Perdido em Marte em 3D (The Martian)

10/02/2015 01:59:00 AM |

É interessante como alguém sozinho em algum lugar faz com que torçamos para que a pessoa se saia bem! Claro que para isso, todo um contexto é necessário para envolver o público e quando ele convém de uma forma bem carismática, cheia de pitadas nerds, e uma comicidade feita na medida para entreter o público, o resultado é algo que foge de qualquer padrão. E dessa maneira, "Perdido em Marte" conseguiu comover tanto esse Coelho que vos digita sempre, que mais do que um "Resgate do Soldado Ryan do Espaço", o filme faz com que vibrássemos a cada conquista do astronauta, e mais do que isso, em certos momentos nos vemos precisando enxugar o óculos com a emoção que a união: carisma do ator interpretando muito bem o texto + boa direção que soube dosar cada plano como único + trilha empolgante para comover mesmo, conseguiu fazer. Ou seja, um filme que até vai receber certamente críticas negativas pelo mundo afora também, mas não será o caso desse site, pois aqui reveria facilmente e com muita empolgação cada ato do longa.

A sinopse do filme nos conta que o astronauta Mark Watney é uma das primeiras pessoas a caminhar em Marte. Entretanto, devido a complicações causadas por uma tempestade de poeira, Mark é deixado para trás por sua tripulação e pode se tornar a primeira pessoa a morrer no planeta. Com apenas poucos suprimentos, Mark conta com sua criatividade e inteligência, e embora as possibilidades e probabilidades estejam todas contra ele, Mark luta para sobreviver.

Que o diretor Ridley Scott estava devendo um filme perfeito, isso está mais que claro há tempos, pois mesmo pegando grandes projetos, ultimamente vinha numa levada estranha, cometendo alguns erros bobos e até atrapalhando com suas loucuras projetos que poderiam realmente dar certo com outros diretores, e aqui, quando começaram a cantar a bola de que seria a redenção do diretor, que era a sua volta gloriosa ao velho jeito de dirigir, já começou a levantar suspeita de que viria uma nova bomba, afinal já disse aqui diversas vezes que criar expectativa demais acaba atrapalhando tudo o que o filme pode propor. Pois bem, optei por não criar tanto desespero pelo filme, e fui conferir quase nulo de ideias do que poderia ser mostrado e tendo visto o trailer apenas em algumas sessões, e o que posso fazer é aumentar o coro de que realmente ele voltou a mostrar a excelente mão que tanto agradou em diversas outras grandes produções, como "Gladiador", "Falcão Negro em Perigo" e até "Blade Runner", utilizando do grande feitio de jogar nas mãos de um bom ator o projeto e elevar o carisma\ dele ao máximo para que o domínio do personagem, encaixando todas as situações e planos precisos, resultassem em símbolos para que todos se conectassem com a história, e assim sair festejando o acerto a cada cena bem feita que eximia emoções e refletia também muita ciência estudada para que o longa não ficasse tão falso, mesmo que ainda ninguém tenha ido para Marte. O roteiro de Drew Goddard, que iria dirigir também se não fosse o compromisso com outra produção que em breve começaremos a ouvir muito assunto, usou de base o livro de Andy Weir para representar bem a situação toda e foi assertivo em diversos pontos para que o público se colocasse no lugar do personagem principal, e com o fechamento que teve depois nas falas de Matt Damon, o filme diz em alto e bom som que veremos mais pessoas se arriscando lá no espaço, e que desistir não é o remédio. Claro que contaram com muito apoio da NASA para que tudo funcionasse e ficasse o mais próximo de uma realidade, e isso é algo que poucos filmes se preocupam em estudar, e o resultado, vejam com seus próprios olhos, pois se eu falar mais aqui, daqui a pouco loto o texto de spoilers.

Volto a repetir, quando um bom ator veste a roupa de seu personagem e assume a responsabilidade de entregar carisma, e encontra o tom correto para que a interpretação flua sem precedentes, não tem como dar errado, e se existe um nome em Hollywood que gosta de pegar papéis desse estilo é Matt Damon, pois são raros os filmes que o cara não domina e faz bem, e aqui com seu Mark, cada cena é única, cheia de comicidade na medida certa para não destoar nem o nível científico da trama e nem cansar o público que quer algo mais ficcional mesmo, e dessa maneira a empolgação e a conexão ocorre, agradando sem limites, comovendo, emocionando e encaixando bem demais para a proposta que tanto desejavam para o personagem. Outra que agrada sempre no que faz é Jessica Chastain com sua Comandante Lewis, que ao trabalhar uma expressão deprimida em diversos momentos, quando bota a empolgação que precisa para chamar atenção, acaba sendo muito dinâmica e agradável de ver, ou seja, arrasando como sempre. Da turma do espaço, tenho de dar destaque também para os outros nomes, pois mesmo que em poucas cenas, mostraram que quando tiverem oportunidade vão apresentar cada vez mais e são nomes fortes para o futuro, um exemplo claro é Michael Peña com seu Martinez, abandonando o latino tradicional que só faz papeis bobos e tomando as rédeas de bons trejeitos expressivos, Kate Mara ficou tão bem em sua Johanssen que até esquecemos as besteiras que fez no novo "Quarteto Fantástico" e embora aqui seu papel seja pequeno, ainda chamou a atenção no meio de tantos números computacionais. Já na Terra, os destaques ficam para Jeff Daniels, que raspou a trave de virar um daqueles vilões (sem ser realmente um vilão) de filmes que acabamos odiando e querendo bater com seu Teddy, e isso só mostra o quanto o ator é bom e sabe fazer bem um papel quando quer, pois ultimamente vinha bem apagado de outras produções e aqui soube dominar as cenas e ser o cérebro que em momento algum botou o coração sobre a mesa para com suas ações, usando expressão forte para todos os momentos e agradando muito com isso. Outro que vale a pena acompanhar é Chiwetel Ejiofor que depois de quase ganhar o Oscar com "12 Anos de Escravidão", volta a pegar um papel duro e que mesmo não sendo compreendido por seus superiores, ainda tenta ajudar para que tudo aconteça bem com seu Vincent Kapoor, e dessa maneira empolga a cada cena que consegue algo bacana. Embora tenha poucas cenas, Donald Glover foi "O" mito com a cena de seu Rich Purnell junto dos chefões, e confesso que todos estagiários ou funcionários de menor escalão irão vibrar com a cena, pois foi muito bem interpretada pelo ator e caiu como uma luva para algo que se explicado de forma científica normal seria um tédio total. Vários outros atores também saíram bem nas devidas proporções, mas o texto ficaria imenso se falasse mais de cada um separadamente, mas um último destaque mesmo que pequeno ficou para Sean Bean por mostrar que ainda pode ser durão na frente de qualquer grande diretor, e dessa forma seu Mitch chamou a responsabilidade e fez bem.

