Máquinas Mortais em Imax 3D (Mortal Engines)

1/12/2019 07:43:00 PM |

De certa forma já acostumamos que alguns livros necessitam ser feitos em mais do que um único filme, ou até mesmo virar uma série, pois possuem muitos personagens, diversos motes para serem explicados, relações interpessoais, e tudo mais que se entregue em um único longa acaba deixando o público confuso, não bota nada em jogo de forma decente, e acaba sendo levado a baixo pelas altas críticas negativas, ou seja, gastam horrores do orçamento em algo que acaba perdido. E comecei o texto de "Máquinas Mortais" dessa forma exatamente por ele ser um exemplar claro dessa atitude, pois é um longa com uma história bem marcante, possui uma proposta ousada e bem coesa de ser vista, mas possui muitas amarrações que foram jogadas de lado, personagens que surgem do nada sem muitas explicações, e temos de tentar entender quem são, ou o porquê de estarem ali, além claro de tudo ser num nível de ação gigantesco (o que não é ruim, mas desde que não tivesse tanta gente importante no miolo). E sendo assim, tivemos um filme bem dinâmico, com uma produção gigantesca, efeitos de grande porte, mas que ao final da sessão ficamos nos perguntando: "O que foi que assistimos mesmo? O filme era sobre o que?", e certamente isso não é algo bom de sair falando após algo desse porte, ou seja, faltou Peter Jackson que é o rei da divisão de longas (fez um livrinho minúsculo como "O Hobbit" virar três longas) chegar no diretor e falar: "vamos lançar em duas partes, de um jeito de gravar mais coisas!", e aí sim o resultado seria bem imponente de ver na telona, mas da forma que resultou, ficou algo bem mais ou menos.

O longa nos situa anos depois da "Guerra dos Sessenta Minutos". A Terra está destruída e para sobreviver as cidades se movem em rodas gigantes, conhecidas como Cidades Tração, e lutam com outras para conseguir mais recursos naturais. Quando Londres se envolve em um ataque, Tom é lançado para fora da cidade junto com uma fora-da-lei e os dois juntos precisam lutar para sobreviver e ainda enfrentar uma ameaça que coloca a vida no planeta em risco.

Talvez um problema que ocorreu foi o de Christian Rivers fazer sua estreia na direção de longas logo em uma produção gigantesca como essa, pois ele que já ganhou um Oscar pelos efeitos especiais de "King Kong" pareceu desesperado e ansioso demais com a trama, acelerando tudo (mas como disse tinha coisa demais para mostrar, e certamente a aceleração é devida à isso), mas diria que o problema dele nem foi tanto esse desespero, pois ele poderia até ter uma trama gigantesca, mas poderia ter optado por desenvolver menos personagens e a trama se auto enxugar, deixando que tudo ocorresse somente em cima dos protagonistas, mas isso seria algo para um diretor mais experiente, o que não era o caso aqui. Em síntese, o trabalho de Rivers não chega a ser ruim, pois como sabe trabalhar bem com efeitos, ele acabou entregando uma obra cheia de técnica e muita movimentação, mas que não consegue segurar o tino completo que a trama pediria, e assim sendo os defeitos acabam sendo realçados, como por exemplo os personagens sem muita química, alguns sem desenvolvimento, mas que são importantes para os atos, e assim o resultado acaba não ficando ruim, mas estranho de modo geral, parecendo que o livro de Philip Reeve foi mal adaptado para o cinema.

Sobre as interpretações, não lembro muito de Hera Hilmar em "Anna Karenina", nem em outros longas, mas posso dizer que aqui, como a protagonista Hester Shaw, ela foi bem colocada, fez boas caras e bocas, e conseguiu chamar a atenção momentaneamente, trabalhando os olhares e impondo seus diálogos, só diria que faltou um pouco mais de química dela com os demais personagens, parecendo estar solta demais na produção. Robert Sheehan foi singelo e bem determinado com seu Tom, e conseguiu entregar um personagem bem coeso e que até dá para torcer pelos seus motes, mas poderia ter entregue uma vivência cênica maior para não sobrar no longa. Hugo Weaving é o mais conhecido do público, e fazendo o vilão Thaddeus Valentine conseguiu surpreender pela imposição junto aos demais, entregando boas cenas, mas sempre oscilando demais acabou que não nos conectamos à ele, nem ficamos bravos com suas maldades (se é que tem mais que uma, que é querer o poder destruindo os demais). Chega a ser engraçado a forma que Jihae e sua personagem Anna Fang foi inserida na produção, pois usando um sobretudo vermelho e com um avião bem vermelho, acaba destoando tanto dos demais personagens e cenários que fica parecendo ser algum tipo de protagonista na trama (talvez do livro!), mas embora tenha cenas fortes de luta e tudo mais, ela acaba sempre em segundo plano, ou seja, estranha de ver atuando. Quanto aos demais, tivemos tentativas fortes com outros aviadores de aparecer, também tivemos leves destaques com um dos coletores de Londres, interpretado por Ronan Raftery, e até Leila George teve alguns grandes atos como filha do vilão, mas todos aparecem tão pouco que nem dá para relevar como destaques.

Com uma produção grandiosa e cheia de ambientes visuais, certamente grande parte computacional, tivemos Londres com algo muito imponente, cheia de detalhes, mostrando lugares bem conhecidos, mas agora moldados para caber dentro de um super carrão destruidor, tivemos as cidades menores, em carros precários sujos e estranhos parecendo até insetos perto da monstruosa máquina que é Londres, mas além disso tivemos grandes sacadas dentro das máquinas, como ocorreu na cena em que a Londres come a cidade menor, mostrando ótimos efeitos (e sendo a única cena que o 3D realmente funciona!) com tudo sendo picado e destruído para virar lenha para a máquina, e as pessoas sendo incorporadas na cidade para trabalharem. A produção também entregou boas cenas externas mostrando uma cenografia do planeta arrasado após a super guerra quântica, e ao chegar do outro lado do muro, mostrou algo tão bonito que valeria um desenvolvimento maior por ali, mas aí acaba o filme, então valorizaram muito a correria, e faltou um pouco mais de tempo para desenvolver tudo o que poderia. A fotografia trabalhou tons fortes e escuros, com muito marrom para determinar a sujeira do local, mas ousando em efeitos de luz para as cenas de tiros, e ainda estou me perguntando o motivo do vermelhão da japonesa, mas isso só o diretor poderia falar o motivo! Quanto do 3D, foi completamente desnecessário, funcionando apenas na cena da cidade sendo devorada e nada mais.

Enfim, é um filme que possui uma proposta bem ousada, que certamente caberia no lugar que "Divergente" e "Jogos Vorazes" deixou aberto, mas que foi mal desenvolvido num projeto corrido, que resultou em algo mais confuso do que efetivo, que até vai entreter quem for conferir com boas cenas de ação, mas como falei no começo, sairá da sessão se perguntando o que realmente viu. E sendo assim, recomendo ele com tantas ressalvas, que nem sei se recomendo realmente, então quem gostar desse estilo apenas pela ação vá, mas se prepare para algo bem confuso. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Colette

1/12/2019 01:59:00 AM |

Sempre é bem interessante vermos o quão complicado era antigamente (algumas coisas ainda se mantém atualmente, mas em números e impactos menores) para as mulheres viverem e trabalharem com o que gostavam, afinal se hoje o machismo ainda impera em diversos meios, no começo do século 20 era praticamente imposto tudo em cima delas, de modo que aqui em "Colette", vemos a jovem sofrer poucas e boas com o marido mulherengo, que exigia que ela escrevesse suas histórias, mas que as lançava em seu nome, ou seja, algo muito comum naquela época, mas que foi muito bem superado pela escritora, que depois virou dançarina, mas que ainda lançou muitos romances na França, mostrando empoderamento e muita perspectiva de impacto através de boas interpretações, uma concepção de época completamente funcional, e diálogos bem encaixados dentro da trama, só tendo um único adendo na opinião desse que vos escreve, a falta do longa ser francês, afinal vemos a protagonista escrevendo em francês, porém falando e pensando em inglês, o que não é algo muito bacana quando se está falando de uma personagem francesa. Mas tirando esse leve detalhe, a trama consegue prender, ser leve no desenvolvimento, mas completamente impactante para trazer muitas alegrias para todos que forem conferir nos cinemas, e sendo assim, é um filme que vale a conferida.

O longa nos situa na França, no início do século 20. Casada com o escritor Henri Gauthier-Vilars, o “Willy”, Sidonie-Gabrielle Colette sai sua casa na França rural para o esplendor intelectual e artístico de Paris, onde Willy a convence a escrever como o seu “ghost writer”. Ao criar a fictícia adolescente rural Claudine, obtém o sucesso e também o escândalo pelas referências sexuais da personagem. A sua luta pela propriedade intelectual de suas obras, vestir-se com roupas masculinas e assumir a defesa às questões de gênero levam-na a enfrentar a justiça e superar as restrições sociais, revolucionando a literatura, a moda, a repressão sexual e o direito da mulher sobre o seu corpo.

O diretor inglês Wash Westmoreland soube entregar para seu longa uma força bem trabalhada na protagonista, montando a época ao redor dela, e não o inverso que costumamos ver, de uma personagem vivendo em determinada época, e assim sendo passamos a conhecer os momentos de Paris através dos atos de Colette, com os deslanches literários, as peças de teatro com muitas mímicas, o início do cinema, o Moulin Rouge valorizando a arte de múltiplos gêneros e tudo mais, de modo que o filme se formos analisar além da personagem até conseguimos observar diversos momentos em si, mas além disso, vemos a força da protagonista para ir além do que uma casual dona de casa faria na época, escrevendo, sendo ativa nas festas, e principalmente se encontrando como homossexual e/ou bissexual, de maneira que caso o diretor desejasse em seu texto, em cima da história criada por Richard Glatzer, ele poderia ter causado muito mais, impactado os atos com situações mais fortes, mas não, ele optou por algo mais sutil e bem moldado com um carisma bem impregnado em cima da protagonista, e se desenvolvendo pelas beiradas, o que acaba sendo bem interessante de acompanhar, mas ainda assim poderia sim ter forçado mais alguns momentos, e limpado outros da trama, que aí sim teríamos um envolvimento maior.

