Heartstone (Hjartasteinn)

12/09/2016 01:36:00 AM |

A adolescência é uma fase que ou você ama ela ou odeia, sendo algo bem raro alguém que fique no meio do caminho com as descobertas emocionais e o desenvolvimento do corpo, e quando falamos de filmes que envolvam essa temática, são casos raríssimos que saem da mesma proposta, uns trabalhando mais o lado emocional do primeiro amor, outros mexendo mais com o lado emocional da coisa em si, e agora ultimamente tem aparecido um pouco mais envolvendo a temática homossexual nessa época que muitos definem em bom tom de "aborrescência", e que ultimamente tenho concordado bastante com essa denominação. Não digo de forma alguma que "Heartstone" seja um filme ruim, mas ficou parecendo algo que já vimos diversas vezes, com outro estilo de acabamento e que a cada cena já vamos preparados para tudo o que vai acontecer, o que acaba sendo um grande inconveniente, mas talvez com uma pegada mais aprofundada o longa nos mostre um pouco mais da vida no campo das crianças em países com baixa população, e um clima bem diferente do que estamos acostumados.

Em meio a um pequeno vilarejo de pesca na Islândia dois adolescentes ficam amigos. Thór e Christian passam a viver turbulentas experiências no verão. Enquanto um deles tenta conquistar o coração de uma garota, o outro descobre que está desenvolvendo sentimentos pelo amigo. Quando o verão acaba e o rigoroso inverno atinge o país, eles precisam assimilar a vida adulta.

Estreando na direção de um longa, o islandês Guðmundur Arnar Guðmundsson foi categórico na seleção dos jovens e deixou seu filme com um estilo diferenciado, por termos jovens de diversas idades, mas todos dentro da faixa que compreende a adolescência, e se fazer um longa de estreia já é algo complexo, imagina colocar junto diversos jovens na fase mais maluca de suas vidas! Ou seja, certamente o diretor teve milhares de problemas com personalidades diferenciadas, com decisões do que fazer, e claro que com isso a estética do longa ficou um pouco prejudicada, pois ele precisou entregar algo mais básico. Digo isso pois com toda certeza muitos mudariam o vértice da trama na cena que eles estão no penhasco, afinal ali sim o longa tende a ir para um diferencial mais trabalhado e que renderia frutos imaginativos inimagináveis na cabeça do público, mas como o filme não é nosso, o diretor optou por desenvolver brigas familiares de pais separados e como os filhos lidam com isso, colocou as aparições dos primeiros pelos e como os jovens lidam com isso, colocou as primeiras relações, e as determinadas formas de amizade, colocou brigas de pequenos com os quase adultos, e claro que colocou o ciúmes em pauta, ou seja, tudo o que poderíamos esperar de um filme do estilo. Portanto temos quase uma "Malhação" islandesa na telona, claro que com vertentes mais artísticas e elaboradas, mas que facilmente será esquecido muito em breve, ou talvez citado quando virmos novamente outro longa desse estilo, afinal sempre tem um novo diretor querendo mostrar tudo isso novamente.

Com um elenco bem jovem e que provavelmente fez sua estreia nos cinemas, o longa possui diversos defeitos de expressões, mas que não incomodam tanto quanto a temática, e sendo assim temos de pontuar que os dois protagonistas Baldur Einarsson e Blær Hinriksson, respectivamente Thor e Cristian foram bem colocados e criaram boas dinâmicas de amizade e ao trabalhar bem os olhares principalmente mostraram que podem com certeza ter um bom futuro dentro do cinema. Não posso dizer o mesmo das garotas, pois mesmo sendo aparentemente mais maduras que os garotos, Diljá Valsdóttir e Katla Njálsdóttir pareciam bem perdidas na trama com suas personalidades jogadas sempre para fazer um certo charminho cênico. Do elenco mais velho, Sveinn Ólafur Gunnarsson como pai de Cristian, e Søren Malling como Sven são os destaques em pequenas cenas no meio dos jovens.

Coloquei uma pergunta para os amigos responderem, e volto a colocá-la aqui no site, pois acabei ficando intrigado com isso: Temos algum filme que mostre cidades agitadas, urbanas e com características mais marcantes na Islândia? Pois esse já é o quarto ou quinto filme do país que só mostram áreas rurais ou litorâneas, com uma população minúscula que vive de criações de animais e pesca, e enfrentam um frio forte que mexe com as emoções das pessoas! Ou seja, a direção de arte acabou trabalhando dentro dessa perspectiva, claro que escolhendo muito bem locações marcantes para a proposta, com destaque para o estábulo e o penhasco, mas que funcionou mais para uma simbologia maior dentro da trama, e pouco para um visual realmente expressivo, e claro que temos de pontuar também a doca, aonde começamos e terminamos com o famoso e feio peixe-pedra. Tenho de falar também da fotografia intimista que o diretor optou trabalhar, sempre com a câmera bem proximal dos protagonistas, luzes mais detalhadas que acabaram tendo até alguns deslizes com sombras, mas que dentro da proposta até que acabou funcionando razoavelmente.

Enfim, um filme que muitos vão até se apaixonar pelo tema, alguns vão se identificar ao relembrar de sua adolescência, mas que diria como filme algo totalmente dispensável, pois é mais uma obra mostrando mais do mesmo, portanto não recomendo ele, mesmo tendo bons momentos e um teor artístico interessante. E sendo assim, encerro minha participação na Itinerância da Mostra Internacional dessa semana (não conseguirei conferir os longas do Domingo), mas volto na próxima terça com mais textos dos da próxima semana, e claro que amanhã já volto com as estreias normais dessa semana, então abraços e até breve pessoal.

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O Apartamento (Forushande) (The Salesman) (Le Client)

12/08/2016 01:16:00 AM |

Já falei diversas vezes aqui para nunca irmos sedentos ao pote, criando expectativas demais para determinado longa, e o que o Coelho faz? Vê que deu um 10 e um 9 para as produções anteriores do diretor Asghar Farhadi e vai todo esperançoso para a mostra de cinema esperando algo magistral de nível similar ou melhor, e o que acontece? Mesmo "O Apartamento" tendo diversos elementos das outras produções, acabei encontrando um filme bem simples, ainda muito interessante, mas longe de qualquer genialidade, e que mostra bem que no Oriente Médio, a culpa moral sempre vai ser resolvida com algum tipo de vingança (na ideologia antiga do olho por olho, dente por dente), mas que para chegar nisso é criado um drama tão grande que facilmente aqui resolveríamos com uma boa briga ou com um belo dum barraco no meio da rua, e pronto cada um pro seu lado (em alguns casos mais fortes, teríamos alguns tiroteios também!).

O longa conta a história de um jovem casal que, devido a riscos de desabamento do prédio onde moram, são forçados a mudar para um novo apartamento no centro de Teerã. Mas um grave incidente ligado à inquilina anterior vai transformar drasticamente a sua vida.

O trabalho do diretor é claro e objetivo, e no grande jogo de mentiras que é a interpretação de um filme, ou no caso de uma peça, determinar culpa e culpado é algo que nem sempre é fácil de encarar. O longa franco-iraniano pode ser interpretado de duas maneiras (pelo menos), uma que talvez muitas mulheres ficariam extremamente irritadas sendo a possibilidade de uma mentira maior por parte da atriz, e outra que entraria no que preferimos admitir da violência contra a mulher, mas que interpela a ideologia da moral dentro dos costumes num país fechado à tudo. Ou seja, o diretor brinca com essas possibilidades tanto na forma encenada quanto na mente dos espectadores, e esse é o grande lance da trama, pois se ficarmos presos somente na história que anda, o filme acaba sendo mais murcho do que qualquer outro, e certamente não era esse o objetivo dele. Farhadi ainda demonstra uma mão precisa e que cria diversas discussões, mas mesmo indo sem tantas expectativas, certamente esse seu novo longa é o mais simples de sua filmografia, pois não consegue criar nem tanta tensão, nem tanta discussão como os outros, e sendo assim teremos de esperar um próximo trabalho seu para voltar a dar uma grande nota para ele.

É interessante discutir sobre as atuações, pois podemos analisar a atuação do ator e do personagem na peça dentro do filme, e com toda certeza isso foi o que fez Shahab Hosseini ganhar o prêmio de melhor ator em Cannes com seu Emad, pois o jovem ator demonstrou frieza para superar a sua própria força em um drama familiar de temática completamente difícil de se discutir num país aonde a religião domina, e uma mulher abusada certamente causaria muita conversa, e ao se colocar como protagonista da peça como o caixeiro, ele absorve todo esse caos que está em sua mente e se inclina numa interpretação dura e cheia de emoções, o que é muito bacana de se ver, pois usou o sentimento ambíguo para duas vertentes completamente diferentes e agradou em ambas com um semblante até calmo demais, mas que na preparação ele certamente socou uma parede, garanto que socou. Taraneh Alidoosti fez bem sua Rana, mas ficou muito atrás do personagem principal, sendo sempre determinada mais pelas reações dele do que algo que pudesse chamar mais a atenção em cena, claro que isso é algo bem machista de se dizer, mas faltou coragem para a atriz se mostrar mais, e talvez fazer o seu personagem ser marcante dentro das poucas cenas que se expressou mais. Quanto aos demais, a maioria fez leves participações, que por vezes até tiveram boas conexões, como é o caso de Babak Karimi, mas nada que parássemos e ficássemos esperando por algo maior, já que o foco realmente ficou em cima do protagonista mesmo.

No conceito visual, mesmo o ato mais forte tendo acontecido no apartamento emprestado, sem dúvida alguma o impacto da destruição, junto com o clímax do desabamento moral na cabeça do protagonista, fez com que o apartamento antigo fosse certamente o nome do longa, pois ali a equipe de arte sim teve de criar perspectivas (com quase nada em cena), e conseguiram muito bem, enquanto no outro o grande feito foi amontoar muitos objetos para que a saída da antiga moradora mantivesse a essência no ambiente. Além disso a composição cênica da peça, com diversos cenários montados em um único palco deu um charme tão diferenciado para a peça que talvez um filme inteiro rodado ali seria bem interessante de ver também. A fotografia brincou com alguns tons escuros, mas nada que fosse muito impressionante, deixando o drama soar mais num tom único com poucas sombras e nuances, o que é estranho de ver, pois um filme desse estilo colocaria num tom abaixo para manter a tensão de culpa.

Enfim, um filme interessante e que agrada de certa forma por mostrar bem mais dessa cultura machista e com ideologias tão fortes que o diretor tanto gosta de mostrar, mas sem dúvida alguma ele poderia ter feito um longa impactante e bem mais forte se não ficasse tanto brincando apenas com o sentimento de culpa/vingança dos protagonista. Como disse não é o melhor do diretor, mas vale ao menos uma conferida, pois certamente pelo estilo que ele sempre nos mostra, já virou daqueles obrigatórios de saber o que vem apresentando. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, afinal continuarei com longas da Mostra e ainda vieram muitas estreias para cá, então abraços e até logo mais.

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A Garota Desconhecida (La fille inconnue) (The Unknown Girl)

12/07/2016 02:21:00 AM |

Já disse uma vez que sem a curiosidade não teríamos cinema, pois se a mocinha não for olhar o barulho lá fora num filme de terror nada aconteceria para ser contado, e se não estamos com um filme de terror, e também não temos um drama bem pautado também, o que fazer? Colocar uma médica intrometida a investigadora, e a deixar com culpa para tentar ir atrás de alguma resposta de um crime na porta de seu consultório! A ideia de "A Garota Desconhecida" pode não ser algo que se pensasse inicialmente, mas que flui bem com a curiosidade da protagonista (que diria mais para enxerida e chata pra caramba) e que mesmo com um final bacana, acaba cansando por ficar batendo sempre na mesma tecla. Poderia ser mais investigativo, com mais personagens (policiais mesmo indo a fundo), e uma moral de culpa menos assombrosa para que o resultado agradasse mais, mas ainda assim é um filme bem interessante de se conferir.

