Maligno (The Prodigy)

3/19/2019 01:58:00 AM |

Olha, já vi diversos tipos de longas de terror, usando psicopatas, assassinos em série, espíritos, casas assombradas, bruxas, mas que eu me lembre é a primeira vez que vejo algo de reencarnação maligna, ou talvez até tenha visto algo envolvendo espiritismo, mas nada voltado para o terror realmente, e isso já é um ponto bem positivo para "Maligno", ou "O Prodígio" como seria em tradução literal do nome original do filme, mas não sem dúvida esse não é o melhor ponto do longa, pois tivemos cenas bem tenebrosas para um garotinho fazer, e espero que com devida atenção nas gravações, limpem sua mente, para que ele passe bem após fazer esse filme, e que ele só veja o resultado final daqui muitos anos, pois "rapaizzzzzzzzzz ô mulequinho du malllll" ... precisei escrever isso dessa forma, pois é a única coisa que vinha no meu pensamento, mesmo sabendo que o jovem estava incorporado por no caso um assassino em série, que será melhor explicado no último ato, mas que já vemos na primeira cena um pouco sobre ele, ou seja, a coisa fica bem tensa, e certamente imagino que tenham cortado tanto do roteiro para não forçar o garoto, quanto do filme que foi pro ar realmente, muitas cenas, pois a trama tinha essência para isso, o garoto foi espetacular nos olhares e trejeitos, e principalmente, em diversos atos, mesmo sabendo o que ia acontecer, arrepia! Ou seja, um filme de terror de primeira linha, que contém alguns defeitos clássicos do gênero, mas que certamente se fizerem a continuação que ficou no ar, vai ser de arrepiar mais ainda!

O longa nos conta que preocupada com o repentino comportamento estranho e violento de seu filho Miles, Sarah inicia uma investigação por conta própria para entender o que está acontecendo. Mas o que ela descobre é que alguma espécie de força sobrenatural está agindo sobre ele, influenciando, cada vez mais, suas ações.

É interessante quando vemos um "novo" diretor de longas de terror, que já possui outros filmes interessantes que acabaram não surgindo nas telonas por aqui, e isso mostra que o mercado do gênero é um dos que mais recebe o preconceito das distribuidoras, mas não vamos entrar nessa briga que tanto irrita este que vos digita, e sim nos méritos de Nicholas McCarthy, que conseguiu dirigir com maestria uma trama interessante criada por Jeff Buhler (que se também não conhecíamos anteriormente, já iremos ficar com grandes olhos para o que fez na recriação do novo "Cemitério Maldito" que estreia em Maio após ver essa sua trama!), pois ele soube não apenas moldar uma história tecnicamente simples, com uma resolução digamos meio-óbvia, e contada praticamente sem entremeios para o público logo de cara (nem pedindo esforço nenhum para que pensássemos em algo), mas que principalmente não ficou com receios de entregar para o garotinho a responsabilidade cênica, pois muitos diretores apenas aproveitariam o jovem como determinante, mas deixaria que a tensão ficasse para as cenas com a "entidade", ou com outros elementos, mas não, ele põe o jovem Jackson para fazer carões, põe ele pra martelar o amiguinho, põe ele para picar, e tudo mais, ou seja, se amanhã ouvirmos que um jovem ficou transtornado por conta de um diretor, saberemos que esse cara foi maluco e ousado ao mesmo tempo, pois volto a frisar, as cenas são fortes para uma criança fazer, e ele faz com primor, que falarei mais abaixo. E dito isso, o único problema que o diretor sofreu em seu desenvolvimento, foi ser objetivo demais, pois o gênero terror, só de fazer arrepiar e causar já é satisfatório, mas quando nos envolve algum tipo de suspense sem entregar de cara, deixando as explicações completas para o final, faz com que a surpresa melhore, e isso não ocorreu aqui, mas ainda assim, ele foi sábio em fechar a trama de uma forma completamente inesperada, para claro, se der bilheteria, e algum produtor maluco desejar, vir com a continuação, e certamente estarei aguardando muito para que isso ocorra!

Nem precisaria falar nada dos demais personagens, e só falar que o garotinho que já foi assombrado em "It - A Coisa" como Georgie, sendo capturado pelo palhaço assassino, fez uns cursinhos lá no esgoto, e voltou mal, muito mal, maligno para fazer aqui seu Miles, que com uma destreza incrível, Jackson Robert Scott entregou personalidade, olhares, tensões faciais, e soube ser preciso em cada uma das cenas que foi colocado como responsável, seja nas calminhas e afetuosas como o garotinho mesmo, ou quando a outra personalidade assumia a forma e botava pra sangrar ou causar o que tivesse em sua frente, ou seja, fiquei fã do jovem, e espero vê-lo em outros filmes, pois mostrou serviço de primeira em tudo aqui. Taylor Schilling trabalhou bem sua Sarah, colocando pavor nas suas expressões (e quem não colocaria!!), criando bons momentos junto do garotinho, de modo que a atriz embora tenha errado em alguns momentos, principalmente nas cenas com os adultos, superasse muito bem quando em cena com o jovem, e a química tensa entre eles foi bem funcional, o que agrada muito no gênero. Talvez quem tenha mais falhado, principalmente por ficar em segundo plano, deixado de lado para talvez a continuação, foi Peter Mooney com seu John, pois nas cenas em que aparece, o ator fica sempre pacato demais, e quando teve sua cena mais tensa, esteve de lado, não mostrando muito, e falhando aos poucos, ou seja, poderia ter sido usado um pouco mais, afinal como é contado em diversos momentos, o personagem tinha um problema bem tenso para usarem, e isso valeria trabalhar na trama. Quanto aos demais personagens, vale apenas um rápido destaque para toda a tensão expressiva que Colm Feore entregou na sua cena mais forte de seu Arthur junto do garotinho, pois o veterano ator quase borrou as calças, e talvez pudessem ter trabalhado um pouco mais Paula Brodeau com sua Elaine Strasser, mas quem sabe na continuação. Quanto à Paul Fauteux, diria que ele como Scarka ficou secundário demais, mas conseguiu passar bem seus trejeitos para o garotinho, encaixando bem o timing entre eles.

No conceito cênico, a equipe de arte foi bem coerente, em dar objetos fortes para o garotinho usar, souberam trabalhar detalhes nos momentos corretos, como a lâmpada na cena com a babá, a tesoura sendo afiada, a chave inglesa, as facas, e tudo mais, não forçando a barra para elementos fora de um contexto que uma criança de 8 anos conseguisse dominar (o que vai causar um leve medinho nos pais de crianças!), mas principalmente a grande sacada foi trabalhar as casas, as escolas, e todas as locações por onde passam, juntamente criando a cenografia necessária para chamar a atenção, além claro das lentes incríveis nos olhos dos protagonistas, que deram algo a mais para os olhares do garotinho. A fotografia brincou bastante com o mais clichê tradicional dos longas de terror, deixando tudo quase sempre na penumbra total, usando e abusando de sombras, e claro, pegando o público desprevenido em alguns atos, ou seja, embora seja comum demais, ainda funciona.

Enfim, é um filme que para quem gosta do gênero vale muito a pena, funcionando dentro do que se propôs, e mesmo tendo diversas falhas na história, a entrega do como resolver rápida demais, entre outros detalhes, o resultado é um longa que arrepia, que causa temor pela violência de alguns atos, e principalmente, que mostra que crianças prodígio são perigosíssimas, então vale a atenção! Sendo assim, fica minha recomendação para o filme, pois foi um belo exemplar de como causar tensão. Bem é isso pessoal, fico por aqui encerrando a semana nos cinemas, mas devo voltar ainda com um texto do streaming, então abraços e até logo mais.

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A Cinco Passos de Você (Five Feet Apart)

3/18/2019 01:35:00 AM |

Ultimamente temos visto uma grande gama de longas envolvendo doenças e romances proibidos, que funcionam muito bem na telona, enche as bilheterias, e claro, lava as salas dos cinemas com o tanto que o povo acaba chorando se emocionando com o que acaba acontecendo, e hoje novamente na sessão que fui, vi algumas que até soluçavam de tanto chorar com os acontecimentos de "A Cinco Passos de Você"! Diria que o filme é bem emocionante mesmo, possui uma pegada forte em cima do arco proibitivo dos personagens não poderem se tocar pela doença de um ser pior para o outro, e que com boas dinâmicas acaba comovendo pela essência, pelas boas atuações, e até mesmo pela simplicidade das atitudes do roteiro que conseguem transparecer cada ato como um momento a mais na vida dos personagens, ou seja, um filme feito para o que os fãs do estilo desejavam ver, que por consequência nas pré-estreias já lotou as salas de jovens se apaixonando por cada momento, conversando com os personagens para não fazer tais atitudes, e que ao final conseguiram ver tudo o que esperavam (ou não!).

A sinopse nos conta que Stella Grant tem quase dezessete anos de idade, vive conectada ao seu laptop e ama seus melhores amigos. Mas ao contrário da maioria das adolescentes, ela passa grande parte do seu tempo vivendo em um hospital como paciente com fibrose cística. Sua vida é cheia de rotinas, limites e autocontrole - tudo isso é testado quando ela encontra um paciente incrivelmente charmoso chamado Will Newman. Há um flerte instantâneo, embora as restrições determinem que eles devem manter uma distância segura. À medida que a conexão se intensifica, aumenta a tentação de jogar as regras pela janela e abraçar essa atração. Para complicar ainda mais, Will desenvolve uma rebelião potencialmente perigosa contra seu tratamento médico. Stella gradualmente inspira Will a viver a vida ao máximo, mas ela poderá salvar a pessoa que ama mesmo quando um único toque ultrapassa os limites?

Em seu primeiro longa, Justin Baldoni foi coerente em trabalhar a trama de uma maneira linear, mas cheia de vértices encaixados para dar o tom de memórias, usando artifícios de cada um contar um pouco de sua vida, dos vídeos do canal da garota, e claro brincando de maneira séria com o fator doença, que é algo complexo de se estruturar, principalmente em um romance, mas ele soube pegar o ótimo roteiro criado em cima do livro homônimo de Rachael Lippincott, capturando as essências dos personagens, e criando claro o fator envolvimento/proibição, que sempre causa muita emoção no público. Ou seja, ele usou sim da cartilha tradicional, trabalhando até alguns momentos bem clichês, mas soube principalmente não ser abusivo no fazer acreditar, e no ter piedade, pois quando passamos a tratar algum personagem como coitadinho, acabamos não nos conectando com ele, como ocorre em alguns longas, mas sim com muita beleza envolvida para encontrar os atos, e fazer com que tudo funcionasse bem dentro da produção, indo num ritmo cadenciado gostoso, e com isso envolvendo o público para cada momento chave da trama. Sendo assim, podemos apostar que veremos em breve seu nome em outros longas do gênero, pois o jovem acertou a mão em cheio, fazendo um filme gostoso de curtir do começo ao fim.

