Não Olhe Para Trás (Danny Collins)

sábado, abril 18, 2015 |

Conheço muita gente por aí que fala que gosta de comédia, mas só ri das papagaiadas que vemos em besteiróis por aí, mas o dia que conseguir ver uma boa comédia dramática e se divertir pra valer vai reclamar de tudo que os outros costumam entregar com facilidade. Digo isso, pois mesmo sendo classificado como comédia, o que costumaria dar ao menos uma sessão com diversas pessoas, hoje ao assistir "Não Olhe Para Trás" fiquei assustado com somente eu e mais uma pessoa na sala, que por sinal também é do ramo, daí me veio os questionamentos: "não fizeram divulgação do longa?", "o público não gosta de bons filmes com atores clássicos?", ou "será que o público só gosta de besteiróis e não sabe o que é uma boa comédia dramática?". Mas tirando essas dúvidas que espero que evaporem com o resultado das bilheterias depois poderei finalizar elas sabendo que o problema foi apenas por aqui, que ninguém mais anda suportando o Cinemark que nunca traz nada legendado, e vive de problemas, então quando tem algo o povo já fica com medo. O que posso adiantar do longa é que se você não era fã do Al Pacino antes desse filme, o que duvido, afinal o ator sempre foi excelente em tudo que já fez, prepare-se para se emocionar com um personagem hilário e bem trabalhado do ator num longa que mostra através de fatos reais, ao menos um pouco como diz logo no início do filme, que as vezes descobrir algo que mudaria sua vida pode dar uma certa divergência na cabeça, mas certos atos vão sempre predominar e mudar os erros do passado não é algo que se faz em apenas alguns minutos.

O longa nos mostra que Danny Collins é um músico muito popular, que vive há mais de 30 anos sem compor uma música sequer, apenas reprisando os seus maiores sucessos. Cansado da rotina de drogas e excessos, ele descobre uma carta que John Lennon escreveu para ele há décadas, mas que nunca tinha chegado às suas mãos. Inspirado pelas palavras do músico, Danny decide interromper a carreira e tentar reatar com o filho já adulto, que ele nunca conheceu.

Depois de escrever diversos roteiros de animações e comédias bem desenvolvidas no quesito argumentativo e algumas falharem na direção cênica, Dan Fogelman resolveu sair de trás da papelada e ir para trás das câmeras para dirigir seu primeiro longa, claro que escrito também por ele, baseado em alguns fatos reais que são mostrados depois durante os créditos finais, e o jovem acabou saindo muito bem ao pegar um diretor experientíssimo para protagonizar e desenvolver junto com ele uma história envolvente e gostosa de acompanhar, além de musicada com qualidade e pontuada por boas sacadas divertidas, que claro funcionam num tom de humor nada apelativo, que por vezes somente entendendo realmente a piada acabamos rindo, e isso é algo muito legal de acontecer, pois nos força a entrosar com os personagens para não apenas rirmos de qualquer besteira que apareça na tela. Ou seja, o longa foi todo trabalhado de forma a convencer o espectador que Pacino é um cantor super rico e famoso que resolveu mudar sua vida de ponta cabeça para resolver os problemas do passado. Claro que após ler isso você deve estar falando que já viu esse estilo de história umas mil vezes e que muito do que é mostrado vai acabar caindo como clichê, mas a similaridade dos fatos apenas serviu de molde para o diretor novato, pois ele soube não apelar em momento algum para os fatos engraçados desse estilo de comédia, abusando mais do ator que do conteúdo, e assim o acerto foi na mosca.

Embora já tenha muitos anos de carreira, Al Pacino não se joga em qualquer filme, pois procura aceitar somente roteiros que acredite que possa dar o seu máximo, e o que nos entrega aqui é algo muito bem feito, cheio de expressividade no seu Danny Collins e além disso soube doar até um pouco da sua carreira para o personagem ao mostrar que fez muitas repetições de papéis, mas agora procura sempre algo em que possa inovar, por exemplo teve de aprender mais sobre como tocar piano, cantar e dançar para o estilo que o personagem pedia, e fez muito bem em todos os atos do protagonista. A química que Annette Bening entrega para sua Mary é tão gostosa de acompanhar que assim como o protagonista acaba se tornando um grande amigo dela, nós também embarcamos no mesmo ritmo e acabamos vivenciando cada uma das suas conversas como se fôssemos parte de um grupo, e ela nos joga essa fidelidade gostosa com suas expressões, o que é ótimo para o filme e mostra que ainda a atriz tem muito a viver em sua brilhante carreira. Jennifer Garner é uma atriz interessante e agrada em vários filmes que é colocada, mas aqui fez algumas expressões de espanto tão fortes com sua Samantha que parece sempre estar vendo um fantasma nas cenas junto do protagonista e não as muda mesmo depois de estar mais próxima dele, poderia ter trabalhado outras nuances, mas felizmente isso não chega a atrapalha. Bobby Cannavale não é daqueles que costuma nos impressionar, mas trabalhou tão bem o seu Tom que ficamos até impressionados com a dramaticidade que conseguiu passar para o personagem, e dessa forma acabou parecendo que agora realmente vai decolar depois de papéis fracos e ruins. Christopher Plummer também agrada bastante nas poucas cenas de seu Frank entregando uma atuação de sintonia ímpar com os demais e mostrando que mesmo muito velho ainda tem mais expressões na manga que muitos outros novatos. A garotinha Giselle Eisenberg foi assustadora como falou desesperadamente mostrando o problema da personagem como algo bem feito nas telonas e isso é incrível de ver, eu não consegui achar seu parentesco com Jesse Eisenberg, mas falou num ritmo tão frenético quanto o ator em "A Rede Social" e "Rio" que até parece ser filha dele. Os demais atores até se encaixam bem nos seus momentos, mas são apenas rostos bem encaixados que acabam desenrolando uma ou outra cena para que o protagonista feche ela.

É interessante observar a boa produção dos cenários dos shows com detalhes em cada elemento cênico importante para o decorrer da trama e a equipe cênica procurou não fazer nada deslumbrante, mas sempre coerente e envolvente com o estilo do filme. Outro detalhe bem empregado foram os figurinos inusitados que o personagem principal usa que acaba dando um tom meio vintage e que ele não saiu do tempo que começou sua carreira. O hotel também caiu como uma luva para a história para mostrar o momento de pensamento da carreira e ao irmos para o detalhamento técnico das casas do protagonista e da família do filho, somos realçados com o que importam para determinar o estilo da família e assim situar com cada ponto da trama. A fotografia ficou um pouco escura para segurar a dramaticidade, mas nada que atrapalhasse de vermos os detalhes como citei, e isso funciona bem em comédias dramáticas para conter o ritmo cênico e não virar um pastelão desenfreado.

O filme fala sobre situações envolvendo músicas, mas não chega a virar um musical, o que é bom, pois poderia ficar meio fora de tom, então para dar um ritmo interessante na trama e condizente com o que se passa, foram usadas diversas músicas de John Lennon tocando de fundo em diversos momentos e assim vamos numa boa toada com o longa, afinal suas canções não eram nem aceleradas demais, nem lentas a ponto de cansar, então vale a pena prestar atenção no fundo sonoro também. Mas o que vai realmente marcar o longa e fazer com que sempre nos venha a mente quando falarmos dele, é a canção "Hey Baby Doll, What's Going On" que foi interpretada por Al Pacino em vários momentos do filme, tocando também em fundo algumas vezes e possui uma letra tão viciante que saímos da sessão cantando ela por um bom tempo, e mostra que as aula de canto, dança e piano que Pacino fez para desenvolver as habilidades do personagem valeram realmente o tempo empregado.

Enfim, é um excelente filme que agradará bastante a todos que forem assistir, emocionando e fazendo rir na mesma proporção. Talvez tiraria alguns momentos forçados e desnecessários nas cenas junto de Katarina Cas que fez uma Sophie fraquinha demais, mas somente isso para não darmos a nota máxima para o filme. Então se você gosta de boas comédias que não usam de apelações para fazer você rir, e ainda trabalha uma dramaticidade envolvente que somente os bons atores sabem nos entregar, vá conferir que é garantido a satisfação após o longa que agrada tanto no contexto familiar quanto pessoal. Bem é isso pessoal, ainda hoje confiro mais um musical misto com documentário, portanto volto mais tarde para falar o que achei dele. Então até mais pessoal.


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Chappie

sexta-feira, abril 17, 2015 |

Não posso em momento algum dizer que "Chappie" é um longa perfeito, mas a proposta de um longa familiar e ao mesmo tempo cheio de ação e violência é tão bem feito, que mesmo que o diretor mostre o seu estilo repetido mais uma vez, o que não julgo um erro, mas sim prova que segue um ideal lógico e próprio, acaba sendo uma diversão inteligente e cheia de nuances policias que agrada e por incrível que pareça até me remeteu a diversos outros bons filmes policiais das antigas, e como muitos sabem esse é um gênero que ou você gosta do que é mostrado ou odeia de vez, e o que nos é entregue aqui foi bem usado no conceito de ao mesmo tempo ser popular e ter sacadas próprias para os mais invocados não reclamar da falta de existencialismo. Ou seja, pipoca + pensamento ideológico + diversão + robôs = filme interessante para ser assistido e discutido.

Em um futuro próximo, a África do Sul decidiu substituir os seus policiais humanos por uma frota de robôs ultra resistentes e dotados de inteligência artificial. O criador destes modelos, o brilhante cientista Deon, sonha em embutir emoções nos robôs, mas a diretora da empresa de segurança desaprova a ideia. Um dia, ele rouba um modelo defeituoso e faz experiências nele, até conseguir criar Chappie, um robô capaz de pensar e aprender por conta própria. Mas Chappie é roubado por um grupo de ladrões que precisa da ajuda para um assalto a banco. Quando Vincent, um engenheiro rival de Deon, decide sabotar as experiências do colega de trabalho, a segurança do país e o futuro de Chappie correm riscos.

