Amanhã Chegou

10/16/2018 10:26:00 PM |

Sempre ouvimos falar que temos que pensar no amanhã, no planeta que vamos deixar para nossos filhos e netos, que devemos consumir menos e melhor, e diversas outras frases que aparecem em programas jornalísticos e redes sociais mais impactantes, mas e se falarmos que o "Amanhã Chegou" e já está um pouco tarde para tentarmos ficar pensando e já passou da hora de agir? Pois bem, o documentário que estreou na última quinta-feira no programa Projeta as Sete do Cinemark, é um exemplar bem impactante para vermos muito do que anda acontecendo, sugestões de sustentabilidade e capitalismo consciente como citam os diversos entrevistados, e que num modelo bem dinâmico e cheio de boas imagens, consegue conscientizar o público e ver muito de onde estamos errando, enfiando o dedo na ferida de consumidores excessivos, e que mesmo muitos nem fazendo nada, ou melhor, achando que apenas separando o lixo está ajudando, poderia e deve, fazer muito mais pelo planeta para que o mundo não acabe tão brevemente. Diria que não é perfeito, pois é algo muito rápido para um filme, que entrega informações demais de uma vez, e que talvez numa série mais alongada ficaria mais produtivo, mas ao menos cutuca o público para que pesquise um pouco mais, e quem sabe mude seus conceitos.

Durante muitas décadas, sonho e consumo material foram duas coisas que sempre andaram juntas. Por mais que esta associação de pensamento ainda seja perpetuada na sociedade, hoje tenta-se desmitificar a ideia de que dinheiro sempre será poder. Enquanto a escolha do consumidor leva órgãos governamentais a destruírem culturas nativas e o meio ambiente, algumas instituições tentam fazer diferente.

Como costumo falar, é difícil vir falar sobre documentários, pois é um estilo que a melhor forma de conversar sobre é debatendo em grupo, questionando atitudes, e colocando geralmente algum especialista da questão para falar um pouco mais sobre o tema. Porém tenho de pontuar ao menos o quesito técnico aqui, e nesse sentido, posso falar que o primeiro trabalho de direção da jornalista Renata Simões foi bem primoroso no conceito de pesquisa, para conseguir levantar depoimentos dos quatro cantos do país, com muita subjetividade e consciência do que estava entregando, de modo que seu filme flui tranquilamente, e faz o principal, que é nos colocar para pensar sobre como agimos com as situações mostradas no longa, pois não posso dizer que determinado pensador/entrevistado ali está 100% com a razão, mas posso ir atrás, pesquisar e notar até que ponto posso atingir a minha sustentabilidade e ajudar para que o mundo ao redor do meu consumo seja melhorado, e sendo assim o filme tem grande acerto. Porém como disse no começo, é um tema imenso, que certamente não é possível ser entregue em apenas 90 minutos, então minha proposta para a jornalista caso algum dia converse com ela, seria pegar o material completo (que certamente deve ter centenas de horas gravadas) e criar muitos programas mais curtos, sem tanta aceleração de ideias, para que aí sim cada tema fosse bem mais discutido, pois no longa vamos ouvindo um, daí vem outro, e outro, falando geralmente sobre o mesmo questionamento, mas com relevâncias diferenciadas, aí o cérebro entra em parafuso. Ou seja, não digo que tenha sido errado a forma que fez, mas digo que poderiam ter montado um pouco diferente para que a proposta não parecesse desesperada (embora, como diz o próprio nome do filme, o amanhã chegou, e agora já temos de agir de forma desesperada!).

Enfim, volto a frisar que o longa está repleto de bons depoimentos, com imagens bem captadas e uma montagem bem interessante, que certamente vai conscientizar muitos (ao menos espero, e com certeza também a diretora também), mas que por ser tão rápido acaba pecando em não se aprofundar tanto no tema, embora a ótima dinâmica seja favorável para não nos cansarmos do longa. Ou seja, recomendo ele com certeza, mas espero ver em breve um desenvolvimento maior do filme, e com certeza mais atitudes sustentáveis ao meu redor ao menos. Bem é isso pessoal, encerro aqui essa semana cinematográfica, e volto na próxima quinta com mais textos, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Tudo Por Um Popstar

10/14/2018 11:48:00 PM |

Alguns filmes entram em cartaz já com o público bem formado, e dificilmente você verá na sala qualquer outro tipo de pessoa tentando conferir, e isso em parte é bom, pois na maioria das vezes alguns longas não procuram atingir outros, mas sim desenvolver uma história interessante para aqueles que assimilam a mesma ideia. Incluo nessa lista o longa "Tudo Por Um Popstar" por não conseguir enxergar o filme sem ser voltado para as adolescentes que são fanáticas por boybands ou artistas em geral, e um pouco para seus pais para verem que existem outras malucas por aí prontas para fazer qualquer coisa para conseguir uma foto, ir a um show, ou algo que envolva seu astro. A trama em si é simples, e possui diversos detalhes bem feitinhos, mas não sai do eixo que faça você sair da sala super empolgado com o que viu, apenas conformado de não ver um filme ruim, pois tinha de tudo para dar errado, e felizmente não deu, mesmo com alguns absurdos cênicos, que até sabemos que muitas doidas fazem por aí, mas colocar num longa para crianças é algo meio até arriscado (vai que alguma maluca resolver realmente querer ir pro andar de cima descer de corda no apartamento do ídolo!!!). Ou seja, dito isso, se você é adolescente fã de boyband, ou tem filho ou filha que se enquadra nesse meio, pode ir ao cinema sem medo, que é certeza de se divertir com todas as maluquices, mas se você não se enquadra nesse perfil, passe bem longe, pois tudo é motivo para reclamar.

A sinopse nos conta que a banda pop Slavabody Disco Disco Boys, febre entre as meninas de todo o Brasil, anuncia que irá tocar no Rio de Janeiro. Fãs de carteirinha do grupo, as adolescentes e melhores amigas Gabi, Manu e Ritinha farão de tudo para que seus pais deixem que elas assistam ao show do grupo longe da cidade onde moram.

O diretor Bruno Garroti já está ficando especialista em longas para adolescentes, pois depois de "Eu Fico Loko", agora vem com esse, e já está quase lançando "Cinderela Pop", ou seja, arrumou um nicho bem bacana para trabalhar, e acertar, pois ele soube mostrar para seu público-alvo, um estilo que pouco era feito, pois ou era moldado um longa para crianças, ou para adultos, e as vezes surgiam algo para jovens, mas para os teens mesmo, que estão aflorados ultimamente em vlogs, bandas pop, e outros nichos de gritaria, são raros. Mas para trabalhar com esse ramo, o diretor teve o grande feito de cair em adaptações literárias de sucesso nesse meio, o que não é também comum de vermos nas telonas, mas aparentemente, agora veremos mais vezes. Não diria que ele foi bem preciso no que tentou fazer, pois seu longa funciona bem no ritmo, porém aparenta ter quebras secas, de maneira que na edição deram leves picotadas para tirar excesso e levaram um pouco a mais embora, mas longe disso atrapalhar o resultado do filme para o público, diria que o ganho de tempo foi uma boa sacada, apenas os motes poderiam ter sido mais suavizados para que não ficasse um filme de apenas uma situação, mas ao menos nesse acerto, a trama não recaiu para lado novelesco, e isso já faz do longa um grande acerto. Diria também que o roteiro embasado no livro de Thalita Rebouças, foi bem criativo, pois desenvolveu bem a energia das garotas, brincando com medos e afrontas, mas sem pesar a mão, e sendo assim só ficou faltando um grande detalhe: ter montado uma banda pop estrangeira mesmo.

Sobre as atuações, é engraçado olhar como conseguiram fazer com que as três garotas protagonistas aparentassem ter as mesmas idades, pois na realidade elas oscilam entre 14 e 18 anos, mas no longa ficaram bem semelhantes mesmo. Dito isso, tenho de pontuar que tanto Klara Castanho, quanto Maísa Silva e Mel Maia, ainda são bem jovens, e tendem a melhorar expressivamente, pois aqui elas entregaram até boas dinâmicas, mas para filmes de crianças, sem muita desenvoltura, nem nada que pudéssemos elogiar, apenas não sendo algo que tivéssemos de reclamar já ajuda bastante. Agora temos de dar um leve destaque para Giovanna Lancellotti com sua Babette, que além de muito cômica conseguiu entregar personalidade em todas as cenas, de modo que talvez se usassem mais a personagem no longa, o acerto seria ainda maior. Felipe Neto fez o que sabe fazer imitar e gritar com seu Billy Bold, mas conseguiu ao menos ser engraçado, mas nada de surpreendente. Agora quanto aos jovens da boyband, foi triste de ver, e melhor nem falar nada sobre passinhos marcados, trejeitos forçados, e tudo mais!

A equipe de arte trabalhou bem para que o filme tivesse elementos bem colocados em cada uma das cenas, desde as casas simples e a escola simples do interior, até um show bem produzido, passando antes por um vídeo cheio de efeitos para concorrer ao prêmio do concurso (que qualquer garota faria - claro!!), mas o mais importante foi não exagerar em cenografias para que o longa ficasse principalmente barato e bem condizente, incorporando os momentos de forma correta, e agradando o público principal, ou seja, entregaram um filme com símbolos bem colocados, e sem forçar a barra visualmente, a trama acaba sendo agradável de assistir.

Enfim, é um filme bem feito, simples e que diverte quem for esperando ver o que é proposto já no trailer, ou seja, como disse logo no começo, um longa feito para um público determinado, que vai gostar do que verá, e que qualquer outra pessoa fora do eixo proposto sairá se perguntando o que foi fazer na sala, mas digo que certamente eu já vi muita coisa pior nos cinemas, e não morri, então digo que a garotada fã de filmes teen vão curtir, pois a maioria tem saído saltitante das salas lotadas, ou seja, volto a dizer que o longa foi feito para elas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia da semana, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Goosebumps 2 - Halloween Assombrado (Goosebumps 2: Haunted Halloween)

10/14/2018 02:02:00 AM |

Muitas vezes falamos que sequências geralmente destroem a qualidade dos filmes e acabam ficando jogadas ao vento sem conseguir manter a essência original, mas alguns longas conseguem a façanha de resolver os diversos problemas que o primeiro filme teve e acabam funcionando até mais, agradando e divertindo, e o principal, usando a essência mostrada no primeiro filme. E hoje posso dizer que "Goosebumps 2 - Halloween Assombrado" é um desses exemplares, pois conseguiu ser imensamente mais divertido, ter uma história mais coerente, diversos efeitos bem interessantes, e ainda por cima consegue dar uns sustinhos de leve no melhor estilo de terror feito para crianças/adolescentes, e o principal, não necessitar de Jack Black como protagonista como o autor dos livros. Diria que o longa sem a necessidade de explanar os livros, mas sim como uma história de Halloween que sai das rédeas quando um boneco decide dar vida à todas decorações, conseguiu funcionar criando vértices que o público mais se conecta, pois não necessitando de algo mais fechado, como é o caso aqui, a trama foi sendo desenvolvida e o público foi se conectando, o que mais diferenciou do primeiro filme, que era algo mais fechado em cima dos diversos livros. Claro que ainda temos muitas referências, temos o vizinho que conhece todas as histórias, temos o personagem do autor aparecendo bem rapidamente, mas tudo solto acabou sendo bem bacana, e como já havia dito no texto do outro filme, dar liberdade para o boneco Slappy foi a melhor coisa que puderam fazer aqui.

