Mate-Me Por Favor

9/24/2016 12:45:00 AM |

Existem alguns estilos dentro do gênero suspense/terror/drama que alguns diretores nacionais andam trabalhando que nos fazem pensar no que o cidadão estava pensando quando escreveu o roteiro do longa, pois o misto de filme experimental com a ideologia bagunçada que a juventude de hoje vive fez de "Mate-Me Por Favor" algo completamente surreal que somente quem estiver muito aberto à ideias bizarras vai conseguir gostar de algo que a trama irá mostrar, e principalmente acredito que somente jovens problemáticos irão se conectar com os medos ou ideias da protagonista, pois chega a ser forçado alguns momentos que nos são mostrados, e nem com muita imaginação conseguiríamos abstrair algo dentro da proposta para que pudesse dizer alguma coisa boa do que me foi mostrado na tela do cinema. Ou seja, um filme bagunçado, cheio de erros técnicos e que trabalha uma história completamente maluca para algo que tenha sido realmente pensado em mostrar aquilo, de tal maneira que somente a diretora sabe o que ela desejava mostrar em cada cena.

A sinopse do longa nos mostra que a adolescente Bia, de 15 anos, e seu irmão, João, de 25 anos, levam uma vida normal. Mas quando uma série de assassinatos começa, eles e os amigos ficam com a imaginação à flor da pele, pensando como ocorreram os crimes e, ao mesmo tempo, analisando como a juventude de hoje encara os problemas.

A ideia do longa poderia fluir por diversos vértices e até trabalhar os medos da juventude frente à morte e outras ideias que permeiam a mente cheia de hormônios numa das fases mais bagunçadas da vida humana que é a adolescência, porém a diretora/roteirista estreante em longas Anita Rocha da Silveira quis elaborar junto disso um suspense com serial killer que por bem pouco não ficou tanto em segundo plano que quase fora esquecido pelo público se não fossem as imagens chocantes e bem feitas do trabalho da equipe de maquiagem, pois o restante do longa acaba se perdendo em cultos evangélicos misturados com funk, planos exagerados mostrando as construções de prédios para a Olimpíada, jovens discutindo temas de maneira jogada sem um motivo natural e por aí vai, ou seja, ela quis mostrar tanta coisa que estava na sua cabeça, que talvez explicando a ideia do longa para alguém até seja um bom filme, mas assistindo sem saber o conteúdo (como friso que todo filme deva ser visto) acaba sendo uma loucura completa, que se passasse num cinema comercial que tivessem mais pessoas na sala, certamente veríamos uma fuga bem alta, mas como estávamos em 6 pessoas na sala, todos ficaram até o final.

Um dos pontos positivos da trama foi de que se a ideia é conceitual, os atores também tem de vir livres de vícios interpretativos, então a maioria que aparece em cena é estreante nas telonas e acabou fluindo bem na questão de trabalhar olhares, semblantes perdidos ao vento e até mesmo uma boa desenvoltura nas cenas digamos mais picantes, e assim o resultado dentro da proposta até foi interessante de ver. Claro que o destaque fica para a protagonista Valentina Herszage que iniciou um pouco travada, depois foi se soltando e ao final já estávamos tão íntimos de sua Bia que até seus momentos mais estranhos já acabavam funcionando para o público, o que mostrou uma boa habilidade da jovem para com as câmeras que podem mais para frente ter bons frutos. Os demais tiveram até bons momentos, mas nada que tenha de dar grande destaque, porém temos de destacar negativamente Bernardo Marinho como João, que ficou enigmático demais do começo ao fim e acabou finalizando o longa sem quase impor nada para que o público refletisse sobre sua personalidade, talvez tenhamos pensado até coisas ruins à respeito de seu João, mas nada é dito ou mostrado para se afirmar, e isso acabou resultando em uma fraca expressividade por parte do ator.

Sinceramente fiquei pelo menos metade do longa pensando aonde poderia ter sido filmado a trama, pois não fica claro logo de cara aonde estamos situados, e confesso que não imaginava num Rio de Janeiro com tantos descampados, nem parecendo ser a cidade grande que é, pois o longa ficou com um ar bem interiorano e com perspectivas de cidade pequena, aonde as pessoas não estão acostumadas com mortes, o que de certa forma é algo ruim de se ver. Além disso, o filme não ousou muito em elementos cênicos, o que deixou a trama mais aberta aos pensamentos e diálogos dos protagonistas, o que é uma falha já que estamos trabalhando com atores iniciantes, e deixar que eles fluam sozinhos sem algo mais presencial é um grande risco que acabou não funcionando bem. Outro grande erro do longa se deve à equipe de fotografia, pois ao trabalhar muitas cenas noturnas, a equipe abusou de luzes falsas, e em diversos momentos o filme quase parece um ataque de aliens com luzes provenientes do nada atrapalhando muito no resultado interpretativo das pessoas, ou seja, poderiam usar de sombras/luzes artificiais, mas se preocupasse em colocar algo que ficasse mais próximo de algo real como uma lua ou poste, e não no meio do mato uma iluminação completa ao redor da protagonista.

Agora sabemos que no Rio de Janeiro o funk praticamente domina as paradas de sucesso, mas num longa com uma temática de suspense usar diversas músicas do gênero e em alguns momentos baladas antigas, ficou parecendo que não tinham um propósito a seguir. Porém se algo me fez rir foi o funk gospel cantado pela pastora adolescente que arrumaram para o longa, pois ficou algo digno de comédia global.

Enfim, a ideia em si foi boa, mas a proposta como um todo acabou se perdendo saindo do nada e chegando à lugar nenhum, de tal maneira que nem de graça recomendo ver o filme, pois o absurdo completo vai mais incomodar do que agradar o público em geral. Claro que talvez vejam por aí diversas críticas cults que façam alusão a coisas fantasiosas, porém volto a frisar que o pessoal deve ter tido algum tipo de explicação plausível da diretora em debates, e/ou entrado na sala viajando junto para chegar nas conclusões que chegaram. Mas deixo aqui minha dica de fuga, quem quiser arriscar, veja por sua conta e risco. Fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até mais pessoal.

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Cegonhas - A História Que Não Te Contaram em 3D (Storks)

9/23/2016 12:34:00 AM |

Fofura, essa é a palavra que define o longa "Cegonhas - A História Que Não Te Contaram". Mas essa fofura toda pode ser definida pelos bebês fazendo gracinha, ou pelos pássaros abobados, ou pelos dois protagonistas atrapalhadíssimos, ou pela família que mesmo ocupadíssima arruma um tempo para o filho, ou principalmente seja pela ótima alcateia que irá surpreender a todos com suas habilidades, pois o filme tem esse dom de cativar o público com diversos subgrupos interessantes de acompanhar e com toda certeza algum desses elos irá amarrar você para que acompanhe a saga até o final, fazendo com que tenha boas gargalhadas e até se emocione com uma ou outra cena. Porém um dos maiores problemas do longa, quiçá o único, é a falta de uma história mais bem montada, pois as situações até ocorrem com uma certa naturalidade, mas não conseguimos notar algo fluído com um mote realmente interessante para que o roteiro nos prenda, ficando muitos detalhes em aberto, o que não é bacana de ver em uma animação. Mas só quem for realmente muito exigente vai reclamar disso, pois do restante é só curtição com todos os personagens e com as boas canções de fechamento da trama.

O longa nos mostra que cegonhas entregam bebês... ou pelo menos elas costumavam. Agora elas oferecem pacotes para a gigante global da internet ‘Lojadaesquina.com’. Júnior, um dos principais entregadores da companhia, está prestes a ser promovido quando a Máquina de Bebês é acidentalmente ativada em seu turno, produzindo uma adorável - e totalmente não autorizada - bebê. Desesperado para entregar esse presentinho antes que o chefe descubra, Junior e sua amiga Tulipa, a única humana na Montanha das Cegonhas, correm para fazer sua primeira entrega de bebês em uma viagem selvagem e reveladora. Isso poderá fazer mais do que apenas iniciar uma família, mas também restaurar a verdadeira missão das cegonhas no mundo.

Já que o roteiro não foi o ponto forte da trama, o diretor Nicholas Stoller (que também assina o roteiro) e se deu bem em comédias escrachadas (vide "Vizinhos" e "Vizinhos 2") optou por trabalhar bem a comicidade dos personagens, e dessa forma é raro o momento em que não vemos alguma piada pronta sendo dita por qualquer elemento do filme, desde os figurantes de enfeite (como são os passarinhos pequenos) chegando até os protagonistas que abusaram até de brincadeiras com temas que hoje grandes corporações trabalham (liderança e corporativismo virou motivo de piada pronta ao mostrar que as pessoas só querem ter um nome, sem saber o pra que disso). E dessa maneira o filme acabou fluindo fácil pela tangente sem ser apelativo, mas também não tendo um começo/meio/fim comum de histórias infantis, claro que muitos vão falar que fiquei maluco, pois o objetivo da entrega é cumprido dentro de uma perspectiva bem interessante, mas o filme vai tendo diversas aberturas que se mostrariam até mais gostosas de trabalhar e acabam jogadas apenas sem muita desenvoltura, e sendo assim ficamos apenas conectados mais pelas piadinhas do que pela história em si. Não julgo que isso seja algo ruim, mas pela alta qualidade de tudo no filme, se tivessem trabalhado um pouquinho a mais no roteiro, o resultado com toda certeza seria incrível.

