Isolados

quinta-feira, setembro 18, 2014 |

Se existe um estilo cinematográfico que o Brasil poderia trabalhar muito bem é o de suspense/terror, pois temos lendas estranhas, pessoas estranhas em todo lugar e lugares estranhos espalhados pelo país, além de que é um gênero teoricamente barato, que não necessita de grandes nomes, cachês ou coisas afim, porém esse gênero necessita que o diretor e/ou roteirista sejam alfaiates/costureiras de altíssimo nível, pois se um detalhe acabar descosturado, a trama toda que está envolvendo o espectador vai por água abaixo. E isso é o que destruiu o filme "Isolados", que utilizando do mote de suspense psicológico acabou criando situações bem interessantes que foi elevando tudo num crescente excelente, mas que resolveram acabar de uma forma tão tola, que mesmo todos já haviam chegado na conclusão do que aconteceu bem antes do fim acabará triste com o clichê nulo que acabou sendo escolhido. Não sei a forma que seria melhor para encerrar a trama, e não vou falar muito sobre o que ocorre para não estragar o filme de quem for assistir, mas de todas as possíveis maneiras para fechar com uma chave de bronze ao menos, essa foi a pior escolha para não ganhar chave alguma.

O filme conta a história de Lauro, um residente de psiquiatria, e sua namorada Renata, artista plástica e ex-paciente da clínica onde ele trabalha. O casal sai de férias para uma casa no alto da região serrana carioca. No caminho Lauro ouve boatos sobre ataques violentos que vêm acontecendo na região. As vítimas são mulheres, que estão sendo barbaramente assassinadas. Lauro prefere esconder o fato de Renata, que é muito sensível e se impressiona facilmente. Sem saber do que está acontecendo, ela se torna mais vulnerável. Na mata ao redor Lauro percebe sinais de que os assassinos estão cada vez mais perto e a solução é manter Renata presa na casa. O isolamento torna a situação insustentável e a luta pela sobrevivência desencadeia uma trama repleta de suspense, onde a realidade e a loucura se misturam.

Não posso dizer que é um filme perdido, pois como disse o fechamento foi o que estragou todo o restante, mas ao ocultar os assassinos do matagal e deixar toda a nuance mística da floresta, o diretor e roteirista Tomas Portella, que antes só havia dirigido a divertida comédia "Qualquer Gato Vira-lata" e trabalhado com diversos outros diretores como assistente, acabou acertando bem a mão, pois abusou da técnica da ocultação de tudo para criar o mistério e assustar no relance o público. Ao dizer suas referências para diversos jornalistas quando lançou o filme em Gramado, quem ler as reportagens já irá sabendo exatamente o final, portanto não irei citar nada, e até recomendo que quem for assistir não leia nada a respeito também, pois mesmo não funcionando exatamente como queria que ficasse, a ideologia foi até que bem executada para ocultar tudo e sem ler nada a respeito, somente descobriremos o final antes da hora se realmente o foco estiver muito aguçado com o conhecimento do estilo, pois os ângulos escolhidos pelo diretor foram alguns dos mais interessantes que já vi dentro do cinema nacional, e com o orçamento baixíssimo que trabalhou, podemos dizer que por muito pouco não tivemos algo que mudaria mesmo nosso cinema.

A atuação de Bruno Gagliasso é bem encaixada para o papel, pois como muitos dizem por aí, psiquiatras ficam na beirada de virar seus próprios pacientes, e aqui ele encarnou tão bem os seus momentos mais duros, que ficamos em diversos momentos nos perguntando muita coisa sobre ele que acaba por não revelar, e além disso, o ator não ficou caricato nem abusou do estilo novelesco que já é aclamado para criar seu personagem. Regiane Alves oscilou demais seus trejeitos, mas com o final que foi escolhido para sua personagem, tudo passou a fazer mais sentido no que faz, mas ainda assim seu passado que é mostrado não nos convence de seus distúrbios, soando bem falso a maioria de seus momentos. Juliana Alves tem algumas rápidas aparições e não chega a chamar atenção, apenas seu visual que está totalmente diferente da que conhecemos, ficando sabendo que é ela a "caseira" apenas pelos créditos. Os policiais Orã Figueiredo e Silvio Guindane são tão inúteis quanto o cachorro da casa que só sabe latir, principalmente pelo final escolhido, já que se tivessem feito qualquer outro tipo de escolha, quem sabe eles serviriam para algo. Sendo um dos últimos filmes de José Wilker antes de sua morte, aqui ele não foi tão bem aproveitado, mas trabalhou bem para mostrar um lado menos cômico seu que não conhecia e fez bem como orientador do jovem psiquiatra.

A escolha da locação na região serrana do Rio de Janeiro foi um encaixe e tanto na trama, pois a casa é sombria, a floresta tem toda uma nuance muito bem feita e os elementos cênicos escolhidos para representar tudo foi trabalhado na medida certa e tiveram todo seu valor no filme. Claro que podemos assimilar o filme de duas formas só pela cenografia, mas ainda prefiro optar que a falha está no roteiro que não ajudou a capturar a essência visual que a trama tinha para decolar. Com uma fotografia bem avermelhada devido aos vidros da casa e do fogareiro que o protagonista usa na maior parte do longa, temos algo bem bonito tecnicamente, e isso chama atenção na maior parte do filme por não terem usado ângulos tão tradicionalistas.

Enfim, era um filme que poderia ser genial, mas que por pequenos detalhes acabou ficando fora de algo aceitável para um suspense. Como disse, o final pode nos colocar como um erro totalmente grotesco e clichê, como pode até nos dar um outro relance que prefiro nem acreditar na hipótese, pois aí os furos não estariam apenas na última cena, mas no conteúdo total do filme. Vale a pena ser conferido apenas para ver algo diferenciado das tradicionais comédias nacionais, mostrando que nosso cinema pode tentar a sorte fora desse eixo, mas ainda não é o que esperamos de um bom suspense. Bem fico por aqui hoje, mas amanhã estarei de volta com mais uma das estreias da semana, então abraços e até mais pessoal.


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Mesmo Se Nada Der Certo

quinta-feira, setembro 18, 2014 |

É complicado quando nos afeiçoamos a algo, e desde que vi o pôster apenas de "Mesmo Se Nada Der Certo" em Julho quando discutia com minha amiga sobre possíveis pré-estreias de Setembro, fiquei encucado com esse filme. Como de praxe não costumo ver trailers sem ser antes das sessões que vou conferir, e incrivelmente nesses quase dois meses não passou um trailer sequer do filme. E a curiosidade e expectativa de ver ele só crescia, tanto dele não vir para a cidade por ter um quê artístico bem forte, como de por estar com uma expectativa alta por ouvir e ler bons comentários sobre ele poderia acabar não gostando do que veria. E hoje, felizmente veio na pré-estreia da rádio Difusora FM e não tenho quase palavras para expressar o quão bom foi o filme, pois temos ao mesmo tempo quase que um cinema autoral falando de boa música, de produção artística, e tudo mais que faz esse Coelho aqui ser um apaixonado por filmes e por consequência canções de filmes, ou seja, é mais do que um longa comum, é uma experiência sonora gostosa de acompanhar, onde em momento algum caímos para a comédia romântica boba, não ficamos com um drama pesado, e muito menos ficamos com um musical alongado e cansativo, temos portanto a soma perfeita da porcentagem necessária de cada um dos gêneros que o longa acabou classificado Drama/Romance/Musical. E isso meus amigos que leem meus textos, é algo que raramente se vê num filme, então não perca tempo, e vá conferir o longa, depois escute as canções e tenha uma semana mais produtiva depois de relaxar com esse excelente exemplar do cinema.

O filme nos mostra que Gretta e Dave namoram há muito tempo e são parceiros na composição de músicas. Mas, um dia, Dave deixa tudo para trás, inclusive Gretta, quando recebe uma proposta para trabalhar em uma grande gravadora em Nova York. Entretanto, a vida da jovem tem uma nova virada quando ela conhece Dan, um produtor musical falido que a vê cantando em um bar e fica encantado com sua desenvoltura.

Embora tenha feito uma história bem simples, o diretor e roteirista irlandês John Carney, que não é tão conhecido por aqui, mas que já teve outro enorme sucesso musicalizado com o seu filme "Apenas uma Vez", aqui acabou nos presenteando com um filme tão bem trabalhado que tudo acaba tendo conteúdo na trama, e isso é perfeito, pois a cidade passa a ter uma importância, a vida das pessoas envolvidas também acaba tendo significado, a música em si vira objeto de tudo na trama, e ao mesmo tempo, nada necessita se cruzar, fechar o círculo ou mesmo como diz o título do filme dar certo, e essa mágica acontece durante a exibição do longa, não é necessário que ficássemos depois analisando cada trecho para perceber o que aconteceu, está tudo impregnado na tela e em nossos ouvidos que vai ficar ouvindo o Adam cantando Lost Stars durante um bom tempo com sua voz que estamos acostumados a ouvir. Outro feito da trama é o de não ser uma equipe gigantesca, tanto que os créditos sobem tão rápido quanto o trecho exibido durante sua passagem, e isso mostra raça no processo autoral que tanto é frisado na construção musical apresentada no filme que serve também para o mundo do cinema, claro que indo numa vertente totalmente contrária ao que Hollywood tanto preza de milhões de pessoas para fazer uma trama simples.

