O Filho de Deus

quinta-feira, abril 24, 2014 |

Ano passado quando a série "A Bíblia" fez um sucesso estrondoso em diversos países, não era de se esperar que os produtores para lucrarem um pouco mais fizessem uma versão cinematográfica compactando vários episódios e refilmando algumas partes para ser lançado na melhor época possível nos países católicos que senão a Páscoa, e com isso "O Filho de Deus" acaba nos mostrando de uma forma bem abrangente a história que muitos já ouvimos e vimos de uma forma bem produzida, porém não tão forte como a versão mostrada em 2004. O resultado final é algo bem bonito de acompanhar e emocionante, mas como já sabemos a história quase que de cor e salteado pela quantidade de versões para TV e cinema que o que muda é apenas a parte de produção e atuação de cada um, o que nessa agrada bastante.

Pra quem não conhece a sinopse, o filme nos mostra que vindo de uma pescaria fracassada, Pedro encontra Jesus Cristo, que o convence a segui-lo. Logo Cristo reunirá 12 apóstolos que têm por missão espalhar seus ideais pela Terra. Entretanto, por mais que pregue o amor ao próximo e a compaixão, sua crescente popularidade desperta a ira de pessoas importantes de Jerusalém, que não desejam que o status quo seja alterado. A traição de um de seus apóstolos, Judas, faz com que Cristo seja capturado e levado a julgamento.

A proposta do diretor Christopher Spencer, que dirigiu 3 dos episódios da série, acabou bem trabalhada, pois a versão cinematográfica nos convence bem, mostrando praticamente todos os momentos importantes da vida de Jesus, ainda com direito a outros pequenos trechos durante os créditos. E essa expertise dele conseguiu passar de uma forma bonita e aprovada pela igreja, um longa interessante, pois já vimos casos de séries que acabam indo para o cinema e ficam ou corridas demais, ou mostrando algo completamente fora da essência original, e aqui o que vemos na tela são atores bem pontuados para representar seus papéis dentro de uma cenografia perfeita, em ângulos trabalhados não ficando somente no modelo original, e principalmente, sem chocar o público que irá assistir, o que a diferencia totalmente do filme de 2004 de Mel Gibson, onde era impossível não sair da sala de cinema lavado de sangue.

Um ponto chave de um filme épico funcionar é os atores acreditarem no que estão fazendo, e se depender da atuação de Diogo Morgado, podemos dizer que a missão do longa foi cumprida, pois o ator tem um semblante calmo e bem realista do que muitos podem crer como Jesus foi e sua interpretação é agradável e bem pautada em não cometer erros, o que peca um pouco em alguns momentos que poderiam ser mais impactantes, mas nada que atrapalhe o filme. Darwin Shaw faz um Pedro afobado e que em alguns momentos parece perdido em sua atuação, claro que nos momentos mais precisos, forçou a imagem e trabalhou como deveria, mas poderia ter trabalhado a calma principalmente nas cenas de tumulto. Greg Hicks conseguiu fazer um papel de forma fria e centrada, impressionando pelo semblante representativo, porém algumas cenas suas como são bem curtas poderia ter usado melhor do diálogo para impor mais postura não dependendo apenas do gestual. Joe Wredden possui também boas cenas e soube dosar elas com trejeitos característicos, mas seu momento de traição aparentou falso demais, não ficando explicado motivo nem nada para quem não conheça a história. Adrian Schiller consegue fazer um personagem tão sem sal, que nem que ele fosse um religioso supremo conseguiria chamar pessoas para sua seita, porém sua interpretação do texto está bem enfática e acabamos ficando com raiva de seus atos. Das mulheres todas fazem praticamente a mesma cara de choro e agradam apenas em momentos pontuados, não dando tanto crédito para o que fazem em cena, poderiam ser melhores.

O visual do longa é perfeito, criando um épico com texturas, elementos cênicos e locações fantásticas para impressionar em cada cena por onde o protagonista passa, colocando figurinos bem trabalhados juntamente na ótima escolha. Com esse trabalho de direção de arte na medida, a produção acabou ganhando ares interessantes de ser observados, porém não sei se na série também tivemos o exagero das passagens de tempo sobrevoando a cidade que aparentou ser digital demais, então acaba cansando e ficando um pouco falso a repetição. A fotografia trabalhou um sépia avermelhado na maioria das cenas e estourando o branco em outras para dar um tom mais sereno ao filme e isso acabou sendo um bom acerto na trama.

Outro fator que ficou muito bem colocado é a parte sonora do longa, tanto durante a execução completa do filme com trilhas do mestre Hans Zimmer que sempre sabe pontuar bem uma trama e deixar ela no ritmo coerente juntamente com a emoção certa, quanto nos créditos com a música muito bonita interpretada por Ceelo Green que remete mais o filme para o lado de Maria que acabou não sendo tanto trabalhado no filme em si.

Enfim, como disse é um longa muito bem produzido, mas que chega aos cinemas já com público demarcado, afinal muitos já conhecem a história pela grande quantidade de versões, e outros acabaram vendo a série, então talvez a bilheteria nem chegue a espantar em números. Claro que a história é sempre válida para estar vendo, e por ser algo mais light talvez passe a ser a versão que irá passar sempre nessa época do ano nas TVs, então quem não estiver com disposição de gastar ingresso com o longa nos cinemas é só aguardar que em breve na Páscoa vai passar todo ano. Há, e claro que recomendo ver ele tanto pela qualidade, mas se possível vá em sessões legendadas, afinal vale a pena ver o trabalho de interpretação e entonação correta de cada ator. Fico por aqui encerrando a semana cinematográfica mas amanhã já temos novas estreias pintando por aqui, então abraços e até breve pessoal.


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Julio Sumiu

quarta-feira, abril 23, 2014 |

É interessante observar que mais de 50% dos filmes produzidos no Brasil são comédias, e ã estatística fica até ainda mais impressionante se observarmos que as bilheterias deles ocupam praticamente 90% do total dos filmes nacionais lançados, ou seja, porquê raios ainda estou pensando em produzir um suspense nacional? Bom, feito o momento revolta desse Coelho que vos digita sempre aqui, vamos falar da nova comédia nacional "Julio Sumiu" lançada juntamente com a que vimos ontem, e aí entra mais uma incógnita, porque duas comédias nacionais são lançadas juntas pra ratear o público de uma delas ou porquê nenhuma das duas possui apelo carismático suficiente pra chamar o público que outros sucessos tiveram? Bom poderia largar uma tonelada de questionamentos por aqui, e responder bem poucos deles, afinal o cinema nacional é algo que ainda nem com muito estudo conseguiremos chegar à grandes conclusões e alguns amigos ex-professores estão até usando essas incógnitas como base de suas dissertações de Mestrado e Doutorado, então em breve alguém poderá nos dizer tudo isso com maior clareza, mas o que vale falar é que ao menos comparando o que vi hoje com o que foi apresentado ontem, nesse é possível rir de algumas situações, a atriz principal possui muito carisma e a produção ao menos se deu o trabalho de criar uma boa cenografia, ainda está longe de ser algo que agrade bastante, mas já agrada bem mais.

