Os Penetras 2 - Quem Dá Mais?

1/20/2017 01:44:00 AM |

Juro que vou me esforçar para falar algo de um filme que não poderia nem considerar como longa-metragem, pois se tirarmos trailers, créditos de abertura, créditos de encerramento e tudo mais de enrolação que colocaram não deve chegar nem perto do tamanho mínimo exigido, e além disso, "Os Penetras 2 - Quem Dá Mais?" poderia ser considerado mais facilmente como um episódio pós-cena do primeiro filme, já que praticamente nada demais acontece, e para piorar é classificado como comédia, e faz rir mais ou menos (pra não falar que foi um mero esboço de sorriso) nas cenas que já apareceram no trailer, ou seja, triste ver uma sala de cinema com um filme de comédia passando e não termos risadas (para pelo menos rir daquele tiozão que ri com uma voz tosca). E sendo assim, tentarei explicar um pouco mais nas próximas linhas argumentando algo que já falo em claro e alto bom som: FUJA dessa bomba, pois tem muitos filmes melhores passando nas salas do cinema!

O longa mostra que um bom golpista não perdoa nem o melhor amigo. No início da história, encontramos Beto desolado por ter sido enganado por Marco. Internado em uma clínica psiquiátrica, Beto é surpreendido por uma notícia que muda os rumos de sua vida e de seus parceiros Laura e Nelson. Em seguida, os três conhecem Santiago, um milionário sedutor, e Oleg, um mafioso russo. De golpe em golpe, eles vivem uma das maiores confusões de suas vidas.

Se em 2012 fui só elogios para o primeiro filme, eis que cinco anos depois conseguiram me deixar ao mesmo tempo nervoso com o que vi e inconformado de ver algo que não posso julgar como um filme. Claro que um dos grandes motivos disso é a facilidade de encontrar culpados, pois na época os humoristas do filme já eram razoavelmente famosos, mas não tanto como são hoje, e agora o que era engraçado antes precisa ser forçado para parecer engraçado. Ou seja, Andrucha Waddington até tentou colocar a loucura de Sterblitch como ponto interessante, mas foi na sexualidade que tentou fazer graça, e acabou apelando demais para fazer rir na única cena realmente engraçada da trama (a qual já está no trailer). É fato também que a sede de lucro é algo que atrapalha muito uma produção, e se em 2012 conseguiram mais de 4,5 milhões de espectadores, imaginariam que apelando novamente e fazendo um filme "rápido" voltariam a desfrutar do mesmo resultado, e posso estar bem errado, mas aqui a ideia não vai convencer que o público veja mais que uma vez, o que aconteceu da outra vez, pois a graça não existiu, assim como faltou história para poderem desenvolver mais a trama, já que no primeiro filme a ideia era ser penetra em festas de luxo e lucrar com isso, agora a ideia é só lucrar não sendo penetra de nada (até tem uma cena assim, mas nem dá pra considerar), ou seja, perderam a essência, e o resultado foi triste.

Que Marcelo Adnet e Eduardo Sterblitch são dois caras que forçam o riso todos sabemos, e chega a ser interessante ver eles fazendo semblantes bem montados para chamar atenção no filme a todo momento, de tal maneira que os demais personagens quase somem. E já que começamos a falar dos protagonistas Sterblitch fez tantos trejeitos na trama, que sua ingenuidade bacana misturada com a loucura do seu personagem Beto parecem fazer parte do humorista, e a cada cena sua ele vai incorporando mais e exagerando mais até o ponto de não aguentarmos mais ver suas falas, mas por mais incrível que pareça, ele reverte tudo e consegue largar ainda aberto o filme, o que não é legal de se pensar num terceiro longa da série. Embora Adnet funcione aqui mais como um conselheiro espiritual para o protagonista, ele chega a incomodar trabalhando seu tradicional sorriso forçado, de tal forma que seu Marco até poderia ser um personagem muito interessante se o ator não forçasse tanto a barra. Mariana Ximenes definitivamente resolveu morar nos cinemas, e claro sempre opta por trabalhar uma sensualidade bem encaixada nas suas personagens, e embora sua Laura tenha bem menos participação nessa continuação, a atriz até mostrou bem seus ares de malandra e poderia até agradar mais se tivesse mais cenas. Stepan Nercessian é um ator múltiplo e sempre consegue transformar as cenas de seu Nelson, só é uma pena assim como Mariana ser usado tão pouco em cena, e quando usado forçado para agradar, pois o ator certamente teria potencial para agradar. Já disse inúmeras vezes que é difícil gostar de qualquer papel de Danton Mello, e aqui ainda não foi dessa vez que seu Santiago conseguiu chamar atenção, até caiu bem com o começo charmoso, as boas cenas na mansão, mas depois foi só destoando e exagerando em trejeitos, até começar a desaparecer para que os protagonistas dominassem a tela. O ator russo Mikhail Bonnikov foi divertido de ver pela diversão que deu para seu Oleg, de tal forma que acabou entrando tanto no clima da trama que parecia nem mais estar atuando nas últimas cenas, e acabou saindo melhor do que a encomenda, porém a galera que não curte um filme legendado irá reclamar demais pois o filme ficou quase 60% legendado devido o ator estar bastante em cena.

Felizmente com o tanto que o filme anterior arrecadou, e mais as diversas parcerias entre produtoras, e claro aquela velha arrecadada de fundos de leis de incentivo, a equipe de arte teve bastante dinheiro para arrumar cenas em mansões imensas, ilhas bem montadas, cenas em helicópteros e até mesmo uma casa de leilão bem chique, ou seja, um trabalho que se fosse melhor usado para representar os momentos e menos usado apenas de pano de fundo, ajudaria e muito o longa a ganhar uma qualidade melhor, pois foi algo ao menos bonito de se ver. Sobre os tons da fotografia, jogaram cor em tonalidade completa para tudo, sem ter qualquer tipo de nuance diferenciada para mostrar o personagem de Adnet como uma miragem/loucura ou assombração, e isso é um defeito gigante que poderiam ter trabalhado melhor.

Enfim, volto a frisar que não tem como recomendar o longa para ninguém, e a nota só não será menor pelos atores que citei acima terem feito boas cenas e pelo visual da trama que acabou agradando, mas de forma alguma uma continuação merecia ser jogada sem um tema real para propor uma história e acabar sendo apenas um adendo do pior estilo de uma cena pós-crédito que poderia facilmente vir no DVD do primeiro filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia que apareceu pelo interior, então abraços e até lá.

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xXx: Reativado em Imax 3D (xXx: Return of Xander Cage)

1/19/2017 02:49:00 AM |

Se você for assistir algum filme de ação sem limites esperando ver um roteiro fantástico ou qualquer tipo de dramaticidade introspectiva, você não pertence a esse mundo, pois o que todos querem ver é tudo sendo destruído, muita correria, tiros e explosões para todo lado, muita paia em cenas improváveis, mulheres (e claro o protagonista) sensualizando com pouca roupa, piadas bem encaixadas, e claro se o filme for 3D que a tecnologia surpreenda ao máximo. E se você quer ver todas essas qualidades em um único filme, vá para o cinema conferir "xXx: Reativado" na maior sala possível, pois o filme faz valer cada momento colocado, criando diversas possibilidades para continuações, e o melhor, colocando personagens antigos conectando momentos e referências de diversos outros filmes, claro também usando excelentes novos personagens. Ou seja, é diversão na medida certa para quem quiser um bom programa de ação nos cinemas.

O longa nos mostra que Xander Cage desiste de sua aposentadoria quando entra em conflito com o guerreiro Xiang e seu grupo. Os dois se enfrentam em uma corrida desenfreada para recuperar uma poderosa arma, conhecida como "Caixa de Pandora". Após recrutar um novo grupo de soldados em busca de emoção, Xander se envolve em um plano mortal que aponta para uma conspiração nos mais altos níveis dos governos mundiais.

Não diria que foi uma grande fonte de inspiração, mas certamente o diretor D.J. Caruso resolveu juntamente com o roteirista F. Scott Frazier, que não bastava ser apenas mais um filme de ação com manobras radicais como aconteceu na continuação de 2005, em que praticamente a franquia desabou de um excelente filme para algo que praticamente todos odiaram, e ao ver nesse meio tempo a franquia "Mercenários" mostrando muita diversão com ação descontrolada, teriam de seguir uma linha nesse estilo. E certamente a palavra controle não existiu no vocabulário do diretor, pois quanto mais improvável uma cena pudesse ser, lá estava ele colocando seus protagonistas no meio atirando (vide a cena com os protagonistas num depósito com tantas armas quanto pudéssemos imaginar - completamente insana), correndo (veja a cena no meio dos carros - loucura completa), voando sem gravidade (vide a cena do avião - maluquice nível épico) ou até mesmo apenas com uma moto completamente turbinada no meio de uma floresta, aonde terra voa para todo lado com o ótimo 3D. A grande sacada do longa foi sim ter uma base na história, mas nada de muito complexo e que nem vai surpreender pelo desenrolar da trama, mas que amarra bem as pontas (o que é de suma importância), mas sim todo o conteúdo estético que a tecnologia proporcionou para ter um ritmo incrível e que o elenco estivesse disposto a trabalhar bem para todas as cenas parecerem o mais reais possíveis (mesmo que fossem feitas por dublês). E sendo assim, saiu feito uma locomotiva desenfreada botando tudo no miolo desse contexto de uma forma bem divertida, carismática e gostosa de curtir.

Quanto do elenco, podemos dizer que foram bem escolhidos de acordo com as qualidades de cada personagem, e todos acabaram bem encaixados para suas diversas cenas de ação, e claro que com um bom carisma representaram bem as piadas também que seus personagens acabam caindo. Se no começo da carreira de Vin Diesel me falassem que ele soaria como alguém que sensualiza e que as mulheres ficariam apaixonadas por ele, diria que essa pessoa ficou maluca, mas com o passar dos anos, o ator já mega milionário tem trabalhado seu carisma e forma de interpretar de uma maneira tão cafajeste e bem montada que praticamente todos seus personagens estão sendo moldados em cima disso, e ele faz bem todo esse charme com seu Xander Cage, mas muito além desse mote, o ator mostrou um desempenho perfeito nas cenas de ação que remontam a veracidade original da franquia que nasceu há 15 anos, e que com a desenvoltura criada aqui, pode certamente vir outros longas (que inclusive já confirmaram um quarto filme) que não farão feio nas bilheterias se depender do ator. Montaram tanto a personalidade de Toni Collette com sua Jane que chega a ser assustador suas expressões faciais (está parecendo que foi colocada no formol ou algo do tipo), e embora não seja a personagem mais importante da trama, merecia um pouco mais de cuidado com armas e porte, pois na sua cena com uma arma na mão não convence de forma alguma, e é motivo de riso. Em compensação Ruby Rose mostrou-se impactante tanto na postura (a qual defende muito bem) quanto no estilo empregado para que sua Adele Wolf fosse os olhos do protagonista fora do enquadramento que estivesse posicionado, e a atriz caiu tão bem no papel, que chegaria ser interessante um filme só seu talvez. Samuel L. Jackson é Samuel L. Jackson, e não preciso falar mais nada dele, pois se você já viu um filme dele, viu todos, já que assume sempre a mesma personalidade, e claro que não faria diferente com seu Gibbons. Do lado da equipe de Diesel ainda temos de pontuar as boas cenas divertidas de Kris Wu com seu Nickse Rory McCann com seu Torch, pois a dinâmica dos dois foi incrível. Já pelo outro lado, temos de pontuar a beldade indiana Deepika Padukone com sua Serena que além de um charme sedutor conseguiu trabalhar bem a interação com os demais personagens, a loucura incondicional de Donnie Yen com seu Xiang desenfreado para todas as cenas, e claro o lutador de MMA Michael Bisping botando todos no chão com seu Hawk, ou seja, se não fosse pelas cenas forçadas do maluquete Tony Jaa, seria uma equipe bem bacana também de acompanhar. Mesmo dando um leve spoiler, a aparição de Ice Cube veio como um bom acerto na produção, para mostrar que não guardaram rancores e ressentimentos para com seu Darius Stone do segundo filme. E claro, temos de falar da primeira atuação hollywoodiana de Neymar Jr. que fazendo ele mesmo acabou sendo uma boa piada, e não chegou a decepcionar nas poucas cenas.

