22 Milhas (Mile 22)

9/25/2018 01:38:00 AM |

Já virou algo quase que certeiro que ao juntar o diretor Peter Berg com o ator Mark Wahlberg é adrenalina a mil com situações empolgantes, que mesmo que sejam absurdas conseguem empolgar o público. E se adicionar ainda um estilo desenfreado psicótico para a personalidade do protagonista, de modo que seus mandamentos acabem virando piada cômica para os demais, fazendo com que o público rache de tanto rir? Pronto, receita completa para um longa funcionar bastante, de modo que mesmo com absurdos e furos exagerados no conteúdo da trama, o resultado de "22 Milhas" é um filmão daqueles que veríamos tranquilamente mais do que uma vez nos diversos horários da TV, e claro que no cinema ainda a ação fica maior, pois é tiro, soco e bomba pra todo lado, para no final sermos até razoavelmente surpreendidos por algo que soou um pouco frouxo, mas que no mundo atual não é de se duvidar que possa acontecer. Outro detalhe negativo é terem deixado margem para um segundo filme, mas não sei se ocorrerá, então o melhor é conferir e ficar bravo com o final mesmo, pois o longa vale a pena.

O longa nos mostra que o agente da CIA James Silva tem a missão de conduzir um importante informante do centro da cidade até ao aeroporto. Mas a tarefa não é nada fácil, pois nesse percurso de 35 km ele tem de encarar criminosos bem armados e ainda policiais corruptos, todos querendo achar uma forma de silenciar o informante.

A parceria entre o diretor Peter Berg e o ator Mark Wahlberg já pode se dizer consolidada, pois em 5 anos já são 4 filmes juntos, e todos com o ator entregando muita ação e impacto para o público ficar com muita adrenalina e ansiedade em cada cena, e além disso, a grande sacada aqui foi trabalhar a personalidade do protagonista num nível além do esperado, criando quase um antagonista no próprio protagonista, de modo que certas atitudes dele no início farão com que muitos fiquem até bravos, mas logo em seguida já passamos a rir das mesmas coisas por tão absurdas que alguém possa estar fazendo aquilo (e o pior que sabemos que tem muitos agentes que são exatamente desse jeito!). Ou seja, o diretor conseguiu extrair boas qualidades de todos os lados para que seu filme ficasse cheio de dinâmica e o resultado impressionasse, mas claro que para isso ele precisou fazer o maior clichê de filmes de ação: as paias nível master que não temos como acreditar nem que os caras fossem capazes de tantas maluquices nos governos/exércitos/agências, muito menos nos erros dos mesmos, mas isso como costumo falar, que relevamos em consideração aos grandes filmes cheios de paias do nosso cinema mundial, e sendo assim, isso não incomoda, mas sim faz rir ao menos, e diversão nunca é demais.

Sobre as atuações, é fato que você irá ter diversos tipos de sentimentos com o personagem James Silva de Mark Wahlberg, pois irá ficar bravo com o tratamento que ele dá para a personagem de Laura Cohan, irá rir muito, principalmente na cena em que todos de uma sala resolvem dar adjetivos para sua loucura, e irá se desesperar nas cenas de ação que ele nos entrega, e sempre com olhares e interjeições precisas que nos fazem sempre gostar demais do que faz em cena, ou seja, perfeito para o papel. Da mesma forma, Laura Cohan foi muito imponente no seu papel, entregando uma Alice disposta a tudo para fazer acontecer, mesmo sofrendo pela filha que está com o pai e a madrasta em outro país, e com ótimas cenas de olhares e muita ação, a atriz fez tudo para ser considerada a protagonista da trama. Iko Uwais entregou um Li muito sereno e interessante para o papel, de modo que mostrou grande feitio nas lutas, mas também impôs diálogos precisos com muita meditação e serenidade. A lutadora Ronda Ronsey colocou personalidade para sua Sam, lutando muito (alguém tinha dúvidas disso?) e tendo até um grande momento na trama para chamar de seu, ou seja, tem melhorado nos trejeitos, e quem sabe ainda vai se sair bem no cinema. E para finalizar os mais importantes da trama, John Malkovich nos entregou um Bispo bem colocado, e cheio de força nas ordens, de modo que conseguimos nos conectar a ele, mas ficamos sempre com uma pontinha de insegurança nos seus atos, ou seja, o tradicional do ator.

No conceito cênico a trama foi bem desenvolvida e cadenciada por quase um mini-road-movie, afinal o nome do longa é o percurso que eles tem de fazer para levar o informante da embaixada até o aeroporto, e com isso muitas cenas de ação com carros e motos bem equipadas, com personagens com armas imponentes, uma ótima luta incorporada de tiroteio em um conjunto de prédios e bons elementos nos QGs de informações, de tal maneira que o filme até parece bem sério e real em alguns momentos, mas bem pouco, pois é aparecer uma cena de luta que a paia já vem com tudo, mas longe disso ser ruim, mostrou que a equipe de arte foi bem coesa nos efeitos para que as explosões não soassem tão falsas, mas fossem bem fortes e interessantes, com a maquiagem trabalhando também muito bem para os tiros à queima-roupa bem diante dos olhos do público. E embora a fotografia fosse bem escura em alguns momentos, para criar tensão, o resultado da trama com tantos tiros, acaba saindo mais dinâmica do que tensa, e isso é algo que merece ser bem analisado, pois é raro um filme de ação ser escuro, e aqui se ficamos parados em cena, foi algo de no máximo 5 a 10 minutos.

Enfim, é uma trama bem agitada que agrada bastante, e quem gosta de longas de ação policial, não ligando para mentiradas, certamente irá sair bem feliz ao final da sessão, vibrando com cada cena, e ficando muito bravo também com o final do longa, afinal merecia mais uns 10 a 15 minutos com muita força para não necessitar ter uma continuação. Sendo assim, recomendo ele mais para quem gosta do estilo policial, pois os demais vão se cansar com tantos tiros, e a chance de não gostar é até alta, mas ainda assim o longa não é daqueles dispensáveis de perder umas horinhas vendo em casa quando passar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na quarta com o último longa do Festival de Ação Japonês, então abraços e até logo mais.

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