O filme acompanha Daniel Keller, ex-hacker que trabalhou para a WARDEX, uma poderosa organização privada responsável por ocultar, há décadas, evidências da existência de vida fora da Terra. Quando descobre experiências cruéis realizadas contra seres extraterrestres capturados, ele se torna uma ameaça para Noah Scanlon, dirigente da empresa e guardião desses segredos. Paralelamente, a meteorologista Margaret Fairchild entra nessa conspiração que pode culminar na revelação definitiva da verdade para os oito bilhões de habitantes do planeta.
Disse algumas vezes que prefiro muito mais Steven Spielberg como produtor do que como diretor, pois ele sabe investir bem seu dinheiro para que alguns filmes se tornem icônicos, mas ultimamente suas direções tinham ficado tão repetitivas que parecia não mostrar seu real potencial, então eis que aqui ele voltou a trabalhar com o que mais gosta que são histórias envolvendo seres não terrestres, e posso dizer com muita certeza que mesmo sendo uma ficção criada por ele e pelo roteirista David Koepp, muita coisa mostrada na tela tem uma pontinha talvez de realidade (ou não, vai saber!), de modo que ele brincou com facetas de grandes grupos paralelos, trabalhou formatações da mídia, e principalmente como talvez tecnologias alienígenas poderiam ser usadas para manipulações, ou seja, cutucou bastante gente com uma entrega bem feita e chamativa. Claro que aqui ele uniu muitas coisas em um filme só, e diria até que no miolo tudo acaba se embolando um pouco, porém quando o desfecho passa a rolar, a dinâmica impacta na simplicidade cênica, e ali o resultado marca com força.
Quanto das atuações, já tinha visto boas interpretações de Emily Blunt, mas aqui sua Margaret foi algo completamente fora do comum, tendo trejeitos, dinâmicas, intensidades cênicas e tudo mais que um curso de atuação possa ensinar durante seus atos, mas na cena que tem um ataque de pânico, ali acredito que seu nome começou a ser escrito nos troféus das premiações. Josh O' Connor também entregou bons momentos com seu Daniel Keller, sendo bem impulsivo em alguns atos, e forçando um pouco a barra em outros (a cena dele correndo em direção aos carros dos agentes e ninguém ouvindo e/ou vendo ele foi algo meio exagerado), mas ainda assim conseguiu convencer com expressões tudo o que estava acontecendo, e essa sensação foi bem passada na tela, mostrando um bom acerto do ator. Colin Firth está tão diferente na tela com seu Noah Scanlon que não tinha reconhecido ele, e alguns atos seus foram bem fortes de acompanhar, tendo um impacto bem direcionado nos demais personagens, porém seus atos finais foram um pouco fora do padrão que construiu na tela, sendo algo que talvez não encaixasse tanto, mas isso provém do roteiro, então diria que ao menos nos trejeitos foi muito bem. Outro que vem me ganhando faz tempo com suas atuações é Colman Domingo, e aqui seu Hugo teve um ar bem impositivo marcante, aonde a essência expressiva foi marcada principalmente por alguém sereno e não forçado, e assim acabou agradando bastante em suas cenas. Ainda tivemos outros bons personagens, mas a maioria apenas fazendo as conexões, valendo claro dar o destaque para Eve Hewson com sua Jane bem intensa e determinada nos atos principais, sendo marcante com o que tinha para entregar na tela.
Outro ponto bem interessante ficou a cargo da equipe de arte, que tendo espaços bem amplos nas cenas de perseguição por estradas e ruas, também foi sutil nos encontros com animais, tendo ambientes mistos entre o rural com a cidade, e principalmente trabalhando nos atos finais com toda a dinâmica dos jornais ao vivo, com os devidos cortes, transmissões e retransmissões, tendo ainda atos com todos os aparatos alienígenas necessitando de toda uma equipe médica para que a frequência cardíaca não explodisse, tivemos carros dos agentes bem colocados, e muitas dinâmicas explosivas, ou seja, um pacote completo na tela que mostra claro o potencial de produção de Spielberg, brincando com facetas, luzes, cores e tudo mais para criar seus devidos momentos, e claro que também não quiseram inventar moda ao mostrar os seres de outros planetas, usando da velha e tradicional formatação humanoide com cabeça grande.
A trilha clássica de John Williams, parceiro de longa data de Spielberg não ficou falsa, não ficou redundante, e principalmente não ficou repetitiva, sendo usada na medida para que cada momento e tensão crescesse na tela, de modo que até o silêncio em alguns atos foram perfeitos, e fizeram com que o público na sala do cinema parasse para ouvir o longa, ou seja, perfeição.
Enfim, certamente o longa estará nos meus melhores desse ano, mas que mesmo achando tudo tão perfeito não darei a nota máxima, pois sinto que faltou a emoção em me fazer querer explodir a cabeça com tudo o que estava sendo mostrado, e também por algumas cenas soarem falsas, mas ainda assim é incrível e vale a pena demais a conferida, então fica a dica para todos. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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