A sinopse nos conta que Gösta Engzell, um burocrata de baixa prioridade no Ministério das Relações Exteriores da Suécia, se torna um herói improvável em plena Segunda Guerra Mundial. Sendo considerada um país neutro, aos poucos as suas ações políticas a favor dos judeus e das mulheres transformou a Suécia em uma das maiores potências morais da Grande Guerra. Acompanhando todos os embates que ele viveu, o longa busca detalhar os esforços que transformaram a situação em um legado humanitário até os dias atuais.
Diria que a conexão entre os diretores e roteiristas Thérèse Ahlbeck e Marcus Olsson foi algo bem cheio das nuances na tela, pois trabalhar um texto real e cheio de situações complexas de diplomacia e papelada é algo muito difícil, principalmente para se passar ao público de um modo que não ficasse cansativo nem incômodo na tela, e fazendo uma apresentação rápida (e talvez meio desnecessária, mas legal de ver pelos nomes e cargos aparecendo na tela), e logo botando para valer toda a intensidade das negociações, e principalmente da "burrice" dos suecos em não acreditarem que os judeus estavam sendo mortos nos campos, fizeram com que soubessem bem aonde pegar e aonde deixar levar, o que deu um bom tom e dinâmica para a trama. Claro que poderiam ter trabalhado um pouco mais o lado emocional, colocado uma ou outra ficção para dar uma densidade aqui e ali, mas o resultado geral funciona bem, e isso é o que importa.
Quanto das atuações, foi bem bacana trabalharem Henrik Dorsin com seu Gösta Engzell mais singelo e humano dentro de um ministério, pois geralmente são pessoas mais frias e diretas, como vemos nos demais cargos, e o ator não ficou inquieto na tela, demonstrando seus sentimentos com olhares, trejeitos e até lágrimas (disfarçadas de alergia), de tal forma que acabou segurando bem o protagonismo na tela e chamando o filme para si. Sissela Benn não disfarçou muito na tela com sua Rut Vogl, de tal forma que seu entusiasmo foi nítido para o desenrolar do final do longa, e talvez um pouco mais de mistério chamasse mais atenção, mas a atriz foi segura no que fez e agradou. Agora, se você não ficar completamente irritado com o personagem de Jonas Karlsson pode ir se tratar, pois o ator conseguiu deixar seu Staffan Söderström um burocrata de nível tão gigantesco, juntamente com alguém que não conseguia enxergar a realidade acontecendo, que na metade do filme já dava vontade de socar ele, ou seja, fez o que precisava e conseguiu ser irritante como devia. Ainda tivemos muitos outros personagens, aliás esse talvez seja o maior defeito do longa em querer mostrar muita gente "importante" e isso acabou deixando com que os atores não pudessem ir muito além, mas de um modo geral todos os secundários acabaram sendo bem trabalhados na tela sem ninguém que se destacasse mais.
Visualmente a trama foi mais fechada, tendo muitas cenas dentro do gabinete minúsculo que os protagonistas tinham para seu departamento legal, alguns atos nas salas maiores de reuniões dos ministérios, algumas dinâmicas nas embaixadas e também nas sedes da SS, tendo ainda uma chegada de trem e algumas viagens pelo inverno da Guerra, ou seja, focaram pouco nos detalhes, dando mais visão claro para as várias caixas de casos de pedidos de visto sueco, e assim puderam segurar melhor o orçamento na tela.
Enfim, é um filme bem interessante, que talvez pudesse ter ido mais além, mas ainda assim a entrega foi bem interessante para conhecermos um pouco mais de como a Suécia se comportou durante a Grande Guerra, e como muitas vezes o lado mais baixo de uma grande roda pode mudar tudo em um jogo. Fica a dica de conferida e eu fico por aqui hoje, então abraços e até amanhã com mais dicas.







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