Pantera Negra em Imax 3D (Black Panther)

2/16/2018 03:15:00 AM |

Se você é fã de filmes de super-heróis/HQs pare tudo o que está fazendo e vá para o cinema já conferir "Pantera Negra" no cinema mais próximo de você, pois pode até ser que façam um filme melhor do gênero, mas até hoje não vai existir nenhum que envolva política com muita ação, sem a necessidade de colocar piadas em tudo, encaixando somente leves pontuações, bons vilões no melhor estilo de grandes sagas (vontade imensa de dar um spoiler!!), e principalmente entregar uma boa origem de super-herói, sem precisar ficar já de cara juntando personagens de outras histórias. Claro que o filme nos conecta aos eventos ocorridos no filme "Capitão América: Guerra Civil", mas são cenas bem rápidas e apenas para mostrar a morte do rei T'Chaka, pai do protagonista aqui. Dito isso, posso afirmar que se fosse fazer uma comparação com outros Universos, as cenas de batalha aqui se assimilaram muito à "Senhor dos Anéis", tivemos grandes momentos no melhor estilo de "Star Wars", e ao colocar a trama no melhor modelo de filme africano tivemos canções e cenografias bem próximas até de "Rei Leão", ou seja, só falei nome de grandes clássicos, e assim posso agora incluir esse como o meu longa preferido da Marvel, que a cada nova cena ficava mais impressionado, e que poucas vezes veremos um diretor tão corajoso para entregar afrontes políticos que o mundo atual tanto está precisando usando (e ousando) em colocar um elenco de praticamente 95% ou mais negros (que ultimamente haviam reclamado com razão de não terem tantos filmes como protagonistas) e que mexendo na ferida vai agradar tanto, afinal nos sites críticos a cotação está nas alturas da trama. Sendo assim, volto na minha primeira linha, mesmo se você não for fã do gênero, vá também agora para o cinema conferir esse marco no cinema de ação/aventura com uma temática perfeita e bem trabalhada. Confesso que tem leves falhas, diria mais técnicas para o lado de vender um longa 3D e não ter tanto 3D para mostrar, mas tirando esse detalhe, e cenas com efeitos exageradas, o resultado é algo tão incrível que vamos esquecer disso, e passar os 134 minutos como se fosse num piscar de olhos.

A sinopse do filme acompanha T´Challa que, após a morte de seu pai, o Rei de Wakanda, volta pra casa para a isolada e tecnologicamente avançada nação africana para a sucessão ao trono e para ocupar o seu lugar de direito como rei. Mas com o reaparecimento de um velho e poderoso inimigo, o valor de T´Challa como rei – e como Pantera Negra – é testado quando ele é levado a um conflito formidável que coloca o destino de Wakanda, e do mundo todo, em risco. Confrontado pela traição e o perigo, o jovem rei precisar reunir seus aliados e liberar todo o poder do Pantera Negra para derrotar seus inimigos e assegurar a segurança de seu povo e de seu modo de viver.

Antes de mais nada, já podemos dizer que o diretor Ryan Coogler pode pedir música no Fantástico, pois tem em seu currículo três longas apenas, e os três um melhor que o outro, então isso já o credencia para muitos outros bons projetos que não vão lhe faltar. Dito isso, ficou claro na telona seu estilo, por não focar somente no estilo que o Universo Marvel vem entregando de longas quase inteiros dedicados à situações cômicas, com milhares de interações entre os personagens que já apareceram em outros filmes, cheios de quebras de roteiro para explicar algo, e por ai vai, deixando tudo isso de lado e criando um vértice mais politizado, com um personagem bom para o Universo, e principalmente, mostrando sua origem completa para quem não conhecia nada dele, e com isso, o filme passou realmente voando, entregando algo de forma segura, com cada ato bem determinado, e fazendo com que cada personagem aparecesse em cena, cativasse o público e ficasse na tela determinando cada acontecimento, não servindo apenas de apoio para o protagonista. Outro grande detalhe diferencial do diretor em relação ao UCM (Universo Compartilhado Marvel), é que logo em um único filme já tivemos diversas mortes, não enfeitando o doce como costuma acontecer (sim, faltou um pouco mais de sangue na tela, mas Marvel pertence à Disney, então, sem sangue!!), e assim vemos muita dinâmica, muita ação na tela, lutas desenfreadas (vários desafios acontecendo), e batalhas épicas que como comparei no começo fazia tempo que não víamos algo tão bem elaborado. Ou seja, um trabalho realmente de diretor, e mais ainda, Coogler também coparticipou do roteiro, então soube desenvolver cada momento, que mesmo não tendo diálogos impressionantes, acabou ficando incrível.

