7 Desejos (Wish Upon)

7/22/2017 02:09:00 AM |

É incrível a quantidade de possibilidades de se fazer um longa de terror, pois um diretor/roteirista sempre vai achar um vértice para explorar e criar algo "novo", seja a partir de uma ideia original, ou requentando algo que no passado fez sucesso. Digo isso com todas as letras para o filme "7 Desejos", pois de cara é um filme bem interessante, que o trailer tem uma pegada bem chamativa, conseguiu levar uma quantidade bem boa para as sessões de pré-estreia, mas nada mais é do que uma nova franquia do estilo que "Premonição" arrebatou no começo dos anos 2000, com mortes bem fortes e tensas (daquelas que você fica esperando quem vai morrer e como vai morrer!), mas ao menos não ficou só na história de fuga da morte, pois aqui você fez seu pedido, algo vai ocorrer com alguém próximo, e assim vai, com algo bem adolescente, mas que tem futuro para continuações. Veremos os rumos da bilheteria para saber o que vai rolar!

O longa nos mostra que Clare Shannon é uma garota de 17 anos que está tentando sobreviver a vida de estudante, até que seu pai encontra uma antiga caixa de música e lhe dá de presente. O que a garota vem a descobrir é que a misteriosa caixa pode lhe conceder 7 desejos e com eles ela pode ter a chance de conquistar tudo o que quer. Porém, tudo tem um preço e ela vai aprender da pior maneira. Faça um desejo! Mas cuidado com o que você deseja, as consequências podem ser fatais.

Como disse no começo do texto, se existe um gênero que sempre gostam de dar uma requentada em uma ideia que fez dinheiro é o de terror, e se existe um diretor que gosta de pegar grandes sucessos e dar sequências, ou começar algo "novo" é John R. Leonetti, que apenas para citar alguns de seus trabalhos, foi cinegrafista de "Invocação do Mal", em seguida dirigiu "Annabelle", antes pegou o sucesso de "Efeito Borboleta" e dirigiu sua continuação, e mais antes ainda, estreou no comando de longas fazendo "Mortal Kombat - A Aniquilação", ou seja, ele é daqueles que vai sempre procurar uma brecha para ganhar algum dinheiro com filmes "baratos", mas que podem entregar algo para o público, ao menos algo que desejam ver na telona, pois todos sabemos o quanto "Premonição" rendeu para os estúdios, então por que não criar algo mais atual, brincando com a ideia de deseje algo e pague com sangue, e por aí vai, pois a trama vai girar nesse conceito, é explicadíssima em detalhes (você não vai precisar nem pensar em nada, pois vão lhe entregar de mão beijada cada mera cena), e vai de certa forma causar "terror" com as mortes fortes bem filmadas que até geram uma certa tensão antes de ocorrer, e sem ter espíritos ou até mesmo grandes sustos, o filme vai agradar quem gosta desse estilo de terror, e certamente deve virar uma franquia com continuações (ao menos o final, e a cena no meio dos créditos entrega isso!), e quem sabe o diretor que fez lucro com continuações de outros diretores, agora passe a bola para outros.

Sobre as interpretações, é fato que a garota Joey King vem tendo uma carreira com muitos filmes em seu currículo, e sua Clare é bem expressiva, mas a personalidade dela incomoda demais com muito egocentrismo e claro que isso acaba sendo explorado no filme, e sendo assim, a atriz poderia ter feito caras e bocas menos forçadas, já que a personalidade em si já era forte, porém de modo geral acaba agradando mais do que atrapalhando na forma de interpretar seu texto. Ryan Phillippe também entregou um pai bem colocado, mas que sempre aparece apático demais, de modo que seu Jonathan até possui bons momentos, mas faltou empolgação e determinação nas cenas que pedia isso, destaque claro para suas cenas mais perigosas. O jovem Ki Hong Lee já mostrou em outros filmes toda sua desenvoltura, e aqui poderiam ter usado muito mais de seu Ryan, pois o jovem se mostrou bem disposto nas expressões das cenas que foi colocado e quem sabe a continuação lhe use, o que seria interessante, pois aí sim veremos o misticismo chinês com alguém que faça bom uso dele. Agora se já voltaram com o estilo de "Premonição", precisam voltar com o estilo "Todo Mundo em Pânico", e certamente a escolhida seria Sydney Park para dar bom tom grosseiro para as personagens fortes, e só digo isso, pois sua Meredith é perfeita para isso, e a atriz foi muito bem encaixada. Dos demais, a maioria acaba tendo uma ponta aqui, outra ali, com boas frases, cenas fortes e até boa dinâmica, mas são todos bem rápidos para cada momento, não valendo destacar ninguém além dos protagonistas.

Dentro do conceito visual, a trama foi bem simples, pois não podiam estourar muito o orçamento de 12 milhões, e com isso, embora tenha uma mansão bem floreada (mas se olharmos a decoração interna, quase nada de detalhe!), uma escola com poucos elementos distribuídos, e a grande concentração de detalhes fica a cargo dos locais aonde vão ocorrer as mortes, pois ali sim é o lugar para caprichar na ambientação, então vemos muita cenografia em cada área (vou me conter em não falar sobre cada um para não dar spoilers de quem morre em cada momento), agradando pela engenhosidade das mortes e mesmo que não seja algo legal de se ver, o acerto dentro de um filme de terror é satisfatório. Quanto da fotografia, o uso de sombras e luzes revelando cada momento foi um grande acerto e vale prestar atenção à cada detalhe, pois o filme usa e abusa disso, num acerto bem impactado.

Enfim, está longe de ser um longa perfeito, pois ficou adolescente demais, com atores chegando a ser até chatos (as cenas na escola são um porre, com clichês de todo o tipo!), mas que funciona por criar alguma certa tensão nas cenas das mortes, e por ter uma história acompanhável, nada muito elaborado, mas que vai agradar quem gosta desse estilo próprio de terror (já aviso, se não é fã do gore e de algo menos elaborado nem vá conferir), e sendo assim, fica sendo minha recomendação do momento, mas que poderia talvez melhorar muito em uma continuação. Portanto, vá e se divirta com as mortes, pode ficar tranquilo que nenhum espírito vai lhe assustar depois (afinal não tem disso no filme), e vamos aguardar ainda os grandes nomes do terror desse ano, pois esse apenas o trailer foi bem feito. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, já encerrando essa semana cinematográfica, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até breve.

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O Cidadão Ilustre (El ciudadano ilustre) (The Distinguished Citizen)

7/21/2017 01:39:00 AM |

Muitos falam que o cinema argentino não entrega filmes ruins, e claro que temos de colocar uma vírgula nisso dizendo que o cinema argentino que exportam para outros países não tem filme ruim, e assim podemos seguir com o que temos de falar, pois dito essa verdade pura, é quase impressionante o resultado que vemos em "O Cidadão Ilustre", com uma faceta tão divertida, tão dentro do que vemos realmente acontecer com muitos famosos, e principalmente a história toda é montada do jeito que se espera, como um livro, falando de um escritor que usa sua história (verdadeira ou não?? Isso fica como tarefa de casa como diz o próprio protagonista) para ir moldando a trama, ou seja, vamos conhecendo a história de uma forma tão bem coesa, assimilando a mesma raiva que o protagonista adquire (afinal quem conhece qualquer cidade pequena sabe que é bem assim que funciona, não pode o Zé ficar meio famoso, que vão achar que esqueceu de fulano, beltrano já fica com ciúmes, tudo o que faz é errado, e por aí vai), e sendo assim com muita vivacidade, o resultado final quase nos engana, mas é entregue da maneira mais plena e bem colocada possível, agradando bastante, mesmo com algumas leves derrapadas, mas se você gosta de uma boa Comédia com C maiúsculo mesmo, essa é a pedida.

O longa nos apresenta Daniel Mantovani, escritor argentino vencedor do Nobel de Literatura, que vive na Espanha há 40 anos. Quando o prefeito de Salas, decide homenageá-lo com uma Medalha de Cidadão Ilustre, ele vê uma chance de retornar à cidade natal que deixou na juventude, mas que sempre serviu de cenário para os seus romances. Mas, logo ao chegar, percebe que a ideia pode não ter sido boa. É ele isso vai descobrindo por ter levado para os romances, também, alguns dos personagens reais da cidade.

São tantas boas sacadas que os diretores Gastón Duprat e Mariano Cohn fizeram em cima do roteiro de Andrés Duprat que fica até difícil falar de cada uma sem soltar um grande elogio, e principalmente, dizer que qualquer coisa dita vira um spoiler (aliás já tentei começar o texto de três maneiras diferentes, e essa foi a que conteve menos spoilers do longa), pois a grande sacada é ir descobrindo cada personagem da cidade, ir conhecendo a pacata cidade que mesmo sendo minúscula todos preferem andar de carro, moto ou qualquer outra coisa, que possui associações criminosas de pintores, e por aí vai, ou seja, tudo de insano acontece sem virar um filme tosco americano. Não digo que a perfeição é completa, pois isso seria forçar a barra demais, mas o longa soa tão divertido, e verdadeiro, que não queremos que acabe na mesma intensidade que desejamos que acabe a semana do protagonista na cidadezinha para ver que rumos tudo vai tomar, ou seja, euforia para saber o resultado, mesmo que isso seja triste por ser o final do longa. E dessa forma o resultado final pode até chocar inicialmente, mas vai valer a pena conferir.

Sobre as interpretações, é fato que Oscar Martinez briga com Darín como os melhores atores argentinos (sou pretensioso em afirmar que prefiro muito mais Darín que Martinez, mas isso é gosto pessoal!), e aqui seu Daniel é bem pautado, sem forçar expressões, conseguindo dominar a cena com uma boa desenvoltura, mas é sereno demais com tudo o que vai acontecendo para cima dele, pois dificilmente alguém suportaria tanta pressão sem mandar metade da cidade pra um lugar não tão amistoso, e isso é a maior falha no estilo dele, embora com o final tudo possa ser melhor explicado (mesmo que já saibamos do final muito antes dele acontecer). Agora se temos de pontuar alguém que saiu do eixo exagerando demais é Dady Brieva que desconhecia, e pretendo me afastar mais ainda de algo que faça, pois, para fazer rir, ele não força a barra, ele entorta ela inteira com seu Antonio, soando por vezes até sem noção de tão forçado, ou seja, poderiam ter economizado um pouco com o personagem. Manuel Vicente certamente já morou em cidadelas, ou fez uma pesquisa monstruosa para compor seu prefeito Cacho, pois é a cara de qualquer prefeito sitiante que só vive de eventos e morre de medo dos afortunados da cidade, divertindo mesmo que exagerando em alguns momentos. Dos demais personagens todos tentam aparecer um pouco na trama e até chamam a atenção, mas não chega a ser algo que mereça muito destaque tirando os trejeitos "amorosos" e "raivosos" da Irene interpretada por Andrea Frigerio, o ar sedutor e desesperado de Julia feita por Belén Chavanne e até a forma abrupta de Marcelo D'Andrea com seu Romero acaba agradando.

Dentro do conceito cênico, a grande sacada do filme foi a escolha das locações para que o ar interiorano dominasse realmente, com casas que parecem ter parado no tempo, os clubes e palestras feitas de forma bem adaptada, e claro as famílias que enriqueceram com casarões ornamentados destoando completamente do restante, mas com muitos elementos mostrando o que fizeram para isso, ou seja, um gracejo da equipe de arte que montou bem as nuances e deixou que o texto falasse sozinho, sem necessitar de grandes enfeites. A fotografia focou em ser determinante no tom para dar a dramaticidade certa nas cenas, claro que sem tirar o ar cômico, e com isso não vemos excessos de cores e nem de sombras, ficando bem no meio do caminho.

