Amores Urbanos

8/22/2016 12:58:00 AM |

Alguns filmes trabalham o cotidiano de maneira a dar novas vertentes de possibilidades, e no mundo atual temos de assumir que existem diversas formas de encarar dramas amorosos e também de "maquiar" a realidade pela qual cada pessoa está passando, ou seja, inibir uma dor que você sabe que tem, mas que não deseja demonstrar por ser forte o suficiente. Dessa forma, o longa "Amores Urbanos" até possui uma certa eloquência e consegue passar através de boas dinâmicas uma vivência interessante por trás dos três protagonistas, mas o âmbito geral da história acaba sendo fechado demais e a diversão/curtição do momento pelos três acaba sendo mais importante do que realmente os seus problemas, e não que isso atrapalhe o fluxo do longa, mas que poderia ter ido por outros rumos e chegar facilmente para uma conexão maior com quem não esteja 100% disposto à ver um mundo de festas e bebedeiras como a possibilidade para esquecer de seus problemas. Ou seja, um filme bacana, mas que poderia ser ainda maior se desejassem alcançar algo a mais.

O longa nos mostra que três amigos, Diego, Júlia e Micaela estão no auge de suas vidas, revelando suas personalidades, experimentando desilusões amorosas e procurando a carreira ideal. Eles moram no mesmo prédio de São Paulo e compartilham diariamente suas experiências, fracassos e conquistas. Rindo ou chorando, eles estarão juntos.

De certa forma o trabalho da diretora e roteirista Vera Egito é bem coerente em todas as cenas, pois não temos nenhuma cena aonde a dramaticidade chega a chocar o público e em outra a comicidade rolando solta, e isso é algo que certamente fez com que o longa fluísse bem com a proposta. A história em si, é bem fechada e trabalhada para que cada momento seja resolvido, claro que dentro das perspectivas moldadas pelos protagonistas, e isso acabou soando bem interessante de ver. Felizmente mesmo classificado como uma comédia dramática, o longa fugiu dos estereótipos novelescos que o gênero costuma ter, e assim sendo o resultado acaba agradável de ver, bem simbólico e com nuances interessantes. Claro que como ainda temos muitos preconceituosos que não gostam de filmes que envolvam questões de gêneros, o longa acabou sendo evitado por muitos, mas tirando o exagero do protagonista gay, o filme acaba não sendo tão cheio de efervescências. Ou seja, em seu primeiro longa metragem como diretora, Vera conseguiu ser simples e efetiva no que desejava mostrar, mas ainda está longe dos bons roteiros que já fez e dos demais filmes que trabalhou.

Sobre as atuações, é factível falarmos que todos são iniciantes no cinema, e mesmo que tenham atuado em peças, cantado em shows e tudo mais, o estilo frente às câmeras precisam ser menos exagerados e mais do que isso, precisam passar um carisma expressivo maior nos seus próximos trabalhos, pois não digo que foram ruins no contexto completo, mas em algumas cenas pareciam perdidos quanto ao que fazer sem estar curtindo a festa entre amigos que o longa mais parece ter sido para os protagonistas. Maria Laura Nogueira foi a principal perdida em alguns momentos com sua Julia, pois de certa forma ela é a que mais deu a cara para bater chamando a responsabilidade para si em diversas cenas, e em vários momentos sua expressão não condizia com o momento, parecendo estar confusa (o que claro tem a ver com a personalidade da personagem, mas que deveria ser menos forçada), ou seja, até saiu-se bem, mas longe de ser algo memorável. Thiago Pethit é músico e possui um perfil completamente marcante para com a ideologia de Diego, o que é algo difícil de encontrar, e certamente a diretora acabou escrevendo o personagem para ele, mas acabou usando tantos clichês em sua expressividade e alguns até exagerados demais, que ao mesmo tempo que rimos com suas cenas, acabamos incomodados pelo escândalo completo que acaba fazendo, ou seja, poderia ter sido mais sútil que ainda chamaria a mesma atenção. Do trio principal, Renata Gaspar é a que mais se deu bem na forma expressiva de sua Micaela, pois demonstrou temores, foi coerente na forma de agir e subverteu bem as suas cenas para que não ficassem jogadas ao vento, de tal maneira que sentimos tudo o que a atriz quis passar em cada ato e talvez a virada de protagonismo para cima de sua história seria um fato incrível de acompanhar. Embora tenha atuado pouco, a cantora Ana Cañas foi icônica no papel de Duda, mais pela simbologia de muitas pessoas que não assumem seus romances do que pela forma que deu para a personagens, mas ainda assim se mostrou completamente do alicerce interessante que o tipo pedia.

Sobre o contexto visual é digno que assim como o título do filme mostra todo o estilo urbano que vivem hoje muitos jovens, que entre desilusões amorosas, sem saber muito o rumo que tomar nos empregos e por aí vai, a equipe foi consciente ao trabalhar com espaços mais compactos mas que demonstrassem bem todo o conteúdo urbano e fechado de uma São Paulo que muitos sabem existir, mas desconhecem, e isso trabalhado com bons elementos cênicos simples até de serem vistos, mas que deram charmes especiais para os apartamentos dos protagonistas acabou dando um tom diferenciado e carismático para se envolver nas histórias deles (de certo modo embora o filme não trabalhe na mesma perspectiva acaba lembrando um pouco "Confissões de Adolescente", porém com uma pegada mais forte). A fotografia também foi bem correta ao trabalhar com diversos tons, usando iluminações artificiais bem encaixadas para cada momento, mas sempre segurando a linha tênue para que o longa não fugisse da proposta.

Enfim, é um filme correto, bem feito e que mostra uma perspectiva de futuro para o estilo que a diretora pretende seguir, claro que ainda não é um filme perfeito por ter muitos clichês artísticos que com o tempo ela irá acabar limpando e agradando mais quando usar, mas é algo que vale um tempo assistindo. E assim fica minha recomendação para quem quiser ver, afinal já está nos meios digitais para ser conferido. Fico por aqui hoje, mas volto na quinta com mais estreias, então abraços e até lá pessoal.

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Quando As Luzes Se Apagam (Lights Out)

8/19/2016 01:31:00 AM |

Acho engraçado quando vou conferir um longa de terror e logo de cara na primeira cena já nos mostram como iremos assustar ou com o que devemos ficar temerosos, pois já meio que estraga o conteúdo completo, afinal o público nem mais pula da cadeira ou se arrepia com as cenas seguintes, e esse sim é o barato do gênero. Dessa forma "Quando As Luzes Se Apagam" até possui um clima bem tenso, todo trabalhado com a pouca iluminação cênica e um desenvolvimento equilibrado na medida, mas acaba faltando um quê a mais para que o público fique o tempo todo preso na ideia dos personagens e aonde desejavam chegar. Claro que isso é de praxe uma exigência em filmes de terror, mas o longa nos preparou tanto para os sustos em todas as cenas que são raros os momentos que nos pegam desprevenidos. Ou seja, está longe de ser um filme ruim, mas também ficou longe do pavor que o curta (quem quiser ver clique aqui) acabou causando na maioria do público, e assim sendo até vale o ingresso para quem gosta do estilo, porém nem todos sairão com medo do escuro, como o filme poderia deixar.

O longa nos mostra que desde que era pequena, Rebecca tinha uma porção de medos, especialmente quando as luzes se apagavam. Ela acreditava ser perseguida pela figura de uma mulher e anos mais tarde seu irmão mais novo começa a sofrer do mesmo problema. Juntos eles descobrem que a aparição está ligada à mãe deles, Rebecca começa a investigar o caso e chega perto de conhecer a terrível verdade.

É interessante observarmos que o diretor David Sandberg fez vários outros curtas desde que lançou seu curta em 2013 e o filme cair na graça de James Wan (que ao meu ver é o atual mestre do terror), que não é nem um pouco bobo e comprou os direitos da história para criar o longa, e assim como fez com os seus primeiros longas de terror, com um orçamento mínimo de US$4,9 milhões, logo no primeiro dia de exibições nos EUA, já se pagou com sobras. O trabalho principal que o diretor fez questão de mostrar, nem se deve tanto ao seu estilo de direção, mas sim ao ótimo trabalho do diretor de fotografia Marc Spicer que praticamente utilizou todo tipo possível de iluminação para que com a mínima luz imaginária conseguisse um resultado expressivo, e assim sendo acabou salvando o longa de ser negativado, pois a apresentação da entidade é tão fajuta e mal-feita que ficamos na dúvida se o final acabou sendo feito com um furo ou é alguma abstração criativa para darem um jeito de fechar a trama, pois a todo momento sim é falado a forma que o elemento sobrevive, mas não bastaria apenas o que é feito para se fechar com dignidade, ou seja, faltou amarrar um pouco mais para a história ser contada com minúcias (mas conhecendo Wan, é capaz que faça a origem do filme como sendo uma continuação, afinal já deu "Annabelle 2" para o diretor comandar, garantindo mais direitos para si).

Já disse isso inúmeras vezes aqui no site, e volto a frisar o que passa na cabeça das crianças que fazem longas de terror após assistirem suas interpretações, ou melhor, dependendo das cenas, nas filmagens também, pois em alguns filmes não são colocados tantos efeitos especiais, mas sim coisas em cena, como é o caso aqui. Portanto ver o temor do garotinho Gabriel Bateman com seu Martin é algo muito interessante, pois ele faz bem suas expressões de medo, e acaba agradando no que faz, afinal já é experiente no estilo pois trabalhou em "Annabelle". Teresa Palmer é uma jovem atriz que sempre consegue cativar nos filmes que faz, mais por sua beleza do que pelo estilo de atuação, porém aqui sua Becca possui um estilo investigativo interessante, o que sempre cabe em bons filmes de terror, mas faltou um pouco para que ela realmente convencesse o medo que estava sentindo. Maria Bello mostrou bem as características da loucura unindo expressão e desespero para que sua Sophie fosse um personagem marcante, pois seria mais prático terem colocado ela como uma coadjuvante completa e a atriz por bem pouco não virou protagonista com suas cenas sempre bem encaixadas nos momentos corretos. Podemos dizer facilmente que Alexander DiPersia foi um figurante de luxo, pois seu Bret aparentou estar completamente perdido em suas cenas, fazendo expressões completamente incoerentes com as cenas e não agradando nem nas cenas mais carismáticas, talvez tendo seu melhor momento na sua fuga. Não chegamos a ver realmente a expressividade mais impactante de Alicia Vela-Bailey com sua Diana, mas a jovem atriz teve bons momentos corporais e acabou agradando. Um leve destaque nem tanto pelo seu papel no longa fica para Lotta Losten que aqui teve uma rápida participação na cena de abertura como Esther, mas sim por ter sido a protagonista do curta que fez tanto sucesso.

