As Aventuras do Avião Vermelho

domingo, dezembro 14, 2014 |

O gênero das animações é um dos que mais gasta tempo de desenvolvimento no mundo, e com isso altas quantias são desembolsadas, por isso alguns países não se arriscam tanto nele, mas com as tecnologias ficando mais acessíveis, alguns criam coragem e passam anos para fazer um filme razoável apenas, e o Brasil é um deles que tem até aparecido com bons exemplos, mas alguns acabam ficando bem abaixo do que se considera satisfatório. O longa "As Aventuras do Avião Vermelho" demorou cerca de 10 anos para ser produzido e lançado, e cometeu o erro mais básico do gênero, não acertar o público alvo, pois com uma história exageradamente infantil até agradaria os pequenos, visto que ela é bem cativante para eles, tem cores para todo o lado para chamar a atenção, mas abusou da cultura sulista com gírias próprias que muitos nem vão imaginar o que é, além de não ter um traço de desenho mais realista, que a garotada anda preferindo ultimamente. Então temos um filme que até contém uma mensagem bacana, mas não amarra a garotada na poltrona de jeito algum, e como já disse em outros filmes do estilo, pra mim se não segura o público alvo na poltrona, é falha total.

O filme nos mostra que o travesso Fernandinho tem 8 anos e após perder a mãe, acaba se tornando um garoto solitário, sem amigos e com problemas de relacionamento com o pai. Sem saber como lidar com o filho, o pai tenta ganhar a atenção do garoto com presentes. Mas nada funciona até que um livro de sua infância lhe devolve a alegria. Fernandinho mergulha no universo do livro e decide que precisa de um avião para salvar o Capitão Tormenta, personagem da obra, que está preso no Kamchatka. Nessa jornada, Fernandinho descobre a importância da leitura e do amor de seu pai.

A síntese do filme é bem bonita, com mensagens motivacionais, incentivos à leitura, cenas com muitas referências e até uma diversão minimalista contextualizada, mas por estarmos acostumados com longas mais bem desenhados e com nuances quase realistas, o resultado aqui peca demais, É garantia quase que total que as crianças com um pouco mais de 6 anos acabem ficando entediadas com a produção. Não digo que é algo ruim o trabalho feito pelos diretores Frederico Pinto e José Maia, mas faltou ou dar um tom mais adolescente na história de Érico Veríssimo ou ao menos ter encarado uma realidade mais forte e trabalhado com um estilo de animação mais visceral do que o 2D simples sem profundidade alguma nos desenhos. Que aí sim, poderíamos afirmar que o Brasil entrou de cabeça mesmo no gênero das animações. E além disso poderiam ter trabalhado o roteiro com diálogos menos culturalizados do estado onde vivem, pois ficamos com um longa que só é divertido por lá, apenas para exemplificar numa da cenas o protagonista fala: "ficar mais tri" ao que qualquer lugar falaria "mais legal", "mais bacana" ou qualquer outro expressão, menos o pessoal do sul.

Os personagens são divertidos ao menos e caricatos, fazendo com que da mesma forma que ocorre lá fora que os personagens possuem visual semelhante ao do dublador, aqui o pessoal se preocupou também, então o bonequinho negro do protagonista é dublado por Lázaro Ramos, a empregada por Zezeh Barbosa, e assim ocorre com outros. E se formos a fundo até nos afeiçoamos com alguns feitos deles, pois são bacaninhas e as crianças mais novas vão até ficar contentes de ver os bichinhos comendo nuvens e dançando na lua. O protagonista é aquele garoto que todos conhecem, bagunceiro master e que é raro ficar parado. O aviãozinho poderia ser menos bobo que envolveria mais, mas repito, o longa foi 100% desenvolvido para crianças, então nem Milton Gonçalves conseguiu fazer algo mais envolvente e carismático.

A modelagem artística não é muito elaborada, portanto não espere ver um desenho do estilo que passa na TV e muito menos os tradicionais do cinema, mas se tem um ponto em que acertaram foi na colorização dos personagens e cenários, pois aqui o excesso de cores funciona como um imã para a garotada, e quanto mais coisa brilhando para todos os lados, mais eles gostam. Então até mesmo nas cenas onde temos quase que aquelas revistas para colorir, com o fundo pintado e o desenho principal apenas em listras, acabou funcionando bem.

E algo bem bacana de ver, ou melhor ouvir, ficou por conta da trilha sonora original, que não quis usar praticamente nenhuma canção conhecida, e isso é bom, pois a música AUL é bem colocada, que quem perceber a letra invertida vai rir muito, e as demais deram ritmo bem colocado para que ao menos a trama não ficasse tediosa.

Enfim, se você tem crianças bem novas, talvez seja uma boa opção para levar elas, mas se for daquelas crianças que já está na fase dos porquês, fuja e leve para outro longa que com certeza a discussão vai ser grande junto com as comparações. Valeu ao menos para ver que o Brasil já tem equipe pensando bem nas animações, só falta desenvolver mais como tem acontecido em outros países, que nem queremos chegar nos EUA, mas se beirar a Bélgica já estarei completamente feliz. Bem é isso meus amigos, encerro a semana cinematográfica por aqui, e vamos torcer para que a próxima semana venha bem recheada para termos nossas comemorações de fim de ano bem alegres. Então abraços e até breve.


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Apneia

sábado, dezembro 13, 2014 |

Uma das coisas que defendo quando leio um roteiro que me é oferecido é a concisão das ideias, pois muitos diretores até possuem bons argumentos e se olharmos de uma forma mais efetiva conseguimos ver que rumos a história pode tomar. Porém, algumas histórias conseguem ser críveis somente para algumas pessoas, as que estão no clima exato que o filme tende a ir, ou que conheça exatamente a ideia que o roteirista quis colocar na trama. Digo isso pois o filme "Apneia" tem uma visão bem marcada de onde quer chegar, porém trabalhou de uma maneira tão cheia de floreios e abstrações que não conseguimos nos impactar com quase nada do que é passado, ficando um longa bem mediano que quase nos remeteu a um sucesso do passado "Confissões de Adolescente" só que com uma visão bem menos família e com uma temática mais pesada. E mesmo contendo imagens belíssima, que foram filmadas com o maior esplendor de técnicas, o resultado final é algo vago demais para agradar, como disse antes, quem não estiver na mesma vibe das protagonistas.

O filme nos mostra que Chris é uma jovem linda e rica que busca pelo sentido da vida, pois, apesar de tudo, vive entediada. Ela e suas amigas começam a notar que suas atitudes podem influenciar os próprios destinos e, até mesmo, o destino de outras pessoas. Apneia retrata um pouco da vida dos jovens da classe alta que, paradoxalmente, tem tudo, mas vivem sem perspectiva alguma.

A história em si não é algo ruim, muito pelo contrário, atualmente cada vez mais vemos jovens no estilo que o longa retrata e dessa forma acaba servindo como um alerta para que pais observem se seus filhos não andam necessitando de algum estilo de psicologia para não ficarem tão entediados e caindo para vertentes não tão boas da vida. E assim sendo o diretor e roteirista Mauricio Eça acaba acertando no viés que a trama poderia se desenvolver, porém o maior erro do filme é que ele se perde nisso, não pelas atuações, mas pelas situações envoltas não empolgarem os espectadores, tanto que na sala onde assisti era notável que as demais pessoas acabavam discutindo o assunto tema entre si, esquecendo que o filme continuava rolando, ou seja, serviu de debate na própria sessão pelo tema, mas ficando fora de prumo como ficção inteligente que era a proposta inicial. Assim, um acerto talvez é que a trama vire em algum canal do estilo da Cultura por exemplo, colocando-se trechos do filme para que seja aberta a discussão do cotidiano, e assim com certeza será bem mais aproveitável do que no cinema como mídia final. Portanto temos sim um bom texto para ser trabalhado, mas não funcionou tão bem como filme, deixando no ar qual era a proposta de início, meio e fim que queria ser apresentado.

Das atrizes protagonistas, afinal só vale falar delas, já que os homens da trama são tão coadjuvantes a ponto de não importar sequer uma palavra que seja, e digo mais, ao ver os créditos subindo com nomes tão conhecidos que estavam na trama e sequer consigo lembrar de ter visto eles na tela, ou seja, ficaram nem como coadjuvantes, mas sim como figurantes de luxo. Marisol Ribeiro fez de sua Chris uma mulher completamente diferente do tradicional e isso é bom, mas em certos momentos ficamos assustados com o que faz e acabamos não entendendo para onde ela quis chegar também, mas no geral sua atuação é interessante e acabamos nos afeiçoando de certa forma com o que faz, tendo um resultado final dentro do satisfatório, talvez se não tivesse forçado tanto nas expressões seria mais crível. Uma atriz que não imaginava ver tão bem no cinema e acabou surpreendendo é Thaila Ayala, pois sua dramaticidade só vai crescendo no decorrer da trama, e o que de início parecia ser um personagem totalmente fútil, acabou virando daqueles que não conseguimos tirar mais o olhar, esperando mais um gancho certeiro na forma de atuar, muito bem elaborado tanto o personagem quanto a atuação que a jovem empregou. Marjorie Estiano já é figura carimbada na TV e vem desenvolvendo cada vez mais papéis interessantes no cinema nacional, e aqui embora o personagem não fosse tão chamativo, acabou tendo uma virada tão interessante no final, que do nada paramos por um momento e falamos opa, agora o bicho vai pegar, e aí é que ela mostrou o gás que sabe fazer bem e já lhe deu protagonismos grandiosos, de forma que o resultado é bem forte e colocado com ótima persistência na tela.

