Hereditário (Hereditary)

6/22/2018 12:54:00 AM |

Sempre é bacana olharmos com outros olhos longas de terror que não forcem para sustos e crie situações complexas, e o trailer de "Hereditário" já causa um grande estranhamento com o ploc ploc da boca da garotinha (que assim como aconteceu em "Extraordinário" com várias pessoas, e aqui como não conhecia a protagonista, me peguei imaginando se a cara dela era estranha assim mesmo!), com toda a tensão causada pelas diversas cenas, de modo que fui induzido à conferir o longa já com grandes expectativas, afinal a temática de possessão quando bem trabalhada até confere grandes longas, ainda mais se já é preparado para causar temor ao invés de sustos gratuitos. Ou seja, um filme que tinha a possibilidade de ser o "Corra!" desse ano, entregando um terror de propriedade para até brigar por grandes prêmios com longas de outros gêneros, mas aí vamos conferir o filme, e sim, é um bom longa de terror, possui cenas tensas, coisas fortes, uma ideologia intrigante, mas não causa nem 20% do que o trailer causou, sendo apenas um bom filme do gênero que vai fazer com que muitos pensem na ideia e até se intriguem com tudo o que verão, mas longe, bemmmm longe de ser "o" filme de terror do ano, quiçá da década como muitos críticos vem falando pela mídia afora. Vale mais por não forçar sustos e conseguir causar, além de ter uma estética bem interessante, mas valeria mais ter brincado com os bonecos e miniaturas que a protagonista faz, causando algo ainda mais forte do que um fechamento digamos bizarro demais.

A sinopse nos conta que após a morte da reclusa avó, a família Graham começa a desvendar algumas coisas. Mesmo após a partida da matriarca, ela permanece como se fosse uma sombra sobre a família, especialmente sobre a solitária neta adolescente, Charlie, por quem ela sempre manteve uma fascinação não usual. Com um crescente terror tomando conta da casa, a família explora lugares mais escuros para escapar do infeliz destino que herdaram.

Após muitos curtas-metragens, o diretor e roteirista Ari Aster soube criar uma história bem interessante de se analisar e conseguiu criar situações bem fortes e interessantes (para mim a cena pós-festa é de arrepiar, e quase xinguei por não virar logo a câmera para mostrar o que tinha acontecido, embora a cena que mostre é horrenda), mas essa é apenas uma que citei, e o longa possui ao menos umas quatro de impacto, e no restante é criada boas dinâmicas de diálogos e situações para que o público se convença do que aconteceu ou que rumos vai tomar, mas a situação começa a ficar com velocidade e dinâmica passados mais de 60 minutos, ou seja, muitos irão até se cansar até chegar no ápice da trama, mas a partir daí tudo toma forma e é uma situação atrás da outra. Ou seja, sim é um primeiro bom filme, e certamente nos próximos irá corrigir os leves erros que não fizeram sua trama brilhar ainda mais fora do público de críticos artísticos (que estão amando o longa comparando ele à grandes clássicos do gênero), pois para o grande público, e quem realmente gosta de longas de terror/suspense/tensão envolvendo demônios e possessões, o filme realmente começa na última cena, e o miolo foi apenas uma apresentação.

As atuações foram feitas com muita qualidade, a começar claro pela ótima Toni Collette com sua Annie, que inicialmente já vertia ser meio problemática, logo em seguida vemos que ela era problemática, ao contar sua história para Joan temos certeza absoluta de ser maluca, e no fim o surto era certeiro para cenas incrivelmente fortes e muito bem feitas, ou seja, deu um show. A graciosa Milly Shapiro felizmente não tem aquela cara medonha de sua Chalie, e trabalhou tanto com olhares que suas cenas impressionam e marcam, de modo que acabamos assimilando tudo a ela, mesmo quando não está em cena, ou seja, conseguiu ser expressiva e se marcar no papel. Alex Wolff nos entregou um Peter ligeiramente exagerado com suas cenas forçadas sob efeito de ervas, mas que num segundo momento demonstra uma perturbação forte e muito bem entregue, que demonstrou um profissionalismo muito forte e interessante, certamente bem pesquisado, e acabou agradando mais do que errando, embora pudesse ser mais sutil. Gabriel Byrne fez um Steve paz e amor exagerado, que poderia causar um pouco mais, ou ao menos se espantar mais com tudo o que está acontecendo na sua casa (pô, o pau tá comendo entre mãe e filho, vou ali fazer uma salada!), ou seja, claro que o problema dele está na personificação do roteiro e não da atuação, mas poderia ter chamado mais a atenção com certeza. Ann Dowd entregou para suas cenas como Joan, momentos mais explicativos do que expressivos da personagem, sendo praticamente o elo de ligação completa da trama, explicando bonitinho cada momento em suas cenas finais (quase desenhando para quem não estava entendendo nada), e ao menos fez bem seu papel, mas poderia causar mais também.

No conceito cênico o longa se divide bem em seus atos, primeiro com a família devastada em sua casa no meio do nada, o funeral cheio de estranhos, a casa cheia de miniaturas mostrando a vida da protagonista em seus atos estranhos, vemos a escola das crianças e elementos cênicos que já demonstram os problemas dos jovens, aí entramos no segundo ato e já temos os problemas que ocorrem pós-festa, a casa já passa a entrar em modo de penumbra com tudo mais escuro, as miniaturas ficam mais tensas, temos a dinâmica de grupo aonde conhecemos mais problemas da protagonista, temos a casa de Joan com muitos elementos cênicos, e aí entra o terceiro e maluco ato aonde o lance demoníaco e os cultos satânicos entram em cena, com muitos personagens alegóricos, livros, fotos, e claro o ápice final que mesmo sendo um pouco complexo dá pra entender tudo perfeitamente. Ou seja, elementos cênicos, locações, tudo muito bem encaixado para cada momento do filme, além claro da ótima maquiagem e efeitos especiais em cima de todos os personagens, que não posso falar mais senão estrago com spoilers. Embora o filme tenha uma fotografia muito escura em diversos momentos, com tons vermelhos fortes para representar todo o lado demoníaco do longa, o filme não conta com sustos gratuitos, com pegadinhas do nada, e isso é algo muito prudente e que vai agradar bastante, mostrando o primor técnico que desejavam entregar.

Enfim, é um filme muito bom de terror, que segue uma linha diferenciada, mas que claro poderia ser imensamente melhor se seguisse outros rumos. Não gosto muito de continuações em cima desse estilo de terror, mas confesso que o final merecia mais um ato quase que inteiro e não precisariam explicar tanto ali, mas ainda assim, o filme é muito bom, e quem gosta desse estilo sairá deveras satisfeito com tudo o que é mostrado. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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O Nó do Diabo

6/20/2018 12:57:00 AM |

Venho falando isso já faz algum tempo e vou manter minha opinião, o cinema brasileiro está dando largos passos ao sair da zona de conforto e não ficar somente com dramas e comédias, ousando em romances, ficções, terrores e por aí vai, mas se tem algo que ainda precisa ser removido da mente dos roteiristas é fazer um longa bem longo com formato de série para ser exibido talvez não na sua totalidade, pois isso é algo que realmente cansa bastante o público, e por vezes até atrapalha a sinergia da trama. Diria que o maior problema de "O Nó Do Diabo" é ter esse formato de forma invertida, entregando um problema atual de preconceito e usando da mesma fazenda e dos diversos ancestrais dos donos e dos moradores negros dali vamos voltando em diversas épocas até chegar em 1818 com 5 curtas quebrados, dirigidos inclusive por pessoas diferentes, mas bem moldados para parecer um filme só capitular, ou seja, talvez se tivessem trabalhado melhor a ideia, lapidado as diversas pontas que só serviram para enrolação (o quarto capítulo repete as mesmas cenas pelo menos 4 vezes!) e feito um único filme com transições temporais, teríamos algo incrível, e que passaria a mesma mensagem, mas aí não funcionaria como provavelmente veremos daqui uns dias, passando em lugares cada dia com um curta. Não diria que foi um filme no geral péssimo, mas a forma dele, e a não entrega tão forte do que poderia ser passado pela mensagem, o fizeram ser mediano, pois cansa demais na maior parte, e só os pontos de encaixe que são bem interessantes para envolver.

A sinopse do longa nos mostra que há dois séculos, no período da escravidão, uma fazenda canavieira era palco de horrores. Anos depois, o passado cruel permanece marcado nas paredes do local, mesmo que ninguém perceba. Eventos estranhos começam a se desenvolver e a morte torna-se evidente. Cinco contos de horror ilustram a narrativa.

O primeiro conto situado em 2018, dirigido por Ramon Porto Mota, o que mais vale a atenção é em cima do caos que vivemos hoje de intolerância, preconceitos e tudo mais em cima de que vale pensarmos como anda tudo em cima da loucura doentia que fica em cima do capataz da fazenda, ou seja, ele nem trabalha tanto interpretações, mas vale bem ouvir tudo o que é falado no rádio e visto as atitudes do rapaz.

O segundo conto nos coloca em 1987, aonde um casal vai pedir emprego em uma fazenda, e a direção de Gabriel Martins vem bem colocada, e causa muita tensão tanto na história quanto nas expressões de todos os protagonistas, desde os donos da fazenda, quanto do casal e dos "monstros" que circulam o pensamento e o misticismo por trás da fazenda, de modo que causa demais, entrega muita possibilidade e incrivelmente se o filme ficasse só em cima desse curta seria ótimo, pois é muito tenso e muito interessante ao mesmo tempo.

O terceiro recai sobre 1921, e o diretor Ian Abé nos coloca mais em um ambiente de escravidão, aonde as protagonistas femininas são abusadas, torturadas e claro também se revoltam, mas aí entrou alguns trejeitos sobrenaturais que forçaram um pouco a amizade, mas a ideia de tensão é forte e bem usada, que consegue mostrar estilo na proposta, talvez um pouco menos de coisas fora do padrão agradaria mais, mas conseguiu entregar um filme condizente ao menos.

O quarto curta entra em 1871, e o diretor Jhesus Tribuzi com certeza tem a história mais curta e simples, que mostra um filho de escravo alforriado fugindo da fazenda, e só, ficando numa viagem espiritual, passando por maus bocados no meio do caminho, mas fica quase num looping repetitivo e cansativo que não sai do lugar e até dá sono pela execução, ficando o pior de todos.

