A Abelhinha Maya - O Filme (Die Biene Maja 2 - Die Honigspiele) (Maya the Bee: The Honey Games)

5/19/2018 07:36:00 PM |

Não posso dizer que "A Abelhinha Maya - O Filme" tenha sido a melhor animação que já vi, mas passa bem longe de ser algo ruim como imaginava que seria, pois o filme possui uma essência bacana para passar lições de amizade, de competitividade e até trabalhar o espírito de equipe, mas ao brincar bastante com o formato infantil e não se preocupar em satisfazer nem o grupo dos pequeninos nem o grupo dos maiorzinhos, ficando no meio do caminho acaba pecando um pouco, e isso é algo que acaba complicando principalmente pelo início lento. Diria que o público demora para criar carisma pelos personagens, mas ao final já estamos torcendo por todos e as crianças já estão até dançando com os protagonistas. Ou seja, passou longe de ser aqueles filmes infantis bobinhos demais que amarram as crianças na frente da telona e você sai parecendo que foi abduzido, mas consegue soar gostoso mesmo que falte texturas para chamar atenção e ser uma animação primorosa.

O longa nos conta que a abelhinha Maya e seu amigo Willy vão participar dos Jogos do Mel. Vencer é muito importante, caso contrário a colmeia estará ameaçada. Por isso, os dois unem forças com um grupo de insetos para a competição. Porém, eles são bem desastrados e têm pela frente bichinhos bem fortes e com sede de vitória.

Ia dizer que o longa cometia uma falha grande em não apresentar direito os personagens, mas descobri que esse é a continuação de um longa de 2014 (que teve inclusive o mesmo nome, ou seja, sem facilidades para esse Coelho!!), mas por incrível que pareça, essa falta de apresentações não atrapalha em nada, pois os diretores conseguiram direcionar tudo de uma forma bem divertida e com rumos claros para que fôssemos conhecendo cada personagem pela sua interação dentro do longa, e isso é algo bacana de se valorizar, pois dependendo do estilo veríamos o filme e iríamos sair da sala sem conhecer o que desejavam passar realmente, mas aqui tudo flui, vemos a forma intrometida, mas doce, da abelhinha Maya de se meter em confusões, vemos o amiguinho medroso Willy, mas que acaba enfrentando seus medos para estar com a amiga, e vemos também que a colmeia deles é algo mais simples, se comparado com a grande colmeia aonde acontecem os jogos, ou seja, tudo muito bem explicado através de símbolos que acaba funcionando. Ou seja, os pais que forem levar os pequeninos poderão curtir a historinha e sair até sem reclamar, pois felizmente não ficou um longa bobo de conferir.

Sendo assim, podemos dizer que o acerto dos diretores e roteiristas em criar um filme bem trabalhado foi perfeito, e que só faltou melhorar um pouco mais nas texturas e na condução das provas para que o filme ficasse digno de ser lembrado por todos, mas isso já é exigir demais. Outro detalhe que foi um pouco exagerado, foi a forma que os demais competidores da equipe de Maya foram escolhidos, como se tivessem feito um corte seco e jogassem eles ali para competir, mas são detalhes técnicos de um roteiro que também tem muitos furos, mas que como animações aceitam invenções maiores acabaram não se preocupando tanto. Ou seja, temos um pacote completo para divertir os pequenos, com muitas cores, personagens conversando e divertindo bastante, e até boas sacadas para os maiores, fazendo com que o resultado final funcione bem. No conceito da dublagem diria que ficou um pouco estridente as vozes dos personagens, pois de cara até assusta um pouco os gritos e interjeições de cada um, o que fez no começo que a criançada partisse para o choro querendo ir embora da sessão, mas depois que acostumamos o fluxo segue bem e agrada de um modo geral.

Enfim, fui pronto para chegar em casa e atirar diversas pedras por ter conferido um longa exclusivo para bebês, mas acabei me divertindo com a proposta e fiquei feliz em ver as lições que o longa trabalhou, claro que ainda bem longe de ser uma animação que lembrarei muito de ter visto daqui uns meses, mas ao menos não foi uma bomba. Recomendo ele para os mais pequenos, mas não será ruim para os maiores também não. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje encerrando a semana, mas volto em breve com mais estreias.

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Em Um Mundo Interior

5/19/2018 01:37:00 AM |

Acho que já posso considerar 2018 como o ano que mais apareceu documentários nos cinemas do interior, e isso é bom, pois conseguimos ver um estilo de produção que tem melhorado e consegue cada vez mais abranger diferentes tópicos, e o melhor, a maioria saindo do estilo jornalístico. Com o longa "Em Um Mundo Interior", temos uma delicada e bem feita pesquisa para tentar explicar para leigos como são crianças, adolescentes e até adultos com autismo, como se desenvolvem, mostrar suas formas de estudo e convivência com outras crianças, mas principalmente tentar desmitificar que seja uma doença, pois muitos acabam condenando dessa forma. Diria que é algo que vale muito a pena para todos, foi feito de maneira tocante, mas que poderia ter abrangido uma gama de classes sociais maiores, pois aqui focaram praticamente o longa inteiro em famílias abastadas que podem ter cuidadores, babás, e tudo mais para que a criança se desenvolva melhor, mas é apenas um detalhe, pois de resto o longa é bem dinâmico e agrada bastante.

O longa nos conta que no mundo, 70 milhões de pessoas são autistas. No Brasil, são 2 milhões. Neste cenário, o documentário acompanha a rotina de um grupo de crianças de diferentes regiões e classes sociais. Os pais falam de seus medos, das limitações que seus filhos têm e o que o futuro pode reservar para eles.

Costumo dizer que o trabalho de direção de documentário é quase uma reflexão dentro da pesquisa que conseguem fazer, e que acabam entregando para o público sua opinião sobre o assunto, pois diferente de uma ficção que ele acaba dependendo dos atores e das tramas do roteiro, aqui eles precisam sentir para entregar algo que convença e/ou emocione o espectador. E aqui Flávio Frederico e Mariana Pamplona foram a fundo para criar algo que envolvesse toda a temática, conseguisse romancear dentro de uma boa perspectiva, e claro funcionasse também como um aprendizado, e foram bem felizes com o resultado final, pois mesmo com o defeito que citei no começo de pegarem uma gama de autistas que possuem um certo zelo social, com babás, cuidadores e tudo mais, eles acabaram entregando um filme dinâmico que consegue passar sua mensagem, não cansando em momento algum, e principalmente, não virando algo jornalístico que certamente poderia virar, ou seja, um bom acerto que vale a pena a conferida pela sensibilidade das imagens.

Um ponto bacana das entrevistas foi que os pais não fizeram seus filhos de coitadinhos, e ainda foram bem condizentes em todas as cenas, mostrando claro poucos momentos de crise, os jovens tentando se conectar com o mundo e com os câmeras (é notável o incômodo que muitos sentiram), e até foi bacana a tentativa de deixar que os pequenos gravassem cenas para o documentário (o que pelo pouco usado não deu muito certo!), mas certamente poderiam ter trabalhado um pouco mais para que o documentário ficasse completo, e mostrasse também um pouco mais de problemas sociais com os jovens, as crises mais fortes, um pouco mais de explicações médicas, e aí sim teríamos um longa 100% imparcial e que mais do que emocionar, seria de uma valia maior ainda, porém em momento algum digo que o longa foi ruim, muito pelo contrário, me comoveu e fez com que o resultado completo fosse agradável de ver.

Enfim, deixo a dica para que muitos confiram o longa, principalmente pais, pois com certeza em algum momento seu filho pode ter um amiguinho autista na escola, e sempre é bom saber um pouco mais para não dar vexame, e muito menos ensinar errado para os pequenos, e o longa trabalha tudo com uma forma bem serena e gostosa de ver, então fica a dica. Bem é isso fico por aqui hoje, mas ainda faltam algumas estreias para conferir, então abraços e até breve.

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Submersão (Submergence)

5/18/2018 12:40:00 AM |

Sabe quando você começa a explicar algo difícil (tipo o sentido da vida) para alguém, e começa a florear tanto que lá para a metade nem sabe mais o que estava tentando explicar, esse é o estilo de cinema que o diretor Wim Wnders gosta de entregar, pois costuma encantar pela beleza cênica, e acaba se aprofundando em temas que afundam o espectador em pensamentos de onde ele pretendia chegar, e por diversas vezes o público acaba saindo sem saber onde ele chegou, de modo que vai trabalhando sempre o poético com o duro, e geralmente acertando. O caso é que em "Submersão", ele floreou com duas áreas tão complexas (espionagem e biomatemática oceânica) para trabalhar religião e abstração da vida que acabamos flutuando no oceano junto com suas ideias, e até podemos dizer que ficamos perdidos, mas que servirá para muita reflexão e quem sabe até se envolver mais com o que é passado! Ou seja, o filme é o tradicional dele, bem bonito, com um romance instigante, mas que brinca de uma forma aberta demais, tem uma quebra de tempo bem desnecessária, e acaba não fechando como poderia para emocionar ou causar realmente, apenas entregando o básico com algo aberto demais.

A sinopse nos conta que a biomatemática Danielle Flinders, que busca concretizar um projeto de exploração dos oceanos à procura da origem da vida no planeta, em férias num resort remoto na Normandia, conhece o engenheiro hidráulico James More, surgindo uma paixão arrebatadora. Ele decide engajar-se ao seu projeto e, enquanto ela desce num submersível em um perigoso e desconhecido abismo no Ártico, ele, em uma missão na Somália, sob a acusação de ser um espião, é preso e torturado por jihadistas africanos. Com suas vidas em perigo, buscam conectar-se numa jornada espiritual.