Fica até difícil escolher entre os personagens qual o mais carismático, pois como disse no início cada um vai acabar se conectando fácil com algum e vai ficar torcendo talvez por mais aparições do seu preferido. Por exemplo, a alcateia funciona muito bem dentro da trama, e não apenas pelos dois lobos protagonistas, mas sim por tudo o que fazem no longa, e a cada novo elemento que apresentam a situação toda fica mais divertida ainda. O protagonista Junior possui suas paranoias e isso acaba sendo bem divertido de acompanhar, e o ator Kleber Toledo não deixou impregnada sua voz no personagem agradando nas boas nuances e criando (claro que junto de um roteirista de dublagem) boas piadas nacionais dentro da perspectiva toda. A orfã Tulipa com sua multipersonalidade acaba divertindo demais nos seus momentos dentro da sala de correspondência, e não apenas lá, mas a cada nova cena sua sempre somos surpreendidos, de tal maneira que a dublagem de Tess Amorim também caiu como uma luva para sua loucura, mostrando que a dubladora profissional consegue dar trejeitos diferentes para cada uma de suas personagens. Agora se tem um personagem que ficou bem frouxo foi o Pombo Luke, que dublado por Marco Luque acabou tendo tão poucas cenas para se desenvolver que ficamos sempre esperando nas suas aparições que faça algo mais imponente, mas sempre acaba jogado de lado e soa até estranho alguns momentos de destaque seu em tela. Do lado mais familiar, os bons momentos do Senhor e Senhora Jardim com seu filho Nando acabam sendo cativantes por mostrar que na maioria das vezes as crianças precisam ter mais atenção de seus pais que estão sempre ocupados trabalhando, e claro que um irmão/irmã vai ajudar nesse conceito, mas quem pensa que vai cair no melodrama a história deles, pelo contrário, todas as cenas procuram divertir dentro dessas situações, ou seja, todos com bons encaixes. E embora Rocha seja "o vilão" da trama, sua personalidade acaba sendo bacana e divertida de acompanhar, agrando pelas boas nuances, mas que poderiam até rumar mais para algo mais forte.

Agora se existe algo que a Warner Animation Group vem se aprimorando cada vez mais é na modelagem de seus personagens, de tal maneira que já vimos ótimas perspectivas cênicas em "Uma Aventura Lego", e agora cada personagem possui boas formas sem serem cheias de texturas, mas que acabam agradando bem como animação, e funcionando sempre com cenários bem coloridos junto de diversos objetos e elementos que nos remetam sempre para alguma utilização dentro da proposta completa do filme, acabamos embarcando com eles rumo à perfeição dentro de um longa animado, e diferindo de outras produtoras que andam procurando criar quase uma realidade aumentada dentro dos filmes, aqui eles optam por manter sempre o tom real de uma animação, mostrando que é um desenho sim, mas bem aprimorado e com formas possíveis de se gostar. Quanto do 3D, infelizmente o longa possui poucos momentos aonde a tecnologia funciona, mantendo sempre uma profundidade interessante nas cenas com muitos personagens e dando uma amplitude grande para a cenografia completa, mas ainda assim longe de trabalhar com coisas saindo da tela ou tendo camadas realmente para que a trama pareça mais interativa, e sendo assim, quem quiser economizar pode ver tranquilamente o longa em 2D que não irá perder nada.

Enfim, é um filme gostoso de assistir, que vai divertir todas as idades e que recomendo com certeza para quem gosta de animações, talvez se não pecasse nos elementos que falei durante todo o texto teríamos um daqueles filmes memoráveis para se guardar na memória, mas ainda assim vale a pena conferir. Fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais um texto, então abraços e até mais pessoal.

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Bruxa de Blair (Blair Witch)

9/22/2016 12:36:00 AM |

No ano de 1999, um estilo começou a chamar atenção e acabou virando uma febre entre os novos diretores de terror, o tal do found-footage (traduzindo arquivos/filmagens encontrados), e todos corriam para fazer um longa mais original que o outro (usando claro ideias que pareciam novas, mas já haviam aparecido outras vezes) e com isso alguns se apaixonaram pelo estilo, outros odiaram, afinal quase sempre com imagens de câmeras na mão tremidas, aonde não se prezava pela edição perfeita, mas sim por pedaços jogados fazendo barulho e pegando o espectador cada vez mais desprevenido, foi criando seu próprio mundinho. Pois bem, usando dessa ideia "A Bruxa de Blair" gastou apenas 60 mil dólares e acabou rendendo 248 milhões, e claro uma continuação que foi um fracasso total, e filmado agora com um codinome completamente diferente "The Woods", eis que temos uma nova continuação do filme, intitulada apenas sem o "A", ficando como "Bruxa de Blair". E o que podemos falar logo de cara da continuação? Algo que sequer deveriam ter pensado em fazer, pois apenas serviu para mostrar todas as novas tecnologias de câmeras manuais, como câmeras de orelha, drones, pequenas câmeras com diversos apetrechos e até mesmo mostrando uma relíquia das antigas que filmava com fitas, para claro poder compararmos inclusive seu estilo de imagem. Daí você vem e me pergunta, além disso, o que o filme mostra? E respondo rapidamente com a seguinte palavra "NADA", ou melhor alguns bichos com feições estranhas que sequer podemos falar que são obras de uma bruxa, ou quiçá como disse um amigo do cinema, aliens, pois são disformes, possuem luzes vindo de fora da casa, e além de tudo não aparecem para causar, ou seja, um filme que vai do nada para lugar algum e ainda brinca com exageros ruins de edição. Portanto, mesmo que o orçamento tenha sido alto, o resultado de muitos dias de filmagem resultaram em algo estranho e malfeito demais para agradar.

O longa nos mostra que um grupo de estudantes universitários resolve se aventurar na floresta de Black Hills para desvendar os mistérios que cercam o desaparecimento da irmã de James, que muitos acreditam estar ligado à lenda da Bruxa de Blair. Eles criam esperanças de encontrar a garota, especialmente quando uma dupla de moradores se oferecem para guia-los na floresta. Mas com o cair da noite, o grupo é surpreendido por uma presença ameaçadora e percebem que a lenda é real e muito mais sinistra do que imaginaram.

O diretor Adam Wingard já trabalhou anteriormente com os criadores do longa original em outros filmes, mas não sei se conseguiu perceber que o gênero não anda mais tanto na moda, e principalmente, com toda a tecnologia atual hoje é difícil de acreditar em imagens com nuances, o que aconteceu muito no passado, pois as sujeiras e imagens mal filmadas acabavam assustando com elementos que apareciam e ficávamos na dúvida do que estava sendo mostrado, o que não acontece agora com imagens em alta definição e com câmeras incríveis que acabaram utilizando, ou seja, precisou apelar para uma edição porca e jogada, aonde os barulhos e imagens necessitavam saltar na cara do espectador para causar um pouco mais. Não podemos dizer que ele não teve acertos, pois saber filmar dentro de florestas é algo para poucos, afinal o trabalho cênico pode atrapalhar numa correria, e mesmo que de uma forma bem bagunçada o resultado visual até que agrada de certa forma, claro que não é nada primoroso, mas algumas cenas até causam algum impacto no público, porém faltou história e conteúdo para que tudo se firmasse e encaixasse melhor.

Sobre as atuações a vontade que tenho é de dizer que esqueceram de falar para eles que era um filme de terror/suspense e que precisam demonstrar isso, seja fazendo caras de espanto, de dúvida do que está vendo ou até mesmo uma expressão mais tensa para que o público entre no mesmo clima dos personagens, ou então que seja forte o suficiente para encarar de frente os desafios e atacar o indecifrável, e aqui, todos sem exceção ficou meio que jogados perdidos em cena, fazendo caras e bocas olhando para as muitas câmeras, e o resultado foi algo que não dá para destacar nada bom de ninguém, o que é algo péssimo de falar. Mas o grande destaque negativo fica para as caras bizarras que Corbin Reid fez com sua Ashley.

Basicamente o longa se prende num único visual, que é a floresta, e essa sim foi muito bem representada por sombras, nuances, e com elementos simbólicos bem encaixados para causar, o longa foi formando a ideia completa e fechou claro com uma casa cheia de inspirações e bem destruída para dar o clima completo. Além disso é claro que temos de pontuar todos os estilos de câmeras que acabaram sendo parte dos elementos do filme, e assim sendo temos desde as pequeninas câmeras de orelha, passando pela mini-DV e claro chegando nas pequeninas e tecnológicas anexadas aos drones. Com uma iluminação quase inexistente, para dar tensão, o resultado poderia ser incrível se tivéssemos um filme realmente, mas com essas quebras da edição, o resultado apenas foi satisfatório e conseguiu criar alguns momentos que ficássemos apreensivos olhando para a possibilidade de algo aparecer do nada, afinal o enquadramento na maioria das cenas sempre sugeria para isso.

Enfim, é um filme que até tentou fazer a volta do estilo com um primor, mas que passou bem longe do frisson que o original criou, e sendo assim só vale ser visto por quem estiver muito curioso para ver a ideia, mas ainda assim com muitas ressalvas para que não se decepcione demais. Portanto se for ver o longa apenas curta como uma história mais simples do que como um terror pra valer mesmo, e assim quem sabe sairá da sessão ao menos satisfeito com o que verá, mas se estiver esperando algo para causar mesmo, passa bem longe. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até breve galera.

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Conexão Escobar (The Infiltrator)

9/21/2016 01:57:00 AM |

Alguns críticos prezam por uma boa história, outros, como é o meu caso, preferem ver um bom estilo impregnado dentro de uma boa história (e também em algumas ruins), pois quando um diretor e/ou produtor optam por trabalhar fatos reais, o mínimo que se exige é que façam de uma forma coerente e envolvam o público com o que vão contar, pois outras histórias aparecerão (ou até já apareceram), talvez por outros vértices, e cada vez mais gostamos de ver de uma maneira bem feita (e bem contada) tudo o que podem nos entregar sobre um caso. Digo isso não por achar "Conexão Escobar" um filme genial dentro da proposta, e muito menos por achar ele piegas demais para causar alguma forma irreverente de estilos, mas sim por ser um filme que irá enganar muitos pelo nome (afinal todos os amantes da série "Narcos" da Netflix foram aos cinemas esperando ver Pablo Escobar - vi isso com os próprios olhos de pelo menos 3 pessoas da sessão com 10 espectadores hoje), mas que por colocar um ator que sabe dominar com unhas e dentes qualquer bom personagem que lhe for entregue vai fazer da trama algo seu e incorporar bem a história de um policial que ousou e se arriscou para prender os maiores nomes da lavagem de dinheiro dos anos 80 nos EUA. Ou seja, um bom filme policial, que talvez tenha pecado apenas na velocidade, pois o ritmo cansa e demora demais para termos as ações que todos sabem aonde vai chegar.

A sinopse do longa nos mostra que nos anos 1980, o agente secreto americano Robert Mazur recebe uma missão da Divisão Antidrogas dos Estados Unidos (DEA). Ele passa cinco anos infiltrado no cartel do narcotraficante colombiano Pablo Escobar. Robert se aproxima do criminoso, ganha confiança e no fim revela a ligação de Escobar com executivos do Bank of Credit and Commerce International, responsável pela lavagem do dinheiro do traficante.

