Netflix - O Menino Que Descobriu o Vento (The Boy Who Harnessed The Wind)

3/24/2019 02:28:00 AM |

Quando belos dramas reais acabam virando filme, geralmente eles conseguem nos emocionar em determinados momentos de virada, pois a sacada acaba funcionando para comover, e como passamos boa parte do longa envolvidos com tudo o que vem ocorrendo, o resultado permeia nosso cérebro para sentirmos a emoção junto com os protagonistas. E claro, que isso ocorre no ápice de "O Garoto Que Descobriu o Vento", e que o pôster revela mais spoilers que qualquer fanático chato de longas de filmes de super-heróis. E com essa essência, a trama em si é bem forte, consegue prender a atenção, só que possui um problema tão forte que raspou a trave de transformar o longa numa tortura cansativa sem limites: ser a primeira direção de um ator famoso, que até tentou ser ousado em alguns momentos, mas que tentou trabalhar tantos vértices na história, que por bem pouco quase não conseguiu mostrar nenhum direito. Ou seja, é um bom filme, mas que não flui como deveria, e cansa bastante no miolo, para trabalhar política, cultura e tudo mais, voltando mais ao final para o que realmente importava, e assim emocionar e funcionar.

A sinopse nos conta que sempre esforçando-se para adquirir conhecimentos cada vez mais diversificados, um jovem de Malawi se cansa de assistir todos os colegas de seu vilarejo passando por dificuldades e começa a desenvolver uma inovadora turbina de vento.

O longa tentou mostrar que com estudos, e pensamento fora da caixa, se pode ir muito além do que sua família, sua vila, ou até mesmo os seus costumes trariam para você, e com essa dinâmica encrustrada no roteiro de Chiwetel Ejiofor, que é baseado no livro de William Kamkwamba, o diretor e roteirista até tentou colocar força nos atos, mostrar processos políticos difíceis que acontecem aos montes na Africa, e primorosamente mostrou que a fome sempre mata por onde passa, causando guerras, brigas, e tudo mais, mas aí é que entrou a falha de Chiwetel, que se você reler esse meu parágrafo verá que falei praticamente nada dos ensinamentos mostrados nas escolas do país, das desenvolturas da irmã que sempre desejou cursar a faculdade e era mal-vista pela família por desejar isso, e por aí vai, pois ele quis mostrar coisas demais, e desfocou um pouco a atitude do garoto em tentar estudar mesmo sem que os pais pagassem seus estudos, indo escondido para a escola, mexendo seus pauzinhos para ser criativo e inventivo, ou seja, só com o garoto e suas desenvolturas, o diretor poderia ter ido bem longe, e feito um filme incrível, mas quando se quer demais, o resultado sai de menos, e assim, embora o filme seja bem tocante no final, o miolo acaba forçado demais para retratar tudo o que desejavam.

Quanto das atuações, posso afirmar facilmente que todos se dedicaram bem aos seus papeis, e que o jovem Maxwell Simba foi muito doce e cheio de vivências para seu papel de protagonista como William, de modo que mesmo não sendo experiente, soube jogar as atitudes para cima de cada ato, e com simplicidade nos trejeitos, ele conseguiu chamar a atenção sendo sutil e bem atento em cada momento. Chiwetel é um tremendo ator, isso já foi mostrado em tantos filmes, que nem precisaria se colocar como protagonista aqui, e claro que seu Trywell foi dinâmico, emocionou pela forma rudimentar de encarar as diversas situações, e chamou para si a responsabilidade cênica em diversos momentos, mas como é coadjuvante nas cenas com o garotinho, ele como todo bom diretor, deixou que a câmera não lhe valorizasse tanto, mas ainda assim agradou bastante. Quanto dos demais personagens, diria que necessito falar mais das mulheres do que dos homens, pois esses foram coesos nas atitudes, trabalharam bem encaixados, mas nada que se destacasse, enquanto Aïssa Maïga emocionou nas cenas fortes de sua Agnes, Noma Dumezweni entregou a bibliotecária com muita doçura e envolvimento, e até mesmo Lili Banda ficando em segundo plano com sua Annie foi forte de trejeitos para que suas cenas ficassem densas, ou seja, todas caso fossem melhor usadas na trama, chamariam o longa para si, e detonariam.

A equipe artística foi bem forte em mostrar tanto a seca que castiga com muita força o país, quanto também que o desmatamento anda causando um dos problemas mais horríveis que são os alagamentos de diversas cidades/vilas, de modo que nada sobrevive 100% funcional, além disso, souberam mostrar muitas situações bem moldadas, como guerras e assaltos, escolas com quase nenhuma estrutura para aprenderem, casas simples, lavouras simples, e claro o governo truculento que tenta ocultar ao máximo suas opiniões com situações estranhas. E dessa forma, desenvolveram um longa bem denso, escolhido com minúcias nas locações do país para que o filme tivesse um encaixe bem moldado, e quando entraram nas questões místicas, colocaram algo do estilo de uma folia de reis, bem cheia de detalhes, que até valeria ter sido melhor mostrada, mas que ainda assim agrada. A fotografia foi árida num nível fabuloso, com tons secos, amarelados, e que mesmo nas cenas cheias de chuva, o barro acaba moldando tudo para o tom marrom, e assim, a dramaticidade fica seca de vértices também, o que funciona para a proposta do longa, mas ajuda a cansar também o espectador.

Enfim, o resultado final pode até ser tocante, emocionar o público e soar cheio de efetivos e merecedores aplausos, mas poderiam ter trabalhado muito mais o miolo para que o filme inteiro fosse condizente com a trama, não deixando tudo para o fim, e dessa forma o cansaço no miolo quase nos faz desistir de continuar, o que não é bom de acontecer num longa de streaming, pois o controle está muito perto de fazer com que o público escolha outro longa, mas ainda assim, afirmo que é pelo resultado completo válido de conferir. Volto a frisar o que Cuarón falou nos seus discursos de diversas premiações, que o streaming e o cinema precisam caminhar juntos, pois assim como aconteceu com "Roma", que tem muitas qualidades, e ainda assim dificilmente passou em pouquíssimos cinemas, no caso desse aqui, seria com certeza impossível de ser visto em uma sala com no máximo 3 pessoas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Nós (Us)

3/23/2019 03:26:00 AM |

Existem diversas palavras que daria para definir o novo longa de Jordan Peele, "Nós", mas a principal é genial, pois é daquelas tramas que se diferem de tudo o que já vimos, que brinca com duplicidade, que entrega expressões icônicas, que sabiamente se encaixa em um perfil para discutirmos, e muito mais! Aí você vem e me fala que o longa anterior do diretor também foi assim, e sim, ele ousa beber da mesma fonte, mas se lá a trama entregava algo com mais sutilezas, aqui o filme inteiro flui causando tensão, vai nos permeando com dúvidas, sagacidades e tudo mais, para que ao final, ligássemos tantos pontinhos que nossa cabeça parece até que vai explodir, e aí vem a dúvida: como vou escrever do longa sem entupir de spoilers, e eis que estou aqui, escrevendo e me acorrentando para não soltar nada que esse novo gênio do terror sem assustar, conseguiu encontrar em sacadas bem dinâmicas que vão deixar todos com muitas pulgas nas orelhas, alguns odiando tudo o que foi mostrado, mas outros desejando aplaudir tamanha a loucura e o impacto que o longa causa. Felizmente, estou nesse último grupo, pois estou em êxtase com tudo, que só estou imaginando a quantidade de prêmios que esse cidadão ainda vai ganhar com o filme.

A sinopse nos conta que assombrada por um trauma inexplicável e não resolvido de seu passado e agravada por uma série de coincidências estranhas, Adelaide sente sua paranoia se elevar quando sente que algo ruim vai acontecer com sua família. Depois de passar um dia tensa na praia com os seus amigos, os Tylers, Adelaide volta para sua casa de férias com a família. Quando a escuridão cai, os Wilsons descobrem a silhueta de quatro figuras iguais a eles de mãos dadas. NÓS coloca uma cativante família americana contra um adversário terrível e estranho: eles mesmos.

São inúmeras as qualidades do longa, e incrivelmente o diretor, roteirista e produtor da trama Jordan Peele, certamente sabia o que entregaria em sua obra, pois o filme tem nuances tão certeiras, que com apenas dois longas em seu currículo, ele nos permeia com sabedoria atos dignos de grandiosos gênios do gênero, encontrando vértices puros que conseguem fazer nossa cabeça ficar pensando demais após conferirmos o filme, e diferente do casual que ocorre em longas de terror, que ficamos com nojo de algumas cenas, arrepiados com outras, ou até pulando de susto em outras, aqui nada disso acontece, pois ele brinca com nossa mente, e causa todo o efeito após, o que faz do filme quase uma diversão durante a sessão, e um turbilhão de ideias enquanto estamos indo para nosso carro no estacionamento. Outro ponto extremamente favorável ao que o diretor fez no longa foi o fato de entregar sua opinião completa com o fechamento da trama, não deixando pontas abertas para que o público decida, entregando em flashbacks tudo o que ocorreu com a garotinha nos anos 80, toda a sacada em cima do que ocorre nos tempos atuais, e principalmente envolvendo com excelentes sacadas cada momento para que o filme flua explicando detalhes, mas não deixando nada bobo demais, ou seja, perfeição em cima da genialidade, e ainda se dá ao luxo de saborear cada momento para mostrar repetidamente e enfaticamente sua ideia. E assim sendo, que venham os louros das premiações, pois novamente ele merece.

Sobre as interpretações, no trailer já achava que era outra atriz ao invés de Lupita Nyong'o como a protagonista Adelaide, pois com uma desenvoltura bem jovem, não aparentava ser uma mãe de família tão cheia de detalhes, mas não, a jovem atriz não só pegou o papel duplo, como deu um show de olhares, de lutas, de enfatizações, e tanto na versão real, quanto na vermelha, a atriz entregou trejeitos tão fortes e bem colocados que chega a assustar a perfeição de movimentos, ou seja, há potencial para ela também nas premiações. Winston Duke funciona bem como alívio cômico para a trama com seu Gabe, e embora tenha cenas tensas, seu personagem acaba mais divertindo do que causando em qualquer um dos momentos, e não que isso seja algo ruim, só poderia ter sentido mais a pressão para que o personagem não destoasse do restante. Os jovens Shahadi Wright Joseph e Evan Alex também foram imponentes com atuações maduras, trejeitos espantados, com medo, e claro, muita desenvoltura cênica para que cada um com seus dois papeis soassem não só diferentes no estilo, mas permanecessem com semelhanças, de modo que tanto Zora e Jason, quanto Umbrae e Pluto são personagens de mesmo nível que a mãe na maioria das cenas. Dentre os demais, tivemos boas cenas também com a família Tyler, de modo que as expressões sarcásticas de Elisabeth Moss e Tim Heidecker encaixaram bem na versão casual com seus Kitty e Josh, mas quando voltaram como Dhalia e Tex, deram um tom expressivo tão bem colocado e monstruoso, que chega a dar medo só de olhar, ou seja, foram muito bem também.

