Chacrinha - O Velho Guerreiro

11/12/2018 12:22:00 AM |

Algumas biografias são lançadas e conseguem contar toda a história do homenageado, outras procuram trabalhar momentos-chaves da história, e algumas vem apenas para mostrar algum detalhe que marcou a pessoa, mas na maioria das vezes recaem de tantas críticas em cima, que poucos acabam gostando do que veem na telona, e/ou acabam desconexas demais tendo tantos erros que muitos já conhecendo os personagens atacam que os filmes acabam soando falhos demais. Então se é um nicho que sempre pode ser aproveitado por ter tanta gente que fez algo no mundo e que alguns não os conheceram como pessoa, sempre teremos muito para ver, e quem sabe sair felizes (ou não) com o resultado apresentado. Inicio o meu texto de "Chacrinha - O Velho Guerreiro" dessa forma, pois diria que vi bem pouco o programa do Chacrinha, e após diversas homenagens que já tivemos, programas especiais, livros, e tudo mais, acredito que esse novo filme de Andrucha Waddington seja o que mais tentou apresentar para quem não conheceu esse grande comunicador, como foi seu início, como foi seus desencontros e brigas com os diretores das TVs, casos, e tudo mais, mas por querer mostrar "tudo", o longa acaba sendo acelerado demais, e bagunçado demais, tendo algumas falhas técnicas inadmissíveis como por exemplo dublagens em cima de dublagens sem sincronização correta de lábios e vozes para as canções de artistas consagrados, parecendo um grande concurso de fantasias apenas, o que é muito ruim de ver. Ou seja, é um filme interessante para conhecer o velho guerreiro, mas confesso que tem excessos demais para impressionar como poderia, veremos o que a Globo deva fazer quando for lançado como série em vários capítulos, pois no cinema as sessões estão bem fracas de público, e com razão.

O longa conta a história de José Abelardo Barbosa de Medeiros. Na juventude ele se envereda pelo rádio e depois se consagra na TV como Chacrinha. O Velho Guerreiro apresenta programas como Discoteca, Buzina do Chacrinha e Cassino do Chacrinha, contando com show de calouros e apresentações de cantores de sucesso.

O trabalho de Andrucha é sempre bem marcado, e mesmo tendo alguns filmes exagerados ultimamente, ele sempre é coeso na dinâmica de seus personagens, e aqui não foi diferente, de modo que conseguiu trabalhar a história completa de Chacrinha de forma sintética e bem colocada, mesmo que para isso precisasse acelerar num nível máximo. Claro que ele já tinha bem a base da trama, pois já vem andando faz tempo com a direção da peça teatral "Chacrinha, o Musical", e com isso apenas foi necessário desenvolver mais a temática emocional e dramática do longa, complementando com os shows ao redor, e sem precisar apelar, o diretor entregou algo simples e eficaz, principalmente para quem não conheceu a vida do protagonista, mas infelizmente o diretor foi seguro demais no que sabia, e acabou cometendo algumas falhas graves, a primeira no conceito de velocidade, que fez de seu filme algo que talvez pudesse ser alongado mais, desenvolvendo um pouco mais do início da carreira num primeiro ato maior, e depois desenvolver um pouco mais o segundo e mais controverso período da vida de Chacrinha, que foi onde ganhou fama, e teve grandes momentos também, mas como teve a façanha de entregar algo como homenagem, acabou diluindo os grandes problemas e apenas colocou as situações jogadas no ar para quem quisesse pegar. O segundo grande problema ficou no desejo de querer mostrar todos, ou grande parte dos grandiosos artistas que foram lançados por Chacrinha, que como são vozes marcantes, seria extremamente difícil arrumar alguém com o mesmo timbre e que agradasse musicalmente também, então optou por arrumar pessoas bem parecidas, no melhor estilo de cosplay possível, e colocou eles para dublarem as canções originais dos artistas, de modo que ficou uma micagem imensa com vozes e bocas mexendo de forma absurdamente errada, ou seja, algo horrível de presenciar, pois como bem sabemos o personagem tinha um concurso de calouros e não um concurso de imitações de cantores, ou seja, falhou e muito nesse quesito, embora ainda seja divertido ver a tentativa de mostrar os grandes nomes da música nacional em suas juventudes.

Sobre as atuações, temos muitos personagens icônicos em jogo, mas tenho de falar que não esperava que Eduardo Sterblitch se saísse tão bem em um personagem que não fosse bobo da corte e cheio de trejeitos como costuma fazer, de modo que acabou entregando até que bem seu José Abelardo Barbosa como um sonhador, que desejava ganhar muito dinheiro na rádio, e foi apenas galgando em cima de grandes idéias até chegar aonde chegou, teve alguns deslizes exagerados, mas nada que ficasse jogado ao extremo. Na sequência já entra o cara que virou o Chacrinha atualmente, Stepan Nercessian, que já vem fazendo esse papel em especiais, no musical de Andrucha e que soube dosar bem o estilo que o personagem tinha de vida e de showman, de modo que vemos praticamente uma reencarnação na telona, caindo muito bem em trejeitos e estilos. Além deles, tivemos grandes colocações expressivas, primeiro na boa personificação da esposa Florinda, que foi vivida no começo pela bela Amanda Grimaldi e depois por Carla Ribas, tendo juntas vivido bons momentos em cena dando boas jogadas com os protagonistas, sendo sinceras em olhares e agradando bastante. Depois tivemos os três filhos sendo bem ligados ao pai no serviço e entregando boas dinâmicas, e claro paquerando muitas artistas que apareceram ali, tendo destaque claro para Pablo Sanábio que fez tanto o galanteador Nanato, que acabou sofrendo um grandioso acidente, e também fez o outro filho do protagonita, Leleco, e claro Rodrigo Pandolpho que fez o terceiro filho, Jorge, que sempre estava no meio dos conflitos. Outra grandiosa surpresa ficou a cargo de Giane Albertoni, que era mais conhecida como modelo, e aqui como Elke Maravilha deu um show de expressividade e ficou muito semelhante à russa que era considerada quase como filha de Chacrinha, ou seja, uma bela atuação também. Outros dois que foram bem colocados foram Gustavo Machado e Antonio Grassi como o Oswaldo, o grande parceiro de Chacrinha que auxiliou muito ele no crescimento do artista desde o começo, e claro Thelmo Fernandes como Boni, o grandioso "dono" da Globo. Agora quanto aos demais, é melhor pular, pois tivemos coisas bem estranhas aparecendo na telona, com leve destaque para Laila Garin como Clara Nunes, mais pelo conflitivo breve relacionamento com o protagonista do que mesmo pela sua atuação.

No conceito visual, a trama trabalhou bem com os diversos cenários dos programas de Chacrinha, brincou com a era de ouro do rádio e seus programas de auditório, teve boas colocações cenográficas para os diversos figurinos e caravanas, e claro moldou o show como deveria ser, usando muito de material de arquivo para se auxiliar, fazendo um longa praticamente sem erros nesse conceito. A fotografia também trabalhou de um modo bem colorido, cheio de tons como eram os programas do Chacrinha, e mesmo tendo alguns momentos mais densos, preferiram não criar tons mais neutros e nem escuros, deixando a alegria prevalecer.

Enfim, é um filme bacana, que poderia ter ido bem além, e talvez trabalhado com vértices diferenciados para não ficar tão em cima dos musicais, já que não quiseram pessoas cantando versões, ou ao menos treinassem melhor os artistas para dublarem melhor e parecer que estavam realmente cantando. Além disso, poderiam também ter escolhido uma época específica para focar, para que o longa não fosse tão acelerado, mas tirando esses defeitos principais, é um filme que vale a pena ser conferido para conhecer um pouco mais sobre quem foi esse grande comunicador do país. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Millennium - A Garota Na Teia De Aranha (The Girl in the Spider’s Web: A New Dragon Tattoo Story)

11/11/2018 03:13:00 AM |

Para quem nunca viu a série Millennium, recomendo antes de tentar ver qualquer um dos filmes americanos, que pare algumas horinhas e vá conferir os três longas suecos de 2009, pois certamente conhecerão toda a trama, e verão uma ótima amarração de suspense bem feita em cima dos ótimos livros de Stieg Larsson. Após isso, muitos não gostam do filme americano feito em 2011, mas digo que foi bem interessante, trabalhando bem as personalidades dos personagens, e indo até além um pouco do que o primeiro filme sueco fez, mas como dinheiro sempre fala mais alto, tanto Daniel Craig quanto Rooney Mara exigiram alto demais da produtora responsável pelos direitos do longa, e ficamos sem as duas devidas continuações. Pois bem, passados 7 anos, eis que um dos pupilos de Larsson, David Lagercrantz, usando as anotações de seu mestre, escreveu a continuação, meio que misturando um pouco de spin-off, das histórias contadas, e surge então "Millennium - A Garota Na Teia De Aranha", que os americanos que não são nenhum pouco bobos, já foram atrás e conseguiram o direito de filmagem antes mesmo que os suecos pudessem por suas mãos direito no livro, e então cá estamos conferindo a saga de Lisbeth Sallander, agora vivida por uma nova atriz, e claro tendo um Mikaek Blomkvist também novo (aliás aparentando ser até mais novo que Craig no primeiro filme, ou seja, já tendo um leve probleminha para quem conhecer bem os filmes!). Diria, inicialmente, que o filme até foi bem trabalhado, tivemos uma "heroína" impactante que usa bem a base dramática que o longa precisava, entregando a personagem como ela deve ser realmente, mas que tem história demais para um único filme, deixando o público até um pouco cansado com tudo o que é mostrado em cena, mas que não soa ruim ao menos, e isso já faz valer para quem gostar de ver um longa cheio de amarras, que se cortar um eixo é capaz de nem mais saber o que rolou em cada ato. Ou seja, funcionou como uma continuação deve, mas que poderiam ter feito todos os filmes sequenciais para que a trama fosse completamente amarrada, com certeza poderia.

