Sexy Por Acidente (I Feel Pretty)

6/30/2018 10:59:00 PM |

As comédias motivacionais andavam meio sumidas dos cinemas, pois não conseguiam atingir o ápice de passar a mensagem e também divertir, mas como é de costume, sempre tem algum diretor que resolve ressurgir um gênero para ver se funciona. "Sexy Por Acidente" se encaixa bem nesse estilo, e até tenta florear vértices bem colocados para emocionar e divertir no mesmo tom, mas assim como aconteceu com outros do estilo, o longa acaba soando bonitinho, passa a sua mensagem, mas não diverte nem comove como poderia, e o resultado fica no meio do caminho. Claro que aqui felizmente o longa não destoou tanto e acaba sendo até levemente divertido na sua primeira metade, mas ao virar para o ponto motivacional, aonde a lição de moral acaba predominando, o filme acaba ficando exagerado demais e cheio de clichês forçados, e com isso o resultado raspa a trave de ficar desagradável. Ou seja, a trama funciona dentro do que se propõe, mas poderia ter sido mais original e não tanto forçada.

O longa nos conta que Renee convive diariamente com insegurança e baixa autoestima por conta de suas formas físicas. Depois de cair e bater a cabeça numa aula de spinning, ela volta a si acreditando ter o corpo que sempre sonhou e assim começa uma nova vida cheia de confiança e sem medo de seguir seus desejos.

Após anos de parceria de sucesso escrevendo comédias românticas, a dupla Abby Kohn e Marc Silverstein, resolveu dirigir seu primeiro filme, e aí é que entra um dos grandes problemas do longa, pois sim suas histórias sempre foram boas, e aqui também é bem escrita, mas falta atitude de direção, estilo de corte e tudo mais que um diretor mais experiente conseguiria trazer para que a trama não ficasse solta, pois é nítido um filme até a metade, uma virada brusca, e um fechamento entregue jogado, fazendo com que o resultado final fosse entregue, mas sem uma coesão de momentos. Claro também que o longa foi completamente dependente da protagonista nas mais diversas situações que acabou aprontando, e embora Amy tenha uma boa desenvoltura, um filme depender totalmente de suas atitudes é forçar a barra.

Já que comecei a falar da atuação de Amy Schumer, temos de pontuar que a jovem mandou bem nos trejeitos, e certamente se alguém der algumas cochiladas no filme sairá da sessão falando que a garota ficou maluca, que é o que acaba parecendo, mas sua Renee foi bem trabalhada, e talvez se o filme não dependesse 100% dela, teria sido uma de suas melhores interpretações da carreira. Michelle Williams está irreconhecível com sua Avery, fazendo um papel que nunca sequer imaginaria para ela, de tal forma que incomoda a voz, incomoda os trejeitos, e nem em sonho a atriz acho que fez um papel tão ruim e desconexo. Tom Hopper é o tradicional galã que precisa ser colocado em filmes desse estilo, e seu Grant até teve alguns momentos para chamar a atenção com algum texto desenvolvido, mas só foi enfeite mesmo. Já Rory Scovel fez de seu Ethan um personagem digamos estranho, pois até a protagonista desconfiou de seu estilo, ficando algo um pouco fora de contexto, mas foi bem bacana nas cenas finais. Embora as amigas tenham boas participações, acabaram ficando meio que desconectadas e forçadas de expressões, então melhor nem dar destaque para elas.

No conceito cênico a trama ficou bem desenvolvida com uma grife de maquiagem chique, mas fez uma dura crítica social, mostrando algo que acontece muito enquanto as pessoas estão vendo o glamour em prédios enormes, decorações ridículas e absurdas, o pessoal que realmente trabalha está num cantinho escuro, cheio de fios e sofrendo para trabalhar, e só isso já fez valer toda a cenografia do longa, mas ainda tivemos alguns outros bons elementos divertidos para conectar cada momento seja no avião riquíssimo, na academia milagrosa, ou até mesmo nono bar aonde a politicagem faz ganhar alguém da casa um prêmio, e por aí vai, ou seja, tudo bem feitinho e simples. A fotografia ficou um tom abaixo do que deveria, pois raspou a trave de cair para o lado dramático e certamente não era isso que a equipe desejava, e se talvez melhorassem o colorido o longa seria mais divertido.

Enfim, é um filme que diverte com muitas ressalvas, mas que também passa bem longe de ser algo ruim que não valha ser visto, pois consegue passar sua mensagem mesmo em meio a muitas falhas. Como disse a história em si é boa e talvez nas mãos de um diretor de maior impacto não cairia toda a responsabilidade na atuação da protagonista, e assim o longa seria perfeito, mas como não dá para refazer, quem quiser se divertir sem se preocupar muito é uma boa pedida. Bem é isso pessoal, encerro aqui bem cedo essa semana cinematográfica, mas agora nas férias de Julho é assim mesmo, com duas ou no máximo três estreias por semana, então abraços e até breve.

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Além do Homem

6/30/2018 02:48:00 AM |

Existem absurdos que são aceitáveis e que valem ser conferidos pelas abstrações entregues, mas existem alguns filmes que vão tão fundo em hipóteses malucas que não conseguem atingir nada de real, e saímos da sessão sem nem saber se realmente entendemos alguma coisa que foi mostrada na telona. E esse sentimento é o que sinto após ver "Além do Homem", uma mistura tão bagunçada de ideias, que só vale mesmo pela bela cenografia e fotografia, pois o contexto é estranho, a história é maluca, e a direção é completamente sem nexo, deixando o filme sem rumo, indo para vértices incomuns que sequer poderíamos imaginar, e sendo assim não tenho como recomendar de forma alguma o que acabei de ver.

A sinopse nos conta que Alberto Luppo é um escritor brasileiro que mora em Paris há anos e desde então renega suas raízes tropicais. Quando um famoso antropólogo francês desaparece na cidade de Milho Verde, Minas Gerais, ele volta para sua terra natal e inicia uma investigação para descobrir o paradeiro do velho amigo. No entanto, durante a viagem, ele se encanta pela cultura brasileira, assim como suas terras e sua gente, algo até então impossível para ele.

Em sua estreia na direção de longas de ficção, Willy Biondani abusou do experimentalismo para que seu filme floreasse de uma maneira bem mística sobre o que é felicidade no interior do interior, unindo folclore com loucura, bebidas, calor, sexo e tudo mais, de forma que acabamos envolvidos em uma viagem tão doida que quem não ler a sinopse com toda sinceridade do mundo não saberá o que ele desejava nos mostrar, e isso é muito ruim, pois costumo dizer que um filme tem de contar sua história sem necessitar de apoios, e aqui confesso que antes de pegar a sinopse para colocar aqui no site sequer imaginava essa vertente, e por incrível que pareça, ela faz sentido, mas sem ela estava pronto para vir falar aqui que assisti ao filme mais maluco da face da Terra, sem sentido algum. Ou seja, ainda vou me ater ao fato de o filme ser estranho, e mesmo tendo essa ideia de tentar mostrar a felicidade brasileira nos pequenos detalhes malucos no meio do sertão mineiro, o resultado acaba não sendo agradável.

