O Mistério Do Relógio Na Parede (The House With a Clock in its Walls)

9/24/2018 12:39:00 AM |

É engraçado como alguns filmes são feitos atualmente, mas lembram tanto de outros do passado, que ficamos pensando que não é possível ser apenas referências, é algo que o roteirista desejou copiar mesmo para entregar tanta semelhança. Digo isso, pois "O Mistério do Relógio Na Parede" lembrou tanto "Castelo Ratimbum" e "Goosebumps", que chega a ser até piada vermos uma cena no filme lembrando tanto o trailer da continuação de Goosebumps que passou antes de começar o longa de hoje, e a sintonia com personagens, o feitio de aprender a ser feiticeiro, livros e objetos que passeiam ainda lembraram outros longas como "O Aprendiz de Feiticeiro", e por aí vai, ou seja, temos muitas conexões que o formato de histórias com bruxos sempre vão nos conectar, e não podemos fugir, mas o pessoal que escreve precisa urgentemente dar umas recicladas, pois senão a chance de que daqui a pouco tenha uma cópia completamente escancarada está bem perto de acontecer. Tirando esse detalhe, o filme consegue ter dois vértices bem interessantes, o primeiro é tentar ser infantil, e com isso ter situações tão bobas jogadas no miolo que chega a dar pena, e o segundo é que se caso quisessem, com tantos personagens bizarros no porão da casa, conseguiriam facilmente fazer um longa de terror dos bons, ou seja, a trama foi trabalhada de muitas maneiras para conseguir divertir, que ficamos na dúvida de como ela funcionaria, e embora não seja um filme engraçado, ele consegue ser bem feito, com bons efeitos, e até agradar bem de leve.

O longa nos mostra que Lewis, de apenas 10 anos, acaba de perder os pais e vai morar em Michigan com o tio Jonathan Barnavelt. O que o jovem não tem ideia é que seu tio e a vizinha da casa ao lado, Sra. Zimmerman, são, na verdade, feiticeiros.

Outro ponto bem engraçado é ver um diretor de filmes de terror tentando fazer um longa infantil, pois quem conhece o currículo de Eli Roth sabe que seus filmes são do nível mais alto de terror, e claro que aqui mesmo o filme não sendo tenso, temos algumas cenas bem propícias do estilo, mas como a trama é baseada em um livro infantil, o diretor não incorporou mais tensão, e até tentou puxar um pouco o lado cômico usando Jack Black, mas nessa mistura toda de lados, o resultado ficou um pouco aquém do que poderia, aparentando uma indecisão maior do que o filme desejava seguir. Não digo que o filme tenha ficado ruim de conferir, mas ao mesmo tempo que vemos pessoas se assustando com coisas aparecendo do nada, e um certo ar tenso com cenas escuras, também temos pessoas sorrindo (apenas, pois rir mesmo não teve um na sala) com algumas situações bobas, o que mostra a falta da escolha de lados. Ou seja, tivemos alguns momentos bem bonitos, como a cena dos planetas, tivemos algumas cenas bem trabalhadas como a cena do relógio, e tivemos muitos momentos perdidos, como as cenas na escola, e sendo assim, vai ter público gostando e reclamando do que o diretor fez em todos os momentos.

Sobre as atuações, o jovem Owen Vaccaro até se esforçou bastante para parecer um jovem prodígio que lê muito o dicionário, e que acaba aprendendo magias de forma bem fácil com seu Lewis, mas aparentou ser bobinho demais para empolgar e deixarem a responsabilidade do longa em suas mãos, de modo que toda cena que precisava de um pouco mais e era dele o enquadramento, o filme parecia afundar, e isso é algo que o diretor poderia ter corrigido, mas não ocorreu. Jack Black é aquele ator que vamos conferir já sabendo o que vai fazer em cena, e seu Jonathan é cheio de trejeitos, faz alguns feitiços interessantes, mas é desengonçado e bobo demais para ser alguém que impressione, e isso acaba chamando atenção demais, o que não é legal de ver. Cate Blanchett mesmo fazendo um personagem praticamente abobado, com sua Sra. Zimmerman, consegue se destacar, manter a pose de dama, e incrivelmente chama uma desenvoltura até maior para o seu papel, o que é comum de vermos em seus filmes, mas claro que está longe de ser perfeita como costuma, afinal é duro misturar comédia e suspense, e ainda ser clássica. Quanto aos demais, a maioria só participou das cenas, tendo um ou outro destaque por parte das crianças e da vizinha, mas nada que impressione para ser destacado.

No conceito cênico, a trama foi bem moldada, cheia de detalhes com personagens/objetos que se mexem, diversos relógios de todos os tipos, e muita cenografia de composição para que a trama ficasse composta na época que se passa (anos 50), e ainda tivesse todo um vertente mágico, afinal estamos falando de bruxos e feitiços, e com isso, tudo tem um impacto visual bem maior do que o imaginado, e sendo assim, o trabalho da equipe de arte se mostrou bem primoroso e cheio de nuances, de modo que mesmo o longa não sendo 100% para as crianças, esses efeitos conseguiram segurar até os mais pequenos nas poltronas numa sessão legendada, ou seja, o efeito de cores e objetos passeando ficou ao menos atrativo. Agora o porão da casa, é daqueles que o diretor com certeza desejava fazer um belo filme de terror ali, pois os bonecos não são nada amigáveis nem visualmente, nem nas suas atitudes. A fotografia foi bem escura, mas como tivemos muitos efeitos, os tons acabaram brincando bastante com o dourado, laranja e até algumas nuances roxas, o que acabou fazendo com que o filme brincasse bastante com o olhar do público para vários pontos da tela.

Enfim, é um filme que como disse no começo acabou ficando bem em cima do muro, mas que agrada tanto adultos como os mais pequenos, lembrando bem os longas que citei. Confesso que esperava um pouco mais dele, pois aparentava ser uma história mais próxima de algo infantil e gostoso de ver, e como ficou meio propenso a ser uma cópia de "Goosebumps", o resultado decepcionou um pouco. Bem é isso, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Coração de Cowboy

9/22/2018 08:04:00 PM |

Alguns estilos sempre são tentadores de atacar e o mote musical costuma funcionar bem com o ar sertanejo/country, mas para se fazer um musical ou drama musical se necessita um pouco mais do que apenas boas canções inseridas na trama, mas sim uma dinâmica voltada para que as canções nos conte a trama, e não o inverso. Dito isso, posso colocar "Coração de Cowboy" como sendo uma homenagem bacana para o sertanejo raiz, aquele que com boas canções nos emocionava, nos remetia uma esperança em algo, e não a cornomusic pop que anda hoje tocando nos rádios, e a trama é bem funcional e explicativa para mostrar essa ideia, conseguindo agradar pela essência sertaneja, porém ficou com ares novelescos demais, faltando uma forma mais avançada para empolgar como cinema mesmo, mas longe do longa ser algo dispensável, conseguimos acompanhar tudo de uma maneira feliz, gostosa, com boas músicas, e que até consegue emocionar na cena mais impactante, contudo poderiam ter trabalhado um pouco mais o roteiro para que o filme virasse quem sabe realmente um musical nas telonas, e quem sabe até ser transportado algum dia para palcos no melhor estilo Broadway de ser, pois um pouco mais apurado conseguiriam esse resultado. Portanto, quem gosta da boa música sertaneja das antigas, e curte um romance novelado, pode ir conferir a trama que irá ficar bem feliz com o resultado, mas se não faz seu estilo, e for esperando um musical mesmo como a senhora que estava atrás de mim, pode fugir, pois a chance de resmungar de tudo é alta.

O longa conta a história de Lucca, um cantor sertanejo explorado por sua empresaria Iolanda que o induz a gravar músicas de apelo comercial, com uma pegada puxada para o pop e que fogem completamente de suas raízes. Lucca tenta voltar as suas origens musicais, mas se sente bloqueado devido a um trauma de seu passado no qual ele se sente culpado. Após um desentendimento com Iolanda, Lucca larga as gravações de seu novo projeto e parte para sua cidade natal, no interior, em busca de inspiração pra voltar a compor músicas intimistas. Em sua cidade natal, Lucca reencontra Marcelle, sua antiga parceira de composição, que incentiva Lucca a voltar a gravar canções de raíz. Lucca também conhece e se apaixona por Paula, a nova dona do bar da cidade. Nesse retorno para suas origens, Lucca tenta reatar os laços afetivos com seu pai Joaquim, o qual ele possui uma relação distante e cheia de magoas.

Em sua estreia na direção de longas metragens, Gui Pereira conseguiu trabalhar bem a história de modo que funcionasse como deveria, pois como frisei no começo, ela passa longe de ser algo que tradicionalmente chamaríamos de cinema de cunho mesmo, mas também passa bem longe de ser um novelão enrolado, ficando no meio do caminho, então como costumo colocar funcionou como uma homenagem bem produzida para a música, e sendo assim, todo o enredo e o carisma próprio da trama acabou sendo funcionando, e vemos que Gui possui um tino de direção bem apreciado para dinâmicas mais elaboradas, agora só falta acertar melhor o estilo de corte, pois é notável que todas as cenas possuíam muito mais tempo do que o que foi exibido no corte final, e é notável as quebras ficando levemente estranho de ver em alguns momentos. Diria que o bar country foi uma boa escolha para o desenvolvimento da trama, mas ficar a todo momento com vários cantores conhecidos cantando músicas quase que na totalidade, para aí vir puxar para o ator que está sentado por perto até teria uma funcionalidade se as canções dissessem mais sobre cada momento, e entrasse como algo de fundo para o momento, mas elas sendo cantadas ali acabam cansando um pouco, e talvez esse tenha sido o maior erro do diretor em não pensar no roteiro como algo mais aberto do que uma homenagem. Ou seja, volto a afirmar que podemos analisar a trama de duas formas, como um filme realmente cheio de erros e já citei os motivos, ou como uma homenagem musical com uma história de fundo, que aí sim posso dizer que o resultado beira a perfeição, pois as escolhas musicais foram perfeitas, a historinha comove, e o resultado fica bem feito, basta então você escolher o que quer ver, e aí sairá feliz ou triste com o que verá.