Estocolmo, Suécia. Graças às matérias escritas por Mikael Blomkvist para a revista Millennium, Lisbeth Salander ficou conhecida como uma espécie de anti-heroína, que ataca homens que agridem mulheres. Apesar da fama repentina, ela se mantém distante da mídia em geral e levando uma vida às escondidas. Um dia, Lisbeth é contratada por Balder para recuperar um programa de computador chamado Firefall, que dá ao usuário acesso a um imenso arsenal bélico. Balder criou o programa para o governo dos Estados Unidos, mas agora deseja deletá-lo por considerá-lo perigoso demais. Lisbeth aceita a tarefa e consegue roubá-lo da Agência de Segurança Nacional, mas não esperava que um outro grupo, os Aranhas, também estivesse interessado nele.

O diretor Fede Alvarez possui em sua essência o estilo de terror mais aprimorado, tanto que fez dois ótimos filmes do estilo, sempre trabalhando com baixíssimos orçamentos, e agora com algo bem maior em mãos, ele soube ser criativo em cima de um livro que praticamente algo que muitos já conheceram no passado, mas principalmente ousando por falar para si próprio e para todos os espectadores que nada do passado cinematográfico importa, vindo aqui como algo completamente novo e relevante apenas para esse filme e outras continuações, caso tenha. E isso é muito bom frisar, pois quem tentar conectar algo com o longa americano de 2011 e/ou com os três filmes suecos de 2009, certamente irá ficar bem confuso e só irá reclamar de tudo o que verá, de forma que quem conferir esse como algo paralelo, já que nem é mais um dos livros de Stieg Larsson, sendo apenas aproveitado os personagens, o resultado passa a ser bem mais favorável e interessante, pois o diretor soube onde pegar cada referência, trabalhou bem os personagens, e principalmente ousou no estilo, afinal colocando pitadas mais sombrias, como é o seu estilo, o resultado em si empolga e acaba sendo interessante de conferir. Claro, que mesmo fazendo dessa forma, o longa é cheio de pequenos furos e exageros tecnológicos, mas ainda assim é um filme bem vivenciado, agradável e que quem gosta de mistério/suspense ficará satisfeito se não for muito exigente com a trama.

Quanto das atuações, diria que Claire Foy é uma atriz extremamente versátil, pois já foi rainha com muita classe, entregou uma mulher completamente preocupada e bem colocada, e agora como a hacker mais impactante que o mundo já conheceu ela acabou colocando um novo marco em sua carreira, pois é inegável que haverá imensas comparações com as demais Lisbeth Salander que já tivemos, tendo Noomi Rapace uma mais insana, Rooney Mara uma mais perversa, e agora ela conseguiu trabalhar com muita raiva no olhar, e tecnologia na mão/cabeça, de modo que tudo que faz é incrível de ver, ou seja, soube usar um pouco de cada uma das que já fizeram o papel, e demonstrou que é uma atriz de primeira linha também. Sverrir Gudnason mostrou que os suecos possuem personalidades bem facetadas, de modo que seu Mikael Blomkvist é completamente diferente dos outros que vimos, sendo bem mais jornalista, ficando na dele, e auxiliando apenas como alguém influente para localizar dados para Salander, e nada além disso, mas claro como todo bom jornalista, indo atrás da fonte, e caindo em grandes enrascadas. Sylvia Hoeks também foi bem clássica, com trejeitos moldados e um humor bem peculiar para inserir sua personagem Camilla como uma vilã interessante e cheia de detalhes, que poderiam até ter trabalhado mais no miolo, mas deixaram apenas para o desfecho suas maldades, e coerências junto da protagonista. Lakeith Stanfield entregou bem também seu papel de Needham, mostrando uma boa faceta de um hacker americano colocado dentro de algo do governo, ou seja, alguém mais certinho, mas foi bem determinado nas cenas, e trabalhou bem suas expressões para chamar atenção, mesmo que seu personagem acabe indo para um rumo diferente. Dentre os demais, vale apenas dar um leve destaque para Cameron Britton como o amigo e parceiro hacker de Lisbeth, Plague, que teve boas sacadas em poucos momentos, mas que agradou também pelo que fez, e claro o garotinho Christopher Convery que colocou um August cheio de olhares tristes e bem trabalhados nos momentos certeiros.

No conceito visual, a equipe artística arrumou boas locações em Estocolmo, numa época cheia de neve, fazendo muito frio, e com isso teve de trabalhar bem com carros potentes, muita patinação de pneus, mas tendo um charme visual incrível, além claro de cenas que muitos podem até falar absurdas de carros correndo dessa forma na pista cheia de neve. Além disso arrumaram mansões velhas bem colocadas cheias de detalhes simples, e com visuais dos personagens moldados pelo que conhecemos dos livros sendo desenvolvidos na medida. A fotografia trabalhou tons bem homogêneos, quase puxados para o preto e marrom, mas tendo na maioria das cenas algum elemento de destaque, como por exemplo a roupa vermelha da vilã, tons azuis dos choques, e quando aparecia muito branco da neve, em contraponto tanto carros, quanto roupas eram bem pretos para contrastar realmente, ou seja, um trabalho interessante.

Enfim, é um longa que passa bem longe de ser perfeito, e como disse, se for comparado com qualquer outro longa anterior da série consegue ficar ainda pior, portanto recomendo que vejam ele como algo a parte, como se estivesse conhecendo todos os personagens agora, numa trama de suspense e ação bem amarrada, que consegue captar a essência dos demais, pois aí sim dá para curtir tudo o que será mostrado na telona, do contrário a chance de odiar é bem grande. Ou seja, tem duas formas de conferir o longa, e recomendo até o que é passado, mas para isso, vá sem referências alguma, pois aí tenho certeza de que irão curtir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais uma estreia, então abraços e até logo mais.

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Operação Overlord em Imax (Overlord)

11/10/2018 02:58:00 AM |

Tem filmes que são lançados que já sabemos bem a história e ficamos apenas imaginando o andamento para ver aonde vão chegar com o que propõem, mas há uns que beiram tanta insanidade na proposta que não tem sequer como chegar perto de toda a irreverência maluca que um roteirista pode ter sequer pensado em fazer com tanta criatividade. E só de imaginar que os médicos alemães malucos da época da guerra estavam criando zumbis através de soros para ter um exército imbatível já pode ser garantia de internação para o cara que criou "Operação Overlord", mas é algo que até dá para pensar dentro da proposta da trama, e o melhor, caiu nas mãos de um produtor monstruoso que soube fazer exatamente o que desejava na trama, apenas dando a direção para um "novato" que apenas executou seu brilhantismo, pois é notável que o que nos é entregue é um longa de produtor, completamente recheado de cenas mirabolantes, explosões, tiros, maquiagens incríveis, e claro, uma boa dose de sustos, afinal filme de zumbi que o público não pula da poltrona não é filme de zumbi. Ou seja, temos um longa que entrega perfeitamente uma situação de guerra, que poderíamos ver em qualquer longa do gênero, com boas sacadas, armas atirando para todos os lados, aviões explodindo e tudo mais, bem como também temos um bom filme de zumbis aonde os monstrengos estão sedentos por sangue e adquirem uma força descomunal após voltarem a vida, dando sustos aparecendo do nada, e criando ótimas situações de tensão na união de gêneros, que acabou funcionando por demais.

O longa nos situa em 1944, às vésperas do Dia D, quando uma tropa de paraquedistas americanos é lançada atrás das linhas inimigas para executar uma invasão. No entanto, quando os paraquedistas se aproximam do alvo, descobrem que algo de muito estranho acontece numa região ocupada pelos nazistas.

