Medo Viral (Bedeviled)

8/19/2018 11:14:00 PM |

Certa vez disse que o grande propósito de um bom filme de terror é causar medo nas pessoas, arrepiar, e claro até trabalhar a tensão de uma forma não de adrenalina, mas sim de temor por algo, de forma que saiamos da sessão no cinema pensando no que vimos, para chegar no estacionamento e caçar o carro com medo de tudo ao redor, mas para que isso funcione, um filme deve ter um enredo bem coeso para que funcione, e claro, a história deve ser sombria também, mas aí vem alguns malucos e acham que podem dar sustos grátis no estilo de carrinhos de parque, aonde a ideia é algo tão absurdo que mesmo se fosse bem feita não pegaria, e com situações tão jogadas que acabamos mais rindo do que ficando com medo do que acontece, ou seja, fazem um filme absurdo e ruim, o qual podemos chamar de "Medo Viral", que até poderia ter fluído para algo mais convincente, pois hoje no mundo moderno em que vivemos, os jovens vivem grudados em celulares, com mais e mais aplicativos, mas aí recair sobre uma entidade que usa energia para se materializar nos maiores medos de cada pessoa, e matá-las de medo (sim, não tem nenhuma facada, tiro, pedra na cabeça - a pessoa morre chocada de medo no longa!!) foi apelação demais, e o resultado ficou próximo do pior nível possível.

A sinopse nos conta que um grupo de amigos baixa um aplicativo “tipo Siri” que, no início, parece uma maneira inofensiva de receber direções ou recomendações de restaurantes. Mas a natureza sinistra do aplicativo logo se revela. O app não só conhece os medos mais profundos e sombrios de cada pessoa, mas é capaz de manifestar esses medos no mundo real para literalmente assustar os jovens até a morte.

Chega a ser até engraçado ler que os diretores Abel e Burlee Vang se inspiraram na lenda do Slender Man (que terá um filme já na próxima semana estreando!) para a criação do personagem principal do longa, pois é bizarro a forma meio que de palhaço que aparece, todos os medos soaram bobos demais, além de exageros caricatos que não conseguem se estruturar, ou seja, ficou parecendo um filme feito na correria para ser entregue antes que o outro (mas nem podemos dizer que é isso, pois tecnicamente o longa foi lançado lá fora em 2016, só aparecendo por aqui agora, e certamente nem estavam pensando em fazer um filme do Slender naquela época!), aonde não temos uma história que envolva ninguém, e certamente ao verem isso, acabaram fazendo com que o filme ficasse somente de sustos gratuitos, daqueles que pegam o público desprevenido, mas que de nada servem além disso, ou seja, um trabalho de diretores de primeira viagem realmente, mas que pela falta de uma história mais coesa, nem um diretor de grande porte conseguiria salvar a trama.

Sobre as interpretações, fico até com dó dos atores, pois mesmo o melhor ator do mundo se pegasse um roteiro desse ficaria sem palavras para se expressar no longa, e aqui como ainda acabaram escolhendo um elenco bem singelo, o resultado então foi algo que chega a ser difícil destacar alguém. Saxon Sharbino precisa urgentemente fazer um curso de choro, pois aqui não sabíamos se ela estava rindo ou chorando nas suas cenas mais dramáticas, e caras de susto então nem dá para falar, de modo que sua Alice soou bem fraca para ser a protagonista da trama. Mitchell Edwards também tentou aparecer um pouco mais como o inteligente programador Cody, mas suas sacadas ficaram meio jogadas, e em certos momentos até pensamos nele como o criador do aplicativo (o que seria algo bem interessante de dar uma quebra), mas quando parte para os sustos e desesperos, além de sacadas extremamente racistas, o resultado do seu personagem fica ruim demais para agradar. Quanto aos demais, a maioria foi quase figurante, mesmo estando junto com os demais, ao menos foi divertido ver os medos de cada um, com Victory Van Tuyl com sua Haley e um urso medonho (que foi a cena mais cômica do longa - aonde ri demais do ursinho voando!), Carson Boatman com seu Gavin todo atlético e charmoso, mas que morre de medo de palhaços, e Brandon Soo Hoo entregando um Dan que tem medo de uma mulher japonesa estranha e bizarra. Ou seja, um desastre no conceito das atuações.

No conceito cênico, as casas até ficaram interessantes, mas ou esse povo é extremamente econômico, ou apenas quiseram fazer um filme de terror clichê sem luzes, pois nenhuma casa tinha uma iluminação decente de lâmpadas, tudo apagado, ou seja, sem noção alguma para um filme. Além de que, fizeram maquiagens muito fajutas com ares bem amadores, que não conseguiram entregar nada para o público, quanto mais ficar com medo de algo. Como falo algo da fotografia se acabei de dizer que nem acender luzes direito fizeram? Melhor nem comentar, os tons escuros, com destaques apenas para as cores do aplicativo celular que mudavam de acordo com o temperamento da entidade.

Enfim, é daqueles filmes que nem sabemos o real motivo de aparecer por aqui, pois se estreou há mais de dois anos lá fora, o que veio fazer aqui depois de tanto tempo, fora que tudo parece um amontoado de clichês, com ares de sátira e absurdos técnicos impressionantes, ou seja, fraquíssimo. Portanto só veja se você realmente não tiver mais nada para conferir e quiser gastar dinheiro, do contrário, fuja ou reveja outro filme, pois certamente será bem melhor. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, e amanhã confiro a última estreia da semana, então abraços e até breve.

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Mentes Sombrias (The Darkest Minds)

8/19/2018 01:13:00 AM |

É engraçado que de tempos em tempos surgem sagas novas para suprir as que vão acabando, e muitas vezes os primeiros filmes acabam nem chamando tanta atenção, por aparentarem estranhos nos trailers, e muitas vezes não cativam por não serem livros estourados de vendas, ou seja, primeiro precisam mostrar serviço para depois o público empolgar com o que vê, e começar a torcer pelas sequências. Digo isso sem pesar nenhum, pois inclusive esse Coelho que sempre vos digita foi conferir "Mentes Sombrias" sem saber nada da trama, apenas tendo consciência de que eram cinco livros, e com uns dois pés atrás pelo trailer que aparentava ser um "X-Men" genérico que correram para entregar antes de "Os Novos Mutantes", mas agora após conferir posso dizer com toda certeza que é um filme bem interessante, com uma trama bem moldada que funciona dentro da proposta que segue, de ser um longa teen com romance, ação, aventura, superpoderes e tudo mais que se espera ver num filme desse estilo, ou seja, um clássico da sessão da tarde, que se cair em uma mão mais impactante, de um diretor de maior sucesso, certamente pode transformar o segundo e os demais filmes em grandes obras que todos irão querer conferir. Dito isso, vá e confira, pois certamente se você gosta desse estilo, a obra vai lhe agradar muito, e fará você virar um fã desejando saber o que acontecerá com cada personagem na continuação.

A sinopse nos conta que em um mundo apocalíptico, onde uma pandemia mata a maioria das crianças e adolescentes da América, alguns sobreviventes desenvolvem poderes sobrenaturais. Eles então são tirados pelo governo de suas famílias e enviados para campos de custódia. Entre elas está Ruby, que precisa se esconder entre as crianças sobreviventes devido ao poder que possui.

Mais conhecida por dirigir as animações "Kung Fu Panda 2 e "Kung Fu Panda 3", a diretora Jennifer Yuh Nelson agora se aventura em um mundo bem diferente, o de filmes live-action preparados para ser sagas, se baseando em livros, e aqui com a trama escrita originalmente por Alexandra Bracken, ela conseguiu entregar um filme com uma boa dinâmica, com uma história que consegue conectar com o público, e até possui uma boa essência, mas acaba lhe faltando um tino mais impactante para que o filme decolasse como poderia, sendo realmente uma apresentação mais colocada de personagens, aonde demoramos demais para conhecer seus poderes, quem são os vilões, e o que pode acontecer a seguir, de modo que o filme tem um pouco de tudo, mas aqueles que forem mais exigentes certamente irão reclamar de muita coisa, ou seja, é o famoso filme pipoca que consegue agradar bastante o público que é destinado, é daqueles que você assistiria tranquilamente na sala de casa durante uma tarde tranquila, mas que faltou para a diretora uma expertise maior para empurrar no público aquele sentimento de desejo pelo longa, e mesmo que o filme não seja ruim (muito pelo contrário é algo até bem interessante), a crítica em geral prefere queimar ele do que indicar, e esse talvez seja a maior falha da trama, a de não conseguir convencer o povo que poderia vender melhor ele, mas volto a frisar, que como não sou como os demais, recomendo sim, e até irei torcer muito para dar bilheteria, pois quero muito saber o desenrolar da trama, e não estou afim de ler outros quatro livros.

Outro ponto levemente problemático para o público não empolgar tanto com a trama foi a escolha do elenco, que para um filme com uma pegada levemente romantizada não possui rostinhos de galãs, e para um filme que tem muita ação e superpoderes, não tem atores fortes e interessantes dispostos a buscar um público mais voltado para isso, ou seja, escolheram atores simples demais, que até conseguiram ter uma boa química entre eles, souberam ser interessantes, tiveram bons conflitos e trejeitos, mas para uma saga adolescente, o resultado não é o que o público desejava ver nas telonas. Digo que talvez até tenham pegado a ideia da autora para como os atores deveriam parecer, mas não foram bem trabalhados. Amandla Stenberg já é rata desse mundo, pois começou lá trás em "Jogos Vorazes" com sua Rue sem muito protagonismo, e no ano passado já estrelou um drama teen mais quente em "Tudo e Todas as Coisas", e agora colocando praticamente toda a responsabilidade em suas costas, ela fez de sua Ruby uma personagem com um carisma até que bem interessante, que agrada, tem bons trejeitos, tem bons poderes, mas terá de se esforçar muito para ser a super-heroína que o segundo filme aparentemente irá lhe exigir, pois ela não tem todo esse impacto, ao menos não mostrou aqui. Harris Dickinson também não é aquele par romântico que esperamos ver, mas seu Liam tem um quê interessante de acompanhar, seus poderes são bem fortes, e o ator conseguiu ser carismático e chamativo para gostarmos dele, mas com um final que não esperávamos ver, iremos ficar bem curiosos para seguir sua saga. Myia Cech é uma japonesinha bem engraçadinha, mas sem dizer uma palavra sequer durante todo o longa com sua Zu acabou ficando mais necessária de ações, e embora algumas sejam bem bacanas, faltou um pouco para ela. Skylan Brooks faz um Bolota bem inteligente e que demonstra bem seu "poder", e soa bem como aquele amigo que todos querem ter tanto para Ruby quanto para os demais, mas ele é simples demais, e o ator também não chama para si a responsabilidade, ficando bem em segundo plano. Quanto aos demais, apareceram pouco e até chamaram a atenção, mas como é um filme introdutório, tanto Patrick Gibson com seu malvadão Clancy que fez boas cenas, quanto Mandy Moore como a doutora Cate, que aparece no começo, some o miolo todo e volta no final, fizeram pouco para serem lembrados pelos trejeitos e interpretações, veremos o que farão nos próximos (se houver!).

