Golpe Duplo (Focus)

quinta-feira, março 05, 2015 |

É bacana quando um filme não nos compra pelo trailer e ao ser apresentado nos divertimos tanto com a história passada que o resultado chega a ser impressionante, e mesmo contendo diversas cenas que acabam sendo até lentas e enroladas, "Golpe Duplo" consegue nos envolver e surpreender a cada reviravolta no roteiro, de forma que a cada momento já não sabemos qual é a verdade de cada situação. Ou seja, embora o longa seja uma comédia, conseguiram trabalhar tão bem o conteúdo que acabamos ficando presos na história tentando desvendar aonde entra o novo golpe, e ao ser explicado, ficamos mais revoltados ainda de um golpe estar dentro do outro, o que é muito bom mesmo. Claro que nenhuma comédia sobrevive sem alguns clichês tradicionais, mas são meros pontos dentro da trama toda que nem chegam a incomodar, então prepare-se para a próxima semana, que esse com certeza é um filme que vale a pena conferir e vou falar mais dele abaixo.

A história nos mostra que Nicky é um experiente mestre trapaceiro que se envolve romanticamente com a golpista novata Jess. Enquanto ele ensina a ela os truques do negócio, Jess acaba se aproximando demais e ele termina a relação abruptamente. Três anos mais tarde, essa antiga paixão - agora uma talentosa femme fatale - aparece em Buenos Aires no meio das altas apostas de um circuito de corrida de carros. Durante o esquema mais recente e perigoso de Nicky, ela promove uma reviravolta em seus planos, deixando o calejado vigarista fora de seu jogo.

O trabalho feito pela equipe de montagem em cima do roteiro é algo tão interessante de acompanhar, que mesmo sendo algo linear, voltando em alguns momentos para explicar a maioria dos golpes, consegue ser bem inteligente, e isso é algo raro nas comédias atuais, de forma que os diretores e roteiristas, Glenn Ficarra e John Requa, foram precisos na condução do filme para que ele não cansasse. Digo isso de cansar pelo fato de que em diversas cenas temos alguns pontos calmos em que podemos respirar, afinal se o longa fosse todo como foram as cenas iniciais era capaz de na metade do longa estarmos pedindo um respiro, e assim com essas pequenas pausas dramáticas, conseguimos raciocinar e desenvolver para onde cada golpe está indo. Como os diretores iniciaram suas carreiras com um filme também sobre golpes, "O Golpista do Ano", podemos dizer que já estão aptos no estilo, mas ainda foram mais espertos também ao contratar um ladrão verdadeiro, Apollo Robbins, para coreografar as cenas de roubo, o que deu ainda mais veracidade para a trama, não que sem ele não conseguiriam, mas é tão impactante as cenas de furtos, que a vontade que dá é de bater a mão no bolso para ver se nossa carteira ainda está lá.

Outro fator muito bem desenvolvido foi na direção de atores, pois todos na produção já tiveram seus altos e baixos, fazendo filmes extremamente ruins, outros brilhantes, mas aqui encontraram um eixo bem pautado para que não houvessem erros, e isso ficou muito bom de acompanhar. Will Smith conseguiu divertir, ter dinâmica e ainda assim interpretar muito bem seus diálogos, o que raramente acontece tudo junto, pois ou corre, ou atua ou incorpora na maioria dos seus filmes, e aqui o seu Nicky precisou de todas as características para ser envolvente e acertado, e dessa forma mostrou que o velho Will pode estar voltando a forma antiga que gostamos de ver. Margot Robbie, além de linda, colocou carisma em cima de sua atuação e fez de sua Jess, uma personagem que em diversos momentos parece singela, mas não abre o olho pra ver o que pode fazer com você, trabalhou bem na medida do possível, e a cada cena parecia melhorar mais ainda. Rodrigo Santoro é o ator brasileiro que mais faz filmes lá fora na atualidade, e isso prova que ele tem talento, afinal a maioria dos papéis são oferecidos para quem tem as características necessárias para o papel e passam por testes na maioria das vezes, e o seu Rafael Garriga embora não seja um personagem tão presente na trama consegue ter boas nuances e agradar na forma mostrada, talvez se quisessem um latino mais impactante no papel a opção seria outra, mas ele fez bem também e entregou uma boa atuação. Gerald McRaney inicialmente parecia ser apenas mais um personagem bobo, mas com o andar da trama, a sua atuação vai ficando mais intensificada e o seu Owens acaba tendo uma participação bem significativa e interessante, o que agrada bem tanto pelo que o ator fez, quanto pelo personagem, ou seja, um trabalho bem colocado, pois poderia entregar o jogo logo de cara se errassem em alguma vírgula. E outro que mandou muito bem na atuação é Adrian Martinez que deu a seu Farhat, um ar cômico maravilhoso e extremamente divertido, o ator sempre faz papéis pequenos, mas bem colocados, e aqui foi de uma valia incrível. E outro que vale destacar mesmo com sua cena sendo bem pequena, mas extremamente bem feita é BD Wong com seu Liyuan, não tem como não cair o queixo após a explicação de sua cena, e o ator ajudou muito para que tudo resultasse bem na forma de atuar.

A produção do filme foi muito bem desenvolvida com cenários escolhidos na medida para que cada golpe tivesse luxo cenográfico e os atores apenas desenvolvessem as cenas, e dessa maneira, a equipe artística teve um trabalho monstruoso para que cada locação ficasse ambientada de maneira luxuosa, e lotada de elementos cênicos para que cada um manuseasse e nos surpreendesse com cada ato, ou seja, um filme bem rico em detalhes que são usados felizmente para tudo. A fotografia também trabalhou com cores leves e claras para dar nuance e desenvoltura para os atores, e isso é legal de acompanhar, pois nas cenas aonde os tons escuros dominaram é justamente as que mais cansam ou se estendem para o respiro que falei no início.

Enfim, um filme muito bem feito que até possui alguns defeitos, mas que no geral agrada bem mais do que incomoda. Além claro de como já falei surpreender demais com as reviravoltas na trama por conta dos golpes, ou seja, dá para quebrar a cabeça muitas vezes. É engraçado que não vi nem no começo nem no final legendarem o nome da trama para "Golpe Duplo", aparecendo apenas "Focus" que é o nome original e revela bem menos do que o nacional, aí quem sabe pode ser que tenham se arrependido do nome, mas ninguém saberá realmente isso. Recomendo com certeza conferir o filme assim que for lançado na semana que vem, 12/03, pois é divertido e bem interessante. E claro que deixo aqui o agradecimento especial ao pessoal do Shopping Iguatemi Ribeirão Preto por conseguir mais essa pré-estreia para convidados, que com a sala lotada, foi notável que todos gostaram do que viram, então o resultado é provável que agrade o público ao estrear. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda tenho os longas que estrearam nessa semana para conferir, então abraços e até breve com novos posts.


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Superpai

segunda-feira, março 02, 2015 |

Todos já assistiram algum filme que algo dá errado, e ao tentar arrumar, as coisas só vão piorando. Já teve filme americano, francês, argentino e até outros brasileiros que tentaram copiar o filão que deu certo de "Se Beber Não Case", mas saber copiar é uma dádiva que nem todos possuem, e o gênero cômico se errar a mão pode se virar completamente contra os realizadores e o resultado não agradar como poderia. E isso é o que ocorre com "Superpai", pois a ideologia foi bem feita, o roteiro tentou usar piadas sujas e algumas escatologias, tem o lado bonitinho também do lance familiar, mas acabaram se perdendo em algum momento, que pode ser desde o roteiro até a montagem, e o que era pra ser completamente besteirento e agradar um estilo particular de público, acabou ficando bem morno para agradar a todos, e aí acabou não agradando a quase ninguém. Não digo que o filme foi um fiasco completo por conseguir divertir em diversos momentos, mas faltou a pegada inicial que aparentava ter logo de cara, na criação dos personagens e nas suas ideologias, que com muita certeza teria uma classificação indicativa de no mínimo 16 anos para não falar em 18, e ficar com 14 anos moderada, e assim aliviar a pressão que acabou faltando.

O filme nos mostra que Diogo é um adolescente tardio, que reluta em sucumbir à vida adulta. Casado com Mariana, ele vê a chance de resgatar a popularidade dos tempos de escola quando a turma resolve se reencontrar em uma grande festa para marcar os 20 anos de formatura. Acontece que no dia D, a sogra sofre um acidente que tira a esposa dele de casa, e Diogo terá que cuidar do filho pequeno. Para não perder a comemoração – e a chance de “pegar” uma antiga paixão do colégio – ele resolve deixar o filho em uma creche noturna. Na hora de pegar o menino de volta, porém, ele acaba levando uma criança coreana por engano. E Diogo vai viver altas confusões ao longo de uma noite ao lado dos amigos César, Nando e Júlia para recuperar o filho. E o prestígio.

O roteiro do filme até mostra que Pedro Amorim pode num futuro acertar a mão no estilo comédia forçada que muitos gostam e que faz rir, mas primeiramente ele precisa fazer fama e criar colhões suficientes para enfrentar os produtores que adoram censurar e querem dinheiro colocando um filme com classificação abaixo do que deveria. Digo isso facilmente, pois a sensação de impotência é gigantesca ao final do filme, claro que a ideologia é bacana já que o nome é "Superpai" e dar um fechamento condizente com isso é correto, mas temos todo um miolo antes para que o público role de rir das situações, temos personagens com formatos totalmente incoerentes e cheios de sacanagem para desenvolver, daí deixar isso de lado para ficar politicamente correto, foi a falha mais brochante que o longa poderia ter. Repito que temos diversas cenas engraçadas que sobraram durante o filme, mas que a capacidade do diretor era algo bem maior do que foi entregue isso eu tenho certeza absoluta, e quem sabe ainda um dia consiga ler a primeira versão do roteiro que tenho mais absoluta certeza que seria um filme pra pessoa mais suja do planeta se arrepiar. Mas já que o que nos foi apresentado foi esse filme que com certeza pode passar na TV aberta em horários diversos, o que posso falar é que o trabalho de escolha dos planos é um ponto totalmente a favor do filme, já que o diretor já havia nos mostrado em seu filme anterior que não gosta de câmera parada, aqui temos ângulos sendo ainda mais ágeis para dar o ritmo na trama e envolver as piadas fracas, e assim, tentar agradar um pouco mais do que o leve sorriso nas cenas mais normais.