Enfim, é um longa bem divertido, que consegue agradar do começo ao fim, trabalhando bem com a essência da literatura dentro do cinema, e que quem gosta de longas singelos, bem feitos, que até forçam um pouco para que a diversão cômica aconteça, vai sair muito contente com o que verá na telona. Portanto se gosta de boas comédias, essa é a recomendação dessa semana, que entra em cartaz no Cinema de Arte do Cinépolis Santa Úrsula em Ribeirão Preto. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, com a última estreia da semana no interior, mas volto amanhã com mais uma pré-estreia, então abraços e até breve.

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Transformers: O Último Cavaleiro em Imax 3D (Transformers: The Last Knight)

7/19/2017 02:37:00 AM |

É fato que Michael Bay é um produtor fantástico e ele dando entrevistas que após esse filme deseja fazer algo menor e mais sútil é quase uma blasfêmia, pois sempre foi o rei das destruições gigantescas e que impressionam só de olhar. Dito isso, quem for ver o quinto longa da franquia Transformers denominado: "Transformers: O Último Cavaleiro", e não se impressionar pelo tamanho da produção, realmente dormiu e não assistiu ao longa. Como de praxe, seus filmes não possuem roteiro muito elaborado, muito pelo contrário, é uma bagunça completa que mistura de tudo, mas dizer que isso é ruim, é exagero, pois acaba divertindo bastante toda essa bagunça, e assim sendo o resultado completo da trama fica interessante para quem procura diversão no limite máximo, mas ridículo para quem procura apenas texto, ou seja, essa é a dica que eu dou, se você gosta de ir ao cinema para se divertir com um 3D muito bom, com algo que você não sabe mais quem é bonzinho ou quem é do mal, vá, compra um bom combo de pipoca e se divirta muito, agora se não é desse time, passe longe que vai odiar do começo ao fim. Como todos aqui já me conhecem, sou produtor e amo grandes produções (bem feitas e executadas), e aqui vi isso do começo ao fim também, portanto, foi algo muito bom de ver!

A sinopse nos conta que os humanos estão em guerra com os Transformers, que precisam se esconder na medida do possível. Cade Yeager é um de seus protetores, liderando um núcleo de resistência situado em um ferro-velho. É lá que conhece Izabella, uma garota de 15 anos que luta para proteger um pequeno robô defeituoso. Paralelamente, Optimus Prime viaja pelo universo rumo a Cybertron, seu planeta-natal, de forma a entender o porquê dele ter sido destruído. Só que, na Terra, Megatron se prepara para um novo retorno, mais uma vez disposto a tornar os Decepticons os novos soberanos do planeta.

Já disse muito de Michael Bay na abertura do texto, mas embora muitos não gostem dele (chegando até o ponto de odiar), no conceito desse que vos escreve quase todo dia, ele juntamente com Spielberg são os maiores produtores do cinema atual (e coincidentemente Spielberg também assina aqui a produção!) e quando querem gastar não pensam duas vezes para criar algo grandioso (aqui foi apenas a bagatela de 260 milhões de dólares!!!), e o resultado é fato quanto maior a produção, maior a maquiagem para um texto falho, e isso todos já sabemos muito bem, afinal nenhum (friso novamente nenhum) dos Transformers foi algo elaborado nesse conceito, bagunçando a cabeça do espectador de quem é quem, quem salva quem, quem luta com quem, quem é bom, quem é mal, se vieram de um lugar ou de outro, e por aí vai, mas aqui nossos amigos roteiristas foram bem longe na inspiração, misturando lendas de Camelot, destruição do planeta Terra (que para os robôs tem outro nome) no melhor estilo dos filmes-catástrofe, alienígenas, robôs, humanos bons e ruins, e por aí vai, fazendo uma massaroca completa que se o diretor conseguiu entender o roteiro para filmar tudo e a equipe de edição conseguiu finalizar, esses sim merecem o parabéns, pois tem de ter muita imaginação para encontrar o resultado final dessa soma. E por mais maluquice que possa ser imaginar tudo isso junto, a ideia completa acaba divertindo (claro que exigiríamos alguma moral maior, e Optimus Prime com suas grandes frases de efeito, e aquela voz forte, até nos entrega algumas, mas queríamos algo a mais nesse conceito) e quem for esperando isso vai gostar muito. Ainda acredito que Bay não vai largar o osso e fazer pelo menos mais um com a deixa final bem colocada na cena inter-créditos, mas vamos esperar pra ver a bilheteria, pois o gasto foi alto.

Sobre as atuações, é algo que pouco vemos nesse filme, afinal a maioria dos momentos só ficamos com as vozes dos robôs, não que isso seja ruim, muito pelo contrário, pois já estamos acostumados com o timbre de Peter Cullen com seu Optimus Prime impactante, Frank Welder com seu Megatron e diversos outros de bom tom, mas temos também os humanos perdidos que voam, levam tiros, fagulhas, caem, rolam e só têm leves ralados ou algum tiro superficial (leve spoiler: se um deles não morresse ia ficar muito bravo!), então vamos falar deles também. Começando pelo protagonista desde o último filme da série, Mark Wahlberg com seu Cade Yeager que foi até bem colocado, fez caras e bocas, e até diverte com seu personagem, mas em diversos momentos pareceu bem perdido para onde olhar, afinal como bem sabemos grava-se tudo sem os robôs, apenas olhando para referências e depois junta com a computação gráfica, e nas cenas finais aonde a ação explode mesmo, ele parecia um maluco olhando pra tudo quanto é lado, ou seja, sei que é difícil, mas poderia ser bem melhor. Laura Haddock ainda deve estar rindo de suas cenas como Viviane, pois já vi coisas absurdas no cinema, mas a ideia da concepção da personagem é algo que vai muito além, e se chegasse um roteiro desse naipe na mão de qualquer ator/atriz a pessoa só poderia rir de tanta maluquice, mas ela ao menos expressou alguma seriedade e fez bem seu papel. Josh Duhamel ficou de fora apenas do último filme com seu Lenoxx, participando desde o primeiro longa da franquia, e aqui voltou ao seu estilo G.I.Joe de ser e apareceu ao menos, não fazendo nada que fosse muito expressivo, mas também não errando. Anthony Hopkins sempre será um ator bem colocado, e mesmo que seu Edmund seja daqueles que estão apenas para montar o filme, ligando as partes, ele conseguiu chamar a atenção para si em diversas cenas bem encaixadas, agradando bem ao fazer jus ao seu salário no filme. A garotinha Isabela Moner deve ser mais usada no restante da franquia, pois aqui apareceu em alguns momentos bem jogados (alguns absurdíssimos como nas cenas finais), mas fez bem as caras expressivas ao menos. Dos demais, chega a ser piada, suas participações, então melhor nem falar nada, deixando como apenas um filme para vermos os robôs, e esquecer que tem humanos na trama.

Agora é fato que a qualidade visual da trama é algo inegável, e sempre vão colocar cada vez mais computação gráfica, criando mundos paralelos, muita destruição, cenários movimentando para todo lado e por aí vai, pois hoje é muito mais fácil de filmar com as câmeras super leves (ops, pausa aqui no texto, o longa foi filmado com câmeras Imax 3D que pesam muitos quilos, então não teve essa facilidade), ou seja, a arte gráfica até teve boas locações, cenários bem preparados para aparecer, mas certamente muitos dos atores nem viram nada do filme até assistir no cinema, pois gravaram em panos verdes para todo lado, pulando, gritando e por aí vai, para depois cair todo o trabalho magnífico dos artistas gráficos que fizeram robôs cada vez melhores em peças/detalhes, muitos efeitos especiais explodindo e voando coisas para todo lado, e uma cenografia melhor que a outra, desde as cenas nos diversos países (Cuba mais uma vez entrando pra Hollywood pela segunda vez em 1 ano apenas de abertura de mercado), passando pelas cenas no espaço, no fundo do mar, e claro na grande nave afundada maravilhosa, ou seja, um trabalho minucioso de muitos computadores que agradaram na medida. A fotografia ficou no limite do escuro, tendo muitas cores escuras para dar um tom mais dramático para muitas cenas, mas na maioria dos momentos cômicos o tom sempre puxava para uma gama mais alegre de objetos ao redor, dando uma média interessante de ver.

Agora faço até questão de colocar em um parágrafo a parte, pois já disse isso algumas vezes e volto a frisar, se vão nos entregar um longa em 3D, que filmem em 3D, pois a conversão na maioria das vezes fica ruim, ou até inexistente, e aqui quem for conferir vale muito ir na maior sala possível (como sempre recomendo a Imax, que em Ribeirão fica na rede UCI), pois são peças voando, faíscas pra todo lado, muita profundidade de campo, e uma percepção que quase coloca você junto dos robôs, e claro que se tenho de destacar algum momento, ficamos com as cenas finais de batalha, que ali é tiro, explosão, peças, robôs voando e tudo mais que se pensar, mas no fundo do mar, o resultado também ficou bem interessante com a tecnologia. Ou seja, se é pra pagar mais caro numa sessão 3D, esse é o que vale pela tecnologia.

Enfim, muitos vão odiar (sei disso) pela história fraquíssima e bagunçada, mas volto a pontuar que quem gosta de boa ação, e uma produção gigantesca, não tem como não se divertir com tudo o que o longa nos proporciona. Está longe de ser o meu estilo de filme preferido, tanto que muitos sabem o quanto odiava Transformers na época da faculdade, afinal história passa longe aqui, mas o último longa e esse me conquistaram pela tecnologia e pela grandiosidade cênica em si. Portanto, volto a falar isso, vá sem pretensões alguma, compre uma pipoca, e se divirta, pois é só isso que o longa vai trazer para você, quase 3 horas de muita ação e diversão (alguns absurdos gigantescos que você vai reclamar, bater na cabeça e sair inconformado - mas aqui vale a pena rir, pois é feito propositalmente) que vai fazer você passar seu tempo precioso numa boa sessão. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na próxima quinta com mais uma estreia aqui no interior, então abraços e até breve.

PS: não estou maluco com a nota, pois gostei muito do que vi, mesmo com a quantidade de absurdos!

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D.P.A. - Detetives do Prédio Azul - O Filme

7/17/2017 12:30:00 AM |

Acho que já posso me considerar idoso por não conhecer mais nenhuma série ou desenho infantil da TV, pois pela quantidade de crianças na sessão de "D.P.A. - Detetives do Prédio Azul - O Filme", interagindo com os personagens, dançando e explicando para os pais quem é quem, me senti totalmente fora do contexto que o filme mostrava na telona, e sendo assim, confesso que a trama no início me cansou bastante, mas depois ficou um bocado mais interessante, agradando de forma razoável esse que vos digita sempre, porém no conceito de atingir o público alvo, que são os pequeninos que acompanham a série de quase 190 episódios desde 2012, pelo tanto de felicidade que estavam na sala, alguns até vestidos com as capas dos personagens, posso dizer que foi tiro certeiro. Ou seja, vou colocar minha análise como sendo um desconhecedor completo do tema, e vendo o longa como algo a parte da série, mas friso que pode ser completamente desconsidera a opinião se você conhece tudo da série, pois ao que posso afirmar, funciona perfeitamente como um novo episódio de 90 minutos, muito bem elaborado por sinal, enquanto na TV todos são de 30, de modo que quem for assistir sem nunca ter visto, vai ficar meio perdido e até se divertirá um pouco, mas sairá da sala como se nada tivesse ocorrido, enquanto os pequenos até chegam a dançar com o final. Portanto, só vá para levar suas crianças que assistem ao programa, pois se você nunca viu, vai sair boiando com o que verá, mesmo o episódio tendo um começo/meio/fim definido, mas que muita coisa depende de conhecer os personagens e suas personalidades.