No conceito cênico a trama foi bem inteligente de situações, com locações simples, mas cheias de efeitos, que acabaram impressionando pela grande quantidade de figurantes, muita velocidade, poderes bem colocados e sem exagerar a equipe de arte soube dosar os elementos para que o filme fluísse sozinho e entregasse uma boa dinâmica e agradasse a todos. Porém a grande sacada ficou pelos efeitos especiais não ficarem tão falsos, pois o filme tinha claro uma cara de ser um X-Men, mas deixaram tudo bem simples que a qualidade não ficou forçada e nem impressionando por algo de grande teor. A fotografia da trama trabalhou com tons mais escuros para criar um clima mais tenso, e mesmo pesando nas cores o filme não soou exageradamente tenso, o que é interessante, pois poderia recair para algo mais dramático e atrapalhar mais do que agradar.

O longa também contou tanto com boas canções quanto trilhas originais bem encaixadas para ditar um ritmo bem cadenciado, e como costumo dizer, se um bom filme tem uma boa trilha sonora, o resultado para conquistar o público já é de quase 50%, e claro que não deixaria de fora o link para que todos possam ouvir, afinal boa música é aquela compartilhada por todos.

Enfim, muitos vão dizer que fiquei maluco por gostar do longa, pois tecnicamente ele é sim algo fraco, mas a trama é bem envolvente, e se gosto bastante desse estilo de franquias juvenis que conseguem amarrar bem o espectador, de modo que indico o longa e certamente estarei torcendo para que os demais sejam lançados. Uma grande sacada da trama foi fazer um filme que teoricamente não depende dos demais, ou seja, se não der bilheteria e resolverem não fazer os demais, a mensagem foi bem passada aqui nesse primeiro filme, mas acredito que o potencial é bem grandioso para que os demais funcionem até melhor do que esse que foi uma grande apresentação. Ou seja, vá conferir e se divirta com toda a ação, se embale nos romances jogados, e a chance de gostar é bem alta, mas se esse não faz seu estilo, fuja, pois, a chance de odiar também é bem alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda tenho duas estreias para conferir, então abraços e até breve.

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Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível (Christopher Robin)

8/18/2018 01:44:00 AM |

Há filmes que conforme soam os boatos de lançamento pensamos uma coisa, quando começam as filmagens e vemos algumas imagens imaginamos algo completamente diferente, aí vem os trailers e tudo vai para outro rumo, mas quando no final somos surpreendidos com um grande apanhado de tudo o que vimos e ainda consegue nos tocar, aí o resultado de uma obra pode ser dita como compensatória, e certamente isso é exatamente o que "Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível" consegue transparecer para o público adulto que irá conferir a trama, e friso o fato de ser um filme para adultos que até conferiram os desenhos na infância, e agora irão entrar num drama que muitos irão se enxergar: a eterna busca de ter reconhecimento, trabalhando muito e ganhando pouco, vivendo uma vida regrada para cumprir metas, mas esquecendo do lado bom da vida, da família, e até mesmo do jeito feliz que era quando tinha seus sonhos e amigos (alguns imaginários). Ou seja, um filme que vai fluir sua mente, vai trazer lições, vai emocionar, e até mesmo vai fazer você imaginar muitas coisas sobre a trama, como por exemplo, se os bichinhos são reais e falam mesmo, se são imaginários, se é um sonho, e muito mais, mas a priori, a essência irá falar por si, e o resultado vai agradar demais, pois se tem uma coisa que passaram bem longe foi a de fazer um filme corrido e duro, deixando que a simplicidade até de movimentos embalasse cada um que fosse conferir e saísse comovido com o que viu na telona.

Christopher Robin já não é mais aquele jovem garoto que adorava embarcar em aventuras ao lado de Ursinho Pooh e outros adoráveis animais no Bosque dos 100 Acres. Agora um homem de negócios, ele cresceu e perdeu o rumo de sua vida, mas seus amigos de infância decidem entrar no mundo real para ajudá-lo a se lembrar que aquele amável e divertido menino ainda existe em algum lugar.

É engraçado ver o currículo do diretor Marc Foster que varia de dramas emotivos misturados com ação desenfreada, tendo até alguns longas de terror, ou seja, é daqueles bem ecléticos para demonstrar diversos estilos de sentimentos em seus filmes, e aqui ele soube brincar com sintonias, deixando que seu longa fluísse nem numa velocidade que desse sono, e muito menos algo que assustasse o público para dentro da dura realidade que é o excesso de trabalho, que mesmo a trama se passando no período logo após a guerra, o tema é extremamente atual, e ao nos espetar com essa dura realidade de não passarmos mais tempo com nossa família, com os verdadeiros amigos, fazendo o que realmente gostamos, ele faz com que muitos desabem com um tom não duro, mas sim gostoso, respeitoso e com uma harmonia pontual que poucos diretores atingiriam, ou seja, um filme bem clássico que até parece ser mais britânico do que americano (mas que pasmem, apenas se passa em Londres, mas de nada britânico tem a produção!!). Diria que o roteiro foi feito em minúcias para atingir todos que forem conferir, que a trama até tenta passar um ar infantil por termos pelúcias falantes bem ornadas e bonitinhas, mas que será um ledo engano quem levar as crianças para conferir, pois estas não irão entender nada do que o longa tentará passar.

Sobre as atuações preciso ser sincero que não reconheci Ewan McGregor na produção, pois faz um personagem completamente diferente do que já o vimos fazer, e olha que ele já teve outros personagens desse estilo que levam lições para serem resolvidas, mas aqui seu Christopher tem todas as possibilidades de trejeitos, desde as mais duras durante os momentos de guerra, passando pelas fortes responsabilidades, até cair nas tocantes e bem colocadas dinâmicas com os personagens de pelúcia, sendo envolvido pela tenacidade mais calma e incorporando olhares de quem realmente está vendo, ouvindo e sentindo tudo o que lhe é passado, ou seja, um ator que soube incorporar bem o personagem, e que felizmente se saiu bem nas conversas com personagens não-humanos em cena, ou seja, um acerto muito bem encaixado. As vozes foram colocadas incrivelmente num tom tão bem encaixado, que acabamos quase nos apaixonando pelos personagens que até já conhecíamos dos desenhos, mas que aqui foram bem característicos e cheios de detalhes de personalidade que temos de aplaudir sem dúvida alguma todo o trabalho da composição, da computação e claro da dublagem de Jim Cummings como Pooh e Tigrão, Brad Garrett como Ió (ou Bizonho como conhecíamos no desenho!) e Nick Mohammed como Leitão. A garotinha Bronte Carmichael até é interessante e teve algumas cenas bem dosadas, mas somente se soltou ao se juntar aos bichinhos, pois antes parecia um mero robô em cena com sua Madeline. E para finalizar, as atuações de Hayley Atwell como Evelyn Mark Gatiss como Winslow só serviram para fazer figuração de luxo na trama, visto que se tiveram mais que 10 falas no longa foi muito, mas ao menos souberam fazer caras surpresas nos momentos corretos. Quanto aos demais, só figuração mesmo, para os personagens da fábrica que até aparecem na cena pós-crédito cantando, mas nada demais para chamar a atenção.

A grande sacada da produção certamente recaiu sobre a equipe visual, pois souberam encontrar o meio termo entre computação gráfica, stop-motion e dinâmica com personagens inanimados, de maneira que tudo pareceu tão real, que as pelúcias falando não incomodaram em momento algum, a cenografia foi doce e bem trabalhada para incorporar tanto os momentos da infância/juventude quanto dos momentos adultos, cada locação foi pensada para ser bem entregue com a época, e claro com a paisagem do bosque, não destoando em nada, nem sendo forçada demais, ou seja, tudo foi bem colocado na tela, com elementos cênicos bem encontrados e sutis, de maneira que o filme funciona redondinho. Como costumo falar, colocar personagens "computacionais" junto de pessoas é um trabalho de muita coragem para a equipe de fotografia, pois errar sombras e forçar tons para que cada ato funcione é algo que poucos costumam acertar, mas aqui usaram tons pasteis bem colocados, densidades de tensão sem muitas sombras (usando o bom efeito de névoa ao invés de escurecer o longa), ou seja, perfeitos.

Enfim, diria que o longa beirou o genial e entregou exatamente o que desejávamos ver num live-action do Ursinho Pooh, não precisando fazer um filme bobinho para crianças, mas sim usando a ideologia que os personagens possuem com suas diversas emoções e pensamentos, e entregando isso para os adultos que viam o desenho quando eram crianças, ou seja, um acerto incrível. Sei que muitos irão lavar a sala do cinema, mas para mim faltou enfiarem ainda mais o dedo na ferida e fazer que corresse rios de lágrimas na sessão, e só por esse detalhe não darei nota máxima para o longa, mas tirando isso, é um filme que vai além do que esperava, e volto a frisar: não leve crianças para a sessão, pois não irão entender nada do longa além de atrapalhar sua experiência com o filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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O Protetor 2 (The Equalizer 2)

8/17/2018 01:05:00 AM |

Em 2014 já havia cantado a bola no dia que conferi "O Protetor" dizendo que certamente fariam mais continuações, pois com um ótimo timing, uma direção perfeita e ótimas cenas dinâmicas, o resultado acabava sendo o pacote perfeito para quem gosta do estilo, e eis que agora quatro anos se passaram, Denzel envelheceu um pouco, mas ainda esteve em completa forma para entregar em "O Protetor 2" muita ação e desenvoltura, tendo até mais história para contar, criando um filmão daqueles que entramos na sala esperando algo bom, e saímos completamente satisfeitos com tudo o que nos é entregue. Claro que diferente do primeiro que ele saía socando aos montes, aqui ele já faz uma jogada mais orquestrada, com detalhes mais precisos, lições mais bem colocadas, mas ainda com um charme clássico e interessantíssimo de ser acompanhado, ou seja, um bom longa de ação policial, cheio de dinâmicas bem colocadas, mas que infelizmente falha em um detalhe: entrega rapidamente sem quase nenhum mistério, quem é o envolvido, claro que para termos as boas cenas de pancadaria e caçada, mas que certamente um pouco mais de mistério faria do longa algo mais incrível ainda. Digo que vale muito a conferida e que quem gostou do primeiro irá gostar do segundo, e quem sabe até pode surgir um terceiro para termos uma trilogia interessante.