O longa nos situa em Wardenclyffe, Estados Unidos, às vésperas do Halloween. Sonny e Sam são grandes amigos, que encontram um livro incompleto guardado dentro de um baú, em uma casa abandonada. Ao abri-lo, eles despertam o boneco Slappy, que surge inesperadamente. Criação do autor R.L. Stine, ele usa os jovens e ainda a irmã de Sonny, Sarah, para criar sua própria família de monstros.

O teor foi bem mudado também pela troca de diretor e dos roteiristas, pois se antes tínhamos diretores e roteiristas mais conhecidos, agora nas mãos de nomes menores, esses procuraram dar vértices mais icônicos e próprios do terror realmente para quem sabe ganhar fama e virem com mais longas do estilo, e dessa forma Ari Sandel já foi bem e provavelmente além de ter entregue um longa bem marcado, deve dirigir em breve o filme de "Monster High", ou seja, já entrou para o filão de longas de terror para jovens, e digo que seu acerto foi bem marcado, pois se no primeiro tínhamos exageros de ângulos para pegar o público desprevenido, aqui o diretor foi mais coerente para marcar cada situação com desenvoltura, criando as situações sozinhas, e entregando para os personagens, e claro, para toda movimentação desenfreada de monstros os efeitos de muita dinâmica com criatividade e sintonia que fizessem o público querer ver mais e mais, ou seja, dá até para acreditar numa franquia de filmes com outros livros, já que o final deu a entender isso, mas como a série da Netflix tem feito sucesso também, vai depender realmente da bilheteria.

Agora um ponto que certamente precisava ser melhorado é a questão das escolhas dos atores, pois no primeiro já não tivemos algo primoroso, mas ao menos todos ali tentavam fazer algo e se assustavam com o que apareciam, enquanto aqui a maioria parece tão feliz com tudo o que está ocorrendo, que até mesmo os figurantes que estão correndo para lá e para cá, parecem estar brincando na telona, e aí diria que foi o maior erro do filme. Madison Iseman fez uma Sarah completamente forçada, que até tenta parecer conectada com o irmão, mas só faz caras e bocas, e mesmo na sua cena mais impactante ao final, pareceu estar perdida com relação de onde deveria olhar, ou seja, faltou uma direção melhor, e uma atitude melhor ainda. Jeremy Ray Taylor é o exemplo claro de que estava muito feliz com o papel, de modo que seu Sonny parecia estar brincando em cena, e fazendo apenas alguns olhares dispersos, o que não agradou muito, mas ao menos entramos na alegria do garoto e acabamos felizes junto com ele. Caleel Harris deu um tom mais jogado para seu Sam, mas nada que realmente parecesse bem conectado, mas ao menos mostrou desespero nas cenas em que foi atacado. Avery Lee Jones deu bons movimentos para o boneco Slappy, enquanto Mick Wingert deu um tom bem adequado de voz para que o personagem além de macabro soasse realmente como um psicopata maluco, e isso acabou dando um ar bem interessante para a trama. Quanto aos demais, a maioria foi bem figurante mesmo, e até mesmo a mãe dos jovens interpretada por Wendi McLendon-Covey conseguiu fazer caras e bocas bem toscas para seus momentos.

No conceito cênico temos que realmente parabenizar a equipe de arte, pois fizeram monstros bem trabalhados, casas decoradas de Halloween no melhor estilo possível, e boas locações para criar o vértice de terror, de modo que se quisessem transformar o filme de uma franquia infantil para um terror monstruoso, estava bem fácil era só substituir as crianças por jovens, e os docinhos e monstros apenas sobrevoando, que comessem pedaços das pessoas, e pronto o longa mudaria completamente, ou seja, como a base do filme é de terror, a equipe soube dosar os ambientes para funcionar bem, e acertaram. O tom escuro é clichê para longas de terror, mas aqui souberam misturar com personagens bem coloridos, e o resultado acabou soando gostoso de ver, sem cansar, nem ficar bobo demais, o que é de um grande agrado.

Enfim, é um filme que diverte bastante e que funciona também dentro da proposta de um terror para adolescentes e crianças, pois não irá traumatizar ninguém com o que é mostrado na telona, e consegue assustar e divertir ao mesmo tempo. Diria que poderiam ter pegado mais pesado para algum dos lados para que o tom funcionasse um pouco mais, mas como disse no começo, a ideia da franquia é assim, e não poderiam ter fugido muito disso, ou seja, quem gosta desse tom mais sombrio, mas que vai se divertir mais do que assustar, pode ir conferir tranquilo que certamente irá sair bem feliz com o resultado. Bem é isso pessoal, fica assim sendo minha dica, e volto amanhã com mais uma estreia dessa semana, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Mary e a Flor da Feiticeira (Mary and the Witch's Flower)

10/13/2018 06:48:00 PM |

É engraçado quando falo que vou conferir um anime no cinema, e as pessoas olham estranhando, parecendo que vou ver sei lá algo proibido, mas hoje felizmente a sala estava tão repleta de crianças que não me senti um alienígena entrando sozinho para conferir nada mais do que um desenho com estética japonesa. E "Mary e a Flor da Feiticeira" nada mais é do que a volta da essência tradicional desses desenhos, da forma que vi em minha infância, com toda uma simbologia mágica, personagens briguentos, muitas cores, e principalmente uma boa história, ou seja, um longa completo que diverte e consegue passar uma boa sintonia para o público de qualquer idade, agradando com uma boa síntese aventureira de começo, meio e fim, sem forçar, nem ousar demais, o que acaba sendo delicioso de conferir, e claro, melhor que muitos desenhos bobos que acabam nos jogando atualmente nas telonas.

A sinopse nos mostra que Mary é uma agitada jovem japonesa, está prestes a ter sua vida alterada de maneira radical. Isso porque, depois de seguir dois estranhos gatos, ela acaba achando uma curiosa e desconhecida flor, que lhe concede extraordinários poderes mágicos. Logo em seguida, com a ajuda de um dos animais, ela encontra uma vassoura e, ao tocá-la, ela começa a voar. É aí que descobrirá que pode ter se tornado uma bruxa.

Se formos analisar a fundo, a história do filme de Hiromasa Yonebayashi é bem simples, porém eficaz ao mostrar a aventura da garotinha primeiro para voltar para casa, e depois para salvar o amigo, mas ela é bem contada, bem desenvolvida, e principalmente consegue segurar o público interessado nas magias apresentadas, na escola futurista, e até mesmo nos animaizinhos que passeiam pelo longa, fazendo com que os pequeninos ficassem até vidrados em tudo o que vai aparecendo na tela. Só diria que ele não foi tão efetivo no ritmo da trama, pois a segunda metade cansa bastante, e demora para ocorrer, mas ainda assim funciona bem para fechar tudo mantendo a essência criada no começo e ainda dando nuances de uma possível sequência caso os produtores desejarem.

Os personagens foram todos desenhados no melhor estilo dos animes, com olhos grandes, cabelos revoltados, e bem agitados com suas atitudes, de modo que acabamos nem recaindo tanto com a falta de carisma que acaba ocorrendo, mas Mary com toda sua astúcia consegue fazer com que sigamos seus instintos aventureiros, e embarcássemos em busca dos gatinhos até encontrar a flor, e ao chegar na escola de magia, tanto a diretora quanto o professor maluco (que lembra um pouco os personagens de Dragon Ball) acabam conseguindo se mostrar rapidamente como vilões só pelos olhares, e assim o filme acaba sendo bem moldado.

A graciosidade cênica é algo que não costuma ocorrer muito nesse estilo de filme, mas souberam criar bons locais, cheios de detalhes para que o imaginário do público fluísse, e dessa forma tanto a floresta com seu ar misterioso, mas cheio de elementos de aventura, quanto a escola cheia de salas diferenciadas com aulas das mais malucas possíveis, acabam resultando num visual bem trabalhado para realçar cada ato, e mesmo nos momentos mais simples a trama tem um desenvolvimento dentro do cenário, o que diferencia de alguns longas mais visuais que não entregam tanto.

Enfim, esperava algo mais estranho pelo nome, e felizmente fui surpreendido com um desenho bem bacana, que deve agradar a todos que conferirem, independentemente da idade, pois tem conteúdo e uma boa dose de carisma para agradar. Claro que está bem longe de ser um filme detalhado, cheio de cenas surpreendentes, e que tivesse algo para pensarmos, mas o resultado agrada e vale a conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou para mais uma sessão, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Escobar - A Traição (Loving Pablo)

10/13/2018 01:50:00 AM |

Alguns personagens da história mundial acabam tendo tantos filmes, séries, programas, documentários e tudo mais para tentar mostrar diversos pontos de vista de suas loucuras que a cada novo que aparece ficamos ainda mais surpresos com tudo o que nos mostram, e mais ainda com as personificações que cada ator acaba entregando para que o personagem fique ainda mais bizarro. Digo isso, pois em "Escobar - A Traição", temos o ponto de vista da amante de Pablo que acabou escrevendo um livro sobre tudo o que soube e viu durante os bons e maus momentos que teve com o maior (e mais famoso) empresário do tráfico que a Colômbia já teve, e aqui por dizerem ser a história mais verdadeira, o resultado é bem interessante para mostrar que dinheiro compra o que quiser e puder, mas a hora que não dá mais, a bomba explode sem piedade! O filme é bem dinâmico, bem interpretado pelos protagonistas, mas para ser melhor poderia ser falado em castelhano, com algumas cenas em inglês, mas a opção de venda internacional falou mais alto, e o resultado foi pessoas falando um "inglesol" cheio de sotaque durante o longa inteiro, o que não é ruim, mas também não agrada como poderia.