O filme que é inspirado no primeiro curta-metragem do diretor Neill BlomKamp "Tetra Vaal" consegue trabalhar bem no misto de comédia/drama ácido com crítica social que já vimos em outros longas do diretor, e isso é interessante para mostrar que o diretor definiu com poucos filmes já qual vai ser o seu estilo, então os que estão somente reclamando dele insistir nas características presentes em "Distrito 9", "Elysium" e agora em "Chappie", reclamem também com outros diretores que colocam sempre os mesmos elementos ocultos, reclamem com a Pixar que sempre coloca os mesmos números escondidos e por aí vai, pois o diretor segue a linha que desejar, e com certeza o resultado aqui pode não ser uma perfeição, mas diverte demais e comove também em diversos momentos, fazendo homenagens em diversos atos à outros filmes que envolvem robôs e até sendo irônico ao colocar um dos atores que vem sendo considerado como um dos maiores heróis da atualidade, como um vilão forçado e rebelde ao mesmo tempo. E nessa junção de ideias, o diretor e roteirista soube trabalhar os fatores de uma das maneiras mais bem escolhidas que é através dos diálogos mais acentuados, optando por menos cenas longas e cheias de história para uma ação mais rítmica, cheia de gírias e palavrões que agradará bastante a todos que forem dispostos a curtir o filme.

É engraçado ver como o diretor é bom na direção de cenas, mas as vezes nas interpretações dos atores acaba faltando um pouco de exigência, por exemplo, sabemos que Hugh Jackman é um ator excepcional e que trabalha muito seu modo expressivo, mas aqui ficou tão apagado como um semi-vilão, que mesmo usando de seu sotaque australiano original, não conseguiu que ficássemos reparando nas suas cenas, e por serem bem poucas acaba quase como um coadjuvante de luxo, sendo que não era essa a intenção do personagem. Desde que estrelou "Quem Quer Ser Um Milionário", Dev Patel cresceu muito tanto fisicamente quanto na sua forma de atuar, e vem agradando bastante nos seus trabalhos, e aqui não foi diferente ao mostrar ao mesmo tempo empolgação para com sua criação quanto temor pelos momentos mais tensos, e isso mostra que a chance de ficar cada vez mais perfeito é grande e com isso iremos sempre acompanhar ele torcendo para agradar como fez aqui e em todos os outros filmes que tem aparecido e trabalhando bem. Agora um ponto majestoso ficou a cargo da equipe de computação gráfica para os movimentos de Chappie, mas sem sombras de dúvida a dublagem de Sharlto Copley caiu como uma luva para o robô que encaixou bons trejeitos, expressões de bebê ao aprender as coisas e tudo para agradar demais o contexto do filme. Até a estranha mas boa atuação dos dois rappers sul-africanos que estreiam no cinema Ninja e Yolandi Visser foi bem encaixada na trama e ambos acabaram saindo bem no contexto que o filme pedia, claro que se tivéssemos alguns atores profissionais no lugar a atenção seria outra, mas no geral souberam dar conta do recado no que pediam as cenas. Em compensação a famosa Sigourney Weaver já não anda chamando tanta atenção por fazer bons papéis e aqui ela saiu melhor na cena que fica nervosa e bebe do que nas outras que tenta forçar como uma chefe bélica durona, que acabou soando bem falso, mas como seu papel é bem secundário até que não atrapalhou tanto. Ficarei na expectativa de fazerem um segundo filme, agora de forma bem diferente sem dizer o que acontece para não estragar a sessão de ninguém, mas acredito muito no potencial dos atores e principalmente do diretor.

Sobre o visual da trama, Joanesburgo já é conhecida como uma cidade meio bagunçada, e com um visual meio futurístico tomado pelo caos, e olha que o longa se passa em 2016, ficou tudo ainda mais bagunçado e estranho, mas ainda assim o longa agrada nesse quesito, pois souberam trabalhar com as locações para dar a temática que cada um dos personagens vivem, ou seja, tudo foi bem encaixado nas cenas que são cheias de tecnologia, que falhou em algumas situações absurdas, mas no contexto artístico foi algo muito bonito de se ver, mas nas que envolviam o quesito familiar e partiam para um princípio mais filosóficos com o robô, a tensão ajuda na criação dos elementos ao redor para formar o cenário completo. A fotografia foi toda puxada para um tom mais azulado com cores mais escuras para dar um certo teor dramático para a trama, e isso ficou muito bacana de ver, pois o longa poderia ser mais alegre se optassem por outras cores, mas preferiram enfatizar a dureza cênica e o drama do personagem principal. No geral temos bons efeitos que agradam, mas poderiam ter forçado menos nas explosões para soar menos falso em algumas cenas, mas no geral a computação gráfica toda agradou bastante ao se mixar com as cenas reais.

Com uma trilha sonora de primeiro nível aonde Hans Zimmer dá seu show tradicional, e com canções originais dos rappers protagonistas Ninja e Yolandi, o longa acabou ficando bem dentro da proposta gangster queriam atingir, e assim o ritmo não chega a cansar em momento algum, mesmo tendo diversos momentos aonde a filosofia paira e deixa fluir, de forma que nem vemos as duas horas de filme passar, e saímos ainda com a canção-tema final na cabeça com tudo que foi passado no longa dentro da letra.

Enfim é um excelente filme que diverte demais e agrada bastante, talvez corrigindo um ou outro detalhe acabaria mais perfeito, mas o resultado final é empolgante e vale muito a pena ser conferido. Como disse para um amigo, muitos vão sempre destruir o trabalho de alguns diretores que criaram algo genial no começo de suas carreiras, mas temos de abolir que "Distrito 9" foi feito e não vai ser refeito uma cópia, então o diretor vai apenas colocar nuances que mostrem sua técnica usada lá e cada vez vai inovar ou copiar um ou outro detalhe, então vá ver esse que é muito bem feito e saia feliz com o que verá, pois a diversão é garantida. Só faço uma ressalva, pois mesmo sabendo que alguns gostam de ver filmes dublados, recomendo demais que veja esse legendado, pois com a quantidade de palavrões bem encaixados na trama, fico com um medo imenso disso ter sido perdido na dublagem nacional. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje que já está bem tarde, mas volto mais a noite com outro longa que irei conferir, então abraços e até breve.


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Nick Cave: 20.000 Dias na Terra

quarta-feira, abril 15, 2015 |

Mesmo não conhecendo muito a obra do cantor e compositor Nick Cave, o documentário ficcional "20.000 Dias Na Terra" foi tão bem feito e montado, que saí da sessão praticamente conhecendo ele em demasia, claro que ainda meio fora de meu conhecimento sobre suas composições, passei a gostar do estilo sonoro e acabei me conectando com sua ideologia de como deve ser um artista, como um show deve conectar artista e público, e mais do que isso, irei com toda certeza respeitar qualquer filme ou documentário que seja montado por Jonathan Amos, pois o longa é praticamente uma aula de como fazer um documentário ser totalmente interessante somente no estilo de montagem, perfeição em forma de arte juntando cada parte da história dele com entrevistas em movimento, canções sendo compostas e cantadas ligando com as imagens, elas não sendo jogadas, mas explicadas, e tudo numa sintonia maravilhosa que nem pareceu ter toda a duração que possui.

O filme que é um híbrido de documentário e ficção, mostra o perfil do cantor, escritor e compositor australiano Nick Cave numa abordagem que contempla visões surpreendentemente francas e um retrato íntimo do processo artístico, o filme examina o que faz de nós o que somos e celebra o poder transformador do espírito criativo relembrando seus grandes momentos nos palcos, na carreira cinematográfica e analisa a sua vida nos vinte mil dias na Terra ao acompanhar Cave por um dia fictício, entre o real e o imaginário, encontro com músicos, dirigindo seu carro para passageiros especiais, falando do presente e do passado, enquanto procura por inspiração.

É interessante observar como Iain Forsyth e Jane Pollard conseguiram transformar a história do cantor, que também assina o roteiro de sua "biografia" junto dos diretores, em algo dinâmico e interessante tanto para quem não conhecia nada dele como para os que conheciam muito também, e para os fãs ficou ainda mais sensacional, pois era notável a empolgação de alguns ao sair da sessão, e dessa maneira, a premiação de Melhor Diretor de Documentário em Sundance em 2014 é algo que podemos dizer que foi justíssimo pelo resultado entregue, e outra premiação mais do que merecida foi para Jonathan Amos que já havia feito de "Scott Pilgrim Contra o Mundo" algo sensacional no quesito edição, e aqui fez um documentário como nunca imaginamos ver, com nuances funcionando a todo momento, encaixes cênicos bem trabalhados e tudo parecendo surgir do nada encaixando com a história que está sendo contada pelo protagonista e entrevistados.

Como disse não conhecia muito sobre a vida do cantor e compositor, e portanto menos ainda cada uma das demais pessoas que apareceram para conversar com ele, mas ficou evidente que a relação de Cave com Warren Ellis é algo tão verdadeiro quanto qualquer outra coisa que pudéssemos imaginar, uma cumplicidade única que dá até gosto de ver o que um pensa, o outro sabe transmitir na música.

A equipe de arte trabalhou com muitas fotos, que claro foram trabalhadas dentro de um arquivo e não apenas jogadas na tela, de modo que o contexto cênico do filme ficou extremamente interessante de ver e claro aliado a uma montagem precisa, unindo uma luz mais forte que acabava contrastando com sombras e através de algum elemento cênico, tudo ia mudando de tom maravilhosamente, fazendo com que o conceito artístico e fotográfico da trama entregue fosse algo além de muitos filmes de ficção que já vimos por aí, ou seja, um trabalho minucioso que deve ser reconhecido e visto por muitos que desejarem um dia fazer uma biografia de maneira interessante.

