A Mula (The Mule)

2/15/2019 01:01:00 AM |

Já ouviram aquele ditado, de que é melhor parar enquanto está no auge? Pois bem, acho que Clint Eastwood anda meio surdo com seus quase 90 anos, pois ele não para, e aqui fazendo um papel que também possui essa idade, ele entrega sua nova produção de uma forma tão monótona, que mesmo sendo algo bem executado, acaba cansando e sem empolgação para qualquer pessoa, e sendo assim, "A Mula" é uma constatação clara do que acontece muito nos EUA, aonde jovens senhores andam caindo no golpe da grana fácil, atravessando o país em suas caminhonetes para levar a droga mexicana até os pontos de distribuição, porém além disso, a trama procura mostrar um outro vértice, o de priorize sua família ao invés de seu trabalho, aonde o diretor também tenta mostrar um pouco dos seus erros na vida pessoal através de falas e atitudes, dando a entender no final, que também deveria pagar por esses erros. Ou seja, temos algo meio que denso dentro de uma proposta simples, mas que apenas soa bonitinho de ver, sem nada que impressione como poderia, nem chegando a nada impactante.

O longa nos mostra que Earl Stone está falido e recebe uma oferta de trabalho fácil: usar sua caminhonete para fazer transportes. Mas o que ele precisa levar é nada menos que tabletes de cocaína, a mando do Cartel de Sinaloa. Earl acredita que ele passará despercebido pelas estradas, mas ele acaba chamando atenção do agente da DEA Colin Bates.

Como bem sabemos Clint já teve grandes glórias e grande fiascos em sua carreira, e ultimamente tem se desesperado por entregar um número maior de filmes, do que longas com qualidade realmente, e embora suas tramas tenham bons momentos, diálogos bem encaixados, situações bem desenvolvidas, o resultado final acaba ficando bem abaixo do que realmente poderia, pois não tem mais aquela explosão clássica, claro que tivemos nesse meio do tempo algumas ótimas obras como "Sully" e "Sniper Americano", mas aqui ele acaba desenvolvendo uma simplicidade muito pacata para algo que poderia ter rumos melhores, e mesmo com boas jogadas simbólicas de sua vida, o diretor não consegue mais se dirigir como costumeiramente fazia, e o resultado soa frouxo tanto na personalidade do protagonista, quanto na forma dirigida que entrega a história para o público, fazendo algo calmo demais, sem muitas perspectivas, nem afrontes. Ou seja, é um longa comum, com uma história até bem pautada, mas que não vai para lugar algum, nem empolga em momento algum, sendo apenas condizente em não entregar algo ruim de ser assistido.

Sobre as interpretações, Clint sabe bem o que faz sempre, e não a toa se colocaria como um senhorzinho de 90 anos, mulherengo, que praticamente largou a família de lado pelo serviço e vida boêmia, e que acaba ludibriado pelo alto ganho de transportes de drogas, ou seja, praticamente ele redesenhou sua vida, só que ao invés de cinema, ele pôs drogas, se comparado a alguns filmes que fez no passado, dá na mesma, e dessa forma seu Earl é simpático, carismático, e tem bons momentos, mas nada que você se impressione, e sendo assim, fez bem seu papel ao menos. Bradley Cooper sempre é um coringa imenso, e interpreta cada papel de uma forma tão diferente, que por incrível que pareça, demorei para reconhecer que o agente Colin Bates era ele, pois é um personagem que aparece pouco, e em momentos mais conectados, e quando faz suas cenas, ele encaixa seus bons trejeitos, e agrada, mas também nada de surpreendente. Outro ponto bem engraçado é Alison Eastwood fazendo Isis, filha de Clint no filme, e ser alguém que não fala há anos com o pai, sendo mais um ponto para conversões de personagens com vida real, e assim sendo, as duas cenas que aparece fez praticamente nada. Michael Peña e Andy Garcia foram bem trabalhados nos seus personagens, conseguindo agradar em cena, fazendo personalidades marcantes com seus Trevino e Laton, de modo que soasse até meio preconceituoso seus atos, mas foram sinceros no que fizeram.

O lado artístico brincou muito na estrada, mostrando inicialmente a caminhonete velha do protagonista, e depois de ganhar seu primeiro montante com uma super caminhonetona, mas também trabalhou bem algumas locações, como as feiras de plantas que o velhinho frequentava com seus diversos prêmios, os bailes e festas dos veteranos de guerra, o casamento da neta, a casa da ex-esposa, e principalmente as festanças do cartel de drogas regadas a mulheres, bebidas e claro muito luxo nas mansões, porém, mesmo tendo tantas locações, o filme soa simbólico no lado policial, não ousando mostrar muito da equipe, e mesmo nas cenas de delação tudo foi bem simples. Outro ponto bem colocado foram as trocas nas borracharias, mostrando uma equipe bem ornamentada para entregar algo que pode mudar a vida do senhor, mas com grandes riscos, ou seja, mais uma alegoria à vida do diretor.

Enfim, está bem longe de ser um longa ruim, pois possui uma história bem moldada, possui uma direção efetiva, mas é monótono demais, quase sem atitudes, mostrando algo casual, que pode até remeter aos acontecimentos da vida do diretor, e assim sendo, quem for conferir o longa pode se envolver um pouco mais, porém garanto que a maioria sairá igual um jovem da sessão, que a namorada perguntou: "gostou do filme?" e ele apenas fez a cara de dúvida sem dizer nada. Sendo assim, não diria que recomendo o longa, mas também não ataco como sendo uma bomba, ficando bem no lado mediano, e com nota no meio também. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Close

2/14/2019 12:09:00 AM |

É interessante observar como alguns longas que tenho visto na Netflix acabam empolgando durante praticamente todo o filme, para no final brochar com gosto, resultando em algo que não diz em nada do que o filme inteiro se propôs, e poderia dizer que é o acaso, mas tem sido quase que algo frequente, parecendo que os diretores têm pego seus roteiros e corrido tanto para entregar um filme a tempo, que não conseguem fechar com um luxo sua história. Mas, se você gosta de algo forte, cheio de ação, aonde os personagens saem dando tiros, lutas corpo a corpo, e mantendo uma rede de conflitos bem complexa, certamente irá gostar dos 90 minutos de "Close", para talvez ficar meio que frustrado nos 4 finais, pois a ideia é boa, o desenvolvimento completamente interessante, mas o fechamento soa tão jogado que podemos achar tanta coisa sobre o filme que até esquecemos de tudo de bom que vimos, o que é uma pena, pois certamente um fechamento bem encaixado, ousando uma declaração polêmica, ou até mesmo durante o miolo não envolvendo nada com a família da protagonista, certamente teríamos algo para falar de boca cheia: "que filme incrível!", ou então vamos pensar em algo completamente absurdo (que é até possível!), mas que por não desenvolver bem e deixar aberto, acaba sendo falho demais. Não vou dar detalhes para não encaixar spoilers, mas poderiam ter ido bem melhor no fato do relacionamento, das datas, da foto, e de tudo mais para que o filme fluísse para onde tentaram, mas quem também chegar ao final com o gostinho de uma ligação maior entre as duas protagonistas, talvez fosse essa a ideia que desejavam mostrar.

O longa nos mostra que Sam é uma especialista contra-terrorismo que assume a função de proteger e cuidar de uma adolescente rica que é herdeira de uma fortuna. Em meio a uma violenta tentativa de sequestro, as duas precisam fugir e lutar por suas vidas.

Diria que o trabalho do diretor Vicky Jewson foi condizente com uma proposta de ação, com uma subtrama embutida, que empolga bastante, cria diversos vértices, mas que acaba tão rapidamente, que nem podemos dizer que o erro teria sido 100% seu, se ele não assinasse também o roteiro, pois como disse no começo até pode ser que ele tenha deixado subentendido tudo o que queria mostrar em relação às protagonistas, e isso funcionar como uma história a parte para emocionar, mas tudo ao final acontece como uma grande bola de neve atropelando todos os elos criados, e isso não é algo bom de se ver, e talvez se tivesse digamos mais 10 a 15 minutinhos, com tudo rolando, alguma deixa sendo falada mais emocionada, e não apenas como entregaram com ela no carro respirando, o resultado seria outro, e quem sabe até chamaríamos o filme de uma grande obra. Ou seja, dizer que é um filme inteiramente ruim só por esse motivo, é subjugar todo o restante que é bem interessante, mas falar que é bom também, seria intervir e tampar os olhos com uma peneira.

Sobre as interpretações, é bem interessante a personalidade e imposição de Noomi Rapace, que muitos até vão julgar sua Sam magra demais para tantas cenas fortes e violentas como uma segurança, mas quem viu seus outros filmes sabe que a atriz manda bem nas lutas corporais, e aqui entregou mais um bom papel do estilo, trabalhando trejeitos e tudo mais, o que acaba agradando bastante. Sophie Nélisse até é bonitinha, possui um perfil bem colocado para uma patricinha herdeira de uma fortuna, mas é muito fraca de expressões, nem parecendo ser a garotinha expressiva que foi em "A Menina Que Roubava Livros", de modo que sua Zoe parece jogada na trama, fazendo caras e bocas, e somente mais ao final consegue entregar alguns trejeitos melhorzinhos, mas nada que consiga salvar sua atuação. Indira Varma fez uma Rima tão seca, que foi condizente para não mostrar suas reais intenções até o final, mas poderia ter trabalhado alguns momentos melhores, para chamar a atenção e até despistar melhor, mas foi dura e sem nada para chamar a responsabilidade. Quanto aos personagens masculinos do longa, ficamos até na dúvida se foram contratados atores, ou somente figurantes, pois todos praticamente falam mensagens rápidas para as protagonistas, lutam e morrem, não tendo nada que parasse a imagem neles, ou seja, melhor nem destacar ninguém.

O conceito visual da trama foi até bem elaborado, encontrando uma mansão quase nível de bunker, cheia de travas e câmeras incríveis, mas que são facilmente quebradas com tecnologia hacker, mas principalmente o longa se passa nas ruas do Marrocos com muita pancadaria em hotéis, nos carros, e claro na própria mansão, de modo que o filme tem uma simbologia tecnológica bem colocada, mas que praticamente é esquecida para que os personagens lutem e atirem muito, ou seja, ação desmedida, quebrando tudo o que tiver pela frente. A fotografia teve um tom bem marrom, para criar tensão de ação, e também elaborar algo mais chamativo para si, mas nada muito surpreendente.

