A Voz do Silêncio

12/11/2018 10:06:00 PM |

Já vimos diversos longas que entregam o amor por São Paulo, outros mostram problemas da cidade, alguns pontuam bairros, e já tivemos até alguns que procuraram trabalhar a personalidade dos moradores, e claro, já tivemos inúmeras novelas desenvolvendo a vida na capital do estado, e certamente por isso, acredito que esperava algo além disso em "A Voz Do Silêncio", que trabalha bem sete personagens comuns, que possuem uma certa interligação, alguns são parentes, outros vizinhos, e por aí vai, de maneira tão orquestrada com pontuações tão semelhantes às novelas, que embora não seja cansativo e os 98 minutos passem até rápidos, não vemos nada além do tradicional e costumeiro da vida de sete pessoas em busca de alguma satisfação pessoal, almejando algo a mais, e vivendo, tendo um conflito ou outro dentro do seu pequeno mundinho em meio a algo imenso que é a cidade, mas nada que tenha uma vivência desenvolvida para criarmos um mote realmente. E sendo assim, fica parecendo que o longa não aconteceu, ou que você perdeu algo na essência que o diretor desejava passar, de tal maneira que só posso dizer, que vi um ajuntado de situações, com um ar esteticamente bonito, e nada mais.

A sinopse nos conta que o passar dos anos é impiedoso para todos. No filme, sete personagens aparentemente comuns conduzem suas vidas buscando, cada um, aquilo que acredita lhe trazer satisfação pessoal. Mas, mesmo com vidas distintas e distantes, eles se aproximam pela maneira como orientam suas existências com base em preocupações mundanas.

O diretor André Ristum tem um estilo próprio de trabalhar a personalidade de seus personagens, valorizando a apresentação e desenvolvendo cada um para mostrar seu potencial, o que certamente já vimos acontecer em muitas novelas, e aqui ele ficou desenvolvendo, desenvolveu mais um pouco, e esqueceu que precisava mostrar uma história realmente, de modo que apenas conhecemos cada um, vemos os seus problemas, eles se trombam no final com seus fechamentos do dia, e pronto fim do filme, aonde a voz entrou? Aonde o silêncio predominou? O que a cidade tem de conflitivo além do que já conhecemos, que os personagens não nos entregaram? Diria que nem responder isso o longa pode, ou seja, longe do silêncio, o que o filme nos entrega é um vazio imenso, e o resultado apenas é bonito de ver pela boa montagem, algumas leves mensagens bacanas dos atores argentinos, e nada mais.

Das atuações é mais bacana olhar para as essências dos personagens, do que para cada ator conhecido ou não que acaba entregando com simplicidade, bons olhares, e principalmente coesão para o que cada um acaba fazendo, de modo que vemos a velhinha bem interpretada por Marieta Severo, com problemas de memória que botou o filho doente para correr, mas ainda vive achando que ele está viajando por países chiques pelos postais que envia. Vemos o mesmo rapaz como um atendente de ligações de reclamações, e vivendo num cubículo, mas desejando voltar a ter a vida entre amigos, também bem colocado por Arlindo Gomes. Temos a stripper que faz o serviço apenas para manter o apartamento da mãe que já não pode mais trabalhar, e sem a ajuda do irmão sumido deixa de ser cantora argentina que é sua grande paixão, mas floreia ainda sua ânsia as vezes, feita de maneira coesa por Stephanie de Jongh. Temos o cobrador durão que está com a mulher internada e vive sonhando com ela boa vivido por Marat Descartes. Temos a filha argentina que tenta vender imóveis para pagar as dívidas e a escola do filho, mas que praticamente abandona o pai já no fim da vida, que precisa da ajuda do porteiro do prédio que sofre para trabalhar em dois empregos para conseguir pagar uma faculdade, vividos muito bem em conjunto pelos argentinos Marina Glezer e Ricardo Merkin, o jovem Enzo Barone e Claudio Jaborandy. Ou seja, atores que entregaram bem mais do que personagens, mas tiveram atos bem trabalhados nos seus grupos, sendo desenvolvidos sem ter realmente uma história, mas que envolvem ao menos.

No conceito visual, a trama entregou momentos singelos que costumeiramente não vemos só na capital (claro tirando o trânsito monstruoso), mas empresas de telefonia com suas baias, restaurantes com funcionários sendo maltratados, cobradores passeando e abusando de seus devedores, velhinhos esquecidos em casas cheias de memórias, e boates de quinta categoria (tirando o fato de uma criança poder entrar acompanhada do avô!!), e até uma rádio clássica pop bem moldada, ou seja, a equipe de arte foi elaborada para não ir muito a fundo, mas entregou algo bem feito ao menos. A fotografia nos brindou com cenas bem desenvolvidas de tons, mas mantendo o cinza clássico da capital envolvendo sempre tudo e todos, tendo leves cores vermelhas de contra, com iluminações pontuais para realçar os personagens, ou seja, o clássico bem feito.

Enfim, não diria que é algo completamente ruim, pois a essência desenvolvida é interessante, mas faltou um pouco mais de coesão, de conflitos, e principalmente de uma história maior para ser entregue, pois como costumo dizer, uma colcha de retalhos não esquenta se os retalhos não tiverem bem costurados, e sendo assim, o filme ficou vazio de impacto como cinema realmente, tentando levemente dar existência para a solidão dentro de uma cidade cheia de pessoas, mas nada que se atreva a dizer isso realmente, e dessa forma, não tenho como recomendar ele para ser visto numa sala grandiosa como um bom filme. Bem é isso pessoal, encerro "finalmente" essa semana bem gigante de estreias, mas amanhã já começo outra nova com uma pré-estreia, então abraços e até logo mais.

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A Mata Negra

12/11/2018 01:07:00 AM |

Chega a ser até engraçado ouvir o burburinho de outros espectadores na sessão de "A Mata Negra", pois quem entra numa sessão de um filme de Rodrigo Aragão sem saber o que irá ver, certamente irá estranhar muito, achar loucura completa, e claro reclamar de tudo, pois basicamente Rodrigo é o sucessor de Zé do Caixão no estilo de terror nacional violento envolvendo magia negra, personagens folclóricos, e tudo mais, com a diferença que Zé protagonizava seus filmes, já Rodrigo prefere ficar atrás das câmeras. Dito isso, seu novo filme é tudo que já vimos antes em seus outros filmes, mas sempre melhorando no conceito de efeitos, de locações mais misteriosas, e claro colocando coisas mais insanas de terror no miolo, de modo que até dá para ficar com medo em alguns momentos, mas a maioria de coisas bizarras sempre faz rir mais do que assusta. Ou seja, é um longa com qualidade pela alta violência, mortes, mensagens profanas proferidas, e tudo mais, mas é um estilo que nem todos os amantes de terror gostam, e sendo assim, muitos mais fugirão do longa do que irão desejar conferir.

A sinopse nos conta que numa floresta do interior do Brasil, uma garota vê sua vida – e a de todos ao seu redor – mudar terrivelmente quando encontra o Livro Perdido de Cipriano, cuja Magia Sombria, além de outorgar poder e riqueza a quem o possui, é capaz de libertar uma terrível maldição sobre a terra.

De certa forma o diretor Rodrigo Aragão mostra em seu filme que tem um estilo próprio, e que gosta de ousar nas situações para que as boas maquiagens e efeitos visuais realísticos forcem o público ao terror, claro sempre no melhor estilo gore possível, e aqui ele entrega uma história mais interiorana ainda, com uma pegada folclórica bem colocada, aonde trabalhou os personagens para suas crenças nos demônios profanados pelo livro de Cipriano, que é o mais conhecido livro de magia negra nacional (ao menos entre os mais leigos nesse quesito como eu sou - talvez até tenha algum mais forte, mas nem quero saber!!), e usando de recursos até clichês de personagens surgindo do nada para assustar, muito sangue para todo o lado, matanças, religiosidades, e tudo o que se possa imaginar acabou virando um resultado bacana. Claro, que volto a questionar que temos coisas insanas e estranhas no miolo que podem deixar quem não conhece o estilo espantado de uma forma ruim, o que não é bom para um longa, mas ao menos o bizarro foi preparado para funcionar dentro da proposta.

Um dos maiores problemas do longa está no quesito das atuações, pois é sofrível a maioria das interpretações dos atores velhos, novos e até alguns amadores que optaram para dar um tom mais rural para a trama, que isso poderia até ser interessante de ver num filme mais amador, mas num conceito profissional chega a soar até estranho demais de conferir. A protagonista e filha do diretor, Carol Aragão até conseguiu conduzir bem a trama, entregando dinâmicas coesas, mas parecia estar aflita demais com a maioria das cenas, de modo que sua Clara poderia ter trabalhado alguns vértices menos forçados, mas longe do pior, ao menos a jovem fez bem as cenas que precisava criando suspense e até trabalhando alguns olhares de desespero, porém bem longe do ideal. Quanto aos demais, a maioria se encaixa em determinado ato, uns com mais empenho, outros atrapalhando menos, mas o grande destaque cômico ficou a cargo do conhecido ator Jackson Antunes, que fez um pastor muito forçado, e poderia ter ido com rumos menos caricatos para que funcionasse sem apelação, e embora tenha sido mais coeso no seu segundo ato, o resultado completo ainda ficou estranho para o seu lado.

