Capitã Marvel em Imax 3D (Capitain Marvel)

3/08/2019 02:26:00 AM |

Sempre digo que a melhor forma de curtir qualquer longa é ir sem expectativa nenhuma, ou esperando bem pouco do que vai ver, pois a chance de se apaixonar pelo resultado é bem maior, e tinha vários amigos falando tanto de "Capitã Marvel", alguns profetizando grandes feitios do primeiro longa solo de uma heroína do Universo Marvel, que já está super bem moldado a mais de 10 anos, outros impondo toda uma vertente feminista, que isso, que aquilo, e tudo mais, mas cá estava o Coelho tranquilo, apenas esperando ver alguma conexão claro com "Vingadores - Ultimato", afinal no final de "Vingadores - Guerra Infinita" eis que seu símbolo apareceu, e pronto, lá estava a cada nova aparição de poder, uhuuu, o pager aparece, a lá como surgiu o aparelhinho, o gato faz algo eitaaaa, e por aí foi as diversas expressões durante toda a exibição do filme, ou seja, superou e muito tudo o que esperava, e digo mais, souberam colocar um longa de início de personagem com tantas referências, tantas conexões subliminares, que por mais que o filme possa ser visto sozinho dos demais do Universo Compartilhado Marvel (ou MCU como muitos falam por aí), vale a pena ir lembrando de muitos elementos, para se divertir um pouco mais. Diria que é um filmão bem feito, não é corrido, não empaca (tendo apenas 125 minutos já com as duas cenas nos créditos), mas tem dois grandiosos defeitos: demora para engrenar, com um primeiro ato meio que enrolado demais sem que o público entenda muito da bagunça intergalática já corrida sem explicações do que ou quem é quem, e aparentemente Brie Larson também sentiu-se responsável por ser a primeira, e nesse primeiro ato (que parece ter sido filmado também no começo das filmagens) ela aparentou insegura demais para o papel, o que muda completamente quando já está com Samuel L. Jackson, e aí é só alegria.

A sinopse nos conta que Carol Danvers é uma ex-agente da Força Aérea norte-americana, que, sem se lembrar de sua vida na Terra, é recrutada pelos Kree para fazer parte de seu exército de elite. Inimiga declarada dos Skrull, ela acaba voltando ao seu planeta de origem para impedir uma invasão dos metaformos, e assim vai acabar descobrindo a verdade sobre si, com a ajuda do agente Nick Fury e da gata Goose.

Direção compartilhada sempre é algo digamos meio complicado, pois geralmente um diverge de algo, e o resultado costuma não ser o melhor, mas Anna Boden e Ryan Fleck já fazem longas, séries, e tudo mais junto desde 2003, então devem se conhecer bem para ter o mesmo tino, e aqui pegando após diversos filmes simples, logo uma bomba imensa de apresentar uma personagem desconhecida do público geral em seu início, um filme tecnicamente de representatividade esperado pelo mundo todo, e algo que conectasse completamente diversos elos que muitos estão esperando, tiveram de ser bem precisos no que desejavam, e o resultado veio, não digo do modo mais fácil, mas veio. O longa, por parte da direção e do roteiro, possui defeitos clássicos de diretores acostumados com filmes simples, mas o principal foi a falta de posicionamento logo de cara, para impôr ritmo, e/ou logo de começo contar a história do personagem, não deixando que isso ficasse para um segundo ato, e assim, o filme começa frio demais, com muitas situações que vão acontecendo sem que saibamos o que está acontecendo realmente, e assim, o primeiro ato quase que inteiro parece perdido. Porém, quando acabam com toda essa bagunça inicial, e focam em explicar quem é Carol Danvers, ou Vers para os Kree, juntando ela com Nick Fury, e claro a surpreendente gata Goose, além claro de outros bons personagens, o filme volta a ser o tradicional da Marvel, com boas piadas inseridas, muitas referências, sacadas bem pontuadas, e o resultado final fecha brilhantemente, com claro muitas aberturas para que a Marvel faça diversos longas usando a personagem. Mas, temos um grande detalhe que largaram para um segundo longa dela, em momento algum ela se declara com o nome "Capitã Marvel", e isso é forte, pois provavelmente vai se apresentar assim no longa "Ultimato" em Abril, então aguardaremos para ver.

