O Caseiro

sábado, junho 25, 2016 |

Felizmente o cinema nacional tem nos apresentado cada dia novas produções que fogem do gênero comédia novelesca, e a cada dia que tentam trabalhar com longas de suspense e terror os diretores vão se aprimorando cada vez mais para o que certamente em breve teremos algo completo. Só não digo que "O Caseiro" chegou nesse nível principalmente por falhar um pouco no desenvolvimento da tensão e ter poucas cenas que causem realmente um terror na trama, porém toda a simbologia criada, e o fato marcante de usar coisas de nossa cultura já o colocam num patamar muito avançado dentro da escala de outros longas que tentaram ousar e não saíram da tentativa. E se os filmes anteriores de Julio Santi não decolaram, após esse feito, certamente seu nome será lembrado por alguns adoradores de cinema de suspense/terror mais para a frente, mas por enquanto o que posso adiantar é que o filme flui de maneira bem condizente, até o momento de seu fechamento, pois a construção foi feita de forma bacana, mas o desespero para concluir tudo acabou deixando falhas em cima de falhas, e por bem pouco não arruinou tudo de bom que fez.

O longa nos apresenta Davi, um cético professor de psicologia, que é famoso por escrever um livro que explica aparições sobrenaturais através da psicanálise. Após anos sem atender pacientes, ele viaja para o interior buscando investigar o caso de um homem que acredita que sua filha vem sendo assombrada pelo fantasma do antigo caseiro de sua propriedade, que se suicidou.

O trabalho feito pelo diretor e roteirista Julio Santi é algo interessante de pontuarmos, pois ele acabou criando uma história de certo modo diferenciada e que não usou dos artifícios de tentar ficar assustando o público, mas sim criar um ambiente satisfatório para que a ideia fluísse e acabasse contando de um modo simples toda a tensão real da família com o acontecimento em si. Além disso, ao revelar o mistério completo, ficamos com a indagação de até termos perdido algum elemento chave, pois o fechamento acaba sendo completamente desconexo com o restante, e conforme vamos montando todas as pistas, apontando os dedos todos para outro lado, o resultado acaba surpreendendo e mostrando-se melhor do que o esperado. Claro que talvez mais pistas sobre o fechamento, ou talvez algum flashback após mostrar tudo deixaria o público mais exclamado com tudo, mas também seria uma fórmula banal a ser usada, então vamos condizer e aceitar a ideia e ficar com a pulga atrás da orelha que é melhor, mostrando que a eficiência do jovem diretor em enganar o público foi satisfatória. Outra grande sacada é que diferente do que costumam fazer no estilo, aqui a câmera nem foi estática pegando uma amplitude de tensão e nem foi ao estilo de vamos correr junto com o protagonista, trabalhando na medida certa cada movimento para que o ambiente todo fosse explorado ao mesmo tempo pelo público e pelo protagonista, o que acaba agradando bastante.

Sobre as atuações, é interessante ver Bruno Garcia como um personagem mais amplo e menos novelesco, e certamente seu estilo sério acaba agradando bem dentro da personalidade cética de Davi, claro que o seu segredo é facilmente descoberto logo de cara, e nem precisaria ser falado no roteiro, mas isso não atrapalhou em nada sua desenvoltura e fico na expectativa dele fazer algum estilo de policial investigativo em algum suspense policial misterioso, pois mostrou ter qualidades para isso. Leopoldo Pacheco até chamou atenção de certa forma para o seu Rubens, e trabalhou a expressão segurando demais no texto que lhe foi entregue, sem ousar em nada, mas também não estragou nada, e sendo assim, acabou funcionando dentro da proposta, criando até uma certa dúvida no ar quanto suas verdades. Malu Rodrigues foi bem colocada para a personalidade de Renata, mas ficou travada demais em diversos momentos, não realçando quase nada do que poderia agradar ou chamar atenção, e isso em um suspense acaba sendo quase a extinção da personagem, que teoricamente é quem inicia todo o processo do filme. As garotinhas Annalara Prates e Bianca Batista como Lili e Julia respectivamente, tiveram bons momentos e se encaixaram bem dentro da situação toda, mas poderiam expressar mais medo, ou pelo menos desconfiança em cima do tema, que acabaria causando algo a mais para com o filme, de certo modo não atrapalharam. Agora em compensação Fabio Takeo como Padre e Denise Weinberg como Nora por bem pouco não arruinaram com tudo o que o filme fez, trabalhando sem expressividade alguma e ainda atuando com frases quase jogadas, ou seja, dispensáveis de certo modo para a história.

Visualmente, a locação escolhida é incrível para se fazer vários estilos de filmes de terror, e o escolhido acabou encaixando bem com todo o lance de fazenda aonde se tem um caseiro, com a nuance escolhida em manter um casebre bem antigo como casa do caseiro, e claro um lago bem sinistro ao lado para dar uma representatividade com toda a névoa que acabaram criando para dar um clima melhor, e nas cenas internas a boneca certamente foi o feito mais emblemático dentro dos elementos cênicos usados, ou seja, um trabalho coeso e bem encaixado. Outro grande fator a ser parabenizado na equipe é a direção de fotografia que mesmo com muitas cenas externas a noite não deixou a iluminação desaparecer de forma alguma, encontrando em postes estrategicamente colocados para dar o tom sombrio de contraste perfeito para criar a tensão e ainda mostrar para o público tudo o que ocorria. Agora os momentos que necessitaram de efeitos e maquiagem poderiam certamente ser melhorados, pois soaram deveras falsos, e isso num terror é algo imperdoável, então os tudo no filme vai bem, mas a nota que vou tirar se deve mais por isso.

Enfim, está longe de ser um filme memorável, mas certamente agrada bastante dentro da proposta e quem gosta de um suspense bem feitinho certamente vai gostar do que verá nesse exemplar nacional, ou seja, recomendo sim o longa para todos que gostam do gênero, e digo mais, vá assistir para ajudar na bilheteria, afinal só assim para que outros diretores criem coragem e façam mais filmes nesse estilo no Brasil. Bem é isso pessoal, encerro minha semana cinematográfica aqui, dessa vez foi bem curtinha, mas volto na próxima quinta para fechar o mês, então abraços e até lá meus amigos.

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Independence Day: O Ressurgimento em Imax 3D (Independence Day: Resurgence)

sexta-feira, junho 24, 2016 |

A grande questão que fazemos após ver um filme como "Independence Day: O Ressurgimento" é: o que será que roteiristas tomam para ter tanta criatividade? Falo isso não pelo filme ser completamente original, muito pelo contrário, temos referências à estilos de diversos filmes durante toda a projeção, mas é algo tão maluco pensar em cada situação que ocorre, que certamente ninguém em sã consciência pensaria que após 20 anos, teríamos uma continuação bem trabalhada de um dos filmes que mais marcou os anos 90. Claro que ao dizer bem trabalhada, me refiro ao conteúdo completo da produção, como efeitos digitais melhores (afinal em 96 devia ser punk criar tudo quase que na mão) e até que uma história convincente, porém faltou o fator determinante em uma guerra, o motivo de empolgação para que você torça para determinado personagem, que queira ver ele chutar o inimigo e ao ganhar tenha muitos motivos para celebrar, mas aqui embora todos os figurantes aparecem vibrando em algumas cenas comemorando algo, o arrepio de empolgação não chega nem perto de acontecer, e com isso, embora seja um filme visualmente perfeito, acabamos saindo da sessão falando legal apenas. Claro que provavelmente a expectativa criada em cima dele foi alta demais, e não chega nem perto de ser cumprida, mas como teremos mais uma sequência, ou vão jogar tudo por água abaixo, ou talvez arrumem o que acabou faltando aqui para empolgar mesmo.

O longa nos mostra que após o devastador ataque alienígena ocorrido em 1996, todas as nações da Terra se uniram para combater os extra-terrestres, caso eles retornassem. Para tanto são construídas bases na Lua e também em Saturno, que servem como monitoramento. Vinte anos depois, o revide enfim acontece e uma imensa nave, bem maior que as anteriores, chega à Terra. Para enfrentá-los, uma nova geração de pilotos liderada por Jake Morrison é convocada pela presidente Landford. Eles ainda recebem a ajuda de veteranos da primeira batalha, como o ex-presidente Whitmore, o cientista David Levinson e seu pai Julius.

Como falei acima, a maior falha do longa foi criar uma expectativa de algo, e vir com um filme mais cheio de referências do que uma história maior para ser contada, claro que temos muitas novidades, mas nenhuma nos deixa empolgados para o que acabaremos vendo em sequência. E se Roland Emmerich é famoso por destruir tudo o que vê pela frente, aqui a oportunidade foi maximizada ao ponto de fazer com que a grande beleza do filme é ver tudo no chão, peças sendo destruídas e claro muita batalha, de tal modo que os tiroteios de naves nos lembra demais Star Wars, é impossível não ouvir os barulhinhos de tiros e não remeter ao outro filme. Além disso, o diretor soube trabalhar bem a proposta de sucessão familiar, pois manteve bem todos os papeis de seu primeiro filme, colocando velhos atores, junto de novos que fazem papeis que já havíamos conhecido por algo, mas que agora passam a ser mais importantes. Outro fator que deixou a trama menos concisa, foi o fato de não alongarem tanto a história, resolvendo tudo de maneira bem rápida, com um começo/meio/fim pré-determinados, não deixando nada exagerado para o terceiro filme, mas que deixa no ar o que irão fazer exatamente. Talvez ao invés de inventar uma terceira trama, se tivessem já ido direto ao ponto, a trama acabaria tendo mais coerência, acabaria empolgando com o clímax exatamente aonde esse termina, e fechando tudo de uma forma coesa e bem colocada, mas como bem sabemos, produtores são seres que só enxergam números, e se podemos ganhar mais fazendo outro longa, vamos fazer, agora é ver se dará bilheteria realmente esse, pois o gasto foi bem alto, em torno de 200 milhões de dólares.

