Mad Max: Estrada da Fúria em 3D (Fury Road)

5/15/2015 12:48:00 AM |

Sei que vou escrever esse texto no auge da minha loucura pelos 120 minutos eletrizantes que acabei de acompanhar, mas assim sei que posso deixar mais convincente o que achei de "Mad Max: Estrada da Fúria". E olha que sem falar nenhum palavrão vai ser bem complicado de definir o quão bom realmente é o filme. Confesso que estava com expectativa nula para o novo longa, principalmente porque não lembrava dos outros, mas como fiz uma maratona no final de semana para relembrar dos três primeiros filmes, já comecei a entrar no clima e ao ler algumas curiosidades do filme os motores já começaram a aquecer, mas ainda assim fiquei bem light, pois os primeiros longas todos tiveram grandes cenas de ação, mas as histórias eram bem curtas ou quase inexistentes, procurando somente atiçar a adrenalina nas perseguições e explosões. Porém hoje ao sair da sessão George Miller não só conseguiu fazer uma mega história de ação, com muito envolvimento, explosões, terra pra todo lado e personagens interessantíssimos que nos levam junto da fuga de Furiosa com empolgação máxima de modo que ao acabar o efeito é quase o daquelas montanhas russas imensas que morremos de medo de ir, mas que depois queremos voltar pra fila sem nem sair do carrinho, ou seja, um verdadeiro espetáculo que coloca o longa com certeza não só no hall de um dos melhores do ano, como no seleto hall dos melhores filmes que esse Coelho já viu, ou seja, pare de ler aqui e vá conferir o filme que vale a pena demais.

A sinopse do longa é bem simples e nos mostra que após ser capturado por Immortan Joe, um guerreiro das estradas chamado Max se vê no meio de uma guerra mortal, iniciada pela Imperatriz Furiosa na tentativa se salvar um grupo de garotas. Também tentando fugir, Max aceita ajudar Furiosa em sua luta contra Joe e se vê dividido entre mais uma vez seguir sozinho seu caminho ou ficar com o grupo.

Alguns podem perguntar se necessita ver os outros três filmes, e a resposta é claro que não, pois embora logo na primeira cena expliquem tudo que rolou para chegarmos ali, o que temos aqui é um novo filme vibrante e que funciona bem individualmente, assim como todos os outros, então a grande sacada do diretor e roteirista e agora também santo milagroso George Miller, para que os 30 anos de passagem do último filme para esse funcionassem se resolve em 3 minutos e tudo flui maravilhosamente com ação desenfreada no volume máximo, aonde a trilha puxa o ritmo para algo que ao sair da sessão você vá precisar respirar o ar profundamente, pois é euforia num nível que não dá para descrever. Falo que foi um santo milagroso pelo seguinte motivo que só quem já fez algum filme na vida sabe o quão trabalhoso é tudo numa produção, e se nos anos 70/80 ele conseguiu sem tecnologia nenhuma fazer filmes com pegada e cheios de explosões, agora com tudo digital, aonde basta entregar o filme nas mãos de milhares de especialistas em efeitos, e com ajuda de muito pano azul fariam de olhos fechados tudo o que o diretor quisesse, mas não, o homem é persistente e fez algo muito mais elaborado e com 80% real de filmagens com dublês e carros construídos para o longa, com tudo explodindo, voando peças e afins pra valer, ou seja, completamente maluco, mas que com certeza vai lhe render muito dinheiro e falatório por muitos anos, o que mostra sua genialidade e o coloca na ponta novamente, já que vinha com uma pegada mais calma nesse tempo todo que passou longe das grandes máquinas.

No quesito atuação o que tenho de falar é simples, os personagens foram muito bem feitos e desenvolvidos, não importando de forma alguma quem quer que fizesse os papéis principais sairia bem e agradaria com muita certeza. Max depois de ser interpretado três vezes por Mel Gibson não agradaria tanto com a idade do ator, então a solução bem montada foi colocar Tom Hardy que fez jus ao papel com uma boa expressividade nas cenas que precisou dialogar e botando força e impacto nas cenas mais de ação, claro que pra isso usou muito seu dublê Adrian McGaw que depois usando dos 20% de computação foi retirado de cena, mas ainda assim fez bem, só achei que ele era bem mais forte comparado ao que vi no Batman, pois aqui pareceu faltar musculatura. Charlize Theron fica bem até mesmo faltando um pedaço de braço e sua Furiosa faz jus ao nome com uma personalidade bem dura e cheia de história para contar de modo que daria um longa a parte, mas que o diretor preferiu apenas contar com poucos diálogos para que a atriz usasse isso ainda ao seu favor, fez ótimos trejeitos em todos os estilos que necessitou demonstrar. Hugh Keavis-Byrne já foi o vilão Toecutter do primeiro "Mad Max" e agora volta como o vilão Immortan Joe, que colocaria o outro no chinelo com a força e temperamento desse, claro que muita maquiagem foi colocada nele, mas é impressionante o visual que conseguiram dar para o personagem e claro que sua imposição na voz ficou excelente para imortalizar o vilão. Outro que teve uma participação bem significativa foi Nicholas Hoult com seu Nux que inicialmente até ficamos com raiva dele, mas com o andar da carruagem, ou melhor dos carrões de guerra, acabamos até que gostando do que faz e seus trejeitos encaixaram muito bem com a maquiagem utilizada, ou seja, o ator mostrou bem seu serviço. Destacar as belas moças parideiras uma a uma é algo exagerado, pois cada uma com sua beleza peculiar são um afronte para o clima de maquiagens e personagens feios na tela, então até suas roupas brancas destacando seus corpos chamam a atenção para cada uma delas. Um certo aplauso vai também para Melissa Jaffer que com seus 79 anos estava lá pilotando uma moto gigante e brigando bastante nas lutas de mão com os comparsas do vilão, além claro do seu personagem simbólico muito bonito para o momento atual. Não consegui achar o nome do guitarrista maluco que ficou em cima do carro musical, mas deixo meus parabéns de tirar o chapéu para sua interpretação, não sei se estava tocando realmente para realçar as cenas, mas se fez isso o cara é um mito.

