A Grande Jogada (Molly's Game)

2/24/2018 01:37:00 PM |

Acho bem interessante quando aprendemos algo sobre as leis americanas nos filmes, por exemplo dizer qual parte é ilegal numa jogatina, a qual você não pode ter lucro sobre os jogos, mas pode organizar (e claro receber gorjetas dos jogadores), mas bem mais do que isso a grande cartada do filme "A Grande Jogada" é a de desenvolver uma trama cheia de artimanhas, aonde ao mostrar as diversas jogatinas que a protagonista desenvolveu, misturando sua argumentação para seu julgamento junto de seu advogado, colocando sua desenvoltura familiar e esportiva quando mais nova, num mix tão desordenado de acontecimentos, que se não fosse por uma atriz tão competente o roteiro e a direção do premiadíssimo Aaron Sorkin acabaria desgovernada e fadada ao esquecimento. Não digo que seja um filme ruim, muito pelo contrário, mas a bagunça é tamanha na edição que o filme acaba desconexo em certos momentos e termina de uma forma digamos boba para tudo o que foi apresentado. Claro que pela dinâmica desenfreada apresentada, o longa que possui grandes pitadas dramáticas acaba virando uma ação cheia de adrenalina, e com isso nos divertimos muito com as grandes jogadas de pôquer contadas e mostradas, num ritmo bem forte e também acabamos nos preocupando com a protagonista que acaba nos cativando, mas a falta de uma linearidade mais plana, e um final mais convincente acabou transformando algo que poderia ser inesquecível em mais um longa baseado em fatos reais, que de tão absurdo acaba agradando naquele momento em que estamos assistindo e só, como já tivemos tantos outros.

A sinopse nos mostra que após perder a chance de participar dos Jogos Olímpicos devido a uma fatalidade que resultou em um grave acidente, a esquiadora Molly Bloom decide tirar um ano de folga dos estudos e ir trabalhar como garçonete em Los Angeles. Lá conhece Dean Keith, um produtor de cinema que decide contratá-la como assistente. Logo Molly passa a coordenar jogos de cartas clandestinos, organizados por Dean, que conta com clientes muito ricos e famosos. Fascinada com o ambiente e a possibilidade de enriquecer facilmente, Molly começa a prestar atenção a todos os detalhes para que ela própria possa organizar jogos do tipo.

Como bem sabemos Aaron Sorkin é famoso pelos ótimos roteiros que escreve (tanto que esse também está indicado à melhor Roteiro Adaptado ao Oscar) e um dos seus grandes roteiros é "A Rede Social", aonde levou diversos prêmios, e aqui em sua primeira direção ele pediu ajuda para claro o diretor de que lhe fez ganhar o prêmio, David Fincher, o que fez com que esse filme ficasse a versão pôquer do longa sobre o Facebook, com muita dinâmica, mas que poderia ser melhor desenvolvido se caísse realmente nas mãos de um diretor de renome, e não num marinheiro de primeira viagem. Não digo que o trabalho que Sorkin fez foi algo ruim, mas ele exagerou em idas e vindas para mostrar a infância problemática da protagonista com o pai (que na penúltima cena é até melhor detalhado numa versão rápida de um divã), e também por ser baseado no livro da protagonista, toda hora ela narrando/contando algo acabou soando chato demais, porém felizmente não ficou cansativo. Dito isso, temos de pontuar que as ótimas cenas de jogo, e principalmente os bons momentos da infância que mostraram sua competitividade no esqui, embora a família fosse bem complicada para ela, ou seja, um filme dramático com um arco bem forte.

Agora sem dúvida alguma o grande nome do filme é Jéssica Chastain que trabalhou olhares, colocou dinâmicas expressivas e criou algo tão forte para a personalidade de Molly que não só foi uma ótima escolha, como foi um acerto, pois pelo que é falado nos bastidos a verdadeira Molly Bloom que pediu que fosse ela a protagonista, e certamente com outra atriz o resultado seria bem diferente, ou seja, uma escolha que mudou completamente a trama, e isso só poucas atrizes conseguem. Idris Elba é um ator bem forte em suas interpretações, e ultimamente que andamos conhecendo mais seu lado dramático ao invés de performático, ele tem agradado bastante chamando a responsabilidade e fazendo caras e bocas que impactam logo de cara e convencem do que ele está fazendo, e sendo assim o advogado Charlie acaba sendo uma grata colocação na trama. Sabemos que Kevin Costner não é mais aquele ator impactante de antigamente, mas aqui seu Larry Bloom foi um pai digamos bem colocado, que por ser psicólogo trabalhou bem o espírito e criou cenas dialogadas bem fortes, claro que ele aparece sempre em momentos mais dramatizados, mas seus atos justificaram bem os impactos da trama, mesmo que sua cena final com uma sessão de três anos em três minutos tenha sido exagerada demais. Dentre os demais, a maioria se sobressai pelos diálogos de jogo, filosofias de bêbado e situações junto da protagonista, incorporando uma grandiosidade para a persona dela fosse mais valorizada, mas temos de dar destaque para alguns nomes como Michael Cera como Jogador X por trabalhar o ego de jogadores sem limites juntamente com a arrogância tradicional de homens desse calibre.

A direção de arte também foi bem efetiva no trabalho de composição das cenas, criando os ambientes de jogos tão bem colocados, que feitos em ambientes pequenos deram uma amplitude mais fácil de criação, mas que certamente deu trabalho para todos da equipe, fazendo com que minúcias ficassem bem colocadas e cada detalhe tivesse seu valor bem ponderado, ou seja algo incrível de ver, além disso tivemos as boas cenas da infância/juventude nas competições que como estamos vendo na TV muito as Olimpíadas de Inverno foi bem bacana de observar cada detalhe de um esporte que não somos tão acostumados a ver. A fotografia brincou bastante com sombras e detalhes para realçar os trejeitos da protagonista, e trabalhou sempre com cores escuras mas bem fortes para aumentar a dramaticidade nas cenas de impacto, mas poderia ser bem melhor certamente.

Enfim, é um filme bem interessante, que possui muitos defeitos como resoluções jogadas na tela, muitas explicações perdidas e dinâmicas exageradas demais, mas o resultado é algo com muita adrenalina e dramatizações bem colocadas que acabam mais agradando e fazendo com que o público converse sobre o filme, do que algo desapontador que faça o inverso, ou seja, é um filme que vale recomendar para conhecermos mais desse meio que é o pôquer jogado em casas ao invés de cassinos, e que vai agradar quem for conferir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje já encerrando essa semana cinematográfica que foi bem rápida, mas volto na próxima quinta que promete ser bem movimentada, então fiquem com meus abraços e até logo mais.

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Pequena Grande Vida (Downsizing)

2/22/2018 02:36:00 AM |

Já falei outras vezes sobre expectativa aqui no site, e confesso que muitos trailers acabam vendendo uma imagem que acabamos comprando de forma errônea sobre o que o longa deseja passar. Digo isso pois certamente ao ver o trailer de "Pequena Grande Vida", e ao ler um pouco sobre a sinopse, o espectador mais comum irá ao cinema esperando se divertir horrores com a trama, sair mega feliz com uma proposta inovadora de transformar seus míseros 152 mil em 12,5 milhões ficando pequenininho, mas já jogo aqui a real, pois o longa é classificado como comédia dramática, e lhes digo que é justamente o contrário, sendo um drama cômico, e essa posição faz uma tremenda diferença, já que o diretor ousou trabalhar uma ideologia de vida, de proposta introspectiva de vida do protagonista em desejar ter uma missão na Terra, em talvez encontrar seu chacra espiritual, ou algo a mais, tendo uma primeira metade até bem desenhada, com uma proposta bacana e bem colocada, mas aí passa a primeira meia hora (e pensamos: que legal!), passa a segunda meia hora (dizemos: que filme interessante!), entramos na terceira meia hora (já indagamos: o que isso está virando?), chegamos na quarta (o desespero mental bate: será que terá fim esse filme?), e aí entramos nos 15 minutos finais e o diretor resolve encerrar não indo para lugar nenhum, afinal como diz um dos melhores personagens do filme: "ele não consegue nada do que quer", e a trama entrega para o espectador exatamente isso: não vamos lhe entregar nada do que você queria ver, e fim. Ou seja, é o típico filme que ou você vai amar, por ter um caráter ambiental de proposta que vai filosofar sobre a ideologia da trama, suas possibilidades reais dentro da ficção e tudo mais, ou você que for esperando apenas passar bons momentos curtindo um longa e f***-se todo o resto, sairá revoltado com o filme mais lento e cansativo que já viu na vida. Portanto fica a dica para se enquadrar bem antes de ir conferir a trama, pois não haverá meio do caminho, embora a nota que vou dar ficará bem no meio do caminho pelas questões técnicas do longa.

A trama imagina o que acontece, como uma solução para a superpopulação, quando os cientistas noruegueses descobrem como encolher os humanos para 13 cm de altura e propõem uma transição global ao longo de 200 anos do grande para o pequeno. As pessoas logo percebem o quanto o dinheiro dura mais em um mundo miniaturizado e, com a promessa de uma vida melhor, o homem comum Paul Safranek e sua esposa Audrey decidem abandonar suas vidas estressadas em Omaha, Estados Unidos, para se tornarem pequenos e se mudarem para uma nova comunidade em miniatura – uma escolha que dá início a aventuras que mudam suas vidas.

O cinema do diretor Alexandre Payne é cheio de oscilações, e ele é um dos poucos que vamos ao cinema já sabendo o que esperar, pois um filme que aparentemente tem contextos cômicos pode virar um drama imenso casualmente, e é exatamente o que acabou acontecendo aqui, o que de certo modo foi trabalhado em "Os Descendentes", mas que fluiu ao contrário em "Nebraska", que já continha um tom completamente mais pesado, e acabou soando delicado e gostoso de ver, ou seja, nunca compre um livro pela capa se estiver assinado pelo diretor. Digo isso não por desapontamento, pois o longa em si é bem trabalhado dentro da proposta autêntica se lermos a sinopse exata do filme e que é colocada logo de cara na primeira cena, com a postura de querer mostrar algo que recaia sobre o fator ecológico de preservação da espécie, mas assim como o personagem de Cristoph Waltz (que julgo hoje ser um dos melhores atores do mercado, e que sempre agrada quando quer fazer bem um papel) diz em certa cena, ninguém está preocupado com isso, e sim com os ganhos que a vida minúscula vai recair sobre mim, o luxo que terei e tudo mais, e o público que for ao cinema irá comprar bem essa ideia, e cairá como um patinho quando chegar na parte final e o foco for somente o conteúdo do que você pode fazer para fazer o bem para alguém, e com isso, a decepção juntamente de um ritmo extremamente lento da trama vai bater, e o resultado ficará bem aquém do esperado. Volto a frisar que a trama possui boa técnica, uma boa proposta e até um roteiro bem arquitetado, mas poderia ter sido trabalhado logo de cara para o drama com uma pegada mais forte ou então recair logo para a comédia e agitar o ritmo para que o filme mostrasse sim sua causa, mas com algo mais frenético e bem pontuado.