Sobre as atuações, embora tenham colocado novos personagens e atores no filme, quem realmente acabou chamando atenção e tendo as melhores cenas foram os atores do primeiro filme, e assim sendo, por bem pouco não dispensamos os novos dos trejeitos/situações que se envolveram, claro que digo isso usando a proposta de considerar apenas esse filme, pois certamente todos os novos terão muito mais impacto no terceiro longa, porém friso que em um único filme acabariam todos se destacando e agradando mais. Liam Hemsworth não é um ator ruim, mas acabam jogando papeis de tentativa heroica para ele, e ele não consegue trabalhar expressividade e garra, ficando sempre no meio do caminho, de modo que seu Jake é alguém que precisaria ter sido bem mais desenvolvido anteriormente para que o público gostasse do que faz aqui, mas jogado da forma que foi, acabou soando falso e sem muita expressividade para que o personagem soasse importante. Jessie T. Usher veio tentar suprir a falta de Will Smith no filme, mas soou mais para alguém arrogante do que para um capitão com lado heroico com seu Dylan (claro que por sorte não necessitaram por Jaden Smith no papel, afinal Dylan não é filho legítimo de Steven Hiller, pois senão a tragédia certamente seria bem maior), porém o jovem ator fez mais caronas sérias do que mostrou personalidade, e isso foi algo que faltou, afinal poderia chamar a responsabilidade com muito mais eficiência. Outra que certamente tentou chamar a atenção foi Maika Monroe, como Patricia, filha do Presidente Whitmore, mas a jovem atriz teve poucas chances e quando ia para o lance certeiro, tiravam o foco dela para mostrar mais naves voando, ou seja, acabou sendo deixada de lado. Bill Pulmann faz bem novamente seu momento de aviador como Presidente Whitmore, e claro chama atenção em diversos momentos, porém ao sair da sala ficamos discutindo algo que mesmo revendo o primeiro longa essa semana não lembro dele ter tido algum contato maior com os aliens, e dessa forma podemos ter até um erro de roteiro com sua personalidade, mas de modo geral ele agrada. Jeff Goldblum caiu novamente bem para o papel de David, e trabalhou até mais trejeitos do que no primeiro filme, porém ficou a segunda metade do filme quase de enfeite. Agora sem dúvida alguma, os destaques mais positivos do filme ficaram por conta de Brent Spiner como Dr.Okun, não só pelas boas cenas cômicas, como por toda liberdade artística que deu ao seu trabalho, claro que não era necessário todas suas sugestões de ser homossexual, pois ficou apenas como algo jogado na tela, mas todo conteúdo que acabou passando no geral acaba agradando demais. Outros que acabaram saindo-se bem foram Deobia Oparei como Umbutu, pela personalidade bem forte e as cenas estilo matador mesmo, e sua química com Nicolas Wright como Floyd Rosenberg, que mesmo sendo o bobão da trama, acabou sendo bem encaixado nas cenas finais. Agora se no primeiro filme o presidente teve um ótimo destaque e agradou chamando todo mundo para a guerra, aqui Sela Ward como a Presidente Landford (estão com expectativa real de Hilary ganhar? Já é o segundo filme americano que colocam mulheres como presidente) e na sequência William Fitchner como General Adams assumindo a bronca, fizeram papeis rasos e sem muita perspectiva.

Agora, que todos sabemos que filmes de Emmerich não possuem muita história para se envolver, mas que é totalmente compensada pela ótima produção visual todos sabemos, e sem em 1996 ele não tinha nem metade dos recursos e acabou agradando muito, aqui ele pode usar de tudo que imaginasse para compor cenas, criar uma cidade inteira na Lua, cenografias incrivelmente fictícias, porém bem detalhadas para que o público imaginasse um futuro interessante, armas alienígenas de alto padrão, naves diferenciadas e claro aliens feios com texturas bem interessantes de se ver, ou seja, um aparado extremamente bem produzido que com toda certeza foi bem explodido também, afinal ele adora construir tudo para destruir depois. De certo modo o ingresso é mais bem válido para ver o tamanho cênico da nave e todo o contexto visual criado do que ficar esperando a história engrenar realmente com algum conteúdo, e sendo assim, para este que vos digita e ama filmes bem produzidos, o resultado acaba agradando muito, mas quem preferir mais história e coisas conexas é capaz de só reclamar do que verá. A fotografia usou bem os tons espaciais, e muito verde fosforescente para tiros, o que é algo estranho, mas que acabou ficando no estilo que desejavam, e claro como temos muitas cenas dinâmicas, a composição optou por muita luz sempre, assim não correram riscos com sombras e entremeios que pudessem acabar soando errado ao cometer gafes. Agora sobre o 3D, de certo modo por termos muitos elementos verdes e cenas com bastante movimento, dá uma certa vertigem no olhar, mas não é nada que vá muito além, afinal é um longa convertido e que não foi pensado em 3D real, ou seja, com o tanto de coisa voando em cena, poderiam ter abusado demais de bons efeitos, que o público vibraria como se estivesse no espaço realmente, mas foram mais cautelosos e usaram a tecnologia somente aonde dava para enganar bem, sem errar também, ou seja, até é válido o ingresso mais caro, mas poderia ser anos-luz melhor.

Enfim, é um bom filme, mas que se atrapalhou mais do que ganhou espaço para marcar novamente época como fez o primeiro filme em 96, claro que visualmente falando é impecável, mas criou-se muita expectativa para o pouco entregue, e volto a frisar que embora tenha começo/meio/fim, fizeram certamente com más intenções para um terceiro longa, alongando em demasia alguns momentos aqui, e deixando de atingir realmente o objetivo ao final. Ou seja, é mais um filme pipoca que muitos vão amar pelo conteúdo estético e outros vão odiar pela falta de uma história mais determinante, claro que como boa fantasia, digo que vale a apreciação e diversão, mas tente ir com pouca euforia, que a chance de curtir mais é maior. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia dessa semana bem curta, então abraços e até breve.

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A Viagem de Meu Pai (Floride)

quarta-feira, junho 22, 2016 |

Alguns filmes franceses são tão leves na proposta que acabamos viajando pelo enredo e pensando até mais do que nos é mostrado, e em alguns momentos vamos juntando cada pedacinho para formar um conteúdo maior e acaba que o resultado é empolgante e nos traz ótimas lições também. Outra coisa bem engraçada no caso desse filme é que diferente de títulos jogados ao serem traduzidos em outros países, aqui podemos utilizar os nomes em português, inglês e francês na proposta da trama. Em português o longa será lançado como "A Viagem de Meu Pai" é poderá funcionar tanto pela viagem que o senhor está fazendo e nos é mostrado, como também pelo sentido figurado do verbo viajar, sair de si, imaginar coisas. Nos EUA o longa se chamará "Flórida" e faz referência claro aonde a filha do protagonista mora, bem como de onde é proveniente seu suco favorito. E claro que em francês temos "Floride" tanto pela referência ao nome do estado, mas também ao nome do carro do protagonista. Ou seja, um filme abarrotado de referências, aonde tudo nos leva a pensar que será que ao chegarmos nessa idade iremos "viajar" tanto assim, ficar tendo esquecimentos, relembrar sempre as mesmas coisas boas que ficaram bem gravadas, estarmos conversando sobre algo e logo em seguida nem lembrarmos aonde estamos. Pois é, a velhice não é a melhor idade como muitos dizem por aí, mas temos de ser bem pacientes com quem está nela, pois repetir é preciso!

O longa nos mostra que aos 80 anos, Claude Lherminier ainda conserva sua imponência, apesar dos frequentes ataques de confusão e esquecimentos. Condição que ele se recusa a admitir. Carole, sua filha mais velha, trava uma batalha diária e desgastante para cuidar do pai. E, por um capricho, Claude decide viajar à Flórida, deixando no ar o motivo dessa viagem repentina.

É interessante a forma que Philippe Le Guay trabalha seu roteiro e direcionamento, pois possuindo um estilo bem próprio, o qual vimos em "Pedalando com Molière", o diretor gosta de trabalhar pensamentos e deixar para que o público reflita, claro que sempre abusando de muito humor, e aqui isso não foi diferente de ver, mas optou por ser mais direto nas ideologias, deixando claro que ao mesmo tempo que vê como um problema o esquecimento, também serve para tirar de cena os maus momentos, e claro que aquele que administrar bem isso, pode ser extremamente feliz, mesmo que deixe os demais malucos. Sem abusar da inteligencia dos espectadores, o diretor trabalhou com planos simples, mas que demonstrassem bem a personalidade do protagonista, e sem ousar muito, deixou que seu roteiro falasse sozinho através das atitudes de cada personagem, mais do que a ação em si, e claro que para isso, usou e abusou de elementos cênicos que estiveram presentes na maioria dos momentos da trama. Ou seja, um filme doce, sensível e gostoso de assistir, mas que poderia ter um ritmo mais trabalhado, ou menos momentos para serem mostrados, pois a dinâmica funcionaria da mesma forma e agradaria até mais.