Em todos os papeis que vi Haley Lu Richardson, sempre esteve como coadjuvante quase figurante, e agora em seu primeiro grande protagonismo, a garota entregou personalidade, carisma, e principalmente ótimos olhares para sua Stella, de modo que vai nos conquistando com atos simples de seu compulsivo transtorno por organização (não só seu, mas de todos ao seu redor!), e que já mais para frente acaba arrebatando todos com tudo o que acaba encaixando, dando um ótimo desfecho para a trama. Cole Sprouse para esse que vos digita que não assiste séries, era um completo desconhecido, mas descobri que ele participou de duas grandes séries e tem fãs a rodo, tanto que muitas foram conferir o longa só por ele, mas diria que o jovem entregou um Will ao mesmo tempo rebelde de causas, mas que com bons gracejos consegue ir se entregando tanto para a protagonista, quanto para o público, agradando nos atos, tendo fortes momentos, e sabiamente encaixando personalidade para seu papel, o que mostrou uma segurança bem trabalhada para agradar no estilo que lhe foi pedido. Outro que foi de uma grandeza cênica bem trabalhada foi Moises Arias com seu Poe, que trabalhou de forma tão poética com ambos os protagonistas, encaixando o momento certo para cada ensejo, que nas suas cenas mais fortes acabamos realmente ficando tristes com ele, além claro de dar ótimas sacadas para todos os momentos em que apareceu, fazendo claro, o papel de amigo para todas as horas, mesmo tendo de seguir as regras, ou seja, deu show. Além desses, temos de pontuar com toda certeza, os ótimos momentos de Kimberly Hebert Gregory com sua Barb, sendo dura com os adolescentes rebeldes, mas também muito graciosa em todos os momentos que necessitava dar um ar a mais para a trama, sendo claro o motivo de rirmos das fugas dos jovens de suas imponentes broncas.

No conceito visual, o resultado foi singelo, porém bem efetivo, pois completamente ambientado dentro do hospital, e com algumas cenas (talvez as mais tensas!) do lado de fora, a equipe de arte conseguiu mostrar uma vivência bem comum em alguns hospitais aonde alguns pacientes praticamente moram por lá, e que com muita criatividade, conseguem ter alguns bons momentos dentro do seu tratamento complexo, e sendo assim, com bons elementos cênicos, muitos objetos bem colocados nos momentos certos, e sendo enxuto no que desejavam mostrar, o resultado agrada bastante.

Enfim, um filme gostoso demais de acompanhar, que vai fazer muita gente chorar nas sessões, seja em uma, em duas, ou no longa inteiro, algumas pessoas até soluçaram demais (não era pra tanto, mas vai!), e que acaba nos envolvendo pelo resultado em si, mesmo que para isso tenham forçado um pouco em alguns atos, ou seja, recomendo ele com certeza, e embora não tenha feito um parágrafo específico para a trilha sonora, a música "Don't Give Up On Me" com toda certeza irá virar um hit da maioria dos programas emotivos como realities, entre outros, podem apostar! Bem é isso pessoal, fico por aqui, mas ainda falta mais um longa para conferir nos cinemas nessa semana, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Operação Fronteira (Triple Frontier)

3/17/2019 05:21:00 PM |

Existem alguns filmes que praticamente assistimos já sabendo bem o que esperar deles, e filmes de assaltos planejados costumam ter um formato sempre bem casual: primeiro a organização parece meticulosa, com alguns na dúvida de se participam ou não, até que de praxe todos estão juntos para fazer acontecer, depois tudo parece tão fácil que até uma criança de 10 anos conseguiria pegar todo o dinheiro de um grande traficante, aí temos claro a fuga aonde tudo dá errado, e a confusão começa, e ao final sempre acabam com alguns fazendo o bem para alguém, e alguém dando uma sacada de como ficarem felizes com o resultado final. Pois bem, quem for conferir o longa da Netflix "Operação Fronteira" pode esperar exatamente tudo isso, nessa mesma ordem, pois o diretor não quis ousar muito, e quando assumiu o projeto no lugar de Kathryn Bigelow, que estava fazendo o longa para os cinemas, e depois desistiu ficando apenas como produtora do filme, e sendo assim, a trama tem até uma boa desenvoltura, mas aparenta sempre ir para um lado mais comum, ao invés de termos algo com mais personalidade, e embora seja um filme bacana de curtir pelas boas cenas de guerra no meio dos Andes, mostrando que a América Latina dominada pelos diversos cartéis não deixa que ninguém saia vivo fugindo com sua grana, o resultado final acaba bem sem dinâmica para empolgar como poderia.

O longa nos conta que Tom Davis, Santiago Garcia, Francisco Morales, William Miller e Ben Miller são cinco ex-soldados das Forças Especiais dos Estados Unidos que decidem se reunir para executar um plano arriscado: roubar um poderoso senhor do crime na fronteira que separa o Brasil da Argentina e do Paraguai. No entanto, quando o esquema dá errado, os antigos companheiros de batalha se verão forçados a embarcar em uma épica luta por suas vidas.

O diretor J.C. Chandor soube trabalhar com o roteiro para que não ficasse somente preso no miolo da floresta, mostrando que para um longa singelo virar algo maior é bem fácil. Digo isso dele, pois esse foi ao mesmo tempo a grande sacada de um filme de roubo num lugar remoto, mostrando que os grandes terroristas não estão tão preparados para serem assaltados (ao menos passaram isso), mas que também fugir deles é algo que também não será fácil, e ao desenvolver demais a fuga, com situações bizarramente malucas, ele foi deixando seu filme incoerente demais. Claro, que estamos falando de uma ficção, mas mesmo nas mais loucas histórias, precisamos ser coerentes, e quando estamos falando de um assalto à líderes de cartéis, com uma fuga gigantesca passando pelos Andes até chegar ao oceano, precisamos mostrar que não só falando espanhol para negociar as coisas que vai ser tudo moleza. Ou seja, o diretor foi coerente nas situações que lhe pediram para filmar, mas o roteiro poderia ter sido menos floreado para algo mais cheio de guerras mesmo, e menos road-movie florestal com tiros. Sendo assim, o problema prefiro optar em dizer que foi terem aumentado demais a história, e o diretor ter ainda magistrado algo maior que saísse do comum.

Agora algo que não podem reclamar de forma alguma foi a escolha do elenco, e sua disponibilidade para falarem muito em espanhol, trabalharem o espírito de guerreiros, e principalmente andarem muito nas filmagens, pois nesse contexto todos deram seu sangue e suor, para que o longa ficasse coerente. Oscar Isaac deu um tom bem normal para os policiais que acabam trabalhando inicialmente de forma legalizada, mas que acabam surtando com o pouco que ganham, e partem para o ilegal para dar um jeitinho, de modo que seu Santiago é impactante, consegue trabalhar bons momentos, e sabiamente encaixa os olhares numa ótima confidencialidade com seus antigos, e agora atuais parceiros. Ben Affleck se mostra o capitão da ação com seu Tom, e com muito desespero pelo atual momento que vive, o personagem foi conduzido pelo ator com muito eixo forçado, mostrando força e instinto para as cenas mais fortes, mas certamente poderia ainda ter sido mais lapidado em alguns atos para chamar melhor a atenção. Charlie Hunnam fez seu tradicional personagem de olhares vazios, mas criando algo forte para sentirmos tanto a pressão para com os amigos, quanto para com seu irmão aqui, vivido por Garrett Hedlund, mostrando que tanto William, quanto Ben são dois que querem viver o momento, e ir atrás de aventura, independente de como a loucura pode ser feita na trama, e ambos agradaram bastante. Pedro Pascal deu o tom mais latino para a produção, e fazendo o piloto Morales, conseguiu encontrar dinâmica nas suas poucas cenas, mas sempre chamando o ato para si. Quanto aos demais, diria que todos foram figurantes, tirando Adria Arjona com sua Yovanna que teve alguns momentos de luxo e um pouco mais de diálogo, mas nada que impressione, apenas fazendo olhares mais cadenciados.

O visual do longa foi bem denso no meio da floresta, na mansão do traficante com uma ótima sacada para o termo usado como a casa ser um cofre, boas cenas de ação no meio das favelas com traficantes, algumas boas cenas no meio do frio andino e nas montanhas, e claro boas sacadas nas cenas da praia, mostrando que os adolescentes fazem o papel de policiais do tráfico, de modo que cada ato vai acontecendo bem, tendo bons elementos cenográficos para funcionar, e o resultado até chama bem a atenção. Com uma fotografia bem esverdeada, o resultado visual não chega a criar tanta densidade, e mesmo nas cenas mais cinzas dos Andes, toda a tensão acontece morna, de modo que diria que necessitavam ter colocado mais momentos com tiros e sangues para que o filme ficasse mais forte e interessante.

Enfim, não é um longa de todo ruim, mas que merecia ter sido melhor trabalhado para chamar mais a atenção, e talvez com uma direção mais dura em cima das cenas, e não floreando tanto o roteiro, o resultado final empolgasse mais, quem sabe resolvam criar uma continuação a partir do ponto deixado para que possam melhorar as situações, mas acho bem difícil disso acontecer. Sendo assim, recomendo ele apenas para quem não tiver muitas outras opções. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Vingança a Sangue-Frio (Cold Pursuit)

3/17/2019 03:00:00 AM |

Já nos acostumamos tanto com Liam Neeson fazendo filmes aonde alguém faz algo de ruim para algum familiar ou amigo seu, e ele vai atrás dos responsáveis fazendo com que eles desejassem nunca ter sequer pensado em ser pessoas ruins, que quando um filme novo dele estreia, já vamos conferir esperando ver algo desse estilo, e quando o resultado não ocorre dessa forma, acabamos ficando bem frustrados com tudo, ou seja, "Vingança a Sangue-Frio" pode até não ser a maior bomba do planeta, mas com situações cômicas tão bobas e jogadas acabamos inconformados com o que vemos na telona, de modo que a mistura de máfia, índios e um pai vingativo que acaba criando o conflito entre esses dois estilos de contraventores, resulta numa bagunça tão sem limites, que ficamos quase esperando aparecer na telona que foi baseado em alguma paródia, mas não, foi feito em cima de outro longa do mesmo diretor, com a mesma história, personagens, e tudo mais, diferenciando apenas pelo original ser norueguês, e esse novo, britânico.