O filme nos situa na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde Edna é mãe de Julio e Sílvio. Um dia ela acorda desesperada ao perceber que Julio simplesmente desapareceu, sem deixar pistas. Preocupada, ela vai à delegacia com Eustáquio, seu marido, mas eles são destratados pelo delegado adjunto J. Rui, que estava mais interessado em conquistar a colega de trabalho Madalena. Após receber na secretária eletrônica um aviso de que o filho está com Tião Demônio, o chefão do tráfico do morro ao lado, Edna decide ir até lá negociar. Surpreendida por um tiroteio, ela acaba guardando 20 kg de cocaína para o traficante que, em troca, promete libertar Julio. O problema é que Sílvio, ao descobrir a cocaína, decide vendê-la.

O longa como colocado na sinopse é bem simples e poderíamos considerar ele como um episódio alongado de "A Grande Família" colocando drogas no meio da história. E o interessante é que o filme funciona bem dessa forma, com uma protagonista matriarcal cativante que tem ao seu redor uma família maluca, que se envolve com diversos malucos para contar uma história que todos já sabem o final logo pela abertura. E com isso em mente, ao assistir o filme é necessário mais curtir o que é mostrado do que rir propriamente com algo que é mostrado, não que não exista cenas cômicas, pois algumas até são bem divertidas, mas o andar do filme é gostoso de acompanhar vendo todas as trapalhadas que se ocultam por trás de milhares de palavrões ditos ao longo de toda a duração dele, ao invés de se preocupar com algo tão próprio de comédias blockbusters, afinal o longa não é nenhum dos grandes nomes esperados para esse ano, contando apenas com auxílio de marketing da grande poderosa empresa nacional. O diretor estreando agora em ficções após fazer diversos documentários, Roberto Berliner, conseguiu montar um filme de forma até que um pouco documental, pois vai nos apresentando os personagens através de suas histórias e não diretamente como costumam fazer em ficções, e acredito que isso possa até ser um mérito de o longa acabar não ficando chato demais, já que os recortes dinâmicos, um pouco exagerados lembrando as vezes aqueles vídeos de festa de casamento com a quantidade de janelas, acabam nos envolvendo com tudo que vai ocorrendo.

As atuações acabam sendo divertidas, mas novamente a protagonista Lilia Cabral levou um filme nas costas, colocando todo seu carisma pra fazer trejeitos faciais e interpretações dinâmicas para seu texto agradar e nos convencer de tudo que faz no longa. Fiuk encaixou bem no papel de adolescente drogado, afinal não aparenta ser nem um pouco responsável e aparentou estar até ter dado um toque pessoal ao personagem que acabou agradando bastante visualmente, porém poderia ter diálogos melhores para ele. Carolina Dieckman também faz um papelzinho que mostra toda a apelação sexual que o diretor quis implementar no filme com closes nos seus dotes avantajados apenas, de modo que até o fim do filme ficamos na dúvida se realmente o diretor queria apenas isso dela, mas teve pelo menos um final encaixado. Augusto Madeira acaba fazendo oras o papel de bobo, ora tentando ter uma relação fervorosa com Dieckman, mas é dele as cenas mais cômicas do filme, então soube administrar bem seus trejeitos, fazendo bem seu papel. Agora poderiam ter dado mais chance para destacar Leandro Firmino da Hora que faz um traficante muito fora dos padrões e seria divertidíssimo seu papel em outros planos, a cena sua com a protagonista lhe chamando pelo nome de seu personagem mais famoso é perfeita. Dos demais policiais e pessoas que aparecem não dá para dar destaque nenhum, pois todos fazem ao menos uma besteira frente a câmera olhando para onde não deve.

O visual da trama é um dos pontos fortes por trabalhar bem na concepção cenográfica de cada um dos lugares, colocando a casa da família com todos elementos bem montados para nos mostrar que os apartamentos familiares tradicionais possuem coisas bem graciosas para mostrar. A favela é bem representada, a delegacia também ambos com bons elementos cênicos e até o local para dar fim em alguns meliantes acabou sendo bem retratado, ou seja, produção de arte impecável. A fotografia não abusou de muita firula para agradar, reforçando apenas a luz nos pontos mais escuros para que a claridade ficasse sempre abrangente mesmo nas cenas que tinham apelo mais escuro, e usou de tons cotidianos sempre puxando no brilho, então nada que pudéssemos destacar nesse quesito. A equipe de efeitos especiais exagerou um pouco nas cenas finas de tiro, afinal os calibres de revólveres não fazem todo aquele estrago, alguns pedaços de parede chegam a voar, então poderiam ter economizado um pouco nos explosivos, tirando isso nada demais para negativar.

As trilhas sonoras usadas nas cenas de dança da personagem Madalena foram um pouco forçadas, afinal o personagem é forçado, mas no geral poderíamos dizer que o longa se passa nos anos 2000 pela escolha das músicas.

Enfim, não é um filme que vá levar milhares de prêmios nem será a comédia nacional mais engraçada que já vi, mas ao menos como disse diverte bastante pelo carisma dos personagens e pela boa produção de arte. Não posso dizer que recomendaria o longa com todas as letras, mas se você quer conferir um filme nacional dos que estão em cartaz, essa é a opção menos desastrosa, claro que evite levar crianças, já que a quantidade de palavrões nos diálogos é de um primor imenso. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda falta a última estreia que teve aqui nessa semana e claro que não deixaria ela para trás, aliás seria pecado, então abraços e até mais tarde.


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Copa de Elite

segunda-feira, abril 21, 2014 |

Muito do cinema nacional é cópia total do que é lançado lá fora, mas até que demoraram um pouco para atacar as paródias de filmes. Bem isso até surgir "Copa de Elite" que deve abrir as portas para um nicho que dá muito dinheiro nos EUA, mas que aqui ainda precisam aprender que não é porque colocam todos os sucessos nacionais numa mistura com roteiro fraquíssimo que vai fazer sucesso, principalmente se for depender da propaganda boca a boca, já que de uma sala lotada se ouvi umas 20 risadas durante toda a duração do longa foi muito. Ou seja, até consegue divertir com algumas bobeiras, mas está longe de conseguir o ápice de uma boa comédia, que é fazer o público rir.

O policial Jorge Capitão é um competente capitão do BOP e um ídolo brasileiro. Só que depois dele salvar de um sequestro o maior craque argentino, às vésperas da Copa, acaba virando o inimigo público número 1 da nação. Expulso da corporação e desacreditado pelo povo, Capitão precisa reaprender a trabalhar em equipe para evitar um atentado contra o Papa na final do torneio. É quando entra em cena a empresária de sex shop Bia Alpinistinha, um médium e sua mãe muito louca.

O interessante do filme é ter ao menos uma história de pano de fundo rolando para conseguir mixar os sucessos: "2 Filhos de Francisco", "Se Eu Fosse Você", "Tropa de Elite 1 e 2", "De Pernas pro Ar", "Nosso Lar", "Chico Xavier", "Bruna Surfistinha" e "Minha Mãe é uma Peça". Porém o problema é que as esquetes cômicas inseridas acabaram simples demais e optaram por ser mais leves para não acabar tendo uma classificação indicativa maior, aí o que acabou parecendo é que o filme foi totalmente picotado e o link que acabaria dando graça à alguns momentos ficou mais bobo do que deveria e assim só ria quem realmente não entendia a piada como sempre é possível ver nos melhores cinemas aquela pessoa rindo sozinha enquanto o restante da sala lotada fica apenas olhando a tela. O diretor e roteirista Vitor Brandt estreou nas telonas de uma forma bem ruim, pois com um elenco forte em comicidade, bastaria deixar nas mãos deles algumas esquetes para serem improvisadas, que com toda certeza fariam melhor do que apenas sendo dirigidos.