Enfim, como não conheço muito sobre o cantor, posso garantir que o longa valeu para conhecer mais como é seu trabalho e como foi sua vida nesses últimos 20 mil dias, mas ainda assim não é um estilo musical que me agrade tanto, pois a sonoridade é excelente, tanto que Nick é conhecido também por fazer trilhas de grandes filmes, mas suas canções são textuais demais para agradar num dia comum, então não sei e ouviria algo dele normalmente. Mas como no caso aqui estou analisando o filme em si, tudo foi mais do que perfeito, e recomendo demais que todos que curtem um bom documentário veja o longa e até quem não conheça nada dele veja para conhecer esse gênero musical diferente dos padrões. Fico por aqui hoje encerrando a semana cinematográfica, mas volto na próxima Quinta com mais estreias, então abraços e até breve pessoal.


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Heli

terça-feira, abril 14, 2015 |

A dureza das cenas podem chocar, afinal quando se mexe com drogas tudo passa a não ter limites, mas o que o diretor nos mostra é algo que vai muito além disso, é mostrar que numa terça sem leis, o limite desse consegue ficar ainda pior. Em "Heli" ficamos passos a cada cena que passa e junto de um ritmo extremamente rígido e lento que o diretor quis propositalmente causar a sensação de junto com o protagonista buscar por respostas melhores, o espectador entra em uma agonia constante com tudo que nos é entregue, mas posso confessar que se você não for um exímio amante de filmes extremamente artísticos a chance do choque ser nulo é altíssimo.

O filme nos situa em Guanajuato, México. Estela é uma garota de 12 anos que está namorando às escondidas com Beto, um jovem recruta. Ele a pressiona para que tenham relações sexuais, mas ela sempre recusa a iniciativa. Um dia, Beto esconde na caixa d'água da casa de Estela alguns pacotes com cocaína, que deveriam ter sido queimados pelo exército. Sua ideia é vender a droga e, com o dinheiro, deixar a cidade e se casar com Estela. Entretanto, os planos vão por água abaixo quando os militares que desviaram a droga descobrem quem roubou os pacotes.

O diretor Amat Escalante ganhou como Melhor Diretor no Festival de Cannes em 2013 principalmente por saber dar essa característica crua para a trama, pois outros diretores acabariam tratando o roteiro como uma história de tráfico envolvendo uma família no meio, mas de forma bem simplória, enquanto ele optou por ir quase para dentro da mente do protagonista é fazermos parte disso de modo que ficou duro é forte com precisão, não apenas sendo jogados na tela com imagens, mas usando do contexto para abranger toda a situação que desejava causar.

Os protagonistas de certo modo foram amadores na forma de interpretação, afinal para quase todos o longa foi o primeiro trabalho de atuação, mas como o que se pedia era um pouco disso, o resultado acaba sendo interessante de ver devido o impacto que foi causado. Armando Espitia que interpreta Heli foi levado à trabalhar sobre pressão clara de uma maneira rígida comparada a outros do mesmo estilo, mas isso foi bom para dar mais veracidade ao papel e pela forma que o diretor nos coloca quase que junto do pensamento dele, a interpretação calma e aberta ficou de certa maneira bem dirigida e interessante. Andrea Vergara fez suas cenas iniciais de uma maneira tão fraca para o que suas cenas pediam, que chega a dar dó de não saber para onde deve olhar, mas foi melhorando nas últimas cenas de modo que passou a ser interessante seu olhar mais introspectivo. Linda González aparentemente foi jogada na trama, não combinando de maneira alguma como uma esposa ou qualquer coisa do tipo, parecendo mais uma namorada que foi escolhida para ter as cenas mais quentes com o protagonista para não deixar que outra fizesse as cenas, mas no quesito interpretação foi um enfeite de cena. Não costumo julgar beleza de atores, mas Reina Torres foi uma apelação bizarra para o papel da detetive Maribel, chega a ser estranho a um nível de bizarrice que nem dá para avaliar, e para piorar, o papel também vai ficando ainda mais sem noção alguma de modo que sua última cena é lastimável o que faz. Juan Eduardo Palacios foi extremamente corajoso ao permitir o estilo de cenas logo em seu primeiro papel no cinema, colocando nudez ao nível máximo juntamente com uma tortura mostrada sem pudores algum, de maneira que pode até ganhar outros papéis pelo que fez ali, mas se tivesse interpretado com expressões melhores acabaria sendo lembrado não apenas pela cena, mas sim como um ator. Mas o ponto forte no quesito atuação fica para a forma assustadora da tortura do cartel com as crianças participando de tudo ali assistindo mesmo sem saber o porquê estavam batendo, e isso mostrou que os atores realmente foram bem dirigidos para mostrar como um país sem leis funciona.

A direção de arte trabalhou bem a aridez desértica dos cenários impregnando juntamente os poucos, mas chamativos elementos cênicos para funcionar bem de modo a mostrar a simplicidade das famílias e tudo o que ocorria ali. E além disso conseguiram manter a sintonia cênica com o que queriam mostrar no rigor da tortura para que isso causasse de certa maneira um certo choque nos espectadores. A câmera forçou em demasia o conceito psicológico da trama ao ficar diversas vezes paradas na mesma cena sem que nada quase acontecesse e tivesse para acontecer, então dessa maneira foram enfáticos ao controlar a iluminação para que não cansasse a vista e o resultado fosse coeso.

Enfim é um longa interessante, mesmo que forçado demais para causar, claro que isso foi o que fez do longa ganhador de diversos prêmios, mas quem não tiver estômago para as cenas mais duras e paciência para as cenas mais lentas, com certeza vai acabar desistindo de ver ele até o final, que sendo algo completamente fora dos padrões comerciais, é totalmente aberto para quem quiser pensar e fazer seu próprio final da história. Fico por aqui agora, mas ainda irei falar do outro longa do Circuito Indie Festival do Sesc dessa noite, então abraços e até daqui a pouco.


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Cada Um Na Sua Casa em 3D (Home)

sábado, abril 11, 2015 |

Algum tempo atrás falei que a Dreamworks geralmente preza mais pelos pais que vão assistir às suas animações do que a criançada em si, e isso fica claro que muitas piadas, trejeitos e até mesmo mensagens subliminares acabam estando muito evidentes não sendo algo fácil para a criança assimilar e divertir com o que é passado, mas claro que longe de termos situações pesadas, procuram sempre colorir o máximo a trama toda e colocar personagens engraçados, com falas geralmente erradas e assim cativar também o carinho dos pequeninos. Então usando dessa mágica de sucesso, o resultado de "Cada Um Na Sua Casa" é simples, transformando a situação toda que coloque em suma a valorização familiar e amizade, temos um longa bem bonito, divertido e até de certa forma inteligente, aonde conseguimos torcer pelo personagem que mesmo sendo completamente diferente dos seus semelhantes, ainda vai ser diferenciado quando precisa.

O filme nos mostra que o planeta Terra foi invadido por seres extraterrestres, os Boov, que estão em busca de um novo planeta para chamar de lar. Eles convivem com os humanos pacificamente, que não sabem de sua existência. Entretanto, um dia a jovem adolescente Tip encontra o alien Oh, que foi banido pelos Boov devido às várias trapalhadas causadas por ele. Os dois logo embarcam em uma aventura onde aprendem bastante sobre as relações intergalácticas.

O roteiro que é baseado no livro de Adam Rex conseguiu trabalhar bem a conexão entre os diversos personagens e seus dilemas, juntamente com muita ideologia para ser passada, mas claro sem alterar o ritmo engraçado que toda animação deve ter e aqui o diretor Tim Johnson, que é mais conhecido pelo filme "FormiguinhaZ" conseguiu trabalhar de forma interessante e cativante, pois com uma grande gama de cores, até mesmo no personagem principal, temos uma modelagem bem bacana que não deixa nenhum dos boov semelhante, e mesmo os demais possuindo praticamente a mesma personalidade conseguimos ver a dificuldade da direção em não ser repetidora de características, o que acaba acontecendo em diversas outras animações. Além disso, toda a história se desenvolve movimentando o carisma dos personagens, então é difícil você acabar se apaixonando por um ou outro, ficando sempre na torcida por todos e agradando com o que é feito em cada ato, ou seja, tudo é muito bonitinho e gostoso de ver.

Sobre os personagens, antes de mais nada tenho de falar sobre o quesito dublagem, pois como digo o único gênero que tolero e até gosto mais de ver dublado é o das animações, pois geralmente a equipe acaba trabalhando tanto os personagens que acabam ganhando um carisma próprio pelo conteúdo mais próximo da nossa realidade e dessa maneira, embora seja até irritante em alguns momentos ver os erros de fala do protagonista Oh, ainda assim é bem divertido e agrada bastante. E falando nele, Oh conseguiu ao mesmo tempo ser o protagonista da história, o personagem engraçadinho que remete à animação para as crianças e o personagem que insere a questão moral, e isso não é algo comum de ver, mas que foi um acerto bem trabalhado e que agradou bastante na perspectiva passada, além de puxar o seu carisma todo para as crianças. Em outra perspectiva, a Dreamworks inova com sua primeira protagonista mulata e Tip tem todo um ar independente interessante de acompanhar e agrada bem com a forma interpretativa que deram para a garotinha que com uma modelagem bem interessante, seus contornos visuais ficaram bonitos e demonstrou diversos estilos de expressões. Os demais personagens funcionam bem como elo entre os personagens e por não termos um vilão expressivo em si na trama, tudo acaba girando mais entre os pensamentos dos protagonistas de certo e errado, então mesmo com a raça alienígena que "caça" os Boov parecer algo maldoso em si, quem for mais esperto irá pegar a ideologia rapidamente logo nas primeiras cenas. Há e já estava esquecendo de falar do gato Porquinho, que está bem colocado na maioria das cenas, sendo cheio de personalidade e agradando bastante também.