Muitos vão reclamar, outros vão amar, mas o fato claro é que o estilo do diretor Wim Wenders é esse, que costuma até ser bem diferenciada por romancear situações não tão românticas e criar perspectivas bem direcionadas, mas aqui o principal ponto que acaba soando um pouco estranho é o fator de termos dois vértices bem diferentes ocorrendo com pensamentos conectados, e com uma edição bem quebrada tudo aparenta fluir de forma mais estranha embora seja compreensível. Não diria que isso soe errado, mas acaba mais cansando do que emocionando realmente, e ao final o público fica com a dúvida de se deu certo ou não. Mas se tem algo que é clássico no estilo de Wenders é o foco de cenas bem fotografadas, com cores marcantes para representar cada instinto e sensação, e aqui o ambiente foi muito bem escolhido, afinal são coisas que poucos costumam falar como biomatemática oceânica, engenharia hidráulica no meio de países dominados por terroristas, ou seja, ver um romance nesse meio já é algo complexo, com diversos recortes então, mas certamente se ele tivesse feito uma montagem diferente com um romance mais evidente realmente talvez o longa ficasse lindo e mais comercial.

Sobre as interpretações, é fato que a escolha de dois grandes atores do momento foi algo completamente acertado para que o filme fluísse bem e ainda garantisse uma bilheteria maior por onde passasse, pois são dois excelentes artistas que conseguem passar toda uma expressividade fora do comum para a telona. James McAvoy se entrega de corpo e alma para seu James More, criando cenas bem limpas e com um charme mesmo quando está sendo torturado, talvez mais cenas como a última soariam mais emocionantes ainda, pois o ator faria o melhor que é se expressar com olhares. Alicia Vikander também mostrou que não estava para brincadeiras com sua Danielle, mas aqui diferente de seus últimos projetos que precisou colocar o corpo para jogo fazendo muita ação, foi mais dinâmica com olhares e diálogos, voltando um pouco para suas origens e sendo sublime até mesmo nos momentos mais duros e desesperadores. Dos demais, podemos dizer que todos foram encaixes, e isso é um dos problemas do longa, pois quando precisou de outros, como nas diversas cenas dos jihadistas, ou até mesmo nas cenas no barco, ninguém estava pronto para chamar a responsabilidade e colaborar com os protagonistas.

No quesito visual, estamos falando de algo vivo quase, e mesmo no fundo do oceano, na parte mais escura, deram um jeito de algo chamar a atenção, então temos locações bem colocadas, barcos imponentes, cativeiros cheios de detalhes e tudo mais para que o filme conseguisse envolver cenicamente, e como o trabalho foi bem floreado de ideias, o resultado geral acaba ajudando a trabalhar cada ato com o cenário, não dependendo dos atores dizer aonde estão, e sim os elementos falando por si. A fotografia brincou com os tons, entregando diversas sensações tanto para os personagens, quanto para o público imergir na ideia que o diretor desejava, mas ainda vou bater na tecla que a última cena inteira em branco quase transparente acabou deixando aberto demais o longa, e poderia ser completamente diferente e ousado caso quisessem.

Enfim, é um filme interessante, mas que pelo trailer aparentava ser muito melhor e muito mais romântico com um envolvimento ímpar, porém a montagem não ajudou a desenvolver como poderia deixando a história um pouco exótica, mas rasa demais de entregas condizentes, ou seja, é daqueles que muitos verão sem entender se gostaram do que viram ou não, de modo que recomendo ele com ressalvas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda tenho mais algumas estreias para conferir, então abraços e até logo mais.

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Deadpool 2

5/17/2018 02:00:00 AM |

Manter a essência, sempre digo que esse é o sucesso de franquias que investem pesado em continuações, e com "Deadpool 2" não foi diferente, começando da mesma forma com uma cena não inicial que necessita voltar para ser explicada como chegou ali, muita desenvoltura com todos os personagens, grandes doses de ação e luta, boas piadas encaixadas do começo ao fim com o protagonista sem papas na língua, e o principal, desenvolvendo o encaixe mutante como deve ser (aliás brincando sempre com a ideia dos X-Men e seus grandes defeitos). Ou seja, um filme bem divertido e que agrada dentro do que se propôs, mas que oscilou demais, tendo comédia, ação e dramaticidade bem pontuadas em momentos isolados, o que acaba parecendo uma montanha russa imensa cheia de curvas, subidas e descidas, mas que no final ainda saímos felizes com o passeio completo. E sendo assim, posso dizer que é um bom filme que agrada bastante, e que fecha com chave de diamante com a cena pós-crédito que vai fazer quem conhecer as referências praticamente mijar de rir (cuidado com o tanto de refrigerante que tomar durante a sessão!), ou seja, um final melhor até que o próprio filme, e é bem rapidinho, podendo depois ir embora tranquilamente.

A sinopse nos conta que quando o super soldado Cable chega em uma missão para assassinar o jovem mutante Russel, o mercenário Deadpool precisa aprender o que é ser herói de verdade para salvá-lo. Para isso, ele recruta seu velho amigo Colossus e forma o novo grupo X-Force, sempre com o apoio do fiel escudeiro Dopinder.

Embora a semelhança técnica entre os dois filmes seja bem alta, é fácil enxergar a maior falha do segundo longa: a mudança de diretor, pois Tim Miller tinha um estilo bem próprio e gostava de entregar mais histórias, enquanto agora com David Leitch temos mais ação e desenvoltura de personagens, e aí é que entra o problema, pois o filme em si tem muita dinâmica, consegue empolgar, mas falha em contar algo a mais, ter uma história bem moldada como a formação do grupo X-Force, trabalhar a viagem temporal e tudo mais, que poderia ser daqueles que impressionaríamos com cada ato, mas que acaba ficando morno dentro de um contexto mais elaborado, porém em momento algum podemos dizer que o trabalho do diretor foi ruim, pois ousou em muitas explosões, tiros, piadas bem encaixadas na proposta, e claro, muito sangue, mas que certamente vai ser lembrado por ser um filme bom apenas, e não espetacular como poderia ser.

No conceito interpretativo, Ryan Reynolds vem mostrar o quão carismático pode ser com sua disposição para encaixar o tom exato de seu Deadpool, fazendo trejeitos vocais, incorporando expressões fortes e bagunçando com tudo o que for possível nas cenas mais calmas, pois certamente é o personagem que mais dá para usar dublê já que está com a máscara na maior parte do tempo, ou seja, podemos dizer que não tem como melhorar em nada, e como também participou do processo criativo do roteiro, e claro, das piadas, fez um ótimo acerto no tom. Josh Brolin veio com tudo nesse ano, e depois de destruir metade do Universo nos Vingadores, agora aqui voltou no passado com seu Cable como um soldado imponente e que também veio pronto para resolver suas desavenças, ou seja, o cara mostrou força e não atrapalha em nada, fazendo bons momentos de luta e de trejeitos. Dos demais posso dizer que todos apareceram e fizeram o que podiam para ter seus bons momentos, com alguns tendo mais tempo de tela como Stefan Kapicid como Colossus, o X-Men formal, o jovenzinho Julian Dennison como o desenfreado Russel, Karan Soni com seu divertido taxista Dopinder, e até mesmo a sortuda Zazie Beetz com sua Domino, mas nada que tenha impressionado demais.

Quanto à qualidade gráfica da trama é fato que tudo foi muito bem caprichado, e brincando com técnicas de explosão, boas lutas, tiros para todos os lados, efeitos fortes (que até poderiam ter apelado para um 3D com muita coisa voando!) e elementos sendo usados para complementar cada ato, o resultado visual acaba impressionando e agradando bastante. A fotografia não economizou também em movimentos de câmeras, tons diferenciados para realçar os protagonistas, muito vermelho, e funcionando sempre em contraponto para que a ação fosse frenética, ou seja, um trabalho técnico perfeito.

Como aconteceu no primeiro filme, aqui novamente Tyler Bates arrasou nas escolhas musicais, que funcionaram tanto como fundo da ação, como parte da história, ou seja, envolvendo cada momento, e sendo assim não tem como não prestar muita atenção, e claro ouvir todas elas muitas vezes, portanto deixo aqui o link para curtirem.

Enfim, é um longa bem feito, que vai divertir muito pela boa dose de piadas e de ação, mas que falha um pouco por não ter uma história mais chamativa como poderia, mas ainda assim é algo que vai valer a pena a conferida. Confesso que esperava um pouco mais dele, visto que o primeiro foi sensacional, mas não vou negar minha baixada de bola com o resultado completo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até breve.

PS: Acho que estou sendo bonzinho, e influenciado mais pela cena pós-crédito para a nota, pois valeria um 7 ou 7,5, mas como a cena final foi algo fora do normal, vamos de 8.

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O Renascimento do Parto 2

5/15/2018 10:38:00 PM |

Dei uma lida no que escrevi de "O Renascimento do Parto" em 24 de Setembro de 2013, e quase que escrevo aqui: Idem. Mas tenho de pontuar que aqui, em "O Renascimento do Parto 2" a trama desenvolveu mais problemas que muitas mulheres que fizeram cesáreas forçadas (afinal dizem que desejavam parto normal, mas não foram atendidas pelos médicos) sofreram, mostra um pouco mais dos atendimentos que o SUS tem prestado nessa modalidade de parto, enfatizando alguns hospitais próprios para isso, e também criou algumas dinâmicas diferenciadas com imagens mais impactantes, partos mais bem montados e tudo mais, porém ainda bateu demais na mesma tecla e ainda adicionou o grande mote do feminismo que anda tão em pauta, e com isso por bem pouco não desvirtuou a beleza que a trama mostra dos nascimentos, mas ainda assim coloco as mesmas palavras que disse em 2013, que é um longa que deve ser visto por todos para poder discutir e também analisar qual a melhor forma que deseja para ter seus filhos, mas ainda assim o longa poderia ter sido menos imparcial.