É engraçado observar quando "atores comediantes" que estão acostumados a improvisar em tudo que fazem nos seus programas e acabam sendo hilários no que fazem, se veem certinhos presos dentro de algo que já foi traçado e determinado para fazer, tanto que basta ficar nas cenas durante os créditos para rir do tanto que erraram para dizer apenas algumas palavras fáceis de serem interpretadas até para o mais iniciante ator e não saía de jeito algum. Marcos Veras segurou bem a onda como protagonista, mas poderia ser muito mais carismático se fizesse qualquer 10% do que faz no "Porta dos Fundos" que era capaz de ter gente mijando no cinema com o que iria ver, mas como foi todo certinho, acabou ficando fraco para agradar. Julia Rabello conseguiu um fator que pode ser bom e ruim ao mesmo tempo pra ela, pois conseguiu imitar quase todas as personagens cômicas que tentou durante o longa inteiro, vemos um misto de Heloísa Périssé com Ingrid Guimarães do começo ao fim do filme. Rafinha Bastos trabalhou sendo ele mesmo, tentando apelar em tudo que fazia, e chega um momento que não dá para passar os olhos na tela e falar que ele está atuando, é quase uma ironia total colocar no longa ele ganhando um Oscar de Melhor Ator por um filme de Tiradentes, quando vamos assistir o longa justamente no feriado, ou seja, lastimável para não dizer outra palavra. O trio de policiais Daniel Furlan, Milton Filho e Rafael Studart até conseguem ter boas cenas, mas são tão rápidas que acabam sendo meio como inserções boas perdidas numa trama ruim. As demais participações é melhor nem considerar que vimos na tela do cinema, Bruno de Lucca, Marcos Frota, Bento Ribeiro e Thammy Miranda são apenas enfeites de cena que acabam não divertindo quando poderia fazer algo. Enquanto Anitta, Grupo Molejo aparecem apenas para mostrar o quão pode piorar algo no cinema nacional.

O visual do filme serve como crítica para a Copa do Mundo no Brasil, pois aparenta ter sido feita tão nas pressas que esqueceram de colocar praticamente tudo que poderia ser um mérito ao filme se tentassem parecer ao menos com as paródias americanas, que costumam valorizar em muito a cenografia usada para representar o longa original, saindo às vezes até melhor que o próprio filme. E aqui o que vimos foram cenários bagunçados com elementos que poderiam agradar, mas ficaram fracos demais, onde apenas um computador velho acabou sendo bem mostrado como algo desenvolvido dentro da trama. A fotografia ficou parecendo que o diretor de fotografia levou uma pancada na cabeça e fez imagens a cada 2 minutos utilizando uma iluminação diferente, e a equipe de edição esqueceu de arrumar achando que era algo proposital, não tendo como não ficar nervoso com imagens hora sendo bem iluminadas, ora ficando de forma tão amadora que não conseguimos notar nenhuma cena que fosse destacada por algo de beleza mostrada na tela.

Bom vou pular a parte da trilha, que falar das escolhas musicais é querer entrar numa gama de músicas que só funcionam bem para torturar alguém na cadeira elétrica, então vamos aos finalmente pra falar que a tentativa foi nobre de criar uma paródia que pegasse nossos sucessos de bilheteria e os transformassem em algo cômico, porém a maioria dos filmes sacaneados já são comédias, então o resultado ficou bem abaixo do que se poderia esperar, e olha que já estávamos esperando algo bem ruim apenas pelo trailer. Não recomendo de forma alguma que alguém pague para ver ele, mas quem for pelo menos não faça como algumas pessoas que riem de algo que não teve graça, espere pelas piadas boas, sim tem algumas, para não parecer que somente você entendeu o que aconteceu ali e achou engraçado. Fico por aqui hoje, mas amanhã estou de volta com mais filmes que estrearam por aqui no feriadão, mas que dessa vez até o Coelho tirou uma folga dos cinemas. Então abraços e até breve pessoal.


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Divergente

quinta-feira, abril 17, 2014 |

Desde que "Crepúsculo" já chegava aos seus últimos capítulos, as distribuidoras já começavam a apostar qual seria o filme que supriria o mote teen nos cinemas, e tivemos com isso diversos filmes baseados em sucessos de livros que não conseguiram sequer emplacar nem o gosto dos fãs dos livros quanto mais animar qualquer cinéfilo de que teríamos alguma boa série nas telonas. Porém agora se basear apenas na gritaria que foi a pré-estreia de "Divergente" com fãs malucas berrando pelos protagonistas, aplaudindo diversas cenas e até chorando em alguns momentos, posso dizer com toda certeza que teremos nos próximos 3 anos, algo bem badalado nas estreias das continuações do longa que aparentemente mesmo antes do lançamento do primeiro filme já trocou de diretor para os próximos longas.

O filme nos coloca em uma Chicago futurista, onde as pessoas estão divididas em cinco facções com base em suas personalidades, e a adolescente Beatrice Prior descobre que ela é divergente - uma pessoa que não se encaixa em qualquer uma das facções - e logo descobre segredos em sua sociedade aparentemente perfeita.

A história logo de início pode aparentar ser complexa, afinal assim como grandes trilogias, o longa utiliza boa parte da sua trama inicial para apresentar de uma forma bem pautada a todos que não leram os livros, e isso é algo que ficou bem bacana de ver na tela, não sendo nem algo jogado como se todos tivessem obrigação de saber, muito menos explicativo para crianças de 3 anos de idade, caindo na medida certa para o filme. Após essa apresentação, o longa se desenvolve bem entre os protagonistas e acaba sendo até bem interessante de acompanhar e que devido à grandiosidade de produção até possui alguns errinhos leves, mas nada que atrapalhe a energia que é colocada pelo diretor Neil Burger, que colocou toda sua experiência dos seus últimos e excelentes trabalhos, como ideologia a seguir na sua câmera para desenvolver o filme com toques sutis onde precisava ir com calma, e onde deveria ir a milhão, dar todo o gás preciso sem que o espectador se perdesse com nada que estava sendo mostrado, acertando em cheio no público que deseja atingir.