O conceito visual brincou muito com o figurino dos personagens, trabalhando bem com o uniforme vermelho dos "acorrentados" para destoar dos personagens de cima da superfície, então aqui deixo até uma dica, preste bastante atenção no texto colocado na primeira cena do filme, e com uma maquiagem incrível também para diferenciar cada um, o resultado foi algo de primeiríssima linha. Além disso, tanto as casas de praia, como o parque em si, visto nas duas épocas já é algo assustador em si, moldado com linhas tensas ao redor, que mesmo tendo uma desenvoltura alegre, afinal estamos na praia, temos um parque pronto para se divertir com muitos brinquedos, o resultado sabemos só de olhar de relance que não será algo tão bom, e o acerto fica perfeito em todos os momentos, além claro, das cenas subterrâneas, aonde temos os milhares de coelhos, as cadeiras escolares, e na cena que explica tudo, temos atuações de figurantes tão bem feitas, que acabam virando elementos cenográficos precisos e bem incorporados para a trama. Com o tom colocado num nível bem escuro, o longa quase brinca com jogos de sombras, e claro que quando descobrimos o que seriam as outras pessoas, o resultado fica mais denso ainda, porém poderiam ter brincado mais com essa forma subjetiva para causar medo, e infelizmente usaram bem pouco esse recurso, e talvez esse seja o único motivo para que eu não desse uma nota máxima para o filme.

O filme contou com grandes clássicos musicais de rap, e o melhor, trabalhando bem a letra para o público ficar horrorizado com toda a situação, e mudando alguns tons do ritmo original, até "I Got 5 On It" acabou ficando tensa para toda a situação, que juntamente de outras boas entonações musicais da trilha orquestrada, acabou dando teor e ritmo para o longa. E claro que deixo aqui o link de uma playlist com as canções tocadas, e também o link da trilha orquestrada completa.

Enfim, é um filme muito sagaz, cheio de situações bem montadas, que talvez desagrade alguns por não assustar tanto como é comum de vermos em longas de terror, mas que pelo estilo trabalhado, pelo roteiro envolvente, e principalmente pelas ótimas interpretações cheias de trejeitos que vão nos encontrando aos poucos até o derradeiro e certeiro fechamento, o longa não só vale a recomendação, como mais para frente iremos colocar ele como um dos clássicos do gênero, pois tudo foi muito bem trabalhado e cheio de situações para serem lembradas com muita certeza. Como disse mais para cima, talvez alguns detalhes fariam que eu desse um 10 para o filme, e cogitei até a última linha escrever essa nota, mas fico com um 9,7 para ser preciso, e como não tenho notas quebradas, irei dar um 9 para talvez me arrepender muito mais para frente. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Alaska

3/22/2019 10:04:00 PM |

É engraçado observar durante toda a curta duração (82 minutos) de "Alaska" que nos é permeado um conflito intenso ao mesmo tempo que os resticios de um amor esquecido parece coexistir, e em certo momento um personagem secundário diz a seguinte frase: "aqui ninguém é deixado para trás, todo mundo se ajuda", aonde vemos que a separação conflitiva dificilmente será mudada, e sendo assim, temos um filme que inicia de uma forma, gira sem muitas emoções, e que finaliza praticamente da mesma forma que começou, sem atropelos, mas também sem desenvolturas, e por mais incrível que possa parecer, ele não cansa, pois o vértice sempre parece permear algo a mais. Ou seja, um filme simples, bem fotografado pela ruralidade em si, mas que não avança para nenhum afluente, e dessa forma, quem esperar algo acontecer sairá bem decepcionado.

A sinopse nos conta que anos após se separarem, Ana e Fernando decidem visitar mais uma vez a Chapada dos Veadeiros, que foi cenário de uma intensa história de amor entre os dois. A viagem é uma segunda chance para essa paixão. Mas o tempo passou e eles talvez não sejam mais os mesmos.

Diria que a estreia na direção de longas de ficção de Pedro Novaes foi subjetiva demais, pois ele até consegue nos passar a mensagem de uma tensão forte entre os protagonistas, numa tentativa até que bem colocada de reaproximação após uma separação digamos banal demais, mas ele fica apenas nisso, mostrando que até se gostam por dentro, mas que por nenhum aceitar mudar sua vida, acabam tendo as mesmas desavenças. Ou seja, o diretor toda a trama quase que da mesma forma que a caminhonete do longa, passando por buracos, relembrando bons momentos, mas girando e voltando para o ponto inicial com cada um seguindo sua vida separada. Posso até ter dado um pouco de spoilers, mas o filme é assim, e nada mais.

Sobre as atuações, Bela Carrijo como Ana foi simples, teve bons trejeitos, e soube dosar seu momento com cada ato bem encontrado, mas assim como a história, não flui muito, sendo até simpática de estilos, mas nada que empolgar realmente. Já Rafael Sieg como Fernando trás uma boa sintonia com o campo, chama a responsabilidade expressiva em diversos atos, porém quando precisa demonstrar atitudes não enfrenta a câmera, e isso faz com que ele soe teatral demais para um longa denso, e que necessitava expressões mais fortes. Quanto aos demais, todos foram camponeses comuns, praticamente vivendo suas vidas comuns, ignorando estarem em um filme.

Agora sem dúvida o visual da Chapada é incrível, que com o estilo roadmovie impregnado na alma do diretor que antes fez muitos documentários, resultou em escolhas cênicas bem abstratas, mas que resultaram em algo belo, bem colocado para representar cada momento do filme, e sem gastar muito do orçamento, conseguiu passar a mensagem, ou no caso as representações vividas pelos personagens, com muita força e coesão.

Enfim, é um filme simples, razoavelmente bem feito, mas que não enfrenta nada para mostrar um algo a mais, e sendo assim, o resultado não empolga ninguém. Não diria que desrecomendo o longa, mas também digo que não será daquele a filmes que me lembrarei quando alguém me pedir uma sugestão. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou conferir outro longa na sequência, então abraços e até logo mais.

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Cafarnaum (Capharnaüm) (Capernaum)

3/22/2019 01:18:00 AM |

Quando um filme consegue trabalhar mais os sentimentos, as essências dramáticas, e entregar sua alma na interpretação de seus protagonistas, retratando uma dura realidade que quase desmancha o teor ficcional para virar quase um documentário, o resultado é único: emociona o público com força e demonstra que a diretora conseguiu passar tudo o que desejava sem forçar, agradando no sentimental, e sendo inteligente para não passar do ponto em momento algum. Digo isso e muito mais de "Cafarnaum" ou "Caos" como legendaram no início, pois é um filme primoroso, com tantos sentimentos, com uma dinâmica tão presente, que com toda certeza o fez merecer cada um dos diversos prêmios que levou, e tenho certeza, que se esse ano não tivesse "Roma" (que para mim foi supervalorizado demais!), esse seria o longa premiado nos grandiosos prêmios americanos.

O longa nos situa em Beirute, nos dias atuais, aonde Zain com 12 anos, já viu o suficiente para se ressentir de sua própria existência. Com muitos filhos para cuidar, seus pais recorrentemente atuam na criminalidade, como encarregar o filho encarcerado a repassar drogas na prisão. Ainda mais alarmante, venderam a filha de 11 anos para um casamento arranjado. Com isso, ele processa os seus pais por tê-lo trazido ao mundo sem os meios adequados à sua sobrevivência.

Alguns diretores sabem trabalhar os sentimentos dos personagens para que seu filme flua de uma forma ainda mais condizente do que o imaginado, e certamente o que Nadine Labaki fez aqui foi algo que foi além de todos os limites pensados, pois ela pegou crianças das ruas de Beirute, que vivem realmente essa situação forte que o país anda passando com famílias desestruturadas, crianças em situação de abandono, refugiados, e tudo mais, para que vivessem isso de modo fantasioso, e o resultado foi algo único, cheio de intrínsecos momentos, que acabam emocionando e causando sensações fortes pela tensão criada com o garotinho, e que a cada cena vamos entrando ainda mais na sua história, e entendendo bem sua decisão de estar querendo processar os pais. Ou seja, o longa em si é invertido para que possamos entender como o garotinho chegou nessa conclusão, e com uma força tamanha nos diálogos, a trama é bem desenvolvida pela diretora, que encontra doçura aonde não existe, e acerta com minúcias todos os seus momentos.

Não precisaria nem falar nada sobre as atuações de cada um, apenas colocando sensacional após cada nome, mas tenho de aplaudir de pé os olhares de Zain Al Rafeea, que se entregou de corpo e alma para o personagem, fazendo bem o que vê nas ruas, e com simplicidade e muita eficiência em cada momento, o jovem mostrou um potencial que espero um dia vê-lo novamente interpretando, pois foi mais do que incrível. Yordanos Shiferaw também encontrou momentos únicos para passar para sua Rahil, que demonstrou sinceridade, desespero, e muito carinho principalmente para os dois garotinhos, de modo que ficamos tristes e emocionados com cada atitude passada pela jovem, além claro de seus olhares serem precisos. Quanto aos demais, todos foram tênues nas situações, para que o filme fluísse, e chamasse a atenção em cada momento que aparecessem, de modo que vamos nos apaixonando e/ou ficando com raiva de cada um, o que fosse necessário, agraciando bem com a mãe que só vive para fazer filhos, o pai que usa eles para ganhar dinheiro e sobreviver, a garotinha simbólica que põe na mente uma oportunidade para o jovem, o oportunista claro do mercado que ganha com trambiques, e claro aqueles que compram vidas para usar como desejar sem pensar.

