Gostosas, Lindas & Sexies

4/24/2017 12:06:00 AM |

É fato que se algo faz sucesso, sempre vem alguém e tenta copiar, refilmar e tudo mais, e claro que dificilmente conseguem fazer algo do mesmo nível e ainda funcionar bem como o original. Digo isso, pois é clara a cópia de "Sexy And The City" (não o filme, mas a série em si) em "Gostosas, Lindas e Sexies", porém sem trabalhar o tom agradável que a série tinha de conter contextos bem colocados e desenvolvidos individualmente e em grupo das moças, aqui o que temos é algo mais novelesco aonde temos os vários ambientes que se encaixam quando necessário, mas que precisam um do outro mais que tudo, não sendo algo bacana de ver, e falhando principalmente onde deveria mais acertar: nas piadas cômicas ácidas para sim desmitificar o mundo plus size, mas que acabaram indo num vértice aberto demais sem empolgar e nem fazer "o social" que o longa poderia alcançar. Ou seja, o filme não é ruim, pois até consegue divertir (principalmente nas cenas da geladeira) com personagens secundários, mas está bem longe de ser algo que valha a pena conferir, pois não alcança nem metade dos objetivos que poderiam mostrar.

A sinopse nos conta que no Rio de Janeiro vivem quatro grandes e inseparáveis amigas: Beatriz, Tânia, Ivone e Marilu. Elas vestem manequim plus size e enfrentam todas as aventuras e desencontros amorosos e profissionais que quatro jovens mulheres podem enfrentar na capital carioca, (quase) sempre de bom humor.

Como um primeiro trabalho de direção, podemos dizer que Ernani Nunes até foi bem pelos bons ângulos escolhidos para filmar, colocando um estilo próprio e bem caricato, além de deixar bem nas mãos das garotas a desenvoltura cênica para que o longa florescesse, mas isso tudo só funciona bem quando temos um roteiro de peso e atrizes de altíssimo nível, pois aí tudo é muito fácil de trabalhar, o que não é o caso do longa aqui, pois não digo que o texto de Vinicius Marques é ruim, mas sim uma cópia fiel de outros longas/séries que já vimos e ainda colocado com muita síntese e pouca decisão, o que acaba deixando o longa preso à situações, sem muita desenvoltura. Ou seja, a escolha mais acertiva de Ernani foi deixar que as garotas fluíssem bem sozinhas e se mostrassem empoderadas, pois assim o longa acabou andando bem gostoso e com boa dinâmica, porém ficou faltando o algo a mais em cada cena para que virasse realmente um filme só coeso e gostoso de ver.

Não posso falar muito dos trabalhos anteriores das atrizes, pois a maioria vive mais em novelas do que em filmes, mas podemos dizer que todas se valorizaram ao máximo nos papeis do longa, demonstrando confiança no jogo de corpo total para que suas personagens ficassem incríveis. A que possui um pouco mais de história, Carolinie Figueiredo trabalhou bem sua Bia, mostrando disposição e colocando trejeitos bem dominados para que cada frase dita soasse como uma verdade partindo dela, seja na redação de uma novela para magras ou em sua casa encarando o namorado e a geladeira, de modo que a atriz além de tudo possui um rosto muito fotográfico que cada cena sua parecia encaixar perfeitamente com o mote do longa e ainda sobressair com desenvoltura, ou seja, talvez o longa pudesse ter até trabalhado mais em cima dela, e não tanto distribuir as demais cenas. Mariana Xavier se mostra completamente diferente dos papeis que fez em "Minha Mãe É Uma Peça 1 e 2" e acaba soando interessante com sua Marilu, que embora caricata e exagerada demais, mesmo que exista realmente mulheres bem assanhadas mundo a fora, aqui sua personagem é fora de qualquer tipo que possamos encaixar, e assim sendo a atriz forçou um pouco demais. Cacau Protásio foi mais singela e trabalhou sua Ivone com jeito, encaixando bem os momentos cômicos e não forçando tanto, mas como apareceu pouco, a atriz não desenvolveu tanto, e olha que teria muito para trabalhar com ela quanto os filhos, quanto aos rolos do salão e quanto ao sequestrador que mais pra frente acaba sendo exatamente o que pensamos sem muitas surpresas. Lyv Ziese embora tenha mostrado um ar mais agressivo com sua Tânia, a personagem foi a menos usada na trama, tirando claro a cena da luta (a mais divertida, e provável de acontecer, sem dúvida do longa), e com isso não dá para falar muito de suas expressões, mas também não podemos dizer que quando apareceu fez algo ruim, então ficou no empate. Quanto dos homens da produção, André Bankoff fez um Daniel amoroso e bonito, sonho de consumo das mulheres mundo afora (o que segundo elas mesmas, não existe!) e chega a ser até chato demais seu jeitinho. Marcos Pasquim recai bem como Edmundo e consegue fazer boas cenas no salão e fora dele, o que mostra uma boa desenvoltura. Marco Antonio Caponi faz o tradicional homem argentino galanteador que não quer nada mais além de uma boa transa, e funciona completamente como estereótipo dentro da trama. Dos demais, a maioria funcionou apenas como coadjuvante e enfeite, então é melhor nem perder tempo falando deles.

Sobre o visual da trama, escolheram locações bem encaixadas para cada momento da trama, mostrando bem um salão de beleza chique, uma boate, um restaurante simples, uma casa de periferia apenas no reboco para um sequestro, um teatro e um editorial de revista, tudo bem exemplificado, mas sem detalhes cênicos que valorizassem cada momento, tirando claro a praia final e a abertura do tal quartinho fechado, que aí cabem melhores explicações e resolveram encaixar coisas mais cenográficas realmente, ou seja, um filme simples no quesito artístico, economizando ao máximo para não ter prejuízo nessa área ao menos. Da fotografia usaram o básico também, nada que chegasse a chamar atenção, usando cores quentes em quase todas as cenas para tentar dar um ar mais divertido, e assim classificar o longa como comédia, mas também não houve muita preocupação com iluminações no contexto geral, deixando mais como uma novela mesmo, iluminando tudo e todos sem pensar.

Enfim, um filme que poderia ser mais cinema e menos novela/série que continuaria funcionando bem e agradaria bem mais, mas também uma proposta de roteiro para que se alguma emissora de TV desejar trabalhar com o estilo já ter a base completa e seguir sem medo de arriscar, pois as meninas detonariam com certeza em histórias individuais diárias. Mas como tenho de avaliar o longa como um filme realmente, é bem fraco e não chega a ser engraçado na maior parte do tempo, o que se exige em uma comédia, portanto não posso recomendar ele para quem deseja ir rir/divertir sem limites numa sessão de cinema, mesmo que ele esteja bem longe de ser algo ruim de ver, então só vá se não tiver mais nenhum outro melhor para conferir. Bem é isso pessoal, fico por aqui nessa semana cinematográfica, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até lá.

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Paixão Obsessiva (Unforgettable)

4/22/2017 10:06:00 PM |

Que existem muitas mulheres vingativas espalhadas mundo afora, e que nem sequer relevam separações, isso sabemos bastante, porém chegar aos limites máximos só mesmo vendo em filmes, pois conhecê-las é perigo na certa! Em "Paixão Obsessiva" vemos bem esse estilo que tanto já foi explorado por diversos longas e que sempre tentam dar um tom moderno para a loucura que ocorre na mente de algumas pessoas quando um relacionamento acaba, porém, o problema da trama é que o conceito acabou ficando novelesco demais, cansando pelo estilo que somente quem curte novelas vai se adequar à produção, torcendo para alguma das protagonistas e não notando as diversas falhas de roteiro que a trama contém como cinema realmente. Ou seja, não podemos dizer que é um filme ruim, mas também está bem longe de ser algo bem feito que empolgue bastante, de certo modo poderiam ter fugido dos clichês do estilo que agradaria bem mais, mas isso é algo que não vem ao caso agora que o longa já está feito, então quem gosta de uma novela pode ir conferir que é diversão na certa, mas caso não seja seu estilo predileto, evite!

A sinopse do longa nos conta que quando o casamento entre David e Tessa termina, ele fica com a casa e com a guarda da filha pequena. Tessa, furiosa com a situação, descobre que ele já está envolvido com uma nova mulher, Julia, uma vítima de abuso por parte do ex-marido. Enquanto Julia se adapta à vida de madrasta, Tessa bola um plano para sabotar a nova namorada de David e retomar o relacionamento.

Após produzir muitos longas, Denise Di Novi assume a frente do longa após outras diretoras não terem aceito dar um tratamento adequado ao roteiro, e em sua estreia na direção, o que vemos são câmeras bem tradicionais, com ângulos simples e uma montagem sem muitas reviravoltas, o que é bacana de ver, mas mostra que falta ainda ousadia para que ela desse uma pegada mais impactante que o longa pedia, pois faltaram fatos para demonstrar a loucura de ambas as protagonistas, seja pela violência doméstica de Julia, ou a forma conturbada de separação/criação de Tessa, que apenas são jogadas como parte da história, mas sem muita desenvoltura. Ou seja, a diretora mostra de forma simples e linear um tradicional caso de família, e que com um ar denso acaba transmitindo boas ideologias. Outro detalhe que faltou para a trama foi desenvolver um ritmo mais bem pautado, pois tudo ocorre rápido demais após o clímax, mas até chegar nele o longa é quase uma daquelas apresentações de escola lidas por um gago, que começa a cansar sem parar.

Quanto das atuações, é fato que Katherine Heigl é daquelas que sabem bem como ter um ar de vilania e loucura quando bem quer, e sua Tessa chega a ser incrível pelo ótimo semblante que faz, pelo tom de voz, e principalmente pelas atitudes, de modo que mesmo não sendo seu melhor papel no cinema/TV, podemos dizer que foi aonde mais mostrou facetas desconhecidas e que podem lhe render diversos outros bons papeis no cinema, pois chega a dar medo só de pensar em tudo o que ela ainda poderia fazer mais. Rosario Dawson é uma atriz de atitude também, mas exagera demais nas expressões, fazendo caras e bocas tão forçadas com sua Julia que não parece fluir naturalmente, mas de certa forma a dinâmica empregada por ela acaba agradando mais do que decepcionando. Agora precisavam ter arrumado um rapaz muito mais dinâmico para o papel de David, pois Geoff Stults pareceu mais perdido em cena que qualquer coisa, não chamando a responsabilidade cênica para si em momento algum que foi preciso, aparentando estar disposto somente para os brindes de sua cervejaria e nada mais, e embora o longa não seja aprofundado em seu personagem, poderia ter desenvolvido bem mais. Simon Kassianides mostrou presença com seu Michael, mas apareceu tão pouco em cena que nem teve tempo para um desenvolvimento maior, talvez um pouco mais de tela e o ator seria incrível. A garotinha Isabella Kay Rice trabalhou bem sua Lilly, com olhares tristes e uma desenvoltura bem carismática tradicional de crianças com pais separados, e soube ser singela quando precisou, então podemos dizer que foi o maior acerto da trama. Dos demais personagens, merecem destaque apenas Whitney Cummings que até apareceu bem com sua Ali, mas ficou de fora completamente da produção em suas cenas jogadas, e Cheryl Lady como a mãe de Tessa, que possivelmente só com olhares conseguimos ver que é pior ainda que a filha, mas também não teve grandes desenvolvimentos para se mostrar mais.