Agora sem dúvida a melhor parte do longa fica a cargo da cenografia e da direção de arte, que já por costume costumam ser bem trabalhadas nos filmes de Aragão, e aqui a equipe trabalhou muito bem com maquiagens para criar os monstros que aparecem, gastaram uma grande quantidade de sangue cenográfico, e com uma mata bem fechada e cheia de locações estranhas como a casa da protagonista, do criador de galinhas e até mesmo os buracos no chão acabaram por criar um vértice bem elaborado cheio de detalhes para funcionar a trama, só o cabaré que ficou deveras amador, mas isso é apenas um detalhe. A fotografia soube encontrar o meio termo para não ficar escuro demais, e nem exagerado com luzes falsas, optando bastante por fogueiras e velas, que deram um charme nos tons da trama.

Enfim, é um longa com muitos problemas, mas que diverte e assusta ao menos, e isso é o mais funcional dentro da proposta a que o longa foi entregue, mas confesso que senti a falta de um teor mais pesado na história, e claro melhores atuações para que o filme não ficasse tanto com uma cara de amador, como víamos na época da faculdade, mas fica a dica para quem quiser ver um terror nacional com um vértice diferenciado nas crendices interioranas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Encantado em 3D (Charming)

12/10/2018 12:44:00 AM |

É engraçado como algumas animações pegam elementos livremente de outras, trazem para si, e desenvolvem um roteiro completo em cima de tudo, e aqui com "Encantado" tivemos livres inspirações para Cinderela, Bela Adormecida e Branca de Neve, para que apenas ficassem em segundo plano para contar a história do Príncipe Encantado, e com leves devaneios criativos, o resultado até é interessante da história, mas trabalhando elementos bem previsíveis, e sem muita emoção, tivemos um filme morno de encantos realmente, além de que ousaram colocar boas canções para contar alguns momentos (o que é casualmente tradicional em animações), mas na dublagem arrumaram garotas que falharam consideravelmente na afinação por traduzirem algumas palavras meio que sem rimas, e chega a doer os ouvidos em diversos momentos, de modo que se alguém levar para Demi Lovato, Sia, Avril Lavigne, entre outras que dublam o original para ouvir a versão nacional é capaz que elas saiam correndo, pois ficou bem ruim o resultado musical. Ou seja, é um filme que as crianças mais novinhas até vão gostar, mas que quem puder, tente ver a versão original, que mesmo sem conferir ela, tenho certeza absoluta que estará melhor.

A sinopse nos conta que quando criança, o príncipe Felipe Encantado foi alvo da bruxa Morgana, que aplicou nele um feitiço que faz com que todas as mulheres por ele se apaixonem assim que o vêem. Com isso, ele não apenas salva como se torna noivo de três princesas em apuros: Branca de Neve, Cinderela e a Bela Adormecida. O feitiço apenas será quebrado quando o príncipe encontrar o amor verdadeiro, algo bastante difícil diante de tamanha adoração. Precisando cumprir um desafio em três etapas, ele encontra apoio na ladra Leonora Quinonez, que está imune ao seu galanteio e se traveste de homem para ajudá-lo.

Não posso dizer que a direção de Ross Venokur em cima de uma ideia até que inovadora pelo ponto de colocar um personagem que sempre apareceu em quase todas as histórias infantis ter agora o seu protagonismo, mas ele pecou principalmente em exagerar de um formato exageradamente tradicional, indo para o lado de regras para se tornar algo, com desafios e tudo mais, enquanto poderia ter criado algo mais desenvolvido dentro da história, mas tirando isso, e a alta previsibilidade, que desde o trailer já era notável com quem o protagonista ficaria, o resultado soa até interessante e agrada de certa forma.

Como os personagens não são do estúdio, tiveram de dar umas modificadas nos desenhos das princesas, mas nada que assustasse afinal com animação é bem tranquilo deixar os traços diferentes sem exagerar, mas nos personagens secundários o resultado foi algo bem estranho de ver como no pai da Bela Adormecida, na fada madrinha da Cinderela e no anão estranho da Branca de Neve, mas como as três já eram personagens secundárias, apenas tendo seu momento de abertura inicial mais envolvente, até ficamos tranquilos em relação a isso. Agora falando dos protagonistas, deram até um tom interessante para a ladra Leonora Quinonez, com muita astúcia, força e desenvolvimento colocando o girl power na moda (embora o papel de uma ladra seja algo meio fora de eixo para crianças!), e aqui o maior erro foi na escolha da voz de Larissa Manoela para a versão nacional, pois a personagem pedia uma voz mais encorpada que emocionasse, e principalmente nas canções acabou destoando demais, ou seja, poderiam ter melhorado isso facilmente com uma dubladora profissional. Quanto do protagonista, diria que Felipe Encantado é meio pastelão e bobo, mas que conseguiu caber perfeitamente dentro da proposta da trama, mas também não acredito que a voz de Leonardo Cidade tenha sido a melhor escolha, pois talvez uma voz mais grossa caísse melhor.

Quanto da modelagem dos personagens e dos ambientes diria que foram simples até demais, e que poderiam ter ousado um pouco mais para que os personagens tivessem uma tridimensionalidade, pois em momento algum tivemos sequer um efeito 3D para estarmos usando os óculos, e nem profundidade cênica para que o longa tivesse um formato mais real foi pensado, ou seja, quem for conferir o longa economize e vá em 2D, pois não irá perder nada. Das cenas mais coloridas e divertidas pelo cenário vale a pena destacar a tribo de mulheres gigantes, pois ali foi notado um trabalho diferenciado ao menos no conceito, mas a cena é tão rápida que nem temos muito o que falar.

O longa possui muitas canções na essência, principalmente por originalmente ser interpretado por cantoras, mas que na versão nacional ficaram fora de base, cheias de gritos e desafinações, o que incomoda demais, mas no final dos créditos ao menos pude escutar a versão de Trophy Boy e achei gostosinha de ouvir.

Enfim, é uma animação simples demais se almejava atingir um público infantil maior, pois a história vai fazer bom grado somente para os bem pequenos, e até mais para o público feminino, pois os garotinhos que estavam na sessão acabaram levantando e ficando passeando pela sala, pois não tem nada que os prenda, e sendo assim, recomendo ele somente para garotinhas bem pequenas que vão se divertir com as maluquices das princesas, e nada mais. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Em Chamas (Buh-Ning) (Burning)

12/09/2018 06:58:00 PM |

Sabe quando você termina um livro ou um filme, e se questiona se o que viu ou leu foi satisfatório para o que você esperava dele? Diria que mesmo sem saber praticamente nada fora a sinopse do longa "Em Chamas" tinha uma ideia de que ele conseguiria me prender mais, e no final até fiquei bem interessado pela proposta, entrei em dúvida das várias possibilidades, mas certamente não passou nem perto da tensão que poderia ocorrer, mas é o estilo coreano de cinema, que segura demais tudo, procura criar relações e nem sempre chega aonde propôs. E dessa forma, diria que o filme ficou denso, mas sem uma criatividade finalizada, deixando no ar demais tudo, o que não é bacana, ao menos ao meu ver.

A sinopse nos conta que durante um dia normal de trabalho como entregador, Jong-soo reencontra Hae-mi, uma antiga amiga que vivia no mesmo bairro que ele. A jovem está com uma viagem marcada para o exterior e pede para Jong-soo cuidar de seu gato de estimação enquanto está longe. Hae-mi volta para casa na companhia de Ben, um jovem misterioso que conheceu na África. No entanto, o forasteiro tem um hobby peculiar, que está prestes a ser revelado aos amigos.

A direção de Chang-dong Lee em cima do conto de Harumi Murakami é bem imponente, e joga muito com o benefício da dúvida em cima de todas as situações, de modo que ficamos sempre presos dentro dos diversos contextos, criando situações em nossa mente sobre quem seria o amigo, para onde foi a jovem, se tudo não foi o pensamento criativo do jovem escritor, e por aí vai, de modo que a essência da trama acaba sendo condizente e bem densa, porém como costumo dizer, sou do time que prefere que o diretor entregue sua idéia, e não aqueles que nos deixam livres demais para pensar, e sendo assim, o resultado final aqui acabou me desapontando, pois ele poderia fechar com algo a mais se dissesse sua opinião fechada.

Dentro das atuações, também faltou personalidade para sentirmos mais os atores dentro dos seus personagens, de modo que o protagonista é insosso demais para acreditarmos e nos envolvemos com ele, de forma que Yoo Ah-In nos entrega um Jong-soo com ideias demais e atitudes de menos, de tal maneira que seu fechamento é irreal com o que fez o filme inteiro, e isso soou até estranho de ver. Por outro lado, Steven Yeun, que é mais conhecido pelo seu papel em "The Walking Dead" nos entregou um Ben forte de expressividade e que nos causa diversos pensamentos com suas falas e atitudes, de maneira a ficarmos também esperando algo a mais dele no final. Jeon Jong-seo veio extremamente falante e cheia de atitudes com sua Hae-mi, mas trabalha suas virtudes de forma desenfreada para na sequência sumir, e isso soou um pouco estranho, embora funcional para com a ideia do longa, mas poderiam ter exigido um pouco mais dela. Quanto aos demais, a maioria apenas surge na tela, não indo muito a fundo, nem se desenvolvendo com os demais protagonistas.

Dentro do conceito artístico o filme possui um certo lirismo belo de ser visto, trabalhando o campo, a economia coreana com personagens bem pobres morando em casas minúsculas e/ou em completo abandono no campo, enquanto o outro possui algo riquíssimo cheio de detalhes, muitos elementos simbólicos para realçar as chamas de um crime iminente a qualquer momento, e claro os campos abertos para planos fotográficos bem moldados para termos um charme incrível em duas ótimas cenas.

