Netflix - A Gente Se Vê Ontem (See You Yesterday)

5/19/2019 02:04:00 AM |

Chega a ser engraçado quando vemos que um tipo de filme começa a surgir com tanta frequência, e parece que esse ano é o ano da volta no tempo, aonde diversos filmes tem aparecido com ideias boas, mostrando que a ciência em si talvez possa um dia nos permear com essa tecnologia para que possamos corrigir algum erro ou tragédia no passado, tentando claro usar das tradicionais regras de não atrapalhar o fluxo temporal se comunicando com você mesmo, ou seja, algo bem difícil que sempre costuma dar muita confusão nos filmes. E eis que já é o segundo nesse ano que a Netflix nos entrega, tendo agora um apoio um pouco maior já que "A Gente Se Vê Ontem" tem a produção de Spike Lee, e só isso já gabarita o longa para que muitos fiquem interessados na possibilidade do filme ser interessante. E vos digo que a trama tem bem seu charme, possui bons momentos, mas não atinge nenhum ápice mais forte fora do tradicional, parecendo ser quase uma cópia de outros filmes, porém colocando racismo e crimes contra negros jogados ao vento, ou seja, a trama poderia ter ido além do simples, mas optou por ficar apenas no giro do tempo, e na mensagem social, o que acaba soando pouco demais para um filme, e singelo demais para tecnologia e envolvimento cultural.

A trama nos mostra que sendo melhores amigos na escola e prodígios em ciências, C.J. e Sebastian passam o dia trabalhando em sua mais nova invenção: mochilas que são máquinas do tempo! Mas quando o irmão mais velho de C.J. morre durante um encontro com a polícia, a jovem dupla resolve usar os aparelhos ainda não terminados em uma tentativa desesperada de salvá-lo.

O diretor estreante em longas Stefon Bristol já tinha rodado a sua história como curta-metragem em 2017, e ao mostrar todo o cunho social em cima da trama para o rei dos longas de cunho social Spike Lee, conseguiu o apadrinhamento para transformar a história de um simples curta para um longa mais amplo e cheio de detalhes, e dessa forma simples, porém com uma produção mais ampla, ele conseguiu criar algumas situações que digamos funcionaram bem, pois a trama vem com várias diferenças culturais já enraizadas, primeiro uma jovem cientista negra, que só de juntar as três palavras arrepia muitos rebeldes por aí afora, e só isso já faz o filme ser algo que chame a atenção, porém o diretor ao amplificar a história não ampliou muito as ideias, e seu filme parece um curta repetido em looping sem muito a apresentar, o que é uma pena, pois a história em si poderia ser mudada, criar outros vértices, mas acaba soando sempre como cópia de outros longas do estilo, que arrumam uma coisa, mas estragam outras, e sucessivamente vão revertendo e mudando. Ou seja, temos um filme interessante, mas que não vai muito além, embora cause desespero, pois ao final já estava reclamando com a TV falando para a menina fazer a coisa certa, ou seja, me fez ficar envolvido, e puto com o final que não foi o que esperava, mas foi uma escolha.

Os jovens atores Eden Duncan-Smith e Dante Crichlow foram bem colocados como C.J. e Sebastian, trabalhando olhares bem concisos de grandes amigos, encontrando trejeitos para buscarem seus anseios, e mesmo nos momentos mais desesperados foram coesos para não transparecer falsidade na forma de atuar, e isso mostra que estavam bem satisfeitos com o roteiro, e por já terem feito o curta, já sabiam bem aonde se entregar, ou seja, foram bem no que foi proposto, mas não avançaram para nada mais forte. Quanto aos demais atores, vale apenas alguns leves destaque para Astro (sim, aquele jovem rapper que vimos no X-Factor em 2011 se tornou ator!!) como Calvin que tem bons olhares para com sua irmã, mas serviu mais como referência ao descaso policial, de modo que seus trejeitos e diálogos nem foi muito usado. E como destaque negativo posso dar para Johnathan Nieves como Eduardo, um jovem que tenta ser menos bobo o tempo inteiro na tela.

Visualmente a trama também é bem simples, mas usa bastante da tecnologia, com mochilas cheias de elementos coloridos mexendo, óculos de realidade virtual sendo usado para manipular os testes, e ambientes claro recheados de pessoas, afinal o cunho social do produtor precisava ser mostrado com os guetos em festa, em revolta, e apenas casualmente vivendo suas vidas, de modo que o filme nem precisaria abordar tanto isso, mas foi colocado para realçar. Com efeitos especiais simples, para não custar um orçamento muito alto, tivemos alguns momentos até que levemente engraçados, mas interessantes de ver, mostrando quase um trabalho de faculdade, e com isso o resultado da fotografia acaba ficando bem bacana e cheio de símbolos bem colocados.

Enfim, é um filme que poderia ter ido bem além, mas que funciona de forma representativa maior do que é passado, e mostra o mais tradicional problema das viagens no tempo, o de bagunçar a linha e tudo dar errado. Vale uma leve conferida, para quem estiver querendo algo leve e rápido, mas não é daqueles que vai incrementar nada em sua vida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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John Wick 3 - Parabellum (John Wick: Chapter 3 - Parabellum)

5/18/2019 08:53:00 PM |

Pois bem, geralmente o terceiro capítulo de uma franquia é o fechamento dela, correto? Para os filmes de John Wick, não! Alguns vão falar que isso é um tremendo spoiler de "John Wick 3 - Parabellum", porém não acredito que seja, pois já sabemos que desejavam transformar a franquia em série faz tempo, e talvez por terem filmes de digamos "baixo"(US$55 milhões) orçamento que rendem bem mais do que uma série, então porque não fazer vários filmes e ir lançando nos cinemas? Certamente essa é a mentalidade dos produtores, e agora após conferirmos esse que esperava ser o fechamento da série, com algo pré-moldado para acabar, e deixarem um novo mote para que John continue atirando ficou bem evidente o ensejo deles. Não digo que isso seja ruim, pois como todos sabem, prefiro ver filmes, então irei ficar feliz conferindo a cada dois anos mais ou menos uma nova saga bem trabalhada, coreografada, e que vai nos divertir com muita luta, tiros, e tudo mais que a saga propicia, encontrando sempre um bom começo, meio e fim de episódio, aonde aqui praticamente foi uma extensão do anterior, que quem não viu acabará um pouco perdido, mas que no miolo já estará completamente inserido no que anda ocorrendo. Ou seja, falar que é um filme ruim é algo somente para quem não gosta do estilo, pois claro que desejava um pouco mais de história, mas é tanta ação, tanta coreografia desmedida (na cena dos ataques com cachorros não sei como fizeram para que eles não comessem realmente os figurantes!), que ficamos algumas vezes sem ar, e o resultado, é algo que quem seguir a série completa irá gostar do que verá.

O longa nos mostra que após assassinar o chefe da máfia Santino D'Antonio no Hotel Continental, John Wick passa a ser perseguido pelos membros da Alta Cúpula sob a recompensa de U$14 milhões. Agora, ele precisa unir forças com antigos parceiros que o ajudaram no passado enquanto luta por sua sobrevivência.

O famoso ex-dublê Chad Stahelski que está dirigindo a saga desde o primeiro filme, continua com suas diversas lutas coreografadas, muitos (mas põe muitos nisso) tiros de todo tipo de arma, facadas para todos os lados, cachorros atacando, e claro muita ação para que seu estilo fosse mostrado do começo ao fim, e não digo que o diretor tenha errado, pois claramente fica determinado que ele se entrega ao que sabe fazer, não exigindo grandes atuações expressivas dos seus atores, mas sim que eles coreografem da melhor forma as diversas lutas de mão, que quebrem tudo ao seu redor, e que o filme flua como se fosse uma grande batalha de videogame em busca de um chefão maior para o próximo confronto. Ou seja, se já no segundo filme haviam esquecido de criar diálogos mais contundentes e determinar um seguimento da história, aqui colocaram algo completamente de lado, e deixaram que a ação comesse solta, acertadamente bem colocada como ponto alto da franquia, e assim sendo, quem quiser ver boas lutas e tiros saberá que esse é seu filme, e sempre que for lançado um novo irá aos cinemas conferir. Portanto, até posso falar que possui uma história de fuga do protagonista, tentando salvar sua vida, da caça de todos da Alta Cúpula após cometer um crime em lugar proibido, procurando ajuda dos que lhe devem favores, mas só isso não possui tanto elo para ser uma história bem trabalhada, apenas servindo de base para que o filme não fique frouxo, e assim poderiam ter trabalhado até um pouco mais.

Quanto das atuações, sem dúvida alguma Keanu Reeves pegou esse papel de John Wick lá em 2014 para ser seu maior desafio coreográfico, e não vai abandonar ele de forma alguma, pois o ator que gosta de muito tiro, e muita luta corporal, sempre optando por trabalhar sem dublês, encontrou aqui junto do diretor que já foi dublê também, a chance de poder fazer diversos filmes batendo muito, pulando, se jogando, e claro se machucando também, num resultado preciso e impactante, de forma que nesse novo filme ele se doou tanto que é notável sua cara cansada em determinadas cenas, afinal tiveram algumas lutas de constantes sequências bem fortes, e o resultado é um show no que dependeu dele. Ian McShane nos entrega novamente seu Winston, imponente, determinado, e com bons trejeitos para com os atos que lhe foram solicitados, demonstrando bem mais diálogos para serem usados caso precisassem, mas com uma classe única disponível para cada momento ele se impôs e agradou bastante. Asia Kate Dillon certamente foi a personagem com mais falas no longa como A Juíza, e com interpretações bem fortes, cheias de imposições expressivas, a atriz acaba entregando bons momentos na trama, o que agrada bastante. Halle Berry veio com uma Sofia determinada, que aparentemente só seria mais uma simples e efetiva conversa dura, mas que na sequência quando pega a arma com seu cachorro, ela põe pra jogo muito impacto coreografado e agrada bastante também, ou seja, agradou bastante também indo pelo caminho do protagonista, de modo que suas cenas acabam empolgando na medida certa. Laurence Fishburn já tinha se mostrado perfeito como Bowery King nos outros filmes da série, e aqui ele entregou alguns atos bem colocados, algumas cenas fortes, e até dialogou de maneira contundente com a juíza, mostrando algo a mais. Dentre os demais, todos se doaram um pouco em seus atos, chamando a atenção que devia, mas sem muito impacto, fazendo quase uma figuração de luxo bem trabalhada, e entre eles tivemos os destaques de Anjelica Huston como a Diretora, Lance Redick como Charon e Mark Dacascos como Zero.

