Palmeiras - O Campeão do Século

9/29/2016 01:36:00 AM |

Já disse isso algumas vezes e volto a repetir, que todo documentário que se preze não deve ficar amarrado parando para explicações, ou até mesmo ficar exagerado aparentando para o público as perguntas ou histórias que cada entrevistado responde ou conta, pois acaba ficando monótono e não cria o clima para que adeptos ou não do tema se adentrem e emocionem com tudo o que lhe é mostrado. E sempre gosto de frisar isso quando confiro longas documentais sobre times, pois alguns diretores procuram enaltecer tanto a história do clube que acaba que quem não for torcedor sai da sessão amuado como se apenas tivesse assistido algo obrigado, e felizmente com "Palmeiras - O Campeão do Século", o trabalho dos diretores foi tão bem planejado que mesmo não sendo palmeirense conseguimos nos divertir com as situações (mesmo vendo seu time perder para o protagonista!) e o resultado final acaba agradando bastante. Ou seja, um documentário completo com bons momentos, momentos duros para o time e torcedores, e claro muita história para contar desde a fundação, mostrando até coisas que certamente pouca gente conhece, e claro cenas divertidas com os torcedores mais fanáticos.

O longa de certa forma foi bem feito por Mauro Beting e Kim Teixeira, e acabou sendo desenvolvido num ritmo bem colocado para que nada fosse atropelado e nem enrolasse falando de algum momento. Porém usaram demais do efeito de slow motion combinado com pausas para dar mistério sobre alguns resultados, e claro que no primeiro momento até ficamos curiosos para o que vai ser mostrado (afinal como disse não sou palmeirense, e muito menos fanático por futebol, portanto não sei quase nada da história de cada clube), mas após dois feitos do mesmo jeito, já elaboramos um estilo e sabemos que vai acontecer sempre nas outras vezes, o que acaba ficando um pouco chato. Não digo que isso seja algo que tenha estragado a história do clube da forma que foi contada, apenas exagerou demais num recurso que poderia ser singelo apenas e não um efeito de edição para todos os lances (tipo aqueles efeitos de vídeo de festa de aniversário ou casamento que se repete toda hora). Ou seja, foi um mero defeito técnico que poderia ter sido economizado, afinal o restante já era suficiente e não necessitava de tanto mistério.

Não vou ficar me prendendo falando de cada momento do longa, afinal quem é palmeirense conhece tudo, e para quem não é, eu estaria estragando os lances do filme, porém assim como já foi mostrado no longa "Santo Marcos - Goleiro de Placa", as partes que contam um pouco dos feitos desse goleiraço que o Palmeiras teve são as mais divertidas e junto com os momentos da fundação foram os mais bacanas de ver na telona.

Enfim, é um longa que foi bem feito e teve uma pesquisa bem interessante feita, e que junto de personalidades do clube, torcedores famosos e desconhecidos, jornalistas e jogadores conseguiram trabalhar bem a dinâmica para que principalmente não tivéssemos um documentário chato de assistir. Ou seja, recomendo bem o filme principalmente para quem for palmeirense, mas que o longa irá comover também os torcedores de outros times não tenho nenhuma dúvida, portanto quem puder e gostar de documentários confira. Fico por aqui encerrando essa semana cinematográfica que foi bem corrida, mas amanhã já inicio uma nova que vai ser bem pegada, então abraços e até breve.

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Tô Ryca!

9/28/2016 01:15:00 AM |

Todos sabemos como é a programação da Rede Globo aos sábados já há muito tempo, com uma fórmula gasta e apelativa de humor, porém dois humoristas lá dentro sempre tiveram destaque e até sobressaiam com alguns personagens, Rodrigo Sant'Anna e Samantha Schmütz, e se Rodrigo já deu certo também no cinema com alguns longas, agora chegou a vez de Samantha tentar a sorte protagonizando nas telonas com "Tô Ryca". A proposta do filme em si até aparentava ser boa, com um desafio considerado por muitos dificílimo, mas que poderia ir de forma diferente com outros rumos, porém com alguns exageros a trama até tentou passar uma boa lição de moral, e principalmente, mostrou realmente pobres fazendo coisas de pobres, ou seja, não ostentando, mas exagerando em coisas simples, e esse que é o grande barato do filme, que sim é forçado, mas ainda está bem longe (graças aos deuses do cinema) do que víamos aos sábados.

O longa nos mostra que Selminha é uma frentista que tem a chance de deixar seus dias de pobreza para trás ao descobrir uma herança de família. Mas para conseguir colocar a mão nessa grana, ela terá que cumprir o desafio lançado por seu tio: precisa gastar R$ 30 milhões em 30 dias, sem acumular nada e nem contar para ninguém. Mas, nessa louca maratona, ela vai acabar descobrindo que tem coisas que o dinheiro não compra.

Em sua primeira direção de longas, Pedro Antônio utilizou da mesma fórmula que já trabalha há tempos nas séries da Multishow, e de certa forma não podemos dizer que isso é um erro, pois são programas com grande audiência e que diverte bem o público em geral, porém no cinema o tempo para manter a comicidade é algo maior do que uma esquete, que ao fechar cada episódio ou ir para a propaganda se consegue ter uma quebra e amarrar o público, o que não tem como num filme, pois os 108 minutos estão lá e a segurança é necessária do começo ao fim com poucos momentos para ser desenvolvida. E isso foi a falha principal do filme, pois a história é boa e já deu certo em 1985 com "Chuva de Milhões", que possui o mesmo mote, porém ao exagerar a trama em diversas esquetes para que ficasse sempre engraçada, acabou forçando demais a barra e com isso saímos da popular comédia gostosa quase indo para o apelativo pastelão, que certamente os roteiristas não desejavam atingir. Não digo que o resultado geral é ruim, pois o filme trabalha bem a moral da amizade e também o estilo das comunidades aonde basta a pessoa ganhar um pouquinho de dinheiro que já muda completamente e faz besteiras com o dinheiro, mas faltou deixar isso de um modo mais sútil para agradar.

No quesito da atuação, Samantha Schmütz incorporou completamente o seu papel de Selminha e com toda certeza saiu-se bem com o que fez, porém sempre foi uma artista repleta de exageros, e sem um diretor mais impactante que soubesse a controlar, ela foi somente elevando o tom e sem conseguir parar ficou divertida mas apelativa demais nos trejeitos, e isso não é algo legal de se ver, portanto talvez se um diretor ousasse mais com uma personalidade forte para ela, ainda divertiria sem forçar a barra. Katiuscia Canoro talvez precisasse de um incentivo a mais para seu papel de Luane ou ela sentiu que não tinha mais como atacar para o filme ir para rumos melhores, pois é notável sua segunda fase na trama de uma maneira desanimada demais, claro que o filme mostra motivos para o desgosto da personagem pela amiga e cabe bem dentro do contexto, mas é fato que o desânimo ficou além do que a proposta pedia. Marcelo Adnet apareceu praticamente somente em quatro cenas com seu Falacio, mas foi o suficiente para irritar o público com seus exageros desconexos que somente ele e seu agente acham engraçado, de tal maneira que acaba sendo um personagem que teria muita importância na trama, mas acaba ficando jogado apenas. Marcus Majella e Fabiana Karla foram bem interessantes nos seus papeis e até nos momentos mais bobos acabam divertindo com suas caras e bocas de seus Ulysses e Marilene. Já do outro lado Anderson di Rizzi e Marcelo Mello Jr. acabaram soando como enfeites, e di Rizzi acabou sendo a maior falha do planeta ao aparecer numa festa logo após uma operação sem nem uma faixa operatória nem nada, ou seja, continuísmo 0.

No conceito visual da trama arrumaram locações interessantes, mostraram um bom zelo com objetos cênicos para que o filme ficasse completamente condizente com a ideia de como gastar muito dinheiro em pouco tempo, e com muita certeza a equipe gastou bem mais dinheiro fazendo todo o visual para que tudo ficasse perfeito que acabou esquecendo dos detalhes acima que citei, mas ao menos não podemos reclamar que foi uma produção fraca. A fotografia do longa ficou dentro do tradicional de comédias aonde a iluminação básica não evoluiu nem deu nenhum charme a mais para que pudéssemos discutir tonalidades, e sendo assim também não ouve nada de ousado que merecesse qualquer destaque.

Enfim, um filme com uma boa ideia, mas que falhou em demasia em exageros que poderiam ser amenizados. Claro que está bem longe de ser uma bomba que deva ser evitada, mas também não é nada que fará você rir feito um maluco na sala do cinema, saindo apenas feliz com a diversão proporcionada em algumas cenas. Portanto se você gosta de filmes mais escrachados, é talvez uma boa opção para conferir nos cinemas, mas se não faz esse estilo, fuja rápido para um outro longa que certamente será a melhor opção. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia da semana, então abraços e até breve galera.

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Lembranças De Um Amor Eterno (La corrispondenza) (The Correspondence)

9/27/2016 01:53:00 AM |

Certa vez um amigo me perguntou qual a receita para que um romance funcione bem e lembro de ter citado um dos que mais marcou pelo estilo na época que foi "P.S. Eu Te Amo", e por mais incrível que pareça, ninguém até hoje tinha ousado mexer nesse estilo, digo até hoje, pois com "Lembranças De Um Amor Eterno", o famoso diretor italiano Giuseppe Tornatore, de "Cinema Paradiso" trabalhou um pouco mais a ideia e usando astrofísica, encriptações de mensagens e muitos vídeos feitos em baixa qualidade conseguiu mostrar a mesma mensagem de forma diferente e acabou agradando e comovendo bem. Claro que está longe de ser algo perfeito como foi o emotivo longa na época, mas trabalhou tão bem a história colocando pitadas de "A Teoria de Tudo", e acabou unindo também um pouco da vida dos dublês de filmes que seu filme acabou indo para um rumo diferenciado e por horas até estranho, mas que foi bem feitinho e acaba tocando com a boa trilha de Ennio Morricone, ou seja, um filme que foi ousado, mas que soou simples, agradando pelo bom conjunto.

A estudante universitária Amy leva uma vida de excessos. Trabalhando como dublê, ela faz acrobacias cheias de suspense e perigo, durante cenas de ação. A jovem passa seu tempo livre trocando mensagens com seu namorado, o professor de astrofísica Edward (Jeremy Irons), pelo computador. Após ele negar se encontrar com Amy, ela irá escobrir um triste segredo de seu amado.

