A Cura (A Cure For Wellness)

2/19/2017 01:36:00 AM |

É interessante quando alguns diretores que já trabalharam com ação e também com o terror, resolvem trabalhar no meio do caminho, com longas de suspense aonde podem colocar elementos alegóricos e deixar que o público vá junto com o protagonista conhecendo o ambiente e formando suas opiniões sobre cada coisa. Claro que vamos errar muito a respeito de tudo, mas quem já viu muitos longas do gênero, poderá chegar bem perto de uma resposta coerente para o que Gore Verbinski quis entregar com o seu "A Cura", que se traduzirmos melhor o nome em inglês, vamos chegar perto de algo como "A Cura Para o Bem-Estar", e o filme só não nos diz para quem é o bem estar, pois tanto o público, quanto o ator protagonista, quanto os personagens sofreram bastante com algumas cenas tensas e fortes, e outras bem agonizantes, levando a crer que o diretor soube dosar bem torturas com suspense para chegar a um nível aceitável de passar nos cinemas sua história, mas que se tivesse apelado para algo até mais forte, ou colocado alguns elementos mais assustadores, talvez seu filme ficasse bem melhor do que o que foi apresentado nos longos 147 minutos de projeção.

A sinopse nos conta que um jovem e ambicioso executivo é enviado para os Alpes Suíços com a missão de trazer de volta o CEO da empresa, em tratamento em um 'Centro de Cura'. Após sofrer um acidente automobilístico, no entanto, o rapaz acaba internado na mesma instituição, cujo corpo médico promete purificar os pacientes por meio de uma água milagrosa – e que se localiza em um lugar de passado misterioso. Incapacitado de retornar para casa, o personagem passa a duvidar da própria sanidade, ao mesmo tempo em que desconfia da motivação do doutor responsável pelo “spa”.

Não diria que o diretor Gore Verbinski ("Piratas do Caribe", "Rango", "O Chamado") tenha chegado ao seu ápice, pois voltou a trabalhar bem após a bagunça que fez em "O Cavaleiro Solitário", mas ainda não colocou a precisão que tanto gostávamos de ver em seus filmes. Aqui ele trabalhou bem com elementos alegóricos e fantasiou nossa mente com algo bem diferenciado, mas nada que seja num nível incrível de observar. Talvez, o problema tenha sido no texto gigantesco que Justin Haythe que trabalhou com Verbinski no Cavaleiro, e quis florear demais a história ao invés de causar o medo ou até mesmo ser controverso nas situações, mas o resultado em si foi melhor do que o esperado, e a trama até chega a ser pontual dentro da situação toda. Quem sabe se o jovem protagonista tivesse sofrido um pouco mais, ou até descoberto mais coisas, o resultado fosse melhor, mas sem dúvida alguma o longa brinca bastante com a ideia da busca pela vida eterna (ao menos visualmente) que algumas mulheres tanto busque.

Sobre as atuações, Dane DeHaan é um ator jovem que anda fazendo papeis de pessoas mais velhas em diversos filmes, e embora ele seja um ator que pode vir a ser interessante pela forma de atuar, seu agente precisa começar a escolher melhor seus papeis, pois aqui certamente Lockhart caberia melhor para um ator mais velho, e embora ele tenha 31 anos, sua cara é de 20 e poucos, ou seja, não digo que ele tenha saído mal em cena, mas seu estilo caiu um pouco fora da personalidade que imaginaríamos ali fazendo tudo o que fez, e como ele mesmo disse em uma entrevista, criou coragem e sofreu as diversas torturas nas gravações, mostrando que tem timing para o estilo, só colocar um pouco mais de barba e vai aparentar melhor a idade. Jason Isaacs sempre trabalha bem personagens marcantes, e seu Volmer é enigmático, bem colocado e com um tom sempre pronto para quebrar as ideias do protagonista, pena que seu momento mais forte é rápido demais, pois valeria um tempinho maior nas suas cenas como malvado mesmo. Mia Goth é uma atriz tão estranha quanto sua personagem Hannah, e essa é a ideia do longa até o momento que conseguimos pegar a essência de quem é a sua personagem e o que vai rolar mais para frente, de tal maneira que a atriz soube dosar toda essa incógnita fazendo olhares vagos e até saindo bem com tudo o que fez. Celie Inrie é o nome que você deve ficar de olho se quiser saber todas as pistas do longa, mais precisamente na sua personagem Victoria que monta bem o quadro da trama e com boas nuances e diálogos precisos vai pontuando cada momento com suas palavras cruzadas e entrega tudo o que você precisa saber do filme.

Agora se temos algo que elogiar muito com toda certeza foi a escolha da locação incrível, ao menos para as cenas externas, e no interior para feitio das diversas cenas de tortura/tratamento (afinal não dá para perceber o que foi feito em estúdio e o que foi feito na locação realmente), pois a quantidade de bons elementos cênicos aterrorizantes, aonde cada momento passa a ser único para a trama se desenrolar é algo digno de estudo, pois um filme que envolve diversas nuances precisava de muitos elementos alegóricos para se prender, e o resultado disso é algo que vale a pena conferir e olhar com minúcias. A equipe de fotografia não quis ousar muito, trabalhando sempre com tons bem iluminados para cada cena, não criando perspectivas de susto (o que daria um tom bem tenso se quisessem colocar mais cenas escuras que criasse um mistério maior), e sendo assim o resultado ao menos na fotografia ficou abaixo do esperado para um longa que poderia ser bem mais tenso.

Enfim, é um filme que vai agradar os fãs do estilo, mas que poderia facilmente virar um clássico do gênero de suspense caso desejassem ousar mais em cenas mais aterrorizantes, e o mistério fosse melhor trabalhado. Mas mesmo com esses leves defeitos, é um longa que vale conferir, e aqueles que gostam de trabalhar com estudos em cima de filmes, fica aqui um bom nome para se estudar, pois tem diversos elos bem colocados que funcionam discussões. Portanto fica aqui minha recomendação de um filme interessante, mas que faltou um pouco para ser aquele que indicaria de olhos fechados. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a crítica da última estreia dessa semana no interior, então abraços e até breve.

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Aliados (Allied)

2/18/2017 02:55:00 AM |

Em uma guerra sabemos que não podemos confiar em ninguém, nem mesmo na própria sombra, mas e se você se apaixonasse por alguém no meio de uma guerra? Continuaria confiando quando lhe falassem que a pessoa é um possível inimigo? Bem esse é o mote dos minutos finais de "Aliados", e friso minutos finais com muita raiva, pois se o filme focasse mais nisso teríamos um longa incrível cheio de perspectiva, imaginações, indagações e que fariam dele algo dinâmico, o que infelizmente não acontece, pois temos um longa arrastado para tentar mostrar os momentos de conexão dos personagens, como se conheceram, como a vida deles seguiu, blá, blá, blá... e assim quando lhe é confidenciado o problema todo, é que o filme fica bom, e já é hora de encerrar a trama. Ou seja, de um filme de 124 minutos, quem aguentar chegar aos 80 minutos irá ver um filmaço, mas a chance de dormir nesses primeiros minutos é altíssima.

O longa nos mostra que em uma missão para eliminar um embaixador nazista em Casablanca, no Marrocos, os espiões Max Vatan e Marianne Beausejour se apaixonam perdidamente e decidem se casar. Os problemas começam anos depois, com suspeitas sobre uma conexão entre Marianne e os alemães. Intrigado, Max decide investigar o passado da companheira e os dias de felicidade do casal vão por água abaixo.

Além do filme ser extremamente lento, na maior parte do tempo, mesmo quando a velocidade da ação melhora nos minutos finais, o diretor Robert Zemeckis (que costuma fazer bons filmes como "A Travessia", "Náufrago", "De Volta Para o Futuro") acabou se perdendo na trama escrita por Steven Knight e colocando tantas gafes quanto fosse possível para que a ideia final fechasse, de tal maneira que nem o mais promissor conseguisse imaginar um fechamento tão bizarro com as situações que ocorrem desde a cena do piano até a cena final mesmo, ou seja, viram que o tempo de tela já estava no limite e saíram cometendo absurdo em cima de absurdo não criando grandes perspectivas para a trama, nem dizendo muito aonde pretendiam chegar. E dessa forma um longa que poderia sim ser um drama de guerra com a pitada icônica de "Sr. e Sra. Smith" (que muitos irão conferir o longa achando ser idêntico pela sinopse, e vão cair do cavalo com gosto!) acabou ficando um marasmo tão perdido que muitos saem da sessão reclamando do que viram nas telonas. Não digo de forma alguma que o filme é perdido, pois até tem alguns momentos interessantes, uma produção simples de guerra bem feita, e uma ideologia bem pautada, faltou apenas adequar o ritmo para não ser tão parado no começo, e ao final quererem resolver tudo de maneira jogada.

No conceito das atuações, basicamente o que chega a ser assustador é como os atores estão joviais, nem aparentando tanto suas idades reais, pois Brad Pitt já está com seus 52 anos e Marion Cotillard está com 42, de tal maneira que não parecem estar nem perto do final dos 30 e se pararmos para analisar mais a fundo todo o visual que foram inseridos em suas personalidades, acabaremos dando menos idade ainda para eles. Dito isso, é fato que Brad Pitt é um excelente ator, e tem se mostrado melhor ainda como produtor sabendo escolher bem aonde põe seu dinheiro (não é o caso aqui, mas de um modo geral tem se saído muito bem na profissão) e ao dar vida para seu Max Vatan, o ator demonstrou uma falta de carisma exagerada para com o personagem, deixando ele como um tenente forçado demais e que de certa foi colocado ali mais como um executor de diálogos do que como um ator mesmo desenvolvido para o misto romance/drama/ação, e assim sendo ficou completamente fora do eixo aceitável de uma produção do estilo. Já a francesa Marion Cotillard inicialmente trabalhando com sua língua mãe acabou sendo graciosa e interessante, mostrando um ar interessado no que desejava fazer com sua Marianne, mas com o andar da trama, acabou se desconectando demais da personalidade impositiva do começo e ficando fraca demais de expressões, o que não agradou tanto como deveria. Os demais atores fizeram mais aparições rápidas sem muito significado para a trama, quase nem tendo um destaque maior para podermos pontuar, salvo algumas exceções como August Diehl fazendo muito bem seu Hobar (quase uma repetição de outro bom personagem seu em "Bastardos Inglórios") e Jared Harris com uma imposição bem trabalhada com seu Frank, mas nada de surpreendente demais.

