A Escolha (The Choice)

sábado, fevereiro 06, 2016 |

É interessante observarmos que Nicholas Sparks já não faz mais um livro sem que vire filme, o que pode ser um viés bacana pois seus livros que são bem detalhados são fáceis para que alguém adapte e transforme em um bom filme, mas também por não ousar tanto, seu modelo já está ficando gasto e sabemos praticamente cada momento exato do que vai acontecer. Em "A Escolha", temos uma das suas produções mais bonitas visualmente, com uma história bem simples e agradável, mas que não comove tanto quanto outras, e nem emociona mesmo com o ponto de quebra da trama, o que é algo muito ruim. Claro que em alguns momentos no hospital até chegamos a ter um pouco de angústia com tudo o que está acontecendo, mas aparentemente faltou uma pegada mais forte para que o longa saísse da classificação bonitinho e caísse no critério emocionante.

O longa nos mostra que Travis Parker tem uma vida confortável, um bom emprego, amigos leais e uma casa em pequena cidade costeira. Ele busca diariamente viver plenamente e acredita que um relacionamento sério limitaria o seu estilo de vida. Isso até que Gabby Holland se muda para a casa ao lado. Mesmo que ela tenha um namorado, a moça o instiga logo de cara e faz com que os dois se entreguem a uma relação que nenhum deles esperava.

O que mais me surpreende é que mesmo sendo uma história simples, o resultado é bonito de se ver, e certamente o livro deve ser mais impactante e comovente do que o filme acabou ficando. Claro que isso é um fato que a maioria reclama de livros não serem tão bem adaptados quando viram filmes, mas aqui dessa vez a produção ficou a cargo do próprio escritor, então se houve falhas, a culpa pode ser jogada em cima dele dessa vez. O diretor Ross Katz não é muito conhecido, e também não fez nada que merecesse grande destaque, tirando um ou outro momento em que trabalhou algumas tomadas em slow para dar uma vivência na trama, mas usou muito pouco a sensibilidade que a trama pediria para que a troca de olhares do casal fizesse arder a paixão realmente como deveria acontecer. Além disso, mesmo que em determinados momentos a trama recaia para algo mais cômico para dar uma aliviada, o filme não tem um peso forte na dramaticidade para que essa comicidade atrapalhe, então os amigos do protagonista aparecem duas ou três vezes em cena para algo que sequer podemos falar algum motivo, ou seja, são cenas jogadas que acabam atrapalhando mais do que ajudando.

Sobre a atuação, já havia falado da beleza de Teresa Palmer em "Caçadores de Emoção" na semana passada, e aqui a jovem que foi menos falante no filme anterior, pode mostrar que é boa também nas expressões e diálogos, de modo que trabalhou bem e incorporou a jovem Gabby durante todo o período em que se passa o filme (poderiam ter trabalhado melhor sua maquiagem quando mais velha, ou feito um corte de cabelo diferenciado, mas como preferiram algo mais tradicional, o resultado não atrapalhou tanto), a moça até que foi bem, mas nada muito surpreendente. Benjamin Walker chama a atenção por não ser tão galã como costumam ser os personagens de Sparks, claro que vai agradar diversas moças, mas adotou uma postura mais séria do que jovial para seu Travis, desde o começo da trama, e isso é estranho de ver, pois ele poderia ter trabalhado de duas maneiras e empolgado mais com isso, suas expressões faltaram também um pouco de emoção em diversos momentos, o que mostra um pouco do erro da direção, mas no contexto geral sua química com a protagonista até é bem interessante. Os demais personagens aparecem tão pouco e ficaram tão deslocados que é difícil se conectar com eles, então só temos de dar destaque para alguns bons momentos de Tom Wilkinson fazendo o veterinário Shep, e alguns bons diálogos mais expressivos de Maggie Grace como a irmã do protagonista, mostrando que a jovem é boa, mas foi mal aproveitada.

O grande feito do longa está na maravilhosa direção de arte que escolheu uma locação paradisíaca e abusou de grandes tomadas mostrando a natureza ao redor, e claro que junto disso trabalhou bem alguns elementos cênicos para realçar a conexão entre os personagens, dando destaque claro para o ótimo cachorro usado que foi até mais expressivo que muitos dos atores da trama. As angulações de câmera e a iluminação bem sutil usada pela direção de fotografia também mostrou um bom trabalho feito, e com isso a trama tem um ganho de cor bem interessante de ver na tela, mas faltou uma pitada mais quente nas cenas mais tórridas, para que o romance impregnasse mais.

Enfim, está longe de ser um bom filme, mas também está bem longe de ser algo ruim, ou seja, é um filme bonitinho, bem feito e visualmente interessante, que poderia ser muito mais envolvente. No geral, ele até fez algumas pessoas do cinema chorarem, mas acredito que mais por terem lido o livro e se conectado com algo visto na telona do que realmente pela história mostrada no filme. Portanto, só recomendo mesmo para quem gosta de romances bem leves e que não possuem mais nada para ver, pois está longe de ser algo que valha mesmo a pena pagar para assistir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com as outras duas estreias da semana, então abraços e até breve.


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O Regresso (The Revenant)

sexta-feira, fevereiro 05, 2016 |

Acho que está cedo demais para dizer se tratar do filme do ano, mas certamente "O Regresso" estará na lista de muitos críticos como um dos melhores, pois é um longa tão visceral e incrível que não tem como não ficar marcado em nossas mentes cada cena mostrada nos 156 minutos de projeção. E digo mais, por ser um longa tão forte e impactante, a trama nos prende mesmo nos momentos mais calmos e que em qualquer outro longa veríamos as pessoas bocejando nessas cenas, mas o diretor conseguiu conduzir tudo com uma precisão cirúrgica que embarcamos na história da mesma forma que certamente a pessoa que viveu tudo o que acontece (ou quase tudo), pois sendo o filme baseado em fatos reais, fica quase impossível imaginar que alguém tenha passado por tudo o que é mostrado. Dito isso, as 12 indicações ao Oscar são mais do que merecidas, todo prêmio que já ganharam e vão ganhar é merecidíssimo, e se sair sem nenhum prêmio (algo improvável) também, ainda vai continuar sendo um filmaço que merece ser visto por todos no cinema (mesmo que você seja alérgico à cenas fortes - tampe o rosto, ou segure a ânsia) pois é uma das fotografias mais lindas e bem trabalhadas que já vi na história do cinema.

O longa nos situa em 1822, onde Hugh Glass parte para o oeste americano disposto a ganhar dinheiro caçando. Atacado por um urso, fica seriamente ferido e é abandonado à própria sorte pelo parceiro John Fitzgerald, que ainda rouba seus pertences. Entretanto, mesmo com toda adversidade, Glass consegue sobreviver e inicia uma árdua jornada em busca de vingança.

É algo fantástico observar a direção de Alejandro Iñárritu no longa, pois como ele co-escreveu a adaptação cinematográfica com Mark Smith, baseando-se no livro de Michael Punke, ele poderia ter trabalhado de inúmeras formas mais simples, sem desgastar o elenco e a equipe, filmando em um estúdio fechado, trabalhando ângulos mais simples e tudo mais, que ainda teríamos um excelente filme com toda certeza, mas não! O sangue mexicano amalucado ferveu e ele foi para campo com toda a equipe, enfrentando frio intenso, instabilidade do tempo, e principalmente, colocou seu diretor de fotografia quase que amarrado junto dos protagonistas para criar uma sensação tão forte que ao mesmo tempo que as vozes repetitivas na trilha sonora pareciam fantasmas na cabeça do protagonista, parecia que nós éramos a própria câmera acompanhando do lado cada momento passado, e com isso muito sangue, neve, água, terra espirra na tela dando uma sensação muito interessante para o espectador (e graças aos deuses do cinema sem precisar colocar 3D) de imersão de profundidade como poucas vezes já vimos em uma trama. Ou seja, se a história já era boa, conseguiram desenvolver ela tão bem pautada em detalhes, que com uma direção mais arrebatadora sairia do eixo completamente, mas com a visceralidade impregnada que escolheram fazer cada cena, o filme ganhou contexto, forma e dinâmica para que ninguém reclame de nada do que foi mostrado.

Antes de falar sobre as atuações, vou entrar novamente numa discussão que sei que muitos não concordam comigo, mas ainda assim volto a falar, um bom ator estuda por anos para saber a melhor expressão corporal e vocal para fazer em cada filme do jeito que cada diretor deseja e pontua no seu script, treina a entonação vocal do personagem por meses para ficar o mais realista possível com o que lhe é solicitado, daí dá aquele show cênico que mostra realmente todo o sofrimento e dor para soar algumas míseras palavras que sua garganta consegue soltar, e vem algum infeliz e fala que o melhor é ver um filme dublado para não precisar ler a legenda, me poupe e pare de ler o texto por aqui, pois o que vou dizer dos atores na sequência é irrelevante para você que gosta de ver um filme dublado, e ajuda os cinemas a cada dia colocarem mais filmes dublados do que com os áudios originais. Dito isso, como muitos já estão dizendo, se esse ano DiCaprio não levar o Oscar, ele pode desistir, eu realmente vou junto com esse pessoal, pois o que ele fez no filme é algo que numa sala aonde o ator estiver junto vendo ou divulgando o longa, todos tem de levantar e aplaudir de pé o seu Glass, pois o ator sofreu em demasia com cada cena, dando tudo de si para que as expressões de dor fossem bem realistas, entrando em lugares hostis para que a vivência fosse perfeita, e principalmente no que disse em relação ao trabalho vocal, já que sua voz na maior parte do filme precisava ser áspera e fechada devido aos acontecimentos, e ele trabalhou uma dicção única, que dificilmente outro personagem lhe exija tanto, ou seja, um show de atuação como raramente vimos alguém fazer. Tom Hardy também deu para seu Fitzgerald uma personalidade dura e insana de assistir, de modo que seus olhares sempre paranoicos com grande força, deram o tom do personagem para chamar atenção e incomodar como um bom vilão deve fazer, e com o andamento da trama vamos sentindo seu espírito ficar exatamente como o personagem de DiCaprio diz em certo momento, mais acuado, e preparado para tudo, ou seja, um trabalho incrível, que na última cena vai ao ponto máximo de vivência de ambos. Confesso que todo filme com Will Poulter me incomoda suas expressões faciais, e desde garotinho fazendo Eustáquio em "Crônicas de Nárnia" ele é aquele ator que acaba deslocando os olhares do ator principal e não é por algo bom que tenha feito, então isso qualquer diretor precisa trabalhar melhor, ou lhe dar um papel principal logo de vez, e aqui não foi diferente com seu Bridger, pois sempre que havia alguma cena sua, praticamente desligávamos do restante da trama para reparar no que ele estava fazendo, e isso foge das regras de um longa, claro que aqui ele está melhor que qualquer outro papel que já tenha feito, trabalhando mais sua expressividade e até agradando em certos momentos, mas ainda é um ator estranho de ver. E para fechar o elenco principal da trama, Domhnall Gleeson mostra que seu crescente não tem limites, pois fez um excelente "Questão de Tempo", depois agradou bem em "Invencível", caiu como uma luva em "Ex-Machina", ganhou dinheiro com "Star Wars" e agora de uma maneira até que bem impactante, mas nada tão importante, fez de seu Capitão Andrew, um homem justo e disposto a tudo, com boa expressividade e uma feição clara para os homens de comando da época, ou seja, agradou quando apareceu em cena.