As atuações foram todas bem colocadas e embora algumas pareçam meio fora de contexto do filme acabaram agradando bem no resultado final. Para começar a escolha de Gabriel Sater foi na medida, pois seu visual é o típico cantor sertanejo atual, que é bonito, tem um porte atlético, cabelinho da moda, fazendo canções chiclete, mas que pela essência sertaneja, afinal é filho de um dos maiores cantores sertanejos de raiz na vida real, conseguiu encarnar bem a personalidade sertaneja que o papel de Lucca necessitava, e sabendo dosar bem as expressões, cantou bem as músicas que lhe foram designadas e agradou tanto na parte de ator como de cantor, ou seja, funcionou para o papel completamente. Thaila Ayala entregou uma dona de bar também de raiz, meia brucutu, mas bem bonita, e claro, perfeita para encaixar como par romântico na trama, de modo que os olhares de sua Paula embora entregassem o não, ela mostrava que sim, e fez bons momentos também, o que mostra que sua experiência artística tem melhorado cada vez mais. Jackson Antunes fez o que sabe fazer na telona, velhos ranzinzas sertanejos natos que não dão perdão quando você erra, e o seu Joaquim foi feito na medida para o estilo que o ator costuma entregar, ou seja, emocional nas frases e preciso nos olhares, e seu momento cantor também foi bem pontuado e emocionante. Thaís Pacholek colocou um ar bem tradicional na sua Marcelle, de modo que pareceu até mais tímida do que a personagem poderia, talvez pelo casamento mais tradicional, e assim ficou meio que de segundo plano, mas soube entregar boa personalidade nos momentos que precisou cantar, e talvez pudesse até ter trabalhado mais isso. Quanto aos demais, a maioria foi enfeite, aparecendo para dar complementação, tendo claro um leve destaque para Françoise Forton fazendo a tradicional empresária que só quer ganhar dinheiro e não liga para as escolhas do cantor. Além claro que temos de dar alguns leves créditos para as crianças que fizeram os cantores quando pequenos, que foram bem graciosos e conseguiram chamar atenção.

No conceito cênico, a produção foi bem minuciosa e conseguiu fazer (ou encontrar - pois não sei se foi feito em algum lugar real mesmo) um bar muito bem moldado, nos moldes tradicionais de bares americanos aonde cantores vão para se apresentar para os que estão ali bebendo, lembrando muitos filmes americanos de estrada, o que acabou sendo um presente visual para quem gosta de olhar detalhes na decoração, além de casas simples de fazenda, e caminhonetes bem encorpadas, mostrando todo o trabalho da equipe de arte, e até mesmo no começo com shows gigantescos, ônibus plotado de turnê, estúdios e personagens midiáticos, conseguiram ser bem encontrados, somente uma pontuação que poderia ter sido eliminada foi a cena do programa da Silvia, que ficou algo muito fraco e mal-feito. A fotografia trabalhou bem a iluminação natural do campo e conseguiu imagens incríveis de ver, de modo que a trama ganhou até uma densidade dramática puxada para o vermelho que encanta os olhos, ou seja, também pesquisaram bem para escolher os melhores momentos da cidade.

A trilha sonora escolhida por Lucas Lima foi bem trabalhada nas canções de Chitãozinho e Xororó, e conseguiu encaixar com cada momento de forma acertada, mesmo que não fosse algo mais visceral e funcional como disse no começo do texto, mas como sonoridade elas foram incríveis e agradam demais. Só é uma pena, que para variar como a maioria dos longas nacionais, ela não foi disponibilizada online para compartilharmos.

Enfim, confesso que esperava algo mais novelesco, e fui levemente surpreendido, mas ainda faltou muito para ser um longa perfeito que eu recomendasse realmente como cinema, valendo mais como uma homenagem que aqueles que gostam de sertanejo mesmo (não essas modinhas bobas que andam tocando nas rádios) irá curtir e até se emocionar com alguns momentos. Fica assim sendo minha recomendação de público, pois se você for esperando algo diferente, é capaz de se decepcionar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Buscando... (Searching)

9/21/2018 12:39:00 AM |

Muitas vezes ficamos nos perguntando: "Nossa, tal filme estreou nos EUA em determinado festival no começo do ano, já não era para ter aparecido por aqui?", e alguns filmes até temos de reclamar, pois é apenas firula da distribuidora para ver o desempenho por lá para imaginar quantas cópias vai jogar no mercado nacional, mas quando vemos o trabalho técnico feito em um filme como o que ocorreu em "Buscando..." diria que poderiam demorar quanto tempo quisessem, pois é INCRÍVEL ver TUDO traduzido na tela, de modo que se você for pego desavisado entrando numa sala dublada, vai achar que o John Cho é brasileiro e o longa foi gravado aqui, pois vemos a tela tradicional do Windows e do Mac aparecendo toda hora na tela com as páginas todas traduzidas, com comentários aparecendo em português par lermos, mensagens nos vídeos subindo tudo traduzido com minúcias, os letreiros dos vídeos, e tudo mesmo que quem nem quiser prestar atenção no longa pode ficar perdido lendo sem parar tudo o que aparece na tela, mas isso não ocorrerá, ou melhor, ocorrerá parcialmente, pois a história investigativa é tão boa, que nos vemos junto com o protagonista analisando detalhes dos vídeos e conversas para tentar "ajudar" na busca pela garota desaparecida, quem foi o responsável, quem é culpado, quem poderia estar blefando, torcemos para que o pai soque quem ofende, e na melhor forma que andamos discutindo política nas redes sociais acusando tudo e todos, e brigando até mesmo por algo que não nos faz jus, a trama consegue ir se modelando (e volto para o começo do texto) toda traduzida para que pudéssemos brincar realmente de detetives, criando tensão, se especulando muito de tal forma que ao chegarmos na revelação final, e na forma calma com que tudo é entregue, até brochamos um pouco, pois como somos um pouco mais estourados (e não temos o sangue oriental zen do protagonista) certamente socaríamos todo mundo e no mínimo explodiríamos tudo ao redor, pois é de dar muita raiva com tudo.

A sinopse é simples e também vou evitar falar muito, pois qualquer coisa que disser estragará a experiência, então o que o longa nos conta é que David Kim (John Cho) fica em pânico com o desaparecimento de sua filha adolescente. As horas vão passando e nenhuma pista do que aconteceu. O pai então decide verificar o computador da jovem em busca de pistas antes que seja tarde demais.

Como todo bom filme de suspense/investigação policial falar qualquer detalhe é entregar o resultado final, e felizmente será bem raro alguém que mesmo lendo tudo o que aparecerá na tela, ouvindo os personagens falando, e tudo mais, conseguirá decifrar a trama por completo, mas também felizmente não somos jogados de bobos com o resultado final, e isso é o que mais surpreende e/ou emociona, e por ser seu primeiro longa como diretor e roteirista, o indiano Aneesh Chaganty está colhendo resultados incríveis nos diversos festivais que passa seu filme, como por exemplo Sundance aonde abocanhou dois excelentes prêmios, e é fácil conseguir entender o motivo das premiações, pois o longa é completo, é polêmico e mesmo não querendo se envolver, a pessoa na segunda tela que o pai abre já está lá lendo e falando: "foi essaí... não não, foi aquela... esse é suspeito demais" e vamos juntando cada detalhe para tentar ser até mais rápido que a polícia e o pai da garota juntos, ou seja, difícil quem nunca tenha brincado de detetive quando criança, e o longa é um deleite para todos fazerem isso, pois volto no quesito técnico da produção que foi caprichosa demais em traduzir tudo (detalhe, nem no pôster, muito menos no trailer abaixo está tudo traduzido, e no filme tudo foi incrivelmente transformado!!), e com isso o resultado da história fica melhor ainda. Não vou entrar fundo no conceito da trama em si, pois dizer qualquer coisa sobre o que mais me incomodou, que foi a forma calma do fechamento, estaria estragando a conferida de todos, e quero que todos vejam, e saiam surpreendidos com o que o diretor fez, pois é um longa para ficar na memória.

Sobre as atuações, basicamente temos de pontuar toda a serenidade de John Cho para com seu David que tirando algumas cenas mais exaltadas, foi extremamente sereno, investigativo e perfeito nas estratégias para descobrir o que aconteceu com sua filha, como qualquer pai faria, e trabalhando bem as expressões, movimentos de mãos no computador (a análise do movimento do mouse também conta) e tudo o que vai entregando nos diálogos com os demais personagens, fez com que se mostrasse um ator exemplar. Debra Messing também faz um excelente trabalho como a Detetive Vick, sendo sempre serena com interjeições claras, auxiliando na medida o protagonista na busca, e criando ótimas conversas pontuadas para cada ato, de modo que a atriz que sempre fez comédias românticas mostrou personalidade para um papel mais denso também. Todas as atrizes que fizeram Margot em suas diversas idades também se mostraram bem interessantes para ressaltar os momentos felizes e tristes da família, mas Michelle La que finaliza as cenas de desaparecimento entregou uma personalidade bem séria e dura nos seus últimos momentos que ficamos pensando em muitas possibilidades, de forma que conseguiu entregar a expressão completa de ponto de interrogação para que não descobríssemos quase nada, ou seja, foi muito bem também.

É até engraçado falar bem do conceito visual da trama, pois praticamente só temos parte da casa do protagonista, o quarto da detetive, a sala e cozinha do irmão do protagonista, o lago, um memorial de velório, e algumas cenas espaçadas na rua, nos quartos de estudantes, e por aí vai, mas a interligação tecnológica é tão grande, mostrando tantos aparatos, redes sociais, e conexões da internet que estamos tão acostumados a ver no nosso cotidiano, que o filme foi extremamente bem construído na ideia, e depois reconstruído em cada país que foi lançado (volto a recomendar, que sei que muitos baixam na internet filmes, mas esse aqui, tente ver a versão do cinema nacional - não digo dublada - mas sim a versão para os cinemas brasileiros, que contém tudo traduzido em minúcias e mostra tudo da forma que vemos no nosso computador diariamente). Ou seja, um trabalho da equipe de arte primoroso e incrível de ver. A fotografia foi mais escura propositalmente para criar tensão no público, mas em momento algum temos cenas jogadas na tela, de modo que tudo é completamente funcional, visível e perfeito para quem desejar montar o quebra-cabeça completo.

Enfim, um filme que posso classificar como incrível, que pensei seriamente em dar nota máxima, mas que mesmo sendo impactante, faltou ser chocante (ao menos para mim, que não sou pai, talvez outros sintam mais!), de modo que recomendo o longa por demais para todos que gostem de um longa investigativo de primeira linha, e vou parar de falar, que daqui a pouco conto o final do filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Daria 9,5 se tivesse forma de dar nota quebrada, mas não faço picadinhos de coelhos, então vai ser 9, mas que bem que raspei a trave de dar 10.

