Jogador Nº 1 em Imax 3D (Ready Player One)

3/30/2018 03:17:00 AM |

Sabe aqueles longas que você sempre imaginou vendo, mas não imaginava que algum diretor maluco conseguiria entregar, que unisse coisas que marcaram época nos melhores anos da sua vida, colocasse grandes jogos na telona, brincasse com a forma virtual do momento e ainda entregasse tudo isso com muita dinâmica usando todos os recursos possíveis, pois bem, hoje podemos falar que um cara, ou melhor, O cara, fez! E esse cara se chama Steven "mestre" Spielberg, e o filme se chama "Jogador Nº 1", que conseguiu combinar tantos efeitos bem colocados, misturar captura de movimentos com realidade aumentada, entregar tantos personagens conhecidos como desconhecidos, e ainda trabalhar o principal, uma boa história recheada no melhor estilo de RPG, com enigmas e dicas trabalhando referências para que cada um pudesse jogar também o jogo. Ou seja, um filme completo que só não foi melhor por um único problema, um vilão mediano, pois ficou um pouco bobo demais e quem poderia fazer todas as maldades de uma forma mais dura, aparentemente foi cortada demais no resultado final, mas tirando esse mero detalhe, o que eu garanto é que a galera que ama jogos vai amar, quem gosta de uma boa aventura vai amar, e até mesmo a galera que anda reclamando da falta de 3D nos filmes vai amar, ou seja, um trabalho completo para todos se divertir com muito suingue dos anos 80 e que vai fazer os velhos amantes de jogos se sentirem na adolescência.

O longa nos mostra que no ano de 2044, as pessoas se conectam a um mundo virtual chamado Oasis. Quando seu criador morre, as pessoas descobrem que ele deixou escondido uma série de pistas, que levam a toda sua riqueza. Muitas pessoas tentaram sem sucesso, pois a dificuldade é o fato das pistas serem baseadas na cultura pop do passado. Mas para o jovem Wade Watts isso é vantagem.

Que Spielberg estava nos devendo uma direção fantasiosa num nível máximo isso todos já esperávamos, mas o que muitos estavam com medo é como ele faria isso com um livro cheio de ideias fantasiosas sem estragar a imagem que os fãs do livro tinham, e principalmente que o longa funcionasse para todos, não ficando nem exagerado para um nem para outro. E sabe qual foi a resposta dele e de sua equipe? Muitas referências a tudo o que esse diretor já fez na carreira e já viu desde que está trabalhando com cinema, de tal maneira que volto a dizer que a história é muito bem feita, mas quem quiser ir conferir o longa e só ficar olhando para os detalhes ao redor dos protagonistas, também terá uma sessão incrível, nostálgica e que irá agradar por demais. Muitos irão perguntar também se o longa é somente para aficionados em jogos, e a resposta tanto minha como a do diretor, é que ele entregou algo sim para os fãs dessa cultura gamer, mas a aventura é tão bem coesa, cheia de bons momentos de amor, amizade e com um ritmo tão bem colocado, que qualquer um que for conferir disposto a se divertir muito irá conseguir ter uma das sessões mais agradáveis dos últimos anos no cinema, com muita nostalgia usando músicas dos anos 80, diversas ligações com jogos que jogamos em nossa infância, e claro vendo na telona também muitos personagens conhecidos de diversos filmes e jogos, ou seja, a Warner teve de arrumar muitas licenças para que o diretor pudesse caprichar nos elementos, e ele não decepcionou, trabalhando cada elemento como único, não abusando de nossa inteligência nas cenas que precisavam de explicações, ousou aonde poderia ousar, e trabalhou a computação gráfica ao seu favor, pois muitos acabam colocando diversos elementos apenas para incorporar suas cenas, e ele fez o filme em cima disso, ou seja, tudo na trama acaba sendo importante. Agora volto a frisar o que disse ser o maior problema do longa, e provável motivo para que eu não dê a nota máxima para o longa, a falta de um vilão realmente com todas as letras, pois Sorrento é sim um empresário que deseja ganhos e lucratividade, que sua empresa prospere às custas de ganhar o jogo, mas que mesmo nas cenas que está maltratando os protagonistas, ele ainda é bobo e falho com atitudes que pudessem impactar mais, ou seja, faltou o diretor usar também seus conhecimentos para causar dramaticidade aonde poderia e criar tensão nos espectadores, pois aí sim teríamos um longa perfeito.