No conceito visual da trama, vale repetir que tudo foi feito utilizando tantas tonalidades de roxo, principalmente, que até em algumas cenas isso vira uma brincadeira entre os personagens, e sempre procurando detalhar ao máximo cada elemento, o filme trabalha um conceito artístico bem interessante que vai com certeza agradar os adultos que forem levar os pequenos para assistir no cinema, e assim mostra que a Dreamworks parou de querer ser a empresa engraçadinha nas animações e partiu para a briga tanto no conceito visual que já era boa quanto no quesito mais introspectivo que a Pixar dominava, então embora a briga desse ano já estava praticamente ganha mesmo antes de estrear, o resultado aqui agradou bastante para termos algumas boas discussões sobre a vitória do que vem a seguir. Sobre o 3D até temos alguns momentos bem bacanas com bolhas voando, e outros objetos misturando a perspectiva original da trama com uma certa profundidade, mas nada que seja impressionante de ver, portanto a tecnologia funcionou mais para dar uma textura melhorada nos personagens e agradar no conceito visual, ou seja, nada que uma sessão mais cara compense.

Um fator muito agradável da trama também fica por conta das canções escolhidas, daquelas que ficam em nossa cabeça por um bom tempo, e claro que funcionaram tanto para dar ritmo à trama quanto para ser parte do conteúdo da história e isso é algo que agrada demais quando bem utilizado, no caso aqui recomendo com certeza a trilha completa para ser ouvida diversas vezes.

Enfim, é um longa muito gostoso de acompanhar, que diverte com boas piadas e com um conceito visual bem interessante para passar, ou seja, resultado de diversão completa tanto para os adultos quanto para as crianças. Claro que utilizando daquela minha escala de agradar os pequenos fazendo com que eles fiquem quietos na sessão toda, aqui dá pra falar que não funcionou muito, já que em alguns momentos a criançada dispersou do que estava sendo mostrado na tela, mas ainda assim acredito num resultado bem potencializado. Então recomendo ele com certeza para todos, e já ficamos esperando pelas demais animações do ano, para ver se a briga realmente vai ser boa. Fico por aqui hoje, mas volto na terça com os filmes do Festival Indie do SESC, então abraços e até breve pessoal.


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Risco Imediato (Good People)

sexta-feira, abril 10, 2015 |

Olha, não sou o maior fã de filmes policiais, mas gosto bastante do gênero para poder saber o quão ruim é um filme quando é mal feito, mas quando algum maluco resolve pegar todos os clichês possíveis e imaginários do estilo e tentar trabalhar isso como algo novo é abusar da boa vontade do espectador que pagou seu ingresso querendo ter emoção ao menos nas cenas mais tensas. Digo isso pois o que é mostrado em "Risco Imediato" num primeiro momento pode até parecer interessante, mas conforme vão se aprofundando no tema, colocando algumas pitadas de tensão, a situação toda começa a ficar risível de tão absurda que é cada uma das milhões de gafes que o longa comete, só não vou falar de todas as gafes do filme aqui para o texto não ser apenas de spoilers, estragando mais o longa para aqueles que ainda pensam em ver o filme, mas o que posso adiantar de cara é que se você é daqueles que não entendem muito as cenas de mistério ao estilo Scooby-doo de alguns longas policiais, nesse eu lhe garanto que tudo será mostrado em câmera lenta e detalhada com círculos redondos para onde você deve olhar junto com os personagens. Pronto, acho que não preciso falar mais nada sobre o longa que já garanti o fracasso dele ou a lotação das salas para rir de tudo, mas lembre-se o gênero do longa é Suspense/Policial/Ação e não Comédia, ok?

O longa nos mostra que após herdarem uma casa em Londres, Tom e Anna deixam os Estados Unidos e se mudam para a cidade. Devido à dificuldade de Tom em conseguir um bom emprego, eles logo passam por problemas financeiros que os ameaçam de despejo. Para minimizar a situação, resolvem alugar um quarto no andar de baixo para Ben Tuttle. Só que, três meses depois, Ben aparece morto devido a uma overdose de heroína. Após a polícia ir ao local, Tom encontra uma maleta repleta de dinheiro. Não demora muito para que o casal utilize o dinheiro para pagar dívidas e realizar seus sonhos, o que desperta a atenção do policial John Halden e também de dois traficantes, um que é o dono do tal dinheiro e outro que sofreu um grande golpe.

O mais engraçado do filme é que ele é baseado no livro de Marcus Sakey "Good People", que aliás é o nome original do filme, e se foi adaptado fielmente acredito que as escolas devam usar esse livro como história para os alunos trabalharem, pois tudo é muito fácil nele, cada situação do longa quem já viu um só filme do gênero vai saber que os protagonistas irão usar a grana achada, vão fazer caras de que não sabem de nada, vão se achar os super-heróis para enfrentar bandidos extremamente bem armados num lugar completamente abandonado e por aí vai, mas incrivelmente toda essa facilidade flui bem e diverte, então embora o longa seja completamente previsível e até bobinho demais, acabamos rindo e se divertindo com tudo que o diretor dinamarquês Henrik Ruben Genz nos entrega, então se você quiser uma comédia policial talvez saia bem contente do que a trama vai propor, mas se for esperando um policial mesmo cheio de suspense, fuja quilômetros desse longa, pois nem planos ousados de câmera vão salvar ele.

Quanto da atuação dos protagonistas, não sei se já peguei implicância com James Franco pelos inúmeros besteiróis que anda se metendo após toda a dramaticidade que entregou em "127 Horas" ou se realmente ele não é um bom ator, pois não aparenta mostrar dinâmica para os seus personagens, se porta sempre achando que está com um climão pesado, e até repete expressões para diferentes tipos de situação, ou seja, precisa começar a selecionar menos filmes para chamar atenção e trabalhar realmente sua atuação, senão daqui a pouco vai virar um Nicolas Cage da vida. Kate Hudson cai bem em comédias românticas, tem cara de atriz de filme romântico, e é engraçadinha, pronto, parem de querer colocar ela em outros estilos que não vai cair bem nenhum personagem, não faz caras de susto, e sua cena chutando o bandido é melhor eu nem falar nada. Se existe um ator que acredito muito no potencial é Omar Sy, que pode fazer qualquer estilo que vai ter um charme próprio e até mesmo um personagem meio bobo como é o seu Khan que vai chamar a cena para si, então embora seja risível algumas de suas cenas, o porte expressivo do rapaz é notável e ainda espero um papel grande num filme hollywoodiano para que ele detone, aqui foi fraco infelizmente. Tom Wilkinson faz de seu policial Halden, literalmente uma vergonha para os investigadores reais e até mesmo para os grandes policiais da ficção, pois tudo é mal trabalhado em suas cenas, não há motivo para empolgação, extremamente previsível e algumas até parecem paródia de outros filmes, por exemplo a cena que levanta do hospital e vai atrás dos bandidos só faltou quebrar o gesso para parecer com a de The Rock em "Velozes e Furiosos 7". E para fechar temos Sam Spruel que até chega a impor respeito com seu traficante Jack, mas talvez necessitasse bater em mais gente, e demonstrar maldades nas expressões para envolver, pois ser pego tão facilmente nas cenas que apanha de Hudson e depois na sua cena final é fraquejar demais no personagem.

Visualmente temos até diversos elementos cênicos no melhor estilo aponte o objeto que todos os personagens e os espectadores irão olhar, e isso não é ruim, pois funciona bem didaticamente para explanar a situação toda que está ocorrendo, o erro é o exagero, pois vimos o chiclete uma vez, na segunda já passa a ser bobo, se tivesse uma terceira iríamos querer bater no cenógrafo que deveria ser irmão do diretor, o mesmo vale para a janela falsa, e tudo mais que insistem em ficar marcando território, mas ao menos as escolhas das locações foram bem condizentes com tudo que o longa pedia, e assim o desenvolvimento da equipe artística pode ser visto. A equipe de fotografia quis fazer algumas firulas trabalhando com filtros de escurecimento de cenas, em outros momentos utilizou câmeras invertidas para chamar atenção (sem nenhum motivo explícito), e quis mostrar serviço como se fosse algum exercício de faculdade, mas estamos falando de algo comercial, então arriscaram demais na linguagem sem necessitar.

Enfim, é um longa que até conheço pessoas que irão gostar do irão ver, mas a grande maioria vai reclamar demais de tudo e dessa forma é melhor eu nem pensar em recomendar ele. Como disse em alguns parágrafos se você quiser diversão fácil em um roteiro totalmente previsível e até bobo demais, esse longa é para você, mas do contrário evite mesmo, pois a chance de ficar batendo a mão na cabeça se perguntando o motivo de estar vendo esse filme é alta. Bem, fico por aqui agora, mas ainda falta uma estreia para conferir nessa semana e os filmes do Festival do SESC então abraços e até breve com mais posts.


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Vic + Flo Viram um Urso

quarta-feira, abril 08, 2015 |

Alguns filmes trabalham tanto o drama com pontuação tematizada instrumental que acaba irritando o espectador que já até sabe a hora que vai acontecer algo ou aparecer alguém que não é bem-vindo. Muitos que forem sem ler nada assistir a "Vic + Flo Viram Um Urso" podem demorar até um bom tempo para compreender o que está acontecendo, pois inicialmente parece que o longa é algum tipo de continuação de outro filme, pois não temos a parte introdutória de apresentação que é comum na maioria dos filmes, tudo acaba acontecendo pontualmente e temos de ir assimilando, mas garanto que se o diretor tivesse entregue alguns detalhes extras, principalmente o crime de Florence no passado, o longa envolveria muito mais e ainda assim continuaria com o clima de suspense da trama, mas ao relativizar tudo, o resultado final embora seja condizente com tudo que ocorreu no restante, ainda ficou como um filme que não sabemos se gostamos ou não, perdido no meio do caminho.

