Correndo Atrás De Um Pai (Father Figures)

1/20/2018 02:24:00 AM |

Todos sabem bem que o forte de Hollywood nunca foram as famosas dramédias (ou comédias dramáticas como muitos preferem), e sim um gênero mais tradicional na Europa, aonde sai um filme melhor que o outro trabalhando ora o lado mais dramático de um tema e pontuando levemente com pitadas cômicas para não polemizar tanto, ora colocando algo escrachado, mas que acaba tendo algum problema forte para dar uma quebra no miolo, ou seja, um mix de dois gêneros que teoricamente não se completam, mas que acaba funcionando quando bem arquitetados. Mas, mesmo não sendo algo muito comum por lá, nos últimos anos temos vistos bons exemplares que tentam cativar o público que gosta de ser surpreendido no cinema, com alguns bons filmes e outros terríveis, afinal não é o estilo principal que sabem atacar, fazendo bem um ou outro dos lados. Dito isso, fui preparado para ver algo bem estranho de "Correndo Atrás De Um Pai" e acabei me divertindo bastante ao mesmo tempo que também me emocionei com algumas situações, ou seja, acabou sendo uma grata surpresa, mesmo que em diversos momentos podemos nos anteceder o que irá ser apresentado na situação seguinte, e sendo assim acaba sendo mais previsível do que muitos longas desse estilo. Talvez nas mãos de um diretor europeu o resultado seria magnífico, mas de certa forma não foi tão falho e apelativo como esperava ver, mesmo que tenham exagerado em piadas sujas.

O longa nos mostra que Kyle e Peter Reynolds são irmãos gêmeos, cuja mãe excêntrica os criou para acreditar que seu pai havia morrido quando eram jovens. Quando eles descobrem que isso é uma mentira, eles se juntam para encontrar seu pai real e acabam aprendendo mais sobre sua mãe do que eles provavelmente já quiseram saber.

Acho bem válido que uma pessoa que fez sucesso em outras áreas decida vir a frente da direção e tentar fazer bem um filme, porém sabemos que a maestria de uma trama é válida quando todos os eixos funcionam, e sim aqui temos bons cortes, uma fotografia bem caprichada, mas o diretor de fotografia de grandes blockbusters que resolveu ter seu primeiro projeto como diretor, Lawrence Sher esqueceu que quando se comanda tudo não pode ficar em cima do muro, e ele usou efeitos antigos de transições, colocou coisas grosseiras em cenas de teor dramático gigante, deixou que os personagens se perdessem no texto e tudo mais, mas felizmente contou com dois grandes astros que já fizeram todo tipo de filme, e com isso Owen Wilson e Ed Helms assumiram as rédeas e conseguiram com boas expressões segurar a trama para que ela não se perdesse, ou seja, o filme é completamente dependente dos dois protagonistas e até mesmo nas situações que envolvem outros personagens, o que aparentemente acontece é que ninguém sabe o que fazer em cena, ou seja, é um filme com um mote e uma proposta gostosa, com um roteiro até que bem moldado, porém falta uma direção realmente para que o rumo flua e se destrinche, uma das cenas mais engraçadas de se perder em cena, fica a cargo do flerte no bar, aonde nenhum dos dois personagens sabia o que fazer, e até soou engraçado, mas claramente se vê a perda de rumo. Ou seja, vamos torcer para que esse roteiro caia nas mãos de algum diretor europeu, que aí sim vamos rir e lavar o cinema na mesma proporção, pois aqui faltou um pouquinho de cada coisa, mesmo que o resultado final agrade.

Como disse, a trama ficou bem dependente dos protagonistas, e Owen Wilson que já fez de todo tipo de filme soube dosar seu carisma e personalidade para que seu Kyle não ficasse nem metade do irmão chato que é descrito pelas falas do outro irmão, pois certamente teríamos alguém completamente arrogante e que mais incomodaria cenicamente do que incluiria, e sendo assim, o resultado acaba soando ao mesmo tempo infantil, mas bem contextualizado com a trama. Diria que Ed Helms sempre foi aquele ator que está em diversos filmes de comédia, mas falha ao fazer rir, ficando sempre no quase, e aqui a personalidade de seu Peter pede bem isso, tanto que acabamos nos conectando a ele, com seus diversos desgostos ao longo da vida, ele acaba ficando amargo e suas piadas acabam sendo sofridas até para ele, mas felizmente isso acaba soando engraçado para o público, ou seja, temos um vértice bem pautado que ele acaba agradando. Glenn Close está velha, isso é fato, mas aqui souberam dosar ela nas poucas cenas para que seu tom dramático encaixasse com a personalidade de sua Helen, e claro que as muitas desventuras de sua personagem quando jovem acabam soando hilárias. Dentre os demais, todos fizeram o que estava possível para não atrapalhar e soar agradável ao menos para o filme, de modo que embora pareçam perdidos agradem, mas sem dúvida os destaques de pais foram para o jogador Terry Bradshaw que agora anda aparecendo como ator em diversos filmes, J.K. Simmons como Hunt, um maluco completo, e até mesmo Christopher Walken como um veterinário fujão conseguiu trazer boas cenas divertidas para o longa. Outro destaque, mesmo que pequeno ficou para Katt Williams como um mochileiro, que já vimos sua cena principal no trailer, mas dentro do carro foi bem divertido como um debatedor.

Como todo roadmovie, temos cenas em muitas locações, cada uma com uma personalidade diferenciada para mostrar a vida dos possíveis pais, e embora isso certamente tenha custado um pouco mais no orçamento do longa, o resultado geral consegue chamar atenção, pois temos uma mansão majestosa para um ex-jogador da NFL, ou seja, algo que mostra como esses ficam bem ricos, temos uma casa quase que abandonada para um ex-banqueiro de Wall Street, que mostra que finanças não deixa ninguém rico, temos uma tradicional festa de despedida que vemos em muitos longas americanos, cheios de amigos e parentes, e claro temos uma clínica veterinária completamente bizarra, com dois malucos no comando, ou seja, de tudo um pouco. Como temos um diretor de fotografia/cinegrafista no comando, foi usado ângulos diversos, ótimos contrapontos de luzes com pôr-do-sol bonito e várias façanhas que realçaram tons e trabalharam bem cada estilo de drama/comédia, mas que poderia dar até um outro tom mais alegre se quisessem.

Enfim, é um longa que pode certamente agradar bastante quem gosta desse estilo, mas que também contém muitas falhas técnicas para dizermos que foi algo perfeito para ser lembrado e muito recomendado. Digo que vale a conferida despretensiosa, pois consegue agradar sem apelar demais, mas que poderia ser um filme digno de premiações com alguns poucos ajustes, com toda certeza poderia. Bem é isso pessoal, infelizmente muitas outras estreias não apareceram no interior, então encerro aqui minha semana cinematográfica, e volto na próxima quinta com mais textos. Então abraços e até lá.

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Sobrenatural - A Última Chave (Insidious: The Last Key)

1/19/2018 02:08:00 AM |

Apenas faça uma conta rápida, quatro filmes custaram 26 milhões, e até agora com o quarto capítulo apenas começando sua rotação mundial, os quatro mesmos filmes já renderam mais de 400 milhões!!! E tem gente que achava que por ter escrito no título "A Última Chave", esse seria o último capítulo de "Sobrenatural"!! Vá sonhando, pois desse modo vamos ter até o capítulo infinito! Dito isso, temos de falar logo de cara algo que está confundindo muita gente, achando que esse filme é um prequel que se passa antes dos demais, ignore isso que você leu em diversos sites, pois sim, conta a história de como Elise "ganhou" seus poderes de médium na infância, mas a história se passa entre o primeiro e o segundo filme e conta com algo que está bem na moda, que é o abuso feminino. Ou seja, apenas para dar uma situada na cronologia, mesmo que todos tenham elementos conectantes, e caso algum dia você queira assistir numa ordem bem conexa (3,1,4,2), de modo que no filme Elise cite o caso de Quinn Brenner que vimos no terceiro filme ("Sobrenatural - A Origem"), e dando um leve spoiler no final desse quarto vemos Elise falando ao telefone com a esposa de Josh (do primeiro filme "Sobrenatural") sobre seu filho Dalton (que precisa de ajuda no filme "Sobrenatural - Capítulo 2"), ou seja, uma bela de uma bagunça de datas, mas que tudo fica bem colocado. Tirando esse detalhe de onde posicionar o filme, que sempre nos deixam confusos, o resultado da trama aqui segue o mesmo problema do terceiro longa, a falta de peso de um diretor como James Wan (que fez o primeiro e o segundo filme), e mesmo usando o texto sagaz de Leigh Whannel (que também é protagonista da trama desde o começo), acabamos vendo uma boa história mas que não assusta como poderia, deixando apenas como tema um tom de terror, e abusando do escuro para criar uma tensão e pegar o público desprevenido em certos momentos. Ou seja, temos uma história boa, de peso, mas que faltou o nome certo para explodir ela!

Uma das muitas sinopses que vimos espalhadas por aí nos diz que uma série de assombrações e espíritos têm tirado a paz das pessoas. A única capaz de caçar esses espíritos e pôr um fim ao terror é a médium Elise, que usa suas habilidades para contatar os mortos. Seu próximo trabalho é bem pessoal, quando é chamada para encontrar um espírito na casa onde cresceu.

Claro que volto sempre a frisar que uma boa história nem sempre vai acabar virando um bom filme, pois depende de vários pontos, e o principal em um longa de terror é uma boa direção que consiga transmitir o terror, que faça o público sair temeroso com algo, e claro, que também faça muitos assustar, e infelizmente o diretor "novato" Adam Robitel fez um trabalho bem fraco em cima do texto de Leigh Whannel, criando poucas perspectivas, entregando por diversas vezes mais do mesmo, e assim fazendo com que algo que poderia até ter um rumo inesperado, pois como disse no começo se levarmos a fundo a ideia de abuso feminino, que a trama ousa apontar que vem acontecendo há muito tempo e que muitos nem se tocam, ficasse simplório e esquecível demais, ou seja, faltou atitude. Outro detalhe que falhou demais, foi o exagero do escuro, tanto que temos diversas cenas que não vemos sequer os protagonistas em cena, ou seja, colocar um tom escuro em um longa de terror é de praxe para criar tensão, mas grande é aquele diretor que sabe o tom escuro correto para que seu filme mostre tudo o que precisa mostrar, e não apenas sumir com tudo e aparecer do nada com algum barulho alto ou algum bicho estranho para assustar, ou seja, é melhor o próximo filme desse diretor vir bem melhor, senão a chance dele ser esquecível também é bem alta.

