cenário belíssimo do Canadá fica ainda mais evidente, ou seja, pontuação perfeita também nesse quesito.

E algo que não poderia deixar de falar de maneira alguma é da trilha sonora com clássicos e músicas tão bem encaixadas com os momentos do filme, ditando ritmo, funcionando como elemento cênico e tudo tão bem feito que seria daquelas trilhas que conseguimos ouvir incansavelmente por muito tempo, e o melhor, remetendo cada canção específica que não foram feitas para esse longa, mas encaixando em nossa mente exatamente tudo o que ocorria quando ouvirmos a música novamente, ou seja, um luxo muito bem feito e bem pensado. E claro que antes que me perguntem aqui segue um link com todas as canções tocadas.

Enfim, um filme perfeito que agrada demais principalmente pelo trabalho do elenco, mas que possui todo um conteúdo técnico que citei nos parágrafos acima que resultam em algo muito além do esperado, ou seja, um longa forte, bem feito e que vale demais o ingresso. Infelizmente o filme veio apenas para o Festival Sesc Melhores Filmes, então quem quiser terá de locar nos outros meios para assistir, mas fica a dica para a distribuidora que não acreditou no potencial do interior ao não mandar o filme no lançamento em Dezembro do ano passado, hoje a sala estava praticamente lotada de pessoas que não haviam visto o filme e queriam muito ver, outros saíram perguntando se não haveria mesmo outra sessão e por aí vai com o boca a boca certamente daria um bom público na cidade, mas fazer o que não é mesmo. Bem é isso então, recomendo demais o filme para todos ver a beleza da trama e ainda refletir sobre tudo o que é mostrado, amanhã volto com mais um filme que não veio para o interior na data de estreia e veio agora para o Festival e já aproveito para conferir também uma das estreias da semana, então abraços e até breve pessoal.


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Riocorrente

quinta-feira, maio 21, 2015 |

Olha... Cada vez que lembro da frase que com uma ideia na cabeça e uma câmera na mão se faz um filme, e na sequência vejo um filme experimental do estilo que foi apresentado em "Riocorrente", na sequência fico me perguntando o motivo de uma pessoa desejar queimar dinheiro fazendo tais coisas. Não digo que o longa não entregue diversos pontos de vista e até algumas ideias inteligentes, mas o não desenvolver, o não trabalhar a ideologia, e o ser diferenciado ao ponto de apenas brincar com a expansão da mente do espectador acaba irritando e cansando de tal forma que fico mais e mais chateado de outros bons diretores não conseguir filmar seus projetos coerentes. Ou seja, 72 minutos perdidos é o que posso resumir do filme.

A sinopse do longa nos diz que: São Paulo é um barril de pólvora prestes a explodir. Em meio ao turbilhão da cidade, Marcelo, um jornalista, Carlos, um ex-ladrão de automóveis, e Renata, uma mulher misteriosa, vivem um intenso triângulo amoroso. Carlos tenta cuidar do menino Exu, mas ele passa o dia inteiro pelas ruas da cidade. O choque entre seus desejos e o atrito entre as faces opostas da cidade apontam a urgência de mudanças radicais.

Não podemos dizer em momento algum que o diretor e roteirista Paulo Sacramento não foi feliz no que tentou fazer, muito pelo contrário, seus planos foram bem encaixados, sua ideia foi transposta do papel para a tela, a computação gráfica ficou interessante, mas cadê o sentido de tudo se conectar? Cadê o mote para que as pessoas se envolvam sem ser apenas uma tela pintada aonde o artista apenas joga a tinta expressando seus sentimentos, mas que alguns vão aplaudir dizendo lindo sem ao menos ver nada ali? Esse é o sentimento da maioria ao sair da sessão: a sensação de que saiu de uma daquelas mostras aonde temos diversos ferros retorcidos que nada dizem, mas que os críticos julgaram ser a nova maravilha do mundo moderno e pra você é apenas um monte de nada. Posso estar até sendo cruel demais com o que vi, mas o diretor poderia ter feito um longa interessantíssimo e saiu com algo mediano pra baixo apenas bem produzido.

Quanto da atuação, já estou me acostumando que entregam sempre papéis estranhos para Lee Taylor, que possui sempre uma expressão fechada e pronta para refletir diversas dúvidas existenciais em quem for procurar algo de seus personagens, e dessa maneira o seu Carlos fica até interessante de analisar e acompanhar, mas como é dito no longa, seu pensamento expande tanto quanto uma dinamite e a explosão de ideias e expressões acabam figurando demais e dizendo de menos. Simone Illiescu nos entrega uma Renata tão problemática quanto ninfomaníaca, e ao final do longa não conseguimos determinar se ela quer um recomeço para sua personagem ou é apenas uma maluca que quer aproveitar a vida conhecendo o novo e dando todos os dias, e isso ficou raso demais para a boa atriz que é, pois nos momentos que precisou dialogar demonstrou que teria potencial para desenvolver um história até que interessante. Roberto Audio coloca o seu Marcelo como o personagem inteligente, culto, mas que está preso ao modo velho e careta de ser, e isso para uma cidade como São Paulo é intolerável segundo o texto, e com expressões até estranhas demais, ficamos sem muita empolgação com o que ele nos entrega, de forma que não pareceu ser importante nem bem usado na trama. Vinicius dos Anjos fez de seu Exu algo tão incisivo que se o garoto não era um meliante de rua antes de se tornar ator, e não digo isso como algo preconceituoso, podemos dar a ele facilmente um bom prêmio de interpretação, pois ficou perfeito tudo que fez, desde olhares até trejeitos e isso para uma criança é algo duro de fazer.

A cenografia foi bem desenvolvida par dar o determinismo de cada personagem, colocando até moldes tradicionais demais para um filme experimental,  mas nesse quesito o que posso dizer é que a equipe foi minuciosa em detalhes cênicos para que tudo estivesse representado e até sobrasse para subjetivar as ideologias propostas pela direção, então o acerto até que foi coerente, porém, como disse desperdiçado, já que o longa não foi desenvolvido como deveria ser, e assim temos um visual legal, efeitos interessantes e bem feitos, mas que apenas estiveram na tela, já que a proposta era apenas de causar. A fotografia da trama trabalhou bem com iluminações difusas para dar contraste, e em momento algum emaecendo as cores, procurando sempre o tom mais forte para impactar e ajudar o diretor a expressar seus instintos, de modo que temos até o estilo da trama marcado como algo bem puxado para o hardcore.