O longa nos situa em 1981, na Colômbia, aonde o líder do Cartel de Medellín, Pablo Escobar é um dos maiores traficantes de cocaína para os Estados Unidos, o que faz com que governo de Ronald Reagan insista na criação de um tratado entre os dois países que permita que ele seja julgado em solo americano. Decidido a combater tal ideia, Escobar se candidata e é eleito deputado federal. Paralelamente, ele se envolve com Virginia Vallejo, uma popular apresentadora de TV que não se importa em como o amante consegue sua fortuna, apenas em como o dinheiro é empregado.

O diretor espanhol Fernando León de Aranoa é conhecido por ter filmes bem cultuados em festivais, com uma pegada mais artística e que geralmente não evoca muito no público, mas se tem uma coisa que sabe fazer bem é inserir sua opinião de uma forma bem direcionada, mesmo em longas baseados em fatos reais, e aqui vemos claramente que ele não se apegou ao tempo para conseguir passar praticamente 12 anos na telona em apenas 2 horas, com uma evolução completamente crível e bem forte de detalhes, sem se ater a pudores ou situações que outros prefeririam omitir para deixar seu longa mais leve, e com isso o resultado impressiona em diversos momentos, faz rir em outros, mas principalmente nos faz acreditar que Pablo era um maluco disposto a tudo para conseguir seu dinheiro e sua fama, e isso foi mostrado a esmo com muita sabedoria pelo diretor, entregando um longa direto e sem firulas, que não cansa em momento algum, e que principalmente, entrega para os protagonistas a direção desenvolvida para aparecerem, e eles fizeram tudo com muita classe e melhoraram ainda mais o que já sabíamos sobre o personagem.

Sobre as atuações é fato que o casal por ser casado realmente possui uma química imensa, e com isso vemos seus momentos juntos tão bem encaixados que vale até jogo de olhares, mas felizmente ambos saíram muito bem também nos seus momentos individuais, de modo que Javier Bardem pode ser considerado um dos melhores intérpretes de Pablo Escobar, conseguindo encaixar impacto nos diálogos, força nas atitudes e principalmente sabendo ser irônico com olhares dignos de quem vai matar sem pensar, trabalhando no limite de quase fazer um maníaco, o que não era a personalidade de Pablo, só não sei se o ator engordou tudo o que aparece na telona para fazer o papel, ou foi maquiagem, mas chega a ser monstruoso suas formas. Da mesma forma Penélope Cruz também colocou olhares fortes, mostrou que não precisa mais trabalhar tanto sua sensualidade como fazia antigamente, e agradou bem entregando uma Vallejo cheia de atitude, mas também com muito medo do que poderia acontecer com ela, de modo que fazendo a autora do livro conseguiu demonstrar bem o ponto de vista que a personagem também tinha sobre Pablo. Dentre os demais, muitos são conexões, fazem boas dinâmicas e até encaixam alguns momentos mais fortes junto dos protagonistas, mas são bem raros os momentos de destaque, tendo leves nuances na personalidade da esposa de Pablo com Julieth Restrepo, e uma sagacidade de olhares com o agente da DEA interpretado por Peter Sarsgaard, mas nada que impressione como poderia.

No conceito cênico o longa não ousa tanto com detalhes, mas possui mansões imensas no meio do nada, festas grandiosas, e claro figurinos de época bem trabalhados, além de roupas luxuosas e presentes que a amante ganhava do traficante, retratando bem a época, mas sem dúvida alguma o ponto mais hilário foi ao mostrar a cadeia que Pablo construiu para ficar preso, que ganha de muitos hotéis de luxo por aí, e dessa forma a equipe de arte conseguiu entregar um bom resultado e agradar sem precisar fazer algo muito grandioso. Mas se temos de dar um destaque para algum momento artístico, sem dúvida temos de pontuar a força impactante das cenas de tortura, tanto as mostradas, como as faladas, pois conseguiram intensificar algo que sabíamos que faziam, mas mostraram com muita dureza cênica que funcionou demais. A fotografia foi homogênea nos tons sem abusar de cores fortes, mas também não recaindo para tons claros, deixando que o filme fluísse naturalmente sem muita dramaticidade, mas também não pecando pela falta de humor, criando um vértice interessante, mas quase novelesco para retratar a vida do personagem.

Enfim, é um ótimo filme que tem leves defeitos, principalmente por tentar mostrar a vida completa de Pablo, que certamente foi uma loucura imensa já mostrada em séries maiores, o longa acabou ficando um pouco corrido, mas nada que tenha atrapalhado por demais, mas é algo que quem prefere um filme mais trabalhado nos momentos certamente irá se perder. Com toda certeza recomendo a trama para todos, pois é um filme com boas atuações, uma direção precisa, e uma história bem interessante de conhecermos, principalmente por ser uma visão diferenciada por alguém que não estava dentro dos princípios, como foi o caso dos demais filmes e séries, então vale a conferida. Bem é isso, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos nessa semana bem recheada, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Cinderela e o Príncipe Secreto em 3D (Cinderella And Secret Prince)

10/12/2018 07:00:00 PM |

Sempre é interessante sabermos que existem outras empresas de animação fazendo longas diferenciados em Hollywood, mas como acostumamos com um padrão bem alto de texturas e qualidade visual, além de roteiros bem elaborados com mensagens bonitas e tudo mais, quando acabam entregando algo simples demais o resultado não atinge como poderia, ficando parecendo que falta algo, e isso acabou acontecendo com "Cinderela e o Príncipe Secreto", pois até temos uma trama bonitinha, que consegue prender os bem pequeninos na poltrona, mas tudo acaba soando tão bobinho que não amarra nem nada perto do que conhecemos, e muito menos renova a história, parecendo algo criado apenas para entregar um trabalho, de modo que o público adulto que for conferir com os pequenos é capaz de se cansar rapidamente com os efeitos visuais estranhos, e/ou acabar dormindo ou mexendo no celular para passar a hora. Ou seja, um filme que falha muito visualmente, mas que ao menos atinge o público-alvo que são os pequeninos.

A sinopse nos mostra que contada por outro ponto de vista, a clássica história da Cinderela aqui não envolve amor à primeira vista ou sapatinho de cristal. Cinderela decide ir ao baile convencida por seus amigos ratos, que sonham com o banquete do palácio, e auxiliada por uma fada madrinha aprendiz. Em pleno baile o grupo descobre algo terrível e inicia uma ousada aventura para reverter o feitiço de uma terrível bruxa e desmascarar o príncipe ilegítimo.

O diretor Lynne Sutherland que é conhecido por ter feito "Mulan 2" em 2004 e nada mais depois disso, até tentou criar uma história bem moldada, mas na segunda cena já se perdeu por completo em algo que poderia ser mais bacaninha de acompanhar, e com isso, seu filme pareceu corrido e perdido de onde desejava chegar, ou seja, aparentou até ter desistido de criar algo mais elaborado, deixando apenas fantasioso o suficiente para que as crianças gostassem, sem se preocupar com uma história mais crível realmente, e assim sendo definiu o público e não mexeu mais. Não diria que foi bem acertado, mas ao menos não errou tanto, e assim os pais acabam sofrendo um pouquinho para aguentar tanta maluquice, enquanto os pequenos dançam e fixam os olhares nos personagens caricatos.

Falando nos personagens, tentaram brincar um pouco com o carisma deles, entregando um grupo de ratinhos bobos, mas que chamam a atenção, uma Cinderela bem sem sal, uma fada aprendiz um pouco atrapalhada, uma bruxa má bizarra, uma gralha estranha e uma tartaruga imensa, além de figurantes perdidos, ou seja, um elenco que ficamos nos perguntando que rumos terão, mas que entregam apenas uma aventura mediana, pois é difícil criar muito em cima disso, mas com muitas cores diferentes, a atenção ao menos ganham dos pequenos neles, e o resultado flui dentro do aceitável.

O conceito visual também ficou deveras abstrato, com cenários mal desenhados que acabam se misturando com os personagens através de um 3D bem ruim, pois sempre jogam os personagens para primeiro plano, deixando os elementos em segundo, o que dá uma mistura na tela que nem borra é nem salta, ficando como algo bem estranho de ver em diversos momentos, tanto que nem recomendo ver com a tecnologia, mas tirando esse detalhe, as cores vivas cheias de brilho acabam encantando junto com a musiquinha de fundo que quase faz dormir.

Enfim, diria que vale para os pais que não tiverem nada mais para levar os filhos bem pequeninos, no máximo uns 8 anos, pois a partir disso é capaz que achem chato. Ele passa bem longe de ser algo perfeito, mas também não é uma bomba completa, funcionando dentro do que se propõe, mas que certamente poderia ter ido muito além. Bem é isso pessoal, fica sendo essa minha recomendação para o longa, agora vou para mais uma sessão, e mais tarde volto com mais um texto, então abraços e até breve.

Leia Mais

Nasce Uma Estrela (A Star Is Born)

10/12/2018 03:24:00 AM |

Bem amigos, não posso afirmar hoje com precisão quantas indicações à prêmios o longa "Nasce Uma Estrela" terá, mas posso com toda certeza dizer que pelo menos trilha sonora e canção se não levar, ao menos estará presente. Digo isso fazendo leves apostas de que ouviremos muito todas as belíssimas canções nos rádios, e não só isso, pois diferente de um musical aonde as canções acabam virando textos das atuações, aqui temos uma formação musical, ou seja, temos a história sendo desenvolvida para mostrar toda a dramaticidade de uma jovem virando uma estrela, enquanto seu parceiro desaba na bebida, e as canções são cantadas nos shows, ou em momentos de ensaios, ou seja, mesmo que elas digam muito sobre a história de cada um, seus momentos e tudo mais, não espere ver os protagonistas dizendo canções enquanto passeiam pelas ruas, pois não é esse o formato da trama. Dito isso, tenho de pontuar que o filme é bem longo (136 minutos), e que trabalha bem a dramaticidade casual que muitos longas de premiações costumam usar e ousar (e funciona!!), fazendo com que até pareça um pouco arrastado, mas a beleza dinâmica que Bradley conseguiu passar em sua primeira direção é algo nato de quem já fez diversos filmes, e com isso, o resultado acaba impressionando, emocionando com as brilhantes atuações e fluindo num daqueles resultados que vamos ficar lembrando por muito tempo. Outra marcação interessante, é que o trailer me arrepiou muito todas as vezes que conferi, e no filme embora tenha momentos emocionantes, não chega a ser daqueles que arrepiamos, mas no contexto geral é um filme incrível que quem gostar do estilo sairá apaixonado com tudo o que verá, afinal temos mais um detalhe, pois ele todo foi cantado ao vivo, sem gravações em estúdio, ou seja, os atores/cantores botaram o gogó pra jogo e arrasaram.