Sobre as interpretações tivemos um mix bem interessante para analisar, e vou ir completamente pelo contrário, pois primeiro temos de elogiar as ótimas facetas expressivas de Christoph Waltz com seu Dusan, que mesmo sendo um coadjuvante mais dedicado no miolo da trama, o resultado de todas (sem exceção) as cenas que esteve envolvido são de um luxo tão bom que confesso se ele fosse o protagonista da trama o resultado seria outro, mas o personagem fala por si e ele novamente arrasa. Logo na sequência temos de falar da indicação do filme ao Globo de Ouro, Hong Chau, que trabalhou tão forte, com uma personalidade coesa (sendo até bem chata em muitas cenas) de sua Ngoc Lan Tran, que somente com olhares consegue nos conquistar, ou seja, foi expressiva na medida certa. E claro chegamos ao protagonista Matt Damon que sobreviveu sozinho em Marte, mas entrou em depressão pelo abandono da mulher ao ser diminuído, mas o grande fato que temos de falar da expressão de seu Paul é que ele oscilou demais, variando entre facetas que parecia alegre, mas estava triste e vice-versa, ou seja, mais confundiu do que fez bem seu papel, ou seja, falhou em conduzir a trama para o rumo melhor que poderia. Dentre os demais temos de pontuar boas cenas de Udo Kier como Konrad, Rolf Lassgård como Dr. Jorgen Asbjørnsen, e principalmente a participação bem coesa no primeiro ato de Kristen Wiig, que por ser uma comediante conhecida fez caras e bocas tão tristes que nem parecia estar feliz com sua Audrey.

Agora sem dúvida o melhor da trama ficou a cargo da direção de arte, que brincou muito com os cenários e os ângulos, para que as casas, carros e tudo mais ficassem pequenos em relação ao referencial, mas mais do que isso tiveram um capricho para que os símbolos fossem encarados com maestria para cada momento, ou seja, cada detalhe que certamente foi trabalhado num tamanho bem grande acaba agradando e chamando a responsabilidade para si, ou seja, a cenografia foi mais importante do que a história em si, e talvez se tivessem deixado somente dessa forma, sem cair para o lado do final, o resultado chamaria mais atenção, porém como já frisei, a consciência ambiental também recaiu bastante no encerramento, e assim a direção de arte também necessitou brincar com essa situação para o encaixe funcionar. Destaque cenográfico também para o lado incrível mais pobre que chega a ter tantos objetos importantes quanto na ala rica do longa. Como falei da cenografia, a direção de fotografia também teve uma participação imensa, pois escolher os ângulos e sombras para que cada tom funcionasse no tamanho correto, certamente foi algo digno de muito trabalho, e o resultado nesse contexto surpreende e agrada bastante, tanto que os tons mais densos fizeram a trama cair para o drama mais forte do que para a comédia que esperava ver pelo trailer.

Enfim, é um filme que classificaria como mediano por não atingir nenhum dos lados, ficando homogêneo demais, mas que muitos vão enxergar pelo lado que mais lhe agradar como disse no começo e talvez vá se apaixonar pela introspecção que o diretor levará muitos a pensar e assim dizer que foi um filmaço, e outros irão recair pelo arrastar longo e cansativo da trama e achará ele intragável, ou seja, não posso jamais recomendar ele para todos, pois é um filme para bem poucos gostarem do que irão ver. Sendo assim, fico por aqui hoje claro agradecendo o pessoal da Difusora FM 91,3Mhz pela ótima pré-estreia, e vamos torcer para que a próxima seja uma mais animada para cair no gosto do público. Abraços e até breve pessoal.

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Três Anúncios Para Um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)

2/17/2018 03:27:00 AM |

Quando vemos um filme polêmico ficamos sempre com aquela sensação de querer um pouco mais, que aconteça algo contundente, ou também ficamos torcendo para que acabe em determinado momento para que a polêmica fique no ar e deixe o respiro para o público, pois se a trama fica bem encaixadinha acabamos mais reclamando do que felizes com o resultado completo, ou seja, somos chatos! Digo isso com base no que vi em "Três Anúncios Para Um Crime" por simplesmente ser um filme incrível, com uma pegada forte, cheio de generalizações em cima de preconceitos, mas que na briga por premiações é completamente compreensível suas classificações, pois é o mais fechado, conciso na onde desejavam apontar, com dinâmicas coerentes e funcionalidades apontadas, aonde claro o elenco se sobressai e acaba ganhando destaque, ou seja, um filme que surpreende pela essência, que choca em diversos momentos, mas que você tem uma quebra de expectativa completa mesmo não indo esperando nada, sendo daqueles filmes que você até vai gostar, mas em seguida não sabe se gostou, e talvez até desgoste se ver novamente, porém possui cenas incríveis e muito boas principalmente pelo elenco incrível que chama para si todos os trejeitos possíveis e imaginários de um interior sem limites.

O longa nos mostra que inconformada com a ineficácia da polícia em encontrar o culpado pelo brutal assassinato de sua filha, Mildred Hayes decide chamar atenção para o caso não solucionado alugando três outdoors em uma estrada raramente usada. A inesperada atitude repercute em toda a cidade e suas consequências afetam várias pessoas, especialmente a própria Mildred e o Delegado Willoughby, responsável pela investigação.

A filmografia do diretor Martin McDonagh é composta de longas que geralmente soam controversos, e que ou a pessoa acaba amando o filme ou detestando, e aqui ele acabou entregando um filme com uma postura bem sólida, que mesmo ousando e pontuando sua ideia ele consegue deixar o público sempre com uma pulga atrás da orelha tentando descobrir quem matou sua filha, ou até onde ou que atitudes a protagonista e/ou os policiais poderiam fazer para fechar a trama, e conforme vamos vendo o andar da trama, vamos esperando mais algo, pois os personagens nos instigam, ou seja, temos um roteiro muito bem criado e moldado, que trabalha toda a situação, porém sua finalização acaba sendo simples e aceitável para o tanto que causou no miolo, e assim sendo o resultado frustra um pouco. Não digo que isso seja um problema monstruoso para a trama, pois o filme em si funciona muito bem e o que é formatado tem um vértice que as premiações gostam muito por ser um misto de realidade com ficção, pontuando problemas atuais, e claro entregando algo que vemos muito por aí: a famosa generalização das coisas (por exemplo que está tanto na moda, todo homem é um possível abusador), ou seja, o diretor ousa e brinca com cada ato, colocando atos explosivos determinantes e fazendo a trama desenrolar com naturalidade, o que facilmente poderia dar muito errado, mas que acabou dando certo dentro de uma complexidade não muito forçada, mas como já disse, faltou um fechamento mais digno para que saíssemos do cinema explodindo de felicidade pelo longa.

Agora, sem dúvida alguma o grande feitio do longa está no elenco que não apenas interpretou os personagens, mas praticamente incorporaram trejeitos interioranos e trabalharam com uma minúcia que se não conhecêssemos eles, falaríamos que eram caipiras rudes realmente, ou seja, algo que foi muito além do esperado, transformando a trama em um filme aonde os atores sobressaíram à trama e o resultado ficou completamente nas mãos e trejeitos que encontraram para cada momento. Dito isso, Frances McDormand já fez história por ser a primeira atriz a levar dois SAGs (prêmio do sindicato dos atores) como protagonista de uma história, e merecidamente teve cenas explosivas bem colocadas, cenas dramáticas com muita expressividade, e até mesmo cenas simples feitas com minúcias tão bonitas de serem vistas que acabamos nos conectando à sua Mildred, tendo como destaque dos atos simples bem encaixados sua cena conversando com as pantufas, e sendo assim, só não veremos ela levar seu segundo Oscar se resolverem atender seu pedido de premiar as mais jovens. Agora se tem alguém que não tem como perder qualquer premiação é Sam Rockwell com seu Dixon mais que perfeito, ficando com uma personalidade tão insana, trejeitos fortes marcando toda sua expressão, um diálogo duro e instigante, que mesmo fazendo tudo errado ainda acabamos nos apaixonando pelo que faz em cada cena, e torcemos muito para ele, ou seja, algo que chega a ser difícil ver um coadjuvante fazer em um longa, e merece ser muito aplaudido. Outro coadjuvante que aparece um pouco menos, mas ainda assim entrega algo perfeito é Woody Harrelson com seu Willoughby, que acabou trabalhando cada momento com uma forma mais crua do personagem, mas que em suas cartas virou a história e pontuou os momentos mais engraçados do longa, ou seja, a personalidade falou mais que o ator, e o resultado acaba agradando bastante também. Dentre os demais tivemos bons personagens e alguns destaques para pontuar, e claro que não poderia esquecer de forma alguma a mãe de Dixon que Sandy Martin acabou fazendo de uma forma tão crua que nem a criança mais calma do mundo ficaria normal com uma mãe daquelas, ou seja, um show de horror, também temos de pontuar os bons momentos de Caleb Landry Jones com seu Red Welby cheio de ironia, mas que assustou muito na cena em que apanha, pois foi muito bem feita, entre outros.

No conceito visual, não sei se existe realmente a cidadezinha de Ebbing no Missouri, mas conseguiram criar algo tão interiorano que quem já viveu em cidadelas irá se ver na telona, com policiais bêbados que acham que podem fazer o que quiser, pequenas lojas, bares aonde cada um ouve a conversa do outro, e claro que a mídia local disposta a mostrar cada detalhe bombástico na Tv, e a equipe de arte foi minuciosa para que cada momento ficasse bem expressivo na tela e o resultado agradasse bastante, trabalhando cada detalhe mínimo com precisão, e claro, fazendo os outdoors com cores vibrantes e bem espaçados para funcionar como deveriam. A fotografia trabalhou tons bem escuros para pesar na dramaticidade, e impondo cada momento com iluminações de contraluz para realçar o personagem destaque de cada ato, ficando até bonito de ver cenas que costumeiramente seriam mais simples, ou seja, um bom acerto técnico também.