Falar da atuação aqui, vai mais do que dizer apenas das expressões de cada um, temos de nos atentar que não bastou a perfeição no sotaque gostoso de Keira Knightley, nem em seu teor dramático que conseguiu imputar para sua personagem, mas sim que ela cantou todas as canções que foram compostas para o filme, e muito pelo contrário o tom amador ficou delicioso de ouvir de maneira que muitos irão comprar a trilha sonora esperando que outra pessoa esteja cantando, mas a atriz que já cantou em "Amor Extremo" e é esposa de um músico não nos desaponta de forma alguma, soando mais do que perfeita em todos os quesitos. Mark Ruffalo é perfeito sempre e aqui foi tão dinâmico como um produtor musical que está com sua vida toda bagunçada que tudo que faz é extremamente crível e a cada ato seu acabamos mais envolvidos com seu personagem que tudo, ou seja, incorporou bem tanto suas expressões que nos convence estar vivenciando o momento e não apenas interpretando. Adam Levine começou bem no cinema, fazendo um misto de sua personalidade como músico com seu jeito de analisar interpretando tudo no "The Voice USA", e esse misto resultou num ator competente que agrada na medida, ainda não é algo que pudéssemos falar ser algo digno de premiações, mas como cantar bem ele sabe e muito, e aqui boa parte está fazendo isso, então já valeu bastante. Estou vendo Hailee Steinfeld demais numa semana, e ainda não senti firmeza na forma de interpretação da garota, por sorte do filme, ela aparece somente em momentos chaves para enaltecer o personagem de Ruffalo como seu pai, pois senão seu jeito durão que impregnou na personagem atrapalharia bastante. Dos demais personagens, a maioria aparece apenas como conexões para os protagonistas, inclusive James Corden como amigo gordinho que todo mundo tem para desabafar, mas ele foi tão pouco usado no longa que não vale enaltecer nada, em compensação os momentos de Ceelo Green são tão divertidos que embora apareça somente em três momentos já fez valer literalmente como uma participação de peso.

Diferente de outros filmes que enaltecem Nova York como uma cidade cheia de vida, aqui o lado solitário é mais desenvolvido e a equipe de arte trabalhou tão bem para escolher as locações que visualmente tudo tem o oposto que os protagonistas estão sofrendo interiormente, e isso vai cadenciando tão bem com os elementos alegóricos que não há um desequilíbrio visual, tendo os locais mais imprevisíveis como lugares para gravar as canções da trama, e isso agrada demais. A fotografia também utilizou pouquíssimos filtros para deixar o longa com um tom mais natural e vivo, sem precisar de efeitos que atrapalhassem nem incrementassem nada, facilitando tanto a vida da equipe de produção quanto do espectador para acompanhar o andamento do filme.

Bem, estamos falando de um filme com conteúdo musical, então se nesse quesito houvesse falhas poderiam pegar tudo que tinham gravado e jogar fora, mas claro que isso não ocorreu, pois a trama é impecável nesse sentido com excelentes canções compostas especialmente para o filme que deram uma riqueza de material para um CD bem bacana de ser escutado repetidamente depois. E além disso o filme logo nas primeiras cenas nos mostra um fator interessantíssimo que poucas pessoas botam reparo, que é como um bom acompanhamento pode mudar completamente uma música, pois inicialmente vemos a cantora mandando mal à beça com seu violão e sua música nem chega a agradar muito, na sequência usando de músicos em chroma-key entram os demais instrumentos na canção e magicamente passamos a adorar aquilo que era ruim, e essa visão de um produtor musical que nos mostraram ficou excelente. Como sou um Coelho muito bonzinho, vou facilitar a vida de todos colocando aqui o link da trilha sonora perfeita, que é uma pena não estar com o mesmo preço citado no filme, já que a promoção foi feita apenas no lançamento do longa nos EUA.

Enfim, falei até demais do filme, mas me apaixonei por ele, e assistiria novamente gostando da mesma forma. Recomendo ele para todos que gostem de boa música pop e principalmente que gostem de algo alternativo, pois o tino da trama não é o comercial tradicional que estamos acostumados a receber toda semana, então pode ser que alguns achem estranho demais, outros reclamem do final, mas a chance de quem apreciar algo bem feitinho sem exageros, essa é a pedida certa. Mais uma vez agradeço ao pessoal da Difusora FM 91,3 MHz por ter acreditado que essa era uma boa opção de filme e ter nos proporcionado essa ótima pré-estreia. Fico por aqui agora, mas nessa semana ainda terei muitos outros filmes para comentar aqui com vocês, então abraços e até breve pessoal.


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Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola

quarta-feira, setembro 17, 2014 |

Bom, não tenho outra solução ao falar do filme que ou você irá rir muito com as escatologias que o diretor nos propõe na tela, ou vai sair ofendido com tudo que é mostrado e não irá curtir nem um pouco. Com isso em mente, o que o diretor, roteirista e ator Seth MacFarlane nos propõe em "Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola", onde o nome original tem mais sentido ("Um Milhão de Maneiras de Morrer no Oeste"), nos entrega é uma comédia onde o termo rir faz todo sentido, nem que pra isso necessite usar de todas as ferramentas que ele conhece, que é forçar a barra e colocar exageros nojentos dentro de sua trama, mas como já disse algumas vezes nos meus textos, qual é a missão de uma comédia: fazer rir, então se funcionou, o filme é bom.

O filme nos mostra que o fazendeiro Albert é deixado pela namorada após se acovardar em um tiroteio. Mas, quando uma misteriosa e bela mulher chega à cidade e o ajuda a tomar coragem, Albert acaba se apaixonando por ela. Entretanto, um fora-da-lei chega em busca de vingança e Albert terá que colocar em prática sua coragem.

A sinopse é bem simples, e o filme também é, mas com todas as características de um faroeste, aliado à alta quantidade de referências que o diretor gosta de inserir em seus filmes, o resultado acaba sendo bem satisfatório, já que quem for preparado para o uso de linguajares bem fortes e cenas onde a escatologia come solta por saber que o diretor adora esse estilo, vide seu desenho("Família da Pesada") e filme("Ted") anteriores, vai acabará se divertindo e rindo bastante com o que é apresentado. E além disso, o diretor foi esperto suficiente para mesmo sendo o protagonista da trama, deixar que sua equipe não ficasse somente com ele enquadrado, e isso deu ângulos até que interessantes para o desenvolvimento da história. Claro que o problema da postura irreverente não será um grande fator para que o público não vá aos cinemas ver ele, afinal se "Vovô Sem Vergonha" fez alta bilheteria, o que é mostrado aqui é fichinha, mas o maior entrave da trama ficou pela distribuidora H2O Films demorar no lançamento dele no Brasil, já que originalmente previsto para Maio/Junho desse ano, muita gente baixou ele e a pirataria acabou correndo solta, ou seja, veremos o andamento, mas vai ser complicado para as ovelhinhas decolarem.

Já falei algumas vezes também que sou contra a pessoa querer cobrar  o escanteio, cabecear e defender o gol em todas as profissões, e aqui Seth MacFarlane poderia muito bem ter ficado apenas com o roteiro e direção que arrumaria facilmente um ator satisfatório para o seu papel na trama, não que ele tenha ficado ruim, mas é notável as cenas que ele tenta ser mais chamativo e se atrapalha porque está dirigindo o restante que está sob o olhar das câmeras, além de que seu estilo cômico é um, e o que o papel pedia era alguém com mais dinâmica. Charlize Theron a cada ano que passa fica mais bela, e deve jantar formol, pois a idade não lhe pesa em momento algum, seus trejeitos suaves ficaram chamativos demais para interpretar uma pistoleira durona, e quase isso lhe atrapalha no decorrer do filme, por sorte tinha sempre ao seu lado o diretor para atrapalhar em algo e tirar o foco de si, senão o filme poderia ser um fiasco total. Liam Neeson aparece bem pouco na trama, mas seus três ou quatro momentos são bem encaixados e divertidos de acompanhar, mostrando uma faceta a mais do ator que é segurar o tino cômico mesmo que não precise fazer graça. A nossa Nicolas Cage feminina, que faz mais filmes do que consegue pensar, mais conhecida pelo nome de Amanda Seyfried aqui está insossa de tal maneira que chega a incomodar, e olha que mesmo muita gente reclamando dos seus outros filmes sempre a defendi, mas dessa vez não teve como, a jovem atriz começa o longa com uma expressão e faz a mesma em todos os momentos que aparece sem dar ao menos um toque diferenciado. Os demais personagens servem mais como encaixe para cada ato, e vale destacar apenas Neil Patrick Harris como o novo namorado de Amanda e Givanni Ribisi como o amigo ingênuo alvo das piadas mais antigas que minha avó, mas que com sua cara boba até funcionou algumas. Ah e vale também destacar o cachorro que na trama chama Tampão que mesmo sumindo numa cena e aparecendo na seguinte, fez expressões bem melhores que a de Amanda Seyfried, mas isso é fácil demais. E claro que as participações de Christopher Lloyd e Jamie Foxx também foram de uma adequação perfeita.

Agora um ponto que com muita certeza não podemos reclamar de forma alguma é o conceito visual da trama, que quem quiser comparar com qualquer western verá referências minuciosas que a produção fez questão de colocar com detalhes impecáveis, e isso é algo bem bacana de ficar acompanhando, claro que não é algo que salvaria o filme dos abusos cometidos pelo roteiro, mas ver um bom cenário western na tela é algo que sempre agrada. Os momentos de viagem com a droga indígena também é bem divertido de ver com as ovelhas criando formas impressionistas bem divertidas de observar ao fundo, bem mais do que parar para prestar atenção no protagonista. A fotografia não poderia usar outro filtro que não fosse o sépia, afinal estamos falando de um western, e com boas nuances puxando um tom abaixo em diversos momentos, acabou não ficando tão pesado no nível sujeira na tela, o que foi um grande acerto também.

Enfim, junto de uma trilha totalmente tradicional, com alguns momentos bem cômicos que referenciam outros filmes, o longa não vai ter pessoas que vão ficar em cima do muro, ou vão gostar bastante ou vão odiar bastante, então pensando no que disse no primeiro parágrafo, deixo a recomendação do filme somente para quem gostar de rir com longas onde tudo é muito abusado e forçado para que você ria. E assim sendo, acabei gostando do que vi, mas confesso que preferiria algo mais light no teor nojeiras na tela. Fico por aqui hoje, mas apenas comecei antecipadamente a nova semana cinematográfica graças ao pessoal da Difusora FM 91,3Mhz de Ribeirão que nos proporcionou essa pré-estreia e hoje a noite novamente nos colocará a frente de mais uma das estreias da próxima quinta-feira, então abraços a todos e até mais pessoal.