O quinto conto sem dúvida alguma tinha tudo para ser representativo em 1818, mostrando a fuga dos quilombolas para um estilo de refúgio "blindado" dos fazendeiros, e foi dirigido pelo diretor do primeiro curta Ramon Porto Mota, que até aparentava estar indo bem na condução com personagens coesos falando de ervas medicinais, uma boa luta de armas contra sem armas, mas aí entrou algo ficcional tão absurdo que minha reação no cinema foi de muita risada, e depois de quase dormir com o quarto curta, ri um monte com a aparição dos personagens estranhos "cultivados", e pronto finaliza o longa, ou seja, jogou tudo pelos ares.

Bem, dessa vez falei um pouco de cada um, mas não foquei em nenhum personagem, nem nas atuações, pois todos foram honestos, mas nada que surpreendesse, e sendo assim, vou deixar apenas como coloquei falando um pouco de cada um dos curtas, afinal de conhecidos realmente só Zezé Motta no último curta e Isabél Zuaa que vimos bem no filme "As Boas Maneiras", mas nenhuma delas surpreendeu em nada, então melhor deixar quieto nesse quesito.

No conceito cênico, basicamente temos a fazendo como centro de tudo, e algumas outras locações ao redor, como a favela no primeiro curta que usou mais as pichações como elementos cênicos, a casa de empregados no segundo com muitos elementos cênicos fortes de tortura, o terceiro usou mais do figurino e claro do canavial, no quarto tivemos as locações de pedras como esconderijos, e no quinto tivemos o forte de escravos bem cheio de simbologia, ou seja, tivemos uma técnica interessante ao menos no conceito artístico. A fotografia focou praticamente toda no escuro, usando elementos de sombras com iluminações paralelas como lanternas, velas, fogo e tudo mais que deu um charme. O figurino também foi bem elaborado junto com muito sangue para a maquiagem, ou seja, um trabalho forte da equipe técnica.

Enfim, volto no começo do meu texto dizendo que preferiria muito mais um filme só do que uma série de TV no cinema, e infelizmente temos uma série alongada demais que como filme não funciona, e sendo assim, só recomendo ele como material de pesquisa e exemplificação de diferentes épocas escravagistas, pois dá para trabalhar toda uma discussão em cima, mas nada que você saia impressionado da sessão. Bem fico por aqui encerrando então essa semana cinematográfica que foi bem grandiosa, mas volto já na próxima quinta com algumas estreias, então abraços e até breve.

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De Carona Para o Amor (Tout Le Monde Debout) (Rolling To You)

6/17/2018 03:09:00 AM |

É difícil não sair feliz depois de conferir uma boa comédia romântica francesa, pois trabalham com uma sintonia tão forte, envolvendo os elementos com uma certeza de não precisar colocar nada a mais que faz o público gargalhar e também se emocionar encaixando elos certeiros para cada momento, e aqui em "De Carona Para o Amor" a trama é tão bem feita, cheia de encaixes divertidíssimos com as mentiras do protagonista, que vamos nos afeiçoando tanto a ele, rindo sem parar que até passamos a torcer para ele não se ferrar com a quantidade de histórias que inventa, de modo que o longa soa incrível de conferir e sem dúvida entra para o grupo dos melhores longas do Festival Varilux desse ano, sendo recomendado para quando estrear comercialmente que quem não viu veja, pois é diversão gostosa na certa.

A trama nos mostra que Jocelyn é um empresário muito bem-sucedido, extremamente egocêntrico e egoísta, sempre disposto a inventar mentiras para tirar vantagem em qualquer situação promissora. Um dia, ele resolve seduzir uma bela mulher fingindo sofrer de uma deficiência. No entanto, fica mais difícil sustentar a farsa quando ele é apresentado a nova cunhada, que é realmente deficiente.

Em sua primeira direção, Franck Dubosc veio com um roteiro também seu, e de forma genial ainda teve uma capacidade incrível para trabalhar as dinâmicas não só de seu personagem, bem como colocar personalidade nos atos e desenvolver um longa completo de momentos interessantes e divertidos, de tal maneira que vemos ele bem desenvolvido, mostrando situações casuais como relação de chefe e assistente, relação de paciente e médico (mesmo com uma grande amizade), relação familiar, e principalmente relações de mentiras que acabam se desenvolvendo para rumos que certamente acabam bem difíceis de desmentir, ou seja, um trabalho bem coeso do roteiro que ele como diretor soube trabalhar para que o longa não ficasse nem bobinho demais, nem exageradamente impregnado ao ponto de cair para o lado das comédias dramáticas, e sendo assim podemos dizer que acertou bem sua mão para que o filme divertisse bem e agradasse sem ser apelativo, e principalmente, tendo uma dinâmica de ritmos perfeita para passar toda a duração do filme em minutos.

Quanto das atuações, o diretor Franck Dubosc mandou muito bem como Jocelyn, entregando um mentiroso sedutor de primeira linha, cheio de charme, de olhares cativantes e trejeitos encaixados na medida certa para cada ato, ou seja, perfeito para o papel de modo que fica até difícil pensar em outro ator que não ele próprio no papel. Alexandra Lamy nos entregou uma Florence incrível, linda, talentosa e cheia de dinâmica, de tal maneira que ficamos bobos com suas sutilezas, seus trejeitos carismáticos e tudo mais, que não tem como não se apaixonar por ela, e sua cena com a irmã na loja é de uma sinceridade para com o momento que ficamos de queixo caído, além claro da emocionante cena final. Gérard Darmon veio pronto para ser um Max incrível, como proctologista bem encaixado e sendo o melhor amigo do protagonista também foi direto nas piadas e bons trejeitos, de tal maneira que diverte sem apelar e agrada demais. Elsa Zylberstein foi perfeita como a assistente Marie, trabalhando olhares apaixonados, mas também com uma grande sinceridade pelo chefe, de tal forma que conseguiu soar divertida e interessante até ter uma das cenas mais comoventes e fortes do longa com seu momento solo, e o fechamento do momento foi muito bacana de ver, num acerto perfeito de ambos atores. Ou seja, poderia falar de outros personagens, mas basicamente todos agradaram e assim sendo o resultado das atuações só tem uma palavra para definir: perfeito.

No conceito artístico o longa passeou por locações incríveis, desde o apartamento com piscina móvel de impressionar qualquer um do protagonista, passando pelo detalhado apartamento da mãe para remeter completamente ao ar italiano da família, indo para um concerto em Praga, tendo um ótimo jogo de tênis para cadeirantes num grande estádio, indo até o escritório da grandiosa empresa que o protagonista trabalha, passeando por locações religiosas, e muito mais, tudo trabalhado com muitos elementos, cadeiras de rodas cheias de personalidade e muita clareza para que tudo fosse usado sem forçar a barra, ou seja, que ficasse uma comédia de classe maior, aonde um trabalho artísticos fosse valorizado dentro da proposta. A fotografia não teve muita ousadia, brincando mais com tons coloridos para dar o ar divertido do longa, sendo diferenciada em uma ou outra cena mais dramática aonde os clichês até apareceram como chuva ou tons mais escuros para puxar o filme para algo mais tenso, mas nada que chame muita atenção.

Enfim, é um longa bem gostoso mesmo, que diverte, emociona e transmite um carisma que dificilmente vemos em longas de outros países, pois só os franceses conseguem esse estilo, mas para ser perfeito só faltou um detalhe, e aí entra um leve spoiler, finalizar bonitinho e feliz, pois geralmente algo que funciona demais nas comédias românticas francesas é o fato do longa acabar de uma maneira mais dura e consciente, com quem fez coisas ruins até pagando pelo que fez, e aqui isso não ocorre, fechando da maneira mais tradicional que até agrada, mas poderiam ter ido por um vértice diferenciado que seria incrível da mesma forma, e só por esse detalhe vou tirar um coelhinho da nota, mas ainda assim é um longa da melhor qualidade que recomendo demais. Bem é isso pessoal, diria que acabo aqui minha maratona com o último longa do Festival Varilux que faltava conferir, lembrando que o Festival segue até o dia 20, então quem não viu algum corra para não reclamar depois de não aparecer na cidade tal filme. Agora só tenho uma pré-estreia no meio da semana para completar todos os 32 filmes que havia programado para assistir durante minhas férias, então fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Do Jeito Que Elas Querem (Book Club)

6/16/2018 08:27:00 PM |

Já disse algumas vezes que livros mudam a mente das pessoas, e geralmente a forma que alguns longas trabalham isso conseguem florear bem próximo de realidades, mudando inclusive suas vidas. Aqui em "Do Jeito Que Elas Querem" muitos irão achar o filme bobinho e emocional, com situações marcadas, mas se pararmos para analisar a fundo, muitas coisas que acabaram nos mostrando no filme são duras realidades, de pessoas que morrem praticamente ao chegar nos 50-60 anos, não tendo mais vontade para nada, e principalmente ocorre com pessoas bem sucedidas, afinal chegam nessa época já gastas, e não desejando mais aventuras, quanto mais momentos picantes na vida sexual, e o longa brinca com a mudança que os livros da série 50 tons acaba causando num grupo de amigas que se reúnem para um grupo de leitura todos os meses. Diria que a sacada foi boa, que a forma emocional e divertida foi trabalhada com bons tons e o filme acaba fluindo de uma maneira bem gostosa, não soando apelativo e nem discondizendo com a proposta, pois poderia ser mais de mente aberta caso quisessem, mas souberam dosar bem e agradar não só o público-alvo como agradar os mais jovens que forem ao cinema se divertir.

A trama nos mostra que quatro amigas têm suas vidas viradas de cabeça para baixo quando dão inicío a nova leitura do mês e são apresentadas ao livro “Cinquenta Tons de Cinza”. Diane ficou viúva após 40 anos de casamento. Vivian gosta de seus relacionamentos sem compromisso. Sharon ainda está trabalhando em um divórcio de décadas e o casamento de Carol está em baixa após 35 anos. A leitura estimula romances e reavive velhas chamas. Juntas, as amigas incentivam uma a outra, para tornar o próximo capítulo de suas vidas o melhor de todos.

Em sua primeira direção de longas, Bill Holderman conseguiu criar um roteiro bem moldado, com diversas situações fluindo de forma agradável, e que felizmente vemos a mão do diretor na condução da trama, de modo que tudo não soa exagerado, os momentos são entregues em doses bem agradáveis, e cada particularidade da vida de cada uma das protagonistas é bem desenvolvida, não sendo jogada apenas na trama. Claro que para isso, a trama desenvolveu um ar quase novelesco, com várias subtramas que se interconectam, mas mesmo seguindo esse molde, o longa não enrosca, tendo vértices próprios para que o longa agrade sem ficar enrolando. Ou seja, uma boa direção em cima de uma história conveniente que até poderia ser uma versão mais old de "Sex and the City" bem colocada dentro do tempo de um filme.