O longa nos situa em Massachusetts, nos Estados Unidos, aonde Robert McCall agora trabalha como motorista, ajudando pessoas que enfrentam dificuldades decorrentes de injustiças. Quando sua amiga Susan Plummer é morta durante a investigação de um assassinato na Bélgica, ele decide sair do anonimato e encontrar seu antigo parceiro, Dave (Pedro Pascal), no intuito de encontrar pistas sobre o autor do crime.

O estilo do diretor Antoine Fuqua é daqueles que todo fã de filmes de ação gosta, pois ele consegue surpreender com pequenas cenas, criar dinâmicas bem exploradas a partir de detalhes singelos que os roteiristas lhe entregam, e principalmente colocar o filme como algo pronto para que o público curta na sua duração integral, não deixando pontas soltas para demais capítulos, nem necessitando que você lembre o que aconteceu quatro anos atrás quando viu o outro longa, pois a ideia presente é mantida na essência do personagem, e a história funciona bem como algo completamente novo e bem colocado. Ou seja, é claro que vão ter momentos que você vai se perguntar se ocorreu isso no outro filme, que parte você perdeu e tudo mais, mas isso não vai importar, pois a ideologia acaba dominando e uma nova sentença acaba fluindo para que o público se encaixe com tudo o que está sendo mostrado, e assim sendo conseguimos enxergar da mesma forma que acontece no primeiro filme, que a interação entre o protagonista e o diretor é quase algo de pensamento, pois Denzel aparece aonde o Fuqua desejava que ele aparecesse, e Fuqua filma a cena pensando exatamente aonde Denzel entregaria seu melhor ângulo, num balé intenso e cheio de bons momentos, que vão num crescente bem organizado, na mesma velocidade que o furacão/tempestade vem chegando até os EUA, até chegarmos numa gloriosa cena cheia de lutas, tiros, e claro, uma tempestade a toda força.

Chega a ser até barbada falar da atuação de Denzel Washington, que com seus 64 anos consegue não apenas criar boas dinâmicas de luta e muita ação, como ser pertinente para que seu McCall tenha um semblante de velho mesmo, mas completamente coeso nos trejeitos, nas falas bem encaixadas, e claro nos diálogos prontos para soarem interessantes dentro da proposta da trama, ou seja, como sempre genial. Pedro Pascal é um ator que costumeiramente ficava sempre em segundo plano na maioria dos longas, mas que vem num crescente de bons personagens, assumindo papeis principais e aqui com seu Dave acabamos até nos conectando com seus ideais, mas acabou fazendo trejeitos tão simples que pegamos a ideia logo na sua primeira cena, o que não é legal para um filme policial que precisa criar um certo mistério. Melissa Leo tem poucas cenas, mas como sempre é bem colocada e interessante no que faz, de modo que sua Susan acaba chamando a atenção e agrada no resultado final, embora sua luta tenha sido algo tão bizarro que mais rimos do que ficamos felizes com o que faz na cena. Com Ashton Sanders acaba ocorrendo quase que o mesmo de Pascal, tendo um personagem que sabemos o que vai acontecer com ele, e mesmo que fiquemos bravo com isso, seu Miles vai fazer tudo errado, mas o jovem ator até trabalhou bem com expressivas tenacidades e não erra muito. Dentre os demais, a maioria apenas da conexão para a trama, mas não podemos deixar de destacar Orson Bean como o velhinho simpático Sam que McCall acaba ajudando, e não pela atuação, mas mais pela evaporação de Bill Pullman na cena em que o protagonista o salva, quase ficando como algo falho.

No conceito cênico, a trama agrada novamente pela grande quantidade de detalhes, com cenas cheias de elementos cênicos para serem usados como armas e armadilhas que o protagonista usa assim como no primeiro filme, mas a grande sensação da equipe cênica foi usar uma tempestade/furacão como parte alegórica da trama, tendo as cenas sendo preparadas para o grande ápice, e no momento certo tudo usado com primor incrível para que o filme ficasse ainda mais tenso com a grande ventania de coisas indo para todos os lados. A fotografia aqui melhorou consideravelmente em relação ao primeiro longa, pois não abusaram tanto de cores escuras, e cada dinâmica acabou sendo melhor desenvolvida com tons mais claros e em alguns momentos usando até cores chamativas para puxar a atenção do público aonde o diretor desejava.

Outro ponto que vale a pena ser destacado é a mixagem de som, pois mesmo não conferindo o longa na sala Imax (que está sendo exibido também em 2D, usando uma conversão para o formato, o que deve ficar interessante!), temos barulhos vindo de diversos canais diferentes na sala, fazendo com que ouvíssemos os tiros sendo dados por diversos ângulos, os barulhos dos ventos vindo de outro lugar, peças caindo, o que resultou em algo muito interessante de conferir e parar para ouvir (claro, que aqui friso para que quem goste disso veja legendado, afinal diversos canais são eliminados na dublagem!).

Enfim, temos uma grande obra, que sim possui alguns defeitos cruciais para que ficasse perfeito, mas a grande sacada de manter praticamente toda a mesma equipe técnica do filme anterior, fez com que o longa tivesse a mesma essência e agradasse bastante quem gostou do primeiro filme, ou seja, um filmaço que vale a pena conferir. Claro que esses defeitos vão fazer com que muitos reclamem, mas ainda assim iremos torcer para que façam um terceiro longa para fechar com chave de ouro uma trilogia interessante de praticamente um super-herói sem poderes, mas que está pronto para proteger quem precisar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, afinal essa semana está bem recheada de estreias, então abraços e até logo mais.

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Bergman - 100 Anos (Bergman - ett år, ett liv) (Bergman: A Year in a Life)

8/16/2018 01:01:00 AM |

Se tem uma coisa que deixa esse Coelho extremamente feliz é ver um documentário bem imparcial sobre um homenageado, pois estamos tão acostumados a ver homenagens aonde todos só falam que o cara era um fenômeno, que seus filmes foram gloriosos, que criou um modo diferenciado disso e daquilo, e todo blábláblá usual, que geralmente cansa e saímos da sessão apenas com uma ideia bem simplória da carreira de alguém, mas como bem sabemos raramente alguém é 100% santo, e já fez inúmeras cagadas na vida, e quando vamos contar uma história sobre alguém para outro alguém que não o conhece, é sempre bom que tudo seja dito para que cada um faça seu vértice de se gosta, ou se odeia tal pessoa. Dito isso, o que nos é entregue em "Bergman - 100 Anos" é algo que vai além de um simples documentário, pois vivenciamos quase todas suas obras, ouvimos diversos depoimentos sobre o diretor, são mostradas entrevistas que nunca foram exibidas e o resultado consegue além de entregar o quão genial foi o diretor, mas também entregar suas manias, defeitos e excessos, de tal forma que tudo acaba perfeitamente imparcial e maravilhoso, ou seja, uma obra que além de ser bem detalhada, ainda nos faz ficar com muita vontade de rever ou ver diversos dos longas que conhecíamos apenas como filme, mas que após ver seus bastidores ficamos ainda mais curiosos de olhar com outros olhos para cada obra, ou seja, um documentário do melhor estilo possível, que vale demais a conferida.

O longa nos conta que em 2018, o diretor sueco Ingmar Bergman, falecido em 2007, teria completado 100 anos. Este documentário resgata a obra monumental do cineasta, autor de filmes como O Sétimo Selo, Morangos Silvestres, Persona, Gritos e Sussurros, Luz de Inverno, O Ovo da Serpente e Fanny e Alexander. O foco é o ano de 1957, quando Bergman lança dois filmes, filma mais dois, dirige um telefilme e quatro peças de teatro. Conversando com atores, colaboradores, críticos e historiadores, o filme traça o retrato de um homem obsessivo, instável, difícil de lidar, mas ao mesmo tempo um dos maiores artistas da história da Suécia, e também o único diretor a receber a "Palma das Palmas" no festival de Cannes.

A diretora Jane Magnusson é uma verdadeira pesquisadora sobre Bergman, tendo já uma mini-série para TV com vídeos sobre o diretor e um outro documentário feito em 2013 que conta mais sobre a vida dele, mas diria que a sua obra-prima ficou aqui por focar numerologicamente em cima do ano de 1957, indo para diversos lados, mas sempre voltando no ano da glória/loucura do diretor, e principalmente por conseguir ser muito imparcial na obra inteira, criando grandes momentos, trabalhando sempre os depoimentos com imagens bem exemplificadas e assim o longa ganha um ritmo tão bem colocado que dificilmente nos vemos perdidos por algo (mesmo que não sejamos grandes conhecedores dos longas do diretor!) e o resultado acaba surpreendendo a cada novo ato.

Como costumo falar, documentários nem dá para discutirmos muito, pois é algo para conferirmos e conhecermos detalhes do que o pesquisador/diretor trabalhou para que o público conhecesse o homenageado e/ou determinado trabalho, e aqui confesso que não sou um grande conhecedor da obra de Bergman, tendo visto apenas alguns inteiros e outros apenas trechos, de tal modo que o que a diretora acabou fazendo foi me instigar a querer ver alguns completos, principalmente "Fanny e Alexander" pela essência mostrada durante o documentário, mas com certeza rever "O Sétimo Selo", "Persona" e "Morangos Silvestres" sabendo mais do que foi pensado durante as gravações, certamente será um deleite diferenciado.

Certamente sabia que o diretor era muito saidinho e que teve diversos casos com atrizes e mulheres da equipe de produção, mas não imaginava nem metade do que rolava por lá, e com toda certeza se hoje ainda tivesse vivo seria daqueles que hoje muitas mulheres estariam queimando no "Time's Up", pois independente da carreira, no longa víamos que ele tinha muita familiaridade com todos, e isso para muitos hoje já virou motivo de queimar na fogueira.

Enfim, não vou falar muito mais senão acabo estragando a obra, mas desejo que quem puder conferir o longa, vá, pois tenho certeza que será um ótimo programa para conhecer como eram os filmes, e como pensava um dos grandes diretores do século passado. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais estreias, então abraços e até breve.

PS: Irão me perguntar o motivo de não dar nota máxima para o longa, e explico bem rapidamente, que é pelo simples fato de demorarem demais para engrenar, com um começo monótono, e pelo excesso de toda hora estar falando 1957, que já estava quase saindo da sessão e passando na loteria com o tanto que falaram o número, mas de resto é um filmaço.