Enfim, é um longa muito bem feito e que cria muita discussão em cima dos atos apresentados, mas que falhou em criar uma expectativa muito alta com tudo o que é apresentado para um final simples, e assim não agradar o tanto que poderia. Como disse, provavelmente leve melhor filme no Oscar por ser o mais fechado de conceitos, e pelos demais concorrentes terem detalhes que a Academia costuma não gostar de premiar, mas isso só saberemos em Março, e até lá ainda preciso ver mais alguns que ainda não apareceram por aqui. Recomendo a trama para quem gosta de bons filmes diferenciados e que gostem de ver atores dominando o longa, pois aqui isso fica bem em primeiro plano. Bem é isso pessoal, fico por aqui nessa semana cinematográfica curta, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até lá.

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Pantera Negra em Imax 3D (Black Panther)

2/16/2018 03:15:00 AM |

Se você é fã de filmes de super-heróis/HQs pare tudo o que está fazendo e vá para o cinema já conferir "Pantera Negra" no cinema mais próximo de você, pois pode até ser que façam um filme melhor do gênero, mas até hoje não vai existir nenhum que envolva política com muita ação, sem a necessidade de colocar piadas em tudo, encaixando somente leves pontuações, bons vilões no melhor estilo de grandes sagas (vontade imensa de dar um spoiler!!), e principalmente entregar uma boa origem de super-herói, sem precisar ficar já de cara juntando personagens de outras histórias. Claro que o filme nos conecta aos eventos ocorridos no filme "Capitão América: Guerra Civil", mas são cenas bem rápidas e apenas para mostrar a morte do rei T'Chaka, pai do protagonista aqui. Dito isso, posso afirmar que se fosse fazer uma comparação com outros Universos, as cenas de batalha aqui se assimilaram muito à "Senhor dos Anéis", tivemos grandes momentos no melhor estilo de "Star Wars", e ao colocar a trama no melhor modelo de filme africano tivemos canções e cenografias bem próximas até de "Rei Leão", ou seja, só falei nome de grandes clássicos, e assim posso agora incluir esse como o meu longa preferido da Marvel, que a cada nova cena ficava mais impressionado, e que poucas vezes veremos um diretor tão corajoso para entregar afrontes políticos que o mundo atual tanto está precisando usando (e ousando) em colocar um elenco de praticamente 95% ou mais negros (que ultimamente haviam reclamado com razão de não terem tantos filmes como protagonistas) e que mexendo na ferida vai agradar tanto, afinal nos sites críticos a cotação está nas alturas da trama. Sendo assim, volto na minha primeira linha, mesmo se você não for fã do gênero, vá também agora para o cinema conferir esse marco no cinema de ação/aventura com uma temática perfeita e bem trabalhada. Confesso que tem leves falhas, diria mais técnicas para o lado de vender um longa 3D e não ter tanto 3D para mostrar, mas tirando esse detalhe, e cenas com efeitos exageradas, o resultado é algo tão incrível que vamos esquecer disso, e passar os 134 minutos como se fosse num piscar de olhos.

A sinopse do filme acompanha T´Challa que, após a morte de seu pai, o Rei de Wakanda, volta pra casa para a isolada e tecnologicamente avançada nação africana para a sucessão ao trono e para ocupar o seu lugar de direito como rei. Mas com o reaparecimento de um velho e poderoso inimigo, o valor de T´Challa como rei – e como Pantera Negra – é testado quando ele é levado a um conflito formidável que coloca o destino de Wakanda, e do mundo todo, em risco. Confrontado pela traição e o perigo, o jovem rei precisar reunir seus aliados e liberar todo o poder do Pantera Negra para derrotar seus inimigos e assegurar a segurança de seu povo e de seu modo de viver.

Antes de mais nada, já podemos dizer que o diretor Ryan Coogler pode pedir música no Fantástico, pois tem em seu currículo três longas apenas, e os três um melhor que o outro, então isso já o credencia para muitos outros bons projetos que não vão lhe faltar. Dito isso, ficou claro na telona seu estilo, por não focar somente no estilo que o Universo Marvel vem entregando de longas quase inteiros dedicados à situações cômicas, com milhares de interações entre os personagens que já apareceram em outros filmes, cheios de quebras de roteiro para explicar algo, e por ai vai, deixando tudo isso de lado e criando um vértice mais politizado, com um personagem bom para o Universo, e principalmente, mostrando sua origem completa para quem não conhecia nada dele, e com isso, o filme passou realmente voando, entregando algo de forma segura, com cada ato bem determinado, e fazendo com que cada personagem aparecesse em cena, cativasse o público e ficasse na tela determinando cada acontecimento, não servindo apenas de apoio para o protagonista. Outro grande detalhe diferencial do diretor em relação ao UCM (Universo Compartilhado Marvel), é que logo em um único filme já tivemos diversas mortes, não enfeitando o doce como costuma acontecer (sim, faltou um pouco mais de sangue na tela, mas Marvel pertence à Disney, então, sem sangue!!), e assim vemos muita dinâmica, muita ação na tela, lutas desenfreadas (vários desafios acontecendo), e batalhas épicas que como comparei no começo fazia tempo que não víamos algo tão bem elaborado. Ou seja, um trabalho realmente de diretor, e mais ainda, Coogler também coparticipou do roteiro, então soube desenvolver cada momento, que mesmo não tendo diálogos impressionantes, acabou ficando incrível.

Sobre os atores diria que todos, sem exceção procuraram trabalhar suas lutas, seus trejeitos e ações no mais próximo que poderiam para não errar em nada, criando carisma para seus personagens, divertindo quando necessitavam, e principalmente chamando a responsabilidade para si quando precisava aparecer como ponto principal da tela, o que é raro em filmes de ação, pois geralmente o protagonista fica 90% na tela e todo o restante fica de suporte para ele, e aqui o diretor deu margem para que a maioria pudessem ter seu grande momento na tela e não falharam quando isso ocorreu. Mas para começar temos de falar claro de Chadwick Boseman como T'Challa/Pantera Negra, que soube segurar cada ato expressivo, criar dinâmicas com o personagem, e mesmo não sendo um dos personagens que o público mais conhece da Marvel, ele acabou sabendo dosar a intensidade inicial para que assimilássemos cada momento e fossemos conhecendo junto com ele cada uma de suas grandes facetas, para aí sim num próximo filme do herói botar tudo pra jogo, ou seja, o ator foi muito bem em cena e agradou como poderia, sem falhas. É raro vermos Andy Serkis como pessoa sem estar atrás de muita computação gráfica e aqui somente seu braço foi computadorizado para o personagem do vilão Klaue, e claro assim como vimos sua rápida participação em "Vingadores: Era de Ultron", aqui ele mostrou ainda mais sua personalidade maluca, e com facetas bem expressivas acabou tendo bons momentos na telona, talvez poderia até aparecer mais tempo, mas aí não sobraria tela para o grande vilão do filme. E falando nele, o xodó do diretor (presente nos três longas dele), Michael B. Jordan, mostra que sabe fazer bem o que lhe for entregue (só foi uma pena o "Quarteto Fantástico" não ter decolado com ele!), de modo que seu Killmonger não só mostrou os motivos pelos quais desejava o trono de Wakanda como lutou muito bem nas cenas contra o protagonista, fazendo atos que deixaram o público nervoso como deve ser qualquer vilão. Como bem sabemos está na moda o empoderamento feminino, e aqui no longa não tivemos apenas uma grande mulher, mas sim três grandiosas atuações de destaque, pois as demais também foram muito bem, e para começar temos de falar de Danai Gurira com sua guerreira Okoye perfeita, forte, cheia de trejeitos minuciosos e que chamou para si cada ato, e mesmo nas lutas não saiu da frente, ou seja, grandiosa que mereceu cada momento de tela, e poderia ter até mais. Na sequência veio Letitia Wright, que quem não assisti séries (assim como eu), nunca tinha nem ouvido falar dela, e só nesse ano aparecerá em quatro filmes, ou seja, já tem renome para mostrar muito serviço, e com sua Shuri, deu o tom de irmã realmente do protagonista, fazendo as brincadeiras coerentes e tendo com muita dinâmica os momentos mais cômicos da trama, ou seja, mesmo não sendo caricata conseguiu agradar com boas gags cômicas estilosas, e na segunda cena pós-crédito mostrou que será bem importante no começo do filme "Vingadores: Guerra Infinita". E para finalizar sobre as mulheres, mas não menos importante, temos a já famosa Lupita Nyong'o com sua Nakia, que deu o tom romanceado, mas sem ser forçado para com o protagonista, criando boas frentes de luta, e também tendo muita personalidade para que a personagem agradasse na telona sem soar boba, mostrando a mulher forte que poderá vir a ser a rainha de Wakanda. Dentre os demais bons personagens temos de colocar claro Martin Freeman com seu Ross, mais um dos pouquíssimos brancos no longa, mas que como um agente da CIA acabou bem encaixado no roteiro e deve aparecer mais nos demais filmes do Pantera, sendo alguém de conexão dele com o governo, e claro mostrando o quão bom o ator é. E mesmo aparecendo pouco, tenho de finalizar com outros bons nomes do filme, Daniel Kaluuya como W'Kabi fez algumas caras e bocas e mostrou que pode ser trabalhado mais, pois já fez coisa muito melhor no ano passado, John Kani fez algumas participações rápidas em três cenas como T'Chaka e como sempre demonstrou a calma serena de seus trejeitos, Forest Witaker com seu tradicional olhar meio vesgo deu personalidade para o místico Zuri, e finalizando mesmo gostei de ver Winston Duke como um M'Baku perfeito, cheio de trejeitos como um contraponto do líder de Wakanda.

Outro grande ponto da trama, além do elenco grandioso, ficou a cargo da equipe de arte que criou cenas memoráveis na concepção da tecnológica Wakanda que o mundo não conhece, e também não deixou a desejar para os descampados da Wakanda cheia de fazendeiros que o mundo conhece, criando paisagens tanto computadorizadas quanto reais tão bem encaixadas, com nuances, cores e vértices em movimento perfeitos para que cada ato tivesse muitos detalhes para se olhar, objetos cênicos para serem usados, e principalmente figurinos que misturassem os tradicionais vestuários africanos com detalhes tecnológicos, ou seja, um estudo muito bem feito que chamou atenção na telona, e junto com uma equipe minuciosa de fotografia souberam ousar em tons e iluminações para que tudo ficasse o mais próximo de algo real, fantasiando sem limites, mas sendo corajosos para que a ficção colocada valesse a pena. São poucos momentos aonde os efeitos entraram em ação, e ali sabemos realmente que tudo é bem computadorizado, ou seja, alguns até vão enxergar como um defeito técnico, mas visualmente falando foi funcional. Sobre o 3D, já falei isso outras vezes e até comprei algumas brigas, pois tirando "Doutor Estranho" que os efeitos deixaram todos com muita tontura, a maioria dos filmes da Marvel utilizam muito mal a tecnologia, incorporando alguns lances de profundidade e pouquíssimas vezes trabalhando com algo saindo da tela, e aqui destaco apenas duas cenas que dá para ver algo, a da perseguição de carro, que já foi destaque no trailer, e a luta final entre os protagonistas no trilho do trem, que começando no alto da plataforma já vamos tendo alguns vértices dos personagens passeando para fora e para dentro da tela, e nada mais, ou seja, como costumo dizer, quem quiser economizar pode ver sem a tecnologia, mas confesso que na telona Imax a ação fica bem melhor.

