Mulheres Selvagens (Wild Women - Gentle Beasts)

7/27/2016 01:28:00 AM |

Já falei aqui diversas vezes sobre a diferença entre documentários cinematográficos e documentários jornalísticos, mas sempre vale ressaltar que a grande diferença entre eles, é que enquanto os cinematográficos procuram pegar um tema e desenvolvê-lo criando perspectivas sem quase mostrar entrevistas aonde o público consiga enxergar as perguntas, no jornalístico fica notável as perguntas que os diretores/entrevistadores fazem para as pessoas e isso acaba cansando um pouco os espectadores mesmo que o tema seja interessante. Em "Mulheres Selvagens", a temática de animais de circo e a vida dura das mulheres domadoras poderiam até ter uma nuance dura e bem crível ao ponto de discutirmos diversas metáforas e coisas interessantes, mas a diretora optou por trabalhar um filme mais cru aonde cada uma das entrevistadas falou sobre sua vida com os animais e a rotina de trabalho mais em forma de respostas, e isso não é algo gostoso e fluído de ver em um filme. Entretanto, como temos uma das práticas mais antigas do circo que é o tratamento entre animais e homens, a história mesmo de forma cansativa acaba agradando.

O longa nos mostra Namayca, Carmen, Nadezhda, Aliya e Anosa, domadoras de animais de diferentes países, brilham sob os holofotes enquanto lutam por suas vidas nos bastidores. Trabalhadoras e sorridentes, as artistas de circo revelam sua paixão pelos animais selvagens e pela profissão extraordinária: uma rotina cheia de dedicação e disciplina em meio a um perigo mortal. No documentário, Anka Schmid acompanha o cotidiano das mulheres de perto, pintando um retrato honesto das domadoras.

De modo geral o trabalho da diretora pode se dizer que foi bem ousado, pois ela foi a fundo na história e colocou sua câmera bem próxima dos animais selvagens fazendo claro que as domadoras tivessem um trabalho extra durante a gravação, mas vemos à todo momento que as moças estão respondendo perguntas moldadas, não que isso seja algo errado, mas para que o filme agradasse mais na montagem isso deveria rolar como uma história mais elaborada e não uma entrevista pura. Claro que para não ficar tão feio, o acerto na montagem, intercalando as diversas personagens ficou bem interessante de ver, e por horas acabamos misturando quem cuida de que tipo de animal, pois tirando os ursos que são bem diferentes, os diferentes tipos de tigres e leões acabam confundindo bem quem são suas donas.

Ou seja, embora a técnica usada seja bem simples, o resultado acaba até agradando de uma forma singela, mas certamente poderíamos ter um longa mais dramatizado, afinal o serviço e a vida das moças de circo não é algo tão bonito como acaba parecendo, e elas mesmas dizem isso a todo momento, então a diretora amenizou bem a situação e o filme acabou leve demais para empolgar, sendo apenas algo bem feito. Portanto só recomendo ele como um passatempo de quem quiser ver como é a vida de treinadoras de animais de circo, sem entrar muito em detalhes. Fico por aqui encerrando essa semana que foi bem longa, mas na quinta estou de volta com mais estreias, então abraços e até breve pessoal.

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Batman: A Piada Mortal (Batman: The Killing Joke)

7/26/2016 12:08:00 AM |

As animações para adultos raramente costumam ganhar os cinemas, mas esse ano parece que o pessoal está disposto a ganhar dinheiro com os marmanjos que colecionam HQs lançando colecionáveis em lanches, roupas de cama temáticas e tudo mais que possam lucrar, e claro que um filme que iria diretamente para home-vídeo contendo uma das mais vendidas histórias em HQ não iriam deixar passar em branco, e com apenas uma semana de vendas, todas as sessões de "Batman - A Piada Mortal" já estavam lotadas e precisaram abrir mais salas para que os fãs vissem a tão famosa história nos cinemas. Claro que mesmo sendo bem curto, apenas 73 minutos, a animação não entrega muita coisa e deixa subentendido muitas situações, mas ainda assim é algo bem interessante de ver, por "humanizar" a formação do Coringa, ainda que continue um maluco completo, e sem desculpas o que acaba fazendo nas cenas seguintes ainda deixará muitos nervosos (e se isso fosse feito em live-action acredito que muitos ficariam extremamente revoltados). Ou seja, basicamente é um filme do Coringa que até mostra algumas boas situações, mas funciona muito mais para os fãs que acompanham sedentos as HQs do que para quem for apenas curtir mais um filme do Batman, pois ou você conhece tudo o que está sendo mostrado, ou vai sair sem saber o que viu na tela, e isso não é legal em filme algum.

A animação nos mostra que Gotham City está mais uma vez em perigo. O louco Palhaço Príncipe do Crime, o Coringa acabou fugindo do Asilo Arkham, que aloja os criminalmente insanos. Coringa está fora de controle e planeja um ataque ao Comissário Gordon e sua filha, Barbara, e só seu rival, Batman, é capaz de enfrentá-lo.

De certo modo, volto a frisar que é um filme feito para quem leu a HQ, mas se tenho de pontuar pontos positivos para mim e para quem assistir sem conhecer praticamente nada da história, senão apenas detonaria o filme vamos lá. A forma que a história do Coringa foi contada através de flashbacks foi algo muito incrível de ver, e certamente dará um ótimo mote para o longa que pretendem lançar somente dele em breve, pois dá noções melhores de onde pode ter surgido seus primeiros distúrbios psicológicos. Em sequência vemos também os meios sádicos e completamente malucos que alguém perturbado, no caso o Coringa, acabou fazendo com Batgirl e Gordon. Também é interessante pontuar Batgirl, ou melhor Bárbara como uma mulher de atitude e que certamente mostra que se você quer deixar uma mulher muito nervosa, a contrarie. E por fim, quase que meio positivo, meio negativo, a história de Paris acabou ficando vaga demais na sua conclusão, e mesmo que tenha sido feita de uma maneira bem interessante, acabou sem um desfecho mais conclusivo.

No conceito de animação, posso falar que o desenho ficou bem  bacana de ver, pois não quiseram dar formatos e texturas mais precisas, trabalhando realmente a arte da computação como feito nas HQs, então ao manter o clima sombrio que a trama possui, junto de desenhos mais dramatizados, o filme acabou ganhando um contexto bem fechado e arquitetado para o que foi projetado, portanto não espere ver um filme aonde os personagens pareçam atores, pois não é essa a intenção, e quem for comprar o filme (afinal só tiveram as sessões hoje, e a partir de amanhã já pode ser alugado online ou comprado nas lojas) não espere ver algo bonitinho, cheio de detalhes e afins, pois o filme até possui arquétipos e elementos cênicos bem presentes, mas nada que de o tom tradicional que o público de animações esteja acostumado.

Ou seja, temos uma animação curta que tentou ser um longa, e que acabou decepcionando um pouco por criar expectativa demais em quem não leu e esperava um filmaço do Batman, ou quem leu e imaginava ver muito mais do que possui na HQ, e sendo assim o resultado foi bacana, mas morno demais. Portanto até recomendo o filme, pois está longe de ser algo ruim, mas vale mais pelos pontos positivos que citei acima, do que por uma história completa. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um longa do Festival Suíço, então abraços e até breve galera.

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O Milagre de Tekir (Le Miracle de Tekir) (Miracolul din Tekir)

7/24/2016 08:43:00 PM |

Acho bem interessante o trabalho de alguns diretores alternativos que procuram trabalhar o misticismo de vilas e religiões de uma forma diferenciada, e por muitas vezes acabam conseguindo segurar mais o público do que um longa tradicional. Claro que esses casos são raros, e por terem uma forma tradicional de fechamento, o qual deixa sempre aberto para que o público tire suas próprias conclusões, muitos nem gostam de assistir esse estilo próprio de filmes. Em "O Milagre de Tekir", temos um filme que segura muito bem a dinâmica e a curiosidade do público, e com uma história que por horas queremos acreditar na moça e por diversos momentos também pensamos em algum tipo de imaginação aflorada por delírios com drogas ou algo do tipo, ficamos sempre caminhando com os dois pés atrás sem saber no que acreditar, e claro torcendo para que a diretora não pare o filme tão cedo para que descubramos mais algo. Pois bem, a diretora termina o filme de uma maneira bem curiosa, que dá um sentimento interessante, mas é claro que não vamos descobrir muito, afinal como disse, esse estilo de filme prefere que as conclusões sejam feitas por nós e não entregues de graça, e assim sendo vamos com um filme até que bacana, mas que poderia nos revelar um pouco mais do misticismo da vila, e claro o motivo de tanto interesse do padre.

O longa nos apresenta Mara, uma mulher solteira, que está misteriosamente grávida. O fato se torna um problema para ela e para os habitantes de uma pequena vila de pescadores no delta do Danúbio, onde religião e superstição se misturam com facilidade. Expulsa do lugar, ela encontra um emprego no Tekir, um spa que trata mulheres inférteis com a lama do rio europeu. Ao conhecer Lili, uma mulher excêntrica e cosmopolita, descobre uma saída para sua concepção "imaculada".

O trabalho de contexto que a diretora e roteirista Ruxandra Zenide fez em seu filme é algo que certamente temos de tirar o chapéu, pois conseguiu trabalhar um tema que certamente não teria muito impacto se visto com outros olhos, mas que ao manter sua trama com poucos diálogos e mais representatividade, ela acabou fluindo pelo ótimo visual e dando um amplo valor simbólico para o misticismo da região, e assim sem que o público perceba, ele já está completamente envolvido com a personagem principal e com tudo o que está rolando. Claro que volto a frisar, não é um filme comercialmente falando perfeito, pois pouquíssimas pessoas pagariam por algo do estilo, mas acabamos ficando com uma alta expectativa para um desfecho bem palpável e com isso a proporção da trama nos leva para algo bem maior que é a reflexão espiritual do que realmente acreditamos, no caso, se o que a moça diz ser sua verdade é realmente a verdade para com a trama.

Com toda certeza a diretora gostou do trabalho de Dorotheea Petre, pois após a atriz ter feito seu primeiro trabalho no cinema no último filme da diretora, ela voltou agora com uma ótima expressividade para com sua Mara, de modo que a atriz assumiu bem a responsabilidade de conduzir a trama com olhares, sentimentos e a cada novo diálogo ao falar com muita serenidade ela conseguiu deixar a personagem com um ar místico maior até que o longa pedia. Bogdan Dumitrache deu uma perspectiva diferenciada para o padre Andrei de tal modo que se inicialmente achávamos que ele seria mero figurante de cena, ao final já chegamos à outras conclusões pela forma de sua interpretação, é claro que isso em momento algum é mostrado na trama, mas a forma expressiva dele, junto com a história completa acaba tomando rumos diferenciados nas últimas cenas. Elina Löwensohn fez de sua Lili uma mulher estranha, claro que isso estava no roteiro, mas ao misturar egocentrismo com exagero na personificação, acabou dando um tom meio falso e estranho para a personagem, de tal modo que ao mesmo tempo que ficamos torcendo para que seja curada, torcemos também para que ela se lasque. Dos demais personagens, alguns passaram rapidamente e tiveram até alguns momentos de destaque como George Pistereanu fazendo bem seu michê Julio, e Viorica Geanta Chelbea dando simbolismo para a cigana proprietária dos alojamentos, mas sem dúvida o maior mistério fica por conta de Mirela Oprisor com sua Vitória e a ligação dela com o padre.