O longa nos mostra que Jenny é uma médica dedicada, que há três meses passou a trabalhar na vaga deixada por um médico veterano, que foi seu mentor. Bastante atenciosa com seus pacientes, ela fica abalada ao saber sobre o falecimento de uma jovem que procurou a clínica em que trabalha, mas não conseguiu atendimento por ter chegado uma hora após o horário de encerramento. Querendo saber mais sobre esta jovem, ela passa a realizar uma investigação pessoal em busca de sua identidade.

O estilo de cinema dos irmãos Dardenne é algo mais calmo realmente, e que flui sem precisar de muita ousadia, mas aqui a ideologia que Jean-Pierre e Luc acabaram criando gera tantas controvérsias que acabamos mais incomodados com tudo do que conectados com a história, pois logo de cara a protagonista não se parece com o estilo de uma médica, trabalhando com semblantes quase jogados sem muita expressividade e sempre oscilando entre ativa demais e passiva demais, nunca num meio termo. E claro que o sentimento de culpa vai surgir por não ter ajudado alguém, mas dificilmente uma pessoa se envolveria tanto para descobrir um nome apenas, e isso é o ponto mais errado da trama. Não digo que a história não agrade ou que os diretores tenham errado a mão, mas quando não adentramos a um mundo fantasioso totalmente fictício, o mínimo que se espera de um drama "policial" é que ele siga uma linha cognitiva coerente, e a cada nova insistência da protagonista para se "meter" literalmente na vida das outras pessoas, sempre alegando sigilo médico é algo tão absurdo que incomoda. E sendo assim, ao final até acreditamos no ocorrido, ficamos felizes de certo modo com o desenvolver que nos é entregue, mas que certamente seria desejado algo mais "real".

Diria que é até difícil falar dos personagens secundários da trama, pois a protagonista mantém tanto a atenção em si que quase esquecemos que existem outras pessoas em cena. E sendo assim, talvez fosse mais preciso que Adèle Haenel incorporasse mais o ar de médica e menos o ar de detetive, pois vemos sua Jenny com um olhar jogado desesperançoso e que poucas pessoas até tivesse uma gana, pois se existe uma profissão que você vê impacto no olhar são os médicos, e aqui a jovem ficou oscilando o longa inteiro sem nenhuma grande cena que mostrasse o valor de uma protagonista, muito menos um impacto maior que chegasse a agradar mesmo, pois não digo que não ficamos o longa inteiro para que ela descobrisse algo, mas sim que ela chegasse lá e ainda com grande estilo, e seu olhar de desgosto para com a cena de clímax é tão blasé que não sabemos se está inconformada com o que vê ou falando por dentro "eu já sabia". Apenas para não dizer que não citei outros personagens, temos de honrar o jovem Louka Minnella com seu Bryan bem chatinho, mas que até teve algumas cenas de nuance, e claro as finais com Jérémie Renier mostrando o pai do garoto bem dramatizado. Agora faltou um belo chá de ânimo para a interpretação de Olivier Bonnaud com seu Julien, pois tenho certeza que até eu que não sou ator faria expressões melhores que ele.

Sem dúvida alguma o melhor do longa está nas nuances das locações, pois temos um consultório médico digamos meio que improvisado (não sei como funciona em outros países, mas diria que ficou bem simplório por parte da direção de arte), mas que localizado num lugar bem pobre, acabou tendo uma dinâmica interessante ao se mixar com a casa da protagonista. Temos um cybercafé bem barra pesada, um local abandonado e diversas casas de pacientes que retratam uma realidade dura de um país que digamos é bem mais evoluído que o nosso, mas que se tirarmos base pelo longa vamos sair falando que aqui é o lugar mais lindo do mundo. Ou seja, não diria que a equipe artística teve grandes trabalhos, mas sim que pecou em não colocar mais elementos em cena. A fotografia foi singela, trabalhando poucas cores, e mantendo sempre um tom abaixo para criar uma certa tensão no ar, o que mostra um trabalho coerente no conceito de dramaticidade, mas que poderia também ter sido melhorado.

Enfim, um filme que teve uma ideia interessante, mas que acabou faltando atitude, e que mostra uma certa acomodação dos diretores que já tiveram grandes e marcantes obras no cinema, ou seja, entregaram mais do mesmo, e deixaram um marasmo exagerado sem pressionar mais a atriz principal. Portanto não digo que é um filme inválido de se assistir, pois ao final já estamos conversando e reclamando dos personagens, o que mostra uma interação bacana que o longa propõe, mas que falhou demais em não chegar para lado algum na proposta, principalmente por focar demais numa protagonista fraca e completamente fora de uma realidade, e sendo assim, veja somente se tiver muita vontade e não estiver passando mais nada nos cinemas. Fico por aqui agora, mas hoje a noite terei mais uma sessão da Itinerância da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo que está ocorrendo no SESC, então abraços e até breve com mais textos.

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O Último Virgem

12/04/2016 08:30:00 PM |

O que acontece quando misturam o estilo novelesco adolescente de "Malhação" com filmes como "American Pie" (não a franquia original, mas sim aqueles toscos do Stifler fora dos clássicos)? Um bom exemplo de resposta é o longa "O Último Virgem" lançado na última quinta-feira e que baseado em uma peça de teatro, acabou ficando tão tosco e apelativo que acaba conseguindo divertir (claro que não como uma boa comédia divertiria, mas não chega a ser um tempo 100% perdido). De forma alguma posso dizer que é um filme perfeito, pois apela demais e exagera em todo tipo de clichês possíveis de se imaginar, mas acaba soando funcional dentro da proposta que deseja atingir, e sendo assim quem acabar indo ao cinema conferir ele, indo preparado para ver algo tosco, irá sair satisfeito.

Dudu é um garoto tímido que, no último ano do Ensino Médio, ainda é virgem. Esta situação faz com que ele seja alvo constante de piadas vindas de seus amigos inseparáveis: Escova, Borges e Gonzo. Um dia, ao término do ano letivo, ele é convidado pela professora Débora a ter aulas extras na casa dela. A situação logo faz com que Dudu e seus amigos acreditem que ela esteja dando em cima do garoto, que se preocupa mais do que nunca com sua inexperiência sexual.

Chega a ser interessante a forma de composição do roteiro de Lipy Adler, que originalmente escreveu em 2005 a trama para ser uma peça de teatro, que acabou fazendo sucesso, e claro que como todas as peças que vão bem em nosso país, foi lhe dado a ideia para transformar a trama em um longa-metragem e cá que agora muitos anos após a primeira versão de seu texto, temos um filme que digamos ser bem exagerado no apelo sexual, mas que de uma forma bem divertida consegue ser razoável e interessante de acompanhar. Claro que a pegada que os dois diretores estreantes em longa, Rilson Baco e Felipe Bretas, deram para a trama foi algo bem dinâmico para que o longa não cansasse, mas certamente poderiam ter trabalhado um pouco mais na organização para que o filme não ficasse tão novelesco e desajeitado, pois aí sim teríamos uma obra mais vendável e menos jogada na trama. Ou seja, o resultado geral do trabalho deles é sentido e conseguimos ver bem o estilo que trabalharam, que já até citei acima nos longas paralelos da franquia "American Pie", mas ainda falta aquele detalhe característico de cinema que é a trama se desenvolver sozinha sem precisar de elementos externos, e quem sabe num próximo filme acertem mais o tom.

Sobre as atuações, temos de ser bem sinceros e dizer que todos falharam demais, pois pareciam jogados nas cenas, fazendo caras e bocas e sem saber para qual rumo dirigir o foco, nenhum conseguiu destaque, e o protagonista parecia perdido na sua afobação de querer fazer tudo ao mesmo tempo, claro que isso é um detalhe clássico da inexperiência dos diretores, mas poderiam ter trabalhado um pouco mais centrados para agradar em cena e não ficar correndo a esmo. Guilherme Prates não é tão novo como o personagem passa em cena, e acredito que a boa dose de inexperiência jogada para seu Dudu foi proposital, mas acabou exagerando em determinados momentos e pontuando mais como perdido, do que como alguém que não soubesse o que estava fazendo, e esse pequeno detalhe foi a maior falha que faltou para que seu personagem nos conectasse com seus sentimentos e arrebatasse melhor a protagonização que talvez mostraria mais serviço seu. Bia Arantes fez bem os momentos de sua Julia, e mostrou sentimento nas cenas que precisou ser sentimental, mas forçou demais o choro e ficou com uma cara estranha em alguns momentos, mas ainda assim foi a melhor personagem da trama. O roteirista Lipy Adler também atuou com seu Escova, e sem dúvida alguma copiou o estilo "fodão" que tanto vimos em Stifler nos "American Pie", e até se divertiu bastante com o que se propôs a fazer, mas longe de ser um ator marcante (que agora está se arriscando também na música), o que fez no personagem foi mais interação do que expressão e isso é algo que faltou para realmente lembrarmos dele mais para frente. Fiorella Mattheis conseguiu demonstrar sensualidade nas cenas da professora Débora, mas foram tão poucas que ficamos realmente pensando se a personagem não foi cortada demais ou se para o longa não mudar de classificação resolveram limar, pois a atriz ficou quase como um enfeite maior dentro da produção e isso não é legal de ver.

No conceito visual a trama foi bem agitada com diversas locações bem joviais, passando claro pelos inferninhos do Rio e caindo com tudo numa festa cheia de luzes, mas o grande feito foi o longa ser trabalhado meio como um road-movie passando por diversos lugares para que o jovem perdesse sua virgindade, mas volto a frisar que mesmo com boas escolhas o filme ainda soou como uma novela, e esqueceu de trabalhar os elementos de cada ato para que representassem realmente o momento, ou seja, vimos um filme bem colocado que tinha potencial visual, mas que se prendeu a pequenos momentos para ser maior, e talvez até mais cenas na praia economizasse orçamento e agradaria mais do que diversos passeios.

Enfim, um longa bem mediano, que talvez agradasse até mais os jovens do que os adultos, mas que ao exagerar no tom acabou saindo de vértice e divertindo somente quem for disposto a embarcar no tema e rir até mesmo dos absurdos toscos que acabaram colocando. Portanto só recomendo o filme para quem ri desse estilo, pois do contrário é ir ao cinema e sair mais incomodado com o que verá do que feliz de ter se divertido com algo. Bem é isso pessoal, fico por aqui com a última estreia comercial da semana, mas ainda tenho diversos filmes na Itinerância da Mostra Internacional para conferir e volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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As Aventuras de Robinson Crusoé em 3D (The Wild Life)

12/04/2016 12:10:00 AM |

Praticamente passei um ano inteiro vendo o trailer de "As Aventuras de Robinson Crusoé" nos cinemas a cada nova estreia de animação, e quando achava que ia estrear, mais uma nova alteração de data vinha e com isso nada do longa aparecer, e mais vezes vendo o ótimo 3D do trailer, esperando ver claro muito mais além disso nas telonas. Pois bem, cá depois de 4 alterações de data, eis que finalmente apareceu o longa nos cinemas, e posso dizer que o 3D é melhor do que o trailer, com muita perspectiva de profundidade, diversos elementos saindo da tela, porém a trama é deveras infantil, com personagens tão bobinhos que qualquer criança acima de 5 anos é capaz de se cansar com o que verá em minutos e já irá começar a reclamar para ir embora da sala. E embora o tom seja bem infantil na maior parte da trama, temos os vilões gatos selvagens com um teor mortal tão feroz que facilmente poderia assustar as crianças, ou seja, ficaram na dúvida entre o bobinho ou amedrontar de vez, o que mostra um despreparo da equipe, e talvez até seja a justificativa da distribuidora brasileira para segurar um longa que estreou mundialmente em Fevereiro/2016 e só agora resolveram colocar nas telonas brasileiras.

