Como Treinar o Seu Dragão 3 em 3D (How To Train Your Dragon: The Hidden World)

1/18/2019 01:29:00 AM |

Esbaldando emoção! Essa pode ser a sensação que muitos terão ao acabar de ver o capítulo final da trilogia "Como Treinar o Seu Dragão", que começou bem pequena lá trás, mas me lembro como se fosse hoje meu ódio por não terem dado o prêmio para ele em cima de "Toy Story 3"(não vamos discutir isso agora!), pois lá em 2010 já eram muitas cores, muita simbologia, e uma vivência emocionante de amizade, carinho e cumplicidade entre o protagonista e o seu dragão de forma que fomos conhecendo cada detalhe, vivendo cada voo juntos, e tudo mais que a linda trama foi construída em cima dos 13 livros em que se basearam para contar, e agora passados 9 anos podemos dizer que chegaram muito próximo da perfeição no conceito da animação, e contando até mais história que os outros dois filmes juntos, esse novo e derradeiro ato consegue ser simbólico novamente para passar a sensação de dever cumprido, de ter conseguido manter a essência sem invenções bregas, sem sair do eixo, e principalmente feito todos os marmanjos da sessão darem aquela emocionada básica na penúltima cena, e depois ver um grandioso fechamento. Claro que é assim como os anteriores, as cores, os dragõezinhos, e as trapalhadas vão conseguir divertir os pequenos, mas diria que esse é o mais maduro dos três filmes, e talvez até canse um pouco os menores, mas quem acompanhou tudo certamente vai gostar muito do resultado final, e claro irá querer passar para seus pequenos toda essa mensagem de carinho e envolvimento familiar.

A sinopse nos mostra que o que começou como uma improvável amizade entre um viking adolescente e um terrível dragão Fúria da Noite tornou-se uma trilogia épica que abrange as suas vidas. Neste próximo capítulo, Soluço e Banguela finalmente descobrirão seus verdadeiros destinos: o chefe da aldeia como governante de Berk ao lado de Astrid e o dragão como líder de sua própria espécie. À medida que os dois ascendem, a ameaça mais sombria que enfrentaram - bem como o surgimento de outra Fúria da Noite - testará os laços de seu relacionamento como nunca antes.

Se no primeiro filme o diretor Dean Deblois dividia a função com Chris Sanders, logo que assumiu sozinho a cadeira fez com que o filme tomasse um ar mais maduro, mantendo a diversão, mas com uma trama mais séria e envolvente, mas por ser 13 livros a história inteira, imaginava-se que fariam pelo menos uns 5 filmes pelo menos, e quando anunciado que seria fechado com uma trilogia, muitos já imaginaram como poderia acabar, ou melhor, como é dito em todos os inícios dos livros, como os dragões sumiram do mundo. Pois bem, Deblois foi muito criativo, sincero e extremamente delicado para que a honraria ficasse bem colocada da forma mais simbólica e bela possível, assim como Cressida Cowell foi em seus livros, de tal maneira que o filme passa essa beleza ao encontrarmos o refúgio dos dragões cheio de brilhos, luzes e cores, ao conhecermos o vilão com um ar sombrio bem demonstrado cheio de tensão, os flashbacks com o pai todos num tom mais emocional quase esfumaçado e bem vivido. Ou seja, o diretor quis entregar algo que foi muito além do que acabaria acontecendo com qualquer outra animação, trabalhando texturas e enchendo a tela com muita beleza para ser apreciada pelos fãs da saga, e claro, fãs de cinema mesmo.

Sobre os personagens, basicamente já conhecemos quase todos os que estão na tela, com Soluço e suas engenhocas, sendo bem atrapalhado, mas assumindo aqui a personalidade de líder que lhe é confiada, e o jovem consegue trabalhar bem sua personalidade para atingir isso. Temos claro Banguela, nosso querido e amado dragãozinho de estimação, cheio de virtudes, mas fazendo coisas mais geniosas e incríveis para amarmos mais ainda ele, e se tornando mais grande ainda aqui. Temos os demais vikings bem colocados cada um nas suas características (bem diferentes do livro, mas que aprendemos ao que vimos com cada um nos demais filmes a ganhar carisma e desenvoltura). Mas eis que agora surgiram os novos Fúria da Luz, que com muita sensualidade e personalidade de uma gata manhosa conseguiu conquistar o coração do dragãozão com muito envolvimento e deslizes pelo ar, em gratas cenas maravilhosas. Conhecemos o vilão bem imponente Grimmel, que nos livros aparece muitas vezes, mas aqui ganhou um ar bem forte, cheio de marra, trabalhando com seus dragões imensos que lhe consideram como alfa, cuspindo ácido e muito mais de veneno, ou seja, conseguiram entregar um vilão realmente, coisa que raramente vemos em animações. Ou seja, ótimos personagens bem desenvolvidos que certamente poderiam ter muitos outros filmes para nos agradar.

Visualmente o longa é ainda mais perfeito, pois como disse o diretor e sua equipe entregaram tantas texturas, tantas cores, planos-sequência incríveis, flashbacks bem moldados e interessantíssimos para entendermos ainda mais a personalidade que o protagonista tomou, símbolos aparecendo em cada ato, barcos de guerra perfeitos de elementos cênicos, figurinos desenhados com escamas de dragão para dar um ar de convívio dos personagens, ou seja, foram além do que esperava ver na telona. Agora se tem algo que poderiam ter feito algo a mais foi com o 3D, pois volto a frisar, longas com voos precisam abusar da tecnologia para que as crianças brinquem, e o filme ousou muito pouco, ou quase nada, tendo raras cenas com uma profundidade maior, mas praticamente nenhum elemento saltando ou se destacando com a tecnologia, de modo que usaram a técnica apenas para ganhar texturas e moldar os personagens para serem o mais real possível.

Enfim, é um filme que não dá para diminuir as palavras, e se fiquei apaixonado pelo primeiro, morri de amores pelo segundo, agora no terceiro a emoção bateu forte, e até poderia tirar alguma nota dele pela falta de um 3D melhor, mas como costumo dizer, não fez diferença na história, não fez diferença na técnica trabalhada, e quem for conferir sem os óculos verá uma história tão emocionante quanto quem colocar os óculos, e sendo assim, vamos pontuar ao máximo esse encerramento de luxo que a Dreamworks nos entregou, e vou torcer bem ali no cantinho para quem sabe inventarem de fazer uma continuação, embora o fechamento tenha sido incrível, tendo inclusive um epílogo bem encaixado e totalmente emocionante. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos das estreias, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Cam

1/17/2019 12:35:00 AM |

Costumo dizer que o maior problema de um diretor é definir como trabalhar um roteiro para que ele se encaixe dentro de algum estilo próprio, ou pelo menos se adeque próximo a algo para poder se dizer uma revolução do estilo, e quando ele não consegue isso, o resultado acaba soando mais estranho do que interessante de acompanhar. Diria que "Cam" é um desses filmes que ficaram bem no meio do caminho dos estilos, e a proposta até vai para um rumo bem colocado, mas não incita muito o que acaba sendo/acontecendo do outro lado do site, e esse talvez seja um problema até maior do que a definição como falei, pois ficamos interessados pelo desespero da garota em buscar respostas de como sua conta foi duplicada, e tudo mais, mas acaba não aprofundando como poderia, e ao final apenas temos um encerramento não muito propício, ou seja, o longa até pode trabalhar bem com a funcionalidade de mostrar que ninguém é insubstituível, que a efemeridade pode ser subjetiva, e tudo mais, mas quando entra no acaso de algo do estilo do terror, como era a proposta da trama, não vemos um bom final para tudo.

A trama nos conta que Alice é uma ambiciosa jovem mulher que trabalha com pornografia de webcam. Quando uma misteriosa mulher idêntica a ela toma seu canal, ela se vê perdendo o controle sobre os limites que estabeleceu em relação a sua identidade online e os homens na sua vida.

Em seu primeiro longa, o diretor Daniel Goldhaber mostrou que já vivenciou muito a vida de garotas que fazem vídeos eróticos na internet, e que com essa boa pesquisa conseguiu trabalhar bem a sintonia das cenas com a protagonista e com as demais que aparecem na trama, e as coloco como demais realmente, pois elas têm pouquíssima atividade senão ajudar fazendo outros vídeos, ou em raros momentos alguma conversa com a protagonista. Mas somente essa pesquisa não foi suficiente para que ele moldasse a trama de uma forma condizente, a não ser que fosse mostrar algum tipo de documentário sobre a vida de garotas desses sites, e não algum suspense sobre roubo de personalidades/vidas como basicamente aparenta ser a ideia principal do longa, ou seja, faltou acreditar no que estavam fazendo para que o público também acreditasse no que é mostrado, e sendo assim, infelizmente a falha é bem grande, mesmo que tendo um leve mote interessante para se pensar na possibilidade das pessoas nem terem personalidade suficiente para existirem hoje, ou seja, faltou tudo.

O trabalho da protagonista Madeline Brewer foi até bem coeso com sua Alice/Lolla, e entregou uma personificação bem interessante, entregou boas expressões para os mais diversos momentos, e foi razoável na caça desesperada pelo seu clone, mas acredito que nem ela acreditou e/ou entendeu o que realmente era o ser do outro lado da câmera, e isso foi algo bem falho de ver, pois ela acabou entregando dúvida para nós não acreditarmos nem no que ela via, e assim, o longa ficou perdido também, talvez uma descrença mais leve, ou mostrar mais personalidade mostraria algo a mais. Quanto aos demais, nem vale gastar o teclado digitando, pois foram expressões jogadas para nenhuma serventia, tendo um ou outro uma tentativa de se mostrar para a câmera.

A concepção da cenografia do longa foi bem trabalhada para mostrar bem esse mundinho das garotas que ficam fazendo vídeos eróticos com câmeras em quartinhos, recebendo pontuações ao satisfazer os desejos dos seus seguidores/espectadores diversos, e foram bem coerentes com muitos objetos cênicos, brincaram com o lance familiar, com os clubes e tudo mais, mas como já disse, faltou algo a mais para o fechamento do longa, e a parte técnica poderia ter ajudado também, ou seja, quem sabe a brincadeira ficasse mais relevante quando a garota descobre o algo a mais no computador sobre a outra garota, e aí sim o resultado chamaria a atenção nossa. A fotografia exagerou no vermelho/rosa do quarto da garota, e poderiam ter cansado menos nossa vista, mas ainda assim o resultado nesse quesito não é dos piores.

