Uma Família Feliz (Happy Family)

8/19/2017 07:30:00 PM |

É divertido ver quando o nome de um filme não transmite o que passa, pois sair feliz da sessão de "Uma Família Feliz" é algo que praticamente não ocorre, de modo que a trama alemã até tem um colorido bem ornamentado, um desenho de produção completamente visual e até bons personagens para desenvolver, mas a história é tão lenta e mal desenvolvida que acaba sendo até difícil não dormir durante toda a projeção, as crianças começam a ficar inquietas, e o longa parece não ter mais fim, ou seja, um filme curto de 93 minutos que parece ter quase 3 horas de duração, e que só vai divertir pelo visual em si, ficando bem longe de ser algo que vamos lembrar de ter visto daqui há algumas horas.

Os Wishbones estão longe de ser uma família feliz. A mãe, Emma, possui uma loja de livros e está profundamente endividada. Papai Frank trabalha demais e sofre sob o comando de seu chefe tirano. A filha, Fay, é uma adolescente autoconsciente e apaixonada por sua primeira paixão no Ensino Médio. Já o garotinho, Max, está sendo intimidado na escola. E não termina por aí - em uma festa a fantasia, uma bruxa malvada, Baba Yaga, transforma toda família em monstros. Emma se torna um vampiro, Frank se transforma no monstro Frankenstein, Fay em uma múmia e Max em um lobisomem. Juntos, essa família de monstros deve perseguir a bruxa para reverter a maldição. Durante esta aventura casual, os Wishbones entram em conflito com alguns monstros da vida real, e o encantador conde Drácula, que declara seu eterno amor por Emma. Na trama, o caminho para a felicidade familiar está cheio de armadilhas e voltas afiadas, ou melhor, dentes afiados.

Se o diretor alemão Holger Tappe surpreendeu em sua produção anterior, "Animais Unidos Jamais Serão Vencidos"(2010), não posso dizer que o acerto foi repetido aqui, pois acabou exagerando demais nas relações de cada um, fazendo desenvolvimentos enrolados, colocando cada momento como algo forçado demais para ser entendido durante a produção toda, de modo que o filme não flui e o resultado não empolga como poderia, ou seja, ele até melhorou muito a estética com personagens e cenários maravilhosamente moldados, situações claras de cores encaixadas para cada momento, de forma que mesmo não tendo assistido o longa em 3D é possível imaginar onde foi colocado cada efeito na trama, mas como já dissemos outras vezes, uma animação que não empolga logo de cara acaba ficando chata e cansativa, de maneira que acabamos até ficando sem gostar do que vemos. E sendo assim, vamos ver se Holger pensa melhor em sua próxima ideia, usando a boa comicidade do filme anterior e a boa técnica desse, certamente o resultado será incrível.

Como falei os personagens foram bem desenhados e até possuem um certo carisma, mas foram mal desenvolvidos na criação de seus cernes, fazendo com que a história não saísse do lugar e nem eles. De modo que nem boas dublagens deram o tom correto, colocando por vezes algumas piadinhas clássicas nossa na trama, mas sem algo para empolgar. Juliana Paes nem tentou impostar sua voz para que sua Emma ficasse diferenciada, de modo que mesmo quem não viu o pôster vai saber que é a atriz quem está por trás da personagem, o que não ocorre com os demais personagens, afinal são atores/dubladores desconhecidos e que também não fizeram por muito para chamar a atenção. Como destaque de personagem temos de falar mais dos morceguinhos, que embora colocados apenas para dar leve carisma na trama, acabaram saindo melhor do que a encomenda (seria os minions fazendo escola pelo mundo afora??), e sendo assim, se tivesse até mais momentos de bagunça com eles, o longa acabaria bem mais divertido, pois o Drácula acabou ficando no meio do caminho de personalidade de um vilão com alguém problemático, todos da família tinham seus probleminhas e com isso ficavam mais apáticos ainda para se desenvolver e a amiga hippie até tentou fazer alguns gracejos, mas não foi muito além disso.

Sobre o conceito visual da trama, já até falei um pouco no começo, pois souberam dosar muitas cores para segurar os pequenos nas poltronas e trabalharam com um desenho não tão realista, porém bem colocado para chamar a atenção, e com isso as texturas ficaram agradáveis de ver, e como disse mesmo não assistindo em 3D, conseguimos ver aonde foram usadas as técnicas, portanto, quem for conferir em 3D certamente verá alguns elementos saltando da tela, e alguns detalhes extras, mas nada que fará o longa ficar melhor.

Enfim, é uma trama bem alongada e que certamente com uns 20 minutos a menos seria muito mais agradável, porém sairia da concepção de longa-metragem, ou seja, vai até divertir um pouco as crianças, pois a temática de monstros, juntamente com muito colorido é algo que agrada os pequenos, mas os pais que forem levar os pequenos na sessão certamente irão se segurar para não dormir. Portanto, pense bem na hora de escolher o que ver nesse fim de semana. Bem é isso pessoal, fico por aqui já encerrando essa semana cinematográfica na qual a boneca do mal roubou todas as salas do interior, e volto na próxima quinta com mais textos, então abraços e até breve.

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Annabelle 2 - A Criação do Mal (Annabelle: Creation)

8/18/2017 01:59:00 AM |

Se no filme de 2014 acabamos não conhecendo muito a história de Annabelle, de onde veio aquela boneca feia, e ainda assim assustamos muito com as pegadas desprevenidas do diretor, agora em "Annabelle 2 - A Criação do Mal" o resultado é completamente outro, pois em momento algum o novo diretor quis passar essa mesma essência de sustos desnecessários, mas sim criar tensão do começo ao fim e contar muita história para que nós, juntamente com as crianças do longa (e aí é que volto na minha tese de como não assustar as jovens atrizes, para que tenham uma vida sadia depois desse filme!!!) ficássemos tensos pela situação em si, e fôssemos desenvolvendo  uma certa conexão com cada personagem, para que ao final já estivéssemos torcendo e prontos para cada momento certeiro. Além disso, conseguiram não ser apenas um capítulo isolado da franquia, ao fazer um prequel da trama, mas sim juntar com coisas que vimos na franquia original "Invocação do Mal", coisas que veremos no longa "A Freira", insinuações de outros clássicos, e felizmente o fechamento com o que esperávamos unindo o longa de 2014, ou seja, algo completo dentro da franquia, que fez com que esse certamente fosse melhor que o anterior, e mesmo com leves erros agradasse como um excelente exemplar de terror nesse ano que ainda não assustou efetivamente (apesar que apenas estamos começando a época do horror de 2017).

O longa nos mostra que anos após a trágica morte de sua filha, um habilidoso artesão de bonecas e sua esposa decidem, por caridade, acolher em sua casa uma freira e dezenas de meninas desalojadas de um orfanato. Atormentado pelas lembranças traumáticas, o casal ainda precisa lidar com um amedrontador demônio do passado.

O maior acerto desse segundo filme (que se passa anos antes do primeiro filme) foi a troca da cadeira de direção, pois se David F. Sandberg já tinha entregue um excelente primeiro filme ("Quando As Luzes Se Apagam") com algo bem simples, aqui com um orçamento bem melhor, uma franquia já consolidada para trabalhar, e um roteiro mais ousado de histórias para desenvolver não tínhamos dúvida de que arrasaria e entregaria algo que não apenas assustasse, mas sim causasse algo a mais no público que fosse conferir, e assim sendo, se a boneca pareceu apenas um adereço macabro no longa de 2014, aqui vemos o motivo de ser assim, como originou e para onde a franquia vai seguir, pois como bem sabemos, mesmo aqui que o orçamento foi melhorado, todos os longas foram bem baratos comparados ao tanto que tem arrecadado, e dessa forma, teremos muitos spin-offs, muitas sequências, até onde puderem explorar. A grande sagacidade de Sandberg foi não se preocupar em necessitar fazer um filme escuro, pois aqui temos muitas cenas acontecendo à luz do sol (e apavorando tanto quanto uma cena 100% escura), em fazer algo desprevenido que pegasse e apenas fizesse o público pular, trabalhando mais com coisas macabras e que fizessem sim arrepiar em diversos momentos (alguns até bem forte), e assim, mostrar que esse sim pode ser um daqueles diretores que temos de ficar de olho, pois dois longas e dois acertos, a chance de vermos novos clássicos em suas mãos está bem perto de acontecer.

Quanto às atuações, temos antes de mais nada falar da preparação que as jovens garotas fizeram para o longa, pois é inegável a qualidade expressiva de todas para com as situações tensas que acabaram enfrentando e se mostraram perfeitas para cada momento, demonstrando medo, estranheza e até mesmo sendo sutis quando precisavam fazer nada em cena, e assim o resultado de todos foi perfeito para cada papel, digo isso das pequenas, pois ao chegarmos nos adultos o resultado não foi o melhor que poderíamos ter. Ou seja, temos de dar muitos parabéns para o que Talitha Bateman, Lulu Wilson e Samara Lee fizeram com suas Janice, Linda e Bee respectivamente, pois demonstraram um cerne expressivo tão bem colocado de modo que Bateman inicialmente aparentava meio jogada, medrosa e tudo mais, mas com o andamento da trama foi se soltando e incorporando tão bem, que ao final chegamos a pensar se realmente não trocaram a garota no meio da produção, e o mesmo podemos dizer de Wilson, que começou bobinha, ingênua e até dócil demais, mas foi ficando com tanto medo da situação, que confesso que ao final a garotinha já aparentava estar desesperada realmente, mostrando que é uma ótima atriz expressiva (ou que realmente o diretor aterrorizou realmente ela!), já Lee apareceu em cenas espaçadas, afinal seu personagem está morto desde o trailer e a segunda cena do filme, ou seja, faz aparições, mas sempre com doçura (quando não mostra o lado obscuro) e agradável de se ver. Dos adultos, infelizmente Anthony Lapaglia até tentou ser suave em algumas cenas iniciais com seu Samuel, mas depois se fechou em excesso, ficando insosso demais para a produção, de modo que até torcíamos para que morresse mais rápido no filme, pois não chamou nem a responsabilidade para si, nem deixou fluir em suas cenas, e assim sendo mais atrapalhou do que agradou. Sabemos que Miranda Otto é uma excelente atriz, mas o papel de sua Esther é quase tão apagado quanto o de Lapaglia, servindo apenas para dar algumas explicações do que aconteceu para o demônio passar a morar na casa, e acabar bem trabalhada visualmente nas cenas finais, pois de restante se apenas falassem que tinha qualquer mulher dentro do quarto deitada não faria diferença. E fechando o elenco adulto, Stephanie Sigman foi quem melhor se saiu no conceito expressivo com sua Charlotte, não que tenha sido perfeita, mas ao menos fez boas expressões de susto e trabalhou bem desde o começo, chamando a responsabilidade quando precisou. Das demais garotas, é melhor nem comentar muito, pois foram meros enfeites para algumas cenas, tendo até alguns momentos de fala, mas poderiam nem estar em cena, que não faria a menor importância.