O longa nos apresenta Terça-feira, um extrovertido papagaio vive com seus amigos animais em uma pequena ilha, um verdadeiro paraíso. Entretanto, ele não consegue parar de sonhar em descobrir o mundo. Após uma violenta tempestade, Terça-feira e seus amigos encontram uma estranha criatura na praia: Robinson Crusoé. Ele imediatamente enxerga Crusoé como seu passaporte para realizar seu sonho. Por outro lado, Crusoé logo descobre que a chave para sua sobrevivência na ilha é através da ajuda de Terça-feira e os outros animais.

A animação franco-belga possui traços interessantes, uma fotografia bem densa que transformou o visual da trama em algo bem satisfatório de ver, mas faltou aos diretores fazer o mesmo que fizeram em 2010 com uma das melhores animações que já vi até hoje, e que inclusive foi feita por um deles Ben Stassen, no caso "As Aventuras de Sammy", pois lá mesmo o nível infantil soou agradável e conseguiu divertir, o que não acaba ocorrendo aqui, tendo apenas personagens bobinhos, mas sem muita pretensão. Agora sem dúvida alguma após ver quem é o diretor da trama soube o motivo do 3D ser tão perfeito, pois até hoje desconheço em animações, um longa que a tecnologia tenha funcionado tanto quanto em Sammy, e aqui repetiram a dose, com cenas aonde os personagens rolam para todos os lados dando profundidade de campo, em outras coisas voando para fora, e praticamente todos os personagens com boas texturas e movimentos claros pensados na tecnologia, só ficando devendo mesmo uma história menos infantil ou se fossem dosar com os gatos estranhos, algo já mais adulto e pronto para viver vingança e tudo mais, pois o meio termo que acabaram adotando soou frouxo e bobinho demais.

O principal problema da trama podemos atacar ao fato dos personagens serem desconexos com a ideia, e nenhum cativar nosso carisma, pois todos fazem brincadeiras bobas, todos possuem um percentual de protagonismo, e da mesma forma, todos acabam atrapalhando o andamento da trama, faltando aos diretores determinarem quem realmente protagonizaria tudo e chamaria a responsabilidade para si, no caso Crusoé ou até mesmo Terça-Feira, pois aí sim os demais apenas como leves coadjuvantes poderiam participar e agradar até mais apenas fazendo as bobagens tradicionais. Quanto dos gatos, chega a ser interessante o nível de vilania deles, e claro que ao mostrar como uma ninhada ficou tão ruim quanto os pais, podemos analisar que os diretores foram duros ao querer mostrar algo tenso demais com eles em um filme infantil, que certamente poderia ser mais leve.

Enfim, é um filme interessante de ver, que está longe das pretensões de ser um clássico infantil, mas que deverá agradar bem os pequeninos até no máximo uns 6-8 anos, pois tem um colorido bacana, um 3D divertido para ficarem querendo pegar as coisas, e uma história bobinha, mas que dá para passar algum tempo assistindo, porém para as outras idades é melhor procurar outro filme, pois vão reclamar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto logo mais com mais textos por aqui, então abraços e até breve.

PS: A nota é mais pelo bom 3D e pela fotografia da trama, pois sem esses bons elementos com toda certeza seria bem menor.

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Mundos Opostos (Enas Allos Kosmos) (Worlds Appart)

12/03/2016 01:44:00 AM |

Se tem uma coisa que me diverte nos cinemas é ver o estilo de cada diretor, e como geralmente a cultura de cinema do país desenvolve suas tramas, pois o cinema grego é ao mesmo tempo místico e leve, de tal forma a moldar sempre algo que poderia ser trabalhado de maneira dura e forte, como um filme gostoso de acompanhar, mesmo que tudo seja completamente previsível, até mesmo nas cenas mais rápidas. E sendo assim, algo fácil de descobrir, em "Mundos Opostos" acabamos descobrindo logo de cara o que vai acontecer a cada nova cena, já de relance pegamos como será o clímax, em alguns minutos imaginamos (e acertamos) como irá se fechar a trama e por aí vai, pois tudo é muito pontual na trama, e mesmo o diretor subdividindo a trama em 3 subtramas (Bumerangue, Loseft 50mg e Segunda Chance), o resultado final para quem já acompanhou qualquer novela saberá os rumos e irá se conectar com toda a simbologia, amando o que verá ou odiando totalmente. Felizmente gostei mais do que odiei, e acredito que isso se deve pela direção consistente de Papakaliatis.

O longa nos mostra que numa Grécia assolada pela terrível crise socioeconômica, mas ainda conectada aos seus deuses, em especial Eros, a universitária Daphne é salva de um estupro pelo imigrante ilegal sírio Farris, o executivo Giorgios encara a dissolução da empresa em que trabalha ao mesmo tempo em que se envolve mais do que o esperado com uma consultora estrangeira, e o historiador Sebastian tenta se comunicar com uma senhora no mercado.

Costumo ser completamente contra diretores que resolvem atuar nos próprios filmes (não ligo para os que fazem apenas participações, mas ser protagonista é muita apelação de ego), e aqui Christopher Papakaliatis trabalhou muito bem na escolha dos planos, afinal também foi o roteirista da produção e já sabia como desejava mostrar sua história na telona. A opção de dividir a trama em partes menores, que claro, se juntam mais para o fim é um tanto quanto óbvia, mas é interessante para que conectássemos melhor a cada personagem e com isso passássemos a gostar mais de cada elemento, o que não impede também de desgostar de algo. Mas o grande acerto sem dúvida do diretor/roteirista, foi desenvolver uma história envolvendo economia, política, misticismo, religião e ainda romance, ou seja, tudo que se qualquer pessoa pensar em misturar num liquidificador irá com toda certeza imaginar virar qualquer coisa menos um filme bem elaborado, e o resultado mesmo que totalmente fácil de descobrir, agrada bastante (ao menos para quem gosta de uma trama levinha e digamos adocicada).

É fato que ao misturar atores de diversos países, o filme teve um desenvolvimento até mais interessante, pois pode trabalhar linguagens corporais mistas com claro o idioma universal, mas também brincando com o adivinhar de palavras e significados em outras línguas, e sendo assim todos tiveram bons trejeitos e até formas delicadas para agradar na desenvoltura de seus personagens. Para começar o israelense Tawfeek Barhom deu um ar bem singelo para o seu Farris, e soube dosar delicadeza para com seu estilo, misturando claro o medo e o desespero por estar jogado às margens da sociedade grega, claro que seu relacionamento amoroso em velocidade acelerada soou um pouco forçado, e totalmente novelesco, mas ainda assim foi gostoso de ver a forma de trabalho do ator. Junto de Barhom está a grega Niki Vakali, que até fez bons trejeitos para com sua Daphne, mas soou bobinha demais e quase muda para com o momento, e geralmente estudantes de política falam bem mais do que a jovem garota, então poderia ter se expressado mais ao invés de cair como vítima da sociedade. Não diria que Minas Hatzisavvas é protagonista em momento algum, mas foi o único que ganhou prêmio de melhor coadjuvante nas premiações do longa, pois seu Antonis é forte e impactante, e soou perfeito na comparação do que realmente anda acontecendo no mundo, com cada vez mais pessoas resolvendo fazer justiça com as próprias mãos, e claro que o ator foi expressivo, forte e bem colocado na trama. No segmento seguinte é a vez do diretor Christopher Papakaliatis aparecer com seu Giorgios, e com muita sagacidade, o ator dosou bem suas expressões, foi preciso nas emoções e claro, foi pra cama com a atriz mais bonita da trama, o que mostrou uma boa versatilidade para se dirigir numa cena bem trabalhada, e além disso foi simples e objetivo nas cenas com o garotinho, para mostrar como é a vida de adulto. A húngara Andrea Osvárt mostrou bem o papel que líderes e consultores fazem nas empresas com sua Elise, que é destruir cargos sem arrependimento e principalmente adorar somente quem lhe pajear, ou seja, algo que já deveria nem ter existido na vida real, mas que a atriz fez muito bem com sua interpretação. E para fechar o último vértice temos o ganhador do Oscar J.K. Simmons mostrando um lado seu tão amoroso e dócil que nem lembrava que existia, pois o ator que ultimamente só vinha fazendo personagens fortes foi tão doce e interessante de ver com seu Sebastian que acabamos nos envolvendo até demais com o que ele faz, e claro que isso acaba sendo um show, mesmo que não flua muito sua história. E Maria Kavoyianni foi certeira nas expressões, mostrando o pouco entendimento do inglês de Simmons e falando como uma boa grega bem rapidamente para que quase ninguém a entenda, ou seja, deu show também com sua leveza.

No conceito visual da trama, todas as cenas foram bem simples, em locações colocadas para representar a economia do país, mas sem dúvida alguma as melhores cenas ocorreram pela simbologia presente, pois seja no aeroporto desativado ocupado por imigrantes ilegais, ou no apartamento barulhento pela hospitalidade grega com um cinema ao ar livre na varanda da casa ao lado, ou até mesmo pelos passeios dentro de um mercado aonde você não consegue mais comprar nada pelos altos preços, mas que adoraria passear sem ser julgado. E assim com essas boas simbologias, mas sem precisar dizer muito em cena, a equipe artística foi bem pontual e acertou bastante nas escolhas e composições cênicas, agradando na medida. Só achei um pouco exagerado a procissão em todas as cenas, pois ok mostrar o lado religioso do país, mas acabaram forçando demais a barra. E claro que trabalhando bem sombras e nuances, cada cena foi fotografada em bons ângulos e contrastando cada paisagem bem escolhida com os personagens, para que o longa tivesse um tom dramático, mas sem muito peso, claro que excluindo as cenas de fascismo/extermínio aonde o preto dominava.

Enfim, um filme interessante e gostoso de assistir, que até poderia ter ido mais longe na forma crítica, mas que ao optar pela leveza discreta e opinativa, acaba atraindo mais público para os problemas do país sem apelar e assim agradando de maneira simples e bem pontual. Ou seja, um filme para todos os públicos, que vai emocionar e agradar sem necessitar ficar pensando ou filosofando sobre tudo o que querem nos mostrar. Portanto recomendo ele com certeza, mesmo com os defeitos de teor novelesco, de exageros expressivos, e até do diretor sendo mais ator do que maestro, pois o resultado final apaga bem esses erros. E assim, fico por aqui hoje, mas essa semana teremos posts todos os dias, então abraços e até breve galera.

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Anjos da Noite: Guerras de Sangue em 3D (Underworld: Blood Wars)

12/02/2016 01:26:00 AM |

Quando escrevi o texto de "Anjos da Noite: O Despertar" em Março de 2012, frisei que o longa era curto e que deixava brechas demais para um quinto filme, porém pararam de falar da trama, qualquer boato de continuação saiu de radar, e se alguém sequer sabia de que estavam rodando o quinto filme, este guardou a informação em um lugar bem seguro, pois nada se ouvia sobre o longa até alguns meses atrás. E sendo assim, o quinto longa da franquia "Anjos da Noite: Guerras de Sangue" praticamente surgiu do nada na programação após quase meia década com claro nossos queridos vampiros que dormiram no formol durante todos esses anos. Agora, se eu falar que temos qualquer grande novidade dentro do filme estarei sendo um mentiroso de nível altíssimo, pois temos o início contado da mesma forma (relembrando tudo o que ocorreu bem rapidamente nos últimos quatro filmes), temos muitas lutas e tiroteios (alguns até bem interessantes), temos pouco sangue para um filme com tanta luta e tiro (mas com uma cena bem violenta ao final), e claro que temos a volta dos mesmos atores (claro que tirando os que morreram nos longas anteriores - se bem que temos algumas cenas dos mortos também), ou seja, o mesmo do mesmo, incluindo o detalhe maior da série: na hora que começa empolgar acaba para largar aberto para um próximo filme.