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Tokyo Ghoul (Tôkyô gûru)

9/20/2018 01:36:00 AM |

É engraçado como o mundo dos filmes baseados em mangás e animes consegue ser completamente diferente do que estamos acostumados a ver normalmente nos cinemas, pois sempre criam alegorias, efeitos e até histórias que poderíamos imaginar num filme fantasioso comum, mas tudo soa tão forte, impactante, que necessite de confrontos, que acabamos adentrando em tantas peculiaridades que ou você embarca de vez, ou acaba cansando do que está sendo mostrado. No filme anterior do Festival de Ação Japonês, confesso que raspei de dormir por não entender quase nada do que estava acontecendo, afinal o longa era parte contínua de algo seriado, mas hoje com "Tokyo Ghoul", que é uma adaptação de um famoso mangá, agora em live-action, o resultado já foi completamente diferente, e embora bem maluco, consegue empolgar bastante com uma história bizarra sobre um rapaz humano que transplantado os órgãos do bicho que tentou lhe comer, vira um bicho também, e passa a ajudar outros a sobreviverem de uma agência que os caça, ou seja, uma loucura total, com efeitos mais loucos ainda, lutas estranhas, mas que na junção completa fica interessante de ver, e até lembra uma mistura de "O Predador" com "X-Men" e até um pouco de "Crepúsculo" (acho que viajei demais!), e quem gosta de um pouco de cada coisa dessa talvez goste do que é mostrado na tela também.

A sinopse nos conta que durante um encontro, o tímido Kaneki Ken é atacado pela menina com que saiu mas ele consegue fugir. Não demora muito tempo para Ken perceber que ele também se tornará uma carniçal, criatura que se alimenta de carne humana. Enquanto está aprendendo a viver com essa nova condição, ele começa a ser caçado pela divisão Ghoul da polícia.

Nem vou entrar na famosa briga de se os fãs vão gostar ou não, pois a sala até estava razoavelmente com bastante público, mas não vi nenhuma emoção, aplausos ou qualquer atitude que expressasse algo incrível para com o filme, mas também não vi ninguém reclamando ao sair da sessão, ou seja, as pessoas conferiram o filme de uma forma como veriam qualquer outro longa comum, e sendo assim, o trabalho do diretor Kentarô Hagiwara pode ser descrito como uma trama bem moldada que conseguiu entregar uma história completa, pois vemos um filme com começo, meio e fim, que até assusta um pouco pela duração de quase duas horas (algo incomum em filmes desse estilo), mas que consegue passar toda a essência da trama, mesmo que os personagens tenham atitudes bem estranhas em cada momento. Como já falei também, não conheço a fundo histórias e mitologias asiáticas, mas aqui vemos algo que certamente bem fantasioso funciona como qualquer outro longa de ficção, apenas poderiam ter trabalhado melhor os atores para não se expressarem tão exagerados, e também entregassem mais personalidade para que pudéssemos torcer para algum, pois não consigo enxergar nem que os "monstros" estão fazendo seu papel de trabalhar bonitinho no café, comer um humano aqui, outro acolá como fazemos com os animais normalmente, ou se torcia para a agência que caça os bichos, mas só tem paspalhos estranhos e bizarros, ou seja, tivemos uma bagunça tanto nas atuações, quanto nos personagens, e acredito, que nos mangás isso deva ser bem mais montado e interessante.

Como disse, as atuações foram bem fracas de personalidade para cada personagem realmente, e a dublagem nacional conseguiu deixar ainda mais estranho tudo, apesar que ouvir japonês não é algo muito fácil, pois eles acabam sendo expressivos demais nas falas, e talvez o longa legendado ficasse ainda mais estranho (como podemos ver no trailer legendado abaixo), ou seja, diria que os personagens em geral foram bem entregues, tiveram uma moldagem incorporada e bem explicada de quem é quem no mundo deles ali, mas talvez um desenvolvimento maior apenas nos protagonistas agradaria até mais.

Um dos maiores defeitos da trama ficou a cargo da equipe visual, pois como dependeu demais dos efeitos especiais/visuais, a trama teve tanto furo de continuidade que assusta, com cenas seguidas de minutos começando de dia, ficando de noite logo em seguida (tipo embaixo de uma ponte), voltamos pra cima com mais dia, e de repente tudo está de noite, ou seja, poderiam ter melhorado isso, mas tirando esse detalhe de continuísmo, os personagens tiveram figurinos bem interessantes, poderes fortes, lutas bem colocadas, e locações até bem encaixadas para parecer algo quase de videogame, ou seja, boas escolhas cênicas para que os elementos cênicos tivessem até bons destaques.

Enfim, é um filme que prende mesmo sendo bem estranho, e que passa bem longe de ser algo primoroso, e que alguns vão gostar mais pela essência, outros conferirão pelos mangás, e alguns vão apenas começar vendo tanta loucura e sairão correndo, mas que como costumo dizer, se conseguiu passar uma história completa dentro do tamanho proposto, no caso aqui 115 minutos, o resultado já se faz por valer, então fica a dica para quem gosta do gênero conferir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas já volto amanhã com mais textos das estreias da semana, então abraços e até logo mais.

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O Homem Que Parou o Tempo

9/18/2018 12:57:00 AM |

É interessante como alguns novos diretores optam por trabalhar reflexões no formato mais abstrato possível em seus longas, e com isso conseguem permear até boas ideias, incorporam planos interessantes visualmente falando, mas raramente conseguem atingir algum ápice dentro da filosofia que procuraram empregar para chegar no resultado que imaginaram, e assim sendo, seu filme acaba ficando vazio, ou melhor, podendo ser resumido pela metade, quiçá por um terço do tamanho, que ainda assim não resultaria em algo muito produtivo. Digo isso com um leve pesar sobre "O Homem Que Parou o Tempo", pois aparentemente o diretor desejava entregar uma brincadeira com o carpe diem, e o viver o presente apenas, mas o resultado acabou floreado demais, e enrolado demais para ser algo interessante de conferir realmente, de modo que os 61 minutos aparentam bem mais na telona, e certamente com 15 a 30 minutos, ele entregaria o mesmo filme bem mais dinâmico e com uma perspectiva mais coesa, mas aí não seria lançado nos cinemas (ou seja, já que é assim vamos encher linguiça nos roteiros até falar chega, para poder vender mais!). Ou seja, continuarei falando que o filme está bem longe de ser algo ruim, pois a essência é interessante, mas a forma escolhida e o formato repetitivo de cenas acabou sendo errado demais para mostrar o quão bom de estética o diretor entendia para passar seus pensamentos.

Segundo o diretor, o longa é um drama psicológico que flerta com a ficção científica e aborda o delicado universo de João um cara que tenta pôr em prática um plano um tanto insólito - conseguir parar o tempo. Só que para isso ele terá que cometer uma espécie de "suicídio social". Isolado em seu micro-apartamento de fundos, num Rio de Janeiro distópico, abandonado e ao mesmo tempo ocupado pelos únicos que não conseguiram ir embora antes da grande crise, mostra que conseguir parar o tempo torna-se uma difícil viagem solitária e que levará João até as últimas consequências.

Em seu longa de estreia, o diretor e roteirista Hilnando SM flertou bem com a proposta, entregou um longa bem reflexivo, e principalmente mostrou que não brinca em serviço com planos esteticamente perfeitos para divagar e pensar na ideia da trama, trabalhando a reclusão social do protagonista, os ambientes para pensar e até mesmo suas teorias penduradas na parede, e floreando em planos extensos, bem abertos aonde tudo parece fluir em algo maior ainda, o resultado de seu vértice é funcional. Ou seja, como costumo dizer, se ele tivesse arrumado mais situações e não repetisse tanto as mesmas coisas, talvez seu "longa" tivesse conseguido formar uma essência mais ampla e entregaria sim um resultado mais promissor, e não apenas um filme singelo que não chega a lugar algum, pois muitos nem ficam para ver a frase bem colocada após subir todos os créditos, o que é uma pena, pois resume bem a trama, mas como a maioria se cansou de repetições, ninguém nem espera para ver se terá algo a mais.

Sobre a interpretação de Gabriel Pardal com seu João, só tenho de dizer que ele entregou um semblante sincero, foi bem preparado para o papel, e conseguiu expressar bem a ideia do que a solidão desejada é algo que a pessoa tem de querer muito e forçar para conseguir, pois muitos virão contra sua ideia e tentarão mudar muito isso, e trabalhando olhares (alguns bem tristes, pensando até em mudar sua opinião, no caso com a garota dando bola para ele, outros satisfatórios por conseguir o que desejava, quando colocava mais um papel na parede, outros desesperadores quando não conseguia o que almejava, e por aí vai) conseguiu entregar uma personalidade bem colocada e muito interessante de se ver na telona, ou seja, mostrou o que um bom ator pode fazer até mesmo com uma história simples e repetitiva. Das participações, Camila Márdila foi a mais útil com sua Mai, mas poderiam ter trabalhado mais sua personagem e não ser apenas um elo que apareceu praticamente do nada, e que deram um jeito de eliminar rapidamente, pois a atriz é boa, foi bem conectada para ajudar na formação do pensamento, mas se ficou 10 minutos em cena foi muito, e certamente ela daria muito mais para o filme, agora os demais atores melhor nem comentar, pois expressividade jogada sem nada a acrescentar, apenas deixando os momentos mais chatos e jogados no longa.

Quanto do visual da trama, conseguiram representar completamente como é o isolamento, apenas água e nada mais, pois ir ao mercado é ter interação, comprar algo de alguém faz se ter interação (tanto que na compra da droga, quase ocorre uma desconexão completa com a ideia!), e o apartamento inteiro desorganizado deu um tom muito bem colocado para a trama, ou seja, a equipe de arte foi sutil e incrível na montagem cênica ali, já nas cenas da praia, foram bonitas para dar o ar filosófico apenas, e nada mais, pois repetidas a exaustão acabaram mais cansando do que ajudando. A fotografia também foi bem coesa em ter planos bem abertos, sempre em tons mornos para criar uma leve tensão de tempo, o que acabou alongando um pouco a trama, mas funcionou para com a proposta ao menos.

Enfim, é um filme diferente dos padrões, que usa muito da ideia formatada de experimentação e que até fica interessante em diversos momentos, mas que se alonga demais sem necessidade, e ousa de abstrações para forçar a barra em alguns momentos. Diria que recomendo ele numa versão resumida, pois na sua totalidade mais exagera do que agrada, e como nota, se fosse um curta certamente daria 8 para ele, mas como média/longa não posso passar de 5, pois o filme acaba sendo bem mediano. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda nessa semana tem um longa do Festival de Ação Japonês, então ainda volto com mais um texto, então abraços e até breve.

