A Pedra da Serpente

2/19/2019 12:43:00 AM |

É engraçado como algumas produções nacionais surgem do nada com umas propostas que você para e pensa: "é impossível alguém pensar nisso" ou ainda "não tem como uma cidade dessa ter dessas coisas", principalmente por ter ido muito na infância passar as férias nessa praia, mas dando uma leve pesquisada ao chegar em casa, realmente Peruíbe é a capital nacional dos discos voadores, com diversos casos de abdução, ou seja, fizeram uma pesquisa maior que a minha e criaram um longa mostrando um caso bem maluco, mas que moldado da forma que foi acaba até sendo bem interessante e possível de se imaginar. Até aí tudo bem, termos uma boa pesquisa, e criado uma possibilidade de argumento forte para um filme, mas aí é que entra o maior problema de "A Pedra da Serpente": o amadorismo no estilo, que fez um longa curto de apenas 75 minutos, mas que contém uma abertura, diversas vezes a mesma cena apresentada, e ainda por ser capitular, entregou praticamente a mesma história vista de alguns ângulos diferentes, e sem criar muitas perspectivas para avançar, a simplicidade acabou deixando o filme raso demais, pois merecia algo muito mais elaborado com tudo o que poderia entregar. Ou seja, não digo que seja algo ruim, muito pelo contrário, das ficções que apareceram no Projeta às Sete do Cinemark, com toda certeza essa foi a que mais entreteve esse Coelho, e se pensarem em trabalhar mais a ideia do filme, certamente podem entregar em breve algo digno de assombrar as mentes de um grandioso público, pois a ideia, volto a frisar, é muito boa!

O longa nos mostra que após ter perdido um bebê nos últimos meses de gestação, Joana tira alguns dias de férias em Peruíbe, uma pequena cidade litorânea conhecida por aparições de discos voadores. Depois de uma noite de sexo casual com um desconhecido, um homem some na cidade. Joana inicia uma estranha relação com Maria, a esposa do homem desaparecido, e se vê envolvida em uma trama sobre uma abdução alienígena.

Em seu trabalho de estreia em longas-metragens, o diretor, roteirista, produtor e editor do longa, Fernando Sanches, foi muito coerente no que desejava mostrar, trabalhando tanto na ideia da culpa ser omissa quando algo não é o problema principal, quanto para mostrar vários casos alienígenas na cidade de Peruíbe, brincando com a ideia sem precisar forçar em nada, deixando que o molde capitular se fizesse sozinho pelas essências tratadas. E dessa forma ele foi bem coerente em não querer que o filme fosse alongado, tivesse subtramas, ou saísse dum único plano gerencial, tanto que algumas cenas colocadas no filme nem seriam necessárias (como a da reunião com os clientes da agência e/ou as que aparecem a dona da agência), pois ficaram mais jogadas para mostrar uma amizade que não caberia na trama principal, servindo apenas para o filme sair de um média-metragem para um longa, mas isso não é o principal erro, como disse, o fator dele se limitar a um único caso e arredondar tudo em cima dele, o filme ficou simples demais, e sendo assim o diretor não explorou nem metade do que a trama em si poderia fluir. Ou seja, para um primeiro trabalho, podemos dizer que ele alcançou o que desejava, pois conseguiu uma distribuição nacional de seu longa, e todos os louros possíveis com uma bilheteria maior, mas certamente se pudesse dar uma dica, seria ele desenvolver mais esse mote, e criar algo mais fictício e maior em cima da cidade e suas abduções, não necessitando de entrevistas, nem nada, talvez montando algo mais investigativo do que jornalístico, que aí sim o resultado seria impressionante de ver em qualquer grande telona.

Quanto das atuações, embora exagerada demais, Claudia Campolina conseguiu passar expressividade para sua Joana, sendo bem dinâmica em alguns momentos, mas sempre que precisava demonstrar tensão, ia para o lado mais surtado e gritante, o que não é bacana de ver numa telona, aparentando um vício de atrizes de teatro quando vão para o cinema, mas isso pode ser trabalhado ainda, e ao menos não deixou que o filme desandasse nas suas cenas. Gilda Nomacce deu bastante simplicidade para sua Maria, e colocou um sofrimento cênico que chegamos a ficar com pena realmente dela ser abandonada, e isso era o necessário para a personagem, ou seja, fez bem. Dentre os demais vale positivar os trejeitos marcantes do homem misterioso feito por Ricardo Gelli, e o ar curioso do youtuber interpretado por Fabio Acorsi, e nada mais, pois os demais foram enfeites também bem exagerados, alguns até tendo mais impacto do que outros como o homem atropelado, que descobrimos depois ser importante para a mente da jovem, mas a dona da pousada soou exagerada e íntima demais, a alien parteira soou misteriosa demais, e a amiga/patroa da agência era melhor nem ter aparecido, pois forçou demais.

No conceito visual, assim como ocorre em longas universitários, a equipe de arte foi didática em escolher locações simples e efetivar tudo o que pudesse ao redor, trabalhando bem a cidade de Peruíbe de modo bem fechado, mostrando alguns pontos curiosos das abduções, como a Pedra da Serpente que dá nome ao filme, o Rio Preto aonde aconteceram muitos mistérios, e claro a praia em si, afinal para mostrar para quem não sabe, que a cidade é praiana, além disso nas casas, pousadas e festas, foram bem fechados nos ângulos para não precisar enfeitar muito de decorações de ambientes, o que resultou em um longa sem muitos detalhes, mas foram bem espertos nas cenas dos sonhos e extraterrenas usar muita luz forte para não precisar criar nada místico, e o resultado acaba agradando bastante. Os efeitos também não foram muito primorosos, mas ao menos não caíram no peculiar, ou seja, um trabalho razoavelmente bem feitinho.

Enfim, é um longa que facilmente muitos vão deixar de lado, mas que visto que a sala hoje tinha bem mais público que os últimos filmes do projeto "Projeta às Sete" do Cinemark, acredito que a sinopse e/ou o trailer tenha chamado a atenção ao menos, mas que só recomendaria ele pelo fato de mostrar algo curioso de uma cidade que eu realmente desconhecia tais fatos, e como disse, ao pesquisar vi que realmente tem um ar místico em cima do tema, pois falta um ar mais cinematográfico para servir como ficção realmente para um público maior. Sendo assim, se não tiver com nada mais para ver, pode ir que servirá para uma diversão razoável, sem muitas pretensões, do contrário, espere surgir no Canal Brasil, e ao menos de um tempo vendo por lá, pois não é algo totalmente ruim não. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, encerrando essa semana cinematográfica, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Tito e os Pássaros

2/17/2019 10:36:00 PM |

O mais interessante de conferir a animação "Tito e os Pássaros", é ver através de traços diferentes do usual, uma história densa, com uma pegada bem forte para trabalhar o drama das doenças modernas (o isolamento, a solidão, e o medo da combinação de tudo isso junto), com um formato forte, sem linhas tradicionais, dando um estilo para a trama de quase abstração, aonde vemos um filme que dificilmente agradará ou envolverá crianças pelos tons escuros, mas que trabalhando bem o conceito, criando dinâmicas ilustradas com síntese bem moldada acabou resultando em algo metódico, mas com um simbolismo incrível. Ou seja, é uma animação bem diferenciada, que procura mostrar com estilo algo que poucos conseguem enxergar, que vai além do comum, mas que para isso precisaram ir por um rumo digamos controverso, que é o de ser um longa para poucos, pois mesmo com uma beleza interior bem moldada, o pacote acaba assustando o público por fora, já que não temos nada de padrão, nem no formato, nem no desenho, muito menos nas cores, e assim sendo até recomendo bastante o longa para refletirmos, pois como arte, o resultado é impecável, mas como algo que seja vendável para o grande público, passa bem longe.

O longa nos conta que Tito é um menino tímido de 10 anos que vive com sua mãe. De repente, uma estranha epidemia começa a se espalhar, fazendo com que pessoas fiquem doentes quando se assustam. Tito rapidamente descobre que a cura está relacionada à pesquisa feita por seu pai ausente sobre o canto dos pássaros. Ele embarca numa jornada com seus amigos para salvar o mundo da epidemia. A busca de Tito pelo antídoto se torna uma jornada para encontrar seu pai ausente e sua própria identidade.

Em momento algum poderemos falar que os diretores aqui não são apreciadores de arte abstrata, pois é inegável ver o longa e não lembrar de obras de arte dos museus, aonde olhamos as vezes com olhares estranhos, em outros conseguimos ver algo a mais, e em alguns até enxergamos um mundo que vai muito além do nosso conhecido, e dessa forma Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto conseguiram criar sua própria desenvoltura em cima de um mundo muito peculiar que vivemos, o mundo com medo de tudo, aonde um susto pode fazer você se encolher tanto até acabar virando uma pedra, enquanto os que sabem a cura para esse mal procuram fazer com que você se esconda mais ainda dentro de casa, ou até mesmo de uma redoma protegida, ou seja, trabalharam uma ideia muito bem desenvolvida, cheia de nuances, colocando isso em algo mais belo, cheio de cores (escuras, mas ainda assim são cores), que acaba fazendo o público refletir, e se encantar também por diversos momentos. Não digo que teria feito essa mesma ideia indo por esse fluxo, pois poderiam ter pesado um pouco menos a mão, para que o filme contivesse a essência inteligente, mas também fosse agradável para os pequeninos que tanto gostam de animações, e que com certeza passariam as mensagens entendidas, mas infelizmente não é um longa que dá para indicar para os menores, pois a chance de estranhar o que verão é alta.

Outra situação que não foi muito trabalhada foi a dos personagens não terem um carisma cativante como vemos em muitas animações, pois geralmente nos conectamos à eles torcendo para conseguirem algo, ou nos surpreenderem com algo, e aqui todos são bem simples, possuem seus defeitos e qualidades, mas não chamam a responsabilidade para si, porém com uma desenvoltura bem colocada, o jovem Tito que foi dublado com perfeição pelo jovem Pedro Henrique conseguiu nos envolver com sua persistência em querer fazer com que sua máquina funcionasse, e isso deu um bom tom para a trama. Dentre os demais personagens, chega a ser completamente engraçado o Alaor vivido pela voz entonante de Mateus Solano, que funcionou quase como um vilão secundário, estando atrás apenas do medo das pessoas, e que com muita sagacidade conseguiu chamar o teor forte para si, mesmo com um super sorriso estampado na cara. Os demais foram bem colocados ao menos para mostrar diferentes representatividades de pessoas que vemos normalmente em nossa vida, e mesmo sem chamar muita atenção, conseguiram ser funcionais para a história.

