Deus Não Está Morto

sábado, agosto 23, 2014 |

Se no Brasil tem sido produzidos diversos filmes espíritas, nos EUA uma moda paralela à dos grandes estúdios está sendo de filmes cristãos, e de uma forma interessante é que podemos ver salas lotadas em todos que acabam sendo lançados por aqui pela Graça Filmes, claro que nem tudo são flores, pois a distribuidora não bota fé que as pessoas gostem de ler, então só traz filmes dublados para todo o país. Mas isso não vem ao caso no momento, pois a ideologia de "Deus Não Está Morto" é tão bem montada e pautada em situações reais de defesa que ocorreram em algumas universidades americanas, as quais todas são citadas no final do filme, que acabamos nos interessando pelo que é mostrado no longa e acaba sendo até engraçado ver a reação dos demais espectadores que devido o filme ser montado num estilo bem novelesco acabam que vemos muitos conversando e ficando bravos com certas situações que ocorrem.

O filme nos mostra que em seu primeiro dia na universidade, o estudante, Josh Wheaton, terá sua fé desafiada diante de todos os seus colegas na aula de Filosofia. O pretensioso professor Radisson diz não querer perder tempo com tolices e orienta seus alunos, categoricamente, a negarem a existência de Deus. Josh encontra-se dividido ao ter de escolher entre sua crença e seu futuro. Angustiado e nervoso, ele não cede às pressões, provocando a ira do professor. Agora, Josh, terá de defender a existência de Deus para toda a classe. Sem muito apoio, ele questiona se, de fato, pode lutar por aquilo em que acredita.

O roteiro possui uma vertente interessante que vai agradar bem o público para o qual o filme foi desenvolvido e também não decepcionará tanto quem acabar indo de intruso sem saber do que ser trata o filme. Claro que pelo desenvolvimento novelesco demais, onde diversas histórias tanto dos protagonistas quanto do elenco secundário acabam se envolvendo, alguns podem achar o filme um pouco cansativo, mas como a premissa é bem trabalhada desenvolvida, o resultado em si acaba satisfatório. Porém não posso dizer que o filme é perfeito, pois o diretor Harold Cronk com certeza não pôde contar com um orçamento decente para as cenas externas, principalmente as finais, e o filme acaba soando falso nesses momentos, e ao querer dar fechamentos para todas as histórias acabou sendo atrapalhado, de forma que poderiam ter fechado na história do protagonista que já estaria bem feita e agradável, mas como foi abordado 6 histórias, precisariam fechar todas. Claro que esses defeitos técnicos estão perceptíveis mais para quem não for aficionado tanto pela ideologia do filme, que é a proposta religiosa, pois quem for mais envolvido na causa irá apenas curtir o filme sem reclamar de nada com toda certeza.

Mais uma vez não poderei analisar a atuação dos protagonistas pela entonação de voz, pois infelizmente a dublagem está muito ruim, de forma que uma crise de choro pareceu que a pessoa estava engasgada e não chorando, mas vou falar um pouco do envolvimento dos personagens com a história. O jovem Shane Harper se mostrou bem colocado dentro de um papel difícil, que é defender Deus num ambiente onde a maioria parte para o lado científico da coisa que são as universidades, e seus atos durante o longa se mostraram na maior parte bem feitos, claro que a briga do casal nem em novela é tão de boa como ocorreu ali. Kevin Sorbo se fez bem prepotente em diversos momentos como professor, mas quem já fez qualquer faculdade sabe que alguns lá dentro se acham deuses e seus atos ali são justificáveis, porém ao sair de lá, as situações tanto no refeitório quanto em sua casa são tão mal desenvolvidas que como disse deixaram novelesco até demais, e quem sabe numa série caberia desenvolvimentos. David A. R. White faz um reverendo meio em dúvida da sua fé e isso é algo que pode causar discussões grandes dentro de grupos de amigos, então é melhor nem discutir tanto aqui, mas seus atos no longa são bem colocados junto de Benjamin Alfred Onyango Ochieng, que faz um missionário africano. As moças todas tiveram participações bem fracas que tentaram ser encaixadas, mas não convenceram em momento algum com suas histórias, de forma que foram bem jogadas para que tentassem servir de elos para novas tramas, mas acabaram só ficando na tentativa sem muito desenvolvimento. Claro que o ponto da história é desenvolver a fé e os atos de cada um, mas poderiam não ter forçado tanto a caricatura de cada personagem, precisaria ver legendado para saber até onde ficou extremista demais, mas do jeito que nos apresentaram senti pontas fortes que poderiam ter sido amenizados.

Visualmente o filme tem dois momentos interessantes de serem observados, dentro da universidade, pois sendo um campus tem boas locações externas onde os jovens aparecem no melhor estilo de estudos e andanças como em qualquer outro filme, bibliotecas bem encaixadas onde o protagonista a cada momento busca mais informação e uma sala de aula bem bacana onde a história principal desenvolve, todos com elementos cênicos característicos bem colocados para representar tudo sem precisar de legendas, porém quando sai dali, as casas de repouso, casa dos protagonistas e até mesmo a igreja são mostrados tão de relance que parecem ter sido feitos às pressas, e acabam não chamando tanta atenção, ou seja, aonde as histórias paralelas poderiam se desenvolver mais, acabaram correndo e ainda assim optaram por deixá-las na história. O show final ficou bem colocado dentro da trama, claro que deve ter entrado algum dinheiro na produção ou no mínimo algumas trocas musicais para acontecer da forma que ocorreu, mas ficou bem feito pelo local escolhido e por tudo ser encaixado naturalmente. Na questão fotográfica poderiam ter optado por menos câmeras na mão e movimentos mais leves, pois em certos momentos temos quase vertigem com o trepidar desnecessário, além de usarem alguns filtros que não tinham motivo algum de usarem. Enfim, no quesito técnico o filme desapontou bastante, mas como a história se comprometeu de forma coesa, acabou sendo minimizado.

No quesito musical, o filme agrada, principalmente por terem mantido as versões originais com legenda, mostrando que as canções foram bem escolhidas para desenvolver o tema do filme e junto com a banda Newsboys mostraram bem o âmbito que vem crescendo que são diversos ritmos entrando para a música religiosa para atrair mais jovens.

Enfim, é um filme que poderia ser bem melhor, e quem sabe se ver legendado passe até a gostar mais dele, mas da forma que foi apresentado, no interior e pelo que andei consultando na maior parte do Brasil, dublado, e com diversas situações novelescas mal desenvolvidas, o filme fica bem mediano para a maioria que não for assistir ele com o propósito religioso, ou seja, se você gosta de ideias religiosas pode ir que acabará gostando do que verá, mas se você apenas quer um bom filme para curtir tranquilo numa sala de cinema, talvez seja melhor procurar outras opções. Bem é isso pessoal, ia ver ele mais no meio da semana, mas acabou dando certo um horário hoje, e acabei já fechando todas as estreias que vieram pra cá. Volto na quinta-feira com mais estreias, rezando para que finalmente venha uma boa quantidade para nos divertir. Então abraços e até mais pessoal.

PS: Estou dando minha nota com um olhar bem crítico, mas como disse, quem for com um olhar religioso talvez consiga enxergar um 7 ou 8 coelhinhos.


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Sex Tape: Perdido na Nuvem

sábado, agosto 23, 2014 |

Se existe um estilo que anda bem fraco ultimamente e que cada vez menos convence o público é a comédia americana, pois os últimos filmes tem apelado tanto para que o público risse nas sessões que a maioria acabava saindo da sessão desapontada com o que viu. Mas hoje felizmente estreou "Sex Tape: Perdido Na Nuvem", um longa mais antenado na atualidade mundial que está tão ligada em aplicativos para smartphones e tablets que muitas vezes nem sabe operar direito aquilo, mas acha legal alguma funcionalidade, e utilizam dessa interação juntamente com uma cagada da tradicional forma de apimentar um casamento que tinha tudo para dar errado. Pois bem, sem falar muito mais, o longa mesmo apelando em diversos momentos, é engraçado na naturalidade dos fatos, fazendo o que uma boa comédia deve ter como base, que é fazer o público rir, e tirando pouquíssimas pessoas da sala que assisti, a maioria riu demais durante toda a duração, tendo apenas alguns respiros dramáticos para relaxar.

O filme nos mostra que quando Jay e Annie se conheceram, o romance era intenso; mas 10 anos e dois filhos depois, a chama do amor deles começa a se apagar. Para apimentar um pouco a coisa, eles decidem -- porquê não? -- gravar um vídeo de uma maratona de 3 horas onde eles tentam fazer todas as posições do livro A Alegria do Sexo. Parece uma grande ideia, até eles descobrirem que o seu vídeo não é mais tão privado assim. Com a reputação em jogo; sabendo que estão a apenas um clique de terem sua intimidade revelada ao mundo; eles partem em uma corrida para evitar que o vídeo vaze, o que dá aos dois uma noite inesquecível e mostra que o vídeo pode ser ainda mais revelador do que eles imaginavam.