No quesito artístico da trama, a direção de arte trabalhou com uma cenografia sem muita frescura, mas com elementos marcantes para se destacar em cada cena, e isso é interessante de ver, pois como o longa quis passar que elas eram muito ricas, se tirarmos a cena das compras, em momento algum conseguimos observar isso a fundo, claro que o figurino foi bem luxuoso nas boates, mas só isso não remete riqueza, já que conhecemos mulheres que possuem roupas caríssimas mesmo não sendo riquíssimas. Poderiam ter trabalhado um pouco mais nesse quesito para demonstrar o que queriam, mas em relação às locações todas incorporaram bem o estilo da trama, e as cenas onde temos a apneia mesmo, são tão bonitas e bem colocadas que impressionam e suprem todo o resto, talvez mais cenas na praia seriam de um luxo maior ainda. E sabendo disso, a equipe de fotografia fez dessas cenas algo tão perfeito que foi até engraçado que ao chegar na bilheteria do cinema todas as moças que fazem as limpezas das salas do Cinépolis me pediram pra voltar e falar o que achei, porquê ao entrar na última cena do filme o que está enquadrado é tão bonito que o longa parece outro, ou seja, bem iluminado, plano bem enquadrado e resultado na medida.

Enfim, é um longa que tinha uma proposta inteligente e bem bacana de mostrar, mas acabou deixando ele com uma visão um pouco infantilizada demais, mesmo com um tema forte, e o resultado ficou entre uma "Malhação" e um "Confissões de Adolescente", ou seja, quem gostar dessas duas séries/novelas vai gostar do que verá na tela, claro que com um ritmo um pouco mais lento, mas quem não for fã do estilo, vai reclamar de tudo o que verá. Como disse no início, vai abrir boas discussões com o que é mostrado, mas não é um filme que recomendaria para todos, principalmente no cinema. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda falta mais uma estreia da semana para conferir, então abraços e até breve.


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Os Amigos

quinta-feira, dezembro 11, 2014 |

Chamar alguém de "meu amigo" é algo que as vezes pode se tornar tão frequente que acabamos perdendo o foco da real amizade, e o velho ditado as vezes funciona bem ao dizer que somente sabemos quem realmente é nosso amigo quando precisamos. No filme "Os Amigos" essa questão acaba sendo apenas uma base frente a inquietude poética que a diretora nos afronta, e com isso o longa acaba quase flutuando com muitas ideias e pensamentos da mente do protagonista. Não posso afirmar que saí da sala do cinema apaixonado pelo que vi, mas posso dizer que é um filme para refletir nossos momentos bons e ruins, principalmente ao lado das pessoas que amamos, e de preferência antes que elas se vão, pois quando o buraco abre não tem volta, e um baque sempre vai trazer emoções de todos os lados.

O filme nos mostra que sem amizade não existe o amor. Um dia especial na vida de Théo. Pela manhã, ele vai ao funeral de seu melhor amigo de infância. Durante o dia, as lembranças vêm, levando Théo a olhar a vida de uma outra maneira. É Majú, uma amiga por quem tem grande afeição, que o ajudará a recuperar as esperanças.

A diretora e roteirista Lina Chamie trabalhou o filme de uma forma bem interessante ao mostrar diretamente na obra suas bases, pois como o longa usa de referência o poema "Fábula de um Arquiteto" e o romance "Ulysses", a montagem criada acabou desenvolvendo bem as duas obras trabalhando o lado do poema com a narrativa própria do filme e com os atores principais, e o texto mitológico interpretado por um grupo teatral de crianças, o que se algum dia você estiver zapeando os canais da TV e estiver passando o longa é capaz de não entender bulhufas o que está ocorrendo. E incrivelmente esse estilo funcionou muito bem para que ao mesmo tempo que o protagonista demonstre sua tristeza por perder o melhor amigo de infância, o qual fazia muito tempo que não via na vida adulta, conseguiu ir traçando sua vida e suas prioridades com o baque durante o dia tendo as boas lembranças que viveu com ele. E toda essa liberdade poética acaba sendo amarrada pela melhor amiga da atualidade, que mesmo tendo seu conflito forte, sempre arruma o ombro amigo para ajudar o outro. O filme comete alguns pecados em relação ao ritmo que poderia ser melhor desenvolvido, mas a montagem foi tão bem trabalhada que consegue maquiar quase todos as gafes da trama, resultando em algo até que bem gostoso de assistir.

Na atuação Marco Ricca construiu seu personagem Téo da melhor forma possível colocando todas as suas dúvidas na sua expressão, fazendo com que em diversos momentos seu personagem saísse da tela para os nossos próprios dilemas, e isso de uma forma incrível sem necessitar quebrar a barreira da câmera, o que costuma acontecer em muitos filmes europeus quando o protagonista dialoga com a câmera, e aqui isso não foi necessário, pois a interpretação do ator dentro do texto proposto já conseguiu fazer isso tão bem que acaba sendo interessantíssimo de acompanhar, ou seja, foi perfeito. Dira Paes é daquelas atrizes que amamos fazendo qualquer coisa, pois se encaixa sempre com o tom correto que o personagem pede, e sua Majú é daquelas amigas que qualquer um tem de ter na vida, que te ama acima de qualquer coisa e mesmo que necessite brigar com você para te tirar de uma enrascada, vai fazer na hora certo, e com toda certeza não existia atriz melhor dentro do cinema nacional para o papel, ou seja, um show a parte. Dos demais apenas são bem coadjuvantes que aparecem na história bem de passagem para dar mesmo o sentido que falei no começo de que nem todos que chamamos de amigos vão ser nosso suporte quando precisamos, e aí é que entra a pior parte da direção de atores, pois os que já são renomados fazem bem mesmo sua pontinha, enquanto os que não são tão conhecidos assim, e até mesmo alguns principiantes agiram de forma decorada total de texto, soando completamente artificial, o texto falado no táxi é apenas a coisa mais assustadora possível com a garotinha e o motorista quase fazendo um jogral com os protagonistas, muito ruim mesmo, e por esse e mais algumas outras cenas, o longa quase foi por água abaixo. Agora alguém que mereceria um ótimo destaque mas não consegui ler o nome do garoto nos créditos, e quem quiser creditar nos comentários até altero o texto depois é o garotinho nerd que tem uma das conversas mais bacanas que já vi numa loja de brinquedos, algo completamente sensacional e merece os parabéns pelo que fez.

Visualmente a capital São Paulo não é das cidades que mais agradaria para o estilo que o filme pedia, apesar de servir como co-protagonista pelos atos e situações que ela implementa na vida das pessoas, talvez um lugar mais poético para o que o filme desenvolve cairia melhor, mas ainda assim, foram escolhidos locações bem trabalhadas para desenvolver os sentidos que o protagonista vai sendo posto à prova, e isso é bacana, pois em diversos momentos funciona quase que como um contraste nas cenas com o que está ocorrendo e aonde a mente do protagonista está voando. Nas cenas do teatro infantil, o desenvolvimento artístico da cena é bem bacana e é incrível como pequenos elementos do circo como panos e cordas acabam chamando a atenção. A fotografia trabalhou demais com foco e desfoque, que é uma coisa que particularmente não gosto muito, pois atrapalha a naturalidade da cena, pois você não vê duas coisas desfocando uma para chamar atenção pra outra, e isso se tivessem desenvolvido melhor na iluminação ficaria mais rico e agradável, então poderia ser bem melhor.

Enfim, não é dos melhores filmes nacionais da atualidade, mas pela linguagem ousada e bem desenvolvida consegue acertar mais do que errar, e agrada bastante. Assim como saí da sessão sem saber se realmente gostei do que vi, talvez o filme deixe algumas incógnitas também na cabeça das demais pessoas que forem assistir, mas só de fazer com que pensássemos nas nossas vidas de uma forma mais proximal, o longa já vale bastante. Além claro de fugir das besteiras que nosso cinema as vezes nos impõe acaba sendo uma amostra de que temos também longas diferenciados e bem feitos. Portanto fica como uma dica alternativa bem interessante para assistir de preferência de uma única vez, ou seja, no cinema, pois em casa mudando de canal é capaz de ficar um pouco confuso. Bem é isso meus caros leitores (não vou falar amigos senão acabo já fugindo da proposta do filme), fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um longa que apareceu atrasado por aqui, então abraços e até mais.