Os Detetives do Prédio Azul são confrontados com o maior caso de suas vidas: salvar o próprio edifício da destruição. Pippo (Pedro Henrique Motta), Sol (Letícia Braga) e Bento (Anderson Lima) se infiltram na festa de Dona Leocádia (Tamara Taxman), a terrível síndica que é, literalmente, uma bruxa. Lá eles presenciam um crime "mágico", que condena o Prédio Azul a uma demolição de emergência. Para completar, a única testemunha - o quadro falante da Vó Berta (Suely Franco) - desaparece, e Dona Leocádia é enfeitiçada para ficar boazinha. Para resolver esse caso, os detetives vão contar com a ajuda do porteiro Severino (Ronaldo Reis), que empresta sua Kombi azul novinha para ser a sede de investigação. A aventura fica completa quando Tom (Caio Manhente), Mila (Letícia Pedro) e Capim (Cauê Campos), fundadores do clubinho original, são trazidos de volta ao Rio de Janeiro para ajudar no caso.

Após dirigir "Minha Mãe é Uma Peça" em 2012, André Pellenz assumiu o comando da série infantil e vem se mantendo no posto até hoje já entrando na 8ª temporada, e agora com o filme o que fez (e ganhará muito dinheiro com isso, pois fãs tem!) foi criar um episódio de proporções maiores, com uma dinâmica bem trabalhada, e situações bem hilárias para prender os pequeninos nas poltronas e claro desejarem ser investigadores de mistérios. Não posso afirmar que a história sozinha funcione bem, pois demorei muito para associar a personalidade diferenciada da síndica que na série implica com os personagens, demorei para saber que os outros que apareceram eram fundadores do clubinho, e cada nova aparição surgia apenas sem praticamente nenhuma explicação, ou seja, os roteiristas do filme não se preocuparam com quem fosse ter o primeiro contato com os personagens ali, pudessem ter ao menos uma leve apresentação, ou seja, o filme até tenta ter um prólogo e um epílogo, mas poderiam ter usado isso para apresentar realmente cada um, mesmo que rapidamente, e depois no epílogo fechasse tudo de forma simbólica do jeito que foi feito. Não digo em momento algum que o resultado final é algo ruim, só poderia ter sido melhor aproveitado para todos (afinal nem todos os pais, que vão levar os pequenos ao cinema, conhecem tudo da série, nem digo pelos malucos como eu que entram em qualquer sala, mas sim por esses que vão por tabela) e assim poderia ter outros longas criando uma série paralela no cinema. Ou seja, o roteiro e a direção poderiam ter trabalhado num conceito maior para que a série fosse levada para o cinema como uma obra cinematográfica realmente e não apenas um pedaço dela exibida em um lugar diferente da TV, e aí sim toda a junção acabaria agradando bem mais como filme.

Sobre as interpretações, temos dois vértices bem interessantes de observarmos, o primeiro com a boa dinâmica dos pequenos Pedro Henrique Motta, Letícia Braga e Anderson Lima com seus Pippo, Sol e Bento fazendo olhares bem colocados, interações cadenciadas e mostrando realmente que o filme eram deles, com serenidade, ação e muita desventura característica de suas idades. Mas por outro lado, o time de adultos conhecidos de novelas e até de filmes, pareceram estar bem perdidos, primeiro numa festa maluca que sequer sabiam o porquê de estar ali, dançando de forma desengonçada, fazendo caras e bocas, e depois até tendo uma leve melhorada conseguiram interagir bem com os pequenos, mas já vi Mariana Ximenes, Aílton Graça, Maria Clara Gueiros e Otávio Müller muito melhores e mais desenvolvidos do que aqui com seus trejeitos bizarros como Bibi Capa Preta, Temporão, Mari P e Jaime Quadros, com leve destaque para as boas risadas de Gueiros que tem trejeitos perfeitos para fazer boas bruxas. Da série original temos também Tamara Taxman e Suely Franco, como Dona Leocádia e Vó Berta, e essas por estarem mais acostumadas com o estilo acabaram saindo-se bem com a ideia agradando no geral sem precisar fazer caras e bocas. Quanto os atores que começaram a série em 2012 e voltaram aqui para uma leve participação especial, pareciam um pouco perdidos com seus papeis, e aparentemente foram bem cortados no resultado final, o que é algo estranho de acontecer.

Quanto do conceito visual e artístico, posso dizer com toda certeza que a equipe não mediu esforços, filmando com um submarino real as cenas finais, usando muitos efeitos (alguns toscos, mas no geral bem feitos) para as cenas de magia, e até locações bem trabalhadas para representar cada momento dos personagens, tirando a festa que ficou bem fraca de visual (talvez por motivos próprios da série mesmo), o restante acaba agradando bastante. A fotografia até ousou um pouco ao trabalhar com sombras, mas o resultado só funcionou em poucas cenas escuras, de resto ficaram somente com o básico e apenas brincaram com os efeitos especiais bem feitos (dentro de um conceito nacional).

Enfim, como cinema realmente para quem nunca assistiu a série, o longa infelizmente não funciona, apenas passa uma ideia e diverte pelas situações em si, porém para o público-alvo que são os pequeninos que assistem o seriado sempre, o longa é mais do que isso e faz com que dancem, conversem e muito mais, indo vestidos como os personagens e saindo felizes com o que viram. Ou seja, minha recomendação é que se seu filho vê a série, o leve ao cinema, pois ele vai gostar muito do que verá, mas se você não tem filhos e nunca viu o programa, fuja, pois, a chance de não entender nada e até ficar com sono no começo tedioso é altíssima. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, praticamente encerrando a semana cinematográfica, afinal a próxima pré-estreia é só na quarta bem a noite (e nem sei se irei conferir na pré pelo horário), portanto abraços e até a próxima quinta-feira.

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Em Ritmo de Fuga (Baby Driver)

7/16/2017 01:58:00 AM |

Certamente você já assistiu diversos longas de perseguição e assalto, mas garanto que com a essência de "Em Ritmo de Fuga" nenhum passou pela sua imaginação, e não digo pela ótima ação de carros fazendo manobras impossíveis, mas sim pelo conteúdo completo da beleza no coração do protagonista para com seu pai adotivo, pela forma de amor que ele demonstra, e principalmente pelo ótimo estilo que desenvolve junto com os demais personagens da trama. De modo que o filme flui fácil, é sim pesado para quem não está acostumado com jargões criminosos, mas funciona em demasia do começo ao fim, mesmo tendo alguns momentos mais leves no miolo para acalmar um pouco os ânimos, e talvez algumas repetições pudessem ser evitadas, mas ao final vemos que é algo que a memória afetiva do protagonista necessita, então se faz por valer. Ou seja, um filme completo que agrada quem for esperando muita ação, e também convence quem espera ver um policial romanceado, divertindo e comovendo na mesma medida, ainda que o protagonista seja teen demais ainda, e certamente vai crescer muito no cinema para impactar realmente como um ator completo mesmo.

A sinopse do longa nos conta que Baby consegue entrar numa gangue de assaltantes de banco. Ele fica com a função de dirigir o carro de fuga e fica em perigo quando decide deixar a vida de crimes para trás. Dessa forma, o jovem tenta escapar do chefão com a ajuda de uma garçonete, por quem é apaixonado.

É difícil vermos algum filme de Edgar Wright sem ser algo completamente maluco e com essência jovial, pois sempre trabalha esse estilo de maneira tão bem apropriada que nos deixa até sem fôlego de imaginar o que ele pode entregar, porém se compararmos com outro longa eletrizante de essência maluca "Kingsman" (que nada tem de referência aqui, apenas para citar como exemplo de diferença técnica), o que faltou para a perfeição desse novo longa foi menos coreografias marcadas, pois principalmente nas cenas finais vemos os artistas bem duros fazendo passos sequenciais bem falsos, o que mostra talvez a ordem de filmagens não tão boa (pode ser que as últimas cenas tenham sido feitas primeiro e o elenco ainda não estava no gás) ou o cansaço de muito tempo de filmagem, mas isso é algo que muitos nem devem ligar, pois se pararmos para pensar é apenas técnica, já que o contexto de história bem feita, com diversos estilos em apenas um longa, ótimas atuações, uma pegada clássica de estilo, e principalmente uma ótima trilha sonora, resultaram num completo composto bombástico para que todos vejam e saiam com a adrenalina a mil, mostrando que esse jovem diretor ainda vai explodir um blockbuster do melhor estilo e ganhar muitos prêmios com isso, é questão de tempo e aguardaremos para ver.

Como disse acima, o longa está repleto de boas atuações, e mesmo com um ar bem adolescente, Ansel Elgort conseguiu entrar no clima perfeito para seu Baby e criando dinâmicas bem coreografadas, e esbanjando um excesso de confiança extremo acabou saindo melhor do que a encomenda, claro que ainda vai crescer muito no cinema com papeis que lhe exigirão muito mais rigor, mas aqui já mostrou que tem potencial para protagonizar com níveis altíssimos de bons trejeitos e diálogos somente na medida. Jamie Foxx trouxe um ar mais rigoroso (para não falar criminoso) para o longa com seu Bats, mostrando que não entrou no longa para brincar e ser bonzinho (no melhor estilo de seu Django), e com muita desenvoltura chega a dar nervoso com tudo o que acaba fazendo em poucas cenas. Kevin Spacey trouxe um ar mais administrativo para o seu Doc, mas ainda assim soube entregar uma personalidade bem colocada e interessante de ver. As cenas do protagonista junto de CJ Jones falando através da linguagem dos sinais, e mostrando todo um sentimento gostoso de pai/filho com um querendo proteger/dar o melhor para o outro é a coisa mais linda de ver, e o ator (que é surdo realmente) soube trazer uma roupagem bem interessante de olhares com muito estilo e personalidade, agradando demais em suas poucas cenas. Jon Hamm recebeu um visual bem diferenciado para seu Buddy e com trejeitos fortes acabou mostrando um estilo bem violento para as cenas finais do longa, de modo que trabalhou em três eixos no longa, um no primeiro assalto mais calmo e descolado, outro na preparação do assalto final, já mais rebelde mostrando seu ar malvado, e o maluco desenfreado que faz de tudo nas cenas finais, acertando em cheio nos três moldes. Sua parceira de cena Eiza González foi o ar sexy que todo longa de assalto necessita, de modo que sua Darling só serve para isso, até tendo um ar despojado na sessão de tiros, mas a beleza sobrepôs tudo. Falando em beleza, deram uma enfeiada em Lily James para que sua Debora fosse singela, mas não uma arrasa-quarteirão como foi em "Cinderela", fazendo até um papel meio insosso como garçonete e claro que mostrando que a paixão pode sim surgir de um bom papo maluco. Embora seja apenas uma leve participação especial, o baixista do Red Hot Chilli Peppers, Flea, saiu-se bem em cena com seu Eddie sem Nariz, demonstrando um bom tino interpretativo (e se não houver atrasos, semana que vem ele aparece em mais um longa!!). Dos demais, a maioria foi participativa em cena, apenas sendo bem colocado para que cada cena ficasse dinâmica e sem erros.

