Mulheres Divinas (Die göttliche Ordnung) (The Divine Order)

12/15/2017 02:36:00 AM |

O empoderamento feminino é algo que anda muito na moda atualmente, e com grande satisfação tem aparecido diversos filmes mostrando que bem lá trás muitas mulheres lutaram por direitos de uma forma bem difícil, e claro que usando de muitos bons argumentos ultimamente alguns filmes tem mostrado essas batalhas usando comicidade na medida e precisão para chamar a atenção sem apelar. E se em grandes centros as brigas eram fortes, com mulheres bem revolucionárias, dinâmicas impactantes, como foram nos pequenos centros, nos minúsculos e em aldeias? Já se perguntaram isso? Pois bem, não precisa perguntar mais, pois "Mulheres Divinas" nos entrega com muita personalidade, atuações fortes e muita clareza como aconteceu em uma pequenina aldeia no meio da Suíça, trabalhando mais a essência da revolução do que ela em si, e talvez seja esse o maior pecado de um filme que poderia ser chocante e forte caso quisesse trabalhar mais forte o drama das personagens ao invés de usar um lado mais cômico para que o filme não ficasse pesado.

O longa nos situa na Suíça, em 1971. A jovem dona de casa Nora vive com seu marido e seus dois filhos numa pequena aldeia. Até então sua vida era tranquila e não tinha sido afetada com as grandes revoltas sociais e o movimento de 1968, mas, é aí que Nora começa a fazer campanha pelo direito de voto das mulheres.

Na Mostra sempre é interessante que ver alguns diretores talentosos que surgem e que muitas vezes nunca vimos nenhum de seus trabalhos, e confesso que ao ver o estilo de Petra Volpe aqui fiquei curioso por outros trabalhos seus, pois a diretora não quis colocar firulas em sua trama, desenvolvendo de cara a personagem, uma dona de casa que quer trabalhar e seu marido detém o direito de deixar ou não, optando pela segunda opção quando lhe bate a revolta e começa a ir atrás de outros grupos em cidades maiores, para fazer o mesmo em sua cidadela, conhecendo assim outras mulheres fortes e conhecendo até mais ela mesmo. Ou seja, não temos um filme que enrola em conflitos paralelos, situações simples, e tudo mais, indo direto ao ponto, criando a ideia e a desenvolvendo com muita desenvoltura, e talvez só tenha pecado um pouco pela atriz não ser tão forte na expressividade, parecendo realmente terem pego uma dona de casa para fazer o longa como protagonista (o que não é o caso, pois já é uma atriz conceituada lá na Suíça!).

Talvez seja falta de assistir mais filmes suíços, mas a atriz Marie Leuenberger nos entregou uma Nora simpática, determinada e cheia de objetivos, mas que talvez tenha incorporado demais a personalidade simples e mesmo com um cabelo moderno ficou sempre dois passos atrás da câmera, com uma timidez estranha em que aparentava medo de estar fazendo tudo correto, coisa que uma protagonista mesmo simples não pode fazer, e assim acabou deixando o longa não tão impactante como poderia. Tanto a atriz foi fraca, que até mesmo a moderna italiana dona da pizzaria interpretada por Marta Zoffoli quase roubou a cena nas suas participações, sendo coerente nos diálogos e agradando bastante, mas ela foi quase, pois quem realmente detonou em cena foi Sibylle Brunner com sua Vroni, fazendo trejeitos, sendo sublime nas cenas e incorporando a personagem com maestria. Dos homens todos fizeram o ar mais machista possível, e acertaram em cheio com bons trejeitos, mas claro que o protagonista Maximilian Simonischek entregou um Hans na medida certa, e sua cena fazendo comida foi perfeita.

Dentro do conceito visual, sempre falo que se você precisa criar um longa de época recaia sobre uma vila, aonde tudo parece que parou no tempo e sua locação será perfeita, de modo que aqui realmente vemos os anos 70, com figurinos, cabelos, personalidades, objetos e tudo mais de cenografia que a equipe de arte pudesse compor, agradando e mostrando em detalhes tudo da revolução da época, ou seja, um grande acerto. A fotografia tentou sujar as imagens com ranhuras e raspagens dando um tom de filme velho, que com sombras escuras até ficou clássico demais, mas poderiam não ter usado tantos ruídos que a imagem mais limpa deixaria o longa mais bonito visualmente.

Enfim, é um filme bacana de época, com conteúdo e boa dinâmica entregue pela diretora, mas ainda assim poderia ser bem melhor se a protagonista assumisse realmente a força da trama e entregasse algo mais visceral realmente. Ainda assim, vale muito a conferida, principalmente por estarmos novamente em uma fase de lutas feministas, e que todos vejam como lá trás já se falava disso de maneira forte. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com o texto da grande estreia da semana, e no sábado volto a conferir mais longas da Mostra Internacional, então abraços e até breve.

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O Amante De Um Dia (L'Amant D'un Jour) (Lover For a Day)

12/15/2017 01:07:00 AM |

Diria que os franceses também sabem fazer novelões mexicanos/argentinos aonde a trama gira em torno de um ou mais personagens, com uma ideologia romantizada, porém dando leves pitadas machistas, outras sexistas, num clima noir todo em preto e branco e uma velocidade bem lenta para que o público se envolva na história e acabe se encontrando no que a trama deseja mostrar. Com isso em mente, não digo que "O Amante De Um Dia" seja um filme perfeito, pois cansa deveras com algo que de forma simples poderia ser muito melhor, mas também passa longe de ser algo ruim (como acontece com muitos filmes novelescos), pois a essência estética juntamente com o ar sexual que o diretor conseguiu imprimir acaba envolvendo e sendo satisfatório. Ou seja, é um filme razoável, que por pouco a filha do diretor não acabou estragando com uma atuação bem mediana depois de um começo lastimável aonde precisa aprender a chorar com urgência!

A história nos mostra que uma jovem acabou de tomar uma difícil decisão, mesmo com partes de sua mente negando a atitude. Isso porque, ainda ressentida com problemas do passado, ela acaba de retornar para viver com seu pai, após uma ruptura traumática tempo atrás. O problema é que, ao encontrá-lo, percebe que agora ele vive com uma mulher da mesma idade que ela.

Certamente a França é o país que mais oscila no estilo romantizado dos seus diretores, que enquanto uns pegam um tema e retorcem com doçura, outros acabam indo por um vértice mais estiloso e com nuances mais puxadas para o lado artístico antigo e que fazem de suas histórias mesmo curtas, um pano de fundo imenso para que tudo possa chamar atenção. E se tem alguém que faz muito isso é a família Garrel, que aqui com Philippe Garrel dirigindo e roteirizando e sua filha Esther interpretando a protagonista, temos um longa que vai permear as mentes e entregar uma história "romântica" de sofrimento por amor, e claro sexo desenfreado. Não posso dizer que o estilo de Philippe seja o mais adequado para a trama, pois talvez pudesse desenvolver a arte de uma outra forma, talvez contrapondo mais as mulheres, e problematizando mais os homens também, mas acabou simples demais, e alongado demais, de modo que seus 76 minutos parecem muito maiores do que são, ou seja, cansou aonde poderia agradar.

Sobre as atuações, tivemos praticamente um misto de bons e maus momentos de todos os protagonistas, começando por Esther Garrel com seu choro de nível mais amador impossível logo no começo da trama com sua Jeanne, e depois sua tentativa de suicídio meio que falseada, mas nas cenas com diálogos, a jovem conseguiu demonstrar uma dinâmica bem colocada e agradar com um semblante bem marcado. Éric Caravaca trabalhou seu Gilles bem encaixado num estilo de pai perdido com amante amoroso demais, e com isso ficamos na dúvida de até onde sua personalidade poderia chegar. Louise Chevillote trabalhou sua Ariane de um modo bem moderno cheio de instintos, misturando até um ar materno em algumas cenas para com uma garota da mesma idade, e com isso foi ousada e certeira até mais da metade do filme, mas não encontrou um final mais convincente e acabou fraca. E quanto os demais, a maioria foi só romance e relação rápida mesmo.

As locações foram simples, mas efetivas para o momento da trama, de modo que nem notamos muitos detalhes nisso, deixando que o texto falasse sozinho e a fotografia dominasse em cena, ou seja, a equipe de arte praticamente não precisou trabalhar. Agora quanto da fotografia, o uso de preto e branco foi algo mais como estética para criar o ar noir romanceado, usando algumas ranhuras e sujeiras para dar um estilo mais antigo para a trama, deixando sim o filme bonito visualmente, mas nada que impressionasse de técnicas de contraluzes, sombras e tudo mais, ficando quase algo mais convertido do que realmente filmado em preto e branco.

Enfim, é um filme curto, mas que entrega bem o material proposto, e talvez alguns leves macetes e melhores atores trariam para o filme um vértice bem diferenciado que agradaria bem mais. Volto a falar que não é ruim, apenas poderia ser bem melhor. Recomendo ele com ressalvas do ritmo um pouco lento para algo que arde com as paixões e sofrimentos, mas com certeza conheço muitos que vão gostar do estilo entregue. Bem fico por aqui por agora, mas volto em breve já com o outro texto da noite, então abraços e até logo mais.