Visualmente o longa nem possui tantos elementos cênicos, mas as escolhas das locações sem dúvida alguma foram incríveis para a concepção completa do longa, desde a pequena vila de pescadores, passando pelo luxuoso hotel Tekir com spas chiques e tudo mais temos boas simbologias para representar cada momento do filme, mas sem dúvida alguma o grande acerto artístico ficou por conta do pântano de lama negra que acabou tendo bem mais do que uma simples representatividade no longa do que apenas visual. Aliada ao bom visual é claro que a fotografia usou e abusou de enquadramentos bem abertos, sem usar iluminação artificial para quase nenhum momento, dando sombreamentos mais duros e vivos para a trama, de tal modo que cada cena foi mais bonita de ver que a outra.

Enfim, é um filme interessante, que poderia ter rumos muito mais grandiosos para com a ideia completa, mas ainda assim pelo estilo que se propõe a mostrar acaba cumprindo e certamente quem gosta de longas assim vai sair bem satisfeito com tudo o que foi mostrado. Portanto recomendo ele como um bom exemplar de filme que trabalha bem o misticismo religioso, mas deixo a ressalva que quem não gosta de tirar as próprias conclusões de um filme, talvez evite ver o longa, pois certamente vai sair irritado com o fechamento do longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com o texto sobre uma animação para maiores de idade, então abraços e até breve.

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Entre Idas e Vindas

7/23/2016 08:56:00 PM |

O que esperar de uma dramédia romântica em um road-movie? Essa pergunta não sei se posso responder mesmo após conferir o filme "Entre Idas e Vindas", pois o diretor e roteirista José Eduardo Belmonte trabalhou o filme de uma maneira existencialista demais, cheio de inflexões e reflexões dos personagens que acabamos gostando do estilo leve de condução, mas ficamos sempre esperando algo a mais em cada cena. Ou seja, é um filme bonito, gostoso de assistir, bem produzido e que trabalha uma vertente diferenciada dentro de nosso cinema, mas que poderia ser mais ousado para que o público entrasse na mesma vibe dos personagens que foram bem interpretados por todos, mas pouco utilizados para que o filme fluísse melhor.

O longa nos mostra que Amanda, Sandra, Cillie e Krisse, quatro amigas que trabalham no departamento de telemarketing de uma empresa, embarcam em um motorhome para fazer uma viagem de férias pelo litoral sul de São Paulo. Enquanto isso, Afonso e Benedito, pai e filho, tentam chegar à capital paulista em um velho carro Lada. Benedito não sabe, mas Afonso está levando o menino para encontrar a mãe, que não vê há seis anos, desde que ela ganhou uma bolsa de estudos e se mudou para Paris. Quando o Lada de Afonso quebra na estrada, sem possibilidade de conserto, as meninas do telemarketing socorrem Afonso e Benedito. E o que seria uma simples carona acaba se transformando em uma viagem cheia de aventuras e transformações pessoais.

O maior problema do filme não podemos dizer que foi da direção, pois a condução do filme de Belmonte é algo interessante de ser visto, mas talvez quando escreveu a história talvez o diretor precisasse refletir mais sobre o tema, ao invés de usar tantas reflexões nos personagens, pois o filme tem uma boa dinâmica, tem boas atuações, tem um ponto à ser atingido, porém tudo fica parado no MAS a boa dinâmica não foi para frente, MAS as boas atuações ficaram presas na falta de desenvolvimento, MAS o ponto a ser atingido acaba ocorrendo após o clímax e isso não é o que se espera de um filme. Claro que longe de ser algo ruim, mas esses problemas acabam segurando demais o andamento do filme, e acabamos saindo da sessão sem a resposta da pergunta que iniciei meu texto, mas ainda felizes com o que vimos na tela, ou seja, um paradoxo completo que não sabemos se gostamos, mas acabamos gostando. De tal forma que pelo trailer já era possível ver que não era um filme comum, que o diretor almejava algo a mais para ele, porém ele desejou demais e faltou impressionar realmente com o que queria, porém felizmente não tivemos um drama novelesco na telona, pois aí sim sairíamos da sessão com um humor completamente diferente.

Sobre as atuações, Fabio Assunção conseguiu dar um tom interessante para seu Afonso, de modo que certamente o conceito de pai solteiro pode ser visto de uma forma estranha, mas aqui ele deu boas perspectivas ao trabalhar com seu filho verdadeiro João Assunção, o qual se mostrou já seguir bem os rumos do pai na forma de interpretação que deu para seu Benedito, de tal modo que claro que a química entre os dois foi algo incrível de se ver, e podiam se conectar só com olhares para que um dissesse bem seu texto em sintonia com o do outro, além claro dos ótimos momentos de fofura que o garoto deu para a personalidade de seu personagem. Ingrid Guimarães sempre incorpora bem suas personagens, dando estilos próprios para elas, e aqui sua Amanda diríamos que é aquela chefe que não conhecemos nada da vida dela, mas que sempre tá junto para ajudar e dar alguns puxões de orelha, talvez sua personagem tenha ido numa velocidade acima do que o filme desejava ir, parecendo estar agitada demais em todos os momentos, e dessa forma não podemos dizer que foi seu melhor personagem até hoje, ainda que tenha agradado alguns bons momentos dela. Alice Braga sempre faz personagens fortes, e sua Sandra não seria a primeira personagem que mudaria o estilo que gosta de atuar, de tal maneira que seus momentos mais contidos até pareciam estranhos, até a atriz se soltar e incorporar com personalidade bons momentos de fúria, talvez um pouco mais de nuances em seus momentos chamariam bem a atenção, mas acabou fazendo bem o seu papel. Rosane Mulholland incorporou sua Krisse de uma maneira tão diferente que a atriz parecia ter no máximo uns 20 anos em cena, e sabemos que está bem longe dessa idade, mas com isso teve momentos tão doces e interessantes que talvez um filme aonde pudesse explorar mais dessa personagem agradaria bem nos cinemas. E fechando o elenco principal, Caroline Abras teve poucos momentos para desenvolver sua Cillie, de modo que foi quase uma figurante de luxo com seu estilo maluquinho de interpretar, que até deu um tom gostoso para suas cenas, mas faltou o diretor dar mais momentos chamativos para ela. Do elenco secundário é melhor nem falar, afinal quase todos apareceram para no máximo duas ou três falas, o que não impactou muito no desenvolvimento, valendo apenas um mero destaque para Milhem Cortaz que exagerou demais nos trejeitos de seu personagem, nem parecendo que o filme foi feito em São Paulo.

Como todo bom road-movie, arrumaram um bom motorhome para que os protagonistas andassem pelas estradas (aliás aonde arrumaram tantas estradas vazias para filmar?), e provavelmente também gravaram numa época mais fria para ter praias tão vazias também, mas tirando esses detalhes, os locais por onde o filme teve suas inflexões chamaram bem atenção pelos momentos (uma cidadela que ouve o sermão pelos alto-falantes, a outra vazia para a festa do prefeito, um mecânico 24 horas que não é 24 horas e aceita encomenda de doces, e por aí vai), além de arrumarem um Lada detonado para o protagonista tentar pilotar. Ou seja, tiveram o capricho de arrumar bons locais, mas não trabalharam tanto eles para termos elementos cênicos mais chamativos, somente claro a camerazinha que utilizaram também para a fotografia, dando um tom mais amarelado de efeito.

Enfim, é um filme interessante que poderia ser muito melhor se trabalhado mais cada personagem individualmente, ou se colocassem mais dilemas para serem resolvidos, de modo que o filme criasse uma perspectiva maior, mas ainda assim é mais um bom exemplar de que o cinema nacional está tentando fugir da característica novelesca que tanto o marcou, e sendo assim merece ser conferido, para que com uma boa bilheteria surjam mais filmes no estilo. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um longa do Festival Suíço, então abraços e até breve pessoal.

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Janis - Little Girl Blue

7/23/2016 01:47:00 AM |

Documentários geralmente chegam pré-moldados para determinado público nos cinemas, de modo que são raros os que estreiam no interior, ficando mais restritos às capitais em cinemas específicos ou sendo lançados diretamente para a TV. Mas felizmente hoje vi mais uma vez (Em "Amy" aconteceu a mesma coisa) que quando colocado em conjunto com o tema musical, o estilo acaba levando um grande público para a sala do cinema para conferir a história de seus ídolos musicais e conhecer um pouco mais sobre a pessoa além do mito que foi Janis Joplin em "Janis - Little Girl Blue". O longa foi bem trabalhado com entrevistas de familiares, músicos, produtores e amigos que viveram com a cantora, juntamente com imagens de arquivo aonde ela deu depoimentos à programas e claro muitos shows gravados, e embora tudo seja algo bem bacana de ver, poderiam ter sido mais duros com tudo o que é mostrado e menos homenagem, pois como bem sabemos artistas não são pessoas boazinhas!

A sinopse do filme nos mostra que o documentário gira em torno de Janis Joplin, uma estrela do rock norte-americano. Porém, é abordado uma visão fora da música, revelando a mulher doce, sensível, confiável e poderosa que era por trás da lenda. Um relato de uma vida épica e turbulenta que mudou o mundo da música para sempre.

O trabalho de pesquisa e montagem da diretora Amy Berg levou longos sete anos para ser concluído, mas o que vemos na tela é algo detalhado e cheio de minuciosas preciosidades, depoimentos bem coerentes, e claro a sensação de que o filme foi feito ainda na presença da cantora, pois os próprios depoimentos que Janis deu à diversas gravações pareciam ser produto pronto para lançamento, e com uma montagem precisa, aliada à narração das cartas que enviou para a família durante muitos anos pela cantora Cat Power, acabaram dando toda a nuance para que o documentário não ficasse chato e nem enrolasse demais todo o andamento do longa. Claro que como disse, em muitos momentos todos os artistas prestaram grandes homenagens em seus depoimentos, e isso poderia ser amenizado, afinal certamente com a quantidade de drogas e bebidas que a cantora usava, não deveria ser nada agradável estar em sua presença após os shows, que é quando ela se deprimia por ficar sozinha, ou seja, temos boas entrevistas e bons momentos, mas a sinceridade dos fatos foi poupada em diversos momentos.

Outro fator que incomoda um pouco é o fato de que antigamente tudo era gravado praticamente sem qualidade alguma de imagem (para passar nos cinemas de hoje, mas para as TVs da época estava dentro do padrão), e ao invés de remasterizarem para que o material ficasse com uma qualidade mais interessante de ser vista num cinema, colocaram no filme como foram feitos realmente, então temos muitos defeitos técnicos que até é possível relevar, mas que distorcem muito quando mudam as perspectivas com Janis e as atuais, e isso deixou o trabalho completo um pouco estranho de assistir, mas nada que seja relevante para quem for curtir apenas.

Claro que se tratando de um documentário musical, temos muitas canções da artista, e a sonoridade é tão rítmica que o longa deslancha sozinho, e mais do que isso, como temos legendas inclusive nas canções, para quem apenas ouvia sem prestar muita atenção no que as letras diziam, ficamos sabendo mais sobre suas composições, e claro junto com os depoimentos de onde vinham algumas das inspirações. Ou seja, a conexão completa que um longa musical deve funcionar.