Enfim, é um filme que foi feito para algo, alguns vão enxergar de uma forma bem diferente, mas que infelizmente não me cativou até o final, parecendo faltar algumas coisas para ser considerado um mote além do que é mostrado em cena apenas, ou seja, fraco. Sendo assim, não o recomendo, mesmo tendo um bom começo, e um miolo razoável, pois literalmente jogaram o final no lixo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas amanhã já volto com as estreias da semana nos cinemas, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Solo

1/16/2019 12:59:00 AM |

Histórias reais quando bem contadas, trabalhando bem o visual, colocando um ator para sofrer e transmitir o sofrimento de forma coesa e bem trabalhada para o público, e entregando uma história verossímil de acreditar, acabam resultando em longas que prendem os espectadores e resultam em tramas interessantes de conferir aonde quer que seja, e de cara pelo trailer de "Solo" já vemos muito a semelhança do filme com "127 Horas", mas ao conferir vemos que ele também possui alguns momentos que nos conectam à "Águas Rasas", ou seja, embora o filme conte uma história real que aconteceu em Setembro/2014, vemos muitas conexões com outros longas baseados em fatos reais, de forma que podemos concluir que em momentos de desespero praticamente todos fazem loucuras, deliram pensando em tudo que já fizeram de errado, e principalmente tentam sobreviver mesmo pensando em dar fim a vida de uma forma mais rápida. Diria que a diferença do longa espanhol para os outros que citei é mais pelo lado da simplicidade efetiva, e pelo protagonista não ser alguém tão famoso que acabou forçando um pouco o sofrimento, ao contrário dos outros que se entregaram mais, pois de resto, foi quase como rever os outros dois que foram bem bons, e aqui o resultado também foi bem agradável.

O longa nos mostra que numa área remota das Ilhas Canárias, um surfista cai de um penhasco, e lutando pela sobrevivência, ele acaba refletindo sobre a vida e o amor do passado.

A grande sacada aqui feita pelo diretor Hugo Stuven foi trabalhar a cenografia, dar altos voos com drones, utilizar muitas câmeras aquáticas, e com isso praticamente nos colocar junto do personagem principal que é um solitário imenso, cujo o nome real é Álvaro Vizcaíno, trabalhando com o ator todos os seus erros do passado, e claro suas angústias ali no seu momento de quase-morte no meio do nada. Diria que ele foi bem efetivo no que tentou entregar, e com uma tecnologia bem colocada, o resultado surpreende pelas ótimas imagens, mas talvez tenha faltado um pouco mais de ensaios e/ou trabalho de vivência com o protagonista para que ele soubesse passar o sentimento real do personagem naquela situação, e com isso entregasse algo mais forte nos olhares, ou seja, até temos um filme bem trabalhado, mas que falha um pouco na expressividade passada de modo levemente falso, e com isso o resultado embora bonito, também soa um pouco falso.

Como o filme é praticamente todo centrado no protagonista, Alain Hernández precisou incorporar bem a personalidade solitária de Álvaro, e ir entregando cada ato com muita sintonia, entrando em desespero nos momentos certos, jogando olhares para fora, e botando pra jogo algo que é muito difícil de fazer, que é variar a mente para não forçar ao exagero o desespero de estar sozinho, e infelizmente foi nisso que ele pecou um pouco, afinal como bem sabemos para gravar um longa o ator está rodeado de uma tonelada de pessoas da equipe, e aqui certamente se largassem as câmeras bem posicionadas, e o ator se virando sozinho realmente, o resultado seria bem diferente, mas longe do ator ter sido 100% ruim, diria que ele foi interessante ao menos na maior parte do tempo. Dentre os demais, tivemos muitas cenas para tentarmos reconhecer a paixão do protagonista por Ona, vivida pela belíssima Aura Garrido, que no que precisava fez bem, que era mostrar sua sensualidade e chamar a atenção quando precisou, e tivemos leves momentos bem encaixados para mostrar a amizade do protagonista com Nelo, vivido por Ben Temple, mas que precisaria de mais tempo para desenvolver o papel, e sendo assim soou bem fraco.

No conceito artístico, a produção encontrou um lugar paradisíaco para filmar o longa, ou montaram piscinas perfeitas pela cor da água, pois os resultados das imagens ficaram incríveis de ver, tendo objetos cênicos bem entregues para que os atos acontecessem de forma bem interessante, as captações aéreas deram um tom bem colocado, ou seja, um trabalho bem minucioso da equipe de arte, que acertou em cheio. A fotografia deixou tudo com tons bem claros, puxando um ou outro momento para tons mais escuros dando uma leve tensão para a dor do protagonista, mas ao optar pelo molde mais claro, o filme ficou menos agressivo, e assim sendo o resultado cansou menos do que poderia ocorrer.

Enfim, é um filme bem feito, que poderia ter ido muito além, caso desejassem trabalhar mais a personalidade do protagonista, e claro, como disse da interpretação talvez deixado o ator mais sozinho para conviver com o desespero realmente, pois não teria forçado tanto. Ou seja, é um longa que consegue passar bem sua mensagem, e agrada de certa forma, mas que falha aonde não poderia falhar em um filme desse estilo, que foi na atuação, e sendo assim, muitos irão se desconectar facilmente da tensão, e ao invés de sentir toda a dor e o desespero que certamente Álvaro teve, muitos irão ficar com sono no desenrolar da trama. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais um texto, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Mara - O Demônio do Sono (Mara)

1/14/2019 11:54:00 PM |

Se tem um distúrbio que muito ouvimos falar é a tal da paralisia do sono, e claro que muitos longas de terror gostam de trabalhar a ideia, cada um de sua maneira, para causar conflito na mente do público e claro discutir um pouco mais sobre como demônios podem te dominar nesse momento, ou seja, para tudo existe um demônio, e o da vez agora é o do sono (que mais para o final do longa entendemos que ele deveria ter outro nome, mas não vou colocar aqui para não dar spoiler!). Trabalhando bem essa temática, o longa "Mara - O Demônio do Sono", (aliás gostaria de saber quem resolveu batizar ele de Mara, que no longa não nos falam!) conseguiu envolver bem a trama, colocar o desespero dos protagonistas num ponto bem forte, e principalmente causar estranhamento e sustos (muitos gratuitos, que só toma quem quiser!) nos espectadores, e embora soe um pouco forçado, a trama consegue ser interessante de acompanhar com o mote principal, ou seja, o resultado final não é dos piores, e até dá para encontrar uma boa diversão para quem gosta do gênero. Claro que muitos vão falar que falhou em diversas perspectivas, que o monstro é bizarro demais, que os sustos são desnecessários, que o suspense não foi bem fundamentado, mas como costumo falar, se um longa de terror for tentar agradar todos os estilos que o público gosta de ver, é capaz de nem mesmo o diretor entender o final que vai acabar colocando, e sendo assim, aqui ao menos agrada bem em um dos estilos, que é o de assustar em cima de um tema usando um monstro/entidade estranho.

O longa nos mostra que uma psicóloga criminal investiga o assassinato de um homem que, aparentemente, morreu estrangulado enquanto dormia e descobre a lenda de um terrível demônio que mata as pessoas durante o sono. Agora ela precisa salvar a própria vida e dos demais antes de dormir novamente.

Em seu primeiro longa Clive Tonge soube trabalhar algo que muitos diretores de terror costumam deixar de lado, que é a expressão de medo dos protagonistas, e aqui vemos todas as mudanças de trejeitos da protagonista, que inicialmente duvida do que está vendo, depois fica curiosa, passa a ter receio, entra no medo, e a loucura passa a dominar sua cabeça, e essa é a melhor forma para que o público acredite em algo que tenta ser mostrado. Claro que muito se fala sobre a tal paralisia do sono, diversas pesquisas já foram feitas, mas como bem sabemos o estudo da cabeça pelos neurologistas ainda é algo muito difícil de ser 100% entendido, e aí entrou outro grande acerto do longa, a dúvida médica em o que está acontecendo realmente, ou seja, o diretor conseguiu numa tacada só brincar com o tema deixando a pulga nas orelhas dos espectadores, acertando no estilo, e causando o terror. Só diria que ele não foi incrível por não ter trabalhado tanto a tensão, pois assistimos o filme tranquilamente, levando sim alguns sustos forçados, mas não passamos a roer as unhas ou grudar na televisão para ver tudo o que venha nos ser mostrado, e se tivesse feito isso, seria daqueles filmes que iríamos ter certamente um medinho para dormir.

Outro grande acerto pela produção foi a escolha de Olga Kurylenko como protagonista, pois mesmo já não sendo tão jovem, a artista possui um rosto bem jovial e sabe encaixar perfeitamente boas dinâmicas em seus atos, e conseguiu com primor trabalhar cada momento do filme com sua Kate, encaixando personalidade, e principalmente fazendo com que o público acreditasse no que estava sentindo/vendo, ou seja, foi muito bem no que fez. Craig Conway botou toda a sua loucura para jogo com seu Dougie, mas funcionando bem sendo aquele personagem que nos explica toda a história, e o melhor de tudo é que ele como um personagem forte acabou nos impondo tudo, o que é bem interessante de ver pelo seu poder de entrega. Sempre que vou conferir o monstro protagonista dos filmes de terror, a novidade é quase nenhuma, pois geralmente é Javier Botet quem entrega com muita personalidade e altos contorcionismos para assustar e causar estranhamento no público, e aqui ele atacou de Mara com um visual bem forte e bizarro, que ao menos cria uma leve tensão ao ficarmos olhando para o ser. Dentre os demais, tivemos boas cenas com a mãe surtada interpretada por Rosie Fellner, a garotinha triste bem colocada por Mackenzie Imsand, mas quem acabou se destacando pela incredulidade foram o policial vivido Lance E. Nichols e o médico Mitch Eakins, pois ambos não acreditando na entidade foram testados e se mantiveram firmes, o que é raro de ver em um terror.