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O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos em Imax HFR 3D

quinta-feira, dezembro 11, 2014 |

Quando somos fã de algo fica até mais difícil falar sobre, pois se existia um filme que mais esperava era a conclusão épica da trilogia "O Hobbit", que quem assistiu e apaixonou pela Terra Média lá no finalzinho de 2001 só tinha olhos para essa data, que mesmo reclamando de um livro fininho ter virado três longas enormes, sabíamos com toda certeza que no final não iríamos nos desapontar e toda a expectativa criada ia ser superada. Pois bem meus amigos, é hora de secar as lágrimas, afinal como disse no Facebook, muitos não vão chorar apenas por ser um filme triste, terem mortes importantes que quem leu o livro saberia que iria ocorrer, e todo o impacto que o diretor colocou nesse último capítulo, mas sim por saber que não teremos mais no ano que vem, que a Terra Média agora ficará apenas na nossa memória, num lugar muito bem guardado, afinal não tem como esquecer algo tão belo que permeou nossa vida por 13 anos, e mais do que ter apenas um olhar crítico, hoje me vi como fã, de algo que me marcou antes mesmo de pensar em estudar sobre a sétima arte, e que esse diretor maluco soube fazer tão bem que "A Batalha dos Cinco Exércitos" acaba sendo um marco no ano, de um filme que contém tudo, emoção, lutas muito bem feitas e principalmente a cenografia que com toda tecnologia à nossa disposição para assistir ao filme, quase fizemos parte e pudemos acompanhar todos os personagens nos seus últimos momentos de tela.

O longa nos mostra que após ser expulso da montanha de Erebor, o dragão Smaug ataca com fúria a cidade dos homens que fica próxima ao local. Após muita destruição, Bard consegue derrotá-lo. Não demora muito para que a queda de Smaug se espalhe, atraindo os mais variados interessados nas riquezas que existem dentro de Erebor. Entretanto, Thorin está disposto a tudo para impedir a entrada de elfos, anões e orcs, ainda mais por ser tomado por uma obsessão crescente pela riqueza à sua volta. Paralelamente a estes eventos, Bilbo Bolseiro e Gandalf tentam impedir a guerra.

O roteiro desse terceiro e último capítulo é o mais envolvente dos três longas que compuseram a história completa, e como o diretor e roteirista Peter Jackson já havia feito no "Senhor dos Anéis", apesar de já serem 3 livros prontos, ao colocar outras histórias de outros livros de J.R.R. Tolkien a trama que poderia facilmente ser mostrada em um único filme acabou tomando proporções gigantescas e muitos até acabaram reclamando da enrolação nos dois primeiros filmes, mas a sua sabedoria de deixar para o fim as partes mais fortes é algo que não temos como não vibrar a cada cena, de forma que tudo acabasse sendo ligado as pontas tanto com os demais da própria trilogia, quanto com a primeira saga, afinal para quem não sabe a história do livro "O Hobbit" se passa 60 anos antes do que vimos em 2001. Quem puder, recomendo que veja os dois primeiros em sequência para já ir pronto ao cinema ver esse, afinal o longa começa exatamente onde parou o outro, não dando espaço de tempo nem para você refletir se lembra quem é quem, e o que está acontecendo ali, já estando no ápice de uma das cenas mais importantes do livro, que diferentemente do que costuma acontecer, dessa vez o Coelho leu bem antes de sair o primeiro filme, e como é de praxe, tem muita coisa que está no livro e não está no filme e vice-versa, mas como costumo dizer são dois estilos próprios que dá para viver separados, e claro que sempre vai ter quem vai achar o livro mais legal, mas como prefiro a ação audiovisual que um longa pode nos propor, prefiro mil vezes o conjunto da obra, já que daria para ter dois filmes bem feitos, diminuindo os dois primeiros, e esse último mantendo na íntegra, afinal repito, é excelente. Jackson não é maluco, muito pelo contrário, podemos considerá-lo um dos diretores com visão gigantesca do que funciona comercialmente e colocando sempre sua câmera nos pontos chaves da trama, para que tudo gire ao redor daquele campo de visão, aqui trabalhou de uma forma interessantíssima, trabalhando sem parar cada nicho de personagem como único, mas ao mesmo tempo inserido no todo da trama, e isso só faz a empolgação do público crescer e ir se envolvendo com cada personagem e com cada ato da batalha, que dura incríveis 45 minutos, ou seja, é quase um filme dentro de outro. E fazendo dessa forma, não teve como errar, fazendo com que o longa seja tão bem colocado que até mesmo quem não for fã da série, vai acabar vibrando e quase aplaudindo ao final.

Como aqui é o fechamento da trama, e até então praticamente nenhum personagem havia sido jogado para trás, muito pelo contrário, a cada filme foram sendo inseridos mais e mais personagens, agora fica até difícil falar de cada um individualmente, senão teria um texto de muitas páginas quase virando um livro, então vou apenas destacar alguns, mas já adianto que todos sem exceção não foram jogados na trama ao vento, fazendo sua importância valer a pena e atuando com garra para que pudéssemos lembrar deles para sempre. Nosso querido Martin "Bilbo" Freeman, com seu pequeno tamanho acaba quase esquecido em algumas cenas, mas está ali presente mesmo que apenas para encaixar a cena, e dá suas nuances de forma sempre bem colocada e divertida, mostrando que o ator é tão versátil para o estilo que desejar que faça, uma beleza de ver na tela. Richard Armitage já havia dado show nos dois longas anteriores com seu Thorin, mas aqui com a doença atacando forte vem uma personalidade única para suas cenas, e depois nas cenas finais então é algo que não tem como não vibrar, excelente também. Luke Evans fez um Bard bem trabalhado, mas em alguns momentos aparentou o erro mais comum de filmes com exagero de coisas digitais, se perder para onde olhar, e isso pode acabar com um filme, mas felizmente corrige bem e sai enquadrado a tempo de algo pior, mas poderia nas cenas que tem mais diálogo ter aumentado a imponência para que o personagem fosse mais marcante, e isso é o único defeito do ator. Pra quem achava que Orlando Bloom ganharia seu cachê milionário para apenas uma meia dúzia de cenas, com toda certeza vai se surpreender com o que faz aqui, pois temos diversas cenas que o ator trabalhou bastante, ou melhor seu dublê né, mas o que importa é que Legolas caiu bem nesse último filme e praticamente acabou sendo explicado como está nas duas sagas, para alegria de muitos. Aidan Turner novamente tem presença e importância significativa na trama e suas cenas são sempre envoltas de uma luta quase romantizada de seu Kili pela amada Tauriel de Evangeline Lily que dessa vez trabalhou mais emotivamente do que com força, apesar de ter apanhado muito em cena, a cena final de ambos é fortíssima, dando um pequeno spoiler. Lee Pace caiu bem no personagem de Thranduil e com cenas marcantes e de diálogos fortes acabou agradando bastante, talvez visualmente chamasse mais atenção se não soassem falsas algumas de suas falas, mas isso não chega a ser um problema grandioso pra trama. E para finalizar apenas para colocar em evidência a direção de segunda unidade de Andy Serkis que acabou não vindo com seu Gollum, mas fez de Manu Bennett(Azog) e Benedict Cumberbatch(Smaug), não apenas duas dublagens de vozes, mas toda uma criação visual com identidade própria e perfeita de captura de movimentos que é incrível de ver, e estou citando apenas dois personagens, mas se formos analisar a fundo, foram muitos aqui, e já está na hora de começar a reconhecer essa galera com muitos prêmios.

Como já disse antes, além de uma história muito boa, o ponto principal da trama está no conceito visual que foi criado para a Terra Média, e com toda a tecnologia que o longa possui, cada detalhe mínimo passa a ter um valor impressionante dentro do contexto geral. A cada plano aberto, onde a cenografia paisagística é evidenciada, temos locações maravilhosas que enchem nossos olhos, e mesmo nos momentos mais digitais, acabamos querendo conhecer cada canto do cenário para olhar que até ali, os diretores e suas equipes imensas pensaram em detalhar algum entalhe ou objeto mínimo para que quem quiser ver, observe e saia feliz. Os personagens computadorizados são de uma modelagem impecável e assustadora de detalhamento, fazendo com que cicatrizes sejam muito mais do que algo na pele do personagem, mas algo que está ali para ser apreciado como obra de arte, e isso é muito bom. Ou seja, é outro ponto que daria para falar horas, mas apenas digo para não deixar que o filme morra ao sair da sala do cinema, tanto que quem quiser já deixo a sugestão de presente para o ano que vem a coletânea completa que deve vir assim como teve no "Senhor dos Anéis" o como foi feito cada coisa, e minha prateleira já está clamando por isso até mais do que eu. A fotografia trabalhou novamente bem com o tom azulado para as cenas de batalha na neve, e o marrom mais seco quase puxado para o cinza nas cenas de luta próximas da montanha, o que deu alguns contrastes bem interessantes de se observar no filme, e agradar bastante com a paleta completa de cores, pois cada personagem procuraram evidenciar mais suas cores colocando sempre eles em posições claras para não confrontar estilos.