Quanto ao design da produção, não posso falar que é algo que não impressione à primeira vista, pois é muito diferente do que estamos acostumados a conferir em longas, principalmente os animados, com muita cenografia abstrata, imagens distorcidas de fundo, parecendo quadros pintados por pintores malucos que desejavam mostrar algo diferente, com um primeiro plano mais coeso, porém ainda assim com uma personalidade diferenciada, de modo que o filme não vem com uma desenvoltura sólida e clara do que desejava passar, mas que fluindo com belos tons de vermelho, verde, preto e amarelo, o longa acabou ficando denso e teve ainda sua mensagem bem expressada no formato escolhido, ou seja, arte sendo arte apenas.

Enfim, é um filme bem feito, mas que por ser tão diferente do usual acaba assustando um pouco o público, mas que vale ser recomendado pela estética, pela mensagem, e principalmente por ser algo artístico dentro de um mundo que é pouco valorizado, e sendo assim recomendo ele (mais para adultos do que para as crianças) como uma proposta reflexiva de atitudes, que pode até soar estranha num primeiro ato, mas que com o desabrochar da história acaba sendo coeso e interessante de conferir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Alita - Anjo de Combate em Imax 3D (Alita: Battle Angel)

2/17/2019 12:46:00 AM |

Quando vamos conferir uma obra de ficção, já vamos bem preparados para algo bem irreal, aonde geralmente somos transportados para um mundo cheio de abstrações, e nem ligamos tanto para a história em si, pois na maioria das vezes o que acaba valendo é a expressão artística, com cenários incríveis, boas batalhas, e tudo mais que o gênero costuma nos proporcionar, e claro que a junção de Robert Rodriguez com James Cameron não daria nada menos empolgante do que o entregue aqui em "Alita - Anjo de Combate". O longa é bem desenvolvido, porém alongado demais para contar uma história quebrada, pois quando realmente o filme esquentou, já tivemos um encerramento, ou seja, pode ser que venha uma continuação, ou apenas ficaremos com a ideia de que a protagonista chegou no ponto que desejava e como tudo ocorreu ficará apenas na nossa imaginação, mas para tudo isso acontecer, e claro mostrarem todo o serviço bem feito pela computação gráfica incrível da empresa de Cameron, o longa trabalhou muitas lutas, muitos personagens, diversos envolvimentos, e principalmente encontrou na tecnologia o acerto para os momentos ficarem interessantes de serem vistos, ou seja, é um filme completamente visual, aonde alguns personagens até tentam nos passar algumas histórias, mas que por não ter um antes, nem um depois, esse miolo entregue acaba alongado demais, e certamente quem gostar de filmes com mais história irá reclamar do que verá.


O longa nos mostra que quando Alita desperta sem memória de quem ela é em um mundo futuro que ela não reconhece, é levada por Ido, um médico compassivo que percebe que em algum lugar nesta casca de ciborgue abandonada está o coração e alma de uma jovem mulher com um passado extraordinário. Enquanto Alita aprende a navegar sua nova vida e as ruas traiçoeiras da Cidade de Ferro, Ido tenta protegê-la de sua misteriosa história, enquanto seu novo amigo de rua Hugo oferece ajuda para recuperar suas memórias. Mas é somente quando as forças mortais e corruptas que controlam a cidade vêm atrás de Alita que ela descobre uma pista de seu passado - ela tem habilidades únicas de combate que os que estão no poder não conseguem controlar. Se ela puder ficar fora de seu alcance, pode ser a chave para salvar seus amigos, sua família e o mundo que ela está amando.

Inicialmente James Cameron iria dirigir o longa que ele adaptou do mangá de Yukito Kishiro, porém como sua agenda com as sequências de "Avatar" acabou ficando bem enrolada, o diretor entregou seu projeto para Robert Rodriguez, e como bem sabemos, o diretor que gosta de filmes bem violentos, pegou a história e fez algo muito bem coeso, cheio de dinâmicas, que mesmo quase que 100% computadorizado com captura de movimentos, conseguiu transmitir humanidade nos olhares dos personagens, desenhando a história com vértices bem colocados para mostrar cada ato como um treinamento, uma lembrança, um sentimento, o que acabou fazendo do filme um pouco rebuscado de situações, mas que certamente acabou mostrando tudo com um detalhamento para os fãs do mangá não ficarem desapontados, com devidas apresentações, devidos combates, e principalmente, criando um jogo mortal incrível, o Motorball, aonde o longa até poderia ter sido mais explorado (o que acabaria virando um "Gigantes de Aço"), mas que com boas cenas fortes resultou em algo bem trabalhado. Não digo que Rodriguez foi perfeito como já teve em grandes obras suas, mas com muita técnica empregada, ele conseguiu desenvolver seu longa de maneira coerente, envolvendo o público para estar exatamente como a torcida fica no final do longa, gritando um único nome, para que o resultado seja forte.

Sobre as atuações, temos de ser sinceros, mesmo com os olhões imensos, e claro toda a computação digital, a protagonista ficou muito com a cara da atriz Rosa Salazar, que deu seu tom para Alita com uma desenvoltura brilhante, cheia de bons trejeitos vocais, e dando o principal, sentimento, pois como foi inteira feita em computação, a personagem poderia virar uma animação, e não, conseguiram deixar os traços humanos para ao serem misturados com seu corpo ciborgue, resultasse em algo bem harmônico, e o que vemos na telona são cenas impactantes visualmente vividas por ela, mas que a atriz soube entregar bem sem soar falsa. Christoph Waltz é daqueles atores que se falar para interpretar uma grama numa peça, será uma grama diferenciada, e o ator como o mecânico/médico Ido soou um belo paizão para a protagonista, além claro de ter suas cenas fortes bem densas e interessantes, mostrando que o ator que é mais comum fazendo dramas, também possui uma postura bem colocada para chamar a responsabilidade como fez aqui lutando. Mahershala Ali está fazendo de tudo nas telonas, e aqui como o vilão Vector foi cheio de imposição, trabalhou com dureza algumas cenas, em outras mostrou seu brilhantismo, mas sem dúvida seus melhores trejeitos ficaram nas cenas que está incorporado pelo outro vilão Nova (que aqui foi rapidamente apresentado por Edward Norton, por isso talvez teremos muito em breve a sequência). Keean Johnson entregou um Hugo bem cheio de nuances, mostrando sinceridade para o papel, puxando um ar de galanteador, e acaba soando agradável com isso, de modo a não ser ao menos apelativo. Agora quem foi completamente mal aproveitada foi Jennifer Connelly com sua Chiren, que certamente deve ter um papel importantíssimo no mangá, e talvez numa história anterior à essa do longa chamaria muito a atenção, pois a atriz é ótima, mas aqui foi quase um enfeite cênico em todas as cenas que apareceu, sendo até menos utilizada que Jorge Lendeborg Jr. com seu Tanji, que é praticamente apenas um grande amigo e comparsa de Hugo nas desmontagens, e nada mais. Outros que trabalharam bem nas cenas, fazendo trejeitos bem fortes foram Ed Skrein com seu Zapan e Jackie Earle Haley com seu Grewishka, servindo ambos como bons combatentes para a protagonista, mas não sendo apenas elementos de luta, caindo bem nos diálogos também.

Agora todos sabemos do potencial de James Cameron, tanto quanto diretor, quanto como produtor, e aqui ele entregou para a equipe algo incrível de tecnologia, aonde foram capazes de criar cenários tão impactantes, cidades cheias de detalhes, personagens com incríveis armas, figurinos criativos, além de culturas espalhadas para tudo quanto é canto que olhássemos, num vértice visual tão maravilhoso, que certamente a equipe de arte não saberia nem onde colocar mais detalhes para aparecer, e o filme ficou muito gostoso de conferir com essas atitudes, de modo que a ambientação até salva os momentos mais calmos do longa. A fotografia também teve uma densidade bem encaixada, com tons coloridos dando contraste nas cenas mais escuras, e vice-versa, aonde nas cenas cheias de cores, lá estava alguém com algo escuro baixando a bola da cena, além claro que com esses grandes contrastes, entrou em cena, o que muitos gostam: os efeitos tridimensionais. E falando em 3D, Cameron é rei, e aqui tivemos muitas cenas com elementos saindo para fora da tela, uma imersão visual belíssima para irmos adentrando aos cenários, e claro nas cenas do jogo, o resultado acaba ainda mais empolgante na telona Imax, ou seja, valendo o ingresso mais caro, ao menos trabalharam bem com o 3D.

Enfim, o longa funciona bem mais visualmente do que como história, pois se fosse para criar algo do estilo de uma trilogia, o ideal seria conhecermos tudo antes, para depois nos conectarmos à personagem, para daí irmos para os finalmente, talvez até brinquem com o inverso caso ocorra continuações, mas aqui como o filme enrola muito para mostrar a personagem recuperando suas memórias durante suas diversas situações de perigo, o filme fica com um final seco demais para encerrar e deixar aberto, ou seja, apostaram muito, mas entregaram pouco. Não digo que seja um filme ruim, mas poderia ter ido mais a fundo em tudo, mas pelo menos as cenas de luta foram muito bem feitas, e o jogo é algo que logo podem inventar algo semelhante à um basquete maluco com patins, que certamente teria público. Sendo assim, fica minha recomendação com muitas ressalvas, mas ao menos é um bom passatempo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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A Mula (The Mule)

2/15/2019 01:01:00 AM |

Já ouviram aquele ditado, de que é melhor parar enquanto está no auge? Pois bem, acho que Clint Eastwood anda meio surdo com seus quase 90 anos, pois ele não para, e aqui fazendo um papel que também possui essa idade, ele entrega sua nova produção de uma forma tão monótona, que mesmo sendo algo bem executado, acaba cansando e sem empolgação para qualquer pessoa, e sendo assim, "A Mula" é uma constatação clara do que acontece muito nos EUA, aonde jovens senhores andam caindo no golpe da grana fácil, atravessando o país em suas caminhonetes para levar a droga mexicana até os pontos de distribuição, porém além disso, a trama procura mostrar um outro vértice, o de priorize sua família ao invés de seu trabalho, aonde o diretor também tenta mostrar um pouco dos seus erros na vida pessoal através de falas e atitudes, dando a entender no final, que também deveria pagar por esses erros. Ou seja, temos algo meio que denso dentro de uma proposta simples, mas que apenas soa bonitinho de ver, sem nada que impressione como poderia, nem chegando a nada impactante.

O longa nos mostra que Earl Stone está falido e recebe uma oferta de trabalho fácil: usar sua caminhonete para fazer transportes. Mas o que ele precisa levar é nada menos que tabletes de cocaína, a mando do Cartel de Sinaloa. Earl acredita que ele passará despercebido pelas estradas, mas ele acaba chamando atenção do agente da DEA Colin Bates.