O longa nos mostra mais uma vez que o clã dos vampiros e dos Lycans estão em guerra há séculos. Todos os que A vampira Selene amava, foram caçados e mortos. Agora, os Lycans têm um novo líder, Marius, que quer o sangue de Selene para reinar de vez.

Bom, disse que não tínhamos novidade alguma para contar sobre o filme, digo isso pelo que é mostrado na telona, mas por trás dele temos uma novidade bem simbólica que até teve um pouco de reflexo na forma da trama ser mostrada, afinal pela primeira vez temos uma diretora à frente da franquia, e claro que Anna Foester em sua estreia em longas colocou elementos clássicos de empoderamento feminino, com o galã sem camisa, a líder com seu escravo "sexual" particular, muita atitude de quase todas as personagens femininas, e claro alguns romances. Não que tudo isso não tivesse presente nos demais filmes, mas aqui ficou bem mais evidente e mesmo quem não souber que é uma diretora por trás, notará essas diferenças em relação aos demais filmes. E Anna só colocou esses detalhes no longa sem muita preocupação com o restante, e sendo assim não trabalhou muito a essência característica da franquia que é ação sem limites, pois mesmo nas grandes batalhas, o ritmo acaba sendo um pouco lento e talvez faltasse um pouco mais de violência na dinâmica (claro que não somando a cena final) para que o longa empolgasse mais.

No conceito da atuação, temos de falar que até mesmo Kate Beckinsale parece exausta com sua personagem Selene, tanto que nas cenas mais dramatizadas ela faz caras estranhas que não se adequam ao comum que tanto víamos nos outros anos, mas felizmente não deixou transparecer tanto nas cenas de ação, mostrando que ainda tem força e ritmo para mostrar bastante serviço. Theo James sempre faz o mesmo estilo em todos os filmes, galã que luta bem, tem romance com a protagonista e faz cara de poucos amigos quando precisa, e claro que seu David foi assim no último filme, e aqui voltou com a mesma ideologia, quem sabe o que fará numa próxima continuação, acredito que o mesmo! Tobias Menzies fez um Marius digamos que estranho e que aparece de forma meio que jogada pelo teor de vilania que se encontra o personagem, talvez uma apresentação mais condizente dentro da trama, com a formação do grupo seria mais interessante, pois apenas em flashes no final ficou algo estranho e fraco demais para gostar. Lara Pulver caiu bem dentro da personalidade de Semira, mas em alguns minutos de projeção já fica caricata e sabemos exatamente onde vai levar tudo, talvez se forçasse menos agradaria bem mais. A participação de Charles Dance repetindo seu papel do longa anterior como Thomas é até interessante, mas poderiam ter aproveitado mais de um ator do calibre dele, e não deixar um diálogo tão jogado para não chegar a lugar algum, que ficou feio de ver. Dos demais, a maioria faz participações rápidas, com exceção de Bradley James com seu Varga que até soou bem, mas ficou estranho demais em alguns momentos jogados, e Daisy Head fez de sua Alicia um personagem muito forçado com caretas demais para chamar atenção.

No conceito visual, tivemos locações interessantes, com fortalezas bem trabalhadas, diversos elementos cênicos prontos para serem estraçalhados nas lutas, diversas armas interessantes, mas tudo soou limpo demais para um filme digamos gótico de essência, pois todos são bem simples visualmente na correria, e isso é algo que acaba cansando. Talvez como disse tenham deixado coisas demais para um sexto filme, pois quando os bons elementos começam a ser trabalhados já é tarde demais, inclusive o novo visual de Kate no fim do filme é algo muito melhor do que tudo o que já foi mostrado, e a fortaleza na neve também foi um grande acerto. A fotografia é claro que foi o mais escuro possível para a trama cair dentro do clássico, mas acredito que poderiam ter deixado ainda mais dark sem errar. Agora se no quarto filme filmaram com câmeras 3D, e o resultado foi bem interessante, aqui a conversão apenas foi de enfeite, pois sequer temos algo que venha em nossa direção e muito menos alguma profundidade para ser explorada, e olha que temos muitas cenas que poderiam brincar com a tecnologia. Portanto, se tiver sessão 2D, vá ver lá, que senão o arrependimento será grande.

Enfim, um filme bem mediano, que mostrou mais do mesmo, ou seja, algo bacana pela essência de lutas, que talvez tenha uma continuação (deixou muita coisa em aberto, porém a bilheteria que irá determinar o futuro, pois se antes nada era falado, agora menos ainda, já que estreou em pouquíssimos países), e sendo assim só quem for fã da franquia irá suportar bem feliz os 9 minutos de projeção. Portanto recomendo com ressalvas, e por ser quase o mesmo filme, a nota também será a mesma. Fico por aqui por enquanto, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até mais pessoal.

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O Vendedor de Sonhos

11/29/2016 02:31:00 AM |

Cada dia mais tenho esperanças de que o cinema nacional vai me deixar orgulhoso, e a prova disso é a quantidade de boas produções que tivemos em 2016! Confesso que não conhecia a história do livro, que não vi o trailer antes de ir para a sessão e menos ainda li a sinopse do que se tratava a história, apenas recebi o convite para a exibição especial de pré-estreia de "O Vendedor de Sonhos" e a surpresa que tive além de um maravilhoso filme, foi ver uma bela história sendo contada na telona, com uma produção digna de grandes filmes, uma direção perfeita que foge de qualquer estereótipo do nosso cinema (de transformar tudo em formato de novela ou série para ser exibida como especial em alguns meses depois), e principalmente transmitir uma ótima mensagem para todos, que com certeza já estava impregnada na obra do escritor Augusto Cury, no qual o longa foi adaptado. Ou seja, um filme que antes mesmo de falar qualquer coisa já deixo a recomendação para todos, pois não diria como a equipe do filme acabou falando na coletiva de imprensa, que estamos criando um novo gênero dentro do cinema nacional, mas sim que estamos entrando realmente dentro da qualidade de um bom drama, que há muito tempo nosso cinema nacional estava devendo.

O longa nos mostra que Júlio César, um psicólogo decepcionado com a vida em geral, tenta o suicídio, mas é impedido de cometer o ato final por intermédio de um mendigo, o "Mestre". Uma amizade peculiar surge entre os dois e, logo, a dupla passa a tentar salvar pessoas ao apresentar um novo caminho para se viver.

Outro fato bem interessante sobre a produção, é que diferente do que costuma acontecer com algumas adaptações literárias, não sentimos o filme como um livro folheado, com desenvolvimento linear e quebras pontuais, mas sim um trabalho mais completo para que o tema que se desenvolva sozinho, ou seja, o roteirista L.G. Bayão conseguiu fazer a transmissão da palavra que tanto o escritor Augusto Cury preza, num formato bem consciente e com boas nuances. Como bem sabemos a obra literária é grandiosa e possui mais do que um livro, e claro que muitos irão desejar todos os livros adaptados em diversos formatos, porém aqui a ideia presente neles é retirada dentro da essência completa e desenvolvida num único filme, ou seja, até pode ser que façam mais continuações em outros meios, porém aqui o resultado em suma já foi bem concebido para agradar dentro de um conteúdo macro por parte do roteirista. Também fui informado por uma amiga que nos livros possuem diversas outras histórias, com outros personagens, e aqui ao trabalhar bem apenas com um elemento, o diretor Jayme Monjardim pode criar uma perspectiva sólida e desenvolver bem a estrutura de um filme, pois muitos outros acabariam criando diversas subtramas, colocando muitas vertentes, e o resultado já conhecemos bem, pois viraria uma grande novela, e não teria o mesmo impacto que aqui tivemos. Ou seja, somos surpreendidos com a direção impecável do começo ao fim, que principalmente quem não tiver lido o livro conseguirá captar toda a essência e até se chocar com o motivo que levou o protagonista à chegar no ponto que nos é mostrado. Com o resultado da boa estruturação do roteiro, e a escolha eficaz de uma direção direta ao ponto, o grande feitio caiu por base com as boas interpretações do elenco, que sem muitas firulas expressivas conseguiram ser singelos e objetivos para causar emoção e carisma durante todo o filme.

Já que comecei a falar dos atores, é fato dizer que Dan Stulbach voltou a boa forma interpretativa que tanto gostávamos de ver, após um período digamos estranho na bancada de um programa de TV, e com um semblante mais fechado e introvertido, ele conseguiu criar boas cenas para seu Júlio César, sem que passasse por cima do outro protagonista e nem ficasse em segundo plano também, e a cada nova lição aprendida, tanto o personagem quanto o ator acabam criando mais intimidade para com o público, o que faz querermos ver mais de sua história. Agora sem dúvida alguma o grande nome do longa ficou a cargo dos olhares precisos do uruguaio César Troncoso, que captou magistralmente a forma viva do Mestre e ao desenvolver o personagem foi sublime com uma expressividade única e que a cada desenvolvimento tanto de seu Mestre quanto do executivo que nos é mostrada também a história, ou seja, "dois" personagens para o mesmo ator, que ao desenvolver a essência contida nos ensinamentos conseguiu mostrar muito mais do que um simples ator conseguiria mostrar. Dos demais atores, o desenvolvimento nem é tão simbólico como poderia acontecer, mas é fato que Thiago Mendonça deu uma ótima personalidade para seu Boquinha de Mel e agradou como o ponto cômico da trama, e Leonardo Medeiros conseguiu fazer um Roger bem próximo de um vilão ou antagonista com a força certa para remeter à diversas pessoas obstáculos que temos em nossa vida normal.

Rodado praticamente inteiro em São Paulo, o trabalho do produtor LG Tubaldini Jr. junto da equipe de arte foi escolher muito bem as diversas locações por onde os personagens passariam, sem precisar incorporar detalhes de determinado local, e ainda assim junto com uma fotografia impecável fazer dos diversos tons de cada momento um visual mais incrível que o outro, seja nos trabalhos vertiginosos em cima do prédio, ou até mesmo na simplicidade artística bem colocada na favela embaixo da ponte, ou até mesmo nas luzes ofuscantes da apresentação na TV, ou seja, com pequenos detalhes, mas muito bem incorporados na trama, volto a frisar a palavra essência foi colocada à prova e muito bem usada para representar cada momento do longa.

Enfim, um filme belíssimo, que até possui defeitos, o principal na falta de um desenvolvimento maior da relação familiar de Júlio César que acabou meio que cortada até do filme, ou não tão bem mostrada para que incorporássemos melhor seus problemas e claro o grande motivo de querer se matar, mas tirando esse detalhe o filme é tão gostoso de assistir, que nem parece ter quase duas horas, e fluindo bem dentro de uma perspectiva doce, ele acaba emocionando, inserindo uma vírgula bem colocada em nossa vida, e comovendo bastante para ser indicado para todo tipo de pessoa, desde a simples dona de casa até um grande líder de empresas, que com toda certeza irão tirar lições de cada momento do filme. Portanto, a partir do dia 8 de dezembro o longa estreia em rede nacional, e com toda certeza recomendo que você vá assistir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas como de praxe, volto em breve com mais textos das estreias do cinema, então abraços e até logo mais.