Para falarmos do visual da trama temos de pontuar dois detalhes tristes, o primeiro que mesmo tendo um figurino bem colocado de época, o longa não ousou muito em elementos cênicos de guerra mesmo, deixando tudo em segundo plano para que quem quisesse ver, visse, mas sem muita preocupação em ser um filme de guerra propriamente dito, pois aí entra o segundo detalhe que temos de dizer, que é sobre a computação gráfica muito mal-feita, com duplicações de aviões e telhados tão falsos que nem que quisessem parecer reais conseguiriam, e isso causa uma certa estranheza para um diretor que gosta tanto de inovações tecnológicas e acabou empregando técnicas ruins de filmagem, que resultaram em algo ruim de se ver também. Agora não podemos dizer que foi culpa do diretor de fotografia, pois este procurou os ângulos mais fechados para não mostrar tantas falhas, iluminou com um tom bem árido nas cenas do Marrocos (parecendo até estar embaçado a filmagem) e ousando até um pouco em algumas cenas noturnas para que os efeitos de tiros não ficassem tão ruins de ver (pois são tão fracos que nem parecem estar realmente numa guerra)

Enfim, é um filme que tinha um potencial grande de figurar entre os grandes nomes do ano, mas que falhou tanto que soou de mediano para baixo, sem conseguir agradar nenhum estilo de público, e inclusive deixando muitos revoltados com o timing que acabou mostrando na telona. Ou seja, só recomendo o filme para quem gostar realmente do estilo mais lento de exibição e for esperando realmente ver um filme que não vai chegar a lugar algum, pois qualquer outra expectativa acabará sendo frustrada com o que é passado na tela do cinema. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até mais.

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John Wick - Um Novo Dia Para Matar (John Wick - Chapter 2)

2/17/2017 01:51:00 AM |

Ação desenfreada, muitas lutas coreografadas, tiros para todo lado e sangue sem censura... se você esperava ver outra coisa que não fosse isso em "John Wick - Um Novo Dia Para Matar" nem precisa ir para os cinemas, agora se você gosta desse estilo, corra para a sala mais próxima que a diversão será na medida perfeita. O longa não sai muito do que vimos no primeiro longa de 2014, e com isso não teremos muitas novidades, mas com muita ação e lutas bem interessantes, acabamos curtindo mais pela alta vibração que a trama nos traz do que por uma história que crie perspectivas para querermos saber mais, porém mesmo colocando uma boa continuação do que foi mostrado lá trás, acabaram não desenvolvendo tanto a nova situação, e com isso o resultado ficou um pouco aquém do que poderia ser. Não digo que é ruim, muito pelo contrário, é um filmaço de ação, mas poderiam ter criado uma história melhor que tudo agradaria bem mais e ansiaríamos mais ainda pelo terceiro longa que deixaram preparado.

A sinopse nos conta que após recuperar seu carro, John Wick acredita que enfim poderá se aposentar. Entretanto, a reaparição de Santino D'Antonio atrapalha seus planos. Dono de uma promissória em nome de Wick, por ele usada para deixar o posto de assassino profissional da Alta Cúpula, Santino cobra a dívida existente e insiste para que ele mate sua própria irmã, Gianna.

Como bem sabemos, e já disse no texto do primeiro filme, que você pode ler aqui, o diretor não é um diretor realmente de formação, Chad Stahelski, sendo mais conhecido como dublê de Keanu Reeves em "Matrix", e diretor de dublês em diversos outros filmes de ação, ou seja, pra ele uma cena aonde o dublê faz um voo perfeito, luta com a coreografia bem encaixada e faz todos os seus movimentos com precisão são melhores do que uma boa cena dialogada, ou seja, o mesmo que fez no primeiro filme e que agora manteve o sucesso, afinal com 20 milhões gastos no primeiro filme fez 78 apenas nos cinemas, e mais de 37 em home-video, ou seja, lucro total, e o resultado de muita ação no novo filme não vai ficar atrás, pois todos irão ao cinema conferir boas cenas de carro, muitos tiros e lutas (perfeitamente coreografadas - aliás a cena da escada é tão coreografada que chega a ser risível) que fazem valer o ingresso, afinal um bom filme de ação tem de conter todos esses elementos, e são muito melhores vistos numa telona do que em uma telinha. Portanto, vá sem muita pretensão, já sabendo que o roteiro que Derek Kolstad fez para o primeiro filme, foi entregue novamente da mesma forma, e que com certeza a diversão vai ser completa, ou quase, afinal o roteirista já vendeu os direitos para que o longa vire uma série, então não sabemos se haverá um terceiro filme (como é deixado subentendido na última cena), ou se só veremos John Wick na telinha agora.

O conceito de um filme de ação nunca foi tão explícito com um personagem como feito por Ruby Rose nesse longa, afinal pra que falar num longa aonde o que vale é a luta corporal, os tiros e sangue pra todo lado? Então sendo assim sua personagem que chama Ares (não ouvi chamarem nada no longa, mas como nos créditos está assim vamos aceitar) não diz nada, apenas faz alguns gestuais aonde temos legendas em tamanho gigante bem coloridas, impactantes e interessantes que falam por si, e ela vai pra luta como deve, afinal para atriz a luta também tem sido grande já que em 47 dias do ano já apareceu em 3 filmes, ou seja, tá com o cofre bem movimentado, e claro que ela não decepciona no que faz. E claro que usando da mesma didática, nosso protagonista também não desaponta, afinal ele é Keanu Reeves, aquele que luta demais e que colabora com seus dublês (nas cenas mais pesadas, afinal gosta também de fazer um pouco sozinho) e que com John Wick acertou o estilo de fazer caronas sérias bem encaixadas para tudo o que vier pela frente, mas talvez pudessem ter dado um pouco mais de diálogos para ele que saberia dosar e fazer bem junto com tudo o que fez, afinal nas cenas de negociação de ternos, armas, mapas e tudo mais deu um show. Riccardo Scamarcio fez tão bem seu Santino que chegamos a torcer para que sua morte seja clássica, pois o ator usou além de bons trejeitos, uma dinâmica incrivelmente possessiva que agrada demais de ser vista, ou seja, deu show. Laurence Fishburne também caiu bem como o Rei das Ruas, trabalhando uma gargalhada fenomenal bem encaixada e que valeria até ter trabalhado mais cenas junto com o protagonista, pois é um personagem que daria história para contar. Ian McShane foi clássico com seu Winston e dá mesma forma que trabalhou sem muita ação no primeiro filme, refez aqui seu estilo, e foi acertado como sempre. Common foi bem ágil nas lutas com seu Cassian e claro que falou o mínimo em cena, mostrando ser daqueles atores que sabemos o que esperar dele quando queremos um filme com lutas.

Temos na arte do filme quase um conceito Batman, tudo muito preto, figurinos pretos, armas pretas, carros pretos, cenografia escura, pouca luz, mas todo esse classicismo ficou interessante dentro da proposta, pois contrapôs com o sangue jorrado com os diversos tiros, nas cenas aonde colocaram alguns spots de luz as nuances fluíram bem e claro que com o desenrolar de cada cena, os diversos elementos bem apresentados foram sendo usados agradando pela dinâmica em si, ou seja, um trabalho bem feito, e até melhor do que no primeiro filme nesse conceito. E como disse, com tantas cenas com elementos bem escuros, a direção de fotografia teve de rebolar para que o longa não sumisse, e as cenas aparecessem bem, e fizeram isso com louvor, trabalhando luzes em contraplano sempre bem encaixadas, mesmo em movimento frenético para que tudo saísse perfeitamente condizente com o que desejavam mostrar.

Enfim, é um filme bacana de ver, que poderia ser melhorado num nível que não tem nem como se expressar, mas que entrega o que foi prometido, que é muita ação e que acaba funcionando como diversão do começo ao fim. Quem for conferir esperando se divertir apenas, sem precisar ficar analisando histórias, não irá sair desapontado, mas quem for esperando ver história, pode procurar outro longa, que não é esse o caso aqui. Portanto essa é minha dica de recomendação, apenas pensando no que deseja ver, e assim comprar uma boa pipoca e ver (ou não) esse longa, pois sendo bem melhor que o primeiro filme, mas ainda não trabalhando tanto um mote em si, o resultado acabou sendo bem melhor do que o esperado. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais uma estreia, então abraços e até breve.

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Vale da Luta (Fight Valley)

2/12/2017 02:33:00 AM |

Acho que uns socos na cabeça andaram tirando alguns parafusos das lutadoras que devem estar ganhando muito pouco no UFC e resolveram virar atriz, ou algum maluco vendo as lutas da madrugada resolveu que seria bacana colocar diversas mulheres lutando em brigas de rua atrás de uma teórica vingança pela morte de sua irmã. Sei que você leu esse primeiro trecho da crítica e achou mais maluco ainda do que tudo, mas essa é a premissa de um filme que nada tem de contexto, e que em suma serve também para nada, pois já vimos alguns bons filmes de brigas de rua, diversos outros de pessoas que acabam treinando para vingar pessoas, mas todos foram moldados ao redor de uma história, não apenas jogados na tela levando brigas a nada, e principalmente com um fechamento pior ainda, ou seja, "Vale da Luta" é daqueles filmes que entramos na sala e já somos recebidos por uma música alta nada a ver, atrizes que não são atrizes fazendo carão, e cortes mais bruscos que as lutas que vemos na trama, e assim sendo o resultado não poderia ser outro, só esse Coelho doente vendo o filme, pois quem sequer viu o trailer já saiu correndo antes de entrar na sala!

Quando Tori Coro aparece morta, sua irmã Windsor se muda para a cidade e inicia uma investigação por conta própria. Depois de semanas sem nenhuma pista, ela descobre que Tori lutava para pagar as despesas. Agora, se Windsor quer descobrir a verdade sobre a morte da irmã, terá que lutar para entrar no Vale da Luta. Ela começa a treinar com Jabs, uma respeitada ex-lutadora que jurou nunca mais lutar no Vale, mas que decide ajudar Windsor na sua jornada de vingança.

Chega ser difícil falar algo que não seja depreciativo na direção e no texto de Rob Hawk, pois o que ele fez no "filme" nada mais é do que uma remodelação de diversas cenas de outros filmes compilado com ideias de alguns jogos de videogame e numa loucura maior ainda foi até o UFC e falou para algumas mulheres de lá que elas poderiam ser o Steven Seagal feminino, despejando socos com músicas bem impactantes, fingindo treinos e claro fazendo muita pancadaria na rua, afinal se você tem um problema deve marcar uma luta e ir para rua aonde todos podem apostar em você. Não há sequer lógica para a trama criada, muito menos ideologia que compensasse os cortes bruscos que o diretor faz de uma cena para a outra, aparentando um compacto de novela ruim preparando para um final que não condiz em nada do que foi mostrado, mesmo usando um flashback de uma cena logo no começo que aparentou estar mais jogada ainda na trama, ou seja, uma bagunça completa que muitos poderão dizer que foi a maior perda de tempo do cinema, e não digo que poderia ser algo ruim por completo, pois se a ideia fosse bem moldada, talvez tivéssemos um filme incrível de treinamento para lutas.

