Need For Speed em 3D

3/16/2014 01:34:00 AM |

Se tem um gênero de filme que qualquer produtor gela a alma na hora de comprar os direitos são as adaptações de jogos de videogame, pois os fãs não perdoam qualquer coisa que possa estragar seus bons momentos nele. Porém se teve um filme que podemos olhar detalhes muito presentes da cenografia original do jogo é "Need For Speed", que nos momentos que o longa sai da história criada com os atores e entra pra dentro do carro, e praticamente viramos o piloto, o que vemos ali é exatamente o que víamos no jogo, claro que agora com carrões reais mesmo voando e sendo destruídos, o que fez o orçamento ir nas constelações. A história existente por trás também agrada bastante, e acabamos conhecendo alguns detalhes bem interessantes que no jogo não lembro de existir, mas aqui ficou bem divertido de acompanhar.

O filme gira em torno de Tobey Marshall, um mecânico que compete com carros de alta potência em um circuito não oficial de corridas de rua. Em sua luta para manter a oficina de sua família funcionando, Tobey hesitantemente se associa ao rico e arrogante ex-piloto da NASCAR Dino Brewster. Mas bem quando Tobey está prestes a fechar uma grande venda com a revendedora de automóveis Julia Bonet que poderia salvar sua oficina, uma corrida desastrosa permite que Dino monte uma armadilha e culpe-o por um delito que ele não cometeu, e pelo qual Tobey é enviado a prisão enquanto Dino continua expandindo seus negócios para o oeste. Dois anos depois, Tobey é libertado e empreende uma busca por vingança, mas sabe que a única possibilidade de destruir seu rival, Dino, é derrotando-o na pista de alto risco conhecida como De Leon: a competição mais emblemática do circuito de corridas clandestinas. Contudo, para atingir seu objetivo em tempo, Tobey deverá superar um desafio de alta octanagem e cheio de ação, que incluirá escapar da perseguição de policiais de costa a costa e fazer frente a uma recompensa perigosa que Dino ofereceu por seu carro. Com a ajuda de sua leal equipe e da surpreendentemente engenhosa Julia, Tobey supera obstáculos a cada passo e demonstra que, mesmo no mundo suntuoso dos carros superpotentes, quem sempre perde também pode ganhar.

É interessante observar quando uma história acaba bem encaixada numa trama que aparentemente não teria como ser contada, e os roteiristas criaram algo bem coeso que nos envolve, diverte bastante e aliado a uma produção que com certeza jogou muito os jogos antes de ir pro desenvolvimento não tinha como dar errado. Claro que para realizar todas as façanhas o orçamento foi bem recheado, mas o propósito acabou sendo de um visual ímpar para a trama e creio que dê muito resultado, já que o jogo foi um dos mais jogados durante anos e o boca a boca entre os que jogaram fará com que o público vá conferir o que o diretor Scott Waugh que já foi dublê em mais de 40 filmes e séries não teve medo algum de colocar agora os seus dublês para fazer em seu segundo longa como diretor, e com isso temos explosões, capotamentos, batidas e tudo mais em proporções bem velozes e com carros caríssimos, que como o próprio organizador e locutor da corrida vai falando quantos milhões vão ficando pelo caminho.