Seguindo os moldes do "universo" (como está sendo chamado, prefiro franquia) de "Invocação do Mal", o grande charme da produção é todo o conceito artístico que elaboraram, colocando muitos elementos cênicos para tremer, sair do chão, assombrar, e tudo mais, com feições estranhas, objetos mais antigos ainda que a data que o longa se passa, figurinos de época e claro um casarão abandonado no meio do nada, afinal não queremos vizinhos atrapalhando "o mal", ou seja, uma arte impecável com muitos apetrechos prontos para serem usados em cada momento, e principalmente para conectar com os demais longas da franquia (destaque claro para o porta-retrato das freiras que logo mais veremos no longa "A Freira", e a boneca original Annabelle que está exposta no museu dos Warren), ou seja, tudo perfeito no conceito artístico. Da mesma forma, como já falei no início do texto, a grande sacada foi não brincar tanto com cenas escuras, trabalhando sim vários momentos com esse mote, mas sempre deixando boas nuances de iluminações para podermos ver tudo ao redor, e ainda assim assustar/arrepiar com o que está sendo mostrado, ou seja, um trabalho perfeito da direção de fotografia, que até ousou com câmeras em drones/aéreas invertidas para dar alguns efeitos e o resultado acaba agradando bem, além claro de trabalhar muito bem a época com filtros e iluminações incríveis. Quanto dos efeitos especiais e da maquiagem demoníaca, poderiam ter caprichado um pouco mais para não ficar algo meio bizarro, mas não atrapalhou em nada.

Enfim, é mais uma ótima produção de James Wan, o mestre do terror moderno, que seja dirigindo ou produzindo filmes de terror, não tem errado sua mão nem gastado seu dinheiro em vão, ou seja, tem seu nome, corra que vai agradar e ser sucesso de bilheteria. Como disse no texto, temos alguns leves defeitos, principalmente nas atuações, mas nada que atrapalhe a experiência temebrosa que o longa proporciona, causando muitos arrepios e agradando em demasia quem gosta desse estilo de terror, digo isso, pois tem aqueles que preferem longas com mais sangue (sim, aqui as cenas finais foram bem sangrentas também, mas nada monstruoso), outros preferem longas mais psicológicos e absurdos (embora aqui cause certos traumas também), ou seja, até podemos classificar ele como um terror de sustos, mas o diretor ousou um pouco mais, e acabou agradando demais com isso. Portanto, se você não tem medo do estilo vá conferir que certamente gostará do que vai ver, pois é um ótimo filme. Detalhe, possui duas cenas pós-crédito (uma logo que acaba a música, que vai mostrar os rumos de um possível Annabelle 3, e que finalmente a boneca realmente terá mais importância do que o demônio em si, e outra bem ao final, que mostra os rumos da franquia com seu próximo longa), ou seja, estão aprendendo com os longas de super-heróis a segurar o povo na sala para não saírem correndo após o filme acabar com medo da sala escura. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda tenho mais uma estreia para conferir nessa semana, então abraços e até breve.

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Diário de um Banana 4: Caindo Na Estrada (Diary of a Wimpy Kid: The Long Haul)

8/15/2017 01:39:00 AM |

Se os primeiros filmes foram feitos em sequência (2010, 2011, 2012), as bilheterias acabaram não empolgando o tanto que necessitavam para que todas os livros virassem filmes rapidamente, e sendo assim, como bem sabemos, os pequeninos crescem bem rápido e os protagonistas originais precisaram ser trocados para que a essência do livro continuasse fluindo em "Diário de um Banana: Caindo Na Estrada". Não digo que isso seja o maior problema do filme, pois mesmo com atores diferentes, os personagens (a maioria, pois o irmão mais velho acabou ficando retardado demais, já que o anterior era mais rebelde, porém mais jovial e menos adolescente) acabaram seguindo bem e divertindo (até mais do que outros filmes da série) com uma história bem colocada e que acaba levando até certas gags desnecessárias (e até nojentas), mas que funcionam, e sendo assim, o resultado acaba agradando bastante quem for disposto a se divertir com as bobeiras da trama, e principalmente acaba divertindo bem a garotada fã dos livros.

O longa nos mostra que Greg convenceu sua família a embarcar numa viagem para ir ao aniversário de 90 anos de sua avó. Mas, na verdade, o que ele realmente quer é assistir a uma convenção de gamers. Sem surpresas, as coisas não vão de acordo com o planejado e as palhaçadas da família Heffley começam a acontecer.

Desde que assumiu a direção da série em 2011, David Bowers conseguiu imprimir bem o estilo aventureiro que Greg tem nos livros para o cinema também, pois no primeiro filme tudo era bem diferente, embora original. Agora usando de base o nono livro da série, ele construiu esse quarto filme com nuances de vários outros livros, colocou boas piadas e situações e conseguiu criar algo bem dinâmico de acompanhar, o que acabou transformando esse "road-movie" em algo bem divertido (mesmo que soe bobo em diversos momentos) e que com um estilo próprio para o público infantil mereceria ter sido lançado nas férias para aí sim arrecadar uma boa bilheteria (e quem sabe ser lançado outras histórias dos livros). Claro que a trama possui muitos defeitos, os principais são o excesso de coisas nojentas para fazer graça (algumas funcionam muito bem, e fazem com que caiamos nas gargalhadas, outras apenas dão nojo) e alguns personagens saindo fora do eixo da trama, que já vinha bem com outros atores, mas de resto, o resultado acabou funcionando bastante.

No conceito das interpretações não vou me aprofundar muito, afinal como todos bem sabem, esse estilo de filme não aparece no interior legendado por ser algo 100% voltado para crianças, e as vozes acabaram ficando até chatas demais de ouvir em determinados momentos (o trailer está aí embaixo e você pode tirar suas próprias conclusões), portanto vou apenas dar destaque às travessuras de Jason Druker como Greg, que assim como seu antecessor Zachary Gordon, fez boas expressões e principalmente demonstrou o que estava sentindo/fazendo. Já frisei que o grande problema do filme ficou a cargo da mudança de personalidade de Rodrick, que se antes com Devon Bostick, o personagem foi crescendo e virando alguém mais impactante, com visual e que com a banda até chamaria atenção, aqui com Charlie Wright praticamente voltamos para a estaca negativa, pois o jovem não aparenta 16 anos, mas sim um adolescente de 13 a 14 no máximo, chegando a ser babaca e até mais infantil que o protagonista em algumas atitudes. Agora uma das mudanças mais interessantes ficou a cargo dos pais, pois mesmo Alicia Silverstone aparentando bem diferente do que conhecemos e Tom Everett Scott tentando ser engraçado, o resultado de seus Susan e Frank soaram bem mais satisfatórios como pais do que acontecia antes, que soavam pessoas desesperadas e problemáticas apenas, ou seja, agradaram. Os demais acabaram soando bem coadjuvantes realmente, como o Sr. Barbudo, interpretado por Chris Coppola, que parecia estar com cara de diarreia toda vez que ficava bravo, e o jovem Manny, interpretado por dois jovens garotinhos gêmeos, que ao final conseguiu chamar toda a atenção para si.

A equipe de arte literalmente teve bastante trabalho, pois road-movies geralmente são bem complexos de conseguir trabalhar, e aqui tiveram vários hotéis bizarros, com muita cenografia para ser trabalhada, diversas cenas em estradas com objetos sobrando para todo lado, e claro as diversas cenas em festivais de games e de fazenda, aonde precisaram certamente colocar as pessoas em posições estratégicas para ter um bom resultado, ou seja, trabalharam bem para que o resultado artístico funcionasse, e tiveram sucesso nisso. Como é um longa muito movimentado, a equipe de fotografia nem quis ousar, deixando tudo com um tom só bem colorido, criando o ar cômico e deixando que o restante fluísse naturalmente.

Enfim, é um bom filme, garanto que não é o melhor longa do mundo, mas certamente vai fazer você rir bastante, o que acaba sendo um acerto, já que estamos falando de uma comédia. Portanto vá sem pensar e divirta-se, leve as crianças que certamente irão gostar bastante, e assim sendo o resultado final vai agradar bem. Claro que nem frisei tanto nos erros, furos, e tudo mais de estranho que o longa acabou fazendo, mas como a trama é simples, já vamos sabendo que veremos isso, e assim sendo acaba não atrapalhando tanto. Certamente foi muito melhor que o terceiro longa, mas acaba ficando empatado com o segundo, e sendo assim a nota será a mesma. Bem é isso pessoal, fico por aqui encerrando essa semana cinematográfica, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até breve.

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Malasartes e o Duelo Com a Morte

8/12/2017 02:36:00 AM |

Certos filmes nacionais já nos permeiam com situações tão bem encaixadas que não tem como não gostar, e a alegoria vida versus morte, misturando com ideias do sertão acabam sempre resultando ótimas histórias que agradam antes mesmo do longa estrear. Confesso que sabia bem pouco sobre "Malasartes e o Duelo Com a Morte", de modo que vi o trailer apenas uma vez nos cinemas, e já havia me afeiçoado com o que tinha visto ali, mas não esperava ver algo que misturasse a situação tão bem conhecida de "O Auto da Compadecida" com todo o lance do sertanejo esperto que tenta ludibriar negociando com a morte e o misticismo da mitologia das moiras que já vimos em alguns desenhos e até mesmo em alguns filmes que envolvessem as tecedoras de destinos, ou seja, com uma história bem elaborada, a trama se desenvolveu bem nas mãos dos atores e acabou agradando bastante tanto visualmente quanto no desenrolar completo. Porém, alguns exageros repetitivos acabaram cansando em diversos momentos, tirando até a atenção do público, e juntamente com o excesso de efeitos especiais, o filme acaba até saindo um pouco dos eixos, de modo que até poderia agradar bem mais.

O longa nos mostra que Pedro Malasartes é um malandro que, por mais que seja apaixonado por Áurea, não resiste a um rabo de saia. Devendo muito dinheiro a Próspero, irmão de sua amada, Malasartes precisa escapar dele ao mesmo tempo em que prega peças, sempre usando a inteligência, de forma a conseguir alguns trocados. Só que seu padrinho, a Morte em pessoa, tem outros planos para ele.

