domingo, 19 de outubro de 2025

Se Não Fosse Você (Regretting You)

Quem me acompanha aqui há algum tempo sabe que tem pouquíssimos romances ou dramas românticos que confiro fora dos cinemas ou festivais, pois não é meu gênero favorito, e a maioria recai para o lado novelesco, mas quando chega no cinemas minha meta é ver tudo ou praticamente tudo, e esse de hoje tinha uma cara interessante ao menos. Dito isso, eis que fui na pré-estreia do longa "Se Não Fosse Você", e mesmo tendo alguns traquejos novelescos, o estilo dramático do diretor conseguiu fazer com que a história tivesse boas amarrações e fosse gostosa de curtir bem no estilo de uma leitura do livro, sendo simples, porém cheio de nuances, e assim o resultado flui, mesmo que se contado a verdade antes pela mãe para a filha, poderíamos ter pelo menos uns 40 minutos a menos de filme, mas é cinema, então história que segue, pois ficou bonito, meloso e gracioso.

O longa acompanha a dura realidade de Morgan Grant e sua filha adolescente Clara após um acidente trágico causar a morte de dois membros da família: o pai de Clara e a irmã de Morgan. Por ter sido mãe muito cedo, aos 18 anos, Morgan tenta proteger a filha de cometer os mesmos erros, enquanto Clara tenta encontrar sua independência e escapar das restrições da mãe. Com personalidades distintas, a distância entre as duas parece crescer ainda mais depois do incidente, já que o pai e marido Chris era a âncora do trio, trazendo paz para a casa em constante conflito. A convivência complicada parece também piorar quando uma série de segredos da família e revelações chocantes vêm à tona, mergulhando-as em ressentimentos do passado e mal-entendidos. Enquanto tenta reconstruir sua vida, Morgan encontra consolo na última pessoa que imaginava, Já Clara vai atrás do rapaz que sempre sonhou.

É interessante observar o estilo de direção de Josh Boone, pois mesmo sendo adaptações literárias praticamente todos os seus filmes, ele coloca nuances mais densas e conflitivas de uma maneira bem forte para tentar impactar o público, e aqui ele soube usar essa densidade sem precisar impactar diretamente, brincando com as facetas entrelaçadas nos personagens para que isso viesse de uma forma conflitiva, e com isso não ficasse uma trama exageradamente novelesca. Ou seja, o que vemos na tela é bem uma representação literária, daquelas que talvez pudesse até ir mais longe dentro de uma essência cinematográfica, mas que agrada e entrega bons momentos. Só volto que mesmo o livro sendo uma enrolação gigante na falta de diálogo para resolverem rapidamente tudo, no filme o diretor usou da mesma situação, e assim dava para reduzir muita coisa e ficar ainda melhor, pois volto a frisar que gostei do que vi, não sendo o melhor do estilo, mas passando bem longe do pior.

Quanto das atuações, Allison Williams trabalhou bem sua Morgan, com uma desenvoltura mais fechada e imposta, afinal morreram sua irmã e seu marido, e também foi blindada das experiências já que teve a filha muito nova, e a atriz soube dar essa essência pra personagem com dinâmicas mais impositivas do que um carinho realmente, mas volto a frisar, faltou aprender a dialogar, pois dava para resumir bem a história com um bom papo sobre sentimentos. McKenna Grace trabalhou sua Clara de uma maneira tradicional adolescente que conhecemos bem os problemas, e agora escrevendo estou em choque como ela ficou bonita, pois já tinha demonstrado boas atuações mais nova, mas era esquisitinha e agora se tornou uma mulherona imponente e que vai dar trabalho em muitos filmes futuramente, pois mostrou estilo e ainda continua atuando bem, mesmo que de forma um pouco irritante como todo adolescente quase adulto. Mason Thames esse ano já pode aposentar, pois já é seu terceiro filme, sendo dois em dias consecutivos por aqui, e já tinha falado disso ontem, mas hoje volto a frisar que ele ficou com uma cara de adulto muito rápido, pois aqui ele nem aparenta ser um aluno de 17 anos, que é praticamente sua idade real, mas sim alguém mais velho, porém soube ser gracioso com seu Miller, e o resultado agrada, afinal é um bom ator. Dave Franco esse ano também já fez de tudo, tendo agora seu terceiro ou quarto filme, e ainda terá mais um em Novembro, mas falando de seu Jonah, ele consegui trabalhar trejeitos fortes para tudo o que aconteceu, juntamente com um olhar apaixonado tão bem doce e bacana para com a protagonista, que dava para ela já ficar com ele no próprio velório. Ainda vale citar Clancy Brown bem colocado nas nuances como o avô do garoto, Sam Morelos bem divertida e cheia de sacadas com sua Lexie, e claro os dois atores que apenas apareceram rapidamente nas cenas iniciais Scott Eastwood com seu Chris e Willa Fitzgerald com sua Jenny, mas nada que impactasse nas expressões entregues.

Visualmente a trama foi bem dividida com cenas na escola aonde os jovens estudavam e o professor que é o tio da garota, tivemos a casa bem cheia de detalhes da protagonista, aonde ela sendo desenhista de interiores faz uma mudança bem bacana, e também cenas nos cinemas AMC aonde o jovem trabalhava, e a fazenda do avô na beirada da estrada, tudo bem simples, mas com muitos detalhes cênicos, para claro ajudar a galera que leu o livro se situar dos momentos, e assim vemos tudo sem ser forte, mas bem direto na tela.

Enfim, passa longe de uma obra de arte literária bem transportada para a telona, mas consegue ser gostosinho de assistir e se envolver, principalmente pela boa trilha sonora (que deixei o link aqui), e claro das atuações que fazem expressões bem colocadas na tela, mas dava para resumir um pouco tudo e criar talvez mais situações fortes para causar um pouco mais de impacto na tela. Então fica a dica para a conferida na próxima quinta que é quando o longa estreia oficialmente, e eu fico por aqui hoje, voltando amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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