terça-feira, 31 de março de 2026

Filmelier+ - À Paisana (Plainclothes)

O longa "À Paisana", que estreia no dia 02/04 exclusivamente na plataforma do Filmelier+, é mais interessante por mostrar o quanto era criminoso ser homossexual nos anos 90, e também para nós que amamos tecnologia como eram as captações em câmeras com ruídos ao máximo, pagers para avisar que alguém precisava falar com você, e claro como muitos viviam fechados em bolhas ainda mais discriminatórias do que hoje. Ou seja, é um filme que tem muitos vértices, que mostra a descoberta sexual de um jovem que quase se casou com uma garota, mas tinha certas sensações ao trabalhar como policial caçador de gays em shoppings, aonde a sensibilidade poderia ser ainda mais imponente na entrega, mas ainda assim reflete muito o que vemos hoje em alguns pontos, mas ao menos podemos dizer que melhorou muito a condição no sentido da "caça" em si.

A trama acompanha o jovem policial Lucas no momento em que perde uma carta que nunca deveria ser lida, durante a festa de Ano Novo de sua mãe. Enquanto a procura em meio a um ambiente familiar sufocante, memórias de um passado que ele tenta deixar para trás vêm à tona. Meses antes, Lucas trabalhava disfarçado no banheiro de um shopping, onde prendia homens após seduzi-los, sob acusação de exposição indecente. Tudo parecia seguir como o esperado, até que ele conhece Andrew, com quem desenvolve um vínculo secreto — colocando-o em conflito entre o dever e o desejo.

Em seu primeiro longa-metragem, o diretor e roteirista Carmen Emmi até foi bem cheio das nuances possíveis que tinha para trabalhar, pois fica nítido ele querer mostrar mais a época em si, do que realmente a essência do filme, tanto que só peguei a ideia de que o longa inteiro é do protagonista relembrando tudo que aconteceu enquanto está em busca da carta quando li a sinopse, pois no filme apenas ficou parecendo que são pontos mais quebrados na tela, e isso foi um risco gigante do longa dar muito errado, o que felizmente não aconteceu, mas dava para estruturar melhor a montagem para que o longa ficasse mais denso e menos quebrado, porém isso é algo que demanda mais conhecimento de técnicas, e voltando ao que falei, essa é a estreia dele no estilo.

Quanto das atuações, diria que Tom Blyth soube segurar bem o ar da dúvida de seu Lucas, junto com toda a sensibilidade na tela, sem que ficasse fora do eixo comum do estilo, de tal forma que vemos algo bem presente em suas cenas, com expressões bem marcantes e cheias de precisão, de modo que chega a ser bem comum enxergarmos nele muitos outros que já vimos fazendo assim. Já Russell Tovey entregou para seu Andrew uma personificação bem clara de muitos homens até atuais, que tem família e tudo mais, e trabalha no famoso sigilo as situações homossexuais, sendo marcante pelas dinâmicas bem pontuadas e trejeitos mais fechados em alguns atos, sendo simples, porém cheio de classe. Quanto aos demais, diria que os personagens foram meio que jogados na tela, sem muita formatação ou entrega, desde a ex-namorada vivida por Amy Forsith, passando pelo parceiro policial vivido por Christian Cooke, até chegarmos no exagerado tio que Gabe Fazio trabalhou, sobrando para a mãe que Maria Dizzia coloca na tela entregar expressões fortes em algumas dinâmicas que poderiam ter sido mais impactantes durante a exibição.

Visualmente volto a frisar que foi bacana demais ver o estilo de tela cheio de ruído pelas câmeras antigas, os famosos espelhos duplos, e claro os figurinos da época, mas isso acabou deixando um certo exagero em querer parecer que usaram imagens reais ao invés de uma captação trabalhada, não deixando o filme fluir natural como poderia, tendo ainda alguns ambientes marcantes como a estufa, o banheiro do shopping, e até mesmo os treinos na delegacia, sobrando para a casa da mãe do protagonista uma bagunça de uma festa de ano novo que poderia ser mais ampla de elementos.

Enfim, é um filme simples, porém marcante, que fez uma boa carreira nas premiações e chama a atenção pela história em si, que mostra muito do passado, mas também muitas sensações casuais que ainda ocorrem, então vale a reflexão e conferida pela invasão de privacidade e o decorrer disso na tela. Então fica a dica para a conferida dentro da plataforma do Filmelier+ a partir de quinta 02/04, e eu fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Atômica Lab e da Filmelier+ pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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