O contexto visual da trama é fortíssimo, pois a equipe de arte foi para as ruas e nos colocou praticamente no meio da situação, vivenciando a vida do garotinho com a família desestruturada cheia de irmãos que sequer tinham o que comer, trabalhando nas ruas, nos armazéns de donos abusadores, vemos idosos trabalhando para sobreviver, mães refugiadas se dando ao máximo para conseguir um visto para continuar com seus filhos, vemos o garotinho em meio a uma cadeia com homens, mulheres, crianças e tudo mais que se pensar aonde tudo acontece, ou seja, com muita riqueza de detalhes, o lado artístico da trama foi crucial para retratar a dura realidade que desejavam nos passar sobre o país, e acertadamente o resultado foi forte e bem impactante.

Enfim, um longa incrível que beira virar algo documental pela ótima formatação desenhada da situação de vivência, que graças às perfeitas interpretações desenvolvidas por crianças que viveram realmente nesse mundo, resultam em algo emocionante e cheio de personalidade, que saímos da sessão impressionados com tudo, e ao mesmo tempo que tristes pela situação que nos é mostrada, felizes por termos crianças com uma segurança interpretativa, que a diretora nem precisou muito para entregar, mas sim deixou que eles vivessem e lhe mostrassem como é tudo. Ou seja, mais do que recomendo o longa para todos, deixo quase que como uma obrigação que todos vejam e se emocionem com tudo, pois mesmo tendo pequenas falhas (afinal volto a dizer, que não são atores de profissão, e ainda assim souberam se portar muito bem), o resultado é incrível. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Megarrromântico (Isn't It Romantic)

3/21/2019 12:01:00 AM |

Alguma vez você já se pegou enumerando todos os clichês que filmes românticos possuem? Já reparou que em todas as histórias do gênero acontecem cenas muito semelhantes, quiçá iguais? Pois bem, se você nunca fez isso, irá fazer após conferir o longa da Netflix, "Megarrromântico", aonde não rimos de piadas, ou de grandiosas sacadas engraçadas, mas sim vemos tantas referências e cenas encaixadas exatamente iguais já vimos em outros filmes, que quase passamos o longa inteiro tentando conectar com qual estão brincando agora, e embora isso pareça bem besta, acaba sendo uma delícia de acompanhar e se divertir, de modo que o filme que é bem curtinho (88 minutos), parece até ter menos, passando num piscar divertido de olhos, ou seja, é exatamente aquele filme que você procura para se desestressar, e acerta a mão em cheio, pois com atores incrivelmente bem colocados, uma produção rica em detalhes, e um roteiro afiado conseguem resultar em um longa empolgante e gostoso de conferir.

O longa nos mostra que Natalie é uma jovem arquiteta bastante cética em relação ao amor, que se empenha para ser reconhecida por seu trabalho. Um dia, ao saltar do metrô, ela é assaltada em plena estação e, ao reagir, acaba batendo com a cabeça em uma pilastra. Ao despertar em um hospital, ela descobre que, misteriosamente, foi parar dentro de um filme de comédia romântica.

Diria que foi mais trabalhoso a pesquisa dos roteiristas para compor todos os filmes que "fariam homenagem" no longa do que para o diretor Todd Strauss-Schulson colocar suas mãos e criar uma comédia bem sacada cheia de desenvolturas criativas, aonde os clichês, que são os maiores problemas da maioria dos filmes, se destacassem e soassem bem colocados, divertindo para algo maior, ou seja, ele teve de pegar sua bíblia de erros que nunca se deve cometer numa comédia romântica e ler ela de ponta-cabeça para conseguir inserir tudo no longa. E felizmente ele conseguiu, pois a trama soa leve, engraçada, cheia das referências trabalhosas que os roteiristas inseriram no longa, remetendo "Uma Linda Mulher", "O Casamento do Meu Melhor Amigo", entre os mais famosos, e muitos outros, trabalhando momentos de musicais, encontros e desencontros, e claro, eliminações de palavrões, o que acaba sendo bem engraçado de ver com a protagonista, pois sabemos que em todos seus filmes, ela fala horrores incríveis, e essa foi bacana de ver a maquiagem em cima de sons. Ou seja, um filme bem ornamentado, que passa longe de ser o mais original no quesito, pois já tivemos outro semelhante, brincando com as comédias pastelões, outros que trabalham com os de terror, e tudo mais, mas aqui a sacada foi trabalhar com alguém que nunca acreditou em amor, e isso é algo bem comum nos dias de hoje, e assim sendo a moral final acaba valendo e muito, e claro, divertindo na medida.

Agora sem dúvida alguma a melhor escolha possível de protagonista foi Rebel Wilson, pois com seu estilo próprio desbocado, um perfil fora do comum de comédias românticas, e claro muitos trejeitos fortes para colocar desenvoltura na trama, fez com que sua Natalie, tanto real quanto a do sonho, ficasse incrível, conseguindo encaixar boas cenas do começo ao fim, tendo alguns leves desencontros de olhares, mas que no geral acaba agradando em cheio. Adam Devine que já foi par romântico de Rebel em "A Escolha Perfeita", volta aqui como Josh, sendo também bem coerente em todos seus momentos, divertindo com absurdos colocados tradicionais, e que conseguindo colocar um carisma simpático em diversos momentos ainda consegue chamar a atenção. Acredito que tenha sido proposital, mas Liam Hemsworth no longa ficou completamente a cara do seu irmão Chris, de modo que a todo momento ficamos pensando ser o Thor como proposta romântica para a protagonista com seu Blake, mas souberam entregar para o ator atos tão bem sacados, que acabamos rindo de seus atos errados. A indiana Priyanka Chopra entregou sua beleza para Izabela, e só, tendo alguns momentos mais chamativos, mas sempre ficando em segundo plano, mesmo quando precisava se destacar. Bandon Scott Jones forçou muito a barra para entregar o estereótipo maior dos gays em comédias românticas com seu Donny, mas que no final voltou com uma sacada tão bem colocada, que será um belo chute na moral ética que costumam colocar nesses filmes. E para finalizar o elenco principal, tivemos Betty Gilpin com sua Whitney entregando o tradicional público de comédias românticas, sendo bem sacada tanto no momento real como alguém emotivo demais, quanto no sonho com sua rebelde inimiga de serviço. Ou seja, todos foram incrivelmente bem moldados para cada ato, deixando que os dois protagonistas principais desenvolvessem muito os dois lados, mas sempre encaixando um clichê aqui, outro ali, para ser desmistificado na sequência.

Como disse no começo, a produção se empenhou muito no conceito artístico, retratando tudo inicialmente de um modo rústico, selvagem, cruel, aonde bem exposto conseguiu retratar algumas realidades tensas de escritórios e vida de solteiros mais jogados, com apartamentos bagunçados, pessoas acumulando comida, e tudo mais, para ao mudar para o lado mágico das comédias românticas com flores para todos os lados, cenários limpinhos, pessoas se ajudando, casamentos riquíssimos e tudo mais num deslumbre total das situações, mostrando claro que a equipe de arte pesquisou muito, e conseguiu encontrar ótimas jogadas cênicas para realçar tudo em níveis altíssimos para que ninguém precisasse olhar duas vezes, além claro, das diversas referências para ligarmos à outros filmes, ou seja, algo incrível de ver, que juntamente de uma fotografia inicialmente cinza, com tons bem pálidos, se muda para algo que é quase um arco-íris de tantas cores e formas.

Como o longa brinca também com os musicais, a trama teve diversas canções colocadas para brincar com outros filmes, encontrando um timing bem moldado que vale a conferida só para rir, além claro dos protagonistas cantando em alguns momentos, ou seja, além de ritmo conseguiram ganhar estilo para o longa. Aqui deixo o link da trilha sonora oficial do longa e uma playlist que fizeram com várias das músicas que toca no filme (tem algumas que não lembro de ter ouvido, mas como a escolha foi boa, fica junto).

Enfim, para um longa que parecia bem bobo, cheio de caras e bocas pelo trailer, o resultado final foi muito bem sacado, e consegue divertir na medida certa. Claro que recomendo que você não vá conferir esperando rolar de rir, pois essa não é a proposta da trama, e nem tem piadas que remetam a isso, mas com sutilezas bem encaixadas, o filme diverte e agrada. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Maligno (The Prodigy)

3/19/2019 01:58:00 AM |

Olha, já vi diversos tipos de longas de terror, usando psicopatas, assassinos em série, espíritos, casas assombradas, bruxas, mas que eu me lembre é a primeira vez que vejo algo de reencarnação maligna, ou talvez até tenha visto algo envolvendo espiritismo, mas nada voltado para o terror realmente, e isso já é um ponto bem positivo para "Maligno", ou "O Prodígio" como seria em tradução literal do nome original do filme, mas não sem dúvida esse não é o melhor ponto do longa, pois tivemos cenas bem tenebrosas para um garotinho fazer, e espero que com devida atenção nas gravações, limpem sua mente, para que ele passe bem após fazer esse filme, e que ele só veja o resultado final daqui muitos anos, pois "rapaizzzzzzzzzz ô mulequinho du malllll" ... precisei escrever isso dessa forma, pois é a única coisa que vinha no meu pensamento, mesmo sabendo que o jovem estava incorporado por no caso um assassino em série, que será melhor explicado no último ato, mas que já vemos na primeira cena um pouco sobre ele, ou seja, a coisa fica bem tensa, e certamente imagino que tenham cortado tanto do roteiro para não forçar o garoto, quanto do filme que foi pro ar realmente, muitas cenas, pois a trama tinha essência para isso, o garoto foi espetacular nos olhares e trejeitos, e principalmente, em diversos atos, mesmo sabendo o que ia acontecer, arrepia! Ou seja, um filme de terror de primeira linha, que contém alguns defeitos clássicos do gênero, mas que certamente se fizerem a continuação que ficou no ar, vai ser de arrepiar mais ainda!

O longa nos conta que preocupada com o repentino comportamento estranho e violento de seu filho Miles, Sarah inicia uma investigação por conta própria para entender o que está acontecendo. Mas o que ela descobre é que alguma espécie de força sobrenatural está agindo sobre ele, influenciando, cada vez mais, suas ações.