Agora boa parte do funcionamento do longa se deve primorosamente às maravilhosas atuações das protagonistas, que se não são amigas realmente fora dos sets, passaram completamente essa sensação de amizade de mais de 40 anos na telona, ou seja, uma química incrível. Diane Keaton tem uma dinâmica de olhares tão forte que sempre dá vida para suas personagens com uma classe tão bela de ver, que sua Diane acaba ficando leve e gostosa como uma mãe aonde as filhas opinam em tudo o que faz e acabam sendo até protetoras demais, e olha que uma das filhas é Alicia Silverstone quase irreconhecível nas suas poucas cenas. Agora se você quer estar com muitos anos e ainda estar com tudo em cima, fale com Jane Fonda e pergunte seu segredo, pois se for como sua personagem Vivian vive a vida, está bem fácil para todas, basta nunca casar nem dormir a noite toda com um homem, e ela foi muito plena de demonstrações, agradando com uma postura forte de quem sabe bem o que quer, entregando ótimos trejeitos e sendo incrível. Candice Bergen foi mais dura com sua Sharon, ou melhor com sua postura de juíza durona, trabalhando com olhares mais fortes, colocando uma personalidade realmente para o papel, mas suas cenas de encontros foram as mais divertidas e claro agradáveis para rir muito, afinal encontros pela net sempre são complexos, e ela brincou bastante em cena. Diria que Mary Steenburgen foi a mais simples de personalidade com sua Carol, de modo que até fez bons trejeitos, mas colocou mais em jogo o lance do casamento perfeito que está um pouco desgastado, mas que pode ter jeito, e com isso a trama deles é a que mais emociona o final, embora pudesse ter outros ares. Quanto dos homens da produção, todos foram mais conexões para a trama das mulheres, de modo que não temos nada de muito forte em suas expressões, tendo um destaque maior para Andy Garcia com seu Mitchell, mais pela cena de marcação do encontro muito bem colocada na trama e pelos momentos em sua casa maravilhosa do que pelos seus trejeitos, e também Craig T. Nelson pelas frias que seu Bruce acaba enfrentando com sua mulher.

A equipe de arte gastou bastante com vinhos para as reuniões das mulheres, e foi incrivelmente coerente nas escolhas das locações, encontrando na medida certa as casas para as mulheres bem sucedidas que nos foram apresentadas, mas principalmente para a casa do piloto, que num capricho incrivelmente cenográfico ficou bela na composição e nas imagens de fundo, que se foi real, arrumaram algo para guardar em um quadro. Tivemos também ótimos figurinos e bons elementos cênicos para dar complemento à história, e isso mostrou um belo trabalho realmente da equipe. O tom da fotografia ficou mais colorido, afinal não quiseram dramatizar nem romantizar tanto as cenas, de modo que tudo parece até iluminado demais, mas sem erros aparentes.

A trama também contou com uma boa trilha a sonora cheia de clássicos e músicas novas para compor os diversos momentos, e dar um ritmo até que bem dinâmico, e claro que deixo o link para todos escutaram.

Enfim, é um filme simples, mas que diverte e também emociona. Não diria que é a melhor obra do estilo, mas souberam ser coerentes e trabalhar com a trama para que fosse um filme mais motivacional do que algo cheio de nuances, e sendo assim recomendo ele mais para as mulheres mais experientes, mas quem for mais nova também irá se divertir também. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou para o meu último filme das férias, nessa super maratona de 31 filmes em 10 dias, que certamente foram cansativos, mas que não poderiam ser melhores, então abraços e até logo mais com o último texto da maratona.

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A Raposa Má (Le Grand Méchant Renard et Autres Contes) (The Big Bad Fox and Other Tales)

6/16/2018 04:03:00 PM |

Muitos desenhos da TV possuem especiais natalinos de final de ano, aonde contam histórias bonitinhas curtas que envolvem e se desenvolvem bem fora da trama normal do dia a dia, e aqui com o longa "A Raposa Má", que traduzindo literalmente o título original teríamos "a raposa má e outros contos", vemos exatamente isso, uma trama bem simples dos personagens criando três historinhas bacanas, com um desenho a mão bem singelo em que não vemos muita evolução, mas sim algo bonitinho e dentro de uma proposta de atingir realmente um público bem infantil, ou seja, pequenos com no máximo 10 anos. Dito isso, o longa veio no Festival com a proposta de ter espaço também para as crianças, já que veio dublado e não em francês como todos os demais filmes, e sendo assim só vale para mostrar a sutileza que as produções desse estilo andam entregando na França para nós adultos, enquanto os menores até irão curtir o que verão.

A sinopse nos conta que aqueles que pensam que o campo é um lugar calmo e tranquilo estão muito enganados. Lá, vivem animais especialmente agitados: uma raposa que pensa que é galinha, um coelho que se faz de cegonha e um pato que quer tomar o lugar de Papai Noel. Se você quiser passar férias em um lugar sossegado, não pegue esse caminho!

A trama nos conta três pequenas, bonitas e engraçadas histórias bem sutis, duas sendo dirigidas por Patrick Imbert ("Um bebê para entregar" e "Salvando o Natal") e uma por Benjamin Renner("A Raposa Má"), que inclusive já foi indicado ao Oscar com seu longa anterior, e o que podemos dizer facilmente é que cumpriram a missão de entregar um filme bem bonitinho, que funciona como disse acima como um episódio especial, e nada além, mas se temos de destacar algo é que numa época que praticamente não vemos mais desenhos feitos a mão nas telinhas e telonas, o resultado aqui acaba sendo de um primor simples, mas bem bonito de se ver, e sendo assim a técnica empregada mostrou bons resultados.

Dentre as três historias, a primeira "Um bebê para entregar" é graciosa pela genialidade dos personagens em querer usar os meios mais malucos para levar o bebê do campo para a cidade, e isso soa mais divertido ainda quando acham um animal chinês perdido, ou seja, altas trapalhadas. A segunda "A Raposa Má" brinca com a dupla personalidade e com a ideologia de que os animais ao nascer desenvolvem um carinho maternal com a primeira coisa que veem, e assim temos algo doce e bonito que brinca bem com a forma atual de famílias no mundo moderno. E a terceira, "Salvando o Natal" mostra a tradicional jogada de acreditar ou não no mito do Papai Noel, e na busca de ajudar nas entregas de presentes de uma forma bem graciosa e cheia de trapalhadas.

Quanto dos personagens todos soaram bem divertidos, tendo o porco um destaque maior em duas histórias, mas a raposa foi bem usada no segundo e assim todos podem dizer que foram bonitinhos de ver e possuíram graciosidade na forma de passar as mensagens, não sendo nada muito detalhado, mas também passando longe de algo ruim.

Enfim, volto a dizer que ele só veio no Festival Varilux para vermos como andam as produções desse estilo, e por ter um diretor premiado, senão essa certamente seria uma história que nem nas TVs nacionais veríamos, pois é bem infantil mesmo, mas que funciona dentro da proposta passada, e certamente na França deve ter feito os pequeninos bem contentes. Bem é isso, fico por aqui agora, mas já vou para o próximo longa do dia, então abraços e até logo mais.

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Jurassic World - Reino Ameaçado em Imax 3D (Jurassic World: Fallen Kingdom)

6/16/2018 02:58:00 AM |

Quando assistimos em 2015, "Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros" a nostalgia bateu na porta sem dó, fazendo com que remetêssemos nossa infância vendo "Jurassic Park" e todos aqueles dinossauros imensos passeando num mega parque tecnológico cheio de referências e tudo mais, então quando anunciaram a sequência já nos empolgamos para ver o que havia virado da ilha após a destruição do parque, como sobreviveram os dinossauros agora sem jaulas, vivendo em um habitat livre, pois bem aí eis que começaram a surgir os trailers de "Jurassic World - Reino Ameaçado" e não vimos bem o que desejávamos tanto, que iriam seguir por uma outra linha, mas tudo bem, o que queríamos mesmo eram os bichões mandando ver, então se isso seria usado, já estava valendo. Pois bem, o que posso adiantar logo de cara é que devido à tecnologia 3D, juntamente com cada vez melhores renderizações das computações, as texturas dos dinossauros estão incríveis num nível tão forte que impressiona demais, de modo que em alguns momentos (dois para ser exato), ficaríamos bem preocupados se não soubesse da ficção de poder encontrar algum dino fugido da telona do cinema no estacionamento do shopping, ou seja, a qualidade está realmente boa. Porém colocaram tantas confusões e cenas de ação, que esqueceram de uma história mais plausível, o que diferencia plenamente do primeiro longa, e a maior decepção é que praticamente o filme inteiro está no trailer, tendo um ou dois momentos novos e seus desenvolvimentos, sem apresentar nada de incrível realmente, ou seja, faltou muito para termos uma história forte. Mas é o que costuma acontecer quando anunciam ser uma trilogia, com um filme ótimo, um de miolo apenas para segurar a trama e explicar algum acontecimento, e o fechamento, que esperaremos ser com chave de ouro, então vamos aguardar. Mas não desanimem de ver esse, pois temos ótimos momentos bem bacanas que causam tensão e cheio de ação para conferir.

A sinopse nos conta que três anos se passaram desde que os dinossauros destruíram o parque Jurassic World. Os que restaram agora vivem abandonados e lutam para sobreviver. A situação dos animais piora quando um vulcão está prestes a entrar em erupção. É quando Owen e Claire planejam uma operação de resgate para evitar uma nova extinção dos répteis. Mas essa tarefa pode causar graves consequências para a humanidade.

É engraçado como uma mudança de direção faz toda a diferença, pois enquanto Collin Trevorrow fez um primeiro filme divertido e gostoso de acompanhar, que mesmo com mortes fortes passava com naturalidade, aqui J.A. Bayona, que costuma fazer mais filmes dramáticos e de terror, acabou imprimindo uma trama mais densa, forte, cheia de tensão que causa um impacto bem interessante no público durante toda a exibição, fazendo com que as mortes sejam sofridas e diretas, sem muita aventura para passar, com personagens "humanos" querendo o mal sem precedentes, e com muitos animais mais "humanos" que tentam se salvar, ou seja, um filme cheio de contrapontos, que poderia ter rendido um filme incrível caso quisessem construir uma história mais envolvente, pois até temos muita coisa para ser trabalhada, tivemos personagens dos longas originais aparecendo, e muita ideologia sendo passada, mas o que ficará marcado são apenas as cenas de correria e matança, pois o filme deixa claro que isso é o que importa logo de cara.

