Tio Drew (Uncle Drew)

7/21/2018 02:50:00 AM |

Com toda certeza quando a Pepsi convidou o jogador de basquete Kyrie Irving para uma "pegadinha" com jovens e jogadores profissionais, que acabou viralizando e claro sendo muito usada como comercial do refrigerante, ninguém imaginaria do potencial para a ideia virar um filme completo, mas com o sucesso logo a empresa já fez uma parceria grandiosa com uma produtora, e pronto, logo estavam capturando outros grandes jogadores mais antigos para formar um timaço pronto para detonar nas quadras com muita maquiagem de envelhecimento no longa "Tio Drew". Aí você vem e pergunta para o Coelho, é uma comédia engraçada que valha a conferida? E a resposta vem bem direta: se você gosta de basquete, a trama vai lhe envolver e divertir bastante principalmente após a metade do longa, agora caso contrário, acabará soando cansativo e com mensagens bem jogadas, sem muita dinâmica de carisma, afinal quase todos os protagonistas são jogadores e não atores, então falta uma pegada mais expressiva, mas confesso que ao chegar realmente nos jogos a trama emociona e acaba agradando bastante, mas certamente poderiam ter trabalhado mais para que o filme ficasse mais com cara de filme e não apenas algo encomendado.

A trama nos conta que Dax é um grande fã de basquete, que atua como técnico de um time amador. Ele decide gastar todas as suas economias para garantir a presença de sua equipe em um campeonato de basquete de rua realizado no Harlem, Nova York, de olho no prêmio de US$ 100 mil ao vencedor. No entanto, após uma série de eventos desastrosos, ele perde o controle do grupo e precisa urgentemente formar uma nova equipe. Para resolver o problema, ele recruta uma grande lenda do esporte, o incrível tio Drew, que está aposentado há anos. Com um novo time repleto de setentões, Dax acredita que finalmente conseguirá alcançar uma vitória em sua carreira esportiva.

É engraçado que muitos diretores que fizeram pequenos filmes no começo dos anos 2000 voltaram a produzir agora (será que o barateamento das filmagens em digital comparada com o alto custo das películas? Ou apenas acabaram seus anos sabáticos?), e com isso alguns estilos que víamos muito nas diversas sessões da tarde, ou em filmes jogados na noite na TV começam a surgir com uma frequência maior, e Charles Stone III até teve algumas obras bem montadas, mas acabou não decolando, e agora ele traz uma boa dose de dinâmica emocional dos filmes esportivos, mas brincando com a sagacidade da família, da velha escola tanto de basquete quanto de cinema, e que se talvez fosse mais trabalhado com atores do que com jogadores, e usasse mais lições de moral para que o longa tivesse um peso maior, a trama até poderia recair nos moldes de "Space Jam" e virar um marco, mas como aqui ele focou bem mais no esporte, em algo aparentemente encomendado por órgãos esportivos, a trama acabou um pouco engessada e os raros momentos engraçados acabaram ficando levemente cansativos e forçados, o que é uma pena, pois após a trama engrenar, já estamos quase finalizando, e é fácil notar potencial no time completo.

É até difícil falar das atuações, afinal temos aqui um timaço de estrelas antigas e novas da NBA, que até demonstraram um certo afeto para com suas expressões cheias de apliques na cara para o longa, mas como disse antes, não são atores, e com isso o resultado acabou pecando um pouco. Lil Rel Howery como de praxe é exagerado em suas atuações, de modo que seu Dax parece uma gralha gritadora desesperada no começo do filme, claro que dá uma melhorada no miolo e finaliza bem, mas poderia ter sido mais homogêneo que agradaria muito mais e ainda passaria a mesma personalidade. Kyrie Irving ainda atua no basquete, e já considera seu Drew quase uma segunda personalidade com o tanto de comerciais e séries que fez com o personagem (ganhando muito dinheiro de seu patrocinador é claro!), e aqui ele foi bem condizente, até entregando bons olhares, mas falta aquele empurrão para mostrar que sabe atuar também e não apenas jogar, pois nas cenas com a bola deu show. Após se aposentar das quadras, Shaquille O'Neal já fez tantos filmes que podemos dizer que tem um pouco mais de dom com as câmeras, de modo que seu Big Fella consegue soar interessante mesmo fazendo algumas caretas estranhas, e poderiam ter trabalhado mais a relação dele com Drew, não ficando apenas a resolução rápida e rasteira. Aaron Gordon também ainda tem muita carreira no basquete, pois com apenas 22 anos, apenas serviu de elo com seu Casper para mostrar sua habilidade com a bola, mas foi quase um enfeite cênico. Chris Webber também já se aposentou das quadras, e podemos dizer que foi o que mais se esforçou em fazer bem seu Preacher, de modo que soou hilário em sua cena de batismo e teve boas dinâmicas na fuga de sua esposa, não apelando tanto para trejeitos. E falando na esposa, temos mais uma estrela das quadras, Lisa Leslie, a primeira mulher a fazer uma enterrada na WNBA, que aqui como Betty Lou ficou digamos um pouco estranha e meio desengonçada, mas que ao pegar a bola deu show também. Nate Robinson ainda joga, mas aqui sentado em uma cadeira praticamente a metade do longa com seu Boots, o que mais assustou foi sua cabeleira monstruosa. Para finalizar o elenco de jogadores, tivemos ainda Reggie Miller que ao fazer o cego Lights acabou divertindo demais com a desenvoltura do personagem nas cenas que precisaria ver as coisas, e assim acabou agradando também. Quanto aos demais atores, Nick Kroll acabou forçando a barra com seu Mookie, apelando para trejeitos e dinâmicas bobas para criar um personagem bobo, que poderia ser mais leve e ainda ter o mesmo tom. E para finalizar as demais moças até tentaram cair bem na trama, mas Erica Ash foi singela demais com sua Maya (embora bonitinho o seu carisma) e Tiffany Haddish gritou demais com sua Jess (parecendo uma gralha).

No conceito visual o longa teve muitos elementos interessantes, como a van trabalhadíssima em detalhes, os asilos, o parque de diversões bem montado para agradar o velhinho, as quadras bem preparadas para os jogos incríveis, mas sem dúvida o grande feitio da equipe de arte foi o trabalho da equipe de maquiagem para transformar jogadores de no máximo 46 anos em velhinhos com bem mais de 70, o que acabou lhes dando novas personalidades, e praticamente fazendo com que o público sequer os reconhecesse, ou seja, um show de coisas estranhas, mas que agradou bastante. A fotografia oscilou muito para tentar dar as lições de moral, recaindo para tons pasteis, mas ao dar um colorido vibrante para tentar fazer o público rir, o longa acaba apelando e isso não dá o tom cômico que a trama pediria.

Enfim, como filme a trama acaba sendo mediana, pois poderia ter alçado voos maiores, mas como um show de basquete com velhinhos, o resultado acaba sendo incrível e muito bem feito. Volto a dizer que está bem longe de ser algo ruim (afinal gosto muito de basquete), mas poderiam ter trabalhado mais as disputas, ou o relacionamento entre os velhinhos, ou até mesmo mais problemas entre eles para que aí sim tivéssemos um filme mesmo, mas ainda assim como disse no começo quem gostar de bons jogos de basquete, aqui é uma boa dica. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Uma Casa à Beira-Mar (La Villa) (The House By The Sea)

7/20/2018 01:40:00 AM |

Sabe quando tínhamos de escrever na escola aquela redação de volta às aulas após o período de férias, e só tínhamos dois tipos de texto, ou aquele que enrolávamos ao máximo para dizer que apenas dormimos e comemos, ou aquela que tínhamos de falar de tantos lugares que passamos, das mil desventuras que fizemos, da morte do gato, do cachorro, do novo corte de cabelo, e tudo mais? Pois bem, acredito que o roteirista de "Uma Casa à Beira-Mar" estava com essa ânsia após ver os diversos jornais franceses noticiando as diversas invasões de refugiados, das desvalorizações de casas à beira-mar, de romances entre velhos e novos, de pessoas que passam anos em estado vegetativo, de velhos que perdem empregos após anos lutando em greves e revoluções, e resolveu tentar contar tudo isso em um único texto sem tentar que tudo (ou ao menos algum detalhe) fosse mais envolvente e emocionasse ou comovesse o público com algo, apenas trazendo diversas reflexões, mas sem um caminho óbvio a seguir, ou seja, um filme até poético, com uma locação bem bonita, mas que talvez cause muito mais desconforto por tentarmos pensar que rumos a trama pode seguir, do que saíssemos da sala do cinema revoltados ou felizes por algo que a trama realmente valesse apontar. Diria mais, se talvez o caso das crianças refugiadas entrasse na trama bem antes da metade, e aí sim o drama se desenvolvesse a partir dali, teríamos um filme incrível. Ou seja, não digo que seja um filme ruim, apenas algo que não teve um rumo focado para contar sua história realmente, e se eu ficar rodando igual ele, daqui a pouco esse texto também não terá rumo algum.

A sinopse nos conta que em uma pequena baía perto de Marselha, existe uma vila pitoresca, propriedade de Maurice. Seus três filhos reuniram-se ao seu lado durante seus últimos dias: Angéle, atriz que morava em Paris, Joseph, que acabou de se apaixonar por uma jovem garota, e Armand, o único que ficou em Marselha para dirigir o restaurante da família. É hora deles ponderarem o que aprenderam dos ideais do pai e do espírito comunitário que ele criou neste lugar mágico.

O estilo do diretor e roteirista Robert Guédiguian é bem contido, mas nem por isso ele deixa de alfinetar tudo o que anda acontecendo no mundo (e principalmente na França!) nos últimos anos, e com isso sua trama tem muita polêmica, e certamente se mais enxuta da quantidade de temas, acabaria sendo de uma precisão incrível, conseguiria comover e chamar atenção, e ainda até que se fosse colocado em segundo plano daria para mostrar tudo, mas o grande erro foi ele ser contido e querer dar destaque para tudo, pontuando cada tema em um ou dois personagens, e resultando em uma obra difusa demais. Não posso crucificar ele, pois sei bem como é começar um texto e ir aprofundando, daí lembro que preciso falar de mais algo, coloco também, e quando vemos o texto já não está falando de mais nada por completo, ou seja, é algo que acontece, e por isso, embora seja algo que não aprovo, muitas vezes um texto tem de sair das mãos do pai, para criar asas e desenvolvimento nas mãos de outro diretor que saberá eliminar o que não vai interessar (prefiro muitas vezes que um roteirista dirija seu próprio texto por saber aonde quer chegar, mas aqui certamente outro diretor teria eliminado uns 40% dos temas pelo menos). Ou seja, o diretor foi ousado nas suas propostas, mas ao querer colocar todas em um único filme acabou falhando mais do que acertando.