É interessante quando vemos um "novo" diretor de longas de terror, que já possui outros filmes interessantes que acabaram não surgindo nas telonas por aqui, e isso mostra que o mercado do gênero é um dos que mais recebe o preconceito das distribuidoras, mas não vamos entrar nessa briga que tanto irrita este que vos digita, e sim nos méritos de Nicholas McCarthy, que conseguiu dirigir com maestria uma trama interessante criada por Jeff Buhler (que se também não conhecíamos anteriormente, já iremos ficar com grandes olhos para o que fez na recriação do novo "Cemitério Maldito" que estreia em Maio após ver essa sua trama!), pois ele soube não apenas moldar uma história tecnicamente simples, com uma resolução digamos meio-óbvia, e contada praticamente sem entremeios para o público logo de cara (nem pedindo esforço nenhum para que pensássemos em algo), mas que principalmente não ficou com receios de entregar para o garotinho a responsabilidade cênica, pois muitos diretores apenas aproveitariam o jovem como determinante, mas deixaria que a tensão ficasse para as cenas com a "entidade", ou com outros elementos, mas não, ele põe o jovem Jackson para fazer carões, põe ele pra martelar o amiguinho, põe ele para picar, e tudo mais, ou seja, se amanhã ouvirmos que um jovem ficou transtornado por conta de um diretor, saberemos que esse cara foi maluco e ousado ao mesmo tempo, pois volto a frisar, as cenas são fortes para uma criança fazer, e ele faz com primor, que falarei mais abaixo. E dito isso, o único problema que o diretor sofreu em seu desenvolvimento, foi ser objetivo demais, pois o gênero terror, só de fazer arrepiar e causar já é satisfatório, mas quando nos envolve algum tipo de suspense sem entregar de cara, deixando as explicações completas para o final, faz com que a surpresa melhore, e isso não ocorreu aqui, mas ainda assim, ele foi sábio em fechar a trama de uma forma completamente inesperada, para claro, se der bilheteria, e algum produtor maluco desejar, vir com a continuação, e certamente estarei aguardando muito para que isso ocorra!

Nem precisaria falar nada dos demais personagens, e só falar que o garotinho que já foi assombrado em "It - A Coisa" como Georgie, sendo capturado pelo palhaço assassino, fez uns cursinhos lá no esgoto, e voltou mal, muito mal, maligno para fazer aqui seu Miles, que com uma destreza incrível, Jackson Robert Scott entregou personalidade, olhares, tensões faciais, e soube ser preciso em cada uma das cenas que foi colocado como responsável, seja nas calminhas e afetuosas como o garotinho mesmo, ou quando a outra personalidade assumia a forma e botava pra sangrar ou causar o que tivesse em sua frente, ou seja, fiquei fã do jovem, e espero vê-lo em outros filmes, pois mostrou serviço de primeira em tudo aqui. Taylor Schilling trabalhou bem sua Sarah, colocando pavor nas suas expressões (e quem não colocaria!!), criando bons momentos junto do garotinho, de modo que a atriz embora tenha errado em alguns momentos, principalmente nas cenas com os adultos, superasse muito bem quando em cena com o jovem, e a química tensa entre eles foi bem funcional, o que agrada muito no gênero. Talvez quem tenha mais falhado, principalmente por ficar em segundo plano, deixado de lado para talvez a continuação, foi Peter Mooney com seu John, pois nas cenas em que aparece, o ator fica sempre pacato demais, e quando teve sua cena mais tensa, esteve de lado, não mostrando muito, e falhando aos poucos, ou seja, poderia ter sido usado um pouco mais, afinal como é contado em diversos momentos, o personagem tinha um problema bem tenso para usarem, e isso valeria trabalhar na trama. Quanto aos demais personagens, vale apenas um rápido destaque para toda a tensão expressiva que Colm Feore entregou na sua cena mais forte de seu Arthur junto do garotinho, pois o veterano ator quase borrou as calças, e talvez pudessem ter trabalhado um pouco mais Paula Brodeau com sua Elaine Strasser, mas quem sabe na continuação. Quanto à Paul Fauteux, diria que ele como Scarka ficou secundário demais, mas conseguiu passar bem seus trejeitos para o garotinho, encaixando bem o timing entre eles.

No conceito cênico, a equipe de arte foi bem coerente, em dar objetos fortes para o garotinho usar, souberam trabalhar detalhes nos momentos corretos, como a lâmpada na cena com a babá, a tesoura sendo afiada, a chave inglesa, as facas, e tudo mais, não forçando a barra para elementos fora de um contexto que uma criança de 8 anos conseguisse dominar (o que vai causar um leve medinho nos pais de crianças!), mas principalmente a grande sacada foi trabalhar as casas, as escolas, e todas as locações por onde passam, juntamente criando a cenografia necessária para chamar a atenção, além claro das lentes incríveis nos olhos dos protagonistas, que deram algo a mais para os olhares do garotinho. A fotografia brincou bastante com o mais clichê tradicional dos longas de terror, deixando tudo quase sempre na penumbra total, usando e abusando de sombras, e claro, pegando o público desprevenido em alguns atos, ou seja, embora seja comum demais, ainda funciona.

Enfim, é um filme que para quem gosta do gênero vale muito a pena, funcionando dentro do que se propôs, e mesmo tendo diversas falhas na história, a entrega do como resolver rápida demais, entre outros detalhes, o resultado é um longa que arrepia, que causa temor pela violência de alguns atos, e principalmente, que mostra que crianças prodígio são perigosíssimas, então vale a atenção! Sendo assim, fica minha recomendação para o filme, pois foi um belo exemplar de como causar tensão. Bem é isso pessoal, fico por aqui encerrando a semana nos cinemas, mas devo voltar ainda com um texto do streaming, então abraços e até logo mais.

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A Cinco Passos de Você (Five Feet Apart)

3/18/2019 01:35:00 AM |

Ultimamente temos visto uma grande gama de longas envolvendo doenças e romances proibidos, que funcionam muito bem na telona, enche as bilheterias, e claro, lava as salas dos cinemas com o tanto que o povo acaba chorando se emocionando com o que acaba acontecendo, e hoje novamente na sessão que fui, vi algumas que até soluçavam de tanto chorar com os acontecimentos de "A Cinco Passos de Você"! Diria que o filme é bem emocionante mesmo, possui uma pegada forte em cima do arco proibitivo dos personagens não poderem se tocar pela doença de um ser pior para o outro, e que com boas dinâmicas acaba comovendo pela essência, pelas boas atuações, e até mesmo pela simplicidade das atitudes do roteiro que conseguem transparecer cada ato como um momento a mais na vida dos personagens, ou seja, um filme feito para o que os fãs do estilo desejavam ver, que por consequência nas pré-estreias já lotou as salas de jovens se apaixonando por cada momento, conversando com os personagens para não fazer tais atitudes, e que ao final conseguiram ver tudo o que esperavam (ou não!).

A sinopse nos conta que Stella Grant tem quase dezessete anos de idade, vive conectada ao seu laptop e ama seus melhores amigos. Mas ao contrário da maioria das adolescentes, ela passa grande parte do seu tempo vivendo em um hospital como paciente com fibrose cística. Sua vida é cheia de rotinas, limites e autocontrole - tudo isso é testado quando ela encontra um paciente incrivelmente charmoso chamado Will Newman. Há um flerte instantâneo, embora as restrições determinem que eles devem manter uma distância segura. À medida que a conexão se intensifica, aumenta a tentação de jogar as regras pela janela e abraçar essa atração. Para complicar ainda mais, Will desenvolve uma rebelião potencialmente perigosa contra seu tratamento médico. Stella gradualmente inspira Will a viver a vida ao máximo, mas ela poderá salvar a pessoa que ama mesmo quando um único toque ultrapassa os limites?

Em seu primeiro longa, Justin Baldoni foi coerente em trabalhar a trama de uma maneira linear, mas cheia de vértices encaixados para dar o tom de memórias, usando artifícios de cada um contar um pouco de sua vida, dos vídeos do canal da garota, e claro brincando de maneira séria com o fator doença, que é algo complexo de se estruturar, principalmente em um romance, mas ele soube pegar o ótimo roteiro criado em cima do livro homônimo de Rachael Lippincott, capturando as essências dos personagens, e criando claro o fator envolvimento/proibição, que sempre causa muita emoção no público. Ou seja, ele usou sim da cartilha tradicional, trabalhando até alguns momentos bem clichês, mas soube principalmente não ser abusivo no fazer acreditar, e no ter piedade, pois quando passamos a tratar algum personagem como coitadinho, acabamos não nos conectando com ele, como ocorre em alguns longas, mas sim com muita beleza envolvida para encontrar os atos, e fazer com que tudo funcionasse bem dentro da produção, indo num ritmo cadenciado gostoso, e com isso envolvendo o público para cada momento chave da trama. Sendo assim, podemos apostar que veremos em breve seu nome em outros longas do gênero, pois o jovem acertou a mão em cheio, fazendo um filme gostoso de curtir do começo ao fim.

Em todos os papeis que vi Haley Lu Richardson, sempre esteve como coadjuvante quase figurante, e agora em seu primeiro grande protagonismo, a garota entregou personalidade, carisma, e principalmente ótimos olhares para sua Stella, de modo que vai nos conquistando com atos simples de seu compulsivo transtorno por organização (não só seu, mas de todos ao seu redor!), e que já mais para frente acaba arrebatando todos com tudo o que acaba encaixando, dando um ótimo desfecho para a trama. Cole Sprouse para esse que vos digita que não assiste séries, era um completo desconhecido, mas descobri que ele participou de duas grandes séries e tem fãs a rodo, tanto que muitas foram conferir o longa só por ele, mas diria que o jovem entregou um Will ao mesmo tempo rebelde de causas, mas que com bons gracejos consegue ir se entregando tanto para a protagonista, quanto para o público, agradando nos atos, tendo fortes momentos, e sabiamente encaixando personalidade para seu papel, o que mostrou uma segurança bem trabalhada para agradar no estilo que lhe foi pedido. Outro que foi de uma grandeza cênica bem trabalhada foi Moises Arias com seu Poe, que trabalhou de forma tão poética com ambos os protagonistas, encaixando o momento certo para cada ensejo, que nas suas cenas mais fortes acabamos realmente ficando tristes com ele, além claro de dar ótimas sacadas para todos os momentos em que apareceu, fazendo claro, o papel de amigo para todas as horas, mesmo tendo de seguir as regras, ou seja, deu show. Além desses, temos de pontuar com toda certeza, os ótimos momentos de Kimberly Hebert Gregory com sua Barb, sendo dura com os adolescentes rebeldes, mas também muito graciosa em todos os momentos que necessitava dar um ar a mais para a trama, sendo claro o motivo de rirmos das fugas dos jovens de suas imponentes broncas.

