O Mau Exemplo de Cameron Post (The Miseducation of Cameron Post)

4/24/2019 12:33:00 AM |

Já ouvimos tantas vezes pessoas dizerem que homossexualismo é doença, que deveria ser tratada, que a religião pode curar, e muitas outras ofensas para pessoas que já nasceram assim, que possuem seu estilo, suas vontades sexuais, e que não se atraem pelo sexo oposto, ou seja, como já ouvimos outras vezes também, cada um é o que é, e não tem quem vá mudar isso. Porém alguns se incomodam tanto com a vida alheia, que acabam colocando limites, fazendo agressões, e até colocando os jovens em internatos religiosos próprios para tentar "curar" eles dessa "doença", e isso é o que nos é mostrado em "O Mau Exemplo de Cameron Post", que usando uma história real como base, poderia até ser ficcional pela ideologia, mas todos veriam a trama da mesma forma, pois mostra o básico para quem não entende que não é uma doença, e que não existe cura, e que todas as metodologias usadas sempre serão péssimas tanto para os familiares que abandonam os jovens, quanto para o próprio jovem que acabará se desencontrando e indo para rumos ruins como suicídio, mutilações e até loucura por outras vezes, e dessa forma, a trama soa envolvente, trabalha bem o tema, e com sutilezas consegue ser interessante de conferir e refletir sobre a temática.

O longa nos mostra que em 1993, a jovem Cameron Post é flagrada com outra garota no baile de formatura. Ela é então enviada pela tia para um centro religioso que afirma curar jovens atraídos pelo mesmo sexo, mas para se submeter ou não ao suposto tratamento, a adolescente precisa antes descobrir quem é de fato.

A diretora e roteirista Desiree Akhavan foi precisa na forma de condução da trama, não ousando muito, mas também não deixando de opinar sobre o que acha do tema, e trabalhando de uma forma simples, coesa e bem efetiva, ela conseguiu fluir o tema com uma dose tênue de símbolos, mostrando a realidade dessas clínicas, sem atacar diretamente, mas pesando bem o tema, mostrando os desafios de alguns jovens, mas principalmente colocando a humanidade no tema, pois já vimos histórias bem pesadas de alguns centros desse estilo, e aqui embora seja algo romantizado por ser religioso, vemos o abuso mental por parte dos orientadores, e claro o desenvolver de cada um. Ou seja, souberam atacar, apontar e desenvolver o tema sem precisar dar nenhum tiro na cara, mas com luvas de pelica, o tom foi mostrado.

Sobre as atuações, todos sabem bem que adoro o trabalho de Chloë Grace Moretz, sempre elogiando seu estilo e forma que dá para seus personagens, mas aqui fazendo a jovem Cameron Post, aparentou um pouco de insegurança, deixando transparecer nervosismo em algumas cenas, e olhares levemente vagos, o que não era necessário da personagem, mesmo a jovem estando com dúvidas da sua personalidade, e isso ficou estranho de ver, mas mesmo com esses momentos espaçados de falhas, a jovem mostrou bom tino para a dramaticidade que lhe foi pedida, e o resultado acaba sendo agradável de ver. Sasha Lane como Jane Fonda e Forrest Goodluck como Adam foram dois bons personagens joviais para a trama, entregando uma boa amizade com a protagonista, criando bons elos visuais, e ambos entregando olhares precisos nas cenas mais tensas, o que acabou agradando bastante de ver. John Gallagher Jr. nos entregou um Reverendo Rick afobado demais nas cenas de precisão, e jovial demais nas cenas mais leves, aparentando ser mais ainda um dos jovens em tratamento pela irmã, do que um guia espiritual para os jovens, e sua cena mais forte ao final chorando foi a clara nitidez de o personagem não saber o que estava fazendo ali, e assim o acerto do ator foi preciso. Jennifer Ehle, já pelo contrário de Gallagher, veio como a Dra. Lydia de uma maneira tão precisa para mostrar a força de um terapeuta para impôr suas opiniões, que por diversos momentos pensamos até que a atriz teve uma formação na área, pois ficou muito coerente suas cenas, mas como apareceu pouco em cena, seus atos aparentaram meio jogados. Quanto aos demais, alguns apareceram mais que outros, mas todos foram bem, valendo destacar Owen Campbell pelas cenas finais de seu Mark, e Emily Skeggs pelas cenas desesperadoras de dúvida de sua Erin tanto na livraria quanto no quarto.

No conceito cênico a trama não quis trabalhar muito a época, deixando o filme mais preso num ambiente mais recluso, deixando apenas transparecer nas cenas iniciais com o vestuário e os carros, mas dentro da comunidade cristã, o longa só voltou a mostrar mais a época quando mostrou o rádio antigo, e em alguns leves momentos que os personagens saiam para passear, o que não chega a ser um problema, pois acaba mostrando que isso pode estar ainda ocorrendo sem ser em uma época específica, mas poderiam ter trabalhado um pouco mais nos elementos cênicos para que o filme todo fosse ambientado coerentemente dentro dos anos 90, e agradasse mais nesse sentido.

Enfim, é um filme bem moldado pelo roteiro, e que agrada bastante pelo conteúdo mostrado para que possamos refletir sobre o tema, e pensar melhor sobre todos que ainda acham que homossexualismo é uma doença, pois a trama consegue fluir bem os pensamentos dos jovens, e claro seus desesperos para poder voltar para a sociedade, e principalmente para a família, e sendo assim, vale a conferida para esse feitio, mas analisando como filme apenas, poderiam ter trabalhado um pouco mais alguns conceitos que chamariam mais a atenção, não ficando apenas com símbolos, mas sim com mais atitudes. Sendo assim, recomendo ele bem, mas com mais ressalvas no quesito técnico do que na ideia textual, pois nesse sentido a trama é maravilhosa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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O Anjo (El Ángel)

4/23/2019 12:47:00 AM |

Pois bem, seria completamente incomum se o longa "O Anjo" estivesse em sessões normais sem ser do projeto Cinema de Arte, pois acho que foi o longa mais artístico que vi nos últimos anos, transmitindo uma experiência interessante por mostrar um pouco da vida real de um dos maiores assaltantes argentinos, mas que também soou desastroso de cansativo, sendo tão alongado sem vértices possíveis de reflexão nem dinâmicas criativas para algumas situações, que os 118 minutos de tela parecem ser quase 4 horas ou mais de projeção, de modo que como uma minissérie funcionaria perfeitamente, tendo até momentos chaves para criações de títulos e quebras possíveis, ou seja, um filme com um retrato de época bem moldado, cheio de ousadia nas precisões cênicas, mas que não possui algo que vá muito além para que o público comum consiga assistir e gostar do que está vendo, lembrando mais algo propício de um festival do que algo comercial realmente para todos os que forem assistir esperando um drama mais formal. Ou seja, não posso dizer que seja algo completamente inaproveitável, mas certamente poderiam ter criado algo mais dinâmico e envolvente, pois a história permitia esse desvio.

O longa conta a história de Carlos Robledo Puch que está preso há 45 anos, o período mais longo de detenção já registrado na história da Argentina. Durante a adolescência, ele confessou ter cometido onze assassinatos, executado mais de quarenta roubos e uma série de sequestros. Alguns de seus atos criminosos configuravam-se como uma forma de impressionar Ramón, um amigo íntimo. Quando sua identidade foi revelada para o público, ele ganhou o apelido de "Anjo da Morte", graças aos seus cachos e rosto angelical, tornando-se uma celebridade instantânea no país.

Diria que o trabalho do diretor Luis Ortega teve para transformar uma história tão cheia de atos em um filme minucioso tenha sido gigantesco, e ele com muito mérito e disciplina conseguiu essa façanha, porém por ser algo tão cheio de situações, diversas quebras e atos que não possuem uma conexão maior sem ser a sina de um ladrão, que nasceu apenas para isso, o resultado soa vago demais para um filme, tanto que enxergo sua trama como uma série perfeita em 5 a 6 capítulos, que poderiam até ser mais desenvolvidos, e que qualquer um veria e aplaudiria de pé, mas como longa, o resultado soa cansativo e alongado demais. Claro que muitos irão contra minha opinião, pois gostam de filmes calmos com diversos vértices sem fechamentos claros, mas certamente para funcionar como um bom longa, a trama teria de ter uma vontade maior do protagonista, um anseio, e não apenas viver para isso, e mostrar que roubar é uma arte, como o diretor desejou passar, mas aí teríamos outro filme, e provavelmente não seria embasado na história real do jovem Carlos.

Sobre as interpretações, como é dito nos tabloides em determinada cena, o personagem possuía um semblante dúbio em relação à sua sexualidade, e certamente a palavra dúbio foi dita dezenas e centenas de vezes na cabeça de Lorenzo Ferro, para que fizesse seu Carlos como alguém que de maneira alguma expressasse qualquer tipo de trejeito fora de um contexto duplicado, sendo que por vezes até parece apático em relação ao que deseja entregar, ou seja, diria que ele fez o que foi solicitado, e o que o personagem pedia, mas poderia ter chamado a responsabilidade cênica para si em diversos atos que acabaríamos nos impressionando com ele, e certamente ficaríamos de olho, mas não conseguiu ir muito além. Agora um nato camaleão que está seguindo plenamente o estilo do pai, ou melhor, criando seu próprio estilo sem repetir uma faceta sequer é Chino Darín, que nesses últimos meses apareceu em três filmes por aqui, e em nenhum vemos os mesmos trejeitos, ou sequer o mesmo ator em cena, parecendo ter três personalidades completamente diferentes, ou seja, perfeito, e aqui seu Ramón é intenso, cheio de sacadas e gracejos, mas sempre deixando pontuações claras para cada cena acaba agradando bastante em tudo. Quanto aos demais, daria destaque apenas para Mercedes Morán e Daniel Fanejo como os pais de Ramón, pois ambos tiveram cenas marcantes e chamaram a responsabilidade quando precisou, enquanto os pais de Carlos aparentaram estar assustados durante a trama toda.

