Êxodo: Deuses e Reis em 3D

12/21/2014 03:18:00 PM |

Filme bíblico, taí uma vertente que pode ser ao mesmo tempo um tiro enorme no pé ou uma decolagem monstruosa aos milhões. Confesso que ao ver o primeiro trailer de "Êxodo: Deuses e Reis", vendo o nome de Ridley Scott como diretor, já fiquei me perguntando se era uma continuação do "Gladiador" pelas roupas e tudo mais, mas vendo mais o trailer consegui remeter ao fato da abertura do mar e dos filmes antigos que costumava passar na Sessão da Tarde em épocas específicas. Pois bem, depois de ver o trailer ao menos umas 50 vezes, finalmente chegou o dia de ver a pré-estreia do longa, e põe longa nisso que com 150 minutos de duração e um início lentíssimo que acaba decolando na segunda metade, quase pareceu contar a vida inteira em tempo real do protagonista. Não posso dizer que foi um filme sem ações interessantes, mas como não sou tão assíduo com a Bíblia, também não posso falar que tivemos tanta fidelidade aos fatos exibidos, mas apenas comparando com outros do mesmo episódio, acabou sendo bem diferente em várias situações, e principalmente no quesito técnico, afinal agora temos toda a tecnologia a favor do diretor.

O filme narra a vida do profeta Moisés, nascido entre os hebreus na época em que o faraó ordenava que todos os homens hebreus fossem afogados. Moisés é resgatado pela irmã do faraó e criado na família real. Quando se torna adulto, Moisés recebe ordens de Deus para ir ao Egito, na intenção de liberar os hebreus da opressão. No caminho, ele deve enfrentar a travessia do deserto e passar pelo Mar Vermelho.

Repito, como não sou um grande conhecedor dos fatos bíblicos, apenas vou me ater ao fator filme, e nesse quesito, o que posso dizer da história é que a equipe de produção ou foi extremamente corajosa para criar uma ambientalização tão perfeita, ou a equipe digital praticamente se matou na finalização do longa. O roteiro é grandioso demais, envolvendo pragas, montanhas, diversos animais, figurantes a perder de vista (claro que nesse caso, a ferramenta duplicação ajuda, mas ainda assim é necessário uma quantidade significativa para trabalhar), batalhas, figurinos diversificados e muitos atores bons, ou seja, para administrar um projeto desse tamanho só tendo coragem demais, e sabendo previamente aonde quer chegar com o filme. E se existe uma pessoa capaz disso é Ridley Scott, pois se quando não tinha toda a tecnologia monstruosa de hoje, já conseguiu trabalhar um belo épico, agora é quase que colocar os pés na cadeira e apenas ver o resultado, mas ele não foi nem um pouco humilde e trabalhou em escala ainda maior para que tudo fosse minucioso e bem colocado na trama. Temos detalhes técnicos que só comprovam a beleza da produção e a mão do diretor é vista facilmente nas escolhas de ângulos e nas interpretações perfeitas que cada ator lhe cedeu.

Falando nas atuações, antes de qualquer um dos grandes nomes, preciso destacar os momentos do garoto estreante Isaac Andrews que não apenas deu um tom perfeito para o personagem que faz, quanto deu um show de atuação com trejeitos, entonações de voz e tudo que muitos veteranos não passam nem perto da perfeição que adotou, ou seja, de olho nesse jovem! Agora sobre os veteranos, temos um elenco de ponta na trama, e cada um fez de seu papel, mesmo que em pequenos momentos algo bem chamativo e destacado, para iniciar vamos falar de Cristian Bale, que provavelmente sofreu demais com a equipe de maquiagem de seu Moisés, pois por passar diversas fases no filme, teve de pôr cabelo, tirar cabelo, pôr barba, pôr mais barba, pintar as madeixas, se embarrear todo e muito mais, sempre dando o seu toque expressivo para que a maquiagem não fosse somente colocada nele, mas tivesse o impacto necessário para que o personagem fosse e permanecesse como protagonista, dando um show frente às câmeras. Outro que não lembro de ter me impressionado tanto com sua atuação em nenhum filme, mas que aqui mandou bem demais foi Joel Edgerton que fez de seu Ramsés, tudo que um faraó faria e muito mais, mantendo a pompa de um Deus, fazendo trejeitos impactantes e demonstrando toda a frieza necessária nas cenas mais densas. John Torturro deu uma pausa na sua comicidade para fazer um Seti interessantíssimo e com olhares bem trabalhados e um visual totalmente diferente do que estamos acostumados, só o ficamos sabendo que é ele ali após ver nos créditos, ou seja, um ator que mostrou serviço. Finalmente posso dizer que vi Aaron Paul fazer jus a um personagem de cinema da mesma forma que o pessoal tanto fala bem dele nas séries, pois seu Joshua, mesmo como um coadjuvante tem boas nuances e bons diálogos junto do protagonista, e o jovem soube trabalhar a expressividade na medida correta que seu personagem necessitava. Embora apareça pouco Ben Kingsley fez de seu personagem Nun, algo totalmente no seu estilo, agradando bastante, mesmo que tenha ficado totalmente igual seu outro personagem desse ano no filme "O Físico". Das três mulheres protagonistas, o destaque mesmo vai para Maria Valverde que com uma beleza exótica agrada tanto visualmente quanto nas interpretações dos seus diálogos, enquanto Sigourney Weaver foi quase uma coadjuvante de luxo, aparecendo bem pouco e não tendo muito o que mostrar serviço. Dos demais temos muitos figurantes que acabam tendo entonações e diálogos com os protagonistas, mas nenhum chega a chamar tanta atenção que valha destacar algo.