Sobre o elenco não tem jeito, Danton Mello é fraco, isso é um ponto que ele se esforça para ser cômico e raramente consegue, já errou em diversos filmes sempre da mesma forma, e já está na hora de algum diretor ver que ele não tem rosto engraçado, não tem tom risível nas piadas e sempre força seu estilo humorístico para que o público ao menos ria de piedade dele, quem sabe fazendo algo policial ou dramático tenha mais sucesso, mas aqui mesmo quase se matando pulando e rolando, ainda foi fraco, não estou dizendo que ele não se esforça, muito pelo contrário, tentou de diversas formas, mas não envolve. Agora a grande vítima do corte do pudor no roteiro tenho certeza absoluta que foi Dani Calabresa, pois sua Júlia devia ter algumas das piadas mais quentes e sujas que fariam a equipe nem conseguir gravar direito, é nato isso em diversos momentos do filme, e ela tentou até se segurar, além disso, também é responsável pelo maior erro de continuidade claro do cinema nacional, e pode até ser devido aos cortes, que numa cena está toda lambrecada de batom junto do personagem de Tabet e na seguinte está tão arrumada quanto saiu da festa, mas tirando esses defeitos, até que soube atuar razoavelmente bem, ainda prefiro ela como apresentadora da MTV, mas vai ficar boa em breve com tantos projetos. O personagem de Thogun Teixeira, Nando, provavelmente conteria as piadas homofóbicas que o produtor do longa estaria até agora tentando explicar para o conselho de ética, e tirando uma cena fraquíssima, é demonstrado sua sexualidade, do restante nem o ator se esforça para fazer o tipo, nem a trama mostra algo que o faça sair do armário, ou seja, ficou algo tão neutro que não agrada nem desagrada ninguém, quase nulo. Até hoje só conhecia Antonio Tabet de alguns vídeos do "Porta dos Fundos", e o que lá o fazia um cara engraçado, aqui ficou totalmente piegas e sem envolvimento, algumas cenas suas são divertidas, mas o ator pareceu perdido quanto ao texto maior do que apenas as esquetes para a internet, e assim seu Cezar ficou fraco também. Monica Iozzi já havia dito que sairia do CQC para ser atriz, e isso vem se consolidando bastante já que está fazendo diversas novelas, filmes, esquetes e tudo mais, e de todos aqui foi a que menos deu falhas, claro que se usasse seu tom humorística agradaria mais, mas nas poucas cenas que está do filme, fez com que sua Mariana fosse divertida e interessante de acompanhar. O destaque com certeza de caras e bocas do filme fica claro para o garotinho Erik Min Soo Chung que com seu Jaspion cheio de fofura, com certeza divertiu demais a equipe de filmagem, e agrada no que faz em cena, poderia ser mais explorado no filme que agradaria mais ainda.

Sobre o visual, embora a maior parte das cenas se desenvolvam dentro de um carro, nas paradas souberam colocar bem os elementos cênicos para dar conteúdo e representar os locais sem precisar ficar falando, aqui é tal lugar, aqui é outro lugar, e isso é algo que já venho falando de outros filmes nacionais que os diretores de arte tem trabalhado bem e gastando boa parte do orçamento para agradar. Talvez uma ou outra cena merecesse algo a mais, mas no geral agrada bem, o destaque falho fica para a festa de confraternização que num primeiro momento estava sem figurantes e na cena mais para o fim já está lotada de pessoas, claro que o ambiente foi reduzido, mas aparentou ser uma falha. A fotografia do longa também não se desenvolveu demais, sendo apenas correta, o que poderia ser abusado mais com tons diferenciados para cada estilo de cena, e embora correto por termos muitas cenas dentro do carro, faltou saber mostrar que numa rua, a iluminação oscila, e com todo momento todos bem iluminados, ficou claro que estavam dentro de estúdios em boa parte do tempo.

Enfim, é um longa divertido no geral, mas que poderia ser algo muito, mas muito melhor mesmo sem que tivessem censurado tudo. Quem gosta de algo leve para rir, talvez até goste mesmo com algumas escatologias, mas quem desejar uma comédia que vai fazer você chorar de tanto rir, essa não é a que irá fazer isso. No geral como cumpriu com o dever de divertir até vale o ingresso, mas está longe de ser algo fantástico, então só vá se você realmente gostar de comédias inusitadas e procure não caçar as falhas, pois está muito fácil. E não falei de Rafinha Bastos e Danilo Gentili por um único motivo, ambos apenas aparecem de enfeite no filme, antes que alguém pergunte, o papel de Bastos até poderia ter muita história pra contar, mas foi quase algo nulo. Bem é isso pessoal, fico por aqui encerrando a semana cinematográfica com esse filme, então abraços e até breve.


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Relatos Selvagens

domingo, março 01, 2015 |

Sei que você que está lendo esse meu texto já passou por algum momento que desejou matar algum atendente de órgão público, ou desses telefonistas chatos, ou o patrão/chefe insistente, ou até mesmo algum conhecido por algo que lhe deixasse completamente irado, e isso é normal da personalidade humana, mas ao sair do pensamento para a prática, aí a coisa já fica um pouco mais complicada. Pois bem, em "Relatos Selvagens", os melhores atores argentinos nos presenteiam com as situações mais desesperadoras pelas quais passaram, colocando sua raiva para fora, mas com muito motivo, e em 6 curtas maravilhosos e completamente divertidos acabamos rindo das situações que com muita certeza desejaríamos fazer o mesmo que eles, ou seja, nos vemos com os protagonistas, e isso que é bacana. E com uma direção precisa, novamente o cinema argentino nos mostra que não basta fazer comédias, tem de saber aonde vai a bobagem e aonde cabe a loucura, ou seja, mais um longa deles que foi indicado ao Oscar e diversas outras premiações, enquanto ficamos dentro do patamar novelesco bobinho e simplório.

O filme conta uma história de tragédia, amor, decepção, passado e violência, que espreitam a superfície do cotidiano. Vulneráveis às mudanças inesperadas da realidade, os personagens são levados para o abismo e para o prazer de perder o controle, atravessando a pequena linha que divide a civilização da barbárie.

Falar de cada história individualmente é quase que dar spoilers gratuitos, pois o que leva a nos divertir é conhecer cada situação limitante no momento exato em que é apresentada, e isso foi feito de uma maneira tão peculiar pelo diretor e roteirista Damián Szifrón que não temos como achar defeitos no contexto de cada um dos trechos, mas sim nos imaginar naquela situação como resolveríamos da forma civilizada, e num momento mais explosivo. O que posso adiantar apenas são meus trechos preferidos, que com certeza é em primeiro lugar o episódio do engenheiro interpretado por Ricardo Darín, em seguida a história de abertura do avião, logo bem próximo a história do jovem no automóvel, e fechando com chave de ouro, a confusão no casamento. Não que as duas outras histórias sejam ruins, mas são as que menos me envolveu, embora a do restaurante muitos sonhem em um dia fazer aquilo. A classe que o diretor trabalhou para compor cada história é algo que não consigo imaginar, pois mesmo tendo nossos momentos de raiva explosiva, tudo foi tão bem elaborado que se acontecesse na minha frente hoje, iria rir só de pensar no que vi no filme, já imaginando não ser real, mas repito, pode acontecer tranquilamente com qualquer um, e diante da forma clássica da filmagem argentina, que sempre mistura drama e suspense nas suas comédias, o resultado do trabalho ficou digno dos prêmios e indicações que tem levado, e se antes não conhecia esse diretor, agora posso com certeza colocar o nome dele em algum lugar para que seu próximo filme veja correndo.

Sobre as atuações é algo até difícil de falar, pois temos tantos atores bons fazendo personagens brilhantes que daria uma tese completa analisar cada um deles, e digo mais, conhecendo o cinema americano, não duvido que logo mais comprem os direitos da produção para fazer uma versão americana com um elenco monstruoso também por lá. Mas vamos lá falar ao menos dos destaques, e claro não poderia começar falando de outro senão Ricardo Darín, que é um dos atores argentinos mais conhecidos fora da Argentina, e aqui trabalhou de forma tão bem colocada que não temos como não lembrar de seu Roberto em "Um Conto Chinês", pois seu Simón aqui novamente é levado ao limite por uma situação cotidiana que realmente irrita a todos, e ele sabe segurar seu lado mais forte para o momento exato da trama, e isso é excelente de ver em todos os filmes que faz. Leonardo Sbaraglia trabalhou muito bem encaixando seu Diego com uma história bem maluca de briga de estrada, mas soube demonstrar diversas nuances expressivas em cada momento da sua história, e isso é bem bacana de ver. Agora o grande destaque feminino ficou por conta de Erica Rivas, que fez de sua Romi, uma mulher completamente insana ao surtar com o que ocorre em seu episódio, a mulher trabalhou trejeitos, fez diálogos impactantes e brilhou totalmente de forma a fechar o filme com chave de ouro, um luxo que poucos diretores conseguem ter em suas mãos. No episódio de abertura do avião, por ser bem curto e com muitos atores não dá para destacar ninguém, mas a simples colocação da temática já foi algo genial e vale a pena pelo contexto que todos trabalharam bem.