O visual do longa foi simples, mas muito coerente com a ideia do longa, somente estranho demais uma pessoa ter um arquivo completo dentro de casa, aonde mostra todos os problemas da pessoa (claro que sem isso teriam de ir para uma outra locação, tipo um hospital antigo para pesquisar mais, e assim o filme ficaria mais caro, mas que seria mais condizente, seria), portanto até foram além nos objetos cênicos do longa, mas principalmente o acerto de luzes de manivela, faroletes, lanternas, velas e tudo mais que pudesse quebrar a escuridão e ainda ajudasse a equipe de fotografia. Como disse no início, o grande trunfo do longa ficou a cargo do mágico que podemos chamar de diretor de fotografia, pois trabalhar bem a escuridão em um longa de terror é algo que poucos conseguem, pois sempre colocam artifícios falsos, e aqui ele trabalhou somente com os elementos cênicos e o resultado foi incrível, aonde os tons mais escuros predominaram junto com os tons alaranjados da vela e o azulado das luzes negras, que deram um charme a mais para o filme.

Enfim, um filme bem feito, mas que acabou falhando por não ter uma determinação maior na formação da entidade que assombra a família, e principalmente por não encaixar os sustos em momentos menos inesperados, deixando que o público apenas assistisse sem ter o real medo de escuro que seria o grande mote do filme (e foi do curta). Portanto até recomendo o longa para quem gosta de um terror mais simples, mas quem for realmente fã do gênero é bem capaz de sair decepcionado com o resultado final, agora é esperar que Wan anuncie o prelúdio do longa, pois lucro com certeza o longa dará. Fico por aqui hoje, mas ainda verei mais um longa nessa semana, então abraços e até breve pessoal.

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Ben-Hur em 3D

8/18/2016 02:51:00 AM |

É interessante ver como a falta de criatividade assombra Hollywood, pois a cada dia que passa ouvimos a palavra refilmagem ou continuação com mais frequência do que gostaríamos de ouvir. Mas nem por isso vou condenar alguns diretores que podem nos trazer algumas releituras de clássicos com uma nova pegada, e claro colocando mais tecnologia para que a trama envolva o público mais jovem, pois conheço muita gente que ao ver longas antigos acabam vendo mais defeitos do que qualidades, e mesmo alguns dos grandes clássicos em sua época original foram completamente rechaçados por crítica e depois de anos viraram grandes marcos, ou seja, todos possuem o direito de errar, então que venham novos filmes (e refilmagens novas também). Pois bem, dito isso, temos de colocar mais um parênteses antes de falar do novo "Ben-Hur", pois mesmo se baseando na história de 1880, e colocando novas ideologias que nem foram escritas pelo escritor Lew Wallace, o filme passa completamente longe do que vimos no clássico de 1959 que angariou 11 Oscars, sendo algo totalmente diferente do que conhecíamos, mas de maneira alguma posso dizer que a nova versão é ruim, pois trabalha bem uma outra perspectiva e agrada de uma forma bem bonita com a mensagem final e com bons recursos tecnológicos acaba envolvendo bastante a parte mais dinâmica do filme, porém assim como aconteceu em todas outras versões, temos muita história para contar e diálogos para serem ditos, e sendo assim alguns momentos acabam cansando demais com toda a falação.

O longa nos conta que a família do nobre Judah Ben-Hur acolheu e criou o romano Messala como se fosse um filho, entretanto, a vida leva os dois a diferentes caminhos. Depois de um mal entendido, Judah é acusado injustamente de traição pelo próprio irmão e condenado à ser um escravo. Anos depois, ele consegue escapar de seu cárcere e promete vingar-se de Messala e do império romano, que oprime o povo de Jerusalém.

O trabalho feito pelos roteiristas John Ridley e Keith Clarke foi bem interessante de ver, pois acabou criando bons momentos dinâmicos, mas ao mesmo tempo acabou contendo muitas cenas dialogadas para dar um certo ar histórico (a história é 100% ficcional sem nenhuma comprovação, mas da forma que foi contada até parece estar na Bíblia) e com isso acabou cansando um pouco, porém ainda assim o resultado final não teve tantos furos como costumam ter filmes épicos, o que já é um grade feito. O estilo de direção do russo Timur Bekmambetov, sempre procura trabalhar com ângulos mais diferenciados para dar um certo contraste e com isso acabou agradando quem gosta de ver o filme de uma forma diferente, embora ainda seja completamente a visão do protagonista e não de um narrador, como costumeiramente aconteceria um épico, ele acabou criando boas perspectivas e principalmente trabalhou bem de forma realista ao optar gravar a maioria das cenas, ao invés de colocar tudo digital como anda acontecendo ultimamente. E para quem quiser ver, aqui tem um link dos atores falando como foi filmar a ótima cena da corrida de bigas, que tanto cenograficamente quanto no quesito de impacto visceral, souberam dosar criatividade e dinâmica sem que fosse jogado apenas na história.

Quanto das atuações, de certo modo tentaram arrumar atores mais famosos que acabaram batendo agenda e não aceitaram o projeto, então com um time menos conhecido, tirando os protagonistas, o resultado foi de bons momentos, mas quase sem muitos destaques secundários. Jack Huston interpretou bem Judah Ben-Hur, mas em alguns momentos aparentou estar viajando demais no eixo técnico do personagem e ficávamos pensando no que ele também estaria pensando, deixando um ar filosófico demais para alguém que não aparentava ser, ou seja, poderia ter escolhido alguns rumos mais impactantes para agradar mais. Toby Kebbell acabou impactando com uma expressão bem séria de modo que conseguiu mostrar um Messala forte e impactante, mas também temos que pontuar que o jovem ator ficou focado demais nos diálogos e esqueceu de trabalhar mais os olhares, fazendo com que algumas cenas suas aparentassem perdidas demais. Rodrigo Santoro conseguiu ter bons momentos, pois deram bem mais cenas para seu Jesus do que as demais adaptações do livro acabaram tendo, e assim sendo ele trabalhou bem seus olhares para que o carisma de Jesus que muitos admiram ficasse coerente no longa também. Mais uma vez Morgan Freeman arrasou na interpretação de um personagem, fazendo de seu Ilderim mais um nome icônico na sua lista de bons personagens, pois acabou trabalhando tanto expressivamente como com o tom correto na entonação de suas falas, quase como um Deus novamente. O longa não focou tanto em Poncio Pilatos, mas Pilou Asbæk até fez bons semblantes para o personagem e nos momentos que precisou acabou até mostrando um bom serviço. As mulheres do filme até tiveram cenas simbólicas e emblemáticas para suas personagens, mas falharam bastante ao criar uma personalidade mais marcante, e mesmo Nazanin Boniadi acabou deixando sua Esther meio que omissa das cenas que precisaria chamar a responsabilidade, e assim sendo não agradou o tanto que deveria.

No quesito artístico podemos dizer que o filme foi excelente, pois construíram uma cenografia incrível, com ótimos elementos cênicos, figurinos perfeitos para a época, contextualizando tudo de uma maneira bem clássica e mesmo nas cenas aonde vimos a computação presente, o longa ainda acabou funcionando bem, ou seja, um trabalho primoroso da equipe que optou por segurar bem a dinâmica para que o filme fosse singelo e bem representado nas cenas pequenas, e nas mais impactantes não economizaram em nada para que o tamanho da cenografia se encaixasse no tamanho da obra. No conceito fotográfico o longa trabalhou muito os tons de marrom, para manter o tradicional épico, mas nas cenas mais densas e noturnas a equipe soube dosar bem as luzes para que o filme envolvesse uma carga dramática maior, além disso ficou claro nos momentos de ação que botaram a luz no máximo para que correndo pra tudo quanto é lado não houvesse erros, mas também o filme acabou ficando sem dar muita profundidade nas sombras. Quanto do 3D, temos alguns bons momentos que trabalharam a perspectiva já que o longa foi convertido para a tecnologia e não filmado com câmeras próprias para o uso do recurso, mas nada que seja impressionante, porém de certa forma, nos momentos mais dinâmicos o exagero do recurso (exemplo da cena da corrida das bigas) o longa treme demais e chega até a atrapalhar ver tanto movimento em primeiro plano. Portanto até vai valer ver o longa numa tela imensa que possua a tecnologia 3D para impactar, mas quem ver no modo comum não irá perder nada.

Enfim, um filme que está longe de ser perfeito, mas que agradará bastante quem for ver como um novo longa e não ficar procurando pelo em ovo para comparar com um clássico das antigas. Ou seja, vá para se divertir, curta como se fosse uma nova história, e a chance de sair bem feliz da sessão, emocionado com a boa mensagem final e vibrando pela ótima corrida, é garantia completa. Agradeço mais uma vez o pessoal da Difusora FM 91,3Mhz pelo convite para a ótima pré-estreia que sempre lotada acaba agradando a todos os convidados e sempre que precisar estamos juntos. Bem é isso, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia que apareceu pelo interior, então abraços e até mais pessoal.


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Cantando de Galo (Un Gallo con Muchos Huevos)

8/17/2016 08:01:00 PM |

Fico feliz quando mais um país bota as asas no circuito comercial de animações, pois esse é um dos gêneros mais trabalhosos de se fazer e poucos estúdios acabam arriscando suas fichas com o alto gasto em computação gráfica. Claro que o primeiro trabalho de grande escala do México não seria algo tão impactante ainda pelo conteúdo visual e de história, mas conseguiram ser ao menos polêmicos no conceito, pois quem imaginaria ver uma animação (que teoricamente é algo infantil) com a temática de rinha de galos!!! Quem ler a sinopse e pensar na temática com toda certeza não levará os filhos para conferir "Cantando de Galo", mas embora tenha a ideia seja algo impactante, o longa consegue ser bem trabalhado na superação no melhor estilo "Karate Kid". Aliás, a animação brinca com referências à diversos filmes de luta e de maneira bem bacana pelos personagens secundários da trama, que por hora parecem até bobos demais, mas acabam divertindo de maneira bem leve e agradável. Não diria ser a melhor animação que já vi, mas acaba sendo interessante e bem feita dentro da proposta que desejavam.

O longa nos mostra que Toto é um jovem galo que tem que assumir a responsabilidade de ser a figura principal de sua granja. Ele admira o galo mais velho do local, um ex-lutador que tenta fazer Toto assumir suas novas funções, como acordar todas as pessoas e animais logo pela manhã. No entanto, o pequeno local onde moram está ameaçado de falência, uma vez que a senhora que comanda a propriedade não tem conseguido mantê-la. Tentando evitar que a granja seja vendida, os animais tomam uma providência: irão a uma rinha de galo tentar fazer uma aposta que salve o local. Toto acaba escolhido e terá que enfrentar um poderoso galo, cujo dono é conhecido por tomar as propriedades de pequenos fazendeiros através de apostas e ameaças.

