7 Dias Em Entebbe (7 Days In Entebbe)

4/20/2018 01:52:00 AM |

Sabe quando você vai conferir um longa que possui todos os estilos praticamente incorporados na essência, em que o diretor quis brincar com teatro, com ideais políticos, com sequestros de avião, e com tantas outras coisas que não emplacam, e acaba saindo da sessão na dúvida se gostou de algo do que viu? Esse é "7 Dias em Entebbe", novo longa do diretor brasileiro José Padilha ("Tropa de Elite") que estava tão preocupado com sua série no Netflix que acabou deixando o longa uma bagunça estranha, que mesmo sendo baseado em um evento real acabou estranho demais ao misturar dois elos para criar um ar artístico e não mostrar seu jeito real de fazer filmes, ou seja, temos um longa que até possui um estilo bem marcado, bons atores, mas que ninguém consegue acreditar no envolvimento, torcer pelos reféns ou pelos terroristas, ou sequer conectar a ideia da peça da ultra-coadjuvante que é forte, mas que só reflete a trama bem em segundo plano. Não vou dizer que odiei o que vi, pois, a palavra é muito forte, mas garanto que faltou muito para chamar qualquer atenção.

Em julho de 1976, um voo da Air France de Tel-Aviv à Paris foi sequestrado e forçado a pousar em Entebbe, na Uganda. Os passageiros judeus foram mantidos reféns para ser negociada a liberação dos terroristas e anarquistas palestinos presos em Israel, na Alemanha e na Suécia. Sob pressão, o governo israelita decidiu organizar uma operação de resgate atacar o campo de pouso e soltar os reféns.

Sabemos bem do potencial e do estilo de direção de José Padilha e sua equipe (afinal aqui também tivemos o diretor de fotografia Lula Carvalho e o editor Daniel Rezende), mas pela primeira vez um longa seu pareceu faltar com uma firmeza maior, deixando tudo acontecer com simplicidade e com uma velocidade meio que fora de eixo. Ou seja, em nada parecia ser um longa do diretor, com atores apáticos na tela, uma invasão quase não detalhada rápida demais, um envolvimento político simplório de atitudes, de tal maneira que ficamos esperando tudo acontecer ou ao menos o impacto da dança dar um ritmo melhor para os momentos de ação do filme, e quando vemos já terminou e tudo ficou do jeito contado com escritos na tela, ou seja, falhou demais para agradar, mas pelo menos passou a história que ocorreu lá nos anos 70 e já teve outros 3 filmes derivados da mesma história, ou seja mais uma vez, gasto de dinheiro sem muito futuro.

Sobre as interpretações, falei uma vez que achava Daniel Brühl um tremendo ator, mas após ver aqui seu Böse fiquei um pouco em dúvida se ele não entendeu nada que o diretor pedia, ou se o papel era morto demais, pois nem nas cenas que precisava ter atitude ele demonstrou ao menos um lado mais forte de um "sequestrador" de avião, ou que fosse um revolucionário alemão louco, ou qualquer coisa, menos o apático vendedor de livros que ele foi durante o longa inteiro, de modo que até a dançarina de segundo ato fez trejeitos melhores que o dele. Rosamund Pike também é uma renomada atriz com grandes projetos e aqui só teve um grande destaque com sua Brigitte, no seu momento de surto no telefone, que ficou claro ser loucura logo de cara (afinal uma ficha só não duraria tantos diálogos), mas tirando esse grandioso momento e alguns espaçados aonde demonstrou firmeza como uma revolucionária, ela sempre ficou muito atrás de tudo, o que não é bacana para uma protagonista. Os líderes de Israel e de Uganda, interpretados por Nonso Anozie e Lior Ashkenazi foram bem intrigantes nos seus atos, mas nada que surpreendesse, e o ministro da defesa interpretado por Eddie Marsan parecia estar sempre lendo seus textos com um olhar mais desanimado que tudo, ou seja, uma bomba na tela. Enfim, falha generalizada na direção de atores, que acabou resultando em algo apático demais para agradar.

No conceito cênico diria que foram bem colocados com um avião de grande porte, um aeroporto abandonado bem montado, diversas cenas espalhadas com bons figurinos e armas, e até mesmo uma boa invasão, mas que foram mais usados para enfeitar a tela do que para dar contexto na trama, e isso é algo que não pode acontecer em um longa de grande nível, ou seja, a equipe de arte trabalhou para retratar bem o momento, buscou boas imagens de arquivo para auxiliar na finalização, mas não entregou a que ponto poderia chegar, e isso mostra uma falha grandiosa tanto na montagem quanto na direção que não soube usar o poder, pois até podemos olhar a dança como algo desconexo da trama, mas ela traz uma tensão bem colocada, e ajuda no ritmo, só faltou a ação vir no mesmo tom. Quanto da fotografia, Lula Carvalho é daqueles que um tom é fixado e vai ser usado em diferentes escalas, e o longa tenta ficar sujo para manter época do começo ao fim, sem grandes texturas nem deleites visuais, tanto que na cena de tiroteio, o sangue nem chega a aparecer, ou seja, foi bom para criar a época, mas falha no geral.

Enfim, é um filme mediano que raspa a trave de ser esquecível, mas que para quem não viu os outros longas sobre o tema dos anos 70, vai trazer um pouco da situação de países (ou melhor, dos revolucionários ou terroristas como alguns chamavam) que apoiavam o Estado Palestino, mas que não conseguiram um grande feito com uma loucura, mas tirando esse detalhamento histórico, o longa não vai causar tensão, não empolga, nem nada, e sendo assim nem recomendo ele para quase ninguém. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais uma estreia, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Aos Teus Olhos

4/17/2018 02:07:00 AM |

Olha, hoje o filme "Aos Teus Olhos" foi daqueles que conseguiu deixar esse Coelho nervoso por dois motivos, o primeiro é por mostrar como o mundo (ou o Brasil em geral) tá impossível de se viver, pois qualquer coisa é motivo para um processo e se confundem coisas demais, então é de dar nojo a atitude dos pais do filme, e sei que muitos são assim por aí, e segundo pela diretora trabalhar com uma forma que me incomoda demais que é fechar seu filme sem dar sua opinião sobre o assunto, deixando que o filme fique aberto para discussões e indagações. Porém longe disso ser um problema imenso, e ser apenas uma revolta pelo estilo que prefiro (que todos tenham opinião para fechar seus longas), a trama soa como um grande alerta para os profissionais de ensino infantil, e principalmente, para técnicos e professores de educação física de crianças, afinal as vezes ser carinhoso com um jovem pode ser confundido por um pai maluco como estar fazendo carícias, e aí... veja o filme para ver o quão absurdo tudo pode virar. E nesse contexto afirmo que o longa foi perfeito, e mais do que recomendo para todos, pois a paranoia anda tão grande (sim, temos muitos malucos, pedófilos e tudo mais espalhados por aí, mas temos mais pais surtados do que pessoas desse estilo) que é melhor ser rigoroso do que carinhoso, ao menos é o que o longa e a vida tem passado ultimamente.

A sinopse nos conta que Rubens é um professor de natação carismático e extrovertido, que dá aulas para pré-adolescentes em um clube. Querido por todos devido ao seu jeito brincalhão e parceiro, ele se vê em apuros quando um de seus alunos, Alex, diz à mãe que o professor lhe deu um beijo na boca no vestiário. Alegando inocência, Rubens é acusado pelos pais da criança e passa a ter que lidar com um verdadeiro linchamento virtual, que tem início através de mensagens de WhatsApp e explode de vez quando chega ao Facebook.

Já havia dito que deveríamos ficar de olho na diretora Carolina Jabor, pois seu primeiro filme "Boa Sorte" foi bem colocado e agradou bastante em 2014, e agora novamente ela trabalha com uma polêmica, só que agora tão atual e cheia de potência que é o famoso linchamento virtual, que poderia até ter rendido muito mais caso ela também tivesse pego o roteiro de Lucas Paraizo e colocado sua opinião num fechamento mais duro e não apenas deixado a reflexão no ar. Claro que durante o longa ela trabalhou de certa forma com alguns pontos que entregam seu posicionamento, afinal não veríamos tantas cenas da loucura da mãe inconformada, da família semi-desfeita e tudo mais, mas ainda assim o resultado da última cena ficou aberta, e isso é algo para se questionar. Porém tirando esse detalhe, o resultado do tema foi tão bem trabalhado, e junto com ótimas expressões dos protagonista, o conteúdo moderno acaba resultando em um longa que funciona muito bem para debates em escolas, clubes e até mesmo dentro de convivências familiares, pois até temos alguns abusos fortes no mundo afora, mas estamos vivendo em um mundo atual aonde a frieza anda sendo necessária para não cairmos em problemas, ou seja, estou aqui colocando a minha opinião, mas vai ser assim com esse longa, e sendo assim creio que a diretora atingiu o que desejava.

Sobre as atuações, o que podemos dizer é que Daniel de Oliveira foi perfeito em todas as expressões de seu Rubens, desde mostrar seu carisma com os alunos, toda a dinâmica com os garotos, com os demais professores, pontuando também seu lado de excessos, mas mudando completamente o ar ao ser acusado, fazendo trejeitos duros e desesperados, que agradaram demais e o fez levar diversos prêmios pelo personagem acertadamente. Malu Galli foi mais contida como a diretora Ana, mas também teve grandes cenas expressivas ao tentar dialogar com o protagonista, e a cada tentativa seu semblante era a de grande dúvida do que pensar, de como agir, e com isso deu um show também. Marco Ricca entregou um Davi questionador, mas também de grande forma acusador, e suas cenas de dúvida do que pensar da esposa, de como agir com a polícia, de como o filho iria sofrer as consequências foram tão icônicas que faz refletir demais o pensamento dele, e em parte de uma sociedade em dúvida, ou seja, ele foi coeso, mas poderia ainda mais. Não sei o que a diretora desejava mostrar por parte das expressões de Stella Rabelo com sua Marisa, se era a de mães malucas ou se tentava algo diferente, mas de certo modo acabou ficando um pouco estranho a atitude dela em alguns momentos, embora os semblantes foram coesos com cada situação. Dentre os demais, todos fizeram bem seus momentos, mas faltou um pouco mais para cada poder se destacar, desde a namorada com ataque histérico até o jovem amigo, passando pelo colega de profissão acusador, que acabaram dando bons temas para discutir, mas sem nenhuma expressividade marcante.