Nels, um homem de família tranquilo, trabalhador e motorista de snowplow (limpa-neves), é a alma de uma deslumbrante cidade turística nas Montanhas Rochosas, porque é ele quem mantém limpas as estradas. Ele e sua esposa moram em uma confortável cabana longe dos turistas, e a cidade acaba de lhe conceder o prêmio de "Cidadão do Ano". Mas Nels tem que deixar sua tranquila vida nas montanhas quando seu filho é morto por um poderoso traficante. Como um homem que não tem nada a perder, ele se deixa levar por um impulso de vingança. Este herói improvável usa suas habilidades de caça e deixa de ser um homem comum para ser um assassino qualificado enquanto ele se esforça para desmantelar o cartel. As ações de Nels provocam uma guerra territorial entre um gangster conhecido como Viking e um chefe de uma gangue nativa americana. A justiça virá em um último confronto espetacular onde (quase) ninguém ficará ileso.

Cinco anos foi o tempo que o diretor Hans Petter Moland levou para mudar seu longa "O Cidadão do Ano" com um conceito inteiro passado no seu país natal, para um que se passasse nos EUA, coma mesma temática, o mesmo estilo, as mesmas personalidades, mudando poucos personagens, e resultando em um ato falho tão grandioso, cheio de cenas cômicas desnecessárias, diversos elos paralelos acontecendo quase que num estilo novelesco estranho, aonde o protagonista desaparece dessas cenas, ou seja, uma bagunça completa, que só não é pior, pela essência conseguir ser transmitida, de modo que o resultado empaca tantas vezes, que só me via batendo a mão na cabeça pensando o que estaria Liam Neeson pensando quando decidiu participar dessa produção, pois seu estilo vingativo é um clássico, mas o ator sabe fazer a tensão acontecer, enquanto aqui o diretor apenas tentou.

O mais engraçado do filme é que em suma temos o protagonista, que some e aparece tanto que em diversos momentos chegamos a pensar que o filme não é em cima dele, mas sim uma novela com várias vertentes, sendo que alguns aparecem apenas para serem mortos pelos traficantes, que ao menos fizeram uma arte bacana para mostrar a declaração do morto e seu nome no meio mafioso. Dito isso, temos de falar do principal motivo que acredito do filme ser assim, que é o de Liam Neeson já estar velho para tantas cenas de pancadaria, e aqui vemos ele matando quase que subliminarmente e só jogando fora depois o corpo, para evitar mesmo tantos pulos, socos e correrias com seu Nels, mas ao menos ele ainda fez boas expressões para alguns atos, não sendo artificial demais. Tom Bateman faz o líder do tráfico Viking de uma forma tão jogada e engraçada, que fui até conferir se seu estilo era de filmes de fazer mais filmes de comédia, mas não, então não sei o que lhe foi solicitado pelo diretor, pois o papel ficou estranho. O jovem Nicholas Holmes foi um dos poucos que surpreendeu na trama com seu Ryan, e merecia ter aparecido mais no longa, pois fez cenas bem colocadas com praticamente todos os atores. Quanto aos demais, vale rir pela sacada de um casal gay na máfia, a da piada sexual de um dos mafiosos, e as boas escolhas para os indígenas, que foram bem dinâmicos nas suas cenas, mas sem muito o que se impressionar.

O longa possui cenários interessantes como mansões incríveis tanto por parte do grande líder do tráfico em Denver, quanto pelo irmão do protagonista que mora numa casa cheia de detalhes com fogo no meio da neve, e claro muitas cenas em meio da neve para que o protagonista com seu caminhão passasse arremessando tudo pelos ares, tendo até uma cena bem tosca no final com ele, e claro que usaram bem a casa singela do protagonista para mostrar seu estilo simples, de alguém que come a própria caça, e sabe fazer isso bem. Sou suspeito por amar a fotografia em meio de cenas com neve, mas os tons funcionaram muito bem dentro do filme, dando bons contrastes e chamando a atenção aonde desejavam, mas certamente poderiam ter brincado mais no meio congelante.

Enfim, não lembro de ter conferido o filme em que o longa foi baseado, e irei tentar ver para voltar aqui e comentar se lá o diretor também fez algo tão jogado como acabou entregando esse, ou se é o velho problema dos produtores americanos/britânicos se enfiarem no meio de uma história e estragarem ela, mas com o resultado aqui mostrado, só vai valer a recomendação para quem quiser ver uma comédia bagunçada, que parece filme de máfia, mas que era para ser algo mais dramático, ou seja, quase ninguém sai feliz com o que viu na sala. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

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Mal Nosso (Our Evil)

3/16/2019 03:27:00 AM |

Acho engraçado quando pego esses pôster com diversas críticas já estampadas, pois já começo a escrever pensando no que outros pensaram também, e é fácil entender ao conferir "Mal Nosso", a chuva de críticas positivas (algumas já colocadas aqui, outras vendo durante a grande tour que o longa fez lá fora primeiro, antes de estrear por aqui), e negativas também, afinal nenhum longa agrada 100% dos críticos, pois o filme possui um vértice bem encontrado dentro do nicho que deseja atingir, e ele funciona pela montagem criada, com uma produção impecável, uma direção consistente, e um jogo de maquiagem primoroso, porém assim como só tive adjetivos bem positivos nesses quesitos, em outros o tiro já é mais embaixo, por exemplo o filme tem um começo lentíssimo, aonde priorizaram técnica para mostrar tudo, e o roteiro não se solidifica da necessidade de tantos planos lentos, ou seja, temos algo visualmente crível, que já no trailer chama atenção, mas que talvez mais condensado, ou então com momentos mais chocantes realmente (o que faria talvez a censura subir muito a classificação) para impactar e causar. Mas como o gênero de terror ultimamente não tem solicitado tanto história, mas sim fundamentos, diria que o resultado é bem satisfatório, e consegue agradar no que tenta passar, o que voltamos a falar sobre os elogios, pois sim, remete aos filmes citados em muitos atos, e sendo assim, podemos falar que é um filme bem produzido, que só faltou fazer arrepiar ou assustar mais para ser perfeito para agradar a todos.

A sinopse nos conta que Arthur é um pai zeloso, preocupado com sua filha única, prestes a entrar na faculdade. Ele esconde um segredo desde sua juventude sobre algo que pode ser prejudicial ao futuro da jovem, e para isso contrata os serviços de um serial killer na deep web. Após fazer um acordo com o assassino, Arthur abre as portas para uma jornada mortal envolvendo psicopatas, maldições e demônios.

Em sua estreia na direção de longas, Samuel Galli mostra muita técnica na escolha precisa do que desejava mostrar para o público, com planos longos, situações formais, e claro também por ser seu primeiro, muitos planos comuns sem grandes ousadias, mas isso não impediu que o filme tivesse um semblante favorável para funcionar o terror em si, criando um viés denso, aonde a preocupação para que a história fosse bem explicada resultasse em algo bom, e aí é que entrou um dos problemas da trama, que é o fato do filme soar com um didatismo grande demais, e que acaba personificando em cima dos diálogos e interpretações dos protagonistas. Claro que aqui estou apontando alguns defeitos, mas como já disse, isso tudo é muito superado pelo estilo que Galli optou por filmar, não trazendo nuances forçadas, aonde o imaginário do público fosse necessário, mas sim pontuando sua opinião e deixando que tudo corresse da maneira própria que sua cabeça pensou. E sendo assim, a cabeça pensa em coisas que para uma produção bem modesta, bancada pela equipe, fosse até muito superada, e com essa imposição, o que vemos na telona, é um filme muito bem produzido em cima de poucos recursos, e esse é o charme da trama, pois se enfeitassem demais, talvez o longa saísse do contexto, que por vezes raspa a trave de fugir, colocando até alguns atos a mais do que o necessário. Ou seja, quando temos uma produção bem feita, e uma direção consistente, o resultado é bom, mas com leves toques a mais na história, talvez tivéssemos um filme para recordar dentro dos clássicos do gênero, e esse pequeno elo, como já falei, raspou também para que o longa virasse algo que incomodasse demais para poder errar.

Um dos problemas do filme é que contando com atores inexperientes e/ou provenientes do teatro, vemos excessos de entonações, o que é algo bem comum de vermos em outros longas nacionais de baixo orçamento, mas tirando esse detalhe, os protagonistas foram bem colocados, e fizeram ao menos expressões claras condizentes com cada momento, de modo que tanto Ademir Esteves como Arthur, quanto Ricardo Casella como Charles, conseguiram trabalhar seus atos como deveriam fazer realmente, não esperando nada a mais, tendo uma ou outra cena mais forte e bem feita, mas sempre com muita simplicidade. Claro, que poderiam ter dado tons mais impactantes, mas isso necessitaria que o diretor lhes exigisse bem mais. Dos demais, a maioria foi aparição, tendo leve destaque para os momentos de Fernando Cardoso como o jovem Arthur, e Luara Pepita como Michele.

Embora seja bem simples, a equipe de arte fez um trabalho cheio de detalhes, em boas locações representativas, e aliado à ótima maquiagem de Rodrigo Aragão, conseguiram criar monstros e entidades bem fortes e instigantes, de modo que poderiam até ter abusado mais desse uso para que o filme não dependesse tanto dos diálogos dos atores. Ou seja, uma produção de primeira linha, que foi muito bem feita, que junto também de uma fotografia densa, de cores fortes e chamativas conseguiu representar o que tentavam passar.

Enfim, é um longa que consegue envolver, mostrar serviço e assustar com algumas cenas de sustos rápidos, mas que poderia ter sido minimizado alguns erros simples para que fosse daqueles filmes que ficariam inesquecíveis em nossa mente. Ou seja, vale a conferida com certeza para quem gosta do estilo, mas não esperem algo forte que vá lhe impactar de cara. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Um Amor Inesperado (El Amor Menos Pensado) (An Unexpected Love)

3/15/2019 10:14:00 PM |

O cinema argentino é tão bom, com tantos vértices bem pontuados, que acabamos indo conferir qualquer filme deles com uma certa exigência a mais, e assim como o restante do mundo, eles também possuem o tradicional simples e fraco, que infelizmente mesmo tendo boas sacadas acaba soando decepcionante. E digo isso de "Um Amor Inesperado" com um pesar imenso, pois o estilo é agradável, os atores são incríveis, mas a história e o formato acabam não empolgando, cativando, ou sequer passando uma mensagem mais emocional instigante que o gênero costuma permear, e assim sendo, o resultado acaba fraco demais. Ou seja, temos um filme com uma boa síntese, mas que não atinge nem metade do potencial!

O longa nos conta que Marcos e Ana são casados há 25 anos. Com a ida do único filho do casal para o exterior, os dois começam a se questionar sobre o que o futuro lhes aguarda e decidem se separar para viver novas experiências. Em meio a aventuras bem-humoradas e descobertas sobre o amor e a rotina, os dois terminam, cada um, por encontrar um romance inesperado.