Enfim, garanto que vai existir quem goste desse estilo, afinal o longa foi classificado para estar num Festival que é denominado Melhores Filmes,  mas confesso que não vai agradar nem um pouco quem pensar como eu, que a arte abstrata é feita apenas para o próprio umbigo do diretor, e assim, o resultado acaba sendo mais vago do que chocante ou intrigante, ou seja, em uma cidade que tudo é tão corrido como é São Paulo, economize seu tempo e gaste os 72 minutos de duração do longa com qualquer outra coisa mais produtiva.


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Uma Vida Comum (Still Life)

quinta-feira, maio 21, 2015 |

É difícil descrever o sentimento de perda de um ente da família, mas e quando essa pessoa vive sozinha e não tem nada, ou praticamente nada que identifique algum familiar ou amigo, ou alguém mais próximo do morto, por exemplo vamos dizer que você se mude para um país para algum estilo de curso, mas saia brigado com as pessoas daqui, de forma que ninguém mais daqui entrasse em contato com você, e lá você morra dormindo e só descubram seu cadáver depois de alguns dias! Assustador não é mesmo! Pois bem, em alguns países existem pessoas, ou até mesmo órgãos governamentais que saem à caça de pessoas próximas, seja para pagar as custas do enterro, ou como no caso do longa "Uma Vida Comum", atrás de alguém que gostasse dessa pessoa para dar apenas um último adeus para o morto. São raros os longas que tratam dessa temática, aliás eu não lembro de nenhum outro assim, e a beleza do roteiro e da condução da direção é tão envolvente e cheia de nuances bem colocadas, que já tínhamos um filme sensacional até os primeiros 90 minutos de duração, mas os 6 que finalizam de uma forma completamente inesperada e o último minuto do longa foram para colocar ele num seleto lugar de perfeição emotiva.

A história nos mostra que obcecado por organização e meticuloso ao extremo, John May é um inventariante encarregado de encontrar o parente mais próximo de pessoas que morreram sozinhas. Sua vida é seu trabalho, e ele dedica mais esforços do que o necessário para descobrir sobre a vida de seus clientes e dar-lhes um bom funeral. Porém, sua rotina muda quando descobre que perderá o emprego. Ele pede um tempo a seu chefe para resolver o último caso em que trabalhava, o de Billy Stoker. Essa última investigação o leva a uma viagem libertadora que lhe permite finalmente começar a viver a sua vida.

O que o diretor e roteirista italiano Uberto Pasolini faz com seu filme é algo inexplicável, pois tudo anda de uma maneira bem comum durante o filme todo, assim como no título nacional e até fica bem interessante a insistência e persistência do protagonista em querer que seu último trabalho seja feito de maneira exemplar, já que a maioria de todos os seus defuntos foram enterrados somente com ele no funeral. E contando com um estilo investigativo bem moldado, o filme desenrola, com situações engraçadas, outras mais tensas, mas sem muito o que fugir da dinâmica, porém diferente do que costuma ocorrer na maioria dos longas de entregar um clímax no miolo da trama para depois desenvolvê-lo, o diretor opta por fechar o filme com o clímax, o que para o estilo de longa que estávamos saboreando, é algo completamente inusitado, com certeza em outros gêneros isso funcionaria até de forma melhor, mas num drama com pitadas cômicas, essa irreverência poderia fazer de seu longa uma bomba desastrosa, mas felizmente foi um dos acertos mais corretos que acho ter visto numa produção europeia, e assim posso garantir com certeza que quero ver mais obras desse diretor, que por enquanto só tem outro longa além desse.

Sobre a atuação podemos dizer com 100% de certeza que o filme é de Eddie Marsan, pois ele deu uma interpretação completamente própria para John May, trabalhando suas emoções, olhares e até a personificação metódica da vida do personagem só conseguimos enxergar ele, muito disso se deve a uma boa direção de atores, mas ele deu uma boa parcela de si para que não tivéssemos apenas um tiozinho que sai atrás de pessoas, ou um talvez um policial investigativo que funcionaria também, mas alguém mais humano e interessante para que o público se envolvesse, e assim, o acerto foi total, que deu ao ator alguns prêmios bem interessantes. Embora entre somente no finalzinho, Joanne Froggatt serviu bem na personificação da mudança do protagonista com sua Kelly, e a atriz fez bons semblantes e trabalhou seus diálogos com o protagonista de uma forma bonita de se acompanhar, garantindo que se fosse um longa tradicionalíssimo veríamos ainda uma bela história de amor entre os dois. Dos demais, temos pontuais atores coadjuvantes que incrementam cada cena, não tendo um destaque em si para cada um, mas deixo claro que todos que ele aborda possuem boas histórias para com o morto e suas expressões são bem interessantes.

Do conceito artístico não temos nada exuberante que marque o filme como algo que renove um estilo ou nos faça prestar atenção em algum detalhe cênico, mas todo o conceito de trabalhar com o fator morte já é algo que desde os primórdios instigam os artistas com a famosa natureza morta, e o longa soube trabalhar com essas situações por onde o protagonista vai, desde o seu próprio prédio, seu apartamento, sua saletinha organizada, mas sempre em tons fúnebres e sem vida, o que faz com que mesmo nos momentos mais engraçados da trama, sempre a pontinha mais mórbida fica no ar visualmente, mas claro que o segundo ato, aonde o protagonista faz as viagens para encontrar parentes e amigos do morto são extremamente bem trabalhados na concepção da direção de arte para com as locações, de modo que tudo ali tem algum bom significado para a trama. A direção de fotografia foi bem simplista ao usar alguns ângulos tradicionais e não inventar moda com filtros, mas o tom leve que procurou sempre usar e alguns movimentos mais sutis acabaram dando um envolvimento maior na trama, e claro que sempre mantendo o foco no protagonista para que como já disse, ficássemos íntimos dele.

Enfim, nem posso falar muito do filme senão acabaria estragando contando algo que fosse muito importante, mas espero ter passado toda a emoção e a forma que o longa me agradou. E dessa forma recomendo demais ele para todos que ainda não viram, afinal o longa é de 2013, e foi exibido em poucos cinemas no meio de 2014, ou seja, já deve ter para alugar ou para quem for das cidades que estão sediando a Itinerância do Festival Sesc Melhores Filmes não perca por nada esse filme que vale a pena demais. Claro que o filme vai comover alguns mais que outros, mas posso garantir que dificilmente alguém falará mal do contexto geral apresentado. E como disse no Facebook, sei que o Festival vai passar alguns longas que já vi e dei notas altas, mas dos que ainda não havia conferido, acho difícil outro que me agrade tanto, portanto já irei classificar ele como o melhor do Festival na minha humilde opinião. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas nesta quinta ainda verei mais dois longas do Festival que não foram lançados na cidade, então abraços e até amanhã cedo com mais opiniões.


