Depois Daquela Montanha (The Mountain Between Us)

11/05/2017 02:14:00 AM |

Quando falamos de longas envolvendo sobrevivência, já ficamos imaginando o que faríamos se nos encontrássemos na mesma situação dos protagonistas do filme, e a única coisa que vem na minha mente é: "vou morrer na primeira cena ou na segunda!!!". Se você não é assim, e gosta desse estilo, "Depois Daquela Montanha" trabalha bem a situação e ainda incrementa bem um romance (desnecessário, mas que sei lá o que aconteceria no meio da neve com escoriações por todo o corpo quando alguém me ajudasse a sobreviver!), fazendo com que a trama se desenvolvesse maravilhosamente numa paisagem incrível e que chega até a dar frio de tanta neve por todos os lados, criando vértices interpretativos bem colocados para ambos os protagonistas e até mesmo para o cachorro labrador, que acabou virando um bom personagem na história, ajudando eles na busca por civilização no meio do nada. Não digo que é um filme perfeito, pois possui diversos pontos falhos no meio do caminho, mas consegue prender bem o espectador do começo ao fim da trama, e ainda faz pensar no que faríamos diante de uma situação desse tipo: se ficaríamos esperando ajuda, ou se procuraríamos ajuda, se confiaríamos em outra pessoa (a ponto de até criar um romance) ou se salve-se quem puder, com os recursos que tiver. Ou seja, um bom entretenimento, com uma história até que simples, mas que agrada bastante junto de uma fotografia incrível.

O longa nos mostra que perdidos após um trágico acidente de avião, dois estranhos precisam forjar uma conexão para sobreviver aos elementos extremos de uma remota montanha coberta de neve. Quando percebem que a ajuda não está vindo, eles embarcam em uma terrível viagem através de centenas de quilômetros de neve, empurrando um ao outro para suportar essas condições, e uma atração inesperada surge entre eles.

Baseando-se no livro de Charles Martin, o diretor israelense Hany Abu-Assad conseguiu pegar um roteiro esmiuçado bem simples, mas cheio de pontos a serem determinados, aonde tudo pode acontecer, situações difíceis passam a ser contornadas e acabamos entrando na ideia de que o longa em determinado momento pode até ser baseado em alguma história real, pois temos sim situações absurdas, mas que poderiam ter acontecido num lugar tão remoto como esse, mas o grande feitio do diretor foi conduzir a história num ritmo rápido, pois a trama até parece alongada, mas com situações marcantes para quebrar cada ato, o resultado se permeia fácil e acaba agradando. Claro que ele contou com a ajuda de dois grandes atores para dominar seus textos e incorporar a situação de filmar no meio da neve realmente (sem precisar de CGI absurdo que alguns diretores fariam e atores frescos exigiriam), e com isso cada ato mesmo que de forma absurda acaba soando real e bem colocado, como a cena do puma que certamente foi feita sem os atores, mas que com boas jogadas de câmeras acabou funcionando muito bem. O maior problema da trama, sem dúvida alguma fica por conta de absurdos técnicos, por exemplo todos sabemos que se você joga Candy Crush em qualquer celular a bateria vai embora em segundos, e aqui a bateria do celular do protagonista funcionou mesmo tocando música durante vários dias sem sinal (ou seja, comendo mais ainda!), temos também vários momentos com o cachorro sumindo e aparecendo das cenas, e por aí vai, mas nada que atrapalhe a essência da trama, que funciona e agrada bastante pela boa pegada de ritmo e dinâmica das cenas. E claro antes de mais nada, tenho de falar que por ser uma obra baseada em um livro de sucesso, muitas reclamações irão surgir dos fãs, afinal como sempre ocorre, mudanças são livres nos filmes, portanto se você já leu o livro, não seja chato de reclamar de algo que não apareceu, de alguma mudança de nome e por aí vai, pois volto a frisar filmes são baseados em livros, e não reproduzidos no cinema.

Sem dúvida o grande acerto do filme foi na composição do elenco, pois a química entre Idris Elba e Kate Winslet foi tão grandiosa, que mesmo que o filme não caísse no romance, o resultado seria bem conectado pelo sentimento de ajuda de um para com o outro, que mesmo nos momentos de briga aparentavam se necessitar para sobreviver. Dito isso, é fácil colocar Idris Elba como um grande nome do cinema, pois mesmo fazendo quase sempre personagens secundários, ele consegue chamar atenção e desenvolver uma percepção expressiva tão bem colocada que ficamos esperando suas boas deixas, e aqui seu médico Ben Pass foi interessante, dinâmico e certeiro nas dinâmicas que o personagem pedia. Kate Winslet dificilmente erra nas escolhas que faz, e mesmo que caia em bombas certeiras, a atriz consegue se destacar com seu personagem, sempre chamando a atenção para si, e aqui não foi diferente com sua Alex, que se mostrou autoritária em diversos momentos, mas com serenidade e de uma maneira bem gostosa foi se deixando levar por tudo e agradando bastante com o resultado num ritmo bem coeso. Como não poderia deixar em branco, os labradores Raleigh e Austin merecem muita atenção em suas cenas, afinal deram show de expressividade, correram atrás de animais, brigaram com pumas, pularam na neve e tudo mais que um bom cachorro merece, agradando bastante (e dando um spoiler, felizmente o cão não morre!!), portanto deem um prêmio de ótima interpretação canina para essa dupla!

Como de praxe em um bom filme com muita neve, a locação canadense em British Columbia, Vancouver é quase a única escolha para todos os filmes, e as paisagens são de tirar o fôlego de tanta neve sem nada ao redor, apenas montanhas, árvores, mais neve, gelo, montanhas e com isso o filme acaba sufocante em diversos momentos, criando a ambientação necessária para que a tensão ficasse no ar, claro que talvez mais cenas de impacto ajudariam a mudar um pouco o romance, mas aí o filme seria outro e não agradaria tanto. Como a trama possui pouquíssimos objetos cênicos, podemos dizer que a direção de arte acertou mais nos figurinos (embora seja bem estranho em uma viagem de avião os personagens terem botas e roupas tão pesadas de frio) e claro na montagem do casebre, além de trabalhar bem nos momentos dentro dos restos do avião (que também soou um pouco estranho de se fazer fogo dentro de algo que estava pingando combustível!), mas sendo apenas defeitos interpretativos, o resultado visual agradou bastante. Como muitos bem sabem, o branco neve é a fotografia que mais agrada esse Coelho, e aqui o diretor de fotografia brincou com os tons da montanha, trabalhou muito bem a iluminação natural sem esmaecer a imagem, e deu um show de ângulos, sem precisar fazer estripulias, ou seja, simples e efetivo.

Enfim, um filmaço que tem defeitos (e muitos!), mas que consegue prender o espectador, fazer com que ele fale com o que está sendo mostrado na tela, e principalmente, soou muito convincente, embora seja 100% ficcional. Não digo que é um filme para todos os tipos de público, pois como o romance toma forma em momento jogado até, talvez não empolgue muito quem gosta de algo mais realista nesse sentido, então vai ter aquele time que odeia romances e vai desagradar, bem como terá quem não curte dramas de sobrevivência que irá apenas pela toada romantizada do livro e sairá bem desapontado também, sendo então um filme para quem goste do estilo misto. Portanto, vá ao cinema, entre no clima passado, sinta frio, e se empolgue com o que estará sendo mostrado, pois vale o programa, sendo um dos melhores dessa semana estranha de estreias. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda faltam duas estreias para conferir, então deixo meus abraços e volto muito em breve com mais textos.

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