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O Predador em Imax 3D (The Predator)

9/15/2018 02:53:00 AM |

Se você tem menos de 30 anos provavelmente não sabe o que é ficar tenso e rir quase que na mesma proporção em um único filme, mas a partir dessa semana poderá conferir "O Predador" e descobrir como um filme violentíssimo, de um bichão esquisito que praticamente mata por esporte (ou melhor será "explicado" seu motivo no longa), mas que sempre trabalhando alívios cômicos encaixados com tanta naturalidade na trama, juntamente com cenas bizarras de tiros para todo lado, saltos em naves em movimento, acabam resultando em algo tão gostoso de acompanhar, que mesmo rindo das bobagens, e se chocando com as violentas mortes, certamente você sairá feliz da sessão com o que viu. Ou seja, a galera das antigas que estava saudosa por filmes desse estilo irá vibrar e rir muito a cada cena de morte, e os mais novos poderão experimentar como eram bizarros e ao mesmo tempo bons os longas malucos dos anos 90. Certamente o 3D foi feito apenas para vender ingresso mais caro, pois nada temos que surpreenda, mas como filme, o longa vale muito a conferida.

O longa nos mostra que uma perseguição entre naves alienígenas traz à Terra um novo predador, que acaba sendo capturado por humanos. Antes disso, ele tem seu capacete e bracelete roubados por Quinn McKenna, um atirador de elite que estava em missão no local onde a nave caiu. A bióloga Casey Brackett é então chamada para examinar o ser recém-descoberto, mas ele logo consegue escapar do laboratório em que é mantido cativeiro. Ao tentar recapturá-lo Casey encontra McKenna, que está em um ônibus repleto de ex-militares com problemas. Juntos, eles buscam um meio de sobreviver e, ao mesmo tempo, proteger o pequeno Rory, filho de McKenna, que está com os artefatos alienígenas pegos pelo pai.

Ao mesmo tempo que o diretor Shane Black fez uma homenagem aos longas originais de 1987, 1990 e 2010 (e até mesmo os com o Alien em 2004 e 2007), ele conseguiu trabalhar entregando um quase reboot da franquia, e ainda por cima dar um ar de continuação dos originais, trabalhando em algo mais evoluído com diversas conexões, ou seja, ele não apenas trouxe a ideia de volta a tona, como brincou com tudo auxiliado é claro por muito mais tecnologia, para que os bichões feios não ficassem tão horrendos e ainda tivessem mais conexões com o mundo atual, ou seja, a trama mesmo sendo "fraca" de conteúdo e reviravoltas, conseguiu trabalhar tão bem todo o formato da trama, que desde as situações de lutas cheias de violência gratuita que tanto gostamos, passando pelas boas cenas de piadas icônicas (sem dúvida as do ônibus com os malucos, depois eles na casa do protagonista, ou até mesmo na festa foram de rachar o bico de tanto rir), e até mesmo nas mais carinhosas com os cachorros e com o garotinho e sua "deficiência", mostraram uma eficiência de escolhas do diretor que acabou entregando algo que embora seja abaixo do formato original, nos remete aos bons momentos que tivemos vendo os originais, e com isso acabamos nos divertindo demais e saindo completamente satisfeitos com o que o diretor fez, torcendo até para que faça continuações.

Sobre as interpretações, temos de ser sinceros que os coadjuvantes conseguem certamente chamar muito mais atenção do que os protagonistas, e isso se deve pelas partes cômicas serem tão bem encaixadas na trama, que o grupo 2 é daqueles que até torceríamos por um filme prequel daqueles bem malucos que só seria risada em cima de risada, mas como isso não é possível, só iremos nos lembrar de Thomas Jane com seu Baxley, Keegan-Michael Key com seu Coyle, Augusto Aguilera com seu Neetles como um trio muito louco, que juntamente com Trevante Rhodes entregando um Nebraska cheio de personalidade, botaram a loucura de lado (juntamente com suas armas) e saíram botando os bichões pra correr, ou seja, foram incríveis. Agora indo para o protagonista Boyd Holbrook com seu Quinn McKenna, podemos dizer que ele conseguiu (ou melhor, a equipe de maquiagem conseguiu) aparentar bem mais velho, como um atirador experiente e que cheio de personalidade de impacto acabou tendo uma boa dinâmica de interação com todos, funcionando bem como elo, e não deixando que suas cenas ficassem vazias, mas certamente um ator mais icônico, ou talvez alguém mais velho e com ares mais rudes conseguiria cravar as cenas com um pouco mais de realismo e menos firulas, mas nada que tenha atrapalhado demais. Olivia Munn praticamente caiu na trama com sua Casey, sendo tipo a cota feminina que o longa precisava para não ficar sem nenhuma "heroína" na trama, de modo que faltou personalidade para a bióloga que corre e atira como profissional, pois ela não mostrou nada que funcionasse como um grande motivo para estar ali. Jacob Tremblay é daqueles que já falei tanto que torço, que fica difícil ver um filme seu e não elogiar, de tal maneira que embora aparente um personagem bobo, de uma criança num filme de predadores, cheios de tiros e tudo mais, o jovem ainda tem capacidades de puxar frases bem colocadas com olhares ainda melhores fazendo com que seu Rory funcione e fique incrível, ou seja, ainda falarei muito dele com toda certeza. Sterling K. Brown veio como um agente do governo marrento, mas que com muita atitude acabou entregando boas cenas, mas poderia ter sido mais impactante nos momentos finais para que mostrasse ainda mais sua força. E para finalizar, não vemos sua cara real, mas o dublê de profissão Brian A. Prince entregou um Predador ágil, cheio de desenvoltura e claro cheio de força para arrancar pedaços quase como se tivesse dando um peteleco com dois dedos, ou seja, embora dependesse muito da computação, o ator foi muito bem colocado em cena.

O conceito visual do longa foi composto de muitas cenas escuras, mas que foram filmadas com muita tecnologia para que tudo aparecesse, ou seja, mesmo com os óculos escuros 3D, a trama consegue ser bem realçada e mostrar em detalhes toda a pompa das naves, os detalhes dos predadores, dos cachorrões alienígenas, das armas e claro de toda a selva e orgãos do governo aonde o longa se passa, entregando uma trama futurista, mas que se passa praticamente na época atual, com bons detalhes e cheio de elementos visuais bem colocados para que o longa funcionasse, tivesse a homenagem e boa colocação para com o original, e ainda revitalizasse a obra, ou seja, um trabalho primoroso da equipe de arte. Como disse, a fotografia foi muito esperta em criar luzes falsas de contraponto em praticamente todas as cenas, de modo que mesmo o filme se passando praticamente só a noite, e com muitas locações escuras, os tons foram realçados para que não sumisse nenhum personagem, nem detalhe que o diretor desejava mostrar, criando muitos bons ângulos e trabalhando sempre em plano funcional para cada cena, além claro do sangue verde dos bichões cheios de efeitos para que os tons ficassem fortes e bem visuais, além claro da equipe de maquiagem sendo auxiliada para que tivéssemos muito sangue nas diversas mortes dignas de bons longas de terror. Quanto do 3D do longa, diria que é algo praticamente inútil, não tendo quase nenhuma cena com algo de impacto nem de profundidade, e talvez a única utilidade mesmo da conversão tenha sido esse realce para que as cenas escuras não ficassem apagadas, ou seja, dá para economizar quem quiser (mas confesso que quem for na Imax vai vibrar com toda a potência sonora que o filme faz valer!).

Enfim, é um filme que quem desejar ver uma história mais impactante, que faça reflexões, ou até mesmo traga algum conceito novo para a arte cinematográfica sairá completamente decepcionado com o que verá, mas quem for disposto a curtir uma aventura cheia de diversão, violência e muito sangue, remetendo aos bons longas dos anos 90, certamente sairá da sessão vibrando completamente feliz com tudo o que foi mostrado na telona, dizendo em alto som ser talvez até um dos melhores da franquia, ou seja, um filme nostálgico que agrada muito quem gosta do estilo, e sendo assim essa acaba sendo minha recomendação. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Só não dou uma nota maior pela falta de um 3D melhor, e pelas diversas paias exageradas num nível fora da realidade (a dos personagens em cima de uma nave que atravessa portais à velocidade da luz, se segurando como se fosse num trenzinho de montanha russa foi para rir demais!)

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Ilha dos Cachorros (Isle Of Dogs)

9/14/2018 12:16:00 AM |

É sempre interessante observar o cinema de Wes Anderson, pois ele ao mesmo tempo que entrega algo muito bonito visualmente, ele consegue insinuar situações politizadas cheias de opiniões próprias bem colocadas, que juntamente com a essência de sua trama acabamos podendo discutir muitas coisas ao final da conferida, e com "Ilha dos Cachorros", além de tudo isso, ele ainda nos permeia (mais uma vez) com uma animação em stop-motion perfeita, cheia de detalhes, de personagens bem encaixados, e que acaba resultando em um filme que vai muito além da telona, mostrando o seu trabalho preciso e bem montado, e que mesmo abusando de estéticas extremamente explicativas, ainda consegue evoluir de uma forma diferenciada, inteligente e ousada, ou seja, entramos na sessão prontos para ver uma animação de cachorrinhos, e saímos pensando em política e em muitos absurdos do mundo todo, fazendo com que a sessão seja ainda mais valiosa do que apenas parecia no começo. Diria que apenas o início é um pouco alongado e cansativo demais, mas quando engrena nos divertimos tanto que queremos até mais filme, de modo que nos vemos até torcendo para os protagonistas.

O longa nos mostra que Atari Kobayashi é um garoto japonês de 12 anos de idade. Ele mora na cidade de Megasaki, sob tutela do corrupto prefeito Kobayashi. O político aprova uma nova lei que proíbe os cachorros de morarem no local, fazendo com que todos os animais sejam enviados a uma ilha vizinha repleta de lixo. Como não aceita se separar do cachorro Spots, Atari convoca os amigos, rouba um jato em miniatura em parte em busca de seu fiel amigo, aventura que transforma completamente a vida da cidade.