Agora sem dúvida alguma o grande show da trama ficou a cargo da equipe de arte, pois como bem sabemos, uma produção cheia de destruição deve ser o mais realista possível, e com isso gastar muitos milhões de dólares, e claro que a equipe levou o longa para países mais "baratos" como República Dominicana, Filipinas, e deixou algumas poucas cenas para serem rodadas mais fechadas em Londres, o que não menosprezou o tamanho da produção, muito pelo contrário, pois o colorido interessante da produção nos pequenos países se tornou mais cinza ao cair na Europa, o que agrada também, mas dá um belo contraste cênico para as cenas que saem de planos abertos bonitos, para locais mais fechados e duros. Além disso, claro que muito digital também foi usado, principalmente nas cenas dentro do avião, para que tudo pudesse ficar do jeito que acaba ficando nas cenas finais, mas ainda assim, precisaram trabalhar bastante com diversos elementos cênicos para agradar em todas as cenas, e claro também muitas armas de todo tipo possível e imaginável. Como já disse, as boas escolhas de locações deram diversos tons para a equipe de fotografia trabalhar, e por mais incrível que possa ser, eles souberam dosar bem as cenas, para que a tecnologia usada para filmar funcionasse bem no resultado final, então temos um longa bem colorido que chama a atenção e não destoa da ação que se propõe. E claro, a velha pergunta: vale ver em 3D? Sim, e muito, pois o longa foi praticamente inteiro filmado com câmeras 3D, e pensado desde 2011/2012 quando se começou a falar numa continuação para ser rodado com a tecnologia que James Cameron usou em "Avatar", ou seja, um realismo completo que chega quase a arremessar terra e diversos pedaços de coisas no público, além de ótimas profundidades nas cenas mais abertas, parecendo que os atores estão voando em nossa direção, e sendo assim, mostraram uma das utilidades da câmera para ser usada de forma criativa no cinema de ação.

Enfim, um filme de primeira linha, no conceito à que se preza entregar (muita ação, muita diversão) e que dificilmente quem estava esperando uma continuação da franquia sairá decepcionado com o que verá, principalmente pelos bons momentos frenéticos, e pelo bom uso da tecnologia com ângulos bem encaixados. Ou seja, um filme que recomendo com certeza para quem gosta do estilo, e para aqueles que irão ao cinema procurando uma boa dose de adrenalina com cenas mais improváveis possíveis de acontecer. Claro que o filme possui muitos defeitos, seja no roteiro simples, ou até mesmo na forma de atuar de alguns atores/personagens, mas volto a frisar que pela proposta vale demais a conferida no maior cinema que puder encontrar (no caso recomendo sim ver em Imax 3D). Bem é isso pessoal, deixo meus abraços até o próximo texto e fico por aqui hoje, agradecendo mais uma vez o pessoal da Difusora FM 91,3MHz pela sensacional pré-estreia inicial de 2017, incrivelmente lotada de amigos, e #TamoJuntoSempre.

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Eu Fico Loko

1/15/2017 10:48:00 PM |

O cinema nacional tem tentado entrar com unhas e dentes dentro do gênero teen, e na maioria das vezes tem errado demais tanto em não acertar o gosto do público quanto na forma de transmitir uma boa mensagem de amadurecimento. E ao contrário do que se vê nas novelas teen e até mesmo nos filmes teen, na internet esse público anda se apaixonando cada vez mais e se conectando com as ideias de diversos tipos de influenciadores digitais, então porque não fazer um filme sobre um dos maiores influenciadores digitais do país, que tem mais de 7 milhões de seguidores (a maioria adolescente) e que já publicou três livros contando um pouco de sua vida? Pois bem, alguém teve essa ideia, e o resultado estreou na última quinta, intitulado pelo mesmo nome do livro, do canal e de tudo mais que Christian Figueiredo tem trabalhado na internet e fora dela, e "Eu Fico Loko" por mais incrível que possa ser, ao contar a biografia de vida de um jovem de apenas 20 e poucos anos, não vai deixar você louco de raiva ao sair da sessão, muito pelo contrário, o longa diverte como poucos conseguiram fazer nesse mar de comédias forçadas do cinema nacional que vemos toda semana, e com uma história bacana e interessante de um jovem perdedor que acabou ficando famoso, que tanto vemos no cinema americano funcionar, aqui também acabou funcionando.

O longa nos mostra que Christian é um adolescente pouco popular na escola, que também não tem vida fácil em casa. Enquanto sofre bullying dos colegas e busca sua própria identidade, ele se preocupa com o primeiro beijo e a primeira noite com uma garota. Christian também é um cinéfilo que grava paródias de filmes para colocar na Internet. Aos poucos, ele decide usar as redes sociais para contar as suas histórias de vida.

Após muito trabalho como assistente de direção de grandes nomes do nosso cinema nacional, Bruno Garotti estreia como diretor de seu primeiro longa, e certamente irá ser lembrado como o diretor do filme do Christian, afinal se só metade dos seguidores do jovem assistir ao filme, ele já terá feito muito mais sucesso que muitos longas nacionais sequer pensaram em chegar perto. E felizmente esse sucesso que ele pode alcançar com os seguidores/fãs de Christian não será apenas por o personagem ser "muito" conhecido (eu particularmente nem sabia quem era Christian Figueiredo antes de conferir o longa) e sim por ter feito um filme simples e eficiente sobre a juventude tradicional, com muitos clichês sim, mas bem trabalhado no contexto da adequação nos diversos grupos/rótulos, das dificuldades que alguns jovem tem nos primeiros encontros e por aí vai, que feito com um humor bem pautado e colocado na medida certa acabou agradando. Há erros sim, isso é um fato, pois o exagero do personagem invadir diversas vezes o filme para falar seus pensamentos, com quebras constantes da linearidade, acaba soando chato e desnecessário, mas como andei dando uma pesquisada, esse é o estilo de seus vídeos, então como costumo dizer, cada filme é feito para um público efetivo, e se desejavam atingir esse público, certamente fizeram bem ao trabalhar isso, mas para nós comuns amantes de filmes, talvez vá soar bem estranho.

Sobre as interpretações, podemos dizer que o estilo que Felipe Bragança escolheu para interpretar o jovem Christian ficou bem interessante, pois mostrou um bom trabalho de olhares, e um carisma comum de vermos em losers que o público acaba se afeiçoando, e sendo singelo sem abusar muito de expressões manjadas, o ator acabou tendo bem mais acertos do que erros em tudo o que fez. Isabella Moreira fez a tradicional mocinha que faz o público se apaixonar da mesma forma que o protagonista, mas que acabamos sempre ficando bravos quando está com outro, e sua Alice caiu bem no estilo da atriz, pois soube dosar ternura e estilo próprio em um único tom. Giovana Grigio fez uma Gabriela bem apimentada e interessante de acompanhar, mas que acabou exagerando um pouco na dose expressiva e por diversas vezes acabou saindo de uma expressão correta para outra meio largada demais sem mesmo demonstrar atitude no meio do caminho, o que é algo estranho de ver na tela. Já a escolha de Wellington "Ceará" Muniz como pai da garota foi um acerto para mostrar como piadas ruins mesmo sem graça acabam tendo graça nas expressões das pessoas. Outro bom acerto ficou a cargo de José Victor Pires no papel de Yan, que com olhares bem encaixados e uma expressão completa de amigos bem parceiros, acaba agradando nas tramas e cenas bem determinadas com o protagonista. Agora estou com dó de Suely Franco, em menos de um mês já mataram a pobre duas vezes no cinema, sei que a atriz está doente, mas só estão lhe dando papeis para morrer, e aqui a vó do garoto é tão determinante para a personalidade que ele adquire para os vídeos futuros, que a atriz mostrou muita postura e agradou demais em tudo o que fez. Os demais fizeram bem seus papeis e encaixaram bastante nas cenas, só acredito que usaram pouco demais Alessandra Negrini que é uma tremenda atriz e não merecia ficar jogada apenas em duas ou três cenas.

Visualmente escolheram bem as locações, montando uma casa simples aonde o jovem cria boa parte de seus vídeos no quarto, mostrando bem redes sociais antigas e câmeras simples que o pessoal vlogger usava e ainda usa em seus vídeos, algumas casas bem interessantes de Gabriela, colégios bem colocados para dar um ar interessante e tudo simples, mas usado com cautela para não abusar da energia, e claro economizar nos gastos, afinal o orçamento não foi nada gigantesco, mas certamente trará um lucro imenso. No conceito da fotografia, a equipe optou por não utilizar tantos filtros, mas fez bons sombreamentos e agradou num conceito geral.

Enfim, fui pronto para apedrejar o filme, e acabei gostando bem mais do que esperava, e assim mesmo não conhecendo nada de Christian, o longa acabou sendo mais interessante pela boa perspectiva jovem e que acaba igualando bem o Brasil no conceito de longas teen. Ou seja, se você gosta de uma boa trama leve e divertida sobre jovens perdedores que com um pouco de sorte e muita garra conseguem crescer na vida, esse é um bom exemplo para curtir nos cinemas. Mas vá preparado para as sessões cheias de adolescentes, afinal o público alvo da trama são eles. Sendo assim, recomendo o longa com poucas ressalvas, pois o resultado foi bem melhor do que qualquer um poderia esperar. Bem é isso pessoal, encerro aqui minha semana cinematográfica, mas volto na próxima quinta com novos textos, então abraços e até lá.