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The Square - A Arte Da Discórdia

12/14/2017 02:56:00 AM |

Muito casualmente ficamos na dúvida de como classificamos e até analisamos uma exposição de arte moderna, e principalmente o que o artista desejava passar para o público (ou para ele mesmo) quando criou a sua obra. Da mesma forma também ficamos pensando se tudo o que está em um museu é arte, ou seja, como dito logo na primeira cena do filme "The Square - A Arte Da Discórdia" se você largar sua bolsa dentro de um museu, ela passará a ser uma obra do museu? Pois bem, isso pode gerar muitas discussões, mas assim como o protagonista encerra sua entrevista falando para a repórter se ela entendeu parte do que havia escrito em seu site, também ficamos com isso em mente, mas serve para mostrar a ênfase que o diretor irá dar em sua obra, pois com uma nova exposição prestes a ser lançada no museu, a explicação do que a artista queria que sua obra transcendesse vai ser refletida em inúmeras formas na vida e nas atitudes do protagonista, o que praticamente um cego conseguirá ver a ideia impregnada na tela, abstraindo que o quadrado, ou melhor, o meio que você está inserido em determinado momento determina suas regras, leis, efeitos e tudo mais ao seu redor, tendo deveras consequências, e você deve estar disposto a enfrentá-las. Ou seja, um filme bem reflexivo, que cansa por ficar batendo na mesma tecla por diversas maneiras, mas que ao saber transformar muito bem alguns momentos acaba sendo ao menos divertido e até didático para explicar arte para algumas pessoas. Sei que muitos vão gostar do que verão, outros odiarão completamente, e terá também aqueles que como eu, verá pontos fortes misturados com fraquezas, que se cortassem metade do filme deixando ele com 100 minutos no máximo, seria perfeito!

O filme conta a história de Christian, respeitado diretor de um museu de arte contemporânea de Estocolmo que se envolve em situações inesperadas após o roubo de seu celular. Enquanto isso, Christian se prepara para receber uma nova exposição: The Square, cuja proposta é convidar os visitantes a refletir sobre seu papel como seres humanos responsáveis e altruístas. Porém, a inesperada campanha de divulgação da instalação acaba provocando resultados desastrosos.

O cinema do diretor Ruben Östlund é algo que sempre faz refletir na essência que deseja passar, mas também trabalha muito a contravenção, usando de artifícios fortes, que provoquem o inusitado nas pessoas, mas sem que tire a graça ou a dramaticidade que deseja em suas cenas. Dito isso, quem viu "Força Maior", seu longa anterior, vai até ver trâmites bem semelhantes de discussões nesse novo longa, mas aqui a discussão de "ser humano" como deve ser visto e "arte" como deve ser discutido é tão forte, que acabamos pensando demais e curtindo de menos o trabalho todo, de modo que a trama fica parecendo arrastada, mas que vai sim entrar em nossa mente e fazer refletir sobre diversas atitudes. Ou seja, ele atinge seu objetivo como arco reflexivo que sempre muitos diretores/roteiristas preferem trabalhar em longas mais artísticos. Volto a frisar que removeria ao menos umas 5 a 6 cenas deixando ele mais comercial, interessante e que manteria o mesmo traço da ideia original, mas não ganharia a Palma de Ouro em Cannes.

Sobre as interpretações, posso dizer que todos fluíram com seus personagens, alguns secundários exageraram demais, quase assumindo a personalidade máxima, mas que com certeza o protagonista foi escolhido a dedo, de modo que Claes Bang dá um show como curador do museu, e mais do que fazendo a personificação de pessoas desse estilo, e deu um show como ser humano que sofre e age fronte a diversas situações casuais (algumas nem tão casuais) com seu Christian, ou seja, arrasou. Dos demais, vale leves pontuações para o dublê de macacos em todos os filmes hollywoodianos Terry Notary que aqui faz Oleg, um homem macaco, e a participação de Elisabeth Moss como Anne, numa das cenas mais bizarras de sexo que já vi ultimamente no cinema, e claro depois com a tradicional DR do dia/mês seguinte.

No conceito visual, escolheram um museu muito imponente, obras completamente bizarras (mas que certamente todo museu moderno tem!), locações fortes como o apartamento do protagonista lotado de espelhos para manter seu ego nas alturas, um prédio singelo, mas pobre de conceito para poder fazer um certo preconceito com prédios populares, e muitos objetos pontuais para criação, como por exemplo o vídeo de divulgação mais maluco dos últimos anos, mas que ficou incrível.

Enfim, é um filme de conceito interessante, mas que vai agradar mais quem curte realmente longas mais artísticos, e quem preferir algo mais dinâmico acabará sim vendo boas cenas, mas que após muita martelação teorizada sobre o tema acabará cansado com o que estará vendo na tela. Friso que vale ver a trama pelas mensagens passadas do meio em que vivemos, atitudes que temos e tudo mais, mas que talvez em casa acelerando seja bem melhor. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais longas da Mostra Internacional, então abraços e até breve.

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De Encontro Com a Vida (Mein Blind Date mit dem Leben)

12/14/2017 01:29:00 AM |

Embora a trama do filme "De Encontro Com a Vida" possa ser bem singela, a condução narrativa do filme alemão é tão bem feita que acabamos nos envolvendo com os personagens, nos emocionando claro com o final (afinal toda boa comédia dramática romantizada tem de ter um fechamento que emocione o público) e com o devido carisma de perseverança do personagem principal (que é baseado em fatos reais, ou seja, existiu um maluco como ele!) acabamos vendo que sempre reclamamos de barriga cheia, enquanto muitos estão dando seu máximo para conseguir o que querem, e aqui tudo ficou incrível de ver realmente.

O filme nos conta que Saliya ficou parcialmente cego quando adolescente. Apesar disso, não desistiu do seu sonho de trabalhar em um hotel de luxo. Sem contar a ninguém que mal vê, o rapaz consegue um estágio no hotel mais conceituado de Munique. No entanto, quando Saliya se apaixona por Laura, seu plano, cuidadosamente elaborado, começa a desmoronar.

Não lembro de ter visto nenhum outro filme do diretor Marc Rothermund, mas depois de ver a forma singela que conseguiu capturar uma trama que possivelmente muitos colocariam como um drama de superação, e aqui ele quase transformou numa comédia mais crua, certamente irei procurar ver outros longas dele. E digo isso sabendo que conseguir passar nos diversos testes de aptidão dentro de um hotel classe normal já é algo dificílimo, imagina em um hotel de luxo, aonde a pessoa precisa passar por diversos setores, nada fácil de imaginar, então incremente a ideia de não enxergar praticamente nada!! Ou seja, algo completamente maluco, que a história baseada num senhor hoje que realmente chama Saliya, que não tem o ar galanteador do protagonista, e que foi contado brilhantemente com muita doçura, mas também impacto nas cenas que precisaram mostrar a realidade que acaba acontecendo com quem mente muito. Diria que o diretor até dosou pouco o romance do jovem com a garota que nem está no poster, mas até que a essência romantizada da família ficou interessante de ver.

Quanto das atuações temos de pontuar que Kostja Ullmann foi tão bem encaixado no papel de Sali, tendo boas dinâmicas com o amigo de toda hora Max (brilhantemente interpretado por Jacob Matschenz), trabalhou bem as cenas românticas com um sorriso incrível junto de Laura (que Anna Maria Mühe poderia ter feito mais agradável!), teve uma conexão carinhosa com Hamid (muito bem colocado por Kida Khodr Ramadan) para que ele conseguisse seu objetivo e sendo assim o resultado completo do garoto só não foi melhor por algumas cenas ele ter abusado de trejeitos e exagerado em algumas cenas parecendo até estar enxergando mais do que poderia, ou seja, ficou um pouco falso nesse quesito. Quanto dos demais personagens, só temos de falar do estilo forte e exigente que Johann von Bülow deu para seu Kleinshmidt, que acabou sendo certeiro para que o filme tivesse toda a dramaticidade necessária.

A locação escolhida também foi de um luxo ímpar, agradando demais para que todos conhecessem os bastidores de um hotel de luxo, e ainda tivesse todos os obstáculos e objetos cênicos para que víssemos o sofrimento do personagem principal, e com essa forma visceral da equipe de arte, que claro escolheu bem o hotel para não necessitar criar praticamente nada, o resultado ficou incrível. A fotografia brincou bastante com borrões para nos mostrar a visão do protagonista, mas poderiam ter exagerado menos nessas cenas, pois já no começo sabemos como ele enxerga, não precisando frisar isso a todo momento.

Enfim, é um filme doce, mas bem impactante, que acerta na condução do personagem e mostra que com muita garra, um problema pode ser apenas um obstáculo a ser superado, e com isso a mensagem acaba sendo maravilhosa. Recomendo que todos vejam para enxergar essa mensagem, se divertir com as situações, e também se emocionar com a superação que foi essa história real. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas logo em seguida posto a sobre o outro filme visto hoje na Mostra Internacional, então abraços e até breve.

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Visages, Villages (Faces, Places)

12/13/2017 01:48:00 AM |

Se tem um gênero que não me sinto tão à vontade de escrever é o documental, pois na maioria das vezes vemos tantos documentários jornalísticos que trabalham o tema quase como uma entrevista sobre o tema, com opiniões formadas de perguntas formatadas, que acaba mais cansando ou soando informativo do que como um filme realmente, porém hoje fui tão surpreendido com "Visages, Villages", que por bem pouco não concordo em 100% com os dizeres no topo do pôster, pois não digo ser o melhor filme do ano, mas o melhor documentário com toda certeza assino embaixo, pois é uma delícia assistir a trama, ir vivenciando os lugares que os diretores/protagonistas vão passando, as impressões mágicas e enormes feitas por JR, a personalidade e escolha de ângulos de Varda, e a leveza que os dois lidam com os costumes do interior, com as pessoas, e até mesmo entre eles, afinal a diferença de idade e pensamentos entre os dois é imensa, mas acaba sendo um casamento e tendo uma química tão grande de quase neto/avó. Ou seja, vamos acompanhando cada detalhe como algo único, afinal como JR fala em determinado momento suas imagens são únicas, já que sempre será novos personagens, e rápidos, pois o tempo pode apagar essa impressão em horas, mas certamente quem conferir o longa não irá esquecer essa imagem tão brevemente, afinal é algo que realmente marca.

O documentário retrata uma experiência fotográfica e cinematográfica de duas grandes pessoas conhecidas por questionarem a cultura da exibição das imagens: Agnès Varda, cineasta, e JR, fotógrafo e criador de galerias e exposições fotográficas ao ar livre. Juntos, viajam por algumas regiões da França, bem longe dos centros urbados, com um caminhão que captura imagens de forma mágica.