Muitos que forem aos cinemas sem conhecer os atores, pode até achar que são novatos, mas a grande maioria já foi protagonista de série, tiveram grandes participações em filmes e essa experiência serviu para que o longa ganhasse qualidade e, principalmente, por ser atores que estão em diversos filmes durante o ano, mantivessem o nome do filme rodando para as sequências não chegarem esquecidas. Shailene Woodley conseguiu ser bem encaixada tanto para o romance quanto para as boas cenas de ação, o que é raríssimo em filmes teen, e suas expressões mesmo oscilando demasiadamente durante todo o longa acabam agradando. Theo James faz bem seu papel de molde para sonhos das garotas, mas diferente de outros que apenas se apresentam visualmente bem, nas cenas que precisa botar alguma expressão nos diálogos faz bem com poucos trejeitos e dando característica própria para seu personagem. Kate Winslet agrada pela imponência que coloca em seu personagem, e fazendo um papel completamente diferente do que já fez nos cinemas, aqui acaba utilizando muitos recursos de caras e bocas costumeiras da TV, mas ainda assim agrada bastante. Jai Courtney faz um papel preciso e muito imponente de forma até espantar suas atitudes e com isso, o ator demonstrou segurança em chamar atenção para si, mesmo enfrentando de frente os protagonistas na maioria das cenas. Dos demais personagens que estão presentes em diversas cenas vale ressaltar Miles Teller saindo do padrão comédia para um papel bacana e mais sério, ainda longe de ser algo que vá chamar tanta atenção, mas já começa a dar bom sinal de mudança, e alguns momentos de bons diálogos com a protagonista de Maggie Q, Zoë Kravitz e Ashley Judd, todas sempre dando prioridade para que não chamasse tanta atenção para sua atuação, mas sim auxiliasse a protagonista a encaixar os seus diálogos. Ansel Elgort que tantos outros sites de crítica ressaltaram acredito que deverá sair melhor no seu outro trabalho junto da protagonista que sai em Junho e nas continuações que pode ser que tenha maior importância, pois aqui apenas fez algumas caras e bocas nas 3 cenas que evidencia seu rosto.

O grande feito do longa com certeza está na produção muito bem encaixada da direção de arte, que trabalhou com cenários muito grandes, onde tudo é encaixado para que a trama tivesse um clima próprio e encaixasse num futuro não tão difícil de imaginar. Todos elementos cênicos estão bem colocados sempre servindo para que o roteiro se desenvolvesse a partir do que é usado em cena, principalmente nas cenas de alucinações, onde nos são explicadas coisas bem bacanas sobre a ideia das facções. Com isso em mente, o filme não comete deslizes nesse sentido, agradando e divertindo bem com o que foi proposto. E juntamente dessa cenografia bem empregada, a fotografia colocou tons bem escuros, mas sem esmaecer cena alguma, agradando por colocar sentimento em cada cena somente trabalhando o tom de iluminação, e quando isso funciona, o longa tem outra forma.

A trilha sonora de Junkie XL funciona para ditar ritmo em algumas cenas, mas diferentemente do seu longa anterior que dá vida aos momentos, aqui acaba servindo mais de pano de fundo sem ser algo que influencie tanto na história. E alguns sons de objetos poderiam ter sido criados menos falsos para agradar mais, por exemplo as seringas parecendo ser de ar comprimido que enchemos os pneus dos carros.

Enfim, é um filme que me agradou muito e recomendo principalmente para quem sentia falta de uma trama adolescente bem feita, claro que temos outras mais jovens que são feitas para outro estilo de público, mas quem for ver com os olhos de uma boa diversão com certeza não irá reclamar do que irá assistir, mas para isso se você meu leitor não for um adolescente vá em horários alternativos que dê para fugir das fãs gritantes, pois chega cansar o exagero que fazem por um homem sem camisa. Como disse para alguns amigos é um filme feito para um estilo de público que gosta de ver filmes nos cinemas, então temos de respeitar também, já que eles dão bilheteria, mas quem não tiver a cabeça bem aberta para o estilo passe longe, pois a chance de reclamar de tudo é altíssima. Mais uma vez agradeço o Cinépolis do Shopping Iguatemi pela oportunidade de participar junto da pré-estreia e claro que recomendo a todos da cidade para conferir lá. Fico por aqui hoje, já que irei dar uma limpada na mente após uma semana bem corrida de filmes, mas logo mais quando menos esperarem o Coelho está de volta com mais estreias, afinal apareceram mais do que apenas esse filme pelo interior, então abraços e até qualquer momento pessoal.


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Antes do Inverno

quinta-feira, abril 17, 2014 |

Se existe um fator chave nos filmes franceses é o de que quando um filme é aberto demais, ele acaba não envolvendo o público e a carga dramática gigantesca empregada acaba mais confundindo o espectador que deixando ele curioso do que pode acontecer. Com "Antes do Inverno" acontece exatamente isso, pois o filme até tenta nos prender com o envolvimento estranho do neurocirurgião com a jovem, mas acaba rolando tantas reviravoltas com ele mesmo e sua família que acabamos perdendo o sentido real do filme para talvez o auto reconhecimento dele próprio como alguém incomum.

O filme nos mostra que Paul é um neurocirurgião de 60 anos casado com Lucie. Um dia, buquês de rosa começam a ser entregues de forma anônima na casa deles no mesmo momento em que Lou, uma jovem de 20 anos não para de cruzar o caminho de Paul. Então as máscaras começam a cair: será que todos são realmente o que fingem ser? Ainda há tempo, antes velhice, de ousar revelar os subentendidos e os segredos?

O diretor e roteirista Philippe Claudel trabalha bem o drama do protagonista mostrando suas paranoias e seus sentimentos, mas esquece de desenvolver suas dúvidas de uma forma mais ampla, então o círculo em volta do personagem acaba girando tanto ficamos nos perguntando se o protagonista é importante para a história ou tudo que acontece em volta dele que é o que devemos prestar atenção. E com isso o filme vai nos tomando tempo sem desenvolver praticamente nada e acaba cansando para um desfecho, falando não da cena final, mas sim de onde o filme deveria ter acabado, mais estranho ainda com a revelação do que a moça fazia. Em resumo, o filme é daqueles que talvez, muito talvez assistindo uma segunda ou terceira vez consiga chegar a conclusões melhores, pois apenas com uma vez, o que podemos afirmar apenas é ser confuso demais.

O ator Daniel Auteuil deve ter acabado as gravações e perguntado pro diretor com certeza se na montagem do filme ele entenderia algo, pois com toda oscilação de momentos que seu personagem tem, aliado a nunca gravar o filme numa sequência correta, se nós ficamos confusos, fico imaginando o pobre ator, e ele acaba nos transmitindo essa insegurança no filme. Kristin Scott Thomas faz um personagem que poderia ser a chave do filme em alguns momentos, mas aparece como uma esposa banal que largou toda sua vida para viver as custas do marido, ou não, onde em raros momentos podemos ver alguma expressividade sua. Leila Bekhti no momento que parece engrenar dá uma reduzida enorme em sua expressividade, faz uma cena onde não se consegue concluir nada, ao menos muito bem atuada, e acaba sem ao menos ligar todos os pontinhos. E Richard Berry tem ao todo 6 cenas sendo 2 jogando tênis, e o que é melhor, seu personagem ao que tudo transparece tem uma boa importância para a trama, então ou muitas cenas suas foram cortadas, ou precisava ter trabalhado muito mais o ator para que saísse algo dali.

A direção de arte ao menos trabalhou bastante, principalmente ao escolher a maravilhosa residência do protagonista, que com toda certeza daria para fazer uns 2 filmes inteiros só ali sem precisar de nenhuma outra locação. Uma casa requintada, cheia de elementos visuais trabalhados e diversas áreas de lazer que serviu para bons momentos chaves do filme. Além de outros objetos que acabam aparecendo tanto no consultório quanto na casa da jovem, que vão servir para ligar mais alguns pontos que estavam abertos. A fotografia poderia ter elucidado mais alguns momentos se tivesse optado por determinar os momentos chaves com cores e tons diferentes dos demais, mas apenas iluminaram bem as cenas noturnas para ficar dentro do tradicional e nas cenas diurnas deixaram que o sol fizesse seu papel.