Sem dúvida alguma posso dizer que a equipe artística foi muito precisa de detalhes, encontrando os devidos momentos para ressaltar cada elemento cênico, e claro, ainda brincando muito com a época em que o longa se passa, escolhendo bem as locações, criando assaltos bem amplos, e situações cheias de ambientações marcantes para que o filme fluísse bem, ou seja, uma trama agradável visualmente, e que funciona para o que o longa necessitava. A fotografia puxou bastante para um tom amarelado, mas sempre dando realce para o protagonista, não deixando que seus cachinhos loiros ficassem apagados de cena.

Enfim, um filme exageradamente artístico, com nuances clássicas de festivais, mas que poderia ter ido por um outro rumo que entregaria o mesmo embasamento clássico, porém com uma dinâmica policial mais envolvente, não deixando apenas algo monótono, mas sim uma busca desenfreada pelo perigo da juventude, e claro, os anseios por roubos mais emocionantes, de modo que a trama agradaria bem mais não apenas o público que gosta de longas artísticos, recaindo também para a galera mais comercial, ou seja, seria um filme para todos. Claro que ele foi um enorme sucesso na Argentina, afinal o assaltante acabou ficando muito famoso por lá, mas aqui, não acredito que a trama desponte muito, pois não consigo recomendá-lo como algo a mais do que mediano apenas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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A Maldição da Chorona (The Curse of La Llorona)

4/22/2019 01:39:00 AM |

Se antes já tinha ideia que o Universo criado por James Wan em sua mente seria imenso, cheio de longas de terror conectados, agora com um filme que tecnicamente não tem nada a ver com a história de "Invocação do Mal", acabar tendo uma leve conexão com tudo, posso dizer que não temos mais como afirmar nada, e que ele vai conseguir ser o cara mais rico e esperto desse gênero com toda certeza, pois o cara é top demais com suas produções, e já vem acertando os passos para ficar apenas atrás da grana e não mais com a câmera na mão. Digo isso com muita felicidade, e não mais com o medo que estava antes dele passar a bola de "Invocação do Mal 3" para Michael Chaves, mas ao ver o que o jovem diretor fez aqui com uma história folclórica conhecida, que já apareceu em outros longas, mas que não tinha tido ainda seu filme próprio, e resultar em algo tão arrepiante como foi "A Maldição da Chorona", posso dizer facilmente que ele sabe o que faz, pois tivemos um filme cheio de nuances, momentos tensos, arrepios vindo em cenas espaçadas, e principalmente, a essência de um terror bem feito (claro cheio de clichês!) que consegue prender o público e fazer com que falássemos mentalmente: "sai daí sua anta... não vai lá ver!", ou seja, um filme bem feito para que quem gosta do estilo de filmes que assustem saia contente com o que verá na telona.

O longa nos mostra que na Los Angeles da década de 1970, uma assistente social criando seus dois filhos sozinha depois de ser deixada viúva começa a ver semelhanças entre um caso que está investigando e a entidade sobrenatural A Chorona. A lenda conta que, em vida, A Chorona afogou seus filhos e depois se jogou no rio, se debulhando em lágrimas. Agora ela chora eternamente, capturando outras crianças para substituir os filhos.

Como já disse no começo do texto, o diretor estreante Michael Chaves irá no ano que vem nos entregar "Invocação do Mal 3", e se antes isso era um medo evidente da franquia sair do eixo perfeccionista de James Wan, aqui vemos que Wan apenas como produtor foi bem sagaz no que deixou para o pupilo, e Chaves soube encontrar estilo próprio para que seu filme funcionasse dentro de algo trabalhado, afinal temos um texto folclórico que com muita certeza diversas pessoas já ouviram alguma versão, e que aqui transformada em filme pelas mãos de Mikki Daughtry e Tobias Iaconis (que antes desse escreveram apenas o romântico "A Cinco Passos de Você") souberam de certa forma romantizar um longa de terror para que ele fosse assustador, mas tivesse tons próprios bem colocados, ou seja, tiveram a capacidade de criar um contexto bem coerente para uma história tensa, que depois de desenvolvida traz algo a mais para a situação, e com isso o resultado flui bem. Sendo assim, quando vemos a conexão do longa com o primeiro filme de "Annabelle", que por consequência está dentro do arco do "Invocação do Mal", já ficamos bem felizes, e com isso a trama já se mostra válida, mas quando vamos mais a fundo mostrando que a trama conseguiu nos arrepiar e causar certos incômodos, o resultado é ainda melhor.

Agora só não digo que o longa foi melhor, por não terem preparado melhor o elenco, e acredito que aí esteja o maior problema da trama ter um diretor estreante que não soube como passar para os atores o que desejava ver nas cenas, e dessa forma a trama tem alguns buracos cênicos que poderiam ter sido minimizados. Linda Cardellini caiu bem na personalidade de Anna, criando momentos tensos, e mostrando expressões assustadas para cada momento, oscilando entre o ceticismo de não crer no que vê, até o desespero de sentir o que está vendo, e com isso, o resultado acaba sendo bacana de ver, mesmo que tenha demorado para aparecer realmente suas melhores cenas. Raymond Cruz meio que foi jogado na tela com seu Rafael, mas ao trabalhar o personagem nas cenas tensas fez bem, e quem sabe num próximo filme do Universo criado, ele volte para ajudar e ser bem coerente. Patricia Velasquez foi deveras exagerada com sua Patricia, entregando atos fortes, mas próprios de uma mãe desesperada, só talvez melhoraria sua cena de fechamento, pois ficou um pouco boba demais. Marisol Ramirez merece os parabéns pelo que fez como A Chorona, entregando facetas expressivas bem fortes, e colocando tensão nos gritos, mas como costumeiramente ocorrem com as entidades dos filmes, poderia ser mais forte nos impactos. Quanto aos demais, diria que Sean Patrick Thomas teve um bom começo como Detetive Cooper, mas evaporou depois, Tony Amendola fez a aparição precisa do Padre Perez (que fica como spoiler para quem lembrar dele!) mas aqui não fez muita coisa, mas sem dúvida o destaque fica para as cenas bem colocadas das crianças Roman Christou e Jaynee-Lynne Kinchen, que trabalharam de forma bem expressiva, agradando e arrepiando com suas cenas.

No conceito artístico a trama trabalhou pouco o visual dos anos 70, pois ficando praticamente o longa inteiro dentro da casa da família, saindo apenas para ir na igreja, ou na cena inicial aonde temos o ar policial dentro da cena do crime, o resultado acaba soando levemente pobre de intenções visuais, mas sabiamente a equipe de arte brincou com elementos "mágicos" nas cenas de Rafael, e claro abusando de uma fotografia bem escura, pegando o público desprevenido com a mulher inteira de branco aparecendo do nada com as diversas mudanças de ângulo da câmera repentinamente, ou seja, não quiseram trabalhar tanto com elementos cênicos, mas foram coerentes ao menos nas cenas dentro da banheira, ou nos atos com muitas velas, brincando com o imaginário do público, e envolvendo dentro da tensão propriamente desejada pelos fãs do gênero.

Enfim, esperava realmente ver um bom filme, e tinha certas expectativas do que seria entregue, e felizmente foi algo que encontrei bem colocado, com boas dinâmicas, e que funcionou como previsto. Claro que poderiam ter ido muito além brincando mais com a ideologia folclórica, mostrando mais sobre A Chorona realmente, e menos já no ataque à família, mas como longas do gênero tem de prender o público logo de cara, o resultado funciona e agrada bastante, então quem gostar de longas com sustos, leves arrepios em cenas espaçadas, com toda certeza pode ir conferir que sairá feliz com o que verá, mas só não vá esperando ver um longa de terror cabeça, daqueles cheio de ideias mirabolantes, que aí a chance de odiar é bem alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Fiquei na dúvida de dar 7 ou 8, e ficaria bem no meio, mas como as atuações não foram algo que impressionasse realmente, vou deixar com um coelhinho a menos.

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Gloria Bell

4/19/2019 05:39:00 PM |

Sabemos bem que os americanos não gostam de legendas, então quando um filme estrangeiro acaba fazendo sucesso no país, lá vão eles atrás de fazer uma versão própria para que a trama se desenvolva e possam curtir, e eis que 5 anos após o chileno Sebastián Lelio despontar com sua versão de "Gloria", agora temos "Gloria Bell" também dirigida por Lelio, porém se lá tivemos algo singelo, cheio de desenvoltura, aqui as situações aparentaram estar soltas demais, não fluindo naturalmente, mesmo com a protagonista bem disposta para cada ato. Ou seja, tivemos uma trama bem encaixada para mostrar a força feminina em lidar com diversos problemas, mas que pareceu ser montado especificamente para isso ao invés de termos um filme bem criado e desenvolvido.

A trama nos mostra que uma mulher sozinha com 50 anos e espírito livre ocupa suas noites buscando amor em boates para adultos solteiros em Los Angeles. Sua frágil felicidade muda no dia em que conhece Arnold. Sua intensa paixão deixa ela alternando entre esperança e desespero, até ela descobrir uma nova força e que agora, surpreendentemente, ela consegue brilhar mais do que nunca.

Quando vi a versão original em 2014, "Gloria", mostrava uma personificação mais dinâmica e bem colocada que o diretor sabia exatamente como mostrar de uma forma simples, porém agora com um orçamento levemente maior, Sebastián Lelio quis ser criativo em situações desnecessárias, o que não melhorou em nada a trama, apenas mostrando mais desventuras para que a protagonista mostrasse como sairia de cada uma, ou seja, um filme digamos mais colorido que o original, mas que não disse a que veio, senão entregar algo para que a protagonista despontasse ainda mais do que já sabemos que ela é capaz.