Dentro das interpretações, diria que daria um Oscar para cada dinossauro, pelos ótimos olhares, trejeitos e dinâmicas que criaram, mas como eles não concorrem, vamos falar um pouco de cada um dos humanos que participaram do filme deles. Para começar Chris Pratt volta com seu Owen praticamente no mesmo ponto que iniciou o filme anterior, fazendo mesmos trejeitos, salvando os dinos e as moças indefesas, só que agora martelando um chalé após se separar da protagonista do primeiro filme ao invés de estar martelando sua moto também após uma noitada ruim com a protagonista, ou seja, deem um martelo para ele que é melhor que uma arma, e casem logo eles. Bryce Dallas Howard mudou o visual nesse meio tempo e sua Claire parece até mais nova do que no primeiro filme, e agora virou uma ativista pró-dinos, e seus trejeitos apaixonados pelos bichões são muito meigos e agradam bem, mas continua com o mesmo tom artificial do primeiro filme, ao menos agora usa botas ao invés de saltos para correr. Justice Smith e Daniella Pineda foram bem divertidos com seus papeis de Franklin e Zia, e serviram bem para isso, para dar um tom levemente cômico para a trama e nada mais, pois de resto apareceram em cenas jogadas e ficaram andando para lá e para cá, o rapaz ainda deu uns gritos exagerados que poderiam ser minimizados. Rafe Spall teoricamente virou um novo tipo de vilão com seu Eli Mills, soando bacana num primeiro momento, mas seus olhares e trejeitos entregaram rapidamente suas intenções, e o ator até foi bem, tirando seu desespero no leilão, que aí ficou estranho demais. Ted Levine fez um militar durão cheio de expressões, querendo montar seu belo colar e ficar bem rico após sua missão, mas apenas fez caras fortes com seu Wheatley não indo muito longe no teor da trama. A jovem Isabella Sermon até trabalhou bem com olhares desesperados, muito choro e caras assustadas para com sua Maisie, mas nada que impressione realmente, tirando suas desenvolturas nos telhados do casarão. Dentre a turma das antigas, temos BD Wong já em seu quinto filme da franquia (já tem direito a placa no memorial do longa!) com seu Dr. Wu, e como bem vemos, como ele que cria os dinos geneticamente modificados, irá ficar até o 10º filme, e após não surgir no longa anterior, temos a volta de Jeff Goldblum agora envelhecido com seu Malcolm depondo num tribunal, e talvez no longa seguinte tenha alguma importância mais forte do que apenas ficar falando. Dentre os demais, a maioria só serviu de comida para os dinos, e nada mais.

Falar do conceito cênico de um longa idealizado lá trás por Steven Spielberg, e que aqui é o responsável pela produção, é o mesmo que falar que tentar explicar a beleza sem saber o que falar, pois o filme tem tantos elementos bem colocados, como a ilha sendo devastada pelo vulcão com imagens impressionantes e incríveis (os dinossauros que sobram é de doer o coração numa cena tão bela quanto forte), as diversas paisagens mesmo que tudo destruído do parque ainda aparecendo, um navio imenso abarrotado de caminhões e jaulas gigantes com os dinossauros presos, uma mansão incrível cheia de detalhes para que acontecesse um leilão cheio de força, e claro muitos símbolos para remeter à todos os demais filmes. Dinossauros computadorizados sim, mas cada vez mais reais de texturas, assustando realmente e causando um impacto incrível. Efeitos de primeira linha que junto da tecnologia 3D conseguiram dar forma para o longa (não diria que tem tantas cenas com expressividade na tecnologia como alguns gostam, com muitas coisas saindo para fora da tela, mas alguns dinos vem bem perto da telona e até parecem estar na sala do cinema), mas certamente a funcionalidade da filmagem em 3D ajudou na composição do ambiente, e isso já é um excelente recurso. Ou seja, uma arte primorosa, que junto de uma equipe de fotografia que soube brincar com tons bem escuros, raios e choques para todo lado para dar tons de impacto, nas cenas na ilha a lava e os pedaços de pedra voando deram um tom avermelhado bem bonito no meio de toda a fumaça, ou seja, o diretor criou uma tensão realmente desde a primeira cena, e manteve o tom até o fim.

Enfim, é um filme bem forte e interessante de ser acompanhado, que diverte mais pela essência e causa tensão e desespero em diversas cenas, mas que passou bem longe do delicioso primeiro filme dessa nova trilogia, e precisarão acertar bem o tom no próximo para consertar e chamar o público novamente, pois aqui houveram falhas de ritmo bem grandes (o miolo cansa!), e sendo o miolo da trilogia, poderiam ter trabalhado muito mais no texto para incorporar tudo o que desejavam realmente. Ainda recomendo ele com certeza, pois a ação e a tensão, juntamente com os ótimos dinossauros realmente impressionam e valem assistir ao filme, mas esperava bem mais de história ou pelo menos de aventura vindo de algo que em 2015 marcou uma renovação no estilo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas amanhã estou de volta com os últimos filmes da minha super maratona, então abraços e até lá.

PS: Estou dando um 8 mas merecia um 7,5... apenas arredondei para cima pelas boas cenas dos dinossauros, que se pararmos pra pensar foram muito mais humanos que os que foram interpretados por atores.

PS2: A cena pós-crédito é tão inútil e rápida, apenas mostrando onde os primeiros dinos chegam, e nada mais.

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Custódia (Jusqu’à la Garde) (Custody)

6/15/2018 08:37:00 PM |

Alguns filmes trabalham situações que sabemos existir, mas que não desejamos ver acontecendo nem nas telonas, e uma delas que sempre tem força visual e impactante são os processos de separação, aonde se tem filhos para entrar na discussão de guardas. Até aí teríamos alguns julgamentos fortes e diversos desenvolvimentos que vários filmes fortes já trabalharam, mas o francês "Custódia" vai além quando temos uma pessoa violenta entre os pais, e aí meus amigos, se preparem para um filme que dá raiva, dá desespero, entre muitos outros sentimentos, pois embora tenha alguns momentos mais lentos para reflexões, o longa consegue ir tão forte para as cenas finais que impressiona muito ao final, e o resultado é de chocar realmente.

A sinopse nos conta que o casal Miriam e Antoine Besson acabar de se divorciar. E para garantir a proteção de seu filho do pai, que ela acusa de ser violento, Miriam pede a custódia exclusiva. O juiz, no entanto, acaba concedendo custódia compartilhada aos dois. Tomado quase como um refém entre seus pais, Julien fará tudo para evitar o pior.

Em sua primeira direção e roteiro de longas, Xavier Legrand, que com seu curta de estreia ("Avant que de tout perdre") acabou ganhando uma indicação ao Oscar 2014, conseguiu criar algo muito forte para um drama familiar, conectando elos fortes que ouvimos muitas vezes sobre abusos de pais, violência familiar e julgamentos aonde os juízes acabam nem ouvindo direito sobre o que lhe é mostrado e acabam fazendo coisas erradas. Mas a história poderia ser contada sobre diversos olhares, e o diretor soube criar uma forma simples e dura, que entrega logo de cara algumas mentiras e surpreende o público, mas com o impacto tanto na cena final, quanto na última cena exatamente que mostra uma realidade ainda mais forte do mundo, e não da situação do longa, ele foi criterioso e pontuou exatamente sua opinião para não deixar dúvidas de que lado estava, e assim sendo seu filme ficou incrível. Sei que muitos vão reclamar de o filme dar um encerramento brusco, sem muitas explicações ao final, mas o resultado do impacto funciona bem assim, então vale como foi feito.

Dentre as atuações, diria que é até difícil falar individualmente, pois a trama funciona na composição completa, e assim todos os protagonistas conseguiram chamar muita atenção. Léa Drucker entregou sua Miriam sensata no julgamento, desconfiada no apartamento, e em choque/desespero nas cenas finais, trabalhando de forma concisa nos olhares e falando o mínimo necessário. Denis Ménochet trabalhou um Antoine no limite da explosão, com olhares secos e até conseguiu enganar um pouco nos seus momentos mais leves, mas foi com impacto nas suas duas cenas mais fortes que mostrou atitude e até assustou. O jovem Thomas Gioria fez um Julien que inicialmente achamos meio bobo, e que até parece estar fazendo birra com seu "trauma" contra o pai, mas ao final o jovem mostrou sentimentos duros e acabamos vendo que o jovem soube bem trabalhar e entregar tudo expressivamente. Mathilde Auveneux apareceu pouco com sua Joséphine, e aparentou ser exageradamente mimada, e a atriz poderia ter feito um pouco mais para não soar simplória, embora tenha uma cena sua no banheiro completamente desnecessária para a trama (vão falar que pode ser outra coisa, algum envolvimento do pai e tudo mais, mas soou forçada e fora do contexto, um pouco ao menos). Quanto aos demais, todos dão boas conexões, mas sem destaques para a trama realmente valer.

No conceito cênico o longa trabalhou de forma bem simples com tudo, não tendo nada que surpreenda, desde as casas dos avós aonde se comem apenas, mas na dos pais temos um pouco mais de discussão à mesa, contou com um apartamento simples num conjunto residencial mais simples ainda, uma festa completamente doida apenas para ter alguma cena a mais, pois os diálogos lá dentro nem são ouvidos, mas os de fora até causam impacto (talvez a música "Proud Mary" cantada pela protagonista tenha algum sentido, mas nada muito além lá dentro), e sendo assim o filme não pode ser considerado como uma obra de elementos cênicos, funcionando mais pela tensão do roteiro em si do que pelo visual. A fotografia exagerou muito de cenas escuras, para realçar algo mais verossímil ao invés de ousar e colocar luzes falsas de abajures por exemplo, o que tornou o filme mais caseiro, e não digo que seja errado, mas acaba deixando a trama um pouco feia demais visualmente, e poderia ter sido algo mais valorizado talvez.