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Os Cavaleiros do Zodíaco - A Lenda do Santuário

terça-feira, setembro 16, 2014 |

Se tem uma animação da minha infância que não lembro praticamente nada é "Os Cavaleiros do Zodíaco", lembro apenas que os bonecos, que hoje são chamados de colecionáveis, eram caros demais da conta e que muita criança foi parar nos postos de saúde por engolir as pecinhas minúsculas das armaduras, mas falar que era fã, que gostava de ficar horas assistindo ao desenho, isso com toda certeza não fez parte da minha vida. Bem, mas como aqui não é um blog saudosista, muito menos um lugar para vender colecionáveis, vamos falar do novo filme lançado na última quinta-feira 11, "A Lenda do Santuário", onde por incrível que pareça, conseguiram fazer algo que não fosse somente voltado para os fãs, aliás ando vendo muito fã por aí metendo o pau no filme, pois tudo é bem explicadinho de onde proveio a história, contando com um começo, meio e fim para a trama que está nos cinemas. E tenho quase certeza de que esse foi o motivo pelo qual os fãs ficaram mais bravos, afinal eles já conhecem tudo da saga, e talvez quisessem algo mais inovador, o que aparentemente aqui não tem. Como disse e repito, não lembro de nada da história original, mas a que foi mostrada aqui agradou cinematograficamente esse Coelho chato aqui, então pode ser que agrade mais pessoas por aí afora, então fica a dica para quem gosta de ver lutas animadas no melhor estilo oriental.

O filme nos mostra que em uma remota era mitológica, haviam os defensores de Atena. Quando as forças do mal ameaçavam o mundo, eles apareciam. Atualmente, após um longo período de guerra, uma mulher, preocupada devido aos misteriosos poderes que possui, é inesperadamente atacada e salva pelo Cavaleiro de Bronze Seiya. Então Saori começa a entender seu destino e, junto com Seiya e seus companheiros Cavaleiros de Bronze, decidem se dirigir ao Santuário. Lá, porém, além de enfrentar as armadilhas do Mestre do Santuário, terão que lidar com os mais poderosos dos Cavaleiros, os orgulhosos Cavaleiros de Ouro.

Além dos fãs, a história acaba sendo interessante de acompanhar para quem alguma vez já leu toda aquela parafernália de zodíaco e sabe algumas ideias de como é cada signo, pois muito daquilo é aproveitado, e com um humor bem colocado no roteiro, o longa acaba ganhando um ritmo interessante de ser acompanhado. Claro que não é nenhuma obra prima que vamos lembrar de ter visto, mas longe do que imaginava ser um novo "Dragon Ball", que me desculpem os fãs, mas como disse na crítica na época em que vi, era um episódio alongado para passar nas telas dos cinemas, e isso é algo que simplesmente desprezo.

Falar de cada personagem é algo que exigiria um estudo melhor de cada um, e isso vou deixar para quem for mais fã falar nos comentários, caso queiram, mas vou destacar aqui o humor irreverente de Seiya que chega até irritar pelos excessos, acredito que deva ser também um pouco culpa da dublagem, mas isso como sei que esse estilo é comum nos desenhos japoneses, então a chance de ser assim também lá é altíssima. E também tenho de dizer que assim como qualquer um ali, tirando os Cavaleiros de Bronze não botaria fé alguma em Saori, o menininha insossa para ser uma pessoa tão poderosa. Dos Cavaleiros de Ouro, deixo o destaque para Máscara da Morte de Câncer, que nunca ri tanto na minha vida com um personagem animado, meio filme pra mim valeu pela criação desse personagem.

A composição visual que saiu um pouco do desenho a mão para modelagem computacional ganhou uma profundidade bem bacana, que se a distribuidora tivesse empurrado goela abaixo 3D para o público pagar mais caro, muita gente iria falar que era algo maravilhoso e tudo mais, provando mais uma vez o que muitas vezes falamos de que o cinema em si já é feito de sombras, e se o desenhista ou fotógrafo souber fazer bem seu serviço pode num filme 2D tradicional mesmo dar contornos interessantíssimos para um longa. Temos muitas cores vindo de todos os lados com espectros e socos e tudo mais que o pessoal que curte a trama vai ficar bem satisfeito com o resultado, mas poderiam ter pegado mais leve na bagunça visual que acaba virando quase todo meio de batalha, já que todos os começos de cada uma mostra algo bem trabalhado cenograficamente, e o resultado de sua destruição também agrada, mas o miolo é tão exagerado que incomoda bastante, e temos ao menos umas 10 lutas no filme todo, sempre da mesma maneira, variando apenas os poderes usados.

Enfim, é um filme bacana que funcionou na telona, mas que também não é nada sensacional, e mesmo tendo alguns defeitos como falei acima deve agradar tanto os meninos mais novos que não conhecem a saga, quanto os meninos mais idosos que forem relembrar a trama nos cinemas, o que julgo ser basicamente um início possível de uma franquia, se eu estiver errado quanto a isso e esse já for um miolo, podem dizer também nos comentários, mas como disse no início não lembro de nada da trama original que passava na extinta TV Manchete. Bem é isso pessoal, com esse filme encerro a semana cinematográfica, mas amanhã já começo uma nova com algumas pré-estreias que irão aparecer por aqui, então abraços e até breve.


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Era Uma Vez Em Nova York

segunda-feira, setembro 15, 2014 |

Existem alguns filmes que rodam tantos festivais antes de saírem comercialmente no Brasil que até assusta quando vamos olhar o ano de produção. O filme "Era Uma Em Nova York" estreou em Cannes em Maio/2013, passou pelo Festival do Rio do ano passado e somente agora, 16 meses depois que o grande público poderá ver esse filme belíssimo visualmente que com atuações precisas encanta a todos que forem acompanhar a sina dura que muitas imigrantes sofreram naquela época e com certeza ainda sofrem ao entrar nos EUA.

O filme nos mostra que em busca por um novo começo em meio ao sonho americano, as polonesas Ewa Cybulski e sua irmã Magda viajaram para Nova York em 1921. Ao chegarem em Ellis Island, Magda é diagnosticado pelos médicos locais com doença e é colocada em quarentena. Ewa fica fragilizada com a situação da irmã e acaba sendo presa fácil para Bruno Weiss, um homem charmoso que a força a trabalhar como garota de programa.

A síntese do roteiro é algo bem simples, mas que foi arquitetado de uma maneira tão dolorosa que ao mostrar a dureza sofrida pelas imigrantes, que não falavam muito a língua local e acabavam caindo como patinhos nas mãos dos cafetões, acabou sendo bem dinâmica e inteligente de acompanhar. O diretor e roteirista James Gray nos ilustrou tudo isso de uma forma bem autoral e interessante de ver, que mesmo tendo noção de que tudo poderia acabar bem, afinal não estamos com uma história real de alguém que morreu, a cada ato as coisas acabavam ficando mais e mais complicadas, pois ele foi trabalhando muito os diálogos, a linguagem escolhida e a atuação dos protagonistas, o que acabou transformando o simples em algo tão rico de produção que até espanta e nos assusta pela quantidade de elementos alegóricos que nos foi proporcionado a cada ato, o que fez do filme mais do que apenas um bom roteiro, mas algo visualmente magnífico de ser acompanhado com bons ângulos de câmera que ajudaram mais ainda na dramaticidade da trama.

No quesito atuação, o trio principal foi tão bem encaixado que sinceramente não consigo ver o filme com outros atores, ou seja, cada um assumiu seu papel como se fosse algo único para eles, e isso deixou o filme mais vivo do que tudo. Marion Cotillard está tão sofrida, que o seu momento mais bem produzido no visual quase achamos ser outra pessoa deitada na cama, e com trejeitos bem clássicos chamou a responsabilidade para si e enobreceu o longa falando bem tanto em inglês quanto em polonês com um sotaque muito bem pontuado, ou seja, foi perfeita em tudo, desde seu sofrimento até os momentos menos dolorosos. Joaquin Phoenix é um dos atores que mais tem classe para interpretar um cafetão sem ser alguém caricato demais, e por incrível que pareça tem certos momentos que sua nobreza de personalidade é tão forte que passamos até a gostar dos seus atos, mas isso se deve claro à boa atuação que fez em todas as cenas. Jeremy Renner surge em cena mais para a metade final e aparece tão bem que nos dá uma nuance gostosa e romantizada para tudo que já vinha sendo sofrido pela protagonista, e o ator mantém um carisma divertido para seu personagem, fazendo com que realmente torcêssemos para que desse certo seu relacionamento. Dos demais atores quase todos fazem pequenas pontas e não valem muita atenção, tirando a robustez de Ilia Volok como o tio mal-encarado da protagonista e alguns momentos de Dagmara Dominczyk ao ser mais enfático com seu ciúmes da protagonista com o cafetão.

Como disse, um dos pontos mais fortes da trama ficou a cargo do visual, que retratou Nova York nos anos 20 de uma forma esplêndida que com tantos elementos cênicos brotando de todos os lados acaba impressionando com o trabalho minucioso tanto de pesquisa como de elaboração que a direção de arte fez. Somos presenteados com cenários que se encaixam lindamente a cada ato, melhorando consideravelmente a cada plano mostrado para realçar mais ainda tudo ao redor, sem se preocupar com nada, sempre tendo planos abertíssimos ao contrário do que muitos fariam dando closes para não mostrar que esqueceram de algo em cena, ou seja, perfeito nesse quesito. A fotografia abusou muito do tom avermelhado para realçar a iluminação da época e com isso mesmo a personagem principal sendo bem pálida, acabou ganhando uma coloração mais vívida e ficou até mais interessante, mas nos momentos mais sofridos dela e principalmente nas ruas, o tom sépia volta a aparecer para deixar o clima antigo e mostrar que a jovem está passando muito perrengue.