Passaria a noite tecendo elogios ao que a dupla Varda e JR fizeram com sua trama, criando situações que às vezes pareciam ensaiadas, outras mais descontraídas, mas sempre trabalhando a essência de conhecer vilas interioranas quase abandonadas, as pessoas dali, seus costumes, o que achavam de virar famosos momentaneamente com as impressões de JR em seu carro (e que impressora é essa!!! Fazendo diversos impressos imensos que recortados e colados viravam parte da paisagem da vila!), e com muita dinâmica foram contando suas histórias, os problemas de saúde que Varda passa (afinal 89 anos e ainda dirigindo filmes não é pra muitos!!), como imaginam as cores, como ela captou diversos momentos no passado, e com isso vamos acompanhando quase que como um bate-papo gostoso e interativo, que por vezes já nos víamos até respondendo junto, ou seja, algo que ao menos eu nunca vi no cinema documental, e com isso já posso colocar esse como meu documentário favorito.

A forma da imagem foi bem construída usando muito simbolismo nas locações e nas pessoas de cada lugar que foram, criando as situações sozinhas como em um road-movie despreparado, mas que na montagem acabou tendo uma ordem bem seguida, e isso embora muitos possam achar desagradável, soou lindo de ver, e a cada um que passava pelas câmeras nos deixava com muita vontade de conhecer suas histórias, seja pelas mulheres dos estivadores, pelo cara que toca os sinos da cidade, pelo carteiro que também é pintor, pelo senhor de rua que vive colecionando tampinhas e montou seu próprio mundo, pela garçonete tímida, pela senhora filha de mineiros que não saiu da vila, e por aí vai. E até mesmo o fechamento um pouco triste pela situação que Jean-Luc Godard acabou causando, mas que simbolicamente funcionou para o desfecho da história da forma como deveria, ou seja, pode até ser que tenha sido ensaiado esse momento, mas encheu nossos olhos de lágrimas, até mesmo não sabendo da vida pessoal da diretora e quem era Jacques Deny, seu marido falecido.

A trama foi sendo dimensionada com muito colorido, impressões em preto e branco, juntamente com uma fotografia cheia de ângulos e vivências, e aliado a tudo isso uma trilha sonora tão leve e simbólica que nos permeia a entrar na ideia do filme e fazer com que o tempo voe na sala do cinema, e isso é algo que poucos filmes conseguem.

Enfim, é algo que recomendo demais, que vai trazer uma doçura imensa ao ver a relação entre os protagonistas, e que mais do que algo sendo documentado, vai mostrar algo sendo vivido e que vai valer a conferida. Espero que seja lançado comercialmente para que todos possam ver, pois sei de muitos que não puderam ir na Mostra Internacional hoje e que vão se apaixonar pelo longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dois filmes da Mostra que está sendo exibida em diversas cidades pelo SESC e aqui em Ribeirão Preto está ocorrendo no Teatro Minaz. Abraços e até breve.

PS: Pensei em dar 9 coelhos por certos exageros de parecer natural, algumas coisas artificiais, mas saí encantado com o que vi e não tenho como remover nota dessa beleza!

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24 Frames

12/13/2017 12:04:00 AM |

Me desculpem os fãs do estilo, mas "24 Frames" nada mais é do que um exercício audiovisual que qualquer um (repito QUALQUER) com uma câmera e tempo faria, de modo que ao passar os créditos com uma tonelada de pessoas, fiquei pensando como é fácil gastar dinheiro e cansar as pessoas que vão à uma mostra conferir isso que foi entregue. Não digo que algumas cenas tenham ficado bem bonitas de se ver, com uma estética visual interessante, mas passar 2 horas vendo 24 cenas estáticas que vão ganhando movimento com elementos, animais, etc., é um abuso cansativo que só não fui embora por ser o primeiro filme do dia, e que teria de esperar mesmo pelo próximo, mas confesso que se fosse o segundo, no 6º frame já teria pego o carro e zarpado. Ou seja, se você tiver muita (repito MUITA) paciência, até vale assistir em casa acelerando cada frame para ser visto em 1 minuto no máximo, que daí teríamos um curta-metragem muito bom, e só, do resto não caia na besteira de ir em um cinema conferir ele inteiro.

O filme nos mostra que nos últimos cinco anos de sua vida, o cineasta Abbas Kiarostami se dedicou à produção de breves frames, cada um em torno de cinco minutos de duração, onde trazia vida a imagens e fotos pré-estabelecidas. É a partir do inusitado e da sutileza das mudanças que o diretor busca acompanhar traços da natureza e, em alguns casos, estabelecê-los com a cultura produzida pelo homem.

Volto a frisar que a ideia em si é interessante, no primeiro frame achamos lindo as coisas do quadro irem se mexendo aos poucos, e depois tudo ir cadenciando tendo muita vida, e mesmo cansando quase 5 minutos vendo a mesma coisa até vai, daí no segundo frame já começa a ficar chato e o barulho vai dando um pouco de sono, no terceiro já vira um incomodo gigantesco, e daí só vai piorando, até chegarmos à cópula de um leão, nem lembro em qual frame, que dá uma leve acordada com os raios da chuva piscando a tela, mas logo em sequência começa mais e mais frames envolvendo neve, mar, pássaros e mais pássaros, e se alguém falar que conseguiu ver tudo sem dar cochiladas e/ou mexer no celular durante toda a projeção, confesso que podemos chamar essa pessoa de herói.

Sabemos que as obras de Kiarostami sempre foram controversas, experimentais e cheias de expressividade e simbolismo, mas aqui como opinião pessoal posso falar que ainda bem que não está mais entre nós, pois vai saber o que faria após essa tortura imensa, que ao menos é muito bem fotografada e bonita de ver (um pouco mais rápido pelo menos!).

Bem é isso, não vou me enrolar falando o quanto foi cansativo para mim, e para mais vários que perguntei após a sessão, ou seja, não estou sendo chato, apenas estou compartilhando o que outros também acharam. Fico por aqui agora, mas já na sequência estarei com o texto do outro filme da Mostra Internacional, que aí sim foi algo maravilhoso de conferir! Abraços e até logo mais.

PS: 1 coelho pelo visual maravilhoso da maioria das cenas + 1 coelho pela composição cênica fotografada, e nada mais.

PS2: Não localizei nenhum trailer, afinal nem dá para fazer trailer de algo assim, então, fica apenas a nota mesmo abaixo.

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Altas Expectativas

12/10/2017 11:02:00 PM |

Essa semana basicamente está sendo um teste para vermos os diversos estilos de comédia no cinema, desde o mais escrachado, passando pelo exagerado sujo, e terminando com o romantizado, que por vezes acaba sendo o mais desprezado dentro do cinema nacional, mas que ao trabalhar com muita sutileza uma mistura quase novelesca com comédia stand up, o resultado de "Altas Expectativas" conseguiu ser singelo e gostoso de acompanhar, e que mesmo falhando principalmente no quesito expressividade, consegue agradar e entregar algo bonito ao menos, mostrando como foi, de maneira adaptada, a relação inicial de Gigante Léo com Carolina Portela. Ou seja, um filme leve que mesmo com muita simplicidade conseguiu transmitir uma beleza romantizada e divertida, mas que poderia muito mais se não tivessem trabalhado tanto nos cortes mistos entre filme e show do Leo, que aí sim teríamos algo muito melhor.

A sinopse nos conta que Décio, um treinador que trabalha no Jockey Club Brasileiro, se apaixona à primeira vista por Lena, uma jovem que recebeu como herança um empreendimento endividado no clube. Tímido, ele não tem coragem de se declarar, mas acaba sendo convencido por amigos a se aproximar pelo humor, fazendo a melancólica moça aprender a sorrir.

O trabalho feito pelos diretores Pedro Antonio (que já mostrou uma mão bem singela com "Um Tio Quase Perfeito") e Alvaro Campos (que fez o curta em que o longa é baseado "Leo e Carol") mostrou que nem sempre é preciso exagerar para divertir, pois alguns romances já soam engraçados pelo estilo, e sabendo trabalhar o momento, com uma ideia fixada, o resultado de algumas sutilezas resultam em um bom filme. Claro que há estilos e formas, e algumas vezes a trama quase raspou de virar um novelão, com muitas esquetes soltas e personagens tendo momentos separados, mas souberam controlar tudo e no final o resultado acabou soando bonito e interessante. Claro que como disse, a edição não ajudou o longa a ficar mais perfeito, pois todos sabemos que Leo é humorista stand up e tem um show bem bacana, mas ficar colocando a todo momento seu show de piadas no meio da trama acabou deixando quebras demais, o que nem sempre é bom para um filme, mas é apenas um defeito no meio de muitas coisas boas que o longa conseguiu mostrar, então para quem não se incomodar com isso, passará bem batido.

Talvez o maior problema da trama tenha ficado a cargo das interpretações, pois como falei Gigante Leo, ou Leonardo Reis, é um humorista e não ator, de maneira que seu Décio ficou faltando para chamar atenção, trabalhando sempre com um olhar triste e determinando sua condição com falhas, mas que até funcionam para o personagem que é ele próprio, ou seja, embora correto a postura para com seu personagem, o resultado acaba soando cansativo de ver. Da mesma forma, a melancolia exagerada de Camila Márdila como Lena é algo que por bem pouco não transformou a trama num drama de nível para lavar as salas de cinema, e esse estilo de personagem, mesmo que funcional para o resultado de um filme é algo que poucas atrizes dominam, e assim sendo poderiam ter melhorado um pouco mais sua empolgação nas cenas que pudessem fazer isso. Agora se tem alguém que caiu como uma luva no personagem foi Felipe Abib que fez de seu Tassius um ícone expressivo, e ainda com um texto perfeito para explicitar o que é fazer rir, o que é comédia, e muito mais sempre bem dinâmico acabou sendo daqueles que merecem muitos aplausos. Milhem Cortaz sempre se encaixa na personalidade que lhe entregarem, mas aqui seu Flávio é daqueles que desejamos arremessar de um prédio sem esforço algum, unindo arrogância com pretensão acabou quase sendo o vilão da trama, e como sempre fez bem isso. Maria Eduarda Carvalho deu um tom bem maluco para sua Lia, e encaixou bem suas cenas com os demais protagonistas para que o resultado fluísse de maneira natural, mas ficou amalucada demais para isso, e por diversas vezes seus exageros mais assustam do que empolgam.