Enfim, como disse no começo é um filme que até empolga, que possui uma ideia bem alocada, mas que foi encerrado de forma grosseira, sem muitos detalhes, deixando muita coisa subentendida, o que não é bacana de acontecer em longas de ação, de modo que até pode ser que alguns vejam de uma forma diferente e se envolvam até mais com a trama, mas a maioria certamente irá reclamar do final, então fica a dica para ver sem muitas pretensões. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã já com a primeira estreia da semana nos cinemas, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Dumplin'

2/12/2019 01:16:00 AM |

Que coisa mais deliciosa foi assistir "Dumplin'" na Netflix, ou traduzindo como no filme "Fofinha", que mesmo usando de clichês tradicionais, ousa em desconstruir uma imagem, e sendo fofinho, mas direto no ponto, consegue passar lindamente a mensagem de seja você mesmo, independente de padrões, de se achar não capacitado para algo, ou até mesmo de estar fora de algo que você mesmo se julga não sendo como deveria, pois você pode ser maior do que isso, e o resultado quando bem encontrado no seu fundo, pode ser maravilhoso. E dessa forma o longa soa maravilhoso também, trabalhando ótimas interpretações, homenageando na medida certa a cantora Dolly Parton (que sempre coloca essa ideia em diversas de suas canções), e trabalhando de uma maneira muito coerente, a trama até lembra um pouco "Miss Simpatia", mas que com um gracejo bem mais ousado, acaba envolvendo muito mais quem gosta desse estilo Sessão da Tarde, com leves pitadas dramáticas bem colocadas. Ou seja, um filme muito gostoso de conferir, que faz você ao final já estar batendo os pezinhos durante as canções, mesmo sabendo tudo o que vai acontecer.

O longa acompanha a história de uma adolescente plus size desinibida chamada Willowdean. Ela é chamada de Will pelas amigas e de Dumplin’ por sua mãe, uma ex-miss que agora organiza um concurso de beleza. Moradora de uma pequena cidade do Texas, Will ignora comentários sobre seu peso e ouve obsessivamente canções de Dolly Parton. E, quando decide entrar no concurso da mãe como forma de protesto, sua ação encoraja outras competidoras a seguirem seus passos, mudando as tradições da cidade para sempre.

A diretora Anne Fletcher foi muito consistente na construção da trama, pegando um roteiro bem moldado em cima do livro recordista de vendas de Julie Murphy, e criando as situações com carisma principalmente, não deixando que o longa ficasse preso em nenhuma das pontas, de modo que a protagonista poderia ir por rumos completamente simples que conseguiria empolgar o público. Claro que o gênero, e o estilo do filme já tinham uma prerrogativa bem montada na cabeça do público, e isso nem que a diretora quisesse, poderia inventar uma forma diferente de entregar, então logo no começo já vamos nos preparando para cada ato que aconteceria com certeza mais para o final, e foram até bem coerentes nas frases ditas para que o filme não fugisse do eixo, e com uma desenvoltura totalmente bem divertida, leve e gostosa, ela conseguiu passar a sua mensagem, conseguiu trabalhar cada momento para soar bonito sem precisar forçar a barra, e principalmente entregou algo digamos fofo para uma proposta que poderia até soar pesada (caso quisessem!), e assim sendo, o resultado nos pega emocionando e torcendo para a jovem protagonista, sem precisar aplaudir suas atitudes, que até soam pessimistas demais em alguns momentos (e sendo até refletidas na nossa forma de pensar muitas vezes!). Ou seja, um acerto completo para a forma de condução, e claro para a adaptação do livro, que não li, mas que pelo desenvolvimento consegue ser bem trabalhado na tela.

Com um elenco afiadíssimo o resultado não poderia ser outro senão diversas cenas bem trabalhadas que nos fazem sorrir a cada ato do longa, trabalhando desde personalidades fortes até situações mais desembaraçadas para encontrar afinco no desenvolvimento de cada personagem. E para começar tinha de ser por Danielle Macdonald que nos entregou a protagonista Will com muita vivência, desenvolvendo cada momento da personagem como se fosse algo único e impactante, agradando nos trejeitos, trabalhando o carisma, e até encarando certas ranhuras no miolo, fazendo com que a odiássemos também pelas atitudes, mas que com o desenrolar da trama, voltamos a torcer por ela, ou seja, perfeita. Jennifer Aniston é sempre precisa no que faz, e aqui mesmo sua Rosie não ficando tanto em evidência, aparecendo sim como a mãe metódica com suas tradições no concurso de misses, mas que sempre deixa o palco para os demais darem seu show, e assim quando precisou veio e encaixou olhares e boas dinâmicas para que a personagem também tivesse o devido destaque. Dentre as garotas, todas foram muito bem colocadas, passando por Maddie Baillio com sua graciosidade em cima de sua Millie com toda imponência e vontade de se superar, Bex Taylor-Klaus com sua imponência e rebelião em cima de sua Hannah, mas completamente despojada nas cenas finais, e claro Odeya Rush como Ellen, a melhor amiga, que mesmo nos momentos de briga, sabemos que podemos contar, ou seja, todas colocadas na medida certa. O par romântico foi meio que fora de eixo, e embora num conto de fadas meio forçado até poderia ocorrer, mas Luke Benward até que entregou bons momentos para seu Bo. E claro para fechar temos de colocar em pauta as drags incríveis feitas com muito carisma por Harold Perrineau, Joshua Allan Eads e Sam Pancake, que deram o tom para a fase final do longa ficar muito divertida.

Quanto da cenografia, o longa deu outro show de elementos cênicos, principalmente no desenvolvimento da personagem com sua obsessão por Dolly Parton, e claro, usando isso para remeter aos bons momentos com sua tia Lucy, de modo que a trama acaba encontrando objetos importantes, as tradicionais colagens de parede, e claro levando isso para o bar de estrada aonde ocorrem shows de drags performando Dolly também, cheias de brilho, com muita simbologia e tudo mais para dar o luxo para a trama, enquanto do outro lado, a equipe também trabalhou muito para simbolizar os concursos de misses, com ensaios, figurinos, camarins ornamentados, e claro muito luxo nas apresentações, mesmo estando no meio do Texas, ou seja, um trabalho minucioso por parte da equipe de arte. A fotografia embora seja bem colorida, trabalhou bem os tons mais avermelhados e escuros para dar uma certa dramaticidade nos atos mais pessimistas da garota, brincando bastante com o humor, e claro com a dinâmica da trama, ou seja, um filme bem desenvolvido na proposta cênica.

Como o longa usa muito das canções de Dolly, e coloca a trilha quase como personagem envolvido na trama, não poderia ter outra cantora senão Dolly Parton como diretora da trilha sonora, emprestando diversas canções suas, e até lançando novas, de modo que o filme acabou até sendo indicado para o Globo de Ouro, e certamente o ritmo country deu um bom tino para o filme, e claro que deixo aqui o link para todos ouvirem depois as ótimas canções, e quem não a conhecer, passe a admirar.

Enfim, um filme que nos pega de forma bem despretensiosa, que certamente pararíamos numa Sessão da Tarde para conferir bem tranquilamente, e que nos remete diversas lições para pensarmos, ou seja, mesmo lotado de clichês do estilo, que logo de cara já vamos apontando para os rumos que terá, sem termos grandiosas surpresas e tudo mais, mas que agrada bastante, nos diverte, e principalmente, mesmo emocionando consegue nos deixar com um enorme sorriso na cara pelo desenvolvimento completo feito, e assim sendo, mais do que recomendo essa ótima comédia da Netflix para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - High Flying Bird

2/10/2019 11:15:00 PM |

Todos sabemos bem que mesmo com salários monstruosos divulgados, boa parte do que ganham não chegam até os atletas, que pagam agentes, marketing, equipe, e claro, impostos gigantes, mas também sabemos que os donos de equipes recebem verbas infinitas das televisões, então qual o percentual ideal para cada lado? Usando essa base, e divulgando muito do conflito que ocorreu na NBA quando a greve dos atletas parou os jogos para negociações monstruosas entre agentes, empresários, sindicatos, deixando o clima esquentando de todos os lados com direitos e tudo mais, o grande diretor Steven Soderbergh conseguiu criar um longa cheio de vértices em seu "High Flying Bird", aonde optou por mostrar a vida de um agente desesperado por já não ter mais seus ganhos, mas que soube trabalhar de maneira coerente para conseguir atingir seu objetivo sem se desgastar, e quem sabe até ir além. Ou seja, é um filme que envolve muitos negócios, muitas boas discussões, mas que revela bem os bastidores de grandiosos campeonatos, aonde muitas vezes só vemos os jogos, e os grandes cifrões que circulam por aí, mas na hora dos negócios, pouco sabemos, e aqui o dedo foi apontado e bem desenvolvido, agradando quem gosta de longas mais empreendedores, e ousando ainda criticar bem os moldes atuais do sistema de ganhos nos esportes.

O longa nos conta que Ray Burke é um agente esportivo que se encontra com a carreira em risco em meio a uma batalha entre os donos dos times da NBA, liga de basquete profissional dos Estados Unidos, e os seus jogadores. Durante um locaute, uma "greve" promovida pelos empresários, ele decide executar um arriscado plano de negócios que pode mudar o jogo para sempre.

Juntar um diretor que sabe bem como trabalhar dramas como é o caso de Soderbergh, com um roteirista que afrontou o racismo de uma maneira completamente forte, como foi o caso de Tarell Alvin McCraney com seu "Moonlight", o resultado esperado não poderia ser outro senão um longa denso, cheio de atitudes, mas que trabalhou mais a essência dos atos do que o desenvolvimento em si, e assim sendo, cada ato do filme vai nos remetendo mais ao grande jogo de bastidores entre atletas, agentes, empresários de times, e claro seus associados, de modo que cada momento uma fagulha falsa poderia fazer tudo explodir. Ou seja, o longa foi muito bem desenvolvido, criou as possibilidades com muita coerência, e principalmente desenhou os atos praticamente não precisando de mais ninguém sem ser o protagonista, embora o filme se mostre norteado diversas vezes pelas laterais, mas sempre o pivô preparado para a cesta de três pontos era o protagonista, e ao final quando achamos que foi sua maior derrota, lá estava ele para balançar a cesta, junto com o diretor que fez a inversão mais forte e correta que o filme pedia.