Além da perspectiva interessante, porém estranha de mostrar para crianças, os personagens secundários do filme nos são apresentados rapidamente no início, e parecem bem esquisitos se pararmos para pensar, mas ao pesquisar um pouco mais sobre os diretores veremos que seu filme de estreia foi sim sobre os ovos em 2009, ou seja, eles já possuíam uma história pronta que provavelmente quase ninguém fora do México viu, e que quem sabe poderia até ajudar mais no carisma absurdo que os personagens aparentavam ter. Claro que isso não atrapalha em nada, pois esses personagens apenas fazem piadas e tentam divertir com as conexões junto aos protagonistas, mas foi uma boa sacada dos diretores Gabriel e Rodolfo Riva-Palacio Alatriste de inserirem eles na trama (como quase uma continuação) para que o público depois pudesse ver sua outra obra. Além dessa perspectiva interessante, os diretores tiveram grandes sacadas ao trabalhar referências de vários longas de lutas, além de "Poderoso Chefão", e só isso já credencia o longa como uma boa diversão para fãs de cinema.

O carisma dos personagens ficou bem simples e até infantilizado pelos dubladores, mas de certa maneira os personagens também aparentam fazer as mesmas ações que são ditas. O franguinho Toto é bem chamativo e consegue segurar um pouco sua trama, mas o destaque mesmo fica por conta do ovo de pato maluco que acaba chamando bastante atenção e diverte bem com suas dicas para o protagonista. Existem dois personagens que talvez sejam também provenientes do longa anterior que são os ratinhos que acabaram meio que deslocados na trama, e isso não é legal de ver, mas também não atrapalha em nada.

O visual foi simples, simpático e até bem modelado para que o filme tivesse um formato quase que tridimensional, e nas cenas de flashback/sonhos usassem do 2D tradicional sem ficar piegas. Claro que por ser algo mais infantil o excesso de cores se torna bem apelativo, e o filme chega mesmo sem óculos a incomodar um pouco, e a cenografia em diversos momentos parece faltar elementos para compor a cena o que é um problema que poderia ser facilmente resolvido com tomadas mais fechadas nos personagens. Outro defeito técnico, que não chega a ser um erro, mas sim algo que acabamos acostumando de outras animações, é a falta de texturas nos personagens e nos cenários, o que acaba deixando o filme mais simples ainda, o que não é ruim, mas também não eleva o nível.

Enfim, é um filme bacana para conferir, que trabalhou bem e ainda contou com boas canções nos momentos certos, mas que está longe de ser um primor para que todos corram para ver, tanto que mesmo sendo distribuído por uma grande distribuidora do nível da Paris Filmes, acabou ficando em cartaz apenas uma semana no interior, ou seja, quem quiser ver e não for hoje, (ao menos em Ribeirão Preto) acabará tendo de esperar sair em DVD para conferir. Bem fico por aqui agora, mas volto amanhã com uma das poucas estreias dessa semana, então abraços e até breve.

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Mãe Só Há Uma (Don't Call Me Son)

8/16/2016 01:59:00 AM |

Existe um subgênero misturado no meio dos dramas que é o de estudo da personalidade do jovem/adolescente que sofre algum distúrbio na sua vida, e posso dizer sem sombra de dúvidas que são os filmes mais difíceis de assistir, pois se a equipe não for bem preparada para dizer o que quer mostrar logo de cara, o longa acaba arrastado e por vezes até soa bonito de se ver pela mensagem final, mas dificilmente vai se conectar com um público que não teve uma adolescência/juventude problemática da mesma forma. Havia uma grande expectativa em cima do longa "Mãe Só Há Uma" por parte do público devido o longa anterior da diretora Anna Muylaerte ter sido algo fora do comum no estilo, mas ela sequer passou perto com o resultado final, e principalmente deixou de lado a característica mais marcante que é a de comover o público com a história do protagonista, usando esse recurso somente na última cena do filme, quando já é tarde demais para recuperar todo o prejuízo. Não posso dizer que é um longa ruim, mas de longe não empolga como poderia empolgar e comover.

Após denúncia anônima, o adolescente Pierre é obrigado a fazer um teste de DNA. Ele descobre que foi roubado da maternidade e que a mulher que o criou não é sua mãe biológica. Após a revelação o garoto é obrigado a trocar de família, de nome, de casa, de escola, tudo isso em meio às descobertas da juventude.

O maior problema do filme não é nem tanto sua história, pois ela poderia ser desenvolvida de uma maneira criativa e interessante, pois o enredo é incrível, mas a diretora optou por trabalhar mais a personalidade distópica do garoto que por vezes não aceita o corpo que tem e por vezes acaba meio perdido em sua mente, que o filme acaba amarrado e até chato para quem esperava ver um drama mais complexo. Claro que isso é uma das formas de ver o filme, pois é possível enxergar até umas duas ou três óticas diferentes, que com certeza trarão resultados diferenciados para cada um, e isso é algo que alguns diretores gostam de trabalhar e muitas vezes preferem do que mostrar realmente o que desejavam. De certo modo o trabalho da diretora foi bem feito, mas que poderia alcançar rumos iguais ou até melhores do que seu longa anterior, por ser uma história até mais forte, isso certamente ela poderia, mas como costumo dizer, as vezes o caminho mais fácil não é o correto, e aqui o filme ficou faltando o clímax que todos esperavam, o da última cena, pelo menos uns 15 a 20 minutos antes, ou até algo mais forte do que o que foi mostrado.

No conceito das atuações, podemos dizer que o jovem Naomi Nero mostrou a ótima herança familiar no estilo de atuar e dosou todo o temperamento do personagem Pierre/Felipe nos trejeitos corporais e na desenvoltura expressiva de seus momentos, mas assim como disse acima, o excesso em querer mostrar os problemas da juventude, a qual muitos sequer passam por isso, seu real potencial acabou ficando de lado. Daniela Nefussi teve trabalho em dobro ao fazer as duas mães do garoto, Araci e Glória, e embora muitos não achem isso um problema, pois a atriz soube trabalhar bem duas personalidade completamente diferentes, o filme acaba tendo uma dúvida grande no ar, de algo até inexistente, mas que poderia ser pensado, de o jovem ter até mais problemas em relação ao imaginário também, o que com certeza não era algo previsto no roteiro. Matheus Nachtergaele sempre faz bons papeis, mas seu Matheus é tão irritante na cena da loja e do boliche que acabamos mais irritados com o que faz do que gostando de sua interpretação, claro que esse era o objetivo, mas um tom abaixo e ainda seria bem feito. Outro que merecia mais destaque no longa e acabou meio deixado de lado foi Daniel Botelho, que teve boas cenas com seu Joca, mas sempre nada revelado para o público, seus problemas e dificuldades foram ficando apagadas e sempre se via na expressão do ator que ele poderia dar mais para o filme, o que foi uma pena. E se reclamo de Daniel Botelho, de Lais Dias então, simplesmente participou do filme com sua Jaqueline e adeus. Os demais adultos aparentavam um certo desespero em acabar suas cenas, que por vezes foram semelhantes e não agradaram.

Sobre o visual do longa, tivemos bons momentos em quase todas as locações, fosse nas festas, na banda da garagem, na demonstração de diferenças de classes e desejos com a cena dos pais biológicos da garota, da boa elaboração cênica das duas casas com claro pichações no melhor estilo que conhecemos bem, e claro dos figurinos que o jovem usou para representar suas dúvidas, mas de certa forma foram singelos em tudo sem almejar um resultado mais expressivo por conta do conteúdo artístico, e isso em alguns momentos até chegou a soar falso, o que não é legal, principalmente na cena do boliche, aonde qualquer pessoa chegaria perto de uma briga desse estilo, e assim sendo nem parecia que estavam realmente ali. As nuances da fotografia foram bem dosadas com diversos tons, para oscilar bem os momentos "felizes" com os momentos de dúvida do personagem, e esse trabalho mostrou que a dramaticidade por cores vem crescendo e muito no Brasil, e quem sabe em breve vamos ter um filme daqueles de nos apaixonarmos pelas ótimas simbologias, sem ficar somente no tom de drama e tom de comédia como muito ocorre por aí.

Enfim, volto a frisar que não é um filme ruim, mas ficou muito aquém do que poderia alcançar, e principalmente é um longa feito ou para jovens que passaram/passam por problemas de dúvidas na sua juventude, e podem ou não passar por um trauma grande, ou para pessoas que possuem conhecidos nesse estilo, pois os demais vão acabar achando tudo falso e fora de uma conotação possível de existir. Portanto essa fica sendo a minha recomendação para se pensar antes de ir conferir o longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais estreias e com o filme que acabou faltando dessa semana, então abraços e até breve.

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Um Espião e Meio (Central Intelligence)

8/13/2016 02:48:00 AM |

É interessante observar como as comédias acabam sendo o gênero que mais consegue surpreender positiva ou negativamente, pois algumas acabam entregando todas as boas piadas no trailer de tal maneira que chegamos no filme e sequer rimos das situações que são incluídas. Em "Um Espião e Meio" até conseguimos rir em alguns momentos pelas boas referências que acabaram inserindo de outros filmes com os atores e até mesmo alguns clássicos de segundo escalão, mas é tão difícil se divertir a valer com a trama de tal maneira que nem fazer jus à classificação de comédia com espiões que era um gênero muito bem trabalhado antigamente o longa se pode classificar. Claro que vai ter aqueles que vai rir bastante com algumas sacadas da trama, mas o roteiro acaba se perdendo de tal maneira que chega a dar pena a tentativa frustrada de encaixar dois atores esforçados para conseguir tirar algum riso em algumas cenas constrangedoras.

A história acompanha um nerd que sofreu muito bullying no passado, mas que ao crescer se tornou um agente letal da CIA. Dizendo estar em um caso ultrassecreto, ele recruta a ajuda do antigo “cara forte da sala”, que agora é um contador que sente falta de seus dias de glória. Mas, antes do sério contador perceber no que ele está se metendo, é tarde demais para sair, enquanto seu imprevisível novo amigo o arrasta para um mundo de tiroteios, traição e espionagem que pode mata-los de maneiras incontáveis.