Enfim, é um filme que diria ser mais cru realmente, ou seja, de impacto, que vai lá, faz e acontece apenas, sem muitas firulas e tudo mais, aonde muitos sairão chocados e/ou revoltados com tudo, mas infelizmente isso acontece com uma certa frequência mundo afora, então vale a reflexão. E assim sendo fica minha recomendação como filme e também para que as mulheres conhecerem melhor seus parceiros antes de terem filhos, pois ninguém muda. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas daqui a pouco vou para mais um longa, então abraços e até amanhã com mais textos.

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A Aparição (L'apparition) (The Apparition)

6/15/2018 03:14:00 AM |

Já disse isso nessa semana, mas volto a afirmar que se existe um pessoal incrível para criação de roteiros, essa turma está na França, mas ainda a praça deles são dramas e comédias bem dirigidas que acabam saindo com um primor fora do comum, e quando tentam verter em algo mais fantasioso costumam cansar o público pela falta de ritmo e uma produção mais emocionante. Digo isso sem pensar duas vezes, e posso até me enganar, afinal sempre terá exceções, mas o que vimos aqui em "A Aparição" é um roteiro incrível sobre investigação, sobre fé, sobre verdades ou mentiras e muito mais, mas que ao transformar em algo capitular, e enrolar num desenvolvimento lento para que acabássemos acreditando num envolvimento maior, para que a investigação fosse a fundo e tudo mais, acabou que o longa que tinha uma essência incrível ficou cansativo demais, e com isso a trama cheia de detalhes não permeou o que poderia ser um feito de arrepiar nas mãos de uma equipe americana ou inglesa, que certamente não deixaria o longa em capítulos e resolveria tudo em meia dúzia de cenas. Não digo em hipótese alguma que o longa francês aqui seja ruim, muito pelo contrário, ele envolve e faz a discussão florescer muito dentro das diversas possibilidades, e até usando da resolução fraca e rápida ainda continua bom, mas falta muito ritmo para que ficasse agradável e interessante de conferir mais comercialmente.

A trama nos apresenta Jacques, grande repórter de um jornal francês, que recebe um misterioso telefonema do Vaticano. Em um pequeno vilarejo no sudeste da França, uma jovem de 18 anos afirma ter visto a aparição da Virgem Maria. Os rumores logo se espalham, e o fenômeno toma tal dimensão que milhares de peregrinos vão se reunir no local das supostas aparições. Jacques, que não tem nada a ver com esse mundo, aceita fazer parte de uma comissão de investigação encarregada de esclarecer esses eventos.

É estranho que o diretor e roteirista Xavier Giannoli, que é mais acostumado a fazer comédias dramáticas e romances, tenha criado uma história tão tensa, pois geralmente o gênero fantasioso, ou até vamos colocar com uma proposta de baseado em fatos reais, é comum de vermos outro tipo de diretores tramando, mas ele soube pontuar na trama detalhes bem críveis e interessantes de vermos no estilo, de modo que a ideia investigativa acaba funcionando bem e o longa tem um vértice dramático bem empossado. Mas como seu estilo é algo mais alegre ou com desenvolturas diferentes, fica fácil notar a dificuldade em conectar tudo, e dessa forma foi para o caminho mais fácil para um roteirista, que é capitular tudo e não necessitar mudar os caminhos da direção dentro do longa, deixando que cada capítulo se resolva por si, e dessa forma como sua história possuía muitas vertentes, seu filme acabou arrastado e longo, o que não era para acontecer, se apontasse logo o rumo da investigação e lá tudo fosse apresentado. Ou seja, o molde da trama é como se tivéssemos um livro completo contado na telona, com capítulos se desenvolvendo lentamente, para que no final concluíssemos a investigação da trama junto com os protagonistas e claro com o diretor, de forma que vamos até tendo algumas ideias no meio, mas o final mesmo só vamos saber no encerramento, e assim, falta com a dinâmica de cinema, que tem de ser mais forte para não cansar o público. Ou seja, não digo que seu longa tenha sido falho e ruim, pois a história é ótima, digna de livro realmente, mas faltou um ritmo mais acelerado para convencer a todos de sua opinião e aí sim comover quem estava vendo.

Quanto das atuações, temos Vincent Lindon colocando seu Jacques com olhares tensos em busca de uma verdade, investigando em miúdos cada ponto como um bom jornalista vai a caça, e sintonizando cada momento com trejeitos cirúrgicos de tal forma que ficamos quase no bolso de sua camisa querendo ver cada minuto de investigação sua, e isso mostra que ele conseguiu nos conectar, e funcionar bem seu personagem, só talvez não concorde com suas últimas cenas, mas isso é do roteiro e não do ator, pois de resto foi perfeito. Como a esposa de Jacques diz, Galatéa Bellugi nos entregou uma Anna que dá mais medo do que devoção, de tal forma que seu olhar penetra no nosso, seus trejeitos são afiados e com a calma que vai falando vai entregando uma personalidade até leve, mas que tem de ser vista com muita calma. Patrick d'Assumçao com seu Padre Borrodine até foi humilde e interessante na concepção, demonstrou carinhos e também raivas, e oscilou bastante na condução, o que deixou muitas dúvidas no ar, e isso não poderia existir num filme investigativo. Anatole Taubman já de cara nos mostra que seu Anton é um picareta sem limites, e chega a dar raiva de ver que muitos por aí são iguaizinhos a ele, ou seja, trabalhou muito bem na personalidade, e jogou com trejeitos fortes que um vendedor deve realmente ter. O longa conta com muitos bons personagens, digo isso, sem colocar muitos bons atores na frente, pois os demais papeis soaram até debochados demais, e acabaram mais sendo figurantes com falas excessivas do que atores que fizeram por merecer algum destaque, e isso é ruim, pois poderiam ter trabalhado mais ao menos os outros personagens da investigação, para que tudo fluísse melhor, mas não tem jeito.

No conceito artístico, a equipe de arte trabalhou com muito afinco para que o longa fosse cheio de detalhes, começando com uma mostra de fotos fortes para entendermos um pouco o que aconteceu com o protagonista e seu amigo em meio a guerra (preste atenção nas fotos, será importante mais para o final do longa!), na sequência tivemos uma visita pelas áreas secretas do Vaticano (que não sei se é realmente daquela forma, mas soou convincente!), e chegamos finalmente para o vilarejo, aonde foram coesos em trabalhar uma igreja simples e cheia de fieis passeando pelas ruas, com fotos, velas e tudo mais da moça, criaram um sudário para ser investigado, trabalharam com elementos bem fortes no convento como a fabricação de pillows de plumas, e tudo mais, num trabalho bem minucioso e cheio de detalhes, passando até mesmo por diversos procedimentos de exames em hospitais, ou seja, detalhes em cima de detalhes para que a investigação fluísse, além de ir nas casas antigas da moça, conhecer cada cantinho de modo perfeito e mais preciso impossível. A fotografia floreou em tons escuros para criar uma dramaticidade mais forte e significativa, deixando tons bem claros com a garota na igreja para tentar passar uma serenidade e calma, mas nada muito fluído, ou seja, simples e efetivo que até poderia ter ido mais a fundo.

Enfim, é um longa que permeia bem a imaginação, que vai gerar muitas opiniões diferentes de acordo com a fé de cada um, mas que o diretor não quis apontar demais o dedo para não causar também, deixando que o fluxo e o público saísse da sessão com suas próprias opiniões. De modo geral, mesmo sendo lento demais, até recomendo ele, pois religião sendo investigada é algo sempre interessante de se discutir, então peço que vejam, mas irei torcer muito para que o roteiro caia na mão de algum diretor americano e aí sim teremos uma produção investigativa forte nos mesmos moldes de "O Código Da Vinci". Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, afinal ainda faltam cinco longas dessa maratona completa para conferir, então abraços e até logo mais.

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Sol da Meia-Noite (Midnight Sun)

6/14/2018 08:36:00 PM |

O mais interessante de filmes românticos que envolvem doenças é o fato de termos oportunidade de saber mais sobre ela, e claro, conhecer a doença, pois até antes de "Sol da Meia-Noite" sequer sabia dessa tal XP, e ao menos passado de forma bem rápida, agora caso algum dia saiba de alguém que tenha não irei levar para tomar um sol na praia. Dito isso, vamos falar do que interessa realmente, que é sobre o filme, e entrando nesse mérito, a trama é simples, bonitinha, mas tão carregada de clichês, que se ao menos tivessem me feito lavar o cinema, poderia até relevar os problemas de falta de técnica e furos de conteúdo, mas como esse é o maior problema do filme: o de não emocionar quando precisa. E sendo assim, a trama acaba soando apenas correta para ser daqueles que você assiste uma vez só é cansa sem talvez até querer ver o final, e olha que as garotas até mandaram bem nos trejeitos, a protagonista botou a voz pra jogo cantando realmente diversas músicas, e as paisagens foram interessantes, mas não decola, é o filho do mito Schwarzenegger precisa melhorar muito se quiser decolar também.

A sinopse nos conta que Katie é uma jovem de 17 anos que vive protegida dentro de sua casa desde a sua infância. Confinada no local durante os dias, ela possui uma rara doença que faz com que a menor quantidade de luz solar seja mortal. Sua situação muda quando seu destino se cruza com o de Charlie e eles iniciam um romance de verão.

Sim, o longa contém diversos momentos musicais, e deveria até ter mais, pois conhecido mais como diretor de videoclipes e de filmes musicais, o diretor Scott Speer, certamente conseguiria transformar a história triste que veio do anime japonês que foi baseado, "Taiyô No Uta" de Kenji Bando, em algo mais emocionante e vivenciado, mas talvez ficasse forte demais um musical sobre uma doença, ou seja, talvez fosse melhor um outro diretor. Digo isso, pois as cenas musicais foram boas, mas as cenas de envolvimento que mereciam um destaque maior para realmente emocionar o público, acabaram ficando tão em segundo plano, que mesmo os personagens chorando na tela, ficamos vendo como se nada tivesse acontecendo, e isso é um erro imenso que num primeiro tratamento de roteiro conseguiriam enxergar o problema. Ou seja, acabaram fazendo um filme bonito de essência, mas que não atinge quem poderia atingir, e acredito que o público-alvo que são adolescentes apaixonadas, irá ver e também sairão da sala normais sem borrar suas maquiagens.