Quanto das atuações, posso dizer de cara que esse foi um dos melhores papéis de Julianne Moore como Gloria, não só pelas atitudes, mas também pela boa desenvoltura que encontrou para viver realmente a personagem, dando uma boa reflexão para mulheres viverem bem suas vidas, mas também mostrando que elas sabem lidar bem melhor com as diversas separações da vida, ao contrário dos homens que são mais dependentes de tudo, ou seja, uma bela representação que agradou bastante. John Turturro deu uma boa personalidade para seu Arnold, sendo coerente em algumas atitudes, mas trabalhando pouco os olhares, o que merecia mais, mas dentro do que foi pedido ele se encaixou bem. Quanto dos demais, tivemos um ou outro despontamento, mas nada que impressionadas realmente, tendo um leve destaque para Brad Garrett com seu Dustin nas cenas que lhe couberam, mas nada muito forte.

No conceito cênico a trama se dispôs em locações também bem simples, não ousando, nem criando algo que chamasse a atenção para algum momento, passando por baladas, cassinos, casas de amigos, e no emprego da personagem, mas a dinâmica cênica mais fechada ficou a cargo das cenas em seu apartamento, aonde sempre estava livre para viver da sua maneira.

Um ponto favorável do longa ficou a cargo das escolhas musicais, que deram tanto ritmo quanto nos atos cantados pela protagonista mostravam nas letras a sintetização da história. Nem todas estão na trilha oficial, mas já dá para ouvir um pouco nos links a seguir: link link2.

Enfim, um longa feito de encomenda, misturando coisas boas que já tínhamos visto no original, incrementando com alguns momentos característicos dos americanos, o que deu um tom abaixo da graciosidade do longa de 2014, mas que vale ainda a conferida para refletir sobre as separações que temos na vida, a desenvoltura feminina e masculina nessa necessidade, e principalmente saber que a vida é maior do que apenas o amor, e com essa mensagem passada, a trama funciona bem. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Cópias - De Volta a Vida (Replicas)

4/19/2019 02:32:00 AM |

É engraçado quando vamos conferir um filme e vemos já tantas críticas negativas que chega a dar medo do que vamos encontrar na sessão, daí ao vermos que o longa foi filmado em 2016 e só lançado agora, a tensão de ser uma bomba já aumenta consideravelmente, mas como bom persistente que sou, cá que fui conferir "Cópias - De Volta a Vida", e felizmente fui surpreendido com uma história até que bem interessante, que até contém situações bizarras e completamente impossíveis de acontecer, mas como estamos falando de uma ficção porque não curtir apenas como foi feito? E assim sendo, vi o longa de uma forma bacana, pensando quem sabe toda essa tecnologia possa ser possível daqui alguns anos, de apagarmos coisas de nossa mente, ou então quando o corpo estiver morrendo, apenas mudar tudo o que sabemos para um novo corpo assim como fazemos com carro. Mas claro que isso soa completamente insano de pensar nesse momento, e não bastando a maluquice da ideia de cara, conseguiram incrementar com clonagem no mesmo filme, e ainda por cima tudo sendo feito dentro da casa de uma pessoa, como se fosse a coisa mais fácil do mundo levar equipamentos milionários de um lugar para o outro, ou seja, apelaram bastante, e isso é o que tem levado aos críticos mais rudes jogar tudo para o ar. Ou seja, não digo que seja uma bomba imensa, mas a ideia é boa, e dá para curtir o que é mostrado, só não espere acreditar nem na atuação dos protagonistas, pois do filme nada é real.

Depois de um grave acidente de trânsito que matou toda a sua família, um neurocientista sente que perdeu o sentido da vida. Utilizando seu meio de trabalho, ele se torna obcecado em trazê-los de volta, mesmo que isso signifique desafiar boa parte do governo e, principalmente, as leis da física.

Já vimos outros longas que o roteirista Chad St. John abusa colocando coisas irrealistas, mas que dão dinâmica para a trama, e aqui o diretor Jeffrey Nachmanoff nem ligou para essas loucuras, pois como disse no primeiro parágrafo do texto, ele releva os valores dos equipamentos, e vai deixando que o protagonista leve tudo para casa (claro que em determinada cena, descobrimos que não foi bem assim, mas....), porém tirando esse detalhe, foram completamente condizentes em tecnologia, mostrando que a realidade virtual será imprescindível para cirurgias no futuro, e que para algo tão complexo como nosso cérebro, a biotecnologia indo para esse vértice quem sabe chegará a lugares inimagináveis, brincando como o protagonista de tirar e por memórias na cabeça de alguém, e por aí vai, ou seja, a mente do roteirista estava completamente aberta para loucuras, e o resultado, quem for conferir verá que o diretor estava disposto a não relevar nada. Ou seja, podemos dizer que temos algo bem insano de se pensar sendo mostrado na telona, mas que a dinâmica criada acaba funcionando dentro da ficção entregue, e sendo assim, é possível rirmos e até pensarmos em tudo o que nos é mostrado, tendo funcionado razoavelmente, dentro claro dos diversos mini erros/furos de roteiro.

É de praxe gostarmos de ver Keanu Reeves atuando, pois ele gosta de se entregar para seus personagens, fazendo com que o público acredite em suas atuações parecendo ser exatamente como lhe foi pedido para interpretar, e aqui como Will Foster, ele nos dá perspectivas tão claras que se fosse apresentado como um biomédico, certamente acreditaríamos tanto no que fez, que entregaríamos algumas máquinas para analisar, e isso é bacana de ver, mas claro que há momentos tão sem nexo, que falamos: "menos meu caro, bem menos", mas como bom ator ele se joga, e até parece estar jogando um pouco de videogame em suas cenas tecnológicas. Já por outro lado, Alice Eve entregou uma Mona tão inexpressiva, que antes mesmo de morrer e virar uma cópia, já tinha trejeitos robóticos e sem carisma, de modo que algumas cenas suas chegam a ser cansativas só por ter ela em cena, ou seja, poderia ter se dado mais, ou arrumado outra atriz melhor para o papel. Thomas Middleditch foi jovial com seu Ed, entregando uma personalidade que inicialmente até pensamos ser namorado da filha do protagonista, mas depois em determinada cena vemos que ela é bem mais nova, mas tirando esse detalhe, o ator fez um bom amigo do protagonista, entregou algumas cenas engraçadas, e soube aproveitar seu momento, embora seja daqueles personagens que aparecem e desaparecem em uma trama. John Ortiz conseguiu ser interessante como Jones, o dono da empresa aonde o protagonista trabalha, criando trejeitos fortes e incisivos, mas sendo meio jogado em algumas cenas mais dialogadas, não empolgando muito como poderia, mas também não soando falso, o que acaba sendo de bom grado. E para fechar, as crianças Emjay Anthony e Emily Alyn Lind como Matt e Sophie apareceram pouco, mas não decepcionaram nos trejeitos entregues nos seus atos, o que foi bacana de ver.

No contexto visual, o longa foi certamente bem filmado em camadas, para que a edição pudesse brincar tanto com os óculos de realidade virtual que o protagonista usa, e esses efeitos foram bem interessantes de ver na telona, mostrando algo que muitos começaram a enxergar agora nas possibilidades desses gadgets que vem surgindo, ou seja, a trama entregou muita tecnologia, mostrou um pouco de clonagem, e além disso escolheu ótimas locações em Porto Rico, com casarões, e muita floresta para envolver, mas nem chegaram a trabalhar tanto com isso, pois as únicas cenas fora da casa ou da empresa são usadas debaixo de chuva, ou seja, sem muito para observar, e dentro, ousaram bem na tecnologia para tudo ficar mais interessante para os jovens. A fotografia é um pouco escura, para poderem brincar com a tecnologia nas camadas do filme, e certamente se quisessem poderiam até ter entregue o longa em 3D que seria bem bacana de ver, mas como o filme não tem chamariz, acredito que optaram por deixar no básico mesmo.

Enfim, é algo que passa bem longe de qualquer brilhantismo, que tem uma história levemente bagunçada, mas que nos faz pensar em determinada frase do protagonista: "e se fosse com você, o que faria?", pois ele como um conhecedor da técnica de transferência de memórias, o amigo como um experiente em clonagem, porque não investir e tentar salvar a família morta em um acidente besta (aliás, tosca demais a cena do acidente!!). Sendo assim, é um filme que vale ver só em segundo plano pela ideia em si, mas que poderia ter sido melhorado para não ser tão abusivo de ideias fictícias de um futuro bem longínquo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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O Gênio e O Louco (The Professor And The Madman)

4/18/2019 10:04:00 PM |

Se compilar um texto acadêmico hoje com computadores potentes e uma internet veloz já é algo que arrancamos quase todo o nosso cabelo, imagine fazer um dicionário com todas as palavras inglesas possíveis em 1857!!! Conseguiu imaginar o nível de loucura para se fazer isso, lendo todos possíveis livros e textos já escritos para ver seu primeiro uso? Pois bem, o nível de loucura é tão alto, que somente um louco, e claro um gênio para fazer isso possível, e é nessa brilhante ideologia que o longa "O Gênio e O Louco" nos entrega um filme denso, cheio de verbetes, interações fortes, e claro, todo o contexto que ocorreu para que tais situações acontecessem, de uma forma tão bem colocada que ficamos pensando toda a dificuldade realmente que tinham naquela época, como escrever cada detalhe, procurar sinônimos, utilização, e tudo mais para cada palavra, ou seja, um trabalho de anos a fio, que magistralmente foi traduzido nas telonas por dois geniais atores que com certeza puxarão o filme para ser lembrado nas premiações, pois é daqueles longas que merecem ser citados por qualquer pessoa que tenha desejo histórico, e que veja uma obra clássica bem feita. Ou seja, um filme de tamanha magnitude que só pode ser comparada ao feitio realmente do dicionário.

O longa conta a história real de dois homens ambiciosos que tentam concluir um dos maiores projetos do mundo: a criação do Dicionário Oxford. Um deles é o Professor James Murray, que tomou a decisão de iniciar o compilado, em 1857, e o outro é Doutor W.C. Minor, que contribuiu com mais de 10.000 verbetes para o dicionário estando internado em um hospício para criminosos. Os dois têm suas vidas ligadas pela loucura, genialidade e obsessão.