Enfim, é um filme que diria interessante de proposta, mas que a falta de posicionamento do diretor em deixar o campo aberto demais para nossas interpretações, além de um alongado primeiro ato de apresentações, resultou em algo mais cansativo do que brilhante, e sendo assim, só o recomendo para aqueles que realmente gostam do cinema coreano de suspense, pois o estranhamento cênico pode não chegar a lugar algum se a mente do espectador não estiver preparada para ser criativo ao ponto que desejavam para a trama. Bem é isso pessoal, com esse longa encerro a Itinerância da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, mas ainda tenho muitos longas para conferir nessa semana, então abraços e até logo mais.

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O Chamado do Mal (Malicious)

12/09/2018 01:53:00 AM |

Alguns longas de terror são muito bem feitos, saímos impressionados da sessão, e alguns até nos causam medo de algo para ficarmos pensando após a sessão, mas certamente aparecem umas bombas que ficamos pensando o que será que tentaram fazer aqui, pois nada ocorre para assustar, e as tentativas que ocorrem soam tão falsas que sequer damos leves pulos na poltrona, e o trailer do filme "O Chamado Do Mal" vinha trazendo uma certa tensão, colocava nos letreiros ser dos mesmos produtores de grandes filmes do gênero, mas entregou algo tão cheio de clichês e situações que já vimos em outros filmes, que o resultado soa até depressivo na tentativa de causar algo no público. E se a produção cênica até foi razoavelmente bem elaborada, a história em si, e a tentativa de criar situação para uma continuação foi deplorável de ruim, ou seja, o típico filme que nem na TV vale a pena perder tempo.

A sinopse nos conta que quando Adam aceita um emprego como professor universitário, ele e sua esposa grávida, Lisa, se mudam para um novo lar nos arredores da cidade. Tudo parece perfeito, até que Lisa sofre um aborto em circunstâncias misteriosas. ​Agora, ​ela se vê assombrada por uma entidade maligna que começa a atormentar sua vida, fazendo-a questionar sua sanidade. Lisa terá que lutar contra a razão para encontrar respostas e descobrir o que aconteceu com seu bebê.

Diria que foi muita preguiça do diretor e roteirista Michael Winnick entregar um longa de terror com elementos tão simples na essência, que tudo na trama tinha possibilidades de assustar, ou ao menos causar um certo estranhamento em cima das criações, com gravidez, aborto, e tudo mais, mas acabou indo para rumos tão simples que não vimos possibilidade de assustar em quase nada, tirando raros momentos como as cenas mais quentes com o protagonista e os fantasmas, mas já vimos fantasmas mais maléficos em muitos outros filmes, de modo que aqui o que foi colocado é quase uma tentativa singela de fazer um longa realmente feito para grávidas que gostam de terror assistir, e nada mais, tendo falhas para todos os lados que olhássemos.

Logo de cara já vemos o tipo de filme que temos de terror ao colocar um jovem bombado sem camisa em cena (fiquei me perguntando se estava vendo "Crepúsculo" ou algum longa de terror realmente!), mas esse foi apenas o começo para altas bizarrices expressivas, pois mesmo Josh Stewart com seu Adam aparentou estar fora de si em diversas cenas, fazendo caras e bocas como um professor de Matemática nunca faria em aula, depois em casa entregou sensações sexuais bem estranhas, e tudo foi uma mistura de olhares e caras feias que não eram comuns nem para filmes de paródia, quanto mais para um longa de terror realmente. Bojana Novakovic até tentou dar um ar desesperador para sua Lisa, porém a atriz não teve muito tempo para entregar uma personalidade coesa, e já vai ficando simples na segunda situação mais tensa, mas ao menos se entregou com olhares mais fortes e apavorados. Delroy Lindo veio com o ar de piada com o cego Dr. Clark, pois ao tentar fazer algo semelhante à de Elise em "Sobrenatural", o ator ficou cômico e nem participou tanto das cenas tensas do filme, tendo um a dois bons momentos e de resto ficou mais engraçado do que funcional para a trama. Melissa Bologña seria uma das atrizes que funcionaria na trama com sua Becky, por ser alguém de essência mais voltada para as coisas paranormais, mas na hora que dá uma leve esquentada, já tiram a pobre para escanteio, deixando ela para um segundo filme, e isso foi um erro tremendo.

No conceito artístico, escolheram bem uma mansão imensa de detalhes, com quadros que mudam de personalidade, bons elementos alegóricos infantis, e maquiagens até interessantes para as fantasmas, mas nada que impressionasse realmente, além de que as cenas fora da casa foram mais interessantes de ver do que as lá dentro (claro tirando a icônica cena no banheiro com o protagonista!), e sendo assim, podemos dizer que a equipe de arte gastou tudo o que podia para locar a mansão, e esqueceu que precisava de mais elementos de efeitos especiais para causar um terror ao menos razoável, e dessa forma o filme acabou enfeitado demais para agradar. A fotografia nem brincou muito com as cenas escuras, tendo alguns momentos com pouca iluminação, mas usando muito do artificial lateral, de modo que nem os candelabros de fora colocaram velas reais, e isso é uma falha monstruosa.

Enfim, é um filme mais estranho do que interessante, e como temos vistos longas tão bons de terror, virem com algo desse naipe é digno de risadas e boicote, então de forma alguma recomendo o longa para ninguém, nem para ver em casa servindo, ou seja, fraco demais. Sendo assim, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Todas As Canções de Amor

12/08/2018 09:35:00 PM |

Acho bacana quando uma produção consegue entregar a essência romântica que foi proposta no roteiro brincando com canções icônicas nacionais e internacionais de diferentes épocas, e aqui em "Todas As Canções de Amor" a vida dos dois casais funciona perfeitamente encaixadas no mixtape encontrado para dizer até mais do que os próprios diálogos em si. Porém longe do filme ficar artificial e dependente apenas das músicas, a diretora soube ser precisa no que pediu para os quatro artistas entregarem com primor expressivo, e assim agradar numa trama bem docinha envolvendo de um lado um casal recém-casado e do outro um já nos momentos mais críticos, ou seja, uma história gostosa de acompanhar mesmo sendo bem simples.

A sinopse nos conta que Chico e Ana se mudam para um novo apartamento em São Paulo. Enquanto arrumam as coisas, ela acha uma fita K7 e decide escutar. Trata-se de uma mixtape que Clarisse fez 20 anos antes para seu marido, Daniel. Os dois casais, apesar de distanciados pelo tempo, têm muito em comum.

Em seu primeiro longa metragem, a diretora Joana Mariani foi singela nas ações, mas encontrou tanto musicalmente, quanto através de bons ângulos o modus operandi de uma boa trama romântica, pois acabamos nos envolvendo com cada ato, em que vamos conhecendo mais da personalidade do casal do passado na mesma ânsia que a escritora deseja falar sobre eles através da fita encontrada, e sabiamente escolheram canções que dizem muito em suas letras, de modo que tudo foi contado ali sonoramente, e sendo coerente com as sensações que as canções foram transmitindo, souberam dosar as emoções dos atores para que o áudio tivesse vida, ou seja, uma real produção audiovisual incrivelmente bem feita.

Diria que as atuações nem seriam necessárias na trama, podendo ser até animações de palitinho com as boas músicas escolhidas, mas os dois casais souberam entregar boas cenas expressivas e acabaram agradando bastante no que fizeram, de modo que Marina Ruy Barbosa colocou sua Ana como alguém desesperada para saber da vida alheia através do tape, criando como uma boa escritora a história do outro casal, e a jovem entregou bons olhares, devaneios coerentes e agradou muito em tudo o que fez. Bruno Gagliasso foi bem colocado como Chico, pois soube ser simpático e experiente com a sua amada, trabalhando bem o sentimento de casal novo. Luiza Mariani deu um show como Clarisse, trazendo personalidade, cantando bastante, e incrivelmente dando de uma forma excessiva que a personagem pedia, um ar forte e bem trabalhado. E para fecha tivemos o sempre bom Julio Andrade com seu Daniel cheio de trejeitos intrínsecos bem desenvolvidos para realçar tanto a vida do casal com problemas, como a de cantor romântico de barzinhos, ou seja, bem interessante de ver também.

No conceito artístico, o longa praticamente todo tem o charme do apartamento sendo desconstruído com o fim de um casamento, e moldado pelo outro nascendo, ainda com plástico bolha e tudo mais, além de cenas bem interessantes de mudança dos casais na rua, com passagens bem sacadas em que tudo se encontra maravilhosamente. Além disso o clássico toca discos antigo moldando os ares de fita das duas épocas, passando no tempo antigo algumas chamadas da TV da época bem colocadas. A fotografia brincou com luzes de contra envolvendo os personagens e dando um clima bem doce para a trama.

Como costumeiramente acontece em longas nacionais, temos um filme musical, com uma trilha sensacional, que faz parte completamente da trama, mas não liberam as canções para o público em lugar algum, ou seja, só quem for conferir irá poder ouvir as ótimas escolhas que Maria Gadú fez como diretora musical do longa.

Enfim, um longa bem trabalhado, envolvente e que consegue transmitir sentimentos principalmente pela boa trilha, então com certeza vale a recomendação para casais e também para quem gosta de bons filmes românticos, com um tom clássico agradável. E sendo assim fica a dica para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou para mais um longa, então abraços e até logo mais.