O diretor e roteirista Paulo Morelli já vinha tentando tirar o longa do papel há muito tempo, e com uma bagagem invejável é claro que não decepcionaria ao entregar uma trama mais fantasiosa do que seus últimos filmes mais centrados em realidades e problemas psicológicos, de modo que aqui ele pôde explorar melhor cada situação com uma boa dinâmica, e principalmente entregar um filme com vértices bem encaixados numa proposta do tradicional malandro, e com isso vemos uma trama bem facetada e cheia de nuances interessantes para se analisar. Claro que com esse excesso, a trama funcionaria bem melhor como uma série, e esse sim era o desejo antigo do diretor para que pudesse trabalhar melhor cada um dos personagens, o que acabou não acontecendo, e sendo assim, o resultado final até é agradável, mas poderia ser bem melhor.

Sobre os personagens e seus atores, falo dessa forma pois independente de quem fizesse cada papel, o resultado que mais importaria seria as feições de cada elemento e não seus trejeitos que cada ator poderia fazer, e sendo assim Jesuíta que sempre dá show, não decepcionou em momento algum, fluindo do começo ao fim com muita perspicácia para que seu Malasartes agradasse demais. Ísis Valverde é uma atriz bacana, mas seus personagens acabam marcados demais, de modo que por ter os mesmos trejeitos que anda fazendo na novela das 9, ficamos esperando sua Áurea soltar um tradicional "égua". Júlio Andrade é outro que jamais decepciona com os papéis que pega, e aqui mesmo sua Morte tendo de ficar quase 99% cheia de efeitos, o ator incorporou bons momentos e acabou divertindo bastante com cenas simples bem colocadas melhores que as mais complexas. Leandro Hassum antes de emagrecer (ou seja, o filme já está gravado há um bom tempo) tinha muito mais graça e divertiu-se bastante fazendo trejeitos bobos, mas bem colocados para seu Esculápio. Milhem Cortaz sempre se coloca como um personagem forte nos longas que atua, mas aqui seu Próspero poderia não ter sido tão forte, que ainda agradaria e passaria a mesma mensagem. Augusto Madeira até fez bem seu Zé Candinho, mas o papel acabou ficando bobo demais para que o ator chamasse a atenção sem apelar, e com isso o resultado acabou ficando estranho. Outra que soou estranha foi Vera Volts com sua Cortadeira, de modo que num misto de hippie com bruxa desesperada por poder, acabou ficando bem forçada para agradar.

Certamente algo que impressionará muito o público será a qualidade da produção, pois com muitos cenários computadorizados, acabamos vendo um filme quase que 100% digital, que acaba chamando até mais atenção nos efeitos do que na história propriamente dita, e com isso o resultado da equipe artística necessitou ser perfeito e acaba mostrando realmente a dinâmica impecável que tanto desejavam em cada um dos cenários, fosse no sertão ou na Terra da Morte. Porém para que bons efeitos fluissem melhor, era preciso um pouco melhor de cuidado com a iluminação, pois tivemos cenas mistas demais aonde tudo oscilava e acabava soando falso demais, o que certamente não era estipulado, e sendo assim, poderiam ter economizado nas cenas de voo.

Enfim, é um filme diferenciado que até chama bastante atenção e merece ser visto para mostrar que o Brasil tem evoluído muito nos estilos de filmes, mas ainda para poder exagerar em efeitos especiais necessita melhorar um pouco mais. Portanto vá ao cinema, confira e tire suas conclusões, pois certamente vai lhe causar um estranhamento de parecer já ter visto algo do tipo, e sim, talvez você tenha visto o personagem principal nas aventuras de Mazzaropi, mas aqui o resultado foge um pouco do tradicional e vai ficar no meio do caminho. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda falta mais uma estreia para conferir, então abraços e até breve.


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Valerian e a Cidade dos Mil Planetas em 3D (Valerian and the City of a Thousand Planets)

8/11/2017 02:31:00 AM |

É engraçado como o estilo de longas espaciais podem nos verter para diversos outros filmes, pois é raro algum que apareça e nos surpreenda com alguma novidade que jamais havíamos visto nas telonas, e com isso é inegável as diversas comparações que podemos fazer com "Valerian e a Cidade dos Mil Planetas" com outros grandes clássicos como "Star Trek", "Blade Runner" e aliar as diversas texturas, cenários e personagens até mesmo com "Avatar". Porém longe do contexto mais bem elaborado que esses clássicos nos permearam, aqui a bagunça ficou um pouco fora de controle, e os dois protagonistas soaram teen demais para algo que poderia ser mais sério e interessante, ou seja, a produção até é grandiosa, os efeitos foram bem colocados, mas a história e a execução acabaram ficando forçadas demais para agradar quem não for exageradamente fã do estilo.

O filme narra a história de Valerian e Laureline, uma dupla de agentes espaciais encarregados de manter a ordem em todos os territórios humanos no século 28. Por ordem do Ministro da Defesa, os dois embarcam em uma missão para a surpreendente cidade Alpha – uma metrópole em constante expansão, onde milhares de espécies de todo o universo se reúnem há séculos para compartilhar conhecimento, inteligência e cultura uns com os outros. Há um mistério no centro de Alpha, forças obscuras ameaçam a pacífica existência da Cidade dos Mil Planetas e Valerian e Laureline devem correr para identificar a ameaça e proteger não só Alpha, como o futuro de todo o universo.

Um dos cinemas da cidade estava dando de brinde o primeiro capítulo da HQ que foi usada de base para o longa, e se lá já havia ficado bem confuso com a ideia do longa, fui para o cinema com um pé atrás do que poderia ver na telona. Porém felizmente o diretor Luc Besson é daqueles que prefere explicar praticamente tudo ao seu redor, e não deixar dúvidas no espectador do que trabalhar uma obra mais introspectiva, e aqui, certamente como já foi feito em 2007, a trama é muito grande para ser vista apenas em um único filme, pois necessitamos conhecer cada um dos personagens principais, os diversos paralelos, e principalmente conectar tudo para que o resultado flua realmente, e embora aqui tenhamos 137 minutos, muita coisa acabou sendo jogada no meio do longa sem poder ser trabalhada realmente. Ou seja, Luc foi bem dinâmico com seu longa, trabalhou muito bem a mistura de efeitos, cenografia e personagens, mas não desenvolveu a história como poderia numa série de 3 a 4 capítulos, que aí sim seria perfeita, além de outro detalhe importantíssimo, os personagens na HQ não são tão adolescentes (aparentemente no longa na faixa de 20 anos contra aparentemente 30 a 40 na HQ) que acabaram dando um tom muito fraco para a personalidade de dois soldados (de patentes grandes como major e sargento) em uma grandiosa missão. Portanto, o diretor e roteirista até bebeu bem das fontes dos clássicos que citei, mas falhou em conseguir o ponto certo para que seu filme também virasse um grande nome (ainda mais com toda a propaganda em cima do 3D dele, o qual vou falar mais para baixo).

Já pontuei um pouco sobre os protagonistas, mas vamos dar nome aos problemas, e para começar temos de falar de Dane DeHaan que tem sim 31 anos, mas aparenta no máximo 20, e com diálogos bobos e uma personalidade teen acabou ficando fraco demais para o que seu Valerian necessitava, de modo que o ator até tentou em alguns raros momentos parecer mais sério, mas a proposta sempre desandava e o resultado acabou falhando demais. Cara Delevingne até aparentou sua idade real de 25 anos, mas fiquei esperando até o final que falasse que sua Laureline era um robô para escolherem ela para o personagem, pois com movimentos duros demais, uma personalidade seca e uma desenvoltura que certamente a personagem não possuía, mas até que não ficou tão ruim quanto poderia. Clive Owen até tentou impor um respeito maior com seu Comandante Filitt, mas teve poucas cenas no miolo para chamar atenção, e com isso seu personagem quase desaparece (mesmo sendo bem importante) e com isso acaba não indo muito além do que poderia fazer. Outros acabaram aparecendo até razoável como Sam Spruell com seu General Okto-Bar, Alain Chabat como Bob, o pirata, e Herbie Hancock como Ministro da Defesa, mas não obtiveram muito sucesso. Inicialmente, ao aparecer, fiquei realmente preocupado que Rihanna fosse apenas dançar por cerca de 3 minutos e nada mais, mas nas sequências seguintes, a atriz/cantora até conseguiu agradar bastante com sua Bubble, sendo até um grande agrado dentro da proposta do longa.

Dentro da proposta ousada do diretor, o grande feito ficou a cargo do visual do longa, que com cenários grandiosos e diferenciados (a maioria computadorizado), o resultado acabou ficando bem colocado parecendo até mesmo um grande jogo de videogame, e não digo que essa denominação seja algo ruim, mas acabou fugindo um pouco da linguagem cinematográfica e indo para outros vértices, que até foram bem usados, com coloridos ousados, diversos elementos cênicos e até momentos de certa profundidade envolvente de se acompanhar, mas poderiam ter trabalhado bem mais. Quanto à iluminação do filme, a fotografia funcionou mais nas cenas do planeta Mül, com algo bem bonito e interessante de ver do que nos diversos momentos escuros de Alpha, porém serviu para mostrar que o diretor de fotografia estava antenado com sombras e boas nuances. Agora o ponto mais negativo do filme ficou a cargo da propaganda enganosa de o melhor 3D do ano, falando para que todos fossem ver o filme, que iria compensar e tudo mais com uma grande tecnologia, e quiçá algumas cenas tiveram uma profundidade bem elaborada para que as cenas mais dinâmicas funcionassem realmente como um jogo de videogame em primeira pessoa, com longas paisagens para serem vistas, e tudo mais, mas nada que fizesse você se impressionar e/ou querer rever detalhes técnicos, ou seja, marketing apenas.

Enfim, é um filme bacana, que dá para perder um tempo se divertindo com o que é mostrado, mas ficou bem abaixo do esperado/vendido e só vai chamar atenção mesmo de quem for realmente bem fã de sagas estelares, e que estiverem com expectativa bem baixa, pois senão a chance de reclamar é bem maior do que a de elogiar algo da produção, e se tenho de dar destaque para algo da trama, que seja para os bichinhos secundários que vendem informações, para o outro que duplica coisas e para o planeta Mül, pois o restante acabou sendo desanimador. Bem é isso pessoal, tenho mais duas estreias para conferir ainda nessa semana, então abraços e até breve.

PS: Pensei até em dar nota 5 para a trama, mas me diverti em diversos momentos, e o visual agradou bastante, então vamos com 6 coelhinhos!