Fazia tempo que as atuações não me incomodavam tanto em um filme, pois geralmente temos alguns que falham, mas a maioria consegue suprir essas falhas e se destacar, e aqui aparentemente nenhum, repito nenhum, dos protagonistas quis assumir a responsabilidade e puxar sua trama para frente, sendo quase todos coadjuvantes da história do outro e nenhum protagonista da sua própria história, o que é algo muito errado em qualquer filme. E olha que digo isso com um pesar imenso, pois o elenco é de grandes nomes do cinema francês, passando de Ariane Ascaride com sua estranha e traumatizada Angéle que só faz caras exageradas, entrando num pessimista e desanimado (que pelo texto era o piadista da turma) Jean-Pierre Darroussin com seu Joseph apático demais, recaindo sobre um Gérard Meylan com um Armand desesperado por manter tradições, mas que não tem sincronia com nada, até recair nos mais jovens e estranhos Anaïs Demoustier com sua Bérangère cheia de ideais, mas jogada na trama, o médico Yvan interpretado por Yann Trégouët que nem nota a doença nos pais e só faz caras enfáticas até mesmo no seu momento mais bobo e clichê. Ou seja, a salvação só chegou com os trejeitos das crianças que apareceram somente bem no final do longa, e das expressividades fortes dos idosos que um está semi-morto, no caso Fred Ulysse com seu Maurice, e o outro fala demais e não se expressa, no caso Jacques Boudet com seu Martin. Mas o grande susto fica por conta do exagerado Robinson Stévenin com seu Benjamin que parece ter saído de um filme de terror com sua expressividade forçada e desespero nos diálogos. Ou seja, decepção total nesse quesito.

Agora como sempre ocorre, quando um filme francês tende a não agradar pelas atuações, o visual, a composição cênica e cada detalhe mínimo dos objetos usados no longa passam a valer reparo, de modo que a vila em si funciona para mostrar o misto entre o passado (o restaurante que nem prestígio muito menos insumos tem para sobreviver atualmente), o futuro (um super trem veloz passando por cima da vila de hora em hora) e o presente (a invasão de refugiados e os militares passeando a todo momento pelo paradisíaco local), que acaba nos fazendo refletir demais em cada momento que passamos que tudo pode ser mudado e também o que não deve mudar, como as essências funcionam, como cada objeto passa a ser importante para a trama, ou seja, um trabalho primoroso e muito bem feito. A fotografia embora esteja em um cenário maravilhoso, acabou ficando apática demais em cores mornas, dando um ar de morte que certamente o diretor desejava, mas que acabou não atacando como poderia.

Enfim, um filme bem mediano que poderia ser imensamente melhor se tivesse desenvolvido menos temas, e que raspou a trave de virar uma tragédia, ou seja, se na sala os poucos que tiveram conferindo saíram cansados com o que viram, certamente será daqueles filmes que talvez até funcionaria mais em festivais do que comercialmente, mas como veio, deve ficar bem pouco tempo em cartaz, e quem quiser arriscar ver, corra, mas confesso que tem coisa melhor passando nos cinemas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Arranha-Céu: Coragem Sem Limite em 3D (Skyscraper)

7/14/2018 02:41:00 AM |

Ultimamente só andamos tendo 2 certezas por ano, a que teremos 12 meses e que The Rock irá protagonizar algum filme de ação lotado de paias. E se tem The Rock, sabemos que dificilmente iremos nos decepcionar se formos sabendo o que iremos ver, ou seja, se você for preparado para ver muita ação absurda, cenas de tirar o fôlego, pancadaria e tiros para todo lado e The Rock salvando o dia, com toda certeza sairá muito feliz de "Arranha-Céu: Coragem Sem Limite", agora caso contrário nem vá, pois de gente mal-humorada que vai ver um filme sabendo que não gosta daquilo já temos aos montes, e se tem um ator que não vai fazer um filme cabeça e/ou filosófico esse com certeza é Dwayne "The Rock" Johnson. Dito isso, o filme com toda certeza possui muita ação, tem um conceito bem família interessante de curtir, uma tecnologia monstruosa (claro que muita coisa falsa!), e até um 3D interessante para quem achou que não teria nada, que chega a dar uma certa vertigem nas cenas na ponta do prédio, da ponte pegando fogo e nas diversas cenas de pulo, até que poderiam ter caprichado um pouco mais, mas ainda assim é um filme bem bacana.

O filme nos apresenta Will Sawyer, um veterano de guerra e ex-líder da operação de resgate do FBI, que agora avalia segurança de arranha-céus. Em missão na China, ele encontra o mais seguro e mais alto edifício do mundo em chamas, e é culpado por isso. Will deve encontrar os responsáveis pelo incêndio, limpar seu nome e de alguma forma resgatar sua família que está presa no interior do edifício... acima da linha de fogo.

É engraçado o processo migratório de diretores de comédias simples para ações impactantes de orçamentos mais aguçados, pois acostumados em necessitar mais da interpretação dos atores, de histórias que digam tudo através das entrelinhas, quando pegam filmes mais dinâmicos no começo até entregam cenas mais familiares, situações contidas bonitinhas, mas ao que o primeiro tiro é dado ou o primeiro pulo já sai fora do contexto é explosão que surge, é efeito vindo de todos os lados e aí tudo vira festa, e aqui aconteceu exatamente dessa forma com Rawson Marshall Thurber, que dirigiu The Rock em "Um Espião e Meio" e aqui acabou entregando algo com bem mais cara de produtor do que algo que um diretor realmente faria, pois praticamente todos os atores tirando o protagonista viram figurantes de uma maneira tão fácil, que até mesmo o prédio imenso tecnológico acaba tendo mais vida que os vilões, o dono do prédio ou até mesmo a família do protagonista, e isso soa estranho, e por incrível que pareça agrada, pois certamente muitos se tivessem mais dramaticidade acabariam atrapalhando, afinal a história que é de Rawson também, é fraquíssima de conteúdo, ou seja, com certeza os produtores viram potencial em colocar múltiplas explosões, cenas de dar vertigem e tirar o fôlego com a tecnologia 3D, um atrativo gigante de colocar o gigantesco ator para cativar a trama e chamar público, e podaram qualquer tentativa de termos grandes essências na trama, e sendo assim, o resultado/motivo dos vilões acaba soando bobo/fraco demais, a família acaba tendo uma essência, mas não chama a atenção, os policiais ficam duvidosos de quem é o vilão, mas também tem dúvidas de quem são eles, e assim com tantas incógnitas, o que fazemos? Comemos pipoca e nos divertimos com as paias, pulos e cenas de ação, e nada mais.

Como acabei de falar, a maioria dos personagens pode ser considerada como figurantes com falas, então temos um filme que quem merece ser falado é claro Dwayne The Rock Johnson, que aqui além de seus músculos, ainda usa uma perna postiça como elemento surpresa, arma, gancho e tudo mais que puder para dar desenvoltura para seu Will, e felizmente ele não fez gracejos em suas cenas, deixando a ação tomar conta e fazendo o filme fluir com impacto e grandes firulas de força, ou seja, um filme aonde ele sabia que seu protagonismo faria diferença e chamou a responsabilidade, agradando na medida (e até exagerando um pouco para fora do eixo!). Dentre os demais, tivemos algumas boas cenas com Chin Han como o Zhao, o dono do predião, alguns leves momentos família com a volta de Neve Campbell para as telonas após "Pânico 4" com agora sua Sarah cheia de truques, e até uns trejeitos impactantes com o vilão Rolland Møller com seu Bhota, mas nada que realmente impressionasse. Mas certamente a maior decepção ficou por conta de Pablo Schreiber com seu Ben completamente falso, e que foi utilizado tão pouco que nem sequer poderemos reclamar muito da sua falta de desenvoltura.

Agora, se temos um momento em que podemos aplaudir a criatividade dos artistas de produção é em filmes desse estilo, pois a estrutura visual do prédio, com todo um design incrível pelo exterior, uma floresta incrível no interior, apartamentos cheios de detalhes, e uma cobertura que é de cair o queixo (e pensar exatamente como o protagonista num misto de medo e surpresa com o que vê - nem consigo me imaginar num lugar daquele!!), mas que com tantos efeitos acabou nos momentos de fogo ao final ficando exageradas demais, e até tendo uma colorização estranha na telona, que infelizmente chega a atrapalhar a tecnologia 3D, mas nem sempre dá para acertar tudo. E falando em detalhes, os exageros do lado de fora do prédio foram demais, com a grua para o protagonista pular parecendo quase um Transformer, todos assistindo o prédio em chamas do lado dele como se fosse um reality aonde ninguém se machucaria, a polícia parecendo expectadores e bonequinhos ornados, ou seja, poderiam ter caprichado um pouco mais. Como disse o filme tem um exagero predominante nos efeitos visuais, e isso acabou trazendo duas cores fortes demais para a fotografia, o vermelho e o azul, que sobressaíram tanto que teve diversos momentos que os personagens ficaram vermelhos e os objetos cênicos pareciam azuis demais, e isso é um defeito técnico muito grande, que acabou não só deixando o longa estranho, como também atrapalhou o efeito 3D que o longa poderia ter melhor, afinal essas duas cores contrastam com a profundidade, e assim sendo, não causa como poderia. E já que estou falando tanto do 3D, achava que teriam bem menos cenas usando a tecnologia, mas o longa possui tantos momentos de pulo, que o diretor foi muito esperto em usar direto uma câmera vindo de cima dos personagens, o que acaba causando muita vertigem em profundidade, e com diversas fagulhas de chamas, o resultado acaba agradando bastante. Claro que volto a frisar, o efeito só funciona realmente nessas cenas, e na maravilhosa cena do "paraíso", então não conte que os óculos serão necessários na maior parte do filme.