Não sei se o diretor Brad Furman ficou tão aficionado pelo livro de Robert Mazur que quis mostrar detalhes demais de uma história que de certa maneira foi complexa, ou se sua ideia era de mais para frente vender o longa para que virasse uma série concorrente à "Narcos" para mostrar o outro lado da moeda, pois ele trabalhou demais cada momento, colocando histórias paralelas demais que só serviram como base bem leve para todo o resultado final, ou seja, ele poderia ter sido mais dinâmico, colocado somente as situações imprescindíveis para que o resultado acontecesse e assim teríamos um filme incrível aonde tudo acabaria agradando pelo bom estilo policial de escutas e investigações, com o mesmo fechamento incrível que teve, e principalmente com toda a boa produção cênica que acabaram entregando. Sendo assim, podemos dizer com toda certeza que o maior erro do filme foi a falta de síntese, tanto no roteiro adaptado do livro, quanto da direção que não soube editar as boas cenas que com certeza filmou.

Com toda certeza o resultado do filme mesmo alongado demais ter funcionado e não ser pior foi Bryan Cranston, pois o ator soube trabalhar a personalidade de Robert Mazur com determinação e colocar em cena mais do que um único personagem, mas sim os diversos disfarces que o agente secreto tinha, claro que faltou um pouco mais de desenvoltura para que seu Bob Musella fosse mais diferenciado de Robert Mazur, mas ainda assim o ator soube dosar bem e incorporar os momentos mais fortes com clareza e boa determinação. Juliet Aubrey exagerou um pouco em sua Ev, fazendo caretas demais para demonstrar seu sentimento, e isso é algo que deve ser evitado pelas atrizes, pois acaba atrapalhando a personalidade do personagem ficando sempre com a mesma cara amarrada. John Leguizamo é um dos atores latinos que mais tem personalidade marcada para papeis que exigem um bom domínio do espanhol e do inglês no mesmo personagem, e seu Emir acaba ficando incrível durante o longa tendo grandes momentos que por bem pouco se tivesse mais tempo de tela acabaria virando o protagonista fácil. Diane Kruger também conseguiu chamar a atenção nas poucas cenas que teve, fazendo de sua Kathy uma mulher determinada com o que tinha para fazer e agradando bem com suas nuances. Tivemos outros bons momentos com outros atores, cada um mostrando um pouco de si, e até chamando o foco para seus personagens, mas se ficar falando de cada um vou fazer o mesmo que o diretor pulverizando demais aonde não deveria e errando nisso também, então apenas tenho de falar que o esforço de todos foi correto e agradável para com o longa, porém muitos poderiam ser cortados de cena, o que não vem ao caso para Benjamin Bratt que deu para seu Alcaino uma seriedade e postura tão forte que sendo um dos braços de Escobar acabou agradando e mostrando que o traficante tinha grandes homens por trás dele.

Um dos grandes pontos do longa foi a concepção cênica bem elaborada da época, colocando monitores, malas, escutas e diversos apetrechos tão bem colocados para a investigação que acabamos nos envolvendo tanto com os diversos elementos da trama que por bem pouco não esquecemos de olhar o que os atores nos proporcionavam em cena, e isso é um grande feito da equipe de produção que acabou colocando todos em boas locações bem criativas, cheias de pontualidades ambientais, que junto de uma fotografia suja e pontual com foco sempre no segundo plano, para dar um ar mais retrô, acabou tendo conceitos interessantes com um visual que poucas vezes nos é mostrado, ou seja, um filme que trabalhou bem os elementos técnicos para talvez ser mais alongado ainda e virar uma série como disse acima.

Enfim, um filme bacana que pecou por alongar demais no cinema e com isso acabou ficando com um ritmo não tão impactante para uma trama policial, mas ainda assim valendo ser visto, já que por ser baseado em fatos reais mostra como um país e seus bancos sempre colocam seus interesses à frente de seus clientes/população para seu bem próprio. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, afinal nessa semana estou bem atrasado por ter me dado umas pequenas férias, mas com toda certeza não deixarei passar nenhum longa sem ver, então abraços e até breve com mais posts.

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O Roubo da Taça

9/13/2016 01:06:00 AM |

Como fazer comédias com estilo? Pergunte à Netflix, que junto com produtoras independentes vem criando uma perspectiva interessante e gostosa de ser assistida tanto em casa quanto nos cinemas, e você deve estar se perguntando porque então a produtora entregou para a Paris Filmes distribuir o longa nos cinemas se ela pode em breve lançar em mídia online e ter todos os seus assinantes assistindo algo inédito? Para ganhar dinheiro, pois "O Roubo da Taça" possui uma ideia inteligente que baseada em fatos reais consegue divertir e com muita qualidade entregar uma comédia longe das forçadas e exageradas atuais, trabalhando toda a situação cômica pela situação em si, que poderia funcionar bem em qualquer estilo (série, curta, longa), mas optaram por algo fechado e bem desenvolvido dentro de bons 85 minutos.

Peralta é um simples corretor de seguros que começa a sofrer pressões de todos os lados. Em casa, sua namorada Dolores dá um ultimato: é casamento ou fim de papo. Por outro lado, suas dívidas que se amontoaram rapidamente, começam a ser cobradas. Quando tudo parece perdido, uma brilhante ideia cruza a cabeça de Peralta: um plano que vai resolver todos os seus problemas. Com a ajuda de seu amigo Borracha, um sujeito nada inteligente, Peralta decide roubar a Taça Jules Rimet de dentro dos cofres da CBF.

É bacana ver o estilo do diretor Caíto Ortiz que soube segurar a onda sem muita exuberância, e principalmente manteve a comicidade sem precisar ter um ar novelesco e muito menos precisar apelar para exageros forçados que muitos outros diretores nacionais usam para que seu filme faça o público rir. Tudo bem que sua trama não é daquelas que você irá rolar no chão de tanto rir, mas a situação completa consegue ser bem encaixada e o resultado agrada tanto pela qualidade da produção quanto pelas atuações dos protagonistas que ficaram bem soltos para trabalhar expressões que até seriam consideradas erradas numa comédia mais engraçada. Os ângulos escolhidos também ficaram dentro de algo que é bem incomum de se ver no cinema de comédia tradicional, deixando quadros mais fechados nos protagonistas e colocando a responsabilidade nos trejeitos que puderam entregar, e assim sendo o filme quase vira algo mais de ator e menos de texto, porém como a história é mais fechada, conseguiram adequar bem as duas situações.

Já falei um pouco das atuações, mas vale dar destaque para o trabalho feito por Paulo Tiefenthaler com seu Peralta que meio lembrando um pouco de outros trabalhos seus quase desconectou a alma do personagem, mas logo em seguida conseguiu voltar para um lado mais malandro e bem encaixado que acaba agradando bastante no estilo de finalização do personagem. Sem dúvida alguma Tais Araujo mudou muito seu estilo de atuar, pois antes forçava para aparecer e hoje já mostra a que veio só com o olhar já encaixado e pronto para incomodar quem estiver na sua frente, de tal maneira que sua Dolores soa bem dominada e faz diversos gracejos que reviram bem a história e por fim teve um grandioso momento chave que nem se esperava ver na tela, arrasando total. Milhem Cortaz é sem dúvida um dos grandes nomes do cinema nacional, mas aqui deixou seu investigador Cortês muito exagerado e por diversas vezes ficamos esperando que dominasse a tela, mas sempre ficou em segundo plano, o que é bem incomum de ver em seus papeis, o que é uma pena, pois se tivesse mais cenas ele chamaria bem a responsabilidade e agradaria muito. Dos demais, a maioria aparece e desaparece com muita rapidez, tendo até bons momentos, como algumas cenas de Danilo Grangheia como Borracha, outros mais sutis e bem encaixados, como os que o argentino Fabio Marcoff colocou em suas cenas, e temos até os que saíram quase atrapalhando como foi o caso de Stephan Nercessian que sempre exagerado nos trejeitos acabou apelando demais para tentar aparecer.

No conceito visual, o grande feito da equipe foi manter o estilo de época num nível tão incrível que chega a ser impressionante não se sentir em plenos anos 80, tudo ressalta na tela como as TVs, os preços dos mercados (e claro o estilo dos mercados), os carros perfeitamente bem encaixados, e o figurino na medida certa para chamar a atenção correta de cada personagem, ou seja, um luxo completo que mostra que o Brasil pode fazer tramas de época no cinema tão bem quanto faz em suas novelas, e deve investir mais nesse estilo, afinal tivemos muitos momentos importantes na nossa história sem ser o tradicional já batido em diversos meios, e sempre que fizerem esse bom trabalho vão agradar e muito. Claro que volto a frisar que o investimento certamente foi maior, mas o resultado vai valer a pena, pelo menos espero. Quanto da fotografia, como já disse optaram por ângulos mais fechados, talvez para economizar na cenografia delimitando os ambientes, mas nem por isso menosprezaram as boas sombras que deram nuances e tons maravilhosos para cada momento do filme, ou seja, um trabalho impecável no conceito técnico da trama.

Enfim, é um filme que agrada demais quem for ver no cinema, e que agradará muito também quem esperar para ver na Netflix. Para ser perfeito só faltou trabalhar mais os coadjuvantes, que como disse acima acabaram se perdendo ao tentar aparecer demais e acabaram desgastando a boa imagem da trama, talvez se fosse um pouco maior desenvolvendo mais cada um, o resultado de uma série sobre o tema seria incrível. Portanto recomendo com certeza a trama, e aguardarei por mais trabalhos desse estilo, seja do diretor, ou da equipe de produção, pois o resultado final ficou muito bom. Fico por aqui encerrando essa semana cinematográfica, e dessa vez vou deixar vocês com um pouco mais de delay nas críticas, pois volto somente na próxima terça com novos textos, então abraços e até mais galera.