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Fátima, o Último Mistério (Fátima, el Último Misterio)

8/13/2018 11:28:00 PM |

Ultimamente estamos recebendo diversos longas com temáticas religiosas, e praticamente todos possuem a mesma essência, a de passar uma mensagem interessante para o público-alvo, no caso fiéis das religiões em que o longa se embasa, e que na maioria das vezes consegue emocionar os presentes na sala, fazer com que aplaudam, ou pelo menos sintam a mensagem passada pelo diretor/roteirista, e quando vejo isso na sala, embora ache exagerado por parte das pessoas que estão lá, que aplaudem alguém que nem está ali (no caso o realizador da obra!), confesso que gosto de saber ao menos que o filme funcionou para as pessoas ali presentes. Porém, infelizmente não foi isso o que ocorreu hoje ao ver, "Fátima, o Último Mistério", pois o longa não trabalhou com algo digamos bonito, de mensagens bem tematizadas sobre a religião, sobre a santa, ou até mesmo criou uma história bacana de vértice para acompanharmos, mas sim um documentário quase apocalíptico envolvendo guerras e desenvolvendo arquétipos políticos forçados, teorias de conspiração e tudo mais de uma forma tão cansativa, que raspei de dormir em diversos momentos, e o público saiu da sessão praticamente se perguntando o que havia visto na telona, ou seja, pode até ser que o filme consiga passar uma mensagem para os fiéis mais rigorosos, que estudaram todos as aparições e mistérios da santa, que acreditam em ligações politizadas, que o mundo está acabando pela falta de penitência, e tudo mais, mas para os fiéis normais que foram na sessão, o resultado acaba sendo um longa exagerado pela parte documental, e bobinho (para não dizer pessimamente atuado) na parte ficcional, que ao ser dublada ficou ainda pior. Ou seja, como o filme está sendo vendido com preço diferenciado do ingresso comum, por se tratar de um "evento" do cinema, já antes mesmo de postar o restante da crítica, falo para pensarem umas quatro ou cinco vezes antes de ir conferir o longa.

A trama nos conta que Mônica, é convidada para editar um documentário sobre as consequências das aparições de Fátima. Ela, agnóstica, se depara então com acontecimentos extraordinários que a questionam e inesperadamente mudam sua vida. O que Fátima tem a ver com a Revolução Russa e as duas guerras mundiais? Por que João Paulo II não morreu assassinado? Poderia a mensagem de Fátima nos dar chaves sobre o nosso futuro? Baseado em fatos reais e opiniões de especialistas, este filme revela eventos ignorados e oferece uma visão global apaixonante.

Já vi muitos longas que procuram teorizar algo, mas aqui ficou parecendo que a direção de Andrés Garrigó, dirigiu um documentários sobre o papa Francisco em 2014, foi feita sob encomenda e muito mal pesquisada para entregar algo, ou seja, não tinham como apenas criar um filme profético de motivos para o mundo estar revirado, e criaram uma historinha muito mal-feita para conduzir todas as diversas teorias mal-explicadas, exemplificadas por depoimentos dizendo exatamente o que desejavam montar, aonde todos pareciam não estar realmente falando do mesmo tema, como se fosse uma coletânea de diversos outros documentários, aonde o resultado acabou montado realmente como a parte ficcional tentou entregar, ou seja, o diretor até poderia ter boas intenções para com seu filme, não posso afirmar nada sobre os textos de Fátima por não ser nenhum conhecedor de teologia, mas faltou um pouco mais de embasamento para que o filme não ficasse até mais ficcional do que muito longa inventado.

Sobre as atuações, acho até melhor nem comentar, pois todos sem exceção aparentavam estar tão jogados na história, com diálogos horripilantes e mal dublados, que é melhor nem tentar falar isoladamente. Aliás falando da dublagem, o longa conta com muitos depoimentos em espanhol e português de Portugal, os quais dariam para até ser entendidos, mas jogaram por cima uma outra dublagem, ficando parecendo que o longa tinha um eco em diversos momentos.

Enfim, volto a frisar que os mais conhecedores de teologia, que trabalham mais esses conceitos de religião politizada, com ênfases em processos apocalípticos envolvendo fatos que estão em escrituras ou falas de algumas pessoas podem até gostar do que verão na telona, mas sinceramente esperava um longa mais bonito, que emocionasse, que envolvesse bem a santa, e não o que foi entregue, e sendo assim, não tenho como recomendar ele para ninguém que vá realmente pensando em ver algo desse estilo. Só não falo que foi algo pior, pelo grande levantamento de imagens, e pela coesão de alguns temas, mas rasparia a trave em colocar o longa como um dos piores do ano. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Megatubarão em Imax 3D (The Meg)

8/10/2018 01:48:00 AM |

Tem alguns estilos de filmes que somem das telonas com uma frequência incrível, mas quando voltam costumam empolgar bastante, e se você é desses que gosta de ficar tenso nos cinemas e levar sustos com aparições repentinas, além de curtir uma boa ação em 3D, certamente a pedida da semana é "Megatubarão", que embora tenha muitos efeitos computacionais "estranhos", o resultado acaba funcionando bastante, com muitas surpresas e cenas que divertem na medida para rir. E claro que vendo em turma, muitos irão rir dos sustos uns dos outros, pois mesmo você sabendo que em determinada cena o bichão vai aparecer, ele surpreende e aparece segundos depois para te pegar no pulo. Ou seja, é o famoso filme exagerado, mas que vai divertir com boas imersões, algumas imagens incríveis do fundo do mar, mas que certamente poderiam ter tido um apreço melhor em detalhes computacionais para não parecer falso (claro que sabemos que não tem um bichão imenso desse passeando pelos mares, mas poderiam ter ficado menos falso).

Na fossa mais profunda do Oceano Pacífico, a tripulação de um submarino fica presa dentro do local após ser atacada por uma criatura pré-histórica que se achava estar extinta, um tubarão de mais de 20 metros de comprimento, o Megalodon. Para salvá-los, oceanógrafo chinês contrata Jonas Taylor, um mergulhador especializado em resgates em água profundas que já encontrou com a criatura anteriormente.

É engraçado como não ligamos os nomes de alguns diretores, e cá que fui pesquisar quem era o maluco por trás do longa, e eis que vejo que Jon Turteltaub é nada mais nada menos que o diretor de "Jamaica Abaixo de Zero" e "O Aprendiz de Feiticeiro", ou seja, dois grandes clássicos das antigas que vimos já diversas vezes na TV, e fica bem claro após saber disso, e ver outros longas de sua filmografia, que sua intenção é a de sempre criar filmes divertidos, que contenham uma boa quantidade de ação, que funcione com a tensão devida, mas que jamais vire algo cult, pois sempre trabalha da forma mais pipoca possível, ou seja, longas para o povão mesmo curtir e se divertir. Diria até mais, que aqui ele priorizou um formato de sustos que muitos até odeiam, que é o repentino e desnecessário às vezes, mas que para o estilo acaba funcionando, ou seja, uma trama popular, bizarra, mas que deve agradar quem for esperando ver exatamente isso: diversão, sustos e loucuras.

Sobre as atuações, quando vamos conferir um longa de Jason Statham já sabemos o que queremos ver, ou seja, muita correria e pancadaria, porém aqui esse segundo item não teve como, afinal não dá para sair na mão com um tubarão imenso, mas tem cenas que ficaram no mesmo nível de muitos socos, e claro que seu Jonas é bem trabalhado, divertido, e até tem seu momento galanteador, de modo que certamente o personagem caberia em vários outros atores, mas ele soube imprimir seu estilo e funcionar. Bingbing Li até entregou uma Suyin interessante, mas ficou digamos bobinha demais para a personagem, e talvez alguém mais impactante chamaria melhor a responsabilidade para si. Page Kennedy é o exagero cômico da trama, e inicialmente até que seu DJ parecia alguém interessante, mas foi só o barco virar que o ator entregou gracinhas em cima de gracinhas, o que ficou estranho demais e exagerado demais. Ruby Rose merecia um pouco mais de cenas para sua Jaxx, pois a atriz é boa, e a personagem, uma cientista criadora dos vários equipamentos poderia ter dado um tom mais sério para a trama, além de boas cenas de ação, afinal sabemos o potencial dela. A jovem Shuya Sofia Cai foi muito gracinha em todas as suas cenas, e demonstrou um carisma incrível para a personagem Meiying, de modo que ao que poderia ser um peso na trama, acabou agradando bastante. Dentre os demais, Cliff Curtis apenas foi um elo de conexão como o amigo que vai buscar o parceiro de longa data para salvar tudo com seu Mac, mas que depois só expressa caras e bocas, e Rainn Wilson fez o tradicional empresário que só quer ganhar mais e mais dinheiro, mas que nas tramas acaba ficando bobo demais com seu Morris.

No conceito cênico, a trama foi bem elaborada tanto dentro, quanto fora da água, começando com um maravilhoso passeio pelo fundo do mar, numa camada inexplorada cheia de peixes e vegetações diferentes e muito bonitas de se ver, trabalharam bem também a tecnologia com submarinos modernos cheios de detalhes, e até mesmo o local aonde é a plataforma de pesquisa conseguiu ter um charme interessantíssimo com detalhes rústicos para criticar e também muita tecnologia visual, nas sequências de ação não economizaram em muitos elementos sendo destruídos para voar pedaços no público com o efeito 3D bem chamativo, e só pecaram um pouco no visual dos tubarões que embora sejam chamados de fósseis vivos acabaram ficando com um ar mais de fóssil do que algo vivo realmente (mas são enormes!!), e para fechar a praia chinesa abarrotada de pessoas com suas boias foi de um agrado até que bonito para o longa, pois deu muitas cores e acabou agradando. O que faltou no conceito visual foi um pouco mais de sangue, pois sabemos que muitas cenas fortes foram cortadas para que a censura do longa não ficasse tão alta, mas um pouquinho mais de sangue num longa de um tubarão assassino agradaria bastante. A fotografia é claro que ficou praticamente inteira nos tons de azul, brincando aqui ou ali com detalhes coloridos para chamar a atenção, mas a priori tudo funcionou bem com o tom mais escuro para tentar criar uma tensão, e ao sair dele, sempre puxavam para algo exageradamente alegre para divertir. Quanto do 3D do longa, diria que foi algo bem satisfatório tanto na profundidade de algumas cenas com boas camadas, quanto de elementos sendo jogados saindo da tela do cinema, que ajudaram a dar mais sustos no público, ou seja, quem gosta do estilo, deve sair feliz da sessão com os elementos, mas eles são meros efeitos, não sendo algo que necessite ver com a tecnologia para passar uma impressão maior.

Enfim, é um filme que funciona por sabermos que a paia excessiva é sempre bem vinda, mas que tem falhas de roteiro, tem personagens soltos, tem computação estranha, mas isso é o de praxe de um bom longa de ação, então compre uma pipoca e vá se divertir e pular com o bicho vindo de lugares inesperados, pois essa é a intenção do longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda tenho dois documentários para conferir nessa semana, então abraços e até logo mais.