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Loucas de Alegria (La Pazza Gioia)

11/28/2016 01:09:00 AM |

A escola de cinema italiano é daquelas que o diretor sempre fica na dúvida se vai fazer uma comédia dramática ou um drama cômico, e nessa dúvida ele acaba levando o público para um estilo de diversão diferenciado que geralmente gostamos do que vemos na telona, mas saímos exaustos com a quantidade de enrolação que fazem para atravessar apenas uma rua (não que isso ocorra nesse filme, mas geralmente para atravessar o ator pensa cinco vezes volta para três bares e conversa com dez pessoas antes de realmente desistir de atravessar), ou seja, não digo que "Loucas de Alegria" seja um filme ruim, nem tão pouco algo sensacional de assistir, mas consegue trabalhar bem a dinâmica de amizade mais maluca que alguém poderia imaginar.

O longa nos mostra que Beatrice é uma mulher rica e extravagante, que dá ordens a todos ao redor e não para de falar em momento algum. Donatella é tímida e misteriosa, evitando o contato das outras pessoas. Elas possuem personalidades completamente distintas, mas têm uma coisa em comum: as duas estão internadas em um hospital psiquiátrico. Aos poucos, tornam-se grandes amigas e decidem fugir da instituição para resolver uma questão do passado de Donatella.

É interessante ver que ao chegarmos no fim do longa, conseguimos observar que não só a história é completamente maluca, como as atrizes chegaram ao limite da loucura junto com o diretor, pois o resultado acaba brincando com o público, mostra bem a vontade de ambas protagonistas retomar o seu real mundo nem que seja por alguns minutos, e com isso o filme flui bem, só é uma pena a falta de ritmo na trama para que o filme fosse mais fluído e não cansasse tanto, pois o resultado é bacana, mas acaba parecendo que passamos no mínimo umas três horas dentro da sala do cinema, sendo que o longa não tem nem duas.

No conceito interpretativo, temos de ser honestos e dizer que Valeria Bruni Tedeschi deu um show com sua Beatrice, claro que de forma meio caricata ela consegue nos prender pelo estilo arrogante e cheio de classe que tanto sabemos que mulheres ricas costumam fazer, e segurando bem o estilo do começo ao fim (dando apenas uma desabada emocional na cena necessária) ela conseguiu dominar o filme e por bem pouco não ficamos olhando para os demais personagens com tudo o que ela faz em cena. Por um outro lado, Micaela Ramazzotti fez de sua Donatella uma pessoa delicada, com muitos problemas (que só vamos sabendo aos poucos) e que acabamos conectados com sua tentativa de alcançar os seus dois sonhos, mas sua loucura é mais intrusiva e destrutiva, de tal maneira que o humor flui para baixo, e com isso cada momento seu leva mais tempo para atingir o público, porém a atriz fez isso tão bem que acabamos indo junto com seu ar até o fim, e até emocionando no melhor momento do longa. Agora estou pensando se dou destaque para mais alguém, pois quase esquecemos que existem outros personagens na trama, pois somente as duas atrizes dominaram tudo de forma tão bem feita que o longa fluiria facilmente sem aparecer mais ninguém (por exemplo numa peça de teatro com três a quatro cenários espalhados, e apenas as duas atrizes), portanto é melhor nem citar mais ninguém.

A equipe artística escolheu locações de cair o queixo, a começar pela vila psiquiátrica aonde diversos malucos estão trabalhando e vivendo muito bem em meio à natureza, mas como todo hospital, ao ir para os quartos as acomodações e o estilo de tratamento deixa a desejar, e isso já foi muito bem mostrado no longa, passando para uma cidadela bem montada e cheia de possibilidades para as protagonistas doidas, indo até a maravilhosa mansão do ex-marido e advogado da protagonista, com todo um charme característico, passa por um manicômio judicial mais intenso, e encaixa numa propriedade cinematográfica com filmagens acontecendo inclusive, para finalizar a praia com todo o charme da orla e claro explicando o começo conturbado da outra protagonista. Ou seja, a equipe se preocupou mais com lugares do que realmente em montar um cenário próprio e esse acerto fez com que o filme fosse quase um road-movie, que montado de forma diferente até iria agradar bem mais. A fotografia italiana, assim como ocorre na dúvida entre drama ou comédia, ficamos com tons variando nos dois gêneros, e isso não é ruim, pois dá boas nuances, mas o foco em um estilo só seria bem mais interessante de ver.

Enfim, é um filme maluco, dramático e divertido, que poderia ser visto e produzido de diversas maneiras, mas que nesse formato acabou deixando muitas situações abertas que se encaixariam melhor num molde mais apropriado. Portanto, é um filme com um estilo próprio que muitos vão amar, e muitos vão odiar, principalmente pela forma lenta que tudo ocorre, e que acaba cansando um pouco, mas no geral é algo bem divertido de assistir, e com esses leves desvios, até recomendo ele. Bem fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até mais galera.

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O Quarto dos Esquecidos (The Disappointments Room)

11/27/2016 02:35:00 AM |

Sabe aqueles filmes que ficam o limite do aceitável para não ficar ruim, mas que se fosse melhorado em pequenas pontas seria um filme para ficar na história do gênero? Com toda certeza "O Quarto dos Esquecidos" se enquadra perfeitamente como um bom exemplo desse grupo de filmes, pois se analisarmos a fundo o horror de uma mãe que perdeu o filho pequeno, e para se curar do trauma acaba descobrindo outras histórias parecidas, o lado psicológico pode até aflorar e desenvolver diversas possibilidades com as ideias de doenças possíveis de se enquadrar na mente de uma pessoa assim, porém o filme desejou ficar preso somente em sustos (ruins) e não deixou que aflorasse o teor psíquico que a trama poderia alcançar, e nessa fuga de estilo, acabou deixando tantas pontas soltas quanto clichês inimagináveis espalhados a cada virada de câmera do longa. Ou seja, um filme razoável que até poderia empolgar, mas que assim como quase ocorreu com minha sessão hoje, o filme muito em breve será como seu nome, esquecido.

O longa nos mostra que Dana e David formam um casal marcado por um trauma recente. Eles decidem sair da cidade grande e mudar-se para uma área rural junto do filho Lucas. Dana pretende usar seus conhecimentos como arquiteta para reformar a nova casa e superar as dores passadas, até que ela percebe a existência de um quarto escondido, que não constava na planta. Perguntando para moradores locais, descobre que muitas casas da região tinham um cômodo destinado a ocultar segredos de família.

Chega a ser divertido a oscilação de temas que o diretor D.J. Caruso trabalha, pois faz um longa de ação, depois pula para um drama, daí vai para uma ficção científica, e agora até tentar as vezes no terror anda atirando. Não digo que isso seja ruim, mas acaba soando estranho e até difícil de ver o acerto acontecer, tanto que os erros mais pertinentes da trama soaram pelo estilo clássico de não inovar em nada e abusar de cenas clichês, filmadas prontamente para dar sustos, ou seja, o diretor pegou um roteiro básico de Wentworth Miller, deu uma ajustada para filmar e fez o básico na tela também, pois as cenas até soam de certa forma tensas pela tentativa de um espírito ficar preso em uma casa, mas a ideia é muito frouxa para ser crível e interessante de assistir. Ou seja, um filme cru perto da possibilidade aonde a ideia original poderia atingir.

Acostumei tanto a ver Kate Beckinsale como vampira (aliás semana que vem ela volta a seu papel mais icônico), que vê-la de forma comum, claro que mentalmente perturbada com sua Dana é algo meio incomum de assimilar, mas a atriz sabe criar trejeitos, segurar a dramaticidade da personagem e até mesmo parecer aflita com a ideia completa, mas faltou incorporar mais momentos iguais teve dentro do quarto na sua primeira entrada e juntar com o momento da mesa com os amigos nas demais cenas, pois aí sim ela teria dado um show de interpretação. Mel Raido entregou um David mais fraco que já vi na vida, pois um pai de família que apenas brinca com os filhos sem trabalhar chega até ser chocante para a mulher do mercadinho e também mostra um certo teor de tentativa de mostrar algo diferente do usual, mas ele é tão enfeite de cena no filme inteiro que por bem pouco não esquecemos dele. O jovem Duncan Joiner caiu bem na personalidade de Lucas, mas o garoto é tão mal aproveitado que chega a dar dó de suas cenas espalhadas. Ainda estou me perguntando o motivo das cenas de Lucas Till como Ben, pois aparece para ajudar na construção, faz alguns serviços e soa tão fraco que ficamos nos perguntando apenas se na cena que a protagonista some, se foi sair com ele, pois é a única explicação plausível para colocarem o ator no longa. Dos fantasmas, vale apenas pontuar realmente a interpretação séria de Gerald McRaney como Judge Blacker, pois seus semblantes foram bem interessantes, mas faltou um pouco mais de dinâmica para agradar nas suas cenas.

A ideia visual assim como o conteúdo é básica, pois arrumaram uma casa abandonada no meio do nada (ainda fico me perguntando que ser iria após um trauma morar mais isolado do mundo possível numa casa assim), cômodos de madeira rangente, espelhos, quadros estranhos, roupas de época e claro muitos objetos anormais espalhados por todo o lado, parecendo que a pessoa se mudou e continuou sem arrumar a casa. Ou seja, o trivial de um terror, porém o quartinho foi bem interessante de ver a concepção, que por mais simples que seja, funcionou bem para mostrar a situação sofrida das pessoas/crianças indesejadas numa época atrás, e isso sim foi feita uma pesquisa interessante, que mostrada através de documentos e livros, deu um certo charme para a trama. Embora seja clichê, achei falta de um tom mais escuro já que o filme se tratava de um terror, pois o longa foi trabalhado com bastante claridade, diversas cenas durante o dia e até trabalhando num tom bem tênue para acalmar os ânimos, e assim sendo, diria que o diretor de fotografia acabou se perdendo com o que desejava fazer, ou lhe passaram coordenadas bem erradas.

Enfim, um filme que não é ruim, mas está anos luz de ser bom, porém a ideia original é interessante, e como disse bem horrível de se pensar, portanto um diretor melhor, de terror realmente, teria feito esse filme algo para sair da sala arrepiado com o que seria mostrado. Portanto diria que não recomendo a trama, mas que certamente quem ver e analisar os pontos positivos irá dar a mesma nota que a minha. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até mais.

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A Chegada (Arrival)

11/26/2016 02:43:00 AM |

Assim como tenho certeza que verei pessoas dizendo se tratar do melhor filme do ano, também tenho total convicção de que meus amigos que trabalham nas portarias dos cinemas irão ver diversos clientes saindo da sessão de "A Chegada" falando que não entenderam nada e acharam o longa um lixo. Felizmente não irei para nenhuma das duas pontas, pois gostei bastante do que vi, mas achei um pouco alongado demais, e claro que assim como diversos outros filmes se rever o longa terei uma visão completamente diferente da trama sabendo o final, pois tudo é muito jogado na tela se pararmos para pensar e refletir um pouco mais sobre todas as ideias dúbias e desconexas que vamos reclamando o longa todo de serem cansativas e não dizerem nada, mas se analisarmos todo o longa a partir da frase que Amy Adams diz para Jeremy Renner praticamente na sua última cena (a qual não vou colocar aqui por ser o spoiler máximo do longa, mas que diz muito sobre nossa vida e sobre o longa inteiro), e juntarmos à isso a ideia completa da trama, o filme acaba sendo singelo e até bonito de se pensar, porém confesso que sem esses detalhes bem refletidos, o filme é tão cansativo que chega a ser difícil se conectar e envolver durante toda a projeção com o que nos está sendo mostrado. Portanto confira o filme, e tire suas conclusões, mas friso para aguentar até o final, e se for possível rever com a ideia completa, pois mesmo não indo fazer isso, em minha mente o longa se formou completamente diferente após saber do grande detalhe.