Visualmente temos um filme muito interessante, pois ao trabalharmos pequenos trechos, não ficamos presos em nenhum cenário particular, e isso com toda certeza foi de um trabalho monstruoso para a equipe artística, mas que resultou em algo que merece muitos aplausos, pois cada um dos episódios possui sua própria característica cênica, seus próprios elementos para brilhar tanto a atuação dos protagonistas, quanto mostrar realmente o momento correto, e isso já é difícil de acertar num único filme, quanto mais em seis conjuntos, ou seja, perfeição novamente que merece ser reparada detalhadamente. Sobre a fotografia, posso repetir tudo que disse da equipe de arte, mas ainda dá para frisar que com tons quentes usaram sabiamente cada momento chave com cores a beira da explosão, mas claro que sem errar, e isso para alguns pode até chocar, já que alguns não são muito fãs de tensão explosiva, mas os fãs de filmes de Almodovar e Tarantino podem se preparar para sair do cinema em êxtase com o que lhe será presenteado a cada trecho.

A trilha sonora de Gustavo Santaolalla é outro ponto da trama que nos deixa no ritmo forte que quiseram nos impor, tanto que o filme parece curtíssimo, mas tem mais de duas horas, e abusando de acordes que nos remetem ao rock tradicional e até marcações clássicas do tango de impacto, o compositor dá a amarração perfeita para que o filme envolva muito e agrade demais a cada ponto preciso dos episódios.

Enfim, é um filme que se você não viu por ter estreado em poucos lugares, já marque em qualquer lugar para alugar, ver online ou de qualquer forma obrigatoriamente, pois é algo genial e muito bem feito. Garantia de muitas risadas e percepções artísticas de uma maneira que quem ainda não for fã dos longas argentinos, com certeza vai sair buscando muito mais após conferir o filme. Recomendar ele é uma palavra muito pequena perto da grandiosidade do filme, e já estou bem curioso para ver o filme que acabou levando o Oscar de Melhor Estrangeiro, pois ganhar desse espetáculo é algo que tem de ser muito bom. Infelizmente o longa ainda não estreou em Ribeirão Preto, e torço que apareça logo para que mais amigos possam conferir, como vim para Rio Preto passear e visitar a família, aproveitei que o longa estava em cartaz por aqui para ver em boa película num dos cinemas da cidade, que ainda não se digitalizou, e acho que esse é o principal motivo de ainda não ter passado por Ribeirão já que a estreia oficial foi em Outubro de 2014 no Brasil. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda falta uma das estreias da semana para conferir, então abraços e até breve.


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A Teoria de Tudo

sábado, fevereiro 28, 2015 |

É tão comum fazerem biografias de pessoas que já morreram, que quando vemos uma história real nos cinemas, a primeira pergunta que ouvimos na sessão de cinema é: "ele morreu quando?", logo em seguida vem "não tem como uma pessoa viver assim!", e daí você sai da sessão de "A Teoria de Tudo" pensando como você pode reclamar tanto da sua vida se você não tem nem metade do perrengue que esse gênio da física passou. Porém passado o momento de desespero da sua baixa-estima, o que vem na nossa mente tirando a espetacular atuação do protagonista é que o filme foi falho ao mostrar a vida dele por um único e grandioso problema, o filme é baseado no livro da esposa, e embora tenha cuidado muito bem do marido, tendo sofrido demais, se passar como coitadinha acabou soando forçado em diversos momentos. Sabemos o quão duro é a vida que deixou de lado para cuidar dele, mas não necessitava algumas cenas que mostraram o teor sofrível e desgastante, e isso não só pode, como acabou custando diversos prêmios em festivais, o que é uma pena, já que se a história fosse algo mais enobrecedor da sua parte teria uma vivência bem melhor e mais bonita.

A cinebiografia conta a história do físico Stephen Hawking. A trama explora a sua vida como estudante da Universidade de Cambridge, onde conheceu sua futura esposa, Jane. Foi nessa fase em que ele começou a ter os primeiros sintomas da esclerose lateral amiotrófica (ELA), que lhe tirou os movimentos do corpo e a fala.

O fato de ser uma biografia já limita bem o trabalho de um roteirista, afinal ele não pode ser ousado o suficiente para inventar muita coisa, ainda mais pelo fato das pessoas estarem vivas, mas Anthony McCarten poderia ter trabalhado de uma forma menos forçada na composição de Jane Hawking, pois tirando as mulheres que já sofreram com alguma doença dos maridos, as demais pessoas não conseguirão normalmente assimilar ela como uma coitada frente à uma pessoa deficiente, claro que é nato que a pessoa sofreu, mas querer elucidar demais isso é um erro gravíssimo frente à tudo que mostram acontecendo no filme. Porém esse é o único defeito de um filme feito com comicidade e emoção, aonde o diretor James Marsh soube cuidadosamente amarrar as atuações magníficas num contexto maior e mais simbólico, claro que talvez um filme sobre as teorias mesmo de Hawking seria algo monstruoso e que poucos entenderiam, mas conhecer um pouco da sofrida vida do personagem já foi feito de forma bem trabalhada com técnica segura e movimentos tão suaves que geram uma sutileza nata de um espectador bem presente nos momentos, no caso, a esposa.

Falar da atuação do ganhador de praticamente todos os prêmios do ano é algo que não dá para explicar de tão boa que é, pois Eddie Redmayne, sem dúvida alguma pode escolher o projeto que desejar, e mesmo fazendo algo muito ruim, ainda vão lembrar de quão boa foi sua interpretação de Stephen Hawking que vão relevar, foi literalmente uma incorporação de personagem, com trejeitos mínimos perceptíveis frente à câmera, singularidades que se uma pessoa pegar o filme despercebida na TV vai achar que o jovem realmente tem todos aqueles problemas, literalmente chegamos a querer ajudar o personagem e por consequência o ator à fazer suas coisas, não dá para falar que foi perfeito, pois essa palavra ainda é abaixo do que o jovem fez. Felicity Jones foi infeliz no papel de Jane somente pelo fato que já frisei acima, de tentarem mostrar a protagonista como uma coitada e não como alguém batalhador que esteve sempre ao lado do marido nos momentos difíceis, pois a jovem fez uma interpretação até que considerável, e acabou sendo indicada à diversos prêmios, mas a culpa dos erros é do roteiro e não dela, e assim sendo alguns momentos soaram até falsos frente ao que mostra contradizendo o que falava, ou seja, talvez a direção pudesse ter mudado alguns detalhes que a jovem daria um show também, mas não ocorreu, então está levando algumas pedradas. Charlie Cox deu um ar meio estranho para o seu Jonathan, é contado em certo momento seus problemas, mas é outro que acabou soando como coitado na história e ficou falso em alguns momentos do filme, faltou um pouco mais de olhares para convencer, pois mesmo nos momentos emotivos e bonitos que está junto dos protagonistas, seu olhar triste chega a beirar piedade, e isso não é legal frente à um personagem. Algumas cenas de Simon McBurney como Frank mostram o quanto alguns professores são grandes mestres e esforçam a mente dos discípulos para um bem maior, mas como esses momentos não foram tão explorados, ele apenas soou mais como um amigo particular do que como o grande mestre por trás da mente brilhante do personagem principal, e isso também pode ser considerado uma falha, já que o ator é muito bom e merecia algo de maior destaque. E para finalizar, já que daria para falar de muitos outros personagens que foram importantes e não ganharam o devido destaque, vale a pena falar de Maxine Peake como Elaine, pois logo de cara a atriz pegou algo e fez toda uma vitalidade impactante que deveria ser mostrada na protagonista, e talvez isso até esteja no livro como algo que Jane gostaria de se enxergar e pôs na personagem como motivo para sua separação, ainda mantendo o lado de vítima, e a atriz fez tudo tão bem colocado que mesmo entrando somente no fechamento do filme, acabou agradando bastante.

Sobre o visual da trama, conseguiram montar uma cenografia clássica dentro de uma proposta não muito conservadora, e isso é bacana de ver, pois é o que costuma acontecer em demasia nos filmes britânicos, e raramente eles erram nesse conceito agradando tanto na quantidade de elementos cênicos para que cada cena tenha a simetria correta, os detalhes sem exagero, tudo ficando em uma pontuação clara e minuciosa de forma artística e soa bonito, mas faltou a ousadia que agradaria e chamaria atenção, por exemplo o que foi mostrado nas várias cenas de escadaria, tanto com os amigos quanto a com o bebê, que foram muito bem colocadas, e agradaram bem mais que as outras mais rebuscadas. Quanto da fotografia, o cinema britânico adora os contra-planos com luz estourando frente aos tons marrons em primeiro plano, é algo clássico que funciona de certa forma para dar personalidade aos seus filmes, mas não dá brilho nem para que os atores sobressaiam nem que o filme ganhe vida própria, talvez algo mais puxado para o pastel com destaque frontal daria uma vida maior e chamaria destaque não apenas para a boa atuação do protagonista.

Quanto da trilha sonora de Jóhann Jóhannsson é um espetáculo fora de série, com nuances puxadas para cada momento ser envolvente e interessante, ganhando charme e agradando demais, quando deram o prêmio para "Grande Hotel Budapeste" podemos dizer que a academia gostou mais do formato cômico do que algo mais sério e envolvente, que nos foi entregue aqui.

Enfim, um filme muito bem feito e que nos envolve ao mostrar toda essa vida de luta que segundo os médicos não duraria no máximo 2 anos, e já passados mais de 50 demonstram uma garra e determinação tamanha, tanto da pessoa Hawking como de todos ao seu redor, e souberam mostrar bem isso, tirando o pequeno defeito que falei que seria melhor ocultado da trama. Demorou quase um mês para chegar ao interior, mas fiquei muito feliz que numa sessão às 22 horas a sala estava lotada, significando que felizmente a grande maioria acabou não baixando o longa e foi conferir agora nos cinemas, apenas digo para todos que corram, pois como são poucas cópias, não deve ficar muito na cidade, mesmo dando público. Bem é isso pessoal, recomendo muito o longa para quem gosta de dramas clássicos, mas com uma pegada bem leve de comicidade que vai agradar com certeza de alguma forma tanto pela biografia quanto pelo trabalho feito, fico por aqui agora, mas ainda hoje irei conferir outro bem atrasado que não apareceu ainda em Ribeirão Preto, mas como estarei em São José do Rio Preto, vou conferir por lá, abraços e até mais tarde.