O filme nos mostra que Victoria Champagne é libertada da prisão. Instalada em uma cabana no meio da mata, ela deve informar suas atividades semanais ao agente da condicional. Florence Richemont, sua companheira de cela e de intimidade, é liberada mais tarde e se junta a Victoria na floresta. A partir disto, começa uma estranha dinâmica entre elas, que precisam se proteger dos fantasmas do passado.

Se existe algo interessante no roteiro é a forma que cada um dos protagonistas enxerga e desenvolve a sua própria prisão interior, e isso é algo que acaba desenvolvendo nossa forma de pensar e refletir junto com tudo que ocorre, de forma que o diretor Denis Côté acaba tornando a trama interessante com suas nuances, mas ao ser alternativo demais e pontuado demais, quebrando cada momento sem uma fluidez, acabamos de certa maneira dispersos em relação à tudo que acaba sendo mostrado, pois a cada buraco, por ser um filme pensante, sobra tempo para que você viaje no que está acontecendo e ao voltar para a tela, já não está conectado com algo novo e reflexivo que está sendo mostrado. Então não posso falar que é um roteiro ruim, mas deveria ter sido trabalhado ou completamente aberto para pensar ou atacando todo o suspense/drama que a trama caberia e resultaria num filme espetacular. Mas dessa maneira o resultado repito o que falei no começo, fez o diretor parecer não querer agradar nem a ele mesmo, muito menos aos espectadores, deixando tudo sempre em cima do muro.

Sobre a atuação, chega a ser engraçado o quão caracterizada ficou Pierrette Robitaille como a ex-presidiária homossexual Victoria, de maneira que mesmo que não fosse, acabaríamos imaginando isso de seu jeito que acabou incorporando, isso claro é um grande feitio da atriz e não temos o que reclamar de sua expressão, mas talvez se fugisse um pouco do estereótipo criado chamaria mais atenção. Valerie Donzelli faz de sua Florence uma personagem complexa e que não é possível determinar um rumo condizente apenas com o que faz na tela, talvez sendo necessário pesar algo a mais de nossa própria cultura para aceitar ou não seus atos, e isso como filme julgaria um pouco errôneo, afinal o roteiro pode ser dúbio e nos levar a refletir, mas o personagem sem rumo, mostra falha na concepção do ator, talvez determinar se queria ser de impacto ou impactante agradaria mais. Marc-André Grondin faz o agente Guillaume parecer o ponto de quebra da trama, pois a todo momento que aparece ficamos quase que como um anjo analisador de conduta que quer determinar se vai levar as almas para o céu ou para o inferno, e incomoda demais sempre suas aparições sem determinismo, pode ser até que não agrade tanto se o virmos de outra maneira, mas ao mesmo tempo que soa fofo como Florence o vê em alguns momentos pode ser o chato também. E para finalizar sobre a atuação dos protagonistas Marie Brassard faz uma Jackie/Marina interessantíssima e cheia de duplos sentidos, mas ainda gostaria de ir mais a fundo e saber como foi seu crime junto de Florence para pontuar mais se toda essa sua violência é válida ou exagero artístico do diretor/roteirista. Os demais possuem expressões exageradas e em certos momentos até assustadoras demais, mas funcionam dentro das características que o diretor quis passar, apenas soando totalmente fora do que estamos acostumados a ver.

Quanto ao visual novamente temos o relativismo entre os sentimentos de prisão interior presentes a cada elemento cênico, a cabana no meio do nada, o caderno de análise pessoal, o carrinho de corrida lento comparado aos carros velozes de kart, os instrumentos de tortura, o presente versus o passado e por aí vai, de forma que a equipe artística foi bem minuciosa para desenvolver o roteiro com precisão quase que cirúrgica e fazer com que o filme seja visto diversas vezes antes de poder concluir tudo, ou seja, um excelente trabalho conceitual, que ainda remeto ao que disse, vai deixar a vida de quem assiste pensativa. Enquanto isso, o pessoal da fotografia não quis deixar margens para dúvidas, e botou as cenas tensas todas na tonalidade escura, e os momentos mais relaxantes da vida das protagonistas com muita, em alguns momentos até demais, iluminação para não ficarmos questionando nada, e assim agrada utilizando nenhuma sutileza.

Sobre o quesito sonoro, temos alguns momentos bacanas, mas a pontuação forçada de tambores para a "vilã" da trama beira o irritante, de modo que num primeiro momento acaba criando certa tensão, mas mais para a frente começa a soar bobo e mais para o final já passa a ser insustentável. Agora o destaque fica para a cena final com o garoto do trompete comparando o começo com o fim da trama, dando para refletir de uma maneira mais cômica sobre tudo que é passado.

Enfim, um filme que fiquei com mais dúvidas do que resoluções, mas que me agradou em vários momentos na mesma intensidade que irritou em outros, ou seja, confuso e gostoso de assistir, talvez para alguns flua de forma melhor, e para outros vai acabar gerando questionamentos demais, então a minha recomendação maior para assistir e digerir tudo que ele pode proporcionar é ver em casa com calma, pausando e analisando, já que dá para gerar diversos debates sobre tudo que é mostrado. Como analiso sempre a minha primeira impressão, vou acabar dizendo que foi algo mediano, mas garanto que com um segundo olhar minha nota melhoraria muito. Fico por aqui hoje encerrando a semana cinematográfica e já ficando preparado para a próxima que será bem curta, mas ainda contando com o Circuito Indie Festival do SESC teremos boas opções para conferir, então abraços e até breve pessoal.


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Ida

terça-feira, abril 07, 2015 |

É bacana de ver quando diretores atuais querem fazer um bom filme nos moldes antigos, utilizando da mesma fotografia, mesmos planos e até trabalhando o estilo de atuação dos personagens para que a ideologia se permeie no que ele deseja. E com "Ida", o resultado da busca por se autoconhecer da protagonista é saber por quais votos irá abdicar, o diretor Pawel Pawlikowski conseguiu nos levar junto com ele nessa fórmula bonita, mas que só envolve aqueles que estiverem dispostos a embarcar, pois senão o cansaço pelo ritmo calmo demais pode acabar dominando dentro da fotografia em preto e branco maravilhosa.

O filme nos mostra que a jovem noviça Anna está pronta para prestar seus votos e se tornar freira, só que antes disso, por insistência da Madre Superiora, vai visitar a única familiar restante: tia Wanda, uma mulher cínica e mundana, defensora do Partido Comunista, que revela segredos sobre o seu passado. O nome real de Anna é Ida, e sua família era judia, capturada e morta pelos nazistas. Após essa revelação, as duas resolvem partir em uma jornada de autoconhecimento, para descobrir o real desfecho da história da família e onde cada uma delas pertence na sociedade.

O longa conseguiu vencer os diversos prêmios que concorreu principalmente pelo fato de ser coerente com a proposta de um longa voltado para os moldes antigos, pois não é algo trabalhado e que dê um certo carisma para a trama, mas sim algo mais charmoso e visual dentro da tratativa de conhecimento da personagem principal de como foram seus pais, da vida pecaminosa que a tia possuía e realmente saber o porquê deve abrir mão de tudo por Deus, já que antes não teve nada para conhecer já que sempre viveu no convento. Com essa ideologia em mente, o diretor e roteirista Pawel Pawlikowski se baseou numa história da própria família, já que a vó morreu em Auschwitz para criar e dirigir de uma forma bem interessante toda a proposta que tinha em mente, e felizmente saiu de forma satisfatória o resultado, mesmo que em alguns momentos nos sentíssemos meio que fora da época aonde estamos vivendo e nos transportássemos para a época que o longa tenta nos passar.

Sobre a atuação, é interessante saber que Agata Trzebuchowska é ateísta e nunca havia feito nenhum filme antes de fazer a noviça protagonista, sendo apenas uma estudante que foi escolhida em um café por um amigo do diretor para fazer o teste e acabou encaixando perfeitamente para o papel com um semblante meio perdido em nuances, mas dentro sempre dá proposta. Enquanto Agata Kulesza já trabalhou uma expressão mais forte é vivida para dar toda a característica que a tia tinha de ter passado pelo que foi a Guerra e perdido muita coisa que lhe tinha sido importante, em alguns momentos seus suspiros nos impactam na mesma perspectiva dos olhares e isso é incrível. Dos demais personagens a maioria acaba sendo de ligação com tudo que ocorre, mas o jovem que entra como um rosto bonito e pecaminoso para testar a freira foi algo bem colocado e Dawid Ogrodnik soube fazer bem o papel.

Sobre o visual da trama, como tudo foi pensado pá manter a inocência da personagem principal, junto de algo bem simplista para não destoar do conceito que a direção quis passar, tanto pela freira, quanto pelo país arrasado ainda pela Guerra que aconteceu. E assim, os elementos acabam bem simples, aparecendo somente quando realmente importam e agradando de uma maneira bem tranquila para ressaltar sem destoar. E claro, que trabalhando uma fotografia maravilhosa toda em preto e branco, o longa garantiu diversas indicações para ele nessa categoria também, não ganhando apenas por motivos de escolha pessoal dos votantes, mas que trabalhou completamente com sombras e luzes para ressaltar as características marcantes de cada momento e personagem de maneira inusitada e gostosa de ver, um luxo total para remeter as características que víamos em muitos clássicos PB.