Sobre as atuações, André Holland foi determinado do começo ao fim com seu Ray, entregando personalidade para o papel, segurando a onda ao falar do seu passado com o primo, e dando ótimos conselhos e virtudes nas jogadas com cada um dos personagens, de modo que o resultado não só impressiona pelo ótimo fechamento dele, como desde o começo já nos conectamos com o que entrega, sendo quase um guru bem moldado para entregar os atos, ou seja, foi preciso, coerente, e acertou em tudo o que podia fazer para o longa impressionar. Já havia achado bem interessante a performance de Zazie Beetz em "Deadpool" sem conhecer mais personagens seus, e aqui como Sam, ela nos entrega uma mulher ousada, que mesmo não sendo mais assistente do protagonista, passa a intervir muito em sua vida, e com uma boa dinâmica de conselhos mútuos, o resultado da atriz surpreende tanto pela forma que passa, quanto pela entrega pessoal da personagem. Melvin Gregg nos entregou com seu Erick, o tradicional novato de campeonatos, que entra com a bola lá em cima, faz altas críticas para os que já estão acima, que fazem banca e tudo mais, mas que no fundo está desesperado para acabar logo a greve e ver seu contrato firmado, e o mais engraçado é ver as diversas entrevistas reais mostrando que realmente todos os atletas draftados possuem esse mesmo sentimento. Bill Duke é sempre um clássico em qualquer filme que entre, e aqui com seu Spence ele dá a nota clara para todo tipo de racismo envolvendo seus jovens na NBA, mostrando precisão nas cenas, e envolvendo muito, sem precisar mover sequer um músculo. Dentre os demais, vale a pena falar de Sonja Sohn com sua Myra imponente como representante sindical dos atletas na briga dos dois lados, mostrando muita personalidade nos atos, e sendo precisa em tudo o que fez em cena.

Como é um longa de bastidores, não espere altos jogos de basquete (sim, eu fui assistir imaginando isso!), então com cenas em escritórios bem chiques, restaurantes, saunas, e até em eventos de caridade bem montados, a equipe de arte teve o trabalho mais simples para colocar os atos em cena, pois o que vale mesmo são os diálogos bem moldados do protagonista, independentemente de onde ele passe, e sendo assim o filme tem quase um ar de palestra misturada com documentário, o que não atrapalha visualmente, mas também não dá nenhuma nuance forte.

Enfim, é um filme simples, porém cheio de virtudes, que consegue mostrar bem como funciona o dinheiro na NBA, mas que poderia ser mostrado na NFL, na FIFA, ou em qualquer outro esporte, que geralmente chega até os bolsos menores quase nada, e esses precisam aparecer muito na mídia para ter seus ganhos aumentados um pouco, mas que mesmo com uma greve rolando, se tiver um esperto, esse pode reverter tudo da maneira mais ousada e perfeita possível. Ou seja, não é um filme que vai empolgar muitos, mas que passa boas ideias e dinâmicas empreendedoras, ao menos no meio dos esportes, mas que pode ser colocada em prática em outros lugares, e agradar quem gosta de saber um pouco dos bastidores dos esportes. Sendo assim, recomendo a trama com certas ressalvas, mas que vale uma conferida ao menos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Uma Aventura LEGO 2 em Imax 3D (The LEGO Movie 2: The Second Part)

2/10/2019 01:33:00 AM |

Sempre digo que quando conseguem seguir a linha do original em uma continuação, o resultado acaba ficando incrível de ser curtido, e com "Uma Aventura LEGO 2" as sacadas foram ainda melhores que o original, brincando com mais personagens, encontrando vértices dinâmicos, e agora que sabemos a ideologia da montagem que vimos no final do primeiro filme, ficou ainda mais engraçado imaginar de onde vieram os aliens, como são as brigas e tudo mais, ou seja, outra grandiosa sacada que só quem tem irmãos sabe como é o famoso brincar juntos, cada um na sua criatividade, e no longa com a quantidade de pecinhas de LEGO, as possibilidades foram infinitas. Diria que o filme tem momentos hilários e bem moldados, que souberam principalmente criar algo novo de estilo, mantendo a essência para que o resultado divertido predominasse, e assim sendo, acabamos vendo um filme bem encontrado, aonde agrada desde crianças pequenas até os mais velhos, sendo familiar e bem montado.

O longa nos mostra que cinco anos após os eventos do primeiro filme, a batalha contra inimigos alienígenas faz com que a cidade Lego torne-se Apocalipsópolis, em um futuro distópico onde nada mais é incrível. Neste contexto, Emmet constrói uma casa para que possa viver ao lado de Lucy, mas ela ainda o considera ingênuo demais. Quando um novo ataque captura não apenas Lucy, mas também Batman, Astronauta, UniKitty e o pirata, levando-os ao sistema planetário de Manar, cabe a Emmet construir uma espaçonave e partir em seu encalço. No caminho ele encontra Rex Perigoso, um navegante solitário que decide ajudá-lo em sua jornada.

O mais curioso é ver que mantiveram a essência bem montada mesmo trocando a direção, e isso é algo bem raro de se ver, pois claro que conseguimos notar um estilo mais denso e cheio de dinâmicas aqui, diferenciando de algo mais metódico do primeiro filme, mas todas as boas pegadas coloridas, os personagens cheios de sacadas referenciais de outras séries, as conexões malucas para mostrar a diferença de idade dos "montadores", deram um tom tão bem colocado, que praticamente não sentimos falta de Phil Lord e Christopher Miller, que agora apenas assinaram o roteiro, e certamente, deixaram bem pronto o estilo para que Mike Mitchell, que possui uma boa leva de produções bem divertidas, dirigisse o longa com personalidade, e conseguisse brincar com o público em todas as cenas. Ou seja, o diretor aqui foi sagaz em colocar a diversão em primeiro plano, trabalhando a essência dos personagens, suas motivações, e principalmente ousou brincar com o amadurecimento, que em alguns não vem tão cedo, mas que sabendo lidar, todos podem aproveitar bem disso. Sendo assim, a essência de dar lições, brincando com as pecinhas fez com que o filme fosse muito gostoso do começo ao fim, e divertisse na medida certa.

Sobre os personagens, tivemos boas adições como a rainha, a soldado espacial, e principalmente Rex Perigoso, que é bem explicadinho no final, mas logo em sua aparição já dá para entender quem ele é, e com boas nuances, o personagem entregou bons momentos junto de seus dinossauros, e claro em boas cenas de ação. Emmet como de praxe é bem gracioso e conseguiu mesmo sendo bobão ajudar em tudo o que era necessário passando boas mensagens. Lucy com seu estilão fechado, meio gótico e rebelde brinca ousadamente com personalidade em cima de algo bem próximo de Mad Max, mas mais durante o longa vamos descobrindo muito de sua personagem. Além deles tivemos muitos bons encaixes, como os vampiros brilhosos, o gatinho, o pirata, o astronauta, e claro toda a Liga da Justiça com grandes sacadas encaixando umas personalidades até meio que reveladoras. Ou seja, um elenco de peso com muitos bonequinhos bem encaixados, que dão o tino para cada cena, além claro dos personagens de carne e osso, Jadon Sand, Brooklynn Prince e Maya Rudolph dando bons trejeitos para os seus leves momentos fora do desenho.

Com muitas cenas bem desenvolvidas cenograficamente, e claro pelas pecinhas poderem montar o que quiserem imaginar, foram bem coerentes desenvolvendo um cenário apocalíptico incrível para a cidade aonde os personagens principais moram, mudando até o nome para Apocalipsópolis, trabalharam diversos momentos no melhor estilo Mad Max, colocando inclusive carrões correndo, tambores e tudo mais, e ao mudar de mundo, passando pela porta da escada, entramos em cenários não tão moldados, misturando peças de diversos modelos diferentes, mas sendo criativos na medida para criar coisas com muito glitter, muitas cores, e claro elementos com formatos estranhos, mas que deram ótimas nuances para cada cena, explicando os diversos momentos com tudo bem encontrado. Além disso, conseguiram dar ênfase na história da união, de objetos fora de LEGO funcionando como elementos alegóricos, e encontrando tudo para divertir na medida. Agora sobre o 3D, o pessoal que gosta da tecnologia ficará um pouco chateado com a trama, pois mesmo vendo na maior tela que é a Imax não consegui ver praticamente nenhum objeto sendo jogado para fora, tendo algumas boas cenas imersivas, mas nada que impressionasse, de modo que recomendo que quem não quiser gastar, possa ver tranquilamente em 2D, que não irá perder nada.

Sobre as canções, tivemos uma melhor que a outra, tendo inclusive uma chiclete para grudar demais na cabeça, mas não consegui achar as versões dubladas online, então quem conseguir algum link, envie que coloco aqui, mas por enquanto deixo as originais para curtirem aqui.

Enfim, novamente a qualidade foi incrível, o resultado impressiona demais, e tudo se encaixou na medida certa para empolgar o público, fazer com que os pequeninos ficassem bem quietos conferindo o filme, e claro os adultos se divertissem por demais, e sendo assim darei a mesma nota que dei para o longa de 2014, pois poderiam ter ousado mais no 3D, para o filme ficar melhor ainda. Mas como disse, não é nada que atrapalhe, então recomendo para todos sem nem pensar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, encerrando as estreias dos cinemas, mas amanhã já volto com as estreias dos streaming, então abraços e até logo mais.

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Escape Room

2/09/2019 02:13:00 AM |

Certamente alguma vez em sua vida você já jogou algum jogo de pistas, e para quem não conhece o estilo, já há alguns anos lançaram estilos mais complexos chamados de "Escape Room", ou em tradução literal, quarto de fuga, ou então melhorando na explicação, consiga fugir do cômodo, aonde através de pistas espalhadas, números, elementos, e tudo mais, quem estiver preso consegue sair do jogo para não sofrer consequências! Bem já vimos alguns mais pesados desse estilo, e um dos principais foi "Jogos Mortais", e aqui embora tenha mortes, a trama soa bem leve, com propostas mais dinâmicas e preparadas para algo mais voltado para um jogo realmente. Claro que mais ao final, é explicado o motivo das escolhas, e o porquê de existir esse formato de quase suicídio, mas certamente o que acabou faltando para o longa foi ser mais conciso nas provas, e não deixar tudo tão aberto para uma continuação, já pensando nisso antes mesmo do final, pois geralmente longas que iniciam por cenas do quase fim, já nos preparam para algo que não deveria ser dito. Ou seja, esperava um pouco mais do longa, mas ainda assim conseguiu me entreter bem, e quem sabe, caso role a continuação, eles pesem a mão para que tudo seja mais tenso, pois embora a classificação seja de terror/suspense, a trama é bem levinha.

A sinopse nos conta que passando por momentos complicados em suas respectivas vidas, seis estranhos acabam sendo misteriosamente convidados para um experimento inusitado: trancados em uma imersiva sala enigmática cheia de armadilhas, eles ganharão um milhão de dólares caso consigam sair. Mas quando percebem que os perigos são mais letais do que imaginavam, precisam agir rápido para desvendar as pistas que lhes são dadas.