No conceito cênico até que arrumaram algumas locações interessantes, como as duas mansões aonde moram Tessa e David, uma cervejaria artesanal colocada apenas para dar enchimento à trama e um restaurante chique, mas simples pela locação em si, e além disso trabalharam com alguns elementos cênicos marcantes para dar símbolos ao suspense, como a aliança, a calcinha e o relógio, além de usar o cabelo das loiras como uma alegoria também para a trama, ou seja, um filme que pode ser considerado bem básico, tanto que ao subir os créditos todos não deu nem 3 minutos (o que é algo completamente incomum hoje em termos de Hollywood), mas que podemos dizer que foi bem feitinho. Agora a fotografia esqueceu de ser avisada que se tratava de um suspense, e nesse estilo se necessita muitas sombras, cenas mais escuras e tudo mais que vemos no começo do filme, mas depois acaba desandando, ou seja, um trabalho bem começado, mas que não se dilui durante toda a produção.

Enfim, um filme digamos que razoável, que por bem pouco não virou piada pronta com a forma que tudo ocorre, mas que felizmente saiu bem feito e não chega a ser uma sessão perdida. Recomendo ele mais para quem gosta de um estilo novelesco, pois a pegada é bem pautada em cima disso, senão quem for esperando um suspense mais clássico certamente acabará decepcionado com o que verá. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia da semana, então abraços e até lá.

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Vida (Life)

4/22/2017 03:26:00 AM |

Um fato claro é que todos anseiam por alguma prova de vida fora da Terra, isso é marcante pois num universo imenso não seria provável que só aqui neste planeta possa ter algo que se locomova, coma, lute, mate e tudo mais, portanto é claro que Hollywood vai sempre dar voltas e cair em longas que possam mostrar ou algo bom de ter vida lá fora, ou como preferem mostrar, aliens malvados que para manter sua existência necessite matar tudo o que está a sua volta (afinal como nós, eles também precisam comer algo!! No caso o que está na frente deles sempre são atores humanos bonitos e saudáveis, então por que não ir nessa dieta?). Dito isso, o que posso falar do longa "Vida", é que não é algo ruim, mas também está bem longe de ser algo bom, diria mais que é um filme muito bem feito, com uma proposta ousada pelo elenco e pela quantidade de cenários da produção, com muita tecnologia envolvida (só faltou um 3D para ficar melhor ainda, pois temos muita imersão e movimentos de câmera que cairiam perfeitamente dentro da ideia), mas que por já termos muitos outros longas muito semelhantes, o resultado acaba ficando abaixo do esperado, e tudo é motivo de comparação, porém o entretenimento dentro de uma produção alternativa que mistura uma boa dose de suspense/terror acaba bem fechada e não vai fazer você ao menos sair reclamando do que viu, portanto serve como uma opção para o final de semana.

O longa nos mostra que seis astronautas de diferentes nacionalidades estão em uma estação espacial, cujo objetivo maior é estudar amostras coletadas no solo de Marte por um satélite. Dentre elas está um ser unicelular, despertado por Hugh Derry através dos equipamentos da própria estação espacial. Tal descoberta é intensamente celebrada por ser a primeira forma de vida encontrada fora da Terra, sendo que um concurso mundial elege seu nome: Calvin. Só que, surpreendentemente, este ser se desenvolve de forma bastante rápida, ganhando novas células e uma capacidade inimaginável.

É interessante vermos como um diretor de longas policiais acaba se saindo ao ser contratado para uma ficção espacial, pois geralmente a mudança de estilo costuma pesar na mão, e aqui não aconteceu problemas com relação à isso, pois o maior problema que Daniel Espinosa encontrou não foi na forma de conduzir seu longa, pois temos câmeras orquestradas como música fluindo em diversas direções, criando perspectivas, e contando até com belíssimos planos-sequência, mas sim no roteiro bem cru de ideias que a dupla acostumada com comédias ácidas Rhett Reese e Paul Wernick, ambos conhecidos pelo que fizeram em "Deadpool" e "Zumbilândia", entregaram, aonde nada flui muito bem, criando climas e mais climas, mas não trabalhando o contexto que tanto esperamos ver em suspenses. Ou seja, o diretor pegou esse texto e só desejava dar um final bem conexo para a trama, de modo que não vemos uma dinâmica crescente como o gênero costuma fazer, mas sim mortes e corridas clássicas dos longas de terror que acabaram deixando o longa bem feito, porém sem atitude.

Dentro das atuações, podemos dizer que o grande feito do longa é o elenco ser enxuto e com isso dar possibilidade de boas interpretações (com bons momentos) para todos. Um fato interessante para observarmos é que de cara Jake Gyllenhaal não aparenta ser o protagonista da trama com seu David, estando sempre em cena e tudo mais, mas inicialmente ele é apenas mais um ali, mas vai aparecendo mais e mais, até servir de base para o bom final da trama, agradando bem no que faz. Da mesma forma Rebecca Ferguson vai de relance com sua Miranda, comendo pelos cantinhos, e quando vemos a atriz está mostrando suas facetas e incorporando bem trejeitos desesperados e bem colocados. Mas sem dúvida o campeão de trejeitos foi Ariyon Bakare com seu Derry que trabalhou bem a síntese do pai da criatura, e assim trabalhando olhares tão paternais para com o bichinho que mesmo ele lhe matando e comendo pelas beiradas, ainda continua apaixonado pelo alien, e o ator foi bem marcante também na ideia do cadeirante poder ser bem colocado no espaço, afinal não necessitava tanto de suas pernas. Agora quem nos enganou bem aparentando ser o protagonista e não foi é Ryan Reynolds com seu Rory, já bem colocado no trailer como o mecânico da nave, cheio de carisma e piadinhas tradicionais, mas que provavelmente por ter uma agenda apertada com muitos filmes, acabou sendo descartado tão rapidamente que nem lembramos mais dele na metade do filme. A russa Olga Dihovichnaya fez também alguns semblantes bem interessantes como a capitã da nave Golovikna e trabalhou bem seus momentos, mas nada que fosse memorável demais, apenas fazendo bons trejeitos desesperados nos momentos certos. E para finalizar o elenco, o japonês Hiroyuki Sanada fez de seu Sho, um personagem que até torcemos para ir bem, aquele que tem a família crescendo pela TV, que domina bem os comandos da nave e que mostra ser japonês mesmo falando em outro idioma, mas faltou um pouco mais de dinâmica para que seu personagem empolgasse um pouco mais.

Quanto do visual da trama podemos dizer que foi uma produção de primeiríssima linha, com muitos elementos interessantes de analisar, muitos cenários interligados para que os planos-sequências funcionassem ligando um lado da nave até o outro, e que claramente vemos muitas cenas filmadas em chromakey, afinal tudo voando para todos os lados objetos flutuando e tudo mais, (aliás quantos objetos cênicos bem usados!!!) que deram o tom da trama ficar um pouco escura no tratamento final, mas nada que atrapalhasse, muito pelo contrário, agradando por condizer na ideia do longa. Agora o alien ficou exagerado nas cenas finais, sendo bonitinho no começo, virando algo de bom tom no miolo, mas ao chegar no fim, já tínhamos quase um clone do alien do filme "Alien" com formato e tudo mais muito semelhante, o que não é legal de ver, além de ser algo computadorizado demais para um filme que preze algo mais novo. E para que o longa fluísse bem no espaço, tivemos muitos tons acinzentados, cores fortes em objetos para destacar e claramente uma preocupação com a movimentação das câmeras, fazendo com que o longa quase deslizasse na tela, e a iluminação fluindo junto de maneira bem agradável de ver.

Enfim, um longa que poderia rumar vértices bem mais elaborados, com uma proposta ousada e bem cheia de estilo, numa produção altamente bem feita, mas que pecou em copiar muito do que já vimos, e com isso não chegar a lugar algum dentro da ideologia que desejava mostrar da vida em si mesmo. De certa forma não é algo perdido e que vai agradar quem não for esperando muita coisa, mas certamente poderia ser bem melhor, e como já falei, mas volto a frisar, se mesmo convertido em 3D, o longa teria algo completamente inovador e mais interessante de acompanhar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda faltam alguns longas da semana para conferir, então abraços e até breve.

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Sete Minutos Depois Da Meia-Noite (A Monster Calls)

4/18/2017 01:16:00 AM |

O estilo de filmes de crescimento pessoal para passar por algum transtorno aprendendo a lidar com ele e mudando sua personalidade é daqueles que ou você gosta, ou o diretor precisa ter uma mão incrível para conseguir derrubar o espectador e fazer com que ele adentre à toda simbologia do filme e consiga refletir ao mesmo tempo que assiste. Digo isso não por "Sete Minutos Depois Da Meia-Noite" ser um longa difícil, mas a pegada da trama é densa e bem mais profunda do que um simples filmezinho de sessão da tarde que trabalha monstros, animações e um drama duro, mas tradicional, e que quem ver o pôster talvez pode até falar que não vai trazer nada para refletir um longa desse estilo, ou seja, ledo engano completo, pois o diretor trabalhou tanto as perspectivas da trama que em cada uma das quatro histórias que temos, podemos refletir junto com o garoto não só a sina dele, mas sim a nossa do dia a dia conforme desejamos (ou ansiamos) por mudanças ao nosso redor sem mudarmos antes nós mesmos, ou seja, um filme que bem trabalhado pode ser incrível numa sessão mais reflexiva, e que só pecou em um detalhe, a falta de uma comoção maior, pois se ele apelasse para as lágrimas, o longa seria devastador e incrível, mas mesmo com essa falta, ainda vale muito uma conferida.

A sinopse do longa nos conta que Conor é um garoto de 13 anos de idade, com muitos problemas na vida. Seu pai é muito ausente, a mãe sofre um um câncer em fase terminal, a avó é uma megera, e ele é maltratado na escola pelos colegas. No entanto, todas as noites Conor tem o mesmo sonho, com uma gigantesca árvore que decide contar histórias para ele, em troca de escutar as histórias do garoto. Embora as conversas com a árvore tenham consequências negativas na vida real, elas ajudam Conor a escapar das dificuldades através do mundo da fantasia.

É fato que o diretor J.A. Bayona tem um estilo próprio de pegar dramas e esmiuçar eles de forma que fiquem bem duros, mas se em "O Impossível", ele apelou para algo mais crível e seco, fazendo com que o público se desesperasse com cada cena, aqui ele deixou que o público ficasse mais reflexivo com as situações deixando um âmbito mais aberto e leve para que cada situação fosse determinante e não condizente com uma verdade absoluta, tanto que ao final do longa você poderá tirar diversas conclusões do que ou quem era a árvore, como que ele chegou àquele ponto, ou até mesmo da sinestesia da dor pessoal, e mesmo que o filme não seja tão leve, o resultado acaba soando bem mágico com o trabalho artístico que acabou desenvolvendo em cima do roteiro de Patrick Ness (que inclusive é o autor do livro de mesmo nome), pois ele poderia facilmente ter trabalhado com uma computação gráfica impressionante, mas ousou ao colocar muitas cenas em stop-motion, detalhar os personagens fictícios e tudo mais, o que acabou criando um clima mais denso para a produção, mesmo que o tom original seja infantilizado. Não digo que ele tenha errado ao fazer essas escolhas, pois o filme ficou bem colocado dentro da proposta, mas ele poderia ter atirado mais para um dos dois vértices, pois se infantilizasse de vez, o longa trabalharia toda a mensagem e seria bonitinho, enquanto se colocasse a faca nos olhos do público, a dor completa da trama faria com que todos lavassem os cinemas, enquanto ficando em cima do muro não ousou em nada.