Como é de praxe, as tramas da Marvel sempre possuem também boas trilhas sonoras, e aqui não foi diferente, trabalhando bem ritmos africanos e dando uma sonoridade bem coesa para que o longa tivesse ritmo e agradasse bastante. E claro que deixo o link para todos ouvirem após conferir a trama.

Enfim, não estava esperando nada do longa e acabei muito surpreendido com o que vi na telona, saindo muito feliz com tudo e relevando até certos problemas como citei acima. Talvez daria para dar uma nota menor (9,5 ou 9) pela falta de 3D, ou alguns detalhes, mas a história em si, a direção e as ótimas atuações me agradaram tanto que não vou deixar de dar nota máxima para o filme, então como disse no começo, mais do que recomendo a trama não apenas para fãs de HQs e super-heróis, mas também para todos pelo contexto político que acabaram desenvolvendo, e destaco ainda nesse contexto a primeira cena pós-crédito que ousa falar algo ainda mais claro que tanto necessitamos ouvir dos governantes do mundo, portanto veja e depois venha discutir o que gostou e o que não gostou aqui nos comentários. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a outra estreia da semana que apareceu por aqui, então abraços e até logo mais.

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Meu Amigo Vampiro (The Little Vampire)

2/13/2018 09:48:00 PM |

Sempre digo que sou muito favorável a aparição de outros países no feitio de animações, pois geralmente procuram trabalhar a cultura local com um estilo de cores, figurinos e tudo mais, e aqui nessa reutilização de um livro que já foi live-action no começo dos anos 2000, "Meu Amigo Vampiro" acaba entregando uma trama bem leve e gostosa de acompanhar, mostrando a amizade de um garotinho com um pequeno vampiro, que juntos vão deixar um caçador de vampiros e seu auxiliar completamente malucos com seu plano para salvar os demais vampiros de seu clã. Claro que não temos nada muito original, mas os tons predominantemente escuros, um figurino moderno para os personagens e uma dinâmica bem cadenciada acabaram agradando mais do que o comum na história simples entregue, o que faz divertir os pequenos de diversas idades e não incomodar tanto os adultos que forem acompanhar, ou seja, até poderia ser mais caso quisessem, mas o simples também agrada as vezes, e aqui foi um desses exemplos.

A sinopse nos diz que o garoto Tony e os pais vão passar uns dias num castelo e ele conhece o vampirinho Rudolph. Os dois ficam amigos e Tony decide ajudar Rudolph e a família dele, que estão sendo perseguidos por um caçador de vampiros.

Diferente do que costuma acontecer com animações, aonde temos personagens bonitinhos fazendo graça, aqui a tirando uma vaca que vira vampiro e passeia em alguns momentos, tivemos personagens mais determinados à aventura, o que é bem legal de acompanhar, e os diretores Richard Claus e Karsten Kiilerich brincaram bem com isso, colocando rebeldias adolescentes, romance entre os personagens e invenções mirabolantes dos caçadores de vampiros, ou seja, uma pegada leve e dinâmica dentro da proposta, fazendo com que o público se conectasse bem com os personagens principais e até risse das leves gags dos personagens secundários como os velhinhos que esquecem onde guardaram as coisas e possuem problemas auditivos, mas certamente para ter um melhor rendimento na trama, poderiam ter economizado na quantidade de personagens em segundo plano não fazendo nada, pois até sabemos que nas histórias os clãs de vampiros são grandes, mas não necessitava ter tantos personagens inúteis no filme atrapalhando até o decorrer atrás. Não digo que isso tenha atrapalhado algo, mas também não ajudou em nada, e sendo assim seria melhor focar apenas na família dos personagens principais que agradaria bem mais.

A modelagem dos personagens ficou bem no meio termo entre desenho e realístico, ousando um pouco de texturas para criar uma leve empatia dos personagens pelo público, juntando que mesmo o romance entre a vampirinha que enfeitiça os mortais com o protagonista Tony, foi algo bem leve de acompanhar, os demais acabaram tendo um carisma um pouco forçado, o que não é muito bacana de ver em uma animação, mas tirando o detalhe de que cada um procurava aparecer mais que o outro, a trama toda teve uma boa dublagem divertida, e o vilão ficou tão caricato que aparentava o coiote dos desenhos, que brigava para pegar o papaléguas com invenções e sempre se dava mal, ou seja, algo leve e engraçado, que não atingiu grandes patamares, mas que soou razoável de certa forma.

O longa não veio em 3D por aqui, mas é notável que possui algumas boas cenas de voo e também alguns personagens passeando pela tela, então quem conferir com a tecnologia, se puder deixe sua opinião abaixo.

Enfim, é um bom filme, leve e gostoso, mas que poderia ter sido melhor trabalhado para colocar algumas lições de moral e também trabalhar mais o carisma dos personagens, para quem sabe até pensar em uma continuação, mas ao menos passa bem o tempo sem colocar bobeiras desnecessárias e também consegue entreter bem os pequenos sem necessitar de personagens jogados, ou seja, um completo bem feito que só não for melhor por fraquejar nos detalhes. Sendo assim, recomendo ele para um momento de descontração com as crianças, e só. Fico por aqui hoje encerrando essa semana cinematográfica no meio das festividades de Carnaval, mas volto na próxima quinta que era para vir muitas estreias, mas virá apenas duas, então abraços e até breve.

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O Sacrifício do Cervo Sagrado (The Killing of a Sacred Deer)

2/13/2018 01:44:00 AM |

Sempre que vou conferir um filme premiado em Cannes, já vou preparado para coisas deveras estranhas, e mais ainda para finais estranhos que fujam completamente do que vimos na trama toda. Porém com "O Sacrifício do Cervo Sagrado", a trama embora seja metódica e cheia de respiros, ela consegue apanhar os espectadores para que fiquem até o fim do filme esperando por algo que já foi dito logo no começo, ou seja, embora seja algo até chocante, esperaríamos ver alguma reviravolta não dita no enredo, ou algo surpreendente, mas o diretor vai pelo rumo certeiro, e mesmo que tudo pareça cheio de vértices, a metodologia acaba funcionando como um filme de horror puxado pela dramaticidade, mas não convence como poderia, pois certamente se mexendo do começo ao fim pela ideia da ciência e da perspectiva de uma família deveras problemática, o acreditar em crendices e ir ao fim com ela acabou mais dando dor de cabeça pela trilha sonora barulhenta no nível máximo do que pela ideia fechada do final. Não digo que foi um filme ruim, que eu vá esquecer dele tão rápido, mas assim como as senhoras que estavam no meu lado falaram em determinada parte: "estou curiosa para saber como isso tudo vai acabar", e no fim, ouvi das mesmas: "que tristeza, parecia ser um filme tão bom!", ou seja, a história possui sim um bom roteiro como a premiação que ganhou em Cannes, mas passa bem longe de ser um bom filme.

A sinopse nos conta que Steven é um cardiologista conceituado que é casado com Anna, com quem tem dois filhos: Kim e Bob. Já há algum tempo ele mantém contato frequente com Martin), um adolescente cujo pai morreu na mesa de operação, justamente quando era operado por Steven. Ele gosta bastante do garoto, tanto que lhe dá presentes e decide apresentá-lo à família. Entretanto, quando o jovem não recebe mais a atenção de antigamente, decide elaborar um plano de vingança.

Diria que o diretor grego Yorgos Lanthimos enxergou a possibilidade de criar tensão em conflitos familiares que muitos outros já tentaram e não deu certo, pois conseguiu destaque em 2015 com "O Lagosta", que usava embora com outra temática, mas um certo suspense com moldes semelhantes, e agora ele apenas aprimorou o estilo trabalhando um cerne psicológico de revolta, pela perda de atenção do garoto, pelo sentimento de culpa por parte do médico, pelo aumento dos hormônios da garota, entre outros que poderia ficar aqui discutindo por horas, mas não vem ao caso, e com isso vemos um filme com uma boa esquete montada, que poderia vingar rumos impressionantes, mas que só ousou, e colocou algumas pitadas duras para impressionar, mas que não chegaram a causar como realmente poderia. Claro que a direção foi bem embasada no roteiro e este veio bem crítico, e com isso, alguns vão se apaixonar pela trama, vão citar ideologias mitológicas e tudo mais, mas o grande cerne da trama ficou falho na complexidade e não chegou aonde poderia, entregando o simples e mais fácil de ver, e gastando para isso uma trilha exagerada demais que não vai assustar, não vai causar e mais ainda, vai cansar, ou seja, o uso desnecessário do barulho que costumamos ver em dramas de terror.

Dentro das atuações, já tinha me surpreendido em "Dunkirk" mesmo aparecendo pouco com a capacidade expressiva de Barry Keoghan, que aqui ficou até com um ar mais jovem, mas a forma de persuasão obsessiva de seu Martin é tão forte que chegamos a ficar revoltados com seu personagem, e assim mostrou que sabe fazer muito bem o papel que lhe for dado, criando nuances e entregando algo quase doentio com sua forma de vingança, sem falhar em nada, ou seja, um grande acerto para um jovem ator. Desconheci um pouco o estilo de Colin Farrell que costuma entregar personagens sérios, mas sempre com um ar mais convicto, e aqui seu Steven parece estar sempre questionando seus atos, e com isso vemos um personagem sempre em dúvida em cena, o que é estranho, mas que cabe bem no papel, e com isso o resultado acaba soando interessante. Nicole Kidman é daquelas atrizes que sempre se sai bem, e aqui como Anna, ficamos jogados com sua personalidade, de modo que não sabemos bem como irá reagir a cada nova situação, e o melhor é que faz três atos distintos para a personagem, coisa bem rara de uma atriz em um único filme, de modo a surpreender bem. Embora apareça apenas em uma cena, Alicia Silverstone também chama muita atenção como a mãe do garoto, fazendo em cena tudo o que se esperava dela, e assim sendo um grato acerto. Os jovens Raffey Cassidy e Sunny Suljic foram bem interessantes principalmente ao entregar uma dinâmica mais séria, fazendo caras e bocas para mostrar que não estão brincando com o pai, a garota principalmente trabalhando um ar de paixão pelo jovem Martin, mas seus grandes atos ficaram nas cenas rastejando que fizeram muito bem.