Não sei se posso falar no bloco que costumo comentar as atuações sobre as lutadoras de MMA que apenas fizeram carões juntamente com atrizes estranhas que também fizeram carões no longa (aliás por conhecer pouco o meio do MMA estou na dúvida se essas "atrizes" também não são lutadoras), ou seja, um time que foi enfeite no meio de um texto enfeite dirigido por um enfeite!! Mas vamos lá, das lutadoras, Miesha Tate foi a que teve uma participação maior em sua estreia nos cinemas, com sua Jabs bem colocada no treinamento e batendo pra valer não decepcionou, mas seria melhor se tivesse ficado calada apenas batendo, pois ao tentar interpretar foi uma decepção, aliás caberia melhor ela ser a irmã da protagonista morta, pois sua semelhança foi bem melhor do que a moça que arrumaram para o papel. E falando na moça, Susie Celek começou mal na sua cena falando com sua mãe, que pela quantidade de botox aparentava ser até mais nova que ela, num diálogo que beira o ridículo, mas sua Windsor consegue ir piorando nas cenas interpretativas, melhorando apenas um pouco nas cenas de treinamento, que nada ajudam muito no longa. Chelsea Durkalec até é bonitinha, fez algumas cenas interessantes no começo, mas precisou morrer para termos uma trama, de tal forma que sua Tori foi esforçada ao menos em suas cenas iniciais. Erin O'Brien também até tentou um esforço inicial com sua Duke, mas nas cenas de raiva ficou completamente sem expressão de maneira que se perdeu completamente. A lutadora brasileira Cris Cyborg falou pouco com sua Church, mas mostrou o porquê ser uma das lutadoras mais expressivas da atualidade, fazendo uns carões tão assustadores nas suas cenas, que chega a dar medo de só pensar em cruzar com ela, e assim sendo funcionou bem como "vilã" da trama, mas poderia ter um final menos besta. Das demais garotas, acho que nem vou lembrar o que fizeram, então melhor deixar quieto. Quanto dos homens do longa, são apenas alguns gritadores/empolgadores de briga e fazem menos que as garotas, tendo apenas um leve destaque para Jefferson Sanders como o agenciador de lutas Stakes, mas mais pelas situações que cria do que pela atuação em si, pois nem precisou fazer muito no longa.

O visual da trama se baseia em poucas locações, pois muito ocorre nas ruas, em algumas academias improvisadas e algumas casas bem bagunçadas, ou seja, um trabalho digamos "porco" por parte da equipe de arte, claro que a essência do filme era algo mais simples mesmo, mas poderiam ter trabalhado um pouco mais no conceito de arte de rua, e menos foco em ação realmente, pois assim teríamos algo mais bem feito. Na concepção da fotografia, acabaram abusando demais de cenas em preto e branco para retratar flashbacks e isso  acabou cansando, e quando não estavam com o recurso, ousaram em usar tons mais escuros para representar tensão, mesmo nada ficando muito evidente aonde desejavam chegar.

Enfim, o longa na real parece um trabalho amador jogado nas telonas, pois o mix de som está estranho com vozes alterando tons a todo momento, imagens com cortes ruins, e tudo mais que você possa pensar de erros técnicos, mas se ao menos tivéssemos uma história mais condizente e interessante de ver, pelo menos poderíamos falar algo de bom sobre o filme, e recomendar com ressalvas, o que infelizmente não será dessa vez, e pensar que já anunciaram uma continuação para o longa, o que é algo assustador, pois gastaram 27 milhões de dólares nessa produção, e duvido que tenham conseguido um retorno satisfatório. Portanto fuja enquanto é tempo, e se fizerem realmente a continuação, vamos torcer para que melhorem muito, pois senão é daqueles para se pensar bem antes de ir conferir também. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje encerrando essa semana cinematográfica bem curta no interior, mas volto em breve com mais estreias, então abraços e até quinta.

PS: Estou dando 2 devido algumas cenas de luta serem legais de ver, principalmente quem gosta de MMA, mas que como filme mereceria um 0, com certeza mereceria!

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LEGO Batman: O Filme em Imax 3D (The LEGO Batman Movie)

2/11/2017 01:47:00 AM |

Se você acha que a animação "LEGO Batman - O Filme" é só para levar os pequeninos fãs de Batman (que vão fantasiados para o cinema - galerinha mandando bem em plena sexta), pode tirar o cavalinho (ou melhor o batcinto empoeirado do armário) e correr para o cinema conferir essa superanimação que conta com as melhores piadas das HQs, diversos vilões conhecidos, muitas onomatopeias no momento certo, vilões de outros filmes e claro, muito Batman para ninguém botar defeito. Ou seja, um filme memorável que diverte demais tanto quem gosta de animações quanto quem gosta do Batman (quem não gosta do Batman?) e que com grandes sacadas acaba emocionando e trabalhando diversas sensações do começo ao fim, criando boas referências e trabalhando algo que vai divertir desde o pequenino que for pelo alto colorido (e claro pelos desenhos LEGO) quanto os mais velhos que forem se ligar em tudo que já foi feito de super-heróis que conhecemos seja por canais de animação, HQs ou até mesmo os filmes já feitos. Portanto vá para um cinema e se divirta como nunca!

O longa nos conta que sendo extremamente egocêntrico, Batman leva uma vida solitária como o herói de Gotham City. Apesar disto, ele curte bastante o posto de celebridade e o fato de sempre ser chamado pela polícia quando surge algum problema - que ele, inevitavelmente, resolve. Quando o comissário Gordon se aposenta, quem assume em seu lugar é sua filha Barbara Gordon, que deseja implementar alguns métodos de eficiência de forma que a polícia não seja tão dependente do Batman. O herói, é claro, não gosta da ideia, por mais que sinta uma forte atração por Barbara. Paralelamente, o Coringa elabora um plano contra o Homem-Morcego motivado pelo fato de que ele não o reconhece como seu maior arquinimigo.

Embora seja sua estreia na direção de um longa-metragem Chris McKay mostra que possui uma mão perfeita para pegar um roteiro muito bem trabalhado por diversas mãos, mas fixado na história de Seth Grahame-Smith, e determinar um rumo completamente diferente do que a DC andava trabalhando, já que se com filmes mais tensos o resultado andava incomodando tanto os fãs, ao trabalhar boas sacadas, piadas bem colocadas (zoando inclusive os diversos filmes do homem-morcego já feitos, e claro outras produções do Universo DC) e até mesmo botando um tom sério em alguns momentos (mesmo que possam ser também sacaneados e ironizados se levarmos ao pé da letra). Ou seja, saiu completamente do tom que estavam trabalhando, e felizmente acertou em cheio, pois o filme sem pestanejar pode ser considerado como um dos melhores filmes já feito do Batman, e que usando técnicas mistas de animação acabou vertendo tudo de forma tão dinâmica e interessante de ser vista que passa voando a sessão, nem parecendo ter quase 2 horas de projeção.

Claro que vamos nos divertir muito com Batman/Bruce Wayne, Barbara Gordon, Coringa, Dick/Robin, Alfred e outros conhecidos da DC, mas a sacada com grandes vilões do cinema foi tamanha que não tem como gargalhar ao ver Sauron, Voldemort, Godzilla, King Kong e até os bichinhos malvados mais fofos do planeta que conhecemos como Gremlins, ou seja, um longa completo de referências, que ao ser montado (literalmente com os LEGOs) acaba divertindo pela boa proposta e com muita sagacidade pelos personagens. Portanto não temos desculpa para reclamar da falta de uma boa história, pois ela está presente desde o começo até o final, com ótimas nuances, situações bem colocadas e arquitetadas por uma equipe completamente criativa, e principalmente mesmo contando com uma boa trama, ainda tiveram a expertise de colocar personagens bem encaixados e carismáticos para envolver a todos, ou seja, sucesso completo.

Com muitas cores (claro com o preto do Batman dominando diversos momentos), efeitos bem encaixados e claro barulhos sonoros que divertem pelo abuso clássico (por exemplo as arminhas fazendo barulho da mesma forma que brincávamos fazendo piuuuu piuuuu no melhor estilo Star Wars das antigas), a trama acabou conectando um pouco de tudo. Mas se você acha que não tinha do que reclamar, infelizmente usaram muito pouco a tecnologia 3D, tendo uma ou duas cenas com mais dinâmica e profundidade, o que nem seria necessário trabalhar tanto, e olha que num mundo cheio de pecinhas pequenas de lego, certamente muita coisa poderia ser tridimensional vazando para fora da telona, mas como não foi bem essa a proposta do longa, o resultado em geral até agrada visualmente, tendo uma boa conexão nas cenas com muitos objetos, mas poderia ser incrível.

Enfim, é um filme que vale demais conferir, a dublagem internacional está incrível (é quase um milagre vir animação legendada para o interior, mas dessa vez veio e pude conferir, mas claro que irei ver dublado se ficou bacana também em breve) e claro que trabalharam bem as piadas no conceito americano (talvez no dublado tenham usado outras e falarei disso no Domingo). Portanto largue seus preconceitos em casa que animações são apenas para crianças, e vá conferir no cinema mais próximo sem precisar assaltar algum parente pequenino, pois a garantia de uma boa diversão é total. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com a última estreia da semana (no interior que não vem todas as estreias, claro!), então abraços e até breve.

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Cinquenta Tons Mais Escuros (Fifty Shades Darker)

2/10/2017 01:35:00 AM |

Agora sim podemos falar que a franquia "50 Tons" possui um filme, pois se o primeiro longa só víamos uma história repicada, cheia de defeitos, e que só as fãs do livro entendiam o que estava se passando, agora com um roteiro mais trabalhado (ainda não é algo incrível, mas anos-luz melhor que o primeiro) e com uma direção mais convincente, "Cinquenta Tons Mais Escuros" consegue passar bem uma história "romântica" bem montada e interessante de acompanhar. Claro que temos defeitos impagáveis (como uma chuva que só cai em meia rua, um acidente aéreo sem nenhum arranhão nos dois tripulantes, alguns efeitos computacionais de nível duvidoso), mas a trama soa bem gostosa e agradável de tal maneira que nem parece ser uma continuação (claro que precisamos saber o que aconteceu no primeiro filme para entender, mas a fluidez foi bem trabalhada sem precisar ficar repetindo frases e flashbacks). Além claro de os dois protagonistas (que agora estão ganhando 4x mais do que o primeiro filme) estarem com uma química incrível, criando bons momentos e mostrando que estudaram um pouco mais para atuar bem, afinal como bem sabemos antes ele era mais modelo do que ator. Ou seja, vai fazer muita bilheteria, e deixar as fãs bem felizes com o que verão em tela, pois a trama não abusa, nem força a amizade.

A sinopse nos conta que o namoro de Anastasia com o empresário Christian Grey ficou abalado. Ele domina os pensamentos da jovem e propõe um novo acordo. Anastasia não resiste e aceita. Em pouco tempo, ela descobre mais sobre o passado de Christian e surpreende-se novamente. Enquanto ele tenta livrar-se dos seus demônios interiores, Anastasia deve tomar a decisão mais importante de sua vida.

O trabalho técnico que o diretor James Foley("A Estranha Perfeita", "House Of Cards") acabou fazendo em cima do roteiro criado por Niall Leonard, marido da escritora E.L.James, foi algo que digamos bem elaborado dentro de um conceito que não ficasse explícito e/ou vulgar, mas ainda mantivesse a essência do estilo de paixão ardente que há entre os personagens, e claro entre discussões, sexo, história, mais sexo, romance, sexo e conflitos, o longa acabou permeando bons momentos durante toda a exibição. Claro que como disse no começo, faltou um apreço maior no desenvolvimento e no cuidado para que algumas cenas não soassem tão falsas, cinematograficamente falando, pois sabemos que tudo é falso no cinema, mas temos de ter um cuidado para que passe a maior realidade possível, e aqui faltou um trabalho melhor nas cenas de chuva, nas cenas com o helicóptero pegando fogo, e claro também nas expressões dos diálogos, que precisam mostrar mais a dinâmica real que aconteceria. Tudo isso que falo são detalhes técnicos, e isso é algo que muitos nem vão reparar, pois como temos um filme "novelesco" que as pessoas mais suspiram pelo galã e pelo romance criado, todos acabam esquecendo de observar atuações e história realmente, mas é algo que se tivessem trabalhado só um pouquinho mais, o resultado acabaria ainda sendo romantizado, envolvente, e claro, também incrível para quem não está buscando apenas uma novela no cinema. Ou seja, o longa não é ruim como história e passa bem tudo o que acontece nas cenas, mas poderiam ter trabalhado melhor.

