No Coração do Mar em 3D (In the Heart of the Sea)

12/03/2015 03:15:00 AM |

Bem meus amigos, o ano já está entrando no seu último mês, e ainda faltava aquele gostinho que tanto me perguntam: "Será que vai ter algum filme que valha a pena ver em 3D?", e esse ano, até a presente data tínhamos 29 longas lançados com a tecnologia, e tendo uma cena aqui bem feita, outra ali, mas um faltava mais história, outro alguma melhor atuação, e eis que aos 45 minutos do segundo tempo (ainda pode haver o gol nos acréscimos dia 18, mas falaremos melhor quando chegar a data) temos o melhor 3D com história do ano num filme denso, tenso e incrível com boas nuances, interpretações e uma direção incrível que Ron Howard nos entregou em "No Coração do Mar", ou seja, um filme que quem tiver fobia de água pode sair até afogado com as cenas, e quem não tiver certamente irá curtir muito a história do livro que mostra o dia a dia do navio Essex e simula como Herman Melville escreveu seu livro "Moby Dick". Claro que o filme tem algumas partes com histórias demais que dão uma leve cansada no miolo, mas a maior parte é tão sensacional que apagamos elas fácil da mente.

O longa nos mostra que no inverno de 1820, o barco baleeiro de New England (EUA) Essex foi atacado por algo em que ninguém podia acreditar: uma baleia de imenso tamanho e determinação, e um sentido de vingança quase humano. O desastre marítimo que ocorreu na vida real inspiraria Melville a escrever Moby Dick. Entretanto, o livro contou apenas metade da história. "No Coração do Mar" revela as terríveis consequências do encontro, à medida que a tripulação sobrevivente do barco é levada aos seus limites e forçada a fazer o impensável para permanecer viva. Enfrentando tempestades, fome, pânico e desespero, os homens serão levados a questionar suas crenças mais profundas, do valor de suas vidas à moralidade de sua atividade, enquanto seu Capitão busca orientação no mar aberto e seu Imediato ainda tenta derrotar a grande baleia.

É interessante observar que muitos vão olhar a história como algo 100% ficcional, mas o livro em que a trama é baseada não é "Moby Dick" de Melville, mas sim o livro homônimo da história de Nathaniel Philbrick, o qual conta a história de sobreviventes de um caso real de uma embarcação atacada por uma baleia branca aonde tiveram de fazer praticamente tudo o que é mostrado no filme para sobreviverem, e claro que junto à isso o mito foi criado e colocaram a personificação de Melville para dar uma criatividade na criação de seu imenso livro. Toda essa montagem criativa do roteiro é algo que uma equipe de roteiristas teve todo o cuidado para que dois livros enormes não ficassem monótonos na tela e absurdo demais para que empolgasse a imaginação das pessoas, e felizmente conseguiram trabalhar toda essa fantasia realística de uma maneira ousada e que o diretor Ron Howard("Rush: No Limite da Emoção", "Uma Mente Brilhante", "Apollo 13", entre outros) pode trabalhar planos bem dinâmicos, aonde o público quase que adentra a tela através da tecnologia e fica junto com os protagonistas nas melhores cenas de ação possíveis, desenvolvendo tanto a parte histórica e dura da trama, quanto a parte mais cheia de movimentos de câmera para que o longa ficasse repleto de ação, ou seja, uma junção completa de diversões. É interessante observarmos que a ousadia foi algo predominante nos ângulos de câmera, pois tivemos posições de todas as maneiras possíveis para criar vertigem, imersão, outrora profundidade colocando a câmera através de vidros, e a cada plano víamos quase que uma novidade de observações para fazer, o que condiz com as grandes obras adaptadas.