Enfim, um filme totalmente previsível, mas que com um ar vintage bem interessante e agradável consegue fazer com que caíssemos no gosto por ele, e mais do que isso, prendesse nossa atenção para com seus curtos 80 minutos, de uma maneira que vai parecer com certeza que você pegou e alugou para assistir um daqueles filmes dos anos 70 que tudo era ao mesmo tempo engraçadinho e dramático sem poder determinar o quanto mais pende para cada lado. Ou seja, recomendo ele com certeza afinal ganhou diversos prêmios como Melhor Longa Estrangeiro de diversos países e principalmente para ver algo diferenciado sem ser amalucado demais. Fico por aqui agora, mas daqui a pouco tem mais um filme do Circuito Indie Festival do SESC, então abraços e até daqui a pouco pessoal.


 
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Velozes e Furiosos 7 em 3D

sexta-feira, abril 03, 2015 |

Um fato que é interessante observar em algumas sequências é o quão divertido passa a ser gravar o filme subsequente, pois assim como a trama de "Velozes e Furiosos 7" se baseia muito no conceito família, é notório que os atores, equipe e tudo mais já se tornaram realmente uma família após 14 anos junto. E embora muitos falem que atores não envelhecem é divertido reparar na homenagem final aonde colocaram cenas dos demais filmes, como todos mudaram muito. Mas além da homenagem linda demais feita para dar a "passagem" de Paul Walker, a trama entregue nesse sétimo filme é tão boa, que nem precisaram esperar o filme ser lançado para já anunciarem a produção do 8° e 9° filme, o que diferencia muito de quando começaram, que esperavam umas duas semanas de rentabilidade alta para anunciar que fariam uma sequência. Mas como aqui tudo correu com originalidade, retomando vários pontos bons dos outros filmes e mesmo abusando de cenas totalmente impossíveis de acreditar, o resultado acaba sendo algo tão divertido e gostoso de acompanhar que parece literalmente uma renovação de tema, e ao acabar mesmo emocionado com a homenagem, podemos dizer que queremos muito mais.

O filme nos mostra que após os acontecimentos em Londres, Dom, Brian, Letty e o resto da equipe tiveram a chance de voltar para os Estados Unidos e recomeçarem suas vidas. Mas a tranquilidade do grupo é destruída quando Deckard Shaw, um assassino profissional, quer vingança pela morte de seu irmão. Agora, a equipe tem que se reunir para impedir este novo vilão. Mas dessa vez, não é só sobre ser veloz. A luta é pela sobrevivência.

O interessante do roteiro de Chris Morgan, que escreveu os últimos 5 filmes também, é que ele conseguiu montar toda a história unindo até o longa mais fora do eixo "Desafio em Tóquio", colocando a cena encaixada no miolo dos dois últimos, e soube desenhar todo um contexto bacana para que as vinganças servissem de efeito para dar trabalho, mas também não fosse o único detalhe do filme inteiro, e assim sendo, podendo ser bem alongado. As subtramas acabam sendo em diversos momentos até bem trabalhadas, e acredito até que com o anúncio do 8° e 9° filme, venham a utilizar muito do que foi mostrado no miolo desse. Mas só um bom roteiro não vira um grandioso filme à toa, é preciso de um organizador de ideias à altura, e por ser feito quase que em conjunto com a finalização do 6° filme, entrou em cena um dos meus diretores favoritos de terror, James Wan, que no seu segundo filme sem espíritos (ao menos fictício, já que se considerarmos que Walker fez 15% das suas cenas após sua morte, ou melhor os irmãos de Walker fizeram como dublês de corpo) veio mostrar que pode transformar uma série que vinha se desgastando, em algo com um gás tão renovado, divertido e cheio de nuances interessantes de acompanhar que parece ser um recomeço da franquia, com personagens mais dispostos a despojar de lutas e claro com toda a correria de carros que gostamos tanto de ver. Ou seja, o diretor soube trabalhar ponto a ponto com a chave que os fãs da franquia mais desejavam ver nas telonas, carros tunados voando (não baixo, pois aqui até saltar de avião e prédios altíssimos ocorreram cenas), mulheres gostosas rebolando com pouca roupa, lutas bem empolgantes com atores bem coreografados e até lutadores profissionais de MMA, e tudo isso encaixando numa gama de trilhas sonoras dignas de colocar no carro e ouvir sem parar. Além de fazer a devida homenagem ao personagem Bryan que Walker viveu durante os demais filmes antes de morrer em Dezembro de 2013 que fez o longa ser reescrito para adaptar e entregar um bom final para o ator.

Sobre a atuação e direção de atores, como disse no começo, o elenco já está tão bem enturmado que a equipe virou uma família real, então Wan nem precisou de muito tempo para transformar o roteiro em realidade com eles, pois todos aparentam em cena estarem completamente dispostos a tudo para que o filme funcionasse bem. Claro que o destaque ficou para Paul, Caleb e Cody Walker, e o jogo de câmeras que sempre salva um filme, pois o ator gravou 85% das suas cenas antes de falecer, e seus irmãos foram dublês de corpo para que a computação gráfica fizesse o restante, mas felizmente isso não atrapalhou em nada e é muito difícil observar realmente quando é ou não o ator, pois como sempre se grava cenas de diversos ângulos, o jogo de câmeras funcionou muito bem e deu vida para o ator, transformando seu último longa em um marco com boas cenas de perseguição, a sua final dentro do prédio é excelente, em algo muito bem feito tanto por ele, como pela equipe de computação. Vin Diesel mostrou que já pode integrar os próximos filmes de luta com disposição máxima para as brigas mais impactantes e conseguiu passar também serenidade para o personagem Don nas cenas que são mais envolventes e dialogadas, trabalhando assim um pouco de expressão e não só pancadaria, no contexto geral o resultado foi bem bacana de ver. Jason Statham caiu como uma luva no personagem do vilão, sendo daqueles que ficamos com ódio e queremos junto com o protagonista não dar um tiro em seu Shaw, mas sim pegar um cano e marretar sem dó por tudo que fez, e como é dito nas primeiras cenas é literalmente um fantasma o personagem, desaparecendo e aparecendo do nada sempre, agradou muito com suas cenas de luta. Falando em luta, Michelle Rodriguez se mostrou bem disposta também na pancadaria com a lutadora Ronda Ronsey e se não usou dublê com toda certeza ganhou diversos hematomas para sua Letty, afinal Ronda é conhecida por não deixar ninguém sem apanhar muito, e ambas agradaram bem, claro que Rodriguez mais afinal trabalhou expressões para mostrar sua recuperação de memória de uma maneira até meio estranha. A parte cômica do filme ficou toda a cargo de Roman, que foi não interpretado, mas incorporado por Tyrese Gibson de uma maneira tão perfeita que quem não rir de suas cenas pode se considerar amargurado total, pois são perfeitas. Kurt Russel aparenta que voltará para mais continuações como Sr. Ninguém e está assustadoramente velho, pois parece que foi ontem que era todo garotão em "Vannila Sky" e agora está como um agente do governo bem acabadinho, mas que ainda deve ter muita história para contar, caindo bem para o personagem. Dwayne "The Rock" Johnson já virou um clichê dele mesmo, cada dia mais bombado, faz seu Hobbs de maneira divertida e bem encaixada nas poucas cenas que aparece, mas ainda assim mostra o que sempre esperamos dele: boas lutas e armas gigantes. Outro vilão implantado na trama é Jakande, personagem interpretado por Djimon Hounsou que faz algumas cenas bem irritantes, e até caberia bem numa continuação pela boa interpretação dele, afinal é um ator bem premiado e renomado, mas apenas gritando e fazendo caronas não sei se agradaria tanto, aqui saiu bem no papel também. E para finalizar a parte computacional de tecnologia explicativa ficou a cargo de Ludacris com suas piadinhas infames e Nathalie Emmanuel fazendo Tej e Ramsey respectivamente aonde até trabalharam bem explicando como funcionava o programa Olho de Deus rapidamente e hackeando muitos computadores, mas não foram tão importantes na trama, embora deveriam ter maior participação.

Visualmente o filme está incrível, afinal fizeram um excelente uso dos seus US$ 250 milhões de orçamento, viajando por diversos países para as locações mais invocadas possíveis, com carros raríssimos sendo apresentados e destruídos, trabalhando a cenografia sempre lotada de elementos cênicos importantes e bem usados, ou seja, um luxo completo no contexto artístico que a equipe fez questão de mostrar. Claro que como já falei para alguns amigos, os carros destruídos em geral são réplicas desenvolvidas para virar pó, então não precisa chorar na hora que o carro de muitos milhões voar prédio abaixo, ou qualquer outro explodir, tudo está dentro do previsto e foi feito com muitas câmeras de diversos ângulos, para que a cena não precisasse ser refeita, e isso é lindo de ver, pois um longa lotado de ação, costuma ter defeitos monstruosos na montagem, e aqui tudo flui e agrada demais nos efeitos especiais e computacionais empregados para dar ritmo e impacto nas cenas, ou seja, tudo muito bem pensado e trabalhado para dar cada vez mais realismo no cinema de ação. Claro que para isso tiveram de escurecer um pouco a gama fotográfica escolhida pela direção de fotografia, então ao contrário do que vemos em muitos filmes de ação, a densidade aqui é mais envolvente, mas nem por isso chega a cansar a vista ou vai atrapalhar quem for ver em 3D com o óculos mais escuro, muito pelo contrário, apenas passa a envolver mais e com uma paleta de cores variando desde o amarelo mais desértico para as cenas em Dubai até os verdinhos detalhados das florestas do Camboja. Agora, quem for assistir o longa esperando ver peças de carro voando em sua direção, pode esquecer, pois o 3D foi até bem empregado em algumas cenas com profundidade bem ampla, chegando até a dar dor de cabeça com toda a movimentação nessas cenas, mas são tão poucos os momentos que isso realmente funciona que nas demais apenas vira um enfeite para ver o detalhe do carro ao longe, que não atrapalharia nada numa sessão comum, ou seja, quem quiser economizar pode ver tranquilamente nas salas comuns que não vai perder nada demais.