Em sua primeira direção, Juan Vera mostra o que já sabemos, que filme romântico não cai bem nas mãos de alguém que sempre foi produtor, ou seja, ele nos entrega um filme didático demais, cheio de floridos, de cenografias, de costumes argentinos, e não nos envolve como poderia, e deveria, fazendo algo seco demais, pois certamente veríamos o filme com mais emoção, com uma simplicidade casual, mas que voltasse após a reviravolta com um certame mais contundente, e não é isso o que ele faz. Claro que o filme mostra bem como acaba rolando a vida complexa de solteiro para aqueles que viveram mais de 25 anos juntos, e trabalha bem algumas sacadas, mas a fluidez formatada demais acaba cansando, além de os parceiros secundários serem bem ruins, ou seja, a história até funciona, mas não chega a lugar algum.

Só não digo que o filme foi pior por terem otimamente escolhido dois atores perfeitos para o papel, e por mais incrível que pareça, não temos nem que falar de quase mais ninguém fora eles, ou seja, vemos na telona quase um dueto teatral bem moldado por ótimos atores, que até nos entregam boas personificações de seus papéis, mas ainda assim não conseguiram mudar o resultado do filme. Ricardo Darín fez de seu Marcos, aqueles famosos homens de 50 anos, que praticamente possuem uma vida completamente estável, e que não sabe mudar muito seu rumo quando tudo muda ao seu redor, e ele nos entrega algo bem cheio de carisma, mas sem nem passar perto dos seus melhores momentos no cinema, o que é de uma tristeza incrível, pois sabemos o tamanho do seu potencial artístico. Mercedes Morán trouxe muita personalidade para sua Ana, trabalhando bons tinos cômicos e sensuais com os personagens secundários, encontrando bons vértices e olhares, mas sendo singela demais, o que acaba atrapalhando um pouco sua fluidez, e isso fica bem claro no segundo ato. Quanto os demais, temos de dar leves destaques para Claudia Fontán como Lili, e Luis Rubio como Edi, por serem os melhores amigos do casal, e por tratarem a situação relacional de uma forma mais engraçada, e bagunçada, mas de resto não incrementam muita coisa para o filme. Enquanto Andrea Pietra como Celia, e Jean Pierre Noher como Eloy foram fracos demais como parceiros dos protagonistas.

Como disse no começo, o longa é de um diretor iniciante, mas que foi produtor de grandes filmes argentinos, e sendo assim, aqui ele priorizou bastante a cenografia do longa, com casas e apartamentos cheios de símbolos, e diversos elementos cenográficos funcionais, que acabam servindo bastante para as discussões, mas nada que chame muita atenção, ou seja, alegoricamente o resultado é bonito, mas não funciona para o que o filme necessitava. Com uma fotografia bem tradicional de romances cômicos, com cores claras e tons pastéis, não temos nada contundente para chamar atenção em momento algum, e mesmo no momento do clímax do longa com trovões clichês, e tudo mais, o filme soa fraco demais nesse conceito também.

Enfim, um longa com potencial completo, mas que não flui como poderia, resultando em algo mais chato do que o esperado, e que não agrada, somente tendo um ato bem engraçado numa apresentação, aonde entra "Fogo e Paixão" do Vando, mostrando que o gosto musical das comédias argentinas é bem eclético. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou para outro longa para ver se salva a noite, então abraços e até logo mais.

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Diários de Classe

3/12/2019 01:04:00 AM |

Sempre acho interessante quando alguns documentários conseguem prender nossa atenção para algo que sabemos que é bem assim (infelizmente, pelas leis, pela forma do governo, pela cultura, e por tudo de errado que existe em nosso país), e até poderiam se aprofundar mais em diversos meandros caso quisessem, mas que acabariam saindo do rumo proposto. E com "Diários de Classe", a trama é desenvolvida em cima da tentativa de entregar educação para alguns grupos minoritários, que nem sempre estão com disponibilidade, vontade, ou até mesmo possibilidade de aprender, e coloco com esses três verbos, pois mesmo mostrando três protagonistas empenhadas em tentar melhorar suas vidas, ao redor delas, vemos outros tentando atrapalhar elas, e claro, eles próprios, de modo que ficamos interessados pelos atos, emocionamos com alguns momentos, e até sentimos a necessidade do longa fluir para outros vértices, porém, nessas idas para outros rumos, vemos pouco da análise da educação mesmo, aparecendo espalhada no começo da trama, e voltando com textos ao final do filme. Ou seja, acabaram indo de forma bacana nas denúncias, mas pecaram nas formatações que a história poderia ter trabalhado.

A sinopse nos conta que em três salas de aula para adultos se destacam três mulheres que têm em comum o desejo de melhorar de vida por meio do estudo. Vânia frequenta as aulas no presídio feminino enquanto acompanha o lento desenrolar de seu confuso processo criminal, a empregada doméstica Maria José todas as noites vai às aulas da Educação de Jovens e Adultos levando junto a filha pequena, e a adolescente transexual Tifany busca se adaptar à vida em abrigo e ser tratada pelo nome que escolheu, não mais pelo que consta em seus documentos.

Os diretores do longa, Maria Carolina Silva e Igor Souza, foram bem sábios na pesquisa e no desenvolvimento do projeto, de modo que as três protagonistas não só tiveram boas dinâmicas para contar seus problemas, como desenrolaram a trama para eles, de modo que tirando algumas cenas, o filme parece quase uma obra contínua como as contadas em longas de ficção, claro que aqui envolvendo muita realidade, aonde as protagonistas se desenvolvem com outras pessoas, vão falando e tendo seus momentos, e com muita desenvoltura acabam nem quase parando para depor, e a equipe foi condizente em escolher os locais para colocar suas câmeras, fazendo com que tudo parecesse até estar escondido (tirando uma cena no presídio, e outra na escola de adultos, aonde uma detenta e uma senhora não quiseram ser filmadas, e acabou entregando que o pessoal estava ali). Ou seja, souberam ser invisíveis, da melhor forma possível que uma equipe de documentário não engessado deva ser. O único detalhe, que já disse acima, mas vale frisar, foi o deles começarem o longa como algo voltado para a educação, e já irem para os frutos das discriminações que ocorrem nas minorias, entre elas, a educação, e sendo assim o filme é muito bem feito.

Não vou alongar o texto falando de cada entrevistada, mas diria que cada uma merecia até mais tempo de tela para desenvolver seus atos, desde Vânia com seu processo criminal complicado, seu filho desaparecido, e tudo mais que dariam um longa ainda mais cheio de detalhes, Maria José com suas atitudes para ter uma creche para a filha, e trabalhando em busca de direitos para outras empregadas como ela pudessem estudar tranquilas para conhecer mais direitos, e até mesmo a adolescente Tifany (que soou deveras confusa em alguns depoimentos), tem muito para ser mostrado, e talvez um rearranjo na montagem desse até outras virtudes para a trama, mas nada que fosse muito além.

Enfim, é um longa simples, forte, e que funcionou bastante, mesmo que indo por outros caminhos, como disse, o mote educação em si dá uma leve sumida em diversos momentos, mas no contexto geral, o resultado completo agrada. Sendo assim, acabo recomendando o longa para quem gosta de bons documentários, que fluem naturalmente sem muitas entrevistas, e claro que vale muito para vermos como o sistema nacional anda bem falho para quem ainda não viu isso. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Querido Menino (Beautiful Boy)

3/09/2019 12:01:00 AM |

Geralmente quando um longa trata de drogas, acabam focando mais no protagonista e/ou no parceiro(a), e ao entregar a dinâmica mais fechada nem paramos para pensar em quão devastador é o efeito de tudo em cima dos familiares, e isso é a principal diferença de "Querido Menino", que logo na primeira cena conhecemos mais o pai do protagonista, e logo na sequência e durante vários flashs acabamos entendendo mais a relação incrível de pai e filho que há entre eles, e como a decepção pelo envolvimento em não conseguir sair desse meio foi desgastando tudo. Ou seja, temos um filme denso em cima desse conflito familiar, mas também vamos vendo o quão duro, forte e intenso é o poder das drogas, e que sair desse meio é algo que é bem mais fácil de ir para o caixão do que para a felicidade. E com essa trama tensa, o filme só não é melhor por ter tantas quebras cênicas para os flashs, e que com uma montagem não usual, acaba cansando um pouco o público, porém ainda assim toda essa força entra no nosso peito e emociona com o resultado final, tendo boas nuances e acertando no impacto.

O longa nos mostra que David Sheff é um conceituado jornalista e escritor que vive com a segunda esposa e os filhos. O filho mais velho, Nic Sheff, é viciado em metanfetamina e abala completamente a rotina da família e daquele lar. David tenta entender o que acontece com o filho, que teve uma infância de carinho e suporte, ao mesmo tempo em que estuda a droga e sua dependência. Nic, por sua vez, passa por diversos ciclos da vida de um dependente químico, lutando para se recuperar, mas volta e meia se entregando ao vício.

Assim como fez em seus longas anteriores, o diretor Felix van Groeningen ("Bélgica", "Alabama Monroe"), usou da essência do livro homônimo de David Sheff e do livro "Tweak" de Nic Sheff para fluir sua trama, não deixando muita influência externa para que o público crie sínteses maiores pensando em outras alternativas, mas como ele é um dos diretores que mais sabe ousar em fluxos introspectivos, ele acabou encontrando bons meios na edição para que seu filme criasse densidade, e claro encontrasse boas saídas conectivas entre os dois pensamentos do pai e do filho, criando o elo de envolvimento, emocionando e acertando em cheio o público com cada momento, principalmente nas cenas finais. Ou seja, é praticamente um filme feito por 10 mãos, a do diretor, dos dois escritores (além dos roteiristas que adaptaram), e claro dos dois ótimos protagonistas, que souberam se entregar para seus personagens terem a vivência marcante na telona.

Sobre as atuações, é até engraçado ver como Steve Carell tem saído bem melhor nos dramas que tem feito do que quando fazia mais comédias, e aqui seu David é forte, e facilmente chama a responsabilidade para suas cenas, mostrando saber acertar seus atos tanto com bons olhares e trejeitos, quanto no tom dos diálogos para emocionar e envolver na medida perfeita. Timothée Chalamet certamente é o grande nome do momento, e só lhe falta acertar um papel menos introspectivo para que exploda perfeitamente, e aqui esse é justamente o maior problema de seu Nic, que mesmo lhe garantindo uma indicação ao Globo de Ouro, tenciona demais os seus momentos, e mesmo comovendo com cenas fortes das aplicações das drogas, das convulsões, e tudo mais que fez perfeitamente com ótimos trejeitos, alguns momentos acabam soando artificiais pelo exagero de introspecção, e isso acaba incomodando um pouco. Quanto aos demais personagens, Maura Tierney deu bom tom para sua Karen, mostrando a forca emotiva mais sóbria de alguém fora da relação, a mãe do garoto vivida por Amy Ryan apareceu pouco, mas teve boas cenas fortes, e até mesmo as crianças vividas por Oakley Bull e Christian Covery foram bem desenvolvidas e chamaram atenção na trama, mas se tenho de dar destaque para algum dos personagens com poucas cenas, certamente isso ficou a cargo de Kaitlyn Dever com sua Lauren nas cenas mais tensas da trama.