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A Árvore dos Frutos Selvagens (Ahlat Agaci) (The Wild Pear Tree)

12/08/2018 07:06:00 PM |

Em determinado momento do filme "A Árvore Dos Frutos Selvagens" um personagem diz para o protagonista que ele não aceita perder uma discussão, querendo ter sempre a última palavra, e basicamente de uma forma literária bem cansativa a trama do longa se encaixa bem em cima de diálogos e mais diálogos, aonde o protagonista argumenta sua visão de escritor em cima do relacionamento familiar com a mãe, com o pai, com a religião, com outros escritores, amigos e tudo mais, trabalhando de uma forma bem extrema tudo para seu lado em caminhadas discursivas longuíssima, que não tem como não se cansar, de modo que os 188 minutos da trama parecem intermináveis, e sendo assim até posso dizer que nem sei se o que entendi do filme é o que o diretor tentou entregar, mas de uma coisa eu sei, se ver novamente o nome desse diretor em algum filme, irei pensar 3x antes de conferir, e recomendar para alguém, pois somente a palavra porre define o resultado entregue aqui

A trama nos conta que Sinan é um jovem apaixonado por literatura que sempre sonhou em se tornar um grande escritor. Ao retornar para o vilarejo em que nasceu, ele faz de tudo para conseguir juntar dinheiro e investir na sua primeira publicação. O problema é que seu pai deixou uma dívida que atrapalhará os seus planos.

Confesso que quando li a sinopse esperava ver algo completamente diferente do que o que o diretor Nuri Bilge Ceylan acabou entregando, pois até esperava dramas familiares envolvendo dívidas, algumas elucidações literárias pelo jovem almejar ser escritor, e tudo mais, mas virar algo reflexivo abarrotado de diálogos cansativos nem sequer passou em minha mente, e além disso, ele acaba entregando tudo com um vértice tão alongado que acabamos nem conseguindo entrar no meio da discussão para refletir sobre ela, que logo em seguida o protagonista já entra em outra alongadíssima e por ai vai, sendo mais ou menos umas 6 a 7 discussões alongadas durante toda a duração do filme, sem pausas ou distrações para ter um alívio, e junto disso uma trilha lenta que ajuda a dar mais sono ainda, ou seja, uma falha em cima da outra.

Sobre as atuações, Doğu Demirkol acaba entregando um Sinan exageradamente reflexivo, daqueles personagens que parecem ter um vértice existencial maior do que o próprio filme em si, e dessa forma tudo o que faz é chato de ver, embora em algumas discussões ele tenha desenvolvido um sarcasmo bem coerente e agrade rapidamente nesses elos, mas ainda poderia ter sido mais impactante para chamar a responsabilidade para si em muitos momentos de pausas cênicas. Murat Cemcir entregou o pai do jovem, Idris, de uma maneira interessante que até valeria um desenvolvimento maior, como o que ocorre na última cena do filme, mostrando o famoso ditado de se chegar ao fundo do poço, mas seu personagem fica muito abaixo do protagonista, e isso faz com que o ator fique as margens de julgamentos apenas, o que foi muito errado, pois se apoiassem nele, a trama certamente teria outra forma bem mais interessante. A jovem Hazar Ergüçlü como Hatice só serviu para demonstrar um lado machista da trama para colocar o ditado casual de que a mulher só serve para casar e ficar em casa, e ela não floreou seus diálogos para mudar isso, ficando apenas de enfeite na trama e nada mais. Serkan Keskin quase saiu na mão com o protagonista na discussão de seu Süleyman sobre a forma de escrita comercial, é o que é ser um grande escritor, e suas cenas foram impactantes pela dialética exagerada vertendo tudo para o impacto, ou seja, o ator ficou pouco top na tela, mas causou ao menos. Quanto aos demais, diria que apenas discutiram com o protagonista, alguns tendo mais tempo, como os pastores, outros menos como a irmã, mas sempre qualquer personagem que aparecia na tela era para o protagonista colocar seu ponto de vista a frente e ganhar a discussão, ou seja, ele foi o chato da vez com todos, não deixando que se desenvolvessem.

No conceito artístico, as paisagens turcas deram um tom bem bonito para o longa, com casas simples, mas com bons elementos para representar o fracasso da família em si, mas como o filme foca mais nas andanças do jovem, a paisagem na natureza com iluminações bem amplas tanto no verão, quanto nas demais estações que o longa se passa acabaram retratadas com um brilho bem coerente para divagar e refletir, caso o filme desse esse espaço.

Enfim, poucas vezes falei isso aqui, mas o resultado da trama foi algo muito chato de acompanhar, cansativo ao extremo, e que não tenho nem como recomendar para ninguém nada do que foi entregue, pois seria ironia de minha parte dizer que qualquer momento foi ao menos funcional. Claro que alguns podem enxergar diferente, e se apaixonar por algo que encontrarão na essência da trama, mas sinceramente sai da sessão cansado, olhei a hora no celular pelo menos umas 5x, e ainda estou tentando pensar se perdi algo que me faria entender melhor o longa, pois não consigo. Mas vamos lá para outra sessão, e quem sabe melhorar o meu humor após conferir esse filme, então abraços e até logo mais.

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Yomedinne - Em Busca de Um Lar (Yomedinne)

12/08/2018 02:28:00 AM |

Alguns diretores conseguem achar doçura em temas fortes, que trabalhados com muita simplicidade acabam envolvendo o público em histórias que não conseguimos nem pensar na possibilidade de nos emocionar, mas que acabam encantando pela graciosidade dos personagens, e claro por consequência, dos atores que pegam o papel. E aqui em "Yomeddine - Em Busca De Um Lar", tivemos algo tocante pela ótima forma de condução de um road-movie singelo, sem muitos enfeites, mas que encontrou dois ótimos atores/personagens encontrando grandes momentos em cada ato, seja através de suas atitudes, ou dos demais que cruzam seus caminhos, de tal maneira que o diretor não força nada, e isso é o grande acerto do longa, pois como ouvimos já no final uma frase até dura e dolorosa sobre a vida que o protagonista viveu ser o que tinha de melhor para ele, mas que não deixa de ser uma realidade, pois no mundo misturado, infelizmente seria julgado e acabaria mal-amado por todo o preconceito existente na face humana. Sendo assim, recomendo o longa como uma caminhada leve, que possui uma essência impactante por trás de tudo, mas que mais emociona do que causa.

A sinopse nos conta que após a morte de sua esposa, Beshay decide deixar a comunidade isolada onde foi abandonado quando criança. Junto com Obama, seu jovem amigo órfão, e seu amado jumento, ele embarca em uma jornada pelo Egito até sua cidade natal para descobrir por que seu pai nunca cumpriu a promessa de voltar. Beshay não é um homem como os outros homens, ele é um leproso, agora curado, cujas cicatrizes o levaram a viver longe do mundo. Juntos, ele e Obama enfrentarão os problemas do mundo unidos pela amizade e compaixão, em sua busca por uma família, um lugar para pertencer e um pouco de humanidade.

Em sua estreia na direção, A. B. Shawky soube fazer do simples o efetivo, pois a trama aqui poderia ser elaboradíssima, ter tons duros e fortes, criar perspectivas morais e emocionais, mas o diretor não quis nada disso, ele pegou dois bons atores também estreantes, com um carisma moldado e incrível no olhar, dispostos a fazer uma viagem bem trabalhada e envolvente, e criou seus bons momentos em cima disso, colocando atos fortes para trabalhar como religião, morte, fé, preconceito e tudo mais que certamente seria facultativo de explicações, e apertou os eixos de sua câmera para expressar as emoções dos personagens com cada ato, o que resultou em algo além de uma amizade bem mostrada nas telonas, mas sim um caminho sendo percorrido de forma agradabilíssima, e que conta a história sozinha, sem precisar dizer muita coisa, e nem enfeitar o que já era bonito de se ver, trabalhando com muita simplicidade e doçura, o que seria raro de ver em um longa dessa temática, ou seja, um acerto na condução para que a temática saísse sim do eixo, mas ficasse encontrada na mente do público por um tempo até maior do que o que ficamos na sala do cinema.

Nem diria que Rady Gamal e Ahmed Abdelhafiz interpretaram seus Beshay e Obama, pois o que eles nos entregaram foi algo além do que a expressão artística que um ator costumeiramente faz, e o que vemos na telona por trás de seus olhares é algo como uma vivência plena do que estão nos contando, de modo que acreditamos neles, emocionamos com eles, e torcemos para que consigam seus objetivos, ou seja, foram completamente coerentes, e pelas mãos e instruções de um bom diretor, conseguiram cativar o público com muita simplicidade nas expressões de tal maneira que certamente se fizerem muitos filmes ainda em suas vidas da mesma forma entregue, irão agradar sempre. Quanto aos demais, vale o destaque maior para os amigos de debaixo da ponte, que infelizmente não possuem nomes na ficha técnica do longa, e como não sei ler as letrinhas desenhadas em árabe nos créditos irei ficar devendo, mas foram sinceros também nas expressividades e chamaram atenção por mostrar que a felicidade está nas pequenas coisas, e que mesmo com suas deficiências estão sempre dispostos a se envolver e ajudar alguém que precisa também.

Por se tratar de um road-movie, vemos paisagens diferenciadas por meio de cidades e locações simples, mas bem fortes, que muitos nem estamos acostumados a ver em grandes blockbusters que se passam pelo Egito, e entregando muita coerência na colônia para leprosos, juntamente com imagens fortes no lixão, depois passando pelas margens do Nilo, e claro indo parar em delegacias, hospitais da cidadela, até chegar embaixo da ponte com os demais deficientes, a arte visual do longa consegue ir completamente coerente na proposta desde o começo até o fim, trabalhando os elos com muita simplicidade, e agradando por não vir com nada chamativo que atrapalhasse, de modo que desde o jumento Harby, até a motinha com muitos atores em cima vão sendo conduções de trajeto, mas também elementos visuais incríveis de serem moldados na análise, e assim o acerto visual funcionou bem. A fotografia trabalhou bem os tons de modo que a aridez do deserto tivesse um destaque bem importante e iluminasse tudo com uma pegada bem forte, de modo que mesmo nos momentos mais tensos aonde poderiam ter escurecido a imagem, a força do sol vem e entrega algo mais profundo ainda, e assim o resultado dramático não ficou tão forte, mas sim doce e gostoso.

