Dunkirk em Imax

7/30/2017 02:35:00 AM |

Se você gosta de filmes de guerra, mas sempre reclamou de filmes longuíssimos, aonde necessariamente se tem um herói de guerra, toda uma mítica completa, e gostaria de ver realmente os diversos personagens batalhando ou tentando sobreviver como é o caso aqui, "Dunkirk" com certeza é o filme que você deve correr para ver. Digo isso sem pesar algum, pois o longa nos remete tantos sentimentos, criando uma tensão tão forte, emocionando nos momentos mais incríveis e com uma profundidade tão bem colocada e até divertindo em algumas situações, que mesmo sendo "curto" (dentro dos padrões dos longas de guerra), o filme acaba parecendo ainda maior e agradando logo de cara nos transportando para dentro dele quase que no meio dos personagens, e certamente era essa a sensação que o diretor desejava passar ao filmar o longa quase inteiro com as câmeras Imax, proporcionando cada momento como algo forte, tenso e bem colocado. Ou seja, entre no clima que o longa proporciona e se emocione, pois até agora esse certamente é o filme do ano.

A sinopse nos conta que na Operação Dínamo, mais conhecida como a Evacuação de Dunquerque, soldados aliados da Bélgica, do Império Britânico e da França são rodeados pelo exército alemão e devem ser resgatados durante uma feroz batalha no início da Segunda Guerra Mundial. A história acompanha três momentos distintos: uma hora de confronto no céu, onde o piloto Farrier precisa destruir um avião inimigo, um dia inteiro em alto mar, onde o civil britânico Dawson leva seu barco de passeio para ajudar a resgatar o exército de seu país, e uma semana na praia, onde o jovem soldado Tommy busca escapar a qualquer preço.

Muitos vão até se perder um pouco com a história tendo três tempos diferentes de execução (como já falado até na sinopse, uma hora no céu, um dia no mar e uma semana na cidade/praia), mas o que Christopher Nolan acabou desenhando em seu novo filme foi algo que supera tudo e todos, mostrando as angústias e desesperos que os soldados sentiam em tentar sobreviver no meio de uma guerra aonde estavam cercados pelo inimigo por todos os lados, e aonde os civis precisaram ajudar para salvar esses que estavam ali para salvar os civis. E com essas nuances de cada estilo, pois tinham aqueles que só queriam fugir, aqueles que desejavam lutar, e até mesmo os que estavam com os desesperos de guerra mesmo, marcando diversos traços, e estilos. Porém o grande feito do diretor, foi colocar o público como parte do enredo no estilo de filmagem, criando uma perspectiva mais proximal que chega a dar angústia de não saber se os personagens sobreviverão, se sabem nadar realmente, quem é quem ali, e por aí vai, de modo que com grandiosas sacadas, ângulos precisos e muita sintonia de saber aonde quer chegar, pois como falei no começo, ao trabalhar tempos diferentes, com tudo acontecendo no mesmo âmbito, o resultado acaba sendo incrível e pertinente ao tamanho dos trabalhos do diretor tanto em história (afinal o roteiro também é seu), quanto em condução rítmica da trama.