Claro que se formos olhar somente para um estilo, muitos irão dizer que o diretor então apenas plagiou a ideia e a fez de uma forma diferente, e de certa forma até podem o acusar disso, porém o grande feito de Tornatore foi saber trabalhar a ideia de uma forma interessante para o momento, pois hoje vemos muitos casais que namoram a distância, e de certa maneira isso funciona bem, como é o caso dos personagens principais da trama, claro que ninguém espera pelo pior, mas a sacada aqui foi como ele desenvolveu tudo nos mínimos detalhes para que a história do cosmos de novas possibilidades e de que a luz que estamos vendo de uma estrela hoje, pode não estar mais lá quando realmente formos vê-la por já ser uma estrela morta, acabou seguindo uma perspectiva bem profunda e interessante. Agora sabemos que poderia fazer de uma forma mais profissional todas as filmagens e não usar de recursos simples para mostrar que um longa pode ser feito com câmeras mais singelas, isso poderia ser feito através de edições e tudo mais, porém o diretor optou por usar realmente as câmeras mais simples, e a qualidade em diversos momentos vai lá para baixo, o que peca um pouco no resultado técnico, longe de emoções da história, mas temos de pontuar que poderia ser feita de outra maneira. Agora tirando esse detalhe técnico, o trabalho todo foi bem incrível, pois tanto nas cenas mais comoventes, quanto nas cenas de ação da protagonista (que não foram poucas e acaba tendo até um grande sentido para tudo o que ocorre) ficaram incríveis de ver.

Já que falei um pouco das ótimas cenas de ação da protagonista, temos de pontuar que espero que mesmo sendo um filme que fala das loucuras dos dublês, a atriz Olga Kurylenko tenha usado de uma dublê também para essas cenas, pois durante as gravações de sua Amy, ela estava grávida de 4 meses (souberam esconder bem a barriguinha) e não iria se arriscar fazendo tudo o que fez, mas tirando esse detalhe, a atriz ucraniana dominou bem a tela transbordando emoção e fazendo olhares apaixonados e desesperados conseguiu segurar todos os olhares para seus bons ângulos, ou seja, segurou a responsabilidade completa por estar quase que 100% sempre em destaque. Quanto a Jeremy Irons, é fato dizer o quanto esse ator sabe dominar bem suas palavras, pois seu Ed parece sempre estar declamando poesias para a protagonista, fazendo mais do que um mago para acertar cada momento, deixando qualquer mulher apaixonada por tudo o que faz em cena, ou seja, mesmo não sendo tão mais novo para agradar com um corpo, ele teve o dom da palavra para chamar a responsabilidade amorosa na tela. Dos demais atores, a maioria apenas teve participações bem rápidas, afinal o longa foca completamente na relação dos dois protagonistas, mas Simon Johns teve boas cenas com seu Jason, e principalmente terminou muito bem o longa, agradando com simplicidade, e Shauna MacDonald foi concisa nas cenas que fez de sua Victoria, não criando muitas perspectivas, porém trabalhando a expressão certa nos momentos exatos.

No conceito visual, a equipe italiana não economizou nas escolhas cênicas, indo para uma ilha particular maravilhosa com um lindo casarão todo ornamentado para representar o lugar mais romântico do casal, trabalhou também boas cenas na Inglaterra aonde aconteceram as principais cenas de filmagens da atriz sendo dublê de risco, com muita ação envolvida e alguns momentos em Edimburgo na Escócia para representar a outra família do protagonista, entre meados numa escola, e apartamentos bem simples mas cheio de nuances e elementos cênicos, principalmente um computador antigo aonde a protagonista via os vídeos feitos pelo seu par, dando tapas para funcionar a leitura de CDs, e claro sempre o bom e velho envelope vermelho romantizado e que fez a cena em quase todos os momentos do longa. Não diria ser uma obra prima no conceito visual, mas souberam dosar ação com romantismo na medida certa. Quanto da fotografia, abusaram muito de um tom azulado demais, que por vezes ficou até estranho de se ver, e a priori sem praticamente nenhum motivo, pois não trouxe tristeza que é a principal característica da cor, e muito menos ousou em simbolizar isso, apenas quiseram trabalhar mais esse tom, e o filme ficou intensificado assim.

Musicalmente é claro que Ennio Morricone não nos decepcionaria, e com trilhas bem melosas acabou segurando bem a onda do longa, trabalhando sempre no conceito de tentar emocionar a cada novo vídeo do protagonista.

Enfim, é um filme bem gostoso de assistir, que emociona e mostra que os italianos, mesmo que copiando de certa forma ideias de outros longas, conseguiram fazer um longa próprio e com características bem marcadas para agradar à todos, ou seja, algo que valha a pena ser visto. Sendo assim recomendo o longa para quem gosta de filmes românticos, mas sem muita melação para agradar não somente aos exagerados. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto de alguma estreia, então abraços e até breve pessoal.


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Desculpe o Transtorno

9/25/2016 10:46:00 PM |

Se existe um gênero que o Brasil certamente deveria investir por estar funcionando muito bem é o de dramédias românticas, pois ao trabalhar temas sérios com uma profundidade coesa e ainda dar um tom cômico para isso é algo que quando bem feito agrada demais e comove o público, e quem anda fazendo isso já há um longo tempo são nossos vizinhos argentinos, e claro sempre com uma qualidade incrível. Digo isso, pois diferente do que ocorre em comédias bobas, que rimos de piadas absurdas e escatologias, isso quando rimos, aqui o resultado é outro, pois acabamos nos divertindo com a situação e fluindo mais com a história, que por vezes até acabamos nos conectando com a ideia completa, como foi o caso de "Desculpe o Transtorno", aonde o diretor Tomás Portela foi simples e objetivo na montagem, e junto de um ótimo ator (que quando quer faz bem) acabou trabalhando um resultado incrível de filme divertido na medida certa e que nos leva a pensar na vida regradinha que levamos.

Um homem tem dupla personalidade e incorpora as diferenças entre Rio de Janeiro e São Paulo: Uma hora ele é o certinho e tímido paulistano Eduardo; em outra, se transforma em Duca, um carioca fanfarrão e folgado. Ele se envolve em uma grande confusão amorosa quando, apesar de estar em um relacionamento estável com a noiva, seu alter-ego acaba se apaixonando por outra mulher, que ele acaba de conhecer.

Não sei se o diretor Tomás Portela também possui transtorno dissociativo de identidade, mas é um dos diretores nacionais que mais tem variado nos estilos das produções, fazendo comédias românticas, terror psicológico, ação policial e agora atacando nos dramas cômicos, ou seja, podemos dizer que é um diretor que não tem medo de arriscar, e busca imprimir sempre sua marca aonde coloca a mão, pois o que podemos ver de semelhante nos seus quatro longas é a liberdade criativa que deixa nas mãos de seus protagonistas, pois incrivelmente em todas suas direções, os atores acabam levando o longa quase que livremente para encontrar rumos fluídos e bem incorporados, o que raramente vemos no cinema nacional. Claro que em "Isolados" ele deixou tudo muito figurativo, e em "Qualquer Gato Vira-Lata" temos alguns exageros nas personificações, porém com "Operações Especiais" e agora com esse novo lançamento, o diretor deixou que tanto Cleo Pires em Operações quanto Gregório Duvivier aqui fizessem seus longas com suas caras, quase entrando no rumo do cinema de atores que tanto vemos em grandes ganhadores de Oscar, e isso muitas vezes é arriscar a mão, pois o ator pode não corresponder à expectativa do diretor para com seus planos, mas volto a frisar que em ambos os casos, o acerto foi brilhante, e novamente aqui ele fez um filme simples, mas com muito conteúdo para ser trabalhado e agraciado, ou seja, um filme tecnicamente perfeito, que talvez possamos contar apenas como defeito o exagero de idas e vindas de avião que chega a cansar, mas tirando esse detalhe, tudo flui muito bem e divertiu, que é o princípio de uma boa comédia.

Se no longa "Contrato Vitalício" Gregório Duvivier conseguiu ser completamente irritante e por vezes tivemos vontade de bater nele devido o excesso de exageros, aqui com seu Eduardo/Duca o ator conseguiu reverter completamente a má impressão de ator sem qualidades para o cinema que tanto questionamos, pois trabalhou expressividade, foi coeso nos momentos mais delicados e ainda colocou personalidade (dupla por sinal) em seus personagens, fazendo com que tivesse um carisma fora da medida e acabássemos nos conectando bem com seu problema, ou seja, assim como disse que Fábio Porchat deveria repensar seu estilo após fazer bem "Entre Abelhas", posso dizer o mesmo para Duvivier pensar se comédias escrachadas vão lhe dar futuro, pois as comédias dramáticas lhe caíram bem como uma luva. Dani Calabresa foi bem como Viviane, mas de certo modo ficamos pensando se existem realmente mulheres tão exageradas (para não dizer chatas) como a que ela (ou os roteiristas) se inspirou para fazer o papel, pois chega a incomodar o estilo da personagem de tão forçado que a atriz acabou incorporando. Clarice Falcão foi singela e interessante com sua Bárbara, e de certa forma pelos olhares até pintou um certo clima de reconciliação na vida real, ou só fizeram bem seus papeis (já que Clarice e Gregório foram casados em 2014), mas mais do que belos olhares, a atriz também deu boas lições com a doçura de explicações psicológicas complexas que acabaram chamando bastante a atenção para seus momentos. Rafael Infante e Daniel Duncan trabalharam bem como os amigos do protagonista, e até conseguiram sem ser forçados aparecer pouco e agradar, o que mostra que a turma do Porta dos Fundos pode cair bem quando não está fazendo humor ácido, se forem bem trabalhados por um bom diretor. Marcos Caruso teve algumas participações como o pai do protagonista, mas nada que fosse memorável, mas como sempre conseguiu ser simbólico em alguns momentos, como na cena do banheiro.

Basicamente o longa possui quatro locações principais, o aeroporto do RJ aonde o protagonista conhece a mulher coelho, a sua casa de infância que foi muito bem decorada para manter ares antigos como se a mãe tivesse parado no tempo, o escritório da empresa de patentes aonde o que vemos são apenas pessoas trabalhando em frente de seus computadores divididos por divisórias, e o apartamento perfeito para quem TOC com tudo em tons cinzas bem clean e cheio de nuances simbólicas para com a vida regrada do personagem principal. Ou seja, não temos um filme muito trabalhado nos elementos cênicos, mas de certa maneira tudo é bem colocado para simbolizar cada fase do protagonista. E claro que procuraram também dar o contraste entre as duas cidades, colocando São Paulo como uma cidade cinza e séria, enquanto o Rio de Janeiro foi colocado como uma cidade viva, descontraída e cheia de calor humano, ou seja, a velha rixa entre os dois estados. No conceito fotográfico abusaram demais de closes talvez para economizar na cenografia, e de certo modo faltou uma pegada de ambientação maior aonde o diretor pudesse trabalhar tons e iluminações diferenciadas, porém nos momentos mais intimistas como no pôr-do-sol e no passeio de bicicleta souberam colocar tudo à prova para envolver e chamar atenção.