No conceito visual, o resultado foi singelo, porém bem efetivo, pois completamente ambientado dentro do hospital, e com algumas cenas (talvez as mais tensas!) do lado de fora, a equipe de arte conseguiu mostrar uma vivência bem comum em alguns hospitais aonde alguns pacientes praticamente moram por lá, e que com muita criatividade, conseguem ter alguns bons momentos dentro do seu tratamento complexo, e sendo assim, com bons elementos cênicos, muitos objetos bem colocados nos momentos certos, e sendo enxuto no que desejavam mostrar, o resultado agrada bastante.

Enfim, um filme gostoso demais de acompanhar, que vai fazer muita gente chorar nas sessões, seja em uma, em duas, ou no longa inteiro, algumas pessoas até soluçaram demais (não era pra tanto, mas vai!), e que acaba nos envolvendo pelo resultado em si, mesmo que para isso tenham forçado um pouco em alguns atos, ou seja, recomendo ele com certeza, e embora não tenha feito um parágrafo específico para a trilha sonora, a música "Don't Give Up On Me" com toda certeza irá virar um hit da maioria dos programas emotivos como realities, entre outros, podem apostar! Bem é isso pessoal, fico por aqui, mas ainda falta mais um longa para conferir nos cinemas nessa semana, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Operação Fronteira (Triple Frontier)

3/17/2019 05:21:00 PM |

Existem alguns filmes que praticamente assistimos já sabendo bem o que esperar deles, e filmes de assaltos planejados costumam ter um formato sempre bem casual: primeiro a organização parece meticulosa, com alguns na dúvida de se participam ou não, até que de praxe todos estão juntos para fazer acontecer, depois tudo parece tão fácil que até uma criança de 10 anos conseguiria pegar todo o dinheiro de um grande traficante, aí temos claro a fuga aonde tudo dá errado, e a confusão começa, e ao final sempre acabam com alguns fazendo o bem para alguém, e alguém dando uma sacada de como ficarem felizes com o resultado final. Pois bem, quem for conferir o longa da Netflix "Operação Fronteira" pode esperar exatamente tudo isso, nessa mesma ordem, pois o diretor não quis ousar muito, e quando assumiu o projeto no lugar de Kathryn Bigelow, que estava fazendo o longa para os cinemas, e depois desistiu ficando apenas como produtora do filme, e sendo assim, a trama tem até uma boa desenvoltura, mas aparenta sempre ir para um lado mais comum, ao invés de termos algo com mais personalidade, e embora seja um filme bacana de curtir pelas boas cenas de guerra no meio dos Andes, mostrando que a América Latina dominada pelos diversos cartéis não deixa que ninguém saia vivo fugindo com sua grana, o resultado final acaba bem sem dinâmica para empolgar como poderia.

O longa nos conta que Tom Davis, Santiago Garcia, Francisco Morales, William Miller e Ben Miller são cinco ex-soldados das Forças Especiais dos Estados Unidos que decidem se reunir para executar um plano arriscado: roubar um poderoso senhor do crime na fronteira que separa o Brasil da Argentina e do Paraguai. No entanto, quando o esquema dá errado, os antigos companheiros de batalha se verão forçados a embarcar em uma épica luta por suas vidas.

O diretor J.C. Chandor soube trabalhar com o roteiro para que não ficasse somente preso no miolo da floresta, mostrando que para um longa singelo virar algo maior é bem fácil. Digo isso dele, pois esse foi ao mesmo tempo a grande sacada de um filme de roubo num lugar remoto, mostrando que os grandes terroristas não estão tão preparados para serem assaltados (ao menos passaram isso), mas que também fugir deles é algo que também não será fácil, e ao desenvolver demais a fuga, com situações bizarramente malucas, ele foi deixando seu filme incoerente demais. Claro, que estamos falando de uma ficção, mas mesmo nas mais loucas histórias, precisamos ser coerentes, e quando estamos falando de um assalto à líderes de cartéis, com uma fuga gigantesca passando pelos Andes até chegar ao oceano, precisamos mostrar que não só falando espanhol para negociar as coisas que vai ser tudo moleza. Ou seja, o diretor foi coerente nas situações que lhe pediram para filmar, mas o roteiro poderia ter sido menos floreado para algo mais cheio de guerras mesmo, e menos road-movie florestal com tiros. Sendo assim, o problema prefiro optar em dizer que foi terem aumentado demais a história, e o diretor ter ainda magistrado algo maior que saísse do comum.

Agora algo que não podem reclamar de forma alguma foi a escolha do elenco, e sua disponibilidade para falarem muito em espanhol, trabalharem o espírito de guerreiros, e principalmente andarem muito nas filmagens, pois nesse contexto todos deram seu sangue e suor, para que o longa ficasse coerente. Oscar Isaac deu um tom bem normal para os policiais que acabam trabalhando inicialmente de forma legalizada, mas que acabam surtando com o pouco que ganham, e partem para o ilegal para dar um jeitinho, de modo que seu Santiago é impactante, consegue trabalhar bons momentos, e sabiamente encaixa os olhares numa ótima confidencialidade com seus antigos, e agora atuais parceiros. Ben Affleck se mostra o capitão da ação com seu Tom, e com muito desespero pelo atual momento que vive, o personagem foi conduzido pelo ator com muito eixo forçado, mostrando força e instinto para as cenas mais fortes, mas certamente poderia ainda ter sido mais lapidado em alguns atos para chamar melhor a atenção. Charlie Hunnam fez seu tradicional personagem de olhares vazios, mas criando algo forte para sentirmos tanto a pressão para com os amigos, quanto para com seu irmão aqui, vivido por Garrett Hedlund, mostrando que tanto William, quanto Ben são dois que querem viver o momento, e ir atrás de aventura, independente de como a loucura pode ser feita na trama, e ambos agradaram bastante. Pedro Pascal deu o tom mais latino para a produção, e fazendo o piloto Morales, conseguiu encontrar dinâmica nas suas poucas cenas, mas sempre chamando o ato para si. Quanto aos demais, diria que todos foram figurantes, tirando Adria Arjona com sua Yovanna que teve alguns momentos de luxo e um pouco mais de diálogo, mas nada que impressione, apenas fazendo olhares mais cadenciados.

O visual do longa foi bem denso no meio da floresta, na mansão do traficante com uma ótima sacada para o termo usado como a casa ser um cofre, boas cenas de ação no meio das favelas com traficantes, algumas boas cenas no meio do frio andino e nas montanhas, e claro boas sacadas nas cenas da praia, mostrando que os adolescentes fazem o papel de policiais do tráfico, de modo que cada ato vai acontecendo bem, tendo bons elementos cenográficos para funcionar, e o resultado até chama bem a atenção. Com uma fotografia bem esverdeada, o resultado visual não chega a criar tanta densidade, e mesmo nas cenas mais cinzas dos Andes, toda a tensão acontece morna, de modo que diria que necessitavam ter colocado mais momentos com tiros e sangues para que o filme ficasse mais forte e interessante.

Enfim, não é um longa de todo ruim, mas que merecia ter sido melhor trabalhado para chamar mais a atenção, e talvez com uma direção mais dura em cima das cenas, e não floreando tanto o roteiro, o resultado final empolgasse mais, quem sabe resolvam criar uma continuação a partir do ponto deixado para que possam melhorar as situações, mas acho bem difícil disso acontecer. Sendo assim, recomendo ele apenas para quem não tiver muitas outras opções. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Vingança a Sangue-Frio (Cold Pursuit)

3/17/2019 03:00:00 AM |

Já nos acostumamos tanto com Liam Neeson fazendo filmes aonde alguém faz algo de ruim para algum familiar ou amigo seu, e ele vai atrás dos responsáveis fazendo com que eles desejassem nunca ter sequer pensado em ser pessoas ruins, que quando um filme novo dele estreia, já vamos conferir esperando ver algo desse estilo, e quando o resultado não ocorre dessa forma, acabamos ficando bem frustrados com tudo, ou seja, "Vingança a Sangue-Frio" pode até não ser a maior bomba do planeta, mas com situações cômicas tão bobas e jogadas acabamos inconformados com o que vemos na telona, de modo que a mistura de máfia, índios e um pai vingativo que acaba criando o conflito entre esses dois estilos de contraventores, resulta numa bagunça tão sem limites, que ficamos quase esperando aparecer na telona que foi baseado em alguma paródia, mas não, foi feito em cima de outro longa do mesmo diretor, com a mesma história, personagens, e tudo mais, diferenciando apenas pelo original ser norueguês, e esse novo, britânico.

Nels, um homem de família tranquilo, trabalhador e motorista de snowplow (limpa-neves), é a alma de uma deslumbrante cidade turística nas Montanhas Rochosas, porque é ele quem mantém limpas as estradas. Ele e sua esposa moram em uma confortável cabana longe dos turistas, e a cidade acaba de lhe conceder o prêmio de "Cidadão do Ano". Mas Nels tem que deixar sua tranquila vida nas montanhas quando seu filho é morto por um poderoso traficante. Como um homem que não tem nada a perder, ele se deixa levar por um impulso de vingança. Este herói improvável usa suas habilidades de caça e deixa de ser um homem comum para ser um assassino qualificado enquanto ele se esforça para desmantelar o cartel. As ações de Nels provocam uma guerra territorial entre um gangster conhecido como Viking e um chefe de uma gangue nativa americana. A justiça virá em um último confronto espetacular onde (quase) ninguém ficará ileso.

Cinco anos foi o tempo que o diretor Hans Petter Moland levou para mudar seu longa "O Cidadão do Ano" com um conceito inteiro passado no seu país natal, para um que se passasse nos EUA, coma mesma temática, o mesmo estilo, as mesmas personalidades, mudando poucos personagens, e resultando em um ato falho tão grandioso, cheio de cenas cômicas desnecessárias, diversos elos paralelos acontecendo quase que num estilo novelesco estranho, aonde o protagonista desaparece dessas cenas, ou seja, uma bagunça completa, que só não é pior, pela essência conseguir ser transmitida, de modo que o resultado empaca tantas vezes, que só me via batendo a mão na cabeça pensando o que estaria Liam Neeson pensando quando decidiu participar dessa produção, pois seu estilo vingativo é um clássico, mas o ator sabe fazer a tensão acontecer, enquanto aqui o diretor apenas tentou.