É fato que o filme seria completamente diferente sem o grande Jean Rochefort, que imprimiu com muita personalidade seu Claude e encantou a todos com os diálogos preparados e bem encaixados para cada momento do filme, seus trejeitos saiam com uma naturalidade única de forma tão tranquila que o longa parecia ter sido feito para ele realmente, claro que ter praticamente a mesma idade do personagem ajuda, mas certamente o veterano ator francês ainda tem muita pólvora para queimar nos cinemas mundiais. Sandrine Kiberlain nos entregou uma Carole até tranquila demais para com seu pai, pois conhecendo muito o que é ter alguém repetitivo e que esquece as coisas, e do jeito que o velho acaba lhe instigando certamente ninguém agiria com tanta calma, mas a atriz foi tênue, bem feliz na expressividade e acabou agradando bastante, mesmo que em alguns momentos soasse artificial demais. Os demais personagens serviram bem como encaixes nos bons momentos e cada um se destacou no que fez, imprimindo boas personalidades e trejeitos claros para cada ato: Laurent Lucas mostrou com seu Thomas, um estilo mais fechado para com os mais velhos e que acabam sofrendo as consequências disso, Anamaria Marinca deu para sua Ivona o acerto que muitas cuidadoras conseguem fazer que é não cair nos truques dos idosos e acabar caindo muito na graça deles, e claro que Clément Métayer fez de seu Robin o neto querido que ajuda claro o avô nos momentos que ele mais precisa.

Sobre o visual da trama, temos ótimas escolhas de locações, mas mais do que isso, é importante vermos que toda a cenografia foi colocada à prova ao trabalhar diversos elementos cênicos para remeter à cada deslize de memória do protagonista, e claro repetir sempre seus detalhes mais fortes de lembranças, encaixando isso na vida anterior dele de empresário do ramo do papel, com muitos elementos de colecionador e claro remeter também à suas filhas, e isso está presente em cada detalhe da casa do protagonista, nas suas viagens e claro até o seu fim mostrando tudo com simplicidade e destreza num ótimo trabalho. A fotografia não ousou muito em sombras, mas optou em trabalhar tons junto com a equipe de arte para remeter bem à cada memória.

Enfim, é um ótimo filme, mas que poderia ser menos alongado e ter mais ritmo para envolver, pois no miolo mesmo divertindo bastante, chegamos a ficar cansado com o que foi apresentado. Porém ainda assim vale muito a pena ver o filme e pegar todas as lições apresentadas. Bem é isso pessoal, encerro aqui minha participação no Festival Varilux, conferido os 14 filmes que vieram para Ribeirão Preto, 1 acabou ficando de fora da cidade, mas é a vida. Volto na quinta com mais textos das estreias, então abraços e até lá pessoal.

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Viva a França! (En mai fais ce qu’il te plait)

terça-feira, junho 21, 2016 |

Fazia muito tempo que um filme de época embasado em guerras não me emocionava tanto. E "Viva a França!" ou traduzindo ao pé da letra o título original, que dá mais sentido para o filme "Em Maio, Faça o Que Quiser" é daquelas obras para se deleitar com o visual, se comover com a boa história contada, se encantar com a ótima trilha sonora, e ainda se conseguir juntar tudo isso de uma única vez na mente, sair totalmente feliz da sessão, pois embora baseado nos depoimentos reais de pessoas que abandonaram suas casas nos anos 40 na França, o filme até mostra cenas duras e fortes, mas como o trailer mesmo diz, o que o longa nos entrega é uma história com final feliz durante a França ocupada. Ou seja, um filme brilhante, com ótimas nuances dentro da história que nos mostra o quanto bons filmes podem surgir em nossa frente e nem vermos, pois jamais imaginaria com a sinopse abaixo, com o nome nacional, e sem ver o trailer que veria algo tão perfeito como foi essa ótima combinação de estilos. Ou seja, irei torcer muito para que volte comercialmente para o Brasil, pois todos que não viram no Festival Varilux merecem ver essa obra-prima do cinema francês.

O longa nos conta que em maio de 1940, as tropas alemãs estão prontas para invadir a França. Assustados com o progresso do inimigo, o povo de uma pequena vila decide desafiar as ordens do governo, fugir e desbravar rotas desconhecidas para se esconder da ameaça estrangeiras.

Longas que envolvem guerras em seu enredo costumam custar muito, afinal são explosões, inúmeros cenários, equipamento bélico aparecendo (mesmo que digital dá um trabalho imenso, mas aqui pareceu real demais), e claro que os produtores arrancam todos os cabelos quando algum diretor vem com esse estilo de proposta, pois mais que ousadia nesses quesitos que falei acima, o diretor ainda pôs uma vila inteira em movimento com cavalos, carroças, carros, milhares de apetrechos, crianças, ganso pendurado e tudo mais que você possa imaginar, e além disso, trabalhou o longa em três vértices que vão se encontrando de acordo com a velocidade de cada um, ou seja, não temos apenas uma história do reencontro do filho com seu pai preso/libertado, mas temos do prefeito comandando a fuga de todos da sua vila, e a do diretor de cinema alemão gravando a invasão completa dos alemães destruindo os exércitos pela frente. Ou seja, três histórias ótimas, num único filme, que foi trabalhado não de forma novelesca como muitos fariam, mas totalmente detalhado no melhor estilo de drama cinematográfico realista, encaixando perspectivas e trabalhando para que cada ato fosse bem encaixado para o rumo final da trama, mostrando que Christian Carion não só escreveu uma obra prima, como também a dirigiu com os rumos que desejava alcançar, um feito que muitos longas candidatos à diversos prêmios de festivais sequer conseguem passar perto, e como é baseado nos depoimentos reais das pessoas que fugiram, o diretor acabou montando cada família, cada situação com detalhes precisos que valem muito a pena detalhar numa visão mais ampla.

Como disse acima, temos basicamente três histórias que se desenrolam paralelamente, e claro que todos os atores deram seus máximos para cair bem nos seus momentos de ápice, como também quando se conectam com as outras histórias. Então é claro que August Diehl é um tremendo ator alemão que já vimos em diversos filmes americanos, ingleses e tudo mais, fala três idiomas fluentemente, e aqui com seu Hans mostrou bem sua dialética nos três, trabalhando bem com seu alemão nas cenas iniciais e finais, recaindo bem no inglês nas conversas com o soldado escocês/inglês Percy, e no restante do filme agradando com o francês com os personagens da vila, ou seja, um ator completo que além disso trabalhou bem sua performance, dando trejeitos emotivos em várias cenas, sendo dinâmico quando precisou e servindo para qualquer cena que o diretor desejasse que fizesse. Olivier Gourmet fez de seu Paul, aquele prefeito que muitos atacam, mas que também a maioria prefere seguir num momento mais crítico, claro que o ator trabalhou seu semblante muito fechado na maioria das cenas, mas quando precisou colocar paixão/emoção, ele soube fazer com precisão também. Thomas Schmauser apareceu pouco como o diretor Arriflex, mas todas as suas cenas foram tão bem encabeçadas com um humor negro duríssimo de ver, que por mais incrível que pareça Hitler gostava desse estilo de filmes promocionais feitos na medida por alguns malucos, e o ator fez caras e bocas completamente plausíveis de se ver um diretor do estilo fazendo, ou seja, um encaixe cômico e duríssimo de se ver na telona, mas muito bem interpretado. Matthew Rhys deu ao seu Percy trejeitos muito bem encaixados com o que necessitava para ter um bom carisma, pois se formos analisar friamente, um soldado líder de batalhão não faria uma linha tão vida mansa como foi mostrado no longa, mas é claro que o ator soube dosar as cenas mais tensas com as mais leves de forma incrível, agradando bastante no que fez. Alice Isaaz deu um tom tão meigo para sua Suzanne, que chegamos a ficar apaixonados pela liberdade artística da personagem, e que a atriz não forçou um olhar sequer que saísse da centralidade que necessitava, agradando na medida certa, fazendo caras de choque quando precisou, e que teve fechou o longa de uma forma bem linda ainda ao combinar toda expressividade que o título original lhe propôs. O jovem Joshio Marlon não só fez uma estreia brilhante nos cinemas, como colocou alma na personalidade de seu Max, fazendo cada cena ser única com sua inclusão nos diversos momentos, ou seja, um garoto que soube dominar a câmera quando essa vinha em sua direção, e que se seguir bem a linha deve chegar muito longe. Poderia falar mais de cada um da trama, pois todos saíram muito bem, mas para fechar tenho de dar destaque para a ótima comicidade das cenas de Laurent Gerra com seu Albert e a dúvida cruel de qual vinho levar de sua adega, e não bastasse essa ótima cena, nas demais sempre encontrava algo muito bem encaixado para divertir o público com muita simplicidade, ou seja, fez tudo bem.

Sobre o visual da trama como disse no início, esse estilo de filme demanda uma produção monstruosa, com diversos elementos cênicos e principalmente que tudo funcione com muita veracidade. É possível que todas as cenas com aviões tenham sido feitas digitalmente, mas fizeram de forma tão bem feita que realmente simularam o melhor de uma guerra que são os malucos dando rasantes alvejando as pessoas no meio do caminho, além disso a cena com diversos tanques passando ficou algo muito interessante de ser olhado, mostrando todo o aparato bélico que a equipe conseguiu, e não bastando isso, todos personagens estavam devidamente caracterizados como bons camponeses, cheios de carroças, animais, apetrechos e tudo mais que valorizassem o trabalho da equipe artística, ou seja, um filme cheio de minúcias, que foram muito bem destruídas, não economizaram nas cenas caras, e também não economizaram nas cenas com muito sangue, pois todos os mortos foram bem mostrados, na maior parte das cenas (uma ótima sacada foi o primeiro olhar de Suzanne não mostrar o caos, pois demandaria imagens com muitos animais, e tudo jogado aos ares, mas sim depois cada quadro separadamente, ficou bem representado e ainda chocou o público). A fotografia utilizou diversos tons durante toda a produção, trabalhando bem os dégradés de marrom para as vestimentas e cenas mais fechadas, mas sempre que possível o diretor jogava tons mais escuros ou algumas vezes bem claros para dar destaque e contraste, já que o verde tradicional das vestimentas dos alemães não poderia destoar dos demais, e claro o cinza recaindo bem para dar a grade.