No conceito visual, o longa nem foi muito apelativo, afinal longas de perseguição não costumam ter muitos objetos cênicos e nem elaborar algo complexo em termos de direção de arte, deixando apenas carros rápidos, e claro muita destruição de vários outros carros, e aqui botaram pra quebrar, destruindo, trombando, correndo, jogando tudo para o alto, explodindo, atirando e por aí vai, criando algo muito dinâmico e bacana de acompanhar, e por mais incrível que pareça, não erraram nas iluminações, mostrando que a equipe de fotografia estava a postos para que toda cena criasse um ambiente bem pontual e charmoso (dando um ar de época para o filme), mas principalmente criando as nuances corretas para cada momento do longa nas perseguições policiais muito bem coreografadas de carros, luzes e tiros.

Por ser um longa bem musical, com a trilha sonora dominando praticamente todas as cenas, afinal é explicado em determinado momento o motivo do protagonista não tirar seus fones de ouvido em quase momento algum, as escolhas musicais foram determinantes para que o longa não ficasse cansativo e nem enjoasse em momento algum, mostrando que o protagonista também tinha boas habilidades de escolher o melhor para cada momento e para cada pessoa. E claro que não vou deixar vocês sem o link das canções do filme, pois seria muita tortura.

Enfim, é um filme divertido demais, com uma boa dose de violência, humor, adrenalina e estilo clássico, que empolga do começo ao fim, e que quem gosta de todos esses conceitos vai assistir sem reclamar de nada. Como disse possui alguns momentos que a coreografia ficou forçada demais, e com isso o longa se perde um pouco, mas é mero detalhe técnico que quem for apenas pela boa diversão e procurando um roteiro inteligente e interessante vai gostar demais do que verá na telona. O longa está com algumas pré-estreias em algumas cidades, mas dia 27 estreia em definitivo, então vá agora ou aguarde, mas não fique sem ver, pois é muito bom. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas amanhã confiro mais uma pré-estreia, então abraços e até mais tarde com mais um texto.

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Carros 3 em 3D (Cars 3)

7/14/2017 01:03:00 AM |

É interessante como fazem continuações, principalmente no gênero das animações, pois após um primeiro filme bacana, conseguiram fazer um segundo melhor e mais divertido, porém na tentativa de dar um novo vértice para a trama, ao mostrar o que acontece com "atletas" quando ficam mais velhos (ou ultrapassados), o resultado de "Carros 3" acabou falhando no principal ponto do estilo que é a ação/ritmo desenfreado que divertia e animava os pequenos e os mais velhos. Não digo que o resultado completo do longa seja algo ruim, mas demorou demais para chegar aonde desejavam chegar, e com isso o filme ficou algo que patinou demais na areia para sair do ponto inicial e acabar fechando de modo gostoso. Ou seja, em 102 minutos, tivemos quase 60 de enrolação para 20 de clímax e mais 22 de fechamento, e olha lá se não foi mais.

Veterano das pistas, o campeoníssimo Relâmpago McQueen se vê em apuros após o surgimento de um novato bastante veloz, Jackson Storm, que utiliza de alta tecnologia nos treinamentos. Obrigado a chegar ao limite para batê-lo, McQueen acaba sofrendo um sério acidente durante uma corrida, que o obriga a abandonar o campeonato daquele ano. Prestes a iniciar a próxima temporada, ele se vê em dúvidas sobre se consegue ser rápido o suficiente para bater Storm e, por causa disto, busca ajuda com seu novo patrocinador.

Muitos dizem que a mudança de um diretor em uma sequência não faz diferença, após conferir a nova animação da Pixar, que agora foi assumida pelo desenhista de storyboard dos dois longas anteriores (nota técnica: é notável a quantidade estética de planos no filme, talvez por sua formação), certamente irão falar que estão com muita saudade de John Lasseter (que abandonou a direção desse para assumir o novo "Toy Story"). Digo isso, pois a estreia de Brian Fee na direção é singela demais, e necessitou de muita caminhada para chegar aonde deveria ter ido de cara, e para isso podemos usar até uma analogia automobilística de que colocaram combustível adulterado nos planos dele, e ele foi engasgando até chegar em alguém com uma ideia melhor para seu filme fluir, e felizmente fluiu no final, pois a chance do longa terminar numa derrapada imensa foi altíssima, visto que ficar batendo na tecla de que ele está velho, vamos fazer coisas de velho, blá, blá, blá ficou tedioso demais, até que ao mostrar vertentes positivas para sua velhice, aprender com as histórias de seu passado e até divertir nas corridas malucas fez o longa ter uma leve vitalidade para agradar. Claro que estou falando de alegre, pois o filme fará uma boa bilheteria, venderá muitos produtos e a criançada irá "assistir" (coloco entre aspas, pois não vejo um longa que irá amarrar eles na sala não) fazendo com que pais levem os pequenos para sessão, mas poderiam ter feito muito mais e agradado tanto quanto o pequeno curta-metragem que passa antes e emociona sem dizer uma palavra.

Mesmo com o carisma tradicional de Relâmpago McQueen, diria que o personagem protagonista não conseguiu chamar toda a atenção tradicional que fez nos dois longas anteriores, e nem tanto pela dublagem em si (que continua boa), mas pela falta de dinâmica mesmo do personagem na história, em compensação Cruz Ramirez foi uma grata surpresa tanto no estilo (suas aulas de dança motivacional no início são geniais, e depois as muitas cenas suas são perfeitas) quanto na ótima dublagem de Giovanna Ewbank, que certamente se divertiu demais com tudo o que fala na trama e o resultado fluiu muito ao darem um certo protagonismo maior para suas cenas. Sei que seria apelação, mas poderiam ter usado mais o Matt que tanto gostamos do seu jeitão caipira, e claro os diversos personagens secundários na trama para que o longa fluísse mais e não dependesse tanto do protagonista (afinal como disse saiu bem falho dessa vez). Quanto do antagonista Jackson Storm talvez também pudesse ter mais cenas suas, não deixando apenas para os três ou quatro momentos de corrida junto do protagonista somente, pois tudo bem que surgiu do nada, mas e sua história? Ou seja, o filme ficou devendo muito de personagens por focar demais em um protagonista falho, e tinha muitos outros para empolgar mais, o que não foi feito e com isso acabou resultando em algo que não atinge nenhum ápice.

Como é comum de vermos em animações que a equipe técnica acaba assumindo, o resultado gráfico realmente impressiona, e vemos muitas pistas incríveis, corridas bem planejadas, carros bem modelados, destaques claro para a tecnologia de treinamento e o visual dos carros novatos, mas mais incrível ainda para a corrida de destruição com carros se matando em batalhas muito bem trabalhado visualmente e com uma narração incrível de rir, ou seja, pequenos detalhes cênicos, mas muito bem encaixados para que o resultado final ficasse bonito de ver. Porém, faltou um detalhe precioso para que o resultado ficasse melhor, um 3D que valesse a pena, pois tivemos uma ou outra profundidade de campo para compensar detalhes, mas nenhum parafuso voando, uma areia, uma poeira, nem nas cenas de capotamento/voo tivemos algo que falássemos "noooosssa!!", ou seja, o óculos serve apenas para não deixar a imagem borrada, e quem quiser economizar, vá assistir 2D sem medo.

Enfim, posso ter sido meio duro com a trama, pois ri bastante em diversos momentos, principalmente com as dublagens, mas o longa ficou morno demais para empolgar, e ainda prefiro o derivado "Aviões" da franquia, que qualquer um dos três filmes "Carros", mas certamente vai atrair público e talvez aqueles que realmente forem bem fãs da franquia e/ou de corrida de carros goste um pouco mais do que é mostrado, pois no contexto geral, o público em geral vai sair da sessão até antes da pequena cena pós-crédito, ou seja, é algo mediano que até diverte, mas que poderia ser muito melhor. Bem é isso pessoal, essa foi a única estreia realmente da semana, mas volto nos próximos dias com diversas pré-estreias que apareceram na cidade, então abraços e até breve.

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Homem-Aranha: De Volta Ao Lar em Imax 3D (Spider-Man: Homecoming)

7/08/2017 03:21:00 PM |

Sempre que uma franquia tem um reinício ficamos com alguns pés atrás, pois não é usual que algo saia como desejávamos, afinal acabamos nos afeiçoando ao protagonista inicial, suas brigas e por aí vai, mas convenhamos que até hoje todos os filmes do Homem-Aranha foram bem feitos, mas faltava o tom real de um garoto, sua vida na escola, aprender realmente o valor dos seus poderes, e claro como já conhecíamos anteriormente por desenhos ou HQs, a comicidade real do famoso amigão da vizinhança, e agora com "Homem-Aranha: De Volta Ao Lar", a franquia praticamente se reinventou, incorporou com todas as letras o conceito da Marvel (tudo bem que os anteriores não faziam bem parte do mesmo Universo, oremos para que a parceria permaneça!) e ainda mostrou que o reinício da franquia (sem precisar mostrar coisas repetidas!) foi o melhor que o personagem poderia ter em anos, criando um longa gostoso, bem colocado, sim um pouco longo, mas necessário para todas as devidas apresentações e que acaba soando tão divertido que vai ser difícil alguém sair da sessão reclamando de não ter visto um excelente filme. Ou seja, é daqueles filmes que foram tão bem pensados que tudo acaba tendo sentido para a franquia deslanchar com continuações e também acaba funcionando muito bem sozinho, de modo que a diversão ocorre do começo ao fim. Defeitos sempre existirão, e se posso pontuar um foi a falta de um 3D melhor, pois com tantos voos, a imersão acabaria sendo incrível, e temos tão poucas cenas que aproveitaram isso, que podemos dizer que a conversão falhou feio, mas como o filme é tão bom, quase esquecemos de reparar onde tem e onde não tem tecnologia.

O longa nos mostra que depois de atuar ao lado dos Vingadores, chegou a hora do pequeno Peter Parker voltar para casa e para a sua vida, já não mais tão normal. Lutando diariamente contra pequenos crimes nas redondezas, ele pensa ter encontrado a missão de sua vida quando o terrível vilão Abutre surge amedrontando a cidade. O problema é que a tarefa não será tão fácil como ele imaginava.