Enfim, diria que o longa até possui alguns momentos desnecessários, mas acabamos embarcando na viagem dos protagonistas com um envolvimento tão grande que acabamos deixando eles de lado, e com muita doçura na forma de condução o resultado agrada bastante, emociona e funciona de uma maneira bem bela para ser refletido por nós que somos sem deficiência alguma e reclamamos de tudo, e assim sendo recomendo muito o longa para todos se emocionarem e pensarem também. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Utøya - 22 de Julho (Utøya 22. Juli)

12/07/2018 09:03:00 PM |

Após conferir "Utøya - 22 de Julho", o que mais vem na mente é o que faria caso o local aonde estivesse começasse a sofrer um atentado com tiros para todos os lados, e não tivesse muito para onde correr, pois essa era a condição dos jovens no acampamento de férias situado em uma ilha da Noruega, e a resposta que vem é a de chorar, nadar na água congelante ou sei lá, levar um tiro logo, pois não dá para pensar em ser como a protagonista e ficar vagando para todos os lados, apesar de que ela tinha um motivo: o de tentar achar a irmã. Digo que a grande sacada da trama foi colocar o espectador quase como um personagem imerso no momento inserindo a câmera correndo ao lado da protagonista, se jogando no chão, no barro, na água, tropeçando e tudo mais, de modo que parece até ser alguém filmando o movimento ao lado dela, mas a ideia certamente foi inserir e não a de filmar, e com isso, nos sentimos desesperados junto de tudo o que está acontecendo, e certamente numa sala de cinema com um som com muitos canais os tiros virão de ângulos inimagináveis que darão uma imersão maior ainda, ou seja, recomendo o longa para que seja visto numa sala bem ambientada com um som interessante, pois aí os mesmos 72 minutos que os jovens viveram de tiroteios no acampamento serão passados para você quase que na mesma intensidade e desespero, ou seja, podemos ver o filme sim como uma experiência, mas que ao final até nos é contado um pouco de tudo o que ocorreu em 2011, e infelizmente isso não está muito longe de acontecer novamente com o mundo extremista que andamos vivendo.

O longa nos conta que no pior dia da história norueguesa moderna, Kaja se diverte com sua irmã mais nova Emilie, doze minutos antes da primeira bomba chegar ao acampamento de verão na ilha Utøya. Foi o segundo ataque terrorista de Anders Behring Breivik, em menos de duas horas, e matou 69 pessoas. Kaja representa o pânico, medo e desespero dos 500 jovens enquanto busca sua irmã na floresta.

A direção que Erik Poppe, mais conhecido pelo longa "Mil Vezes Boa Noite", entrega é algo digno de alguém que sonha bastante, pois são raros os diretores que ousam trabalhar com algo quase que totalmente em plano-sequência, tendo o filme um grande ensaio para que os personagens tivessem suas dinâmicas desenvolvidas, e facilmente entregasse algo quase sem respiro também para os espectadores, de modo que é fácil notar o artifício de movimento de câmera para observar de onde vem os tiros, ou criar alguma curiosidade para que o ângulo voltasse para a protagonista e recomeçasse um novo plano-sequência bem ornado, ou seja, Poppe trabalhou a experiência de estar em um conflito quase que na totalidade, mostrando ao final nos letreiros que o atentado durou 72 minutos, e é praticamente o mesmo tempo que passamos presos junto com a jovem atriz, correndo de um lado para o outro desesperada, pensativa e aflita para tentar encontrar a irmã mais nova, e também tentar sobreviver no meio do tiroteio. E sendo assim, diria que o longa não tem um roteiro muito trabalhado, pois temos um acontecimento, uma ação desenvolvida, e personagens desordenados, mas a intensidade dramática é tão grande, e tão bem conduzida (chegando a ser até irritante a câmera correndo ao lado, dando um desespero para pedir que o cidadão fique estático!) que o resultado final impressiona e envolve demais.

Quanto das atuações, temos bons jovens dispostos a se entregar na correria, se desesperar com boa expressividade, e principalmente não estragar o andamento coeso do longa, pois qualquer mero detalhe poderia botar o projeto inteiro no chão, e dessa forma Andrea Berntzen conseguiu colocar sua Kaja perfeitamente no eixo entre ousadia e desespero, disposta a enfrentar tudo e todos para achar sua irmã, e com olhares de pânico, voz quase embargada de choro e muita sinceridade nos olhares mais duros frente a tudo o que está ocorrendo mostrou um talento perfeito para o futuro que terá se seguir como foi aqui. Dentre os demais, a maioria funciona como conexões para os diversos momentos da protagonista, e não atrapalham felizmente, pois isso poderia dar um tom ruim para o longa, e Elli Rhiannon Müller Osbourne apareceu bem rapidamente com Emilie arrogante e chata com a irmã, de modo que até por um leve momento torcemos pra ter morrido logo, mas se acontecesse isso não teríamos filme, temos também Aleksander Holmen com seu Magnus, meio deslocado que acaba sendo jogado inicialmente no filme, mas que conseguiu ter boas cenas de diálogos com a protagonista, sendo coeso e bem interessante também, agora os demais praticamente surgiram rapidamente e não temos muito o que falar, tirando claro a jovem ferida sem nome no longa, mas que Solveig Koløen Birkeland entregou com perfeição.

Algo que parecia um grandioso problema, de não mostrar o atirador maluco, é genial por outra parte, pois só ouvimos tiros, vemos pessoas mortas pelo chão, crianças e adolescentes desesperados em uma floresta e na água, e isso fez a equipe de arte brilhar por entregar muita coesão em forma de histeria, pois se o longa fosse mais proximal do atirador, teriam de apelar mais para efeitos especiais, e isso aumentaria o orçamento e até talvez não resultaria em algo bem interessante de ver, enquanto da forma entregue tudo ao redor passa a ser desesperador de sentir, e os barulhos vindos de sabe-se lá onde aumentam a agonia para que os personagens corressem, perdessem tênis pelo caminho, e se sujassem realmente na terra e na lama. A fotografia não tem muitos floreios, afinal no meio de uma floresta não dá para brincar muito, mas sempre com ares bem colocados, e tons bem escuros, mas sem ofuscar nada, o resultado agrada bastante.

Enfim, um longa bem interessante, que consegue prender bastante o espectador na cadeira, trabalhando com muita agonia e desespero a ideia de você estar no meio do conflito, e sendo assim o que ocorreu poderia ser em qualquer lugar, pois a trama não fica fechada nos motivos e diretivas que resultaram na história do 22/07/2011, mas sim em algo mais aberto de terroristas extremistas que podem fazer um atentado a qualquer momento em qualquer lugar, ou seja, um filme mais amplo. Diria que quem quiser saber mais sobre o atentado em si talvez seja necessário conferir outros longas (aliás estreou semana passada outro sobre o tema na Netflix, que não conferi, mas quem tiver visto e quiser comentar, o espaço está aberto), mas como o resultado aqui é tão bom, vale muito a recomendação para que confiram. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou para mais uma sessão, então abraços e até logo mais.

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Pedro e Inês - O Amor Não Descansa (The Dead Queen)

12/07/2018 01:48:00 AM |

Alguns filmes tentam criar histórias para mostrar diversas vidas da mesma pessoa, trabalhando o lado cármico que alguns acreditam ter de acontecer sempre a mesma sina em épocas diferentes, inclusive com as mesmas pessoas ao lado, mas quando algum diretor resolve trabalhar usando inclusive os mesmos atores, mudando apenas cortes de cabelos e barbas, figurinos e locações, geralmente resultam em tramas extremamente cansativas, e sendo assim ultimamente no cinema haviam poucos malucos que se arriscavam a isso, deixando para trabalhar essa essência em séries e novelas. Mas como bem sabemos, os portugueses já foram malucos de descobrir esse país que vivemos, e aqui junto com uma produtora nacional resolveram entregar "Pedro e Inês - O Amor Não Descansa", que muitos sairão da sessão (aqueles que aguentarem as 2 horas que parecem 5 no mínimo!) exaustos e com a nítida certeza de ter visto uma novela bíblica produzida pela Record, que parece nunca ter fim, que intercala os diversos momentos para não termos respiro, e com cortes cênicos dignos de um açougueiro nervoso, ou seja, algo que não tem como gostar se você não for um amante nato dessas novelas. E o que apenas salva no longa certamente foi a boa produção cênica, pois os atores sofreram para viver diversos personagens, tendo muitas trocas de figurino, muitos cortes e tonalidades de cabelo, e tudo mais que se possa pensar, o que ao menos deu uma valorizada na poética e cansativa história de amor dramático dos protagonistas.

A sinopse nos conta que internado em um hospital psiquiátrico por dirigir com o cadáver de sua amada na intenção de transformá-la em uma rainha depois de morta, Pedro (Diogo Amaral) começa a recordar os acontecimentos de suas vidas passadas junto a Inês (Joana de Verona). Deslumbrado, ele descobre como foram todas as suas existências, que passam da Idade Média, até o presente e um futuro distópico.