Enfim, esperava realmente um filme bem pior, mas como fui preparado para ver algo completamente paia, o resultado entregue acabou se superando, e com isso, mesmo com diversos erros técnicos, que só quem for mais experiente e reclamão acabará notando, certamente é um filme que vale comprar uma pipoca e conferir se divertindo, ou em casa numa boa tarde de domingo. Então essa acaba sendo minha recomendação, vá sem muitas pretensões, que The Rock irá lhe satisfazer com muita ação. Bem é isso pessoal, encerro aqui essa semana bem curta de estreias, mas volto na próxima quinta, com o que parece uma semana com mais quantidade, então abraços e até lá.

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Hotel Transilvânia 3 - Férias Monstruosas em 3D (Hotel Transylvania 3: Summer Vacation)

7/13/2018 01:13:00 AM |

Alguns filmes simples conseguem ter grandes feitos na telona, e principalmente conseguem divertir adultos e crianças. Digo isso facilmente de "Hotel Transilvânia 3 - Férias Monstruosas", pois mantendo-se fiel à essência colorida dos dois primeiros filmes, e adicionando boas piadas e conexões com o universo dos monstros que ainda não haviam utilizado, os criadores conseguiram montar uma trama bem divertida e gostosa de conferir agora saindo de perto do hotel original, e embarcando num grande hotel flutuante. A grande sacada foi usar um enredo bem mais enxuto, aonde muitas vezes até fica parecendo um especial de férias de uma animação, mas sabendo conectar bem as situações que fizessem o longa ser original e não repetitivo na ideia, pois com certeza teríamos muitas reclamações. Então logo de cara o filme volta muitos anos para mostrar as diversas brigas de Drácula com Van Helsing, para daí termos a noção do ódio do bisavô da capitã Érica pelo nosso querido vampiro, e a partir daí temos todas as diversas divertidas situações que ocorrem quando uma paixonite aguda aparece, ou seja, boas situações, boas sacadas, mas tudo colocado da forma mais simples para não ficar nem pesado para as crianças, nem bobo demais para os adultos, ou seja, simples e efetivo. O único aquém, é que assim como os dois longas anteriores, o 3D é praticamente nulo, então quem quiser ver na versão normal não irá perder nada demais.

A sinopse nos conta que Mavis acha que o pai, Drac, está muito estressado e que precisa tirar férias. Os dois e a família vão para um cruzeiro de monstros. A princípio, Drac não gosta nada da ideia de ficar longe do seu querido hotel, mas tudo muda ao se apaixonar pela comandante Erica. No entanto, Erica é descendente do caçador de vampiros Van Helsing e Drac e companhia ficam em perigo.

Se existe algo que valorizo é um diretor ser mantido para uma franquia completa, pois quando iniciou lá em 2012, o russo Genndy Tartakovsky só era conhecido pelos seus bons trabalhos em animações televisivas, e o acerto com o filme monstruoso foi tão bem colocado pela boa modelagem de personagens, pelas piadas bem colocadas, e tudo mais, que o sucesso foi também monstruoso e mal acabou de ser lançado e já se falavam em uma continuação, a qual embora tenha trazido novos desafios, foi um pouco repetitiva demais, e agora ele deu novos rumos, personagens novos, um design bem interessante, e claro uma boa ação mantendo claro as boas piadas, o colorido chamativo para todos os lados, mas ainda continuou pecando no 3D (o que é apenas um detalhe). E sendo assim, é notável o público rindo das diversas situações, as crianças conectadas com os personagens, e claro muitos produtos do filme sendo vendidos, afinal com tantas cores, a trama se torna um sucesso de vendas também. Porém como disse no começo, uma das falhas da produção se deve à falta de um pouco mais de versatilidade na história, pois a trama acabou parecendo mais um especial de fim de ano (ou de férias) que seria utilizado na TV em alguns capítulos, principalmente no começo, mas ainda assim é algo que passa despercebido com o andar da trama, e o resultado final agrada com a grande inserção de grandes músicas.

Sobre os personagens, e claro a dublagem, diria que poderiam ter brincado mais com o cão Pipi que ficou famoso no curta do ano passado, pois como bem sabemos com seu tamanho, o desastre seria bem bacana de se divertir, mas tivemos bons momentos com a família de lobos (tendo a sacada de pais que não conseguem fazer mais nada depois do nascimento dos filhos), com o carisma da gosma agora com seu filhinho, claro dos protagonistas também com seu filho (acho que é o filme dos filhos aliás!!), e sem dúvidas os dois protagonistas Drácula que já conhecemos bem fazendo seus grandes trejeitos, e a capitã Érica foi de grande movimentação e boa interação para com seus atos. A modelagem como sempre deu um show (ainda acho que o segundo teve bem mais texturas que esse, mas ainda continuou bem bacana!), e a dublagem nacional é claro que criou muitas piadas atuais nas frases, ainda que para isso exagerasse um pouco, mas o importante é divertir, porém acredito que quem puder conferir legendado ouvindo Adam Sandler e sua turma é capaz de ver um filme completamente diferente.

O visual do longa é bem cheio de detalhes, com um cruzeiro completo passeando por pontos turísticos inusitados (e que lembram bem alguns lugares bizarros que costumam ir em cruzeiros reais) como um vulcão subaquático, uma ilha deserta, e claro o ponto máximo a famosa cidade submersa de Atlântida, cheia de maravilhas, ou seja, tudo muito divertido e bem colocado para chamar a atenção no mix com os personagens. Ou seja, a trama tem muitas camadas, e poderiam ter brincado muito mais com o 3D, pois tudo seria mais realçado e jogado para fora da tela caso quisessem, mas como destaque da tecnologia deixo apenas a cena do cachorrinho lambendo e babando na porta do navio, do resto quem conferir em 2D não irá perder nada.

Claro que uma boa animação tem de contar com ótimas músicas para compor todo o ambiente que deixo o link para ouvirem, e aqui além das grandes escolhas musicais contou também com um grande setlist do DJ Tiesto, que você pode conferir nesse link após conferir o longa, e também deixo a trilha assinada por ele com seu nome completo Mark Mothersbaugh, que fica o link aqui, ou seja, pacote completo de boas músicas.

Enfim, não é um filme com muito apelo motivacional, aonde mensagens subliminares irão dominar, mas é o famoso pacote família aonde todos vão ao cinema e se divertem, coisas que costumamos gostar de conferir sem muita pretensão, ou seja, vá ao cinema, compre uma boa pipoca e relaxe rindo das bobeiras mostradas na tela, pois é essa a ideia principal da trama. Bem, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a outra estreia da semana, então abraços e até breve.

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Ella e John (The Leisure Seeker)

7/07/2018 10:35:00 PM |

É engraçado como pensamos na famosa "melhor" idade, como alguns dizem, ou terceira idade como outros, e ainda imaginar se teremos alguém para desfrutar disso até o último suspiro, mas principalmente a ideia que temos de ter é se vamos viver bem todos esses momentos, e qual a forma mais agradável de curtir suas memórias (quando a doença ainda não levou todas embora). Pois bem, como vocês podem ver, o ponto principal que "Ella e John" nos transmite é um emaranhado de reflexões, pois a trama é muito linda em sua essência e consegue com muita leveza, transmitir um ótimo road-movie aonde vemos um casal de velhinhos fazendo mais uma de suas viagens de férias, agora em fuga dos filhos e dos médicos para viver seus momentos juntos nem que seja pela última vez na estrada. O longa é simples, a ideia não é tão original (aliás o diretor praticamente refaz seu último filme, apenas mudando de duas mulheres de um sanatório, para dois velhinhos), mas a beleza dos cenários, as ótimas pausas nos diálogos e a brilhante dupla de protagonistas consegue fazer com que o nosso dia seja bem melhor após conferir a delícia que foi a entrega dessa história para nós, mesmo que com diversos clichês.

O longa nos situa em Detroit, EUA, em 2016. John e Ella Spencer, hoje na terceira idade, apoiados em seu vínculo de amor e na história que compartilham, decidem fazer uma última viagem no velho “Caçador de Lazer”, o trailer com o qual, nos anos 70, viajavam nas férias dos filhos. A ação é para escaparem da cerrada vigilância dos devotados filhos que lhes impõem os cuidados médicos e assistência. E, em liberdade pela icônica Rota 66 em direção à Califórnia, vivenciam que ainda riem, brigam, se confortam, se ressentem, são ternos, carinhosos e ciumentos, além de poderem, ainda, fazerem revelações surpreendentes. Uma viagem e tanto no vínculo do amor.

Falei no começo que o diretor Paolo Virzi refez seu longa anterior, "Loucas de Alegria", mudando os personagens apenas, mas revendo minha crítica lembrei dos diversos problemas que o filme teve, e que aqui ele conseguiu sanar com muita simplicidade e segurança, pois se lá a trama se confundia entre comédia dramática ou drama cômico, deixando diversas brechas abertas, aqui ele se concentrou no foco de simplicidade e seguiu com algo mais calmo, gostoso e que vai conquistando o público do começo ao fim com as revelações singelas do casal, a busca de cada um para o melhor entre eles, e que com muita desenvoltura, mesmo já imaginando como o longa acabaria, ainda vamos nos preparando e se agraciando com cada momento. Diria que só não foi mais eficaz por ter diversos momentos soltos e parecidos (não sei se todos os campings são iguais, mas aqui pareciam estar sempre nos mesmos locais), mas no conceito a trama foi entregue com minúcias e agrada demais pelo estilo e pela forma de tratamento que o tema acabou sendo desenvolvido, ainda que tivessem a necessidade de colocar certos clichês para convencer.

Sobre as atuações, a escolha dos protagonistas não poderia ser melhor com dois monstros que sabem pontuar suas interpretações com minúcias tão convincentes que não temos como reclamar de nada. Para começar nossa eterna rainha Helen Mirren vem com uma personalidade tão bem colocada para sua Ella, cuidando de seu marido que possui uma das doenças mais incômodas atualmente e ainda entregando trejeitos alegres, certeiros e com muito impacto em cada frase, fazendo com que a trama se firme em suas bases e se desenvolva bem ao seu redor, sem fazer gracejos, nem soando falsa para com a personagem, ou seja, mais um grande show seu. Da mesma forma Donald Sutherland foi singelo na forma entregue de seu John, e chega a nos emocionar com sua disposição e claro com seus atos bem colocados na medida do possível com a idade, ou seja, um ar sutil muito bem colocado que até chega a ser calmo demais, mas que acaba sendo muito bonito de ver. O filme basicamente passeia e permite a entrada de atendentes de restaurantes, vizinhos de trailer, entre outros que acabam conversando bastante com os protagonistas, soando bem como figurantes, e até mesmo os filhos do casal aparece bem pouco, mas claro que por possuírem uma conexão afetiva dentro da história, temos de destacar a atuação de Christian Mckay e Janel Moloney como Will e Jane respectivamente por sua preocupação e emoção para com os pais.