A base do roteiro não podemos dizer que é algo inovadora, mas apenas algo montado de forma a entrar mais dentro do mundo tecnológico que vivemos atualmente. Com a história de Kate Angelo, que fez boas séries, o roteiro acabou desenvolvido a três mãos inclusive por Jason Segel, que protagoniza também o filme, o diretor Jake Kasdan, que finalmente conseguiu ter Cameron Diaz pelada completamente no seu set depois de tentar muito em "Professora Sem Classe", teve capacidade de montar um filme com uma premissa simples, a busca por algo, que tantos outros já fizeram, alguns bem sucedidos, outros nem tanto, e ao trabalhar com situações, foi capaz de focar a cada momento numa situação, embora absurda, bem divertida e que por ser inusitada acabou bem encaixada na trama. Claro que não podemos falar que é o melhor filme do planeta, mas com as boas sacadas e câmeras bem posicionadas para não seguir uma nuance tradicionalista, o filme acaba divertindo até mais do que muitos imaginaram, e assim cumpre o princípio básico de uma boa comédia, que é fazer o público rir, claro teremos alguns chatos de plantão que vão odiar o estilo do filme, mas garanto que a maioria irá divertir muito com a exibição.

No quesito atuação, mesmo já tendo feito par romântico, Segel e Diaz aparentam não ter tanta ligação química, de forma que nas cenas onde o envolvimento precisaria ser maior, a interpretação deles acaba soando bem falsa. Porém tirando esse detalhe, Cameron conseguiu voltar aos seus bons tempos de comédia fazendo das sacadas rápidas e do bom humor um detalhe bem chamativo para seu personagem. Jason por ser naturalmente um comediante, trabalhou mais com as piadas e menos com feições, e por isso é difícil que quem não entrar no clima tecnológico da trama vai acabar achando suas situações mais chatas do que engraçadas, tanto que em diversos momentos parecia que somente eu estava rindo na sala (sou doido?). Rob Corddry sempre trabalha bem, mas é um ator que apela demais nas feições e ao invés de fazer rir, muitas vezes até nos assusta com suas caras e bocas, mas aqui seu personagem embora repetitivo demais caiu bem na trama. Rob Lowe poderia nem fazer parte da trama, já que suas frases ficam no meio termo do que seria divertido, mas as situações que promove em sua casa, aparecendo em quadros inusitados nas paredes e com músicas completamente fora do âmbito natural foi algo completamente hilário de ver, então acabou valendo a participação. Por mais incrível que pareça, Jack Black fazendo uma ponta para mostrar conhecimento de todos os sites de vídeos pornô e sendo dono de um deles, acabou sendo mais preciso do que divertido e apelativo, então ficou bem encaixado a sua pontinha na trama, claro que seu momento conciliador foi falso demais, mas valeu pela tentativa. Dos demais atores todos são participações especiais que nem valem muito que seja falado algo, mas as expressões chantagistas de Harrison Holzer nos mostram que o garoto tem futuro.

Visualmente o longa optou por montar uma casa de classe média bem trabalhada nos elementos cênicos, para encaixar no vídeo erótico e nas gags interessantes, e prezou bastante nos quadros e diversos elementos da mansão do futuro chefe da protagonista, que com toda certeza quem observar os diversos detalhes vai rir demais nas cenas. Com uma iluminação bem trabalhada em sombras corretas e não forçando cenários claros demais, a equipe de fotografia obteve um resultado interessante, pois não precisou abusar de cores alegres demais para divertir, e isso é raro em comédias.

Enfim, é um filme que fará todos rirem bastante, claro que não teremos ninguém surtando nas salas de cinema por aí, mas que vale a pena ser conferido na sala escura, já que por termos cenas mais pesadinhas diríamos assim, quando sair na TV, mesmo que fechada, é capaz que picotem um pouco ele para não dar tanto conflito, e é justamente nessas cenas que o longa acaba ficando mais engraçado. Recomendo pra quem gosta de comédias com um pouco de apelação, pois quem preferir algo mais clássico é capaz de sentir ofendido com algumas cenas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda tenho mais um longa para conferir nessa semana, então abraços e até breve.


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Os Mercenários 3

quinta-feira, agosto 21, 2014 |

Vou começar minha crítica hoje no melhor estilo RPG (que não tem muito a ver com o filme, mas vai valer a pena):  Se você não curte filmes de ação que valham a pena ser visto apenas pela pancadaria, comendo uma boa pipoca e rindo horrores das situações mais absurdas, nem continue lendo meu texto, afinal esse filme não é pra você. Dito isso, significa que você gosta do estilo e continuou lendo, "Os Mercenários 3" conseguiu trabalhar bem uma história simples, afinal essa não é, e nunca será a premissa do filme, ainda mais sendo escrita por Stallone que já bateu a cabeça umas centenas de vezes, mas aqui conseguiram encaixar boas situações, juntamente de atuações divertidíssimas que quem for disposto a se divertir sem pensar em nada, conseguirá compensar os diversos, e põe diversos nisso, erros de efeitos especiais e cenas de continuidade praticamente ignoradas. Como nem eles mais se levam a sério, a franquia já pode ser classificada como diversão com explosões, então compre um pacote jumbo de pipoca e ria de todos os absurdos, pois como já muitos filósofos falaram: rir é o melhor remédio pra tudo, então a cura dos diversos males está nas mãos desses malucos por explosivos.

O filme inicia mostrando que Barney e sua trupe de mercenários resgatam Doc, um dos integrantes originais do grupo, que estava preso há oito anos. Logo em seguida eles partem para cumprir uma missão, onde têm uma grande surpresa: o reencontro com Conrad Stonebanks, que Barney acreditava ter matado. Antigos colegas que se tornaram inimigos, Barney e Conrad agora se enfrentam em um grande duelo onde os demais mercenários são também envolvidos.

Como citei no início, não dá para ir assistir ao filme esperando ver uma história complexa, mas por mais incrível que pareça, Stallone conseguiu em sua cabeça maluca elaborar uma trama interessante e convincente que jogada nas mãos dos demais roteiristas, eles montaram uma boa ideologia de onde proveio a vilania de Gibson e motivos suficientes para montar uma nova equipe, claro que primando por algo que já havíamos visto tanto nos trailers como pela falta do que pensar na retomada do conceito "família" para buscar os antigos parceiros também. O diretor Patrick Hughes, que podemos considerar quase um iniciante já que seu primeiro filme foi algo bem pequeno que praticamente nem saiu da Austrália para o mundo, soube brincar bem com o orçamento limitado que teve para filmar, já que só de cachê para pagar esse elenco monstruoso já vai quase tudo que os produtores poderiam colocar na mesa, e foi consciente suficiente para junto de uma equipe sensata gravar muitas cenas nos estúdios e em locações que pudessem ser explodidas facilmente, afinal o que mais queríamos ver além das estrelas, é tudo voando pelos ares como acontece em todos os filmes, e não sendo em cidades conhecidas como nos anteriores ficou bem mais fácil trabalhar e desenvolver o conteúdo, tanto que ficamos olhando a cenografia pensando nossa onde pode ser um lugar tão bacana assim, a maioria original é na Bulgária, mas muita coisa foi recriada em estúdio. Além disso, o diretor trabalhou bem os egos e conseguiu com ângulos bem dinâmicos tentar, friso bem a palavra pois não conseguiu, então a melhor palavra é minimizar a quantidade de erros de continuidade, mas como filmes de ação isso é algo duríssimo de controlar, aqui a situação foi mais complicada ainda com armas mudando de mãos continuamente, pessoas que estão de pé e com uma simples virada de câmera já estão abaixadas ou até mesmo sentadas, então quem gosta de procurar esses furos o longa é um prato cheio, mas quem quiser relevar e apenas curtir é bem fácil também.

Falando mais sobre o elenco, tentarei ser sucinto que se falar de todo mundo o texto ficará tão grande quanto a soma das idades dos protagonistas, o grande chefe da trupe Sylvester Stallone ainda é o mesmo brucutu das antigas e consegue puxar o enquadramento sempre para sua personalidade forte, agradando bem, mas a cada filme que passa vemos que a idade já está pesando bastante, daqui a pouco vai conseguir apenas falar e atirar, pois as cenas que exigiram mais habilidade o esforço era nítido de ver na sua expressão. Mel Gibson encaixou perfeitamente num papel de vilão de maneira que mesmo tendo momentos cômicos, chegamos até odiá-lo, e isso mostra seu perfil convincente para chamar atenção. Antonio Banderas incorporou seu personagem "Gato de Botas" e só faltou fazer os olhinhos de clemência tradicionais para pedir vaga na equipe, sensacional o tino cômico que deu para a trama, de forma clara que particularmente até queimou suas boas atuações mais dramatizadas, mas mostrou uma vertente sua tão perfeita para a comédia que acaba chamando até mais atenção pra ele que pros demais protagonistas mais fortes. A piada master foi o uso da prisão real de Wesley Snipes que acabou servindo tão bem para a trama que seu personagem nem precisaria chamar mais atenção nenhuma que ainda nos divertiríamos com o que faz, trabalhou bem na ação, mostrando que ainda tem gás para os filmes que desejarem ter ele agora depois de 4 anos preso. Harrison Ford conseguiu também ter bons momentos, mas não nos envolveu como de costume, sendo apenas bem colocado nas cenas dentro do helicóptero. Se falei da velhice de Stallone, então Schwarzenegger já deveria ter parado há tempos, chega realmente dar pena do nível de envelhecimento que já lhe atingiu, tanto que a cada dia lhe dão papéis mais técnicos do que botar pra luta mesmo, mas nem por isso deixou de ser bacana ver ele em ação com sua super metralhadora. Enfim, a velha guarda agrada bastante com boas gags de Terry Crews e Jason Statham também, mas como prometi não vou falar muito mais. Da nova turma finalmente Kellan Lutz conseguiu ter um papel decente e bem moldado tanto para o ator quanto para o personagem que souberam colocar coisas de sua própria personalidade e isso ficou bem bacana de ver na telona. Ronda Rousey ainda não me convenceu como atriz, é uma boa lutadora e com certeza nem precisou de dublês para as cenas mais fortes, mas quando precisou fazer caras e bocas soou bem falsa, veremos o que vai aprontar na próxima produção do ano. Os demais jovens tiveram papéis interessantes para os seus momentos, como Victor Ortiz e Glen Powell, mas não foram tão bem utilizados para chamar atenção tirando o segundo que acabou sendo colocado como uma pessoa mais tecnológica.