Dentre as atuações, o longa até possui muitos personagens, alguns com bons diálogos, porém o destaque fica bem centralizado nos dois protagonistas, e a rainha dos filmes de época Keira Knightley conseguiu dar uma boa personificação para sua Colette, trabalhando olhares, postura, e claro muita classe nos trejeitos para que a personagem ficasse como alguém imponente para a sociedade da época, e conseguisse ter uma vivência bem colocada, ou seja, a atriz de um show, só faltando talvez incorporar alguns momentos de uma forma mais forte, pois foi sutil demais na maior parte do longa. Dominic West também foi bem coeso na forma que entregou seu Willy, encontrando ares bem cafajestes, olhares vagos, e muita imponência de comando, o que deu um ar forte para seu personagem sem precisar erguer a voz ou gritar em momento algum, o que é raro de ver na maioria dos atores. Dentre os demais, ou melhor as demais, os destaques ficaram para as cenas sensuais envolvendo o triângulo amoroso de Eleanor Tomlinson com sua Georgie, Denise Gough com sua Missy forte e interessante pelo ar masculino que impôs para sua personagem, e Aysha Hart com sua Polaire, mas mais pela sua personificação de Claudine.

Falar de direção de arte em longa de época é quase que ser repetitivo de elogios, pois é algo que ou se acerta a mão e faz algo maravilhoso, ou erra em tudo e é melhor nem lançar o longa, e claro que aqui como o filme foi bem lançado, vemos detalhes de figurinos clássicos do começo do século 20, vemos teatros famosos, casas de campo envolventes, e claro as festas da literatura cheia de pessoas da alta classe flertando uns com os outros, tudo com ares grandiosos, mas de maneira bem fechada pelo diretor para que não necessitasse criar muitos ambientes imensos, conseguindo trabalhar de maneira mais simples e efetiva, com ângulos curtos, aonde os detalhes pudessem ser bem valorizados, e isso foi um bom acerto para o longa. A fotografia da trama não quis ousar muito, e trabalhou muito com tons escuros, algo que não é muito comum em longas de época, mas acredito que tenha sido para dar um tom mais dramático do que romanceado que o longa poderia se tornar se brincasse mais com tons pasteis e/ou claros, ou seja, um filme quase todo jogado para o preto, o que não foi errado e nem ruim de ver.

Enfim, é um longa que conseguiu ser bem feito, entregar a proposta com força sem precisar de apelações grosseiras, e principalmente mostrou a época de uma forma diferente da usual, só pecando realmente na falta do idioma francês como disse no início, pois certamente teríamos um charme a mais, e uma coerência bem mais colocada, mas como longa que emprega bem o empoderamento feminino desde muito tempo atrás, o resultado surpreende e faz com que todas as garotas da sessão saiam bem felizes com tudo o que viram na telona, ou seja, é daqueles que vale muito a pena recomendar, e fica a dica para quem estiver nas cidades que possuem o projeto Cinema de Arte conferirem, pois o longa é o destaque do momento. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais estreias, então abraços e até logo mais.

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Homem-Aranha no Aranhaverso em 3D (Spider-Man: Into the Spider-Verse)

1/11/2019 01:50:00 AM |

Muitas vezes nos vemos pensando alto sobre os contínuos recomeços de uma franquia, reclamamos de tal personagem agora não ser tão legal com determinado ator como era com outro, falamos que seu uniforme ficou descaracterizado, e por aí vai, mas o que o público dos cinemas se esquecem é que nos quadrinhos temos vários universos paralelos do mesmo personagem rodando em conjunto, de modo que vemos um personagem de um jeito numa revista, na outra ele tá completamente diferente, e assim o público das HQs estão completamente acostumados com alguns personagens que são vistos em inúmeros formatos diferentes, e um deles é o amigão da vizinhança que nos cinemas já vimos três versões bem diferentes, e que costumeiramente sempre veremos alguém reclamando de alguma delas. Pois bem, eis que resolveram nos mostrar todos os imaginados (ou uma grande parte deles) em "Homem-Aranha no Aranhaverso", brincando com realidades paralelas, universos diferentes, e até sacando alguns bem semelhantes como no caso dos Peter Parker's, de modo que tudo foi muito bem sacado, interpretações nas medidas (felizmente veio versão legendada para podermos nos divertir com o original!!), boas dinâmicas com muita ação, mas principalmente o que mais chama atenção no longa sem dúvida alguma é a técnica usada de animação, que fez com que o público praticamente visse uma história em quadrinhos gigante animada em diversos frames, trabalhando e usando o 3D principalmente para dar textura aos desenhos feitos à mão/computação bidimensional, ou seja, algo que dificilmente seria formatado antigamente, e que empolga demais junto com toda a história bem encaixada cheia dos principais vilões, e claro nos introduz alguns Aranhas que não conhecíamos, dando força principalmente para Miles Morales, que foi sabiamente bem trabalhado, ou seja, um filmaço que vale a pena a conferida e a diversão será garantida para quem gosta de HQs.

O longa nos mostra que Miles Morales é um jovem negro do Brooklyn que se tornou o Homem-Aranha inspirado no legado de Peter Parker, já falecido. Entretanto, ao visitar o túmulo de seu ídolo em uma noite chuvosa, ele é surpreendido com a presença do próprio Peter, vestindo o traje do herói aracnídeo sob um sobretudo. A surpresa fica ainda maior quando Miles descobre que ele veio de uma dimensão paralela, assim como outras versões do Homem-Aranha.

A grande sacada dos diretores Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman foi não ligar para coisas irreais, o que acaba acontecendo muito em filmes com atores, pois geralmente vem as famosas brigas de Física, teorias que isso não aconteceria, e todo aquele blábláblá, e aqui com a animação pegaram e se deixaram florear criando tudo com muita desenvoltura, diversas pegadas cômicas bem encaixadas, e mesmo com tantos personagens (sim, vemos a história de cada um dos protagonistas retratada quase que completamente - de forma acelerada com tudo o que aconteceu até chegar ali!) conseguiram entregar uma dinâmica bem coesa, participativa entre todos, mas principalmente trabalharam bem o protagonismo de Miles Morales, deixando que sua história por ser a que mais podem trabalhar ainda (afinal conhecemos praticamente nada, e os universos estranhos como o japonês, o noir e o abstrato com o porco são ideias meio absurdas de seguirem pra frente) ficasse bem evidente e interessante de ser contada. Ou seja, vamos conhecer bem o Brooklyn, os personagens atuais dali, a família do jovem, e até claro as situações que ocorreram por ali, agradando bastante, e sempre deixando aberto momentos para que tanto piadas fortes quanto emoções avantajadas acontecessem de forma bem contundente e sacada para que os atos funcionassem.

Sobre os personagens e seus intérpretes, foi muito bacana ver a versão legendada para ouvir vozes conhecidas que se encaixaram muito bem na produção (pretendo ver a dublada para ver se ficou interessante também, mas aqui vou falar dos originais hoje!), mas mais do que apenas vozes bem entonadas para cada personagem, o resultado da animação ficou a cargo das características que conseguiram colocar para cada um, e isso realmente foi um show de ver. Para começar, Miles é um garoto que é completamente envolto nas artes, e sua dinâmica é bem colocada para os momentos de grafite, as canções, e até mesmo trabalhando bem nos estudos acaba agradando pelo envolvimento familiar, e o ator Shameik Moore conseguiu dar uma jovialidade bem bacana nos trejeitos de sua voz, agradando bastante cada ato seu. O tio do jovem Aaron também teve uma personalidade forte, grandes sacadas no olhar, um desenvolvimento oportuno, e claro uma grandiosa surpresa mais para o miolo, e o grande ator Mahershala Ali entregou um tom que é completamente sua cara, com pausas respiratórias fortes, e muita sagacidade para que o personagem fosse bem marcante. Cris Pine como de praxe deu um show com as vozes dos dois Peter Parker, mas mudando trejeitos de acordo com o momento, e se no primeiro ato tivemos um Aranha cheio de desenvoltura, brigando muito, mas cansado, num segundo ato temos um personagem cheio de rancor por tudo o que aconteceu, barrigudo, com um tom amargurado e muito bem marcado, o que acaba sendo até engraçado de ver. Tivemos também uma ótima Gwen Stacy, cheia de personalidade, gingado e muita desenvoltura para que ficasse marcada como uma Aranha feminina da melhor qualidade para que as garotas também curtissem o longa, e Hailee Steinfeld (será que está com problemas financeiros pela quantidade de filme que anda fazendo?) deu um tom nos trejeitos bem gostoso de ouvir e envolvendo bastante. E claro que chegamos no Aranha noir (ou preto e branco como muitos irão chamar), que teve um tom muito engraçado pelas dinâmicas que entrega, e claro que para um clássico herói tivemos um ator clássico também dublando, e Nicolas Cage empresta sua voz, coloca timbres completamente conhecidos e agrada muito no que faz. As duas demais versões do Aranha são as mais estranhas, que são um porco falante com toda a personalidade de Guaguinho do Looney Tunes, porém fantasiado de Aranha, que soa bizarro no que faz, mas até que diverte, e claro a versão japonesa no melhor estilo dos animes, com um robô imenso aracnídeo que é controlado por uma garotinha, que certamente foi usado mais para vender pelo lado oriental o longa. Os vilões foram também muito fortes e interessantes, com o Rei do Crime dominando a cidade, e usando de sua força e inteligência para fazer o mal de forma bem impactante em diversas cenas, tivemos o Scorpion em alguns momentos, o Gatuno, o Duende Verde e até uma Doutora Ock (a versão feminina do Doutor Octavius que tanto conhecemos), ou seja, para quem reclamou que no filme live-action da versão do Garfield tiveram muitos vilões, aqui vão achar até exagero, mas todos tiveram momentos razoáveis e bem trabalhados. E claro tivemos a devida homenagem para Stan Lee tanto nos escritos, quanto um bom personagem para ele na animação de forma bem coerente de aparecer. O policial pai do garoto também foi bem trabalhado e colocaram bons momentos caricatos e cheios de virtudes para mostrar boas atitudes, o que chama a atenção para o realce família do longa. Tivemos claro também uma Tia May bem tecnológica, cheia de desenvoltura no melhor estilo de um Alfred para o Batman, e isso chamou bem a atenção.