Claro que no conceito cênico temos de pontuar o motorhome do casal que leva o nome do filme Leisure Seeker (ou Caça-Lazer como foi traduzido na legenda) que é completamente cheio de detalhes, está velhinho como a dupla, e possui diversos elementos preparados para tudo o que vai ocorrer na trama, sendo incrível realmente, mas como todo bom road-movie, as grandes sacadas ficam por conta das ótimas paradas, em restaurantes, hotéis, campings, até chegar na casa do escritor que infelizmente não é mais o paraíso filosófico como imaginavam, ou seja, muitas reviravoltas e boas paradas que a equipe de arte teve de transpor do livro original para que ficasse bem colocado. Com sombras secas, a fotografia da trama ousa em não soar bonita demais, e também não muito dramática, e o acerto é muito bem feito.

Enfim, um longa doce, bonito e gostoso de assistir, mas que também trabalha bem a dramaticidade da doença, e que consegue emocionar com sutilezas. Diria que poderia ter sido até mais ousado caso quisessem, e não necessitar de artifícios já usuais de outros longas para que ficasse mais original, mas ainda assim com toda certeza é um longa que recomendo demais. Bem é isso pessoal, fico por aqui encerrando essa semana que foi bem curta, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até lá.

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Homem-Formiga e a Vespa em Imax 3D (Ant-Man And The Wasp)

7/07/2018 01:51:00 AM |

Se em 2015 fomos apresentados ao Homem-Formiga com um longa com comicidade na medida, uma introdução cautelosa e grandes sacadas para um estilo diferenciado que a poderosa Marvel ousava trabalhar, colocando termos complicados da Física para o meio dos quadrinhos e brincando com cenas ousadas de ação, e acabou dando certo para que todos conhecessem o personagem de uma maneira gostosa e divertida, os produtores acabaram achando que poderiam abusar desse estilo e fazer uma comédia sem limites para resolver todos os problemas do primeiro filme e ainda introduzir aonde o personagem se enquadrou no meio de toda a Guerra Infinita que estava rolando em Wakanda. Pois bem, não digo que "Homem-Formiga e a Vespa" seja um filme ruim, pois diverte bem, possui boas cenas de ação, tem um 3D bem satisfatório e interessantíssimo de acompanhar, mas ao invés de um longa de heróis mesmo com uma boa aventura para ser contada, acabou ficando quase uma comédia sem limites de sessão da tarde daquelas que tudo é forçado para fazer rir, ou seja, o filme praticamente estaciona para todas as sessões de caras engraçadas de Paul Rudd e para os momentos de stand-up de Michal Peña (e olha que havia adorado seu tino cômico no primeiro filme). Ou seja, volto a frisar que me diverti bastante com o que vi, porém, a Marvel vem de longas que andaram derrubando nossos queixos no chão com "Pantera Negra" e "Guerra Infinita", que a exigência tem ficado cada vez maior, então voltar para trás com algo apenas ok, é algo que vamos reclamar com certeza, e principalmente, poderiam ter feito muito mais para que o longa tivesse uma desenvoltura maior.

A sinopse nos conta que após ter ajudado o Capitão América na batalha contra o Homem de Ferro na Alemanha, Scott Lang é condenado a dois anos de prisão domiciliar, por ter quebrado o Tratado de Sokovia. Diante desta situação, ele foi obrigado a se aposentar temporariamente do posto de super-herói. Restando apenas três dias para o término deste prazo, ele tem um estranho sonho com Janet Van Dyne, que desapareceu 30 anos atrás ao entrar no mundo quântico em um ato de heroísmo. Ao procurar o dr. Hank Pym e sua filha Hope em busca de explicações, Scott é rapidamente cooptado pela dupla para que possa ajudá-los em sua nova missão: construir um túnel quântico, com o objetivo de resgatar Janet de seu limbo.

Basicamente ao lançar seu filme em 2015, muitos questionaram o diretor Peyton Reed de não ter falado muito sobre os primeiros Homem-Formiga e claro sobre a Vespa que iniciaram Os Vingadores originais dos quadrinhos bem lá longe, vividos por Hank Pym e sua esposa Janet Van Dyne, e claro que se abriu diversas discussões, então eis que logo em seguida do sucesso do primeiro filme, já se foi encomendado um segundo aonde pudessem suprir tudo isso, pensando principalmente na não necessidade de voltar para trás, mas explicar tudo bonitinho dentro do Universo Marvel completo e dando estrutura para tudo o que anda rolando, ou seja, um filme pronto, mas como criar tudo e ainda manter a essência divertida do personagem? Certamente esse deveria ter sido o questionamento dos roteiristas, pois conseguiram colocar tudo dentro de uma margem aceitável, fizeram boas conexões, mas volto a frisar algo que já falei outras vezes, que trabalhar uma essência divertida não é fazer uma comédia escrachada, e infelizmente aqui abusaram demais, de modo que nos momentos que o filme para com piadelas jogadas, temos grandes cenas, visuais impressionantes do mundo quântico, cenas com muita ação e o filme se desenrola, mas logo em seguida eis que voltam com o gancho cômico e o longa fica bobo novamente. Claro que muitos vão amar o longa, pois o diretor tem essa capacidade de entregar um dos filmes mais fáceis da Marvel, sendo recomendado principalmente para os mais jovens, ou seja, encaixado no arco das férias escolares, mas quem exigir só um pouquinho a mais, sairá decepcionado com a falta de atitude do longa.

Sobre as atuações continuo achando Paul Rudd um ator que não era a melhor opção para o personagem, mas que caiu bem, e aqui ele deu belas jogadas interpretativas para seus momentos solo, conseguiu chamar a atenção quando precisou, e quando incorporou trejeitos nas cenas próximas ao fim acabou divertindo demais, e mesmo que pudesse fazer algo menos bobo para se aparecer menos e sim protagonizar mais, ele ainda conseguiria chamar a atenção pelo bom texto colocado para ele (será que o motivo é dele ser o roteirista do longa também, pois a maioria dos personagens teve um texto bem ruim para desenvolver!). Evangeline Lilly teve um protagonismo bem maior agora com sua Hope/Vespa e foi muito sagaz nas cenas de ação/luta, trabalhando sempre os olhares para que não ficassem jogados, de modo que o acerto foi bem colocado, mas ainda poderia ter sido mais acertada caso seu texto fosse melhor trabalhado. Michael Douglas é um ator talentoso, disso não temos dúvidas, e aqui seu Hank foi mais impactante, e embora não tivesse um texto melhor para mostrar suas habilidades interpretativas, o experiente ator conseguiu chamar bastante atenção nas cenas finais, e agradou bastante. Hannah John-Kamen conseguiu entregar muita personalidade e "um pouco" de ódio em sua Fantasma/Ava e com isso até se um dia desejarem podem fazer um longa solo da jovem mostrando suas atitudes para com a S.H.I.E.L.D no passado como é mostrado rapidamente em um flashback, mas sua única real cena de vilania é tão rapidamente cortada no texto para deixar um ar mais família, que classificaria ela mais como uma personagem que briga com os protagonistas e só, faltando realmente alguém para ser um vilão com sede de vingança na trama. Volto a frisar que gostei muito de Michael Peña no primeiro longa com seu Luis, mas aqui o jovem ator voltou à sua origem cômica forçada e desesperada que raspa a trave de não ser abusiva, e com isso rimos com certeza do que faz, mas não precisaria ser tão repetitivo. Michelle Pfeiffer dispensa apresentações, e se lhe derem duas linhas de texto para entregar, irá fazer com muito primor, de modo que sua Janet aparece em cenas mais espalhadas pelo longa e consegue o feito de em todas chamar muita atenção, ou seja, terão de ter cuidado nos próximos longas para ela não roubar o filme dos demais protagonistas. Dentre os demais, todos fazem cenas bem rápidas e acabam aparecendo mais por exageros do roteiro como Randall Park com seu Agente Woo que beira o pastelão policial em suas cenas, e Laurence Fishburne como um ex-cientista parceiro de Hank que até tenta mostrar um pouco suas ambições, mas não decola como poderia ou como o ator saberia fazer. Quanto aos demais, piadas prontas.

Agora sem dúvida alguma um grande feito da trama recaiu sobre a equipe visual, pois souberam brincar muito com tamanhos, aparecendo hora personagens e elementos cênicos gigantes, outrora elementos minúsculos tão bem detalhados que agradam como se fosse uma animação com brinquedos realmente, destaque claro para os carrinhos de Hot Wheels, e para as formigas bem dinâmicas, além claro para o conceito visual empregado para criar o mundo quântico com moléculas voando, monstros estranhos e muitos efeitos estroboscópicos, e também para a concepção do maravilhoso laboratório do cientista. E falando em efeitos é claro que entramos para falar do 3D do filme, que felizmente se faz por valer pagar mais caro nas salas dos cinemas, afinal temos muita profundidade, bons elementos voando para fora da tela (principalmente nas cenas do mundo quântico), boas jogadas de sombras com as lutas entre os protagonistas e a vilã com os insetos saindo da tela e a fantasma piscando e aparecendo por todos os lados, ou seja, não posso dizer que foi algo sensacional nesse quesito, mas ao menos não desaponta quem for com os óculos escuros para a sessão.

Enfim, é um filme que até diverte e serve para passar algumas horas no cinema, mas dentre tudo o que a Marvel já nos entregou é certamente um dos mais fracos que já apareceram com temáticas de heróis. Ou seja, se você gosta de filmes aonde tudo vire piada, pipoca do mais alto hype, esse certamente será um filme que lhe divertirá e você sairá muito satisfeito do cinema, mas se preferir obras que entreguem um pouco mais de história, mesmo que envolva ficção completamente maluca (e olha que aqui poderiam ter brincado horrores com Física Quântica, realidades paralelas e tudo mais) lhe garanto que vai sair bem decepcionado. Como a trama ao menos me divertiu um pouco não darei uma nota tão ruim para o filme, mas confesso que esperava muito mais dele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com a outra estreia da semana aqui no interior, então abraços e até logo mais.