Sobre as atuações, podemos dizer que Sérgio Guizé nos entregou um Alberto com um bom misto de expressões fortes que vão sendo intercaladas entre prazer e loucura com uma gama boa de olhares e trejeitos que acabam nos deixando confusos do seu sentimento para com tudo, mas de certa forma ele fez um personagem bem interessante. Otávio Augusto sempre costuma entregar bons personagens, e aqui acabou ficando bem misterioso, maluco e até bem colocado na trama, agradando com expressões difusas. Fabrício Boliveira conseguiu ser diferenciado na ideia de um guia para o desconhecido com seu Tião, mas em alguns momentos soou exageradamente forçado e poderia ter sido mais contido. Débora Nascimento só serviu como um personagem sensual com sua Bethânea, e acabou até tendo um certo misticismo em cima de seus momentos, mas não chega a lugar algum, e isso acaba soando mais estranho do que bem feito. Dentre os demais vale apenas um leve destaque para Flávia Garrafa com sua Rosalinda pela boa comicidade, mas de resto, os franceses da produção só serviram de enfeite mesmo para valorizar o longa para não ser apenas falado em português.

Agora sem dúvida a nota que darei para o longa se vale pelo trabalho da equipe de arte que ao colocar a beleza do sertão misturada entre boas locações e muitos elementos cênicos bem desenvolvidos para retratar cada momento, acabou conseguindo ao menos transparecer bem as abstrações que desejavam mostrar, e ainda tentar situar o público de tudo o que acontece, pois se fizessem isso em algum lugar utópico sem referências teríamos aí sim um longa 100% maluco. As cenas na França também foram bem colocadas e acabaram funcionando dentro da proposta, mas nada que impressione muito. Com uma fotografia cheia de velas, sombras e detalhes para criar uma tensão sempre iminente no ar, o resultado técnico acaba mostrando um certo primor para fazer o filme, e quem sabe com uma ideia mais coesa, e melhor desenvolvida teríamos um longa incrível.

Enfim, é um filme estranho que leva nada a lugar nenhum, e que sabendo da história pela sinopse acaba sendo um pouco melhor de acompanhar, mas ainda assim o resultado acaba incomodando pela essência, e sendo muito ruim de acompanhar, não valendo gastar 94 minutos de sua vida conferindo ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda falta conferir mais uma estreia da semana, então abraços e até logo mais.

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Os Incríveis 2 em 3D (Incredibles 2)

6/29/2018 01:34:00 AM |

Eis que passaram 14 anos para vermos finalmente a continuação de "Os Incríveis", que praticamente fez o mundo das animações explodir para uma nova era, e todos estavam desesperados para saber quando viria o próximo, que rumos tomaria, se ainda seria uma grande aventura, e agora podemos falar que finalmente chegou "Os Incríveis 2", e felizmente supera as expectativas com muita aventura (alguns momentos calmos, mas não atrapalha), boas dinâmicas, um personagem mais do que cativante e incrível (o bebê Zezé!), um conceito de vilania com grandiosos motivos (bem explicado!) e principalmente para quem gosta, um 3D bem considerado nas cenas que possuem efeito (poderia ser bem mais se quisessem!). Ou seja, um filme completo que diverte bastante, que possui um formato bem desenvolvido dentro da trama proposta (da liberação da lei anti-heróis), que seguiu exatamente de onde parou, e que claro deixa rumos para mais uma continuação, e assim sendo, o resultado funciona bem, já está lotando as sessões de adultos curiosos (afinal quem era criança em 2004 hoje já está bem adulto) e que mesmo os pequenos vão conseguir curtir dentro da proposta um pouco mais séria (mas temos o bebê para infantilizar e divertir com cenas bobas incríveis!). Ou seja, vá ao cinema e se divirta!!

A sinopse nos conta que quando Helena Pêra é chamada para voltar a lutar contra o crime como a super-heroína Mulher-Elástica, cabe ao seu marido, Roberto, a tarefa de cuidar das crianças, especialmente o bebê Zezé. O que ele não esperava era que o caçula da família também tivesse superpoderes, que surgem sem qualquer controle.

Não tendo dado muito certo como diretor de filmes com humanos ("Tomorrowland" que embora eu goste, a maioria detesta, além de ter sido uma das piores bilheterias da Disney), eis que Brad Bird volta a direção com sua maior franquia, e claro que ele dosou estilos, colocou dinâmicas bem pontuadas, trabalhou expressões de personagens, de tal maneira que mesmo sendo uma animação, os traços são quase humanos nos trejeitos, e claro que fez cortes mais rápidos e precisos para oscilar entre a profissão da Mulher-Elástico com as tarefas domésticas de Roberto, numa interessante e atual amostragem de como andam as coisas no mundo moderno, aonde cada vez mais mulheres vão para o trabalho enquanto alguns homens assumem a casa. Além disso, soube ser saudoso na personalidade de Will com sua grande adoração pelos heróis, cantando todas as musiquinhas, e até brilhando seu olhar. Ou seja, além de uma história bem criada por Bird, ele soube captar a essência que o público desejava ver na telona, e embora a temática toda seja bem adulta (afinal ele sabe bem que mesmo sendo uma animação, aonde o público geral são crianças, aqui a maioria vai ser de marmanjos que viram em 2004 e tanto queriam ver a continuação), ele também criou muitos elos para que o filme funcionasse também para os pequenos, e assim sendo o resultado acaba agradando bem a todos.

Quanto dos personagens, já era esperado que o bebê Zezé fosse o destaque da produção, e temos muitas cenas com o pequenino fazendo gracejos, usando e abusando dos seus poderes, mas sem dúvida alguma, seu maior poder é a fofura e o carisma, pois não tem quem não saia apaixonado por ele do cinema, e sua melhor cena sem dúvida é a junto com Edna. Além disso, se o primeiro filme já houve um primor técnico, aqui os formatos foram incríveis, com todos tendo massas corporais bem colocadas e muita desenvoltura em detalhes, embora pudessem ainda melhorar bem mais, mas com isso, toda a família foi bem interessante com destaque para a barba malfeita de Roberto, suas olheiras, e detalhes musculares, ou seja, algo bem bacana de ver. Além da família surgiram muitos outros heróis estranhos, com poderes estranhos, e foram todos bem colocados, com alguns até tendo mais chance que outros de aparecer, e usando da dublagem nacional que abrasileirou muitas piadas, a diversão foi ouvir de Esguicho (dublado por Raul Gil) seu tradicional bordão, ou seja, teremos de ver a versão legendada para observar as piadas como ficaram. Gelado dessa vez teve uma participação bem maior do que no primeiro filme e agradou bastante em seus momentos também. A Mulher-Elástica teve um belo destaque no longa como protagonista maior, afinal o feminismo anda bem em pauta, e suas discussões com Evelyn renderão boas dinâmicas no mundo real. E falando em Evelyn, a personagem dublada por Flávia Alessandra teve uma ótima entonação bem maluca para o formato visual da personagem, que junto de seu marido na vida real, Otaviano Costa, mas aqui irmão na produção com seu Will o resultado foi bem interessante de ver. Também poderiam ter usado mais o personagem Ricardo, que aqui ficou muito cara e estilo do MIB, apagando a memória da geral.