No conceito artístico, a produção foi muito bem desenhada, cheio de onomatopeias passeando pela tela (diversas traduzidas para nosso idioma para dar aquele charme tradicional que gostamos de ver, e muito se tem usado), traços fortes e bem coloridos para realçar os personagens na tela, e claro muitos efeitos estroboscópicos para bagunçar as mudanças de realidades/planos/universos, o que brincaram também nas cenografias mudando de um mundo para o outro. Além disso brincaram bastante com os formatos das revistas HQs, que são disformes, com quadros quebrados para todos os lados, e assim como disse no começo fizeram uma HQ completa na telona. A fotografia teve ousadia para trabalhar com muitas cores, tons escuros e densos, outros mais realçados, mas sempre mantendo a personalidade dos protagonistas. Quanto do 3D do filme, diria que é bem desnecessário, tendo raros momentos em que temos uma perspectiva de profundidade cênica, mas nada que chamasse muito a atenção, de modo que usaram mais a tecnologia para dar contornos e tirar o desenho de um plano bidimensional das HQs, para algo mais movimentado apenas, então quem quiser economizar, provavelmente não fará nenhuma diferença.

O longa contou também com uma trilha bem interessante, divertida, cheia de canções bem colocadas para ditar o ritmo e dar volume para o filme, e claro que não poderia deixar de colocar ela aqui para todos ouvirem, então segue o link.

Enfim, o longa tem sido elogiado por todos os lados possíveis, tem ganhado diversas premiações, e é bem fácil entender toda essa desenvoltura, pois conseguiram entregar algo que saiu do comum de uma animação simples, que funciona como uma HQ realmente deva ser mostrada, e principalmente por divertir a todos de uma maneira consciente e interessante, como é a personalidade do Aranha, sendo assim a melhor versão que já vimos dos filmes do personagem. Claro tem alguns momentos que poderiam ser melhores, outros estranhos demais, o 3D poderia ser mais impactante, mas acabamos dançando tanto com a trilha, vibrando tanto com as lutas, rindo demais com os personagens, que acabamos saindo da sessão após esperar muito tempo pela ótima cena divertida pós crédito (FIQUEM NA SALA!), recomendando para todos irem conferir, e por detalhes apenas não darei minha nota máxima raspando um 9,5 que irei arredondar para baixo para ser honesto com o que vi. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Apóstolo (Apostle)

1/10/2019 12:27:00 AM |

Olha, estava procurando um suspense/terror que fosse impactante dentro do catálogo da Netflix e não estava achando nada que não fosse série, e eis que resolvo ver as indicações que alguns amigos me deram, mas que olhando pela sinopse e pela cara de "Apóstolo", acreditava que seria mais um filme da época medieval aonde malucos fazia seus rituais e tudo mais. Ledo engano desse Coelho que vos digita, pois, o filme é incrível com todas as letras possíveis se possa escrever, trabalhando o conceito de fé, de brigas religiosas, de tomada de poder, de crenças, e até se quisermos assim como ocorreu com "Mãe", brincarmos com a ideia da formação do planeta pela natureza das coisas, tendo algumas coisas bem envolventes para trabalharmos com a proposta da Deusa em si, de como ela é gasta pelos homens e tudo mais, ou seja, um filme completo de história. Mas aí entra aquele ditado que costumo falar, filmes bons de história costumam falhar na produção ou na tensão crítica, afinal estamos falando de um terror, e meus amigos, algumas cenas me fizeram arrepiar os cabelos do dedinho do pé de tão fortes, achando sinceramente que não iriam mostrar, mas mostram, ou seja, impactante com todas as forças, e agradando em todo o conceito.

O longa nos situa no ano de 1905, quando Thomas Richardson (Dan Stevens) viaja para uma ilha remota em busca de sua irmã. Um misterioso culto religioso a raptou e agora pede uma grande quantia de dinheiro por seu resgate. Porém, eles logo percebem que mexer com Thomas foi um erro e ele torna sua missão desencavar todas as mentiras sob as quais o culto foi construído.

O trabalho que o diretor e roteirista Garreth Evans, que costuma trabalhar bem com longas de terror, é algo que vai muito além do que apenas a base do gênero, pois ele conseguiu brincar ao mesmo tempo com algo que costuma ficar mais voltado para longas de época como as divergências religiosas, trabalhar todo o conceito artístico, envolver o público com uma densidade cênica bem precisa, e quando chega mais próximo ao final atacar realmente com o terror mais impactante, daqueles que arrepiam de tanta força e conseguem impressionar o público. Porém ele não faz nada gratuito, de modo que podemos observar cada ato como algo maior, que dando um leve spoiler, podemos interpretar a trama como a forma que a natureza nos deu o mundo, fomos exigindo e extraindo coisas demais dela, ela começa nos cobrar violentamente, e não temos outras formas para lhe ajudar, ou seja, o longa também pode ser bem reflexivo, porém, felizmente, ele não vira um cult chato como costumamos ver em outros casos desse estilo, e essa foi a grande sacada do diretor, pois ele opta por trabalhar como algo mais comercial realmente, trazendo a tenacidade comum dos longas de suspense/terror que tanto gostamos para um vértice forte e interessante de ser acompanhado. Ou seja, acertou em cheio.

As interpretações também foram incríveis de conferir, e com um elenco de peso o resultado não era esperado para menos, irei falar sobre suas formas de interpretar apenas para não encher de spoilers, mas certamente daria para fazer um texto completo só com a representatividade de cada personagem. E começando pelo protagonista, temos um Dan Stevens completamente insano com seu Thomas, cheio de expressões fortes, olhares perturbados, mas uma determinação ímpar para alcançar o objetivo que é resgatar sua irmã do culto, e a cada ação que o personagem se infiltra, ele nos deixa mais ansiosos por tudo o que ele pode fazer, e quando chega ao final ele consegue superar mais ainda. Michael Sheen nos entrega o profeta Malcolm tão completo, cheio de virtudes, mas também impositivo e disposto à quase tudo para conseguir seu objetivo como fundador da cidade, seus olhares fluem pro mal e pro bem de uma maneira tão imponente quanto a que vemos em grandes pregadores religiosos, e assim sendo ele foi muito bem. Mark Lewis Jones inicialmente fica meio que em segundo plano com seu Quinn, mas no segundo ato ele vem com tudo, e entrega uma personificação tão forte que chega a impressionar, e claro que com ótimos trejeitos sem forçar ele envolve e chama muita atenção. O jovem Bill Milner foi bem coeso com seu Jeremy, tendo cenas interessantes, poetizadas e até um envolvimento bem colocado na trama, mas pareceu mais assustado com tudo da trama do que relaxado para se mostrar bem nos momentos que precisava, de modo que falhou um pouco. Quanto das garotas, praticamente todas tiveram o mesmo comportamento de encaixe, mas felizmente todas conseguiram ter destaques positivos em suas expressões para agradarem e chamarem a responsabilidade quando foi preciso, Lucy Boynton foi chamativa com os cabelos diferenciados de sua Andrea, e sendo bem zelosa com todos agradou bastante, Elen Rhys teve poucas cenas com sua Jeniffer, mas sofreu bastante com seu visual e entregou muita força expressiva, Kristine Froseth foi vívida demais com sua Ffion, e poderia ter se segurado mais para não desandar, e claro, Sharon Morgan apareceu praticamente apenas 3 vezes como a deusa, mas veio com muita personalidade nos atos que resultaram em algo bem forte de ver.

O conceito visual da produção também é muito bem elaborado, criando uma cidadela cheia de detalhes, tendo seus rituais, suas formas visuais incríveis dentro do ambiente da Deusa, muitos elementos alegóricos para serem usados nas reflexões, e um ambiente completamente denso remetendo muito aos filmes de épocas medievais, com as vilas colaborativas, os soldados e tudo mais, ou seja, a equipe de arte caprichou bastante entregando algo que vai muito além do que apenas vemos na tela, podendo ter muito aprofundamento e chegando a outras perspectivas. A fotografia do longa ficou bem escura, mas nada ficando sem aparecer, nem preparando sustos desprevenidos nos espectadores (o que é um ponto muito positivo para um terror), e tendo diversas cenas iluminadas com faroletes, velas e tochas, o resultado acaba sendo bem surpreendente de tons, brincando muito com o amarelo para dar um ar de época, com destaque também para a cena no meio da plantação com um ar completamente oposto de tudo o que vimos no filme inteiro.