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Planeta Dos Macacos: A Guerra em 3D ( War For The Planet Of The Apes)

8/07/2017 01:22:00 AM |

É interessante quando um filme de alguma franquia antes de começar nos conta trechos do que vimos nos capítulos anteriores, e em "Planeta dos Macacos: A Guerra", a forma encontrada através quase que de uma forma literária bem elaborada com as palavras temas de cada um dos três filmes foi algo tão bem desenhado que já impressiona ali. Dito isso, não vá esperando ver um filme com guerras de tiros, explosões e tudo mais que verá nas primeiras cenas no longa inteiro, pois o embate é bem mais arquitetado e desenvolvido do que acontecendo realmente, e com isso o longa chega a ter até alguns momentos bem cansativos, que ou poderiam ser melhor explorados, ou até cortados para que o filme não ficasse tão longo, mas claro que aí não criaria toda a tensão para ser explorada e nem demoraria para acontecer o real clímax que a trama quis envolver. Mas mesmo tendo alguns pontos que "encheram linguiça", o resultado demonstra com o melhor enredo dos três últimos filmes, como estão aptos para desenvolver muito bem tramas misturando computação gráfica, capturas de movimento, e locações incríveis para que o final empolgue, comova e ainda agrade sem ficar forçado. Ou seja, muitos apostam que a trama terá mais um, dois ou até três filmes para aí sim fechar o ciclo que começou lá em 1968, mas com algumas surpresas aparecendo aqui, que já foram vistas no original, veremos o que tem a nos mostrar se resolverem fazer mais outros, pois aqui ao menos o ciclo desses três foi bem casado e resolvido. Veremos!

O longa nos mostra que humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel. Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. À medida em que a jornada finalmente os coloca cara a cara, César e o Coronel se enfrentam em uma batalha épica que determinará o destino de suas espécies e o futuro do planeta.

Se no primeiro filme o diretor Rupert Wyatt conseguiu transmitir toda uma ideologia em menos de duas horas, com Matt Reeves já não tivemos mais essa sorte, pois ele fez "O Confronto" com 130 minutos e agora "A Guerra" com 140, e mostrou que seu poder de síntese não estava tão aflorado, deixando que Andy Serkis pudesse trabalhar mais suas expressões, valorizando ainda mais o trabalho tão bem elaborado que o ator consegue fazer. Não digo que Reeves tenha falhado, muito pelo contrário, suas cenas são memoráveis, o conjunto de tensão cênica elaborada que fez com cada personagem soou icônico e vemos nuances sendo apresentadas a cada novo ato, porém o miolo necessitou de muitas apresentações, e isso é algo que faz filmes ficarem lentos demais, levando o público até se cansar com o andamento, ou seja, a história até pode nos prender, ter um envolvimento incrível para mostrar o processo de mudança da personalidade de César, a sagacidade dos macacos para resolver os problemas, mas Reeves poderia ter sido mais sucinto que agradaria da mesma forma e o longa seria impecável. Num contexto maior, o resultado até empolga, acaba sendo um filme incrível de assistir, fecha bem a trilogia atual com um consenso altamente inteligente de sentimentos, mas peca no excesso, não atingindo aonde poderia atingir, que é na emoção mais aflorada pelo lado humano dos macacos.

Sobre as interpretações, temos de falar basicamente sobre dois lados, os ótimos semblantes que só a captura de movimentos, e claro uma expressiva atuação de Andy Serkis consegue não apenas fazer com seu César, mas também dirigir os demais atores/macacos para que fizessem movimentos bem elaborados e expressões perfeitas para que os sentimentos reais não necessitassem ser criados por computadores, mas sim pelos próprios atores, e apenas depois fosse colocado a pelagem por cima das imagens capturadas, criando animais reais e interessantes de serem vistos, e claro quanto a Serkis, esse ainda vai ganhar prêmios pelas ótimas caras e bocas que consegue fazer junto de entonações incríveis que fez o personagem mostrar muitas emoções em cada ato diferente. Agora sobre o outro lado, Woody Harrelson deu a personalidade mais forte possível que pode para seu Coronel, sendo em diversos momentos até impactante demais com seus dizeres, trabalhando da mesma forma as cenas cruéis com as cenas duras, criando um vilão como há tempos a franquia não via, pois se Koba no anterior foi algo mais neurótico, aqui o buraco foi mais embaixo com a personalidade de destruição do soldado, e claro que com muitas caras e bocas, o ator mostrou todo seu potencial em ação. Dos demais, todos foram bem colocados, mas temos de dar um leve destaque para a garotinha Amiah Miller que com muita doçura, bons semblantes acabou sendo uma grata surpresa tanto para o filme, quanto para as ligações futuras, pois certamente vai ser muito importante nos demais momentos. Tenho de pontuar também o ótimo Bad Ape feito por Steve Zahn que funcionou perfeitamente para o alívio cômico da trama, agradando nos momentos certos, sem estragar toda a tensão do filme.

No conceito visual é fato que as ótimas locações deram um tom de guerra iminente, misturando florestas fechadas com muita neve para todos os lados, um quartel que lembra muito a segregação nazista, e claro um ambiente bem escuro para segurar a tensão a cada novo ato, de modo que a cada incursão dos personagens, fosse pelo chão, pelas arvores ou até mesmo pelo subsolo, tinha elementos para que observássemos tudo o que ocorreu antes, e o que poderia ocorrer no desenrolar da trama, mostrando que a equipe de arte elaborou cada detalhe como um grandioso jogo de videogame (aliás certamente devem explorar isso, pois funcionaria muito!) e assim o resultado acabou até maior do que a trama em si. A fotografia fez de propósito um longa escuro demais, para que tudo funcionasse ao aparecer de repente, mas como opção, talvez trabalhar apenas as sombras seria algo mais interessante, mesmo que aparecesse mais os defeitos de computação. Agora se você estava pensando em ir conferir em 3D, naquela dúvida cruel de pagar mais caro, fuja pras colinas e vá ver 2D tranquilamente, pois usaram a tecnologia apenas para dar algumas leves texturas de profundidade computacional nas cenas com os macacos, mas só, nenhum elemento voando para fora da tela (e olha que temos muitas explosões), nenhuma profundidade de campo (mesmo com batalhas épicas com muitos personagens), ou seja, nada de efeitos tridimensionais para valer ver dessa forma.

Enfim, é um filme muito tenso, que cria diversos âmbitos e discussões, mas que acabou pecando demais no tempo e na dinâmica, cansando um pouco (cheguei a ver pessoas levantando das poltronas para esticar as pernas de tão cansadas com tudo!). Não digo que um filme não possa ter 140 minutos, mas que para isso crie mais dinâmicas, e menos personagens/histórias para serem desenvolvidas futuramente, que aí sim tudo fica mais interessante. Ou seja, é muito válido conferir o longa para ver o desfecho de algo que começou lá em 2011 (ao menos essa trilogia) e que certamente desejam ligar com tudo o que vimos nos demais longas que já existiram, afinal esse é o nono filme da franquia toda, e ainda não vimos tudo o que pode ter acontecido até o planeta ser completamente dominado por macacos como foi mostrado nos primeiros filmes. Portanto, vá conferir descansado e curta o que verá, pois é um filmão. Fico por aqui já encerrando essa semana cinematográfica bem curta, mas volto na próxima quinta com mais textos, então abraços e até lá.

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O Reino Gelado - Fogo e Gelo em 3D (Snezhnaya Koroleva 3. Ogon I Led)

8/05/2017 06:43:00 PM |

O conto "A Rainha de Gelo" de 1845 de Hans Christian Andersen deu origem às ideias de "Frozen", que está em sua segunda produção, mas antes do sucesso hollywoodiano aparecer em 2013, no ano anterior surgiu o russo "O Reino Gelado", que já teve uma continuação em 2014, que fugiu bem do elo principal, e agora volta com a base original para a segunda continuação (ou terceiro filme como prefiram!) denominado no Brasil como "O Reino Gelado - Fogo e Gelo". E como disse no texto do segundo filme, a criatividade não foi muito bem trabalhada, até criando algo simples demais, e aqui, além de inventarem algo bem mal executado como um personagem que deseja virar lenda, o resultado acabou ficando confuso demais para distinguir o público que desejavam atingir, afinal a história é bem infantil, mas o excesso de doses sombrias acabou deixando o longa meio fora do eixo que o público alvo apreciaria. Não digo que o longa vá cativar os pequenos, mas talvez um pouco menos de cenas escuras e densas acabaria resultando em algo melhor.

O longa nos mostra que depois de derrotar heroicamente tanto a rainha da neve e o rei da neve, Gerda ainda não consegue encontrar a paz. Seu sonho é encontrar seus pais e, finalmente, reunir a família. Assim, Gerda e seus amigos embarcam em uma jornada para encontrar os pais dela e enfrenta novos desafios ao longo do caminho.

Não podemos dizer que é um filme com muitas qualidades, que empolgue a criançada com músicas e boas cenas de ação, mas também não é daqueles chatinhos e inúteis de se ver, que ficamos bocejando e desejando que o longa acabe o mais rápido possível. O que melhor demonstra o bom feitio é a direção russa de Aleksei Tsitsilin que fez um design bem colocado com bons elementos visuais, algumas texturas interessantes que demonstraram uma melhoria em relação ao longa anterior e acabou fazendo um resultado bem feito, mas como disse, faltou pra ele saber o público que desejava atingir, já que colocou algo sombrio demais com o lado do vilão e com isso o resultado acaba até soando estranho. Não vou falar que é a melhor animação, e ainda está anos-luz longe do primeiro filme de 2012 (que não teve a mesma equipe envolvida) que contou uma história bem desenvolvida e interessante de acompanhar, porém o resultado visual e da forma que foi bem contada até agrada em certos aspectos.

Sobre os personagens e dublagens, volto a frisar que poderia ter mais tempo de tela do Orm, que é um alívio cômico bem bacana e divertido, que na voz de João Côrtes novamente acaba agradando nas poucas cenas. Gerda voltou a protagonizar a história e embora não seja tão empolgante sua saga aqui, Larissa Manoela até dublou bem e conseguiu dosar o timbre para que a personagem não ficasse com sua cara/voz, soando levemente triste e não tão impactante. João Guilherme Ávila emprestou sua voz para o jovem Roni que começou interessante com sotaques e tudo mais, mas depois deixou levar, fazendo um personagem que agrada, vai chamar a atenção pela dupla característica (bonzinho vs vilão), mas que não chama tanto a responsabilidade para que o filme flua.

Sobre o 3D, melhor nem falar muito, pois até temos meia dúzia de cenas com a tecnologia, mas do restante o filme quase todo pode ser visto sem óculos! E olha que daria para jogar muita coisa no público!