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Virei um Gato (Nine Lives)

9/12/2016 12:54:00 AM |

Um fato é claro, daqui há alguns anos já sabemos alguns dos filmes que irão passar nas sessões de domingo à tarde das TVs, e um dos nomes certamente será o de "Virei um Gato" que concentra um tema tão simples e familiar gostoso de acompanhar que funciona perfeitamente em qualquer horário, mas com toda certeza por ter um mote mais infantil devem colocar à tarde para que as crianças curtam as confusões de um gatinho. Porém um adendo que gostaria de citar é que caso você possua crianças que já consigam ler legendas, levem-nos ao cinema agora para conferir o longa legendado, pois não vi a versão dublada, mas certamente um grande defeito deve ocorrer, pois o gato ronrona e faz miados estranhos o longa inteiro, e o protagonista apenas fala internamente para o público, o que na versão dublada deve parecer falha da computação em não mexer a boca do gato para as falas. Não digo que isso vá atrapalhar a ideologia completa da trama, mas o filme poderá ficar um pouco estranho, portanto se puder, veja legendado.

O longa nos mostra que Tom Brand é um poderoso e arrogante empresário, que está obcecado com a ideia de construir o maior arranha-céu da América do Norte. O problema é que seu atual empreendimento, em construção em Nova York, sofre a concorrência de um prédio sediado em Chicago, que pode receber uma antena no teto apenas para superar a disputa. Paralelamente, Tom precisa comprar um presente para sua filha, Rebeca, já que o aniversário dela se aproxima. A garota há anos lhe pede um gato, mas Tom se recusa a comprá-lo porque odeia o animal. Sem encontrar outra alternativa, ele acaba indo na estranha loja de Felix Perkins, um encantador de gatos que lhe vende o Sr. Bola de Pêlos. Entretanto, uma disputa dentro de sua própria empresa faz com que Tom sofra um acidente e, repentinamente, tenha sua consciência transferida para o gato recém-comprado.

Após completar a trilogia MIB, após 10 anos fazendo apenas séries, o diretor Barry Sonnenfeld voltou a ficar alguns anos sumido das telonas e agora com bem menos ação, ele retorna suas origens para comédias familiares de uma maneira bem interessante, pois manteve parte de sua essência com sequências de ação (vide os pulos de avião e de prédio presentes na trama) e ainda soube dosar bem a simbologia infantil para que o mote de amor familiar versus trabalho exagerado ficasse bem evidente. Claro que isso estava presente dentro do roteiro escrito a cinco mãos, mas o diretor soube usar bem da dinâmica e criou boas situações. Um fator interessante que me deixou um pouco confuso foi na subida dos créditos, pois vi o nome de cinco gatos que interpretaram o protagonista e um treinador de gatos, porém confesso que tinha certeza absoluta de ser computação gráfica, mas se conseguiram fazer todas as cenas usando apenas animais treinados, posso dizer com toda certeza que essa equipe merece muitos prêmios, afinal são bichos difíceis de serem treinados e que fazem situações incríveis na tela, portanto irei pesquisar mais um pouco e volto nos comentários para falar se realmente usaram gatinhos artistas na tela. Mas mesmo que seja computação, ainda temos de valorizar muito o trabalho do diretor que soube adequar as cenas do gato com os personagens reais de maneira incrível para convencer de que ali tudo estava ocorrendo mesmo daquela maneira.

Já que falei nos artistas temos que inicialmente parabenizar a boa dublagem/narração/interpretação de Kevin Spacey que agradou bem tanto como o humano Tom demonstrando arrogância e exagero de trabalho, quanto como sendo o gato Sr. Bola de Pelos com trejeitos bem interessantes sob a perspectiva de um gato, que muita gente certamente já imaginou seu bichano fazendo, ou seja, o ator se não tem um gato certamente estudou muito para conseguir tamanho feitio no estilo de falar cada diálogo seu, e acabou tendo um resultado bem positivo. Jennifer Garner é daquelas atrizes que aceitam qualquer papel e acabam sempre agradando com o que faz, pois aqui sua Lara quase não tem muito trabalho interpretativo, fazendo sempre caras de espanto em relação às loucuras que o gato faz, e em alguns momentos um certo desespero pela saúde do marido, mas soube dosar bem os olhares para que tudo funcionasse bem, ou seja, uma atriz completa que mesmo em papeis pequenos não vai se deixar levar e estragar o resultado. Christopher Walkins aparece umas três ou quatro vezes apenas com seu Perkins, mas soube também dosar boas facetas para que o personagem não ficasse artificial demais, embora seja estranho alguém que se considere um encantador de gatos. A jovem Malina Weissman fez expressões forçadas para sua Rebeca e acredito que deva ter sido por suas cenas serem sempre com algum estilo de computação, de modo que a jovem atriz não soube acreditar no que estava vendo para que fizesse a expressão certa, o que acabou comprometendo um pouco seus momentos. Mark Consuelos também ficou forçado demais como um "vilão", pois seu Ian praticamente não tinha outra fala senão na venda da empresa, e isso acaba cansando de tanta repetição, além do ator estar sempre com um olhar artificial demais, o que não é comum de ser visto. E para fechar o elenco base, temos de falar sobre Robbie Amell que até se esforçou para que seu David fosse coerente e interessante, mas todas suas cenas foram quase jogadas na tela, e isso é algo que acaba deixando o ator falso demais, somente nas suas últimas cenas que teve um pouco mais de oportunidade e acabou agarrando bem. Do elenco de apoio, a situação já foi bem pior, pois todos soaram demasiadamente artificiais, parecendo que decoraram o roteiro às pressas, e isso ficou bem feio de ver na tela, de maneira que se não fossem importantes as cenas seria melhor ter cortado fora.

No conceito visual, a equipe até soube agradar bem nas escolhas, trabalhando detalhes simples, mas bem colocados para funcionar tanto com o gato (como novelos de lã, tapetes, vasilhas, travesseiros e quadros) que acabaram sendo incorporados nos dois âmbitos e resultaram em boas cenas, quanto nos elementos dos humanos contando com boas locações como os escritórios, a casa enorme da família e principalmente a loja de gatos que foi brilhantemente bem decorada com diversos elementos felinos. Um grande detalhe ficou a cargo da equipe de fotografia que trabalhou muito bem para misturar a iluminação de tal maneira que não fosse possível distinguir gatos reais dos computacionais, e assim sendo podemos dizer que não erraram em nada.

Enfim, um longa bem gostoso de assistir, que vai divertir à todos que forem dispostos a acompanhar a saga do gatinho para tentar a voltar a ser humano, e com boas situações cômicas, será difícil não sair com um belo sorriso da sessão, e sendo assim, com toda certeza recomendo a trama para toda a família, apenas deixando claro o que falei no início, que se for possível, veja legendado. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia que falta conferir, então abraços e até breve.

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Cães de Guerra (War Dogs)

9/11/2016 08:25:00 PM |

Se no filme "O Lobo de Wall Street" temos a loucura no mercado financeiro, podemos dizer que em "Cães de Guerra" temos a loucura no mercado de armas "ilegais", pois o filme insanamente é baseado em fatos reais, e conforme vamos acompanhando a vida dos dois protagonistas, a cada momento vemos que esse grupo de "traficantes" ou negociantes de armas é algo complexo e que nem sempre vai ocorrer de uma forma tão simples como muitos imaginam. O filme que é dirigido por Todd Phillips acabou recaindo para o lado cômico, mas nem por isso deixou de lado o tom de ação que uma história desse estilo pode mostrar, e dessa forma acaba fluindo de uma maneira divertida e gostosa de ver.

O longa acompanha a história de dois amigos na casa dos 20 anos que moram em Miami durante a Guerra do Iraque e descobrem uma iniciativa pouco conhecida do governo que permite que pequenas empresas possam participar de licitações de contratos militares nos Estados Unidos. Partindo quase do zero, eles fazem muito dinheiro e passam a viver uma vida de luxo. Mas a dupla passa a ter problemas quando consegue um contrato de US$ 300 milhões para armar o exército afegão – que os coloca em contato com pessoas muito suspeitas, algumas das quais se revelam membros do próprio governo norte-americano.

É interessante observarmos como a equipe de roteiristas se baseou no artigo da revista Rolling Stone para criar dois jovens bem malucos que fizeram tudo para ganhar muito dinheiro num mundo duro e cruel, e ao cair nas mãos de um diretor de comédia tão eficiente como é Todd Phillips não teria outra forma de acreditar que desse errado o filme, e ao trabalhar com dois jovens atores que também andam acertando bastante nos estilos que interpretam, ele conseguiu captar a essência deles e incorporar dentro de um bom ritmo a criação de uma história completa que nos leva a refletir sobre como é usado todo investimento dos impostos de um país para a compra de armamento do exército e como tudo isso é feito para financiar guerras. O maior problema do longa fica também pelo estilo de Phillips, que em seus longas de comédia acaba sendo fácil dividir por esquetes e juntar tudo ao final, porém aqui por ser uma história completa, ao quebrar o longa em diversos momentos para que o filme tivesse quase capítulos, ele acabou cometendo alguns deslizes de quebrar o ritmo, fazendo com que o filme não deslanchasse, e sempre que chegava num ápice, era quebrado tudo para meio que recomeçar, e isso foi algo quase que sem fundamento algum, pois as frases são ditas logo em seguida, e se a edição tivesse trabalhado melhor, teríamos um filme incrível bem dinâmico e cheio de reviravoltas bem condizentes.

Um acerto da trama, como disse, foi a escolha dos atores para protagonizar o longa, pois mesmo sendo muito jovens, ambos andam acertando bastante no estilo que fazem, mesmo que mudando de gênero como andam fazendo. Miles Teller deu uma boa perspectiva para seu David, mas pareceu amarrado em alguns momentos, e principalmente aparentou jovem demais para ser pai, ficando estranho de ver ele que costuma fazer adolescentes em diversos filmes não tem cara de homem sério de família, e mesmo quando trabalhou algumas nuances ficou fazendo poucos olhares e não empolgou tanto como deveria. Jonah Hill já foi pelo lado contrário trabalhando muita descontração, e com isso, acabou tendo uma vertente até forçada em alguns momentos (principalmente nas risadas) que chegou até atrapalhar um pouco quando precisava ser mais sério com seu Efraim, claro que o diretor viu isso e trabalhou menos esses momentos deixando que ele fluísse sozinho na sua comicidade e acabou divertindo bastante no que fez. Os demais personagens foram mais enfeites e conexões, mas temos de pontuar Ana de Armas que fez de sua Iz, uma mulher brava que não aceita sequer qualquer mentira e com isso sempre com um semblante forte chamou atenção nas poucas cenas que fez, e também temos de destacar as cenas de Bradley Cooper com seu Henry sempre carrancudo e cheio de força para as cenas mais tensas.