O documentário analisa a situação da rede obstetrícia no Brasil e traz relatos de mulheres violentadas física, mentalmente e moralmente na hora do parto. Especialistas e vítimas explicam do que se trata a violência obstétrica num momento em que a mulher é quem deveria escolher como quer parir.

Diria que o diretor Eduardo Chauvet foi bem ao querer fazer uma continuação, pois sim, temos de mostrar muito da medicina atual para que o público possa tomar as devidas decisões, porém aqui ele manteve um dos grandes problemas do primeiro longa, que é o excesso de termos técnicos que somente quem souber tudo de rituais, remédios e técnicas de cirurgias vai entender o que estão falando, e ainda incorporou algo ainda mais comprometedor, que se o primeiro era bonito vermos as ideias e tudo soava bem interessante ao mostrar a premissa do parto normal ser uma melhor opção, aqui ele já colocou sem chance alguma para a cesárea e até atacando não deu brecha para escolha, colocando somente pontos favoráveis para o normal e um milhão de tiros para o procedimento cirúrgico. Ou seja, algo totalmente imparcial que não deveria ocorrer em um documentário sério.

Sobre as entrevistas, ainda digo que esse é o melhor jeito de se fazer um bom documentário, não transformando ele tanto em algo jornalístico, mas sim desenvolvendo todo o processo com os depoimentos e criando algo maior, e embora não aparecesse tanto as perguntas feitas, vimos diversas vezes a repetição das mesmas frases, e assim sendo o resultado acabou mostrando que a ênfase no questionamento de mostrar o seu ponto de vista foi algo que o diretor quis polemizar.

Enfim, como costumo dizer documentários são bons para criarmos discussões, sentarmos em círculo e abranger tudo o que foi mostrado para cada um apurar sua devida opinião e as demais, e não que eu ficasse aqui falando por horas sobre cada ato mostrado. Digo apenas que gostei muito das imagens, achei poéticos diversos momentos, e embora imparcial acredito que o longa foi bem elaborado, mas que assim como o primeiro filme, muitos médicos irão ficar bravos com tudo o que é mostrado. Então fica a dica para que todos confiram, e principalmente que muitos discutam tudo o que for mostrado aqui, afinal nem eu, nem o diretor estamos certos com nossas opiniões do que é melhor para cada mulher, sendo que assim como defendem cada uma deve decidir como deve parir seus filhos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas já volto amanhã com a grande estreia da próxima semana, então abraços e até breve.

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Hare Krishna! O Mantra, o Movimento e o Swami que começou tudo (Hare Krishna! The Mantra, the Movement and the Swami Who Started It All)

5/15/2018 01:33:00 AM |

Não tenho o costume de falar muito sobre documentários pelo fato de ser um estilo que dificilmente chega aos cinemas do interior, e principalmente, pelo motivo simples de que documentários geralmente são formatados para um público bem específico, de modo que ou você tem um mínimo de interesse sobre o que é mostrado, ou diferente do que ocorre em uma ficção que algum momento pode lhe conquistar, aqui é raro de acontecer. E como costumo dizer trabalhar o elo religioso é algo que tem duas formas: o de convencer um público ou o de mostrar a sua verdade para o público, e aqui em "Hare Krishna! O Mantra, o Movimento e o Swami que começou tudo" temos até um bom modelo formatado tradicionalmente com inúmeras entrevistas, aonde cada um vai falando um pouco de como foi viver com o fundador do movimento, como era um bom transmissor de ideias, a paz e a determinação que demonstrava e tudo mais, mostrando a expansão da ideia por diversos países, os problemas que ocorreram e tudo mais, porém falta aquele detalhe que engrena uma trama e acaba entregando o algo a mais, que seria a possível conversão de mais pessoas para a ideia, ou que ao menos nos apaixonássemos pelo idealizador e sua paz, mas não ocorre, e pelo contrário, o longa acaba inicialmente cansando demais para empolgar no final, e quando acaba vemos tantas imagens atuais do movimento que serviriam para mostrar os rumos que tudo tomou que chega a dar pena da edição feita.

A sinopse nos conta que o fundador do movimento espiritual Hare Krishna, Srila Prabhupada chegou aos Estados Unidos em 1965 com 70 anos e praticamente nenhum dinheiro ou contatos. Morando em Nova Iorque, ele começou a dar palestras interpretando antigos sânscritos indianos na época do auge da contracultura, e os jovens hippies, inclusive George Harrison dos Beatles, rapidamente se juntaram. O swami foi um incansável promotor até sua morte em 1977, tendo viajado por todo o mundo para espalhar sua mensagem.

Diria que o trabalho de pesquisa foi bem desenvolvido e conseguiu mostrar o começo da trajetória de Prabhupada, e também através de muitos registros históricos mostrar alguns momentos marcantes do início do Hare Krishna, mas John Griesser fez algo tão monótono e com uma desenvoltura tão cansativa para tentar criar um ar sobre o protagonista que não atingiu o ápice em momento algum, muito pelo contrário, o ápice poderia ocorrer com qualquer uma das muitas cenas mostradas durante os créditos que mostra o que o movimento acabou virando atualmente, ou seja, focaram tanto o começo enrolando sem ir para lado algum que quando chegou no melhor ponto acabou o filme.

Ou seja, temos bons depoimentos, boas cenas históricas, vemos os momentos em que o Beatles colocou o movimento num nível maior ainda com George Harrison cantando o mantra, e tudo mais, mas diria que o diretor e roteirista foi omisso no momento maior, e com isso o resultado soou calmo demais para agradar um público maior. Não digo que o filme tenha sido em vão, pois temos momentos que até dá para curtir e conhecer um pouco, mas dos 90 minutos do longa, me vi olhando as horas umas três vezes nos primeiros 50 minutos, ou seja, conseguiu me cansar de tal maneira que não via a hora de chegar ao final, e isso é algo raríssimo de acontecer, ou seja, poderiam ter melhorado demais a desenvoltura que acabaria resultando em algo mais dinâmico e bacana de acompanhar.

Enfim, como disse está bem longe de ser algo desagradável ao ponto de não recomendar, pois vai ter o público-alvo que irá gostar do estilo, que já segue a religião e apenas deseja conhecer imagens dos primórdios, mas para quem apenas ouviu algum ensinamento, escutou o mantra e deseja saber mais, certamente deve haver filmes melhores para mostrar mais, já que aqui ficou muito imparcial e chato para falar em termos mais convincentes para um público maior. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a minha opinião de outro documentário que apareceu na região, então abraços e até logo mais.

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Desejo de Matar (Death Wish)

5/12/2018 02:24:00 AM |

O que acontece quando se junta um diretor de terrores sangrentos com um ator de ação com tiros para todos os lados em uma refilmagem de um clássico filme policial dos anos 70? Se você algum dia fez essa pergunta, a resposta foi lançada nos cinemas na última quinta feira como "Desejo de Matar", refilmagem do longa de 1974 estrelado por Charles Bronson, que agora recebeu um tom mais moderno, aonde a tecnologia dos celulares e das redes sociais proliferam ainda mais a discussão de se devem ou não se fazer justiça com as próprias mãos enquanto a polícia fica parada demorando para resolver um caso. Claro que a ideia principal é interessante para ser discutida, o longa vem cheio de ação para todos os lados (demora um pouco para engrenar, mas quando começa é tiro pra todo lado!), e o principal que veio da pegada clássica do diretor, que antes desse longa só havia feito terrores fortíssimos, ou seja, colocou muitas cenas fortes com impacto de primeira, fazendo com que a classificação indicativa fosse lá para o alto (+18 anos) e agradando quem gosta desse estilo sem precisar ficar apenas indicando as situações.

A sinopse nos conta que após ter sua casa invadida e a esposa assassinada por bandidos Paul (Bruce Willis) passa a acompanhar a polícia nas investigações para capturar os criminosos. Em poucos dias ele percebe que a polícia jamais encontrará os assassinos. Sem opções, ele terá que se aventurar por caminhos obscuros em uma jornada pessoal em busca de justiça.

Vendo as outras opções de atores que foram citadas para o diretor, certamente ele não teve dúvidas em contar com Bruce Willis, pois o longa é a cara do ator, que tem um ar sereno de bom moço quando quer, mas que também não perdoa nada que entre na sua frente, e dado isso, Eli Roth só precisou trabalhar com os produtores como faria para que seu longa chegasse perto do original que conta com cenas também bem pesadas para a época, mas que aqui ganhou um plus mais próximo do terror, mesmo que ainda utilize do estilo de ação policial, afinal vingança faz parte desse gênero. Ou seja, o estilo do diretor foi mantido e ele conseguiu ainda incorporar a ação dinâmica que lhe faltava em alguns títulos para que tudo ficasse bem colocado em cena, de modo que cada ato aqui é marcado quase como em uma série, mas que funciona bem como filme e agrada pela força que pode trabalhar, pois certamente um longa mais light acabaria cansando e não chegaria nem perto de ser lembrado.

Basicamente o filme inteiro é de Bruce Willis, que inicialmente com seu ar cordial e cheio de classe até estranhamos, de tal maneira que Paul parece o médico e marido perfeito, mas logo após o crime, o bicho pega e fica o tradicional Bruce que conhecemos, que deu bons trejeitos para o personagem, criou um carisma e que certamente caso desejem continuar a série fará bons momentos na telona com seu Anjo da Morte, mas aí precisarão elaborar um roteiro mais bem encaixado, pois a história para esse foi fechada. Dentre os demais personagens, a maioria aparece bem pouco e muito deslocada, desde os detetives interpretados por Dean Norris e Kimberly Elise que parecem somente se importar com comidas e bobagens ficando algo bobo demais, até o irmão do protagonista que conseguimos ver que possui alguns problemas, mas que acaba ficando bem superficial na trama com os trejeitos de Vincent D'Onofrio. Dentre os ladrões, deram um pouco mais de ênfase em Beau Knapp como Knox pelo gran finale das cenas de seu personagem, mas sem dúvida as mortes dos demais foram bem mais interessantes.