Enfim, é um filme que vale mais a pena ver do que ficar falando muito, e recomendo ele com toda certeza para quem gosta de um bom filme artístico, e quem for de Ribeirão Preto conhecendo as cadeias de cinema daqui recomendo correr, pois deve ficar bem pouco tempo na cidade. Talvez minha única reclamação seja em relação ao ritmo do filme que é um pouco cansativo, mas esse estilo de filme pede um andamento mais cadenciado, então nem chega a ser um defeito. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda falta 1 filme da semana para conferir, além das demais pré-estreias que irei ter nessa semana que foi bem satisfatória tanto em quantidade como em qualidade das produções. Então abraços e até breve!


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Winter, o Golfinho 2

sábado, setembro 13, 2014 |

Todo mundo alguma vez, nem que seja por alguns minutos, já assistiu aqueles vídeos motivacionais que com uma trilha sonora forte e imagens comoventes acaba fazendo você derramar ao menos uma lágrima, quiçá lavar todo o ambiente. E com essa premissa de dar lições morais e comover o espectador, "Winter, o Golfinho 2" segura a atenção da mesma forma que o original de 2011 e como os protagonistas cresceram deram uma diminuída nas infantilidades, mas sem tirar o caráter didático da trama, e isso fez com que alguns pequeninos não ficassem tão entusiasmados com o que estavam vendo na telona.

O filme nos mostra que alguns anos se passaram desde que o jovem Sawyer Nelson e a equipe do Clearwater Marine Hospital, comandada por Dr. Clay Haskett resgataram o golfinho Winter com a ajuda do doutor Cameron McCarthy. Agora, a luta é para que Winter não seja transferida para outro aquário devido a morte de sua mãe adotiva. De acordo com os regulamentos do USDA, o golfinho não pode ficar só no tanque porque seu comportamento social precisa que tenham companhia de outros golfinhos.

O interessante da história ser bem embasada em fatos reais, pois ao final mostra todos os eventos reais do filme que foram reproduzidos praticamente com fidelidade absoluta na trama, ficamos felizes por não estarmos lavando o cinema com algo apenas vindo de ideias mirabolantes, mas sim uma causa que vale a pena ser trabalhada, que é a proteção/tratamento de animais machucados. Claro que mesmo tendo um cunho ecológico, o filme trabalhou nesse novo filme mais com as situações de investimentos em parques e a tentativa de explicar porque os golfinhos não podem ficar sozinhos sem outro da sua espécie. O diretor e roteirista Charles Martin Smith optou por não fazer nenhum outro filme no meio do caminho, e isso mostra que aderiu mesmo a causa dos golfinhos, e caso de bilheteria, tenho quase certeza que voltará com as versões 3(o protagonista viajando para onde é mostrado nesse filme) e 4(sua volta triunfal para assumir o instituto). Em hipótese alguma acho isso ruim, pois gostei tanto do primeiro quanto do segundo, mas vai necessitar trabalhar melhor o roteiro senão daqui a pouco vai virar algo mais documental explicativo que um drama mesmo.

No quesito atuação, assim como no primeiro filme, não terei como avaliar suas entonações dos diálogos, afinal por imaginarem o público alvo como crianças, só mandaram cópia dubladas para cá, então vou falar basicamente dos seus engajamentos com os papéis e suas situações. Nathan Gamble conseguiu convencer bem como um jovem promissor que após ter salvo Winter no primeiro filme, aqui se mostra bem forte com suas obrigações, mas com a tradicional dúvida existencial do que fazer na vida quando acontece o momento de abandonar tudo que conhece para algo novo, aparentemente ele está bem nesse papel, mas como também não fez nada após o filme anterior não podemos dizer que virá a decolar na carreira. Cozi Zuehlsdorff brincou em algumas séries entre um filme e outro, mas ainda é a mesma garotinha irritante e mimada do primeiro filme, aqui adquiri algumas responsabilidades, mas tem certos momentos que temos vontade de esmurrar sua atuação gritante, ou será que é apenas a dubladora? Harry Connick Jr. nos trouxe exatamente a mesma atuação do filme anterior, sem mudar em nada suas atitudes e postura, e com isso já podemos falar que ele incorporou o personagem e se vier mais filmes não tem como não ser seu o papel do Dr. Clay. Agora se Morgan Freeman fez uma pontinha satisfatória no primeiro filme, aqui ele aparece mais vezes, mas com piadas piores ainda, gosto muito do ator, mas não dá para falar que ficou bem aqui, tirando o momento conselho do ano que pra variar ficou sob sua responsabilidade. Tivemos aqui a participação de Bethany Hamilton, a surfista que perdeu o braço realmente por um tubarão, e claro que usada como promoção de si própria, foi encaixada 2 vezes na trama para representar superação juntamente com os golfinhos da trama. E claro vamos dar destaque aos dois protagonistas reais que são excelentes: Winter e Hope detonaram tanto no quesito sentimental que demonstraram para as câmeras quanto na interpretação mesmo, de forma que já quero um Oscar para cada um dos dois golfinhos!

Visualmente o longa não nos apresenta muita coisa nova, apenas mostrando que o instituto que não era tão grandioso assim em 2011 agora já é um lugar bem mais apresentável, cheio de equipamentos e tudo mais, e com isso esse quesito não podemos dizer que foi algo tão elaborado, claro que temos toda uma cenografia montada para retratar cada cena da melhor forma possível para igualar as cenas reais, mas não é algo tão valioso de ver. A fotografia trabalhou bem com os filtros aquáticos para dar uma imagem mais límpida, que onde tiver cópias 3D deve ser bem bonito de ver, aqui como veio apenas a tradicional só conseguimos observar que teria mais profundidade em algumas cenas, ou seja, nada que faça obrigatório ver com a tecnologia.

Agora o grande mérito de fazer o público ir as lágrimas juntamente com a história bonita é a trilha sonora que teve Rachel Portman como responsável. Essa nobre compositora de 54 anos é a pessoa chave se você quer seu filme seja usado para lavar as salas de cinema, e aqui ela pontuou cada ato tão bem que é difícil segurar, de forma que o ponto mais forte na minha opinião foi a soltura de Mendy que ficou algo lindo demais para explicar só vendo e ouvindo.

Enfim, como disse o longa trabalhou bem a dramaticidade mais nas canções, deixando de lado uma trama mais densa para que tivéssemos algo quase documental no que diz respeito ao roteiro. O filme agrada, é muito bonito, sentimental e nos deixa até com vontade de ajudar os golfinhos, mas é uma pena a não definição exata da idade que o diretor quis de público, pois tenta ser um filme bem familiar, mas os mais novos vão levar apenas os conceitos morais, isso se não ficarem reclamando a todo momento se falta muito para acabar o filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas amanhã volto com mais posts dos filmes que estrearam por aqui, então abraços e até breve.

PS: É um filme que mereceria até uma nota maior, mas como as piadas ficaram infantilizadas demais por conta da dublagem fraca, reduzi um pouco a nota.


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3 Dias Para Matar

sábado, setembro 13, 2014 |

Sei que muitos amigos preferem aqueles filmes que fazem sua cabeça explodir de tanto pensar, também gosto deles, mas confesso que após uma semana estressante de trabalho não tem nada melhor do que ver um filme que você praticamente sabe de tudo que pode acontecer e não irá gastar um neurônio sequer para se divertir com o que verá. E dessa forma, mesmo vendo que as atuações são praticamente uma compilação de clichês, mas que foram bem usadas contendo uma beldade bem vestida, muitos tiros, uma perseguição bacana onde até um jovenzinho vibra no ônibus e boas situações cômicas, "3 Dias Para Matar" acaba sendo aquele estilo de filme que com toda certeza se você ver que vai passar em algum horário na televisão vai acabar revendo para relaxar com tudo que ele pode lhe proporcionar.

O filme nos mostra que Ethan Renner é um perigoso espião internacional que está próximo de finalmente se aposentar devido a uma doença terminal. Com o pouco tempo que lhe resta, ele tenta se reaproximar da ex-mulher e da filha, as únicas pessoas que nunca deixou de amar. Com receio de não ter tempo suficiente para encontrá-las, Ethan descobre a existência de uma droga que pode salvá-lo, mas para tê-la ele deve aceitar um último trabalho.

Como disse no começo, a história é bem simples e está longe dos complexos roteiros que Luc Benson costuma inventar moda, pois aqui o que nos é entregue na sinopse, é praticamente a mesma coisa que nos será mostrado em toda duração do filme. Mas longe de ser algo ruim por isso, o diretot McG conseguiu montar mais um filme totalmente no seu estilo, mantendo o tino policial que existia por trás da história e ainda colocando situações cômicas gostosas de ver que é sua característica marcante, como já vimos em "Guerra é Guerra" e os dois "As Panteras". Por saber trabalhar bem com a câmera em ação, o diretor abusou de cenas nas ruas de Paris e também por cenários com grandes corredores, para que tudo tivesse movimento e excelentes perseguições, dando um ar totalmente renovado para o protagonista, que se lembrarmos o tanto de filmes que já o vimos protagonizando vamos ver que estamos velhos também, então é melhor apenas achar que ele está velho, mas que assim como nós ainda faz bem seu trabalho.