Só posso dizer que a estreia na direção do iraniano Farhad Safinia foi algo genial, pois vemos enquadramentos precisos para não necessitar de um ambiente grandioso, grandes sacadas de estilos para que seu filme fosse dinâmico, mesmo trabalhando um tema "cansativo" como costuma ser a linguagem, mas principalmente, ele demonstrou saber exatamente o que desejavam ver nessa produção irlandesa baseada em fatos reais, afinal a trama em si poderia ser muito mais extensa, entrar em fatos que passaram bem rapidamente como os famosos contatos que as personas tinham, e que se fossem por outros rumos acabaria vertendo para algo não tão bom de ver, ou seja, ele estruturou bem o roteiro que lhe foi dado, e criou um filme amplo, bem desenvolvido, com cenas fortíssimas, e que retrataram bem tanto a época, quanto a criação propriamente do dicionário, passando pelos problemas que ambos criadores tiveram durante uma parte do desenvolvimento do livro, e assim sendo, temos de ficar de olho no diretor, pois pode ser que venha a despontar ainda mais em breve, já que seu primeiro filme foi tão bem feito assim.

Quanto das atuações, novamente tivemos algo brilhante que chega a merecer aplausos para todos, tendo um Mel Gibson voltando às suas origens, com olhares fortes, intensidades cênicas marcantes, e muita força de persuasão com seu James Murray, de modo que ele consegue nos comover com seu cansaço, e por bem pouco não passamos a querer ajudar ele com alguns verbetes, além claro do seu momento final que todo amigo irá pensar da mesma forma, ou seja, perfeito. Da mesma forma tivemos um Sean Penn incrível como Dr. William Chester Minor, trabalhando sua loucura com tanta força que chega a ficar irreconhecível tanto visualmente pela ótima maquiagem, quanto pela expressividade que acaba entregando, emocionando na medida com muito primor técnico, merecendo certamente todas premiações possíveis. Natalie Dormer entregou sua Eliza Merrett de maneira simples, porém bem colocada, com envolvimento afetivo forte, mas sabendo acertar com tudo o que a personagem necessitava, agradando bastante. Agora sem dúvida, chega a ser emocionante os olhares que Jennifer Ehle dá para sua Ada Murray, mostrando bem a mulher da época, mas incorporando emoções e dinâmicas tão bem feitas, que se ganhar premiações será algo para ter daqueles discursos fortes e bem feitos. Quanto aos demais, tivemos bons nomes, cada um dando boas cenas para o longa, mas fica claro o destaque de Stephen Dillane como Dr. Richard Brayne pelos métodos malucos de tratamento, e claro pelos trejeitos que entregou, e Eddie Marsan pelo carisma de seu Munsie.

Quanto da parte artística, houve discussão entre o diretor, o ator e a produtora por desejarem que o filme fosse rodado em Oxford, mas já havia estourado o orçamento, tendo sido filmado em outros locais mais simples, porém que deram toda a ótima essência visual que a trama pedia, todo o conceito de época bem moldado pelos figurinos, pelos acessórios, e principalmente pelas boas locações, que sendo bem fechadas tanto nos ângulos escolhidos pela direção, quanto pelo contexto da trama, acabaram ficando aconchegantes, tensas e bem preparadas para o resultado final, que foi de um luxo acertado, e que acabou agradando demais.

Enfim, um filme incrível, cheio de história, de palavras inglesas que sequer imaginamos ouvir um dia (e que certamente nem sabemos seu real significado), e que precisamente conseguiu passar sua mensagem com um primor tão grandioso e bem feito, que mesmo tendo algumas passagens aceleradas, omitidas, e outras até forçadas demais, resultou ao final algo digno de ser visto, recomendado, e que vou certamente torcer para ser muito premiado, pois não esperava ver algo tão bom. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, afinal essa semana veio bem recheada de estreias, então abraços e até logo mais.

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Netflix - O Silêncio (The Silence)

4/14/2019 11:09:00 PM |

Nos últimos meses vimos dois filmes sendo tão falados que por onde quer que comentássemos sobre filmes, alguém já soltava algo sobre "Bird Box" ou "Um Lugar Silencioso", mas o que a maioria reclamava de ambos é o fato de nada ser explicado quem eram os monstros ou bichos, de onde vinham, e tudo mais, ficando algo mais aterrorizador por parte da mente do público do que da essência visual em si, e agora com o novo longa da Netflix, "The Silence", tivemos um filme que não é uma grande obra por parte do roteiro simples demais, mas que conseguiu logo de cara nos mostrar os bichos (algum tipo de morcego cego e estranho, que ataca o que escuta), e com uma desenvoltura aterrorizadora de qualquer forma nos entrega um longa desesperador por parte da família fugindo disso, e depois tendo alguns outros problemas. Ou seja, não posso falar que seja um filme brilhante, mas que conseguiu criar situações fortes bem colocadas, e que de uma forma bem trabalhada mostra tanto a família em fuga quanto a destruição da humanidade, com uma mistura de longa dramático, tenso e apocalíptico bem dinâmico, e que agrada na medida, sem causar muito, mas também não sendo problemático.

O longa nos mostra que após a exploração de uma caverna desconhecida, um grupo de investigadores libera ao mundo uma espécie desconhecida de predadores. Chamados de "vespas", estes seres voadores e sem olhos se guiam pelo som, e rapidamente semeiam o caos nas maiores cidades mundiais, matando milhares de pessoas. A única maneira de ficar em segurança é não fazer nenhum barulho. Neste cenário pós-apocalíptico, uma jovem surda e seu pai fazem o possível para salvar toda a família do ataque iminente.

Como disse no começo, muitos podem até acusar o diretor John R. Leonetti de plagiar as ideias dos dois longas famosos, mas conhecido por grandes filmes de terror/suspense da atualidade, ele soube criar o clima, encontrar os monstros corretos e com força suficiente para tudo ocorrer, e junto de uma história simples, mas bem elaborada, ele conseguiu trabalhar toda a trama de uma maneira coerente, que pode até ter uma continuação, mas que funciona bem pela tensão, pelos momentos densos e principalmente pelas boas atuações dos protagonistas, de modo que não vemos quase nada de exagero em forma de clichê, mas sim bons atos que remetem histórias conhecidas, que com um vigor bem colocado acaba envolvendo o público e virando algo interessante de ser conferido. Ou seja, uma história apocalíptica que facilmente poderia ocorrer, afinal vai lá saber o que temos nas profundezas, e se mexessem com isso o que sairia de lá não acabaria sendo algum tipo de peste para a vida humana.

O longa não possui expressividades que impressionem, mas todos entregaram boas atuações convincentes para cada momento do longa, aprenderam a linguagem dos sinais para se comunicarem e foram bem coerentes com cada ato para que o filme fluísse bem, de modo que vemos um Stanley Tucci preocupado com seu Hugh, criando boas conexões com cada personagem, fluindo em estilos, mas principalmente mostrando atitudes, desde a paixão pela família, até estar disposto a tudo para defendê-los. A jovem Kiernan Shipka conseguiu conduzir bem sua Ally, entregando bons ensejos como uma garota surda que está rumando junto nos acontecimentos, ficando perdida em alguns atos, mas sabendo entregar bons olhares para funcionar, e com temor nas cenas certas, agradando bem até o final. Miranda Otto é sempre formidável, e mesmo tendo cenas em que quase desaparece, o resultado de sua Kelly chama a atenção, mas sem dúvida a cena mais forte ficou a cargo de Kate Trotter como sua mãe, na hora da precisão deu seu sangue com muito impacto. Quanto aos demais, tivemos John Corbett como o amigo Glenn, que se mostrou o fortão que vai pra guerra sem pensar, tendo claro uma cena bem impactante, mas o destaque mesmo que aparecendo somente nos momentos finais, fica mesmo para Billy MacLellan como um reverendo bem caracterizado pelo que o filme pediu, mas assustadoramente o cara é um padre bem do mal, ou seja, preparem para o fim.

No contexto visual a trama inicialmente pareceu levemente exagerada, com explosões em alguns lugares, e em outros uma serenidade enorme, além de o tempo aparentar passar meio que de forma diferente do usual na trama, pois pareceu que chegaram a poucos dias na casa do campo, mas a dona já estava inteiramente preparada para tudo, assim como a comunidade religiosa já cheia de ideologias prontas para fazer algo a mais, ou seja, o filme teve alguns vértices meio problemáticos nesse sentido, mas foram bem coesos ao entregar cenografias bem trabalhadas para um longa pós-apocalíptico, com tudo bem devastado, coisas abandonadas, e principalmente os corpos em decomposição sendo bem mostrados, além claro dos bichos voadores parecerem uma mistura estranha, mas que não ficaram tão jogados para algo computacional, parecendo realmente estar no meio dos protagonistas, atacando sem piedade, o que foi bem interessante de ver. Com uma fotografia escura, e cenas tensas mais para o final, o resultado foi bem elaborado, com tons neutros sempre puxando para algo mais forte, e isso funcionou para o suspense da trama.

Enfim, é um daqueles filmes bem feitos de suspense/terror que ficamos tensos pela situação e pelos atos em si, mas que poderia até ter ido bem além para causar mais temor no público, e claro tentarem ser um pouco mais originais para que a galera não reclamasse tanto, mas mesmo com esses leves defeitos é uma trama que vale a conferida, e quem sabe façam uma continuação, pois o final deu essa deixa, e aí saberemos o que aconteceu nas cidades. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

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Netflix - O Date Perfeito (The Perfect Date)

4/14/2019 02:27:00 AM |

Dizer que o longa da Netflix, "O Date Perfeito" é daqueles que desejava ver com unhas e dentes seria quase uma loucura, pois já pelo trailer conseguimos ver que é um filme completamente básico, que até possui alguns momentos divertidos na essência, mas de cara já é entregue o fechamento só de com o que nos é mostrado em dois minutos de cena. Porém serve para um momento descontraído para rir da modernidade dos aplicativos, e certamente deve existir algum maluco que faça realmente isso de não ser um gigolô, mas fazer encontros perfeitos com jovens, e quem sabe até funciona! Porém o defeito disso como filme é não se aprofundar mais na trama, sendo apenas singelo no feitio de subidas e descidas, com a ideologia de mostrar que o bom da vida é não mentir para ser outro alguém, mas sim você mesmo, e estar junto com quem gosta, não quem imagina que gosta, e talvez se tivessem ido mais a fundo nisso, o resultado seria outro. Ou seja, um filme teen, bem montadinho, mas que não se aprofunda muito, apenas divertindo com o básico.