Enfim, esse certamente será daqueles filmes que vale a pena rever para observar cada detalhe e refletir um pouco mais sobre cada coisa, mas a priori o que posso fazer é mais do que recomendar ele para todos que tenham Netflix para que confiram e tirem suas conclusões, pois é um filmaço, e mesmo tendo cenas fortes ao final, ele não é daqueles que assustam, então podem ver sem medo, e se preparem para surpreender com tudo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas amanhã já volto para a rotina do cinema com quatro estreias nessa semana por aqui, então abraços e até logo mais.

PS: Talvez mais para frente eu possa me arrepender da nota, mas me vi nervoso, tenso, pensando nas diversas referências, depois abraçado com a almofada, pensando mais um pouco, chocado com as cenas fortes, ou seja, vamos com a nota máxima pela primeira vez para um filme da Netflix.

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Netflix - A Balada de Buster Scruggs (The Ballad of Buster Scruggs)

1/08/2019 11:53:00 PM |

É interessante observarmos que quando achamos que um gênero está indo para a vala, ressurgem bons exemplares capazes de trazer a esperança para os fãs do estilo acreditarem que bons longas vindouros acabarão surgindo, e se tem uma dupla que gosta de Faroeste são os Irmãos Joel e Ethan Coen, que agora nos trazem 6 histórias desconectadas entre si, mas que em sua base trabalham bem a essência e todos os possíveis clichês do formato, e isso não é algo ruim, pois com uma belíssima direção de arte e uma fotografia incrível, o resultado acaba impressionando e envolvendo o público, ao menos em cinco das histórias.

A primeira história, "A Balada de Buster Scruggs", nos apresenta Buster Scruggs com suas canções desaforadas, duelos impressionantes, jogos de baralho, sallons, e tudo desse estilo mais balanceado, aonde Tim Blake Nelson como o protagonista consegue entregar personalidade, ter bons olhares e dinâmicas, e agradar de tal forma surpreendente que certamente se o longa o mantivesse durante toda a exibição cantando nas demais histórias, iríamos assistir tranquilamente e adorá-lo mais ainda, mas como não era essa a proposta, sua história abre bem o longa, e o resultado surpreende.

A segunda história, "Perto de Algodones", entrega os tradicionais assaltos à bancos, os ataques indígenas violentíssimos aos bandos, e também uma das mais comuns punições da época: a forca, aonde James Franco consegue trabalhar do seu jeitão meio forçado, e claro, deixa para a cena final, uma piada muito bem ousada e sacada, de modo que por ser a história mais curta da trama é simples e efetiva, de modo que é bem capaz de esquecermos ela rapidamente também.

A terceira e extremamente cansativa parte vem com "Vale Refeição", aonde um jovem sem pernas nem braços, interpretado com muita eloquência por Harry Melling, é carregado de vila a vila por Liam Neeson como seu empresário, contando sempre a mesma e enfadonha história que não acaba nunca, e todos os espectadores ficam ouvindo cansativamente, e isso é repetido umas milhões de vezes (brincadeira, deve ser umas 6-7, mas pareceu uma eternidade), até ter um final bem genial, mas que para chegar nele, raspou de dormirmos.

O quarto trecho vem com "O Cânion de Ouro", uma história também um pouco alongada, mas que entrega uma cenografia maravilhosa, aonde Tom Waits busca encontrar sua grande pedra de ouro através de cálculos bem interessantes, e o ator foi muito preciso nas cenas ao ponto de nos cativar a seguir junto com ele, e o carisma entregado para cada momento ali.

Na quinta parte, chamada "A Garota Que Ficou Nervosa", temos desde um início com as famosas refeições em pousadas aonde todos praticamente só brigavam pela comida falando sobre assuntos sem muito nexo, para na sequência irmos para uma grandiosa caravana atravessando todo o Oeste, com claro muitas cavalgadas, romances, animais bonitinhos e chatos, intempéries, e claro, índios atacando em conflito, aonde Zoe Kazan foi muito serena com sua Alice, Bill Heck trabalhou bem seu Billy Knapp, e Grainger Hines fez um Sr. Arthur impactante e bem coeso na última cena.

E para fechar, a sexta parte nos entrega uma história bem densa com duas premissas fortes e que podemos pensar por muitos ângulos, chamada de "Restos Mortais", temos as conversas sobre mortos, os caçadores de recompensa, os estrangeiros juntos em carruagens, e muita filosofia e religião pensada em poucos momentos por Jonjo O'Neil, Bendan Gleeson, Saul Rubinek, Tyne Daly e Chelcie Ross, com todos muito bem expressivos nos seus atos de modo que a história mesmo sendo reflexiva consegue nos prender e envolver para todas as ideias que os Coen desejavam mostrar em todos os trechos.

Enfim, falei um pouco de cada ato, mas de certa forma é um longa mais bonito pela essência e pelo visual, do que pela história em si, mas que mostra bem o estilo dos Coen que tanto vimos em "Bravura Indômita" e "Onde Os Fracos Não Tem Vez", de modo que mesmo quase dormindo na terceira parte, reacordamos e saímos ao final com um bom resultado. E sendo assim até recomendo bem a trama para quem gosta desse estilo western. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: as notas individuais seriam, 9, 8, 2, 7, 7, 9, que na média dá 7, então essa é a nota final do longa.

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Netflix - Inspire, Expire (Andið eðlilega) (And Breathe Normally)

1/08/2019 01:30:00 AM |

Alguns filmes trabalham mais a sensibilidade do que outros, mostrando que muitas vezes algo que acabamos fazendo contra alguém pode não ser muito bom, e quem sabe esse alguém ainda pode nos ajudar mais para frente. Em "Inspire, Expire", temos uma situação moldada para emocionar, com uma tensão dramática bem casual que pode ocorrer com qualquer um, temos uma direção bem equilibrada que consegue segurar cada ato na medida correta (o que fez o diretor levar o prêmio no Festival de Sundance), mas que talvez pudesse ter algum ato mais impactante para fazer o público desabar, pois a resolução final fica muito marcada no momento em que vemos na tela bem no miolo da trama, e mesmo tendo uma síntese momentânea forte que parecia ser algo diferenciado, a volta fez com que ficássemos um pouco desapontados. Porém ainda assim, é um longa forte, bem coeso, e que mostra que a Islândia também sabe dosar uma trama mais forte sem precisar trabalhar o frio e a pesca como temas (e olha!!! responderam minha pergunta feita em 2016: se existia alguma cidade mais movimentada na Islândia, e aqui temos algo um pouco mais dinâmico que os famosos "Heartstone" e "Ovelha Negra").

A trama nos mostra que na península da Islândia, as vidas de duas mulheres irão se cruzar por um breve momento. Presas em circunstâncias imprevistas, uma mãe islandesa e uma candidata de um asilo da Guiné-Bissau formam um vínculo delicado enquanto tentam colocar suas vidas de volta no caminho certo.

A diretora e roteirista Isold Uggadottir em seu primeiro longa optou por não ousar muito, trabalhar a densidade dramática e usar a simplicidade emotiva nas personalidades de seus personagens brilhantemente interpretados por três ótimos atores e um gato, de modo que cada ato parecesse até maior do que realmente é, pois embora o filme tenha 95 minutos, ele parece ser maior, e o melhor, sem cansar em nada, pois vamos entrando dentro da mente de cada personagem pensando como poderia resolver isso? O que é melhor pra ela? E com isso, ela não larga as pontas abertas, e dá a sua opinião (talvez a mais fácil de todas, mas que exigiu um certo trabalho também), e conseguiu ser simples e efetivo, tanto que o Festival de Sundance que gosta desse estilo acabou lhe premiando como melhor diretora de 2018, mas que certamente talvez um pouco mais de ousadia cairia bem na dinâmica, e envolveria muito mais.

Sobre as atuações é fato que o trio foi perfeitamente escolhido pela sintonia dos olhares, que acabam entregando não só tristeza, mas também desespero em diversos momentos, preocupação com tudo, e claro também outros sentimentos mais a fundo se procurarmos mais ao final da produção, e dessa forma felizmente eles conduziram a trama ao resultado preciso que a diretora necessitava. Kristín Þóra Haraldsdóttir nos entregou uma Lára dura e muito apreensiva, de modo que mesmo sem mostrar seu passado, vemos que foi algo bem sofrido, cheio de conflitos e confusões, que qualquer ato que ela vá fazer terá de ser pensado mais do que uma vez, e essa apreensão que ela consegue nos transmitir é sentida a cada momento, ou seja, por uma fagulha a personagem poderia explodir, e talvez tenha sido isso o que faltou para o filme ficar mais forte ainda. Babetida Sadjo colocou para sua Adja uma sinceridade no olhar que é impossível que o espectador não sinta pena e queira ajudar a personagem, de modo que tudo o que faz mesmo que viesse a ser a maior loucura do mundo, estaríamos apoiando, e torcendo para que ela conseguisse chegar no Canadá junto de sua filha, ou seja, um show realmente de interpretação. O jovem Patrik Nökkvi Pétursson também entregou um Eldar bem colocado e cheio de momentos carismáticos, de modo que talvez um conflito com ele impressionasse e marcasse ainda mais o filme, mas sem essa necessidade, o garoto soube dosar suas cenas de uma forma primorosa e agradou junto com seu gatinho Músi.

Assim como a maioria dos longas da Islândia, vemos um clima que ajuda a dar tensão, com ventos, chuva, frio e tudo mais fazendo parte da cenografia com muita força, de modo que chega a ser até bonitinho ouvir do garoto seu sonho de ir para um país e usar uma bermuda o dia inteiro, além disso, tanto o aeroporto foi bem planejado para que as cenas não necessitassem ser gravadas dentro de um aeroporto real (ficando bem trabalhado), as cenas no abrigo para os deportados/recusados também tiveram uma boa densidade cênica, mas certamente as cenas no carro são as mais fortes por todo o contexto quase de road-movie, mas sem sair do lugar, ou seja, uma precisão cênica incrível, que só não é mais forte que os momentos finais no porto, que ali a tensão chegou a ser bem alta, e certamente poderiam ter valorizado ainda mais o tempo lá, o que não ocorreu. A fotografia do longa ficou praticamente toda em tons bem acinzentados e azulados para dar uma dramaticidade maior ainda para o filme, que junto do clima acabou ficando muito bacana de ver, e ajudou muito no ritmo do longa.