Sobre os atores diria que todos, sem exceção procuraram trabalhar suas lutas, seus trejeitos e ações no mais próximo que poderiam para não errar em nada, criando carisma para seus personagens, divertindo quando necessitavam, e principalmente chamando a responsabilidade para si quando precisava aparecer como ponto principal da tela, o que é raro em filmes de ação, pois geralmente o protagonista fica 90% na tela e todo o restante fica de suporte para ele, e aqui o diretor deu margem para que a maioria pudessem ter seu grande momento na tela e não falharam quando isso ocorreu. Mas para começar temos de falar claro de Chadwick Boseman como T'Challa/Pantera Negra, que soube segurar cada ato expressivo, criar dinâmicas com o personagem, e mesmo não sendo um dos personagens que o público mais conhece da Marvel, ele acabou sabendo dosar a intensidade inicial para que assimilássemos cada momento e fossemos conhecendo junto com ele cada uma de suas grandes facetas, para aí sim num próximo filme do herói botar tudo pra jogo, ou seja, o ator foi muito bem em cena e agradou como poderia, sem falhas. É raro vermos Andy Serkis como pessoa sem estar atrás de muita computação gráfica e aqui somente seu braço foi computadorizado para o personagem do vilão Klaue, e claro assim como vimos sua rápida participação em "Vingadores: Era de Ultron", aqui ele mostrou ainda mais sua personalidade maluca, e com facetas bem expressivas acabou tendo bons momentos na telona, talvez poderia até aparecer mais tempo, mas aí não sobraria tela para o grande vilão do filme. E falando nele, o xodó do diretor (presente nos três longas dele), Michael B. Jordan, mostra que sabe fazer bem o que lhe for entregue (só foi uma pena o "Quarteto Fantástico" não ter decolado com ele!), de modo que seu Killmonger não só mostrou os motivos pelos quais desejava o trono de Wakanda como lutou muito bem nas cenas contra o protagonista, fazendo atos que deixaram o público nervoso como deve ser qualquer vilão. Como bem sabemos está na moda o empoderamento feminino, e aqui no longa não tivemos apenas uma grande mulher, mas sim três grandiosas atuações de destaque, pois as demais também foram muito bem, e para começar temos de falar de Danai Gurira com sua guerreira Okoye perfeita, forte, cheia de trejeitos minuciosos e que chamou para si cada ato, e mesmo nas lutas não saiu da frente, ou seja, grandiosa que mereceu cada momento de tela, e poderia ter até mais. Na sequência veio Letitia Wright, que quem não assisti séries (assim como eu), nunca tinha nem ouvido falar dela, e só nesse ano aparecerá em quatro filmes, ou seja, já tem renome para mostrar muito serviço, e com sua Shuri, deu o tom de irmã realmente do protagonista, fazendo as brincadeiras coerentes e tendo com muita dinâmica os momentos mais cômicos da trama, ou seja, mesmo não sendo caricata conseguiu agradar com boas gags cômicas estilosas, e na segunda cena pós-crédito mostrou que será bem importante no começo do filme "Vingadores: Guerra Infinita". E para finalizar sobre as mulheres, mas não menos importante, temos a já famosa Lupita Nyong'o com sua Nakia, que deu o tom romanceado, mas sem ser forçado para com o protagonista, criando boas frentes de luta, e também tendo muita personalidade para que a personagem agradasse na telona sem soar boba, mostrando a mulher forte que poderá vir a ser a rainha de Wakanda. Dentre os demais bons personagens temos de colocar claro Martin Freeman com seu Ross, mais um dos pouquíssimos brancos no longa, mas que como um agente da CIA acabou bem encaixado no roteiro e deve aparecer mais nos demais filmes do Pantera, sendo alguém de conexão dele com o governo, e claro mostrando o quão bom o ator é. E mesmo aparecendo pouco, tenho de finalizar com outros bons nomes do filme, Daniel Kaluuya como W'Kabi fez algumas caras e bocas e mostrou que pode ser trabalhado mais, pois já fez coisa muito melhor no ano passado, John Kani fez algumas participações rápidas em três cenas como T'Chaka e como sempre demonstrou a calma serena de seus trejeitos, Forest Witaker com seu tradicional olhar meio vesgo deu personalidade para o místico Zuri, e finalizando mesmo gostei de ver Winston Duke como um M'Baku perfeito, cheio de trejeitos como um contraponto do líder de Wakanda.