Um dos pontos mais positivos do longa ficou a cargo da equipe artística que soube escolher dois apartamentos incríveis muito bem decorados para os protagonistas morarem, criar um escritório cheio de referências de guerra, mas principalmente acertaram em cheio nas cenas externas que mostraram mais ação, indo para o meio da guerra realmente passando por locações num Iraque fictício, e em um barracão bem sinistro de armamentos na Albânia. Quanto ao conceito fotográfico trabalharam bem as cores de guerra, como marrom, cinza e verde que deram boas nuances, porém por ser um filme com um teor mais cômico, faltou um pouco de cores mais claras.

Enfim, um filme bem divertido e gostoso de acompanhar, claro que a maior reclamação fica por conta das quebras de ritmo com as frases, mas mesmo isso não atrapalhou tanto o feitio do diretor e certamente vai agradar bem quem for conferir o longa. Portanto recomendo ele para quem gosta de longas que misturem ação, drama e comicidade, trabalhando situações reais com o imaginário dos roteiristas para agradar dentro de uma proposta diferenciada. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até breve.

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Aquarius

9/11/2016 02:34:00 AM |

Enfim eis que surge o filme nacional mais polêmico da atualidade, e não diria nem que é tanto pela essência mostrada nos 145 minutos de projeção, pois "Aquarius" possui muito mais o conteúdo humano da insistência familiar versus o corporativismo imobiliário do que um mote completamente politizado como têm sido pregado pelos quatro cantos. Claro que as referências podem ser interpretadas de maneira metafórica com a atual situação do país, claro que os artistas fizeram protestos por diversos motivos, claro que muita coisa está sendo falada e funcionando como marketing do longa também, mas longe de toda essa movimentação, existe algo que temos de falar sobre o filme (e é somente nesse contexto que irei analisar) que o diretor precisa fazer aulas de concisão cênica urgente, pois já é seu segundo filme que ele arrasta querendo ser simbólico demais, de tal maneira seus filmes poderiam certamente ser menores passando a mesma mensagem e ainda agradaria muito. Mas tirando esse detalhe, o filme é bem trabalhado e agrada pelo tom interessante e competente da situação que a protagonista é colocada, contrapondo com a ideologia do momento de modernizar tudo.

O longa nos mostra que Clara tem 65 anos, é jornalista aposentada, viúva e mãe de três adultos. Ela mora em um apartamento localizado na Av. Boa Viagem, no Recife, onde criou seus filhos e viveu boa parte de sua vida. Interessada em construir um novo prédio no espaço, os responsáveis por uma construtora conseguiram adquirir quase todos os apartamentos do prédio, menos o dela. Por mais que tenha deixado bem claro que não pretende vendê-lo, Clara sofre todo tipo de assédio e ameaça para que mude de ideia.

Embora o diretor tenha feito um filme com ideias bonitas e com situações bem cheias de saudosismo, afinal a protagonista praticamente continua vivendo os anos 80 e mantém praticamente tudo do apartamento por anos, misturando um pouco com algumas coisas tecnológicas para não ficar totalmente blasé, seu filme acaba tendo alguns apelos completamente desnecessários, que acabariam reduzindo o tempo de filme (afinal acaba cansando demais 145 minutos de drama), como por exemplo o alto cunho sexual, mostrando em diversos momentos órgãos sexuais masculinos e em algumas vezes femininos também, (o que acabou dando uma classificação indicativa alta para o longa ,que erroneamente ficaram reclamando, pois o filme sim deve ser classificado como no mínimo 16 anos e acertadamente como 18), e se removessem isso, certamente teríamos um longa livre para toda a família, pois é interessante de ver o modo gostoso e até forte de lidar com a vida que a protagonista desenvolve. Portanto Kleber Mendonça Filho até se mostra como um bom diretor dramático, que soube pontuar bem os momentos cômicos da trama e trilhar um caminho claro para o fechamento de seu filme, porém suas criatividades desconexas, seus momentos desnecessários e a liberdade exagerada de expressão frente a algo que poderia ser mais singelo e bonito acabou deixando falho o resultado final da trama, porém ainda assim temos de parabenizar que melhorou muito se comparado com a viagem completa que fez em seu primeiro longa, trabalhando câmeras mais precisas e resultando assim em algo mais normal de ser visto.

O longa possui muitos personagens interessantes de serem discutidos, mas certamente o grande nome a ser lembrado sempre será de Sonia Braga com sua Clara, pois a atriz mostrou um brilhantismo intenso na forma de atuar, pontuando cada momento seu como se fosse único e criando perspectivas claras para que sua vivência fosse crível e colocando seu apartamento quase como um ente querido a qual defenderia com unhas e dentes para ficar com ele até sua morte, trabalhou bem um semblante tão forte que em algumas cenas até ficamos impressionados com a força da atriz, mostrando o porquê de ainda ser um dos grandes nomes do cinema nacional. Humberto Carrão soube mixar bem o estilo galanteador de seu Diego com um lado vilanesco sarcástico tão incrível na forma de dizer suas propostas que como acabamos nos apegando tanto ao apartamento da mesma forma que a protagonista, em algumas de suas falas a vontade que temos é de socar sua cara, o que a atriz infelizmente não fez, e isso mostra que o ator também soube ser preciso na forma de atuar para conseguir tal feito. Agora é incrível como Irandhir Santos mesmo sendo um coadjuvante que aparece digamos no máximo umas cinco vezes com seu Roberval consegue transformar suas cenas em ótimos momentos de expressividade e companheirismo para com a protagonista, encaixando tudo de maneira simbólica e bem interessante de ser vista. Quanto aos demais posso dizer que mesmo os que tiveram pequenos percalços expressivos não atrapalharam o andamento da trama, e sendo assim podemos dizer que tivemos uma boa direção de atores.

Agora certamente o grande trabalho do filme ficou por conta da equipe artística, que trabalhou com muita gana para encher o apartamento de simbologias e coisas antigas tão bem colocadas que conforme iam surgindo para remeter à algum pensamento da protagonista ou dar conteúdo para que o apartamento ficasse bem adornado junto da proposta de ir colocando ele quase como um familiar querido da protagonista e que acaba entrando para a do espectador que se conecte com a ideia também, ou seja, um trabalho colocado para tivesse vivência e fosse até mais importante que os diálogos da trama.

Outro grande fator importante do longa ficou a cargo das ótimas escolhas musicais que deram um tom incrível para cada momento da trama e conforme iam aparecendo nos iam fazendo viajar pelos sentimentos exatos que o diretor desejava passar, sem que nada fosse jogado ou ficasse remetido simplesmente para dar ritmo (o que infelizmente não foi colocado no longa), dando uma sensação bem gostosa para cada ato. Claro que não deixaria meus leitores sem o link para ouvir todas elas, então escute aqui.

Enfim, é um filme bem feito, com boas ideias, que pecou somente pelo exagero abusivo de algumas cenas completamente desnecessárias, e que está sendo discutido de uma forma completamente fora do que deveria ser discutido, como cinema realmente e não como política. Portanto é um filme que até vale ser visto, mas talvez em casa que dá para acelerar as diversas partes de mal gosto, e assim ver um longa de 80 minutos que vai agradar com certeza. Fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos das muitas estreias que apareceram aqui pelo interior, então abraços e até mais pessoal.

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O Homem Nas Trevas (Don't Breathe)

9/10/2016 10:04:00 PM |

Se com a refilmagem de "A Morte do Demônio" o diretor Fede Alvarez estreou no mundo dos longa-metragens com uma qualidade bem interessante, mas que ficou mais próximo de algo nojento do que um suspense/terror mesmo, com "O Homem Nas Trevas" ele conseguiu apagar qualquer deslize e fazer algo para prender o público na poltrona suando junto com os protagonistas ao tentar fugir de um homem cego. E para quem acha que isso é algo bem simples, afinal o cara não enxerga nada e está apenas em um casebre praticamente abandonado, ledo engano, o veterano de guerra dará muito trabalho para todos e provará para eles que o crime não compensa e que uma simples casa pode ter muito mais armadilhas do que você pode pensar. Ou seja, um filme tenso, bem trabalhado numa única locação de diversos ambientes, tecnicamente barato e que se não fosse por alguns absurdos (como por exemplo cair de um vidro numa altura imensa, ser super socado, levar um tiro e tudo mais, e na sequência levantar e continuar andando normalmente) seria um longa que ganharia nota máxima.

Três adolescentes sempre escaparam de seus roubos, todos perfeitamente planejados. No entanto, quando realizam seu último crime, assaltando a casa de um senhor cego, o jogo muda. Encarcerados no local, eles precisam lutar por suas vidas contra um psicopata cheio de segredos e terrivelmente habilidoso.

Claro que o grande mérito do longa é a essência do roteiro que foi escrito pelo diretor Fede Alvarez juntamente com Rodo Sayagues, porém o diretor soube dar tanta dinâmica para as cenas que a cada nova reviravolta da trama (e não são poucas), algo novo nos era mostrado e fazia com que ficássemos mais aflitos com cada situação, e isso sim é o grande funcionamento de um bom longa de suspense, que por ter um mote aterrorizador como mortes e clausura acaba sendo classificado como terror, e que claramente irá aterrorizar muitos criminosos que pensarem em fazer esse estilo de crime após ver o filme. Embora a ideia e o ambiente sejam bem simples, a equipe de produção liderada pelo grande Sam Raimi procurou trabalhar bem o ambiente para que as situações tivessem um conteúdo visual para ser apresentado nas ótimas tomadas e ângulos que foram escolhidos pelo diretor, e assim sendo, quem for ao cinema conferir o longa certamente verá que uma embalagem simples por fora nem sempre retrata uma simplicidade interna, e pode conter muitas surpresas.