Sobre as atuações, diria que Bella Thorne até entregou uma Katie Price coerente, bonita, cantou bastante com uma voz gostosa de conferir (embora logo de cara fique notável que gravou tudo em estúdio e depois usaram no filme), mas ficou no geral bem insossa, de modo que poderia ter atacado mais, afinal tudo era uma novidade para a personagem e ela só com a expressão de legal, ou seja, poderia dizer uhuu legal, mas não foi. Patrick Schwarzenegger precisa com urgência assumir uma personalidade de galã, pois já que não será um mito como seu pai foi, ele tem de usar sua beleza a favor e começar a criar um carisma em cima disso, pois seu Charlie Reed tinha tudo para ser daqueles que as garotas ficam caidinhas, mas é tão sem sal que desanima até ver a empolgação da garota em cima dele. Rob Riggle foi um pai bem colocado com seu Jack Price, demonstrando o carinho e também a preocupação para com a filha, mas soou um pouco bobo demais, e talvez pudesse ter sido mais forte em alguns momentos. Dentre os demais só vale destacar Quinn Shepard como Morgan, a melhor amiga, pois essa sim trabalhou realmente com carisma, sendo a amiga tradicional, colocando os olhares emocionados nos momentos certos e assim agradando até mais que os protagonistas realmente, e sendo assim, fica fácil ver o erro na direção de atores, quanto aos demais, figurantes a rodo.

No conceito artístico, seria muita hipocrisia se errassem nesse elemento, e assim sendo o romance floresce em um cais de grandes veleiros ao luar, tem uma casa riquíssima de elementos para mostrar a jovem presa com sua doença, bons momentos na curtição noturna incluindo shows em Seattle, viagem romântica de trem e tudo mais, ou seja, clichês em cima de clichês, mas que deixaram ao menos o filme bonito. A fotografia certamente odiou ler o roteiro e ver que 99% das cenas seriam noturnas, pois trabalhar boas iluminações sem soar falso a noite é algo bem complexo, mas souberam dosar os bons momentos e não falhar tanto, agradando com bons tons para contrastar ao menos.

A trilha sonora é bem agradável e gostosa de ouvir, com diversas canções interpretadas pela protagonista Bella Thorne, e claro que deixo aqui o link para todos conferirem.

Enfim, é um filme que poderia ser muito mais caso desejassem emocionar realmente, e não fazer apenas um longa teen cheio de clichês. Volto a falar que ele é bem bonitinho, mas isso é algo que não entrega nada, e sendo assim o resultado falha demais. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto daqui a pouco com mais um texto, afinal ainda faltam muitos filmes para encerrar minha super maratona, então abraços e até logo mais.

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Os Estranhos - Caçada Noturna (The Strangers: Prey at Night)

6/14/2018 02:23:00 AM |

Diria que assim como o título, "Os Estranhos - Caçada Noturna" é deveras estranho, por acontecer coisas sem praticamente nenhuma explicação, ocorrendo simplesmente como dito em determinada cena que perguntam o motivo das pessoas estarem matando a família (e a resposta foi "e porque não?" - Sério, dá vontade de pegar um roteirista desse e tacar fogo!), contendo apenas três malucos atacando uma família, e teoricamente anteriormente todas as pessoas dos trailers, pois tudo está vazio ao máximo, e sem atingir nenhum ápice o longa é apenas isso, e nada mais, pois os conflitos anteriores da família não são explicados, nada! Sendo apenas um filme feito para mostrar uma matança, sem história, ou seja, arrumaram boas trilhas anos 80/90, colocaram uns malucos mascarados, uma família com uma adolescente em conflito, e pronto, vamos matar todos. Ou seja, ao menos no longa do expurgo anual tinham alguma coerência, aqui faltou tudo, e nem sei o que vou falar nas linhas seguintes, então já adianto que a nota vai ser bem baixa, e não recomendo o filme, para quem não quiser ler o resto.

A sinopse é bem curta e nos conta que uma família vai acampar num parque de trailers. Quando a noite chega, ela é aterrorizada por três psicopatas mascarados. A família é testada ao limite e luta para escapar viva antes do amanhecer.

Sendo meio que um reboot/continuação do longa de 2008, a trama até possui uma essência de terror sangrento bem interessante, porém faltou a história ter um vértice, pois tudo bem que psicopatas matam por matar, mas surgir do nada, não ter nenhuma revelação ou chegar a algum lugar é abusar da boa vontade do público que é tão psicopata quanto por gostar de ir ao cinema apenas ver mortes sem uma história mais pautada, e dessa forma o diretor Johannes Roberts, que fez um filme até que bem interessante nesse ano, "Medo Profundo", acabou jogando para o alto e deixando que o público tirasse suas conclusões, se é que tem como ter conclusão alguma do longa, e falhando consideravelmente com isso, ou seja, um filme sem pé nem cabeça, apenas com locações interessantes, personagens engraçados e sombrios ao mesmo tempo, mortes fortes bem colocadas, uma trilha sonora incrível, mas que é apenas algo jogado na tela, e sendo assim, ao menos no meu ver, foi um erro monstruoso na telona.

Dentro do conceito interpretativo, daria um leve destaque para o segundo ato da protagonista Bailee Madison com sua Kinsey, pois no primeiro soou apenas preponderante como qualquer adolescente chato e não fez praticamente nada, mas no segundo seus trejeitos desesperados buscando sobreviver foram de primeira linha, e deve ser visto por todas as moças que forem fazer um filme de terror aonde alguém está tentando lhe matar. Lewis Pullman também trabalhou bem seu Luke no segundo ato, mas nada que seja muito surpreendente, tendo sua boa cena de impacto na piscina, e só, pela imposição forte frente ao enfrentamento. Quanto aos demais, é melhor nem comentar, pois beiraram a piada pronta.

A equipe de arte foi bem esperta ao trabalhar praticamente o filme todo com uma névoa ao redor do espaço, ajudando os personagens a se perderem e não saberem onde estão, e ainda não necessitar ter muitos trailers para compor a cenografia, de modo que posso estar errado, mas mesmo o trailer dos personagens sendo o de número 47, se tiver realmente uns 4 ou 5 no estacionamento foi muito, necessitando apenas da recepção para algumas cenas, e da belíssima e ornada piscina para as cenas mais legais do longa, mas claro que dentro dos trailers tiveram um cuidado especial para criar ambientes diferentes e bem colocados, ou seja, podemos dizer que mesmo o longa não tendo muita história (ou melhor nenhuma), a parte visual ficou incrível. A fotografia como de praxe apelou para cenas escuras na maior parte do tempo, aparecendo os psicopatas do nada para dar sustos no público, mas como isso é o tradicional clichê, ao menos tentaram trabalhar um pouco com névoas e alguns floreios de explosões e iluminações diferenciadas em algumas cenas, mas nada que surpreenda demais.

Felizmente disponibilizaram o link para a excelente trilha sonora, pois o filme sem ela seria ainda pior, e claro que não ia deixar de fora para que todos ouvissem, afinal temos grandes clássicos dos anos 80/90, que deram um tom maravilhoso para as mortes.

Enfim, é um filme que esperava bem mais pelo trailer, e que talvez alguns malucos gostem bastante da essência de apenas ter mortes sem uma história específica, mas aí é um gosto bem pessoal, e não consigo enxergar muito bem essa qualidade, sendo que não o recomendo mesmo tendo alguns elementos bem bons como falei acima. Bem fico por aqui hoje, mas amanhã já estou de volta com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Um Dia Para Viver (24 Hours To Live)

6/13/2018 02:52:00 AM |

Bem, raspou a trave de não conseguir ver nos cinemas "Um Dia Para Viver", pois assim como o nome da produção, o longa já entrou em cartaz com os dias contados, só que ao invés de 24 horas de sobrevivência deram 1 semana para ele, e na correria do Festival, por pouco não deixei de ver essa obra de arte (momento ironia!) que só tem tiros, explosões, e algumas falas condizentes entre os protagonistas, mas que não revelam direito como é o funcionamento do Projeto Lazarus, não incorporam direito quem é a Montanha Vermelha, e muito menos as atitudes de cada um, aparecendo bem rapidamente alguns flashbacks jogados, e o restante é somente ação na telona. Daí vocês irão me falar: "mas Coelho, tem uma galera que curte filmes de ação sem história, inclusive você curte alguns!". Pois bem, mas aqui parece que o diretor que já foi diretor de dublês só quis colocar isso de forma jogada para vender a trama como uma sequência de filmes ou série, não se importando com um começo, meio e fim decente, ou seja, além de ser tudo corrido demais, faltou com a essência de criar uma trama, e sendo assim, o resultado até serve para divertir um pouco, mas passa longe de agradar realmente.

A trama nos conta que um assassino ganha uma segunda chance quando seu empregador o traz de volta à vida temporariamente, logo após ter sido morto no trabalho. Ele ganha então 24 horas para realizar sua missão e se redimir.

Em seu segundo filme, o diretor Brian Smrz, que é mais conhecido como diretor de dublês de diversos filmes, procurou criar algo que tivesse uma dinâmica de ação desenfreada com muitos tiros e que talvez trabalhasse com o tema de ressuscitação, algo que muito se fala em diversos bastidores e filmes, aonde abordam sempre como Projeto Lazarus (de modo que já tenho quase certeza que isso deve existir em algum canto realmente!), mas a falha aqui foi querer fazer um longa curto, e não desenvolver nem essa volta a vida, nem a missão anterior aonde ocorreram os problemas, nem desenvolver direito o que é mostrado no longa que é a tentativa de matar primeiro uma testemunha, e na sequência tentar salvar seu depoimento, ou seja, mudanças de vértice rápidas demais para um longa de 93 minutos, e com isso o resultado parece truncado e nem quem estiver disposto a somente ver tiros para todos os lados vai gostar do que é mostrado, até chegar nas cenas mais empolgantes que são as finais, ou seja, poderiam ter alongado pelo menos uns 25 minutos para que o longa ficasse de um bom tamanho, mas mostrasse tudo, e assim a direção ficaria de ação, mas efetiva com a história que desejavam mostrar. Mas, dando um leve spoiler, aparentemente na cena final deixaram a brecha para uma continuação, agora é ver se dará bilheteria para isso, ou se morrerá na praia realmente.