Dentro das atuações podemos dizer logo de cara que o garotinho Lewis MacDougall sabe interpretar bem o texto, e foi bem dirigido para que seu Conor tivesse o tom certo de agressividade na dinâmica vocal, mas expressivamente seus olhares, caras e bocas e tudo mais não condiziam com o que estava fazendo em cena, ficando estranho demais diversas vezes, não digo que tenha falhado, pois num trabalho de conjunto o resultado soa bem feito, mas certamente um ator mais expressivo agradaria bem mais no papel. Já somente se expressando por captura de movimentos faciais, e dando sua voz imponente Liam Neeson chegou com tudo como o Monstro, botando imposições fortes que a equipe de efeitos soube dosar e criar com muita perspectiva cada movimento da árvore, obtendo o melhor resultado possível em cada cena. Felicity Jones é daquelas atrizes que sabem se expressar com exatidão, e em todas as poucas cenas como a mãe, a atriz foi precisa e criou situações, o que é raro de se ver em papeis "secundários", digo isso, pois o papel da mãe é algo de apoio apenas no longa, não tendo cenas para a atriz declamar seus diálogos e dar nuances para a personagem, e o que fez foi tão bom que merecia até mais cenas. Sigourney Weaver também quase faz uma participação especial no longa como a avó, pois aparece somente em três a quatro cenas e não mostra nem um décimo de seu potencial expressivo, o que é uma pena, pois a atriz só na última cena, já mostrou que daria um baile no garotinho se estivesse em mais momentos. Agora se falei que as duas atrizes não fizeram quase nada, nem posso falar que Toby Kebbell esteve no longa como o pai do garoto, pois enfeite cênico apareceu mais que o ator com toda certeza, sendo apenas um nome caro na produção. Embora apareça pouco, a estreia de James Melville ficou interessante de ser vista como Harry, pois o ator soube se impor nas cenas e mostrar força expressiva maior até que a do protagonista, claro que pudesse soar até estranho demais o estilo de olhares entre eles, caindo para algo que não estava dentro da perspectiva da trama, mas de certo modo agradou mais do que errou.

A equipe de arte pode ser parabenizada sem precedentes, pois o ar de fantasia que a trama conseguiu ter sem perder o ar dramático tenso é algo que poucos longas conseguem trabalhar, ainda mais se levarmos em consideração todo o trabalho de se utilizar três ou quatro estilos de filmagens em um único filme. Destaque claro para os diversos momentos em stop-motion com o monstro, que aliado claro à boas técnicas computacionais, acabaram criando vertentes incríveis junto do live-action, ou seja, um trabalho minucioso e bem chato de se fazer, que acabou resultando em algo bem pautado e cheio de detalhes que certamente emocionou a equipe quando viu o resultado final. Junte a isso, um trabalho imenso de detalhes em objetos cênicos na casa da avó, e até mesmo na casa do protagonista, colocando muitos desenhos a mão para serem feitos e detalhados. Incorpore ainda as animações 2D com misto em rotoscopia que ficaram estranhas a princípio, mas que depois vão criando vertentes e ficando muito bem colocadas no longa. Ou seja, um trabalho que merecia ter sido mais premiado, pois ficou muito bem feito, e que junto de uma direção de fotografia primorosa em detalhes escuros, unindo cenas em chuva, sombras para todo lado e muito detalhamento artístico, fizeram com que o âmbito visual do longa incorporasse até mais do que a história em si.

Enfim, um filme muito bem trabalhado em detalhes, que talvez com uma melhor atuação e uma direção mais decisiva resultasse num filme que seria aplaudido em todas as premiações possíveis e ainda marcaria a vida de muitos, mas que por pecar nesses pontos mínimos, acaba sendo apenas um filme bem bacana que vale a pena ser visto mais como algo para se refletir apenas. Claro que recomendo ele mesmo assim, pois como disse vale o ingresso, mas esperava algo bem maior dele. Bem é isso pessoal, finalizo minha semana cinematográfica aqui, mas volto na próxima sexta com mais estreias, então abraços e até lá.

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Por Trás Do Céu

4/14/2017 05:12:00 PM |

Sempre dizemos que o cinema de arte nacional peca por fazer somente histórias para o umbigo do diretor, e que não trabalham beleza e envolvimento maior para cativar o público fazendo com que esse sonhe bastante, mas sempre existem diretores dispostos a inovar e criar um mundo lúdico incrível que acaba agradando do começo ao fim com uma história simples que se pararmos para pensar pode refletir muita coisa através de anedotas ou misticismos do povo simples do sertão. Ou seja, "Por Trás Do Céu" acaba sendo mais um acerto do diretor Caio Sóh que faz os olhos brilharem dentro da imaginação da protagonista e de tudo o que ela já viveu junto de seu marido rancoroso, e que através de muita simbologia e poucos personagens consegue fluir sem rumos dentro de uma direção de arte fantasiosa e perfeita.

O longa nos mostra que Aparecida vive no sertão em meio à pobreza. Ela não entende e não suporta o fato de viver naquele lugar. Seu marido se isola cada vez mais por causa de uma tragédia. Por isso, Aparecida anseia em um dia deixar tudo para trás e ir para a cidade grande.

É interessante ver o cinema de alegoria presente no estilo de direção e roteiro de Caio Sóh, pois em seu longa anterior, "Minutos Atrás", ele já havia trabalhado bem a forma singela dos personagens, explorando bem a imaginação deles e ousando com uma direção de arte abstrata, porém muito bonita de se ver, mas se lá foi um começo ousado, aqui o diretor já se mostra promissor de um molde e faz de seu filme quase uma obra de arte pintada ao mesmo tempo que a projeção, criando vertentes e situações com simplicidade e muita criatividade, ousando por deixar que a expressão visceral dos protagonistas desencadeasse todo o ritmo e que por trás de tudo estivesse analogias incríveis e gostosas de se pensar. Talvez nem seja um longa para se refletir tudo numa única olhada, pois há tantos elementos em cena que certamente se você adentrar mais ainda no ambiente é capaz de chegar em outras conclusões maiores, tanto que logo que o filme volta no tempo pela segunda vez (felizmente sem usar artifícios de flashback, ousando apenas numa montagem diferenciada), ficamos na dúvida de ter perdido alguma coisa, pois nada é detalhado do que aconteceu para o que é mostrado ocorrer, mas com o desenrolar da trama imaginamos e nem seria necessário mostrar o ato em si realmente, mas numa terceira volta, tudo é forçadamente mostrado em detalhes crus e duros de serem vistos. Ou seja, o diretor mesmo trabalhando de uma forma artística, ainda se preza em dar detalhes do seu real pensamento, não querendo ser daqueles diretores que jogam apenas a situação no ar e o público que compre ou não a ideia e tire suas conclusões, o que posso certamente dizer que vejo grande futuro para ele, pois esse sim é o estilo certo de grandes artistas, fazer um cinema belo, mas que exprima sua opinião e que isso também envolva a arte complementar. Sendo assim, ver a mágica do roteiro ser permeada por uma direção clássica e bem colocada, fez o filme fluir de uma forma tão bela, que a vontade que temos ao final é de aplaudir tudo, de querer mais da história dos personagens, que fosse uma série de 200 capítulos, mas não, vemos essa parte da vida dos protagonistas e só, e isso é tão belo que já basta, ao menos por enquanto.

Junte um ótimo roteiro, com uma ótima direção e coloque ótimos atores dispostos a trabalhar sotaques junto de expressões ímpares e não tem como dar errado nada, e só isso já estaria bom de falar da precisão que todos atores tiveram em todas as cenas, criando e incorporando com a melhor característica que poderíamos esperar deles. Dito isso, só temos elogios para rasgar sobre Nathalia Dill, que fez de sua Aparecida algo que poucas atrizes conseguiriam expressar, que junto de um brilho no olhar e a dinâmica nas mãos, juntou trejeitos difíceis no linguajar do sertão e criou uma pessoa ingênua, porém bem agradável de ver e que nos deixa invadir seus sonhos e dimensionar tudo o que quer de sua vida simples, mas que pode ser enorme com o que pensa, ou seja, perfeita é pouco para definir o que a atriz fez. Emílio Orciollo Netto ficou com uma expressão rígida do começo ao fim com seu Edival, e ao vermos sua festa de casamento ficamos pensando como ele ficou duro assim, mas no desenvolver da trama tudo faz bastante sentido e mostra que o ator não apenas interpretou seu texto, mas sim desenvolveu um personagem maior e mais interessante, tanto nas expressões, quanto no visual carregado que teve de usar, saindo muito bem também. Renato Góes fez um Micuim tão divertido e cheio de perspectivas que acabamos gostando demais de um personagem secundário, coisa que raramente ocorre em dramas nacionais, mas ao juntar simplicidade na forma desenvolvida com muita garra para expressar seus sentimentos, o ator trabalhou olhares e dialetos tão bem colocados que agradaram muito, fazendo ser algo vital para o desenvolvimento completo da trama. Embora entre meio que como um ponto de virada na trama, e não tenha feito tantas expressões bem colocadas, Paula Burlamaqui agrada com sua Valquíria, e mostra que lá pelos confins do nosso sertão, ser uma mulher da vida é algo que nem de longe é bom, mas ao cair dentro do grupinho fantasioso, sua realidade acabou sendo algo que mudou bem a paz existente ali. Dos demais personagens, a maioria é apenas funcional para desenvolvimentos, não chamando nem responsabilidade cênica, nem muita incorporação para o que se desenrola, sendo imprescindível apenas o coronel para a história, podendo ser qualquer ator, assim como o pai da moça na cena do casamento, mas não atrapalharam também e isso é o que importa.

Agora se temos de aplaudir de pé algo na produção, certamente é a direção de arte do longa, que ao construir toda a cenografia, com uma casa completamente feita de restos de materiais, um foguete também todo artesanal e trabalhar com cada elemento sendo representativo para a história como o diretor desejava, fez com que o longa fosse mais do que simbólico, ficasse incrível e bem colocado, cheio de nuances e elementos cênicos que funcionaram mais do que alegorias apenas, mas sim parte total do filme. E como uma boa direção de arte não funciona sem uma boa fotografia, o trabalho de iluminação feito apenas com lampiões, velas, fogueiras e tudo mais alaranjado que fosse para contrastar com a escuridão de um lugar bem ermo escolhido pela produção, acabou dando um resultado tão bonito e bem feito que agrada até mesmo os mais exigentes do estilo.