Naves alienígenas pousaram na Terra e estão incomunicáveis com os humanos. Quem pode ser capaz de fazer essa intermediação é uma linguista, que tenta descobrir se eles vieram em paz ou são ameaças aos humanos. Nessa comunicação, ela começa a ter flashbacks que servem para que descobrir o real motivo da vinda dos extraterrestres ao planeta.

Que o cinema de Denis Villeneuve não é dos mais simples de se entender de cara, isso não precisamos nem comentar, mas geralmente seus filmes possuem um ritmo mais ditado e trabalhado, o que acaba condicionando o espectador mais ávido a ir preparando o desenrolar em sua mente, e que acaba não cansando tanto como o que acabou fazendo aqui, pois o filme vai nos conduzindo de uma forma tão bagunçada, que até o excesso de flashbacks parece começar a incomodar, depois ficamos nervosos com o excesso de símbolos (que até metade do filme ninguém entende nada, e de repente a moça já sabe conversar fluentemente com os aliens em códigos), e por diversas vezes nos vemos irritadiços em nada ser desvendado a fundo (praticamente as vontades que temos são as mesmas dos militares, já querendo explodir tudo pelos ares e que voltem pra suas casas pegando fogo, aliens, quem mandou vir mexer com a gente). Porém quando o desfecho é mostrado (sim na cara dura, sem dó nem piedade, sem que você possa pensar nada diferente depois de refletir por quase duas horas) tudo muda, você mesmo que não se revolte e pague para ver a próxima sessão para confirmar suas conclusões, irá filosofar e compreender cada ato, cada flashback, cada ponto da história e irá falar: "nossa, que filme profundo!". E sendo assim, podemos dizer que tanto o diretor fez um acerto incrível, difícil de ser digerido, mas maravilhoso para se pensar, quanto o roteirista Eric Heisserer trabalhou com minúcias para adaptar o livro de Ted Chiang, que digo mais, foram extremamente felizes em mudar o nome do longa, pois se ficasse o mesmo do livro, metade do caminho já teria sido entregue.

Dentro das atuações, é fato que o longa necessitou demais dos protagonistas, pois os secundários acabam sendo meros enfeites cênicos que pouco ajudam no desenrolar da trama, e sendo assim, Amy Adams precisou mostrar em diversas cenas um ar mais sério e introspectivo para sua Louise e trabalhando bem os trejeitos da personagem juntamente com um intrigante modo de dicção acabamos vendo uma personalidade mais pontual e certeira dela, pois já fez grandes papeis, mas reparávamos mais na sua beleza do que no seu jeito de atuar, e aqui é exatamente o inverso. Brincadeiras a parte, alguém poderia dar um papel de destaque em algum filme para Jeremy Renner, pois o ator sempre fica dependente dos demais atores e acaba não deslanchando como deveria, de tal maneira que seu Ian faz boas piadinhas, tem boas ideias, mas é quase um suporte com maior peso para a protagonista, claro que vai tendo uma participação maior até o final, mas poderiam ter dado mais responsabilidade para seu papel com toda certeza, e acredito que o ator se sairia bem. Forest Whitaker é sempre incisivo nos papeis que lhe entregam, e é raro ver ele com um ar mais sereno em cena, o que aqui para seu Coronel Weber é algo mais impossível ainda de ver, porém o ator soube dosar as poucas mais boas cenas com os demais, trabalhando de forma clara e coerente com o estilo proposto. Tivemos 3 garotinhas interpretando Hannah no longa, e de certa forma, todas foram bem interessantes para a proposta, então temos de dar o devido destaque para todos os momentos de Abigail Priowski, Jadyn Malone e Juliet Scarlett Dan. Os demais atores acabam tendo menos cenas ainda para aparecerem e isso é algo ruim, pois quando precisam mostrar algum serviço, por exemplo Mark O'Brien como Capitão Marks ficamos nos perguntando de onde veio esse cidadão na trama, mas mesmo com poucas cenas, o trabalho de Tzi Ma como General Chang podemos dizer que foi perfeito pela cena completa do clímax.

Um fator bem interessante de pontuar é que mesmo o filme sendo uma ficção bem trabalhada, tirando as cenas da grande nave (que acredito que dificilmente tenham construído algo para ficar voando), o restante da trama foi bem trabalhado para não ser feito de forma computacional, com locações bem pontuais como a maravilhosa casa de vidro da protagonista, uma faculdade bem charmosa, um acampamento de exército cheio de aparatos interessantes como diversos objetos cênicos para cada cena ser bem representada, como computadores, áreas de descontaminação, diversos vestuários tecnológicos, e claro que até mesmo a sala de comunicação dos humanos com os heptapods foi incrivelmente pensada para ser simbólica e agradar bastante dentro do contexto completo. E até mesmo a forma que os alienígenas foram mostrados ficou interessante, pois não forçaram a barra com coisas esquisitas e que trabalharam muito bem com os códigos de escrita elaborado. A fotografia da trama foi bem pensada para termos diversas nuances, tais como o contraste preto/branco na sala de comunicação com os aliens, aonde o tom laranja forte das roupas tiveram um contraste bem impactante para a cena aonde a protagonista decide se despir, o grande campo verde aonde a nave se instalou, mostrando a ideologia deles para com o mundo terreno, e claro, os flashbacks quase todos num tom mais avermelhado que diferentemente do tradicional branco acabou tendo um significado bem coerente e mais completo.

Enfim, um filme muito bem feito que acabou saindo do nada, nos deixou no nada quase que toda a projeção e chegou num final conclusivo incrível e bem colocado. Portanto, recomendo a todos que vá conferir o longa, discuta comigo em off (para não colocarmos spoilers nem nos comentários) e reflitam bastante sobre a frase final, e claro sobre a mensagem que o longa deixa, pois esta com toda certeza foi a ideia do diretor. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos sobre os diversos longas que apareceram no interior, então abraços e até mais galera.

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Elis

11/25/2016 12:42:00 AM |

Se tem um gênero que fica interessante de qualquer forma no cinema é o tal do biográfico musical, pois funciona bem tanto para quem nunca soube da história do cantor, quanto para quem quer apenas curtir mais as músicas do astro de uma maneira diferenciada para lembrar da sua juventude ou algo que lhe remetem as canções. Digo isso principalmente aqui em "Elis", por não abusarem da nossa ideia colocando a atriz para cantar com o vozeirão que a cantora tinha, deixando apenas que dublasse nos momentos cantados e que interpretasse com a melhor entonação possível para que parecesse nas demais cenas, o que é um ponto muito positivo. E o filme ao trabalhar bem o período do despontamento da cantora até sua morte é bem interessante, e até bem feito, porém abusaram demais das épocas certinhas bem divididas até com leves fades de mudança (o que provavelmente vai facilitar os cortes quando o longa for exibido como série) e isso acaba incomodando um pouco, mas nada que chegue a ser inconveniente. Ou seja, vale bem pela boa incorporação que a atriz dá para a personagem, para ouvir boas músicas e para conhecer mais sobre a vida tumultuada que teve.

O longa nos mostra que cantora desde a infância, Elis Regina Carvalho Costa entra na vida adulta deixando o Rio Grande do Sul para espalhar seu talento pelo Brasil a partir do Rio de Janeiro. Em rápida ascensão, ela logo conquista uma legião de fãs, entre eles o famoso compositor e produtor Ronaldo Bôscoli, com quem acaba se casando. Estrela de TV, polêmica, intensa e briguenta, a "Pimentinha" não tarda a ser reconhecida como a maior voz do Brasil, em carreira marcada por altos e baixos.

Estreando na direção de longas, Hugo Prata que já dirigiu dois DVDs da filha de Elis, Maria Rita, soube trabalhar bem os momentos mais icônicos da vida da cantora, mostrando com dinâmica sua chegada ao Rio de Janeiro, suas brigas iniciais com o produtor Ronaldo Bôscoli, seus momentos na TV, a apresentação de grandes shows, alguns relacionamentos e claro também seus momentos de baixa como na ditadura tendo de cantar para os militares e sendo crucificada por outros artistas, seus momentos com bebidas e drogas e por aí vai, ou seja, um material bem pesquisado e que aprovado pelos filhos o resultado que o roteirista Nelson Motta entregou ficou fácil e interessante de ver, que com boa caracterização cênica souberam entregar um filme simples e bem feito. Como disse acima o maior defeito do longa foi o dele já ter sido feito pensado como série, pois é fácil notar as divisões na trama para mostrar as várias fases da cantora, e isso em filme seria bem diferente de acompanhar, mas não acredito como sendo um erro, pois o resultado funciona bem, e mostra que o diretor teve um carinho correto com a produção para que cada momento fosse encaixado corretamente, principalmente nas dublagens para que não soasse falso.

Nunca tinha colocado reparo em Andreia Horta, mas seu trabalho aqui como Elis foi tão bem trabalhado, cheio de trejeitos clássicos que vimos já em documentários e vídeos antigos da TV que por vários momentos sentimos a presença da cantora na tela, e sem forçar muito para dar vida à personagem, a atriz conseguiu ter diversos momentos envolventes e que fizeram (ao menos para mim) parecer alguém que merece muitos bons papeis na carreira, pois tem carisma e boa interpretação. Muitos vão falar das boas nuances de Gustavo Machado como Ronaldo Bôscoli, que até caiu bem dentro da personalidade malandra do produtor, outros vão comentar o jeito dócil e interessante que Caco Ciocler entregou para Cesar Camargo Mariano, que somente no final acabou exagerando nos trejeitos forçados de explosão, mas sem dúvida alguma temos de dar um parabéns monstruoso para a caracterização que fizeram com Lúcio Mauro Filho para que ele sendo um ótimo ator com uma interpretação incrível fizesse de seu Mièle algo que pensássemos numa possível reencarnação do produtor musical, e sem dúvida alguma o jovem ator mostrou uma personalidade tão boa que em um possível filme ou documentário sobre a vida dele certamente será convocado novamente. Vale também pontuar a boa caracterização e a ótima interpretação de Julio Andrade com seu Lennie Dale, que praticamente ensinou a cantora como ser mais expressiva, e o ator deu um show de trejeitos e movimentações,

Sobre o visual da trama é fato falarmos que escolheram muito bem as locações, primeiro para conseguir representar os velhos ambientes dos anos 60/70/80, e depois já que mostram programas de TV e shows que muitos viram, tiveram de ser críveis na exemplificação dos momentos para que nada saísse do detalhamento. Não sei se as casas que Elis morou realmente foram utilizadas para representar a produção, mas arrumaram bem a decoração para que o ambiente representasse bem as duas épocas de sua vida. Além da representação cênica, outro grande acerto da trama ficou a cargo do desenvolvimento artístico para caracterizar os personagens, pois todos atores ficaram muito parecidos com os personagens originais, e isso é algo bem legal de ver o trabalho de uma equipe brasileira encarregada disso. Outro grande ponto positivo ficou a cargo da equipe de fotografia, pois trabalharam muito com luzes em contraplanos para criar ambientes intimistas tanto nas cenas de diálogos, quanto nos shows, o que deu um visual incrível de observar.

Enfim, um filme que vale a pena ser visto, mas que infelizmente por contrato, é capaz de nem ficar muito tempo em cartaz já indo para a TV como minissérie, ou seja, quem quiser ver a forma original deve correr. Recomendo ele mais para conhecer a cantora do que como um grande filme do cinema nacional, pelos pequenos defeitos na formatação que poderia ser mais envolvente. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais estreias, então abraços e até logo mais.