O diretor Adam Robitel já tinha nos mostrado que é fraco no ano passado quando assumiu a franquia "Sobrenatural", e entregou o pior da saga, e aqui ele teve novamente a chance de criar um suspense com doses de terror, que poderia entrar para o hall dos filmes que nos fazem tremer, ficar tensos e tudo mais, afinal só a ideia de ficar preso em um quarto dependendo de outros desconhecidos já é algo complexo, mas não, lá foi ele novamente e criou algo tão comum que até ficamos levemente empolgados com a trama, e ponto, afinal não teve participação no roteiro, mas conduziu sem atitude, fazendo com que tudo ficasse muito calmo, muito alegórico, aonde mesmo nos atos aonde os protagonistas mais se desesperam, o resultado acaba ficando sem força. Ou seja, o ritmo da trama precisava de um diretor ousado, que botasse até os atores para ficar desesperados com as cenas, e aí sim já poderíamos esperar uma continuação digna, de forma que estaríamos desejando muito por isso, mas aqui logo de cara na primeira cena já sabemos quem vai sobrar no longa, tanto pela montagem ruim, que não necessitava de uma abertura, quanto na sequência pela apresentação dos personagens, e assim, o filme que possui apenas 99 minutos acaba alongado e saímos da sessão parecendo que vimos uma maratona, e isso não é bom para um suspense, pois geralmente tem de ocorrer o inverso, e sendo assim, vamos ver se o longa tiver fôlego para uma sequência, que escolham um diretor pronto para fazer o sangue tremer.

Dentro das atuações, até podemos dizer que o grupo foi escolhido pelas suas divergências interpretativas, mas acabaram forçando demais o estilo de cada um, fazendo com que cada um virasse um clichê gigantesco para seus momentos, e como disse, ficou extremamente evidente pela montagem o destaque para os dois principais personagens, o que não deveria ocorrer. Dito isso, Taylor Russel foi simples nas atitudes de sua Zoey, mostrando-se pensante demais para um grupo de desesperados, mas quando saiu de si, ficou completamente insana, e entregou bons momentos, mas talvez chamar a atenção demais para a atriz tenha estragado um pouco o conteúdo da trama. Logan Miller é daqueles atores sorrateiros, que costumam aparecer meio que de lado, mas que quando entrega algo, acaba fazendo muito bem, e a montagem acabou estragando muito o grande momento de seu Ben, de modo que o ator seria uma surpresa e tanto, mas que por começar o filme da forma montada, a surpresa vai para o brejo, e o ator não explode como poderia. Jay Ellis foi colocado para ser o arrogante que acabamos xingando, e que por atitudes extremas, acaba até tendo um grande destaque, de modo que seu Jason é bem moldado, tem uma história forte, e consegue chamar a atenção. Dentre os demais, todos têm bons atos, mas não conseguem se mostrar tanto como poderiam, de modo que a militar Amanda vivida por Deborah Ann Woll foi intensa, mas exagerou em trejeitos, Nik Dodani deixou seu Danny eufórico demais por jogar, e chega a ser até chato em alguns atos, e Tyler Labine só não é mais enfeite com seu Mike, por alguns atos dependerem dele, senão nem lembraríamos que esteve no filme.

A equipe de arte conseguiu ser bem pensante para criar as salas com muita tecnologia, e principalmente cheias de elementos alegóricos para serem usados, afinal o filme se baseia nisso, e se errassem a mão, seria o fim realmente, mas souberam detalhar os ambientes, usar armadilhas bem trabalhadas, e principalmente no final ainda mostraram como são criativos os criadores da ideia de "escape rooms", de modo que o filme em si pode falhar, mas a técnica tem de ser elaborada com minúcias para que cada ato fosse bem mostrado, e sendo assim, o resultado visual agrada bastante mostrando principalmente os diversos elementos: fogo, gelo, altura/vertigem, veneno, drogas e pressão de movimento, brincando bem com a mente do público. A fotografia brincou com os tons, usando como base os elementos de cada sala, abusando do vermelho na cena do forno, embranquecendo a tela na cena da neve, colorindo o ambiente inteiro na cena do bar invertido, ousando no marrom esverdeado na cena do veneno, e pirando a cabeça com o xadrez na cena das drogas, de maneira que foram bem coesos nos tons, não forçando a barra, mas também não ousando para criar tensão, e aí está um dos pontos mais errados do longa.

Enfim, dizer que é um longa ruim é abusivo demais, e também dizer que é algo completamente inovador, que temos todos que correr para a sessão e torcer pela continuação também soa forçado demais, então digo que o filme ficou mediano na execução de uma ideia incrível, que falhou principalmente por dar um spoiler imenso já na cena de abertura, o que nos faz nem hesitar qualquer outro tipo de situação diferente na maioria dos atos, mas que ao menos entretém, e isso é algo que ao menos vale a pena, pois produções de suspense ultimamente tem sido tão reflexivas, que quando algo vem mais bem moldado, acabamos até agraciados, e sendo assim, quem for conferir não irá dizer que foi um tempo 100% perdido, e com ressalvas, acabo até recomendando ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas amanhã volto com mais textos, então abraços e até logo mais.

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No Portal da Eternidade (At Eternity's Gate)

2/08/2019 01:15:00 AM |

Confesso que hoje minha vontade era escrever: "Chato." e nada mais, mas como costumo dizer, preciso justificar o que me incomodou demais nessa versão biográfica de Vincent Van Gogh, que poderia ser incrível para mostrar suas loucuras, de onde vieram suas inspirações para as pinturas, motivos fortes para cortar fora sua orelha, e tudo mais, mas o diretor tentou fazer de seu "No Portal da Eternidade" algo extremamente artístico, com uma trilha enfadonha e cansativa, com repetições de frases sem parar para dar ecos de loucura, que somente a ótima interpretação de Willem Dafoe consegue salvar algo na trama, e isso bem próximo ao fim quando já temos algo mais consistente no longa, pois exageraram tanto na forma conceitual, que me esforcei por demais para não dormir durante a exibição.

O longa nos situa em 1888, aonde após sofrer com o ostracismo e a rejeição de suas pinturas em galerias de arte, Vincent Van Gogh decide ouvir o conselho de seu mentor, Paul Gauguin, e se mudar para Arles, no sul da França. Lá, lutando contra os avanços da loucura, da depressão e as pressões sociais, o pintor holandês adentra uma das fases mais conturbadas e prolíficas de sua curta, porém meteórica trajetória.

O diretor Julian Schnabel tentou trazer para a trama um viés artístico demais para que o lado da pintura encontrasse a beleza da natureza, e junto com os traços frenéticos do pintor, o público recaísse o entendimento de sua loucura, brincando demais com vértices imaginários, vozes e deixando que o ator construísse algo mais sólido dentro da maluquice que foi essa época na vida do pintor. Porém costumo falar que deixar nas mãos de um tremendo ator é um risco, pois o ator pode se destacar (o que aconteceu muito aqui), e a obra desabar (o que também ocorreu), e acabamos não vendo em momento algum qualquer destaque por parte do diretor, que sabiamente até escolheu boas locações, moldou bem a vida do protagonista nos hospitais que frequentou, e rapidamente mostrou seu encerramento, o que acabou diferindo demais do outro longa da vida do pintor, "Com Amor, Van Gogh", que brilhantemente através de pinturas retratou de uma maneira bem mais simbólica e gostosa de acompanhar a vida dele. Ou seja, o filme aqui até teve uma proposta ousada e interessante, de trabalhar a loucura como ponto da arte, fazendo com que a cenografia e as pinturas valorizassem o roteiro fraco, mas milagres assim são raros.

Sem dúvida alguma, o melhor do filme fica a cargos das ótimas atuações, e bem por isso Willem Dafoe está sendo indicado à diversos prêmios, e até levando alguns, pela maravilhosa interpretação que deu para Vincent Van Gogh, pintando com precisão, entregando ótimos trejeitos, e sendo sutil nas cenas que mais precisava sem jogar o cansaço da trama para o personagem, ou seja, deu show. Outro que caiu muito bem no papel de Paul Gauguin foi Oscar Isaac, que só é uma pena ter poucas cenas dele no longa, pois certamente como já vimos em outros filmes, Gauguin foi bem polêmico, e certamente com esse estilo forte de Isaac, resultaria em algo impactante. Rupert Friend deu alguns bons tons como o irmão Theo do protagonista, mostrando sinceridade nas suas cenas mais próximas, e envolvendo nas mais dinâmicas, mas como também ficou bem de lado na trama, seu resultado nem chamou tanta atenção. Dentre os demais, a maioria aparece bem pouco, e quem teve um leve destaque foi Mads Mikkelsen como um padre numa ótima discussão com o protagonista sobre religião, e que certamente é uma das melhores cenas do filme no conceito dos diálogos, e sendo assim, ele ao menos se sobrepôs.

Outro ponto bem bonito do filme foi ver que a equipe artística foi bem coerente em arrumar pintores bem próximos do estilo de Van Gogh, para deixar as obras mais próximas dos fechamentos, e claro, treinarem Dafoe para dar os últimos acabamentos, além de diversos momentos com dublês de pintura, de modo que a parte artística é bem desenhada pelo estilo chamativo das obras do pintor, bem como tendo sua cor predileta, o amarelo, espalhado por todos os ângulos, dando tons para a fotografia, e junto de ótimas escolhas de ambientes e locações, fazendo com que a trama tivesse elementos chamativos para retratar bem a vida do pintor.

Enfim, muitos podem até ir por uma outra ideia e se apaixonar pelo longa, mas confesso que o ritmo ficou absurdamente lento, com uma trilha sonora de um piano amaldiçoado de chato batendo o tempo inteiro na mesma toada, me fez por pouco não pensar em levantar para sair da sala, ou ao menos ficar passeando na sala até o final da sessão, mas como hoje tinham muitos espectadores na sala, nem deu para fazer isso. Diria que o longa poderia ter sido moldado com mais nuances sobre a vida do pintor, e não focar tanto nas suas paranoias e medos, de modo que teríamos uma biografia mais diretiva do que introspectiva como acabou acontecendo, ou seja, em resumo, deixando o filme menos chato do que foi. Sendo assim, não tenho como recomendar o longa para ninguém, mas sei que por ter a indicação de Dafoe ao Oscar irá ter uma bilheteria até que considerável de curiosos, mas quem quiser pular, fica a dica. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Velvet Buzzsaw

2/07/2019 12:13:00 AM |

Intrigante e fora dos padrões, essa deve ser a melhor definição para "Velvet Buzzsaw", principalmente por misturar crítica artística com terror, trabalhando bem os momentos, mas talvez falhando um pouco na entidade em si, que se fosse melhor desenvolvida seria daquelas para vibrarmos e tremermos com tudo o que ocorre, porém tirando esse detalhe, todo o suspense em cima, todas as mortes, e a forma de condução em cima dos trejeitos do meio artístico, faz a trama ficar bem interessante e boa de acompanhar. Porém, quem não for muito ligado ao meio artístico, talvez ache o longa um pouco maçante e cansativo, mas ainda assim vale a conferida pelo ótimo trabalho do elenco, e claro pelos efeitos bem feitos.

O longa nos mostra que quando o mercado da arte colide diretamente com o mercado do comércio, artistas e investidores milionários encontram-se em um duro embate financeiro que pode sacrificar muito mais do que suas carreiras, mostrando o que ocorre quando um temido crítico, uma fria galerista e uma ambiciosa assistente roubam as pinturas de um artista recém-falecido - com graves consequências.