Como bem sabemos Clint já teve grandes glórias e grande fiascos em sua carreira, e ultimamente tem se desesperado por entregar um número maior de filmes, do que longas com qualidade realmente, e embora suas tramas tenham bons momentos, diálogos bem encaixados, situações bem desenvolvidas, o resultado final acaba ficando bem abaixo do que realmente poderia, pois não tem mais aquela explosão clássica, claro que tivemos nesse meio do tempo algumas ótimas obras como "Sully" e "Sniper Americano", mas aqui ele acaba desenvolvendo uma simplicidade muito pacata para algo que poderia ter rumos melhores, e mesmo com boas jogadas simbólicas de sua vida, o diretor não consegue mais se dirigir como costumeiramente fazia, e o resultado soa frouxo tanto na personalidade do protagonista, quanto na forma dirigida que entrega a história para o público, fazendo algo calmo demais, sem muitas perspectivas, nem afrontes. Ou seja, é um longa comum, com uma história até bem pautada, mas que não vai para lugar algum, nem empolga em momento algum, sendo apenas condizente em não entregar algo ruim de ser assistido.

Sobre as interpretações, Clint sabe bem o que faz sempre, e não a toa se colocaria como um senhorzinho de 90 anos, mulherengo, que praticamente largou a família de lado pelo serviço e vida boêmia, e que acaba ludibriado pelo alto ganho de transportes de drogas, ou seja, praticamente ele redesenhou sua vida, só que ao invés de cinema, ele pôs drogas, se comparado a alguns filmes que fez no passado, dá na mesma, e dessa forma seu Earl é simpático, carismático, e tem bons momentos, mas nada que você se impressione, e sendo assim, fez bem seu papel ao menos. Bradley Cooper sempre é um coringa imenso, e interpreta cada papel de uma forma tão diferente, que por incrível que pareça, demorei para reconhecer que o agente Colin Bates era ele, pois é um personagem que aparece pouco, e em momentos mais conectados, e quando faz suas cenas, ele encaixa seus bons trejeitos, e agrada, mas também nada de surpreendente. Outro ponto bem engraçado é Alison Eastwood fazendo Isis, filha de Clint no filme, e ser alguém que não fala há anos com o pai, sendo mais um ponto para conversões de personagens com vida real, e assim sendo, as duas cenas que aparece fez praticamente nada. Michael Peña e Andy Garcia foram bem trabalhados nos seus personagens, conseguindo agradar em cena, fazendo personalidades marcantes com seus Trevino e Laton, de modo que soasse até meio preconceituoso seus atos, mas foram sinceros no que fizeram.

O lado artístico brincou muito na estrada, mostrando inicialmente a caminhonete velha do protagonista, e depois de ganhar seu primeiro montante com uma super caminhonetona, mas também trabalhou bem algumas locações, como as feiras de plantas que o velhinho frequentava com seus diversos prêmios, os bailes e festas dos veteranos de guerra, o casamento da neta, a casa da ex-esposa, e principalmente as festanças do cartel de drogas regadas a mulheres, bebidas e claro muito luxo nas mansões, porém, mesmo tendo tantas locações, o filme soa simbólico no lado policial, não ousando mostrar muito da equipe, e mesmo nas cenas de delação tudo foi bem simples. Outro ponto bem colocado foram as trocas nas borracharias, mostrando uma equipe bem ornamentada para entregar algo que pode mudar a vida do senhor, mas com grandes riscos, ou seja, mais uma alegoria à vida do diretor.

Enfim, está bem longe de ser um longa ruim, pois possui uma história bem moldada, possui uma direção efetiva, mas é monótono demais, quase sem atitudes, mostrando algo casual, que pode até remeter aos acontecimentos da vida do diretor, e assim sendo, quem for conferir o longa pode se envolver um pouco mais, porém garanto que a maioria sairá igual um jovem da sessão, que a namorada perguntou: "gostou do filme?" e ele apenas fez a cara de dúvida sem dizer nada. Sendo assim, não diria que recomendo o longa, mas também não ataco como sendo uma bomba, ficando bem no lado mediano, e com nota no meio também. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Close

2/14/2019 12:09:00 AM |

É interessante observar como alguns longas que tenho visto na Netflix acabam empolgando durante praticamente todo o filme, para no final brochar com gosto, resultando em algo que não diz em nada do que o filme inteiro se propôs, e poderia dizer que é o acaso, mas tem sido quase que algo frequente, parecendo que os diretores têm pego seus roteiros e corrido tanto para entregar um filme a tempo, que não conseguem fechar com um luxo sua história. Mas, se você gosta de algo forte, cheio de ação, aonde os personagens saem dando tiros, lutas corpo a corpo, e mantendo uma rede de conflitos bem complexa, certamente irá gostar dos 90 minutos de "Close", para talvez ficar meio que frustrado nos 4 finais, pois a ideia é boa, o desenvolvimento completamente interessante, mas o fechamento soa tão jogado que podemos achar tanta coisa sobre o filme que até esquecemos de tudo de bom que vimos, o que é uma pena, pois certamente um fechamento bem encaixado, ousando uma declaração polêmica, ou até mesmo durante o miolo não envolvendo nada com a família da protagonista, certamente teríamos algo para falar de boca cheia: "que filme incrível!", ou então vamos pensar em algo completamente absurdo (que é até possível!), mas que por não desenvolver bem e deixar aberto, acaba sendo falho demais. Não vou dar detalhes para não encaixar spoilers, mas poderiam ter ido bem melhor no fato do relacionamento, das datas, da foto, e de tudo mais para que o filme fluísse para onde tentaram, mas quem também chegar ao final com o gostinho de uma ligação maior entre as duas protagonistas, talvez fosse essa a ideia que desejavam mostrar.

O longa nos mostra que Sam é uma especialista contra-terrorismo que assume a função de proteger e cuidar de uma adolescente rica que é herdeira de uma fortuna. Em meio a uma violenta tentativa de sequestro, as duas precisam fugir e lutar por suas vidas.

Diria que o trabalho do diretor Vicky Jewson foi condizente com uma proposta de ação, com uma subtrama embutida, que empolga bastante, cria diversos vértices, mas que acaba tão rapidamente, que nem podemos dizer que o erro teria sido 100% seu, se ele não assinasse também o roteiro, pois como disse no começo até pode ser que ele tenha deixado subentendido tudo o que queria mostrar em relação às protagonistas, e isso funcionar como uma história a parte para emocionar, mas tudo ao final acontece como uma grande bola de neve atropelando todos os elos criados, e isso não é algo bom de se ver, e talvez se tivesse digamos mais 10 a 15 minutinhos, com tudo rolando, alguma deixa sendo falada mais emocionada, e não apenas como entregaram com ela no carro respirando, o resultado seria outro, e quem sabe até chamaríamos o filme de uma grande obra. Ou seja, dizer que é um filme inteiramente ruim só por esse motivo, é subjugar todo o restante que é bem interessante, mas falar que é bom também, seria intervir e tampar os olhos com uma peneira.

Sobre as interpretações, é bem interessante a personalidade e imposição de Noomi Rapace, que muitos até vão julgar sua Sam magra demais para tantas cenas fortes e violentas como uma segurança, mas quem viu seus outros filmes sabe que a atriz manda bem nas lutas corporais, e aqui entregou mais um bom papel do estilo, trabalhando trejeitos e tudo mais, o que acaba agradando bastante. Sophie Nélisse até é bonitinha, possui um perfil bem colocado para uma patricinha herdeira de uma fortuna, mas é muito fraca de expressões, nem parecendo ser a garotinha expressiva que foi em "A Menina Que Roubava Livros", de modo que sua Zoe parece jogada na trama, fazendo caras e bocas, e somente mais ao final consegue entregar alguns trejeitos melhorzinhos, mas nada que consiga salvar sua atuação. Indira Varma fez uma Rima tão seca, que foi condizente para não mostrar suas reais intenções até o final, mas poderia ter trabalhado alguns momentos melhores, para chamar a atenção e até despistar melhor, mas foi dura e sem nada para chamar a responsabilidade. Quanto aos personagens masculinos do longa, ficamos até na dúvida se foram contratados atores, ou somente figurantes, pois todos praticamente falam mensagens rápidas para as protagonistas, lutam e morrem, não tendo nada que parasse a imagem neles, ou seja, melhor nem destacar ninguém.

O conceito visual da trama foi até bem elaborado, encontrando uma mansão quase nível de bunker, cheia de travas e câmeras incríveis, mas que são facilmente quebradas com tecnologia hacker, mas principalmente o longa se passa nas ruas do Marrocos com muita pancadaria em hotéis, nos carros, e claro na própria mansão, de modo que o filme tem uma simbologia tecnológica bem colocada, mas que praticamente é esquecida para que os personagens lutem e atirem muito, ou seja, ação desmedida, quebrando tudo o que tiver pela frente. A fotografia teve um tom bem marrom, para criar tensão de ação, e também elaborar algo mais chamativo para si, mas nada muito surpreendente.

Enfim, como disse no começo é um filme que até empolga, que possui uma ideia bem alocada, mas que foi encerrado de forma grosseira, sem muitos detalhes, deixando muita coisa subentendida, o que não é bacana de acontecer em longas de ação, de modo que até pode ser que alguns vejam de uma forma diferente e se envolvam até mais com a trama, mas a maioria certamente irá reclamar do final, então fica a dica para ver sem muitas pretensões. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã já com a primeira estreia da semana nos cinemas, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Dumplin'

2/12/2019 01:16:00 AM |

Que coisa mais deliciosa foi assistir "Dumplin'" na Netflix, ou traduzindo como no filme "Fofinha", que mesmo usando de clichês tradicionais, ousa em desconstruir uma imagem, e sendo fofinho, mas direto no ponto, consegue passar lindamente a mensagem de seja você mesmo, independente de padrões, de se achar não capacitado para algo, ou até mesmo de estar fora de algo que você mesmo se julga não sendo como deveria, pois você pode ser maior do que isso, e o resultado quando bem encontrado no seu fundo, pode ser maravilhoso. E dessa forma o longa soa maravilhoso também, trabalhando ótimas interpretações, homenageando na medida certa a cantora Dolly Parton (que sempre coloca essa ideia em diversas de suas canções), e trabalhando de uma maneira muito coerente, a trama até lembra um pouco "Miss Simpatia", mas que com um gracejo bem mais ousado, acaba envolvendo muito mais quem gosta desse estilo Sessão da Tarde, com leves pitadas dramáticas bem colocadas. Ou seja, um filme muito gostoso de conferir, que faz você ao final já estar batendo os pezinhos durante as canções, mesmo sabendo tudo o que vai acontecer.