O contexto visual da trama foi muito bem elaborado, com prédios tecnológicos, mansões cheias de detalhes, personagens com muitos movimentos com objetos cênicos espalhados para todo lado, e claro um navio incrível, além de tudo mais que a equipe preparou para surpreender a todos com muito envolvimento. Só poderiam ter trabalhado um pouco mais de texturas, afinal a Pixar sabe fazer isso com um primor técnico que poucos sabem, mas ficou bacana de ver. Quanto do 3D, logo antes de começar o filme é avisado que o longa contém cenas que podem causar danos às pessoas com epilepsia e em alguns lugares causou convulsões, e vos digo, é verdade, tem muitas cenas piscantes com luzes e cores fortes, que não me fez vomitar, mas me deu uma bela dor de cabeça de tão forte, mas ainda assim poderiam ter abusado mais de elementos saindo da tela, pois a galera mais fã desse estilo vai reclamar.

Enfim, não diria que ainda é melhor que o primeiro longa, mas com certeza é o filme que tanto queríamos ver, e que agrada por mesmo sendo uma continuação do primeiro longa, ter se atualizado tanto no mundo moderno, e agradado com bastante desenvoltura. Claro que possui muitos defeitos, alguns citei acima, mas outros seriam spoilers diretos, mas ainda assim vai fazer uma ótima bilheteria, e claro, vai divertir muito a todos que forem conferir. Friso que cheguem antes para ver o ótimo curta "Baô", que certamente vai brigar com muita pontuação o Oscar do ano que vem, e não possui nenhuma cena pós-crédito (apenas durante os créditos dá uma leve referência ao que poderíamos ver num terceiro filme). Bem é isso pessoal, recomendo ele com certeza tanto para adultos quanto para crianças, e volto amanhã com mais textos (e volto em breve com a opinião dele legendado, afinal quero ver as mudanças das piadas). Então abraços e até logo mais.

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Tully

6/26/2018 01:34:00 AM |

Existem alguns filmes que conseguem trabalhar temas duros de uma forma tão sutil, leve e gostosa de acompanhar que ficamos pensando se realmente o diretor desejava isso em sua história ou se acabou fluindo tão perfeitamente durante o desenvolvimento que o resultado foi além demais, e com "Tully" temos um tema tão atual como a depressão pós-parto, que unida ao conflito de famílias com muitas crianças jovens aonde os pais já estão mais surtados que tudo, o resultado poderia ser um longa completamente dramático, duro e forte, mas que o diretor soube ser sutil e colocar cada ponto de uma maneira tão bem dinâmica e bonita, que ao final quando o choque realmente ocorre por descobrirmos a grande sacada do filme, o fechamento consegue impressionar mais ainda, e olha que facilmente poderíamos pensar mil ideologias para a trama, mas acho que poucos chegarão ao detalhamento correto tão rápido, ou seja, um filme incrível.

O longa nos apresenta Marlo, mulher de meia-idade, classe média, mãe de 3 filhos, um deles recém-nascido, e outro que necessita conceder toda atenção por ter necessidades especiais, chega ao limite físico e psicológico. Enquanto o marido, Drew mostra-se um inútil, ela recebe a ajuda do irmão, Craig, que contrata uma babá, Tully, para ajudá-la. Surpreendente, elas formam um vínculo singular de amizade, compreensão e partilhamento.

O trabalho da roteirista Diablo Cody e do diretor Jason Reitman juntos já é algo que conhecemos e nos apaixonamos há tempos, pois trabalham sempre com uma sinceridade afetiva grande, e acabam construindo as situações de formas bem simples e gostosas de ver, e mesmo que a temática seja forte de ser trabalhada, eles acabam conseguindo entregar algo que acaba passando bem fluído e nos pega despercebidos quando vemos aonde queriam chegar. Claro que alguns vão ver tudo de uma forma mais rápida, irão entender aonde desejavam mostrar, mas a maioria só consegue a conexão completa do filme nas últimas cenas, e o melhor que acaba sendo uma surpresa forte, porém completamente efetiva, fazendo muito efeito, ou seja, um acerto feito na medida para impressionar e que fez todo sentido. Claro que temos cenas exageradas, cenas que talvez pudessem ser mais limpas, mas tudo é funcional, e sendo assim, vale por demais cada ato tanto para mostrar o problema defendido em tese pelos autores, quanto por servir de homenagem para as mães, essas mulheres fortes que conseguem defender o mundo virado de ponta cabeça após o nascimento dos filhos e ainda continuar fazendo tudo o que já fazia.

Sobre as atuações, só precisamos digitar um nome: Charlize Theron, e não dizer mais nada, pois somente seu nome já faz valer qualquer ingresso e muda qualquer filme que lhe é escalada, e aqui para viver sua Marlo, fez uma pequena dieta de se entupir de fast-food e outros carboidratos para engordar 23 quilos para a personagem, e ficou muito diferente da atriz que sempre arrasou com um corpão sedutor, não que aqui tenha ficado ruim, e aliado à isso, ela ousou em olhares perfeitos, dinâmicas bem moldadas e criou tantas boas situações que se formos enumerar, passaremos a mesma duração do longa digitando aqui, então apenas temos uma palavra para ela como sempre: perfeita. Makenzie Davis conseguiu ser tão misteriosa e enigmática nos trejeitos quanto sua Tully, e trabalhou tão bem, que vamos nos conectando à sua personagem, inicialmente com um longo estranhamento, depois vamos nos afeiçoando ao carinho que dá para Marlo, para no final já nem acreditarmos mais no que está fazendo, e a atriz acabou perfeita demais também. Ron Livingston foi literalmente um inútil como a sinopse nos diz de seu Drew, mas como personagem claro, pois faz tudo tão bem, com olhares concisos e tudo mais, que não conseguimos acreditar que exista alguém dessa forma, mas o pior é que existem aos montes, e o ator fez tudo muito bem. Mark Duplass entregou seu Craig como aquele irmão bem sucedido que é um tremendo pé no saco, e com uma boa dinâmica clássica acaba entregando bem sua personalidade, mas talvez um pouco mais de cenas suas fariam o público entender um pouco mais seu relacionamento com a família, pois acabou um pouco jogado demais. Dentre os demais, temos de pontuar apenas que as crianças foram incríveis em seus atos, sendo realmente crianças, e não mini-adultos interpretando, agradando cada um na sua maneira sutil.

No conceito visual, a trama optou por basicamente uma casa simples bem de subúrbio, aonde na cena que vão para o centro de Nova York vemos o quão longe é a casa da família, mas com tantos bons elementos para mostrar o problema familiar, a dramaticidade da maternidade bagunçada (e indesejada), a bagunça de tudo, o relacionamento conturbado, e cada detalhe conta, bem como se repararmos bem cada forma das duas protagonistas também serve bem como elementos cênicos, ou seja, muito bom mesmo cada pensamento da equipe de arte, e quanto da casa do irmão, claro muito luxo para realçar como ele é bem de vida e status. A fotografia trabalhou com pontos neutros, sempre com tons mais pasteis para juntar o ar dramático do filme, mas também deixar ele gostoso de acompanhar, sem pesar a mão em quase momento algum, tendo leves pontos mais fortes aonde a tensão até se eleva, mas de modo geral, sempre procuraram conduzir o longa com muita sutileza no ar.

Enfim, imaginava ser um bom filme pela quantidade de vezes que vi o trailer, mas não que seria algo muito bonito de ver e que me agradaria tanto. Claro que é um filme que ou você vai amar ou vai acabar achando tudo bobo demais, mas dificilmente não irá se encantar com a proposta final e dará claro valores para quando entender o que realmente acontece com muitas mulheres quando dão a luz. Ou seja, um filme bonito, bem feito, e com uma mensagem (embora ficcional) incrível de acompanhar, que só não é mais perfeito por alguns elementos soltos que poderiam ter sido podados (como a relação com o irmão, entre outros), e só por isso não darei nota máxima para o longa, mas ainda assim recomendo muito ele para todos, e quem for de Ribeirão Preto, ou outras cidades que participam do Cinema de Arte, poderão e devem conferir ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na próxima quinta com mais estreias, então abraços e até breve.