Sem dúvida alguma a maior parte do orçamento ficou a cargo da direção de arte, que teve muitos vidros quebrados, motos voando em corridas, armas e mais armas para todo lado, e claro ótimos figurinos de ternos que devem ser a prova de bala, já que muitos tiros nunca acertam os protagonistas. Com cenografias bem moldadas em diversas locações em Nova York e Casablanca, o filme teve nuances mais contrastantes durante a noite, e claro dentro do Hotel Continental que parece ser quase uma miragem, já que lá dentro cabem tantos ambientes diferentes e imensos que nem parece ser apenas aquele miolinho de duas ruas, mas o resultado funciona bem, e isso é o que importa. O longa teve digamos que pouco sangue se comparado com a quantidade de tiros e facadas que é dado, pois poderia ser daqueles que escorreria sangue pela tela, afinal o número de mortos é incontável, mas a fotografia um pouco escura acabou ocultando um pouco disso, e sendo assim o resultado funciona para não deixar o longa mais pesado do que já é.

Enfim, é um filme bem feito, que convence dentro da proposta que se colocou, mas que poderia ter um pouco mais de história, deixando claro que desejavam segurar as pontas para uma continuação. Como disse no começo, quem for preparado para um show de tiros e lutas, e esperando ver muita ação, não irá se desapontar nem um pouco com o resultado final, mas quem for esperando história certamente sairá bem triste da sessão. Sendo assim, recomendo ele com toda certeza para um grupo mais fechado, que irá se divertir a cada cena de pancadaria, pois quem realmente não for fã do estilo deve passar bem longe. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

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UglyDolls

5/18/2019 03:55:00 PM |

Costumo dizer que para uma boa animação funcionar ela precisa ter um desses três elementos: carisma nos personagens, boas lições morais ou boas canções, e quando a combinação delas funciona, o resultado acaba incrível. Pois bem, hoje com a estreia de "UglyDolls" tivemos a combinação deles de uma forma gostosa de acompanhar, em um longa não tão simples de essência, mas com uma cativante proposta bem colocada na trama, aonde nos mostraram que ser perfeitos em tudo é algo que não existe, e que cada imperfeição é o que nos torna diferentes para ter seu propósito, ou seja, um filme duro de síntese, mas que consegue envolver tão bem que acabamos gostando do que vemos na tela, dançamos com as musiquinhas que foram bem dubladas, é o resultado é o mais feliz possível.

O longa nos mostra que os UglyDolls rumam ao Instituto da Perfeição com o desejo de serem amados mesmo sendo diferentes. Subvertendo a ideia do feio como um adjetivo negativo, a animação mostra que não é preciso ser perfeito para ser incrível.

O diretor Kelly Asburry já nos entregou outras boas animações como "Gnomeu e Julieta" e "Shrek 2", volta aqui para trabalhar uma trama que aparentava ser simples, mas que possui tantos personagens quanto densidades para serem trabalhadas, e com isso o resultado do que faz aqui pode ser visto até como algo a mais, pois ele nos entrega a primeira animação escrita por um dos mestres do terror, Robert Rodriguez, que tem como característica principal dar imperfeições aos seus personagens. Ou seja, com um âmbito bem divertido musicalmente, cheio de cores, luzes, brilhos e tudo mais, o diretor foi criativo ao ponto de mudar a tensão para algo mais leve, e gostoso de ver, ou seja, praticamente uma mágica bem forte e interessante de ser analisada.

Outro ponto bem comum das animações atuais vem sendo a preocupação dos estúdios em nos dar muitas texturas nos personagens e no visual completo da trama, o que não foi utilizado tanto aqui com uma animação quase bidimensional, mas isso não tirou o brilho dos personagens, que com feitios bem bacanas, imperfeições bem leves, e claro cores bem vivas para chamar atenção acabaram resultando em algo muito gostoso de ver, que juntando trejeitos bem agradáveis, emoções, e claro um carisma forte de cada um nos apaixonar por eles. Não costumo elogiar muito as dublagens nacionais, mas aqui o acerto de colocar atores/cantores bem dinâmicos foi algo realmente incrível de escutar, de modo que as canções não destoaram mesmo tendo frases difíceis de rimar, tendo claro se destacado a cantora do Rouge, Aline Wirley como a protagonista Moxy, cheia de atitude e bons pensamentos alegres, João Cortês como o vilão perfeito Lou, Rincón Sapiência como Ugly Dog e Paula Lima como Mandy, de modo que foram tão bem colocados que acredito terem suprimido as vozes originais Kelly Clarkson, Nick Jonas, Pitbull, Janelle Monáe e Blake Shelton.

No contexto visual, diria que a equipe teve um trabalho imenso, pois são muitos personagens que aparecem em primeiro plano, os diversos cenários são cheios de detalhes, cores, ambientes, e muito mais fazendo claro a alegria das crianças e de quem for conferir, pois a trama mesmo parecendo bem infantil, possui um mote mais forte que vai agradar também os mais velhos, e não usando apenas de alegorias bobinhas visuais, preparam por tons e envolvimentos em cada cena, ou seja, um trabalho bem preciso, que até poderiam explorar mais se desejassem.

Por ser um musical, as canções fazem parte do roteiro, então divulgá-las acaba sendo mostrar a história, mas digo que toda a foram bem compostas, divertem e agradam na medida na versão nacional, então podem ir conferir sem medo.

Enfim, um filme muito gostoso, divertido, agradável, que fará todos que forem conferir saírem com muita felicidade da sala, pensando em suas imperfeições como algo perfeito para um motivo, ou seja, usando até do mote do longa, mesmo ele tendo suas imperfeições e defeitos, o resultado é incrível, e recomendo para toda família. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas hoje ainda volto com mais textos, então abraços e até logo mais.

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O Sol Também É Uma Estrela (The Sun Is Also A Star)

5/18/2019 02:37:00 AM |

Existe um molde de filmes românticos que praticamente já sabemos quase tudo o que vai acontecer só de ver o trailer ou ler a sinopse, e esse é o famoso longa de coincidências, ou como muitos acabam nomeando: o destino ou acaso, e quando um filme se propõe a trabalhar com essa ideia, basicamente tudo vai floreando, pessoas se encontram, se apaixonam, e vivenciam tudo contra suas formas de vida determinadas por algo maior, ou seja, vão tentar lhe convencer que o amor é fruto de algo místico que estava pré-determinado a acontecer em determinado momento, e você terá de acreditar naquilo para se comover com a trama. Pronto, nem precisaria falar mais nada sobre "O Sol Também É Uma Estrela", pois resumi ele em algumas palavras, mas como o longa é baseado em um livro que estourou suas vendas, claro pela ideia bem passada, a trama foi montada em cima de algo que floreou um pouco mais, e com sínteses misturando imigração, racismo, e até oportunismo, o resultado acaba sendo um pouco maior. Claro que poderiam ter dado uma dinâmica mais envolvente para o filme não ficar tão morninho, pois embora o casal tente ser bem moldado parece a todo momento a falta de química entre os atores, e isso não é nada bom para uma trama romântica, ou seja, faltou as fagulhas de amor no ar, dar velocidade nas tomadas, e evitar ficar toda hora voando com imagens de drones, pois aí o filme teria 15 a 20 minutos a menos, mais emoção, e o resultado sairia lindo, mesmo com um final tradicional demais.

O longa conta a história de Natasha, uma jovem extremamente pragmática, que apenas acredita em fatos explicados pela ciência e descarta por completo o destino. Em menos de 12 horas, a família de Natasha será deportada para a Jamaica, mas antes que isso aconteça ela vê Daniel e se apaixona subitamente, o que coloca todas as suas convicções em questão.

Chega a ser até engraçado pensar que a diretora do filme é a mesma de "Antes Que Eu Vá", pois se lá Ry Russo-Young demonstrou ser singela nas atitudes, brincar com momentos leves, e conduzir sempre procurando uma química no ar, aqui a diretora quase nos força a acreditar no que está tentando mostrar, empurrando diálogos e situações completas para mostrar que o acaso/destino está em todos os atos/momentos da vida de uma pessoa, começando desde um escrito de caderno com a blusa, passando por um áudio no trem explicativo das torres gêmeas, depois mesmo prédio, mesmo tudo, até ir se deslanchando para um final completamente "acidental", que esperamos acontecer, e rola, ou seja, não digo que é bonito ver isso, que emociona os casais e pessoas apaixonadas, mas poderia ter ido mais leve nas coincidências, e brincado mais com a emoção dos atos, para que aí sim víssemos sua mão em ação. Ou seja, é um filme bonitinho, mas tem tanto -inho nos prefixos, que o resultado soa bobinho demais.

Quanto das atuações, pode até ser que os atores tenham sido escolhidos pelas características físicas semelhantes aos personagens do livro de Nicola Yoon, mas poderiam ter trabalhado mais a essência química entre eles, pois pareciam faltar com a emoção romântica que vemos em outros filmes do estilo, e embora ambos tenham feito expressões bacanas de ver, poderiam ter se esforçado um pouco mais para acertar nos motes familiares, e assim melhorar a emoção ao menos com seus elos. Tirando esse detalhe, posso falar facilmente que as escolhas de Yara Shahidi foi bem colocada pelo seu estilo cheio de desenvoltura e bem colocado que demonstrou em muitas cenas, porém sua Natasha tem um ar apaixonado pela vida funcional, com verdadeiras dinâmicas perceptivas, não caindo em desenvolturas amorosas fáceis, e sua virada é fácil demais, e quando ocorre já floreia com coisas tão além que não dá para acreditar, ou seja, poderia ter sido menos emocional, e mais vivida para agradar em alguns pontos, e tentar mudar os olhares em algumas cenas para focar mais na emoção do momento, sendo algo difícil de conseguir, mas se acertasse seria perfeita. O jovem Charles Melton certamente foi escolhido por ser o queridinho de muitas jovens fãs da série "Riverdale", e claro que isso faz vender ingressos, porém poderia ter se dado mais, se entregue na vivência poética de um poeta, que embora esteja pendendo para o que os pais desejam, ser um poeta é viver aberto ao mundo, e não duro como aparenta em tantas cenas, ou seja, foi simples e efetivo, mas não quis florear para não errar, e com isso não apaixonou a cena em si. Os demais praticamente todos são enfeites do acaso, tendo poucos elos, poucas falas, e pouca importância, tirando claro John Leguizamo com seu Martinez, que como um advogado conselheiro se entrega também ao acaso, e resulta bem nos seus atos, não sendo algo tão forte, mas sabiamente utilizado em muitas cenas.