O mais assustador das atuações, é ver o quanto Ethan Hawke envelheceu, mas aí você vai conferir quantos anos o cara está, e vê que já está velho mesmo, mas aqui seu Travis até tentou ser pegador, trabalhou inicialmente com um ar mais sexy, mas suas melhores cenas são ao virar um tipo de zumbi estranho, tendo diversos momentos de contraindicação das drogas usadas, vendo vultos e fazendo trejeitos bem engraçados, ou seja, o ator acabou exagerando um pouco na personificação, mas saiu razoável ao menos. Paul Anderson conseguiu entregar um Jim interessante, que talvez até pudesse ter feito bem mais pela produção, pois soou forte como um vilão secundário, e trabalhou trejeitos para ser o principal, de forma que chamou atenção ao menos. Qing Xu foi ninja com sua Lin, entregando ótimas cenas de ação com uma desenvoltura incrível, mas seus trejeitos foram os que mais soaram falsos, aparentando estar jogada na trama. Liam Cunningham conseguiu chamar a atenção nas poucas cenas de seu Wetzler, sendo durão como o manda-chuva da organização, mas faltou um pouco mais de voz de comando, e suas cenas finais beiraram a piada pronta acuado demais. Dentre os demais, temos personagens jogados demais no longa, de modo que praticamente nenhum foi desenvolvido, tendo Rutger Hauer um pouco mais de cenas com seu Frank divertido e bem colocado, e uma importância razoável caso haja continuação para Nathalie Boltt como Dra. Helen, apavorada no meio dos tiroteios, mas de resto só figurações com algumas falas.

No conceito técnico, a equipe de arte foi bem requintada, criando um quartel general totalmente tecnológico para as cenas finais, trabalhou bem com as cenas de ação cheias de carros sendo destruídos no meio do tiroteio, arrumou armas de peso, e locações bem interessantes para os depoimentos e claro para as fugas, de modo que faz valer o longa pelo conteúdo de elementos. A fotografia brincou com tons marrons para dar um ar árido no meio da África, e abusou de muita iluminação ampla para que o filme ficasse dinâmico, mas ao entrar no QG, o tom esverdeado dominou quebrando um pouco a cadência, mas ainda assim agradou no geral.

Enfim, é um filme simples, que poderia ser mais alongado para mostrar e desenvolver mais as situações, mas longe de ser algo deprimente como já vimos outras obras do gênero, o resultado acaba sendo algo que dá para perder um tempo vendo na TV, e quem sabe rever depois caso façam uma continuação, e sendo assim, essa acaba sendo minha recomendação com ressalvas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais críticas, então abraços e até logo mais.

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Talvez Uma História de Amor

6/12/2018 10:48:00 PM |

Uma das grandes falhas do cinema romântico nacional é ir por caminhos lineares, mas com grande sabedoria aqui em "Talvez Uma História de Amor", a trama consegue desenvolver bem uma história misteriosa e até nos deixar intrigados com a amnésia do protagonista, porém a história demora demais a desenrolar de tal forma que até nos conectando com o andamento de uma bonita trama, o longa tem uma sinergia boa e transmite boas sensações, mas tirando a cena da Times Square que arrepia realmente, o restante não causa como um bom romance deve causar, e com isso o filme fica apenas razoável, ainda que tenha belas locações, uma trilha sonora espetacular, boas atuações e até mesmo um bom envolvimento para com o público.

A sinopse nos conta que quando chega em casa, depois de mais um dia corriqueiro no trabalho, Virgílio liga a secretária eletrônica e ouve um recado perturbador. É uma mensagem de Clara, comunicando o término do relacionamento dos dois. Virgílio, contudo, não faz a menor ideia de quem é Clara. Perturbado devido ao seu jeito metódico e controlador, ele não se lembra de ter se relacionado com ninguém, mas todos ao seu redor pareciam saber do relacionamento dos dois, perguntando como ele está se sentindo com o término. Agora, ele precisa encontrar essa mulher misteriosa.

Em sua primeira direção de longas, Rodrigo Bernardo, foi coerente com a história do livro de Martin Page, "The Discreet Pleasures Of Rejection" (traduzido ao pé da letra como os discretos prazeres da rejeição), e é completamente notável cada página do livro, cada reviravolta e até os momentos de inflexão que ele tirou para moldar a trama mesmo sem precisar ter lido o livro, pois acabamos vendo detalhes na telona, porém romances no cinema necessitam de um elo mais forte que emocione realmente, que faça o público ficar com os olhos marejados, e que envolva com toda a situação da trama, e aqui ele apenas foi correto na sua direção, sem atacar propriamente cada ato, deixando que o longa apenas fluísse, e isso infelizmente é algo bem ruim nesse estilo. Porém ele teve um grande feito, o de não entregar um longa novelesco e criar as situações tão bem interpretadas em boas locações que seu filme passa de maneira agradável para uma conferida divertida, e assim se faz como cinema, e não novela como acaba sempre acontecendo com longas nacionais, e sendo assim o acerto foi grande ao menos.

Quanto das atuações, o longa foi espetacular, com cada um dando bons trejeitos expressivos e com isso o longa consegue agradar bastante nesse sentido, e para começar, o protagonista Mateus Solano foi incrível com seu Virgílio, de modo que não conseguimos remeter o personagem a nenhum outro que ele já fez, dando um ar gostoso para o personagem, vários trejeitos metódicos de tal maneira que seu TOC organizacional seja exagerado a um ponto nunca visto, e assim sendo podemos dizer que foi perfeito. Bianca Comparato fez ótimas cenas com sua Katy, sendo bem divertida, criando uma boa dinâmica com o protagonista, mas a grande diversão mesmo ficou por ser quase metade do tamanho do protagonista, e sempre que estão juntos parece que ele está olhando para o chão. Totia Meireles entregou a Dra. Marcia como uma típica e ótima terapeuta, sempre trabalhando indagações e criando momentos incríveis e bem expressivos, agradando de um modo geral. Paulo Vilhena nos mostrou em sua única cena o João que é a sua total cara, fazendo todos ficar com ódio normal dele. Marco Luque mostrou muita personalidade com seu Otávio, agradando demais pela interpretação que fez, se saindo melhor que a encomenda, e com isso ficamos até bem surpresos com o que fez e vamos ficar de olho nele como ator. Quanto aos demais, a maioria fez bem suas cenas, mas praticamente todas soando apenas como conexões, de modo que vale destacar apenas a atriz estrangeira Cynthia Nixon que foi incrível tanto no texto quanto na forma expressiva da cena de sua Toni em Nova Yorque.

A equipe de arte foi muito (mas coloca muito nisso) coerente nas locações, escolhendo na medida certa cada lugar e compondo com muitos detalhes para realçar o tom gostoso da trama, e desde o apartamento mega organizado do protagonista com seu TOC maluco, com cada detalhe retrô incrível, passando pelo prédio da empresa de publicidade riquíssimo para mostrar como sendo uma das maiores como é falado no longa, até mesmo na composição do apartamento da vizinha bagunçado pela neta com seu cachorro que gosta de música, passeando pelos cafés e food trucks bem montados, e finalmente chegando em dois grandiosos museus (um nacional e um internacional), até passear pelas maravilhosas ruas de Nova Yorque tendo até a grande cena na Times Square (que certamente foi computadorizada, não a locação em si, mas o que ocorre, mas que ainda assim ficou linda de ver!). Ou seja, um trabalho minucioso, cheio de detalhes e que agradou em cheio. O tom da trama brincou demais com cores mais densas para trabalhar o sentimento de desespero, usou de cenas no escuro para trabalhar projeções imaginárias de forma incrível, e foi bem singelo nos tons dos figurinos para exaltar as qualidades de cada pessoa, ou seja, algo bacana realmente de ver.

Talvez a melhor coisa do longa seja a trilha sonora que conta com Frank Sinatra, Of Monster And Men, Hozier, entre outros, que encaixaram perfeitamente na composição do longa, mas infelizmente a produção ainda não disponibilizou o link e assim que tiver online volto aqui para postar com toda certeza, pois vale muito ouvir.

Enfim, é uma trama com uma história até que interessante, que certamente funciona bem demais no livro, mas que aqui talvez necessitasse uma desenvoltura maior para realmente fazer o público desabar com a história de Virgílio e Clara, fazendo com que a busca soasse mais emocionante, e tivesse até rumos diferenciados do óbvio, mas ainda assim digo que é um filme bem bacana de assistir, e o grande acerto foi não cair no ar novelesco usual que a maioria dos romances nacionais acabam se vertendo, e sendo assim só por isso já vale uma imensa recomendação. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou para mais um longa hoje, então abraços e até logo mais.

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As Boas Maneiras

6/12/2018 06:03:00 PM |

O cinema de gênero é algo que tem crescido em passos curtos no Brasil, mas quando conseguem entregar algo com um primor técnico tanto de história quanto de computação gráfica para impressionar e agradar, temos de recomendar com toda certeza, pois são tão raros os longas de terror com essência bem feitos no mundo, quanto mais algo feito no país então. Digo isso sem nenhum temor, pois confesso que o trailer de "As Boas Maneiras" já havia me intrigado, e como o último filme que vi da diretora foi um dos filmes mais ruins que já vi em minha vida, fui conferir esse com dois pés atrás, mas me surpreendeu tanto o que vi aqui que felizmente posso me redimir e dizer que agora seu nome figurará entre os meus longas nacionais preferidos, pois a trama conseguiu ser bela, conseguiu me emocionar em diversos momentos e ainda cativar com tudo o que é mostrado na telona, trabalhando uma história envolvente, aonde cada elemento é bem tratado, a ideia de horror é mantida com força mesmo com um lado doce e carismático por dentro, transformando a trama em algo bonito de ver, que mesmo um pouco alongado (talvez como uma série seria mais perfeito ainda!) resulta em algo muito, mas muito bom mesmo de conferir para todos que gostem do estilo.

A sinopse nos conta que a enfermeira Clara vive na periferia de São Paulo e é contratada para ser a babá do filho que Ana espera. O que era pra ser um simples emprego transforma-se numa experiência inesperada quando numa noite de lua cheia, a vida das duas mulheres muda para sempre.

Com uma fantasia de terror bem encaixada, envolvendo simbologias, misticismos tradicionais nossos (como por exemplo o lance do sonho com dentes), e brincando num primeiro momento com a relação complicada da gestação e da vida entre empregada/patroa, e num segundo ato o lance mãe e criança, podemos falar que a direção e o roteiro feito por Juliana Rojas e Marco Dutra (que juntos fizeram o péssimo "Trabalhar Cansa", mas que separados tivemos o interessante "Quando Eu Era Vivo"), foi algo tão bem preparado, estudado e desenvolvido que passa perto do brilhantismo de grandes obras internacionais, aonde o mérito não é de uma produção monstruosa, nem de um orçamento gigantesco, muito menos das boas atuações, mas sim é notável a mão de cada um deles no processo, que combinado com tudo ao redor acabou dando muito certo e funcionando para não apenas causar, como é o caso de muitas produções do terror, que buscam assustar ou causar choque ou até mesmo impressionar com algo, mas sim aqui é visto algo envolvente que acaba sendo entregue com minúcias expressivas e se desenrola da melhor maneira possível, fugindo até mesmo de eixos que poderiam se tornar bem novelescos e acabar com tudo. Ou seja, um filme de ótima história e de condução primorosa pela direção, e que já fez diversos prêmios fora, e agora seguindo o eixo comercial do Brasil vale a torcida para ser bem visto, pois merece os louros pelo trabalho feito.