No conceito visual, temos de parabenizar muito às escolhas cênicas de toda a equipe de arte, pois foram a fundo com tudo o que o diretor desejava, encontrando a melhor locação possível para a trama se desenvolver, utilizou bem cada elemento cênico para representar cada momento do filme, e até mesmo nas concepções digitais como no caso do urso e dos búfalos deram um show no que mais realístico poderiam arrumar, ou seja, literalmente um deslumbre visual que faz o espectador que goste de observar cada cantinho de cena, perdesse horas a fio sempre vendo algo diferente mesmo que fosse um simples floco de neve, e isso acaba dando nuances tão lindas para tudo que faz o filme não ser apenas uma obra para ser vista, mas sim sentida e incorporada a cada ato que se passa. Destaque no conceito cênico para a cena do cavalo, que certamente vamos ficar muito tempo pensando como foi feita, pois é algo muito bem feito, e para todo o figurino e maquiagem que certamente deu muito trabalho para ser desenvolvido. Já havíamos tirado o chapéu para os planos sequências magistrais de Emmanuel Lubezki no ano passado com "Birdman", e agora esse diretor de fotografia maluco volta a fazer planos ainda mais vivos e interessantes que interagem com a paisagem visual e com movimentos incríveis aliados à iluminações sem precedentes conseguiram dar alma para o longa, de modo que não temos como não torcer para que ganhe o máximo de prêmios possíveis com o que fez aqui. Vale destacar no conceito fotográfico a luta final aonde a câmera rola junto com os personagens voando muito sangue na tela, o movimento completo dentro do rio, e claro cada bufada do urso junto com a terra sendo lançada é algo que só uma câmera bem presente no momento pegaria e envolveria o público na cena, além claro de todas as cenas com fogo, aonde a perspectiva de iluminação ficava completamente dependente e interessante de ver.

A trilha sonora repetitiva que é uma característica do diretor volta com tudo aqui, então em quase todos os momentos ouvimos bumbos indígenas presentes, junto com vozes em dialetos diferenciados, que dão uma proporção assustadora para a trama, e junto com outros momentos aonde o som realmente domina a ambiência, o filme acaba tendo um ritmo bem incorporado, para que como disse no começo, as quase 3 horas de projeção passem sem que o espectador fique cansado com tudo o que é mostrado na cena. Além disso, os sons são bem incorporados e mixados para que cada barulhinho de galho quebrado seja ouvido à distância, cada vento seja sussurrado e tudo chame muita atenção por onde quer que os personagens estejam passando, o que mostra um trabalho de mixagem bem interessante de ser ouvido.

Enfim, vou parar de falar um pouco senão daqui a pouco terei um texto para dissertação de uma monografia sobre o longa, mas realmente dá para estudar muito cada momento da trama, e sendo assim, é certamente um filme que vale a pena ser visto mais que uma vez. E dessa maneira, recomendo ele com toda certeza, e volto a afirmar, mesmo sendo um filme com cenas bem fortes, é algo que supera qualquer expectativa e que mesmo que choque com o que é mostrado deve ser visto. Então pare o que está fazendo e vá ver o filme logo, pois vai valer seu ingresso com muita certeza. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda faltam outras três estreias para conferir nessa semana, então abraços e até breve.


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Os Dez Mandamentos - O Filme

sábado, janeiro 30, 2016 |

Sou da seguinte opinião que para falarmos mal de algo precisamos ver, e como há muito tempo parei de ver novelas (por vários motivos que nem é melhor listar aqui) não assisti ao fenômeno que gastou fortunas no último ano, para conseguir a liderança na TV e agora através de muito marketing está chamando a atenção nos cinemas pela excessiva compra de ingressos, mas não pelas próprias pessoas (o que é algo bem incomum de acontecer). Se você não estava hibernando nas últimas semanas, e por algum motivo também não leu o título e o cartaz do post, já sabe que estou falando de "Os Dez Mandamentos - O Filme" com toda certeza, afinal mil posts andam circulando por todas as redes sociais, e qualquer um por aí está falando muito, pois tem aqueles que adoraram a novela e irão, terá aqueles que ganharam ingresso de algum amigo de igreja e irá (ou não), e com certeza também haverá aqueles que vão apenas pela curiosidade de ver um filme como qualquer outro, e meu texto terá o foco nesse último grupo, pois não vi a novela, e vou ao cinema para ver um filme, não qualquer outra coisa que quiserem me empurrar. Mas antes que achem que vou falar mal do que vi, já vou quebrar todas as expectativas, pois a ideia toda passada nos cinemas até que funcionou para quem não viu nada, pois a trama mesmo já tendo sido mostrada em uma tonelada de filmes, ver ela como uma narração do que aconteceu, para chamar atenção para o que virá ficou interessante. Claro que por ser um grande compacto de 176 capítulos de aproximadamente 40 minutos cada em 110 minutos no cinema, não tivemos tempo para respiros, e a sensação de sair do cinema após tudo o que é mostrado é de ter corrido uma maratona, ou seja, cansaço, mas tirando um ou outro detalhe que incomodaram no conceito técnico, é algo bacana de ser visto.

O longa nos mostra que o faraó Seti ordena a morte de todos os bebês hebreus do sexo masculino, muitos deles jogados no rio Nilo. Um desses meninos é acolhido pela princesa Henutmire, filha de Seti. Ele ganha o nome Moisés e é criado como príncipe egípcio ao lado de seu tio-irmão, Ramsés, e de Nefertari, que causa a competição entre os irmãos quando se apaixonam por ela. Moisés acaba descobrindo a verdade por trás de seu passado e foge para a terra de Midiã. É lá que ele recebe um chamado de Deus, que lhe manda voltar ao Egito para libertar seu povo da escravidão.

Se tem uma coisa que não curto em filmes, e sei que não é somente implicância minha, é a narração ser inserida em demasia em um filme, e aqui foi a solução mais viável para se resumir todos os diversos capítulos, de uma maneira até que interessante, pois foi colocado Josué, interpretado por Sidney Sampaio para contar como eles foram parar ali e irão desenvolver a nova novela da Rede Record, "A Terra prometida", e claro que para isso foi narrando os melhores momentos da história que Moisés escreveu de seus atos para os demais presentes. Se essa era uma das maiores curiosidades de como fariam para que a alta quantidade de material de uma novela virasse um filme bem menor e ainda contasse com coisas inéditas para quem acompanhou fielmente mais de meio ano da saga, o resultado até que acaba bem feito, mas como sempre digo, se desse para remover a voz em off contando o que vamos ver, certamente agradaria mais. Agora tirando esse detalhe que é algo que muitos não gostam, e o que citei acima da alta velocidade dos acontecimentos, podemos dizer que o texto de Vivian de Oliveira e Joaquim Assis resultaram em uma grande obra por parte de Alexandre Avancini, afinal criar uma novela é algo extremamente complexo e que dá um trabalho imenso para agradar um público que se incomoda com tudo, e transformar isso num "filme-chamariz" para seu novo trabalho é algo que poucos possuem coragem de entregar nas mãos de um produtor maluco.

As atuações num contexto amplo do que deu para encaixar, afinal volto a afirmar que o exagero de velocidade não deu para pegar sentimentos e tudo mais que certamente tiveram na novela, mostra que todos se doaram bem para seus personagens, de modo que mesmo forçando um pouco os semblantes, todos os protagonistas conseguiram chamar atenção usando personalidade e agradaram até debaixo de fortes maquiagens. Guilherme Winter trabalhou bem o seu Moisés, fechando o semblante quando precisava e fazendo diversas expressões de dúvidas para demonstrar estar falando de algo que ainda viria a acontecer, claro que poderia chamar mais imponência em diversas cenas, mas repito, num compacto fica difícil de ver se ele foi realmente bem ou mal. Sergio Marone caiu como uma luva para o personagem de Ramsés, pois sempre com um estilo marrento de ser, puxou o semblante do personagem conhecido pelo mesmo estilo do ator e agradou muito, claro que em algumas cenas parecia fora de foco, mas já disse isso muitas vezes, e certamente na novela logo após a cena que ficou com uma cara estranha ele fez mais algo, e aqui isso evaporou, então montando o contexto sabemos que não foi algo ruim, mas ele agradou bastante como deveria, e como sempre costuma entregar boas personalidades para seus personagens. Dos demais, todos aparecem muito pouco no filme, e de maneira bem rápida, portanto podemos dar um destaque maior para o narrador que apareceu umas três ou quatro vezes com um semblante bem forte Sidney Sampaio, que promete vir com tudo com seu Josué na continuação, e se fizer a mesma linha que desenvolveu aqui, impostando bem a voz e trabalhando o nervosismo com raiva mesmo, vai agradar bastante.