Sobre a parte sonora, temos muito, mas muito barulho de carro, explosões, roncos de motor, derrapagens, tiros e tudo mais que você pensar que um bom longa de ação deve ter, e principalmente, muito alto, dá para sair atordoado da sala com a mixagem trabalhada no filme, claro que isso é um luxo, afinal também pode acontecer de soar muito falso isso, mas aqui ficou demais e agrada bastante. E aliado à isso, somos presenteados com uma trilha sonora de altíssimo nível que sempre envolvendo e criando momentos únicos na trama, acabando por pontuar sempre alguma cena mais cheia de tensão ou diversão mesmo, tudo acaba tendo um ritmo próprio, e assim o acerto de Brian Tyler na composição musical juntamente com toda a equipe de escolha para as canções ficou na medida certa para que o longa marcasse.

Enfim, gostei tanto do que vi, que posso garantir, ao menos na minha opinião, que esse é o melhor da franquia até agora, sei que Wan não deve voltar para dirigir o 8 e o 9, afinal estará gravando "Invocação do Mal 2" e "Jogos Mortais 8", mas ao menos como um consultor para que os filmes seguissem a mesma linha e agradasse novamente, agora sem Walker, poderia vir a calhar. Não preciso nem recomendar que você veja o filme, afinal sei que todos querem e já devem até estar com o ingresso comprado para a sessão mais próxima, pois a maioria das sessões estão lotando, isso as que já não estão com ingressos esgotados, e o resultado da bilheteria mundial com certeza será monstruoso já que todos querem ver o último filme de Paul Walker e claro vão usar essa desculpa para não falar que curtem a franquia de corridas de carros, mais lotada de ação da atualidade. Mas para aqueles que ainda estavam com dúvidas de ir, pode conferir com certeza que vale muito a pena, juntando boa dramaticidade, cenas bem cômicas e ação de sobra, para quem gosta e não gosta não ter motivo para reclamar. Bem é isso pessoal, fico por aqui com a única estreia do interior, mas felizmente tenho ainda o Festival Indie do SESC e uma pré para conferir, então abraços e até breve com mais posts.


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O Garoto da Casa ao Lado (The Boy Next Door)

sábado, março 28, 2015 |

A maioria que lê meus posts sabe que gosto muito do gênero de suspense/terror, principalmente quando um longa não fica preso à cenas lotadas de sangue desnecessário, agora se conseguir prender a atenção com muita tensão envolvendo a cada cena passada, o longa pode ter a maior quantidade de defeitos que ainda vou defender ele como um grande filme. E como fazia tempo que não via um longa aonde a psicopatia domina tão fortemente de não conseguirmos, ou melhor até imaginarmos tudo que aconteceria, mas ainda assim temer, "O Garoto da Casa ao Lado", fez todos na sala ficarem apreensivos e pularem da poltrona com algumas cenas, ou seja, além de um bom filme tenso, ainda garante algumas risadas com o restante do público. Claro que o longa possui inúmeros defeitos técnicos, mas ainda assim vale a pena com certeza por não forçar a barra com sangue voando para todo lado e muito menos não manter a ideologia formada desde a primeira cena.

O filme nos mostra que após ser traída pelo marido, a professora Claire Peterson está em vias de se divorciar. Ela vive sozinha com o filho adolescente, até perceber que um jovem acaba de se mudar para a casa ao lado. O sedutor Noah Sandborn rapidamente oferece ajuda nas tarefas da casa e se torna o melhor amigo do filho de Claire. Aos poucos, o vizinho passa a seduzi-la, levando a uma noite de amor entre os dois. No dia seguinte, a professora está decidida que tudo foi apenas um erro, mas Noah não pretende abandoná-la tão cedo. O caso de amor torna-se uma perigosa obsessão.

Muitos discordam disso que vou falar, mas se existe um modo de fazer um bom suspense/terror é pegar o espectador desprevenido no momento de maior tensão da trama, e aqui o diretor Rob Cohen desenvolveu o roteiro de Barbara Curry exatamente dessa maneira, onde inicialmente todos passam a gostar do rapaz, as moças que estão na sala já ficam todas assanhadinhas, o jovem parece ser gente boa, daí ao ser decepcionado volta ao seu modo exato de vida, aonde toda a revolta domina o seu terror interior, que será justificado com uma cena bem curta aonde o motivo dele ser dessa forma é revelado bem de leve, afinal como alguns psicólogos costumam falar toda psicopatia provém de algo que aconteceu no passado, sendo raro a pessoa já nascer com isso. Além de desenvolver bem o roteiro, o diretor soube trabalhar a expressão dos atores em seu máximo, afinal nenhum dos dois protagonistas quiseram dublês de corpo para as cenas mais quentes, então o que está presente ali foi bem feito com uma direção meticulosa e bem determinada do que queria para a cena não ficar falsa demais. Porém o maior problema da trama ficou na montagem das cenas, aonde a edição não soube determinar alguns furos de continuísmo e com isso diversos momentos com distâncias até de certa forma consideráveis, parecem inexistir, além de faltar argumentos para que alguns desfechos aconteçam, e isso acabou dando muito o que falar entre os críticos em geral que estão pesando a mão para estragar o restante de bom que o longa passa, mas é o que eu sempre falo, um filme não é bom só por ter uma história boa, se bem desenvolvida o que era razoável acaba agradando bastante mesmo com falhas, e aqui é o exemplo claro disso já que esse é o primeiro longa escrito pela roteirista, que deve com certeza melhorar esses defeitinhos de furos.

A atuação nesse gênero de filme depende de um único fator para funcionar bem: eles acreditarem no que está acontecendo, senão pode fazer a maior cara de susto e terror que nada vai agradar, e aqui mesmo que Jennifer Lopez já tenha feito outros filmes de terror, faltou um pouco se convencer que o cara desejava ela de forma cruel e fatal em diversas cenas, claro que poderíamos falar por horas de sua beleza, da forma clara de suas expressões e tudo mais, mas mesmo ao notar o quão malvado é o rapaz, ainda fica de boa com tudo o que está fazendo, então mesmo saindo-se bem nas cenas mais quentes que disse ter sido difícil demais para gravar, se o espanto tivesse funcionado seria uma de suas melhores atuações com certeza. Já em contraponto Ryan Guzman conseguiu mesmo sem ser muito conhecido de quem não viu os filmes "Se Ela Dança, Eu Danço", ser o jovem sarado e desejado pelas mulheres, tanto corporalmente quanto pela forma que cuidava do tio, fazia os afazeres da casa, e tudo mais, mas ao virar praticamente um monstro com sua psicopatia, seu olhar doce e carismático se transformou e ficou de certa forma assustador ao ponto de qualquer um ficar com medo de tudo que poderia fazer, ou seja, um excelente acerto que deve lhe garantir outros papéis em breve. Ian Nelson ainda não foi dessa vez que decolou com seu Kevin, o jovem ator mostra ter boa entonação vocal, saber estar bem presente nas cenas e tudo mais, mas parece ainda faltar dinâmica para envolver e chamar atenção para o papel que faz, claro que aqui o jovem é apenas um secundário, mas que poderia ter bons momentos ao menos. John Corbett é literalmente um enfeite em cena com seu Garrett, sendo apenas o motivo das causas de ciúmes iniciais por parte de Claire e depois por parte de Noah, mas tirando isso não serviu exatamente para mais nada, nem na cena do carro conseguiu expressar vida e força para seu personagem. E para fechar os personagens que ao menos possuem participações mais significativas na trama, Kristin Chenoweth consegue explorar tanto sua personagem Vicky transformando ela em aquelas irmãs chatas de diversos filmes, que se intrometem em tudo, e juntamente com sua voz que não é nada agradável, conseguiu irritar do começo ao fim, de modo que torcemos para não aparecer tão cedo em cena, e ela faz isso bem.

O visual da trama é bem simples, não sendo muito explorado em si, não sendo contextualizado a importância dele para os fatos, deixando mais a personalidade dominar do que os elementos cênicos, ou seja, poderia se passar em qualquer cidade, escola ou até em uma fazenda assombrada caso quisessem colocar, então nesse quesito vemos diversos objetos clichês sendo usados no decorrer das cenas, e isso pode até incomodar aqueles que vão ao cinema apenas para achar erros, mas quem for prestar atenção nos atos em si, acabará nem percebendo tudo o que tem ao redor, como é a família se é rica ou não pela casa, se a escola é tradicionalista e por aí vai, que daria para analisar muita coisa olhando a cenografia, mas como o objeto máximo da trama aqui não importava aonde acontecia, o resultado foi bem colocado. Como disse ser um dos acertos da trama, a fotografia trabalhou nuances sem precisar escurecer a cena inteira para que o protagonista surgisse do nada e assustasse, e isso se deve muito aos ângulos bem escolhidos das tomadas de cena, pois mesmo trabalhando muito com a câmera parada, sem necessitar ficar seguindo ninguém, a direção escolheu sempre os cantos para o desprevenido ocorrer, e assim sendo pontuando uma cor ali, com um pouco de escuro acolá, o resultado ficou bem tenso e convenceu bastante.

Enfim, é um filme bem bacana que envolve e assusta ao mesmo tempo por nos pegar desprevenido do que acharíamos que ocorreria, ou seja, quem gosta do estilo com certeza irá sair bem feliz com o resultado da trama, principalmente se esquecer os defeitos pontuais que a trama deixa transparecer, e dessa forma o resultado vai agradar mais ainda. Claro que como disse, haverá diversas reclamações e muitos vão julgar até o pior filme que já viram, mas é inegável que foi um filme feito somente para quem gosta do estilo, então se você não gosta de tomar sustos e ficar tenso sem ser com espíritos, que não é o caso desse filme, fique longe dele, pois servirá apenas para reclamar de tudo, do contrário vá e se divirta, pois eu recomendo. Fico por aqui já encerrando minha semana cinematográfica curtíssima, já que o restante que veio em cartaz por aqui já conferi anteriormente, então volto somente na próxima quinta-feira com novos posts. Então abraços e até mais pessoal.