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Tinker Bell e a Lenda do Monstro da Terra do Nunca

sexta-feira, fevereiro 27, 2015 |

Quando digo que assisto tudo, alguns amigos ainda frisam o "mas tudo mesmo?". A resposta sempre é a mesma, afinal porquê distinguir um filme de outro? Temos de analisar, e claro alimentar o vício cinematográfico com todas as histórias possíveis que nos for entregue. E aqui, o segredo de uma boa animação da Disney é mantido e adicionado o teor da saga das fadinhas, colocando alguns personagens carismáticos, um ponto de conexão para a história que leva o título, músicas agradáveis e pronto, temos um filme gostoso de acompanhar, curto, afinal a saga foi criada originalmente para passar repetidas vezes na TV, mas sempre com um mote bem feito e interessante. Mas aí vem a pergunta, o que "Tinkerbell e A Lenda do Monstro da Terra do Nunca" se diferencia dos demais? A resposta vem em alto e bom som: TEXTURAS!!! Sério pessoal, se você já achava o Sullivan de "Monstros S.A." algo perfeito, o que fizeram com esse monstro do filme foi algo que tenho certeza que os executivos da Disney nunca se imaginaram capaz, e isso faz com que o filme mesmo contendo uma história simples, porém muito bem feita, seja ainda melhor para quem for fã de animações e for levar alguma criança para conferir (afinal não podemos assumir que vamos sozinhos ver Tinkerbell não é mesmo, no meu caso levei minha irmã que é fã das fadinhas!!!).

A história nos mostra que divertida e talentosa, Fawn é uma das fadas dos animais que acredita que não se deve julgar um livro pela capa, ou os animais por suas presas. Um dia, ela acaba se tornando amiga de uma criatura enorme e misteriosa conhecida como o Monstro da Terra do Nunca, e tenta convencer Tinker Bell e seus amigos de que o bicho não é o que eles pensam.

Embora vamos descobrir, de forma simbólica, a história real do bichão, o longa inteiro dá para ligar os pontinhos facilmente e entender tudo que é mostrado, afinal foi feito para crianças e não poderiam forçar tanto a barra. E dessa forma acertada, o roteiro simples e bem elaborado consegue convencer nos envolvendo com uma história bonita, que acaba sendo criada pela amizade da fadinha com o bichão e todo o desenrolar da trama. O diretor e roteirista Steve Loter, entra para dirigir seu primeiro filme da saga que já computa 6 filmes, e foi sábio ao trabalhar com foco em menos personagens do que a trama anterior, tanto que Tinker acaba quase não sendo importante para esse longa, e isso não é ruim, afinal não é porque o longa leva seu nome que a fadinha verde necessita estar aparecendo sempre, mas isso com certeza foi um risco que ao escolher muitos no estúdio devem ter lhe chamado de maluco, porém como a fadinha Fawn é carismática suficiente e a protetora Nyx também trabalhou de forma crível, tudo ficou bem feito e com o bichão em cena ninguém tem nem como tirar os olhos dele.

Volto a falar que não conseguimos tirar os olhos do bichão por vários motivos, e o principal é sua textura de pelos incrível e que mesmo sendo uma animação computadorizada, com auxílio da tecnologia 3D posso dizer crivelmente que quase conseguimos sentir o tão macio que é, parecendo quase um daqueles ursos de pelúcia bem fofos, e dessa forma posso dizer que finalmente atingiram o patamar que precisavam para mostrar pelos em um filme. Claro que o protagonista chamado de Ranzinza não é só texturas, e o carisma da sua personalidade é algo que faz com que todos se divirtam e emocionem, de maneira que a proposta do filme funcione bem. A fadinha meio amalucada Fawn também possui um carisma bem bacana, e cantando as suas canções saiu bem colocada, agradando nas situações que acaba se envolvendo e foi desenhada com formas muito bem trabalhadas, assim como as demais fadas, todas tento cabelo bem ornado e que repito mais uma vez, mostrou que a técnica de animação escolhida dessa vez foi algo que podemos esperar no próximo filme da Disney um primor monstruoso. Outro personagem que chamou atenção foi a fada protetora Nyx que demonstrou muita coragem para os pequeninos e chega a ser até rude demais em alguns momentos, mas se os pais souberem explicar o desfecho para as crianças, servirá de um ótimo exemplo. As dublagens foram feitas com vozes bem gostosas e suaves, dando um tom para os personagens bem interessante, que acaba funcionando na medida.

Sobre o quesito artístico, dessa vez não temos diversos locais para serem explorados, afinal ficamos reclusos quase que integralmente na floresta aonde o bichão vive, mas com muitas árvores e pedras, temos algo bacana e bem colorido para que os personagens desenvolvam suas ações e junto com eles pudéssemos ir conhecendo cada um e o motivo completo da história para aonde vai terminar. E claro que o pessoal da fotografia digital fez um colorido bem vivo para realçar seu trabalho e chamar atenção nos pontos que eram chaves da trama, um luxo total, que ainda vamos ver muito nos próximos episódios da saga. Sobre o 3D, posso dizer que funciona na maior parte do filme, já que muitas cenas são com os personagens voando, mas a tecnologia funcionou mais como uma conexão para que o visual ficasse super realista, isso não tenho dúvida alguma.

As canções dessa vez foram mais tristes, mas isso não atrapalhou em nada o desenvolvimento da trama, muito pelo contrário, servem para auxiliar na emoção que querem passar para os espectadores, e como todo filme Disney que se preze, funcionam e são bem bonitas.

Enfim, mais uma vez acertaram na saga fazendo algo muito bonito e que vale a pena ser visto e compartilhado com a garotada. A saga só vem crescendo, e para todos assim como eu que achava que logo colocariam ela encontrando Peter Pan e encerrando a história, podemos com certeza tirar o cavalinho da chuva, pois devem arrumar ainda muitas outras histórias no meio do caminho para desenvolver e agradar os pequeninos que anseiam mais filmes. Bem é isso pessoal, recomendo ele com certeza, talvez alongaria um pouco mais para contar mais a história de outras fadinhas, mas como disse, ainda deve vir muitos outros filmes, então, como produtores querem dinheiro, filmes de 78 minutos é o que vão nos entregar. Fico por aqui agora, mas ainda irei conferir mais um longa hoje, então volto mais tarde com minha opinião sobre ele. Abraços e até lá.


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Sem Direito a Resgate (Life of Crime)

sexta-feira, fevereiro 27, 2015 |

Quando observamos um estilo diferente de filme, às vezes ficamos contentes com o que é mostrado, outras vezes ficamos apenas pensando no que o roteirista ou diretor queriam nos passar. Sabemos que no passado, os filmes de sequestro com ideologias monetárias eram bem planejados e tinham todo o cuidado peculiar com figurinos e armações, mas na maioria das vezes os planos eram completamente sem nexo algum, e isso acabava de certa forma engraçado e acabava entretendo o espectador, daí algum grande fã desse estilo imagina que se fizer algo desse estilo nos anos atuais talvez vá ganhar destaque e agradar também, mas devemos sempre lembrar que por trás de uma ideologia simples, existiam excelentes roteiristas no passado, e se um filme desse estilo não for bem arquitetado, a chance dele se tornar completamente chato é altíssima, e infelizmente isso foi o que acabou acontecendo com "Sem Direito a Resgate", que até tem um desfecho bem bacana, mas para chegar até ele, seus 98 minutos parecem intermináveis.

O filme nos mostra que Mickey Dawson é sequestrada e seu rico marido, que está com a amante se recusa a pagar o resgate exigido pelos criminosos. Com isso, os sequestradores terão que se planejar para encontrar outra forma de receber o dinheiro desejado.

O grande problema do filme é sua semelhança com diversos outros filmes, porém sem o brilhantismo que outras produções tiveram, e mesmo o roteirista Elmord Leonard conseguindo desenvolver bem o romance no qual foi adaptado, o longa tem diversos problemas de ritmo que o diretor Daniel Schechter não soube resolver, tanto que não é de se assustar se for pesquisar sobre o longa e ver que assim como muitas produções brasileiras, o filme foi lançado para festivais em 2013, saindo em circuito comercial somente no final do ano passado, ou seja, não conseguiram enxergar potencial nele, aqui não sei como será no final de semana, mas na sala aonde fui assistir só tinha eu. Outro problema do filme, além da falta de potencial, é a dinâmica entre os protagonistas, parece que todos estão atuando sozinhos, como se tivessem debatendo seus textos apenas com o diretor, não interagindo entre eles, e essa desconexão é algo que pode parecer absurda de ver num filme, mas ela acabou deixando um trabalho certamente monstruoso para a equipe de edição que tentou ao máximo amarrar as pontas, mas se vê furos à cada virada de câmera.