Agora algo que deu um incremento monstruoso para a produção do filme, sem dúvida alguma foram as trilhas sonoras compostas por Ennio Morricone, pois esse gênio dos filmes western também sabe e faz muito bem canções melódicas para dar tom à qualquer tipo de longa que deseje criar sentimentos no público, e aqui o filme quase põe o público para dançar acompanhando as ótimas nuances de cada cena com as escalas rítmicas que acabou trabalhando. Ou seja, se o filme em si já era ótimo com tudo o que já havia apresentado, ao incorporar cada momento com uma canção bem determinada, ficou excelente.

Enfim, falta ainda um longa para conferir dos 14 que vieram com o Festival Varilux de Cinema Francês, mas dificilmente conseguirá remover o posto desse filme como o melhor do Festival, e certamente que ficará em minha mente como um excelente exemplar de filme de guerra com boas pitadas dramáticas e até uma certa comicidade no limite. Ou seja, infelizmente não sei dizer se quem não viu no Festival, verá ele tão cedo, pois a distribuidora Fenix não é tão grande e nem tem data para ser lançado ainda no Brasil, mas assim que aparecer vejam, pois valerá muito a pena o ingresso pago. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com o último longa desse ótimo Festival Varilux que tivemos na cidade, então abraços e até breve.

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Agnus Dei (Les innocentes)

segunda-feira, junho 20, 2016 |

Se no pôster acima já é possível ver um pouco da beleza cênica encontrada pela diretora para construir sua história, você já pode imaginar o quão belo é o filme por completo que nos é entregue em "Agnus Dei"! Claro que por trás de uma bela paisagem, temos um filme duríssimo aonde os traumas de guerra perduraram entre as freiras de um convento, e mais do que isso, ao misturar fé com ciência/saúde nem sempre dá certo, e o resultado é agoniante de ver e sentir, pois se hoje as mulheres ainda são vítimas de abusos, imagina na época de guerra o que sofriam. De certo modo a diretora amenizou algo que com certeza foi bem mais duro na história real, já que o filme é baseado nela, mas de modo simbólico podemos refletir e debater muito sobre toda a situação, o que seria certo ou errado, até onde a fé pode se permear num advento mais impactante, e claro porquê não pensaram na possibilidade que o filme fechou antes, pois sim a ideia é boa e funcional. Ou seja, um tradicional drama francês que envolve muita polêmica e discussão, e que feito de maneira precisa envolve demais todos os espectadores.

O longa nos mostra que durante o fim da Segunda Guerra Mundial, na Polônia, a enfermeira francesa Mathilde descobre que as freiras moradoras de um convento vizinho foram estupradas por soldados invasores. Muitas delas estão grávidas. Apesar da ordem de prestar socorro apenas aos franceses, Mathilde começa a tratar secretamente de todas as freiras e madres. Ela deve enfrentar os julgamentos das próprias pacientes, que se sentem culpadas por terem violado o voto de castidade, e se recusam a ter o corpo tocado por quem quer que seja, mesmo uma enfermeira.

A diretora Anne Fontaine("Coco Antes de Chanel","Gemma Bovery - A Vida Imita a Arte") tem um estilo próprio de conduzir seus filmes, deixando o público por horas sem uma referência de protagonismo, mas quando o foco dilui completamente para quem devemos olhar, aí o mundo acaba entrando nos eixos e tudo sai perfeitamente com a mais tênue passagem das imagens. Digo isso, pois inicialmente o foco ficava completamente em Mathilde na trama, e sua desenvoltura era algo bem dominado para com o público, mas bastou a diretora nos mostrar que Maria também teria muita coisa para dizer que o filme ganhou um adendo incrível em seu fechamento. E mais do que isso, a diretora soube dosar sua mão para o tema, pois facilmente poderia usar de ideologias feministas favoráveis à abortos, se preocupar completamente com alguma linha de pensamento da Igreja, justificar os crimes de alguma forma, mas não ela optou por ser singela e relatar tudo com uma grande obra, deixando para que o público fizesse o papel das discussões, e assim sendo chegasse à suas próprias conclusões de certo ou errado dentro das personalidades e atos de cada protagonista. Ou seja, um filme que aparentemente poderia parecer simples, e alguns até julgarem ele chato pela temática, vão sair com a cabeça fervendo pensando em tudo o que é mostrado, e certamente irão julgar de forma diferente cada situação.

Sobre as atuações, o que posso falar é que o foco completo recai sobre as duas protagonistas, e até podemos parar alguns momentos para olhar para as demais freiras e suas situações, mas mesmo sendo ótimas em expressar sentimentos, dores e até uma certa "paz" com seus cantos/rezas, todas não incrementaram muita situação para discussões, e sendo assim vou optar em falar pouco sobre as principais. Lou de Laâge é uma mulher lindíssima que tem um carisma no olhar de impressionar qualquer um, e ela acabou nos entregando uma Mathilde tão cheia de qualidades, que mesmo no momento em que discute com Samuel suas opções partidárias contraditórias, ainda continuamos gostando dela, e ao trabalhar bem o seu semblante com nuances próprias e utilizando de movimentos bem singelos, a atriz acaba saindo perfeita, envolvente e emocionante, ou seja, um show de interpretação dado na medida certa. Agata Buzek trabalhou sua Irmã Maria como alguém disposto à ajudar, mas que precisava pensar mais no que estava fazendo, e mais do que fazer o papel, a atriz também colocando hesitação no seu jeito de atuar, e o que acabaria sendo um erro gigantesco em qualquer filme, acabou soando belo e interessante de se observar, até seu ótimo fechamento para encerrar com precisão. Agata Kulesza falou bem pouco com sua Madre Superior, mas foi extremamente importante para os momentos chaves e deu as perspectivas corretas no seu semblante para com cada momento do filme, claro que de um modo bem rígido, mas sempre demonstrando tudo o que se passava em sua mente. E para fechar, tenho de falar um pouco de Vincent Macaigne que deu ao seu Samuel uma personalidade até que bacana de ser vista, foi singelo quando precisou trabalhar mais suas piadas, mas agradou pela personificação do que é realmente as pessoas que trabalham para a Cruz Vermelha.

Sobre a cenografia, ainda irei pesquisar mais sobre onde o filme foi rodado, pois que lugar lindo arrumaram para fazer toda a locação, com um convento bem rústico no estilo tradicional que eram antigamente, e uma floresta magnífica que com muita neve ao desenhando a paisagem criou o clima completo para que a trama fosse fria e certeira, além das cenas dentro do hospital da Cruz Vermelha, aonde muitos soldados eram atendidos, ou seja, não tivemos elementos cênicos tão característicos para serem utilizados, mas a decoração de cada ambiente foi tão importante para a composição funcionar que é difícil não acreditar no conteúdo mostrado, e mesmo quem nunca tenha sequer lido ou visto qualquer filme sobre a época vai imergir dentro da proposta e irá sentir como se estivesse por ali na situação completa, ou seja, um trabalho de arte magnífico aliado à uma produção perfeita na escolha do ambiente para rodar a trama. A fotografia também ficou minuciosa, com muitas cenas iluminadas somente por lampiões, velas, faróis dos carros e fogueiras, dando muitas sombras para termos uma profundidade incrível na trama, e claro, neve que dá o branco perfeito para que um filme crie ares incríveis de ver, ou seja, tudo perfeito.

Enfim, um excelente filme que se tenho de criticar algo é a demora na concisão de alguns atos, e o exagero repetitivo em algumas cenas, claro que tudo funciona bem para mostrar como é a vida ali, mas poderiam economizar tempo de tela e mostrar mais coisas da guerra realmente, e volto a frisar no uso de bebês em cena, pois passar a verdade de um nascimento é algo complexo, mas que se feito de forma errada pode estragar um filme completamente, aqui tivemos muitos bebês em cena, e a maioria já com muita idade para parecer recém-nascido. Dito essas reclamações técnicas, posso dizer que nada disso atrapalha a maravilha que é assistir e poder debater mais sobre essa ótima produção, ou seja, recomendo com certeza o longa para todos que gostem de um bom drama com pitadas polêmicas para criar uma discussão. Fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, afinal ainda não acabei minha sina com o Festival Varilux, então abraços e até mais pessoal.

