A História do Som (The History of Sound)

3/01/2026 01:47:00 AM |

É engraçado como alguns trailers de filmes passam tanto nas variadas sessões que vemos, e outros praticamente nem ficamos sabendo da existência se formos apenas pelas "propagandas" dentro das salas dos cinemas, e um exemplar bem claro disso é o longa "A História do Som", pois até recebi alguns materiais da distribuidora, mas acabei nem parando realmente para saber do que se tratava o filme, mas hoje conferindo pude me envolver tanto com a ideia, sendo daquelas tramas bonitas de essência e de execução, aonde a música dá a vida necessária para a obra, trazendo o folk como algo histórico do momento das pessoas, e advindo com a famosa sensibilidade de como algumas pessoas mudam a vida de outras em suas passagens, e outras apenas passam realmente, sendo de uma sutileza o relacionamento e as dinâmicas mostradas, que ao final o que realmente percebemos é o sentido de estar. Ou seja, é daqueles filmes que poderiam facilmente ser muito mais difíceis de entrar em contato e sentir o que o diretor desejava mostrar, mas que sendo simples e sutil consegue comover e envolver durante toda a exibição, nos levando numa viagem ao passado sentindo realmente cada detalhe sonoro da trama. E um detalhe muito curioso que aconteceu na sessão que estava foi o silêncio máximo da plateia no começo, aonde o longa as logomarcas dos estúdios vão aparecendo em silêncio total, parecia que os demais na sala nem respiravam para ouvir algo, e foi lindo de sentir isso.

O longa acompanha Lionel, um talentoso estudante de música que conhece David, no Conservatório de Boston, onde eles se conectam pelo profundo amor que compartilham pela música folk. Anos depois, os dois se reencontram e partem juntos a uma viagem improvisada pelo interior do Maine, para coletar canções tradicionais da cultura folk. Esse encontro inesperado, o caso de amor que nasceu dele e a música que eles coletam e preservam, vão influenciar o curso da vida de Lionel muito além de sua própria consciência.

O estilão calmo do diretor Oliver Hermanus é daqueles que consegue transparecer na telona, de tal forma que aqui ele pegou um primeiro roteiro original de Ben Shattuck que era uma história bem curta e rápida, e a desenvolveu de uma forma brilhante, cheia de nuances, aonde praticamente sentimos a calmaria do folk emocionado sendo passado de uma ponta a outra dos EUA, brincando com facetas e dinâmicas, criando um vínculo relacional de amizade e amor entre os protagonistas num período não tão usual para isso, mas bem mais do que criar um romance homossexual na tela, a escolha do diretor em trabalhar isso como uma amizade maior e o amor de ambos pelas canções cheias de lamúrias foi bem encaixada, pois acabou brincando com algo mais amplo e que não causasse tanta polêmica. Ou seja, ainda vemos o clima quente nos momentos que passaram juntos, mas também sentimos mais a presença musical e a beleza visual de uma fotografia bonita, de uma canção gostosa e até aprendemos como eram gravadas as canções antigamente tudo em uma obra só.

Quanto das atuações, diria que Paul Mescal é aquele tipo de ator que consegue fazer você seguir ele com seu olhar, de modo que seu Lionel extremamente tímido poderia facilmente desfocar o longa fora de si, mas pelo contrário acabou puxando o público para o carisma do personagem, e isso acaba sendo bacana de ver, pois não é aquele papel explosivo, e sim nas entrelinhas e nos detalhes que foi passando suas emoções na tela, agradando do começo ao fim. Já Josh O'Connor trabalhou seu David com uma pegada mais direta, tendo um estilo cativo, mas também fechado, sabendo se portar e pontuar bem junto do protagonista, tendo uma química interessante de contrapontos, mas também de muitas semelhanças, e essa essência acabou sendo marcante no tempo que compartilharam a cena do longa. Até tivemos outros personagens interessantes na história, mas o diretor foi muito esperto em não tirar o foco deles, de modo que por incrível que pareça não vale dar destaque para nenhum ator fora dos dois, inclusive para o personagem de Lionel mais velho, pois não foi algo tão chamativo quanto ao valor do restante.

Visualmente o longa é belíssimo, mostrando várias cidades, épocas e quase um mochilão pelos EUA captando áudios de canções folk com uma máquina que já tinha visto anteriormente em outros filmes tocando algumas captações, mas nunca o inverso que desconhecia de fazer riscos em velas de cera para gravar as canções, o que foi bem bacana, além de pessoas de todos os tipos nos mais distantes lugares do interior, mostrando suas culturas e estilos, e depois mostrando também um pouco da Europa mais rica e cheia de ambientes clássicos para os cantores como o protagonista.

Enfim, é um filme que não é para todo público, pois o estilo folk possui uma cadência mais lenta que o diretor soube aproveitar para dar as devidas nuances na tela, e junto a isso a temática diferente dos padrões pode levar muitos a estranharem o que verão no longa, mas vale a recomendação para darem uma chance, pois é bem bonito todo o resultado completo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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