No conceito da atuação volto a bater na tecla que tanto falei no primeiro filme, que Jamie Dornan não é ator, mas é um modelo sarado e bonito que as fãs ficam babando, então foi uma opção no primeiro filme e que não teria como mudar com o andar da carruagem, então o jeito foi treinarem melhor ele, e também dirigir melhor, e dessa maneira seu Christian Grey melhorou, ficando menos artificial e com o passar das gravações adquiriu uma química bem interessante com a protagonista, e usando menos de cenas que exigissem muita interpretação dele, o acerto foi bem bacana, claro que ainda está longe de ser um trabalho de atuação primoroso, mas dentro da proposta que desejavam, já foi bem mais agradável de ver o que fez. Dakota Johnson também foi mais expressiva em suas cenas, tendo uma dinâmica mais interessante e trabalhando para que sua Anastasia fosse alguém por quem o cara quisesse buscar como o filme tanto mostra, e fazendo menos caras e bocas do que fez no primeiro longa, a atriz acabou sendo convincente e acertando mais. Eric Johnson teve alguns momentos pontuais com seu Jack, e aparentemente vai causar no próximo filme, claro que é visto no filme que muito de suas cenas foram eliminadas, e que no livro certamente acontecem muito mais coisas entre ele e Ana, mas como temos um filme para desenvolver outras coisas, acabou-se usando pouco do ator, e sua aparição no final acaba sendo apenas mais uma jogada. Mesmo aparecendo entre quatro a cinco vezes no longa, acabamos nem reconhecendo Kim Basinger com sua Elena, não pela personagem ser ruim, pois até trabalhou bem a expressividade e encaixou bem suas cenas, mas pela atriz estar tão diferente da mulherona que conhecíamos que chega a ser estranho ver seu nome nos créditos e a pessoa não estar ali, sei que a idade chega para todo mundo, mas o botox ali saiu exagerado demais. Dentre os demais, a maioria faz rápidas aparições e não chega a chamar muita atenção, afinal o que o povo quer ver é a relação Grey/Anastasia, então temos algumas figurações de luxo que até se destacam mais, como Marcia Gay Harden como Grace Grey e Rita Ora com sua Mia Grey.

Dessa vez usaram um pouco menos o quarto vermelho, e assim puderam economizar com elementos cênicos, mesmo estando presente lá com alguns objetos mais ardentes, e com isso é claro que tiveram que ser mais requintados com outras locações, no caso um baile de máscaras refinadíssimo de elementos cênicos, um barco bem trabalhado, e até mesmo novamente a casa dos pais de Grey agora mais decorada para uma festa de aniversário, o apartamento de ambos os protagonistas com muito requinte, uma editora que ficou meia jogada em cena e poderia ser melhor trabalhada, e claro riquíssimos carros emprestados de graça para a produção (conforme consta nos créditos). O helicóptero melhor deixarmos de lado, pois foi a grande gafe do filme, aparentando ser uma computação muito mal feita, e na cena que pega fogo então ficou algo que nem em novela ruim fazem tão mal, além claro da cena seguinte em que o protagonista volta apenas sujo para casa, sem um arranhão sequer!!! Claro que assim como no primeiro filme, quem leu o livro verá diversos detalhes cênicos, mas como não li, não vou ficar pontuando nenhum. Dentro da fotografia tivemos cenas bem trabalhadas com tons sérios para manter a dinâmica tensa da trama, e usando certas sutilezas o filme acabou tendo um ar romantizado bacana de ver, mas nada que possa classificar o longa como um romance.

Agora algo que temos realmente de tirar o chapéu para a equipe ficou a cargo das escolhas musicais, com ótimas versões de músicas bem encaixadas com cada cena, que fluÍram bem a trama ajudando a dar ritmo, e principalmente conectando cada momento com o andar da direção, não deixando que o longa ficasse morno demais. E claro que com músicas tão boas não ia deixar meus amigos leitores em o link para escutar todas as canções do longa.

Enfim, ainda está longe de ser um filme perfeito, ao menos como cinema apenas, para as fãs todas estão saindo apaixonadas da sessão, então acredito que fizeram uma boa adaptação do livro para a telona. Talvez se errarem menos no último filme (com base no último livro lançado, pois já estão falando num quarto livro/filme) e tudo fluir bem, o acerto pode ser melhor, mas como disse, fiquei feliz com o resultado final, e até posso recomendar a trama para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos das estreias da semana que apareceram por aqui (bem poucas), então abraços e até mais.

PS: Se tivesse notas quebradas poderia dar 7,5 para o longa, mas como ainda precisam acertar mais erros do que acertos, vamos para baixo.

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TOC - Transtornada, Obsessiva, Compulsiva

2/06/2017 01:24:00 AM |

Antes de falar do longa de hoje precisamos definir uma coisa: não é porque um filme classificado como comédia (por sabe lá quem) e que contém uma atriz (que é humorista de profissão) que um filme vai ser divertido. Digo isso pois vi muita (digo muita mesmo, quase umas 2 fileiras de pessoas) gente saindo da sessão de "TOC - Transtornada, Obsessiva, Compulsiva" quando o longa mostrou a que veio trabalhando mais o lado experimental e abusivo do que piadas comuns que estaríamos vendo no tradicional cinema cômico nacional. O filme, aliás, brinca muito com isso, experimentando imagens aleatórias, muita abstração, e até mesmo a atriz se testa em diversos momentos com suas loucuras, colocando um galã tradicional de novelas como um pervertido namorado que só pensa em sexo de todas as formas, um vendedor tradicional que resolve prestar serviços fora do serviço, um fã obcecado que não aceita mudanças de sua amada atriz, um escritor fantasma que apenas quer mostrar que a felicidade é ligar o botão foda-se, e até mesmo uma novela envolvendo um futuro pós-apocalíptico, ou seja, tudo o que você pensar de diferente de uma comédia tradicional, você verá nesse longa, e isso por si só acaba soando tosco, mas entretém quem tiver paciência e gostar de coisas novas, mas senão ligue o foda-se e seja feliz também, afinal, essa é a premissa do longa.

O longa nos mostra que Kika K é uma atriz que está em novelas, campanhas publicitárias e é idolatrada por milhões de fãs. Mas por trás das aparências, está em crise com sua vida pessoal e profissional, enquanto precisa lidar com as limitações de seu Transtorno Obsessivo Compulsivo. Kika se depara com Felipão, um fã obsessivo, um namorado galã sem noção e os compromissos profissionais marcados pela exigente empresária.

Sempre é bom inovação, isso digo sem pestanejar, afinal nossas comédias andavam novelescas demais, mas em primeiro momento você deve começar colocando algo que segure mais o público, e não ir arregaçando de uma vez só, como Paulinho Caruso e Teodoro Poppovic acabaram fazendo em sua estreia na direção combinada de um longa. Digo isso pois é fato que quiseram mostrar um ar diferenciado com um trabalho bem autoral e que cheio de coisas diferentes fazem o público até estranhar ver tudo numa tacada só, mas o resultado (para quem está acostumado com longas experimentais) até sai satisfatório, porém quem for esperando ver uma comédia pronta para rir do começo ao fim, com ideias tradicionais (que até acontecem, principalmente nas cenas do TOC da protagonista) vai sair bem decepcionado com o que é mostrado. Ou seja, poderiam colocar todas as ideias na trama tranquilamente, só teriam de ser mais leves no exagero, que acabaria resultando melhor para todos.

Sobre as atuações, sendo roteirista e produtora, além de atriz principal, é claro que Tatá Werneck pode fazer tudo o que desejava no longa com sua Kika, desde uma guerreira que ranca testículos dos vilões, fazer protagonista de uma novela estilo "Betty - A Feia", beijar galãs e não galãs, chorar um choro mais ridículo impossível, e ainda sair-se bem com uma interpretação digamos controversa, que em um filme mais exigente não passaria nem em teste, mas de certa forma não diria que são erros dela, Vera Holtz fez sua Carol de uma maneira bem rígida que quem já passeou pelo meio das artes sabe bem como alguns empresários agem, fazendo tudo por trás do ator e sem coração para tudo que valha dinheiro, e ela bem como também uma atriz agenciada sabe como é, e não perdoou fazendo bons olhares, trejeitos e tudo mais. Bruno Gagliasso deu um tom bem exagerado para seu mulherengo e ninfomaníaco Caio, de tal forma que o ator até fez bem o papel, soube dosar as piadas para não forçar tudo de uma vez, mas chega a ser vergonhoso o tanto de situações constrangedoras que fizeram o ator fazer em cena. Luis Lobianco é daqueles atores que fazem papeis clássicos para o estilo dele, pastelão, mas bem colocado, mas seu Felipão trabalhou incumbido de um único mote, a paixão exagerada fã-artista, que bem sabemos como pode ocorrer perigos nisso como vimos no último ano com Ana Hickmann, e claro que o ator fez muito bem esse papel, mas por ser um humorista, ficamos esperando dele cenas engraçadas, e o não acontecer disso acaba frustrando um pouco o papel dele. Daniel Furlan é um ator interessante, que trabalha bem um estilo de comédia mais seca, e por um leve momento até achei que era Rafinha Bastos que estava interpretando Vladimir, mas claro que o ator foi bem melhor, porém falta ainda dinâmica no seu estilo para chamar atenção, tanto que nas cenas da livraria acabou soando mais falso do que trabalhando o desdém mesmo. E para fechar, felizmente Ingrid Guimarães apenas fez leves participações na trama, pois a trama não faz o estilo de humor da atriz, e interpretando a si mesma no filme, acabaria jogada demais, o que não convém.

Agora se tem algo que temos de elogiar e muito, e se tivesse ficado somente ali teríamos outro filme incrível, foi a cenografia do sonho/novela apocalíptica "Amorgedon" que juntamente de figurinos incríveis e um trabalho cênico perfeito, acabou resultando em algo diferenciado e cheio de nuances bem colocadas. Mas como o orçamento e a história necessitaria ser completamente diferente, fomos para outros lugares menos primorosos, como o ridículo programa de Ana Juliana, completamente desnecessário, a livraria bem colocada pelo fato de darem sempre preferência à sub-celebridades para lançar algo que somente fãs iriam gostar, e o restante vai passar por ali com desdém, as boas casas de Felipão e Vladimir, mostrando uma realidade comum de pessoas alternativas (para não falar estranhas), o karaokê tradicional que só dá gente estranha, e claro o restaurante chinês completamente sujo e destruído que até vai servir algo delicioso, mas que se soubermos como foi feito nem passaríamos perto. Ou seja, um trabalho da equipe de arte muito bem colocado que mostraram serviço dentro do que o roteiro pedia, mas que poderiam ter sido menos formais em alguns momentos. Quanto da fotografia, nas cenas da novela/sonho usou-se muito o tom cinza, comum de filmes pós-apocalípticos, e que de certa forma agradou bastante, mas usaram nas demais um exagero de tons também mais escuros, o que é incomum em comédias, pois deixa o filme monótono e triste, entretanto o que poderia ter ajudado um pouco mais na comicidade seria ao menos os figurinos dos protagonistas em tons mais alegres e locações mais vivas, que aí sim a comédia predominaria.