Visualmente o filme tem locações e cenografias interessantes, que como disse ao falar da história nos deixou até bem confusos para pensar aonde se passa tudo aquilo, por exemplo as cenas finais em uns prédios abandonados bem bacanas tanto propriamente, como ao seu redor para chegar passando por pedras gigantescas bem colocadas que não deu para reparar de serem digitais, mas como preferem destruir tudo nesse estilo de longa, acho pouco provável que tenham apelado tanto para a computação, optando mais em pôr a vida de todo mundo em risco com explosões reais. A equipe de arte abusou mais dos efeitos, alguns extremamente malfeitos que até assustam deixarem ir para a cópia final no cinema, do que usar de elementos cênicos mais chamativos, mas como só os atores já servem como objetos mesmo e já valem um grande investimento para o filme, o jeito foi ser mais amplo do que minimalista, e isso até não chega a pesar tanto. A fotografia usou muito dos tons puxado para o marrom e não abusou quase nada do vermelho, ou seja, mesmo tendo diversos tiros, não temos muitas mortes sanguinolentas, e isso deu um tom mais cômico que queriam abusar mesmo. Em quesito técnico os aparatos gigantes foram bem encaixados tanto na cenografia como fotograficamente, pois preencheram vazios de cores e envolveram bem as cenas, mas como disse logo no início, a zoação é total, afinal são explosivos pesados que não fazem nem cócegas nos protagonistas e meros tiros ou lutas matam qualquer adversário, ou seja, não dá para confiar tanto nas armas não é mesmo.

No quesito sonoro, temos uma mixagem de som interessante, que compôs bons barulhos de tiros, explosões e tudo mais que o filme tanto abusou, e juntamente com trilhas bem dinâmicas, o resultado obtido foi bem eloquente de ser acompanhado. A música final cantada pelos jovens foi mais do que uma homenagem para a trama e encaixou perfeitamente para o momento, ou seja, bem escolhida.

Enfim, em quesitos artísticos, como disse não dá nem para colocar o filme, de forma que se for avaliar dessa forma daria uma nota até baixa demais devido à diversos erros, pela história simples e tudo mais, mas como vou preferir dar meu olhar como diversão, e é somente dessa forma que recomendo qualquer um que queira entrar na sala de cinema para ver ele, o filme é sensacional e agrada bastante, então repito, vá para o cinema sem nenhum preconceito, compre muita pipoca e refrigerante e cai na gargalhada ao ver esse misto de velha e nova geração da ação nos cinemas. E assim ficou por aqui hoje, recomendando uma boa diversão lotada de coisas falsas para todo lado, mas ainda volto no fim de semana com mais filmes para comentar, então abraços e até breve.

PS: Mais uma vez frisando sobre a nota, vale ver como uma grande produção divertida, retirei 1 coelho pelo exagero de erros e 1 pela história fraca demais, poderia até tirar mais um pela falta de esforço de alguns protagonistas, mas os demais compensaram esse ponto ao jogar seus prêmios dramáticos pelo ralo. Se fosse avaliar como um filme tradicional mesmo no máximo ficaria entre 4 e 5 coelhos.


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O Que Será de Nozes? em 3D

segunda-feira, agosto 18, 2014 |

Já venho enaltecendo há algum tempo que bons filmes de animação têm surgido cada vez mais de países onde nem imaginávamos existir alguém fazendo desenhos, e agora eis que surge a Coréia do Sul, claro que em coprodução com EUA e Canadá para ter mais visibilidade, mas como a maior parte da equipe é do país do músico Psy, podemos dizer que "O Que Será de Nozes" mostra que a técnica dos olhos puxados está dominando por trás de uma história tradicional dos parques canadense/americanos.

O filme nos mostra que após ser expulso de um parque na cidade grande, o teimoso esquilo Surly(que no Brasil sai com o nome Max) precisa encontrar outros meios para sobreviver. Sua sorte parece mudar quando ele descobre que muito perto dele está a Maury's Nut Store, uma loja com nozes, castanhas, amêndoas... tudo o que Surly sempre sonhou. Agora, o esquilo vai reunir todos os seus amigos para pensar em um jeito de invadir o estabelecimento e roubar toda a comida.

Acho divertido quando mudam nomes de personagens nas animações, pois sempre ao chegar de um filme e buscar as sinopses para colocar aqui fico com cara de será que ouvi o nome errado o longa inteiro? Mas não são as empresas nacionais de dublagem que gostam de inventar novas histórias. Mas tudo bem, falando do filme, a história em si é bacana de acompanhar, com diversas reviravoltas em alguns personagens, vários momentos tentando mostrar alguns moralismos, e até alguns momentos divertidos, claro que todos usando de apelos para puxar o riso da criançada, como peidos, arrotos e pancadarias, que são os modos mais fáceis de fazer com que a criançada entre no clima, já que hoje é assim que levam as vidas. A montagem da história é envolvente, mas não cria nada de novo talvez até a ideia original tenha nascido com o filme "A Era do Gelo", mas o que sabemos é que o longa veio proveniente de um curta muito premiado em 2007.

Os personagens em si possuem características que conseguem chamar a atenção tanto dos pequeninos quanto dos mais velhos que forem aos cinemas, mas a ideologia é tão infantilizada e junto com uma dublagem tão forçada nas gírias nacionais, que talvez até alguns adolescentes saiam do cinema incomodados com a apelação usada. Além disso, mesmo sendo um filme 3D não temos tantas texturas nos personagens, claro que isso já estamos mal-acostumados com o que a Pixar e a Disney nos apresenta, mas daria para terem trabalhado um pouco mais que agradaria não só as criancinhas. O herói da história, Max ou Surly dependendo da versão que assistirem, consegue amarrar nossos olhos sempre pra ele, devido principalmente a sua cor diferenciada dos demais e isso é um fator interessante que vale a pena ser pensado, pois como não tem um grande carisma, por ser meio que um anti-herói logo no começo, acabaria desaparecendo frente aos demais, então essa foi uma boa sacada para prestarmos atenção nele. A mocinha da história ficou fraca demais e não nos convence a nada, faltou dinâmica no personagem e trabalhar mais nas emoções. O ratinho amigo do protagonista parece mais um cão de tão abobado, mas ajuda a trabalhar bem a moral da amizade para as crianças. E já vi desenhos com vilões ruins, mas dessa vez o pessoal falhou feio tanto no lance mafioso do guaxinim quanto no ladrão mafioso que foi quase um enfeite de cena, tudo bem que é algo voltado para crianças, mas nem o bebê mais bobo vai ficar com medo ou bravo com nenhum dos dois.

Visualmente o longa possui elementos bem coloridos e que se encaixam bem na trama, recriando ambientes bem elaborados, como a cena da cachoeira e as dentro do porão, enquanto algumas mais simples acabam sendo bem coloridas para ilustrar a quantidade de elementos cênicos, por exemplo as do parque. E dessa forma, eles conseguem nos manter com os olhos fixos na tela durante os 85 minutos de duração sem cansar, mas também sem empolgar muito. Quanto do 3D, temos algumas cenas com um bom uso da tecnologia, mas são tão poucas que não dá quase diferença alguma no resultado passado.

A parte sonora do filme é bem convincente e agrada ao colocar ruídos em diversos momentos e usar da música mais conhecida do país em 2 momentos durante o próprio filme e para fechar com chave de ouro todos os personagens dançando Gangnam Style junto com a versão de Psy animada durante todos os créditos.

Enfim, é um filme que vale a pena ser visto para conhecer a tecnologia de outros países que não passam tanto por aqui, e para levar a criançada que acaba gostando bastante e rindo das piadas colocadas, não será nada esplendoroso de se ver, mas é possível sair feliz da sessão se for preparado para ver algo mais simples do que parecia ser no trailer. Talvez se não tivessem infantilizado tanto, teríamos um filme mais agradável para todos e não somente para as crianças, mas isso foi uma opção do diretor. Bem é isso pessoal, encerro aqui a semana que infelizmente foi curta no interior, e poderia ter sido bem mais proveitosa se tivesse vindo os 10 filmes que estrearam no Brasil, mas já estamos acostumados com isso. Fico por aqui então, voltando na quinta-feira com mais estreias, então abraços e até lá.


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As Tartarugas Ninja em 3D

sexta-feira, agosto 15, 2014 |

Conheço muita gente que ao ouvir falar em reinício de uma franquia começa a tremer desde o dedinho do pé até começar espumar a boca de tanta raiva, mas como não sou fã de rever filmes, até gosto da proposta de uma repaginada para tentar dar certo e acabar vendo um "novo" filme. E fico ainda mais feliz quando vejo que ela acabou funcionando como no caso de "As Tartarugas Ninja" que inicialmente causou um grande rebuliço já que colocaram o lançamento junto com o aniversário de 30 anos do lançamento da franquia, com diversas pessoas reclamando do visual dos mutantes e que não havia necessidade e tudo mais, porém agora que conferi, vi que a maioria das pessoas, claro que os amigos críticos chatos continuam com o mimimi, tem saído das sessões bem contentes com o que estão vendo, pois o filme é lotado de ação, possui uma história bem bacana ao contar como as tartarugas acabaram se tornando heróis e principalmente consegue manter o nível de humor na medida exata sem forçar demais trabalhando com tudo que conhecíamos e gostávamos do desenho ou até mesmo das HQs.