Alguns diretores costumam ser apelativos em seus filmes, outros acabam trabalhando bem as referências e se perdem completamente na dinâmica rumando para lados confusos e sem muito resultado para com o que desejava atingir e em alguns casos a mistura de gêneros nem sempre nos entrega bons momentos. Aqui o problema principal de Rawson Marshall Thurber é que seu estilo de direção é desorganizado, e acaba trabalhando a comicidade em momentos que não soam engraçados e com isso vai se perdendo com o filme todo. Claro que ele não se atrapalhou sozinho, pois a história foi escrita a cinco mãos, e com toda certeza a bagunça no desenvolvimento completo do texto final é notável por cenas que começam de uma maneira se desenvolvem de outra completamente diferente e termina sem ter um fluxo coerente nem com o começo, muito menos com o miolo, e assim sendo mesmo com boas piadas, as quais a maioria já estavam nos dois trailers lançados, o filme acaba patinando e falhando no ponto principal que é divertir. Porém felizmente os erros de filmagem mostrados após o fim do filme foram bem divertidos e fizeram valer a noite.

O mais engraçado é saber que ambos os protagonistas já fizeram boas comédias e Dwayne Johnson já fez diversos filmes desse estilo aonde trabalha comicidade com âmbito policial, mas seu Bob pareceu meio perdido nas filmagens soando apenas simpático para com seus momentos, o que não é algo que venhamos a esperar dele, porém quando bota a pancadaria para funcionar no filme, ele se sobressai e entrega boas cenas, o que faz valer assistir ao filme, além disso sua versão jovem interpretada por Sione Kelepi fez boas caras e bocas mesmo que tenha sido uma cena totalmente apelativa. Kevin Hart é outro que gosta de trabalhar em longas policiais, e sempre jogando firme com seu estilo de comicidade fez do ator alguém bem credenciado para o papel de Calvin, mas o ator até tentou chamar a responsabilidade para si em alguns momentos, mas oscilou demais nos momentos mais sérios e acabou atrapalhando um pouco, claro que dá para rir bem em suas cenas, mas poderia ter sido bem melhor. Os demais atores funcionaram mais como elos para as cenas, e quase raramente deram o tom correto para a trama, de tal maneira que Amy Ryan destoa completamente como uma agente da CIA (tirando sua cena tomando café e explicando tudo), Danielle Nicolet é quase um enfeite com sua Maggie e Aaron Paul ainda deve estar se perguntando de onde veio o cachê pelas três cenas que fez (sendo que uma praticamente foi feita só por seu dublê).

Visualmente o longa até possui bons momentos, trabalhando duas épocas, colocando os personagens em boas cenas de perseguição e trabalhando as locações com determinação e coerência para que nada saísse jogado demais, mas de certa forma esqueceram que em filmes cômicos se necessita trabalhar mais a perspectiva cênica, mesmo que de forma exagerada e escatológica, e aqui deixaram que o filme fluísse totalmente dependente das piadas dos protagonistas em cena, o que não acabou rolando, ou seja, fizeram a ambientação, mas nada em cena foi quase usado, vide a cena no local secreto que sequer trabalharam ali dentro e poderia ter diversas cenas engraçadas. Nesse quesito o destaque fica por conta das cenas com o avião tanto no chão quanto no ar. A equipe de fotografia certamente teve muito trabalho já que o diretor fez diversas cenas noturnas e em locais fechados com muito espaço, pois a iluminação não teve erros, mas também não pode ser ousada.

Enfim, a ideia do longa foi boa e até bem usada, mas acabou falhando em tantos pontos e principalmente no ponto mais forte que é a falta de um ótimo humor que acabamos saindo da sessão mais incomodados do que felizes com o que nos é mostrado, e sendo assim não dá para recomendar o longa para quase ninguém, só se você já viu tudo o que está passando nos cinemas e ainda deseja ir ao cinema ver algo novo, senão com certeza haverá comédias melhores para conferir nos cinemas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais posts, então abraços e até breve.

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Perfeita é a Mãe! (Bad Moms)

8/12/2016 01:35:00 AM |

Sei que tem muita gente que foge de comédias mais escancaradas e alguns críticos até já queimam alguns filmes desse estilo (alguns até sem assistir) por não fazer uma linha mais cult e cheia de detalhes em roteiros, mas com toda certeza temos de deixar de lado alguns preconceitos e ir assistir alguns filmes por diversão somente, e geralmente indo sem esperar muito do filme acabamos gostando e nos divertindo bastante com alguns longas. Digo isso sem nenhum pesar, pois "Perfeita é a Mãe!", que foi um título ruim para "Bad Moms", é cômico na medida certa para agradar quem for disposto à curtir toda zoação no estilo "Se Beber, Não Case!", mas agora com mães revoltadas por todo o perfeccionismo imposto em algumas instituições de ensino no mundo para com as mães de seus alunos. E com ótimas músicas, atrizes dispostas a fazer de tudo, e claro mensagens fofas em alguns momentos rebatendo o excesso de palavrões em outros, o longa é uma grande dica para diversão escrachada nos cinemas.

A sinopse nos mostra que uma mulher, com vida aparentemente perfeita - bom casamento, filhos exemplares, ótimo emprego, etc - acaba ficando estressada além do ponto com as obrigações domésticas. Cansada da situação, ela se une a duas outras mulheres que passam pelos mesmos problemas e juntas iniciam uma intensa jornada de libertação.

Não bastassem terem roteirizado bem toda a franquia "Se Beber, Não Case!", os diretores/roteiristas Jon Lucas e Scott Moore voltam agora com seu segundo longa, após irem muito bem em "Finalmente 18", e aqui mostram que seu estilo é justamente esse: o escracho colocado na medida certa para não colidir com a boa pegada, e ainda souberam administrar bem os momentos mais emotivos de lições familiares para mostrar que embora seja um ser mitológico (afinal mães fazem tantas coisas que nem conseguimos explicar) elas também erram e desejam sim ter um tempo para poderem viver suas vidas. E com uma dinâmica bem cheia de nuances, os dois pegaram o que as atrizes possuíam de bons recursos e trabalharam ora colocando exageros cômicos (e até forçados), ora trabalhando com o ritmo bem acelerado para funcionar o estilo que desejavam. E se em alguns filmes essa fórmula batida incomoda e até irrita, aqui soou na medida certa para divertir, pois acaba dando certo tanto a forma de homenagem para as mães que por muitas vezes abandonam tudo para fazer os gostos dos filhos, mas sem apelação emocional ou dramatização barata, deixando que as piadas e as gags funcionassem sozinhas dentro da proposta exata.

Sobre o elenco é interessante ver como Mila Kunis conseguiu ficar perfeita para o papel de Amy, principalmente por sempre oscilar entre comédias e dramas familiares na carreira e com isso ela acabou dosando bem o papel nos dois vértices, claro que pareceu bem desgastada ao final por principalmente muitas cenas rápidas, mas de certo modo a atriz se mostra disposta a encarar tudo o que lhe for proposto e ainda fazer bem. Do elenco completo, certamente quem extrapolou todos os exageros possíveis dentro de uma única personagem foi Kathryn Hahn com sua Carla, mas mesmo com cenas forçadas, a atriz soube ter a pegada certa para alguns dos momentos em que a protagonista mereceu alguns socos de realidade, e isso é algo que temos de levar para a vida, tendo aquele amigo que quando estamos viajando muito vem e fala com certeza o devemos fazer, mas poderiam ter amenizado muitas cenas desnecessárias suas (por exemplo o mercado completo de todas as personagens). Kristen Bell fez bem sua Kiki de modo inicial abobada demais, mas foi se encaixando e agradando com sua simplicidade, além de funcionar para uma das ótimas piadas com sua personagem mais icônica (a Elsa de "Frozen"). Agora se existe uma pessoa com personalidade marcante é Christina Applegate, pois sua Gwendolyn é daquelas mulheres que você fica com medo de mexer e a atriz mostra em cena como apenas um olhar pode dizer muitas palavras, trazendo até o final uma característica própria e agradando muito. Tivemos outras mulheres bem encaixadas na trama, mas para não alongar muito, vou preferir falar um pouco dos dois homens do filme, pois David Walton apareceu em poucas cenas com seu Mike e fez papel de bobo com uma personalidade fraca, enquanto Jay Hernandez já foi por outro rumo servindo de apreço para os olhos das mães do filme e claro da mulherada presente na sessão, ou seja, aquele contrato maroto para aparecer sem camisa. As crianças até tentaram fazer boas cenas, mas nitidamente se mostraram sem preparo ou cuidado por parte dos diretores, pois ficaram bem artificiais em todas. Destaque altamente positivo para as mães reais das atrizes dando depoimentos nos créditos das suas "maldades" com as filhas.

Comédias desse estilo não costumam ser muito primorosas em relação ao visual, pois acabam deixando de lado bons cenários e elementos cênicos para que as piadas fluam somente com as personagens, mas aqui os diretores brincaram bastante com outros filmes, trabalharam bem algumas festas e colocaram carros para correr a todo vapor gastando até bons momentos com alguns objetos luxuosos, mas sempre usando à favor do filme e não apenas para ostentar, o que é muito bacana de se ver. No conceito fotográfico é claro que usaram muitas cenas bem iluminadas para manter o tom divertido, e baixaram o tom nas cenas mais envolventes para dar uma leve dramatizada, mas sem que destoasse de todo o restante, ou seja, um trabalho simples, mas muito bem feito.

Agora sem dúvida alguma um grande acerto ficou por conta da ótima trilha sonora escolhida para dar o tom certeiro na trama, de tal maneira que é uma ótima dica para escutar em qualquer momento todas as canções que se encaixam dando a dinâmica mais coerente para cada cena, e em algumas cenas até chamando mais atenção do que todo o conteúdo ao lado. Claro que o Coelho não ia deixar seus leitores procurando, e aqui já fica o link completo do filme.

Enfim, fui conferir o longa até com um pé atrás pelo trailer já esperando muito mais bobeira do que o que me foi apresentado, e dessa maneira acabei me divertindo demais com tudo o que vi no cinema, e sendo assim recomendo o longa com toda certeza para quem quiser ver uma boa comédia, apelativa mas sem exageros e que vai divertir quem estiver disposto a rir das situações que as protagonistas acabam fazendo. Fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais algum post das estreias que vieram para o interior, então abraços e até logo pessoal.