Enfim, um filme mágico, poético e incrível de se assistir, que faz nossa mente viajar através de coisas simples e que acaba nos envolvendo tanto pela situação em si, como pela vivência completa que a obra nos mostra. Ou seja, fazia tempo que não tinha um bom filme nacional para recomendar, mas agora posso dizer, que se você tiver um tempinho para ir ao cinema, e este longa estiver passando por aí, vá, que é certeza de lhe fazer refletir sobre sonhos, simplicidade e muito mais. Claro que há erros, como diversas cenas desnecessárias, afinal para dar o tempo de um longa, muitas vezes acaba sendo necessário colocar algumas cenas extras, mas felizmente isso não atrapalha o resultado completo, e sendo assim, o filme funciona. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com a última estreia que veio para o interior, então abraços e até mais.

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A Glória e a Graça

4/14/2017 02:50:00 AM |

Alguns filmes surgem meio que do nada na programação e quando chegamos ao cinema pra ver o que tem naquele horário podemos ser (bem ou mal) surpreendidos pelo resultado da projeção completa, e com uma história que poderia ser um mote secundário de qualquer folhetim novelesco das emissoras, "A Glória e a Graça" surge bem com essa proposta, não ousando muito em dramaticidade, mas também não pecando pela falta dela, e com uma história linear até que ousada, por mostrar uma parte da vida de travestis (com sua postura na sociedade, o ser "bem-sucedida" no emprego, mas sofrendo também com amor, leis e tudo mais), mas ao incorporar toda essa ousadia com algo blasé demais que é contar ou não para a família uma doença terminal, o recheio acabou desandando um pouco não atacando nenhuma das duas vertentes, ficando com tudo em cima do muro e azedando ao final quando resolveram que era necessário colocar efeitos visuais para enfeitar. Ou seja, se o estilo trabalhado fosse outro, o longa poderia ser incrível, dramático, emotivo e até funcionando como um elo cultural, mas da forma como foi apresentado, acredito que nem novelas fariam tão malfeito, ainda que não seja um filme que não valha ser visto.

O longa nos mostra que excluída da família por sua própria opção, Glória constrói uma vida com todos os matizes inaceitáveis pelos parentes. Passados muitos anos, ela recebe um telefonema de Graça, que tem dois filhos - uma menina de 13 anos e um garoto de cinco - e acabou de descobrir que sofre de uma doença terminal. Desesperada, percebe que não há mais ninguém para cuidar das crianças quando ela se for. Ela então se arma de coragem e resolve retomar contato com seu irmão. Ao reaproximar-se, descobre que Luiz Carlos virou Glória.

O ponto chave da falha da trama deve ficar entre o roteiro alongado que deseja atingir várias expectativas de um produtor, trabalhando mais motes do que deveria, e/ou, ser coeso para saber que rumos tomaria, e a direção perdida que pegou o roteiro e apenas montou o filme, sem dar quebras ou tornando o longa algo mais visceral de ser visto, pois o filme sim tem um potencial dramático, possui uma síntese que daria diversas discussões, mas não avança para lado nenhum, apenas mostrando tudo de uma forma superficial que acaba semidesenvolvida. Não digo que o diretor Flávio Tambellini tenha abandonado o longa ou algo do tipo, mas a verdadeira impressão é que o longa ficou inacabado e tiveram de completar cenas. Ou seja, o resultado de um roteiro solto com uma direção omissa acaba sendo algo que até vai representar uma classe (a dos travestis), mas que quem não for conferir esperando isso sairá bem desapontado com o que verá na tela.

Agora se temos de pontuar algo bem positivo na trama, podemos dizer que foi a escolha de Carolina Ferraz para viver a travesti Glória, pois com o tamanho da atriz, com sua voz grossa tradicional e ainda usando de um jeito desengonçado de andar e um estilo bem característico acaba que a atriz incorporou bem o papel e saiu mais do que perfeita em todas as cenas, nem parecendo estar num longa tão bagunçado, o que agrada demais de ver, e faz parecer que se o longa focasse só ali seria perfeito, pois a atriz arrasou sem dúvida alguma. Sandra Corveloni até possui um certo carisma e interpreta bem sua Graça, mas usando do trocadilho, sua personagem é bem sem graça, de modo que não comove sua doença e nem faz com que o público se conecte aos problemas do abandono dos pais das crianças, da relação conturbada com o irmão e muito menos da forma que encara a doença, ou seja, talvez até tenha sido um problema da direção de atores para com o trabalho da atriz em desenvolver o personagem, mas acabou não dando liga. As crianças, Sofia Marques e Vicente Moreno até trabalharam bem seus personagens, Papoula e Moreno, mas foram singelos demais, e por bem pouco não acabaram tendo subtramas como uma novela, o que desandaria mais ainda o longa, mas ao menos é notável que cortaram bem suas cenas para que a fluidez seguisse ao menos. O mesmo podemos dizer de Carol Marra como Fedra e Cesar Mello como Otávio, pois ambos até possuíam boas histórias para serem colocadas no longa, mas se só o pouquinho inserido já não encantou e atrapalhou um pouquinho todo o funcionamento cênico, imagina uma desenvoltura maior dos atores!! Ou seja, o elenco até foi empenhado para as cenas, mas a bola de neve se espalhou tanto no meio do caminho que a avalanche nem desceu do cume da montanha.

No conceito cênico o longa trabalhou pouco em contextualizar o ambiente do filme, pois mostra vários lugares do Rio de Janeiro (só sabemos pelas falas dos nomes de bairros pelos protagonistas, já que nada chamativo aparece) mas nada que chegue a impressionar, como um restaurante bem interessante que a dona é Glória, com diversos elementos para mostrar que é algo chique e que a personagem conseguiu subir de vida, um apartamento bem montado mas que mantém a essência antiga da família, bares musicais simples, um hospital simplíssimo que nem aparenta ter sido filmado em um hospital, e uma escola que não diz nada demais, além de cenas gravadas em um parque, ou seja, a equipe de arte foi bem econômica e não exagerou em nada, mas também não mostrou nada que impressionasse. Quanto da fotografia, o longa não erra, trabalhando cores e iluminações corretas para criar o ar dramático, mas ao colocar efeitos especiais bizarros em duas a três cenas, o resultado acaba quase desandando mais ainda.

Enfim, é um filme que poderia ser bem melhor pela proposta que desejava passar, mas que também não é o pior longa que já vimos nos cinemas, então quem gostar de algo mais alternativo talvez até possa achar interessante mais alguns momentos do que quem gosta de um cinema mais clássico. Portanto deixo a recomendação com várias ressalvas para quem for conferir. Bem é isso pessoal, ainda faltam mais alguns longas atrasados para conferir nessa semana, então abraços e até breve.

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Velozes & Furiosos 8 em Imax 3D (The Fate of the Furious)

4/13/2017 02:38:00 AM |

Existem algumas sagas que quando achamos que vai morrer, dá uma reviravolta tão grande que consegue empolgar e fazer com que o público queira mais e mais!! Digo isso sem pesar algum na consciência, pois antes mesmo de ir para a sessão de "Velozes e Furiosos 8" comentei com um amigo que tinha a certeza de que esse seria desastroso e fincaria o pé no breque para a séria acabar, e agora após assistir mudei completamente minha opinião, talvez afirmando até que esse seja o longa mais acertado da série, colocando muitas corridas, destruição num nível monstruoso (realmente tenho muita dó da seguradora maluca que assina contrato com o longa!!!), piadas encaixadas no roteiro sem serem jogadas como vinha acontecendo nos últimos filmes, e até que um roteiro bem interessante de ver (claro que desde o primeiro trailer sabíamos que o mote seria o motivo de Toretto mudar de lado, mas até que arrumaram algo bem trabalhado e que funciona no demais da trama), ou seja, um filme feito para quem gosta do estilo adrenalina, mulheres, paia, carros, mais paia, destruição, (eu disse muita paia?) e que vale completamente pela diversão entregue. Portanto vá ao cinema, deixe de lado todo o preconceito de longas absurdos, compre um bom combo de pipoca (afinal diversão e paia sem comida não rola!!), de preferência na maior tela possível (o 3D é desnecessário, mas como nas telas imensas só vai ter assim, veja lá!), pois é incrível ver tudo o que conseguiram fazer no longa em tamanhos gigantescos, e vai fazer os fãs de carros vibrar com tudo!

O longa nos mostra que agora que Dom e Letty estão em lua de mel e Brian e Mia se retiraram do jogo – e o restante da equipe foi exonerada – o time segue com uma vida normal. Mas, quando uma mulher misteriosa seduz Dom para o mundo do crime, ele parece não conseguir escapar e a traição das pessoas próximas à ele fará com que todos sejam testados de uma forma como nunca antes foram. Das margens de Cuba e ruas de Nova York para as planícies geladas do mar do ártico, nossa tropa de elite cruzará o globo para impedir que um anarquista desencadeie o caos... e tentará trazer pra casa o homem que os tornou uma família.

O mais interessante é saber que os diretores dos filmes anteriores não quiseram assumir a bronca, após o filme anterior ter sido um super boom (claro que devido às diversas homenagens à Paul Walker), e ao cair nas mãos de um diretor novo, mas que fez seu longa anterior chegar até o Oscar, o filme acabou ganhando um ar novo, cheio de perspectivas, e claro, um estilo mais novo, pois logo de cara você pode até estranhar, e falar: "nossa, mas isso está completamente diferente, vão estragar a essência!", mas que aos poucos vai nos sendo entregue tudo o que mais gostamos de ver, e ao final já estamos submersos à tudo o que o diretor F. Gary Gray quis passar com seu estilo próprio, dando tempo de tela suficiente para que todos pudessem brilhar, e principalmente criando uma vilã que fizesse o público ficar com raiva, afinal geralmente acabamos mais nos divertindo com os vilões da franquia do que ficando irritados com suas artimanhas. Claro que não mudar o eixo da história que vem sendo contada pelo roteirista Chris Morgan desde 2006 é algo importantíssimo, pois ele vem moldando cada vez as situações, incorporando os personagens e dando didática para que os protagonistas se divirtam em cena e desenvolva suas personalidades da melhor forma possível, o que faz com que o público já traga consigo o carisma e o conhecimento deles e se divirta já esperando que cada um faça melhor o que já vem fazendo, ou seja, embora seja um longa completamente previsível das atuações, e sabendo que tudo irá para os ares da forma mais bizarra possível, o resultado geral acaba empolgando e fazendo o que deve ser feito dentro da franquia que é divertir quem gosta do estilo, sem se preocupar se o que vai acontecer é algo plausível ou não.