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Tungstênio

6/23/2018 01:16:00 AM |

É tão bacana quando surgem propostas diferenciadas para vermos no cinema, daquelas que vamos sem saber nem do que se trata, afinal nem trailer passaram nas sessões, e somos surpreendidos com um longa de boa técnica, baseado em um HQ nacional, que também você nem fazia ideia da existência, e só isso já faria o longa de nome estranho "Tungstênio" ser bem elaborado numa velocidade cheia de idas e vindas, diversos ângulos precisos, com muitas opiniões populares inseridas, e tudo mais. Mas aí entra o problema gigantesco que precisamos aprender com nossos amigos gringos, que pegam HQs cheias de referências interpretativas em off, aonde mostram os pensamentos dos personagens, inserindo narrações referenciais para explicar sentimentos, e aí transformam isso dentro da história para não precisar de um narrador falando tudo como se estivesse narrando o jogo da seleção nacional, e confesso que mesmo sendo um ótimo ator por trás do narrador da trama, foi broxante ouvir Milhem Cortaz quase que o filme todo, cansando e praticamente se intrometendo no desenvolvimento, de modo que o filme não tem vida própria. Ou seja, temos uma ideia muito bem elaborada, situações bem feitas pelos personagens, só faltou o diretor montar uma trama mais conexa aonde tudo se envolvesse, sem precisar narrar cada vírgula, que teríamos um filme incrível, mas como não foi assim, diria que ficou algo razoável, que por bem pouco não se tornou insuportável e sem sentido.

A sinopse nos conta que um sargento do exército aposentado, um policial e sua esposa e um traficante aparentemente não possuem nada em comum, mas eles vão se unir em prol de um bem maior. Quando pessoas começam a utilizar explosivos para pescar na orla de Salvador, na Bahia, esse grupo fará de tudo para acabar com esse crime ambiental. Mas, na busca dos caminhos que lhes pareçam mais corretos, cada um deles vai passar por mais conflitos pessoais e morais.

Sabemos que se existe um diretor que tem um estilo bem diferente e incomum no Brasil é Heitor Dhalia, que sempre de formas polêmicas e ousadas costuma criticar o sistema, a política e tudo mais através de metáforas e personagens nos seus longas, sempre de uma maneira subjetiva, mas muito bem colocada sem atrapalhar o andamento de sua trama, e aqui temos leves traços para desenvolver a rotina social dos personagens, que mostram ideologias contraditórias e tudo claro para se dar bem, ter uma exibição de seus atos ou atitudes, gestuais e tudo mais, de modo que chega a ser visualmente bem interessante a trama. E embora seja baseada em uma HQ, o longa não tem um formato clássico do estilo, mas trabalha numa velocidade acelerada de acontecimentos, com muita dinâmica, e com personagens se conectando por elos comuns, mas tudo de uma forma bem homogênea que acaba agradando, ou seja, (sei que estou sendo insistente) para que necessitar tanto de um narrador falando com o público, explicando tudo, e até conversando mentalmente com os personagens, e com isso a trama deu uma boa desandada, que só é suprimida pelos ótimos ângulos escolhidos para dar um tom mais próximo aos de HQs realmente.

Sobre as atuações, praticamente todos possuem seus grandes momentos, mas como Fabrício Boliveira é o mais conhecido do elenco, nossos olhos praticamente focam mais em seu Richard, mostrando um policial corrompido pelo sistema, mas que na hora de resolver um problema vai pra porrada e tiro sem pensar duas vezes, e agrada bastante com essa atitude. José Dumont acabou entregando um ex-sargento chato demais, e o ator fez questão de deixar ele ainda mais arrogante com olhares forçados e intrigantes, que acabam sendo um acerto para a trama, embora de vontade de socar ele. Wesley Guimarães teve bons trejeitos, um gingado clássico e muita atitude com seu Cajú, mostrando bem uma síntese bem trabalhada, e que até poderia ser melhor desenvolvida, pois o ator estava disposto. Samira Carvalho Bento entregou com sua Keira a realidade de muitas mulheres que brigam, brigam, brigam com os maridos cafajestes, mas dá dois segundos e já estão na cama com eles de bem e de caso passado, e foi muito sincera em seus trejeitos, mesmo que soasse falsa em diversos deles. Quanto ao narrador, sei que Milhem Cortaz é um ótimo ator e intérprete, de modo que sua voz contou bem a história, mas me irritou tanto aparecer o longa inteiro que prefiro optar por dizer que falhou não em seu papel, mas aceitar tantas falas em um filme. Quanto aos demais, a maioria foi figurante, alguns com um luxo maior tendo falas, mas sempre conectando com os protagonistas para dar seguimento à trama.

No conceito cênico nem podemos dizer que a equipe de arte se aprofundou no tema, usando praticamente só locações prontas e direcionando os personagens, tendo inicialmente os barcos pescando com explosivos (bem estranhos para parecer verdadeiros!) na orla, depois temos um forte para uma cena, aonde trabalharam um pouco mais foi na casa dos protagonistas aonde todos os móveis estão em plena destruição por ambos, na briga na praia temos pouquíssimos detalhes, tirando o tiro com um bom efeito de maquiagem na mão, na lembrança do protagonista a cena de invasão da favela foi a mais elaborada no conceito artístico, com bons detalhes na locação, e também deram um bom enfeite para a cena da boate, ou seja, a maioria apenas passagens. A fotografia brincou com muitas cores e até ousou em contrapontos com sombras, mas a mais bonita sem dúvida é a de encerramento, aonde as nuances do céu, com o fundo do barco iluminado e apenas a sombra do protagonista deu um ar bem interessante.

Enfim, é um filme que funciona, que é bem diferenciado dos demais, mostrando novamente que o Brasil anda ousando em diversos estilos, mas que precisaria ter sido melhor lapidado, removido o excesso de narrações, e talvez um final mais coeso para não ficar tão jogado, pois aí sim teríamos algo incrível de conferir. Vale mais para quem gosta do estilo mais artístico, pois ele como filme comercial vai incomodar quem não conhecer o estilo de Dhalia. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na segunda com a última estreia dessa semana, então abraços e até breve.

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Hereditário (Hereditary)

6/22/2018 12:54:00 AM |

Sempre é bacana olharmos com outros olhos longas de terror que não forcem para sustos e crie situações complexas, e o trailer de "Hereditário" já causa um grande estranhamento com o ploc ploc da boca da garotinha (que assim como aconteceu em "Extraordinário" com várias pessoas, e aqui como não conhecia a protagonista, me peguei imaginando se a cara dela era estranha assim mesmo!), com toda a tensão causada pelas diversas cenas, de modo que fui induzido à conferir o longa já com grandes expectativas, afinal a temática de possessão quando bem trabalhada até confere grandes longas, ainda mais se já é preparado para causar temor ao invés de sustos gratuitos. Ou seja, um filme que tinha a possibilidade de ser o "Corra!" desse ano, entregando um terror de propriedade para até brigar por grandes prêmios com longas de outros gêneros, mas aí vamos conferir o filme, e sim, é um bom longa de terror, possui cenas tensas, coisas fortes, uma ideologia intrigante, mas não causa nem 20% do que o trailer causou, sendo apenas um bom filme do gênero que vai fazer com que muitos pensem na ideia e até se intriguem com tudo o que verão, mas longe, bemmmm longe de ser "o" filme de terror do ano, quiçá da década como muitos críticos vem falando pela mídia afora. Vale mais por não forçar sustos e conseguir causar, além de ter uma estética bem interessante, mas valeria mais ter brincado com os bonecos e miniaturas que a protagonista faz, causando algo ainda mais forte do que um fechamento digamos bizarro demais.