No conceito visual temos bons momentos com elementos cênicos precisos, a exibição de como é fácil arrumar uma arma de altíssimo porte por parte de qualquer um, conseguiram deixar a cidade de Chicago como um lugar perigosíssimo (não sei se é realmente assim, mas se for deixa algumas cidades brasileiras no chinelo!) e ao trabalhar bem as cenas de ação e as de mortes, a equipe artística procurou criar muita realidade forçada, de tal maneira que alguns elementos cênicos pareceram ter mais importância até que a história em si, o que mostra um apreço pelo orçamento da equipe, e assim o filme acaba até soando engraçado por alguns lances, mas nada que atrapalhe o resultado. A fotografia usou bons tons escuros brincando bastante com luzes de ruas, carros e sombras, o que deu um tom mais denso para a trama e acaba agradando bastante.

Enfim, é um filme que muitos vão adorar pela força de impacto e outros vão odiar pelo exagero, mas que certamente vai causar algo no público que for conferir, e como costumo dizer, isso é fazer cinema, pois se causou algo vai gerar conversas, que vai levar outros para conferir e assim vai. Não digo que seja o longa perfeito, muito pelo contrário tendo diversos furos, mas soa bacana pela proposta de um filme de ação e muitos tiros, e sendo assim quem gosta desse estilo pode ir conferir sem medo, que vai ficar bem contente com o resultado final. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na segunda com alguns documentários que vieram para a cidade, então abraços e até breve.

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A Noite Do Jogo (Game Night)

5/11/2018 01:21:00 AM |

Como transformar uma noitada de jogos em algo bem mais interessante? Pergunte para a galera do filme "A Noite Do Jogo" que certamente vão lhe entregar algo bem perigoso, e o melhor: um filme divertido demais para quem gosta de jogos de pistas, tramas policiais e claro conflitos absurdos que nem em sonho se imaginaria. Com uma premissa bem simples, a trama foi crescendo e ficando bem interessante dentro da proposta, criando situações até de certa forma confusas que são resolvidas até de maneiras elaboradas, mas o grande feito do longa é a bagunça não ser tão imprudente, pois o longa tinha tudo para cair num besteirol de nível tão alto que brigaria pau a pau com os longas de Seth Rogen, mas acabaram fazendo algo que realmente faz rir muito (o miolo é de tirar o chapéu nas cenas que acontecem após o tiro mostrado no trailer!). Claro que temos alguns absurdos fortes e alguns momentos em que o longa dá uma esfriada, mas o resultado é algo que vale muito a conferida, principalmente para quem gosta desse estilo.

O longa nos mostra que Max e Annie participam de um grupo de casais que organizam noites de jogos. O irmão de Max, Brooks, chega decidido a organizar uma festa de assassinato e mistério e acaba sequestrado, levando todos a acreditarem que o sumiço faz parte da misteriosa brincadeira. Os seis amigos competitivos precisam então resolver o caso para vencer o jogo, cujo rumo vai se tornando cada vez mais inesperado.

Em seu segundo longa, a dupla de diretores John Francis Daley e Jonathan Goldstein conseguiram um feito raro, trabalhar uma comédia com pitada policial em algo icônico misturando diversas facetas do gênero da comédia, pois encontramos vértices do pastelão, temos pontos de disputa de jogos, temos o tradicional pesado com escatologias, tendo até pontadas romantizadas, mas tudo de uma forma bem colocada para que não ficasse nem jogado na tela, nem forçado demais, fluindo no ritmo certo que um jogo deve ter, tendo personagens de todos os estilos, brincando com a nerdisse do público que gosta de jogos, e principalmente não apelando para o tradicional, pois o filme certamente poderia cansar, e os diretores mesmo nos momentos mais calmos do longa ainda conseguiram tirar risos do público e deixar que a trama interagisse no contexto completo, brincando até o final com o lance do jogo, e ainda quando achamos que nada poderia nos surpreender e já iriam fechar o longa, tudo volta a jogo numa nova sequência de loucuras, ou seja, uma direção que poucas vezes vimos numa comédia.

Sobre as atuações, temos de todos os tipos e estilos para que o traço cômico funcione bem na proposta do longa, a começar por Jason Bateman, que também assina a produção do filme, e aqui fez o que sabe fazer bem humor com gritos e caras estranhas, de tal maneira que se fosse qualquer outro longa seu Max seria aquele irritante ser que está tentando aparecer de qualquer forma, mas aqui junto com suas cenas sempre acaba vindo algo a mais, que diverte, de tal maneira que a cena da "cirurgia" após o tiro com ele e sua parceira Annie é de rir tanto até chorar, ou seja, tudo o que acabou fazendo deu resultado e agrada bastante. E como falei de Annie, é fato que Rachel McAdams é daquelas que procura encaixar inteligência nos trejeitos para que ela se divirta com a cena, e com isso passe a diversão para o público, o que acaba fazendo seu protagonismo no longa ir acima de tudo e todos, sem abusar e ainda encaixar ótimos momentos em cada piada, ou seja, perfeita. Kyle Chandler entregou um Brooks com trejeitos fortes e sacadas mais duras para seus momentos, do tipo de irmão que apela para atrapalhar o outro, e com isso acabou tendo bons e maus momentos no longa. Já vi pessoas estranhas caírem de paraquedas em comédias, mas Jesse Plemons chega a assustar com seu ar deprimente de alguém que acabou de separar da amada, mas que ainda mantém a pose de policial rigoroso com seu Gary, de tal maneira que suas cenas acabam soando engraçadas, e o ator certamente teve de segurar muito para não rir do que faz em cena, ou seja, algo bizarramente divertido. A dupla Billy Magnussen e Sharon Horgan encaixou a velha história do garanhão burro de escritório que sai com todas e a inteligente que sai por pena, mas que dá liga para as piadas desse estilo no longa com seus Ryan e Sarah, ou seja, até tem bons momentos, mas por bem pouco não acabam apagados. A sacada do outro casal formado por Lamorne Morris e Kylie Bunbury tinha tudo para ter muitos ganchos, afinal se conhecem desde a infância e tiveram uma rápida briga numa determinada época, e esse gancho deu tom para muitas cenas e até poderiam ter brincado mais com isso, mas sairia demais da proposta do filme, e com isso foram bem nos momentos a parte com seus Kevin e Michelle.

A proposta cênica foi bem ousada, pois escolheram uma casa num bairro bem modelado no estilo quase de um jogo realmente, fizeram uma abertura bem original usando elementos de diversos jogos conhecidos, botou a introdução para conhecermos como formou o casal usando muitos bons jogos de casais, e aí você pensa que quando saíssem da temática jogos e fossem para o lado policial investigativo iriam decair, e não, a equipe cênica arrasa nas perseguições, no bar underground, nas mansões, nos diversos elementos cênicos de tal maneira que mostra que a produção pequena acabou tendo um rumo pra lá de inusitado, e o melhor, sempre procurando divertir com tudo, ou seja, um trabalho primoroso. A fotografia ousou em trabalhar cores escuras e elementos fortes para criar sombras até sujas demais para uma comédia, de tal maneira que o tom chega a puxar para um drama em determinados momentos, mas como a ação é frenética o resultado acaba brincando bem com o público e funcionando bastante.

Enfim, é um longa bem bacana que vai agradar bastante quem gosta do estilo, já deixo aqui o aviso que possui uma cena durante os créditos que mostra como o grande plano foi trabalhado, e uma cena no fim dos créditos que mostra uma explicação bem bacana para um outro relacionamento, ou seja, algo subliminar que alguns nem vão entender, ou seja, o longa ainda conseguiu brincar até o final com o público. Além desse detalhe, na cena anterior aos créditos vemos algo que pode ser um gancho para uma continuação, e se souberem arquitetar bem certamente ainda dá para criar muita história com boas piadas, pois recomendo demais o filme, por esperava que fosse bom, mas não esperava rir tanto em determinadas cenas, principalmente vindo de um estilo mais apelativo de humor, ou seja, agrada muito. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Querida Mamãe

5/09/2018 01:27:00 AM |

É engraçado como você ao assistir o longa "Querida Mamãe" parece estar dentro de um teatro conferindo uma peça, daí que você chega na sua casa e vai dar a primeira pesquisada e pronto, o longa é inspirado em uma peça de sucesso de Maria Adelaide Amaral que foi exibida há mais de 11 anos atrás, ou seja, o diretor conseguiu segurar toda a dramaticidade teatral, levando para um outro formato, aonde as atrizes conseguiram permear cada momento como uma grande colcha de sentimentos, aonde discutem seus relacionamentos afetivos e conseguem transpassar o envolvimento atual, aonde cada um procura mostrar os seus pontos de vista favoráveis à sua pessoa, mas esquece de olhar ao redor para ver também o que o outro precisa. Não diria que foi um mar de rosas, pois como bem sabemos uma peça funciona bem dentro de um teatro, aonde expressões falam mais alto e a dinâmica por si só conversa com o espectador, mas também passou bem longe de ser um problemático drama novelesco, que beirou os limites para que isso acontecesse. Portanto, com uma proposta embora bem dura, tudo acaba sendo envolvente e agrada de um modo geral.

O longa nos conta a história de Heloísa, uma médica que sofre de infelicidade crônica, tendo problemas com o marido e a própria mãe, a quem constantemente acusa de tê-la preterida pela irmã, Beth. Após se separar do marido, Heloísa conhece no hospital em que trabalha a pintora Leda, que sofreu um acidente de carro. Grata pelo atendimento prestado, Leda deseja pintar um quadro da médica. Inicialmente reticente, ela aceita a proposta e, ao visitar o ateliê, acaba se envolvendo com a pintora. Entretanto, por mais que o novo relacionamento deixe Heloísa bem mais feliz, ela precisa lidar com o preconceito tanto de sua mãe quanto da própria filha.