A sinopse nos conta que Jackson Maine (Bradley Cooper) é um cantor no auge da fama. Um dia, após deixar uma apresentação, ele para em um bar para beber algo. É quando conhece Ally (Lady Gaga), uma insegura cantora que ganha a vida trabalhando em um restaurante. Jackson se encanta pela mulher e seu talento, decidindo acolhê-la debaixo de suas asas. Ao mesmo tempo em que Ally ascende ao estrelato, Jackson vive uma crise pessoal e profissional devido aos problemas com o álcool.

Com 19 anos de carreira, Bradley Cooper já participou de quase 60 filmes como ator, e sempre teve um carisma e uma personalidade bem marcante, e agora chegou o momento em que decidiu que não bastava estar na frente das câmeras, mas sim trabalhar um pouco mais, entregando não só o protagonismo do longa, como também o roteiro (que é baseado no original de 1937 e nas refilmagens de 1954 e 1976), a produção e claro a direção da trama, ou seja, fazendo tudo para que o filme fosse realmente seu, e posso dizer após conferir que ele soube dar vida para uma trama funcionar de forma bem dramatizada, cheia de pontos com vértices para emocionar, e ainda seguiu literalmente a cartilha tradicional que diz que cada ato dramático deva ser respeitado seu momento, com longas pausas para reflexões, e embora isso funcione para premiações, cansa um pouco o espectador, de forma que o filme poderia certamente ter no mínimo uns 20 minutos a menos de duração que ainda entregaria tudo o que desejavam mostrar e muito mais. Outra grande sacada, foi ambos os protagonistas cantarem realmente na trama, pois já vimos muitos musicais, e é fato vermos a diferença entre atores interpretando e cantando em cena, durante os atos, e aqueles que gravaram em estúdio todas as canções para depois apenas dublar e fazer caras e bocas na tela, e aqui a naturalidade ficou incrível, mostrando que o diretor soube incorporar muito bem como cantor, agradando como realmente um bom cantor country saberia fazer. Ou seja, é um filme de essência, que serviu para mostrar que se Bradley realmente seguir carreira na direção, tende a acertar muito, pois não vemos as tradicionais falhas que ocorrem quando um diretor quer fazer tudo no seu filme, e isso já mostra que aprendeu muito nos filmes que participou, para saber aonde desejava estar em cada ato, e como comandar todos os demais, estando na frente da câmera também.

Temos no longa muitos personagens, alguns com um pouco mais que figuração, que até conseguem chamar a atenção, agradando por serem funcionais, mas basicamente temos de falar apenas de quatro pessoas. E claro que temos de começar pela grande estrela Lady Gaga, ou Stefani Germanotta como poderia ter se apresentado, pois ela entregou uma outra pessoa completamente diferente de tudo o que já vimos ela fazer, e por mais que sua personagem Ally fosse uma cantora, ela conseguiu trabalhar trejeitos de iniciante, medos, desenvolturas e tudo mais para que a personagem despontasse, e não a Gaga, ou seja, foi precisa em olhares, movimentos, danças, e claro, como era de se esperar deu um show com sua voz marcante entregando algo que preencheu a sala do cinema por completo. Bradley Cooper, como ator, acabou entregando um Jackson cheio de vertentes, com olhares e trejeitos que nos faz ficar com pena de seu vício e toda a situação que acaba passando, de modo que conseguiu soar incrível ao ponto de pensarmos realmente na possibilidade de prêmios de atuação para ele, que além de cantar muito em cena, conseguiu também trabalhar o visual do personagem para que ficasse completamente diferente de qualquer outro personagem seu. Sam Elliott conseguiu trabalhar seu Bobby com um carisma forte, e bem colocado como tradicionalmente ocorre entre irmãos empresários que brigam muito com os artistas, de modo a ser difícil de demonstrar o afeto entre eles, mas aqui o ator veterano soube entregar eixos diretos tão bem colocados que praticamente em todas as suas cenas acabamos nos emocionando, ou seja, um grande acerto. E para finalizar temos de colocar o quase-vilão, Rafi Gavron, que fez do empresário Rez, um elo marcante tanto no desenrolar da trama para um vértice diferenciado, como também soube ter domínio para algumas das cenas mais fortes do filme, com diálogos bem colocados e tradicionalmente ditos por empresários de artistas, ou seja, mostrou personalidade.

No conceito cênico, a trama brincou muito com grandiosos shows, que provavelmente não colocaram tantas pessoas lá para curtir, mas como todas as canções foram gravadas ao vivo durante as encenações, certamente tiveram um grandioso trabalho para que toda a cenografia de um grande show fosse montada, com banda, equipamentos, e ao menos uma boa quantidade de figurantes entre técnicos e tudo mais, o que deu um ar de superprodução para a trama, e usando de elementos singelos para realçar os momentos mais simples, souberam encantar com detalhes, figurinos bem preparados para cada ato, de forma que o filme funciona e agrada muito visualmente, só tendo um detalhe da cor de cabelo da protagonista para o segundo ato que ficou levemente estranho, mas que foi uma opção interessante para chamar atenção ao menos. Outro ponto incrível do longa ficou a cargo da fotografia, que usou e abusou de luzes de contra, sempre realçando cada detalhe dos trejeitos dos protagonistas, ambientando cada ato dramático, e que junto de ângulos perfeitamente bem escolhidos conseguiu enfatizar cada ato para algo que brilhasse realmente na telona, ou seja, muito bem escolhido os tons não muito chamativos, mas que também não soassem apagados.

Estamos falando de um longa que tem base em cima de algo musical, então é claro que o ponto máximo da trama fica a cargo das ótimas canções compostas em sua maioria por Lady Gaga, e interpretadas pelos dois protagonistas com uma perfeição mais do que incrível, que cativa o público, faz com que ficássemos batendo nossos pés no ritmo e nos envolvêssemos com cada momento do longa pela boa mensagem de cada canção, e é óbvio que não deixaria de colocar aqui todas as músicas para podermos ouvir repetidas vezes. Outro ponto perfeito foi a mixagem de áudio do longa, pois as músicas reverberam preenchendo completamente a sala do cinema, o público dos shows interagindo, de modo que cada detalhe sonoro parece fazer com que estivéssemos realmente dentro do longa curtindo um belo show musical.

Enfim, é um filme que até possui leves defeitos, que falha principalmente na duração muito alongada que poderia ser reduzida (como é o primeiro filme do diretor, certamente ele ficou com dó de cortar alguns momentos, mas vai aprender!!), mas que agrada por demais, envolve, emociona e faz com que quem goste do estilo, dos atores, e de um bom filme realmente saísse feliz da sessão com tudo o que acabou assistindo, e sendo assim, é claro que recomendo o longa para todos. Bem é isso, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, afinal essa semana veio bem recheada, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Mare Nostrum

10/06/2018 02:19:00 AM |

Tem vezes que recebo a programação dos cinemas e fico me perguntando: "de onde surgiu esse filme que nem trailer, nem notícia, quanto mais sinopse apareceu por aqui antes?", e aí quando vamos conferir ficamos até pasmos por ser algo interessante que valeria a pena uma divulgação um pouco maior, mas como bem sabemos, tudo é dinheiro na vida, e conseguir lançar um longa nos cinemas já é uma batalha imensa, então divulgar fica para uma segunda etapa. Dito isso, "Mare Nostrum" é um filme bem singelo, que possui uma narrativa agradável, mas que não chega a alçar longos voos, sendo daqueles que vamos gostar pela história bem contada, por uma síntese bem amarrada, e por lembrar um pouco quando fazíamos filmes na faculdade, pois tudo tem de ter um motivo, e uma movimentação consistente, porém na hora de fazer acontecer realmente, a trama falha em não ter para onde ir, e aí ao voltar para explicar um pouco mais acabamos girando e retornando aos pontos usuais. A forma fantasiosa de brincar com algo que acontecia (e acho que ainda acontece um pouco) de contratos de boca, com papeis assinados sem nenhuma firma reconhecida, e o principal, todo mundo precisando de algum dinheiro, ou algo desejado, faz da trama do longa algo que nos remete muito ao que já vimos/conhecemos, e essa é basicamente a síntese de tudo o que o longa tenta nos mostrar, porém volto a frisar, de um modo bem simples, e que até soa gostoso de ver.

A trama nos conta que Roberto e Mitsuo voltam ao Brasil no mesmo dia, depois de longa temporada morando fora. Suas vidas se cruzam novamente por conta de um terreno negociado por seus pais no passado. Sem dinheiro, os dois veem no terreno uma possibilidade de se acertarem financeiramente. No entanto, alguns eventos fazem com que eles acreditem que o terreno é mágico. Como uma fábula, o filme nos mostra que para se obter alguns desejos, é preciso abdicar de outros.

O trabalho do diretor e roteirista Ricardo Elias é bem intencionado, pois raramente vemos dramas nacionais com um funcionamento quase de road-movie (no caso aqui em busca de um documento), mas que brinque também com a fantasia da magia envolvendo um lugar místico, e com isso o longa até possui boas viagens em diversos sentidos, mas a grande sacada mesmo foi mostrar relacionamentos complicados entre pais e filhos de duas gerações, e conseguir com uma câmera até calma demais uma situação conflitiva, ou seja, o diretor soube dosar os espaços e criar diversas vertentes na história, que por mais simples que seja, acaba envolvendo o público com o que é mostrado em cada cena. Diria ainda que ele foi coerente com o formato dramático da trama, pois muitos diretores acabam poluindo seus longas simples com muitas situações e o resultado sai do rumo esperado, e aqui embora tenha até um ar novelesco quase saindo pela tangente com personagens aflorando grupos, o filme fica sempre centrado e entrega tudo bem arrumado, ou seja, um filme trabalhado para evitar erros, que até força a barra com o lado da "magia" do terreno, mas que agrada no resultado final.