Vamos fazer uma continha básica, calcula-se que em média cada capítulo da novela custou em torno de 200 mil reais, o que se foram 176 capítulos, resultam em mais de 35 milhões, e certamente muito do gasto foi usado para construir as cenografias, que foram muito bem feitas, e claro principalmente para os efeitos especiais feitos nos EUA por grandes estúdios de cinema. Porém aí vem uma reclamação de alguém bem chato com efeitos, se para a telinha da TV, os efeitos ficaram bonitos de ver, e empolgaram o país inteiro, numa telona de cinema soaram de certa forma artificiais demais, afinal já vimos essa história contada tantas vezes nos cinemas, que tivemos pragas desde as mais simples em 1956 até mesmo algumas com efeitos impressionantes como no longa do ano retrasado, então não podemos dizer que a equipe de arte errou no que fez, mas está bem longe de ser algo que você saia da sala falando "NOSSA!". E do mesmo modo trabalharam bem a fotografia para realçar os tons amarelos e marrons das areias e dos hebreus, sobrepondo o branco característico dos egípcios, então funcionou bem em sintonia oscilando pouco a gama cênica.

Sobre a trilha sonora, sei que estamos falando de algo bíblico e épico ao mesmo tempo, mas ficar a todo momento com óóóó e áááá é algo que não há ouvido que aguente, e além disso, o mesmo ritmo acaba cansando em demasia quem for conferir. Lembro sempre que não é todo momento que temos de manter uma trilha orquestrada tocando em um filme, o silêncio às vezes faz bem, e aqui cairia muito melhor do que o exagero usado.

Enfim, posso ter citado muitos defeitos, mas de forma alguma digo que foi uma experiência ruim, muito pelo contrário, me surpreendi muito com o resultado mostrado, e felizmente por ter visto em uma sala neutra (sem ser a lotação comprada de ingressos pela própria igreja para bater recordes) consegui observar que o público em geral gostou também do que viu, ou seja, a novela realmente foi um sucesso bem feito, e o longa montado da forma que foi também agrada bastante. Claro que teremos muitos que não irão curtir, muitos que irão falar ser o melhor filme de anos, e com isso a opinião vai sempre despertar diferentes estilos, mas para quem estiver com receio de ser um longa religioso e chato, pode ir tranquilo, que não chega nem perto de metade do que os trailers antes mostraram de outros filmes do estilo. Mas não poderia fechar meu texto com a maior crítica de raiva sobre o filme, senão por exagerarem na quantidade de salas, e com isso vários filmes ficaram sem vir para o interior, e dessa maneira, encerro aqui minha semana cinematográfica. Então abraços e até Quinta que vem pessoal.

PS: composição da nota, retirei 1 coelho do excesso narrativo, 1 coelho dos efeitos artificiais para cinema e 1 coelho do cansaço que o ritmo exagerado causa, pois do restante a análise caberia mais em cima do que a novela em si foi e não tanto do filme, que ficou bem montado e agradável, portanto o resultado é a nota abaixo.

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Caçadores de Emoção - Além do Limite em 3D (Point Break)

sexta-feira, janeiro 29, 2016 |

Tem dias que fico me questionando de onde vem tanto dinheiro para alguns filmes, pois algumas propostas até são válidas, mas outras acabam sendo um conglomerado de imagens que resultam às vezes em algo conexo que até podemos chamar de filme, e outros sequer promovem alguma coisa para tentar aparecer. Com "Caçadores de Emoção - Além do Limite", a minha dúvida vai além, pois além de ser um conglomerado de cenas esportivas de alto nível, as quais foram muito bem executadas por atletas de elite (ao invés dos atores verdadeiros), é por quais motivos fizeram um remake de algo com apenas 25 anos, e que na época sim foi algo inovador, pois agora ver vídeos de loucos enfrentando a natureza é algo completamente comum. Ou seja, não é um filme ruim, possui cenas belíssimas de ver, ótimas escolhas de locação, bons ângulos de câmera, mas que só mostram as cenas de ação, pois quando recai para os atores implantarem seus diálogos, é algo tão vazio que nem parece ter acontecido, e dessa maneira afirmo que o resultado está longe de ser considerado como filme mesmo.

A sinopse do longa nos mostra que um jovem agente do FBI tem como missão se infiltrar em meio a atletas de esportes radicais, suspeitos de cometerem uma série de roubos nunca vistos até então. Não demora muito para que ele se aproxime de Bodhi, o líder do grupo, e conquiste sua confiança.

Não posso falar que a ideia da sinopse não foi cumprida, pois ela diz bem tudo o que fora das cenas de ação ocorre, e realmente é bem simples, sem praticamente nenhuma firula. Além disso, nos créditos do longa fazem questão de dizer que é baseado no longa original mesmo, ou seja, não querem assumir como um remake, mas sim talvez uma homenagem (para tanto tentaram contratar os atores originais para fazerem pontas no longa). Porém o que o jovem diretor Ericson Core (que foi diretor de fotografia do primeiro "Velozes e Furiosos") tinha em mente era mostrar muita ação e adrenalina e acabou esquecendo que precisava construir um filme, então esqueça diálogos longos, expressões interpretativas e um conteúdo relevante para ser visto, pois não acontece em momento algum. E além disso, os atores não se preocuparam em querer mostrar ao menos um cansaço após todo o evento (afinal eles não se esforçaram em cena alguma), e isso é um erro da direção também, pois esqueceram que um filme não se faz apenas com boas imagens, mas sim com um conteúdo completo. Ao final o que podemos dizer é que temos um enquadramento cênico preciso de boas cenas, aonde alguém é um policial "meia-boca" que nem tem sua habilitação ainda, que resolve curtir um pouco uma adrenalina com uma galera "ambientalista" que tenta alcançar um novo tipo de nirvana.

Não sei nem se deveria falar dos atores, pois Édgar Ramirez entrega um Bodhi tão comum que em momento algum vamos falar nossa esse cara é foda, e se ele disse mais que 10 frases foi muito para um protagonista. Luke Bracey ainda tentou transformar seu Utah em um investigador forte em algumas cenas, mas logo esquecia tudo e apontava a arma no melhor estilo "eu vou atirar, você quer ver, eu vou, olha mais uma vez, você está vendo que vou atirar, não viu ainda, corre, eu não vou atirar mais, atiro pra cima, ok fiz minha cena". Ray Winstone e Delroy Lindo são os dois que mais tentaram atuar, pois com seu Pappas e Hall, não tinha aventura, então como membros do FBI fizeram ao menos caras de preocupados com tudo e saíram com ao menos uma estrelinha de louvor. Nem a beleza de Teresa Palmer com sua Samsara foi suficiente para atrair olhares para seu único momento de grande história (diríamos que teve duas cenas em que falou bem mais que os protagonistas), mas é fraca sua interpretação frente ao que poderia fazer, e assim soou falsa. Ou seja, já que não vamos falar bem dos atores, vamos colocar o nome da galera que sim trabalhou no filme, pois esses atletas de elite do mundo radical deram seu sangue para que as cenas de ação (o que realmente vale a pena assistir no longa) fossem perfeitas, então vamos lá: os surfistas Laird Hamilton, Sebastian Zietz, Makua Rothman, Billy Kemper, Brian Keaulana, Ahanu Tson-dru, Ian Walsh, Laurie Towner, Dylan Longbottom, Albee Layer, Bruce Irons, Tikanui Smith e Tuhiti Humani; os snowboarders Xavier De Le Rue, Louis Vito, Christian Haller, Lucas DeBari e Ralph Backstrom; os skatistas Bob Burnquist e Eric Koston; os motociclistas Riley Harper e Oakley Lehman; os pilotos dublês de wingsuit Jon Devore, Julian Boulle, Noah Bahnson, Jhonathan Florez e Mike Swanson, com o consultor Jeb Corliss; e o alpinista de escalada livre Chris Sharma, entre outros.

O grande mérito do longa podemos dizer que foi a equipe de escolha de locações, pois nesse conceito escolheram muito bem cada local para representar os desafios dos personagens, e claro que junto de ótimos câmeras de ação deram um realismo incrível para cada cena. Agora procurar objetos cênicos para representar cada momento, isso podemos esquecer, então a equipe de arte falar que trabalhou para compôr cenário, pode ir direto para o RH que está mentindo em demasia. Como disse, a fotografia ficou bem bacana dentro das locações, pois sem usar muitos filtros, deixaram que a iluminação natural dominasse e claro desse os tradicionais flares ao passar pelo sol, pelo alto brilho da neve e da água e isso é muito bonito de se ver. Falar do 3D é o mesmo que pedir uma pizza e entregarem para você um ovo frito, pois tirando a areia que voa na cena inicial, o restante nem profundidade de campo temos para envolver e colocar o público junto das cenas, ou seja, se gravaram realmente com câmeras 3D como dizem, foram bem enganados.

Enfim, se você gosta de esportes radicais e quer ver boas cenas de ação, talvez até valha a pena conferir o longa quando sair em DVD (afinal só está passando em 3D na maioria das cidades e isso é um crime), mas somente pelas cenas, e não por qualquer história, agora se você não curte nem esportes radicais e desejaria ver um filme mesmo no cinema, as salas estão com outras opções melhores. Portanto, não recomendo o longa, mesmo gostando da produção cênica, que é pela qual darei minha nota. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda falta uma estreia para conferir do total que apareceu no interior, então abraços e até breve.

PS: Nem entrei em detalhamento do longa original, pois como disse no começo, o filme não faz questão de ser um remake, então vamos deixar Patrick Swayze e Keanu Reeves em paz.

PS2: Nota das cenas de ação e da produção cênica 8, nota do filme 0, média abaixo.