O conceito visual da trama foi bem simples, mas escolhido como pano de fundo, o Jockey Club Brasileiro foi bem usado, com suas instalações funcionando de encaixe para tudo, com o café simples, mas bem a cara da protagonista, uma sala pequena e cheia de detalhes para o outro protagonista, um quarto adaptado para o tamanho de Leo, um bar de stand up simples e criativo, e com isso, a equipe de arte foi singela, mas trabalhando para chamar a atenção nos mínimos detalhes, acertando dessa forma.

Enfim, um filme doce e gostoso (infelizmente não achei a trilha para compartilhar com vocês, mas é uma delícia de ouvir), que poderia ter alcançado algo muito maior se quisessem, trabalhando talvez com outros atores, ousando em alguns detalhes, e tirando talvez o show do Leo no meio do filme, deixando somente para as cenas finais, pois aí sim o resultado seria perfeito. Mas dentre as comédias nacionais do ano, essa é uma que quem gostar de romances leves, deve com certeza conferir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na terça com o primeiro texto dos filmes da Mostra Internacional, então abraços e até breve.

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Os Parças

12/10/2017 03:07:00 AM |

Ontem falei sobre como o forçar a barra para rir é complicado, pois muitas vezes funciona e diverte, e em outras chega a ser decepcionante, de maneira que acaba soando a falha no ar, e o público as vezes fica pensando: devo rir? Pois bem, dito isso, junte um dos maiores comediantes do Brasil no passado, com um comediante moderno da internet, coloque alguém que se ache engraçado, e o filho de um comediante que também faz graça, e pronto você tem a comédia mais exagerada dos últimos tempos no Brasil, que se denomina "Os Parças", e se olharmos a fundo no roteiro, a trama possui uma essência boa para divertir, um mote tradicionalmente forte de picaretagem unida de muito golpismo (duas especialidades nacionais), e claro um diretor que fez sucesso por trabalhar um ar diferenciado dentro da comédia forçada no país, ou seja, tinha tudo para que o filme fosse algo ao menos engraçado, mas rimos somente em pouquíssimas cenas bobas, e o restante chega a ser triste de ver na telona, ou seja, um desastre nacional.

A trama nos conta que chantageados e enganados por um ambicioso trambiqueiro, Toinho, Ray Van, Pilôra e Romeu precisam organizar uma festa inesquecível de casamento sem nenhum dinheiro no bolso. Caso falhem, terão que lidar com o maior contrabandista da famosa rua 25 de Março em São Paulo, que é também o pai da noiva.

Confesso que esperava algo bem melhor vindo de Halder Gomes, pois seu "Cine Holliúdi" foi algo muito bacana de conferir no cinema, e como disse no começo do texto, no elenco tinha a promessa cômica do ano juntamente com alguém que sabe ser engraçado, ou seja, o sucesso estava fácil de acontecer e ser desenhado na telona, mas com um começo acelerado, um miolo bagunçado, e um fechamento exagerado, tivemos um resultado destroçado que até faz rir em alguns momentos, mas no restante só nos vemos com a expressão de indignação pelo que estamos vendo na tela, e isso já disse outras vezes é pior do que ter falhas técnicas em um filme. Ou seja, o diretor até tentou trabalhar sacadas de seu "cearencês", colocou diversos personagens de Tom Cavalcante na trama, mas faltou quebrar o roteiro melhor e casar realmente tudo como poderia ser, funcionando como uma comédia realmente, e não uma bagunça de esquetes jogadas dentro de um filme.

É interessante ver que mesmo com grande sucesso na TV e nos palcos, Tom Cavalcante sempre fugiu do cinema, e talvez vá precisar de mais um tempo para que acertem um personagem icônico que marque seu estilo de muitas faces, pois aqui seu Toinho até teve boas cenas, e claro que ele puxou a responsabilidade para si, mas seu personagem ficou muito caricato dentro de todas suas características, e com isso acabou falhando mais do que acertando. Whindersson Nunes possui uma legião de fãs de suas esquetes online, e algumas que vi foram realmente muito divertidas, outras nem tanto, mas aqui ele ficou muito jogado de canto com seu Ray Van, tendo até boas sacadas principalmente nos momentos que se fantasiou, e talvez essa seja a grande jogada caso façam mais algum filme com ele, que não deixe seu personagem ser um personagem apenas, mas vários para aí sim ele poder mostrar seu potencial real. Tirullipa é e sempre será um exagero em cima de outro, e aqui seu Pilôra fica preso nessa repetição sem conseguir trabalhar uma expressão que seja sem ser exagerada, ou seja, falha demais. E precisavam de um bobalhão que pudesse causar algo romantizado na trama, e para que não destoasse muito do grupo escolheram o grande nome de Bruno de Luca, que já fez de tudo um pouco na vida de ator, mas que dificilmente consegue chamar atenção, e aqui seu Romeu parecia mais perdido em cena que tudo, pois não sabia se era pilantra ou apaixonado, e assim ficou até o fim do filme. Dos vilões/picaretas da trama, Oscar Magrini apareceu no começo, sumiu, voltou para o final e sumiu novamente, ou seja, ainda devem estar procurando ele para pagar o cachê, pois seu Mário ficou caricato, mas pouco trabalhou. E Taumaturgo Ferreira é um ator que certamente podem sempre chamar para papéis de personagens maus, pois sua cara é desse estilo, e até fez boas cenas, mas nada que chegasse a impressionar. Das mulheres, vale um leve destaque para Paloma Bernardi que realmente sofreu para não rir em muitas cenas, pois todas as melhores cenas com piadas prontas aconteceram na sua presença, e com isso para uma atriz normal, ficar no meio do fogo cruzado de humoristas é algo difícil de segurar.

O conceito visual foi escolhido a dedo, pois picaretagem, ricos metidos a achar que sabem tudo, e grande antro da imigração nortista é claro que tem de ser a Grande São Paulo, e claro junto disso a Rua 25 de Março, e com isso em mente, a equipe de arte soube escolher boas locações com precisão para trabalhar a vivência dos personagens, e claro escolher figurinos chamativos, penteados exagerados e muita coisa que pudesse simbolizar o casamento dentro desse "ajuntamento de coisas", ou seja, um trabalho visual que mostrou a que veio. A fotografia do longa poderia ter trabalhado uma paleta de cores mais alegres para divertir mais, mas como estamos falando de casamentos, o resultado até ficou bem chamativo.

Enfim, é um filme bem mediano que falhou principalmente em exagerar em tudo, não deixando acontecer realmente, optando pelo riso fácil, e com isso, só quem for realmente fã de longas forçados é capaz de rir mais do que nas poucas cenas engraçadas que já foram mostradas no trailer. Ou seja, não tenho como recomendar a trama para ninguém que goste realmente de uma boa comédia, deixando isso apenas para quem for já pronto para ver exageros e mais exageros na tela. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais uma estreia nacional, então abraços e até breve.

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As Aventuras de Tadeo 2: O Segredo do Rei Midas (Tadeo Jones 2: El secreto del Rey Midas) (Tad Jones: The Hero Returns)

12/09/2017 07:48:00 PM |

Manter a essência, essa é a principal ideia que se deve ter em mente quando se faz uma continuação no cinema, mas claro sempre pontuando com coisas novas para que o público cresça se divertindo com os personagens conhecidos, incorpore novos e claro entre na aventura! E usando bem dessa ideologia, "As Aventuras de Tadeo 2: O Segredo do Rei Midas" seguiu bem a linha do seu antecessor de 2013 e com os personagens mais malucos seguiu uma ótima aventura pela Espanha e Turquia para encontrar o colar do rei, e juntando boas ideias, bons personagens e muita diversão, a trama de Enrique Gato só não foi melhor por deixar de lado os dois bons personagens do primeiro filme (o papagaio mudo e seu cachorro Jef), mas de resto é animação do começo ao fim, com boas dinâmicas e que agrada muito na modelagem dos personagens, divertindo os adultos com a história e os pequenos com as muitas cores.

O filme nos mostra que Tadeo, pedreiro e aspirante a arqueólogo, é muito aventureiro e sempre se mete em grandes aventuras. Quando ele descobre que o colar do rei Midas, que transformava tudo que tocava em ouro, existiu de verdade, ele logo sai numa jornada com seus amigos rumo a Los Angeles. Mas um problema surge quando Sara, uma de suas amigas, desaparece misteriosamente.

É engraçado ver o primor técnico nos três trabalhos do diretor Enrique Gato, pois quando vamos ver animações, queremos ver diversão, alegria e bons personagens, não ligando tanto para cenários bem desenhados, personagens modelados com muitos detalhes, e principalmente que pareçam desenhos (sim, não sou favorável de animações que os personagens parecem humanos em filmes), ou seja, algo que os pais levem seus filhos ao cinema e se divirtam, e aqui além disso tudo, o diretor sempre procura colocar uma história de aventura bem colocada, intrigante e com dinâmica precisa para que os elementos se encaixem e se desenvolva, e com isso em mente, chega a ser difícil não sair feliz com tudo o que é mostrado nessa nova trama (só vou reclamar do exagero sonoro da Múmia ficar falando a cada 5 palavras, a palavra "maneiro", que cansa demais!!) e com isso o resultado acaba bem empolgante do começo ao fim, trabalhando na medida certa os detalhes com a história e adicionando a tudo isso um visual preciso, cheio de elementos cênicos e que surpreende bastante.