Enfim, um filme gostoso de assistir e de ouvir também, já que com uma musicalidade bem doce o longa acabou sendo envolvente e se fez valer do ingresso. Recomendo a trama com toda certeza tanto para quem gosta de comédias românticas quanto para quem gosta de um estilo mais dramatizado, pois o final foi muito bem trabalhado nesse conceito, ou seja, um filme para todos os estilos, que mostra que o Brasil pode se tornar uma potência cinematográfica se não forçar tanto a barra. Bem fico por aqui hoje encerrando os filmes que estrearam na semana passada e não vi, mas volto amanhã com mais longas, afinal nessa nova semana ainda tenho mais três estreias para conferir, então abraços e até breve galera.

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Sete Homens e Um Destino (The Magnificent Seven)

9/25/2016 02:25:00 AM |

Já que ultimamente a originalidade de temas anda meio murcha em Hollywood, o jeito está sendo requentar os clássicos, e claro que como hoje o mundo se tornou uma selva de pedra, pensar em criar longas de faroeste é algo quase raro, mas ainda existem as boas almas que gostam do estilo e não iriam destruir um clássico fazendo qualquer bobagem, e sendo assim o diretor Antoine Fuqua nos entrega um "Sete Homens e Um Destino" bem trabalhado, com algumas boas cenas relembrando o original, mas principalmente criando seu próprio estilo, deixando de lado o faroeste tradicional que tivemos nos anos 60, partindo para um longa mais de ação/guerra aonde foi bem desenvolvida a personalidade de cada elemento com uma boa dose de história, mas predominou mesmo os momentos aonde a pancadaria come solta, e claro com uma qualidade técnica impressionante que vai agradar tanto os fãs do estilo, quanto quem desejar ver apenas um bom longa na telona.

O longa nos mostra que os habitantes de um pequeno vilarejo sofrem com os constantes ataques de um bando de pistoleiros. Revoltada com os saques, Emma Cullen deseja justiça e pede auxílio ao pistoleiro Sam Chisolm, que reúne um grupo especialistas para contra-atacar os bandidos.

Acho divertido quando muitos amigos saem reclamando de estarem refilmando clássicos, mas se analisarmos a fundo, o original de 1960 nem foi tão original assim, já que foi uma refilmagem de "Os Sete Samurais" feito por Akira Kurosawa em 1954, ou seja, desde muito tempo temos a velha ideologia de que "nada se cria, tudo se copia". Mas tirando esse detalhe de originalidade ou recriação, o que o diretor Antoine Fuqua fez aqui foi algo digamos inusitado, pois apenas usou o bom mote e trabalhou o roteiro que lhe foi dado como um filme bem dinâmico e ousado para o estilo, pois geralmente faroestes se baseiam em histórias mais alongadas, com momentos claros de tiros, e principalmente casos ocorrendo com maior fluidez, e ao invés disso o que ele acabou fazendo foi um longa cheio de nuances, com momentos bem divididos entre os personagens, despontando claro um certo protagonismo para com Denzel, seu parceiro de longa data e diversos filmes, mas deixando com que cada um se apresentasse, tivesse grandes cenas de tiroteios, e principalmente fizesse a ação valer a pena do começo ao fim, tendo dinâmicas até mesmo nos momentos mais lento da trama, aonde o plano em si é desenvolvido. Ou seja, temos um novo estilo digamos de faroeste ou podemos considerar esse novo trabalho de Fuqua como sendo um longa de ação com uma pegada western, que aí sim temos uma definição melhor do trabalho, pois querendo ou não, esse longa marcará um novo momento do cinema de estilo, afinal o resultado ficou impecável, mesmo tendo os tradicionais momentos que só acontecem em filme, como por exemplo o mocinho (ou anti-herói) não levar sequer um tiro, todo mundo andando e as pessoas respeitarem para não atirar logo de cara e depois perguntar, e por aí vai.

Já que falei um pouco de Denzel Washington, vamos complementar um pouco sobre o que fez aqui com seu Chisolm, pois ele botou toda a banca para cima da personalidade forte que sempre costuma entregar para seus personagens e sem fazer muita cara amistosa botava para correr mesmo que sem uma arma na mão, ou seja, escolha perfeita para o papel que com certeza lhe será lembrado por um bom tempo. É interessante pontuarmos que mesmo Chris Pratt fazendo suas tradicionais gracinhas, que acabaram funcionando dentro do estilo de seu Faraday, o jovem ator soube ter bons momentos expressivos dentro da trama, com nuances claras de quase virar protagonista da trama pela essência passada. Ethan Hawke pode ser classificado como camaleão dentro do cinema, pois a cada filme que faz coloca uma personalidade tão diferente que chega a ser difícil até de o reconhecer em cada longa, e isso é uma ótima qualidade, que aqui acabou agradando bem, pois seu Goodnight tem bem esse estilo de diversas facetas, e o ator acabou agradando muito nas suas cenas principais. Embora tenha sido colocado como cota, afinal é estranho ver orientais em filmes de faroeste, Byung-hun Lee acabou agradando muito com a habilidade de facas que deu para seu Billy, e sendo assim o jovem ator deu boa perspectiva para que ficássemos felizes com o que fez na tela. Vincent D'Onofrio até agradou bem dentro do texto que lhe foi dado, mas ficou caricato demais e poderia ter chamado mais atenção com as boas nuances que lhe foram propostas, evitando momentos com gags que acabaram até atrapalhando o estilo, claro que sem ele não teríamos tanta comicidade, mas ainda assim seu Jack Horne seria um bom personagem. Manuel Garcia-Rulfo veio para representar os latinos no longa com seu Vasquez, e fez um bom papel, meio que de segundo plano quase oculto atrás de todos, portanto fez bem Wagner Moura fugir do papel para fazer Pablo Escobar, pois senão seria mais um Santoro com poucas falas em um filme gringo. Martin Sensmeir deu uma personalidade marcante para o índio Red Harvest, fazendo bons trejeitos, e principalmente trabalhando de uma forma bem ágil nas cenas, o que se não foi feito por ele, exigiu um bocado de seu dublê. Claro que temos também que falar da mocinha da trama, que como disse em determinada cena, teve mais colhões que muito homem em cena, e sendo assim Haley Bennett soube dosar feminilidade com desventura para com sua Emma, criando bons momentos para a protagonista da história, chamando a responsabilidade cênica de forma correta e clara para que não virasse um papel secundário na trama. E para fechar tenho de pontuar os poucos momentos do vilão Bogue interpretado por Peter Sarsgaard que trabalhou bem com trejeitos irônicos e até poderia ter sido mais impactante caso tivesse mais cenas para aparecer, mas mesmo assim ainda agradou bastante nos momentos principais, e assim sendo fez o papel claro que os vilões fazem em faroestes.

Sobre o visual é fato que escolheram muito bem o estado da Louisiana para virar o cenário perfeito de descampado e dentro de boas perspectivas criar a cidadela com bons elementos rústicos, mas agradável de ser olhada. Um detalhe bem factível foi que a equipe de arte praticamente não precisou decorar quase que nenhuma casa/estabelecimento por dentro, pois quase 90% da história acontece nas ruas da cidade, e sendo assim tiveram apenas que cuidar dos figurinos, armas e claro de tudo para ser cravado por muitas balas/explosões, ou seja, um trabalho simples, mas que foi bem feito para que nada do pouco em cena passasse despercebido, e assim sendo o resultado funcionou agradavelmente. Claro que todo bom western que se preze possui uma fotografia impecável, e aqui o ótimo sol deu um tom forte para que os filtros marrons não pesassem tanto e junto com um figurino mais escuro marcasse pontualmente os ângulos da trama. E com grande desenvoltura de câmeras, o diretor pode contar com um ambiente rústico, mas que ainda teve um simbolismo incrível de ser visto à cada nova cena, e a cada close que era dado, um novo elemento era exposto principalmente trabalhando o vermelho para dar o ar de guerra.

Outro grande elo dos bons westerns sempre ficaram a cargo da trilha sonora escolhida, e aqui James Horner nos entregou um dos seus últimos trabalhos (morreu no meio do ano passado) de maneira incrível, com ótimas referências à outros filmes do gênero e com batidas mais modernas para não funcionar como um plágio, ou seja, deu um ritmo gostoso de ouvir e que ainda funcionasse para gerar bons momentos, afinal junto de uma mixagem incrível (vejam na melhor sala que puder em quesito de som, pois os tiros impressionam vindo de todo lado) o trabalho da equipe sonora se mostrou afinado para que a trama fluísse rapidamente de tal maneira que os 132 minutos de projeção não aparentasse nem metade desse tempo.

Enfim, um filme quase perfeito, que se não fosse alguns exageros cênicos (as tradicionais paias que citei acima e que acabam soando forçadas em muitos momentos), e claro o excesso de personagens (que mesmo sendo muitos, ainda tiveram momentos solos bem trabalhados), acabaria agradando até mais do que agradou. Mas nem por isso o longa deixa de ser incrível e bem recomendado para todos, pois é como costumo dizer um filmaço que vale a pena ser visto por quem for amante do gênero, e até mesmo para quem nunca viu um western por não gostar do estilo, pois os elementos vão acabar mudando um pouco o conceito de filmes alongados que muitos costumam dizer não gostar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda faltam diversos longas para conferir nessa semana, então abraços e até breve com mais textos.