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Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake)

1/15/2017 02:53:00 AM |

Ao mesmo tempo que vemos um filme incrível, com uma crítica monstruosa ao sistema de seguridade social da Inglaterra, que poderia ter sido feito tranquilamente no Brasil com quase a mesma ideologia, acabamos sentindo diversos estilos e sensações com o que nos é mostrado em "Eu, Daniel Blake", mas sem dúvida alguma o grande acerto do filme foi ser crível nos pontos estruturais do ser humano, e mostrar que para o governo somos apenas números, e quem deseja ajudar um número? Ninguém! E vendo isso o povo só sabe de uma coisa, trabalhe e dependa de você, pois quando não puder mais, você continuará trabalhando, até morrer, pois esperar alguma ajuda vinda de governantes e sistemas do governo é algo que não funciona em qualquer parte do mundo.

O longa nos mostra que após sofrer um ataque cardíaco e ser desaconselhado pelos médicos a retornar ao trabalho, Daniel Blake busca receber os benefícios concedidos pelo governo a todos que estão nesta situação. Entretanto, ele esbarra na extrema burocracia instalada pelo governo, amplificada pelo fato dele ser um analfabeto digital. Numa de suas várias idas a departamentos governamentais, ele conhece Katie, a mãe solteira de duas crianças, que se mudou recentemente para a cidade e também não possui condições financeiras para se manter. Após defendê-la, Daniel se aproxima de Katie e passa a ajudá-la.

Alguma coisa de errado anda acontecendo comigo ou com os festivais/premiações ultimamente, pois raramente concordo com as escolhas dos jurados, e só nessa semana já me surpreendi positivamente com dois ganhadores, e isso é bom, pois mostra que começaram a olhar melhor as produções, não colocando somente filmes que olham apenas para o próprio umbigo dos diretores, sem nada a dizer realmente para um público maior. E o trabalho que o diretor Ken Loach fez com o roteiro de Paul Laverty, foi completamente digno da Palma de Ouro em Cannes, e certamente vai fazer barulho em outras premiações, como já fez com diversas indicações para o |Bafta e por aí vai. Digo isso, pois é uma trama muito atual, mostrando como é difícil conseguir tirar algum dinheiro do governo, mesmo depois de anos pagando impostos e tudo mais para ter direito a esses "benefícios", e se antes achava que era algo do nosso país de terceiro mundo, hoje após conferir a trama britânica, passo a me "conformar" que o mundo todo está perdido, e vamos trabalhar a vida toda até irmos para debaixo da terra se dependermos de algo de qualquer governante para sobreviver mais para frente. E com essa sinestesia bem explícita, o diretor pegou atores de pouco renome, e trabalhou bem com a indignação deles para cada momento, o que é muito bacana de ver, pois ao trabalhar de uma forma diferenciada (dando para os atores seus textos somente na hora das gravações), é nítida a expressão real de cada momento e vemos realmente muito improviso cênico, o que acaba tornando uma obra melhor ainda de ser vista.

Sobre as atuações, antes de falar do protagonista, precisamos falar sobre as expressões de Hailey Squires com sua Katie, pois a atriz mereceu demais ser aplaudida com o que fez em cada cena, e claro o destaque fica para seu momento de desespero no recebimento da cesta básica, ali quem não segurar a lágrima certamente não terá coração, pois todos sabem bem que uma mãe vai sempre priorizar suas crias, mas também há limites do corpo, e o que a atriz fez, da forma que fez é algo que vemos muito no teatro, algo cru e bem impactante de se ver, ou seja, essa foi apenas uma das cenas boas dela, mas a atriz mostrou serviço, e certamente por ser bem jovem, ainda veremos grandes trabalhos seus em breve. Agora falando sobre Dave Johns, temos de pontuar que o ator soube segurar a responsabilidade com unhas e dentes para que seu Daniel Blake fosse crível e marcado pelas boas doses de indignação, pela tradicional desistência dos mais velhos para com tecnologia (sendo inclusive considerada como um bicho que irá comer suas mãos) e por mostrar com doçura o bom coração que geralmente pessoas mais velhas tem para com quem também sofre situações ruins, e a cada nova cena, o ator mostrava mais personalidade, de tal maneira que o filme foi ficando seu também, até mais do que do próprio diretor, criando as nuances próprias e agradando bastante com isso. Os demais atores fizeram bem os encaixes que a trama precisava, mas nenhum teve grande destaque, claro que a diversão ficou por conta do China, a revolta por conta de todas as moças e pessoas do órgão do governo, e a fofura ficou a cargo das duas crianças, tendo um pouco de cada situação no filme para que tudo se desenvolvesse bem.

Um fator engraçado de se observar na produção é que ela acaba sendo completamente diferente de tudo que já vimos em filmes britânicos, pois os filmes acabam geralmente mostrando favelas e lugares bem barra pesada, ou já vão direto para o lado luxuoso e próximo da realeza que diversos filmes acabam focando, e aqui vemos pessoas normais, em lugares comuns e bem simples, vivendo, trabalhando em fábricas e construções, com os mercadinhos de esquina e tudo bem próximo de uma realidade que conhecemos bem, ou seja, nos vemos um pouco também dentro do ambiente que o diretor acaba mostrando, e que certamente foi um grande ponto exigido para com a equipe de arte, e que mesmo não transformando o longa numa super produção, acaba sendo impecável e bem interessante de ver. A fotografia trabalhou em todas as cenas com um tom abaixo do padrão, para criar um ambiente mais frio em que as atuações acabassem tendo peso maior nas cenas, e isso funcionou bem, pois poderíamos sim ter um longa esperançoso com tons alegres, ou algo bem melodramático com tons pastéis e tristes, mas trabalhando no meio tom, a trama acaba sendo real e íntegra de se ver.

Enfim, é um filme cru, polêmico, muito bem feito e que vale demais ser visto por todos, pois como disse reflete bem o momento em que estamos vivendo com as mudanças nas aposentadorias e direitos trabalhistas no Brasil, onde veremos que não é um problema exclusivo nosso, mas muito mais do que isso, a trama por ser real e interessante acaba ganhando nuances diferentes ao transbordar diversos sentimentos no público que acaba assistindo o longa, pois jamais esperaria sentir tudo o que senti nos 100 minutos de projeção. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com a última estreia que apareceu por aqui, então abraços e até mais.

PS: Só não estou dando uma nota maior, pelas falhas expressivas nos personagens coadjuvantes e até mesmo alguns quase figurantes, que pareciam nem saber para onde olhavam, pois do restante o longa valeria até mais do que 10.

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Assassin's Creed em Imax 3D

1/14/2017 02:58:00 AM |

O universo de jogos ultimamente já possui uma plataforma tão cheia de vídeos realistas, que sempre falam que qualquer jogo poderia dar gás em uma franquia de cinema bem feita, mas nem sempre essa afirmação é cabível, e dependendo do estilo que acabam propondo para a trama, acaba não agradando nem os fãs dos jogos, nem quem for curtir apenas um bom filme de ação. Digo isso como um leigo no jogo, pois posso estar completamente enganado pelos poucos momentos que vi algum amigo jogando ou comentando como era "Assassin's Creed", e agora ao conferir o longa, posso dizer que em contexto de ação, o início e o final do longa é frenético e perfeito para agradar bastante, mas no miolo é quase daqueles filmes que o sono vai te pegando e empurrando para a cama, ou seja, quem assistir em casa a chance de dormir é alta. Mas dito isso, o que posso afirmar é que muito longe de ser um filme ruim, o contexto visual e o estilo da trama acabam agradando bastante fazendo o resultado geral ser bem satisfatório, mas poderiam ter optado ou mais para o lado de algum jogo específico, focando nas cenas espanholas, ou já ter atacado de vez o conceito moderno envolvendo templários e a saga ficar bem próxima de um filme de algum livro do Dan Brown.

O longa nos mostra que por meio de uma tecnologia revolucionária que destrava suas memórias genéticas, Callum Lynch experimenta as aventuras de seu ancestral, Aguilar, na Espanha do século XV. Callum descobre que é descendente de uma misteriosa sociedade secreta, os Assassinos, e acumula conhecimentos e habilidades incríveis para enfrentar a organização opressiva e poderosa dos Templários nos dias de hoje.

Analisando a trama apenas como um filme, pois volto a frisar que nunca joguei, nem li os livros para poder ser mais preciso na história da trama fora dos 115 minutos de projeção, o que posso dizer é que o maior problema do longa foi querer dizer tudo e mais um pouco em pouco tempo. Daí vocês diriam: "você não falou que o miolo é enrolado e dá sono demais?", sim, mas aí é que está o problema, pois tentaram apresentar (muito mal por sinal) diversos personagens, que terminamos o filme sem saber quem são, ou o que fizeram para estar ali, temos cenas rápidas acontecendo ao mesmo tempo que outras lentas demais fazendo conexão de duas épocas ao mesmo tempo sem desenvolver nenhuma com profundidade, e principalmente, ficaram com medo da possibilidade de não poder fazer uma continuação e quiseram dar o desfecho mais completo dentro do mesmo tempo de apresentações. Ou seja, o diretor Justin Kurzel ("Macbeth") pegou tudo o que jogaram num roteiro escrito por diversos roteiristas, que se basearam em muitos jogos da franquia, e saiu atirando a esmo criando uma perspectiva interessante, que até passa uma boa sintonia, e coloca tudo de uma vez para tentar agradar o maior número de pessoas, mas infelizmente acaba não conseguindo nada além de um bom filme de ação para curtir pelas boas cenas de luta, pois a sensação que temos ao sair da sessão é a de "o que realmente vi no filme?", "teve isso?", "teve aquilo?", "quem é aquele lá?", ou seja, apenas dúvidas jogadas sem muitas explicações, que talvez os fãs do jogo até saibam dizer melhor, mas para os leigos, a tentativa de agradar falhou e muito.

O filme em si vale pela boa atuação de Michael Fassbender, que trabalhou bem tanto seu Callum Lynch como alguém incrédulo de onde está e disposto a manter seu estilo rebelde e crítico, quanto seu Aguilar com muita dinâmica nas cenas de ação (claro que aqui representado pelo seu dublê de corpo), e com olhares bem colocadas, muito sincronismo cênico e estilo nas tomadas de diversos ângulos, o ator convence no papel, só precisaria de mais tempo para desenvolver melhor ambos os personagens, e talvez seria melhor focar em apenas um lado, mas isso seria um trabalho da equipe de roteiro, e não dele. Marion Cottilard funciona bem mais em filmes dramáticos do que em longas de ação, e isso não é por culpa sua, mas sim pelo estilo que lhe pedem, tanto que sua Sofia fica sempre inexpressiva falando isso, aquilo, aquele outro, mas somente na cena marcante final, aonde pode mostrar todo seu lado dramático ela conseguiu acertar a personagem, talvez se tivermos um segundo filme e colocarem ela como uma vilã, o acerto será bem pontuado, mas aqui, o mais correto de falar era que estava perdida em cena. Chega a ser engraçado perguntar se Jeremy Irons esteve na produção, pois na maioria das cenas aparece atrás de um vidro, ou colocado parado fazendo discursos com seu Rikkin, de tal maneira que parece que filmaram o longa todo, e depois apenas chamaram ele numa sala verde e filmaram suas cenas, pois o ator nem se esforçou para expressar sentimentos ou impacto nas suas cenas, e até mesmo sua cena final soou emblemática demais com interpretação de menos. Dos demais, bem... é melhor não tentar falar mais nada, mas devo dar um mero destaque para os trejeitos interessantes de Javier Gutiérrez com seu Tomas.