A sinopse nos conta que precisando de dinheiro para pagar pela faculdade, Brooks decide criar um aplicativo que permite contratar um namorado para todo tipo de situação imaginável. Porém, adotar uma personalidade e um par romântico diferente para cada dia começa a se mostrar uma tarefa difícil e ele começa a se perguntar quem ele é de verdade e como pode encontrar o amor verdadeiro.

De forma alguma posso dizer que o diretor Chris Nelson foi errôneo no jeito de conduzir sua trama, ele apenas fez o filme que o público alvo da história desejava ver, que é um romance teen simples, cheio de desenvolturas em cima de um aplicativo de acompanhantes, aonde o protagonista se entrega as singelas necessidades afetivas de mulheres que querem apenas alguém para lhe acompanhar, ouvir, dar conselhos e por aí vai, aonde as amizades são realçadas em segundo plano, e os acontecimentos também ficam em segundo plano, ou seja, um filme cheio de clichês que divertem, mas que não tem um primeiro plano. Ou seja, o diretor foi bem colocado aonde o roteiro pedia, mas não quis ousar, nem trabalhou para que seus momentos fossem mais fortes, de forma que quando já estamos chegando perto do fim a desaceleração é tamanha, que a trama quase se perde, mas ao voltar, retoma como o que já imaginávamos desde o trailer, e assim sendo o resultado soa simples, porém bonitinho.

Quanto das atuações, os produtores da Netflix que não são bobos já colocaram seu queridinho em mais uma trama sua, e lá foi Noah Centineo para seu terceiro filme dentro da plataforma, chamando claro todas suas seguidoras para conferir com afinco mais uma de suas atuações, e felizmente seu Brooks foi bem trabalhado, conseguiu segurar a trama, mas poderiam ter escolhido alguém mais novo para todos os papeis, pois o ator não possui mais cara de um jovem de colegial, e isso pesou um pouco, embora nos diversos encontros fizesse um personagem melhor que o outro, divertindo bastante. Laura Marano colocou muita descontração no estilo de sua Celia, entregando estilo e muita personalidade para a jovem, emplacando carisma na dança, nos trejeitos, e principalmente na química que teve com o protagonista, de modo que vale a pena ficar de olho na jovem. Odiseas Georgiadis veio como uma carta coringa para a trama como Murph, o grande amigo do protagonista que acaba criando o aplicativo, e pelo estilo descontraído e bem colocado merecia ter um destaque maior na trama, mas mesmo ficando bem em segundo plano, o jovem foi descolado e soube aproveitar bem suas cenas para agradar. Quanto aos demais, foram poucas cenas de destaque para o pai do protagonista vivido por Matt Walsh, e também para que a "brasileira" Camila Mendes mostrasse sensualidade como objeto de desejo do protagonista, mas nada que chamasse muita atenção na trama.

A trama brincou bastante no conceito artístico, afinal o jovem vai usar qualquer coisa que suas clientes desejar, então vemos ele com diversos figurinos diferentes, e passeando sempre por bailes, o clássico também foi bem encontrado, ou seja, não utilizaram muita cenografia diferenciada, mas souberam escolher as locações para encaixar cada momento com muita atitude, e o resultado funciona dentro do que se propôs. Ou seja, é um filme sem muita desenvoltura cênica, mas que soube encontrar cada ato dentro da ideia com simplicidade efetiva para que o filme não ficasse simples demais.

Enfim, o longa passa longe de ser algo problemático, e vai agradar quem quiser algo bem levinho e bobinho para passar um tempo, mas que se quisesse ir bem além poderia ter facilmente desenvolvido uma trama intensa sobre a efemeridade do mundo aonde você não sabe quem você é, e aí a trama recairia de uma comédia romântica simples para um drama mais pesado e que até poderia conter cenas divertidas, mas não funcionaria fácil como esse aqui tentou fazer. Bem é isso pessoal, não digo que recomendo o longa com toda a força, mas também não digo que é completamente jogável fora. Fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Superação - O Milagre da Fé (Breakthrough)

4/13/2019 02:46:00 AM |

Que "Superação - O Milagre Da Fé" seria um filme que faria as pessoas se emocionar isso não tinha dúvida alguma desde quando uma tonelada de pessoas me mandou o trailer fosse me marcando na postagem, enviando por e-mail, ou até mesmo falando sobre ele no dia do lançamento, tanto que cheguei até me irritar no dia com o tanto que queriam que eu visse o trailer, pois bem, vi naquele dia mesmo, e até gostei bastante do que vi, mas fiquei com o pé atrás, afinal longas religiosos costumam forçar a barra para emocionar, e seus trailers sempre são bem fortes e até mais interessantes que os próprios filmes. Pois bem, eis que lançou o filme, e claro fui conferir levando minha mãe para uma sessãozinha noturna legendada, para poder conferir as emoções reais dos atores em suas vozes e tudo mais, e cá posso dizer que é um tremendo filme bem feito, que conseguiu fazer esse Coelho se emocionar em diversas cenas, e claro quase fez minha mãe sair desidratada da sessão de tanto chorar, ou seja, um filme que trabalha muito bem toda a força de uma oração, mostrando bem mais do que religião (que eu sempre costumo pontuar, e quem ainda não viu meu curta sobre isso, está no portifólio logo acima!), a fé em algo maior (num grandioso Deus como é o caso do filme, mas que muitos podem chamar por outros nomes!) sempre fará um bem enorme, e que acreditando fortemente em algo, com a ajuda dessa fé, não digo um milagre como acontece no longa, no livro, e claro na vida das pessoas que foram retratadas, acontecerá, mas boas coisas certamente acontecerão. Ou seja, falei até demais de fora do filme, mas voltando para a obra cinematográfica, conseguiram criar um longa bem feito, cheio de situações envolventes, com um carisma acima do limite, claro que tendo algumas falhas por exageros moldados, que normalmente não aconteceriam, mas são detalhes tão irrelevantes, que não tem como não entrar na situação, se envolver e emocionar com tudo, sendo um filmaço de primeira linha.

A trama nos conta que quando o filho adotivo de Joyce Smith, John, cai em um lago congelado no Missouri (EUA), toda a esperança parece perdida. Com John sem vida, Joyce se recusa a desistir. Sua implacável convicção inspira as pessoas ao seu redor a continuarem orando pela recuperação de John, mesmo diante de todo o histórico do caso e previsões científicas jogando contra.

Depois de dirigir muitos episódios de séries famosas, a diretora Roxann Dawson nos entrega em seu primeiro longa-metragem algo tão bem orquestrado, cheio de envolvimento com cenas feitas cinematograficamente, não apelando para pianinhos musicalizados, nem para momentos reflexivos desnecessários, criando um filme que foi feito com minúcias tão bem trabalhadas que de forma alguma parece ser embasado em uma história real, que virou livro por parte de Joyce Smith, e que adaptado brilhantemente por Grant Nieporte, conseguiu quebrar completamente as barreiras dos longas religiosos, indo por um vértice completamente diferente e interessante de assistir, a fé, e essa sim vale a pena ser propagada, e ao sentir na pele da mãe como a diretora conseguiu nos passar todo o desespero de ver o filho praticamente morto, e clamar toda sua devoção para algo que ela acredita foi muito forte, cheio de desenvoltura, e mostrou que se a diretora seguir por essa linha trabalhando seja com filmes de outros estilos, ou até mesmo expandir no gênero, certamente mostrará um sucesso bem encaixado atrás do outro. Ou seja, sei que vi diversos defeitinhos técnicos escapando pelos cantos, alguns momentos saindo do eixo de uma ficção, e até um certo apelo emocional para algumas cenas, mas em momento algum conseguimos ver a tentativa de forçar alguma religião, vemos a imposição de alguma ideia, mas sim toda a beleza da dor, a emoção de sentir cada ajuda, cada prece feita, e isso sim mostra atitude por parte da direção, e claro do roteiro, que por ventura vem da história contada no livro pela mãe que vivenciou tudo isso, e sendo assim, o resultado funciona muito.

Quanto das interpretações, não temos nenhuma expressividade genial digna de premiações, mas praticamente todos se entregaram para seus personagens, e souberam dosar as emoções para que entendêssemos cada ato vivido no longa, e chega a ser até engraçado ver as fotos ao final, por terem arrumado atores bem diferentes dos personagens reais, mas que souberam passar o sentimento em si na telona, ou seja, fizeram o trabalho com primor. E claro tenho de começar aplaudindo toda a estrutura forte que Chrissy Metz conseguiu entregar para sua Joyce, encontrando postura para mostrar todo seu jeito imponente, mas demonstrando uma fé tão forte nos seus olhares, que o resultado é único de ver, e como disse, mesmo sendo bem diferente da verdadeira Joyce no visual, a atriz conseguiu com toda certeza passar o que a verdadeira mãe sentiu em todos os momentos, dando um show na tela. Topher Grace é um ator que sempre se sai bem mesmo quando não deseja aparecer tanto, e aqui como o Pastor Jason até tentaram lhe fazer um corte de cabelo estranho para a protagonista o odiar (mas quem ver a foto ao final do verdadeiro pastor dará toda a razão para a verdadeira Joyce, pois o corte é ridículo!), mas o ator soube encontrar em boas palavras toda a serenidade para entrar no mundo da protagonista, e juntos conseguirem envolver bem cada momento na tela, mostrando um bom acerto expressivo dele também. O jovem Marcel Ruiz não precisou ser muito expressivo com seu John, mas conseguiu o grande feito bem feito que é ficar imóvel o longa quase que inteiro (e quem falar que não fica olhando sem parar para ver se o ator está fazendo bem o papel está mentindo!), o que lhe foi uma vantagem enorme, pois nos momentos que precisou trabalhar a expressividade através dos diálogos falhou levemente, e se precisasse mais disso no longa, talvez decepcionaria. Quanto aos demais, tivemos bons atos com praticamente todos, tendo leves destaques com os médicos vividos por Dennis Haysbert como Dr. Garrett e Sam Trammell como Dr. Kent, e depois tivemos bons momentos envolventes com Mike Colter como o bombeiro Tommy.