Diria que o personagem Tadeo se comprado por uma grande empresa viraria um sucesso imenso, pois é tão cômico, cheio de personalidade, com um humor próprio e muita habilidade para fazer uma série imensa de filmes, desenhos para a TV e muitos apetrechos de jogos, só não é maior por ser espanhol e o foco ficar meio para trás nessa ideologia, mas que deveriam investir nisso, com certeza deveriam, e claro mantendo essa boa dinâmica do personagem, teremos mais bons filmes de investigação com muita aventura pela frente. Sara é a versão Lara Croft de animação deles, com grande sabedoria, investigação em arqueologia, e souberam dosar muitas expressões para que não ficasse fadada apenas ao romance com o protagonista, o que deu um bom charme para tudo. Como disse no começo, foi uma pena não ter trabalhado mais o papagaio mudo vermelho, pois suas plaquinhas no primeiro filme foram hilárias, e aqui só usou umas 2 ou 3 vezes, o que acabou soando bem fraco, porém em compensação arrumaram a Múmia que terminou o primeiro filme para ser o ponto cômico dessa vez, e assim sendo a diversão foi na medida certa com vários trejeitos, figurinos e funcionando do começo ao fim, mesmo com o "maneiro" falado em demasia. Quanto do vilão, criaram alguém bem imponente, com falas fortes, e claro com auxiliares bem bobos, mas que no contexto geral aparentavam ser malvados, e funcionaram dentro da proposta. A dublagem em momento algum foi cansativa, o que é um ótimo agrado, e tirando o "maneiro", não abusou de gírias, nem de apelos auditivos.

Como já disse, o primor técnico é algo que aqui se vê em detalhes, com cenários bem coloridos e colocados na medida certa para chamar a atenção, usando muitos objetos cênicos para dar o contexto correto na história e claro com tudo funcionando como armas para os mocinhos tacarem nos vilões, só achei estranho (ao menos na pré-estreia) o longa não ter vindo em 3D, pois é notável os diversos momentos que a tecnologia funcionaria, mas como não vi dessa forma não vou opinar se realmente funcionou, veremos se no dia 21/12 quando estrear virá!

Enfim, é um filme curto (apenas 85 minutos), que diverte e funciona bem dentro da proposta que desejaram seguir, mas como disse possui muita história, e talvez os pequeninos se dispersem um pouco, mesmo tendo muitas cores e personagens para se conectar, mas vale bastante a conferida pela diversão entregue. Diria que ficou bom, mas um pouco abaixo do primeiro filme, e sendo assim vou dar um coelho a menos de nota, mesmo recomendando ele para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até breve.

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Perfeita é a Mãe 2 (A Bad Moms Christmas)

12/09/2017 02:35:00 AM |

Costumo dizer que se uma comédia faz rir ela já cumpriu com pelo menos 50% do seu objetivo, e se você gosta de piadas ácidas sobre relacionamentos entre mães e filhas, certamente vai se divertir bastante com o estilo de "Perfeita é a Mãe 2" mesmo que para isso a equipe tenha necessitado apelar do começo ao fim, dando uma leve pausa no segundo ato para dramatizar/polemizar a situação e ter uma quebra de ritmo para poder finalizar a trama, porém ainda assim soa divertido e consegue encerrar bem. Não digo que seja a melhor comédia do ano, pois também costumo dizer que forçar a barra para que o público dê risada é o argumento de ator que não é humorista, e sendo assim, poderiam ter sido mais originais em alguns momentos sem apelação que ainda assim conseguiriam divertir o público. Ou seja, é um filme bem tosco, que acaba ficando engraçado em boas cenas, mas que acabou usando da mesma fórmula do primeiro filme, porém apelando um pouco mais, e com isso até divertindo mais.

O longa nos conta que sobrecarregadas pelas exigências natalinas, Amy, Kiki e Carla são surpreendidas por inesperadas visitas de suas respectivas mães dias antes do 25 de dezembro. Cada qual à sua maneira, Ruth, Sandy e Isis abalam emocionalmente as herdeiras e deixam a naturalmente estressante época ainda mais difícil, induzindo novos atos de rebeldia por parte das imperfeitas mamães.

Após fazerem um bom dinheiro com o primeiro filme era bem certeiro que os diretores e roteiristas Jon Lucas e Scott Moore iriam fazer uma continuação, pois gastar 20 milhões e arrecadar 179 milhões é investimento que praticamente todo filme deseja ter, porém se no primeiro filme a ideologia da perfeição era algo que funcionava dentro do conceito (escola -> amigas -> professores -> coordenadores), com o lance familiar acabaram trabalhando um pouco forçado, pois se mostrar para aqueles que não lhe conhecem realmente é fácil, mas as relações (mães -> filhas) são bem mais difíceis de criar comparações de perfeição, e com isso precisaram abusar da boa vontade do público para rir com situações corriqueiras que até vemos acontecer de certa maneira, mas poderiam ter ido mais leve. Não digo que o roteiro foi errôneo, apenas digo que o conceito ficou deslocado demais, e com isso temos alguns moldes prontos para rir que sequer pensaríamos em ver num longa, como várias minutos de cena num parque de trampolins, uma conversa altíssima numa missa sem ninguém mandar ao menos um shiuuuu, entre outros exageros, mas como falei no começo, o resultado de divertir o público foi atingido, então como sempre faço ao menos metade da nota já foi garantida aí, pois digo que ri muito em muitas partes, e acredito que quem gosta de um bom besteirol irá rir mais ainda.

No conceito interpretativo, todas foram bem expressivas, mas como não temos nenhuma humorista realmente na trama, as atrizes se esforçaram para forçar a barra com situações cômicas para divertir, e isso é notável de cara. Mila Kunis já foi muito melhor, inclusive no primeiro filme, pois aqui sua Amy parece mais perdida em cena do que disposta a criar o atrito com sua mãe, sempre com frases bem curtas e pouca dinâmica, o que acaba soando simples demais, mas como anda pegando tão poucos papeis, ou melhora logo para voltar a ser forte como era, ou logo esquecem dela. Christine Baranski veio para ser a perfeição completa na trama com sua Ruth, e chega a ser tão absurdo todos os seus momentos, com presentes caros, esbanjando dinheiro para festas incríveis, e tudo mais, que ficamos pensando "que raios essa velha faz", mas seus carões junto de ótimas interpretações de seus textos ficaram incríveis. Assim como no primeiro filme, Kristen Bell é a mais boba e a que mais diverte dentro das situações que sua Kiki se envolve com sua mãe ou com qualquer outra coisa, e essa ingenuidade é o que mais faz rir, pois assim como ela, sua mãe Sandy vivida por Cheryl Hines é mais absurda ainda que ela nas bizarrices. Kathryn Hahn continuou bem desbocada e até consegue chamar muita atenção com isso, mas seus momentos mais calmos acabaram divertindo bastante também, só achei um pouco estranho sugerir Susan Sarandon como sua mãe, uma aventureira completamente louca que não combinou nem um pouco, embora soe divertida. Dos homens na trama praticamente nenhum tentou se destacar, nem Peter Gallagher com seu marido capacho de Ruth, nem Jay Hernandez como o namorado perfeito de Amy, tendo somente para alivio da mulherada Justin Hartle como um Papai Noel Stripper, ou seja, sem muita expressão apenas para se mostrar.

A equipe de arte certamente gastou bem mais aqui do que no primeiro filme, afinal fizeram diversas decorações monstruosas, foram para shoppings, bares, parques de trampolins, e com isso o filme ficou mais dinâmico e bem colocado, criando diversas situações e encaixando tudo na medida certa para a diversão. A fotografia foi singela, com uma paleta de cores até bem trabalhada com cores vivas, nuances em neon, mas sem muitas sombras e trabalhando o foco sempre nas protagonistas, o resultado acabou linear demais.

Enfim, é um filme que vai fazer você rir, seja por ver muitas semelhanças com familiares, ou apenas pelas tosquices que acabam ocorrendo, de modo que acaba divertindo, mas certamente poderia ter seguido melhor como foi o primeiro longa sem precisar apelar exageradamente. Mas como sei que muitos gostam de filmes cômicos apelativos, recomendo esse com certeza, pois volto a frisar que ri muito, e como muitos sabem, esse não é meu estilo de comédia. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Extraordinário (Wonder)

12/08/2017 02:22:00 AM |

Sempre que assistimos filmes com motes trabalhados em mensagens bonitas, a tendência é que algumas nos atinjam e outras passem despercebidas, e com toda certeza o filme "Extraordinário" irá tocar muitos pela beleza singela que possui na sua essência, trabalhando diferenças, valores de amizade, família e muito mais, mas também irá fugir um pouco pelas beiradas trabalhando na doçura da ótima expressividade de Jacob Tremblay de modo que muitos esquecerão de diversos pontos que o filme acaba falhando, e saindo mais emocionados com tudo do que precisamente com o que poderia realmente tocar fundo. Em momento algum vou falar que não gostei do que vi, que o longa não me tocou (principalmente na última cena, que chega a dar uma leve engasgada), mas confesso que fui esperando me emocionar muito mais, e que por ser muito linear (sem nenhum ápice forte para quebrar a trama realmente) acabamos apenas acompanhando alguns dias do garotinho sem muito para refletir realmente, além de ter começado com uma estrutura narrativa muito literária para mostrar os diversos pensamentos/vida dos diversos personagens, o que acabou cansando um pouco. Ou seja, é um belo filme, que vai transmitir boas mensagens, mas que se tivesse pequenas (mas bem pequenas mesmo) mudanças, iria fazer com que o pessoal da limpeza do cinema precisasse de rodos para enxugar as salas com o tanto que iriam chorar na trama.

A sinopse nos conta que Auggie Pullman é um garoto que nasceu com uma deformação facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, ele pela primeira vez frequentará uma escola regular, como qualquer outra criança. Lá, precisa lidar com a sensação constante de ser sempre observado e avaliado por todos à sua volta.