Agora se tem algo que mereça ser aplaudido de pé é o conceito visual da produção, pois realmente somos imersos no jogo, com um visual incrível tanto nas cenas dentro da Abstergo nos anos atuais, quanto na Espanha do Século XV, aonde cada momento foi recriado com minúcias tão bem colocadas que realmente sentimos presentes nas cenas de ação com muita dinâmica de lutas e pulos. E essa imersão que tanto falo se deu pela boa tecnologia de conversão para 3D, pois é notável o trabalho da equipe para que cada cena funcionasse na tecnologia, não usando nenhuma cor contrastante para opor os ângulos, e determinando cada momento como pontual para que o filme ali se encaixasse bem. Ou seja, o filme colocou pouca história para que deixassem os movimentos mais funcionais e a imersão funcionasse quase que como um jogo numa tela maior.

Enfim, um filme que está longe de ser perfeito, mas também está longe de ser ruim, e que acaba soando bacana como uma sessão pipoca bem agradável pelas boas cenas de ação. Que poderia ser um filme completamente diferente, e que agradaria muito mais, isso é inegável, mas nem sempre dá para acertar tudo. Sendo assim, só recomendo se você gosta do jogo, ou gosta de filmes sem muita história para acompanhar, pois senão o resultado vai ser um pouco decepcionante. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais estreias, então abraços e até amanhã.

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La La Land - Cantando Estações (La La Land)

1/13/2017 02:20:00 AM |

A magia clássica dos musicais está de volta de uma forma bem romantizada e gostosa de assistir! Já inicio meu texto com essa frase, pois "La La Land - Cantando Estações" vai levar diversos curiosos aos cinemas, e muitos não gostam nem de musicais, muito menos de romances, agora se você gosta desses dois estilos e estiver pronto para se deliciar em canções lindas, muita dança e principalmente um roteiro bem trabalhado para mostrar que sonhos devem sim ser cultivados, independente de que lhe digam o contrário. E além disso, mesmo sendo um filme que utiliza de cenas clássicas do cinema mundial, diversos elos cheios de clichês e tudo mais, mas que não vamos reclamar nem ousar falar disso, pois o filme usa desses elementos com tanta classe e dignidade que ficamos apaixonados por ver cada momento, fazendo com que não queiramos que seus 128 minutos acabem de forma alguma, mesmo com um final digno de ser aplaudido de pé por ser completamente fora dos paradigmas comuns que todos esperariam.

Ao chegar em Los Angeles o pianista de jazz Sebastian conhece a atriz iniciante Mia e os dois se apaixonam perdidamente. Em busca de oportunidades para suas carreiras na competitiva cidade, os jovens tentam fazer o relacionamento amoroso dar certo enquanto perseguem fama e sucesso.

É fato que Damien Chazelle já começou a carreira fazendo um ótimo filme, "Whiplash - Em Busca da Perfeição" está aí para ser conferido com muito afinco, e lá ele já nos mostrava que seu tom musical é bem clássico e colocado para fora de maneira quase que explícita, mas não acabou empolgando tanto o público como vem fazendo agora, pois aqui ele trabalhou com muita delicadeza e doçura ao invés de algo mais desesperador e perfeccionista, e com isso até gerou leves gafes (por exemplo vemos diversas cenas dos artistas se esforçando para cantar e interpretar) que de forma alguma atrapalham, enquanto lá qualquer erro era notado e reclamado com muita aspereza. O resultado do filme é maior por ser bem trabalhado a esperança nos sonhos, no amor, em coisas boas, que mesmo no meio de truculências ou desaforos, ou até mesmo notícias ruins, pode voltar a sonhar e melhorar. Com um bom simbolismo referencial na história, a grande sacada do diretor foi transformar essa ideia num musical digno de ser visto como há muito tempo não víamos (sim, você irá lembrar de diversos longas em preto e branco que só viu alguma vez passando em algum canal cult da TV a cabo), e mais do que isso, ele não quis fazer algo bem simplório, junto de uma equipe maravilhosa conseguiu com não um, mais diversos planos-sequências maravilhosos de serem acompanhados, com fechamentos de lentes, trabalhos de iluminação precisos para realçar os atores principais nos momentos-chave, e por aí vai, criando algo incrível e único de ser visto. Ou seja, vai faltar espaço na prateleira da equipe para tantos prêmios, e não serão em vão.

Sobre as atuações, por incrível que pareça em um musical imenso, a maioria é figurante e só serve de elo para poucas cenas, pois a trama se fecha em seis atores no máximo, e todos fizeram muito bem seus papeis. Ryan Gosling já provou muitas vezes suas qualidades interpretativas, e  agora com seu Sebastian ele deu o show que faltava ao mostrar um bom sapateado, habilidades com instrumentos e claro cantando bem também, o que mostra uma completa habilidade dentro de todas as áreas artísticas para o ator, que fez bem tudo e ainda teve tempo para segurar bons olhares, encaixar paixão na interpretação e se fazer interessante na maior parte do tempo para que o público comprasse todas as suas viradas de lado, ou seja, perfeito. E o mesmo podemos dizer de Emma Stone, pois caindo muito em diversos filmes que reclamaram de suas performances, a atriz aqui conseguiu segurar muito bem a responsabilidade em diversas cenas para cantar praticamente sozinha (algumas vezes até sem ambientação musical) dando vida para a personagem Mia como raramente alguma outra atriz que não fosse cantora conseguiria fazer, e dessa forma a atriz consegue que todos olhem para ela com outros olhos, e que de toda forma irão sair da sala apaixonados (alguns bravos com algumas situações) com tudo o que faz em cena. Até o fim de 2016, com suas aparições em realities musicais para divulgar sua nova música, não conhecia quem era John Legend (sim, já havia escutado diversas canções suas, mas nunca ligado o nome do cantor à música), e agora vi que ele também tem boa pinta para atuação, fazendo um Keith bem encaixado para a proposta, e que claro cantando deu show. Finn Wittrock apareceu pouco com seu Greg, mas soube colocar olhares bem marcados e mesmo não sendo o que muitos desejavam ver, ele acabou fazendo bem suas cenas. E diferentemente do longa anterior do diretor aonde J.K. Simmons apareceu muito, e inclusive ganhou seu Oscar, aqui o ator foi notado somente em duas ou três cenas com seu Bill, e aproveitado menos ainda, pois as cenas foram minúsculas para o tamanho de sua interpretação, ou seja, praticamente uma apresentação amistosa para completar elenco. Dos demais, todos dançaram e cantaram muito bem!

Em momento algum o longa pontua uma data, mas usando como base o filme em cartaz no cinema que os protagonistas vão assistir, "Juventude Transviada", que é de 1955 podemos considerar como sendo a época em que a trama se passa. E sendo assim, todas as pontuações cênicas foram incríveis de ver, com boas ambientações nos estúdios de Hollywood, diversas cenas com amplos espaços bem trabalhados pelas câmeras para mostrar dinâmica e muita criatividade, e principalmente figurinos e cenografia completamente bem casadas para que as cores dessem um charme a mais para a trama. E como já havia ressaltado mais para cima, o trabalho do diretor de fotografia Linus Sandgren foi marcado por belíssimos planos-sequência, iluminações com dimmer de alta qualidade que foram fechando tudo ao redor para uma imensidão de escuridão deixando somente os protagonistas em realce, e claro muita magia e brilho nas cenas de profundidade dos sonhos, o que acaba envolvendo demais todo o público.

Como estamos falando de um musical, é claro que a trilha sonora está perfeita, e é deliciosa de escutar, mostrando o ótimo trabalho de composição dentro do roteiro que Justin Hurwitz fez para emocionar, dar ritmo na trama, e claro envolver do começo ao fim. E claro que vou deixar o link para todos ouvirem, mas o grande desejo desse Coelho que vos digita sempre é que "City of Stars" seja indicada ao Oscar para termos Ryan Gosling e Emma Stone cantando no palco principal da premiação, pois a música é linda e ambos foram muito bem cantando não só essa música como todas as demais.

Enfim, é um filme lindíssimo, que vale muito a pena ser conferido, e que emocionará muitos. Como disse no começo é algo feito para um público bem específico, portanto se não gosta de romances e musicais, passe bem longe da trama, mas do contrário vá e delicie-se com tudo o que é mostrado. Se tivesse notas quebradas daria 9,5 para a trama, pois embora seja algo perfeito, senti alguns momentos alongados demais, que poderiam ser mais simples e singelos, enquanto outros poderiam ser mais valorizados para mostrar um pouco a mais, mas é uma crítica mais técnica do que de alguém apaixonado pelo conteúdo, portanto, a nota não será completa. E com esses adendos, é claro que recomendo demais o longa, e fico por aqui hoje, furando um pouco o caminho, afinal esse veio em pré-estreia para a cidade, mas amanhã volto com as estreias, então abraços e até lá.

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Dominação (Incarnate)

1/08/2017 03:58:00 PM |

Já frisei algumas vezes aqui que o gênero suspense consegue causar muito mais temor na mente das pessoas do que o próprio terror em si, e claro que tenho muitos amigos que discordam dessa minha ideologia, mas deixando um pouco de lado esse conceito do que é melhor de ver e ficar com aquele medinho na espinha, pensando nas possibilidades demoníacas ou como aqui o protagonista prefere falar entidades parasitas, que soa bem melhor sem entrar em termos religiosos, o que posso falar é que "Dominação" não é um filme comum do cinema de sustos, mas também não foge muito do estilo de assombrações que se incorporam em corpos e temos de ter algum especialista para remover o ente de lá. Aliás a ideia por trás da trama lembra muito "Sobrenatural" que possui inclusive o mesmo produtor, James Blum, pois temos um especialista diferenciado em conversar com os entes e não um padre ou algo comum de ver, só que aqui o estilo investigativo funciona bem dentro da proposta, faltando apenas talvez um pouco mais de dinâmica para com o garoto e menos apresentação do protagonista, mas com toda certeza num próximo filme (afinal, deixaram elo para uma continuação) vão corrigir esse detalhe, e aí sim teremos algo digno de mais aplausos, pois nesse ao entrar a canção "Sail" no final a empolgação foi incrível.

O longa nos mostra que quando uma mãe solteira testemunha terríveis sintomas de possessão demoníaca em seu filho de 11 anos, um representante do Vaticano contata um cientista cadeirante, Dr. Seth Ember, que tem a capacidade de entrar no subconsciente de pessoas possuídas. Caberá ao Dr. Seth livrar a criança deste espírito maligno, que possui poderes nunca visto antes.

