Tirando o Atraso (Dirty Grandpa)

2/09/2016 09:18:00 PM |

Algumas vezes me perguntam que estilo de filme é mais difícil escrever críticas, e com a maior certeza respondo, que nenhum filme bom é difícil comentar, pois a opinião sai fluida e bem rapidamente escrevo meu texto gigante, agora quando o filme é fraco, aí o texto enrosca, pois fica difícil dizer aonde estão os erros que fizeram com que um longa não nos empolgasse ou até mesmo cansasse. E "Tirando o Atraso" é um exemplo clássico disso, pois mesmo fazendo rir em piadas bem encaixadas, o resultado do filme é tão fraco no contexto geral, que não consegui determinar se o longa queria ironizar algo ou ser um filme família com o fechamento da história, e quando uma comédia fica com essa dúvida, é desastre na certa, de modo que mesmo usando de algumas escatologias e sujeiras, as risadas não fluem sozinhas, e isso dentro do conceito cômico é inadmissível.

Um dia após o funeral de sua avó, Jason Kelly é encarregado de levar seu avô, Dick Kelly, até Boca Ratón, na Flórida. A viagem não o agrada nem um pouco, já que em poucos dias ele irá se casar com a controladora Meredith e, diante da proximidade do evento, tem várias pendências a resolver. Apesar disto, Dick insiste que o jovem viaje com ele. Logo o avô se revela bastante assanhado, já que não vê a hora de voltar a transar com uma jovem, algo que não faz há 15 anos.

O diretor Dan Mazer é conhecido por escrever e produzir filmes sujos, com muitas escatologias, xingamentos e besteiras gratuitas em cena sem muita conexão com o resultado final de seu filme, e se queríamos algo diferente proveniente dele não seria o caso em seu primeiro filme com mais orçamento. É interessante observarmos que logo de cara, a trama até parece ter um contexto cômico simples e bem feito, cheio de referências à outros filmes, e personalidades com os xingamentos feitos por De Niro à Efron na cena do golfe, e com isso a diversão até aparentava ser agradável, mas de repente, numa virada imensa regada à muitas drogas, o diretor acabou perdendo a mão, transformando a trama numa bagunça sem limites, e o principal se perdendo até nos diálogos, de modo que nada mais fazia sentido com nada. E claro que quando ocorre esse estilo de conflito, a apelação começa a ficar pior e desenfreada até o ponto de precisarem colocar genitais à mostra, personagens que tinham rixa virarem amigos e o contexto se reverter completamente até ser finalizado com um apaziguar familiar. Ou seja, algo sem nexo algum para divertir sem precisar apelar, fazendo com que o público em geral até dê boas risadas, algumas claro bem forçadas, mas que vai esquecer completamente da trama se duvidar algumas horas após conferir o filme.

No contexto da atuação, é com grande pesar que vejo Robert De Niro desabar sua carreira como vem fazendo há algum tempo, pois tem pego alguns papeis que não chegam nem perto de suas excelentes interpretações que já fez no passado, o que mostra um certo desespero em fazer dinheiro, e aqui o seu Dick Kelly beira o fundo do poço, pois não é divertido, não possui carisma e principalmente, não trabalha nenhum tipo de expressão, o que mostra que não é um trabalho que deva ser lembrado. Zac Efron chegou a ser cotado como o futuro grande ator por diversas listas especializadas, mas só possui um corpo atlético (que por contrato precisa ser mostrado em todos os filmes) e raramente trabalha alguma expressão sem ser a de coitadinho sofrendo que logo em seguida está quebrando tudo, e usando sempre a mesma fórmula batida, seu Jason é simples e sem dinâmica alguma, o que acaba divertindo mesmo é algumas bobeiras que acaba fazendo, mas só. Embora seja bem de segundo escalão na trama, e claro que de uma gritaria imensa nas cenas, Jason Mantzoukas é uma grata surpresa com seu Tam Pam, pois a maioria das boas sacadas com drogas provêm de seu personagem e ironias que faz com relação à tudo ser permitido no estado da Flórida, e assim sendo conseguimos rir bastante dos seus momentos. As mulheres da trama ficaram em terceiro plano, e não dá para darmos destaque à nenhum momento de expressão melhor delas, então é melhor considerarmos que não apareceram no filme.

É estranho quando um filme não foca também em nenhum visual consolidado ou estilo de contexto cênico para chamar de seu, pois aqui a curtição rola em tantos lugares jogados que não conseguimos se conectar à momento algum. Claro que para enfatizar o modo chato e cheio de frescuras de Meredith, colocaram a tradicional escolha de cores com tons incomuns e abobados (coral ou salmão, pistache ou água marinha) e junto com isso, colocaram boas piadas para as roupas formais usadas pelo personagem de Efron, mas embora sejam bons elementos cênicos, o filme não se esforça nas escolhas de locações, e com isso parece que o primeiro hotel que apareceu na frente serviu para ser filmado, uma boate qualquer acabou também servindo, não se preocuparam com um bom ponto na praia, e com isso o longa se perdeu bem visualmente, o que mostra duas coisas, ou a direção de arte não recebeu nenhum orçamento ou não se preocuparam com nada mesmo. Melhor nem falar nada sobre a fotografia, pois ângulos jogados e sem precisão de iluminação nenhuma é algo que você que verá em todos os momentos da trama.

Enfim, um filme que até vai fazer o público dar boas risadas, em muitas cenas, mas que tem mais falhas do que bons feitios, e desse modo não dá para recomendar para quem goste de filmes com mais conteúdo do que piadas jogadas à esmo. Portanto, só vá conferir a trama se você realmente gostar desse estilo, pois senão a chance de dormir na sala é possível (vi isso hoje na sessão, mesmo com o barulho de algumas cenas). Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, encerrando essa semana cinematográfica que foi bem recheada, mas volto na quinta com mais estreias, então abraços e até breve.


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