Enfim, é um filme bem feito, mas que não deve cair tanto nas graças do público, pois o abstrato não é algo comum ainda no contexto do cinema brasileiro, e muitos vão estranhar mais do que gostar do que verão na tela, mas em suma, a mensagem da trama do que devemos fazer para ter uma vida feliz foi dada na canção final, ou seja, ligue o botão do "foda-se" e seja feliz, ou usando a mensagem final do pós-crédito, aonde é falado o que é felicidade com cinco letras, vá fazer isso ao invés de ver o filme. Portanto recomendo a trama mais para quem deseja ver algo diferente do comum, e de forma alguma recomendo para quem deseja apenas ver uma comédia tradicional, ou seja, um filme para poucos. Bem é isso, encerro aqui minha semana cinematográfica, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até lá.

PS: Como o filme fica bem indefinido do rumo que deseja seguir, de comédia, de abstrato ou até mesmo de drama, a nota também vai ficar indefinida no meio do caminho.

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The Beatles - Eight Days A Week

2/05/2017 02:17:00 AM |

É raro vermos documentários nos cinemas do interior, mas quando se trata de uma banda com milhões de fãs espalhados pelo mundo afora, não só foi exibido nos cinemas, como faltou lugar na sala para todos que desejavam ver como a frenética maratona de shows e gravações dos quatro garotos de Liverpool acabou afetando algo que tanto priorizavam (a afinação) e portanto resolveram parar com shows para focar somente em álbuns de estúdio, tendo inclusive nesse período sem shows, seu álbum de maior prestígio mundial, Sgt. Peper.

Chega a ser estranho vermos mais um documentário sobre os Beatles, pois já foram feitos tantos programas de TV´, diversos filmes, e matérias sobre a história dos quatro cantores que quando falaram do documentário, que inclusive está concorrendo ao Grammy, fiquei imaginando que não conseguiriam mostrar muita coisa nova, e por incrível que pareça o diretor Ron Howard conseguiu muito material novo para trabalhar, vindo de fãs, da própria gravadora e até de arquivos dos Beatles ainda vivos, Paul McCartney e Ringo Starr, e claro que também por ser do meio cinematográfico, pegando depoimentos de atores e autores famosos como Whoopi Goldberg, Sigourney Weaver, entre outros para falarem como fizeram para ir aos shows em suas juventudes.

E com esse grande feitio de compilação de imagens e entrevistas bem colocadas, o diretor fez questão de mostrar de uma maneira bem simples o principal motivo da banda decidir parar de fazer shows, pois sempre foram ótimos letristas, com músicas perfeitas e bem cantadas em estúdio, mas a gritaria em shows era tão fora do comum (e na época não existia a tecnologia de hoje de retorno nos ouvidos, nem amplificadores que tirassem a barulheira completa do palco) que os músicos acabavam desafinando monstruosamente nos shows, tanto que quem ficar após os créditos verá um dos maiores shows que eles fizeram, que mesmo remasterizado em estúdio, convertido para 4K, ainda o abafamento das vozes não foi possível de consertar e chega a dar dó ver o esforço deles praticamente gritando para que o público ouvisse suas vozes, e não a gritaria das fãs. Em hipótese alguma vamos falar que eram ruins como cantores, pois todos sabemos muito bem o contrário, mas se já é difícil falar numa boate aonde o som está alto e temos quase que gritar para sermos ouvidos, imagina num estádio com 50 mil mulheres berrantes e você não ouvindo seus parceiros tocarem no ritmo certo e ainda cantar para que o público os ouça: não tem como.

Claro que por ser um documentário musical, temos ótimas canções que embalaram muitos jovens, deixaram fãs frenéticas só com o balançar dos cabelos tigelinhas dos cantores e acabam envolvendo bastante o público na sessão, e junto com boas histórias os quase 150 minutos passam tranquilamente sem cansar nem um pouco, ou seja, é daqueles documentários que vemos numa tacada só, mesmo que trabalhe muito da forma jornalística que não é tão gostosa de ver em um cinema. Portanto até recomendo a trama para todos, mas quem não for muito fã da banda é capaz de mesmo vendo algo que é novidade para ele acabar saindo da sessão um pouco desanimado com o formato, mas todo o restante com certeza agradará muito com tudo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia que veio para o interior, então abraços e até breve.

PS: O longa passará ainda neste domingo (05/02) em diversos cinemas, em Ribeirão Preto no UCI Cinemas às 20hs, como está lotando a sessão é recomendável chegar bem antes ou comprar antecipadamente.

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Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)

2/04/2017 03:07:00 AM |

Cálculos, tecnologia, preconceito... não necessariamente nessa ordem e em quantidade de caracteres podemos falar sobre "Estrelas Além do Tempo", que nos transborda de orgulho ao mostrar que mesmo sofrendo muito por estarem num lugar dominado pela segregação racial, numa época completamente polêmica, três grandes mulheres conseguiram transpassar as barreiras e com muita Matemática e força de vontade atingir o espaço, levando grandes homens para fora do nosso planeta. Ou seja, temos um filme bem primoroso e interessante de se ver por trabalhar bem todo o contexto histórico, e ainda empolgar com uma boa dose de energia que as protagonistas conseguiram colocar no longa, e tirando leves defeitos de exageros de impacto, o longa consegue ser tão incrível quanto parece, agradando demais do começo ao fim.

O longa nos situa em 1961. Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputam a supremacia na corrida espacial ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial, entre brancos e negros. Tal situação é refletida também na NASA, onde um grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar a parte. É lá que estão Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson, grandes amigas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA.

Já havia falado bem do primeiro trabalho que o diretor Theodore Melfi fez em "Um Santo Vizinho", mas agora nesse seu segundo longa como diretor ele trabalhou uma pegada mais encaixada, deixando as nuances certas nos momentos certos, sendo tão preciso que até utilizou alguns momentos mais descontraídos para que seu longa não ficasse tão pesado e ainda mostrasse um pouco da vida que as mulheres levavam além do trabalho também. Ao mesmo tempo que o diretor contou uma boa história, ele manteve a linearidade usando um bom corte dinâmico que não deixou o filme cansativo mesmo tendo 127 minutos, e assim sendo a trama flui bem gostosa e vai trabalhando cada uma das personagens sem precisar exagerar em nada e ainda mostrando um pouco de tudo. Outro detalhe que temos de pontuar foi a boa mistura de cenas filmadas com material de arquivo para dar uma realidade mais forte, e usando recursos interessantes na fotografia, o resultado acabou deixando as imagens quase no mesmo tom o que é algo muito bem feito. Talvez quem tentar entender termos técnicos demais da Matemática usada, e não tiver feito nenhuma matéria mais elaborada de Ciências Exatas vai ficar um pouco confuso com tudo o que falam no filme, mas nada que atrapalhe a ideia da trama e cause algum desconforto maior. Ou seja, um bom roteiro, mais uma boa direção e uma boa edição, não tinha como ficar ruim se colocado junto com boas atrizes, e foi assim que ocorreu, pois, as três protagonistas deram um show.

E falando mais delas, Taraji P. Henson foi perfeita em seus momentos de Katherine, criando uma protagonista bem focada, mas que acabou sendo deixada em segundo plano pelo elenco de maior peso, pois sua história sim é incrível, mas merecia um foco mais denso e/ou uma atriz de maior renome para que a dramaticidade em si falasse sozinha, mas em momento algum diremos que ela não se saiu bem, pois fez boas expressões e arrasou no seu momento de desabafo. Já pelo contrário, Octavia Spencer trabalhou olhares de sua Dorothy, e mantendo suas próprias características acabou sendo incisiva na atitude e não deixando o olhar para baixo para que sua personagem fluísse muito bem. Janelle Monáe fez poucas cenas, mas caiu bem na trama e claro na demonstração de muitas quebras de primeira mulher em diversas coisas, o que acabou fazendo de sua Mary Jackson uma personagem na história americana, e a atriz saiu-se muito bem caindo elegante no papel além de colaborar bastante nas canções junto do produtor do filme Pharrell Williams. Kevin Costner não anda mais sendo aquele ator que aparecia em todos os filmes quando era galã, mas aqui seu Al foi tão bem colocado, fazendo boas dinâmicas e chamando a responsabilidade para si em diversos momentos que acabou mostrando a atitude tão ímpar que só vemos em grandes atores. Jim Parsons foi bem diferente do que estamos acostumados a ver em TBBT, fazendo sim um bom cientista com seu Stafford, mas exageradamente sério e claro preconceituoso demais, não que isso seja ruim de ver, pois realmente aconteceu, mas poderiam ter trabalhado melhor suas expressões. Glen Powell colocou em suma o carisma que o astronauta John Glenn teve, e mesmo aparecendo pouco conseguiu mostrar, afinal como a história real mostrou, que ele foi alguém muito amado nos EUA. Quando lembramos que Kirsten Dunst foi Mary Jane nos primeiros "Homem-Aranha" ficamos assustados com a personalidade mais velha que assume aqui como Sra. Mitchell e a atriz com muita desenvoltura mostra que papeis mais sérios também caem bem para rostos bonitos, trabalhando sua dinâmica de uma forma bem encorajadora e interessante de ver. E para finalizar, temos de apenas pontuar a rápida participação de Mahershala Ali que assim como Janelle também entra nas competições torcendo por dois filmes, já que aqui faz o Coronel Jim Johnson e em "Moonlight" está como Juan.

A equipe de arte foi perfeita nas escolhas de boas locações para junto de muita criação ficarem incríveis para mostrar tanto as áreas separadas para cada tipo de cor, quanto os lugares aonde faziam as naves com quase tecnologia nenhuma, numa grande engenharia física, quase sem nenhum aparato tecnológico. Além disso também tivemos os ótimos elementos cênicos para representar bem a segregação racial, como a cafeteira, as salas diferenciadas, e até mesmo o figurino foi bem trabalhado dentro de condições que objetivassem o racismo que as mulheres negras sofriam na época. Como disse no começo, a boa conexão das filmagens com as imagens reais ficaram incríveis de ver, pois a equipe usou um tom de sépia bem trabalhado que ao ir mudando as nuances íamos do real para a ficção em questão de segundos, criando um filme bem condensado, mas cheio de representatividade.

No conceito musical da trama juntar um cantor pop, que é produtor do filme e que claro faria de tudo para seu filme ficar perfeito, com um dos astros das trilhas sonoras de filmes não tinha como dar errado, e não deu, pois Pharrell Williams e Hans Zimmer criaram novas canções, usaram antigas, incorporaram boa sonoridade e o resultado flui delicioso de escutar, caindo certo como uma luva, e claro que deixo aqui o link para todos ouvirem.