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Pelo Malo

quarta-feira, maio 20, 2015 |

Quando um filme trabalha o misto questão social com questão sexual de maneira empírica ou somente simbólica, já me dá angústia e ao mesmo tempo cansaço, pois o diretor pode trabalhar tanto de forma leve e agradável como pesar a mão e exagerar em todas as pontas possíveis. Com "Pelo Malo" a proposta funcionou até certo ponto em não ser pejorativo nem o ponto de visão da mãe, muito menos a segregação social tentou puxar o lado que a avó do garoto insiste em falar mais que uma vez até, mas o longa parece cíclico demais, rodando sempre na mesma batida e falando praticamente os mesmos diálogos, mudando um ou outro ângulo, o que acaba cansando, mas é inegável o trabalho perfeito de atuação das duas crianças e da mãe com expressões fortes e marcantes, que funcionariam de qualquer maneira que o roteiro desejasse atacar.

O filme nos mostra que Junior é um menino de nove anos que tem “cabelo ruim”. Ele quer alisá-lo para sua foto no álbum de formatura para ficar parecido com um cantor famoso. Isso o faz entrar em conflito com a mãe, Marta. Quanto mais Junior tenta melhorar o visual pelo amor da mãe, mais ela o rejeita. Até que ele é encurralado, cara a cara, com uma decisão dolorosa.

O roteiro e a direção de Mariana Rondón funciona de uma maneira bem crua e subjetiva em cima dos diversos preconceitos: cabelo, homossexualidade, trabalho feminino, estupro, beleza, pobreza e tudo mais que você possa colocar num único filme, e esse é o problema dele, querer tratar tudo de uma vez só, ainda mais envolvendo crianças nele, e isso de certa maneira acaba soando forçado, e mesmo ela fazendo as denúncias de maneira correta e bem encaixada, não conseguimos assimilar tudo como deveria, acabando a sessão meio como um baque que tomamos, mas que em minutos já podemos voltar para o nosso mundo e esquecer qualquer coisa que tenha sido apresentada, enquanto se tomasse apenas uma frente, teríamos um filme denso, com boa aptidão dramática e ainda assim iríamos pensar muito no que teria sido mostrado, o que é uma pena, pois repito, o elenco foi preparado com uma das minúcias mais precisas que já vi no cinema não comercial.

E já que comecei a falar do elenco, vamos colocar um pouco mais de elogio em cada um dos principais nomes, principalmente pelo motivo de ter sido o primeiro longa de cada um, ou seja, souberam aproveitar muito bem tudo que foi passado pela direção e mostraram serviço para serem chamados para outros trabalhos. Samantha Castillo podemos dizer que deu tudo e mais um pouco pela personagem Marta, trabalhando não só a expressão corporal como olhares, nuances de voz e imposição cênica para que seus atos refletissem bem tudo que o filme exigia e gostaria de mostrar, de modo que nas cenas que está presente mesmo o garotinho sendo perfeito, os olhos se voltavam sempre para ela. Samuel Lange Zambrano se seguir carreira mesmo como ator, em breve vamos ver seu nome em grandes títulos, pois o garotinho deu uma expressividade para o seu Junior que mesmo a pessoa com menos preconceitos do mundo iria julgar facilmente todas as suas atitudes, e isso não é ruim, muito pelo contrário, mostra que o garoto pegou a ideia que a diretora desejava e implementou algo a mais, o que é um luxo que pouquíssimos atores consegue fazer, então só podemos dizer que o jovem foi perfeito. As cenas com a avó Nelly Ramos são fortes pela proposta de "adoção" dela, pelo querer um futuro diferenciado pelo garoto e ao mesmo tempo são gostosas de ver pelo gingado da atriz, então acaba funcionando como um leve soco direto com luvas de seda, em tudo que faz. Outro destaque vai para a garotinha Maria Emilia Sulbarán que trabalhou muito bem os seus diálogos de modo que saísse como uma afronte de classe maior, mesmo vivendo no mesmo ambiente que o jovem garoto, e isso é algo que acontece demais por aí, ou seja, um trabalho muito bem feito de texto que a garota mandou bem demais nas expressões.

O visual da trama funcionou muito bem pela locação casar perfeitamente com a situação do roteiro, pois já tivemos filmes que trabalharam todo esse lado mais pejorativo, porém falharam ao colocar os personagens em algo falso, enquanto aqui a pobreza, violência e diferença de pessoas funcionou e muito nesse conglomerado de prédios, aonde na cena das crianças brincando e apontando os diversos estilos de pessoas já mostra tudo que o filme quer mais trabalhar: a diferença preconceituosa. A equipe artística trabalhou muito bem na cenografia do apartamento e na montagem cênica das locações para que o filme funcionasse e só isso já faz valer muitos pontos para que o longa seja visto de uma maneira mais poética. A fotografia exagerou um pouco na sujeira dos filtros, e poderia ser mais amena, mas isso não chegou a atrapalhar, muito menos funcionar para dar clima, então poderia ter sido usado uma tonalidade normal que ainda assim o longa seria pesado da mesma forma.

Outro ponto que vale a pena contextuar são as canções que serviram para determinar os dois cumes da violência e da homossexualidade que a diretora quis passar, usando para isso o rap em contraponto com as canções folclóricas mais dançantes e alegres, e assim o filme acerta a mão também nesse quesito e agrada com mais do que um ritmo, mesmo que tocando repetidamente apenas duas canções.

Enfim, é um filme bem feito, mas que não atingiu o ponto máximo para chocar e trabalhar com o espectador comum. Claro que ele funciona perfeitamente em festivais, ganhando diversos prêmios, mas aqueles desavisados que assistirem ele como um filme comum, vão acabar se irritando com a proposta meio que perdida. Ou seja, se você gosta do estilo produção com denúncia de preconceitos, esse é o longa para assistir, mas se não faz seu gênero é melhor passar longe. Fico por aqui nessa madrugada após ver os dois filmes da abertura da Itinerância do 41° Festival Sesc Melhores Filmes, mas volto em breve com mais posts dos outros filmes inéditos pelo interior, então abraços e até breve pessoal.


 
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O Homem Das Multidões

terça-feira, maio 19, 2015 |

As vezes não é porque alguém vive só que ela não gosta de estar sozinho, pois muitas vezes o sentimento de solidão pode ocorrer em meio a diversas pessoas ou ao estar mesmo junto de outros. No filme "O Homem das Multidões" somos transportados à vida monótona dos protagonistas de um modo bem simples, e com a ausência quase que completa de diálogos, nos vemos frente a um turbilhão de sentimentos somente através de olhares e símbolos da vivência que é trabalhada por eles, e assim embora canse um pouco no início, o resultado final acaba sendo tão eloquente que agrada demais com o casamento perfeito da canção de fechamento com tudo o que foi montado em nossa mente durante todo o restante do filem.