O longa acompanha a história de uma adolescente plus size desinibida chamada Willowdean. Ela é chamada de Will pelas amigas e de Dumplin’ por sua mãe, uma ex-miss que agora organiza um concurso de beleza. Moradora de uma pequena cidade do Texas, Will ignora comentários sobre seu peso e ouve obsessivamente canções de Dolly Parton. E, quando decide entrar no concurso da mãe como forma de protesto, sua ação encoraja outras competidoras a seguirem seus passos, mudando as tradições da cidade para sempre.

A diretora Anne Fletcher foi muito consistente na construção da trama, pegando um roteiro bem moldado em cima do livro recordista de vendas de Julie Murphy, e criando as situações com carisma principalmente, não deixando que o longa ficasse preso em nenhuma das pontas, de modo que a protagonista poderia ir por rumos completamente simples que conseguiria empolgar o público. Claro que o gênero, e o estilo do filme já tinham uma prerrogativa bem montada na cabeça do público, e isso nem que a diretora quisesse, poderia inventar uma forma diferente de entregar, então logo no começo já vamos nos preparando para cada ato que aconteceria com certeza mais para o final, e foram até bem coerentes nas frases ditas para que o filme não fugisse do eixo, e com uma desenvoltura totalmente bem divertida, leve e gostosa, ela conseguiu passar a sua mensagem, conseguiu trabalhar cada momento para soar bonito sem precisar forçar a barra, e principalmente entregou algo digamos fofo para uma proposta que poderia até soar pesada (caso quisessem!), e assim sendo, o resultado nos pega emocionando e torcendo para a jovem protagonista, sem precisar aplaudir suas atitudes, que até soam pessimistas demais em alguns momentos (e sendo até refletidas na nossa forma de pensar muitas vezes!). Ou seja, um acerto completo para a forma de condução, e claro para a adaptação do livro, que não li, mas que pelo desenvolvimento consegue ser bem trabalhado na tela.

Com um elenco afiadíssimo o resultado não poderia ser outro senão diversas cenas bem trabalhadas que nos fazem sorrir a cada ato do longa, trabalhando desde personalidades fortes até situações mais desembaraçadas para encontrar afinco no desenvolvimento de cada personagem. E para começar tinha de ser por Danielle Macdonald que nos entregou a protagonista Will com muita vivência, desenvolvendo cada momento da personagem como se fosse algo único e impactante, agradando nos trejeitos, trabalhando o carisma, e até encarando certas ranhuras no miolo, fazendo com que a odiássemos também pelas atitudes, mas que com o desenrolar da trama, voltamos a torcer por ela, ou seja, perfeita. Jennifer Aniston é sempre precisa no que faz, e aqui mesmo sua Rosie não ficando tanto em evidência, aparecendo sim como a mãe metódica com suas tradições no concurso de misses, mas que sempre deixa o palco para os demais darem seu show, e assim quando precisou veio e encaixou olhares e boas dinâmicas para que a personagem também tivesse o devido destaque. Dentre as garotas, todas foram muito bem colocadas, passando por Maddie Baillio com sua graciosidade em cima de sua Millie com toda imponência e vontade de se superar, Bex Taylor-Klaus com sua imponência e rebelião em cima de sua Hannah, mas completamente despojada nas cenas finais, e claro Odeya Rush como Ellen, a melhor amiga, que mesmo nos momentos de briga, sabemos que podemos contar, ou seja, todas colocadas na medida certa. O par romântico foi meio que fora de eixo, e embora num conto de fadas meio forçado até poderia ocorrer, mas Luke Benward até que entregou bons momentos para seu Bo. E claro para fechar temos de colocar em pauta as drags incríveis feitas com muito carisma por Harold Perrineau, Joshua Allan Eads e Sam Pancake, que deram o tom para a fase final do longa ficar muito divertida.

Quanto da cenografia, o longa deu outro show de elementos cênicos, principalmente no desenvolvimento da personagem com sua obsessão por Dolly Parton, e claro, usando isso para remeter aos bons momentos com sua tia Lucy, de modo que a trama acaba encontrando objetos importantes, as tradicionais colagens de parede, e claro levando isso para o bar de estrada aonde ocorrem shows de drags performando Dolly também, cheias de brilho, com muita simbologia e tudo mais para dar o luxo para a trama, enquanto do outro lado, a equipe também trabalhou muito para simbolizar os concursos de misses, com ensaios, figurinos, camarins ornamentados, e claro muito luxo nas apresentações, mesmo estando no meio do Texas, ou seja, um trabalho minucioso por parte da equipe de arte. A fotografia embora seja bem colorida, trabalhou bem os tons mais avermelhados e escuros para dar uma certa dramaticidade nos atos mais pessimistas da garota, brincando bastante com o humor, e claro com a dinâmica da trama, ou seja, um filme bem desenvolvido na proposta cênica.

Como o longa usa muito das canções de Dolly, e coloca a trilha quase como personagem envolvido na trama, não poderia ter outra cantora senão Dolly Parton como diretora da trilha sonora, emprestando diversas canções suas, e até lançando novas, de modo que o filme acabou até sendo indicado para o Globo de Ouro, e certamente o ritmo country deu um bom tino para o filme, e claro que deixo aqui o link para todos ouvirem depois as ótimas canções, e quem não a conhecer, passe a admirar.

Enfim, um filme que nos pega de forma bem despretensiosa, que certamente pararíamos numa Sessão da Tarde para conferir bem tranquilamente, e que nos remete diversas lições para pensarmos, ou seja, mesmo lotado de clichês do estilo, que logo de cara já vamos apontando para os rumos que terá, sem termos grandiosas surpresas e tudo mais, mas que agrada bastante, nos diverte, e principalmente, mesmo emocionando consegue nos deixar com um enorme sorriso na cara pelo desenvolvimento completo feito, e assim sendo, mais do que recomendo essa ótima comédia da Netflix para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - High Flying Bird

2/10/2019 11:15:00 PM |

Todos sabemos bem que mesmo com salários monstruosos divulgados, boa parte do que ganham não chegam até os atletas, que pagam agentes, marketing, equipe, e claro, impostos gigantes, mas também sabemos que os donos de equipes recebem verbas infinitas das televisões, então qual o percentual ideal para cada lado? Usando essa base, e divulgando muito do conflito que ocorreu na NBA quando a greve dos atletas parou os jogos para negociações monstruosas entre agentes, empresários, sindicatos, deixando o clima esquentando de todos os lados com direitos e tudo mais, o grande diretor Steven Soderbergh conseguiu criar um longa cheio de vértices em seu "High Flying Bird", aonde optou por mostrar a vida de um agente desesperado por já não ter mais seus ganhos, mas que soube trabalhar de maneira coerente para conseguir atingir seu objetivo sem se desgastar, e quem sabe até ir além. Ou seja, é um filme que envolve muitos negócios, muitas boas discussões, mas que revela bem os bastidores de grandiosos campeonatos, aonde muitas vezes só vemos os jogos, e os grandes cifrões que circulam por aí, mas na hora dos negócios, pouco sabemos, e aqui o dedo foi apontado e bem desenvolvido, agradando quem gosta de longas mais empreendedores, e ousando ainda criticar bem os moldes atuais do sistema de ganhos nos esportes.

O longa nos conta que Ray Burke é um agente esportivo que se encontra com a carreira em risco em meio a uma batalha entre os donos dos times da NBA, liga de basquete profissional dos Estados Unidos, e os seus jogadores. Durante um locaute, uma "greve" promovida pelos empresários, ele decide executar um arriscado plano de negócios que pode mudar o jogo para sempre.

Juntar um diretor que sabe bem como trabalhar dramas como é o caso de Soderbergh, com um roteirista que afrontou o racismo de uma maneira completamente forte, como foi o caso de Tarell Alvin McCraney com seu "Moonlight", o resultado esperado não poderia ser outro senão um longa denso, cheio de atitudes, mas que trabalhou mais a essência dos atos do que o desenvolvimento em si, e assim sendo, cada ato do filme vai nos remetendo mais ao grande jogo de bastidores entre atletas, agentes, empresários de times, e claro seus associados, de modo que cada momento uma fagulha falsa poderia fazer tudo explodir. Ou seja, o longa foi muito bem desenvolvido, criou as possibilidades com muita coerência, e principalmente desenhou os atos praticamente não precisando de mais ninguém sem ser o protagonista, embora o filme se mostre norteado diversas vezes pelas laterais, mas sempre o pivô preparado para a cesta de três pontos era o protagonista, e ao final quando achamos que foi sua maior derrota, lá estava ele para balançar a cesta, junto com o diretor que fez a inversão mais forte e correta que o filme pedia.

Sobre as atuações, André Holland foi determinado do começo ao fim com seu Ray, entregando personalidade para o papel, segurando a onda ao falar do seu passado com o primo, e dando ótimos conselhos e virtudes nas jogadas com cada um dos personagens, de modo que o resultado não só impressiona pelo ótimo fechamento dele, como desde o começo já nos conectamos com o que entrega, sendo quase um guru bem moldado para entregar os atos, ou seja, foi preciso, coerente, e acertou em tudo o que podia fazer para o longa impressionar. Já havia achado bem interessante a performance de Zazie Beetz em "Deadpool" sem conhecer mais personagens seus, e aqui como Sam, ela nos entrega uma mulher ousada, que mesmo não sendo mais assistente do protagonista, passa a intervir muito em sua vida, e com uma boa dinâmica de conselhos mútuos, o resultado da atriz surpreende tanto pela forma que passa, quanto pela entrega pessoal da personagem. Melvin Gregg nos entregou com seu Erick, o tradicional novato de campeonatos, que entra com a bola lá em cima, faz altas críticas para os que já estão acima, que fazem banca e tudo mais, mas que no fundo está desesperado para acabar logo a greve e ver seu contrato firmado, e o mais engraçado é ver as diversas entrevistas reais mostrando que realmente todos os atletas draftados possuem esse mesmo sentimento. Bill Duke é sempre um clássico em qualquer filme que entre, e aqui com seu Spence ele dá a nota clara para todo tipo de racismo envolvendo seus jovens na NBA, mostrando precisão nas cenas, e envolvendo muito, sem precisar mover sequer um músculo. Dentre os demais, vale a pena falar de Sonja Sohn com sua Myra imponente como representante sindical dos atletas na briga dos dois lados, mostrando muita personalidade nos atos, e sendo precisa em tudo o que fez em cena.

Como é um longa de bastidores, não espere altos jogos de basquete (sim, eu fui assistir imaginando isso!), então com cenas em escritórios bem chiques, restaurantes, saunas, e até em eventos de caridade bem montados, a equipe de arte teve o trabalho mais simples para colocar os atos em cena, pois o que vale mesmo são os diálogos bem moldados do protagonista, independentemente de onde ele passe, e sendo assim o filme tem quase um ar de palestra misturada com documentário, o que não atrapalha visualmente, mas também não dá nenhuma nuance forte.

