A sinopse nos conta que num pequeno zoológico em Caracas, a chegada do hipopótamo Zafari é comemorada por vizinhos de diferentes classes sociais. Uma família acompanha as comemorações da janela de seu apartamento em um condomínio decadente de classe alta. Em meio ao caos gerado pela escassez de alimentos, água e energia elétrica, a família precisa resolver problemas cotidianos enquanto tenta encontrar uma solução para deixar o país. A mãe, Ana, percorre o prédio à procura de comida nos apartamentos abandonados, mas ruídos estranhos pelos corredores escuros a amedrontam cada vez mais. Num mundo cada vez mais selvagem, Zafari é o único que ainda tem o que comer.
Já tinha falado bem da diretora e roteirista venezuelana Mariana Rondón em seu longa anterior "Pelo Malo", e aqui ela volta a entregar muito com seu estilo, sem precisar criticar elos políticos ou dinâmicas do seu país de uma forma escancarada, mas brincando com a faceta do terror/suspense e colocando tudo como uma distopia fora do comum, acaba abordando situações que muitos sabem que acontecem por lá, e sendo uma das poucas realizadoras do país no momento, conseguiu envolver toda a situação com uma cadência primorosa e cheia de nuances, aonde a ideia vai além, mas que sem deixar o fio solto acaba segurando o público com a essência e com todas as dinâmicas. Ou seja, é um filme aonde vemos a mão da diretora em cima de uma ideia alegórica, mas que não deixa a realidade e a discussão fora do ar, e isso é brilhar com poucos instrumentos e acertar sem forçar.
Quanto das atuações, a protagonista Daniela Ramírez fez uma Ana atuante e marcante, transmitindo bem a sensação para o espectador de como as coisas estão andando, tentando fazer e trazer a comida para sua família, indo nos imóveis vazios e vendo o que conseguia para seu meio ficar mais normal como uma mãe de família faria, e com olhares densos e incrédulos foi mudando a concepção de tudo conforme se viu jogada, ou seja, fez bem e chamou para si a responsabilidade, agradando e se impondo. Da mesma forma, Francisco Denis trabalhou seu Edgar meio que de forma mais jogada, parecendo aceitar o rumo que as coisas estão tomando, mas não querendo se rebaixar, até o ponto que se perde por completo pelo desespero social e depois pela fome em si, e assim o resultado impacta e o ator soube passar bem a essência na tela. Entre os demais, diria que as expressões de Varek La Rosa com seu Bruno foram bem marcantes, mas poderia ter trabalhado alguns diálogos para chamar mais atenção; e Samantha Castillo fez uma Clara bem densa e cheia de traquejos para não se deixar levar na tela, trabalhando diretamente qualquer diálogo em sua direção.
Visualmente posso dizer que o longa foi muito rico de detalhes, tendo diversos apartamentos abandonados por onde a protagonista vai entrando e procurando comida e o que pudesse levar para seu apartamento, com destaque claro para os guardanapos natalinos que acabaram ocupando dupla função, tivemos o contraste entre os dois prédios, a forma de viver em conjunto bem indisposta entre as duas classes sociais, uma floresta rica ligando ambos os lugares, e claro o hipopótamo robusto tendo sua comida roubada pelos grupos. Ou seja, é o famoso filme que tudo serve para representar em detalhes uma decadência e a situação aonde os personagens vivem, com cada elemento sendo muito bem usado pela direção, não fazendo o trabalho da equipe de arte ser jogado em vão.
Enfim, é um filme bem interessante, com uma proposta intensa e marcante para refletir sobre não só a situação de um país, mas talvez de muitos num ambiente distópico futuro, que vale a conferida para algo a mais do que apenas um entretenimento, mas que também agrada como algo gostoso de ver na tela. Então fica a dica para a conferida a partir da próxima quinta 05/02 em cinemas selecionados, e eu fico por aqui hoje agradecendo a Vitrine Filmes e a Sinny Assessoria pela cabine, então abraços e amanhã com mais dicas.
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