Enfim, um filme que mostra situações duras, mas que acabou fluindo bem leve pelas mãos de um diretor jovem e que gosta de trabalhar de forma clara, ou seja, um longa que pode ser recomendado para todos, e deve agradar, emocionar e servir para discutir diversos assuntos polêmicos. Sendo assim, mais do que indico ele para todos, pois com 3 indicações ao Oscar, acaba sendo quase algo que todos querem ver e devem. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até breve.

PS: Só não dou uma nota melhor pelo filme exagerar em algumas situações que sabemos que existiu de racismo e tudo mais, mas que poderiam ser menos polemizadas, ao menos nesse filme.

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O Chamado 3 (Rings)

2/03/2017 01:26:00 AM |

Mais um! Essa pode ser a definição mais fácil de "O Chamado 3", que tenta nos mostrar basicamente quem foi Samara no passado, e claro prosseguir com sua maldição. Não diria que é um filme original, por aparentemente já termos visto algo muito semelhante nas tramas anteriores, mas com mais história do que sustos, o resultado do filme consegue agradar e ser interessante. A ideia em si é boa, soa absurda (mas qual longa de terror não é assim!!) por virar tema de pesquisa em faculdade, mas conseguiu ir cativando com a busca da garota em torno do mistério da moça do poço. Portanto é um filme que até entretém, assusta em uma única cena que acaba pegando o público desprevenido, e funciona bem como um novo capítulo da história, porém poderia ir muito além com o que é trabalhado no âmbito de pesquisa da faculdade, agora é aguardar aonde pretendem ir com a franquia, pois a chance de termos outro ficou bem colocada no final.

O longa nos mostra que Julia fica preocupada quando seu namorado, Holt, começa a explorar a lenda urbana sobre um vídeo misterioso. Lenda esta que diz que quem assiste morre depois de sete dias. Ela se sacrifica para salvar seu namorado e acaba fazendo uma descoberta terrível: há um "filme dentro do filme" que ninguém nunca viu antes.

É interessante observarmos que ao mudar praticamente a equipe completa dos outros dois filmes, o resultado foi quase um novo filme com a mesma essência já vista, porém o diretor F. Javier Gutierrez optou por trabalhar mais o conceito da história, de buscar realmente a origem da personagem (um pouco diferente do que já vimos anteriormente) e não focar tanto em sustos ou coisas aterrorizadoras vindo da personagem principal. E nessa ideia a trama até que fluiu bem, mas faltou uma pegada mais séria para que o filme causasse sensações, pois tirando uma parte com um cachorro que pega o público no susto, o restante é quase como assistir um filme de romance adolescente na faculdade, com alguns mistérios para serem resolvidos, e nada mais, ou seja, faltou causar o terror que tanto era interessante de ver nos anteriores, e principalmente nos originais japoneses.

Sobre as atuações, Matilda Anna Ingrid Lutz foi uma escolha meio que jogada para o papel de Julia, pois ao sairmos do semblante desesperado que tínhamos com Naomi Watts como protagonista, aqui a personagem foi serena demais fronte à protagonista, sempre dosando as cenas com naturalidade e claro defendendo bem a busca da liberdade para o "monstro", mas isso acaba sendo bem explicado no fim, e não temos o que questionar, porém poderiam ter dado um pouco menos de coragem para a atriz que certamente faria uns olhares mais coerentes para um filme de terror. Alex Roe basicamente é a versão crepúsculo do terror, pois só ficou sem camisa o longa quase inteiro mostrando sua musculatura e palavras romantizadas para com sua amada, tudo bem que ela a salvou da morte, mas poderia ter bem menos cenas desnecessárias de romance no filme. Basicamente, se queríamos um filme com mais história sobre a personagem e mais vivência, deveríamos ter focado somente nas cenas com Vincent D'Onofrio que com seu Burke acabou lembrando até um pouco um excelente filme de terror atuar "O Homem Nas Trevas", pelas cenas de captura no meio do nada com sua bengala, e claro que sua história com a protagonista vai ser contada em breve num prequel muito bem trabalhado, pois ali sim temos boas atuações, já que o ator soube dosar bem sua entonação e dinâmica, e algo para falar mais. Ou então ficasse focado na ideia da "Corrente do Mal" trabalhada por Johnny Galecki com seu Gabriel, todo cheio de mistério, com sua ideia de estudo em cima da lenda de Samara, com olhares bem cadenciados e representatividade para mostrar boas nuances, que aí teríamos um outro filme. E claro que temos de falar da contorcionista Bonnie Morgan que sempre se entortando inteira acaba caindo bem no papel de monstros, bruxas e afins, pois sem isso sua Samara seria apenas um personagem forte, mas se entortando toda para sair da TV acaba sendo assustadora demais.

No contexto visual a trama até ficou interessante dentro das duas propostas que falei que funcionariam bem, que é na sala de pesquisa de Gabriel, com muitos aparatos tecnológicos e diversos jovens trabalhando na ideologia de propagação do teste de morte com a lenda da Samara, e na cidadela de Sacramento com a casa do cego, a igreja abandonada (que sempre a pessoa vai de noite no meio da chuva visitar sozinha, porque é muito legal) e até mesmo a pousada estranha ficou bem colocada na trama, e temos também as cenas de morte na casa da primeira garota que funcionam bem, mas que acaba sendo meio jogada na trama, igual ocorre na abertura no avião. Ou seja, tudo muito clichê e que foi feito pré-moldado para funcionar na trama, não trazendo muita novidade, mas ainda assim as 6 horas de maquiagem da protagonista funcionaram e ficou bem interessante visualmente. Quanto da fotografia, é claro que temos muitas cenas escuras, tudo bem trabalhado para criar sombras sujas e funcionais, mas nada que empolgue muito.

Enfim, é um filme razoável, que vai levar o público fã dos longas anteriores, mas que não vai causar muito terror nas pessoas, fazendo com que todos voltem para suas casas tranquilamente sem nem um arrepio de tensão. Portanto vá ao cinema tranquilamente, quem for fã claro da franquia, pois é diversão certa, mas se você for fã de terror mesmo, e estiver esperando algo a mais, passe bem longe, que a chance de só reclamar é bem alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um post de alguma estreia, então abraços e até lá.

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Max Steel

1/31/2017 12:32:00 AM |

É interessante ver quando decidem criar uma nova franquia no cinema, e colocam um primeiro longa cheio de apresentações para que o público que nunca viu conheça o personagem, sua história e tudo mais, para que num próximo aconteça tudo realmente, e certamente essa era ideologia da Mattel ao vender os direitos de seus bonecos para o cinema, mas o que eles não contavam é que a equipe produzisse um filme de introdução para "Max Steel" tão bobinho e ingênuo que nem as crianças que brincaram com os bonecos quisessem ver ou saíssem da sala gostando do que viram, quanto mais quem for apenas conferir um filme de ação, imaginando que o roteirista que escreveu grandes filmes de heróis fosse entregar algo mais elaborado, mas infelizmente não acabou rolando, pois até temos uns bons efeitos (que em 3D seriam bem chamativos), mas nada além de um romance fraquinho e uma história simples de descobrir quem ele é com muitos flashbacks. Ou seja, nem na sessão da tarde é capaz de dar ibope.

O longa nos mostra que Max é um adolescente de 16 anos que, como todas as pessoas da sua idade, está passando por um período de descobertas. Entretanto, as transformações na vida do jovem estão relacionadas aos incríveis poderes que ele descobre ter quando entra em contato com uma força extraterrestre.

Chega a ser realmente estranho ver o trabalho que Christopher Yost, que escreveu os dois últimos "Thor" e até mesmo o não lançado ainda "Logan", entregar um filme tão simples de ideias como o que acabamos de ver, pois tudo na trama acabou soando bobo demais, desde a forma de romance, as conversas com Steel, e até mesmo os diálogos com o vilão da trama, parecendo que quiseram rebaixar o nível do longa para ser compreendido somente pelas crianças de 2 a 4 anos que começaram agora a brincar com os bonecos. Mas embora esteja culpando o roteirista, fica claro na exibição parte da culpa na pouca experiência do diretor Stewart Hendler que só havia feito dois longas de terror no cinema e algumas séries de TV sem muita expressão, e sendo assim provavelmente pegou o que estava escrito no papel e não interpretou nada para dar um toque seu, deixando que tudo fosse colocado nos mínimos detalhes, mas sem elaborar nada que ficasse realmente imponente, ou seja, o diretor até trabalhou bem para colocar efeitos bem interessantes numa produção cheia de detalhes, mas esqueceu que bons diálogos e uma história mais envolvente são necessários para que um filme se desenvolva bem e agrade mais pessoas com cabeça.

No conceito da atuação, Ben Winchell achou que estava numa das sagas teen voltadas para garotas adolescentes, pois seu Max estava sempre tirando sua camiseta e trabalhando olhares sexys nas cenas com seu par romântico de tal maneira que ficou estranho ver o jovem entendendo um pouco mais de seus poderes, e principalmente usando eles, sem que fizesse expressões caricatas e olhares perdidos no rumo, tendo inclusive uma cena em que olha diretamente para a câmera como se não soubesse o que estava fazendo (aparentando inclusive ser um erro de corte), ou seja, estava completamente perdido em cena. Andy Garcia até deu algumas boas vertentes para seu Miles, mas quando precisou entrar em luta se perdeu completamente, ficando até estranho seus movimentos, um dublê melhoraria bem a performance, e o ator não ficaria tão estranho usando uma armadura e trabalhando os diálogos como acabou acontecendo. Mike Doyle caiu bem como Jim, mas o excesso de flashbacks acabou sendo cansativo demais para o filme, e merecia ter trabalhado mais o personagem dele antes em algum tipo de cena inicial, para depois deixar que o filme fluísse sozinho sem precisar tanto de sua participação. Ana Villafañe é uma atriz até que interessante e soube dosar olhares com sua Sofia, mas poderia ser menos exagerada nas cenas de sua personagem para que o filme não ficasse tão preso no romance seu com o protagonista, aparecendo a todo momento, mesmo nas cenas mais de ação, de forma que só ficou faltando ela lutar também. Quanto da mãe do garoto, Molly, interpretada por Maria Bello, podemos dizer que apareceu bem em três cenas importantes, e nada mais, não fazendo expressões fortes, não trabalhando uma boa interação com o protagonista, mas no final sendo completamente importante para a trama com seu segredo completo, ou seja, precisaria aparecer mais, e caberia melhor suas cenas do que o excesso de flashbacks com o pai.

A equipe de arte até escolheu boas locações, trabalhou bem os locais destruídos por tornados, chacoalhou bem os objetos de cena que foram colocados em locais estratégicos, e usou boas referências em materiais para ir dando pistas da ligação do garoto com seu pai, mas poderiam ter elucidado melhor algumas situações sem precisar ficar falando, ou mostrando flashbacks, pois assim como está cansando falar essa palavra no texto, no filme acaba cansando mais ainda. Outro ponto bem positivo da trama ficou a cargo da fotografia que usou bem uma iluminação mais sombria para criar clima, e claro deixar que a equipe de computação/efeitos especiais fizesse todo o trabalho pesado de bom nível com ótimos luminosos, muitas explosões e até um certo realismo de jogos eletrônicos (tirando as armaduras que pareceram vir emprestadas de "Tron"). Um defeito que poderia até ter melhorado a trama que raramente falo aqui, é que os efeitos são tão bons e bem trabalhados que poderiam ter colocado a trama como 3D, pois tudo funcionaria mais e acabaria chamando mais atenção do pessoal, mas com uma história tão fraca, acho que ficaram com medo de colocar ingresso mais caro e menos gente ainda ver o filme.