Sobre os efeitos digitais 3D, a tecnologia HFR 48 fps e claro assistir na sala Imax, o que posso falar é apenas que vale cada centavo pago a mais, e quem não puder ver no Imax recorra às salas MacroXE que estão com tecnologia exata que o diretor quis fazer no filme. A quantidade de cores é algo incrível de se ver mesmo com um óculos escuro, e a profundidade de campo nem tem como falar de tão perfeita, além dos personagens estarem colados no espectador e de tamanhos surreais nas grandes telas, o que dá uma perspectiva incrível e envolvente. Como já disse um amigo, nem parece ser cinema, já que tudo parece estar acontecendo na nossa frente como numa peça de teatro de maiores proporções, mas repito, é uma experiência única que deve demorar para que apareçam mais diretores corajosos de fazer essa loucura toda, então aproveitem e se divirtam como foi projetado para ser exibido. Os que gostam de longas 3D apenas por coisas que saem da tela talvez se desapontem um pouco, mas como já disse algumas vezes, a tridimensionalidade para trás da tela é até mais importante que voar coisas para fora, então o filme tem todo seu valor e agrada demais com tudo que é colocado, e nas cenas que saem da tela, o efeito está imperdível.

Na parte sonora, preparem os ouvidos para sair da sala perdidos com tantas explosões, brados de guerra, tilintar de espadas e tudo mais que uma boa ação deve ter e sem falhar em momento algum, a mixagem de som junto de excelentes trilhas sonoras nos colocou num lugar totalmente fora da realidade, de forma que entramos na sala do cinema e saímos de lá querendo voltar para ouvir mais e mais com o que Howard Shore nos propõe. Além disso nosso querido Pippin de o "Senhor dos Anéis", mais conhecido pelo nome real de Billy Boyd compôs e cantou a linda música final da trama, que sobe durante os créditos dando aos fãs o ar triste de um adeus, mas de uma missão bem cumprida.

Enfim, o texto está enorme, quem quiser ler, leia, quem não quiser reclame nos comentários, mas digo mais uma vez às 2:48 da madrugada, na minha opinião esse sem dúvida alguma foi o melhor filme do ano, tanto em quesito produção, quanto no quesito história, claro que tivemos grandes filmes artísticos bem feitos e que nos envolveram, mas a grandiosidade aqui supera qualquer coisa feita apenas para refletir. Preciso falar que recomendo ele? Ou apenas esse texto imenso cheio de palavras que saíram emocionadas no calor do momento logo após a sessão de pré-estreia já valem? Se não valem, então eu falo, vá para o cinema agora e confira junto com os milhares de fãs que devem lotar as salas, pois quanto mais gente se emocionando ao mesmo tempo, menor a chance de você pagar o mico sozinho limpando as lágrimas com outros te olhando estranho. E repito, vá nas maiores salas que sua cidade tiver, pois garanto que não vai se arrepender. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda temos outros três longas nacionais que apareceram por aqui nessa semana para conferir, então volto em breve com mais posts para quem não quiser enfrentar a Terra Média possa ter uma diversão nos cinemas no final de semana. Então abraços e até mais.

PS: Como diria uma antiga professora, como não dá para dar nota maior que 10, fica 10 parabéns estrelinha com muito orgulho.


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As Aventuras de Paddington

segunda-feira, dezembro 08, 2014 |


Quando lançam filmes com temática familiar, a primeira coisa que me vem na mente é o quão além o pessoal irá conseguir viajar para adaptar a história de uma maneira que agrade tanto os pais que vão levar as crianças para assistir ao filme, quanto segurar a criançada nas poltronas. E quando essa soma funciona de uma maneira adequada, o resultado costuma ser muito bacana de acompanhar. Com “As Aventuras de Paddington” tivemos uma produção tão minuciosa e cheia de detalhes que fez do filme um trabalho preciso que consigo visualizar ele passando quase todas as tardes na TV para entreter a garotada, e olha que muitos pais acabarão puxando uma cadeira e assistindo junto, pois o urso é carismático, o filme tem um visual bacana e interativo de uma maneira tão curiosa que acabamos conversando com os personagens, e na sala do cinema acaba sendo tão engraçado ver toda a molecada avisando o urso da vilã, torcendo e tudo mais que não dá para negar que o acerto foi num nível máximo e acertado.

O filme conta a história de um jovem urso que viaja para Londres em busca de um lugar para morar, mas logo ele se vê sozinho na estação de Paddington e percebe que a vida na cidade grande não é como ele pensava. Tudo parece perdido, até que ele conhece a família Brown, que encontrou em sua roupa a inscrição: "Por favor, cuide deste urso. Obrigado!", e assim lhe oferece um refúgio temporário.

A história em si é bem simples, mas foi tramada de um forma tão envolvente e bem feita, que quando nos damos conta já estamos no mesmo barco do urso, rindo das confusões que se mete e torcendo para que a família se dê bem com ele, e isso não é ruim, muito pelo contrário, nos mostra que a ideia base dos roteiristas funcionou bem e que o diretor soube adequar a tecnologia para que o digital não estragasse, e principalmente funcionasse bem com os personagens de carne e osso, e como tudo foi pensado para agradar as crianças e divertir junto os adultos, no caso, pais que costumam levar as crianças, o longa acaba sendo bem bonito, mesmo tendo situações bobinhas demais. E o diretor Paul King teve como ajuda nada mais nada menos que David Heyman na produção que só fez toda a série "Harry Potter", então com essa base já dá para saber o nível técnico que se pode esperar do filme, e lhes garanto, está primoroso visualmente e tecnicamente, talvez com uma história mais forte teríamos um longa fenomenal, mas como o público alvo são as crianças, o resultado foi bem satisfatório para elas.

Por não terem enviado cópias legendadas para o interior, irei falar mais dos personagens do que da atuação em si de cada um, mas o que posso adiantar é com certeza que a voz de Danilo Gentili não atrapalhou em nada e o urso protagonista ganhou um sotaque paulistano muito bem interessante para Londres e divertida para nós com as piadas bem encaixadas. Paddington é daqueles ursos que não tem como não gostar dele, faz um monte de bagunças, mas sempre acabamos ficando do seu lado, mesmo que tenha feito alguma cagada, ou seja, quem não se afeiçoar ao ursinho não tem coração no peito. O personagem de Nicole Kidman não chega a ser uma vilã comum e sua Millicent ficou caricata demais, acredito que as influências para criar a personagem ficou dentro de Cruela Devil e a forma abusiva para parecer com ela soou um pouco falso demais, talvez o exagero se não ficasse tão forte agradaria bem mais. Por outro lado, Sally Hawks caiu como uma luva para dar vida à Senhora Brown, a personagem é totalmente a sua cara e seus trejeitos são bem gostosos de afeiçoar que ao estilo mãezona acabou abraçando tudo e todos de uma forma única. Hugh Bonneville é um ator que mesmo fazendo muitas comédias, parece não ser sua cara, e no estilo familiar, mesmo o Sr. Brown sendo um personagem mais duro, não caiu tão bem nele, claro que foi se soltando e entrando no clima logo na cena do sindicato dos geógrafos(acho que era esse o nome) e ficando muito bacana de ver toda a continuidade que deu para o personagem ficar interessante. Julie Walters como a Sra. Bird foi algo muito engraçado, pois o personagem é algo totalmente amalucado, e incrivelmente é sua cara ver ela fazendo toda a limpeza e sendo uma mulher forte e interessante, talvez um maior desenvolvimento do personagem para sabermos de onde veio tanta garra agradaria mais ainda. Enquanto o personagem Sr. Curry, que foi interpretado por Peter Capaldi, é daqueles que ficamos nos perguntando o motivo de colocarem alguém tão abobalhado numa trama, e mesmo tendo alguns momentos bacanas, na maior parte irrita seu estilo.

Visualmente, como já adiantei no começo, temos um show de produção e direção de arte, tanto no quesito digital com o urso, quanto nos demais elementos que são maravilhosos, o trenzinho na loja de chá, os tubos no departamento lá de pesquisa são apenas duas citações da imensa quantidade de elementos maravilhosos que são usados na arte do filme, ou seja, algo realmente lindo de ver na tela do cinema, e felizmente não vi nenhum defeito do digital sobrepor o real ou vice-versa. Para não termos esse problema, a iluminação da equipe de fotografia precisou dar uma reduzida na gama de cores, e isso ficou evidente na maior parte das cenas com um tom mais escuro do que a cor viva do início aonde só tínhamos os ursos, e isso já disse aqui algumas vezes, afinal a mistura do digital com o real precisa adequar tons, o que é muito trabalhoso e serão somente em casos de filmes caríssimos com câmeras incríveis que não veremos esse defeito, e aqui a produção foi mais econômica.

A banda que aparece em diversos momentos tocando canções bacanas de uma forma bem diferenciada e irreverente agradou bastante, mas como costumo falar em filmes infantis, gosto de ver os personagens principais envoltos nas canções, meio ao estilo Disney antigo, mas aqui não funcionaria muito o urso cantar, então a saída foi bem feita e o ritmo acabou encaixando bem na trama.