No contexto cênico a trama foi coesa em trabalhar tudo praticamente dentro apenas do clube, de um apartamento simples, de um apartamento mais chique e de uma delegacia digamos arrumadinha, mas como a essência da trama estava toda desenvolvida para o texto, o resultado da equipe de arte foi mais para simplificar as situações e apenas situar o público de onde os protagonistas estavam, mas principalmente refletindo que tudo poderia acontecer em qualquer lugar. A fotografia brincou com imagens de câmeras, imagens em tons mais densos para criar dramaticidade e também muitas cenas submersas para criar um ambiente fluído, ou seja, várias técnicas criativas, mas sempre deixando o arco para a reflexão mais em cima do texto mesmo.

Enfim, é um filme que vai servir para muitos debates, que vai ter muitas reclamações pelo fechamento aberto demais, mas que mostra um potencial dramático diferenciado para o cinema nacional sem precisar apelar para múltiplos vértices, que acaba virando uma novelona, e com isso o resultado do longa vale muito a pena ser visto por todos, mas como disse no Facebook é obrigatório para todos que trabalham com educação infantil analisar como o mundo está bem maluco, e a cabeça dos pais está cada dia mais noiada (para colocar uma expressão mais leve). Bem é isso pessoal, fico por aqui encerrando essa semana cinematográfica, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até lá.

Leia Mais

A Odisseia ( L'Odyssée) (The Odissey)

4/15/2018 11:31:00 PM |

Filmes biográficos de personagens que conhecemos bem pouco geralmente soam até mais interessantes de ver na telona, pois não vivi na época de ouro dos filmes de Jacques Costeau, então posso dizer que tudo o que rolou na telona em "A Odisseia" foi uma grandiosa novidade para mim, mas pelo que ouvi de outras pessoas na sala, muito do que foi mostrado foi uma grande novidade, pois muitos sequer imaginavam que o grande capitão que fez tantos filmes de expedições marinhas e vida subaquática fosse um velho traidor da esposa e que tivesse tantos conflitos com o filho mais novo de modo que a dramaticidade do longa ficasse bem explícita. Ou seja, o filme foi criativo ao ponto de mostrar mais da vida dos personagens e ir junto com isso trabalhando belas imagens das expedições para que o filme ficasse com um ar quase que documental, porém o grande defeito da trama foi faltar com um clímax mais efetivo, já que o longa floreia inteiramente diversas situações conflitivas, mas em momento algum aciona elas para algum tipo de reviravolta, o que acaba fazendo com que o filme se alongue até mais do que o comum, mas longe de ser algo ruim, a trama acaba soando ao menos bem bonita de ver.

A sinopse nos conta a história do aventureiro oceânico e cineasta francês Jacques-Yves Cousteau que larga a vida na terra ao embarcar em uma grande viagem no imenso navio Calypso, sua nova casa. Com o passar dos anos, no entanto, seu amor pelo mundo submerso - e principalmente suas possibilidades de negócios - relega a segundo plano a mulher e os filhos. Após crescer ressentido num internato, Phillippe volta a bordo apesar da péssima relação com o pai e os dois precisam superar as diferenças e mágoas para sobreviver em mares gelados.

O grande feito do diretor Jérôme Salle foi de procurar criar as diversas cenas subaquáticas tradicionais das expedições de Costeau, e com isso trabalhar com um embelezamento característico de documentários da National Geographic, Discovery e muitos outros canais do gênero, mas faltou pra ele determinar um ponto de reviravolta mais característico que colocasse no filme um ar mais dramático, pois sabemos que muitas famílias possuem conflitos sim, mas faltou para o longa usar um dos diversos pontos que a trama permitia para que ali algo acontecesse e não apenas ficassem mostrando a vida familiar complicada (que nos filmes aparentavam ser uma grande harmonia). Ou seja, faltou ter uma pegada maior nos questionamentos e talvez criar algo a mais para que o filme não ficasse na mesmice tradicional, que aí sim teríamos algo além de bonito na tela, pois bons atores o diretor tinha para utilizar.

E falando mais dos atores, foram bem conexos primeiramente no conceito de maquiagem de envelhecimento, para que Lambert Wilson e Audrey Tautou pudessem viver todas as fases dos protagonistas, e com isso ficou bem interessante irmos vendo com o passar dos anos os vértices interpretativos da cada um. Audrey Tautou, nossa eterna Amélie Poulain, foi bem centrada como Simone Costeau, e com olhares firmes e trejeitos bem colocados mostrou uma personalidade forte na progenitora da família, só faltou um pouco mais de imposição talvez para mostrar mais força ainda no estilo que acabou ficando quando mais velha. Lambert Wilson ficou muito instigante como Jacques Costeau, e a cada cena sua ele mostrava mais dinâmica interpretativa para o personagem e também colocava os sonhos e loucuras do capitão de uma forma criativa e dura, que talvez até tenha sido forçada para um lado menos de homenagem e mais de mostrar que ele não era um herói como muitos achavam. Agora se tem um ator que consegue ser muito expressivo no filme é Pierre Niney como Phillippe, de modo que de cara ele já entrega sentimento em sua expressão e a cada cena sua ele vai incorporando mais atos com precisão até encaixar com muita força interpretativa as cenas de diálogo com o pai no momento mais forte da carreira do capitão. Dentre os demais, a maioria auxiliou dando sutilezas e agradando no que pode, tentando não ter muita interferência nem destaque, mas se posso citar mais alguém que foi ao menos condizente com a performance, e que claro por um dos livros usados para a adaptação ser de Bébert, acabaram escolhendo um bom ator para os momentos de maior precisão do personagem, e com isso Vincent Heneine também conseguiu agradar bastante.

A trama passeou por diversas boas locações para dar o ar artístico e o visual incrível que o longa pedia, afinal todos os filmes do Costeau eram com belíssimos visuais embaixo dos oceanos, com muita equipe, diversas paisagens, figurinos e tudo mais, e a equipe artística teve o capricho de colocar tanto a época real com muita sintonia, como também se preocupou em fazer muitas filmagens embaixo da água, ou seja, um deslumbre realmente. A fotografia também ousou brincar ao dar tons bem colocados no fundo do mar quase escuro em grutas e também na superfície criando sombras densas para "tentar" criar uma dramaticidade com o filme, o que falhou de leve pelo roteiro apenas, mas no conceito que era uma fotografia densa conseguiram fazer com classe.

Enfim, é um filme mais bonito do que dramático, que poderia alcançar rumos mais precisos se desejassem realmente, o que é uma pena, pois a história dos Custeau marcou uma época e muitos gostariam de conhecer mais, não que isso não tenha acontecido, mas talvez uma pontinha dramática mais impactante chamasse mais atenção. Não digo que o resultado foi ruim de ver, muito pelo contrário tivemos imagens belíssimas de ver, e uma história com muita coisa que não conhecíamos, mas poderiam ter trabalhado melhor a dramaticidade como filme e assim teríamos mais cinema de ficção e menos documentário visual. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais uma estreia, então abraços e até breve.

Leia Mais

Rampage: Destruição Total em Imax 3D (Rampage)

4/14/2018 01:52:00 AM |

Alguns filmes são lançados já com a proposta de não serem levados à sério, e quem vai ao cinema sabendo disso, sem esperar muita coisa proveniente deles geralmente sai bem feliz com o resultado, e acaba se divertindo bastante, enquanto quem vai com muitas expectativas ao pote acaba num desânimo monstruoso. Felizmente posso me incluir no primeiro grupo que foi ao cinema sem esperar nada de "Rampage: Destruição Total", muito pelo contrário, fui pronto para atacar em nível máximo e preparado para um grandioso desastre nas telonas, e o resultado disso foi que o longa acabou me agradando bastante, pois é extremamente divertido nos momentos exatos preparados para isso, possui muita ação (claro que de um modo forçadíssimo para tudo!), e até um certo design de texturas muito bem colocado para com os bichões, de modo que acabamos curtindo o que vemos na tela. Claro que a apelação é monstruosa, com o protagonista fazendo coisas mirabolantes, levando diversos tiros e continuando a pular e tudo mais, mas era a proposta do filme, então para quem gosta, deve com certeza ir na maior sala possível, para que o barulho também seja máximo, e que junto de um 3D digamos razoavelmente bem feito, a diversão também funcione para você.

O longa nos mostra que o primatologista Davis Okoye é um homem solitário que tem uma amizade inabalável com George, um gorila extremamente inteligente que está sob os seus cuidados desde o seu nascimento. Porém, quando um experimento genético não autorizado dá errado, este primata gentil é transformado em uma criatura feroz e de tamanho descomunal. Para piorar as coisas, descobre-se que há outros animais que sofreram mutações similares. À medida que estes superpredadores atravessam os Estados Unidos, destruindo tudo em seu caminho, Okoye se une a uma geneticista desacreditada para desenvolver um antídoto, abrindo caminho em um campo de batalha em constante mutação, não só para impedir uma catástrofe mundial, mas também para salvar a temida criatura que já foi seu amigo.

Já disse algumas vezes que alguns diretores gostam de trabalhar com seus próprios artistas por alguns motivos, e o principal é saber dar comandos simples e esses executarem com perfeição e naturalidade, e aqui Brad Peyton que já dirigiu Dwayne Johnson duas outras vezes foi certeiro em sua escalação, pois como temos um longa quase 100% digital ("Terremoto: A Falha de San Andreas" diria que teve uns 70%) era necessário que o ator se conectasse bem com os personagens digitais e ainda tivesse carisma para as cenas com humanos e claro para grandes destruições, e sem dúvidas são raras as cenas que não vemos uma boa dinâmica entre todos os elos. Mas além dessa boa interação, outro ponto que preciso aplaudir é a trama não ter medo da censura, pois mesmo lançado como 14 anos, o diretor colocou diversas cenas violentíssimas sem quase corte de tal maneira que algumas chega a dar um certo estranhamento, mas o resultado além de impactar, mostra um certo realismo por parte do que aconteceria com monstrões comendo pedaços, claro que com o protagonista o bicho nem alcança ele, afinal ele é o The Rock! Ou seja, juntando boas cenas de ação com uma boa dose de violência, e muitas cenas divertidas com boas piadas também resultaram num longa completo, aonde claro não podemos acreditar em nada, e muito menos levar a sério o que estão mostrando. Como muitos podem me criticar, vou optar por não falar do jogo original de 1986, em que o filme foi baseado, pois tinha apenas 4 anos, e não me lembro de sequer ter jogado ele alguma vez nesses muitos anos, então não posso afirmar em nada nenhuma comparação do que funcionou ou não, e assim sendo vou preferir optar como um longa "original".

