Abominável em 3D (Abominable)

9/28/2019 06:32:00 PM |

É lindo ver a simbologia chinesa funcionando em peso nas animações, e quando o tema amor e família se encaixa o resultado acaba indo para rumos belíssimos cheios de cores e envolvimentos. E usando desse bom resultado, ver "Abominável" é quase como se envolver numa amizade inesperada, aonde a jornada da vida acaba fluindo junto com a aventura dos personagens no caminho do Everest. Ou seja, temos um filme tão gracioso e leve, que até demora um pouco para engrenar, mas que passa algo tão gostoso durante a sessão que acabamos nos envolvendo e até se emocionando, porém, não digo que seja um filme para os pequenos mais agitados, pois esses acabarão se cansando até o ritmo esquentar, ainda mais que a protagonista é violinista (algo que não é para muitos!).

O longa nos situa em Shanghai na China, aonde conhecemos Yi, uma adolescente que, certo dia, descobre que um yeti está no telhado do prédio em que ela mora. A partir disso, ela e seus colegas passam a chamar a criatura mística de "Everest" e, ao criarem laços com o animal, decidem levá-lo até sua família, que está no topo do planeta. Porém, os três amigos terão que conseguir despistar o ganancioso Burnish e a zoóloga Dra. Zara, que querem pegar o yeti a qualquer custo.

A diretora e roteirista Jill Culton, que já trabalhou em diversas outras animações, sabia bem o que desejava entregar em seu filme, que era o envolvimento de uma jovem que não está mais tão conectada com a família, nem com amigos, mas que ao conhecer e cuidar de um yeti no topo do seu prédio, acaba se conectando a ele e decidindo ajudar o bichão a voltar para sua casa/família, e que no miolo daria mais atenção à outras coisas que não ligava, de modo que o filme vai se expandindo bem, temos alguns atos bem interessantes que quem reparar bem no começo (e até mesmo quem não notar) irá se emocionar muito ao ver o que o bichão irá proporcionar também para a garota que lhe ajudou, e nesse âmbito de amizade a trama funciona muito bem com as características individuais de cada um. Mas aí vem aqueles me perguntar: "Coelho, sendo uma animação, o filme vai cativar todas as idades, desde os mais pequenos?", e a resposta é bem rápida: Não! E digo isso com toda a clareza que vi algumas famílias até indo embora, outras crianças saindo muito das sessão, e até uma mãe acalmando um filho numa das cenas mais tensas e fortes no final do longa, ou seja, é um filme que pegará melhor os mais jovens e adultos, pois a proposta está na essência, e mesmo ele tendo muitas cores, bichinhos bonitinhos que fazem gracinhas e tudo mais, a trama tem um tempo meio lento no começo que depois acelera firme, e a galerinha menor já quer no primeiro ato a bagunça pegando fogo, e esse não é um filme para isso. Sendo assim, podem até levar os pequenos para conferir, mas a diretora não fez esse propriamente voltado direto para os menorzinhos.

Sobre os personagens, diria que o carisma no olhar do grandalhão Everest é daqueles que só a Dreamworks sabe fazer, que acabamos conectados de tal forma com o bichão que a cada bobeira sua, a cada movimento de seus poderes para se comunicar com a natureza, que a cada envolvimento que passa o resultado flui tão bem que acabamos apaixonados por ele, querendo amassar e sentir sua textura, ou seja, envolve demais. Quanto aos demais animais da trama, a cobrinha só foi usada para dar uma graça a mais no filme, e o ratinho foi pouco usado durante o longa, funcionando mais nas fotos dos créditos, mas ambos junto com o grandalhão serviram para mostrar a vontade dos vilões em querer animais exóticos. Os personagens humanos também são bem graciosos, desde a protagonista Yi com sua dinâmica mais rebelde, mas com um vértice amoroso também por dentro, que passa por diversos problemas de forma que acabamos nos envolvendo com ela também, e aqui a dublagem de Mharessa foi bem coesa e inteligente, de modo que acabamos gostando bem de tudo o que ela entrega. Os jovens Peng e Jin também foram bem divertidos e interessantes, com o menor fluindo pela dinâmica alegórica bem colocada, enquanto o maior já mostrando mais o lado romântico de galanteador com estilos próprios bem colocados nos diálogos e que agrada bastante de ver em tudo. Quanto dos vilões, diria que tivemos boas sacadas com as atitudes de cada um, vemos algo meio que abusivo e forte em algumas cenas, mas de modo geral funcionam com as situações em que estão colocados, e assim sendo o resultado é bem feito por todos, mesmo nos atos mais bobinhos.

O lado visual da trama também agrada bastante, com lindas paisagens por pontos turísticos e outros mais envoltos à natureza, ótimos elementos cenográficos para brincar com cores e situações, de modo que o filme mesmo não sendo tão forte de texturas (tirando o yeti), o resultado acaba cativante e bem trabalhado. Quanto do 3D, diria que temos algumas poucas cenas bem feitas que funcionam na trama, mas nada que vá empolgar ninguém que goste de longas com a tecnologia, tendo algumas profundidades que acabam ficando em segundo plano pela fotografia bem branca do personagem principal, e outras com alguns elementos sendo arremessados e apontados para fora da tela como a vareta do violino, ou algumas frutas, flocos e folhas.

Agora um ponto lindíssimo da trama ficou a cargo das escolhas musicais bem trabalhadas, muito envolvimento pelos acordes do violino, e uma versão feita apenas para o filme de Fix You do Coldplay, ou seja, emoção garantida nos diversos atos musicais da trama. E aqui deixo o link tanto das canções do filme, quanto da versão maravilhosa de Fix You.

Enfim, não é uma obra de arte daquelas que vamos nos apaixonar e querer ver a todo momento, mas é um filme bem bonito mesmo, com uma história gostosa de curtir, que envolve bastante e que chamará a atenção do público para as diversas mensagens subliminares, ou seja, os pequenos até irão se conectar em alguns momentos, mas os maiores irão chorar ou se envolver bem mais, sendo que recomendo mais para esses. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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