É engraçado como alguns diretores possuem estilos tão moldados que quando vamos ver um filme seu, acabamos enxergando muitos momentos semelhantes ao outro, e aqui em diversas cenas nos remetemos ao seu "O Abutre" para comparar com essa nova obra de Dan Gilroy, e isso não é algo ruim de se falar, pois lá em sua estreia como diretor, ele já havia conseguido tirar grandes cenas do protagonista que agora volta a trabalhar, de tal maneira que tudo aqui soa como algo mais reflexivo, e em diversos momentos até trabalhando uma certa imposição para mostrar o conflito entre arte abstrata e comercial, brincando com olhares críticos e tudo mais, mas se tem algo que poderia ter entrado nesse nicho, e o diretor pecou um pouco foi no jeito de criar o terror, pois ao invés de ousar para o lado psicológico, ele já foi mais para um estilo mais forte, com mortes pesadas, e situações bem ousadas. Não digo que isso tenha sido uma escolha ruim, mas pelo estilo do longa, mereciam ter feito algo mais experimental que resultaria em algo melhor exibido.

Sobre as interpretações, temos de pontuar que o senso crítico de todos os atores foi colocado em um nível fora dos padrões para que interpretassem seus personagens nesse longa, de modo que todos estão com trejeitos abstratos, olhares céticos, e principalmente sentidos preparados para traquejos cheios de desenvoltura, fazendo com que alguns até entreguem uma personalidade completamente diferente de tudo que já vimos eles fazerem, e isso é muito bom de ver. Jake Gyllenhaal nos entrega um Morf cheio de tino, com muita classe (e também alfinetadas) conseguiu mostrar bem o estilo de diversos críticos (e não só os de arte), dando opiniões favoráveis compradas, em outros casos não entendendo mais o que está vendo, mas certamente seus melhores momentos ficaram para o final, quando passa a ficar bem maluco com tudo o que está acontecendo, e como o ator tem ótimos trejeitos, o resultado foi perfeito. Rene Russo é uma tremenda atriz, e sabemos bem disso, mas anda aparecendo tão pouco que chega a ser até surpreendente quando entrega algo mais centrado como sua Rhodora, de modo que ela vai com tudo para cada cena, envolvendo, atacando, e principalmente chamando a responsabilidade cênica para si, o que é um luxo de ver. Zawe Ashton foi bem expressiva com sua Josephina, servindo bem de entremeio para os diversos momentos, mas talvez alguns trejeitos menos forçados agradariam mais, pois em determinados atos parece que está desesperada até para mostrar o que está sentindo. Talvez a Gretchen de Toni Collete nem seja uma personagem que a atriz seja lembrada mais para frente, mas certamente quem conferir o longa saberá quem é ela, pois a atriz pegou uma personagem bem ruim, e conseguiu dar personalidade e moldá-la para empolgar nos melhores atos possíveis, principalmente no seu fechamento. Até poderia falar de outros grandes nomes como John Malkovich, Tom Sturridge, Billy Magnussen, pois todos tiveram rápidos, mas bons personagens na trama, mas me alongaria demais, valendo apenas dar o seguinte conselho, se você precisar de uma assistente, não contrate Natalia Dyer, pois quem assistir ao longa entenderá que ô mulherzinha pé na cova, a sua Coco!

No conceito cênico, a trama entregou obras de arte bem elaboradas (outras estranhas apenas) com um trabalho de pesquisa bem desenvolvido para trabalhar tanto a forma que críticos analisam as artes de museus, como que os comerciantes lidam com isso, e claro como os colecionadores também trabalham, fazendo com que o filme tivesse elementos luxuosos e bem ornamentados dentro de instalações bem ousadas, cheias de envolvimento e tudo mais, não tendo espaço para falhar nem nos apartamentos, casas, estúdios e tudo mais aonde os protagonistas passassem, sempre colocando as obras do artista morto nas paredes, ou outras obras conceituais bem moldadas, de tal maneira que onde quer que olhássemos víssemos arte espalhada, e além disso, arrumaram algumas casas e apartamentos bem luxuosos para dar valor ao longa, ao exemplo da casa nas montanhas de Rhodora, que é praticamente uma pintura vista do alto, ou seja, a equipe de arte teve certamente muito trabalho para fazer tudo, e principalmente precisou pesquisar muito para que o filme não ficasse falho. Os efeitos especiais nas cenas das mortes, e claro, nas dos movimentos dos quadros ficaram bem trabalhados, criando perspectivas fortes, dinâmicas e bem colocadas, de tal maneira que alguns até nos assustam, mas que certamente poderiam ter ido além.

Enfim, é um longa bem maluco, cheio de boas virtudes, que até consegue ser empolgante e interessante em diversos momentos, porém o estilo escolhido para a trama pedia uma coisa, e o filme foi num vértice completamente diferente, fazendo com que o terror seja forçado, mas a tensão fique tênue demais, o que acaba um matando o outro. Não digo que seja um longa ruim, muito pelo contrário, pois ele consegue prender o espectador na tela, mas talvez um pouco mais de tensão e/ou terror psicológico em cima da trama, traria toda a maluquice que ele já causa, com paranoias e tudo mais, fazendo com o filme ficasse algo de arrepiar o público também, e não apenas os personagens. Ou seja, mesmo com leves defeitos, é um longa que dá para passar um bom tempo, e agrada quem gosta do estilo, que até recomendo para quem estiver com tempo livre pela Netflix. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, agora das estreias dos cinemas, então abraços e até logo mais.

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Ultraje

2/05/2019 12:55:00 AM |

Sempre costumo dizer que o feitio de um documentário pode ser interessante para alguns, mas não encaixar em nada para outros, e ultimamente um estilo que tem me agradado bastante são os que contam um pouco da história de bandas, as quais conhecia algumas canções, mas sequer lembrava da bagunça que fizeram no passado, afinal era muito novo na época do estouro. E com "Ultraje", a pegada do diretor foi tão bem desenvolvida, entrevistando praticamente todos os vários integrantes que já tocaram junto com Roger, os empresários, donos de gravadoras, produtores, mostrando como a ousadia e irreverência da banda foi metódica para criar o momento do rock nos 80, estourando em vendas de discos, programas de TV, rádios, e principalmente lotando shows por onde passassem. Ou seja, conseguiram contar em 92 minutos toda uma história completa de anos, trabalhando bem os medos e motivos pelos quais cada um saiu sem brigas, nem discussões, apenas por achar que seu momento ali acabara, e assim, o resultado da trama foi um longa gostoso de curtir, com bons depoimentos, e claro com muito material de arquivo que impressiona não só pela existência, mas sim por ver como as pessoas eram malucas e faziam loucuras em shows.

A sinopse nos conta que uma das bandas mais reconhecidas do cenário musical brasileiro das últimas décadas, o Ultraje a Rigor invadiu os rádios e TVs na década de 1980. No fim da Ditadura Militar a banda estava por toda parte no dia a dia dos brasileiros. É assim que começa a trajetória do grupo, que tem sua carreira e a vida de seus membros, especialmente o líder, Roger, expostas nesse documentário.

Nem tenho muito o que falar do trabalho que o diretor Marc Dourdin fez em seu documentário, somente parabenizar a quantidade de material que arrumou para montar, pois é bizarro ver imagens ruins (bem ruins mesmo), mostrando a banda divulgando sua música na praia de sunga num show bizarro do Raul Gil, ver pessoas dançando malucas em clubes fechados aonde pareciam possuídos pelo demônio com movimentos bizarros, ver os diversos shows de grande porte como do Rock 'n Rio, e claro todos os diversos depoimentos, tudo numa montagem bem trabalhada, sequencial, com uma pegada jovem cheia de grafismos (no melhor estilo que a banda fez no começo para ser reconhecida, como é dito no começo do longa), ou seja, um documentário completo, que mostrou pontos positivos e negativos da personalidade do líder, não se omitiu de acusações que teve, e assim criando um resultado bem moldado.

Claro, que mesmo sendo um ótimo exemplar, tenho de pontuar um único detalhe que me fez tirar um pouco da nota do longa, o miolo, pois embora o filme comece bem agitado, cheio de muita dinâmica nas apresentações, com depoimentos rápidos e tudo mais, ao passar da metade o filme toma uma trajetória para mostrar uma certa decadência na banda, e desanima também o ritmo da trama, cansando um pouco, para retomar depois o fechamento escolhido com o programa do Danilo. Tudo bem que esse molde seja até bem inteligente para realçar o que aconteceu mesmo com a banda, mas como costumo falar, no cinema, cansar o público, faz com que acabem debandando a atenção para outros rumos, e o resultado não soa como o esperado.

Porém, mesmo com esse leve desgaste no final, certamente recomendo o longa pelo bom desenvolvimento, pelas ótimas e divertidas canções (várias que eu nem conhecia), e claro pelo estilo irreverente do documentário acompanhando a ideologia da banda, e assim, quem estiver disposto vale a pena uma conferida. Bem, é isso pessoal, fico por aqui hoje, encerrando as estreias do cinema, mas volto em breve com algumas estreias do streaming, então abraços e até logo mais.

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Uma Nova Chance (Second Act)

2/04/2019 01:04:00 AM |

Chega a ser até engraçado falar isso, mas se você já viu um filme da Jennifer Lopez, praticamente já viu todos, pois sempre se embasam nos mesmos moldes, mesmos clichês, e até formatos da trama, mudando somente um ou outro detalhe que acaba criando a novidade. Embora isso possa ser visto como um defeito, sabemos ao menos que não iremos nos desapontar com o que é sempre proposto numa comédia romântica, que é rir em muitos momentos e se emocionar em outros, e é exatamente o que "Uma Nova Chance" acaba entregando, mostrando em linhas subliminares o famoso ditado que um diploma pode sobrepor a experiência de anos numa contratação, mas quem souber contratar uma boa pessoa com anos de experiência pode ter um grande sucesso na empresa. Não digo que isso seja o mote principal da trama, pois funciona apenas no começo, virando para o lado tradicional das comédias românticas que é o fato da pessoa mentir sobre algo, e essa mentira virar uma bola de neve imensa, e aqui basicamente essa é a ideia, porém como é de costume, acontecem tantas conexões na trama, que podemos dizer que a vida é uma caixa de coincidências se formos olhar a fundo, mas que ao menos no final conseguiram dar algumas conexões mais moldadas para tudo, embora ainda seja bem impossível de metade dessas coisas acontecerem numa vida real. Ou seja, o longa é cheio de virtudes, mas que assim como a trama é baseada em mostrar que contar mentiras estraga todo tipo de relacionamentos, e se dar uma nova chance só depende de você, poderiam ter mostrado que isso também é uma grande mentira na vida real, mas aí não teríamos um filme.