Quanto das atuações, fica claro que Dwayne Johnson teve uma certa dificuldade em alguns momentos para se integrar com os personagens computadorizados, mas nem por isso deixou olhares perdidos e soube entregar a personalidade e carisma tradicionais de seus personagens também para Davis Okoye, e felizmente o diretor também mostrou um pouco de suas origens com imagens de flashback e também faladas por outro personagem, o que acabou criando um laço maior na trama, ou seja, além de conhecermos mais quem ele era, o ator foi dinâmico e fez tudo o que costumamos ver em todos os seus filmes, ele pegando armas pesadas, pulando para todos os lados e aqui nem muitos tiros fizeram ele parar, ou seja, quase um ser imortal. Naomie Harris foi bem colocada como Dra. Kate, mas soou desesperada demais e cheia de movimentações demais para a ideia original da personagem, parecendo quase que tinha levado um choque de 220V e iria fazer tudo o que lhe pedissem, não digo que isso seja errado, mas um contraponto para a dinâmica forte do outro protagonista seria bom e agradaria bastante também. Jeffrey Dean Morgan deu um ar bem cômico para seu personagem investigativo, criando quase um cowboy da lei, que acaba agradando dentro da proposta, mas que facilmente acaba soando falso para algo mais sério, ou seja, agradou pela personalidade, mas falhou pela intenção. A vilã interpretada por Malin Akerman só não foi mais artificial por falta de cenas, pois sua Claire destoava cenicamente até no visual, o que é algo bem estranho, e talvez precisasse de mais cenas de sua empresa para conhecermos mais e ficarmos com mais raiva dela torcendo por uma morte dolorosa, mas ao menos não bateram tanto na tecla de que fazia tudo para ficar rica e dominar o mundo. Dentre os demais personagens, muitos apareceram e depois sumiram, outros entraram na metade final, mas sem muito para destacar, valendo apenas os carões fortes feitos por Demetrius Grosse como Coronel Blake e no começo as cenas do outro brucutu interpretado por Joe Manganiello, que mereceria até mais cenas no longa.

No conceito visual tenho de falar muito bem mesmo das texturas dos monstros, pois embora o filme seja tosco, ao menos capricharam para que o mega gorila tivesse pelos bem movimentados nas cenas, o lobo tivesse espinhos em sua pelagem, e o jacaré fosse quase um monstro pré-histórico com uma carcaça impenetrável, e junto de uma cidade caindo em pedaços para todos os lados, muitos helicópteros e armas de guerra bem colocadas, o resultado cênico mostrou um apreço grande em gastar o orçamento sem dó. A fotografia trabalhou muito com tons marrons para realçar a destruição, e principalmente para dar um bom contraste com as cenas de floresta e depois com o branco do macacão, e com isso, o filme mesmo tendo cenas violentas, o sangue não acabou escorrendo tanto na tela dos cinemas. Sobre o 3D, a trama não é daquelas que nos dá dor de cabeça, pois usa cores mais neutras, mas nem por isso o diretor que é fã assumido da tecnologia deixou de lado cenas bem feitas pensando no uso da técnica, e com isso diversas cenas de prédios caindo acabam jogando pedras em direção ao público com uma boa poeira visual (que num 4DX deve ficar interessante!) e também nas cenas iniciais no espaço puderam brincar bastante com a gravidade fazendo com que detalhes ficassem flutuando, ou seja, não é um filme que vamos ter que ficar obrigatoriamente com os óculos na cara o tempo todo, mas que nas cenas aonde foi empregado a tecnologia, fizeram bom uso e acertaram.

Enfim, está bem longe de ser um filme perfeito, mas como ri bastante com diversas cenas, o macaco possui um senso de humor ótimo que vai fazer muita gente se divertir até mais que muitas comédias, as cenas de ação causam o devido impacto, e não economizaram em violência que todo filme trágico deve ter, tenho de pontuar que o longa vai valer a conferida de todos que gostem do estilo, mas claro que deixo bem claro as ressalvas de que vá preparado para ver muita coisa impossível e improvável de qualquer realidade, e assim sendo, o resultado vai ser agradável. Bem é isso, fico por aqui hoje, mas volto em breve com as demais estreias da semana, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

O Homem Das Cavernas (Early Man)

4/10/2018 12:42:00 AM |

Confesso que já me empolguei muito com diversos longas da Aardman, pois sempre trabalham tão bem no formato stop-motion com suas massinhas sempre esculpidas de maneira graciosa e que nos entregavam textos bem inteligentes com uma proposta bonita e interessante de acompanhar tanto sendo adulto quanto criança, porém nos últimos anos eles vem entrando numa vibe tão morna, entregando toda a história já no trailer, e colocando personagens sem o carisma costumeiro de antigamente que acredito que ou eles voltam para ser algo alternativo e retomar as boas bases, ou logo mais acabarão sendo engolidos por filmes que serão facilmente esquecidos. Infelizmente "O Homem Das Cavernas" teria tudo para ser vendido no Brasil como um dos filmes mais empolgantes do momento, pois envolve um artista de grande carisma dublando o protagonista, junta futebol e animação, ou seja, tudo o que a maioria gosta de ver, mas com sotaques estranhos e piadas jogadas, o longa acaba soando falso demais e não atinge nenhum elo em momento algum, ficando apenas como um jogo, do qual já vamos sabendo o resultado final e que falha por não empolgar ninguém, de modo que uma sala quase lotada de pais e crianças ficaram passeando para dentro e para fora quase que o longa inteiro, ou seja, não amarrou. E sendo assim, não vou dizer que é um filme ruim, pois até consegue divertir, mas passou bem longe de ser algo memorável.

A sinopse nos mostra que no tempo em que dinossauros e mamutes ainda corriam livremente pela Terra, Doug, um corajoso homem das cavernas, une sua tribo contra um inimigo poderoso da Idade do Bronze, que os expulsa do perfeito Vale em que vivem. Buscando vencê-lo para recuperar o lar, ele propõe uma ousada batalha entre quatro linhas: um inédito jogo de futebol!

Sabemos o quão difícil é trabalhar com stop-motion, pois para cada mínima cena são necessárias horas e mais horas de preparação, uma tonelada de fotogramas, ficar trocando olhos e movimentos mínimos de cada personagem, e tudo mais que possa dar característica para o filme, porém se faltar uma história bem condizente e que pegue o público nada mais é que uma brincadeira de massinhas feita apenas para divertir em alguns minutos, e falo isso com o maior pesar possível, pois sempre saí muito emocionado com as produções da Aardman e principalmente com o que o diretor e roteirista Nick Park sempre procurou criar, de tal maneira que "A Fuga das Galinhas" ainda é considerado um clássico de nível altíssimo, e a superação que tiveram com "Wallace e Grommit" após todos os personagens pegarem fogo no meio das filmagens ainda é um marco que certamente não superaram completamente, ou seja, poderiam aqui repetir qualquer dose de carisma com o protagonista Doug, mas a história acabou sendo rápida e conclusiva demais, de modo que parece que cortaram tantas cenas para ficar um longa mais infantil que o filme não atinge ninguém, ou seja, é fácil notar o corte final dos produtores, que retiraram conceitos mais duros da trama, e situações de vértice mais dramático para que o longa ficasse divertidinho, e com isso a duração também foi rápida demais, sem muitos floreios, e que acabou falhando por todos os lados.

Quanto dos personagens, diria que foram bem moldados, mas que poderiam ter ousado mais em detalhes, pois é bacana de ver as texturas de cabelos e roupas em diversos momentos, mas confesso que a imagem do trailer está até mais detalhada que o resultado final nas telonas, e isso é ruim, pois mostra que o longa acabou passando por tratamentos estéticos demais para não dar estranheza para o público, o que é uma característica bem marcante sempre presente nos longas da produtora. O carisma de Doug é bem feitinho, e aqui dublado por Marco Luque quase não notamos sua voz nem trejeitos, o que é bem legal, e mostra o potencial do artista, mas ele também poderia ter tido um pouco mais de liberdade, pois com certeza o rapaz seria mais dinâmico e cheio de ginga que sabemos que ele sabe fazer, e não apenas alguém mais robotizado. O vilão Nooth é meio jogado também e embora até tenha uma proposta de enriquecimento em cima da população, faz trejeitos forçados, assim como a maioria da Era do Bronze que chegam a irritar na dublagem (não sei como está o original, mas espero que não tenha ficado parecendo um misto de portunhol arrastado!).

Enfim, com um visual bonito, e um colorido razoável, a trama tem uma pegada bem feita que agrada de certa forma, mostrando o futebol bem jogado no melhor estilo do filme "Um Time Show de Bola", mas que poderia ter um acerto melhor que agradaria bem mais. Recomendo ele como uma diversão rápida para as crianças não tão novinhas, mas que certamente vão cansar pela falta de elementos mais cativantes na trama, e que também irá cansar os pais, ou seja, um filme bem mediano que poderia ser incrível caso desejassem. Bem é isso pessoal, encerro essa semana cinematográfica que foi bem corrida, mas volto na próxima sexta com algumas estreias (ou no singular, afinal aparentemente só deve vir um filme para o interior!!), então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Na Praia à Noite Sozinha (Bamui haebyun-eoseo honja) (On the Beach at Night Alone)

4/09/2018 01:23:00 AM |

O estilo interpretativo de alguns países são mais difíceis de compreender do que outros, e se tem um que, por ser tão diferente do que estamos acostumados a ver, consegue entregar filmes muitas vezes estranhos é o tal do sul-coreano. Não digo que "Na Praia à Noite Sozinha" seja um exemplar dos mais complexos do país, principalmente por entregar algo que está tão em alta que é o assédio no mundo do cinema, de forma que acabamos vendo muitos detalhes na telona que realmente acontecem e vem à mente como algumas atrizes se sentiram deslocadas, porém o primeiro ato é um pouco frouxo e cansativo, pois ao não identificarmos tanto a localização, ou o que está realmente acontecendo ali, o resultado fica um pouco perdido, e somente após o segundo ato passamos a compreender melhor e até não jogar completamente fora tudo o que vimos ali. Ou seja, diria que é um filme diferente do usual, mas que mesmo sendo do comecinho do ano passado, muitas mulheres americanas certamente se identificariam com o que a protagonista aqui passou, e se fizerem uma refilmagem americana certamente vamos nos conectar completamente com tudo.

A sinopse nos conta que após ter um relacionamento com um homem casado, a famosa atriz coreana Younghee resolve dar um tempo e viaja para a cidade de Hamburgo, na Alemanha. Lá, em uma conversa com uma amiga, ela se pergunta se o amante a seguirá ou se ele sente sua falta tanto quanto ela. Ao retornar à Coreia, reencontra alguns velhos amigos na cidade costeira de Gangneung, onde comem e bebem juntos. Já meio bêbados, Younghee provoca, insulta e irrita os amigos. As conversas entre eles ficam cada vez mais fora de controle, revelando descobertas e verdades. Em seguida, ela se retira para uma praia deserta. Qual é a importância do amor na vida de alguém? Younghee quer saber.