O filme nos mostra que a cidade precisa de heróis, pois a escuridão tomou conta de Nova York depois que Destruidor e seu clã maligno dominou tudo com pulso de aço: da polícia aos políticos. O futuro era incerto até que quatro irmãos marginalizados surgem do esgoto e descobrem um novo destino como Tartarugas Ninja. As Tartarugas precisam trabalhar com a destemida repórter April O' Neil e seu operador de câmera sagaz Vern Fenwick para salvar a cidade e desvendar o plano diabólico do Destruidor.

Como já disse algumas vezes, não é porque um filme é totalmente comercial e não voltado para filosofias pensantes que ele vai deixar de ser algo interessante de ver no cinema, e isso é algo que a maioria da crítica especializada acaba criticando e torcendo o nariz para alguns blockbusters que são lançados. Eu particularmente já disse que prefiro ver um filme bem produzido lotado de ação do que um plano de 10 minutos de câmera parada com alguma ideologia filosófica, e por isso muitos acabam torcendo o nariz também para minhas opiniões. O que vemos aqui é que o diretor Jonathan Liebesman, trabalhou bem da forma como fez seus dois últimos filmes "Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles" e "Fúria de Titãs 2", onde a ação deve predominar até nos momentos mais sérios da trama, e isso acaba dando um ritmo frenético que empolga qualquer espectador, e com a tecnologia de captura de movimentos, acabou colocando mais alma nos personagens computadorizados para que não fossem meros objetos do filme, mas sim protagonistas fortes e determinados, cada um com sua característica própria e bem encaixada para a trama, fazendo um filme gostoso de acompanhar, cheio de ângulos inimagináveis e que desenvolve um enredo bacana para quem curte apresentações de heróis, agora é ver se não estragam ele nas demais continuações que devem fazer com certeza.

Falar da atuação nesse caso é um pouco complicado, já que tivemos 3 estilos bem colocados, os humanos que interpretam, as tartarugas que interpretam e atuam, e as tartarugas/rato que possuem um intérprete de corpo e outro de voz, então o mix é bem variado para falar. Vamos começar pelos humanos, com a mulher mais contraditória do cinema chamada Megan Fox, que quebrou o pau com o produtor do filme em "Transformers" e agora voltou a trabalhar de bem com ele, e aqui mais que nos seus filmes anteriores, possui uma grande importância para a trama com sua April, entrando bem na conexão com os demais personagens e até conseguindo fazer algumas caras e bocas diferentes, claro que ainda está bem longe de ser perfeita no quesito expressivo, mas já melhorou muito do que reclamávamos tanto. Will Arnett soube não ser um total paspalhão com seu Vernon, mas chega alguns momentos que achamos tão desnecessária sua participação que se fosse no Brasil íamos dizer que era filho de algum grande investidor do filme para participar da trama. Tohoru Masamune fez de seu Destruidor um vilão bem impactante e cheio de ação com toda a tecnologia que deram para sua roupa, além claro dos imponentes diálogos que impôs de forma determinada e marcante. William Fichtner fez bem seu papel, mas exagerou no tom em alguns momentos, de forma que o personagem Sacks acabou logo de cara se revelando demais, talvez pudesse ser mais sombrio em determinados momentos para agradar mais. Todos os atores que fizeram os movimentos das tartarugas agradaram muito bem na captura, e isso mostra que muito em breve como já falamos a Academia deve ser obrigada a lançar prêmio de melhor atuação por trás de captura de movimentos para que diversos atores briguem com Andy Serkis, mas claro que vale destacar muito as boas sacadas de Noel Fisher com seu Michelangelo lotado de bom humor, e na pontuação forte da voz que Johnny Knoxville deu para o seu Leonardo.

O trabalho visual da equipe de arte, tanto cenográfica como digital, foi bem feita e souberam usar de locações interessantes para a trama sem necessitar exagerar em elementos cênicos, claro que gostaríamos de ver mais ambientações do super QG das tartarugas no esgoto, ou até mesmo alguns detalhes do lado sombrio que conhecíamos do local onde vivia o Destruidor, mas esses detalhes talvez sejam mais explorados nas continuações que deverão aparecer. A casa de Sacks foi bem montada com um laboratório interessante de se ver, mas forçaram a amizade com um computador prontinho na tela para que a protagonista fizesse o que é falado para ela. Um grande destaque da trama que já citei mais para cima foram os planos diferenciados que foram feitos, e o que nos deixa mais feliz é que o diretor de fotografia é o nosso brasileiríssimo Lula Carvalho que utilizou de filtros mais escuros para dar um ar ao mesmo tempo sombrio para as cenas noturnas e ainda assim se aproveitar das luzes coloridas de contraluz para chamar atenção de quem estivesse enquadrado, ou seja, algo muito bem feito tanto para valorizar o ambiente, quanto não esmaecer os efeitos tridimensionais. E falando em 3D, nas cenas que foram usadas a tecnologia, afinal é raro aparecer um longa inteiramente com a tecnologia, vale cada centavo pago a mais, dando destaque claro para a sequência do caminhão na neve que chega a dar até tontura com a quantidade de movimento de câmera, com personagens voando pra fora da tela sem parar.

Com uma trilha sonora envolvente no mesmo ritmo acelerado da trama, o filme acaba agradando bastante no quesito musical, claro que contendo o tema original antigo e inovando ao colocar músicas que envolvessem e dessem até sensações humorísticas nos momentos certos, ou seja, boas escolhas que fizeram o filme não ficar pesado e nem virar uma palhaçada só.

Enfim, um filme bem divertido de assistir, que vale a pena pagar mais caro para ver em 3D e que reinicia a franquia de uma forma saudável e bem disposta para continuações interessantes. Como disse, muitos críticos por aí estão de mau humor pela quantidade de refilmagens que andam surgindo, mas se você gosta de ação + 3D bacana + boa história de iniciação pode ir pro cinema agora que é garantia de boa diversão na sala escura. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda falta conferir uma última estreia que veio para o interior, das 10 que estrearam no Brasil, então volto mais uma vez no fim de semana com mais um post para alegrar a vida dos meus leitores. Abraços e até mais pessoal.


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Não Pare Na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho

quinta-feira, agosto 14, 2014 |

Quando vejo que meu avô com seus 82 anos já leu todos os livros de Paulo Coelho e de vez em quando até relê eles, ficava apenas curioso para saber de onde surgiu esse ser estranho que vez ou outra aparece na mídia e possui obras marcantes em seu currículo, mas o que muitos não sabiam era de suas participações compondo para Raul Seixas e tudo que sofreu para virar esse grande nome que é hoje na literatura mundial. E o filme "Não Pare Na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho" pode até não ser a sua melhor história já escrita, mas foi tão bem desenvolvida e produzida que ficou uma biografia 100% crível, gostosa de acompanhar e que vale muito a pena ser conferida como uma das grandes obras do cinema nacional.

O filme que é a cinebiografia de Paulo Coelho, é baseado em depoimentos do escritor, e acompanha sua trajetória em três períodos diferentes: a juventude, nos anos 1960; a vida adulta, nos anos 1980; e em 2013, quando alcança a maturidade. O longa nos mostra a vida do "mago" desde seus traumas e torturas durante a Ditadura Militar no Brasil, até sua parceria com Raul Seixas e o seu sucesso como escritor.

Como a história foi roteirizada por tudo que Paulo disse para a roteirista Carolina Kotscho não podemos esperar nenhuma irreverência contraditória que mostrasse alguma coisa fora do eixo que sabemos pela mídia que ele já fez, mas também acabamos descobrindo muitas coisas interessantes da vida dele e ver como sofreu para virar o que virou hoje. Outro fator que devemos ponderar e parabenizar muito é a estreia de Daniel Augusto na direção de um longa de ficção, pois com curtas e documentários premiados, agora foi seu desafio maior de pegar uma história densa e trabalhar ela de forma bem coerente e interessante para que qualquer espectador que for ao cinema sabendo muito ou pouco da vida do escritor, saia da sessão satisfeito com o que viu, e felizmente conseguiu utilizando de uma montagem completamente quebrada, misturando as três fases da vida do protagonista, que acabou funcionando bem, mas que no início acabou até cansando um pouco o excesso de legendas informativas do ano e lugar aonde está acontecendo para que nos situássemos. Ou seja, tirando esse detalhe técnico de necessitar demasiadamente de posicionar o espectador de qual momento estamos falando, o filme em si fala sozinho e foi tão bem trabalhado pelos atores e pela produção cenográfica, a qual falarei mais nos próximos parágrafos, que com toda certeza muitos sairão da sessão achando que o próprio escritor fez muitas cenas no filme, mas não tirando os irmãos Andrade, Ravel e Júlio, em duas épocas ninguém mais fez o escritor, o que demonstra precisão de direção com sincronismo de uma boa atuação.