Enfim, é um filme bem forte, que agrada bastante quem gosta de longas dramáticos intensos, mas que certamente pecou por não ir mais forte ainda, pois o longa tinha essa possibilidade, e necessitava disso para derrubar o público, e ganhar ainda ares maiores nos diversos outros festivais que o longa participou, mas mesmo sem esse impacto, o resultado vale a pena ser conferido, e fica a recomendação para todos que gostarem do estilo verem na Netflix. Bem, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Sementes Podres (Mauvaises Herbes) (Bad Seeds)

1/06/2019 09:27:00 PM |

Todos sabem o quanto gosto dos longas franceses, principalmente aqueles que passam lições de vida incríveis entregues através de boas atuações, aonde a história acaba nos envolvendo e resultam em algo tão satisfatório que acabamos nos emocionando com facilidade por tudo o que é demonstrado. Digo isso com muita facilidade de "Sementes Podres", uma das indicações que o algoritmo da Netflix após eu conferir outro longa me indicou, e olha, posso dizer muito obrigado pois foi incrível, divertido, emocionante e tudo mais que costumo sentir nas comédias dramáticas do Festival Varilux, porém agora em casa. A trama consegue soar bem moldada pela sintonia que o diretor e protagonista Kheiron trabalha com as crianças problemáticas, entregando algo mais sociável e amável frente aos duros encontros com a vida deles, de tal forma que vamos imergindo na proposta e se envolvendo com cada personagem, com os golpes dos protagonistas, com as sacadas de reclamações de biscoitos pela embalagem (uma dura crítica também à análise da embalagem ante o conteúdo), e assim o resultado não poderia ser outro, senão a perfeição, e claro a recomendação dele para todos que gostem de longas com uma proposta até bem dura, mas que tratada de uma forma leve acaba agradando mais do que causando.

A sinopse nos conta que Wael vive nos arredores de Paris dando pequenos golpes com Monique, uma mulher aposentada. Sua vida se transforma no dia em que um amigo, Victor, oferece a ele, por insistência de Monique, um pequeno trabalho voluntário no centro de crianças excluídas do sistema escolar. Wael se encontra gradualmente responsável por um grupo de seis adolescentes expulsos por insolência ou porte de armas. Deste encontro explosivo entre "ervas daninhas" nascerá um verdadeiro milagre.

O trabalho de Kheiron como diretor é singelo, mas muito efetivo no que faz, entregando uma montagem bem sensata em dois vértices paralelos que vai mostrando seu relacionamento com os garotos problemáticos, e também a sua infância problemática pós-guerra, aonde vemos muitas semelhanças no âmbito sentimental, e com uma delicadeza ímpar o jovem diretor conseguiu transmitir com seu próprio texto algo que é muito comum de ver nos jovens de hoje: a falha no processo comunicativo, a falta de interpretação e o desespero por resoluções rápidas. Ou seja, poderia ser um filme mais forte, poderia ser mais duro, poderia até ser mais novelesco caso quisessem, mas o diretor trabalhou o ambiente e cativou o público a ir seguindo tudo o que propunha, trabalhando em paralelo suas ideologias que poderiam levar o longa para um final completamente diferente, mas como ocorre sempre em longas franceses, a surpresa é boa, bem explicada, e emociona com muito brilhantismo, ou seja, um filmaço realmente.

Assim como foi sereno como diretor, Kheiron entregou uma personalidade ímpar para seu Wael, de modo que ele conseguiu entregar um brilho no olhar tão bem colocado nas situações com os demais personagens que acabamos seguindo seus atos, envolvendo com suas cenas, e até torcendo para que ele consiga ir além em tudo o que está fazendo, ou seja, foi completo de expressões também. Acho que nem precisamos falar de Catherine Deneuve com sua Monique, pois a experiente atriz consegue entregar qualquer personagem com uma qualidade ímpar, e aqui ela foi precisa, divertida e muito agradável de conferir em cada um dos momentos. André Dussolier também foi singelo nos atos de seu Vitor, mostrando um ar incrível desses empreendedores que buscam melhorar as vidas dos jovens, encontrando simplicidade nos atos, e sendo coerente, porém divertido para com suas cenas junto de Deneuve. Quanto dos jovens, cada um com sua característica própria entregou com delicadeza, mas propriedade seus problemas, suas retrações, e foram nos envolvendo e determinando cada ato para com o público, de modo que poderíamos falar individualmente de cada um, mas o texto ficaria alongado, então vale ter destaque Youssouf Wague com seu Ludo, por mostrar o gigante preconceito de cores que ocorre, e claro o envolvimento em drogas, mas principalmente o abusivo policial por trás dele, fazendo com que ficamos até com muita dó do seu personagem ao percebermos o abuso, também vale o destaque para a cena que descobrimos o abuso por parte da personagem Shana de Louison Blivet, que é feito de uma maneira forte e bem contundente, e claro as forçadas por parte do excesso de inteligência de Ouassima Zrouki com sua Nadia, que foram bem trabalhadas também. Além disso, temos de dar os muitos cumprimentos para o jovem Aymane Wardane que faz Wael quando criança, de uma maneira dura e muito impactante.

No conceito artístico, a trama tem praticamente dois vértices muito bem feitos, o passado vivido numa época pós-guerra, com colégios religiosos e jovens uniformizados, e todo o passado duro do jovem sendo retratado bem coeso de elementos simples e moldados, e o segundo ato tendo as cenas de golpes do protagonista de uma maneira bem divertida em aeroportos, em supermercados e tudo mais, além claro da escola simples e efetiva para os problemáticos, com o escritório bagunçado de Vitor, tendo também o apartamento dos protagonistas cheio de detalhes simples, mas bem colocados para mostrar a simplicidade deles. A fotografia usou de artifícios simples, porém bem coesos para dar o tom da trama, envolvendo sem precisar deixar uma dramaticidade exagerada, tirando claro as cenas com o garotinho, aonde ali ao usar um tom mais amarelado, e puxado para o escuro, o resultado deu uma densidade mais forte.

Enfim, um filme que recomendo muito para todos, e que facilmente seria um exemplar claro para estar nos melhores festivais afora, inclusive no Varilux de Cinema Francês pela ótima qualidade técnica, e principalmente pela boa lição e mensagem de vida que conseguiu transmitir. Ou seja, finalmente um filme que realmente vale ser conferido na Netflix, e quem tiver já coloque aí. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas amanhã confiro mais um longa e volto com mais um texto, então abraços e até logo mais.

PS: Talvez um desenvolvimento maior de outros personagens daria outro tom para a trama, e não necessitasse tanto das brincadeiras dos protagonistas para encher o miolo, e só por isso, a nota não será máxima, mas valeria com certeza.

PS2: Não consegui localizar um trailer legendado do longa para colocar aqui, então quem conseguir achar um melhor, e quiser mandar, eu coloco.

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O Manicômio (Heilstätten)

1/06/2019 02:45:00 AM |

Existe um estilo de filmes que não gosto de falar: os ruins! Pois geralmente me faltam palavras para argumentar os motivos de que algo não presta e que todos deveriam fugir ao invés de conferir. E está chega a ser caótico o que está ocorrendo com salas lotadas para ver "O Manicômio", que pelo trailer entrega uma premissa no estilo de "A Bruxa de Blair", mas que acaba sendo quase uma zoeira de imenso nível ao brincar com youtubers de pegadinhas de sustos, para termos depois alguns momentos interessantes dentro do contexto aonde alguns sustos até nos pegam, para chegarmos ao final com uma inversão tão gigante e péssima, que não temos como não sair xingando da sessão (alguns até falando alto que queriam seu dinheiro de volta, de tão ruim!), ou seja, quem ainda tiver coragem de assistir essa bomba (talvez daqui um tempo pela internet!), se prepare para ficar muito bravo com o que verá, pois nem o final de "O Boneco do Mal" foi algo tão decepcionante!

A sinopse nos conta que um santuário remoto e sombrio perto de Berlim revela uma história cheia de horror e crimes contra a humanidade. Um grupo de Youtubers acessa ilegalmente o sinistro bloco de cirurgia do local, para um desafio de 24 horas, com a intenção de que o desafio viralize nas redes. Equipados com visão noturna e câmeras térmicas, os adolescentes viciados em adrenalina perseguem os rumores de atividade paranormal no prédio em decomposição, apenas para aprender cedo demais que não estão sozinhos e não são bem-vindos. Mas já é tarde demais para deixar o local com vida.

O diretor Michael David Pate é digamos um especialista em filmes de terror na Alemanha, mas como tirando esse, nenhum outro chegou por aqui, não posso dizer que todos os demais foram ruins iguais esse, porém de certa forma a intenção do longa era algo bem impactante e que certamente melhor trabalhado poderia causar bons sustos no público, pois o estilo found-footage que ficou tão marcado em diversos longas de espíritos, quando bem moldado funciona, assusta, e arrepia, mas aqui pareceu realmente estarem brincando com o público numa pegadinha imensa, ou seja, o diretor falhou tanto na concepção da ideia, que mesmo que o final não tivesse estragado ainda mais, o resultado completo ainda seria ruim.