Como bem sabemos, a ideia da franquia é transmitir muita ação nas cenas de perseguição e lutas, portanto não podemos esperar em momento algum que fôssemos ver grandiosas interpretações dos protagonistas e que tivesse algum destaque por conta de algum grande semblante, mas curiosamente, como o elenco (que só vai aumentando e daqui a pouco teremos mais gente na família/equipe que o orçamento de seguro, que é caro a beça, do longa vai ser bem menor que o elenco completo) possui atores de grande gabarito, o resultado até chega a surpreender. Digo isso principalmente por Charlize Theron que deu uma personalidade incrível para a vilã Cipher, trabalhando nuances de maldade bem colocadas dentro de olhares que chegamos a ficar nervosos com o que faz, e é uma pena na sua cena mais malvada que a interpretação de Vin não tenha sido correspondente (ficando falsa à beça) para que o ato fosse mais incrível ainda. Como disse, até gostamos do perfil sério que Vin Diesel faz com seu Dom, e aqui ele até encaixa bem diversos momentos, porém aparentou estar mais hipnotizado do que sob "tortura" para fazer os atos do longa, além claro que sabemos que emoção não é o seu forte, então na cena que citei com Theron, chega a ser trágico ver ele tentando passar algo que ele não sabe fazer. Dwayne Johnson é praticamente ele mesmo, com seu estilão, mantendo seu Hobbs com muita pancadaria, força e impacto, não mudando em nada, e nem queremos nada a mais dele, ou melhor, queríamos um pouco menos de sorrisos e mais seriedade na pancadaria, para compensar a falta de texto. Tyrese Gibson nos entrega todas as boas piadas com seu Roman, e cada vez mais irão dar destaque para ele ser o ponto cômico do longa, divertindo com boa dinâmica, e principalmente aqui não soando forçado, mas sim alguém que é daquele jeitão. Michelle Rodriguez é uma boa atriz, e isso sabemos pelos outros personagens que fez, pois, sua Letty infelizmente ficou desgastada depois da morte/amnésia no quinto/sexto filme, sempre estando com uma cara de poucos amigos e/ou estranha, o que não é legal de ver, talvez algo mais contundente para a personagem pudesse mudar isso, pois aqui soou falsa demais. Jason Statham adora filmes de ação, e é sua praia, quebrando tudo, pulando de um lugar para o outro, dando mil tiros e tudo mais, então se no sétimo filme já tinha feito tudo isso com seu Deckard, aqui ele mantém a mesma essência e ainda por cima acaba bem encaixado nas piadas, algo que já vimos fazer bem em outros longas, veremos se irão manter ele no próximo. Kurt Russel também entra mais para o hall das piadas do que para as atuações impactantes que costuma fazer com o seu Sr. Ninguém, e agora ainda arruma o Ninguémzinho (ou em inglês melhor Little Nobody) com o sempre bem disposto Scott Eastwood, que sempre em cena não chama tanta atenção, mas cai bem para a trama. Dos demais, podemos dizer que todos fizeram o que deveriam fazer em seus papeis, com os dois hackers da equipe Tej e Ramsey interpretados por Ludacris e Nathalie Emmanuel, os parceiros da vilã servindo bem para as maldades tendo destaque Kristofer Hivju com seu Rhodes, e até outras boas surpresas rápidas com Helen Mirrem como Sam e Elsa Pataki como Elena e Luke Ewans como Owen. Ah, e um leve spoiler, que bebês incríveis que arrumaram, carisma puro que merecem Oscar pela interpretação!!

Sobre o visual, mais uma vez temos de frisar o seguro milionário da franquia, pois a quantidade de carros de luxo destruídos em cena é algo impressionante, dessa vez mais ainda que nos demais longas, mas isso é mero detalhe, pois como a franquia gosta de impressionar, e procura o maior realismo longe da computação gráfica, temos locações incríveis em Cuba, Islândia e Nova York, com ótimas cenografias, muitas explosões, muitas cenas falsas também (a do míssil com The Rock que está no trailer é algo fora do absurdo), muita tecnologia (o avião da vilã é algo que nem 007 teve ao seu dispor) e claro muita perseguição de carros, o que deixa o longa dinâmico até demais (quem for mais lentinho é capaz de se perder com a bagunça toda), ou seja, deram o orçamento nas mãos da equipe de arte com um cartão sem limites e falaram: divirta-se, e eles nos entregaram tudo e mais um pouco. Com uma fotografia multicolorida, a trama deslancha fácil, criando nuances dramáticas em poucas cenas (afinal não é o estilo do longa), muita ação e claro deixou a equipe de efeitos livre para explodir tudo com muito laranja dominando, ou seja, um filme que funciona sem apelar para instintos visuais. Quanto do 3D, posso dizer sem dúvida alguma que se puder economizar fique a vontade, que não irá perder nada, pois o longa até trabalha alguma profundidade de cena, um ou outro elemento saindo da tela, mas nada que seja impressionante de ver, principalmente pelo ritmo rápido do longa que não trabalha imersão, e sendo assim, totalmente dispensável.

Quanto da trilha sonora, uma música melhor que a outra, o que é muito comum na franquia, agradando do começo ao fim, e ajudando (se é que era preciso) no ritmo do longa, e claro que deixo o link para ouvirem, colocarem no som do carro, pois são canções bem interessantes e divertidas.

Enfim, é um longa que contém erros (afinal todo longa de ação que se preze esquece de se atentar a detalhes), que falha em expressões e tudo mais, mas que agrada demais na dinâmica e diverte como nunca, o que é o mote da franquia, e que faz valer o ingresso. Sendo que volto a frisar, ao menos na opinião desse Coelho, é o melhor da franquia até agora no quesito de manter a essência original das corridas de rua, incrementando o lance policial/espionagem, e principalmente colocando boas piadas encaixadas para divertir sem limites, ou seja, mais do que recomendado para todos que gostam do estilo, pois o pessoal mais cult/artístico certamente irá só ver defeitos. Bem é isso pessoal, fico por aqui com a grande estreia da semana, mas vieram alguns longas atrasados para cá, que verei nos próximos dias, então abraços e até breve.

PS: Muitos vão falar que fiquei maluco com a nota, mas curti, ri e me diverti demais com o filme, então não posso dar uma nota menor, tirando um coelho apenas pelos diversos erros (sei que poderia arrancar mais, mas não vou fazer isso)

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Os Smurfs e a Vila Perdida em 3D (Smurfs: The Lost Village)

4/08/2017 09:25:00 PM |

Podemos considerar uma boa animação, aquela que mantém a essência de sua origem, explica rapidamente (para poder continuar a história com mais tempo) para quem não conhece quem são os personagens, e principalmente, consegue entreter tanto os pequenos (que felizmente ficam sentados quietinhos se divertindo com tudo o que é mostrado), quanto os mais velhos que cresceram vendo os azuizinhos e gostam de novas histórias sobre eles. Ou seja, "Os Smurfs e a Vila Perdida" contém todos os elementos clássicos das boas animações, como texturas bacanas, personagens divertidos e com carisma, e ainda uma boa aventura, e junto disso tudo ainda é bem dirigido para que não ficasse algo jogado após dois "bons" filmes, mas que recheados de atores reais perdidos no meio dos bonecos animados acabavam mais atrapalhando do que divertindo realmente, e assim a retirada do elenco humano fez com que a animação fluísse bem melhor e agradasse do começo ao fim, com situações bem colocadas e uma dinâmica na medida certa para que o longa empolgasse.

O longa mostra que na Vila dos Smurfs, o Papai Smurf está sempre de olho para ver se nenhum ser azul anda aprontando. Mas Smurfette e os amigos Gênio, Desastrado e Robusto estão atrás de aventura e partem numa busca por uma tal Vila Perdida. Mas para isso, terão de passar pela Floresta Proibida, que abriga seus perigos. E se depender do maquiavélico Gargamel, o quarteto não voltará para casa.

É interessante ver que um diretor que não pega tantos filmes, mas que ao colocar suas mãos em boas sequências de animações, transforma elas em algo melhor do que já foi mostrado, e esse é Kelly Asbury, que aqui tinha uma missão de renovar os Smurfs que se desgastaram em dois longas "não-ruins", mas que faltavam com a identidade dos azuizinhos e qualidade para que a aventura fosse só deles, não dependendo de boa interação com atores, nem cenários totalmente fora da realidade dos personagens, mas sim fazer com que a vila dos Smurfs ficasse bem caracterizada, que cada elemento fosse bem contado, e principalmente que a aventura em busca de uma outra vila ficasse divertida e emocionante. E o trabalho de Kelly só fluiu bem por toda a equipe estar bem envolvida para cada caracterização, pois é notável detalhes bem distintos para cada personagem, diversos elementos cênicos em cada cena para dar a ambientação bem colocada desde a vila, passando pelo castelo de Gargamel, até chegarmos na floresta mágica, e na vila perdida.

Ou seja, com uma boa direção, uma equipe de arte precisa nos detalhes, o filme só necessitava de boas dublagens, para que o roteiro divertisse ainda mais, e posso garantir que as piadas ficaram bem colocadas nas vozes nacionais, e principalmente, não deixaram forçadas as vozes, pois quando vi que Rodrigo Lombardi, Ivete Sangalo e Maisa Silva estariam no meio fiquei com muito medo do que poderia vir, mas se não soubesse quem era antes, passaria o filme todo e nem notaria, como foi o caso da Maísa que só soube nos créditos (bem no finalzinho, com direito a piada colocada subindo os créditos) que era a Smurf-Lily, enquanto Lombardi empresta sua voz para Gargamel e Ivete para Smurf-Magnólia, mas que de forma alguma conseguimos descobrir que são eles pela mixagem bem trabalhada que deu tons diferentes do que ouvimos os atores falarem. Quanto do carisma dos personagens é fato que o filme ficou bem em cima de Smurfete e trabalhou bem o lance que tanto anda na moda da girl-power, mas nem por isso desprezaram bons momentos de Robusto, Gênio e Desastrado que juntos acabam divertindo bastante. Quanto do vilão, é fato que Gargamel é mais engraçado do que maldoso, e seu gato Cruel é o melhor sempre.

O mais engraçado é que mesmo o tom azul dominando pelos personagens, e o longa se passando em meio a uma floresta bem verde, a equipe trabalhou muitas cores na produção com os demais personagens e elementos, tendo bastante laranja, vermelho, rosa, preto e até cores fluorescentes para dar um tom diferenciado, e com isso o longa tem tantas facetas para se olhar que acabamos divertindo não só com os ótimos textos, mas também observando detalhes novos a cada cena. Quanto do 3D, o longa que foi inteiro "filmado" com a tecnologia até possui diversas cenas de imersão, um ou outro elemento passeando para fora da tela, mas ainda falta para ser aquele longa que realmente mereça ser visto com os óculos, ficando apenas bem colocado com a tecnologia sem ter muita empolgação com isso.

Enfim, é uma animação bem legal de assistir, que agrada bastante e diverte como disse tanto os pequenos quanto os mais velhos (que tiverem um lado infantil aflorado, como é o caso aqui) e que certamente fará com que o público saia sorrindo da sessão querendo ver bem mais, afinal agora sim chegaram no ponto certo de trabalhar com os Smurfs. Portanto vá conferir, leve as crianças e se divirta junto com os brindes dos cinemas, lanchonetes e tudo mais, afinal são colecionáveis. E vamos aguardar se farão novos filmes, pois o resultado aqui é bem recomendado, e se seguirem essa linha o sucesso é garantido. Bem é isso, fico por aqui hoje, já encerrando essa semana cinematográfica curta, mas volto na próxima quinta com mais textos (de uma provável semana mais curta ainda), então abraços e até lá pessoal.