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Vidas Partidas

8/09/2016 01:32:00 AM |

Acho interessante quando um filme nacional consegue fugir dos entremeios novelescos para criar um drama que funcione bem no cinema, e "Vidas Partidas" embora pareça monótono pelo trailer e trabalhe com um tema que muitos até evitam por achar jornalístico demais, acaba destoando bem do fraquejo tradicional e acaba até agradando de certa forma. É claro que o longa não forçou nem metade do que sabemos que muitas mulheres sofrem nas mãos de "homens" que as agridem e por muitas vezes acabam com suas vidas, e também fica claro que a trama não desejou criar um vértice policial mais envolvente que criasse perspectivas mais elaboradas, porém o resultado da forma dramática que optaram por mostrar acaba fluindo bem, e o público que for conferir (digo isso na teoria que imagino, pois na minha sessão só havia eu novamente, não tendo como analisar outras reações) certamente irá torcer por algo mais justo ali e sairá da sessão também torcendo para que outros casos do estilo tenham sucesso, pois como sabemos bem, são poucas as mulheres que possuem coragem para denunciar atos violentos em suas residências, e no filme vemos que por bem pouco a protagonista não foi a fundo também.

Na história, Graça e Raul são um casal apaixonado que vive cenas românticas capazes de acabar com quaisquer dúvidas sobre seu amor. Porém, como na maioria dos casos de violência, o problema está escondido atrás dessa falsa felicidade. Graça é uma biomédica bem-sucedida, mãe de duas filhas, vítima de um crime de violência doméstica no Brasil dos anos 80. Raul, seu marido, é um homem sedutor que, por ciúme, transforma-se em algoz. A relação ardente e passional entre o casal começa a desmoronar quando ele fica desempregado enquanto ela avança em sua carreira. Preocupada com a situação, ela pede ajuda ao ex-marido, que, secretamente, indica Raul a uma vaga de professor na Universidade. Quando Raul começa a se reerguer financeiramente e se igualar à mulher, ele descobre de onde veio o emprego, o que o torna gradativamente agressivo. As cenas de ciúmes são frequentes e começam as agressões físicas e psicológicas.

O diretor Marcos Schechtman é mais conhecido pelas grandes novelas que fez, e esse sem dúvida alguma era o meu maior medo, de que ele transformasse a história em uma novela arrastada e chata de acompanhar em seu primeiro longa-metragem, mas diferente disso, ele acabou trabalhando bem a forma interpretativa dos atores, deixando que a história em si fosse contada mais pelo roteiro (que possui um grande arco para ser desenvolvido) do que por suas próprias mãos, e assim sendo o resultado se forma de maneira crível e bem dinamizada, ainda que o filme pudesse ter veios mais impactantes e chocantes para que o filme se voltasse mais para o lado policial que está inserido bem levemente dentro da trama. Ou seja, o filme flui bem pelas forma que optaram em fazê-lo, mas ficou um pouco travado no meio da discussão sobre quais rumos seguir, pois facilmente poderia ir por três rumos completamente diferentes que ainda agradaria (um lado mais romantizado, mesmo que de maneira violenta, afinal temos muitas mulheres que mesmo sofrendo diversas agressões ainda amam seus parceiros mais do que suas próprias vidas, outro indo para um rumo policial mais dramatizado aonde teríamos investigações rumando para todos os lados, o qual particularmente me agradaria bem mais, e o terceiro aonde veríamos os veios psicológicos de motivos para o cara ser assim, que alguns até gostariam, mas seria o mais fraco dos três). Ou seja, já falei isso diversas vezes aqui, e se você que me lê algum dia for dirigir um longa, não fique na dúvida de que rumo seguir caso tenha mais do que uma opção, siga uma e seja feliz, pois a dúvida vai estragar pelo menos parcialmente seu filme.

Sobre as atuações, basicamente temos de dar valor para a performance de Domingos Montagner, pois seu Raul realmente precisou de muita coragem expressiva por parte do ator, já que necessitou bater na mulher, humilhar a filha e ainda ser agressivo em outras cenas, virando quase um cordeirinho quando o julgavam culpado, ou seja, diversas nuances para que ele não errasse na dosagem certa para chamar atenção e ainda ter credibilidade, ou seja, um trabalho incrível de ver, que beirou o limite para acabar errando. Não conhecia a atriz Naura Schneider, mas posso dizer que sua Graça demonstrou bem as expressões que muitas mulheres que sofrem abusos acabam fazendo, porém poderia ter trabalhado alguns momentos de forma mais impactante, claro que se o diretor lhe pedisse também, mas aí é que entra também a economia, pois a atriz já era a produtora do longa e poderia facilmente ter contratado ou indicado alguma outra atriz melhor para o papel, mas como bem sabemos no Brasil a economia as vezes ajuda e em outras atrapalha, e aqui senti falta de um rosto mais forte. Dos demais atores, grandes atores fizeram pequenas participações e não chamaram tanta atenção para suas cenas, como aconteceu com Milhem Cortaz, Augusto Madeira, Nelson Freitas e até Jonas Bloch, e com isso vale a pena destacar apenas as expressões de medo de Georgina Castro com sua Nice, que claro acabou falando bem pouco, mas com seus olhares disse muito e saiu positiva com o que fez.

O trabalho da equipe de arte foi bem elaborado para situar o longa nos anos 80 com figurinos, carros, e até mesmo na decoração da casa, pois quem viveu nessa época irá reconhecer bem os detalhes cênicos e com certeza não irá reclamar de nada nesse quesito, porém ao remontar as duas versões do crime, abusaram para algo errôneo nem tanto pela direção de arte, mas por abusar que alguém (no caso a mulher) veria tudo bonitinho como é mostrado no depoimento dela no tribunal, e isso acaba sendo uma falha até grave demais de ser mostrada com tantos detalhes, porém como a linhagem do diretor é de novelas, seria impossível que ele deixasse a ideia aberta para que o público criasse a perspectiva total, e sendo assim, a arte foi precisa, mas desnecessária no conteúdo de detalhes. Sobre a fotografia, souberam dosar em tons mais escuros para dar claro a dramaticidade e ousaram bastante na iluminação de preenchimento, afinal gostaram de fazer diversos planos vistos de cima, e nesse ângulo, o trabalho da fotografia sempre é algo bacana de ver, pois qualquer erro aparece demais, ou seja, poderiam facilitar, mas não daria a ótima nuance que conseguiram criar.

Enfim, é um filme bem feito, que poderia ser muito melhor se fosse por um outro rumo como falei acima, mas longe dos erros a trama agrada e trabalha bem com um tema de difícil aceitação pela sociedade. Portanto veja sem preconceitos e analise mais o longa trabalhando ele com um viés mais politizado dentro da nossa cultura, pois como filme é capaz que quem quiser uma diversão menos rigorosa vai acabar reclamando, e sendo assim fica minha indicação e recomendação para quem for assistir. Fico por aqui encerrando essa semana cinematográfica, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até lá pessoal.

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Negócio das Arábias (A Hologram for the King)

8/08/2016 12:33:00 AM |

É interessante quando vamos ao cinema sem saber muito sobre o que iremos ver, e geralmente a surpresa costuma ser boa quando se trabalha com um ator conceituado e que mesmo fazendo um longa sem muitas perspectivas consegue destoar e envolver com a busca por um objetivo maior. Desta forma "Negócio das Arábias" trabalha bem a ideologia do recomeço empresarial após uma grande frustração, e com boas nuances consegue nos dar lições e mostrar que o surto que nossas cabeças acaba montando com transtornos sobre dar certo e/ou funcionar apenas devem surtir como uma tentativa de conhecer novas possibilidades e de certa maneira acaba sendo um trabalho diferenciado. Claro que há problemas como algumas coisas desnecessárias e alguns vértices mal conectados, mas a ótima interpretação que Hanks dá para seu personagem acaba envolvendo bem mais do que qualquer outra coisa que desagrade, ou seja, um filme interessante, mas longe de ser algo memorável.

Um empresário americano em apuros financeiros chamado Alan Clay (Tom Hanks) viaja para a Arábia Saudita em busca de novas oportunidades. Na próspera cidade de Jeddah, longe da complicada realidade da recessão que assola os Estados Unidos, ele realiza uma última e desesperada tentativa de evitar a falência completa, pagar a caríssima faculdade da filha e, talvez, realizar algo de bom e surpreendente em sua vida. Nesse deserto insólito, ele irá se deparar com uma estranha e fascinante galeria de personagens, gente vinda do mundo inteiro para cumprir todo tipo de ambição, como se convergissem para lá os pontos de uma realidade que parece se esfacelar. É nesse espelho quebrado de nacionalidades e aspirações que Alan tentará juntar os cacos de sua própria vida e recriar sua existência.

O diretor Tom Tykwer costuma se dar melhor com longas em que o drama flui sem muitas ideologias, o que não é o caso do longa baseado no livro de Dave Eggers, pois ele até tentou trabalhar bem a perspectiva dos problemas da mente em conflito com as mudanças, mas acabou deixando seu longa sair mais pela tangente se preocupando mais com uma teoria corporativa do que com uma ideia própria para o cinema realmente. Claro que isso não é algo ruim, visto que futuramente o longa pode até ser utilizado nesse quesito por empresas como algo motivacional, mas o filme soa singelo demais para ambos os lados, e esse erro do diretor, que também foi responsável pela adaptação do livro roteirizando o longa, acaba demonstrando que ele tentou salvar a trama pegando um ator de peso, pois sem isso o resultado acabaria sendo pior do que o que acaba acontecendo. Ou seja, um filme que mostra bons contrapontos principalmente por trabalhar a fuga de muitas pessoas dos EUA na época da recessão, tentando sobreviver em países aonde sequer podem ter suas vidas de uma maneira normal, mas que brincou demais com a mente mostrando que ter controle emocional na vida é algo que facilita muito o resultado final.

Sobre as atuações, como disse acima é fato que a escolha de Tom Hanks certamente foi algo claro para que um filme simples tivesse nuances mais elaboradas, pois seu Alan Clay teve expressões fortes e momentos incríveis frente ao trabalho que ele desejava atingir, principalmente no momento de surto dele, e claro nas suas cenas finais, mas o ator dosou demais a calma e isso é algo que muitos não tiveram na época da recessão, então poderia ter trabalhado alguém mais conturbado como já fez em outros personagens. O trabalho de Sarita Choudhury ficou bem marcado pela personalidade que deu para sua médica Zhara, com uma boa expressividade e momentos fortes dentro da ideologia da mulher nos países do Oriente Médio, mas mesmo que o filme trate uma renovação interessante dos personagens, algumas de suas cenas não seriam necessárias para o que o filme queria passar. Alexander Black caiu bem dentro do estilo de Yousef e por ser sua estreia em longas, o jovem ator mostrou dinâmica e carisma suficiente para chamar a responsabilidade em um longa mais complexo, claro que em alguns momentos seu tom exagerado cansa, mas ainda assim é interessante ver suas escolhas musicais com a expressão de tentar agradar o parceiro de viagem. A dinamarquesa Sidse Babett Knudsen fez de sua personagem Hanne uma mulher de atitude, mas exagerada de certa forma para com a proposta do longa, não sei se como ela disse muitos viraram adolescentes na curtição em um país tão rígido como é a Arábia, mas mostrou estilo ao menos na expressividade. Os demais atores tiveram mais participações se conectando com o protagonista, mas nada que merecesse ser destacado dentro do contexto geral, sendo assim simples coadjuvantes mesmo.