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Querido Embaixador

8/08/2018 12:15:00 AM |

Fazia tempo que não via nos cinemas o famoso docudrama, ou seja, a mistura de documentário com cenas interpretadas para dar um ritmo mais emocionante para determinado tema, e o mais interessante é que conseguimos enxergar o longa "Querido Embaixador" como uma ótima pesquisa de documentário, da qual diria que 90% ou mais da população sequer soube da existência de um embaixador brasileiro que liberava vistos diplomáticos para diversos judeus fugirem da guerra para o Brasil, e que ainda por cima tinha uma vida cheia de regalias em Paris, com lindas mulheres, casamentos arranjados e muito mais, ou seja, poderiam se quisessem fazer até um longa completo ficcional que acabaríamos nos divertindo com todas as situações e ainda não acreditaríamos no que estaríamos vendo, e assim, com certeza preferiram fazer um docudrama, para provar que essas loucuras foram reais, misturando imagens de arquivos bem ruins, junto com interpretações digamos também um pouco abaixo da qualidade, mas que no geral acaba sendo um longa interessantíssimo para conhecermos um pouco do lado brasileiro no entre-guerras e, principalmente, na Segunda Guerra Mundial, pelo menos no lado diplomático da coisa. Diria que o filme funciona de modo geral, mas tem tantas falhas técnicas, que em diversos momentos fiquei pensando que a obra seria uma dessas apresentações que vejo nas faculdades de cinema, mas pelo contrário leva o selo de grandes empresas, e certamente quando for passar na TV devem ter de dar um trato melhor na qualidade, principalmente no quesito sonoro, que temos uma trilha incidental altíssima, que some com uma quantidade imensa das falas dos personagens e dos entrevistados.

A trama que é baseada em fatos reais recentemente descobertos e apoiado por depoimentos e imagens de arquivo, nos conta a história de Luiz de Souza Dantas, embaixador brasileiro que, na Segunda Guerra Mundial, opõe-se a ordens expressas e secretas de Getúlio Vargas, que proibiam nossas embaixadas de darem vistos para o Brasil a “judeus e outros indesejáveis”, passando a enfrentar Vargas, o Governo Francês e o Nazismo. Foram mais de 1.000 vistos diplomáticos irregulares para o Brasil concedidos a perseguidos pelo regime nazista.

Dizer que o erro do longa ficou a cargo do diretor Luiz Fernando Goulart seria subjetivar demais a proposta, pois o longa tem todo um funcionamento e até seria incrível como algo 100% de ficção, contando mais histórias do embaixador, e inserindo a de algumas famílias que vieram através dos milhares de vistos diplomáticos que ele distribuiu, mas como disse no começo acabaria sendo algo que não acreditaríamos, e sendo assim, sua opção de trabalhar também depoimentos foi digamos bem encaixada, porém ao que parece faltou atitude para que ele criasse junto da roteirista Flávia Orlando, algo mais dinâmico para os personagens, e também que ele dirigisse os atores com uma maior persuasão, pois parecem apenas personagens inseridos para uma recriação cênica dessas que fazem para demonstrar uma cena de um crime, e não alguém com vontade de criar realmente uma trama envolta bem satisfatória.

Como falei acima, as interpretações são bem fajutas, então é melhor nem comentarmos muito sobre cada um dos atores, dando um leve destaque apenas para Norival Rizzo como Souza Dantas, mas nada que impressione realmente. De modo que podemos dar mais crédito para o trabalho de pesquisa das imagens de arquivo do que realmente para as interpretações, mas ao menos foram coesos em misturar bem e não forçar tanto em trejeitos. Os depoimentos foram bem colocados, mas poderiam ter trabalhado melhor a captação sonora, pois muitos são moradores brasileiros atualmente, mas são estrangeiros com leves sotaques ainda, ou seja, nem entendemos pela má captação, quanto mais pelo que estão falando.

O conceito cênico das cenas gravadas demonstra um trabalho minucioso para colocar bons elementos cênicos de época, criar escritórios luxuosos, afinal estamos falando de uma embaixada em Paris, restaurantes de diplomatas, e com isso o resultado ficou interessante, mas nada que impressionasse como poderia. A fotografia brincou bastante com cenas coloridas, em preto e branco, sépia, e tudo mais que pudesse para tentar criar climas, mas sempre sem muita linguagem acabava ficando mais jogada do que impressionava.

Enfim, é um filme que funciona por ser algo novo e que certamente poucos conhecem sobre a história, que serve bem como algo documental, e que se fosse melhor trabalhado no conceito de ficção daria uma história incrível, só é uma pena que falhou tanto na parte sonora exagerada da trilha incidental e nas atuações fracas demais, pois resolvendo esses problemas o longa é daqueles para curtir até mais que uma vez. Sendo assim, até recomendo ele com ressalvas. Bem é isso pessoal, encerro aqui essa semana cinematográfica, mas na quinta já estamos de volta com mais estreias, então abraços e até logo mais.

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A Festa (The Party)

8/07/2018 12:51:00 AM |

Certamente você já viu alguma peça de teatro que falou que no cinema ela seria mais bem desenvolvida, e também já ocorreu o contrário de ver algum filme que pareça uma peça de teatro, pois embora ambos sejam classificados como obras audiovisuais, cada um possui certas peculiaridades que funcionam mais no meio próprio, e quando vemos esses detalhes encaixados erroneamente em um outro estilo, ficamos deveras incomodados com o que estamos vendo. Digo isso, mas sem pesar algum por ter visto "A Festa" como um longa-metragem, pois embora seja completamente a cara de uma excelente peça teatral, que se cair na mão de qualquer bom diretor de teatro certamente será premiada aos montes, a trama funciona bem também como filme, sendo desenvolvida em basicamente apenas uma casa com quatro cômodos, sete personagens presentes e um apenas sendo citado, e uma desenvoltura tão forte das situações que mesmo tudo sendo bem trágico, acabamos rindo praticamente em todas as cenas, ou seja, uma comédia de luxo, inteligente, cheia de humor politizado e que poderia ser feita de inúmeras maneiras, mas encontrou no estilo mais clássico para ser entregue aqui, e acabou acertando bastante.

A sinopse nos conta que para celebrar seu tão aguardado e prestigioso cargo em um ministério, e, esperançosamente, um trampolim para a liderança do partido, a recém-nomeada política da oposição britânica, Janet, está dando uma festa para os amigos em seu apartamento em Londres. É claro que, neste seleto e íntimo soirée, além do marido acadêmico abnegado de Janet - Bill – um grupo heterogêneo de amigos, escolhidos a dedo, foi convidado: Há April, a melhor amiga americana e amargamente cínica; seu improvável marido alemão, Gottfried; há também Jinny e Martha; e, finalmente, Tom, o banqueiro tranquilo em seu terno impecável. Inevitavelmente, antes que o jantar seja servido, o ambiente otimista se despedaçará, já que os segredos obscuros começam a ser revelados nesta superfície hostil. Sem dúvida, depois desta noite, as coisas nunca mais serão as mesmas.

O trabalho da diretora e roteirista Sally Potter é basicamente um banquete para ir se deliciando aos poucos com cada cena, cada diálogo, cada ato, aonde vamos conhecendo os personagens, nos surpreendendo com suas atitudes, e principalmente se indignando, pois é impossível imaginar uma tragédia tão bagunçada, e ao mesmo tempo tão orquestrada de situações, de tal maneira que o trailer nos engana um pouco, pois até imaginava acontecer qualquer outra coisa, menos o que é entregue, ou seja, temos tudo bem arquitetado pela diretora, e o resultado soa excelente. Nem posso falar muita coisa sobre o filme, pois tudo acaba sendo um spoiler e estraga bem a ideologia política da trama, a situação envolvendo cada personagem, e principalmente alguns desfechos (que aliás se observarmos bem tem um erro de entregar logo na abertura algo que não deveria estar ali, mas talvez seja uma opção da diretora para já pensarmos o motivo de estar ali!). Agora o filme funcionaria de qualquer forma, mas ainda estou sem entender o motivo do longa ter sido feito em preto e branco, pois não tem qualquer função de linguagem, e isso é apenas um peso para a trama, que até deixa o filme com um ar bonito e clássico, mas nada além disso.

O mais engraçado das atuações, é você enxergar a personalidade de cada personagem estampada nas faces dos protagonistas, que por mais que tentem disfarçar, eles já chegam na casa entregando seus atos, seus estilos, e com isso a diretora nem precisa de apresentações, basta colocar eles para dialogarem, e pronto, já temos o conflito formado. Kristin Scott Thomas está preparada demais para sua Janet, encaixando humor, tristeza e muito impacto para cada ato seu, fazendo ótimos trejeitos e encaixando os diálogos como balas num revólver. Timothy Spall é daqueles que foram colocados no filme pela expressividade que consegue fazer, e suas caras como Bill é daquelas que nos deixam intrigados para saber até onde ele pode ir com cada situação, e claro que sua surpresa é daquelas prontas para explodir. Cillian Murphy chegou na festa com seu Tom de maneira que só ficamos esperando sua explosão e uma tragédia de níveis que sequer conseguiríamos imaginar, mas sua reviravolta desesperadora é tão boa de expressões que acabamos nos divertindo com tudo o que faz em cena. Patricia Clarkson está ali com sua April apenas para criar as intrigas e jogar bombas para cada diálogo feito pelos demais, sendo tão irônica em diversos pontos que acaba mais impressionando pelos atos do que pela personagem em si. Quanto aos demais convidados, todos se saem bem, mas servem mais de eixos do que realmente protagonizam tanto os momentos, e assim sendo melhor não destacá-los.

No conceito cênico a trama é bem simples, estando somente dentro de uma casa ou apartamento de primeiro andar, aonde os personagens passeiam pela sala aonde o destaque é a vitrola do protagonista tocando músicas bem colocadas para dar o ritmo da trama, e claro aonde ocorrem as maiores confusões em grupo, uma cozinha aonde temos uma cena para explodir um incêndio, o banheiro aonde ocorrem as loucuras solo, e o quintal aonde os personagens nos dão o respiro cênico, ou seja, temos os ambientes moldados para cada estilo de ato, e eles funcionam até como personagens do longa, entregando tudo como um eixo pronto para girar e ocorrer cada momento. Como já disse, a fotografia em preto e branco funcionou mais para descolorir o ato e deixar ele com um ar mais clássico, mas nada que fosse impressionante pela essência, mas sim pelo olhar apenas.

Enfim, um longa cheio de estilo, que certamente quem não curtir o estilo mais dialogado vai reclamar do que verá, mas quem gosta de longas de festivais, com muita classe, aonde os diálogos divertem e se moldam, esse sem dúvida é um filme para saborear e sair muito contente com o que verá. Recomendo ele com toda certeza, é bem curtinho e funciona (e claro, irei esperar ver ele num formato de peça teatral, pois vai fazer muito sucesso!). Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia da semana, então abraços e até logo mais.