Enfim, é um bom documentário que serve tanto para quem só conhecia umas duas músicas e sequer sabia quem era Janis Joplin, quanto os super-fãs que acabam chorando e se emocionando ao ver mais coisas que desconhecia na telona, ou seja, agrada a todos mesmo que com os defeitos que citei acima. Portanto acabo recomendando ele, principalmente por não ser mais um daqueles documentários alongados cansativos que costumam aparecer, então aproveitem e confiram. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda faltam muitas estreias da semana para conferir, então abraços e até breve com mais posts por aqui.

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A Lenda de Tarzan em Imax 3D (The Legend of Tarzan)

7/21/2016 11:42:00 PM |

Alguns filmes quando surgem as primeiras prévias, todos já começam a atacar, e quando se falou em um novo Tarzan, literalmente teve gente querendo pôr fogo nos livros e só reclamavam de qualquer possibilidade que fosse falada sobre o longa, pois onde já se viu mais uma vez contar a história de Tarzan, que já teve de todo jeito, que isso, que aquilo, e por aí vai. Pois bem, posso dizer que também reclamei quando vi as primeiras imagens de "A Lenda de Tarzan", mas de certa forma fiquei curioso para saber o que iriam fazer com a história. Pois bem, hoje após conferir, posso dizer que o resultado final me agradou muito, pois evitaram contar toda a história que já vimos diversas vezes, optando agora por mostrar algo ocorrido após Tarzan ter abandonado a selva, e ter tomado a herança de sua família, virando um lorde inglês. E além de nos entregar uma boa história, optaram por dar um tom bem mais sério ao filme, sem animais falantes e principalmente deixando que a ação corresse solta, para que tudo acontecesse no desfecho. E se tenho de reclamar de algo, posso dizer que como o filme deixa para que o público apenas lembre da história de Tarzan, juntando alguns flashbacks, ele poderia ser mais longo que não atrapalharia tanto, e nessa correria pode ser que muitos personagens tenham ficado abandonados de certo modo, mas ao menos não encheram linguiça para dar tempo de tela.

O longa nos mostra que há muitos anos, Lord Greystoke deixou o passado como Tarzan e vive na cidade com sua esposa, Jane. No entanto, ele é chamado para voltar ao Congo numa tarefa como emissário do Parlamento. Mas na verdade, isso não passa de um plano mortal arquitetado pelo capitão Rom, despertando a fúria adormecida de Tarzan.

Ou seja, é interessante vermos quando pegam uma história já batida e recriam algo novo em cima dela, pois certamente qualquer um imaginaria que recontariam toda a história novamente de como Tarzan foi abandonado na selva, como conheceu Jane, e como ficou amigo dos animais, mas os roteiristas ousaram em colocar já ele bem longe de suas "macaquices" já vivendo como um homem rico, e a partir daí deslanchar tudo. O diretor David Yates soube também trabalhar bem essa nova história e certamente sentiu muita falta de mostrar um pouco do passado, pois daria para termos um longa completo se necessidade de flashbacks, mas muitas situações acabariam desconectadas e incomodariam demais, por exemplo: como os habitantes de uma tribo remota fala inglês tão fluente? Ou por quais motivos Mbonga deseja tanto matar o protagonista? E isso estou citando apenas duas indagações que são bem encaixadas com as cenas de lembranças, pois possuem outras, e cada uma vai dar boas nuances para o filme, porém caso quisesse, o diretor ainda poderia lançar mão de outras situações para dar ao filme um tempo maior do que o que foi mostrado, e certamente isso não cansaria, pelo contrário, não exigiria tanto do público lembrar do que viu em outros filmes sobre o personagem. Agora um fato claro que não podemos reclamar de forma alguma do diretor, é que colocou sob uma forte perspectiva ação praticamente do começo ao fim, deixando o longa num ritmo insano e bem adequado à proposta que tanto desejava, além claro de diferentemente do que ocorreu em outras adaptações da história de Edgar Rice Burroughs, aqui os animais não falam e apenas passam toda a simbologia através do olhar para o protagonista, quase que numa comunicação única que somente ele entende, ou seja, perfeição completa nas cenas mais comoventes entre animais e homens. O diretor também soube fazer, assim como em outros longas que dirigiu, deixar que o personagem protagonista ficasse em foco mesmo nas cenas em que não aparece, e isso é algo bacana, pois tivemos muitas cenas dos coadjuvantes em situações solo, mas sempre referenciando de algum modo o protagonista.

Sobre a atuação, mesmo estando com o físico completamente em dia, não sei se a escolha de Alexander Skarsgård foi a mais ideal para dar vida à Tarzan/Lorde Greystoke, pois mais acostumado com longas mais reflexivos e dramáticos, o ator até segurou as pontas nos momentos mais tensos, mas quando precisava dar mais ação ou até mesmo um tom mais cômico para o personagem, parecia estar deslocado, então talvez as outras opções que tinham em mãos antes das filmagens seriam mais propícias, porém ele não fez nada que seja absurdo de ver na tela, e até acabou saindo bem no fechamento. Margot Robbie conseguiu transformar sua Jane numa personagem bem dinâmica e interessante de ver, pois de certo modo víamos a personagem com uma aura mais ingênua e doce, e aqui ela se mostrou como uma mulher de atitudes completamente longe de algo mais frágil, e ao trabalhar bem sua expressividade nas cenas junto do vilão, ela chamou atenção pelo estilo mais sutil de olhares que já vimos fazer em outros filmes, ou seja, uma atriz que promete muito ainda no cinema. Agora quem já não promete mais nada, mas sempre cumpre com excelentes atuações é Chistoph Waltz, pois cada papel que pega ele incorpora e entrega seu máximo, e claro que sempre com ótimas expressões ele acaba cativando o público mesmo que esteja fazendo todas as maldades possíveis com seu Rom, e certamente o veremos fazendo mais vilões, pois ele acaba sempre introduzindo uma personalidade intelectual visceral para seus personagens de modo que vamos esperando e torcendo para que ele consiga destruir os mocinhos das tramas. E se falei do físico do Tarzan, não posso dizer que Samuel L. Jackson estava em forma no começo das gravações com seu George, mas ao final depois de correr muito e esbaforir tentando acompanhar o fôlego do jovem ator, certamente ganhou mais vitalidade ou precisou recorrer à alguns balões de oxigênio, mas tirando esse detalhe, como sempre faz, acabou colocando uma comicidade tão bem encaixada nos momentos certos da trama, que acabamos quase criando um vínculo de amizade com o personagem. E para fechar sobre as atuações, Djimon Hounsou deu boas perspectivas para o seu Chefe Mbonga, mas faltou no longa contar mais de sua história, ficando quase um personagem jogado no meio do nada, e isso não é legal de ver, porém nos seus momentos de luta, o ator deu um show à parte.

Sobre o visual, a equipe escolheu ótimas locações para dar uma ambientação bem condizente (não sei se realmente foram para o Congo filmar no meio da floresta, já que hoje é possível fazer tudo com computação gráfica), e trabalhou muito bem com os figurinos dos personagens para termos tribos diferenciadas e soldados de todos os estilos possíveis. Mas sendo ou não real a floresta, os animais todos foram feitos através de computação com movimentos criados através de captura com atores reais, e em quesito de texturas, podemos realmente tirar o chapéu para esses softwares que andam trabalhando, pois é algo incrível de ver e se comover com cada momento entre protagonistas humanos e animais em cena, de tal modo que torcíamos até para ter mais cenas com os bichinhos. Sobre a fotografia da trama, tivemos boas cenas no escuro sem que qualquer iluminação falsa atrapalhasse, e claro que dentro da selva, usaram ótimos artifícios para que tivéssemos diferentes tons de verde para dar as nuances certas para cada momento, na cena inicial do vilão com a tribo indígena, abusaram demais da neblina, e embora o tom tenha ficado maravilhoso, é quase impossível ver alguma coisa em cena, e isso de certo modo é um erro.

Outro ponto negativo do filme ficou a cargo do uso da tecnologia 3D, pois sendo um filme convertido, acabaram não pensando tanto no que poderia chamar atenção ao usar os efeitos, então tirando a cena final de explosão que muita coisa acaba voando para fora da tela, as demais cenas que tiveram algum detalhe aplicado ficaram com pouca profundidade de campo e só serviram para dar alguns borrões na tela, ou seja, completamente dispensável, mesmo que nas cenas de balanços de cipó, a dinâmica tenha ficado de certa forma interessante de ver. Então se quiser economizar, pode ver em salas comuns que não irá perder nada.

Enfim, foi um filme que até acabou superando as expectativas que tinha dele, principalmente por termos uma história nova e agradar na dinâmica, mas certamente se os pontos defeituosos que citei (tempo de filme, 3D, atuação do protagonista, entre outros) fossem menores, acabaríamos tendo um excelente filme. Vale a recomendação por ser algo "novo" dentro de algo que já conhecíamos de outras épocas, mas talvez seja um filme que em breve nem lembraremos de sua existência, e isso não é algo que agrade os produtores de cinema. Enfim, vá ao cinema e se divirta com a história, pois como sempre digo, certamente algo vai acabar chamando a atenção, e sendo assim cada um vai tirar proveito de algum momento do longa, e acabará se divertindo com os bons momentos da produção. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com um longa atrasado que apareceu no interior, então abraços e até breve.

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Dois Caras Legais (The Nice Guys)

7/21/2016 02:01:00 AM |

Se tem uma coisa que é raríssima nos dias de hoje é ver uma comédia com um roteiro que possamos dizer bem trabalhado, pois, na maioria das vezes, os roteiristas optam por colocar algo mais exagerado sem se preocupar se o filme vai aceitar, ou então apenas abusa da inteligência do público forçando cenas para que esses riam deliberadamente. Pois bem, hoje depois de um longo tempo (acho que o último foi "O Lobo de Wall Street"), fomos apresentados ao filme "Dois Caras Legais", que roteirizado para ser uma série na TV, acabou sendo filmado como longa-metragem e agradou bastante na dose cômica, trabalhando todo tipo de nuance possível para que o filme nos remetesse aos velhos e bons tempos, aonde as comédias policiais funcionavam com detetives/policiais em pares (um burro que acertava tudo na sorte e outro brucutu que resolvia tudo na base da porrada) e sem precisar apelar para que situações acontecessem para fazer o público rir, de modo que a história já bem trabalhada conseguisse fazer isso sozinha. Ou seja, se você for esperando ver uma comediazinha boba que vai fazer você rir com piadas, escatologias e coisas do tipo que ultimamente andamos acostumados à ver, esse não vai ser o longa indicado, mas se quiser se divertir com uma boa dose de humor sujo aonde tudo flui dentro de uma história engraçada e absurda, vá com toda vontade conferir o longa, pois a chance de sair feliz com o resultado é bem alta.

A sinopse do filme nos conta que na Los Angeles dos anos 70, Amelia, filha de uma funcionária do Departamento de Justiça dos Estados Unidos está desaparecida. Ela decide contratar Jackson Healy, detetive particular violento e ex-alcoólatra, para investigar o caso. O trabalho revela-se mais complicado do que o esperado e ele decide dividir a investigação com o atrapalhado Holland March. Ambos descobrem que o caso e a morte de uma estrela pornô estão, de alguma maneira, relacionados. Eles então descobrem uma conspiração chocante que atinge até os mais altos círculos do poder.