No conceito visual a trama foi trabalhada mais na casa do pai cheia de elementos simbólicos para mostrar com fotos, pinturas e até com objetos a relação entre pais e filhos, seja o protagonista, ou até com os pequenos, e indo além, tivemos as boas cenas nos centros de reabilitação, mostrando pouco ali, mas sendo bem efetivo nas cenas, mas certamente o grande elo cênico ficou a cargo das cenas aonde foram mostradas as aplicações das drogas, que foram tão reais que impressionaram muito, mostrando que a equipe pesquisou bastante para dar o maior realismo possível, e o acerto foi incrível. A fotografia trabalhou com tons bem fortes para criar tensão, mas nos momentos felizes do longa foram de um brilhantismo tão bem colocado com imagens em contraluz lindíssimas de ver, o que chamou bastante atenção.

Enfim, diria que o longa tem falhas claras que ficaram bem evidentes na forma escolhida para desenvolver o tema, e que fizeram o longa não estourar nas premiações como era esperado inicialmente quando o roteiro surgiu, mas que ainda assim o resultado final emociona, é bem impactante, e vale a pena ser conferido por todos, sendo assim uma ótima recomendação. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Capitã Marvel em Imax 3D (Capitain Marvel)

3/08/2019 02:26:00 AM |

Sempre digo que a melhor forma de curtir qualquer longa é ir sem expectativa nenhuma, ou esperando bem pouco do que vai ver, pois a chance de se apaixonar pelo resultado é bem maior, e tinha vários amigos falando tanto de "Capitã Marvel", alguns profetizando grandes feitios do primeiro longa solo de uma heroína do Universo Marvel, que já está super bem moldado a mais de 10 anos, outros impondo toda uma vertente feminista, que isso, que aquilo, e tudo mais, mas cá estava o Coelho tranquilo, apenas esperando ver alguma conexão claro com "Vingadores - Ultimato", afinal no final de "Vingadores - Guerra Infinita" eis que seu símbolo apareceu, e pronto, lá estava a cada nova aparição de poder, uhuuu, o pager aparece, a lá como surgiu o aparelhinho, o gato faz algo eitaaaa, e por aí foi as diversas expressões durante toda a exibição do filme, ou seja, superou e muito tudo o que esperava, e digo mais, souberam colocar um longa de início de personagem com tantas referências, tantas conexões subliminares, que por mais que o filme possa ser visto sozinho dos demais do Universo Compartilhado Marvel (ou MCU como muitos falam por aí), vale a pena ir lembrando de muitos elementos, para se divertir um pouco mais. Diria que é um filmão bem feito, não é corrido, não empaca (tendo apenas 125 minutos já com as duas cenas nos créditos), mas tem dois grandiosos defeitos: demora para engrenar, com um primeiro ato meio que enrolado demais sem que o público entenda muito da bagunça intergalática já corrida sem explicações do que ou quem é quem, e aparentemente Brie Larson também sentiu-se responsável por ser a primeira, e nesse primeiro ato (que parece ter sido filmado também no começo das filmagens) ela aparentou insegura demais para o papel, o que muda completamente quando já está com Samuel L. Jackson, e aí é só alegria.

A sinopse nos conta que Carol Danvers é uma ex-agente da Força Aérea norte-americana, que, sem se lembrar de sua vida na Terra, é recrutada pelos Kree para fazer parte de seu exército de elite. Inimiga declarada dos Skrull, ela acaba voltando ao seu planeta de origem para impedir uma invasão dos metaformos, e assim vai acabar descobrindo a verdade sobre si, com a ajuda do agente Nick Fury e da gata Goose.

Direção compartilhada sempre é algo digamos meio complicado, pois geralmente um diverge de algo, e o resultado costuma não ser o melhor, mas Anna Boden e Ryan Fleck já fazem longas, séries, e tudo mais junto desde 2003, então devem se conhecer bem para ter o mesmo tino, e aqui pegando após diversos filmes simples, logo uma bomba imensa de apresentar uma personagem desconhecida do público geral em seu início, um filme tecnicamente de representatividade esperado pelo mundo todo, e algo que conectasse completamente diversos elos que muitos estão esperando, tiveram de ser bem precisos no que desejavam, e o resultado veio, não digo do modo mais fácil, mas veio. O longa, por parte da direção e do roteiro, possui defeitos clássicos de diretores acostumados com filmes simples, mas o principal foi a falta de posicionamento logo de cara, para impôr ritmo, e/ou logo de começo contar a história do personagem, não deixando que isso ficasse para um segundo ato, e assim, o filme começa frio demais, com muitas situações que vão acontecendo sem que saibamos o que está acontecendo realmente, e assim, o primeiro ato quase que inteiro parece perdido. Porém, quando acabam com toda essa bagunça inicial, e focam em explicar quem é Carol Danvers, ou Vers para os Kree, juntando ela com Nick Fury, e claro a surpreendente gata Goose, além claro de outros bons personagens, o filme volta a ser o tradicional da Marvel, com boas piadas inseridas, muitas referências, sacadas bem pontuadas, e o resultado final fecha brilhantemente, com claro muitas aberturas para que a Marvel faça diversos longas usando a personagem. Mas, temos um grande detalhe que largaram para um segundo longa dela, em momento algum ela se declara com o nome "Capitã Marvel", e isso é forte, pois provavelmente vai se apresentar assim no longa "Ultimato" em Abril, então aguardaremos para ver.

Sobre os personagens, temos de começar falando claro da protagonista Brie Larson, que ganhou a vaga em cima de outros grandes nomes (alguns certamente fariam o papel de forma completamente diferente!!), e é fácil notar que ela sentiu o peso em cima de sua Carol Danvers, pois mesmo após ter feito um ótimo papel dramático, pelo qual levou o Oscar, fazer uma super-heroína não é a mesma coisa, e como demorou para encontrar a personalidade certa para o papel, acabamos ficando levemente bravos com alguns trejeitos repetitivos que faz durante todo o longa, mas com fluidez, ao final, já botando todos os poderes para jogo, mostrando mais jogo de cintura junto de Nick Fury, ela se soltou, e o resultado acabou agradando mais do que tudo. Agora se tem algo que estou com medo, é dessa tecnologia computacional, pois meus amigos, não tem como não ver Samuel L. Jackson saindo dos seus filmes policiais dos anos 90 e indo gravar esse filme, ficou muito perfeito ver Nick Fury, ainda não sendo o "fodão" da SHIELD, em seu começo de carreira, com olhares, trejeitos, e principalmente impacto usual do personagem, com toda sua jovialidade, e o acerto foi perfeito de não pegarem outro ator para o papel, pois iriam estragar. Que Jude Law é um ótimo ator, todos sabemos, mas ele sempre parece deixar de lado conceitos e não empolgar quando precisa, deixando sempre seus personagens bem em segundo plano, de modo que seu Yon-Rogg acaba ficando forçado em alguns momentos, e em outros parece tão imponente, o jeito é ver como se sairá nas continuações. Ben Mendelsohn ficou muito escondido visualmente com toda a maquiagem de seu Talos, mas também deu o tom com seu Keller mostrando seu verdadeiro rosto, e embora no início ficássemos um pouco inseguros com sua personalidade, ao final já estamos com tanto carisma pelo personagem que torcemos para vermos ele mais vezes. O longa ainda compreende mais três grandes e bons personagens/atores, a veterana Annette Bening fazendo dois papeis como Inteligência Suprema/Mar-Vell mostrando muita imponência nos diálogos, mas pouco utilizada, Clark Gregg também rejuvenescido computacionalmente para viver alguns momentos de seu Agente Coulson no início da carreira, mas também aparecendo bem pouco, e a grande amiga terráquea da protagonista Maria Rambeau vivida muito bem por Lashana Lynch, tendo alguns bons momentos nos atos finais, juntamente com a garotinha Akira Akbar vivendo Mônica sua filha (que para quem conhece os quadrinhos, sabe que a personagem tem grandes futuros, ou seja, veremos se vão utilizar isso!). E claro, não podia fechar a parte das atuações sem falar de Reggie, Archie, Gonzo e Rizzo com suas ótimas performances como a gata Goose, que fará com que olhemos bem diferente para todos os gatinhos ao nosso redor com as surpresas que ela faz, pois olha!!!!

No conceito visual, assim como ocorreu em "Guardiões da Galáxia", temos um longa quase que 100% computadorizado, com poucas locações reais mesmo para os personagens destruírem, lutarem, e tudo mais, de modo que a equipe de arte teve o trabalho mais conceitual para tudo, e o restante a equipe de computação gráfica que fizesse o serviço, mas claro que tivemos bons figurinos icônicos (descobrimos de onde veio a ideia do uniforme vermelho tradicional, e claro do uniforme de batalha Kree), tivemos ótimas maquiagens, e sendo assim, o resultado do longa visualmente empolga, mesmo que alguns momentos parecessem altamente improváveis, mas como estamos falando de uma ficção baseada em HQs, o resultado é agradável e bem interessante para funcionar. Com muitos efeitos especiais, naves voando e muitos tiros, é claro que esperássemos ver um 3D primoroso, e felizmente ele veio de forma bem funcional, pois não temos grandiosos momentos para se impressionar, mas também passa bem longe de ser uma decepção, ou seja, quem gosta da tecnologia deve ficar razoavelmente feliz com o resultado da técnica.

No contexto sonoro, o longa possui muitas músicas boas, mas foi mal aproveitado, pois como bem sabemos os anos 90 (época em que o longa se passa) foi riquíssimo de canções impactantes, e aqui o filme até toca alguns bem bacanas, mas tudo num segundo plano bem rápido que se fosse usado como em "Guardiões da Galáxia" renderia mixagens incríveis, mas ainda assim, as trilhas sonoras conseguiram dar ritmo, e encaixar os bons momentos da trama.