No conceito artístico, a equipe foi bem coerente nas cenas dentro dos hospitais, nas cenas da escola, e claro na forte cena no gelo, com bons momentos brincando com o afundamento dentro da água, sendo até simbólico a última utilização, que deu até um ótimo tom para o momento, mas sem dúvida as cena com todos cantando rezando para o garoto foi algo incrível de ver na tela, além de outros momentos que trabalharam efeitos singelos para dar a representatividade espiritual da trama, o que foi de grande valia ver na tela, ou seja, se formos a fundo até é um longa bem simples visualmente, mas que foi bem trabalhado dentro do contexto, e acaba agradando até mesmo nas cenas dos cultos em formato de show dentro da igreja, e assim sendo o resultado funciona bem. A fotografia soube encontrar junto com os elementos chave da trama, tons mais serenos para envolver e criar ambiente para cada ato, brincando muito com a emoção, acertando em muitos momentos para que o filme ficasse denso, mas sem ficar pesado, claro tirando as cenas fortes ao final dentro da escola, aonde novamente os elementos chamaram a atenção pelo teor das mensagens.

O longa teve ainda ótimas canções que deram um ritmo bem colocado para a trama, além claro de encaixarem na temática por serem de certa forma do estilo gospel, e certamente arrepiaram em diversos atos valendo a conferida após do filme no link que deixo aqui.

Enfim, esperava ver um bom filme, sabia que seria entregue algo forte pelo estilo de ser embasado em algo real, e também estava ciente de que por se tratar de algo de certa forma religioso pela essência teria algo exagerado, mas que foram por um vértice tão bem colocado, emocionando em momentos certos, que volto a frisar que será difícil não dar ao menos uma engolida para não chorar com alguns momentos, mas que certamente todos irão deixar algumas lágrimas na sala, valendo muito pelo resultado completo, mesmo com leves erros (os quais somente não me farão dar uma nota maior). E sendo assim recomendo ele para todos que gostem de um bom filme, mas principalmente para aqueles que estão precisando de um reforço da sua própria fé vendo um filme que trabalha bem esse tema, pois essa certamente é a mensagem que a mãe do garoto desejava passar fazendo o livro de sua história, e aqui desejaram passar criando o filme, ou seja, vá conferir. Bem é isso pessoal, encerro aqui os filmes do cinema dessa semana, mas volto em breve com alguns longas do streaming, então abraços e até logo mais.

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De Pernas Para o Ar 3

4/12/2019 02:18:00 AM |

Felizmente o "De Pernas Pro Ar 3" voltou para suas origens!!! Colocando muita diversão em boas sacadas, trabalhando bem o conceito do conflito familiar (trabalho de mais x família de menos), e criando bons vértices para unir o passado com a modernidade tecnológica que hoje o sexo vive cheio de tendências, fugindo completamente dos exageros que fizeram no segundo filme, ou seja, praticamente um recall bem feito, atualizado, e que consegue agradar bastante dentro do que se propõe. Claro que não é daqueles filmes que lhe fará rir até perder o ar, mas possui tantos bons momentos e uma desenvoltura bem propícia, que resulta num longa coerente e bem colocado para o momento, mostrando principalmente que a equipe aprendeu com os muitos erros do segundo longa, e caprichando em técnica encontrou algo satisfatório para que cada ato fosse entregue com muita desenvoltura do elenco para conduzir algo mais cheio de personalidade, o que acaba em diversos momentos soando até levemente melhor que o primeiro. Ou seja, um bom agrado para uma diversão descontraída em uma boa sessão de cinema.

O longa nos mostra que o sucesso da franquia Sex Delícia faz com que Alice rode o mundo, visitando os mais diversos países em uma correria interminável. Sem tempo para se dedicar à família, quem assume a casa é seu marido João, que cuida dos filhos Paulinho e Clarinha, de apenas seis anos. Cansada de tanta agitação, Alice decide se aposentar e entregar o comando dos negócios à sua mãe, Marion. Porém, o surgimento de Leona, uma jovem competidora, faz com que mude seus planos.

Diria que a mudança na direção fez bem para o longa, pois Julia Rezende deu uma tremenda de uma revigorada no filme, de forma que se antes tudo parecia mais centrado na protagonista, agora Ingrid ainda se mantém bem a frente, mas conseguimos enxergar mais para todos os demais personagens, e as conexões passam a funcionar, de modo que a diretora conseguiu incorporar toda a essência da trama original que foi desenvolvida há quase 10 anos, modernizar ela, colocar um embrulho mais bonito de se ver na prateleira, e com isso torná-lo algo que embora tenha até menos piadas que os anteriores, funcionasse de uma maneira mais gostosa e divertida de acompanhar, fazendo que a duração passasse num piscar de olhos, não cansando um segundo sequer durante os 108 minutos de projeção. Ou seja, muitos vão até falar que riram menos nesse do que nos anteriores, mas confesso que as risadas aqui são pela história e pelo contexto que são engraçados dentro das diversas situações, e não por qualquer forçada que tentassem nos impor como já vimos em outros filmes, e sendo assim, Julia mostrou bem o que sabe fazer, afinal seus longas anteriores também foram gostosos de conferir por essa forma, e aqui com um roteiro escrito por um timaço como Marcelo Saback e Paulo Cursino que já vem desde o primeiro, foi incrementado com Rene Belmonte, e a protagonista Ingrid Guimarães também escrevendo.

Quanto do quesito interpretativo, como disse no parágrafo anterior, Ingrid Guimarães ainda mantém um destaque e tanto com sua Alice, mostrando diversos trejeitos diferentes, brincando com o lado possessiva para cima da família e do emprego, e mesmo estando de lado (quando diz estar), está com os olhos bem abertos, impondo sua loucura e criando vértices bem encaixados para que sua personagem divertisse na medida, entregando desde o lado mais tênue e calmo (sim, ela possui!), até momentos aonde parece ligada no 220, o que faz rir demais. Bruno Garcia teve uma participação bem maior nesse filme, e seu João acabou bem conectado em diversos momentos, colocando estilo nas tradicionais brigas de casais que não se veem muito, e a sacada final foi muito bem colocada, cheia de sensualidade e agradando com bom tom. Samya Pascotto deu um bom tom para sua Leona, e embora seja cheia de exageros de trejeitos, a atriz conseguiu mostrar uma boa desenvoltura para as jovens que tem surgido nesse mercado tecnológico com boas ideias de startups que andam pegando uma boa fatia do mercado, e o estilo que passou mostrou bem o estilo dessas pessoas. Eduardo Mello fez um Paulinho em sua plenitude jovial, tendo diversas namoradas, e encontrando bons atos para dar o tradicional ciúmes na mãe, e mesmo não tendo tantas cenas, no momento jogral do longa, aonde cada um vai complementando o outro, seu estilo foi muito bem encontrado e acabou agradando. Do elenco secundário, sem dúvida alguma a melhor atriz/personagem fica a cargo de Cristina Pereira como a empregada Rosa, que consegue achar dinâmica para diversos momentos cômicos, chama a responsabilidade em diversos momentos, e sem dúvida alguma nos mata de rir na cena com a boneca.

Com filmagens em Paris, o longa teve uma cenografia riquíssima de locações, encontrou diversos momentos com objetos inusitados para entregar claro o tom sensual da trama, brincando com bonecas, óculos de realidade virtual, e até chegando nos finalmente objetos mais atuais do mercado sexual, além claro de no começo mostrar passeios por países e culturas não tão usualmente sexuais, mostrando os diversos aparatos que a empresa da protagonista foi criando nos anos para se consolidar, de modo que vemos alguns até sendo usados pelo filho com suas namoradas, o que dá um certo divertimento. Além disso, nas cenas nacionais, vemos muitos encaixes de festas bem ricas de cenografia, o que mostrou uma preocupação até digamos cara para o orçamento do longa, mas que certamente se pagará bem fácil, afinal, essa é uma das comédias mais rentáveis do país, ou seja, a equipe foi luxuosa, coerente, e acertou e muito em todas as opções criadas por onde passou, mostrando também muita classe para o trabalho do marido com design de móveis.

Enfim, não gosto de fazer comparações entre os filmes de uma série, mas diria que facilmente esse novo ficou mais dinâmico e cheio de estilo, e que chega a ser até levemente melhor que o primeiro nessa forma, mas sem dúvida alguma, o primeiro é o que mais força o riso do público pela originalidade e surpresas, e o segundo é melhor esquecer que existiu. Ou seja, como muitos andam dizendo por aí, esse foi um bom recomeço para a franquia, e que caso façam mais continuações, certamente já nos mostraram aqui as bases por onde atacar, e certamente serão bem divertidas, mas caso fechem o ciclo, aqui tudo foi feito com classe e o acerto foi perfeito. Sendo assim, recomendo o longa para todos que gostem de uma comédia bem feita, sem exageros, e que agrada divertindo com bons toques modernos, ou seja, diversão garantida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda falta uma estreia para conferir nos cinemas, então abraços e até logo mais.