No conceito visual, é tudo tão deslumbrante e grandioso, que fica difícil realmente saber para onde olhar na cenografia criada, é impactante e bem encaixada na trama, tendo figurinos minuciosos, grandes construções e tudo que um épico faraônico necessita ter para ser chamado assim. Outro fator visual muito bem trabalhado foi com os animais, que em grande quantidade, o que dificulta demais o trabalho, serviram tanto para uma figuração bem feita quanto para agradar aos olhos de quem está vendo tudo que ocorre, e sua coreografia foi muito bem trabalhada pelos adestradores que sempre aparentemente estavam nas posições de melhor ângulo da câmera. Agora claro que um filme desse tamanho, hoje não podemos falar mais que tudo foi feito mesmo, e os efeitos especiais estão aí para serem bem usados, mas a cena do mar ficou digital demais, claro que abrir um mar não é algo comum, mas o pessoal que pensou naquelas proporções não assistiu "O Impossível" para ver um tsunami bem feito, então acabou soando falso demais. A fotografia foi empregada na medida certa, usando de cores mais amareladas, afinal estamos no meio do deserto, mas puxaram para um tom mais ocre que ficou muito bem encaixado com as maravilhosas paisagens do cenário, e nos momentos mais sombrios foram no ponto chave correto, preto sem errar.

Embora tenha sido filmado usando a tecnologia 3D, é notável que a direção não quis ficar com a câmera mais pesada em todas as cenas, então quem se incomoda de ver o filme com o óculos, pode dar uma economizada, já que muitas cenas estão sem o efeito. Nas que se notam a tecnologia, o efeito imersivo funciona bem, dando uma profundidade impecável e nas cenas das pragas, somos quase parte dos milhões de figurantes levando insetos, grilos e sapos na cara, sendo sem dúvida alguma a melhor parte da tecnologia.

No quesito musical, a trilha composta por Alberto Iglesias teve uma sonoridade interessantíssima que prende o espectador e ao mesmo tempo dá as nuances que o filme pedia, mas poderia ter sido mais trabalhada no início do filme para tentar dar um ritmo melhor, que os primeiros 40 minutos cansam demais, e geralmente é nessa parte que o espectador acredita ou não na trama, então com a velocidade mais lenta ali aparentou que o filme fosse até maior do que já é.

Enfim, é um excelente filme que poderia ser até melhor se não tivesse alguns pequenos problemas como citei mais acima, claro que nesses épicos também costuma ter muitos problemas de datas e erros de continuísmo, mas já falei aqui uma vez e repito, não vou ao cinema para procurar erros desse estilo, então quem quiser reclamar disso fique à vontade, mas prefiro ver um filme e embarcar no contexto geral que ele passa. Como disser também não sei muito do que é contado na Bíblia, apenas vi mais um ou dois longas que contam a mesma história e cada um é diferente do outro, então quem entender mais do que é contado lá, fique à vontade para falar nos comentários, que toda opinião para incrementar é válida. Claro que recomendo para todos um filme dessas proporções, e claro que vai ter muita reclamação também, mas no geral o resultado é bem interessante, então vá, confira e depois comente falando o que achou. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda falta conferir dois longas para fechar a semana cinematográfica, então abraços e até breve com mais posts.



2 comentários:

joel vagner disse...

oi fernado!! voce acha que compensa gastar o ingresso mais caro para assistir em 3d?

Fernando Coelho disse...

Olá Joel, desculpe a demora, está corrido esses dias!! Olha, o filme é imersivo, isso não temos dúvidas, mas não é nada que vá fazer uma grande diferença ver em 3D, então se por aí tiver passando 2D pode ir tranquilo, aqui as salas na maioria apenas trouxeram cópias 3D. Abraços!

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