A sinopse nos conta que após a morte da reclusa avó, a família Graham começa a desvendar algumas coisas. Mesmo após a partida da matriarca, ela permanece como se fosse uma sombra sobre a família, especialmente sobre a solitária neta adolescente, Charlie, por quem ela sempre manteve uma fascinação não usual. Com um crescente terror tomando conta da casa, a família explora lugares mais escuros para escapar do infeliz destino que herdaram.

Após muitos curtas-metragens, o diretor e roteirista Ari Aster soube criar uma história bem interessante de se analisar e conseguiu criar situações bem fortes e interessantes (para mim a cena pós-festa é de arrepiar, e quase xinguei por não virar logo a câmera para mostrar o que tinha acontecido, embora a cena que mostre é horrenda), mas essa é apenas uma que citei, e o longa possui ao menos umas quatro de impacto, e no restante é criada boas dinâmicas de diálogos e situações para que o público se convença do que aconteceu ou que rumos vai tomar, mas a situação começa a ficar com velocidade e dinâmica passados mais de 60 minutos, ou seja, muitos irão até se cansar até chegar no ápice da trama, mas a partir daí tudo toma forma e é uma situação atrás da outra. Ou seja, sim é um primeiro bom filme, e certamente nos próximos irá corrigir os leves erros que não fizeram sua trama brilhar ainda mais fora do público de críticos artísticos (que estão amando o longa comparando ele à grandes clássicos do gênero), pois para o grande público, e quem realmente gosta de longas de terror/suspense/tensão envolvendo demônios e possessões, o filme realmente começa na última cena, e o miolo foi apenas uma apresentação.

As atuações foram feitas com muita qualidade, a começar claro pela ótima Toni Collette com sua Annie, que inicialmente já vertia ser meio problemática, logo em seguida vemos que ela era problemática, ao contar sua história para Joan temos certeza absoluta de ser maluca, e no fim o surto era certeiro para cenas incrivelmente fortes e muito bem feitas, ou seja, deu um show. A graciosa Milly Shapiro felizmente não tem aquela cara medonha de sua Chalie, e trabalhou tanto com olhares que suas cenas impressionam e marcam, de modo que acabamos assimilando tudo a ela, mesmo quando não está em cena, ou seja, conseguiu ser expressiva e se marcar no papel. Alex Wolff nos entregou um Peter ligeiramente exagerado com suas cenas forçadas sob efeito de ervas, mas que num segundo momento demonstra uma perturbação forte e muito bem entregue, que demonstrou um profissionalismo muito forte e interessante, certamente bem pesquisado, e acabou agradando mais do que errando, embora pudesse ser mais sutil. Gabriel Byrne fez um Steve paz e amor exagerado, que poderia causar um pouco mais, ou ao menos se espantar mais com tudo o que está acontecendo na sua casa (pô, o pau tá comendo entre mãe e filho, vou ali fazer uma salada!), ou seja, claro que o problema dele está na personificação do roteiro e não da atuação, mas poderia ter chamado mais a atenção com certeza. Ann Dowd entregou para suas cenas como Joan, momentos mais explicativos do que expressivos da personagem, sendo praticamente o elo de ligação completa da trama, explicando bonitinho cada momento em suas cenas finais (quase desenhando para quem não estava entendendo nada), e ao menos fez bem seu papel, mas poderia causar mais também.

No conceito cênico o longa se divide bem em seus atos, primeiro com a família devastada em sua casa no meio do nada, o funeral cheio de estranhos, a casa cheia de miniaturas mostrando a vida da protagonista em seus atos estranhos, vemos a escola das crianças e elementos cênicos que já demonstram os problemas dos jovens, aí entramos no segundo ato e já temos os problemas que ocorrem pós-festa, a casa já passa a entrar em modo de penumbra com tudo mais escuro, as miniaturas ficam mais tensas, temos a dinâmica de grupo aonde conhecemos mais problemas da protagonista, temos a casa de Joan com muitos elementos cênicos, e aí entra o terceiro e maluco ato aonde o lance demoníaco e os cultos satânicos entram em cena, com muitos personagens alegóricos, livros, fotos, e claro o ápice final que mesmo sendo um pouco complexo dá pra entender tudo perfeitamente. Ou seja, elementos cênicos, locações, tudo muito bem encaixado para cada momento do filme, além claro da ótima maquiagem e efeitos especiais em cima de todos os personagens, que não posso falar mais senão estrago com spoilers. Embora o filme tenha uma fotografia muito escura em diversos momentos, com tons vermelhos fortes para representar todo o lado demoníaco do longa, o filme não conta com sustos gratuitos, com pegadinhas do nada, e isso é algo muito prudente e que vai agradar bastante, mostrando o primor técnico que desejavam entregar.

Enfim, é um filme muito bom de terror, que segue uma linha diferenciada, mas que claro poderia ser imensamente melhor se seguisse outros rumos. Não gosto muito de continuações em cima desse estilo de terror, mas confesso que o final merecia mais um ato quase que inteiro e não precisariam explicar tanto ali, mas ainda assim, o filme é muito bom, e quem gosta desse estilo sairá deveras satisfeito com tudo o que é mostrado. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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O Nó do Diabo

6/20/2018 12:57:00 AM |

Venho falando isso já faz algum tempo e vou manter minha opinião, o cinema brasileiro está dando largos passos ao sair da zona de conforto e não ficar somente com dramas e comédias, ousando em romances, ficções, terrores e por aí vai, mas se tem algo que ainda precisa ser removido da mente dos roteiristas é fazer um longa bem longo com formato de série para ser exibido talvez não na sua totalidade, pois isso é algo que realmente cansa bastante o público, e por vezes até atrapalha a sinergia da trama. Diria que o maior problema de "O Nó Do Diabo" é ter esse formato de forma invertida, entregando um problema atual de preconceito e usando da mesma fazenda e dos diversos ancestrais dos donos e dos moradores negros dali vamos voltando em diversas épocas até chegar em 1818 com 5 curtas quebrados, dirigidos inclusive por pessoas diferentes, mas bem moldados para parecer um filme só capitular, ou seja, talvez se tivessem trabalhado melhor a ideia, lapidado as diversas pontas que só serviram para enrolação (o quarto capítulo repete as mesmas cenas pelo menos 4 vezes!) e feito um único filme com transições temporais, teríamos algo incrível, e que passaria a mesma mensagem, mas aí não funcionaria como provavelmente veremos daqui uns dias, passando em lugares cada dia com um curta. Não diria que foi um filme no geral péssimo, mas a forma dele, e a não entrega tão forte do que poderia ser passado pela mensagem, o fizeram ser mediano, pois cansa demais na maior parte, e só os pontos de encaixe que são bem interessantes para envolver.

