Um Tio Quase Perfeito

6/16/2017 09:20:00 PM |

Sempre digo que quando se quer agradar no cinema cômico brasileiro, a fórmula é não apelar e conseguir transmitir uma boa essência para a família toda, pois geralmente quem gosta de diversão nacional, procura longas divertidos e não apelativos, e com uma boa simplicidade "Um Tio Quase Perfeito" consegue ser agradável e transmitir uma boa dinâmica. Claro que está bem longe de ser algo perfeito, que faça você gargalhar e sair recomendando como a melhor comédia nacional dos últimos tempos, mas de uma maneira bem gostosa ele consegue transmitir lições familiares e ainda divertir com uma comoção leve no final para tentar apagar os erros de um roteiro simples demais.

O longa nos mostra que Tony é um malandro trambiqueiro que adora se disfarçar para ganhar dinheiro de inocentes. Ele já foi estátua viva, pastor, cartomante - tudo com a ajuda de sua mãe, Cecília. Depois de serem despejados de casa, os dois procuram Angela, outra filha de Cecília e com quem eles não falam há anos, que cai na lábia dos dois e se oferece para dividirem o mesmo teto. Após receber uma promoção no emprego que a obriga a passar um tempo viajando, Angela decide deixar os seus três filhos sob os cuidados do Tio Tony - o que vai ocasionar muitas confusões.

Podemos dizer que o diretor Pedro Antônio é alguém bem corajoso, pois começar no cinema com uma comédia, e ainda buscar inspiração em um clássico de família que foi "Uma Babá Quase Perfeita", é algo para bem poucos, mas ele foi singelo ao mostrar que só teve a inspiração mesmo, pois seu longa é infinitamente mais simples e menos eloquente que a trama americana, e principalmente acabou mostrando os defeitos de uma primeira direção, que é ser curto e objetivo para não errar a mão. Portanto se você viu o trailer muitas vezes provavelmente ao conferir o longa você vai rir das piadas que já foram mostradas lá, e nada muito além disso, porém o que não consta ao menos do primeiro trailer é a dose emotiva e familiar da trama, que essa sim compensa e foi mostrada um pouco no segundo trailer, e se talvez o diretor tivesse focado mais ali, o acerto seria maior ainda, já que Majella possui uma veia cômica, mas seu ar família é muito mais inspirador que suas piadas sem graça.

Falando um pouco mais do primeiro protagonista que Marcus Majella faz no cinema, seu Tonny não chega a ser caricato, e isso é bom, pois conhecendo um pouco dos seus papéis, meu maior medo era de que ele saísse gritando, girando e fazendo mil firulas, mas ele foi centrado e pôs a cara a tapa puxando bem a responsabilidade da protagonização para que seu filme convencesse e agradou de modo geral. Ana Lucia Torre apareceu até menos do que imaginava com o trailer, aparentando que sua Cecília chega até sumir de cena num certo período, o que soa estranho, mas também não vemos nenhum grande erro na sua interpretação, o que já é satisfatório. Leticia Isnard deu um bom tom para os poucos momentos de sua Angela, e sem ousar nem fazer expressões muito chamativas agrada nas cenas mais impositivas frente as atitudes do irmão e acerta para dar ao menos algumas lições. Agora certamente temos de dar parabéns para as crianças João Barreto como João, Sofia Barros como Valentina e Jullia Svacinna como Patricia, principalmente para o estilo mais marcado dessa última, que já desponta trabalhar mais olhares e feições, e certamente em breve deve despontar em novelas, filmes e afins, iremos marcar seu nome. Dos vilões é quase uma piada falar algo, pois apareceram, cobraram e sumiram, e sendo assim melhor nem contar que estiveram no longa. Quanto do pai, só temos de pontuar o tiro certeiro da produção em mostrar o quão difícil é para as crianças viver com pais ausentes, e assim sendo o ator nem precisou fazer muito em suas duas cenas.

Visualmente, a equipe de arte foi esperta em pegar diversas inspirações em vídeos da internet, como o da trança com aspirador que viralizou e já está no trailer, mostrar bem a bagunça que pode virar uma casa sem alguém tomando conta realmente, e até mesmo brincar com a ideia da peça misturando Shakespeare com vampiros, o que é uma moda recorrente de modernidade contemporânea, e sendo assim foram simples, mas bem colocados com os trambiques do protagonista e acertaram em não pulverizar o longa com situações grotescas ou apelativas de estilo, o que foi de bom tom. A fotografia também não ousou muito, apenas deixando os tons bem coloridos para divertir e iluminação no nível máximo para não errar, botando apenas um momento em semitom para destacar o momento mais forte da atuação do garotinho frente ao pai, mas nada que chegue a chocar, sendo apenas um bom acerto.

Enfim, poderia ser algo bem pior, pois pelo trailer aparentava algo maus apelativo, e felizmente não fizeram isso, mas também poderiam ter ousado um pouco mais para que ficasse algo mais forte e impactante ou que realmente divertisse ao ponto de gargalharmos, mas como disse o resultado familiar acaba agradando e valendo o ingresso de quem for disposto a ver algo leve e simples. Portanto fica assim minha recomendação, e agora vou para mais uma sessão do Festival Varilux, então abraços e até mais tarde.

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