Embora como tenha dito de o longa ser um longa de produtor, aonde os detalhes visuais dominam bem mais do que a forma que são conduzidos, o diretor Julius Avery conseguiu mostrar em seu filme algo completamente bem coeso, aonde as situações não ocorrem jogadas, e cada ato consegue empolgar na medida certa para entregar ao público o que ele espera, que são: sangue, tiros, explosões e sustos. E sem falhar em praticamente nada, tendo uma ou outra cena absurda (como por exemplo, os nazistas indo embora da casa da garota, tendo imensa gritaria lá dentro e ninguém volta, sendo que estavam rodando por ali sem parar!), o resultado da produção só vai sendo aumentada conforme vamos conhecendo mais o laboratório e seus personagens, mas principalmente com um vilão extremamente rancoroso, que vai com tudo para suas cenas finais, agradando em cheio quem esperava uma boa briga corpo a corpo. Ou seja, é um filme completo, pois conseguir unir dois gêneros que possuem elementos bem distintos em um único mote é algo extremamente complicado de funcionar, e os roteiristas malucos que já fizeram de "O Regresso", "Jogos Vorazes" e "Capitão Phillips" sucessos, certamente aqui conseguiram ser extremamente criativos, e entregar novamente algo que o público sairá da sessão bem contente com o que verá, pois passa bem longe do trash batido, e também não entra na casa dos longas de guerra tradicionais, fazendo com que tudo soe bem novo e inteligente para quem exige ver coisas novas no cinema.

Quanto das atuações, o elenco principal é tão bem conectado que conseguiram segurar o teor das cenas desde o princípio com suas leves desavenças tradicionais de início de filme de guerra, e vai seguindo trabalhando as tensões, com expressões perfeitas para cada momento, desde os sustos, passando pelo espanto de ver os bichos, até o tradicional ódio/medo da guerra, o que é um grande feitio de ser observado. Embora não tenhamos bem um personagem principal, com vários desenvolvimentos, o destaque maior com mais cenas fica por conta do jovem Jovan Adepo que tem se destacado bastante em séries, e aqui com seu Boyce foi perfeito na entrega do personagem, desde o medo inicial de estar entrando em uma guerra, depois os sustos com os bichos estranhos, e depois mostrando atitude para muitas cenas expressivas, agradando bem com expressividade e boa conexão com todos os demais. Wyatt Russel também é daqueles atores que não costumam ter muito destaque em filmes, e aqui o seu Ford logo de cara no avião já expressava que iria aparecer muito aqui, e com uma precisão expressiva bem forte, cheia de trejeitos de experiência em guerras, ele conseguiu ser o líder revoltado e bem colocado para todas as frentes até o último momento de luta mão a mão com o vilão, tendo antes disso duas cenas bem fortes e interessantes em duas formas inversas bem distintas e cheias de intensidade, aonde o ator mostrou estar bem trabalhado tanto no roteiro, quanto na expressividade que o diretor lhe exigiu. John Magaro entregou um Tibbet cheio de irreverência, falador aos montes e cheio de personalidade, que além de divertir, também soube ser emocionante nos momentos certos junto do garotinho, agradando também bastante. Iain De Caestecker entregou o fotógrafo de guerra Chase de maneira bem bacana, tendo grandes momentos de fotografias, e também um grandioso momento no miolo, que além de divertido foi incrível pelos efeitos visuais, e claro pela personalidade artística que o ator conseguiu demonstrar, sendo uma grata surpresa para quem achava que ele seria mero enfeite na trama. A jovem Mathilde Ollivier conseguiu agradar pela personalidade durona de sua Chloe, chamando para si a responsabilidade de algumas cenas, e trabalhando bem nas cenas chave, de modo que até poderia ser um pouco mais dinâmica, mas não atrapalhou. E para finalizar é claro que temos de falar dos vilões, mas nem vou me ater tanto ao médico maluco nazista, que sabemos que existiu realmente fazendo diversas experiências com judeus, que aqui foi interpretado por Erich Redman, pois ele apenas teve poucas falas, e uma ou outra briga, mas temos de focar completamente em Pilou Asbæk que entregou o general Wafner com um primor incrível, e todas suas cenas foram tanto fortes pelas boas brigas com os protagonistas tanto na casa, quanto no laboratório já em sua forma diferenciada que aparece no trailer, impactando com uma maquiagem monstruosa e tendo uma força descomunal para termos uma luta forte e interessante de ver na telona, mostrando que o ator é bom mesmo. Quanto aos demais, a maioria morreu, alguns apenas apareceram, outros tiveram pouco mais de participação, mas nada de impacto realmente, só tendo um leve parabéns para o garotinho muito bem feito por Gianny Taufer, que fez boas expressões e chamou a atenção quando precisou.

Agora, como falei no começo, temos um longa de produtor, e sendo assim J.J. Abrams não ia entregar algo simples, mostrando que faz jus ao que falam de ser o sucessor de Spielberg tanto na direção quanto na produção de grandes blockbusters, então ele acabou colocando algo que seria visto como um trash-movie, como uma obra-prima de primeiríssima linha, cheia de detalhes visuais tanto de guerra, como nas cenas dos aviões sendo abatidos, no chão com muitos tiros e explosões, depois na floresta grandes execuções e cenografias, até chegarmos na vila completamente bem montada com casebres cheio de elementos cênicos para representar a época, detalhes sombrios espalhados por todos os lados, personagens bem maquiados, e tudo mais, até aí já estava tudo lindo, mas precisava mais para mostrar serviço, e a entrada na igreja/laboratório foi um show de filmes de terror, com personagens picados vivos falando, monstros saindo de diversos lugares, esgoto, injeções, tubos e mais tubos colhendo sangue, pessoas penduradas em panos agonizando, e tudo mais que um filme de primor técnico envolvendo experiências em zumbis deveria ter, e assim sendo, a parte artística valeu por demais. A fotografia brincou com cenas escuras, outras puxando o tom avermelhado das explosões, momentos com opacidade difícil de conseguir enxergar, mas trabalhando outros detalhes, viradas de câmera bem rápidas para pegar o espectador no susto, e por aí vai, mostrando um trabalho bem feito de ângulos, cores, tons e claro luzes de relance para chamar a atenção do espectador para onde o diretor tanto desejava.

A trama contou com uma mixagem sonora muito bem feita, que vista na sala Imax praticamente deixa o espectador surdo com tantas explosões, barulhos de fundo, bombas, personagens gritando, tiros e mais tiros, além claro de boas trilhas sonoras orquestradas para dar um clima tenso e cheio de ação no longa, criando ótimos momentos e tendo um ritmo desenfreado aonde vamos entrando na vibe e saindo somente quando sobem os créditos.

Enfim, é um filme muito bom mesmo, que quem gosta tanto de longas de guerra, quanto de filmes de terror, irá sair satisfeito com a loucura proposta, tendo momentos engraçados no miolo e até algumas leves falhas, mas que não tira o brilho e a grandiosidade do filme, de modo que mesmo numa sessão cheia de casais como a que estive, não vi ninguém nem pegando celulares para ver hora, e mesmo as garotas acabaram gostando do que viram. Alguns estavam cotando o longa como sendo mais uma continuação de "Cloverfield", mas não consegui enxergar nada que pudesse referenciar ao bichão, então teses foram deixadas de lado, e J.J. conseguiu ir por outro lado. Ou seja, vale mesmo a conferida, e acaba sendo minha recomendação para o fim de semana. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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O Grinch em 3D (Dr. Seuss' The Grinch)

11/09/2018 01:27:00 AM |

O estilo de animação da Illumination é o que mais gosta de trabalhar sensações em contraponto do que emoções, e procurando sempre encontrar diversas lições morais para passar para as crianças que assistem aos seus filmes, os diretores e roteiristas acabam se subvertendo geralmente em moldes pouco usuais. Digo isso, pois a essência da nova animação, "O Grinch", é bem trabalhada em lições para as crianças poderem dar mais valor às mães que trabalham fora e em casa tentando dar o melhor para seus filhos, também procura mostrar um pouco mais de amor ao próximo e por aí vai, entregando boas pitadas, dentro de uma animação bem colorida, com nuances puxadas para o clima natalino, e claro também brincando com a maldade do personagem principal (aliás acho que todos temos um pouquinho de Grinch dentro de nós, que provoca os demais em momentos de revolta). Para quem já viu o longa live-action de 2000, ou o curtinha de 1966, a trama é extremamente semelhante, mudando bem pouco no estilo, mas aqui acabou ficando bem mais próximo do livro realmente de Dr. Seuss, por ser quase uma leitura para crianças, cheia de narração, e claro usando muito do estilo poético cheio de rimas que o livro foi escrito lá no começo dos anos 1900. Vale como um bom passatempo para a garotada já entrar no clima natalino, mas poderia ter ido mais além caso quisessem.