É meio incomum vermos um diretor colocar estilos mais técnicos e científicos em longas de terror/suspense, pois costumam deixar tudo de lado e incorporar a religião como ponto cego de fé e força e invadir todo esse meio não tão explicativo para deixar as pessoas incrédulas do que estão vendo, e aqui o diretor Brad Peyton soube segurar bem o texto de Ronnie Christensen, colocando um ar mais investigativo na produção, deixando seu longa bem dinâmico com muitas cenas de ação e vivência para que o espectador entrasse nas mentes junto com o protagonista. E falando nesse "entrar" no mundo da enganação/sonhos, é exatamente a maior falha do filme, não por ter algo errado, mas sim por ter poucas cenas assim, pois assim como uma sessão de psicanálise, de volta temporal, o estilo ali de criação acaba sendo tão incrível para mostrar para o dominado que ali tudo é falso que agrada demais, e mais cenas acabariam ficando incríveis. Porém como esse é o primeiro filme da história (sim, eu acredito que haverá continuação) tiveram de mostrar um pouco mais da vida do protagonista e como acabou entrando nesse mundo, o que não é errado, mas que ficou meio fraco de envolver, pois faltou mostrar um pouco mais de sua cientificidade para ter um pouco mais de credibilidade também.

Sempre digo que em filmes de terror/suspense, os atores precisam mostrar o sentimento de ficar assustado/aterrorizado com o que está acontecendo, e aqui o resultado ficou um pouco incrédulo de tudo, mas nada que atrapalhasse muito, pois como disse não temos um filme de sustos, e sim algo mais próximo de algo investigativo. Aaron Eckhart é um ator complexo, disso ninguém duvida, e ao trabalhar bem o estilo de um cientista mesmo que é seu Dr. Ember, ele incorporou um ar meio maluco, colocou a cadeira como parte do seu corpo e demonstrou força para mostrar aos dominados a farsa que estavam metidos, e com olhares duros e bem colocados acabou convencendo bem na maior parte dos momentos, mas o grande destaque ficou para suas últimas cenas, que além de ficarem bem fortes, conseguiram deixar o público em dúvida do que era verdade ou mentira. David Mazouz já tem mostrado uma belíssima interpretação com seu Bruce Wayne no seriado "Gothan", e aqui as nuances que deu para seu Cameron dominado pela entidade foi algo realmente assustador pelo bom impacto, e mesmo sentado o tempo inteiro chega a arrepiar alguns momentos e olhares que fez, mostrando um grande futuro em qualquer gênero que pegue para fazer. Talvez se tivéssemos mais cenas do protagonista junto de Tomas Arana com seu Felix a ideia seria outra, pois a tensão que criaram em seus dois momentos foi algo único, aliás talvez acredito que ao invés de termos uma continuação, poderiam fazer um prequel mostrando a doutrinação/brigas que o protagonista teve com esse padre estranho, pois aí sim teríamos coisas bem amedrontadoras de ver. Dos demais personagens, todos tiveram bons momentos para se mostrar e fizeram acertados pontos para mostrar o estilo que desejavam seguir, claro que se formos ter uma continuação, praticamente poderemos ver mais de todos, tirando a mãe do garotinho, afinal a moça do Vaticano e a equipe de Dr. Ember. Agora sem dúvida a diversão mesmo ficou pelas cenas com Matt Nable fazendo Dan tanto no mundo real quanto dentro do sonho, pois o ator apanhou em todos os lados, e fez bem as caras e bocas de medo e força.

Quanto do visual da trama, tivemos boas locações tanto no mundo real quanto no mundo dos sonhos, e um grande acerto por parte da equipe foi não tentar mostrar como seria o rosto do parasita nas cenas finais, colocando apenas um ser estranho ali do lado segurando o garoto, e isso ficou bacana, pois acho difícil que alguém num filme que envolva ciência pudesse mostrar faces de coisas que sequer conhecemos. E já que falamos em ciência, a casa do padre foi um lugar bem interessante para mostrar pesquisas e tudo de interessante que a produção quisesse trabalhar, sendo um trabalho bem feito de estudos e criatividades por parte da equipe de arte. Como é de praxe, todo filme de suspense/terror mantém tons escuros na maioria do tempo, e com nuances impactantes bem colocadas, a equipe soube dosar sombras para não ficar muito denso, e nem precisar do escuro para surgir coisas e assustar, o que costuma ser chato demais.

Enfim, é um filme que vale a conferida, que certamente muitos irão odiar, e outros vão gostar bastante, como foi o caso desse Coelho que vos digita sempre, afinal é raro vermos um filme de terror envolvendo tanta ciência, e ainda com músicas bacanas bem encaixadas. Portanto vá conferir, e se divirta na sessão, pensando como a ciência pode trabalhar para enfrentar os tais "demônios" parasitas dos corpos. Bem é isso pessoal, fico por aqui nessa semana, mas quinta estou de volta com mais textos, então abraços e até mais pessoal.


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Passageiros em 3D (Passengers)

1/07/2017 02:13:00 AM |

Diria que "Passageiros" pode ser visto de duas formas completamente diferentes, e também analisado de duas maneiras. A primeira seria como um romance leve envolto em uma ficção científica que embora exista percalços envolvendo índoles e atitudes controversas, acaba fluindo de uma maneira bonita e agrada quem for disposto a conferir um filme bem levinho e interessante. A segunda já seria algo completamente diferente, pois trabalha com a possibilidade de viagens interplanetárias com motivos fortes de abandono da terra, colonização de outros planetas, e tudo o que pode acontecer de errado nessa viagem quando você é apenas um mecânico e uma escritora que acordaram de sua hibernação bem antes do previsto, e com isso, se você for esperando respostas à diversos questionamentos que um filme do estilo pode atingir, sairá da sala lamentando de ser uma produção grandiosa desperdiçada. Ou seja, um filme, dois pontos de vista, que não vou afirmar como certo nenhum dos dois, e que pode gerar diversas discussões, mas em momento algum poderemos dizer que o misto das duas ideias funciona, e que o longa irá agradar a todos, e bem longe disso, o resultado final acaba soando interessante e bonito de ver.

A sinopse fala sobre a aventura sobre dois passageiros à bordo de uma espaçonave que os transporta para uma nova vida em um novo planeta. A viagem toma uma reviravolta mortal quando suas cápsulas de hibernação os acordam misteriosamente 90 anos antes que atinjam seu destino final. Enquanto Jim e Aurora tentam desvendar o mistério por trás desse defeito, eles começam a se apaixonar um pelo outro... relação que é ameaçada pelo colapso iminente da nave e pela descoberta da verdade por trás do verdadeiro motivo pelo qual eles foram acordados.

Sempre que vou analisar um filme, principalmente em longas de ficção científica, a primeira coisa que passa pela minha cabeça é de onde vem toda a ideia do roteirista para escrever aquilo tudo, e se olharmos a fundo a filmografia de Jon Spaihts vamos ficar mais impressionados ainda pois ele vai desde um terror trash com "Hora da Escuridão", ameniza um pouco e mistura com ficção fazendo "Prometheus", daí já pira completamente com um longa de herói fazendo "Doutor Estranho", e recai sobre esse que vimos agora, e em breve aparecerá com a nova versão de "A Múmia", ou seja, um escritor completamente desorientado que não segue linha alguma de pensamento, mas que entregou uma linha de pensamento bem complexa para que o norueguês Morten Tyldum criasse vertentes bem trabalhadas com os dois atores, e mesmo com algo calmo e parado conseguisse agradar num estilo leve e gostoso de acompanhar. Ou seja, ambos seguiram linhas amplas, mas que chegam numa congruência interessante de acompanhar, seja pelo bom romance com altos e baixos, seja pela loucura de consertar uma nave em plena rota, ou simplesmente pela beleza de querer fazer algo para melhorar a vida do outro, mesmo que para isso você necessite ferrar com a vida do outro também, que assim acredito ser a grande levada da trama, muito maior do que qualquer ato científico que a grande produção tentou passar.

Se temos um filme bem calmo, durante quase 90% do tempo, o que fazer para prender a atenção do público na ideologia completa da trama? - pensaram os ricos produtores que compraram a ideia do filme no início - "Vamos colocar os dois rostos mais amados da América seminus" - disse uma segunda voz, e pronto temos salas lotadas para ver a beleza de Jennifer Lawrence, cada dia melhor no conceito visual, atuando como sempre faz, e Chris Pratt mostrando sua bunda em alta definição para lá e para cá com boas nuances interpretativas também, ou seja, dois atores do momento que fizeram o básico para agradar e continuarem sendo amados por todos. Dito isso, falar que o Jim de Chris Pratt é um misto de seus outros personagens com uma pegada mais funcional é quase que um daqueles discos furados que ficam repetindo o mesmo trecho, mas o ator soube dosar mais seus momentos expressivos e agradar pela simplicidade nas cenas que mais necessitavam de uma interpretação mais rigorosa, e assim acabou acertando bem mais do que errando. E da mesma forma a Aurora, ou a bela adormecida, do longa, coube momentos mais filosóficos aonde pode mostrar um estilo mais solto de sua interpretação jovial que ainda mantém forte chamariz de diversos filmes, porém uma falha ficou marcada em seus momentos, afinal a barba/cabelo de Chris cresceu monstruosamente em 1 ano, e as madeixas de Jennifer permaneceram intactas bem cortadas com luzes e tudo mais sem termos nenhum cabeleireiro na grande nave/cruzeiro. A serenidade e o charme que Michael Sheen deu para o androide Arthur é algo digno de um lorde inglês com tanta classe no estilo de atuar, que raramente veríamos um barman desse estilo, e que certamente gostaríamos até de ter mais cenas de seu personagem, pois ali saíram certamente os momentos mais clássicos do filme. A participação de Laurence Fishburne como Gus foi bem interessante para sabermos um pouco mais da nave, mas poderia voltar à suas origens e ter momentos mais impactantes e filosóficos como seu Morpheus de "Matrix" faria, e que ainda assim não sairia do prumo do longa. E só, pois o restante são meros enfeites de cenas bem rápidas, ou seja, pagaram apenas quatro atores para um filme de duas horas, algo que seria uma mega economia, se os dois principais não fossem caríssimos.

Quanto ao visual da trama, podemos dizer que a equipe se empenhou bastante para entregar uma produção de luxo, pois temos cenários gigantescos maravilhosos que deram toda a ideia dos cruzeiros imensos riquíssimos que vemos pelo mundo afora, mas agora num modo espacial, o que não deixará de ser uma tendência num futuro, se tudo seguir os planos dos cientistas. E sendo assim essa grandiosa produção acaba chamando muito aos olhos pela maneira que tudo foi feito, claro que com muita computação gráfica e os atores brincando bastante nas cenas de gravidade zero dentro das telas verdes, que você pode ver um pouco aqui, mas ainda assim, a equipe poderia ter explorado bem mais outros ambientes, e as cenas do maquinário que acontecem bem no final mais no início, pois assim o longa não ficaria tão monótono com poucas ambientações e agradaria mais. Por ser um filme futurista, os tons da trama se basearam bastante no branco, azul e dourado, que contrastando bastante com elementos em preto/cinza acabaram tendo boas nuances e dinâmicas, sendo bonito de ver. Porém esses tons não valorizam filmes com tecnologia 3D, e mesmo tendo boas cenas de gravidade zero aonde os personagens voam pelo espaço ou dentro de piscinas, o filme acabou tendo pouca profundidade de campo após ser convertido, e o resultado tridimensional acaba não empolgando tanto.