No conceito visual, a trama tenta nos mostrar com muitas cenas em voos o motivo da paixão da garota pela cidade, pelo cosmos, e pela vivência em seus instintos de como Nova York pode ser inspiradora, e usando muito de quase um passeio pela cidade, a diretora entrega junto da equipe de arte locações simples, pessoas em movimento contínuo, ambientes bem preparados e muita representatividade, mostrando a cidade como algo maior em si, e quase como um objeto cênico do próprio longa, afinal é a vontade da jovem imigrante, e claro de todos imigrantes em si, e felizmente mesmo com poucos elos, o resultado transparece, e envolve, mas como todo bom filme romântico, faltou aquele momento de dar o brilho máximo, e tendo apenas uma cena assim bonita fotograficamente, o resultado não chega ao ponto correto que poderia ter.

Enfim, é um longa que poderia ter ido além, mas que transparece bem a alma do livro, e sendo um fenômeno de vendas, pode ajudar muito na bilheteria do filme, ou seja, muitos leitores acabarão indo florear sua mente para comparar com o resultado do longa, e acredito que acabarão gostando do que verão, pois passa longe de ser algo ruim, só poderia ser menos morninho e impactar mais nas situações fortes que possui na essência. Ou seja, recomendo ele, mas sem falar: corrão para os cinemas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

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Duas Rainhas (Mary Queen Of Scots)

5/17/2019 12:40:00 AM |

Sempre existiu grandes brigas de reinos na antiguidade, e como a maioria era meio que parente, sempre os conflitos familiares pelos tronos eram disputas bem interessantes, e principalmente envolvendo grandiosos egos, exércitos, e claro declarações polêmicas de bastidores. Se você leu tudo isso e pensou que o Coelho começou a assistir "Game Of Thrones", você errou, pois a trama que fui conferir hoje se chama "Duas Rainhas", e mostra um pouco do conflito entre as primas rainhas da Inglaterra e da Escócia durante os anos 1500, que com muitos diálogos fortes, guerras armadas por pessoas próximas, traições de todos os lados, casamentos por interesses e muito mais mostrando como o reinado de duas mulheres foi conflitivo numa época importante, mas que com muita sabedoria (e claro um pouco de loucura!) resultaram em algo mais pra frente que sabemos da união do grande reino da Bretanha. Diria que o filme poderia ter focado muito mais nisso do que na dinâmica das duas mulheres no trono, pois abriria um leque maior de conflitos, mas como já tivemos outros filmes de outras épocas, essa foi uma escolha bem colocada, mas que não incrementou muita coisa.

O longa explora a vida turbulenta da carismática Mary Stuart. Rainha da França aos 16 anos e viúva aos 18 anos, Mary desafia a pressão para se casar novamente. Em vez disso, ela retorna para a Escócia, sua terra natal, para recuperar seu trono legítimo. Mas a Escócia e a Inglaterra estão sob o domínio da poderosa Elizabeth I. Cada jovem rainha enxerga sua “irmã” com medo e fascinação. Rivais no poder e no amor, e mulheres importantes em um mundo masculino, as duas devem decidir como jogar o jogo do casamento contra a independência. Determinada a governar muito mais do que ser uma figurante, Mary afirma sua reivindicação ao trono inglês, ameaçando a soberania de Elizabeth. Traição, rebelião e conspirações dentro de cada reinado colocam em perigo os dois tronos - e mudam o curso da história.

Diria facilmente que o maior problema do filme ficou a cargo da direção meio sem foco na maior parte do tempo, e exagerada de foco em outros momentos, que acabou virando uma bagunça organiza na estreia de Josie Rourke comandando as câmeras, que praticamente caiu de paraquedas no meio de uma produção que já tinha sido cotada por diversos outros diretores, mas que estava bem difícil de sair do papel, porém não podemos ser tão criteriosos com a jovem diretora, pois ela soube dar o ar de protagonismo que as mulheres da trama mereciam, ousou falar de diversos atos que muitos julgam nunca existir no mundo antigo (como relacionamentos homossexuais) e impôs força visual numa trama que praticamente seria contada com exageros dialogados, e isso já lhe faz ter mérito por dar um direcionamento mais contundente. Claro que muitos verão a trama com outros olhos, e conseguirão enxergar algo a mais, ver uma trama mais artística, trabalhada em elos, e que facilmente como uma série seria incrível visualmente com tudo se desenvolvendo por diversos eixos (aliás, essa série existe de uma maneira bem mais ficcional! Mas que se fosse embasada na realidade, certamente seria em cima desse texto). Ou seja, um filme que foi por um rumo, teve diversas atitudes bem encaixadas, mas que merecia algo a mais para ser funcional, e não apenas expositivo, pois não temos nada que impacte realmente como história fictícia bem contada, mas quase um documentário dramático teatralizado.

Agora se não decidiram virar série certamente foi por conta de desejarem um elenco protagonista bem enxuto, e confiar muito no taco das protagonistas, que deram um show de expressividade em cada um dos atos que dependeram delas, acertando com precisão quase cirúrgica cada momento, entregando olhares e diálogos fortes para que cada uma mostrasse seu estilo sem falhar, ou seja, duas incríveis atuações. Saoirse Ronan soube controlar as emoções com foco e muita simpatia para que sua Mary fosse o carisma em pessoa, e com isso cada cena sua embora mostrasse a força de uma rainha, também subvertia para algo mais bem colocado, não deixando que o fluxo saísse de seu campo de atuação, ou seja, soube trabalhar os personagens adjacentes quase como peões de xadrez realmente defendendo sua coroa como rainha, envolvendo tudo até seu momento final. Já pelo outro lado, Margot Robbie, que tem uma personalidade mais impulsiva em todos os filmes que faz, deu um vértice icônico para sua Elizabeth, trabalhando com serenidade atos precisos, e com muita força os necessários de loucura, envolvendo e sabendo se desenvolver a cada nova cena. Os demais todos se doaram aos poucos para cada um dos atos, tendo leves destaques para Jack Lowden como Lord Darnley, Ismael Cruz Cordova como Rizzio, e James McArdle como Conde James.

No conceito cênico, como bem sabemos os longas de época dos reinados são cheios de locações imponentes, grandes festas, muitas lanças, e claro o que fez o longa concorrer a diversos prêmios: grandiosos figurinos, maquiagens e penteados, que foram de um luxo imponente, cheio de detalhes, e muita coreografia bem encontrada para que tudo se encaixasse, ou seja, perfeição na medida certa para que a história fosse contada. A fotografia ficou bem acinzentada para realçar o momento tenso, dando claro mais destaque para os cabelos ruivos das protagonistas, e claro o grande desfecho do vestido vermelho, que acabou chamando atenção demais já no começo (aliás, dá para pararem com esse estilo de começar um filme com o final, é tão brochante ficar esperando acontecer!!).

Enfim, é um longa estiloso, mas que ficou levemente bagunçado de atitudes, não impondo nada muito além do esperado, criando bons momentos, mas sem um desenvolvimento completo por nenhum dos lados, parecendo estar apresentando um resumo de algo maior, ou seja, poderiam ter trabalhado mais qualquer um dos grandiosos momentos que resultaria em algo mais satisfatório, embora não seja um filme cansativo de conferir, que quem gostar desse estilo sairá até levemente satisfeito. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, afinal essa semana está bem recheada de estreias pelo interior, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Terra à Deriva (Liu Lang Di Qiu) (The Wandering Earth)

5/16/2019 12:25:00 AM |

É engraçado quando falamos do mercado de cinema chinês, que atualmente tem sido o responsável por explodir ou afundar de vez as bilheterias dos blockbusters milionários, pois sempre ficamos atentos aos valores que rendem os filmes americanos por lá, mas poucas vezes vemos os longas de lá que acabam explodindo nas bilheterias, afinal esses grandiosos cheios de efeitos raramente chegam aqui do outro lado do globo, já que optam sempre por mandar longas mais dramáticos ou lutas que o público já está mais acostumado, porém dessa vez não teve jeito, após um estouro imenso nas bilheterias do país e só perdendo para "Vingadores - Ultimato" e "Capitã Marvel" ao redor do mundo, eis que a Netflix comprou os direitos de exibição de "Terra à Deriva", e lançou em sua plataforma esse que pode ser visto como mais um filme catástrofe bem maluco, com ideias absurdas de salvar o planeta, mas que acaba empolgando pelo desenvolvimento entregue, de modo que acabamos curtindo cada momento, suas reviravoltas, e até mesmo sem entender alguns elos deixados, a trama resulta em um filme que lembraremos pela estética e pelo teor bem alcançado, e que assim como seus primos hollywoodianos fazem, esse também adota ao final o famoso bordão patriótico.

O longa nos conta que no ano de 2500, a Terra passa por um difícil período de sobrevivência enquanto o sol fica cada vez mais perto de seu desaparecimento completo. Para tentar salvar a raça humana, um destemido grupo de jovens enfrenta o desafio de restabelecer a ordem e embarca em uma viagem para fora do nosso sistema solar.

Diria que o diretor Frant Gwo bebeu de todas as fontes possíveis de filmes-catástrofe que já foram feitos para que ao basear-se na obra de Cixin Liu colocasse em prática tudo o que já vimos, mas que funcionasse para seu filme não ficar cansativo, nem repetitivo, e principalmente que ficasse original se comparado com outros, e embora tenha muitas referências, todas as situações acabam acontecendo com boas dinâmicas, interessantes movimentações cênicas, e principalmente brincando com a câmera ao oscilar de planos bem abertos para outros quase em close pegando toda a expressividade dos atores. Talvez o maior erro do diretor tenha sido se alongar em alguns momentos e acelerar em outros, parecendo que desejava até algo maior para sua produção (talvez uma série!), mas como filmes desse estilo costumam ter essa velocidade oscilante, o resultado acaba soando bem satisfatório, embora alguns atos pudessem ser minimizados para uma desenvoltura melhor aproveitada, mas se compararmos com o que vemos em outros longas orientais, acaba sendo um estilo próprio de mostrar o que é tão comum de vermos a forma patriótica americana, que aqui passa a ser algo mais familiar referencial, e isso cansa em determinados momentos, mas não chega a atrapalhar em nada o longa. Ou seja, com muita ação, com muitos efeitos, e principalmente com uma história digamos convincente para quem está acostumado com o gênero, posso dizer que a trama empolga e agrada, mas certamente o diretor poderia ter apelado menos em muitas cenas.