Sobre as atuações, chega a ser até engraçado ver o desespero falso da maioria dos personagens, pois é como se tivessem pego realmente youtubers bem ruins e colocado dentro de um lugar sinistro, de tal maneira que todos parecem ter os mesmos olhares, e mesmo a protagonista Sonja Gerhardt com sua Marnie consegue entregar algum olhar mais trabalhado para que o filme funcione, ou seja, é melhor ignorarmos que foram colocados atores aqui.

Agora sem dúvida alguma algo que valha a pena ser comentado foi a escolha cênica, pois o lugar em si é bem assustador, assim como a maioria dos manicômios e hospitais abandonados que existem, pois só as histórias, os ambientes, e tudo abandonado acaba criando uma certa tensão no ar, de modo que qualquer movimento estranho acaba assustando ou deixando o público ao menos tenso para ficar procurando "atividades paranormais", ou seja, a equipe de arte ao menos caprichou bem no desenvolvimento completo, e junto com a equipe de fotografia que praticamente deixou o longa inteiro sem iluminação, usando apenas luzes das câmeras de mão dos personagens, resultando em algo bem bacana, que se fosse melhor usado daria um excelente filme.

Enfim, não tenho como recomendar o longa de forma alguma, pois mesmo tendo uma ambientação bem boa visualmente, o resultado peca tanto na concepção da história, como na direção ruim, e entrega atores fraquíssimos que conseguem atrapalhar cada ato até chegar num final medíocre que nem a pessoa com a menor criatividade possível arrumaria para um fechamento, ou seja, o ano começou bem mal para os longas de terror, mas vamos torcer para melhorar. Bem é isso pessoal, fecho aqui as estreias da semana nos cinemas, mas como já venho fazendo, irei conferir alguns longas na Netflix e voltarei aqui para comentar, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Lionheart

1/05/2019 06:56:00 PM |

Muitas vezes quando falamos de contos de fadas recaímos para o lado fantasioso de filmes de aventura, com cenas emocionantes e tudo mais, mas também sabemos que esse lado emocional envolvendo sorte, amor ao que faz, problemas familiares, vilões tentando roubar o que você construiu, e tudo mais podem recair também em dramas, e porque não em dramas empresariais que mexam com empreendedorismo? Pois bem, pensando dessa forma, eis que surgiu no algoritmo de sugestões da Netflix para mim, "Lionheart", uma comédia dramática nigeriana que consegue ter bons momentos, mas que também deixa o lado empresarial meio vertiginoso em relação à algumas situações. Diria que a ideia em si foi bem moldada, as atuações convencem bem, mas falta aquele ar para definir se vai para o lado duro empresarial que uma trama dramática iria, ou para o fantasioso e pré-determinado que a forma mágica iria, e o meio do caminho escolhido para finalizar embora tenha um ar bonito de ver, não emociona como poderia.

A sinopse nos conta que Adaeze é uma executiva calma e competente que trabalha na empresa de seu pai, a Lionheart Transport. Ela prova constantemente sua habilidade de trazer lucros e lidar com situações difíceis, mas quando seu pai adoece quem é dado a posição de chefe é seu tio não tão competente. Porém, seu desejo de lutar pelo que merece precisa ser deixado de lado e ela precisa se juntar a seu tio para salvar a Lionheart quando eles descobrem que a empresa está falindo.

Aqui talvez o maior problema da trama tenha sido Genevieve Nnaji estrear na direção e atuar, pois esse processo precisa ser mais alongado e desenvolvido, claro que a atriz já tem uma carreira imensa bem consolidada, mas o texto aqui talvez precisasse de uma imposição maior para que o longa realmente comovesse o público, que fizesse todos sentirem na pele o desespero da protagonista, primeiro por não ganhar o cargo que tanto almejava, e depois por descobrir que a empresa está na beirada do buraco. Além disso, o longa também trabalha bem a objetificação feminina, aonde grandes empresárias necessitam muito mais imposição para conseguir dar o exemplo em fronte do ar machista de diversas corporações que só enxergam elas como algo sexual, ou seja, o filme em si possui muitos temas para serem trabalhados, e talvez uma direção mais forte, com ela mesma no papel principal teria resultado em um daqueles longas que sairíamos devastados com um pique lá em cima sobre todos os temas, mas não é o que acaba acontecendo, e mesmo o filme não ficando ruim pelos diversos probleminhas que as escolhas erradas da direção fez, o resultado acaba sendo apenas simples demais.

Sobre as interpretações, como disse acima mudaria a direção, mas não o protagonismo de Genevieve Nnaji, que incorporou muita personalidade para sua Adaeze, mostrou com força como as grandes diretoras corporativas sofrem num mundo machista (com a África sendo ainda um pouco pior!), trabalhou bem seus olhares em relação à todos os conflitos familiares, e principalmente foi imponente nas atitudes, o que agradou bastante de ver. Nkem Owoh foi bem perspicaz nas suas cenas como Godswill, soando por diversas vezes engraçado, mas também foi bem colocado para dar os ares morais que a trama pedia, e claro para dar a solução para o negócio, além de outros bons detalhes que quem conferir irá pegar, e sendo assim foi uma boa inserção para a trama. Dentre os demais, muitos tiveram boas cenas, mas a maioria acaba soando como figurante para a ideia completa, então temos de dar destaque claro para o pai da garota com seus momentos mais colocados, que foi bem interpretado por Pete Odochie e para os raros momentos de sabedoria da mãe, interpretada por Onyeka Onwenu.

O visual do longa mostra um pouco de ares do meio corporativo, com suas negociações, seus ratos sujos, e claro que brinca até com o idioma como sendo algo trabalhado para enganações, afinal um país que tem diversos dialetos, nem sempre todos conhecem o que está sendo falado na sua cara, e com isso a forma conceitual até passa a ter um certo impacto no longa, além disso, com as caminhadas da protagonista acabamos vendo as diferenças de classes com casarões imensos dos magnatas, e ao lado cidades quase sem estrutura alguma, ou seja, tudo bem trabalhado, mas que poderia ainda mais ser desenhado. A fotografia da trama foi trabalhada na simplicidade, sem colocar tons tensos, nem por vezes brincar com algo mais colorido (tirando claro a festa), e sendo assim acreditaram que o básico funciona.

Enfim, é um filme bem feito, mas que é básico demais para tudo o que poderia ser mostrado, e que agrada quem gosta de um drama não muito forte, mas que entrega com bom tom sua proposta. E sendo assim, até que recomendo ele, mas bem longe do que aparentou no trailer, a ideia de impacto passa bem ao fundo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com outra crítica, agora de uma estreia dos cinemas, então abraços e até logo mais.

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Dragon Ball Super: Broly

1/05/2019 01:50:00 AM |

É fácil ver quando um longa é feito para fãs, mas que também tenta angariar os que não conhecem muito da história, pois geralmente entregam um começo cheio de explicações, se desenvolvem bem rapidamente, e aí já era, vira fan-service total, e com "Dragon Ball: Broly" conseguiram jogar fora todos os outros filmes estranhos que os fãs mais reclamaram do que gostaram do que viram para entregar uma obra digamos bem completa, pois faz uma entrega completa da história de onde surgiu Vegeta, Goku, e claro o protagonista desse novo filme Broly desde seus nascimentos, passando por suas infâncias, até chegar aonde já conhecemos, e a partir daí o longa tem quase 1 hora inteira de pancadaria para fã nenhum reclamar, mostrando os diversos poderes, as fusões, evoluções, e o que mais fosse possível para que não tivéssemos nenhum respiro. Ou seja, o longa certamente será bem mais visto pelos fãs, e foi feito para eles, mas quem for sem conhecer praticamente nada da trama não ficará boiando na sessão e poderá curtir, ao menos as partes com história, pois confesso que poderiam ter diminuído pela metade a cena das lutas que acabaram me cansando.

A sinopse nos conta que apesar da Terra estar em um período de calmaria, Goku se recusa a parar de treinar constantemente - ele quer estar pronto para quando uma nova ameaça surgir. O que ele não imaginava era que seu novo inimigo seria Broly, um poderoso super saiyajin sedento por vingança, que deseja destruir todos que encontrar pela frente.

A grande sacada do filme foi ter de volta o roteiro escrito pelo criador da franquia Akira Toriyama, pois assim correram menos riscos de surgir algo estranho no meio que atrapalhasse e resultasse em algo incoerente, e dessa forma o diretor Tatsuya Nagamine apenas pegou tudo o que a série animada já havia entregue, e aumentou com muito mais efeitos, impactos visuais fortes, e claro deixou que os personagens se desenvolvessem bem, entregando algo conciso e bem bacana para todos conferirem. Claro que aqueles que forem fãs acabarão mais empolgados com as cenas, mas digo que não sendo um fã nato da série, o resultado conseguiu me explanar quem era os personagens (ao menos os principais), e mostrar uma boa luta da forma que eram os desenhos quando vi lá nos 80/90 na minha infância.

Por ser uma animação tradicional computadorizada, sem efeitos tridimensionais e nem tentativas de formas, o ganho de ritmo e perspectiva da trama ficou a cargo das muitas cores e efeitos durante as lutas, mostrando os grandes poderes dos personagens, e incrementando um ar quase que de boate com tantas luzes e cores piscando na frente de nossos olhos, mas sempre mantendo um padrão coeso de impacto para cada um dos personagens para que pudéssemos identificar quem estava batendo em quem. Dito isso, é interessante demais também olharmos as mensagens por trás dos personagens, de onde vem o estilo do vilão Broly, que foi criado por um pai vingativo em um planeta sem recursos alimentícios, ou seja, é possível ver desespero na sua luta, enquanto dos outros que vivem no bem bom da Terra, participando de torneios, comendo sementes sagradas, e tudo mais estão dispostos. Também é bacana ver as características de busca de amizade por parte de Goku, a forma de liderança imponente por parte de ser do filho do rei em Vegeta, das loucuras de Freeza, e por aí vai no melhor estilo que o longa pode proporcionar.