No conceito visual, a trama se desenrola bem com objetos cênicos sendo quebrados, cortinas voando, uma boa maquiagem para a entidade, e claro para os olhos de todos os personagens, mas sem dúvida alguma a grande cenografia ficou a cargo da cena dentro da casa de Dougie, pois lá nos foi mostrado toda a história da entidade, a protagonista monta a linha temporal para entendermos, e usando muitos recortes, pinturas e tudo mais a equipe de arte deu um show para que o filme tivesse suas explicações. Infelizmente a fotografia brincou com a famosa utilização de cenas escuras para pegar o público desprevenido, e isso é um clichê tão grande de longas de terror, que as vezes até funciona bem, mas aqui já praticamente ficamos preparados para todos os momentos, e sendo assim, o resultado dos tons falhou um pouco.

Enfim, é um longa interessante pelo conceito, que trabalha bem a situação, mas que não impacta como poderia, assustando bem levemente e causando um certo estranhamento, o que certamente com uma tensão mais bem moldada faria o público pular da cadeira a cada minuto do longa. Sendo assim, até recomendo ele para quem gosta de um terror tradicional de espíritos/entidades, com um leve suspense por trás de tudo, mas não garanto que a maioria vá gostar do que verá. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - A Última Gargalhada (The Last Laugh)

1/13/2019 10:00:00 PM |

Já disse algumas vezes que os americanos raramente acertam a mão em dramas cômicos, as famosas dramédias, pois costumam entregar o tema mais para algo deprê do que para algo que divirta e emocione, e é exatamente isso o que ocorre em "A Última Gargalhada", pois o filme tenta mostrar a amizade entre dois senhores, que já trabalharam juntos há 50 anos, um como agente, outro como comediante, mas que não vingaram (ao menos juntos), e que resolvem fazer uma turnê em formato de road-movie para que o humorista stand-up volte a pegar jeito nas piadas para se apresentar num grande show. Até aí a ideia seria boa, mas é claro que vão colocar as pitadas de doenças, dos filhos e netos, do amor na terceira idade, e por que não colocar também drogas, e tudo mais, ou seja, completar tudo, mas isso não é o problema do filme, mas sim a falta de um ritmo que empolgasse e cativasse o público, parecendo que vamos ver algo que vai acabar bobo, ou sequer acabar, e a trama pedia algo a mais, que não nos é entregue, ficando somente em algo bonitinho para quem desejar perder um tempinho na Netflix, vendo algo leve até demais.

O longa nos mostra que o agente de talentos aposentado, Al Hart se reencontra com o seu primeiro cliente, Buddy Green – um humorista que deixou o show business 50 anos atrás. Ele o convence a fugir da casa de repouso, e os dois caem na estrada para uma turnê de comédia por todo o país.

É engraçado que se esse mesmo tema caísse nas mãos de um diretor francês teríamos algo memorável que certamente iria fazer todos chorarem ao final, e durante toda a história iríamos rir sem parar, mas o que Greg Pritikin acabou desenhando aqui foi apenas algo singelo e envolvente, que falta tanto com boas piadas para o público rir, quanto com algo comovente que emocionasse, de forma que mesmo ao descobrirmos a doença, acabamos ficando sem muita expressão e o resultado soa comum demais. Claro que tivemos 5 minutos de loucura e muita bizarrice por conta de alguns cogumelos, mas a sintonia geral do longa é bem tradicional e não empolga como poderia. Diria que o diretor quis fazer algum tipo de homenagem para algum comediante stand-up, e não declarou isso, pois faltou muito para ser um longa realmente fora do comum.

Sobre as atuações, diria que a dupla Chevy Chase e Richard Dreyfuss estava bem afiada, com uma química bem conectada, de modo que realmente pareciam amigos de longa data em praticamente todas as cenas, mas ambos foram sutis demais na comicidade que poderiam entregar, e mesmo Dreyfuss transformou seu Buddy num comediante de stand-up bem leve, com piadas simples e coloquiais, tendo apenas um momento de provocação bem interessante, e sabemos bem que esse estilo embora os americanos gostem muito, hoje já não funciona tão bem se não for mais impactante. Chase também deu um ar muito calmo para seu Al, de modo que um agente de estrelas não é assim tão calminho, geralmente produzindo e atacando com um grande cunho, envolvendo a todos para que seu artista tenha mais e mais resultados para se apresentar, mas ao menos sua última cena junto do comediante famoso foi incrível e mostrou um bom tom na sua resposta. Quanto aos demais, diria que foram simples para conectar apenas cada ato com os protagonistas, tendo apenas um leve destaque para Andie MacDowell com sua Doris.

A grande sacada aqui ficou por trabalhar bem o estilo road-movie, que fez com que a direção de arte passeasse por diversos bares e casas de shows pelo país inteiro, mostrando detalhes e até colocando leves preconceitos por características das regiões, azucrinando os cowboys, os orientais, os negros, e por aí vai, coisa bem típica de comediantes stand-up, e com isso a equipe brincou com os figurinos e os estilos dos hoteis, das casas, e assim o resultado visual acabou até que bem interessante.

Enfim, é um longa bem básico que até poderia divertir e emocionar mais caso quisessem, mas que optou por uma forma light de entrega, e resultou com simplicidade em algo que soou bonitinho ao menos. Não diria que recomendo ele, mas também não coloco ele como algo que falhou e deva ser apagado. Quem sabe mais para a frente alguém pegue a história e melhore ela. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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A Esposa (The Wife)

1/13/2019 02:16:00 AM |

Sempre achei interessante que ouvimos muito que uma esposa muda a vida de um homem, e diversos filmes também nos mostram isso, mas o que vemos em alguns casos de submissão, aonde alguns homens se sobrepõem às esposas, obrigando-as que parem de trabalhar com o que gostam, e por vezes até as utilizando para sair-se bem em algo de sua vida e/ou profissão é algo que não tem como achar bonito, e até magoa a forma que isso é mostrado com tanta frequência. Pois bem, pode até ser um leve spoiler, mas isso é a forma dura que vemos em "A Esposa", e que muito me remeteu ao longa que conferi ontem, "Colette", pois aqui a protagonista passa quase pelos mesmos abusos, só que enquanto a francesa saiu para o mundo, aqui a inglesa se manteve fiel ao amor pelo marido, engolindo sapos e tudo mais para manter a compostura, e claro a classe, e nada melhor do que a escolha do elenco para representar bem isso, pois Glenn Close consegue mostrar força e amadurecimento a cada cena sua na tela, o que faz o filme ser até melhor desenvolvido pelas atuações do que pela história em si.

A sinopse nos conta que enquanto viaja para Estocolmo com o marido, que receberá o Prêmio Nobel de Literatura, Joan questiona suas escolhas de vida. Durante os 40 anos de casamento, sacrificou seu talento, sonhos e ambições, para apoiar o carismático Joe e sua carreira literária. Assediada por um jornalista ávido por escrever uma escandalosa biografia de Joe, agora Joan enfrentará o maior sacrifício de sua vida e alguns segredos há muito enterrados finalmente virão à tona.

O diretor sueco Björn Runge não é muito conhecido por esses lados, mas soube trabalhar bem os dois lados de sua trama, o drama da esposa em ser calada e reflexiva em cima de algo problemático na relação com o marido, que já perdura por muitos anos (e que vemos ocorrer nos diversos flashbacks), e também toda a loucura em cima dos bastidores de um prêmio Nobel. E felizmente um dos grandes acertos do diretor foi trabalhar seu longa dramático sem ser cansativo demais, pois geralmente esses estilos costumam ser enfadonhos de acompanhar, mas com sabedoria ele pegou o livro de Meg Wolitzer e desenvolveu bem cada ato para mostrar a submissão, e claro o cansaço mental por trás de tudo o que a protagonista está engolindo durante todos esses anos para que seu marido se tornasse imensamente famoso. Claro que o longa poderia ter seguido rumos completamente diferentes, mas ao conseguir manter toda a essência em cima da protagonista, o diretor causou não só um incômodo visual, como também mostrou o quanto esconder algo para beneficiar alguém pode ser devastador, e assim sendo, o resultado do longa embora seja simples, acaba fluindo melhor pela boa síntese dos protagonistas.

Sobre as interpretações, é fato que Glenn Close é uma atriz incrível, consistente e principalmente que sabe entregar personalidade para os personagens que lhe é entregue, e aqui com sua Joan não foi diferente, de modo que acabamos nos afeiçoando tanto que cada momento seu vira algo incrível de acompanhar e de se conectar, e outra grande sacada do longa foi trabalhar Annie Stark como sua personagem jovem de uma forma coerente e bem similar à experiente atriz, de modo que realmente acabam se parecendo as duas. Jonathan Pryce também foi bem impactante com seu Joe, entregando muita sinceridade na atuação de modo que chegamos até ficar com dó dele em certos momentos, mas em outros a vontade é de socar realmente, e assim como aconteceu com Glenn, sua versão jovem interpretada por Harry Lloyd foi de uma precisão de características que chegamos até ouvir sua voz bem encaixada nos atos, ou seja, perfeito também. Dentre os demais, tivemos cenas duras junto de Max Irons como David, o filho que almeja ser escritor como o pai, mas que tem inúmeros problemas de personalidade, e também tivemos boas cenas com Christian Slater como Nathaniel, um escritor de biografias intrometido ao máximo na vida dos personagens, e assim conseguindo criar bons conflitos.

Com um filme que se passa praticamente todo dentro de locações, como um hotel luxuoso, um bar, uma casa, uma limousine, aonde os personagens principais vão tendo suas discussões, a equipe de arte só teve o trabalho de colocar elementos de composição cênica, pois praticamente nada (tirando a cena com os livros do protagonista sendo usados para a discussão) é usado como objeto cênico na trama, e sendo assim usando de locações práticas o resultado foi bem coerente, efetivo e simples. A fotografia não ousou também, deixando o longa bem claro, usando do frio de Estocolmo para ter alguns momentos mais dramáticos sobrevoando os telhados cheios de neve, e o resultado não ficou tão denso como poderia, mas ao menos ficou interessante para não cansar também.