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Reza a Lenda

terça-feira, janeiro 26, 2016 |

Quando falam de filmes do cinema nacional geralmente não costumam citar os gêneros, afinal na maioria das vezes o que sempre aparece ou é alguma comédia novelesca ou algum romance também puxado para o lado das novelas. Daí quando algum diretor resolve ousar, ou ficamos com os pés atrás e vemos com cautela, ou acaba aguçando curiosidade demais, de modo que acabam comparando com outros e até mesmo reclamando de não seguir à risca algum detalhamento. Com "Reza a Lenda" aconteceu muito de vários críticos compararem somente pelo pôster e pelo primeiro trailer com a sensação de 2015, "Mad Max", e claro que com isso já estavam querendo exigir que o longa nacional fosse riquíssimo em efeitos visuais, e ainda mantivesse toda uma ideologia para ser seguida. E claro, que os que foram esperando ver isso saíram desapontados, reclamando de tudo o que viram. Mas apagando essa ideologia besta que muitos criaram, e chegando aos cinemas sem muitas expectativas, apenas querendo ver algo legitimamente nacional com uma boa pegada de ação, e principalmente fugindo dos gêneros tradicionais que tanto aparecem em nossos cinemas, certamente vai se impressionar com o estilo que o diretor imprime em seu primeiro longa, e ainda trabalhando bem algumas situações western, conseguiu mostrar que tem futuro, e claro que se acertarmos pequenos detalhes, podemos sim ver bons longas de ação feitos no Brasil.

O longa nos conta que em uma terra sem lei, a sorte favorece apenas os mais fortes e corajosos. Ara, um homem de ação e poucas palavras, é o líder de um bando de motoqueiros armados que acredita em uma antiga lenda capaz de devolver justiça e liberdade ao povo da região. Quando realizam um ousado roubo, acabam despertando a fúria do poderoso Tenório. Agora, Tenório vai concentrar todas as suas forças em uma perseguição para destruir o bando de Ara e recuperar aquilo que acredita ser seu por direito. Durante a perseguição, a jovem Laura é resgatada de um acidente e tem que seguir o bando contra a sua vontade, despertando ciúmes em Severina, companheira de Ara.

Acho interessante quando um diretor começa bem sua carreira, pois acredito que a ousadia é um dos pontos mais favoráveis dentro das qualidades que um diretor deve ter, já que muitos preferem se assegurar de um filme simples e com planos mais calmos, quando alguém já vai direto para o cinema de ação, aonde erros certamente vão ser atacados, já é no mínimo um começo que faz com que me interesse em acompanhar seus próximos projetos. Dito isso, analisando o estilo do diretor e roteirista Homero Olivetto, podemos dizer que saiu de um texto biográfico de ação (afinal podemos dizer que "Bruna Surfistinha" também teve muita ação) para algo que embora tenha bebido muito na fonte de fórmulas hollywoodianas, ele conseguiu colocar o sertão do Brasil, como ele realmente é visto mesmo dentro do país, como uma terra aonde um só manda, e os demais crentes em fés e alguns messias, acabam fazendo certas loucuras. Claro que o filme de forma alguma é perfeito, tendo muitos problemas técnicos, mas toda a simbologia passada, e o estilo determinante que lembra muitos filmes de western, conseguem deixar uma boa pitada de esperança, que um dia tenhamos longas de diversos estilos nos nossos cinemas, e claro que cada dia com menos erros. Um dos principais erros no filme, nem é tanto pela história, afinal já disse que ela é bem interessante pela forma que foi feita, mas sim na edição um pouco confusa inicialmente, dispensava começar do miolo e voltar depois, e também por culpa de alguns personagens ficarem abstratos demais dentro da proposta complexa do texto, o que facilmente também seria melhor cortado na edição. Alguns podem falar que se cortasse muito os defeitos acabaríamos tendo um curta ou até mesmo um média-metragem, mas certamente acabariam dizendo ser o filme mais brilhante do ano, e não reclamando tanto como estão.

Sobre a atuação, podemos dizer facilmente que algumas carinhas já estão marcadas no nosso cinema, e que mesmo alguns atores sendo bons, precisamos testar outros nomes para que um filme seja mais icônico, claro que grandes nomes chamam público, mas um filme diferenciado pede atores diferenciados. Não digo isso por algum erro na interpretação dos globais Cauã Reimond e Humberto Martins, mas Cauã, entrega para seu Ara, uma personalidade de playboy, a qual ele é conhecido, com jaquetões descolados e cabelo descolado, e se observarmos sua criação nos flashbacks da trama, veremos que era um jovem bem humilde e pobre, que não teria de onde sair com toda a pinta de galã de metrópoles, além disso ele trabalhou bem pouco sua expressão forte e isso é algo que costumamos gostar de ver em outros papeis seu, o que talvez marcaria mais ele, ou seja, é um bom ator, teve um bom papel, mas faltou desenvolver melhor ele além de apenas treinar pilotagem de motos. E pelo lado de Humberto Martins, seu Tenório é quase um fruto da composição de diversos outros personagens caipiras que ele já fez, inclusive se não me engano já fez até um coronel em alguma novela que possuía os mesmo trejeitos, mas trabalhou bem as expressões para tentar botar medo, e até chama atenção em alguns momentos, porém precisaria mais para que o público embarcasse na sua. A grande surpresa mesmo do longa fica por conta de Sophie Charlote (e graças aos deuses do cinema Nanda Costa desistiu da personagem), pois sua Severina tem personalidade, visual e pompa para chamar muita atenção e possivelmente agradaria bastante caso o vértice da trama se centrasse nela, já que deu um carisma forte para a personagem e uma vivência bem próxima já que o longa foi tão comparado com "Mad Max", ao que Charlize fez no badalado filme (claro que está bem longe de suas expressões, mas mostrou muita determinação e agrada bastante). Outro ator que foi mal aproveitado é Julio Andrade, como o bruxo Galego Lorde, pois sabemos que o ator sempre manda muito bem no cinema, e certamente chamaria muita atenção desenvolver suas loucuras, não as danças e rituais que aparecem, mas sim o motivo de ser um negociante, suas ligações mundanas e proféticas e tudo mais, mas aí acabaríamos mudando de longa para série, mas com os cortes que falei acima daria para aumentar sua participação, que agradaria bem mais. E por último, Luisa Arraes pode até ser uma garota bonita, mas infelizmente está na longa pelo dinheiro do pai(Guel Arraes) como produtor da trama, pode até ser que ela em outro filme tenha saído bem e chame alguma atenção, mas aqui é quase um objeto cênico desejável dentro das cenas, não tendo expressão, não tendo dinâmica, nem nada com sua Laura, e com toda certeza precisariam disso dela, ou seja, vamos esperar algum outro filme para falar bem dela, mas aqui não deu. Tiveram outros bons atores que passaram rapidamente em cena, como Jesuíta Barbosa, Silvia Buarque e Zezita Barbosa, mas apenas fizeram algumas pontas e expressões rápidas dentro da edição total, e quem sabe se um dia resolverem transformar a trama numa série mais alongada possam ter seus personagens desenvolvidos.

Agora se temos um ponto que certamente toda a equipe merece os parabéns é o conceito artístico da trama, que adequou completamente o sertão e a caatinga como elementos nacionais bem desenvolvidos, e como disse acima, eles trabalharam em conjunto como o próprio público vê esses lugares (uma terra sem leis e com alguns mexendo com a fé de outros), e dessa maneira representando bem com elementos alegóricos, o filme adentra à cenografia criada e agrada bastante. Claro que novamente temos alguns defeitos nessa área, por exemplo carros e motos com aparentes combustíveis ilimitados para atravessar grandes trechos, e alguns armamentos exagerados para o país do filme, mas na ficção tudo vale a pena, então é melhor parar com os defeitos e elogiar as locações, que deram uma aridez monstruosa para a trama, e a cada momento tudo ali se conectava para novos lugares. Além disso a fotografia botou os filtros marrom e laranja na bolsa e saíram sertão a fundo filmando com um tom que se não for visto numa sala bem refrigerada é capaz que saia suando da sessão com o calor passado. Também reclamando um pouco dos efeitos especiais, isso ainda não é uma das nossas melhores qualidades, então precisam aprender a usar menos, e trabalhar mais com a interpretação das cenas, claro que temos bons momentos, mas em outros quando utilizam em demasia, a falsidade transparece.

Vale também pontuar as boas trilhas sonoras que acompanharam a trama. Tudo bem que algumas pareciam estar fora do momento real que deveriam entrar, mas todas agradaram bastante, e o fechamento com a música da Pitty caiu como uma luva para a ideia que desejavam passar.

Enfim, é um bom filme, que por todos os motivos que citei acima, as qualidades acabam superando os defeitos, e sendo assim merece e muito ser visto. Claro que vai ter muita reclamação pra cima do diretor, mas volto a frisar que é seu primeiro longa, e já deu um passo enorme em relação à outros que ficaram apenas no café com leite docinho que não vão chamar atenção jamais, então agora é dar bilheteria para que mais produtores nacionais arrisquem no estilo. Bem é isso pessoal, encerro aqui essa semana que foi bem recheada de filmes, mas volto na próxima quinta com mais estreias (bem menos que dessa vez), então abraços e até breve.


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Carol

domingo, janeiro 24, 2016 |

Certa vez alguém me disse que a beleza estava na sutileza das coisas, mas se existe algo que me cansa em alguns filmes é quando um diretor toma como proposta um romance e faz ele de forma tão melosa que parecem sair borboletas em slow-motion da tela do cinema, e até mesmo o clímax ou momento de tensão da trama ainda é tratado por uma turma de hippies que nem espetando o dedo no 220V falariam que estão com dor. Claro que não esperava ver um Lars Von Trier dentro da proposta de "Carol", mas o filme é tão bonitinho, calminho e sem sal que o romance todo cansa, e a duração parece interminável. Em hipótese alguma a culpa se deve às atrizes, muito pelo contrário, vemos atuações impecáveis de ambas, que se doaram completamente com olhares e toques, a produção também está maravilhosa cenicamente criando uma ambiência de épica única, mas a direção faltou trabalhar de maneira mais determinada para agradar como filme.

O longa nos mostra que a jovem Therese Belivet tem um emprego entediante na seção de brinquedos de uma loja de departamentos. Um dia, ela conhece a elegante Carol Aird, uma cliente que busca um presente de Natal para a sua filha. Carol, que está se divorciando de Harge, também não está contente com a sua vida. As duas se aproximam cada vez mais e, quando Harge a impede de passar o Natal com a filha, Carol convida Therese a fazer uma viagem pelos Estados Unidos.