O longa nos mostra que Maya trabalha numa loja de departamento badalada de Nova York, e está insatisfeita com sua vida profissional. Porém, tudo muda com uma pequena alteração em seu currículo e suas redes sociais. Com sua experiência das ruas, habilidades excepcionais e a ajuda de seus amigos, ela se reinventa e se torna uma executiva de sucesso.

Assim como a protagonista, o diretor Peter Segal não dirigia um longa desde 2015, e aqui ele que é bem conhecido por entregar longas simples bem feitos, conseguiu novamente usar de sua criatividade para que a trama envolvendo uma situação bem casual como uma entrevista de emprego mudasse de rumos através de ajustes nas redes sociais, e usando rapidamente desse mote, a trama muda de ares com um desenvolvimento rumando para família, abandono de crianças, e claro, por usar de uma empresa de cosméticos, a fabricação de cremes 100% naturais, ou seja, uma tremenda salada de temas em um único filme, que basicamente ainda complementa com diversos trejeitos e clichês bem tradicionais do gênero, de modo que a cada ato que ocorre, já sabemos o desenrolar dele bem antes de tudo, e isso é ruim por um lado, mas completamente casual em filmes estilo sessão da tarde, e assim sendo, não digo que o diretor tenha errado na condução escolhida, apenas não quis ousar para chamar a atenção, e entregou algo simples bem feitinho ao menos.

Sobre as interpretações, basicamente Jennifer Lopez entrega sua mulher empoderada tradicional que já vimos em diversos longas seus, aonde começa bem pobre buscando sucesso, e que ao conseguir revela como fez isso de forma não muito usual, ou seja, sua Maya é o retrato de suas outras diversas personagens, mas aqui a faceta de empreendedora/consultora de cosméticos lhe caiu bem, pois como bem sabemos seu nome é usado por diversos produtos, ou seja, ela fez boas caras e bocas tradicionais conseguindo chamar atenção, tendo emoção bem pontuada em diversos atos, entregando algo que já vimos muito, mas que como foi bem trabalhado, acabamos aceitando e gostando. E se a protagonista e o diretor não apareciam em filmes desde 2015, só nessa semana vimos Vanessa Hudgens aparecer duas vezes, a primeira foi na Netflix no começo da semana, mais recatada, e agora sua Zoe veio toda cheia de glamour, com olhares densos e competitivos, mas que soube emocionar também quando precisou, agradando e mostrando que ainda vai conseguir um papel mais chamativo para explodir, pois ainda seu passado de High School Musical permanece. Dentre os demais, cada um teve suas participações bem colocadas, respeitando o protagonismo das personagens e indicando para o rumo mais encaixado, e Leah Remini com sua Joan trabalhou bem os conselhos e demonstrou muita amizade verdadeira para com a protagonista, Treat Williams entregou o empresário bem sucedido, que ama a família, mas que gosta de arrumar confusão também com seu Anderson, Milo Ventimiglia se colocou como par romântico com seu Trey, mas soou bobinho demais, Freddie Stroma tentou ser um vilãozinho barato com seu Rob, mas acabou virando enfeite demais com o fechamento escolhido, e claro tivemos as ótimas comicidades em cima de Charlyne Yi e Alan Aisenberg com seus Ariana e Chase.

No conceito cênico, a trama trabalhou bem diversos elos comerciais, mostrando a grande variedade de produtos de beleza que existem no mercado, mostrou alguns destaques corporativos, ousou brincar com produções químicas, e claro entregou grandes diferenças de mundo entre os grandes executivos e as pessoas comuns, mesmo que essas queiram crescer na vida, tudo acaba sendo limitado, ou seja, tivemos alguns moldes razoavelmente preconceituosos, mas que na realidade acabam acontecendo mesmo, e a equipe artística foi bem coerente ao tentar mostrar tudo isso.

Enfim, é um filme que não vamos sair falando aos quatro cantos que é uma obra prima, que todos precisam sair correndo para conferir, mas que conseguiu trabalhar bem mostrando corporativismo, aonde muitas empresas preferem pessoas mal preparadas, mas que possuam diplomas enfeitados, mostrou também que mentir não é algo bom em lugar algum, mas que em relacionamentos é afundar com toda certeza, e principalmente divertiu o público com boas cenas, ou seja, mesmo abarrotado de clichês, e entregando um filme completamente feito para se ver na Sessão da Tarde, o resultado vai agradar quem for preparado para ver isso, ou seja, se você gosta desse estilo, com certeza sairá bem feliz da sessão, mas caso contrário, fuja, pois a chance de reclamar de tudo é bem alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia da semana nos cinemas, então abraços e até logo mais.

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O Menino Que Queria Ser Rei (The Kid Who Would Be King)

2/03/2019 02:23:00 AM |

Costumo dizer que sempre temos de conferir um filme com quase nenhuma expectativa para que possamos ser surpreendidos com o resultado entregue, e geralmente quando vou preparado para ver um longa que acredito ter um enredo fraco, e que com certeza irei apedrejar, sou agraciado com obras bem desenvolvidas que costuma me agradar bastante, como acabou ocorrendo hoje com "O Menino Que Queria Ser Rei". Digo isso com muita felicidade, pois o longa aparentava ser algo bem bobinho e que não teria muitos vértices para serem explorados, mas pelo contrário, a trama conseguiu colocar em síntese a lenda de Excalibur, sendo desenvolvida para crianças, mas sem necessitar ficar infantil demais, ousando trabalhar boas batalhas, bons sentidos de amizade e outros lemas morais, e ainda encontrar uma boa desenvoltura entre personagens e efeitos computacionais, o que acabou resultando em um filme leve, com uma boa proposta, mas que pode não encantar o público num primeiro momento, pois a falta de atores conhecidos e um trailer levemente fraco, acabou deixando o filme com cara de algo extremamente feito para crianças bem pequenas, o que não é uma verdade. Ou seja, o filme está longe de ser uma obra de arte, é bem corrido para desenvolver tudo, mas que de certa maneira empolga e agrada com uma sentença bem simples, e isso é o que importa.

A trama nos conta que Alex é um garoto que enfrenta problemas no colégio, por sempre defender o amigo Bedders dos valentões Lance e Kaye. Um dia, ao fugir da dupla, ele se esconde em um canteiro de obras abandonado. Lá encontra uma espada encravada em uma pedra, da qual retira com grande facilidade. O que Alex não sabia era que a espada era a lendária Excalibur e que, como seu novo portador, precisa agora enfrentar a meia-irmã do rei Arthur, Morgana, que está prestes a retomar seu poder. Para tanto, ele conta com a ajuda do mago Merlin, transformado em uma versão bem mais jovem.

Depois de dirigir alguns episódios de séries e um filme mais simples em 2011, o diretor Joe Cornish, que é mais conhecido como roteirista de grandes filmes como "Homem Formiga" e "As Aventuras de Tintim", finalmente consegue um longa de grande orçamento para desenvolver como seu, afinal aqui o roteiro também é dele, e com isso ele foi bem cauteloso para que os efeitos não ficassem tão falsos, e que com o conteúdo de sua história ele conseguisse trabalhar bem todos os atos para que nada ficasse falso demais, ou bobo ao ponto do público desejar nunca ter visto o filme. E dessa maneira, ele conseguiu criar um estilo de filme daqueles que comumente vemos em exibição na TV em qualquer horário, pois tanto os mais jovens, quanto os mais velhos irão se divertir com a forma conduzida para mostrar algo que já vimos de diversas formas, mas que sempre procuram mostrar os atos da mesma maneira, e aqui ao jogar para um vértice mais infantil, com crianças conduzindo a espada, diversos alunos lutando para salvar o mundo (ou no caso a Bretanha como é dito no longa), com cavaleiros de fogo lutando com muito impacto (contra o que seria comum de personagens mais bobinhos brigando com as crianças), e assim o resultado que conseguiu trabalhar ficou até mais considerável que algumas outras refilmagens que a história já teve, ou seja, mesmo vindo com uma história nada original, essa versão soou ligeiramente mais bem colocada dentro da proposta, e conseguiu empolgar bastante com um grupo levemente fraco de expressões, mas bem determinado a entregar um longa divertido ao menos.

Talvez um dos maiores problemas do longa fique a cargo do elenco jovem e inexperiente demais, pois todos aparentaram estar perdidos em cena, e sem muita expressividade em diversos momentos, principalmente nas cenas em que dialogam entre si, porém nas cenas que estiveram com as computações gráficas souberam encaixar bem os olhares para não falharem como a maioria costuma falhar, ou seja, poderiam ter trabalhado mais eles, ou escolhido atores de maior renome para que o filme pudesse vender melhor, mas aí certamente o orçamento incharia demais, e essa não era a meta do longa. O filho do grande mestre da captura de movimentos Andy Serkis, Louis Ashbourne Serkis conseguiu empunhar bem a espada, e também seus diálogos, de modo que seu Alex foi ao menos bem determinado na maioria das cenas, criando situações, correndo bastante, e tentando ser expressivo, porém ainda é novo demais, e não conseguiu entregar diferentes estilos de trejeitos, parecendo estar apavorado durante todo o longa. Dean Chaumot foi bem companheiro com seu Bedders, entregando momentos até graciosos e emotivos demais para com o protagonista, agradando por ser divertido e bem dinâmico na maioria das cenas, mas como secundário se perdeu um pouco. Tom Taylor e Rhianna Dorris foram determinados a serem os famosos antagonistas do longa, fazendo diversos carões e sendo imponentes nas desenvolturas de seus Lance e Kaye, porém quando mudam de lado ficaram jogados demais, o que pareceu não ser bem explicado para os jovens, e isso acabou soando como uma leve falha, mas nada que atrapalhasse felizmente o resultado final. Acostumamos tanto a ver Patrick Stewart careca, que aqui com seu Merlim cabeludo ficamos até olhando bem para saber que é ele, ainda mais por aparecer bem pouco na trama com sua versão, afinal na maior parte do longa temos a sua versão jovem, muito bem interpretada por Augus Imrie cheio de trejeitos, movimentos com as mãos, e soando divertido, mas sem ser bobo demais, trabalhando muito bem com eloquência. A vilã da trama, Morgana, foi bem conduzida por uma Rebecca Ferguson completamente irreconhecível por trás de tanta maquiagem, e a atriz tentou ser impactante nos seus diálogos para sobrepor o bicho estranho que acaba virando, entregando algo até bem interessante.