Claro que a trama tem muitas coisas bizarras como as destruições cenográficas monstruosas com os poderes, sons de impacto que parecem bombas nucleares, mas isso é o que faz o público vibrar, e dessa forma posso dizer que o longa foi bem acertado, e claro que contando com os dubladores originais da série como Wendel Bezerra, Alfredo Rolo, entre outros, o resultado acaba sendo bem coerente com a série, e deve empolgar nas bilheterias.

Não vou me alongar no texto, mesmo porque não sou um grande conhecedor da franquia para ficar detalhando acertos e erros, mas como leigo em Dragon Ball, posso dizer que a trama conseguiu segurar minha atenção, mesmo com um começo mais lento, e que aparentemente todos na sessão saíram bem contentes com o que viram, e sendo assim, recomendo com certeza para todos os fãs da saga. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: Darei a nota como crítico mesmo, pois temos um começo lento, e muitos exageros visuais desnecessários, mas que muitos acabarão relevando por serem fãs.

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Wifi Ralph - Quebrando a Internet em 3D (Ralph Breaks the Internet)

1/04/2019 01:26:00 AM |

Olha sei que adoramos falar bem da Disney e dos seus filmes, que por muitas vezes reclamamos dela não nos entregar todo o potencial de um longa, mas dessa vez eles se superaram com muito louvor, entregando algo que não só supera o longa original de 2012, como entrega uma animação cheia de referências à outros filmes da empresa, à personagens de diversos outros jogos, e principalmente ao modus operandi do funcionamento maluco que é a internet, ou seja, "Wifi Ralph - Quebrando a Internet" é sensacionalmente genial, fazendo com que os pequenos fiquem maravilhados com o grande colorido da trama, e os adultos mergulhem em tudo o que podem aproveitar de piadas, referências, personagens, e o que mais pensarem para voltar a ser criança por quase duas horas de projeção. Diria que 2019 começou realmente detonando com um ótimo exemplar nos cinemas, e que quem tinha qualquer dúvida de ver ou não, pode correr para o cinema, que é garantia de muita diversão do começo ao fim!!

A sinopse nos conta que Ralph, o mais famoso vilão dos videogames, e Vanellope, sua companheira atrapalhada, iniciam mais uma arriscada aventura. Após a gloriosa vitória no Fliperama Litwak, a dupla viaja para a world wide web, no universo expansivo e desconhecido da internet. Dessa vez, a missão é achar uma peça reserva para salvar o videogame Corrida Doce, de Vanellope. Para isso, eles contam com a ajuda dos "cidadãos da Internet" e de Yesss, a alma por trás do "Buzzztube", um famoso website que dita tendências.

É bem interessante o funcionamento de incorporação de um novo diretor junto de Rich Moore, pois Phil Johnston que foi apenas roteirista do primeiro longa, agora ao assumir a cadeira da direção junto de Moore deu um ritmo muito mais incrível para a produção, trabalhando muito mais as referências aos demais longas da companhia, aos símbolos da internet que tanto vemos por aí, e principalmente, eles souberam deixar o filme com uma cara bem mais voltada para o público jovem/adulto, coisa que raramente vemos acontecer nos longas da Disney, pois ou recaem completamente para os pequeninos, ou já atacam os adultos de vez, deixando os adolescentes sempre no miolo sem muito o que agregar, e aqui vemos jogos próprios para essa turma, e com isso ganhamos dinâmica para a trama, pois como bem sabemos agradar essa geração não pode ser nada enrolado. Ou seja, pegaram tudo o que já tinha sido acertado no primeiro filme, deram um gás potente, e entregaram uma versão turbinada que vai agradar a todos, pois hoje desde bebê, os pequeninos já estão na internet, e irão se conectar com a trama e todo seu colorido, os jovens vão rir do ritmo, dos jogos e de tudo o que já conhecem bem, e os pais/adultos vão rachar de tanto rir com cada situação de referência que tanto brincamos nesse mundão chamado internet.

Assim como ocorreu no primeiro filme, aqui os direitos de imagem foram bem longe, e as referências aos diversos sites da internet brotam em cada canto, mas o mais bacana que não precisaram brincar com tantos personagens, de modo que o longa praticamente se fecha nos dois protagonistas que tanto amamos Ralph e Vanellope (dublados maravilhosamente por Tiago Abravanel e MariMoon, fazendo piadas incríveis com tudo e todos, mas ainda choro de rir com o Uaifai ser de Minas!), e entram em cena duas grandiosas mulheres dominando a internet, Yesss (dublada por Priscila Amorim) controlando o site de vídeos Buzzztube e Shank (dublada por Giovana Lanceloti) uma corredora de um game muito intenso que lhe coloca como alguém cheia de imponência num estilo praticamente masculino, ou seja, brincaram novamente com empoderamento feminino e deram um show, aliás no original ela é dublada pela grande Mulher Maravilha, Gal Gadot! Além dos quatro protagonistas, temos diversos outros bem sacados como o TudoSabe, o Spamley, o Eboy, além claro de todas as princesas da Disney brincando muito com as sacadas de suas histórias, principalmente na cena final, ou seja, um elenco muito orquestrado cheio de sagacidade para agradar muito.

No conceito visual a trama é um show a parte, entregando muito do que é falado sobre o funcionamento interno da internet, os diversos sites que conhecemos, e outros que acabaram sendo inventados, jogos com gráficos incríveis, os spam, as propagandas chatas que vemos diariamente surgindo na nossa tela, e claro, a famosa deep web e seus vírus fortíssimos, ou seja, foram de uma criatividade sem par, brincaram com muitas cores, e criaram representatividades para nós os usuários da internet dentro desse mundinho, agradando demais, e divertindo demais. Quanto do 3D da trama, no início somos até surpreendidos com uma cena incrível de Ralph jogando uma bola de futebol americano para fora da tela diversas vezes (que inclusive fez um senhorzinho que estava atrás do Coelho tomar um shiuuuuu coletivo do cinema por querer conversar com o netinho para tentar pegar a bola!), mas depois tudo vai reduzindo tanto na tecnologia, que nem profundidade de campo deixaram para as cenas finais, ou seja, poderiam ter usado bem mais a tecnologia para brincar com as crianças, mas preferiram o básico, usando apenas a técnica para dar formato e texturas aos personagens.

O longa também teve uma trilha sonora de primeira linha, tanto nas canções escolhidas para fechar o longa e dar o momento principal da protagonista, quanto nas diversas orquestradas apenas para manter o ritmo, além claro das diversas de fundo para representar os cenários por onde o longa se passa, e dessa forma o filme se desenvolve muito bem, e claro que deixo aqui o link aonde contém tanto as músicas originais, quanto a dublada pela cantora Luisa Sonsa que toca ao final dos créditos.

Enfim, era um longa que esperava muito por tudo o que já tinha ouvido falar, pela ótima canção-tema que já vinha sendo tocada há meses nas rádios, mas conseguiram entregar algo maior do que a expectativa criada, e só não darei nota máxima por meros detalhes, como talvez um 3D melhorado, mas que valeria um 9,5, isso com certeza valeria, pois fazia muito tempo que não ria tanto em uma animação, além de emocionar também em alguns momentos, ou seja, recomendo e muito o longa para todos, pois ficou incrível (só é uma pena que não veio nenhuma cópia legendada para conferir as vozes e piadas originais, mas isso não atrapalhou em nada, pois a dublagem está ótima também). Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Black Mirror: Bandersnatch

1/03/2019 01:10:00 AM |

Sei que muitos que me leem são novos, então alguns não devem lembrar de um programa que tinha na Globo nos anos 90 chamado "Você Decide?", aonde mostravam uma história, e faziam dois finais, aonde a maioria decidia qual final era exibido... pois bem, passamos quase 30 anos da estreia do programa, e eis que surge sua versão moderna, ou melhor, quase aparente de um jogo de RPG só que mais dinâmico e inteiramente filmado com diversas opções de escolha, levando o público para diferentes finais em "Black Mirror - Bandersnatch", que praticamente é um teste (ou melhor um jogo) para ver a aceitação e como pode talvez investir nessa linha mais para frente, sendo visto atualmente como um jogo com atores reais interpretando as diversas possibilidades, e assim como no "longa" nos é mostrado que o protagonista acaba entrando num buraco com as tantas possibilidades de programação para que seu jogo tenha um final diferente cada vez, aqui o roteirista e o diretor tiveram certamente muito trabalho para filmar todas as possibilidades, encaixar elas na medida para que não ficasse um filme cheio de soquinhos (apesar de ser possível de notar as emendas), e entregar para o público em torno de 6 a 7 finais (consegui fazer 7, incluindo o mais rápido que acaba o longa com menos de 40 minutos!! Mas segundo o diretor o longa possui mais de 10 - e eu não voltarei para tentar outros). Ou seja, chega a ser até decepcionante falar dele como um filme, mas vou tentar expressar um pouco sobre a experiência e sobre alguns momentos abaixo.

A sinopse em si é bem simples nos mostrando que em 1984, um jovem programador começa a adaptar um romance fantástico para videogame e põe em questão a própria realidade. Uma história alucinante com múltiplos finais.