O filme nos situa em Belo Horizonte, Minas Gerais, mostrando duas estórias de solidão diferentes. Juvenal, condutor de trem do metrô, enfrenta a impossibilidade de estar só. Para se sentir melhor, ele se mistura na grande multidão da cidade. Margô, controladora de estação do metrô, não consegue se desprender das redes sociais, trocando o mundo real pelo mundo virtual.

Os diretores e roteiristas Cao Guimarães e Marcelo Gomes foram ousados tanto na proposta do tema, quanto no modo de exibição, pois ao nos colocar numa janela de exibição quadrada, bem diferente do que estamos acostumados com o modelo wide nos cinemas, não temos o espaço para correr os olhos ao redor da cena, e com isso ficamos juntos dos protagonistas e suas percepções do seu mundo simples e casual, e assim vamos compondo junto com os símbolos e sinais apresentados tudo o que eles desejavam passar. Não digo que qualquer espectador suportará um longa de 95 minutos com seque 20 de diálogo, mas quem entrar no clima passado verá que isso é algo tão comum de acontecer atualmente (de pessoas que vivem tranquilas em seu mundinho simples, que qualquer fator atrapalhará) que acabará se conectando com a ideia proposta e apresentada.

Quanto da atuação, Paulo André nos entrega uma atuação completamente expressiva de seu Juvenal de uma maneira que tudo possa ser entregue somente com percepções e assim acabamos ficando quase que "amigos" conhecedores de suas vontades e de sua simplicidade, ou seja, algo perfeito que muitos podem até achar fácil de fazer, mas que poucos atores fariam tão simbolicamente. Em contrapartida Silvia Lourenço já inicia o longa de uma maneira desesperada aonde toda tecnologia tem de ser utilizada a milhão, vivendo sua solidão particular com sua Margô, mas desenvolvendo de uma maneira completamente diferente de Juvenal, e no decorrer da trama vai amansando e ficando mais próxima do que os diretores desejavam mostrar, e assim chegamos a ter até pena dela. Embora tenha uma participação bem rápida em duas cenas, Jean-Claude Bernardet também consegue simbolizar com poucos diálogos a vida de quem consegue ser feliz com sua simplicidade sem necessitar que outros entrem em sua vida e o famoso escritor que ele é serviu para remeter como uma referência mesmo que não fazendo um papel real.

Não seria condizente entregar um filme que mostra a solidão com uma cenografia rebuscada, e dessa maneira a equipe de arte foi simplista até demais, o que acabou gerando algumas risadas do público, o que era esperado pela situação, nas cenas em que a moça vai até a moradia do protagonista, e juntamente com isso a cena final ficou ainda mais genial. Ou seja, muitas vezes como dizemos menos é mais e o acerto acaba iminente. A fotografia usou bem a iluminação para que no resultado da edição entregasse essa tela diferenciada quadrada, e isso é algo que pode até incomodar inicialmente, mas no decorrer da trama, a paisagem retratada acaba acostumando nossos olhos e até acabamos esquecendo do restante da tela do cinema.

Enfim, um longa simples, mas que acaba sendo tocante e interessante de acompanhar, talvez se feito de outra forma nem teria o mesmo impacto, mas como foi acertadamente desenvolvido assim, o resultado acaba bem impressionante e inteligente. Vale a pena conferir, mas com a ressalva de que se você gosta de um longa mais falado do que expressivo, com certeza esse não vai lhe agradar muito. Bem é isso pessoal, daqui a pouco tem mais um longa do Festival SESC Melhores Filmes, então volto mais tarde com a crítica dele também. Abraços e até breve.


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Divã a 2

sábado, maio 16, 2015 |

O cinema em geral é um lugar que está sempre pronto para parcerias, e embora sempre haja a rivalidade Brasil-Argentina em diversos meios, costumam sair bons projetos em conjunto dos dois países, porém o gênero comédia dramática só funciona direito quando se possui um roteiro bem definido na forma de onde vai pautar as piadas ou aonde vai dramatizar a fundo, senão acaba virando uma novela na qual o espectador já não sabe que rumo vai tomar, tendo como única certeza de que vai acabar tudo bonitinho e sem sal. E é exatamente isso o que acabou ocorrendo com "Divã a 2", que até mesmo o encaixe dos coadjuvantes é previsível, não tendo nem pontos cômicos que faça o público gargalhar e muito menos a dramaticidade suficiente que emocione o público, faltando tudo para ser ao menos razoável e interessante de acompanhar, ou seja, tem novelas melhores do que foi apresentado aqui, o que é uma pena, pois os atores mostraram boa disposição nas atuações e se o roteiro fosse melhor trabalhado poderia agradar.

O filme nos mostra que o produtor de eventos Marcos e a ortopedista Eduarda já estão casados há dez anos. Nesse período, o relacionamento acaba se desgastando e por isso eles buscam ajuda no divã de um psicólogo. Mas o que era pra resolver os desentendimentos entre o casal, acaba os separando. Eduarda não perde tempo e se entrega ao amor por Leo. Mas será que isso é definitivo?

O roteiro e a direção de Paulo Fontenelle é algo que até poderia ter rumos interessantes, mas assim como aconteceu em seu longa anterior "Se Puder... Dirija", ele aponta o lápis, rascunha bem o contexto, arruma bons personagens, mas a história fica presa na primeira folha, ou seja, somos bem apresentados aos personagens, mas eles não possuem vida que dite algo que o público vibre ou queira acompanhar deles, de modo que tenho certeza absoluta que ele daria muito bem na televisão ao criar esquetes ou novelas, pois tudo fica simples demais para envolver alguém que pagou para ter no mínimo 90 minutos de algum entretenimento, e assim o relacionamento dos protagonistas acabou soando falso, as piadas com os coadjuvantes foram bem feitas, mas são as mesmas mostradas no trailer sem nenhuma nova, e nem a ingenuidade interessante das crianças foi usada em favor de algo que desse algum brilho para a trama, e assim mesmo fazendo ângulos mirabolantes a todo momento para que o filme tivesse um ritmo bem marcado, não teve um momento se quer que agradasse o público para rir bastante ou comover com algo.