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Mortadelo e Salaminho em Missão Inacreditável (Mortadelo y Filemón contra Jimmy el cachondo)

9/24/2016 06:05:00 PM |

Que a Espanha costuma produzir filmes malucos e diversas vezes bizarros todos já sabemos, o que não imaginava era a capacidade deles de fazer animações sem eira nem beira que forcem a apelação máxima para tentar divertir. Para dar um exemplo mais crível, vou citar um desenho que todos certamente já viram para se ter uma boa referência, o coiote e o papaléguas, aonde as tentativas de captura eram forçadas e apelativas, quase sempre o coiote se machucando muito, mas em seguida já estava fazendo algo mais bizarro ainda. Pois bem "Mortadelo e Salaminho em Missão Inacreditável" usa dessa ideologia, porém trabalhando ainda um cunho sexual (ia citar o que acontece, mas nem precisa, pois os personagens descrevem em minúcias logo nas primeiras cenas do longa o que é o tal "aquilo", que você pensa que irá ficar apenas nas falas, mas não, realmente acontece) conseguiu fazer com que as mães e pais que estavam na sala tirassem seus filhos da sessão, afinal a sessão é bem violenta e cheia de citações fortes, ou seja, um filme completamente fora de eixo, que até consegue ser engraçado em algumas partes, da mesma forma que era divertido ver o coiote se arrebentando, porém está bem longe de ser uma animação que seja recomendada para a diversão da criançada e poderiam ter colocado uma história melhor para ser trabalhada, pois a bagunça é tanta que o final acaba sendo mais ridículo ainda.

A história nos mostra que Mortadelo e Salaminho, os agentes secretos mais divertidos e atrapalhados do mundo, são convocados para uma missão especial: Prender Jimmy - O Doidão, um atrevido vilão que acaba de invadir a sede da agência T.I.A e roubar um documento ultrassecreto. A missão se torna ainda mais complicada quando a dupla descobre que outro vilão, Trinca-Ossos, fugiu da prisão e está atrás de Salaminho para se vingar.

O diretor Javier Fesser volta a encontrar os personagens que dirigiu há 13 anos atrás e embora os quadrinhos dos personagens sejam bem antigos, datando de 1958, o diretor soube trabalhar de forma bem contextualizada para os anos atuais, colocando os personagens em uma aventura cheia de tecnologia, elementos bem modelados e características bem icônicas dentro de um cinema de animação, porém, ele esqueceu que o público alvo de animações são as crianças (salvo algumas já feitas próprias para adultos) e sendo assim ao exagerar em coisas fortes ele acabou pecando no resultado geral da história. Não digo que seja algo ruim, tanto que o longa ganhou o Goya (Oscar espanhol) de Melhor Animação, e acredito que seja mais pelo estilo de filmes que os espanhóis gostam de ver, com humor forçado e cenas mais apelativas, porém aqui a criançada sentiu o efeito e foi saindo com a trama cansando demais para chegar à algum lugar.

Se temos de dizer algo bom do filme, certamente é a modelagem que foi feita, pois com formas arredondadas bem trabalhadas e com uma tridimensionalidade ímpar, nem foi preciso assistir o longa com óculos para saber que o resultado do longa nas salas 3D certamente foi bem satisfatório (uma pena que só tenha ficado uma semana em cartaz não dando para conferir com a tecnologia), e dessa maneira tudo parece ser jogado, e bem utilizado pelos protagonistas em suas aventuras. Agora o que acabou sobrando por um lado, acabou faltando pelo outro, pois nenhum personagem conseguiu ter carisma com essas formas mais rudes, todos aparentando feições fortes acabam mais assustando e causando do que divertindo a platéia (e olha que estamos falando de um longa de humor), ou seja, um filme duro e cru que vencerá quem sobreviver, não quem for capturado, pois a todo momento tudo está sendo explodido e destruído sem economizar em nada. Mesmo com o carisma ímpar que Marco Luque tem, seu Salaminho acabou ficando meio frouxo, não tendo boas piadas para chamar e declamar sua boa dublagem, mas ainda assim o humorista deu um bom tom para a voz do personagem não parecer a sua, e isso mostra que tem ainda muitas cartas na manga para continuar fazendo dublagens.

Enfim, usando de boas cores a trama até flui rápido, mas para uma animação acabou cansando mais do que envolvendo e seus 91 minutos pareceram maiores ainda durante uma cansativa sessão da tarde. Portanto só recomendo o longa para quem gosta do estilo, e claro pais que forem levar os filhos para assistir se preparem para as perguntas insólitas, pois vão surgir. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a crítica de outro longa que irei conferir agora pela noite, então abraços e até amanhã galera.

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Mate-Me Por Favor

9/24/2016 12:45:00 AM |

Existem alguns estilos dentro do gênero suspense/terror/drama que alguns diretores nacionais andam trabalhando que nos fazem pensar no que o cidadão estava pensando quando escreveu o roteiro do longa, pois o misto de filme experimental com a ideologia bagunçada que a juventude de hoje vive fez de "Mate-Me Por Favor" algo completamente surreal que somente quem estiver muito aberto à ideias bizarras vai conseguir gostar de algo que a trama irá mostrar, e principalmente acredito que somente jovens problemáticos irão se conectar com os medos ou ideias da protagonista, pois chega a ser forçado alguns momentos que nos são mostrados, e nem com muita imaginação conseguiríamos abstrair algo dentro da proposta para que pudesse dizer alguma coisa boa do que me foi mostrado na tela do cinema. Ou seja, um filme bagunçado, cheio de erros técnicos e que trabalha uma história completamente maluca para algo que tenha sido realmente pensado em mostrar aquilo, de tal maneira que somente a diretora sabe o que ela desejava mostrar em cada cena.

A sinopse do longa nos mostra que a adolescente Bia, de 15 anos, e seu irmão, João, de 25 anos, levam uma vida normal. Mas quando uma série de assassinatos começa, eles e os amigos ficam com a imaginação à flor da pele, pensando como ocorreram os crimes e, ao mesmo tempo, analisando como a juventude de hoje encara os problemas.

A ideia do longa poderia fluir por diversos vértices e até trabalhar os medos da juventude frente à morte e outras ideias que permeiam a mente cheia de hormônios numa das fases mais bagunçadas da vida humana que é a adolescência, porém a diretora/roteirista estreante em longas Anita Rocha da Silveira quis elaborar junto disso um suspense com serial killer que por bem pouco não ficou tanto em segundo plano que quase fora esquecido pelo público se não fossem as imagens chocantes e bem feitas do trabalho da equipe de maquiagem, pois o restante do longa acaba se perdendo em cultos evangélicos misturados com funk, planos exagerados mostrando as construções de prédios para a Olimpíada, jovens discutindo temas de maneira jogada sem um motivo natural e por aí vai, ou seja, ela quis mostrar tanta coisa que estava na sua cabeça, que talvez explicando a ideia do longa para alguém até seja um bom filme, mas assistindo sem saber o conteúdo (como friso que todo filme deva ser visto) acaba sendo uma loucura completa, que se passasse num cinema comercial que tivessem mais pessoas na sala, certamente veríamos uma fuga bem alta, mas como estávamos em 6 pessoas na sala, todos ficaram até o final.

Um dos pontos positivos da trama foi de que se a ideia é conceitual, os atores também tem de vir livres de vícios interpretativos, então a maioria que aparece em cena é estreante nas telonas e acabou fluindo bem na questão de trabalhar olhares, semblantes perdidos ao vento e até mesmo uma boa desenvoltura nas cenas digamos mais picantes, e assim o resultado dentro da proposta até foi interessante de ver. Claro que o destaque fica para a protagonista Valentina Herszage que iniciou um pouco travada, depois foi se soltando e ao final já estávamos tão íntimos de sua Bia que até seus momentos mais estranhos já acabavam funcionando para o público, o que mostrou uma boa habilidade da jovem para com as câmeras que podem mais para frente ter bons frutos. Os demais tiveram até bons momentos, mas nada que tenha de dar grande destaque, porém temos de destacar negativamente Bernardo Marinho como João, que ficou enigmático demais do começo ao fim e acabou finalizando o longa sem quase impor nada para que o público refletisse sobre sua personalidade, talvez tenhamos pensado até coisas ruins à respeito de seu João, mas nada é dito ou mostrado para se afirmar, e isso acabou resultando em uma fraca expressividade por parte do ator.

Sinceramente fiquei pelo menos metade do longa pensando aonde poderia ter sido filmado a trama, pois não fica claro logo de cara aonde estamos situados, e confesso que não imaginava num Rio de Janeiro com tantos descampados, nem parecendo ser a cidade grande que é, pois o longa ficou com um ar bem interiorano e com perspectivas de cidade pequena, aonde as pessoas não estão acostumadas com mortes, o que de certa forma é algo ruim de se ver. Além disso, o filme não ousou muito em elementos cênicos, o que deixou a trama mais aberta aos pensamentos e diálogos dos protagonistas, o que é uma falha já que estamos trabalhando com atores iniciantes, e deixar que eles fluam sozinhos sem algo mais presencial é um grande risco que acabou não funcionando bem. Outro grande erro do longa se deve à equipe de fotografia, pois ao trabalhar muitas cenas noturnas, a equipe abusou de luzes falsas, e em diversos momentos o filme quase parece um ataque de aliens com luzes provenientes do nada atrapalhando muito no resultado interpretativo das pessoas, ou seja, poderiam usar de sombras/luzes artificiais, mas se preocupasse em colocar algo que ficasse mais próximo de algo real como uma lua ou poste, e não no meio do mato uma iluminação completa ao redor da protagonista.

Agora sabemos que no Rio de Janeiro o funk praticamente domina as paradas de sucesso, mas num longa com uma temática de suspense usar diversas músicas do gênero e em alguns momentos baladas antigas, ficou parecendo que não tinham um propósito a seguir. Porém se algo me fez rir foi o funk gospel cantado pela pastora adolescente que arrumaram para o longa, pois ficou algo digno de comédia global.

Enfim, a ideia em si foi boa, mas a proposta como um todo acabou se perdendo saindo do nada e chegando à lugar nenhum, de tal maneira que nem de graça recomendo ver o filme, pois o absurdo completo vai mais incomodar do que agradar o público em geral. Claro que talvez vejam por aí diversas críticas cults que façam alusão a coisas fantasiosas, porém volto a frisar que o pessoal deve ter tido algum tipo de explicação plausível da diretora em debates, e/ou entrado na sala viajando junto para chegar nas conclusões que chegaram. Mas deixo aqui minha dica de fuga, quem quiser arriscar, veja por sua conta e risco. Fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até mais pessoal.