É interessante observarmos que a base do longa é até bem interessante, afinal é baseada em fatos reais, e acredito que até o livro possa ser mais quente e simbólico do que a versão 14 anos que foi entregue nos cinemas pelo diretor Todd Haynes. O diretor em si possui essa característica de ocultar suas opiniões nos filmes que faz, mas ao ser singelo em demasia aqui, acaba cansando o espectador que for procurando ver um drama mais denso. Claro que o filme possui alguns bons momentos, afinal o formato de road-movie no miolo chega até ser visualmente interessante, e alguns momentos de descoberta da jovem também são simbólicos e bem característicos de um início de paixão. Mas esses bons momentos se deveram mais à atuação das protagonistas do que do diretor, e assim sendo, vamos ficar na expectativa de que em seu próximo filme ele decida opinar mais.

Falando na atuação, Rooney Mara é conhecida por pegar papeis estranhos e incorporar neles uma beleza ímpar e ainda dar dinâmica para eles, e sua Therese é tão simbólica, cheia de perspectivas e que trabalhou tão bem uma gama de olhares, que é impossível não se conectar com a atriz e sua personagem, claro que se tivessem dado mais espontaneidade agradaria mais, mas ainda assim ela deu um show de atuação. E Cate Blanchett não deixou barato, indo no mesmo rumo de Mara, mas dando uma personalidade mais forte para sua Carol, de modo que ao mostrar seus sentimentos, mesmo que de uma forma não tão clara, consegue emocionar e comover a todos, talvez se tivessem trabalhado mais a dramaticidade da perca da guarda da filha, o filme teria um viés maravilhoso, afinal a atriz sabe muito bem como é usar o drama para comover. Kyle Chandler aparece pouco na trama com seu Harge, e quando aparece, ele transparece a falta de direção do diretor, aparentando estar perdido em cena, com olhares vazios de forma que não consegue se expressar para mostrar que ainda deseja aquela mulher e a quer como sua "propriedade", ficando bem vago sua presença, e se ele gravou mais cenas, certamente foram cortadas devido à essa falsidade aparente. Sarah Paulson até entra em bons momentos e seus olhares também possuem muita simbologia, mas sua Abby funcionaria mais se optassem por mostrar mais do passado de Carol do que o momento em si, pois apenas com uma frase dita em restaurante, fica muito fraco o envolvimento emocional que tentaram passar. Jake Lacy até trabalhou bem seu Richard e no seu momento de mais raiva mostrou uma dramaticidade impactante bem bacana de ver, porém mesmo seu personagem voltando em determinada cena, ele acaba não sendo algo tão forte na trama.

Agora algo que certamente chama muita atenção na trama é a representação dos anos 50, muito bem feita pela direção de arte, com muitos carros, restaurantes charmosos e até mesmo nos locais fechados tiveram todo o trabalho para dar uma representatividade bem interessante de ser vista, ou seja, algo que deu muito trabalho para a equipe, mas que certamente agrada e deve ser visto cuidadosamente em cada ângulo do que foi mostrado. Filmes gravados na época de neve nos EUA sempre possuem um charme a mais para a fotografia, e essa simbologia reflete bem na pegada romantizada que o longa tanto quis trabalhar, claro que as luzes em tom mais baixo também ajudaram para isso, mas é inegável que essa escolha de tom ajudou o filme a ter um ritmo mais lento, que tanto reclamei, e muitos reclamarão também.

Enfim, é um bom filme, possui uma boa produção, tem atuações impecáveis, mas cansa demais pelo não determinismo no rumo que o diretor acabou passando, ou seja, é daqueles filmes que quem tiver muita paciência pode até sair comovido com o que verá, mas quem for esperando uma dramaticidade mais forte e dinâmica, certamente vai sair desapontado. Dessa forma recomendo ele pelo visual e boas atuações, mas com a ressalva de não ver ele de forma alguma se estiver cansado após um longo dia de trabalho. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia dessa semana, então abraços e até breve.

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Irmãs (Sisters)

domingo, janeiro 24, 2016 |

Festas... este é um mote que Hollywood adora trabalhar em suas produções, e na maioria das vezes, usam para quebrar tudo no melhor estilo possível, como se não houvesse amanhã. Agora como bem sabemos, com o passar dos anos, os adultos vão ficando mais responsáveis, chatos e as festas costumam ficar no ritmo das pessoas, ou seja, mais chatas. Mas e se, com drogas, bebidas e tudo mais fizesse com que as pessoas deixassem seus limites para trás e resolvessem jogar tudo para o alto? Pois bem, com essa ideologia, que não faz parte da sinopse de "Irmãs", mas vai estar presente no conteúdo da trama, o filme acaba tendo alguns momentos bem risíveis e interessantes de acompanhar, mas também conta com momentos que mostram o desespero do diretor em colocar coisas abusivas para que o público ria até de absurdos. Não digo que é um filme ruim, muito pelo contrário, me fez rir em diversos momentos, mas talvez de uma maneira menos apelativa, continuaria agradando, porém, o importante é vermos que em qualquer idade, extrapolar (seja por muita responsabilidade ou muita irresponsabilidade) pode causar danos em todos à sua volta.

O longa nos mostra que as irmãs Maura Ellis e Kate Ellis sempre foram muito diferentes: enquanto a primeira é conhecida por ser responsável e ajudar os outros, a segunda é especialista em perder empregos e namorados, o que deixa a sua filha adolescente furiosa. Quando as duas descobrem que a casa da infância será vendida pelos pais, elas decidem dar uma última festa, e aproveitar tudo que não puderam fazer no local quando eram mais novas.

É interessante quando vemos roteiristas de programas satíricos atacarem no mercado cinematográfico, pois procuram ironizar em tudo que veem pela frente, de modo que algumas piadas funcionam, e outras acabam sendo jogadas na tela e você fica com a cara sem saber o motivo do ator estar falando aquilo. Aqui Paula Pell, que foi roteirista por muitos anos do Saturday Night Live e que também costuma escrever as piadas dos apresentadores do Oscar, acabou fazendo um texto irônico sobre a situação festiva que muitos não gostam de celebrar (a mudança de uma casa, que pode ser representada como a quebra de um ciclo, uma passagem), e com isso ela trabalhou bem o roteiro para que alguém pegasse e criasse as piadas em cima de seu texto, e por sorte, ou até mesmo por indicação, o acerto caiu com duas das atrizes/comediantes que estão mais acostumadas com seus textos (claro que para isso elas também entraram como produtoras, botando seu dinheiro para jogo, meio que comprando as personagens), e felizmente não foi entregue para um diretor 100% de comédias, pois a chance de seu texto virar algo completamente escrachado era muito alta. Com isso, o diretor Jason Moore (que acertadamente só havia feito "Escolha Perfeita) volta para o cinema trabalhando com um rumo mais direto do que musical e soube dosar a energia das atrizes para os momentos corretos, transformando o longa em algo que até possui uma boa pontada moral, mas que sempre procura mostrar o aproveite o momento.

Não posso dizer que sou fã do estilo cômico das duas protagonistas, pois costumam forçar para divertir, mas confesso que aqui não teria duas atrizes melhores para os papeis, mesmo que para isso elas tiveram que virar produtoras, e botar dinheiro no longa para que fossem realmente "escolhidas" para o filme. Amy Poehler com sua cara estranha, entrega para sua Maura Elis uma personagem com carisma e estilo responsável que quer se divertir, mas precisava ter experimentado um pouco mais de drogas para saber que fez expressões de boba e não de quem estava amalucada, poderia ser menos ingênua em alguns momentos que agradaria mais, definitivamente sua melhor cena é a da bailarina junto com Ike Barinholtz, pois seu James longe de ser um partido bonitão para o que qualquer filme pediria, aqui ele encaixou por ser o avesso disso, mas que serviu bem para a piada. Por mais incrível que pareça, o humor ácido característico de Tina Fey foi usado bem pouco com sua Kate, pois mesmo ela sendo a mais escandalosa da família, deixaram isso como algo subjetivo que foi mostrado ao ler os diários, e claro que a personalidade caberia completamente para ela, mas no filme, por tentarem inverter os papeis ao menos por uma noite, ela ficou somente engraçada de uma maneira mais simples, o que é legal de ver, mas certamente se fosse do estilo tradicional quebraria tudo e seria bem mais engraçado. Bobby Moynihan faz de seu Alex o excesso que ora diverte, ora queremos poder dar um tiro no personagem de tão chato com piadas bobas, claro que todo grupo de amigos possui aquele que faz bobeiras para divertir os demais, mas aqui sob efeito de droga ficou absurdamente forçado. A personagem Brinda de Maya Rudolph é outro que de tão forçado acaba divertindo, mas que está completamente deslocado na produção, o que não é algo legal de ver em trama alguma. Dos demais atores, todos procuram ter seus melhores momentos durante a festa, mas nenhum consegue grande destaque, valendo apenas frisar a pose séria do lutador de WWE que já está fazendo mais filmes do que lutas, John Cena.

Nesse estilo de filme, as preocupações da direção de arte permeiam apenas em quanto mais podemos colocar na tela, pois parece que desesperadamente querem mostrar mais coisas do que cabem na projeção para que a festa fique mais e mais agitada, e confesso que foram bem criativos com tudo, desde usar tinta na água, passando por Picaço, quebras de gesso, danças coreanas com sabão, e por aí vai, portanto espere ver de tudo no filme, inclusive destruição já que é um filme para quebrar tudo. Desse modo a equipe artística apenas fluiu a ideia e colocou nas mãos dos atores para fazerem a festa completa, e isso funcionou bem para que tudo chamasse atenção para onde olhássemos. Além disso, os momentos de lembranças da infância e juventude das protagonistas contou com uma cenografia completa no quarto delas, representando muito bem a época escolhida com diversos objetos cênicos perfeitos. Com muitas luzes de diversas cores para dar o tom da festa, e principalmente trabalhando sempre com cores bem vivas para elucidar a comicidade, o filme acaba agradando bastante no visual, e claro ganha um ritmo interessante que não cansa em momento algum, então podemos dizer que no conceito técnico só tivemos bons acertos.