A direção de arte foi bem efetiva tanto no desenvolvimento da escola quanto nos momentos alegóricos aonde os personagens vão em busca de respostas, criando muitos momentos cheios de personagens computacionais, mas que foram tão bem desenvolvidos ao redor do mundo moderno, que passamos a olhar cada elemento com detalhe, então desde os cavaleiros mortos com suas espadas de fogo, os ambientes cheios de precisão ao anoitecer, e claro as espadas, principalmente Excalibur com sensor de presença inimiga (rsss foi modernizada também!), além claro da ideia bem interessante de que quando a noite desce, quem não foi tocado pela espada some, fez da trama algo bem preciso e resultou em uma arte incrível de ser vista. Como boa parte das cenas ocorrem a noite, a equipe teve de trabalhar bem as sombras dos personagens, com as iluminações de fogo dos cavaleiros, mas sempre dosando bem o tom ao redor, criando algo simples, porém bem feito.

Enfim, é um filme simples, leve, bem recheado de lições morais, mas que consegue envolver tanto os pequenos quanto os adultos, mostrando que adaptar tramas fortes com uma pegada infantil pode ser um novo mote no cinema americano, pois funciona, e como disse no começo, por ter ido sem expectativa alguma para a trama, o longa acabou me surpreendendo bem positivamente. Dessa forma recomendo o filme para todos, pois com certeza irão rir, se divertir e emocionar, claro que com devidas proporções, pois temos muitos exageros e cenas desconexas, mas qual filme não tem, não é mesmo? Bem é isso, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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A Favorita (The Favourite)

2/02/2019 08:32:00 PM |

Quando falamos sobre estilos clássicos de cinema, o principal que nos vem a mente são os de monarquia, aonde o desenrolar de reis, rainhas, ministros, lordes, criados e afins nos envolvem com tanta beleza cênica, aonde os riquíssimos palácios são trabalhados com minúcias, os figurinos são moldados para que o público se envolva, e claro, geralmente grandiosos artistas acabam entregando personalidades fora dos limites para que conheçamos o momento entregado, e tudo ao redor do conteúdo. E usando desse artifício, e jogando no ar muitas intrigas entre um trio magistralmente dirigido, o resultado do filme "A Favorita" vai muito além das questões palacianas, e encontra didática suficiente para abordar assuntos polêmicos, rixas bem armadas, e situações cheias de interesses fortes, o que deu para a trama diversas indicações aos prêmios da temporada, mostrando que esse estilo, que andava levemente desaparecido, voltou com muita classe, elegância, e claro rasteiras para todos os lados para criar perspectivas fortes e interessantes de serem conferidas.

O longa nos situa no início do século XVIII. A Inglaterra está em guerra com os franceses. No entanto, corridas de pato e degustação de abacaxi estão prosperando. Uma frágil rainha Anne ocupa o trono e sua amiga Lady Sarah governa o país em seu lugar enquanto cuida da saúde precária de Anne e seu humor impiedoso. Quando uma nova serva Abigail chega, seu charme a leva a Sarah. Sarah leva Abigail sob sua asa e a serva vê uma chance de retornar às suas raízes aristocráticas. Como a política de guerra passa a ocupar muito tempo de Sarah, Abigail entra na brecha para preencher o espaço como companheira da rainha. Sua crescente amizade dá a ela uma chance de cumprir suas ambições e ela não deixa mulher, homem, política ou coelho ficar em seu caminho.

O trabalho que o diretor grego Yorgos Lanthimos conseguiu fazer com sua trama é algo que mostra bem seu estilo que já vimos em outras obras suas, que é principalmente mostrar que se der mole para alguém, esse alguém irá passar por cima de você a qualquer custo, e aqui ele trabalhou bem a época aonde muitas intrigas rolavam nos palácios, criadas eram atacadas, e qualquer coisa era motivo para se aumentar os impostos (se bem que isso não foi só naquela época), e com um cunho bem trabalhado, o diretor conseguiu ir criando situações bem abertas para discussões, construindo a trama sem se limitar a nada de fora, mas principalmente focando somente aonde devia, que no caso é no trio principal, e dessa forma ele foi muito certeiro, pois recair no exército, ou até mesmo no parlamento que estava bem próximo, ou em qualquer outra coisa, traria um viés fora de estilo para a trama, e resultaria em algo não tão genial assistir. Outro ponto bem positivo foi o formato escolhido pela edição para criar quase que um livro bem montado, aonde vamos lendo capítulo a capítulo, entendendo o que é importante ali por mensagens ditas, e como cada abertura teve seu nome determinado aos atos que seriam desenvolvidos, o resultado foi uma leitura dinâmica do capítulo, mas sem deixar que nada fora do eixo acontecesse, ou seja, um trabalho bem dinâmico e cheio de desenvoltura para que tudo fosse entendido e ajustado.

Sobre as interpretações basicamente só temos uma palavra para definir: show! Pois esse é um dos estilos de filmes aonde raramente os personagens conseguem se sobrepor ao cenário e a essência da trama, mas o que o trio principal fez foi algo aonde elas conseguiram entregar com muita personalidade, olhares fuzilantes, e principalmente entonações fortes um resultado inteligente, e cheio de símbolos, ou seja, não é a toa que as três estão sendo indicadas à todos os prêmios. Olivia Colman inicialmente pareceu ser mero símbolo com sua Anne, tanto que já estava até pensando que tinham feito a famosa jogada de indicar ela como principal e as demais como coadjuvante para que as premiações fossem mais fáceis, mas foi crescendo conforme o longa ia crescendo também, que ficamos impressionados com seus atos expressivos, dando ótimas e fortes cenas com uma personalidade bem própria e colocada. Rachel Weisz veio tão imponente com sua Sarah que chega a dar muito medo de tudo o que faz, impondo o ritmo da trama, as jogadas sujas e tudo com um charme clássico ainda por cima, chamando para si a responsabilidade em muitos momentos, o que mostra a atitude coerente que precisava para envolver. Emma Stone também começou bem no cantinho com sua Abigail, mas vai se mostrando uma cobra sorrateira de primeira linha, incorporando trejeitos fortes, mostrando muita dramaticidade falsa, e ao chegar no clímax do filme já estava no ponto mais alto seu também, e aí foi só fechar com chave de ouro. Quanto aos demais personagens, tivemos poucos que chamaram a atenção, valendo destacar apenas James Smith como o primeiro ministro Godolphin, Joe Alwyn como Mashan, mas principalmente o show de trejeitos vindo de Nicholas Hoult como o sorrateiro Harley.

O que falar de uma cenografia palaciana? Nada né, pois a perfeição é nítida em todos os atos, aparecendo elementos cenográficos incríveis em cada ato, detalhes mínimos nos ambientes principais, como o quarto da rainha, os túneis interligando os quartos, as corridas de patos, as cozinhas e festas regadas a muita comida e vinho, e claro um figurino incrível cheio de detalhes que estamos acostumados a ver em longas de monarquia, mas com um luxo ainda maior pela época escolhida para viver a trama, de modo que conseguiram chamar atenção até nas cenas de um puteiro. A fotografia embora seja simples, está muito linda quase toda iluminada por velas, dando tons alaranjados incríveis de ver, que conseguiram trabalhar as sombras e nuances com muito primor técnico.

Enfim, um longa com estilo clássico, cheio de bons momentos, interpretações incríveis, e uma direção precisa recheada de reviravoltas envolventes, o que fez com que o longa caísse nas graças dos críticos, e que certamente irá fazer até quem não gosta desse estilo mais calmo de filmes, se empolgar com os atos dos personagens, e acompanhar torcendo para cada personagem, quase virando algo comum de vermos em novelas. Só não diria que é um longa perfeito, por um outro ato mais jogado com excessos por parte da edição, que poderia não ter quebrado tanto, mas de resto é incrível cada momento. Ou seja, um filme bem completo, que agrada e envolve, que consegue desenvolver cada momento como algo único, e que vale muito a recomendação para todos, desde quem gosta do estilo, até quem prefere longas mais agitados que conseguirá se atrair pelas intrigas que rolam por parte de todas as personagens. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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A Sereia - Lago dos Mortos (Rusalka: Ozero myortvykh) (Mermaid: The Lake of the Dead)

2/02/2019 01:38:00 AM |

Confesso que fui conferir o longa de hoje com muito medo de uma nova tragédia na telona dos cinemas, pois conferir "A Noiva" que é do mesmo diretor foi algo completamente traumatizante por ser um longa ruim, e pela dublagem em inglês dentro de uma cabine horrenda, mas como vejo tudo o que surge por aqui, cá foi o Coelho na sessão legendada de "A Sereia - Lago dos Mortos", e por incrível que pareça, o diretor aprendeu a fazer uma história mais conexa (usando inclusive dos mesmos argumentos do longa anterior!!), mas a equipe de distribuição não aprendeu, e mandou novamente um longa russo dublado em inglês e legendado em português, porém foi melhor feito dessa vez e tirando as bocas que se mexiam mais do que o que ouvíamos realmente, o resultado ficou levemente melhor. Diria que o longa teve dois problemas no resultado que poderia realmente causar, o primeiro pela falta de ação dos protagonistas, pois todos parecem estar passeando pelo longa, sem quase nenhuma reação, e o segundo por trabalhar tão rapidamente a essência da sereia, que nem parece ser algo que encantasse realmente as pessoas para se matarem, ficando algo meio bobo demais, e principalmente a forma de destruição da entidade ser algo extremamente bizarro falado no começo da trama, mas que ninguém sequer dá atenção por ser algo muito ridículo, ou seja, poderiam ter elaborado algo melhor. Mas longe de ser uma bomba completa, ao menos ficou uma bomba aceitável de assistir, e até arrepiar em alguns momentos pelos gritos da entidade.

A sinopse nos conta que uma sereia malvada se apaixona por Roman, noivo de Marina, e tenta mantê-lo longe dela em seu Reino submerso. Marina terá apenas alguns dias para superar o medo de nadar, lutar com monstros e se manter viva e na forma humana.

É até engraçado ver um longa com sereias demoníacas, mas de modo que o filme não fique mostrando elas nadando com seus rabos de peixe, e isso acaba dando um ar meio que estranho de ver, que resulta em coisas mais bizarras do que o comumente esperado, e a outra situação cômica ficou a cargo de que o diretor Svyatoslav Podgaevskiy entregou praticamente o mesmo mote de seu longa anterior aqui, criando a ideia de um casamento frustrado, aonde alguém passa a surtar e fazer coisas malucas em cima dos homens da aldeia, ou seja, nada muito criativo por sua parte, porém resultando em algo um pouco mais assustador, mas nada que você saia morrendo de medo do que verá na telona. De modo que o diretor poderia ter ousado um pouco mais, e/ou trabalhado um pouco mais da vida da garota que virou sereia amaldiçoada, pois a situação geral ficou muito em cima dos jovens competidores de natação, e isso não importa em praticamente nada na trama, ou seja, o diretor focou demais em coisas desnecessárias, e entregou o que devia de uma forma simples demais.