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Mais Forte Que o Mundo - A História de José Aldo

domingo, junho 19, 2016 |

No longa "Mais Forte Que o Mundo - A História de José Aldo", uma das frases mais marcantes é que você precisa aprender a cair para se levantar, e a maior falha do filme não foi em sua execução, afinal temos um dos melhores filmes nacionais já feitos, com boa dinâmica, excelente ação e muita garra na produção completa, mas acabaram pecando no erro da tradicional distribuição do filme. Digo isso pois o longa seria lançado em janeiro, numa época relativamente tranquila para o filme, com cronograma bem encaixado para que todo o país lhe assistisse, mas ficaram com medo da reputação do filme após o lutador ter perdido sua última luta. E se posso dizer algo, certamente o filme lhe daria um gás a mais na torcida para que levantasse a moral e se preparasse mais ainda para seu próximo embate. O filme em momento algum coloca a luta contra Conor McGregor em pauta, não estragaria nada na empolgante trama, mas a distribuidora optou por ir empurrando, até agora ir lançando em poucas salas e horários, de modo que muitos acabarão nem vendo o filme, o que é uma pena enorme, pois volto a afirmar ser algo tão impactante que não temos quase nenhum momento de respiro nessa grande trajetória de briga com monstros interiores na vida de um grande lutador. Portanto mais do que recomendo o filme, pois sempre brigamos que os longas nacionais são fracos e tudo mais, e quando saem grandes obras acaba que o público não vê, então vá para o cinema conferir que não será em vão.

A sinopse nos conta que nascido e criado em Manaus, José Aldo precisa lidar com a truculência do pai, Seu José, que além de se embebedar constantemente ainda por cima bate na esposa, Rocilene, com frequência. Enfrentando constantemente seus demônios internos, Aldo encontra na luta sua válvula de escape. Acreditando em seu futuro como lutador, ele aceita se mudar para o Rio de Janeiro e morar de favor no pequeno alojamento de uma academia. Lá ele recebe o apoio do amigo Marcos Loro e conhece Vivi, uma jovem que vai constantemente à academia. Precisando ralar um bocado para se manter, Aldo enfim consegue um voto de confiança do treinador Dedé Pederneiras, iniciando assim sua carreira no mundo do MMA.

Sinceramente não sei o que esperar do futuro da carreira de Afonso Poyart, pois com apenas três filmes, dois nacionais("Dois Coelho" e agora esse) e um americano("Presságios de Um Crime"), já podemos considerá-lo como um dos grandes nomes da direção brasileira, pois cria uma dinâmica tão visceral, com planos que raramente ficam parados nos enquadramentos, que um filme de quase duas horas passa num piscar de olhos. E agora ao criar essa maravilhosa biografia de um dos grandes nomes do MMA brasileiro, o diretor usou de suas excelentes técnicas de slow-motion com a câmera Phantom para dar um realce nas cenas de luta e nos momentos mais fortes da vida do lutador. Claro que em determinados momentos, o exagero na luta interior do lutador com seu passado, acabaram deixando a impressão quase de Aldo ser atormentado psicologicamente, mas com a perspectiva da narrativa andando e fluindo bem como foi o caso, saímos da sessão super empolgados com tudo e desejando cada vez mais ver filmes desse estilo nas nossas telas, pois volto a frisar o quanto o Brasil possui boas histórias para serem contadas, e assim sendo não precisaríamos de novelas, longas novelescos e muito menos comédias arrastadas que tanto perduram em nosso cinema nacional, mas aí é gosto de cada público. E se posso dizer mais algo sem lotar de spoilers é o fato do filme funcionar tanto como base real quanto uma boa história de ficção envolvendo superação profissional e pessoal, afinal como o lutador disse em entrevista 70% do que aparece na telona realmente aconteceu, o restante é ficção para ficar mais bonito e interessante de ver. E mesmo essa ficção colocada, claro que aliada ao tradicional lema das artes marciais, a trama acaba dando boas lições para a vida e o resultado junto de um bom filme de ação é mais do que positivo.

É interessante ver que o diretor, junto com a preparadora de elenco Fátima Toledo conseguiram captar a essência do esporte e dar personalidades incríveis para cada personagem da trama, pois sequer um dia pensei que diria que um dos humoristas mais arrogantes da televisão atuaria bem em um filme, ou que um "galã" de novelas viraria um lutador nato na tela com direito a cicatriz e tudo mais. E sendo assim o resultado positivo da interpretação do elenco só incrementou o sucesso que é o filme. Para começar temos um José Loreto que entrou determinado na personificação de José Aldo, treinou muito para conseguir fazer grandes golpes de luta, se "enfeiou" para  ficar mais próximo das características do lutador e principalmente mostrou o motivo de ser considerado um dos grandes nomes dos jovens atores nacionais ao colocar personalidade e responsabilidade nos momentos mais fortes de expressões que não exigiam força, mas sim jeito de impactar nos diálogos, e com muita destreza, ele acertou em cheio todos os momentos. Jackson Antunes também mostrou o quanto sabe ser expressivo, ao trabalhar Seu José com nuances duras, mas extremamente simbólicas para cada momento da trama, o que agrada demais de ser visto. Claudia Ohana fez uma mãe tradicional, mas muito bem emblemática para as cenas fortes com sua Rocilene. Milhem Cortaz é incrível em qualquer papel que lhe seja entregue, e fazendo o treinador Dedé Pederneiras saiu-se como um verdadeiro segundo pai para o jovem, lhe dando as broncas certas, e sendo explosivo na medida do possível para soar verdadeiro. Cleo Pires mostrou que é boa nas lutas também, dando bons golpes com sua Vivi, e principalmente mostrou que cada dia mais sua personalidade forte e trejeitos herdados da família vão lhe levar para muito longe, pois se antigamente o pessoal a criticava por ser de família da TV e não ter carisma, hoje já param para reparar no que faz bem e aonde vai decolar. E claro que Rafinha Bastos não é, nem nunca será algo que possamos chamar de ator realmente, mas o que a preparadora de elenco fez com ele para cair bem na personalidade de Marcos Loro é algo para Fátima colocar como ponto altíssimo em seu currículo, pois o humorista agradou bem nas cenas, e como todos que o acompanham sabem bem que ele é um extremo aficionado por MMA, e nada melhor do que fazer um lutador em um filme para que sua felicidade fosse completa. Rômulo Arantes Neto caiu bem no estilo de Fernandinho e mais do que em suas cenas individuais, o jovem ator ficou perfeito como sendo o monstro interior do protagonista, motivo maior de sua loucura e a cada cena que os dois se confrontavam, mais nuances os atores mostravam ter em seus trejeitos, ou seja, tiveram uma química explosiva incrível entre eles, o que mostra o quanto ambos são bons atores. Dos demais, o grande destaque fica por conta de Aldo Bueno como o faxineiro Sabará, pois com boas tiradas, o ator encanta com sua simpatia e vivência na telona.

Como já disse antes, Poyart gosta de trabalhar muitas nuances criativas em câmera lenta, e isso acaba funcionando muito bem em todos os seus filmes para criar perspectivas e para que o público repare em determinado elemento cênico que o diretor deseja enfatizar, e aqui ele não só fez muitas cenas assim, como também trabalhou acelerações de movimento, e com toda certeza exigiu da equipe artística elementos precisos para que cada cena fosse bem representada, seja nas cenas que se passaram na cidade de origem do personagem ou nas dentro da academia, ou até mesmo na lanchonete em que o jovem trabalhou. Além disso, foram bem coerentes nas cenas na favela, para nem desgastar a imagem do morro, muito menos criar um ar pobre estereotipado. E claro que junto de 5 câmeras gravando as lutas no octógno a profundidade cênica chegou num nível incrível que a equipe de fotografia deu a tonalidade certa e combinou iluminações bem moldadas para criar sombras e vivências de momento para cada ato do filme.

Enfim, um excelente filme que merece ser visto sem dúvida alguma por todos, não só pela ótima história, mas bem como para dar bilheteria nesse estilo de filme mostrando que o público brasileiro gosta também de outros gêneros sem ser comédias bobas. Claro que o filme possui alguns defeitos, mas o diretor na edição conseguiu deixar o longa tão acelerado, que acabamos até esquecendo deles, e assim sendo o filme soa quase que perfeito. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até breve.


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Meu Rei (Mon Roi) (My King)

sábado, junho 18, 2016 |

Tem muita gente que tem medo de possessões demoníacas, mas a verdadeira possessão que qualquer um deve temer com toda certeza é a afetiva dentro das relações. Pode parecer algo que muitos vão discordar, mas mesmo aparecendo muitas feministas por aí dizendo que tudo mudou, é difícil quem não conheça uma amiga que já não tenha se dado muito mal ao cair nas mãos de um cafajeste possessivo, e que após muitas brigas, discussões, tentativas de se matar (em casos extremos), passa dois dias, duas semanas, dois meses ou dois anos, tromba com o infeliz, e lá está novamente se atracando com o "bonitão" canalha, e depois o restante fica sempre num ciclo vicioso ridículo de ver. Isso é algo que não é só no Brasil, e isso é um fato, pois já vimos longas americanos e até outros franceses antes de "Meu Rei" aparecer em Cannes no ano passado e causar diversas discussões sobre o tema. O filme de certo modo é bem duro e causa discussões sobre o que é válido em uma relação, até que ponto chega o amor fronte à traições, e até mesmo qual o nível de passividade que você tem em uma discussão, e tudo isso flui bem em 124 minutos, parecendo até mais alongado devido o estilo de quebra na edição, mostrando presente e passado sem muita determinação inicial, mas que depois vamos conectando tudo. É no mínimo um filme interessante, mas que só quem gosta muito de dramas textuais vai sair agradado com o que verá, pois alguns momentos causam tanta revolta que mesmo o mais machista possível é capaz de ficar inconformado com a situação completa da trama.

O longa nos mostra que depois de um grave ferimento no joelho, Tony se muda para o sudoeste francês para realizar um longo tratamento capaz de ajudá-la a caminhar normalmente. Mas esta não é a sua maior dor: ela ainda amarga um relacionamento infeliz com Georgio, homem violento e possessivo com quem tem um filho. Aos poucos Tony consegue se recompor e aprende a se defender.