Enfim, é um filme simples, porém cheio de virtudes, que consegue mostrar bem como funciona o dinheiro na NBA, mas que poderia ser mostrado na NFL, na FIFA, ou em qualquer outro esporte, que geralmente chega até os bolsos menores quase nada, e esses precisam aparecer muito na mídia para ter seus ganhos aumentados um pouco, mas que mesmo com uma greve rolando, se tiver um esperto, esse pode reverter tudo da maneira mais ousada e perfeita possível. Ou seja, não é um filme que vai empolgar muitos, mas que passa boas ideias e dinâmicas empreendedoras, ao menos no meio dos esportes, mas que pode ser colocada em prática em outros lugares, e agradar quem gosta de saber um pouco dos bastidores dos esportes. Sendo assim, recomendo a trama com certas ressalvas, mas que vale uma conferida ao menos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Uma Aventura LEGO 2 em Imax 3D (The LEGO Movie 2: The Second Part)

2/10/2019 01:33:00 AM |

Sempre digo que quando conseguem seguir a linha do original em uma continuação, o resultado acaba ficando incrível de ser curtido, e com "Uma Aventura LEGO 2" as sacadas foram ainda melhores que o original, brincando com mais personagens, encontrando vértices dinâmicos, e agora que sabemos a ideologia da montagem que vimos no final do primeiro filme, ficou ainda mais engraçado imaginar de onde vieram os aliens, como são as brigas e tudo mais, ou seja, outra grandiosa sacada que só quem tem irmãos sabe como é o famoso brincar juntos, cada um na sua criatividade, e no longa com a quantidade de pecinhas de LEGO, as possibilidades foram infinitas. Diria que o filme tem momentos hilários e bem moldados, que souberam principalmente criar algo novo de estilo, mantendo a essência para que o resultado divertido predominasse, e assim sendo, acabamos vendo um filme bem encontrado, aonde agrada desde crianças pequenas até os mais velhos, sendo familiar e bem montado.

O longa nos mostra que cinco anos após os eventos do primeiro filme, a batalha contra inimigos alienígenas faz com que a cidade Lego torne-se Apocalipsópolis, em um futuro distópico onde nada mais é incrível. Neste contexto, Emmet constrói uma casa para que possa viver ao lado de Lucy, mas ela ainda o considera ingênuo demais. Quando um novo ataque captura não apenas Lucy, mas também Batman, Astronauta, UniKitty e o pirata, levando-os ao sistema planetário de Manar, cabe a Emmet construir uma espaçonave e partir em seu encalço. No caminho ele encontra Rex Perigoso, um navegante solitário que decide ajudá-lo em sua jornada.

O mais curioso é ver que mantiveram a essência bem montada mesmo trocando a direção, e isso é algo bem raro de se ver, pois claro que conseguimos notar um estilo mais denso e cheio de dinâmicas aqui, diferenciando de algo mais metódico do primeiro filme, mas todas as boas pegadas coloridas, os personagens cheios de sacadas referenciais de outras séries, as conexões malucas para mostrar a diferença de idade dos "montadores", deram um tom tão bem colocado, que praticamente não sentimos falta de Phil Lord e Christopher Miller, que agora apenas assinaram o roteiro, e certamente, deixaram bem pronto o estilo para que Mike Mitchell, que possui uma boa leva de produções bem divertidas, dirigisse o longa com personalidade, e conseguisse brincar com o público em todas as cenas. Ou seja, o diretor aqui foi sagaz em colocar a diversão em primeiro plano, trabalhando a essência dos personagens, suas motivações, e principalmente ousou brincar com o amadurecimento, que em alguns não vem tão cedo, mas que sabendo lidar, todos podem aproveitar bem disso. Sendo assim, a essência de dar lições, brincando com as pecinhas fez com que o filme fosse muito gostoso do começo ao fim, e divertisse na medida certa.

Sobre os personagens, tivemos boas adições como a rainha, a soldado espacial, e principalmente Rex Perigoso, que é bem explicadinho no final, mas logo em sua aparição já dá para entender quem ele é, e com boas nuances, o personagem entregou bons momentos junto de seus dinossauros, e claro em boas cenas de ação. Emmet como de praxe é bem gracioso e conseguiu mesmo sendo bobão ajudar em tudo o que era necessário passando boas mensagens. Lucy com seu estilão fechado, meio gótico e rebelde brinca ousadamente com personalidade em cima de algo bem próximo de Mad Max, mas mais durante o longa vamos descobrindo muito de sua personagem. Além deles tivemos muitos bons encaixes, como os vampiros brilhosos, o gatinho, o pirata, o astronauta, e claro toda a Liga da Justiça com grandes sacadas encaixando umas personalidades até meio que reveladoras. Ou seja, um elenco de peso com muitos bonequinhos bem encaixados, que dão o tino para cada cena, além claro dos personagens de carne e osso, Jadon Sand, Brooklynn Prince e Maya Rudolph dando bons trejeitos para os seus leves momentos fora do desenho.

Com muitas cenas bem desenvolvidas cenograficamente, e claro pelas pecinhas poderem montar o que quiserem imaginar, foram bem coerentes desenvolvendo um cenário apocalíptico incrível para a cidade aonde os personagens principais moram, mudando até o nome para Apocalipsópolis, trabalharam diversos momentos no melhor estilo Mad Max, colocando inclusive carrões correndo, tambores e tudo mais, e ao mudar de mundo, passando pela porta da escada, entramos em cenários não tão moldados, misturando peças de diversos modelos diferentes, mas sendo criativos na medida para criar coisas com muito glitter, muitas cores, e claro elementos com formatos estranhos, mas que deram ótimas nuances para cada cena, explicando os diversos momentos com tudo bem encontrado. Além disso, conseguiram dar ênfase na história da união, de objetos fora de LEGO funcionando como elementos alegóricos, e encontrando tudo para divertir na medida. Agora sobre o 3D, o pessoal que gosta da tecnologia ficará um pouco chateado com a trama, pois mesmo vendo na maior tela que é a Imax não consegui ver praticamente nenhum objeto sendo jogado para fora, tendo algumas boas cenas imersivas, mas nada que impressionasse, de modo que recomendo que quem não quiser gastar, possa ver tranquilamente em 2D, que não irá perder nada.

Sobre as canções, tivemos uma melhor que a outra, tendo inclusive uma chiclete para grudar demais na cabeça, mas não consegui achar as versões dubladas online, então quem conseguir algum link, envie que coloco aqui, mas por enquanto deixo as originais para curtirem aqui.

Enfim, novamente a qualidade foi incrível, o resultado impressiona demais, e tudo se encaixou na medida certa para empolgar o público, fazer com que os pequeninos ficassem bem quietos conferindo o filme, e claro os adultos se divertissem por demais, e sendo assim darei a mesma nota que dei para o longa de 2014, pois poderiam ter ousado mais no 3D, para o filme ficar melhor ainda. Mas como disse, não é nada que atrapalhe, então recomendo para todos sem nem pensar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, encerrando as estreias dos cinemas, mas amanhã já volto com as estreias dos streaming, então abraços e até logo mais.

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Escape Room

2/09/2019 02:13:00 AM |

Certamente alguma vez em sua vida você já jogou algum jogo de pistas, e para quem não conhece o estilo, já há alguns anos lançaram estilos mais complexos chamados de "Escape Room", ou em tradução literal, quarto de fuga, ou então melhorando na explicação, consiga fugir do cômodo, aonde através de pistas espalhadas, números, elementos, e tudo mais, quem estiver preso consegue sair do jogo para não sofrer consequências! Bem já vimos alguns mais pesados desse estilo, e um dos principais foi "Jogos Mortais", e aqui embora tenha mortes, a trama soa bem leve, com propostas mais dinâmicas e preparadas para algo mais voltado para um jogo realmente. Claro que mais ao final, é explicado o motivo das escolhas, e o porquê de existir esse formato de quase suicídio, mas certamente o que acabou faltando para o longa foi ser mais conciso nas provas, e não deixar tudo tão aberto para uma continuação, já pensando nisso antes mesmo do final, pois geralmente longas que iniciam por cenas do quase fim, já nos preparam para algo que não deveria ser dito. Ou seja, esperava um pouco mais do longa, mas ainda assim conseguiu me entreter bem, e quem sabe, caso role a continuação, eles pesem a mão para que tudo seja mais tenso, pois embora a classificação seja de terror/suspense, a trama é bem levinha.

A sinopse nos conta que passando por momentos complicados em suas respectivas vidas, seis estranhos acabam sendo misteriosamente convidados para um experimento inusitado: trancados em uma imersiva sala enigmática cheia de armadilhas, eles ganharão um milhão de dólares caso consigam sair. Mas quando percebem que os perigos são mais letais do que imaginavam, precisam agir rápido para desvendar as pistas que lhes são dadas.

O diretor Adam Robitel já tinha nos mostrado que é fraco no ano passado quando assumiu a franquia "Sobrenatural", e entregou o pior da saga, e aqui ele teve novamente a chance de criar um suspense com doses de terror, que poderia entrar para o hall dos filmes que nos fazem tremer, ficar tensos e tudo mais, afinal só a ideia de ficar preso em um quarto dependendo de outros desconhecidos já é algo complexo, mas não, lá foi ele novamente e criou algo tão comum que até ficamos levemente empolgados com a trama, e ponto, afinal não teve participação no roteiro, mas conduziu sem atitude, fazendo com que tudo ficasse muito calmo, muito alegórico, aonde mesmo nos atos aonde os protagonistas mais se desesperam, o resultado acaba ficando sem força. Ou seja, o ritmo da trama precisava de um diretor ousado, que botasse até os atores para ficar desesperados com as cenas, e aí sim já poderíamos esperar uma continuação digna, de forma que estaríamos desejando muito por isso, mas aqui logo de cara na primeira cena já sabemos quem vai sobrar no longa, tanto pela montagem ruim, que não necessitava de uma abertura, quanto na sequência pela apresentação dos personagens, e assim, o filme que possui apenas 99 minutos acaba alongado e saímos da sessão parecendo que vimos uma maratona, e isso não é bom para um suspense, pois geralmente tem de ocorrer o inverso, e sendo assim, vamos ver se o longa tiver fôlego para uma sequência, que escolham um diretor pronto para fazer o sangue tremer.