É fato que o Aranha já havia sido apresentado em "Guerra Civil", mas temos de pontuar a direção bem eficiente que Jon Watts fez ao desenvolver um roteiro completamente novo e bem adequado para todos os públicos, trabalhando cada ato com muita dinâmica e cenas rápidas sem cansar o público, de modo que foi criando as perspectivas que todos os fãs do personagem desejavam ver na telona, pois sempre a maior reclamação dos longas do personagem era que nenhum filme realmente mostrava ele defendendo a vizinhança, ajudando as pessoas, e aqui logo de cara vemos isso e muito mais. A grande arte do longa ficou a cargo claro dos roteiristas que desenvolveram bem o arco central e as facetas do personagem de modo a conhecermos tudo ao seu redor, como a escola, os amigos, o que gosta de fazer nas horas livres, como defende a vizinhança, os novos vilões, e claro sua ânsia por novas missões dos Vingadores. E ao cair tudo isso bem dosado nas mãos do diretor que soube usar e ousar, o resultado foi sendo cadenciado e criado colocando o personagem definitivamente no Universo Cinematográfico Marvel depois de anos somente nas mãos da Sony sem muita ligação com tudo o que rolava no âmbito dos heróis desse Universo. Claro que um dos pontos mais positivos fora a boa dinâmica do personagem principal ficou a cargo da escolha de um vilão bem foda, e que empolga assustando, dando raiva e motivos para sua vilania ficar de uma maneira bem coerente e consistente, pois geralmente reclamamos quando um vilão só aparece apanha e já era, e aqui souberam colocar muita sintaxe para ele, expressando seus motivos para o que faz, suas características marcantes e principalmente brigando muito com o personagem principal. Ou seja, foi um conjunto de obra perfeito de ser mostrado nas telonas e que vão deixar um grande desespero nos fãs por querer esperar mais dele em breve, aí é que entra a última cena pós-crédito (que embora seja algo que quem for embora não irá perder muita coisa) vai explicar para o público esse sentimento dos fãs. Mas a cena de miolo dos créditos, essa sim não deve se perder, pois já iremos conhecer (rapidamente) o vilão do próximo filme do teioso.

Chega a ser até difícil não fazer um texto alongado de cada ator, pois todos fizeram personagens tão bem encaixados com o momento e ao escolherem um elenco juvenil de primeira linha, junto claro de ótimos atores experientes ajudando por fora, o resultado por parte das interpretações foi algo incrível de se ver, mas vamos falar um pouco de cada um. Tom Holland já iniciou sua carreira de modo perfeito em "O Impossível", e claro que desejávamos ver maiores papeis para ele num futuro, pois bem, ao ser escolhido como Peter Park/Homem-Aranha, ele não só mostrou empolgação como fão, como também tem treinado e mostrado que não decepcionaria de forma alguma com tudo, ou seja, foi a escolha perfeita com potencial para uma longa desenvoltura do personagem nas telonas, já que ele tem tom bem encaixado, possui físico e idade para muitos filmes e principalmente ama o personagem para não deixar a coerência de fora, e assim agora é só esperar resultado positivo em cima de resultado positivo com todos os bons trejeitos que irá criar com o passar do tempo. Embora apareça somente em momentos-chave, Robert Downey Jr. conseguiu mostrar uma ótima parceria e encaixe com o protagonista, fazendo claro seu estilão playboy e mostrando tudo o que sabe fazer muito bem. Outro escolha que acabou saindo melhor que a encomenda foi Michael Keaton como Adrian Toomes/Abutre, pois ele juntou toda sua experiência em forma de personagens marcantes e criou um vilão "humano" sem encaixar loucura na personalidade ou poderes sobrenaturais, que são comuns em filmes de heróis, e com isso acabou tornando o personagem muito bom de acompanhar, de modo que até gostaríamos (quem sabe mais para frente com o que é mostrado na cena de meio dos créditos) que ele voltasse em algum próximo filme do Aranha. Um dos melhores pontos cômicos da trama ficou a cargo de Jacob Batalon com seu Ned, pois mais do que o melhor amigo do protagonista, sua desenvoltura ao descobrir a identidade secreta do Aranha, e ir se encantando com tudo o que pode fazer para ajudar o personagem foi sendo criado com facetas expressivas tão bacanas que não tem como não se agradar com o ator e com o personagem, e claro que ainda veremos muito dele, mas nesse longa temos de destacar suas cenas pós-baile, pois aí sim ele foi quem desejava ser. Outro grande ator que ajudou muito na comicidade foi Jon Fraveau com seu Happy Hoogan, pois juntou todos seus bons momentos que fez em todos os longas anteriores do Homem de Ferro, e aqui acabou trabalhando mais com a ideia pontual de comicidade agradável conseguiu agradar demais. Eu sei que os fãs não desejam ver romances em longas de super-heróis (afinal queremos ver é pancadaria), mas não deixaram de lado as possibilidades com as garotas da trama, pois claro o garoto está no ápice da adolescência, e com isso tivemos uma boa colocação de Laura Harrier com sua Liz (que na cena do memorial quase achamos que veríamos novamente o último filme do Homem-Aranha), e até mesmo Zendaya conseguiu chamar de leve a atenção com sua Michelle. Claro que temos de falar de suas poucas cenas, mas sempre de maneira bem icônica e sarcástica, afinal toda a beleza de Marisa Tomei como Tia May, ainda vai dar muito o que falar, e quem sabe até veremos o Aranha batendo em alguns pretendentes mais para frente. Outros que apareceram pouco, mas fizeram bons trabalhos foi Booken Woodbine como o segundo Shocker, Logan Marshall-Green como o primeiro Shocker e até Michael Cernus como o Consertador. E por último, mas não menos importante, temos que pontuar a não aparição, mas sim a voz de Jennifer Connelly como Karen no melhor estilo do filme "Ela", que agradou demais em tonalidade e desenvoltura.

No conceito artístico tivemos uma cenografia bem elaborada, cheio de elementos bem escolhidos para representar cada ato, desde a escola, os desafios escolares, bailes, até as cenas de luta, lanchonetes e afins que diversificaram o longa e agradaram muito, mostrando que a equipe não quis economizar em nada para que o filme ficasse moderno e ao mesmo tempo com detalhes simples e agradáveis, ou seja, um longa familiar e de introdução bem pontual, bonito e interessante. Destaque cênico para todo o figurino, mas principalmente para toda a tecnologia da roupa do Aranha, que Stark criou para que ele tivesse tudo a sua disposição, inclusive com dicas da voz como ocorre com seu Homem de Ferro. Da questão fotográfica o longa não ousou muito, pois não tivemos atos dramáticos fortes para criar tons mais escuros, de modo que o filme todo soa divertido e alegra, com muitas cores, iluminações na medida, e até mesmo na maior luta no ar, o brilho acabou dominando, mas sempre de modo a chamar atenção para os personagens principais. Outro ponto que vale a pena ressaltar é o fato dos efeitos especiais serem bem chamativos, pequenos, mas elaborados na medida correta para que o filme não saísse do eixo, e isso agradou demais tanto no ritmo, quanto no visual. E para finalizar o conceito técnico, tenho de pontuar que o longa merecia ter sido gravado em 3D, com muito mais desenvoltura nos movimentos, pois temos muitas cenas com personagens voando, pulando e tudo mais, que ficariam perfeitas com a tecnologia empregada de maneira correta, pois só temos algumas poucas profundidades e um ou outro elemento saindo para fora da tela, ou seja, como sempre digo, quem quiser economizar pode ver tranquilamente em 2D que não irá perder nada.

Sobre o conceito musical da trama, tivemos boas escolhas para dar ritmo, e claro a colocação do tema tradicional de abertura dos desenhos do Homem-Aranha, agradando demais os fãs e assim criando uma identidade auditiva para o personagem no cinema também. Claro que quem quiser ouvir toda a trilha sonora, deixo aqui o link.

Enfim, é um longa perfeito que agrada demais, mas que não darei a nota máxima pela falta de um 3D que realmente valesse a pena, pois do restante temos emoção, aventura, comédia e até um pouco de dramaticidade, sendo completo. Portanto se você gosta de tudo isso com certeza irá se empolgar com o que verá na telona, e ficará bem ansioso (tendo claro paciência com o tempo) para os próximos capítulos da Marvel, e claro do que veremos Tom Holland fazendo com seu Aranha. Bem é isso pessoal, fico por aqui nessa semana curta de estreias, mas volto em breve com mais textos.

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Soundtrack

7/07/2017 01:25:00 AM |

Sempre gosto de dizer que o cinema nacional possui alguns pólos que não se conectam de forma alguma, sendo tão distintos que não tem como o mesmo público que assiste uma comédia boba goste de algo completamente introspectivo e que pontue ideias diferenciadas durante sua concepção. Ou seja, talvez você veja Selton Mello e Seu Jorge no pôster de "Soundtrack" e se interesse para ver qual ideia a trama vai mostrar e se não for realmente fã de dramas filosóficos com uma pegada até que bem ousada por trabalhar frio, solidão, músicas, ciência, entre outros pontos, certamente irá sair da sessão se perguntando o que foi fazer naquela sala. Não digo em momento algum que o longa soe cansativo, seja ruim, ou chato, só que é daqueles que só quem realmente gosta disso, irá gostar do que verá, pois o trabalho da dupla de diretores 300ml (Bernardo Dutra e Manitou Felipe) é algo bem elaborado, feito com minúcias, e que mostrou que nem sempre você será bem recebido por uma equipe.

A sinopse nos conta que o fotógrafo Cris viaja para uma estação de pesquisa polar, onde pretende realizar selfies para uma exposição de arte. Sua ideia é reproduzir em imagens as sensações causadas pelas músicas de uma playlist selecionada para a experiência. Lá ele se surpreenderá com visões de mundo completamente diferentes, na companhia de quatro cientistas que se dedicam a projetos grandiosos: Cao, botânico brasileiro que investiga a flora em situações extremas; o britânico Mark, especializado em aquecimento global; o biólogo chinês Huang e o pesquisador dinamarquês Rafnar. Juntos, eles descobrirão novos pontos de vista a respeito da vida e da arte.

Desconhecia o trabalho dos diretores, que conseguiram fazer de seu curta-metragem ("O Código Tarantino") um viral que pegou o mundo e deu certo (ainda não conferi, mas pretendo o quanto antes para saber o motivo do furor) e agora com sua estreia em longas-metragens, eles mostraram que sabem bem o que desejam com suas produções e trabalharam suas cenas com um intimismo bem colocado tanto por parte do roteiro bem dosado de ideias, quanto pelas escolhas de ângulos para incumbir a trama como algo mais abrangente. Confesso que nem todas as ideias conseguiram me pegar, mas isso mostra que o filme foi feito para diversos momentos e situações do público, criando "mais" do que um único filme para se assistir, e sim vários que irão se conectar com cada pessoa de modo diferente. Talvez para ficar perfeito, o longa devesse focar mais no nome realmente que é algo incrível de se pensar, pois uma trilha sonora diferente irá nos fazer enxergar um filme, uma paisagem, ou até mesmo uma foto de uma forma diferente, e com isso a proposta trabalharia junto com as diferentes personalidades dos cientistas na base e criaria uma perspectiva mais ampla, ou seja, seria um longa pontual e bem colocado, mas ao trabalhar síndromes, reflexões e até mesmo distopias, o longa acabou tomando um ar levemente cult e se perdeu um pouco, não fechando da melhor maneira possível.