A atriz Viktoriya Agalakova deve ser daquelas que o diretor ama assombrar, e se antes era uma noiva maluca que desejava enterrar sua personagem, agora uma sereia quer pegar seu noivo, e por consequência matar sua Marina, ou seja, a jovem novamente precisa fazer cara de espanto, e o que ela faz, nada, literalmente, pois, para sobreviver precisa aprender a nadar, e a jovem falha feio nas suas tentativas tanto de nadar, quanto de ser expressiva. Efim Petrunim entregou um Roman meio abobado demais, de maneira que o jovem cai como um peixe fácil na rede da sereia, e com olhares vagos até foi razoável no que fez. Sofia Shidlovskaya até entregou momentos bem montados com sua sereia, mas foram mais interessantes suas cenas com efeitos computacionais do que sendo Lisa, e isso mostra que a atriz não empolgou como poderia, pois falhou sendo ela de cara limpa. Agora falar de inexpressividade é olhar para Nikita Elenev com seu Ilya, de modo que torcemos para que morra logo de tão ruim que o ator é, fora que não serviu para cena alguma, ou seja, um peso morto na produção. E finalizando sobre as atuações, tivemos ainda dois que tentaram fazer um pouco mais em cena, mas não obtiveram muito sucesso, de modo que tanto Sesil Pleze com sua Olga, como Igor Khripunov como o pai dos jovens tiveram ligações com as cenas tensas, mas foram simples demais para algo que necessitava chamar a responsabilidade, ou seja, no conceito interpretativo chegamos a conclusão que a Rússia só tem bons atores que saíram de lá, e vieram para Hollywood, pois os que sobraram são lastimáveis.

No conceito artístico, as locações até foram bem interessantes, com tensões cênicas bem moldadas para o estilo de terror, com uma cabana abandonada, cenas com muita água para criar vértices floreando toda a síntese da trama, mas chega a ser engraçado demais, um rapaz em sua despedida de solteiro resolver nadar a noite num lago completamente estranho no meio do nada, e isso já é algo para se pensar muito, mas tirando esse detalhe, usaram bons elementos cênicos nas casas, trabalharam bem o ritual, e com uma boa conexão, tivemos boas cenas tensas de serem mostradas. A fotografia entregou muitas sombras, ares escuros para trabalhar bem os tons ao redor, e conseguiram um esverdeado tão interessante para o lago, e que rola em diversos momentos nas banheiras também, que até ficamos pensando qual tipo de corante a equipe jogou para conseguir aquele tom.

Enfim, não posso falar que o diretor não melhorou sua técnica de um longa para o outro, pois entregou um resultado anos-luz melhor, mas como a bomba lá foi tamanha, ele ainda tem de aprender muito para chegar perto de entregar algo que assuste realmente, que cause estranheza sem usar do bizarro, e que certamente agrade como terror, pois embora não tenha sido algo completamente ruim, o resultado passa bem longe de passar do mediano, ou seja, quem for conferir não sairá tão decepcionado, mas certamente não sairá completamente feliz com o que acabará de ver. Sendo assim, minha recomendação é de assistir ele somente se não tiver nada mais, o que não é o caso dessa semana, então fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Vice

2/01/2019 01:25:00 AM |

Olha, o trailer de "Vice" já prometia algo surpreendente dentro dos fatos da História que não nos foi contada, e meus amigos, lhes digo com muita sinceridade que é bomba em cima de bomba, daquelas de arregalar os olhos e falar: "como puderam fazer tudo isso sem que ninguém visse claramente!", e está lá tudo bem explicadinho, e o melhor, de forma completamente literária, usando elementos da cultura tradicional para explicar o politiquês, mostrando que o diretor Adam McKay se preocupa (e muito!) com o grande público, pois se em seu longa anterior mostrou diversas fraudes na Bolsa explicando com grandes sacadas como tudo funcionava por trás de grandiosas jogadas, aqui ele pegou os bastidores de uma das épocas mais conturbadas do governo americano, e jogou a merda literalmente no ventilador, mostrando coisas que muitos acreditavam ter acontecido, o que estava por trás da Guerra do Iraque, entre muitas outras situações, sem papas na língua, e em uma loucura completa de edição, que muitas vezes até acaba nos deixando perdidos, mas que no resultado final só queremos soltar um "nóóóóhhhh", pois foram muito coesos na montagem para entregar cada detalhe de maneira sorrateira e bem precisa, encontrando nos pontos mais simples uma forma melhor que a outra para contar tudo. Ou seja, um longa completo, que até diria meio bagunçado, mas que consegue empolgar, divertir, dramatizar, e ainda ter uma história incrível, sem precisar apelar para pontos jogados, sendo praticamente perfeito em tudo.

O longa conta a história de Dick Cheney, que silenciosamente se tornou o vice-presidente mais poderoso do mundo, durante o governo de George W. Bush. Suas políticas mudaram o país e impactaram no mundo inteiro, com reformulações que até hoje são sentidas no governo americano.

O diretor Adam Mckay conseguiu com muita ironia e uma proposta bem ousada, entregar em 2016 o longa "Grande Aposta" surpreendendo o público ao mostrar como o mercado financeiro é um terror monstruoso que se bem usado pode fazer com que muitos se saiam bem na fita, mas também pode virar um caos incrível, e aqui ele brincou novamente usando das mesmas técnicas para entregar algo completamente insano que no caso é algo que novamente anda muito na moda, política e guerras, e que com muita sabedoria conseguiu criar um roteiro maluco baseando-se em fatos reais, mas que ele acabou trabalhando, ou seja, não temos nenhuma biografia envolvida, e com tudo o que colocou em cena, certamente os advogados de Cheney, Bush e afins do governo irão dar uma leve cobrada no diretor. Ou seja, se você tem medo de filmes políticos por serem chatos e cansativos, pode esquecer disso ao conferir esse novo longa, pois com muita dinâmica acabamos nem piscando durante toda a exibição, e vamos nos envolvendo tanto com cada situação, que mesmo sabendo muito sobre o que rolou naqueles anos, jamais esperaríamos ver tudo tão escancarado de forma icônica na telona, e isso acaba surpreendendo demais.

É engraçado a confiança que Christian Bale passa para o diretor, pois novamente a parceria deu muito certo, e por fotos é até engraçado você descobrir qual é o Dick Cheney verdadeiro, tamanho o trabalho da equipe de maquiagem, juntamente com a mudança corporal que o ator entregou, de modo que acabamos vendo uma incorporação cênica cheia de detalhes, desenvolturas corporais, trejeitos, um modo de falar calmo, porém completamente preciso do que desejava mostrar, de modo que ficamos reféns do personagem durante todo o longa, que por bem pouco nem ficamos sabendo quem era o presidente na suas épocas tamanho o destaque do personagem, e claro do feitio do ator, ou seja, perfeito. Steve Carell é daqueles atores tão versáteis que ficamos pasmos com a forma que costuma entregar personalidades para seus personagens, de modo que seu Rumsfeld foi retratado como aqueles políticos de carreira forte, que praticamente agem em tudo o que está acontecendo, e o ator incorporou entregando tanto um lado mais emocional, como sabendo claro seus trejeitos cômicos para que o personagem se destacasse mais do que ele, e conseguiu isso brilhantemente. Amy Adams inicialmente como Lynne Cheney entrega muita personalidade e dá um show de carisma, mas num segundo momento sua personagem quase some da trama, e isso certamente fez com que perdesse diversos votos das premiações, pois a atriz fez bem o que podia, chamou a responsabilidade quando precisou, mas no segundo ato quase nem vemos mais ela, e isso é algo bem falho para alguém que teve um grande destaque na vida do marido no lado real da história. Além do trio, o longa ainda teve grandes personagens bem importantes que mereceriam que fossem destacados no texto, mas iria me alongar demais, então darei preferência claro para o presidente Bush, aqui interpretado por Sam Rockwell com precisão cirúrgica para trejeitos, momentos bem colocados para mostrar a inexperiência do político, mas como o longa é de seu vice, nem brincaram com tudo o que poderia do personagem que tantos odeiam, e outros amam nos EUA, e sendo assim, valeu mostrar que Sam foi incrivelmente dinâmico no que fez.

No conceito cênico, a trama nos mostrou algo que praticamente já conhecemos bem, que são os bastidores da Casa Branca, pois com tantos filmes rolando por lá, já acostumamos a ver os gabinetes, o salão oval, e tudo mais por ali, além claro de termos algumas cenas em fazendas de pesca, e claro na casa dos Cheney, e o longa também ousou utilizar muitas imagens do que ocorreu no mundo logo após o fatídico 11/09/2001, trabalhando claro com material de arquivo muito bem recuperado, com declarações e tudo mais, então você deve se perguntar, qual o motivo de tanta falação em cima da direção de arte do longa? E a resposta vem no conceito de figurino, cabelo e maquiagem que a equipe teve não um, mas praticamente um gigantesco trabalho com todos os atores, pois a maioria aparece tanto no começo da carreira de Cheney, novos e bem colocados, como nos momentos finais de sua carreira, já bem velhos, gordos, de cabelos brancos, outros sem, com rugas, e tudo mais, de maneira que precisaram envelhecer uma equipe inteira em diversas cenas, ou seja, um trabalho muito árduo, e completamente bem feito, que consegue chamar muita atenção, seja pela disposição dos atores em engordar, ou claro, na paciência em ficar horas colocando máscaras faciais, e tudo mais que pudesse para entregar semelhanças incríveis com os personagens reais que vimos em diversos jornais na época, ou seja, o prêmio é do longa sem dúvida nessa categoria. A fotografia ficou levemente turva para tentar dar um ar de envelhecimento para o filme, usando cenas escuras, outras mais densas para criar tensão e conflito, outras mais alegres, mas sempre brincando muito com o público, o que resultou em tons completamente ousados para cada momento do filme, o que é estranho de ver, mas que acabou resultando em algo muito bem feito.

Enfim, é um longa que poderia ser moldado de inúmeras formas, que traria de cada forma uma surpresa diferente, pois por mais que tudo seja bem chocante se pararmos para analisar friamente como essa mente trabalhou em seu próprio bem, pensando bem pouco claro em ideologias patrióticas e tudo mais conforme sempre vemos em outros longas, veríamos o resultado ocorrendo da mesma maneira, mas talvez com outros olhares, enquanto que aqui pela desenvoltura frenética que o diretor quis passar, usando muito seu estilo pop cômico com uma pegada mais comum para o público comum realmente entender, diria que foi algo impactante e interessante demais de ser conferido, mesmo que para isso, a velocidade acabe comendo alguns fatos e personagens, o que acabou tirando um pouco do brilho, e da nota também que poderia ser dada se o filme fosse mais coeso nas situações. Ou seja, recomendo demais que todos vejam, e se surpreendam com algumas histórias ousadas dos EUA na época de guerra mais atual que vimos e acompanhamos, e detalhe, fiquem após os primeiros créditos, pois tem uma ceninha muito boa, completamente irônica com o momento atual dos EUA. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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