Enfim, foi meu último filme visto no Festival Varilux e acabou sendo o mais fraco de todos, não pelo conteúdo exibido, mas sim pela toda abrangência que acabou nos deixando confuso com o que é mostrado. Como disse talvez assistindo uma outra vez, possa ficar mais feliz com o resultado, mas de início acabo não recomendando ele. Fico por aqui encerrando minha participação no Festival Varilux de Cinema Francês, agradecendo mais uma vez a Aliança Francesa de Ribeirão Preto por trazer excelentes filmes para a cidade e claro pelo apoio ao site, e ficaremos no aguardo do próximo ano que se Deus quiser não teremos os mesmos problemas que acabamos enfrentando nesse ano. Então abraços e até breve pessoal, já com o primeiro lançamento dessa nova semana cinematográfica.



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A Grande Volta

quarta-feira, abril 16, 2014 |

São raros os filmes esportivos que fogem da linha de alguém resolver competir brigando com alguém, decola fazendo com que todos torçam por ele, algo ruim acontece, a pessoa se redime e temos um bom final. Pode até parecer um spoiler esse começo, mas quem já assistiu a qualquer filme do gênero sabe que todos serão sempre igual. Infelizmente "A Grande Volta" segue a mesma linhagem e não nos apresenta nada de novo, tirando o belíssimo cenário por onde ocorre, atravessando toda a França por mais de 2500 km de extensão de prova.

O filme nos mostra que François é apaixonado pelo Tour de France. Demitido por seu patrão e abandonado pela mulher, ele vai fazer a Grande Boucle saindo um dia antes dos profissionais. Ele é logo seguido pelos outros, inspirados por seu desafio. Os obstáculos são inúmeros mas os rumores da sua proeza se espalham. As mídias se inflamam, os passantes o aclamam, o Maillot Jaune se enfurece. François deve ser detido!

É interessante ver o trabalho do diretor Laurent Tuel, pois  ele trabalhou o filme usando a forma de bolo que citei acima, mas ao mesmo tempo colocou um temperamento adocicado ao protagonista, não temos em cena alguma nenhum desenvolvimento de raiva ou garra de espirito esportivo que costuma aparecer nesse estilo de filme, porém vemos que o protagonista quer competir, mas sem sair matando alguém para isso, e essa visão é o que diferencia o longa de um filme esportivo tradicional para um filme esportivo com a cara francesa. A ideia também de um road-movie esportivo agrada por percorrer lugares incríveis e ir fazendo com que conhecêssemos mais da França, afinal é garantido que muitos conhecem por filmes somente umas 2 ou 3 cidades, e com o andamento quase conhecemos um bom número, só espero que no lançamento oficial venha com legendas amarelas, pois quem não entende muito de francês sofre com o longa filmado quase sempre durante o dia com a iluminação natural ofuscando as legendas.

As atuações poderiam ter definido um estilo a atacar, pois em momento algum conseguimos ligar se os personagens estão dentro de um drama ou de uma comédia, oscilando demais para ambos os lados. Clovis Cornillac se não usou um dublê com toda certeza terminou o filme bem cansado e ao menos nesse quesito podemos ficar felizes com o que vemos na sua expressão que sempre é mantida tênue, porém seu cansaço vai ficando evidente e demonstrável, o que deveria acontecer com outros participantes do filme. Ary Abittan faz "O" competitivo e chega alguns momentos até ficar chato seus diálogos, seu semblante é estável durante todo o filme, e quem já viu qualquer prova desse estilo sabe que os caras chegam mortos após pedalar quilômetros. Bouli Lanners agora sim faz um papel no seu estilo, depois de vermos ele em outros dois filmes do Festival Varilux, finalmente no último achamos um personagem digno de ser interpretado por ele, com seu cabelo bagunçado, barba por fazer e atitude fora dos padrões coerentes, o ator arrasa até mesmo quando atrapalha tudo. E vale destacar o carisma de Bruno Lochet para com o protagonista e sua família, agradando por fazer um ser bom nas telas com suavidade sem ser piegas, e o irreverente papel bem interpretado de Doudou Masta.

Até poderíamos tentar fazer um longa do mesmo estilo no Brasil, mas seria triste com as estradas destruídas que vemos todos os dias nos telejornais, porém no longa estamos falando de um país bem desenvolvido e mesmo na zona rural as estradas, ao menos nos filmes, são verdadeiros tapetes, onde as bicicletas da trama passam maravilhosamente pela cenografia maravilhosa que nos é proporcionada ao longo dos muitos quilômetros percorridos durante o filme. O longa não trabalha com tantos elementos cênicos já que o que era necessário era apenas a bicicleta e o ciclista, mas o trailer da família que acompanha o ciclista é algo bem inusitado e alguns outros objetos que acabam aparecendo durante o filme servem sempre para algo bem colocado. A fotografia usou toda a luz natural possível que o céu lhe permitiu, fazendo algo bem bonito e visualmente interessante, porém como disse atrapalha bem a legenda.

Enfim, um filme bacana que poderia ser genial se tivesse trabalhado um pouco mais os atores e talvez feito alguma coisa diferenciada do que estamos acostumados, mas vale a pena assistir pela beleza cenográfica. Recomendo principalmente para quem gosta de filmes envolvendo esportes, pois quem já tem o costume de ficar com o pé atrás nesse estilo, com certeza irá revoltar ao ver que não tem nada de diferente para observar. Fico por aqui no meu penúltimo filme do Festival Varilux, já que alguns acabaram não passando e outros acabaram não batendo horário após todo o tumulto que foi com as cópias nos primeiros dias, mas valeu pela qualidade selecionada de filmes e pelo apoio que nos foi dado pela Aliança Francesa Ribeirão Preto. Volto mais tarde com o último filme da programação, então abraços e até breve pessoal.


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Grandes Garotos

terça-feira, abril 15, 2014 |

A velha frase que garotos não envelhecem é um primor no filme "Grandes Garotos" e com uma comédia super ágil cheia de referências musicais e toda trabalhada na ideologia de que casamentos só estragam a vida de um homem, o filme é cheio de gags interessantes com o velho voltando à sua infância e todos os encontros e desencontros comuns da comédia francesa, além claro de pitadas bem sacadas mostrando que a música atual se baseia em plágios cantados por crianças mimadas. Perfeito demais para quem gosta de rir.

O filme nos mostra que logo depois de ficar noivo, Thomas conhece seu futuro sogro Gilbert, casado há 30 anos com Suzanne. Gilbert, desiludido, está convencido de que deixou a vida passar por causa do seu casamento. Ele dissuade Thomas a se casar com sua filha Lola e o motiva a abandonar tudo junto com ele. Eles se lançam numa nova vida de garotos, cheia de peripécias, convencidos de que a liberdade é isso. Mas qual é o preço de retomar seus sonhos de adolescente?

O diretor Anthony Marciano fez em sua estreia na direção, escrevendo e claro dirigindo um longa que em momento algum vemos apelo para bobagens e ao mesmo tempo tem o tino comercial de grandes comédias, agradando a todos que assistirem o filme fazendo o que deve fazer: divertir e colocar todo o público para rir com piadas engraçadas. As situações inusitadas sempre lançam mão de algo que nos faz refletir ao mote da sinopse de valer ou não viver como um adolescente mesmo após passar a época disso, e dessa forma o longa toma uma forma tão interessante que se não terminasse da forma tradicional das comédias americanas, poderíamos dizer que o filme seria genialmente perfeito. Mas nem isso atrapalha tudo de bom que ele nos proporciona com planos tradicionais, mas não menos bonitos de acompanhar e se divertir com tudo que é proposto na trama.