Volto a frisar que não tem como ver a direção de António Ferreira sem ser no estilo mais novelesco possível, pois sua trama é completamente poetizada, e entrega com satisfação o que se propõe, que é uma novela de duas horas para ser vista rapidamente e acabar, mas ele alonga demais o romance de Rosa Lobato Faria, "A Trança de Inês", trabalhando praticamente cada verso de forma que me senti lendo um daqueles livros obrigatórios do vestibular que nem com muito café conseguia passar da página 10 de tão enrolado que era cada estrofe. Ou seja, o diretor tentou romancear algo que funcionaria perfeitamente numa novela bem longa, com capítulos imensos para trabalhar cada personagem, mas que no cinema teria de ter encontrado uma dinâmica melhor para que o filme não ficasse enjoativo, pois na segunda cena se repetindo tudo novamente já entendemos que veríamos a mesma cena em 3 épocas diferente toda vez, o que mais cansa do que agrada.

O ar novelesco também dominou as expressões dos protagonistas nas suas diversas interpretações, e Diogo Amaral entregou três Pedros bem colocados, cada um de uma maneira, mas todos com olhares vagos demais, quase que filosofando para falar cada palavra sua, tendo leves destaques nos momentos de ira, mas nada que surpreendesse sem ser o tanto de maquiagem que necessitou para fazer cada época com cortes de cabelo e barba bem trabalhados. Joana de Verona entregou sua Inês quase como algo angelical nas três versões, que mesmo sendo a amante era vista pelo protagonista como quase uma deusa, e isso acabou ficando deveras enfadonho de ver. Quanto aos demais, tivemos alguns leves destaques positivos para Vera Kolodzig com sua Constança bem constante nos três atos, agradando claro pela dinâmica mais enlouquecida e coesa, e como destaque bem negativo temos João Lagarto com seu Afonso inexpressivo e quase estático em todas as cenas, sendo bem desagradável ver sua tentativa de atuar. Ainda tivemos muitos outros atores fazendo sempre três personagens iguais, e divertidamente sempre com as mesmas características e olhares, o que poderiam ter ousado um pouco mais.

Agora sem dúvida alguma o melhor do longa foi o gasto com a produção artística, pois trabalharam bem nas épocas antigas, criando castelos, usando figurinos encorpados cheios de detalhes, tendo uma comunidade ecológica estranha, mas bem envolvida de regras e símbolos, e até mesmo no momento presente foram trabalhados objetos e locações elaboradas para que os momentos do protagonista fossem destacados junto de sua amada, ou seja, uma equipe de arte que pegou todo o orçamento e quis usar sem pensar, brincando sempre muito com figurino, cabelo e maquiagem para traçar bem as diversas épocas dos protagonistas.

Enfim, é um filme que cansou muito conferir, mas que pode ser valorizado pelo elo artístico em si, porém é enfadonho demais pensar nele sem ser vendo uma novela arrastada que quem sequer estiver conferindo em casa irá terminar de assistir inteiro de uma vez, e sendo assim não tenho como recomendar ele de forma alguma. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda faltam muitos filmes para conferir nessa semana, então abraços e até logo mais.

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Culpa (Den Skyldige) (The Guilty)

12/06/2018 08:59:00 PM |

Há certos filmes e estilos que não precisam gastar praticamente nada, e conseguem nos envolver de tamanha forma que saímos com o queixo no chão com as reviravoltas que encontram para nos surpreender, e "Culpa" pode ser considerado um dos melhores desse estilo, pois foi nos entregue algo tão incrível, com um único cenário, praticamente só um ator, alguns outros gravando apenas vozes para dialogar com o protagonista, outros sendo meros figurantes de enfeite cênico, mas com situações tão fortes, uma reviravolta impossível de ser imaginada, e uma densidade dramática tão grande, que certamente iremos lembrar tanto do filme quanto do diretor por muito tempo, pois é algo que ao mesmo tempo que não temos palavras para falar do longa, desejamos demais comentar com tantos amigos indicando o longa que não paramos mais de falar. Ou seja, confira, surpreenda, e se prepare para chocar com tudo ao redor do protagonista, e com ele.

A trama nos conta que o policial Asger Holm está acostumado a trabalhar nas ruas de Copenhague, mas devido a um conflito ético no trabalho, é confinado à mesa de emergências. Encarregado de receber ligações e transmitir às delegacias responsáveis, ele é surpreendido pela chamada de uma mulher desesperada, tentando comunicar o seu sequestro sem chamar a atenção do sequestrador. Infelizmente, ela precisa desligar antes de ser descoberta, de modo que Asger dispõe de poucas informações para encontrá-la. Começa a corrida contra o relógio para descobrir onde ela está, para mobilizar os policiais mais próximos e salvar a vítima antes que uma tragédia aconteça.

Em seu primeiro longa metragem, o diretor Gustav Möller conseguiu algo que muitos em anos de carreira nem sequer pensam em conseguir, que é gastar o mínimo do mínimo, colocar um personagem sentado praticamente o filme inteiro dentro de um único lugar, e fazer com que o público fique imóvel junto com o protagonista durante toda a duração do longa desesperados para saber o que vai rolar, se ele irá conseguir ajudar a pessoa do outro lado da linha, o que cada um esconde, porque ele está ali, e muitas outras indagações que vão surgindo, de modo que apenas brincando com intensidades da iluminação, trejeitos expressivos nas vozes dos atores, e um texto incrível, ele foi perfeito na condução que escolheu, e o resultado empolga demais

Certamente receber um roteiro aonde somente você estará em cena fazendo todas as inflexões, com a câmera parada para sua cara o tempo todo, e você ter praticamente toda a responsabilidade do longa funcionar ou não é uma das assinaturas mais difíceis que um ator tem em sua carreira, e aqui Jakob Cedergren não apenas assinou, mas conseguiu entregar seu Asger Holm com tamanha perfeição, encontrando a dramaticidade correta nos olhares, no tom de sua voz, que não tem como não se conectar com ele logo após os primeiros minutos, e maravilhosamente ele conduziu o longa inteiro com primor técnico que poucas vezes vi no cinema, ou seja, deu um show e agradou demais em tudo. Quanto aos demais, temos somente vozes bem trabalhadas para entregar a história, com respirações ofegantes, dinâmicas bem coesas, que mesmo não vendo os atores interpretando, conseguimos imaginar eles, entender cada um, e até mesmo julgar somente com o que nos é entregue, indo até mesmo no pensamento do protagonista, que realmente foi bom em nos convencer do que pensou e assim sendo entrou em nossas mentes com a atuação que fez, e sendo assim, temos de dar destaque praticamente para Jessica Dinage com sua Iben, Johan Olsen com seu Michael, Omar Shargawi como Rashid e Jakob Ulrik Lohmann como Bo, por nos dar bons tons, e claro para Katinka Evers-Jahnsen pela doce Mathilde.

Chega a ser até engraçado falar algo da cenografia, pois não temos praticamente nada, a não ser uma mesa com computadores, aonde o sistema apenas dá a determinação do local do telefonema apenas pela torre de celular mais próxima, alguns outros atendentes ao redor (que podemos olhar até como um erro estranho de não vermos mais ninguém atendendo a outras ligações ou acabamos ficando tão tensos com o protagonista que nem vemos mais nada ao redor), e claro a salinha aonde o protagonista vai para ter uma privacidade maior  (talvez para fugir de outras ligações), de resto não temos mais nada para olhar, e aí é que entra a direção de fotografia completamente sagaz, que trabalha o impacto visual usando cada vez menos luz para dar mais dramaticidade na trama, e sempre que a lâmpada vermelha de uma ligação acende, o público praticamente coloca o ouvido na tela para ir junto com o protagonista para dentro da cena tentar ajudar a pessoa do outro lado da linha.

Ou seja, um filme para prender a respiração, causar tensão, e por incrível que pareça sem sair de uma salinha, lembrando até um pouco o hollywoodiano "Chamada de Emergência", mas enquanto lá no segundo ato a ação vira algo baseado em correria, aqui a tensão é impregnada somente nas vozes e na história, o que causa um efeito claustrofóbico incrível e muito interessante de acompanhar. Com toda certeza recomendo o filme para todos, e em breve ele deve entrar em circuito comercial, então não perca. Só não digo que será o melhor da Itinerância da Mostra Internacional de São Paulo por faltar ainda muitos longas para conferir, mas certamente será um dos melhores, mas ainda assim vou dar a nota máxima para o longa pelo motivo de algo com baixíssimo orçamento conseguir um feito tão incrível, e ainda na estreia de direção de um diretor bem novinho. E fico por aqui agora, mas volto daqui a pouco com mais um texto, então abraços e até logo mais.

PS: Talvez tiraria meio ponto por alguns detalhes que poderiam ter trabalhado, pelo efeito dos demais atendentes não terem tantas ligações piscando, mas são detalhes que não tiram o brilho do sufoco e da surpresa da reviravolta, então vamos manter todos os coelhinhos vivos na nota.