Sobre as atuações, como acabei de falar é até difícil ver alguma tentativa dos atores em se destacar para chamar ao menos atenção, todos parecem em alguns momentos até estar fazendo seus papéis, mas não de forma que seja considerada interpretativa. Jennifer Aniston, que também jogou um pouco de dinheiro na trama como produtora executiva, faz de sua Mickey uma daquelas mulheres que qualquer um que sequestrar vai saber que não vai ganhar nem R$100,00 quanto menos U$1 milhão, já sendo o desânimo em pessoa, e isso acaba não envolvendo nada na trama, faltou a pessoa se debater, querer algo a mais, mas não entrou nem estado de choque para falarmos que estava desesperada com o que lhe podia ocorrer, ou seja, podemos considerar esse como sendo um dos seus piores papéis. John Hawkes parece ter uma motivação tremenda em conseguir seus objetivos como Louis, claro que sua aproximação com a vítima é evidente e aconteceria normalmente da forma que foi, mas em momento algum vemos algo mais trabalhado, parece que necessitávamos da história anterior ao início do filme para engatar a trama, ou que ele demonstrasse mais sua vida de crime. Yasiin Bey foi quem mais tentou pelo menos ser expressivo com seu Ordell, mas como diz o ditado, uma andorinha só não faz verão, e suas expressões, trejeitos e tudo mais pareciam dar um gás na trama, mas já saia do seu momento e falhava tudo. Isla Fisher é um mulherão, isso não temos como negar, e teve até que uns diálogos bem trabalhados, mas só, faltou ser a amante fatal, ou será que pensam em fazer um segundo filme, espero que não, mas ao menos sua Melanie agradaria mais como vítima. Tim Robbins trabalhou bem, o marido beberrão Frank no começo, mas com o "desaparecimento" do personagem dentro da trama, seus momentos subsequentes só foram feitos de caronas sem motivos. O personagem Richard de Mark Boone Junior chega em alguns momentos ser assustador, e é um dos poucos que daria para desenvolver uma tremenda história, mas só serviu de guarda mesmo, já que a história era outra aqui. E para fechar o desastre Will Forte tentou ser cômico com seu Marshall, mas não temos nada na história que acabe servindo seus atos engraçados, claro que como a história era algo mais longo, talvez tivessem momentos bem interessantes com ele, mas ficou fajuta sua atuação e seu personagem.

O visual da trama foi todo trabalhado para se passar bem nos anos determinados, mas em diversos momentos, acabamos ficando perdidos se ali é um trabalho artístico mesmo com os elementos cênicos característicos, ou se o exagero na coloração avermelhada apenas está nos enganando, principalmente por a maior parte das cenas se passar sempre dentro dos ambientes, até mesmo o clube de tênis não temos nada fora para contextualizar. Claro que não vemos erros técnicos com esse quesito, mas poderiam ter trabalhado mais para que o recheio do bolo agradasse e chamasse atenção já que a cobertura dos atores não agradou tanto mesmo sendo grandioso. O destaque artístico ficou para os equipamentos nazistas que o personagem Richard coleciona, e isso como disse poderia ser uma história paralela excelente. A fotografia forçou nuances como disse, pois temos iluminação sempre suja ou avermelhada, e isso funciona para dar o tom de época, mas com em diversos momentos, a edição trabalhou de forma a maquiar erros nessa situação, e isso ficou falso demais.

Enfim, um filme cansativo que não conseguiu passar nem a essência que foi idealizado, muito menos uma nova história envolvente para que o público consiga tirar suas próprias conclusões dela. Não tem como recomendar o filme para ninguém, mas quem não tiver o que assistir ao menos vá para que a distribuidora que é das pequenas e não decepcionou nenhuma vez mandando sempre seus filmes para o interior na data exata da estreia continue assim. Fico por aqui agora, mas ainda temos muitos filmes que vieram para o interior nessa semana para comentar, então abraços e até breve.


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Annie

quarta-feira, fevereiro 18, 2015 |

Muitos reclamam de refilmagens, mas tirando os clássicos que passaram antes de 1982, não lembro de ter assistido a certos filmes, então para pessoas que não ficam revirando as locadoras e arquivos digitais, como é o meu caso, posso dizer que certos filmes soam até como novidade até que se descubra algo. Sendo assim, vou analisar "Annie" somente pelo que foi passado nesse filme atual, e o que posso dizer de antemão é que a história é bem bacana e divertida, só fico bravo por não poder analisar as interpretações de acordo com as expressões, pois a Sony/Columbia que distribui o filme no Brasil, optou por ter somente cópias dubladas na maioria do país, e assim fomos obrigados a ver os atores dublando canções que nada se conectam com a expressão dos atores, e ainda traduzidas na maior parte ao pé da letra, ficaram sem rima, sem emoção e até estranhas demais. Espero que algum dia eu possa conferir a versão legendada para voltar aqui e melhorar a nota do filme, pois do contrário, já adianto que vai ser difícil alguém se empolgar com o que verá na tela.

O filme nos mostra que Annie é uma órfã que mora em um abrigo gerenciado pela megera Sra. Hannigan. A vida da menina muda quando Will Stacks, candidato à prefeitura de Nova York, a salva de um atropelamento. Ele vê essa situação com forma de conquistar eleitores e por isso convida Annie para passar alguns dias em sua mansão. O que ele não contava era com o instinto paternal que lhe desperta.

A história em si é algo ao mesmo tempo bonitinho e familiar, pois ao mostrar a garotinha órfã em busca de uma vida melhor, sempre feliz consegue dar lições de coisas simples para a garotada que vai assistir, e também acaba sendo simples demais para que o formato musical fosse trabalhado dentro da trama, e isso acaba sendo um pouco forçado demais dentro do contexto. Claro que diferentemente de "Caminhos da Floresta", último musical que nos foi mostrado nos cinemas, aqui algumas das situações são até bem trabalhadas musicalmente, e ganham vida no rosto expressivo da garotinha protagonista, mas outros momentos acabam beirando o ridículo, ao exemplo as de Cameron. O diretor Will Gluck tem habilidades suficientes para transformar personagens secos em carismáticos, e isso já tínhamos visto bem em "Amizade Colorida", e aqui não foi diferente com os papéis de Foxx e Byrne, mas talvez poderia ter colocado mais doçura em alguns momentos e em outros mais seriedade, pois os momentos bonitos em algumas cenas ficaram secos demais pela cantoria, e alguns momentos mais sérios ficaram bobinhos quando não foi acertado o ângulo e entrou com a cantoria também. Claro que novamente posso dizer que estou dando minha avaliação com base no que vi dublado, então muito do sentimento das canções podem ter sido perdidas com o que adaptaram, assim sendo é melhor que apenas fale que o filme foi correto, mas poderia ser muito melhor.

Sobre a atuação, já tinha dito em sua estreia nas telonas que Quvenzhané Wallis é o carisma em forma de pessoa, e agora já grandinha está ficando ainda mais carismática, e toda trabalhada no seu jeito de atuar, (ainda estou com muita raiva por não ter visto ela cantar realmente, já que a voz é outra até nas canções), mas acredito que fez muito bem o que lhe foi solicitado para sua Annie, pois expressivamente aparentou os sentimentos das canções de uma forma bem bacana, e nos momentos menos cantantes fez bem seus trejeitos. Jamie Foxx é daqueles atores ecléticos que pegam papéis de todos os estilos para dizer que são realmente bons em tudo, e aqui como candidato a prefeito foi meio estranho, porém como rico empresário soube ter classe e trabalhou bem nas expressões que seu Stacks lhe pedia, porém a dublagem colocou a voz de Eddie Murph nos filmes antigos e beirou o ridículo em sua voz, ou seja, não dá para se concentrar no que era falado pelo ator. Cameron Diaz precisa urgentemente voltar a fazer papéis ou cômicos total, ou tentar virar um lado dramático mais forte, pois esse meio termo que anda fazendo só está servindo para colecionar indicações ao Framboesas de Ouro, beirando o ridículo na maioria das cenas que faz, aqui seu papel de Srta. Hannigan além de bobo, foi mal atuado independente da dublagem. Rose Byrne caiu muito bem no estilo que o papel de Grace pedia, e é envolvente no estilo de atuar e graciosa nos movimentos de dança, dando uma nuance que com certeza o personagem nem exigia, mas fez bem para agradar e chamar a atenção para si, uma das poucas boas coisas do filme são seus momentos. Bobby Cannavale trabalhou bem dentro do que o personagem Guy pedia, mas é um papel tão abobado, que nem seus momentos mais malvados conseguiram transparecer, e dessa forma acabou ficando estranho realmente suas intenções dramáticas e expressivas, também acredito que o problema ficou na sua canção dublada, mas podia ter trabalhado também mais as expressões que transpareceria. Os personagens Nash de Adewale Akinnuoye-Agbaje e Sra. Kovacevic de Stephanie Kurtzuba são apenas coadjuvantes dentro da história, mas conseguem ter momentos bem colocados que acabam dando um certo envolvimento e agradando, claro que a piada pronta foi o sotaque russo criado pela dubladora de Kurtzuba, mas como já falei demais da péssima dublagem, então nem conta mais.

Visualmente, tiveram um capricho ímpar na concepção dos ambientes, pois tanto o lado pobre aonde a jovem mora com a megera quanto o lado rico do apartamento e das empresas de Stacks foram montados de forma muito bem trabalhada e cheia de objetos cênicos para representar cada nuance. Claro que destacando muito mais o apartamento todo tecnológico que agrada demais em todos os momentos que são passados ali, então isso mostra todo um capricho que a produção teve com esse quesito. A fotografia trabalhou bem os momentos para diferenciar bem os momentos mais felizes dos tristes, e isso agrada em um filme, só poderiam ter usado algumas técnicas menos forçadas nos voos de helicóptero, pois acabou ficando na dúvida de se foi realmente filmado em ar ou usando chroma-key.

Já que estamos falando de um filme musical, as canções mesmo dubladas ficaram no estilo de grudar na cabeça das pessoas e fazer com que as crianças saíssem dançando do cinema, e isso é o único ponto positivo da dublagem, mas ao transformar músicas que foram bem compostas por compositores renomados em versões nem tão bem pontuadas, tirando rimas para adaptar o contexto da situação foi um crime quase que inadmissível. No geral a musicalidade envolve, mas confesso novamente que desejo muito ver o filme legendado para aproveitar melhor as canções e o longa por tabela.

Enfim, como disse é um longa bonitinho que passa mensagens bacanas para a família, mas como nunca recomendo dublagem para filmes sem ser animações, não tenho como falar que todos saiam de suas casas e vá ao cinema conferir este aqui, pois tudo ficou muito estranho. Talvez algumas crianças se divirtam com o conteúdo mostrado, mas tirando uma ou outra música que faz com que eles dancem, o restante da sessão fez com que os pequenos apenas ficassem quietos, o que também marco como ponto positivo para um filme infantil. Bem é isso pessoal, acabei indo ver ele hoje devido os horários ruins da próxima semana, e dessa forma encerro não apenas essa semana cinematográfica, como também a próxima, já que assisti também os que virão na próxima quinta nas pré-estreias que tiveram, ficando somente alguns do Belas Artes que tentarei ver e comentar aqui, então abraços e até o próximo filme meus amigos.