Mais conhecido pelos ótimos textos que fez na série "Máquina Mortífera", aqui além de roteirizar Shane Black, volta a comandar a direção após "Homem de Ferro 3", e mesmo com um orçamento bem mais enxuto que o longa do super-herói, 50 milhões contra 200 milhões, ele conseguiu fazer boas cenas de ação e trabalhar bem o contexto de época tão marcante que foram os anos 70. Claro que para isso ele precisou fazer cenas mais fechadas, aonde a cenografia ficasse bem focada ao redor dos protagonistas, para que nada saísse do fluxo e estragasse a ambientação colocada, mas muito mais do que uma ótima contextualização cênica, a grande sacada do diretor foi entregar os papeis certos para que cada ator desse o seu máximo tanto visualmente quanto na composição de seus personagens, pois é notável a excelente direção de atores ao ver a desenvoltura de cada um, e principalmente tendo um bom texto para seguir, pois a cada nova cena víamos mais trapalhadas sendo bem encaixadas, formando um resultado final incrível.

Já que falei que os atores foram muito bem nos papeis, vamos falar um pouco de cada um. Russell Crowe definitivamente deu fim ao seu corpo atlético e agora com um corpão mais cheinho usou apenas a força para mostrar que ainda bota os vilões para dormir com facilidade, mas mais do que deixar de lado seus atributos físicos, o ator mostrou que está disposto à voltar para sua boa forma interpretativa depois de pegar alguns papeis com diálogos fajutos e que não mostravam o quão bom de atuação ele realmente era no passado quando ganhou um Oscar e recebeu outras duas indicações, e usando do seu carisma tradicional e podendo ainda dar boas dinâmicas de ação para o seu Healy, ele acabou agradando e chamando bastante atenção para praticamente todos os seus momentos. Ryan Gosling também deixou de lado o seu lado sedutor para encarar um medroso e trapalhão March na trama, e com ótimas cenas cheias de comicidade, ele acabou incorporando o personagem de tal forma que certamente o público ficará esperando ver mais um filme, ou até mesmo uma série com as investigações malucas que ele nos proporcionou, sempre trabalhando a expressão facial mais do que qualquer coisa. Agora se tem alguém que merece um grande destaque é a garotinha Angourie Rice que deu tanta personalidade para sua Holly que a cada nova cena torcíamos para que sua personagem estivesse mais presente, pois deram tantas boas sacadas para que ela fizesse, que de jogada inicialmente na tela como uma mera coadjuvante acabou quase protagonizando boas cenas solo na trama toda. É interessante ver que o tempo passa para todos, e ainda que esteja bonitona, Kim Basinger já está com 63 anos e não chama mais tanta atenção como antigamente, sendo colocada mais para papeis secundários e que funcionem dentro de alguma perspectiva mais contida, e aqui sua Judith até faz duas cenas bacanas bem rápidas, mas se não chamasse tanta atenção pelo close que lhe foi dado, seria uma coadjuvante fácil de ser esquecida no longa. Da mesma forma, Matt Bomer só mostrou-se interessante como um atirador desenfreado com seu John Boy, pois ousou algum charme em poucas cenas e até encaixou uma certa química na cena junto da garotinha, mas nada que ficássemos impressionados com sua habilidade tão bem conhecida. Se não tivesse o momento explicativo de sua Amélia, poderíamos dizer que Margaret Qualley tomou muito energético e foi filmar suas cenas, pois a jovem não para quieta 5 minutos para trabalhar uma cena mais a fundo, correndo, pulando e surtando sem parar.

Agora como disse acima, um dos grandes acertos da trama foi a boa composição cênica que a direção de arte conseguiu fazer, pois temos diversos carros de época, figurinos na medida certa para representar tudo, e claro muitos elementos cênicos presentes em cada cena, de modo que se não quisessem colocar escrito a data na tela, certamente conseguiríamos distinguir os anos 70 na tela, pois tudo foi bem encaixado para que o longa fluísse e agradasse incorporando comicidade até mesmo nos elementos mais simples de cada momento, e além disso souberam escolher bem as locações para que tudo se encaixasse tanto dentro da ideologia policial mais dinâmica de ação, quanto na simbologia cômica não apelativa que tanto o diretor exigiu ver. Sobre a fotografia, souberam agradar e muito com sombras para termos um preenchimento interessante de ver na tela, filtros para dar um tom marcante de época com algumas granulações, mas principalmente ousaram em ter diversas cenas noturnas, sempre bem iluminadas pelas luzes de discoteca nas festas e bares, ou até mesmo usando isqueiros ou cenas envolvendo explosões para abusar do fogo dando um tom alaranjado bem colocado.

Além disso, a escolha musical foi de primeiríssima linha, funcionando para marcar ritmo nas cenas, e claro dar a nuance certa da época na trama. E claro que o Coelho não deixaria os amigos caçando as músicas, então aqui vai o link com a trilha sonora completa: link

Enfim, é um excelente filme que talvez até pudesse ser mais curto, mas durante todo o longa procurou evitar erros de cenas forçadas e com isso, mesmo que em diversos momentos nos víssemos falando que coisa idiota de aparecer, o resultado final acaba agradando muito. Outro pequeno defeito do filme é o exagero na sujeira, pois mesmo que o pano de fundo da trama seja embutido na indústria de cinema pornográfico, poderiam ter amenizado algumas cenas, e assim claro que algumas pessoas vão acabar reclamando de algumas cenas, mas é claro que ficou interessante de ver na telona tudo. Ou seja, recomendo ele com toda certeza tanto para quem gosta de uma boa comédia, como também para aqueles que gostavam dos longas policiais de antigamente, aonde uma boa dose de suspense cômico acabava funcionando na medida. Mais uma vez agradeço ao pessoal da Difusora FM 91,3MHz que nos proporcionou uma ótima pré-estreia lotada para ouvintes e com toda certeza agradou em cheio o público que compareceu, já estamos na torcida para a próxima pré, e sempre conte comigo para lotarmos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais uma estreia da semana, então abraços e até breve.

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A Andorinha (Die Schwalbe)

7/20/2016 01:47:00 AM |

Se tem uma coisa que acho meio irônica em alguns filmes é a tal busca pelo passado de uma pessoa, pois nem sempre ir atrás de algo que você desconhece completamente é algo bom, e pode ser muitas vezes amargo e trazer problemas para quem vai mexer em um vespeiro como é o caso de coisas do Oriente Médio, aonde desde algum tempo tudo vem explodindo ou se não explodiu está pronto para explodir. Porém, se não fizerem isso, não teríamos filmes não é mesmo? Então de certa forma a ideologia de "A Andorinha" é bacana e usa boas simbologias para representar o momento em que o Curdistão vive após a queda de Sadam e como foi o fim de sua era, unindo à perseguição da protagonista para conhecer seu passado junto à um desconhecido que traz muitos mistérios em sua história. Ou seja, um filme que prende bastante por poder ter qualquer desfecho e acaba agradando mesmo com um final razoável dentro de tudo o que foi proposto.

O longa nos apresenta Mira, uma jovem suíça em busca de suas raízes, que viaja para o Curdistão iraquiano, onde encontra terrorismo, crimes de guerra e justiça popular - mas também amor. O longa descreve duas tragédias de vida: quando os desejos não se realizam e quando se realizam de fato. Uma jornada pelas paisagens estonteantes do Curdistão e pela realidade política conflituosa da região, aonde acaba trazendo uma nova perspectiva quanto ao assunto tão falado nos noticiários.

Assim como é dito na sinopse, o que o diretor curdo Mano Khalil nos apresenta é uma vertente diferenciada de um assunto que tanto ouvimos nos noticiários e ao trabalhar bem toda a simbologia da busca do passado interligado por tragédias e dosar isso com o floreio da conquista e o encontro do amor entre os protagonistas das histórias, ou seja, ele trabalhou a mão para que o filme ao mesmo tempo que fosse forte, ficasse doce também, e com uma ideia não tão forçada, ele conseguiu segurar bem a presença marcante de cada um e deixar que a história fluísse sem que o público perdesse o interesse, o que é algo difícil de acontecer quando o tema não é tão comum. Além disso, mesmo sendo um longa que tem uma história tradicionalmente jornalística, o diretor floreou bem para que a dosagem ficcional não virasse nem absurda e nem fosse documental demais, e isso acabou dando um sabor gostoso de sentir com o desenrolar da trama, resultando em algo bem trabalhado que até poderia ter um desfecho diferente, mas que agrada muito.

Sobre as atuações, basicamente temos de falar somente dos dois protagonistas, pois dentre os demais atores alguns até tiveram uma aparição maior de tempo, mas pareciam simbolicamente jogados, o que não é legal de ver, e também não aparentavam estar atuando como deveriam, o que mostra um certo despreparo do diretor em trabalhar elenco de apoio. Portanto, vamos ao que interessa, falar claro de Mira, ou melhor, Manon Pfrunder que conseguiu dar leveza para sua primeira personagem em um longa, e mesmo fazendo alguns absurdos que outras pessoas não cairiam tão facilmente, acabou agradando pela boa expressividade. Ismail Zagros foi determinante para o ritmo do filme, pois a todo momento ficamos esperando que seu Ramo conte a verdade ou vá logo para os finalmente, mas também vemos o passarinho verde rodeando sua cabeça, e essa grande incógnita conseguiu amarrar bem a trama aliada claro pelos ótimos trejeitos que o ator conseguiu passar nessa missão, e assim sendo, o ponto positivo recai sobre sua cena final, que poderia ser de outra forma.

Sobre o visual da trama, temos praticamente um road-movie, já que o filme se desenrola por diversas vilas do Curdistão, e com paradas estratégicas puderam mostrar a famosa marca de terra de todos e de ninguém, aonde quem quiser matar o outro fique à vontade, tivemos belas paisagens nas cenas mais abertas e também tivemos tempo para alguns errinhos técnicos com relação ao figurino principalmente, pois os guardas mais pareciam escoteiros armados do que alguém que realmente estivesse numa guerra, claro que isso é algo que o pessoal releva, mas poderiam ter feito de forma bem diferente para agradar mais. Sobre a fotografia, o longa colocou boas nuances de sombras e trabalhou bem nas cenas no interior do carro para dar uma perspectiva mais introspectiva para os protagonistas, além claro da excelente cena noturna com fogo que deu um sombreado incrível.

Enfim, é um filme interessante, muito bem feito, mas que poderia ter um rumo reflexivo ainda melhor se tivesse um fechamento diferente, não que o que mostrou foi ruim, mas talvez mais uns minutinhos para envolver a cabeça agradaria mais. Dessa forma acabo recomendando o filme para quem gosta de longas mais fechados, pois alguns podem não curtir a dramaticidade mais dura da trama. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a primeira crítica da nova semana cinematográfica, então abraços e até breve galera.

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A Última Premonição (Visions)

7/16/2016 02:08:00 AM |

Acho interessante quando mesmo em um filme curto, com 82 minutos apenas, conseguimos dividir claramente três fases distintas: sustos sem lógica, marasmos com sustos premeditados, e conclusão impactante, pois isso acaba acontecendo com mais frequência em longas que enrolam em demasia e por vezes ainda colocam caminhos falsos que geralmente furam todo o conteúdo do roteiro. Felizmente "A Última Premonição" não necessitou desse último estilo, pois tudo ocorre rapidamente e mesmo tendo um período cansativo em seu miolo, o resultado final é tão bem feito que acaba agradando bastante dando cara completa ao nome nacional que recebeu. De modo geral, é um filme que vale a pena tanto para quem gosta de suspense quanto para quem gosta de terror sem exageros, mas ainda está longe de ser algo genial.