Enfim, é um filme interessante e bem feito, que poderia ter chegado muito longe com as propostas que tinham na mente, mas que acabou ficando leve e romantizado demais, não chegando a ser nem uma obra errada, nem algo espetacular, mas que ainda vale a pena ser conferido pela beleza das cenas, sendo uma boa recomendação para o fim de semana. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com o último filme dessa semana, então abraços e até breve.

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Moana - Um Mar de Aventuras em 3D (Moana)

1/06/2017 12:38:00 AM |

Quem lê meus textos geralmente vê nas críticas das animações a seguinte frase: "é bonito, mas faltou canções para relembrar o estilo clássico da Disney de antigamente", não necessariamente escrita dessa forma, e eis que venho dar as boas novas, com "Moana - Um Mar de Aventuras", a Disney voltou a ser Disney, tendo simbolismos nos personagens, misticismo dentro de algo bem coerente, muitas cores, e principalmente com uma grande quantidade de músicas bem dubladas (e que ao escutar depois a versão original durante os créditos, vemos que ficaram bonitinhas em português também, não dando vontade de querer ver o original - isso é raro!!!), e o melhor, sem precisar refazer qualquer história, sendo bem originais e apontando temas completamente atuais, como revolta da natureza, mulheres empoderadas (que não querem ser princesas), e mesmo colocando tudo isso em pauta, ainda funciona bem tanto para as crianças pequenas quanto para os adultos, ou seja, pacote completo para conferir e se divertir nos cinemas!! Só faltou um detalhe para ser perfeito, um 3D mais funcional, ou abandonar completamente a ideia, o que seria melhor, pois o filme possui artes computacionais e também muita coisa desenhada a mão, e ficaria bem mais bonito sem uso de óculos!

O longa conta a história de uma adolescente polinésia de 16 anos, que se aventura pelo Oceano Pacífico para desvendar o mistério que envolve seus ancestrais. Durante esta grande aventura, ela encontra o “espirituoso” e poderoso semideus Maui e, juntos, eles embarcam em uma viagem cheia de ação, enfrentando criaturas inusitadas, algumas até ferozes, e muita diversão.

Quando os diretores que fizeram "Pequena Sereia" e "Aladin" voltam a atacar o resultado esperado não poderia ser menos que algo primoroso, principalmente depois de "A Princesa e o Sapo" que foi bem simples. E assim sendo, John Musker e Ron Clements acabaram trabalhando tantas técnicas e detalhes em seu novo filme, que chega a ser impressionante cada objeto que aparece, cada carisma inserido nos personagens e além disso ao trabalhar bem texturas a trama ganha um sentido maior em peso visual, pois mesmo nunca tendo viajado para as Ilhas da Polinésia, sabemos de outros filmes e jornais que o misticismo é predominante naquela região, que acreditam demais nos elos da natureza e nos planos do oceano, ou seja, foi feito muito estudo para que o filme não soasse apenas uma ficção jogada. Além disso trabalharam bem o teor atual de mulheres fortes que fazem tudo sozinhas e não necessitam de um homem para salvá-las, colocando em pauta o tema sem soar forçado e nem exagerando para que fosse um filme pró-feminismo, o que é bacana de ver vindo de um longa da Disney. Talvez para não dizer que tudo ficou perfeito no contexto da história, poderia pontuar que faltou o momento vamos chorar e se emocionar com algo, pois o filme em si trabalhou bem o conceito de diversão, emoção e aventura, mas não pontuou aquele momento de tirar o lenço do bolso que praticamente todas as animações do estúdio possui.

Quanto dos personagens, a modelagem agradou bastante no conceito visual da trama, pois com muitas tatuagens em movimento, o personagem Maui tem até mais vida do que acaba demonstrando na forma física, e usando diversos trejeitos e danças locais, o personagem soa ao mesmo tempo divertido e interessante para um misto de herói com vilão, pois se formos levar na ponta da letra contada no início seu personagem não foi alguém muito confiável, e em diversos momentos até podemos ter leves dúvidas se realmente ajudará a protagonista em sua missão, mas tirando esse detalhe de sua integridade, a concepção artística do personagem embora não tenha agradado tanto os locais, por aparentar um pouco acima do peso, o resultado corporal com suas transmutações em animais acabam sendo bem colocadas e bastante divertidas, e Saulo Vasconcelos conseguiu cantar bem e trabalhar a dublagem nacional, uma vez que por não termos cópias legendadas não veremos Dwayne "The Rock" Johnson cantando "You're Welcome", ficando apenas com "De Nada" por aqui. Moana é daqueles personagens que sempre procuramos explorar mais, torcemos para que consiga seus objetivos, e claro que desde pequenina esbanja fofura e determinação no que deseja fazer, com a mudança de vértice na primeira canção que tentam mudar seu estilo, ficamos meio receosos de que a jovem caísse para um lado não tão gostoso de ver, mas felizmente a equipe deu apenas leves nuances no ponto mais morno da personagem, talvez um pouco mais de curiosidade agradasse um pouco mais, mas mesmo sem isso a jovem caiu muito bem para o grupo de "princesas" Disney, mesmo não querendo ser uma, a dublagem de Any Gabrielly foi bem colocada, mas certamente a grande seleção na Polinésia foi merecida para Auli'i Cravalho que com 14 anos fez sua primeira dublagem. Dos demais personagens, os destaques positivos claro que ficam para a vó doida da protagonista, que funcionou muito bem dentro do contexto místico que a trama pedia, e o caranguejo muito louco Tamatoa, que segundo os diretores teve inspiração em David Bowie, mas o grande feito dele ficou para a cena pós-créditos em que temos referência à outro filme dos diretores, e vale ser vista. E de destaque negativo temos de pontuar o pai da protagonista, pelo elo super-protetor que chega a incomodar e ficar exagerado.

Outro grande destaque da trama fica a cargo da grande quantidade de cores que a equipe de arte empregou, praticamente repetindo pouquíssimas vezes os tons, trabalhando cada cena como se fosse única, e isso deu um charme incrível na trama, porém mesmo tendo sido filmado em 3D, os efeitos foram bem simples e pouco se sente no conceito de imersão (salvo a cena da águia voando), e poderiam ter trabalhado mais com elementos dentro da água, ou com o vilão arremessando suas bolas de fogo em direção ao público, e sendo assim recomendo o longa na versão 2D, pois o óculos acaba sempre escurecendo as cenas, e como um bom filme cheio de cores, vale mais conferir isso do que esperar grandes efeitos.

Como todo bom clássico da Disney, as músicas irão ficar impregnadas em sua mente durante umas boas horas, e você se verá cantarolando "De Nada" sem perceber, além claro de outras boas introduções da Polinésia que se encaixaram com as demais canções, ou seja, um filme muito sonoro e gostoso de acompanhar, mostrando que a Disney ainda sabe agradar nesse estilo.

Enfim, um filme para toda a família, que agrada bastante, e que com poucos defeitos não irá incomodar quem for ao cinema para se divertir sozinho ou levando a garotada para uma boa sessão. Por não ter tantos personagens que prendam a atenção dos mais pequenos, é capaz que fiquem um pouco mais dispersos nas cenas de história, mas nada que vá fazer quererem sair da sala. E sendo assim recomendo bastante o longa para todos. Bem é isso pessoal, esse foi apenas o primeiro filme desse ano, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até amanhã.

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Retrospectiva 2016

12/31/2016 01:23:00 AM |

E chegamos ao fim de mais um ano... e cada ano que passa dizemos que passou mais rápido que o anterior, mas mesmo que muitas distribuidoras não enviassem seus filmes para o interior, esse 2016 foi o ano que mais filmes assisti (nos cinemas sempre), 226 títulos durante os 366 dias do ano! E claro que tivemos alguns longas bons, muitos medianos e até uma alta quantidade de coisas que devia ter fugido da sessão para não ter na memória traumas horrendos de filmes que não mereciam passar em uma sala de cinema, mas como veio, e minha meta é assistir tudo o que passar, acabei vendo.

Nesse ano tivemos tantas perdas de atores, diretores, técnicos, músicos que é capaz de no Oscar termos umas duas horas de programação extra só para as homenagens, mas não vamos nos aprofundar nisso senão o post ficará triste demais, e não é esse meu objetivo de fechamento no ano.

Ao contrário de ter sido o ano que vi mais filmes, esse também foi o ano que dei mais notas baixas, e com isso a média geral ficou em 6,95 que se for um professor ruim não iria aprovar o ano por ficar abaixo de 7! Mas vamos dizer que entre trancos e barrancos sobrevivemos à tudo o que foi mostrado, e de certa maneira o resultado acabou agradando bastante esse Coelho bonzinho que lhes escreve quase que diariamente.

Dizer de cara o melhor longa do ano é uma tarefa bem árdua, pois somente dei nota máxima para 9 longas, e assim sendo vou utilizar eles como base para dizer os que na minha opinião foram os melhores do ano, e claro que teremos muita discórdia, pois alguns o povo odiou:
- "O Regresso", um filmaço que fez agonizarmos no cinema junto com DiCaprio, e que arrebatou diversos prêmios pelo mundo agora, e sendo assim posso dizer que foi um dos melhores.
- Outro que brigou bastante por prêmios e pelo furor que acabou causando com grandes revelações, é fato que outro grande exemplar foi "Spotlight - Segredos Revelados", e ainda digo mais, esse sim é um filme jornalístico de primeira linha.
- "Zootopia" foi sem dúvida a animação do ano, com muita sensibilidade, boa comicidade e agradou desde os pequenos até os mais velhos.
- "Zoom" foi um dos melhores longas nacionais, e mesmo sendo falado em inglês, a temática ficou tão incrível que vale a pena ser revisto mais vezes, e mereceria passar em breve em algum canal aberto para que mais brasileiros conferissem a ótima produção nacional.
- Por mais incrível que pareça, esse ano dei nota máxima para dois longas nacionais, e sendo assim vale a pena também pontuar e recomendar para que assistam "De Onde Eu Te Vejo", que com muita paixão e carisma acabou comovendo e tendo um quê a mais diferenciado do que vemos no nosso cinema brasileiro.
- O melhor terror é disparado de nosso querido diretor James Wan, com sua "Invocação do Mal 2" que fez todo mundo pular das cadeiras novamente, e já abriu brecha para outras continuações do estilo.
- Classificaria "Viva a França" como o melhor longa não falado em inglês nem em português, que com um ar artístico maravilhoso acaba emocionando e cativando de maneira incrível.
- Como melhor volta ao mundo fantástico temos de pontuar claro "Animais Fantásticos e Onde Habitam", que de uma forma mágica acabou encantando e voltando a colocar o cinema mágico bem trabalhado e cheio de glamour, ou seja, brilho nos olhos com toda a tecnologia bem empregada.
- Embora muitos não tenham gostado por ser diferente do livro, a emoção que "Inferno" acabou causando em quem é fã de Dan Brown acabou fazendo valer uma nota máxima no dia, hoje talvez não lhe daria 10, mas pela empolgação do momento é um excelente filme.