Se tem um diretor que vem seguindo uma linha bem própria de estilo é Stephen Chbosky, pois desde que escreveu o livro e dirigiu "As Vantagens de Ser Invisível", já vimos que trabalharia personagens, linhas morais e principalmente deixaria de forma leve sempre temas polêmicos, com seu último trabalho como roteirista não inovou muito, mas entregou bem "A Bela e A Fera" para que o formato fosse revitalizado e ainda conseguiu ser leve, porém aqui ele tinha algo em mãos completamente diferente, pois um livro de sucesso com uma pegada dramática, mas mais pelo público teorizar a face do protagonista, e certamente alguns questionamentos no livro foram mais intrínsecos ao ponto de torcer o coração dos leitores, o que aqui acabou faltando para que a doçura expressiva do pequenino (mas excelente) ator dominasse, e cativasse o público. Ou seja, ao invés de um filme mais dramático e problematizado, tivemos uma história mais bonita e cativante sobre conceitos morais de família, amizade e beleza interior, deixando bem de lado aquela pontada para que o público realmente lavasse as salas de cinema. Não vou dizer que não tenhamos momentos em que chegamos a engolir seco, pois há algumas, mas certamente dois ou três momentos da trama necessitavam ser mais fortes, e que aí sim teríamos um drama emocionante e com uma boa pegada. Ou seja, o diretor fantasiou demais o problema do garotinho, usou uma linguagem literária demais no começo do filme, mostrando cada personagem, suas histórias, pensamentos, e até como viam o protagonista, empacando um pouco o desenrolar da trama, e necessitando cortar muita coisa para esse efeito, e com isso o resultado mesmo bem bonito de acompanhar acaba ficando faltando muito para ser perfeito.

Sobre as atuações, já andei apostando muitas fichas em pequenos talentos, alguns estão cada dia melhores, e com toda certeza se não entrar no mundo das drogas quando mais velho, Jacob Tremblay certamente será daqueles que vamos grudar os olhos na tela pedindo mais e mais filmes com ele, pois o jovem ator já mostrou carisma, personalidade e um afinco interpretativo tão grande nos filmes que fez de diversos estilos, praticamente foi perfeito em todos, e aqui mesmo debaixo de muita maquiagem (sim galera, ele não é feio, muito pelo contrário, já com 11 anos tem um ar de galã imenso), seu Auggie foi tão bem dominado, com doçura e determinação que praticamente queremos ser seu amigo no filme, ajudando ele, ou seja, deu show novamente. Julia Roberts teve grandes momentos expressivos com sua Isabel, trabalhou forte dominando suas cenas, mas certamente já vimos muitos outros trabalhos com mais afinco dela, de modo que poderia ainda ser mais enfática em suas cenas, não que tenha falhado em nada. Owen Wilson teve duas ou três boas cenas com seu Nate, mas praticamente some de cena demais, ficando quase apagado para com o filme. Outra que fez ótimas cenas, e entregou a personagem com mais drama na trama foi Izabela Vidovic com sua Via, pois de certa forma sentimos sua dor de ficar bem em segundo plano na família, ter perdido sua única amiga verdadeira que era a avó (uma bela participação da brasileira Sonia Braga), e que com muita baixa-estima a personagem acabou ficando bem singela nos bons momentos seus. Tivemos muitos bons momentos dos demais garotos/garotas do colégio, cada um entregando algo bom no seu determinado momento, mas claro que temos de dar destaque para Noah Jupe com seu Jack Will cheio de olhares expressivos, e que claramente também terá muito sucesso pelo estilo mostrado, alguns leves pontos de doçura também com Millie Davies e sua Summer, e até o estilo mais duro de Bryce Gheisar como Julian conseguiu nos chamar a atenção, mostrando que o elenco infantil foi escolhido a dedo. Dentre os demais adultos, é claro que temos de destacar Mandy Patinkin como Sr. Buzanfa como um diretor determinado a mudar vidas, e claro Daveed Diggs como o professor Browne que chamou bem com seus ditados em cada aula.

Dentro do conceito visual, a equipe de arte digamos que foi precisa para caracterizar cada momento do livro, agradando muito com diversos elementos de Star Wars (ótima data para escolha de lançamento!!), uma escola comum, mas bem cheia de apetrechos cênicos, e claro uma casa bem colocada para retratar a vida mais reclusa do personagem, claro que unindo isso tivemos uma boa equipe de maquiagem para fazer a prótese facial do garoto (que inicialmente ficou realmente parecendo como uma máscara, mas no decorrer da trama nos acostumamos tanto que já parece real mesmo, tanto que muitos estão achando que Jacob é daquela forma!), muitos figurinos próprios tanto para as cenas de Halloween, como para os personagens conhecidos, e até mesmo para que o filme ficasse real como uma escola deve ser, ou seja, um trabalho minucioso, bem feito, mas que não necessitou abusar da boa vontade. Agora a fotografia poderia ter auxiliado mais na tensão dramática da trama, pois tudo está sempre num tom calmo, e isso não é algo comum de ser visto em longas com problemas a serem tratados, e sendo assim, o vértice quase recai para uma comédia, ou seja, ficou alegre demais.

Enfim, volto a frisar que é um filme bem bonito, mas que poderia ter dois rumos completamente distintos do que foi entregue, ou dramatizar mais e tudo ficar bem duro ao ponto de chorarmos muito com o que seria mostrado, ou ser até bem mais feliz, mostrando mais positividade na vida do garoto e sua busca por ser "comum", mas que acabou ficando em cima do muro, agradando sim visualmente e com boas doses homeopáticas de lições morais, mas que não atinge nenhum ápice. Ainda assim recomendo ele, pois como costumo dizer, filmes com boas lições valem a conferida, mas vá com menos expectativas, que a chance de gostar dele é maior. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas esse foi apenas o começo dessa semana que terá muitos posts, então abraços e até breve.

PS: Talvez um 7,5 seria a melhor nota para o filme, mas como não tenho notas pela metade, vamos para baixo por achar que faltou algo mais duro e/ou um ápice mais forte.

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Terra Selvagem (Wind River)

12/05/2017 02:07:00 AM |

Muitos vão falar que sou aficionado por neve, mas se um bom filme trabalha bem a essência do frio com todas as simbologias que pode se passar, desde o sangue frio de um caçador de predadores, o clima denso de não saber o que pode acontecer a cada nova cena, e a temperatura baixa para que os sentimentos aflorem na medida certa é o charme que um bom suspense deve ter, e aqui em "Terra Selvagem" conseguiram trabalhar tão bem todos esses elementos que se posso reclamar de algo talvez seria apenas da cena de enfrentamento ser forte, mas falhar em alguns pontos, pois de resto tudo é mais do que perfeito, e com toda certeza é um dos melhores filmes para se recomendar no momento.

O longa nos situa no Wyoming, região remota chamada Native American, aonde Cory, agente americano de Pesca e Vida Selvagem, encarregado de caçar coiotes e predadores, traumatizado pela morte da filha adolescente, encontra o corpo congelado de uma mulher na imensidão da Reserva Indígena de Wind River. Para ajudá-lo na investigação, o FBI envia uma agente novata, que desconhece a região, especialmente quanto as áreas de reserva dos índios.

Em sua primeira grande direção, o roteirista aclamado por "Sicario: Terra De Ninguém" e "A Qualquer Custo", Taylor Sheridan vem nos entregar algo, que como citei no começo do texto, brilha sozinho seja pela cenografia quase vazia, diálogos abertos entre os protagonistas, e principalmente pela essência que a trama consegue ir tomando com a ambientação completa, desenvolvendo nuances poucas vezes vistas (algumas nos longas que roteirizou), e que vão entregando aos poucos cada ato sem precisar ter pressa, o que de modo algum gera um longa lento, muito pelo contrário com dinâmicas viscerais e impositivas que fazem com que o público entre ao mesmo tempo no desespero da novata que só quer seguir as regras, mas não sabe como, junto com o homem forte da cidade que só deseja vingança para com suas resoluções, nem que para isso necessite realmente caçar os "predadores" que vem destroçando a sociedade aonde vivem com muita frieza na alma, e um sentido de encontrar tudo o que deseja como um grande caçador que realmente é. Ou seja, um filme limpo, cheio de força e que vai sendo trabalhado com muita emoção e finalizado da melhor forma possível, mesmo que muitos desejassem nem ver a cena de como realmente a moça sofreu, o resultado acaba sendo perfeito e bem colocado, de modo que certamente o diretor vai ganhar muitos outros bons projetos (alguns de textos seus com toda certeza!) para dirigir muito em breve.

Se tem um ator que oscila muito na forma de entregar seus papeis é Jeremy Renner, e aqui seu Cory felizmente é um dos melhores que já fez, pois colocou personalidade, determinação e muito impacto na forma que pegou o personagem e desenvolveu as características claras de justiceiros das terras mais vazias dos EUA, aonde predominam animais, neve, índios, e claro, pessoas ruins, afinal isso está presente em todos os cantos do mundo, com isso a forma de caçador que o ator caracterizou, juntamente com diálogos precisos cheio de trejeitos bem pautados deram um ar para o personagem que poucas vezes vimos na telona, sendo perfeito e digno de ser até lembrado em premiações, mas isso veremos mais para frente. Elizabeth Olsen tem evoluído demais em suas performances, e aqui sua Jane é a característica marcante de agentes despreparados que são jogados em casos que a polícia (no caso lá o FBI) não tem muito interesse em gastar seus bons agentes, ou seja, a jovem chega perdida, enfrenta adversidades, mas com muita dinâmica expressiva consegue ir se impondo e mostrando garra para que a personagem funcione, ou seja, a atriz deu show também. Junto dos dois, tivemos uma grande sagacidade por parte do grande ator indígena Graham Greene, que aqui como um policial da reserva indígena demonstrou aptidão para o caso, e com bons olhares, diálogos curtos e bem colocados, conseguiu incorporar o personagem e agradou na medida certa. Dentre os demais, tivemos mais bons atores indígenas com papeis curtos, mas precisos, e dentre os "vilões", a cena de resolução foi rápida demais, mas todos foram bem expressivos, e o resultado ficou incrível na finalização no topo da montanha.

Como já disse no começo, sou um apaixonado por longas que envolvem muito branco, pois a neve e o ambiente quase sem nada, apenas os personagens, a neve caindo, árvores ao fundo, armas e casas abandonadas acabam criando um ar tão preciso de suspense, que a equipe de arte nem precisaria ter enfeitado as casas com tantos elementos visuais para mostrar a vida destroçada do protagonista, deixando que somente seu ar rude dominasse, mas foi uma solução bem colocada e que agrada bastante para mostrar o trabalho da equipe cênica, que com muita certeza sofreu um frio imenso no meio do nada aonde foi gravado o longa. A fotografia também sofreu muito, pois quanto mais branco na tela, mais difícil de criar a atmosfera de iluminação, mas o resultado acabou ficando lindo visualmente, e todas as nuances beiraram a perfeição.