O diretor Sang-soo Hong é daqueles que gosta de trabalhar bem a subjetividade, vimos isso em "O Dia Depois" e aqui novamente ele entrega um filme aonde os personagens contam mais a história do que o próprio roteiro em si, e dessa forma acabamos até bem intrigados com a personalidade de Younghee se ela realmente é culpada ou se culpa assédio que teve de um diretor, e embora procure saber o que é o amor, ela também se prende a detalhes e brinca com essa situação. Claro que para vermos isso precisamos ir bem além, pois o estilo que ela usa é algo bem diferente do comum, e junto com a legendagem imaginaríamos uma entonação completamente diferente se fosse feita em qualquer outro país, mas lá falam com tanta calma e paciência, que só com muito álcool na mesa para vermos reais personalidades. Não posso dizer que o diretor foi bem efetivo, mas ao menos a história desse me convenceu bem mais que seu filme mais recente (que vi até antes desse), e ainda quero entender algum dia o motivo dele dar tanto zoom em cenas desnecessárias.

Talvez seja uma implicância minha com a dramaticidade sul-coreana, mas Min-hee Kim poderia facilmente ser mais expressiva nos seus momentos dramáticos, impondo sua personalidade para com sua Younghee, pois sua história é dura, seus momentos são fortes em todas as cenas, mas ela sempre está apática sem ser nas cenas que faz bêbada, ou seja, ela saberia bem mostrar personalidade, mas foi apenas condizente de sua situação e não entregou nada muito chamativo. Dentre os demais atores, a maioria fez apenas boas conexões, alguns olhares avulsos, e nada além de estar junto com a protagonista trabalhando algumas conversas, mas nada que chamasse muita atenção.

No conceito cênico foi bacana conhecermos mais o interior da Coréia do Sul e também uma Hamburgo bem alternativa, pois geralmente vemos a grande concentração das cidades e locações mais complexas, de modo que o filme teve um ar mais interiorano com a protagonista mostrando sua aversão também aos grandes centros comerciais pelo que acabou acontecendo com ela, e assim sendo a equipe artística apenas precisou trabalhar a simplicidade dos locais e também colocar nas mesas muitas garrafas de saquês e cervejas (que falaram tantas vezes que a qualidade da cerveja coreana melhorou que acredito que a marca Max pagou algum tipo de patrocínio para o longa) para que a protagonista se soltasse mais e falasse algumas verdades para os amigos na mesa. Já a fotografia foi no básico, sem muita ousadia, e mesmo os protagonistas falando toda hora que estava frio, só sabemos disso pelos figurinos, pois o sol estava a pino na maior parte do tempo.

Enfim, é um filme simples, mas bem efetivo no que desejava criticar, que funciona e interessa bem no segundo ato, de modo que talvez uma montagem diferente chamaria bem mais atenção e colocaria o longa como um marco nas obras que muitos devem conferir sobre assédio dentro do cinema. Ou seja, recomendo a trama, mas com muitas ressalvas, pois é um filme bem alternativo que muitos irão conferir e não irão entender nada. Fico por aqui encerrando o Circuito Indie (não irei comentar sobre o longa antigo que conferi novamente, pois como costumo dizer, quando revejo clássicos acabo vendo mais defeitos do que qualidades), mas amanhã confiro a última estreia dessa semana, e volto aqui para postar sobre ele, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Covil De Ladrões (Den Of Thieves)

4/07/2018 03:11:00 AM |

É engraçado como alguns filmes conseguem nos enganar facilmente, inserindo tantas informações, criando situações e tudo mais, que acabamos não vendo detalhes que estão bem debaixo dos nossos narizes, e com isso acabamos nos surpreendendo no final. Digo isso sem nenhum pesar sobre "Covil de Ladrões", pois aposto que algumas mexidas aqui, outras ali, se quiserem podem transformar o longa numa franquia extremamente lucrativa, ou ainda em algum tipo de série, pois o filme só tem um grandioso defeito: a duração desnecessária de 140 minutos, pois poderiam eliminar os momentos familiares facilmente que teríamos o mesmo longa interessante e adequado com 110 minutos e que agradaria todos os críticos que estão atirando defeitos para todos os lados. Ou seja, a trama até é exagerada, com tiroteios que nem em um filme de guerra ouvimos tão fortes, possui um ar de impacto dos policiais, um ar de soberba monstruoso dos ladrões, e tantas cenas desnecessárias com a família, que confesso que no meio do longa já estava falando: "que série enrolada que é essa!", mas ao final com a reviravolta mais completa e bem feita, acabei já torcendo para que o segundo filme não demore 14 anos como esse demorou para ser feito, pois vale a pena uma segunda chance melhor arrumada, assim como vale conferir esse tirando alguns leves momentos.

O longa nos mostra que em Los Angeles, capital dos roubos a banco, um banho de sangue coloca em interseção a vida de dois grupos: a radical unidade de elite do departamento de polícia local, liderada pelo desmedido Nick, e a equipe de assaltantes de banco mais arrojada em atividade. Enquanto os criminosos planejam um ataque ambicioso até então tido como impossível, os homens da lei apertam o cerco pelo elo mais fraco da gangue.

Em seu primeiro filme como diretor, Christian Gudegast usou todo o conhecimento que teve aprimorado nos diversos roteiros que escreveu para outros diretores, e até soube trabalhar bem ângulos e criar dinâmicas, mas aí entrou o maior defeito de roteiristas quando resolvem assumir a direção, o medo de cortar pedaços do filho (roteiro) e eliminar coisas desnecessárias da trama, pois é fácil demais olhar para o filme e notar a quantidade de cenas que dava para remover, por exemplo todas as apresentações com nomes e tudo mais, todo o envolvimento familiar de cada personagem da trama (que não é usado para nada nas demais cenas, somente de leve quando um morre e resolve falar do filho, mas é irrelevante), a alongada cena de duelo final, e por aí vai, ou seja, o longa nas mãos de um diretor mais experiente removeria facilmente uns 20 a 30 minutos no mínimo deixando o longa redondinho, mas isso ele vai aprender para o próximo, porém em momento algum podemos dizer que ele falhou em manter o público conectado à trama, pois mesmo sendo alongado não vemos pessoas passeando saindo da sala, não vemos as famosas olhadelas de horário no celular, e com isso o resultado de uma trama trabalhada é sentido, pois passa rápido o filme e mostra que o tino policial (ou melhor de briga de gangsteres) dele é bem apurado, e a forma criativa de roubo foi bem inteligente e desenvolvida.

Talvez outro ponto de atenção seja o excesso de atores envolvidos na trama, pois o grupo é bem vasto, e com muitos que necessitaram ser apresentados, mas que não fizeram grandes diferenças na trama, ou seja, um erro que poderia ser facilmente preenchido dando mais destaque apenas para os protagonistas mais conectados com o mote principal, mas nada que tenha atrapalhado por demais o filme. Claro que o grande nome é Gerard Butler que engordou para o papel, e ficou com um ar mais forte para ser um xerife barra pesada, de tal maneira que seu Nick é daqueles que vamos até torcer para conseguir pegar a quadrilha, mas também ficamos com tanta raiva de algumas atitudes que também torcemos para ele levar umas porradas no meio do caminho, ou seja, o ator que é canastrão por normal na maioria dos filmes, aqui fez o papel de maneira bem fácil. Pablo Schreiber é um ator de boas facetas expressivas, e sua história na trama até dá um ar bem convincente para o seu Merrimen, mas talvez algumas cenas mais de imposição agradariam na resolução final para seu personagem, e isso ele saberia fazer bem se quisesse. O'Shea Jackson Jr. entregou um Donnie interessante para a trama, que funciona bem como um dedo-duro dos dois lados, e o ator soube dosar as expressões para não ser didático demais e até funcionar de leve como um narrador nas cenas de apresentação, mas seu grande ato foi na invasão ao banco, que ali se mostrou um verdadeiro ninja. Dentre os demais, a maioria fez seu básico sem atrapalhar em nada, tendo um leve destaque aqui, outro ali, mas sem dúvida a diversão da noite foi a conversa do personagem de 50 Cent com o pretendente a namorar sua filha.

No conceito cênico temos de destacar com certeza toda a estrutura do banco central, que se não é daquela forma criaram um estilo de segurança muito bem feito para ser demonstrado, e claro a grande quantidade de armas de peso que arrumaram para o longa, de forma que acho que alguns filmes de guerra possuíram bem menos exemplares, e se formos colocar em consideração o nível de barulho dos tiros, com toda certeza muitos longas de guerra usaram bombinhas infantis perto do que vimos hoje, ou seja, um exagero que serviu apenas para mostrar força visual e nada mais, além disso tivemos boas cenas de perseguição de carro, aonde felizmente a equipe de fotografia não se perdeu em sombras, e que junto de bons tons em marrom nos uniformes para diferenciar mocinhos de bandidos, o resultado acabou bem bacana na tela.

Enfim, é um filme com defeitos técnicos, mas que funciona bem dentro da proposta e que volto a frisar, se arrumarem bem esses detalhes, uma continuação vem com grandes chances de criar uma franquia de grande porte, pois a ideia é excelente e certamente existem bancos monstruosos pelo mundo afora para explorarem. Recomendo que vejam o longa mais como uma diversão policial, mas que vá preparado para algo longo com alguns momentos completamente desnecessários. Fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais pessoal.

Leia Mais

Um Lugar Silencioso (A Quiet Place)

4/06/2018 09:26:00 PM |

Olha, fazia tempo que um terror bem feitinho, de baixo orçamento e com situações de tensão reais não era feito (ok, "Corra" teve seu estilo, mas foi mais para algo psicológico), e aqui em "Um Lugar Silencioso", temos a tensão feita pelo risco de vida em um futuro aonde monstrengos com super audição captam o menor barulho possível, e aí já era. Ou seja, temos quase um filme mudo, pois todos falam através da linguagem dos sinais na maior parte do tempo (felizmente legendaram para quem não entende!), e em alguns momentos temos algumas conversas completamente bem colocadas. Claro que temos alguns detalhes iminentes que o diretor apela para mostrar exatamente o que quer que vejamos, e alguns vão reclamar desse excesso, porém tudo acontece tão bem feito que acabamos relevando isso e entrando na vibe correta da trama, e ao final quando já sabemos como podemos se salvar (mesmo achando que ninguém vai sobreviver, afinal como esconder o barulho de um parto!!!) já ficamos na expectativa de que com certeza irão deixar para um segundo filme, e bingo, vamos aguardar pois vai valer a pena! Mas não fique triste com esse detalhe, pois o longa está bem moldado, e não vai ficar jogado o fechamento, podendo caso a produtora não decida fazer um segundo longa acabar ali que já está valendo o resultado final.