O longa nos apresenta o infâme Ginch, que vive em uma caverna no Monte Espicho com a companhia de Max, seu cão fiel. Com uma caverna repleta de engenhocas e invenções feitas para suas necessidades do dia a dia, o Grinch só faz questão de ver seus vizinhos de Quemlândia quando se vê sem comida. Todo ano, sua tranquilidade e solidão são interrompidas pelos vizinhos com suas celebrações de Natal, cada vez mais brilhantes e mais barulhentas. Quando os Quem declaram que farão um natal três vezes maior este ano, o Grinch percebe que só existe uma maneira de ter paz e silêncio: ele deve roubar o Natal. Para isso, ele decide que irá tomar o lugar do Papai Noel na véspera de Natal, mesmo que para isso ele tenha que ir atrás de uma rena para puxar um trenó. Enquanto isso, em Quemlândia, Cindy-Lou Quem, uma menininha alegre e sua turma de amigos armam um plano para prenderem o Papai Noel durante suas rondas na véspera de Natal, para que ela possa agradecê-lo por ajudar sua mãe solteira e sobrecarregada. Assim que o Natal se aproxima, no entanto, suas boas intenções se deparam com o mais nefasto estilo do Grinch. Cindy-Lou atingirá o objetivo de finalmente conhecer o Papai Noel? E o Grinch, conseguirá silenciar a alegria do Natal dos Quem de uma vez por todas?

A trama é bem gostosinha, com algumas pitadas divertidas, mas certamente faltou um pouco mais de maldade para o personagem principal, pois aparentou ser apenas um mal-humorado que tem uma data marcada que odeia, não sendo um personagem "vilanesco" como poderiam fazer, e assim sendo os diretores acabaram criando uma história bonitinha e engraçadinha. Claro que como disse no começo, os livros de Dr. Seuss sempre foram orquestrados por histórias infantis rimadas em versos, que conseguem passar boas mensagens mesmo com personagens rabugentos e contraditórios, como é o caso de Grinch, do Loráx e até um pouco de Horton, e aqui não quiseram mudar muito essa ideia, deixando a trama um pouco engessada. Mas quem pensa que isso atrapalhou a cadência da trama, muito se engana, pois souberam trabalhar os personagens secundários muito bem, e com isso, o carisma foi lá para o alto, de modo que se não tivessem narrado tanto a trama, o resultado agradaria ainda mais.

Já que falei dos personagens secundários, diria que graças a eles o longa consegue ser muito bonitinho e envolver demais, tanto com o cachorrinho Max que foi completamente personificado nos mais inteligentes cachorros que vemos por aí afora, fazendo de tudo um pouco e sendo muito bem colocado na trama, quanto a garotinha Cindy-Lou com sua doçura e boa educação pertinente disposta para conseguir mais qualidade de vida para sua mãe que trabalha demais e não tem tempo de ficar com os filhos, numa graciosidade tão bem moldada que acabamos nos envolvendo demais, e claro a rena bem divertida que faz grandes sacadas também. Ou seja, um filme cheio de pequenos personagens que acabam chamando até mais atenção que o protagonista, que se não fosse verde para se destacar, acabaríamos nem nos envolvendo com ele. A dublagem de Lázaro Ramos não é lá muito envolvente, e felizmente não é forçada, de modo que não notamos seus trejeitos como protagonista, ou seja, a galera que ficou brigando por não ser um dublador profissional, como é o caso do Guilherme Brigs que dublou Jim Carey na versão live-action nem tem muito fundamento.

O contexto visual do filme também é cheio de detalhes, engenhocas mirabolantes e muitos detalhes para todos os lados, tendo até alguns easter-eggs da produtora Illumination (exemplo, o coelhinho de pelúcia da garotinha é o mesmo de "Pets", entre outros), mostrando que assim como a Pixar faz com seus longas, poderemos ver mais outros brincando com isso. E com boas simbologias natalinas, cheia de envolvimento na vila, o resultado visual mostra algo que vai até além dos mais malucos decoradores de cidades, com gigantescas árvores, luminosos, e tudo mais, o que mostrou uma grande preocupação da equipe visual. Quanto do 3D do longa, até temos alguns momentos com boas profundidades, muitas cenas com aceleração visual de primeiro plano (a famosa cena de montanha russa dos simuladores), e um ou outro elemento saindo da tela, mas nada que empolgue muito, ou seja, quem gostar dos efeitos até vai achar pouco, mas certamente poderiam ter abusado mais, que local para colocar mais teriam.

As canções poderiam ter sido dubladas também para ouvirmos as mais tradicionais canções natalinas, de modo que o momento em que o coral fica seguindo o protagonista, acaba soando até estranho, mas nada que atrapalhe.

Enfim, é um longa bonitinho, que até vai segurar bem as crianças que forem conferir, e divertir os adultos também, mas que está bem longe de ser algo que vamos lembrar mais para frente e gostar de rever, sendo talvez até um daqueles que passe diversas vezes nas programações natalinas das TVs. Ou seja, fica uma recomendação meio que moderada, pois não é algo muito empolgante também. Bem é isso, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Johnny English 3.0 (Johnny English - Strikes Again)

11/05/2018 12:41:00 AM |

Se você gosta de rir de situações bobas, certamente já riu de algum filme de Johnny English, seja o primeiro de 2003, ou o segundo de 2011, ou pode ainda tentar a sorte no novo lançado agora, chamado "Johnny English 3.0", numa alusão brincando com o lance de ser o terceiro filme e também às tecnologias colocadas para o espião utilizar, mas que ele não gosta muito por ser old school. Digo tentar a sorte, pois particularmente não é o estilo de comédia que me faz rir, e apenas ri de alguns momentos bem toscos, que de tão ruins acabam sendo engraçados, mas na mesma sessão que fui, algumas pessoas riram o longa inteiro apenas com as caras bobas de Rowan Atkinson, e suas trapalhadas, nem prestando atenção se o contexto do filme importava, ou seja, temos um filme meio bobo, aonde o personagem é engraçado, mas que praticamente repete tudo o que já aconteceu nos outros dois longas, apenas mudando o vilão e as trapalhadas que acabam resultando na forma que o protagonista consegue encerrar o caso. Ou seja, temos um filme até que bem trabalhado, com caras e bocas engraçadas, mas que falha numa história de investigação como era de se esperar, e que aconteceu nos outros filmes da franquia, mas certamente ainda tem o público que gosta de Rowan por suas caretas de Mr. Bean.

Em sua nova aventura, Johnny English é a última salvação do serviço secreto quando um ataque cibernético revela as identidades de todos os agentes do país. Tirado de sua aposentadoria, ele volta à ativa com a missão de achar o hacker por trás do ataque. Com poucas habilidades e métodos analógicos, Johnny English precisa superar os desafios do mundo tecnológico para fazer da missão um sucesso.

Talvez um dos maiores problemas do filme tenha sido o grande formato de esquetes, parecendo que colocaram vários momentos soltos na trama para que assim como outros longas cômicos, as melhores piadas já estando presentes no trailer precisariam apenas encaixar tudo. Não digo que o longa não tenha um roteiro com uma história até bem moldada, mas ficou tudo acontecendo ao redor de forma bem simples, e de repente lá estava o protagonista fazendo suas caretas e micagens, não se preocupando muito com um contexto maior, claro que muitos vão ao cinema ver a trama por conta dele, e nem ligam para o restante, mas a responsabilidade de criar algo maior ficou a cargo do estreante no cinema David Kerr, que após muitas minisséries e filmes para TV resolveu entregar algo maior no cinema e acabou falhando um pouco no conteúdo, pois vemos sua mão presente em bons ângulos, vemos cenas com grandes projeções alongadas, mas faltou apenas entregar um algo a mais, e/ou criar cenas fortes para que seu filme funcionasse como poderia.

Quanto das atuações, o estilo de Rowan Atkinson já é algo bem divertido de ver, e se a grande sacada de seu Mr. Bean é fazer graça sem falar, apenas fazendo caras bobas e movimentações engraçadas, seu Johnny English já é daqueles que fala bobeiras sem nexo e inclui todo o restante do pacote, o que acaba perdendo um pouco a graça, embora ainda divirta, e aqui ele não fez nada de novo durante a execução da missão, mas talvez se tivesse ficado com a ideia do treinamento de jovens agentes, certamente ali daria um caldo bem mais divertido e interessante (fica a dica para os produtores e roteiristas!). Emma Thompson entregou uma Primeira Ministra exagerada, cheia de manias e que força a barra para aparecer, de modo que poderiam ter trabalhado um pouco mais a personagem para não ser algo dispensável na trama. Ben Miller caiu bem novamente na personalidade de seu Bough, que acabou não aparecendo no segundo longa, mas que foi indispensável no primeiro filme, e aqui como grande parceiro de English, ele trouxe um tom interessante e acabou agradando pela boa conexão com as piadas. Olga Kurylenko também foi interessante para o papel da espiã Ophelia, mas que ficou bem em segundo plano na trama, resolvendo aparecer e resolver tudo somente em dois momentos, o que não é legal de ver. E claro o vilão tecnológico Jason, interpretado por Jake Lacy até poderia ter feito mais maldades, mas é um personagem meio fraco para um longa de espião, ficando somente atrás de um celular e nada mais, falhando no que poderia ser algo impressionante, mas ao menos fez bons trejeitos do estilo que o personagem pedia.