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Vidas à Deriva (Adrift)

8/05/2018 01:42:00 AM |

Chega a ser até interessante como o diretor Baltasar Kormákur gosta de fazer longas sobre histórias reais de sobrevivência em condições duríssimas, e a forma que na maioria das vezes ele consegue comover o público com essas histórias é algo que impressiona, pois mesmo que o filme não penetre em nossa alma com a história contada, ele trabalha tanto os personagens que acabamos torcendo e/ou acreditando em sua vivência, e aqui em "Vidas à Deriva", ele não só trabalhou bem toda a situação de abandono no meio do oceano por vários dias, como consegue envolver com a persuasão da garota em desejar sobreviver após passar por um furacão. Não diria que o longa é daqueles de fazer lavar a sala do cinema, e essa é a falha principal dele, mas a montagem dinâmica com cortes bem precisos consegue confundir o espectador e envolver muito com a surpresa nas cenas finais, ou seja, um longa bem preparado para conseguir agradar e entregar uma realidade bem interessante de ser refletida.

A sinopse nos conta que Tami e Richard adoram fazer viagens em alto mar e isso leva os dois a se tornarem um casal. Juntos numa viagem romântica, eles enfrentam o maior furacão da história do oceano Pacífico. Os dois começam uma corrida contra o tempo para encontrar ajuda, pois Richard fica gravemente ferido.

Não diria que Kormákur conseguiu atingir com a mesma precisão de seu longa anterior "Evereste" a trama entregue aqui, mas certamente podemos dizer que sua equipe de efeitos é da melhor qualidade e conseguiu desenvolver aqui uma tempestade de primeira linha, cenas de tirar o fôlego e principalmente ele soube montar o filme de uma forma incrível, pois até a metade estava cá esse Coelho já falando mentalmente por que raios ele não fez um filme linear, contando a história bonitinha, casal se encontrando, tempestade rolando, salvamento (nem conto isso como spoiler, pois se é um filme baseado em algo real, tem de ter sobrado alguém pra contar a história!) e tudo mais, mas aí ao final ele nos dá o baque explicativo, que se fosse bonitinho sequencial, o filme seria monótono e talvez até chato, não tendo o envolvimento, e sendo assim, diria que foi o maior acerto do diretor (ou do roteirista, afinal não li o livro em que foi baseado!). Ou seja, um filme que diria ser até simples, mas que consegue criar uma expectativa e tem uma leve linha tensa por trás dele, e que vai pegar quem for emotivo.

Sobre as atuações, Shailene Woodley consegue cair bem em muitos papeis, e agrada sempre que necessita mostrar força e superação, ou seja, atriz perfeita para fazer Tami, pois foi corajosa nas cenas fortes e trabalhou bem nos olhares nos momentos mais envolventes, mas exageraram um pouco na maquiagem de insolação deixando ela vermelha demais, o que ficou um pouco estranho. Sam Claflin como sempre é bem galanteador e aqui seu Richard tem um carisma imenso para fazer com que a jovem se apaixone por ele, e mesmo nos momentos mais duros, o jovem ator soube dosar o ar de dor para se conectar bem com a protagonista, agradando bastante. Os demais aqui literalmente foram enfeites cênicos, então mesmo o casal que oferece o navio para ser levado pelos protagonistas aparece e fala algo que sequer vamos lembrar.

No conceito visual, a trama é daquelas que vemos água, água e mais água, um iate bem recheado de elementos, ótimas praias visualmente incríveis para dar uma cenografia linda e belas fotos, e claro bons mantimentos para serem usados nos momentos de delírio, funcionando com um primor técnico perfeito, que acaba envolvendo bastante. A fotografia tem dois grandes momentos, o excesso de luz para demonstrar insolação e claro um respiro nos atos dramáticos, e a tensão grande em cenas bem escuras para que o público se envolva bastante com a trama, e o acerto em ambos momentos é perfeito.

Enfim, é um filme que diria simples, mas que passa boas mensagens e consegue envolver e comover o público, mas senti a falta de uma carga dramática mais pesada ainda, pois até tivemos algumas pessoas emocionadas chorando na sessão, mas faltou aquele elo para desabar realmente. Com certeza é um filme de muita superação, que inclusive foi usado como motivação para a equipe de futebol da Islândia na Copa do Mundo, então vale com certeza a conferida, e recomendo ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na segunda com mais textos, então abraços e até breve.

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Ana e Vitória

8/04/2018 07:22:00 PM |

É engraçado que outro dia estava conversando com um amigo, que nessa nova vertente de gêneros cinematográficos que andam sendo produzidos no Brasil, um que talvez seria difícil aparecer seria o musical, pois ligar canções nos nossos diversos sotaques é algo que esteticamente não funcionaria no cinema. Pois bem, eis que fizeram e ainda por cima usando apenas canções de uma única dupla, ou seja, por mais que "Ana e Vitória" seja um longa bem morninho, com músicas calmas e uma dinâmica um pouco fora de eixo, calaram minha boca e mostraram que pode funcionar o gênero, então ficarei na torcida para que um dia tenhamos alguma versão mais interessante e bem colocada para ter quem sabe um filme de cada gênero no âmbito nacional como meu preferido. Agora falando mais sobre o longa em questão, o que posso dizer logo de cara que como foi dito em vários meios, a trama não se trata de uma biografia do duo Anavitória, mas sim uma história criada que funciona bem para com suas canções, e que é bem trabalhada no sentido de mostrar o mundo de relacionamentos modernos que existem atualmente, juntando com isso o uso desenfreado das tecnologias dos celulares para qualquer coisa, ou seja, um longa aonde se quisessem até daria para fazer um drama sobre a febre dos aplicativos de redes sociais e dos diversos casos de relacionamentos efusivos, que funcionaria sem música alguma, mas que ao menos deram um tom gostoso para acompanhar esse que até parece algo biográfico de como o duo chegou ao estrelato, mas que dizem não ser.

O longa nos situa no Rio de Janeiro, e mostra que Ana e Vitória já haviam até mesmo estudado juntas, mas apenas se aproximam de fato em uma festa realizada muito longe de sua cidade natal, a pequena Araguaína, no Tocantins. Após se apresentar na festa, Ana fica impressionada com a informal cantoria de Vitória, em uma rodinha de violão. Logo surge a ideia de gravarem algo juntas, que rapidamente explode na internet e chama a atenção do produtor Felipe Simas. A fama repentina as traz de volta ao Rio de Janeiro, para um show transmitido pela internet e a produção de seu primeiro CD.

O diretor e roteirista Matheus Souza que fez o ótimo "Tamo Junto" retorna aqui para mais um romance em que trabalha bem a câmera com muita dinâmica interativa, fazendo ângulos diferenciados, inserções digitais de textos para realçar as conversas dos programas de celulares (claro que valorizando sempre a marca do patrocinador no alto!!) e até ousando um ou outro plano-sequência para dar ritmo ao longa, mas por serem músicas mais calminhas de relacionamentos, o diretor não pode ousar muito para que o filme tivesse uma desenvoltura mais vivida, apenas trabalhando os eixos e até agradando com isso, mas que certamente ao criar as situações ele poderia ter criado personagens mais bem colocados que fariam do longa se transformar em algo melhor. Ou seja, diria que o filme teve um bom funcionamento, mas o diretor poderia ter colocado um pouco mais de situação para que o filme saísse do clichê bonitinho para os fãs e virasse algo que marcasse realmente um novo estilo de gênero no cinema nacional.

Sobre as atuações, tenho de ser conciso com minha opinião, de que filmes necessitam de atores, e que cantores até podem fazer participações, mas interpretar é algo que dificilmente alguém consegue fazer do dia para a noite, e embora elas cantem muito bem, tenham um sotaque gostoso de ouvir na trama, infelizmente boa parte das cenas aonde Ana Caetano e Vitória Falcão precisavam expressar mais sentimentos e olhares, elas acabaram ficando bem em segundo plano, o que é ruim para o funcionamento de um filme, ou seja, talvez não tivesse o mesmo efeito para os fãs ouvir as canções delas em outras bocas, mas certamente visualmente o longa ficaria melhor interpretado com atrizes reais. Quanto aos demais personagens, uma que também é estreante, mas que soube dosar os olhares e até chamar bem o canto para si foi Clarissa Müller como Cecília, e embora não tenha sido perfeita acabou agradando bastante. Quanto do eixo masculino, diria que não tivemos nenhum grande destaque, mas todos foram bem colocados e divertidos em suas posturas, desde Bruce Gomlevsky como Felipe Simas (produtor da dupla e do filme - quanta responsabilidade!!) que deu um ar profissional nas suas duas cenas, passando por Bryan Ruffo como Bruno que fui ousado e divertido em algumas cenas espaçadas, até chegar no romântico exagerado de Vitor Lamoglia como Ricardo Guilherme. Além desses tivemos ainda algumas cenas bem colocadas com Thati Lopes como a descolada assistente de produção Isa, que se mostrou até mais do que isso, quase virando uma amiga íntima das protagonistas.

No conceito cênico é engraçado que praticamente o longa inteiro se passa em dois terraços e dois quartos de hotel, aonde sem muita expressividade criativa foram conexos apenas para trabalhar visualmente eles, e deixaram que o restante funcionasse através de elos encaixando detalhes digitais dos aplicativos, aparecendo mensagens laterais, fazendo janelas, compondo textos e formatos diferentes, em algo que até soa moderno, mas que também lembra antigos vértices televisivos que funcionam, mas que muitos podem até achar old school e não tão usáveis para a produção.

A composição sonora claro que é somente com canções do duo, e foi bem produzido musicalmente pelo outro cantor agenciado por Simas, no caso Tiago Iorc, mas como acaba acontecendo nas produções nacionais, não achei disponível para compartilhar aqui, e apenas digo que são boas canções e que foram bem interpretadas tanto visualmente como sonoramente na produção.

Enfim, esperava que seria algo bem pior, mas de um modo geral acabou sendo algo agradável e que funciona dentro da proposta, que claro até soa ousada por mostrar o excessivo mundo dos relacionamentos modernos de um dia apenas que vão trocando a cada ato, uma nova amizade colorida, mas certamente colocando canções mais dinâmicas e atores realmente para fazer cena, o longa empolgaria bem mais. Portanto recomendo o filme com muitos poréns, mas acredito que quem gostar desse estilo mais calminho, vai até achar a produção fofa, e embora ache meio cedo já estarem fazendo algo quase biográfico de duas cantoras que são bem recentes no mercado, o resultado foi bem feitinho. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda tenho muitos outras estreias para conferir, então abraços e até logo mais.