O diretor e roteirista Wes Anderson conseguiu colocar um teor forte na concepção da trama, de modo que vamos oscilando nosso humor durante praticamente todo o filme, passando indignação com o prefeito, se assustando com algumas atitudes dos cachorros, que embora soem simpáticos no decorrer do longa, no começo o visual acaba sendo forte e estranho demais para acharmos tudo bonitinho (e mesmo os filhotinhos acabaram saindo bem feinhos!!), também rimos em muitas cenas, e com isso o longa brinca com nossos sentimentos, entregando diversos vértices que podemos aceitar seguir ou não, de tal maneira que assim como anda acontecendo em várias discussões politizadas, alguns vão dizer que sim, os cachorros devem ser exterminados, e que somente essa verdade importa, enquanto outros irão pesquisar remédios para poder salvar seus amigos, e mostrar que aquela verdade mostrada não passava de um plano oculto, ou seja, o tradicional de Wes, que não vai facilitar sua vida.

Um ponto a ser meio que discutido é o filme ser quebrado em diversos capítulos, meio que explicativos, e que na montagem ficou parecendo ser algo que o próprio diretor assistiu seu longa linearmente e não entendeu alguns pontos, e resolveu filmar mais algumas cenas, inserindo explicações com flashbacks, mas conhecendo seu trabalho, sabemos que os flashbacks além de explicativos, servem como sátiras bem encaixadas para realçar seu ponto de vista, ou seja, um trabalho maluco e muito bem colocado.

Outro show do longa ficou a cargo da expressividade dos animais, juntamente com as ótimas dublagens de diversos atores dirigidos em outros filmes por Wes, e desde Bryan Cranston como o protagonista ranzinza Chief, passando pela cachorrinha revolucionária Nutmeg interpretada pela bela Scarlett Johansson, tendo ainda Bill Murray, Edward Norton, e até mesmo uma personagem feita na medida para Yoko Ono, a trama vai nos entregando bem dinamicamente o carisma de cada um dos cãezinhos, de modo que vamos nos conectando a eles pelas vozes bem diferenciadas, e claro suas personalidades, ou seja, algo que uma animação sempre necessita, mas que poucas vezes vemos de uma forma tão impactante.

Embora a trama tenho um conceito visual bem abstrato, tudo tem texturas, cores e ambientações cheias de detalhes e muita vida, para representar cada momento e funcionar dentro da proposta, de modo que conseguimos enxergar muito além de uma simples cidadezinha do Japão e sua ilha de lixos, vendo qualquer metrópole ou país que deseje expurgar seus problemas para bem longe de onde possa ser mostrado o que de bom tem no local, e claro que numa ilha abandonada cheia de detalhes também tudo passa a ser funcional, como as brigas/disputas, as fábricas antigas, e claro aparecendo muita tecnologia também afinal somos situados num futuro próximo, ou seja, souberam incorporar muito no visual, entregando um trabalho incrível de modelagem, e claro, de pesquisa de materiais, afinal um stop-motion necessita de muita criatividade nas escolhas para que as texturas funcionem. A fotografia da trama até possui alguns tons coloridos, mas sempre procurando um ar mais denso consegue envolver e emocionar o espectador, ao mesmo tempo que diverte também.

Enfim, uma trama bem ousada, com grandes sacadas e que consegue agradar na medida certa, mesmo que demore para engrenar, afinal como disse Wes quis explicar bonitinho em cada ponto sua opinião, e assim a trama é desenvolvida sem solavancos e com muita criatividade. Recomendo a trama não só para quem gosta de animações, mas sim para quem gosta de pensar e refletir sobre política, sobre animais e tudo mais. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais uma estreia, então abraços e até logo mais.

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Fantástica - Uma Aventura no Mundo Boonie Bears (Boonie Bears: Entangled Worlds)

9/09/2018 01:57:00 AM |

É engraçado que não costumo ler nada antes de ir conferir os filmes, vendo somente os trailers que passam antes das sessões que vou conferir, então casualmente acabo caindo em alguns filmes que já fazem parte de séries e/ou outros filmes que nem passaram por aqui, e o que acaba acontecendo? O pobre Coelho acaba boiando até tentar entender quem são os personagens, ou o que eles estão fazendo! Pois bem, dito isso, tenho de colocar que mesmo perdido é possível conferir "Fantástica - Uma Aventura no Mundo Boonie Bears" sem saber muito sobre eles, pois mesmo os personagens fazendo situações malucas entre eles, surgindo personagens do nada nas situações, e tudo mais, o resultado visual é tão bonito que acabamos viajando junto com eles, e até é possível compreender a trama entregue nesse que é o quarto de cinco filmes dos ursos e sua turma, mas que demora um certo tempo até pegar tudo, isso demora mesmo. Mas como para as crianças a história em si não é algo tão necessário, algumas acabam empolgando com a aventura (que é bem dinâmica e cheia de reviravoltas), outras choram por não estar gostando, e tem também aquelas que ficam até vidradas com tanto colorido, ou seja, um resultado diferente para cada um, que recomendaria mais se tivesse visto os demais, mas como só vi esse, minha única reclamação é não terem trazido ele em 3D, pois o filme tem muita coisa para funcionar saindo da tela, e é notável isso pelas plantas e tudo mais, mas de resto posso dizer que é um longa bem aproveitado e que tem um carisma visual bem encontrado junto de boas canções, mas longe de funcionar sozinho.

A sinopse nos conta que um grupo de ladrões é enviado para roubar o Tesouro Dourado em um lugar chamado Middle Kingdom. O tesouro a ser roubado é um dos itens mais preciosos do mundo, mas ainda há uma solução quando um robô se une aos irmãos Boonie Bears, a um caçador e uma guerreira da floresta. Juntos eles irão proteger o seu lar da destruição dos criminosos.

Os Boonie Bears são extremamente famosos na China, sendo responsáveis pelas maiores bilheterias de animações do país, e sendo também um sucesso na TV nacional por lá, de modo que já possuem cinco filmes lançados, e esse que surgiu por aqui agora é o quarto, e assim sendo os diretores nem se preocuparam em apresentar cada personagem para o público, já indo direto para os acontecimentos, e embora isso seja um pequeno problema, a trama é bem desenvolvida, conseguindo recompensar o público com um visual incrível de uma floresta mágica cheia de personagens alegóricos com muitas cores, e como é de praxe na China tudo com muito simbolismo entre os elementos, ou seja, quem for conferir pode até viajar pelos detalhes, e acabar feliz pela montagem com boas canções e até uma mensagem bem interessante.

Como sofri para entender quem era quem, agora que consegui um pouco de detalhes sobre os personagens, vou compartilhar aqui com vocês: Bramble é um urso inocente, bondoso, tímido, otimista e confia completamente em seu irmão Briar. Foi resgatado pela tribo de Fantástica quando ainda era um filhote e assume a responsabilidade de proteger a terra mágica. O urso ama a natureza, seu irmão e o reino de Fantástica. Igual seu irmão, Briar foi resgatado pela tribo de Fantástica e decide ajudar a robozinha Coco a encontrar e proteger o grande tesouro que essa terra esconde. É um urso corajoso, perspicaz, inteligente e tem um forte senso de responsabilidade pela floresta, animais e pelos seus amigos. O ganancioso Vick é um homem trabalhador que sonha em se tornar rico de qualquer maneira, mas sua ambição acaba por esconder a pessoa bondosa que é. Ao encontrar Coco, ele se junta à robô nessa busca pelo tesouro escondido de Fantástica, na intenção de ganhar muito dinheiro com isso. No entanto, Vick não esperava ser sensibilizado pela bondade e amizade dessa turma que protege a terra. Naya é uma garota inocente e misteriosa que precisa proteger Fantástica para continuar o legado de sua família. Sua ligação com a natureza vai muito além de interagir com os animais e as plantas, já que também consegue pressentir quando a terra encantada está em perigo. Em “Fantástica”, é missão de Naya proteger a natureza para manter a lenda de seu povo viva. A robozinha Coco ajuda o grupo com sua base de dados e suas habilidades arqueológicas, que permitem que ela escaneie tudo a seu redor. Por ser uma máquina, ela se acha superior aos humanos, já que não possui sentimentos que possam deixá-la vulnerável, mas logo vai perceber que não é bem assim. Ao conhecer Naya e conviver com seus novos amigos, Coco começa a entender mais sobre os humanos, a beleza da vida e a importância da natureza. Em busca do tesouro dourado de Fantástica, esses vilões farão o que for preciso para encontrar a fortuna que o reino esconde. Um chefe poderoso, uma garota e seus dois parceiros unem forças para alcançar o que querem, mas não contavam com a turma de defensores em seu caminho.

O ponto forte da trama é o visual, então espere ver boas texturas, detalhes bem coloridos, frutas em formato de animais e animais em formato de frutas, ou seja, tudo que pode confundir visualmente lembrando até diversos filmes americanos, como "Tá Chovendo Hamburguer", e até elementos visuais de filmes da Marvel (a armadura de um dos capangas lembra completamente a roupa do Homem de Ferro), ou seja, muita conexão para impressionarmos. Como falei no começo, com tantas cores e elementos voando, a trama certamente funcionaria bem em 3D, mas não fizeram esse uso da tecnologia, então apenas fica como bom exemplo do aproveitamento de sombras para criar perspectivas, e mostrar que mesmo sem o uso de óculos dá para brincar com efeitos também, claro que em menor escala.

Enfim, é um filme que depende de uma história maior, mas que funciona também para quem for disposto a curtir uma animação bem feita e colorida. Como disse, a trama vai agradar alguns pequeninos, e muitos irão apenas curtir a ideia sem entender como aconteceu com esse Coelho, mas de uma coisa temos que parar para analisar, as animações que antes eram vistas somente pelas grandes empresas americanas vêm despontando em muitos países e cada vez melhores, afinal o mercado consumidor que são as crianças é de grande bilheteria, assim como hoje a sala de pré-estreia estava bem cheia. Fica a dica então para a estreia na próxima semana, e eu fico por aqui encerrando essa semana cinematográfica bem estranha, então abraços e até a próxima quinta.

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Crô em Família

9/08/2018 12:39:00 AM |

Pois bem, costumo falar que se o primeiro filme já foi ruim, nem devemos dar chance para continuações, pois a chance de uma bomba vir em níveis gigantescos é bem alta, mas como não sou coach de diretores, sempre tem uns malucos que acham que se deu bilheteria, devem arriscar mesmo que todos que viram tenham saído reclamando. Ou seja, como disse para um amigo, o personagem Crô na novela "Fina Estampa" caiu como uma luva para dar o tom cômico bem colocado, fez a fama de Marcelo Serrado ir para as alturas, e claro acabou gerando um filme, no caso "Crô, o Filme", e nesse embora tenha sido muito forçado, ainda conseguiu forçadamente fazer o público rir, mas agora com sua continuação mais absurda impossível em "Crô em Família", o resultado foi lastimável, com uma sala praticamente vazia em pleno feriado, e ninguém rindo de nada na sessão, ou seja, vergonhoso ver o nível de filme sem história alguma, com personagens caricatos falando bordões, e nada que fosse realmente divertido, ou seja, completamente esquecível.

