Star Trek: Sem Fronteiras em Imax 3D (Star Trek: Beyond)

8/28/2016 02:42:00 AM |

Existem franquias que podem mudar diretores, mudar ideologias, mudar até mesmo os protagonistas que quando bem desenvolvidas as histórias dentro do mote principal acabamos viajando junto com elas e saindo felizes com o resultado que nos é entregue. E se existe uma série que está completando 50 anos esse ano sem perder o vigor original é "Star Trek" (alguns episódios convenhamos que são meio chatinhos, mas dão pro gasto) que agora nos entregou um novo e excelente episódio denominado "Sem Fronteiras", e já estão preparando um próximo para estrear em breve. Ou seja, o foco continua a toda na série. Não posso me afirmar como um fã da saga completa, mas aprendi a gostar do estilo, e principalmente gostei bastante do que foi apresentado aqui, pois diferente dos dois últimos longas que o teor trabalhado ficou mais sério e revolucionário, aqui a ação e a comicidade predominaram, mantendo claro a sobriedade original, mas tendo novas sacadas para que o longa fluísse e empolgasse na medida certa, de tal maneira que certamente iremos esperar muito do que virá pela frente, pois a ideia central sim foi bem amarrada e fechada, mas sempre há espaços no universo imenso aonde o longa está inserido.

A sinopse nos conta que perdidos em um planeta desconhecido, o capitão Kirk e a sua equipe estão sob ameaça de Krall, um inimigo misterioso que colocará à prova tudo o que a Federação representa. Eles precisam encontrar uma forma de driblar o vilão, contando apenas com a união da equipe e com Jaylah, única aliada que encontram pelo caminho.

Se tinha um filme que o pessoal estava curioso para ver o que aconteceria é esse, pois após dois ótimos longas, o diretor fugiu ficando apenas com a produção do longa para se dedicar à outro Star, no caso o Wars, mas deixou um nome que vem despontando muito no meio de longas de ação, e assim essa transição de J.J. Abrams para Justin Lin foi bem segura e felizmente Lin não detonou tudo o que de bom já havia acontecido, e principalmente trabalhou bem a ideologia colocando suas características mais dinâmicas que tanto agradaram quem curtiu seus episódios de "Velozes e Furiosos". A grande sacada de Lin nem foi tanto a precisão cênica que deu para a história muito bem escrita por Simon Pegg (o engenheiro Scotty do filme, que além de ator vem trabalhando essa outra vertente, sempre com longas ou curtas bem cômicos) e Doug Jung, mas sim o estilo que escolheu para que suas cenas rodadas em 2D fossem tão bem convertidas para 3D e funcionassem quase como se tivesse usado a tecnologia para filmar, pois isso além de "baratear" o custo de produção, acabou tendo resultado na velocidade dinâmica que pode trabalhar, já que com câmeras menores é muito mais fácil trabalhar a criatividade em locais complexos de filmagem, e mais do que isso, escolher planos mais ousados do que com as grandes câmeras Imax ou 3Ds em geral. Sendo assim, quem for conferir a trama vai ver cenas inspiradoras com grande profundidade cênica e falar: "como ele fez isso?", simples convertendo um plano bem feito de modo comum, aonde pode trabalhar com os atores correndo, pulando, se matando e tudo mais e depois deixou que os computadores e artistas gráficos se virassem para que o efeito ficasse bem trabalhado.