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Cegonhas - A História Que Não Te Contaram em 3D (Storks)

9/23/2016 12:34:00 AM |

Fofura, essa é a palavra que define o longa "Cegonhas - A História Que Não Te Contaram". Mas essa fofura toda pode ser definida pelos bebês fazendo gracinha, ou pelos pássaros abobados, ou pelos dois protagonistas atrapalhadíssimos, ou pela família que mesmo ocupadíssima arruma um tempo para o filho, ou principalmente seja pela ótima alcateia que irá surpreender a todos com suas habilidades, pois o filme tem esse dom de cativar o público com diversos subgrupos interessantes de acompanhar e com toda certeza algum desses elos irá amarrar você para que acompanhe a saga até o final, fazendo com que tenha boas gargalhadas e até se emocione com uma ou outra cena. Porém um dos maiores problemas do longa, quiçá o único, é a falta de uma história mais bem montada, pois as situações até ocorrem com uma certa naturalidade, mas não conseguimos notar algo fluído com um mote realmente interessante para que o roteiro nos prenda, ficando muitos detalhes em aberto, o que não é bacana de ver em uma animação. Mas só quem for realmente muito exigente vai reclamar disso, pois do restante é só curtição com todos os personagens e com as boas canções de fechamento da trama.

O longa nos mostra que cegonhas entregam bebês... ou pelo menos elas costumavam. Agora elas oferecem pacotes para a gigante global da internet ‘Lojadaesquina.com’. Júnior, um dos principais entregadores da companhia, está prestes a ser promovido quando a Máquina de Bebês é acidentalmente ativada em seu turno, produzindo uma adorável - e totalmente não autorizada - bebê. Desesperado para entregar esse presentinho antes que o chefe descubra, Junior e sua amiga Tulipa, a única humana na Montanha das Cegonhas, correm para fazer sua primeira entrega de bebês em uma viagem selvagem e reveladora. Isso poderá fazer mais do que apenas iniciar uma família, mas também restaurar a verdadeira missão das cegonhas no mundo.

Já que o roteiro não foi o ponto forte da trama, o diretor Nicholas Stoller (que também assina o roteiro) e se deu bem em comédias escrachadas (vide "Vizinhos" e "Vizinhos 2") optou por trabalhar bem a comicidade dos personagens, e dessa forma é raro o momento em que não vemos alguma piada pronta sendo dita por qualquer elemento do filme, desde os figurantes de enfeite (como são os passarinhos pequenos) chegando até os protagonistas que abusaram até de brincadeiras com temas que hoje grandes corporações trabalham (liderança e corporativismo virou motivo de piada pronta ao mostrar que as pessoas só querem ter um nome, sem saber o pra que disso). E dessa maneira o filme acabou fluindo fácil pela tangente sem ser apelativo, mas também não tendo um começo/meio/fim comum de histórias infantis, claro que muitos vão falar que fiquei maluco, pois o objetivo da entrega é cumprido dentro de uma perspectiva bem interessante, mas o filme vai tendo diversas aberturas que se mostrariam até mais gostosas de trabalhar e acabam jogadas apenas sem muita desenvoltura, e sendo assim ficamos apenas conectados mais pelas piadinhas do que pela história em si. Não julgo que isso seja algo ruim, mas pela alta qualidade de tudo no filme, se tivessem trabalhado um pouquinho a mais no roteiro, o resultado com toda certeza seria incrível.

Fica até difícil escolher entre os personagens qual o mais carismático, pois como disse no início cada um vai acabar se conectando fácil com algum e vai ficar torcendo talvez por mais aparições do seu preferido. Por exemplo, a alcateia funciona muito bem dentro da trama, e não apenas pelos dois lobos protagonistas, mas sim por tudo o que fazem no longa, e a cada novo elemento que apresentam a situação toda fica mais divertida ainda. O protagonista Junior possui suas paranoias e isso acaba sendo bem divertido de acompanhar, e o ator Kleber Toledo não deixou impregnada sua voz no personagem agradando nas boas nuances e criando (claro que junto de um roteirista de dublagem) boas piadas nacionais dentro da perspectiva toda. A orfã Tulipa com sua multipersonalidade acaba divertindo demais nos seus momentos dentro da sala de correspondência, e não apenas lá, mas a cada nova cena sua sempre somos surpreendidos, de tal maneira que a dublagem de Tess Amorim também caiu como uma luva para sua loucura, mostrando que a dubladora profissional consegue dar trejeitos diferentes para cada uma de suas personagens. Agora se tem um personagem que ficou bem frouxo foi o Pombo Luke, que dublado por Marco Luque acabou tendo tão poucas cenas para se desenvolver que ficamos sempre esperando nas suas aparições que faça algo mais imponente, mas sempre acaba jogado de lado e soa até estranho alguns momentos de destaque seu em tela. Do lado mais familiar, os bons momentos do Senhor e Senhora Jardim com seu filho Nando acabam sendo cativantes por mostrar que na maioria das vezes as crianças precisam ter mais atenção de seus pais que estão sempre ocupados trabalhando, e claro que um irmão/irmã vai ajudar nesse conceito, mas quem pensa que vai cair no melodrama a história deles, pelo contrário, todas as cenas procuram divertir dentro dessas situações, ou seja, todos com bons encaixes. E embora Rocha seja "o vilão" da trama, sua personalidade acaba sendo bacana e divertida de acompanhar, agrando pelas boas nuances, mas que poderiam até rumar mais para algo mais forte.

Agora se existe algo que a Warner Animation Group vem se aprimorando cada vez mais é na modelagem de seus personagens, de tal maneira que já vimos ótimas perspectivas cênicas em "Uma Aventura Lego", e agora cada personagem possui boas formas sem serem cheias de texturas, mas que acabam agradando bem como animação, e funcionando sempre com cenários bem coloridos junto de diversos objetos e elementos que nos remetam sempre para alguma utilização dentro da proposta completa do filme, acabamos embarcando com eles rumo à perfeição dentro de um longa animado, e diferindo de outras produtoras que andam procurando criar quase uma realidade aumentada dentro dos filmes, aqui eles optam por manter sempre o tom real de uma animação, mostrando que é um desenho sim, mas bem aprimorado e com formas possíveis de se gostar. Quanto do 3D, infelizmente o longa possui poucos momentos aonde a tecnologia funciona, mantendo sempre uma profundidade interessante nas cenas com muitos personagens e dando uma amplitude grande para a cenografia completa, mas ainda assim longe de trabalhar com coisas saindo da tela ou tendo camadas realmente para que a trama pareça mais interativa, e sendo assim, quem quiser economizar pode ver tranquilamente o longa em 2D que não irá perder nada.

Enfim, é um filme gostoso de assistir, que vai divertir todas as idades e que recomendo com certeza para quem gosta de animações, talvez se não pecasse nos elementos que falei durante todo o texto teríamos um daqueles filmes memoráveis para se guardar na memória, mas ainda assim vale a pena conferir. Fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais um texto, então abraços e até mais pessoal.

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Bruxa de Blair (Blair Witch)

9/22/2016 12:36:00 AM |

No ano de 1999, um estilo começou a chamar atenção e acabou virando uma febre entre os novos diretores de terror, o tal do found-footage (traduzindo arquivos/filmagens encontrados), e todos corriam para fazer um longa mais original que o outro (usando claro ideias que pareciam novas, mas já haviam aparecido outras vezes) e com isso alguns se apaixonaram pelo estilo, outros odiaram, afinal quase sempre com imagens de câmeras na mão tremidas, aonde não se prezava pela edição perfeita, mas sim por pedaços jogados fazendo barulho e pegando o espectador cada vez mais desprevenido, foi criando seu próprio mundinho. Pois bem, usando dessa ideia "A Bruxa de Blair" gastou apenas 60 mil dólares e acabou rendendo 248 milhões, e claro uma continuação que foi um fracasso total, e filmado agora com um codinome completamente diferente "The Woods", eis que temos uma nova continuação do filme, intitulada apenas sem o "A", ficando como "Bruxa de Blair". E o que podemos falar logo de cara da continuação? Algo que sequer deveriam ter pensado em fazer, pois apenas serviu para mostrar todas as novas tecnologias de câmeras manuais, como câmeras de orelha, drones, pequenas câmeras com diversos apetrechos e até mesmo mostrando uma relíquia das antigas que filmava com fitas, para claro poder compararmos inclusive seu estilo de imagem. Daí você vem e me pergunta, além disso, o que o filme mostra? E respondo rapidamente com a seguinte palavra "NADA", ou melhor alguns bichos com feições estranhas que sequer podemos falar que são obras de uma bruxa, ou quiçá como disse um amigo do cinema, aliens, pois são disformes, possuem luzes vindo de fora da casa, e além de tudo não aparecem para causar, ou seja, um filme que vai do nada para lugar algum e ainda brinca com exageros ruins de edição. Portanto, mesmo que o orçamento tenha sido alto, o resultado de muitos dias de filmagem resultaram em algo estranho e malfeito demais para agradar.

O longa nos mostra que um grupo de estudantes universitários resolve se aventurar na floresta de Black Hills para desvendar os mistérios que cercam o desaparecimento da irmã de James, que muitos acreditam estar ligado à lenda da Bruxa de Blair. Eles criam esperanças de encontrar a garota, especialmente quando uma dupla de moradores se oferecem para guia-los na floresta. Mas com o cair da noite, o grupo é surpreendido por uma presença ameaçadora e percebem que a lenda é real e muito mais sinistra do que imaginaram.

O diretor Adam Wingard já trabalhou anteriormente com os criadores do longa original em outros filmes, mas não sei se conseguiu perceber que o gênero não anda mais tanto na moda, e principalmente, com toda a tecnologia atual hoje é difícil de acreditar em imagens com nuances, o que aconteceu muito no passado, pois as sujeiras e imagens mal filmadas acabavam assustando com elementos que apareciam e ficávamos na dúvida do que estava sendo mostrado, o que não acontece agora com imagens em alta definição e com câmeras incríveis que acabaram utilizando, ou seja, precisou apelar para uma edição porca e jogada, aonde os barulhos e imagens necessitavam saltar na cara do espectador para causar um pouco mais. Não podemos dizer que ele não teve acertos, pois saber filmar dentro de florestas é algo para poucos, afinal o trabalho cênico pode atrapalhar numa correria, e mesmo que de uma forma bem bagunçada o resultado visual até que agrada de certa forma, claro que não é nada primoroso, mas algumas cenas até causam algum impacto no público, porém faltou história e conteúdo para que tudo se firmasse e encaixasse melhor.

Sobre as atuações a vontade que tenho é de dizer que esqueceram de falar para eles que era um filme de terror/suspense e que precisam demonstrar isso, seja fazendo caras de espanto, de dúvida do que está vendo ou até mesmo uma expressão mais tensa para que o público entre no mesmo clima dos personagens, ou então que seja forte o suficiente para encarar de frente os desafios e atacar o indecifrável, e aqui, todos sem exceção ficou meio que jogados perdidos em cena, fazendo caras e bocas olhando para as muitas câmeras, e o resultado foi algo que não dá para destacar nada bom de ninguém, o que é algo péssimo de falar. Mas o grande destaque negativo fica para as caras bizarras que Corbin Reid fez com sua Ashley.