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A Comédia Divina

8/04/2018 02:25:00 AM |

Como vou muito aos cinemas, geralmente vejo também um número gigante de trailers, e alguns acabam me chamando a atenção não por serem bons ou terem algum detalhe memorável, mas sim por passar inúmeras vezes durante os outros longas, e na data de estreia simplesmente evaporar como mágica dos cinemas, sumindo pôsteres, ou qualquer notícia de adiamento, ou algum aviso de não estreou aqui por qualquer motivo, ou seja, quase são abduzidos por aliens, e um filme que havia me chamado muita atenção pelo trailer em outubro do ano passado foi a comédia nacional, "A Comédia Divina", primeiro pela história parecer interessante e segundo e mais contundente pela caracterização dos protagonistas, com um Deus interpretado por uma mulher negra e pelo Diabo ser a cara do Padre Fábio de Melo, inclusive com uma cena de cantoria totalmente caricata, ou seja, estava realmente com muita vontade de conferir na data de estreia, e ploft, sumiu. Pois bem, passados quase um ano de sua estreia oficial, eis que por ter integrantes da equipe moradores de Ribeirão Preto, o longa resolve ter uma sessão comentada com diretor e atriz do longa na cidade, e cá fomos conferir a trama, e até falarei mais sobre ele abaixo, mas a pergunta que fui pronto para perguntar da falta de distribuição do longa na cidade na época, e nem precisei erguer minha mão, pois já de cara a atriz Débora Duboc falou o que desejava ouvir, de religiosos terem ido contra o filme, e mesmo não usando a palavra "boicote", ficou claro que os grandões que cuidam da distribuição deram uma reduzida bem drástica nas cópias dos cinemas, ou seja, o filme foi brincar de uma forma mais escrachada, e foi escrachado por quem manda nos cinemas nacionais. Dito isso, o que posso falar logo de cara é que o filme transporta a ideia de um conto antiquíssimo de Machado de Assis para os moldes atuais da sociedade e consegue com um humor ácido divertir de certa forma, mas que peca em muitos detalhes técnicos para ser uma obra perfeita de comédia realmente, como por exemplo fazer o público gargalhar com as situações ocorridas, porém o feitio é satisfatório para uma diversão bem colocada, e principalmente faz refletir sobre muito do que acontece no país ultimamente. Ou seja, vale uma conferida despretensiosa.

A sinopse nos conta que abalado por sua baixa popularidade o Diabo resolve vir à Terra e fundar sua própria igreja. Os pecados são virtudes e devem ser estimulados. Utilizando a televisão, o Coisa Ruim potencializa seu poder de sedução para ganhar mais fiéis. Raquel, uma jovem jornalista ambiciosa, é uma das primeiras a cair sob seu domínio.

Diria que o maior pecado do diretor e roteirista Toni Venturi em cima do filme foi querer ir além num meio que não se deve mexer no país, pois como bem conhecemos nossa mídia atualmente, qualquer "vínculo" com o Diabo faz queimar tudo e todos ao seu redor, e se analisarmos friamente o longa veremos sim muitos detalhes técnicos de quem se arriscou pela primeira vez numa comédia, e mais ainda cair num estilo de longa que necessitava de muitos efeitos especiais para ficar realmente "especial", e é exatamente esses os dois maiores problemas do longa, pois não faz a função correta do riso como poderia, e cheio de gags exageradas de efeitos forçados, o longa acaba fazendo rir por erros cênicos, ou seja, uma inversão completa de valores, pois deveria ter efeitos primorosos para surpreender e piadas boas para rirmos. Como digo, esses dois problemas poderiam até ser bem supridos por um roteiro memorável em cima de uma história simples, pois o conto de Machado de Assis, no qual o longa é baseado, tem no máximo 3 páginas e se lê em menos de 10 minutos (link para quem desejar conferir!), e sua simplicidade estética é brilhante para se desenvolver bem uma trama e conseguir bons frutos, e a equipe de roteiristas até teve grandes situações, mas pecou por exagerar em tudo e não ir muito além, ou seja, um filme com uma ideia genial, que poderia ir para rumos melhores e até mais simples, caso quisessem. Porém longe de ser uma bomba, o resultado até é agradável e funciona, só poderiam ter sido mais singelos para não soar apelativo.

Sobre as atuações, diria que todos foram bem dentro de uma medida considerável, mas que certamente todos poderiam ter feito algo mais cômico para chamar a responsabilidade para si para fazer rir, isso com certeza poderiam, a começar por Murilo Rosa, que faz um Diabo bem elegante, boa pinta e cheio de trejeitos fortes, que acaba divertindo pelo texto em si, mas não pela personificação, e o ator sabe bem fazer isso, só faltou um ataque mais pontual. Monica Iozzi possui um estilo de graça bem pontual e que fazia rir muito no saudoso CQC, mas aqui ela apenas foi coesa nas situações e até fez uma protagonista bem colocada com sua Raquel, mas longe, bem longe de empolgar. Thiago Mendonça está quase afundado com seu Lucas, um personagem bem fraco que não chama nenhum momento para si, e apenas faz trejeitos melosos que não convence. Ou seja, a trama ficou completamente dependente de todo o elenco secundário para fazer a diversão acontecer, e Débora Duboc, Thogun Teixeira, Dalton Vigh, Juliana Alves, entre outros até tiveram excelentes momentos (alguns forçados demais), mas como são da linha abaixo do cerne, acabaram apagados pela força dos dois protagonistas, o que é uma pena.

No conceito artístico, o longa possui locações interessantes, como a igreja do Diabo com muitas virtudes desviadas, hinos alegóricos com dancinhas (acho que já vi isso em outras religiões!), e muitos detalhes cênicos, mas na emissora de TV faltou um pouco mais de símbolos para tentar representar melhor, e somente ao assumir de vez o comando do Diabo, que vemos mais detalhes e programas mais interessantemente desenvolvidos em conceitos cenográficos, mas ainda assim poderiam ter abusado mais de alegorias, porém de forma geral é visto o trabalho bem empregado da equipe cênica, principalmente no que temos de dizer do Inferno e do Céu, além claro dos ótimos figurinos e maquiagens. O tom da fotografia puxou muito para o vermelho e preto, afinal estamos falando do Diabo, e isso ajudou o filme a faltar com um humor mais forte de cenas realmente divertidas, mas como a ideia era de algo mais ácido, o resultado até que funciona bem, mas volto a frisar, que poderiam ter ido além.

Enfim, diria que é um filme bem feito, com uma ideia bacana, mas que tem falhas em todos os quesitos técnicos, que poderiam facilmente ser supridas para que ficasse perfeito, mas que ao ser sutil e não apelar tanto para que o humor funcionasse de forma mais simples, o resultado não vai empolgar tanto quem não gostar de comédias reflexivas, ou seja, um longa feito mais para um público que gosta de histórias do que aqueles que preferem algo que realmente faça rir. E sendo assim, diria que até recomendo ele para uma diversão sem muito compromisso, mas que não espere sair da sessão, ou melhor da sala de casa afinal o longa já está nas telinhas e não mais nas telonas, rindo sem parar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até breve.


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Mamma Mia! Lá Vamos Nós De Novo (Mamma Mia! Here We Go Again)

8/03/2018 12:55:00 AM |

Chega a ser cômico a relação de amor e ódio que temos com continuações, pois alguns filmes ficamos esperando tanto para vermos o que vai virar logo após ser anunciado que a expectativa criada dificilmente é superada, e se tem um longa musical que muitos amaram em 2008 e que até hoje diversos falam ser o musical que mais gosta de ver é "Mamma Mia!", então esperávamos ver uma continuação no mínimo surpreendente, ou que pelo menos não perdesse a essência das canções do ABBA. Dito isso, posso dizer que esperei muito do novo longa, vendo diversas cenas logo que começou a ser filmado, e hoje após conferir "Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo" posso dizer que seguiram muito bem a essência do longa original, conseguiram fazer uma seleção de elenco primorosa, aonde os novatos são praticamente clones rejuvenescidos dos personagens originais, a interação das duas sequências funciona bem, mas temos um grande problema que não tivemos há 10 anos atrás: o ritmo, pois o primeiro filme era baseado já no musical de sucesso da Broadway com as canções mais icônicas do grupo e apenas foi desenrolado para uma cenografia maior, enquanto aqui com um roteiro completamente novo, para funcionar colocaram diversas outras canções "não tão conhecidas" e bem mais calmas, que acabou dando um peso mais melancólico para o primeiro ato, ou seja, o filme entra numa vibração muito lenta que não empolga tanto. Porém longe disso estragar o filme, volto a frisar, para quem gosta de um musical, a trama vai funcionar, o carisma e o carinho para com as canções e os atos vão emocionar, mas certamente poderiam ter feito algo mais forte e gostoso.

A sinopse nos conta que um ano após a morte de Donna, sua filha Sophie está prestes a reinaugurar o hotel da mãe, agora totalmente reformado. Para tanto convida seus três "pais", Harry, Sam e Bill e as eternas amigas da mãe, Rosie e Tanya, ao mesmo tempo em que precisa lidar com a distância do marido Sky que está fazendo um curso de hotelaria em Nova York. O reencontro serve para desenterrar memórias sobre a juventude de Donna, no final dos anos 70, quando ela resolve se estabelecer na Grécia.

Ol Parker não é muito conhecido como diretor, tendo pouquíssimos filmes no seu currículo, mas como roteirista tem acertado bastante ultimamente, e aqui juntamente com outros bons nomes de musicais/romances conseguiu escrever uma história bem trabalhada, cheia de nuances, e principalmente que casassem bem com as músicas da banda e a identidade temporal da trama, que ao ficar em duas épocas para lá e para cá acabou cometendo leves deslizes de continuidade (principalmente se levarmos em consideração alguns fatos que ocorreram no primeiro longa, mas nada que atrapalhasse o andamento), e como costumo dizer, tendo uma boa história, se um diretor tiver o mínimo senso, ele consegue envolver o público e desenvolver a história de uma forma interessante de acompanhar, e aqui Parker foi além de apenas criar algo interessante, ele conseguiu prender o público do começo ao fim, mesmo com uma trama digamos calma demais para seu gênero, e até surpreendendo em pontos bem colocados. Como disse no começo, o problema da trama foi de não ser montada propriamente como uma história musical como foi o original, então alguns momentos acabam ocorrendo jogados, surgindo a situação do nada, ou seja, poderiam ter trabalhado um pouco mais a história, ou até mesmo ter criado dois capítulos a parte, por exemplo um contando a história de Donna na juventude, e outro já com a situação pós-morte com a recuperação do hotel e sua devida festa, pois a junção dos elos acabou um pouco bagunçada e forçando toda hora para a cantoria, de modo que só quem realmente gostar muito de musicais irá gostar do que verá na telona.