Ou seja, até melhoraram bem a modelagem, para que o visual ficasse colorido suficiente, chamasse a atenção dentro de uma boa proposta, mas faltou muito para virar um desenho que todas as crianças quisessem ver, ficando bem mediano em tudo, faltando canções e tudo mais, tanto que muitas crianças até ficavam perguntando se o filme já estava acabando, ou seja, nem elas agradou. Portanto até vai servir para a garotada aproveitar o fim das férias e ver um desenho, mas não será algo que vão lembrar muito. Bem é isso pessoal, fico por aqui mais uma vez agradecendo o pessoal da Difusora FM 91,3MHz que fez a pré-estreia aqui em Ribeirão, e volto amanhã com a crítica da estreia da semana. Então abraços e até logo mais.

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Como Se Tornar Um Conquistador (How to Be a Latin Lover)

7/31/2017 12:41:00 AM |

Existem alguns filmes que entregam todas as piadas de cara no trailer, fazendo com que o público se interesse em ir conferir o longa completo, porém ao chegar lá, o que se vê é que só tinham aquilo para apresentar, e o restante acaba sendo enchimento de linguiça, que nos casos de alguns estilos acaba virando até pastelão e exagerado demais, ou seja, acaba ficando apelativo. A ideia em si do longa "Como Se Tornar Um Conquistador" já é exagerada e tosca, mas poderiam ter apelado menos e divertido mais, ou já ter jogado logo de cara a premissa "família" e trabalhar menos as tosquices para que o longa fluísse melhor. Ou seja, não digo que é um filme totalmente ruim, pois até diverte em alguns momentos, mas fica longe demais de ser algo agradável de assistir, e certamente daqui algumas semanas nem vamos lembrar de ter visto ele (ou melhor, vamos fugir quando passar na TV!).

O longa conta a história do sexy e sedutor Maximo (Eugenio Derbez) que tem o sonho de ser um milionário, mas sem levantar um dedo. Para isso, ele passa a conquistar mulheres muito ricas e glamurosas. Ele então se casa com uma mulher rica e 25 anos depois ele é trocado por um homem muito mais jovem e é forçado a morar com sua irmã Sara e seu sobrinho Hugo (Rafael Alejandro). À procura de uma vida de luxo, funcionários e carros, este filme expõe os valores que realmente importam: o poder do charme e acima de tudo o amor familiar.

É interessante observarmos que mesmo se tratando de um longa americano, a desenvoltura por ter atores mexicanos acabou sendo levada bem no estilo das produções mexicanas, com um estilo que começa dinâmico, desaba completamente no teor mais dramático e bagunçado no desenvolvimento, quase morre com um melodrama no clímax e até tenta sair bem no final, mas infelizmente o que o diretor Ken Marino fez em sua estreia derrubou tanto o miolo, que não teve muita solução para empolgar no final, e assim sendo o longa foi numa decaída tão grande e apelativa que soou até chato de acompanhar, de modo que nem os erros de gravação durante os créditos conseguem divertir sem apelar, ou seja, um filme que pode passar em branco tranquilamente.

Dentre as atuações, é mais divertido ver como o jovem garotinho Raphael Alejandro se saindo muito bem com sua ingenuidade na personalidade de Hugo, do que todas loucuras que os adultos fizeram para aparecer, pois o jovem fez bons olhares, e acabou agradando em quase todas suas cenas. Salma Hayek não é mais a mesma que fazia filmes divertidos e expressivos, claro que está velha, mas ainda possui um belo corpo (vide a cena que sai com um vestido preto) e até mostrou uma certa expressividade com sua Sara, porém longe de agradar como atriz de comédias. Eugenio Derbez possui um estilo próprio de comédia, e funciona quando o papel que lhe entregue possui certos detalhes como ocorreu em "Não Aceitamos Devoluções", porém aqui seu Maximo ficou deveras exagerado e até diverte com isso no começo, porém começa a cansar bem antes da metade com suas feições, e com isso acaba desgastado até o final, destaque para seu filho Vadhir Derbez fazendo Máximo quando jovem. Dos demais, é melhor nem entrar em detalhes pois foi um pior que o outro bagunçando mais do que aparecendo, destaque negativíssimo para Rob Riggle e Rob Huebel com seus Scott e Nick.

No conceito visual, a trama até que trabalhou bem para mostrar tanto o lado bom da vida com a riqueza, quanto também o lado bom da vida com a família, trabalhando bem os espaços, figurinos e até exagerando em alguns detalhes, mas como a trama optou por ser mais simbólica o resultado até chega a chamar atenção com a grande quantidade de cores que a equipe de arte junto da fotografia colocaram em cena, chegando a ser até impregnado demais, como na cena do aniversário da garotinha, além de completamente desnecessária a utilização de deficiências.

Enfim, é um filme forçado demais, que acaba exagerando em tudo. Confesso que esperava bem mais dele, e até ri com algumas cenas, mas o resultado final decepciona demais, e com isso acabo nem recomendando ele. Portanto, vá em outros filmes que estrearam, que certamente o ingresso será melhor valorizado. Bem é isso pessoal, fico por aqui encerrando essa semana cinematográfica que foi bem recheada, e volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até breve.

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Dunkirk em Imax

7/30/2017 02:35:00 AM |

Se você gosta de filmes de guerra, mas sempre reclamou de filmes longuíssimos, aonde necessariamente se tem um herói de guerra, toda uma mítica completa, e gostaria de ver realmente os diversos personagens batalhando ou tentando sobreviver como é o caso aqui, "Dunkirk" com certeza é o filme que você deve correr para ver. Digo isso sem pesar algum, pois o longa nos remete tantos sentimentos, criando uma tensão tão forte, emocionando nos momentos mais incríveis e com uma profundidade tão bem colocada e até divertindo em algumas situações, que mesmo sendo "curto" (dentro dos padrões dos longas de guerra), o filme acaba parecendo ainda maior e agradando logo de cara nos transportando para dentro dele quase que no meio dos personagens, e certamente era essa a sensação que o diretor desejava passar ao filmar o longa quase inteiro com as câmeras Imax, proporcionando cada momento como algo forte, tenso e bem colocado. Ou seja, entre no clima que o longa proporciona e se emocione, pois até agora esse certamente é o filme do ano.

A sinopse nos conta que na Operação Dínamo, mais conhecida como a Evacuação de Dunquerque, soldados aliados da Bélgica, do Império Britânico e da França são rodeados pelo exército alemão e devem ser resgatados durante uma feroz batalha no início da Segunda Guerra Mundial. A história acompanha três momentos distintos: uma hora de confronto no céu, onde o piloto Farrier precisa destruir um avião inimigo, um dia inteiro em alto mar, onde o civil britânico Dawson leva seu barco de passeio para ajudar a resgatar o exército de seu país, e uma semana na praia, onde o jovem soldado Tommy busca escapar a qualquer preço.

Muitos vão até se perder um pouco com a história tendo três tempos diferentes de execução (como já falado até na sinopse, uma hora no céu, um dia no mar e uma semana na cidade/praia), mas o que Christopher Nolan acabou desenhando em seu novo filme foi algo que supera tudo e todos, mostrando as angústias e desesperos que os soldados sentiam em tentar sobreviver no meio de uma guerra aonde estavam cercados pelo inimigo por todos os lados, e aonde os civis precisaram ajudar para salvar esses que estavam ali para salvar os civis. E com essas nuances de cada estilo, pois tinham aqueles que só queriam fugir, aqueles que desejavam lutar, e até mesmo os que estavam com os desesperos de guerra mesmo, marcando diversos traços, e estilos. Porém o grande feito do diretor, foi colocar o público como parte do enredo no estilo de filmagem, criando uma perspectiva mais proximal que chega a dar angústia de não saber se os personagens sobreviverão, se sabem nadar realmente, quem é quem ali, e por aí vai, de modo que com grandiosas sacadas, ângulos precisos e muita sintonia de saber aonde quer chegar, pois como falei no começo, ao trabalhar tempos diferentes, com tudo acontecendo no mesmo âmbito, o resultado acaba sendo incrível e pertinente ao tamanho dos trabalhos do diretor tanto em história (afinal o roteiro também é seu), quanto em condução rítmica da trama.

Por incrível que possa parecer, o longa em si não é um filme que dependeu tanto das atuações, pois cada um certamente deu boas interpretações para seus personagens, mas a guerra em si e os sentimentos dos personagens são os protagonistas da trama, de modo que qualquer um poderia atuar no filme, e fazer bem qualquer papel, tanto que Nolan até colocou um cantor da moda para aparecer, e isso não atrapalhou em nada, ou seja, não vamos dizer que sem eles o filme existiria, afinal em uma guerra se necessita de pessoas, mas qualquer ator poderia funcionar em cena. Dito isso, temos de dar certamente o destaque para os três principais com maior tempo de tela, e claro que mesmo com feições de apavorado, Fionn Whitehead conseguiu mostrar que seu Tommy mesmo ingênuo, conseguiu sobreviver desde o começo da trama, fugindo, se escondendo e sendo esperto nos momentos de maior precisão, o que mostra que em seu primeiro filme, o jovem ator soube dosar um bom estilo e chamar a responsabilidade cênica quando precisou. Mark Rylance já é literalmente um velho de guerra, e aqui seu Dawson mostra a sabedoria de um capitão de navio aliada aos conhecimentos de guerra sem nunca estar em uma, mas com olhares pontuais, e uma ótima história por trás de sua história, ele e o filho interpretado por Tom Glynn-Carney (também estreando nos cinemas) junto do amigo foram com muita garra enfrentar ondas para salvar quem aparecesse em sua frente, em algo duro e muito bem feito. E nos ares, a responsabilidade ficou por um velho conhecido de Nolan, Tom Hardy com seu Farrier, que foi sagaz nas manobras, e certamente ficou bem assustado com tudo o que o piloto real fez com ele (afinal Nolan não usou computação gráfica e colocou todos para voar realmente), e com isso o ator até que fez bons olhares e agradou bem junto com Jack Lowden com seu Collins. Não digo que a atuação de Harry Styles tenha sido fraca com seu Alex, muito pelo contrário, o jovem cantor que agora quer alçar novos voos como ator também soube ser duro nas cenas mais desesperadoras e com uma desenvoltura bem própria saiu-se muito bem nas cenas de encerramento, ou seja, poderia ser qualquer pessoa ali, mas o jovem fez bem e isso faz por valer.

No conceito visual o longa tem uma proporção tão gigantesca que chega a assustar, pois temos navios de guerra (poucos, mas bem colocados para chamar atenção), muitas cenas com aviões, muitos figurantes, explosões, barcos de todos os estilos (iates pequenos principalmente), figurinos coerentes, e tiros para todos os lados (um defeito aqui que cabe citar, poderia ter mais sangue!), e essa grandiosidade filmada com câmeras de grande expansão como as Imax, e sendo visto em Imax, amplia tanto a tela que vemos detalhes e mais detalhes em cena, como algo que chega a impressionar e envolver a cada novo ato, se tornando uma beleza pura, mesmo que aterrorizante como é uma guerra. Além de bons elementos, coube a equipe fazer uma fotografia de tons cinzas e azulados que criassem nuances, dramaticidades, e principalmente tensão, pois a cada plano bem aberto com a sensação de vir algo a qualquer momento de cada lado fez com que o filme ficasse duro, e como disse, essa boa jogada de colocar o espectador dentro do longa, só foi certeira pela boa escolha de ângulos, e claro de iluminações coerentes.