Outro grande mérito do sucesso do longa se dá pela expressividade e ótima desenvoltura de Stephen Lang, que mesmo usando de uma lente de contato para realmente dificultar sua visão conseguiu dar um show de habilidades e fez com que cada cena sua fosse incrível de ser vista, de tal maneira que mesmo longe dos demais protagonistas, o público ficasse esperando de onde ele viria novamente para surpreender, e assim sendo, até antes das suas últimas cenas (ou vendo por outro lado, o filme inteiro também, afinal ele estava certo no que fez), ficamos torcendo muito para que ele faça os criminosos sofrerem muito. Jane Levy é uma atriz até que interessante que soube mostrar expressões corretas quanto ao desespero e medo que sentiu na pele fronte ao risco que corria ali, e acabou acertando bem no estilo que sua Rocky precisava, talvez pudesse ter mancado um pouco mais nas cenas de correria final, afinal caiu de um lugar alto (não só ela, o mesmo detalhe pode ser colocado para o outro jovem também) e nem que fosse uma super atleta iria andar normalmente como acabou fazendo. Dylan Minnete é um dos motivos pelo qual não dou nota máxima para o filme, pois o jovem pode ser considerado o novo superman após tudo o que ocorre com ele e sempre volta para apanhar mais um pouco com seu Alex, e como é mostrado logo nas cenas inicias, o jovem é digamos um bundão para ter toda a coragem e força que tem na maioria das cenas. Por sorte os demais atores apareceram pouco, pois foram completamente forçados, inclusive a garotinha que faz a filha de Rocky e isso não é algo legal de ver em um suspense, e mesmo Daniel Zovatto não conseguiu deixar seu Money como alguém maldoso e impactante, ficando bem em cima do muro em suas poucas cenas.

Sobre o visual da trama, mais uma vez tenho de frisar que o acerto na escolha da locação, aparentemente num bairro bem isolado (mas que pode ter sido usado computação gráfica para recriar o ambiente ao redor) que logo de cara já vai assombrar muita gente pela força impactante que cria, depois temos de pontuar a alta quantidade de elementos que conseguiram colocar na casa, como cadeados enormes, ótimas trancas, prateleiras e muito mais para dar um aspecto de bagunça (afinal um cego não vai ficar arrumando tudo, não é mesmo!) e até a parte inferior da casa foi muito bem planejada para o que ocorre lá com um cenário completamente incrível de ser visto, e que na parte final acaba sendo até um pouco nojento (Fede não iria perder suas origens tão rápido), ou seja, tudo muito bem arquitetado pela direção de arte junto com a produção para que o filme ficasse incrível. Agora se tenho de reclamar de algo na fotografia do longa é o fato de nas cenas completamente escuras usarem câmera noturna, pois poderiam fazer o assalto num dia bem ensolarado e usar artifícios de poeira e fachos de luzes do sol ou até mesmo do luar caso quisessem, para que não ficasse tão artificial as filmagens, mas como estamos falando de cinema, tudo é possível, então é um mero detalhe que não atrapalhou em nada o ótimo andar de tudo.

Enfim, um filme mais do que recomendado para todos que gostem de um bom longa de suspense/terror, que do começo ao fim cria tensão e tem reviravoltas suficientes para impressionar e deixar o clima mais pesado ainda do que você sequer imaginaria de ver no filme. Ou seja, vá agora conferir no cinema, pois mesmo com os pequenos detalhes que citei para não dar nota máxima para ele, tenho certeza de que todos irão gostar muito do que irão ver, ficando completamente tensos sem precisar ficar com medo de fantasmas, espíritos, maldições e afins. Fico por aqui hoje, mas vou conferir agora mais um longa e volto amanhã cedo para falar o que achei dele, então abraços e até breve.

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Café Society

9/09/2016 07:54:00 PM |

Tem certos diretores que podem fazer mil filmes diferentes que iremos reconhecer seu toque pessoal em menos de 10 minutos de projeção, e um dos que sabemos reconhecer de cara é Woody Allen que trabalha bem tanto o romance quanto o drama com doses bem leves para que sua história flua leve e dentro de uma perspectiva clara que leva o público a se divertir com um estilo mais clássico e interessante, sem que necessite apelar ou forçar a barra com piadas inúteis. E em "Café Society" esse estilo é culminado ainda com uma história segura do que deseja passar e sem muitas reviravoltas para que o público se impressione com algo, o que de certa maneira é um pouco ruim, pois a todo momento esperamos algo acontecer e acaba que não ocorre ficando narrativo demais e criando apenas situações romanceadas gostosas de serem vistas, mas que apenas são interessantes de ver, não que impressione muito. Ou seja, é um filme bonito de se ver, mas que apenas flerta com o espectador e cria situações cômicas gostosas de serem compartilhadas, porém quem for esperando um filme cheio de reviravoltas irá com certeza se decepcionar um pouco.

O longa nos situa nos anos 1930. Bobby é um jovem aspirante a escritor, que resolve se mudar de Nova York para Los Angeles. Lá ele deseja ingressar na indústria cinematográfica com a ajuda de seu tio Phil, um produtor que conhece a elite da sétima arte. Após um bom período de espera, Bobby consegue o emprego de entregador de mensagens dentro da empresa de Phil. Enquanto aguarda uma oportunidade melhor, ele se envolve com Vonnie, a secretária particular de seu tio. Só que ela, por mais que goste de Bobby, mantém um relacionamento secreto.

Talvez, na opinião desse Coelho que vos escreve, o maior problema do longa seja o exagero de narração, pois como já falei outras vezes uma boa trama flui sozinha com suas situações, e aqui Woody a cada novo momento, ou novo personagem nos conta praticamente tudo o que estamos vendo na tela, e inicialmente isso até soa interessante como forma de apresentação dos personagens, mas no decorrer do longa acaba sendo cansativo e, em alguns momentos, até repetitivo demais. Não digo que isso tenha estragado o filme, pois a história é muito gostosa de ser assistida, mas atrapalhou o andamento e acabou deixando os personagens até presos demais nas suas esquetes fechadas. Ou seja, Woody ainda mostra que tem uma boa mão para a direção de atores, mas parece estar esquecendo de como fazer boas montagens fluídas sem que fiquemos necessitados de ler os rodapés explicativos de suas obras para conhecer toda a ideologia de cada personagem e/ou cenário.

Diferente do que ocorreu com Owen Wilson em "Meia-Noite em Paris", Jesse Eisenberg não assumiu a personalidade clássica que Woody gosta de mostrar em seus protagonistas masculinos, daqueles que acabam conversando com o espectador e de certa forma até acabamos nos conectando com sua história, talvez pelo excesso de narração também, mas acabamos vendo um ator mais tímido em frente às câmeras, pois sabemos que Jesse é mais atirado no que faz, e aqui ficou simbólico demais para que seu Bobby apenas interpretasse com olhares e gestos tudo o que o diretor ia narrando e mostrando, claro que a ingenuidade que a personalidade do personagem pedia foi bem trabalhada, mas acabou ficando tão para trás que em alguns momentos até esquecemos que ele está ali (por exemplo na cena da mesa da família). Já sendo completamente o inverso de Jesse, Steve Carell cada dia nos mostra o quão bom ator ele consegue ser, dando dinâmica, carisma e até uma desenvoltura completa que seu Phil não teria se fosse interpretado por Bruce Willis (que foi demitido no meio das gravações), ou seja, o ator não apenas pegou a boa oportunidade como acabou sendo melhor do que a expectativa criada em cima dele. Kristen Stewart fez de sua Vonnie uma personagem sexy e interessante, criando uma trama bem leve de ser desenvolvida e acaba envolvendo até mesmo o público com seu jeito carismático, porém sua segunda fase é demasiadamente exagerada e mesmo com floreios leves no meio a atriz acabou se perdendo e não agradando o tanto que deveria. O longa conta com diversos outros bons atores, que em alguns momentos até possuem um bom tempo de tela para se mostrar, mas como acontece em longas com muita gente, acabamos não podendo falar de todos senão vira uma monografia completa, então para dar um destaque sem dúvida alguma fica para as poucas cenas de gângster interpretadas maravilhosamente bem por Corey Stoll, fazendo com que seu Ben ficasse marcante e interessante de acompanhar, pedindo até mais cenas do que fez.

Quanto do visual do longa, é algo completamente lindo de se ver e maravilhar, fazendo que nossa vontade de viver na Hollywood e/ou Nova York dos anos 30 vá à um nível gigantesco, pois temos boas locações, bons elementos cênicos, todo o charme dos ótimos figurinos e principalmente uma colorização maravilhosa de se ver e envolver, que agrada demais tanto nos momentos singelos, quanto nos mais badalados, mostrando que a equipe estava completamente disposta para nos entregar um ótimo filme. E quanto da fotografia, Vittorio Storaro mostrou o motivo de ter ganho três Oscar, colocando personalidade em sua câmera envolvente e trabalhando iluminações coerentes com a época e movimentos bem dinâmicos para agradar.

Enfim, é um filme que vale a pena ser visto pela ótima perspectiva criada e que agrada pelos bons momentos, porém o diretor poderia ter economizado na narração e desenvolvido mais as situações para que o longa agradasse mais. Sendo assim, use a tradicional desculpa de conferir o longa anual de Woody Allen e vá para o cinema que com certeza irá gostar do que verá, se não se incomodar com filmes narrados. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com novas estreias.

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Herança de Sangue (Blood Father)

9/08/2016 01:08:00 AM |

O estilo de filme que envolve vingança e pessoas fugindo de criminosos já é algo batido no cinema, mas para acertar nesse estilo o fator ação e/ou suspense é completamente necessário para prender o público e fazer com que acreditemos na possibilidade que os protagonistas possuem (ou não), e quando isso não ocorre ficamos num marasmo tão grande que parece faltar algo e a todo momento nos vemos esboçando cansaço pela trama. Digo isso não por "Herança de Sangue" ser algo repetido que já vimos nas telonas, mas por faltar um gás na trama para que o público entre na pegada (que não é ruim) e se empolgue com o que é mostrado. Ou seja, temos um filme bem murcho que até teria um futuro maior se atacasse para as brigas de máfias americanas/mexicanas e não tanto na culpa da morte que fica na cabeça da garota desde o início. E assim sendo o resultado acaba fazendo com que ninguém saia feliz com o que é mostrado e mais uma vez Mel Gibson decepcione como ator, o que vem ocorrendo com uma frequência alta.

O longa nos mostra que John Link vive em meio ao deserto na Califórnia onde seu trailer também serve como estúdio de tatuagem. Vivendo longe de drogas e violência, ele tem seu cotidiano afetado com a chegada de sua filha desaparecida que está jurada de morte por traficantes. Ele fará de tudo para protegê-la.