Já que vamos falar da velhice de Kevin Costner, fazia tempo que não lhe davam um papel de protagonista, e aqui ficou evidente que tentou mostrar com muita força que ainda tem gás para receber tal responsabilidade com categoria, pois foi envolvente quando precisou, soube emocionar ao trabalhar com a família que invadiu seu apartamento e sem perder o tino cômico junto das cenas de tortura, conseguiu trabalhar de uma forma coerente que sempre fez dele um bom ator, claro que já teve momentos de glória no passado, mas ainda pode fazer muito por Hollywood. Sinceramente, não dá para falar mal jamais de Amber Heard, ela pode aparecer em cena falando oi apenas que o filme já vai valer muito, e aqui colocaram figurinos matadores para qualquer homem sair babando da sala do cinema, e claro também que ela não é fraca de expressões e marcou suas cenas com impacto característico. Gente, só passou 4 anos desde "Bravura Indômita" e a garotinha que tanto elogiamos lá já está enorme, e Hailee Steinfeld ainda conta com a mesma desenvoltura para ser sagaz nos seus diálogos, mas já anda abusando demais de caras e bocas para incorporar sua expressão, então precisa maneirar com isso senão logo mais ninguém vai querer ela em papéis mais fortes. Os vilões Tómas Lemarquis e Richard Samel foram bem dinâmicos e fizeram até algumas maldades interessantes, mas precisariam melhorar muito no nível de força expressiva para ficarem marcados dentre os vilões mais fodas do cinema. Em compensação, seus comparsas Marc Andréoni e Bruno Ricci que foram torturados pelo protagonista esbanjaram comicidade nas suas cenas, nos divertindo bastante com o que passaram. E se temos de destacar mais alguém, vale para Eriq Ebouaney que conseguiu emocionar na cena de nascimento e trabalhou bem em todas as demais cenas que apareceu.

As locações foram bem escolhidas para trabalhar tanto a vida noturna agitada de Paris quanto suas belezas costumeiras que estamos acostumados a ver em diversos filmes e aqui se encaixam da mesma forma usual. Claro que isso aumenta a quantidade de clichês do filme, mas é notável que o diretor sabe o que está fazendo, pois como disse no começo do texto, o longa não é algo para ficar pensando e sim apenas curtir mais um filme que veremos uma tonelada de vezes passando na TV aberta, e para isso, a cada ato temos mais e mais elementos cênicos que aparecem apenas por aparecer, não sendo nada marcante que vai ser usado depois para algo importante, claro que tirando a droga que o protagonista está tomando e retoma mais ao fim de forma engraçada até com o bilhete que vem anexado, mas a direção de arte se preocupou em colocar tudo para vibrar na mesma onda do diretor e com isso acertou a mão. A fotografia ficou um pouco perdida na quantidade de filtros de cores que usou, pois como temos muitas cenas em boates, as transições de cada momento ficaram bem embaralhadas visualmente, não deixando claro o que o diretor queria passar se era angústia ou ação na cena, e os efeitos colaterais da droga tentando passar uma sensação vertiginosa para o espectador também não casou muito bem com efeito usado.

Enfim, é um filme perfeito? Bem longe disso, como citei acima temos defeitos até demais, mas quem estiver cansado de uma semana cheia de problemas e não estiver com a cabeça limpa para ver as outras estreias que necessitam pensar e refletir mais sobre o que tentam nos passar, essa é a escolha certa para uma diversão agradável e sem muitos pudores. Claro que você verá na internet diversas críticas falando que é um filme que não vale a pena nem sair de casa para vê-lo, mas como vivo escutando "gosto cada um tem o seu", e o Coelho aqui até que gostou bastante do que viu aqui. Lógico que não darei uma nota gigantesca para o longa, afinal na nota necessitamos pontuar os erros, mas como tenho muitos amigos professores, pensem naquelas provas que o aluno te divertiu ao máximo com o que escreveu, mas você precisa dar um zero para ele, e assim fiquem com minha nota. Ainda volto muitas vezes nessa semana, então abraços e até breve pessoal.


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Rio, Eu Te Amo

sexta-feira, setembro 12, 2014 |

É interessante quando um projeto cinematográfico tem como força não a quantidade de atores, mas sim a quantidade de diretores renomados por trás da produção, e com o agrupamento de curtas "Rio, Eu Te Amo" o que temos aqui apresentado é um ambiente bem trabalhado por cada um dos 10 diretores individualmente para realçar um bairro ou algum tipo de cultura de uma região da Cidade Maravilhosa, mas que na compilação do trabalho por um décimo primeiro acabou transformando tudo num único trabalho que simboliza tanto o que o projeto faz questão que é o amor. Claro que para mostrar as diferentes formas de amar tivemos alguns trechos meio fora da realidade que por alguns minutos ficamos durante a exibição pensando, mas por que raios foi feito isso, mas se levarmos em consideração o motivo principal da trama, acabamos vendo que até foi satisfatório ter aquilo.

O projeto "Cities of Love" já está na sua terceira edição e após passar por Paris e Nova York, chega agora ao Rio de Janeiro, e como dessa vez temos 10 filmes individuais, vou fazer uma breve análise de cada um, pois senão o texto ficará imenso, e ao final fecharei com a análise do último diretor que fez um excelente trabalho na junção de todos.


Dona Fulana, por Andrucha Waddington 

No curta Leandro acreditava que sua avó, que conheceu quando criança, estava morta, até encontrá-la um dia na rua. Dona Fulana mora na rua, e de lá não quer sair. Mesmo com os apelos do neto, ela se recusa a voltar para casa, e ainda o leva numa experiência inesquecível pelo Rio de Janeiro.

A característica marcante dos filmes que Andrucha dirige é botar seus protagonistas quase que em um pedestal para que o personagem tenha uma vida maravilhosa, e aqui botou Fernanda Montenegro, mesmo sendo uma andarilha, como um exemplo a ser seguido com conselhos e citações que só ela como grande atriz nacional conseguiria fazer, e melhor ainda conseguiu transformar o abobado Eduardo Sterblitch num ator bem trabalhado com nuances bem encaixadas e até expressões dignas de contracenar com Fernanda.

Sem dúvida é um dos três melhores curtas tanto na experiência visual como na história contada e atuada.

Nota individual: 9

La Fortuna, por Paolo Sorrentino

A história aqui nos mostra que uma ex-modelo e seu marido vêm para o Rio de Janeiro passar férias em uma linda casa de praia. Mas ele está cansado da atitude controladora da mulher, e decide pôr um fim nessa situação.

O diretor italiano ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro desse ano nos colocou um filme estranho aqui, que começa de forma íntegra, se mostra totalmente abusado e termina na maior obscuridade possível. Os atores Emily Mortimer e Basil Hoffman foram até bem dirigidos, mas não conseguem nos deixar dentro de sintonia com a situação colocada, talvez se tivessem escancarado mais como um thriller noir como foi planejado sairia mais satisfatório.

Nota individual: 5

A Musa, por Fernando Meirelles e Cesar Charlone

Aqui nos é mostrado que o escultor Zé reproduz nas areias de Copacabana obras mundialmente conhecidas, até o dia em que vê passar uma linda jovem no calçadão. Sonhando com sua nova musa, ela o inspira a criar uma escultura original.

Ainda quero descobrir de onde vem as inspirações sensoriais que Fernando Meirelles trabalha, pois em toda obra sua, algum dos nossos sentidos são tão aguçados que acabamos viajando com seus filmes, aqui os sons fortes de marcação de cada estilo que passa pelo calçadão vai nos envolvendo e encaixa completamente com as criações do escultor vivido por um tipo nada abrasileirado de Vincent Cassel, que felizmente por não dizer uma palavra que seja, apenas trabalhar a expressão acaba nos envolvendo.

É um dos curtas que mais envolve a questão estética ao invés da forma dialogal, e mesmo assim consegue conversar conosco, talvez se não tivesse abusado tanto do calçadão para mostrar os diversos tipos que passam por ali agradasse mais.

Nota individual: 7

Acho que Estou Apaixonado, por Stephan Elliott

O filme nos mostra que Jay está no Brasil para divulgar seu novo filme no Festival do Rio. Após o evento, ele não vê a hora de voltar para o hotel e descansar, mas seu motorista não para de puxar conversa. Quando Jay se depara com o Pão de Açúcar, fica deslumbrado e é atraído até o ponto turístico.

Este é um curta que envolve três momentos bem distintos, no primeiro ato o diretor que já fez grandes clássicos nos coloca com um personagem totalmente arrogante que tenta passar ao mesmo tempo o desdém que os atores tem com o amor de suas fãs e o seu jeito de não amar, nem respeitar ninguém com a atuação densa de Ryan Kwanten e com a chatice que muitos motoristas de táxi conseguem fazer com Marcelo Serrado fazendo bem seu papel. Num segundo momento temos o absurdo máximo da escalada no Pão de Açúcar com o que encontram no topo dele, que fica pior ainda ao vermos como foi creditado o personagem de Bebel Gilberto. E para finalizar, em uma das últimas cenas do filme temos o improvável mais provável vindo do diretor australiano que faz a cena mais improvável ainda depois de tudo que aconteceu na sacada do prédio do taxista.

Acho que nem com muita droga na cabeça sairia algo normal desse pedaço, mas por trabalhar bem com as câmeras até tem seu valor.

Nota individual: 6

Quando Não Há Mais Amor, por John Turturro

A trama aqui tenta nos envolver num quase musical onde um casal viaja até a ilha de Paquetá, mas percebe que, na verdade, seu casamento está chegando ao fim. Então, eles aproveitam a ocasião para fazer uma bela despedida.

Para quem não conhece o diretor, podemos dizer como sendo um dos amigos-aprendizes de Woody Allen que mais tem feito coisas malucas por aí, e algumas até bem encaixadas. Aqui contou com uma fotografia tão puxada para o alaranjado quase rosa que praticamente destoou por completo do restante dos curtas, e com certeza deu um trabalho imenso para o diretor final. E como sempre sendo o protagonista de seus filmes foi bem fácil mostrar o fim de um casamento, pois a química entre ele e Vanessa Paradis não combinou, mas a forma gostosa que a atriz fechou cantando coube bem na trama.

Um dos curtas mais recheados de elementos cênicos, onde a equipe de arte trabalhou bem em desenvolver uma casa quase campal com muitos adornos para demonstrar o que o diretor queria.