Todos os atores não deram seus máximos para os personagens, tanto que vemos algumas expressões meio que largadas durante todo o filme, mas diria que foram personagens bem colocados em cada momento, alguns com sacadas cômicas para divertir, outros trabalhando mais a seriedade, de forma que o contexto completo funciona, e claro que o destaque fica para o jovem Chuxiao Qu que deu para seu Liu Qi boa dinâmica, e um protagonismo do começo ao fim, mas que certamente poderia ser menos abusado em algumas cenas. Quanto aos demais, vale reparar apenas na imposição do general Wang Lei vivido por Guangjie Li que foi bem alocado quando entra na trama, mas que por ser duro demais, alguns podem acabar não gostando do que faz. Agora quanto à jovem Jin Mai Jaho como irmã do protagonista, podiam ter economizado melhor com a personagem, pois é um enfeite.

Agora como todo bom filme catástrofe, praticamente esquecemos que existem atores ruins e textos jogados para reparar claro no visual, e aqui embora muito do longa seja computação gráfica, tivemos carros interessantes, cenografias grandiosas para mostrar o lado de fora da Terra cheio de detalhes dominados pelo gelo, com grandiosas estruturas visuais e tudo mais, parecendo bem uma obra espacial, figurinos térmicos bem interessantes (mas não muito explicado os diversos lugares que os atores removem seus capacetes - parecendo ser erros inexplicáveis!), e claro muita coisa sendo destruída por terremotos, uma estação espacial bem luxuosa e claro uma cidade subterrânea cheia de detalhes, ou seja, a equipe artística trabalhou e muito para que o filme fosse rico em ambientações e elementos cênicos, que são usados ao extremo para funcionar dentro da loucura que o estilo pede, ou seja, uma bagunça visual que agrada demais quem gosta do estilo. A fotografia usou cores interessantes e diferentes do estilo, brincando muito com o azul para as cenas no gelo, e o vermelho nas cenas de fogo (que acaba ficando azul também pela queima de hidrogênio), e com essas ambientações quentes, a trama tem um ritmo mais frenético, não tendo quase pausas de respiro, o que funciona para uma boa ação, mas como disse sobre a forma dos diálogos, não abre brecha para que os atores pudessem atuar melhor.

Enfim, é um longa de proporções gigantescas que não deixa nada a desejar para os filmes do estilo feitos em Hollywood, que até possui os mesmos tipos de erros e acertos, mas que acaba empolgando pela síntese em si, e desapontando um pouco pelos exageros e furos que poderiam ser minimizados, mas como sabemos que filmes desse porte não ligam para essas falhas, já acostumamos e acabamos nos divertindo com o resultado, mesmo que pudéssemos esperar um algo a mais. Sendo assim, recomendo ele com ressalvas, apontando diretamente para quem gosta do gênero, não liga para absurdos técnicos e histórias exageradas, pois só assim para se apaixonar pela trama, pois caso contrário fuja, que é certeza de apenas reclamar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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A Quarta Parede

5/14/2019 12:13:00 AM |

Quem conhece o meio artístico sabe que é cobra comendo cobra, e geralmente mesmo muitos sendo amigos, a maioria não torce pelo outro, e costuma ficar muito revoltado quando perde um papel que esperou tanto, mas quem não conhece bem, acabará conhecendo um pouco mais de uma desenvoltura artística trabalhada dessa forma com o longa " A Quarta Parede", que brinca um pouco com um crime ocorrido e todas as formas trabalhadas para chegar no fim, afinal como é dito pelo protagonista em certo momento de seu depoimento: "os fins justificam os meios", e com essa frase tão corriqueira, a trama tem todo o seu desenvolvimento de uma forma não muito contínua (o que atrapalha e muito o entendimento completo do filme!), mostrando a formação de uma peça, os ensaios, os encontros de atores, e até algumas discussões de cultura, de sexualidade, e tudo mais que casualmente ocorre no meio artístico. Ou seja, a trama foi feita em cima de um trabalho de conclusão do curso de teatro, e a desenvoltura é bem propícia em cima de uma montagem, mas certamente poderiam ter trabalhado mais a ideia para que o filme não ficasse tão preso nesse conteúdo, e com isso agradasse mais também quem não é do meio, pois confesso que quem for conferir apenas como cinema, acabará saindo da sessão antes, ou mesmo ficando até o final sairá levemente perdido com o que viu, e sendo assim, digo que o resultado é abstrato assim como a proposta em si.

Membro de uma importante companhia de Teatro, Teo enfrenta os ossos do ofício da profissão de ator. Ele foi escalado para encenar a peça "Entre Quatro Paredes", de Jean Paul Sartre, mas foi removido do elenco quando o diretor resolveu usar um critério duvidoso para montá-lo: a popularidade dos atores nas redes sociais. Sentindo que seus talentos foram desmerecidos, Teo decide usar as plataformas virtuais para manipular seus colegas de trabalho, mas a brincadeira acaba tendo consequências gravíssimas.

Diria que a estreia de Hudson Senna na direção de longa metragens foi interessante pela formatação das cenas bem diversificadas, porém para que a história tivesse o mesmo efeito não necessitaria um alongamento tamanho como foi feito, de modo que é possível ver técnica, ver expressividade e até boas dinâmicas de cada elo, porém ele poderia ter resumido sua história em pelo menos 40 minutos que o efeito seria o mesmo, mostraria a dramaticidade cênica de cada personagem, pontuaria as ideias do que o texto diz que entre quatro paredes vale qualquer coisa, arbitraria o crime e as desenvolturas para se chegar a ele, e o resultado soaria perfeito, porém como é comum em estreias na direção, ficamos com dó de cortar o excesso, e esse foi o segundo maior erro da trama, pois o primeiro foi na organização das ideias, afinal sabemos que é lindo ver um bom filme inteiro quebrado, aonde nada é linear, e ao final tudo se fecha, mas aqui a quebra foi tamanha, que confesso que fiquei na dúvida umas quatro vezes pelo menos se o rapaz estava depondo numa delegacia, se estava interpretando algo ali, ou o que, e cada ato de depoimento dos demais atores pareciam mais algo documental do que outra coisa, ou seja, talvez um corte mais delimitado resultasse numa trama densa de suspense e resultaria em um filme mais coeso e funcional, mesmo que o final tenha resolvido muitos pingos nos is.

Quanto das atuações, por ser um elenco bem variado, cada um passando um pouco o seu próprio estilo, diria que todos por serem desconhecidos do cinema em geral chamaram a atenção para entregar seu currículo, e facilmente se mostrar para futuros trabalhos, entregando bons trejeitos, dinâmicas expressivas e ensejos bem colocados, tendo claro um destaque maior para o protagonista Tutty Mendes como Teo, que por ficar mais à frente das situações acaba se expondo mais, e com bom posicionamento técnico resulta em cenas bem fortes de ironia artística, mostrando bom jogos de cena, e boa técnica para com seu personagem.

O visual da trama é bem simples e fica praticamente todo dentro de um teatro, de suas instalações, de uma sala de delegacia, e de uma moradia aonde vivem praticamente todos os atores juntos, com suas festas, e claro apresentação da peça, construindo poucos elementos fora do eixo, e tendo basicamente só o celular como elemento cênico para composição de todas as cenas, de modo que o filme flui basicamente apenas pelos trejeitos artísticos e acaba sendo mais conceitual do que ocasional, e dessa forma não temos nada que surpreenda muito, tirando claro as cenas tensas, aonde o figurino, e até uma garrafa passa a fazer parte do ambiente, ou seja, poderiam ter trabalhado um pouco mais.

Enfim, é um filme simples que até tem um final bem interessante, mas que para chegar nele acaba sendo cansativo e problemático, de forma que merecia um melhor tratamento antes de ser lançado, para agradar não apenas quem for da classe artística e for conferir, afinal se saiu no cinema é para ser visto por uma maioria, que por acaso desconhece muito da forma que atores se desenvolvem e brigam por papéis. Sendo assim, não consigo recomendar muito ele para quem não for do meio, pois a chance de não entender nada, ou reclamar de tudo é bem alta, mesmo com boas atuações, e momentos interessantes. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Cemitério Maldito (Pet Sematary)

5/11/2019 12:00:00 AM |

Sabemos que atualmente os roteiristas andam com poucas inspirações, então andamos vendo muitas refilmagens de grandes clássicos do cinema, que voltam repaginados para as telonas, e os que mais tem sofrido com essa onda são os longas de terror, mas para o infarto de alguns e alegrias de outros, a nova versão do clássico de Stephen King, "Cemitério Maldito", conseguiu cumprir com sua missão de causar tensão, assustar e arrepiar usando de todas ferramentas clássicas do gênero, como pouca iluminação, coisas nojentas, bichos estranhos, alegorias de espíritos, rituais, e muito mais, de modo que acaba agradando bastante. Claro que poderiam ter ido muito além, colocando mais sangue, mas o tradicional questionamento sempre fica no ar, afinal pra que as pessoas se mudam para casas no meio de florestas abandonadas, porque entram em lugares que não devem, e por ai vai, ou seja, se seguissem a linha não teríamos filmes de terror, mas é assim que gostamos!!! Sendo assim, a trama é bem moldada, e agora que refilmaram ele, mesmo não lembrando muito do original, digo que gostei do que vi agora, e acho que poderiam seguir com uma continuação, pois acho que seria bem interessante de ver!

O longa conta a história do Dr. Louis Creed, que, depois de mudar com sua esposa Rachel e seus dois filhos pequenos de Boston para a área rural do Maine, descobre um misterioso cemitério escondido dentro do bosque próximo à nova casa da família. Quando uma tragédia acontece, Louis pede ajuda ao seu estranho vizinho Jud Crandall, dando início a uma reação em cadeia perigosa que liberta um mal imprevisível com consequências horripilantes.

Os diretores Kevin Kölsch e Dennis Widmyer não são muito famosos, e usaram isso ao seu favor, pois ninguém esperava que levassem um clássico, desse uma repaginada e deixasse parecido com algo que já fizeram, afinal nunca vimos nada deles, e assim sendo com uma câmera densa, quase nas mãos deles, mas com movimentos bem sutis e interessantes posicionamentos, acabaram entregando uma boa densidade cênica, cenas tensas de verem, e diálogos bem encaixados, não parecendo em momento algum artificial, mesmo sendo algo digamos inimaginável de se acontecer realmente. Ou seja, não diria que essa nova versão vire um clássico pelas mãos deles, mas ao menos não decepcionou, indo muito pelo contrário, agradando pelo teor bem feito, e por momentos bem trabalhados deles e dos atores.