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Jack Reacher: Sem Retorno (Jack Reacher: Never Go Back)

11/24/2016 02:02:00 AM |

Filmes de ação policial geralmente possuem um molde bem definido que você acaba até se divertindo por saber exatamente em que ponto da trama irá acontecer cada coisa. Não digo que isso seja algo completamente ruim, mas como gostamos de um pouco mais de originalidade, pedimos ao menos que os diretores coloquem algum detalhe diferenciado em algum momento, ou que nos surpreenda em algo para podermos falar bem daquilo, ou até mesmo que não fique tanto em cima do muro com as situações, mas pedir tudo isso é quase um sonho, então "Jack Reacher - Sem Retorno" não só não mostra novidade alguma, como abusa de todos os trejeitos possíveis do gênero, e pra ajudar ainda fica bem morninho dentro da dinâmica toda que poderia alcançar. Não digo que é um filme que dê sono, muito menos que não seja bacana de assistir, afinal diria que é até um pouco melhor que o primeiro filme "O Último Tiro", mas ainda assim como falei ao fechar o texto dele, vai ser daqueles filmes que vão passar uma tonelada de vezes na última sessão do domingo na TV, e deitado no sofá você irá decidir se vai continuar curtindo ou irá dormir, o que no cinema não é algo interessante de se fazer.

Jack Reacher retorna à base militar onde serviu na Virgínia, onde pretende levar uma major local, Susan Turner, para jantar. Só que, logo ao chegar, descobre que ela está presa, acusada de ter vazado informações confidenciais do exército. Estranhando a situação, Reacher resolve iniciar uma investigação por conta própria e logo descobre que o caso é bem mais pessoal do que imaginava.

O fato do longa ser bem calmo é fácil de observar pelos demais longas que o diretor Edward Zwick dirigiu, como "Lendas da Paixão", "Amor e Outras Drogas", e até mesmo em "O Último Samurai" e "Um Ato de Liberdade" são menos agitados do que se esperam de longas de guerra/ação, mas aqui ele trabalhou com uma síntese bem própria ao pegar o roteiro de Richard Wenk ("O Protetor") e dar uma nova roupagem quase que com a mesma história, apenas invertendo o pano de fundo, e isso é interessante de observar, pois geralmente o primeiro tratamento de um roteiro costuma sofrer muitas mudanças quando caem em outras mãos, e aqui vemos quase a mesma história que Wenk entregou alguns anos atrás. Volto a frisar que não é ruim se amparar em outros longas, desde que a criatividade de um diretor/roteirista consiga mostrar serviço e adequar para que seu filme flua e agrade (de preferência mais que o longa baseado) a todos. Mas relevando esse ponto da cópia exagerada que foi entregue, o que podemos ver em suma é que o diretor foi direto ao ponto, trabalhando bem com a dinâmica protagonista aparece, secundários ficam bem para trás, pois é raro não estar em cena Tom Cruise, e mesmo nas cenas mais tranquilas que não precisaria aparecer sua figura, algum elemento dele acaba aparecendo, ou seja, se a história literária é baseada no personagem, não vamos precisar apresentar mais ninguém e muito menos que esse alguém desponte, e assim sendo, o resultado para Cruise (que é também o produtor do longa) é satisfatório por marcar sua imagem e voltar para quem sabe um papel icônico quase de um super-herói da vida real (se é que ele é real pelo tanto que apanha e continua bem!)

Sobre as atuações, como já disse acima o filme focou completamente no personagem título, e com isso Tom Cruise com seus 54 anos mostrou disposição para lutar, correr e claro ser bem pensativo nas cenas mais cadenciadas de seu Jack Reacher, claro que o ator começa a mostrar que não tem mais o grande pique de sua juventude, mas ainda trabalha bem na expressividade e agrada pelo seu jeito canastrão menos forçado que outros atores da sua época. Cobie Smulders é uma atriz interessante que colocaram compostura demais na personalidade de sua Major Turner, de tal maneira que (dando um leve spoiler) você vai aguardar o longa inteiro por um romance mais afetuoso e irá embora decepcionado por não ver nada muito a fundo entre os dois protagonistas, o que mostra um acerto por parte do diretor de querer que a atriz ficasse bem mais próxima de um elo militar do que um romance cheio de doçuras. Danika Yarosh fez bem sua Sam e deu um ar mais fraternal na trama, colocando em xeque sempre a pergunta "é ou não filha do protagonista?", e claro que dentro do clichê máximo do estilo, sempre estava apta para fazer cagadas nas cenas mais calmas para que os vilões voltassem a seguir eles, ou seja, fez bem o dever de casa para manter a trama sempre ocupada. Patrick Heusinger fez um caçador daqueles que chegam a ser inconvenientes de tanto perseguir os protagonistas, e claro que vamos torcer pro mocinho socar ele ao máximo no fim, pois esse estilo de personagem só serve para duas coisas: incomodar o público com sacadas forçadas e apanhar do protagonista, mesmo que possa dar um tiro fácil é claro que vai partir pra porrada. Dos demais personagens todos aparecem bem pouco e acabam tendo ligações leves dentro da trama, mas poderiam ter dado mais importância tanto para o papel de Aldis Hodge com seu Espin que caiu bem nos momentos certos, como para Robert Knepper como general Harkness, pois ao final ele é o mais importante da trama e acaba sendo quase um enfeite durante o longa quase inteiro.

Um fato claro que diferencia esse longa do anterior é a economia artística, pois se no primeiro desenvolveram a ação em mais lugares e trabalharam as locações com maior dinâmica, aqui focaram poucos momentos, em lugares menores (vou preferir dizer que o Carnaval/Halloween de Nova Orleans é algo tradicional que nem conto como um cenário) e com perspectivas mais fechadas para desenvolver um clima mais cadenciado do que uma aventura forte característica de outros filmes de Cruise, mas ainda assim tivemos boas cenas, e isso é o que faz de uma direção de arte um trabalho efetivo. Detalhe que as paredes poderiam ser mais rígidas, pois ficou claro o efeito isopor quebrando na cena de pancadaria. No conceito fotográfico a trama trabalhou bem com locações escuras para criar um clima mais tenso em algumas cenas, mas nada que seja um deslumbre visual de tons, o que acabou faltando para termos cenas mais quentes e impactantes como uma boa ação pediria.

Enfim, é um filme razoável que vai agradar quem gosta de ver Tom Cruise e claro curte um longa bem levinho de ação policial. Claro que não posso dizer que vou recomendar ele para todos, pois certamente os amantes de um longa dinâmico, cheio de pegadas e explosões vai sair da sessão rindo ou bravo por ter cansado com tudo o que é mostrado, mas vale um tempinho assistindo em casa, ou até mesmo no cinema se não tiver outra boa opção passando, para rir dos clichês tradicionais, e principalmente quem gostou do primeiro filme vai achar esse bem melhor. Bem é isso pessoal, esse foi apenas o primeiro filme da semana, que vi antes graças ao pessoal da Difusora FM 91,3MHz que trouxe para nós essa sessão antecipada, então valeu galera, estamos juntos sempre pra divulgar e curtir o som rock'n roll, e volto em breve com as demais estreias da semana, então abraços e até mais galera.

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O Amor de Catarina

11/22/2016 01:10:00 AM |

Chega a ser difícil falar algo de "O Amor de Catarina", pois chamar de cinema amador um projeto desse estilo chega a ser uma ofensa tanto para a palavra cinema (pois temos quiçá uma tentativa frustrada de ter uma paródia de novela mexicana), quanto para os profissionais que buscam com criatividade e pouco orçamento fazer algo que faça jus ao cinema independente e que com boas propostas até conseguem agradar em alguns momentos. Digo isso com um grande pesar, pois ultimamente tenho somente falado bem de boas produções nacionais que vinham numa grande crescente, mas hoje ao estar sozinho na sessão do longa (ainda bem que mais ninguém gastou dinheiro vendo isso, somente eu) me vi reclamando em alto e bom som a cada nova cena desnecessária, a cada câmera chacoalhante sem nenhuma linguagem proposital, a cada expressão exagerada numa tentativa de fazer os carões das novelas mexicanas, a cada tentativa de reviravolta sem conseguir atingir ao menos a sequência correta, ou seja, falei o filme inteiro, e se tivesse mais alguém na sessão faria ao menos um debate, pois esse é daqueles filmes que se a pessoa assistir quieta demais, ela dorme de marasmo ou por não conseguir assistir até o fim com tanta coisa ruim, acaba indo embora da sessão.

A sinopse nos mostra que Rose é uma dona de casa que sempre idealizou sua vida com uma família perfeita. A realidade, no entanto, é muito diferente. Seu casamento está em completo descompasso e sua filha lhe nega qualquer tipo de atenção. Em meio a essa situação nada ideal, Rose encontra alento em lembranças que cultiva em uma caixa de sapatos e na companhia de sua vizinha e melhor amiga, Dolores. Ambas acompanham assiduamente a telenovela “O Amor de Catarina”, sucesso nacional, que retrata a história de Catarina, que vive um turbulento relacionamento com um marido possessivo e que a cada episódio assume mais o controle de sua vida graças a sua personalidade forte e independente.

Fiquei pensando um motivo de o longa ser tão bagunçado, e ao ver que foi escrito por 5 pessoas, chego à conclusão que o diretor Gil Baroni pegou todas as ideias, jogou num liquidificador, fez os diversos storyboards e saiu para filmar, pois a ideia se levarmos em conta toda a perspectiva, o baixo orçamento e tudo o que poderia ter virado num resultado final mais satisfatório, até poderia ter um rumo mais coeso, mas a cada 5 a 10 minutos, um novo relance era revirado sem muito nexo e jogado literalmente na tela, sem se preocupar com nada, nem atingindo lugar algum. Ou seja, a velha história de lapidar um roteiro até chegar realmente numa proposta condizente geralmente é relevada por alguns diretores, e muitos apenas pegam os textos que lhe são entregues e filmam, o que acaba sendo um grande fracasso, e este aqui é um dos maiores exemplos de como é fácil errar, mesmo trabalhando bem no restante da produção.

Falar das atuações é algo que aqui temos de pontuar bem, pois faltou tanto uma atitude maior do diretor para controlar os momentos, quanto também temos de pontuar que todos sem exceção falharam por exagerarem em trejeitos. Para começar, Greice Barros ficou parecendo que foi escolhida aleatoriamente entre a primeira mulher que apareceu num shopping com cara de mulher triste para interpretar Rose que tinha esse perfil, pois posso estar criticando alguém que mais para frente irá deslanchar, porém aqui chegou a ficar num nível abaixo de ruim para ser a protagonista da trama. Ciliane Vendruscolo fez uma Dolores bem colocada dentro da proposta, mas parecia desesperada pelos seus momentos. Muitos ironizaram por ser mais um filme de Kéfera Buchmann, mas sua Catarina é o menor problema do longa, pois fazendo uma atriz de novela bem estilo das tradicionais forçadas mexicanas, ela soou bem e nos poucos momentos encaixou dentro do que poderia, e fez o certo, mas nada que seja ainda impressionante de esperar dela. Do grupo masculino Maicon Santini fez seu Gonzales da forma mais caricata possível, e embora isso possa parecer ruim, foi até engraçado de ver, enquanto |Rodrigo Ferrarini fez um Julio meio desorientado e estranho de ver, mas sem dúvida alguma Luiz Bertazzo foi o que mais se perdeu dentro da ideia do longa que o diretor desejava, e fez um Pedro completamente jogado e forçado.