Como já pontuei acima, dei nota máxima para dois longas nacionais, e nesse ano até que a quantidade que apareceu por aqui foi bem alta, com 44 títulos que atingiram uma média um pouco menor que a de todos os filmes: 6,39, o que não é algo de todo ruim. Mas claro que tivemos nomes que não temos como recomendar para ninguém, e no caso nacional, o pior com toda certeza foi "O Amor de Catarina", que nem pagando reveria para uma nova avaliação, ou seja, passe bem longe dele e de outros dois filmes "Mate-me Por Favor", e claro, "É Fada", pois a chance de se aterrorizar com qualquer um dos três é alta.

Dentre os estrangeiros também tivemos algumas bombas, o experimental "Jornada ao Oeste" foi o de menor nota, mas também podemos fugir de "Herança de Sangue" e "Deuses do Egito", que pecaram demais em defeitos e não temos como recomendar.

E para fechar a retrospectiva é claro que temos de falar dos longas mais caros, os famosos longas em três dimensões, que muitas vezes ficam só em duas, mas cobram pelas três. E com apenas 35 títulos durante o ano, a maioria claro com animações, a média até que foi bem melhor, ficando em 7,4, o que não significa que tivemos grandiosos efeitos, mas ao menos tivemos histórias interessantes de acompanhar com a tecnologia, e os destaques positivos fora "Zootopia" e "Animais Fantásticos e Onde Habitam", fica para "Procurando Dory" e "X-Men: Apocalipse". E como destaque negativo de uso de tecnologia podemos linchar "Deuses do Egito" e "Caçadores de Emoção - Além do Limite".

Enfim, essa foi a retrospectiva do Coelho, que felizmente teve um ano bem corrido para conferir tudo o que passou nos cinemas, e que espera um 2017 melhor ainda, afina temos muitas promessas de grandes filmes, muitas dúvidas para conferir, mas que com certeza será mais um ano mágico dentro da sala escura. Desde já agradeço sempre as parcerias do UCI Cinemas e da Rádio Difusora FM que sempre nos dão apoio para que conferíssemos mais e mais longas, diversos em pré-estreias lotadas, e até ano que vem, ou melhor, até a próxima quinta com novas estreias. E como sempre, desejo para todos um ano cinematográfico!

Fernando Coelho
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Invasão Zumbi (Bu-San-Haeng) (Train to Busan)

12/30/2016 12:37:00 AM |

Não lembro quando foi a última vez que vi um longa sul-coreano, mas certamente foi algo completamente diferente de um ataque zumbi num trem em movimento! Digo isso, pois o que vemos em "Invasão Zumbi", embora possa parecer semelhante à qualquer outra produção do estilo, seja pelo trailer, pelo pôster, ou até mesmo pela temática, acabamos vendo um filme que consegue misturar um bom tom de terror com suas cenas sangrentas e zumbis famintos, uma certa dramaticidade bem encaixada com os pensamentos filosóficos de isolamento comuns em países asiáticos, pontuar boas lutas espaçadas, e ainda ter uma boa dose de comicidade com personagens correndo a milhão para pegar o trem, zumbis bobos que se perdem no escuro, entre muitas outras coisas divertidas. Ou seja, um filme que conseguiu juntar um pouco de tudo no último dia de cinema do ano, divertindo, fazendo pensar, deixando um pouco tenso, e claro saindo satisfeito de ver um bom feitio num ambiente tão pequeno e cheio de possibilidades que conseguiram passar, valendo conferir mesmo que seja apenas para dar algumas risadas da dublagem, afinal não quiseram nos dar a graça de assistir falado em coreano.

O longa mostra que um surto viral misterioso acaba deixando a Coréia em estado de emergência. Como um vírus não identificado se alastra pelo país, o governo Coreano declara lei marcial. Todos que estão no trem expresso para Busan, uma cidade que defendeu com sucesso o surto viral, deverão lutar por sua própria sobrevivência!

Chega a ser interessante finalizar o ano com um filme desse estilo, pois o longa está sendo vendido como um terror assustador, e com isso as sessões tendem a ficar menos lotadas, mas a melhor forma de classificação é como um longa de ação bem violento, pois a ideia de sobrevivência é tão grande quanto qualquer outro filme, e o diretor/roteirista soube deixar o tom tenso para ter um ar macabro, colocou bons momentos de muito sangue, mas nada que vá fazer você sair chocado da sala de cinema. Claro que como disse no começo temos doses bem separadas de todos os estilos, e chega a ser interessante incorporar cada um por um instante, mas nos vemos em instantes conversando com os personagens, torcendo pra personagem morrer logo, e por aí vai, ou seja, ficamos conectados com a produção (imensa por sinal pela grande quantidade de atores) e o resultado acaba sendo melhor do que o esperado, embora exista exageros demais que poderiam ser amenizados, principalmente nas cenas de corrida e luta.

Diferente do que costumo fazer, não vou ficar falando de ator por ator, pois primeiro escrever os nomes de cada ator coreano mais o nome do personagem acabaria ficando uma linha pra cada um, e esse não é o objetivo, e segundo por nenhum ator ter feito nuances fortes de expressão que realmente valesse falar individualmente, e principalmente, por o longa ter vindo apenas dublado para a maioria das cidades brasileiras, acaba ficando difícil distinguir se o erro da entonação versus expressão corporal é do ator ou do dublador. Portanto vamos analisar assim, temos o pai da criança, no caso o protagonista-mor da trama que poderia ser bem menos arrogante, pois chega a ser irritante a forma que vê a vida e as nuances que acaba fazendo, mas seu ponto de virada acaba funcionando e agrada (mesmo que de modo bem falso) num contexto geral. A criança embora seja curiosa como toda criança, acaba sendo boba e fora de um eixo de pensamento crível, pois nas cenas mais tensas está lá toda observante no meio dela, logo em seguida numa cena de apenas discussão fica com medo, ou seja, ficou perdida demais. A grávida é a versão ninja melhorada de Tom Cruise, pois consegue correr em altíssima velocidade, pular escadas, andar no maleiro e tudo mais com uma barriga imensa, ou seja, só faltou lutar para poder ser contratada para o próximo "Missão Impossível". O marido da grávida é daqueles brucutus que não levam desaforo para casa, saem na mão sem motivo, e claro tendo um motivo correr enrolar as mãos e sair na pancada, pois está pronto para isso. As velhinhas foram bem bonitinhas para ter um tom amistoso e bonito dentro de um semblante dócil, mas funcionaram melhor nas cenas finais por tudo o que fizeram. Os adolescentes jogadores de beisebol foram românticos e interessantes de ver, mas faltou uma pegada mais clássica para funcionar melhor, porém mesmo assim a cena do vagão cheio de zumbis amigos do time ficou bem interessante de ver, pela grande dúvida do que fazer. E claro para fechar com chave de ouro, temos de ter o senhor antipático que quer salvar sua vida ferrando com a vida dos demais, e sem dúvida alguma suas frases foram bem mais duras na versão legendada, pois a forma de expressão do ator foi algo de cortar o coração nos diversos momentos.

Mesmo com vagões idênticos é interessante ver o nível da produção colocando diversos figurantes virando zumbis assassinos bem diferenciados que mesmo soando até de forma tosca pelo jeito de andar e atacar, acabando funcionando bem como contexto cenográfico, fazendo com que cada vagão ficasse diferenciado pela quantidade e/ou qualidade de cada zumbi ali, e além disso, a equipe trabalhou bem os espaços para que o filme não soasse falso, afinal com toda certeza não gravaram tudo dentro de um trem, mas souberam dosar bem os ambientes para que tudo ficasse bem interessante de ver, com uma quantidade bem bacana de elementos cênicos em cada momento. Além disso, nas cenas externas fizeram um bom desastre, criando cenas de terror e luta como poucos filmes hollywoodianos costumam fazer. As boas sacadas de escuro/claro usando de túneis e luzes piscando ficaram interessantes tanto pelo contexto dos zumbis não enxergarem no escuro, quanto pela tonalidade de tensão que o longa acabou tomando, ou seja, um trabalho simples, mas muito bem executado.

Enfim, é um filme bem feito, interessante, mas que poderia ter menos absurdos para empolgar mais, e claro, a distribuidora prezar pelo público que sabe ler, e que gosta de ver as verdadeiras entonações nas vozes, e mandar para mais lugares pelo menos uma cópia legendada, afinal tivemos uma dublagem razoável, mas que soou engraçada em diversos momentos que com toda certeza eram mais sérios. De certo modo posso recomendar o filme para diversos estilos de público, pois como disse no começo temos um pouco de tudo no longa, então vá ao cinema, se divirta, fique tenso, brigue com os personagens e depois conte aqui o que achou, pois a chance de boas discussões sobre algumas cenas é fato. Bem é isso pessoal, encerro aqui meu ano cinematográfico, afinal só volto amanhã com o texto da retrospectiva para fechar de vez os textos, e volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços, um bom final de ano para quem não vier ler a retrospectiva e até breve.

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Minha Mãe É Uma Peça 2

12/22/2016 02:08:00 AM |

Sendo o gênero mais produzido no país, a comédia nacional oscila muito entre o ar novelesco que diverte mas precisa de suporte ou aqueles mais escrachados que não ligam para pormenores e acabam divertindo atacando tudo o que vem pela frente. Em 2013 tivemos um dos longas mais rentáveis do mercado com "Minha Mãe É Uma Peça" sendo visto por quase 5 milhões de brasileiros, e apostando no sucesso do personagem, eis que novamente Paulo Gustavo retoma sua Dona Hermínia, repaginada pelo glamour do dinheiro, mas ainda pronta para tacar a mão na cara dos filhos, parentes e quem mais atrapalhar sua vida em "Minha Mãe É Uma Peça 2". Não diria se tratar do ator na sua melhor fase, pois o filme acabou tendo uma fluidez um pouco estranha, que quase se transformou num programa de esquetes, ao invés de um longa com um roteiro elaborado, mas como a missão de uma boa comédia é fazer rir, esse mérito foi cumprido com honrarias, pois o longa diverte com uma piada melhor que a outra e muita conexão com o que vemos nas nossas casas, resultando em algo digamos dentro de um padrão aceitável para se divertir sem muito esforço.