Sobre a atuação, é notável que todos estavam bem colocados quanto ao que seus personagens deviam fazer e seus devidos interesses, tanto que se o filme fosse uma peça, era garantido que as improvisações de todos sairia anos-luz melhor do que o que acabou acontecendo, mas já que temos de falar como eles foram aqui, vamos lá. Vanessa Giácomo conseguiu personificar bem a maioria das pessoas que colocam em primeiro ato o trabalho e depois a família, tanto na forma de agir quanto no que faz com sua personagem Eduarda, e com olhares sempre de muita piedade para tudo que faz, há momentos em que aparenta querer sair dessa vida, mas não há nem essa intensidade no roteiro, muito menos na direção, então a personagem ficou insossa perto de tudo que a atriz aparentava querer desenvolver, ou seja, é como você ter um celular com milhões de funcionalidades, mas só usa ele pra telefonar. Rafael Infante mostrou uma característica interessante em seu Marcos, que ele também é bom em personagens mais trabalhados na forma dialogal, e por isso que muitos gostavam do "Porta dos Fundos", pois estamos a cada dia vendo que os atores que passaram por ali se quiserem sabem fazer de tudo que for encomendado, mas assim como disse da Vanessa, ele ficou patinando num círculo e apenas trejeitos não fazem com que um ator desponte. Todos sabemos que Fernanda Paes Leme é uma atriz descolada e cheia de atitude, mas deram um papel de mulher assanhada demais para ele, fazendo com que sua Isabel chegue a incomodar, mas como é o ponto cômico da trama, em alguns momentos consegue divertir bem. Marcelo Serrado caiu bem no papel de Leo e trabalhou da maneira sensível e bem pontuada que já estamos acostumados a ver nos papéis que pega, além da sacada do roteiro para seu personagem ser uma das poucas coisas que funcionaram bem, ele ainda soube dosar a interpretação para não soar forçado. Outro que poderia ser melhor, mas ainda assim conseguiu ter seu devido destaque foi George Sauma, que fez o residente Guilherme ser engraçado e funcionar nas piadas, mas como é um personagem bem secundário não deu para desenvolver tanto.

Sabemos que fazer cinema no Brasil é algo caro e que sempre precisa de muitos patrocinadores, mas existem diversas formas de dar o retorno para a empresa que ajudou no filme sem ser forçando a barra no marketing dentro do próprio longa, e aqui a equipe artística devia querer matar quem forçou tanto a barra para a cenografia ficar sempre envolta dos patrocinadores, chega a soar forçadíssimo a moça do Hotel Mercure falando todas as vantagens de quem é cliente premium do hotel, depois a atriz falando ao telefone e o foco da câmera vai para o creme da marca, e por aí vai. O filme possui lugares bem bonitos que foram escolhidos para as filmagens, mas esses apelos acabam mais atrapalhando do que ajudando na composição cênica, e sendo assim desagrada muito ver esse exagero de merchandising. O fotógrafo do longa foi ao menos bem fiel com os princípios de luz verdadeira e falsa, pois como o longa possui muitas cenas noturnas, ele usou da sabedoria de colocar uma TV ligada para ambientar, ou jogar as luzes da boate ou bar com os protagonistas sempre de costas para realçar, e assim dar um tom ao menos mais bonito para a produção.

Enfim, ficou tudo de mediano para fraco, o que desanima bastante, pois o cinema nacional está sempre crescendo, mas aparecem alguns longas que poderiam desabrochar, ainda mais com a parceria argentina na produção que tem ótimas comédias dramáticas, e o resultado acaba sendo frustrante. Dessa forma, não recomendo o longa nem para quem estiver sem nada para assistir, somente se for muito fã do estilo novelesco que nada acrescenta nem entretêm. Bem é isso pessoal, fico por aqui encerrando as estreias da semana que vieram para o interior, mas na Terça começa a Itinerância do Festival Melhores Filmes do SESC, e vieram alguns longas que não passaram pela cidade no ano passado, então irei conferir todos e vir comentar o que achei na sequência no site, então abraços e até breve.

PS: Alguns sites colocaram o longa como uma continuação do magnífico "Divã" de 2009, mas mudando protagonistas (Lilia Cabral é insubstituível), roteiristas(Marcelo Saback também é um dos poucos que salva em comédias românticas no Brasil) e diretor(José Alvarenga Jr. não é um gênio, mas não faz besteiras novelescas no cinema), não dá para falar de forma alguma que é algo contínuo, sequer comparar com ele, então não caia no merchan.

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Mad Max: Estrada da Fúria em 3D (Fury Road)

sexta-feira, maio 15, 2015 |

Sei que vou escrever esse texto no auge da minha loucura pelos 120 minutos eletrizantes que acabei de acompanhar, mas assim sei que posso deixar mais convincente o que achei de "Mad Max: Estrada da Fúria". E olha que sem falar nenhum palavrão vai ser bem complicado de definir o quão bom realmente é o filme. Confesso que estava com expectativa nula para o novo longa, principalmente porque não lembrava dos outros, mas como fiz uma maratona no final de semana para relembrar dos três primeiros filmes, já comecei a entrar no clima e ao ler algumas curiosidades do filme os motores já começaram a aquecer, mas ainda assim fiquei bem light, pois os primeiros longas todos tiveram grandes cenas de ação, mas as histórias eram bem curtas ou quase inexistentes, procurando somente atiçar a adrenalina nas perseguições e explosões. Porém hoje ao sair da sessão George Miller não só conseguiu fazer uma mega história de ação, com muito envolvimento, explosões, terra pra todo lado e personagens interessantíssimos que nos levam junto da fuga de Furiosa com empolgação máxima de modo que ao acabar o efeito é quase o daquelas montanhas russas imensas que morremos de medo de ir, mas que depois queremos voltar pra fila sem nem sair do carrinho, ou seja, um verdadeiro espetáculo que coloca o longa com certeza não só no hall de um dos melhores do ano, como no seleto hall dos melhores filmes que esse Coelho já viu, ou seja, pare de ler aqui e vá conferir o filme que vale a pena demais.

A sinopse do longa é bem simples e nos mostra que após ser capturado por Immortan Joe, um guerreiro das estradas chamado Max se vê no meio de uma guerra mortal, iniciada pela Imperatriz Furiosa na tentativa se salvar um grupo de garotas. Também tentando fugir, Max aceita ajudar Furiosa em sua luta contra Joe e se vê dividido entre mais uma vez seguir sozinho seu caminho ou ficar com o grupo.