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Sexy Por Acidente (I Feel Pretty)

6/30/2018 10:59:00 PM |

As comédias motivacionais andavam meio sumidas dos cinemas, pois não conseguiam atingir o ápice de passar a mensagem e também divertir, mas como é de costume, sempre tem algum diretor que resolve ressurgir um gênero para ver se funciona. "Sexy Por Acidente" se encaixa bem nesse estilo, e até tenta florear vértices bem colocados para emocionar e divertir no mesmo tom, mas assim como aconteceu com outros do estilo, o longa acaba soando bonitinho, passa a sua mensagem, mas não diverte nem comove como poderia, e o resultado fica no meio do caminho. Claro que aqui felizmente o longa não destoou tanto e acaba sendo até levemente divertido na sua primeira metade, mas ao virar para o ponto motivacional, aonde a lição de moral acaba predominando, o filme acaba ficando exagerado demais e cheio de clichês forçados, e com isso o resultado raspa a trave de ficar desagradável. Ou seja, a trama funciona dentro do que se propõe, mas poderia ter sido mais original e não tanto forçada.

O longa nos conta que Renee convive diariamente com insegurança e baixa autoestima por conta de suas formas físicas. Depois de cair e bater a cabeça numa aula de spinning, ela volta a si acreditando ter o corpo que sempre sonhou e assim começa uma nova vida cheia de confiança e sem medo de seguir seus desejos.

Após anos de parceria de sucesso escrevendo comédias românticas, a dupla Abby Kohn e Marc Silverstein, resolveu dirigir seu primeiro filme, e aí é que entra um dos grandes problemas do longa, pois sim suas histórias sempre foram boas, e aqui também é bem escrita, mas falta atitude de direção, estilo de corte e tudo mais que um diretor mais experiente conseguiria trazer para que a trama não ficasse solta, pois é nítido um filme até a metade, uma virada brusca, e um fechamento entregue jogado, fazendo com que o resultado final fosse entregue, mas sem uma coesão de momentos. Claro também que o longa foi completamente dependente da protagonista nas mais diversas situações que acabou aprontando, e embora Amy tenha uma boa desenvoltura, um filme depender totalmente de suas atitudes é forçar a barra.

Já que comecei a falar da atuação de Amy Schumer, temos de pontuar que a jovem mandou bem nos trejeitos, e certamente se alguém der algumas cochiladas no filme sairá da sessão falando que a garota ficou maluca, que é o que acaba parecendo, mas sua Renee foi bem trabalhada, e talvez se o filme não dependesse 100% dela, teria sido uma de suas melhores interpretações da carreira. Michelle Williams está irreconhecível com sua Avery, fazendo um papel que nunca sequer imaginaria para ela, de tal forma que incomoda a voz, incomoda os trejeitos, e nem em sonho a atriz acho que fez um papel tão ruim e desconexo. Tom Hopper é o tradicional galã que precisa ser colocado em filmes desse estilo, e seu Grant até teve alguns momentos para chamar a atenção com algum texto desenvolvido, mas só foi enfeite mesmo. Já Rory Scovel fez de seu Ethan um personagem digamos estranho, pois até a protagonista desconfiou de seu estilo, ficando algo um pouco fora de contexto, mas foi bem bacana nas cenas finais. Embora as amigas tenham boas participações, acabaram ficando meio que desconectadas e forçadas de expressões, então melhor nem dar destaque para elas.

No conceito cênico a trama ficou bem desenvolvida com uma grife de maquiagem chique, mas fez uma dura crítica social, mostrando algo que acontece muito enquanto as pessoas estão vendo o glamour em prédios enormes, decorações ridículas e absurdas, o pessoal que realmente trabalha está num cantinho escuro, cheio de fios e sofrendo para trabalhar, e só isso já fez valer toda a cenografia do longa, mas ainda tivemos alguns outros bons elementos divertidos para conectar cada momento seja no avião riquíssimo, na academia milagrosa, ou até mesmo nono bar aonde a politicagem faz ganhar alguém da casa um prêmio, e por aí vai, ou seja, tudo bem feitinho e simples. A fotografia ficou um tom abaixo do que deveria, pois raspou a trave de cair para o lado dramático e certamente não era isso que a equipe desejava, e se talvez melhorassem o colorido o longa seria mais divertido.

Enfim, é um filme que diverte com muitas ressalvas, mas que também passa bem longe de ser algo ruim que não valha ser visto, pois consegue passar sua mensagem mesmo em meio a muitas falhas. Como disse a história em si é boa e talvez nas mãos de um diretor de maior impacto não cairia toda a responsabilidade na atuação da protagonista, e assim o longa seria perfeito, mas como não dá para refazer, quem quiser se divertir sem se preocupar muito é uma boa pedida. Bem é isso pessoal, encerro aqui bem cedo essa semana cinematográfica, mas agora nas férias de Julho é assim mesmo, com duas ou no máximo três estreias por semana, então abraços e até breve.

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Além do Homem

6/30/2018 02:48:00 AM |

Existem absurdos que são aceitáveis e que valem ser conferidos pelas abstrações entregues, mas existem alguns filmes que vão tão fundo em hipóteses malucas que não conseguem atingir nada de real, e saímos da sessão sem nem saber se realmente entendemos alguma coisa que foi mostrada na telona. E esse sentimento é o que sinto após ver "Além do Homem", uma mistura tão bagunçada de ideias, que só vale mesmo pela bela cenografia e fotografia, pois o contexto é estranho, a história é maluca, e a direção é completamente sem nexo, deixando o filme sem rumo, indo para vértices incomuns que sequer poderíamos imaginar, e sendo assim não tenho como recomendar de forma alguma o que acabei de ver.

A sinopse nos conta que Alberto Luppo é um escritor brasileiro que mora em Paris há anos e desde então renega suas raízes tropicais. Quando um famoso antropólogo francês desaparece na cidade de Milho Verde, Minas Gerais, ele volta para sua terra natal e inicia uma investigação para descobrir o paradeiro do velho amigo. No entanto, durante a viagem, ele se encanta pela cultura brasileira, assim como suas terras e sua gente, algo até então impossível para ele.

Em sua estreia na direção de longas de ficção, Willy Biondani abusou do experimentalismo para que seu filme floreasse de uma maneira bem mística sobre o que é felicidade no interior do interior, unindo folclore com loucura, bebidas, calor, sexo e tudo mais, de forma que acabamos envolvidos em uma viagem tão doida que quem não ler a sinopse com toda sinceridade do mundo não saberá o que ele desejava nos mostrar, e isso é muito ruim, pois costumo dizer que um filme tem de contar sua história sem necessitar de apoios, e aqui confesso que antes de pegar a sinopse para colocar aqui no site sequer imaginava essa vertente, e por incrível que pareça, ela faz sentido, mas sem ela estava pronto para vir falar aqui que assisti ao filme mais maluco da face da Terra, sem sentido algum. Ou seja, ainda vou me ater ao fato de o filme ser estranho, e mesmo tendo essa ideia de tentar mostrar a felicidade brasileira nos pequenos detalhes malucos no meio do sertão mineiro, o resultado acaba não sendo agradável.

Sobre as atuações, podemos dizer que Sérgio Guizé nos entregou um Alberto com um bom misto de expressões fortes que vão sendo intercaladas entre prazer e loucura com uma gama boa de olhares e trejeitos que acabam nos deixando confusos do seu sentimento para com tudo, mas de certa forma ele fez um personagem bem interessante. Otávio Augusto sempre costuma entregar bons personagens, e aqui acabou ficando bem misterioso, maluco e até bem colocado na trama, agradando com expressões difusas. Fabrício Boliveira conseguiu ser diferenciado na ideia de um guia para o desconhecido com seu Tião, mas em alguns momentos soou exageradamente forçado e poderia ter sido mais contido. Débora Nascimento só serviu como um personagem sensual com sua Bethânea, e acabou até tendo um certo misticismo em cima de seus momentos, mas não chega a lugar algum, e isso acaba soando mais estranho do que bem feito. Dentre os demais vale apenas um leve destaque para Flávia Garrafa com sua Rosalinda pela boa comicidade, mas de resto, os franceses da produção só serviram de enfeite mesmo para valorizar o longa para não ser apenas falado em português.

Agora sem dúvida a nota que darei para o longa se vale pelo trabalho da equipe de arte que ao colocar a beleza do sertão misturada entre boas locações e muitos elementos cênicos bem desenvolvidos para retratar cada momento, acabou conseguindo ao menos transparecer bem as abstrações que desejavam mostrar, e ainda tentar situar o público de tudo o que acontece, pois se fizessem isso em algum lugar utópico sem referências teríamos aí sim um longa 100% maluco. As cenas na França também foram bem colocadas e acabaram funcionando dentro da proposta, mas nada que impressione muito. Com uma fotografia cheia de velas, sombras e detalhes para criar uma tensão sempre iminente no ar, o resultado técnico acaba mostrando um certo primor para fazer o filme, e quem sabe com uma ideia mais coesa, e melhor desenvolvida teríamos um longa incrível.

Enfim, é um filme estranho que leva nada a lugar nenhum, e que sabendo da história pela sinopse acaba sendo um pouco melhor de acompanhar, mas ainda assim o resultado acaba incomodando pela essência, e sendo muito ruim de acompanhar, não valendo gastar 94 minutos de sua vida conferindo ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda falta conferir mais uma estreia da semana, então abraços e até logo mais.

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Os Incríveis 2 em 3D (Incredibles 2)

6/29/2018 01:34:00 AM |

Eis que passaram 14 anos para vermos finalmente a continuação de "Os Incríveis", que praticamente fez o mundo das animações explodir para uma nova era, e todos estavam desesperados para saber quando viria o próximo, que rumos tomaria, se ainda seria uma grande aventura, e agora podemos falar que finalmente chegou "Os Incríveis 2", e felizmente supera as expectativas com muita aventura (alguns momentos calmos, mas não atrapalha), boas dinâmicas, um personagem mais do que cativante e incrível (o bebê Zezé!), um conceito de vilania com grandiosos motivos (bem explicado!) e principalmente para quem gosta, um 3D bem considerado nas cenas que possuem efeito (poderia ser bem mais se quisessem!). Ou seja, um filme completo que diverte bastante, que possui um formato bem desenvolvido dentro da trama proposta (da liberação da lei anti-heróis), que seguiu exatamente de onde parou, e que claro deixa rumos para mais uma continuação, e assim sendo, o resultado funciona bem, já está lotando as sessões de adultos curiosos (afinal quem era criança em 2004 hoje já está bem adulto) e que mesmo os pequenos vão conseguir curtir dentro da proposta um pouco mais séria (mas temos o bebê para infantilizar e divertir com cenas bobas incríveis!). Ou seja, vá ao cinema e se divirta!!