Quanto das interpretações, este é daqueles filmes que muitos ficam se perguntando, porque raios não premiam atores pela ótima captura de movimentos? Pois todos sem exceção conseguiram passar emoções perfeitas para seus personagens dentro do jogo e ainda dar dinâmicas bem colocadas quando estão no mundo real, ou seja, souberam dominar suas expressões e ainda dar tino para que o diretor e sua equipe de efeitos colocassem na animação estruturas incrivelmente visuais para agradar a todos. Tye Sheridan não quis enfeitar suas cenas e fez gestos bem colocados, soube dosar a voz para que seu personagem ficasse bem incorporado e acabou desenhando tanto seu Wade como seu Parzival como duas estruturas bem diferenciadas, mas com uma composição única, e certamente esse era o desejo da trama feita no roteiro e que o diretor tanto almejava ver ele fazendo, e com isso o acerto foi perfeito. Era mais comum vermos Olivia Cooke fazendo diversos longas de terror, e com isso seu estilo como uma mocinha aventureira foi até surpreendente demais, mas ela soube agradar bastante, principalmente dentro do jogo com sua Art3mis, e até soando engraçada com o ar mais romantizado na vida real com sua Samantha, ou seja, dosou bem tudo para que ficasse bem encaixada na trama também. Mark Rylance é daqueles atores variados que sempre um bom diretor gosta de contar, e aqui como o criador do jogo Halliday ele ficou digamos bem diferente de tudo que já vimos fazer em sua carreira, e isso não é ruim, é ótimo, pois numa mistura maluca de mago com louco, ele acabou entregando muita personalidade, e talvez até mais do que poderíamos esperar dele, ou seja, bom demais. Não digo que vou jogar toda a culpa do vilão ser ruim para o ator Ben Mendelsohn, mas ele poderia ter feito um Sorrento mais forte e com ares de vilania, e não apenas um personagem duro com uma meta na empresa, ou seja, parte do problema fica com o roteiro, mas ele conseguiria algumas expressões menos abobadas para agradar mais, mas dando um ar de esperança para ele, talvez o erro tenha sido de cortarem cenas demais de F'Nale, que ali sim aparentava uma personagem com vilania em níveis altíssimos e a atriz Hannah John-Kamen aparentava estar bem forte para agradar nesse sentido. Quanto aos demais amigos do protagonista, diria que todos se desenvolveram bem rapidamente da trama, justamente por não termos tanto tempo, mas tivemos grandiosas sacadas, e todos os atores deram bom tom tanto nas vozes para aparentar diferença de seus avatares para seus personagens reais, e com isso não será eu quem dará spoilers com nome dos atores, mas saiba que é muito bacana ver todos os personagens na telona, desde as grandes piadas de Aech, até os movimentos ninjas e impactantes de Daito e Sho.