Falar a expressão visual do filme é algo muito simples para o que foi entregue e não dá para remeter a 1% da loucura que deve ter sido filmar em pleno deserto com uma legião de pessoas, em carros malucos construídos especialmente para o filme (o qual deixo aqui o link para que possam conhecer cada um dos veículos) e com cenas de ação impecáveis, ou seja, é literalmente um deslumbre visual a parte cenográfica produzida pela direção de arte, de modo que podem dar todos os prêmios possíveis para essa equipe, pois é algo que não tem como não ficar lembrando de cada detalhe colocado em cada cena para remeter a algo, desde a cidadela toda bem feita com os cômodos do vilão dominador cheio de vida e o povo arruinado cheio de morte e cada corrente para elevar os carros, passando pelas maquiagens precisas com os figurinos assustadores e encardidos para cada personagem ficar mais rude ainda, ou seja, tudo é palpável e de valor detalhístico. A fotografia do longa foi outro quesito primoroso e bem encaixado em todos os momentos, trabalhando muito com o marrom para deixar o clima mais seco ainda, soube misturar as nuances das explosões com um laranja avermelhado bem forte e ainda sabiamente jogar paletas de vida para as parideiras, mostrando que o filme se fundia bem ali, e a cada novo local por onde os personagens passavam encontrando contratempos, a fluidez da imagem ainda era de um luxo só, ou seja, perfeição total nesse quesito também.

Para quem não sabe há duas formas de se fazer efeitos especiais, uma é tudo no computador que é algo lindo e que temos muitos profissionais capacitadíssimos para isso nos estúdios, que claro fazem os orçamentos decolarem na pós-produção, e há aqueles diretores malucos que preferem trabalhar com técnicos especialistas para explodir tudo em cena, para dar um realismo a mais nas cenas, e aqui Miller é um desses doidos, ou seja, prepare para ver o circo literalmente pegando fogo e agradando demais no impacto das cenas de ação, o que ficou muito bom de ver, e claro que com tudo explodindo muita coisa acaba voando, e aí entrou os amigos da computação gráfica e dos efeitos tridimensionais que aproveitaram para realçar tudo e fazer com que o público fique desviando dos elementos voando da tela, dos personagens pulando de um lado para o outro com a profundidade de campo perfeita, e tudo mais, de modo que fazia tempo que um longa não valia mesmo pagar mais caro para ver em 3D, e aqui podem ir tranquilos que as cenas que possuem o efeito valem cada centavo pago a mais para agradar ainda mais a ação do longa.

Outro ponto perfeito da trama ficou a cargo da trilha sonora envolvente de Junkie XL que junto do caminhão com os tambores e guitarra marcando o ritmo ainda deu vários riffs e trabalhou num rock maravilhoso de ouvir, encaixando na medida certa para dar o ritmo exato que o longa necessitava, e como disse no começo, não vemos em momento algum um respiro para toda a ação que nos é entregue, ou seja, é rock na veia do começo ao fim, agradando demais no conceito musical escolhido.

Enfim, me desculpem os fãs de quadrinhos, mas o longa de ação, ao menos nessa categoria, do ano é Mad Max e repito que deve figurar com certeza entre os melhores filmes que já assisti com toda certeza, é muito barulhento sim, mas isso faz parte do filme e vai agradar demais quem gosta de sentir o barulho das explosões e for ver nas salas com equipamentos potentes, ou seja, quem gosta do estilo e curte uma história interessante bem trabalhada não pode ficar sem ver esse filme de maneira alguma, e quem não gosta confesso que talvez passe a gostar, afinal não é todo dia que temos o gostinho dos filmes antigos feito à moda antiga agradando numa época que só temos adaptações de livros nas telonas. Bem é isso pessoal, mais do que recomendo o filme para todos como acabei de falar, e fico por aqui agora, mas volto em breve com mais posts nessa semana meio fraca, mas que servirá ao menos para que eu possa ver mais uma vez esse brilhante filme. Então abraços e até breve meus amigos.


2 comentários:

Daniel disse...

Fala mais um pouco sobre o 3D do filme. A profundidade é satisfatória no filme todo ou só em cenas específicas? Existem muitas cenas com perspectiva para fora da tela?

Fernando Coelho disse...

Olá Daniel, então o 3D do filme é convertido, portando não são todas as cenas que terá profundidade, senão o orçamento decola!!! Mas nas que foram colocadas a linguagem foi bem utilizada, então funciona bacana tanto a perspectiva de profundidade quanto a de elementos saindo... Claro que não é daqueles filmes que foram feitos para ser 3D, mas funcionou bem o recurso e dessa forma vale a pena pagar um pouco mais caro para ver!! Abraços!

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