Como é de praxe falar, filmes que Hans Zimmer entra com sua trilha sonora, não tem como errar em ritmo e tensão, pois cada ato fica maior e mais grandioso em estilo, e prende o espectador na cadeira, e junto de uma sonoridade incrível, que bem mixada com efeitos de explosões e tiros, sem tirar em quase momento algum a boa trilha, o resultado vai além. Detalhe, se você não gosta de muito barulho, esse não é o filme para ir conferir, pois as poltronas chegam a mexer com a boa mixagem dos tiros, estouros, aviões dando rasante e tudo mais.

Enfim, é um filme incrível, que vale demais ser visto, pois volto a frisar, nesse ano ainda não havia aparecido um longa que conseguisse transmitir tantos sentimentos em duas horas de projeção, destaque para o momento da chegada dos barcos que arrepia total, portanto vá conferir o longa na maior sala possível (em Ribeirão veja em Imax no UCI) e esteja por algumas horas dentro de uma guerra (claro sem chance de levar nenhum tiro!) e experimente tudo que o melhor filme do ano (até agora!) pode lhe proporcionar. Fica assim sendo minha recomendação, e até que enfim, posso soltar o primeiro 10 coelhos do ano (acredito que terá mais alguns em breve para competir com esse como melhor do ano). Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia da semana, então abraços e até breve.

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O Filme da Minha Vida

7/29/2017 02:15:00 AM |

Já falei diversas vezes que o cinema nacional só tem crescido quando sai da tradicional comédia novelesca, e é tão bom quando vemos um longa com cara de abstrato, história montada propositalmente de forma mais poética para virar artística demais, uma direção centrada em não revelar tantos detalhes, mas deixar que o filme flua de maneira gostosa e ambiciosa, e com isso, "O Filme da Minha Vida" salta do básico e simbólico que vemos casualmente em séries nacionais mais ousadas para um vértice poético, bem dirigido e que volto a dizer Selton dirige muito melhor do que atua, e o veremos muito grande ainda, pois foram três filmes, e três acertos (ainda que os dois últimos exista muita discordância) e dessa forma, aliando uma fotografia maravilhosa com uma história que nos remete aos tempos áureos do cinema, com todo a síntese de pequenas cidades do sul, o resultado não poderia ser outro, senão algo belo, que mesmo com leves defeitos (a abstração moral poderia ser menos usada) fecha com chave de ouro, dando o cerne que esperávamos ver, e completando o nome do filme. Portanto semana que vem, quando o longa estrear, não vamos deixar que seja mais um filme brasileiro bem feito que é visto por poucos, mas sim, daqueles que são bem feitos e lotam sessões, pois vale muito adentrar dentro da síntese da trama e viajar por tudo que a história pode contar, afinal, certamente você já disse que sua história daria um livro, um filme, ou algo do tipo, então vá conhecer a do Johnny ou melhor, descubra o final, pois o final, esse eu não posso contar!

O longa nos situa nas Serras Gaúchas, em 1963. O jovem Tony Terranova precisa lidar com a ausência do pai, que foi embora sem avisar à família e, desde então, não deu mais notícias ao filho. Tony é professor de francês num colégio da cidade, convive com os conflitos dos alunos no início da adolescência e vive o desabrochar do amor. Apaixonado por livros e pelos filmes que vê no cinema da cidade grande, Tony faz do amor, da poesia e do cinema suas grandes razões de viver. Até que a verdade sobre seu pai começa a vir à tona e o obriga a tomar as rédeas de sua vida.

O trabalho de Selton Mello como diretor, já é algo bem reconhecido e mostra um estilo que mistura muita poesia na forma alegórica com um teor também voltado para uma dramaticidade quase fora dos eixos romanceados, ficando quase algo melancólico, e isso, por mais estranho que possa parecer, é muito bom, pois acaba dando um floreio na trama que muitos acabam não esperando. Por diversos momentos ficamos pensando na forma que o longa pode acabar, o que aconteceu com o pai do garoto, o motivo real de tudo, e até mesmo adentramos ao ar denso da serra gaúcha de cidadelas tão pequenas que algo que dê errado vai acabar mudando tudo. Ou seja, baseando-se no livro "Um Pai de Cinema" de Antonio Skármeta (que aparece no filme na cena do puteiro como Esteban), Selton e Marcelo Vindicato criaram um roteiro bem dosado, que com a direção certeira foi trabalhado aos poucos, comovendo e direcionando o público para um final perfeito, que talvez até pudesse ocorrer antes para que a sintonia ficasse melhor e não cansasse tanto como no começo e nas diversas cenas de flashback, mas certamente não chegaria no tom que conseguiram de dramaticidade. Portanto é um filme feito, com leves deslizes de ritmo, mas que emociona e agrada tanto que esses deslizes passam batidos e tudo acaba nos envolvendo de forma que talvez Selton seja agraciado mais uma vez como a escolha para representar o Brasil nos indicados à concorrer a vaga do Oscar de estrangeiro (dessa vez com até mais chance que "O Palhaço").

Sobre as interpretações, vou começar falando que Johnny Massaro já havia mostrado seu estilo de interpretação melancólico perfeito em "Amorteamo" e aqui caiu como uma luva para a personalidade dúbia de Tony, que ao mesmo tempo que procura encontrar o amor, também procura encontrar as respostas que entornam sua vida, ou seja, o rapaz está em apuros, e ele foi perfeito, agora preciso ver um novo filme seu para saber se quem impregnou o estilo Selton Mello nele foi o diretor, ou o jovem fala mansamente igual ao diretor, com o mesmo tom, mesmo estilo de interpretação calma demais, e isso em diversos momentos chega a cansar até, ou seja, precisa melhorar rapidamente seu estilo. Já que falei tanto de Selton Mello, volto a frisar que ando adorando seu estilo de dirigir, mas me incomoda demais a mesma expressão para todo tipo de papel, e aqui com seu Paco foi feito da mesma forma, então deixasse o papel para outro bom ator, que certamente faria melhor e agradaria mais, não que tenha feito algo ruim, muito pelo contrário, foi coerente nas diversas cenas, mas qualquer bom ator faria muito melhor. Agora se teve alguém que surpreendeu nem tanto pela interpretação e expressão que sabemos que sempre se sai bem, mas sim por falar tão bem português, foi Vincent Cassel, que chega a ser incrível dentro das duas fases do longa apenas removendo a barba para as cenas de flashback, e depois deixando tudo bagunçado para as cenas mais atuais de seu Nicolas, e se antes já gostávamos do ator, agora com seu jeitinho brasileiro, acabará conquistando todos, pois foi muito bem. Dentre as mulheres, todas foram bem expressivas e colocadas dentro de um certame correto ao menos da personalidade de cada uma, para a proposta de cada ato, desde Martha Nowill como a prostituta Camélia bem divertida com seu jeito diferenciado, passando pela beleza e ternura excêntrica de Bruna Linzmeyer com sua Luna, chegando até o gostoso lado maternal de Ondina Clais como Sofia, que teve poucas mas bem encaixadas cenas, até finalizar com o ar de suspense de Bia Arantes com sua Petra, ou seja, todas com leves detalhes, mas bem colocadas. Agora quanto aos garotos, todos foram divertidíssimos com suas colocações adolescentes bem pertinentes e cômicas, claro com destaque para João Prates que chega a ser chato com sua insistência, mas acerta no tom do personagem. E para fechar, mas não menos importante, temos de pontuar os ótimos olhares de Rolando Boldrin voltando aos cinemas após 18 anos, agora como Giuseppe, mostrando como se faz para o diretor, que tanto insisto que tem uma expressão só.

Agora certamente o longa merece um destaque importantíssimo para todo o visual dos anos 60 que a produção de Vânia Catani junto com toda a equipe de arte conseguiu fazer com locações perfeitas, carros da época, cinema de época com projetores, montagem de filmes, figurinos, tudo muito bem escolhido e reproduzido com destreza que nem grandes longas de altíssimos orçamentos se preocupam tanto, mostrando que podemos sim fazer filmes grandiosos, basta ir a fundo e trabalhar bem o orçamento. Mas poderia ter o melhor visual do mundo, e errar a mão no tom da fotografia, fazendo com que o filme ficasse simples demais, o que de forma alguma é o caso aqui, pois Walter Carvalho que já fez grandes longas nacionais, acertou demais no tom amarelado, criou nuances cênicas incríveis e fez com certeza o longa nacional melhor fotografado até hoje, montando os diversos ambientes para cada momento, na densidade correta de luz, passando apenas frestas para dizer exatamente o sentimento de cada cena.

Outro ponto excelente do longa ficou a cargo das escolhas musicais, que assim como a fotografia, acabou criando o ambiente certo e emocionando com o ritmo correto para que o filme passasse rapidamente, e até mais, fazendo com que o público ficasse nos créditos ainda escutando as belas canções, ou seja, vale a pena demais ouvir, e não iria deixar de fora um link para que todos curtisse em casa também.

Enfim, é um ótimo exemplar do que deveria ser realmente nosso cinema nacional, que baseando em diversas outras obras internacionais o acerto de Selton Mello e sua equipe foi gigantesco e merece demais ser conferido, pois combina arte bem feita com uma história bela e envolvente, ou seja, consegue bem fugir do estilo novelesco que dramas desse estilo acabam se tornando. Bem é isso pessoal, essa acaba sendo a recomendação da próxima semana, ou para hoje em algumas cidades que o longa está em pré, mas logo mais irei conferir as estreias dessa semana, então abraços e até logo mais.

PS: Daria nota 9,5 para o filme, mas como não tenho notas quebradas, vou reduzir meio ponto por Selton querer fazer tudo e não dar o Paco para outro bom ator.