Um casal tem dois filhos e eles vivem numa casa isolada. A família precisa se manter em silêncio total e se comunica por meio da linguagem de sinais. Ao menor sinal de barulho, uma ameaça que ronda a casa pode atacar.

Só conhecia o John Krasinski como ator mesmo, pois seus dois longas anteriores como diretor não passaram por aqui, mas pelo que vi que fez aqui hoje, posso dizer algo que raramente falo, ele conseguiu fazer bem tanto a direção quanto ser o protagonista da trama, que é algo que reclamo demais, por achar que sempre vão falhar em uma das duas pontas, e ele dominou a cena, e criou toda a perspectiva necessária para que ficássemos em silêncio junto com os protagonistas, quase sem respirar também para que os monstrengos não nos ouvissem (afinal vai que tinha um na sala de cinema também né!). E a grande sacada do roteiro é ir entregando pouca coisa sobre os bichos, irmos vendo coisas nas manchetes de jornais, e mesmo não sendo explicado sua origem (será que imaginaram de fazer algum prequel ao invés de continuação?) acabamos ficando com temor do que pode acontecer aos personagens, e felizmente o diretor não deixou a desejar nenhuma cena que imaginávamos muito sangue, fazendo um terror mesmo! O único aquém que poderiam ter economizado, é que muitos acontecimentos são premeditados (por exemplo, mostra um prego afiadíssimo fora da madeira na escada em detalhe de câmera close, e claro na sequência já sabemos o que vai ocorrer, ficando apenas aguardando), mas isso só incomoda um pouco, e nem chega a atrapalhar o resultado final da tensão completa. Ou seja, podemos dizer que novamente em Abril, surge um terror com cheiro de premiações, e com certeza vamos torcer para haver continuações, pois foi muito bem feito.

Sobre as atuações, podemos novamente falar que John Krasinski foi completamente coeso com seu personagem, sendo duro nos momentos que precisou e fazendo caras e gestuais perfeitos (em relação à atuação, pois não sei se as linguagens de sinais estão corretas com o que legendaram!), de modo que acabamos nos afeiçoando à tudo o que faz em cena. Mas sem dúvida alguma o filme é de sua esposa (no filme e na vida real!) Emily Blunt, por duas cenas incríveis que ela se deu de alma para o longa, de forma que conseguimos entrar nos seus pensamentos e sentir exatamente o que estava pensando (ou melhor, com vontade de gritar bem alto!), e com trejeitos tão impactantes acabamos torcendo para ela e vibrando com o que faz. A garota Millicent Simmonds chega a irritar em muitos momentos pelas atitudes de sua personagem, mas isso é o que é bom, pois mostra que a atriz conseguiu entregar o que o papel pedia: uma adolescente que se culpa inteiramente pelo passado e que briga com tudo e todos, mesmo sem dizer uma única palavra, e assim sendo, podemos dizer que fez muito bem suas cenas. O jovenzinho já tinha dado um show tanto em "Suburbicon" quanto em "Extraordinário", e ficamos até esperando um pouco mais de personalidade dele no papel, mas teve poucas chances de se mostrar realmente e apenas fez um bom papel sem muito destaque, o que é uma pena.

Muitos vão fazer cara feia, mas logo que sobem os créditos vemos um pequenino nome na produção, ou seja, sabemos que ali é que a coisa acontece, ou melhor com a assinatura da produção feita por Michael Bay, até poderíamos esperar grandes explosões, cenários mirabolantes e tudo mais com os monstrengos, mas por mais incrível que possa ter acontecido, ele entregou um longa de baixo orçamento (17 milhões apenas!) com uma cenografia bem colocada sem exageros, pois até poderia fazer uma cidade monstruosa devastada pelos bichos como mostra em alguns jornais, e que por ser algo rural acabou criando ainda mais tensão, ou seja, com detalhes simples e bem feitos a equipe de arte ajudou a criar o ambiente e ajudar na criação funcional de cada ato, ou seja, perfeição cênica. Outra grande felicidade ficou por conta da equipe de fotografia que não quis esconder nada do público, pois na maioria dos longas de terror, temos muita escuridão aonde não vemos nada e apenas levamos o susto quando o bicho aparece do nada, e aqui tudo está 100% claro na nossa frente, podendo o bicho aparecer de qualquer lugar com qualquer barulho, o que nos faz ficar esperando, e junte a isso bons tons para explicar cada momento, que qualquer leigo sabe que na hora que as luzes ficam vermelhas, o pau vai comer!

Enfim, estava com muito medo das ótimas críticas que estava ouvindo sobre o longa, mas confesso que aqui vocês leram mais uma crítica completamente favorável ao longa, e que com toda certeza recomendo para os amantes de um bom terror, pois vai valer os 90 minutos na sala de cinema, e peço que deem preferência por ver esse no cinema, pois em casa é capaz que a tensão não fique completa, já que a densidade dramática acaba ficando pelo desconhecido, e em nossa casa sabemos tudo ao redor. Bem é isso, fico por aqui agora, mas já vou conferir um outro longa daqui a pouco, então abraços e até breve.

PS: Estou tirando um coelho da nota apenas pelo excesso de cenas premeditadas, mas é algo que daria até para relevar, então vai um 9 com gostinho de 10.

Leia Mais

Colo

4/06/2018 12:52:00 AM |

Quando me perguntam qual estilo de filme eu mais gosto sempre respondo a mesma coisa: todos, desde que não vire uma novelona, pois filmes tem de ser dinâmicos na minha opinião, ser resolvidos e entregar a opinião do diretor sem ficar criando relações mil ao redor, mas quando uma novela é boa, até conseguimos gostar um pouco, esperando uma resolução considerável e torcendo para que tenha algum clímax ou reviravolta interessante ao menos, mas quando isso não ocorre e a enrolação é levada até o final, a decepção costuma ser grandiosa. Digo isso, pois classificaria "Colo" como uma novelona que mostra a essência da crise financeira que é desmoronar famílias, e que talvez tivesse uma proposta bem colocada para ser mostrada, mas enrola tanto, trabalha os personagens de forma sempre aberta demais, possui duas reviravoltas absurdas e acaba finalizada de forma tão ruim que certamente será daqueles que não vou lembrar de ter visto daqui algumas semanas, ou seja, está longe de ser um pesadelo, consegue soar agradável sem muita apelação, mas não faz nada além do básico.

O longa nos situa em Portugal, aonde a rotina diária de pai, mãe e filha é absorvida pelos efeitos da crise econômica. A mãe se desdobra em dois empregos para pagar as contas, pois seu marido está desempregado. A filha adolescente guarda seus próprios segredos e tenta manter sua rotina diária apesar da falta de dinheiro. Para escarpar dessa realidade comum, eles se tornam, lentamente, estranhos uns aos outros, enquanto a tensão se transforma em silêncio e culpa.

A diretora e roteirista Teresa Villaverde até foi bem no contexto que desejava passar, conseguindo retratar a grande desestabilização da família, a loucura que alguns acabam fazendo, o desespero por parte de alguns, e com isso ela cria uma ambientação eloquente e totalmente dentro da proposta, porém exagerou demais em pausas dramáticas, em trejeitos forçados para cada ato, e com isso o longa mais enrola do que acaba tendo ações, o que resulta em algo que fraqueja demais para o público em geral. Não digo que seja um filme ruim, pois ela conseguiu mostrar o que desejava, mas poderia ser daqueles filmes que sairíamos do cinema com o queixo no chão, e infelizmente não é o que acontece.

Sobre as atuações, temos de ser sinceros que todos fizeram trejeitos demais para seus personagens, o que demonstra um pouco de exagero por parte da direção em não saber passar para os atores o que desejava, mas também um pouco de culpa recai sobre eles que poderiam não ter feito tantas caras e bocas nos momentos mais precisos, marcando a cena com bons diálogos e olhares apenas, que ainda assim acertariam o que o longa precisava, mas como isso não é algo que pode ser corrigido, o que vimos foi João Pedro Vaz como um Pai que surta completamente após não conseguir emprego nem com amigos e que parte para todo tipo de loucura, até mesmo a de fazer algo completamente fora de seu alcance, e que pasmem é aceita, ou seja, nessa parte quase ao final, eu ri muito mesmo o longa sendo um drama, e com isso podemos dizer que o ator se deu por completo para a trama, e mesmo fazendo muitas coisas irreais, sua interpretação foi a melhor do longa. Beatriz Batarda entregou também uma Mãe desesperada para com seus empregos, sofrendo dores, febres e tudo mais que se sente após a estafa atacar, mas o surto era iminente também, e a atriz até fez boas cenas, mas apareceu pouco dentro do contexto da trama, o que acabou pesando para que suas atitudes não chamassem tanta atenção. Alice Albergaria Borges trabalhou sua Marta como uma adolescente mimada demais, que tem tudo e que quando lhe vão tirando algo acaba fazendo mais atrocidades do que chamando atenção, e sempre com uma cara apática mesmo nos momentos de descontração, a atriz foi a que mais falhou, principalmente por sempre estar em foco, ou seja, assumiu a culpa do desastre.

No conceito cênico, a trama teve um desenvolvimento estranho, pois mostrou o que acontece com quem não paga as contas, colocou locações simples gastas e bem montadas para exemplificar cada lugar, mas trabalhou de forma tão abstrata que não conseguiu soar convincente de um modo geral, e isso é uma pena, pois o longa tinha potencial. Destaque para a boa fotografia feita nas cenas no escuro, que deram um tom intimista para a produção, e que poderia ficar ainda melhor se mantivesse mais momentos nesse estilo.

Enfim, é um longa bem mediano que tinha uma proposta até que ousada e a diretora tinha potencial para atingir, mas optou por algo mais lento e novelesco demais, o que acabou resultando em algo abaixo do comum de vermos em longas do gênero. Portanto não recomendo o filme, mesmo com a proposta funcionando de modo bem abstrato. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com algumas estreias da semana, e no domingo volto para fechar o Circuito Indie, então abraços e até breve.

Leia Mais

O Futuro Perfeito (El Futuro Perfecto) (The Future Perfect)

4/05/2018 01:34:00 AM |

Sabemos que em todos os países temos longas bons e ruins, mas se tem um país que sabe exportar bem suas obras e só mandar coisa muito boa para cá é a Argentina, pois dificilmente aparece um longa que saímos reclamando da sessão com o que foi exibido, e na maioria das vezes o elogio é de quase beirar a perfeição. E claro que comecei o texto dizendo isso, pois "O Futuro Perfeito" é daqueles longas que se você ler a sinopse vai achar a ideia tão boba e tão irreal que com quase toda a certeza se puder optar por outro título, irá deixar esse de lado, mas não faça isso, pois você irá se arrepender, afinal o longa beira o genial fator de transportar para a telona a ideia de que tudo o que aprendemos nos cursos de línguas, com exemplos bobos, quando vamos usar na prática dificilmente acontece igual, e com isso acabamos nos atrapalhando muito, então se coloque na pele da protagonista, uma chinesa tentando aprender castelhano, que assim como nosso português possui um milhão de estilos de conjugação de verbos, e ainda mais trabalhar com o famoso futuro do pretérito, aonde você precisa imaginar sua vida com o que faria, ou seja, diversão garantida, e embora tenha algumas coisas um pouco absurdas, o resultado final é incrível, e até terminaria na cena anterior que acaba, mas a ideia final é boa ao menos.