O trabalho de atuação da dupla masculina é impressionante de ver, principalmente Alain Chabat que demonstra com perfeição dois trejeitos completamente diferentes num único filme, iniciando com uma cara fechada, mas ao ir se abrindo na trama fica tão divertido que a cada momento ficamos esperando mais e mais de sua interpretação. Max Boublil faz de tudo no longa, boas facetas românticas, cômicas, dramáticas e até solta a voz cantando uma musiquinha bem chata a todo momento que no final até saímos cantando ela da sala, ou seja o ator foi excelente no que se propôs a fazer. Mélanie Bernier poderia ter se soltado mais, pois tem momentos sérios demais que deveria estar mais voltada para o momento feliz e está com cara fechada, e quando precisa ficar mais nervosa e séria fica normal, então se perdeu um pouco no que deveria fazer. Com Sandrine Kiberlain a situação foi quase a mesma, porém com ela os momentos mais sérios combinaram ao menos, claro que poderiam ter envelhecido um pouco mais ela para o papel, mas agrada ao menos na cena com Romain. Já que citei Alban Lenoir faz alguns momentos frescos demais, porém sua cena no banheiro é um dos pontos cômicos que irão ficar na história do filme, muito divertido imaginar o pós-cena que ocorre. E se temos de fazer um destaque que dá vontade de socar é Mélusine Mayance interpretando o Justin Bieber versão feminina francesa, pronto resumi e não preciso falar mais nada dela.

O visual do longa é cheio de criatividade colocando em todas locações algo que marcasse o momento e ainda nos divirta, e sempre recheados de elementos cênicos o filme nos enche de pontos para rir e divertir com todo o ambiente criado, tendo com certeza sido mais difícil trabalhar com tudo que Gilbert monta em seu apartamento. A fotografia fez o comum básico da comédia, colocando cores bem vivas para ajudar a trabalhar a cena, usando somente nos momentos mais dramáticos um tom mais escuro, mas que é sobreposto rapidamente para voltar a divertir.

Agora o ponto chave da trama que ficou incrível são as trilhas sonoras cantadas pelo coral da Escola Internacional St. John que você pode ouvir aqui e sempre tocando algo de fundo nos envolve nos momentos. Destaque claro para "Forever Young" e "Try".

Enfim, uma comédia como ela deve ser: fazendo rir do início ao fim e nos divertindo nas situações mais inusitadas possíveis. Na França o longa estreia comercialmente na próxima quinta dia 17/04, e nos Festival Varilux em Ribeirão hoje aparentemente foi o último dia, então recomendo que assim que for lançado por aqui todos confiram para ver como realmente deve ser uma boa comédia. Fico por aqui hoje, mas ainda falta alguns filmes para finalizar o Festival, espero que passem todos e consiga conferir após a bagunça que foi no início. Abraços e até breve pessoal.





Direção: Anthony Marciano
Com: Alain Chabat - gilbert, Max Boublil - thomas, Sandrine Kiberlain - suzane, Mélanie Bernier - lola.
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Uma Juíza Sem Juízo

segunda-feira, abril 14, 2014 |

A comédia do absurdo francesa pede licença para entrar na sua programação de cinema, pois se você quer rir muito vendo algo completamente maluco deve correr para garantir ingresso no último dia de exibição de "Uma Juíza sem Juízo" que garante gargalhadas bem altas por sinal do público presente durante toda a exibição e a cada cena ficamos mais convencidos da insanidade do diretor para fazer as cenas do crime, utilizando de sátiras a diversos filmes de terror da atualidade, mas com uma pitada cômica incrível para tudo.

O filme nos mostra que Ariane Felder está grávida! É ainda mais surpreendente por ser uma jovem juíza de hábitos rígidos e solteira convicta. Mas o pior, é que o pai da criança é nada menos que Bob, um criminoso perseguido por uma terrível agressão! Ariane, que não se lembra de nada, tenta então entender o que pode ter acontecido e o que a aguarda...

O diretor e protagonista Albert Dupontel consegue ser chamado de maluco no longa diversas vezes e com toda certeza merece o título, afinal levou o Cesar de melhor roteiro pela comédia mais insana que a França fez nos últimos anos que nos diverte demais, tudo é bem encaixado para que o absurdo e mais improvável ocorra a cada momento no filme, e a desenvoltura da trama vai sendo trabalhada a cada momento para que o público se divirta sem pensar em nada com diálogos na medida e bem leves de interpretar. Falar muito sobre a história pode atrapalhar a diversão, então é melhor deixar claro apenas o que é a comédia de absurdo para aqueles que não a conhecem bem, pois os filmes começam com uma história aparentemente comum e no deslanchar da história acontecem coisas grotescas que fogem da realidade tradicional, então a cena do crime é desenvolvida com imagens que podem até chocar, mas são feitas de forma tão divertida que a reação do público é só uma rir de tudo que é mostrado, e assim se desenvolve esse estilo de vertente cinematográfica.

A atuação de Sandrine Kiberlain também rendeu o prêmio Cesar de melhor atriz para sua irreverência séria desenvolvida em tudo que está ocorrendo derrubando seu chão firme que sempre defendeu, e como é tudo tão anormal para ela acabamos rindo demais de tudo que tenta fazer por não acreditar no que está acontecendo, ou seja, o que poderia ser um personagem chatíssimo acaba tendo uma comicidade impressionante que até poderia ser adaptada para uma peça que ficaria talvez até melhor. Analisando o diretor, agora como ator, Albert Dupontel é irreverente em tudo que faz, nos divertindo com seus pensamentos e diálogos bem interpretados, ou seja, ganhou a indicação mas só perdeu para Guillaume Galliene porque o rapaz fez mais que um papel, pois além de tudo que fez bem juntamente da conexão que faz com a protagonista é impressionante o trabalho dele mesmo estando dos dois lados da câmera. Vale ainda destacar as atuações de Nicolas Marié pela sua gagueira e maluquice tentando defender o réu, e as pancadas sofridas pelo pobre Philippe Uchan em todas as cenas que aparece.

A direção de arte mostra seu serviço desde a primeira cena já com uma festa de ano novo muito maluca, lotada de figurantes bem vestidos e que mesmo contendo diversos elementos cênicos nessa cena apenas uma bebida é importante para a história, porém nas demais cenas tudo que aparece na tela é usado e tem seu valor para a trama, passando desde muitos papéis usuais do judiciário, até mesmo canetas marca-texto e vídeos de prova, além claro da cena-máxima do crime, onde todas as formas possíveis de assassinato são colocadas sendo bem ilustradas com tudo que se possa imaginar, ou seja, perfeita. A fotografia usou de muitas cenas em nuances de luz para tentar manter o clima mais sério nelas, mas no geral tudo é bem iluminado para manter a comicidade.