PS: Repito que a nota está sendo baixa assim devido a dublagem péssima, talvez ao ver o longa legendado de alguma forma, volte aqui e mude ela, mas do jeito que veio para os cinemas da maioria das cidades apenas dublado, o filme acaba bem mediano.


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Sniper Americano ("American Sniper")

terça-feira, fevereiro 17, 2015 |

Todos sabemos que em filmes de guerra a forma heroica e patriota dos moradores dos EUA praticamente saem do nível máximo rumo ao infinito, e isso é um fator marcante que muitas vezes chega até incomodar, mas fazer o que é o jeito deles de vivenciar suas guerras, e os filmes nada mais são do que reflexos do que os roteiristas veem. E sendo "Sniper Americano", um longa baseado numa história real, não tinha como isso não ser impregnado na trama, então quem não gosta desse estilo ou releva ou não conseguirá ver o que o longa tem a mostrar. Porém o que o diretor Clint Eastwood nos entrega é tão impactante e bem feito que mesmo quem é totalmente contra a violência acaba entrando no clima e se envolvendo com o que é passado, de forma que a saída da sessão é assustadora de tão silenciosa que o público sai, e mesmo contendo alguns defeitos que não são admitidos nem em filmes amadores, o resultado geral do longa é algo tão bom que é garantido que sem eles seria facilmente um dos melhores filmes do ano.

O filme nos mostra que Chris Kyle é um atirador de elite das forças especiais da marinha dos Estados Unidos que, em dez anos (1999-2009) se tornou uma lenda, tendo assassinado mais de 150 pessoas durante o tempo em que serviu no Iraque. Kyle recebeu diversas condecorações por sua atuação. Sua única missão era proteger seus companheiros.

Muito foi dito sobre o roteiro ter sido adaptado com minúcias por Jason Hall, e isso é algo sempre bom para se pontuar, tanto que o filme foi indicado ao Oscar de Roteiro Adaptado pelas belas nuances que a história acabou tornando, mas o envolvimento que Clint conseguiu passar, fez com que o longa tivesse vida própria de tal forma que em momento algum pensamos ser uma história adaptada, mas sim algo completamente criado por alguém que conheceu pessoas que viveram na guerra do Iraque e fantasiou diversas situações, mas quando nos é entregue o final, aonde somente ali é revelado que aquilo realmente aconteceu, o impacto é ainda maior e acaba dando uma visão mais interessante do que já havia acontecido, e isso é excelente, pois o ele funciona muito bem como um filme de guerra, aonde quem está acostumado com jogos de tiro vai se sentir praticamente em casa, e aliado à tudo que o diretor já conhece de dramas familiares, esse envolvimento do protagonista com sua esposa ganha formas e dimensões bem trabalhadas. Aí é que entra um dos erros mais inadmissíveis dos últimos anos do cinema mundial, que é o bebê que todos já vinham falando há tempos, e se os demais filmes que concorrem a melhor filme estivessem todos no mesmo patamar, o que não é o caso já que temos alguns despontando como favoritos, com certeza o longa perderia facilmente o prêmio por isso, já que onde se viu um longa com milhões de orçamento não arrumar um bebê verdadeiro para uma cena simples, mas intensa? Ou corta a cena do filme na edição, o que seria uma medida correta e não atrapalharia tanto o rumo da história, ou na gravação iria até um hospital qualquer próximo ao set e alugava qualquer bebê que estivesse ali facilmente, já que segundo a desculpa do diretor foi a de que o bebê contratado estava doente no dia. E mesmo quem não souber que ali está em cena um boneco por ter lido em algum site, vai notar, pois o nível de falsidade foi tamanho, que nem o ator soube como segurar aquele objeto cênico que acabou virando um bebê. E já que disse que isso seria facilmente resolvido com um corte, entra a outra indicação do longa, que é como Melhor Edição, e só ganharam essa nomeação por serem espertos suficiente em diversas cenas, nos momentos que caberia um alongamento de cena, reverter para algo rápido e preciso já fora da guerra, o que as vezes pode soar estranho, mas que deu um tom próprio ao filme, mas que poderia ser melhorado em diversos momentos.

Sobre a atuação, Bradley Cooper já pode entrar para o seleto grupo de atores espertos de Hollywood, que ao conhecer um bom roteiro, vai lá compra os direitos dele de produção, e se coloca como protagonista, pois o papel principal de Chris caberia para diversos atores, mas ele fez questão de engordar 18 quilos e transformando o personagem facilmente em um dos seus melhores papéis, com trejeitos bem encaixados, frieza controlada na medida e precisão nos olhares, que lhe garantiu mais uma indicação à Melhor Ator no Oscar, que não deve ganhar somente por os demais estarem um nível acima nesse ano, senão esse ano a chance de sua quarta indicação virar prêmio era altíssima. Sienna Miller trabalhou de forma interessante para o papel de Taya, pois ao mesmo tempo que poderia virar algo exagerado suas lamentações, a atriz trabalhou a expressão de uma maneira tão correta que acabamos nos envolvendo com ela, emocionando nos seus momentos difíceis e quase sabendo o que cada olhar pode nos dizer, bem como sua última cena ficou plausível para qualquer entendedor que mesmo vindo o texto na sequência não deixa sequer dúvidas no ar. Dos demais, temos muitos soldados que conseguem ter bons momentos junto do protagonista, mas ficar citando um a um daria um texto imenso aqui, então vou apenas destacar o que teve a cena mais dura e forte que foi Jake McDorman com seu Biggles, aonde caiu com tanta expressão nas suas cenas dentro do hospital que mostrou serviço para trabalhar em muitos outros filmes sem ninguém nem pensar duas vezes. E do lado oposto o destaque claro ficou para Sammy Sheik que deu expressão forte e bem pontuada para o seu Mustafa que tão lendário quanto o protagonista funcionou bem para tudo que é colocado no filme, e isso funcionou bem principalmente por o ator trabalhar com dinâmica nas cenas mais rápidas.

No contexto visual, o filme trabalhou bem na cenografia para recriar tanto as cenas no Iraque, com as casinhas tradicionais, já semidestruídas pela guerra, e colocou os elementos cênicos, armas e figurino dentro de um patamar mais dentro de uma realidade simples, já que mesmo sendo um filme grandioso, contou com um orçamento bem limitado de 58 milhões, o que acabou sendo um dos motivos para que Spielberg que originalmente dirigiria o filme saísse de cena. Não podemos dizer que o filme nesse sentido foi primoroso, mas trabalhou bem dentro que lhe era permitido, e isso caiu bem na trama, funcionando como uma guerra deve ser, personagens atirando e morrendo, sem muito enfeite. E quanto a fotografia temos cores bem colocadas para representar cada ato de guerra, o que é maravilhoso de ver, de forma que na cena da tempestade de areia nossos olhos chegam a doer do tom marrom escolhido para sujar realmente a filmagem.

Agora um dos pontos que apostaria facilmente no filme é nas indicações de Edição de Som e Mixagem de Som, pois nos vemos em diversos momentos olhando para os lados e para trás com a forma dimensional que conseguiram montar o filme, os tiros parecem vir a cada momento de um novo ângulo, assim como o choro do bebê e até mesmo os ventos possuem texturas e agradam demais, da mesma forma que o silêncio tem uma importância precisa e bem colocada.

Enfim, o longa possui defeitos que faz o público reclamar com motivos reais, mas é notável também que o filme funciona bem para quem gosta de um longa de guerra e assim acaba envolvendo de maneira adequada e bem colocada. Além de que como já havia dito antes do filme para meus amigos que me acompanharam na sessão, nunca fui muito fã do Bradley, e confesso que aqui ele me convenceu e fez do filme algo bem interessante sob o comando do mestre Clint. Ou seja, recomendo que todos assistam o longa, reclamem muito dos erros, mas dou a garantia que a maioria irá se envolver com o que será apresentado. Fico por aqui faltando apenas um longa para conferir, mas como na próxima semana só estreará os dois longas que já vi na pré-estreia, vou acabar deixando ele para não ficar tão triste. Então abraços e até breve pessoal.



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O Imperador (Outcast)

sábado, fevereiro 14, 2015 |

Hoje com a globalização, falar inglês é algo que é completamente normal em diversos países, mas na Idade Média, nem em sonho os orientais pensariam o que era essa língua, então qual o motivo para fazer um longa que se passa praticamente todo lá do outro lado do planeta, onde chineses falam inglês como se fosse a língua mãe? Além disso, sabemos que mudanças de nome no título são comuns, mas originalmente batizado de "Outcast", que ao pé da letra significa exilado, sem terras, pária, entre outras coisas, virar "O Imperador", e com isso não apenas mudar o sentido do filme, já que teoricamente com o nome original temos uma visão completa da história dos protagonistas, quanto a querer que os personagens secundários chamem atenção, o que não envolve de maneira alguma. Citei apenas esses dois problemas para começar a falar do longa, mas são tantos erros e falhas que fica difícil querer falar algo sobre ele.

O filme nos mostra que quando o herdeiro do trono imperial torna-se alvo de assassinato por seu irmão mais velho, a única esperança é buscar proteção junto a sua irmã e o cavaleiro desacreditado Jacob, que deverá superar seus próprios demônios e conseguir ajuda do lendário guerreiro Gallain, conhecido como Fantasma Branco.