Falando mais sobre a atuação, Ravel Andrade começa a colher bons louros após apenas participar de curtas e ter ganho destaque em algumas peças, aqui por necessitarem de alguém parecido com o protagonista nas fases mais adultas encaixou bem por ser irmão de Júlio Andrade e não decepciona ao conseguir mostrar tudo que o personagem sofreu diante do seu pai, ainda necessita tirar alguns vícios e exageros do teatro, mas pode vingar bem no cinema por saber manter a expressão forte no rosto. Júlio Andrade já havia mostrado seu potencial fazendo Gonzaguinha, e protagonizando "Serra Pelada", mas agora mostrou força técnica e coragem para encarar tanto o momento mais rebelde da carreira do protagonista nos anos 80 quanto a atualidade, onde precisou carregar quase 5kg de próteses para ficar semelhante ao Paulo que conhecemos sem descaracterizar sua atuação, ou seja, um trabalho minucioso e desgastante, que mostrou mais do que perfeição no trabalho do ator. Nancho Novo não apenas fez algumas aparições, como foi o responsável por toda a narração dos ensinamentos que o mestre de Paulo o ensinou, e sua voz tênue ficou muito interessante de ouvir e agrada bastante. Lucci Ferreira trabalhou bem fazendo um Raul Seixas da forma que muitos ainda imaginam, todo rebelde e caricato, e sem forçar muito nos trejeitos, o jovem ator soube concentrar para termos uma participação mais que envolvente na trama. Um grande destaque fica também para Enrique Diaz que não hesitou em fazer um pai ríspido e com semblante sempre fechado, mas que ao colocar a música que foi feita para ele, acaba comovendo não só a si, mas como todos para o que vai ocorrer mais para frente. Fabíula Nascimento faz a mãe doce e interessante de ver e principalmente consegue fazer de seu personagem algo que não estrague sua carreira cômica, e por ter feito algo bem colocado acaba agradando. E por fim vale a pena destacar as mulheres de Paulo, tanto as cenas da beldade Paz Vega como a primeira esposa, quanto Fabiana Gugli que faz a atual esposa desde o fim dos anos 80 até hoje demonstrando sempre carinho e enaltecendo mais o escritor. Claro que temos momentos bobos demais com alguns atores, e Luiz Carlos Miele como avô de Paulo, Gillray Coutinho como o editor e Zéu Britto como representante da seita são os destaques negativos de caras e bocas mais nulas da história de um filme.

Agora o ponto melhor da trama sem dúvida alguma está na concepção artística que colocaram nos três momentos do filme, mostrando tanto os anos 60 bem retratados por figurinos, carros e até mesmo em diversos elementos cênicos da casa, passando depois para os anos 70 e 80 com figurinos mais hippies e toda as caracterizações de cabelos e ambientes coloridos, e ao chegar na modernidade atual com os figurinos despojados do escritor, com carros tecnológicos e tudo mais que acabam nem importando tanto para ele, se formos analisar a ideologia de sua vida. Além claro dos maravilhosos cenários do Caminho de Santiago que enaltecem todo o ar mais religioso da história. Ou seja, perfeições totais no quesito cênico que só mostram o quanto uma produção nacional se quiser ser bem feita consegue. A fotografia trabalhou com iluminações mais densas para tratar os momentos chaves e utilizou das passagens onde o escritor diz se encontrar com cores mais claras e isso chama bem a atenção para o que deve ter sido solicitado enaltecer mais, e ficou bacana de ver.

Deixei um parágrafo somente para a maquiagem para falar mais do que foi o uso das próteses pela equipe DDT, a mesma de "O Labirinto do Fauno" que aqui fizeram Júlio de Andrade a cada dia de gravação das cenas atuais do filme ficar 5 horas colando um rosto falso e pesado na sua cara, de modo que conseguisse ainda assim atuar decentemente, continuar sendo o próprio ator e parecer com o escritor da forma que vemos na mídia atual, ou seja, um trabalho perfeito, minucioso e maravilhoso de ver, que como disse no início muitos com toda certeza saíram da sala pensando que o escritor atuou no filme, portanto deixo aqui o link para quem quiser ver a transformação do ator e confirmar que não estou louco. Ou seja, um trabalho rico e perfeito de ver nas telas dentro de um filme nacional.

No quesito musical, praticamente todas as canções que Paulo compôs e foram cantadas por Raul Seixas estão presentes na trama, afinal é mais fácil conseguir autorização com o próprio autor das canções num filme que fala dele mesmo não é mesmo? E com isso o longa ganha um ritmo bem envolvente, já que todo mundo conhece a maioria das músicas e acaba cantando junto e isso ajuda bem a deslanchar a história que também optou por uma montagem diferenciada do que estamos acostumados.

Enfim, é um filme muito bem feito que agrada bastante, não é o melhor filme nacional que possamos sair falando bem para todo lado, mas podemos dizer que tivemos uma produção invejável tanto tecnicamente quanto no quesito de uma boa história atuada e dirigida. O longa ficou devendo falar mais sobre os motivos da briga dele e do Raul, mais sobre a ordem que ele faz parte, mas precisaria de um longa bem maior para falar sobre tudo isso, então vale a pena conferir a trama, com a garantia da certeza de ver algo bem feito e que quem gostar de conhecer história sobre a vida de alguém famoso vai sair bem satisfeito com o trabalho, então dessa forma acabo recomendando ele para a maioria do planeta. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda temos mais alguns filmes que apareceram pelo interior para conferir, então volto em breve com mais posts por aqui. Deixo meus abraços para todos e agradecimento especial para a equipe do Cinépolis Iguatemi que continua nos proporcionando boas premières para conferir. Até breve.


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The Rover - A Caçada

sábado, agosto 09, 2014 |

Aquele selo em cima do pôster já diz muita coisa pra quem, como eu, não procura ver trailer nem ler nada antes de assistir uma produção, ou o filme será excelente ou será algo que você sairá da sala sem entender nada pensando porque gastou 2 horas da sua vida assistindo a isso. Com isso em mente, o longa "The Rover - A Caçada" consegue provocar algumas curiosidades com o andamento da trama, mas é de um ritmo extremamente lento, que quase acabamos não reparando nas grandes expressões e sentimentalismos que os protagonistas nos proporcionam, ou seja, é um bom filme, mas quem não curtir algo completamente fora do tradicional fuja rápido do guichê do cinema, senão a chance de reclamar como 90% da sala fez é altíssima, ainda mais com o final proposto, que com certeza gostaria de que me deixassem sem saber mais do que com o que foi mostrado.

Ambientado num futuro próximo, o faroeste se passa dez anos depois que o sistema econômico do mundo ocidental entrou em colapso, e os recursos minerais da Austrália passaram a ser dominados por forasteiros desesperados. Eric viaja sozinho pelas estradas e já perdeu quase tudo o que tem, e torna-se um homem duro e impiedoso. Quando uma gangue de ladrões rouba seu carro, ele vai atrás destes homens. No caminho, ele é obrigado e levar consigo Reynolds, o ingênuo membro da gangue, abandonado por seus comparsas.

A síntese do roteiro é bem interessante e dá base para a trama, mas matamos tão rápido a charada de que o protagonista deseja mais o carro por algo que tem dentro dele, do que a raiva de apenas terem pego algo seu, porém como já perdeu tudo que tinha na vida, o que nos agracia mais na trama é ver a forma que a frase dita no pôster: "Tenha medo do homem que não tem nada a perder" toma uma proporção monstruosíssima e só vai nos intrigando mais ainda com a direção minuciosa de David Michôd que soube transformar Guy Pearce em algo melhor do que já é naturalmente, e Robert Pattinson em algo mais próximo de ser um bom ator. O que faltou no filme foi trabalhar com mais dinâmica, pois não perderia a essência das atuações e quem sabe conquistaria mais o público, já que em momento algum nos vemos envolvidos com o que está acontecendo na tela, e filmes que nos fazem pensar sem que nos seja dado ferramentas, acabam dando mais sono do que servindo para algo.

Ver um ator talentoso mostrando que domina bem suas expressões é algo que sempre aumenta a qualidade de um filme, e Guy Pearce entra com tudo na trama e sem dizer muitas palavras ao longo de toda duração consegue ser didático e pontual para qualificar seus atos, claro que como disse gostaria de ter saído da sessão sem saber o que tinha no carro, mas em momento algum podemos negar que vale ver o filme pelo que faz nas cenas em que dá ordens fortes para o personagem de Pattinson. E falando no ex-vampirinho é possível começar a ver uma evolução nos seus trabalhos, de forma que o que fez em "Cosmópolis" só vem sendo consolidado e aqui nas suas cenas finais chega até parecer que é um grande ator pelo desespero envolvente que consegue criar, merecendo quase que a câmera ficasse somente nele ao invés de mostrar os outros atores, realmente perfeita a atuação em diversas cenas. Dos demais atores infelizmente aparecem muito pouco e nos envolvem menos ainda, valendo destacar apenas a cena mais forte de Scoot McNairy com Pattinson por forçar o jovem ator, e nas suas cenas dentro do carro no início.

A cenografia desértica é assustadoramente linda de ver e acaba nos dando uma profundidade que acaba dizendo até mais do que deve sobre a ideia do longa. A equipe de arte soube trabalhar bem para demonstrar o caos que se tornou o lugar sem recursos para nada e com isso quanto menos aparecer melhor, e dessa forma a escolha das locações foram de suma importância para que o filme tivesse o mesmo realismo. Claro que com muita paisagem seca e sem uma trilha mais forte, como disse acaba cansando, mas ao menos a ideia da trama foi bem passada. A fotografia granulou a imagem num tom amarelado puxado para o laranja bem forte de forma a parecer que o filme estava sendo rodado à uma temperatura de uns 50°C no mínimo e em alguns momentos dá até um certo sufoco para procurar uma sombra onde não existe, ou seja, também um trabalho bem interessante de ser visto.