Enfim, um filme brilhante que faz o que toda comédia deve fazer com muito mérito, tirar a risada do espectador e porque não gargalhar muito durante toda sua execução. Recomendo demais o filme, que ainda continuará sendo exibido no Festival Varilux, e teoricamente estreia no Brasil na próxima quinta em algumas cidades. Muitos estão reclamando de não estar colocando o link para os horários do Festival, porém com todos os problemas que tivemos por aqui, ainda estão montando os horários de acordo com o que funciona no dia aqui em Ribeirão Preto, mas para quem quiser ver de outras cidades, o link é esse: http://www.variluxcinefrances.com . Fico por aqui agora, mas ainda irei subir a crítica da outra comédia que assisti nessa terça, então abraços e até daqui a pouco pessoal.



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Lulu, Nua e Crua

segunda-feira, abril 14, 2014 |

Se tem uma lição que a maioria dos filmes franceses gostam de passar e sempre fazem bons filmes com ela é a do Carpe Diem, e o filme "Lulu, Nua e Crua" parecia ser tão diferente e complexo que ao adentrarmos dentro da simbologia que a mensagem nos passa, o filme fica gostoso de acompanhar, mesmo nos vendo a cada 10 minutos pensando o porquê dela ter abandonado a família. Além desse pensamento, nos vemos refletindo também o quanto ajudamos um próximo dando apenas carinho e o que mais ele precisar sem ter um euro na carteira, e com toda essa coisa mística no ar o filme acaba sendo delicioso de acompanhar.

O filme nos mostra que após uma entrevista de emprego que não é boa, Lulu decide não voltar para casa e parte deixando o marido e seus três filhos. Ela não premedita nada. Ela se concede alguns dias de liberdade sem outro projeto além de aproveitar plenamente. No caminho, ela cruza pessoas que também estão na beirada do mundo. Três encontros decisivos vão ajudar Lulu a reencontrar uma antiga conhecida que ela perdeu de vista: ela mesma.

É notável como a diretora Sólveig Anspach trabalhou com um mundo aberto para tudo que pudesse acontecer, e o filme ficou com ares de road-movie sem ficar preso a uma estrada ou carro, levando a protagonista para onde ela pudesse viver feliz e passar sua felicidade que estava oculta até então. Em momento algum conseguimos ver um roteiro redondinho, parecendo ser criado junto com a própria personagem, e com isso como disse no início nos vemos pensando direto como isso pode acontecer? Por que isso? Como pode terminar esse filme? E como todo bom filme francês, a maioria das respostas irão ficar para serem respondidas pelos próprios espectadores, mas longe de ser algo tão aberto como estou dizendo, o filme joga boa parte da culpa no modo de vida do Carpe Diem, e se pararmos pra pensar a vida pode até ser mais bonita se levada sem pensar muito e agir mais com seu extinto.

A disposição que Karin Viard dá para seu personagem vai muito além de uma atuação comum, e adentra a libertação de uma expressão vivenciada e colocada para seu próprio reconhecimento, e além disso é possível notar em seus olhos que tudo está acontecendo conforme lhe agrada, e isso é lindo de ver vindo de uma atriz interessante. Bouli Lanners é o típico ator que nenhum diretor sem colhões colocaria para interpretar o personagem que faz, pois é completamente fora de algo tradicional e acaba dando certo por isso, sua expressão não é algo que chame atenção, mas acabamos gostando do que faz. Claude Gensac está com quase 90 anos, mas ainda demonstra saber lidar com a expressão facial melhor que muita atriz com metade da sua idade, seus momentos junto da protagonista são gostosos de ver e enriquecem nossa alma com tudo de bom que ela nos apresenta. A dupla Pascal Demolon e Philippe Rebbot inicialmente parece divertida, mas suas bobagens começam a cansar um pouco mais pra frente, porém souberam fechar com uma boa cena.

Por ser um longa de descoberta, as locações são visualmente impressionantes sempre marcando por algum elemento chamativo, a protagonista passa por cidades pequenas interioranas que acabam tendo pelo menos um mísero charme para olharmos, e além disso a equipe de arte fez questão de que cada cena tivesse algo para marcar, nem que fosse um pequeno elemento cênico, de modo que desde uma aliança até mesmo uma tinta para cabelo tivesse importância e significado para a trama. A fotografia usou de muitas cores vivas e luzes nas cenas mais escuras para realçar a abertura sempre da mente da protagonista e com isso temos um filme bem claro e bonito de ver.

Enfim, um filme muito divertido e gostoso de assistir, que passa bem rápido e ainda assim não soa bobo como uma comédia qualquer. Recomendo ele para quem está com tanto problema na cabeça e precisa dar uma espairecida, só não saia atacando o primeiro mendigo que ver pela rua ok! Fico por aqui neste Domingo que finalmente os filmes franceses funcionaram todos, não sei se conseguirei fechar o Festival Varilux completo já que agora muitos horários é capaz de não encaixar bem. Então abraços e até breve pessoal.



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Um Belo Domingo

domingo, abril 13, 2014 |

É interessante ver como algumas pessoas conseguem abstrair a forma que nasceram para tentar viver de uma forma diferente da pensada pela própria família. E em "Um Belo Domingo", o filme pode até ser classificado como comédia, mas toda a dramaticidade que o longa passa pelas histórias difíceis que cada um dos três protagonistas protagonizam é de parar pra pensar em cada uma individualmente e refletir se as escolhas que fizeram foram as melhores para suas vidas e porquê não dizer se a conexão final funciona?

O filme nos mostra que Baptiste é professor no sul da França. Na véspera de um fim de semana, contra sua vontade, ele herda Mathias, um dos seus alunos esquecido na saída da escola por um pai negligente. Mathias leva Baptiste até sua mãe, Sandra. Em um dia os três se apaixonam. Mas Sandra tem que ir embora, fugir de uma ameaça por causa de uma dívida. Para ajudá-la Baptiste deverá voltar às origens da sua vida, ao que ele tem de mais doloroso.

A história em si é bem interessante, mas o começo chocante nos deixa um pouco assustado com a forma, parecendo que a ideia da diretora era mostrar os abusos que alguns miseráveis sofrem da polícia, mas logo na sequência acabamos vendo um longa completamente diferente, e de uma forma suave passamos a conhecer o professor substituto Baptiste, pelo menos é o que achamos que iremos conhecê-lo, mas bem mais pra frente é que sua real ideologia é descoberta e vamos saber o porquê de sua opção pela abstração de dinheiro, em contraponto conhecemos o garotinho Mathias que tem um pai riquíssimo mas que não dá bola nenhuma para ele, e pra fechar o triângulo de dificuldades que nos é apresentado aparece sua mãe Sandra que deve muito para pessoas ruins e deseja começar ou não uma nova vida. Pois bem, pode parecer um triângulo difícil de acompanhar, mas todas as situações são apresentadas tranquilamente para nós e acabamos gostando bastante do que irá ser mostrado, acabamos entendendo a moral que querem nos passar do dinheiro não ser a coisa mais importante na vida, e com sequências bem interessantes e bonitas a diretora acaba nos agradando visualmente de forma a história passar bem rápida por nós.