Sobre as interpretações, todos que já leram minhas críticas sabem que pego muito na expressão de Selton Mello, e aqui não vai ser diferente, pois ao demonstrar excesso de seriedade com seu Cris, o ator diversas vezes parece mais emburrado do que qualquer outra coisa (parecendo aquelas crianças marrentas), mas nos momentos que trabalhou um pouco mais de densidade com os diálogos, conseguiu se expressar bem, e mostra o quanto de boas técnicas de direção ele já vem pegando nos últimos anos e só tem a melhorar, ainda prefiro ele atrás das câmeras do que na frente, mas isso vai ser algo difícil de tirar dele. Agora mesmo com poucas cenas para demonstrar um estilo expressivo forte, Seu Jorge conseguiu mostrar muita personalidade com seu Cao, colocando um inglês firme e bem trabalhado, forçando o semblante algumas vezes, mas aparentando cada dia melhor na atuação, quem sabe em breve protagonize algo maior e chame ainda mais atenção. Ralph Ineson colocou um tom forte na interpretação de seu Mark, mas também demonstrou uma vivência bem interessante que provavelmente estava descrita nas características do personagem, e com isso mesmo com muita truculência vamos nos afeiçoando a ele, e ficando com um final bem pontuado e bacana de ver por sua parte. Mesmo com um elenco bem enxuto, Thomas Chaanhing e Lukas Loughran ainda conseguiram chamar menos atenção ainda com seus Huang e Rafnar, só sendo lembrados realmente quando falavam com eles, ou faziam alguma ação mais impactante, como os momentos de controvérsia do chinês com o brasileiro, mas tirando isso, quase passam despercebidos na base, mesmo a ideologia do personagem chinês sendo algo bem trabalhado.

Outro trabalho magnífico da produção foi a de filmar quase que o longa inteiro em estúdio, na Islândia claro, e tudo parecia perfeitamente bem colocado no meio de uma imensa geleira, e com muita simplicidade, tudo ficou agradável, singelo e perfeitamente parecido com o que deveria aparecer na tela, e claro que sempre quando temos muito frio, neve, gelo, roupas pesadas, o longa acaba entrando numa densidade maior, a equipe de arte foi bem centrada para que seu longa não ficasse duro demais com poucas cores, sempre apoiando um detalhe aqui, outro ali, e o resultado ficou muito bom. Quanto da fotografia, sou suspeito, afinal todo longa com neve e gelo, o branco fica tão perfeito que qualquer ângulo escolhido a luz estourava bem levemente dando contrastes bem pontuais e interessantíssimos de acompanhar, ou seja, um ótimo trabalho técnico.

Não localizei a trilha sonora do filme para compartilhar o link, mas como o próprio nome do filme diz, ela é importantíssima para a maioria dos momentos, e os diretores falaram muitas vezes em depoimentos que diversas cenas foram feitas a partir da trilha, e não o contrário como costuma ocorrer, e cada momento bem marcado, pontuado por sons diversos, outros sem som nenhum deram um ritmo tão bem colocado que acabamos realmente entrando no clima do longa.

Enfim, é um filme diferenciado, que poderia ser daqueles de tirar o chapéu arrepiando em cada momento de tensão e que acabaria criando um clima magistral, porém acabou reflexivo demais para acabar simples demais, e assim sendo, é um filme que quem gostar do estilo irá sair bem feliz da sala, mas quem não gosta de longas introspectivos vai achar o maior porre da face da Terra. Volto a frisar que é algo que merece ser visto, mas com as ressalvas que fiz acima, e principalmente pontuando que não é um longa para todos os gostos. Bem é isso pessoal, fica assim sendo minha recomendação para esse longa nacional, quase todo falado em inglês, mas volto amanhã com o blockbuster da semana, então abraços e até breve.

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Meu Malvado Favorito 3 em Imax 3D (Despicable Me 3)

6/30/2017 02:02:00 AM |

Quando vamos ao cinema conferir uma animação, o mínimo que esperamos é uma boa diversão com toda a história, e que por ser uma continuação ela mantenha a essência original, e com "Meu Malvado Favorito 3" não temos dúvida que a meta foi cumprida, pois diverte do começo ao fim, principalmente pela ideia oitentista com as canções do vilão do longa, faz boas piadas com os bichinhos amarelos, e consegue desenvolver bem uma história bem paralela (talvez alguns arcos a menos e um maior desenvolvimento de outros) para envolver o público desde o começo e  fazer com que a criançada (e claro muitos adultos também) entrem no clima e saia feliz com o que é apresentado. Não digo que foi o melhor que poderiam ter feito, pois diferente dos outros que o 3D foi bem explorado, aqui temos pouquíssimas cenas com a tecnologia, e talvez tenham exagerado no enfoque do vilão, esquecendo um pouco os demais personagens bacanas da trama, mas isso é algo que quem quiser mais história irá reclamar, pois quem for querendo ver as bagunças, essas sim existem aos montes. Ou seja, uma boa sessão pipoca para levar a garotada, gastar alguns trocos com os brindes das bombonieres, lanchonetes, supermercados e afins, e se divertir sem pensar em nada.

A sinopse do longa nos conta que nos anos 1980, Balthazar Bratt fazia muito sucesso através de sua série de TV, onde interpretava um vilão chamado EvilBratt. Entretanto, o tempo passou, ele cresceu, a voz mudou e a fama se foi. Com a série cancelada, Balthazar tornou-se uma pessoa vingativa que, nas décadas seguintes, planejou seu retorno triunfal como vingança. Gru e Lucy são chamados para enfrentá-lo logo em sua reaparição, mas acabam sendo demitidos por não terem conseguido capturá-lo. Gru então descobre que possui um irmão gêmeo, Dru, e parte com a família para encontrá-lo no país em que vive.

A grande sacada para manter a essência dos demais filmes da franquia está sendo manter os mesmos roteiristas, diretores, artistas gráficos iniciais e ir subindo os melhores para posições melhores, e tem sido assim desde o segundo filme, passando pelo derivado "Minions", agora no terceiro longa, e já confirmado os mesmos em "Minions 2", ou seja, enquanto der para tirarem boas piadas com os bichinhos amarelos, eles vão explorar e se mantiverem a diversão nem iremos reclamar, ou melhor, vamos falar um pouco também, afinal o que vimos nesse longa foi um exagero sem precedentes a quantidade de tempo que deixaram para com o vilão, mas apenas em duas cenas rápidas mostraram que Gru já tentou pegar ele outras vezes, ou seja, acabou ficando um pouco jogado isso, além de que tentaram também mostrar rapidamente as tentativas de Lucy em ser realmente uma mãe, e deixaram pouco tempo para isso, ou seja, poderiam ter explorado mais coisas familiares ou atacar de vez a briga com vilões, não ficando nem lá, nem cá. Agora quanto dos minions, foram sábios em manter quase um longa paralelo com eles, não necessitando estar junto dos personagens principais, e por mais incrível que possa parecer, o arco "dramático" deles funcionou demais, mostrando seu desespero por comida, sua participação num show, seus momentos na cadeia, o momento do líder com seu malvado favorito, e claro sua volta para casa, ou seja, algo com começo, meio, flashback e fim perfeitos, de modo que certamente a continuação do seu filme solo irá funcionar muito bem (talvez usando a forma como encerra o longa, ou não!).

Quanto dos personagens não vou ser hipócrita que os amarelinhos chamam toda atenção para si, e divertem sozinhos como já disse acima, porém temos de falar dos demais também, e certamente o destaque vai para a pequena Agnes com sua fofura, ternura e desenvoltura na busca por seu unicórnio, e claro que vemos ela como uma pequena minion mulher, e isso nos diverte demais, e claro que as suas aventuras ainda cabem bem junto da irmã Edith que tem idade próxima. Já Margot também consegue sair muito bem na sua desenvoltura já de adolescente, e mesmo que aqui tenha funcionado o que fizeram, talvez num próximo longa já comece a ficar complicado, afinal teremos ela praticamente adulta (seria uma nova vilã ou agente?). Gru e Dru literalmente se complementam, como praticamente todos os gêmeos do mundo, um é rico, o outro está desempregado, um é fracassado como vilão para o pai, o outro adorado, ... e por aí vai, e suas trapalhadas em equipe acaba sendo bem colocadas na trama, mas a grande sacada ficou por Leandro Hassum (dá para ele ficar apenas dublando que é muito melhor que atuando?) usar dois tons semelhantes de voz, mas pontuando formas de fechamento sonoro para diferenciar, o que ficou muito legal de ver em uma dublagem, ou seja, ele mostrou a que veio e que o personagem já recaiu totalmente para sua persona. Maria Clara Gueiros deu um bom tom para sua Lucy, mas como sabemos bem da atriz, ela é uma ótima comediante, e talvez um tom mais cômico em sua voz agradaria bem mais de ouvir, embora sua personagem aqui não seja tão divertida, mas sim desesperada em ser algo. Agora sem dúvidas foi bacana, embora volte a frisar exagerado de tempo de tela, conhecermos Balthazar, com sua história, desesperos por manter a fama, ótimo contexto de época que foi trabalhado, visual lembrando ícones da época, e claro o bom tom de voz de Evandro Mesquita (quer alguém mais retrô para o papel???) que deu um show de dublagem, sem apelar para trejeitos, e deixando o personagem bem curioso de acompanharmos, ou seja, talvez se o filme ficasse só na sua briga com Gru seria algo genial.

No conceito visual, a trama trabalhou muitos elementos dos anos 80, como bonecos articulados, videos com ranhuras, joysticks de palito, jogos antigos como genius e cubo, entre outras coisas, e com isso montaram todo o ambiente de Balthazar, já do outro lado exploraram bem a riqueza de Dru, mostrando uma casa imensa, carros e elementos de vilania de primeira linha, tudo em meio a um país onde os porcos e queijo dominam a paisagem, ou seja, algo que poderia muito ser explorado, mas não foi, e quanto dos minions, as cenas na prisão são as melhores, mas muita coisa bacana foi usada de elemento cênico, mostrando que claro que ao subir diretores de arte para postos de direção geral, vão trabalhar bem a cenografia. Sobre o 3D, mesmo vendo numa tela imensa como é a Imax, ficou algo bem a desejar, com pouquíssimas cenas de profundidade e algumas cenas com elementos vindo em nossa direção, mas é notável a quantidade que poderiam ter trabalhado em cima, ou seja, talvez seja exagero, mas as crianças gostam de ver coisas pulando pra fora da tela, e certamente funcionaria bem dentro da proposta, portanto quem quiser ver sem a tecnologia, pode ir bem tranquilo que não vai perder nada.

Outro que merece os parabéns é o brasileiro Heitor Pereira, que sempre arrasa nas trilhas sonoras das animações hollywoodianas, e que aqui não decepcionou de forma alguma nas escolhas junto de Pharrell Williams pegando só a nata dos anos 80, e que claro vou deixar o link para todos escutarem muito. E claro que com tudo o que foi composto para o longa ainda tivemos um ótimo ritmo com as faixas solo, que você também ouve aqui.

Enfim, é algo bem divertido que poderia ser melhor ainda, mas que vai agradar a todos que forem esperando o básico de uma boa animação, e que sempre agrada pelas trapalhadas dos amarelinhos, então prepare o bolso ao ir para o cinema com alguma criança (alguns adultos também), pois é certeza de quererem souvenires dos cinemas, das lanchonetes, de mercados e por aí vai, afinal ficar só no filme vai ser bem difícil, mas não vá esperando um longa excepcional, pois não vai encontrar aqui. Ou seja, a diversão é garantida, mas faltou decidir de qual lado da diversão iriam explorar melhor. Bem é isso pessoal, fico aqui com a única estreia que não tinha conferido (afinal as demais já vieram no Festival Varilux) e volto na próxima quinta com mais textos (ou antes caso decida conferir o longa legendado também para comparar), então abraços e até breve.