Enfim, um filme totalmente família que vai fazer a criançada bater papo com o protagonista, se divertir e lembrar bastante do personagem principal, e com muita certeza será daqueles filmes que vamos ver mais vezes nas sessões da tarde em datas especiais principalmente. Recomendo muito ele principalmente para quem tiver crianças para se divertir junto do protagonista na telona dos cinemas, e quem não tiver criança para levar, entre no clima e se divirta com o que é apresentado. Bem é isso pessoal, fecho a semana cinematográfica por aqui, a internet não colaborou muito para que eu pudesse subir os textos antes, mas estão todos aí. Nessa semana começo hoje a Maratona Hobbit, assistindo cada dia um dos filmes no Imax para que na Quarta complete com o lançamento do filme mais esperado do ano, como já temos textos dos dois primeiros, apenas farei comentários simples no Facebook e nos textos sobre o que achei da nova experiência de rever eles, e na quinta cedo com certeza já estará no ar o texto do novo, então abraços e até breve pessoal.


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Ouija - O Jogo dos Espíritos

sábado, dezembro 06, 2014 |

Já adiando que quem não curte o estilo nem vá ver "Ouija - O Jogo dos Espíritos", pois o longa tem todos os fatores excelentes do gênero terror/suspense e também todos os defeitos e clichês, mas isso é o que dá o charme para a produção, pois o filme acaba ao mesmo que já quase sabemos o rumo para onde vai a cada ato, nos pegando de certa forma desprevenidos por achar isso, e assim sendo, os arrepios por conta de cenas tensas e bem planejadas são inevitáveis. Claro que quem não acredita em nada do estilo vai talvez achar a maior babaquice do mundo, mas é inevitável não ficar intrigado com algumas questões apresentadas, ou seja, um filme bem interessante que ou vai agradar muito você, ou com toda certeza irá odiar cada ato.

Um grupo de adolescentes deve enfrentar seus medos mais terríveis quando, durante uma brincadeira, tentam estabelecer comunicação com espíritos por meio de um tabuleiro Ouija. Quando fazem contato com um espírito do mal, eles tentam fechar esse espaço de comunicação, antes que seja tarde.

Uma pequena diferença desse longa em relação à vários outros está numa pequena assinatura na produção que costuma gastar muito dinheiro para que seu filme seja um sucesso, mas aqui gastou bem pouco e pelo resultado doméstico nos EUA não duvido que apareça uma continuação muito em breve, e para quem ainda não sabe, estou falando do produtor do longa que atende pelo nome de Michael Bay, que não é bobo nem um pouco e ao saber que os roteiristas renomados por "Possessão" e "Presságio" tinham esse filme nas mãos, não pensou duas vezes e botou seu lindo dinheiro para virar filme, e pensando da mesma forma que acredito, pegou o próprio roteirista Stiles White e colocou na direção, para que o filme saísse exatamente do jeito que foi pensado ao ser escrito. E isso é notável na trama, pois mesmo sendo uma adaptação das regras de um jogo da Hasbro, o longa adotou toda uma visceralidade com o sentido mais cru de suspense, aquele que vai deixando você intrigado com algo, mesmo sabendo que vai assustar no próximo passo da protagonista, e isso é maravilhoso de ver num filme. Claro que para ter esse efeito sem apelar demais para clichês, talvez um diretor mais experiente faria o longa de forma diferente, mas como White é estreante na direção, optou pela segurança de aplicar tudo que já viu funcionar no cinema de terror, e como de praxe, funciona e assusta, sendo assim cumprida a missão dada a ele. Com cenas mais fechadas para pegar o público desprevenido, o filme usa do clichê máximo do terror, mas nas cenas onde o diretor mostra que pode surpreender e abre a lente da câmera para toda cenografia estar em quadro, e ocorrem certas coisas, aí até os pelos do dedinho do pé se levantam.

Sobre a atuação do elenco jovem, o que posso dizer é que não temos nenhum sobressalto, sendo corretos e pontuais, principalmente as meninas, que tentaram ao menos aparentar o medo forte do que estava ocorrendo, enquanto os meninos pareciam não ter compreendido do que se tratava o filme. Olivia Cooke em alguns momentos aparentou ser quase uma heroína destemida que queria afrontar todos os perigos, e a jovem fez bem em demonstrar coragem frente ao medo, o que é um pouco incomum de ser visto, e sua interpretação foi cheia de olhares vagos, o que demonstrou um pouco a falta de direção para orientar aonde surgiria os efeitos especiais, e assim evitar que a atriz se perdesse em cena. Ana Coto inicialmente demonstrou a adolescente rebelde que sai com um namoradinho estranho, mas do nada muda o estilo, o que também julgamos como falha de direção ou de roteiro, ou quem sabe até da edição por talvez eliminar cenas que dessem continuidade a história, mas sobre a atriz fez o que pode para gritar e tentar ao menos manter uma linha tênue do que haviam lhe passado. Bianca Santos foi a que mais tomou sustos e conseguiu nos impressionar nas suas cenas, de forma que ficamos intrigados em diversos momentos seus, e isso se deve a botar credibilidade no que está sentindo com o filme, e a jovem mandou bem nesse quesito. Daren Kagasoft e Douglas Smith serviram apenas para tentar passar a linha machão e serem finalizados de forma interessante, pois suas caras e bocas não condisseram em momento algum. Shelley Hennig aparentava que mandaria bem na interpretação, mas acabou servindo pouco ao filme, e na sua volta a tela ficou mais falsa que tudo. Sierra Heuermann fez bem o papel do espírito maligno, que junto de uma maquiagem bem feita acaba assustando ao aparecer no quadro, claro que necessitou apenas dar uns grunhidos, mas fez boas colocações interpretativas ao menos. Lin Shaye fez a velhinha mais fora dos prumos que já vi no cinema, afinal está em um hospital psiquiátrico, então mandou bem no que fez representando bem o que foi proposto para ela.

Sobre o visual do filme, tivemos um resultado bem feito, mas que por contar com inúmeros clichês de outros filmes, talvez o pessoal caia matando o longa e julgando mal ele, por exemplo a mansão assombrada que ninguém moraria com toda certeza, mas que morava uma família complicada e tudo mais, bonecas estranhas, objetos se movendo sozinhos e por aí vai. Mas o que o pessoal esquece que esse é o modo de fazer terror tradicional, então o acerto é apenas dar uma ou outra inovada na forma que isso vai aparecer e pronto, o filme vai convencer, vai assustar e funcionar, e a equipe artística procurou ao menos conter os erros para que não soasse falsa demais as cenas com objetos procurando bons tons e assim agradando. Enquanto a equipe de fotografia soube trabalhar as sombras de uma maneira bem interessante para ajudar no fator susto, controlando a intensidade conforme a tensão ia aumentando para pegar todos desprevenidos, e assim seguir a cartilha também.

Enfim, não posso dizer que é o melhor filme de terror que já vi nos cinemas, mas também está bem longe de ser ruim. Claro que vocês verão muita gente que não gosta do estilo reclamando, mas só de conseguir fazer você ter um friozinho na espinha em algumas cenas já fez valer o ingresso e diferente dos últimos longas que a garotada da sala só ficou berrando procurando os fantasmas, aqui ficaram bem quietinhos, então acredito que o medo lhes atingiu também. Ou seja, recomendo o filme e acredito que quem gosta do estilo sairá ao menos satisfeito com o que verá na tela. Bem é isso, fico por aqui agora, mas ainda falta uma das estreias da semana para conferir, então por enquanto deixo meus abraços e até breve pessoal.

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Caçada Mortal

sexta-feira, dezembro 05, 2014 |

Se tem um gênero que ou dá muito certo ou é um erro atrás do outro é o tal do investigativo, que ultimamente vem falhando bastante por abusar de clichês e da inteligência do público que vai assistir. Mas se tem uma pessoa que se encaixa perfeitamente no estilo de nem ser boa pinta, muito menos fazer tudo como outros fariam é Liam Neeson, e em "Caçada Mortal" conseguiram encaixar na medida uma boa investigação, com um investigador disposto a tudo, boas sacadas com uma ideologia de grupos de auto-ajuda e principalmente o fator pena ficar de fora como os protagonistas tanto focam em falar em diversos momentos. E essa desenvoltura fez com que o longa tivesse um ritmo envolvente, boa perspectiva dos resultados que desejava atingir, e não ficar explicando minuciosamente tudo para que a trama seguisse um rumo interessante, ou seja, um excelente filme para conferir no final de semana, e quem sabe torcer para que os demais livros do autor que envolve o personagem principal saiam para as telonas também afinal se uma adaptação só já caiu bem, imagina o que pode acontecer com os demais.

O filme nos mostra que Matt Scudder é um ex-policial de Nova York que atua como detetive sem licença e vive à margem da lei. Ao ajudar um traficante de heroína a encontrar os homens que sequestraram e mataram brutalmente sua esposa, Scudder descobre que essa não é a primeira vez que esses homens cometem esse tipo de crime... e também não será a última. Preocupado, o detetive começa a procurar os criminosos pelas ruas de Nova York antes que eles matem novamente.