Sobre as atuações, fazia tempo que não via um elenco de filme de terror tão bem encaixado, pois praticamente todos que tiveram o protagonismo cênico conseguiu demonstrar expressões tensas, e incorporar atos funcionais de personalidade bem próprios que a trama pedia, de modo que até Jason Clarke que não é comumente visto em longas do gênero, acabou entregando um Dr. Louis bem expressivo, com diversas duvidas na cabeça, e principalmente agindo de acordo com sua dor e desespero, fazendo cenas bem colocadas e agradando muito. Amy Seimetz precisou e muito de um laboratório forte para criar sua Rachel, pois deu um tom tão desestruturado pelo trauma de infância, que realmente chegamos a ficar com dó dela nas suas cenas de desespero emocional, ou seja, foi incrivelmente precisa em trejeitos, nos deixando arrepiados com o que acaba fazendo. John Lithgow veio bem colocado como Jud, o vizinho, servindo bem como apresentador do cemitério, e com estilo e uma boa entrega, o experiente ator foi sutil, bem agradável, e teve cenas fortes bem feitas. Agora sem dúvida alguma quem deu um show no segundo ato foi Jeté Laurence com sua Ellie, incorporando trejeitos que chegam a arrepiar só de lembrar, ou seja, foi incrível demais ver cada ato seu. Quanto aos demais, vale destaque para Obssa Ahmed como Victor, pela entrega bem tensa e expressiva que fez, e claro para o gatinho Church, mas esse faz parte da equipe de arte, então vou falar mais abaixo.

No conceito artístico acabaram escolhendo uma boa locação no meio de uma floresta densa, capricharam na cenografia, nos elementos alegóricos bem colocados para cada momento, como máscaras, pás, cruzes, e sem dúvida alguma entregaram toda responsabilidade nas mãos da equipe de maquiagem que deu um show com muita terra, sangue bem colocado (ainda que eu ache que poderiam ter caprichado mais na cena mais forte do filme, mas dispensaram em outras), e principalmente nos figurinos pós-morte, que foram bem feitos, e ajudaram na incorporação dos personagens. O gatinho embora seja computacional na maior parte das cenas foi bem trabalhado, e chega a ser horrendo em diversos atos, o que acaba chamando muita atenção. Quanto da fotografia, diria que souberam usar bons efeitos de fumaça, criaram ambientes escuros bem trabalhados para serem vistos, e com uma boa técnica de movimentação conseguiram dar sombras densas bem dinâmicas para Dr bons sustos.

Enfim, tivemos uma refilmagem digna de representar o clássico nos cinemas atualmente, que não sobrepõem tudo o que foi visto no passado, sendo um bom presente para aqueles que gostam do gênero verem esse, e claro rever o antigo, mas certamente poderiam ter ousado mais para impactar mais, pois seria totalmente aceitável. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto  breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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A Menina e O Leão (Mia et le Lion Blanc) (Mia and the White Lion)

5/10/2019 08:25:00 PM |

Certamente quando o diretor estava fazendo um documentário e viu crianças brincando com animais selvagens lhe veio a ideia maravilhosa de criar um longa sobre essa interação, porém nem sempre de boas ideias saem bons filmes, e aqui em "A Menina e o Leão" o resultado completo acaba sendo bem fraco de história, mais pelas relações familiares sem muita sintonia do que pela relação carismática entre a atriz e um leão de verdade que muitos até irão pensar ser computação, mas não, a jovem conviveu 3 anos com o leão para gravar as cenas, e a convivência deles se mantém até hoje após as filmagens. Ou seja, é bonito de ver pelas imagens, e funciona para dar consciência de um crime legalizado que ocorre na África, aonde fazendas criam animais selvagens para serem vendidos para abate por caçadores de troféus, ou seja, algo muito triste de se ver, e se talvez a trama tocasse só nisso, o filme seria bem melhor, mas ao juntar com historinhas familiares acabou desandando um pouco.

O longa nos conta que Mia, de dez anos de idade, tem sua vida virada de cabeça para baixo quando sua família decide deixar Londres para administrar uma fazenda de leões na África. Quando nasce um lindo leão branco, Charlie, Mia encontra a felicidade mais uma vez e desenvolve um vínculo especial com o filhote. Quando Charlie chega aos três anos, a vida de Mia é abalada mais uma vez quando ela descobre um segredo perturbador mantido por seu pai. Atormentada pelo pensamento de que Charlie poderia estar em perigo, Mia decide fugir com ele. Os dois amigos partem em uma incrível jornada pela savana sul-africana em busca de outra terra onde Charlie possa viver sua vida em liberdade.

O diretor Gilles de Maistre foi bem coerente no estilo de filmagem, trabalhando com boas tomadas estilo documentários de TV, mas encontrando bons filtros e situações colocadas para ir acompanhando o crescimento do leão e a convivência dele com a garotinha, de modo que tudo parece bem colocado, mas ao seguir duas linhas bem diferentes, seu resultado aparentou meio jogado, o que não é muito legal de ver, mas por ter feito boas dinâmicas, boas cenas, e até ter entregue uma forma de conscientização, o resultado da trama final acaba valendo, mostrando a tentativa de algo maior que não foi alcançado.

Para falar das atuações, que certamente não é o melhor do filme, temos de falar da coragem de Daniah De Villiers como Mia, pois conviveu 3 anos com o leão Thor desde filhote para acostumar o leão e ele não a ferir, tanto que criou um vinculo tão bacana que ela continua indo visitar ele, e só isso já mostra uma personalidade ímpar da atriz, mas claro que com um bicho daquele tamanho a jovem não conseguiu ser muito expressiva, e suas cenas parecem sempre desesperadoras, mas nada que tenha atrapalhado tanto o resultado final, ao menos para seus momentos. Mélanie Laurent fez de sua Alice praticamente um enfeite cênico, e se não aparecesse nas cenas, nem sentiríamos sua falta. Langley Kirkwood teve momentos fortes com seu John, mas o personagem não é impactante como o texto pedia, e sendo assim seu resultado oscila demais. Ryan Mac Lennan até nos entregou um Mick bem alocado, mas acaba saindo muito pela tangente não dando um contexto completo na história, e seu "problema" é revelado apenas no final quando nem mais lembramos ou queremos saber dele, ou seja, jogado também.

Agora sem dúvida o que faz valer ver o filme foi às belíssimas paisagens da savana africana, com muitos animais, locações bem imponentes, e uma fotografia de tirar o chapéu com tons amarelados e muita simbologia por trás da lenda contada coMo história de ninar na trama, e certamente valeria um longa melhor para mostrar isso.

Enfim, um filme com muitos erros, mas que agrada visualmente, e passa uma bela historia de amizade entre um humano e um animal, mas principalmente mostrando o quanto humanos podem ser péssimos animais com suas atitudes, ou seja, um filme de conscientização, que poderia ser melhor aproveitado e trabalhado, mas que não foi tão efetivo como poderia. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos.

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Pokémon - Detetive Pikachu em 3D (Pokémon Detective Pikachu)

5/10/2019 01:41:00 AM |

Alguns longas são tão bem produzidos que acabam esquecendo de desenvolver melhor a história, e com isso é necessário mostrar a todo momento as mesmas cenas para explicar bonitinho o que aconteceu para o público, e isso não é algo legal de vermos, mas com "Pokémon - Detetive Pikachu" temos uma beleza estética de texturas tão bem feitas, que por pouco nem ligamos para a história simples que ocorre de pano de fundo de tanto que ficamos envolvidos e nos divertimos com os personagens. Ou seja, o filme em si poderia ser qualquer coisa, que estaríamos encantados com a fofura de Pikachu, a loucura de Psyduck, e todos os demais Pokémons que aparecem durante o longa inteiro fazendo acontecer, mas ainda deram um tom de situações para que o jovem protagonista saísse em busca do pai desaparecido, a imponência do vilão, e tudo mais para dar uma incorporada extra, porém para falar a verdade, os atores reais foram tão fraquinhos, que era melhor que o longa focasse somente nos bichinhos. Sendo assim, é um filme que quem for fã de Pokémon irá adorar cada momento com tudo o que é mostrado do jogo, as crianças irão gostar de ver os bichinhos, mas ficarão sem entender nada do que viram, e claro ao sair irão querer comprar os bonequinhos, e os pais que não conhecem nada de Pokémon irão ficar literalmente perdidos na sala com o que verão no filme.

O longa nos mostra que o desaparecimento do detetive Harry Goodman faz com que seu filho Tim parta à sua procura. Ao seu lado ele conta com Pikachu, o antigo parceiro Pokémon de seu pai, que perdeu a memória recentemente. Juntos, eles percorrem as ruas da metrópole de Ryme City, onde humanos e Pokémon vivem em harmonia... por enquanto.

A experiência do diretor Rob Letterman com filmes de animação, e principalmente com o misto entre atores e animações, já havia fica claro desde o primeiro trailer da produção, mas ao conferir o longa vemos algo que vai muito além de bons enquadramentos, vemos que ele exigiu e muito da sua equipe de arte para que os personagens parecessem reais no nosso mundo, de modo que mais do que pelúcias animadas, o público parece ver os bichinhos como se fossem encontrados em cada esquina como cachorros e gatos, e mais ainda com incorporações visuais, trejeitos bem trabalhados, e principalmente os poderes que cada personagem possui sendo utilizado para viver uma vida normal na cidade, e claro nas brigas, ou seja, foi tudo muito bem pesquisado para que cada momento interativo entre os personagens animados e humanos tivessem encontros bem conectados, situações bem envolventes, e claro, que tudo funcionasse bem dentro da história, que é simples, porém efetiva. Ou seja, não espere ir ver um filme com uma história que você saia impressionado com a finalização, que até chega a ser fácil de identificar logo nos primeiros atos como tudo irá desenrolar (claro que há uma leve enrolação para que tudo aconteça, e ela até é bem funcional), mas a forma de condução que o diretor soube entregar para o público é algo que vale a pena ser conferido, e mostra que podem evoluir e muito na continuação que já está sendo feita.