A história em si já é uma bagunça imensa como comecei a falar no primeiro parágrafo, já que não apenas a língua falada é errada, como misturar a época das Cruzadas com Imperialismo chinês é algo que nem o historiador mais maluco sonhou algum dia na vida, e isso já faz o longa virar uma bagunça só, pois as cenas de Cruzada no começo até que quem conhecer um pouco de história irá conectar a trama, mas quem nem lembrar de ter visto algo na escola, vai falar que rolo é esse que pessoas estão matando por um Deus, lutando numa guerra já sem nada contado antes, daí nosso querido ator que possui uma expressão única e agora está com uma cabeleira mais estranha possível, briga com um rapazote e some, do nada estamos no Japão, com outra história sendo contada de um pai querendo passar a herança do título para o caçula, ao contrário do que seria comum na época que ficaria com o primogênito, em seguida na fuga junta-se as duas histórias e na sequência já entra nosso tradicional ator devedor de impostos com um visual que é melhor nem comentar, e a bagunça fica completa. Se você conseguiu montar alguma coisa coesa com tudo que lhe contei da história, parabéns, você está livre de gastar seu tempo indo no cinema ver o filme, caso contrário, ainda vamos lá, o filme é repleto de cenas de luta e ação, até aí ok, já que é a estreia de um dublê na direção, pois Nick Powell depois de 114 filmes pulando e lutando resolveu que era a vez de dirigir os atores, e aí a bagunça ficou completa, pois os capangas do vilão já estão cortando a cabeça do mocinho, mas isso não pode, então vamos lutar não é mesmo, pois tudo fica mais lindo, e com coreografias malucas, o final do filme é algo tão fora de si, que não tem como completar a bagunça do roteiro, e planos estranhos são vistos a todo momento, ou seja, infelizmente não deu liga sua empreitada caro Nick!

Já que basicamente o longa vai ser chamado, mais um de Nicolas Cage, afinal nossa querido ator faz praticamente mais filmes do que tomamos água, aqui o que podemos dizer rapidamente é que ele é quase um coadjuvante de luxo, pois chamará os seus fiéis adoradores, mas aparece bem pouco, tendo até algum certo sentido sua atuação, mas beira o ridículo a maioria de suas cenas com a cabeleira que lhe foi colocada, e seu defeito maior nem foi a falta de expressão, afinal já sabemos que ele é assim, mas além do cabelo muito cômico, ainda possui mais uma característica visual que não tem como não rir, ou seja, ainda bem que apareceu pouco, senão de filme de ação viraria uma comédia escrachada. Então vamos falar do protagonista, ou ao menos quem era pra ser, que é Hayden Christensen, que ficou famoso como Anakin Skywalker em Star Wars, mas não conseguiu mais tantos papéis depois disso, e o que faz aqui mostra bem o porquê, já que sua pinta de galã é fraca, e sua empolgação frente a lutas exagerada demais, misturando ataques histéricos de espada com falhas para onde olhar ao mesmo tempo, e isso poderia até ser corrigido, já que temos um dublê dirigindo, que sabe como é lutas de espadas muito bem, mas não, o pobre que já lutou com sabre, com lâminas de aço ficou ruim demais e não deu conta do recado. Quem acabou chamando atenção então foram o trio chinês Andy On que como vilão até faz algumas caras malvadas, mas nada que empolgue, talvez chamando mais para si algumas lutas interessantes, Yfei Liu como Lian, que até ganhou romance com o protagonista e assim ter cenas mais chamativas, e Bill Su Jiahang fazendo o herdeiro Zhao que tenta aparecer mas não consegue por ser novato demais e não ter algo chamativo que nos envolva ou seja carismático.

Um ponto razoável ficou a cargo da direção de arte, que ao menos esboça uma tentativa de salvar o filme, já que produções orientais costumam prezar por visuais interessantes, mas algumas cidadelas até conseguem ser bem feitas, mesmo pegando fogo e sendo destruídas pelos vilões, mas poderiam ter mais detalhes já que o longa custou 25 milhões de dólares, e isso não parece bem empregado em quase nada, até mesmo nas cavernas poderiam ter mais detalhamento, e isso ficou somente nas armas que ao menos parecem bem trabalhadas. A fotografia optou por um tom puxado para o marrom e isso cansa o filme, não dando nem envolvimento com a trama, nem ritmo para que as lutas impactasse o público, então o resultado acaba bem monótono.

Enfim, mais um longa que Cage faz apenas para receber sua cota de dívida do imposto devido em que seu nome serve apenas de chamariz para seu público cativo, pois o filme é daqueles que não compensa ver nem em casa, ou seja, não recomendo ele de forma alguma, devido a ser cheio de falhas, e ter um dos roteiros mais malucos possíveis da história do cinema. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, ainda faltam uma estreia da semana e uma pré da próxima para conferir, vamos ver como será o final de semana carnavalesco para tentar ter algum filme que salve, pois está feia essa semana. Então abraços e até breve meus amigos.

PS: Estou dando dois coelhos pelo esforço dos atores chineses que tiveram de falar em inglês com sotaque forte e ainda assim saíram bem, e pela tentativa da direção de arte em fazer algo bonito, mas a vontade de dar uma nota menor foi forte.


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A Casa Dos Mortos (Demonic)

quinta-feira, fevereiro 12, 2015 |

A maioria que me conhece sabe que sou fã do que James Wan bota a mão, mas acho que ele precisa começar a procurar novas feiras de roteiro para escolher melhor as produções que bota seu rico dinheirinho que ganhou com "Jogos Mortais", "Sobrenatural" e "Invocação do Mal". Claro que nesses que citei ele pôs além do dinheiro a mão na câmera também, enquanto aqui em "A Casa Dos Mortos" apenas escreveu essa cópia e botou fogo em 3 milhões que estava embaixo do colchão dele, dando para algum amigo dirigir, já que estava envolvido com "Velozes e Furiosos 7". Digo isso, pois o longa é um compilado praticamente de tudo, mas tudo mesmo, que já vimos em outros filmes de terror, não tem sequer uma cena que você olhe e fale: "Nossa, isso é novidade", muito pelo contrário, a todo momento vira quase um jogo de "Em que filme teve essa cena mesmo?". Poxa, terror foi feito para assustar, certo? Então vamos pesquisar, trabalhar ideias novas, que a mesma forma de bolo, as vezes vem com um recheio inovador que agrada também, mas comer sempre o sabor, uma hora enjoa.

O filme nos mostra que cinco amigos decidem sair à caça de fantasmas em uma casa abandonada, mas acabam sendo brutalmente assassinados. O único sobrevivente é interrogado, e diz que o local está possuído por demônios e serve como um portal para o inferno. Um policial e uma psicóloga não acreditam nessa história e passam a investigar o caso.

Quando vi o trailer do longa há algumas semanas, parecia ser algo interessante, e logo que fiquei sabendo que o roteiro era de Wan, acabei mais empolgado ainda com o que poderia ser um filme de terror para realmente sair arrepiado da sessão, mas não tem jeito, enquanto um dos mestres do terror não acabar de ganhar dinheiro com a franquia de carros velozes, a chance dele acertar a mão em algo macabro está praticamente impossível. Até aí vai, já que roteiro de terror, geralmente sai uma base e na hora do diretor montar consegue fazer milagres místicos e assustar o público, mas não me pegam e dão para o diretor praticamente estreante Will Canon, já que o seu "Brotherhood" nem apareceu por aqui, e o que ele faz, usa todas suas referências não como base, mas como cópia, daí vemos a casa assombrada por espíritos, pernas e pessoas que aparecem do nada, e pasmem até bichos saindo da garganta dos personagens, além de muita câmera espalhada que não gravou praticamente nada, e ainda me vem com a piada mortal de que congelando o HD recuperaram algumas filmagens (Sensacional!). Ou seja, se faltou genialidade nas tomadas, ao menos capricharam nas maquiagens e nos atores, não é o que você pensaria? Infelizmente também não, por usar muito da técnica de aparição repentina para assustar, é notável que a maquiagem foi falha e cheia de problemas, com sangue falso, mais falso ainda, e atores que não nos motivam a nada. Ou seja, fria completa que o jovem se enfiou, e que agora vai ser meio difícil de achar outro maluco para dar um roteiro de graça nas suas mãos.

Já que falei um pouco dos atores, a salvação razoável é de Maria Bello que sabe ser cética e acreditar mesmo nas histórias que lhe contam, fazendo espanto sempre e com boas expressões faz de sua psicóloga Klein, alguém que vemos talvez uma tentativa de salvar o filme, mas sua cena inicial do encontro quase jogou tudo a perder com um desdém falso que chegou a doer. Frank Grillo também tem bons momentos como o detetive Lewis, mas ao forçar para parecer o policial machão e forte que quer fazer tudo sozinho sendo imponente, acabou um pouco risível nas cenas mais impactantes, se fosse com mais calma ao pote, agradaria e ainda seria satisfatório no papel. Dos demais, quase todos fazem caras e bocas, tentando ser convincentes na sua forma de caça fantasmas, mas apenas o protagonista Dustin Milligan consegue ter alguma expressão para mostrar, nas suas cenas finais principalmente, aonde mostra que seu John não era a flor que se cheirava desde o princípio, e como a edição se atrapalhou também com isso, temos quase que uma cena sequencial que acaba ocorrendo antes, ou seja, uma bagunça também na edição, e na cena do mercadinho Scott Mechlowicz beira o engraçado com seu Bryan chutando tudo e gritando, fraco demais.

A casa em si foi bem decorada para tentar causar uma impressão ruim, afinal todo terror tem que ter essa impressão na mobília e na decoração ao menos, de modo que tudo possa ser olhado com certo temor de cair ou assustar, mas não foi suficiente, pois economizaram demais, ficando algo que parece datado, com uma casa completamente fechada, e de repente temos um extintor praticamente novinho em folha, microfone ultra tecnológico que ouve tudo, ouvindo os batimentos até do bebê na barriga da moça, e na cena que mais necessita ouvir qualquer coisa, cadê ele? Essas falhas de continuísmo são inaceitáveis em produções pequena, em filmes de ação é difícil refazer uma tomada, mas em longas sem explosões e afins, só voltar e gravar que tudo se resolve, e cenografia em terror é tudo. No quesito fotografia, como o lance do filme é pegar você desprevenido, usaram bem o tom da câmera de captação no escuro, e funcionou já que temos quase tudo muito escuro, de onde aparece um ou outro personagem do nada para que o público pule na poltrona, e isso ao menos está bem feito, o que não é mais do que a obrigação dentro do estilo.