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Meu Querido Filho (Weldi) (Dear Son)

12/06/2018 01:41:00 AM |

É bem fácil e rápido falar de "Meu Querido Filho", pois temos algo extremamente cansativo para mostrar que nem sempre, mas muitos pais desejam ver um espelho nos filhos, querendo ver seus sonhos, suas vontades, aquilo que nunca conseguiu estampado na cara dos jovens, botando pressões fortes na cabeça de alguns que até os levam a ter grandiosas enxaquecas, e isso é dito não com essas palavras, mas com essas intenções por um personagem bem secundário em um hotel para o protagonista, e basicamente essa é a retratação que temos no longa, pois o velho Riadh é extremamente chato, e sem muito a entregar acaba enrolando o longa de tal maneira a cansar o espectador, e claro fazer com que entendamos a vontade do garoto, e por consequência do diretor, de mostrar exatamente o contrário do que vemos nos filmes atuais, que é de ao invés de vermos pessoas fugindo da Síria, vermos indo em direção ao terrorismo, mas é palpável ver isso no longa, pois quem conferir irá ter essa mesma vontade em prol de acabar logo com o filme que parece interminável. Diria que até tem alguns bons momentos, mas encheram tanta linguiça para se ter um resultado mais intrínseco de tentar mostrar a preocupação dos pais para com o filho, que o longa acaba indo para algo inesperado e que a sinopse sequer passou a ideia, mostrando os problemas familiares da pressão em cima do filho, do drama de se aposentar e não saber o que fazer da vida, das relações amorosas após anos de nada, e por aí vai, mas poderiam ter apontado um norte e chegado a algo bem melhor, que com toda certeza não seria a escolha que fizeram.

A sinopse nos diz que Riadh está prestes a se aposentar como motorista no porto de Túnis. Com Nazli, ele forma um casal unido em torno de seu único filho, Sami. As repetidas enxaquecas dele preocupam seus pais e no momento em que Riadh acha que seu filho está melhor, ele desaparece.

Ainda não consigo entender o diretor e roteirista Mohamed Ben Attia, pois certamente o longa poderia ser desenvolvido de muitas outras maneiras melhores do que a escolhida, e como essa foi a forma escolhida, ao menos poderia ter desenvolvido sua trama de uma maneira rápida e sutil sem que ficasse tão cansativo, mas acabou enrolando tanto o andar com um personagem ruim, colocando inflexões a cada virada de página do seu roteiro, que posso dizer se nenhum remorso que seu longa de 104 minutos aparenta ter ao menos uns 208 inacabáveis e chatos minutos, que só não fiquei olhando no celular quanto tempo havia passado para não atrapalhar os demais, pois não vemos envolvimento do personagem principal, nem nas cenas que demonstra depressão por não ter o que fazer após se aposentar, ou seja, poderiam ter entregue algo muito melhor.

Sobre as atuações, já falei muito do cansativo Mohamed Dhriff com seu Riadh, e por incrível que pareça culpo o ator por faltar com a expressividade, pois certamente o diretor desejava mostrar mais o drama que muitos sofrem após se aposentar por não ter o que fazer, e aqui a busca pelo filho "fugitivo" acaba sendo uma aventura ao menos para ele, como também vemos ao final sua nova aventura, mas poderia ter entregue mais personalidade e dinâmica para com seu personagem, para que de uma forma carismática conseguisse entregar algo a mais, mas ele fez o básico, e como costumo dizer, o básico cansa. O jovem Zakaria Ben Ayyed até tinha trejeitos e um certo carisma para entregar para seu Sami, mas o diretor optou por não trabalhar tanto o personagem, e seu sumiço foi algo que nem foi desenvolvido suficientemente, ou seja, o ator apareceu em tão poucas cenas que não temos como se conectar à ele, embora certamente agradaria bem mais saber mais sobre sua vida, ambições, e até motivos (além do pai chato) de ir para um lugar cheio de terrorismo. Mouna Mejri fez o que toda mãe faz com sua Nazli, mas também soou apática em sua fuga da realidade (e claro do marido chato), de modo que poderiam ter trabalhado um pouco mais sua personalidade. Dentre os demais, temos apenas um leve destaque para os momentos descontraídos do protagonista com a amiga Sameh vivida por Imen Cherif, de modo que aparenta apenas uma fuga do diretor para os rumos da trama para que o filme não se cansasse tanto, e a atriz ao menos saiu-se muito bem disposta para todas as cenas.

No contexto cênico a trama trabalhou um pouco com a simplicidade da família em um apartamento bem cheio de detalhes para representar a vida dos protagonistas, mas não ousou quase nada na enxaqueca do rapaz, tendo apenas uma cena envolvendo isso, e quem tem sabe que não seria algo curado tão rapidamente, na sequência tivemos cenas interessantes do protagonista viajando por cidades turcas até chegar quase à Síria (e até tendo um leve sonho de estar por lá - é bacana a mudança de cor do longa no sonho para representar isso, e o filme ao menos aqui foi bem coerente), ou seja, até tentaram criar um mini-road-movie dentro da trama, mas nada que impressione. A fotografia pesou um pouco em tons mais neutros puxados para o escuro para dar uma dramaticidade ao longa, mas isso certamente também auxiliou para que o longa ficasse bem cansativo e sem dinâmica, ou seja, poderiam ter trabalhado um pouco mais de tonalidades fortes, como é o caso do sonho, para que o filme tivesse uma ação melhor.

Enfim, é um filme que cansa mais do que agrada, e que certamente só quem estiver muito disposto conseguirá gostar de algo dele, talvez vendo mais pelo lado dos problemas pessoais do protagonista que está passando por diversas mudanças em sua vida, e desejava ao menos que seu filho fosse para um rumo melhor, mas para chegar nessa conclusão tem de penar muito para aguentar a lentidão do longa, e sendo assim não tenho como recomendar ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

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A Costureira de Sonhos (Sir)

12/05/2018 08:54:00 PM |

Como bem sabemos, a Índia é um dos países mais divididos socialmente no mundo, e isso é algo que incomoda até demais se pararmos para analisar, de modo que castas inferiores só servem para trabalhar e dificilmente se relacionam com castas superiores e até mesmo com as medianas, e aqui numa tratativa bonita e interessante, vemos a subserviência de uma jovem viúva que consegue entregar todo seu carisma e respeito para com seu patrão, que ao desistir de casar no dia do casamento por descobrir uma traição, passa a enxergar um carinho além do comum pela jovem, mas que voltando ao início do texto, sabemos bem aonde tudo vai acabar, pois duas classes não tem como misturar de uma forma coesa num país como esse, sem que exista conflitos. Diria que resumi o longa "A Costureira de Sonhos" em um parágrafo com o que escrevi acima, mas como bem conhecemos alguns tipos de filmes, os que puxam para um ar mais novelesco consegue trabalhar um pouco mais, criar as situações para que o romance flua, entregar todo o estilo de envolvimento patrão/empregada, e claro finalizar de uma maneira icônica bem marcada e que chama a atenção. Porém acredito que se esse fechamento ocorresse uns 20 minutos antes, teríamos ainda mais conflitos para desenvolver, e certamente a trama teria outra desenvoltura, mas como não é isso o que ocorreu, diria que o filme é bonitinho, e funciona ao menos com boas atuações, e uma entrega coesa da proposta.

A sinopse nos conta que a empregada doméstica Ratna trabalha para um homem rico, que tem uma vida de fartura e conforto, mas passa seus dias desesperançoso e desanimado. Enquanto isso, Ratna, que tem uma vida simples, segue determinada para alcançar seus sonhos.

Após dirigir um documentário em 2013, a diretora Rohena Gera estreia na ficção com um longa bem entregue, aonde vemos algo bem moldado no estilo novelesco, aonde ela até consegue sair a priori por não desenvolver tantos elos paralelos, mas ao exagerar num drama romantizado impossível, e colocar uma vivência sonhadora exagerada, acabamos tendo mais semelhanças com novelas do que com longas romanceados que poderiam dar até um outro tom para a trama. Não digo que essa escolha tenha sido errada por ela, mas talvez algum problema maior para ser resolvido na trama, um pouco mais da vivência da protagonista com seu sonho de virar estilista, e/ou uma atitude mais forçada por parte do patrão (eu pegaria a amada e partiria logo para NY, e resolveria o filme!) talvez desenrolasse melhor, mas não teria o final fofo e bem colocado como teve, mas acredito ainda que ela vá melhorar seu estilo, e sendo assim, para um primeiro trabalho à frente de uma ficção ela conseguiu ser coerente e bem disposta para ousar na discussão do envolvimento das castas, pois falar disso num país totalmente machista e segregado é algo ousado para uma diretora.

Quanto das atuações, praticamente temos de falar apenas dos dois protagonistas, pois os demais acabam aparecendo apenas como leves encaixes, mas dando também bons tons para os momentos, e dessa forma é claro que a jovem Tillotama Shome soube se entregar bem com sua Ratna, mostrando ao mesmo tempo devoção pelo seu "Senhor"(Sir - como é o nome original do filme, o qual a jovem fala o longa inteiro, e tem até uma marcação forte), mas também trabalhou bem sua atitude para que a personagem tivesse um peso interessante num misto de carisma bem colocado e dinâmica agradável, de modo que acabamos nos envolvendo com tudo o que faz, e isso certamente é um grande acerto. Por outro lado, Vivek Gomber nos entrega um Ashwin que inicialmente vem bem desanimado, mas que durante a trama toda vai sendo trabalhado, passa a se envolver mais com sua empregada, e num misto de ar sedutor/galanteador que o ator soube entregar bem, ele consegue agradar e se pontuar bem, resultando em cenas fortes e bem colocadas.