A sinopse nos conta que quando Helena Pêra é chamada para voltar a lutar contra o crime como a super-heroína Mulher-Elástica, cabe ao seu marido, Roberto, a tarefa de cuidar das crianças, especialmente o bebê Zezé. O que ele não esperava era que o caçula da família também tivesse superpoderes, que surgem sem qualquer controle.

Não tendo dado muito certo como diretor de filmes com humanos ("Tomorrowland" que embora eu goste, a maioria detesta, além de ter sido uma das piores bilheterias da Disney), eis que Brad Bird volta a direção com sua maior franquia, e claro que ele dosou estilos, colocou dinâmicas bem pontuadas, trabalhou expressões de personagens, de tal maneira que mesmo sendo uma animação, os traços são quase humanos nos trejeitos, e claro que fez cortes mais rápidos e precisos para oscilar entre a profissão da Mulher-Elástico com as tarefas domésticas de Roberto, numa interessante e atual amostragem de como andam as coisas no mundo moderno, aonde cada vez mais mulheres vão para o trabalho enquanto alguns homens assumem a casa. Além disso, soube ser saudoso na personalidade de Will com sua grande adoração pelos heróis, cantando todas as musiquinhas, e até brilhando seu olhar. Ou seja, além de uma história bem criada por Bird, ele soube captar a essência que o público desejava ver na telona, e embora a temática toda seja bem adulta (afinal ele sabe bem que mesmo sendo uma animação, aonde o público geral são crianças, aqui a maioria vai ser de marmanjos que viram em 2004 e tanto queriam ver a continuação), ele também criou muitos elos para que o filme funcionasse também para os pequenos, e assim sendo o resultado acaba agradando bem a todos.

Quanto dos personagens, já era esperado que o bebê Zezé fosse o destaque da produção, e temos muitas cenas com o pequenino fazendo gracejos, usando e abusando dos seus poderes, mas sem dúvida alguma, seu maior poder é a fofura e o carisma, pois não tem quem não saia apaixonado por ele do cinema, e sua melhor cena sem dúvida é a junto com Edna. Além disso, se o primeiro filme já houve um primor técnico, aqui os formatos foram incríveis, com todos tendo massas corporais bem colocadas e muita desenvoltura em detalhes, embora pudessem ainda melhorar bem mais, mas com isso, toda a família foi bem interessante com destaque para a barba malfeita de Roberto, suas olheiras, e detalhes musculares, ou seja, algo bem bacana de ver. Além da família surgiram muitos outros heróis estranhos, com poderes estranhos, e foram todos bem colocados, com alguns até tendo mais chance que outros de aparecer, e usando da dublagem nacional que abrasileirou muitas piadas, a diversão foi ouvir de Esguicho (dublado por Raul Gil) seu tradicional bordão, ou seja, teremos de ver a versão legendada para observar as piadas como ficaram. Gelado dessa vez teve uma participação bem maior do que no primeiro filme e agradou bastante em seus momentos também. A Mulher-Elástica teve um belo destaque no longa como protagonista maior, afinal o feminismo anda bem em pauta, e suas discussões com Evelyn renderão boas dinâmicas no mundo real. E falando em Evelyn, a personagem dublada por Flávia Alessandra teve uma ótima entonação bem maluca para o formato visual da personagem, que junto de seu marido na vida real, Otaviano Costa, mas aqui irmão na produção com seu Will o resultado foi bem interessante de ver. Também poderiam ter usado mais o personagem Ricardo, que aqui ficou muito cara e estilo do MIB, apagando a memória da geral.

O contexto visual da trama foi muito bem elaborado, com prédios tecnológicos, mansões cheias de detalhes, personagens com muitos movimentos com objetos cênicos espalhados para todo lado, e claro um navio incrível, além de tudo mais que a equipe preparou para surpreender a todos com muito envolvimento. Só poderiam ter trabalhado um pouco mais de texturas, afinal a Pixar sabe fazer isso com um primor técnico que poucos sabem, mas ficou bacana de ver. Quanto do 3D, logo antes de começar o filme é avisado que o longa contém cenas que podem causar danos às pessoas com epilepsia e em alguns lugares causou convulsões, e vos digo, é verdade, tem muitas cenas piscantes com luzes e cores fortes, que não me fez vomitar, mas me deu uma bela dor de cabeça de tão forte, mas ainda assim poderiam ter abusado mais de elementos saindo da tela, pois a galera mais fã desse estilo vai reclamar.

Enfim, não diria que ainda é melhor que o primeiro longa, mas com certeza é o filme que tanto queríamos ver, e que agrada por mesmo sendo uma continuação do primeiro longa, ter se atualizado tanto no mundo moderno, e agradado com bastante desenvoltura. Claro que possui muitos defeitos, alguns citei acima, mas outros seriam spoilers diretos, mas ainda assim vai fazer uma ótima bilheteria, e claro, vai divertir muito a todos que forem conferir. Friso que cheguem antes para ver o ótimo curta "Baô", que certamente vai brigar com muita pontuação o Oscar do ano que vem, e não possui nenhuma cena pós-crédito (apenas durante os créditos dá uma leve referência ao que poderíamos ver num terceiro filme). Bem é isso pessoal, recomendo ele com certeza tanto para adultos quanto para crianças, e volto amanhã com mais textos (e volto em breve com a opinião dele legendado, afinal quero ver as mudanças das piadas). Então abraços e até logo mais.

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Tully

6/26/2018 01:34:00 AM |

Existem alguns filmes que conseguem trabalhar temas duros de uma forma tão sutil, leve e gostosa de acompanhar que ficamos pensando se realmente o diretor desejava isso em sua história ou se acabou fluindo tão perfeitamente durante o desenvolvimento que o resultado foi além demais, e com "Tully" temos um tema tão atual como a depressão pós-parto, que unida ao conflito de famílias com muitas crianças jovens aonde os pais já estão mais surtados que tudo, o resultado poderia ser um longa completamente dramático, duro e forte, mas que o diretor soube ser sutil e colocar cada ponto de uma maneira tão bem dinâmica e bonita, que ao final quando o choque realmente ocorre por descobrirmos a grande sacada do filme, o fechamento consegue impressionar mais ainda, e olha que facilmente poderíamos pensar mil ideologias para a trama, mas acho que poucos chegarão ao detalhamento correto tão rápido, ou seja, um filme incrível.

O longa nos apresenta Marlo, mulher de meia-idade, classe média, mãe de 3 filhos, um deles recém-nascido, e outro que necessita conceder toda atenção por ter necessidades especiais, chega ao limite físico e psicológico. Enquanto o marido, Drew mostra-se um inútil, ela recebe a ajuda do irmão, Craig, que contrata uma babá, Tully, para ajudá-la. Surpreendente, elas formam um vínculo singular de amizade, compreensão e partilhamento.

O trabalho da roteirista Diablo Cody e do diretor Jason Reitman juntos já é algo que conhecemos e nos apaixonamos há tempos, pois trabalham sempre com uma sinceridade afetiva grande, e acabam construindo as situações de formas bem simples e gostosas de ver, e mesmo que a temática seja forte de ser trabalhada, eles acabam conseguindo entregar algo que acaba passando bem fluído e nos pega despercebidos quando vemos aonde queriam chegar. Claro que alguns vão ver tudo de uma forma mais rápida, irão entender aonde desejavam mostrar, mas a maioria só consegue a conexão completa do filme nas últimas cenas, e o melhor que acaba sendo uma surpresa forte, porém completamente efetiva, fazendo muito efeito, ou seja, um acerto feito na medida para impressionar e que fez todo sentido. Claro que temos cenas exageradas, cenas que talvez pudessem ser mais limpas, mas tudo é funcional, e sendo assim, vale por demais cada ato tanto para mostrar o problema defendido em tese pelos autores, quanto por servir de homenagem para as mães, essas mulheres fortes que conseguem defender o mundo virado de ponta cabeça após o nascimento dos filhos e ainda continuar fazendo tudo o que já fazia.

Sobre as atuações, só precisamos digitar um nome: Charlize Theron, e não dizer mais nada, pois somente seu nome já faz valer qualquer ingresso e muda qualquer filme que lhe é escalada, e aqui para viver sua Marlo, fez uma pequena dieta de se entupir de fast-food e outros carboidratos para engordar 23 quilos para a personagem, e ficou muito diferente da atriz que sempre arrasou com um corpão sedutor, não que aqui tenha ficado ruim, e aliado à isso, ela ousou em olhares perfeitos, dinâmicas bem moldadas e criou tantas boas situações que se formos enumerar, passaremos a mesma duração do longa digitando aqui, então apenas temos uma palavra para ela como sempre: perfeita. Makenzie Davis conseguiu ser tão misteriosa e enigmática nos trejeitos quanto sua Tully, e trabalhou tão bem, que vamos nos conectando à sua personagem, inicialmente com um longo estranhamento, depois vamos nos afeiçoando ao carinho que dá para Marlo, para no final já nem acreditarmos mais no que está fazendo, e a atriz acabou perfeita demais também. Ron Livingston foi literalmente um inútil como a sinopse nos diz de seu Drew, mas como personagem claro, pois faz tudo tão bem, com olhares concisos e tudo mais, que não conseguimos acreditar que exista alguém dessa forma, mas o pior é que existem aos montes, e o ator fez tudo muito bem. Mark Duplass entregou seu Craig como aquele irmão bem sucedido que é um tremendo pé no saco, e com uma boa dinâmica clássica acaba entregando bem sua personalidade, mas talvez um pouco mais de cenas suas fariam o público entender um pouco mais seu relacionamento com a família, pois acabou um pouco jogado demais. Dentre os demais, temos de pontuar apenas que as crianças foram incríveis em seus atos, sendo realmente crianças, e não mini-adultos interpretando, agradando cada um na sua maneira sutil.