Com um texto bem trabalhado, que no livro de Lawrence Block deve ser estiloso demais, afinal livros investigativos costumam ser daqueles que não dá para parar de ler, o diretor e roteirista Scott Frank captou totalmente a ideologia do personagem, e trabalhou ele acima do filme, o que podemos dizer facilmente pela câmera ser quase de Liam Neeson. E essa faceta acabou encaixando como uma luva, já que não vai importar o motivo pelos quais os assassinos estão matando, claro que isso fica implícito no miolo do filme, mas sim o porquê acaba sendo importante, acima de seus fundamentos, que o protagonista tanto tenta resolver o caso, e em segundo plano, ajudar o garoto a ser importante no mundo. E por ser um roteirista bem eclético, mas dirigir somente os longas que tem mais a ver consigo, Frank é esperto suficiente para não deixar que o filme nem saia do seu controle, muito menos acabe sendo um filho acariciado, e dessa forma a trama tem vida, que com quase 2 horas de duração, acaba passando tão rápido que nem vemos o tempo, em momento algum você boceja ou fica olhando as horas do relógio, que vamos ficando presos, torcendo para que o protagonista de uma boa surra nos assassinos e que todos sejam felizes para sempre, e o diretor vai junto conosco montando esse arquétipo de uma maneira bem crua e envolvente, com planos na maioria fechados, para ao mesmo tempo que o protagonista descobre as coisas, nós também, e assim sendo com toda certeza alguns sustos repentinos podem acontecer.

Sobre a atuação, Liam Neeson é daqueles atores que tem oscilado muito nos longas que tem apresentado, e ultimamente tem feito uma linha investigativa enorme, caindo bem nos personagens que exigem bastante ação, e aqui não foi diferente, empolgando com o seu Scudder tentando ao mesmo tempo se reabilitar sem remover o trejeito impactante do personagem, fez bem no que devia. Uma grata e assustadora surpresa é o garoto Brian Bradley que conhecemos bem no The X-Factor USA em 2011, ficando em sétimo lugar com seu rap tradicional e marrento, e agora começa a despontar no cinema, e não faz feio, caindo bem dentro do que o personagem pedia, sendo curioso e com um carisma bem chamativo que TJ necessitava e tinha dentro de si. David Harbour e Adam David Thompson conseguiram ter a presença maléfica que assassinos transmitem no cinema com seu Ray e Albert, e isso é crucial numa trama, as cenas de luta finais e as no cemitério juntas, com certeza podem ser consideradas as mais duras e fortes de filmes que não envolvam escatologias, perfeitas e bem atuadas. Ólafur Darri Ólafsson foi misterioso o início de seu Jonas, mas o desenrolar foi rápido demais assim como no trailer, claro que suas ações são autoexplicativas, mas ficou um pouco falso a forma de agir do ator. Dan Stevens fez do traficante Kenny um personagem misterioso inicialmente, e que merecia ser melhor desenvolvido, mas estamos falando de cinema, então o ator que é mais conhecido por suas séries, precisava ter levado uma chacoalhada antes para não ficar enrolando muito e dado mais ação rápida para o personagem, seu final foi fraco demais. Os demais aparecem rapidamente apenas para ligar as cenas aos protagonistas, tendo apenas um pequeno destaque nas cenas de Boyd Holbrook com seu Peter.

A cenografia trabalhou bem para destacar os elementos obscuros que com toda certeza no livro tiveram destaques sombrios até demais para os crimes, e isso até mostra que a equipe de arte quis dar um realismo bem visceral para a maioria das cenas e se não fosse a censura para ter mais público, e a idade fosse elevada no filme, a coisa seria mais assustadora. Porém isso não atrapalhou que o filme tivesse cenas bem feitas com elementos sempre aparentes para dar algum destaque em cada cena que é proposta. A equipe de fotografia deu um show a parte no longa, já que o filme se passa na maior parte dentro de cenas escuras, tivemos nuances incríveis para que cada cena envolvesse corretamente, ou seja, não temos nenhum ponto estourando ou atrapalhando para chamar atenção, dando a cada ato, o suspense necessário para agradar.

Um bom suspense policial tem que ser marcado por uma boa trilha sonora, e o envolvimento rítmico do filme é completamente envolto nas composições que dão a levada gostosa que foi escolhida, uma bela preparação de Carlos Rafael Rivera, que fechou nos créditos com a canção maravilhosa Black Hole Sun interpretada por Swann e Nouela que já esteve presente no trailer.

Enfim, um filme muito bom, que talvez se desenvolvido melhor seria um espetáculo, mas nem por isso deixou de agradar bastante e ser uma excelente recomendação para o final de semana. E incrivelmente por ser distribuição da Buena Vista/Disney acabou sendo um longa violento, pois costumam abrandar bem o estilo, então corram antes que desistam de deixar nos cinemas. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto ainda nesse fim de semana com uma pré e uma estreia, então abraços e até breve.


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O Cuco e O Burro

segunda-feira, dezembro 01, 2014 |

É interessante quando vemos um filme que envolva a nossa área, que é a produção, e sabemos que no mundo existem diversos roteiristas malucos, mas só de pensar no nível que uma pessoa pode chegar para querer que sua história ganhe vida, já me deixa apreensivo. E o que o filme "O Cuco e O Burro" passa não é somente um susto para produtores, mas sim para todos que conseguem ter uma visão de até que ponto uma mente humana consegue pensar em fazer atos inapropriados para conseguir atingir seus objetos. Claro que nem todos são tão malucos para chegarem ao ponto de sequestrar, matar e tudo mais, mas o choque que o filme vai causando com a loucura absurda dos protagonistas é tão interessante de ver que o resultado final é excelente.

O filme nos mostra que após perder sua mãe, Conrad resolve criar um filme sobre a vida e relação de seus pais. Ele produz um roteiro e consegue fazer contato com uma emissora de TV, onde conhece Stuckradt, um produtor que se mostra muito animado com o seu projeto. Após cinco anos de troca de e-mails e longas esperas, Conrad percebe que seu filme nunca vai sair. Então, junto de seu pai, ele decide sequestrar Stuckradt.

Pra quem conhece um pouco do mundo do cinema e da TV, sabe que nem tudo que é escrito acaba entrando no ar, muita coisa acaba ficando engavetada e sabe lá depois de muitos anos, talvez abram a gaveta e vejam que um projeto bom se adaptado pode virar um sucesso. E muitos roteiristas acabam ficando muitas vezes irritados com isso, pois nem sempre você é um escritor de sucesso que consegue se manter aguardando um ou outro livro/roteiro fazer sucesso, e essa piração é tão maluca de ver no filme que acabamos ao mesmo tempo que chocando com as cenas, se divertindo com o que é passado, e isso é estranho demais, pois se divertir com mortes e torturas é assustador demais, mas ocorre com o filme que é muito bem dirigido por Andreas Arnsted que em seu segundo longa já vem com essa ideologia totalmente maluca. Com planos bem fechados para dar fobia e claro manter o tino da trama, o diretor foi sábio em utilizar também bem a locação, não precisando se estender tanto para chamar atenção e essa proposta ficou bem interessante com o andar do filme.

No quesito atuação, embora os personagens sejam bem desenvolvidos, nenhum dos atores chega a despontar dentro da percepção da trama, e isso é algo que faltou bastante para que o filme fosse perfeito. Thilo Prothmann faz de seu Conrad um personagem meio que psicopata, meio burro demais, e usando da ideologia do nome do filme, ficamos pensando se é proposital ou se o ator está oscilando demais na interpretação do personagem, como é um ator que nunca vi nenhuma produção, o que posso dizer é apenas nesse filme e seus trejeitos foram falhos. Em compensação Jan Henrik Stahlberg fez de seu Stuckradt um produtor nato, daqueles que tentam arrumar sempre um jeito de fugir das coisas que se envolveu de uma forma diferenciada, mas nem sempre é o melhor jeito, e o ator mandou muito bem em todas as cenas, até mesmo nas mais fortes. Joost Siedhoff faz o pai do protagonista e assusta demais pela forma rude que deu ao personagem, não conseguimos nos contentar com seu amor pela ideologia do filho, ficando mais próximo de um criminoso que de alguém desesperado mesmo, e o ator fez bem para que em momento algum sentíssemos compaixão pelo personagem.

Visualmente o longa tem uma direção de arte minuciosa, que não economizou com objetos cênicos para que mesmo num lugar pequeno de pouca visibilidade tudo pudesse ser presenciado, e isso é bacana de ver, pois o filme embora bem simples, foi trabalhado com minúcias características de uma grande produção, e esses elementos mesmo que apresentados logo de cara, a cada cena se mostram bem importantes para o deslanchar da história. A fotografia usou um tom avermelhado demais para as cenas do porão e ali ficou parecendo quase uma masmorra, e isso não acredito que foi intencional, já que nas cenas posteriores passa a ter uma relação mais amorosa ali, e o tom se manteve, e nas demais cenas tivemos brilho demais, ou seja, poderiam ter caprichado mais na iluminação que agradaria bastante.

Enfim, é um filme que até possui alguns defeitos técnicos, mas que pela loucura total do roteiro e por mostrar nuances interessantes, acabou sendo uma grande surpresa para fechar a Itinerância da Mostra Internacional por aqui, então quem perdeu, quando sair nas locadoras, afinal não tem cara de ser um filme que será lançado comercialmente, recomendo que pelo menos os amigos da área assistam para ver a loucura que pode chegar num roteirista desesperado, e os demais para que possam também conhecer a mente maluca de alguém do cinema. Bem é isso pessoal, encerro a semana cinematográfica por aqui, dessa vez até que tivemos uma boa quantidade, mas ficamos na torcida para que a próxima venha melhor ainda, então abraços e até breve.