O longa nos conta que já famoso, bombado e dono da própria escola de etiqueta e finesse, Crô se vê, no entanto, sozinho e sem família. Carente e vulnerável, acaba ficando à mercê de supostos parentes, Orlando, Marinalva, Luane, Nando e Liz, cujas intenções não parecem ser das melhores. Ao lado das inseparáveis Geni, Magda e Jurema ativa aluna emergente, mas sempre desviando do veneno da pérfida colunista Carlota Valdez, Crô embarcará numa aventura repleta de pinta para descobrir a sua verdadeira família.

Já disse diversas vezes que se tem algo que não gosto é falar mal de diretores/filmes brasileiros, pois como produtor de formação, tenho de valorizar e torcer sempre para que cada dia melhorem nossa produção nacional, e claro nossos filmes rendam cada vez mais, mas aqui infelizmente não tem como elogiar nada do que a diretora Cininha de Paula fez, pegando um personagem divertido e caricato que foi muito bem em uma novela em 2011, que teve seu filme bem visto em 2013, mas que aqui virou um show de esquetes jogadas, que muitas vezes até parece não ter nenhuma conexão, com espaços pulados realmente, de modo a parecer até cortes mal-feitos. Ou seja, tivemos algo exagerado, cheio de gírias para todos os lados, que acabou não conseguindo convencer, nem criar uma história que envolvesse realmente, de modo que o único ponto mais satisfatório, e que já era esperado foram as últimas cenas, que tiveram um aprofundamento mais bacana e que mesmo não sendo divertido funcionou exatamente como Mel Maia diz no trailer: "está parecendo final de novela!", e sendo assim respondo para a Mel, não pareceu final de novela, mas sim uma novela completa de 25ª categoria, que metade do público acabou dispersando por falta de interesse, e só voltou a assistir no fim para saber o final.

Sobre as atuações, é fato que Marcelo Serrado domina completamente o personagem de Crô, que praticamente todos os trejeitos e expressividades lhe caem com primor, e que ele a cada filme incorpora mais gírias gays na personalidade, dando um ar moderno para a produção, e felizmente ele faz esse estereótipo bem colocado, que até passa bem longe de muitos gays que conhecemos, mas como um personagem até acaba sendo engraçado de ver, mas aqui ele forçou tanto que chegou até sair do eixo um pouco, não sendo agradável na forma de esquete, e mesmo nos momentos que até riríamos do que ele faz, o resultado acaba soando tosco, ou seja, não funciona. Jefferson Schroeder foi mais bem colocado com sua Geni, e embora seja um personagem bem secundário que a todo momento aparece, ele acabou dando um bom tom para cada momento seu. Arlete Salles e Tonico Pereira caíram bem na entrega de seus Marinalva e Orlando, fazendo tradicionais picaretas que vemos em diversas novelas, armando planos mirabolantes e caricatos, mas nada que fosse impressionante de ver. Quanto aos demais, a maioria faz figurações bem espalhadas, tendo uma ou outra frase mais chamativa, de modo que Mel Maia acaba quase sem falas para sua Liz, tendo uma certa expressividade maior nas cenas finais, e a colunista exageradíssima vivida por Monique Alfradique até tentou chamar atenção, mas de nada fez, tirando a cena de duelo que realmente foi a única que me fez rir.

No conceito cênico a trama foi toda trabalhada nas situações da escola de etiqueta, e claro da mansão do protagonista, sempre brincando de congelar as cenas e de turvar sua visão enxergando outras coisas nas cenas tradicionais, e brincando com figurinos bem coloridos tanto para o trabalho quanto para suas caminhadas, o filme até tem bons elementos visuais, mas de nada adianta para algo que foi feito em cima quase de algo cheio de esquetes. A fotografia não quis ousar e entregou um longa quase sem sombras, com poucas nuances e nem optou por brincar com o colorido ao menos para fazer rir, de modo que pareceu um trabalho bem jogado da equipe.

Enfim, um filme que mais do que não recomendar, digo que devam evitar, pois vai que decidam fazer um terceiro, e aí o risco é alto demais, e volto a dizer, que o cinema nacional sim continua crescendo e fazendo bons longas, mas sempre tem um ponto fora da curva para atrapalhar, e o de 2018 certamente já está eleito aqui. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Wheely - Velozes e Divertidos (Wheely)

9/07/2018 05:13:00 PM |

Tem filmes que são lançados nos cinemas já fadados a virar piada, pois são tão semelhantes a grandes sucessos que já vamos conferir com a expectativa quase completa de ver algo genérico que não irá entregar nada além do que já vimos outras vezes, mas sempre estamos dispostos a sermos enganados e/ou surpreendidos, de modo que ao final de "Wheely - Velozes e Divertidos" até conseguimos sair felizes da sessão por ver um longa animado cheio de história, que até tentou ter boas texturas, e tirando um miolo cansativo pelo excesso de atividades que o carrinho passa para chegar até o vilão, o filme até agrada e diverte, mesmo sendo extremamente infantil e mais voltado para crianças pequenas. Ou seja, sendo uma produção pequena de países que raramente mandam algo para cá, se você tiver alguma criança pequena que goste de carrinhos, pode com certeza levar ao cinema que os pequenos irão se divertir.

A sinopse nos diz que em Gasket City, uma cidade onde todos os moradores são carros, vive Wheely, um pequeno táxi preto e amarelo que sonha em se tornar o Rei da estrada. Para isso, ele precisará provar que é um verdadeiro herói enfrentando os carros de elite e o terrível caminhão de 18 rodas, que comanda o sindicato de carros de luxo da cidade.

Nem posso falar muito dos diretores, pois nunca vi nada de Yusry Abd Halim, que dirigiu algo que parece ser do estilo Homem Aranha, só que indonésio chamado Cicak-man (em tradução literal Homem Lagarto), mas como esse estilo de cinema não chega por aqui, nem dá para saber se é bom, mas certamente conseguimos ver pelo que foi entregue aqui é que devemos saber que outros países também resolveram criar bons longas para crianças, que sabemos ser o maior consumidor de cinema no mundo, e aqui a produção conjunta entre Malásia, Maldivas, Brunei e Djibuti, conseguiu se equiparar facilmente às grandes produtoras americanas, fazendo um longa de conceito simples, mas divertido, com uma boa proposta, e principalmente, com muita aventura, o que faz as crianças ficarem vidradas na animação.

Diria apenas que o maior problema do longa é exagerar na história, querendo que o protagonista faça muitas firulas, interaja com diversos personagens, e tudo mais, e esse estilo não permite isso, pois tanto os pais, quanto as crianças esperam ver algo mais dinâmico e direto, o que acaba cansando um pouco no miolo da trama, mas tirando esse detalhe, e claro, a cópia descarada dos personagens da Pixar, como o carrinho protagonista que é corredor, o melhor amigo que é meio caipira e abobalhado, entre outras similaridades, o resultado é gostoso de acompanhar, a dublagem foi bem trabalhada, e com muitas cores vibrantes a trama flui naturalmente, tendo até boas locações e leves texturas para impressionar.

Enfim, é um longa simples, que até consegue ter um carisma razoável, que foi feito direcionado para um público alvo de crianças bem pequenas, bem embasado em um molde, mas que conseguiu ir um pouco além, e se não fosse leves erros de alongamento seria um desenho que facilmente muitos veriam e gostariam do resultado, tanto que consigo recomendar ele mesmo o plágio sendo nítido. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou conferir outro longa agora, então abraços e até mais tarde.

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Alfa em 3D (Alpha)

9/07/2018 02:22:00 AM |

Chega a ser triste ter de falar mal de um filme, principalmente os bem produzidos, que conseguem entregar visuais incríveis como é o caso de "Alfa", mas não tem como dizer que o longa consegue empolgar em sequer uma cena, e olha que temos atropelamento por búfalos, temos queda em precipício, temos ataque de lobos, temos afogamento em lago congelado, entre muitas outras coisas que nos fazem quase acreditar que o personagem principal era um gato com sete vidas ou mais, mas a história é tão rasa, sem algo que chame a atenção, que se fosse transformado a trama em apenas um documentário de um lobo passeando por paisagens incríveis, o resultado seria muito melhor, pois é o que salva somente nessa produção: belos cenários maravilhosos que com a tecnologia 3D acabaram ainda mais imersivos, e um lobo treinado que fez melhores expressões que muitos atores do cinema, ou seja, um filme que poderia chamar a atenção, fazer o público chorar copiosamente, mas que apenas faz passar a hora.

A sinopse nos conta que na Era do Gelo, há 20 mil anos, um grupo de caçadores parte para uma arriscada expedição. Um deles é atacado e dado como morto. Agora, ele tem de aprender a enfrentar as adversidades e um lobo ferido se transforma em seu grande aliado nessa luta pela sobrevivência.

Oito anos! Esse foi o tempo que o diretor Albert Hughes ficou sumido dos holofotes cinematográficos, e se na parceria conjunta com seu irmão Allen em "O Livro de Eli" conseguiu explorar a dramaticidade em um cenário interessantíssimo, aqui ele apenas colocou o cenário para jogo e esqueceu que precisava fazer o ator ficar interessante também na história, e mais do que isso, fazer com que a história ficasse interessante para o público se empolgar com o que visse na telona, ou pelo menos não dormir, e infelizmente ele não conseguiu essa façanha, pois o longa mesmo tendo boas situações, acaba sendo morno demais, raso de perspectivas, mas inegavelmente ele arrumou a locação perfeita em Alberta no Canadá, passando por Vancouver também e até mesmo na Islândia, para que seu filme tivesse um visual incrível que até talvez esquecêssemos que ele não teve criatividade para entregar um roteiro também, quiçá diálogos expressivos para que os atores atuassem ao menos. Ou seja, um filme que vale ser visto pelo visual, mas que seja completamente esquecido pela história, se é que tem alguma para ser contada.