O quesito sonoro infelizmente foi o que mais pecou na trama, pois além de não dar ritmo, as batidas atrapalharam o andamento do filme, cansando demais o espectador sempre com a mesma toada, e por mais incrível que possa parecer, ao aguardar os créditos é possível ver que são diversas faixas diferentes, mas não é notável quase diferença alguma de uma cena pra outra, tirando as cenas que músicas cantadas passam a fazer parte da trama, e é nesses momentos que acabamos nos envolvendo mais com o teor da trama e quem sabe se tudo seguisse dessa forma teríamos um longa bem diferente.

Enfim, é um filme com um mote bem interessante e atuações precisas que foram muito bem dirigidas, mas que vai agradar uma gama bem pequena dos espectadores que forem aos cinemas conferir, principalmente pelo ritmo fraco e a falta de envolvimento que como disse logo nos primeiros minutos já dá para sentir o que vem pela frente. Recomendo ele somente para quem gosta mais de longas artísticos por já estarem acostumados com o estilo. Bem é isso pessoal, fico por aqui nessa semana de poucas estreias, mas volto na quinta-feira com o que está parecendo ser o retorno das semanas quentes de estreias, aguardaremos para acabar com essa sina de apenas 1 ou 2 filmes, então abraços e até mais pessoal.


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Vestido Pra Casar

sexta-feira, agosto 08, 2014 |

Existe algumas formas de falar que um filme é ruim, uma é enfeitar o doce e ficar tentando dar motivos para mostrar o que você não gostou nele, a outra é falar pouco dele, hoje tentarei utilizar essa segunda opção, pois falar muito de "Vestido Pra Casar" é gastar palavras com algo que não mereceria uma crítica de 10 palavras num jornal. E o mais triste é pensar da seguinte forma, pois alguns podem até falar que é birra com Leandro Hassum, o qual não consigo ver graça de forma alguma, mas não, dessa vez o roteiro foi o mais fraco possível, de maneira que ele até tentou fazer das suas gracinhas, mas se fizer você esboçar ao menos um sorriso, será em uma das cenas que já estão no trailer, ou na boa atuação de Érico Brás.

O filme nos mostra que Fernando é um homem que acredita que uma mentira não deve ganhar grandes proporções. De mentira em mentira, ele acaba transformando o dia do seu casamento uma verdadeira confusão que envolvem sua ex-mulher, sua noiva, o sogro, o primo, um estilista, uma socialite deslumbrada, policias, seguranças, além de um senador ciumento com sua mulher infiel.

Por alguns minutos tive um grande momento no início do filme por não ver a logomarca da Globo Filmes presente no longa, pois como sabemos 90% das comédias de sucesso nacional provém dessa empresa, mas dessa vez se o filme obtiver grande bilheteria ficará provado que o povo brasileiro literalmente gosta de pagar para ver coisas ruins. Bem, a sala onde vi havia bem poucas pessoas, e por incrível que possa parecer num longa classificado como comédia, tivemos 2 risadas, numa das cenas que por sinal já havia aparecido no trailer, e sim era ao menos divertida, mas nada que fizesse ninguém chorar de rir. Ou seja, um roteiro lastimável que tentou seguir os moldes da comédia do absurdo francesa, com alguns trejeitos das bagunças americanas de desencontros, e que acaba numa lambança tão grande que os diretores(sim no plural mesmo, pois precisou ainda ter duas pessoas pra dar conta de algo tão ruim) não conseguiram trabalhar ao menos com que um ator que é acostumado a fazer graça fosse ao menos engraçado, então o resultado é algo lastimável que a cada tentativa de melhorar a história, só me via pondo a mão na cabeça pensando em quão vexaminosa ainda poderia ficar a trama. Se ao dirigir o pai, Paulo Aragão já havia tomado diversas bordoadas, agora junto de Gerson Sanginitto pode preparar sua mala para tentar algo novo na vida, pois precisará limpar bem o currículo depois disto.

No quesito atuação, pela primeira vez na vida, fiquei com dó de um ator que eu não gosto, pois é notável a tentativa de Leandro Hassum fazer qualquer coisa engraçada na trama, mas o roteiro não permitia, então suas desventuras acabam num ciclo sem voltas que não divertem e ele ao fim parecia estar mais cansado do que estava fazendo do que satisfeito com qualquer um de seus gracejos. Fernanda Rodrigues é um enfeite cênico com tentativa de fazer um sotaque caipira, algo que se alguém rir disso merece não ver nunca mais nenhuma comédia na vida. André Mattos disse a mesma frase ao menos umas 10x no filme, o que prova a beleza de roteiro que foi entregue para os atores, e conseguiu ser mais engraçada sua cena culinária que qualquer outro momento. Marcos Veras é engraçado em seu canal no youtube, e seus momentos aqui parecia mostrar que nem sabia o que era uma câmera e para onde deveria interpretar. A grande salvação do filme, embora forçado demais nos clichês gays é Érico Brás que faz um estilista que fica completamente insano com a bebida, e seus momentos são os que mais faz rir, ou seja, um personagem mais do que secundário ser o principal motor de riso é a prova definitiva que faltava colocar em minha tese de que o filme não vale nada. Os demais personagens tentam aparecer, mas não conseguem sair no máximo de piadas prontas no estilo "A Praça é Nossa", por exemplo o caso de Eliezer Motta que faz um contador surdo.

Visualmente o longa não deixa a desejar, com casas grandiosas e bem decoradas, com festas feitas para impressionar no quesito produtivo da trama, de modo que fez os patrocinadores deixar um bom dinheiro para preparar tudo, mas como ouvi muito na época da faculdade, uma boa produção não faz um bom filme, ou seja, nem que colocassem uma chuva de ouro, conseguiriam salvar um texto mal preparado e desenvolvido. Com câmeras ágeis, a equipe de fotografia não se preocupou com as cenas onde necessitasse mais ou menos iluminação, colocando tudo como se estivesse ocorrendo ao meio dia de sol no máximo nível, clareando tudo com um tom de branco máximo, ou seja, não tiveram cuidado de trabalhar cores e efeitos com nada.

Enfim, até acabei falando coisas demais, para dizer que de forma alguma recomendo o filme. Se antes já estava torcendo para o sumiço das comédias bobas dentro do cinema nacional, agora defendo com unhas e dentes que se quiser fazer qualquer longa, ao menos tente trabalhar um roteiro decente para pelo menos cumprir o dever da classificação dele, ou seja, se é comédia, faça o público rir. Bem é isso, pessoal, irei conferir hoje à noite a outra estreia da semana, e espero poder voltar aqui para compartilhar algo bom com vocês, pois hoje foi duro ao menos esboçar vontade de escrever algo de um filme que como disse não valeria 10 palavras. Fico por aqui agora, mas volto em breve com mais um post, então abraços e até breve.

Justificativa da nota: 1 coelho para o personagem de Érico Brás e mais um na tentativa da produção de fazer algo grandioso, daria mais meio pelo esforço do Hassum, mas como não tenho meio coelho e muito menos sou fã dele, fica só com 2 mesmo.

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O Menino no Espelho

sábado, agosto 02, 2014 |

Quando digo que o Brasil tem potencial para sair das comédias novelescas e trabalhar todos os demais gêneros, alguns amigos retrucam dizendo que sou maluco e que continuaremos vendo nas prateleiras das locadoras ou nas sinopses dos cinemas o escrito "gênero: Nacional". E quando boas obras acabam saindo nos cinemas, o que acontece, ninguém assiste, pois sai apenas 10 cópias no máximo e com isso num país imenso acaba dispersando e nem fazendo muito barulho, o que deveria ser justamente o contrário. Pois bem, felizmente após ter estreado apenas em Minas Gerais no dia 19 de junho, agora teremos o lançamento do filme "O Menino no Espelho" em São Paulo e Rio de Janeiro, e tendo o protagonista ter nascido em Ribeirão Preto e a família ser daqui, tivemos o privilégio de ter uma pré-estreia junto do jovem ator e do diretor em nossa cidade, e pudemos conferir que o longa de gênero drama infantil, ou seja, lotado de aventuras é muito bem feito e com uma singela ternura conseguiu trabalhar baseando, mas claro que não copiando ao pé da letra, no livro de Fernando Sabino, onde nos permeia uma história agradável e gostosa de acompanhar.

O filme nos situa em Belo Horizonte, meados dos anos 1930, onde Fernando é um garoto de 10 anos que está cansado de fazer as coisas chatas da vida. Seu sonho era criar um sósia, que ficasse com estas tarefas enquanto ele poderia se divertir à vontade. Até que, um dia, é exatamente isto que acontece, quando o reflexo de Fernando deixa o espelho e ganha vida.