Diria que a tentativa, ou melhor, o sucesso da proposta feita pelo diretor David Slade e o roteirista Charlie Brooker é o fato do povo ser tão reclamão (me incluo nesses) ao ponto de falar como deveria acontecer tal coisa e não a que ocorre no filme, ir por ali, ao invés de ir lá, e por aí vai... e aqui com as várias possibilidades e o controle nas mãos do público, cada um vai ter seu resultado (agradável ou não da forma que imaginava acontecer) e talvez poderá parar de reclamar do final que chegará, mas como aqui é praticamente um teste, e quase todos os finais são muito semelhantes, tendo algumas variações, talvez em um futuro próximo quando adaptarem uma aventura maior, ou quem sabe um suspense policial, ou ainda talvez uma comédia romântica cheia de possibilidades de encontros, o longa seja mais funcional, pois aqui trabalhar com programação, matar os pais, e outros detalhes não muito usuais do público em massa acaba resultando em algo não muito interessante. Ou seja, diria que a ideia até é válida para quem quiser brincar na TV com o controle remoto, escolhendo múltiplas possibilidades, tentando chegar a todos os finais possíveis e só, pois como filme (que no caso é a minha análise) o resultado é básico e deprimente pela falta de algo a mais.

Sobre as atuações, diria que fui muito surpreendido, e não é pelo protagonista! Pois sempre falei mal e odiava quase tudo o que Will Poulter fazia com seus personagens, e aqui seu Colin é muito bem trabalhado, possui uma estética forte e coesa, e em todos os momentos que se entregou para os diversos finais, ele fez muito bem, sendo dinâmico (com sua lentidão casual) e trabalhando olhares de forma simples e efetiva, ou seja, irei repensar minha crítica em cima dele nos próximos longas, pois melhorou e muito. O protagonista Fionn Whitehead até conseguiu nos entregar um Stefan interessante, com boas interações, e principalmente, com muitos conflitos em sua mente para tentarmos desvendar, de modo que acabamos nos condicionando e entrando na sua onda, ao mesmo tempo que fazemos ele entrar na nossa ideia, mas aí é que entra o jogo, quem é manipulável, ele ou nós, e o jovem soube dominar bem essa técnica com olhares e bons traquejos nos diálogos, agradando mais do que atrapalhando o resultado. O pai e a médica, interpretados por Carig Parkinson e Alice Lowe poderiam ter feito muito mais pela trama, mas soaram apáticos demais, mesmo nos momentos de maior chamariz para seus personagens, e isso claro para não ter tantos desenvolvimentos, mas poderiam ter agradado bem mais. Quanto aos demais, só vale um leve destaque para Asim Chaudhry com seu Mohan, por ser o dono da companhia de jogos, e ter alguns momentos marcantes em alguns finais, mas nada que seja surpreendente para pararmos e analisarmos seus atos.

Sem dúvida alguma, o grande feito do longa está na parte artística, pois conseguiram retratar muito bem os anos 80, com videogames clássicos programáveis em linguagens cheias de códigos de sim e não, com números pra todo lado, ambientaram as drogas, discos, roupas e tudo mais para que o longa ficasse interessante, e brincasse realmente com o público, de modo que o acerto é bacana de ver nesse sentido para imergirmos na produção e voltarmos no tempo, ou seja, funciona de modo agradável.

Enfim, posso dar duas notas para o longa, como entretenimento jogável, e uma aposta interessante para futuras produções do estilo, daria um 7 ou 8 pois ainda precisa ser melhorado a cadência, e principalmente as opções darem finais bem diferentes entre si, e não apenas poucas mudanças, mas como filme realmente de uma produção que valha a pena parar para ser assistida, daria no máximo um 3 ou 4, mais pelas boas atuações e pela produção artística, mas o roteiro é extremamente básico, e falta um cerne mais elaborado para seguirmos realmente uma história, ou seja, como média dá para ficar no 5 a 6, e essa será minha nota. Então se você quer perder um tempo tentando todos os finais, jogando todas as possibilidades da vida do protagonista, vá fundo e brinque com a proposta, mas se quer ver um filme realmente, passe longe, pois não será aqui que você irá conseguir isso. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas logo mais volto já com as estreias do cinema dessa semana, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Mogli - Entre Dois Mundos (Mowgli: Legend Of The Jungle)

1/02/2019 12:37:00 AM |

É tão interessante ver mais do que uma versão de uma mesma história, pois acabamos refletindo sobre ela, olhando por óticas diferentes, e as vezes até se impressionando mais com o resultado de uma sobre a outra, agora com "Mogli - Entre Dois Mundos", tivemos uma experiência bem menos fantasiosa que o longa da Disney nos proporcionou em 2016, mas talvez para a dinâmica ficar mais ousada, como era a proposta do roteiro, talvez necessitasse uma direção mais crua de alguém com um estilo mais realista. Ou seja, o filme é uma grandiosa sacada realista entre a personalidade da selva dura, e a vida dos caçadores, tendo ainda o time do meio, da paz e da alegria, que consegue personificar bem o drama da vivência de alguém pela ótica dos dois lados, mas que falta dinâmica no miolo, e acaba cansando um pouco além do que deveria.

A sinopse nos conta que criado por uma alcatéia em meio às florestas da Índia, Mogli vive com os animais da selva e conta com a amizade do urso Baloo e da pantera Bagheera. Ele é aceito por todos os animais, exceto pelo temido tigre Shere Khan. Quando Mogli se defronta com suas origens humanas, perigos maiores do que a rixa com Shere Khan podem surgir.

O diretor Andy Serkis ficou bem mais conhecido pelos diversos papeis e direções de atores com captura de movimentos, e que até mostrou uma certa personalidade no seu primeiro filme "Uma Razão Para Viver", e com toda certeza muitos ficaram esperando tudo o que ele poderia proporcionar nessa nova releitura do clássico Mogli, que tanto foi falado, apresentado diversos momentos e que corria super bem dentro do prazo para sair até antes mesmo que o longa live-action da Disney, mas que por diversos atrasos e problemas acabou ficando atrasado, e depois de muitas conversas decidido nem ser lançado nos cinemas, indo direto para a plataforma da Netflix. Ou seja, algum problema certamente tinha para tudo isso ocorrer, e após conferir é fácil entender seu não lançamento nas telonas, que é a falta de ritmo no miolo, que cansa muito e raspa de perder o espectador, mas que ao final volta a nos prender e entrega algo satisfatório, e com uma história muito bem pautada, que talvez até seja utilizada em parte na sequência que a Disney planeja para o sucesso de 2016. Diria que o diretor entregou uma obra bem pautada, mas que faltou empolgar mais tanto na aventura quanto na dramaticidade, mas que no conceito ambientação ficou incrível de ver.

Sobre as interpretações, ou melhor, sobre os personagens, afinal assim como o longa da Disney vemos poucos atores em cena, e mais vozes e trejeitos capturados pelas expressões dos atores para os animais, e aqui diferente do que ocorreu no longa de 2016, não notamos quase nada das vozes de atores famosos, ficando realmente com a expressividade dos bichos. Mas antes de falar dos animais, vamos falar do jovem Rohan Chand, que nos entregou um Mogli bem expressivo, com entonações casuais bem colocadas, e muita dinâmica na personalidade dele, o que agradou bastante, mas certamente o jovem ficou bem desorientado em relação aos olhares com os personagens animados, pois em diversos momentos parecia fora de foco. Outro humano na produção, o caçador vivido por Matthew Rhys ficou seco demais tanto para o momento em que tem um tom meio que de pai para o garoto, quanto nas cenas mais tensas de luta, de modo que ficou estranho seus atos, e poderia ter ido mais a fundo no personagem. Agora dentre os animais, é claro que os destaques ficam ao cargo de Christian Bale como a pantera Bagheera, que aqui teve uma formação mais imponente para com o protagonista, e com cenas bem impactantes chega até a nos dar medo de algumas de suas atitudes, claro também que temos de destacar o próprio diretor Andy Serkis fazendo o urso Baloo com ares mais propensos de ursos, com olhares violentos e fortes, também temos de incorporar a serenidade e inteligência nas cenas de Cate Blanchett como a cobra Kaa cheia de desenvoltura, e obviamente importantíssimo, Benedict Cumberbatch que já é extremamente experiente em capturas de movimentos com seu tigre Shere Khan, que aqui é daqueles prontos para destruir tudo e todos.

O visual do longa é bem denso, com florestas fechadas, a tribo dos humanos cheias de detalhes e tradições indianas, os animais muito bem desenhados e com pelagens fortes e bem texturizadas, muitos elementos cênicos incrementados aos cenários fortes para que a trama se desenvolvesse bem, de tal maneira que fica bem claro a proposta do longa de ser algo mais denso, e que a equipe de arte mesmo usando muita técnica de computação gráfica conseguiu manter bonita de ser vista. A fotografia da mesma forma não quis graça de criar nenhum momento mais emotivo e bonitinho, deixando que os tons escuros predominassem em todas as cenas, ambientando bons momentos com luzes de tochas na vila dos homens, e brincando muito com reflexos na água e nas plantas na floresta, ou seja, pouca ousadia, mas que funcionou para a proposta.

Enfim, é um longa bem feito, com um tom interessantíssimo, uma história muito melhor do que a cheia de cantoria da Disney, mas que precisava ter encontrado um dos vértices pelo meio do caminho, ou de atacar a tensão criando um filme fortíssimo logo de cara, indo nessa onda até o fim, o que talvez assustasse um pouco o público, ou brincar de aventura densa, mesmo não indo para um caminho alegre, mas que ousasse disposição e entregasse dinâmica do começo ao fim, para não cansar o público, e assim sendo, até recomendo o filme para quem gosta de uma história mais forte, mas digo para não ver cansado em hipótese alguma, senão a chance de muita reclamação por qualquer coisa, ou até mesmo dormir é alta. Bem é isso pessoal, esse foi o primeiro longa do ano, mas voltarei muito com filmes da Netflix, e claro na quinta já voltamos ao foco principal que são os longas dos cinemas, então abraços e até logo mais.

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