O estilo do diretor Jeremias Moreira Filho é mais seco sem muitas firulas, aonde ou ele comove ou entrega logo a sua ideia, já vimos isso em outros filmes seus, e aqui não seria diferente, de modo que até temos um ar tocante pelas beiradas, mas sempre focado no estilo teatral as atrizes vão dominando as cenas e praticamente se digladiando nos diálogos, fazendo com que cada ato fosse bem envolvente e bem pontuado. Claro que o preconceito soou forte em demasia, mas era a proposta, e assim a trama foi bem fluída sem cair em momento algum em desenrolares paralelos (o que tornaria o longa numa novela!), e assim sem errar podemos dizer que a direção foi eficiente (para o teatro), o que poderia ter sido mais suavizado para agradar um público que gosta de floreios no cinema. Enfim, podemos dizer que o roteiro foi bem montado dentro da proposta, que a direção foi criteriosa para não inventar moda, mas que na montagem final poderiam ter cortado ainda um pouco para o longa ficar mais curto e efetivo.

Sobre as interpretações, volto a frisar no estilo, pois todas sem exceção fizeram caras e bocas expressivas demais, o que é comum de ver em teatro, e poderiam ter suavizado todas as situações, mas embora isso atrapalhe um pouco em conectar o público, o resultado acabou ficando forte, e talvez essa tenha sido a ideia que o diretor tenha pedido para elas, então não digo que tenha sido algo errado, apenas poderia ser melhor. Letícia Sabatella é uma atriz esplêndida no que sempre faz, e sua Heloísa é a cara da sociedade atual que se cobra demais, mas que vive confinada dentro de si apenas, olhando para o próprio umbigo e deixando de lado até mesmo os familiares para seu próprio bem, e a atriz conseguiu transmitir sensações nas suas cenas, de modo que tudo ficava bem explícito, porém exagerou um pouco demais na seriedade, deixando fluir pouco uma beleza interior que poderia ser mais trabalhada durante todo o longa e não apenas na última cena. Selma Egrei foi muito bem dosada nas cenas de sua Ruth, entregando a tradicional senhora que se preocupa com os netos, que instiga as filhas e que procura esconder tudo de todos, e com olhares doces e bem colocados em todas as cenas acabou ficando muito bem colocada na trama. Dentre os demais atores, todos procuraram mais conexões com as duas protagonistas, mas sempre dando deixas, o que não é errado, mas seus estouros de atitudes acabaram soando um pouco falhos demais, e sendo assim a filha Priscila interpretada por Bruna Carvalho, o marido interpretado por Marat Descartes, e a pintora Leda feita por Claudia Missura acabaram mostrando um ou outro sentimento na tela, mas sempre apagados pelas pontas dos protagonistas, e poderiam certamente ter se destacado mais caso o longa fosse mais amplo no campo de cinema e menos teatralizado.

No conceito visual, o longa foi bem interessante na casa de Ruth com muitos elementos cênicos para irem encaixando na proposta, mas usando ainda da técnica grandiosa do teatro de ir sumindo cenicamente para representar uma despedida, e também ajudar no conceito de lembranças, o que soa bonito, mas também poderiam ter abusado um pouco mais de cores e detalhes, não deixando que o conceito ficasse fechado demais. Os tons da fotografia também poderiam ter dado um ar mais denso de problema, pois mesmo trabalhando com o preconceito o ar técnico foi bem colorido visualmente, e nesse conceito poderiam ter sido bem mais dramáticos.

Enfim, é um filme bem feito, que agrada bem dentro do que desejava passar, mas que certamente melhor aparado e desenvolvido realmente para cinema e não jogando uma peça para dentro da telona acabaria ficando perfeito. Recomendo ele para algumas reflexões, pois muita gente pode aprender a olhar detalhes ao redor e enxergar melhorias familiares para todos. Bem é isso pessoal, encerro por aqui essa semana, mas volto na quinta com mais textos, então abraços e até lá.

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Gringo - Vivo ou Morto (Gringo)

5/07/2018 01:11:00 AM |

Alguns filmes de comédia costumam não funcionar para todos, e um que geralmente acaba tendo muita controvérsia é o tal de humor negro, aonde as piadas podem funcionar para alguns e para outros o longa pode soar ofensivo, de modo a fazer com que alguns acabem até fugindo das salas dos cinemas. Com "Gringo - Vivo ou Morto" temos uma mistura bem interessante de longas de máfia (aqui no caso a mexicana e seus cartéis de drogas) com algo do estilo "Se Beber Não Case", mas claro que mais pelas altas confusões que o protagonista vai se metendo e as diversas conexões que vão tendo os demais personagens, já digo isso de cara antes que vão conferir e não enxerguem nada disso, ou seja, uma trama cheia de reviravoltas aonde se consegue divertir até que bastante com toda a confusão, mas que o excesso de personagens interligando com o protagonista acaba até confundindo e cansando um pouco, mas quem sobreviver a tudo certamente vai sair da sessão feliz com o resultado final desse bom longa.

O longa nos mostra que como funcionário dedicado e marido exemplar, Harold Soyinka leva uma vida pacata em Chicago. Enfrentando problemas financeiros, ele descobre que a empresa em que trabalha está negociando uma fusão que pode resultar em sua demissão. Aos poucos David passa a acreditar nesta possibilidade, devido a atos suspeitos de seu chefe e "melhor amigo" Richard Rusk. Quando Richard e sua sócia Elaine Markinson resolvem acompanhá-lo em uma viagem de trabalho corriqueira ao México, David vê a situação como a oportunidade ideal para fingir ter sido sequestrado e, desta forma, pedir um polpudo sequestro.

Em seu segundo longa Nash Edgerton mostra uma personalidade única como diretor, após muitos filmes como ator, e conseguiu criar uma comédia muito bem encaixada, cheia de boas reviravoltas e com uma dinâmica bem carismática por parte dos atores, de modo que a cada nova sena o longa conseguia ir nos prendendo, fazendo rir e esperando somente o pior para o protagonista, que mesmo que torcêssemos para que ele conseguisse ganhar algo em cima dos acusados não víamos muitas soluções para que sobrevivesse à todas investidas do cartel. Ou seja, embora possa parecer uma novela imensa com muitos personagens, o diretor conseguiu que cada um fizesse sua parte e não atrapalhasse a do outro, o que acabou conectando todos de maneira coerente e bem concisa, ou seja, um filme que não chegou nem a passar trailer nos cinemas, mas que acabou saindo mais divertido do que o esperado, ao menos para quem gosta de uma comédia mais forte.

Quanto das atuações, boa parte do crédito do filme se deu ao bom carisma de David Oyelowo que encaixou um Harold perfeito para cada momento, cheio de trejeitos desesperados e desde a sua cara de pena por tudo o que sofreu, até seu momento de grandiosidade de um plano para receber um seguro, foi tudo bem encaixado e feito com muito simbolismo, sem recair ao piegas e nem forçar para ser engraçado, deixando que as piadas fluíssem sozinhas. O irmão do diretor, Joel Edgerton também caiu bem na produção como o empresário Richard, e conseguiu demonstrar através de trejeitos tanto os macetes de empresários que não ligam para ninguém, estando se lixando para os funcionários, como também demonstrou pânico nas expressões para quando fica sabendo do problema, ou seja, fez bem seus atos. Charlize Theron como sempre é incrível, e aqui colocou a sensualidade para jogo e trejeitos fortes para mostrar que sua Elaine é quem domina a situação e faz o que quer da sua vida, sendo completamente bem coesa em todos os momentos. O longa ainda contou com outros bons atores para conduzir cada momento, passando por Amanda Seyfried como uma jovem garota que acompanha o namorado numa viagem para o México e acaba cruzando e ajudando o protagonista, tivemos a filha de Michael, Paris Jackson, estreando em uma cena bem rápida numa loja de instrumentos musicais, tivemos Carlos Corona como o chefe do tráfico Pantera Negra em cenas ótimas falando de suas preferências pelos álbuns dos Beatles, e para finalizar tivemos Sharlto Cooper como o maluco irmão de Richard, que fez cenas engraçadíssimas junto do protagonista, ou seja, um elenco coeso e que combinou bons elementos para cada ato deslanchar.

No conceito visual tivemos boas cenas no México mostrando cidades com movimentos dominados pelos cartéis, hotéis fuleiros, mansões cheias de elementos cênicos para mostrar o poder dos traficantes, uma empresa farmacêutica bem montada tanto no nível de escritório quanto na produção mesmo do medicamento "100% legal", além claro das diversas cenas de ação dos sequestros, que mostrou um trabalho bem montado da equipe de arte. A fotografia soube dosar os bons momentos de ação para que o longa tivesse uma vitalidade, com tons sérios e enquadramentos bem usados, mas nada que impressione muito, apenas dando o resultado correto, embora pudessem ter abusado mais das sombras, além de que o começo ficou um pouco forte demais, espantando alguns espectadores.

Enfim, foi um filme muito melhor do que esperava, e que apesar de ser uma bagunça imensa vai conseguir divertir bastante quem for conferir ele por inteiro, pois confesso que o começo e alguns momentos do miolo vão desanimar demais muita gente, mas o resultado completo vale a pena a conferida, mas ao final já estava a sala inteira rindo bastante de tudo. Sendo assim, acabo recomendando ele mais para quem gosta de longas de comédia diferenciados, sem muita apelação, aonde as piadas mais inteligentes acabam funcionando, ou seja, um filme quase artístico. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia dessa semana, então abraços e até breve.