O longa nos mostra que uma jovem mulher sofre um grave acidente de carro, e sobrevive por pouco. Enquanto se recupera, começa a ter estranhos pesadelos, que os médicos descrevem como consequências comuns do trauma que viveu. Pouco depois, ela se descobre grávida, e muda para uma nova casa com o marido. Mas as visões tornam-se cada vez mais graves e violentas, ameaçando todos ao redor.

É interessante quando o pôster e o trailer dão destaque para o produtor do filme (no caso Jason Blum que não coloca o seu dinheiro em filmes que julgue ruim, e vem acertando um terror atrás do outro), ao invés de falar do diretor, que mesmo muitos não gostando de seus últimos filmes ("Jessabelle", "Jogos Mortais 6", "Jogos Mortais - O Final"), felizmente esse Coelho que vos digita adorou todos, e sendo assim Kevin Greutert merece também um bom destaque, pois foi sucinto no queria mostrar, usou poucas locações, e principalmente, deu um fechamento digno para a trama, pois muitos vão reclamar de ter explicado tudo bonitinho, mas assim como ocorria na franquia "Jogos Mortais" (que é a parte que mais gostava de todos os filmes da série), após diversas pistas serem jogadas para o público, no encerramento ficávamos de queixo caído como tudo se encaixava perfeitamente. Claro que aqui, não temos algo de deixar nossos queixos no chão, mas tudo acabou tendo mais sentido do que se largasse como algo cult sem nexo, e assim sendo, a proposta do roteiro embora simples ficou bem trabalhada pelas mãos do diretor, que com boas nuances até acabamos esquecendo das partes chatas e cansativas que acabaram acontecendo no segundo ato da trama e gostando bastante do seu trabalho no longa.

Sobre o elenco, uma coisa muito estranha deve ser dita, pois temos praticamente em todas as cenas um ator/atriz de comédias fazendo coadjuvantes num longa de suspense/terror, então ver alguns eles com caras sérias e dramatizadas, em alguns momentos até assusta mais do que toda a proposta do filme. Não tenho muita certeza, mas como Isla Fisher desistiu de "Truque de Mestre: O Segundo Ato" por estar grávida, provavelmente aqui sua barriga até tenha sido bem real, claro que não nas cenas mais fortes, afinal não seria tão maluca ao ponto do que ocorre no filme com sua Evie, mas assim como costuma fazer nos demais filmes até trabalhou boas expressões de medo e colocou seu carisma à prova para que o público acreditasse em tudo o que estava ocorrendo com ela na trama, talvez alguém com mais dramaticidade desse umas nuances mais desesperadoras, mas ainda assim ela agradou bem. Um dos maiores erros da trama foi a escolha do protagonista masculino, pois Anson Mount não trouxe nenhuma personalidade característica para seu David, de modo que no filme falam que é seu sonho virar agricultor, e ele tem a maior cara de lutador de filmes de ação, e mesmo nas cenas mais dramáticas sua desconfiança para tudo o que está acontecendo com a mulher é tão desgostosa de ver que acaba soando falso demais, então certamente outro ator chamaria mais atenção. Gilian Jacobs deu para sua Sadie uma personalidade de certo modo estranha de ser vista, pois em alguns momentos até parecia estar dentro do carisma, mas em nenhuma cena apontou bem dentro do que resultaria em suas últimas cenas, e assim sendo, ela destoou um pouco para uma atriz que já fez tantos outros papéis. Jim Parsons é o médico mais bizarro que já vimos em um filme, pois raramente um obstetra indicaria antidepressivos com tanta naturalidade para uma grávida, e isso vindo de um comediante (afinal a maioria o conhece por "The Big Bang Theory") é quase uma piada pronta, fora que parecia ser algum estilo de psicopata por suas expressões fortes, ou seja, talvez até tenham vendido uns ingressos a mais para seus fãs, mas não combinou de forma alguma dentro da proposta. Joanna Cassidy deu para sua Helena três cenas bizarras, pois assim como em muita novela mexicana a pessoa malemá te conhece e já sai invadindo sua casa sem nenhum pormenor, e aqui ela faz caretas em excesso nos seus momentos de "possessão" que acabam mais desagradando do que agradando, e olha que não é uma jovem atriz para destoar tanto assim. Eva Longoria faz duas participações como Eileen, irmã da protagonista, mas é quase um enfeite cênico na trama, e assim sendo poderiam ter economizado o seu cachê.

Visualmente a trama arrumou uma casa que normalmente uma pessoa em sã consciência não moraria, pois assim como é descrita pelo corretor de imóveis, é um antigo celeiro que virou casa, ou seja, por fora é até ajeitadinha, mas por dentro é algo rústico demais para alguém que saiu de um trauma e vai morar no meio do nada para ter uma vinícola, ou seja, abusaram um pouco do absurdo para conseguir a nuance de suspense/terror, e claro que dentro da proposta não economizaram em elementos cênicos que fossem utilizados de forma estranha durante o filme todo, mas que ao final tivessem o sentido completo de sua existência bem revelado, ou seja, tiveram trabalho para desenvolver toda a cenografia, mas com um bom estudo de caso, o acerto foi bem determinado. A fotografia trabalhou com fumaça, cenas no escuro quase completo e muitos tons avermelhados na trama para dar o contexto correto, claro que isso em algumas cenas acabou sendo prejudicado, afinal contraluzes em cenas muito escuras soam sempre falsos, mas volto a frisar, tudo o que é mostrado no entremeio é utilizado para fechar de forma coerente, então tentem relevar.

Enfim, o diretor abusou do volume das trilhas sonoras para pegar um pouco o público desprevenido, mas com o desenrolar da trama acaba envolvendo e agradando. Poderia ser menos enfeitado o miolo para que o público não cansasse tanto da trama, mas como tivemos um bom final, o resultado em si vale a pena ser visto, ou seja, acabo recomendando o longa para todos, pois mesmo quem tem medo de terror, vai acabar gostando do fechamento. Bem é isso galera, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais alguma postagem dos filmes do Festival Suíço, então abraços e até mais pessoal!

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Travessias

7/15/2016 12:01:00 AM |

Alguns filmes são lançados nos cinemas sem que tenhamos visto sequer um trailer ou até mesmo lido a sinopse dele em algum lugar, e algumas vezes acabam nos surpreendendo por algo no conteúdo ou na estética, mas outras vezes a vontade que dá é a de sair da sessão sem terminar de conferir, porém como esse Coelho que sempre vos escreve é persistente, ele fica até o final de todos os filmes mesmo que seja difícil suportar os erros. Digo isso pois "Travessias" está longe de ser o pior longa que já vi, mas possui tantos defeitos tanto na concepção da história (que é deveras cansativa, mesmo com lições interessantes) quanto no desenvolvimento técnico, que quem não for ao cinema realmente querendo muito ver o filme (vai lá saber o motivo de querer tanto!), provavelmente irá abandonar a sessão lá pela metade, provavelmente reclamando muito de tudo (ou quase nada) do que acaba acontecendo (ou não acontecendo). E sendo assim, é até difícil recomendar o longa para alguém, mas pensando na ideologia da mensagem passada pelo longa que necessitam ocorrer travessias em nossa vida e algumas são difíceis, assistir a um filme como esse pode servir para termos base de que existem longas bem melhores que reclamamos muito no passado, mas não tínhamos outro de referencial, e digo mais, como costumo frisar sempre é bom ver tudo o que é lançado, pois passamos a conhecer mais detalhes de erros e acertos pelo mundo afora, e aqui infelizmente erraram demais.

A sinopse do longa nos mostra que entre o visível e o invisível o destino de três personagens serão cruzados: Naun, um comerciante libanês que vive em Foz do Iguaçu encara o dilema entre manter sua família unida ou suas tradições culturais. Diferentes visões de mundo estremecem a relação do sacoleiro José e de sua mulher, Maria Helena. O diretor de teatro, Léo, enfrenta dentro e fora de casa a dificuldade de se viver de arte. Essas histórias passam por estradas que levam a travessias desconhecidas.

Até é interessante falar que como disse acima, o longa está longe de ser algo completamente ruim, pois talvez se as três histórias fossem completamente separadas e removidos devidos exageros técnicos para que tivéssemos três curtas de 15 minutos cada dando no máximo 45 minutos de duração, o que é praticamente metade do que foi colocado na tela, o resultado seria crível, acabaria agradando e não teria tanta margem para erros. Claro que para isso a diretora Salete Machado teria de também ter trabalhado mais o elenco que por diversos momentos parece perdido e assim conseguiria condensar o seu roteiro para que ele fosse dinâmico e direto ao ponto. Mas como isso não é mais possível após o lançamento "comercial" do longa, o resultado acaba parecendo inflado e em alguns momentos até a reflexão momentânea acaba cansando, pois nem os protagonistas começam a empolgar e as cenas de miolo começam a ficar cada vez mais comuns.

O elenco principal felizmente tenta agarrar em seus personagens uma certa preocupação para que o filme deslanche, afinal é a sua imagem que está sendo mostrada na telona, e assim sendo Rodrigo Ferrarini nos dá um José interessante em algumas cenas (consideraremos mais válidas as dentro do ônibus e as no Paraguai, pois as em casa ficaram forçadas em demasia pelo contexto exagerado ali) e em outras nem parecia ser o mesmo ator, claro que isso se deve à conexão química com sua par em cena, pois sua esposa, interpretada por Cristiana Britto, mesmo sendo autoritária nas cenas deixava tudo jogado para que o ator retribuísse e não rolava a dinâmica entre eles. Jackson Antunes que é um ator tão bem conceituado no Brasil, nos entregou um comerciante travado demais, de modo que seu Naun até tem bons encaixes quando está na negociação com os clientes mostrando que libaneses são bons em administrar as lojinhas, mas em casa sua fé cultural parece exagerada e até abusada demais, fora que Taylla Sirino, que faz a filha, estava com um ânimo monstro para trabalhar e sua expressividade interpretativa quase nula por bem pouco não matou todas as cenas em que apareceu. Alan Raffo até trabalhou bem nas suas cenas e mostrou bem o que vejo com a maioria dos amigos que tentam viver de cinema/teatro/cultura em geral no país, pois a família realmente cai matando e os jovens acabam cometendo até grandes erros de vida, mas seu Léo precisaria ter mais tempo de tela para chamar atenção, e possivelmente seria a parte do longa que até se desenvolveria melhor, claro se o ator estivesse bem disposto à isso, pois nas cenas junto da mãe interpretada por Isadora Ribeiro, o jovem praticamente se calou e saiu de cena, mas se focasse na briga familiar e na tentativa de sobreviver à sua travessia interior também chamaria muita atenção.

No conceito visual, a trama mostra um trabalho de direção de arte minucioso, afinal são três histórias separadas, diversas locações, e claro que muita ideologia por trás de tudo, mostrando que a equipe de produção não economizou dinheiro para as cenas, fazendo várias tomadas aéreas (algumas totalmente desnecessárias, mas que foram feitas) e quando de cenas internas procurou mostrar bem os diversos elementos para representar bem o âmbito familiar que cada história estava inserida, o que agrada bastante. Claro que para gastar muito dinheiro foram necessários patrocinadores, e quando se fala de travessias, quem vem à mente dos produtores: ônibus, então assim como tudo que é dado é exigido, temos inúmeras cenas mostrando os ônibus das duas marcas patrocinadoras do filme, e isso irrita demais!! Já disse várias vezes, se vamos trabalhar em um filme com patrocinadores, suas marcas têm de ser vistas sim, mas ficar quase tendo um comercial expandido para o cinema é abusar dos espectadores. A fotografia foi correta, sem nada demais para falar que procuraram dosar tons, mas errou em alguns momentos ao destoar colorações, e isso num longa é quase pecado mortal, que poderia ser amenizado.