Sobre as atuações, só tenho a dizer que quem foi o melhor ator foram os dois lobos usados para interpretar o protagonista Alfa, pois eles fizeram olhares tristes, rosnaram, foram carismáticos e tudo mais, completamente diferente dos humanos que começaram o longa com uma expressão e terminaram com a mesma, e nem vou falar de interjeições, pois a distribuidora boicotou o país mandando para 99% das salas apenas cópias dubladas, então é melhor nem pensarmos nas vozes femininas todas iguais e sem entonação alguma, e nas do garoto que já não entrega emoção alguma com os olhares, aí com a voz calma então, ficou mais apático ainda. Dito isso, podemos dizer que o problema foi de direção, pois Kodi Smith-McPhee tem entregue boas interpretações nos seus últimos longas, e aqui seu Keda é muito inexpressivo, de modo que quase torcemos para que ele não consiga atingir seu objetivo, para ao menos ficarmos com raiva dele, mas como bem sabemos, os longas não são assim. Jóhannes Haukur Jóhannesson entregou um líder bem colocado, com expressividade forte inicialmente, mas que precisa aprender a chorar, pois suas cenas de desespero foram piores que muitas novelas mexicanas, ou seja, falso ao extremo. Quanto aos demais, tudo praticamente figurantes, com raras falas espaçadas, ou seja, melhor nem comentar.

Agora sem dúvida alguma o longa teve um conceito visual de tirar o fôlego, com cenários precisos, cheios de detalhes, com uma profundidade de campo tão bem encaixada, que aliada à tecnologia 3D deu uma imersão maravilhosa para o longa, tanto nas cenas a noite com labaredas de fogo e vagalumes, quanto nas cenas de neve, aonde temos uma névoa branca incrivelmente bem colocada, fazendo com que o público praticamente se envolva com os personagens, em locações maravilhosas, ou seja, um trabalho primoroso que merecia uma história melhor para não ser algo desperdiçado. E digo que os efeitos até funcionaram para entregar algo bem composto, pois não digo que é um 3D esplêndido, pois tirando a profundidade de campo, temos umas 6-8 cenas no máximo que procuram trabalhar mais algo com dinâmica imersiva ou expansiva para fora da tela, mas nada que empolgue realmente.

Enfim, é um filme muito fraco para que lembremos dele daqui há algumas horas, e isso me deixa muito triste, pois é uma produção grandiosa de 51 milhões de dólares, que já com um mês de exibição mundo afora, não está nem perto de se pagar, e nem tenho como recomendar ele para que dê mais bilheteria, pois quem for conferir até irá se agradar com o visual, se emocionar com bonito desfecho, mas vai sair da sessão se perguntando: qual foi a história mesmo? Ou seja, um filme que até tenta passar uma mensagem de esforço para conseguir sobreviver às intempéries do clima, com muita dor no pé por ter quebrado e tudo mais, mas que não empolga como poderia. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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A Freira (The Nun)

9/06/2018 01:32:00 AM |

Bem, estamos aqui hoje para falar de mais um filme da safra religiosa nos cinemas! Só que não!!! Ou melhor, só um pouquinho, afinal para falarmos de um mal, ou de algo maligno/demoníaco temos de entrar em termos nos conceitos religiosos, e claro que no longa "A Freira" temos conexões com Vaticano, com votos religiosos, e tudo mais para dar tema ao longa, mas antes de entrarmos nos moldes que o filme se baseia, temos de voltar em um ponto que culminou no feitio desse longa, e que agora definitivamente se fechou um círculo, mas que claro será bem trabalhado ainda, pois é o que mais anda dando lucro nos filmes de terror ultimamente, e assim você já está por dentro que estou falando do "Universo de Invocação do Mal" ou "The Conjuring Universe" como vem sendo chamado nos bastidores cinematográficos, que começou lá em 2013 com o primeiro filme dos Warren, aonde apareceu a boneca Annabelle, que derivou dois outros filmes (um mais ativo e um de origem realmente), depois tivemos em 2016 o segundo longa de Ed e Lorraine Warren, aonde apareceu uma certa entidade da qual muitos ficaram curiosos por saber de onde veio, e eis que agora o ciclo se completa, ao sermos apresentados para essa moça muito charmosa de roupa preta que vai aterrorizar o sono de algumas pessoas que forem conferir o longa. Digo isso de aterrorizar até com um certo ponto de ressalva, pois embora apareça em cenas tensas, meio que do nada, o público que confere esse estilo já até sabe a hora que vai aparecer pelo estilo de filmagem, e sendo assim não temos pulos surgindo a todo momento, mas sim uma boa conexão mista de cenas tensas, com o casual de toda grande franquia, que é a inserção de pontos cômicos para dar uma aliviada, e aqui raspou a trave de não ficar exagerado demais esse tom na trama. Ou seja, é um bom filme, que vai agradar quem gosta do estilo, e claro que ficou esperando por demais esse longa, mas ainda assim esperava sair mais tenso e arrepiado como aconteceu com os dois principais longas da trama, mas ainda assim vale muito a conferida, afinal, se temos franquias de super-heróis que ficamos empolgados, porque não vamos ter uma super franquia de filmes de terror/suspense, pois a de monstros da Universal já foi para o brejo!!

A sinopse nos conta que presa em um convento na Romênia, uma freira comete suicídio. Para investigar o caso, o Vaticano envia um padre atormentado e uma noviça prestes a se tornar freira. Arriscando suas vidas, a fé e até suas almas, os dois descobrem um segredo profano e se confrontam com uma força do mal que toma a forma de uma freira demoníaca e transforma o convento num campo de batalha.

Tudo bem termos uma história de James Wan, que é o atual detentor dos melhores longas de terror dos últimos anos, mas sabemos que hoje o que faz um bom filme de terror funcionar é a mão do diretor e não apenas sua história, e embora Corin Hardy tenha feito um único filme bem bom ("A Maldição da Floresta"), acredito que para o andamento da franquia seguir uma linha de tensão bem apropriada, talvez alguém de maior renome deveria ter assumido a cadeira principal, pois não digo que ele tenha errado a mão aqui, mas um orçamento bem mais amplo e uma história já mais desenvolvida acabaram deixando o diretor deslumbrado demais, de modo que o filme em si possui uma essência bem tensa, mas brinca demais com pontos cômicos para dar uma quebrada, coloca o clichê mais tradicional de sustos sendo preparados para acontecer, e com isso, ao invés de termos uma freira aterrorizante como foi sua aparição em "Invocação do Mal 2", Valak acabou sendo mais moderada, e embora o longa tenha situações fortes, sempre temos uma acalmada para não ficar tenso por inteiro. Ou seja, temos quase uma montanha russa de situações, que poderiam ser minimizadas e que aí entregaria somente um longa tenso e forte, mas como costumo dizer, se fosse bem forte seria 18 anos, e só de olhar a sessão anterior a minha (dublada) que estava abarrotada de crianças acompanhadas de pais e jovens, vemos que o terror mais leve, e próprio de uma franquia para todos, é mais bem encaixado para dar bilheteria do que sustos e tensões. Ou seja, novamente, é um bom longa, feito de forma mais ampla como um blockbuster realmente, e como acaba acontecendo com blockbusters, as falhas aparecem em grandes teores, mas veremos ainda o que acontecerá no capítulo 3 de "Invocação do Mal", e claro que estaremos na torcida para ser nas mãos de James Wan.

Sobre as interpretações, podemos dizer que a irmã mais nova de Vera Farmiga (que dá o tom como Lorraine Warren em "Invocação do Mal"), Taissa Farmiga, acabou entregando uma Irene bem colocada, com um vigor despojado para a protagonista, e que soube transparecer no ar tanto sua fé, quanto também seu temor pelo mal, entregando boas cenas e até chamando a responsabilidade para si em alguns momentos, mas é claro que assim como todo clichê de filme de terror, acaba fazendo diversas paias corajosas de enfrentamento, indo num breu apenas com uma vela, saindo na calada da noite atrás de um barulho e tudo mais, mas como costumo falar, se a pessoa ouvir um barulho e ficar na cama, não acontece o filme de terror, então ela ao menos fez com olhares tensos e criou a tensão para com o espectador seguindo-a. Demián Bichir é um ator bem eclético nas escolhas que faz, e procura incorporar trejeitos para os personagens que faz, de modo que aqui seu Padre Burke foi bem robusto na opinião que tinha, mas acabou com sua história sendo algo meio que jogada na trama, não condizendo muito sua escolha (não acredito que façam um longa anterior para mostrar mais da personalidade do personagem, mas nunca se sabe!), e assim sendo por diversas vezes ficamos até reclamando demais de sua desenvoltura tanto do personagem quanto do ator, ou seja, tirando sua cena mais tensa no caixão, o ator quase foi inútil na trama. Jonas Bloquet caiu muito bem na personalidade de Frenchie (e até teve um final bem mais interessante do que esperávamos para ele!), mas talvez poderiam ter maneirado um pouco no excesso cômico do personagem, pois a trama raspa a trave de virar um pastelão exagerado, e não é isso o que esperamos ver num terror, mas ao menos ele foi coerente do começo ao fim, agradando no que fez. Agora posso até ser crucificado pelo que vou falar, mas Bonnie Aarons sem maquiagem assusta até mais que a freira protagonista, mas souberam nos momentos mais fortes colocar uns dentões assustadores e o resultado ficou bem tenso de ver, de modo que a atriz acabou saindo até bem no que fez. Quanto aos demais, a maioria deu boas conexões, mas praticamente apareceram e sumiram em algumas cenas, tendo leves destaques para Ingrid Bisu como Irmã Oona e Charlotte Hope como Irmã Victória, mas nada que seja impressionante por parte delas.

A grande sacada da franquia está em colocar os personagens dentro de ambientes lotados de elementos cênicos precisos para criar tensão, sempre trabalhando bem a época em que o filme se passa, e principalmente desenhando o ambiente principal com uma grandiosidade que até nos perdemos para onde olhar, e aqui a Abadia é um antro cheio de símbolos, que mais para o final acabamos sabendo um pouco mais da história do lugar, e que a equipe de arte soube entregar com uma minúcia incrível para que víssemos em cada detalhe todo o orçamento bem empregado, ou seja, um filme repleto de detalhes que quem quiser estudar até um pouco mais poderá quem sabe achar algum easter egg perdido, mas preferimos ficar apenas com as cenas de abertura e fechamento, e encaixar a trama toda dentro da perspectiva que nos tentaram mostrar. Como tradicionalmente ocorre na maioria dos longas de terror, o filme usa a escuridão ao seu favor para dar sustos nos espectadores mais desprevenidos, entregando assim uma fotografia com boas sombras, mas com excessos de nuances no meio da escuridão quase total, portanto recomendo que vejam em cinemas com uma projeção mais forte para não perder os detalhes e ficar sem ver boa parte do longa, pois com muitas velas, e até luzes "imaginárias" vindo de quem sabe do luar, o resultado até fica bem interessante.