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Paulo, Apóstolo de Cristo (Paul, Apostle Of Christ)

5/06/2018 01:35:00 AM |

Não posso dizer em momento algum que conheço a história do apóstolo Paulo, e muito menos o que fez em sua vida, então o que posso argumentar sobre o filme "Paulo, Apóstolo de Cristo" é somente o que foi passado na telona, e claro lembrar de algumas ligações com o que já ouvi em outros filmes e até mesmo algumas citações na igreja. E claro por não ser alguém religioso não posso afirmar que o que é passado no longa está correto quanto ao que é mostrado na Bíblia, e segundo o filme no trecho "Os Atos dos Apóstolos". Portanto focando apenas como filme, o que posso dizer é que foi algo bem épico, montado com uma elenco até que grande (embora muitos desconhecidos), mas que mostrou bem a Roma desestabilizada pelo imperador incendiário Nero, aonde claro quem pagou o pato foram os cristãos que eram usados como velas ou dados aos tigres nas arenas, e que até consegue passar uma boa mensagem de paz ao invés de conflito para com seus semelhantes, e assim sendo a trama soa bonita, embora forte pelo tom de violência, e que só não é mais perfeita por muitos detalhes técnicos, como todos da Roma Antiga falando inglês perfeito, alguns trejeitos forçados, e claro alguns furos de cena, mas tirando esse ar exagerado, é um longa que consegue comover os mais velhos que forem conferir e funciona bem dentro do que promete, sem ser uma obra faraônica.

A sinopse nos conta que Paulo era conhecido como um dos perseguidores de cristãos mais cruel de seu tempo. Mas tudo muda quando ele tem um encontro com o próprio Jesus. A partir desse momento, esse jovem se torna um dos apóstolos mais influentes do cristianismo, e aqui Lucas arrisca sua vida para visitá-lo, enquanto é mantido encarcerado numa prisão romana sob o comando de Nero. Juntos, eles lutam contra um imperador determinado e as fragilidades do espírito humano para viver o Evangelho de Jesus Cristo e levar sua mensagem ao mundo.

O grande feito do diretor e roteirista Andrew Hyatt foi não se prender apenas em algo bíblico emotivo que passasse a mensagem de paz, mas sim que criasse uma vertente dramática ao colocar um episódio histórico em forma de longa de época, e com isso ele pode criar vertentes maiores e mais bem colocadas. Porém um adendo maior fica pelo fato de o filme focar mais em Lucas, no prefeito da prisão Mauritius e nos organizadores da comunidade Aquila e Priscila do que realmente em Paulo, e isso pode ser considerado uma falha, pois se mostrasse a vida de Paulo, suas andanças pelo mundo, brigas e tudo mais o longa acabaria bem diferente, mas como é dito no final estamos vendo o que Lucas quis passar da ideia de Paulo, e assim o resultado acabou bem interessante e satisfatório, tirando o fato de não me conformar com um longa falado em inglês na Roma Antiga, mas isso seria algo bem difícil, e claro não venderia tão fácil no mercado.

Dentro das atuações, temos de começar falando de Jim Caviezel que já foi Jesus em "Paixão de Cristo", e agora vem como o médico Lucas que escreveu sobre a vida de Jesus através dos ensinamentos de Paulo, ou seja, já está acostumado com o mundo bíblico e o ator foi bem nos trejeitos expressivos com muita emoção em cada ato, o que fez dele um personagem marcante na trama, e que com certeza caso desejem seguir essa linhagem poderiam utilizá-lo mais vezes. James Faulkner entregou um Paulo bem coerente, velho, sofrendo claro com as chibatadas dos romanos, mas mantendo bem a fé e desejando o bem para todos, de modo que o ator trabalhou seus olhares sinceros, e mesmo em cenas mais escuras ele acabou demonstrando um carisma incrível para cada momento. Olivier Martinez acabou soando falso demais para com seu Mauritius, pois como bem sabemos os soldados/prefeitos romanos não tinham tanta harmonia assim, e certamente teria sido bem mais rude com Lucas, mas isso é do personagem, e o ator acabou ficando bem no meio do caminho da decisão de fazer um personagem mais forte ou entregar algo mais morno, o que acabou ficando estranho. Dentre os demais, a maioria acabou figurando mais, tendo um ou outro momento de destaque para John Linche como Aquila e Joanne Whalley como Priscilla, mas nada que tivesse uma expressão mais forte, apenas colocando sempre um ar mais religioso na trama.

Agora algo que foi muito bem feito foi a composição cênica, que conseguiu entregar cenas de primeiro nível com locações épicas cheias de detalhes, muitas ruínas e até um realismo impressionante para as cenas de cristãos sendo queimados vivos, o que chega a chocar em alguns momentos, de tal maneira que souberam usar elementos cênicos ao total favor da trama, mostrando até no final como eram feitas as muitas cópias dos textos bíblicos para que a maioria pudesse receber, ou seja, um trabalho de pesquisa bem coerente para que tudo ficasse no capricho desde maquiagens, passando pelos cenários até encontrar figurinos bem possíveis da época. A fotografia usou muito do sépia como tradicionalmente ocorre em filmes de época e brincou com tons marrons e um ou outro detalhe mais escuro, e ousou fazer muitas cenas com pouquíssima luz para retratar a prisão de Paulo, tanto que havia visto o trailer anteriormente em uma sala com menos luz e já sabia que se o filme fosse passado ali seria péssimo ver, mas hoje vi em uma sala boa e o resultado acabou agradando bastante.

Enfim, é uma boa mistura de filme de época com religioso, e como já disse outra vez, a Bíblia é algo tão vasto e cheio de histórias que se quisessem teriam filmes para fazer aos montes, mas claro que muitos vão acabar criticando por ficar diferente isso ou aquilo, então como costumo falar, é uma obra ficcional que não tem a necessidade de entregar algo real, então vá, curta, se emocione se achar que deve como algumas velhinhas que estavam na sessão e certamente quem entender um pouco mais de religião poderá falar se o que foi mostrado ali realmente seguiu o grande livro, mas como crítico tive de pontuar os defeitos técnicos, e sendo assim recomendo ele, mas com um olhar mais leve, pois tudo pode ser considerado falho se irmos mais a fundo. Bem é isso, fico por aqui hoje, mas ainda faltam dois longas para conferir nessa semana, então abraços e até breve.

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Verdade ou Desafio (Truth or Dare)

5/05/2018 02:39:00 AM |

Tem um estilo de filmes de terror que quando achamos que está para sumir surge como uma entidade paranormal, e se bem trabalhado consegue acertar, digo isso, pois foi feita tanta propaganda online de "Verdade ou Desafio" que confesso que estava com muito medo não de algo assustador no longa, mas sim que fosse uma tremenda bomba adolescente. Daí eis que claro fui conferir, e já comecei a ficar com mais pulga na orelha ao entrar na sala uma quantidade imensa de adolescentes (que imaginei não terem conseguido ingresso para "Guerra Infinita" e resolveram conferir o terror!), e o medo aumentou ainda mais que fossem ficar de papinho e de celulares ligados, mas felizmente graças aos deuses do cinema, todos se conectaram à trama, e ficaram conferindo de boa, e digo de boa mesmo, pois o longa não assusta, não causa aqueles gritinhos de "olha ali", não pega ninguém desprevenido, e o melhor, possui uma essência aterrorizadora, do estilo de "Premonição", coloca atos de "O Chamado" e ainda brinca com entidades demoníacas, ou seja, o pacote completo para agradar e até divertir com as besteiras que acaba acontecendo. Claro que temos diversos absurdos técnicos, muito clichê do estilo que olha vai acontecer isso e acontece, diversos pontos inventivos, mas estamos falando de uma ficção, ou seja, podemos esperar de tudo, e o longa consegue o feito de entreter com um gênero que costuma causar tensão, ou seja, se não tivessem já divulgado que vão migrar para o lado das séries com a trama, poderíamos esperar no mínimo mais uns dois longas sequenciais da trama que ainda agradaria bastante.

A sinopse nos conta que Olivia e seu grupo de amigos de férias no México são convencidos a brincar de "Verdade ou Desafio", em um prédio em ruínas, pelo misterioso Carter. Ao passar a maldição para os recém-conhecidos, Carter alerta o grupo sobre os riscos e regras do jogo, mas não é levado a sério até que essa presença demoníaca começa a assombrar os participantes — encurralados em uma trama de chantagens e perigos que parece conduzi-los a uma única saída: a morte.

O nome do diretor inicialmente parece não remeter a nenhum grande filme, mas na primeira pesquisada já vem "Kick Ass 2", e pronto, posso parar por aqui e está descoberto o motivo de Jeff Wadlow ter mandado bem novamente, digo isso com muito primor, pois o estilo do longa é bem montado, a forma de condução funciona, e mesmo que tenha muita coisa óbvia que fãs de terror não gostam de ver, e o exagero computacional para fazer essas caras estranhas (que é até explicado o motivo pelo demônio ser "brincalhão"), o resultado final é o que vale, e como disse no início, o longa conseguiu prender adolescentes nas salas sem ficar com griteiro e celulares ligados, ou seja, um milagre completo. Claro que ele também pode ser responsabilizado por muitos fãs do gênero pela falta de um horror mais marcante, ou cenas mais chocantes no corte final, mas de certo modo funcionou para que o filme se popularizasse mais, ou seja, optaram pela bilheteria e isso vai causar um pouco de raiva no público que gosta de algo mais dark, mas nada que atrapalhe demais, é apenas um estilo diferente, pois certamente se quisessem poderiam ter feito com a história um terror daqueles de arrepiar e virar a cara a cada morte.