O conceito visual foi bem bacana de ver até entrar em jogo a cena do submarino com o navio, aí foi a cena que mais ri de tão ruim que ficou a computação gráfica, parecendo desenho animado, mas tirando esse detalhe montaram boas cenas com realidade virtual, carrões correndo em pistas bacanas, restaurantes e até um QG bem interessante para reunião, mas nada que impressione como um filme de espionagem mereceria ter, caindo mais para a comicidade mesmo, de modo que a equipe de arte até tentou se esforçar um pouco, mas sem muitas firulas como já teve nos demais, tendo um ou outro aparato tecnológico interessante. A fotografia ficou no meio termo para que as piadas não ficassem forçadas demais, mas sem dúvida a melhor cena que funcionou também pelo ar de discoteca foi a de Rowan dançando sem parar, e ali brincaram bastante com diversos tons, mas nas demais sempre o cinza neutro dominou.

Enfim, é um filme bem bobo, que quem gosta desse estilo até irá rir bastante, mas que passa longe de ter qualquer qualidade de roteiro e/ou direção, parecendo ser um episódio alongado de um Mr. Bean com falas, aonde as besteiras cênicas acabam recaindo para momentos desconexos. Diria que é pouca coisa mais trabalhado que seu antecessor, mas ainda assim não agrada. Fica assim sendo minha recomendação, para que só vá conferir se você realmente adorar rir de bobeiras cênicas, do contrário, fuja. Bem é isso pessoal, encerro aqui essa semana cinematográfica bem recheada, e volto na próxima sexta com mais textos, então abraços e até logo mais.

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O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos em 3D (The Nutcracker and the Four Realms)

11/04/2018 02:42:00 AM |

A Disney certamente está precisando de um novo nome forte lá dentro de suas produções live-action, pois andam fazendo alguns longas tão jogados de forma despretensiosa que acabamos não entendendo que rumos estão tentando atingir, e digo isso com um grande pesar, pois visualmente a produção de "O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos" tinha tudo para fazer acontecer, criar um espírito natalino além do comum, e brilhar os olhos das crianças para algo que já vimos de diversas formas, seja como animação, seja como balé, especiais e tudo mais, mas agora num vértice mais alegórico, o resultado acabou soando completamente fora de eixo, com situações bagunçadas, explicações de roteiro mal desenvolvidas, e diversas situações aparentemente brilhantes para serem desenvolvidas, mas que apenas formaram uma colcha de retalhos imensa, faltando até linha para ser costurada. Ou seja, um filme vazio de ideias, que é bonito por fora, que entregou um trailer interessante, mas que desandou no resultado final, entregando algo que pareceu faltar um pouco de tudo. Confesso que achei bonito diversos momentos, e até senti uma atração por algumas cenas bem interessantes, mas esperava um final completamente diferente, uma explicação mais coesa sobre a ligação dos personagens com a mãe e a garotinha, mas nada foi entregue e com isso é apenas um filme bonitinho, mas que você sairá da sessão se perguntando: "o que foi que eu vi?", e isso não é nada bom para uma produção com selo Disney de qualidade.

A sinopse nos conta que tudo que Clara deseja é obter uma chave – uma chave única, capaz de abrir uma caixa que contém um presente de valor inestimável deixado por sua falecida mãe. Um fio de ouro, apresentado a ela na festa anual de seu padrinho Drosselmeyer, leva Clara à cobiçada chave - que rapidamente desaparece em um estranho e misterioso mundo paralelo. É lá que Clara encontra um soldado chamado Phillip, uma gangue de camundongos e os regentes que presidem os três reinos: o Reino da Neves, o Reino das Flores e o Reino dos Doces. Clara e Phillip precisam enfrentar o sinistro Quarto Reino, onde vive a tirana mãe Ginger, para recuperar a chave e ter esperança de trazer a harmonia de volta ao seu mundo.

O interessante é pensar que o problema não está na direção do longa, pois tanto Lasse Hallström quanto Joe Johnston, que comandou as refilmagens, são dois experientíssimos diretores, que souberam fazer grandiosos filmes, de orçamentos imensos, e que aqui conseguiriam também trabalhar com algo mais floreado, com cenografias incríveis, e tudo mais, mas aparentemente é notável que essas refilmagens acabaram bagunçando o andamento do longa, criando diversos pontos sem explicação lógica, e principalmente criando um ritmo estranho para a desenvoltura da trama, de modo que temos uma apresentação rápida, um miolo quase morto, algumas resoluções perdidas, e um final novamente rápido, ou seja, não há uma coerência de ritmo, nem de estrutura, que acabaram aparecendo com muito impacto na montagem final. Ou seja, os diretores até tentaram entregar algo bem feitinho, mas certamente a pretensão de criar algo maior na montagem, e claro, necessitar refilmar para aparecer isso, acabou causando uma das maiores bagunças em filmes que a Disney já fez em anos, tendo sim um longa bonitinho, mas que se aprofundarmos em tudo o que já vimos, sairemos da sessão sem ter entendido nada do que desejavam entregar.

Sobre as interpretações, é notável o esforço de todos pelo melhor da trama, mas alguns personagens pareceram aparecer e sumir com uma frequência tão grande, que o longa pareceu ter quatro personagens e diversos figurantes de luxo. Dentre os quatro protagonistas mesmo, está Mackenzie Foy com sua Clara, bem colocada, fazendo expressões meio que forçadas, mas que soou graciosa e determinada para com a sua responsabilidade, e com isso, tivemos algumas cenas boas dela, mas algumas bem estranhas de se conectar com o que ela estava fazendo. O soldadinho quebra-nozes Phillip, interpretado por Jayden Fowora-Knight é o exemplo claro de carisma em um jovem ator, mas que por ser praticamente sua estreia nos cinemas, ficou um pouco perdido do que fazer, sendo interessante em alguns momentos, mas em outros parecia ter sido colocado ali por encomenda de alguém, ou seja, não que ele tenha falhado muito, mas talvez um nome mais forte para o papel agradasse mais. Keira Knightley entregou para sua fadinha Plum uma personalidade bem bacana, e surpreendeu pelo que faz na trama, mas diria que faltou um pouco de motivação e entrega para sabermos mais de onde veio tanta raiva, parecendo que apertaram um botão e pronto, agora você é outra, e isso acabou ficando estranho de ver, mesmo a atriz tendo se saído bem nos seus momentos. Agora certamente a grandiosa Helen Mirren deve estar querendo socar seu agente pelo papel de mãe Ginger, pois é notável que suas cenas foram as mais cortadas, aparecendo em picotes moldados tão estranhos, que mesmo a atriz entregando o máximo de personificação para a personagem, acabamos ficando nos perguntando, mas afinal quem é a Ginger, ou porque ela mudou tudo, e isso é um erro tão absurdo, que mesmo se ela fosse a vilã da trama, precisaria desenvolver bem mais tudo, e isso não ocorreu. Dentre os demais, ainda estou tentando entender um pouco mais da personificação de Eugenio Derbez como um dos anfitriões de um dos reinos, a pequena participação bem bonita de Morgan Freeman como padrinho da garotinha, isso sem falar de todos da família dela, que chega a dar pena não pelo acontecimento ruim familiar anterior à trama, mas pelas caras de serem jogados apenas na trama para praticamente nada, ou seja, um monte de atores bons desperdiçados.

No conceito cênico, algo que foi muito interessante de ver foi o rei rato, formado por diversos ratinhos, os diversos voos rasantes da coruja e de outros pássaros que acabam assustando o público com o 3D do filme, e claro alguns cenários bem encontrados para mostrar o castelo, a floresta do quarto reino e até mesmo a grandiosa mansão do padrinho, toda ambientada numa época colonial chique e interessante de ver, mas certamente o pessoal da equipe de arte ainda deve estar inconformado com a pouca aparição dos demais reinos (da flores, dos doces e dos flocos de neve), pois tudo foi construído cheio de detalhes, e tivemos praticamente uma mísera cena de nem 30 segundos de cada um deles, ou seja, uma falha imensa de beleza que poderia ser usada e acabou sendo mero enfeite. Outro ponto bem legal ficou a cargo dos soldadinhos de plástico, que realmente acabaram sendo visualmente incríveis, e quem assistir as cenas que mostram no Flix Channel, verá que foram pessoas realmente vestidas com aquelas roupas estranhas, mas incríveis de ver, em marcha ordenada, ou seja, um belo trabalho feito também. A fotografia do longa teve momentos cênicos bem encaixados, com tons escuros para moldar o ar de tensão no ar, que em meio a uma guerra bem feita acaba soando desenvolvido e contrastando com ares bem coloridos dos diversos reinos, e com uma maquiagem cheia de detalhes, acabou ousando em luzes até embaixo dos vestidos, nuances floreando cada espaço, e até muitas projeções para envolver o espectador, ou seja, algo bonito de se ver realmente. Sobre o 3D da trama, diria que funcionou nas cenas com os pássaros como falei acima que acabam até assustando vindo do nada, e teve alguns momentos com boas perspectivas, mas nada que impressione realmente, sendo apenas um ganho a mais para a trama, pois não incrementa nada.