Basicamente o longa se prende num único visual, que é a floresta, e essa sim foi muito bem representada por sombras, nuances, e com elementos simbólicos bem encaixados para causar, o longa foi formando a ideia completa e fechou claro com uma casa cheia de inspirações e bem destruída para dar o clima completo. Além disso é claro que temos de pontuar todos os estilos de câmeras que acabaram sendo parte dos elementos do filme, e assim sendo temos desde as pequeninas câmeras de orelha, passando pela mini-DV e claro chegando nas pequeninas e tecnológicas anexadas aos drones. Com uma iluminação quase inexistente, para dar tensão, o resultado poderia ser incrível se tivéssemos um filme realmente, mas com essas quebras da edição, o resultado apenas foi satisfatório e conseguiu criar alguns momentos que ficássemos apreensivos olhando para a possibilidade de algo aparecer do nada, afinal o enquadramento na maioria das cenas sempre sugeria para isso.

Enfim, é um filme que até tentou fazer a volta do estilo com um primor, mas que passou bem longe do frisson que o original criou, e sendo assim só vale ser visto por quem estiver muito curioso para ver a ideia, mas ainda assim com muitas ressalvas para que não se decepcione demais. Portanto se for ver o longa apenas curta como uma história mais simples do que como um terror pra valer mesmo, e assim quem sabe sairá da sessão ao menos satisfeito com o que verá, mas se estiver esperando algo para causar mesmo, passa bem longe. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até breve galera.

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Conexão Escobar (The Infiltrator)

9/21/2016 01:57:00 AM |

Alguns críticos prezam por uma boa história, outros, como é o meu caso, preferem ver um bom estilo impregnado dentro de uma boa história (e também em algumas ruins), pois quando um diretor e/ou produtor optam por trabalhar fatos reais, o mínimo que se exige é que façam de uma forma coerente e envolvam o público com o que vão contar, pois outras histórias aparecerão (ou até já apareceram), talvez por outros vértices, e cada vez mais gostamos de ver de uma maneira bem feita (e bem contada) tudo o que podem nos entregar sobre um caso. Digo isso não por achar "Conexão Escobar" um filme genial dentro da proposta, e muito menos por achar ele piegas demais para causar alguma forma irreverente de estilos, mas sim por ser um filme que irá enganar muitos pelo nome (afinal todos os amantes da série "Narcos" da Netflix foram aos cinemas esperando ver Pablo Escobar - vi isso com os próprios olhos de pelo menos 3 pessoas da sessão com 10 espectadores hoje), mas que por colocar um ator que sabe dominar com unhas e dentes qualquer bom personagem que lhe for entregue vai fazer da trama algo seu e incorporar bem a história de um policial que ousou e se arriscou para prender os maiores nomes da lavagem de dinheiro dos anos 80 nos EUA. Ou seja, um bom filme policial, que talvez tenha pecado apenas na velocidade, pois o ritmo cansa e demora demais para termos as ações que todos sabem aonde vai chegar.

A sinopse do longa nos mostra que nos anos 1980, o agente secreto americano Robert Mazur recebe uma missão da Divisão Antidrogas dos Estados Unidos (DEA). Ele passa cinco anos infiltrado no cartel do narcotraficante colombiano Pablo Escobar. Robert se aproxima do criminoso, ganha confiança e no fim revela a ligação de Escobar com executivos do Bank of Credit and Commerce International, responsável pela lavagem do dinheiro do traficante.

Não sei se o diretor Brad Furman ficou tão aficionado pelo livro de Robert Mazur que quis mostrar detalhes demais de uma história que de certa maneira foi complexa, ou se sua ideia era de mais para frente vender o longa para que virasse uma série concorrente à "Narcos" para mostrar o outro lado da moeda, pois ele trabalhou demais cada momento, colocando histórias paralelas demais que só serviram como base bem leve para todo o resultado final, ou seja, ele poderia ter sido mais dinâmico, colocado somente as situações imprescindíveis para que o resultado acontecesse e assim teríamos um filme incrível aonde tudo acabaria agradando pelo bom estilo policial de escutas e investigações, com o mesmo fechamento incrível que teve, e principalmente com toda a boa produção cênica que acabaram entregando. Sendo assim, podemos dizer com toda certeza que o maior erro do filme foi a falta de síntese, tanto no roteiro adaptado do livro, quanto da direção que não soube editar as boas cenas que com certeza filmou.

Com toda certeza o resultado do filme mesmo alongado demais ter funcionado e não ser pior foi Bryan Cranston, pois o ator soube trabalhar a personalidade de Robert Mazur com determinação e colocar em cena mais do que um único personagem, mas sim os diversos disfarces que o agente secreto tinha, claro que faltou um pouco mais de desenvoltura para que seu Bob Musella fosse mais diferenciado de Robert Mazur, mas ainda assim o ator soube dosar bem e incorporar os momentos mais fortes com clareza e boa determinação. Juliet Aubrey exagerou um pouco em sua Ev, fazendo caretas demais para demonstrar seu sentimento, e isso é algo que deve ser evitado pelas atrizes, pois acaba atrapalhando a personalidade do personagem ficando sempre com a mesma cara amarrada. John Leguizamo é um dos atores latinos que mais tem personalidade marcada para papeis que exigem um bom domínio do espanhol e do inglês no mesmo personagem, e seu Emir acaba ficando incrível durante o longa tendo grandes momentos que por bem pouco se tivesse mais tempo de tela acabaria virando o protagonista fácil. Diane Kruger também conseguiu chamar a atenção nas poucas cenas que teve, fazendo de sua Kathy uma mulher determinada com o que tinha para fazer e agradando bem com suas nuances. Tivemos outros bons momentos com outros atores, cada um mostrando um pouco de si, e até chamando o foco para seus personagens, mas se ficar falando de cada um vou fazer o mesmo que o diretor pulverizando demais aonde não deveria e errando nisso também, então apenas tenho de falar que o esforço de todos foi correto e agradável para com o longa, porém muitos poderiam ser cortados de cena, o que não vem ao caso para Benjamin Bratt que deu para seu Alcaino uma seriedade e postura tão forte que sendo um dos braços de Escobar acabou agradando e mostrando que o traficante tinha grandes homens por trás dele.

Um dos grandes pontos do longa foi a concepção cênica bem elaborada da época, colocando monitores, malas, escutas e diversos apetrechos tão bem colocados para a investigação que acabamos nos envolvendo tanto com os diversos elementos da trama que por bem pouco não esquecemos de olhar o que os atores nos proporcionavam em cena, e isso é um grande feito da equipe de produção que acabou colocando todos em boas locações bem criativas, cheias de pontualidades ambientais, que junto de uma fotografia suja e pontual com foco sempre no segundo plano, para dar um ar mais retrô, acabou tendo conceitos interessantes com um visual que poucas vezes nos é mostrado, ou seja, um filme que trabalhou bem os elementos técnicos para talvez ser mais alongado ainda e virar uma série como disse acima.

Enfim, um filme bacana que pecou por alongar demais no cinema e com isso acabou ficando com um ritmo não tão impactante para uma trama policial, mas ainda assim valendo ser visto, já que por ser baseado em fatos reais mostra como um país e seus bancos sempre colocam seus interesses à frente de seus clientes/população para seu bem próprio. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, afinal nessa semana estou bem atrasado por ter me dado umas pequenas férias, mas com toda certeza não deixarei passar nenhum longa sem ver, então abraços e até breve com mais posts.

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O Roubo da Taça

9/13/2016 01:06:00 AM |

Como fazer comédias com estilo? Pergunte à Netflix, que junto com produtoras independentes vem criando uma perspectiva interessante e gostosa de ser assistida tanto em casa quanto nos cinemas, e você deve estar se perguntando porque então a produtora entregou para a Paris Filmes distribuir o longa nos cinemas se ela pode em breve lançar em mídia online e ter todos os seus assinantes assistindo algo inédito? Para ganhar dinheiro, pois "O Roubo da Taça" possui uma ideia inteligente que baseada em fatos reais consegue divertir e com muita qualidade entregar uma comédia longe das forçadas e exageradas atuais, trabalhando toda a situação cômica pela situação em si, que poderia funcionar bem em qualquer estilo (série, curta, longa), mas optaram por algo fechado e bem desenvolvido dentro de bons 85 minutos.

Peralta é um simples corretor de seguros que começa a sofrer pressões de todos os lados. Em casa, sua namorada Dolores dá um ultimato: é casamento ou fim de papo. Por outro lado, suas dívidas que se amontoaram rapidamente, começam a ser cobradas. Quando tudo parece perdido, uma brilhante ideia cruza a cabeça de Peralta: um plano que vai resolver todos os seus problemas. Com a ajuda de seu amigo Borracha, um sujeito nada inteligente, Peralta decide roubar a Taça Jules Rimet de dentro dos cofres da CBF.

É bacana ver o estilo do diretor Caíto Ortiz que soube segurar a onda sem muita exuberância, e principalmente manteve a comicidade sem precisar ter um ar novelesco e muito menos precisar apelar para exageros forçados que muitos outros diretores nacionais usam para que seu filme faça o público rir. Tudo bem que sua trama não é daquelas que você irá rolar no chão de tanto rir, mas a situação completa consegue ser bem encaixada e o resultado agrada tanto pela qualidade da produção quanto pelas atuações dos protagonistas que ficaram bem soltos para trabalhar expressões que até seriam consideradas erradas numa comédia mais engraçada. Os ângulos escolhidos também ficaram dentro de algo que é bem incomum de se ver no cinema de comédia tradicional, deixando quadros mais fechados nos protagonistas e colocando a responsabilidade nos trejeitos que puderam entregar, e assim sendo o filme quase vira algo mais de ator e menos de texto, porém como a história é mais fechada, conseguiram adequar bem as duas situações.