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Cinderela (Cinderella)

quinta-feira, março 26, 2015 |

Sempre que falamos de filme das princesas da Disney, a que costuma mais ser lembrada é "Cinderela", provavelmente por manter a base da não busca pelo príncipe encantado, mas o encontro amoroso, o lance da fada madrinha ajeitar a vida nem que seja por algumas horinhas, toda a doçura com os animais, além claro do baile perfeito quase que de debutantes, e por aí vai mexendo demais com o imaginário das garotas e até das mães de família que sonham mesmo que já passaram da idade em ver seu sonho acontecer com as filhas. E se o clássico animado da Disney ganhou diversas versões relançadas com o mesmo filme (versão original, versão diamante, versão platina e versão de tudo quanto é jeito), por que não fazer uma versão live-action com atores assustadoramente parecidos com o desenho? Claro que já tivemos alguns outros filmes que usaram a base do clássico para recriar versões próprias, mas estamos falando de uma versão exata levada ao pé da letra toda a beleza e magia que a animação proporcionou lá nos anos 50 e depois foi relançada de diversas outras maneiras. Pois bem agora a própria Disney conseguiu fazer tudo que sabe de melhor e felizmente graças aos deuses cinematográficos não quis inventar moda de uma releitura para algo que não deve ser mexido, e dessa maneira temos muitos clichês? Sim! Mas a beleza, magia e principalmente com uma computação gráfica primorosa, um filme que vai agradar, emocionar e com muita certeza vender muitos produtos licenciados pelo mundo afora!

O filme nos mostra que após a trágica e inesperada morte do seu pai, Ella fica à mercê da sua terrível madrasta, Lady Tremaine, e suas filhas Anastasia e Drisella. A jovem ganha o apelido de Cinderela e é obrigada a trabalhar como empregada na sua própria casa, mas continua otimista com a vida. Passeando na floresta, ela se encanta por um corajoso estranho, sem desconfiar que ele é o príncipe do castelo. Cinderela recebe um convite para o grande baile e acredita que pode voltar a encontrar sua alma gêmea, mas seus planos vão por água abaixo quando a madrasta má rasga seu vestido. Agora, será preciso uma fada madrinha para mudar o seu destino...

É até engraçado falar qualquer coisa sobre o filme, afinal desconheço quem não tenha visto a animação original, ou lido o conto, ou (agora vou parecer idoso) ouvido a história através daqueles disquinhos que o Silvio Santos vendia, pois como disse no início é um dos clássicos mais lembrados, e o que o roteirista Chris Weitz, que escreveu e dirigiu "A Bússola de Ouro" mas é mais conhecido por ter dirigido "A Saga Crepúsculo: Lua Nova", fez aqui foi pegar a base completa e colocar para o diretor desenvolver a produção apenas com atores, tendo um ou outro momento que desse para falar que viu algum ensejo de mudança da história, mas repito, felizmente não mexeram em nada da base original. Aí após o diretor original ter divergências criativas com a produção, eis que cai nas mãos de Kenneth Branagh, conhecido por ter feito o primeiro longa de "Thor" e diversos outros filmes de ação, para que desse vida à esse roteiro cheio de doçura, e o que ele faz, magicamente cria uma vilã espetacular para que até a menor criancinha presente na sala (que se duvidar nem conseguia ler ainda as legendas direito), quisesse espancar a madrasta vivida por Cate Blanchett, colocou algumas cenas tristes bem emocionantes e deu doçura para os demais personagens ser exatamente como o clássico deveria e todos ao final soltassem o tradicional Ohhh, ou seja, trabalho feito com perfeição e garantia de voltar para muitos outros filmes.

Um fator extremamente interessante é o desenho visual que criaram com os protagonistas da história, pois fica até difícil imaginar outros atores para cada um dos personagens, tamanho foi o desempenho de cada um para se portar exatamente como deveria e pontuar cada ato com precisão, claro que isso mostra também uma excelente direção de atores, mas sem dúvida alguma, a escolha do elenco que em sua maioria são personagens carimbados de séries, fez toda a diferença. Para começar temos de ir ao que o diretor faz melhor em seus filmes, que são os vilões, e depois de criar maravilhosamente um Loki que é amado por todos, ao invés de ser odiado, pegou Cate Blanchett e fez atuar muito melhor do que quando ganhou o Oscar, nos entregando uma interpretação crua e perfeita quanto a expressões de forma que sua Lady Tremaine será odiada e amada por muitos durante um bom tempo. Lily James não é das atrizes mais conhecidas para quem não assiste séries, mas ficou tão bem encaixada na personagem de Ella que mesmo vendo que a produção teve diversas outras opções, não consigo imaginar outra atriz fazendo o papel, claro que ela não fez nada que falássemos ser uma atriz impressionante, mas soube agir com certa naturalidade em todas as cenas, de modo até bonitinho demais, o que acabou sendo eficiente. Richard Madden não é daqueles príncipes encantados que irão fazer a cabeça das garotas, mas trabalhou tão bem encaixado com boas cenas e olhares que chegam até a dar pena da sua condição que suas expressões acabam agradando e sendo satisfatório também o que fez. Um personagem simples mas que foi bem utilizado graças aos trejeitos carismáticos foi o do Capitão, interpretado por Nonso Anozie, que soube lidar mesmo com as roupas nada favoráveis ao seu corpo e ainda ser bem humorado para trabalhar a expressão e agradar. As irmãs Drisellae e Anastasia, interpretadas respectivamente por Sophie McShera e Holliday Grainger exageraram demais na forma caricata de ser, mas ainda assim são bem divertidas as cenas que aparecem, então o acerto também foi bacana do que fizeram com elas, principalmente na maquiagem, pois olhando fotos delas fora do filme até que são bonitinhas. Stellan Skarsgård faz um grão-duque razoável, principalmente por sabermos que ele é um bom ator, mas como tem praticamente 3 cenas para tentar aparecer um pouco, faz algumas caras e bocas estranhas e sai quase como entrou na trama, sem servir para muita coisa. Agora podemos dizer com certeza que Helena Bonham Carter foi escolhida a dedo para ser a fada madrinha, que inicialmente com toda maquiagem pesada ficou irreconhecível, ao se transformar apenas ficou bonita, mas ainda trabalhou todo o humor característico que conhecemos bem de seus outros papéis, foi exatamente como ela é, e isso é sensacional quando um ator consegue entregar sua personalidade para um papel, sem estragá-lo, ou seja, caiu como uma luva.

Agora se existe algo totalmente bem pensado nos clássicos Disney, seja animação ou live-action é o visual, tudo é maravilhosamente lindo de ver na telona, de maneira que a floresta está impecável, o castelo deslumbrante repleto de velas que deram um charme a mais para a trama, animais em computação gráfica perfeitos e muito bem colocados que se não fossem tão vivos com os protagonistas nem falaríamos que eram computação, além de efeitos mágicos bem encaixados para envolver o público com a famosa magia Disney que tanto comoveu no passado. Além disso foram feitos figurinos impecáveis e com um luxo único, que com muita certeza muitos irão copiar nas festas por aí mais pra frente, além claro de muita coisa que será feita para comercializar, tanto que já vi a MAC lançando maquiagem do filme e a Zwarovski lançando o pé do sapatinho perdido por R$12 mil. Com uma fotografia bem trabalhada nos diversos tons e ângulos diferenciados, sempre com a mesma forma de pensamento vivo e rico, com cores combinando a cada ato, o filme deslancha e envolve de uma maneira incrível para fantasiar com tudo e sair da sessão feliz com todo o visual entregue pela equipe artística. Embora o longa não seja vendido com 3D, não é de duvidar que lancem o bluray com a tecnologia, pois diversas cenas possuem uma profundidade interessantíssima e nas cenas envolvendo magia temos muitos elementos que com certeza agradariam saindo da tela.

O longa ainda conta com trilhas orquestradas bem envolventes e até algumas canções foram colocadas para agradar e sonorizar com sensibilidade a trama, além claro da canção cantada por Cinderela aonde a atriz pôs o gogó para jogo de forma muito bem pontuada. Felizmente não fizeram o longa no estilo musical, mas as canções serviram bem encaixadas sempre sendo empregadas para dar ritmo e envolvimento na trama toda

Enfim, é um excelente filme que vale muito a pena ser visto, principalmente nos cinemas por abranger ainda mais o conteúdo visual numa tela gigante. Claro que vai ter os do contra que não gostam de contos de fadas, e irão reclamar de tudo, pontuando mais defeitos do que qualidades do longa, mas com certeza é um filme lindíssimo que irá deixar todo um gostinho de infância nos mais velhos e brilhar ainda mais os olhos dos pequeninos. Recomendo ele com certeza, para mostrar que a Disney ainda sabe fazer bons filmes em live-action e manter a ternura de seus clássicos das antigas. Ah e já ia esquecendo da cereja do bolo que todos irão comer antes da sessão iniciar, o curta "Frozen: Febre Congelante" é lindo demais, mantendo a essência total do filme "Frozen" com seus personagens entoando a nova canção que lá fora com certeza deverá ser o novo hit de como cantar parabéns e com novos bonecos de neve fofinhos que devem lotar as prateleiras das lojas de brinquedo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, agradecendo claro a rádio Difusora FM 91,3MHz pela parceria e oportunidade de ver a pré-estreia desse longa maravilhoso junto com diversos amigos e convidados. Então abraços e até breve pessoal.

PS: A nota só não será máxima por mesmo os atores serem quase que clones da animação, os protagonistas poderiam ser mais perfeitos, e só isso faltou para que o longa fosse um marco total.


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