Nota Individual: 7

Texas, por Guillermo Arriaga

No curta mais duro da compilação nos é mostrado que após um acidente de carro, Texas, um ex-lutador de boxe, perde um braço e sua esposa não consegue mais andar. Movido pelo sentimento de culpa, ele está disposto a fazer de tudo para arrecadar o dinheiro necessário para a cirurgia que pode curar sua mulher. Com isso, acaba se envolvendo em uma rede lutas clandestinas no Rio de Janeiro.

Aqui o diretor e roteirista mexicano que gosta de chocar trabalha uma situação forte que fica mais forte num segundo momento e culmina em algo tão duro de ver que só a imagem da protagonista como é mostrado não é necessário mostrar nada para nos comover, e olha que o gesto de Laura Neiva foi tão bem feito pode ter dois significados. As atuações de Marcio Rosario e Jason Isaacs são bem pontuadas, mas poderiam ser mais fortes e dramatizadas.

Embora não seja tão bem atuado também é um dos melhores curtas do filme.

Nota individual: 8

O Vampiro do Rio, por Im Sang-Soo

O curta mais non-sense possível nos mostra que Fernando é um garçom de meia-idade que trabalha num movimentado restaurante turístico. Ele mora no Vidigal, guarda um grande segredo e é apaixonado por Isabel, sua vizinha. Ela é uma mulher bonita e batalhadora, que trabalha como prostituta para sustentar a filha.

Aqui temos o diretor mais desconhecido do filme todo, e o coreano acho que tomou tanto sol na cabeça no Brasil que fez algo que já estava estranho nas primeiras cenas, mas que só foi ficando pior a cada ato, culminando num carnaval que nem em sonho alguém imaginou isso. Nunca fui fã dos trabalhos de Tonico Pereira e aqui conseguiu entrar pro hall dos seus piores trabalhos.

Sinceramente não era um curta necessário na trama, mas quiseram mostrar amores do além e foi dessa forma que conseguiram, e a equipe de maquiagem poderia ao menos ter feito próteses dentárias mais bem convincentes.

Nota individual: 3

Pas de Deux, por Carlos Saldanha

No curta mais simbólico da trama nos é apresentado um casal de bailarinos está ensaiando um novo espetáculo, quando ele recebe um convite para se apresentar no exterior. O jovem hesita em aceitar a proposta com medo de prejudicar seu relacionamento com a parceira. Faltando poucos minutos para entrar no palco, a discussão se agrava, mas o show tem que continuar.

O diretor que é conhecido por seus desenhos animados não poderia deixar que atores sobressaíssem no que ele mais conhece, e não bastando a boa interação verborrágica e com uma química bem quente entre Rodrigo Santoro e Bruna Linzmeyer, ele nos premiou com um visual de sombras dos dois(ou no caso dançarinos-dublês para dar um ar de dança melhor que os atores) acompanhado de imagens desenhadas que deram um visual incrível no telão do teatro.

É também um dos mais bonitos pela forma que é passado, mas Santoro pareceu tão exageradamente sério que nem parecia estar curtindo fazer um filme em seu país.

Nota individual: 8

O Milagre, por Nadine Labaki

O mais singelo e bonito curta da trama nos mostra que durante uma filmagem no Rio, um casal de atores famosos conhecem um menino que acredita receber telefonemas de Jesus. No início, eles o encaram com desconfiança, mas depois percebem que o "Jesus" com quem ele fala não é quem o menino está pensando.

Aqui a diretora e atriz libanesa conseguiu trabalhar bem tanto atuando quanto dirigindo e escrevendo quase que um conto natalino maravilhosamente produzido numa estação de trem, e conduziu com beleza técnica de um tom puxado para o marrom a inocência da excelente atuação de Cauã Antunes e Harvey Keitel, que em uma das transições é até sacaneado pela quantidade de filmes que já atuou.

O curtinha tem técnica, tem produção, tem direção de arte, tem fotografia impecável e atuação singela, ou seja, é o melhor de todos sem dúvida alguma.

Nota individual: 10

Inútil Paisagem, por José Padilha 

No curta mais aborrecido nos é mostrado como um instrutor de asa-delta analisa sua relação com as pessoas e a cidade durante um voo na Pedra Bonita.

Bom, que Padilha é um rebelde isso todos sabemos, e aqui usa seu queridinho Wagner Moura para demonstrar o "amor" que a maioria dos brasileiros tem pelo seu país quando tudo dá errado e deseja dar um basta, Creio que foi a parte que mais foi cortada, pois tivemos mais as ideologias passadas e a atuação forte de Wagner que um filme em si, mas conseguiu passar bem sua mensagem e nos fazer rir com seu diálogo com o Cristo Redentor.

Por ser o filme que mais usou de computação gráfica nas cenas de voo, ficou artificial demais e com isso tivemos muitos problemas técnicos.

Nota individual: 6


E para finalizar temos de falar das transições que foram usadas para montar o longa como um filme praticamente único, já que não temos paradas para cada curta, sendo tudo passado em sequência, tendo no máximo um fade-out(tela escurecendo) na mudança dos mais drásticos. E esse trabalho foi feito brilhantemente pelo diretor Vicente Amorim que utilizou atores dos diversos curtas se misturando e trombando em cenas bem colocadas, além claro de ter seu elenco próprio que protagonizado por Cláudia Abreu que mostrou uma desenvoltura total com o inglês e dinamizou bem suas cenas para dar engates lógicos e coerentes.

Ou seja, Vicente foi o responsável por transformar várias ingredientes numa torta saborosa e gostosa de apreciar, que foi na minha opinião o resultado do longa. Pretendo ver os outros dois filmes do projeto para saber se o nosso foi melhor ou pior que eles, mas uma coisa que ficou evidente na trama, foi não forçar a barra para o que temos de ruim, ou seja, temos aqui um exemplo de mais um longa comercial feito para vender que o país é lindo e tudo mais. 

Enfim, quem estiver preocupado em ver algo sem uma unidade pode ir tranquilo assistir ao longa que irá ver praticamente um filme só cheio de histórias bem contadas, mas que com alguns derrapares no meio do caminho, quase desandou. No geral agrada bastante e nos dá algo satisfatório que como estamos acostumados com novelas que acontecem coisas bem separadas para tudo se ligar no fim, nem iremos ter do que reclamar. Bem é isso pessoal, recomendo ele com esses detalhes para quem não for tão acostumado com esse estilo, e fico por aqui agora, mas como disse todo dia nessa semana teremos algo para comentar aqui, então abraços e até amanhã.

PS A nota geral não poderia ser outra senão a média de todos ( 9+5+7+6+7+8+3+8+10+6)/10=6,9 que com o bom trabalho de junção vamos arredondar para cima.


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O Doador de Memórias

quinta-feira, setembro 11, 2014 |

Existem alguns filmes que vamos preparados para o conteúdo que seremos apresentados, mas alguns trabalham tão bem o trailer de forma a não dar pistas para que o espectador acabe sentindo realmente tudo que precisa durante a exibição mesmo. E com o trailer de "O Doador de Memórias" que já vinha sendo mostrado em diversas outras sessões, com toda sinceridade, não podia imaginar nem no mais íntimo pensamento que o filme conseguiria ter mensagens tão fortes e impactantes quanto deliciosas e bem colocadas para o momento em que estamos vivendo, e com isso saímos da sessão abismados com o conteúdo artístico e intelectual que ele nos passa, e melhor sem perder o tino comercial perfeito que o filme ainda possui, ou seja, é daqueles filmes que somos comprados pela embalagem lotada de nomes da moda e figurões carimbados, e ao abrirmos somos presenteados com algo que mais do que precisávamos ter, mas que nos faz sair renovados da sessão.

O filme nos mostra que uma pequena comunidade vive em um mundo aparentemente ideal, sem doenças nem guerras, mas também sem sentimentos. Uma pessoa é encarregada a armazenar estas memórias, de forma a poupar os demais habitantes do sofrimento e também guiá-los com sua sabedoria. De tempos em tempos esta tarefa muda de mãos e agora cabe ao jovem Jonas, que precisa passar por um duro treinamento para provar que é digno da responsabilidade.

A história possui uma densidade tão grande que já fico imaginando se conseguiram passar tudo isso para o filme, o quão trabalhado deve ser o livro que deu origem a ele, pois por mais que o filme trabalhe para mostrar os prós e contras de tudo que é retirado do mundo real para o que os personagens vivem, o conteúdo religioso e emotivo das situações acaba dominando de uma forma bem interessante, e isso faz com que o filme possa ser visto de duas maneiras bem isoladas, mas que se convergem num resultado único, que é o de entretenimento apenas e o de filme feito para se pensar. E com uma sabedoria fora do comum, o diretor Phillip Noyce("Salt") trabalhou o longa para ser mais humano e ao mesmo tempo desumano com tudo que podemos imaginar para ser colocado na trama. Assim como sempre faço, não irei entrar em detalhes do que está presente no livro e foi retirado, ou vice-versa, afinal como não li ele não posso falar nada, mas analisando como obra de ficção, o filme é maravilhoso e que daria para discutir por horas tudo que é mostrado durante e principalmente com as cenas finais, mas que se falar aqui lotaria o longa de spoilers que não merecem ser ditos, mas sim trabalhados com o cunho religioso da proposta, e com isso já falei até demais. Voltando a falar sobre a direção, podemos dizer que ao trabalhar com uma vertente bem dinâmica que é característica do diretor em seus outros filmes, tivemos aqui um exemplar de como não deixar um filme que tem um cunho bem denso, não acabar monótono, pois conhecendo bem outros possíveis diretores acabariam fazendo uma obra de 2 horas extremamente cansativas, e aqui temos 97 minutos que foram muito bem aproveitados.