Enfim, é um filme muito fraco e que dificilmente agradará quem for esperando qualquer coisa dele, pois se mesmo sem qualquer ambição a trama não conseguiu empolgar, então quem for querendo ver algo é capaz de reclamar mais ainda, afinal muitos brincaram com os bonecões e outros conferiram a série animada de 2001, ou seja, tinham base para ver um filme ao menos razoável, o que não foi entregue. Portanto não recomendo a trama, ao menos que você vá levar alguém muito fã e que esteja na faixa máxima de 10 anos de idade. Bem é isso pessoal, encerro aqui minha semana cinematográfica bem longa, já me preparando para outra que deve aparecer uma boa quantidade, então abraços e até quinta meus amigos.

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Beleza Oculta (Collateral Beauty)

1/30/2017 01:57:00 AM |

Existem alguns filmes que são feitos somente como mote para trabalhar autoajuda e dar grandes lições de vida nas pessoas, e claro que quando bem trabalhados conseguem entrar na mente do público e fazer com que as pessoas desabem e passem a ver melhor os seus momentos de forma que acabam usando as mensagens e tudo mais que foi dito nos filmes. A tentativa de "Beleza Oculta" de entrar nesse nicho com tudo é bem colocada, mas talvez o longa só conseguirá atingir realmente quem estiver precisando das lições e nem tanto passá-las como algo mais aberto, pois o filme ao mesmo tempo que funciona de forma fictícia acaba soando sereno demais para algo mais real, e isso acabou atrapalhando um pouco, faltando uma conexão maior entre os personagens secundários e o protagonista.

O longa nos mostra que após uma tragédia pessoal, Howard entra em depressão e passa a escrever cartas para a Morte, o Tempo e o Amor - algo que preocupa seus amigos. Mas o que parece impossível, se torna realidade quando essas três partes do universo decidem responder. Morte, Tempo e Amor vão tentar ensinar o valor da vida para o protagonista.

É interessante vermos que o diretor David Frankel varia bem em seus filmes, mas geralmente inclui muitas lições nas tramas, fazendo com que o público se identifique com as histórias, se comova com cada momento e acabe indo em rumos diferentes em suas vidas após assisti-los, foi assim em "Marley e Eu", foi assim em "Um Divã Para Dois" e com certeza foi assim também em "O Diabo Veste Prada", então porque aqui seria diferente? Ainda mais em um longa que mexe com os maiores medos da vida de uma pessoa, e que o protagonista abre tão bem o filme explicando os motivos de serem a base de tudo: a morte, o tempo e o amor. Talvez o maior problema do filme seja vender seu mote completo no trailer, já fazendo com que o público fosse mais preparado para cada momento e até se emocionasse com algumas cenas, mas sem saber de metade das coisas talvez o baque seria maior, além claro de que quem não estiver preparado para compreender cada momento do personagem principal, entrando na mesma vibe dele é capaz de sair do filme sem entender muito o sentido da trama, e por base, da vida. Claro que muitas lições vão funcionar e pela quebra de mesa na cena da assinatura, o filme em si já se faz valer, mas poderia certamente ter ido bem mais longe com a temática que tinham em mãos.

Para falarmos das atuações, temos de tentar entender o que anda passando na cabeça de Will Smith, pois realmente o ator anda aparentando ter chego numa idade limite para parar com brincadeiras e focar em personagens mais dramáticos, pois mesmo fazendo um vilão em "Esquadrão Suicida" sua temática é dramatizada, e aqui com seu Howard ele colocou velhice em pauta se acabando em incorporações e claro emocionando muito com seus trejeitos bem colocados, pena que faltou um pouco mais para chamar atenção e conseguir cair nas graças dos prêmios. Helen Mirren é rainha mesmo sem estar com a coroa, e sua Brigitte/Morte é maravilhosa (um pouco descabelada demais, mas não vem ao caso) com boas nuances interpretativas, olhares pontuais atingindo diretamente onde desejava e claro boa dinâmica para que suas cenas fossem incríveis de ver. Edward Norton sempre trabalha bem, mas sempre aparenta arrogância em todos os personagens que faz, mesmo quando não é o ideal, e isso pode ser até uma implicância minha com ele, mas seu Whit incorporou tanto essa personalidade que ficamos incomodados com sua "traição" e até torceríamos para que não desse certo seus momentos, mas o ator fez bem cada cena e de certa forma agradou no tom. Kate Winslet fez um papel que digamos seja seguro para ela, pois sempre cai bem seu estilo de conselheira e amiga, e isso sua Claire tem de sobra, mas as lições que acabou tomando foram bem melhores e marcadas no ponto certo. Keira Knightley aparentou um pouco de insegurança para sua Amy/Amor, de tal forma que até poderíamos dizer que o amor é meio atrapalhado e desenfreado, mas a atriz aparentou mais do que isso, soando estranha em algumas cenas. Não conhecia muito da atuação do jovem Jacob Latimore, mas a boa desenvoltura que deu para seu Raffi/Tempo foram bem marcadas e interessantes, talvez um pouco duras/secas, mas ainda é bem jovem e certamente vai melhorar. Michael Peña não teve muito impacto nas cenas expressivas de seu Simon, mas trabalhou bem e deu um bom sentido para seu momento no filme, doando boa dramaticidade para o papel, poderia ter falado um pouco mais, mas foi bem no que fez. E por último, mas não menos importante, Naomi Harris nos entregou uma Madeleine bem trabalhada na mensagem, com uma interpretação graciosa e bem colocada, mas que mesmo a pessoa mais lenta irá captar logo de cara quem é ela, tanto que se fosse diferente a sala soltaria um ohhh na cena final, e todos ficaram em silêncio normal, mas isso não foi problema da atriz, e sim do roteiro, o que foi uma pena.

No conceito visual da trama, escolheram muito bem as locações para as filmagens, desde uma agência de propaganda magistral, passando pelas ruas da cidade todas enfeitadas para o Natal (que faz parte do mote da trama), e até mesmo os lugares mais simples como o teatro, a sala de ajuda e o metrô acabaram coerentes com cada momento servindo bem de alegoria para cada cena, mas mesmo que não seja algo tão funcional para o tema, a equipe certamente teve grandes trabalhos para fazer as derrubadas de dominós enormes e lindas de ver, e só isso já dá um alivio maravilhoso visual para mostrar o quanto a equipe de arte estava preocupada em ter tudo muito bem marcado. A fotografia trabalhou com meios tons, não jogando tudo para o tom dramático meloso totalmente escuro e nem abrindo perspectivas para risadas com cores coloridas, e isso de certa forma foi algo bem interessante de ver.

Embora só tenha sido utilizada no trailer e no fechamento da trama, a canção do OneRepublic, "Let's Hurt Tonight" marcou muito bem o mote da trama com sua letra e valeria ter sido colocada legendada, pois diz muito sobre tudo o que o filme quis passar, e sendo assim podemos dizer que a escolha foi perfeita da equipe que colocou mais tons ritmados do que músicas em si durante todo o filme, optando até mesmo pelo silêncio para marcar a dramaticidade da trama.

Enfim, um filme bem bonito, que poderia ser muito melhor caso quisessem envolver mais do que passar apenas boas mensagens, mas que vai agradar muito quem for de peito aberto para receber a ideia completa. Como disse um texto que vi na internet, talvez o maior erro do filme no Brasil tenha sido a data de estreia, pois na proximidade do Natal o filme derrubaria bem mais pessoas do que vai derrubar emocionalmente agora. E com essas ressalvas, acabo recomendando o filme pela beleza que traz no seu interior, mas que se forem prontos para criticar tudo, certamente irão conseguir, pois o filme infelizmente tem muitos detalhes para atacar com afinco. Bem fico por aqui hoje, mas volto amanhã com o último texto dessa semana bem recheada de estreias, então abraços e até breve pessoal.

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A Bailarina em 3D (Ballerina) (Leap!)

1/29/2017 06:55:00 PM |

É em animações que vemos a maior mensagem de superação, de seguirmos sempre nossos sonhos e que com muito trabalho sempre conseguiremos atingir nossos desejos, e claro que quando se trata de uma animação franco-canadense, não seria diferente, afinal nesses países o lema de batalhar muito para conseguir superar obstáculos é algo que predomina, porém quando entra em jogo alguns dos produtores que mais emocionaram no cinema nos últimos anos com o filme "Intocáveis", não se esperava menos do que mostrar que não basta treinar muito e ter determinação para conseguir atingir o ápice, mas sim paixão pelo que faz, e assim o filme "A Bailarina" flui com um desenho e história bem simples, mas objetivo na mensagem e impactante no contexto geral, ou seja, um filme que não vai cativar tanto as crianças com personagens bobinhos, mesmo que tenha algumas gafes nesse sentido, mas que dará grandes lições e emoções para quem refletir bem tudo o que é dito na trama, fazendo valer todos os momentos passados na telona.

A sinopse nos mostra que em 1869, uma menina órfã é tomada pelo sonho de ser um dia uma grande bailarina. Obstinada, a garotinha foge para Paris com o desejo de alcançar o que quer, fingindo ser outra pessoa e assim conseguir uma vaga no Grand Opera.

Embora não seja de um estúdio que estejamos acostumados a ver animações por aqui, a equipe responsável pelo filme mostrou que de técnica eles entendem bastante para que o filme não ficasse apenas bonito de mensagens, mas sim que funcionasse como uma obra completa, bem desenhada e com nuances clássicas envolvendo animação tradicional e computação gráfica bem alocada. Claro que por termos dois diretores estreantes em animação, Eric Summer e Éric Warin não mostraram muita ousadia com texturas e ambientações que utilizasse efeitos tridimensionais de uma forma mais criativa, mas o resultado da arte criando uma Paris clássica do século XIX, mostrando a construção das duas obras mais conhecidas do mundo (Torre Eiffel e Estátua da Liberdade) e brincando bem com a temática de que com muito treino se atinge o ápice, mas que o detalhe da obra será a paixão, acabaram acertando bem e empolgando bastante com um filme leve e gostoso de acompanhar.

Porém sendo bem crítico, precisavam ter criado personagens mais dinâmicos e pontuais, pois os protagonistas são bem colocados e trabalham bem as mensagens, mas não chamaram o carisma nem a responsabilidade para que o filme focasse neles, soando dispersos de tal forma, que mesmo sendo um filme bonito de se ver, é capaz que muito em breve nem lembraremos de ter assistido ele, e de certa maneira também acabaram não conectando tanto as crianças, faltando algo mais colorido e vivo para amarrar as pontas de mensagem séria dos treinadores com as ideias inventivas divertidas do garotinho.