Outra grande sacada do diretor, que já vimos em outros longas que dirigiu, é o estilo de trabalho que tem com grandes equipes de atores, pois dirigir um protagonista só e ir encaixando outros coadjuvantes é um trabalho teoricamente fácil, mas quando temos vários outros grandes nomes que precisam ter a participação correta dentro da história, o fluxo de trabalho certamente é outro, o que aqui acabou sendo muito bem feito. Chris Pine já vem entregando para seu Kirk uma personalidade marcante e que sempre bem encaixada toma rumos certeiros dentro do que podemos dizer ousadia cênica, pois o carisma não é o seu forte, e para um capitão de uma nave geralmente se exige isso, mas para suprir o jovem tem incorporado suas cenas com boas dinâmicas e entretendo dentro de um limite bem aceitável de ver, o que acaba agradando bastante, e mostra que ele sabe bem o que está fazendo, veremos o que vai rolar no próximo filme, afinal o seu grande dilema acabará sendo explorado pelo que já vem falando. Diferente do sério e concentrado Zachary Quinto dos outros dois filmes, aqui o ator teve a possibilidade de brincar mais com seu Spock, mas claro que de uma maneira bem interessante e colocada sem que atrapalhasse o estilo clássico que o ator soube dosar desde que assumiu o papel, e assim sendo as situações ficaram bem divertidas de ver com a grandeza de olhares e dinâmicas perspicazes que o experiente ator soube fazer. Como escreveu o roteiro da trama era factível que Simon Pegg colocasse algumas cenas a mais para que pudesse aparecer bem, afinal nos demais longas sempre como um coadjuvante de luxo, até aparecia bem, mas nunca com cenas importantes, o que aqui não faltou de forma alguma com ele pulando em close, tendo boas conexões com todos os personagens e claro agradando bem com sua comicidade, ou seja, não ficou forçado e funcionou bem. Agora personalidade mesmo é algo que não falta para Karl Urban, que procura sempre tirar um novo olhar, ou uma nova boa frase para marcar cada cena sua, e aqui não foi diferente no estilo que acabou usando para seu Doutor Bones, criando momentos específicos em todas as suas cenas, e agradando por deixá-las vivas, já que sempre acompanhado do sério Spock seria quase momentos calmos demais para empolgar, e pelo contrário todas acabaram como bons alívios cômicos. Zoe Saldana é uma atriz que sempre se encaixa bem nos papeis que faz, e tem crescido muito em suas interpretações, porém aqui sua Uhura é quase uma coadjuvante de luxo, com poucas falas, mas estando presente em quase todos os momentos, e claro que não decepcionou fazendo boas expressões e quando foi necessário botou a interpretação como algo a fazer com uma dignidade ímpar, agradando bem. Agora uma grande inserção na equipe foi Sofia Boutella que criou uma Jaylah interessante, perspicaz e completamente pronta para diversas aventuras, de tal modo que essa foi apenas sua boa apresentação (com muita luta e garra) para que seja encaixada nos demais longas da franquia e com certeza chamará ainda muito mais atenção do que já teve aqui, pois a atriz mandou muito bem na interpretação e mostrou desenvoltura nas cenas que precisou de ir além. Que Idris Elba é um excelente ator, todos já sabemos, mas ainda está uma grande incógnita o motivo de colocarem ele como um vilão completamente maquiado, que sequer aparece suas expressões clássicas, claro que o ator deu bons tons para seus diálogos, foi dinâmico quando precisou e agradou bastante na personalidade forte que o personagem necessitava, mas certamente um ator mais barato faria o mesmo com a alta quantidade de efeitos que o personagem Krall possuía visualmente e sendo assim acabaram o utilizando até pouco. Apenas para dar citação, Anton Yelchin fez um bom Chekov, assim como fez nas demais vezes, e imortalizou seu personagem em sua última participação aqui, pois morreu dia 19/06, porém ainda veremos outros quatro filmes que deixou gravado. Os demais atores no geral agradaram também bastante, mas já falei muito e daqui a pouco vira uma monografia isso, então vamos falar do resto do filme.