A sinopse do longa nos mostra que há dois séculos, no período da escravidão, uma fazenda canavieira era palco de horrores. Anos depois, o passado cruel permanece marcado nas paredes do local, mesmo que ninguém perceba. Eventos estranhos começam a se desenvolver e a morte torna-se evidente. Cinco contos de horror ilustram a narrativa.

O primeiro conto situado em 2018, dirigido por Ramon Porto Mota, o que mais vale a atenção é em cima do caos que vivemos hoje de intolerância, preconceitos e tudo mais em cima de que vale pensarmos como anda tudo em cima da loucura doentia que fica em cima do capataz da fazenda, ou seja, ele nem trabalha tanto interpretações, mas vale bem ouvir tudo o que é falado no rádio e visto as atitudes do rapaz.

O segundo conto nos coloca em 1987, aonde um casal vai pedir emprego em uma fazenda, e a direção de Gabriel Martins vem bem colocada, e causa muita tensão tanto na história quanto nas expressões de todos os protagonistas, desde os donos da fazenda, quanto do casal e dos "monstros" que circulam o pensamento e o misticismo por trás da fazenda, de modo que causa demais, entrega muita possibilidade e incrivelmente se o filme ficasse só em cima desse curta seria ótimo, pois é muito tenso e muito interessante ao mesmo tempo.

O terceiro recai sobre 1921, e o diretor Ian Abé nos coloca mais em um ambiente de escravidão, aonde as protagonistas femininas são abusadas, torturadas e claro também se revoltam, mas aí entrou alguns trejeitos sobrenaturais que forçaram um pouco a amizade, mas a ideia de tensão é forte e bem usada, que consegue mostrar estilo na proposta, talvez um pouco menos de coisas fora do padrão agradaria mais, mas conseguiu entregar um filme condizente ao menos.

O quarto curta entra em 1871, e o diretor Jhesus Tribuzi com certeza tem a história mais curta e simples, que mostra um filho de escravo alforriado fugindo da fazenda, e só, ficando numa viagem espiritual, passando por maus bocados no meio do caminho, mas fica quase num looping repetitivo e cansativo que não sai do lugar e até dá sono pela execução, ficando o pior de todos.

O quinto conto sem dúvida alguma tinha tudo para ser representativo em 1818, mostrando a fuga dos quilombolas para um estilo de refúgio "blindado" dos fazendeiros, e foi dirigido pelo diretor do primeiro curta Ramon Porto Mota, que até aparentava estar indo bem na condução com personagens coesos falando de ervas medicinais, uma boa luta de armas contra sem armas, mas aí entrou algo ficcional tão absurdo que minha reação no cinema foi de muita risada, e depois de quase dormir com o quarto curta, ri um monte com a aparição dos personagens estranhos "cultivados", e pronto finaliza o longa, ou seja, jogou tudo pelos ares.

Bem, dessa vez falei um pouco de cada um, mas não foquei em nenhum personagem, nem nas atuações, pois todos foram honestos, mas nada que surpreendesse, e sendo assim, vou deixar apenas como coloquei falando um pouco de cada um dos curtas, afinal de conhecidos realmente só Zezé Motta no último curta e Isabél Zuaa que vimos bem no filme "As Boas Maneiras", mas nenhuma delas surpreendeu em nada, então melhor deixar quieto nesse quesito.

No conceito cênico, basicamente temos a fazendo como centro de tudo, e algumas outras locações ao redor, como a favela no primeiro curta que usou mais as pichações como elementos cênicos, a casa de empregados no segundo com muitos elementos cênicos fortes de tortura, o terceiro usou mais do figurino e claro do canavial, no quarto tivemos as locações de pedras como esconderijos, e no quinto tivemos o forte de escravos bem cheio de simbologia, ou seja, tivemos uma técnica interessante ao menos no conceito artístico. A fotografia focou praticamente toda no escuro, usando elementos de sombras com iluminações paralelas como lanternas, velas, fogo e tudo mais que deu um charme. O figurino também foi bem elaborado junto com muito sangue para a maquiagem, ou seja, um trabalho forte da equipe técnica.

Enfim, volto no começo do meu texto dizendo que preferiria muito mais um filme só do que uma série de TV no cinema, e infelizmente temos uma série alongada demais que como filme não funciona, e sendo assim, só recomendo ele como material de pesquisa e exemplificação de diferentes épocas escravagistas, pois dá para trabalhar toda uma discussão em cima, mas nada que você saia impressionado da sessão. Bem fico por aqui encerrando então essa semana cinematográfica que foi bem grandiosa, mas volto já na próxima quinta com algumas estreias, então abraços e até breve.

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De Carona Para o Amor (Tout Le Monde Debout) (Rolling To You)

6/17/2018 03:09:00 AM |

É difícil não sair feliz depois de conferir uma boa comédia romântica francesa, pois trabalham com uma sintonia tão forte, envolvendo os elementos com uma certeza de não precisar colocar nada a mais que faz o público gargalhar e também se emocionar encaixando elos certeiros para cada momento, e aqui em "De Carona Para o Amor" a trama é tão bem feita, cheia de encaixes divertidíssimos com as mentiras do protagonista, que vamos nos afeiçoando tanto a ele, rindo sem parar que até passamos a torcer para ele não se ferrar com a quantidade de histórias que inventa, de modo que o longa soa incrível de conferir e sem dúvida entra para o grupo dos melhores longas do Festival Varilux desse ano, sendo recomendado para quando estrear comercialmente que quem não viu veja, pois é diversão gostosa na certa.

A trama nos mostra que Jocelyn é um empresário muito bem-sucedido, extremamente egocêntrico e egoísta, sempre disposto a inventar mentiras para tirar vantagem em qualquer situação promissora. Um dia, ele resolve seduzir uma bela mulher fingindo sofrer de uma deficiência. No entanto, fica mais difícil sustentar a farsa quando ele é apresentado a nova cunhada, que é realmente deficiente.

Em sua primeira direção, Franck Dubosc veio com um roteiro também seu, e de forma genial ainda teve uma capacidade incrível para trabalhar as dinâmicas não só de seu personagem, bem como colocar personalidade nos atos e desenvolver um longa completo de momentos interessantes e divertidos, de tal maneira que vemos ele bem desenvolvido, mostrando situações casuais como relação de chefe e assistente, relação de paciente e médico (mesmo com uma grande amizade), relação familiar, e principalmente relações de mentiras que acabam se desenvolvendo para rumos que certamente acabam bem difíceis de desmentir, ou seja, um trabalho bem coeso do roteiro que ele como diretor soube trabalhar para que o longa não ficasse nem bobinho demais, nem exageradamente impregnado ao ponto de cair para o lado das comédias dramáticas, e sendo assim podemos dizer que acertou bem sua mão para que o filme divertisse bem e agradasse sem ser apelativo, e principalmente, tendo uma dinâmica de ritmos perfeita para passar toda a duração do filme em minutos.