A diretora Maïwenn possui um estilo diferenciado dentro dos dramas franceses, seja por atuar mais do que dirigir, sempre acaba pegando uma ideia de um diretor aqui, outra acolá e isso é notável em todas as suas produções. Claro que não usa apenas os filmes que trabalha de escola, pois quem assistiu "Polissia" e for assistir a esse longa verá que seu estilo é bem interessante e trabalhado em perspectivas mais cruas e presenciais, ou seja, ela acaba nos colocando quase como parentes ou amigos de seus protagonistas para que possamos opinar em cada momento do filme, colocar a mão na cabeça revoltado com algo, ou até mesmo somente guardar para si e filosofar depois em determinado momento sobre como a situação toda é cruel no seu modo completo. Ou seja, o ótimo roteiro de Etienne Comar adicionado ao estilo incisivo da diretora fez com que o filme até possa ser um pouco cansativo, afinal uma grande DR de 124 minutos como muitos descrevem o longa, pode ser dura de aguentar, mas o contexto completo do filme é algo muito bonito e bacana de ver.

Não só foi tão impactante a atuação de Emmanuelle Bercot como a fez ganhar o prêmio de melhor atriz em Cannes pela ótima forma que interpretou sua Tony, e se alguns reclamam da falta de visceralidade na interpretação de algumas atrizes, certamente não viram o trabalho que acabou fazendo no longa, pois a cada momento víamos suas veias saltadas na face, seu olhar desesperado e tudo mais que poderia eximir nos momentos mais duros da trama, mas também podemos enxergar muita paixão nos momentos mais leves, e essa ambiguidade incrível que acabou passando para a personagem não só mostra sua qualidade técnica perceptiva de atriz, como também mostrou o que acabou passando na sua direção de um filme do mesmo ano em Cannes, que vimos no Festival do ano passado: "De Cabeça Erguida", ou seja, perfeita. Vemos tantos filmes por ano com Vincent Cassel que quando aparece num filme francês realmente acabo ficando na dúvida se ele é nacional do país mesmo, e aqui a personificação de cafajeste que deu para seu Georgio é algo tão elaborado que não tem como gostar dele, e isso mostra o quanto é bom ator, pois segurar a onda em todas as cenas certamente foi algo que ele deve ter sentido ódio por dentro, mesmo sendo homem, pois a diretora lhe exigiu ao máximo, e ele retornou da melhor forma possível. Louis Garrel nos entrega um Solal diferenciado, mas de certo modo chato demais de acompanhar, é claro que como todo irmão a defesa para cima da irmã é algo genuíno de se ver, mas seu estilo ficou jogado demais para servir de base para algo, faltando um pouco de dinâmica para o ator agradar mais. O mesmo posso dizer de Chrystèle Saint Louis Augustin que apareceu pouquíssimo com sua Agnès, mesmo sendo citada em quase todo o filme. Agora se tenho de destacar algum coadjuvante, sem dúvida alguma tenho de pontuar para Giovanni Pucci, o garotinho de 3 anos que não sei como fizeram para ser tão sincero nas palavras, mas foi uma fofura em pessoa.

A trama foi também muito elaborada no conceito visual, pois passa por locações bem decoradas e cheias de elementos cênicos que acabam sendo usados durante todo o filme, e desde a clínica de reabilitação perfeita com moradia e tudo mais, aonde a protagonista encontra novos amigos, passando pelas festas do casal em jardins e clubes bem montados, até chegarmos nas duas casas do casal, as quais foram decoradas com minúcias diferenciadas para trabalhar cada momento do filme, mostraram que a equipe de arte não estava para brincadeira, e diferentemente do que costuma ocorrer em dramas franceses que usam mais o diálogo do que o ambiente para se desenvolver, aqui podemos dizer que a diretora não quis economizar com nada. E claro que junto de uma boa direção de arte, a direção de fotografia sempre vem pronta para não decepcionar, e com ótimas nuances de sombras, que deram tons mais pesados para os momentos de discussão, e incríveis tomadas completamente abertas e cheias de luz nos momentos felizes, eles nos colocaram completamente dentro de cada situação para que as nossas decisões influenciassem muito no que iríamos achar do filme, ou seja, um trabalho preciso e muito bem feito.

Enfim, é um filme que não é muito fácil de acompanhar, mas que agrada bastante quem gosta de um ótimo drama, e segura bem as pontas do começo ao fim. Claro que volto a frisar, se você não gosta de longas cheio de inflexões dramáticas fuja dele, mas se gosta de filmes que provoquem muita discussão, esse é o do momento. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até breve.

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La Vanité

sábado, junho 18, 2016 |

Chega a ser interessante pensar na ideia de jogar a toalha quando não se tem mais propósito de vida, e com isso pedir uma eutanásia assistida, e acredito que deva ser a última moda na Europa, pois já é o segundo filme que vejo sobre o assunto em menos de uma semana. O problema é que no filme "La Vanité", a opinião já está formada sobre o a assunto, é o que vemos é algo mais duro e de certo modo até que bem feito, pois apenas tentam fazer a mudança de opinião de maneira mais sem sentido e com uma ideologia mais crua do que afetiva, é o filme quase sem ritmo acaba não empolgando para nenhum dos lados. O que acaba sendo quase uma peça dialogada simples e sem muita empolgação para que tivéssemos qualquer torcida. Ou seja, um filme chato e cansativo que não nos motiva a apoiar nenhum dos dois lados, e o fechamento apenas é encerrado sem nenhuma proposta adequada, com uma dinâmica tradicional e comum demais.

O longa nos mostra que David Miller decide dar fim a sua vida. Para isso, esse velho arquiteto doente, recorre a uma associação de suicídio assistido. Mas Espe, a atendente da clínica, não parece estar muito a par do procedimento, enquanto David Miller tenta de todo jeito convencer Tréplev, prostituto russo do quarto ao lado, a ser testemunha do seu último suspiro, como a lei exige na Suíça. Durante uma noite, os três vão descobrir que a afeição pelos outros e talvez o amor sejam os únicos sentimentos que realmente persistem.

É interessante ver que Lionel Baier até trabalhou bem sua esquete, que é baseada em fatos reais, mas não tentou ousar, nem propor algo que o público se questionasse, ficando uma trama bem morna e até usando de uma piada bem ruim para o tema, "sem vida", e isso seja no teatro ou no cinema acaba mais cansando do que funcionando. Claro que alguns podem até filosofar sobre a ideia, mas dificilmente encontrará alguma proposição para o real contexto do filme. Ou seja, mesmo trabalhando em uma cenografia só quase que todo o tempo, afinal só sai disso quando vai mostrar o passado do protagonista em preto e branco e numa cena meio maluca no meio do caminho, o diretor até que quis brincar com a fobia cênica completa da trama, mas poderia ter segurado mais com câmeras proximais que deixassem as expressões dos artistas quase como um filme em primeiro plano.

No quesito da atuação, podemos dizer que Patrick Lapp nos mostrou um David Miller interessante, pois trabalhou bem ao fazer seu estilo de pessoa terminal, sendo claro quanto aos motivos de seu desejo de dar fim a tudo, mas chegou a ser forçado a dramatização que fez da doença, ficando em alguns momentos falso demais, porém no contexto geral agrada. Carmen Maura tentou fazer de sua Esperanza o alivio emocional da trama, dando um frescor para o tema e até trabalhando expressões sofridas para que David desistisse da ideia, mas não dá expectativa com a calma que age, nem é imponente no seu momento mais forte que é a dramatização de sua carta, ou seja, faltou o impacto final para agradar realmente. Ivan Georgiev fez bem o seu papel de Treplev, emocionando nos momentos certos, trabalhou com dinâmica nos pontos chaves e foi bem singelo quando foi preciso, porém não sei até que ponto a ideia da prostituição era necessária para a trama, mas como o longa é baseado em algo real, vai ver foi assim realmente e optaram por não mudar.

A proposta cênica não chega a ser chamativa, pois embora os quadros do motel possam até trabalhar como figuras metafóricas, inclusive vindo o título do longa proveniente de um deles, a trama poderia se desenrolar em qualquer lugar que o impacto seria o mesmo, mas de modo geral foram corretos com a cenografia e simbolicamente tudo ficou agradável de se ver, sem termos nenhum deslize que desconectasse a proposta do longa e sendo assim, a equipe de arte entregou um bom resultado sólido e efetivo. A fotografia não ousou muito, com câmeras mais estáticas e um tom fúnebre do começo ao fim, típico de filmes do gênero, e assim sem ousar em nada, quase dormimos com o que é mostrado.

Enfim, um filme chato, de um tema que precisam realmente desenvolver algo mais caprichado, pois um romance que não foca muito no que é essa coisa maluca que alguns defendem, outros são extremamente contra que é a eutanásia, e outro que fica rodando quase sem sair do lugar sobre quase nada, ainda demonstra o medo que os diretores tem de abordar de uma forma clara e precisa sobre o assunto, mas quem sabe em breve vejamos algo realmente bom e bem trabalhado (antes que venham me recomendar um monte de documentários, prefiro algo mais sutil e ficcional do que a realidade crua mesmo, pois não acho bonito alguém querer se matar). Ou seja, não recomendo o filme para ninguém. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas conferi mais um longa nessa noite, então volto em breve com mais um texto do Festival Varilux de Cinema Francês, então abraços e até daqui a pouco.