Sobre o contexto visual da trama, foram bem coerentes ao mostrar como alguns países/cidades têm nascido do nada em meio à desertos e com toda uma forma bem interessante por trás de sua criação, com muita tecnologia, localizações pensadas para funcionamento específico e principalmente para mostrar que podem virar potências, e a equipe artística trabalhou muito bem essa criatividade para que o filme ficasse bem dentro do que desejavam colocar na trama, pois o filme em si não tenta mostrar locais lindos, nem mesmo toda a cultura do país, mas sim sua formação em contraponto com o conhecimento claro dos americanos, que desejavam chegar em um lugar e já estar tudo pronto bonitinho com wi-fi batendo em sua porta com 4 risquinhos no máximo, e não é bem isso o que acabam achando. Embora todas as cenas possua algo para ser mostrado, a cena mais impactante é a que Hanks subindo as escadas da construção acaba encontrando diversos estilos de vida, e ali sim o filme diz a que veio no conceito gráfico. A fotografia trabalhou de uma maneira sem muitos tons, e isso só é revertido nas cenas em que os protagonistas nadam, e quando estão numa caçada, pois no restante a linearidade é tão alta que chega a ser até cansativo.

Enfim, é um filme bacana de ser visto, mas que o público em geral não deve gostar muito do que verá pois não é um filme que atinge nem uma dramaticidade espetacular, nem puxa para o lado mais aventuresco ou cômico, ficando bem no meio do caminho que dizem ser o sucesso profissional corporativo, e assim sendo diria que só recomendo ele para trabalhos de motivações empresariais e nada mais. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a outra estreia da semana, então abraços e até breve.

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Esquadrão Suicida em Imax 3D (Suicide Squad)

8/05/2016 01:53:00 AM |

Eis que surge um dos filmes mais esperados do ano, e com isso a quebra de muita expectativa também, o que sempre digo ser um dos maiores problemas para com um filme, pois geralmente são raros os longas que conseguem suprir o desespero de muitos fãs ao mostrar em inúmeros trailers tudo o que possa criar alguma desenvoltura. Com "Esquadrão Suicida" desde o começo das gravações, o diretor David Ayer publicou diversas imagens, trailers e tudo mais que pudesse criar alvoroço em cima do longa, e claro que também muitas controvérsias, afinal temos de um lado os fãs de filmes da Marvel (que já vem primando bem suas obras desde uma longa data) e os fãs da DC (que andam apanhando um pouco para conseguir criar um universo mais coeso), e sendo assim era certo que ao lançar haveriam diversas críticas positivas e inúmeras negativas já que a briga entre os quadrinistas é algo bem grandioso, e muitos críticos são pagos gostam de criar polêmicas. Como não me incluo nesse seleto grupo, fui conferir com muita expectativa, mas também com um certo receio após a enxurrada de críticas negativas que o longa recebeu, e logo de cara posso falar que não é um filme perfeito como poderia ser, tendo diversos defeitos que vou explanar melhor abaixo, mas é um filme bem divertido, coeso dentro da proposta que desejavam seguir, e principalmente agradável de assistir, o que já lhe qualifica a estar entre bons filmes de super-heróis, e como costumo dizer se um filme é bem produzido e consegue contar uma boa história já vale com toda certeza o ingresso. Portanto, vá sem muito anseio, e se jogue como a Arlequina brincando com tudo, que com toda certeza irá sair da sessão fazendo muita festa!

A sinopse do filme nos conta que após a aparição do Superman, a agente Amanda Waller está convencida que o governo americano precisa ter sua própria equipe de metahumanos, para combater possíveis ameaças. Para tanto ela cria o projeto do Esquadrão Suicida, onde perigosos vilões encarcerados são obrigados a executar missões a mando do governo. Caso sejam bem-sucedidos, eles têm suas penas abreviadas em 10 anos. Caso contrário, simplesmente morrem. O grupo é autorizado pelo governo após o súbito ataque de Magia, uma das "convocadas" por Amanda, que se volta contra ela. Desta forma, Pistoleiro, Arlequina, Capitão Bumerangue, Crocodilo, El Diablo e Amarra são convocados para a missão. Paralelamente, o Coringa aproveita a oportunidade para tentar resgatar o amor de sua vida: Arlequina.

O maior problema do filme sem dúvida alguma se chama tempo, pois um filme com tantos personagens diferentes e que nunca foram apresentados no cinema (tirando Batman e Coringa), necessitavam pelo menos umas três horas de duração, e entregar algo com 130 minutos apenas é algo que nem o mais ensandecido editor ou diretor conseguiria sem penalizar demais o resultado, e com isso em mente a forma de abertura/apresentação de cada personagem foi algo completamente errôneo, pois capricharam nos escritos, elaboraram boas cenas introdutórias, mas passa tão rápido que você nem presta atenção no que aparece, e muito menos consegue ler tudo (talvez quando lançar em DVD venha tudo separado que será algo bacana de ver), ou seja, se a forma de abertura já deu errado, colocar mais personagens ainda foi quase um crime, pois do nada apareceu um outro personagem que disse sequer umas duas ou três frases e você já fica pensando "De onde surgiu esse cara? Quem é ele?", e claro que mais do nada retiram ele também do esquema, ou seja, se o caboclo ia ser inútil (não que seja, pois acabam aprendendo algo com ele) pra que colocar mais um aonde já temos vários que não vai dar tempo de apresentar e usar o pouco tempo com ele? Não sei até onde a liberdade criativa de do diretor David Ayer pode ser usada, mas ele certamente poderia ter trabalhado com menos personagens (o que alguns fãs cairiam matando ele também) ou talvez não ter abusado tanto de apresentações, já indo direto para o ponto chave (o que daria errado também). Ou seja, o mais correto era ter mais tempo, ou dois filmes para que tudo se encaixasse direito e agradasse bem mais, porém volto a frisar, isso é um erro grave, mas que não atrapalha a diversão completa que a trama conseguiu atingir, pois cada momento funciona bem na dinâmica em geral, então quem relevar poucas apresentações vai acabar curtindo e ao final até parecerá bem íntimo de cada um dos personagens, pois no desenrolar da trama o diretor soube dosar bem as qualidades de cada um para que o filme agradasse sem ser muito pesado, o que funciona mais para os não fãs do que para os reais fãs mesmo. Ainda falando sobre o pouco tempo, outro problema da trama foi que certamente foi filmado muitas cenas, e na montagem para dar a duração desejada pelos produtores/distribuidores, acabaram cortando muita coisa, e em alguns momentos até de maneira mal-feita, o que para quem tiver um olhar mais aguçado vai até assustar com alguns pontos que do nada quebram o andamento correto e fluido que um longa poderia ter. Ou seja, poderia falar muito mais desse problema, mas vou optar em falar do resultado final da história, que esse sim vale a pena ser comentado, pois acaba agradando bastante quem não se ater tanto a detalhes, e for disposto a curtir um filme que poderia ter ao menos um vilão mais decente e com um arquétipo mais bem montado, pois nem os motivos reais de sua fúria são mostrados, quanto mais sua real força.

Sobre as atuações, definitivamente esse é o ano de Margot Robbie mostrar que pode fazer o que quiser no cinema que iremos amá-la, pois sua Arlequina é o ponto forte em sutilezas, comicidade e claro sedução, pois não vai existir um marmanjo que não fique babando em suas curvas, e claro que o figurino também deu uma forcinha para isso, porém voltando à falar de sua interpretação, a jovem atriz australiana de apenas 26 anos já vem mostrando serviço e assim que lhe derem um protagonismo realmente para assumir à frente vai colocar com unhas e dentes toda a ótima personalidade que tem, pois expressiva ela é e mostrou muito bem como segurar a onda no meio de diversos personagens em um filme, ou seja, detonou geral e quase roubou o filme para si. Para quem achava que Will Smith não combinava muito com o personagem do Pistoleiro vai ficar impressionado com a dinâmica que o ator deu para o papel e até de certa forma como ele pode ser usado em outros filmes da DC, é claro que poderia ainda fazer muito mais, mas ainda assim agradou bastante. Viola Davis é uma atriz completa, isso todos sabem pelos ótimos papeis que já fez, e aqui não foi diferente com sua Amanda Waller, pois impôs uma postura rígida, sem amizades e que determinou bem o ritmo de suas cenas, talvez faltasse um pouco mais de conhecimento sobre quem é ela no mundo em geral, mas agradou bastante. Outra grande atuação ficou por conta de Cara Delevingne com sua Magia, pois inicialmente antes de sair a sinopse original acreditava que ela seria de um lado da história, mas era algo mais factível que uma bruxa não seria alguém bem normal de ajudar um grupo, e com ótimos semblantes expressivos, a atriz soube dominar bem suas cenas e agradar bastante no que fez, claro que volto a afirmar que está longe de ser a melhor vilã de um longa, mas soube trabalhar muito bem com suas duas personalidades e chamar a atenção para si, juntamente com o outro vilão interpretado por Alain Chanoine. O que falar de Jared Leto, que foi esforçado na personalidade de seu Coringa, e que trabalhou bem a expressividade para mostrar sua loucura, mas infelizmente o personagem é um coadjuvante na história, e suas cenas foram quase jogadas rapidamente para dar um tom na trama, portanto ele tem de ser colocado no novo longa do Batman de Ben Affleck (que aqui faz uma leve participação em algumas cenas), para aí sim mostrar sua ideologia e ficar marcado como um bom Joker, pois de certa maneira agradou no que fez, mas bem longe da insanidade expressiva de Heather Ledger. Os demais personagens, podem até agradar em diversos momentos tentando chamar a atenção, mas foram quase que enfeites cênicos da equipe, fazendo aparições para mostrar sua força e/ou característica, mas tudo ficando bem superficial, de modo que podemos dar destaque somente para a história de vida de El Diablo interpretado muito bem por Jay Hernandez, e pelo determinismo de Joel Kinnaman com seu Rick Flag, mas nada que seja impressionante de ver.