Por incrível que possa parecer, o longa em si não é um filme que dependeu tanto das atuações, pois cada um certamente deu boas interpretações para seus personagens, mas a guerra em si e os sentimentos dos personagens são os protagonistas da trama, de modo que qualquer um poderia atuar no filme, e fazer bem qualquer papel, tanto que Nolan até colocou um cantor da moda para aparecer, e isso não atrapalhou em nada, ou seja, não vamos dizer que sem eles o filme existiria, afinal em uma guerra se necessita de pessoas, mas qualquer ator poderia funcionar em cena. Dito isso, temos de dar certamente o destaque para os três principais com maior tempo de tela, e claro que mesmo com feições de apavorado, Fionn Whitehead conseguiu mostrar que seu Tommy mesmo ingênuo, conseguiu sobreviver desde o começo da trama, fugindo, se escondendo e sendo esperto nos momentos de maior precisão, o que mostra que em seu primeiro filme, o jovem ator soube dosar um bom estilo e chamar a responsabilidade cênica quando precisou. Mark Rylance já é literalmente um velho de guerra, e aqui seu Dawson mostra a sabedoria de um capitão de navio aliada aos conhecimentos de guerra sem nunca estar em uma, mas com olhares pontuais, e uma ótima história por trás de sua história, ele e o filho interpretado por Tom Glynn-Carney (também estreando nos cinemas) junto do amigo foram com muita garra enfrentar ondas para salvar quem aparecesse em sua frente, em algo duro e muito bem feito. E nos ares, a responsabilidade ficou por um velho conhecido de Nolan, Tom Hardy com seu Farrier, que foi sagaz nas manobras, e certamente ficou bem assustado com tudo o que o piloto real fez com ele (afinal Nolan não usou computação gráfica e colocou todos para voar realmente), e com isso o ator até que fez bons olhares e agradou bem junto com Jack Lowden com seu Collins. Não digo que a atuação de Harry Styles tenha sido fraca com seu Alex, muito pelo contrário, o jovem cantor que agora quer alçar novos voos como ator também soube ser duro nas cenas mais desesperadoras e com uma desenvoltura bem própria saiu-se muito bem nas cenas de encerramento, ou seja, poderia ser qualquer pessoa ali, mas o jovem fez bem e isso faz por valer.

No conceito visual o longa tem uma proporção tão gigantesca que chega a assustar, pois temos navios de guerra (poucos, mas bem colocados para chamar atenção), muitas cenas com aviões, muitos figurantes, explosões, barcos de todos os estilos (iates pequenos principalmente), figurinos coerentes, e tiros para todos os lados (um defeito aqui que cabe citar, poderia ter mais sangue!), e essa grandiosidade filmada com câmeras de grande expansão como as Imax, e sendo visto em Imax, amplia tanto a tela que vemos detalhes e mais detalhes em cena, como algo que chega a impressionar e envolver a cada novo ato, se tornando uma beleza pura, mesmo que aterrorizante como é uma guerra. Além de bons elementos, coube a equipe fazer uma fotografia de tons cinzas e azulados que criassem nuances, dramaticidades, e principalmente tensão, pois a cada plano bem aberto com a sensação de vir algo a qualquer momento de cada lado fez com que o filme ficasse duro, e como disse, essa boa jogada de colocar o espectador dentro do longa, só foi certeira pela boa escolha de ângulos, e claro de iluminações coerentes.

Como é de praxe falar, filmes que Hans Zimmer entra com sua trilha sonora, não tem como errar em ritmo e tensão, pois cada ato fica maior e mais grandioso em estilo, e prende o espectador na cadeira, e junto de uma sonoridade incrível, que bem mixada com efeitos de explosões e tiros, sem tirar em quase momento algum a boa trilha, o resultado vai além. Detalhe, se você não gosta de muito barulho, esse não é o filme para ir conferir, pois as poltronas chegam a mexer com a boa mixagem dos tiros, estouros, aviões dando rasante e tudo mais.

Enfim, é um filme incrível, que vale demais ser visto, pois volto a frisar, nesse ano ainda não havia aparecido um longa que conseguisse transmitir tantos sentimentos em duas horas de projeção, destaque para o momento da chegada dos barcos que arrepia total, portanto vá conferir o longa na maior sala possível (em Ribeirão veja em Imax no UCI) e esteja por algumas horas dentro de uma guerra (claro sem chance de levar nenhum tiro!) e experimente tudo que o melhor filme do ano (até agora!) pode lhe proporcionar. Fica assim sendo minha recomendação, e até que enfim, posso soltar o primeiro 10 coelhos do ano (acredito que terá mais alguns em breve para competir com esse como melhor do ano). Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia da semana, então abraços e até breve.

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