Enfim, é um filme com mais defeitos do que acertos, que até é bonitinho de se ver, e que algumas pessoas podem viajar no estilo natalino e enxergar coisas além do que foram mostradas, mas que certamente é um filme que logo mais acabaremos até esquecendo que vimos ele, ou seja, poderiam ter caprichado bem mais em tudo para que o resultado fosse melhor. E sendo assim, nem tenho muito como recomendar ele, embora muitos irão ver pelo simples fato de ser algo da Disney, mas o arrependimento pode ser bem alto, e dificilmente as crianças conseguirão ficar quietas conferindo algo que não vai lhes prender a atenção. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia dessa semana, então abraços e até logo mais.

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A Casa Que Jack Construiu (The House That Jack Built)

11/03/2018 02:32:00 AM |

O cinema de Lars Von Trier é daqueles que dificilmente veremos algo comum, e na maioria das vezes ou você adentra a mente do personagem principal e se conecta a todos os simbolismos que ele propõe durante todo o longa, ou você dificilmente irá sequer pensar em gostar do que verá na telona. E sendo assim, digo que "A Casa Que Jack Construiu" está bem longe de ser uma de suas obras primas, e que acaba soando mais reflexivo de tudo o que já fez, do que espontâneo como costuma entregar suas obras, de tal maneira que conseguimos assimilar muito do que é a mente artística dele, ao se julgar também um pouco culpado pelo seu modo artístico de entregar, quase como um serial killer que picota suas obras para que nossa mente entre na mesma sintonia do criador dos filmes, mas ao viajar demais o resultado acaba deveras apelativo e raspa a ficar somente jogado na tela. Não diria que é algo ruim, pois até consegui me divertir com o que foi mostrado em alguns momentos, consegui conectar vários símbolos dessa e de outras obras suas inseridas não apenas com imagens em determinado momento, mas também em elos soltos da trama, porém o longa passa longe de ser um daqueles que eu falaria para um amigo correr para o cinema para conferir, pois sei que pouquíssimos iriam se apaixonar ou até mesmo entender tudo o que a trama tentou passar.

A sinopse nos conta que um dia, durante um encontro fortuito na estrada, o arquiteto Jack mata uma mulher. Este evento provoca um prazer inesperado no personagem, que passa a assassinar dezenas de pessoas ao longo de doze anos. Devido ao descaso das autoridades e à indiferença dos habitantes locais, o criminoso não encontra dificuldade em planejar seus crimes, executá-los ao olhar de todos e guardar os cadáveres num grande frigorífico. Tempos mais tarde, ele compartilha os seus casos mais marcantes com o sábio Virgílio numa jornada rumo ao inferno.

Sempre é interessante observarmos como Lars trabalha, pois como bem sabemos seu objetivo como diretor é chocar e causar estranhamento do público para com suas obras, e dessa forma mesmo se ele inventar de entregar uma comédia romântica é capaz de algum tipo de bizarrice acontecer para sair do eixo comum. Dito isso, aqui muitos (assim como eu) irão ao cinema conferir o longa achando ser a história de Jack, o estripador, mas a semelhança aqui é apenas no caso de ser um serial killer, e o nome, pois a ideia aqui é transparecer de um arquiteto que enxerga obras de arte na forma de matar, e dessa forma a loucura vai permeando com símbolos onde quer que olhássemos na tela, mostrando que Lars também é coparticipativo na forma criminal, desejando em sua arte fazer o que não pode na vida real, colocando pontadas em série que pudemos ver em suas outras obras, e principalmente sendo criativo na condução de confissão do protagonista para com uma voz, que ao final acabamos até conhecendo quem era a voz numa outra espécie de simbolismo de advogado do diabo, ou seja, é o cinema de Lars numa linha tênue nada fácil de ser assimilada, mas que pode levar a muitas reflexões, e até fazer com que muitos gostem ou odeiem tudo o que verão na telona, mas de uma coisa é certa, jamais ele fará um longa normal.

Sobre a atuação até temos de pontuar as expressivas mulheres que foram vítimas do protagonista, praticamente todas bem burras e chatas ao extremo, sendo alvos fáceis e até irritantes para que o protagonista tivesse até mais motivos para matá-las além de sua obsessão, mas nem vale muito a pena falar de cada uma, e sim apenas dele, o grande Matt Dillon, que fez de seu Jack um cara determinado e que pelo que é mostrado desde garotinho já tinha vontades estranhas de causar sofrimento nos outros, e partir para algo a mais foi apenas um estalo, e o ator trabalhou bem olhares, trejeitos e tudo mais para que seu personagem soasse forte e causasse até certas más impressões, o que um bom psicopata/serial killer deve causar, ou seja, o ator se entregou por inteiro para o diretor usá-lo com muita determinação, e o resultado artístico da atuação ficou muito bem encaixado. Além de Dillon, temos de pontuar não tanto pela sua aparição no final, mas sim pelos ótimos diálogos que Bruno Ganz entregou com seu Virgílio, causando uma certa estranheza de ser algo da consciência do protagonista, mas que prefiro pensar em algo mais confessional, que soa mais forte, e característico de Lars, ou seja, um personagem elo para discutir os crimes do protagonista, e funcionar como espectro maior na conclusão completa da obra.

No conceito visual a trama trabalhou bem em locações estranhas, para que as mortes fossem bem moldadas, mas sem dúvida alguma o grande destaque fica por conta do grandioso frigorífico que o protagonista tem e vai acumulando os corpos que matou ali, nas formas mais bizarras possíveis para se gabar das fotos que manda para o jornal, e claro, para um grande fechamento que já era completamente imaginado, e além disso, o destaque é claro fica para os diversos objetos cênicos e armas que o protagonista usa com seu TOC no nível máximo que acaba até sendo engraçado de ver na segunda morte. A fotografia não brincou muito com tons, trabalhando um pouco com alguns lados puxados para o marrom para dar um clima de época, em outros momentos deixou a escuridão tomar conta até chegar no extremamente avermelhado da exemplificação de inferno da trama, o que mostra um certo estranhamento, mas nada de muito elucidativo.

Enfim, é um filme que não posso recomendar para todos, pois é algo muito diferente do usual, mas que também quem for disposto é capaz de compreender um pouco mais do cinema de Lars, que como já falamos é diferenciado e maluco por natureza. Não digo que é um filme que tenha saído apaixonado pelo que vi, mas também não posso falar que odiei, e sendo assim, diria que é algo diferente e interessante, principalmente por ser incomum pensarmos como um serial killer. Portanto quem quiser, e gostar desse estilo, é algo diferente e bem irreverente que está passando em vários cinemas pelo projeto Cinema de Arte, então fica a dica para quem tiver paciência também, afinal são 155 minutos bem distribuídos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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O Doutrinador

11/02/2018 07:20:00 PM |

Que os filmes de HQs já viraram moda nos cinemas todos já sabemos, e que o Brasil possui bons escritores do estilo também já havíamos ouvido falar, mas foi lá no começo dos protestos em 2013 que a HQ de Luciano Cunha ficou mais famosa ao mostrar um justiceiro que mata políticos corruptos, o que de fato é a grande vontade da maioria dos brasileiros, e sendo assim era claro que não perderiam a oportunidade de fazer um filme com um super-herói nacional, e hoje eis que o longa "O Doutrinador" foi lançado, e posso dizer que para uma história de origem, o resultado foi até que satisfatório, agradando tanto em conteúdo, quanto na ação entregue pelo protagonista, mas assim como ocorre em grandes longas do gênero, a trama é recheada de furos e abusos de livre expressão, que poderiam ser amenizados e melhor tratados para não deixar o público com cara de bobo. Dito isso, o que posso falar é que fui preparado para ver um longa exageradamente politizado, mas felizmente fui surpreendido com uma boa ação, e com os momentos políticos ficando apenas colocados como mote, o que agradou de certa forma sem muita apelação para tudo o que já estamos acostumados a ver.

A sinopse nos conta que um vigilante mascarado surge para atacar a impunidade que permite que políticos e donos de empreiteiras enriqueçam às custas da miséria e do trabalho da população brasileira. A história do homem por trás do disfarce de "Doutrinador" envolve uma jornada pessoal de vingança na qual um agente traumatizado decide fazer justiça com as próprias mãos.