Alguns podem perguntar se necessita ver os outros três filmes, e a resposta é claro que não, pois embora logo na primeira cena expliquem tudo que rolou para chegarmos ali, o que temos aqui é um novo filme vibrante e que funciona bem individualmente, assim como todos os outros, então a grande sacada do diretor e roteirista e agora também santo milagroso George Miller, para que os 30 anos de passagem do último filme para esse funcionassem se resolve em 3 minutos e tudo flui maravilhosamente com ação desenfreada no volume máximo, aonde a trilha puxa o ritmo para algo que ao sair da sessão você vá precisar respirar o ar profundamente, pois é euforia num nível que não dá para descrever. Falo que foi um santo milagroso pelo seguinte motivo que só quem já fez algum filme na vida sabe o quão trabalhoso é tudo numa produção, e se nos anos 70/80 ele conseguiu sem tecnologia nenhuma fazer filmes com pegada e cheios de explosões, agora com tudo digital, aonde basta entregar o filme nas mãos de milhares de especialistas em efeitos, e com ajuda de muito pano azul fariam de olhos fechados tudo o que o diretor quisesse, mas não, o homem é persistente e fez algo muito mais elaborado e com 80% real de filmagens com dublês e carros construídos para o longa, com tudo explodindo, voando peças e afins pra valer, ou seja, completamente maluco, mas que com certeza vai lhe render muito dinheiro e falatório por muitos anos, o que mostra sua genialidade e o coloca na ponta novamente, já que vinha com uma pegada mais calma nesse tempo todo que passou longe das grandes máquinas.

No quesito atuação o que tenho de falar é simples, os personagens foram muito bem feitos e desenvolvidos, não importando de forma alguma quem quer que fizesse os papéis principais sairia bem e agradaria com muita certeza. Max depois de ser interpretado três vezes por Mel Gibson não agradaria tanto com a idade do ator, então a solução bem montada foi colocar Tom Hardy que fez jus ao papel com uma boa expressividade nas cenas que precisou dialogar e botando força e impacto nas cenas mais de ação, claro que pra isso usou muito seu dublê Adrian McGaw que depois usando dos 20% de computação foi retirado de cena, mas ainda assim fez bem, só achei que ele era bem mais forte comparado ao que vi no Batman, pois aqui pareceu faltar musculatura. Charlize Theron fica bem até mesmo faltando um pedaço de braço e sua Furiosa faz jus ao nome com uma personalidade bem dura e cheia de história para contar de modo que daria um longa a parte, mas que o diretor preferiu apenas contar com poucos diálogos para que a atriz usasse isso ainda ao seu favor, fez ótimos trejeitos em todos os estilos que necessitou demonstrar. Hugh Keavis-Byrne já foi o vilão Toecutter do primeiro "Mad Max" e agora volta como o vilão Immortan Joe, que colocaria o outro no chinelo com a força e temperamento desse, claro que muita maquiagem foi colocada nele, mas é impressionante o visual que conseguiram dar para o personagem e claro que sua imposição na voz ficou excelente para imortalizar o vilão. Outro que teve uma participação bem significativa foi Nicholas Hoult com seu Nux que inicialmente até ficamos com raiva dele, mas com o andar da carruagem, ou melhor dos carrões de guerra, acabamos até que gostando do que faz e seus trejeitos encaixaram muito bem com a maquiagem utilizada, ou seja, o ator mostrou bem seu serviço. Destacar as belas moças parideiras uma a uma é algo exagerado, pois cada uma com sua beleza peculiar são um afronte para o clima de maquiagens e personagens feios na tela, então até suas roupas brancas destacando seus corpos chamam a atenção para cada uma delas. Um certo aplauso vai também para Melissa Jaffer que com seus 79 anos estava lá pilotando uma moto gigante e brigando bastante nas lutas de mão com os comparsas do vilão, além claro do seu personagem simbólico muito bonito para o momento atual. Não consegui achar o nome do guitarrista maluco que ficou em cima do carro musical, mas deixo meus parabéns de tirar o chapéu para sua interpretação, não sei se estava tocando realmente para realçar as cenas, mas se fez isso o cara é um mito.

Falar a expressão visual do filme é algo muito simples para o que foi entregue e não dá para remeter a 1% da loucura que deve ter sido filmar em pleno deserto com uma legião de pessoas, em carros malucos construídos especialmente para o filme (o qual deixo aqui o link para que possam conhecer cada um dos veículos) e com cenas de ação impecáveis, ou seja, é literalmente um deslumbre visual a parte cenográfica produzida pela direção de arte, de modo que podem dar todos os prêmios possíveis para essa equipe, pois é algo que não tem como não ficar lembrando de cada detalhe colocado em cada cena para remeter a algo, desde a cidadela toda bem feita com os cômodos do vilão dominador cheio de vida e o povo arruinado cheio de morte e cada corrente para elevar os carros, passando pelas maquiagens precisas com os figurinos assustadores e encardidos para cada personagem ficar mais rude ainda, ou seja, tudo é palpável e de valor detalhístico. A fotografia do longa foi outro quesito primoroso e bem encaixado em todos os momentos, trabalhando muito com o marrom para deixar o clima mais seco ainda, soube misturar as nuances das explosões com um laranja avermelhado bem forte e ainda sabiamente jogar paletas de vida para as parideiras, mostrando que o filme se fundia bem ali, e a cada novo local por onde os personagens passavam encontrando contratempos, a fluidez da imagem ainda era de um luxo só, ou seja, perfeição total nesse quesito também.

Para quem não sabe há duas formas de se fazer efeitos especiais, uma é tudo no computador que é algo lindo e que temos muitos profissionais capacitadíssimos para isso nos estúdios, que claro fazem os orçamentos decolarem na pós-produção, e há aqueles diretores malucos que preferem trabalhar com técnicos especialistas para explodir tudo em cena, para dar um realismo a mais nas cenas, e aqui Miller é um desses doidos, ou seja, prepare para ver o circo literalmente pegando fogo e agradando demais no impacto das cenas de ação, o que ficou muito bom de ver, e claro que com tudo explodindo muita coisa acaba voando, e aí entrou os amigos da computação gráfica e dos efeitos tridimensionais que aproveitaram para realçar tudo e fazer com que o público fique desviando dos elementos voando da tela, dos personagens pulando de um lado para o outro com a profundidade de campo perfeita, e tudo mais, de modo que fazia tempo que um longa não valia mesmo pagar mais caro para ver em 3D, e aqui podem ir tranquilos que as cenas que possuem o efeito valem cada centavo pago a mais para agradar ainda mais a ação do longa.

Outro ponto perfeito da trama ficou a cargo da trilha sonora envolvente de Junkie XL que junto do caminhão com os tambores e guitarra marcando o ritmo ainda deu vários riffs e trabalhou num rock maravilhoso de ouvir, encaixando na medida certa para dar o ritmo exato que o longa necessitava, e como disse no começo, não vemos em momento algum um respiro para toda a ação que nos é entregue, ou seja, é rock na veia do começo ao fim, agradando demais no conceito musical escolhido.