Quanto das atuações, o diretor Franck Dubosc mandou muito bem como Jocelyn, entregando um mentiroso sedutor de primeira linha, cheio de charme, de olhares cativantes e trejeitos encaixados na medida certa para cada ato, ou seja, perfeito para o papel de modo que fica até difícil pensar em outro ator que não ele próprio no papel. Alexandra Lamy nos entregou uma Florence incrível, linda, talentosa e cheia de dinâmica, de tal maneira que ficamos bobos com suas sutilezas, seus trejeitos carismáticos e tudo mais, que não tem como não se apaixonar por ela, e sua cena com a irmã na loja é de uma sinceridade para com o momento que ficamos de queixo caído, além claro da emocionante cena final. Gérard Darmon veio pronto para ser um Max incrível, como proctologista bem encaixado e sendo o melhor amigo do protagonista também foi direto nas piadas e bons trejeitos, de tal maneira que diverte sem apelar e agrada demais. Elsa Zylberstein foi perfeita como a assistente Marie, trabalhando olhares apaixonados, mas também com uma grande sinceridade pelo chefe, de tal forma que conseguiu soar divertida e interessante até ter uma das cenas mais comoventes e fortes do longa com seu momento solo, e o fechamento do momento foi muito bacana de ver, num acerto perfeito de ambos atores. Ou seja, poderia falar de outros personagens, mas basicamente todos agradaram e assim sendo o resultado das atuações só tem uma palavra para definir: perfeito.

No conceito artístico o longa passeou por locações incríveis, desde o apartamento com piscina móvel de impressionar qualquer um do protagonista, passando pelo detalhado apartamento da mãe para remeter completamente ao ar italiano da família, indo para um concerto em Praga, tendo um ótimo jogo de tênis para cadeirantes num grande estádio, indo até o escritório da grandiosa empresa que o protagonista trabalha, passeando por locações religiosas, e muito mais, tudo trabalhado com muitos elementos, cadeiras de rodas cheias de personalidade e muita clareza para que tudo fosse usado sem forçar a barra, ou seja, que ficasse uma comédia de classe maior, aonde um trabalho artísticos fosse valorizado dentro da proposta. A fotografia não teve muita ousadia, brincando mais com tons coloridos para dar o ar divertido do longa, sendo diferenciada em uma ou outra cena mais dramática aonde os clichês até apareceram como chuva ou tons mais escuros para puxar o filme para algo mais tenso, mas nada que chame muita atenção.

Enfim, é um longa bem gostoso mesmo, que diverte, emociona e transmite um carisma que dificilmente vemos em longas de outros países, pois só os franceses conseguem esse estilo, mas para ser perfeito só faltou um detalhe, e aí entra um leve spoiler, finalizar bonitinho e feliz, pois geralmente algo que funciona demais nas comédias românticas francesas é o fato do longa acabar de uma maneira mais dura e consciente, com quem fez coisas ruins até pagando pelo que fez, e aqui isso não ocorre, fechando da maneira mais tradicional que até agrada, mas poderiam ter ido por um vértice diferenciado que seria incrível da mesma forma, e só por esse detalhe vou tirar um coelhinho da nota, mas ainda assim é um longa da melhor qualidade que recomendo demais. Bem é isso pessoal, diria que acabo aqui minha maratona com o último longa do Festival Varilux que faltava conferir, lembrando que o Festival segue até o dia 20, então quem não viu algum corra para não reclamar depois de não aparecer na cidade tal filme. Agora só tenho uma pré-estreia no meio da semana para completar todos os 32 filmes que havia programado para assistir durante minhas férias, então fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Do Jeito Que Elas Querem (Book Club)

6/16/2018 08:27:00 PM |

Já disse algumas vezes que livros mudam a mente das pessoas, e geralmente a forma que alguns longas trabalham isso conseguem florear bem próximo de realidades, mudando inclusive suas vidas. Aqui em "Do Jeito Que Elas Querem" muitos irão achar o filme bobinho e emocional, com situações marcadas, mas se pararmos para analisar a fundo, muitas coisas que acabaram nos mostrando no filme são duras realidades, de pessoas que morrem praticamente ao chegar nos 50-60 anos, não tendo mais vontade para nada, e principalmente ocorre com pessoas bem sucedidas, afinal chegam nessa época já gastas, e não desejando mais aventuras, quanto mais momentos picantes na vida sexual, e o longa brinca com a mudança que os livros da série 50 tons acaba causando num grupo de amigas que se reúnem para um grupo de leitura todos os meses. Diria que a sacada foi boa, que a forma emocional e divertida foi trabalhada com bons tons e o filme acaba fluindo de uma maneira bem gostosa, não soando apelativo e nem discondizendo com a proposta, pois poderia ser mais de mente aberta caso quisessem, mas souberam dosar bem e agradar não só o público-alvo como agradar os mais jovens que forem ao cinema se divertir.

A trama nos mostra que quatro amigas têm suas vidas viradas de cabeça para baixo quando dão inicío a nova leitura do mês e são apresentadas ao livro “Cinquenta Tons de Cinza”. Diane ficou viúva após 40 anos de casamento. Vivian gosta de seus relacionamentos sem compromisso. Sharon ainda está trabalhando em um divórcio de décadas e o casamento de Carol está em baixa após 35 anos. A leitura estimula romances e reavive velhas chamas. Juntas, as amigas incentivam uma a outra, para tornar o próximo capítulo de suas vidas o melhor de todos.

Em sua primeira direção de longas, Bill Holderman conseguiu criar um roteiro bem moldado, com diversas situações fluindo de forma agradável, e que felizmente vemos a mão do diretor na condução da trama, de modo que tudo não soa exagerado, os momentos são entregues em doses bem agradáveis, e cada particularidade da vida de cada uma das protagonistas é bem desenvolvida, não sendo jogada apenas na trama. Claro que para isso, a trama desenvolveu um ar quase novelesco, com várias subtramas que se interconectam, mas mesmo seguindo esse molde, o longa não enrosca, tendo vértices próprios para que o longa agrade sem ficar enrolando. Ou seja, uma boa direção em cima de uma história conveniente que até poderia ser uma versão mais old de "Sex and the City" bem colocada dentro do tempo de um filme.

Agora boa parte do funcionamento do longa se deve primorosamente às maravilhosas atuações das protagonistas, que se não são amigas realmente fora dos sets, passaram completamente essa sensação de amizade de mais de 40 anos na telona, ou seja, uma química incrível. Diane Keaton tem uma dinâmica de olhares tão forte que sempre dá vida para suas personagens com uma classe tão bela de ver, que sua Diane acaba ficando leve e gostosa como uma mãe aonde as filhas opinam em tudo o que faz e acabam sendo até protetoras demais, e olha que uma das filhas é Alicia Silverstone quase irreconhecível nas suas poucas cenas. Agora se você quer estar com muitos anos e ainda estar com tudo em cima, fale com Jane Fonda e pergunte seu segredo, pois se for como sua personagem Vivian vive a vida, está bem fácil para todas, basta nunca casar nem dormir a noite toda com um homem, e ela foi muito plena de demonstrações, agradando com uma postura forte de quem sabe bem o que quer, entregando ótimos trejeitos e sendo incrível. Candice Bergen foi mais dura com sua Sharon, ou melhor com sua postura de juíza durona, trabalhando com olhares mais fortes, colocando uma personalidade realmente para o papel, mas suas cenas de encontros foram as mais divertidas e claro agradáveis para rir muito, afinal encontros pela net sempre são complexos, e ela brincou bastante em cena. Diria que Mary Steenburgen foi a mais simples de personalidade com sua Carol, de modo que até fez bons trejeitos, mas colocou mais em jogo o lance do casamento perfeito que está um pouco desgastado, mas que pode ter jeito, e com isso a trama deles é a que mais emociona o final, embora pudesse ter outros ares. Quanto dos homens da produção, todos foram mais conexões para a trama das mulheres, de modo que não temos nada de muito forte em suas expressões, tendo um destaque maior para Andy Garcia com seu Mitchell, mais pela cena de marcação do encontro muito bem colocada na trama e pelos momentos em sua casa maravilhosa do que pelos seus trejeitos, e também Craig T. Nelson pelas frias que seu Bruce acaba enfrentando com sua mulher.