O longa nos conta que Xiaobin tem 17 anos e não fala sequer uma palavra de espanhol quando chega à Argentina para encontrar sua família. Alguns dias depois, ela ganha o nome de Beatriz e um trabalho em um supermercado chinês. Sua família cuida de uma lavanderia e vive completamente isolada dos argentinos e da vida local. Xiaobin/Beatriz consegue guardar algum dinheiro e começa a frequentar um curso de castelhano. Ela testa seu novo idioma nas ruas e acaba conhecendo o indiano Vijay. Quando aprende o tempo condicional na escola, Xiaobin começa a pensar no futuro, no que aconteceria se seus pais soubessem de seu relacionamento com Vijay. Quanto mais ela aprende o novo idioma, mais ela é capaz de modificar sua realidade.

Em seu longa de estreia, a diretora alemã Nele Wohlatz usou a coerência ao seu favor, para trabalhar a língua estrangeira dentro da linguagem cinematográfica, e embora isso possa parecer tão simples, afinal já vimos outros exemplares aonde algum personagem não sabe falar a língua do país e acaba entrando em alguma fria, aqui ela não subestimou o espectador, e acabou deixando que a comicidade fosse usada não pela protagonista, que se faz séria na maior parte da trama, mas sim pelo roteiro em si que acaba sendo divertido pela proposta de usando a conjugação verbal para imaginar o seu próprio futuro, ou seja, tudo acaba fluindo diretamente pela brincadeira de se aprender uma língua em sala de aula e ao necessitar usar ela na realidade tudo fluir diferente, então a protagonista acaba necessitando agir para que seu futuro seja perfeito como a conjugação lhe diz. Diria que faltou talvez algumas cenas mais de impacto e menos cenas de abstração para que o longa ficasse realmente perfeito, mas num contexto que é proposto, a diversão vale por demais.

Sobre as interpretações, é fato que o longa gira completamente em cima da protagonista, e com isso a jovem Xiaobin Zhang precisou ser completamente bem trabalhada para ser o mais real possível em sua estreia nos cinemas para que o longa fluísse bem, e ela conseguiu trabalhar trejeitos assustados em relação a linguagem, trejeitos de ignorar pessoas quando não entende e não quer entender, e claro mandou muito bem seu chinês quando não soube o que responder em castelhano, ou seja, foi perfeita e bem carismática para todas as situações. Já o jovem indiano Saroj Kumar Malik acabou ficando com um Vijay meio inexpressivo como se estivesse bem para com o filme, ou seja, poderiam ter colocado um ator melhor para o papel, que aí sim tudo ficaria mais incrível como aconteceu nas cenas com o ator argentino Nahuel Pérez Biscayart ensinando como chorar no cinema.

No conceito cênico, como nunca fui para a Argentina, fiquei me perguntando se por lá a maioria dos supermercados são administrados por chineses, pois a jovem vai trabalhar em dois diferentes e tudo parece dominado pelo grupo, mas tirando esse detalhe, o grande feito do longa foi ser simples em tudo, focando a câmera quase sempre na protagonista para não precisar de muitos cenários, e com isso economizando ao máximo para ser efetivo. Destaque claro para as cenas mais caras, em que a jovem fala suas versões de futuro, e com isso tiveram de abusar da criatividade e agradar bastante também.

Enfim, citei acima alguns defeitos da trama, mas certamente é um longa que vai divertir bastante quem conferir, pois praticamente todos nós já passamos por cursinhos de línguas aonde aprendemos exemplos bobos e que se formos viajar (ou pior, morar fora) vamos usar bem pouco o que aprendemos, pois na prática tudo ocorre bem diferente. Portanto quem puder, confira o longa e se divirta com essa história maluca, pois garanto que vai valer a pena. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um longa do Circuito Indie Festival, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

O Dia Mais Feliz Da Vida de Olli Mäki (Hymyilevä mies) (The Happiest Day in the Life of Olli Mäki)

4/05/2018 12:23:00 AM |

É sempre interessante ver filmes esportivos, pois procuram mostrar a garra dos personagens, mas e quando falamos de como o esporte acaba influenciando a vida não indo no rumo que a pessoa deseja, também é algo que precisa ser debatido, e aqui em "O Dia Mais Feliz Da Vida de Olli Mäki", temos uma trama bem dosada, com nuances expressivas de cada um dos protagonistas, e que baseado em fatos reais acabou envolvendo o público de um modo simples, mas sem precisar fazer algo grandioso. Ou seja, temos um longa que foi trabalhado para mostrar que ao chegar no topo do esporte, o jogo/luta/competição acaba nem sempre sendo tão favorável para o esportista, mas sim duro por precisar ficar ao dispor de patrocinadores e empresários, o que acaba mais cansando o esportista e estragando sua vida, do que realmente fazendo com que ele cresça no meio, e isso só os grandes e fortes conseguem superar, o que aqui é mostrado de uma maneira bem sutil e interessante de ver.

A sinopse nos conta que no verão de 1962, Olli Mäki tem a chance de disputar o título mundial de boxe na categoria peso-pena. Em todos os lugares da Finlândia, das cidades do interior às luzes da cidade de Helsinque, as pessoas torcem para o seu sucesso. A única coisa que Mäki precisa fazer é perder peso e se concentrar. Mas há apenas um problema: Olli está perdidamente apaixonado por Raija.

É bacana vermos como o diretor Juho Kuosmanen procurou ser eficaz em mostrar o anseio por paz e simplicidade como a vontade do personagem principal, e ao ir trabalhando cada situação do roteiro sem muitas firulas, ele conseguiu passar tudo o que desejam de uma luta profissional de boxe, e tudo o que envolve nesse meio esportivo aonde antigamente os lutadores ganhavam pouquíssimo, mas todos ao redor esbanjavam gastos com muito dinheiro circulando. Mas a grande faceta mesmo do diretor foi não exagerar nos personagens, e mesmo que tenha usado diversas cenas desnecessárias na trama para enfatizar a vida que o personagem principal tinha e gostava de ter, ele foi singelo em todos os momentos a fim de que tudo soasse correto na proposta do personagem principal, e todos ao seu redor que estavam errados, o que talvez até realmente aconteça nesse mundo esportivo, mas que poderiam ter trabalhado um pouco mais para que o filme não ficasse num único fluxo.

Dentro do conceito das atuações, podemos dizer que tivemos boas expressividade por parte de todos os protagonistas, e desde a garota singela mas com um carisma no olhar de Raija, que foi interpretada por Oona Airola, passando pelo lutador que ao manter seu estilo simples de padeiro, mas que com garra busca seu grande feito, e que Jarkko Lahti entregou de uma forma bem sutil e gostosa de ver com seu Olli, e chegando até o empresário Elis que como alguém endividado e cheio de gana está querendo ganhar sua vida a partir de outra pessoa, e que Eero Milonoff fez com tanta personalidade, todos tiveram bons momentos para mostrar seu grande momento e ainda poder desenvolver atitudes para que soassem bem colocados, ou seja, um bom elenco principal que até teve muitas participações conectadas, que em alguns momentos até tentaram aparecer mais, mas felizmente o diretor foi coeso e conseguiu manter a história no pé correto, e ainda agraciar numa última cena a passagem dos verdadeiros Olli e Raija pelos fictícios.

O longa contou com uma ótima fotografia em P/B para não necessitar elaborar tanto em cenários e maquiagens, pois dessa forma a trama funcionou e ficou correta, além disso usou figurinos coesos, e até que foi bem engraçado ver uma luta ao ar livre, coisas que hoje não costumamos mais ver, ou seja, a equipe de arte embora tenha maquiado bem tudo com a fotografia, conseguiu ser simples e efetiva. Sou meio contra filmes serem em preto e branco sem a necessidade de algo maior, e aqui esse foi um exemplo que daria para ser colorido tranquilamente, mas acabou dando uma tonalidade bonita, e colocando uma marca de época meio que documental por ser um longa baseado em fatos reais, então dessa vez, esse recurso, passa.

Enfim, foi algo bacana de ver, simples e bem colocado dentro da proposta, mas que poderia ser bem melhor se encarado como algo mais empolgante como são as lutas hoje, e talvez até alfinetar mais o estilo dos empresários do esporte, pois ao ficar no meio do caminho o longa não atingiu nem um lado nem outro, soando apenas como um ar de um camponês disposto a largar tudo pelo amor. Bem é isso pessoal, deixo aqui minha recomendação para esse longa e já vou escrever do outro filme que conferi hoje, então abraços e até breve.

Leia Mais

A Vida Após A Vida (Zhi Fan Ye Mao) (Life After Life)

4/04/2018 01:48:00 AM |

Sempre que falamos de longas que trabalham com a ideia de reencarnação ou somos surpreendidos ou acabamos dormindo com o que é mostrado, mas sempre vamos sair da sala refletindo no que nos foi mostrado, e aqui em "A Vida Após A Vida" a dúvida é exatamente se gostamos do que vimos, pois tudo é bem leve e ao incorporar uma fotografia quase morta o resultado do longa acaba bem morto também, de modo que cada ato vai fazendo você pensar no objetivo da trama e acabamos apenas sabendo que a missão da esposa é fazer com que o ex-marido se conecte com a família, e faça sua última vontade, mas falta aquele tom mais forte para pesar tudo e sairmos emocionados e não apenas confusos. Ou seja, não digo que o resultado final seja algo ruim, mas faltou um pouco mais para realmente ser um longa bonito pela essência e não apenas pela fotografia.

O longa nos mostra que poucos moradores ainda vivem na pequena província chinesa de Shanxi, muitos se mudaram ou morreram, muitas casas abandonadas desabaram e alguns fantasmas voltaram. O espírito de Xiuying vagou por mais de uma década e retornou à aldeia através do corpo do filho, Leilei. Ela quer mover a árvore que plantou no jardim da família do marido quando se casou. Através da visão do passado de Xiuying vemos o que restou no presente, as pessoas, a reencarnação.