Como é de praxe, Lin Shaye está muito bem no papel de Elise, criando pausas dramáticas bem expressivas, colocações corretas de sua personagem frente ao desconhecido, e mesmo nos momentos mais cômicos da trama, ela acabou acertando com sorrisos bem trabalhados, não soando perdida, ou seja, ainda é ela quem segura a onda do filme. Já disse isso outras vezes, e volto a frisar que Leigh Whannel é melhor roteirista do que diretor e ator, e se alguns de seus momentos soaram cômicos, sua cena final de "aproveitar" para dar em cima da mocinha, vai de encontro com algo que muitas mulheres têm brigado, e por pouco não estragou o miolo que tanto se falou sobre esse abuso, ou seja, podia ter ficado sem essa com seu Specs. A frase que Angus Sampson fala tantas vezes com seu Tucker revela exatamente o que ele e seu parceiro são: "ela é médium, nós somos médios", ou seja, de médio pra baixo a interpretação de ambos, funcionando como alívio cômico e nada mais. As demais garotas tiveram altos e baixos com olhares expressivos e algumas cenas bem encaixadas, mas faltou aquele detalhe de medo que gostamos de ver nas expressões, parecendo que todo mundo ali é altamente acostumado a ver fantasmas passeando pela casa, ou seja, poderiam bem mais, dando um leve destaque para Caitlin Gerard como Imogen. O grande Bruce Davison faz Christian aqui e até teve alguns bons momentos, mas nada que impressionasse, tendo destaque apenas na cena de reencontro de seu personagem com Elise, aonde demonstrou apatia e impacto cênico, mas faltou mais disso nas demais cenas para realmente impressionar.

Assim como nos demais filmes da franquia, o longa é bem econômico em relação à cenografia, tendo aqui uma casa com pouquíssimos móveis e detalhes, usando muita teia de aranha para criar um ar misterioso, e quando vamos para o outro lado dos espíritos a maquiagem fica a cargo de um ou dois personagens apenas para dar algum realce, ou seja, trabalham bem com o pouco, e o acerto acaba sendo bem encaixado. Não diria que foi o melhor uso, mas o filme poderia ter encaixado mais ainda com a ideia da prisão e juntado com o abuso que certamente daria altos papos nos meios de discussão. Como falei no começo, uma das grandes falhas do longa ficou a cargo da equipe de fotografia, que abusou demais de tons escuros bem fortes, e isso por bem pouco não estragou o longa por completo.

A trilha sonora de Joseph Bishara sempre encaixa bem com qualquer longa de terror, e aqui ele não abusou de ríspidos acordes para pegar o público desprevenido, criando algo mais complexo e bem trabalhado no contexto completo.

Enfim, diria que da franquia é o longa mais fraco de essência, mas o que trabalhou melhor as conexões, podendo dizer que fechou o ciclo, mesmo que para isso seja esquecível. Agora é esperar o que irão fazer para que a série continue, talvez ir para o final do segundo quando aparece uma nova entidade que não foi usada ainda, mas para isso teriam de abandonar o grande sucesso da trama que é Elise, ou seja, vai ser algo a ser bem pontuado. Mas falando desse ainda, posso dizer que recomendo ele somente para encaixar todas as pedras, conhecer mais como era Elise quando garotinha e completar tudo, mas de resto é uma pena que não seja um dos grandes nomes do terror que tanto esperávamos ver. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a outra estreia da semana no interior, então abraços e até breve.

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O Estrangeiro (The Foreigner)

1/14/2018 03:03:00 AM |

Um bom filme de ação policial tem de possuir muita paia, movimentos ninjas de luta bem coreografados, e principalmente muita traição para todos os lados, e se você estava com saudade do estilo que víamos muito na saga "Busca Implacável", podemos facilmente dizer que usando o livro "The Chinaman", agora o longa "O Estrangeiro" pode facilmente abocanhar esse pedaço do mercado e criar uma nova franquia de lutas, pois mesmo com coisas que certamente diríamos improváveis, Jackie Chan conseguiu transformar o filme em algo divertido e interessante de acompanhar do começo ao fim, aonde passamos ao mesmo tempo torcendo para que ele descubra quem matou sua filha, mas também que soque a cara do ministro que se acha. E com o final entregue certamente já devem estar pensando em um segundo filme, ou seja, vamos ver muito mais pancadaria em breve.

A história nos mostra que Quan testemunha sua filha morrer por causa de um ataque terrorista feito por irlandeses. A polícia não resolve o caso e o homem decide fazer justiça com as próprias mãos. No caminho de Quan aparece Liam Hennessy, ex-membro do Exército Republicano Irlandês (IRA), que faz parte do governo e tenta impedir o plano de vingança de Quan.

O diretor Martin Campbell é daqueles que oscilam demais em sua carreira, fazendo diversos bons filmes, mas também alguns que beiram o desespero apenas por dinheiro, porém uma coisa é inegável em seus longas: ele sabe como segurar bem a tensão e criar explosões tão realistas que acabam confundindo até mesmo a equipe e claro as pessoas da cidade, tanto que em uma das cenas do filme, cidadãos de Londres acharam se tratar realmente de um ataque terrorista em uma das pontes da cidade, ou seja, só por isso já sabemos que o longa é cheio de bons momentos. Porém ao mesmo tempo que cria um vértice ágil e cheio de coisas improváveis, o excesso de subtramas acaba deixando amarras soltas a todo momento, e isso só é bom se você souber que a ideia de criar uma franquia com outros filmes está semi-pronta, senão teremos apenas os momentos ocorrendo e nada a mais para incrementar. Digo isso, pois a dinâmica de busca por responsáveis por parte do protagonista é bem feita, cheia de bons momentos, mas temos vários elos ocorrendo no meio politizado, parecendo que sempre o diretor quer nos mostrar algo que não está presente em seu filme, do tipo que se ocorresse no Brasil, a busca de um assassino, o diretor ficasse tentando apontar os problemas dos políticos corruptos, ou seja, há um bom mote, mas também há uma boa franquia para se desenvolver. Não sei até que ponto o livro em que o filme foi baseado, "The Chinaman", possui outros desenvolvimentos, que criaram um mito para investigar algo, mas se depender do desfecho aqui, com as boas cenas de luta, quem sabe o roteiro não deslanche mais e entregue em breve uma continuação, afinal o IRA está sempre pronto para novos atentados, e claro nosso lendário lutador mesmo com muitos anos nas costas, ainda bate bastante para virar mais mito ainda.

Quanto das atuações, Jackie Chan melhorou muito seu estilo dramático nos últimos anos, trabalhando mais as expressões de dor e usando o rancor no olhar sem parecer tão falso, pois antes parecia que estava com uma dor de barriga quando queria expressar raiva, e aqui seu Quan é preciso nos diálogos, e ao demonstrar cada sentimento procurou ser correto e fazer tudo com mais simplicidade, o que acabou trazendo um bom tom, claro que ainda seu estilo ninja de luta acaba ficando engraçado e paia demais, fazendo bombas no melhor estilo MacGyver, mas acaba agradando e ficamos torcendo para ele, (até demais, pois o rapaz atrás de mim parecia estar narrando um jogo com torcida organizada!), e assim sendo o personagem Quan vai ser usado mais com toda certeza. Agora chega a ser engraçado o quanto um chefão antigo do IRA (Exército Republicano Irlandês), juntamente com um monte de capangas, acabam tomando uma coça do velhinho chinês, de modo que Pierce Brosnan parece estar morrendo de medo com seu Liam, e com uma desenvoltura até estranha de olhar, demonstrando falta de atitude em cada momento (tirando sua conversa com outro chefão) e repercutindo nos seus atos, ou seja, o experiente ator ficou falhando mais do que agradando. Dentre os demais personagens, a maioria tem boas conexões e até algum tipo de expressão forte para marcar seus atos, mas acabam sempre falhando em algo, de modo que só podemos destacar bem de leve a jovem Charlie Murphy com sua Maggie duplamente infiltrada, e Ray Fearon como o policial Bromley que teve impacto nas fortes chamadas, mas sempre estando um passo atrás de tudo.

No conceito visual arrumaram ao mesmo tempo uma Londres bem ampla para as cenas abertas na rua, mas com locações simples de cenografia nas cenas mais fechadas como no Hotel, ou até mesmo no restaurante, sendo tudo necessário falar ou aparecer escrito para ressaltar aonde cada personagem estava, enquanto na Irlanda o grande destaque da equipe artística ficou a cargo de um bosque e um sitio, aonde o protagonista pode criar todo tipo de armadilha para os "vilões", ou seja, não foi nada impressionante nesse quesito, mas ao menos saíram bem. Quanto da fotografia, por termos muitas explosões e cenas rápidas, o tom avermelhado foi bem usado contrapondo ao verde acinzentado do descampado, criando boas misturas cênicas, e deixando o ar de ação predominar, o que é bom de ver na telona.

Enfim, foi um filme bem ágil e divertido de acompanhar, que mesmo não sendo meu estilo favorito (afinal cenas de lutas paia, com tiros errando com facilidade, e tudo indo para socos e pontapés ao invés de liquidar a fatura com um tiro na cabeça de uma vez) conseguiu me prender e fazer com que gostasse do que via na tela, ou seja, quem for fã irá curtir até mais, mas vale também como uma boa indicação para todos que gostem de longas de ação. Bem é isso, fico por aqui nessa semana cinematográfica, até tendo mais uma pré para ver, mas o horário não é dos melhores, então talvez só veja ele na semana que vem mesmo, então abraços e até breve com mais textos.