Enfim, é um filme bacana para assistir, mas que está longe de ser uma obra-prima. Poderia ser muito menos apelativo para envolver bem as piadas sem que ficasse forçado, mas aí não seria um texto de um escritor do SNL na tela. No geral vale o ingresso pela boa comicidade, mas quem não gostar de filmes envolvendo festas malucas, passe longe, pois a chance de se incomodar com a apelação é ainda maior para estes. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda faltam duas estreias dessa semana para conferir, então abraços e até breve.


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Pai em Dose Dupla (Daddy's Home)

sábado, janeiro 23, 2016 |

Tudo bem que quando vi o trailer já sabia que "Pai em Dose Dupla" seria um filme bem mediano, mas não imaginava que fosse passar o longa inteiro sem ter quase nenhum momento de diversão! O filme trabalha até que bem com a ideologia que muitos padrastos sofrem para conseguir que as crianças o assumam como pai, mas não existe praticamente comicidade alguma nessa situação, e nem forçando a barra como Will Ferrell faz no longa que ele mesmo produz, conseguirá tirar muitas risadas do público. Digo isso, pois até que havia uma quantidade interessante de pessoas na pré-estreia hoje, e deu pra contar em uma mão os momentos que o público riu de algo. Felizmente o fechamento foi engraçado, e infelizmente ele abre possibilidade para uma continuação, então oremos para que não permitam isso.

O filme nos mostra que Brad é executivo em uma rádio e se esforça para ser o melhor padrasto possível para os dois filhos de sua namorada, Sarah. Mas eis que Dusty, o desbocado pai das crianças, reaparece e começa a disputar com ele a atenção e o amor dos pimpolhos.

Se existe um nicho que faz muito sucesso nos EUA é o de series cômicas envolvendo família, e essa premissa de um tempo para cá tem rumado também para os cinemas. Porém uma coisa que os roteiristas e diretores precisam começar a pensar mais antes de achar que uma história é boa para ser lançada, é o público que desejam atingir, pois se ficarem em cima do muro, como é o caso dessa produção, não vão atingir ninguém, pois o longa trabalha a disputa dos pais, como se fosse um filme para ser visto pelos filhos bem pequenos, que sequer sabem o que é uma separação, quanto mais uma disputa entre dois homens por sua atenção. E dessa maneira tanto Brian Burns errou na concepção do texto quanto Sean Anders (que costuma fazer comédias escrachadas e bem divertidas) errou na direção do longa. Não posso dizer que foi algo mal produzido, mas está longe de ser algo que valha a pena gastar seu tempo e dinheiro vendo o filme quiçá numa Sessão da Tarde, quanto mais em um cinema.

Se existe uma coisa difícil é rir de algo que Mark Wahlberg faça nesse filme, o ator é próprio para longas de ação, fez sim algumas comédias que deu boas conexões, mas aqui parece perdido fazendo caronas de macho-alfa e só com seu Dusty, de modo que não chama a atenção em quase cena alguma, precisando de outros personagens na trama para que sua comicidade desenvolva. Um dos que tentam ajudar Wahlberg é o outro protagonista, e produtor do longa, Will Ferrell, que possui uma vasta carreira dentro da comédia, mas seus personagens são sempre bobos demais para passar alguma lição de moral ou divertir, e seu Brad recai sempre para o lado emotivo que não funciona dentro da proposta cômica do filme, talvez se fosse algo mais dramatizado e adulto, suas piadas funcionariam, mas para um filme familiar, foi fraco demais. Outro que aparentemente caiu de paraquedas na trama, principalmente para ser usado com piadas racistas é Hannibal Buress, que até consegue dar boas gags divertidas nas cenas próximas à geladeira com seu Griff, mas nos demais momentos ficamos nos perguntando o que ele está fazendo ali. Falar de Linda Cardellini no filme com sua Sara é o mesmo que falarmos que determinada planta ficou bem exposta em cima da mesa de jantar do filme, de modo que nem lembro se tinha alguma planta na mesa, quanto mais vou lembrar se a atriz fez algo bom, ou seja, teve seus dois momentos de aparição com seus pulinhos ao saber do grande médico e depois quando fica brava no baile, e só. Thomas Haden Church até tira boas histórias para contar com seu Leo, mas como quase nenhuma faz referência ou servem de consolo para o protagonista, também fica jogado demais no filme, então poderiam ter dispensado, já que nada é engraçado. As crianças até tentaram ser fofas e agradáveis nas cenas, mas estão longe de qualquer outra criança que chamasse atenção em um filme, ou seja, se quiserem seguirem carreira, ainda vão precisar trabalhar muito.

No conceito visual, a trama certamente deu um trabalho imenso para a equipe de arte, pois fazer uma casa na árvore, uma pista de skate, correr com uma moto por dentro de uma casa cheia de elementos cênicos, pegar um jogo de basquete lotado para fazer algumas babaquices, e ainda arrumar muitas figurações em todos os lugares, para depois entregar um filme sem vergonha como esse! Certamente o diretor de arte ao ver o trabalho finalizado chorou não de emoção, mas sim de tristeza por ter recebido para fazer isso. A fotografia foi bem clássica, sem muito para chamar atenção, nem colocando angulações nem nada, apenas câmeras sem muito movimento, luz clara para todas as cenas e um ou outro momento dando uma tonalidade de sono nas cenas dos quartos, mas nada que mereça muita atenção.

Enfim, é um filme extremamente fraco que pode ser completamente evitado. Como disse antes, se passar em uma sessão da tarde da vida em casa, e não tiver mais nada para fazer, até serve para passar algumas horinhas, mas sempre tem alguma louça na pia para lavar, então é melhor deixar a pia limpa. Vou rezar muito para que não façam uma continuação, pois aí a atriz brasileira Alessandra Ambrosio faria mais do que uma participação na última cena, e sofreria também dentro da mesma proposta. Portanto, não recomendo de forma alguma esse longa para ninguém, pois é gastar dinheiro à toa com toda certeza. Fico por aqui agora, mas hoje ainda confiro mais um longa, e volto mais tarde com outra crítica, então abraços e até breve pessoal.

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Spotlight - Segredos Revelados

sábado, janeiro 23, 2016 |

Temas polêmicos sempre flutuam perante os grandes roteiristas do cinema e da TV, mas poucos são os corajosos em pegar um tema real que aponte o dedo na cara de determinado público e faça um filme com valor amplo, mostrando com firmeza a ideologia que deseja passar. E se tem um filme que certamente podemos colocar no topo máximo de coragem para desenvolver uma história real bem polêmica é "Spotlight - Segredos Revelados", que consegue mostrar apenas com boas interpretações e uma direção precisa, toda uma denúncia que a equipe Spotlight do jornal Boston Globe acabou ganhando um Prêmio Pulitzer e ainda revelou para o mundo todo o mundo sujo por trás da Igreja. Ou seja, se você é uma pessoa religiosa, talvez saia revoltada do cinema com tudo o que é mostrado, mas se você gosta de um bom filme investigativo, certamente essa é a pedida para o fim de semana, afinal o longa já está sendo premiadíssimo e provavelmente deva levar o Oscar.

O longa nos conta a verdadeira e fascinante história da investigação ganhadora do Prêmio Pulitzer feita pelo jornal Boston Globe, que viria a abalar a cidade e causar uma crise em uma das instituições mais antigas e confiáveis do mundo. Quando o time de repórteres da tenaz equipe "Spotlight" mergulha nas alegações de abuso na Igreja Católica, a investigação de um ano desvenda décadas de encobrimento nos mais altos níveis dos estabelecimentos legais, religiosos e governamentais de Boston, desencadeando uma onda de revelações ao redor do mundo.

Alguns longas possuem um conteúdo textual tão grandioso que poderiam ser feitos dentro de uma sala simples apenas que sairíamos felizes ainda com o resultado, e esse certamente é um deles, pois os roteiristas Josh Singer e Tom McCarthy foram expressivos na medida certa para que o filme não sobrepusesse a importância do que os jornalistas fizeram, e isso é algo raro dentro da história do cinema, pois em suma, os diretores e roteiristas preferem desenvolver algo novo e deixar o fato real apenas como bônus na trama, o que aqui não acontece, felizmente! O diretor Tom McCarthy também foi bem coeso aonde queria atingir, enaltecendo e muito o trabalho da equipe, fazendo com que cada ato fosse desenvolvido em conjunto (para não precisar ficar explicando cada execução de cada personagem), apresentando eles bem rapidamente durante a própria condução e com isso deixando o filme dinâmico, e principalmente, determinado com a proposta de agradar quem gosta de um bom longa investigativo. Claro que pra isso, assim como o jornal arriscou perder boa parte dos seus leitores que eram católicos, o filme também entra numa briga de gigantes, afinal em diversos países mais fervorosos pela Igreja, o longa tem sofrido represálias e não está sendo exibido, mas afirmo que mesmo quem acredita na fé e tudo mais, vai ficar muito indignado ao ver tudo que o longa proporciona, e dessa maneira volto a afirmar o que faz valer ver um longa que é diversão e informação, e aqui essa última vertente, vem com tudo, seja pelas mãos do diretor que soube dominar toda a situação, do roteiro bem escrito e completamente focado, do elenco maravilhosamente bem conectado ou até mesmo da edição dinâmica que foi trabalhada para que o longa não cansasse, ou seja, um trabalho completo e perfeito.