Diria que embora tenha uma linha bem tênue de beleza na essência do roteiro e no desenvolvimento da trama, faltou experiência para o diretor e roteirista Zhang Hanyi em seu primeiro filme, pois ao tentar captar o espectro entre a vida e o esquecimento como dito no material do filme, ele fluiu demais com tudo e com personagens digamos vazios de expressões necessitou demais que o longa tivesse força na história, o que não aconteceu. Mas também não posso dizer que o longa não tocou no público, pois certamente a forma que tudo é passado, com um cenário praticamente morto, e abusando da mitologia da reencarnação ele fez com que todos pensássemos nas possibilidades e até refletíssemos sobre o que desejava passar, apenas faltando pequenos detalhes que certamente num próximo filme irá derrubar com um acerto em cheio.

Como disse no último parágrafo, faltou força nos personagens, e principalmente nas expressões dos atores, de modo que Zhang Li e Zhang Mingjun aparentaram ser daqueles que pegaram no meio do povoado e falaram vocês vão ficar ali e fazer assim e pronto, não tendo sequer técnicas expressivas nem dinâmicas convincentes para com seus personagens, sendo uma falha tão imensa que com outros atores mais fortes teríamos algo incrivelmente emocionante com toda certeza.

No conceito visual, posso dizer que achei o lugar fantástico aonde o longa foi filmado, e que a paisagem está perfeitamente conexa com a trama, desenvolvendo exatamente a sensação de que tudo está morto ali, com a fotografia usando e abusando de tons marrons e tendo leves contrastes para dar algum tipo de pitada, e talvez se ousassem mais nesse conceito iriam bem mais longe.

Enfim, é um filme artístico bem alternativo, que talvez uma ousadia mais impactante chamaria a responsabilidade para outros rumos e agradaria mais, mas está bem longe de ser uma tragédia, e mesmo com tudo bem morto na tela, o longa não cansa e passa a mensagem ao menos. Bem é isso pessoal, esse foi o primeiro dia do Circuito Indie Festival, e vou torcer pra melhorar nos demais, pois já tivemos anos bem melhores, fico por aqui hoje, mas volto com mais textos amanhã, então abraços e até breve.

Leia Mais

Jovem Mulher (Jeune Femme) (Montparnasse Bienvenue)

4/04/2018 12:53:00 AM |

Já disse isso algumas vezes, e sempre caio no mesmo crime de assistir um filme alternativo e esperar que aconteça algo diferente do usual de mostrar o cotidiano de uma pessoa, suas atitudes, e enrolar durante toda a duração do filme sem levar a lugar algum, e com "Jovem Mulher" somos expostos a diversas situações de uma mulher que ao mesmo tempo que se mostra livre para fazer o que deseja, e faz, também não gosta de ser assim, ou seja, da mesma maneira que ela cansa disso, ela nos cansa também, de modo que um filme de 97 minutos acaba parecendo ter ao menos 3 horas, e não atinge lugar algum. Diria que o filme vale mais pela essência da protagonista do que pela história em si, e esse é o comum de vermos em longas desse estilo ou seja, filmes cansativos que não levam a nada.

A sinopse nos conta que sem dinheiro, dona apenas de um gato e com todas as portas batendo na sua cara, Paula retorna à Paris após uma longa ausência. Repentinamente abandonada pelo namorado, sua odisseia durante o dia e a noite está apenas começando: uma jornada para redescobrir a integridade de sua alma e sua independência. Ela só tem certeza de uma coisa: está determinada a recomeçar novamente e o fará com estilo e carisma.

Sempre digo que todos necessitam da oportunidade de ter seu primeiro longa-metragem, mas ao fazer isso recomendo que crie algo mais dinâmico num primeiro momento e depois de muito conceituado, faça seu longa alternativo cheio de nuances, pois a chance de errar é bem menor, pois geralmente encarar algo filosófico e cheio de propostas que ficam girando e não saindo do lugar é algo que cansa demais e quebra a todos, de tal maneira que dando uma leve analisada rápida no público da sessão de hoje, o que tínhamos eram muitas mulheres que certamente possuem um pensamento de vida independente e que achavam que veriam isso bem feito na telona, mas infelizmente a diretora Léonor Serraille apenas criou as situações, mostrando que a liberdade pode ser boa, mas se você não tem o espírito livre para ser livre acaba ficando mais presa e em dúvida do que quer, e nesse looping imenso, a trama ficou até que bem colocada, mas extremamente cansativa, pois acabou sendo simplório e sem dinâmica alguma para envolver o público, acabando praticamente de maneira nula e sem muita reflexão.

Sobre as atuações, o filme só vale pela loucura e ótimos trejeitos de Laetitia Dosch, pois ela criou uma Paula completamente maluca, que desde a primeira cena nem respira para falar e mostrar sua opinião, mas que também ao mesmo tempo que está atirando, está na dúvida do que está fazendo, e com isso o resultado brilha bastante com bons trejeitos e que se a história fosse melhor contada e tivesse um propósito maior acabaria agradando por demais. Dentre os demais, todos tentaram aparecer e ajudar a protagonista, mas com poucos destaques para chamar atenção e com isso o resultado acaba sendo um pouco falho.

No conceito artístico, foram efetivos em ter diversas locações, mas acabaram repetitivos demais, não tendo nenhuma locação para falar que a essência do longa estava ali, com um apartamento cubículo, uma loja de lingeries e algumas baladas, mas sempre a trama fechando ao redor da protagonista, não tendo nenhuma câmera mais aberta, nenhum momento que ressaltasse uma loucura maior, e até mesmo o gato (embora muito bonito) teve uma co-participação mais intimista, o que poderia valer a pena, ou seja, a equipe de arte até tentou mostrar serviço, porém falhou mais do que agradou.

Enfim, é um filme fraco, que até possuía uma ideia boa e que está bem na moda, mas que rodou demais e enrolou demais para chegar a lugar algum, e com isso mais cansou do que funcionou, o que é uma pena, pois certamente teria de tudo para agradar, e com isso, fazia muito tempo que um filme francês não me decepcionava tanto, e sendo assim não posso recomendar ele de forma alguma. Bem é isso pessoal, agora vou falar do outro longa que vi hoje, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Nada a Perder - Contra Tudo. Por Todos.

4/03/2018 01:31:00 AM |

Quando falamos do sucesso que filmes nacionais vêm tendo, temos de pontuar também os famosos "abocanhadores" de ingressos, digo isso, pois como todos bem sabem, os últimos dois longas produzidos pela Igreja Universal/Record Filmes, cerca de 80-90% dos ingressos foram comprados pelos pastores para repassar para seus fiéis nas igrejas, e com isso muito se viu salas completamente vendidas, mas com pouco público. Felizmente esse novo lançamento não está sendo tão vazio assim, afinal se no longa "Os Dez Mandamentos" todos já conheciam a história pela novela, agora com "Nada a Perder - Contra Tudo. Por Todos." temos de firmar que poucos conhecem a história do fundador da Igreja, seus parentes famosos, como foi a compra da Record, motivos para a prisão e tudo mais, ou seja, aguçou um pouco mais a curiosidade daqueles que ganharam ingressos, e até de alguns poucos dispostos a pagar para conferir também, e sendo assim, o resultado dessa vez possa ser um pouco mais real. Dito isso, o que posso falar da produção é que surpreendi por dois pontos na trama, primeiro como não conhecia absolutamente nada da história de Edir, foi bacana saber alguns pontos de sua vida, sua persistência em virar um captador de almas para Cristo, mesmo que todas as demais igrejas lhe negasse essa missão, sua visão como contador/economista de grandes pontos de mudança, e tudo mais que a trama mostra (claro que de uma forma bem parcial, que talvez vista por alguém de fora fosse melhor mostrada). Também preciso pontuar que vi uma grandiosidade da direção de arte que poucos longas nacionais já se prezaram em fazer, ou seja, algo bem chamativo e com recursos de primeira linha para compor as épocas que o longa se passa. Porém também preciso pontuar o maior defeito da trama, que é o mesmo do nosso cinema de grande público ainda: o exagero, que se nas comédias forçam para rir, aqui forçam no cunho dramático quase novelesco para tentar comover o público a acreditar em tudo o que está sendo mostrado, e assim, o longa soa inverossímil para quem não for fiel, e mesmo que muito ali possa ser baseado em fatos reais, acabamos não nos conectando como poderia, mas para os fiéis da Igreja, esses sim sairão apaixonados pelo bispo, mais do que já eram. E em resumo, o que posso falar logo de cara, é que já vi muita coisa pior nos cinemas, então acredito que funciona como disse acima, para conhecer mais sobre uma personalidade nacional.

O longa que é baseado em eventos reais, nos revela os episódios mais marcantes da vida de Edir Macedo, colocando a história do país nos anos 60, 70, 80 e 90 como pano de fundo para a trajetória do líder religioso, que sempre foi cercada de momentos difíceis, polêmicos e controversos, como sua prisão em 1992, em São Paulo.

Já disse algumas vezes que não sou contra diretores de novelas/séries mudarem os ares e irem para o ramo das telonas, mas sempre confesso que a maioria acaba achando que podem contar uma história completa em pouco tempo, enfeitando tudo e sem conectar detalhes, basta jogar um fade black que o próximo ato pode acontecer sem problema algum, e não é assim, cinema a história toda precisa ser contada de forma temporal, com conexões bem marcadas e ou mudanças conexas, e logo de cara já vemos que não vai ser assim que Alexandre Avancini vai nos mostrar a história de Edir Macedo, de tal forma que poderia ser criativo com fatos normais acontecendo na vida do bispo e tendo suas lembranças de tudo o que aconteceu (ficaria perfeito como cinema), mas não vamos fazer uma micro novela de 140 minutos que iremos depois fazer mais duas outras de 140 e está tudo certo, e com isso embora eu volte a frisar que o longa contenha muitas situações interessantíssimas, o resultado cansa um bocado para quem não for fã desse estilo. Ou seja, faltou a dinâmica de um diretor realmente de cinema, mas, como é um longa encomendado, não seria justo que não fosse feito por um diretor da casa (Record), e como lá a coisa é bem complicada nesse nicho, vamos com quem sabe fazer e já fez algo bom na carreira, mesmo que seja num passado bem longínquo. Então pontuando melhor, a maior falha foi não criar um roteiro para cinema, que fosse mais curto e direto, e com isso, foi necessário estar apelando a todo momento para que cada conexão fosse com emoções e frisasse os impactos fortes do protagonista, suas glórias e escolhas, e com isso, o resultado fica preso ao invés de deslanchar, mas ao menos souberam fazer uma boa trama de época, agora é ver o que farão com o filme 2 e 3.