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O Destino De Uma Nação (Darkest Hour)

1/13/2018 02:29:00 AM |

Composições biográficas de época costumam ser filmes difíceis, complicados e com grande teor nos diálogos, mas a personalidade cômica e cheia de loucuras que foi Churchill acabou tendo um grande estilo para que o filme "O Destino De Uma Nação" ficasse interessante, contasse uma boa história, e principalmente arrecadasse diversos prêmios para a excelente atuação de Gary Oldman, ou seja, um filmão que até pode se dizer que é enrolado em demasia, mas que situa bem diversos pontos da Segunda Guerra Mundial que poucas vezes foram contados, e mais ainda, se conecta bem com outros longas lançados, formando praticamente um panorama único (o que é bem raro de acontecer em filmes de diferentes diretores/produtoras), ou seja, você estará assistindo ao filme e de repente estará ouvindo falar de coisas que você viu em "Dunkirk" no ano passado, irá lembrar de detalhes que ouviu em aulas de História, mas nunca imaginou um congresso parlamentar balançando seus lenços de maneira a aprovar ou não uma atitude, e por aí vai. Portanto, mas do que um filme de guerra e política, temos uma trama ousada, com bons gracejos, que até cansa um pouco por parecer até mais longo do que realmente é, mas que ao final o resultado acaba agradando demais, principalmente pela estética e pela ótima desenvoltura do protagonista.

O longa nos mostra que o primeiro-ministro inglês Winston Churchill vive um grande dilema ao assumir o cargo. Com a crescente invasão de territórios por parte do ditador Adolf Hitler, Churchill precisa decidir se faz um acordo de paz com os nazistas ou permanecer firme de acordo com seus ideais, declarando guerra.

O trabalho do diretor Joe Wright é reconhecido por deixar que os personagens principais façam seus filmes do modo que o ator melhor se encontrar, e isto faz com que a trama mesmo tendo diversos personagens ao redor, que trabalhem em prol de um todo, se concentre o foco de câmera quase que 100% no protagonista. Não digo que isso é ruim, muito pelo contrário, pois acabamos nos afeiçoando facilmente ao personagem principal, e a cada novo momento procuramos e queremos conhecer mais e mais do que ele pode fazer. E aqui com Churchill até sabíamos alguns detalhes de sua vida, mas não tanto quanto a pesquisa detalhada conseguiu eximir e entregar aqui, claro que com patriotismo acima de tudo (afinal um filme de guerra sem patriotismo não é filme de guerra!) e trabalhando com muita expressividade, o ator praticamente virou o personagem em ação, afinal quem for ao cinema sem saber que é Gary Oldman por trás da prótese/maquiagem vai assistir ao filme até o fim se perguntando se conhece esse ator, ou se é alguém novo no mercado de atores, ou seja, um trabalho impressionante de caracterização e mais ainda de incorporação que foi dado para a trama. Com isso em mente, o desenrolar da trama é apenas detalhamentos de cada ato para que conheçamos o estilo de parlamentarismo, as ideias do primeiro-ministro, sua relação com o Rei e com os demais membros da câmara de diferentes partidos, sua família bem brevemente, e claro o nacionalismo contra o nazismo, ou seja, muita política feita de uma maneira até que leve e descontraída, mas com tudo bem colocado nos mínimos detalhes.

Falar sobre as atuações é quase que ficar repetindo o quanto não vemos Gary Oldman em cena, pois volto a frisar que o ator incorporou a personalidade e junto de muita prótese e maquiagem nem vemos sua fisionomia e seus trejeitos, de modo que vemos sim Churchill em cena, fazendo seus atos e trabalhando para entregar uma atuação, ou seja, prêmios em cima de prêmios, pois a função do ator é conseguir trazer uma personalidade que lembre o "homenageado" do filme, e assim quem viveu sua época, leu algum livro ou viu algum documentário com fotos/vídeos reconheça-o na tela, e aqui mesmo quem nunca conheceu Churchill por nenhum dos meios, passa a saber que aquele homem na tela é o personagem, e claro faz suas ideias de como ele foi a partir daquilo, ou seja, um trabalho mais do que perfeito. Dentre os demais, temos de dar um bom destaque para a forma emotiva que Lily James entregou para sua Layton, como mais do que uma secretária/datilógrafa, mas alguém por quem o protagonista passa a tratar como um elo nos seus discursos, ou seja, enquanto temos a comicidade e a frieza por parte do personagem principal, aqui a doçura e ingenuidade incorpora para dar a leveza que a trama precisava para equilibrar. Também temos de pontuar as poucas cenas de Ben Mendelsohn como Rei George VI que com uma postura bem tomada consegue incorporar seus diálogos como realmente um nobre. Do lado "antagonista" da trama tivemos os adversários políticos de Churchill que desejavam viver uma paz mesmo que para isso tivessem de se aliar à Hitler, e com isso, as boas sacadas expressivas de Ronald Pickup como Chamberlain e Stephen Dillane como Halifax foram bem de contraponto e agradaram por não forçar a barra. Sei que não era o foco da trama, e com isso só tivemos algumas cenas mais jogadas de Kristin Scott Thomas como a esposa Clemmie de Churchill, mas a atriz ao menos fez bons carões e mostrou o que ela diz em certo momento que desde que escolheu ele já sabia que ficaria sempre em segundo plano perdendo para a política até o fim dos seus dias.

Como estamos falando de um longa de época, com um cunho histórico fortíssimo, a equipe de arte precisou trabalhar muito para entregar locações bem incorporadas de detalhes, que mesmo que ninguém nunca tivesse estado num gabinete de guerra, imaginasse ser daquela forma, com túneis conectando cada local, carros da época, figurinos bem ornados, e claro, o principal que entregassem uma maquiagem e cabelo perfeitos para retratar o personagem principal, e nesse conceito, podem pesquisar milhares de fotos e o resultado é idêntico, ou seja, um trabalho interessante e que deve ser lembrado. Um grande destaque cênico ficou para a cena do primeiro discurso com a famosa luz vermelha iluminando o ambiente inteiro e deixando o protagonista mais nervoso do que o comum, o que já vimos em outros discursos. A fotografia usou muito o marrom/sépia para dar o tom de época, mas com figurinos dominados por preto, azul e branco, tivemos muitos contrapontos que suavizaram a tonalidade e incorporaram o visual da arte com a fotografia, e além disso, muita fumaça dos charutos, muitas luzes de contra para aumentar o preenchimento fizeram com que o longa ampliasse cada cenário criando algo mais contextual do que ficcional realmente.

Enfim, é um filme longo que até vai cansar um pouco nos últimos atos, pois após o clímax temos uma leve quebra de ritmo para que no final tudo volte a decolar, mas quem gosta de filmes históricos vai sair muito feliz com o resultado final da trama. Portanto não recomendo ele somente pela brilhante atuação de Oldman que deve levar todos os prêmios da temporada, mas sim pelo contexto completo da trama que deve incorporar bem nossos conhecimentos históricos (e claro para professores de História para que usem em suas aulas, ou ao menos achem os diversos defeitos de época!). Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas tenho ainda alguns filmes que vieram para o interior para conferir, então abraços e até breve.

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O Touro Ferdinando (Ferdinand)

1/07/2018 12:38:00 AM |

É tão bacana quando um diretor faz filmes direcionados para um público, e consegue cativar todos os demais, colocando ousadia e até pontos críticos! Digo isso, pois já sabemos bem o que iremos ver quando vamos à um filme do brasileiro Carlos Saldanha, e logo que surgiu o primeiro trailer do filme "O Touro Ferdinando", era certeza de ter emoção, muitos personagens carismáticos e até um claro afronte às touradas. E o que vi hoje na sessão de pré-estreia do longa é exatamente isso, mais um toque amoroso, gentil que nos conecta aos mais diversos bichos de estimação independente do seu tamanho acaba sempre tendo um grande envolvimento com os donos, vemos uma personalidade incrível do touro protagonista, e claro, uma fotografia muito bonita. Claro que muitos vão reclamar do estilo mais duro de desenho, sem muitas texturas, mas esse é o estilo do diretor, e sem dúvida alguma posso dizer que esse é sua volta ao grande estilo de história junto de beleza e bons personagens que vimos quando lançou o primeiro "Era do Gelo" em 2002, ou seja, pode pegar toda a garotada e ir passar um dia das férias no cinema que a diversão é garantida e a emoção também.

A história nos mostra que Ferdinando é um touro robusto e por causa de seu tamanho assusta muitos bichos e pessoas. Mas a grande verdade é que por trás da cara de mau, Ferdinando é um animal bastante sensível, que prefere ficar no campo cheirando flores e apreciando a paisagem. Para seu desespero, ele acaba sendo escolhido para uma tourada.

Quando o ano começa tão bem com grandiosas animações, acredito que podemos dizer que será excelente o restante, não é mesmo? E o mais incrível é ver que por trás de uma bela obra de arte está um brasileiro que já entregou tantos filmes bons, e que a cada nova obra procura incorporar mais beleza, incrustada em sutilezas, e sem deixar de lado a ingenuidade infantil para que sua obra tenha um conteúdo gostoso para todas as idades. E isso é fato marcante nas obras de Carlos Saldanha, que aqui pegou um texto antigo, que já foi até curta-metragem da Disney premiado em 1938, e trabalhou com muito cuidado para que não soasse forçado e principalmente que tivesse bons personagens, pois a história em si é simples, mas a cada momento conhecemos e nos divertimos com cada personalidade diferente e com as boas nuances que nos é entregue, ou seja, um filme que o diretor soube trabalhar um ponto crítico (ou melhor dois, pois denuncia as touradas como algo aonde os touros não possuem a chance - que acham no filme que terão de um dia derrotar o matador e sobreviver, e também mostrar para as crianças de onde vem um belo bifão de churrasco) e ainda conseguiu manter viva a essência infantil agradável e divertida para que a família toda assista, se divirta e emocione sem precisar pensar nem pesar em nada, ou seja, outro grande acerto do diretor.

