Netflix - Uma Carta à Minha Juventude (Surat Untuk Masa Mudaku)

2/05/2026 01:04:00 AM |

Costumo embarcar bem em longas mais sentimentais, porém gosto de ser surpreendido quando entregam aquele algo a mais que vai além da emoção preparada, e hoje precisava talvez de um filme que me fizesse quebrar algumas situações para embarcar, de tal forma que o longa indonésio da Netflix, "Uma Carta à Minha Juventude", parecia que seria a trama ideal para o momento, por trabalhar órfãos e até mesmo o luto como um baque possível para ter boas dinâmicas. Porém acabaram fazendo um filme tão linear e previsível, que a emoção acaba não acontecendo como deveria, e isso não me deixou com um filme ruim para conferir, pois as dinâmicas até que tem um bom sentimento na tela, mas a linearidade e a previsibilidade não foram suficientes para fazer com que o espectador quebrar o eixo total, e isso pesou no resultado.

O longa nos conta que um jovem rebelde tem o seu caminho traçado com um cuidador introspectivo durante a sua passagem por uma instituição de acolhimento. Apesar de todas as dificuldades, os dois passam a criar uma relação sincera e os traumas de seus passados se tornam o combustível ideal para a manutenção dessa amizade. Promovendo uma reflexão sobre as fases da vida, o longa mostra como as experiências da juventude podem moldar toda a fase adulta.

Diria que o diretor Sim F. trabalhou a história real de um modo simples, porém efetivo, pois a história em si funciona, é bem contada e até mostra um certo envolvimento dos personagens na tela, tendo interpretações bem dirigidas dos pequenos e construindo as dinâmicas com uma leveza simples, porém efetiva. Claro que passa longe de ser algo memorável o que fez, talvez pelo roteiro ser simples também, mas o resultado acaba sendo honesto e funcional, que abre a proposta e cria algo "de homenagem" a uma pessoa que fez a mudança acontecer.

Quanto das atuações, os personagens velhos no começo e no final não me encaixaram bem, parecendo até um pouco artificiais na tela, então vou optar por nem falar deles, mas já entrando diretamente em Agus Wibowo fazendo um Simon inicialmente com um carisma até negativo, introspectivo e fechado, não dando aberturas para nada na tela, até a virada no cemitério com o garoto, passando a ser alguém incrível, cheio das nuances, e sendo daqueles que você realmente tem vontade de abraçar até seu ato de fechamento, ou seja, foi bem demais no que fez. O garoto Millo Taslim entregou muita personalidade para que seu Kefas fosse intenso, tendo leves incômodos pela forma que fez algumas dinâmicas, mas sabendo bem da vida do jovem dá para entender. Outra que foi bem na tela, mas um pouco mais em segundo plano foi Aqila Herby com sua Sabrina mandona, cheia de traquejos, e que foi até engraçado que a versão adulta ficou muito parecida com ela, então souberam escolher bem o elenco. Ainda vale alguns leves destaques para Willem Bevers com seu Wahyu fazendo boas conexões, e também para os garotinhos Halim Latuconsina com seu Boni e Jordan Omar com seu Romi, mas sem irem muito além.

Visualmente a trama ficou bem fechada dentro do orfanato, saindo poucas vezes para ir na escola das crianças e também na funerária aonde trabalharam um visual meio carismático demais para um lugar desse estilo, mas nada que irritasse tanto quanto o estilão do dono, e dentro do orfanato tivemos alguns bons momentos nos eventos beneficentes e alguns exageros nas refeições, mas sem grandes chamarizes, valendo claro ver os ensaios do coral e toda a dinâmica em cima da música famosa Kidung que toca umas dez vezes ou mais no longa.

Enfim, é um filme bacana, honesto e que entrega bem a proposta na tela, mas que faltou emocionar mais para que ficasse bem melhor, e assim sendo diria que não atingiu o objetivo que eu procurava hoje que era de me envolver mais com um longa, e assim sendo recomendo ele com algumas ressalvas a mais. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.


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