Outro grande ponto da trama, além do elenco grandioso, ficou a cargo da equipe de arte que criou cenas memoráveis na concepção da tecnológica Wakanda que o mundo não conhece, e também não deixou a desejar para os descampados da Wakanda cheia de fazendeiros que o mundo conhece, criando paisagens tanto computadorizadas quanto reais tão bem encaixadas, com nuances, cores e vértices em movimento perfeitos para que cada ato tivesse muitos detalhes para se olhar, objetos cênicos para serem usados, e principalmente figurinos que misturassem os tradicionais vestuários africanos com detalhes tecnológicos, ou seja, um estudo muito bem feito que chamou atenção na telona, e junto com uma equipe minuciosa de fotografia souberam ousar em tons e iluminações para que tudo ficasse o mais próximo de algo real, fantasiando sem limites, mas sendo corajosos para que a ficção colocada valesse a pena. São poucos momentos aonde os efeitos entraram em ação, e ali sabemos realmente que tudo é bem computadorizado, ou seja, alguns até vão enxergar como um defeito técnico, mas visualmente falando foi funcional. Sobre o 3D, já falei isso outras vezes e até comprei algumas brigas, pois tirando "Doutor Estranho" que os efeitos deixaram todos com muita tontura, a maioria dos filmes da Marvel utilizam muito mal a tecnologia, incorporando alguns lances de profundidade e pouquíssimas vezes trabalhando com algo saindo da tela, e aqui destaco apenas duas cenas que dá para ver algo, a da perseguição de carro, que já foi destaque no trailer, e a luta final entre os protagonistas no trilho do trem, que começando no alto da plataforma já vamos tendo alguns vértices dos personagens passeando para fora e para dentro da tela, e nada mais, ou seja, como costumo dizer, quem quiser economizar pode ver sem a tecnologia, mas confesso que na telona Imax a ação fica bem melhor.

Como é de praxe, as tramas da Marvel sempre possuem também boas trilhas sonoras, e aqui não foi diferente, trabalhando bem ritmos africanos e dando uma sonoridade bem coesa para que o longa tivesse ritmo e agradasse bastante. E claro que deixo o link para todos ouvirem após conferir a trama.

Enfim, não estava esperando nada do longa e acabei muito surpreendido com o que vi na telona, saindo muito feliz com tudo e relevando até certos problemas como citei acima. Talvez daria para dar uma nota menor (9,5 ou 9) pela falta de 3D, ou alguns detalhes, mas a história em si, a direção e as ótimas atuações me agradaram tanto que não vou deixar de dar nota máxima para o filme, então como disse no começo, mais do que recomendo a trama não apenas para fãs de HQs e super-heróis, mas também para todos pelo contexto político que acabaram desenvolvendo, e destaco ainda nesse contexto a primeira cena pós-crédito que ousa falar algo ainda mais claro que tanto necessitamos ouvir dos governantes do mundo, portanto veja e depois venha discutir o que gostou e o que não gostou aqui nos comentários. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a outra estreia da semana que apareceu por aqui, então abraços e até logo mais.

2 comentários:

tunemunk disse...

That soundtrack was incredible

https://open.spotify.com/user/tunemunk/playlist/6j8Q2dF0aSLAzpawIm5Wfa

Fernando Coelho disse...

Thank You tunemunk, this soundtrack is amazing, and we listen a lot! Hugs!

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