O mais engraçado do filme é que em suma temos o protagonista, que some e aparece tanto que em diversos momentos chegamos a pensar que o filme não é em cima dele, mas sim uma novela com várias vertentes, sendo que alguns aparecem apenas para serem mortos pelos traficantes, que ao menos fizeram uma arte bacana para mostrar a declaração do morto e seu nome no meio mafioso. Dito isso, temos de falar do principal motivo que acredito do filme ser assim, que é o de Liam Neeson já estar velho para tantas cenas de pancadaria, e aqui vemos ele matando quase que subliminarmente e só jogando fora depois o corpo, para evitar mesmo tantos pulos, socos e correrias com seu Nels, mas ao menos ele ainda fez boas expressões para alguns atos, não sendo artificial demais. Tom Bateman faz o líder do tráfico Viking de uma forma tão jogada e engraçada, que fui até conferir se seu estilo era de filmes de fazer mais filmes de comédia, mas não, então não sei o que lhe foi solicitado pelo diretor, pois o papel ficou estranho. O jovem Nicholas Holmes foi um dos poucos que surpreendeu na trama com seu Ryan, e merecia ter aparecido mais no longa, pois fez cenas bem colocadas com praticamente todos os atores. Quanto aos demais, vale rir pela sacada de um casal gay na máfia, a da piada sexual de um dos mafiosos, e as boas escolhas para os indígenas, que foram bem dinâmicos nas suas cenas, mas sem muito o que se impressionar.

O longa possui cenários interessantes como mansões incríveis tanto por parte do grande líder do tráfico em Denver, quanto pelo irmão do protagonista que mora numa casa cheia de detalhes com fogo no meio da neve, e claro muitas cenas em meio da neve para que o protagonista com seu caminhão passasse arremessando tudo pelos ares, tendo até uma cena bem tosca no final com ele, e claro que usaram bem a casa singela do protagonista para mostrar seu estilo simples, de alguém que come a própria caça, e sabe fazer isso bem. Sou suspeito por amar a fotografia em meio de cenas com neve, mas os tons funcionaram muito bem dentro do filme, dando bons contrastes e chamando a atenção aonde desejavam, mas certamente poderiam ter brincado mais no meio congelante.

Enfim, não lembro de ter conferido o filme em que o longa foi baseado, e irei tentar ver para voltar aqui e comentar se lá o diretor também fez algo tão jogado como acabou entregando esse, ou se é o velho problema dos produtores americanos/britânicos se enfiarem no meio de uma história e estragarem ela, mas com o resultado aqui mostrado, só vai valer a recomendação para quem quiser ver uma comédia bagunçada, que parece filme de máfia, mas que era para ser algo mais dramático, ou seja, quase ninguém sai feliz com o que viu na sala. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

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Mal Nosso (Our Evil)

3/16/2019 03:27:00 AM |

Acho engraçado quando pego esses pôster com diversas críticas já estampadas, pois já começo a escrever pensando no que outros pensaram também, e é fácil entender ao conferir "Mal Nosso", a chuva de críticas positivas (algumas já colocadas aqui, outras vendo durante a grande tour que o longa fez lá fora primeiro, antes de estrear por aqui), e negativas também, afinal nenhum longa agrada 100% dos críticos, pois o filme possui um vértice bem encontrado dentro do nicho que deseja atingir, e ele funciona pela montagem criada, com uma produção impecável, uma direção consistente, e um jogo de maquiagem primoroso, porém assim como só tive adjetivos bem positivos nesses quesitos, em outros o tiro já é mais embaixo, por exemplo o filme tem um começo lentíssimo, aonde priorizaram técnica para mostrar tudo, e o roteiro não se solidifica da necessidade de tantos planos lentos, ou seja, temos algo visualmente crível, que já no trailer chama atenção, mas que talvez mais condensado, ou então com momentos mais chocantes realmente (o que faria talvez a censura subir muito a classificação) para impactar e causar. Mas como o gênero de terror ultimamente não tem solicitado tanto história, mas sim fundamentos, diria que o resultado é bem satisfatório, e consegue agradar no que tenta passar, o que voltamos a falar sobre os elogios, pois sim, remete aos filmes citados em muitos atos, e sendo assim, podemos falar que é um filme bem produzido, que só faltou fazer arrepiar ou assustar mais para ser perfeito para agradar a todos.

A sinopse nos conta que Arthur é um pai zeloso, preocupado com sua filha única, prestes a entrar na faculdade. Ele esconde um segredo desde sua juventude sobre algo que pode ser prejudicial ao futuro da jovem, e para isso contrata os serviços de um serial killer na deep web. Após fazer um acordo com o assassino, Arthur abre as portas para uma jornada mortal envolvendo psicopatas, maldições e demônios.

Em sua estreia na direção de longas, Samuel Galli mostra muita técnica na escolha precisa do que desejava mostrar para o público, com planos longos, situações formais, e claro também por ser seu primeiro, muitos planos comuns sem grandes ousadias, mas isso não impediu que o filme tivesse um semblante favorável para funcionar o terror em si, criando um viés denso, aonde a preocupação para que a história fosse bem explicada resultasse em algo bom, e aí é que entrou um dos problemas da trama, que é o fato do filme soar com um didatismo grande demais, e que acaba personificando em cima dos diálogos e interpretações dos protagonistas. Claro que aqui estou apontando alguns defeitos, mas como já disse, isso tudo é muito superado pelo estilo que Galli optou por filmar, não trazendo nuances forçadas, aonde o imaginário do público fosse necessário, mas sim pontuando sua opinião e deixando que tudo corresse da maneira própria que sua cabeça pensou. E sendo assim, a cabeça pensa em coisas que para uma produção bem modesta, bancada pela equipe, fosse até muito superada, e com essa imposição, o que vemos na telona, é um filme muito bem produzido em cima de poucos recursos, e esse é o charme da trama, pois se enfeitassem demais, talvez o longa saísse do contexto, que por vezes raspa a trave de fugir, colocando até alguns atos a mais do que o necessário. Ou seja, quando temos uma produção bem feita, e uma direção consistente, o resultado é bom, mas com leves toques a mais na história, talvez tivéssemos um filme para recordar dentro dos clássicos do gênero, e esse pequeno elo, como já falei, raspou também para que o longa virasse algo que incomodasse demais para poder errar.

Um dos problemas do filme é que contando com atores inexperientes e/ou provenientes do teatro, vemos excessos de entonações, o que é algo bem comum de vermos em outros longas nacionais de baixo orçamento, mas tirando esse detalhe, os protagonistas foram bem colocados, e fizeram ao menos expressões claras condizentes com cada momento, de modo que tanto Ademir Esteves como Arthur, quanto Ricardo Casella como Charles, conseguiram trabalhar seus atos como deveriam fazer realmente, não esperando nada a mais, tendo uma ou outra cena mais forte e bem feita, mas sempre com muita simplicidade. Claro, que poderiam ter dado tons mais impactantes, mas isso necessitaria que o diretor lhes exigisse bem mais. Dos demais, a maioria foi aparição, tendo leve destaque para os momentos de Fernando Cardoso como o jovem Arthur, e Luara Pepita como Michele.

Embora seja bem simples, a equipe de arte fez um trabalho cheio de detalhes, em boas locações representativas, e aliado à ótima maquiagem de Rodrigo Aragão, conseguiram criar monstros e entidades bem fortes e instigantes, de modo que poderiam até ter abusado mais desse uso para que o filme não dependesse tanto dos diálogos dos atores. Ou seja, uma produção de primeira linha, que foi muito bem feita, que junto também de uma fotografia densa, de cores fortes e chamativas conseguiu representar o que tentavam passar.

Enfim, é um longa que consegue envolver, mostrar serviço e assustar com algumas cenas de sustos rápidos, mas que poderia ter sido minimizado alguns erros simples para que fosse daqueles filmes que ficariam inesquecíveis em nossa mente. Ou seja, vale a conferida com certeza para quem gosta do estilo, mas não esperem algo forte que vá lhe impactar de cara. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Um Amor Inesperado (El Amor Menos Pensado) (An Unexpected Love)

3/15/2019 10:14:00 PM |

O cinema argentino é tão bom, com tantos vértices bem pontuados, que acabamos indo conferir qualquer filme deles com uma certa exigência a mais, e assim como o restante do mundo, eles também possuem o tradicional simples e fraco, que infelizmente mesmo tendo boas sacadas acaba soando decepcionante. E digo isso de "Um Amor Inesperado" com um pesar imenso, pois o estilo é agradável, os atores são incríveis, mas a história e o formato acabam não empolgando, cativando, ou sequer passando uma mensagem mais emocional instigante que o gênero costuma permear, e assim sendo, o resultado acaba fraco demais. Ou seja, temos um filme com uma boa síntese, mas que não atinge nem metade do potencial!

O longa nos conta que Marcos e Ana são casados há 25 anos. Com a ida do único filho do casal para o exterior, os dois começam a se questionar sobre o que o futuro lhes aguarda e decidem se separar para viver novas experiências. Em meio a aventuras bem-humoradas e descobertas sobre o amor e a rotina, os dois terminam, cada um, por encontrar um romance inesperado.

Em sua primeira direção, Juan Vera mostra o que já sabemos, que filme romântico não cai bem nas mãos de alguém que sempre foi produtor, ou seja, ele nos entrega um filme didático demais, cheio de floridos, de cenografias, de costumes argentinos, e não nos envolve como poderia, e deveria, fazendo algo seco demais, pois certamente veríamos o filme com mais emoção, com uma simplicidade casual, mas que voltasse após a reviravolta com um certame mais contundente, e não é isso o que ele faz. Claro que o filme mostra bem como acaba rolando a vida complexa de solteiro para aqueles que viveram mais de 25 anos juntos, e trabalha bem algumas sacadas, mas a fluidez formatada demais acaba cansando, além de os parceiros secundários serem bem ruins, ou seja, a história até funciona, mas não chega a lugar algum.