Enfim, é um filme muito bom de suspense, que tem ritmo e segura o espectador do começo ao fim, e mesmo que seja uma linha fácil de interpretação (o que muitos não gostam de ver), tudo como foi entregue acaba sendo desenvolvido na medida certa para irmos entrando no clima, e ficando com raiva dos culpados, o que deve sempre acontecer em longas desse estilo. E sendo assim, é claro que recomendo demais essa grande obra para todos, e que venha mais suspenses desse estilo para o cinema, pois a situação toda consegue causar tensão, emoção e tudo mais no público. Bem é isso pessoal, encerro aqui essa semana, já me preparando para a próxima que deve vir bem recheada de estreias para o interior, então abraços e até breve.

PS: Não dei nota máxima pelo simples fato do fechamento com os culpados ser algo rápido e sem muita determinação, claro que não poderia ser de forma diferente, mas poderiam ter trabalhado mais a cena.

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Assassinato No Expresso do Oriente (Murder On The Orient Express)

12/03/2017 11:30:00 PM |

Existem alguns estilos de filmes que não cansamos de assistir, e suspenses investigativos é o melhor para curtir em qualquer momento, para podermos apontar suspeitos, criar ligações e tentar investigar junto com os protagonistas, quem matou, quem era a pessoa morta, e por aí vai. E claro que se existe uma autora de livros com tantos sucessos desse estilo para adaptar é Agatha Christie, que já viu seu livro "Assassinato No Expresso Oriente" nas telonas diversas vezes (tendo o mais famoso caso em 1974), e que aqui procuraram seguir uma linha mais clássica de apresentação do famoso detetive, e claro preparar para sequências com outros livros da escritora. Não digo ser o melhor filme do gênero, por cansar um pouco no miolo, mas o resultado final (ao menos para quem não leu o livro - afinal não sei se acaba da mesma forma lá também!) é tão surpreendente, e contado com uma desenvoltura tão bem feita pelo protagonista/diretor, que acabamos saindo do cinema bem felizes com tudo, o que é raro de ver em tramas desse estilo. Ou seja, um filme com ar clássico, mas também moderno pelo estilo de filmagens que optaram por trabalhar.

A sinopse nos conta que o detetive Hercule Poirot embarca de última hora no trem Expresso do Oriente, graças à amizade que possui com Bouc, que coordena a viagem. Já a bordo, ele conhece os demais passageiros e resiste à insistente aproximação de Edward Ratchett, que deseja contratá-lo para ser seu segurança particular. Na noite seguinte, Ratchett é morto em seu vagão. Com a viagem momentaneamente interrompida devido a uma nevasca que fez com que o trem descarrilhasse, Bouc convence Poirot para que use suas habilidades dedutivas de forma a desvendar o crime cometido.

A montagem do longa foi bem organizada contando com diversos planos-sequências, e muitas dinâmicas de flashback, o que deu um ar um pouco rebuscado para o estilo do diretor Kenneth Branagh, mas claro que ao trabalhar num espaço tão pequeno como é um trem de poucos vagões, o resultado que ele escolheu com ângulos mistos foi satisfatória e ajudou bastante para contar a história completa. Não vou fazer comparações com o livro, pois nunca li, e o filme de 74 não lembro se assisti, portanto vou me ater somente ao que foi mostrado nesse, e posso dizer que assim como bem sabemos que são os livros da Agatha Christie, o resultado do roteiro de Michael Green ficou cheio de reviravoltas, acusações para todos os lados e muito diálogo para ninguém reclamar de atores mudos, mas se posso dizer que faltou algo primordial para uma boa investigação foi o fato de trabalharem com poucos elementos cênicos, ou melhor chamando nesse estilo de filme, provas do crime, pois tudo aparece tão rapidamente, e depois é usado tão pouco que fica parecendo que o personagem principal apenas tem mediunidade e não algo mais funcional. Ou seja, é um bom filme, causa a tensão perfeita, mas poderia ser imensamente melhor trabalhado nos detalhes.

Sobre as interpretações, é até difícil falar sobre cada um na trama, pois teríamos quase um livro com tantos nomes famosos e boas qualidades de cada um no longa, mas vou procurar focar nos destaques, e para começar temos de falar novamente de Kenneth Branagh, que foi o 14º ator a interpretar o detetive Hercule Poirot, e que com falas bem determinadas e uma postura bem elegante conseguiu incorporar a essência de um bom investigador, mas claro que como sempre digo, ou você dirige, ou você atua, pois quando se faz as duas coisas, nenhuma fica perfeita, e certamente um ator bem colocado, fazendo somente a atuação conseguiria algo a mais para o personagem. Johnny Depp deu um ar interessante para seu Ratchett, trabalhando uma personalidade forte e bem criminosa como ele sabe bem fazer, deixando de lado trejeitos bobos e ousando mais na simpatia inversa do que nos exageros, e com isso acabou agradando bem nos seus poucos momentos antes de morrer. Michelle Pfeiffer também deu seu show tradicional de interpretação para sua personagem Caroline Hubbard, usando vértices expressivos bem colocados em todas suas cenas. A rainha Judd Dench, aqui fazendo a princesa Natalia Dragon também mesmo aparecendo pouco fez seus momentos serem únicos e bem trabalhados. Daisy Ridley fez cenas fortes e expressivas com sua Mary Debenham, e até Penélope Cruz fez rápidas, mas boas cenas com sua Pilar, mas como disse, temos tantos amigos do diretor trabalhando no longa que chega a ser difícil falar um pouco de cada sem que o texto fique imenso.

No conceito visual, a trama desde o começo prezou por detalhes riquíssimos em cena, desde as cenas no Muro das Lamentações com um ar clássico e bem arrojado, passando para as cenas na estação, até entrarmos dentro de um trem de luxo com apenas alguns ocupantes (mas que estava lotado segundo as conversas antes de entrarem no trem!!), aonde temos um bar bem chique, uma cozinha em pleno funcionamento que desaparece nas horas das investigações, e cabines confortáveis com muito bom gosto cênico (tirando o fato da máscara de bigode para dormir esquisitíssima!), e aliado a isso colocaram locações bem interessantes no meio de uma ponte com neve pra todo lado (aparentando muita computação gráfica, mas que ficou bonito de se ver), aonde o filme todo praticamente foi mostrado. Ou seja, um trabalho simples, mas bem feito, com figurinos de classe (ainda me pergunto, será que se tivessem viagens longas de trens hoje, o povo se vestiria tão bem assim? Acho que nem no Titanic o povo se produzia tanto!!) e um requinte sem tamanho para mostrar o serviço da equipe. A fotografia não quis ousar muito, afinal com um espaço bem restrito não deu para brincarem com sombras, estilos e iluminações, entregando o básico em ângulos bem preparados para colocar a ideia central, e principalmente funcionando bem nos momentos de movimentação de câmera em planos-sequência.

Enfim, é um filme bem feito, que cria a tensão e que principalmente por ser uma adaptação literária consegue transmitir a sensação de leitura de páginas e mais páginas de diálogos numa estrutura bem visual e interessante, e sendo assim, vale conferir e quem sabe até ler o livro depois para saber o que foi usado, o que foi removido e o que foi criado em cima das páginas do suspense. Claro que como disse acima, poderia ser melhor se corrigido pouquíssimos momentos mais lentos que acabam cansando um pouco, mas no geral é algo que agrada bastante e vale a recomendação. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia da semana no interior, então abraços e até logo mais.

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Jogos Mortais: Jigsaw (Jigsaw)

12/02/2017 02:47:00 AM |

Muitos não sabem, mas a minha franquia predileta de filmes é "Jogos Mortais" (me julguem a vontade!), e mesmo que muitos apontem diversas falhas na maioria dos filmes, sempre acho algo positivo em todos, além claro da perfeição que é o primeiro longa da franquia lá de 2005!! E quando saiu a notícia de que estavam fazendo um novo filme (contrariando o título nacional do último filme - "O Final") vibrei demais criando a cada novo trailer e nova notícia sobre a trama de "Jigsaw" uma expectativa imensa, ou seja, fazendo exatamente o que recomendo que todos não façam com seus filmes favoritos. Mas convenhamos, esperamos muito por uma continuação decente para mostrar que o último filme não foi o último realmente. Dito isso, vamos falar somente desse novo longa, que como sempre digo, com muita expectativa, sempre será difícil fazer com que nos apaixonemos por melhor que seja o resultado, ou seja, o filme é bem interessante, consegue manter a essência tradicional da franquia, tem uma montagem precisa para confundir quem não conhece o estilo, mas peca em ter um miolo que roda demais sem chegar a lugar algum, o que sempre acabou acontecendo nas diversas continuações. Porém mesmo com falhas, o resultado final acaba sendo empolgante por principalmente ter conseguido funcionar como algo novo que usa das referências do passado, não necessitando ficar lembrando o público de tudo o que rolou nos demais filmes.

A sinopse nos conta que depois de uma série de assassinatos, todas as pistas estão sendo levadas a John Kramer, o assassino mais conhecido como Jigsaw. À medida que a investigação avança, os policiais se encontram perseguindo o fantasma de um homem morto há mais de uma década.