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A Cabana (The Shack)

4/07/2017 01:50:00 AM |

Há muito tempo venho falando que o gênero religioso/cristão tem tudo para lotar salas, mas é pouco explorado no cinema por os produtores não saberem como trabalhar bem sem precisar forçar a barra. Bem, dizia isso até hoje, pois após conferir "A Cabana" posso dizer que esse é o molde perfeito para funcionar de maneira envolvente sem muita dramatização, músicas para fazer o público lavar os cinemas, e muito menos excesso de pregação, colocando serenidade nas interpretações, dinâmica nas ideias, e claro, bons efeitos especiais para que tudo que o imaginário fantasioso do público possa aflorar e incorporar junto com a história que é contada. Ou seja, um filme que acaba sendo agradável de ver e que funciona bem dentro da proposta a que se prezou, e que vai envolver tanto quem for religioso quanto quem gostar apenas de um bom drama (e que não ligue tanto para o mote em si), pois a ideologia toda em si é bonita e consegue ser bem colocada/mostrada para todos.

O longa mostra que depois de sofrer uma tragédia familiar, Mack Phillips entra em uma profunda depressão, que o faz questionar suas crenças mais íntimas. Diante de uma crise de fé, ele recebe uma carta misteriosa que o convida para ir a uma cabana abandonada. Mack encontra então verdades significativas que transformarão seu entendimento sobre a tragédia que abalou sua família e sua vida mudará para sempre.

Nunca havia visto nada do diretor Stuart Hazeldine, mas aparentemente seu longa anterior "Exame" foi bem premiado lá fora e fiquei curioso para conhecer, e até acredito que tenha sido ganhador de diretor revelação lá em 2009, pois seu trabalho aqui é bem característico e desenhado de forma singela para chamar atenção. Porém é muito mais notável aqui ser um longa de produtor, tanto que na divulgação já colocam os longas de sucesso da equipe de produção, e ao ver todo o trabalho em questões visuais, efeitos, sintaxes por trás do roteiro, o que vimos não é um trabalho feito em cima do roteiro pelo diretor, mas sim de uma equipe maior para recriar tudo o que estava no livro best-seller de William P. Young. Não digo que isso seja algo ruim, muito pelo contrário, pois sendo produtor gosto de longas bem produzidos, mas faltou aquela essência que só um diretor que mande realmente poderia fazer, de comover e emocionar o público, fazendo arrepiar com cada nova cena bem imposta, e isso Stuart nem sequer passou perto de fazer. Ou seja, não vai ser aquele filme fervoroso e impactante que poderia causar, mas pela beleza e sutileza mostrada em cada cena, o resultado acaba fluindo bem e até agradando bastante com cada momento sendo bem trabalhado com metáforas e lições para que quem desejar aprender e/ou refletir algo consiga durante toda a projeção.

Sobre as atuações, nem tem como não começar por Octavia Spencer, que caiu como uma luva no papel de Deus ou Papai como aqui é tratado, ou ainda por Elouisa que gosta de sua forma feminina, de forma que a atriz que já levou o Oscar mostra que ali foi apenas o começo, vindo num papel melhor que o outro, e aqui encaixando personalidade, carisma e entonações vocais tão bem dosadas e muita simpatia acabou criando alguém que não dava sequer para imaginar, mas que agradou em cheio. Sam Worthington é um ator interessante, mas que vemos tanto em longas lotados de ação, que quando faz alguém calmo e dramático parece um pouco apático, e mesmo com todo o ceticismo em cima da crença de seu Mack, faltou para ele mostrar mais isso, não se entregando tão facilmente à tudo o que estava vendo, mas de certa maneira ele até que foi bem. Avraham Aviv Alush também incorporou muito bem Jesus, fazendo algo moderno e mais contextual, não ficando tanto com as características tristes que tanto vemos em longas que retratam Jesus, e o ator se mostrou bem colocado, chamando os trejeitos de forma responsável e agradando bastante. A brasileira Alice Braga fez uma Sabedoria tão séria e fechada, que chega a dar medo de suas atitudes iniciais, mas foi se adequando de forma tão bem encaixada que o resultado final acaba sendo perfeito. Brincaram um pouco com a beleza do Espírito Santo/Sopro Divino ou melhor aqui chamado de Sarayu, que foi belamente interpretado por Sumire Matsubara, dando uma característica bem diferenciada para o personagem, mas que com um tom de voz tão gostoso de ouvir, acabamos ficando encantados com a atuação da atriz. O cantor Tim McGraw fez bem suas poucas cenas como Willie, e felizmente não errou como ator singelo, porém o detalhe claro fica para sua canção no final em que a letra permeia bem a ideia completa da história, ou seja, devia ter ficado só cantando que seria melhor, mas acredito que no livro o personagem dele tinha mais importância. Radha Mitchel é praticamente um enfeite com sua Nan, fazendo caras e bocas nas cenas colocadas, mostrando que sim é uma cristã fervorosa, e que da mesma forma que Willie, no livro deva ser mais importante, mas aqui infelizmente acabou sumindo de cena tão rápido que por pouco não esquecemos dela. Das crianças, todas fizeram bem suas expressões, mostrando o dever cumprido para com as sensações de culpa e tudo mais para Megan Charpentier com sua Kate, mas sem dúvida alguma o destaque ficou para o carisma da pequena Amélie Eve com sua Missy, que infelizmente não pode ficar mais em cena, pois a garotinha daria muito show com suas expressões. Apenas para fechar o grande elo que mostra que o céu não tem distinção de etnias, afinal temos uma negra, um árabe e uma japonesa interpretando a Santíssima Trindade, para fechar o grupo, na versão masculina de Deus, temos um índio, e Graham Greene não decepciona nas suas poucas cenas, fazendo imposições expressivas bem colocadas, mas que não chega nem perto de tudo o que Octavia fez nas suas.

Agora certamente como disse no começo, por ser um longa de produtor, o filme contou com cenografias incríveis, trabalhando a cabana como um elemento a mais de dois ângulos, jardins maravilhosos bem simbólicos, uma carpintaria charmosa, lago espelhado para a cena de andar sobre as águas, uma gruta simples mas totalmente montada para a parte mais dramática do longa, e claro muita neve para simbolizar o clima frio que pairou sobre a família, ou seja, tudo bem detalhado, riquíssimo em detalhes para trabalhar as diversas metáforas/parábolas bíblicas de forma que a equipe de arte certamente teve muito trabalho para ficar com o resultado final incrível mostrado. No conceito fotográfico para ligar todas essas belas locações, a equipe trabalhou muito com sombras duras para contrastar os tons, e usando muito brilho para as cenas de Sarayu o resultado acaba sendo quase celestial para entrar no clima religioso, ou seja, algo bem feito para não errar mesmo com os muitos efeitos especiais/jogos de câmera.

Agora se temos também de reclamar de algo, mesmo com boas canções-tema, o longa falhou no ritmo musical orquestrado, pois longas religiosos geralmente apelam para músicas sentimentais, pianinhos de fundo e tudo mais que possa puxar o choro do público, e já disse que isso não é errado, pois cria um vínculo maior para o longa, e aqui, o filme é seco, simples e só adentra realmente com música sentimental em duas cenas que nem chegam a comover a fundo, ou seja, faltou um pouco mais de sentimento. Claro que como sou bonzinho, aqui tem o link com as canções do filme, incluindo a composta para o filme por Tim McGraw e interpretado por ele e Faith Hill.

Enfim, é um filme bem bonito, que mostra que o gênero cristão pode agradar outros públicos sem ser os fanáticos religiosos, basta ter uma boa produção por trás e criatividade por parte da equipe para querer trabalhar o algo a mais, e assim sendo, as boas mensagens/lições acabarão sendo mostradas cada vez para um público maior. Tenho certeza que o grande público-alvo, que são os religiosos irão ser atingidos em cheio pela trama e pela forma mostrada no longa, mas também acabo recomendando ele para quem gosta de um bom drama, mesmo que não seja um frequentador de igrejas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com a última estreia da semana, então abraços e até mais.

PS: Fiquei entre dar 7 ou 8 coelhinhos para o longa, mas faltou aquele toque que me fizesse lavar o cinema, então vamos de 7 mesmo.

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Despedida Em Grande Estilo (Going In Style)

4/06/2017 02:02:00 AM |

Comédia boa é aquela que te faz rir sem precisar forçar, apenas usando de uma boa história e de ótimas atuações! Já disse isso não sei quantas vezes, e posso colocar "Despedida Em Grande Estilo" no seleto hall dessas obras que conseguem divertir do começo ao fim, trabalhando bem as situações, e deixando nas mãos dos grandes protagonistas a responsabilidade de colocar diversão com simplicidade e carisma na medida certa, emocionando quando for preciso e criando comicidade até onde não imaginávamos existir. Ou seja, um filme leve, doce, agradável, que para ser perfeito só precisava ter um ritmo melhorzinho, pois chega a ser calmo demais de forma a fazer com que os 93 minutos parecessem bem maiores, mas que com toda certeza não atrapalha em nada a diversão que o longa acaba causando no público.

O filme nos conta que os amigos Willie, Joe e Albert não imaginavam que a vida de aposentado seria tão tediosa. O grande divertimento deles é ver televisão. O trio então busca alguma forma para dar uma agitada na rotina e também nas suas contas, já que suas pensões foram congeladas. Então, a solução encontrada pelo idosos é roubar um banco.

É bacana quando um diretor que é ator também consegue trabalhar tão bem com a velha guarda do cinema, usando as qualidades que eles possuem para incrementar seu próprio filme, e ao ver o trabalho que o diretor Zach Braff (que foi o Dr. John "J.D." Dorian da série "Scrubs" entre os seus personagens mais conhecidos) fez ao entregar seu filme completamente para que o carisma dos protagonistas dominasse e criasse cada nuance, claro que é notável o estilo do diretor também nos ótimos cortes e na forma de contar a história roteirizada pelo ótimo Theodore Melfi ("Estrelas Além do Tempo", "Um Santo Vizinho") se baseando no longa de mesmo nome de 1979 com George Burns, Art Carney e Lee Strasberg nos papeis principais. Ou seja, o diretor foi simples e objetivo, criando um longa aonde os atores determinaram com seus carismas e ótimas interpretações de personagens, situações que sabemos bem que acontecem, mas claro "melhoradas" ficcionalmente para que divertissem sem apelações, e só por isso já vale a pena ser visto, mas com o contexto completo não tem como não se agraciar com tudo o que é mostrado.