Enfim, sendo sincero esperava até um pouco mais do longa, afinal a franquia tem sido sensacional (tirando o primeiro "Annabelle") e aqui a trama funciona, mas exagera um pouco no humor, e assusta usando dos tradicionais artifícios clichês de sustos preparados, de modo que poderia ter muito mais tensão caso quisessem entregar um filme mais adulto e menos comercial, mas isso é um detalhe que muitos nem vão ligar, pois o filme funciona bem dentro da franquia, como algo que era necessário ser entregue, e que vai agradar quem for sabendo o que esperar. Ou seja, recomendo o filme com leves ressalvas, pois alguns desprevenidos vão se assustar mais, e outros vão até achar o longa bobo demais, mas como costumo falar, em franquias de altíssima bilheteria, vender é melhor do que causar, então aqui certamente vão vender muito. Bem pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais estreias, então abraços e até logo mais.

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Meu Tio e O Joelho de Porco

9/04/2018 12:42:00 AM |

É engraçado como vou ao cinema algumas vezes conferir filmes que sequer vi a sinopse e acabo saindo com os olhos brilhando por ter conhecido algo completamente novo em minha vida, de modo que fico pensando: como algumas bandas podem simplesmente evaporar, e pessoas que escutam rock praticamente todos os dias nem saber da existência delas? Pois bem, se você já ouviu "Mamonas Assassinas", "Ultraje a Rigor", entre outras que satirizam a política nacional, colocam xingamentos de forma engraçada em suas canções e ironizam praticamente tudo com bons acordes de guitarras e baixos atualmente, provavelmente essas foram influenciadas pela banda "O Joelho de Porco", que nos anos 70 fazia isso com muita desenvoltura, e que agora quase 50 anos após o seu fim, o sobrinho do criador da banda, que é cineasta, resolveu fazer uma bela homenagem ao seu tio, entrevistando integrantes, parentes, produtores e junto de muito material de arquivo conseguiu criar um documentário preciso e bem bonito de acompanhar tanto para conhecer a banda, quanto para ver a bagunça que rolava nessa época no cenário underground.

O roteirista e diretor Rafael Terpins apresenta a trajetória de seu tio, Tico Terpins, em uma das bandas de rock mais conhecidas do Brasil entre os anos 1970 e 1980, o Joelho de Porco. Baixista e líder do grupo, Tico foi pioneiro ao lançar canções que satirizavam a política nacional e ainda ao ser uma das primeiras bandas a se lançar de forma independente no cenário musical. Constituído por animação, material de arquivo pessoal e televisivo, o documentário também conta com depoimentos de familiares e integrantes da banda, como o vocalista e baterista Próspero Albanese, Netinho e o produtor Julio Calasso.

O que Rafael Terpins foi quase uma busca pelo conhecimento maior de sua família, para conhecer mais o maluco que foi seu tio na sua época gloriosa, e claro comparar com o que foi ao final da vida, e claro divulgar mais essa banda revolucionária para a época, que hoje como disse praticamente ninguém mais sabe o que foi, e digo isso com propriedade, pois ao falar numa rádio de rock, ninguém nem sabia o que era "Joelho de Porco", ao postar que estava indo para o cinema conferir me questionaram que loucura era essa, e por aí vai, ou seja, como disse no começo praticamente a banda sumiu do conhecimento das pessoas, e os mais jovens sequer imaginaram ouvir músicas do estilo. Claro que estou sendo bem resumido ao público que conheço, e talvez posso estar sendo um pouco fora do eixo, mas ao ouvir as canções gostei muito do que escutei e certamente seria algo que cairia no meu gosto, ou seja, conhecendo muitos amigos que curtem um rock cheio de mensagens politizadas, certamente gostariam de ouvir a banda. E com isso, voltando para o filme, o diretor foi completamente coerente na sua pesquisa, e encaixou bons depoimentos, alguns de arquivo (pois além de seu tio, outros já morreram também!), só exagerou um pouco no modelo de animação um pouco desnecessário, mas como faz parte de sua produtora o estilo, necessitou colocar no longa também.

Enfim, não vou comentar cada um dos entrevistados, e posso dizer que em 36 anos da minha vida sequer havia ouvido falar em Joelho de Porco sem ser comida, e hoje posso falar que recomendo com toda certeza o documentário, e para quem quiser ouvir algumas das músicas que tocam no documentário, eis aqui o link. Mas volto a frisar que quem puder confira o longa, pois vai ser um choque cultural e certamente uma grande diversão, pois a banda era bem louca, e suas histórias então nem se fala. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, e volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até breve.

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O Candidato Honesto 2

9/03/2018 12:43:00 AM |

Já faz um bom tempo que como diria o programa "Zorra Total" está difícil competir com os nossos políticos para entregar algo mais cômico do que o que vemos nos jornais e nos programas eleitorais, mas ainda assim, alguns roteiristas ainda tentam a sorte em criar filmes e esquetes para divertir o público e criticar é claro o sistema e a baderna que se encontra nossa capital nacional, e se em 2014 a trama de "O Candidato Honesto" praticamente era um afronte com o que acontecia e fazendo graça cutucava o povo para o começo de uma bagunça de aparecimentos de roubos e falcatruas na máquina do governo, agora com a continuação em "O Candidato Honesto 2" praticamente se esforçaram para conseguir fazer graça com tudo o que ocorreu e com o que pode ocorrer, mas diferente de salas lotadas rindo de comicidades, o que vi hoje na sala foi algo mais calmo com o pessoal rindo até de algumas boas colocações (principalmente as crianças), mas aparentemente todos os demais estavam pensativos com as possibilidades de ver alguém honesto na nossa máquina pública, até onde funcionaria, de quem depende para aprovar tudo, e por aí vai, de modo que quase choramos com o que vimos na telona, mas ao menos de uma coisa temos de dizer, conseguiram entre aspas fazer um longa apartidário, brincando com vários loucos que temos por aí, trabalhando com a bagunça que foi o processo de impeachment, e claro usando de muita ironia para falar de coisa séria, ou seja, um filme que consegue ser engraçado dentro da proposta, mas que faltou um pouco mais de força para conseguir ser mais engraçado que a situação do país.

O longa nos conta que após cumprir quatro dos quatrocentos anos de cadeia, João Ernesto é convencido a se candidatar à presidência novamente. Adorado pelo povo por ser um político que assumiu seus erros, ele vence as eleições, mas não tem vida fácil em Brasília acompanhado excessivamente de perto pelo sinistro vice Ivan Pires.

Chega a ser interessante ver o formato que o diretor Roberto Santucci e o roteirista Paulo Cursino acabaram moldando a trama, pois temos um pouco de tudo, de jornalísticos em vários formatos (TV e rádio), temos estruturas de romance, de drama, de terror (o arquétipo do castelo do Drácula ficou algo incrivelmente bem feito pela equipe de composição cênica!), e claro muita comédia, trabalhando piadas velhas, piadas em cima (claro) de política, e até piadas em cima do cinema nacional, de modo que acabaram brincando até mesmo com o estilo próprio deles fazer filmes, ou seja, a trama toda foi arquitetada para "tentar" fazer rir, e coloco entre aspas mesmo, pois, temos muitos momentos forçados, e como costumo dizer, esse não é o melhor estilo de fazer comédia, mas ainda assim entregaram boas cenas engraçadas, e mesmo apelando para o riso, o resultado funcionou até mais do que uma comédia, mas sim um longa explicativo dos moldes que funcionam a máquina pública, aonde até temos um grandioso representante lá em cima, mas geralmente quem comanda e faz funcionar são as peças mais para baixo da cabeça, e se esses não fizerem seu serviço direito, quem morre é a cabeça. Ou seja, a trama tem além de piadas, uma certa reflexão para o público que for conferir, pois dessa vez ao invés de ser lançado no meio do primeiro e do segundo turno, agora veio bem antes do primeiro, juntamente com o início das campanhas eleitorais, e assim sendo quem sabe o povo consegue enxergar quem manterá a piada, e quem mudará tudo.

Dentre as atuações, já havia dito isso outras vezes, e volto a repetir, um pouco da comicidade de Leandro Hassum foi embora com seu emagrecimento, e ele praticamente mudou seu estilo de piadas, pois se antes ríamos por ser um gordinho engraçado, agora rimos de suas caretas encaixadas nas formas de entregar suas gags, de modo que seu João foi bem entregue, mas não chega nem aos pés do que fez no primeiro filme. Agora sem dúvida a diversão do longa se deve às cenas com Cássio Pandolph e Anderson Muller, que entregam respectivamente Ivan Pires (uma cópia exagerada de Temer) e Pedro Rebento (uma cópia quase fiel de Bolsonaro), em que sempre que aparecem em cena conseguiram entregar loucuras tão grandiosas e bem feitas quanto às personalidades reais que foram inspirados, de modo que o resultado do longa quase fica dependente deles para junto com Hassum conectar e agradar. Dentre as mulheres o maior destaque fica com Rosanne Mulholland com sua Amanda, que entrega cenas bem coesas desde o começo como a escritora da biografia de João, tem um miolo bem inteligente e cheio de interseções, e um fechamento fortíssimo para aqueles que sabem o mundo negro que é a política nacional, ou seja, ela fez boas expressões para conseguir passar todos os seus momentos e acabou agradando bastante no que fez. E claro, Mila Ribeiro entregou a tradicional Dilma com suas frases que ninguém entende, soando mais como piada do que como algo funcional para o longa.

O conceito cênico da trama foi bem arquitetado, com mansões, salas imensas, e claro muitas semelhanças com os locais que vimos nos jornais e na TV durante todo o processo de impeachment da Presidenta Dilma, e dessa forma o longa se compôs quase como uma réplica fiel dos acontecimentos, mas mostrado de uma outra forma, o outro bom momento se dá pelo programa Roda Livre, e claro pelo debate lotado de xingamentos, ou seja, uma tradicional bagunça como costuma ser o nosso processo eleitoral. Ou seja, a equipe de arte tinha materiais suficientes para reproduzir com fidelidade cada detalhe, e conseguiu chamar bastante atenção em diversos momentos.

Enfim, é um filme que possui um estilo de humor que nem todos gostam, mas que conseguiu entregar algo razoavelmente bem feito, pois possui sim defeitos técnicos, alguns exageros nas piadas, mas que no contexto completo diverte e passa a mensagem para refletirmos nas nossas escolhas completas para administrar nosso país nas eleições que estão chegando, ou seja, vale a pena rir por enquanto da nossa própria desgraça, e quem sabe se tudo der certo não teremos história para que a equipe faça um terceiro filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com a última estreia dessa semana, então abraços e até logo mais.

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