Agora como sempre costumo dizer, uma boa animação se faz em cima do carisma e da boa dublagem dos personagens, e aqui o grandalhão Ferdinando é quase como nossos cachorros que crescem e ainda se acham pequenos, e mesmo forte ainda decide pela paz, pela flor, pela beleza de um campo para observar, e que com muita sutileza dublado por Duda Ribeiro na versão nacional acabou ficando incrível de acompanhar. Outro grandioso carisma ficou pela cabra Lupe, muito divertida, cheia de vontades e interações com o protagonista, bem como com todos no rancho de touros, e que dublada pela comediante Talitha Carauta com muita destreza acabou divertindo demais. A pequenina dona do tourão Nina foi sútil nos seus momentos, e agrada de uma maneira delicada e que dublada por Maísa soube agradar com ternura em todas as cenas. Dentre os demais, tivemos ótimos momentos dos pequenos ouriços Una, Dos, Cuatro com habilidades de roubo de alimentos e de fuga impressionantes, que junto com o coelhinho rosa prometem chamar muita atenção em outros filmes. E dentre os demais touros, todos com características incríveis, o valentão, o magrelo, o de duas cores diferentes, o criado em laboratório e até mesmo o com muito cabelo que não enxerga, tivemos personalidades variadas para poder mostrar para as crianças que cada um no seu estilo pode e deve fazer seu momento melhor, ajudando em algo e agradando. Ainda tivemos também bons momentos junto dos cavalos exibidos, que com a dublagem de Otaviano Costa fazendo muitos trejeitos para mascarar sua voz acabou ficando engraçado demais e resultando em cenas divertidíssimas de dança e exibicionismo. Dentre os demais humanos, tivemos boas bagunças cênicas para mostrar o caos que é Madrid no trânsito, e um grande apreço de não dublarem em português os figurantes, deixando que falassem em espanhol mesmo, soando algo bem interessante de ver e ouvir. Tivemos pouco destaque na vilania de El Primero, mas claro para não chocar os pequeninos, mesmo quando a lança afiada fica frente a frente com o protagonista, mas o personagem foi bem colocado para mostrar o altíssimo ego desses que vão para a tourada com toda pompa para se exibir.

No conceito visual a trama é bem bonita mostrando ares da Espanha rural e até os grandes centros urbanos, trabalhando com muitas cores vivas e mesmo sem exagerar em detalhes e texturas (algo que pouco importa para muitas produtoras), o resultado acaba virando rico em diferenciações, com personagens bem diferentes para que cada um olhe e saiba quem é quem, e com isso o filme ganha uma vida charmosa, simples e efetiva. Novamente, por ser pré-estreia, não veio com a tecnologia 3D para cá, mas não senti muito detalhamento em cenas que possam ter usado da técnica, talvez semana que vem confira em 3D para poder opinar.

Outro grande agrado ficou a cargo das boas canções escolhidas a dedo para cada momento, que além de fazer as passagens de tempo, deram dinâmica e vida para cada ato, destaque claro para a canção tema "Home" interpretada por Nick Jonas. E claro que deixo aqui o link com as músicas do filme.

Enfim, é um filme muito gostoso de acompanhar que vai divertir a família toda e que as crianças vão querer ter talvez um touro em casa (rsss), mas que não podendo irão arrumar colecionáveis bonitos, cadernos e por aí vai, mostrando que sempre Saldanha também ajuda nesse conceito criativo de produtos. Portanto fica a recomendação de uma boa animação para levar os pequenos para o cinema, que está em pré-estreia em diversos horários nessa semana, e na próxima deve vir com tudo. Bem é isso pessoal, fico por aqui já encerrando essa semana cinematográfica bem curta, mas volto na próxima quinta com mais textos, então abraços e até lá.

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Viva - A Vida É Uma Festa em 3D (Coco)

1/05/2018 12:57:00 AM |

Chega a ser engraçado comparar uma animação de nível da Pixar/Disney com qualquer outra produtora, pois sempre nos é entregue tantas cores, tantas texturas, tantas emoções, personagens diferenciados, que para nós adultos, quando vamos ver um filme deles já sabemos que vamos encontrar muitas metáforas, sentimentos e simbologias para todos os lados, e ainda assim poderemos levar os pequenos que eles se encantarão com muitas cores e por vezes acabarão se divertindo com um ou outro personagem. Esse é o selo Pixar, e você verá ele com muito afinco em "Viva - A Vida É Uma Festa", e digo bem mais, o longa além de emocionante é forte ao trabalhar não com a morte em si, pois esta como bem sabemos na cultura mexicana é algo para ser celebrado, e aqui é entregue de maneira delicada e interessante, mas o impacto surge no último ato com personagens principais, e desde o ponto de virada é um choque atrás do outro, ou seja, certamente embora estará sendo vendido como uma animação infantil para levar as crianças, com brindes fofos e tudo mais, recomendaria ele para no mínimo de 10 a 12 anos, e talvez até mais, pois sim temos boas metáforas familiares, muita simbologia de união pela família e tudo mais, mas vi tantos pequeninos chorando nos cinemas, que acredito que somente as cores e o cãozinho fofo Dante não serão suficientes para segurar eles no cinema. Mas, para os adultos, como sempre o resultado é incrível, possui excelentes camadas de história, de texturas, de cores, e claro de músicas que vamos nos encontrando em tudo e o resultado no final dá até um nozinho na garganta.

A sinopse nos conta que apesar de a música ter sido banida há gerações em sua família, Miguel sonha em se tornar um grande músico como seu ídolo, Ernesto de la Cruz. Desesperado para provar o seu talento, Miguel se vê no deslumbrante e pitoresco Mundo dos Mortos seguindo uma misteriosa sequência de eventos. Ao longo do caminho ele conhece o trapaceiro encantador Hector, e juntos eles partem em uma jornada extraordinária para descobrir a verdade por trás da história da família de Miguel.

Depois de ter feito muito marmanjo chorar com seu último filme, "Toy Story 3", o diretor Lee Unkrich, vem agora trabalhar uma mensagem mais ampla e para isso recorreu à simbologia da morte pelo lado mexicano desse misticismo, aonde essa fase, e principalmente o dia dos mortos é uma celebração de encontro afetivo e de memória com os que já foram embora, e só essa deixa já é algo emocionante para ser trabalhada, mas aqui o diretor optou por trabalhar tanto a busca de um sonho, como também duas outras vertentes, a quebra da inocência (que chega a ser uma das cenas mais fortes que já vi em uma animação) juntamente com um antagonista que ninguém esperava ver acontecer, e o melhor, ele consegue surpreender de forma mais e mais impactante, ou seja, ao direcionar dessa forma o diretor/roteirista não só criou toda uma mítica como também incorporou mais ainda o símbolo de seguir o sonho junto com a família, nunca abandonar esse elo, e assim sendo o resultado que seria apenas bonitinho, ficou forte e bem colocado como um filme mais sério para ser tratado.

Claro, que mesmo tendo essa ousadia, o diretor não nos decepcionou em nada, criando nuances visuais incríveis, destaque para o plano aberto na hora que o garotinho chega na cidade dos mortos, temos muitos, mas muitos mesmo, personagens bem desenhados passeando para todo lado (chega a lembrar "Zootopia - Essa Cidade É O Bicho"), cores vivas espalhadas, espécies de teleféricos voando para cima e para baixo, e nesse misto de cores, muita textura misturada com boas expressões, e claro, símbolos e mais símbolos, tornando sim o longa ao mesmo tempo visual para a garotada, e sério para os adultos refletirem, ou seja, um filme completo tanto no conceito de história quanto no conceito artístico.

Quanto dos personagens e da dublagem nacional, tivemos um garotinho ao mesmo tempo fofo e determinado, aonde com muita postura o Miguel dublado e cantado por Arthur Salerno encontrou trejeitos e determinações bem colocadas, ousando pouco em gírias e agradando muito no conceito da personalidade, envolvendo ao mesmo tempo que impõe, ou seja, na medida certa. O carisma do cachorrinho Dante é algo que mexe muito com o público, primeiro por colocar um vira-lata, e não um cão de raça para dar nuances bacanas de adoção que anda bem na moda, e ainda mais com o desenrolar que vemos mais para o fim, que agrada ainda mais com a personalidade do bichinho. O esqueleto Hector vamos gostando dele aos poucos, e ao nos revelar sua história completa ficamos de queixo caído, ainda mais depois de ter passado pela "favela" dos esquecidos que acaba ficando incrível, e a dublagem de Leandro Luna ficou ótima realmente. Agora se você quer falar de texturas de velhice, olhe para Mama Inez (Mama Coco no original) e certamente você verá todas as vovozinhas que conhecemos, de uma maneira tão perfeita que chega a dar medo do que podem fazer com animações. Ainda falando de personalidade, tivemos um Ernesto de La Cruz bem forte e cheio de compostura para chamar a atenção, desde sua história no começo, até o final bem incrível, ou seja, um personagem que a dublagem de Nando Pradho ficou na medida certa. Enfim, tivemos muitos bons personagens, e falar de cada um passaria por horas e daria até spoilers maiores, mas vale reparar em cada um para encontrar sua sina e seus atos.

Ou seja, o conjunto da obra surpreende! Não vi a trama em 3D hoje, optando pela conversão em Imax 2D que garantiu um conjunto mais incrível de cores, porém no final de semana irei rever em 3D para poder falar mais dos efeitos (que aparentemente pareceram interessantes com muitas pétalas de flores voando e alguns personagens também voando, ou seja, deve estar legal também), daí volto aqui nesse parágrafo mesmo para editar.

---> Voltando aqui para falar sobre o 3D da trama, hoje revi o filme e posso dizer que continuou lindíssimo, mas o 3D devido os óculos perde um pouco das cores magníficas que vi na Imax, e o que a tecnologia incrementa é maior profundidade cênica, de modo que as cidades parecem maiores, os personagens passam a ter formas melhores arredondadas, temos algumas sombras a mais, e alguns leves voos dos alebrites, mas nada que surpreenda como imaginava que poderia acontecer, portanto vá ver em Imax 2D que a garantia de cores é bem maior, e claro se você for adulto leve lencinhos, pois hoje a sessão quase foi alagada pelo público mais velho.

Quanto a musicalidade da trama, tivemos músicas bem interessantes, mas que como já falei em outro post, a Pixar diferentemente da Disney cria seus longas musicais mais centrados, e com isso não temos canções que adentram nossa mente e ficamos cantarolando sem parar, apenas são bem encaixadas para passar a nuance da trama e dar o ritmo que a cena precisa, mas ainda assim, como sou um bom amigo dos meus leitores, deixo aqui o link com as canções dubladas, e também algumas originais.