Sobre as atuações, como falei no começo um dos maiores acertos do longa ficou por conta da escolha do elenco, pois conseguiram arrumar jovens atores praticamente idênticos aos protagonistas do primeiro filme, e claro com um capricho de maquiagem, tivemos um resultado de assustar até mesmo aqueles programas que mostram como uma pessoa irá ficar mais velha (aqui no caso, como ela era jovem). E para começar é claro que temos de falar de Lily James que assumiu praticamente todos os ótimos trejeitos de Meryl Streep e fez uma Donna muito segura e cheia de carisma, envolvendo sempre com olhares e tendo uma conexão incrível com todos os demais personagens, mostrando que tem crescido cada vez mais nas suas interpretações. Amanda Seyfried melhorou muito sua performance nos últimos anos, mas ainda é daquelas atrizes que fazem trejeitos muito semelhantes para todo tipo de situação, e isso não é algo bacana de ver, ou seja, como protagonista da trama aqui não conseguiu assumir a responsabilidade cênica, de modo que sua Sophie sofre muito para empolgar em todas as suas cenas, soando até artificial em diversos momentos. O time masculino da terceira idade é daqueles que falamos com a certeza de que nada pode dar errado (ao menos no conceito interpretativo, pois todos são de alta classe, mas na cantoria/dança deram alguns deslizes meio que estranhos), e todos sem exceção arrasaram, começando por Pierce Brosnan com seu Sam mais calmo e sereno, passando por Colin Firth com seu Harry cheio de trejeitos, e claro chegando no animado e emotivo Bill maravilhosamente interpretado por Stellan Skarsgard. E suas versões jovens também não decepcionaram, e claro deram as nuances que as jovens tanto apreciam ver nas telonas, com Josh Dylan como o jovem Bill, Jeremy Irvine como o galã jovem Sam (mas o que menos pareceu o velho Pierce) e Hugh Skinner como o jovem e divertido Harry (o melhor dos três em composição de trejeitos). As amigas inseparáveis de Donna não ficaram por menos e arrasaram muito nas duas versões, cada uma entregando nuances diferenciadas de uma forma melhor que a outra, com Julie Walters dando o tom na versão mais velha e Alexa Davies (quase um clone jovem de Walter) para a divertida e emotiva Rosie, e Christine Baranski sempre sagaz juntamente com Jessica Keenan Wynn fazendo ótimas vertentes para com sua Tanya. Ainda temos que falar é claro das duas grandiosas participações na trama, a sempre entregue Meryl Streep arrasando em duas cenas rápidas no final, com muitos bons olhares, e a grandiosa Cher (que não envelhece nunca!) como Ruby, a mãe de Donna, que deu um show de carisma e personalidade junto de Andy Garcia como Cienfuegos. Diria que uma decepção artística ficou por conta de Dominic Cooper como Sky, que ficou apagado demais no longa, e poderia ter chamado mais atenção.

Sem dúvida alguma um dos pontos altos do longa foram as filmagens na paradisíaca Ilha de Vis na Croácia (que no filme se faz passar como localizada na Grécia!!), que deu um charme extra para a trama cheia de figurantes dançando, com bosques, colinas, e claro uma ótima pousada/hotel que acabou ficando caracterizado maravilhosamente para se encaixar nas canções, e claro na festa, ou seja, tudo minuciosamente detalhado para não atrapalhar os números de canto/dança e ainda ter um visual incrível, que fez com que cada detalhe pensado na produção funcionasse, se encaixasse com o figurino, com o tino das letras das canções e ainda fosse emblemático com as épocas que se passam os dois atos, ou seja, um trabalho bem marcado pela equipe de arte. A fotografia se aproveitou da ótima iluminação cênica que a ilha entregou com muito sol e claro que para o tom não descer ainda mais para o melancólico (afinal as canções/situações do começo foram bem murchinhas!) o tom sempre alegre das cenografias e do ambiente contagiavam tudo.

Estamos falando claro de um musical, ou seja, qual o ponto mais importante? A música, e claro que apresentando para muitos diversas canções do ABBA que não ouvíamos naturalmente, muito bem cantadas pelos diversos protagonistas deram o tom para o longa, oscilaram nos ritmos e funcionaram, sendo que claro tenho de compartilhar o link para que todos possam ouvir, então façam bom proveito.

Enfim, é um filme bem feito, que possui até muitos defeitos, e que desaponta um pouco por ser abaixo do que esperávamos, afinal o primeiro filme é incrível, mas ainda assim recomendo muito ele para quem gosta de boa música encaixada dentro das situações, pois nesse quesito embora alguns momentos soem bem falsos, o resultado completo acaba funcionando bastante. Mas volto a frisar, se você não gosta do gênero musical no cinema, esse não será o filme que lhe fará gostar, e devo recomendar que passe longe, mas do contrário, vá que a diversão é certeira. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas essa semana está bem longa de estreias e esse foi apenas o primeiro, então abraços e até logo mais com mais textos.

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Todo Dia (Every Day)

7/28/2018 02:35:00 AM |

Tem filmes que já vamos conferir imaginando o que veremos, e pelo trailer de "Todo Dia" era esperado um daqueles romances bem melosos, que adaptados de livros acabam pecando por atuações engessadas e não conseguem entregar alguma novidade sem ter um excesso de clichês, porém fomos surpreendidos com uma trama leve e razoavelmente amarrada por pontas difusas que até trabalham certos conceitos morais, mas que felizmente foge do clichê romance adocicado teen que poderia até agradar se fosse bem feito, mas que ao menos trabalhou uma proposta mais crítica dos moldes de aceitação de personalidade e que acabou resultando em algo mais simples do que aparentava. Ou seja, um filme completamente novo, com uma proposta razoavelmente nova, com atores novos e que talvez uma afinada melhor faria dele algo memorável, mas que acredito ser ao menos mais fácil de assimilar do que o livro original, pois toda essa bagunça de personalidades na leitura deve deixar a mente completamente maluca.

O longa nos conta a história de Rhiannon, uma garota de 16 anos que se apaixona por uma alma misteriosa chamada "A" que habita um corpo diferente todos os dias. Sentindo uma conexão incomparável, Rhiannon e A trabalham todos os dias para encontrar um ao outro, sem saber o que ou quem o próximo dia irá reservar. Quanto mais os dois se apaixonam, mais as realidades de amar alguém que é uma pessoa diferente a cada 24 horas afeta eles, levando o casal a enfrentar a decisão mais difícil que eles já tiveram que tomar.

O diretor Michael Sucsy não é daqueles que pegam diversos projetos para tocar, mas foi certeiro em diversos pontos em sua obra de estreia "Para Sempre", e aqui utilizou dos mesmos artifícios para transportar uma obra literária para as telonas sem ficar amarrado demais em vértices pontuados, e isso acaba funcionando por fazer com que um livro que aparentemente é bem bonito, mas complicado de entender por ter diversos personagens, trejeitos e indagações reflexivas, serem transportadas para a telona de maneira sutil e bem gostosa de acompanhar, que sim, vai confundir quem não for sabendo o que irá ver, mas que trará uma boa essência, e resultará de cenas leves e bonitas de serem condicionadas. Ou seja, o trabalho de adaptação foi bem coeso e o resultado empolga pela boa funcionalidade da trama, divertindo em bons momentos e não sendo açucarado demais, embora isso seja também um defeito do longa que poderia comover mais caso derrubassem algumas colherinhas de açúcar no longa para que a cena final que é envolvente caísse em algo mais dramático e emocionante, mas quanto ao desenvolvimento certamente podemos dizer que foi bem acertado, apesar de certamente saber que no livro trabalharam muito mais o lance da família de Rhiannon que aqui ficou bem em segundo plano.

Quanto da atuação temos basicamente que falar de Angourie Rice com sua Rhiannon, pois está em praticamente todas as cenas como protagonista, e a atriz soube dosar muito bem suas emoções e desenvolver trejeitos bem alocados, não ficando boba para com a trama, nem soando desentendida do que estava acontecendo, e com isso acabou sendo bem elegante na postura, e divertida no momento em que "A" assume seu corpo, ou seja, um belo acerto para uma atriz que ainda não havia chamado atenção mesmo com tantos filmes na carreira. Agora para falar do personagem "A" teria de fazer um texto inteiro, pois temos 15 atores diferentes interpretando ele, em suas diversas expressividades e cada um entregando um pouco de si para a personalidade da alma que era o exigido no filme, mas sem dúvida alguma os mais marcantes momentos foram com Lucas Jade Zumann, como o extrovertido Nathan, o carismático Jacob Batalon com seu James, o gordinho simpático Jake Sim com seu Michael, e claro o momento mais tenso como a suicida Kelsea, interpretada muito bem no pequenino momento de Nicole Law. Além claro, dos dois bons momentos com Justice Smith como Justin tendo seus dois atos, o babaca tradicional de todos os dias, e o dia em que "A" se apaixona, sendo gracioso e atencioso, e Owen Teague como Alexander, o que mais teve tempo de tela com a personalidade da alma, além de todo o charme que deram para o "interior" da personalidade do garoto. Dentre os demais, a maioria é bem rápida, e não atrapalha, mas poderiam ter dado mais tempo de tela para a sempre ótima Maria Bello como a mãe da garota, Michael Cram como o pai, e Debby Ryan como a irmã, pois certamente teriam mais para mostrar.

No conceito visual a trama nos colocou em locais muito bem escolhidos, como um aquário/praia maravilhoso cheio de detalhes, um chalé romântico, uma festa com bons momentos, uma escola (bem livre, que dá para fugir a todo momento das aulas), e claro uma casa com problemas, além de muitos passeios de carro, de modo que aparentemente procuraram recriar bons detalhes do livro na telona, não soando forçado, mas se atentando para não soar falso também, ou seja, um bom trabalho. A fotografia brincou bastante com tons mais escuros para criar elos dramáticos, mas sempre que possível o ambiente tinha uma luz forte, demonstrando muita vida na personalidade da alma, e claro aquecendo o romance, mas ainda assim poderiam ter trabalhado mais cores na paleta para que o longa tivesse uma dinâmica ainda mais diferenciada.

Claro que como todo bom romance, a trilha sonora tem um âmbito funcional incrível, e cada momento precisa respirar juntamente com boas canções sejam elas originais ou escolhidas para que o filme tenha ritmo e funcione perfeitamente. E aqui a equipe escolheu ótimas canções bem representativas que além de serem gostosas de ouvir também trabalham mensagens que o filme passa, então vale a pena a conferida no link e para quem quiser também está aqui o link das músicas originais de cada momento do filme.

Enfim, um filme simples que até poderia ser melhor, mas que vai agradar bastante quem for disposto a ver algo teen, mas com uma proposta diferenciada, pois como disse saiu bem do conceito meloso e também não atacou tanto algo com muita moralidade, ficando no meio do caminho, o que é sempre arriscado. De modo geral é bonitinho e gostoso de acompanhar, e funciona a ponto de podermos recomendar. Bem é isso pessoal, infelizmente encerro já essa semana curtíssima aqui, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até breve.

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