Como disse acima o elenco possui uma conexão incrível, que nem se fosse um romance meloso teríamos tanta química entre os personagens, de modo que é quase possível em algumas cenas, um completar a frase do outro sem que o texto precisasse estar por ali, e isso só é sentido quando tudo flui corretamente, então podemos ver que todos se doaram para a trama, e o resultado é um filme condizente com a força da proposta. De certa forma Michael Keaton é o líder da equipe com seu Robby, mas ele ao mesmo tempo que age exatamente como um bom líder deve ser, conseguiu sempre tocar a bola, ou no caso, o diálogo como uma luva para qualquer um que estivesse em cena com ele, e isso claro que mostra toda a experiência de muitos anos do ator, mas também o estilo que optou por colocar na personalidade do personagem, e isso é muito bacana de ver em todas suas cenas. Mark Ruffalo é daqueles atores que nunca vamos saber qual é o melhor estilo que pode interpretar, pois seja fazendo um herói ou um músico ou um jornalista sedento de informações, ele sempre vai imprimir seu estilo maluco repleto de expressões e que vai agradar a todos, então seu Mike Rezendes é interessante de ver e acompanhar, mesmo que para isso você quase não respire e nem pisque, pois diferente da idade do ator, o jovem personagem parece aqueles novatos na redação que não param nem para beber uma água. Rachel McAdams trouxe um estilo forte para sua Sacha Pfeiffer, mas sem perder a beleza e dinâmica característica de seus personagens, e se mostrando completamente interessada em todos os depoimentos que colhe, trabalhando na tonalidade das perguntas e somente mostrando suas angústias com olhares, a atriz acaba emocionando e envolvendo o público. Deram para Live Schreiber um personagem calmo demais, pois a personalidade do ator é algo mais explosiva e que confronte tudo, mas de certo modo, seu Marty Baron consegue chamar atenção. Vários outros atores também possuem boas cenas(Brian d'Arcy James como Matt, Stanley Tucci como Mitchell Garabedian, John Slattery como Ben Bradlee Jr., Neal Huff como Phil Saviano, entre outros), mas como disse acima todos estão ótimos, então vale a pena focar mais nos textos e nos protagonistas senão a chance de você sair do eixo é bem alta.

O conceito visual da trama não é o ponto forte do filme, mas souberam escolher bem as locações e criar outros locais em estúdios para representar bem a sala da equipe, aonde bons diálogos expressivos ocorrem, sempre mostrando muito material de jornal sobre as mesas para investigações, no melhor estilo jornalístico possível (o que agrada bem mais do que investigações policiais), sempre ao saírem para colherem depoimentos os locais também chamam atenção pelo visual mais antigo para manter a época do caso, mas sem que fossem chamativos demais, afinal a importância da produção cênica, como disse, não é em momento algum quem deve predominar, e isso fazem questão de elucidar mesmo quando estão em uma festa de gala. A fotografia trabalhou sempre num tom vivo, mas sem iluminar demais, para que a tensão fosse criada e ficasse sempre presente durante toda a cena, e quando era preciso apimentar com algo a mais, baixavam a luminosidade e o clima ia lá para cima, ou seja, um trabalho bem minucioso para segurar o texto, mas trabalhando também a temperatura cênica.

Enfim, um filmaço que vale muito a pena ser visto, que alguns podem reclamar de ser polêmico demais, com diálogos em demasia, mas isso é o jornalismo internacional bem investigado à ponto de mostrar uma notícia completa sem pestanejar e sair colocando algo no meio que possa atrapalhar o auge da matéria, e o filme seguiu o mesmo estilo para que tudo fosse mostrado sem necessitar forçar a barra ou apenas jogar ideias para que o público criasse na mente o que estava ouvindo, ou seja, um filme que dá o seu recado e mostra a opinião que quer que vejamos na tela. E dessa maneria com o tanto de elogios que fiz acima, é claro que recomendo o longa para todos, com a ressalva de que se você é extremista católico, vá ver sabendo que é um filme contra a Igreja em si, e se não gosta de coisas contrárias fique em casa. Fico por aqui agora, mas ainda tenho muitos longas para conferir no fim de semana, então abraços e até breve.

PS: Pensei em dar um 9 ou até um 9,5 caso tivesse, mas o filme me fez ficar vidrado na telona sem quase nem piscar, e ainda sair pensando revoltado com toda a situação apresentada, então vamos com 10 mesmo.


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Joy - O Nome do Sucesso

sexta-feira, janeiro 22, 2016 |

Quando vamos assistir um longa baseado em alguma biografia, já vamos sabendo que na maioria das vezes procuram enaltecer as qualidades do personagem principal e tudo que ele sofreu para chegar ao sucesso. E isso é um fato que nem exigimos que o filme nos entregue, pois é de praxe, mas quando tentam nos enganar mostrando apenas isso, sem dar o algo a mais que faça o filme realmente valer a pena, mesmo as situações acontecendo de forma envolvente, fica parecendo que o filme foi entregue faltando partes. E infelizmente isso é o que ocorre com "Joy - O Nome do Sucesso", pois prepararam tanto o ambiente para destacar tudo o que a personagem principal sofreu para conseguir chegar ao topo do sucesso, deixando que Jennifer Lawrence dominasse a tela completamente, que esqueceram que os demais personagens precisariam aparecer e chamar o mínimo de atenção também, ou que pelo menos mostrasse mais da sua carreira de sucesso e não só os tombos, ou seja, temos sim um bom filme, com uma boa ideia, mas que pecou em ser singelo demais, e isso não cativa o público para que saia motivado a continuar insistindo em seus projetos, como tanto fez a biografada, mas apenas com a mensagem de que não desistindo se consegue se for insistente. E certamente se tivessem focado mais no sucesso que conseguiu depois sem ficar com a apelação dramatizada familiar, o filme seria daqueles que o público sairia do cinema com um gás imenso.

O filme nos mostra a emocionante jornada de uma mulher que é ferozmente determinada a manter sua excêntrica e disfuncional família unida em face da aparentemente insuperável probabilidade. Motivada pela necessidade, engenhosidade e pelo sonho de uma vida, Joy triunfa como a fundadora e matriarca de um bilionário império, transformando sua vida e a de sua família.

Fazer amizades dentro de um meio que muitos sequer só pensam no próprio umbigo é algo bem complicado, mas podemos dizer que o diretor David O. Russel e os atores Jennifer Lawrence, Bradley Cooper e Robert De Niro constituem quase que a mesma família após três filmes juntos, nem sendo mais questão de amizade, o que é algo bem bonito de se ver, mas que já está ficando um pouco desgastado nas telas, afinal não vemos mais aquele brilho e impacto que víamos nos seus primeiros filmes, e junto de uma história mesmo que sofrida de uma mulher que sofreu demais para conseguir o sucesso, acabou ficando leve demais para chamar a atenção, de modo que até comovemos em alguns momentos da história, mas nada que faça você vibrar com as conquistas (tirando claro o momento do primeiro acerto). Acredito que Russel nem tenha mais que falar o que quer de Jennifer, pois ela já sabe de cor e salteado como o diretor gosta de suas aparições, e isso é algo que facilmente se nota na tela, pois a jovem parece se dirigir e chamar a atenção bem mais do que qualquer um em qualquer momento. Não digo que isso seja ruim, mas como todos fazem parte da situação, caberia chamar mais atenção para cada detalhe dos outros personagens, e principalmente daria muita liga se desenvolvessem a convivência de Joy e Neil, do que a família maluca da garota, e isso o diretor poderia ter resolvido facilmente, junto com a roteirista.

Falar da atuação de cada um é algo até fácil demais, pois Jennifer Lawrence dominou o longa inteiro e fez dele seu porto seguro para mostrar o quão boa é de interpretar diversas facetas com os diversos momentos de sua Joy, e isso claro que vem lhe garantindo indicações à diversos prêmios, os quais alguns até está levando. Robert De Niro está tão deslocado na trama como pai da moça, que cada vez que seu Rudy entra em cena, ficamos pensando é esse mesmo o cara que ganhou já dois Oscar e fez "Poderoso Chefão"? Pois mesmo mostrando mais afinidade com a primeira filha, acaba sempre sem angulação nos olhares e isso não é legal de ver. Teoricamente, ou melhor logo de início somos apresentados a Diane Ladd como Mimi, a narradora da história, mas há uma quebra de roteiro tão fora de moda lá pelo meio do filme, que faz dessa escolha da direção algo tão errado, que ainda devem estar se perguntando por que raios foram fazer isso, e infelizmente sua personagem embora sempre alegrinha, não chama atenção nenhuma. Colocar alguém apenas para assistir TV o filme todo e em alguns momentos soltar algumas pérolas filosofais de vida é algo que não consigo imaginar de ver em longa algum, mas aqui deram esse cargo para Virginia Madsen com sua Terry, ou melhor mãe da protagonista, e convenhamos que gastaram dinheiro a toa com o cachê, e ficou péssimo de ver. Édgar Ramirez até tenta ser um ponto chave agradável como o ex-marido que mora junto Tony, e possui bons momentos, mas como a perspectiva de seu personagem fica sempre de lado, não chama atenção alguma, e mesmo na cena do mercado aonde aparentemente ele teria algo forte para dizer, apenas sai andando e logo em seguida nada foi importante de ver, ou seja, falharam com ele, e ele não empolgou também. Isabella Rossellini é uma tremenda atriz italiana que geralmente chama a atenção nos papeis que faz, e sua Trudy até teve uma personalidade forte e chamativa para convencer, de modo que ficamos bastante de olho nas suas participações, mas o modo que entra nas cenas foi algo muito picotado (assim como o longa inteiro) e acaba não chamando muito a responsabilidade das cenas fortes para si, o que é uma pena. E para finalizar, não menos importante Bradley Cooper, que sempre carismático consegue puxar a câmera para sua atuação na maioria dos filmes, e com seu Neil não é diferente, agradando bastante nas poucas cenas que aparece, e esse é o maior problema do filme, pois seu personagem é muito bom, e acabou ficando apagado demais sabe-se lá por qual motivo, mas acredito que o principal seja por ter alguma grande divergência na biografia que optaram por não mostrar, afinal o personagem é um grande nome da TV Fox, e o longa que é distribuído pela Fox, deve ter preferido amenizar isso.