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Força Maior

domingo, novembro 30, 2014 |

Se existe algo nessa vida que é complicado demais para discutir é o tal relacionamento, pois quando você está só, consegue fazer o que quer, enquanto quando existe mais do que uma pessoa envolvida não podemos julgar qual motivo da discussão é aceitável ou não. Em "Força Maior", o ato desesperador foi apenas uma fagulha para abrir todo o questionamento de uma família e todos que se envolvessem com eles acabaram se questionando também. E com esse mote, o filme se desenvolve de uma maneira tão crua que em certos pontos até assusta, mostrando que não é só Lars Von Trier que é maluco, mas todo diretor sueco.

O filme nos mostra que Ebba e Tomas decidem passar férias esquiando nos Alpes franceses com seus dois filhos. Tomas deve passar mais tempo com a família, pois Ebba acha que ele trabalha demais. Quando os quatro almoçam nas montanhas, uma avalanche se aproxima rapidamente e ameaça soterrar o local. Nenhum deles fica ferido, mas a atitude de Tomas durante o incidente pode causar danos irreparáveis.

A genialidade do roteiro é Algo que realmente impressiona, pois discutir relacionamentos é muito trabalhoso e geralmente acaba resultando em filmes ou extremamente chatos ou de comicidade exagerada, e a opção aqui ficou bem dentro da realidade das tradicionais DRs que tanto estamos acostumados a presenciar, e dessa forma o diretor Ruben Östlund foi conciso e preciso para envolver o público e colocar em discussão de quem deveríamos apoiar no ocorrido, mas se observarmos o que acaba acontecendo com os amigos do casal, o velho ditado acaba servindo bem aqui: "Em briga de marido e mulher não se mete a colher". E com planos incisivos a trama acaba bem desenvolvida e interessante de acompanhar na forma crua que o diretor optou por filmar. O longa poderia ter um ritmo mais trabalhado, mas a agonia dos personagens precisava ser sentida na forma construída e isso se corresse talvez estragaria um pouco do que foi projetado.

Quanto da atuação todos estão impressionantes por serem sutis e ao mesmo tempo colocados com a precisão de vida que o longa pedia. Johannes Bah Kuhnke conseguiu demonstrar seus sentimentos reais e fez de seu Tomas um personagem totalmente humano, provando que homem pode chorar e tudo mais dentro de sua brilhante atuação. Lisa Loven Kongsli extrapolou sentimentalismo com suas dúvidas e deixou sua Ebba uma mulher inconstante e ao mesmo tempo estranha, com reações claras e que não nos envolveu tanto, mas ao final deu um show com seu desespero. Clara Wettergren e Vincent Wettergren foram extremamente graciosos como Vera e Harry, mostrando os desesperos tradicionais que as crianças têm da quebra familiar, e isso foi notável e muito bem interpretado pelos dois jovenzinhos. Vale destacar também Kristofer Hivju que transformou seu Mats naquele amigo que acaba ficando em dúvida de seus ideais após uma conversa mais dura e que com um semblante bem interessante deu carisma e simplicidade ética para um grandalhão que ninguém daria nada em outro filme.

Quanto do visual sou suspeito para falar de filmes que envolvam neve, pois dá um tom tão impressionante para a trama que ao mesmo tempo que nos acalma, acaba sendo uma incógnita gigante de intenções, e a equipe de arte usou tudo que ocorre no parque de esqui como fatores para a o desenvolvimento da trama, por exemplo as bombas de avalanche controlada que acabaram servindo como explosões no conceito familiar e entraram tão forte como parte da história que no início estranhos toda hora os tiros, mas depois acabou ficando muito interessante de ver. A fotografia trabalhou na medida para envolver, deixando o branco dominar e por mais incrível que pareça não estragou a imagem dos protagonistas, dando um contraluz bem balanceado, o que não costuma ocorrer em filmes do estilo, claro que como no drama, a neve fazia parte, com certeza tudo foi muito bem pensado, e nas cenas internas a iluminação mais em tons escuros deu a nuance certa para o filme impactar.

Enfim, um filme que tem um ritmo lento, mas que agrada bastante pelas situações bem trabalhadas da discussão de relacionamento que toda família sempre passa. Quem não curte o estilo talvez ache o longa chato demais, mas aqueles que apreciam um filme mais trabalhado com toda certeza sairão da sessão bem satisfeitos com o que vão ver e passar, afinal o diretor propôs quase que colocar o público como parte da discussão com o estilo de filmagem. O filme estreia em Março do próximo ano pela Califórnia Filmes, então nas cidades que aparecer fica a dica para um ótimo filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas daqui a pouco coloco a outra crítica do segundo filme do dia na Mostra Internacional, então abraços e até daqui a pouco.


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Quero Matar Meu Chefe 2

domingo, novembro 30, 2014 |

Quando ouvimos a frase: "vai ser lançado a continuação de tal filme", a primeira reação é de virarmos a cara e as vezes até ficarmos bravos com o que podem estragar de um filme, mas depois vamos acostumando com a ideia e torcemos para que quem saiba arrumem alguns defeitos anteriores, e num milagre divino saia melhor que o original. Pois bem, se "Quero Matar Meu Chefe" já foi bem divertido, nossas preces foram ouvidas e "Quero Matar Meu Chefe 2" é tão divertido quanto, claro que muito mais incorreto, então se você tem problemas com filmes onde o cunho sexual e errado dominam, não recomendo ir ver, mas se não tiver restrições quanto a isso, pode ir tranquilo que a garantia de riso é total, pois os caras literalmente piraram na ideia dessa continuação, fazendo coisas totalmente malucas que funcionaram muito bem tanto no ritmo quanto na concisão das ideias para divertir o público.

A sinopse nos conta que após o trauma vivido no filme anterior, os amigos Nick, Dale e Kurt resolvem abrir seu próprio negócio, de forma que eles mesmos sejam seus chefes. O problema é que, quando a companhia começa a deslanchar, eles sofrem um golpe do investidor que bancou o negócio. Sem o controle da empresa e sem ter como recorrer através dos meios legais, o trio decide partir para um ato desesperado: sequestrar o filho do investidor, de forma a convencê-lo a devolver aos amigos o comando da companhia.

Uma grande sacada da continuação foi manter os roteiristas originais, claro que juntando mais gente, para manter a essência do filme e claro crescer os personagens, e junto a eles entrou o diretor Sean Anders que veio para substituir Seth Gordon, e claro que com isso uma mudança é clara, o estilo de filme, já que Seth era mais próximo de seriados e Sean já é ainda das antigas no estilo cinema para divertir ali, e não necessitar de alongamentos. Com isso o filme ganhou uma levada bem mais colocada que agrada demais, pois os personagens já eram divertidos, e com a temática agora da vingança mais motivada não tem como não rir com as trapalhadas do grupo. Além disso, o diretor colocou na trama um ritmo frenético tão incisivo que o filme parece não ter nem 1 hora de tão rápido que passa os 108 minutos. Agora uma coisa assustadora ficou por conta da classificação etária, que com apenas 12 anos, se algum pai corajoso for levar os filhos pra sessão, nem quero pensar o estilo de questionamentos que será obrigado a ouvir após a sessão, tanto que estou com muita vontade de rever o longa dublado para saber a quantidade de coisas que removeram da trama, pois na legendagem já tivemos muita coisa que ouvimos que deram uma leveza, então na dublagem é capaz ou de ser o filme com a maior quantidade de palavrões já ouvidos por minuto, ou vai ser uma bobagem completa, já que é isso que acabou divertindo muito no longa.

Quanto da atuação, Jason Bateman não me convence com seu estilo cômico, ele não é engraçado, suas piadas são simples, e convence mais em romances do que em esquetes cômicas, mas ao menos aqui foi bem menos forçado com seu Nick do que no primeiro filme, já que partiu pro sou contra tudo, e essa forma ranzinza ao menos ficou bacana de ver. Em compensação Charlie Day tem um timing que impressiona demais tanto no seu estilo de falar desesperado, quanto nas sacadas bobas que faz, nos envolvendo e fazendo todos rirem sem parar das suas situações atrapalhadas que seu Dale acaba se metendo, é um ator que ao acabar suas cenas, torcemos para ver mais e mais, e tem um futuro monstro se seguir a linha cômica. Jason Sudeikis possui um carisma e até é engraçado, mas Kurt dessa vez teve uma participação no filme um pouco menor do que no original, não sei se por algum motivo que não ouvi nada, mas parece que está sempre atrás das piadas, não dando tanto a cara a tapas, mas ainda assim se sai bem nos momentos que precisou se destacar. Christoph Waltz é daqueles atores que se você vai ver um filme sem saber que ele participa não o reconhece de cara, pois sempre faz atuações tão diferentes umas das outras que até assusta, e isso é que na minha visão é ser um bom ator, afinal quem quer ver a mesma cara sempre vai em um filme do Nicolas Cage, e aqui o seu Bert é tão interessante e ficamos com tanta raiva de suas atitudes que acabamos torcendo para ele se dar mal, e isso é algo que poucos atores conseguem em comédias, então mais uma vez parabéns para o ator. Chris Pine com seu Rex é o retrato nato de filhinhos de papai que querem o controle das empresas dos pais a qualquer custo, só para estragá-las e ganhar mais dinheiro, e isso é notável na personalidade que deu para o personagem, e o ator adotou uma psicopatia tão envolvente que nos diverte, e isso que é bacana nos cinemas. Da turma do primeiro filme, ainda voltamos com Jamie Foxx fazendo o seu Mothefucker Jones sempre com sacadas muito bem colocadas e sendo perfeito como sempre, e Jennifer Aniston sendo a dentista gostosa depravada Dra. Julia, que agora mesmo não sendo um dos papéis principais, ainda teve três cenas bem encaixadas na trama que fizeram valer a pena sua participação. E mesmo estando atrás das grades, a volta de Kevin Spacey foi pontual e bem encaixada nas duas cenas que necessitou de sua presença, talvez se forem inventar um terceiro filme ele volte a ser principal.