O elenco também foi muito bem dirigido e conseguiu entregar seus vértices de uma maneira bonita de acompanhar, pois mesmo os protagonistas não sendo tão conhecidos do público em geral, eles orquestraram suas cenas sem querer aparecer, e isso fez com que tudo funcionasse. E claro começando pelo protagonista Silvio Guindane, temos de colocar que seu Roberto até poderia ter ido para o rumo de dramatizar e emocionar com todos os problemas que recebe a cada momento, mas com uma tênue serenidade, que só sai do eixo no momento da leve extorsão do outro protagonista, ele acabou entregando uma paz bem colocada e não deixa que seus objetivos fiquem para trás, só achei uma pena o seu fechamento, pois o longa rumava para outro foco, e embora tenha sido algo bacana, poderiam ter feito diferente (acho que eu faria algo bem diferente na pele do protagonista, mas aí não seria ficção!), ou seja, o ator fez bem o papel e não desagradou. Ricardo Oshiro foi muito pacato com seu Mitsuo, de modo que beira ele ser apagado por qualquer figurante da trama, e poderiam ter trabalhado mais o personagem, seus conflitos com a esposa, mas deixaram a milenar técnica japonesa de ser sutil demais, que o ator acabou ficando até em segundo plano demais. Carlos Meceni entregou o corretor Orestes, amigo de longa data da família, que assim como todo bom corretor, fala mais do que a boca consegue, e ficou devidamente engraçado de conferir, agradando na medida. A jovem Livia Santos também conseguiu ser bem coerente com sua personagem Beatriz, mas aparentou ser fechada e tímida demais para uma atriz, de modo que poderia ter se soltado um pouco mais para agradar mais. Quanto aos demais, a maioria serviu apenas de conexão, não chamando tanta atenção, de modo que Aílton Graça que praticamente só aparece em fotos, e inicia o longa teve mais destaque que muitos da trama, sendo citado a todo momento.

No conceito cênico a trama foi bem encaixada pela equipe de arte que filmou em Atibaia, na Praia Grande, em Itanhaém e claro na capital também, procurando não esmiuçar nem chamar tanto atenção para as cidades, mas usando bem os artifícios para representar bem tanto o ano de 1982 que mostra no começo do filme (usando o rádio com um narrador para expressar a convocação da Copa daquele ano), e depois 2011 com seus marcos, brincando com carros e roupas tradicionais, além claro de objetos bem escolhidos para decoração das casas, só tiveram um pequeno detalhe de que os tablets se popularizaram se não me engano mais para frente, mas é um errinho que não atrapalha tanto a trama. A fotografia da trama também ficou bem clara, o que deu um ar menos tenso do que poderia para a dramaticidade do longa, mas como o filme se passa muito na praia, se escurecesse demais como é a cena inicial, talvez o filme não ficasse tão leve como ficou, e assim sendo, o resultado verteria para outro rumo.

Enfim, é um filme bem feitinho, que não tem grandes objetivos, mas que funciona por mostrar bem a proposta, dita na sinopse, e que quem gostar de um longa simples e efetivo, de boas sacadas, acabará gostando das boas conexões de tempo, e com o envolvimento leve que acaba sendo entregue. Repito que está bem longe de ser perfeito, mas está mais ainda de ser algo ruim, então quem quiser conferir e gostar desse estilo, é uma boa dica para conferir, saindo dos tradicionais filmes nacionais que estamos acostumados a ver. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, já encerrando essa semana cinematográfica, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e bons votos no Domingo.

Leia Mais

Venom em Imax 3D (Venom)

10/05/2018 01:41:00 AM |

Já disse isso diversas vezes, e não canso de repetir, pois sempre é muito engraçado ir ao cinema conferir um longa sem nenhuma expectativa e mudar completamente o cenário que muitos estão somente metralhando o filme, de tal maneira, que mesmo com diversos defeitos no roteiro, na condução da história, em efeitos e tudo mais, "Venom" acaba sendo uma história até que bacana para se divertir, com boas lutas, boas perseguições, um personagem com um humor bem peculiar, e que atuado por um ator disposto a dar uma boa continuidade para o personagem acabou resultando em um filme que passa bem longe de ser ruim. Claro que muitos fãs esperavam ver muito mais na telona, queriam alguma mísera aparição do Aranha (spoiler, nos último pós-créditos aparece outro Aranha, que não era o esperado!), mas como um filme de origem (diria até semi-origem, pois não mostra nada do planeta dos simbiontes, nem sua origem mais a fundo só pegando já a queda da nave de expedição com os aliens dentro), o longa acaba sendo bem coerente, e não chega a cansar como poderia, pois temos bons momentos inseridos em alguns digamos estranhos. Ou seja, para quem gosta de um bom longa divertido de ação, sem um super-herói propriamente dito, vai gostar do que verá, mas que poderia ter uma participação maior do vilão mesmo (pasmem, é um filme de um vilão que contém outro vilão contra ele!!!), e talvez até mais lutas para que o primeiro ato não ficasse tão morno.

O longa nos situa em São Francisco, Estados Unidos, aonde Eddie Brock é um jornalista investigativo, que tem um quadro próprio em uma emissora local. Um dia, ele é escalado para entrevistar Carlton Drake, o criador da Fundação Vida, que tem investido bastante em missões espaciais de forma a encontrar possíveis usos medicinais para a humanidade. Após acessar um documento sigiloso enviado à sua namorada, a advogada Anne Weying, Brock descobre que Drake tem feito experimentos científicos em humanos. Ele resolve denunciar esta situação durante a entrevista, o que faz com que seja demitido. Seis meses depois, o ainda desempregado Brock é procurado pela dra. Dora Skirth com uma denúncia: Drake estaria usando simbiontes alienígenas em testes com humanos, muitos deles mortos como cobaias.

O diretor Ruben Fleischer não é daqueles que sabemos ter uma carreira sensacional nos cinemas, focando mais em séries, mas tem "Zumbilândia" ao seu favor como um grande filme bem dirigido, e aqui praticamente ele mostra de cara a falta de uma mão mais agressiva na condução de um longa de ação com vilões/anti-heróis, pois a trama mesmo não sendo um terror, possui um mote sombrio, um personagem que come cabeças, e praticamente um alien que deseja destruir o planeta, ou seja, necessitaria uma coragem maior para que o filme ficasse impactante, mas não, ele deixa o longa com um tom tão leve e divertido, que tirando dois momentos (um de perseguição excelente no miolo, e outro de luta no final), a trama parece um encontro de compadres discutindo, passeando, conversando e tudo mais. Ou seja, o diretor poderia ter tido mais atitude, e feito do roteiro uma trama de origem bem mais tensa e forte para que aí sim ele mesmo sendo um simbionte "meio bonzinho" partisse para ignorância de modo que o público ficaria impressionado com tudo e já pensasse na sua veia de vilão contra o Homem-Aranha, que poderia ocorrer num segundo ou terceiro filme (pois aqui, na primeira cena pós-crédito já é introduzido um próximo vilão do personagem - bem interessante feito por Woody Harrelson). Dessa forma, diria que o longa é frouxe de atitudes mesmo, sendo divertido e gostoso de acompanhar, principalmente a segunda metade, mas que como muitos esperavam mais do longa, a crítica internacional está só descendo a lenha no longa, e não é para tanto, pois consegue agradar razoavelmente.

Chega a ser irônico ver Tom Hardy novamente como um vilão, pois após o excelente Bane, esperávamos ver ele novamente raivoso, cheio de personalidade e com um ímpeto maior na telona, e seu Eddie acaba ficando levemente forte quando está incorporado por Venom, e nas cenas como humano comum é quase um personagem que em qualquer outro filme nem notaríamos, ou seja, também faltou atitude para o ator empolgar um pouco mais, mas também não foi algo que seja desapontador de ver. Agora Michelle Williams certamente não desejava estar no longa, e é nítida suas expressões bem mortas para sua Anne, chegando ao ponto de vermos olhares dispersos e falas tão jogadas, que mesmo nas cenas que o casal ainda não tinha brigado já víamos um ar cansado, que só é levemente melhorado nas cenas após o hospital, mas aí já é tarde demais para aparecer. Riz Ahmed também é daqueles que não sabemos o que esperar, pois o ator paquistanês oscila demais seus personagens, e aqui ele tem momentos levemente apáticos para um dono de uma corporação, que necessitava mostrar ambição, e principalmente virar um vilão mais forte e impactante, ou seja, faltou muito para seu Drake. Jenny Slate também entregou uma apática pesquisadora, que mais parecia estar com medo de tudo do que fazendo um filme realmente com sua Dora, ou seja, um desastre. Para ser sincero, quem foi o melhor em cena foi Reid Scott com seu Dan, e certamente poderiam ter investido um pouco mais nele, pois suas cenas embora jogadas na tela, foram bem expressivas e agradaram bastante, mas como é quase um personagem terciário, não teve como ele salvar nada. Scott Haze também foi bem com seu Treece, mas poderia ter brigado um pouco mais com o personagem, e termos cenas mais reais de luta, pois ele pareceu até ser mais duro de morrer que o próprio simbionte, ou seja, sabemos que tudo é falso em filmes, mas exigimos um pouco de veracidade também. Como de praxe, em todo filme da Marvel, nosso querido Stan Lee dá o ar da graça bem no finalzinho, mas nada que impressione muito, ou seja, apenas o oi tradicional.

No conceito visual, a trama não teve tantos detalhes para nos impressionar, apenas uma boa fantasia/computação gráfica para as cenas que o simbionte aparece seja em sua forma normal, ou já como um parasita nas pessoas, boas cenas com carros de ação destruindo tudo, muitos tiros, e claro mais um pouco de computação para as lutas, tendo alguns prédios imponentes para chamar a atenção, como a emissora e a Fundação Vida cheia de laboratórios bem tecnológicos, e claro um foguete bem chamativo, mas é bem notável a grande quantidade de efeitos computacionais, então o longa na maior parte soa bem falso visualmente, e só diverte por não ligarmos tanto para isso, mas se ficar olhando a fundo, é erro que não acaba mais de tão bizarro que acabaram empregando alguns elementos. Embora o longa tenha personagens escuros, e se passe a noite na maior parte do tempo, não tivemos um filme quase apagado, de modo que vemos detalhes de cada cena, tudo puxa para o lado cômico, e como disse no começo acabou até faltando tensão em muitas cenas, de modo que poderiam ter feito algo mais sombrio, que agradaria mais. Quanto do 3D, diria que é 99% inútil, tirando a cena de perseguição que ficou bacana os drones voando para todo lado, mais como perspectiva do que saindo para fora da tela realmente, e na cena de luta entre os dois protagonistas que vemos alguns detalhes a mais, mas nada que você necessite de forma alguma ver na tecnologia.