No conceito visual a trama trabalhou bem dentro de um hospital bem elitizado, colocou festas de gala de médicos, com bebidas nas vésperas de operações para mostrar o problema do protagonista, contrapôs a casa chique do médico com a casa de comunidade pobre do garoto e com isso fez vários jogos para o público refletir, ou seja, um jogo bem feito e interessante de ver pelo arquétipo que a direção de arte quis mostrar. A equipe de fotografia trabalhou razoavelmente bem, pois poderia ter encontrado ares melhores de dramaticidade se colocassem mais tons escuros na trama ao invés de muita iluminação nas cenas do hospital, mas no geral vimos um filme tenso propenso pelos ares da montagem.

Enfim, é um filme bem escrito que chama bem o público para uma introspecção forte, e que faz com que esperemos até o final algo diferenciado, só uma pena que não atingiu o seu máximo, mas vale a conferida. Recomendo ele mais por ser algo diferenciado, que sim, vai causar um certo estranhamento de muitos pelo impacto de algumas cenas, mas nada que espante demais, principalmente pelo desfecho escolhido (que é forte, mas revelado logo no começo). Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia dessa semana no interior, então abraços e até breve.

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Cinquenta Tons de Liberdade (Fifty Shades Freed)

2/09/2018 01:47:00 AM |

Eis que chega ao fim mais um ciclo de uma franquia (digo isso meio em dúvida, pois nunca duvide da sangria de um produtor sedento por dinheiro!!), e sem dúvida alguma posso dizer que após um primeiro filme cheio de falhas, um segundo filme bem feito, fizeram um terceiro muito bem feito, de modo que "Cinquenta Tons de Liberdade" possui uma história bem encaixada, os atores finalmente encontraram uma química perfeita e não atuaram como robôs artificiais, e a produção chegou a níveis que ninguém imaginaria para o estilo, com carros de luxo máximo, mansões e apartamentos multi-produzidos e tudo mais, além claro de não usar o sexo jogado como foi nos demais, trabalhando como um casal mais apimentado usaria suas facetas. Claro que está longe de ser algo perfeito (alguns leitores-fãs vão falar que é perfeito), pois trabalhou como uma continuação clara sem ser uma trama separada (costumo dizer que mesmo um filme sendo parte de uma trilogia, cada ato tem de ser mostrado com um começo/meio/fim, e aqui quem não viu os demais não vai entender nada, muito pelo contrário, vai acabar perdido), o que é bom pelo lado de não sair da essência, mas falha no conceito da necessidade de um filme, do tipo que vemos uma história só de digamos 6 horas se juntarmos os 3 longas. Claro que friso bem isso, a mudança de direção do primeiro para o segundo e terceiro foi a melhor sacada possível, pois mudou completamente a trama, e se James Foley arrumou o circo no segundo filme, agora ele acabou entregando o melhor da franquia, e com isso o desfecho foi acertado, mesmo com falhas leves.

A sinopse desse novo filme é bem simples, assim como a trama inteira, e nos diz que superados os principais problemas, Anastasia e Christian agora têm amor, intimidade, dinheiro, sexo, relacionamento estável e um promissor futuro. A vida, no entanto, ainda reserva surpresas para os dois e fantasmas do passado como Jack Hyde e Elena Lincoln voltam a impedir a paz do casal.

Como disse no parágrafo inicial, esse sem dúvida é o melhor filme da franquia, pois nos anteriores tivemos apresentações, problemas supérfluos e muita enrolação didática que somente os fãs dos livros se conectavam, e aqui o diretor James Foley teve mais oportunidade de trabalhar, tendo um arco maior para discutir e com problemas reais de gente rica, como invejosos, sequestros, invasões, etc, e não mais relacionamentos forçados, e adicionando a isso, tivemos os problemas tradicionais de recém-casados, como aparecimento de filho, traições, quebras de juras de amor, bebedeira e por aí vai, ou seja, o arco de discussão foi bem mais amplo, e talvez se tudo isso tivesse sido trabalhado desde o começo, a franquia seria um arraso não apenas para fãs, mas sim para outros que gostem de ver dramas apimentados na telona, ou seja, um filme realmente. Sendo assim, volto ao princípio que digo o motivo da trama ainda não ser perfeita, pois como muitos costumaram ler os 3 livros em sequência, sabendo já detalhes de cada ato, querendo saber o desenrolar de cada coisa, com os filmes foi a mesma ideologia, e assim sendo não temos três filmes, mas sim três capítulos de uma história maior, que se aparar todas as arestas dos dois primeiros filmes, teríamos um só de umas 3-4 horas e ficaria ótimo, mas aí certamente mil fãs resmungariam de faltar isso, faltar aquilo, e aqui a maioria diz que tudo o que tem no livro apareceu na telona, ou seja, ponto para Foley, que entregou tudo o que o público-alvo desejava. E portanto, temos um filme para um público específico, que vai gostar, quem for fora desse nicho vai achar um longa bacana, mas dificilmente irá vender para quem não tiver visto os demais, pois falha nesse elo. Dito tudo isso, volto a parabenizar Foley por conseguir tirar muito leite de pedra de dois atores (um que nem ator era realmente!) principais e conseguir que seus produtores arrumassem muita cenografia com precisão de contratos monstruosos para que o filme ficasse riquíssimo de detalhes, e com isso, o resultado agradasse demais para quem gosta de uma boa produção, mesmo que veja falhas pontuais na história, e assim sendo, diria que é o filme mais bem produzido desse nicho.

Voltando a falar dos atores, Jamie Dorman foi escalado para o papel principalmente por agradar visualmente na tela, mas se falarmos que é um ator expressivo vamos ficar debatendo com uma porta, pois sua verdadeira profissão é modelo, mas aqui no último filme (precisou apanhar duas vezes!), seu Christian ficou mais bem encaixado e teve até bons momentos de dinâmica com os demais, claro que apareceu falando bem pouco, mas trabalhou trejeitos e encontrou um ar mais real para o personagem, e com isso o acerto foi condizente, além claro de continuar agradando a mulherada com seu corpo. Já Dakota Johnson sempre foi atriz e sempre teve a mesma cara de desânimo, ou seja, poderiam ter arrumado uma Anastasia melhor para protagonizar a trama, mas como a moda do abuso sexual está em alta no cinema, com certeza muitas recusaram o papel, e acabou caindo na mão dessa atriz, e embora sua falta de caras e bocas seja algo forte, aqui ela se saiu bem também trabalhando leves trejeitos, mas sempre com a mesma expressão, ou seja, vamos lembrar do filme, mas dificilmente iremos lembrar quem foi a atriz que fez o filme. Sei que muitos vão discordar pela trama em si, mas Eric Johnson foi muito bem encaixado no papel de Jack e soube em todas as suas poucas cenas chamar a responsabilidade para si, mostrando que caso o filme ficasse bem em cima dele, teríamos excelentes cenas, mas não é o que ocorre, e sendo assim, apenas teve rápidas, mas precisas aparições. Dentre os demais, podemos dizer que todos foram bem alocados nos papeis, e que mesmo rapidamente se conectaram bem com os protagonistas fazendo caras e bocas de amigos, de preocupados com algo, mas os destaques ficaram para a equipe de segurança por estarem sempre em cena atrás dos protagonistas, e que de certa maneira mesmo sendo postes (afinal seguranças não falam muito), foram até mais expressivos que os dois protagonistas, sendo assim, Brant Daugherty fez bem seu papel.

Agora sem dúvida alguma, o grande show da trama ficou a cargo da produção que a equipe de arte conseguiu entregar, com casas gigantescas (a mudança visual da casa no começo, e depois na cena no meio dos créditos é algo surreal!), apartamentos decorados com primor, e até mesmo a sala da editora e o hospital foram feitos com um capricho que vemos em poucos filmes, mas o grande destaque claro foram os carrões com seus roncos e velocidade máxima que parecíamos dentro de um "Velozes e Furiosos", ou seja, tudo de um luxo máximo para que cada cena ficasse na mente do público, e claro detalhes mínimos que certamente apareceram nos livros aparecessem também na telona. Outro grande show ficou por conta dos passeios da lua-de-mel, que foi caprichado. O tom do filme ficou digamos iluminado demais para um filme com viés dramático, com tudo sempre claro demais, o que deu um ar feliz até mesmo para as duas cenas de sequestro (felizmente a primeira a luz não acende e dá uma leve tensão maior), mas essas nuances de cores fizeram com que o longa não cansasse tanto como os anteriores que puxaram mais para o vermelho do quarto e a dramaticidade cênica desmedida, ou seja, o resultado acaba agradando.

Outro ponto máximo ficou a cargo novamente da excelente trilha sonora para embalar o longa do começo ao fim, fazendo com que uma música parecesse melhor que a outra, ou seja, dando ritmo para os momentos mais quentes e ainda fazendo com que a trama tivesse um som próprio, e claro que não deixaria sem o link com todas as canções, para que todos usem como bem desejar.

Enfim, foi um filme bem interessante de acompanhar e que deu um desfecho bem trabalhado para uma franquia que começou bem fraca em 2015, mas que pelos livros venderem muito ainda teve pernas para aguentar algo melhor. Volto a frisar que é o melhor da franquia, mas que quem quiser assistir sem ter lido os livros, confira os dois filmes anteriores (mesmo o primeiro sendo sofrível!) para saber quem é quem e não se perder em tudo o que acontece, e assim sendo acabo recomendando esse novo longa, pelo conteúdo em si bem desenvolvido. Portanto vá ao cinema, se descontraia um pouco, não tente fazer muito o que ocorre por lá (a não ser que você seja muito rico, e assim possa fazer sem problemas!) e é isso, fico por aqui hoje, mas volto em breve com as demais estreias que vieram para o interior, então abraços e até mais.

PS: como fiz em outras trilogias, vamos à média: 6 coelhos pro primeiro filme + 7 coelhos para o segundo + 8 coelhos para esse, a média da franquia ficou em 7 e foi aprovada.

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A Forma Da Água (The Shape Of Water)

2/04/2018 02:29:00 AM |

Incrível, essa é a palavra que define "A Forma Da Água", e não teria como não ser cheio de elogios para o trabalho de Del Toro, que ao criar um conflito lúdico entre a relação de um homem-peixe ou algo do tipo com uma faxineira muda, ambientando tudo isso no meio da Guerra Fria, e ainda adicionando pitadas singelas em meio à contrapontos críticos e preconceituosos acabou fazendo com que o longa empolgasse, emocionasse e ainda deixasse muita coisa em nossa cabeça para pensar, ou seja, um filmão que pode ser que ganhe muitos prêmios, mas mais do que isso certamente já podemos dizer que é o melhor filme que o diretor já nos entregou, e olha que ele já fez muita coisa boa! Alguns vão gostar menos da trama, mas nem por isso não irão dizer que o filme não lhe agradou, pois com toda atitude entregue, o longa vai marcar algo no público e com dinâmica bem pautada, e unindo arte de uma maneira bem diferenciada, o resultado vai além das expectativas ao criar algo visual e sentimental que poucas vezes vimos no cinema.