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A Corte (L’hermine)

sexta-feira, junho 17, 2016 |

Costumo classificar filmes de tribunal como um gênero a parte, pois costumam ter vértices diferenciados de suspenses, dramas ou qualquer outro, usando um pouco de cada, de acordo com o gosto do diretor. Porém, nunca tinha pensado na possibilidade de um mini-romance acontecer num filme com essa temática, ainda mais focando completamente nesse cenário de um tribunal, mas sempre existem as primeiras vezes, e hoje foi um desses dias, pois "A Corte" acabou focando tanto na relação extra profissional dos protagonistas, ou como agiam com seus réus/pacientes, causando diferentes sentimentos, e porque não dizer paixões, que a trama do julgamento de uma criança de sete meses morta acabou ficando em segundo plano, mesmo com os ótimos depoimentos que poderiam levar tranquilamente o julgamento como um ótimo tema. Não digo que foi algo errado, mas a trama acabou invertida de tal modo que um julgamento cansativo de três dias na história, e de quase 2 horas de duração, acabou sendo inútil, e independente de qualquer coisa que acontecesse ali, a importância ficou somente nas duas cenas de um bar e no olhar final, ou seja, muito tempo perdido de filme que poderia ser facilmente resolvido como um curta-metragem bem bonito e interessante de se assistir.

A história tenta nos mostrar que Michel Racine é um temido juiz, presidente de tribunal. Tão rigoroso consigo mesmo quanto com os outros. É conhecido como “o Presidente com dois dígitos”, nome que lhe foi atribuído por suas sentenças serem sempre superiores a dez anos. Tudo muda no dia em que Racine encontra Ditte Lorensen-Coteret. Ela faz parte do júri popular que deverá julgar um homem acusado de homicídio. Há anos atrás, Racine amava essa mulher. Quase em segredo. Talvez, Ditte, tenha sido a única mulher que ele já amou.

A direção e o roteiro de Christian Vincent não pode ser descrita como algo ruim, mas sim como uma falta de adequação para com o tema que desejava seguir, pois não temos um filme ruim, apenas somos surpreendidos com algo tão fora do que o longa seguia que ficamos inconformados com o fim, pois até poderia haver o romance dos protagonistas, sua forte conexão com o passado e tudo mais, porém não tivesse um julgamento tão duro por trás, ou então invertesse tudo deixando o romance rolando de modo simples, mas o foco ficasse mais no julgamento, o que seria perfeito também, mas a bagunça ficou forte e acabamos mais frustrados do que envolvidos com tudo o que acabou acontecendo, e nem os belíssimos desenhos que nos remetem realmente a uma grande peça de teatro que é um júri, acabaram servindo pra muita coisa no filme. Ou seja, temos tantos elementos bacanas de serem trabalhados dentro do filme, e o que o diretor usa? Um romance fraco e sem muita continuidade para com todo o restante. Ainda estou inconformado do Festival de Veneza dar o prêmio de melhor roteiro para esse filme, pois a ideia até é boa, mas foi usada de modo tão superficial, que não vemos em momento algum o trabalho que a direção sequer quis usar com ele.

As atuações foram bem feitas, Fabrice Luchini está incrível com seu Michel Racine, tanto que acabou levando o prêmio de melhor ator em Veneza pelo filme, mas esperava mais de seu comportamento como foi descrito pelos demais da sessão do júri, que acabaria dando um tom mais impactante. Sidse Babett Knudsen também agrada nos momentos chaves com sua Ditte, inclusive ganhou o César de Melhor Atriz Coadjuvante, mas é quase um elemento surpresa na trama, pois de cara pensamos que o filme iria tomar um rumo, mas ao virar para seu lado acabamos tendo uma outra perspectiva, sendo sua grande cena mesmo a do carro indo para o hospital, e o fechamento do longa ao usar o figurino correto para o momento. Mas devemos a grande solução do filme para Eva Lallier que detonou na resolução completa da trama com apenas 2 cenas de sua Ann, mostrando-se assim uma excelente detetive explicativa de como funcionam as coisas, claro que isso fez parte do seu roteiro, mas a forma expressiva da garota resumiu toda a ideologia completa da trama. Iria falar um pouco mais sobre os atores do tribunal, mas nenhum tem importância para o rumo que a trama foi, então é melhor que quem for assistir após ler meu texto, foque somente nesses atores, pois a chance de decepção é menor, mas sem dúvida alguma as expressões de Victor Pontecorvo como Martial Beclin foram bem interessantes para alguém que estava sendo julgado.

Sobre o visual do filme, tivemos uma escolha bacana de um tribunal diferenciado do usual, que costuma causar mais tensão nos filmes, mas souberam ser singelos no que desejavam mostrar ali e de certo modo até acertaram em não enfeitar em demasia tudo, pois como já frisei muito acima, o que ocorre no julgamento em si não é importante. As cenas fora do tribunal foram mais importantes e por isso acabaram sendo mais produzidas, mostrando o estilo de cada personagem, e até mesmo uma boa noção do estilo como a protagonista respeita e atende seus pacientes no hospital, ou seja, funcionou como algo mais explicativo a parte cênica do que realmente o textual em si. Claro que os desenhos feitos durante o julgamento foram lindos de se ver, e até mostram bem como a artista ali capturou bem a essência completa do palco cênico de um julgamento, mas tirando o mote reflexivo, só foi um gasto a mais na produção, pois não funcionou para nada. Sobre a fotografia, não ousaram em nada, fazendo bem o básico de planos e contraplanos, todos bem iluminados sem sombreamentos para dar qualquer textura ou nuance, mostrando que a essência do filme ficaria por conta dos momentos e não de algo a ser mostrado realmente na tela.

Enfim, um filme que possivelmente poderia ser perfeito e envolvente, mas que acabou sendo bem mediano, ou seja, não recomendo ele mesmo com os bons momentos passados, que acabaram floreados demais no meio de algo que fugiu completamente da temática. Volto a frisar, a ideia foi excelente, mas mal desenvolvida. Bem é isso pessoal, volto daqui a pouco com mais um texto do Festival Varilux, então até breve.


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Lolo, O Filho de Minha Namorada

sexta-feira, junho 17, 2016 |

É interessante ver que nem só de comédias bem pensadas vivem os atores franceses, e não digo isso por mal, mas sim para dizer quando algum amigo mais cult falar que só americanos e brasileiros apelam em comédias, posso usar "Lolo, O Filho de Minha Namorada" como referência para mostrar uma francesa que até diverte, mas usa apelo generalizado ao somar psicopatia/sociopatia com Complexo de Édipo e colocar um jovem adulto arruinando com a vida de todos os namorados de sua mãe para que ela seja somente sua. O filme é bem moldado, tem boa vivacidade, mas a protagonista, roteirista e diretora Julie Delpy acabou forçando a barra nas cenas cômicas, de tal modo que começamos rindo de tudo, daí as risadas vão diminuindo, e ao final já temos mais raiva do que o jovem faz do que achamos engraçado, e isso é um sinal de que se tivesse trabalhado de forma mais leve, o longa ainda seria divertido, mas menos apelativo.

A sinopse do longa nos conta que de férias no sul da França, Violette, sofisticada parisiense quarentona que trabalha no mundo da moda, encontra Jean-René, um modesto técnico de informática recém-divorciado. Após anos de solidão, Violette deixa-se seduzir. René junta-se a ela em Paris, tentando se adaptar ao ambiente parisiense no qual ela vive. Mas não conta com a presença de Lolo, filhinho querido de Violette, disposto a tudo para destruir o casal e conservar seu lugar de favorito.

Até poderia não culpar exclusivamente Julie Delpy, mas depois de tantos filmes nos EUA, a atriz acostumou com o estilo e por trabalhar com comédias mais reflexivas por lá, achou interessante também dirigir esse estilo, mas acabou perdendo a mão no meio do caminho, pois originalmente seu filme começa muito bem, vai tomando um formato interessante, mas destoa demais nas repetições. Claro que se estivéssemos assistindo à uma comédia forçada tradicional, iríamos estar preparados para isso, e quiçá até falaríamos mais pontos positivos da trama do que negativos, mas estamos mal-acostumados com as comédias francesas aonde o singelo nos faz rir, e não uma apelação. Ou seja, é um filme divertido? Sim, mas a diretora forçou um pouco a barra para que seu filme acabasse mais trabalhado na comicidade e menos envolvente em sutilezas como acabaria agradando mais. Além disso, a falta da originalidade em planos acaba sendo uma marca clara no seu estilo, visto que já até disse isso uma outra vez aqui, quando o diretor resolve atacar em todas as posições, o resultado não costuma agradar, pois não está dirigindo uma outra pessoa, mas sim ela mesma, e acaba viciando no que desejava ver, e não sai nem metade do que poderia fazer por ela.

Continuando o que falei sobre fazer todas as tarefas, no quesito interpretativo sabemos que Julie Delpy sempre mandou bem nos papeis que interpretou, mas sua Violette é mais maluca do que qualquer mulher incontrolada já pensou em ser, tendo diversas paranoias, claro que muito se deve ao filho, mas a personalidade cairia muito melhor em uma atriz de comédia mesmo, não ela que é voltada mais para o lado romantizado da coisa, então até trabalha bem os trejeitos desesperados, mas falta convencer o público disso. Dany Boon até trabalhou bem seu Jean-René, e colocou todo um estilo interiorano na personalidade fazendo com que as piadas em cima dele funcionassem, porém em alguns momentos soou mais como alguém jovem do que para um divorciado quarentão, e isso acaba sendo uma falha grave que desconectou o estilo dele para com o filme. Vincent Lacoste fez o filme com uma interpretação tão forte de seu Lolo, de tal modo que mesmo sendo ridículo em algumas atitudes, acabamos torcendo para ele com suas maldades, e se fosse um filme americano certamente os roteiristas já estariam preparando um segundo filme baseando-se nele novamente, pois o jovem acabou saindo melhor do que a encomenda, com olhares precisos e planos maquiavélicos perfeitos. Os demais personagens funcionaram mais como ligação, pois até agora não entendi a importância da amiga aparecendo em momentos espalhados, e muito menos a de Lulu, pois o filme desenvolveria tranquilamente sem as cenas apelativas com os demais personagens fora do trio principal.