Só não digo que o filme foi pior por terem otimamente escolhido dois atores perfeitos para o papel, e por mais incrível que pareça, não temos nem que falar de quase mais ninguém fora eles, ou seja, vemos na telona quase um dueto teatral bem moldado por ótimos atores, que até nos entregam boas personificações de seus papéis, mas ainda assim não conseguiram mudar o resultado do filme. Ricardo Darín fez de seu Marcos, aqueles famosos homens de 50 anos, que praticamente possuem uma vida completamente estável, e que não sabe mudar muito seu rumo quando tudo muda ao seu redor, e ele nos entrega algo bem cheio de carisma, mas sem nem passar perto dos seus melhores momentos no cinema, o que é de uma tristeza incrível, pois sabemos o tamanho do seu potencial artístico. Mercedes Morán trouxe muita personalidade para sua Ana, trabalhando bons tinos cômicos e sensuais com os personagens secundários, encontrando bons vértices e olhares, mas sendo singela demais, o que acaba atrapalhando um pouco sua fluidez, e isso fica bem claro no segundo ato. Quanto os demais, temos de dar leves destaques para Claudia Fontán como Lili, e Luis Rubio como Edi, por serem os melhores amigos do casal, e por tratarem a situação relacional de uma forma mais engraçada, e bagunçada, mas de resto não incrementam muita coisa para o filme. Enquanto Andrea Pietra como Celia, e Jean Pierre Noher como Eloy foram fracos demais como parceiros dos protagonistas.

Como disse no começo, o longa é de um diretor iniciante, mas que foi produtor de grandes filmes argentinos, e sendo assim, aqui ele priorizou bastante a cenografia do longa, com casas e apartamentos cheios de símbolos, e diversos elementos cenográficos funcionais, que acabam servindo bastante para as discussões, mas nada que chame muita atenção, ou seja, alegoricamente o resultado é bonito, mas não funciona para o que o filme necessitava. Com uma fotografia bem tradicional de romances cômicos, com cores claras e tons pastéis, não temos nada contundente para chamar atenção em momento algum, e mesmo no momento do clímax do longa com trovões clichês, e tudo mais, o filme soa fraco demais nesse conceito também.

Enfim, um longa com potencial completo, mas que não flui como poderia, resultando em algo mais chato do que o esperado, e que não agrada, somente tendo um ato bem engraçado numa apresentação, aonde entra "Fogo e Paixão" do Vando, mostrando que o gosto musical das comédias argentinas é bem eclético. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou para outro longa para ver se salva a noite, então abraços e até logo mais.

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Diários de Classe

3/12/2019 01:04:00 AM |

Sempre acho interessante quando alguns documentários conseguem prender nossa atenção para algo que sabemos que é bem assim (infelizmente, pelas leis, pela forma do governo, pela cultura, e por tudo de errado que existe em nosso país), e até poderiam se aprofundar mais em diversos meandros caso quisessem, mas que acabariam saindo do rumo proposto. E com "Diários de Classe", a trama é desenvolvida em cima da tentativa de entregar educação para alguns grupos minoritários, que nem sempre estão com disponibilidade, vontade, ou até mesmo possibilidade de aprender, e coloco com esses três verbos, pois mesmo mostrando três protagonistas empenhadas em tentar melhorar suas vidas, ao redor delas, vemos outros tentando atrapalhar elas, e claro, eles próprios, de modo que ficamos interessados pelos atos, emocionamos com alguns momentos, e até sentimos a necessidade do longa fluir para outros vértices, porém, nessas idas para outros rumos, vemos pouco da análise da educação mesmo, aparecendo espalhada no começo da trama, e voltando com textos ao final do filme. Ou seja, acabaram indo de forma bacana nas denúncias, mas pecaram nas formatações que a história poderia ter trabalhado.

A sinopse nos conta que em três salas de aula para adultos se destacam três mulheres que têm em comum o desejo de melhorar de vida por meio do estudo. Vânia frequenta as aulas no presídio feminino enquanto acompanha o lento desenrolar de seu confuso processo criminal, a empregada doméstica Maria José todas as noites vai às aulas da Educação de Jovens e Adultos levando junto a filha pequena, e a adolescente transexual Tifany busca se adaptar à vida em abrigo e ser tratada pelo nome que escolheu, não mais pelo que consta em seus documentos.

Os diretores do longa, Maria Carolina Silva e Igor Souza, foram bem sábios na pesquisa e no desenvolvimento do projeto, de modo que as três protagonistas não só tiveram boas dinâmicas para contar seus problemas, como desenrolaram a trama para eles, de modo que tirando algumas cenas, o filme parece quase uma obra contínua como as contadas em longas de ficção, claro que aqui envolvendo muita realidade, aonde as protagonistas se desenvolvem com outras pessoas, vão falando e tendo seus momentos, e com muita desenvoltura acabam nem quase parando para depor, e a equipe foi condizente em escolher os locais para colocar suas câmeras, fazendo com que tudo parecesse até estar escondido (tirando uma cena no presídio, e outra na escola de adultos, aonde uma detenta e uma senhora não quiseram ser filmadas, e acabou entregando que o pessoal estava ali). Ou seja, souberam ser invisíveis, da melhor forma possível que uma equipe de documentário não engessado deva ser. O único detalhe, que já disse acima, mas vale frisar, foi o deles começarem o longa como algo voltado para a educação, e já irem para os frutos das discriminações que ocorrem nas minorias, entre elas, a educação, e sendo assim o filme é muito bem feito.

Não vou alongar o texto falando de cada entrevistada, mas diria que cada uma merecia até mais tempo de tela para desenvolver seus atos, desde Vânia com seu processo criminal complicado, seu filho desaparecido, e tudo mais que dariam um longa ainda mais cheio de detalhes, Maria José com suas atitudes para ter uma creche para a filha, e trabalhando em busca de direitos para outras empregadas como ela pudessem estudar tranquilas para conhecer mais direitos, e até mesmo a adolescente Tifany (que soou deveras confusa em alguns depoimentos), tem muito para ser mostrado, e talvez um rearranjo na montagem desse até outras virtudes para a trama, mas nada que fosse muito além.

Enfim, é um longa simples, forte, e que funcionou bastante, mesmo que indo por outros caminhos, como disse, o mote educação em si dá uma leve sumida em diversos momentos, mas no contexto geral, o resultado completo agrada. Sendo assim, acabo recomendando o longa para quem gosta de bons documentários, que fluem naturalmente sem muitas entrevistas, e claro que vale muito para vermos como o sistema nacional anda bem falho para quem ainda não viu isso. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Querido Menino (Beautiful Boy)

3/09/2019 12:01:00 AM |

Geralmente quando um longa trata de drogas, acabam focando mais no protagonista e/ou no parceiro(a), e ao entregar a dinâmica mais fechada nem paramos para pensar em quão devastador é o efeito de tudo em cima dos familiares, e isso é a principal diferença de "Querido Menino", que logo na primeira cena conhecemos mais o pai do protagonista, e logo na sequência e durante vários flashs acabamos entendendo mais a relação incrível de pai e filho que há entre eles, e como a decepção pelo envolvimento em não conseguir sair desse meio foi desgastando tudo. Ou seja, temos um filme denso em cima desse conflito familiar, mas também vamos vendo o quão duro, forte e intenso é o poder das drogas, e que sair desse meio é algo que é bem mais fácil de ir para o caixão do que para a felicidade. E com essa trama tensa, o filme só não é melhor por ter tantas quebras cênicas para os flashs, e que com uma montagem não usual, acaba cansando um pouco o público, porém ainda assim toda essa força entra no nosso peito e emociona com o resultado final, tendo boas nuances e acertando no impacto.

O longa nos mostra que David Sheff é um conceituado jornalista e escritor que vive com a segunda esposa e os filhos. O filho mais velho, Nic Sheff, é viciado em metanfetamina e abala completamente a rotina da família e daquele lar. David tenta entender o que acontece com o filho, que teve uma infância de carinho e suporte, ao mesmo tempo em que estuda a droga e sua dependência. Nic, por sua vez, passa por diversos ciclos da vida de um dependente químico, lutando para se recuperar, mas volta e meia se entregando ao vício.

Assim como fez em seus longas anteriores, o diretor Felix van Groeningen ("Bélgica", "Alabama Monroe"), usou da essência do livro homônimo de David Sheff e do livro "Tweak" de Nic Sheff para fluir sua trama, não deixando muita influência externa para que o público crie sínteses maiores pensando em outras alternativas, mas como ele é um dos diretores que mais sabe ousar em fluxos introspectivos, ele acabou encontrando bons meios na edição para que seu filme criasse densidade, e claro encontrasse boas saídas conectivas entre os dois pensamentos do pai e do filho, criando o elo de envolvimento, emocionando e acertando em cheio o público com cada momento, principalmente nas cenas finais. Ou seja, é praticamente um filme feito por 10 mãos, a do diretor, dos dois escritores (além dos roteiristas que adaptaram), e claro dos dois ótimos protagonistas, que souberam se entregar para seus personagens terem a vivência marcante na telona.

Sobre as atuações, é até engraçado ver como Steve Carell tem saído bem melhor nos dramas que tem feito do que quando fazia mais comédias, e aqui seu David é forte, e facilmente chama a responsabilidade para suas cenas, mostrando saber acertar seus atos tanto com bons olhares e trejeitos, quanto no tom dos diálogos para emocionar e envolver na medida perfeita. Timothée Chalamet certamente é o grande nome do momento, e só lhe falta acertar um papel menos introspectivo para que exploda perfeitamente, e aqui esse é justamente o maior problema de seu Nic, que mesmo lhe garantindo uma indicação ao Globo de Ouro, tenciona demais os seus momentos, e mesmo comovendo com cenas fortes das aplicações das drogas, das convulsões, e tudo mais que fez perfeitamente com ótimos trejeitos, alguns momentos acabam soando artificiais pelo exagero de introspecção, e isso acaba incomodando um pouco. Quanto aos demais personagens, Maura Tierney deu bom tom para sua Karen, mostrando a forca emotiva mais sóbria de alguém fora da relação, a mãe do garoto vivida por Amy Ryan apareceu pouco, mas teve boas cenas fortes, e até mesmo as crianças vividas por Oakley Bull e Christian Covery foram bem desenvolvidas e chamaram atenção na trama, mas se tenho de dar destaque para algum dos personagens com poucas cenas, certamente isso ficou a cargo de Kaitlyn Dever com sua Lauren nas cenas mais tensas da trama.