Dentro das atuações, até podemos dizer que o grupo foi escolhido pelas suas divergências interpretativas, mas acabaram forçando demais o estilo de cada um, fazendo com que cada um virasse um clichê gigantesco para seus momentos, e como disse, ficou extremamente evidente pela montagem o destaque para os dois principais personagens, o que não deveria ocorrer. Dito isso, Taylor Russel foi simples nas atitudes de sua Zoey, mostrando-se pensante demais para um grupo de desesperados, mas quando saiu de si, ficou completamente insana, e entregou bons momentos, mas talvez chamar a atenção demais para a atriz tenha estragado um pouco o conteúdo da trama. Logan Miller é daqueles atores sorrateiros, que costumam aparecer meio que de lado, mas que quando entrega algo, acaba fazendo muito bem, e a montagem acabou estragando muito o grande momento de seu Ben, de modo que o ator seria uma surpresa e tanto, mas que por começar o filme da forma montada, a surpresa vai para o brejo, e o ator não explode como poderia. Jay Ellis foi colocado para ser o arrogante que acabamos xingando, e que por atitudes extremas, acaba até tendo um grande destaque, de modo que seu Jason é bem moldado, tem uma história forte, e consegue chamar a atenção. Dentre os demais, todos têm bons atos, mas não conseguem se mostrar tanto como poderiam, de modo que a militar Amanda vivida por Deborah Ann Woll foi intensa, mas exagerou em trejeitos, Nik Dodani deixou seu Danny eufórico demais por jogar, e chega a ser até chato em alguns atos, e Tyler Labine só não é mais enfeite com seu Mike, por alguns atos dependerem dele, senão nem lembraríamos que esteve no filme.

A equipe de arte conseguiu ser bem pensante para criar as salas com muita tecnologia, e principalmente cheias de elementos alegóricos para serem usados, afinal o filme se baseia nisso, e se errassem a mão, seria o fim realmente, mas souberam detalhar os ambientes, usar armadilhas bem trabalhadas, e principalmente no final ainda mostraram como são criativos os criadores da ideia de "escape rooms", de modo que o filme em si pode falhar, mas a técnica tem de ser elaborada com minúcias para que cada ato fosse bem mostrado, e sendo assim, o resultado visual agrada bastante mostrando principalmente os diversos elementos: fogo, gelo, altura/vertigem, veneno, drogas e pressão de movimento, brincando bem com a mente do público. A fotografia brincou com os tons, usando como base os elementos de cada sala, abusando do vermelho na cena do forno, embranquecendo a tela na cena da neve, colorindo o ambiente inteiro na cena do bar invertido, ousando no marrom esverdeado na cena do veneno, e pirando a cabeça com o xadrez na cena das drogas, de maneira que foram bem coesos nos tons, não forçando a barra, mas também não ousando para criar tensão, e aí está um dos pontos mais errados do longa.

Enfim, dizer que é um longa ruim é abusivo demais, e também dizer que é algo completamente inovador, que temos todos que correr para a sessão e torcer pela continuação também soa forçado demais, então digo que o filme ficou mediano na execução de uma ideia incrível, que falhou principalmente por dar um spoiler imenso já na cena de abertura, o que nos faz nem hesitar qualquer outro tipo de situação diferente na maioria dos atos, mas que ao menos entretém, e isso é algo que ao menos vale a pena, pois produções de suspense ultimamente tem sido tão reflexivas, que quando algo vem mais bem moldado, acabamos até agraciados, e sendo assim, quem for conferir não irá dizer que foi um tempo 100% perdido, e com ressalvas, acabo até recomendando ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas amanhã volto com mais textos, então abraços e até logo mais.

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No Portal da Eternidade (At Eternity's Gate)

2/08/2019 01:15:00 AM |

Confesso que hoje minha vontade era escrever: "Chato." e nada mais, mas como costumo dizer, preciso justificar o que me incomodou demais nessa versão biográfica de Vincent Van Gogh, que poderia ser incrível para mostrar suas loucuras, de onde vieram suas inspirações para as pinturas, motivos fortes para cortar fora sua orelha, e tudo mais, mas o diretor tentou fazer de seu "No Portal da Eternidade" algo extremamente artístico, com uma trilha enfadonha e cansativa, com repetições de frases sem parar para dar ecos de loucura, que somente a ótima interpretação de Willem Dafoe consegue salvar algo na trama, e isso bem próximo ao fim quando já temos algo mais consistente no longa, pois exageraram tanto na forma conceitual, que me esforcei por demais para não dormir durante a exibição.

O longa nos situa em 1888, aonde após sofrer com o ostracismo e a rejeição de suas pinturas em galerias de arte, Vincent Van Gogh decide ouvir o conselho de seu mentor, Paul Gauguin, e se mudar para Arles, no sul da França. Lá, lutando contra os avanços da loucura, da depressão e as pressões sociais, o pintor holandês adentra uma das fases mais conturbadas e prolíficas de sua curta, porém meteórica trajetória.

O diretor Julian Schnabel tentou trazer para a trama um viés artístico demais para que o lado da pintura encontrasse a beleza da natureza, e junto com os traços frenéticos do pintor, o público recaísse o entendimento de sua loucura, brincando demais com vértices imaginários, vozes e deixando que o ator construísse algo mais sólido dentro da maluquice que foi essa época na vida do pintor. Porém costumo falar que deixar nas mãos de um tremendo ator é um risco, pois o ator pode se destacar (o que aconteceu muito aqui), e a obra desabar (o que também ocorreu), e acabamos não vendo em momento algum qualquer destaque por parte do diretor, que sabiamente até escolheu boas locações, moldou bem a vida do protagonista nos hospitais que frequentou, e rapidamente mostrou seu encerramento, o que acabou diferindo demais do outro longa da vida do pintor, "Com Amor, Van Gogh", que brilhantemente através de pinturas retratou de uma maneira bem mais simbólica e gostosa de acompanhar a vida dele. Ou seja, o filme aqui até teve uma proposta ousada e interessante, de trabalhar a loucura como ponto da arte, fazendo com que a cenografia e as pinturas valorizassem o roteiro fraco, mas milagres assim são raros.

Sem dúvida alguma, o melhor do filme fica a cargos das ótimas atuações, e bem por isso Willem Dafoe está sendo indicado à diversos prêmios, e até levando alguns, pela maravilhosa interpretação que deu para Vincent Van Gogh, pintando com precisão, entregando ótimos trejeitos, e sendo sutil nas cenas que mais precisava sem jogar o cansaço da trama para o personagem, ou seja, deu show. Outro que caiu muito bem no papel de Paul Gauguin foi Oscar Isaac, que só é uma pena ter poucas cenas dele no longa, pois certamente como já vimos em outros filmes, Gauguin foi bem polêmico, e certamente com esse estilo forte de Isaac, resultaria em algo impactante. Rupert Friend deu alguns bons tons como o irmão Theo do protagonista, mostrando sinceridade nas suas cenas mais próximas, e envolvendo nas mais dinâmicas, mas como também ficou bem de lado na trama, seu resultado nem chamou tanta atenção. Dentre os demais, a maioria aparece bem pouco, e quem teve um leve destaque foi Mads Mikkelsen como um padre numa ótima discussão com o protagonista sobre religião, e que certamente é uma das melhores cenas do filme no conceito dos diálogos, e sendo assim, ele ao menos se sobrepôs.

Outro ponto bem bonito do filme foi ver que a equipe artística foi bem coerente em arrumar pintores bem próximos do estilo de Van Gogh, para deixar as obras mais próximas dos fechamentos, e claro, treinarem Dafoe para dar os últimos acabamentos, além de diversos momentos com dublês de pintura, de modo que a parte artística é bem desenhada pelo estilo chamativo das obras do pintor, bem como tendo sua cor predileta, o amarelo, espalhado por todos os ângulos, dando tons para a fotografia, e junto de ótimas escolhas de ambientes e locações, fazendo com que a trama tivesse elementos chamativos para retratar bem a vida do pintor.

Enfim, muitos podem até ir por uma outra ideia e se apaixonar pelo longa, mas confesso que o ritmo ficou absurdamente lento, com uma trilha sonora de um piano amaldiçoado de chato batendo o tempo inteiro na mesma toada, me fez por pouco não pensar em levantar para sair da sala, ou ao menos ficar passeando na sala até o final da sessão, mas como hoje tinham muitos espectadores na sala, nem deu para fazer isso. Diria que o longa poderia ter sido moldado com mais nuances sobre a vida do pintor, e não focar tanto nas suas paranoias e medos, de modo que teríamos uma biografia mais diretiva do que introspectiva como acabou acontecendo, ou seja, em resumo, deixando o filme menos chato do que foi. Sendo assim, não tenho como recomendar o longa para ninguém, mas sei que por ter a indicação de Dafoe ao Oscar irá ter uma bilheteria até que considerável de curiosos, mas quem quiser pular, fica a dica. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Velvet Buzzsaw

2/07/2019 12:13:00 AM |

Intrigante e fora dos padrões, essa deve ser a melhor definição para "Velvet Buzzsaw", principalmente por misturar crítica artística com terror, trabalhando bem os momentos, mas talvez falhando um pouco na entidade em si, que se fosse melhor desenvolvida seria daquelas para vibrarmos e tremermos com tudo o que ocorre, porém tirando esse detalhe, todo o suspense em cima, todas as mortes, e a forma de condução em cima dos trejeitos do meio artístico, faz a trama ficar bem interessante e boa de acompanhar. Porém, quem não for muito ligado ao meio artístico, talvez ache o longa um pouco maçante e cansativo, mas ainda assim vale a conferida pelo ótimo trabalho do elenco, e claro pelos efeitos bem feitos.

O longa nos mostra que quando o mercado da arte colide diretamente com o mercado do comércio, artistas e investidores milionários encontram-se em um duro embate financeiro que pode sacrificar muito mais do que suas carreiras, mostrando o que ocorre quando um temido crítico, uma fria galerista e uma ambiciosa assistente roubam as pinturas de um artista recém-falecido - com graves consequências.

É engraçado como alguns diretores possuem estilos tão moldados que quando vamos ver um filme seu, acabamos enxergando muitos momentos semelhantes ao outro, e aqui em diversas cenas nos remetemos ao seu "O Abutre" para comparar com essa nova obra de Dan Gilroy, e isso não é algo ruim de se falar, pois lá em sua estreia como diretor, ele já havia conseguido tirar grandes cenas do protagonista que agora volta a trabalhar, de tal maneira que tudo aqui soa como algo mais reflexivo, e em diversos momentos até trabalhando uma certa imposição para mostrar o conflito entre arte abstrata e comercial, brincando com olhares críticos e tudo mais, mas se tem algo que poderia ter entrado nesse nicho, e o diretor pecou um pouco foi no jeito de criar o terror, pois ao invés de ousar para o lado psicológico, ele já foi mais para um estilo mais forte, com mortes pesadas, e situações bem ousadas. Não digo que isso tenha sido uma escolha ruim, mas pelo estilo do longa, mereciam ter feito algo mais experimental que resultaria em algo melhor exibido.