Enfim, é um filme bacana, divertido e que pela origem que conhecemos um pouco do personagem, poderiam ter ido muito além, mas que de certa forma não incomoda como poderia. Diria que aqueles que forem ver sem nenhuma expectativa, sairão com toda certeza da sala bem felizes com o que viram, mas aqueles que forem esperando algo, a chance de reclamar de qualquer agulha é altíssima. Recomendo ele mais como uma alternativa de ação bacana para quem gosta do estilo, e nada mais. E é isso, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia dessa semana bem curta, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Marcha Cega

10/03/2018 01:02:00 AM |

Acho que nunca teve um ano que viesse tantos documentários nacionais para o interior como tem sido 2018, graças claro ao "Projeta as Sete" do Cinemark, que tem a cada duas semanas colocado obras alternativas da Elo Company que raramente seriam lançadas nos cinemas em grande circuito. Dito isso, eis que hoje surgiu "Marcha Cega" que retrata de uma forma bem seca como foram as truculentas atitudes da PM nos movimentos de 2013, 2014, 2015, 2016 e 2017, mostrando com fatos todas as orientações das cartilhas de repreensão que nunca foram seguidas no que é mostrado. Claro que temos alguns movimentos mostrados que certamente mereceriam repreensão pela forma de ação, mas a maioria mostrada é algo que mostra um despreparo incrível dos oficiais e ainda com depoimentos de pessoas fora dos movimentos explicando algumas atitudes, o longa fica ainda mais crível de se pensar com que raiva podemos imaginar um futuro dominado por pessoas sem preparo para suas funções. O maior defeito do longa que é até mostrado ao final, é a falta de pessoas do outro lado para se defender, e transformar o filme em algo menos de opinião formada, mas como não quiseram dar depoimentos, o jeito foi apenas ficar a frase colocada na telona, e também diria que poderiam ter trabalhado melhor a edição, pois ficou forçado demais para comover, e o resultado acaba sendo um pouco incoerente em alguns momentos. Ou seja, é um filme digamos levemente imparcial e forçado, mas que expõe bem tudo o que aconteceu e revolta.

O longa nos mostra que durante as manifestações que ocorreram em São Paulo nos últimos anos, a Polícia Militar foi responsável por agredir violentamente, ferir e prender uma série de manifestantes. Através do uso excessivo de gás lacrimogêneo e outras técnicas duvidosas, a cidade transformou-se em um verdadeiro campo de batalha e as marchas, inicialmente pacíficas, foram consumidas pela violência derivada das forças policiais.

O trabalho de pesquisa do diretor Gabriel Di Giacomo foi bem moldado em cima de materiais da mídia independente, jornalistas ninjas e em cima disso entrevistou bem alguns dos nomes que tiveram destaques em cada um dos atos mais truculentos de cada ano, de forma que vamos ouvindo eles, concordando em alguns momentos, e até achando fora de eixo alguns depoimentos, de modo que a trama pode funcionar mais para uns do que para outros, mas de modo algum a pessoa sairá da sessão sem uma opinião formada sobre o assunto, afinal o diretor foi ao menos bem coeso em deixar claro sua opinião, mas abrir frente para outras pelos depoimentos serem francos, não sendo fácil observar as perguntas feitas para cada um (o que deve sempre acontecer em um bom documentário!), e com isso praticamente vemos os jovens falando de suas experiências nos movimentos, e os especialistas colocando os pingos nos is do que deveria ter ocorrido, e claro, não ocorreu. Ou seja, para muitos o longa pode ser um tiro no pé dos policiais truculentos que são mostrados na trama, mas o diretor deu ênfase muitas vezes nas falas dos especialistas que sempre a ordem vem de cima, e que claro a maioria não é treinada para saber fazer direito em situações de confronto tendo base apenas uma apostila com frases confusas que não levam a lugar algum, ou seja, podemos atirar sim, mas mirando pra baixo, podemos aplicar spray, mas tem de ser bem aberto com vento, e os se? Então não defendendo ninguém, tudo pode dar errado sempre nesses casos para ambos os lados, e o diretor poderia até ter trabalhado mais os ares do longa na montagem.

Voltando a falar dos entrevistados, alguns foram bem direcionados e souberam falar bem suas situações para serem críveis no que estavam dizendo, enquanto outros parecem até estar falando coisas irreais (que até sabemos que ocorreram, mas não passam uma verdade na forma de contar), e isso não é bacana de ver. De modo que sabemos que certamente o diretor captou muito mais depoimentos do que o que acaba indo para o corte final, e poderia ter escolhido melhor alguns depoimentos, e claro os cortes, pois muitas vezes coisas no escuro sem aparecer pessoas, outrora a pessoa falando e vem flash em preto por cima, num trabalho bem mal acabado de ver.

Enfim, temos um longa interessante, que cada um vai conseguir enxergar de uma forma, pois vou deixar até minha opinião de ser contra os dois lados, sendo favorável sim a manifestações pacíficas (como tivemos o #EleNão nesse último final de semana feito pelas mulheres) e completamente contra a depredações de qualquer tipo de patrimônio, mas também completamente contrário a qualquer truculência policial sem base que não os esteja atingindo, ou seja, vi o filme com dois olhares completamente divergentes, e recomendo ele com algumas ressalvas, mesmo me revoltando com as diversas atitudes policiais, e também com alguns black blocks, ou seja, vá conferir e tire opiniões sobre o assunto, mas analisando como filme faltou muito para ficar mais funcional. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, encerrando essa semana que foi bem recheada, já me preparando para uma bem menor, então abraços e até logo mais, e que saibamos votar bem no final de semana para não termos mais conflitos feios como os mostrados no longa.

Leia Mais

Benzinho

10/02/2018 01:43:00 AM |

Sabe aquele filme que você sente mais do que assiste, que mesmo não sendo uma mãe consegue enxergar tudo o que a pessoa está sentindo só pela expressividade passada perfeitamente por um ator? Pois bem, esse filme se chama "Benzinho", e está em cartaz pelo projeto Cinema de Arte em algumas cidades, e tente ver se possível, pois é daqueles longas que sabem trabalhar o conteúdo dentro de uma situação que vai além do imaginado, construindo fortes nuances sobre todos os tipos de mudança numa vida, desde a conquista de um diploma, passando pela mudança de residência, de riquezas monetárias, de brigas na família, e o principal, a mudança dentro do crescimento dos filhos, mudando inclusive de país, ou seja, uma dramatização complexa de sentimentos, que nos faz refletir, e viajar junto com tudo o que conseguem nos passar, sendo praticamente uma delícia conferir cada ato e incorporar os momentos juntos da protagonista. Diria que muitos até enxergarão o filme como algo novelesco demais, mas a proposta flui de uma maneira tão coesa nas subtramas, que praticamente nem sai do eixo principal, e assim sendo, o filme desabrocha em nossas mentes de uma maneira tão gostosa que não tem como não sair sorrindo emocionado com tudo o que vemos na telona.

A sinopse nos conta que o primogênito de uma família de classe média é convidado para jogar handebol na Alemanha e lança sua mãe em uma espiral de sentimentos pois, além de ajudar a problemática irmã, lidar com as instabilidades do marido e se desdobrar para dar atenção aos seus outros filhos, ela terá de enfrentar sua partida antes de estar preparada para tal.

O diretor Gustavo Pizzi soube dosar bem cada ato para que nada ficasse forçado, de modo que seu roteiro junto da atriz protagonista e sua esposa, Karine Teles, foi esmiuçado para realçar todos os sentimentos possíveis para uma mãe vendo acontecer praticamente em 20 dias tudo o que seria o caos no seu pequeno mundo, e com isso é inegável não sentir nada durante os deliciosos 95 minutos que nos proporcionam, de modo que o diretor trabalhou ângulos mais fechados para dar sentimento de tristeza, mas usando do artifício mais lindo que as mães sabem fazer, que é procurar ocultar o que está sentindo para que seus filhos, nem ninguém as vejam chorando por eles, se mostrando forte enquanto pode, indo buscar sua independência, tentando criar virtudes, e tudo mais, mas que por dentro está estilhaçada, cansada, fraca e dependendo de um abraço ao menos bem apertado, e isso é visto a cada nuance por parte da grandiosa técnica que ele soube fazer. Repito, o filme tem todos os quesitos preenchidos para ser uma novelona imensa, mas felizmente é revertido para ângulos tão bem propostos que acabamos vendo realmente um bom exemplar de drama familiar, que foge de clichês e consegue atingir cada um de uma forma, mas que mesmo que faça chorar em algum momento junto da protagonista, o sorriso de dever cumprido será transmitido até que o próximo filho chegue à maioridade e todo o fluxo ocorra novamente.

Sobre as atuações é inegável que Karine Teles mereceria todas as premiações possíveis e imaginárias para suas expressões perfeitas, e por enquanto só veio o Kikito de Gramado, mas deve vir mais com toda certeza, pois conseguimos sentir cada momento de sua Irene só com seus olhares e trejeitos, de tal forma que nem precisaria dizer nada, mas ainda por cima foi incrível nas pontuações de seus diálogos e arrebata cada um por seus atos, ou seja, não conseguimos sequer imaginar outra pessoa ali a não ser ela. Estamos tão acostumados a ver Otávio Müller fazendo comédia e sendo na maioria das vezes bobo, que aqui entregando um personagem dramático com seu Klaus ele foi na medida certa para o papel que necessitava de alguém comum com ares sonhadores e que comumente veríamos entre nós, e com muita sutileza ele nos entregou um personagem humano e completamente dentro do cerne de alguém a beira do desespero também, ou seja, acho que ele deveria investir mais em personagens dramáticos, pois o acerto foi bem maior do que quando faz comédia. Adriana Esteves também entregou uma personalidade incrível para sua Sônia, de tal maneira que ficamos no começo até achando que ela é um personagem demais inserido na proposta da trama, mas com o andar do longa vemos que ela é mais um peso para a protagonista, e a atriz ainda consegue ter nuances interpretativas tão boas que acaba fluindo dentro da proposta, de tal forma que também arrebatou um Kikito de coadjuvante, e não por menos, afinal foi bem também. O jovem Konstantinos Sarris (sim, ele nasceu na Grécia para ter um nome desse!) soube ser coeso nas atitudes, e teve todo tipo de sensações que os jovens costumam passar para os pais em seus diversos momentos do longa, desde o impacto desenfreado, as brigas, as conciliações, e claro também o amor, de tal maneira que foi bem colocado e mostrou que é bem expressivo quando lhe solicitam, e certamente terá um grande futuro como ator, pois aqui já demonstrou carisma para o personagem de Fernando, e fez com que funcionasse o que o longa necessitava. Quanto aos demais, posso dizer sem hesitar que deram seu máximo e foram completamente bem encaixados, desde os gêmeos, filhos reais da protagonista com o diretor, Arthur Teles Pizzi e Francisco Teles Pizzi que souberam ser graciosos e dinâmicos, o sobrinho da protagonista Luan Teles, que aqui faz seu filho do meio, Rodrigo, acabou sendo o ar de despejo como costuma ocorrer em grandes famílias, e até mesmo o uruguaio César Troncoso conseguiu entregar rapidamente muita personalidade com seu Alan, ou seja, uma equipe completa que ainda teve uma rápida participação de Mateus Solano como o técnico Paçoca.