Falando um pouco mais dos personagens e pontuando um pouco sobre a dublagem nacional, Mel Maia mostrou que assim com tem demonstrado um estilo de atuação próprio e bem marcante, na forma de dublar a protagonista Félicie conseguiu incorporar bons trejeitos e deixar a jovem bailarina com um tom interessante e bem jovial, talvez marcando até infantil em alguns momentos, mas nada que atrapalhasse, muito pelo contrário, agradando bastante nesse sentido, pois a própria personagem se mostra dentro desse perfil da mudança de criança para adolescente, e o acerto acabou conectando bem. O garotinho Victor merecia um pouco mais de destaque, mesmo o filme sendo sobre a bailarina, pois assim como somos apresentados do nada os dois protagonistas, o jovem garotinho acaba caindo meio que no limbo do filme, aparecendo espaçadamente mostrando algo e sumindo novamente, o que acaba causando uma falta de conexão para que o público torcesse pelo relacionamento dos dois, e isso não é algo comum de ver em animações "românticas". Outro pequeno defeito de percurso é o fato de apenas falarem do acidente que Odete sofreu quando era bailarina (o que todos já sabiam logo na primeira cena sua), pois em outros tempos acabariam mostrando mesmo que de relance (talvez até usando uma animação 2D mais simples) como foi que aconteceu para que ela desistisse do seu sonho, mas ainda assim a conexão dela com a protagonista soa bem bonita. A personagem "malvada" do filme, Régine Le Haut, ficou digamos que artificial demais, e poderia causar mais impacto nas suas cenas fortes, mas aí sairia do tema infantil, porém ainda fez bem suas cenas arrogantes, e a frase do filme ficou a cargo da filha da vilã, Camille, ao dizer o motivo pelo qual dança, que é o que vemos muito por aí nas academias de dança, com garotinhas se matando para fazer algo que nem gostam de fazer, deixando uma boa dica para as mamães que forem ver o filme.

Como disse acima o contexto visual da trama foi bem desenhado, mostrando bons elementos do século XIX e um tom amarelado bem interessante na iluminação do filme, quase deixando a trama iluminada demais, e nesse contexto, entramos em outro ponto ruim do filme, o 3D, pois muito amarelo acaba estragando qualquer tentativa de efeito tridimensional, deixando o longa quase chapado 2D, e assim sendo, faltou imersão e classe para que o filme tivesse bons elementos saltando para fora da tela, e/ou uma profundidade convincente, funcionando a tecnologia apenas para que os personagens tivessem formas mais humanas e nada além disso, ou seja, algo que já tinham feito só com as boas sombras dos traços clássicos que usaram. Então quem quiser dar uma economizada, pode ver 2D tranquilamente o longa.

Como é de praxe em boas animações atualmente, temos uma trilha sonora de primeira linha, com músicas que remeteram ritmo à produção e claro diversão para os bons ouvidos com as temáticas escolhidas para desenvolvimento dos personagens, e claro que não deixaria vocês sem o link das músicas.

Enfim, é um filme bem bonitinho, que agrada pela boa mensagem e pelo desenho bem trabalhado de arte, mas que faltou muitos detalhes para ser perfeito daqueles que saímos emocionados da sala comentando sobre tudo o que vimos, e principalmente, que lembraríamos de ter visto quando nos perguntado daqui alguns meses. Sendo assim recomendo ele com as ressalvas que fiz, mas que vai agradar bastante as crianças que gostam de dança, e os pais/adultos que estiverem bem dispostos à escutar boas mensagens. Bem é isso pessoal, hoje ainda confiro mais um longa dos muitos que estrearam nessa semana cinematográfica, e amanhã cedo coloco o texto no site, então abraços e até breve.

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Quatro Vidas De Um Cachorro (A Dog's Purpose)

1/29/2017 03:14:00 AM |

Há filmes que mesmo sendo bem simples nos fazem refletir na vida, para pararmos e pensarmos qual é o nosso propósito nesse mundão imenso, e com "Quatro Vidas De Um Cachorro" esse tema fica batendo frequentemente, adicionando ainda a temática de reencarnação para que voltemos melhores do que fomos na vida passada, ao menos essa é a base que o cachorro vai aprender em suas quatro vidas, e claro no caso ele busca sua paixão primária que foi seu dono Ethan. A trama é simples, bonita de acompanhar e que diverte bastante, e claro cheio de boas mensagens nas diversas vidas do cão que podem ser levadas para nossa realidade, ou seja, um filme inspirador. Claro que possui defeitos, de cortes de cenas rápidos demais entre outros furos de roteiro, mas principalmente a maioria se deve por utilizarem cachorros reais, que certamente deram muito trabalho para filmar tudo, mas ainda assim o resultado acaba agradando bastante, pois os peludos são fofos demais e acabam soando gostoso ver eles atuando.

A sinopse nos conta que Bailey vem ao mundo várias vezes, sempre como cachorro. Em cada encarnação, ele tenta buscar qual o seu real propósito. A cada vida, o cão aprende uma lição para que na próxima vinda à Terra siga evoluindo. Mas no fundo, o que o bichinho mais quer é reencontrar o seu primeiro dono.

A trama que é baseada no livro "4 Vidas de Um Cachorro - O Olhar de Um Cachorro Ensinando Que No Fundo o Melhor Amigo do Homem É a Vida" de W. Bruce Cameron e dirigida por Lasse Hallström foi trabalhada para envolver o público, pois certamente o filme poderia ser um longa triste e forte com os enfrentamentos que acabam acontecendo em algumas cenas mais duras, mas o diretor optou por manter mais a essência de autoajuda que o livro pode transparecer e assim como o nome em inglês diz "A Dog's Purpose", ele acabou colocando mais dessa ideologia de proposta de vida, e claro passar a sabedoria canina para as telonas. É fato que trabalhar com animais é algo dificílimo, pois não temos como explicar para eles como queremos determinada cena, e nem sempre a cena vai sair do jeito melhor planejado, tanto que antes da estreia o longa sofreu uma derrubada monstruosa em sua campanha de divulgação com um vídeo mostrando maus tratos a um dos cachorros em determinada cena, e quando vemos a cena no filme, é mostrada a sua importância e beleza, mas não teria como ensinar durante o período de filmagens como o cão deveria agir ali, e esperar acontecer, tanto que tudo ocorreu numa piscina aquecida e com várias pessoas cuidando da cena (e quem estava filmando ao invés de reclamar apenas poderia ter agido, ao invés de guardar um ano a filmagem para tentar queimar o filme na sua estreia), ao invés de acontecer realmente numa ponte alta com uma correnteza imensa que aí sim daria para ficar com dó do cão. Mas deixando a polêmica de maus tratos ou de como os cães foram treinados para as cenas, o fato é que o diretor soube dosar a alegria dos animais para que cada cena junto de seus humanos ficassem bem encaixadas e interessantes, e assim o filme fluiu gostoso de acompanhar, mesmo com os diversos errinhos de cortes, os quais quem não for bem ligado, nem verá esses detalhes, e passará tranquilamente por tudo, chorando nas partes mais emotivas, e claro rindo bastante nas demais trapalhadas dos cães.

Dentro das atuações cada ator teve o seu melhor momento, mas é fato que Josh Gad foi o que mais falou sem aparecer em cena, pois deu voz para Bailey, Ellie, Tino e Buddy, transparecendo demais sentimento em cada nova entonação e agradando bastante no estilo interpretativo que deu para cada momento, sendo dirigido com precisão para que usassem depois em cima dos cachorros (antes que me perguntem, não, os cachorros não ficam mexendo a boca, é apenas pensamento deles a voz do ator). Bryce Gheisar fez Ethan criança, e com muita doçura trabalhou bem suas cenas junto de Bailey com muita sincronia e diversão, e o jovem soube dosar suas emoções junto do cachorro, já adolescente a bola de Ethan foi repassada para K.J. Apa que deu uma vivência diferenciada junto do cachorro, e foi aonde mais foi trabalhado a questão interpretativa do ator, que mostrou boa desenvoltura nas cenas junto do pai, e claro no momento mais impactante da quebra do eixo base do filme que era o amor/paixão até aquele ponto, e o ator mostrou em seu primeiro trabalho na telona que sabe dosar bem os olhares assertivos e sair-se bem num contexto mais amplo, e para finalizar temos Ethan já velho que interpretado por um ranzinza e cinza Dennis Quaid que por ser o mais experiente da equipe acabou dosando bem suas poucas cenas e chamando a responsabilidade para que o filme nos seus momentos voltasse para a proposta inicial de amor/paixão, seja pela mulher ou pelo melhor amigo canino. John Ortiz como Carlos foi bem trabalhado, mas sério demais como um policial solitário, e mesmo que a ideia era essa mesma de passar essa solidão interna, o ator poderia ter feito melhor as cenas na ponte, pois como bem sabemos foi aonde mais usaram computação gráfica, e ele acabou soando bem falso ali. Kirby Howell-Baptiste fez as cenas mais divertidas com o cão interpretando Maya, pois ali encaixou diversos momentos interessantes que as pessoas passam, desde a solidão junto com seu bichinho, até arrumar um par perfeito e trazer vários amiguinhos para perturbar a vida do cão, e a atriz trabalhou bem cada momento, sendo singela e transmitindo bons pensamentos junto com seu cachorro. Britt Robertson está cada dia maior, e atuando melhor, mas sua Hannah foi singela demais e com poucas cenas dialogadas, a maior parte dando lambidas no seu par como diria o cachorro, acabou demonstrando pouca interpretação e muita dinâmica apenas. E para finalizar, Luke Kirby foi impactante como Jim, ou melhor pai de Ethan, que ao trabalhar a bebida como ponto forte do fracasso, acabou interagindo bem e mostrando semblantes duros que vemos diariamente por aí, sendo bem expressivo do começo ao fim.

No conceito visual, fica claro que a vida de cachorro sempre é melhor com muito espaço para que ele possa interagir com o ambiente se divertindo e aprendendo com tudo, e assim sendo o filme mostra grandes fazendas, casas e até mesmo apartamentos (para os cães pequenos) e que com muita desenvoltura da equipe souberam trabalhar com conceitos interessantes de objetos e locações. Detalhe para as noticias de época que foram trabalhadas no começo com jornais, e pela ótima concepção com carros de época e brinquedos de parque antigos para remeter a boa colocação do filme, e conforme foram passando pelas outras vidas do cachorro e também diferentes épocas fomos vendo mudanças cênicas, tanto no figurino dos personagens quanto no estilo das locações, o que mostra um trabalho bem encorpado de pesquisa. A fotografia usou cores bem vivas para dar alegria na trama, e sempre nos momentos de passagem, baixava um pouco o tom, colocando cenas mais escuras, e a tradicional luz de passagem voltando o cão para seu estado de filhote, após sofrer um pouco como velhote.

Enfim, é um filme muito gostoso de acompanhar que até imaginava que seria mais triste, mas como disse o diretor optou em mostrar melhor uma proposta de vida positiva sem trabalhar tanto as dificuldades. Portanto esqueça a polêmica que fizeram em cima de uma única cena, que certamente tem algum interesse bem longe dos direitos dos cães por trás, e vá conferir essa trama gostosa e que vai fazer seu dia mais feliz. Claro que não posso deixar de lado os erros de cena, como cortes e tudo mais, por isso a nota será um pouco menor, mas garanto que é um filme que vai fazer todos saírem bem contentes com o que verão em cena. Bem é isso pessoal, encerro meu texto nessa madrugada, mas nesse domingo ainda tenho mais dois filmes para conferir, então abraços e até breve com mais textos.

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