Antes de falar sobre as atuações, hoje posso opinar após ver tanto a versão legendada, quanto a dublada, que poucos momentos tiveram diferenças de contexto, como acabam ocorrendo com comédias e dramas, mas sim nas entonações que no dublado estão um pouco mais fracas, e os áudios das músicas estão bem mais altos do que as vozes, perdendo alguns momentos o que os personagens falam, além claro da diferença de lipsink que está bem forte, mas isso é algo que não dá para mexer tanto, sendo assim, como sempre digo, confira legendado, que ouvir as "vozes" originais dos personagens é algo bem mais legal. Que Ryan Reynolds vem sendo um tremendo ator todos já sabíamos, mas aqui ele dá entonações tão bacanas para o seu Pikachu, que acabamos nos acostumando com seus atos, vivenciando cada momento para termos ainda mais envolvimento com o personagem, que como já disse acima está incrivelmente fofo visualmente, e que com dinâmicas bem colocadas acaba sendo perfeito em tudo. Justice Smith até entrega um Tim bem agradável, que interage bem com as animações, mas que quando precisa ter diálogos e interações com os demais atores parece estar levemente perdido de rumo, o que soa até estranho e desconexo de ver, mas como disse que a história é fraca de ações, ele poderia até ser apenas as pernas do Pikachu que funcionaria bem, veremos se irá continuar na sequência do longa, mas acredito que não. Quanto aos demais, Ken Watanabe faz o policial mais fraco do cinema, com trejeitos que não impactam em momento algum, Kathryn Newton faz Lucy, a estagiária da emissora da cidade, que ajuda o protagonista na busca de pistas, mas que não entrega cena alguma com mais ênfase de trejeitos, de modo que seu Psyduck quase aparece melhor que ele, e finalizando o mentor da cidade mista entre Pokémons e humanos, Bill Nighy até tenta ter algumas cenas mais fortes, mas soa jogado demais. E quanto as demais animações, todos agradaram muito, tendo as aparições Mr. Mime, Mewtwo, Bulbassauro, Squirtle, Lickitung, Charmander, Charizard, Loudred, Gengar, Greninja, Aipom, Magikarp, Gyarados, Snorlax, Ditto, Eevee, Jigglypuff, Pidgey entre muitos outros rápidos de tela.

No conceito visual a trama teve muita computação, movimentos de tela incríveis, cenas com muita correria em meio a uma cenografia precisa e desafiadora, ousando mostrar muitos personagens e muitas texturas, aliás essa é a palavra que define a melhor qualidade da trama, sendo que friso bem, pois é raro vermos personagens que estamos acostumados a ver sempre em 2D com formas precisas, tamanhos imaginativos bem interessantes, e principalmente com uma desenvoltura épica para quem for fã dos personagens, ou seja, criaram quase um "Zootopia" da Disney, só que misturando personagens animados com pessoas, e o acerto ao menos visual foi muito bom. Quanto do 3D, diria que temos algumas boas cenas espalhadas na trama, que jogam coisas para fora da tela, outras de profundidade, mas que acaba não sendo daqueles filmes que se necessita realmente ver com a tecnologia, pois não incrementará muita coisa, porém o ambiente tridimensional foi bacana para dar formas aos personagens que estamos acostumados a ver em duas dimensões, e o acerto certamente foi melhor ajustado com o trabalho da tecnologia.

Enfim, o longa está bem longe de ser perfeito dentro de algo que diria possuir uma história interessante de ser conferida, mas os personagens são tão bem feitos, as dinâmicas funcionam tão bem, que acabo recomendando ele pela diversão em si que nos é entregue, e que fará tanto os fãs de Pokémon, quanto as crianças se divertirem bastante com tudo o que é mostrado, mas se você não se encaixar em nenhuma dessas divisões, é melhor se preparar um pouco para não ficar tão perdido. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Ele Está Lá Fora (He's Out There)

5/05/2019 08:04:00 PM |

Quem acompanha os grupos de terror nas redes sociais sabe bem que é algo raro aparecer algum filme razoável do gênero nas plataformas de streaming, pois geralmente são roteiros que assustam pouco, ou quando não, acabam com subjetividades tão bobas que acabamos mais rindo do que ficando impressionados com o que foi mostrado. Pois bem, eis que esse final de semana surgiu na Netflix, "Ele Está Lá Fora", que entrega cenas bem tensas tendo base um maluco com um machado atormentando as férias de uma família em uma casa de lago, e embora não tenham trabalhado tanto a ideologia do personagem, mostrando algumas coisas aleatórias sobre seu desenvolvimento, as cenas acabam sendo bem montadas, o desespero das garotas foi algo bem conciso de ver, e mesmo tendo alguns momentos exagerados (a cena final inteira, embora seja forte, é algo digno de muita risada, pois nunca que aconteceria aquilo!) o resultado acaba funcionando como deveria e agradará quem gosta do gênero, fazendo com que esperem uma continuação, pois acabaram deixando uma brecha para isso.

A sinopse nos conta que uma mãe e suas duas filhas estão de férias em uma remota casa perto de um lago. O que deveria ser uma viagem de descanso, acaba virando uma luta pela sobrevivência quando acabam sendo alvos de um assustador pesadelo que foi planejado por um psicopata.

A estreia do diretor Quinn Lasher é bem mostrada na tela, mostrando que embora não tenha feito nada anteriormente para conhecermos seu estilo, acabamos vendo que ele certamente possui um apreço pelo gênero, e sabendo bem onde colocar sua câmera, como preparar as situações, e principalmente como passar para as atrizes como se desesperar (julgo sempre em longas de terror essa ser a melhor qualidade, pois um filme assustador aonde os personagens principais não se assustam é brochante!) com o perigo iminente de virarem picadinho frente a um maluco, só mostrou que ele já possui a técnica, faltando claro a experiência, que certamente após conferir o que fez aqui, voltará num próximo filme, ou quem sabe até a continuação desse mesmo, com muito mais tensão e preparado para fazer o público não dormir após conferir o que fará, pois aqui faltou somente esse detalhe: causar o pânico também no lado de fora da tela.

A atuação de Yvonne Strahovski com sua Laura foi daquelas bem simples, mas efetiva no que precisava fazer, claro que recorrendo a todos os clichês possíveis de um filme de terror como pegar uma faca na cozinha, sair correndo no escuro para pegar algo que largou, e trabalhando bem os trejeitos ela acaba tendo atitudes interessantes durante toda a exibição, se desespera como uma mãe casualmente faria para salvar suas filhas, mas certamente poderia ter sido menos exagerado seu final, embora não seja um problema seu, mas sim do roteiro, e sendo assim, diria que ela foi bem no que fez. As irmãs Anna e Abigail Piniowsky foram bem colocadas como Kayla e Maddie, entregando personalidade nos trejeitos, e agradando na desenvoltura, mostrando caras e bocas de dor com a comida estragada, e principalmente mostrando muito medo e desespero fronte ao assassino, ou seja, agradaram. Os homens da trama foram simples, porém bem interessantes, fazendo com que achássemos diversas vezes que o assassino poderia ser um ou outro, mas se pensar logo de cara dá para pegar a ideia, de modo que não chegamos a poder destacar nenhuma expressividade deles, e para não dar spoiler, vou falar somente isso.

No conceito artístico, arrumaram uma casa no lago que encaixou bem na produção, não sendo de cara aquelas casas mal-assombradas tradicionais, não tendo conceitos espirituais, e com simplicidade e alegorias bem colocadas o filme vai se revelando desde o livro que a garotinha vai lendo no começo, para depois brincar com as linhas em duas cenas, e finalmente chegando no conceito das bonecas, além claro do machado icônico, das bandagens no assassino, entregando um rastro de morte bem colocado para o estilo, que talvez até pedisse mais sangue, mas nas cenas que mostrou foram bem impactantes. Felizmente a trama não exagera nos tons escuros, e mesmo tendo muitas cenas a noite, o diretor de fotografia soube dosar a iluminação artificial para que o filme ficasse visível durante toda a exibição, e agradasse com detalhes bem precisos, sem precisar trabalhar os famosos jump-scare.

Enfim, é um filme que de certa forma pode ser colocado como simples e efetivo no que quis mostrar, que agrada por causar tensão, e que deixa aberto para uma possível continuação, ou seja, foi bem trabalhado e acabou resultando um filme bem feito. Recomendo ele mais para quem gosta do estilo, pois não tendo nada muito novo para chamar atenção, pessoas que não estão acostumados a ver longas de terror, acabarão achando meio chato, e isso o longa passa bem longe de ser. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Paskal - Missão Resgate (Paskal)

5/05/2019 01:15:00 AM |

O estilo de filmes de resgate com envolvimento policial de equipes de alto escalão geralmente segue a mesma linha, e costumeiramente empolgam por mostrar boas cenas de tensão, treinamentos fortes, e claro infiltrações de personagens que acabam saindo do eixo, e com o longa da Netflix, "Paskal - Operação Resgate", que foi baseado em uma das grandiosas missões da equipe de elite da Marinha da Malásia, o resultado é bem empolgante, consegue chamar atenção pela técnica, e principalmente mostra que mesmo não sendo um país que faz longas de ação para os cinemas, ousaram bastante, procuraram boas referências em longas americanos, e o resultado funciona. Ou seja, não é um filme que vamos ver coisas diferentes do usual, logo que é revelado quem está por trás de tudo, já ficamos esperando por cenas de luta corporal, mas o resultado visual é bem grandioso, e mostra que o país se quiser abusar nesse estilo de produção tem tudo para dar certo.

Contando com os melhores e mais eficientes membros armados na Malásia, uma unidade de elite da Marinha acaba se envolvendo em uma trama complexa. Quando um de seus membros organiza um audacioso sequestro, os outros ficam à mercê de um futuro incerto que pode acabar trazendo-lhes consequências inimagináveis.

O diretor Adrian Teh foi bem colocado no estilo, e logo de cara vemos em seu estilo as referências de grandes filmes americanos, mostrando situações de treinamentos fortes de equipes, trabalhando assaltos piratas à embarcações, e principalmente colocando com estilo as cenas finais de enfrentamento no meio de uma estação petrolífera com corredores apertados, diversos cômodos para o tradicional esconde-esconde, mas sempre ousando muito em tiros, cenas no escuro, explosões, e claro boas sacadas com os personagens. Claro que o filme não é algo primoroso, pois temos diversas situações casuais comuns de vermos em diversos outros filmes, mas foram tão audaciosos com um orçamento curto, que a cada ato bem trabalhado ficamos atentos para o que poderia acontecer, e se talvez não focassem tanto em trejeitos exagerados dos personagens, desenvolturas forçadas de lutas, e principalmente se encontrassem um estilo direcionado para uma missão ousada, mas sem exageros, certamente diria que o diretor teria sido daqueles para anotar o nome, e ficar esperto com o que poderia fazer no futuro.