No conceito visual a trama foi trabalhada mais na casa do pai cheia de elementos simbólicos para mostrar com fotos, pinturas e até com objetos a relação entre pais e filhos, seja o protagonista, ou até com os pequenos, e indo além, tivemos as boas cenas nos centros de reabilitação, mostrando pouco ali, mas sendo bem efetivo nas cenas, mas certamente o grande elo cênico ficou a cargo das cenas aonde foram mostradas as aplicações das drogas, que foram tão reais que impressionaram muito, mostrando que a equipe pesquisou bastante para dar o maior realismo possível, e o acerto foi incrível. A fotografia trabalhou com tons bem fortes para criar tensão, mas nos momentos felizes do longa foram de um brilhantismo tão bem colocado com imagens em contraluz lindíssimas de ver, o que chamou bastante atenção.

Enfim, diria que o longa tem falhas claras que ficaram bem evidentes na forma escolhida para desenvolver o tema, e que fizeram o longa não estourar nas premiações como era esperado inicialmente quando o roteiro surgiu, mas que ainda assim o resultado final emociona, é bem impactante, e vale a pena ser conferido por todos, sendo assim uma ótima recomendação. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Capitã Marvel em Imax 3D (Capitain Marvel)

3/08/2019 02:26:00 AM |

Sempre digo que a melhor forma de curtir qualquer longa é ir sem expectativa nenhuma, ou esperando bem pouco do que vai ver, pois a chance de se apaixonar pelo resultado é bem maior, e tinha vários amigos falando tanto de "Capitã Marvel", alguns profetizando grandes feitios do primeiro longa solo de uma heroína do Universo Marvel, que já está super bem moldado a mais de 10 anos, outros impondo toda uma vertente feminista, que isso, que aquilo, e tudo mais, mas cá estava o Coelho tranquilo, apenas esperando ver alguma conexão claro com "Vingadores - Ultimato", afinal no final de "Vingadores - Guerra Infinita" eis que seu símbolo apareceu, e pronto, lá estava a cada nova aparição de poder, uhuuu, o pager aparece, a lá como surgiu o aparelhinho, o gato faz algo eitaaaa, e por aí foi as diversas expressões durante toda a exibição do filme, ou seja, superou e muito tudo o que esperava, e digo mais, souberam colocar um longa de início de personagem com tantas referências, tantas conexões subliminares, que por mais que o filme possa ser visto sozinho dos demais do Universo Compartilhado Marvel (ou MCU como muitos falam por aí), vale a pena ir lembrando de muitos elementos, para se divertir um pouco mais. Diria que é um filmão bem feito, não é corrido, não empaca (tendo apenas 125 minutos já com as duas cenas nos créditos), mas tem dois grandiosos defeitos: demora para engrenar, com um primeiro ato meio que enrolado demais sem que o público entenda muito da bagunça intergalática já corrida sem explicações do que ou quem é quem, e aparentemente Brie Larson também sentiu-se responsável por ser a primeira, e nesse primeiro ato (que parece ter sido filmado também no começo das filmagens) ela aparentou insegura demais para o papel, o que muda completamente quando já está com Samuel L. Jackson, e aí é só alegria.

A sinopse nos conta que Carol Danvers é uma ex-agente da Força Aérea norte-americana, que, sem se lembrar de sua vida na Terra, é recrutada pelos Kree para fazer parte de seu exército de elite. Inimiga declarada dos Skrull, ela acaba voltando ao seu planeta de origem para impedir uma invasão dos metaformos, e assim vai acabar descobrindo a verdade sobre si, com a ajuda do agente Nick Fury e da gata Goose.

Direção compartilhada sempre é algo digamos meio complicado, pois geralmente um diverge de algo, e o resultado costuma não ser o melhor, mas Anna Boden e Ryan Fleck já fazem longas, séries, e tudo mais junto desde 2003, então devem se conhecer bem para ter o mesmo tino, e aqui pegando após diversos filmes simples, logo uma bomba imensa de apresentar uma personagem desconhecida do público geral em seu início, um filme tecnicamente de representatividade esperado pelo mundo todo, e algo que conectasse completamente diversos elos que muitos estão esperando, tiveram de ser bem precisos no que desejavam, e o resultado veio, não digo do modo mais fácil, mas veio. O longa, por parte da direção e do roteiro, possui defeitos clássicos de diretores acostumados com filmes simples, mas o principal foi a falta de posicionamento logo de cara, para impôr ritmo, e/ou logo de começo contar a história do personagem, não deixando que isso ficasse para um segundo ato, e assim, o filme começa frio demais, com muitas situações que vão acontecendo sem que saibamos o que está acontecendo realmente, e assim, o primeiro ato quase que inteiro parece perdido. Porém, quando acabam com toda essa bagunça inicial, e focam em explicar quem é Carol Danvers, ou Vers para os Kree, juntando ela com Nick Fury, e claro a surpreendente gata Goose, além claro de outros bons personagens, o filme volta a ser o tradicional da Marvel, com boas piadas inseridas, muitas referências, sacadas bem pontuadas, e o resultado final fecha brilhantemente, com claro muitas aberturas para que a Marvel faça diversos longas usando a personagem. Mas, temos um grande detalhe que largaram para um segundo longa dela, em momento algum ela se declara com o nome "Capitã Marvel", e isso é forte, pois provavelmente vai se apresentar assim no longa "Ultimato" em Abril, então aguardaremos para ver.

Sobre os personagens, temos de começar falando claro da protagonista Brie Larson, que ganhou a vaga em cima de outros grandes nomes (alguns certamente fariam o papel de forma completamente diferente!!), e é fácil notar que ela sentiu o peso em cima de sua Carol Danvers, pois mesmo após ter feito um ótimo papel dramático, pelo qual levou o Oscar, fazer uma super-heroína não é a mesma coisa, e como demorou para encontrar a personalidade certa para o papel, acabamos ficando levemente bravos com alguns trejeitos repetitivos que faz durante todo o longa, mas com fluidez, ao final, já botando todos os poderes para jogo, mostrando mais jogo de cintura junto de Nick Fury, ela se soltou, e o resultado acabou agradando mais do que tudo. Agora se tem algo que estou com medo, é dessa tecnologia computacional, pois meus amigos, não tem como não ver Samuel L. Jackson saindo dos seus filmes policiais dos anos 90 e indo gravar esse filme, ficou muito perfeito ver Nick Fury, ainda não sendo o "fodão" da SHIELD, em seu começo de carreira, com olhares, trejeitos, e principalmente impacto usual do personagem, com toda sua jovialidade, e o acerto foi perfeito de não pegarem outro ator para o papel, pois iriam estragar. Que Jude Law é um ótimo ator, todos sabemos, mas ele sempre parece deixar de lado conceitos e não empolgar quando precisa, deixando sempre seus personagens bem em segundo plano, de modo que seu Yon-Rogg acaba ficando forçado em alguns momentos, e em outros parece tão imponente, o jeito é ver como se sairá nas continuações. Ben Mendelsohn ficou muito escondido visualmente com toda a maquiagem de seu Talos, mas também deu o tom com seu Keller mostrando seu verdadeiro rosto, e embora no início ficássemos um pouco inseguros com sua personalidade, ao final já estamos com tanto carisma pelo personagem que torcemos para vermos ele mais vezes. O longa ainda compreende mais três grandes e bons personagens/atores, a veterana Annette Bening fazendo dois papeis como Inteligência Suprema/Mar-Vell mostrando muita imponência nos diálogos, mas pouco utilizada, Clark Gregg também rejuvenescido computacionalmente para viver alguns momentos de seu Agente Coulson no início da carreira, mas também aparecendo bem pouco, e a grande amiga terráquea da protagonista Maria Rambeau vivida muito bem por Lashana Lynch, tendo alguns bons momentos nos atos finais, juntamente com a garotinha Akira Akbar vivendo Mônica sua filha (que para quem conhece os quadrinhos, sabe que a personagem tem grandes futuros, ou seja, veremos se vão utilizar isso!). E claro, não podia fechar a parte das atuações sem falar de Reggie, Archie, Gonzo e Rizzo com suas ótimas performances como a gata Goose, que fará com que olhemos bem diferente para todos os gatinhos ao nosso redor com as surpresas que ela faz, pois olha!!!!

No conceito visual, assim como ocorreu em "Guardiões da Galáxia", temos um longa quase que 100% computadorizado, com poucas locações reais mesmo para os personagens destruírem, lutarem, e tudo mais, de modo que a equipe de arte teve o trabalho mais conceitual para tudo, e o restante a equipe de computação gráfica que fizesse o serviço, mas claro que tivemos bons figurinos icônicos (descobrimos de onde veio a ideia do uniforme vermelho tradicional, e claro do uniforme de batalha Kree), tivemos ótimas maquiagens, e sendo assim, o resultado do longa visualmente empolga, mesmo que alguns momentos parecessem altamente improváveis, mas como estamos falando de uma ficção baseada em HQs, o resultado é agradável e bem interessante para funcionar. Com muitos efeitos especiais, naves voando e muitos tiros, é claro que esperássemos ver um 3D primoroso, e felizmente ele veio de forma bem funcional, pois não temos grandiosos momentos para se impressionar, mas também passa bem longe de ser uma decepção, ou seja, quem gosta da tecnologia deve ficar razoavelmente feliz com o resultado da técnica.

No contexto sonoro, o longa possui muitas músicas boas, mas foi mal aproveitado, pois como bem sabemos os anos 90 (época em que o longa se passa) foi riquíssimo de canções impactantes, e aqui o filme até toca alguns bem bacanas, mas tudo num segundo plano bem rápido que se fosse usado como em "Guardiões da Galáxia" renderia mixagens incríveis, mas ainda assim, as trilhas sonoras conseguiram dar ritmo, e encaixar os bons momentos da trama.

Enfim, recomendo como disse no começo, você ir com pouquíssimas expectativas do que verá, que a chance de gostar muito é bem alta, mas certamente o filme poderia ter sido ainda melhor se a montagem fosse diferente, e não tivessem demorado tanto para engrenar, mas como bem sabemos, é um longa introdutório da personagem que será muito usada nos próximos filmes, então não era de se esperar que enrolassem um pouco na inicialização. Sendo assim, recomendo com certeza o filme, falando que como todo bom filme de espaço, vale a pena ser visto em telas gigantes (no caso conferi na Imax do UCI Ribeirão, e o resultado funcionou bem), esperem ao menos a primeira cena no meio dos créditos, que já é a conexão com "Vingadores - Ultimato", e a segunda é algo divertido, mas que ainda não explica muita coisa, de como já vimos a peça em outros filmes, e agora é esperar até 25/04 para ver com muita sede ao pote, o que a protagonista aqui fará com Thanos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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