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After

4/11/2019 12:55:00 AM |

Sempre que leio nos pôsters e trailers o texto, "baseado no best-seller que se tornou um fenômeno" fico pensando como eu nem sequer vi nada desse livro na vida, pois alguns até passam notícias e tudo mais, mas alguns sequer ouvir falar ouvimos por aí, e após ver o trailer de "After" fui dar uma pesquisada sobre o livro e tudo mais, e logo concluí (claro de forma bem preconceituosa!) que era um misto de "50 Tons de Cinza" com "Crepúsculo", mas que não teria nem pancadaria hard sex, nem vampiros e lobos, ficando no meio do caminho de ambos, ou seja, imagine a vontade ultra top irônica que fiquei de conferir o longa, aí me notificam que foi aberta pré-venda com quase um mês de antecedência, fiquei pensativo, mas ainda relutei, e eis que cá está o Coelho na pré-estreia do filme, afinal tenho de ajudar o pessoal que está afim de ver, mas assim como eu, não sabia nem do que se tratava do longa, e com o trailer não se empolgou muito. E posso dizer agora que é um filme bacana de conferir, que claro tem uma temática bem teen, mais puxada para algo mais quente, mas sem exageros gritantes, e que embora pareça um pouco alongado (o que me fez pensar seriamente que por ser vários livros, iriam acabar bem na hora de algum conflito) consegue passar sua mensagem de uma maneira gostosa de conferir, principalmente pelo ritmo bem colocado, e claro, pela excelente trilha sonora (que até o momento dessa publicação não tinham soltado online para divulgar... sniff sniff!). Ou seja, uma fanfic envolvendo Harry Styles do One Direction, que acabou virando um livro sucesso de vendas, agora virou um longa bem moldado que dependendo das bilheterias pode vir a ser lançado os outros quatro livros da série, e assim, entrar dentro de um filão que está meio sem representantes atualmente, o de romances ficcionais para adolescentes, e adultos que se acham adolescentes.

A sinopse nos conta que Tessa Young é uma jovem de 18 anos que acaba de ingressar na faculdade. De roupas recatadas e bastante ingênua, ela é apresentada ao mundo das festas através de sua colega de quarto, Steph, bem mais liberal. Logo conhece Hardin, um jovem rebelde que renega o amor, apesar de ter lido os principais romances sobre o tema. Aos poucos os dois se aproximam, iniciando uma ardente paixão.

Gosto de ver quando diretores estreantes conseguem trabalhar muitos ângulos, encontrar sínteses bem colocadas e fazer funcionar algo que aparentemente não seria daquela forma, e a jovem Jenny Cage pegou o roteiro adaptado por Susan McMartin em cima do livro de Anna Todd, e entregou quase que páginas detalhadas na telona, que mesmo quem não tiver lido a trama irá sentir as páginas na tela, mostrando detalhes cênicos, envolvendo o público com nuances visuais bem encaixadas, e sabendo exatamente onde ir segurando o seu filme, de modo que tudo parece ser até alongado demais, com situações que facilmente outros eliminariam, outras reduziriam, mas que para valorizar o que ela provavelmente leu, e quis passar para os fãs do livro, optou por deixar em seu filme. Em momento algum defenderia o longa como algo poético e clássico que valeria você parar de ler meu texto aqui e correr para a sessão mais próxima, pois o conteúdo em si da trama é bem bobinho, com enfatizações clássicas das jovens apaixonadas em sua primeira vez, caindo de amores pelo rapaz completamente contrário da protagonista, mas que por ser simples no que desejava transmitir, o resultado agrada, e funciona bem, ou seja, quem for conferir mesmo sem ser fã da obra até irá gostar do longa, e sendo assim, talvez até vejamos as demais continuações na telona, basta os produtores desejarem ir a fundo, e claro os contratos serem assinados, pois com um começo/meio/fim bem colocado, aqui caso não continuem, já se fechou. E para aqueles que achavam que pelo livro se encaixar no gênero romance erótico, aqui foram bem leves nas cenas, entregando algumas sutilezas mais quentes, mas que não assustam ninguém.

Sobre as atuações, diria que embora seja um elenco bem novo, que fez pouquíssimos filmes, praticamente chamaram a responsabilidade para si, e demonstraram atitudes bem colocadas na trama, de modo que por não ter lido o livro posso até estar errado, mas diria que todos caíram muito bem para os personagens. Josephine Langford deu um ar bem tradicionalista para sua Tessa, criando situações simples, de olhares encaixados, e que não forçando chamar atenção a atriz se entregou para a personagem, mostrando simplicidade, mas agradando com o que fazia em cena, além de deixarem Selma Blair loira e completamente parecida para fazes o papel de sua mãe. Hero Fiennes Tiffin pontuou seu sotaque britânico num nível fortíssimo para a trama, e com muita pegada, trejeitos imponentes, e atitude na medida certa conseguiu causar com seu Hardin, sabendo bem encontrar a câmera ao seu favor, marcando cada momento e se ajustando a cada cena para que o filme não ficasse tão forte para o personagem, embora aparente ser problemático em níveis altíssimos, ele conseguiu enganar bem, e isso é algo que o ator provavelmente mudou do livro pelo que falam, ou que foi deixado para um segundo filme. Quanto aos demais personagens, poderia dizer que todos foram bem, tendo leves destaques para algumas cenas soltas de Shane Paul McGhie com seu Landon, que parece ser mais importante no livro também, mas que aqui apareceu pouco, e claro para os trejeitos meio bobinhos demais de Dylan Arnold com seu Noah, que foi singelo, mas sem chamar muita atenção.

Um ponto bem bacana que todo romance deve sabem utilizar é a cenografia ao seu favor, e aqui usando o campus bem charmoso da faculdade, uma casa com ares clássicos, um lago belíssimo e claro os diversos clichês de cenas embaixo de chuva, projeções visuais, cenas no escurinho e tudo mais, fez com que a equipe brincasse nos momentos mais descontraídos e entregasse também cenas densas, o que fez do longa algo tradicional e bem vivenciado. Quanto da fotografia, os ângulos escolhidos para brincar com luzes do sol, luzes artificiais, e tudo mais para dar sombras nas cenas românticas foi algo de olhar e se encantar, mostrando um serviço de primeira linha da equipe.

Como disse no começo, um dos pontos mais sensacionais e que já faz valer o ingresso, ou quem conseguir a trilha completa para ouvir já se deleitar, foram as escolhas musicais da trama, que de uma primeira linha incrível conseguiu dar ritmo, envolver, e claro fazer com que ficássemos cantarolando as canções em nossas pernas e cabeças, pois tudo foi muito bem encontrado para cada ato. Infelizmente ainda não divulgaram a trilha completa online, acredito que por não ter sido lançado o filme nos cinemas mundialmente, sendo somente nessa sexta, mas assim que lançarem, volto com o link.

Enfim, confesso que fui pronto para vir aqui atirar diversas pedras na produção, pois o trailer não me chamou atenção, a história menos ainda, e tudo me remetia a algo bem fraco, mas que acabou dando um resultado bacana, divertindo na medida, e sem ser exageradamente forçado acaba funcionando para o público alvo. Claro que passa bem longe de virar um clássico, ou de ser daqueles que vamos rever diversas vezes, mas também passa bem longe de ser uma bomba, e assim sendo vale a conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Milagre

4/08/2019 11:28:00 PM |

Basicamente o documentário mais raso que já vi em minha vida! Essa pode ser a melhor definição de "Milagre", aonde através das teorias malucas formatadas pelo filósofo Olavo de Carvalho, juntamente com seus seguidores tentando expor que tudo na vida pode ser considerado um milagre, e justificando que a ciência estuda apenas parte dos fatos, não justificando cada ato em si, mas sim apenas uma parte, o resultado passa a ser justificável, e mereceria ter um motivo (no caso algo miraculoso) de acontecer se analisado a história completa de tudo acontecer, e que sem bases não teriam como chegar a uma prova física e/ou material. Ou seja, um longa bem arbitrário, que entrega tantas informações que como uma senhora que estava atrás de mim afirmou, somente lendo tudo o que foi falado para talvez concordar com algo dali, mas a falação contínua, com uma música de fundo alta, e imagens aleatórias flutuantes cansam tanto, que não tem como acreditar em nada ali, e como profundo defensor da ciência, não consigo sequer pensar num filme mais absurdo possível, pois até acredito em milagres, já vi muita coisa estranha acontecer, mas da forma irreal entregue aqui como uma verdade absoluta, não tem condições. Ou seja, um filme fraco de conteúdo, que com uma forma fraca e cansativa não consegue levar nada a lugar algum.

A sinopse nos conta que apesar dos milagres serem o elemento central da fé cristã, atualmente, são poucos os que se propõem a adentrar o tema. Através de conversas com pensadores como Olavo de Carvalho, Raphael de Paola e Wolfgang Smith, o diretor Mauro Ventura inicia uma investigação filosófica acerca desse fenômeno, com o objetivo de dissecá-lo de forma profunda e desvendar os seus enigmas para a contemporaneidade.

Bem, olhando agora a filmografia do diretor Mauro Ventura consigo entender sua fixação por Olavo de Carvalho, tendo praticamente a vida toda fazendo documentários embasados na obra do filósofo moderno, e assim podemos dizer facilmente que mesmo seu documentário não entregando nada que faça o público comum acreditar no que diz, afinal o longa foi feito somente para pessoas que acreditam nas teorias olavistas, ele fez com base no que acredita, e sendo assim o resultado para ele, e talvez para o público-alvo funcione.

Agora analisando a forma técnica, diria que o maior erro da trama é cansar o público, pois é somente composto por três entrevistados falando de forma calma e cansativa para uma câmera centralizada, a qual provavelmente está o entrevistador na frente, canções ainda mais cansativas espectrais que praticamente nos embalam, e imagens aleatórias de igrejas, imagens santas, paisagens, entre outras voando com as pessoas e as músicas rolando, ou seja, quase uma apresentação de powerpoint motivacional que fazem nas empresas, e sendo assim, o trabalho feito pela edição beira o amadorismo puro.

Enfim, uma obra que não vale o tempo perdido na sala do cinema, ao menos para quem acredita em qualquer fato científico que já foi comprovado até mesmo numa aula de ciências básicas, e que talvez lendo tudo o que foi dito até dê para acreditar em uma ou duas teses principalmente de Wolfgang, mas dos demais, é abusar de nossa inteligência. E sendo assim, peço que economizem para filmes melhores que virão, pois é jogar dinheiro fora vendo esse documentário. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, não vou me alongar falando de algo que não tem como, mas volto na quarta já falando das estreias da próxima semana, então abraços e até logo mais.