Sobre as interpretações, temos de pontuar que o senso crítico de todos os atores foi colocado em um nível fora dos padrões para que interpretassem seus personagens nesse longa, de modo que todos estão com trejeitos abstratos, olhares céticos, e principalmente sentidos preparados para traquejos cheios de desenvoltura, fazendo com que alguns até entreguem uma personalidade completamente diferente de tudo que já vimos eles fazerem, e isso é muito bom de ver. Jake Gyllenhaal nos entrega um Morf cheio de tino, com muita classe (e também alfinetadas) conseguiu mostrar bem o estilo de diversos críticos (e não só os de arte), dando opiniões favoráveis compradas, em outros casos não entendendo mais o que está vendo, mas certamente seus melhores momentos ficaram para o final, quando passa a ficar bem maluco com tudo o que está acontecendo, e como o ator tem ótimos trejeitos, o resultado foi perfeito. Rene Russo é uma tremenda atriz, e sabemos bem disso, mas anda aparecendo tão pouco que chega a ser até surpreendente quando entrega algo mais centrado como sua Rhodora, de modo que ela vai com tudo para cada cena, envolvendo, atacando, e principalmente chamando a responsabilidade cênica para si, o que é um luxo de ver. Zawe Ashton foi bem expressiva com sua Josephina, servindo bem de entremeio para os diversos momentos, mas talvez alguns trejeitos menos forçados agradariam mais, pois em determinados atos parece que está desesperada até para mostrar o que está sentindo. Talvez a Gretchen de Toni Collete nem seja uma personagem que a atriz seja lembrada mais para frente, mas certamente quem conferir o longa saberá quem é ela, pois a atriz pegou uma personagem bem ruim, e conseguiu dar personalidade e moldá-la para empolgar nos melhores atos possíveis, principalmente no seu fechamento. Até poderia falar de outros grandes nomes como John Malkovich, Tom Sturridge, Billy Magnussen, pois todos tiveram rápidos, mas bons personagens na trama, mas me alongaria demais, valendo apenas dar o seguinte conselho, se você precisar de uma assistente, não contrate Natalia Dyer, pois quem assistir ao longa entenderá que ô mulherzinha pé na cova, a sua Coco!

No conceito cênico, a trama entregou obras de arte bem elaboradas (outras estranhas apenas) com um trabalho de pesquisa bem desenvolvido para trabalhar tanto a forma que críticos analisam as artes de museus, como que os comerciantes lidam com isso, e claro como os colecionadores também trabalham, fazendo com que o filme tivesse elementos luxuosos e bem ornamentados dentro de instalações bem ousadas, cheias de envolvimento e tudo mais, não tendo espaço para falhar nem nos apartamentos, casas, estúdios e tudo mais aonde os protagonistas passassem, sempre colocando as obras do artista morto nas paredes, ou outras obras conceituais bem moldadas, de tal maneira que onde quer que olhássemos víssemos arte espalhada, e além disso, arrumaram algumas casas e apartamentos bem luxuosos para dar valor ao longa, ao exemplo da casa nas montanhas de Rhodora, que é praticamente uma pintura vista do alto, ou seja, a equipe de arte teve certamente muito trabalho para fazer tudo, e principalmente precisou pesquisar muito para que o filme não ficasse falho. Os efeitos especiais nas cenas das mortes, e claro, nas dos movimentos dos quadros ficaram bem trabalhados, criando perspectivas fortes, dinâmicas e bem colocadas, de tal maneira que alguns até nos assustam, mas que certamente poderiam ter ido além.

Enfim, é um longa bem maluco, cheio de boas virtudes, que até consegue ser empolgante e interessante em diversos momentos, porém o estilo escolhido para a trama pedia uma coisa, e o filme foi num vértice completamente diferente, fazendo com que o terror seja forçado, mas a tensão fique tênue demais, o que acaba um matando o outro. Não digo que seja um longa ruim, muito pelo contrário, pois ele consegue prender o espectador na tela, mas talvez um pouco mais de tensão e/ou terror psicológico em cima da trama, traria toda a maluquice que ele já causa, com paranoias e tudo mais, fazendo com o filme ficasse algo de arrepiar o público também, e não apenas os personagens. Ou seja, mesmo com leves defeitos, é um longa que dá para passar um bom tempo, e agrada quem gosta do estilo, que até recomendo para quem estiver com tempo livre pela Netflix. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, agora das estreias dos cinemas, então abraços e até logo mais.

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Ultraje

2/05/2019 12:55:00 AM |

Sempre costumo dizer que o feitio de um documentário pode ser interessante para alguns, mas não encaixar em nada para outros, e ultimamente um estilo que tem me agradado bastante são os que contam um pouco da história de bandas, as quais conhecia algumas canções, mas sequer lembrava da bagunça que fizeram no passado, afinal era muito novo na época do estouro. E com "Ultraje", a pegada do diretor foi tão bem desenvolvida, entrevistando praticamente todos os vários integrantes que já tocaram junto com Roger, os empresários, donos de gravadoras, produtores, mostrando como a ousadia e irreverência da banda foi metódica para criar o momento do rock nos 80, estourando em vendas de discos, programas de TV, rádios, e principalmente lotando shows por onde passassem. Ou seja, conseguiram contar em 92 minutos toda uma história completa de anos, trabalhando bem os medos e motivos pelos quais cada um saiu sem brigas, nem discussões, apenas por achar que seu momento ali acabara, e assim, o resultado da trama foi um longa gostoso de curtir, com bons depoimentos, e claro com muito material de arquivo que impressiona não só pela existência, mas sim por ver como as pessoas eram malucas e faziam loucuras em shows.

A sinopse nos conta que uma das bandas mais reconhecidas do cenário musical brasileiro das últimas décadas, o Ultraje a Rigor invadiu os rádios e TVs na década de 1980. No fim da Ditadura Militar a banda estava por toda parte no dia a dia dos brasileiros. É assim que começa a trajetória do grupo, que tem sua carreira e a vida de seus membros, especialmente o líder, Roger, expostas nesse documentário.

Nem tenho muito o que falar do trabalho que o diretor Marc Dourdin fez em seu documentário, somente parabenizar a quantidade de material que arrumou para montar, pois é bizarro ver imagens ruins (bem ruins mesmo), mostrando a banda divulgando sua música na praia de sunga num show bizarro do Raul Gil, ver pessoas dançando malucas em clubes fechados aonde pareciam possuídos pelo demônio com movimentos bizarros, ver os diversos shows de grande porte como do Rock 'n Rio, e claro todos os diversos depoimentos, tudo numa montagem bem trabalhada, sequencial, com uma pegada jovem cheia de grafismos (no melhor estilo que a banda fez no começo para ser reconhecida, como é dito no começo do longa), ou seja, um documentário completo, que mostrou pontos positivos e negativos da personalidade do líder, não se omitiu de acusações que teve, e assim criando um resultado bem moldado.

Claro, que mesmo sendo um ótimo exemplar, tenho de pontuar um único detalhe que me fez tirar um pouco da nota do longa, o miolo, pois embora o filme comece bem agitado, cheio de muita dinâmica nas apresentações, com depoimentos rápidos e tudo mais, ao passar da metade o filme toma uma trajetória para mostrar uma certa decadência na banda, e desanima também o ritmo da trama, cansando um pouco, para retomar depois o fechamento escolhido com o programa do Danilo. Tudo bem que esse molde seja até bem inteligente para realçar o que aconteceu mesmo com a banda, mas como costumo falar, no cinema, cansar o público, faz com que acabem debandando a atenção para outros rumos, e o resultado não soa como o esperado.

Porém, mesmo com esse leve desgaste no final, certamente recomendo o longa pelo bom desenvolvimento, pelas ótimas e divertidas canções (várias que eu nem conhecia), e claro pelo estilo irreverente do documentário acompanhando a ideologia da banda, e assim, quem estiver disposto vale a pena uma conferida. Bem, é isso pessoal, fico por aqui hoje, encerrando as estreias do cinema, mas volto em breve com algumas estreias do streaming, então abraços e até logo mais.

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Uma Nova Chance (Second Act)

2/04/2019 01:04:00 AM |

Chega a ser até engraçado falar isso, mas se você já viu um filme da Jennifer Lopez, praticamente já viu todos, pois sempre se embasam nos mesmos moldes, mesmos clichês, e até formatos da trama, mudando somente um ou outro detalhe que acaba criando a novidade. Embora isso possa ser visto como um defeito, sabemos ao menos que não iremos nos desapontar com o que é sempre proposto numa comédia romântica, que é rir em muitos momentos e se emocionar em outros, e é exatamente o que "Uma Nova Chance" acaba entregando, mostrando em linhas subliminares o famoso ditado que um diploma pode sobrepor a experiência de anos numa contratação, mas quem souber contratar uma boa pessoa com anos de experiência pode ter um grande sucesso na empresa. Não digo que isso seja o mote principal da trama, pois funciona apenas no começo, virando para o lado tradicional das comédias românticas que é o fato da pessoa mentir sobre algo, e essa mentira virar uma bola de neve imensa, e aqui basicamente essa é a ideia, porém como é de costume, acontecem tantas conexões na trama, que podemos dizer que a vida é uma caixa de coincidências se formos olhar a fundo, mas que ao menos no final conseguiram dar algumas conexões mais moldadas para tudo, embora ainda seja bem impossível de metade dessas coisas acontecerem numa vida real. Ou seja, o longa é cheio de virtudes, mas que assim como a trama é baseada em mostrar que contar mentiras estraga todo tipo de relacionamentos, e se dar uma nova chance só depende de você, poderiam ter mostrado que isso também é uma grande mentira na vida real, mas aí não teríamos um filme.

O longa nos mostra que Maya trabalha numa loja de departamento badalada de Nova York, e está insatisfeita com sua vida profissional. Porém, tudo muda com uma pequena alteração em seu currículo e suas redes sociais. Com sua experiência das ruas, habilidades excepcionais e a ajuda de seus amigos, ela se reinventa e se torna uma executiva de sucesso.

Assim como a protagonista, o diretor Peter Segal não dirigia um longa desde 2015, e aqui ele que é bem conhecido por entregar longas simples bem feitos, conseguiu novamente usar de sua criatividade para que a trama envolvendo uma situação bem casual como uma entrevista de emprego mudasse de rumos através de ajustes nas redes sociais, e usando rapidamente desse mote, a trama muda de ares com um desenvolvimento rumando para família, abandono de crianças, e claro, por usar de uma empresa de cosméticos, a fabricação de cremes 100% naturais, ou seja, uma tremenda salada de temas em um único filme, que basicamente ainda complementa com diversos trejeitos e clichês bem tradicionais do gênero, de modo que a cada ato que ocorre, já sabemos o desenrolar dele bem antes de tudo, e isso é ruim por um lado, mas completamente casual em filmes estilo sessão da tarde, e assim sendo, não digo que o diretor tenha errado na condução escolhida, apenas não quis ousar para chamar a atenção, e entregou algo simples bem feitinho ao menos.

