Inspirado na vida de Daniel Nascimento, o longa é uma aventura dramática que conta como Daniel se destacou como um dos maiores hackers do Brasil, fez parte de uma organização criminosa que movimentou milhões de reais, viveu intensamente uma vida de ostentação e foi alvo de operação da Polícia Federal. Tudo isso antes de completar 17 anos.
Com toda sinceridade, quando Fabrício Bittar começou sua carreira de cineasta lá em 2017 não botei tanta fé nele, pois fez tanta bagunça na tela, criou loucuras mil ao ponto de seu filme ficar a cara do "homenageado" na época, porém com seu segundo filme já mostrou referências, foi criativo e acabou indo bem além na tela, conseguindo mudar completamente toda a ideia de estilos e depois virando a página por completo com um drama tocante. Ou seja, o diretor e roteirista soube ir para rumos que vão certamente confrontar ainda mais para frente, e aqui ao entrevistar muito o verdadeiro Daniel, conseguiu misturar tudo em uma insanidade sem tamanho, que qualquer produtor fugiria correndo ao ver a ideia, mas que souberam dosar e criar algo cheio de nuances e perspectivas que acaba funcionando demais, sendo louco na medida certa, e se impondo como um estilo que até hoje ninguém teve coragem de peitar e botar na telona, que certamente pode impactar muito o mercado audiovisual nacional, porém como temos hoje a turma dos certinhos que não aceitam "o crime dar certo", o resultado pode pesar no bolso dos produtores.
Quanto das atuações, tive outra grande surpresa, pois sempre reclamei muito de João Guilherme, e não via qualquer potencial sem ser de parzinho romântico para filmes novelescos, e aqui com seu Daniel não apenas mostrou que tem potencial, como botou muita banca com os trejeitos e entregas, parecendo realmente um jovem dos anos 2000 deslumbrado com tudo o que pode fazer, que foi só explodindo em cima de toda a loucura, e não parou mais até ver tudo o que o dinheiro poderia lhe proporcionar, sendo intenso e desesperado, e brincando com muitas facetas, que em alguns momentos até poderia impactar expressivamente melhor, mas deu uma subida incrível em seu patamar de estilo. Da mesma forma, Marcelo Serrado fez um Fábio tão cheio de classe, que chamar ele de chefão da máfia digital era praticamente xingar ele, pois o cara era um lorde das lavagens de boletos, daqueles que se você visse na rua acharia apenas que era um rico bem sucedido dono de empresas, e o ator fez isso tão bem que convence até mais do que sua própria atuação, ou seja, deu show na tela. Ainda tivemos bons momentos com Miguel Nader e seu Muralha, Caio Horowicz com seu Noturno e Adriano Garib como o Delegado Moretti e Kaik Pereira mandando muito bem com seu Nilson, entre muitos outros bons atores na tela.
Visualmente tenho até medo de pesquisar o orçamento do longa, pois se não estouraram todos os bolsos dos investidores fizeram muito milagre, pois são festas em boates, em mansões, em hotéis, computadores antigos, muito dinheiro cenográfico, bebidas, putarias aos montes com figurantes de tudo quanto é jeito, as casas mais tradicionais dos protagonistas, bares, carros de tudo quanto é jeito, e muita sacada visual para representar a época, brincando com tudo o que vivemos nos anos 2000, ou seja, chega a ser nostálgico todo o trabalho da equipe de arte que brincou bastante, com toda certeza se divertiu trabalhando, e acabaram entregando um dos melhores filmes nacionais na telona.
Outro ponto bem "rico" da produção ficou a cargo da trilha sonora, que tem músicas de todos os estilos dos anos 2000, sendo bem marcante pelas escolhas que encaixaram bem nas dinâmicas e deram um tom imponente para tudo, que se sair link depois completa com certeza compartilharei aqui.
Enfim, é um filme que me divertiu por demais, que me entreteve do começo ao fim, e que mesmo sendo abarrotado de narrações conseguiu ser bem representativo, não cansando com essa essência, que claro dava para ser minimizada, mas como não atrapalhou, não incomodou também, só não diria que foi perfeito por pequenos detalhes nas cenas mais densas (como as do sequestro, as com os pais e a da paixonite do rapaz pela garota) que ficaram levemente artificiais, mas do restante é daqueles filmes para aplaudir com certeza pelo ótimo trabalho de pesquisa e de entrega. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, indicando o longa para todos verem a partir do dia 14/05 nos cinemas, e agradecendo demais ao pessoal da Atomica Lab Assessoria e também da Manequim Filmes e Clube Filmes pela cabine, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.







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