Embora seja um longa com uma carga dramática forte, o elenco não assume tantos riscos na atuação, levando tudo de forma bem leve nas expressões. Pierre Rochefort faz um personagem tão fechado nas interpretações que se o longa não nos mostrasse exatamente tudo de sua vida nos diálogos, assistiríamos o filme inteiro sem saber quem ele é, de onde veio e tudo mais, claro que possui muitos bons momentos, mas poderia ter assumido a responsabilidade do longa pra si e ter feito bem mais. Louise Bourgoin assim como a mãe de Baptiste diz é bonita, mas sem conteúdo, e tenta agradar com alguns trejeitos, mas tirando dois momentos fortes, não nos faz torcer por ela, então faltou atitude na atuação. Mathias Brezot iniciou bem seus trabalhos no cinema, conseguindo chamar a atenção pra si em alguns momentos, mas sua cara de cachorro triste que caiu da mudança é exagerada demais, de forma que até nos momentos alegres está emburrado. Dominique Sanda vale ser citada como destaque, mesmo sendo parte apenas nos momentos finais do filme, dando boas lições em seus diálogos bem pausados e com uma atuação precisa acaba sendo o melhor do filme.

Os locais escolhidos para a filmagem foram de um primor ímpar e desde o local do restaurante praiano, passando pela casa de Sandra e fechando com chave de ouro a mansão de Liliane, o filme conta com diversos elementos visuais bem bonitos de ver e cada um com sua importância acaba fazendo do filme algo luxuoso nas escolhas pelo menos para simbolizar as escolhas de cada protagonista. A fotografia seguiu uma linha tradicional, mas ao mesmo tempo trabalhou com alguns focos de luz nos closes dos personagens para dar um ar simbólico do momento vivido por cada um.

Enfim, é um filme gostoso de acompanhar, com uma mensagem interessante que apenas pecou na falta de direção dos atores, ou em uma preparação melhor de elenco, pois com certeza se eles não tivessem sido tão vazios, o longa teria uma outra forma bem mais forte e marcante. Porém ainda assim recomendo o filme pela mensagem que passa de que dinheiro não é tudo, e procurem sentar longe de grupo de amigas(os) mesmo que aparentem ser cultos, pois os mesmos podem querer discutir o filme durante a própria execução do mesmo. Fico por aqui agora, mas ainda tenho mais uma crítica do último filme desse domingo no Festival Varilux. Abraços e até daqui a pouco.


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Os Incompreendidos

domingo, abril 13, 2014 |

Não sou daqueles que defendem ver um filme 200 vezes, e mesmo clássicos tenho da seguinte opinião que são obrigatórios sim ver eles para conhecer ao menos uma vez na vida, mas como o Festival Varilux de Cinema esse ano é em homenagem à Fraçois Truffaut, fui conferir a cópia remasterizada digitalmente do clássico "Os Incompreendidos". O filme é uma obra de arte pelo conteúdo bem expressado, pelo visual magnífico e pelas desventuras do jovem garoto ao ser reprimido apenas por fazer coisas normais de uma criança, porém ao ver uma segunda vez já é possível, principalmente quem tenha bons olhos e ouvidos, escutar sons de passos diferentes do tradicional, entre outras falhas do cinema na época, e isso acaba incomodando um pouco. Ainda acho o filme excelente, mas se colocarmos olhos técnicos veremos defeitos até no melhor filme do mundo.

O filme nos mostra que Antoine Doinel é o filho negligenciado de Gilberte Doinel, que parece ter tempo para tudo menos o bem-estar da criança. Julien Doinel não é o pai biológico, mas cria o menino como se fosse seu filho. Gilberte está tendo um caso e não se surpreende quando, por acaso, Julien fica sabendo que Antoine não está indo à aula, pois ela sabia que na hora do colégio o filho a tinha visto com seu amante. A situação se agrava quando Antoine, para justificar sua ausência no colégio, "mata" a mãe. Quando seus pais aparecem na escola, a verdade é descoberta e Julien o esbofeteia na frente de seus colegas. Após isto ele foge de casa e arruma um lugar para dormir. Paralelamente seus pais culpam um ao outro pelo comportamento dele, após lerem a carta na qual ele se despede. No outro dia Antoine vai à escola normalmente. Lá sua mãe o encontra e se mostra preocupada por ele ter passado a noite em uma gráfica. Ela alegremente o aceita de volta, mas os problemas não acabam. Antoine se desentende com um professor, que o acusa de plagiar Balzac. Como ele odeia a escola, sai de casa de novo e para viver é obrigado a fazer pequenos roubos.

A história em si é interessante por mostrar um jovem garoto que pula algumas etapas da sua infância, mas também não é algo que se apaixone, pois acaba sendo um filme de cotidiano de uma pessoa, sem que tenha algo que vá impressionar o espectador. Por exemplo, caso fizessem uma refilmagem do longa utilizando a mesma história sem mudar nada nos dias de hoje, era capaz de todos os críticos que são apaixonados pelo filme é capaz que falem mal do longa por ser uma refilmagem, mas com certeza quem assistir falará mal por ser algo sem conteúdo, já que tudo que vemos é algo comum hoje, jovens fugindo de casa cedo por brigarem com os pais ou na escola, alunos sofrendo bullying nas escolas, etc. Porém na época em que foi feito, podemos dizer que Truffaut estaria com uma imaginação de uns 40 anos a frente por pensar assim e fazer um longa dessa forma. Com cenas maravilhosas em plano sequência, mostrava também uma grande faceta do diretor que era mestre nesse quesito.

O garoto Jean-Pierre Léaud já mostrava na época que seria um excelente ator, com expressões bem feitas e diálogos pontuados com muita interpretação agradou em tudo que fez no filme, e nos divertiu emocionando também com o que fez nas diversas cenas. O jovenzinho Patrick Auffay fez boas cenas no longa sempre acompanhando o protagonista e interpretando bem quando precisava mostrar serviço, mas acabou não decolando fazendo apenas mais 2 filmes. Claire Maurier era linda e fez em cena um papel muito bem encontrado, colocando ternura nos poucos momentos que tenta comprar o filho, e sendo ríspida no início como eram as mães da época. Albert Rémy trabalhou bem em cena, punindo até demais com uma expressão forte que quem na época devia ser criança pode até ter ficado com medo de castigos no mesmo estilo, mas isso só mostra o bom ator que era. Vale destacar também a interpretação do professor Guy Decomble que fez tudo com muito bom senso e expressão.

O visual do longa é um dos pontos fortes da trama, ressaltando bem as casas com os aquecedores simples, ou então as famílias abastadas com objetos excêntricos em casa, as escolas com seus cantos de castigo, os brinquedos de parque, entre muitos outros elementos que poderia citar, tudo na medida perfeita, nem mais nem menos, um real deslumbre. E a fotografia, em preto e branco, mas com nuances lindas de sombreamento sempre ressaltando a iluminação para onde devemos ver.

Enfim, é um filme que vai continuar sendo um clássico eterno, que vai agradar muito quem viveu uma época mais dura, porém quem for do século atual e assistir pela primeira vez é capaz de rir de toda a rispidez existente na época. Além claro de quem assistir com um olhar mais técnico da atualidade poder achar diversos defeitos. Como disse recomendo que seja visto pelo menos 1 vez na vida, mas nunca uma segunda, pois a primeira vez se tivesse analisado na época daria nota 10 com certeza, nessa segunda já ficaria entre 7 e 8, então a nota de hoje vai na média. Fico por aqui agora, mas daqui a pouco tem mais Festival Varilux, que hoje está com todas as sessões funcionando perfeitamente. Então abraços e até daqui a pouco.


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