Enfim, me desculpem os fãs de quadrinhos, mas o longa de ação, ao menos nessa categoria, do ano é Mad Max e repito que deve figurar com certeza entre os melhores filmes que já assisti com toda certeza, é muito barulhento sim, mas isso faz parte do filme e vai agradar demais quem gosta de sentir o barulho das explosões e for ver nas salas com equipamentos potentes, ou seja, quem gosta do estilo e curte uma história interessante bem trabalhada não pode ficar sem ver esse filme de maneira alguma, e quem não gosta confesso que talvez passe a gostar, afinal não é todo dia que temos o gostinho dos filmes antigos feito à moda antiga agradando numa época que só temos adaptações de livros nas telonas. Bem é isso pessoal, mais do que recomendo o filme para todos como acabei de falar, e fico por aqui agora, mas volto em breve com mais posts nessa semana meio fraca, mas que servirá ao menos para que eu possa ver mais uma vez esse brilhante filme. Então abraços e até breve meus amigos.


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Super Velozes, Mega Furiosos (Superfast!)

domingo, maio 10, 2015 |

Sei que vão me crucificar mais uma vez, mas por incrível que pareça, alguns filmes toscos conseguem me divertir, e geralmente isso ocorre com paródias sem nexo algum. Claro que não posso falar de maneira alguma que "Super Velozes, Mega Furiosos" é o longa mais perfeito do planeta Terra, mas possui algumas baboseiras tão bem encaixadas para sacanear alguns pontos que sempre vimos como piada pronta nos longas da franquia "Velozes e Furiosos" que a diversão acaba acontecendo e a risada acaba vindo da maneira mais indignada possível de estar vendo aquilo na tela, ou seja, se você se irrita com esse estilo com toda certeza vai odiar desde a primeira cena, mas se estiver disposto a rir das coisas mais absurdas possíveis, a chance de sair indignado de ter dado tanta risada do longa é alta.

O filme nos mostra que Paul White é um policial que entra disfarçado para a gangue de corredores de rua ilegais liderada por Vin Serento. Agindo de forma veloz e furiosa a gangue tem o plano ousado e, ao mesmo tempo, ridículo de passar a perna no chefão do crime Juan Carlos de la Sol e pegar o dinheiro que ele esconde em uma lanchonete de comida mexicana.

A dupla Jason Friedberg e Aaron Seltzer já escrevem paródias desde os primórdios com o início da série "Todo Mundo em Pânico", mas foi em "Uma Comédia Nada Romântica" que resolveram atacar de diretores e praticamente a cada 1 ou 2 anos nos entregam algum besteirol pronto para zoar com alguma franquia famosa. O mais interessante é o tempo que demoraram para atacar o sucesso de "Velozes e Furiosos", pois a franquia famosa já estando na sétima etapa, somente agora resolveram começar a mexer desde o primeiro longa, não que o filme aqui fique preso somente ao que ocorreu no primeiro filme da franquia, bem como temos cenas de coisas da série que ocorreu no Rio, algumas piadas com Tóquio, mas no contexto geral, a situação se assemelha bem mais com o primeiro filme original, como a forma que um policial acaba entrando para uma gangue. A direção dos dois é algo que já venho olhando há tempos pela forma de atacar sem precedentes, e aqui foram focados em atirar de maneira certeira somente nos pontos que já são piadas prontas, não necessitando inventar muita coisa, por exemplo o jeito machão de Letty, os milhões de tiros que nunca acertam ninguém, os músculos oleosos de The Rock, e por aí vai, de modo que foram bem espertos em misturar os nomes reais dos atores do filme original com os nomes dos personagens, criando algo ainda mais engraçado de se ver na tela. Repito, não é algo primoroso, mas diverte por saber pontuar exatamente onde víamos as palhaçadas que acabavam ocorrendo no filme original, e assim quem lembrar das cenas, vai rir mais ainda do que é mostrado aqui na paródia.

Sobre os atores, aí é onde acho que pecaram um pouco, pois mesmo sendo caricatos e bem parecidos com os atores originais da franquia, podiam ter pego alguns mais experientes na forma de atuar comicamente, pois as situações em si já eram engraçadas, se colocassem então atores engraçados teríamos a perfeição para que a diversão fosse completa. Dale Pavinski já foi dublê de corridas em alguns filmes e até foi bem pontuado em algumas cenas onde deu um tom mais sério para o seu Vin Serento, mas faltou impactar mais nos momentos que necessitava mais expressão, e assim o resultado foi mais próximo de uma enganação do que uma homenagem/paródia realmente em cima do personagem. Alex Ashbaugh é bem parecido realmente com Paul Walker ao menos no quesito físico, pois na forma de atuar o jovem deixa bem a desejar, parecendo sempre estar um passo atrás do que deveria estar fazendo, e em algumas expressões poderia ter chamado mais atenção também, ou seja, bem fraco. Dio Johnson embora possua o sobrenome de The Rock não possui muita semelhança com o brucutu de rosto com o original, mas ao possuir o corpo todo bombado e a todo momento estar passando óleo Johnson no corpo é piada demais e acabou soando como o mais divertido da trama, embora com alguns pontos que poderiam certamente ser melhorados. De todos os atores da trama, o mais experiente em comédias é Omar Chaparro que fez o personagem de la Sol, mas deram para ele algo tão clichê de fazer que em certos momentos seu trejeito acaba ficando chato de ouvir, então perderam a oportunidade dele atuar bem e divertir, tanto que preferiu fazer a sacada com uma cena gravada durante os erros, que muitos vão entender bem o que ele diz ali. As mulheres fizeram o tradicional nesses filmes, que é mostrar o corpo e servirem de encaixe para as piadas, mas a sacada com o jeito masculino de Michelle Rodriguez interpretar foi muito bem sacado pelos roteiristas, e acabaram escolhendo uma atriz bem caricata para fazer tudo da forma mais lésbica possível, de forma que Andrea Navedo acabou saindo muito bem.

Embora seja um longa de baixo orçamento, a produção pode até que gastar uma certa grana para que o visual se assemelhasse bem ao longa original, e até que nos momentos onde procuram mostrar não ter a grana real da franquia, acabam ficando bem engraçados, e o exemplo máximo ficou por conta do carro Smart usado em algumas cenas principais, nas armas falsas mostrando ser falsas e até mesmo nas corridas ao procurarem mostrar a falsidade de se filmar sem dirigir realmente. E procurando usar muitas cores para realçar os erros, o acerto acaba sendo bem cômico de ver tanto pelo trabalho da equipe artística quanto pela equipe de fotografia que se preocupou bastante em usar o máximo de recurso que podia para ao menos variar ângulos e iluminações.