O diretor Gustavo Bonafé, juntamente com Fábio Mendonça, soube trabalhar a história para que tivéssemos algo bem dinâmico e cheio de atitude, e usando dos melhores moldes de filmes do gênero, eles acabaram transformando a HQ de Luciano Cunha em algo que soa mais forte do que algo apenas politizado, brincando com um personagem que ataca nossas atitudes mais ocultas (a de desejar que todos políticos morram com uma bala na testa), mas podendo ir além, e com isso, eles souberam entregar algo bem colocado dentro da proposta, com um ator experiente para ficar saltando e atirando com muita excelência, e acabou agradando mesmo com alguns erros, principalmente no que diz a forma de hackeamento, de locações arbitrárias, e principalmente de policiais e seguranças frouxos demais, que perdem feio em brigas com o protagonista, mas nada que atrapalhe o resultado final, e sendo assim iremos esperar para ver o que vão entregar na série que já está sendo filmada e será lançada no ano que vem em 7 capítulos, com 4 dirigidos por Bonafé e 3 por Mendonça.

E claro que para um bom herói surgir, é necessário um bom ator desempenhar expressões coerentes para que o filme flua bem, e Kiko Pissolato conseguiu entregar um Miguel bem impactante, deixando de lado dublês, e fazendo em seu primeiro longa depois de muitas novelas, um personagem forte e que até torcemos para meter mais bala na testa de outros políticos, ou seja, mostrou atitude e boa conexão para que o protagonista funcionasse e torcêssemos por ele. Tainá Medina também agradou como Nina, sendo uma boa parceria para auxiliar o protagonista nos assassinatos, mas sem precisar dar um tiro sequer, apenas usando da boa tática hacker que todo super-herói necessita ter, ou seja, ela é quase o Alfred do Batman! Samuel de Assis foi bem colocado com seu Edu, mas falhou um pouco em perspectiva, e claro como amigo do protagonista poderia ter dado um rumo diferente numa das principais cenas, pois esperava ver algo a mais ali, mas não atrapalhou o resultado, e se houver continuação, ele pode agradar também. Dentre os políticos, tivemos bons nomes que nem precisaram forçar muito nas atitudes, afinal vemos nos jornais todos os dias os maiores caras de pau, e copiar foi fácil para todos, desde Eduardo Moscovis como um governador, que foi a melhor cena com o protagonista, passando pelo delegado corrupto interpretado por Tuco Andrada, até chegar em Carlos Betão com seu Antero Gomes, cheio de refinamento clássico de políticos corruptos.

No conceito artístico, não consegui identificar em que cidade o longa se passa, mas isso não foi de grande importância num primeiro momento, por entregar cenas cotidianas de uma grande capital, e com isso, termos boas cenas em meio a prédios altos, boas mansões e restaurantes, e claro boa munição para o protagonista usar, mas num segundo ato que a trama se passa na capital do país, falharam em mostrar algo que parecesse Brasília, pois ficou um pouco falso para quem costuma ver sempre o desenho da cidade, e claro, o Palácio do Planalto que tanto é mostrado nos jornais, mas ao menos a cena foi bem bacana, e fica a dica para quem for maluco! A fotografia soube trabalhar bem as cenas escuras, dando um tom avermelhado pela máscara do protagonista, e com isso, o resultado soou bem próximo do que costumamos a ver em longas estrangeiros de heróis, e sendo assim acertaram na boa dinâmica de ângulos, e o resultado até impressiona.

Enfim, um longa corajoso de entregar em meio a tudo o que anda ocorrendo no país, mas que foi trabalhado na medida certa para entregar o que o público gosta de ver em longas de ação/heróis, e com isso tenho certeza de que vai agradar bem quem for conferir sem esperar muita coisa. Apenas digo que poderiam ter sido menos arbitrários com erros técnicos, pois aí sim já poderiam preparar continuações bem colocadas para termos uma liga da justiça nacional. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais um texto, então abraços e até logo mais.

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Bohemian Rhapsody

11/02/2018 03:05:00 AM |

É fácil falar sobre um filme que você se apaixona logo na abertura do logo da produtora trocado do tradicional por acordes de guitarra, que vai levar qualquer fã da banda a chorar durante o longa e se emocionar como se tivesse na primeira fila de um grandioso show que não pode participar por ser novo demais, ou não ter tanto dinheiro na época para poder ir numa loucura completa, e que certamente vai fazer mais fãs ainda da banda durante toda a exibição do filme. Poderia parar aqui meu texto sobre "Bohemian Rhapsody", dizendo que é algo incrível, que arrepia a cada canção, e que emociona ao mostrar alguns dos muitos momentos icônicos de Freddie Mercury, mas como um bom crítico, tenho de deixar meu lado fã de lado, e também apontar as falhas, que sim, existem, afinal estamos falando de um longa de Bryan Singer que costuma cometer altas gafes, e que praticamente nem terminou o filme, abandonando as filmagens nos últimos dias e com isso temos de apontar as principais que são: bagunça na cronologia, mostrar situações conhecidas por todos sem pesar a mão e evitar colocar os grandes excessos que o vocalista tinha juntamente com suas grandes brigas com os demais. Porém em contraposição, ele nos presenteou com muitos shows, ótimas canções escolhidas, e principalmente com atuações marcantes por atores caracterizados num nível que poucas vezes vimos de tanta semelhança, ou seja, o balanço entre pós e contras é algo que para alguns vai pesar na opinião, mas certamente é o filme que muitos fãs esperavam ver, e claro, já na estreia lotaram as sessões!

O longa nos mostra que uma celebração exuberante do Queen, sua música e seu extraordinário cantor principal Freddie Mercury, que desafiou estereótipos e quebrou convenções para se tornar um dos artistas mais amados do planeta. O filme mostra o sucesso meteórico da banda através de suas canções icônicas e som revolucionário, a quase implosão quando o estilo de vida de Mercury sai do controle e o reencontro triunfal na véspera do Live Aid, onde Mercury, agora enfrentando uma doença fatal, comanda a banda em uma das maiores apresentações da história do rock. Durante esse processo, foi consolidado o legado da banda que sempre foi mais como uma família, e que continua a inspirar desajustados, sonhadores e amantes de música até os dias de hoje.

Com aprovação do roteiro por parte de Bryan May e Roger Taylor, e claro também envolvendo eles na produção do longa, o diretor Bryan Singer (que todos sabemos de suas excentricidades artísticas) teve o maior trabalho para que sua obra ficasse tão grandiosa quanto a banda foi (e ainda é, pelo tanto que é ouvida nos diversos aplicativos), e claro, retratasse grandes momentos da lenda Freddie Mercury, mas como bem sabemos ele teve muitos altos e baixos, e para mostrar tudo acredito que nem uma série imensa daria conta, então na moldagem dos principais momentos, conseguiram passar bem da sexualidade do cantor (que alguns queriam até mais!), conseguiram passar o quão grande foi sua voz e sua genialidade para criações irreverentes, e principalmente conseguiram entregar um show em grande nível para todos os que forem conferir a trama nos cinemas, pois juntando uma grande mixagem de som, com uma amplitude bem coerente, é inegável que você não sinta estar dentro de um dos shows da banda. Claro que poderiam ter trabalhado mais a história e colocado mais momentos fortes, terem um apreço melhor nos figurinos em ordem mais correta, e criassem uma linha temporal melhor, mas confesso que isso não vai fazer a grande diferença, pois vamos mergulhando tanto na história, nos emocionando com diversos momentos, e entrando no clima musical, que passamos despercebidos por diversos erros, e geralmente essa é uma das características dos longas de Singer, que sabe qualificar tão bem seus pontos altos, que os baixos acabam sumindo.

No conceito das atuações é fácil entender o motivo do longa ter demorado tanto para sair do papel, pois a pesquisa de atores semelhantes aos cantores, e também da equipe de maquiagem/figurino para encontrar a melhor forma de entregar tudo foi algo bem árduo, mas que compensou demais, pois é incrível a semelhança de todos em tantos momentos. E para começar é claro que temos de falar de Rami Malek, que nunca teve nenhum grande desponte no cinema, fazendo sempre papeis pequenos, e agora se não decolar não decola mais, pois seu Freddie é icônico no melhor ponto possível de se imaginar, entregando olhares, trejeitos, movimentos e até a voz lembrando um pouco tudo o que já ouvimos, de modo que ficamos vidrados nos seus atos, e felizmente ele soube dublar bem os diversos números musicais para que tom funcionasse bem, e nos momentos mais curtos acabou até entregando bem, soltando a voz e agradando, ou seja, talvez até seja lembrado nas premiações pelo que fez, e não seria nenhum desponte. Gwilym Lee praticamente também foi xerocado e entregou um Bryan May com sua vasta cabeleira e um clima deliberativo tão morno, mas envolvente que acabamos nos conectando no que faz, agradando bastante tanto na personalidade, quanto na forma calma que acabou entregando. Ben Hardy trouxe um Roger bem dramático, mas que não chegou nem perto de todas as diversas brigas que sabemos que teve com Freddie, mas claro que como produtor, pediu para o jovem ir mais leve, e assim visualmente bem moldado, foi bem interpretado também. Joseph Mazzello apareceu pouco como John Deacon, mas fez boas facetas expressivas também e acabou agradando nos momentos em que deu o ar do seu personagem. Lucy Boynton conseguiu dar facetas tão bem colocadas para sua Mary, mostrando um ar de amizade tão lindo desde o momento em que conhece Freddie, passando por seu namoro, e até mesmo nos momentos de briga foram altas conexões de olhares, mostrando uma química expressiva extremamente agradável de ver, de modo que a atriz mostrou que sabe ser boa coadjuvante. Tivemos ainda bons encaixes com outros personagens interessantes, como o empresário da banda interpretado por Aidan Gillen, o advogado interpretado por Tom Hollander, mas certamente o grande destaque dentre os secundários ficou para Allen Leech como Paul, que acabou criando desavenças com a banda toda, e mesmo aparecendo pouco, tivemos bons momentos com Aaron McCusker com Jim Hutton.