Enfim, é um filme muito bom para se refletir, para se emocionar e até para se surpreender, valendo a conferida. Como disse, talvez os pequenos não se conectem tanto, mas de certa forma passará uma boa mensagem para os não tão pequenos, portando fica a dica para saber se vai ou não levar o filhote para conferir a trama. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, com praticamente a única estreia da semana que não veio antes em pré, mas volto logo mais com o texto da outra animação que veio como pré-estreia, então abraços e até breve.
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Retrospectiva 2017 - Melhores Do Coelho

12/31/2017 03:53:00 PM |

Bem caros amigos, acabamos mais um ano, e posso dizer que foi um dos mais fracos cinematograficamente falando, pois tivemos bem menos filmes estreando no interior (foram 215 filmes esse ano contra 226 no ano passado) e na média foi dado 6,75 coelhos de nota, ou seja, nem na média 7 para passar de ano foi conseguido, ou seja, o ano 2017 ficou de recuperação (rsss)...  mas ao menos tivemos boas diversões, gratas surpresas, algumas decepções, retornos de franquias, e claro muitos blockbusters para lotar as salas de cinema! Também tive muitos elogios por críticas, muitas reclamações, e até alguns xingamentos, mas faz parte, pois desde que decidi colocar a minha opinião aqui aberta, estou aberto para ouvir também qualquer coisa.

Espero que 2018 venha a ser bem melhor, e que claro possamos estar mais tempo ainda dentro das salas de cinema, e que ainda possa continuar escrevendo minha opinião aqui para que os amigos decidam se vão conferir ou não, se compram ou não uma mídia física, e por aí vai... claro que o desânimo bate muitas vezes, mas talvez 2018 seja o ano que vamos atingir a grande marca de 1.000.000 de visualizações, então garanto que pelo menos esse ano vou seguir.

Como é de praxe em todos anos, vou colocar aqui os filmes que mais gostei, que dei as melhores notas e claro também os desastres, lembrando que foi a minha opinião na época que conferi, usando dos conceitos de produtor que sou, pois sei que muitos amigos jornalistas discordam de minhas opiniões, afinal olham apenas a história, e não todo o restante. Então vamos lá.

Nesse ano dei nota máxima para 6 filmes apenas, cada um por sua qualidade e estilo, e por incrível que pareça dei nota 9 para outros 30 filmes, ou seja, tivemos muitos bons filmes que na época por algum detalhe raspei de dar nota máxima, portanto vamos comentar desses 36 quais valeram realmente o ano.

Para começar, por mais incrível que possa ser um dos filmes que dei nota máxima nesse ano e teve uma das maiores visualizações do site de todos os tempos foi um documentário, e claro que ficará como sendo um dos melhores que já vi, que foi "Visages, Villages".

Na categoria animação, tive uma grata surpresa ao ver algo feito para adultos que comoveu a plateia em uma das poucas exibições, com todos aplaudindo ao final, e que certamente irá marcar minha memória para sempre, e esse foi "Your Name". Mas também nessa categoria ri muito com todas as grandiosas cenas e sacadas de "LEGO: Batman", ou seja, para todos fãs do homem-morcego tivemos algo bem feito que valeu a penas ser visto.

Felizmente tivemos grandes feitios esse ano em um dos gêneros que mais gosto que é o terror, causando estranhezas e assustando tivemos "It - A Coisa", e ousando com muito preconceito e situações constrangedoras, "Corra" conseguiu impressionar muito, e pode pela primeira vez levar um longa do gênero para as cabeças das premiações.

No lado mais emotivo, tivemos vários filmes que nos fizeram escorrer lágrimas na sessão, dar engasgadas enormes, e com isso resultaram em algo muito bonito de se ver, e claro que para citar aqui tenho de colocar um que no mundo todo foi no ano passado, mas como só vi esse ano, aqui vai "Lion - Uma Jornada Para Casa".

Nos dois festivais que tivemos esse ano no interior, fui muito surpreendido com ótimos filmes, nos mostrando muitas vertentes de outros países, mas sem dúvida alguma o melhor do ano foi "O Motorista de Táxi" que chocou ao trabalhar um governo ditador brigando com a população de bem, e ainda usando algumas coisas cômicas para dar uma quebra. Mas também tenho de pontuar o ótimo "A Viagem de Fanny" que com a doçura das crianças nos entregou o mundo dos judeus fugindo da guerra.

Agora foram poucos os longas que me fizeram rir de verdade, ou ao menos sair com uma felicidade imensa da sessão, e tenho de colocar aqui o ótimo "Perdidos em Paris" que foi leve e divertido na medida certa. E também tivemos "Victoria e Abdul - O Confidente da Rainha", que embora tenha uma pitada dramática forte no final, o geral foi muito gostoso e divertido de acompanhar.

No conceito de ação, aventura e entretenimento, tivemos alguns filmes incríveis que nos deixaram com muita adrenalina e empolgação, incluindo até um dos melhores filmes do ano, "Dunkirk", que fez uma guerra por diferentes maneiras sem precisar ter um herói em si. Tivemos "Logan" com uma finalização incrível para o herói com muita destreza e incríveis cenas. E claro um dos filmes mais eletrizantes do ano com "Em Ritmo de Fuga", sem esquecer do grandioso "Atômica" que arrasou demais.

Não diria que tivemos um bom ano de produções utilizando efeitos tridimensionais, pois nenhum surpreendeu, mas com certeza alguns agradaram bastante, e para citar alguns bons nessa categoria, ficaria com "Kong - A Ilha da Caveira", "XXX - Reativado" e "Transformers - O Último Cavaleiro".

E por último, mas não menos importante, foi um grande ano para o cinema nacional, com 37 produções exibidas no interior, e se destacando demais "Por Trás do Céu", "Divórcio", "Soundtrack" e "O Filme Da Minha Vida", numa mescla de fantasia, comédia, emoção e histórias que fizeram nossa mente viajar, ou seja, mostrando que a qualidade nacional tem melhorado demais.

Mas se tivemos bons filmes, é claro que tivemos muitos ruins também, e para não estragar a felicidade do texto vou citar só alguns, para começar os piores nacionais dos últimos anos: "Os Penetras 2 - Quem Dá Mais?" e "A Menina Índigo", mas que não superaram os dois piores filmes do ano que facilmente podem ser chamados "A Noiva" e "24 Frames".

Bem é isso pessoal, desejo do fundo do coração que todos tenham uma ótima noite de virada, e que possamos conversar bem mais sobre cinema no próximo ano, então abraços e até 2018!!
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Jumanji: Bem-Vindo à Selva em 3D (Jumanji: Welcome To The Jungle)

12/30/2017 02:56:00 AM |

Com toda certeza quando anunciaram que estavam fazendo um novo filme de "Jumanji" e não noticiaram se seria uma continuação ou refilmagem do clássico, muitos já reclamaram, ficando bravos e tudo mais com a produção, mas quem joga jogos de videogame de aventura certamente vai ver o novo filme "Jumanji: Bem-Vindo à Selva" e sairá tão contente com tudo o que é mostrado na tela, que pela primeira vez em anos vi um filme que posso dizer que ao mesmo tempo que homenageou o original, não precisou fazer uma refilmagem, e mais ainda, trouxe uma diversão na medida certa para empolgar como se tivéssemos jogando e conhecendo mais cada personagem, cada cenário, os vídeos explicativos e tudo mais. Talvez algumas reclamações sejam bem plausíveis, como a falta de um vilão mais impactante, um 3D melhor, e claro alguns clichês forçados que poderiam ser evitados, mas a alegria é tamanha de ver uma história tão legal (essa é a melhor palavra para definir o longa) que com toda certeza, os defeitos acabam passando despercebidos. Portanto, vá e se divirta, pois vai valer rir muito dos personagens, e claro se conectar imaginando cada ponto da trama, como iria fazer num jogo desses.

A sinopse nos conta que quatro estudantes ficam de castigo e têm como tarefa limpar o porão do colégio. Lá eles encontram um jogo chamado Jumanji, cuja ação se passa numa floresta tropical, e empolgados com o jogo, eles escolhem seus avatares para o desafio, mas um evento inesperado faz com que sejam transportados para dentro do universo fictício, transformando-se nos personagens da aventura, onde precisam enfrentar grandes perigos para conseguirem voltar ao mundo real.

É interessante demais ver a preocupação do diretor Jake Kasdan para que seu filme funcionasse tanto como uma continuação do original, quanto uma nova linha a ser seguida, pois em diversos momentos vemos homenagens ao filme de 1995, mas também é colocado tanto uma nova roupagem, e claro uma linha mais próxima do que acontece hoje, com jovens interessados em videogames e avatares virtuais completamente diferentes de suas personalidades reais, que acabamos nos divertindo com toda a sacada trabalhada na trama. Claro que boa parte disso se deve ao ótimo roteiro de Chris McKenna ("LEGO Batman", "Homem-Aranha De Volta ao Lar") que certamente já jogou muito videogame e sabe em detalhes como deve ser a interação personagem/atributos e claro como cenários e personagens aleatórios se desenvolvem nos jogos, ou seja, tudo muito bem encaixado para que a trama contasse uma história nova, e também funcionasse como um jogo sendo executado. Talvez pudessem ter trabalhado ainda mais na história, para que o desenvolvimento de fases fosse maior, mas aí acabariam alongando demais a história e não sobraria tempo para as piadas que ajudaram a dar um tino muito bem encaixado para o resultado final. Ou seja, dinâmica na medida e história bem contada, o que resulta em algo incrível de acompanhar, mas que por bem pouco não virou uma tragédia, pois ao colocar um vilão fraco e jogado, e alguns exageros de gags forçadas, quase tivemos um filme que poderia ser esquecível, mas souberam trabalhar isso na edição e assim sendo agrada mais do que atrapalha.