Sobre as atuações, se tem uma atriz bem eclética de personagens, essa é Marjorie Estiano, que aqui vivendo sua Ana na primeira metade do longa consegue entregar bons olhares, situar bem a situação, dar uma dinâmica interessante e ter história para passar para ser usada no segundo ato, e só não digo que foi mais perfeita por talvez faltar um pouco mais de expressividade na sua história anterior, que foi muito bem contada através de desenhos, mas se a equipe quiser fazer algo mais completo, criaria ela também com atores, e aí sim seria uma série incrível em 4 capítulos. A angolana, mas já quase brasileira com a quantidade de filmes que já tem feito por aqui, Isabél Zuaa foi certamente a escolha precisa para o papel de Clara, pois conseguiu transmitir ótimas sensações expressivas no primeiro ato, trabalhou olhares de medo, colocou sentimentos nas suas interpretações, e no segundo ato então foi mais do que perfeita como alguém buscando controlar todos os passos do garoto para que o pior não acontecesse, demonstrou segurança para as cenas fortes e ainda criou um teor forte e polêmico para que muitos discutam futuramente no longa, afinal a trama dá para brincar com uma certa ambiguidade seu estilo, e com isso a atriz deu um show. O jovem Miguel Lobo foi muito singelo com seu Joel, trabalhando de uma maneira coerente e bem expressiva, sendo doce nas situações e nas entonações de seu personagem, e principalmente sofrendo muito para com a maquiagem, pois o jovem necessitou bastante, e deu um show, ainda pode melhorar no conceito dos olhares e trejeitos, mas ainda é muito novo, então foi correto no que fez ao menos. Dentre os demais, a maioria aparece mais como figuração, tendo alguns com um pouco mais de fala, mas nada que impressione realmente, tendo um leve destaque para Dona Amélia interpretada por Cida Moreira, mais ao final na cena musical do longa, pois nas demais soou um pouco artificial.

No conceito cênico, a equipe de arte soube trabalhar muito bem com os elementos cênicos, montando um apartamento cheio de detalhes místicos, deu o tom para entendermos um pouco mais as cenas seguintes do bar numa locação mais simples, mas bem feita, no segundo ato tanto a casa com um quartinho bem interessante para o que vai rolar, mas ainda colocando bons elementos para a doçura infantil, e mesmo na escola e no shopping que foram cenas mais espaçadas, souberam colocar tudo em sintonia para que os acontecimentos fossem marcantes. Além dessa parte da arte, a equipe foi bem coesa na parte de maquiagem e figurinos para que o longa não soasse falso, e ainda claro, funcionasse dentro do conceito de terror, de tal maneira que o longa fica nessa brincadeira de doce e de sinistro, num âmbito bem colocado e que funciona bastante. Na parte da computação gráfica para fazer as transformações, e até mesmo o personagem que é muito utilizado e aparece bastante em movimento, não posso dizer que foi algo perfeito, pois ainda poderiam melhorar, mas digo que sem dúvida alguma foi algo que passou bem perto e consegue agradar dentro da proposta, não soando falso em demasia e também não soando bobo, o que seria ainda pior, e com isso o resultado funciona. A fotografia claro brincou muito com tons escuros, teve elementos com poucas luzes, cenas com ambientações de sombras para dar o clima que o longa pedia, e até algo mais diferenciado em algumas cenas mais alegres, de tal forma que funcionou sem erros.

Enfim, é um filme de muitíssima qualidade que merece ser visto em todas as cidades que passar, e claro na TV quando sair para outras mídias, pois infelizmente ainda o cinema de gênero não tem tantas portas abertas no cinema, e aqui em Ribeirão Preto por exemplo só irá ficar uma semana em cartaz, o que é uma pena, mas recomendo muito ele. Talvez a única cena que tenha me irritado um pouco seja a final com alguns figurantes correndo com luzinhas de LED nas mãos, pois ficou um pouco bobo demais, mas tirando esse detalhe, é algo incrível que me surpreendeu e que certamente usarei de exemplo para comparação com outros longas quando lançados. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas hoje ainda irei conferir outros filmes, então abraços e até logo mais.

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A Noite Devorou O Mundo (La nuit a dévoré le monde) (The Night Eats The World)

6/12/2018 02:23:00 AM |

Bem.... ando vendo que nossos amigos franceses andam investindo bastante em outras áreas sem ser ótimas comédias dramáticas e dramas cômicos, floreando por áreas que possam chamar a atenção dos mais jovens como ficção científica e o terror, mas temos de pautar que a grande sacada da França são os ótimos roteiros, e esses estilos necessitam de produções milionárias e um desenvolvimento de ritmo que por vezes optam até por ter um péssimo roteiro, e isso para eles é algo que não pode ocorrer de forma alguma, e aí o que acontece? Uma tentativa de terror com zumbis que o protagonista fica somente em um prédio de poucos andares, andando de apartamento por apartamento, ficando maluco, tendo conversas filosofais, e vendo os zumbis do lado de fora andando para lá e para cá, ou seja, "A Noite Devorou O Mundo" não explica de onde veio a onda zumbi, não fala se o jovem vai ou não sobreviver sendo preguiçoso ao extremo, não floreia nada que uma história de terror deve realmente ter, ficando somente na parte filosófica e mental de possibilidades, de auto-conhecimento, e por aí vai, o que acaba literalmente cansando, e sendo o primeiro filme do Festival Varilux que olhei meu celular as horas... e por três vezes para ver se estava acabando o longa... e ainda por cima foi algo completamente fora do público do Festival, que enquanto todas as demais sessões tem tido uma alta quantidade de público, essa só teve 4 pessoas contando comigo, ou seja, um desastre e não por menos, pois o filme não atinge nada.

A sinopse nos conta que após uma noite de festa com muita bebida, Sam acorda completamente sozinho em seu apartamento. Ainda confuso ele descobre um terrível acontecimento: a cidade de Paris está tomada por zumbis famintos. Rapidamente ele começa a proteger o prédio em que vive e elabora estratégias para conseguir manter-se vivo em meio a catástrofe. No entanto, ele ainda não tem certeza se é o único sobrevivente neste cenário hostil.

Por ser sua estreia na direção de longas, certamente Dominique Rocher tentou ser o mais coeso com o orçamento e não quis abusar de muitas loucuras e/ou ao adaptar o livro de Pit Agarmen tentou captar demais a essência artística da história de desespero de um homem que estava no meio de uma festa imensa, dormiu e acordou com o mundo sendo devorado por zumbis desesperados. Não consigo enxergar uma ideia mais coesa para falar que o filme falhou muito ficando somente num único prédio passando pelos diversos apartamentos, sem ninguém para o jovem discutir (tirando o zumbi bacana preso no elevador!) e que por horas podemos até imaginar alguns momentos seus como devaneios, e ficar na dúvida de se o que acontece é real, mas a trama prende tanto o personagem que até ficamos intrigados com tudo, passamos a quase conhecer sua rotina e até se conectamos com sua situação, mas faltou algo mais forte para que o filme pegasse ritmo realmente, que o jovem saísse pelos telhados (como vimos no filme anterior da noite) caçando algo ou alguém, que descobrisse de onde vieram os zumbis e por aí vai, não apenas vivendo até acabar a comida dos 5 andares de apartamentos, ou seja, faltou muito.

Das atuações, basicamente só temos de falar do norueguês Anders Danielsen Lie e seu personagem Sam, pois o filme fica praticamente 90% com ele em tela, e o jovem comanda realmente o longa, assumindo a responsabilidade completa, trabalhando olhares, cortando o cabelo na faca (não é mostrado, mas fica tão ruim que certamente foi feito assim!), viajando na sua maluquice, tocando bateria e criando instrumentos com objetos, ouvindo suas fitas e tudo mais que dê para fazer em vários dias num único prédio cercado por zumbis, e não podemos falar que a falha do longa não decolar é sua, pois é notável sua intensão de impacto, seus trejeitos e tudo mais para chamar o longa para si, mas não empolga, e esse é o problema. Golshifteh Farahani aparece em algumas cenas com sua Sarah, e faz bem alguns olhares, alguns direcionamentos cênicos, mas é pouco para um longa de 100 minutos em que aparece por 10 a 20 no máximo. Dentre os demais temos de aplaudir a interpretação de Denis Lavant como o zumbi de elevador Alfred, que fez caras e bocas geniais, parecendo se comunicar realmente com o protagonista e entender mesmo com o cérebro estourado o que o personagem lhe transmitia, ou seja, se quisessem melhorar o filme só ficando no apartamento, que deixassem mais divagações com o zumbi que daria mais certo.

No conceito da produção, posso dizer que se preocuparam bastante com a cenografia, fazendo muita sujeira de sangue espalhada pelos apartamentos, zumbis com visuais destruídos e bem moldados na maquiagem, figurinos destroçados, apartamentos cheios de elementos para o protagonista utilizar, ou seja, uma composição cênica de primeira linha que se tivesse sido melhor aproveitada daria um filmaço. A fotografia brincou bem com os tons escuros para dar leves sustos, ousou brincar com alguns tons diferenciados nos sonhos, trabalhou técnicas de sombras com fogo e velas, ou seja, um trabalho bem feito, mas que não fluiu pela história.

Ou seja, um filme que tinha potencial, mas que não conseguiu sequer atingir um nível mais envolvente, faltando realmente desenvolver mais a história para que todo o restante agradasse e funcionasse realmente, pois produção bem moldada teve, elenco disposto e até uma ideia boa tinha, só faltou um ataque melhor na proposta para que o filme ficasse bom. E sendo assim, não dá para recomendar ele, e certamente nenhum outro filme irá tirar dele a posição do pior filme do Festival Varilux, que nem o trailer e ideia chamaram público para a sessão, então a bomba já havia sido cantada antes. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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