Enfim, é um filme gostoso e bem trabalhado em cima da proposta, mas que dependeu mais das atuações do que do texto em si, e o resultado acaba sendo simples e coerente, agradando por ver a protagonista dar um show como é de praxe. Sendo assim recomendo ele somente para quem gosta de longas dramáticos simples e bem colocados, pois os demais podem cansar mais do que o normal. Bem é isso pessoal, encerro aqui hoje a semana cinematográfica, mas volto logo mais com filmes vistos em casa, então abraços e até logo mais.

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Máquinas Mortais em Imax 3D (Mortal Engines)

1/12/2019 07:43:00 PM |

De certa forma já acostumamos que alguns livros necessitam ser feitos em mais do que um único filme, ou até mesmo virar uma série, pois possuem muitos personagens, diversos motes para serem explicados, relações interpessoais, e tudo mais que se entregue em um único longa acaba deixando o público confuso, não bota nada em jogo de forma decente, e acaba sendo levado a baixo pelas altas críticas negativas, ou seja, gastam horrores do orçamento em algo que acaba perdido. E comecei o texto de "Máquinas Mortais" dessa forma exatamente por ele ser um exemplar claro dessa atitude, pois é um longa com uma história bem marcante, possui uma proposta ousada e bem coesa de ser vista, mas possui muitas amarrações que foram jogadas de lado, personagens que surgem do nada sem muitas explicações, e temos de tentar entender quem são, ou o porquê de estarem ali, além claro de tudo ser num nível de ação gigantesco (o que não é ruim, mas desde que não tivesse tanta gente importante no miolo). E sendo assim, tivemos um filme bem dinâmico, com uma produção gigantesca, efeitos de grande porte, mas que ao final da sessão ficamos nos perguntando: "O que foi que assistimos mesmo? O filme era sobre o que?", e certamente isso não é algo bom de sair falando após algo desse porte, ou seja, faltou Peter Jackson que é o rei da divisão de longas (fez um livrinho minúsculo como "O Hobbit" virar três longas) chegar no diretor e falar: "vamos lançar em duas partes, de um jeito de gravar mais coisas!", e aí sim o resultado seria bem imponente de ver na telona, mas da forma que resultou, ficou algo bem mais ou menos.

O longa nos situa anos depois da "Guerra dos Sessenta Minutos". A Terra está destruída e para sobreviver as cidades se movem em rodas gigantes, conhecidas como Cidades Tração, e lutam com outras para conseguir mais recursos naturais. Quando Londres se envolve em um ataque, Tom é lançado para fora da cidade junto com uma fora-da-lei e os dois juntos precisam lutar para sobreviver e ainda enfrentar uma ameaça que coloca a vida no planeta em risco.

Talvez um problema que ocorreu foi o de Christian Rivers fazer sua estreia na direção de longas logo em uma produção gigantesca como essa, pois ele que já ganhou um Oscar pelos efeitos especiais de "King Kong" pareceu desesperado e ansioso demais com a trama, acelerando tudo (mas como disse tinha coisa demais para mostrar, e certamente a aceleração é devida à isso), mas diria que o problema dele nem foi tanto esse desespero, pois ele poderia até ter uma trama gigantesca, mas poderia ter optado por desenvolver menos personagens e a trama se auto enxugar, deixando que tudo ocorresse somente em cima dos protagonistas, mas isso seria algo para um diretor mais experiente, o que não era o caso aqui. Em síntese, o trabalho de Rivers não chega a ser ruim, pois como sabe trabalhar bem com efeitos, ele acabou entregando uma obra cheia de técnica e muita movimentação, mas que não consegue segurar o tino completo que a trama pediria, e assim sendo os defeitos acabam sendo realçados, como por exemplo os personagens sem muita química, alguns sem desenvolvimento, mas que são importantes para os atos, e assim o resultado acaba não ficando ruim, mas estranho de modo geral, parecendo que o livro de Philip Reeve foi mal adaptado para o cinema.

Sobre as interpretações, não lembro muito de Hera Hilmar em "Anna Karenina", nem em outros longas, mas posso dizer que aqui, como a protagonista Hester Shaw, ela foi bem colocada, fez boas caras e bocas, e conseguiu chamar a atenção momentaneamente, trabalhando os olhares e impondo seus diálogos, só diria que faltou um pouco mais de química dela com os demais personagens, parecendo estar solta demais na produção. Robert Sheehan foi singelo e bem determinado com seu Tom, e conseguiu entregar um personagem bem coeso e que até dá para torcer pelos seus motes, mas poderia ter entregue uma vivência cênica maior para não sobrar no longa. Hugo Weaving é o mais conhecido do público, e fazendo o vilão Thaddeus Valentine conseguiu surpreender pela imposição junto aos demais, entregando boas cenas, mas sempre oscilando demais acabou que não nos conectamos à ele, nem ficamos bravos com suas maldades (se é que tem mais que uma, que é querer o poder destruindo os demais). Chega a ser engraçado a forma que Jihae e sua personagem Anna Fang foi inserida na produção, pois usando um sobretudo vermelho e com um avião bem vermelho, acaba destoando tanto dos demais personagens e cenários que fica parecendo ser algum tipo de protagonista na trama (talvez do livro!), mas embora tenha cenas fortes de luta e tudo mais, ela acaba sempre em segundo plano, ou seja, estranha de ver atuando. Quanto aos demais, tivemos tentativas fortes com outros aviadores de aparecer, também tivemos leves destaques com um dos coletores de Londres, interpretado por Ronan Raftery, e até Leila George teve alguns grandes atos como filha do vilão, mas todos aparecem tão pouco que nem dá para relevar como destaques.

Com uma produção grandiosa e cheia de ambientes visuais, certamente grande parte computacional, tivemos Londres com algo muito imponente, cheia de detalhes, mostrando lugares bem conhecidos, mas agora moldados para caber dentro de um super carrão destruidor, tivemos as cidades menores, em carros precários sujos e estranhos parecendo até insetos perto da monstruosa máquina que é Londres, mas além disso tivemos grandes sacadas dentro das máquinas, como ocorreu na cena em que a Londres come a cidade menor, mostrando ótimos efeitos (e sendo a única cena que o 3D realmente funciona!) com tudo sendo picado e destruído para virar lenha para a máquina, e as pessoas sendo incorporadas na cidade para trabalharem. A produção também entregou boas cenas externas mostrando uma cenografia do planeta arrasado após a super guerra quântica, e ao chegar do outro lado do muro, mostrou algo tão bonito que valeria um desenvolvimento maior por ali, mas aí acaba o filme, então valorizaram muito a correria, e faltou um pouco mais de tempo para desenvolver tudo o que poderia. A fotografia trabalhou tons fortes e escuros, com muito marrom para determinar a sujeira do local, mas ousando em efeitos de luz para as cenas de tiros, e ainda estou me perguntando o motivo do vermelhão da japonesa, mas isso só o diretor poderia falar o motivo! Quanto do 3D, foi completamente desnecessário, funcionando apenas na cena da cidade sendo devorada e nada mais.

Enfim, é um filme que possui uma proposta bem ousada, que certamente caberia no lugar que "Divergente" e "Jogos Vorazes" deixou aberto, mas que foi mal desenvolvido num projeto corrido, que resultou em algo mais confuso do que efetivo, que até vai entreter quem for conferir com boas cenas de ação, mas como falei no começo, sairá da sessão se perguntando o que realmente viu. E sendo assim, recomendo ele com tantas ressalvas, que nem sei se recomendo realmente, então quem gostar desse estilo apenas pela ação vá, mas se prepare para algo bem confuso. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Colette

1/12/2019 01:59:00 AM |

Sempre é bem interessante vermos o quão complicado era antigamente (algumas coisas ainda se mantém atualmente, mas em números e impactos menores) para as mulheres viverem e trabalharem com o que gostavam, afinal se hoje o machismo ainda impera em diversos meios, no começo do século 20 era praticamente imposto tudo em cima delas, de modo que aqui em "Colette", vemos a jovem sofrer poucas e boas com o marido mulherengo, que exigia que ela escrevesse suas histórias, mas que as lançava em seu nome, ou seja, algo muito comum naquela época, mas que foi muito bem superado pela escritora, que depois virou dançarina, mas que ainda lançou muitos romances na França, mostrando empoderamento e muita perspectiva de impacto através de boas interpretações, uma concepção de época completamente funcional, e diálogos bem encaixados dentro da trama, só tendo um único adendo na opinião desse que vos escreve, a falta do longa ser francês, afinal vemos a protagonista escrevendo em francês, porém falando e pensando em inglês, o que não é algo muito bacana quando se está falando de uma personagem francesa. Mas tirando esse leve detalhe, a trama consegue prender, ser leve no desenvolvimento, mas completamente impactante para trazer muitas alegrias para todos que forem conferir nos cinemas, e sendo assim, é um filme que vale a conferida.

O longa nos situa na França, no início do século 20. Casada com o escritor Henri Gauthier-Vilars, o “Willy”, Sidonie-Gabrielle Colette sai sua casa na França rural para o esplendor intelectual e artístico de Paris, onde Willy a convence a escrever como o seu “ghost writer”. Ao criar a fictícia adolescente rural Claudine, obtém o sucesso e também o escândalo pelas referências sexuais da personagem. A sua luta pela propriedade intelectual de suas obras, vestir-se com roupas masculinas e assumir a defesa às questões de gênero levam-na a enfrentar a justiça e superar as restrições sociais, revolucionando a literatura, a moda, a repressão sexual e o direito da mulher sobre o seu corpo.