Sobre as interpretações, basicamente embora cheia de trejeitos, o resultado foi o melhor possível, dentro do jogo claro, pois fora os jovens atores até tiveram atitude, foram interessantes, mas soaram um pouco perdidos com seus trejeitos, claro que isso foi levado para dentro do jogo com suas personalidades, mas faltou um pouco de dinâmica entre eles e também carisma, portanto vamos ao que interessa, a começar claro por Dwayne Johnson, que sempre tem grandes facetas expressivas, e aqui seu Bravestone foi cheio de força, cheio de intensidade, mas por dentro sendo o Spencer medroso acabou soando engraçado e bem colocado, de modo que o ator anda saindo muito bem em comédias, mas ainda mantendo o ar aventureiro em pauta bem encaixado. Logo na sequência temos o melhor do filme, que por incrível que pareça é Jack Black que tanto reclamamos de seus trejeitos repetidos, excessos de caras e bocas, mas aqui como Shelly ficou perfeito não pela sua atitude de orientador, mas sim pelo interior incorporando Bethany uma garota completamente fútil, cheia de atitude e que o ator soube jogar para fora com muito estilo, e principalmente muita diversão, pois a cada olhar, a cada trejeito, víamos uma garota presa no corpo como ela mesmo disse de um gordo de meia idade, ou seja, perfeito demais, que faz rir do começo ao fim. Com uma atitude bem ousada e com uma dinâmica bem coesa para o papel, Karen Gillan nos entregou uma Ruby lutadora e com força para agradar, mas por dentro tinha uma Martha tímida e quieta, o que ficou muito interessante de ver por mostrar ao mesmo tempo o empoderamento feminino com a sutileza de alguém que não sabe o que quer, e isso a atriz soube atacar com perfeição. Kevin Hart sempre é muito exagerado em seus papeis, e aqui não foi diferente com seu Finbar, que trabalhou exatamente no oposto do seu interior que era um grande jogador de futebol americano, e no jogo foi um pequenino ajudante com praticamente nada de útil senão conhecer os vários tipos de animais, ou seja, embora tenha alguns momentos engraçados, o exagero foi sua maior falha. Está virando moda os cantores de sucesso virarem atores de cinema, e dessa vez tivemos Nick Jonas como Alex, que trabalhou bem dentro do que foi possível, fazendo algumas expressões tradicionais de medo, mas mantendo a essência de ser aquele personagem que por já ter ficado muito tempo no jogo conhece diversos detalhes, e assim sendo o cantor/ator fez bem seus momentos. Ainda estou tentando entender a personalidade que Bobby Cannavale quis dar para seu vilão Van Pelt, pois embora tenha um ar malvado com animais peçonhentos saindo de diversas partes do seu corpo, aparentou mais ser um zumbi bobo e fácil de derrotar do que alguém que domina tudo, ou seja, fraco e com pouca expressão. Agora um personagem secundário que agradou muito, principalmente por funcionar exatamente como personagens secundários de jogos fazem, foi Rhys Darby com seu Nigel, pois além do ator fazer expressões bem secas, ele foi o responsável por explicar como o filme, ou melhor, como o jogo iria funcionar, e isso foi bem bacana de ver.

O visual bem encaixado gravado no Havaí deu um tom de selva bem interessante e colocando tudo com um tom bem clássico de jogos de videogame mesmo, a trama acabou tendo elementos gráficos bem trabalhados, com figurinos simples e efetivos e muita dinâmica visual, e que claro poderia até chamar mais atenção, mas funcionou dentro da proposta e conseguiu entregar um jogo realmente. Com muito verde e marrom, a trama acabou sendo fotografada de uma maneira mais dura, o que acabou não envolvendo tanto quanto poderia com o 3D, que por bem pouco não ficou nulo, mas felizmente na conversão algumas cenas (bem poucas!!) tiveram um ou outro salto para fora da tela, com objetos sendo atirados em direção ao público, mas nada que surpreenda quem gosta de ver filmes com a tecnologia, e sendo assim o 3D só foi usado mesmo para criar contornos e fazer com que o filme ficasse com um ar mais de game realmente.

Enfim, um filme bem dinâmico, completamente interessante de acompanhar, que vai divertir muito quem for esperando ver uma boa comédia cheia de aventura, e que principalmente acabou surpreendendo, pois com toda sinceridade esperava ver algo apelativo demais, que fosse destruir o clássico que foi o longa de 1995, mas que ousou ao entregar um jogo atual e bem colocado, ou seja, é daqueles filmes despretensiosos que agrada mais do que estraga, mesmo tendo muitos defeitos técnicos como citei acima. Portanto deixe-se levar pela aventura, e embarque nesse jogo, agora a dúvida é se também irão lançar o jogo de videogame para que a galera brinque com medo de realmente ser puxado para dentro, como acontecia com a galera que pensava em comprar o jogo de tabuleiro na época. Bem é isso pessoal, encerro aqui minha programação desse ano, mas claro que volto ainda hoje ou amanhã no máximo com a retrospectiva de 2017, falando dos melhores e piores filmes que vi nesse ano, então abraços e até breve.

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Roda Gigante (Wonder Wheel)

12/29/2017 02:38:00 AM |

Já é quase uma tradição praticamente todo ano termos um filme de Woody Allen, e 2017 já estava quase acabando sem termos um para conferir, mas eis que aparece "Roda Gigante" para nos deliciarmos no seu estilo peculiar de trabalhar personagens diferentes, geralmente com muitas crises para resolver, e que junto de uma cadência quase que orquestrada consegue ir entregando aos poucos as situações deixando que elas não se choquem, mas se complemente piorando ainda mais as crises entregues no começo. Ou seja, o tradicional que vemos quase sempre em seus filmes, mas que aqui usando a analogia de uma roda gigante mesmo, começa em um ponto, dá algumas voltas, e volta para onde você entrou, e assim muitos vão reclamar do filme ser um pouco confuso, outros sairão sem entender nada, mas o que Woody quis passar basicamente, ao menos na minha concepção, foi que o ciclo de algo que está ruim é continuar ruim, mesmo que você tenha alguns momentos bons, dificilmente você irá sair disso se iludindo.

O longa nos situa em Nova York, anos 50. Ginny vive um casamento insosso com um operador de carrossel, que trabalha no parque de diversões de Coney Island. Passeando pelo local, Ginny conhece o guarda-vidas bonitão Mickey e cai de amores por ele. Mas a enteada dela também está apaixonada por Mickey, gerando uma série de confusões nesse triângulo amoroso.

A história que Woody criou e dirigiu, lembra muitos de seus filmes, porém trabalhou uma estética diferenciada e com uma síntese mais próxima de querer trabalhar o ciúmes e as crises da vida que algumas pessoas acabam tendo, com isso claro enfatizando o ar feminino em destaque. E como é de seu costume, o diretor usou um narrador que fala para a câmera, que em muitos filmes ele mesmo atuou nesse papel, e ultimamente tem tentado acertar "musos" que inspire seu estilo e acabe mostrando algo a mais para a trama, e aqui o jovem salva-vidas tem uma essência bem interessante em querer saber mais das histórias trágicas das vidas das mulheres, não se importando tanto com elas, de maneira que tudo acaba soando até bizarro por vezes, e claro que como ambas as damas são bem bonitas, acaba ficando óbvio que seu interesse além de histórias recai sobre outras coisas também. Ou seja, o tradicional filme "romântico" dramatizado por Allen, que vai nos entregar um pouco de tudo, da vida tradicional dos protagonistas, mas claro, sem entregar realmente sua essência, deixando que isso seja feito com o tempo.

Assim como fez com Cate Blanchett em "Blue Jasmine", que a atriz acabou explodindo em forma expressiva, aqui Woody começou com Kate Winslet singela, meio insossa, desanimada com a vida de sua Ginny, mas vai incorporando num crescente tão forte da personagem em meio ao ciúmes e claro do novo amor, que nas penúltimas cenas já a vemos toda enfeitada, pronta para o sucesso, encarando tudo de forma completamente diferente, ou seja, um arraso de atriz, que ficou um tempo meio apagada (assim como sua personagem), mas que vem voltando com a corda toda, principalmente mostrando que tem dormido no formol e está ainda mais bela a cada ano que passa. Justin Timberlake conseguiu imprimir um de seus melhores personagens aqui com seu Mickey, claro que está longe de ser perfeito, mas trabalhou sem muitas firulas usuais, e acabou soando mais como um aproveitador no meio de conseguir como poeta buscar suas histórias no meio de seus trabalhos, e com isso e claro muitos galanteios, o ator ficou bem trabalhado, só temos de pontuar um detalhe, ele embora tenha cara de novinho, já não é mais tão novo para o papel. James Belushi apareceu pouco com seu Humpty, e com isso não pode mostrar tudo o que poderia, pois se nos poucos momentos seus já deu nuances fortes, colocou carisma na relação com a filha, deu o tradicional conflito com enteado, foi pescar, fez festa com os amigos, e foi em busca de respostas, imagina se o longa fosse focado nele, o ator destruiria em cena. June Temple fez caras tristes e desesperadas no começo de sua Carolina, e foi sutil nos momentos que precisava incorporar mais, mas funcionou bem e encaixou boas cenas, trabalhando uma química interessante nos conflitos com a protagonista, e claro no jogo de sedução com os homens da trama. Fora do eixo dos protagonistas, tivemos também algumas cenas tensas com o mini-psicopata incendiário interpretado pelo jovem Jack Gore, e embora sua história não desenvolva muito, o garoto fez boas caras e claro mostrou que não brinque com quem gosta de ir no cinema todo dia.

Dentro do conceito visual, esse pode ser considerado o mais diferente dos filmes do diretor, que sempre presaram cenas simples, com locações simples, e aqui tivemos um belo trabalho de composição de época, com muitos objetos cênicos característicos, e claro também com muito trabalho de computação gráfica para recriar a Coney Island dos anos 50, pois como bem sabemos hoje é bem diferente da época, as praias com muitos figurantes vestindo figurinos da época deu um charme a mais para o calçadão e com isso o resultado visual acabou ficando incrivelmente bem trabalhado. E junte ao bom trabalho da equipe de arte, o excelente trabalho do diretor de fotografia Vittorio Storaro que praticamente fez mágica com as cores de sua iluminação, trabalhando os sentimentos dos personagens com as luzes, criando tons fortes e bem vivos para realçar o calor do verão e da paixão, incorporou tons frios e escuros nos momentos de chuva e de raiva dos personagens e com isso, aliado aos bons enquadramentos cênicos, tivemos um dos filmes mais bonitos visualmente que já vimos de Woody Allen.

Enfim, é um filme difícil, que nem todos vão se apaixonar por ele, e que também não procurou ser feito para que todos gostassem, mas que ao trabalhar bem o conceito estético juntamente com uma boa história dramática com pitadas cômicas, e com interpretações maravilhosamente bem dirigidas, o resultado acaba sendo algo interessante de se ver, e que quem for fã de Woody Allen vai ver que aos 82 anos continua em plena forma, fazendo mais e mais bons filmes. Sendo assim, recomendo a trama para quem gosta do estilo romance dramático, pois os demais vão achar muita bagunça para pouco resultado. Bem é isso pessoal, encerro aqui as estreias da semana, mas amanhã já confiro a última pré-estreia do ano e volto também com a retrospectiva de 2017, então abraços e até logo mais.