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Meus 15 Anos

6/26/2017 12:40:00 AM |

Se você tem menos de 15 anos, sonha em ter seu primeiro relacionamento, uma bandinha e fazer uma festa de princesa ao completar seu debute, pode ir correndo para os cinemas conferir "Meus 15 Anos", caso contrário, tem outros filmes bons passando, inclusive nacionais. Digo isso sem nenhum pesar, pois o filme não é ruim, e sendo muito bem produzido vale como um bom entretenimento, porém é algo que só quem estiver dentro desse público alvo (ou seja mais velho e se sinta dentro dessa faixa também) vai conseguir gostar do longa teen lançado nessa última quinta-feira. Não digo que o longa não vá agradar pessoas mais velhas, mas é um filme muito fraco para isso, e só quem adentrar de espírito mesmo, gostar de produções singelas sobre bailes e brincadeiras da adolescência vai gostar da proposta, mas como frisei no começo do texto, o longa foi feito para um público-alvo fechado e nada mais, e sendo assim, vai dar a bilheteria e divertir esses, o resto, verá por tabela ao levar as pequeninas jovens.

O longa nos mostra que aos 14 anos de idade, Bia descobre que vai ganhar uma grande festa de 15 anos. Mas tem um problema: a garota sonhadora e apaixonada por música não tem muitos amigos para convidar ao evento, por ser pouco popular na escola. Ela conta com a ajuda do único grande amigo, Bruno, e do pai Edu para consertar a situação.

Em seu primeiro longa metragem, a diretora Caroline Fioratti não demonstrou muita ousadia, deixando tudo fluir de uma maneira bem simples para que a produção apenas acontecesse, não entrando em detalhes de nenhum momento, mas acertando principalmente no conceito de não fazer uma novela, nem algo seriado demais, trabalhando exatamente a trama como cinema, ou seja, uma história bem contada com começo/meio/fim em 103 minutos. Porém com uma "pretensão" musical, a trama poderia ter sido facilmente mais ousada e interessante para um público mais abrangente, não sendo feito apenas para os pequenos fãs de Larissa Manoela, pois talvez se trabalhasse mais as nuances de diversão, de cantoria da protagonista, e interagisse toda a dramaticidade para isso (seria completamente possível com o mesmo roteiro), teríamos algo tão empolgante nos melhores moldes de longas teen hollywoodianos de mesma temática e não apenas um filme romantizado para meninas florescerem sua ideia de maturidade emocional e de uma festa de 15 anos perfeita ou não. Não digo que ela tenha errado, pois ela fez o que estava previsto em roteiro, sendo algo básico de mostrar e atingir quem desejavam atingir, mas que certamente quem pegar a mesma história e desenvolver ela melhor com nuances e propostas maiores, certamente fará um longa incrivelmente belo e mais emocionante, pois aqui tudo anda numa reta quase sem emoções nenhuma.

Sobre as atuações, hoje ao pesquisar desconhecia que Larissa Manoela foi a garotinha do longa "O Palhaço", que já havia falado tão bem e que teria um grandioso futuro, pois bem, sua voz está cada dia melhor para cantar atuando, e já não comete tantos deslizes de expressões como mostrava nos dois longas "Carrossel", de modo que aparenta ter atingido um estilo singelo de olhares e pode ainda crescer bem mais para ficar ainda melhor de estilos, veremos que futuro terá mais a frente, pois aqui com sua Bia, o resultado expressivo agradou. Rafael Infante é comediante, e sabemos que faz isso muito bem, mas seu Edu ficou bobo demais, mesmo que o papel de pai da protagonista fosse alguém que anima festas infantis, pois talvez alguém mais sério chamasse menos atenção e agradasse mais. Embora não tenha feito nada de muito grandioso com seu Bruno, o jovem Daniel Botelho até agradou bem com sutilezas nos olhares, e mostrando uma amizade bonita com a protagonista, desenhando algo que pode ser que venha acontecer com um segundo filme (16 anos? 18 anos?? vai saber!!), mas por enquanto apenas mostrou boa perspectiva. O jovem Bruno Peixoto também agradou de modo geral com seu Thiago, sendo o tradicional bonitão do último ano que as garotas mais novas se apaixonam, mas que geralmente é o que menos presta, só poderiam ter trabalhado um pouco mais seu visual, pois ficou meio jogado demais na trama, e o garoto ter um pouco mais de falas. Victor Meyniel e Priscila (Polly) Marinho exageraram demais na interpretação dos organizadores da festa, e poderiam sem menos enfeitados, mesmo sabendo que geralmente pessoas desse grupo costumam ser histéricos desse jeito, mas em filme soa forçado demais.

O contexto visual da trama não é lá aquelas mil maravilhas, mas escolheram bem um colégio interessante para algumas interações, um local bacana para uma festa tradicional (usaram uma sacada bem jogada para não precisar criar realmente uma festa imensa de 15 anos, colocando docinhos num lugar, palco em outro e externa em outro, fazendo tudo parecer mais amplo, porém gastando bem menos) e ainda teve a festa na piscina que também abusou de pequenos ângulos para não realçar erros externos, ou seja, o filme foi esperto em simplicidade cênica, mas também faltou com a ousadia para criar vértices maiores.

Musicalmente o longa escolheu boas canções para representar cada momento, e o acerto foi bem encaixado, talvez a jogada de marketing na escolha de Anitta tenha sido bacana, afinal ela apenas cantou e não precisou interpretar nada, e ainda levará alguns fãs para conferir o longa só por ela, ou seja, uma ótima jogada!

Enfim, como disse logo no começo, se você tem garotas nessa faixa de idade, certamente vão ver o longa e curtir, portanto pode levar sem medo, agora caso contrário, guarde dinheiro que semana que vem tem minions e aí é garantia de acerto. Para os adultos certamente o longa mesmo bem produzido ficou faltando muita coisa para chamar atenção, ficando bem mediano, que será a nota que acabarei dando. Fico por aqui encerrando essa semana cinematográfica (depois de 20 dias diretos no cinema sem folga nenhuma - não que eu ligasse para isso!!), e volto na próxima quinta com mais textos, então abraços e até mais.

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O Círculo (The Circle)

6/24/2017 03:09:00 AM |

Sinceramente fico pensando o que leva o público ao cinema: entretenimento ou questões filosóficas? Pois antes de ir conferir "O Círculo" só ouvia pessoas falando de suspense raso, que não adentra muito às situações propostas, que falha em mostrar os conflitos em questões amplas, e por aí vai, tanto que fiquei até receoso do que veria na tela do cinema. Mas hoje ao conferir, acabei curtindo tanto a proposta, que "ataca" a essência de mídias que querem cada vez mais o público saindo do privado/particular e exponha toda sua vida, o que deseja fazer, o que está fazendo, em quem votou, como votou, e sendo obrigatório usar a rede para tudo (pagar contas, votar, escolher leis, etc), ou seja, algo que já vimos alguns dos peixões da internet (Google e Facebook, entre outros) tentarem fazer, de modo que ou o pessoal da crítica anda meio maluco e se perdeu na ideia completa querendo algo mais explícito e forçado, ou os peixões andam pagando alguns por aí e ainda não chegou dinheiro aqui no bolso do Coelho, pois o filme é muito interessante e bem trabalhado, claro que de modo fictício e utópico demais, e que talvez não necessitasse alguns excessos e a deixa para um segundo filme, mas de resto é algo incrível de ver e imaginar se fosse realmente real tudo da forma mostrada nele.

O longa nos mostra que "The Circle" é uma das empresas mais poderosas do planeta. Atuando no ramo da Internet, é responsável por conectar os e-mails dos usuários com suas atividades diárias, suas compras e outros detalhes de suas vidas privadas. Ao ser contratada, Mae Holland fica muito empolgada com possibilidade de estar perto das pessoas mais poderosas do mundo, mas logo ela percebe que seu papel lá dentro é muito diferente do que imaginava.

Talvez o pessoal tenha lido o livro e lá contenha um aprofundamento maior na ideologia da trama, e assim sendo esperavam bem mais do longa, mas posso dizer que o trabalho do diretor e roteirista James Ponsoldt foi algo inteligente e que consegue fluir bem, claro que ele poderia ter atacado muito mais essa moda que temos de compartilhar tudo de nossa vida e estar sumindo com o lado mais privado de tudo, acusado mais as empresas grandiosas que procuram saber de tudo e mais um pouco sobre seus usuários, mas para isso ele acabaria caindo em ataques de patrocinadores, o que sabemos que não é algo nada saudável, ou seja, de modo geral temos um filme que vai bem, é bem dirigido e cria uma leve "franquia" no molde de outras que trabalham um pouco com o modo de vida das pessoas. Claro que o livro de Dave Eggers é apenas um, mas o desfecho da trama aqui moldou uma possibilidade para o público ver muito mais num segundo filme, que aí sim seria algo bem perigoso de se mostrar, e aí veríamos se o diretor é realmente ousado e corajoso de atacar, mas isso só veremos se der bilheteria, pois se depender da crítica especializada, o longa vai ser bem esquecido, e como já frisei, é uma besteira imensa, pois quem for disposto a acreditar (e já conhecer um pouco do que ocorre no mundo das mídias sociais de conteúdo) vai ficar bem indignado com tudo o que fazem para saber e influenciar cada vez mais o público comum. Se posso apontar um defeito técnico, que nem é bem um defeito, seria algo que já vimos em outros filmes que é de traduzir textos que aparecem na tela, pois costuma ficar bem legal, claro que aqui quiseram mostrar que haviam diversas línguas falando com a protagonista, mas quem não souber um pouco de inglês (ao menos) perderá muita coisa bacana visual que aparece na tela.

Sobre as interpretações, podemos dizer que Emma Watson está cada vez mais próxima de ser presença confirmada na maioria das produções, pois depois de fugir um pouco dos cinemas para esquecermos sua Hermione, agora andamos vendo ela fazendo todo tipo de personagem possível, e aqui sua Mae é alguém bem intrigante e cheia de nuances expressivas, porém um pouco ingênua demais em alguns momentos, apática demais em outros, e exagerada em outros, oscilando demais de personalidade para um único papel, e talvez isso pudesse ser melhor trabalhado com uma direção mais efetiva de elenco. Digo isso de problemas de direção de atores, pois Tom Hanks que não costuma falhar, fez excessos de caras e bocas também com seu Bailey, e se talvez tivesse aparecido mais no longa iria soar até estranho, não digo que o que ele fez seja algo ruim, mas parecia um personagem inferior fronte a toda sua potência, tanto que em sua melhor cena de apresentação (no melhor estilo Bill Gates de ser) chega a arrepiar, mas depois fica morno demais. John Boyega foi quase um fantasma no longa com seu Ty, aparecendo e sumindo das cenas misteriosamente (isso é explicado por ele mesmo em determinada cena), e caso haja um segundo filme certamente será muito importante sua participação maior, pois o ator como bem sabemos é muito bom, e precisa aparecer mais para explodir. Diria que a personagem Annie de Karen Gillan é a que mais oscilou de personalidade na trama, parecendo ser dirigida em dois momentos completamente diferentes, no começo com uma empolgação completamente insana (mesmo demonstrando dormir pouco e sob efeito de muito energético), e depois numa apatia tão icônica que chega a ser desesperador de ver, nem parecendo ser a mesma pessoa interpretando, e embora seja plausível dentro da trama isso, ficou estranho por não parecer a mesma atriz fazendo os dois momentos. Ellar Coltrane finalmente pode esquecer seu personagem de 12 anos filmando "Boyhood", e o mais engraçado é que seu personagem Mercer tem aversão de câmeras, foge de redes sociais e tudo mais, numa grandiosa ironia frente a alguém que passou muitos anos tendo sua "vida" fictícia filmada por um único diretor, mas ainda precisa melhorar muito para agradar de trejeitos, pois estava duro demais nos momentos "não" romantizados. Em seu último filme gravado (já que morreu em Fevereiro/2017 após complicações em uma cirurgia cardíaca) Bill Paxton teve até que uma boa homenagem se mostrando (mesmo que não como desejava) que pessoas doentes (aqui com esclerose múltipla) também se divertem entre quatro paredes, de modo que seu Vinnie (ou pai da protagonista) acaba sendo interessante e poderia até ter sido trabalhado um pouco mais em cima disso na trama.