No conceito visual a trama brincou com o ar de uma casa também em conflito, que já desde a primeira cena já demonstra estar pronta para atacar também a protagonista com a tranca já não funcionando, com rachaduras prontas para desmoronar a cada momento, com uma segunda casa que não consegue se estruturar nunca, com uma casa de praia praticamente abandonada, mas que guarda objetos que trazem boas e más lembranças para a protagonista, ou seja, tudo com muita simbologia, e até mesmo no carrinho de vendas conseguimos encaixar detalhes para uma vida que não pode parar, com ela estudando, se formando e tudo mais. E com tantos elementos cênicos, a equipe de arte juntou cada pedacinho em nossa mente, entregando peça por peça para que fôssemos montando a vida destroçada que a protagonista está vivendo, e com isso sentirmos o mesmo que ela, e refletíssemos juntos para que cada ato fosse além. A fotografia foi coesa em não dar tons fortes, mas sempre brincando com os momentos felizes cheios de brilho, mas sempre com a pontada de que tudo pode desmoronar, aonde os tons mais escuros do filme procuravam o domínio, mas sempre também com aquele ar de que pode melhorar, vindo a luz no fim do túnel que resulta em um ato melhor que o outro.

Enfim, um filme incrível que todos devem conferir por inúmeros motivos, mas os principais são para falar que o Brasil não sabe fazer bons filmes (o que mais vejo por aqui), e para refletirmos melhor o papel da mãe, afinal o longa soube muito bem demonstrar o conflito que muitas acabam tendo, e quase sempre, não passam de estarem estourando por dentro. Só não irei dar nota máxima para o filme, por achar que poderiam ter desenvolvido mais o pós do longa, com um pouco mais da vida da mãe após a partida do filho, e menos a vida da irmã, pois aí sim o conflito focado seria melhor formatado, mas isso é apenas uma opinião bem pessoal, pois no conceito técnico o longa é perfeito. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia da semana, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

Um Pequeno Favor (A Simple Favor)

10/01/2018 01:22:00 AM |

O que acontece quando um diretor tradicional de comédias se mete a fazer um suspense policial? Um suspense cômico! Pois bem, não sei se já existe esse gênero catalogado, mas posso dizer que o longa "Um Pequeno Favor" se encaixa completamente nele, pois temos mistério, inúmeras reviravoltas e suspense policial, mas tudo envolvido em muita comicidade, de modo que vemos a sala do cinema rindo a quase todo momento com as loucuras e insanidades das protagonistas. Ou seja, um filme que certamente nas mãos de outro diretor seria tenso, cheio de impacto e causaria muitos conflitos na cabeça dos espectadores, mas aqui com Paul Feig, foi tudo tão sutil, cheio de desenvoltura, com pegadas de internet, que acabamos nos divertindo tentando descobrir as façanhas de Emily, quem era quem, e claro tudo aliado a uma detetive vlogger de um canal culinário para mães, ou seja, não tem como ficar sério com tudo isso. Você deve estar achando que odiei o longa e só vou falar mal dele, mas muito pelo contrário, adorei a forma que o filme foi composto e ri demais na sessão, pois já pelo trailer dava para tirar muitas conclusões do que aconteceria, mas o desenvolvimento e o desfecho foram tão bem colocados, que nem precisaria dos escritos na tela, pois o encerramento já valeria por completo.

O longa nos conta que Stephanie é uma jovem mãe que divide o tempo entre a criação do filho e a dedicação ao vlog de culinária. Ela é uma pessoa solitária, que se torna fascinada pela mãe de um colega de escola de seu filho. Esta mulher, Emily é poderosa, destemida, e leva uma vida de luxo ao lado do marido. Um dia, Emily desaparece. A polícia tem dificuldades para lidar com o caso, mas Stephanie parte em busca de respostas por conta própria. No caminho, descobre que a nova amiga não era nada do que ela pensava.

O diretor Paul Feig é daqueles que gostam de experimentar bem diversos estilos, e claro misturá-los para ver no que dá, e aqui ele felizmente não decepciona ao criar um vértice todo misterioso com o sumiço da protagonista, brinca com o passado de todos, ousa fazer sátira com a proposta de vlog culinário que conversa com as mães, e ainda consegue brotar sutilezas em personificações de suas cenas, de modo que seu filme é daqueles que passa num piscar de olhos, e nem sentimos as quase duas horas de duração. Agora sem dúvida alguma terão aqueles que vão olhar o longa e achar ele banal demais, que fica exagerado ao trabalhar a comicidade e tudo mais, mas certamente se o longa não tivesse esse vigor de inovação, o resultado final certamente seria daqueles que compararíamos a trama aos diversos outros, que cheios de clichês acabaríamos somente reclamando, ou seja, o filme tem sim uma base comum dos longas policiais que envolvam suspense e desaparecimento de pessoas, mas principalmente por se diferenciar do estilo de contar isso, é que o resultado soa interessante e está lotando as salas como foi o caso de hoje, ou seja, um grande acerto, que quem sabe ao invés de mostrar nos créditos finais a grande sagacidade por trás de tudo, poderiam resolver qualquer outro caso na telona usando a mesma base, num segundo longa que funcionaria bem.

Outra grande sacada do diretor foi usar uma atriz jovem como protagonista, afinal esse estilo vlogger até caberia em alguém mais velha, mas Anna Kendrick mandou muito bem no estilo de sua Stephanie e conseguiu criar muitas nuances que estamos acostumados a ver em vídeos de mídias digitais, além claro que ela como detetive também foi bem divertida e como sempre se expressou bem com olhares, foi colocada na medida certa para um filme que brinca com o fato de mentiras para todos os lados. Já era fã de Blake Lively pelas ótimas personificações de seus últimos longas, e agora com toda a imponência que deu para sua Emily não temos como não nos apaixonar por seu estilo e forma de atuação, de modo que ela vai criando a personagem e ao mesmo tempo que ficamos nervosos com sua loucura, também torcemos um pouco para ela ter uma saída mais forte ainda, ou seja, perfeita. Henry Golding foi digamos um ponto meio que jogado por precisarem de um marido para acontecer tudo, pois o ator até criou bons momentos, mas foi quase um objeto na maioria das cenas, com expressividade fraca e imponência de menos quando necessitava dele, ou seja, fraco demais para um filme que as mulheres o devoraram só nos olhares. Os garotinhos Ian Ho e Joshua Satine também mandaram bem em suas poucas cenas, e sempre com diálogos afiados aparentaram até ser mini-adultos, com sagacidade nas respostas e sem jogar olhares fora, o que é um grande primor de ver. Quanto aos demais, a maioria apenas foi encaixe, tendo falas espaçadas sem muito o que falar, e sendo assim nem merecem destaque.

Quanto ao visual da trama, arrumaram uma mansão daquelas de tirar o chapéu para ser a casa da protagonista, mas não apenas no luxo foram coerentes, de modo que conseguiram uma mansão destruída para as investigações, num trabalho preciso da direção de arte, souberam brincar com os formatos dos vídeos de culinária da protagonista, e até mesmo nos momentos mais jogados como na escola e no funeral souberam trabalhar com elementos cênicos simples, mas bem colocados para o público tentar pegar algo, além claro da visita ao espaço de trabalho de Emily, que teve a cena mais cômica do planeta com a atendente de telefone (garanto que eu no lugar de Stephanie não colocaria apenas a mão no gancho do telefone, mas tacaria o telefone na cabeça da atendente!). Com um tom bem claro, e cores sempre neutras, tendo leves destaques mais chamativos, a trama não pesou nem para o lado do suspense, nem fez nada que soasse exageradamente cômico, e com isso o filme acabou ficando leve e gostoso de acompanhar pela fotografia entregue, e isso é algo raro de ver em filmes que envolvem desaparecimentos.

Enfim, é um filme muito interessante de assistir, que já fui até sabendo o que veria, com algumas afirmações na cabeça sobre o desaparecimento (afinal o trailer passou acho que pelo menos umas 20x nos últimos meses!), e que por trabalhar bem o lado cômico da situação me fez rir por demais, e não apenas eu, pois a sala que estava lotada por completo, se divertiu bastante do começo ao fim, ou seja, um longa que vale a pena recomendar, e que só não vale uma nota maior por certos exageros e clichês empregues, que poderiam ter sido relevados, mas digo que quem gostar de boas sacadas num filme cheio de reviravoltas pode ir conferir que é garantia de satisfação. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, afinal ainda faltam duas estreias para conferir, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

PéPequeno em 3D (SmallFoot)

9/30/2018 06:53:00 PM |

Existem algumas animações que conseguem seguir linhas tão diferentes do usual, fazendo com que o público pense (mesmo que tudo seja explicado em uma única música), reflita e chegue à ideais que são fora do padrão de conhecimento que acabamos nos emocionando, vibrando e até dançando com o que nos é mostrado na telona, e felizmente isso aconteceu com "PéPequeno", que nos entrega uma história bem divertida, cheia de contrastes, e principalmente que consegue passar uma boa mensagem de respeitar o próximo e suas diferenças, além claro de mostrar que o que tanto sabemos, que os seres humanos são bem mais monstruosos que os monstros da ficção, não pensando duas vezes antes de pensar em matar, atirar, tacar fogo e por aí vai. Diria que o longa é bem bonitinho, e tem cores suficientes para agradar visualmente os pequenos, mas colocaria que é um filme para uns pequenos já crescidinhos que entendem histórias, pois os pequeninos logo de cara já começam a não gostar do escuro e já começam a chorar para pedir pra sair, o que não é legal quando se leva uma criança ao cinema (e também atrapalha a sessão dos demais), ou seja, encaixaria ele na faixa dos 8 anos pra cima, indo até o infinito e além, pois os mais velhos vão se apaixonar pela história contada.

O longa vira a lenda do Pé Grande de cabeça para baixo quando um jovem e genial Yeti encontra algo que ele achava que não existia – um humano. A revelação deste “PéPequeno” traz preocupação à comunidade dos Yetis sobre o que pode existir além de seu pequeno vilarejo nas neves em uma nova e divertida história sobre amizade, coragem e a alegria da descoberta.