A sinopse nos conta que o longa se passa na década de 60. Em meio aos grandes conflitos políticos e transformações sociais dos Estados Unidos da Guerra Fria, a muda Elisa, zeladora em um laboratório experimental secreto do governo, se afeiçoa a uma criatura fantástica mantida presa e maltratada no local. Para executar um arriscado e apaixonado resgate ela recorre ao melhor amigo Giles e à colega de turno Zelda.

O estilo do diretor e roteirista Guillermo Del Toro é daqueles que ou você ama ou odeia, pois ele costuma trabalhar a fantasia de suas histórias em níveis extremos, entregando nuances bem diferenciadas para que cada momento flua em nossa mente e se desenvolva para uma reflexão, e aqui a grande diferença de outros grandes longas seus foi ousar mais do que o comum, pois ao juntar diversos estilos complexos, como filmes de espionagem, guerra, suspense, magia, romance e até comédia, em um único filme fez com que a visceralidade da trama encantasse e tivesse uma magia pura. Claro que para o filme ser perfeito ainda faltava que a química entre todos os protagonistas convencesse, e se existe um diretor que sabe colocar na ponta da agulha bons personagens com bons atores é Del Toro, de modo que cada um parecia ter sido escolhido na medida certa para o papel, e a cada ato eles permeavam mais instinto para que a situação do homem-peixe ficasse complicada pelo "vilão" que desejava estudar o bicho, a paixão da protagonista recaia mais e mais pelo ser, a amizade entre os dois deslocados da sociedade, e o afinco desesperado do cientista russo em poder voltar para seu país, juntou um grupo de elementos tão bem colocados para que a trama se desenvolvesse, que mesmo o longa tendo alguns leves deslizes exagerados, como necessitar mostrar mais que uma vez a protagonista se masturbando, alguns momentos na loja de tortas, entre outros, esses floreios acabaram não desgastando a beleza da trama, e com isso o resultado fica tão lindo e gostoso que vamos nos lembrar por muito tempo desse longa pela qualidade técnica e pela criatividade certamente bem dirigida de Del Toro.

Muitos estão falando bem das diversas expressões que os protagonistas fizeram, mas sem dúvida alguma temos de dar os parabéns para o companheiro de longa data de Del Toro, Doug Jones, que debaixo daquela roupa e maquiagem incríveis conseguiu trazer leveza para um personagem que facilmente poderia causar terror em muitos, e assim sendo, concordo com muitos que precisam urgente criar algum tipo de premiação para atores debaixo de fantasias e/ou computações para valorizar esses que fazem bem o cinema mais bonito e não mostram suas verdadeiras caras. Sally Hawkins que quase não vemos direito nos dois filmes do urso "Paddington", e lá fala a beça, aqui apenas no gestual deu um show de expressividade que não conseguimos tirar os olhos dela, de modo que a atriz se mostrou disposta a fazer de tudo e chamar muita atenção com sua pequenina Elisa, agradando em cheio com cada minúcia feita, e na sua cena de voz e sapateado arrasou também. Octavia Spencer é daquelas atrizes que já aprendemos a gostar, e hoje qualquer bom papel que pegue ela arrasa e chama atenção, de tal maneira que aqui sua Zelda nem é tão marcante e nem notaríamos como coadjuvante, mas dá tanta performance que acabou até indicada aos prêmios, e merecidamente. Agora achei engraçado a não indicação de Michael Shannon como coadjuvante, pois seu Strickland é de uma determinação como vilão com muita força e personalidade que chegamos realmente a ficar bravos com o que ele faz com o bicho, e com todos ao seu redor, ou seja, dentro da total personalidade de um vilão que tem de ser feita, e assim sendo deu um show na tela. Em seu lugar acabaram indicando Richard Jenkins com seu Giles doce e amigável, com total dinâmica bem incorporada e que agrada sim em todos os momentos seus, mas suas cenas junto do bicho são as melhores. Antes de ontem já falei muito bem de Michael Stuhlbarg em "Me Chame Pelo Seu Nome", e aqui fazendo um cientista russo infiltrado numa operação americana acabou dando show novamente de expressividade, deixando seu personagem tão misterioso, sempre aparecendo escondido e cheio de bons trejeitos algo que poderia ter até um filme a parte, mas veio a somar para a trama.

Um filme do Del Toro que não saímos babando e arrepiados pelo grandiosíssimo visual trabalhado não foi feito pelo diretor, e aqui cada cena foi melhor pensada que a outra, desde a brilhante abertura com tudo flutuando embaixo da água, passando pelo grandioso laboratório que mesmo as moças da limpeza limpando a todo momento parece encardido e velho, com muitos objetos cênicos para todo lado, na sequência temos a casa da protagonista e seu vizinho lotada de referências de época e mais ainda com o detalhe de ser em cima de um cinema de rua incrível de detalhes, e até mesmo os demais momentos foram eloquentes como a escolha de um carro para mostrar seu grande cargo, as nuances de guerra aparecendo a todo momento com soldados a paisana, ou seja, detalhes lúdicos, detalhes realistas, isso sem falar na excelente roupa de homem-peixe cheia de minuciosos detalhes como as luzes para expressar sentimentos e tudo mais, ou seja, um filme de arte realmente feito com diretores de arte de altíssimo escalão que não falharam em nenhum momento, incluindo até cenas em preto e branco com a magia de filmes e programas de TV, para abrilhantar ainda mais tudo. A fotografia com tons escuros deu um ar sombrio para a trama, mas sempre tendo alguns tons de sobreposição para ligar com o romance dos protagonistas acabou fazendo do filme algo mágico de interação, e claro que as cenas embaixo da água foram feitas com uma precisão incrível de nuances para que tudo fosse bem visto e funcionasse bem, ou seja, um show visual.

A trilha sonora de Alexandre Desplat sempre é fabulosa, e nos faz viajar, mas aqui ao contrário de nos fazer viajar em pensamento, acabou nos colocando dentro da trama, incorporando cada ato, dando o ritmo coerente para não termos nem um filme corrido e nem algo cansativo, ou seja, feito em minúcias para não parecer nenhum outro filme seu.

Enfim, um filmaço de fazer arrepiar, se emocionar e até querer aplaudir ao final, de maneira que suas 13 indicações ao Oscar foram completamente merecidas, seus prêmios que vem levando são completamente válidos e vamos torcer para vir muito mais, pois até agora foi o melhor sem dúvida alguma. E se você ainda está perguntando se recomendo ele, não perca tempo e vá para o cinema, pois é uma obra tão visual que quem ver em casa numa tela pequena, com imagem que não vai chamar atenção não sabe o que estará perdendo, pois mais do que recomendo, se pudesse exigiria que todos vissem. Bem é isso pessoal, assim termino essa semana de grandes filmes premiados e indicados, que agradaram demais, e agora é torcer para que todos os demais apareçam por aqui, então abraços e até a próxima quinta.

PS: Com os leves defeitos que citei até daria para retirar um ponto da trama, mas tudo é tão mágico que não posso ir contra minha paixão pelo longa.

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Todo O Dinheiro Do Mundo (All The Money In The World)

2/03/2018 03:01:00 AM |

Cada vez que vejo um filme absurdo baseado em fatos reais, eu perco mais a esperança de que o mundo pode ter salvação, pois é nítido que quanto mais dinheiro uma pessoa tem, mais ela desejará e não ligará para os demais de sua família/amigos. Se você duvida confira com os próprios olhos a história de um dos primeiros bilionários do mundo e o sequestro de seu neto em "Todo O Dinheiro Do Mundo", um filme que sim teve algumas polêmicas por ter de trocar o protagonista envolvido nos escândalos de assédios de Hollywood, mas que mesmo se não tivesse todo esse burburinho em cima, seria um filmaço para conferir, pois a história é muito maluca, mas confesso que a substituição foi primorosa, pois todas as cenas que Christopher Plummer aparece é de arrasar com apresentação de nível máximo, ou seja, um filme completo que vai fazer você sair chocado com muitos momentos e ainda irá se divertir com diversas situações, mas principalmente irá fazer você pensar se realmente vale ser tão rico como o protagonista! Diria que a maior falha da trama é sua duração, pois mesmo não sendo cansativo, seus 132 minutos poderiam ser resolvidos em bem menos, mas não criaria a tensão completa que Ridley Scott gosta de fazer em seus filmes.

O longa nos situa na Itália, em 1973. John Paul Getty III é o neto favorito do magnata do petróleo J. Paul Getty, um dos primeiros bilionários da história da humanidade. O sequestro do rapaz coloca a sua mãe, Gail Harris, em uma corrida desesperada para convencer o ex-sogro a pagar o resgate milionário do filho. Frio, manipulador e mesquinho, Getty irá encarregar o ex-espião Fletcher Chase, seu homem de confiança, de descobrir quem e o que está por trás do crime, e solucionar o problema sem o desperdício de nenhum centavo de sua fortuna.

Como disse no começo, o maior problema da trama foi o exagero midiático em cima do caso da trama (que não estava vivo na época para dizer, mas pelo que é mostrado no longa, o caso foi bizarro e bem divulgado na mídia), e claro também do assédio de Kevin Spacey, que era o protagonista inicial da trama, e foi substituído sabiamente pelo diretor para que não apenas seu filme não fosse boicotado, mas sim virasse um caso de muita curiosidade pelo que acabou virando a montagem com cenas regravadas às pressas. E claro que o diretor Ridley Scott não faria nada sem muito show, e o resultado dessa mudança fez com que o filme ganhasse diversas indicações à prêmios, alavancasse a bilheteria, e mais ainda, o resultado como disse foi um grande acerto, pois Spacey era "jovem" demais para o papel, de modo que não daria a mesma vivência que Plummer acabou conseguindo incorporar e acertar no estilo de cena que o personagem pedia, ou seja, Scott não apenas acertou na mudança, como fez um filme primoroso, que de seus dramas, sem ser os épicos ou fantasiosos, acabou ficando como um dos melhores, e se talvez não tivesse deixado tantas sobras para a edição, com os diversos pedidos de resgate, as diversas negociações, idas e vindas para Londres, acabaria resultando em um longa mais enxuto, conciso e que seria perfeito, mas felizmente mesmo alongado acaba não cansando de forma alguma, e divertindo na medida, ou seja, um filme para ser lembrado.