Digo facilmente que o exagero das atuações foi um dos pontos mais problemáticos da trama, pois todos não pareciam grandes militares, os trejeitos todos aparentavam estar jogados de lado, e principalmente quando dialogavam pareciam estar perdidos de rumo, mas ao juntarem toda a dinâmica solicitada pelo diretor, os atores se esforçavam (alguns até demais) e entregavam boas cenas. Basicamente o longa fica em cima de Hairul Azreen com seu Arman, que de uma forma bem séria se mostra como um capitão nato e entrega boas performances de comando, e ele ia bem entregando tudo de forma coerente até chegar na penúltima cena que resolve, assim como acontece em longas americanos, partir para uma briga de facas, ao invés de meter um tiro logo certeiro, e tirando esse detalhe, seus atos foram bem colocados. O vértice final ficou bem pautado também em cima de Ammar Alfian com seu Jeb bem imponente, mostrando trejeitos ao estilo de grandes brucutus do cinema americano, e sabendo fazer estilo, o que acaba agradando. Agora sei que os piratas verdadeiros não costumam ser engraçados, fazendo piadinhas e tudo mais, então o exagero que Amerul Affendi fez com seu personagem Rudi, um chefão do crime pirata, foi algo que poderia ser minimizado para parecer mais real. Quanto aos demais, fizeram o básico, apareceram, e mesmo Jasmine Suraya Chin com sua Lily que parecia mero enfeite no começo, acabou sendo usada na trama, mas sem fazer grandes diálogos.

Gostaria de saber o valor do orçamento da produção, pois usaram tantas locações bem colocadas, helicópteros, aviões, barcos e armas que realmente tudo parecia um grande exercício das forças armadas do país, o que chama muita atenção e dá detalhes de estilos e tudo mais, que se não foram auxiliados pelos governantes para poder usar tudo realmente, gastaram horrores para que o filme ficasse grandioso de elementos cênicos, e claro, resultando em um longa nos níveis de grandes blockbusters americanos, ou seja, a equipe de arte mostrou muito serviço para que o filme ficasse chamativo. A fotografia brincou muito com cenas escuras para criar tensão, e deu certo, pois ajudou a conter defeitos, e dar um tom mais dramático para algumas cenas, mas não precisariam usar a todo momento rajadas de tiros para parecer um combate exagerado, o que aparentou meio bobo até, porém não atrapalhou tanto.

Enfim, volto a dizer que está bem longe de ser um filme que vou lembrar daqui alguns dias para ficar sempre recomendando, mas o resultado final mostra que até mesmo países que não possuem tanto costume de cinema de ação conseguem fazer filmes bem feitos do estilo, porque raios ainda ficamos batendo na tecla de comédias novelescas? Pois certamente um filme bem feito desse porte no Brasil, iria ser sucesso e surpreenderia o público, ou seja, vale a dica para vermos e pensarmos no futuro, pois quem sabe melhorando o nosso cinema com coisas mais dinâmicas, possamos aparecer mais lá fora. Agora voltando para o filme da Malásia, recomendo ele para quem gosta do estilo, pois não tendo muita novidade estética, nem do roteiro, quem não for fã irá se cansar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Tudo o Que Tivemos (What They Had)

5/04/2019 03:11:00 AM |

Em determinado momento do trailer, o protagonista fala "A vida não é fácil" quando lhe é questionado o motivo de não ter parado de fumar, no filme ele dá uma complementada nessa ideologia sobre rotas de fuga da vida, e basicamente essa é a ideia que o longa "Tudo o Que Tivemos" tenta nos mostrar ao trabalhar as situações familiares envolvendo uma mulher infeliz com o casamento, sua filha, seus pais já bem idosos (um com problemas cardíacos, outro com Alzheimer), e seu irmão desesperado para internar a mãe em uma casa de repouso, para poder cuidar de sua vida, seu bar, e tudo mais. Ou seja, um drama bem armado, aonde os diálogos e situações ocorrem casualmente como algo que já vimos diversas vezes em outros longas, novelas, séries e afins, mas que por ter um elenco forte consegue passar bem a emoção do momento e fazer com que pensássemos nas mensagens de aproveitar a vida, de estar presente nos momentos familiares, e claro seguir nossa intuição e não imposições, pois isso pode ser necessário mais para frente. Sendo assim, diria que não é algo tão ruim de conferir, mas poderiam ter focado em algo menos abrangente e atacado um elo menor, que certamente emocionaria mais e não necessitaria de tantos diálogos como uma peça teatral.

A sinopse conta que junto com a filha adolescente Emma, Bridget precisa viajar de volta para a casa da sua mãe, Ruth, após ela acordar de madrugada e sair caminhando por uma tempestade de neve devido ao Alzheimer. No retorno a sua casa, Bridget precisa lidar com o teimoso pai Burt e o irmão Nicky, enquanto discutem sobre colocar Ruth em uma casa de cuidados para a memória ou não.

Chega até ser engraçado que quando vemos um longa dramático que possui inicialmente uma ideia, e depois se verte para muitas possibilidades, abrindo um leque imenso, e vamos pesquisar sobre o diretor ou diretora da trama e bate direto com a informação de ser sua estreia, já vemos de cara o motivo. Pode até soar preconceituoso isso, mas drama é um dos gêneros que a pessoa tem de ser muito corajosa para encarar como uma estreia na direção, pois ou você foca em algo e ataca com muita determinação, ou acaba entregando algo muito amplo sem um rumo propriamente dito, e aqui a tentativa da diretora Elizabeth Chomko de abranger a vida, as relações familiares, os problemas da velhice, do relacionamento, de determinações que os caminhos das escolhas nos levam, acaba sendo algo com vértices demais para ser trabalhado em 101 minutos, de modo que talvez ela entregando uma série de uns 10 capítulos aonde trabalhasse cada parte calmamente até seria bem vista e interessante, mas aqui procuramos sair por um lado, e o resultado vai em outro, o que resulta em uma trama cansada, sem muito gás, mas que felizmente com bons atores, e um roteiro com bons diálogos, resulta em algo que até parece uma peça teatral, e independente de ter algumas cenas em outros ambientes, certamente em um palco talvez o público até aplaudisse.

Falando mais das atuações, diria que Hilary Swank sempre faz os mesmos trejeitos em todos os filmes, e aqui não foi diferente com sua Bridget ou Bit como todos a chamam no longa, de modo que ela tenta puxar a emoção sempre em seus atos, mas não nos convence de que está sentindo realmente aquilo, e isso é algo que chega a incomodar, mas suas tentativas em sair dos vértices comuns da trama foram ao menos satisfatórios, e chama a atenção pela tensão que consegue passar, ou seja, como disse acima, uma atriz teatralizada que por forçar no cinema não impacta como deveria. Robert Forster nos entrega um Burt duro com todos, determinado com suas cenas, e que entrega muito carinho para com sua amada, e isso é o que importa, pois o ator mostrou o real significado do casamento, que é aceitar e seguir, amando para a eternidade, e com bons tons, ele acaba agradando. Michael Shannon mais uma vez dá um show de expressividade forte com seu Nicky, de maneira que ficamos pensando em tantas atitudes que vemos acontecer em nossa vida, e que o ator usou de base para compor o personagem, que chegamos a nos ver nele, ou seja, um acerto incrível de trejeitos, de impressões, e que mostra que o ator está num rumo muito bom de escolhas. Blythe Danner entrega uma Ruth doce e interessantíssima com seu Alzheimer, que brinca com as cenas, transcende olhares, e se entrega para a personagem com muita simpatia e graciosidade, dando um show visual de trejeitos e interpretações. E não menos importante, mas ficando sempre em segundo plano, Taissa Farmiga parece até deslocada com sua Emma na trama, mas serve de tiro para as cenas de confronto com a mãe, encaixando bem o ar dramático e os trejeitos adolescentes para que víssemos a cobrança maternal vindo da mesma forma que teve, e isso chama muita atenção pela jovem saber encaixar isso na sua personagem.

No conceito visual como disse o longa poderia facilmente se passar num teatro sem cenografia alguma, ou talvez até com poucos elementos para dar contexto para os atores, pois o filme não possui algo necessário de estarmos vendo, mas sim o diálogo encaixado nos momentos certos para entendermos tudo o que os personagens tem para nos mostrar, e sendo assim a equipe nem quis gastar muito com cenografia, tendo um apartamento cheio de quadros para nos entregar as memórias do casal, que vão sendo mostrados também na tela, durante o filme, temos algumas cenas no bar de Nicky (bem montado ou escolhido para as filmagens por sinal - para mostrar que foi algo bem pensado na escolha de vida do personagem), algumas cenas na igreja, mas tudo de modo bem singelo e dando apenas o tom, que fotograficamente usou muita iluminação, e não pensou em criar tensão com algo mais escuro, o que é bem incomum de se ver em dramas.

Enfim, é um filme mediano pra bom, que poderia ser incrível, mas que se perdeu nos diversos caminhos que seguiu, de modo que como disse acima funcionaria dessa forma mostrada bem em uma peça de teatro, ou alongando um pouco mais como uma série incrível, mas que como entregue sendo cinema acaba ficando abaixo do esperado. Sendo assim, recomendo ele mais como algo descontraído, leve e que vale para reflexões familiares, mas nada muito impactante, ou seja, um passatempo apenas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

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Um Ato de Esperança (The Children Act)

5/03/2019 01:17:00 AM |

Quando alguns temas quando aparecem no cinema ficamos pensando se irão desenvolver realmente ou apenas jogar na tela e sair correndo, e aqui o longa "Um Ato de Esperança" tinha tudo para arrumar uma briga imensa com uma religião versus ciência/saúde, trabalhando questões legais, jurídicas e até trabalhar bem o outro lado explicando mais as ideias dos pastores e tudo mais, porém resolveram começar com um estilo novelesco por parte de uma briga de casal por falta de tempo no relacionamento versus trabalho, depois houve o julgamento bem rápido sobre a tensão criada, acontece uma leve reviravolta provável, e depois um caso de stalkeamento, ou seja, a trama que tinha um fluxo certeiro para debater acabou virando algo sem muitos rumos, que até emociona pela simpatia dos protagonistas e a vivência em cima do ato em si, mas longe de qualquer atitude mais própria em cima da trama que poderia vir a entregar um debate imenso, preferiram recair ao romance dramático usual, e isso certamente fez com que o longa soasse bonito até, mas sem nenhum rumo determinado.

A sinopse nos conta que com seu casamento com Jack em ruínas, a juíza Fiona Maye, proeminente membro da Alta Corte Britânica, tem em suas mãos uma decisão que pode mudar muitas vidas. Pelo poder que a justiça lhe concede, Fiona pode obrigar um garoto que está entre a vida e a morte a receber uma transfusão de sangue, um procedimento simples, que pode salvar sua vida. Entretanto, ele se recusa a receber o tratamento por motivos religiosos. Quebrando o protocolo, a juíza decide ir visitá-lo no hospital. Essa visita mudará para sempre não apenas sua perspectiva sobre a vida, como também despertará sentimentos que até então ela não se permitia experimentar.