No conceito visual sabemos que usaram muito dos efeitos de replicação para colocar milhares de pessoas nos shows, tanto do Live Aid, quanto do Rock in Rio, mas é inegável que chega a arrepiar ver tanta gente aglomerada cantando e dançando as ótimas canções da banda, além desses shows, tivemos muitos outros menores bem colocados, casas e estúdios bem moldados cheios de detalhes (como os diversos gatos de Freddie), tivemos muitas excentricidades bem colocadas, mas principalmente o grande destaque fica por conta da equipe de maquiagem e figurino, pois o que fizeram foi algo que certamente merece muita premiação, de maneira que é inegável não falarmos que estávamos vendo os verdadeiros artistas fazendo eles mesmos na telona. Ou seja, muita recriação cênica feita na medida para agradar e funcionar. A fotografia ousou bastante com muitos ângulos e tons precisos para dar ares gigantescos que o diretor desejava, não jogando em momento algum a trama para algo depressivo (que bem poderia, caso quisessem mexer com as brigas), mas que certamente foi bem colocado no momento clichê da chuva, e em outros momentos de dramaticidade maior, ou seja, brincaram bastante e entregaram um resultado incrível de ver.

No conceito musical, poderia colocar aqui todas as boas canções da banda, mas não seria a realidade do longa, porém foram bem felizes nas escolhas das principais que estamos bem acostumados a ouvir quase que diariamente nas rádios de rock, e que com boas dinâmicas ainda conseguiram dar um ritmo incrível no longa, de modo que mesmo tendo 135 minutos, a trama passa voando, juntamente com uma mixagem sonora incrível que merecerá ser premiada também. E claro que não iria deixar meus leitores sem a maravilhosa trilha sonora completa para ouvir, então play no link.

Enfim, um filme maravilhoso, que até possui falhas, mas que passa batido e emociona na medida certa, valendo ser visto e até revisto por todos que são fãs, e até mesmo quem nunca ouviu Queen (será que existe?) sairá impressionado com tudo o que será mostrado, portanto vá ao cinema, curta muito, e digo até mais, se for possível vá conferir na maior sala que puder de sua cidade, se tiver Imax é melhor ainda, pois o resultado sonoro é incrível, e vai agradar demais. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

PS: fiquei com muita vontade de dar 10 coelhos (como fã da banda certamente penderia para esse lado), mas tenho de ser coerente com meu lado crítico e pontuar os muitos erros para remover ao menos um coelhinho da nota, o que não deixa de diminuir a qualidade do longa, pois vale demais assistir.

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A Cabeça de Gumercindo Saraiva

11/01/2018 12:54:00 AM |

Sei que já estou um pouco velho para lembrar de tudo o que estudei no colégio, mas lembro de ter visto sobre algumas das revoluções que ocorreram no Sul do nosso país, mas falar a fundo quem era quem ou sobre o que elas tratavam já é querer abusar de minha memória, mas é algo que quem tiver um pouco mais de interesse pode criar boas histórias para o cinema, que se bem ambientadas acabam resultando em filmes interessantíssimos com boas lutas, e que conseguem soar interessantes para um público bem abrangente. Porém, o grande detalhe fica por conta de como desenvolver essa história para que ela não fique exageradamente regional, e crie perspectivas maiores para resultar em algo interessante e não cansativo, pois o que aconteceu em "A Cabeça de Gumercindo Saraiva" foi exatamente isso, a trama rodeou diálogos exagerados sobre ideologias, ficando presa somente na correria e matança pela cabeça de um dos líderes que está sendo levada para o governador do Estado, ou seja, poderiam ter criado mais interações entre os personagens, brigas mais acirradas, e menos pique-esconde, que certamente entregaria algo muito melhor e menos alongado, pois com apenas 94 minutos de duração, a trama pareceu ter dias de tanta enrolação, para um final completamente bobo e sem nexo com tudo o que acabou ocorrendo. Ou seja, um filme fraco que não empolga, nem se desenvolve.

A trama nos situa no fim do século XIX, onde a Revolução Federalista marcou o sul do Brasil. Na época, o caudilho revolucionário Gumercindo Saraiva foi assassinado pelos legalistas, e seu filho, o capitão rebelde Francisco Saraiva, parte com cinco cavaleiros para resgatar a cabeça do pai, levada à capital pelo major Ramiro de Oliveira e dois ajudantes.

Certa vez discutindo com um amigo falei sobre gostar que escritores de livros adaptem suas próprias obras, sendo roteiristas mais versáteis para criar bons elos para que sua trama se desenvolva e fique o mais próximo da fidelidade do livro em questão, mas aí o próprio escritor virar o diretor também já é algo que tende a ir pelo ralo, pois vai querer deixar o longa muito travado, e é o que aconteceu aqui com Tabajara Ruas, que embora já seja um diretor com várias outras obras, aqui ao adaptar seu livro para a telona acabou travando demais em diálogos e não colocando tantas ações como poderia fazer num estilo de faroeste mais rústico, que é bem a pegada da revolução federalista, e principalmente, do contexto em que o longa se encaixa. Ou seja, ele poderia ainda manter a mesma essência que o filme foi moldado, mas trabalhando menos os diálogos e criando mais vértices de ação, pois aí seu longa fluiria, teria dinâmica, veríamos altos ataques de cavalos e tiros no meio da floresta, e certamente a mesma ideia de levar uma cabeça de um lugar para outro com os parentes da cabeça buscando pegar ela de volta para enterrar junto ao corpo acabaria virando um road-movie mais empolgante do que o que foi mostrado, pois confesso que o sono bateu várias vezes com tantas falas.

Como disse, temos um longa bem dialogado, que exigiu um pouco a mais dos atores tanto no sotaque gaúcho quanto em trejeitos para que não ficassem falando sem parar sem se expressarem como deveriam, e dessa forma, diria que o destaque fica realmente para os dois protagonistas, pois tanto Murilo Rosa fez um Ramiro de Oliveira bem coeso, cheio de perspectivas, bom atirador e preocupado com sua missão, mas soando estranho em alguns momentos, quanto Leonardo Machado entregou para seu Francisco Saraiva uma personalidade dura de um filho que quer a cabeça de seu pai de qualquer forma, fazendo até caras fortes e impactantes, buscando um resultado atraente para seu personagem. Quanto os demais atores, a maioria fez algo que costumo dizer ser um erro forte para personagens secundários, que é tentar aparecer demais no meio de uma cena, roubando até o eixo que seria dos protagonistas, e sendo assim, prefiro nem destacar nenhum outro personagem.

Uma das coisas boas do longa ficou a cargo do visual bem colocado que a equipe de arte encontrou em diversas locações para retratar os campos gaúchos dos anos em que se passa a trama, usando florestas densas, figurinos típicos, armas grandes, mas principalmente aqui os facões para degolas comendo solto em muitas cenas, o que deu um resultado bem interessante para a produção por funcionar bem visualmente, e claro, pela equipe de maquiagem dar conta do recado também, ou seja, o resultado nesse quesito até foi melhor do que a história em si. A fotografia brincou com névoa, chuva, luzes de contra e tudo mais que pudesse deixar o longa mais denso visualmente, ousando até aproximações mais vertiginosas dos personagens, mas salvar algo que falta história é difícil para a técnica, e aqui não conseguiram.

Enfim, é um longa bem trabalhado em técnicas, mas que enrolou demais para algo simples, exagerando demais em diálogos que não levam a lugar algum, e talvez se fosse mais dinâmico nas ações, certamente o resultado impressionaria bem mais. Não tenho como recomendar ele, pois mais cansou do que passou sua mensagem, mas também está bem longe de ser uma bomba completa. Bem é isso pessoal, encerro aqui essa semana que foi bem longa, mas já começo amanhã com mais uma bem recheada, então abraços e até logo mais com muitos posts novos.

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