O longa está repleto de grandes estrelas no elenco, e felizmente todos deram o máximo para que seus personagens ficassem dentro do contexto da trama e empolgassem com suas cenas, além claro da grande preparação que tiveram de fazer para as cenas em deriva, aonde fizeram uma dieta básica de apenas 600 calorias, ficando todos bem magrinhos. Chris Hemsworth conseguiu não incorporar o Thor e entregou um Owen cheio de personalidade e com um carisma incrível tanto para o personagem que narra toda a trama, quanto para o público, e isso é algo bem interessante, pois se olharmos à fundo a gênese do personagem e sua cena inicial bem dura com a esposa, certamente criaria um antipatismo geral, o que acabou não acontecendo, e ainda assim em sua cena "romântica" com a baleia trouxe um simbolismo incrível para que o filme ficasse ainda mais bonito. O personagem Thomas Nickerson é interpretado muito bem em suas duas épocas, quando velho por Brendan Gleeson que conseguiu emocionar e criar ótimas dinâmicas com seu tom de voz (volto a pontuar aqui que sempre veja um longa legendado para ouvir as nuances que o ator tanto trabalha) e quando jovem pelo brilhante Tom Holland que já havia nos emocionado no longa "O Impossível" e aqui criou personalidade para o jovem marujo e foi brilhante em diversas cenas que exigiram sua interação com os demais protagonistas, destaque claro para suas duas últimas no bote e de despedida com Owen. Benjamin Walker pontuou de forma marcante toda a inexperiência do capitão Pollard usando semblantes enigmáticos e brigando com os momentos aonde precisou impor respeito, ou seja, trabalhou opostos quase que ao mesmo tempo, mostrando que quer apagar algumas besteiras de longas passados, que falaram que ele não sabia atuar. Ben Wishaw deve estar devendo impostos nos EUA, pois estão lançando um filme atrás do outro com participações grandes suas, primeiro foi "007 Contra Spectre" com seu Q, e agora interpretando o escritor Melville soube agradar nas formas de questionamento e sempre mostrando-se bem interessado para com a história que estavam lhe contando criou perspectivas bem favoráveis para o personagem. A trama ainda conta com outros excelentes atores que agradaram bastante em suas cenas, Cillian Murphy com seu Matthew Joy trabalhou um lado mais sério e impactante, além claro de sua última cena na ilha ser emocionante, Paul Anderson trabalhou bem o seu Chappel e deu algumas dinâmicas bacanas, Frank Dillane conseguiu ser aquele personagem chato que tanto torcemos pela morte ao fazer seu Coffin bem arrogante e presunçoso, entre outros, ou seja, um elenco pronto para o combate que não deixou a responsabilidade de lado em nenhuma cena.

Claro que muita coisa é falsa e feita digitalmente, afinal botar um elenco monstruoso desse para se aventurar no mar da forma que ocorre no longa seria um ato de completa insanidade do diretor, mas tudo foi cenograficamente tão bem feito que agrada demais no conceito cênico, tendo bons elementos marcantes à cada novo plano, o navio possui uma pompa incrível digna da época em que se passa a trama, figurinos impecáveis e claro que um trabalho digital maravilhoso para compor as cenas de tormenta no mar. Certamente esse será mais um longa que vai valer ver cenas de making of, pois o processo todo deve ter sido bem divertido e trabalhoso para a equipe de arte. Agora outra turma que certamente teve muito trabalho foi a equipe de fotografia, pois tanto trabalhar com cenografia digital, quanto iluminar(ou melhor rebater e tirar luz do sol) em cenas que envolvam água é algo extremamente difícil. Agora vamos falar do que toda vez me perguntam, se vale a pena pagar mais caro para ver em 3D? Sim, vale muito, pois claro que o efeito não foi usado no longa inteiro, mas nas cenas que foram colocadas é de uma maneira tão impressionante que chega a ser chocante, dando vertigem, sentindo falta de ar com água vindo de todos os lados, cordas passando do seu lado, personagens focados em ângulos para que o público aparente estar sentado do lado, ou seja, um deslumbre completo, que certamente visto nas salas maiores dos cinemas vai impressionar bastante, no meu caso vi na sala Imax, que deu uma profundidade melhor ainda.

Enfim, um filmaço, que agrada demais e certamente tem de ser recomendado para todos. Ele possui defeitos, o principal é alguns pontos do miolo lentos e que não empolgam tanto, mas que são bem compensados nas cenas seguintes, ou seja, vai passar até despercebido. O filme em si não é longuíssimo, possuindo apenas 121 minutos, mas devido à esse probleminha do miolo, aparenta ser um pouco maior. Mas ainda assim, volto a repetir o que disse no Facebook e no início do texto, que certamente não é o melhor filme do ano, mas no quesito 3D, mesmo "Star Wars" vindo por aí, ainda acho que essa será a melhor experiência na tecnologia. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, agradecendo o pessoal da Difusora FM 91,3Mhz pela excelente pré-estreia que lotou uma das maiores salas da região, no caso a sala Imax do UCI Ribeirão Shopping, e certamente empolgou muito à todos. Apenas está começando essa semana cinematográfica e ainda voltarei com muitos outros posts, então abraços e até breve.


2 comentários:

Soy Sofia Maror disse...

Gosto de tudo e não tinha muito bons comentários. Em suma, "In the heart of the se " é um espetáculo visual muito interessante que recebe cenas específicas com força suficiente. Além disso, o filme também adiciona duas reflexões interessantes: em primeiro lugar, com Melville como eixo sobre o ato de escrever, sobre o medo de nossa própria incapacidade ea luta interna entre revelando e inventar, entre a transmissão da verdade e da captura da essência; ea segunda, sobre os interesses comerciais eternas e a tirania do dinheiro.

Fernando Coelho disse...

Olá Soy Sofia... realmente o filme sofreu duras críticas do pessoal, que não consigo enxergar o motivo, pois também adorei tudo o que vi! E quanto as reflexões é exatamente isso algumas das boas sensações que ele consegue passar!! Abraços e obrigado pelo comentário!

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