No conceito das interpretações, temos muitos personagens na trama, e infelizmente poucas boas interpretações, pois mesmo não conhecendo praticamente nenhum dos personagens reais (só vejo rapidamente o R.R. Soares antes do Masterchef!), não é fácil se convencer em momento algum que qualquer um ali faria na vida real trejeitos dessa forma, tudo soando extremamente forçado e com ares desconexos do que uma produção convencional faria, ou seja, é melhor focar somente nos protagonistas, senão corre o risco de falar muito mal de alguém. Petrônio Gontijo é um ator bem eclético que já está na Record há tanto tempo que só quem confere as novelas da casa lembra dele mais novo, e ele é bom de trejeitos e conseguiu ser expressivo ao menos nas caras caricatas de Edir Macedo, digo caricatas por ser impossível alguém fazer caras e bocas tão marcadas na vida real, sem dizer que o cara está atuando, ou seja, ele falhou como parecer um personagem real, mas mostrou que se alguém necessitar de um ator expressivo para teatro, seu nome tem de estar na lista número 1, além disso ele tentou diversas vezes ter uma coerência na deficiência real do protagonista, ao segurar o microfone de forma diferenciada, mas poderiam ter feito uma maquiagem mais forte ali para ficar mais real. Day Mesquita poderia ter sido substituída na versão adulta de Ester, pois como jovem até ficou bem, trabalhou um carisma forte, mas depois precisou ficar sempre de lado para não soar nova demais, e se ela estiver na continuação vai ser algo complexo de trabalhar sem muita maquiagem. André Gonçalves fazendo R.R. Soares é algo incoerente demais, pois se desejavam mostrar que o pastor era alguém galanteador e egocêntrico acertaram na escolha, pois foi só isso o que passou, mas completamente longe de aquele estilo virar o que vemos na TV na Band hoje, ou seja, foi chacota da produção. Dos demais, poderia citar mil erros, mas o mais absurdo é a cena de exorcismo, que foi forçar a barra demais tanto no conceito de roteiro quanto nas expressões da atriz, que vou preferir nem procurar o nome.

Agora se temos de falar bem de algo, certamente temos de aplaudir a direção de arte do longa, que teve um trabalho memorável em criar as diversas épocas que o filme se passa, com muitos carros que marcaram época, carros de polícia completamente coerentes, figurinos, locações bem retratadas, muitos cenários, diversos elementos cênicos marcantes (alguns divergentes do que podemos ler em textos de outros missionários, mas isso não vem ao caso aqui), de tal maneira que tudo acaba impressionando, e mesmo as cenas de arquivo colocadas nas TVs foram bem escolhidas e completamente coerentes com tudo o que desejavam passar, ou seja, diria que 90% da minha nota vai pelo ótimo trabalho que fizeram aqui. A fotografia brincou bastante com sombras e soube ser adequada em diversos momentos para criar a dramaticidade necessária, além de ousar em alguns detalhes e criar texturas, coisa bem rara de ver no cinema nacional, para que com isso conseguissem comover nas diversas viradas de ponto da trama, mas como falei no começo, poderiam ter economizado nos fades/transições de época que agradaria bem mais.

Enfim, é um filme que recomendo mais para os fiéis da Igreja Universal do que para qualquer outro público que goste apenas de conferir um longa no cinema, mas confesso que ao menos serviu para conhecer muitos detalhes que desconhecia (por exemplo sua visão de como "ganhar"/comprar a TV Record na época que muitos perderam dinheiro) e para curtir a boa cenografia, mas tenho certeza de que muitos que não forem o público alvo da trama e acabarem indo sem saber o que vão ver, irão se irritar com o excesso de dramaticidade novelesca, portanto quem for conferir, vá sabendo o que verá, e se você for da igreja, com certeza sairá bem feliz com o resultado final. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com alguns filmes mais alternativos que irão passar na Mostra Indie do SESC que começa nessa terça, então abraços e até breve.

Leia Mais

Uma Dobra No Tempo em 3D (A Wrinkle in Time)

3/31/2018 02:19:00 AM |

O que dizer de um filme fadado a ser um clássico da sessão da tarde, que cheio de mensagens bonitas e de grandes conceitos morais, e que com uma das representatividades mais altas dos últimos tempos poderia ser um espetáculo visual incrível e tudo mais, algo perfeito não é mesmo? Mas aí entra um problema imenso no meio do caminho de "Uma Dobra No Tempo": uma diretora sem carreira em blockbusters e um roteiro difícil de ser adaptado que passou por muitas mãos, ou seja, volto novamente a pergunta colocando esses detalhes, e a resposta é fácil: uma tragédia! Digo isso com um pesar imenso, pois esperava que o longa fosse sim ser uma viagem imensa, mas que remetesse aos bons tempos de "A História Sem Fim" e outros grandes clássicos cheios de viagem, mas não, apenas temos um grandioso visual em algumas cenas, um 3D razoável também somente em algumas poucas cenas, e de resto a bagunça completa no roteiro e na montagem faz com que o público saia rindo da sessão, e não é de felicidade!

A sinopse nos conta que os irmãos Meg e Charles decidem reencontrar o pai (Chris Pine), um cientista que trabalha para o governo e está desaparecido desde que se envolveu em um misterioso projeto. Eles contarão com a ajuda do colega Calvin (Levi Miller) e de três excêntricas mulheres em uma ousada jornada por diferentes lugares do universo.

Muito se falou sobre Ava DuVernay ser a primeira mulher negra a dirigir um blockbuster de mais de 100 milhões de orçamento, e agora ela vai poder esbanjar que é a primeira a destruir um filme com esse orçamento, pois se analisarmos a história veremos que sim, é um roteiro difícil de ser desenvolvido, mas a simplicidade entra em jogo quando podem quebrar em atos separados, ou então criar situações em cima, ou diversas outras coisas que um diretor tem o poder, e o que foi entregue é algo que certamente filmaram coisas demais, e na pós-produção acabaram inventando moda demais, cortando tanta coisa que daria sentido para a trama, e que acabou bagunçando ainda mais a história difícil, ou seja, a culpa é sim dela. Além desse detalhe, a trama fantasiosa por si só depende de que os atores acreditem no que estão fazendo, e aqui vemos um misto de atores se jogando e fazendo tanta coisa em cena, que pareciam estar desconexos com suas situações, ou seja, falha da direção de atores. Claro que estou apontando o dedo, e certamente ela também sofreu muito por estar em uma produção da Disney que certamente exigiu muitos detalhes no corte final, e com isso o resultado do que ela filmou com o que vemos na telona seja bem diferente, mas aí entra a expertise de direção em blockbusters que ela não tinha, e que um bom diretor entregaria o material pronto para chamar a atenção, e não foi o que vimos. Ou seja, é um filme com muitas nuances, mas que falha principalmente por bagunçar todas as nuances e não entregar nada que valha a pena.

Sobre as interpretações, posso dizer que cada dia mais me surpreendo com os novos talentos que andam lançando, e antes mesmo de falar da protagonista, preciso falar de Deric McCabe, que deu um show a parte com seu Charles até chegarmos no ponto de mudança do roteiro, pois a partir dali o jovem teve uma leve queda de rendimento, pois seu charme era a bondade no coração, mas ali ficou tão estranho, cheio de efeitos e tudo mais, que desandou um pouco, mas ainda assim mostrou que é um ator a ser bem observado. Storm Reid foi bem colocada como protagonista, e absorveu bem as qualidades e principalmente os defeitos de sua personagem Meg, fazendo alguém tão insegura que por diversas vezes ficamos pensando se estava com medo de atuar ou era o papel que lhe pedia isso, mas como a trama mostra mais isso, ficamos com a opção do personagem ser estranho e a atriz ter feito bem isso, mas certamente poderia ter mostrado algo a mais. Oprah Winfrey poderia ter ficado somente na produção, pois agradaria bem mais do que sua excentricidade jogada na personalidade da Sra. Qual, que embora tenha boas expressões, acabou ficando estranha demais com tamanhos e maquiagens bizarros demais para agradar, ou seja, a falhou em chamar atenção. Reese Whiterspoon fez caras e bocas demais com sua Sra. Quequeé, brincando até com a ideia de não botar fé na protagonista, mas também ficou exagerada demais para funcionar bem, e isso não é algo legal de ver na telona, talvez se ficasse somente na sua forma de "elfo" ou sei lá o que era aquilo voando agradasse bem mais. Talvez se o longa brincasse mais com a ideia da Sra. Quem, interpretada por Mindy Kaling que só falava no começo frases ditas por personalidades e com isso o filme tinha um certo conceito intelectual, o resultado chamaria bastante atenção, e das grandes deusas do filme, é a que menos soou forçada expressivamente, embora suas roupas fossem fortes demais, mas ao menos errou pouco. Os produtores ainda devem estar se perguntando quem contratou Levi Miller para fazer o garoto Calvin, um quase robô de enfeite que tem uma paixão platônica pela protagonista e que nã;o atinge nada com suas frases e feitios dentro da trama, ou seja, alguém que está ali apenas para "embelezar" a trama, ou seja, um abajur decorativo bonito. Dentre os demais, a maioria fez rápidas participações, e desde o excêntrico vidente vivido por Zach Galifianakis, passando pelo demônio estranho vivido por Michael Peña, e chegando até os pais da protagonista vividos por Chris Pine e Gugu Mbatha-Raw, ninguém conseguiu ao menos duas frases bem expressivas sem forçar olhares e trejeitos, ou seja, um desastre no conceito de interpretação.

Agora após tantos desastres, vamos falar de algo bom dentro do filme, o conceito cênico, que conseguiu ser muito bonito, com paisagens deslumbrantes nas cenas dos planetas, e mesmo com muitos efeitos estranhos, o resultado ainda conseguiu ficar fantasioso e ficcional na medida da proposta, trabalhando com elos físicos e também com coisas bem viajadas, ou seja, a equipe de arte teve de trabalhar e muito para conseguir criar tudo o que imaginaram para o longa. Só diria que houve um pequeno deslize por parte da equipe de fotografia que acabou exagerando demais em tons escuros e com isso o longa ficou um pouco denso demais e acabou não brilhando tanto como poderia. Quanto do 3D, temos de ser sinceros que nas cenas que usaram a tecnologia, acabou funcionando bastante e envolvendo o público com diversas coisas saindo da tela (principalmente as flores), mas infelizmente são bem poucas as cenas com a tecnologia, e mesmo em algumas com uma certa profundidade, o resultado acabou não chamando tanto a atenção.

Enfim, era um filme que apostava muito as fichas de que a Disney não deixaria falhar, mas que acabou virando uma sequência tão grande de erros que fica difícil recomendar ele para qualquer idade, mesmo com as boas lições de moral que foram impregnadas e passadas pelo longa. Portanto só confira ele se não tiver outro bom longa para ver, pois a chance de reclamar de tudo é bem alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na segunda com a última estreia dessa semana, e já também volto preparado para conferir alguns filmes alternativos que irão passar na cidade, então abraços e até breve.

Leia Mais