Como frisei acima, o que mais importa no longa, além claro da boa história mostrada, é a forma que ela é contada pelos excelentes atores protagonistas que tanto amamos, e nem pensamos na possibilidade de em breve não vermos mais eles nos filmes, pois infelizmente não são imortais como nos longas!! Um fato claro sobre o trio protagonista também é marcante, pois podemos enxergar facilmente todos como nossos avós no estilo que adotaram. Morgan Freeman trabalhou Willie de uma maneira muito gostosa e interessante, pois ao não contar sobre sua doença para os amigos, sabemos que isso vai dar problema, e com seu carisma tradicional desenrola bem tecnologia e estilo para mostrar que ainda tem um bom pique e que com certeza vai nos premiar sempre com bons semblantes nos papeis que fizer. Alan Arkin deu personalidade para seu Albert, criando nuances clássicas dos velhos mais reclamões, mas que estão sempre dispostos para as coisas boas da vida, e que embora não tenha trabalhado tanto um ar mais sagaz, conseguiu finalizar bem cada uma de suas cenas. Michael Caine é o protagonista máximo com seu Joe, e ao ser o mentor do plano consegue chamar mais cenas para si, e também errar um pouco mais, mas só quem for muito crítico irá pegar em seu pé, pois a cada erro de cena, ele nos premia com algo tão bem colocado que acaba agradando demais. John Ortiz faz algumas rápidas participações como Jesus, e claro não teria outra forma se não a de um estrangeiro, e embora isso seja algo tão clichê para os papeis que lhe são entregues, o ator cai como uma luva nos bons momentos e dá um fechamento exemplar para a trama. Matt Dilon até caiu bem como o policial Hamer, mas deixaram ele bobo demais para um investigador, menosprezando um pouco o serviço da polícia e deixando o ator bem como secundário na trama. Christopher Lloyd foi perfeito com seu Milton, agraciando a todos os saudosistas de "De Volta Para o Futuro", e ainda trabalhando uma personalidade única para cada cena sua, e mesmo não sendo protagonista acaba ganhando nossos corações. Dos demais atores, temos de pontuar somente as boas investidas de Ann-Magret como Annie e Josh Pais como o banqueiro exagerado Chuck, pois o restante somente é encaixe de cena.

Quanto do visual, o longa foi bem trabalhado em elementos de assalto, com um banco tradicional, as famosas esquetes de montagem do plano (que ao ser editado em formato de janelas, acabou dando uma ótima dinâmica para o longa, e poderiam ter usado mais esse estilo em outros momentos para dar um gás a mais no filme), um supermercado simples para treinos, um hospital (afinal esse infelizmente é o lugar mais comum para velhinhos), e os ótimos restaurantes populares lotados de velhinhos também, ou seja, um filme simples de elementos, mas bem usados, e claro o elemento máximo que todos sabem muito bem que será usado como prova, e que não vou dizer o spoiler, mas que todos verão logo de cara. No conceito visual, o longa é um pouco escuro demais, talvez por algum filtro ou lente escolhido para dar um tom mais melancólico para a produção, envelhecendo também a ideia da trama, pois até poderiam colocar cores mais vivas para que a dinâmica fosse melhor, mas teríamos um longa completamente diferente.

Enfim, um filme que volto a dizer, muito gostoso de assistir, que sim possui defeitos, clichês e até um ritmo digamos cansativo para uma comédia, pois estamos acostumados com longas mais dinâmicos nesse estilo, que já nos pegam do começo ao fim e nos fazem gargalhar sem parar, mas aqui mesmo tudo indo de uma forma lenta e calma (no melhor estilo dos velhinhos), o resultado acaba sendo o mesmo e agrada bastante. Portanto recomendo o longa tanto para quem gosta de boas comédias, como para quem acredita que dramas com comicidade podem funcionar, pois esse é a melhor forma de classificar o resultado final. Bem é isso pessoal, mais uma vez um super obrigado para o pessoal da Difusora FM 91,3Mhz que proporcionou a todos uma ótima pré-estreia, e esse foi apenas o primeiro longa dessa nova semana, então abraços e até breve com mais textos.

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O Poderoso Chefinho em 3D (The Boss Baby)

4/05/2017 01:33:00 AM |

As animações ultimamente andam prezando por tentar agradar não somente os pequeninos que são o grande público que costuma frequentar esse estilo de sessão, mas sim os adultos/pais que vão aos cinemas levar os pequenos, e com isso acabam ousando por colocar elementos que as vezes funcionam, ou destroem completamente uma trama. Digo isso, pois "O Poderoso Chefinho" até tem boas referências à diversos filmes conhecidos que acabam divertindo o público adulto, mas ao colocar esses elementos soltos demais na trama, acabaram que em diversos momentos eles nos entregaram algo tão morno que não agrada nenhum dos públicos, resultando em um filme de pontos fortes, mas também pontos cansativos. Ou seja, um filme que vai agradar, mas também vai cansar no mesmo ritmo, portanto é um filme que tem de se pensar na idade que vai levar para assistir, pois os mais pequenos tendem a cansar com tudo e não embarcar na ideia, enquanto os mais velhos vão ficar entediados com muitas bobeirinhas e só quem conhecer muito de filme irá pegar tudo o que é mostrado. E assim sendo até vale assistir ao longa, mas está bem longe de ser perfeito, ficando apenas como algo bonitinho e gostoso de acompanhar.

A sinopse nos conta que um bebê que fala, usa terno e carrega uma mala misteriosa une-se com seu irmão mais velho invejoso para impedir que um CEO sem noção acabe com o amor no mundo. O objetivo da dupla é salvar os pais, impedir a tragédia e provar que o mais intenso dos sentimentos é uma poderosa força.

É estranho ver que o diretor que brilhou com três "Madagascar" e "Megamente" vem agora com um longa não tão trabalhado, pois Tom McGrath até pegou uma ideia bem trabalhada de roteiro, mas ficou batendo demais na mesma tecla: fofura (seja com os bebês ou com os cachorrinhos) e esqueceu que a diversão necessita sobressair em animações, pois senão acaba deixando as crianças soltas demais e os adultos entediados demais. Não posso dizer em momento algum que o longa erra por completo, pois como citei acima, ele acaba divertindo bem (os adultos) com as boas sacadas de filmes, e algumas brincadeiras bobinhas para chamar os pequenos pra tela, mas falta um pouco de liga para que ambas as coisas funcionem sem desagradar o outro público. Ou seja, o diretor fez um filme que pode ser considerado o seu pior, pelo histórico, mas que tinha potencial para divertir muito mais e ser algo clássico para ser lembrado.

Algo que podemos pontuar bem ficou a cargo das texturas dos personagens, pois o longa frisa em mostrar que é um desenho, não se preocupando em ser algo bem tridimensional, nem real demais, ficando próximo demais de bonecos e isso é algo que chama a atenção por se diferenciar do que tem aparecido ultimamente nas telas. E além disso, os personagens foram bem caricatos, mas sem apelar demais, prova disso que nenhum dos protagonistas acabam chamando atenção, deixando isso a cargo dos coadjuvantes, como os aliados do chefinho, dos cachorrinhos, ou até mesmo dos demais bebês gerentes, que acabaram puxando toda a graça do filme para si. Talvez a dublagem nacional também tenha faltado com piadas mais ácidas como deve ter ocorrido no original, mas isso só posso opinar quando conseguir ver ele legendado, o que não deve ocorrer tão em breve, já que não veio nenhuma cópia assim para o interior, mas pelas situações é perceptível isso. Além disso faltou um pouco mais de carisma para os protagonistas, algo muito comum nos demais longas do diretor, pois não nos afeiçoamos a nenhum dos personagens, mesmo tendo irmãos mais novos/velhos, o que é algo ruim para uma produção "infantil", ou seja, falharam no conceito mesmo.

Quanto do visual, a trama foi até bem interessante, voltando a frisar principalmente nas cenas da companhia de bebês, mas junto com isso posso dizer que as cenas de perseguição com os pequenos para cima do irmão mais velho ficaram bem trabalhadas, e até mesmo a cena dentro da companhia de animais ficou bem cheia de detalhes, ou seja, um trabalho interessante ao menos feito pela equipe artística, que até se preocupou bem em colocar detalhes nas cenas dos sonhos/interpretações das situações com os protagonistas de um modo criativo. O 3D funciona quando é usado, ou seja, numas 10 cenas que arremessam coisas para fora, o resultado é bacana, mas o restante da trama quase podemos tirar os óculos da cara.

Enfim, é um filme que não é ruim, pois diverte e é bonitinho, mas está muito longe de ser algo que empolgue e valha a pena ser lembrado quando passar na TV, e menos ainda para aqueles que costumam comprar mídias, pois vale ser visto uma única vez, e depois esquecer da existência. O encerramento dá ideia de uma possível continuação, mas sinceramente caso isso ocorra, precisarão pensar bem mais sobre como utilizar as situações. Bem é isso pessoal, encerro aqui essa semana cinematográfica, mas já volto amanhã com a primeira estreia da próxima, então abraços e até logo mais.

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Capitão Fantástico (Captain Fantastic)

4/04/2017 02:21:00 AM |

Existem filmes que nos conquistam nos trailers, sinopses e afins, e depois de criar muita expectativa desanda na exibição, mas com "Capitão Fantástico" a coisa (ao menos comigo) foi bem diferente, pois a excentricidade no trailer pareceu apelativa e jogada demais, e junto com um nome meio que na moda de super-heróis acabou que até vi as indicações à prêmios, mas relevei o fato de não ter aparecido na época de estreia no interior. Pois bem, hoje após conferir numa sessão do Cinema de Arte, eis que o filme tocou tanto (e não só a mim, pois muitos saíram da sala lavados de chorar com a trama) com uma história cativante, deliciosa de assistir, passando tantas mensagens bem colocadas que certamente apostaria nele como melhor filme em diversas premiações se tivesse conferido ele antes, pois é realmente muito bom, e mais do que recomendado para todos conseguirem enxergar fatos que dificilmente paramos para observar de que o mundo é o melhor lugar para se aprender, e não necessariamente, um livro que ensina uma receita formulada, mas também há vertentes para serem ditas, e o longa pondera muito bem cada ato, trabalhando tão bem a história e as interpretações que é difícil sair da sessão sem muitos questionamentos, não sobre o filme, mas sim sobre a vida. Ou seja, dê um jeito de assistir ao longa e reflita, pois, valerá muito!

O longa nos mostra que Ben (Viggo Mortensen) tem seis filhos com quem vive longe da civilização, no meio da floresta, numa rígida rotina de aventuras. As crianças lutam, escalam, leem obras clássicas, debatem, caçam e praticam duros exercícios, tendo a autossuficiência sempre como palavra de ordem. Certo dia um triste acontecimento leva a família a deixar o isolamento e o reencontro com parentes distantes traz à tona velhos conflitos.

Sempre é interessante quando um ator que não fez tanto sucesso em grandes papeis desponta na carreira de diretor, e mesmo com um primeiro longa que poucos viram, Matt Ross veio com uma ideia tão fascinante e bem feita que a cada nova cena somos surpreendidos com situações cômicas (outras nem tanto) que de uma forma crua e bem gostosa acaba fluindo bem no desenrolar do seu próprio roteiro. Ou seja, o diretor não precisou fazer nada mirabolante para que seu filme passasse boas mensagens, ou encaixasse algo polêmico para que repercutisse, mas sim desenvolver algo comum, que todos sabemos bem como é na vida real, que agradasse e ainda deixasse bem explícita sua opinião sobre o caso, o que acabará sendo positivo para alguns, ou negativo para outros, mas que em momento algum ficará sobre o muro esperando que o público não discuta com sua ideia. E sendo assim temos um filme leve, mas ao mesmo tempo polêmico sobre o assunto criação de filhos, sobre a vida moderna e até mesmo sobre o enfrentamento da morte em si, mas tudo de forma bem sutil para que fosse agradável de ver, que o público se divirta, e claro, se emocione com tudo o que é mostrado, criando um ambiente até por vezes nostálgico, mas que não atrapalha em momento algum.