O que posso dizer sem dúvida alguma é a qualidade da equipe de produção que junto de uma direção de arte impecável fez das locações lugares completamente destruídos pela antagonista de tal maneira que realmente parece o fim do mundo o lugar aonde os personagens vão, além claro de não pequena amostragem da vida anterior de cada um, montarem ótimas esquetes cênicas recheadas de elementos visuais para não botar defeito algum (tirando o pouco tempo, sei que estou sendo bem chato com isso). Ou seja, um filme que tinha elementos precisos, bons figurinos, efeitos digitais de primeira linha, composições computacionais bem encaixadas, mas que não teve o impacto da forma que poderia para mostrar tudo isso, de tal maneira que temos um filme tecnicamente perfeito para ser visto e apreciado, mas que não atinge o clímax em momento algum pela correria das cenas. No conceito da fotografia trabalharam bem o tom mais escuro para dar uma certa tensão, mas após o fracasso da bilheteria de "Batman vs Superman", as cenas foram mais colorizadas e dado mais participação para Arlequina e Coringa com toda certeza pelo vigor de seus tons e um chamariz mais cômico para a trama, o que não foi errado, mas que acabou pecando em sutilezas mais duras para que o filme criasse uma certa tensão. Ou seja, não temos algo ruim por ser divertido, muito pelo contrário, talvez tenha sido o grande acerto, pois se além de picotado e corrido, tivessem deixado um filme morno, o povo sairia explodindo os cinemas após reclamar muito. Sobre o 3D, temos umas 3 ou 4 cenas excelentes, com objetos voando, uma profundidade bem encaixada, mas só, de tal maneira que até os efeitos nos créditos são mais tridimensionais que a trama inteira, portanto quem quiser economizar pode ir tranquilamente que não irá perder nada, afinal foi um longa convertido após as filmagens, sem que houvesse qualquer preocupação de usar a tecnologia sem ser para ganhar uns trocos a mais.

Agora um ponto extremamente positivo ficou para a escolha musical do longa, com trilhas que deram um ótimo ritmo e principalmente desfocaram os erros de timing, que tanto falei acima, ou seja, vale muito a pena escutar tudo seja no filme ou em casa, e por isso, deixo aqui o link das canções.

Enfim, volto a frisar que gostei muito do que vi, ficando dentro da expectativa que criei sobre o filme, mas longe claro de superá-la, afinal estava bem alta, mas precisei pontuar todos os problemas que notei, senão não estaria sendo crítico como devo ser. Ou seja, é um filme bem divertido, que agrada, bem contextualizado, com ótimos personagens que poderiam ser muito mais utilizados, mas que falha em ser curto e picado demais, pois teria tudo nas mãos para ser o longa do ano, e acabou ficando com erros demais para sequer passar perto disso. Portanto recomendo sim que todos confiram o longa nos cinemas, mais para que a bilheteria seja alta e façam continuações mais desenvolvidas, afinal todos caberiam completamente ter suas histórias contadas. Fico por aqui hoje, mas volto em breve com as outras duas estreias da semana, então abraços e até breve pessoal.

PS: Fiquei entre dar 7 ou 8 para o longa, mas como me diverti demais e só a beleza da Arlequina já vale um ponto a mais para corrigir os erros do longa, vou ficar com 8, mas valeria um 7,5 se tivesse notas quebradas.

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Os Caça-Noivas (Mike And Dave Need Wedding Dates)

7/31/2016 10:45:00 PM |

Reclamamos tanto das nossas comédias nacionais que quando vamos ver uma americana que apela tanto quanto para fazer rir, ficamos pensativos se realmente estamos vendo toda essa baixaria gratuita aonde o fruto do sucesso seja jogado de escanteio para ninguém cabecear e divertir o espectador. Digo isso de "Os Caça-Noivas", pois é difícil ir ao cinema esperando rir das boas piadas (sim, há momentos bem encaixados no roteiro), mas só ficar se divertindo mesmo nos momentos em que os personagens apelam ao máximo para tentar algo que funcione de tão absurdo que é. Ou seja, um filme de certa maneira inusitado por ser baseado em fatos reais, mas que diverte tão pouco que quase não é possível classificar ele como comédia.

Os irmãos Mike e Dave tem fama de arruinarem as festas da família. Sabendo disso, sua irmã, que está de casamento marcado, decide que eles só irão ao casório se encontrarem parceiras que os controlem. Depois de colocarem um anúncio online, duas meninas dos sonhos aparecem. O que eles nem desconfiam é que as duas são suas versões femininas - fazendo de tudo para manter a classe e ganhar uma viagem de graça para o Havaí.

Um dos problemas claros do filme além das situações exageradas, é o fato de se notar uma falta de direção mais coesa, pois os personagens parecem estar soltos durante a maioria das cenas fazendo o que der e vier na telha, de tal modo que cada ato é jogado para cima e quem pegar que interprete bem. O diretor Jake Szymanski estreou com o pé errado na direção de longas após diversos curtas, e isso com certeza vai marcar sua carreira, pois o ato de divertir o público realmente não é algo fácil de se fazer, mas lá quem faz filmes só por fazer acaba pagando preços caros e não pegando mais tantos filmes para dirigir. Não digo que o seu trabalho foi de todo ruim, mas está longe de ser um filme que gostaria de lembrar por alguma coisa que tenha me feito rir, e somente alguns momentos absurdos funcionaram justamente pela quebra de eixo. Ou seja, se queriam algo completamente absurdo e forçado que funcionasse, apelasse de vez como aconteceu em outros filmes, mas tentar trabalhar alguma mensagem romantizada junto de uma comédia bagunçada, o retorno não encaixou direito.

Sobre as atuações dos protagonistas, podemos dizer que nem Zac Efron parecia estar gostando do que estava fazendo, pois é nítido ver que seu Dave sempre está atrás de todas as cenas, com emoções e expressões sempre fracas e apáticas, o que não condiz com o que fez em outras comédias, então certamente poderia ter dado mais de si para que o personagem não ficasse tão fraco. Adam Devine é o tradicional humorista que grita e apela para que seu personagem seja ouvido, então de cada duas cenas sua, uma certamente era apelativa e forçada, de tal maneira que seu Mike acaba até fazendo o público rir, mas falta muito ainda para que ele seja um comediante que empolgue sem gritaria. Anna Kendrick conseguiu mesmo de uma forma singela, ainda ser menos apelativa nas cenas de sua Alice, claro que pra isso ela acabou ficando meio apagada, mas soube dosar com humor nos seus momentos principais, e assim sendo a jovem se mostrou preparada para o estilo que o filme pedia em segundo plano. Aubrey Plaza deu uma personalidade estranha para Tatiana, mas coerente com a personagem, só não precisaria de algumas cenas bizarras que acabou fazendo, pois diria que praticamente todas poderiam ser cortadas e ainda tudo o que fez iria condizer com a personagem. Sugar Lyn Beard até teve bons momentos com sua Jeanie, mas sua voz encaixada numa personagem esquisita é algo que certamente acabou destoando de tudo, mas ainda assim foi bem no que fez. Dos demais, a maioria foi participação no longa, porém sem dúvida alguma a cena mais bizarra do longa ficou por conta do massagista interpretado por Kumail Nanjian, que embora tenha sido algo forçadíssimo, fez o público rir ao menos.

São raras as comédias que trabalham bem a cenografia, e aqui não seria diferente, pois não temos quase nada para dar um destaque no contexto visual da trama senão um bom hotel no Havaí, as planícies que foram gravados Jurassic Park, e claro dentro dos locais internos a sauna e a sala de massagem que embora simples acabaram significando bons momentos dentro da trama. Além disso o destaque mais positivo fica por conta da organização final do casamento, que mostrou mais do que todo o longa no quesito criativo cênico. A fotografia também não trabalhou cores e tons para dar comicidade, deixando tudo de maneira simples demais tirando as cores dos figurinos excêntricos dos personagens.

Enfim, um longa que certamente amanhã nem vou lembrar de ter assistido, que tendo um ou dois bons momentos, o restante das piadas só cai bem no fechamento ao mostrar os erros de gravação, ou seja, totalmente dispensável, e sendo assim não o recomendo para ninguém, a não ser que você goste de comédias apelativas, pois aí é capaz de rir em mais cenas. Bem, fico por aqui encerrando essa semana cinematográfica, mas volto na próxima quinta com mais textos, então abraços e até lá pessoal.

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O Bom Gigante Amigo (The BFG)

7/31/2016 02:14:00 PM |

Se Spielberg não fazia um bom longa infantil desde "E.T. - O Extraterrestre", com "O Bom Gigante Amigo" certamente ele se redimiu de qualquer outra tentativa inusitada de filme feito para a família, pois é isso o que o longa nos passa, uma boa mensagem de amigos, de que sonhos fazem a mente fluir para criar novos rumos e usando de uma simbologia fictícia bem gostosa, o diretor trabalhou bem a linguagem infantil (de crianças que ainda não frequentaram as escolas e falam errado não por desejarem, mas por palavras difíceis se misturarem na correria de falar seus sentimentos), e com as boas nuances da eloquente boa atuação de Mark Rylance para com suas falas, junto da ótima química que ele teve com a estreante Ruby Barnhill, o resultado é um longa que emociona e cativa as pessoas à terem bons pensamentos para criar bons sonhos, ou seja, um filme incrível que merece ser visto, e digo mais até pontuo o que tanto estão reclamando do longa, pois como muitos cinemas optaram por passar somente cópias dubladas, os trejeitos infantis da fala do gigante certamente devem incomodar demais, enquanto no legendado, a sonoridade das palavras fazem todo o sentido, portanto vá ao cinema ver (se for possível) a cópia legendada do longa.

A sinopse nos revela que a pequena órfã Sophie encontra um gigante amigável que, apesar de sua aparência assustadora, se mostra uma alma bondosa, um ser renegado pelos seus semelhantes por se recusar a comer meninos e meninas. E sendo assim, a garotinha, a Rainha da Inglaterra e o ser de sete metros de altura unem-se em uma aventura para eliminar os gigantes malvados que estão planejando tomar as cidades e aterrorizar os humanos.

É claro que nem sempre os fãs de livros curtem a ideia final de um filme sobre ele, pois raramente adaptam de forma coerente e o resultado geralmente fica aquém do que o público fantasia sobre a história, porém o bom roteiro baseado no livro de Roald Dahl("A Fantástica Fábrica de Chocolate","Matilda") ficou muito interessante de ser visto, e acaba cativando por entremeios a aventura e a emoção dos personagens de maneira que mesmo quem não leu o livro consiga viajar por suas folhas com toda a dinâmica que Steven Spielberg fez em sua volta aos longas infantis. Claro que há defeitos no contexto  completo da história, mas são tão irrelevantes que com ótimas nuances simbólicas da Terra dos Sonhos que nos faz divagar sobre grandes temas de sonhos e a mensagem que cada um traz, juntamente com o trabalho do gigante para soprar sonhos nos corações que ele ouve a necessidade de sonhar acaba comovendo e mostrando que o trabalho de pesquisa juntamente com a ótima criatividade do diretor nos levou a sonhar junto com tudo o que foi mostrado em seus planos bem amplos que felizmente não atrapalharam em nada a mixagem entre computacional e real, ou seja, um filme incrível tanto na base textual quanto na expressiva e produtiva que a trama exigia.