Sabemos que os nomes por trás do original de 2005 (Leigh Whannell e James Wan) só ficam agora na produção, deixando que outras mentes criativas escrevam a história e dirijam, mas aqui souberam ser certeiros na contratação, pois a dupla Michael e Peter Spierig já vem há alguns anos acertando a mão em produções de suspense sem precisar exagerar em sustos e sangue voando para todo lado, de modo que aqui fizeram uma produção mais contida no "torture terror" tradicional de outros filmes, criando uma vértice mais cuidadosa e investigativa, mas sempre mantendo a essência do original de que os envolvidos no jogo necessitam pagar por seus erros confessando tudo o que fizeram. Ou seja, a densidade dramática foi mantida, mas não precisou forçar para que o público se conectasse com o que desejavam mostrar, acertando na medida nas filmagens, sem gastar muito dinheiro na produção, e principalmente deixando que a edição fizesse o trabalho explicativo para todas as dúvidas dos espectadores, mas claro, não falando na cara do que se trata tudo (o que é o melhor da franquia!). Sendo assim, o resultado dos diretores foi bem acertado, mas certamente poderiam ter feito algo a mais, para que o miolo fosse mais desesperador, ao invés de ameno como acabou acontecendo.

Fizeram boas escolhas no elenco, procurando sempre colocar artistas mais desconhecidos para que não ficasse marcado de cara quem é quem, e esse acerto foi pontual aqui, mas ainda assim poderiam ter trabalhado mais com os protagonistas, pois alguns pareceram bem perdidos em cena. Das pessoas que estão participando do jogo dentro da fazenda, temos de dar bons destaques para a disposição de Laura Vandervoort com sua Anna, para o desespero de Paul Braunstein com seu Ryan no momento em que é pego pela armadilha, e alguns momentos poucos momentos de Mandela Van Peebles com seu Mitch, que por mais deslocado que tenha ficado, sua cena final é a mais forte do longa, e acabou ficando bem interessante. Já pelo lado policial/médico talvez o maior erro da trama tenha sido que os atores não acreditaram tanto nos seus roteiros, ficando levemente deslocados durante praticamente toda a trama, tendo sim o seu grande momento, mas poderiam certamente ter usado mais eles no fechamento, aparentando que o trio até voltará para uma continuação (será???), e sendo assim, já aviso que não é nenhum spoiler tudo o que falarei aqui, temos a mente doentia e aficionada por Jigsaw de Hannah Emily Anderson com sua El, temos o investigador mais rude que aparenta e sempre deixa o público em dúvida Callum Keith Rennie com seu Halloran, temos o policial descolado que já trabalhou na guerra, mas que aqui fica sempre dois passos atrás Clé Bennett com seu Keith, e temos o médico legista Logan que vivido aqui por Matt Pasmore deu um tom bem forte de personalidade, mas que poderia ser mais ávido em muitas cenas, ou seja, foi bem, mas não como poderia. E claro, temos de falar dele, presente ao menos em poucas cenas, mas em todos os oito filmes da série, o grande Tobin Bell com seu John Kramer, ou melhor, Jigsaw em carne e osso, que na hora que aparece já ficamos pedindo para nosso cérebro trabalhar a mil ou pelo menos que seja explicado como ele está em cena, mas sempre com um ar digno de grandiosidade e fazendo muito bem seu maior papel, tudo é bem montado e agrada demais o que faz, valendo prestar muita atenção em tudo o que dizem em todas as cenas.

Dentro do conceito visual, a trama trabalhou novas armadilhas, um cenário simples e efetivo quase todo se passando dentro de um celeiro, de um necrotério e de algumas casas dos protagonistas, mas nada que tivesse um luxo esplendoroso, mas a acertividade da trama ficou a cargo de brincarem junto da equipe de fotografia com os tons e iluminações (assim como ocorre em toda a franquia) para que cada momento criasse a tensão correta e não necessitasse assustar o espectador, mas sim fosse criado um suspense nítido, e claro que as mortes fossem convincentes (e até fortes de certo modo). Ou seja, um trabalho simples e efetivo da equipe de arte e fotografia.

Usando claro a trilha sonora original (principalmente nas cenas finais), deram novos acordes para alguns bons momentos, e conseguiram criar um ritmo bem cadenciado na maior parte do tempo, falhando um pouco no ritmo do miolo como já citei, mas nada que atrapalhasse o resultado final.

Enfim, é um bom filme, que para quem for fã da série, irá curtir demais cada momento, e irá colocar ele entre o top 4 da franquia, mas quem esperava ver algo a mais, ou algo diferente do tradicional das continuações, talvez fique um pouco decepcionado, pois segue exatamente da mesma fórmula e dos mesmos momentos de tensão, ou seja, poderiam ter sido mais criativos. Mas friso, que ainda assim vai empolgar demais quem gosta do estilo, e com certeza sempre irei recomendar a trama, até estar bem velhinho. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Sei que muitos vão reclamar da nota, mas não consigo dar menos.

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Com Amor, Van Gogh (Loving Vincent)

12/01/2017 01:35:00 AM |

Sempre digo o quão interessante uma história simples pode se tornar se desejarem inovar em algum conceito dentro da produção, seja por um detalhe pequeno numa mudança de vértice no roteiro que quebra o eixo e surpreende o espectador, ou até mesmo quando resolvem inovar completamente no estilo, e fazer uma "animação" completamente pintada a mão com tinta à óleo por mais de 100 artistas, fazendo praticamente 70 mil quadros que viraram um único filme utilizando com uma magnitude perfeita a técnica de rotoscopia (em que primeiro se filmou o longa com atores, depois todas as filmagens foram pintadas pelos artistas à mão - vou frisar muito isso, pois geralmente se faz em computação gráfica e aqui voltaram às origens para fazer algo lindo demais, no melhor estilo do pintor holandês). Ou seja, algo que ficou visualmente incrível, parecendo estar passeando pelas histórias dos quadros do pintor, contando suas diversas cartas escritas para a família, investigando se ele realmente se matou ou se foi assassinado, criando um clima de suspense bem tenso, mas ao mesmo tempo tenro pelas camadas que vão nos entregando, não saindo simples de um primeiro modo, mas trabalhando muito para que a trama envolvesse o espectador. Claro que essa tensão unida com pinturas pode cansar um pouco, mas o resultado vale a pena, mesmo para quem não é tão fã do estilo.

A trama nos situa em 1891, um ano após o suicídio de Vincent Van Gogh, quando Armand Roulin encontra uma carta por ele enviada ao irmão Theo, que jamais chegou ao seu destino. Após conversar com o pai, carteiro que era amigo pessoal de Van Gogh, Armand é incentivado a entregar ele mesmo a correspondência. Desta forma, ele parte para a cidade francesa de Arles na esperança de encontrar algum contato com a família do pintor falecido. Lá, inicia uma investigação junto às pessoas que conheceram Van Gogh, no intuito de decifrar se ele realmente se matou.

Muitos podem dizer que ao trabalhar cartas originais no roteiro, e com uma montagem quase interrogatória, os diretores Dorota Kobiela e Hugh Welchman criaram um ar quase documental em cima da história, mas o vértice investigativo criado com os diversos personagens num mote determinado acabou transformando a história de maneira ficcional intrigante e bem feita, o que é algo raro em um longa mais artístico. Claro que a escolha de trabalhar pintura na tela foi ousada e o resultado ficou incrível, o longa conseguiu um ótimo financiamento coletivo, mas confesso que por ser algo investigativo poderiam ter trabalhado mais o ritmo da trama para que o resultado não fosse cansando tanto, criando mais vértices para pensarmos no que desejavam mostrar, porém tudo é tão bonito de ver que acabamos esquecendo desse detalhe e ficamos determinados a instigar o longa inteiro junto com o protagonista. Outro grande lance foi trabalhar os dois estilos de pintura do artista, com os tons mais coloridos na trama acontecendo, e o preto e branco nos momentos contados, o que resultou em algo até maior do que esperávamos ver.

Não diria que é um longa que vemos destaques interpretativos por parte dos atores, pois expressivamente muito foi perdido na pintura sobre seus rostos, mas no conceito do tom das vozes tivemos grandes momentos de todos, e claro que a junção completa acabou fazendo um filme muito incrível com um resultado perfeito de personagens criativos. Acredito que talvez se a escolha do protagonista fosse diferente, o resultado seria bem melhor, pois Douglas Booth foi tão sem sal com seu Roulin que ficamos na dúvida se ele é realmente um investigador ou alguém curioso demais que está perdido ali sem saber o que deve fazer e como aparecer, e com isso ele também foi o responsável pelos momentos mais monótonos da trama, ou seja, não digo que o personagem tenha ficado ruim, só que o ator não ajudou a trazer algo mais perfeito para a trama. Já a contraponto tivemos uns três a quatro momentos com Saoirse Ronan dando um show com sua Marguerite Gachet, trabalhando vertentes, criando nuances e mostrando o motivo da personagem ser a musa do pintor. Outro que teve bons momentos, mas mais para o final foi Jerome Flynn como Dr. Gachet que embora não tenha empolgado, conseguiu encaixar bons trejeitos para que o personagem soasse bem dúbio, o que funciona muito em filmes de investigação. Todos os demais tiveram leves participações para chamar atenção, mas nada que fluísse e merecesse chamar a atenção, tendo leves destaques para Aidan Turner como o barqueiro com seu ar embriagante, e Eleanor Tomlinson como Adeline e seu ar dócil gostoso de ouvir.

Falar do visual é algo batido, afinal temos vários quadros em movimento na telona, e isso é algo quase como ir a um museu vivo somente com a obra de Van Gogh, e confesso que estava com muito medo ao ler a sinopse, pois pensava que veria histórias chatas sobre os quadros, e fui pego de surpresa com algo incrível, que teve um visual tão bem trabalhado com cores, movimentos e detalhes tão precisos de pintura que o resultado é algo além de um quadro, mas sim quase 70 mil quadros. A fotografia no estilo rotoscopia fica sempre um pouco prejudicada, pois os tons acabam ficando um pouco abaixo do estilo que se espera em um filme mais investigativo, porém aqui como brincaram com o colorido e o preto e branco, o resultado acabou chamando muita atenção.

Enfim, um filme diferenciado que merece muito ser visto, mas que alerto que quem não está acostumado com algo lento talvez canse demais com algumas cenas, porém friso que vale demais conferir para ver o resultado de pinturas se movimentando na tela grande. Portanto fica a dica para quem quiser conferir algo diferente, mas muito bem feito. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais uma das estreias da semana, então abraços e até logo mais.

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