Já falei um pouco das atuações, mas vale dar destaque para o trabalho feito por Paulo Tiefenthaler com seu Peralta que meio lembrando um pouco de outros trabalhos seus quase desconectou a alma do personagem, mas logo em seguida conseguiu voltar para um lado mais malandro e bem encaixado que acaba agradando bastante no estilo de finalização do personagem. Sem dúvida alguma Tais Araujo mudou muito seu estilo de atuar, pois antes forçava para aparecer e hoje já mostra a que veio só com o olhar já encaixado e pronto para incomodar quem estiver na sua frente, de tal maneira que sua Dolores soa bem dominada e faz diversos gracejos que reviram bem a história e por fim teve um grandioso momento chave que nem se esperava ver na tela, arrasando total. Milhem Cortaz é sem dúvida um dos grandes nomes do cinema nacional, mas aqui deixou seu investigador Cortês muito exagerado e por diversas vezes ficamos esperando que dominasse a tela, mas sempre ficou em segundo plano, o que é bem incomum de ver em seus papeis, o que é uma pena, pois se tivesse mais cenas ele chamaria bem a responsabilidade e agradaria muito. Dos demais, a maioria aparece e desaparece com muita rapidez, tendo até bons momentos, como algumas cenas de Danilo Grangheia como Borracha, outros mais sutis e bem encaixados, como os que o argentino Fabio Marcoff colocou em suas cenas, e temos até os que saíram quase atrapalhando como foi o caso de Stephan Nercessian que sempre exagerado nos trejeitos acabou apelando demais para tentar aparecer.

No conceito visual, o grande feito da equipe foi manter o estilo de época num nível tão incrível que chega a ser impressionante não se sentir em plenos anos 80, tudo ressalta na tela como as TVs, os preços dos mercados (e claro o estilo dos mercados), os carros perfeitamente bem encaixados, e o figurino na medida certa para chamar a atenção correta de cada personagem, ou seja, um luxo completo que mostra que o Brasil pode fazer tramas de época no cinema tão bem quanto faz em suas novelas, e deve investir mais nesse estilo, afinal tivemos muitos momentos importantes na nossa história sem ser o tradicional já batido em diversos meios, e sempre que fizerem esse bom trabalho vão agradar e muito. Claro que volto a frisar que o investimento certamente foi maior, mas o resultado vai valer a pena, pelo menos espero. Quanto da fotografia, como já disse optaram por ângulos mais fechados, talvez para economizar na cenografia delimitando os ambientes, mas nem por isso menosprezaram as boas sombras que deram nuances e tons maravilhosos para cada momento do filme, ou seja, um trabalho impecável no conceito técnico da trama.

Enfim, é um filme que agrada demais quem for ver no cinema, e que agradará muito também quem esperar para ver na Netflix. Para ser perfeito só faltou trabalhar mais os coadjuvantes, que como disse acima acabaram se perdendo ao tentar aparecer demais e acabaram desgastando a boa imagem da trama, talvez se fosse um pouco maior desenvolvendo mais cada um, o resultado de uma série sobre o tema seria incrível. Portanto recomendo com certeza a trama, e aguardarei por mais trabalhos desse estilo, seja do diretor, ou da equipe de produção, pois o resultado final ficou muito bom. Fico por aqui encerrando essa semana cinematográfica, e dessa vez vou deixar vocês com um pouco mais de delay nas críticas, pois volto somente na próxima terça com novos textos, então abraços e até mais galera.

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Virei um Gato (Nine Lives)

9/12/2016 12:54:00 AM |

Um fato é claro, daqui há alguns anos já sabemos alguns dos filmes que irão passar nas sessões de domingo à tarde das TVs, e um dos nomes certamente será o de "Virei um Gato" que concentra um tema tão simples e familiar gostoso de acompanhar que funciona perfeitamente em qualquer horário, mas com toda certeza por ter um mote mais infantil devem colocar à tarde para que as crianças curtam as confusões de um gatinho. Porém um adendo que gostaria de citar é que caso você possua crianças que já consigam ler legendas, levem-nos ao cinema agora para conferir o longa legendado, pois não vi a versão dublada, mas certamente um grande defeito deve ocorrer, pois o gato ronrona e faz miados estranhos o longa inteiro, e o protagonista apenas fala internamente para o público, o que na versão dublada deve parecer falha da computação em não mexer a boca do gato para as falas. Não digo que isso vá atrapalhar a ideologia completa da trama, mas o filme poderá ficar um pouco estranho, portanto se puder, veja legendado.

O longa nos mostra que Tom Brand é um poderoso e arrogante empresário, que está obcecado com a ideia de construir o maior arranha-céu da América do Norte. O problema é que seu atual empreendimento, em construção em Nova York, sofre a concorrência de um prédio sediado em Chicago, que pode receber uma antena no teto apenas para superar a disputa. Paralelamente, Tom precisa comprar um presente para sua filha, Rebeca, já que o aniversário dela se aproxima. A garota há anos lhe pede um gato, mas Tom se recusa a comprá-lo porque odeia o animal. Sem encontrar outra alternativa, ele acaba indo na estranha loja de Felix Perkins, um encantador de gatos que lhe vende o Sr. Bola de Pêlos. Entretanto, uma disputa dentro de sua própria empresa faz com que Tom sofra um acidente e, repentinamente, tenha sua consciência transferida para o gato recém-comprado.

Após completar a trilogia MIB, após 10 anos fazendo apenas séries, o diretor Barry Sonnenfeld voltou a ficar alguns anos sumido das telonas e agora com bem menos ação, ele retorna suas origens para comédias familiares de uma maneira bem interessante, pois manteve parte de sua essência com sequências de ação (vide os pulos de avião e de prédio presentes na trama) e ainda soube dosar bem a simbologia infantil para que o mote de amor familiar versus trabalho exagerado ficasse bem evidente. Claro que isso estava presente dentro do roteiro escrito a cinco mãos, mas o diretor soube usar bem da dinâmica e criou boas situações. Um fator interessante que me deixou um pouco confuso foi na subida dos créditos, pois vi o nome de cinco gatos que interpretaram o protagonista e um treinador de gatos, porém confesso que tinha certeza absoluta de ser computação gráfica, mas se conseguiram fazer todas as cenas usando apenas animais treinados, posso dizer com toda certeza que essa equipe merece muitos prêmios, afinal são bichos difíceis de serem treinados e que fazem situações incríveis na tela, portanto irei pesquisar mais um pouco e volto nos comentários para falar se realmente usaram gatinhos artistas na tela. Mas mesmo que seja computação, ainda temos de valorizar muito o trabalho do diretor que soube adequar as cenas do gato com os personagens reais de maneira incrível para convencer de que ali tudo estava ocorrendo mesmo daquela maneira.

Já que falei nos artistas temos que inicialmente parabenizar a boa dublagem/narração/interpretação de Kevin Spacey que agradou bem tanto como o humano Tom demonstrando arrogância e exagero de trabalho, quanto como sendo o gato Sr. Bola de Pelos com trejeitos bem interessantes sob a perspectiva de um gato, que muita gente certamente já imaginou seu bichano fazendo, ou seja, o ator se não tem um gato certamente estudou muito para conseguir tamanho feitio no estilo de falar cada diálogo seu, e acabou tendo um resultado bem positivo. Jennifer Garner é daquelas atrizes que aceitam qualquer papel e acabam sempre agradando com o que faz, pois aqui sua Lara quase não tem muito trabalho interpretativo, fazendo sempre caras de espanto em relação às loucuras que o gato faz, e em alguns momentos um certo desespero pela saúde do marido, mas soube dosar bem os olhares para que tudo funcionasse bem, ou seja, uma atriz completa que mesmo em papeis pequenos não vai se deixar levar e estragar o resultado. Christopher Walkins aparece umas três ou quatro vezes apenas com seu Perkins, mas soube também dosar boas facetas para que o personagem não ficasse artificial demais, embora seja estranho alguém que se considere um encantador de gatos. A jovem Malina Weissman fez expressões forçadas para sua Rebeca e acredito que deva ter sido por suas cenas serem sempre com algum estilo de computação, de modo que a jovem atriz não soube acreditar no que estava vendo para que fizesse a expressão certa, o que acabou comprometendo um pouco seus momentos. Mark Consuelos também ficou forçado demais como um "vilão", pois seu Ian praticamente não tinha outra fala senão na venda da empresa, e isso acaba cansando de tanta repetição, além do ator estar sempre com um olhar artificial demais, o que não é comum de ser visto. E para fechar o elenco base, temos de falar sobre Robbie Amell que até se esforçou para que seu David fosse coerente e interessante, mas todas suas cenas foram quase jogadas na tela, e isso é algo que acaba deixando o ator falso demais, somente nas suas últimas cenas que teve um pouco mais de oportunidade e acabou agarrando bem. Do elenco de apoio, a situação já foi bem pior, pois todos soaram demasiadamente artificiais, parecendo que decoraram o roteiro às pressas, e isso ficou bem feio de ver na tela, de maneira que se não fossem importantes as cenas seria melhor ter cortado fora.

No conceito visual, a equipe até soube agradar bem nas escolhas, trabalhando detalhes simples, mas bem colocados para funcionar tanto com o gato (como novelos de lã, tapetes, vasilhas, travesseiros e quadros) que acabaram sendo incorporados nos dois âmbitos e resultaram em boas cenas, quanto nos elementos dos humanos contando com boas locações como os escritórios, a casa enorme da família e principalmente a loja de gatos que foi brilhantemente bem decorada com diversos elementos felinos. Um grande detalhe ficou a cargo da equipe de fotografia que trabalhou muito bem para misturar a iluminação de tal maneira que não fosse possível distinguir gatos reais dos computacionais, e assim sendo podemos dizer que não erraram em nada.

Enfim, um longa bem gostoso de assistir, que vai divertir à todos que forem dispostos a acompanhar a saga do gatinho para tentar a voltar a ser humano, e com boas situações cômicas, será difícil não sair com um belo sorriso da sessão, e sendo assim, com toda certeza recomendo a trama para toda a família, apenas deixando claro o que falei no início, que se for possível, veja legendado. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia que falta conferir, então abraços e até breve.

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Cães de Guerra (War Dogs)

9/11/2016 08:25:00 PM |

Se no filme "O Lobo de Wall Street" temos a loucura no mercado financeiro, podemos dizer que em "Cães de Guerra" temos a loucura no mercado de armas "ilegais", pois o filme insanamente é baseado em fatos reais, e conforme vamos acompanhando a vida dos dois protagonistas, a cada momento vemos que esse grupo de "traficantes" ou negociantes de armas é algo complexo e que nem sempre vai ocorrer de uma forma tão simples como muitos imaginam. O filme que é dirigido por Todd Phillips acabou recaindo para o lado cômico, mas nem por isso deixou de lado o tom de ação que uma história desse estilo pode mostrar, e dessa forma acaba fluindo de uma maneira divertida e gostosa de ver.