É interessante observar que a história até poderia ter um rumo interessante de ser visto, mas que ao escolherem um tom abaixo do estilo que a trama pedia (talvez para economizar na produção) acabaram deixando o longa fraco e sem muita perspectiva, e nem que o diretor Jean-François Richet fosse um mágico conseguiria transformar um roteiro simples em algo brilhante, pois o mote do filme ficou em dúvida dele mesmo de conseguir rumos maiores e assim a cada cena que os protagonistas tentavam dialogar víamos o rumo descendo cada vez mais, para na última cena no carro a dor do diálogo vir com uma força imensa de tão fraco que foi. Ou seja, a base do texto foi fraca, a história foi sem empolgação, o diretor almejou algumas cenas com mais força (vide o primeiro contato dos traficantes com o trailer do pai), mas nada que pudesse salvar o resultado final, e nem mesmo os atores se empolgaram muito em dar um peso para a trama, o que acabou fluindo completamente para um lado feio do cinema de ação.

Já que falei um pouco dos atores, basicamente temos de ser honestos com Mel Gibson, pois já deu o que tinha de dar, e inicialmente ficamos chocado com sua aparência rústica que parecia ser um estilo novo e que até poderia chamar uma responsabilidade maior e diferenciada, mas logo em seguida vimos que não era isso o que ele queria mostrar e só foi descendo a ladeira com seu Link, rumando sem freio para que sua expressividade ficasse mais nula a cada cena que passava, ou seja, não dá mais para salvar sua carreira como ator. Erin Moriarty inicialmente mostrou uma Lydia sem muito preparo para as cenas de drogada e até conseguiu divertir quando trabalhou empolgada para alguns momentos, mas com o andamento da trama só sabia fazer cara de apavorada, e isso não mostra nada para as câmeras, muito pelo contrário, acaba atrapalhando a interpretação do artista, o que infelizmente acabou deixando a jovem atriz inexpressiva. Poderia falar mal de muitos outros atores da trama, mas vou preferir manter a essência de que o texto era ruim para qualquer um tentar salvar, então é preferível nem falar dos erros dos demais coadjuvantes, pois se para os protagonistas já foi dramático ver suas cenas, para os demais então já podem imaginar.

O visual da trama certamente é o ponto forte do filme, pois conseguiram deixar ele meio com ar dos longas dos anos 60/70 aonde as motos grandes dominavam as ruas, os atores tinham estilos próprios, brigas de gangues soavam forte, e dessa forma trabalharam bem na concepção cênica colocando bons elementos como a cidade somente de trailers que agradaram bem, mas poderiam ter ficado mais nesse ambiente meio desértico sem precisar ter cenas em locais comuns como cinemas e hotéis, que ainda agradariam bem, porém a desconexão não atrapalhou muito o andamento visual, e junto com a equipe de fotografia que jogou o tom marrom lá no alto, acabou agradando bem o resultado do desenho de produção ao menos.

Enfim, é um filme que nasceu fraco e tentou sobreviver com seus curtos 88 minutos, pois mais que isso seria uma tragédia, já que começou razoável e foi piorando com absurdos claros no texto que nem pegando as boas referências presentes nos momentos mais clichês conseguiriam agradar. Portanto não tenho como recomendar ele para ninguém. Fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos nessa semana que veio lotada de estreias no interior, então abraços e até mais pessoal.

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Rondon, o Desbravador

9/06/2016 01:18:00 AM |

Acho interessante quando lançam algumas obras no cinema que só funcionam para ser usadas nas aulas de História, e ainda de modo bem rápido acelerando os trechos desnecessários, pois acabam enfeitando tanto a história de alguns personagens importantes que o resultado raramente funciona como filme mesmo. Este é o caso de "Rondon, o Desbravador", que para falar sobre o homem que liderou o exército em diversas frentes para chegar aos pontos extremos do Brasil acaba colocando o clichê máximo de o personagem velho contando suas histórias para um escritor/jornalista e com isso, para não ficar tão maçante, acaba colocando também pontos amorosos, amizades, e até personagens desnecessários para que o jornalista não seja alguém inútil na trama, e no melhor (para não dizer mais inútil) modo novelesco possível, ficamos nos perguntando qual o motivo de darem um flerte do jornalista com uma vizinha do marechal que aparece na casa para receber um telefonema da mãe doente????? Nem o mais ensandecido roteirista iria colocar isso jogado numa história! Sei que o filme é uma adaptação de uma série que foi feita, mas cortassem isso para não ficar jogado demais, pois da maneira que foi colocado a trama pareceu tão infantil que o longa serviria no máximo para alunos das séries iniciais das escolas.

A sinopse do longa nos conta que o Marechal Cândido Rondon liderou expedições no território brasileiro, foi responsável pelo primeiro contato com dezenas de nações indígenas sob o lema “Morrer se preciso for, matar, nunca” possibilitando o início de uma convivência pacífica entre índios e brancos. Partindo dos acontecimentos históricos, o filme cria um encontro fictício entre um jornalista e o Marechal para uma entrevista em sua residência. Durante todo um dia, Rondon encanta o jornalista com suas histórias cheias de aventura e lembranças, às vezes tristes, às vezes divertidas, mas sempre repletas de ternura e saudades.

O trabalho que os diretores Marcelo Santiago e Rodrigo Piovezan fizeram com o roteiro é algo bem floreado que talvez em uma novela ou numa série grande funcionasse bem, pois possui romances, possui boas histórias para serem representadas na tela, mas num longa metragem acabamos necessitando que as coisas rumem para um foco mais fechado e não tão floreado como nos foi entregue aqui. Esse sem dúvida alguma foi o maior defeito da produção, pois vemos termos técnicos bem interessantes, cenas com profundidade cênica de elementos visuais e tudo mais, porém sem um critério para os ocorridos (seja temporal ou de importância), indo e vindo em fases diferentes conforme a memória do protagonista vai revelando, com meandros bobos e inúteis para um filme. Ou seja, poderia ser daqueles filmes biográficos de cair o queixo, mas que no final vai servir para algum professor mostrar rapidamente o lema do Marechal como ocorreu, mostrar rapidamente quem foi ele, e nada mais.

Sobre as atuações, podemos dizer que mesmo sendo apenas um narrador/contador de história, Nelson Xavier mostra em seu semblante e na forma bem pontual de declamar seus textos uma incrível maneira interpretativa tão boa que o velho Marechal cego foi brilhantemente bem interpretado, mas como disse acima, poderiam ter trabalhado com ele de uma maneira bem mais encantadora para que não ficasse jogado, e assim o grande ator que é daria um show a mais. Rui Ricardo Diaz caiu bem na personalidade do Marechal jovem, mas fluiu meio que de forma perdida em cena quando não estava em diálogo com ninguém, parecendo ser pensativo demais e vagando sem rumo, o que não é legal de ver no semblante de um ator, talvez pudessem dar mais cenas de ação para que ele desenvolvesse e assim agradasse mais. Marcos Winter aparece nas últimas cenas como Darci Ribeiro e com poucas cenas mostrou um carisma incrível que também poderia ter sido utilizado mais, mas foi a opção do diretor, então apenas podemos dizer que foi bem no que fez. Quanto aos demais, é melhor nem falar muito senão a chance de diminuir mais ainda minha nota é alta, pois tivemos Aldo Perrota fazendo expressões tão estranhas que nem o mais tímido jornalista ficaria daquela forma, além de sua paixonite pela vizinha foi algo enfeitado que caiu de paraquedas na trama.

Como disse, o visual da trama foi algo tão bem trabalhado que impressiona, e mostra que a equipe estava disposta a criar algo grandioso e cheio de boas referências à tudo o que o Marechal fez, indo para matas, colocando bons figurinos e principalmente trabalhando cada cenografia como era realmente nas épocas mostradas, afinal durante o longa são mostrados trechos das filmagens com câmeras simples que documentavam as expedições, o que é um charme interessantíssimo de ver, ou seja, um trabalho perfeito que não foi bem usado.

Enfim, um filme que poderia ser melhor desbravado (usando até o nome dele) por alguém com maior tino comercial, e que ficaria para a memória completa do povo mostrando o quão grande foi esse pacifista, pois a homenagem acabou falhando mais do que agradando, e sendo assim não tenho como recomendar ele para ninguém. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia da semana, então abraços e até breve pessoal.

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Um Namorado Para Minha Mulher

9/03/2016 01:13:00 AM |

Certos moldes de filmes costumam funcionar bem, mas o esquema comédia romântica que emplaque já anda um pouco desgastada e precisam dar um novo gás para que volte a agradar sem que precisem apelar. Não digo que "Um Namorado Para Minha Mulher" é um filme ruim, mas como logo de cara resolveram não apelar para ganhar o público, o longa acaba ficando morno o tempo inteiro, com uma ou outra cena mais divertida, e acaba da mesma forma que começou, ou seja, um ciclo simples com um meio turbulento, mas que não atrapalha a viagem completa. Ou seja, tentaram refilmar um sucesso argentino, mas nos nossos moldes, e assim como a protagonista Ingrid Guimarães diz na cena dos créditos, o gênero anda repetitivo demais com os mesmos atores fazendo praticamente as mesmas coisas, e eu ainda acrescento mais um fato nisso que é o inverso de seu fechamento, o público começa a não dar mais tanta bola, pois hoje a sala infelizmente estava bem vazia.

O longa conta a história de Chico e Nena, que estão juntos há 15 anos e vivem uma crise conjugal que parece não ter solução, já que ela enlouquece o marido reclamando de coisas simples da vida. Com o relacionamento por um fio e sem coragem de pedir o divórcio, ele é convencido pelos amigos a tomar uma decisão inusitada: contratar um amante para sua mulher, o exótico sedutor Corvo, para que ela se apaixone e resolva, ela mesma, acabar com o casamento.

Alguns podem até dizer que o trabalho da diretora Julia Rezende é preguiçoso por não inovar no estilo, mas ela soube ser criativa dentro da esquete no miolo do longa que trabalhou um estilo bem pautado que pode vir a ser um futuro mote de algum longa nacional, pois o formato jornalístico apimentado é algo que funciona, e num longa-metragem quem sabe o rumo mais dinâmico que pode criar, porém são poucas as cenas que utilizou desse artifício, afinal o longa não é sobre isso, mas sim sobre o relacionamento do casal, e a inserção de um terceiro elo de uma maneira não tão comum. Aí nesse quesito, a fórmula já batida de mudanças é tão óbvia que chega a nem empolgar, o que é uma pena, pois fica bem claro todo o processo ao redor da trama, com boas locações (o antiquário é belíssimo e poderia ter diversos estilos de nuances ali), o esforço de todos os atores para que suas cenas fossem dinâmicas e bem interpretadas mesmo que o texto não fosse tão envolvente, e por aí vai, mas faltou aquele detalhe a mais para que o longa não ficasse na mesmice e soasse inovador, o que acabou acontecendo em 2008 quando a Argentina lotou as salas para ver essa história, porém agora 8 anos mais tarde já vimos diversos nesse mesmo molde, e infelizmente não funciona mais.