Em momento algum podemos dizer que estamos diante de um filme de roteiro complexo, afinal a prerrogativa do diretor Guilherme Fiúza Zenha que aqui estreia na direção de longas, foi manter totalmente a vertente artística infantil, e com isso deve ter sofrido horrores, afinal a quantidade de crianças para dirigir no longa não foi pequena. Mas esse detalhe foi completamente contornado e ele saiu muito bem dos problemas com sabedoria de deixar tudo dentro da ternura que o roteiro criado em conjunto com Cristiano Abud e André Carreira, longos parceiros de roteiros, permitiu fazer. A história que Fernando Sabino pontua como sendo praticamente sua, aqui teve algumas novas idealizações e funcionaram bem para que o filme mesmo passando numa época mais dura ainda não saísse do contexto, mas fosse mais interativo com as crianças atuais, pois se abusasse apenas da imaginação como é o livro, talvez o longa acabasse filosófico demais e não seria tão gostoso de ver como acabou sendo. Por trabalhar bem com a trama, o longa exigiu bastante que os jovens atores interpretassem bastante, e conseguimos observar nitidamente os momentos que eles colocam seus dons para mostrar o que leram no roteiro quanto os momentos que usaram bastante da improvisação e acabou ficando bom o suficiente para ser usado no material final, e quando um diretor consegue diluir isso na totalidade do trabalho, o longa acaba ficando mais interessante de ver.

Falando nos atores, Lino Faciolli trabalhou bem com seu Fernando/Odnanref, e mostrou engajamento para as câmeras, conseguindo ser dinâmico e interessante, ainda não podemos dizer que será um grande nome da atuação nacional no futuro, mas como já vem trabalhando sempre com grandes nomes, o que fez bem aqui poderá ser melhorado e o que ainda não conseguiu convencer pode ser sanado, vamos torcer pelo jovem da cidade. Mateus Solano não mostrou a mesma desenvoltura que estamos acostumados a ver nas novelas, mas soube dar um tom doce para um pai da época e com isso torcer pela afetividade que tem com o filho, talvez o diretor pudesse ter trabalhado mais o personagem dele, mas como não era o ponto chave da trama acabou sumindo um pouco, sendo mais importante em cenas esporádicas. Regiane Alves trabalhou bem a interpretação para fazer uma mãe linha dura, mas sem deixar de ser mãe, trabalhando bem toda a ternura nos momentos certos para comover. Gisele Fróes faz uma professora das antigas com todos trejeitos característicos onde os alunos respeitavam por sua rispidez e também servia para educar de forma segura, caiu bem o papel para ela sem ser falsa demais. Ricardo Blat trabalhou bem seu major, mas ficou forçadamente cômico para segurar a trama no lado infantil, então acabou infantilizado demais de forma que na cena que precisou ser mais duro ninguém praticamente confirmou sua força. Vale destacar também outros atores do elenco infantil, por exemplo Giovanna Rispoli que mostrou segurança em todas as cenas que fez, chamando em alguns momentos até mais atenção que o protagonista, e Ravi Hood fez um irmão pequeno bem singelo e que nas suas cenas mostra algo bem gostoso de ver tradicional das crianças mais novinhas, enquanto já faz aquele amigo que bota você nas enrascadas, mas é ombro amigo pra hora das aventuras, todos mostrando boa desenvoltura frente as câmeras e mostrando que os jovens atores estão trabalhando bem também.

A melhor parte do filme sem dúvida fica a cargo da direção de arte que foi precisa em retratar os anos 30 com figurinos característicos, cenografia muito bem colocada para cada cena, e escolhendo a cidade de Cataguases/MG por manter ainda muito da época foi um acerto e tanto para a produção que prezou em utilizar cada elemento cênico com finalidades exclusivas para chamar atenção mínima, valendo destacar logo no início o avião construído nos moldes do de Santos Dummont, ou seja, perfeição total tanto nas escolhas como na criatividade. A equipe de fotografia soube iluminar tudo com cores mais densas puxadas para o marrom, mas sem forçar em nada para que cada situação tivesse envolvimento e aguçasse a curiosidade do espectador, além de não terem forçado a barra com granulações apelativas que a maioria usa para retratar cenas do passado.

Enfim, um filme muito gostoso de acompanhar, que mesmo não sendo perfeito por ter alguns pequenos deslizes, como a falta de ritmo em algumas cenas e usando termos que mesmo sendo de época acabará deixando algumas crianças, que são o público alvo, sem entender alguns fatos. Entretanto, consegue agradar bastante e recomendo ele para toda a família que gosta de um estilo mais puxado para o drama de investigações infantis e por mostrar que nossa literatura pode sim ainda basear bons filmes. Fica a dica então para conferir na próxima semana que o longa estreia em novas cidades, inclusive aqui em Ribeirão. Bem é isso pessoal, fico por aqui nessa semana, voltando apenas quinta-feira com novos filmes, então abraços e até mais.


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Guardiões da Galáxia em 3D

sexta-feira, agosto 01, 2014 |

É interessante observarmos que ultimamente os filmes baseados em HQs sofreram uma mudança abrupta no estilo de conquistar o público, que nem sempre são formados por fãs das próprias revistas, e com isso acabaram criando muitos fãs que sequer um dia achariam que gostariam de filmes do gênero, e posso me incluir nesse grupo. Outro fator que vem sendo inserido bem levemente são as pitadas cômicas dentro dos filmes da grande Marvel, que enxergou nessa fatia um grande potencial de público, colocando ainda muita coisa séria dentro dos longas, mas surpreendendo agora com "Guardiões da Galáxia" numa fórmula totalmente irreverente e deliciosa de acompanhar, que com toda certeza acharia irreal existir um longa dessa forma sem erros, se transformando em algo perfeito que dá mais vontade de querer ver muito mais sobre a equipe, e para contrariar os longuíssimos filmes que vinham apresentando, esse tem apenas 121 minutos já com a cena extra final. Ou seja, se você estava com qualquer receio ao ver uma árvore gigante, um guaxinim armado, uma mulher verde e um ser estranho musculoso no pôster, pode ir pro cinema agora que é diversão 100% garantida.

O filme nos mostra que o aventureiro Peter Quill se vê como alvo de uma caçada imparável depois de roubar uma esfera misteriosa desejada por Ronan, um poderoso vilão ambicioso que ameaça todo o universo. Para fugir do perigo, Quill é forçado a se unir com o quarteto de desajustados - Rocket, um guaxinim atirador; Groot, uma árvore humanóide; a sombria e mortal Gamora; e o vingador Drax, o Destruidor. Mas Quill descobre que a esfera possui um poder capaz de mudar os rumos do universo, e então ele deve fazer o seu melhor para unir seu grupo e juntos protegerem a galáxia.

Mais uma vez eu digo, não sou leitor de HQs e muito menos fãs de filmes de heróis, então vou analisar apenas como alguém que gosta de bons filmes, e o que o diretor James Gunn nos entrega aqui é algo de tirar o chapéu, pois confesso estava totalmente incrédulo do longa, pois ao ver os primeiros trailers estava achando o apelo cômico exagerado demais, e juntamente com a combinação de personagens que falei no fim do primeiro parágrafo, poderia julgar que não iria de forma alguma gostar do que veria, mas como um amigo viciado em HQs sempre em nossas conversas dizia que esse era o estilo mesmo da equipe e que aparentava estar bem dentro do que deveria apresentar, acabei ficando mais tranquilo para ir conferir. Pois bem, hoje posso dizer que a forma escolhida para explorar esse universo novo de "super-heróis", que ironicamente todos são fora-da-lei, não teria maneira melhor, utilizando a todo momento de muita irreverência e ambientando sempre com ótimas sacadas e trabalhando bem nos enquadramentos para não ficar apenas como uma comédia boba, mas uma aventura completamente encaixada com os anseios mais primordiais de um longa que se passa no espaço com muitos personagens diferenciados, ângulos de câmera para ninguém botar defeito de cansaço por falta de ritmo, e trabalhando o roteiro com todo envolvimento para que a história se desenvolvesse, tivesse uma credibilidade, fechasse o círculo e ainda nos deixasse com água na boca por uma breve continuação, que já tem até data de estreia marcada para Julho de 2017.

Um ponto mais que positivo para o longa foi na escolha dos atores, pois cada personagem tem um jeito completamente seu e único de ser, que caiu como uma luva para cada um. E por incrível que pareça o destaque principal é para Bradley Cooper com seu guaxinim Rocket que está numa irreverência impressionantemente divertida, e mesmo sendo notável a computação gráfica, quase podemos dizer que se víssemos um animal do estilo falando amanhã iríamos seguir ele pra ver se aprontaria as mesmas peripécias que ficaram perfeitas no filme, um show de dublagem e computação juntas. Chris Pratt chega como um protagonista completamente livre para desenvolver e agrada sendo quase que um ser comum, trabalhando bem trejeitos e interpretações sutis para agradar e nos convencer do personagem que ele é, tanto que na cena em que é finalmente chamado pelo nome que deseja, ali também é o ponto que acabamos convencidos de que ele é quem é, e isso num filme é muito bom de conferir. Zoe Saldana já está acostumada a fazer personagens diferenciados que lutam, correm e tudo mais, e aqui novamente acerta no teor que a personagem pede e agrada bastante, talvez pudesse apenas segurar melhor o tom de alguns diálogos, mas em momento algum atrapalha o andamento. Dave Bautista faz de sua força física algo interessante para criar um personagem oposto quase que mais burro que a própria árvore, e isso acaba soando tão gostoso de ver que diverte e encaixa bem, de forma que o ator que inicialmente parecia não estar encaixado na trupe, encontra rapidamente uma brecha e acaba agradando bastante. Lee Pace não consegue entrar pro hall dos vilões que amamos ver, mas trabalhou de uma forma tão sombria de uma maneira bem sólida e pausada nos diálogos que acaba chamando a atenção pro personagem, claro que gostaríamos de ver muito mais maldade nas telas, mas não foi a intenção que quiseram imprimir no primeiro filme. Não acompanhei se Vin Diesel fez alguma captura de movimento ou apenas dublou o personagem Groot, pois se fez apenas voz, podemos dizer que não fez absolutamente nada, mas se botou o corpão para fazer todos os movimentos, aí sim ficou algo sensacional, pois o personagem tem características marcantes para agradar qualquer um, mesmo falando apenas sempre as mesmas 3 palavras, sua cena pré-final é emocionante e envolvente, juntamente com a final que agrada por ser bonitinha. Além dos protagonistas podemos destacar também as boas participações de Michael Rooker, fazendo um personagem completamente caricato mas que nos chama bastante atenção pelo que faz e nas três cenas que mostra interpretação de diálogos acaba agradando bastante, e mesmo sendo bem rápida as cenas com Benício Del Toro são divertidas e bem colocadas na trama, e aviso para esperarem os créditos para ver a cena antológica dele que quem via muitos filmes nos anos 80-90 vai lembrar do personagem que aparece. O vilão Thanos interpretado por Josh Brolin foi algo muito curto e deve servir mais de base nos outros filmes, e Glenn Close também não fez algo que poderíamos ficar felizes com sua rápida participação no longa, mas no geral todos os demais acabaram fazendo coisas bacanas na tela.