No conceito visual, a beleza da cidade vista pelo topo dos prédios, seja ele o do protagonista, mas que é usado pelas empregadas para se sentir por cima, ou nas construções aonde vive o jovem trabalhando para que cada vez mais os nobres estejam no topo, agrada por muitos sentidos, e juntando a isso, os figurinos foram tão bem simbolizados para mostrar o sonho de costura da jovem protagonista em ser estilista, de modo que tudo parece ter cor e sentimento, juntando a isso tudo, temos claro a boa separação das castas para mostrar desde a vila em que vive a família da protagonista, os casamentos arranjados, a comunidade pobre, e claro uma das cenas mais fortes da dona de uma loja chamando um segurança para apenas a visita da jovem, ou seja, um longa cheio de artifícios cênicos visuais bem trabalhados para representar tudo o que já falei, da grande divisão de classes, que é mostrada aos montes na trama. A fotografia não brincou muito com a iluminação, deixando tudo sempre num tom mais escuro, mas brincando com os tons dos figurinos para ambientar os momentos alegres e separar claro dos mais tensos, ou seja, algo simbólico, mas ainda assim simples.

Enfim, é um longa que não vai surpreender ninguém, mas que soa bonito e agradável de assistir, e mesmo tendo um ar novelesco não cansa como muitos outros casos, e sendo assim recomendo ele com a ressalva de que poderiam ter ido muito além caso quisessem, mas garanto que não vai incomodar ao menos. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto daqui a pouco com mais um texto do outro filme de hoje, então abraços e até logo mais.

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Três Faces (Se rokh) (3 Faces)

12/05/2018 01:23:00 AM |

O mais bacana de conferirmos os filmes da Itinerância da Mostra Internacional de São Paulo é para vermos longas que expressam culturas que dificilmente vemos algo, e principalmente tentar entender um pouco como algo que por aqui pode ser comum e muito bem visto, em alguns lugares é algo que acabam isolando a pessoa a ponto dela desejar até sua própria morte. E dessa forma o longa "Três Faces" nos entrega algo ficcional, mas quase jogado para um vértice documental, afinal os personagens são reais, e a ideia geral é bem pautada em cima dos costumes de uma vila no Irã, ou seja, o diretor usou de seu estilo para contar como é duro a vida de mulheres que sonham estudar e/ou virar atrizes no país, além claro de junto mostrar os costumes das vilas envolvendo crenças e religiosidades, de modo que podemos até rir do que vemos, mas certamente com um outro olhar, é triste pensar como é tudo por lá.

A sinopse nos conta que uma famosa atriz iraniana recebe um vídeo perturbador de uma garota implorando por ajuda para escapar de sua família conservadora. Ela então pede seu amigo, o diretor Jafar Panahi, para descobrir se o vídeo é real ou uma manipulação. Juntos, eles seguem o caminho para a aldeia da menina nas remotas montanhas do norte, onde as tradições ancestrais continuam a ditar a vida local.

O diretor e roteirista Jafar Panahi ganhou o prêmio de Melhor Roteiro em Cannes pelo filme, mas diria que não temos algo tão original na concepção da história, mas sim na forma de desenvolvimento criativo para que seu mini-road-movie funcionasse para entregar sem ser forçado um documentário sobre a vida nas aldeias, e claro sobre como a mulher principalmente é vista nesses lugares, aonde o machismo e a religião predominam, e com muita simplicidade, ângulos envolventes parecendo que a câmera está viva conduzindo as opiniões para onde devemos olhar, ele acaba nos vertendo aos poucos com tudo o que desejava mostrar, e mesmo sem o filme ser forte, o resultado é completamente funcional.

O longa em si não tem personagens, mas acabamos conhecendo um pouco mais do diretor Jafar Panahi na frente da telona como mais do que um condutor de câmeras e da história, mas sim um motorista e amigo da atriz, que a leva para aquele meio para conhecer uma outra face de sua terra, aonde mais do que uma língua é falada, e também nos permeia não apenas com o olhar de sua câmera, mas sim seu olhar próprio para cada momento. A atriz Behnaz Jafari mostra como é bem conhecida mesmo nos lugares mais remotos por suas séries e filmes na TV do país, e soube dosar bem sua dramaticidade tanto nos momentos dentro do carro, quanto nas ruas conversando com o povo, mostrando claro seu vértice artístico dentro da personalidade que escolheu. Marziyeh Rezaei e Maedeh Erteghaei foram duas jovens bem colocadas na proposta para dar um certo realce no longa, mas não tiveram grande destaque como poderiam, funcionando para a primeira mais o ar de seu vídeo de celular, e claro sua cena de briga com a protagonista, mas certamente tivemos alguns aldeões mais interessantes nas dinâmicas de diálogo do que elas.

O conceito cênico nem é algo que temos muito o que falar, pois como já disse o filme é quase algo documental, então no passeio de carro do diretor (uma Pajero bem apropriada para rodar as estradas de montanha), vemos as estradas minúsculas em meio a precipícios nas montanhas, aonde a famosa regra da buzina funciona (assim como em muitos outros países), vemos casebres minúsculos em vilas e sub-vilas aonde mal tem iluminação, mas que praticamente ninguém dorme andando para lá e para cá, e claro vemos muito dos costumes do lugar, com pessoas sempre procurando lhe oferecer um chá e conversando como tradicionalmente vemos em cidadelas do interior, ou seja, muita semelhança, mas claro com vértices mais fortes impregnados na concepção total, ou seja, a arte nem foi muito ousada, pois não desejaram criar nada, e sim usar o local como cenografia própria, e assim sendo o resultado é simples também. Quanto da fotografia, temos boas passagens de tempo, com a iluminação natural funcionando, e usando de artifícios de celulares, faróis de carros e lâmpadas simples para dar tons, mas nada muito elaborado para que não saísse do contexto real que o filme desejava passar.

Enfim, temos um filme mais cultural do que algo ficcional que impressione, mas ao menos temos cenas bem colocadas que divertem e impressionam também, mostrando algo que até sabemos da existência, mas que somente confirmamos nos filmes. Acredito que poderiam ter feito algo mais ficcional realmente que impressionasse para dar as nuances que desejavam, pois aí o resultado chocaria mais do que a realidade, mas ainda assim é um bom filme para conferir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dois textos da Itinerância.

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Guerra Fria (Zimna Wojna) (Cold War)

12/04/2018 08:55:00 PM |

Alguns filmes possuem essências simples, mas conseguem transparecer muito mais do que apenas entregam, traduzindo ao pé da letra o ar romântico que beira a êxtase, e permeia a mente dos corações apaixonados, e certamente essa foi a principal ideia que o diretor pensou quando estava criando "Guerra Fria", pois soube dosar bem o clima cênico em cima de um romance gostoso ao longo dos anos sem se preocupar muito com uma história problemática entre os protagonistas, mas sim segurando uma estética bem introspectiva, e agradável de acompanhar pela doce e melosa música tema. Ou seja, um filme até que simples de trama, mas com uma dramaticidade bem pensada, e que funciona dentro da proposta sem muita ousadia, porém com uma coerência bem discreta e interessante para sentir a paixão maluca entre os personagens.

A sinopse é bem simples e nos conta que durante a Guerra Fria entre a Polônia stalinista e a Paris boêmia dos anos 50, um músico amante da liberdade e uma jovem cantora com histórias e temperamentos completamente diferentes vivem um amor impossível.

O diretor e roteirista Pawel Pawlikowski ganhou Melhor Direção em Cannes pelo filme, e é fácil entender o principal motivo para isso, pois ele priorizou a estética com uma câmera quase sempre bem aberta, num formato quadrado interessantíssimo que consegue expandir o grau de vivência da trama, encontrando tanto dinâmica para um filme que poderia soar bem cansativo, mas que flui muito bem, agradando nos diversos momentos, e recaindo sempre para algo que parece ser direcionado para um conflito, mas que acaba indo claro para a cama, como geralmente acaba ocorrendo nas discussões amorosas mais intensas de grandes apaixonados. E com esse estilo próprio, ele acabou entregando um filme diferenciado que agrada bastante, mas que certamente poderia ter um conflito maior para causar, o que não atrapalha o resultado final, mas certamente daria um toque a mais.

Sobre as atuações, não sei dizer se Joanna Kulig realmente pôs sua Zula para cantar, mas se fez isso, conseguiu soar doce e incrível com a voz que muitas cantoras nunca tiveram, e olhando pelo estilo expressivo, a jovem também sou e entregar carisma, e envolver com bons olhares e dinâmicas. Tomasz Kot entregou um Wiktor tradicional, sedutor, e claramente com estilo clássico de grandes filmes noir hollywoodianos, se modo que sua imponência técnica e estética certamente será lembrada por algo bem impactante e interessante de ser visto. Quanto aos demais, tivemos algumas boas cenas com Borys Szyc com seu Kaczmarek chamando a atenção pelos ares formais e rapidamente conhecemos Cédric Kahn como Michel, mas nada de muito forte que roubasse a cena dos protagonistas.

A estética do longa pode até ser questionada por entregarem um longa em preto e branco, de modo que os elementos cênicos acabam nem sendo tão valorizados quanto a fotografia, mas certamente o teor forte encontrado nas locações e figurinos, juntamente com toda a essência folk do começo, as jogadas políticas, e o ar boêmio do final conseguiram encontrar uma saída estética tão bem coesa, que acabamos nos envolvendo no clima noir e indo na mesma toada da fotografia que o longa entrega e agrada demais.

Enfim, é um filme mais doce com uma ode dramática do que algo que cause impacto no público, fazendo o romance noir voltar com força em um longa de época bem clássico e interessante de ser acompanhado. Certamente foi um bom começo para a Itinerância da Mostra Internacional, mas ainda tenho muitos longas para conferir, então apenas digo que foi um bom exemplar, e recomendo ele para quem gosta desse estilo. Bem é isso pessoal, vamos para mais uma sessão, e até mais tarde.

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