Enfim, volto a frisar que mesmo com a quantidade de defeitos que citei, o filme passa uma mensagem bacana e está bem longe de ser considerado impossível de assistir, mas infelizmente não posso recomendar ele para ninguém. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais uma estreia que apareceu aqui pelo interior, então abraços e até breve pessoal.

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Caça-Fantasmas (Ghostbusters)

7/14/2016 02:22:00 AM |

Sempre digo que ir assistir à um filme sem nenhuma expectativa é a melhor coisa que alguém que gosta de cinema pode fazer, pois a chance de gostar é muito alta. Então o que dizer quando a expectativa é negativa para não dizer completamente pessimista? Respondo fácil essa questão depois de estar quase rouco de tanto rir com cada nova cena do novo "Caça-Fantasmas", que com uma comicidade fora de série, bons personagens, uma história completamente interessante de ser acompanhada e ótimos efeitos especiais 3Ds acabaram com todo o pessimismo que muitos jogaram para cima de quando surgiu a ideia de uma refilmagem do clássico dos anos 80, porém com mulheres protagonizando. Muitos vão dizer de ideologias feministas, de sacadas anti-machistas, e tudo mais para tentar dar um peso maior do que o filme já tem sozinho, então digo apenas que vá ao cinema conferir com a certeza de que vai se divertir como nunca, pois a ideia do longa é essa e não de toda a mi-mi-mi-zação que tão fazendo em cima dele, e digo mais, é um ótimo filme para ficar tão marcado quanto o original, e que venha mais continuações, afinal como é mostrado na cena pós-crédito: o Zuul vem aí!

A sinopse do longa nos conta que sendo atualmente uma respeitada professora da Universidade de Columbia, Erin Gilbert escreveu anos atrás um livro sobre a existência de fantasmas em parceria com a colega Abby Yates. A obra, que nunca foi levada a sério, é descoberta por seus pares acadêmicos e Erin perde o emprego. Quando Patty Tolan, funcionária do metrô de Nova York, presencia estranhos eventos no subterrâneo, Erin, Abby e Jillian Holtzmann se unem e partem para a ação pela salvação da cidade e do mundo.

Se existe um diretor americano que vem acertando em todas as comédias que faz é Paul Feig, e mesmo que use de clichês tradicionais e claro sua atriz favorita para que suas piadas funcione, o diretor conseguiu um feito raro no gênero de aventura, que é trabalhar a comicidade crua como eram feitos os filmes nos anos 80/90, que ríamos pelo alto escrachamento de classes, por não se preocupar com o certo ou errado, e deixar que tudo fluísse o mais natural possível, pois todo mundo é um pouco burro (não uma porta como Kevin), todos somos ignorados no trabalho (não jogados de lado como Patty), todos possuímos uma inteligência fora do normal que ninguém entende (não que sejamos um dicionário ambulante como Erin) e sabemos criar as armas mais mirabolantes do planeta (ainda que longe de sermos uma mega engenheira como Jillian), e ao trabalhar todas essas ótimas características em cada personagem, e mais do que isso incorporar ao grupo a alta complementação de cada uma para com a outra, ele acabou criando uma história convincente e bem interessante de ser vista na telona, e a cada nova boa piada incorporada na trama, um novo momento fazia com que o rumo fluísse sem parar no contexto completo, o que deu ritmo para o filme e ainda pode criar novas perspectivas para continuações. Claro que o diretor foi extremamente alvejado após o lançamento do primeiro trailer, afinal o longa original de 1984 é algo que não existe no mundo sequer uma pessoa que não tenha se divertido demais com a trama, e ao ver tamanha heresia (afinal o mundo é machista demais para aceitar isso) de colocar 4 mulheres como protagonistas, todos pegaram suas armas de muitas teclas interligadas à um computador e saíram atacando sem dó nem piedade o filme, e o que isso vai fazer (espero realmente que faça) é exatamente o contrário, pois todos ficaram extremamente curiosos com o novo filme e ao conferir irão rir demais e recomendar cada vez mais o trabalho do diretor, ou seja, um marketing negativo imenso vai trazer grandes frutos para essa excelente comédia de ação.

Sobre o elenco, o que posso adiantar de antes do filme é que jurava que nenhuma daria conta do recado, e hoje após conferir posso dizer que todas se encaixaram como nunca na trama e agradaram ao transformar cada personagem utilizando seu estilo de humor e isso é o que acabou tornando o filme mais incrível ainda, pois foi dado o devido tempo para que todas tivessem quase o mesmo tempo de participação de tela, o que é raríssimo ver em um filme atualmente. Vou fazer uma ordem um pouco diferente da mais divertida para a menos divertida, e isso é claro muda a ordem de protagonismo que o filme possui. Leslie Jones me fez gargalhar muito com sua Patty, isso falo com muito orgulho, pois na maioria dos filmes ela seria colocada completamente de lado e usariam sua comicidade apenas para complementar as cenas, o que acabou não acontecendo, pois logo que entra para o grupo, a atriz que é mais conhecida por séries de TV, engata uma boa cena atrás da outra e fazendo ótimos trejeitos acaba chamando atenção e agradando demais. Melissa McCarthy é o amuleto do diretor, e estando presente em praticamente todas suas produções já quase atua sozinha por conhecer bem o que ele deseja, e isso acabou criando uma dinâmica bem própria para sua Abby, agradando não só pela atriz ter um humor bem colocado, mas por ela não necessitar mais tanta apelação como fazia antigamente para que o público risse de suas piadas, e assim sendo, acabou divertindo bastante no longa inteiro. Precisaram "enfeiar" Kate McKinnon para dar o ar maluco que a engenheira Jillian possui, e isso acabou dando um certo charme para ela, que mostrou que uma mente funcional vale muito mais do que uma beleza, e criando as armas mais malucas possíveis, a atriz trabalhou com ótimos semblantes faciais para divertir e cair dentro da personagem como uma luva. Não menos importante, mas com um ar cômico menos trabalhado no filme, Kristen Wiig nos entregou uma Erin interessante e bem trabalhada para ser a líder do grupo, mas poderia ter entrado no clima e mostrado umas maluquices a mais (inclusive no trailer possui uma cena boba sua, mas que não foi usada no longa, e é de certo modo divertida de se ver), ou seja, ela foi boa no que fez, mas queríamos mais dela em cena. Chris Hemsworth anda mostrando suas veias cômicas nos últimos filmes para tentar desvincular sua imagem de Thor (que lhe dá muito dinheiro, mas que pode acabar marcando demais sua carreira), e para isso aceitou de cara o papel de Kevin, que para ser uma porta completa de tão idiota só necessitava ser preso na parede, mas essas boas sacadas que lhe deram ficaram dinâmicas e divertidas de ver, o que acaba valendo a pena, pois mostra algo de certa forma interessante que por trás de muita beleza se esconde um cérebro vazio, e o ator se deixou levar pelas brincadeiras e acabou agradando bastante. O "vilão" Rowan interpretado por Neil Casey foi de certa forma calmo demais, pois poderia mesmo sendo um "excluído" do mundo, mostrar seu plano maligno de vingança de uma forma mais ampla, não sendo apenas um quase figurante de luxo na trama de apresentação das protagonistas, mas também não ficou tão falso, e claro que poderia ter trabalhado de uma forma mais dinâmica assim como o vilão mais crível acabou tomando trejeitos na segunda parte do filme, mas aí é claro que não temos o mesmo ator e isso nem dá para ser comparado. Dos demais atores do filme, podemos dizer que praticamente todos fizeram figurações ou complementaram as cenas, pois o prefeito, o entregador de comida, entre outros foram até mais enfeites do que os homenageados atores do original, que aqui apareceram como um desvendador de falsos paranormais (Bill Murray), um taxista (Dan Aykroyd), o tio de uma protagonista (Ernie Hudson), uma experiente doutora (Sigourney Weaver) e no in memoriam (Harold Ramis).

Sobre o visual da trama, mesmo não sendo gravado em Nova York, o filme trouxe uma vitalidade clássica da cidade, e ousou bastante na criatividade cênica, pois criar armas interessantes de serem vistas, colocar figurinos bem encaixados com a proposta (e até tirar sarro do estilo), arrumar boas locações para cada momento (a cena do show de rock com o fantasma parecendo uma projeção mirabolante do show foi algo muito bem pensado) e ainda trabalhar bem no conceito computacional gráfico para que cada fantasma tivesse boas nuances foi algo que poucos diretores de arte acreditariam e fariam boas conexões, ou seja, um trabalho muito bem feito. Outra boa sacada da direção de arte foi colocar elementos do original aparecendo em quase todas as cenas, como fantasmas clássicos, elementos cênicos bem conhecidos e tudo mais que pudesse puxar um ar mais nostálgico para a trama, funcionando como um acerto incrível. A fotografia ousou bem em sombreamentos e com muitas luzes de fundo para que os efeitos funcionassem, deixando o longa encaixado completamente à noite, o que é legal de acompanhar, pois algumas cenas que ficariam escuras, ao serem tratadas com os elementos computacionais acabaram ganhando boa vida e agradaram, e além disso, muita gosma verde surgiu para todo lado dando um tom mais cômico para a trama. Agora o prato cheio do filme sem dúvida alguma ficou por conta dos ótimos efeitos especiais, que mesmo não tendo sido filmado em 3D e apenas convertido na ilha de edição acabou encaixando bem demais, pois tiveram a grande sacada de colocar barras negras em cima e embaixo da tela "criando" um efeito widescreen, para que os efeitos se projetassem melhor para fora da tela, uma sacada das antigas, mas que foi certeira para que cada elemento funcionasse e viesse rumo aos espectadores, ou seja, quem gosta de um bom filme que valha a pena pagar mais caro para ver cenas tridimensionais, esse é um ótimo exemplar, e sendo assim quem costuma ter dor de cabeça com efeitos 3D, principalmente os que possuem muita cor verde, devem evitar, pois o longa veio bem forte na tecnologia usada.

No conceito musical, felizmente mantiveram as trilhas originais e deram para algumas recomposições estéticas sem perder a visceralidade original. E além disso deram ao show de rock um bom encaixe na trama.

Enfim, é um filme que agrada demais, e só não foi perfeito pela falta de um vilão mais impactante, pois do restante diverte como nunca e passa toda a ação tão rapidamente que nem vemos as quase duas horas passarem. Ou seja, recomendo demais o longa para todos, e até mesmo quem for pronto para atirar mil pedras por terem mexido com um original que ninguém deveria tocar, vai acabar gostando do que verá na sala, e sendo assim, vá ao cinema ajudar para que ele tenha uma boa bilheteria, fique acompanhando as boas cenas de créditos e pós-créditos (que para quem não entender a referência fica aqui um link mais explicativo) e vamos torcer para que venham continuações, afinal o que é bom tem de continuar. Mais uma vez agradeço ao pessoal da Radio Difusora FM 91,3Mhz por ter conseguido a pré-estreia e estamos juntos nessa parceria para sempre que precisarem. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais estreias no site, então abraços e até breve pessoal.