O longa acompanha a história de dois amigos na casa dos 20 anos que moram em Miami durante a Guerra do Iraque e descobrem uma iniciativa pouco conhecida do governo que permite que pequenas empresas possam participar de licitações de contratos militares nos Estados Unidos. Partindo quase do zero, eles fazem muito dinheiro e passam a viver uma vida de luxo. Mas a dupla passa a ter problemas quando consegue um contrato de US$ 300 milhões para armar o exército afegão – que os coloca em contato com pessoas muito suspeitas, algumas das quais se revelam membros do próprio governo norte-americano.

É interessante observarmos como a equipe de roteiristas se baseou no artigo da revista Rolling Stone para criar dois jovens bem malucos que fizeram tudo para ganhar muito dinheiro num mundo duro e cruel, e ao cair nas mãos de um diretor de comédia tão eficiente como é Todd Phillips não teria outra forma de acreditar que desse errado o filme, e ao trabalhar com dois jovens atores que também andam acertando bastante nos estilos que interpretam, ele conseguiu captar a essência deles e incorporar dentro de um bom ritmo a criação de uma história completa que nos leva a refletir sobre como é usado todo investimento dos impostos de um país para a compra de armamento do exército e como tudo isso é feito para financiar guerras. O maior problema do longa fica também pelo estilo de Phillips, que em seus longas de comédia acaba sendo fácil dividir por esquetes e juntar tudo ao final, porém aqui por ser uma história completa, ao quebrar o longa em diversos momentos para que o filme tivesse quase capítulos, ele acabou cometendo alguns deslizes de quebrar o ritmo, fazendo com que o filme não deslanchasse, e sempre que chegava num ápice, era quebrado tudo para meio que recomeçar, e isso foi algo quase que sem fundamento algum, pois as frases são ditas logo em seguida, e se a edição tivesse trabalhado melhor, teríamos um filme incrível bem dinâmico e cheio de reviravoltas bem condizentes.

Um acerto da trama, como disse, foi a escolha dos atores para protagonizar o longa, pois mesmo sendo muito jovens, ambos andam acertando bastante no estilo que fazem, mesmo que mudando de gênero como andam fazendo. Miles Teller deu uma boa perspectiva para seu David, mas pareceu amarrado em alguns momentos, e principalmente aparentou jovem demais para ser pai, ficando estranho de ver ele que costuma fazer adolescentes em diversos filmes não tem cara de homem sério de família, e mesmo quando trabalhou algumas nuances ficou fazendo poucos olhares e não empolgou tanto como deveria. Jonah Hill já foi pelo lado contrário trabalhando muita descontração, e com isso, acabou tendo uma vertente até forçada em alguns momentos (principalmente nas risadas) que chegou até atrapalhar um pouco quando precisava ser mais sério com seu Efraim, claro que o diretor viu isso e trabalhou menos esses momentos deixando que ele fluísse sozinho na sua comicidade e acabou divertindo bastante no que fez. Os demais personagens foram mais enfeites e conexões, mas temos de pontuar Ana de Armas que fez de sua Iz, uma mulher brava que não aceita sequer qualquer mentira e com isso sempre com um semblante forte chamou atenção nas poucas cenas que fez, e também temos de destacar as cenas de Bradley Cooper com seu Henry sempre carrancudo e cheio de força para as cenas mais tensas.

Um dos pontos mais positivos do longa ficou a cargo da equipe artística que soube escolher dois apartamentos incríveis muito bem decorados para os protagonistas morarem, criar um escritório cheio de referências de guerra, mas principalmente acertaram em cheio nas cenas externas que mostraram mais ação, indo para o meio da guerra realmente passando por locações num Iraque fictício, e em um barracão bem sinistro de armamentos na Albânia. Quanto ao conceito fotográfico trabalharam bem as cores de guerra, como marrom, cinza e verde que deram boas nuances, porém por ser um filme com um teor mais cômico, faltou um pouco de cores mais claras.

Enfim, um filme bem divertido e gostoso de acompanhar, claro que a maior reclamação fica por conta das quebras de ritmo com as frases, mas mesmo isso não atrapalhou tanto o feitio do diretor e certamente vai agradar bem quem for conferir o longa. Portanto recomendo ele para quem gosta de longas que misturem ação, drama e comicidade, trabalhando situações reais com o imaginário dos roteiristas para agradar dentro de uma proposta diferenciada. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até breve.

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Aquarius

9/11/2016 02:34:00 AM |

Enfim eis que surge o filme nacional mais polêmico da atualidade, e não diria nem que é tanto pela essência mostrada nos 145 minutos de projeção, pois "Aquarius" possui muito mais o conteúdo humano da insistência familiar versus o corporativismo imobiliário do que um mote completamente politizado como têm sido pregado pelos quatro cantos. Claro que as referências podem ser interpretadas de maneira metafórica com a atual situação do país, claro que os artistas fizeram protestos por diversos motivos, claro que muita coisa está sendo falada e funcionando como marketing do longa também, mas longe de toda essa movimentação, existe algo que temos de falar sobre o filme (e é somente nesse contexto que irei analisar) que o diretor precisa fazer aulas de concisão cênica urgente, pois já é seu segundo filme que ele arrasta querendo ser simbólico demais, de tal maneira seus filmes poderiam certamente ser menores passando a mesma mensagem e ainda agradaria muito. Mas tirando esse detalhe, o filme é bem trabalhado e agrada pelo tom interessante e competente da situação que a protagonista é colocada, contrapondo com a ideologia do momento de modernizar tudo.

O longa nos mostra que Clara tem 65 anos, é jornalista aposentada, viúva e mãe de três adultos. Ela mora em um apartamento localizado na Av. Boa Viagem, no Recife, onde criou seus filhos e viveu boa parte de sua vida. Interessada em construir um novo prédio no espaço, os responsáveis por uma construtora conseguiram adquirir quase todos os apartamentos do prédio, menos o dela. Por mais que tenha deixado bem claro que não pretende vendê-lo, Clara sofre todo tipo de assédio e ameaça para que mude de ideia.

Embora o diretor tenha feito um filme com ideias bonitas e com situações bem cheias de saudosismo, afinal a protagonista praticamente continua vivendo os anos 80 e mantém praticamente tudo do apartamento por anos, misturando um pouco com algumas coisas tecnológicas para não ficar totalmente blasé, seu filme acaba tendo alguns apelos completamente desnecessários, que acabariam reduzindo o tempo de filme (afinal acaba cansando demais 145 minutos de drama), como por exemplo o alto cunho sexual, mostrando em diversos momentos órgãos sexuais masculinos e em algumas vezes femininos também, (o que acabou dando uma classificação indicativa alta para o longa ,que erroneamente ficaram reclamando, pois o filme sim deve ser classificado como no mínimo 16 anos e acertadamente como 18), e se removessem isso, certamente teríamos um longa livre para toda a família, pois é interessante de ver o modo gostoso e até forte de lidar com a vida que a protagonista desenvolve. Portanto Kleber Mendonça Filho até se mostra como um bom diretor dramático, que soube pontuar bem os momentos cômicos da trama e trilhar um caminho claro para o fechamento de seu filme, porém suas criatividades desconexas, seus momentos desnecessários e a liberdade exagerada de expressão frente a algo que poderia ser mais singelo e bonito acabou deixando falho o resultado final da trama, porém ainda assim temos de parabenizar que melhorou muito se comparado com a viagem completa que fez em seu primeiro longa, trabalhando câmeras mais precisas e resultando assim em algo mais normal de ser visto.

O longa possui muitos personagens interessantes de serem discutidos, mas certamente o grande nome a ser lembrado sempre será de Sonia Braga com sua Clara, pois a atriz mostrou um brilhantismo intenso na forma de atuar, pontuando cada momento seu como se fosse único e criando perspectivas claras para que sua vivência fosse crível e colocando seu apartamento quase como um ente querido a qual defenderia com unhas e dentes para ficar com ele até sua morte, trabalhou bem um semblante tão forte que em algumas cenas até ficamos impressionados com a força da atriz, mostrando o porquê de ainda ser um dos grandes nomes do cinema nacional. Humberto Carrão soube mixar bem o estilo galanteador de seu Diego com um lado vilanesco sarcástico tão incrível na forma de dizer suas propostas que como acabamos nos apegando tanto ao apartamento da mesma forma que a protagonista, em algumas de suas falas a vontade que temos é de socar sua cara, o que a atriz infelizmente não fez, e isso mostra que o ator também soube ser preciso na forma de atuar para conseguir tal feito. Agora é incrível como Irandhir Santos mesmo sendo um coadjuvante que aparece digamos no máximo umas cinco vezes com seu Roberval consegue transformar suas cenas em ótimos momentos de expressividade e companheirismo para com a protagonista, encaixando tudo de maneira simbólica e bem interessante de ser vista. Quanto aos demais posso dizer que mesmo os que tiveram pequenos percalços expressivos não atrapalharam o andamento da trama, e sendo assim podemos dizer que tivemos uma boa direção de atores.

Agora certamente o grande trabalho do filme ficou por conta da equipe artística, que trabalhou com muita gana para encher o apartamento de simbologias e coisas antigas tão bem colocadas que conforme iam surgindo para remeter à algum pensamento da protagonista ou dar conteúdo para que o apartamento ficasse bem adornado junto da proposta de ir colocando ele quase como um familiar querido da protagonista e que acaba entrando para a do espectador que se conecte com a ideia também, ou seja, um trabalho colocado para tivesse vivência e fosse até mais importante que os diálogos da trama.

Outro grande fator importante do longa ficou a cargo das ótimas escolhas musicais que deram um tom incrível para cada momento da trama e conforme iam aparecendo nos iam fazendo viajar pelos sentimentos exatos que o diretor desejava passar, sem que nada fosse jogado ou ficasse remetido simplesmente para dar ritmo (o que infelizmente não foi colocado no longa), dando uma sensação bem gostosa para cada ato. Claro que não deixaria meus leitores sem o link para ouvir todas elas, então escute aqui.

Enfim, é um filme bem feito, com boas ideias, que pecou somente pelo exagero abusivo de algumas cenas completamente desnecessárias, e que está sendo discutido de uma forma completamente fora do que deveria ser discutido, como cinema realmente e não como política. Portanto é um filme que até vale ser visto, mas talvez em casa que dá para acelerar as diversas partes de mal gosto, e assim ver um longa de 80 minutos que vai agradar com certeza. Fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos das muitas estreias que apareceram aqui pelo interior, então abraços e até mais pessoal.

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