Enfim, é um filme que dá para se divertir, principalmente quem como eu disse conhece bem os defeitos da franquia original e for disposto a rir de algumas piadas bem bestas. Digo isso de estar disposto, pois tenho certeza que se chegar no cinema querendo ver algo primoroso, é sair no meio do filme falando mal de tudo, enquanto quem for pronto e preparado para rir de algo bem besta a chance de diversão aumenta consideravelmente. Ou seja, com esses pormenores, acabo recomendando sim o filme para quem quiser perder um tempinho rindo de uma paródia que nem precisou de muito esforço para ser escrita, pois repito, a própria série já deixou as piadas prontas para serem colocadas em paródias. Bem é isso pessoa, encerro essa semana cinematográfica bem curta, ao menos no interior que foi sacaneado pelas distribuidoras ao não mandar nem metade do que foi realmente lançado no Brasil nesse final de semana, mas é o que temos por aqui, então o jeito é aguardar que um dia isso mude. Volto então na próxima Quinta, torcendo para que venha uma boa quantidade de estreias, então abraços e até lá.


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O Franco Atirador (The Gunman)

sexta-feira, maio 08, 2015 |

Tem longas que com o próprio título já dá para fazer piada pronta, e com "O Franco Atirador" não é diferente, basta remover apenas a letra N e já conseguimos montar exatamente a sensação que o longa nos passa. Digo isso, pois é fato que tanto o diretor Pierre Morel quanto Sean Penn já fizeram filmes bem melhores do que o que apresentaram aqui, e com um roteiro tão cheio de tentativas para criar arquétipos e mostrar quase como uma denúncia de que guerras e conflitos iniciam por alguma besteira encomendada, mas tudo soou tão semelhante a outros filmes e o protagonista acabou parecendo tão desencaixado com o papel que o resultado fica limitado e nem toda a ação das cenas de pancadaria consegue empolgar e dar rumos interessantes para o que o roteiro quis, e assim, o filme apenas passa como algo que até conseguimos assistir, mas que daria para pular certamente.

A sinopse nos mostra que depois de uma longa carreira como matador de aluguel, Jim Terrier pretende se aposentar e passar o resto da vida ao lado de sua amada. Mas quando ele descobre que está sendo traído por pessoas de sua confiança, Jim começa uma viagem por toda Europa para acertar as contas com cada homem que tentou trapaceá-lo.

A história em si não é ruim, pois baseada no livro de Jean-Patrick Manchette, os roteiristas até desenvolveram bem a história, trabalhando ela num formato meio jornalístico para dar uma cara séria para a trama, mas durante o miolo as situações vão tomando rumos tão desesperadores que acaba parecendo quase que um filme feito por um diretor e concluído por outro, já que a priori temos um "vilão", de repente tudo muda para outro parcialmente desconexo e que se falar muito até vou estragar para aqueles que ainda forem arriscar a ver o filme, mas garanto que algum problema maior teve na produção, pois não é normal as gafes que ocorreram para o porte do longa. O diretor Pierre Morel é famoso pelas longas sequências de ação que ficou marcado em "Busca Implacável", e aqui ele até tentou fazer com Sean Penn o mesmo que fez com Liam Neeson, mas o estilo de Penn é de filmes mais densos em que a correria nem é o principal ponto, então teve momentos até engraçados de olhar que parecia que íamos olhar para a tela e ver Neeson aparecendo, mas não vinha um Penn abatido e com a cabeça fritando de culpas, o que não era a verdadeira nuance e proposta que o longa aparentava desenvolver, e assim o filme ficou meio digamos que perdido.

Já que falei um pouco da atuação de Sean Penn, o que posso concluir é que ele é um bom ator, e isso é fato senão não teria ganho 2 Oscars e diversos outros prêmios, mas ele vai funcionar sempre com dramas mais psicológicos ou até filmes de ação que ele possa desenvolver a personalidade do protagonista, aqui como era ou um soldado que mata pra valer ou alguém disposto a acabar com uma corrupção, ficou desorientado e não encaixou como poderia encaixar no personagem de Jim, o que é uma pena. Javier Barden é o típico ator que você já sabe o que esperar dele, ou seja, um personagem completamente maluco que até sóbrio é louco, bêbado então beira a comédia pastelão, e inicialmente algumas sinopses até aparecia ele como o vilão-mor da trama, e cairia bem, já que outros vilões que fez foram brilhantes, mas o desenrolar de seu Félix acabou tão bobo que chegou a decepcionar demais, mas felizmente não por culpa sua, então vale bastante ver as expressões caricatas que ele colocou nas suas cenas finais. O personagem de Idris Elba que aparentava ter algum destaque no pôster e em alguns sites, é tão simples e usado apenas no fechamento, que até nos deixou bem tristes, claro que sua penúltima cena possui toda uma simbologia interessante dentro dos diálogos de seu JB, mas poderiam ter explorado mais que com certeza agradaria bem. Dos demais, vale mesmo alguma pontuação as cenas de Mark Rylance com seu Cox, somente pela dinamicidade dos diálogos, mas suas cenas de ação beiram o ridículo, e Jasmine Trinca até tenta ser uma sex-appeal com sua Annie, mas falha feio nas cenas que precisam um pouco mais de expressividade.

Sobre o visual da trama até foram escolhidas boas locações para representar o filme, e nas cenas iniciais e finais até somos quase convencidos de que filmaram realmente no Congo, mas não tudo cenográfico, já que o filme foi rodado no Reino Unido, na Espanha e na França apenas, mas isso não atrapalha em nada, afinal cinema é nos convencer do cenário, e isso até fizeram bem, mas ao invés de mais cenas de correria e tiros nas casas e parques, o longa se fosse mais desenvolvido como nas cenas iniciais de tramas pensantes, agradaria mais e chamaria bem mais atenção para os olhos do público, mas aí não seria um filme desse diretor que quer tudo explodindo e o protagonista andando por milhares de cenários. A fotografia trabalhou até que com um filtro bem bacana para não escurecer tanto e também não ficar um filme radiante, e assim evitou também o embaçamento nas cenas mais corridas, o que até soou agradável, mas não podemos falar que é algo primoroso também, já que prefiro repetir, as cenas iniciais foram muito bem feitas, e depois no miolo aparenta ser outro longa, inclusive na fotografia.

Enfim, é um filme que não conseguiu realmente empolgar em nada, falhando feio praticamente em todos os quesitos, mas como para o interior essa semana não mandaram nem metade dos filmes que estrearam no país, muitos que procuram ver um filme por semana ao menos, acabarão indo conferir esse e o resultado vai ser frustrante para todos que exigirem um filme coeso ao menos, o que com certeza não é entregue por ele. O único ponto que friso valer bem o filme, e que com certeza veio proveniente do livro são os bons diálogos, mas que infelizmente falharam na boca dos protagonistas e na forma bagunçada de dirigir que foi feito. Bem é isso pessoal, ainda tenho mais uma estreia para conferir nessa semana que nós do interior fomos lindamente boicotados pelas distribuidoras, então volto em breve com mais uma postagem. Por enquanto deixo meus abraços e até breve com vocês.


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