Não li o livro de Ian McEwan, mas posso dizer facilmente que seu livro não abria tantos vértices quanto ao que o diretor Richard Eyre fez com sua obra no longa, pois faltou para o diretor escolher uma das temáticas para desenvolver melhor, deixando a trama virar quase um novelão com abertura para situações tão improváveis, que só não seguiu esse rumo por focar totalmente na protagonista, e assim ao menos manter a essência em cima dela, porém o diretor quis trabalhar tanto o conflito familiar, quanto o trabalho da protagonista, e quando adentrou ao vértice ao amoroso por envolvimento, passando pelo problema religioso, ele acabou se perdendo e exagerando, pois não seguiu nenhuma das linhas com a desenvoltura correta. Ou seja, não digo que o filme seja ruim por essa opção do diretor, porém acabou exagerando demais em linhas para seguir, e com isso acabamos o longa até emocionados pelo fechamento escolhido, mas com a sensação de que poderia ter trabalhado muito mais o relacionamento dela com o marido, poderia ter arrumado muito mais briga com os religiosos (e esses mostrado mais os motivos de não aceitarem aquilo, ao invés de 5 minutos no júri), poderia ter feito muitos outros julgamentos complexos, e até ter trabalhado um pouco mais as mudanças na vida da protagonista após o acontecimento, mas com tudo tendo um pouco de cada, o resultado fica perdido.

Agora sem dúvida alguma se tem algo que faça valer a conferida do longa é a atuação de Emma Thompsom com sua Fiona, de modo que a atriz entrega trejeitos fortes, mas que conseguem passar emoção, e nas cenas mais tensas ela se revela melhor ainda, seja cantando, seja dando sentenças, ou até mesmo passando o seu diálogo com a maior calma possível com um semblante sereno, ou seja, perfeita na medida certa para agradar. Fionn Whitehead já havia mostrado ser um bom ator em "Dunkirk", foi bem sagaz no longa interativo da Netflix, e aqui o jovem se entregou com um carisma bem interessante para com seu Adam, de modo que acabamos inicialmente gostando dele, mas com o andar da trama, ele acaba levemente exagerado, embora o personagem peça isso, fazendo com que alguns fiquem receosos quanto ao personagem, e sendo assim seu acerto foi bem colocado com bons trejeitos também. Agora ainda estou tentando entender o que leva um ator da qualidade de Stanley Tucci cair em um personagem praticamente jogado como o que faz aqui com seu Jack, sendo que até poderia ter algo a mais se o diretor trabalhasse a trama diferente, mas com o roteiro em mãos, o ator deveria ter opinado para mudar algo, ou escolher outro filme, pois o resultado foi bem fraco de ver, mesmo com diversas tentativas de expressividade suas. Quanto aos demais, vale destacar apenas as desventuras do assistente da protagonista vivido por Jason Watkins que foram bem engraçadas, mas ao mesmo tempo bem encaixadas nos atos e atitudes da protagonista.

A trama teve um ar simples, porém bem simpático por parte do desenvolvimento artístico, trabalhando bem o mundinho fechado da juíza, com suas idas ocultas por caminhos tortuosos rápidos de seu apartamento elegante, porém sem muitos detalhes, até sua sala dentro do tribunal, também bem simples e efetiva nos detalhes, na sequência uma cena de hospital de uma sala só, sem muitos detalhes, e indo mais ao final para duas cenas mais luxuosas, uma em Newcastle com um ambiente requintado mas pequeno, aonde ocorre uma pequena reunião, e chegando na festa natalina dos juízes e advogados aonde todos em traje de gala deram um tom mais rico para a produção, e tudo isso mostra o quão econômicos foram os produtores para que o longa tivesse uma boa contextualização, mas nada que almejasse uma produção grandiosa, afinal certamente viram que o filme não tinha nenhum vértice maior para seguir, e com várias nuances não poderiam gastar muito em todas.

Enfim, é um filme bem feito, no que se propôs, mas certamente se melhor direcionado para um rumo único, o acerto seria bem maior, e o resultado além de dar uma leve emocionada, agradaria muito mais. Sendo assim, recomendo ele com certas ressalvas, mas ainda assim vale a conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais estreias, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Um Homem De Sorte (Likke-Per) (A Fortunate Man)

5/01/2019 07:50:00 PM |

Um filme de reflexão sobre as escolhas na vida, essa pode ser a melhor definição para o longa "Um Homem de Sorte", que a Netflix colocou em cartaz na sua plataforma, e digo isso por ver que a trama em si não conta a história a fundo de uma pessoa, mas sim suas diversas passagens, escolhas, sentimentos, e claro a sua índole testada e mostrada a cada virada de ideia, mas sempre mostrando que seu projeto desde a infância foi mantido, nem que para isso ele precisasse mudar seus princípios, ou não. Ou seja, é um filme bem dramático, com um conceito de época bem interessante, que agrada pelo estilo, pelos vértices entregues, e pelo bom roteiro que permeia mostrar tanto a bagunça conflitiva que é acreditar na ciência e negar a religião, ainda mais numa época aonde as religiões dominavam tudo e todos, mas que indo além conseguiu dramatizar toda a história de como funciona a cabeça de um gênio, que nas melhores horas até possui boas ideias, mas que num estalo resolve mudar tudo e acaba indo até contra os seus princípios. Não digo que seja um filme perfeito, principalmente pela duração longuíssima de 162 minutos, mas que pela beleza visual, pela essência passada, pelas boas atuações, e principalmente pela história em si bem desenvolvida, o resultado acaba sendo algo que vale a conferida, claro que descansando um pouco no miolo, pois facilmente como uma minissérie de três capítulos, o aproveitamento seria bem melhor.

No final do século 19, Peter Sidenius é um jovem ambicioso de uma família cristã devota na Dinamarca Ocidental, que viaja para a capital dinamarquesa de Copenhague para estudar engenharia, rebelando-se contra seu pai clérigo. Ele entra em contato com os círculos intelectuais de uma família rica e judia e seduz a filha mais velha, Jakobe. Per, como ele agora chama a si mesmo, concebe um projeto de engenharia em larga escala, incluindo a construção de uma série de canais em sua terra natal, Jutland, e faz lobby para sua construção. Mas assim como Per parece estar prestes a realizar seus sonhos, seu orgulho fica no caminho.

Não é por menos que o filme é tão longo, afinal o livro em que o roteiro foi baseado possui 8 volumes e foi escrito em 6 anos pelo ganhador do Nobel, Henrik Pontoppidan, e desenvolver uma obra desse tamanho para ser exibido sem cortes tem de ser de uma coragem tremenda, mas é fato que a trama merecia algumas quebras, algumas mudanças visuais mais fortes nos personagens durante a passagem dos anos, afinal temos o jovem em sua entrada na faculdade, seu desenvolvimento, e pelo fechamento temos seus filhos com ao menos 8 anos, ou seja, a trama se passa por pelo menos uns 15 anos ou mais, e sempre com os mesmos atores, alguns nem parecendo ter envelhecido nada nesse tempo, sendo assim uma das maiores falhas da execução, porém tirando esse detalhe, o diretor e roteirista Bille August conseguiu passar grandiosas mensagens, trabalhar uma cenografia de época incrível, e principalmente ter a dinâmica mais coesa e precisa para que seu filme mesmo longo não parecesse alongado, tendo os diversos momentos bem explorados, criados com discernimento e sempre fechados com uma fotografia tão primorosa de ambientação que ficamos encantados a cada momento. Claro que muitos irão ficar bravos com as atitudes dos protagonistas, com as diversas situações que ocorrem, mas como bem sabemos pela História, nessa época funcionava bem dessa maneira, e aqui foram generosos em não apelar para coisas piores.

Quanto das interpretações, posso dizer facilmente que Esben Smed merece ser achado rapidamente pelos produtores de grandes filmes, pois o jovem conseguiu segurar a responsabilidade de uma trama imensa com olhares, gestuais, trejeitos com muita vivência durante todo o longa, criando sentimentos diferenciados a cada plano com seu Peter, mostrando o conflito de sua mente a cada resultado, o que fez dele um tremendo protagonista, o colocando com perfeição de detalhes para que o filme não decaísse em momento algum. Katrine Greis-Rosenthal acabou entregando bem sua Jakobe, mostrando um estilo sério de ser a filha mais velha da família, mas oscilou muito seus trejeitos, parecendo ser no mínimo umas três personagens diferentes durante toda a trama, claro que como o filme se passa por muitos anos, as pessoas costumam mudar, mas ficou um pouco estranho de ver alguns atos. Benjamin Kitter fez aquele tradicional amigo/irmão que quer a felicidade dos outros dentro de sua família, entregando sorrisos sempre nas cenas junto do protagonista, fazendo de seu Ivan uma figura bem bacana de acompanhar. Quanto aos demais, todos deram boas conexões para cada momento do protagonista, mas sem grandiosos destaques, pois cada um foi mais disposto a somar do que aparecer, e isso é bacana de ver, claro que vale a pena destacar a beleza das diversas mulheres escolhidas, de modo que qualquer uma seria um belo par para o protagonista.

No conceito artístico, a equipe escolheu locações incrivelmente belas, trabalhou muito bem o figurino de época para mostrar os contrapontos entre os riquíssimos judeus e os extremamente pobres cristãos da Dinamarca na época, e claro também mostrou muitas festas com requinte luxuoso, obras gigantescas e tudo mais para dar o contexto da engenharia que o filme falava em segundo plano, ou seja, a equipe precisou ir bem a fundo no roteiro para construir uma trama visualmente funcional. E sempre contando com uma fotografia bem aberta, aonde os tons floreavam em belos campos, com cores vivas nas cenas mais alegres, tons pasteis nas reflexivas, e até um lado mais escuro nas cenas mais tensas deram um funcionamento tradicional, mas bem feito

Enfim, como disse no começo o longa está longe da perfeição, faltando algo mais forte no contexto geral, mas que conseguiu chamar bem a atenção, e facilmente se algum dia for exibido como minissérie agradará muitos, pois conhecendo o público que hoje não aguenta um drama de 90 minutos, quanto mais um de 162, então muitos começarão a ver o longa e irão parar, mas quem conseguir conferir tudo, valerá a pena refletir depois sobre tudo o que é passado, pois sem dúvida essa era a ideia da trama, e a recomendo por isso. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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