Outro grande acerto no longa foram as diretrizes visuais que foram encaixadas na trama, pois temos muitos elementos que fazem diversas referências a outros filmes, aparatos que estão presentes na tela prontos para serem encaixados a cada ato, nada está apenas jogado na tela, de forma que olhamos algo perdido num canto, logo está servindo de arma ou está sendo montado, ou acaba sendo jogado para o público, num trabalho artístico impressionante que envolveu tanto da cenografia real como da digital um primor técnico impressionante, envolvendo toda a equipe de figurino com maquiagem encaixando tudo na medida certa para não ficarmos nem com um filme pesado de formas subjetivas muito menos um filme jogado apenas para satisfazer os fãs. O trabalho da equipe de fotografia também soube regular as cores fortes dos figurinos contrastando sempre com filtros encaixados para cada ato, dando o teor mais sombrio quando o vilão está em cena, ou puxando totalmente para cores claras nos momentos onde a comicidade rola solta, ou seja, perfeição completa nas escolhas.

Quanto do 3D do filme, não posso dizer que foi algo que me envolveu tanto, mas também não é algo que não valha a pena ver, temos muitas cenas com imersão de profundidade, cenas em movimento de câmera com primeira pessoa para colocar o espectador junto do filme e também diversos momentos com algumas coisas saindo da tela, mas poderiam ter explorado sim mais a tecnologia já que é um filme com muita ação e acabaria ficando bem encaixado mais tecnologia ainda na trama. Porém os efeitos foram precisos nos momentos que precisariam ocorrer e de forma totalmente convincente.

Agora o grande ápice da trama fica por conta das escolhas musicais de Tyler Bates, que botou os anos 80-90 na agulha do walkman do protagonista e fez um filme com uma característica única por envolver o ritmo certo para cada ato com a música perfeita para representar, ou seja, um primor nas escolhas de clássicos que marcaram uma época agradando sem precedentes tanto ao fazer rir com o encaixe, como nas atitudes que vão decorrendo a partir delas. Com toda certeza podemos colocar como um diferenciador completo dentro do longa, pois qualquer outro estilo escolhido não daria o mesmo resultado.

Enfim, falei demais, claro que sem dar spoilers, afinal não gosto disso, e recomendo muito a trama para todos, inclusive para os que não forem tão amantes de longas de super-heróis, pois a puxada cômica é tão envolvente que vai agradar até alguns que julgam esse estilo como algo voltado apenas para um grupo de pessoas mais joviais. E claro é mais um dos longas que lembraremos ao final do ano como um dos melhores do ano, pois ficou encaixado na medida certa. Não irei dar a nota máxima para o filme somente por achar que poderiam ter trabalhado um pouco mais o vilão e os efeitos 3D, mas caso tivesse notas quebradas com toda certeza seria um filme com 9,5 coelhos. Bem essa foi a única estreia da semana no interior, mas como terei uma pré-estreia por aqui para conferir, volto ainda mais uma vez no fim de semana com um novo post, então deixo aqui apenas meus abraços e um até breve pessoal.


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Histórias Que Só Existem Quando Lembradas

quarta-feira, julho 30, 2014 |

Muitos vão olhar esse filme aqui e assustar, afinal "Histórias Que Só Existem Quando Lembradas" é um filme de 2012, mas como não passou nos cinemas de quase nenhuma cidade, agora o SESC tem exibido alguns desses filmes bem alternativos, e como filmes que passam por lá considero como cinema também, vamos lá. O filme em si tem uma beleza bem interessante para aprofundarmos que mistura os valores de vida das pessoas antigas com o momento que os jovens agem por impulso ao fazer algo que nem mesmo eles sabem o motivo de estar fazendo. Porém, o longa tem um ritmo tão lento no início que quem conseguir passar os primeiros 45 minutos vai com certeza ficar feliz com o resultado final, mas o sono vai lhe tentar muito durante todo esse tempo.

O filme nos situa na pequena vila de Jotuomba, que fica localizada no Vale do Paraíba, no estado do Rio de Janeiro. Nos anos 30 as até então ricas fazendas de café foram à falência, derrubando a economia local. Madalena, uma velha padeira, continua vivendo na cidade. Ela é muito ligada à memória de seu marido morto, que está enterrado no único cemitério local, hoje trancado. Sua vida começa a mudar quando Rita, uma jovem fotógrafa, chega na cidade.

Se existe uma coisa que não consigo gostar é aparecer em fotos, e hoje existe uma moda que os jovens adoram tirar fotos, tentar entrar em mundos que acham que podem se conectar e muitas vezes nem sabem o porquê estão fazendo isso, porém ao conhecer novos mundos, que muitas vezes acabam nem sendo bem explicados, acabam ficando desorientados de como sair daquilo ou senão acabam virando até parte do movimento. A ideologia do roteiro aqui é bem mística e funciona pela simplicidade das atuações que a diretora estreante Julia Murat optou por utilizar, claro que vou reclamar disso inúmeras vezes, mas filmes que saem do tino comercial tendem a ser um pouco cansativos por desejarem trabalhar a questão estética e linguística de forma exagerada, e aqui o começo do filme é quase como assistir aquelas peças que você olha pro relógio umas 20x e passou apenas 10 minutos, mais umas 20 e foram apenas mais 5 minutos, claro que dessa vez olhei apenas a hora que senti a mudança de ritmo, mas que quase me que segurei para não dormir isso foi um fato nato durante todos os 45 minutos iniciais. À partir desse ponto, o desenvolvimento passa a ser mais interessante, com a personagem jovem mais trabalhada dando um ritmo até mesmo para os personagens mais velhos acabarem ficando melhores do que são até.

E ao falar da desenvoltura dos personagens e atores, temos de destacar praticamente 7 dos 11 personagens, mas como não temos esses dados, vamos falar dos principais. Sonia Guedes é uma senhorinha que domina bem a arte da interpretação e nos faz ficar vidrados em tudo que faz, cheguei a pensar em diversos momentos que ela não era atriz e estava sendo apenas uma boa dona de casa rural que conseguiu interpretar, mas agora vendo a quantidade de trabalhos dela, fiquei mais abismado ainda com tudo que ela representou aqui, sendo perfeita realmente. Luiz Serra é um ator que sempre trabalha bem, e aqui não foi diferente, mas sua forma repetitiva cansou algumas vezes e poderia ter sido mais leve, porém suas cenas mais trabalhadas nos diálogos agradam bastante. Lisa Fávero conseguiu um feito incrível que se deve também a boa direção, entrar num longa dominado por idosos e não chamar tanta atenção, claro que ela deu o ritmo que o filme estava necessitando, mas ela se adequou mais ao cotidiano da vila do que deu seu ar jovial pra ele, e isso ficou muito bacana de ver na forma interpretativa que ela deu pro personagem.

Outro fator que me impressiona em algumas produções é como nosso Brasil tem locações perfeitas e diferenciadas, pois a vila do longa é algo tão ímpar que deslumbra demais. Então nesse quesito direção de arte, posso dizer que é um primor assistir o filme e mesmo nos momentos mais lentos, sempre os elementos estão lá para serem vistos e degustados. Quanto da fotografia, o que falar das várias cenas feitas à luz de velas? Magnífico a forma que conseguiram tirar da essência de cada cena, trabalhando demais somente focalizando o que era necessário com pouca luz e dando um charme único.

Enfim, é um bom filme que poderia ter sido trabalhado num ritmo mais envolvente que continuaria criando a tensão e agradaria bem mais, recomendo ele preferencialmente para ver em casa, pois dá para dar uma acelerada nas cenas iniciais para não dormir vendo, mas a lição passada é bem interessante e mostra que a diretora tem uma mão boa, quem sabe num próximo filme já fique perfeita. Bem é isso pessoal, não foi uma super estreia que conferi, mas ao menos não deixei a semana vazia no site para vocês com essa recomendação, que o SESC nos trouxe. Fico por aqui agora, mas na quinta já volto com a estreia da semana, então abraços e até lá.


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