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Quando Margot Encontra Margot (La Belle et la Belle) (When Margaux Meets Margaux)

4/08/2019 01:30:00 AM |

Quando falamos de viagens temporais sempre ficamos pensando: "o que mudaríamos em nossa vida caso isso acontecesse?", e com isso, nosso pensamento fica viajando muito, mas e a famosa deixa, "e se estragar tudo?", pois bem, você não verá essa preocupação em "Quando Margot Encontra Margot", mas com muita sutileza no estilo, vértices bem moldados, e até mesmo uma sintonia entre as personagens tentando se complementar, a do presente tentando arrumar seus erros do passado, e a do passado tentando melhorar o humor da do presente, consegue nos levar para um ritmo tão gostoso pelo florescer das situações, que mesmo o enroscar das cenas de nada ir muito além no miolo acaba não incomodando, nem o fato de não termos conflitos e/ou explicações sobre o que levou acontecer esse encontro também chega a irritar, pois a essência abstrata e até artística demais da trama é bem facetada, pois quando estamos acostumados com filmes franceses, essa delícia inexplicável ocorre, e mesmo o filme aqui não sendo algo que vamos querer aplaudir, toda essa sutileza acontece, e ficamos encantados com as cenas finais bem ditas, charmosas, e cheias de efeito para com o resultado completo da trama.

O longa nos conta que Margot, 25 anos, tem uma vida despreocupada, pontuada por frequentes noitadas em Paris. Uma noite, durante uma festa, ela conhece outra Margot, 20 anos mais velha. Detalhes curiosos e grandes semelhanças fazem com que elas descubram que são a mesma pessoa em fases diferentes. Na manhã seguinte, no mesmo trem para Lyon, elas se deparam com Marc, o ex de uma delas, cujo charme desperta grande atração em ambas. Daí em diante, Margot e Margot acharão cada vez mais difícil se desligar uma da outra e também de Marc. Como seria reencontrar o seu próprio eu? Isto é o que Margot e Margot irão descobrir.

A diretora e roteirista Sophie Fillières nos entrega uma trama tão descontraída e solta, que a todo momento ficamos imaginando aonde ela deseja chegar, pois não vemos nenhuma das personagens preocupadas em ser elas mesmas em épocas diferentes, e isso é algo tão incomum em longas de viagem no tempo, que ao fugir do tradicional a diretora consegue permear algo completamente seu, e isso é algo que sempre pedimos para ver, mas que quando acontece, achamos estranho. A síntese da ideia proposta é bacana, a de não mudar suas vidas, mas ainda assim influenciar, e a sacada só é vista na penúltima cena do longa, que por sinal se sucede com uma que pensamos até ter uma terceira reviravolta pela pessoa que passa próximo das protagonistas, porém felizmente ela optou por apenas jogar no ar e não desenvolver isso, pois não precisaria já que sua trama foi sutilmente bem colocada e funcional. Ou seja, a diretora foi sagaz em escolher momentos leves e discutíveis para que sua trama fosse bem condensada, e embora muitos acabem achando o longa levemente calmo demais, o resultado para quem gosta de um bom longa francês, para aqueles que vivem nos festivais de cinema, certamente verão que o mote embora fantasioso, se entrega com uma precisão artística digna de festivais, e assim sendo, saímos felizes com o que ela entregou.

Não sei se faltou expressividade para Agathe Bonitzer ou se foi solicitado para que ela fizesse trejeitos meio que jogados para a Margot jovem, pois em alguns momentos chega a ser depressivo seus atos, e a atriz não procura empolgar nem mesmo nos momentos de festa, ou seja, sempre com um tom abaixo de cada ato, parecia não estar feliz com o papel, mas que acabou dando um estilo próprio para a personagem também. Já Sandrine Kiberlain já elogiei em outros festivais por saber conduzir suas expressões, e aqui com a Margot mais vivida, a atriz também trouxe ares melancólicos, mas soube dosar certos atos para que parecesse mais conformada com sua vida, criando vértices mais próximos de alguém comum, e não tão depressiva como sua versão jovem, ou seja, trabalhou olhares, e soube agradar sem chamar muita atenção. Agora mesmo sendo elemento de conexão, quem teve um bom destaque foi Melvil Poupaud com seu Marc, de modo que o ator inicialmente até aparenta perdido em meio das duas mulheres tão parecidas, mas com o desenrolar da trama, o personagem se verte para algo mais envolvente, com brilho nos olhos, e o resultado acaba mostrando que o ator soube se entregar para o personagem, o que agrada bastante.

No conceito cênico, a trama encontrou a beleza do inverno nas cidades francesas, brincando com o frio, com a neve, e claro com o calor/frio dos personagens, de modo que mais do que o cenário em si funcionando para com o filme, cada momento, cada elemento como a protagonista quebrando o gelo para conseguir encaixar uma comida em sua geladeira, a outra tomando leite com gelo, depois nadando no meio de um frio imenso, e tudo mais, faz com que a equipe artística tenha trabalhado o frio mais como um personagem da trama, do que um elemento que pudesse atrapalhar as filmagens, ou seja, um longa com poucas locações, mas todas bem preparadas para o andamento da trama, escolhendo bem os elementos, e claro, os momentos de filmagens.

Enfim, um filme simples, bonito, bem simpático, que consegue subverter o estilo de longas de viagem no tempo, mas que mesmo sendo o clássico bom filme francês, poderia sim ter entregue algo a mais, uma emoção a mais, um sentimento explícito, ou até alguma cena de quebra mais envolvente para que saíssemos apaixonados da sessão, ou chocados com algo, para que o filme fosse mais lembrado daqui a alguns anos, e não apenas nas próximas semanas. Mas ainda assim recomendo ele para quem gosta de um longa artístico bem trabalhado, pois o resultado é mais bonito do que a essência passada, e isso é raro de ver também. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, afinal essa semana está bem recheada, então abraços e até logo mais.

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Netflix - The Last Runway (Leal, Solo Hay Una Forma de Vivir)

4/07/2019 07:42:00 PM |

Existem alguns filmes que mais se parecem com séries do que com filmes realmente, e o longa paraguaio "The Last Runway" ou "Leal, Solo Hay Una Forma de Vivir" é um desses, pois foi trabalhado com situações divididas, diversos personagens espalhados com diversas funções, várias quebras em cima de um único desmanche (ou no caso, a descoberta de como quebrar um cartel), que se fosse dividido em uma série policial funcionaria até melhor, mas aí esse Coelho acabaria não vendo. Mas felizmente não digo que não funcionou como cinema também, pois tem uma história bem amarradinha, porém com estilo quase novelesco entre os personagens, mas se posso elogiar algo, falaria das ótimas transições de situações escolhidas, pois com imagens se sobrepondo, montando a trama completa, o resultado até passa como algo razoável de assistir. Ou seja, um filme bem produzido, mostrando que nossos vizinhos possuem estilo para fazer algo bem elaborado, mas que poderia ter uma história menos necessitada de personagens, que fariam algo mais centrado, e aí certamente o resultado seria melhor.

A sinopse em si é bem simples, e nos conta que um ex-coronel paraguaio forma um grupo paramilitar especial focado no combate ao narcotráfico para proteger as fronteiras de seu país.

O trabalho feito pelos diretores Rodrigo Salomón e Pietro Scappini foi algo de primeira linha no conjunto de uma obra de grande porte, criando cenas aéreas, diversas infiltrações em mata, e principalmente muita inteligencia envolvida para tentar desestruturar um cartel, mas faltou para eles um roteiro menos floreado, aonde tudo pudesse rolar sem precisar criar atos novelescos, como relacionamentos, conversas familiares, e tudo mais que disperse a trama sobre a polícia e o tráfico, mas isso é algo comum de vermos em filmes do estilo você deve falar, mas sempre se suprimido o resultado acaba soando bem melhor, e aqui seria outro filme trabalhando esses detalhes. Não digo que isso tenha atrapalhado o resultado final, pois ao final me vi sentado prestando bastante atenção de como iria acontecer o fechamento da trama, e claro que como uma grande produção, esperamos algo a mais do que o que apenas aconteceu.

Sobre as interpretações, assim como vemos nas novelas argentinas e mexicanas, tivemos personagens exagerados, mas diria que todos ao menos foram condizentes com os personagens que foram escolhidos, o problema como disse é do roteiro que quis criar histórias paralelas demais. Dessa forma vale destacar apenas Luis Aguirre como Gorostiaga pela imponência criada, Andrea Quattrocchi como Betty pela desenvoltura de uma policial que não quer apenas ficar na sua mesa sendo inteligente, mas também atacando o caminho, e Felix Alberto Medina Ortiz com seu Ibañez cheio de vértices como capitão da missão. Mas não deixaria de lado todos os policiais secundários que foram divertidos e bem colocados, mas que poderiam ter se destacado mais pela história do que pelas personalidades bobas suas. E quanto dos traficantes, melhor deixar quieto, pois foram exagerados e bobos demais, pois sabemos que esses costumam ser bem mais imponentes, e Bruno Sosa Bofinger como Dante só gritou, enquanto Gonzalo Vivanco apenas faz caras e bocas com seu Salcedo.

Agora já disse isso, e volto a frisar, que no conceito artístico a equipe deu um belo show de técnicas, trabalhou locações precisas, e criou bons vértices, entregando uma boa central da polícia investigativa, uma festa de casamento de pompa, e claro boas cenas no meio da floresta, aonde cada momento foi criado e desenvolvido com situações engraçadas e bem colocadas, mostrando até a seleção dos integrantes da operação de uma forma inusitada. Além disso a equipe de edição brincou bastante com movimentos ágeis, criando boas sobreposições e dando dinâmica para o filme.

Enfim, está bem longe de ser daqueles filmes que recomendaria com muita certeza, mas também passa bem longe de ser uma bomba completa, valendo para passar um tempo, e ver uma boa operação policial, mas certamente poderiam ter trabalhado mais o texto para não ficar tão novelesco. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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