O elenco de peso conseguiu trabalhar de maneiras bem interessantes, pois ao mesmo tempo que já elogiei muito o que Christopher Plummer fez com seu Getty, mostrando que avareza foi seu primeiro nome e que com boas negociações se deixa um bom legado (não vou falar muito sobre isso, senão estraga a surpresa do final), mas principalmente o ator mostrou que ao ser encaixado às pressas, ele foi determinante para que o longa não só decolasse como também mostrou que com quase 90 anos ainda é um ator de nível altíssimo, ou seja, perfeito para qualquer papel bom que desejarem lhe colocar. Michelle Williams mais uma vez foi precisa em suas expressões, criando nuances desesperadas para sua Gail, acertando em trejeitos, mas sabendo também dosar cada momento com serenidade para entrar no jogo de negociações que era a vida de seu sogro, fazendo um papel bem colocado e que poderia até ser mais forte caso desejassem. Agora quem falhou e muito no papel foi Mark Wahlberg, pois sabemos que ele é muito mais expressivo e dinâmico do que o que acabou entregando com seu Fletcher Chase, aparentando por diversas vezes até estar desanimado com o papel, ficando em segundo plano a todo momento, e entregando poucas cenas que chamasse a atenção, de modo que qualquer outro ator mais barato faria o mesmo papel e agradaria bem mais, tirando uma única cena de grande afinco expressivo junto de Plummer, o restante é inútil em sua filmografia. Dentre os demais, temos de dar destaque somente para o jovem Charlie Plummer (que não é parente de Christopher!) que foi bem como o jovem sequestrado, fazendo cara de pânico e entregando cenas bem coesas para cada momento, sem ser exagerado nem atrapalhando o resultado dos demais, e junto com ele vem claro Romain Duris com seu Cinquanta que foi bem encaixado na proposta, demonstrou ao mesmo tempo o desespero e atitude de um sequestrador, mas também acabou encaixado como um "amigo" do sequestrado, trabalhando a performance com bons ares e valendo ser observado.

A equipe de arte entregou algo também bem elaborado, e exagerou até demais, pois de certo modo é interessante saber de onde veio o dinheiro do velho, mas não sei se seria necessário as cenas de abertura com ele em busca de petróleo e criando o imenso navio, pois só serviram para mostrar que Ridley gosta de esbanjar em suas produções e gastar dinheiro, um simples texto de abertura agradaria e funcionaria bem, mas nas demais cenas tanto na mansão quanto no cativeiro, tivemos locações incríveis, com muitos objetos cênicos para serem usados e cada um tendo funções primordiais para o funcionamento da trama, de modo que vamos incorporando cada ato, cada foto, cada atitude que os personagens acabam usando com os objetos até fecharmos completamente o longa com a sabedoria de como tudo foi usado, ou seja, um trabalho incrível de arte. A fotografia brincou com tons de época, usando muito marrom em diversas cenas, colocando a classe com tons cinzas nas cenas mais formais, e abusou de contrastes escuros, principalmente para não ficar falso a substituição do protagonista nas cenas que não conseguiram refilmar, de modo que até dá para saber algumas, mas a maioria vamos ter certeza de que tudo foi refilmado, e isso é um ponto positivo do acerto da equipe de fotografia por dosar bem as tonalidades.

Enfim, é um filme muito bom, que poderia ser ainda melhor se feito leves correções, mas com o tanto de problema que acabou sofrendo e quase nem sendo lançado, o resultado acabou sendo surpreendente e vale demais a conferida para tirarmos muitas conclusões e ainda nos divertirmos, ou seja, recomendo com toda certeza ele. E fico por aqui hoje, mas logo mais irei conferir a última estreia dessa semana, que é o longa com mais indicações à prêmios nesse ano, então já vou preparado para algo grandioso. Então abraços e até logo mais pessoal.

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Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name)

2/02/2018 01:20:00 AM |

Sempre tem quem é apaixonado por bons romances, e esse estilo consegue florear a mente e fazer muitos suspirarem, viver momentos na frente da telona e por aí vai, mas de certo modo, alguns acabam apenas entregando algo bonito sem criar um clímax ou algo que faça o público se apaixonar também pelo que viu, e "Me Chame Pelo Seu Nome" é um bom exemplo desse estilo, que entrega sim uma bela obra, mas que fica faltando algo para que saíssemos da sessão emocionados com o que vimos e empolgados pelo romance dos protagonistas. Claro que a essência passada é bem condizente, o assunto acaba sendo tratado com leveza, e o conhecimento do amor/desejo pelo protagonista soa real, mas o resultado está bem aquém do que poderia ser entregue, e tirando alguns excelentes momentos (principalmente o papo com o pai nas últimas cenas), a trama no geral soa bobinha demais para o tanto que estão comentando sobre ela.

A trama nos mostra que o sensível e único filho da família americana com ascendência italiana e francesa Perlman, Elio, está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana. Mas tudo muda quando Oliver, um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai, chega.

Já disse algumas vezes que filmes cotidianos costumam me cansar, pois fica faltando aquele detalhe que chamamos de clímax, mas que muitos costumam falar apenas como uma reviravolta ou quebra, e a principal falha do longa é ser apático quanto a isso, desenvolvendo sim um bom romance entre os protagonistas, mostrando o desejo e o encontro do sexo (tanto feminino quanto masculino) por parte do jovem e criando uma nuance bem pautada, mas o diretor Luca Guadagnino foi mais simbólico floreando pelas belas paisagens da Itália do que criando alguma perspectiva mais convincente dentro da trama. Tudo bem que para o público-alvo da trama a beleza nos olhares, no sentimento e tudo mais vai fazer diferença e emocionar, mas certamente poderia ter inserido qualquer tipo de conflito na trama que emocionaria com o final, apaixonaríamos pelo casal e tudo mais, vou citar apenas alguns exemplos que chamaria a atenção: qualquer rejeição da família, algum conflito dos amigos, aparição da namorada do americano, entre outros, mas não, apenas tivemos 6 semanas cotidianas na vida de uma família completamente liberal cheia de festas noturnas na Riviera Italiana, ou seja, um filme artístico apenas clássico, que pode ser que no livro tenha algo a mais, mas foi uma das adaptações mais enfadonhas que já vi, e olha que por incrível que pareça a trama não cansou. Ou seja, a direção de Guadagnino lembrou bem o estilo Linklater de fazer filmes mornos que nada acontece e ainda assim muitos amam, aliás, já foi cantado a bola de que ele deseja fazer uma continuação, ou seja, seguindo os passos.

Quanto das atuações, é fato que Timothée Chalamet foi expressivo na medida, conseguiu trabalhar todas as emoções e fez Armie Hammer que é bem mais conhecido que ele ficar em terceiro plano com o que fez com seu Elio, e com devidos bons momentos tem angariado diversas indicações e até alguns prêmios por sua interpretação, e assim sendo ele mostrou a possibilidade de trabalhar os confrontos, de modo que se sairia muito bem e ainda arrasaria. Armie Hammer entregou um Oliver floreado demais, principalmente para a época, e como ele mesmo fala em uma das cenas finais, não tem como o garoto não ver que ele já estava dando pinta bem antes, pois acabou jogado em diversos momentos, mesmo que todas as garotas estivessem apaixonadas, seu estilo era outro, ou seja, poderia também ter feito mais força para enganar o público e criar conflitos, mas não foi o que o diretor desejou, e ele acabou se saindo bem em algumas cenas, mas longe de ser o coadjuvante mais importante da trama. Digo isso de coadjuvante mais importante, pois o pai sim teve grandiosas e excelentes cenas, de modo que Michael Stuhlbarg entregou um Sr. Perlman com leveza, cheio de nuances, e que nas suas duas últimas cenas deu um show literalmente em texto e performance, comovendo pelo discurso e pela dinâmica entregue para com o protagonista. Como um outro amigo crítico disse em sua crítica, as mulheres do longa são praticamente descartadas, e incremento mais dizendo que são quase invisíveis, mesmo Esther Garrel tendo se entregado de corpo e alma para sua Marzia.

Sem dúvida alguma o melhor do longa foi a escolha das locações, pois arrumaram uma Itália tão antiga que nem que a família não fosse de arqueólogos, a trama em si cairia para o lado mais rústico só da paisagem, e junto com isso a beleza das construções, as diversas plantações com muitos tons, os lagos, um figurino bem ornamentado e tudo que muito certamente chama para o lado mais romantizado, ou seja, uma orquestra completa da direção de arte, que até apelou um pouco para o momento mais icônico junto de um pêssego e que muitos até vão achar estranho de ver na telona, mas caiu bem no contexto do filme. E claro que uma boa direção de arte sempre é bem complementada por uma boa fotografia, então os diversos tons de cores, sempre contrastando paisagem e personagens foi algo tão belo de ver que ficamos realmente encantados pelo passeio turístico.

Enfim, muitos vão reclamar da minha nota e da forma que estou não recomendando muito o longa, mas como alguns também vão dizer, o filme foi feito diretamente para um público-alvo certo, e não me enquadrei no estilo, nem nada conseguiu me comover/emocionar com o que foi passado. Claro que digo para que todos confiram, afinal está concorrendo a diversos prêmios e temos de ver para pontuar certamente os melhores, mas confesso que tirando atuação, as demais categorias não colocaria ele de forma alguma. Mas é a opinião desse Coelho, vejam e voltem aqui para discutirmos mais, fico por aqui agora, mas volto amanhã com mais um texto de outro indicado à prêmios, afinal essa semana veio bem recheada, então abraços e até breve.

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Lou - A Filósofa da Vida (Lou Andreas-Salomé)

1/30/2018 01:21:00 AM |

Já disse algumas vezes que mesmo um filme que não me atraia, procuro sempre ver algo positivo para dizer, pois a opinião crítica muitas vezes vai por um gosto pessoal que tenta olhar técnicas, roteiro, atuação e por aí vai, e com "Lou - A Filósofa da Vida", o principal ponto positivo da trama está na técnica de usar fotos ou paisagens estáticas e dar movimento para uma recriação de época, unindo a isso a história de uma das psicanalistas mais famosas da história, que conviveu com Nietzsche, Freud, entre outros grandes nomes, mas que convenhamos é um dos filmes que mais me cansou na sala do cinema, beirando fazer com que eu dormisse na sala, ou seja, não gosto de usar essa palavra, mas é muito chato. Claro que pode ser usado para estudar a vida dela, possui muitas ambientações de época, mas vai continuar sendo cansativo para quem não for dessa área de estudo, bem como filosofia é algo que poucos aturam. Volto a frisar que essa é uma opinião do ritmo e da forma que tudo foi exposto, mas afirmo que quanto a técnica cênica, figurinos e enredo, é algo que vale a pena ser conferido.