Já elogiei diversas vezes o estilo de atuação de Ingrid Guimarães, e aqui não seria diferente se focássemos somente nos seus ótimos momentos no quadro "Gastando o Verbo", pois ali realmente a sala inteira do cinema se divertiu muito com piadas ácidas bem encaixadas pela atriz, que mostrou-se uma sagaz jornalista, porém nos demais momentos sua Nena aparentou apatia demais para tentar chamar a responsabilidade das cenas e dificilmente conseguia manter o tom irônico que deu início na trama, e isso é algo que talvez a própria atriz não tenha se empolgado com a personalidade de sua personagem e acabou deixando meio que de lado, pois como falei ela sabe atuar e bem, e não iria jogar um filme no ralo. Agora já pelo contrário de Ingrid que tentou se esforçar para salvar suas cenas, Caco Ciocler foi decepção em cima de decepção com seu Chico, pois parecia perdido em relação às suas cenas, fazendo cara de cachorro que caiu da mudança em todos os momentos, forçando o riso nas cenas mais simples, e mesmo nos momentos mais desesperadores de seu final, o ator pouco determinava o ritmo de suas falas, ou seja, foi mais frouxo que o personagem, e sabemos de cara que ele não é assim pelos outros trabalhos que fez, o que acabou aparentando também um desgosto pelo personagem por parte dele. Acho Domingos Montagner o ator brasileiro mais eclético dos últimos tempos, pois faz comédia, drama, suspense, romance e tudo mais que pintar usando expressões diferenciadas e ainda por cima libera sempre o visual para inovar e parecer mais diferente ainda, aqui seu Corvo é um personagem digamos diferenciado, que poderia surpreender mais como fez na cena do circo e no banheiro, porém deixou a desejar nos momentos finais, nem parecendo ser o mesmo misterioso do começo do filme que tanto agradou. Paulo Vilhena também saiu-se bem nas poucas cenas de seu Gastão, mas faltou tempo para que seu personagem chamasse a atenção, quem sabe alguém da produção leia meu texto e resolva dar uma chance maior para o seu personagem num filme sobre o jornalismo crítico, e assim possa empolgar mais. Os demais personagens, diria que são mais enfeites que tudo no longa e por sinal fizeram as cenas mais bobas e desnecessárias da trama, e usar uma Miá Mello e um Marcos Veras apenas para personagens jogados foi um abuso dos grandes.

Sobre o visual da trama é fato dizer que a equipe artística se preocupou em ser bem diversificada quanto à tudo o que temos de diferenciado no momento, como programas para a internet captados com câmeras fotográficas potentes e equipe toda cheia de pessoas ecléticas, bares gourmet rebuscados que irritam por não ter o tradicional bem feito, festas regadas a bagunça de amigos, circo cheio de elementos clássicos, e até mesmo uma feira de produtos naturais para o povo estranho de hoje, um tribunal de separação completamente antiquado mostrando que hoje a burocracia é algo velho, um antiquário maravilhoso com peças incríveis, que só serviu de enfeite para algumas cenas, ou seja, quiseram mostrar muita coisa para um pequeno espaço de tempo, e não aproveitaram todo o potencial que poderiam atingir. Como é de praxe, a iluminação da equipe de fotografia de comédias ousou bem pouco, mas trabalharam muito bem as sombras nas cenas iniciais do Corvo e com isso tivemos até um certo charme noir para falar que o longa teve um ar mais cult.

Enfim, é um filme que potencialmente poderia ser incrível, mas que falhou demais para empolgar como deveria, e infelizmente deve passar despercebido pelo público em geral, pois diferente das comédias novelescas que arrebata multidões, essa tem um ar mais diferenciado, que até poderia criar um novo vértice no cinema nacional, mas que ainda falta muito para ser alcançado (ao menos com ideias como essa). Portanto não posso dizer que recomendo o longa, talvez a versão argentina divirta mais quem gosta desse estilo, mas também não é nada sensacional. Fico por aqui hoje, mas volto em breve com as outras estreias da semana que vieram para o interior, então abraços e até mais pessoal.

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O Sono da Morte (Before I Wake)

9/02/2016 12:32:00 AM |

Acho que tenho de concordar com o diretor Mike Flanagan ao declarar que "O Sono da Morte" não é um longa de terror, e que as distribuidoras andam classificando erroneamente ao tentar vendê-lo. Digo isso, pois raramente temos longas que se desenvolvem mesmo nos momentos mais tensos como algo bonito e até infantil de certa forma. Então vê-lo como uma fábula ou um drama sobrenatural é algo mais conveniente e que até acaba dando um tom mais agradável para sua análise, pois se formos criticar ele como um longa de terror, certamente teríamos uma nota bem abaixo da média, pois se levamos algum susto, foi devido ao alto tom da trilha que tenta pegar o espectador mais distraído desprevenido. Ou seja, é um filme simples, com uma ideia até que bem interessante, que logo de cara quando o jovem conta um pouco do seu medo conseguimos matar qual o rumo que tudo vai, e na cena pré-desfecho o mistério é completamente desmascarado, porém poderiam ter feito algo mais surpreendente para um encerramento do que a simplicidade fantasiosa, que aí sim poderíamos ao menos torcer para uma continuação mais forte.

O longa nos conta a história do casal Jessie e Mark que perderam o filho pequeno e decidem adotar um menino da mesma idade chamado Cody. A criança é carinhosa e a relação em casa tem tudo para dar certo. Certo dia, o filho morto de Jessie e Mark faz uma aparição. Estupefatos pelo o que aconteceu, eles descobrem que isso aconteceu porque os sonhos de Cody se tornam reais. Não tarda muito para o casal se apavorar com os pesadelos do menino, que também viram realidade.

De certa maneira o trabalho do diretor pode ser visto de um ângulo bem interessante, pois sendo um editor originalmente, ele acaba sempre pegando seus longas e editando ele de uma forma simples, mas que pegue o público por diversos vértices. Claro que isso não salva a simplicidade do fechamento infantil que escolheu para a trama, pois poderia ter apelado para algo com maior peso dramático, ou até mesmo ido realmente para um terror impactante que o longa acabaria impactando e criando bons estilos, mas como escolheu a magia da explicação de como funciona a mente de uma criança com um dom paranormal acabamos até bem conectados com o protagonista, mas a história acaba ficando tão mínima que quando percebemos nem estamos mais prestando atenção nela, e juntamente com a queda de ritmo, o diretor poderia ter dado novas dinâmicas para que seu filme realçasse, mas vai rumando para o sono quase que completo nos espectadores também.

Logo de cara temos de falar sobre Jacob Tremblay, pois assim como falei dele no "Quarto de Jack", volto a frisar que esse garoto vai explodir tão breve quanto pudermos esperar, pois é um ator nato, com boa expressividade, e principalmente sabe o momento certo de colocar sua tonalidade e seus olhares, não fazendo apenas caras e bocas como alguns jovens (e até adultos) desesperados, aqui seu Cody é bem singelo, possui momentos estranhos, mas facilmente estamos (mais uma vez) apaixonados pela ótima atuação do garoto, e claro que a cada novo momento ele nos transporta para o seu estilo, e com isso vai ganhando o formato correto para chamar o personagem de seu. Kate Bossworth nos entrega uma Jessie interessante, mas que fica sempre com um semblante tão forçado que não nos convence de ter insônia, pois todos já tomamos diversas xícaras de café e sabemos o quanto olheiras e (principalmente) como ficamos após o cansaço realmente bater, e ela sempre disposta a encarar os medos e ir a fundo na história acabou atrapalhando um pouco. Com um olhar mais cético, e até um pouco fora da proposta do longa, Thomas Jane acabou fazendo de seu Mark um personagem fraco, que até poderia ter um rumo mais chamativo, porém ficou com poucas cenas para mostrar resultado, e quando era o momento acabou ficando da mesma forma. Os demais personagens foram mais simbólicos para dar conexão completa à trama do que tentaram se destacar com alguma expressividade, e mesmo o monstro acabou ficando fraco demais para alguma menção honrosa, agora para uma menção destrutiva certamente podemos colocar para as cenas de Annabeth Gish que fez uma Nathalie tão sem sentido que sua cena nervosa beirou um dramalhão mexicano de quinta categoria.

Sobre o contexto visual da trama, podemos sim dizer que é algo muito bonito de se ver, pois os efeitos criaram uma arte simples, mas muito bem condizente com a história, além claro de um colorido que a equipe de fotografia soube trabalhar muito bem. Talvez o único defeito tenha sido o monstro em si que acabou ficando no meio do caminho para algo mais forte, e feio demais para ser singelo na concepção, claro que a ótima explicação final para sua forma é didática e bem colocada, mas poderiam ter caprichado um pouco mais, pois os efeitos em si foram de um primor e junto toda a simbologia acabaram encaixando na medida correta para que o filme fluísse. A equipe de maquiagem também trabalhou bem para que as cenas aonde mais foram necessárias dar tons para as coisas estranhas do longa, como nas últimas cenas, e assim sendo acabaram criando efeitos bem trabalhados em sombras, e claro nos olhares, mas como a ideia não era de se fazer um filme de terror (ao menos por parte do diretor) acabaram forçando um pouco demais no tom.

Enfim, é um filme bem feito, mas com muitos defeitos para ser recomendado, de tal maneira que vai pegar desprevenidos tanto quem for esperando um longa de terror assustador e tenso, quanto quem for esperando algo mais romantizado que acabará vendo coisas feias e estranhas, ou seja, ficaram no meio do caminho para com as decisões de onde desejavam chegar. Ou seja, veja somente se quiser ver a boa atuação do garotinho, e gostar de filmes de gêneros completamente mistos, pois aí é capaz de gostar até mais do que irá ver. Fico por aqui agora, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até breve pessoal.

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