Enfim, é um filme que mesmo quem for extremamente fã do gênero pode pular completamente de ver nos cinemas, pois é uma falha atrás de outra, além de praticamente tudo você já ter visto em outro filme. Aqueles que curtem tomar um ou outro susto, podem até não digo gostar, mas assustar com algumas cenas, mas não vai ser esse filme com certeza que lhe tirará o sono. Ou seja, pode ir dormir tranquilamente e economizar de ver essa bomba que nos enganou completamente no trailer cheio de suspense, mas que falha monstruosamente em tudo. Fico por aqui hoje, mas ainda tenho outros longas para conferir nesse final de semana carnavalesco, e já começo a rezar para que algum preste, o que estou achando bem difícil. Deixo aqui meus abraços e até amanhã pessoal.


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50 Tons de Cinza

quinta-feira, fevereiro 12, 2015 |

Eis que o polêmico filme, mas que milhares de fãs ao redor do mundo queriam ver, estreou e embora tenha uma história bem fraca, afinal se já botassem tudo agora como conseguiriam vender os demais filme já que são 3 livros, a produção foi tão bem caprichada que é possível se divertir e curtir as quase duas horas que chegam por aqui de "50 Tons de Cinza" (lá fora são 125 minutos, e aqui ficou com menos de 120 já com trailers, ou seja morreu no mínimo uns 10 minutos, e vou falar mais disso abaixo). Claro que longe de ser algo fantástico, aonde conseguimos ter nuances e perspectivas dentro de uma história, o filme foi feito para agradar a mente de diversas mulheres que apenas imaginavam as cenas do livro, e essas fantasias como acabam sempre sendo grandes demais em livros cheios de detalhes, não vai ter outro jeito, senão muita reclamação de que não apareceu tudo, pois como disse não temos nem 2 horas de projeção mesmo de filme, e para tudo necessitaria ser uma série de vários capítulos, então meninas relevem que o que vai passar é o máximo que conseguiram pra censura cair nos 16 anos e passar ao menos a ideia. Ou seja, é algo morninho que até conseguimos assistir sem reclamar muito, devido a ser uma boa produção, mas quem não leu o livro vai ter uma grande certeza, um filme que começa do nada, é apresentado mais ou menos os personagens, tem uma rápida e fraca química, e pronto fica para daqui algum tempo desenrolar, simples assim, sem história grande nem nada, e que vai fazer milhões de bilheteria. Quem não for fã dos livros pode até ir ver por curiosidade, mas vai sair falando: "É só isso mesmo?", e talvez volte ou não para um segundo filme, e já quem for fã, mal vai poder esperar pelo próximo, afinal já sabe de cor e salteado tudo que ocorrerá e quer ver se o que pensou, será feito da maneira correta ao menos.

O filme tenta nos mostrar que a estudante de literatura Anastasia Steele conhece o empresário Christian Grey em função de uma reportagem para o jornal da faculdade. De imediato, a jovem sente uma forte atração por ele e os dois começam uma relação complexa e intensa na qual Anastasia não só descobre seus desejos mais íntimos, como também os segredos mais obscuros que Grey tenta esconder.

Escrevi na sinopse a palavra "tenta" por um motivo maior, já que como minha irmã já havia me contado basicamente como era esse livro e algumas amigas falaram o que vem nos próximos, não fui 100% sem base assistir, mas não sei se pelo excesso de cortes que foram feitos para que o longa ficasse comercialmente rentável (quanto menor o tempo, mais sessões podem ser colocadas ao longo do dia, que por consequência dá para fazer maior bilheteria), e para poder diminuir a censura inicial de 18 anos, o filme simplesmente passa despercebido diversos fatores, tudo não acaba sendo subentendido apenas e não forma uma história cinematograficamente entendível, parecendo muitas vezes até absurdo demais o que ocorre. Apenas para citar dois fatos, sei que isso consta no livro, mas ainda assim é absurdo demais, uma mulher 0 km, ver um quarto ornamentado daquele e não fugir é algo improvável, e outro fator na boate o cara liga e praticamente não dá tempo nem da moça sair do banheiro, o rapaz já está lá!! Dessa forma prefiro não culpar a direção de Sam Taylor-Johnson, que antes apenas fez o razoável filme do John Lennon "O Garoto de Liverpool", pois ela foi correta em diversos sentidos, não criando nada pejorativo demais, muito pelo contrário, mantendo até uma classe na produção do filme, e sim os produtores e distribuidores que quiseram ganhar mais dinheiro do que já seria ganho, e picotaram sua obra final. E o mais feio é que está notável esses cortes, não ficando algo fluido na transição de uma cena para outra, sendo algo abrupto e que não condiz em momento algum com a história que estão tentando passar, então quem sabe no DVD uma versão sem cortes, que deva ter ao menos uns 30-40 minutos a mais, nos mostre se a diretora foi realmente bem ou não.

Sobre as atuações, repito é uma adaptação literária livre, então moçoilas do meu Brasil, não necessariamente as características físicas descritas no livro de cada personagem será vista na tela, e isso vai ser a maior reclamação com certeza (já vim do cinema até em casa ouvindo sem parar fulano não é assim, ciclana é mais bonito, beltrano ficou horrível), então vá ver como se fosse um filme e esqueça o que leu, ok? Dito isso, realmente fiquei com dó de Jamie Dornan, pois o jovem não é ator, e sim um modelo de comerciais, que após diversas desistências de contratações de atores mesmo que recusaram o papel de Christian Grey, acabou sobrando para ele, afinal precisavam fazer o filme já que datas estavam estourando no estúdio, e o pobre não tem química artística nenhuma, não sabe dar impressão na voz nos diálogos, não tem trejeitos corporais que mostrem o que está interpretando, ou seja, fez seu máximo para que com seu corpo, as moças esquecessem o que estavam vendo e ouvindo, e passasse batido, mas quem analisar só um pouquinho, ou for uma segunda vez no cinema, vai rir do que o jovem faz, quem sabe algum dia cresça e com muitos cursos vire um ator, mas por enquanto ficou parecendo Robert Pattinson quando fez o primeiro "Crepúsculo", mais perdido que tudo, valeu o esforço ao menos. E Dakota Johnson fez bem seu papel, mas é magra demais, e qualquer um que já tenha visto algum vídeo de como é a coisa realmente, sabe que não sobraria metade dela após uma sessão, mas já que foi escolhida para o papel, ao menos deu um bom tom para a insossa Anastasia e conseguiu boas expressões, mas já fez coisas bem melhores no cinema e poderia ter se esforçado tanto quanto o jovem aprendiz que está em cena com ela. Dos demais, nesse primeiro filme a maioria tem participações bem rápidas, não chamando atenção em quase nada, e isso é ruim, pois o filme ficou totalmente dependente das atuações dos protagonistas, e como disse não foi das melhores coisas possíveis de se ver no cinema, então talvez se tivessem caprichado mais nas cenas junto de Eloise Mumford com sua Kate, ou junto de Jennifer Ehle que faz Carla a mãe da protagonista, teríamos um filme mais desenvolvido e interessante.

Quanto do visual da trama, aí é que entra o grande feito do filme, pois temos uma produção minuciosa, com cenas bem detalhadas e cenografia feita na medida para que tudo fosse bem mostrado. Claro que não temos nada exageradamente explícito, mas os elementos cênicos estão por ali, servindo e sendo praticamente explicados para que servem, além de mansões e empresas muito bem chamativas e interessantes de se ver, helicóptero bacaninha e até um planador chamam a atenção para o que a equipe de arte criou para ser mostrado, e isso funciona bem, pois ao adaptar um livro, geralmente temos muitos detalhes para criar, e o esforço da arte em fazer parecer o máximo com o que o público imaginou, já é um ponto mais do que positivo. A fotografia trabalhou com poucas nuances de "tons de cinza" realmente e isso poderia ter sido explorado de uma forma que embora diferenciasse do livro, daria uma cara particular para a trama e ficaria algo muito mais interessante, mas no geral os meio tons e o vermelho conseguiu ser algo bem feito.

Outro ponto que merece extrema atenção foi a trilha sonora que só contou com músicas excelentes, que deram ritmo, teor e agrada demais na composição do filme, e como é de praxe ficarem me perguntando qual música tocou em cada momento, fica aqui já o link para quem quiser ver todas liberadas.

Enfim, como história repito que é algo bem fraco, e deva decepcionar bastante quem gosta de algo que tenha desenvoltura como cinema, mas funciona como entretenimento para o grande público, e principalmente para as fãs do livro, ou seja, é o que sempre falo que devemos entregar aquilo que o público alvo deseja, então dessa forma a produção fez um bom trabalho e o resultado embora não seja o melhor que já vi, é satisfatório. E embora lotado de defeitos técnicos devido os cortes, não tem como não rir das situações e cenas mostradas, afinal já comentei uma vez com um amigo que o sadomasoquismo é um problema de cabeça, e quem gosta geralmente é louco, então muitos vão reclamar, outros elogiar, mas o fato que o filme vai ganhar muito dinheiro, virão os outros dois filmes e levarão outro mundo de dinheiro, mas depois todos vão esquecer da existência deles, assim como outros já aconteceram no mundo do cinema. Bem é isso, também garanto que não é meu melhor texto, afinal durante a semana escrever de madrugada não é nada satisfatório, mas como muitos querem saber minha opinião, aqui está ela completa, talvez mude de ideia mais pra frente e volto colocando nos comentários. Hoje a noite tem mais filme, então abraços e até mais pessoal.


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