Comédias não costumam chamar atenção pelo contexto visual, mas aqui a equipe de arte serviu de base para os planos mirabolantes tanto na execução mental quanto na real, que geralmente não bate igual, e isso sempre soa legal quando é bem feito em um filme, de forma que os diversos elementos pensados acabam sendo retratados depois na realidade de uma forma completamente incoerente, o que nos diverte e acerta na mosca. Como o longa se passa mais dentro de escritórios ou em cenas noturnas na rua, a trama necessitou de muita iluminação artificial, e isso por incrível que pareça foi feito de uma forma bem natural, não soando falso como em muitos filmes que possuem esse problema, e repito estamos falando de uma comédia, onde quesitos técnicos geralmente são esquecidos, ou seja, um trabalho bem feito tem de ser ressaltado e acaba ajudando a agradar mesmo que seja simples.

Enfim, fazia tempo que não ria tanto em uma comédia cheia de besteiras e palavrões, pois embora tenha esse cunho, não ficou ofensivo e nojento de ver, dando um tino gostoso que a trama necessitava para deslanchar, e dessa forma o filme empolga, diverte e vale a pena ser visto por quem gostar do estilo. E assim acabo recomendando ele somente para esse estilo de pessoas, que irão ver o filme e nem ver passar as quase duas horas de duração se divertindo e rindo bastante com o que é passado na tela. Claro que não é ainda algo genial, afinal temos séries e diversos filmes antigos que possuem a mesma temática, e também se olharmos a fundo veremos diversos errinhos, por exemplo o lance do marcador permanente no quadro branco que na cena seguinte volta a ser branco, então por esses errinhos bobos, não irei dar a nota máxima ao filme, mas que continua sendo divertido mesmo com essas falhas, com certeza continua. Bem é isso pessoal, ainda hoje vejo os dois últimos longas da Itinerância da Mostra Internacional para fechar a semana com estilo, então abraços e até breve.


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O Casamento de Gorete

sábado, novembro 29, 2014 |

Certamente você já viu algum programa exagerado da Rede Globo, um que passa nas noites de Sábado e outro que ocorre nos Domingos logo após o futebol. Se não viu, talvez não conheça Rodrigo Sant'Anna, um jovem que despontou pelo estilo humorístico que faz na maioria das vezes vestido de mulher. Seu estilo é exagerado, gritante, cheio de clichês, mas ainda assim consegue divertir muito, e escolha dele para ser protagonista em "O Casamento de Gorete" fez com que o filme tivesse um rumo praticamente traçado para ficar no mesmo tom, e quem for ver esse longa vai talvez achar pejorativo demais todas as cenas, exagerado demais nas repetições, gritantes demais como são alguns elementos, mas com muita certeza irá rir de muitas situações, talvez se tivessem economizado nos exageros, o longa teria uma outra visão já que é baseado numa história real, mas também não seria uma comédia quem sabe.

Um garoto é rejeitado pelo pai por ser homossexual, sendo obrigado a abandonar a família e deixar um colega por quem está apaixonado. Décadas mais tarde, ele assume a identidade da extrovertida Gorete, dona de um famoso programa de rádio na cidade de Pau Torto. Quando descobre que o pai está prestes a morrer, ela retorna à casa da família e descobre que, para receber a herança, é obrigada a se casar. Começa uma grande disputa para saber quem será o marido de Gorete.

Antes de mais nada, já vamos deixar um ponto claro aqui, se você é homofóbico fuja da sessão desse filme, pois de cara já pelo cartaz se nota tudo que irá ser mostrado no filme. Claro que o longa também será mal julgado por alguns gays que não são exagerados como os protagonistas, então vamos resumir, se você não curte berreiros, fuja do filme. Dito isso, quem ainda continua lendo o texto para saber se vai conferir a trama, pode se divertir com a ideologia montada pelo diretor e roteirista estreante, Paulo Vespúcio Garcia, que antes era professor de teatro, então ao mesmo tempo que dirigiu bem o elenco para atuarem na medida, errou ao não saber dosar o estilo de falar alto que é comum no teatro, afinal lá todos tem de ouvir o personagem até na última poltrona, enquanto no cinema dá pra fazer isso com apenas um microfone melhor ajustado. Sendo assim, o filme é bem desenvolvido, mas a todo momento cheio de repetições e exageros que mesmo divertindo acaba ficando tudo forçado e incomodando na maior parte. Ou seja, é um misto tão variado que em alguns minutos estamos nos divertindo com o que estamos vendo, logo em seguida já irrita com algum exagero forçado. Talvez por ser seu primeiro filme, pode melhorar mais para a frente, mas de uma coisa é inegável, o protagonista carregou o filme nas costas com seus personagens já tão conhecidos que foram usados para criar esse novo personagem.

Embora force a barra sempre, gosto mais dos apelos de Rodrigo Sant'Anna do que dos que Leandro Hassum faz, e dessa forma, seu personagem aqui me divertiu bem mais do que todos os filmes que Leandro já fez juntos, o jovem é promissor, sabe dominar bem a cena, e tem carisma, tanto que o filme pode ser considerado completamente seu, pois qualquer outro ator falharia feio no papel de Gorete, e nas cenas que faz seu dramalhão mostra ainda que tem uma presença de cena impecável, claro que se não fosse tão exagerado agradaria mais, mas não seria ele mesmo. Tadeu Mello faz bem seu papel de Domitilia, mas é tão bobo que não conseguimos nos envolver com ele, da mesma forma que Ataíde Arcoverde, com Marivalda, pois ambos forçam para parecer aquelas bichas chatas que ninguém suporta, e isso ao invés de ajudar na trama acaba até atrapalhando ao aumentar a gritaria. O personagem do pai, inicialmente vivido por Ricardo Blat e depois por Tonico Pereira são tradicionalistas e conseguiram chamar a atenção pras suas cenas respectivas, mas não chega a ser nada que envolva muito pela interpretação deles, mas sim pela forma que muitos pais acabam atacando os filhos. Carlos Bonow fez seu papel de Bonitão, inclusive com esse nome é creditado, não colocando os nomes que o protagonista acaba lhe chamando, e ele não faz nada além de ser o bonitão da trama, claro que sua cena final foi bem feita, mas nada além disso, servindo apenas de sua beleza esquecendo de atuar. A participação de Letícia Spiller que assina também como produtora do filme é algo muito engraçado, afinal ela é mulher e deram um enchimento para sua Rochanna virar travesti, o que acabou chamando atenção além da voz imposta que mesmo sendo uma cena pequena ficou bem divertida. Dos demais apenas tivemos participações bem pequenas e claro exageradíssimas, ficando a cargo da mais pejorativa e desnecessária para André Mattos como um passageiro desagradável dentro do ônibus.

Visualmente temos o longa mais colorido dos últimos anos, cheio de elementos exagerados, mas bem colocados para dar o ar que a trama exigia, não digo que foi a melhor coisa fazer todo esse amontoado de coisas na tela, mas na proposta que o filme levou desde o começo foi o correto. E com diversos cenários não muito trabalhados, a saída foi reduzir o espaço cênico que aí fez os objetos aparecerem mais ainda. Um grande acerto na trama ficou a cargo da equipe de fotografia, que soube usar da iluminação um ponto fortíssimo, diminuindo sempre nas cenas mais precisas e dando um charme para as cenas dramatizadas do protagonista.

Enfim, não é o melhor filme com a temática gay que já vi nos cinemas, mas lembrou um pouco, bem pouco, "Priscilla, a Rainha do Deserto" e com isso acabou sendo divertido e valeu ao menos o ingresso. Se você gosta de uma comédia bem escrachada, cheia de coisas pejorativas, exageros e gritaria, talvez saia feliz da sessão com o que verá, além claro de se você não faz parte do grupo que já disse para fugir mais para cima. Bem é isso, continuo afirmando que se fosse algo mais leve agradaria mais e teria menos erros técnicos, mas não deixa de ser uma diversão na tela do cinema. Fico por aqui agora, mas volto amanhã cedo para falar do filme que ainda verei hoje, então abraços e até breve pessoal.


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