Sobre as atuações temos de ser enfáticos quanto ao carisma de Viggo Mortensen, pois seu Ben é um personagem que chama as atenções para si, e certamente um ator com mais carisma cairia melhor ali, mas mesmo assim, ele transformou um personagem simples em algo a mais para ser analisado e a cada cena sua foi desenvolvendo uma personalidade interessante que nos faz ir criando uma forma diferenciada de carisma, a mesma que seus filhos possuem por ele, e isso que é algo interessante de ver na interpretação que o ator conseguiu fazer, tanto que acabou sendo indicado pelo personagem em diversas premiações, e merecidamente. Dentre os filhos todos tiveram bons momentos para chamar atenção, mas sem dúvida alguma George MacKay teve grandes cenas de destaque com seu Bo, fazendo trejeitos bem colocados e assumindo a responsabilidade de filho mais velho em diversos atos, além claro de trabalhar a ingenuidade do personagem com um tom bem diferenciado, e claro também temos de pontuar as ótimas cenas de Shree Crooks com sua Zaja dinâmica e muito graciosa, sempre pronta para atacar com visceralidade e desenvoltura, e o fechamento ficou a cargo da ótima Samantha Isler com sua Kielyr, não tanto pelos momentos que teve no desenrolar do longa, mas sim para a ótima voz na canção de encerramento. Kathryn Hahn e Steve Zahn foram divertidos e espantosos com as caras e bocas que fizeram para seus Harper e Dave, mas não atrapalharam com isso, muito pelo contrário, fizeram trejeitos que muitos fariam ao ver a desenvoltura da família. E para fechar, não sei como qualquer outro pai agiria ao ver um sogro falando da maneira que foi colocada para o personagem de Frank Langella com seu Jack, mas o ator conseguiu chamar muitos inimigos com a personalidade e imposição mostrada, pois como disse no começo desse parágrafo, já estávamos íntimos do protagonista, e qualquer coisa contra ele, acabou deixando tenso o público.

No conceito visual, as cenas dentro da floresta ficaram incríveis de ver, com boas dinâmicas e colocações criativas para que tudo fosse bem utilizado e representasse algum momento com as crianças e suas virtudes, de modo que ficasse algo mais amplo e bem encaixado, ou seja, não colocaram eles apenas dentro de uma floresta simples, e jogaram elementos soltos, mas sim trabalharam cada personagem com suas dinâmicas bem pautadas com facas, sujeiras, tendas, livros, roupas e afins, criando um mundo ali aonde eles viviam, e depois tudo isso passou bem colocado para dentro do ônibus no mini-road-movie que caiu muito bem trabalhado, e por fim junto dos familiares e do camping mostrando novos elementos para a família e criando algo novo e interessante de ser visto, ou seja, um trabalho memorável para a equipe de arte. Quanto da fotografia, uma locação melhor que a outra encaixando com sombras e tons tão sutis que vamos mergulhando a fundo em tudo o que quiseram mostrar, num trabalho tão amplo que conseguimos quase que ver detalhes só quando realmente desejavam que víssemos, como acontece na primeira cena com o alce.

Embora seja um spoiler, a versão acústica de Sweet Child Of Mine cantada pelos protagonistas é algo que vai fazer você sair encantado demais do cinema, tentarei encontrar a versão e voltar aqui para colocar ela, mas se alguém achar antes e quiser compartilhar nos comentários, já agradeço.

Enfim, é um filme espetacular que não sei se fico feliz ou triste por não ter visto ele antes (pois erraria nas apostas de tudo que fosse de premiações colocando ele), mas hoje após conferir com certeza tenho muito que reclamar dele não chegar rápido para a maioria das pessoas, pois mais do que recomendo o longa para todos que puderem conferir de alguma maneira, afinal é algo incrível demais e que vai fazer todos pensarem muito sobre tudo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até breve.

PS: Não estou dando nota máxima, por faltar um pouco mais de carisma pro protagonista como disse, e por faltar me fazer desabar como aconteceu com outras pessoas na sala, pois do restante o longa valeria nota máxima.

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O Espaço Entre Nós (The Space Between Us)

4/01/2017 02:28:00 AM |

Romances adolescentes leves sempre possuem espaço na programação, pois vai levar as jovens para se inspirar em garotos românticos (algo praticamente inexistente no mundo atual, mas também meio inexistente mulheres que realmente gostem de garotos românticos atualmente!) e situações tão leves e gostosas de acompanhar, que o tempo acaba passando e você nem vê a trama deslanchar. Essa é a forma mais despretensiosa de definir "O Espaço Entre Nós", pois utilizando da mesma pegada de diversos outros longas do gênero, e adicionando um lado ficcional interessante, o resultado acaba fluindo gostoso e trabalhando de uma maneira bem honesta para com o que o público espera do longa. Ou seja, não vai ser uma obra de arte memorável, não vai fazer você sair emocionado lavando o cinema, nem vai fazer você refletir sobre a vida na Terra versus a vida em Marte, e principalmente não é algo para ser levado tão a sério, pois possui muitos defeitos nas resoluções escolhidas para mostrar, mas que com certeza vai te entreter nas duas horas de projeção, vai fazer você cantarolar as canções gostosas muito bem escolhidas e vai fazer você ver que os dois atores que já fiz apostas de despontar no cinema americano estão começando a botar as manguinhas para fora com bons trejeitos interpretativos, ou seja, logo mais veremos eles bem encaixados. Portanto vá ao cinema e relaxe com esse romance bem levinho e seja feliz, pois temos muitos outros longas que estão dispostos a se encaixar em todas as demais vertentes.

O longa conta a história de Gardner Elliot, um menino curioso e altamente inteligente, nascido e criado em Marte. Sua mãe descobriu a gravidez após decolar no ônibus espacial que carregava a missão de colonizar o planeta vermelho, e morreu por complicações no parto sem nunca ter revelado o nome do pai. Convivendo com apenas 14 pessoas nos primeiros 16 anos de vida, o jovem astronauta recebeu uma educação restrita e pouco convencional, que alimentou uma enorme vontade de conhecer o seu pai biológico. Mas com a ajuda de Tulsa, uma garota do Colorado, USA, que se torna uma grande amiga virtual, Gardner consegue criar forças para descobrir a qual lugar do universo pertence. Quando finalmente tem a chance de viajar para a Terra e conhecer sobre tudo o que leu enquanto esteve no espaço, Gardner descobre que seus órgãos não resistem à atmosfera do planeta. Ansioso para encontrar seu pai, o garoto escapa da equipe de cientistas que o cuidaram desde o nascimento e junto com Tulsa embarca em uma inesquecível corrida contra o tempo.

Acho divertido quando a distribuidora coloca na sinopse completa praticamente todo o filme, pois se você não estiver disposto a ver o filme, só ler o que coloquei acima e pronto, você sabe quase tudo o que vai acontecer em minúcias. Mas isso é fácil de dizer também, afinal os roteiristas não se preocuparam tanto com floreios na história, e para ser mais preciso, nos momentos que tentaram trabalhar questões mais complexas, como sentimentos e/ou descobertas do jovem por como é a vida na Terra, acabaram se perdendo um pouco nas conclusões, deixando de lado um pouco o romance e errando na tentativa de desenvolvimento mais profundo, ou seja, deveriam ter ficado só na leveza e na condução da paixonite que o resultado agradaria até mais do que acabou agradando. O diretor Peter Chelson não possui um currículo muito vasto em nenhuma das duas áreas (ficção e romance), mas trabalhou bem com ambas as situações, criando boas dinâmicas cênicas com os atores e sendo determinante nas cenas mais impactantes, colocando tudo dentro de um resultado clássico que não tem como errar, mas que poderia ter feito diversas situações melhores, isso sem dúvida poderia, mas aí necessitaria de um diretor de maior gabarito.

Contando com um elenco até bem enxuto, as atuações também não foram nada que nos fizesse parar para analisar detalhes, apenas todos caindo bem dentro da harmonia/caracterização dos seus devidos personagens e nada mais. Asa Butterfield mostra cada dia mais que sabe fazer bons trejeitos e que está crescendo (tanto de tamanho, quanto de características interpretativas), mas claro que aqui deram uma esticada nele, pois ficou algo muito desengonçado de ver na tela para que seu personagem Gardner fosse um "et", de forma que não digo que tenha sido sua melhor performance, mas foi bem trabalhada. Britt Robertson é daquelas atrizes que ou você ama seu estilo, ou odeia, e com sua Tulsa não é diferente, pois a personagem no melhor estilo descolada do mundo, mas que possui uma aura romantizada acaba agradando, mas não se desenvolve ficando da mesma forma do começo ao fim do longa, o que acaba sendo um leve problema pelas diversas nuances que cria no miolo. Sabemos que Gary Oldman é um ator de múltiplas personalidades, mas aqui seu Nathaniel Shepherd é caricato demais e com trejeitos jogados, além de que passaram 16 anos e não mudaram muita coisa no seu estilo visual, o que incomoda um pouco, não digo que ele tenha sido ruim nas interpretações, muito pelo contrário, o ator sempre faz muito bem os papeis que pega, mas poderia ter feito bem mais pela produção. Carla Gugino também não floresceu muito sua Kendra, mas fez o correto de expressões e fluiu sem chamar muita atenção. Dos demais, a maioria acaba sendo bem figurativa, com leves destaques para BD Wong com seu Chen sempre sério, e Janet Montgomery iniciando bem como Sarah Elliot.

Quanto do visual da trama, o que podemos falar é que certamente usaram toda a cenografia de "Perdido em Marte" para filmar as cenas no espaço, dando uma ou outra mudança visual nos ambientes, e na Terra procuraram colocar o melhor do estilo road-movie para ambientar diversos locais bem clichês de romances, no melhor estilo "Cidades de Papel", ou seja, o clássico visual de romances teen, que não atrapalham, mas também não mostram muita coisa, funcionando dentro da proposta básica e bem colocada. A fotografia ousou bem escolhendo sempre a melhor profundidade dos belos cenários escolhidos para que a trama floreasse o máximo possível e criasse todo o clima romântico bem gostoso de assistir.

O longa possui diversas boas canções, que entoaram um ritmo bem interessante e gostoso na produção. Na trilha sonora oficial colocaram apenas canções próprias não incluindo as mais conhecidas como "Hold Back The River" e "High Voltage", mas as demais quem quiser escutar, deixo aqui o link.

Enfim, é um filme bem bonitinho, que agrada pela proposta passada, claro que poderia ser muito mais caso quisessem trabalhar a personalidade dos protagonistas, os problemas dos dois planetas e tudo mais que um romance mais sério colocaria em pauta de forma mais coerente, porém como disse é um filme para se curtir sem muitas preocupações, então nem isso tentaram fazer. Portanto se você gosta de longas bem levinhos vá aos cinemas, e se divirta com a proposta da trama, mas se deseja algo mais elaborado, passe longe, pois talvez a reclamação predomine após a sessão. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda faltam duas estreias para conferir, então abraços e até breve com mais textos.

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