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7 Desejos (Wish Upon)

7/22/2017 02:09:00 AM |

É incrível a quantidade de possibilidades de se fazer um longa de terror, pois um diretor/roteirista sempre vai achar um vértice para explorar e criar algo "novo", seja a partir de uma ideia original, ou requentando algo que no passado fez sucesso. Digo isso com todas as letras para o filme "7 Desejos", pois de cara é um filme bem interessante, que o trailer tem uma pegada bem chamativa, conseguiu levar uma quantidade bem boa para as sessões de pré-estreia, mas nada mais é do que uma nova franquia do estilo que "Premonição" arrebatou no começo dos anos 2000, com mortes bem fortes e tensas (daquelas que você fica esperando quem vai morrer e como vai morrer!), mas ao menos não ficou só na história de fuga da morte, pois aqui você fez seu pedido, algo vai ocorrer com alguém próximo, e assim vai, com algo bem adolescente, mas que tem futuro para continuações. Veremos os rumos da bilheteria para saber o que vai rolar!

O longa nos mostra que Clare Shannon é uma garota de 17 anos que está tentando sobreviver a vida de estudante, até que seu pai encontra uma antiga caixa de música e lhe dá de presente. O que a garota vem a descobrir é que a misteriosa caixa pode lhe conceder 7 desejos e com eles ela pode ter a chance de conquistar tudo o que quer. Porém, tudo tem um preço e ela vai aprender da pior maneira. Faça um desejo! Mas cuidado com o que você deseja, as consequências podem ser fatais.

Como disse no começo do texto, se existe um gênero que sempre gostam de dar uma requentada em uma ideia que fez dinheiro é o de terror, e se existe um diretor que gosta de pegar grandes sucessos e dar sequências, ou começar algo "novo" é John R. Leonetti, que apenas para citar alguns de seus trabalhos, foi cinegrafista de "Invocação do Mal", em seguida dirigiu "Annabelle", antes pegou o sucesso de "Efeito Borboleta" e dirigiu sua continuação, e mais antes ainda, estreou no comando de longas fazendo "Mortal Kombat - A Aniquilação", ou seja, ele é daqueles que vai sempre procurar uma brecha para ganhar algum dinheiro com filmes "baratos", mas que podem entregar algo para o público, ao menos algo que desejam ver na telona, pois todos sabemos o quanto "Premonição" rendeu para os estúdios, então por que não criar algo mais atual, brincando com a ideia de deseje algo e pague com sangue, e por aí vai, pois a trama vai girar nesse conceito, é explicadíssima em detalhes (você não vai precisar nem pensar em nada, pois vão lhe entregar de mão beijada cada mera cena), e vai de certa forma causar "terror" com as mortes fortes bem filmadas que até geram uma certa tensão antes de ocorrer, e sem ter espíritos ou até mesmo grandes sustos, o filme vai agradar quem gosta desse estilo de terror, e certamente deve virar uma franquia com continuações (ao menos o final, e a cena no meio dos créditos entrega isso!), e quem sabe o diretor que fez lucro com continuações de outros diretores, agora passe a bola para outros.

Sobre as interpretações, é fato que a garota Joey King vem tendo uma carreira com muitos filmes em seu currículo, e sua Clare é bem expressiva, mas a personalidade dela incomoda demais com muito egocentrismo e claro que isso acaba sendo explorado no filme, e sendo assim, a atriz poderia ter feito caras e bocas menos forçadas, já que a personalidade em si já era forte, porém de modo geral acaba agradando mais do que atrapalhando na forma de interpretar seu texto. Ryan Phillippe também entregou um pai bem colocado, mas que sempre aparece apático demais, de modo que seu Jonathan até possui bons momentos, mas faltou empolgação e determinação nas cenas que pedia isso, destaque claro para suas cenas mais perigosas. O jovem Ki Hong Lee já mostrou em outros filmes toda sua desenvoltura, e aqui poderiam ter usado muito mais de seu Ryan, pois o jovem se mostrou bem disposto nas expressões das cenas que foi colocado e quem sabe a continuação lhe use, o que seria interessante, pois aí sim veremos o misticismo chinês com alguém que faça bom uso dele. Agora se já voltaram com o estilo de "Premonição", precisam voltar com o estilo "Todo Mundo em Pânico", e certamente a escolhida seria Sydney Park para dar bom tom grosseiro para as personagens fortes, e só digo isso, pois sua Meredith é perfeita para isso, e a atriz foi muito bem encaixada. Dos demais, a maioria acaba tendo uma ponta aqui, outra ali, com boas frases, cenas fortes e até boa dinâmica, mas são todos bem rápidos para cada momento, não valendo destacar ninguém além dos protagonistas.

Dentro do conceito visual, a trama foi bem simples, pois não podiam estourar muito o orçamento de 12 milhões, e com isso, embora tenha uma mansão bem floreada (mas se olharmos a decoração interna, quase nada de detalhe!), uma escola com poucos elementos distribuídos, e a grande concentração de detalhes fica a cargo dos locais aonde vão ocorrer as mortes, pois ali sim é o lugar para caprichar na ambientação, então vemos muita cenografia em cada área (vou me conter em não falar sobre cada um para não dar spoilers de quem morre em cada momento), agradando pela engenhosidade das mortes e mesmo que não seja algo legal de se ver, o acerto dentro de um filme de terror é satisfatório. Quanto da fotografia, o uso de sombras e luzes revelando cada momento foi um grande acerto e vale prestar atenção à cada detalhe, pois o filme usa e abusa disso, num acerto bem impactado.

Enfim, está longe de ser um longa perfeito, pois ficou adolescente demais, com atores chegando a ser até chatos (as cenas na escola são um porre, com clichês de todo o tipo!), mas que funciona por criar alguma certa tensão nas cenas das mortes, e por ter uma história acompanhável, nada muito elaborado, mas que vai agradar quem gosta desse estilo próprio de terror (já aviso, se não é fã do gore e de algo menos elaborado nem vá conferir), e sendo assim, fica sendo minha recomendação do momento, mas que poderia talvez melhorar muito em uma continuação. Portanto, vá e se divirta com as mortes, pode ficar tranquilo que nenhum espírito vai lhe assustar depois (afinal não tem disso no filme), e vamos aguardar ainda os grandes nomes do terror desse ano, pois esse apenas o trailer foi bem feito. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, já encerrando essa semana cinematográfica, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até breve.

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O Cidadão Ilustre (El ciudadano ilustre) (The Distinguished Citizen)

7/21/2017 01:39:00 AM |

Muitos falam que o cinema argentino não entrega filmes ruins, e claro que temos de colocar uma vírgula nisso dizendo que o cinema argentino que exportam para outros países não tem filme ruim, e assim podemos seguir com o que temos de falar, pois dito essa verdade pura, é quase impressionante o resultado que vemos em "O Cidadão Ilustre", com uma faceta tão divertida, tão dentro do que vemos realmente acontecer com muitos famosos, e principalmente a história toda é montada do jeito que se espera, como um livro, falando de um escritor que usa sua história (verdadeira ou não?? Isso fica como tarefa de casa como diz o próprio protagonista) para ir moldando a trama, ou seja, vamos conhecendo a história de uma forma tão bem coesa, assimilando a mesma raiva que o protagonista adquire (afinal quem conhece qualquer cidade pequena sabe que é bem assim que funciona, não pode o Zé ficar meio famoso, que vão achar que esqueceu de fulano, beltrano já fica com ciúmes, tudo o que faz é errado, e por aí vai), e sendo assim com muita vivacidade, o resultado final quase nos engana, mas é entregue da maneira mais plena e bem colocada possível, agradando bastante, mesmo com algumas leves derrapadas, mas se você gosta de uma boa Comédia com C maiúsculo mesmo, essa é a pedida.

O longa nos apresenta Daniel Mantovani, escritor argentino vencedor do Nobel de Literatura, que vive na Espanha há 40 anos. Quando o prefeito de Salas, decide homenageá-lo com uma Medalha de Cidadão Ilustre, ele vê uma chance de retornar à cidade natal que deixou na juventude, mas que sempre serviu de cenário para os seus romances. Mas, logo ao chegar, percebe que a ideia pode não ter sido boa. É ele isso vai descobrindo por ter levado para os romances, também, alguns dos personagens reais da cidade.

São tantas boas sacadas que os diretores Gastón Duprat e Mariano Cohn fizeram em cima do roteiro de Andrés Duprat que fica até difícil falar de cada uma sem soltar um grande elogio, e principalmente, dizer que qualquer coisa dita vira um spoiler (aliás já tentei começar o texto de três maneiras diferentes, e essa foi a que conteve menos spoilers do longa), pois a grande sacada é ir descobrindo cada personagem da cidade, ir conhecendo a pacata cidade que mesmo sendo minúscula todos preferem andar de carro, moto ou qualquer outra coisa, que possui associações criminosas de pintores, e por aí vai, ou seja, tudo de insano acontece sem virar um filme tosco americano. Não digo que a perfeição é completa, pois isso seria forçar a barra demais, mas o longa soa tão divertido, e verdadeiro, que não queremos que acabe na mesma intensidade que desejamos que acabe a semana do protagonista na cidadezinha para ver que rumos tudo vai tomar, ou seja, euforia para saber o resultado, mesmo que isso seja triste por ser o final do longa. E dessa forma o resultado final pode até chocar inicialmente, mas vai valer a pena conferir.

Sobre as interpretações, é fato que Oscar Martinez briga com Darín como os melhores atores argentinos (sou pretensioso em afirmar que prefiro muito mais Darín que Martinez, mas isso é gosto pessoal!), e aqui seu Daniel é bem pautado, sem forçar expressões, conseguindo dominar a cena com uma boa desenvoltura, mas é sereno demais com tudo o que vai acontecendo para cima dele, pois dificilmente alguém suportaria tanta pressão sem mandar metade da cidade pra um lugar não tão amistoso, e isso é a maior falha no estilo dele, embora com o final tudo possa ser melhor explicado (mesmo que já saibamos do final muito antes dele acontecer). Agora se temos de pontuar alguém que saiu do eixo exagerando demais é Dady Brieva que desconhecia, e pretendo me afastar mais ainda de algo que faça, pois, para fazer rir, ele não força a barra, ele entorta ela inteira com seu Antonio, soando por vezes até sem noção de tão forçado, ou seja, poderiam ter economizado um pouco com o personagem. Manuel Vicente certamente já morou em cidadelas, ou fez uma pesquisa monstruosa para compor seu prefeito Cacho, pois é a cara de qualquer prefeito sitiante que só vive de eventos e morre de medo dos afortunados da cidade, divertindo mesmo que exagerando em alguns momentos. Dos demais personagens todos tentam aparecer um pouco na trama e até chamam a atenção, mas não chega a ser algo que mereça muito destaque tirando os trejeitos "amorosos" e "raivosos" da Irene interpretada por Andrea Frigerio, o ar sedutor e desesperado de Julia feita por Belén Chavanne e até a forma abrupta de Marcelo D'Andrea com seu Romero acaba agradando.