Quando falamos em escalar um elenco bem pontuado, podemos ver de diversas formas, gastando muito dinheiro ou não, e aqui tiveram a grande expertise em colocar figurões de classe nos papéis chave, e completar com atores em destaque no mundo teen, para que o filme tivesse apelo aos jovens também não ficando apenas voltado para o pessoal que goste de filmes pensantes somente. O protagonista Brenton Thwaites ainda não é daqueles atores que vai fazer as meninas delirarem, felizmente o filme não o fez tirar a camisa, mas mostra que sua experiência em diversas séries teen juntamente com seus últimos trabalhos com grandes atores, tem sido uma base e tanto para que o jovem não ficasse nem fazendo caras e bocas e muito menos fosse apenas uma marionete sem vida nas telas, dando personalidade para o seu papel de Jonas, e nos convencendo muito com as reações frente ao conhecimento que vai adquirindo a cada nova cena. Que Jeff Bridges é um excelente ator, isso todos sabíamos, mas aqui ao fazer o papel de Doador, adota um tipo tão cheio de conteúdo para passar que por estarmos tão acostumados com seus papéis mais jogados de maluquice e peso dramático, aqui a forma doce e ao mesmo tempo forte nos demonstra literalmente como é ser um conhecedor de tudo que deseja passar ao seu discípulo exatamente o que deve fazer na vida, perfeito. Preciso falar mesmo de Meryl Streep? Como essa senhora de 65 anos consegue fazer um papel completamente diferente do outro e nos agradar tanto? Aqui seu papel é duro, sem vida e ainda assim acabamos torcendo pra ela em alguns momentos, é incrível isso o que ela nos causa, só isso já faz valer ver qualquer filme que a contenha. Sabia que já tinha visto algum outro bom filme com Alexander Skarsgård, e incrivelmente seu papel aqui lembrou totalmente sua atuação em "Melancolia" que por estar completamente dentro de um sistema, acaba não fazendo a figura paternal, mas sendo mais áspero e dando tons duros para tudo que ocorre na trama. A linda jovem de olhos azuis Odeya Rush ainda não teve seus filmes bem aparecidos por aqui, mas mostrou que conseguiu trabalhar muito o contato visual com o protagonista, de forma a criar um clima perfeito onde a química supera todas as emoções que não poderiam ser sentidas no ambiente, ou seja, agrada bastante sua atuação, e quem sabe agora seus agentes arrumem bons papéis para que desponte. Katie Holmes está tão dura no personagem da mãe do protagonista que nem parece a atriz maleável que conhecemos de outros filmes, mas nas suas poucas cenas consegue passar tudo que o papel pedia e mais ainda com uma postura bem firme. Agora a venda total do filme para um grande número de fãs da cantora Taylor Swift é quase uma piada, pois a jovem aparece em duas cenas praticamente irreconhecível, de modo que somente ao subir os créditos ficamos sabendo qual foi seu papel, e para quem não a reconhecer assim como eu, ela é a filha do Doador, e faz bem seus míseros momentos. Já falei de muitos atores e apenas para fechar o bloco, vale destacar para quem estiver com dúvidas, sim são bebês reais em todas as cenas, e os gêmeos Alexander e James Jillings viveram as cenas mais duras quando o bebê Gabriel já está com seus 12 meses, e onde vemos as cenas mais improváveis que muitos irão reclamar de ver um bebê na neve, na água, etc., mas nem tudo pode ser perfeito não é mesmo?

O filme foi montado com tantos elementos cênicos bem pautados que impressiona por sua riqueza conceitual não ter transformado o longa numa obra caríssima, já que com 25 milhões pagou um elenco com bons nomes e ainda montou algo bem bacana cenograficamente, claro que com um mérito muito grandioso para o acervo de imagens em altíssima definição que são usadas para as lembranças, e que em momento algum nos desapontam, mas a forma que foi desenhada a cidade, e todos os interiores das casas aonde se passa o filme é de um primor técnico impressionante. Claro que temos muitas cenas digitais, e em alguns momentos são forçados demais o efeito que acaba soando até feio o erro técnico, mas isso é um problema que o cinema digital ainda vai nos pregar grandes peças. Além da cidade com sua grande parte lotada de vegetação bem interessante, um grande feito de destaque está na casa do Doador, que com um estilo retrô que só caberia ali mesmo nos agrada bastante ao mostrar tudo que um mundo já teve e pôde ser preservado. Bom quanto da fotografia, já vale ressaltar para os mais desavisados que quase metade do filme é em PRETO e BRANCO mesmo, não é erro do cinema, portanto nada de querer sair avisando os gerentes dos cinemas que está com defeito o filme, e essa maravilha que o fotógrafo fez de sombras e nuances não somente encaixou bem na trama como deu uma característica maravilhosa ao filme, pontuando somente onde deveria ter cor e ressaltando que os jovens diretores de fotografia também sabem operar bem ao pensar num filme que não terá cores, afinal independente da escolha ter sido filmado em P/B ou colorido, souberam trabalhar as sombras na medida certa para nem estourar o branco e nem ficar escuro demais, e principalmente não atrapalhar a legenda branca, ou seja, um luxo ímpar que Ross Emery nos presenteou.

A trilha sonora do longa não é algo que nos marca tanto, mas foi bem trabalhada para ajudar no ritmo e cadenciar as cenas que foram imprescindíveis de ambientação, como as que o jovem descobre o que é música, e essa marcação que as vezes nem é tão aparente coube bem na trama para valorizar cada ato e não apenas como algo jogado apenas para dar um fundo, e isso que muitas vezes não impacta é o que fica mais gostoso de acompanhar.

Enfim, ficou um texto até maior do que imaginava falar quando saí para ir à première do filme que o Cinépolis e o Shopping Iguatemi Ribeirão nos proporcionou, mas também ficou bem menor por me conter em não lotar o texto de spoilers, e que daria uma discussão de horas sobre tudo que o longa nos impacta com suas mensagens de para onde o mundo está indo com tanto preconceito, guerras e discriminações, além claro do teor religioso que quem conseguir pegar irá ter uma outra visão do filme. Com muita certeza recomendo para todos, pois mesmo tendo alguns defeitos como cenas exageradas e improváveis tais como as que acontecem nos últimos momentos por ter um bebê em cena fazendo mil estripulias e algumas técnicas visuais onde aparecem a computação gráfica, o filme ainda mantém todo o seu valor e deverá ser lembrado por muito tempo como um dos grandes desse ano. Bem é isso, esse foi apenas o começo de uma semana que terei muitos filmes para conferir e compartilhar minha opinião com vocês, então já deixo esse como sendo a primeira boa indicação para o fim de semana, e logo mais estou de volta com mais algum post, então abraços e até lá pessoal.

PS: É um filme excelente que até poderia dar 10 Coelhos, mas tirando filmes que abusos são coerentes eu relevo certas coisas, mas dessa vez a tentativa era de algo mais sério, então melhor dar um descontinho.


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O Grande Hotel Budapeste

domingo, setembro 07, 2014 |

Demorou 65 dias, mas diferente do seu anterior, ao menos apareceu o novo longa de Wes Anderson nos cinemas interioranos. E o mais bacana de "O Grande Hotel Budapeste" é que mesmo com uma história completamente maluca, afinal todos os filmes do diretor são desse nível, ele consegue amarrar os espectadores com um esplendor visual incrível colocando cada detalhe como único numa mistura imensa de bons atores em sintonia com a trama, e fazendo deles até peças vivas da cenografia que amarra todos os eixos da loucura.

O filme nos mostra que no período entre as duas guerras mundiais, o famoso concierge de um famoso hotel europeu conhece um jovem empregado e os dois se tornam melhores amigos. Entre as histórias vividas pelos dois, estão o roubo de um famoso quadro renascentista, a batalha por uma fortuna de uma família e mudanças que atingiram a Europa durante a primeira metade do século XX.

A coisa mais divertida do roteiro e por sinal do filme está nos diversos personagens irreverentes que o diretor nos apresenta a cada momento, fazendo uma verdadeira caricatura de situações que resultam numa história bem montada, mas ainda assim maluca demais para quem não estiver apto com o estilo que o diretor nos apresentar. Porém quem não gostar de coisas tão fora do comum pode achar abusivo o estilo e se perder na ideologia de uma quantidade imensa de personagens que se tentar então querer saber algo de cada um é capaz até de enlouquecer e sair da sala perdidinho com o que viu. Então se posso dar uma recomendação válida para quem for arriscar assistir é, fique de olho apenas nos dois protagonistas e esqueça tudo ao redor, pois a chance de entender a história toda é melhor. Outro fator que incomoda demais no filme é o excesso de idas e vindas no tempo para tentar explicar algo que ocorreu, então só vemos embaixo uma semana antes, ano tal, mês tal, algum tanto antes, e isso atrapalha completamente a narrativa, que poderia ter sido muito bem feito sem tantas reviravoltas na montagem, seria entendível e ainda manteria um teor mais clássico. E a escolha de janelas diferenciadas de exibição para os momentos foi uma escolha, pelo menos para quem for ver numa sala pequena como foi o meu caso, horrível, pois ao ficar o recorte quase 3x4 temos um ângulo de visão pior ainda do que poderia ser, ou seja, o filme é bom, mas daria para ser inúmeras vezes melhorado.

Uma grande sacada que o diretor teve foi escolher um elenco de peso para que seu filme tivesse uma aceitação melhor do que o costume, como se precisasse disso já com o renome que tem, e com isso o filme acaba tendo uma proporção diferenciada já que todos envolvidos são bons atores e conseguem chamar a atenção pra si quando aparecem na tela. Falar de todos aqui seria algo muito presunçoso e demoraria demais, é algo mais para um bate papo de bar, mas vale a pena frisar a boa química entre os protagonistas Ralph Fiennes e o jovem Tony Revolori que demonstraram tanto carisma como perspicácia entre os dois para cativar e chamar a responsabilidade pela maior parte dos diálogos, e mesmo sendo o primeiro longa do jovem garoto, demonstrou não tremer na base com as estrelas que teve ao menos um pequeno momento junto, e quanto a Ralph soube dominar o longa com irreverência máxima mostrando algumas facetas que não imaginava ver vindo dele, por exemplo o tino cômico. Como os demais possuem bons momentos rápidos vale também falar do que mais teve participação no filme além dos protagonistas que foi Willem Dafoe fazendo um matador que faz as maiores crueldades possíveis para buscar o protagonista e com isso mesmo sem dizer muitas palavras agradou com seu jeito rude de ser.