Enfim, recomendo como disse no começo, você ir com pouquíssimas expectativas do que verá, que a chance de gostar muito é bem alta, mas certamente o filme poderia ter sido ainda melhor se a montagem fosse diferente, e não tivessem demorado tanto para engrenar, mas como bem sabemos, é um longa introdutório da personagem que será muito usada nos próximos filmes, então não era de se esperar que enrolassem um pouco na inicialização. Sendo assim, recomendo com certeza o filme, falando que como todo bom filme de espaço, vale a pena ser visto em telas gigantes (no caso conferi na Imax do UCI Ribeirão, e o resultado funcionou bem), esperem ao menos a primeira cena no meio dos créditos, que já é a conexão com "Vingadores - Ultimato", e a segunda é algo divertido, mas que ainda não explica muita coisa, de como já vimos a peça em outros filmes, e agora é esperar até 25/04 para ver com muita sede ao pote, o que a protagonista aqui fará com Thanos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Cinderela Pop

3/06/2019 01:10:00 AM |

Existem algumas propostas que quando aparecem os primeiros trailers já pegamos e classificamos como filmes que certamente não encaixarão em nossos gostos, que por vezes até torcemos o nariz, mas que como vamos conferir tudo que é lançado, acabamos indo na sessão, e ficamos até felizes quando somos surpreendido pelo longa não ser a bomba original que pensamos, e isso aconteceu com "Cinderela Pop", pois logo de cara tinha todos os trejeitos possíveis de um filme forçado para que Maísa tivesse um protagonismo além do comum, mas que trabalhando bem o roteiro, desenvolvendo situações modernas para o conto que tanto conhecemos, o resultado soou muito além disso, recaindo como uma trama bem trabalhada, com boas canções, atuações bem encaixadas, e que diverte bem, agradando principalmente o público-alvo que é o teen. Ou seja, o filme se moldou bem no estilo sessão da tarde, que dá para curtir de boa, contando com um desenvolvimento simples, porém efetivo no que se propôs, só diria que o maior erro foi o ritmo, que aparentemente acelerado comeu algumas partes no miolo durante a edição, deixando o filme mais curto para não cansar, mas que poderia ter sido melhor resolvido de algumas situações.

O longa nos mostra que Cintia Dorella é uma adolescente que descobre uma traição no casamento dos pais. Descrente no amor, ela vai morar na casa da tia e passa a trabalhar como DJ, se tornando a Cinderela Pop. Mas ela não esperava que um príncipe encantado pudesse fazê-la se apaixonar.

Diferente de seus dois filmes anteriores, o diretor Bruno Garroti aqui conseguiu imprimir uma pegada mais ficcional mesmo, fugindo do estilo semi-novelesco que entregou por outrora, criando perspectivas mais cadenciadas e interessantes de acompanhar. Claro, que ainda está longe de ter feito um daqueles filmes que você se surpreende e quer voltar para a próxima sessão para rever, mas só de não ter forçado tanto as situações, já fez com que a trama fosse mais interessante de ser conferida, claro que isso se deve muito também ao bom material do livro de Paula Pimenta, que foi um dos mais vendidos dos últimos anos no país. Outro ponto bem satisfatório que Garroti utilizou, foi o fato de não ficar desenvolvendo tanto subtramas, deixando que os protagonistas se executassem, e tivessem desenvoltura suficiente para que o filme seguisse seus elos, e com isso tivemos até momentos contados sob dois vértices, e agradando nos encaixes, ou seja, funcionando sob duas óticas a trama conseguiu ser bem ciente dos atos e agradou de modo geral no que se propunha, lembrando bem as situações do conto original, mas modernizando e tendo a pegada jovem atual.

Quanto das atuações, posso dizer sem pestanejar que Maísa é a protagonista, mas antes dela tenho de falar de Fernanda Paes Leme, que deu um show como a madrasta vilã completa da trama Patrícia, com olhares de crueldade em níveis fortíssimos, sintonias perfeitas, e incorporando cada ato com uma precisão única, que se fizerem um longa só de vilãs, já podem incluir ela com muita força, pois ela deu show. Agora voltando para a protagonista, Maísa Silva foi coerente com sua personagem, uma garota mais despojada que não sonha com o amor, e quer ser uma DJ, mas sua Cintia oscila demais de temperamento na frente das câmeras, e isso é ruim para o papel, de modo que a artista poderia ter assumido de vez o rancor amoroso, e ter entregue isso com muita disposição, voltando somente em raros momentos de dúvida, mas parecia a cada cena estar na dúvida se amava ou não, claro que é típico das adolescentes fazerem isso, mas no filme ela poderia ter oscilado menos, porém tirando esse detalhe, ela conduziu bem a personagem, e foi melhor que em seu filme anterior, mostrando que em breve pode ser que decole uma protagonista completa. Filipe Bragança como Freddy Prince foi galanteador, cantou bem as canções melódicas, mas tenho de concordar com a personagem principal, foi ultrabrega, de modo que nem se cantasse sofrência seria tão meloso como o personagem foi. Elisa Pinheiro caiu como uma luva para o papel da tia-fada-madrinha Helena, que com boas sacadas trouxe dinâmica e virtudes para as divertidas cenas em que aparece, só não precisava do exagero de ser poetisa, pois aí foi apelar demais, mas de resto agradou demais. Quanto aos demais, diria que todos os jovens foram exagerados demais nas personalidades, e não chamaram a atenção que necessitava, tendo leves destaques para a blogueira Belinha, interpretada por Giovanna Grigio, e algumas boas jogadas das gêmeas interpretadas por Leticia Faria Pedro e Kiria Malheiros.

No conceito visual, a trama escolheu locações simples demais, parecendo que o orçamento foi levemente curto para tudo, com uma festa simples de 15 anos, que mesmo sendo a fantasia, parecia que todos estavam em menos de 20 figurantes arrumados, depois o mesmo ocorrendo na festa de formatura, e até mesmo na festa da família logo no começo, a simplicidade já era apresentada, ou seja, tiveram o trabalho de escolher locações amplas, mas faltou preencher os lugares. Também tivemos poucos elementos cênicos sendo usados, com praticamente apenas uma mesa de som, alguns animais importantes pelos nomes, e alguns figurinos, mas de resto tudo foi sendo apenas jogado na tela, claro tirando o tradicional sapatinho, no caso aqui um tênis.

Enfim, é um longa que agrada sem ser exageradamente forçado, que poderia conferir tranquilamente numa tarde no sofá quando estivesse passando na TV, e que não chega a ser a bomba que havia pensado quando vi o trailer, mas que também não é o melhor filme nacional que já vi, e sendo assim, deixo a recomendação de leve, pois poderiam ter cortado menos para aparecer um filme mais fluído, e certamente poderiam ter valorizado mais a questão artística/cenográfica da trama para que funcionasse mais como um "conto de fadas" moderno, mas tirando essas gafes, o longa vale a conferida. Bem é isso pessoal, encerro aqui a semana cinematográfica, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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A Maldição Da Freira (The Devil's Doorway)

3/05/2019 01:24:00 AM |

Se existe um estilo do terror que já está exageradamente batido é o found footage, ou melhor explicando, aquele que acham filmagens feitas de alguma investigação assombrosa, aonde certamente algo deu muito errado, e alguém por algum acaso acha depois como foi filmada toda a treta, e esse estilo já não nos surpreende, não nos envolve, muito menos empolga, de modo que o longa "A Maldição da Freira" até possui uma forma diferenciada pelo formato de tela quadrado, pela gramatura da filmagem dos padres, e até pelo teor da trama que mostra um convento com pessoas impuras, jogadas para fora da sociedade, que acabam entregando/trazendo coisas ruins para o local, mas tudo soa tão falso e forçado, que mesmo na cena mais tensa aonde o tal milagre ocorre e na sequência aonde há explosões, crianças fantasmas passeando e tudo mais, acabamos nem nos arrepiando, e sendo assim, o filme não causa como deveria.

O longa nos conta que no outono de 1960, os padres Thomas Riley e John Thornton são enviados pelo Vaticano para investigar um evento milagroso em um lar irlandês para mulheres órfãs, grávidas solteiras ou com distúrbios mentais. Lá eles encontram uma adolescente grávida com sinais de possessão demoníaca e acabam descobrindo algo terrível.

Em sua estreia na direção de longas, a jovem Aislinn Clarke foi condizente em querer trabalhar de uma forma diferenciada, optando por filmar em película de 16mm, utilizando efeitos práticos ao invés de computacionais, e com isso seu filme teve um ganho visual bem interessante, funcionando de uma forma bem seca e interessante, lembrando bem os longas de terror de antigamente, que não tinham tanto orçamento e acabavam assustando pela essência, pela história em si, porém faltou para a diretora acertar também a história, já que também foi a roteirista do longa, para que causasse mais tensão e tivesse momentos mais fortes, pois os que acabaram acontecendo tiveram síntese simples, não forçando o medo, nem assustando, pois sempre nos preparavam para os sustos momentâneos característicos do estilo, e assim sendo, o resultado final ficou fraco perto de tudo o que poderia ter feito com o público.

Agora um ponto bem favorável do longa foram as expressões dos protagonistas, que mostraram situações desesperadoras com muita crença e impacto, parecendo até mesmo estarem no meio do ocorrido real da trama, ou seja, se doaram para o filme, mesmo que aparecendo em ângulos estranhos para estar na frente das câmeras, ou seja, tanto Lalor Roddy como Padre Thomas, quanto Ciaran Flynn como Padre John se entregaram, fizeram boas cenas, e correram muito nas horas mais tensas da trama, agradando bastante. Helena Bereen deu um tom forte para sua Madre Superior, sendo misteriosa, e fazendo bons elos para com os protagonistas. E claro, tivemos Laura Coe como a possuída Kathleen, que inicialmente parece bem calma, mas ao entregar olhares mais tensos conseguiu impressionar bastante. Quanto aos demais, os destaques ficaram para as crianças que surgiam do nada e deram um tom bem assustador para diversas cenas com suas falas sobre como matar os padres.

A trama em si colocou poucos elementos cênicos, tendo destacado apenas as câmeras utilizadas para as filmagens, e claro o visual em si do convento, com rituais satanistas, cruzes virando de ponta cabeça, e claro pessoas presas, mas sem dúvida os momentos nos túneis foram os mais tensos, e mesmo com simplicidade cênica conseguiram criar muitas nuances tensas e interessantes de serem vistas. A fotografia brincou muito com o apagar das luzes para criar elementos de aparições, mas funcionou bem pouco, pois sempre que colocavam o elemento, já sabíamos que algo surgiria, e assim o resultado não impressionou como poderia.