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Do Outro Lado Do Mar (De L'Autre Côté De La Mer)

7/13/2016 01:51:00 AM |

Atualmente só ouvimos nos jornais e vemos diversas fotos de refugiados que saem de seus países por diversos motivos e acabam morrendo no mar, ou são presos quando chegam ou até mesmo deportados à seus países, mas até agora não foi mostrado muito como eles chegam, e o que passaram até chegar ali aonde os noticiários tanto mostram. Então porque não fazer um filme com essa proposta trabalhando um miolo completo e deixando o fechamento aonde já conhecemos? Com essa ideologia e tendo um fundo bem simbólico e envolvente por personagens com diferentes posições na camada de vivência do problema que é tão atual, somos apresentados ao filme "Do Outro Lado Do Mar". Claro que com isso dito talvez muitos até vejam o longa de uma forma diferente, pois não esperava isso nas partes que estava achando em demasia na trama, mas contando/sabendo basicamente aonde o filme quer nos levar, passei até a gostar mais dele, e assim acabo recomendando ele.

O longa nos mostra que para fugir dos fantasmas do passado, um ex-fotógrafo de guerra que mora na Itália, em meio a oliveiras, tira apenas fotos de árvores. Um dia, decide voltar à Albânia, onde fez sua última imagem de guerra. Lá, encontra uma jovem fugindo da vingança de sua família e buscando um futuro de liberdade do outro lado do mar. A história comove o fotógrafo, que decide acompanhá-la na fuga do trauma.

O trabalho feito pelo diretor e roteirista Pierre Maillard mostra mais do que uma simples sutileza na forma de demonstrar os aprendizados de cada personagem, pois cada o mais velho vai adquirindo um carinho meio que subjetivo pela moça que nem sequer conhecia, e a jovem vai adquirindo mais experiência junto do sofrimento que ele já vivenciou, e com isso ganha mais força para conquistar seu objetivo. Isso tudo é bem mostrado levemente para que não fique um filme duro e sofrido, e ainda assim saiba comover na medida certa, ou seja, o diretor mesmo que errando por alongar demais ao criar toda a vivência dos personagens conseguiu trabalhar o fechamento de maneira tão simples e bem feita pontuando bem na atualidade que vivemos que acaba acertando no resultado. Claro que se o filme fosse mais direto, dolorido e no ponto certo acabaríamos desabando com tudo o que é mostrado, mas ainda assim temos uma boa trama bem feita.

É interessante que mesmo tendo diversos personagens, o filme foca praticamente somente nos dois protagonistas, e eles deram conta do recado, mas poderiam ter usado mais o padre do que simples simbolismos para a causa da boa fé e da troca de valores e assim não ter um ator que fez tão bons semblantes passeando apenas de carro. Kristina Ago nos entrega uma Mira até menos desesperada do que qualquer mulher ficaria após ver seu namorado assassinado pelos irmãos e sair em fuga pelo mundo, pois a ideia de fuga é interessante e ela se mostrou bem dinâmica frente a isso, mas faltou o desespero, a cara de necessidade e até mesmo o choro, pois "perdeu" uma parte do seu sonho ali, e faltou isso para soar perfeita, de modo que até creio no empoderamento feminino e que existam mulheres fortes e determinadas, que após um problema já resolvem tudo e bora pra fuga, mas ela ficou muito apática e determinada demais frente à tudo o que ocorreu, e isso acabou ficando estranho de ver, mas frisando ser seu primeiro trabalho, poderá aprender mais. Já completamente ao contrário dela, Carlo Brandt com sua enorme experiência, fez de seu Jean um apoio incrível para a garota e mostrou desespero, e mais do que isso, um olhar curioso completamente pronto para tudo ao encarar a "aventura" junto da garota, e a cada nova cena que lhe era proposto uma nova dinâmica, lá estava ele pronto com a faceta interpretativa correta para junto de boas nuances agradar à todos. Como disse no começo desse parágrafo, esperava bem mais do personagem do padre interpretado por Michele Venitucci, pois o ator fez ótimas expressões, trabalhou bem seus textos de uma maneira bem dinâmica, mas acabou faltando um quê a mais para que seu personagem funcionasse mais do que um simples interlocutor, talvez um pouco mais de sua história, mas isso é problema do roteiro e até mais da interpretação que cada um vai tirar de suas cenas, pois o ator fez o trabalho de uma forma belíssima. Os demais atores até fizeram bem seus papeis, mas nada que merecesse destaque algum, pois foram mais figurativos do que interpretativos mesmo, e na cena que os irmãos encontram a garota tinham tudo para fazer uma grandiosa cena expressiva, mas ficaram mais com cara de bobos do que qualquer coisa.

Sobre o conceito visual da trama, um fato claro é que a equipe de locação merece com toda certeza um prêmio para as ótimas escolhas que fizeram, passando por tantos lugares abandonados, diversas formas de terreno que deram texturas para cada momento dos protagonistas e que junto de uma ótima iluminação ora artificial ora brilhantemente usada a natural criaram nuances pela equipe de fotografia dignas de serem vistas no maior esplendor possível. Ou seja, embora tenha alguns pequenos detalhes fakes (as velas novinhas por exemplo dentro de uma capela em ruínas, entre outras coisas artificiais demais usadas), o contexto cênico recaiu perfeitamente dentro da proposta e junto de uma perfeita direção de fotografia envolveu todos que conferiram o filme.

Enfim, não tenho ideia sequer de quando o filme será lançado no Brasil, afinal nem distribuidora ainda tem, passando apenas por enquanto em alguns festivais (no caso de Ribeirão Preto, no 6° Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo), mas é um longa que com toda certeza recomendo pelo ótimo contexto atual e pela sutileza em não criar um filme mais duro, o que até gostaria de ver nas mãos de algum diretor. Ou seja, quem puder ver certamente irá gostar do resultado final. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a primeira crítica da nova semana cinematográfica, então abraços e até breve.

PS: Não encontrei trailer legendado em português, justamente por não ter distribuidora interessada no Brasil, mas assim que arrumar um melhor, volto e troco, por enquanto fiquem com o inglês que já ajuda um pouco.

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A Era do Gelo 5: O Big Bang em Imax 3D (Ice Age: Collisiun Course)

7/09/2016 02:20:00 AM |

Se quando a ideologia de "A Era do Gelo" começou, o esquilo Scrat era mero curta-metragem inicial do longa, hoje podemos dizer que a história mesmo por trás do quinto filme, intitulado por aqui de "O Big Bang" é sua. Não digo isso com pesar algum, pois o esquilinho é muito engraçado dentro de sua obsessão pela sua noz e acaba "criando" toda a confusão pela qual os protagonistas originais acabam passando durante toda a trama. Além dessa boa conectividade entre as "duas" tramas, o filme acabou desenvolvendo mais cada personagem, dando um tempo mais certeiro para cada um se mostrar e adequar dentro da proposta toda e isso foi algo bem inteligente por parte da direção, pois se antes todo o foco acaba ficando dentro das trabalhadas de Sid e da forma metódica de Manny e Diego, agora cada um pode mostrar mais suas qualidades e agradar chamando o público para o seu lado pessoal. De certo modo a franquia que perdeu muito foco no quarto filme, voltou com gás total nessa nova produção, e se antes esse era considerado como o último filme da turma, já podemos dizer que poderão pensar sim em mais algum ou alguns, pois tivemos teorias científicas interessantes para ver, boas doses cômicas (tanto na versão original como na versão dublada) e um desenvolvimento mais coerente para que a trama agradasse tanto aos pequenos quanto aos mais velhos, e assim sendo é um filme bem recomendado para as férias escolares.

O longa nos mostra que depois que o esquilo Scrat, involuntariamente, provoca um acidente espacial em sua incansável perseguição pela noz, um enorme meteoro entra em rota de colisão com a Terra, ameaçando o lar de Manny, Diego, Sid e cia. Sem saber o que fazer para reverter a situação, eles terão que confiar em Buck, a elétrica doninha caolha do terceiro filme – único do grupo que realmente tem um plano para evitar o trágico fim de todos. Paralelamente, Manny e Ellie têm que lidar com iminente saída de Amora de casa, ao passo que Diego e Shira pensam em aumentar a família e Sid finalmente parece encontrar o amor.

Embora o quarto filme tenha sido divertido e trabalhado bem algumas ideias, o longa de certa forma acabou não desenvolvendo tantas propostas mais condicionadas que vinham aparecendo desde o primeiro filme (mesmo que com uma cronologia invertida devidamente estranha humanos -> dinossauros -> big bang -> o que veremos no próximo???), e aqui o diretor Mike Thurmeier, que assumiu o barco após o brasileiro Carlos Saldanha, criador da série, decidir que só iria ganhar dinheiro produzindo os filmes e não mais dirigindo, conseguiu voltar bem com a proposta familiar bem encaixada e dar contexto para que a trama se desenvolvesse, não ficando disposta apenas à uma aventura desenfreada. Claro que isso para os pequenos vai passar despercebido, já que todos vão apenas conferir o grande colorido e a diversão irreverente da trama, que aqui com muitos efeitos elétricos acabam chamando atenção em demasia, mas para os pais que forem levar os filhos, ou aqueles que vão mesmo por gostar de animações (dessa vez felizmente algumas redes optaram inclusive por trazer cópias legendadas para os que gostam de ver versões originais, em Ribeirão Preto no caso, em Imax 3D inclusive no UCI) vão se divertir muito com cada boa sacada inserida, para as piadas ligando mídias sociais e até abusando de ideias científicas que muitos julgavam inúteis na época da escola. Ou seja, com um roteiro mais completo e um design cênico bem trabalhado, é garantida a diversão para todas as idades e mostra que o diretor conseguiu acertar seu rumo.

Como disse, cada personagem teve seus bons momentos para chamar a atenção, e dessa vez por ter assistido em sequência a versão dublada e a legendada, pude comparar o carisma e as piadas inseridas na trama por cada personagem. O trio principal (Manny, Diego e Sid) que é mantido desde o primeiro filme é bem conexo em ambas as versões (com Diogo Vilela/Ray Romano, Márcio Garcia/Denis Leary e Tadeu Mello/John Leguizano trabalhando bem suas entonações) e agradam com as perspectivas mais diversas, Manny está enfrentando a saída de casa da filha para um genro tão desastrado quanto ele, Diego pensando em aumentar a família, mas com seu ar de malvado fica na dúvida se é uma boa opção, e Sid com toda trapalhada que sempre se mete está em busca de finalmente encontrar seu amor e mostrar no que realmente é bom em fazer, e com toda essa dinâmica o filme nem precisaria de outras tramas, mas é claro que não deixariam apenas nisso, e pensando nisso voltaram com a doninha maluca Buck do terceiro filme que aqui está mais pirado ainda e agrada bem com o carisma que acaba criando pela insanidade (nesse caso a versão dublada em português teve algumas nuances melhores), e também tivemos o desenvolvimento dos dino-aves, como são chamados a família de uns pássaros estranhos, que agradam bem na desenvoltura de cada um tendo um estilo próprio, e o vilão bonzinho Roger que no nacional foi dublado pelo youtuber Windhersson Nunes até teve bons trejeitos, mas ao ver a versão original com Max Greenfield é notável que a personalidade é completamente diferente e os trejeitos também, claro que ele deixou mais sua cara e isso é bacana de ver, mas em alguns momentos o foco é outro, e poderia ter exagerado menos. A preguiça Brooke também agradou tanto na voz de Jessie J como na versão nacional de Ingrid Guimarães, porém na hora da cantoria jogaram para a americana e optaram por não dublar a música, o que talvez agradaria também se conseguissem dar um bom tom, afinal a atriz brasileira é boa em musicais também, mas deixaram para apenas mostrar o tom suave de ambas. Enquanto a comicidade de Scrat sem falar nada se desenvolve muito bem pelo espaço, na terra as piadas mais "sujas" ficaram a cargo claro da Vovó Preguiça, e da dupla Eddie e Crash que também tiveram piadas bem modificadas nas duas versões, e embora na nacional sejam mais conectadas com o público jovem, na americana ficaram também bem engraçadas de se ver. Ou seja, em ambos os filmes a ideologia segue para um rumo só e agradam bastante, mas na original apelam menos e ainda assim divertem com boas sacadas e trejeitos mais bem colocados para as vozes que realmente nos chamam a atenção, enquanto na nacional destoam um pouco dessa comicidade mais singela.