Visualmente o longa está impecável, com destruições incríveis de se ver, naves bem trabalhadas e diversos elementos importantes aparecendo para serem usados. Ou seja, um trabalho minucioso da equipe artística para que o filme ficasse condizente com o grande orçamento que foi utilizado, porém um detalhe me incomodou demais no quesito maquiagem, pois alguns personagens de raças diferentes ficaram artificiais demais, parecendo estar usando máscaras mal-feitas, exemplo da alienígena que pede socorro, e até mesmo Syl, que tem um efeito bacana na metade final, mas quando olhamos de frente para elas, pareceu que esqueceram de aplicar algum trabalho melhor para enganar o público e convencer mais. Não que isso atrapalhe todo o conteúdo da história, pois são personagens bem secundários, mas ficou esquisito. Como bem sabemos, a maior parte da produção é digital, pois dificilmente iriam gravar um longa no espaço, com tudo explodindo e pessoas sendo ejetadas em naves (quem sabe num futuro!!), e sendo assim, o trabalho da equipe saiu bem convincente e em diversos momentos até podemos dizer que ficou "quase" realista demais, porém outro pequeno defeito é mostrarem o planeta que caem quase como uma Terra com atmosfera idêntica, água e florestas similares demais, o que mostrou de certa forma uma preguiça na criatividade. Sobre a fotografia, foram bem ousados nas sombras e na iluminação, pois fazer longas aonde quase tudo é digital, errar em ângulos e criar luzes falsas é algo que é facílimo de se ver, e por vezes até ignoramos, mas aqui não foi necessário, pois tiveram o capricho em equilibrar tudo. Como disse no começo do texto, o longa não foi filmado com tecnologia 3D e nem Imax (diferente do anterior) , porém passou por uma conversão para as duas plataformas e com uma qualidade impressionante, com muita coisa voando pela tela, e uma profundidade de campo incrível de ser vista em diversos momentos, é claro que em muitas cenas o óculos até é desnecessário, mas de uma maneira generalizada o longa vale realmente ser assistido em uma tela imensa como a Imax e com o recurso 3D para o espaço ficar ainda mais infinito de ser visto.

Mais do que boas trilhas sonoras, sem dar spoiler, aqui a música acabou sendo parte importantíssima da trama, e o momento em que isso foi utilizado ficou incrível de ser visto com boa sincronia entre atores e tudo mais, mas sem falar muito deixo apenas a recomendação para que prestem muita atenção em tudo, afinal são raros os longas em que até a música passa a ter envolvimento com a trama, sem ser apenas para ditar ritmo, e aqui Michael Giacchino precisou ousar bastante nas composições e claro que também ajudou bastante nas escolhas musicais para agradar.

Enfim, um filme que surpreendeu, divertiu e cumpriu bem dentro do que a franquia deseja, agradando tanto aos fãs da saga quanto quem for conferir apenas um bom filme de ação com muita ficção científica, valendo completamente o ingresso pago. Ou seja, recomendo o filme mesmo com as pequenas falhas que citei acima, e vamos aguardar a definição oficial da data de lançamento continuação, pois promete ser interessante. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a crítica da última estreia da semana, então abraços e até mais pessoal.

4 comentários:

Erica Fiore disse...

Só acho que seu comentário a respeito do 3D está equivocado. O 3D é bem ruim. Nada pra fora da tela e nada de profundidade. Dava até para assistir sem óculos. Mas o filme é excelente. Merece a nota dada.

Anônimo disse...

Concordo plenamente. Geralmente escolho entre comprar o blu ray 2d ou 3d com base no Comentário. Sempre acerta. Mas neste caso, comprei o blu ray 3d em vão. Mas o filme é bom. De acordo com os comentários do Fernando. O que aconteceu com a opinião do 3d dessa vez Fernando? KKK

Fernando Coelho disse...

Olá galera, vi o filme em Imax, numa tela de quase 3 andares, sem nada embaixo e acima, tela para todos os lados... acho que só aí já dá uma bela diferença de imersão se compararmos ver numa televisão de no máximo 60 polegadas!!! Com isso, mantenho falando que o 3D foi bem bacana mesmo convertido, lembrando que ao passar para midias gerais, os longas sofrem novas conversões, tanto que muita gente ama alguns filmes que ficaram péssimos o 3D no cinema! Como não vejo 3D em casa, não posso falar se ficou bom ou não, mas vocês ajudarão quem for comprar... abraços!!

Erica Fiore disse...

ok Fernando. A tela Imax realmente já um efeito. Contudo, verifico que a conversão do star trek é aquela que apenas joga a tela pra dentro. Enfim, não tiveram o cuidado de fazer uma conversão mais detalhada em nenhum momento, que é o que geralmente ocorre. Mas valeu, a sua avaliação 3d geralmente bate com a minha, mesmo vendo no cinema.

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