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Fala Sério, Mãe!

12/28/2017 02:35:00 AM |

Acho divertido quando um longa consegue retratar bem um grupo, e muitos acabam se identificando com o que é passado, e facilmente "Fala Sério, Mãe!" possui uma linguagem e um estilo desenvolvido pelos personagens que vão retratar as mães e filhas em diversas fases de suas vidas, o que acabou deixando o longa leve e amplo para agradar um grande público de mulheres, e até muitos homens vão conseguir se divertir com as situações vendo suas mães e irmãs na telona. Digo isso com felicidade de ver que um livro bem adaptado que poderia virar completamente uma novelona, acabou desenvolvido em um formato que até lembra o estilo de seriado, mas que com uma proposta rápida de cinema acabou soando interessante e agradável. Claro que a trama por possuir uma estética rápida e um conceito de trabalhar a protagonista em várias idades acabou pecando em alguns pontos técnicos que vou citar mais para baixo, mas posso dizer que facilmente passará batido pelo público em geral, e a maioria vai acabar gostando muito do que verá no cinema, e só isso já basta para que um estilo jovial tão fora do comum acabasse virando um longa familiar, aonde a síntese trabalha sozinha.

A sinopse nos apresenta Ângela Cristina, mãe da adolescente Maria de Lourdes, que está tendo a experiência de guiar sua filha durante uma das fases mais complicadas da vida. Ela vive uma montanha-russa de emoções, com medos, frustrações e um caminhão de queixas para descarregar. Por outro lado, Malu, como prefere ser chamada, também tem suas insatisfações. Teimosa, sofre com os cuidados excessivos e com o jeito conservador da mãe.

Baseado no livro homônimo de Thalita Rebouças, o roteiro escrito à três mãos, por Paulo Cursino (que trabalha mais com comédias e aqui entrega um gênero mais diferenciado e doce, embora tenha um lado cômico também), Dostoiewski Champangnatte (em seu primeiro longa não-independente) e surgindo em uma nova carreira, Ingrid Guimarães também vindo como roteirista colocando com certeza suas ideias de mãe/mulher para a composição de sua personagem, e certamente a equipe conseguiu o feitio que o livro de 2004, que é um sucesso de vendas, tanto comoveu mães e filhas numa linguagem bem simples, leve e agradável. Aí entra em cena, um diretor que já havia acertado a mão no seu primeiro longa ("O Concurso"), e que vem num crescente imenso após ter dirigido uma das novelas de maior sucesso neste ano ("A Força Do Querer"), e é notável a mão que Pedro Vasconcelos quis imprimir na trama, trabalhando cada ato como um tempo/estilo de passagem da mulher, valorizando seus momentos, suas ideias e tudo mais, colocando emoção em cada momento, contrabalanceando com boas doses cômicas, de modo que não virasse um novelão, nem uma minissérie pronta para ser exibida amanhã, ficando realmente com cara de filme e com situações bem colocadas de maneira gostosa e interessante. Claro que temos de pontuar os defeitos, como por exemplo a falta de uma mixagem um pouco melhor nas músicas, que até tentaram parecer fazer parte dos momentos cantados pelos protagonistas, mas sobrepuseram tanto os momentos que pareciam estar fora do contexto, também tivemos o uso claro de uma protagonista com muitos fãs (para claro dar bilheteria), que vem melhorando, mas que ainda não tem uma postura de atriz expressiva, ficando sempre abaixo de sua mãe na trama, e também não classificaria como um defeito técnico, mas sim uma falta de tempo para tudo, a forma rápida de todos os momentos, afinal valeria desenrolar mais alguns atos, mas para isso a trama acabaria virando mais que um filme e/ou série, e isso não é algo que queremos. Mas como frisei, são detalhes técnicos que vão passar despercebidos por quem for ao cinema apenas para curtir e se emocionar junto de sua mãe, de modo que o resultado em si, vale mais do que os defeitos aparentes.

Sobre as interpretações é bem fácil falar, pois praticamente o filme inteiro se desenvolve com as duas protagonistas e alguns personagens se conectando a elas, e como era de se esperar, Ingrid Guimarães entrou completamente na personalidade mãezona de sua Ângela e representou praticamente como ela diz em uma cena que já aparece no trailer, as mães de todo o Brasil, incorporando desde detalhes dramáticos como dúvidas da gestação, traição, brigas até os momentos mais cômicos que já está acostumada como micos com a filha e dancinhas bobas, de modo que foi completa em cena, e claro que para passar vários anos também trabalhou muito seu visual mudando cores de cabelo e maquiagem, alguns acertados, outros que não combinaram tanto com ela, como o cabelo completamente preto, mas isso é mero detalhe, pois a atriz fez bem o papel e acertou em cheio todos os momentos que precisava fazer. Larissa Manoela tem melhorado suas expressões (ainda continua muito dura e com poucas facetas), mas claramente foi escolhida bem mais pela grande quantidade de fãs que possui do que por ser a escolha perfeita para o papel de Malu, pois sua personalidade em diversos momentos soou bem falsa, mas tirando esse detalhe, a atriz foi carismática e encaixou bem quando não necessitava muito para o papel, como já disse em outros momentos, está cada vez mais bonita, e se melhorar a forma expressiva, tem chances grandes no futuro sem depender do carisma dos fãs, e sim do seu próprio carisma, pois seus trejeitos aqui pelo menos já foram mais bem colocados e nos diálogos também soube dosar uma interpretação bem trabalhada. Sobre as versões mais jovens de Malu, o destaque fica para a pequena Duda Batista que simplesmente arrasou nas cenas do balé e durante as discussões com as amigas, mas também Vitória Magalhães conseguiu imprimir boas características para a jovem na fase dos 10 anos. Marcelo Laham trabalhou bem as expressões tradicionais de pais em brigas de mulheres, ou seja, deixa que elas se resolvam, e fique apenas sorrindo, e com isso o seu Armando foi feliz em não se posicionar muito. Destaque negativo também para o par romântico da garota, interpretado por João Guilherme, que mais fez caras e bocas do que apareceu pronto para fazer algo realmente, e com isso é quase um enfeite que aparece e desaparece. E destaque positivo mesmo que rápido para as participações de Fábio Jr. e Paulo Gustavo.

No conceito visual, a trama foi muito bem produzida, e embora a maioria das cenas se passe dentro do apartamento da família, tudo foi possível ocorrer com boas passagens de tempo, com os figurinos bem elaborados, dinâmicas coesas e claro muitos elementos cênicos para mostrar a profissão da mãe, os dotes de figurinista/estilista de moda da filha, a rebeldia do garoto, e tudo mais que pudesse ser usado para representar, além de quando saiam do apartamento para a escola, supermercado, parquinho e até mesmo na viagem que foi a parte mais fraca do longa foi bem encaixado na parte artística para que tudo funcionasse bem, ou seja, uma produção cênica bem colocada. A fotografia ousou pouco, trabalhando tons mais quentes para que a trama tivesse uma comicidade bem encaixada, e colocou alguns tons escuros nas cenas que exigiam uma dramaticidade, mas bem de leve, sem que o clima ficasse tenso demais, e com isso o longa mais diverte do que emociona, embora as mães e filhas que mais se conectarem com a trama irão talvez se emocionar um pouco.

A trilha sonora conta com boas escolhas musicais, mas como disse no começo foi uma das falhas do longa, pois na mixagem ficaram altas demais e soando falso como uso dramático dentro do longa, parecendo estar solta e não orgânica com a trama, mas isso só vai atrapalhar quem entender um pouco, pois no geral ela serviu bem para ditar o ritmo e emoção que cada uma poderia dar, claro tirando a música original com os personagens cantando no final que foi bem desnecessária.

Enfim, é um filme muito gostoso de assistir, que vai agradar as famílias que forem ao cinema conferir a trama, claro que com os devidos estilos, pois quem não gosta desse ar mais caricato e cheio de clichês representativos para realmente mostrar os diversos estilos de mães e filhas, impregnados nas duas protagonistas, talvez deva evitar, mas confesso que até os mais revoltados com esse estilo devam se divertir ao reconhecer suas mães em cena em algum momento. Portanto fica a recomendação, e eu fico por aqui, mas amanhã já volto com mais uma estreia da semana, então abraços e até breve.

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A Origem Do Dragão (Birth Of The Dragon)

12/27/2017 02:16:00 AM |

A pergunta fácil de ser feita antes de ir conferir "A Origem Do Dragão" é a seguinte: Você gostava dos filmes de luta de antigamente com socos falsos, gritos, atores com o ego mais alto que prédio de Dubai e muita paia na história? Se sua resposta for não, nem passe perto do longa, agora se foi sim, a trama vai cativar ao menos por mostrar que Bruce Lee já se achava Deus antes mesmo de estrear nos filmes, e como foi a luta com seu grande rival, que tentava mostrar que kung fu é algo mais da mente do que pancadaria. Ou seja, a trama até possui momentos bem interessantes, boas coreografias de luta, mas foi tão mexida na edição para agradar aos fãs, que até mesmo quem sequer imagina como é feita uma edição de vídeo irá notar as diversas quebras na história para tentar dar mais ênfase em Lee, e menos em Steve que sabe-se lá o motivo tinha muito mais tempo de tela que Lee. Não digo que não foi interessante conferir o filme, mas tudo acabou um pouco abstrato demais, e o que poderia ser algo mais biográfico acabou parecendo ser forçado em uma réplica, ou seja, vai agradar os fãs de kung fu que gostavam de ver repetidas vezes os filmes do Lee no passado, mas está bem longe de ser algo que vai empolgar como um bom filme de artes marciais.

A sinopse nos conta que Bruce Lee (Philip Ng), célebre lutador de artes marciais, e seu rival, o mestre de Kung Fu Wong Jack Man (Yu Xia), tentam resolver suas desavenças e divergências em uma luta sem regras. O embate, que se deu na Califórnia com poucas testemunhas, viria a se tornar o mais importante e emblemático duelo da carreira do futuro grande ator de cinema, um marco fundamental em sua trajetória. Depois desse evento, os dois ainda se unem para lutar contra o poderio da máfia chinesa em Chinatown, São Francisco.