O diretor inglês Wash Westmoreland soube entregar para seu longa uma força bem trabalhada na protagonista, montando a época ao redor dela, e não o inverso que costumamos ver, de uma personagem vivendo em determinada época, e assim sendo passamos a conhecer os momentos de Paris através dos atos de Colette, com os deslanches literários, as peças de teatro com muitas mímicas, o início do cinema, o Moulin Rouge valorizando a arte de múltiplos gêneros e tudo mais, de modo que o filme se formos analisar além da personagem até conseguimos observar diversos momentos em si, mas além disso, vemos a força da protagonista para ir além do que uma casual dona de casa faria na época, escrevendo, sendo ativa nas festas, e principalmente se encontrando como homossexual e/ou bissexual, de maneira que caso o diretor desejasse em seu texto, em cima da história criada por Richard Glatzer, ele poderia ter causado muito mais, impactado os atos com situações mais fortes, mas não, ele optou por algo mais sutil e bem moldado com um carisma bem impregnado em cima da protagonista, e se desenvolvendo pelas beiradas, o que acaba sendo bem interessante de acompanhar, mas ainda assim poderia sim ter forçado mais alguns momentos, e limpado outros da trama, que aí sim teríamos um envolvimento maior.

Dentre as atuações, o longa até possui muitos personagens, alguns com bons diálogos, porém o destaque fica bem centralizado nos dois protagonistas, e a rainha dos filmes de época Keira Knightley conseguiu dar uma boa personificação para sua Colette, trabalhando olhares, postura, e claro muita classe nos trejeitos para que a personagem ficasse como alguém imponente para a sociedade da época, e conseguisse ter uma vivência bem colocada, ou seja, a atriz de um show, só faltando talvez incorporar alguns momentos de uma forma mais forte, pois foi sutil demais na maior parte do longa. Dominic West também foi bem coeso na forma que entregou seu Willy, encontrando ares bem cafajestes, olhares vagos, e muita imponência de comando, o que deu um ar forte para seu personagem sem precisar erguer a voz ou gritar em momento algum, o que é raro de ver na maioria dos atores. Dentre os demais, ou melhor as demais, os destaques ficaram para as cenas sensuais envolvendo o triângulo amoroso de Eleanor Tomlinson com sua Georgie, Denise Gough com sua Missy forte e interessante pelo ar masculino que impôs para sua personagem, e Aysha Hart com sua Polaire, mas mais pela sua personificação de Claudine.

Falar de direção de arte em longa de época é quase que ser repetitivo de elogios, pois é algo que ou se acerta a mão e faz algo maravilhoso, ou erra em tudo e é melhor nem lançar o longa, e claro que aqui como o filme foi bem lançado, vemos detalhes de figurinos clássicos do começo do século 20, vemos teatros famosos, casas de campo envolventes, e claro as festas da literatura cheia de pessoas da alta classe flertando uns com os outros, tudo com ares grandiosos, mas de maneira bem fechada pelo diretor para que não necessitasse criar muitos ambientes imensos, conseguindo trabalhar de maneira mais simples e efetiva, com ângulos curtos, aonde os detalhes pudessem ser bem valorizados, e isso foi um bom acerto para o longa. A fotografia da trama não quis ousar muito, e trabalhou muito com tons escuros, algo que não é muito comum em longas de época, mas acredito que tenha sido para dar um tom mais dramático do que romanceado que o longa poderia se tornar se brincasse mais com tons pasteis e/ou claros, ou seja, um filme quase todo jogado para o preto, o que não foi errado e nem ruim de ver.

Enfim, é um longa que conseguiu ser bem feito, entregar a proposta com força sem precisar de apelações grosseiras, e principalmente mostrou a época de uma forma diferente da usual, só pecando realmente na falta do idioma francês como disse no início, pois certamente teríamos um charme a mais, e uma coerência bem mais colocada, mas como longa que emprega bem o empoderamento feminino desde muito tempo atrás, o resultado surpreende e faz com que todas as garotas da sessão saiam bem felizes com tudo o que viram na telona, ou seja, é daqueles que vale muito a pena recomendar, e fica a dica para quem estiver nas cidades que possuem o projeto Cinema de Arte conferirem, pois o longa é o destaque do momento. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais estreias, então abraços e até logo mais.

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Homem-Aranha no Aranhaverso em 3D (Spider-Man: Into the Spider-Verse)

1/11/2019 01:50:00 AM |

Muitas vezes nos vemos pensando alto sobre os contínuos recomeços de uma franquia, reclamamos de tal personagem agora não ser tão legal com determinado ator como era com outro, falamos que seu uniforme ficou descaracterizado, e por aí vai, mas o que o público dos cinemas se esquecem é que nos quadrinhos temos vários universos paralelos do mesmo personagem rodando em conjunto, de modo que vemos um personagem de um jeito numa revista, na outra ele tá completamente diferente, e assim o público das HQs estão completamente acostumados com alguns personagens que são vistos em inúmeros formatos diferentes, e um deles é o amigão da vizinhança que nos cinemas já vimos três versões bem diferentes, e que costumeiramente sempre veremos alguém reclamando de alguma delas. Pois bem, eis que resolveram nos mostrar todos os imaginados (ou uma grande parte deles) em "Homem-Aranha no Aranhaverso", brincando com realidades paralelas, universos diferentes, e até sacando alguns bem semelhantes como no caso dos Peter Parker's, de modo que tudo foi muito bem sacado, interpretações nas medidas (felizmente veio versão legendada para podermos nos divertir com o original!!), boas dinâmicas com muita ação, mas principalmente o que mais chama atenção no longa sem dúvida alguma é a técnica usada de animação, que fez com que o público praticamente visse uma história em quadrinhos gigante animada em diversos frames, trabalhando e usando o 3D principalmente para dar textura aos desenhos feitos à mão/computação bidimensional, ou seja, algo que dificilmente seria formatado antigamente, e que empolga demais junto com toda a história bem encaixada cheia dos principais vilões, e claro nos introduz alguns Aranhas que não conhecíamos, dando força principalmente para Miles Morales, que foi sabiamente bem trabalhado, ou seja, um filmaço que vale a pena a conferida e a diversão será garantida para quem gosta de HQs.

O longa nos mostra que Miles Morales é um jovem negro do Brooklyn que se tornou o Homem-Aranha inspirado no legado de Peter Parker, já falecido. Entretanto, ao visitar o túmulo de seu ídolo em uma noite chuvosa, ele é surpreendido com a presença do próprio Peter, vestindo o traje do herói aracnídeo sob um sobretudo. A surpresa fica ainda maior quando Miles descobre que ele veio de uma dimensão paralela, assim como outras versões do Homem-Aranha.

A grande sacada dos diretores Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman foi não ligar para coisas irreais, o que acaba acontecendo muito em filmes com atores, pois geralmente vem as famosas brigas de Física, teorias que isso não aconteceria, e todo aquele blábláblá, e aqui com a animação pegaram e se deixaram florear criando tudo com muita desenvoltura, diversas pegadas cômicas bem encaixadas, e mesmo com tantos personagens (sim, vemos a história de cada um dos protagonistas retratada quase que completamente - de forma acelerada com tudo o que aconteceu até chegar ali!) conseguiram entregar uma dinâmica bem coesa, participativa entre todos, mas principalmente trabalharam bem o protagonismo de Miles Morales, deixando que sua história por ser a que mais podem trabalhar ainda (afinal conhecemos praticamente nada, e os universos estranhos como o japonês, o noir e o abstrato com o porco são ideias meio absurdas de seguirem pra frente) ficasse bem evidente e interessante de ser contada. Ou seja, vamos conhecer bem o Brooklyn, os personagens atuais dali, a família do jovem, e até claro as situações que ocorreram por ali, agradando bastante, e sempre deixando aberto momentos para que tanto piadas fortes quanto emoções avantajadas acontecessem de forma bem contundente e sacada para que os atos funcionassem.

Sobre os personagens e seus intérpretes, foi muito bacana ver a versão legendada para ouvir vozes conhecidas que se encaixaram muito bem na produção (pretendo ver a dublada para ver se ficou interessante também, mas aqui vou falar dos originais hoje!), mas mais do que apenas vozes bem entonadas para cada personagem, o resultado da animação ficou a cargo das características que conseguiram colocar para cada um, e isso realmente foi um show de ver. Para começar, Miles é um garoto que é completamente envolto nas artes, e sua dinâmica é bem colocada para os momentos de grafite, as canções, e até mesmo trabalhando bem nos estudos acaba agradando pelo envolvimento familiar, e o ator Shameik Moore conseguiu dar uma jovialidade bem bacana nos trejeitos de sua voz, agradando bastante cada ato seu. O tio do jovem Aaron também teve uma personalidade forte, grandes sacadas no olhar, um desenvolvimento oportuno, e claro uma grandiosa surpresa mais para o miolo, e o grande ator Mahershala Ali entregou um tom que é completamente sua cara, com pausas respiratórias fortes, e muita sagacidade para que o personagem fosse bem marcante. Cris Pine como de praxe deu um show com as vozes dos dois Peter Parker, mas mudando trejeitos de acordo com o momento, e se no primeiro ato tivemos um Aranha cheio de desenvoltura, brigando muito, mas cansado, num segundo ato temos um personagem cheio de rancor por tudo o que aconteceu, barrigudo, com um tom amargurado e muito bem marcado, o que acaba sendo até engraçado de ver. Tivemos também uma ótima Gwen Stacy, cheia de personalidade, gingado e muita desenvoltura para que ficasse marcada como uma Aranha feminina da melhor qualidade para que as garotas também curtissem o longa, e Hailee Steinfeld (será que está com problemas financeiros pela quantidade de filme que anda fazendo?) deu um tom nos trejeitos bem gostoso de ouvir e envolvendo bastante. E claro que chegamos no Aranha noir (ou preto e branco como muitos irão chamar), que teve um tom muito engraçado pelas dinâmicas que entrega, e claro que para um clássico herói tivemos um ator clássico também dublando, e Nicolas Cage empresta sua voz, coloca timbres completamente conhecidos e agrada muito no que faz. As duas demais versões do Aranha são as mais estranhas, que são um porco falante com toda a personalidade de Guaguinho do Looney Tunes, porém fantasiado de Aranha, que soa bizarro no que faz, mas até que diverte, e claro a versão japonesa no melhor estilo dos animes, com um robô imenso aracnídeo que é controlado por uma garotinha, que certamente foi usado mais para vender pelo lado oriental o longa. Os vilões foram também muito fortes e interessantes, com o Rei do Crime dominando a cidade, e usando de sua força e inteligência para fazer o mal de forma bem impactante em diversas cenas, tivemos o Scorpion em alguns momentos, o Gatuno, o Duende Verde e até uma Doutora Ock (a versão feminina do Doutor Octavius que tanto conhecemos), ou seja, para quem reclamou que no filme live-action da versão do Garfield tiveram muitos vilões, aqui vão achar até exagero, mas todos tiveram momentos razoáveis e bem trabalhados. E claro tivemos a devida homenagem para Stan Lee tanto nos escritos, quanto um bom personagem para ele na animação de forma bem coerente de aparecer. O policial pai do garoto também foi bem trabalhado e colocaram bons momentos caricatos e cheios de virtudes para mostrar boas atitudes, o que chama a atenção para o realce família do longa. Tivemos claro também uma Tia May bem tecnológica, cheia de desenvoltura no melhor estilo de um Alfred para o Batman, e isso chamou bem a atenção.