Agora o grandioso feito do filme claro que é no sentido visual total que Wes sempre premia quem vai assistir seus longas, o hotel é bárbaro tanto por fora quanto por dentro, a estrutura da fuga da prisão impecável e divertida, as cenas na neve totalmente perfeitas, a mansão da morta totalmente bem caracterizada e cheia de elementos cênicos, e até as cenas no trem, mesmo se passando num ambiente minúsculo foram bem elaboradas, ou seja, um deslumbre visual incrível que pode até fazer com que o espectador se perca da história e fique somente viajando no cenário, mas isso é algo totalmente comum dos filmes do diretor. Da fotografia posso dizer que foram usados tantos filtros de luz quanto o diretor quisesse, e sempre puxando para a tonalidade rosa/vermelho/roxo, que deu um tom estranho para a trama que é cômica e não seria de forma alguma apropriado esse estilo, mas como disse ele não é um diretor comum, então faz tudo diferente mesmo. O único problema da fotografia aqui nem foi do filme, mas sim da cópia que por ser em 35mm e já ter rodado meio país nesses dois meses, estava bem desgastada e algumas cenas ficaram evidentes que o excesso de ruído na gramatura não fazia parte da trama, então nem vou levar isso em consideração como sendo um filme que tivesse optado por um ar mais sujo.

Enfim, é um filme interessante de ver para quem gosta de coisas diferenciadas, mas que se não tivesse abusado de tantos recursos fora de um padrão tradicional, como citei mais pra cima, seria excelente e todos vibrariam na sessão, que por sinal estava lotada, mas que todos não expressaram nenhum sinal de felicidade, risada ou qualquer coisa do tipo para aparentar ter gostado do que viram. Recomendo ele somente para fãs do diretor saciarem sua vontade de ver um filme dele na telona do interior, já que isso é um caso raríssimo, e quem gostar de coisas bem diferentes, claro que dentro de uma narrativa comum, não passa nem perto de algo experimental, apenas não é tradicional, pois os demais vão assistir algo sem entender nada. Bem é isso pessoal, fico por aqui nessa semana cinematográfica, acredito que a próxima virá mais recheada, então abraços e até breve.


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A 100 Passos de Um Sonho

sábado, setembro 06, 2014 |

Se existe uma coisa melhor que cinema é comida, então se unir as duas coisas teremos uma combinação praticamente perfeita. Há muito tempo é possível notar que o cinema indiano vem crescendo e que seus pezinhos estão cada dia mais firmes dentro de Hollywood misturando ideologias, atores e equipes. Pois bem, agora com "A 100 Passos de Um Sonho" a mixagem foi tão multicultural que precisou dois grandes nomes por trás da produção para que não apenas víssemos um filme sobre culinária, mas conseguíssemos sentir o aroma e a vontade dos protagonistas tanto no embate de seus restaurantes como na boa condução que ele acaba criando algo até muito além das telas. Como disse no Facebook, a receita apresentada combinando culinária francesa com cinema indiano com produção de Spielberg e Oprah só poderia resultar em algo muito gostoso de apreciar, e essa é a palavra que devemos usar ao assistir o longa, pois é uma mistura imensa de sentimentos mesmo com a grande quantidade de clichês que conseguimos matar facilmente em alguns momentos de filme.

O filme nos mostra que o indiano Hassan Jadan é um jovem com um talento nato para culinária. Ao se mudarem para o sul da França, ele e sua família decidem abrir um restaurante de comida indiana, o Maison Mumbai. Mas há 100 passos de lá, está localizado um clássico restaurante francês, o Le Saule Pleureur. A chef Madame Mallory começa a protestar contra o novo estabelecimento, e logo a situação se torna uma guerra declarada.

O roteiro que é baseado no livro homônimo de Richard C. Morais foi bem montado para transmitir, mesmo que de modo subliminar, o preconceito gigantesco que os franceses têm com qualquer um que não seja francês e dessa forma alguns pontos foram trabalhados bem de leve em diversos momentos, mas quem observar bem irá pegar as cenas mais fortes. Além disso Steven Knight escreveu seu roteiro com uma linhagem mais dura do que se tivéssemos um roteirista cômico por trás do texto, e isso acabou dando um ritmo um pouco alongado para a trama, nada que atrapalhe muito, mas com mais sutilezas o filme sairia menos apimentado e mais adocicado. O diretor Lasse Hallström, que todo mundo já conhece seu estilo pelos milhares de filmes baseados nos livros de Nicholas Sparks, fez o que mais sabe fazer, que é trabalhar um romance de modo bem abafado, não exaltando ele no início para ir dando as deixas e ir rolando, isso é gostoso de ver, mas aqui não necessitava tanto desse estilo de clichê, talvez somente o amor do protagonista pelos sentimentos que a comida lhe traz já seria algo mais bonito e inteligente. Em alguns momentos ficou evidente o estilo dramalhão-cômico indiano, mas por termos apenas atores e alguns elementos da produção vindos do país, o filme acaba recaindo bem para o lado americano na maior parte do tempo. E para reforçar isso, ao invés de colocar apenas o pouco dinheiro que possuem, Oprah Winfrey e Steven Spielberg botaram a mão na massa produzindo tudo na trama, o que me deixou bem feliz com a riqueza presente na tela, já que falei algumas vezes que prefiro 1000x Spielberg produzindo do que dirigindo, e aqui não temos erros técnicos de forma alguma.

O elenco que misturou línguas, culturas e tudo mais ficou bem interessante, pois poderíamos facilmente ter apenas um filme falado em francês e hindi, mas como o inglês também domina ambos os países, e a produção é quase total americana, então temos o inglês apontando na maioria do tempo. Helen Mirren é um mito e vai ser eternizada com sua pose de rainha, e aqui a linhagem dura da dona do restaurante vestiu a numeração perfeita da atriz que teve tantos bons momentos cômicos quanto nos momentos de maior dramatização soube conduzir com a robustez perfeita para a personagem. Manish Dayal é americano de nascimento, mas com pais indianos foi a escolha certa para um personagem que valorizou tanto a cultura do país quanto soube trabalhar os trejeitos para não soar falso o ar de imigrante que deseja aprender tudo do novo país sem perder suas origens, além disso com um carisma bem doce, ele conseguiu fazer com que o público passasse a torcer rapidamente para seu sucesso, e isso deu ao filme algo gostoso de ver suas batalhas. Om Puri é um tradicional ator de filmes indianos, que com 64 anos já tem em seu currículo mais de 250 filmes, e aqui ele é o elo forte da cultura indiana trabalhando bem forte como um pai que monta seu restaurante com toda a família dando seu máximo, suas cenas de briga com Mirren é o ponto forte da diversão da trama e apesar do clichê máximo de brigas/relacionamento, sua atuação agrada bastante também pela espiritualidade característica do país. Charlotte Le Bon faz boas cenas junto do protagonista com sua Margueritte, mas sem ter uma química forte que valesse a pena ter sido colocada na trama, valeria mais apenas a colaboração e a amizade do que um relacionamento em si, pois nas cenas de ciúmes, como disse no início o preconceito francês aparentava surtir forte. Dos demais atores nem temos muito o que destacar, apenas as caras e bocas de Clément Sibony com seu Jean-Pierre e ficou uma curiosidade estranha em relação as crianças da trama, se não puderam estar presentes em todas as gravações, pois um erro evidentemente apareceu de que numa cena elas estavam enquadradas, e em outras simplesmente evaporavam da história, aparecendo logo em seguida numa nova cena.

Um ponto altíssimo da trama está na cenografia usada, que mais do que cores e objetos trabalhou todos os sentidos dos espectadores, pois mesmo os cinemas não soltando cheiros nem sabores e muito menos dando para tocarmos as comidas feitas na tela, como tudo era feito com minúcias bem mostradas, acabávamos tendo essas sensações com tudo que era mostrado, ou seja, um primor da produção em criar os mais belos e interessantes pratos de culinária para realçar mais que um filme apenas para ver, mas algo para degustar. Além disso a locação escolhida foi muito bem encaixada no longa, pois um vilarejo bem pequeno com dois restaurantes em casarões, um de frente para o outro ficou muito bacana de ver na tela, e junto deles diversos elementos para realçar as culturas ficou bem agradável e interessante de ver. A fotografia do filme trabalhou bem com cores vivas para dar amplitude nos sentidos com as comidas e nos momentos mais densos ou de chuva, usou de filtros puxados para o cinza para dar uma nuance mais fechada, e isso ficou interessante de ver também na tela.

Enfim, é um filme bem gostoso de ver que mesmo quem não curte tanto comédias dramáticas vai sair contente com o que verá, pois o filme trabalha bem as ações dos personagens e não tanto suas vidas como costuma ser esse estilo. Mesmo contando com uma trilha sonora envolvente com músicas características das três culturas, faltou um pouco de ritmo para que o filme não aparentasse ser maior do que é, ou seja com 2 horas de duração o filme aparenta umas 3 quase. Ou seja, recomendo ele com certeza para quem está cansado de tanta ação que anda aparecendo nos cinemas tradicionais, mas vá assistir sabendo que nesse gênero o que não falta é clichês, então pode ser que alguns lhe incomode. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas hoje ainda irei conferir um bem atrasado que resolveu aparecer pelo interior e dizem ser excelente, veremos e mais tarde, ou amanhã cedo falo o que achei dele. Então abraços e até breve.


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