Dentro do conceito visual a trama brincou demais com tantas referências que se quisermos ficar discutindo isso poderia passar o resto da semana aqui, então apenas digo que o longa vale muito mais do que uma simples sessão, pois ao vermos o longa iremos passar despercebidos diversos personagens pequenos, iremos rir ao ver muita coisa ilustrada na tela e com certeza vamos nos apaixonar por cada momento por menor que seja aparecendo num canto qualquer, ou seja, um trabalho mínimo e detalhado em níveis altíssimos pela equipe de arte computacional para que o longa inteiro ficasse incrível, e se posso dar um leve spoiler falando de meu momento predileto no longa, é claro que fica nas cenas do filme "O Iluminado", que o show de tecnologia juntamente com as grandes sacadas que a trama do longa de Kubrik possui é algo de um prazer incrível de ver e se divertir, tanto que o público parava de rir, e esse Coelho que vos digita continuava. A fotografia embora quase que 100% computacional, ficou muito bem alocada, com sombras para todos os lados, muita brincadeira de claro e escuro para ajudar na tridimensionalidade, e sem dúvida alguma, detalhes em ângulos que chega a ser surpreendente que o longa não tenha demorado muitos anos para ser lançado. E claro que chegamos no ponto que muitos sempre perguntam, como está o 3D da trama? E respondo, quase tão perfeito quanto poderíamos esperar, pois sim usaram câmeras 3D em diversos momentos, mas a maior parte da trama foi filmada em 2D e convertida na pós-produção, e você deve retrucar, mas isso é ruim? Sim, quando não é pensado para funcionar em 3D, mas aqui estamos falando de um longa de Spielberg, que analisou cada ângulo e entregou diversos momentos imergindo o público dentro da cena como se estivesse em primeira pessoa na trama, colocou muitos elementos sendo jogados/explodidos e principalmente, mesmo que muitos não gostem disso em longas 3D, trabalhou a profundidade dos cenários no nível máximo para que cada ato funcionasse muito bem e tudo tivesse texturas, mesmo num jogo de realidade virtual, ou seja, a cenografia de Oasis é do mesmo nível de muitos bons jogos da atualidade, sem perder o charme dos jogos antigos.

Não vou me alongar falando minha idade, mas friso que os anos 80/90 foram os anos musicais com canções tão icônicas, que se Spielberg ou melhor Ernest Cline (o criador do livro) está falando que em 2044 voltaremos a ouvir bastante essas canções, já podemos ter uma esperança no futuro! E claro que tudo aqui deu ritmo e funcionou com perfeição na trama, tanto que não vou deixar um link, mas sim dois com a trilha sonora original e também com a trilha sonora de canções que tocam na trama, ou seja, algo mais completo para todos entrarem no clima após ou antes de ver o longa.

Bem é isso pessoal, um filme muito incrível que agrada na medida certa, diverte como nunca e que vai fazer fãs de videogame saírem das sessões extasiados. Não possui nenhuma cena pós-crédito, mas que poderiam fazer uma continuação, incorporando mais jogos ainda, certamente poderiam, veremos como vai se sair nas bilheterias. Mas de uma coisa eu adianto para todos, recomendo demais, e falo para irem logo para os cinemas, pois esse é daqueles que merecem ser assistidos na maior tela possível (no caso de Ribeirão Preto minha recomendação é a Imax do UCI Cinemas) e que vai valer a pena pagar pelo 3D da trama, pois funciona na maior parte das cenas. Já justifiquei o motivo de não dar a nota máxima mais para cima, então fico por aqui hoje, e amanhã volto com mais textos das outras estreias da semana no interior, então abraços e até breve.

2 comentários:

Heitor disse...

Gostaria de aproveitar o espaço pra te agradecer imensamente esse seu trabalho que tanto nos ajuda com informações e impressões sobre os filmes em cartaz. Após ler sua crítica, fui conferir esse filme que anteriormente, pelos trailers, não tinha chamado minha atenção. E qual não foi a surpresa por constatar quão ótimo e bem trabalhado é esse filme. Me diverti muito e se pode traçar vários paralelos com o que estamos vivendo e o futuro que se aproxima, além de relembrar ótimas músicas, personagens, filmes e tudo o mais que nos é proporcionado. Um grande abraço e lhe desejo tudo de bom para que continues com esse excelente trabalho.

Fernando Coelho disse...

Obrigado Heitor!! Que bom que gosta do que faço... sei que nem sempre vou agradar a todos, mas procuro ser bem sincero ao menos com minha opinião, então as vezes num bate né... mas aqui foi um filmão mesmo, com muitos elementos, e vibração... abraços e volte sempre pra discutirmos mais sobre os filmes!!

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