Sobre as atuações, diria que o grupo de jovens foi coeso nas expressões (tirando novamente a computação para esses sorrisos horrendos!) e diálogos incorporados de tal maneira que podemos até ficar com raiva de alguns personagens, e isso é bacana quando acontece, pois mostra que o ator se entregou para fazer gostarmos ou desgostarmos dele, e assim faz valer sua participação/morte. Lucy Hale andava meio sumida do cinema após "Pânico 4", e aqui a jovem soube usar olhares bem colocados e mostrar trejeitos de pânico, de romance e até de desespero, de modo que sua Olivia embora chatinha por alguns exageros acaba funcionando na trama. Violett Beane leva tanta porrada pelas verdades que sua Markie é obrigada a ouvir que chegamos a ficar com pena dela, e a atriz soube fazer caras bem emputecidas e outras de piedade para cada ato, e mesmo não sendo nada perfeito saiu-se bem na maior parte do tempo. Tyler Posey é o tradicional galã desse estilo de filme com seu Lucas, e chega a ser até bobo demais seus atos, mas o jovem não chega a atrapalhar em nada, e seus momentos de possessão foram os mais expressivos (talvez por não necessitar tanto de computação!). Dentre os demais tivemos bons momentos com claro o homossexual que tem de ser colocado nesse estilo de filme, e que Hayden Szeto fez bem sem ser forçado, mas mesmo com poucas cenas talvez o destaque de trejeitos bem colocados fique para Landon Liboiron com seu Carter que fez muito bem o personagem de reviravolta.

No conceito visual a equipe de arte trabalhou bem para criar boas cenas de mortes e não necessitar locações elaboradas, tirando claro a igreja aonde aconteceram os cultos e um trailer no México, além claro de gastarem na viagem real de todos os protagonistas para festinhas no México para se integrarem, conhecerem mais, criar um clima, e claro gravar a abertura do longa, de modo que funcionou bem, embora seja rápido demais, com janelas demais e que acaba ficando difícil até de ler e ver tudo o que mostram em 3 a 4 cenas juntas, e com isso, por ser algo simples, o resultado final de toda a obra acaba ficando interessante de ver, mas como disse, poderiam ter feito coisas mais chocantes, e gastarem mais sangue para o longa cair mesmo na classificação de terror, e isso é a maior falha do longa. A fotografia foi bem coerente, com tons escuros, mas sempre mostrando tudo, não deixando pontos negros para surgir algo do nada e assustar, ou seja, luzes e sombras em perfeita harmonia. No conceito da maquiagem, tivemos bons momentos, mas muitos estranhos também, o que mostra uma pequena bagunça no resultado entre computação e maquiagem real mesmo.

Enfim, é um filme que acabou me surpreendendo por não ser tão de terror, mas conter uma essência de terror bem trabalhada que fazia tempo que não acertavam, de modo que mesmo sendo adolescente demais vai acabar agradando quem gostar de longas de terror sem sustos, apenas com alguma ideologia bem trabalhada. O filme possui alguns furos que preferiram não deixar em aberto, exagerando em algumas explicações abusivas, mas que passam tranquilamente sem precisar reclamar muito. Ou seja, fui pronto para vir escrever atirando mil pedras, e vou acabar encerrando o texto recomendando o longa para que todos se divirtam com um terror não perfeito, mas que vale a conferida. Bem é isso, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Teu Mundo Não Cabe Nos Meus Olhos

5/04/2018 01:20:00 AM |

Se olharmos a fundo a ideia do longa "Teu Mundo Não Cabe Nos Meus Olhos", que é a intromissão ou o fator de querer dar felicidade para alguém a partir do que você acha que é felicidade para você, até podemos enxergar algum ponto positivo no decorrer da trama, mas a ideologia é tão simples dentro de um longa bem alongado, e as duas resoluções são tão rápidas que por diversas vezes ficamos pensando em motivos de terem deixado tudo tão falho, ou por que raios fizeram algo tão novelesco que poderia ser dinâmico, floreado e bonito, mas não vem razões, e sendo assim a trama acaba sendo singela, que muitos vão assistir e se perguntar por que acabou assistindo, e o resultado acaba passando bem longe de ser um filme que lembraremos algum dia de ter visto, ou seja, artístico demais para algo que não necessitaria de tantos enfeites.

A trama nos mostra que Vitório, cego de nascença, é dono de uma pizzaria herdada de seu pai no tradicional bairro do Bixiga, em São Paulo, e é famoso por oferecer a melhor pizza dos arredores. Vivendo uma vida feliz com a mulher Clarice e a filha Alicia, ele sente que superou todas as dificuldades da cegueira e que deu a volta por cima. Mas, ao descobrir que existe a possibilidade de enxergar, Vitório inicia um conflito consigo mesmo e precisa tomar uma grande decisão.

Confesso que após analisar melhor a trama, o trabalho do diretor e roteirista Paulo Nascimento é notado, pois você consegue trabalhar a essência da trama, coisa que é difícil de ver em filmes nacionais, porém o problema é que a trama é para um curta-metragem, no máximo um média, e para ter 93 minutos acabou alongando tanto que o resultado vira uma novelona imensa. Sem colocar spoilers vou resumir rapidamente como o filme ficaria mais assistível: apresentação do personagem com seu dom de fazer pizzas conhecendo o interior das massas, diversão dele com o amigo em jogos e bares, esposa querendo mudar o marido (pode se colocar aqui a ambição do pai dela ou não) e consequentemente briga, acontecimento trágico na pizzaria, operação, decisões finais e pronto, em 15 a 25 minutos teria um filme incrível e bem montado, mas é uma pena a ambição de alguns diretores que acham que tem uma história gigante para ser representada, e assim acabam transformando bons textos em novelas arrastadas, mas como disse a essência está impregnada na trama, e quem olhar com um ar mais profundo, tirando os excessos, até vai gostar sem muitas reclamações.

Falando um pouco sobre as atuações, podemos dizer que Edson Celulari fez bem os trejeitos de seu Vitório, evitou olhares exagerados para a câmera ou para qualquer lugar, deixando bem claro a deficiência, e soube entoar sua voz corretamente para os diversos momentos, agradando também como um descendente de italiano, mas poderia ser menos exagerado no tom, pois não é um italiano realmente, então ficou bem colocado, mas nada que surpreenda, apesar de levar o longa completamente com sua atuação. Agora a minha dúvida é o motivo de colocarem uma atriz estrangeira talentosíssima como é Soledad Villamil como a esposa Clarice, pois embora seja mostrado e contado que tinha vindo da Argentina com as amigas para estudar na USP, não havia a mínima necessidade disso, e qualquer atriz mais simples faria os mesmos trejeitos simples da trama e entregaria o mesmo, de modo que apenas gastou tempo da atriz. Leonardo Machado mostrou demais com seu Cleomar o verdadeiro tom da amizade entre funcionário e patrão, com dedicação e paixão mesmo nas piadas, o que agradou muito ver o ator trabalhar trejeitos bem colocados e ser singelo nos melhores momentos da trama. A filha embora tenha seu mote, afinal todo longa novelesco precisa de muitos outros momentos para preencher tempo, foi simples demais, de modo que nenhuma expressividade de Giovana Echeverria tenha chamado atenção. O longa ainda teve participação de outro ator argentino, mas também apenas para encher o cachê da trama, pois desnecessário os momentos dele.

No conceito visual a trama trabalhou bem o conceito do Bixiga, tradicional bairro de italianos, com boas pizzarias tradicionais, arrumaram uma boa locação para a pizzaria do protagonista ser bem bonitinha com sua casa dentro, nas cenas do hospital fizeram uma simplicidade bem maquiada para não precisar locar um hospital realmente (é 100% notável!), mas que poderiam ter caprichado um pouco mais, e foram condizentes em cenas de rua, gravando talvez até dentro de algum jogo do Corinthians para ter um realce bacana de torcida, mas nada que surpreenda dentro do contexto da trama, sendo apenas mais algo a ser mostrado. A fotografia brincou um pouco com imagens embaçadas nas cenas pós-cirúrgicas, de uma maneira bem bacana, e até ousou algumas sombras nas cenas escuras para passar a ideia, mostrando um apreço pelo tradicional bem feito.

Enfim, é um filme bem feito, mas que falha mais do que agrada, entregando algo coerente, mas que poderia ser muito menor e que teria um valor muito maior se não tivesse virado novela alongada, ou seja, algo simples que desandou ao ficar grande demais na execução, quase matando a essência. Infelizmente não é algo que eu recomende, tanto que na minha sessão havia umas 12 pessoas e 4 saíram bem antes de terminar o filme, o que é fácil de acontecer por não ser algo que prende realmente. Fico por aqui hoje, mas volto em breve, afinal essa semana veio com uma grande quantidade de estreias, então abraços e até logo mais.

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Ayrton Senna, o Musical

5/02/2018 01:11:00 AM |

Certamente alguma vez você já ouviu que vemos um filme da nossa vida quando morremos/estamos morrendo, com as passagens/memórias mais importantes e que devíamos lembrar mais delas, então o que passou na mente de Ayrton Senna durante as 5 voltas que precederam a fatídica batida em 01/05/1994? Com essa ideologia ficcional "Ayrton Senna, o Musical" brinca com passagens do grande piloto em sua perfeição e também com a época que trabalhou como gerente na loja de material de construção do pai, mostrando boas canções e também muitas acrobacias, mas o principal é a essência da trama que ficou bem abstrata, mas que quem estiver disposto para ver as situações acabará gostando mesmo que seja algo completamente diferente do usual que estamos acostumados a ver. Ou seja, não é uma peça comum que vemos dentro de um contexto musical e saímos da sala cantarolando o que vimos, ou apaixonados por tudo, mas o resultado geral comove e faz pensar em tudo o que pode acontecer na mente quando vamos morrer.