No conceito visual, a trama optou por basicamente uma casa simples bem de subúrbio, aonde na cena que vão para o centro de Nova York vemos o quão longe é a casa da família, mas com tantos bons elementos para mostrar o problema familiar, a dramaticidade da maternidade bagunçada (e indesejada), a bagunça de tudo, o relacionamento conturbado, e cada detalhe conta, bem como se repararmos bem cada forma das duas protagonistas também serve bem como elementos cênicos, ou seja, muito bom mesmo cada pensamento da equipe de arte, e quanto da casa do irmão, claro muito luxo para realçar como ele é bem de vida e status. A fotografia trabalhou com pontos neutros, sempre com tons mais pasteis para juntar o ar dramático do filme, mas também deixar ele gostoso de acompanhar, sem pesar a mão em quase momento algum, tendo leves pontos mais fortes aonde a tensão até se eleva, mas de modo geral, sempre procuraram conduzir o longa com muita sutileza no ar.

Enfim, imaginava ser um bom filme pela quantidade de vezes que vi o trailer, mas não que seria algo muito bonito de ver e que me agradaria tanto. Claro que é um filme que ou você vai amar ou vai acabar achando tudo bobo demais, mas dificilmente não irá se encantar com a proposta final e dará claro valores para quando entender o que realmente acontece com muitas mulheres quando dão a luz. Ou seja, um filme bonito, bem feito, e com uma mensagem (embora ficcional) incrível de acompanhar, que só não é mais perfeito por alguns elementos soltos que poderiam ter sido podados (como a relação com o irmão, entre outros), e só por isso não darei nota máxima para o longa, mas ainda assim recomendo muito ele para todos, e quem for de Ribeirão Preto, ou outras cidades que participam do Cinema de Arte, poderão e devem conferir ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até breve.

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Tungstênio

6/23/2018 01:16:00 AM |

É tão bacana quando surgem propostas diferenciadas para vermos no cinema, daquelas que vamos sem saber nem do que se trata, afinal nem trailer passaram nas sessões, e somos surpreendidos com um longa de boa técnica, baseado em um HQ nacional, que também você nem fazia ideia da existência, e só isso já faria o longa de nome estranho "Tungstênio" ser bem elaborado numa velocidade cheia de idas e vindas, diversos ângulos precisos, com muitas opiniões populares inseridas, e tudo mais. Mas aí entra o problema gigantesco que precisamos aprender com nossos amigos gringos, que pegam HQs cheias de referências interpretativas em off, aonde mostram os pensamentos dos personagens, inserindo narrações referenciais para explicar sentimentos, e aí transformam isso dentro da história para não precisar de um narrador falando tudo como se estivesse narrando o jogo da seleção nacional, e confesso que mesmo sendo um ótimo ator por trás do narrador da trama, foi broxante ouvir Milhem Cortaz quase que o filme todo, cansando e praticamente se intrometendo no desenvolvimento, de modo que o filme não tem vida própria. Ou seja, temos uma ideia muito bem elaborada, situações bem feitas pelos personagens, só faltou o diretor montar uma trama mais conexa aonde tudo se envolvesse, sem precisar narrar cada vírgula, que teríamos um filme incrível, mas como não foi assim, diria que ficou algo razoável, que por bem pouco não se tornou insuportável e sem sentido.

A sinopse nos conta que um sargento do exército aposentado, um policial e sua esposa e um traficante aparentemente não possuem nada em comum, mas eles vão se unir em prol de um bem maior. Quando pessoas começam a utilizar explosivos para pescar na orla de Salvador, na Bahia, esse grupo fará de tudo para acabar com esse crime ambiental. Mas, na busca dos caminhos que lhes pareçam mais corretos, cada um deles vai passar por mais conflitos pessoais e morais.

Sabemos que se existe um diretor que tem um estilo bem diferente e incomum no Brasil é Heitor Dhalia, que sempre de formas polêmicas e ousadas costuma criticar o sistema, a política e tudo mais através de metáforas e personagens nos seus longas, sempre de uma maneira subjetiva, mas muito bem colocada sem atrapalhar o andamento de sua trama, e aqui temos leves traços para desenvolver a rotina social dos personagens, que mostram ideologias contraditórias e tudo claro para se dar bem, ter uma exibição de seus atos ou atitudes, gestuais e tudo mais, de modo que chega a ser visualmente bem interessante a trama. E embora seja baseada em uma HQ, o longa não tem um formato clássico do estilo, mas trabalha numa velocidade acelerada de acontecimentos, com muita dinâmica, e com personagens se conectando por elos comuns, mas tudo de uma forma bem homogênea que acaba agradando, ou seja, (sei que estou sendo insistente) para que necessitar tanto de um narrador falando com o público, explicando tudo, e até conversando mentalmente com os personagens, e com isso a trama deu uma boa desandada, que só é suprimida pelos ótimos ângulos escolhidos para dar um tom mais próximo aos de HQs realmente.

Sobre as atuações, praticamente todos possuem seus grandes momentos, mas como Fabrício Boliveira é o mais conhecido do elenco, nossos olhos praticamente focam mais em seu Richard, mostrando um policial corrompido pelo sistema, mas que na hora de resolver um problema vai pra porrada e tiro sem pensar duas vezes, e agrada bastante com essa atitude. José Dumont acabou entregando um ex-sargento chato demais, e o ator fez questão de deixar ele ainda mais arrogante com olhares forçados e intrigantes, que acabam sendo um acerto para a trama, embora de vontade de socar ele. Wesley Guimarães teve bons trejeitos, um gingado clássico e muita atitude com seu Cajú, mostrando bem uma síntese bem trabalhada, e que até poderia ser melhor desenvolvida, pois o ator estava disposto. Samira Carvalho Bento entregou com sua Keira a realidade de muitas mulheres que brigam, brigam, brigam com os maridos cafajestes, mas dá dois segundos e já estão na cama com eles de bem e de caso passado, e foi muito sincera em seus trejeitos, mesmo que soasse falsa em diversos deles. Quanto ao narrador, sei que Milhem Cortaz é um ótimo ator e intérprete, de modo que sua voz contou bem a história, mas me irritou tanto aparecer o longa inteiro que prefiro optar por dizer que falhou não em seu papel, mas aceitar tantas falas em um filme. Quanto aos demais, a maioria foi figurante, alguns com um luxo maior tendo falas, mas sempre conectando com os protagonistas para dar seguimento à trama.

No conceito cênico nem podemos dizer que a equipe de arte se aprofundou no tema, usando praticamente só locações prontas e direcionando os personagens, tendo inicialmente os barcos pescando com explosivos (bem estranhos para parecer verdadeiros!) na orla, depois temos um forte para uma cena, aonde trabalharam um pouco mais foi na casa dos protagonistas aonde todos os móveis estão em plena destruição por ambos, na briga na praia temos pouquíssimos detalhes, tirando o tiro com um bom efeito de maquiagem na mão, na lembrança do protagonista a cena de invasão da favela foi a mais elaborada no conceito artístico, com bons detalhes na locação, e também deram um bom enfeite para a cena da boate, ou seja, a maioria apenas passagens. A fotografia brincou com muitas cores e até ousou em contrapontos com sombras, mas a mais bonita sem dúvida é a de encerramento, aonde as nuances do céu, com o fundo do barco iluminado e apenas a sombra do protagonista deu um ar bem interessante.

Enfim, é um filme que funciona, que é bem diferenciado dos demais, mostrando novamente que o Brasil anda ousando em diversos estilos, mas que precisaria ter sido melhor lapidado, removido o excesso de narrações, e talvez um final mais coeso para não ficar tão jogado, pois aí sim teríamos algo incrível de conferir. Vale mais para quem gosta do estilo mais artístico, pois ele como filme comercial vai incomodar quem não conhecer o estilo de Dhalia. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na segunda com a última estreia dessa semana, então abraços e até breve.

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Hereditário (Hereditary)

6/22/2018 12:54:00 AM |

Sempre é bacana olharmos com outros olhos longas de terror que não forcem para sustos e crie situações complexas, e o trailer de "Hereditário" já causa um grande estranhamento com o ploc ploc da boca da garotinha (que assim como aconteceu em "Extraordinário" com várias pessoas, e aqui como não conhecia a protagonista, me peguei imaginando se a cara dela era estranha assim mesmo!), com toda a tensão causada pelas diversas cenas, de modo que fui induzido à conferir o longa já com grandes expectativas, afinal a temática de possessão quando bem trabalhada até confere grandes longas, ainda mais se já é preparado para causar temor ao invés de sustos gratuitos. Ou seja, um filme que tinha a possibilidade de ser o "Corra!" desse ano, entregando um terror de propriedade para até brigar por grandes prêmios com longas de outros gêneros, mas aí vamos conferir o filme, e sim, é um bom longa de terror, possui cenas tensas, coisas fortes, uma ideologia intrigante, mas não causa nem 20% do que o trailer causou, sendo apenas um bom filme do gênero que vai fazer com que muitos pensem na ideia e até se intriguem com tudo o que verão, mas longe, bemmmm longe de ser "o" filme de terror do ano, quiçá da década como muitos críticos vem falando pela mídia afora. Vale mais por não forçar sustos e conseguir causar, além de ter uma estética bem interessante, mas valeria mais ter brincado com os bonecos e miniaturas que a protagonista faz, causando algo ainda mais forte do que um fechamento digamos bizarro demais.

A sinopse nos conta que após a morte da reclusa avó, a família Graham começa a desvendar algumas coisas. Mesmo após a partida da matriarca, ela permanece como se fosse uma sombra sobre a família, especialmente sobre a solitária neta adolescente, Charlie, por quem ela sempre manteve uma fascinação não usual. Com um crescente terror tomando conta da casa, a família explora lugares mais escuros para escapar do infeliz destino que herdaram.