A sinopse nos situa na Alemanha, em 1933. Louise von Salomé, escritora e psicanalista, decide reescrever as suas memórias. Ela tem 72 anos. Desde criança quis ser uma intelectual, não se casar ou ter filhos. As suas ideias filosóficas contestadoras das regras e da religiosidade levaram-na a uma postura de independência feminina sem barreiras masculinas, seduzem alguns homens e mentes mais brilhantes da sua época. Entre eles, os filósofos Paul Rée e Friedrich Nietzsche, o psicanalista Sigmund Freud, o poeta Rainer Maria Rilke, o jovem filólogo Ernst Pfeiffer e o orientalista Friedrich Carl Andreas. Muitos se apaixonam, mas sem acreditar no casamento, ela exercita a liberdade de viver. No século XX, a sua postura feminista e pensamento libertário a tornam alvo da Gestapo.

Já havia dito isso ontem quando conferi um filme infantil alemão e hoje volto a frisar que a escola alemã de cinema é a que menos consegue envolver o público, pois não sabem dosar ritmo com história, deixando o longa ou extremamente cansativo ou um arraso, e infelizmente 90% deles entram no primeiro caso. Digo isso com muita frequência, mas também os diretores não colaboram, de forma que aqui a diretora especialista em séries (taí a explicação de o filme ter tantos elementos, e parecer ser uns 20 episódios em um único longa) Cordula Kablitz-Post entrega tantas passagens da personagem, com ela velha contando suas facetas para a biografia, que se formos analisar em suma não era para ser algo cansativo, mas sim algo rápido e dinâmico, afinal a protagonista teve envolvimento com diversos nomes famosos que já ouvimos falar algo, mas a enrolação cênica é tão grande, com um ritmo tão calmo e parado que vamos cansando a cada nova cena, e só nas mudanças de eixo aonde aparecem as fotos estáticas com a personagem se movendo somente que aí abrilhanta tudo e mostra uma técnica tão interessante que nossos olhos voltam a abrir, ou seja, temos quase uns 10 capítulos ou mais em um longa de 113 minutos, e sim, volto a frisar, que a história é muito boa, mas faltou aquele detalhe que poderia transformar de engodo em sucesso.

Não diria que temos interpretações geniais, mas sim ótimos personagens, que poderiam ser até melhores desenvolvidos na trama. Nicole Heesters conseguiu praticamente narrar com muita personalidade os feitos mais joviais de sua Lou para Ernst Pfeiffer vivo por Matthias Lier, de modo que a química de cumplicidade entre os dois com olhares, espantados dele e vividos dela durante a maior parte do longa acabaram soando vivos e interessantes, mas faltou mostrar um pouco mais da doença da protagonista, e com isso alguns momentos soaram mais jogados do que interessantes realmente. Katharina Lorenz tentou trabalhar a Lou adulta de uma maneira bem dinâmica, mostrando suas reais virtudes e vontades, fazendo o que bem desejava, e a atriz foi pra cima, tendo momentos de impacto e chamando a responsabilidade para si, mas sempre empacava nas dinâmicas masculinas que seguravam a trama para baixo e ajudaram e muito a cansar quem estava assistindo. Não lembro muito a fisionomia dos personagens, mas de certa maneira soaram bem artificiais e caricatos Alexander Scheer como Nietzsche sempre soando galanteador e dono da razão, Philipp Hauß meio abobalhado com seu Paul Reé fazendo todas as vontades da protagonista, Julius Feldmeier com seu Rilke poeta cheio de palavras, mas com muitos traumas na cabeça, e Harald Schrott como um Freud de poucas palavras, mas já famoso na época, ou seja,os homens foram objetos da protagonista e não tiveram sucesso para mostrar suas personalidades, aparentando ser mostrados como uma vaga lembrança na cabeça velha da narradora, e isso acabou ficando um grande erro no longa.

No conceito visual, a trama acertou muito com figurinos de época cheios de detalhes, locações surpreendentemente bem colocadas, aonde o misto da época de Hitler queimando todo tipo de livro de pensamentos, os personagens tendo suas objetificações demonstradas, e muita cenografia interessante para compôr cada momento, de modo que se mostrou como um trabalho de arte incrível que junto com a equipe de efeitos ainda conseguiu uma técnica surpreendente com a personagem andando por fotos estáticas da época, ou seja, um charme realmente. A fotografia deixou o longa muito marrom para colocar o estilo de época, mas ainda assim conseguiu criar nuances de sombras para tentar ambientar cada ato para onde devíamos olhar, mas nada surpreendente demais.

Enfim, é um filme histórico bem encaixado, que como disse talvez numa série de 10 capítulos desenvolvendo cada ato chamasse mais atenção e agradasse bem mais, pois aqui embora não corressem com nada, o excesso de informação juntamente com atores não muito cativantes conseguiram deixar o ritmo da trama num nível pra lá de cansativo, ou seja, daqueles que não temos como recomendar sem falar que veja sem estar com qualquer sono atrasado, senão a chance de roncar na sala é altíssima. Bem é isso pessoal, encerro essa semana que veio bem recheada aqui, mas volto na próxima quinta com mais estreias, rezando para que os indicados ao Oscar comecem a brotar com mais afinco pelo interior, então deixo meus abraços aqui e até breve.

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Encolhi a Professora (Hilfe, ich hab meine Lehrerin geschrumpft) (Help, I Shrunk My Teacher)

1/29/2018 01:18:00 AM |

Se tem algo engraçado no mundo do cinema é você ver as datas de lançamento de filmes, pois se estamos acostumados com algo americano aparecer bem atrasado por aqui, imagina com algum filme alemão! Pois é, o longa de hoje que estreou essa semana no Brasil, passou por lá em Dezembro/2015, ou seja dois anos atrás, e se duvidar já vimos as crianças desse filme como moços se fizeram algum outro longa, mas é a vida no cinema internacional! Dito isso, "Encolhi a Professora" é daquelas tramas que veríamos numa Sessão da Tarde tranquilamente, com uma história bacana e divertida, personagens prontos para uma aventura, mas que acabam com situações tão bobas que não conseguimos nos convencer de que algo daquele estilo poderia agradar quem não estiver no clima infantil, e dessa forma o resultado soa bobo e jogado, ao contrário do que poderia ser uma trama de escola mais envolvente e cheia de situações fantasmas e disputas entre professora versus aluno de uma maneira mais legal, porém não somos nós que fazemos o filme que queremos ver, então o jeito é rir das situações e criticar a bizarrice que vemos. Mas antes que achem que não gostei do filme, digo que me diverti bastante com a situação, porém faltou muito para empolgar.

O filme nos apresenta Felix, um menino de onze anos, tem dificuldade em se ajustar, desde que sua mãe mudou para um novo emprego nos Estados Unidos. Em seu primeiro dia de aula em sua nova escola, Felix tenta concentrar-se em seus estudos e evitar a odiada diretora, Sra. Schmitt-Gössenwein e se manter fora de confusão, até que um grupo de valentões o desafia a entrar em uma sala trancada, assombrada pelo fantasma da antiga diretora da escola. Pego no ato pela Sra. Schmitt-Gössenwein, Felix tenta fugir, se desespera e acidentalmente encolhe a diretora para apenas 15 centímetros! A fim de escapar do mal feito a esconde em sua mochila. Enquanto tenta descobrir como retornar a pequena ao tamanho original descobre outro problema ainda maior em suas mãos.

Já falei outras vezes aqui que a escola alemã de cinema é uma das mais estranhas, mas que também faz filmes comuns, afinal lá também existem crianças dispostas a bagunçar em uma escola, lugares assombrados e tudo mais, de modo que o diretor Sven Unterwaldt Jr. teve a capacidade de juntar todas essas ideias e criar um longa que passa o tempo e diverte sem muita enrolação, entregando o básico para a garotada que gosta de aprontar na escola, os famosos grupinhos de valentões, e adicionando ainda a ideia de diminuir pessoas (está na moda isso e não estou sabendo, já foram 2 filmes assim hoje, e tem ainda mais um ou dois nesse ano com a mesma temática!!), ou seja, não diria que o diretor errou no estilo, ao menos fez tudo muito rápido, pois o garoto já chega na escola, já arruma confusão, já reduz a diretora, já descobre outro problema, cria tudo e vai resolvendo, ou seja, algo meio desesperado, que pode até parecer absurdo, mas que ao menos não cansa. Mas o maior erro nem é tanto na velocidade, mas sim nas diversas incoerências de roteiro para quem costuma ver filmes cômicos e infantis, pois tudo soa bizarro, e aparentemente o diretor não se preocupa em arrumar nada, deixando que tudo flua normalmente.

Como é bem comum com filmes sem ser falados em inglês, o longa só veio dublado para cá, e assim nem podemos opinar como os atores se saíram nos diálogos, apenas posso dizer que a dublagem nacional não colocou gírias pelo menos e deixou tudo fluir com a naturalidade dentro do contexto de jovens em escola, apenas tenho de frisar que a vozinha fina que arrumaram para Anja Kling com sua miniatura da Sra. Schmitt-Gössenwein ficou incômoda no começo, mas que no final já estávamos até acostumados com ela. E também tenho de dizer que os jovens foram coerentes embora estranhos com algumas atitudes, mas isso é algo que vemos muito em filmes de jovens, então nem podemos dizer que foi erro deles, e sim talvez do diretor.

Dentro do conceito visual, temos de dizer que a escolha da locação da escola foi muito bem feita, pois temos algo de assombrado só de olhar para o lugar, mas que acabaram apelando para a comicidade logo na cena seguinte, ou seja, poderiam ter criado mais tensão nos ambientes para aí sim no final ao revelar a grande ideia do fundador puxar para a comicidade e diversão, mas como esse não era o objetivo do diretor, ao menos os objetos e detalhes foram bem colocados. Outra grande sacada foi na diminuição da protagonista, encontrarem objetos bem próximos dos reais para igualar tamanhos, o que ficou bem bacana de ver. A fotografia também acabou ficando um pouco perdida nas escolhas de tema, já que tudo aparentava puxar para o tom mais sombrio, mas ao mesmo tempo parecia estar numa festa imensa, ou seja, luzes e sombras brigando sem parar do começo ao fim do longa.

Enfim, é um filme que passa sua mensagem, mas que apenas passa realmente, sendo divertido dentro do básico para quem não possui mais nada para assistir, ao menos as crianças se conectaram em alguns momentos e a trama acaba agradando eles. Não diria que seria algo que recomendaria com grande afinco, mas ao menos não é algo que não recomendaria. Portanto se quiser uma opção de passeio para passar o tempo é uma escolha razoável. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia da semana, então abraços e até mais.

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