Com boas coreografias ousadas e muitos personagens voando pelo palco, o diretor Renato Rocha trabalhou uma composição mais minimalista aonde os personagens pudessem trabalhar mais as boas canções e o texto de Claudio Lins e Cristiano Gualda, de modo que vemos algo até estranho num primeiro momento, mas que depois que vamos analisando a ideologia completa, o resultado acaba agradando bem mais. Talvez uma pegada menos inusitada chamasse mais a atenção de um público maior, pois muitos pensavam que veriam a história do ídolo, e não uma viagem da cabeça, e isso acabou até assustando alguns espectadores que saíram no meio da sessão, mas quem ficar até o final acabará se comovendo bem na junção das duas histórias e o resultado acabará sendo satisfatório para conseguirmos conectar completamente a ideia toda.

Quanto das interpretações, Hugo Bonemer é daqueles atores cantores que sempre mandam muito bem, e ele deu um tom tão simpático para seu Ayrton que com uma doçura na forma de dizer até os momentos de maior briga acabaram bonitos de ver, e sendo assim o resultado dele só não foi mais perfeito pelos excessivos movimentos estranhos que não aparentavam nem estar pilotando, nem dançando, nem nada, ou seja, apenas ficou estranho. João Vitor Silva fez bem Beco, a versão de Ayrton que pouquíssimos conheceu como gerente de uma loja de materiais de construção da família, mas que botou bem o lado humano e educador que o piloto tinha e que é usado até hoje nos grandes projetos de ensino do instituto, mas o jovem aparentemente parecia meio afobado na maioria das cenas, e poderia ser mais comovente em alguns momentos. Victor Maia caiu muito bem na personalidade do "engenheiro" numa brincadeira meio mística/religiosa, meio de chefe de equipe, meio que de incentivador de riscos que acabou chamando demais a responsabilidade na maioria das cenas e por incrível que pareça roubou até mais a atenção do que os protagonistas, e embora isso possa parecer errado, foi de um acerto incrível. Outro grande acerto ficou por conta do garoto ex-The Voice Kids Lucas Vasconcelos que deu um show como Wandson tanto nas expressões, quanto quando precisou cantar, que aí sim mostrou a que foi contratado dando acerto em cima de acerto.

No conceito visual embora cheia de efeitos luminosos, figurinos com efeitos coloridos e tecnológicos e tudo mais, além de muitos personagens pendurados, o resultado geral acaba sendo simples demais, nem parecendo uma produção musical de grande porte, o que acaba sendo uma pena, pois merecia muito mais, mas ainda assim está longe de ser algo ruim de ver, afinal uma homenagem para o ídolo poderia ser entregue em um espetáculo muito mais grandioso. Por trabalhar muita iluminação cênica e teatral, a fotografia da trama acabou coerente com muitos detalhes, e pontos que poderiam pegar melhor o público, porém o resultado acaba agradando.

Enfim, foi uma peça bem feita e bem interessante, com boas canções, que não chegam a impressionar, mas que funcionaram dentro do conceito musical teatral, tanto que nem vou entrar em detalhes disso, mas que poderiam ter pegado mais na emoção o público, tanto que a abertura com as crianças do projeto social cantando a música tema do Ayrton antes de começar o filme já me emocionou e arrepiou bem mais que a peça inteira, e esperava sentir mais isso durante os 140 minutos de projeção, mas que vai agradar quem for disposto a conferir o projeto. E falando mais dele, o projeto Cine Experience veio para trazer mais peças culturais para um público maior que não tenha a possibilidade de ir aos teatros das capitais, e aqui foi bem colocado para estrear numa data simbólica que foi a morte de Ayrton e o resultado foi até que bem interessante de quantidade de público, embora tenha brigado com uma das grandes estreias do ano, mas que se vierem em outras datas, com peças mais impactantes certamente vai lotar salas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, quem quiser conferir o musical, ele está em cartaz em São Paulo no teatro Sérgio Cardoso até Junho, e hoje ainda passará no Cinépolis Iguatemi em Ribeirão Preto e em outras cidades também terão outras exibições. Então abraços e até quinta com mais estreias.

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Madame

4/28/2018 01:48:00 AM |

Acostumamos tanto com o molde tradicional de comédias ou com reviravoltas tão chocantes, que quando ocorre algo simples em uma comédia tradicional francesa acabamos ficando revoltados com a falta de criar algo mais romântico ou então algo mais forte, de tal maneira que o resultado acaba soando frouxo. Digo isso de "Madame" por principalmente nos instigar logo de cara com um estilo humorístico mais pautado, cheio de convergências de estilos, traições, romances diferenciados, e que logo na primeira reviravolta já ameniza tão colocada nos moldes tradicionais, que ficaríamos certamente bem felizes se o final fosse fofo ou se algo trágico acontecesse, mas aí esquecemos do detalhe gigante do estilo francês das antigas, que é ser alternativo e não ir por nenhum dos dois moldes tradicionais, e dessa forma o filme não engrena como poderia. Não digo que tenha sido algo completamente ruim, mas parece faltar com a personalidade completa que foi criada do início, e que resulta em algo fora dos padrões normais e bem pautados, e com isso a trama fecha, mas que certamente se tivessem ido pelo comum acabaria sendo uma ótima comédia romântica, e que ainda seria diferenciada.

A trama nos mostra que recém-chegados em Paris, os americanos Anne e Bob organizam um luxuoso jantar para 12 pessoas. Quando uma presença inesperada faz o número virar 13, a supersticiosa anfitriã se recusa a dar chance ao azar e transforma a empregada Maria em convidada especial espanhola. Inicialmente receosa, ela acaba conquistando um comerciante de arte britânico com seu jeito único e o relacionamento se aprofunda para além da noite de festa, para desespero dos controladores patrões de Maria.

A diretora e roteirista Amanda Sthers tentou trabalhar um lado politizado da vida elitista parisiense que vive a base de festas e traições, e também tentou colocar uma ideologia romantizada na vida de empregados estrangeiros e latinos, mas ao trabalhar de uma forma bem ácida ela aparentava uma certa ousadia, brincando com a possibilidade de uma criatividade com um elemento disseminador dentro da própria história, ou seja, quase que um narrador que não fala nada, mas cria as situações, no caso o jovem escritor, mas também não houve ataque para que isso funcionasse, e tivemos apenas um ato correndo junto com o romance de conto de fadas da empregada contra a sua patroa que não aceita que alguém pobre se envolva com alguém do seu nível. Ou seja, algo comum de vermos todos os dias mundo afora, e aqui em nossas terras mais ainda, mas a ousadia da diretora ocorreu até a trama aparentar deslanchar, pois em seguida perde ritmo, perde estrutura e fica água com açúcar demais, de tal maneira que até poderia acabar como qualquer comédia romântica tradicional que seria bobinha, mas efetiva e emocionante, mas não, a diretora resolveu ousar com algo que em momento algum aparentava ocorrer, e o resultado acabou ficando mais estranho ainda de agradar, ou seja, falho.

Sobre as atuações, sabemos bem o quão competente é Toni Collete, e aqui a atriz foi muito bem encaixada na personalidade da patroa, mas ao mesmo tempo que sua Anne trabalha uma personalidade com a empregada/"amiga", ela trabalha outra com o marido, e uma terceira com o amante, de tal maneira que a atriz teve de se desdobrar em muitas e acabou não entregando nenhuma, o que é muito ruim de ver em um filme, mas como sempre é coesa no que faz, não decepcionou muito. Rossy de Palma foi muito graciosa com sua Maria, colocando trejeitos fortes na personalidade e um carisma sem igual, de modo que acabamos nos afeiçoando à sua personagem, mas talvez o maior erro da diretora tenha sido de não acreditar tanto no seu potencial e deixar que os conflitos não acontecessem tão naturalmente, e isso acabou deixando o longa um pouco preso, enquanto a atriz poderia voar muito. Harvey Keitel é outro que parecia desorientado na trama, pois tendo o problema financeiro, a traição da esposa, a sua traição, e ainda vivendo o conflito da mentira da empregada, deixou seu Bob sem um rumo certo, e o ator que costuma ir bem nas suas atuações acabou fazendo muitas formas diferentes e não agradando com nenhuma. Michael Smiley caiu bem no papel de David, trabalhando a personalidade do apaixonado e seduzido pela empregada, mas também não sendo o bobo tradicional fez boas cenas, mas faltou entregar a que veio nas cenas finais, não colocando atitude no personagem, ou seja, falhando também. De certo modo, o grande momento do filme foi ao redor da mesa, e se o filme brincasse inteiramente com aquela fatídica noite, todos os atores ali lidariam muito bem com o tema e dariam ótimas vertentes diferenciadas, pois o elenco era de peso realmente.

No conceito visual, acabaram arrumando grandes hotéis, casas e locações bem chiques para que a trama tivesse um ar bem elitista, mas sempre deixando que os detalhes falassem por si, a direção de arte trabalhou com minúcias demais em alguns momentos e em outros acabou esquecendo de detalhar mais, como por exemplo nas cenas de luxo fora da mansão que sempre pareciam pobres de elementos, ou seja, um balanço bem misturado de diferenças que deram dois tons para a trama, e isso certamente não estava nos planos. O longa trabalhou com poucos tons dentro da fotografia, pois não ousaram jogar de cara o colorido carismático para que a trama virasse uma comédia escrachada, o que agradaria bem mais, ficando sempre no meio tom para ter vértices romanceados e também uma certa dramaticidade, ou seja, uma bagunça.

Enfim, é um filme que tinha potencial, que consegue cativar o espectador pelo carisma dos personagens, mas que se perde durante toda a duração do filme, e termina de uma forma completamente diferente de todas as possibilidades apontadas na trama, o que foi a pedrada final para que não agradasse mesmo, ou seja, recomendo ele mais para quem gosta de longas bagunçados, pois quem for esperando ver uma boa comédia como o trailer apontava vai se decepcionar muito, mas ainda afirmo que está longe de ser também um desastre total. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na terça com um filme/peça diferente do comum que falo aqui, então abraços e até logo mais.

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