A sinopse do longa nos mostra que Dona Hermínia está de volta, desta vez rica, pois passou a apresentar um bem-sucedido programa de TV. Porém, a personagem superprotetora vai ter que lidar com o ninho vazio, afinal Juliano e Marcelina resolvem criar asas e sair de casa. Para balancear, Garib, o primogênito, chega com o neto. E ela também vai receber uma longa visitinha da irmã Lucia Helena, a ovelha negra da família, que mora há anos em Nova York.

Talvez o maior erro do longa tenha sido a mudança de direção, pois se antes o estreante André Pellenz tinha deixado o filme descontraído, mas com uma história bem moldada (claro que roteirizada por Paulo Gustavo e Fil Braz que repetem a parceria), aqui César Rodrigues repete a ideologia de dinâmicas mais fechadas em esquetes que fez em "Vai Que Cola - O Filme", e não que isso não divirta, mas usa apenas a base de um tema, e coloca os diversos clichês e comédias pontuais ocorrendo em cima da trama toda, deixando menos fluído. Não digo que isso seja errado e que não vá divertir novamente milhões e mais milhões de pessoas, mas o personagem é muito bom, o ator é excelente, e se quisessem moldar a trama inteira como um ótimo filme conseguiriam, mas aí vai de diretor para diretor o estilo que desejam trabalhar, e Rodrigues é mais focado nesse formato, mas felizmente não recai para o ar novelesco e muito menos força a barra para divertir, fazendo uma trama gostosa de ver, que por bem pouco não ficou perfeita.

Sobre as atuações, novamente o longa é de Paulo Gustavo, que certamente seu marido deve morrer de medo dele virar uma Dona Hermínia quando ficar mais velho, pois o ator não interpreta a personagem, ele praticamente se apodera dela (que para quem não sabe ele criou o personagem baseado em sua mãe Dona Dea) e cria dinâmicas tão divertidas e bem colocadas que ficamos impressionados com seu ritmo de resposta, olhares, nuances e claro com a forma que lida com seu texto, o que acaba agradando muito. Havia reclamado no texto do primeiro filme que Rodrigo Pandolfo exagerava um pouco demais com seu Juliano (que na teoria seria a incorporação real de Paulo Gustavo), e por mais incrível que pareça, senti falta do exagero de trejeitos dele, ficando um personagem meio que vago que não conseguiu criar carisma dentro das opções que seguiu, mas ainda assim caiu bem em algumas piadas, com destaque para o celular no começo. Diria que Mariana Xavier melhorou muito nesses 3 anos, e sua Marcelina soube dosar seu estilo, fazendo ainda uso do auto-bullying para com gordinhos, mas de uma maneira mais suave e bem feita, porém ainda está longe de ser o sucesso que poderia fazer. Se no primeiro filme Suely Franco teve uma participação maior, mas menos conectada com a história com sua Tia Zélia, aqui o clima foi mais emotivo e até de homenagens demais, saindo um pouco do eixo da história, mas ficando bonito de um modo geral de ver. A responsabilidade por exageros dessa vez ficou a cargo de Patricya Travassos com sua Lucia Helena, e mesmo não ficando presente em todas as cenas, a atriz gritou muito e até foi engraçada em alguns momentos, mas poderia ser mais leve. Os demais foram usados bem pouco para conexão, e de certa forma acabaram indo até que razoavelmente bem.

Sobre o conceito visual da produção, indo do Rio para São Paulo, voltando, pegando avião, voltando novamente, mais um avião, programa na TV, apartamento chique, balada, festa, mercadão, corrida de carro, casa da tia, e peça de teatro podemos resumir bem todas as locações que a equipe de arte precisou trabalhar, e foi de certa forma um trabalho bem feito, pois tudo se encaixou e aconteceu sem que fosse preciso explicitar as locações, criando bem a dinâmica, mas volto a frisar que tudo poderia se conectar melhor para agradar de uma forma cinematográfica melhor. Assim como no primeiro filme, a caracterização de Paulo Gustavo é perfeita e não temos nem como pensar em reclamar de algo, pois a equipe de maquiagem mandou muito bem e o figurino acabou sendo melhor elaborado e caiu como uma luva. Dentro das perspectivas da fotografia a equipe organizou bem cada cena, não exagerando em tons, e isso acabou dando um tom cômico também abaixo, mas nada que seja preocupante para quem quiser apenas rir, pois ainda mantiveram um grau aceitável.

Enfim, é um filme que cumpre com o dever de divertir e fazer rir, mas que poderia ser infinitamente melhor e fazer com que o público rolasse de rir do começo ao fim, sem precisar usar de todos os apelos e clichês possíveis de uma trama cômica tradicional. Volto a frisar que não é errado usar esses artifícios, e principalmente que comparado à grande quantidade de comédias novelescas nacionais ruins que nos são apresentadas quase que semanalmente, o filme é muitíssimo melhor, então se você gosta de rir com boas piadas sobre a vida cotidiana familiar, e não liga para um filme que falta uma base de roteiro melhor, pode ir para os cinemas conferir que a diversão é garantida, mas do caso contrário, pense duas vezes antes de esperar algo a mais da produção. Como sempre tenho de agradecer aos amigos da Rádio Difusora FM 91,3MHz pela ótima pré-estreia que a cada dia fica mais lotada, e desejar um ótimo Natal para todos, afinal esse é meu último post da semana (não imaginam o tanto que estou chorando por não vir nenhum outro filme para conferir nos próximos dias). Então deixo aqui meus abraços e até a próxima Quinta antes da virada de ano.

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Sing - Quem Canta Seus Males Espanta em 3D

12/21/2016 02:01:00 AM |

Muitos podem odiar longas musicais, mas quem é fã desse estilo sempre vai se apaixonar, cantar e vivenciar cada cena de uma nova produção do gênero. E quando se mistura animações com um bom teor, música e animais, o que pode acontecer? A felicidade completa! Digo isso de "Sing - Quem Canta Seus Males Espanta", por dois motivos, o primeiro seria que mesmo mudando a produtora, a o longa certamente poderia ser um adendo dentro de "Zootopia", mas como estamos falando de outro tipo de design é fato que não podemos comparar eles, e o segundo é que sendo um grande fã de realities musicais, um longa animado que envolvesse um concurso do estilo certamente me agradaria demais, porém faltou um pouco mais do ar concursal, e ficou mais de lado o âmbito de superação motivacional, e isso foi bem agradável de ver. Enfim, é um filme bem encaixado, que possui uma seleção de músicas perfeita, mas que poderia ser infinitamente melhor, mas ainda assim vai divertir muito com toda personalidade de cada protagonista da trama.

O longa nos mostra que um empolgado coala chamado Buster decide criar uma competição de canto para aumentar os rendimentos de seu antigo teatro. A disputa movimenta o mundo animal e promove a revelação de diversos talentos da cidade, todos de olho nos 15 minutos de fama e US$ 100 mil dólares de prêmio.

A história de superações que os diretores mostraram na trama foram bem encaixadas e claro mostram suas superações pessoais também, afinal após passarem muito tempo nos setores de animação de diversos grandes filmes, Christophe Loudet e Garth Jennings chegaram à direção de um longa que vai certamente brigar por muitos prêmios. E claro que o ponto mais negativo da trama é a falta de grandes texturas nas modelagens para sentirmos mais os personagens, mas a personalidade de cada um vai nos conquistando, e junto com pequenos personagens jogados na trama o resultado de momentos subjetivos acabam ganhando força e impactando num resultado bem mais positivo do que negativo, o que leva o público a ser conquistado pelo ótimo carisma e claro pelas boas músicas escolhidas, que claro irei deixar o link para todos ouvirem.

Falando um pouco mais sobre os personagens e claro suas dublagens (visto que vieram mais cópias dubladas e as legendadas em horários inapropriados para a maioria), temos de pontuar que mesmo funcionando como um líder, o coala Buster apenas entra como um conector e vai desenvolvendo bem seus trejeitos atrapalhados e claro de um líder falido que pode talvez crescer à custa de outros, acredito que Mathew McConaughey tenha saído melhor que Marcelo Garcia, mas é apenas uma opinião que soou calmo demais para tudo o que ocorre. A porquinha Rosita foi uma grande surpresa, primeiro por mostrar que mães costumam conseguir fazer mil coisas ao mesmo tempo (e geralmente não são valorizadas pelo que fazem), além de ser muito boa com engenhocas, e claro dar um show ao final, e segundo por Mariana Ximenes não incorporar tanto sua voz dando uma personalidade própria para a personagem, o que certamente Reese Witherspoon fez no original. Uma surpresa boa também no conceito de voz nacional ficou a cargo da roqueira Ash, que dublada por Wanessa Camargo sequer notamos a voz da cantora, e mesmo na única música que foi dublada o resultado foi excelente, pois ficou interessante e criativo dentro da boa perspectiva, mas certamente gostaria de ver o que Scarlett Johansson fez no longa. Agora talvez o ponto mais negativo e que mereceria uma maior atenção foi quanto a elefante Meena, pois a voz de Sandy ficou muito gritante, afinal o Brasil inteiro conhece ela, e a timidez gostosa da personagem merecia alguém menos conhecida para ter uma dinâmica melhor, o que foi uma pena, irei conferir o que fizeram com Tori Kelly no original. Outro que emprestou bem a voz sem transparecer foi Fiuk para seu Johnny, afinal o gorila é um dos protagonistas com maior quantidade de cenas, e se abusasse sairia algo estranho, e até que a voz caiu bem para o personagem, e talvez até melhor do que a voz mais crua de Taron Egerton no original. Agora quanto a carisma máximo certamente o destaque são para os coadjuvantes, com os filhotes porquinhos de Rosita, e os cãezinhos chineses cantando k-pop, que garantem boas risadas.

O longa em si possui um conceito visual bem interessante, com muitas cores, e assim como uma boa competição musical, diversos personagens e claro músicas, que poderiam ter escolhido diversos outros personagens para se desenvolver e "competir" musicalmente e mostrar suas personalidades com um tempo maior, mas foram seletivos e colocaram boas escolhas na trama final. A cidade em si foi bem mostrada e a criação teatral foi incrível de ver desde o início com a ópera, fechando bem com o conceito de construção/alicerce familiar, incumbindo aí as famílias de cada personagem seja da porquinha, do macaco ou da elefante, e assim o resultado visual acabou mixando bem com a trama que o roteiro desenvolveu. Agora poderiam ter explorado mais o 3D do longa com nuances melhores e até elementos saindo da tela, pois ficou a cargo somente para as lulas luminosas que deram profundidade em algumas cenas, e mais nada, deixando bem a desejar com a tecnologia, então como costumo falar, leve as crianças, mas podem ir nas sessões mais baratas 2D tranquilamente que não irão perder nada.

Enfim, é um filme que vale a pena mais pelas mensagens que cada participante passa e pela ótima seleção musical, mas que talvez se tivessem trabalhado mais no conceito de competição musical mesmo agradaria e chamaria mais atenção. Ainda assim recomendo bastante o resultado da animação. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a outra estreia da próxima semana, então abraços e até breve.


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