Sobre o visual da trama, foram bem coerentes com as ideias físicas e estruturais para não passar "tanto" vexame, e claro que com muitas cores e texturas, a trama acaba agradando demais em cada cena, seja por pequenos elementos cênicos bem interessantes (a cena do bar com os amigos tomando um drinque feito pelos porquinhos foi perfeita) até a grandiosidade do espaço sendo formado, ou mais para o final com a colônia hippie Geotopia cheia de elementos abstratos bem bacanas de ver na tela, ou seja, um trabalho artístico minimalista que não se ateve tanto a trabalhar com texturas demais, mas soube dosar cada ponto como se fosse único para que o público enxergue detalhes. Claro que com muitas cores e diversos elementos voando pela tela, o 3D funciona muito bem tanto em perspectiva de profundidade quanto saltando aos olhos do público e isso faz com que o ingresso numa sala Imax compense para quem gosta de brincar com tudo o que aparece. Com toda certeza poderiam ter abusado ainda mais, mas já foi uma boa diversão o conteúdo completo usado, e principalmente por não ser apenas cenas inúteis usando da tecnologia, dando ares de que pensaram no que poderia ser usado para funcionar bem.

Enfim, é um filme bem bacana que agrada na comicidade proposta e mostra que quem sabe ainda podem fazer mais alguns filmes da série, só não sei para que rumo poderiam atacar agora, mas veremos em breve com a bilheteria o que podem anunciar. Ou seja, recomendo que todos vejam a animação seja para se divertir ou para levar alguém para se divertir, pois se muitos ficaram em cima do muro com o longa anterior, dessa vez a unanimidade de felicidade certamente vai ser maior. Como tenho de pontuar, poderiam ter trabalhado mais os personagens da colônia, pois foram apenas apresentados rapidamente o líder Shangri Lhama e Brooke, deixando que o restante apenas aparecesse em cena, e ali certamente o filme teria rumos interessantes de se ver, mas talvez se alongasse demais. Bem é isso pessoal, essas foram as estreias da semana, mas felizmente a próxima começa mais cedo na terça com o Festival Suíço do SESC iniciando e também com uma pré-estreia na quarta, então abraços e até lá.

PS: Quem tiver com tempo veja as duas versões para comparar, pois é bem legal ver que temos praticamente dois filmes usando apenas da forma expressiva de cada personagem com os dubladores de seus países.

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Florence, Quem É Essa Mulher? (Florence Foster Jenkins)

7/08/2016 01:01:00 AM |

Se na semana passada estreou no Brasil a versão francesa (que vi no Festival Francês e você pode ver o que falei do filme aqui) que apenas se baseou na história de Florence Foster Jenkins e abusou de excentricidades para mostrar os devaneios de uma mulher rica que achava que podia cantar grandes árias de óperas clássicas, agora o público pode conferir a versão britânica, que lendo um pouco sobre a biografia da "cantora" enxergamos algo bem mais próximo do que aconteceu realmente em "Florence, Quem é Essa Mulher". Claro que deram uma boa floreada para que a trama fosse envolvente, bonita e cheia de carisma com tudo o que é passado, mas ao menos a proposta de algo mais poético sobre a vida de uma mulher rica apaixonada por música que não acertava uma nota sequer em seus cantos, pode ser vista de uma forma mais singela e agradável, que mostra que devemos acreditar em nossos sonhos, mesmo que todos riam de sua maluquice. Ou seja, um filme lindo e interessante, que claro sob uma perspectiva mais artística do que comercial vai acabar tendo pouca bilheteria, mas que quem puder ver, certamente vai gostar muito.

A sinopse do longa nos conta basicamente que Florence Foster Jenkins é uma rica herdeira que persegue obsessivamente uma carreira de cantora de ópera. Aos seus ouvidos, sua voz é linda, mas para todos os outros é absurdamente horrível. O ator St. Clair Bayfield, seu companheiro, tenta protegê-la de todas as formas da dura verdade, mas um concerto público coloca toda a farsa em risco.

Se o diretor Stephen Frears pode se gabar por ser especialista em biografias, o roteirista Nicholas Martin já não segue o mesmo rumo, pois este é seu primeiro longa após vários episódios de séries televisivas, mas longe de Frears pegar um texto fraco, o que o roteirista acabou passando certamente foi algo singelo e bem desenvolvido no grande coração da protagonista e claro no diferente amor dela com seu marido, mesmo que para isso fora preciso colocar doença em jogo e outras coisas que talvez seja enfeite emotivo demais contra a criatividade de uma biografia mais lisa. Não digo que isso tenha atrapalhado, muito pelo contrário, ao se diferenciar bem da versão francesa da mesma história (que aliás se compararmos parecem ser de duas mulheres completamente diferentes tirando o detalhe de ser riquíssima e cantar mal óperas) que procurou ser criativa demais puxando um estilo mais bizarro, aqui a simplicidade e o estilo clássico do romantismo de época acabou funcionando e agradando bem mais. Frears foi certeiro ao trabalhar alguns personagens quase figurativos com pouquíssimas aparições nas cenas chaves, como o crítico interpretado por Christian McKay (que mostra algo muito comum e que me irrita profundamente de críticos que não assistem uma peça/filme inteiros e apenas criticam pelo que inventam de sua cabeça) e uma mulher que inicialmente tem de ser retirada da apresentação por rir tanto do que vê, mas que num segundo momento nos faz emocionar ao máximo com o que faz pela protagonista, ou seja, o diretor dosou comicidade e tensão por entremeios brilhantes e interessantes de serem vistos, o que poucas vezes cai bem em uma comédia.

Não digo que o papel de Meryl Streep seja algo digno de lhe dar uma nova indicação ao Oscar, mas que novamente a atriz brilhou em um papel digno de ser apreciado, isso com toda certeza deve ser dito, pois sua Florence é trabalhada tanto na cantoria gritada quanto nos momentos mais singelos e isso a atriz coloca seus olhares, trejeitos e carisma num ponto que vai além do comum de uma atriz, e assim ela acaba desenvolvendo um lado seu que já vimos em outros filmes, mas sempre ressaltando para uma nova nuance que faz com que a personagem que já teve quatro peças, um documentário e agora duas ficções ficará completamente marcada por sua interpretação. Hugh Grant está velho e já marcou época em diversos longas interessantes, isso é um fato claro, mas podemos dizer que seu St. Clair será certamente um dos personagens marcantes de sua carreira, pois ao demonstrar todo o carinho do personagem para com a protagonista, mesmo tendo um casamento de aparências ele nos envolve e deixa no ar coisas tão belas de um relacionamento que poucos artistas teriam a mesma capacidade, e essa forma expressiva sempre envolvente demonstrou o quanto o ator é bom em trabalhar sua expressão facial tradicionalmente travada. Marcado pelo papel que faz em The Big Bang Theory, Simon Helberg conseguiu encontrar um estilo tão eloquente para o seu Cosme McMoon que logo de cara passamos a gostar dele, claro que após seu primeiro dia com a protagonista ao descer do elevador, todos se conectam completamente com ele por desejar fazer o mesmo, mas o ator arrumou brechas e trejeitos para que cada cena que estivesse envolvido ficasse melhor que a outra, e isso é algo dificílimo, pois mesmo em grandes filmes, acabamos marcando o ator por uma ou outra cena, e aqui todas sem exceção foram perfeitas e bem colocadas com carisma, expressividade e boa dosagem cômica sem ficar apelativa, ou seja, um grande ator que tem de ser mais usado no cinema. Como disse acima, o diretor soube trabalhar bem dois quase figurantes de luxo, e Christian McKay foi bem colocado no papel do crítico Earl Wilson do jornal The Post em suas duas cenas, e Nina Arianda caiu como uma luva no papel de Agnes Stark trabalhando suas três aparições com formas claras do que a personagem poderia fazer e ser bem encaixada. Os demais atores apareceram para servir de boas conexões, e até agradaram no que fizeram, mas nada que tenha de ser bem destacado.

Quando fazem produções de época, algo que sempre ficamos muito atentos é na composição cênica, pois uma direção de arte mal-feita é capaz de arruinar um filme inteiro, mas aqui nem sonharam com a possibilidade de erros, e mesmo sendo gravado inteiramente na Inglaterra, conseguiram passar ótimas nuances dos anos 40 nos EUA, mostrando um Carnegie Hall incrível, diversos prédios clássicos e muita personalidade no figurino de cada personagem para que com muito rigor mostrasse homens elegantes nas óperas e até mesmo nos almoços do dia-a-dia, o que era algo tradicional da época entre os ricos. O apartamento de Florence cheio de referências clássicas de óperas e peças que trabalhou, mostrando toda sua riqueza, em contraponto com o apartamento completamente simples, quase sem móveis, mas claro tendo seu fiel companheiro piano, do pianista Cosme, ou seja, tudo bem detalhado para representar cada ato e cada personagem dentro do seu ambiente. A cena dentro do Carnegie Hall foi impressionante pela quantidade de figurantes e pela magnitude de figurinos diferenciados para representar o show mais marcante da carreira da cantora, e tudo feito nos mínimos detalhes para impressionar. A iluminação se conteve em trabalhar bem com sombras e tons mais escuros nos momentos de tensão, para criar a dinâmica proposta, mas combinou elementos em tons pasteis com tons vivos ao redor para divertir nas partes com teor mais cômico, e sem ter câmeras bruscas, mas trabalhando sempre uma movimentação bem gostosa de acompanhar, cada cena foi envolvida por bons momentos.

Enfim, um filme excelente, que agrada e falha bem pouco nos momentos de fechamento, pois poderiam ter mostrado mais dos últimos suspiros da personagem, mas aí o longa acabaria saindo de uma comédia para um drama mais pesado, e isso certamente não era o desejo do diretor, e sendo assim, recomendo o filme para todos que gostem de ver comédias sem cenas forçadas e com uma boa nuance de época como todo bom filme deve ter, ou seja, praticamente um clássico. Sei que muitos verão o filme com olhos estranhos, pois não é aquela comédia escrachada tradicional, e também não é um dramalhão clássico, e isso o aproxima bem das dramédias francesas que tanto lotam os festivais de cinema, e dessa forma, por não dar tanta bilheteria, os cinemas acabarão passando o longa bem rapidamente, e quem quiser ver, veja o quanto antes. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com a outra estreia da semana, então abraços e até mais tarde.


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