Sobre os personagens, temos de começar falando claro da protagonista Brie Larson, que ganhou a vaga em cima de outros grandes nomes (alguns certamente fariam o papel de forma completamente diferente!!), e é fácil notar que ela sentiu o peso em cima de sua Carol Danvers, pois mesmo após ter feito um ótimo papel dramático, pelo qual levou o Oscar, fazer uma super-heroína não é a mesma coisa, e como demorou para encontrar a personalidade certa para o papel, acabamos ficando levemente bravos com alguns trejeitos repetitivos que faz durante todo o longa, mas com fluidez, ao final, já botando todos os poderes para jogo, mostrando mais jogo de cintura junto de Nick Fury, ela se soltou, e o resultado acabou agradando mais do que tudo. Agora se tem algo que estou com medo, é dessa tecnologia computacional, pois meus amigos, não tem como não ver Samuel L. Jackson saindo dos seus filmes policiais dos anos 90 e indo gravar esse filme, ficou muito perfeito ver Nick Fury, ainda não sendo o "fodão" da SHIELD, em seu começo de carreira, com olhares, trejeitos, e principalmente impacto usual do personagem, com toda sua jovialidade, e o acerto foi perfeito de não pegarem outro ator para o papel, pois iriam estragar. Que Jude Law é um ótimo ator, todos sabemos, mas ele sempre parece deixar de lado conceitos e não empolgar quando precisa, deixando sempre seus personagens bem em segundo plano, de modo que seu Yon-Rogg acaba ficando forçado em alguns momentos, e em outros parece tão imponente, o jeito é ver como se sairá nas continuações. Ben Mendelsohn ficou muito escondido visualmente com toda a maquiagem de seu Talos, mas também deu o tom com seu Keller mostrando seu verdadeiro rosto, e embora no início ficássemos um pouco inseguros com sua personalidade, ao final já estamos com tanto carisma pelo personagem que torcemos para vermos ele mais vezes. O longa ainda compreende mais três grandes e bons personagens/atores, a veterana Annette Bening fazendo dois papeis como Inteligência Suprema/Mar-Vell mostrando muita imponência nos diálogos, mas pouco utilizada, Clark Gregg também rejuvenescido computacionalmente para viver alguns momentos de seu Agente Coulson no início da carreira, mas também aparecendo bem pouco, e a grande amiga terráquea da protagonista Maria Rambeau vivida muito bem por Lashana Lynch, tendo alguns bons momentos nos atos finais, juntamente com a garotinha Akira Akbar vivendo Mônica sua filha (que para quem conhece os quadrinhos, sabe que a personagem tem grandes futuros, ou seja, veremos se vão utilizar isso!). E claro, não podia fechar a parte das atuações sem falar de Reggie, Archie, Gonzo e Rizzo com suas ótimas performances como a gata Goose, que fará com que olhemos bem diferente para todos os gatinhos ao nosso redor com as surpresas que ela faz, pois olha!!!!

No conceito visual, assim como ocorreu em "Guardiões da Galáxia", temos um longa quase que 100% computadorizado, com poucas locações reais mesmo para os personagens destruírem, lutarem, e tudo mais, de modo que a equipe de arte teve o trabalho mais conceitual para tudo, e o restante a equipe de computação gráfica que fizesse o serviço, mas claro que tivemos bons figurinos icônicos (descobrimos de onde veio a ideia do uniforme vermelho tradicional, e claro do uniforme de batalha Kree), tivemos ótimas maquiagens, e sendo assim, o resultado do longa visualmente empolga, mesmo que alguns momentos parecessem altamente improváveis, mas como estamos falando de uma ficção baseada em HQs, o resultado é agradável e bem interessante para funcionar. Com muitos efeitos especiais, naves voando e muitos tiros, é claro que esperássemos ver um 3D primoroso, e felizmente ele veio de forma bem funcional, pois não temos grandiosos momentos para se impressionar, mas também passa bem longe de ser uma decepção, ou seja, quem gosta da tecnologia deve ficar razoavelmente feliz com o resultado da técnica.

No contexto sonoro, o longa possui muitas músicas boas, mas foi mal aproveitado, pois como bem sabemos os anos 90 (época em que o longa se passa) foi riquíssimo de canções impactantes, e aqui o filme até toca alguns bem bacanas, mas tudo num segundo plano bem rápido que se fosse usado como em "Guardiões da Galáxia" renderia mixagens incríveis, mas ainda assim, as trilhas sonoras conseguiram dar ritmo, e encaixar os bons momentos da trama.

Enfim, recomendo como disse no começo, você ir com pouquíssimas expectativas do que verá, que a chance de gostar muito é bem alta, mas certamente o filme poderia ter sido ainda melhor se a montagem fosse diferente, e não tivessem demorado tanto para engrenar, mas como bem sabemos, é um longa introdutório da personagem que será muito usada nos próximos filmes, então não era de se esperar que enrolassem um pouco na inicialização. Sendo assim, recomendo com certeza o filme, falando que como todo bom filme de espaço, vale a pena ser visto em telas gigantes (no caso conferi na Imax do UCI Ribeirão, e o resultado funcionou bem), esperem ao menos a primeira cena no meio dos créditos, que já é a conexão com "Vingadores - Ultimato", e a segunda é algo divertido, mas que ainda não explica muita coisa, de como já vimos a peça em outros filmes, e agora é esperar até 25/04 para ver com muita sede ao pote, o que a protagonista aqui fará com Thanos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

1 comentários:

Marlon Santana Costa disse...

👏👏👏👏👏👏👏👏
A crítica mais sensata que já li do filme.

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Obrigado por comentar em meu site... desde já agradeço por ler minhas críticas...