Assim como a maioria dos longas que dirige, Russel prezou bastante pelo visual da trama, e de um modo acertado, tivemos boas locações e até elementos cênicos bem característicos para mostrar o começo dos canais de vendas pela TV (que certamente merece um longa a parte) e claro colocar toda a simbologia dos personagens com muitos elementos cênicos, destacando claro para a criatividade de Joy desde os primórdios. Destaque também para o figurino e cabelo, claro da protagonista em diversos momentos, que valem a pena serem vistos detalhadamente, mas tirando isso, a simplicidade domina. Mesmo sendo gravado em sua maioria com cenas em momentos de inverno, fotografia não funcionou tanto visualmente como costuma agradar longas gravados nessa época, principalmente por manterem cores neutras nos demais personagens e isso em geral deixou o longa marrom demais.

Enfim, não chega a ser um filme que deva ser desprezado, mas está muito abaixo dos demais do diretor, dando somente destaque mesmo para Jennifer Lawrence, e assim sendo, somente algumas boas sacadas cômicas do início devem empolgar o público. Portanto não posso dizer que recomendo o filme, mas deve agradar quem gosta de coisas mais leves. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda faltam muitas estreias dessa semana para conferir, então abraços e até breve.


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A Quinta Onda (The 5th Wave)

quinta-feira, janeiro 21, 2016 |

Fico cada dia mais abismado, e claro querendo tirar o chapéu em nível máximo, com a capacidade que uma equipe de edição de trailers pode causar em um espectador! Pois, parem três minutinhos e vejam o trailer abaixo, certamente irão falar: "nossa que filmaço de destruição alien", depois revejam o pôster acima, e vão falar: "é realmente esse filme parece dos bons". Daí detesto destruir expectativas, mas só fiz isso após assistir e já solto a primeira bomba que muitos não sabem, mas "A Quinta Onda" é o primeiro longa baseado no primeiro livro de uma trilogia que ainda não teve nem seu último livro lançado, na sequência solto mais uma pérola, o que inicialmente começa bem tenso e deixando o público cada vez mais curioso é substituído no miolo por algo bem romanceado, das quais algumas teenagers vão curtir muito ver e outros vão acabar apenas achando que poderiam ver bem mais dentro de toda a possibilidade da história, que é facilmente desvendada o mistério todo logo de cara. Ou seja, está longe de ser um filme ruim, mas também não chega nem perto de ser algo sensacional, agora é torcer para que se fizerem a adaptação dos demais livros("O Mar Infinito" e "A Última Estrela") coloquem um incremento mais forte e chamativo para não ser apenas uma obra voltada para jovens adultos.

O filme nos mostra que a Terra repentinamente sofre uma série de ataques alienígenas. Na primeira onda de ataques, um pulso eletromagnético retira a eletricidade do planeta. Na segunda onda, um tsunami gigantesco mata 40% da população. Na terceira onda, os pássaros passam a transmitir um vírus que mata 97% das pessoas que resistiram aos ataques anteriores. Na quarta onda, os próprios alienígenas se infiltram entre os humanos restantes, espalhando a dúvida entre todos. Com a proximidade cada vez maior da quinta onda, que promete exterminar de vez a raça humana, a adolescente Cassie Sullivan precisa resgatar seu irmão mais novo e descobrir em quem pode confiar.

Tudo bem que sempre vão tentar substituir as sagas adolescentes que vão acabando por outras novas, algumas que seguem a mesma linha base e outras que vão por fluxos completamente diferentes, mas sempre existirão no mercado depois do sucesso estrondoso que a saga "Crepúsculo" arrebatou. Isso é um fato, que muitos vão negar e reclamar. Mas se eu fosse escritor também seguiria nessa linha, afinal é dinheiro garantido. Só confesso que quando li "O Monstrologista" há uns 4 anos, nem imaginava que Rick Yanley seguiria para essa vertente, afinal o livro é muitíssimo interessante e gerou outras três continuações. Porém em 2013, o escritor debandou para o lado alienígena da força, e claro, vendo que o sucesso teen que havia explodido bilheterias havia encerrado sua participação nos cinemas e nos livros, por que não tentar a sorte também com esse estilo, e eis que iniciou seu livro "A Quinta Onda", que teve sua sequência("O Mar Infinito") lançada no ano passado e tem previsão do último livro sair ainda em 2016, ao menos nos EUA.  E claro que vendo esse filão, todo produtor que se preze, quer ganhar dinheiro, e lá foi o ator Tobey Maguire(sim, o primeiro homem-aranha que ganhou dinheiro e agora produz filmes também) comprar os direitos do livro, e como não tinha tanta certeza de dar certo colocou seu amigo J Blakeson(que só tem no currículo de direção um longa, mas completamente desconhecido, e alguns roteiros de terror) para dirigir a trama. Não podemos dizer que ele foi perfeito, afinal entregou o ouro muito cedo, claro que isso deve estar assim também no livro, mas a percepção da leitura não é tão rápida como a visual, e ver os ônibus é algo que de cara já dá um leve soco na cara, e dessa forma isso acaba sendo um erro grande num filme, porém certamente com a cena de descoberta dos jovens do que é a quinta onda dá um belo encaixe, e assim sendo, o diretor volta a ganhar créditos. Como disse a culpa não pode ser toda apontada para o diretor, afinal uma equipe de três roteiristas, inclusive com nomes de grande pompa de Hollywood acabou desenvolvendo o texto final do longa, então quem sabe ele ganhe experiência e continue melhor na continuação, caso ainda optem por alguém barato para fazer o filme.

Falar da atuação em um longa que contém Chloë Grace Moretz é algo que nem dá para discutir, afinal venho falando desde "Kick Ass" que ela é uma das melhores atrizes dessa geração e certamente vai explodir ainda mais no momento certo para ganhar todos os prêmios possíveis,  o que ainda não foi dessa vez, pois sua Cassie embora tenha muita dinamicidade e ação como a personagem que lhe despontou, nos momentos mais romanceados, ela ainda não agrada tanto, mas vai melhorar nesse quesito também com muita certeza, e em breve vamos aplaudir muito ela. Nick Robinson até chama a atenção por seu Ben Parish/Zombie, mas falta um pouco de carisma para emplacar e agradar, além de sempre estar com uma cara de medo de tudo o que está fazendo, mesmo depois de tudo o que encarou, mudar a face para algo mais maduro é o mínimo que se esperava de alguém, e olha que o ator ganhou nos testes de diversos grandes nomes, ou seja, estão precisando revisar os testes, ou ele vai decolar mesmo nos próximos, por ter feito o que o diretor pediu de uma maneira não tão boa aqui. Pelo contrário de Nick, Bailey Anne Borders já chega na sua primeira cena mostrando que mesmo sendo mulher possui muito mais colhões que o rapaz, e mostra que vai passar por cima de quem aparecer com sua Julia, e certamente no próximo filme vai ter muito mais responsabilidade para chamar a câmera para si em mais momentos, pois já agradou bastante aqui. O galã do longa, Alex Roe, tem jeitão clássico para agradar as moças, e até se deu bem nos momentos mais dialogados de seu Evan Walker, mostrando ser misterioso o suficiente para mudarmos de opinião sobre seu personagem umas três vezes pelo menos, e segurando bem o desenvolvimento até a cena do carro, pois depois dali, era melhor que tivessem arrumado uma morte bonita pra ele, que seria bem melhor do que fez, mas lendo a sinopse do segundo livro, vemos que o personagem é importante, então, vamos ver o quanto ele vai pular no próximo filme. Liev Schreiber caiu bem na personalidade do Coronel Vosch e chama atenção pelo semblante sempre sério e forte que impacta nos momentos certos, claro que assim como reclamamos em todos os filmes, quando tem de atirar, os vilões desse estilo de filme nunca atiram, só falam algo e deixa rolar para que tenhamos mais filmes, então vamos aguardar ainda qual será seu desfecho, mas o ator mandou bem também.

No conceito visual da trama, souberam dosar bem a cenografia real, com a computadorizada, afinal as ondas iniciais como mexeram com coisas bem impactantes, necessitaram de cenas fortes que vimos nos trailers, e elas foram apenas mais alongadas do que já havíamos visto no trailer, e agradam bastante por não economizarem com poucos elementos cênicos, claro que alguns efeitos poderiam ser melhorados, mas isso também onera custo, e o filme foi de certa forma pelo gênero bem barato. Porém quando a trama entra no seu momento mais realista, com cenas filmadas numa floresta bem bacana pelo formato dividido da tela, que tem todo um charme e quando os jovens vão para a batalha campal mesmo, a equipe optou por colocar menos objetos cênicos marcantes e focaram mais no continuísmo da história, o que é bacana de ver também, mas poderiam ao invés de entregar tudo de cara, ir dando apenas detalhes mais simples e que fizesse o público montar o quebra-cabeça completo somente mais para o final. A fotografia trabalhou bem o tom marrom para dar dramaticidade tanto nas cenas internas, quanto nas cenas noturnas, usando bem o figurino de guerra, e claro botando algumas explosões para realçar o visual com muito laranja, e quando puxado para os momentos mais romanceados ou de encontros, souberam botar o azul de contraste como um chamariz legal de ver.

A trilha inicial bem pautada deu o tom scy-fi comum e amarrou bem o que desejavam, depois não temos muitas canções e trilhas acompanhando o filme, deixando meio de lado para que a sonoridade cênica predominasse mais com tudo o que vinha ocorrendo. Porém o fechamento de créditos com "Alive" da Sia se prestarmos atenção na letra vamos ver que a ideia casou muito bem com a canção.

Enfim, volto a repetir o que falei no começo, o longa vai com certeza criar alguns fãs, mas também terá pela frente muitos inimigos costumeiros das sagas teen, porém o longa está bem longe de ser um início frustrante de séries, e certamente podem melhorar bem a ideologia nos próximos. Portanto recomendo ele mais para quem gosta de séries mais joviais, e menos pensantes, pois quem não curtir esse estilo, vai reclamar muito do filme. Bem é isso pessoal, mais uma vez agradeço a parceria com o pessoal da Difusora FM 91,3Mhz que proporcionou essa super-pré-estreia, mais uma vez lotada, para os ouvintes, e volto amanhã com mais uma estreia que veio para a cidade, então abraços e até breve.


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