No conceito artístico, a produção foi muito bem desenhada, cheio de onomatopeias passeando pela tela (diversas traduzidas para nosso idioma para dar aquele charme tradicional que gostamos de ver, e muito se tem usado), traços fortes e bem coloridos para realçar os personagens na tela, e claro muitos efeitos estroboscópicos para bagunçar as mudanças de realidades/planos/universos, o que brincaram também nas cenografias mudando de um mundo para o outro. Além disso brincaram bastante com os formatos das revistas HQs, que são disformes, com quadros quebrados para todos os lados, e assim como disse no começo fizeram uma HQ completa na telona. A fotografia teve ousadia para trabalhar com muitas cores, tons escuros e densos, outros mais realçados, mas sempre mantendo a personalidade dos protagonistas. Quanto do 3D do filme, diria que é bem desnecessário, tendo raros momentos em que temos uma perspectiva de profundidade cênica, mas nada que chamasse muito a atenção, de modo que usaram mais a tecnologia para dar contornos e tirar o desenho de um plano bidimensional das HQs, para algo mais movimentado apenas, então quem quiser economizar, provavelmente não fará nenhuma diferença.

O longa contou também com uma trilha bem interessante, divertida, cheia de canções bem colocadas para ditar o ritmo e dar volume para o filme, e claro que não poderia deixar de colocar ela aqui para todos ouvirem, então segue o link.

Enfim, o longa tem sido elogiado por todos os lados possíveis, tem ganhado diversas premiações, e é bem fácil entender toda essa desenvoltura, pois conseguiram entregar algo que saiu do comum de uma animação simples, que funciona como uma HQ realmente deva ser mostrada, e principalmente por divertir a todos de uma maneira consciente e interessante, como é a personalidade do Aranha, sendo assim a melhor versão que já vimos dos filmes do personagem. Claro tem alguns momentos que poderiam ser melhores, outros estranhos demais, o 3D poderia ser mais impactante, mas acabamos dançando tanto com a trilha, vibrando tanto com as lutas, rindo demais com os personagens, que acabamos saindo da sessão após esperar muito tempo pela ótima cena divertida pós crédito (FIQUEM NA SALA!), recomendando para todos irem conferir, e por detalhes apenas não darei minha nota máxima raspando um 9,5 que irei arredondar para baixo para ser honesto com o que vi. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Apóstolo (Apostle)

1/10/2019 12:27:00 AM |

Olha, estava procurando um suspense/terror que fosse impactante dentro do catálogo da Netflix e não estava achando nada que não fosse série, e eis que resolvo ver as indicações que alguns amigos me deram, mas que olhando pela sinopse e pela cara de "Apóstolo", acreditava que seria mais um filme da época medieval aonde malucos fazia seus rituais e tudo mais. Ledo engano desse Coelho que vos digita, pois, o filme é incrível com todas as letras possíveis se possa escrever, trabalhando o conceito de fé, de brigas religiosas, de tomada de poder, de crenças, e até se quisermos assim como ocorreu com "Mãe", brincarmos com a ideia da formação do planeta pela natureza das coisas, tendo algumas coisas bem envolventes para trabalharmos com a proposta da Deusa em si, de como ela é gasta pelos homens e tudo mais, ou seja, um filme completo de história. Mas aí entra aquele ditado que costumo falar, filmes bons de história costumam falhar na produção ou na tensão crítica, afinal estamos falando de um terror, e meus amigos, algumas cenas me fizeram arrepiar os cabelos do dedinho do pé de tão fortes, achando sinceramente que não iriam mostrar, mas mostram, ou seja, impactante com todas as forças, e agradando em todo o conceito.

O longa nos situa no ano de 1905, quando Thomas Richardson (Dan Stevens) viaja para uma ilha remota em busca de sua irmã. Um misterioso culto religioso a raptou e agora pede uma grande quantia de dinheiro por seu resgate. Porém, eles logo percebem que mexer com Thomas foi um erro e ele torna sua missão desencavar todas as mentiras sob as quais o culto foi construído.

O trabalho que o diretor e roteirista Garreth Evans, que costuma trabalhar bem com longas de terror, é algo que vai muito além do que apenas a base do gênero, pois ele conseguiu brincar ao mesmo tempo com algo que costuma ficar mais voltado para longas de época como as divergências religiosas, trabalhar todo o conceito artístico, envolver o público com uma densidade cênica bem precisa, e quando chega mais próximo ao final atacar realmente com o terror mais impactante, daqueles que arrepiam de tanta força e conseguem impressionar o público. Porém ele não faz nada gratuito, de modo que podemos observar cada ato como algo maior, que dando um leve spoiler, podemos interpretar a trama como a forma que a natureza nos deu o mundo, fomos exigindo e extraindo coisas demais dela, ela começa nos cobrar violentamente, e não temos outras formas para lhe ajudar, ou seja, o longa também pode ser bem reflexivo, porém, felizmente, ele não vira um cult chato como costumamos ver em outros casos desse estilo, e essa foi a grande sacada do diretor, pois ele opta por trabalhar como algo mais comercial realmente, trazendo a tenacidade comum dos longas de suspense/terror que tanto gostamos para um vértice forte e interessante de ser acompanhado. Ou seja, acertou em cheio.

As interpretações também foram incríveis de conferir, e com um elenco de peso o resultado não era esperado para menos, irei falar sobre suas formas de interpretar apenas para não encher de spoilers, mas certamente daria para fazer um texto completo só com a representatividade de cada personagem. E começando pelo protagonista, temos um Dan Stevens completamente insano com seu Thomas, cheio de expressões fortes, olhares perturbados, mas uma determinação ímpar para alcançar o objetivo que é resgatar sua irmã do culto, e a cada ação que o personagem se infiltra, ele nos deixa mais ansiosos por tudo o que ele pode fazer, e quando chega ao final ele consegue superar mais ainda. Michael Sheen nos entrega o profeta Malcolm tão completo, cheio de virtudes, mas também impositivo e disposto à quase tudo para conseguir seu objetivo como fundador da cidade, seus olhares fluem pro mal e pro bem de uma maneira tão imponente quanto a que vemos em grandes pregadores religiosos, e assim sendo ele foi muito bem. Mark Lewis Jones inicialmente fica meio que em segundo plano com seu Quinn, mas no segundo ato ele vem com tudo, e entrega uma personificação tão forte que chega a impressionar, e claro que com ótimos trejeitos sem forçar ele envolve e chama muita atenção. O jovem Bill Milner foi bem coeso com seu Jeremy, tendo cenas interessantes, poetizadas e até um envolvimento bem colocado na trama, mas pareceu mais assustado com tudo da trama do que relaxado para se mostrar bem nos momentos que precisava, de modo que falhou um pouco. Quanto das garotas, praticamente todas tiveram o mesmo comportamento de encaixe, mas felizmente todas conseguiram ter destaques positivos em suas expressões para agradarem e chamarem a responsabilidade quando foi preciso, Lucy Boynton foi chamativa com os cabelos diferenciados de sua Andrea, e sendo bem zelosa com todos agradou bastante, Elen Rhys teve poucas cenas com sua Jeniffer, mas sofreu bastante com seu visual e entregou muita força expressiva, Kristine Froseth foi vívida demais com sua Ffion, e poderia ter se segurado mais para não desandar, e claro, Sharon Morgan apareceu praticamente apenas 3 vezes como a deusa, mas veio com muita personalidade nos atos que resultaram em algo bem forte de ver.

O conceito visual da produção também é muito bem elaborado, criando uma cidadela cheia de detalhes, tendo seus rituais, suas formas visuais incríveis dentro do ambiente da Deusa, muitos elementos alegóricos para serem usados nas reflexões, e um ambiente completamente denso remetendo muito aos filmes de épocas medievais, com as vilas colaborativas, os soldados e tudo mais, ou seja, a equipe de arte caprichou bastante entregando algo que vai muito além do que apenas vemos na tela, podendo ter muito aprofundamento e chegando a outras perspectivas. A fotografia do longa ficou bem escura, mas nada ficando sem aparecer, nem preparando sustos desprevenidos nos espectadores (o que é um ponto muito positivo para um terror), e tendo diversas cenas iluminadas com faroletes, velas e tochas, o resultado acaba sendo bem surpreendente de tons, brincando muito com o amarelo para dar um ar de época, com destaque também para a cena no meio da plantação com um ar completamente oposto de tudo o que vimos no filme inteiro.

Enfim, esse certamente será daqueles filmes que vale a pena rever para observar cada detalhe e refletir um pouco mais sobre cada coisa, mas a priori o que posso fazer é mais do que recomendar ele para todos que tenham Netflix para que confiram e tirem suas conclusões, pois é um filmaço, e mesmo tendo cenas fortes ao final, ele não é daqueles que assustam, então podem ver sem medo, e se preparem para surpreender com tudo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas amanhã já volto para a rotina do cinema com quatro estreias nessa semana por aqui, então abraços e até logo mais.

PS: Talvez mais para frente eu possa me arrepender da nota, mas me vi nervoso, tenso, pensando nas diversas referências, depois abraçado com a almofada, pensando mais um pouco, chocado com as cenas fortes, ou seja, vamos com a nota máxima pela primeira vez para um filme da Netflix.