Sobre o contexto visual da trama, sabemos bem que todo filme aonde temos "pegadinhas" com alguém, a equipe de arte sofre para arrumar muitos elementos que acabem soando engraçados, mas aqui a equipe foi bem econômica, usando de pó de coceira, remédios e um simples programa de computador, ou seja, faltou usarem mais da criatividade para que as sacanagens feitas pelo jovem pegassem mais pesado para cima do namorado da mãe, mas ao menos tivemos boas locações escolhidas para dar um ar mais cool já que a protagonista é uma diretora de moda. A fotografia da trama também não ousou muito, trabalhando um ou outro filtro nas festas, mas nada que saísse do tradicional de comédias, ou seja, simples e objetivo.

Enfim, é um filme razoável, que até diverte, mas muito longe de ser uma obra inovadora no meio, talvez Delpy precise de mais alguns filmes junto de Linklater com quem trabalhou por muitos anos para ousar na forma mais romanceada com pitadas cômicas mais sutis. Não digo que não recomendaria o filme, mas garanto que nesse estilo já vi outras comédias melhores, então se quiser rir ao menos a proposta cumpre com a ideologia de uma comédia, mesmo que apele para isso. Bem é isso pessoal pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda faltam muitas estreias, e filmes do Festival Varilux para conferir, então abraços e até breve.

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As Tartarugas Ninja - Fora Das Sombras em Imax 3D (Teenage Mutant Ninja Turtles: Out of the Shadows)

quinta-feira, junho 16, 2016 |

Nunca fiz uma avaliação da idade média dos meus leitores, mas acredito que a maioria assistiu ao menos um episódio dos desenho das Tartarugas Ninja que passavam nos anos 90 na Globo e depois nos anos 2000 na Record, e se a maioria não empolgou com o pouco mostrado no filme de 2014, agora com "As Tartarugas Ninja - Fora das Sombras" certamente irão curtir cada momento de aparição de novos personagens que vão diretamente bagunçar a memória afetiva da infância para lembrar como era bom conferir aquele desenho, pois agora vocês verão Bebop, Rocksteady, Krang, Tecnódromo, entre muitas outras coisas empolgantes que tinham no desenho e não nos foram mostradas na versão cinematográfica original. Mas só colocar esses diversos elementos significa que o novo filme funciona? Diria que diverte na medida, mas abusa da nossa boa-vontade em explicações óbvias provenientes dos personagens, mesmo na primeira aparição de cada coisa, ou nosso querido Donatello possui algum tipo de vidência ou cortaram coisas demais, pois ele já pega e fala o nome de cada coisa e o que o vilão deseja fazer com minúcias, ou seja, poderiam ter amenizado isso, mas nada que atrapalhe demais a diversão que o longa propõe.

O longa nos mostra que auxiliado pelo Dr. Baxter Stockman, o Clã do Pé planeja libertar o vilão Destruidor exatamente quando ele é transferido para a prisão. Após o plano de resgate ser descoberto por April O'Neal, as tartarugas ninja entram em ação para impedi-lo - só que fracassam graças à iniciativa de Krang, um ser alienígena que planeja invadir a Terra. Para enfrentá-los, as tartarugas contam com a ajuda de um novo combatente: Casey Jones, um policial que estava no camburão que conduzia o Destruidor quando conseguiu escapar.

Mesmo mantendo o produtor Michael Bay, e os roteiristas Josh Appelbaum e André Nemec, é notável a diferença entre a direção de Dave Green e Jonathan Liebesman, que fez o primeiro filme, pois se Liebesman trabalhou mais a história, criou uma tensão e usou os recursos digitais para divertir, aqui Green já descartou qualquer tentativa de criar uma história coesa (que talvez até os roteiristas tenham criado), e usou todo o dinheiro que Bay pudesse lhe dar para colocar efeito em tudo o que pudesse aparecer na tela, de modo que se o filme teve uns 5 minutos no total de cenas estáticas com alguma prerrogativa foi muito. Não digo que isso é ruim, pois quando vamos assistir a um longa de ação, o que desejamos ver é muita ação, mas como disse no parágrafo inicial, chega a ser apelativo em diversos momentos a falta de explicação para a continuidade da história, e parece bobagem, mas ninguém descobre os planos de um vilão que sequer conhece, e sabe o nome de sua nave do nada, e esse é apenas um dos vários furos de roteiro que a trama nos apresenta. Claro que isso é uma chatice que poucos vão ficar prestando atenção, afinal a ação predomina no estilo de direção de Green, mas poderiam ter trabalhado um pouco mais na história, que junto dos personagens que tanto desejávamos ver na telona resultaria em um filme épico.

Tudo bem que o Demolidor nesse filme não foi tão expressivo e importante como no primeiro longa, mas trocar ator é algo que não funciona muito bem, e se nós brasileiros somos preconceituosos de falar que japonês é tudo igual, aqui o cinema nos dá uma forcinha deixando a troca evidente, pois sai Tohoru Masamune e entra Brian Tee, que até mostrou um bom serviço, fazendo trejeitos fortes nas suas principais cenas e foi condizente com a maldade do personagem na maioria das cenas. Sobre os atores que interpretaram as tartarugas não posso falar muito de expressividade, afinal a computação dominou, mas como usaram muito da captura de movimento, o que posso dizer é que estão chegando num nível de perfeição exemplar para mostrar o envolvimento de cada personagem para com o modo de ser de cada tartaruga, mas vale destacar sempre as boas sacadas interpretativas de Noel Fisher para com seu Michelangelo e a desenvoltura tecnológica colocada para Jeremy Howard brincar ao máximo com seu Donatello, claro que o ator sem dúvida alguma sofreu para imaginar tudo o que acontecia em cena, pois 90% do que mexia não existia realmente, ou seja, temos de tirar muito o chapéu para esses atores que apenas imaginam o que os diretores lhe falam e depois se vê na tela fazendo algo tão bem trabalhado e bacana de conferir. Graças aos deuses do cinema, Will Arnett ficou bem em segundo plano dessa vez com seu Vernon, e voltou como um paspalho total nas cenas em que aparece. Mas para suprir a substituição, dessa vez colocaram alguém mais dinâmico e cheio de técnica de combate para agradar, e entra em cena Stephen Amell com seu Casey Jones que de certo modo agrada no estilo e trabalhou com bastante desenvoltura para brigar com os vilões, o que agrada bastante. Gary Anthony Williams e Stephen Pharrelly deram muita personalidade e diversão para os seus Bebop e Rocksteady, funcionando bem tanto na cena com suas caras, quanto na computação gráfica nos momentos seguintes. E claro para finalizar temos de falar de Megan Fox, que certamente muita gente odeia por ser pouco expressiva em muitos filmes, mas April O'Neal é sua personificação definitivamente, e se no primeiro filme ela já tinha acertado nos trejeitos, aqui fez tudo com tranquilidade e agradou sendo sexy do seu jeito, então fique com as tartarugas e evite brincar com robôs.

Com muito mais computação gráfica que o primeiro filme, aqui é notável a quantidade de cenas irreais e as que foram realmente filmadas com os personagens nos locais, não que isso seja algo prioritário, mas não fizeram questão alguma de amenizar os elementos falsos. Claro que a computação é algo completamente necessário para se criar tartarugas mutantes, uma nave imensa que se monta como um quebra-cabeça, um rinoceronte e um javali imensos correndo pelo cenário, carros voando, um caminhão arremessando tampas de bueiro, navegação em pedaços numa correnteza brasileira, saltos em aviões e por aí vai, mas o trabalho da equipe de computação gráfica não saiu tão impactante como deveria e os defeitos na mistura com os cenários reais apenas filmados (Brasil inclusive, que a equipe apenas veio fazer tomadas, mas sem nenhum ator) ficaram desconexos em diversos momentos. Agora se existe algo que a computação pode ajudar e muito é na texturização do 3D convertido, pois muitas cenas acabaram tendo objetos voando pra todo lado e isso a maioria que paga mais caro gosta de ver, porém no conceito de profundidade de campo, pouquíssimas cenas funcionaram como deveriam. Sobre a fotografia, por ser um longa "nas sombras", a equipe usou bons filtros para dar um tom mais escuro e sombrio em diversos momentos, com destaque claro para o esconderijo das tartarugas, mas poderiam ter trabalhado mais nuances que agradaria também.

Enfim, é um filme que diverte pela boa ação proposta, mas que possui defeitos demais para relevar com um ar mais crítico. Portanto se você quer curtir melhor a trama, compre um grande combo de pipoca e evite reparar nos pequenos erros que existem em todas as cenas, pois aí a chance de diversão certamente será bem maior, e claro que mesmo reclamando tanto, ainda recomendo muito o filme por fazer com que eu voltasse à minha infância com a grande inserção de diversos personagens que marcaram época. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até breve.

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