Ao olharmos a carreira do diretor George Nolfi vemos que ele tem trabalhado bem pouco, fazendo alguns curtas, mas praticamente não decolou após o ótimo "Os Agentes do Destino" que foi sua primeira direção, e isso é triste de ver, pois ele possui uma mão interessante, mas aqui conseguimos ver que ele não conseguiu agradar os produtores com o que acabou fazendo, pois o peso foi grande ao cair nas mãos de um dos produtores (Jason Blum) que menos tem perdido dinheiro em Hollywood nos últimos anos com gigantescos filmes de terror, e que aqui com as filmagens acabadas no começo de 2016, pediu imensas mudanças para agradar mais os fãs de Lee do que a história em si contava (ao menos na versão do diretor). Digo isso após ler um pouco sobre o filme, pois nitidamente achei estranho muitos cortes na trama, um começo bagunçado cheio de telas pretas, e uma postura estranha na condução das cenas finais, e ao saber dessa história de tantas mudanças ficou bem claro, que se o diretor já estava em baixa, agora vai ter muito trabalho para subir novamente. Como disse no começo, a trama em si não é ruim, conseguiram boas cenas de luta, mas é algo muito falso para conseguir agradar realmente, e sendo assim, a falha de roteiro unindo a falha de edição acabou resultando em algo estranho demais no final.

Não lembro realmente se Lee era tão exagerado no seu ego, ou se Philip Ng que é mestre em artes marciais acabou exagerando na dose expressiva fazendo com que o personagem Bruce Lee ficasse arrogante num nível altíssimo, que até teve uma boa semelhança visual com o original, e que de certo modo foram boas facetas interpretativas, mas volto a frisar ficou exagerado e forçado demais, mesmo que as lutas ficassem ótimas coreografadas por ele próprio. Agora a paz no semblante de Yu Xia como Wong Jack Man foi algo muito bem trabalhado, e mostrou que o ator estudou muito todos os conselhos que os alunos de Man passaram para a equipe do filme, e talvez se o foco fosse maior nesse personagem, o longa não soasse tão artificial. Agora o grande motivo de discórdia na edição ficou a cargo de Billy Magnussen com seu Steve Mckee, e não diria que o ator fez um papel ruim, muito pelo contrário, seu papel embora completamente previsível, foi nos motes tradicionais que muitos filmes de artes marciais mostravam, a busca de salvação de uma donzela abusada por vilões, e ele fez boas caras e bocas, buscando treinamento e tudo mais, mas voltamos ao ponto inicial do texto, esse é um filme tradicional de artes marciais ou uma biografia de Lee, aí fica a dica para que os produtores decidissem na hora de dar o corte final. Quanto aos demais, a maioria apenas participa e não ajuda, e nem mesmo grandes nomes no hall dos vilões da Tríad ajudaram a dar bons encaixes.

No conceito visual a trama situou bem os anos 60, com as famosas gangues de Chinatown em São Francisco, o grande boom das artes marciais em academias, e claro o começo das mostras disso na TV, tivemos boas decorações de set, com objetos marcados, mas também houve um grande desleixo para com as finalizações cênicas, pois muitos cenários ao mesmo tempo que pareciam velhos e destruídos, também pareciam terminados às pressas, ou seja, algo bem amador para falar a verdade, nem parecendo o trabalho impecável que Blum tem para com seus filmes de terror, ou seja, faltou a equipe de arte trabalhar mais. Na fotografia as boas sombras aliadas aos movimentos lentos das lutas acabaram dando um clima antigo para a produção, lembrando bem os filmes que passavam tarde da noite na nossa infância, mas poderiam ter trabalhado ainda mais alguns tons para que o filme passasse mais ação e menos tom de drama.

Enfim, é um filme mediano que foi trabalhado para agradar um público específico e por pouco não acaba agradando ninguém. Não digo que é ruim, pois acaba acertando em muitos pontos, mas faltou um pouco mais de decisão na base do roteiro para que tudo funcionasse até o fim da produção, e não que se remendasse na edição para que a trama ficasse pulando e estranha num contexto mais amplo. Ou seja, quem gosta de filmes de luta, e estava saudoso por algo desse estilo, em ver como foi o grande embate da vida de Lee, pode ir que vai ver sim defeitos, mas vai gostar do que será entregue no final, mas quem não se enquadrar nesse grupo pode fugir que a certeza de reclamar de tudo é alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais uma pré-estreia, então abraços e até breve.

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Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso (Suburbicon)

12/23/2017 03:24:00 AM |

Olha, já tinha visto diretores mudarem estilos dramáticos para algo diferenciado, mas George Clooney dessa vez abusou de tudo o que se poderia esperar de uma trama em "Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso", que começa bem devagar introduzindo o estilo de vida americano dos anos 50, com subúrbios calmos, pessoas vivendo suas vidinhas de fofoca, quando de repente o estouro acontece, com a introdução de algo que mais incomodou essa vidinha pacata do subúrbio: a elitização das classes menores, com negros podendo comprar também uma casa em um bairro desse estilo, e aí começa a desordem com muito preconceito escancarado, fortes cenas de degradação, mas tudo feito dentro do estilo que o diretor desejava mostrar, como a quebra de eixos. Bem, até aí tudo bem, se o filme focasse só nisso, mas temos uma segunda trama, que essa sim é a principal (ou não?) de um jovem empresário que fica devendo para a máfia para alcançar status e resolve dar o velho golpe do seguro, ou seja, a reviravolta familiar acontece com desgraça vindo em cima de desgraça. Ou seja, um filme que possui sim o elo dramático impregnado na trama, mas trabalha tantos outros, passando pelo humor negro, terror, filmes de máfia e com isso o resultado geral dessa bagunça é confuso e poucos irão se apaixonar pelo que verão na tela, mas diria que é o mais perto que Clooney vai chegar de um filme mais artístico/diferenciado, pois temos vértices bem menos comerciais e algo mais encaixado em curvas de festivais, claro que ousando um pouco em alguns detalhes.

O longa nos situa na cidade de Suburbicon, em 1959. Quando uma invasão de domicílio se torna mortal, a família aparentemente perfeita de Gardner Lodge se submete à chantagem, vingança e traição, gerando um rastro de sangue que mancha o suposto paraíso.

Praticamente todas as direções de George Clooney são bem controversas, pois ele não é adepto do fácil visual, mas também é oposto de roteiros mais fechados, e com isso suas tramas oscilam demais de estilo, deixando o público por vezes bem confuso com o que é apresentado, mas claro que aqui a responsabilidade não é 100% sua, afinal o roteiro dos irmãos Cohen estava engavetado há anos e possui um estilo próprio que muitos gostam, mas que foge completamente do usual. Não digo em momento algum que isso seja algo ruim, muito pelo contrário, o longa trabalha muitas questões polêmicas com facilidade, mesmo que seja bem duro enxergar a verdade crua na tela sem uma delicadeza para engolir, fazendo isso claro através de bons momentos de humor negro, e por vezes algumas tomadas mais aterrorizantes. Claro que friso que o longa passa bem longe de ser algo que você vai ao cinema e se apaixona pelo que verá na tela, mas ao menos conseguiram trabalhar um tema forte usando motes quebrados que é raro de ver em produções hollywoodianas.

No conceito das atuações, já vimos Matt Damon bem melhor em muitos filmes, e mesmo aqui seu personagem Gardner indo num crescente bem interessante de loucura/desespero para com sua situação, o ator foi ficando com semblantes forçados, o que não é comum de ver em grandes astros. Se em "Extraordinário" já havíamos elogiado o trabalho do jovem ator Noah Jupe, aqui ele mostrou firmeza nas expressões de terror e na situação completa que acaba enrolado ninguém faria diferente, mostrando que sabe mesmo jovem como uma pessoa se sentiria, e seu Nicky é daqueles que mostram a que foram colocados no mundo, não aceitando desculpas esfarrapadas dos pais, ou seja, o talento do jovem se mostra e incorpora no personagem algo bem incrível de ver. Julianne Moore sempre está perfeita, e aqui apareceu bem diferente do usual sem suas madeixas avermelhadas, de modo que nem a reconhecemos de cara com sua Margareth, muito menos com sua Rose, ou seja, fazendo papel duplo a jovem inicialmente trabalha forte, mas vai incorporando ares tão monstruosos e expressivos que ficamos sem ar, ou seja, arrasou. Temos muitos outros bons papeis, que chamam a atenção e por vezes até quebram o vértice dos protagonistas, mas para destacar alguns bons nomes temos de pontuar Karimah Westbrook como Sra. Mayers que não se deixou abalar em momento algum com todas as provocações, e certamente mesmo incorporando o personagem deve ter sentido muito impacto nas suas cenas, e Oscar Isaac bem diferente do que costumamos ver como o investigador Cooper em algo mais duro e bem interessante.

Visuais de época sempre dão muito trabalho e aqui a equipe de arte não economizou na criação de um bairro/cidade bem tradicional dos anos 50, com símbolos estéticos bem incorporados e ousando no cerne do preconceito, colocou tudo em cima das nuances em torno das duas casas, uma de negros sofrendo o preconceito sem fazer nada, e na outra de brancos picaretas se matando por dinheiro, ou seja, além do contraste étnico, a trama trabalhou bem os objetos e tudo mais para desenvolver muito em cima disso. Ou seja, um trabalho de figurinos, objetos cênicos e tudo mais, que sem as grandes atuações não incorporaria em nada. O longa também conceituou na fotografia cores bem densas para deixar o tom mais dramático, pois esse mesmo filme caberia fácil só num tom mais cômico e até leve, mas sairia do estilo proposto e não chamaria tanta atenção.

Enfim, é um filme interessante, mas que certamente muitos vão sair da sessão como aconteceu comigo: sem saber se realmente gostou do que viu, ou se não entendeu aonde desejavam nos tocar. Digo que certamente é um filme para se ver mais do que uma vez para tirar conclusões maiores, mas por hora vou ficar em cima do muro, dizendo sim ser um bom filme, mas que poderia alcançar rumos maiores e apontar melhor o dedo, e sendo assim recomendo ele com a ressalva de que não é um longa para todos, principalmente para quem deseja ter um momento de descontração na sala de cinema. Bem é isso pessoal, fico por aqui desejando um bom Natal para todos, afinal só volto com textos na próxima terça, então deixo meus abraços e até breve.

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