Após muitos curtas-metragens, o diretor e roteirista Ari Aster soube criar uma história bem interessante de se analisar e conseguiu criar situações bem fortes e interessantes (para mim a cena pós-festa é de arrepiar, e quase xinguei por não virar logo a câmera para mostrar o que tinha acontecido, embora a cena que mostre é horrenda), mas essa é apenas uma que citei, e o longa possui ao menos umas quatro de impacto, e no restante é criada boas dinâmicas de diálogos e situações para que o público se convença do que aconteceu ou que rumos vai tomar, mas a situação começa a ficar com velocidade e dinâmica passados mais de 60 minutos, ou seja, muitos irão até se cansar até chegar no ápice da trama, mas a partir daí tudo toma forma e é uma situação atrás da outra. Ou seja, sim é um primeiro bom filme, e certamente nos próximos irá corrigir os leves erros que não fizeram sua trama brilhar ainda mais fora do público de críticos artísticos (que estão amando o longa comparando ele à grandes clássicos do gênero), pois para o grande público, e quem realmente gosta de longas de terror/suspense/tensão envolvendo demônios e possessões, o filme realmente começa na última cena, e o miolo foi apenas uma apresentação.

As atuações foram feitas com muita qualidade, a começar claro pela ótima Toni Collette com sua Annie, que inicialmente já vertia ser meio problemática, logo em seguida vemos que ela era problemática, ao contar sua história para Joan temos certeza absoluta de ser maluca, e no fim o surto era certeiro para cenas incrivelmente fortes e muito bem feitas, ou seja, deu um show. A graciosa Milly Shapiro felizmente não tem aquela cara medonha de sua Chalie, e trabalhou tanto com olhares que suas cenas impressionam e marcam, de modo que acabamos assimilando tudo a ela, mesmo quando não está em cena, ou seja, conseguiu ser expressiva e se marcar no papel. Alex Wolff nos entregou um Peter ligeiramente exagerado com suas cenas forçadas sob efeito de ervas, mas que num segundo momento demonstra uma perturbação forte e muito bem entregue, que demonstrou um profissionalismo muito forte e interessante, certamente bem pesquisado, e acabou agradando mais do que errando, embora pudesse ser mais sutil. Gabriel Byrne fez um Steve paz e amor exagerado, que poderia causar um pouco mais, ou ao menos se espantar mais com tudo o que está acontecendo na sua casa (pô, o pau tá comendo entre mãe e filho, vou ali fazer uma salada!), ou seja, claro que o problema dele está na personificação do roteiro e não da atuação, mas poderia ter chamado mais a atenção com certeza. Ann Dowd entregou para suas cenas como Joan, momentos mais explicativos do que expressivos da personagem, sendo praticamente o elo de ligação completa da trama, explicando bonitinho cada momento em suas cenas finais (quase desenhando para quem não estava entendendo nada), e ao menos fez bem seu papel, mas poderia causar mais também.

No conceito cênico o longa se divide bem em seus atos, primeiro com a família devastada em sua casa no meio do nada, o funeral cheio de estranhos, a casa cheia de miniaturas mostrando a vida da protagonista em seus atos estranhos, vemos a escola das crianças e elementos cênicos que já demonstram os problemas dos jovens, aí entramos no segundo ato e já temos os problemas que ocorrem pós-festa, a casa já passa a entrar em modo de penumbra com tudo mais escuro, as miniaturas ficam mais tensas, temos a dinâmica de grupo aonde conhecemos mais problemas da protagonista, temos a casa de Joan com muitos elementos cênicos, e aí entra o terceiro e maluco ato aonde o lance demoníaco e os cultos satânicos entram em cena, com muitos personagens alegóricos, livros, fotos, e claro o ápice final que mesmo sendo um pouco complexo dá pra entender tudo perfeitamente. Ou seja, elementos cênicos, locações, tudo muito bem encaixado para cada momento do filme, além claro da ótima maquiagem e efeitos especiais em cima de todos os personagens, que não posso falar mais senão estrago com spoilers. Embora o filme tenha uma fotografia muito escura em diversos momentos, com tons vermelhos fortes para representar todo o lado demoníaco do longa, o filme não conta com sustos gratuitos, com pegadinhas do nada, e isso é algo muito prudente e que vai agradar bastante, mostrando o primor técnico que desejavam entregar.

Enfim, é um filme muito bom de terror, que segue uma linha diferenciada, mas que claro poderia ser imensamente melhor se seguisse outros rumos. Não gosto muito de continuações em cima desse estilo de terror, mas confesso que o final merecia mais um ato quase que inteiro e não precisariam explicar tanto ali, mas ainda assim, o filme é muito bom, e quem gosta desse estilo sairá deveras satisfeito com tudo o que é mostrado. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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O Nó do Diabo

6/20/2018 12:57:00 AM |

Venho falando isso já faz algum tempo e vou manter minha opinião, o cinema brasileiro está dando largos passos ao sair da zona de conforto e não ficar somente com dramas e comédias, ousando em romances, ficções, terrores e por aí vai, mas se tem algo que ainda precisa ser removido da mente dos roteiristas é fazer um longa bem longo com formato de série para ser exibido talvez não na sua totalidade, pois isso é algo que realmente cansa bastante o público, e por vezes até atrapalha a sinergia da trama. Diria que o maior problema de "O Nó Do Diabo" é ter esse formato de forma invertida, entregando um problema atual de preconceito e usando da mesma fazenda e dos diversos ancestrais dos donos e dos moradores negros dali vamos voltando em diversas épocas até chegar em 1818 com 5 curtas quebrados, dirigidos inclusive por pessoas diferentes, mas bem moldados para parecer um filme só capitular, ou seja, talvez se tivessem trabalhado melhor a ideia, lapidado as diversas pontas que só serviram para enrolação (o quarto capítulo repete as mesmas cenas pelo menos 4 vezes!) e feito um único filme com transições temporais, teríamos algo incrível, e que passaria a mesma mensagem, mas aí não funcionaria como provavelmente veremos daqui uns dias, passando em lugares cada dia com um curta. Não diria que foi um filme no geral péssimo, mas a forma dele, e a não entrega tão forte do que poderia ser passado pela mensagem, o fizeram ser mediano, pois cansa demais na maior parte, e só os pontos de encaixe que são bem interessantes para envolver.

A sinopse do longa nos mostra que há dois séculos, no período da escravidão, uma fazenda canavieira era palco de horrores. Anos depois, o passado cruel permanece marcado nas paredes do local, mesmo que ninguém perceba. Eventos estranhos começam a se desenvolver e a morte torna-se evidente. Cinco contos de horror ilustram a narrativa.

O primeiro conto situado em 2018, dirigido por Ramon Porto Mota, o que mais vale a atenção é em cima do caos que vivemos hoje de intolerância, preconceitos e tudo mais em cima de que vale pensarmos como anda tudo em cima da loucura doentia que fica em cima do capataz da fazenda, ou seja, ele nem trabalha tanto interpretações, mas vale bem ouvir tudo o que é falado no rádio e visto as atitudes do rapaz.

O segundo conto nos coloca em 1987, aonde um casal vai pedir emprego em uma fazenda, e a direção de Gabriel Martins vem bem colocada, e causa muita tensão tanto na história quanto nas expressões de todos os protagonistas, desde os donos da fazenda, quanto do casal e dos "monstros" que circulam o pensamento e o misticismo por trás da fazenda, de modo que causa demais, entrega muita possibilidade e incrivelmente se o filme ficasse só em cima desse curta seria ótimo, pois é muito tenso e muito interessante ao mesmo tempo.

O terceiro recai sobre 1921, e o diretor Ian Abé nos coloca mais em um ambiente de escravidão, aonde as protagonistas femininas são abusadas, torturadas e claro também se revoltam, mas aí entrou alguns trejeitos sobrenaturais que forçaram um pouco a amizade, mas a ideia de tensão é forte e bem usada, que consegue mostrar estilo na proposta, talvez um pouco menos de coisas fora do padrão agradaria mais, mas conseguiu entregar um filme condizente ao menos.

O quarto curta entra em 1871, e o diretor Jhesus Tribuzi com certeza tem a história mais curta e simples, que mostra um filho de escravo alforriado fugindo da fazenda, e só, ficando numa viagem espiritual, passando por maus bocados no meio do caminho, mas fica quase num looping repetitivo e cansativo que não sai do lugar e até dá sono pela execução, ficando o pior de todos.

O quinto conto sem dúvida alguma tinha tudo para ser representativo em 1818, mostrando a fuga dos quilombolas para um estilo de refúgio "blindado" dos fazendeiros, e foi dirigido pelo diretor do primeiro curta Ramon Porto Mota, que até aparentava estar indo bem na condução com personagens coesos falando de ervas medicinais, uma boa luta de armas contra sem armas, mas aí entrou algo ficcional tão absurdo que minha reação no cinema foi de muita risada, e depois de quase dormir com o quarto curta, ri um monte com a aparição dos personagens estranhos "cultivados", e pronto finaliza o longa, ou seja, jogou tudo pelos ares.

Bem, dessa vez falei um pouco de cada um, mas não foquei em nenhum personagem, nem nas atuações, pois todos foram honestos, mas nada que surpreendesse, e sendo assim, vou deixar apenas como coloquei falando um pouco de cada um dos curtas, afinal de conhecidos realmente só Zezé Motta no último curta e Isabél Zuaa que vimos bem no filme "As Boas Maneiras", mas nenhuma delas surpreendeu em nada, então melhor deixar quieto nesse quesito.

No conceito cênico, basicamente temos a fazendo como centro de tudo, e algumas outras locações ao redor, como a favela no primeiro curta que usou mais as pichações como elementos cênicos, a casa de empregados no segundo com muitos elementos cênicos fortes de tortura, o terceiro usou mais do figurino e claro do canavial, no quarto tivemos as locações de pedras como esconderijos, e no quinto tivemos o forte de escravos bem cheio de simbologia, ou seja, tivemos uma técnica interessante ao menos no conceito artístico. A fotografia focou praticamente toda no escuro, usando elementos de sombras com iluminações paralelas como lanternas, velas, fogo e tudo mais que deu um charme. O figurino também foi bem elaborado junto com muito sangue para a maquiagem, ou seja, um trabalho forte da equipe técnica.

Enfim, volto no começo do meu texto dizendo que preferiria muito mais um filme só do que uma série de TV no cinema, e infelizmente temos uma série alongada demais que como filme não funciona, e sendo assim, só recomendo ele como material de pesquisa e exemplificação de diferentes épocas escravagistas, pois dá para trabalhar toda uma discussão em cima, mas nada que você saia impressionado da sessão. Bem fico por aqui encerrando então essa semana cinematográfica que foi bem grandiosa, mas volto já na próxima quinta com algumas estreias, então abraços e até breve.

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