É engraçado a forma que o diretor Karey Kirkpatrick moldou o seu longa, criando personalidades fortes para cada personagem, deixando claro as diversas diferenças e responsabilidades de cada um na aldeia, e principalmente por não fazer como costuma ocorrer em encontros de diferentes espécies, pois cada um falando sua língua para os seus, vão apenas se entender através de sinais gestuais, o que é algo incrível de ver. Além disso, ele conseguiu criar um mapa de cores tão bem colocados para realçar os sentimentos, que além das canções envolventes e de toda uma trama bem montada, o filme vai esquentando e esfriando com tons, fazendo com que o público sinta a dúvida dos personagens sobre o que é ou não bom para eles, como podem atingir determinados momentos e tudo mais, numa brincadeira clara de gente séria. Outro bom ponto a ser visto, é que embora o diretor tenha alguns personagens bobinhos para dar o tom cômico na sua trama, ele não focou em nenhum personagem de esquete (talvez colocaria a cabra, mas como não é nada exagerado até passa batido!) como outras animações costumam fazer, e com isso o longa nos faz viajar e refletir sobre tantos temas, como, inclusões, preconceitos, humanidade, e por aí vai, ou seja, um longa muito maior do que apenas um infantil.

Sobre os personagens é fato que vamos nos afeiçoar completamente ao protagonista Migo, afinal ele que fica quase que 100% na telona, e sua pelagem é incrivelmente detalhada, lembrando até mesmo o que vimos já no passado de "Monstros S.A.", e não bastasse uma boa modelagem cênica para o personagem, o carisma, suas dúvidas, e claro, as encrencas em que se mete, nos faz ficarmos cada vez mais conectados com ele. O humano Percy também é bem interessante, e nos lembra bem dos desafios que produtores de conteúdo tem, de que as vezes estão por cima, outrora as dívidas mais comem as pernas do que tudo, mas a trama mostra muito bem que mentir não é o melhor negócio (a não ser que seja para salvar alguém!) e o funcionamento do personagem recai muito bem para tudo o que possamos imaginar. Além dos dois protagonistas, é bacana olharmos para o Guardião das Pedras, com seu tom mais sério, e claro, com motivos bem sólidos para expressar sua fé nos demais, de tal maneira que vemos muito por aí como alguns ocultam informações, mudam tudo para que todos passem a crer somente na sua verdade, ao invés de tentar chegar no bom senso para que todos tenham uma vida com menos medo, ou seja, um personagem bem reflexivo. Quanto aos demais, todos foram bem graciosos, com Meechee sendo o par romântico bem colocado, mostrando a força e a coragem das mulheres audaciosas, e comandando bem a liga dos malucos do PPM, que agradaram bastante no contexto visual e deram um bom humor para a trama.

No contexto visual, a trama trabalhou bem os dois mundos, o dos humanos com cidadelas pequenas, mas toda voltada para o turismo no meio da neve, com muitas luzes, e bares semi-vazios aonde as pessoas pegam os microfones para cantar, mas a graciosidade do longa fica por conta da vila dos yetis, com muitos detalhes em movimento, e que são completamente bem explicados quase no final para que cada coisa servia, com muita graciosidade e simbolismo de primeira linha, agradando demais o resultado. Quanto do 3D, temos alguns bons momentos, mas a função foi mais de textura e modelagem, fazendo com que os personagens tivessem movimentos quase teatrais pelas boas sombras, aonde enxergamos eles bem encaixados, do que realmente com coisas saindo para fora da tela (tirando claro a neve e sua sensação visual), ou seja, poderiam ter abusado até um pouco mais para agraciar as crianças e quem gosta do estilo.

Como toda boa animação, as canções são envolventes e agradam demais ouvir e acompanhar, dando sentido para a trama, e fazendo com que o público se envolva vendo os personagens dançando e trilhando seu caminho, e claro que procuro buscar ela para que todos possam ouvir, mas a trilha sonora nacional não foi liberada online, apenas a música "Maravilha é Viver" que você pode ouvir aqui, e claro quem conseguir conferir na versão original o filme, pode ouvir todas as canções aqui.

Enfim, um longa muito gracioso que envolve demais e que com certeza recomendo para todos, irei tentar ver ele legendado também, não pela dublagem ter ficado ruim, muito pelo contrário, todos procuraram entregar bem as piadas com contexto, tiveram boas vozes, e tudo mais, mas ao ver o elenco completo cheio de grandes estrelas, acredito que o longa deve ter ficado bem bacana também. Portanto levem as crianças para o cinema, lembrando do que disse no começo que as muito pequeninas provavelmente não irão curtir tanto, e boa sessão, pois eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

Leia Mais

A Primeira Noite De Crime (The First Purge)

9/29/2018 02:18:00 AM |

Pois bem após o original e mais duas sequências, muitos sempre se perguntavam, e como começou essa loucura toda, quem foi o doido que criou uma noite para que todos expurgassem sua raiva/ódio matando todos que visse pela frente, e principalmente aqueles que te atrapalharam em algo, e eis que os produtores/roteiristas ouviram o apelo e resolveram criar "A Primeira Noite De Crime", que basicamente usa o mesmo molde dos outros três filmes (ou melhor dois, pois o primeiro só ficou dentro da casa!), mas consegue contar bem como tudo começou, e o que parecia um leve experimento acabou saindo fora do controle ao cair nas mãos de pessoas incompetentes, ou seja, até dei um leve spoiler, mas a trama mostra bem um molde político do que anda acontecendo em nosso país e até no mundo atualmente, de modo que um viés de discórdia pode ocasionar dissidências tão fortes que fica difícil controlar, e claro que gera confrontos com as pessoas mais carentes, e claro, com aqueles que mandam nas comunidades. Ou seja, um longa de terror, que flui bem como drama politizado e que envolve com muita ação e tiros para todo lado, então se você gosta disso, esse é seu filme, caso contrário, a chance de reclamar e/ou ficar no celular incomodando os demais é alta demais, então evite.

A sinopse nos conta que quando um novo partido político, o New Founding Fathers of America, ascende, é anunciado um novo experimento social. São 12 horas sem lei, em que o governo incentiva as pessoas a perderem toda e qualquer inibição. A participação não é obrigatória, mas como estímulo, 5.000 dólares é dado para quem fica na cidade, e mais prêmios para quem participa.

Como é de praxe, sabemos que ao mudar a direção de uma franquia, muita coisa acaba se perdendo no caminho, e após James DeMonaco ter roteirizado e dirigido os três longas anteriores, aqui ele apenas criou o roteiro e entrou em campo toda a equipe de Gerard McMurray que até transformou o longa em um plano maior, que mesmo preso dentro de um pedaço dos EUA, levou muito mais confusão para as ruas, para um condomínio vertical e com atrocidades bem insanas de serem mostradas, mas que diferente do que costumávamos ver com pessoas aleatórias, aqui o par romântico praticamente dominou o longa, e por bem pouco não desandou todo o restante. Diria que faltou um pouco mais de atitude de Gerard para criar mais, e com isso ele se prendeu na fórmula e apenas esboçou um início de tudo nos mesmos moldes sem muita desenvoltura. Claro que aqui ele foi até mais politizado do que o último filme que era voltado para uma eleição, e com isso a trama tem um desenvolvimento que muitos vão olhar com outros olhos, mas certamente ele poderia ter ido ainda mais longe nesse exagero, que sairia do conforto e entregaria um daqueles filmes de arregalarmos os olhos do começo ao fim.

Uma faceta interessante da equipe de produção foi arrumar um elenco praticamente desconhecido das telonas para que o filme não remetesse a ninguém dos outros longas, e ao mesmo tempo que isso é interessante para não ficarmos tentando lembrar quem é quem, o resultado também acaba ficando mais dependente dos protagonistas que não são tão impactantes de expressões, ou seja, todos até se esforçaram para não fazer muita besteira na tela, mas também não foram muito longe no que fizeram. Y'lan Noel entregou seu Dimitri como um grande líder do tráfico, mas que ao demonstrar amor pela ex-namorada, vai pra cima de tudo e de todos, defendendo não apenas os seus, como também toda a comunidade que compra seus produtos, e o ator certamente se inspirou em muito do que se vê nas comunidades mundiais para incorporar alguém forte e coeso nas atitudes, mas poderia ser menos melado sua paixão platônica, afinal ele é o cara do longa, e não precisaria de tanta paixonite. Lex Scott Davis entregou sua Nya como aquelas humanitárias completamente contra os políticos, e conseguiu dar ares bem fortes de personalidade, de modo que sua melhor cena sem dúvida é a que vai tirar satisfações de D, e ali a atriz mostrou força e chamou a responsabilidade do longa para si, pena que não manteve. Joivan Wade até fez bem seu Isaiah, mas falhou na personalidade, e ficou apático demais na maior parte do longa, parecendo quase sumir, e isso não é bom para alguém do primeiro time do filme. Rotimi Paul ficou muito maluco para seu Esqueleto, e com uma maquiagem incrível, incorporada à sua loucura, fez do personagem alguém que merecia até mais tempo de tela. A dupla do governo interpretada pela sempre boa Marisa Tomei, e Patch Darragh foi coeso no que pretendiam mostrar, mas fizeram caras e bocas demais para atitudes de menos, e isso num filme de ação acaba ficando em segundo plano, e não resulta em nada.

Diria que a equipe de arte aqui foi a que mais ousou em fantasias para a trama, criando personagens incríveis, grandiosas festas com todos com roupas com elementos de LED, lentes tecnológicas bem elaboradas (que não tem nos demais filmes, sendo que esse se passa antes dos outros!!) que deram um tom esquisito, mas bem interessante para os olhares dos personagens e figurantes, e claro muitas armas de calibres altíssimos, com tiros explodindo paredes e fazendo tudo voar pelos ares, ou seja, a equipe de efeitos precisou trabalhar muito também, e juntamente criaram um filme visualmente impecável de elementos. A fotografia é claro que por ser um longa tecnicamente de terror foi bem escura, mas com tantos LEDs para todos os lados, tivemos um colorido até que bem detalhado, que acaba criando grandes vértices e chamando a atenção para onde a equipe desejou.

Enfim, é um filme que diverte quem gosta desse estilo, que trabalha bem o início da franquia, mas que não cria nada de muito novo, de tal maneira que parece mais uma sequência do que uma explicação melhorada de como tudo começou. Diria que funcionou bem pelo vértice politizado e pela atitude em si, mas que talvez nas mãos do diretor antigo, o resultado fosse bem melhor. Ou seja, recomendo ele com ressalvas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

Leia Mais