Falar da cenografia é algo que sempre me comove, e falaria horas a fio de cada detalhe técnico, mas vou apenas ressaltar novamente o trabalho minucioso da produção de arte junto da equipe da NASA para que cada detalhe cênico fosse o mais real possível, passando desde os trajes que os astronautas que irão para Marte usarão, criando fazendas de batatas no set para que tudo ficasse bem real, criando pequenas peças para que as naves ficassem minuciosas e cheias de elementos cênicos para impressionar, e claro escolhendo locações incríveis para que tudo parecesse real, desde o deserto de Wadi Rum na Jordânia que possui a areia vermelha e assim dar mais vivacidade, gravar num dos maiores estúdios de Budapeste para ter um pé direito incrível e assim criar altas perspectivas de cada cena e por aí vai, de modo que a direção de arte não economizou um dólar que fosse para que a produção ficasse incrível e o resultado fosse único. E claro que a direção de fotografia não ficaria para trás, usando todos esses elementos que citei, ainda procuraram estourar a iluminação ao máximo para que as cores ficassem mais vivas ainda, e em diversas cenas, usaram muito de sombras para criar dinâmicas com o passar de tempo do filme, dando literalmente um sol forte para o personagem principal, e nas cenas noturnas no meio das tempestades foram impactantes e usaram de todos os efeitos possíveis para sujar as imagens e granular o filme no máximo que podiam, criando muito simbolismo para as cenas. Embora o longa tenha sido filmado em 3D, usaram muito pouco o recurso tanto de profundidade quanto de elementos saindo da tela, o que acabou ficando bem estranho, tanto que em diversos momentos até temos uma perspectiva interessante de ver, mas logo em seguida já parece não ter mais nada, e além disso, diversas cenas você consegue praticamente remover o óculos e não ver diferença alguma, ou seja, acabou sendo um recurso bem dispensável e mostra que os longas filmados com a tecnologia também erram nesse sentido, mas ainda assim, felizmente não atrapalhou em nada o resultado geral da trama, o que é de bom grado.

Bom, é quase dispensável falar de uma das melhores trilhas sonoras de filmes da atualidade, pois ao pegar gostos "estranhos" da seleção musical que cada um dos astronautas levou para passar os seus dias no espaço, temos muitas canções que acabaram sendo incorporadas como parte diegética do próprio filme, funcionando para os momentos exatos da trama como uma luva, e isso é algo que divertiu e auxiliou no ritmo da trama que possui quase 150 minutos de duração e junto dos trailers vai amarrar o espectador quase 3 horas dentro de um cinema, ou seja, um trabalho bem impactado de escolhas, que junto das composições sonoras originais ainda deram toda a vivência que o diretor desejava para o seu longa.

Enfim, é um filme que cumpriu demais com a missão de divertir e empolgar em cada minuto de sua longa duração, pois repito, se ficasse centrado completamente na missão científica, ao invés de jogar todas as fichas na forma de resgate e na comicidade do protagonista, certamente teríamos um longa cansativo e chato, o que aqui passa bem longe de ser. Portanto se você gosta de uma boa ficção, bem desenvolvida e agradável de assistir, se emocionar e acabar torcendo para que tudo dê certo, esse é o filme que você deve comprar o ingresso e ir conferir nesse final de semana, pois recomendo ele com a maior certeza que tenho de um longa desse ano. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda tenho mais uma estreia e uma pré-estreia para conferir nesse final de semana, então abraços e até breve.


2 comentários:

Yupaqui disse...

Só uma curiosidade: revendo o filme em DVD percebi uma falha no roteiro (que nada prejudica a boa ficção cientíca).

O astronauta Mark deveria retirar algumas peças do módulo para que conseguisse escapar da gravidade de Marte com menos peso possível. Uma das peças que descartada era o bico do modulo que pesava 400 kg. Pois não é que Mark simplesmente empurra esta pecinha aí e joga-a para fora da nave com a maior facilidade ?! Isto depois de passar quase um ano comendo quase nada, magérrimo e debilitado. Seria ele um superhomem disfaçado?

Fernando Coelho disse...

Rssss Pois é Yupaqui, também fiquei pensando a mesma coisa quando vi o filme... o cara tá lá a base de nada praticamente e levanta cada peça monstro que nem os monstros daqui conseguiriam fazer, mas vai que na gravidade de lá seja possível que os metais fiquem mais leves né??? Senão o cara é o Henry Cavill disfarçado! Abraços!

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