Enfim, é um filme razoável, que usou de recursos tão comuns do estilo que assistimos, e ao final saímos da sessão desapontados com tudo o que tentaram passar e não conseguiram, ou seja, dispensável, e que não dá para recomendar. Diria que o estilo já teve outros melhores exemplares para agradar mais. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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O Parque Dos Sonhos em 3D (Wonder Park)

3/04/2019 02:04:00 AM |

É engraçado observar como alguns diretores de animação geralmente se vertem por estilos incomuns nas histórias, de modo que um filme sobre um parque de diversões, com animais falantes, provenientes da imaginação de uma garotinha, poderia virar algo quase depressivo, falando de doenças, medos, temores, e tudo mais num tom mais denso e forte, que remetesse a situações de tentar se superar e voltar para salvar sua esperança. Ou seja, "O Parque Dos Sonhos" consegue ser profundo e divertido na mesma proporção, e que graças às muitas cores, aos bichinhos cheio de interações, a trama consegue prender a garotada com bastante envolvimento, pois a densidade mais puxada para um lado sombrio, raspa de fazer com que o público fique mais tenso do que feliz, e o risco de dar errado era bem algo, mas felizmente o resultado final acaba bem agradável e gostoso para todos curtirem, valendo tanto para os pequenos, quanto para os adultos tentarem lembrar que mesmo que o medo lhe domine, temos de buscar nossa luz interior e voltar a sonhar para que os sonhos se concretizem.

A jovem otimista e sonhadora June encontra escondido na floresta um parque de diversões chamado Wonderland, que é cheio de passeios e animais que falam. O único problema é que o parque está confuso e desorganizado. June logo descobre que o parque veio de sua imaginação e que ela é a única que pode deixar o lugar mágico de novo.

Embora não seja feito pelas maiores produtoras de animações, o longa mostrou um grande feitio em texturas e composições, de modo que certamente caso desejassem trabalhar até mais no parque com os diversos brinquedos fantasiosos, e nas loucuras da garotinha, certamente o longa entregaria algo cheio de virtudes e muita tecnologia, agradando tanto no contexto quanto talvez em algum jogo envolvente com todos os personagens da trama. Porém o diretor não quis ir por esse vértice, e junto com diversos roteiristas de peso, acabaram optando por trabalhar mais como nossa mente pode apagar toda a desenvoltura criativa quando o medo e a escuridão da dúvida e questionamentos entram com força na nossa mente quando temos algum problema. Ou seja, tivemos uma animação que soa bonita visualmente, mas que trabalha tanta tensão dramática que o resultado fica bem no meio termo com algo mais introspectivo.

Mesmo com esse tom mais dramático, os personagens conseguiram ter um carisma incrível com suas cores, estilos, formas, de maneira que acabamos rindo até mesmo com os bichinhos de pelúcia zumbis maníacos que saem destruindo tudo no parque, mas sem dúvida o grande feito fica a cargo do ursão Boomer, do macaco Peanut e da javali Greta, que conduzem bem cada ato seu, tendo ótimas texturas, maravilhosas interações entre si, e com a protagonista, e principalmente fazendo a dramaticidade acontecer. Quanto da protagonista June, a garotinha teve uma pegada bem moldada de atitudes, e junto com sua família e amigos conseguiu transmitir segurança, e envolver a cada ato. A dublagem feita com bons atores e dubladores de profissão conseguiu dar um tom bem colocado com boas pegadas pela turma do Porta dos Fundos, e montando cada ato com simplicidade, mas colocando atitude e bons tons. Outro ponto muito bem divertido, foram os alunos indo para um acampamento matemático, todos entoando musiquinhas e piadelas envolvendo números, pi, e tudo mais dessa matéria que raramente vemos em filmes animados.

O visual completo do longa foi incrivelmente recheado de detalhes, com a garotinha montando maquetes do parque espalhadas pela casa toda, brincando bem com os amiguinhos para criar o seu próprio parque real com pedaços de madeira e tudo mais, além claro da grandiosa composição quando entramos realmente no parque completamente destruído, com elementos voando, mostrando sonhos se destruindo, e claro muitos elementos alegóricos bem colocados para representar cada ato, tudo com muita textura, muitas cores, dando algo belíssimo de se ver. Quanto do 3D da trama, diria que temos muitos bons momentos, mas poderiam com toda certeza ter abusado muito mais para agradar o público que gosta desse estilo, com tudo voando para a escuridão, mas claro que os momentos na montanha russa, e no escorregador deram o charme visual de profundidade comum de vermos em simuladores.

Enfim, é uma animação gostosa que dá para curtir pelo ar divertido desenvolvido, mas que soa bem pesada pela trama inserida, que pode até assustar, mas que agrada bastante por tudo o que foi mostrado na tela, criando um estilo até diferente do usual. Claro que esperava bem mais desenvolvimento do parque, por gostar muito de jogos desse estilo, mas a forma que tudo foi colocado no longa, acabou sendo sutil e bem encaixado, valendo a recomendação. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Crimes Obscuros (Dark Crimes)

3/02/2019 07:36:00 PM |

Se tem um estilo que não é muito comum vermos nos cinemas são os longas investigativos bem feitos, seja pela forma, ou principalmente por diretores não serem ousados o suficiente para conseguir contar uma história mais coerente e forte ao ponto de prender o espectador na poltrona. Digo isso, pois sempre que vem algum longa do gênero de cara já falo, que ou vai ocorrer algo no final que me surpreenderá e ficarei de queixo caído, ou o filme vai se enrolar inteiro para no final nada ser considerado forte e empolgante como poderia, e dito e feito, "Crimes Obscuros" tenta se verter em um crime do passado, investigado por um policial com passado conturbado que em momento algum conseguimos entender seus anseios e impactos, com personagens desenvolvidos sem muita precisão, e que ao final até temos uma cena ao menos coerente com tudo o que foi entregue, mas que também não causa muito, e sendo assim fica até fácil entender a demora do longa em ser lançado nos cinemas, pois filmado em 2016, certamente ficaram na dúvida de se daria bilheteria, e ao menos a sala tinha um bom público, mais de curiosos do que de pessoas que saíram felizes com o resultado final.

O longa nos conta que o policial Tadek (Jim Carrey) investiga um caso de assassinato não resolvido e encontra semelhanças do crime em um livro do artista polonês Krystov Kozlow (Marton Csokas). Ele começa a investigar a vida do escritor e da sua namorada, uma mulher misteriosa (Charlotte Gainsbourg) que trabalha num sex club. Sua obsessão aumenta e Tadek fica cada vez mais atormentado, adentrando num submundo de sexo, mentiras e corrupção.

Embora a trama tenha uma produção americana, podemos dizer que ele é quase que 90% polonês, e lembra bem mais filmes europeus dramáticos pelo estilo, do que uma investigação policial americana, e o diretor Alexandros Avranas fez questão de manter esse estilo na pegada, nas cenas fortes de estupros, nas demonstrações dos clubes de estupro, e quando focava na personalidade do protagonista e em suas desventuras investigativas quase sem muito eixo, ele permeava para algo mais mental do que de atitudes, o que é um bom contraponto, porém não conseguiu ir muito longe, e dessa forma o filme ficou um pouco vazio de ação, mais cansando do que empolgando, o que não é comum no gênero, fazendo com que o lado obscuro (como o próprio título diz), não ficasse impactante nem no final escolhido, mostrando que embora seja baseado em algo que realmente aconteceu, a falta de ficção forçada em algo mais dinâmico, resultasse em um longa fraco e que acabamos olhando no relógio para ver quanto tempo já passou, mesmo o filme sendo de apenas 92 minutos.

Sobre as interpretações, Jim Carrey já estava com problemas em 2016 quando gravou o longa, e seus olhares, estilo de interpretar, e até mesmo a forma condutiva do personagem que ele colocou aqui demonstra o motivo dele ter se privado de um bom tempo longe das câmeras, e embora tenha colocado muita personalidade em seu Tadek, ele não fluiu como costumeiramente fazia, entregando até um bom policial problemático, mas como o diretor também não mostrou muito a origem e os problemas do personagem, ele acabou ficando vazio demais para empolgar e dar o seu máximo. Marton Csokas é daqueles atores dúbios que adoramos ver, e aqui seu Krystov veio preparado para confundir, desenvolver e instigar tanto o protagonista, quanto o público, fazendo ótimas cenas, mas que por serem poucas, acabam não chamando tanto a atenção, e certamente se o filme focasse mais nele, do que em Tadek, o resultado seria incrível. Já estou quase acreditando que Charlotte Gainsbourg é ninfomaníaca, pois depois de fazer a personagem principal de um longa com esse nome, aqui sua Kasia ataca bem nesse estilo, fazendo formas dinâmicas, e sendo misteriosa na medida, mas entregando sempre pontas soltas para a acusarmos, ou seja, fez o papel bem, mas nada que surpreenda. Quanto aos demais, tivemos boa conexões para mostrar muito a corrupção na polícia, mas nada que merecesse pararmos para reparar em alguém, fazendo que não tivéssemos ninguém mais para destacar.

O visual da trama é bem escuro, cheio de nuances moldadas, com locações fortes e chamativas, mas sem muitos objetos cênicos para valorizar a trama, tirando claro o começo com videocassetes mostrando os clubes de estupro, as diversas formas de acontecer, e claro a investigação de um crime do passado, mas sempre sendo simples de tramas, e criando apenas as dinâmicas necessárias para que o filme fluísse, ou seja, uma arte condensada que acaba até bem colocada, mas sem nada surpreendente realmente para mostrar o trabalho da equipe de arte. A fotografia ficou muito gelada, com tons azuis, cinzas e pretos, que tentaram dar um ganho de tensão para o filme, mas nada que valorizasse realmente a investigação.

Enfim, é um filme até razoável, mas que por não chegar realmente num clímax que valesse a pena, acaba sendo falho e deixando o público na mão de algo que fosse chamativo como a sinopse e o trailer prometiam entregar. Não diria que é um longa totalmente esquecível, mas também não posso dizer que é daqueles que recomendo que você vá conferir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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A Caminho de Casa (A Dog's Way Home)

3/02/2019 03:18:00 AM |

Antes de iniciar o texto, preciso que os amigos que costumam ler os livros antes de ir ao cinema, me fale se na trama realmente o cachorrinho é um pitbull, ou apenas se parece com um, pois na trama cinematográfica isso foi o que mais me incomodou, com o guarda querendo prender a bela cachorrinha sem-raça-definida por ser um pitbull ou cão de caça como definiram ela, e ser proibido naquela cidade, portanto, quem tiver lido o livro de mesmo nome, por favor, ajude nos comentários. Dito isso, tenho de colocar que sem dúvida alguma "A Caminho de Casa" é daqueles longas que sempre que estiver passando em algum canal na TV, vamos parar para conferir ao menos um pouquinho da saga da cachorrinha muito bem adestrada, que deu um show de expressões, e que com a ótima voz de Bryce Dallas Howard em seus pensamentos conseguiu entregar para o público uma sintonia graciosa, cheia de atitudes que realmente pensamos ver em nossos cães, e que mesmo com diversos defeitos técnicos por parte de algumas cenas exageradamente computadorizadas (afinal não tinham como colocar um puma realmente atuando com um cachorro, e muito menos o cãozinho fazendo diversas travessias em meio a nevascas monstruosas), o resultado acaba impressionando bastante, emocionando os amantes dos animais, e mostrando uma boa sintonia no formato entregue. Ou seja, um filme carismático, que agrada pela simplicidade, e que se não tivesse tentado ousar tanto, acabaria sutil, doce e muito envolvente com algo menos forçado.