Com certeza boa parte dos 180 mil reais gastos ficaram por conta da cenografia do longa, principalmente por montar todo um cenário grande de novela, outro lotado de elementos para as cenas do teatro, e mais diversos elementos para as duas casas e salão, ou seja, a equipe de arte teve um trabalho até bem desenvolvido, mas acabou se perdendo em excessos, o que nunca é bom para nenhum filme, pois talvez detalhes simples chamassem bem mais a atenção e acabaria resultando em algo menos enfeitado. Agora um dos pontos mais falhos do longa ficou a cargo do diretor de fotografia e claro do câmera, pois faltou iluminação na maioria das cenas, deixando o longa exageradamente escuro, e com tons errados para cada momento (tirando claro as cenas da novela que foram filmadas a parte), e o câmera certamente tinha Parkinson e não deveriam ter optado por tantas cenas com câmera na mão, pois não fluiu nenhum tipo de linguagem e destruiu os momentos razoáveis do longa com o tanto balançar que teve.

Enfim, um filme que não recomendo de forma alguma nem pro meu pior inimigo gastar dinheiro, pois o excesso de falhas é fora dos padrões aceitáveis em uma produção. Já disse que não gosto de falar mal de diretores/produtores brasileiros, pois posso certamente trabalhar com algum deles num futuro, mas espero sinceramente que em outras produções dos envolvidos técnicos desse longa eles melhorem muito, senão a chance de sumir do mapa é alta. Bem é isso pessoal, encerro aqui minha semana cinematográfica, pois mudaram o horário de uma das estreias não sendo exibido mais nessa semana, então volto na próxima Quinta com mais textos, então abraços e até breve.

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Animais Fantásticos e Onde Habitam em Imax 3D (Fantastic Beasts and Where to Find Them)

11/19/2016 03:10:00 AM |

Falar que "Animais Fantásticos e Onde Habitam" é um filme mágico é ficar rodando para falar mais do mesmo, mas me fogem palavras para expressar o quão bom foi poder conferir o retorno do mundo fantástico da magia que tanto nos permeou durante diversos anos, e ainda saberem como fazer para que algo novo nos fosse mostrado com tanta emoção, criatividade e principalmente, com muitos efeitos para que o gostinho de felicidade ficasse ainda mais presente na sessão 3D. Ou seja, pode ser que numa revisão até encontre algum defeito maior dentro da proposta completa, mas são tantos bons personagens, animais realmente fantásticos e lindos/fofos, um roteiro bem trabalhado de emoções e um claro desenvolvimento de começo, meio e fim tradicionais que nem necessitaria outras continuações para tudo o que foi mostrado, mas é tão bom poder ver mais sobre as histórias que acontecerão no mundo bruxo antes de Harry Potter que por enquanto só consigo enxergar como defeito 2018 estar tão longe para vermos o que acontecerá em Paris. Portanto, sendo fã ou não das histórias de Harry Potter, vá para o cinema e embarque nessa aventura, de preferência na maior sala 3D de sua cidade (e se possível numa Imax), que com toda certeza irá gostar muito de toda a emoção que será mostrada na tela.

O longa nos conta que o excêntrico magizoologista Newt Scamander chega à cidade de Nova York levando com muito zelo sua preciosa maleta, um objeto mágico onde ele carrega fantásticos animais do mundo da magia que coletou durante as suas viagens. Em meio a comunidade bruxa norte-americana, que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, Newt precisará usar todas suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam fugindo.

Diferentemente do que ocorreu com todos seus outros livros no qual J.K. Rowling apenas entregou a história pronta para que outros roteiristas e produtores adaptassem da forma que desejasse, aqui a escritora fez questão de escrever diretamente para cinema o roteiro, e como já está bem renomada (e com muito dinheiro também) possuiu também os direitos criativos sobre toda a trama, ou seja, quem for fã da saga literária certamente não se desapontará com nada do que será mostrado na telona, pois tudo virá da mente que criou esse universo, e assim sendo é notável logo de cara essa presença mais mágica dentro do contexto do que nos demais filmes que já vimos abordando o assunto. Agora se é permitido colocar um defeito que nem podemos pontuar como gravíssimo, é o fato de que não temos quase que muita apresentação desse novo mundo, e muito menos de cada personagem, como ocorrerá antes, já sendo jogado logo de cara com tudo rolando, ou seja, não que seja algo obrigatório, mas pode ser que quem não for fã da saga, ao ir conferir o longa no cinema fique um pouco desconectado com quem é quem, mas nada que irá importar muito, pois com a desenvoltura completa da trama, tudo o que ocorre acaba sendo bem encaixado e funcional para o momento. Claro que essa boa dinâmica vem do estilo de outro membro da equipe que já conhece bem o universo mágico de Rowling, que é o diretor David Yates, que apenas teve uma leve fuga das histórias mágicas com "A Lenda de Tarzan" nesse ano, após ter filmado os 4 últimos Harry Potter desde 2007, ou seja, já estava completamente a par da situação para que tudo se encaixasse bem e mais do que isso, ainda teve apoio tecnológico nessa época para que tudo fosse melhorado no estilo de uso das câmeras, de tal modo que se antes um efeito tridimensional simples era algo absurdo de se fazer, hoje sua equipe fez com os pés nas costas, e assim sendo o resultado de seu trabalho, tanto pelo ritmo do filme, quanto pelo estilo que escolheu desenvolver a trama foi algo que merece todos os aplausos possíveis.

É claro que um bom filme sem um bom elenco dificilmente acaba agradando a todos, e sem dúvida alguma a escolha aqui foi precisa para que os personagens tivessem todo o carisma impregnado no jeito de atuar e assim acabar se desenvolvendo mais com bons trejeitos e colocações. E quem é um dos grandes nomes dos trejeitos e ainda consegue agradar pela leveza de sua atuação é Eddie Redmayne que incorporou em seu Newt uma personalidade bem clássica e gostosa de ver pela doçura impregnada na sua voz, pelos bons momentos dinâmicos e carismáticos que conseguiu trabalhar e principalmente por não entregar seu ouro de cara, deixando que cada momento fosse único e bem colocado dentro da simplicidade tradicional que costuma demonstrar em todos os longas que atua, agora é esperarmos para ver como irá se sair nos demais filmes, afinal contrato para mais um ele já assinou. Katherine Waterstone também fez de sua Tina uma personagem bem doce de acompanhar e que agrada pela forma leve que acaba agindo nos diversos momentos importantes da trama, porém poderiam ter colocado um pouco mais de sua história para conhecermos seus problemas, pois apenas são lances jogados para o público que estiver mais atento pegar tudo, mas ainda assim a jovem acabou saindo bem na sua interpretação. Agora sem dúvida alguma o grande nome que será lembrado do filme é o de Dan Fogler com seu Kowalski, pois o ator caiu como uma luva para dar toda a comicidade pertinente à trama, e sem atrapalhar os bons momentos mais sérios, o ator soube ser envolvente e bacana de acompanhar, fazendo com que um personagem que tecnicamente seria bem secundário na trama tivesse um destaque tão maior quanto qualquer um dentro do estúdio esperasse. Assim como Fogler, Alison Sudol acabou sendo tão agradável com sua Queenie que o romance secundário na trama trouxe paixão para todos os corações da sessão, fazendo algo tão agradável nesses momentos mais leves, que por bem pouco o público não irá pedir mais da história deles nos longas futuros, e assim sendo a atriz mostrou um bom trabalho. Muito se está esperando de Ezra Miller como o novo Flash, mas enquanto não vemos o jovem ator como um super-herói, aqui ele mostrou novamente que tem potencial para filmes que lhe exijam uma grande expressividade facial e corporal, pois seu Credence logo de cara já mostra a que veio, e dificilmente o público não irá pensar outra coisa dele, e claro que assim sendo o ator não desaponta em momento algum dando literalmente um show de facetas expressivas. Colin Farrel também trabalhou bem na trama toda com seu Graves e com um ar mais robusto, o experiente ator soube dinamizar suas cenas para que fossem fortes e clássicas, de tal maneira que não esconde muito bem seus atos, e com um fechamento incrível para quem deseja esperar mais dos próximos filmes. Carmen Ejogo mostrou pouco de sua personalidade como Presidente Picquery, mas com toda certeza será importante nos demais filmes. E claro para fechar a parte das atuações, muitos estão crucificando a escolha de Johnny Depp para o papel de Grindewald (que pelo que muitos fãs já contaram será o grande vilão dos demais filmes), mas o ator se mostrou tão bem encaixado mesmo que apenas em uma cena, que acredito muito no que acabará fazendo nos demais filmes, e claro que ainda é muito cedo para falar de sua excentricidade dentro da trama, mas acho que caiu muito bem no que foi feito.

Agora sem dúvida alguma o grande feito da trama ficou a cargo da equipe artística que trabalhou muito bem para criar uma Nova York clássica com uma boa cenografia pronta para aplicar os diversos efeitos computacionais com tudo sendo destruído, ótimos elementos cênicos nas casas e locais por onde os personagens acabam passando, e claro que o grande show mágico dentro da maleta do protagonista, aonde passamos por diversos sub-ambientes incríveis e maravilhosos que claro junto com os diversos animais criados com texturas incríveis nos levam a acreditar muito no mundo fantasioso de tal maneira que acabamos nos apaixonando por cada um, desde o mais feio até o mais fofo, e que com uma boa animação gráfica acabou criando ótimos momentos junto dos protagonistas divertindo e encantando na medida certa. A fotografia do longa ficou bem dentro de um tom mais puxado para o marrom, para criar um ar mais retrô e também dar uma certa seriedade nas cenas, sem que tudo ficasse um colorido fantasioso, e claro contrastasse com o brilho de cada ambiente dentro da maleta, mas esse tom foi mais acertado ainda por ser escuro e funcionar como contraste para os efeitos tridimensionais bem coloridos que saem da tela. E já que comecei a falar do 3D, mesmo o longa não tendo sido filmado com a tecnologia, a conversão foi tão boa que pros amantes de objetos saindo da tela, este é o nome da vez, pois temos diversas cenas com os bichos saindo do quadro de uma maneira tão mágica que acabou fazendo com que até os marmanjos mais velhos ficassem tentando pegar as coisas no ar do cinema, e além disso, o filme aparenta uma grande preocupação com camadas, fazendo com que a profundidade de câmera seja precisa tanto nos momentos que coisas saíssem da tela, quanto em cenas com diversos personagens que vemos tudo ocorrendo em vários âmbitos, ou seja, uma precisão incrível da tecnologia que vai agradar a todos, e digo até mais, todos devem ver nas salas 3D maiores de sua cidade.

Outro grande fator para toda a empolgação ficou a cargo da ótima trilha sonora composta para a trama por James Newton Howard, pois a cada passo dos protagonistas, a boa sonoridade da orquestra nos dava o ritmo e a postura de cada momento, fazendo com que o filme fluísse maravilhosamente bem.

Enfim, um filme incrível que marca apenas o começo de uma nova saga de 5 filmes, mas que quem conferir apenas esse poderá se encantar com tudo, mesmo com os pequenos defeitos que citei acima. Ou seja, entre no clima e vá conferir o longa com muita empolgação mesmo se não for fã de ficções fantasiosas, pois a chance de virar fã pelo trabalho mostrado aqui é bem alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda tenho alguns longas para conferir durante a semana, então abraços e até breve.

PS: Muitos vão falar que fiquei maluco de dar 10 para um filme que possui defeitos, mas são tão pequenos perto da grande mágica e emoção criada, que no mínimo daria 9,5 para o longa, e como todos bem sabem, não tenho notas quebradas, então como sempre pedimos para nossos professores, vamos arredondar para cima.

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