O visual do longa é um pouco bagunçado, pois ao mesmo tempo que mostramos um lugar maravilhoso como central da empresa Círculo (remetendo muito as centrais maravilhosas do Google e do Facebook) com festas, pessoas trabalhando e se divertindo e tudo mais, com uma cenografia incrível, computadores e celulares da marca própria da empresa e por aí vai, tivemos uma lagoa/mar completamente sujo e estranho (poderiam ter optado filmar em algum lugar mais interessante) que depois fica completamente diferente na cena seguinte (embora explicado o motivo de estar tão prateado) e acaba resultando em algo destoado, parecendo assim como disse nas atuações, sendo feito em dois momentos completamente diferentes. Porém de modo geral, tudo acaba bem ousado e divertido de acompanhar se formos conectando as grandes empresas que já citei aos montes. Quanto do conceito fotográfico, tivemos boas cenas bem iluminadas dentro da empresa, nas apresentações com luzes de celulares ficando como parte da iluminação, mas as cenas na lagoa necessitariam ser melhores pensadas, pois no escuro completo não quiseram fazer uma iluminação falsa e ficou escuro demais, estragando a ideia que a protagonista conta de sua visão, ou seja, com problemas técnicos para serem pensados numa continuação.

Enfim, é um filme bem interessante de se acompanhar, e que de uma maneira bem utópica se não levado como entretenimento fictício pode mostrar muito de que o mundo está tomando um rumo problemático com tanta invasão de privacidade alheia que vemos por aí. Claro que volto a frisar que a ideia do filme não é acusar nada nem ninguém, mas dá para se refletir bastante divertindo com a proposta completa e assim funcionando como deveria. Friso que como disse na maior parte do texto temos diversos defeitinhos, e aparências de ser filmado de duas maneiras completamente diferentes em épocas diferentes o que causou uma leve estranheza, mas nada que atrapalhe a experiência e diversão propostas. Portanto se você gosta de um filme interessante que vai trabalhar seus pensamentos, sem exigir que você se aprofunde no assunto, esse vai ser seu filme, e certamente gostará muito do que verá, mas se você gosta de algo mais elaborado, que realmente possa servir de base para mostrar problemas da sociedade atual, o resultado aqui vai ser decepcionante. Bem é isso pessoal, deixo assim minha recomendação para qual tipo de público o longa foi feito, e veremos se vão ter culhões para uma continuação mais ousada, ou se vamos ficar apenas com a ideia em nossa mente do que foi mostrado no final do longa. Encerro aqui esse texto, mas volto em breve com a última estreia da semana, então abraços e até logo mais.

PS: Fiquei tentado a dar nota 8, mas como pontuei tantos defeitinhos, achei melhor ficar com 7, mas é um bom filme para quem não reparar tanto em erros técnicos.

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Ao Cair da Noite (It Comes at Night)

6/23/2017 01:48:00 AM |

Vou ser bem sincero e começar o texto contando a grande sacada de "Ao Cair da Noite", que é o de deixar você esperando o filme inteiro com luzes quase na penumbra, e nada (ou quase nada) acontecendo, de modo que podemos apelidá-lo de o filme do "agora vai", pois a cada novo momento falamos: "agora vai dar merda", "agora vai aparecer alguém", "agora o cara vai trair ele", "agora ele fica doente", "agora vai rolar algo", e é assim o longa inteiro, pois a trama cria uma tensão em si, mas só cria e nada conclui, deixando de um modo simples a tensão dominar o espectador e não causar nada mais do que o simples medo de algo acontecer (que nada mais é do que o medo tradicional das pessoas, de que a qualquer momento estando protegidos ou não em nossas casas, o mal pode acontecer). Claro que aqui temos o medo da doença (que não chega a ser explicada qual é, pode ser qualquer uma bem contagiosa e que está acabando com o mundo), o medo do desconhecido, o medo da floresta, o medo da falta de comida, vários medos rondando a família principal e até mesmo a família visitante/secundária, porém assistimos o filme esperando tanto acontecer algo, que o não acontecer (ou melhor sem dar spoiler, o que acontece) é pouco demais para sairmos vibrando do longa e muito demais para falarmos que gostamos do que vimos. Ou seja, é daqueles filmes que críticos que amam filosofar vão falar horrores sobre todas as causas efêmeras da vida cotidiana, da realidade abstrata dos elefantes voadores, de teses sobre filósofos que nunca ouvimos falar sobre, mas que o Coelho que já vai no pé do ouvido diz: "não sei se gostei, e tenho mais certeza ainda que muitos vão odiar!", pois até dá para filosofar muito (aliás o primeiro parágrafo já está imenso), mas o longa é mais simples do que gastar tanto tempo falando, e vai ser o tradicional ame-o ou deixe-o, e haverá os malucos como eu que vão ficar em cima do muro sem saber o que achou.

A sinopse nos conta que Paul mora com sua esposa e o filho numa casa solitária e misteriosa, mas segura, até que chega uma família desesperada procurando refúgio. Aos poucos a paranoia e desconfiança vão aumentando e Paul vai fazer de tudo para proteger sua família contra algo que vem aterrorizando todos.

Não posso em momento algum falar que o que o diretor e roteirista Trey Edward Shults fez em seu segundo longa seja algo ruim, pois ele consegue causar tensão, mas faltou fazer algo com essa tensão ou trabalhar um pouco mais a história para que o filme ficasse realmente completo, não sendo apenas um esquete barato de situação. Claro que isso é uma opinião de quem gosta de longas mais colocados, aonde tudo vai acontecer, aonde o protagonista busca um mote, etc, mas para quem gosta de longas 100% abertos aonde tudo fica ali sem muita dinâmica, o resultado chega a ser incrível. Como vocês devem estar percebendo, esse Coelho que vos digita já se contradisse umas 3 ou 4 vezes enquanto escreve o texto, e essa é a segunda sagacidade da trama, ela ao mesmo tempo que faz você odiar o que viu, também faz amar a ideia inteira em si, pois é ao mesmo tempo completa como um longa de tensão, e extremamente falha como longa de situação, ou seja, seria melhor o diretor ter definido o que desejava com a trama e ter entregue algo pronto para agradar um estilo só, não deixando que as duas frentes florescesse, e sendo assim, lhes garanto que o trabalho dele seria espetacular, não que aqui tenha entregue algo ruim. Diria que o longa se assemelha muito no estilo de "Sinais", "A Vila", entre outros e quem gostar desse estilo, talvez saia muito feliz com o longa, pois acredito que o diretor tenha se embasado nessas obras para complementar sua ideia. Outro detalhe que pode até ser considerado um spoiler sobre a doença é que vemos em determinado momento uma obra de arte sobre o desespero tomado pela peste negra, aonde todos estão se matando para tentar se salvar, e o filme toma bem essa dimensão mesmo em diversos momentos, ou seja, salve-se quem for mais esperto.

Sobre as atuações, diria que todos se expressaram bem, demonstrando medo, tensão, nervosismo, raiva, tristeza e até desejo em alguns momentos, transmitindo bem os sentimentos através de olhares, trejeitos e muita expressão corporal, de modo que no devido tempo de tela de cada um conseguiram ser coerentes com o que a trama desejava passar. Joel Edgerton é um ator de renome, e consegue fazer bem os papeis que caem em suas mãos, mas aqui ele aparentou uma idade bem mais velha do que ele possui, e ficou um pouco estranho, claro que como produtor do longa ele faz o que quiser, mas talvez um ator desconhecido mais velho caísse melhor no papel de Paul. Kelvin Harrison Jr. tem tudo em suas mãos para ser um daqueles atores que se encontrar o papel certo irá despontar como um dos grandes nomes do cinema, pois sabe dosar suas emoções, mudando-as rapidamente, e seu Travis embora abusado demais, é um personagem que ele soube trabalhar bem. Outro que soou um pouco estranho no papel foi Christopher Abbott, pois seus momentos embora dúbios ficavam sempre enrolados em trejeitos jogados ao ar, de modo que começou bem com seu Will, fluiu mediano e terminou fraco demais para chamar a atenção. Quanto das mulheres, podemos dizer que tanto Carmen Ejogo com sua Sarah quanto Riley Keough com sua Kim foram determinantes nos momentos mais impactantes, forçando as expressões para que tudo impressionasse e não ficasse jogado como o diretor tanto queria no início, claro que poderiam ter feito muito mais, mas ainda assim conseguiram um bom destaque.

Por ser um filme de baixíssimo orçamento, "apenas" 5 milhões, a trama ficou com uma casa em meio a uma floresta, uma caminhonete, algumas madeiras, pratos, lanternas, desenhos, giz de cera, e nada mais, trabalhando claro um pouco com a maquiagem nas cenas mais "aterrorizadoras" e alguns panos espalhados pela casa, deixando a arte do filme bem crua de elementos, e trabalhando com quase nada para demonstrar simbolismo (que é o que mais falta no longa), tirando claro o momento do sonho do garoto com o quadro que citei no começo, que aí é talvez o ponto mais chamativo para a doença em si. Detalhe, ainda não achei um significado alegórico possível para uma porta vermelha, talvez alguém possa filosofar mais a respeito nos comentários! Agora como todo bom longa de terror/suspense, a fotografia é quem mais trabalha, e a trama só funciona pelo ótimo trabalho de Drew Daniels que com pouquíssima luz criou as boas cenas de tensão e deixou que o imaginário do público trabalhasse por ele, usando bem as sombras da lanterna de mão e da arma, conduzindo as jogadas de luzes dentro da floresta, e tudo mais que pudesse criar um clima, ou seja, um grandioso acerto que pode lhe render convites para filmes maiores do gênero.

Enfim, é um longa que não apela para nada, e que vai fazer o público sair da sala pensando realmente se gostou ou não por tudo que falei acima. Não digo que foi o melhor longa do gênero, mas também ficou muito longe de ser o pior. Como disse, aparecerão diversos críticos filosóficos sobre cada momento da trama, e sim, o longa tem esse objeto de ser mais pensado, porém prefiro escolher ele como algo do quase, do "agora vai", e que com isso conseguiu criar uma certa tensão sem precisar de cenas com sangue, espíritos, monstros, bruxas e afins, mas que poderia ser imensamente maior e melhor (ao menos na minha opinião!). Portanto se você gosta de criar tensão imaginária, refletir sobre medos, e não se assustar com nada, talvez esse seja um dos melhores filmes do estilo, mas se você gosta de suspenses/terrores daqueles para sair arrepiado do cinema, esse não vai lhe agradar de forma alguma. Sendo assim, veja qual estilo lhe agrada mais, e vá ou fuja do longa. Por enquanto fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais uma estreia, então abraços e até breve.

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