Dentro do conceito cênico, a grande sacada do filme foi a escolha das locações para que o ar interiorano dominasse realmente, com casas que parecem ter parado no tempo, os clubes e palestras feitas de forma bem adaptada, e claro as famílias que enriqueceram com casarões ornamentados destoando completamente do restante, mas com muitos elementos mostrando o que fizeram para isso, ou seja, um gracejo da equipe de arte que montou bem as nuances e deixou que o texto falasse sozinho, sem necessitar de grandes enfeites. A fotografia focou em ser determinante no tom para dar a dramaticidade certa nas cenas, claro que sem tirar o ar cômico, e com isso não vemos excessos de cores e nem de sombras, ficando bem no meio do caminho.

Enfim, é um longa bem divertido, que consegue agradar do começo ao fim, trabalhando bem com a essência da literatura dentro do cinema, e que quem gosta de longas singelos, bem feitos, que até forçam um pouco para que a diversão cômica aconteça, vai sair muito contente com o que verá na telona. Portanto se gosta de boas comédias, essa é a recomendação dessa semana, que entra em cartaz no Cinema de Arte do Cinépolis Santa Úrsula em Ribeirão Preto. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, com a última estreia da semana no interior, mas volto amanhã com mais uma pré-estreia, então abraços e até breve.

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Transformers: O Último Cavaleiro em Imax 3D (Transformers: The Last Knight)

7/19/2017 02:37:00 AM |

É fato que Michael Bay é um produtor fantástico e ele dando entrevistas que após esse filme deseja fazer algo menor e mais sútil é quase uma blasfêmia, pois sempre foi o rei das destruições gigantescas e que impressionam só de olhar. Dito isso, quem for ver o quinto longa da franquia Transformers denominado: "Transformers: O Último Cavaleiro", e não se impressionar pelo tamanho da produção, realmente dormiu e não assistiu ao longa. Como de praxe, seus filmes não possuem roteiro muito elaborado, muito pelo contrário, é uma bagunça completa que mistura de tudo, mas dizer que isso é ruim, é exagero, pois acaba divertindo bastante toda essa bagunça, e assim sendo o resultado completo da trama fica interessante para quem procura diversão no limite máximo, mas ridículo para quem procura apenas texto, ou seja, essa é a dica que eu dou, se você gosta de ir ao cinema para se divertir com um 3D muito bom, com algo que você não sabe mais quem é bonzinho ou quem é do mal, vá, compra um bom combo de pipoca e se divirta muito, agora se não é desse time, passe longe que vai odiar do começo ao fim. Como todos aqui já me conhecem, sou produtor e amo grandes produções (bem feitas e executadas), e aqui vi isso do começo ao fim também, portanto, foi algo muito bom de ver!

A sinopse nos conta que os humanos estão em guerra com os Transformers, que precisam se esconder na medida do possível. Cade Yeager é um de seus protetores, liderando um núcleo de resistência situado em um ferro-velho. É lá que conhece Izabella, uma garota de 15 anos que luta para proteger um pequeno robô defeituoso. Paralelamente, Optimus Prime viaja pelo universo rumo a Cybertron, seu planeta-natal, de forma a entender o porquê dele ter sido destruído. Só que, na Terra, Megatron se prepara para um novo retorno, mais uma vez disposto a tornar os Decepticons os novos soberanos do planeta.

Já disse muito de Michael Bay na abertura do texto, mas embora muitos não gostem dele (chegando até o ponto de odiar), no conceito desse que vos escreve quase todo dia, ele juntamente com Spielberg são os maiores produtores do cinema atual (e coincidentemente Spielberg também assina aqui a produção!) e quando querem gastar não pensam duas vezes para criar algo grandioso (aqui foi apenas a bagatela de 260 milhões de dólares!!!), e o resultado é fato quanto maior a produção, maior a maquiagem para um texto falho, e isso todos já sabemos muito bem, afinal nenhum (friso novamente nenhum) dos Transformers foi algo elaborado nesse conceito, bagunçando a cabeça do espectador de quem é quem, quem salva quem, quem luta com quem, quem é bom, quem é mal, se vieram de um lugar ou de outro, e por aí vai, mas aqui nossos amigos roteiristas foram bem longe na inspiração, misturando lendas de Camelot, destruição do planeta Terra (que para os robôs tem outro nome) no melhor estilo dos filmes-catástrofe, alienígenas, robôs, humanos bons e ruins, e por aí vai, fazendo uma massaroca completa que se o diretor conseguiu entender o roteiro para filmar tudo e a equipe de edição conseguiu finalizar, esses sim merecem o parabéns, pois tem de ter muita imaginação para encontrar o resultado final dessa soma. E por mais maluquice que possa ser imaginar tudo isso junto, a ideia completa acaba divertindo (claro que exigiríamos alguma moral maior, e Optimus Prime com suas grandes frases de efeito, e aquela voz forte, até nos entrega algumas, mas queríamos algo a mais nesse conceito) e quem for esperando isso vai gostar muito. Ainda acredito que Bay não vai largar o osso e fazer pelo menos mais um com a deixa final bem colocada na cena inter-créditos, mas vamos esperar pra ver a bilheteria, pois o gasto foi alto.

Sobre as atuações, é algo que pouco vemos nesse filme, afinal a maioria dos momentos só ficamos com as vozes dos robôs, não que isso seja ruim, muito pelo contrário, pois já estamos acostumados com o timbre de Peter Cullen com seu Optimus Prime impactante, Frank Welder com seu Megatron e diversos outros de bom tom, mas temos também os humanos perdidos que voam, levam tiros, fagulhas, caem, rolam e só têm leves ralados ou algum tiro superficial (leve spoiler: se um deles não morresse ia ficar muito bravo!), então vamos falar deles também. Começando pelo protagonista desde o último filme da série, Mark Wahlberg com seu Cade Yeager que foi até bem colocado, fez caras e bocas, e até diverte com seu personagem, mas em diversos momentos pareceu bem perdido para onde olhar, afinal como bem sabemos grava-se tudo sem os robôs, apenas olhando para referências e depois junta com a computação gráfica, e nas cenas finais aonde a ação explode mesmo, ele parecia um maluco olhando pra tudo quanto é lado, ou seja, sei que é difícil, mas poderia ser bem melhor. Laura Haddock ainda deve estar rindo de suas cenas como Viviane, pois já vi coisas absurdas no cinema, mas a ideia da concepção da personagem é algo que vai muito além, e se chegasse um roteiro desse naipe na mão de qualquer ator/atriz a pessoa só poderia rir de tanta maluquice, mas ela ao menos expressou alguma seriedade e fez bem seu papel. Josh Duhamel ficou de fora apenas do último filme com seu Lenoxx, participando desde o primeiro longa da franquia, e aqui voltou ao seu estilo G.I.Joe de ser e apareceu ao menos, não fazendo nada que fosse muito expressivo, mas também não errando. Anthony Hopkins sempre será um ator bem colocado, e mesmo que seu Edmund seja daqueles que estão apenas para montar o filme, ligando as partes, ele conseguiu chamar a atenção para si em diversas cenas bem encaixadas, agradando bem ao fazer jus ao seu salário no filme. A garotinha Isabela Moner deve ser mais usada no restante da franquia, pois aqui apareceu em alguns momentos bem jogados (alguns absurdíssimos como nas cenas finais), mas fez bem as caras expressivas ao menos. Dos demais, chega a ser piada, suas participações, então melhor nem falar nada, deixando como apenas um filme para vermos os robôs, e esquecer que tem humanos na trama.

Agora é fato que a qualidade visual da trama é algo inegável, e sempre vão colocar cada vez mais computação gráfica, criando mundos paralelos, muita destruição, cenários movimentando para todo lado e por aí vai, pois hoje é muito mais fácil de filmar com as câmeras super leves (ops, pausa aqui no texto, o longa foi filmado com câmeras Imax 3D que pesam muitos quilos, então não teve essa facilidade), ou seja, a arte gráfica até teve boas locações, cenários bem preparados para aparecer, mas certamente muitos dos atores nem viram nada do filme até assistir no cinema, pois gravaram em panos verdes para todo lado, pulando, gritando e por aí vai, para depois cair todo o trabalho magnífico dos artistas gráficos que fizeram robôs cada vez melhores em peças/detalhes, muitos efeitos especiais explodindo e voando coisas para todo lado, e uma cenografia melhor que a outra, desde as cenas nos diversos países (Cuba mais uma vez entrando pra Hollywood pela segunda vez em 1 ano apenas de abertura de mercado), passando pelas cenas no espaço, no fundo do mar, e claro na grande nave afundada maravilhosa, ou seja, um trabalho minucioso de muitos computadores que agradaram na medida. A fotografia ficou no limite do escuro, tendo muitas cores escuras para dar um tom mais dramático para muitas cenas, mas na maioria dos momentos cômicos o tom sempre puxava para uma gama mais alegre de objetos ao redor, dando uma média interessante de ver.

Agora faço até questão de colocar em um parágrafo a parte, pois já disse isso algumas vezes e volto a frisar, se vão nos entregar um longa em 3D, que filmem em 3D, pois a conversão na maioria das vezes fica ruim, ou até inexistente, e aqui quem for conferir vale muito ir na maior sala possível (como sempre recomendo a Imax, que em Ribeirão fica na rede UCI), pois são peças voando, faíscas pra todo lado, muita profundidade de campo, e uma percepção que quase coloca você junto dos robôs, e claro que se tenho de destacar algum momento, ficamos com as cenas finais de batalha, que ali é tiro, explosão, peças, robôs voando e tudo mais que se pensar, mas no fundo do mar, o resultado também ficou bem interessante com a tecnologia. Ou seja, se é pra pagar mais caro numa sessão 3D, esse é o que vale pela tecnologia.

Enfim, muitos vão odiar (sei disso) pela história fraquíssima e bagunçada, mas volto a pontuar que quem gosta de boa ação, e uma produção gigantesca, não tem como não se divertir com tudo o que o longa nos proporciona. Está longe de ser o meu estilo de filme preferido, tanto que muitos sabem o quanto odiava Transformers na época da faculdade, afinal história passa longe aqui, mas o último longa e esse me conquistaram pela tecnologia e pela grandiosidade cênica em si. Portanto, volto a falar isso, vá sem pretensões alguma, compre uma pipoca, e se divirta, pois é só isso que o longa vai trazer para você, quase 3 horas de muita ação e diversão (alguns absurdos gigantescos que você vai reclamar, bater na cabeça e sair inconformado - mas aqui vale a pena rir, pois é feito propositalmente) que vai fazer você passar seu tempo precioso numa boa sessão. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na próxima quinta com mais uma estreia aqui no interior, então abraços e até breve.

PS: não estou maluco com a nota, pois gostei muito do que vi, mesmo com a quantidade de absurdos!

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