Sobre as interpretações, basicamente Jennifer Lopez entrega sua mulher empoderada tradicional que já vimos em diversos longas seus, aonde começa bem pobre buscando sucesso, e que ao conseguir revela como fez isso de forma não muito usual, ou seja, sua Maya é o retrato de suas outras diversas personagens, mas aqui a faceta de empreendedora/consultora de cosméticos lhe caiu bem, pois como bem sabemos seu nome é usado por diversos produtos, ou seja, ela fez boas caras e bocas tradicionais conseguindo chamar atenção, tendo emoção bem pontuada em diversos atos, entregando algo que já vimos muito, mas que como foi bem trabalhado, acabamos aceitando e gostando. E se a protagonista e o diretor não apareciam em filmes desde 2015, só nessa semana vimos Vanessa Hudgens aparecer duas vezes, a primeira foi na Netflix no começo da semana, mais recatada, e agora sua Zoe veio toda cheia de glamour, com olhares densos e competitivos, mas que soube emocionar também quando precisou, agradando e mostrando que ainda vai conseguir um papel mais chamativo para explodir, pois ainda seu passado de High School Musical permanece. Dentre os demais, cada um teve suas participações bem colocadas, respeitando o protagonismo das personagens e indicando para o rumo mais encaixado, e Leah Remini com sua Joan trabalhou bem os conselhos e demonstrou muita amizade verdadeira para com a protagonista, Treat Williams entregou o empresário bem sucedido, que ama a família, mas que gosta de arrumar confusão também com seu Anderson, Milo Ventimiglia se colocou como par romântico com seu Trey, mas soou bobinho demais, Freddie Stroma tentou ser um vilãozinho barato com seu Rob, mas acabou virando enfeite demais com o fechamento escolhido, e claro tivemos as ótimas comicidades em cima de Charlyne Yi e Alan Aisenberg com seus Ariana e Chase.

No conceito cênico, a trama trabalhou bem diversos elos comerciais, mostrando a grande variedade de produtos de beleza que existem no mercado, mostrou alguns destaques corporativos, ousou brincar com produções químicas, e claro entregou grandes diferenças de mundo entre os grandes executivos e as pessoas comuns, mesmo que essas queiram crescer na vida, tudo acaba sendo limitado, ou seja, tivemos alguns moldes razoavelmente preconceituosos, mas que na realidade acabam acontecendo mesmo, e a equipe artística foi bem coerente ao tentar mostrar tudo isso.

Enfim, é um filme que não vamos sair falando aos quatro cantos que é uma obra prima, que todos precisam sair correndo para conferir, mas que conseguiu trabalhar bem mostrando corporativismo, aonde muitas empresas preferem pessoas mal preparadas, mas que possuam diplomas enfeitados, mostrou também que mentir não é algo bom em lugar algum, mas que em relacionamentos é afundar com toda certeza, e principalmente divertiu o público com boas cenas, ou seja, mesmo abarrotado de clichês, e entregando um filme completamente feito para se ver na Sessão da Tarde, o resultado vai agradar quem for preparado para ver isso, ou seja, se você gosta desse estilo, com certeza sairá bem feliz da sessão, mas caso contrário, fuja, pois a chance de reclamar de tudo é bem alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia da semana nos cinemas, então abraços e até logo mais.

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O Menino Que Queria Ser Rei (The Kid Who Would Be King)

2/03/2019 02:23:00 AM |

Costumo dizer que sempre temos de conferir um filme com quase nenhuma expectativa para que possamos ser surpreendidos com o resultado entregue, e geralmente quando vou preparado para ver um longa que acredito ter um enredo fraco, e que com certeza irei apedrejar, sou agraciado com obras bem desenvolvidas que costuma me agradar bastante, como acabou ocorrendo hoje com "O Menino Que Queria Ser Rei". Digo isso com muita felicidade, pois o longa aparentava ser algo bem bobinho e que não teria muitos vértices para serem explorados, mas pelo contrário, a trama conseguiu colocar em síntese a lenda de Excalibur, sendo desenvolvida para crianças, mas sem necessitar ficar infantil demais, ousando trabalhar boas batalhas, bons sentidos de amizade e outros lemas morais, e ainda encontrar uma boa desenvoltura entre personagens e efeitos computacionais, o que acabou resultando em um filme leve, com uma boa proposta, mas que pode não encantar o público num primeiro momento, pois a falta de atores conhecidos e um trailer levemente fraco, acabou deixando o filme com cara de algo extremamente feito para crianças bem pequenas, o que não é uma verdade. Ou seja, o filme está longe de ser uma obra de arte, é bem corrido para desenvolver tudo, mas que de certa maneira empolga e agrada com uma sentença bem simples, e isso é o que importa.

A trama nos conta que Alex é um garoto que enfrenta problemas no colégio, por sempre defender o amigo Bedders dos valentões Lance e Kaye. Um dia, ao fugir da dupla, ele se esconde em um canteiro de obras abandonado. Lá encontra uma espada encravada em uma pedra, da qual retira com grande facilidade. O que Alex não sabia era que a espada era a lendária Excalibur e que, como seu novo portador, precisa agora enfrentar a meia-irmã do rei Arthur, Morgana, que está prestes a retomar seu poder. Para tanto, ele conta com a ajuda do mago Merlin, transformado em uma versão bem mais jovem.

Depois de dirigir alguns episódios de séries e um filme mais simples em 2011, o diretor Joe Cornish, que é mais conhecido como roteirista de grandes filmes como "Homem Formiga" e "As Aventuras de Tintim", finalmente consegue um longa de grande orçamento para desenvolver como seu, afinal aqui o roteiro também é dele, e com isso ele foi bem cauteloso para que os efeitos não ficassem tão falsos, e que com o conteúdo de sua história ele conseguisse trabalhar bem todos os atos para que nada ficasse falso demais, ou bobo ao ponto do público desejar nunca ter visto o filme. E dessa maneira, ele conseguiu criar um estilo de filme daqueles que comumente vemos em exibição na TV em qualquer horário, pois tanto os mais jovens, quanto os mais velhos irão se divertir com a forma conduzida para mostrar algo que já vimos de diversas formas, mas que sempre procuram mostrar os atos da mesma maneira, e aqui ao jogar para um vértice mais infantil, com crianças conduzindo a espada, diversos alunos lutando para salvar o mundo (ou no caso a Bretanha como é dito no longa), com cavaleiros de fogo lutando com muito impacto (contra o que seria comum de personagens mais bobinhos brigando com as crianças), e assim o resultado que conseguiu trabalhar ficou até mais considerável que algumas outras refilmagens que a história já teve, ou seja, mesmo vindo com uma história nada original, essa versão soou ligeiramente mais bem colocada dentro da proposta, e conseguiu empolgar bastante com um grupo levemente fraco de expressões, mas bem determinado a entregar um longa divertido ao menos.

Talvez um dos maiores problemas do longa fique a cargo do elenco jovem e inexperiente demais, pois todos aparentaram estar perdidos em cena, e sem muita expressividade em diversos momentos, principalmente nas cenas em que dialogam entre si, porém nas cenas que estiveram com as computações gráficas souberam encaixar bem os olhares para não falharem como a maioria costuma falhar, ou seja, poderiam ter trabalhado mais eles, ou escolhido atores de maior renome para que o filme pudesse vender melhor, mas aí certamente o orçamento incharia demais, e essa não era a meta do longa. O filho do grande mestre da captura de movimentos Andy Serkis, Louis Ashbourne Serkis conseguiu empunhar bem a espada, e também seus diálogos, de modo que seu Alex foi ao menos bem determinado na maioria das cenas, criando situações, correndo bastante, e tentando ser expressivo, porém ainda é novo demais, e não conseguiu entregar diferentes estilos de trejeitos, parecendo estar apavorado durante todo o longa. Dean Chaumot foi bem companheiro com seu Bedders, entregando momentos até graciosos e emotivos demais para com o protagonista, agradando por ser divertido e bem dinâmico na maioria das cenas, mas como secundário se perdeu um pouco. Tom Taylor e Rhianna Dorris foram determinados a serem os famosos antagonistas do longa, fazendo diversos carões e sendo imponentes nas desenvolturas de seus Lance e Kaye, porém quando mudam de lado ficaram jogados demais, o que pareceu não ser bem explicado para os jovens, e isso acabou soando como uma leve falha, mas nada que atrapalhasse felizmente o resultado final. Acostumamos tanto a ver Patrick Stewart careca, que aqui com seu Merlim cabeludo ficamos até olhando bem para saber que é ele, ainda mais por aparecer bem pouco na trama com sua versão, afinal na maior parte do longa temos a sua versão jovem, muito bem interpretada por Augus Imrie cheio de trejeitos, movimentos com as mãos, e soando divertido, mas sem ser bobo demais, trabalhando muito bem com eloquência. A vilã da trama, Morgana, foi bem conduzida por uma Rebecca Ferguson completamente irreconhecível por trás de tanta maquiagem, e a atriz tentou ser impactante nos seus diálogos para sobrepor o bicho estranho que acaba virando, entregando algo até bem interessante.

A direção de arte foi bem efetiva tanto no desenvolvimento da escola quanto nos momentos alegóricos aonde os personagens vão em busca de respostas, criando muitos momentos cheios de personagens computacionais, mas que foram tão bem desenvolvidos ao redor do mundo moderno, que passamos a olhar cada elemento com detalhe, então desde os cavaleiros mortos com suas espadas de fogo, os ambientes cheios de precisão ao anoitecer, e claro as espadas, principalmente Excalibur com sensor de presença inimiga (rsss foi modernizada também!), além claro da ideia bem interessante de que quando a noite desce, quem não foi tocado pela espada some, fez da trama algo bem preciso e resultou em uma arte incrível de ser vista. Como boa parte das cenas ocorrem a noite, a equipe teve de trabalhar bem as sombras dos personagens, com as iluminações de fogo dos cavaleiros, mas sempre dosando bem o tom ao redor, criando algo simples, porém bem feito.

Enfim, é um filme simples, leve, bem recheado de lições morais, mas que consegue envolver tanto os pequenos quanto os adultos, mostrando que adaptar tramas fortes com uma pegada infantil pode ser um novo mote no cinema americano, pois funciona, e como disse no começo, por ter ido sem expectativa alguma para a trama, o longa acabou me surpreendendo bem positivamente. Dessa forma recomendo o filme para todos, pois com certeza irão rir, se divertir e emocionar, claro que com devidas proporções, pois temos muitos exageros e cenas desconexas, mas qual filme não tem, não é mesmo? Bem é isso, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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