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Netflix - A Balada de Buster Scruggs (The Ballad of Buster Scruggs)

1/08/2019 11:53:00 PM |

É interessante observarmos que quando achamos que um gênero está indo para a vala, ressurgem bons exemplares capazes de trazer a esperança para os fãs do estilo acreditarem que bons longas vindouros acabarão surgindo, e se tem uma dupla que gosta de Faroeste são os Irmãos Joel e Ethan Coen, que agora nos trazem 6 histórias desconectadas entre si, mas que em sua base trabalham bem a essência e todos os possíveis clichês do formato, e isso não é algo ruim, pois com uma belíssima direção de arte e uma fotografia incrível, o resultado acaba impressionando e envolvendo o público, ao menos em cinco das histórias.

A primeira história, "A Balada de Buster Scruggs", nos apresenta Buster Scruggs com suas canções desaforadas, duelos impressionantes, jogos de baralho, sallons, e tudo desse estilo mais balanceado, aonde Tim Blake Nelson como o protagonista consegue entregar personalidade, ter bons olhares e dinâmicas, e agradar de tal forma surpreendente que certamente se o longa o mantivesse durante toda a exibição cantando nas demais histórias, iríamos assistir tranquilamente e adorá-lo mais ainda, mas como não era essa a proposta, sua história abre bem o longa, e o resultado surpreende.

A segunda história, "Perto de Algodones", entrega os tradicionais assaltos à bancos, os ataques indígenas violentíssimos aos bandos, e também uma das mais comuns punições da época: a forca, aonde James Franco consegue trabalhar do seu jeitão meio forçado, e claro, deixa para a cena final, uma piada muito bem ousada e sacada, de modo que por ser a história mais curta da trama é simples e efetiva, de modo que é bem capaz de esquecermos ela rapidamente também.

A terceira e extremamente cansativa parte vem com "Vale Refeição", aonde um jovem sem pernas nem braços, interpretado com muita eloquência por Harry Melling, é carregado de vila a vila por Liam Neeson como seu empresário, contando sempre a mesma e enfadonha história que não acaba nunca, e todos os espectadores ficam ouvindo cansativamente, e isso é repetido umas milhões de vezes (brincadeira, deve ser umas 6-7, mas pareceu uma eternidade), até ter um final bem genial, mas que para chegar nele, raspou de dormirmos.

O quarto trecho vem com "O Cânion de Ouro", uma história também um pouco alongada, mas que entrega uma cenografia maravilhosa, aonde Tom Waits busca encontrar sua grande pedra de ouro através de cálculos bem interessantes, e o ator foi muito preciso nas cenas ao ponto de nos cativar a seguir junto com ele, e o carisma entregado para cada momento ali.

Na quinta parte, chamada "A Garota Que Ficou Nervosa", temos desde um início com as famosas refeições em pousadas aonde todos praticamente só brigavam pela comida falando sobre assuntos sem muito nexo, para na sequência irmos para uma grandiosa caravana atravessando todo o Oeste, com claro muitas cavalgadas, romances, animais bonitinhos e chatos, intempéries, e claro, índios atacando em conflito, aonde Zoe Kazan foi muito serena com sua Alice, Bill Heck trabalhou bem seu Billy Knapp, e Grainger Hines fez um Sr. Arthur impactante e bem coeso na última cena.

E para fechar, a sexta parte nos entrega uma história bem densa com duas premissas fortes e que podemos pensar por muitos ângulos, chamada de "Restos Mortais", temos as conversas sobre mortos, os caçadores de recompensa, os estrangeiros juntos em carruagens, e muita filosofia e religião pensada em poucos momentos por Jonjo O'Neil, Bendan Gleeson, Saul Rubinek, Tyne Daly e Chelcie Ross, com todos muito bem expressivos nos seus atos de modo que a história mesmo sendo reflexiva consegue nos prender e envolver para todas as ideias que os Coen desejavam mostrar em todos os trechos.

Enfim, falei um pouco de cada ato, mas de certa forma é um longa mais bonito pela essência e pelo visual, do que pela história em si, mas que mostra bem o estilo dos Coen que tanto vimos em "Bravura Indômita" e "Onde Os Fracos Não Tem Vez", de modo que mesmo quase dormindo na terceira parte, reacordamos e saímos ao final com um bom resultado. E sendo assim até recomendo bem a trama para quem gosta desse estilo western. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: as notas individuais seriam, 9, 8, 2, 7, 7, 9, que na média dá 7, então essa é a nota final do longa.

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Netflix - Inspire, Expire (Andið eðlilega) (And Breathe Normally)

1/08/2019 01:30:00 AM |

Alguns filmes trabalham mais a sensibilidade do que outros, mostrando que muitas vezes algo que acabamos fazendo contra alguém pode não ser muito bom, e quem sabe esse alguém ainda pode nos ajudar mais para frente. Em "Inspire, Expire", temos uma situação moldada para emocionar, com uma tensão dramática bem casual que pode ocorrer com qualquer um, temos uma direção bem equilibrada que consegue segurar cada ato na medida correta (o que fez o diretor levar o prêmio no Festival de Sundance), mas que talvez pudesse ter algum ato mais impactante para fazer o público desabar, pois a resolução final fica muito marcada no momento em que vemos na tela bem no miolo da trama, e mesmo tendo uma síntese momentânea forte que parecia ser algo diferenciado, a volta fez com que ficássemos um pouco desapontados. Porém ainda assim, é um longa forte, bem coeso, e que mostra que a Islândia também sabe dosar uma trama mais forte sem precisar trabalhar o frio e a pesca como temas (e olha!!! responderam minha pergunta feita em 2016: se existia alguma cidade mais movimentada na Islândia, e aqui temos algo um pouco mais dinâmico que os famosos "Heartstone" e "Ovelha Negra").

A trama nos mostra que na península da Islândia, as vidas de duas mulheres irão se cruzar por um breve momento. Presas em circunstâncias imprevistas, uma mãe islandesa e uma candidata de um asilo da Guiné-Bissau formam um vínculo delicado enquanto tentam colocar suas vidas de volta no caminho certo.

A diretora e roteirista Isold Uggadottir em seu primeiro longa optou por não ousar muito, trabalhar a densidade dramática e usar a simplicidade emotiva nas personalidades de seus personagens brilhantemente interpretados por três ótimos atores e um gato, de modo que cada ato parecesse até maior do que realmente é, pois embora o filme tenha 95 minutos, ele parece ser maior, e o melhor, sem cansar em nada, pois vamos entrando dentro da mente de cada personagem pensando como poderia resolver isso? O que é melhor pra ela? E com isso, ela não larga as pontas abertas, e dá a sua opinião (talvez a mais fácil de todas, mas que exigiu um certo trabalho também), e conseguiu ser simples e efetivo, tanto que o Festival de Sundance que gosta desse estilo acabou lhe premiando como melhor diretora de 2018, mas que certamente talvez um pouco mais de ousadia cairia bem na dinâmica, e envolveria muito mais.

Sobre as atuações é fato que o trio foi perfeitamente escolhido pela sintonia dos olhares, que acabam entregando não só tristeza, mas também desespero em diversos momentos, preocupação com tudo, e claro também outros sentimentos mais a fundo se procurarmos mais ao final da produção, e dessa forma felizmente eles conduziram a trama ao resultado preciso que a diretora necessitava. Kristín Þóra Haraldsdóttir nos entregou uma Lára dura e muito apreensiva, de modo que mesmo sem mostrar seu passado, vemos que foi algo bem sofrido, cheio de conflitos e confusões, que qualquer ato que ela vá fazer terá de ser pensado mais do que uma vez, e essa apreensão que ela consegue nos transmitir é sentida a cada momento, ou seja, por uma fagulha a personagem poderia explodir, e talvez tenha sido isso o que faltou para o filme ficar mais forte ainda. Babetida Sadjo colocou para sua Adja uma sinceridade no olhar que é impossível que o espectador não sinta pena e queira ajudar a personagem, de modo que tudo o que faz mesmo que viesse a ser a maior loucura do mundo, estaríamos apoiando, e torcendo para que ela conseguisse chegar no Canadá junto de sua filha, ou seja, um show realmente de interpretação. O jovem Patrik Nökkvi Pétursson também entregou um Eldar bem colocado e cheio de momentos carismáticos, de modo que talvez um conflito com ele impressionasse e marcasse ainda mais o filme, mas sem essa necessidade, o garoto soube dosar suas cenas de uma forma primorosa e agradou junto com seu gatinho Músi.

Assim como a maioria dos longas da Islândia, vemos um clima que ajuda a dar tensão, com ventos, chuva, frio e tudo mais fazendo parte da cenografia com muita força, de modo que chega a ser até bonitinho ouvir do garoto seu sonho de ir para um país e usar uma bermuda o dia inteiro, além disso, tanto o aeroporto foi bem planejado para que as cenas não necessitassem ser gravadas dentro de um aeroporto real (ficando bem trabalhado), as cenas no abrigo para os deportados/recusados também tiveram uma boa densidade cênica, mas certamente as cenas no carro são as mais fortes por todo o contexto quase de road-movie, mas sem sair do lugar, ou seja, uma precisão cênica incrível, que só não é mais forte que os momentos finais no porto, que ali a tensão chegou a ser bem alta, e certamente poderiam ter valorizado ainda mais o tempo lá, o que não ocorreu. A fotografia do longa ficou praticamente toda em tons bem acinzentados e azulados para dar uma dramaticidade maior ainda para o filme, que junto do clima acabou ficando muito bacana de ver, e ajudou muito no ritmo do longa.