No quesito da atuação é maravilhoso ver os ótimos momentos de Mark Rylance trabalhando muito bem sutilezas como erros de fonemas e gramática para que a sonoridade das palavras que seu BFG fala ainda digam o mesmo entendimento, mas se embaralhe na alta velocidade de expressar, e também é interessante observarmos nele, o quanto um ator que teoricamente é alguém com uma cara dura e que transmite sempre uma seriedade incrível nos personagens que faz, pôde fazer um longa sendo tão doce e com nuances tão bonitas. É interessante ver que Ruby Barnhill não apenas estreou com o pé direito para aprender com um dos mestres do cinema como é atuar, mas também é notável todo o carinho que cada um depositou nela para que a jovem empolgasse e fizesse tudo como fez, ou seja, fica a dica para ficarmos de olho em mais uma ótima atriz britânica que surge no cinema. Penelope Wilton até teve bons momentos como a rainha da Inglaterra, mas foram tão poucas cenas que nem teve tanto trabalho em se divertir na cena mais cômica do filme, dando um ar bem carismático para a personagem (e claro que temos de dar destaque para seus corgis). Rebecca Hall também apareceu pouco com sua Mary, mas de cara entrega o final do longa, e isso é um certo erro para a dinâmica do filme, não sei se está no livro/roteiro assim, ou se foi uma falha da atriz. Os gigantes em geral mesmo com caras de idiotas, ainda trabalharam bem as faces maldosas que lhe deram os nomes engraçados, mas é difícil dar destaque para qualquer um que seja, pois todos agiram sempre sendo infantis e atrapalhados nas cenas mais comuns.

O excelente visual foi criado para mostrar perspectivas incríveis que deram todo o deslumbre da trama, que mesmo não seja algo tão profundo e elaborado, ainda acaba envolvendo pela beleza simbólica que foi mostrada, e cheia de elementos cênicos acabaram trabalhando muito bem tanto na terra dos gigantes (aonde tiveram de trabalhar acertadamente com objetos bem pequeninos para que ao gravar com os atores reais, eles parecessem gigantes mesmo), na terra dos sonhos aonde os protagonistas puderam brincar com muitas luzes (provavelmente digitais, mas que foram lindas de ver), e claro no palácio aonde o trabalho de criação foi algo digno de premiação, pois fazer com que tudo fosse trabalhado em dois tamanhos e tivesse algo para ser mostrado é algo muito bonito de se ver. E claro que também tiveram bom senso para criar uma cidade muito bem colocada numa época cheia de detalhes. A fotografia trabalhou diversos tons para dar o carisma necessário para cativar as crianças e claro os mais sonhadores adultos, e sem perder nuances, cada cena foi elaborada minuciosamente para que o digital se misturasse bem com real e criasse as perspectivas necessárias para um longa bem envolvente. Não assisti ao filme com a tecnologia 3D, afinal quase nem vieram cópias legendadas para a cidade, quanto menos 3D legendado, mas fica bem claro todos os momentos que usaram da tecnologia e de certa forma não é algo que mudará tanto a visão do filme, ou seja, não senti falta do recurso para o longa agradar, principalmente por ser algo convertido e não filmado com câmeras 3Ds.

Enfim, recomendo demais o longa que foi uma grata surpresa, afinal vi o trailer apenas uma vez nos cinemas e não conhecia a história do livro. Fiquei sabendo também de uma animação datada de 1989 que conta a mesma história e irei tentar conferir ela para fazer comparações, mas por enquanto deixo minha completa recomendação desse filme que é emocionante, divertido e com boas nuances tanto para os pequenos, quanto para adultos que gostem de histórias mais infantis. Como disse acima, quem puder ver legendado, certamente irá ver um longa bem mais interessante pela sonoridade das palavras, então fica a dica. Fico por aqui agora, mas volto mais tarde com o texto da última estreia da semana no interior, então abraços e até breve.

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Big Jato

7/30/2016 12:22:00 AM |

Se nos seus longas anteriores, a forma poetizada de discutir situações polêmicas funcionou bem, em "Big Jato" não podemos dizer que o diretor Cláudio Assis foi bem sucedido. Digo isso pois a polêmica aqui é tão leve que a poesia acaba se aflorando e deixando todo o restante de lado, e o estilo permeado nem flui como deveria, deixando o longa ambíguo e sem muito nexo, ou seja, acaba girando como um pião sem sair do lugar nem para ver que a sujeira poderia ser muito mais bem trabalhada. Claro que basicamente a ideologia do texto de Xico Sá é algo mais infantil, e não poderia ser tão aplicada às polêmicas que o diretor tanto gosta, mas vamos confessar que o filme não necessitava ser tão metafórico e jogado não é mesmo? E sendo assim, infelizmente é um longa que não vai comover, idealizar ou trabalhar qualquer ideia, passando 93 minutos apenas numa sala escura tentando ao máximo entender alguns momentos ruins de captação sonora.

O longa nos mostra que o menino Francisco passa os dias a acompanhar o pai no trabalho, ou melhor, nas estradas. O homem é motorista do imponente Big Jato, um caminhão-pipa utilizado para limpar as fossas da cidade sem saneamento básico. Mas o garoto está mais interessado nas ideias do tio, um artista libertário e anarquista. À medida que descobre o primeiro amor, Chico percebe a vocação para se tornar poeta.

A forma simbólica como o diretor transborda a passagem de fases do garoto e todos os seus pensamentos permeados entre os três modelos que tem ao seu dispor (o pai, o tio, e o amigo poeta) é algo interessante de ser vista, mas pra isso o diretor necessitou apelar por entremeios desgostosos e isso não é algo que funcione para o público, de tal maneira que o longa que possui um viés cultural poderia trabalhar de inúmeras maneiras todo o restante da história ao invés de focar tanto em algo que não necessariamente sai do lugar, como é a passagem de um jovem para o mundo adulto com todas suas dúvidas e anseios. Claro que esse mote certamente é mais bem trabalhado no livro de Xico Sá, e o texto foi adaptado para a vertente completa do filme, mas conhecendo o estilo de obra de Assis, o filme certamente teria outra veia se trabalhado sob outros moldes. Não digo que é um filme ruim, afinal todo o trabalho conceitual é interessante de ser estudado, mas a reflexão completa só se dá se a pessoa for ao cinema pronta para refletir sobre o tema, senão a chance de sair da sala sem ter entendido nada do que se passou é bem alta. Além disso, é um filme com muitos ruídos (barulho monstruoso do caminhão, vento, pessoas que falam com sotaque, músicas ao fundo) e isso atrapalha demais a compreensão total dos diálogos, então não sou favorável à isso, mas assim como aconteceu em Cine Holliúdy uma sugestão para quem assistir o longa em casa é que ative legendas, pois talvez melhore um pouco o filme sabendo tudo o que foi dito.

A grande sacada para com a ideia do filme, ficou por conta do ator Rafael Nicácio, pois sua inexperiência em longas deu toda a simbologia expressiva que o personagem necessitava, de alguém sem conhecimentos dos traquejos de câmera, de saber para onde olhar realmente, ou como agir em determinadas cenas, e dessa forma seu Francisco acaba se conhecendo em frente às câmeras, e isso dá um tom certeiro para os momentos do ator no longa. Claro que estar ao lado de Matheus Nachtergaele fazendo dois papeis completamente diferentes ajudou e muito o garoto para o que acabou fazendo, pois tanto Francisco como um homem simples com seu caminhão de limpeza como Nelson radialista anarquista são personagens que destoam do senso comum e sempre convergem as atenções cênicas para suas ideias, e o diretor aproveitou muito esses personagens para dar o olhar para o jovem interpretar quais rumos usar de cada ato do grande ator que é Nachtergaele, e com isso o ator trabalhou mais a inspiração cênica com suas atitudes do que interpretações vivas para dar contexto à trama, mas como disse, se o foco fosse neles, teríamos um filmaço, pois o ator é genial em tudo o que faz. Dentre os demais atores diria que é algo difícil de apontar bons momentos interpretativos, pois de certa forma estão apenas apoiando em cenas jogadas, e isso não é algo tão agradável de se ver, mas se tenho de dar um destaque é claro que deixo para Marcelia Cartaxo como a mãe do garoto, principalmente nas suas duas cenas de explosão, pois ali a atriz mostrou que não estava disposta a ser apenas elenco de apoio, mostrando que sabe atuar e bem.

O fator visual do longa também é algo que chama bastante atenção, pois mesmo com tudo muito simples, é notável o trabalho cênico que a direção de arte teve para montar cada ato como um ritual de passagem, seja no puteiro, na delegacia, na casa, no trilho de trem e até mesmo no caminhão, pois cada dinâmica representou muito para a simbologia que desejavam mostrar. Claro que isso é um acerto para com o roteiro do filme, e funcionou bastante, mas volto a ser chato nessa questão que o filme agradaria demais se trabalhado outras vertentes, e olhando de uma maneira mais subjetiva pela cenografia toda, o anseio do diretor por politizar o filme estava presente em quase todos os momentos, então pode ser que no corte final ele tenha desenhado até algo diferente, mas optou por mostrar um outro lado seu, que não foi tão bem acertado. No conceito fotográfico, a coloração árida do sertão é incrível de ser vista seja em qualquer tipo de longa, e friso que longas nacionais deveriam apelar mais por esse estilo de tom, que marca e agrada muito por não ficar preso ao tradicional americanizado que muitos longas optam por fazer.

Enfim, é um filme que até possui um potencial interessante e poderia agradar mais, porém está bem longe da forma que foi concebido de agradar quem for assistir esperando um longa mais introspectivo e com uma mensagem mais forte, ou algo mais singelo e cheio de diversão, ficando em cima do muro do que desejava alcançar. Ou seja, recomendo ele somente para quem estiver disposto a refletir sobre tudo o que disse acima, pois a chance de analisando cada momento do longa separadamente para concluir algo mais preciso é talvez a melhor maneira de não sair reclamando de tudo o que verá, e sendo assim não vá ver se não for dessa maneira. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com outros longas que estrearam na cidade, então abraços e até breve.

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