A sinopse é bem simples e nos conta a emocionante aventura de Bella, uma cadela que embarca em uma jornada épica percorrendo mais de 600km em busca de sua casa após ser separada de seus queridos humanos

O diretor Charles Martin Smith estava meio sumido desde seu último longa "Winter, o Golfinho 2", e com um grande carisma por animais, ele foi justamente por isso bem cotado para dirigir o famoso livro de W. Bruce Cameron (que também é o escritor de "Quatro Vidas de Um Cachorro, e que deve ter em breve sua continuação), pois ele soube em todos seus filmes valorizar os bichinhos, e dar para eles o devido destaque, e aqui, mesmo com Bella passando por diversos e diferenciados donos em sua jornada para voltar para seu primeiro e amado dono, o diretor praticamente deixa os humanos de lado focando bem tanto na cachorrinha, quanto nos demais que aparecem e se encaixam com ela, seja a puma, os lobos, os gatos, ou até mesmo o bando de cachorros esquisitos, fazendo com que a trama tivesse uma fluidez bem colocada, e a história se desenvolvesse na medida certa para não ficar nem pesada demais emocionalmente, nem bobinha demais, e com isso, o resultado acaba funcionando para todos. Claro, que o diretor forçou a barra em alguns efeitos, deixando transparecer a computação (e inicialmente estava até me surpreendendo de tudo parecer incrivelmente real), mas nem isso foi suficiente para estragar o longa, e sendo assim, quem for conferir, verá que tudo acaba bem encontrado pelas mãos do diretor.

É engraçado, mas como disse, praticamente nem precisamos falar dos humanos do longa, embora todos tenham compartilhado boas cenas junto da cachorrinha que se chama realmente Shelby, e nenhum tenha tentado aparecer mais do que os animais, e sendo assim, a jovem cachorrinha foi muito expressiva, conseguiu entregar bons momentos do começo ao fim, demonstrou um treino incrível de tirar o chapéu pelos truques que soube fazer, e com uma sintonia incrível com a voz escolhida, de Bryce Dallas Howard, nos vemos entrando nos pensamentos dela, e acabamos acreditando realmente com os olhares da cachorra que ela está nos falando exatamente aquilo, ou seja, uma conexão muito bem encontrada que mostrou que o roteiro estava afiadíssimo durante a filmagem, e claro na dublagem. E se formos falar um pouco dos atores humanos, temos de pontuar o amor mostrado por Jonah Hauer-King com seu Lucas, que foi envolvente em muitas cenas com o cachorrinho, e claro que temos de colocar todos os atores que interpretaram veteranos de guerra muito bem colocados com a melhoria junto dos animais.

No conceito visual, a equipe foi certeira nas escolhas das locações, ambientando bem o longa em paisagens esplêndidas na natureza, mostrando quase um "road-movie" canino, aonde a protagonista vai fazendo suas brincadeiras, envolvendo em desenvolturas, se metendo em roubadas no gelo, na floresta, em meio a lobos, e até tendo um relacionamento bem afetuoso quase matriarcal com um puma, aonde tudo acaba soando bem bonito de ver, e mesmo sem precisar de elementos alegóricos para desenvolverem cada ato, as lembranças da cachorrinha com seu paninho, as dinâmicas com cada pessoa, sua coleira, a corrente impactante com o mendigo, e tudo mais acabaram fluindo para resultar em um longa bem encontrado. A fotografia foi bem ousada nos estilos, trabalhando muito bem com a luz natural, mas como ousadia é um risco para longas que possuam momentos computacionais, ficou completamente evidente os atos aonde a junção das peças acabou aparecendo, mas nada que atrapalhe o longa, e assim sendo o destaque fica claro para as diversas cenas na neve, e na floresta, pelos ótimos tons trabalhados.

Enfim, é um filme bem simples, mas que consegue agradar, ser bonito de acompanhar, e que claro emociona quem gosta de animais. Ele está bem longe de ser daqueles filmes que vamos lembrar de ter visto ao nos pedirem para citar um longa bacana para conferir, mas que quando estivermos zapeando na TV, e vermos a cachorrinha passeando pela tela, certamente iremos parar, e chamar alguém para conferir junto, pois vale o tempo observando a desenvoltura da personagem em sua saga. E sendo assim, até que recomendo a trama para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos durante esse carnaval, então abraços e até logo mais.

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Emma e as Cores da Vida (Il Colore Nascosto Delle Cose)

3/01/2019 01:22:00 AM |

Sempre gostei de filmes europeus por não seguirem literalmente uma cartilha tão nominal como os longas americanos, mas sempre é bem engraçado ver que ficamos esperando esse formato para que um longa se encaixe na nossa visão e seguindo um caminho pelo menos agrade em algum ponto mais formatado. Digo isso, pois após conferir "Emma e as Cores da Vida" e não me empolgar com o que vi, fiquei pensando na mesma trama sendo dirigida por algum bom diretor americano, francês, ou até mesmo por algum argentino, e felizmente enxergo o longa muito melhor nas mãos de qualquer um sem ser o italiano Silvio Soldini, não por ser ruim, muito pelo contrário de forma que o longa feito por ele é até gostosinho de assistir, mas nas vertentes desses outros estilos de cinema, ou amaríamos demais tudo, ou sairíamos lavados de tanto chorar, ou ia ser daqueles que falaríamos que lixo de trama, enquanto nessa versão italiana temos um pouco de tudo, sem nada ocorrer. Ou seja, a trama trabalha bem o viés dos homens canalhas, das pessoas que se iludem facilmente com contos de fada, temos anseios de liberdade, e também diversos medos de atitudes, fazendo com que nada chegue bem profundamente como poderia, e assim a trama soa morna demais, embora volte a frisar, que é um longa bem interessante e gostoso, mesmo que um pouco alongado demais.

O longa nos mostra que Teo é um mulherengo publicitário que divide seu tempo entre a amante, a namorada e a elaboração de mentiras. Um dia seu caminho cruza com o de Emma, uma osteopata cega, e o que começa como mais um mero jogo de sedução se transforma numa relação inesperadamente íntima.

Um ponto extremamente notável da direção de Silvio Soldini é que ele conseguiu dois ótimos atores, e como não quis perder a essência de nenhum deles, deixou que ambos tivessem seus atos particulares ocorrendo de forma bem determinada, e quando ocorresse a junção, eles teriam seus eixos e quebras incorporados, e dessa forma o roteiro tem muitas aberturas e discussões, de modo que nenhuma vem de encontro com uma possibilidade bem encaixada. Claro que com essa desenvoltura o resultado até teve uma boa fluidez, conseguindo envolver o público com a força da protagonista em sua independência, que tenta passar para sua aluna, e claro para o público de enxergar muito além do que a própria visão permite, e também o elo do mulherengo que tenta ter coragem para assumir seus erros, mesmo gostando de sua liberdade moldada também. E nesse jogo o diretor trabalhou bem cada cena para que o filme não ficasse cheio de esquetes e até tentasse bem lá no fundinho enxergar um rumo coeso bem montado, mas infelizmente não explode, acabando até jogado demais, mas como disse no começo, o diretor foi bem esperto em alongar a trama, não deixando que as cenas fossem corridas, e muito menos suas ideias ficassem jogadas, sendo tudo encerrado na medida, mesmo que o filme não fosse encerrado realmente, e assim, o resultado acaba bonito, mas fraco como um grande e maior fruto.

Sobre as atuações, Valeria Golino encontrou bons momentos, entregou uma cega com ares fortes, e fez de sua Emma, uma mulher digna pelas atitudes, pelos ensejos, e principalmente por ser independente e ter uma vitalidade incrível de ser passada, conseguindo agradar não em uma ou outra cena, mas em todas do começo ao fim, dando vivência e envolvimento para a personagem, o que faz o público fixar completamente o olho em todas as suas atitudes cênicas. Adriano Giannini colocou para seu Teo todo o teor do homem garanhão moderno, que se acha o rei da cocada preta, se garante com diversas amantes, se acha super livre em tudo o que faz, mas que sempre tem seu ponto de quebra que ninguém vê, ou melhor, tenta não transparecer, e isso foi bom de ser mostrado, principalmente pelo ator conseguir entregar essa essência, de modo que mesmo fazendo algumas canalhices em cena, acabamos gostando dele, e assim sendo ele conseguiu agradar bastante também. Dentre os demais, tivemos leves destaques para Arianna Scommegna com sua Patti, uma cega que enxerga um pouco, mas é completamente deslocada de atitudes, sendo bem maluca e divertida suas cenas, na sequência de importância, Laura Adriani com sua Nadia, já sendo uma jovem cega que reluta em ter sua independência, e se rebela com a cegueira, e por último já bem mais simples e quase nem tão importantes, Anna Ferzetti como Greta e Andrea Pennacchi como Paolo, por serem as conexões que a trama pedia para as desventuras do protagonista, de modo que todos foram mais encaixados como bem secundários, deixando que os dois protagonistas entregassem tudo.

A equipe de cenografia foi singela nos elementos, colocando muitos obstáculos para que as jovens cegas tivessem de passar, mas trabalhando bem para que o público, e claro, o protagonista olhasse mais ao redor, vendo detalhes em seu apartamento, na vizinhança e até mesmo na família e no trabalho, criando vértices positivos bem encaixados que acabaram dando um tom bacana, e com boas escolhas de locações, a trama foi desenhada para envolver desde o simples consultório da protagonista, até o luxuoso escritório do publicitário, passando pelos apartamentos mais diferenciados possíveis, e chegando até um bar exótico no meio de um bosque, ou seja, tudo muito funcional e bem colocado no longa.

Enfim, como falei no começo a trama passa bem longe de ser algo ruim, pois consegue ser gostosa de conferir, tem bons momentos, e mesmo sendo um pouco alongada com praticamente duas horas de projeção, nos envolve de modo que não vemos o tempo passar, porém, poderia ter ido mais a fundo em alguma das propostas que o diretor nos apresentou, para que o filme ficasse mais comovente e chamativo, o que acaba não sendo um filmaço para recomendar. Mas fica a dica para enxergarmos um pouco além, e se envolver também com a trama, de forma que quem for conferir, certamente também sairá feliz de não perder tempo, pois volto a frisar, que é algo gostoso de acompanhar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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