Enfim, é um filme bem forte, que agrada bastante quem gosta de longas dramáticos intensos, mas que certamente pecou por não ir mais forte ainda, pois o longa tinha essa possibilidade, e necessitava disso para derrubar o público, e ganhar ainda ares maiores nos diversos outros festivais que o longa participou, mas mesmo sem esse impacto, o resultado vale a pena ser conferido, e fica a recomendação para todos que gostarem do estilo verem na Netflix. Bem, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Sementes Podres (Mauvaises Herbes) (Bad Seeds)

1/06/2019 09:27:00 PM |

Todos sabem o quanto gosto dos longas franceses, principalmente aqueles que passam lições de vida incríveis entregues através de boas atuações, aonde a história acaba nos envolvendo e resultam em algo tão satisfatório que acabamos nos emocionando com facilidade por tudo o que é demonstrado. Digo isso com muita facilidade de "Sementes Podres", uma das indicações que o algoritmo da Netflix após eu conferir outro longa me indicou, e olha, posso dizer muito obrigado pois foi incrível, divertido, emocionante e tudo mais que costumo sentir nas comédias dramáticas do Festival Varilux, porém agora em casa. A trama consegue soar bem moldada pela sintonia que o diretor e protagonista Kheiron trabalha com as crianças problemáticas, entregando algo mais sociável e amável frente aos duros encontros com a vida deles, de tal forma que vamos imergindo na proposta e se envolvendo com cada personagem, com os golpes dos protagonistas, com as sacadas de reclamações de biscoitos pela embalagem (uma dura crítica também à análise da embalagem ante o conteúdo), e assim o resultado não poderia ser outro, senão a perfeição, e claro a recomendação dele para todos que gostem de longas com uma proposta até bem dura, mas que tratada de uma forma leve acaba agradando mais do que causando.

A sinopse nos conta que Wael vive nos arredores de Paris dando pequenos golpes com Monique, uma mulher aposentada. Sua vida se transforma no dia em que um amigo, Victor, oferece a ele, por insistência de Monique, um pequeno trabalho voluntário no centro de crianças excluídas do sistema escolar. Wael se encontra gradualmente responsável por um grupo de seis adolescentes expulsos por insolência ou porte de armas. Deste encontro explosivo entre "ervas daninhas" nascerá um verdadeiro milagre.

O trabalho de Kheiron como diretor é singelo, mas muito efetivo no que faz, entregando uma montagem bem sensata em dois vértices paralelos que vai mostrando seu relacionamento com os garotos problemáticos, e também a sua infância problemática pós-guerra, aonde vemos muitas semelhanças no âmbito sentimental, e com uma delicadeza ímpar o jovem diretor conseguiu transmitir com seu próprio texto algo que é muito comum de ver nos jovens de hoje: a falha no processo comunicativo, a falta de interpretação e o desespero por resoluções rápidas. Ou seja, poderia ser um filme mais forte, poderia ser mais duro, poderia até ser mais novelesco caso quisessem, mas o diretor trabalhou o ambiente e cativou o público a ir seguindo tudo o que propunha, trabalhando em paralelo suas ideologias que poderiam levar o longa para um final completamente diferente, mas como ocorre sempre em longas franceses, a surpresa é boa, bem explicada, e emociona com muito brilhantismo, ou seja, um filmaço realmente.

Assim como foi sereno como diretor, Kheiron entregou uma personalidade ímpar para seu Wael, de modo que ele conseguiu entregar um brilho no olhar tão bem colocado nas situações com os demais personagens que acabamos seguindo seus atos, envolvendo com suas cenas, e até torcendo para que ele consiga ir além em tudo o que está fazendo, ou seja, foi completo de expressões também. Acho que nem precisamos falar de Catherine Deneuve com sua Monique, pois a experiente atriz consegue entregar qualquer personagem com uma qualidade ímpar, e aqui ela foi precisa, divertida e muito agradável de conferir em cada um dos momentos. André Dussolier também foi singelo nos atos de seu Vitor, mostrando um ar incrível desses empreendedores que buscam melhorar as vidas dos jovens, encontrando simplicidade nos atos, e sendo coerente, porém divertido para com suas cenas junto de Deneuve. Quanto dos jovens, cada um com sua característica própria entregou com delicadeza, mas propriedade seus problemas, suas retrações, e foram nos envolvendo e determinando cada ato para com o público, de modo que poderíamos falar individualmente de cada um, mas o texto ficaria alongado, então vale ter destaque Youssouf Wague com seu Ludo, por mostrar o gigante preconceito de cores que ocorre, e claro o envolvimento em drogas, mas principalmente o abusivo policial por trás dele, fazendo com que ficamos até com muita dó do seu personagem ao percebermos o abuso, também vale o destaque para a cena que descobrimos o abuso por parte da personagem Shana de Louison Blivet, que é feito de uma maneira forte e bem contundente, e claro as forçadas por parte do excesso de inteligência de Ouassima Zrouki com sua Nadia, que foram bem trabalhadas também. Além disso, temos de dar os muitos cumprimentos para o jovem Aymane Wardane que faz Wael quando criança, de uma maneira dura e muito impactante.

No conceito artístico, a trama tem praticamente dois vértices muito bem feitos, o passado vivido numa época pós-guerra, com colégios religiosos e jovens uniformizados, e todo o passado duro do jovem sendo retratado bem coeso de elementos simples e moldados, e o segundo ato tendo as cenas de golpes do protagonista de uma maneira bem divertida em aeroportos, em supermercados e tudo mais, além claro da escola simples e efetiva para os problemáticos, com o escritório bagunçado de Vitor, tendo também o apartamento dos protagonistas cheio de detalhes simples, mas bem colocados para mostrar a simplicidade deles. A fotografia usou de artifícios simples, porém bem coesos para dar o tom da trama, envolvendo sem precisar deixar uma dramaticidade exagerada, tirando claro as cenas com o garotinho, aonde ali ao usar um tom mais amarelado, e puxado para o escuro, o resultado deu uma densidade mais forte.

Enfim, um filme que recomendo muito para todos, e que facilmente seria um exemplar claro para estar nos melhores festivais afora, inclusive no Varilux de Cinema Francês pela ótima qualidade técnica, e principalmente pela boa lição e mensagem de vida que conseguiu transmitir. Ou seja, finalmente um filme que realmente vale ser conferido na Netflix, e quem tiver já coloque aí. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas amanhã confiro mais um longa e volto com mais um texto, então abraços e até logo mais.

PS: Talvez um desenvolvimento maior de outros personagens daria outro tom para a trama, e não necessitasse tanto das brincadeiras dos protagonistas para encher o miolo, e só por isso, a nota não será máxima, mas valeria com certeza.

PS2: Não consegui localizar um trailer legendado do longa para colocar aqui, então quem conseguir achar um melhor, e quiser mandar, eu coloco.

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O Manicômio (Heilstätten)

1/06/2019 02:45:00 AM |

Existe um estilo de filmes que não gosto de falar: os ruins! Pois geralmente me faltam palavras para argumentar os motivos de que algo não presta e que todos deveriam fugir ao invés de conferir. E está chega a ser caótico o que está ocorrendo com salas lotadas para ver "O Manicômio", que pelo trailer entrega uma premissa no estilo de "A Bruxa de Blair", mas que acaba sendo quase uma zoeira de imenso nível ao brincar com youtubers de pegadinhas de sustos, para termos depois alguns momentos interessantes dentro do contexto aonde alguns sustos até nos pegam, para chegarmos ao final com uma inversão tão gigante e péssima, que não temos como não sair xingando da sessão (alguns até falando alto que queriam seu dinheiro de volta, de tão ruim!), ou seja, quem ainda tiver coragem de assistir essa bomba (talvez daqui um tempo pela internet!), se prepare para ficar muito bravo com o que verá, pois nem o final de "O Boneco do Mal" foi algo tão decepcionante!

A sinopse nos conta que um santuário remoto e sombrio perto de Berlim revela uma história cheia de horror e crimes contra a humanidade. Um grupo de Youtubers acessa ilegalmente o sinistro bloco de cirurgia do local, para um desafio de 24 horas, com a intenção de que o desafio viralize nas redes. Equipados com visão noturna e câmeras térmicas, os adolescentes viciados em adrenalina perseguem os rumores de atividade paranormal no prédio em decomposição, apenas para aprender cedo demais que não estão sozinhos e não são bem-vindos. Mas já é tarde demais para deixar o local com vida.

O diretor Michael David Pate é digamos um especialista em filmes de terror na Alemanha, mas como tirando esse, nenhum outro chegou por aqui, não posso dizer que todos os demais foram ruins iguais esse, porém de certa forma a intenção do longa era algo bem impactante e que certamente melhor trabalhado poderia causar bons sustos no público, pois o estilo found-footage que ficou tão marcado em diversos longas de espíritos, quando bem moldado funciona, assusta, e arrepia, mas aqui pareceu realmente estarem brincando com o público numa pegadinha imensa, ou seja, o diretor falhou tanto na concepção da ideia, que mesmo que o final não tivesse estragado ainda mais, o resultado completo ainda seria ruim.

Sobre as atuações, chega a ser até engraçado ver o desespero falso da maioria dos personagens, pois é como se tivessem pego realmente youtubers bem ruins e colocado dentro de um lugar sinistro, de tal maneira que todos parecem ter os mesmos olhares, e mesmo a protagonista Sonja Gerhardt com sua Marnie consegue entregar algum olhar mais trabalhado para que o filme funcione, ou seja, é melhor ignorarmos que foram colocados atores aqui.

Agora sem dúvida alguma algo que valha a pena ser comentado foi a escolha cênica, pois o lugar em si é bem assustador, assim como a maioria dos manicômios e hospitais abandonados que existem, pois só as histórias, os ambientes, e tudo abandonado acaba criando uma certa tensão no ar, de modo que qualquer movimento estranho acaba assustando ou deixando o público ao menos tenso para ficar procurando "atividades paranormais", ou seja, a equipe de arte ao menos caprichou bem no desenvolvimento completo, e junto com a equipe de fotografia que praticamente deixou o longa inteiro sem iluminação, usando apenas luzes das câmeras de mão dos personagens, resultando em algo bem bacana, que se fosse melhor usado daria um excelente filme.

Enfim, não tenho como recomendar o longa de forma alguma, pois mesmo tendo uma ambientação bem boa visualmente, o resultado peca tanto na concepção da história, como na direção ruim, e entrega atores fraquíssimos que conseguem atrapalhar cada ato até chegar num final medíocre que nem a pessoa com a menor criatividade possível arrumaria para um fechamento, ou seja, o ano começou bem mal para os longas de terror, mas vamos torcer para melhorar. Bem é isso pessoal, fecho aqui as estreias da semana nos cinemas, mas como já venho fazendo, irei conferir alguns longas na Netflix e voltarei aqui para comentar, então abraços e até logo mais.

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