As atuações estão num nível bem aceitável e interessante de se acompanhar, afinal a tensão mesmo ocorre no que os carros podem fazer, e esse não nos decepcionam. Claro que Aaron Paul entrou numa onda bem nervosa cheia de trejeitos com seu personagem e consegue ficar bem empolgante na sua busca alucinada por vingança, e com isso tudo sua sensibilidade para fazer algo mais dramático com o personagem acaba ficando por água abaixo. Dominic Cooper mesmo se esforçando não consegue ser alguém que possamos odiar por 2 horas, sentimos no máximo pena de seus atos e torcemos para se dar mal, mas não possui um rosto que clame por isso, então ficou um ator que acaba não combinando com o personagem. O acento no sotaque de Imogen Poots caiu muito bem na trama e sua interpretação foi na medida correta para sua personagem, claro que a trama não iria focar nela, mas agradou bastante em seus momentos. Scott Mescudi é o ponto cômico da trama e consegue fazer grandes momentos frente às câmeras, porém sua cena no meio dos créditos é totalmente desnecessária. Rami Malek faz algumas coisas tão absurdas que ficamos pensando que tipo de insano colocaria algo desse estilo no roteiro e o ator mais maluco vai lá e faz, mas também acabou um pouco apagado no contexto geral do filme. Agora se existe alguém apagado do filme e merece um grande destaque negativo é Dakota Johnson que deve estar até agora se perguntando o porquê de seu agente ter colocado ela no filme, são 3 cenas mudas e praticamente estática, uma cena que fala 3 palavras e uma com 2 frases, ou seja, um enfeite total no filme. E o destaque positivo vai para toda a maestria na locução e preparação de corridas de Michael Keaton que incorporou um personagem muito bacana na trama.

O ponto forte do filme e que com certeza consumiu a maior parte do orçamento foi a direção de arte que não economizou em nada para ter os carros mais perfeitos que o jogo já teve e preparar os cenários com tudo que os fãs pudessem notar que tinha no jogo, inclusive optando por câmeras em planos tradicionalíssimos que víamos no jogo. Com isso, claro que muitos carros podem até não ter sido usados os reais novos, optando sempre pelas carcaças de ferro velho que são dados uns tratos para parecer novinhas e poderem detonar em cena, mas que dá muita dó de ver aqueles carrões indo por água abaixo dá mesmo. A fotografia trabalhou bem com os leds azuis nos carros e com nuances bem posicionadas para não destoar em momento algum com os períodos por onde o filme passa, até tendo um time-lapse bem bacana no miolo. Efeitos especiais de primeira linha também são conferidos, afinal no jogo o que não faltava eram saltos, explosões e trombadas, não deixando nada faltar aqui. Mas se por um lado tudo ficou bom, roubaram bonito ao falar que é um filme 3D, pois tirando alguns momentos que ficamos dentro do carro e temos uma boa perspectiva de profundidade de pista, as demais cenas são praticamente enfeitadas e se não fossem as legendas duplicadas daria até para assistir o filme tranquilamente sem o óculos, ou seja, apenas pagar para nada a mais, então como sempre falo nesses casos, se tiver cópia sem a tecnologia por aí não pense duas vezes.

As trilhas sonoras do longa agradam bastante para dar o ritmo frenético que o diretor queria, não lembro todas que tocavam durante os jogos, mas algumas reconheci que foram aproveitadas. E assim aliado a adrenalina causada pelas corridas, o longa nem parece ter os 131 minutos de duração, o que sempre poderia ocorrer com uma trilha errada.

Enfim, tirando o detalhe do 3D e algumas cenas com erros técnicos, por exemplo retrovisores sumindo em alguns momentos e aparecendo na cena seguinte, o resultado do filme foi bem produtivo, divertido e agradável de acompanhar. Quem sabe agora com esse filme em mente, outros produtores arrisquem a sorte com outras séries de videogame e se acertarem a mão será sempre bem vindo. Recomendo o longa mais para quem gosta de corridas e claro já tenha jogado ao menos uma vez o jogo, pois aí a sensação será bem melhorada, mas quem nunca jogou e gosta de um filme bem dinâmico talvez goste também do que é mostrado. Fico por aqui encerrando as estreias do interior, mas ainda irei conferir um bem atrasado que apareceu no Belas Artes por aqui, então abraços e até breve pessoal.


2 comentários:

CIlene Silvino disse...

nenhum efeito 3D salta da tela?

Fernando Coelho disse...

Olá Cilene, como vi em alguns posts você sempre pergunta se o 3D salta. Antes de mais nada 3D não é apenas elementos saltar da tela certo, caso envolva uma profundidade muito bem colocada, o 3D fica lindo também! Mas respondendo a sua pergunta nesse filme tem 1 único momento de algo fora da tela. Abraços.

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