A equipe de arte gastou bastante com vinhos para as reuniões das mulheres, e foi incrivelmente coerente nas escolhas das locações, encontrando na medida certa as casas para as mulheres bem sucedidas que nos foram apresentadas, mas principalmente para a casa do piloto, que num capricho incrivelmente cenográfico ficou bela na composição e nas imagens de fundo, que se foi real, arrumaram algo para guardar em um quadro. Tivemos também ótimos figurinos e bons elementos cênicos para dar complemento à história, e isso mostrou um belo trabalho realmente da equipe. O tom da fotografia ficou mais colorido, afinal não quiseram dramatizar nem romantizar tanto as cenas, de modo que tudo parece até iluminado demais, mas sem erros aparentes.

A trama também contou com uma boa trilha a sonora cheia de clássicos e músicas novas para compor os diversos momentos, e dar um ritmo até que bem dinâmico, e claro que deixo o link para todos escutaram.

Enfim, é um filme simples, mas que diverte e também emociona. Não diria que é a melhor obra do estilo, mas souberam ser coerentes e trabalhar com a trama para que fosse um filme mais motivacional do que algo cheio de nuances, e sendo assim recomendo ele mais para as mulheres mais experientes, mas quem for mais nova também irá se divertir também. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou para o meu último filme das férias, nessa super maratona de 31 filmes em 10 dias, que certamente foram cansativos, mas que não poderiam ser melhores, então abraços e até logo mais com o último texto da maratona.

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A Raposa Má (Le Grand Méchant Renard et Autres Contes) (The Big Bad Fox and Other Tales)

6/16/2018 04:03:00 PM |

Muitos desenhos da TV possuem especiais natalinos de final de ano, aonde contam histórias bonitinhas curtas que envolvem e se desenvolvem bem fora da trama normal do dia a dia, e aqui com o longa "A Raposa Má", que traduzindo literalmente o título original teríamos "a raposa má e outros contos", vemos exatamente isso, uma trama bem simples dos personagens criando três historinhas bacanas, com um desenho a mão bem singelo em que não vemos muita evolução, mas sim algo bonitinho e dentro de uma proposta de atingir realmente um público bem infantil, ou seja, pequenos com no máximo 10 anos. Dito isso, o longa veio no Festival com a proposta de ter espaço também para as crianças, já que veio dublado e não em francês como todos os demais filmes, e sendo assim só vale para mostrar a sutileza que as produções desse estilo andam entregando na França para nós adultos, enquanto os menores até irão curtir o que verão.

A sinopse nos conta que aqueles que pensam que o campo é um lugar calmo e tranquilo estão muito enganados. Lá, vivem animais especialmente agitados: uma raposa que pensa que é galinha, um coelho que se faz de cegonha e um pato que quer tomar o lugar de Papai Noel. Se você quiser passar férias em um lugar sossegado, não pegue esse caminho!

A trama nos conta três pequenas, bonitas e engraçadas histórias bem sutis, duas sendo dirigidas por Patrick Imbert ("Um bebê para entregar" e "Salvando o Natal") e uma por Benjamin Renner("A Raposa Má"), que inclusive já foi indicado ao Oscar com seu longa anterior, e o que podemos dizer facilmente é que cumpriram a missão de entregar um filme bem bonitinho, que funciona como disse acima como um episódio especial, e nada além, mas se temos de destacar algo é que numa época que praticamente não vemos mais desenhos feitos a mão nas telinhas e telonas, o resultado aqui acaba sendo de um primor simples, mas bem bonito de se ver, e sendo assim a técnica empregada mostrou bons resultados.

Dentre as três historias, a primeira "Um bebê para entregar" é graciosa pela genialidade dos personagens em querer usar os meios mais malucos para levar o bebê do campo para a cidade, e isso soa mais divertido ainda quando acham um animal chinês perdido, ou seja, altas trapalhadas. A segunda "A Raposa Má" brinca com a dupla personalidade e com a ideologia de que os animais ao nascer desenvolvem um carinho maternal com a primeira coisa que veem, e assim temos algo doce e bonito que brinca bem com a forma atual de famílias no mundo moderno. E a terceira, "Salvando o Natal" mostra a tradicional jogada de acreditar ou não no mito do Papai Noel, e na busca de ajudar nas entregas de presentes de uma forma bem graciosa e cheia de trapalhadas.

Quanto dos personagens todos soaram bem divertidos, tendo o porco um destaque maior em duas histórias, mas a raposa foi bem usada no segundo e assim todos podem dizer que foram bonitinhos de ver e possuíram graciosidade na forma de passar as mensagens, não sendo nada muito detalhado, mas também passando longe de algo ruim.

Enfim, volto a dizer que ele só veio no Festival Varilux para vermos como andam as produções desse estilo, e por ter um diretor premiado, senão essa certamente seria uma história que nem nas TVs nacionais veríamos, pois é bem infantil mesmo, mas que funciona dentro da proposta passada, e certamente na França deve ter feito os pequeninos bem contentes. Bem é isso, fico por aqui agora, mas já vou para o próximo longa do dia, então abraços e até logo mais.

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Jurassic World - Reino Ameaçado em Imax 3D (Jurassic World: Fallen Kingdom)

6/16/2018 02:58:00 AM |

Quando assistimos em 2015, "Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros" a nostalgia bateu na porta sem dó, fazendo com que remetêssemos nossa infância vendo "Jurassic Park" e todos aqueles dinossauros imensos passeando num mega parque tecnológico cheio de referências e tudo mais, então quando anunciaram a sequência já nos empolgamos para ver o que havia virado da ilha após a destruição do parque, como sobreviveram os dinossauros agora sem jaulas, vivendo em um habitat livre, pois bem aí eis que começaram a surgir os trailers de "Jurassic World - Reino Ameaçado" e não vimos bem o que desejávamos tanto, que iriam seguir por uma outra linha, mas tudo bem, o que queríamos mesmo eram os bichões mandando ver, então se isso seria usado, já estava valendo. Pois bem, o que posso adiantar logo de cara é que devido à tecnologia 3D, juntamente com cada vez melhores renderizações das computações, as texturas dos dinossauros estão incríveis num nível tão forte que impressiona demais, de modo que em alguns momentos (dois para ser exato), ficaríamos bem preocupados se não soubesse da ficção de poder encontrar algum dino fugido da telona do cinema no estacionamento do shopping, ou seja, a qualidade está realmente boa. Porém colocaram tantas confusões e cenas de ação, que esqueceram de uma história mais plausível, o que diferencia plenamente do primeiro longa, e a maior decepção é que praticamente o filme inteiro está no trailer, tendo um ou dois momentos novos e seus desenvolvimentos, sem apresentar nada de incrível realmente, ou seja, faltou muito para termos uma história forte. Mas é o que costuma acontecer quando anunciam ser uma trilogia, com um filme ótimo, um de miolo apenas para segurar a trama e explicar algum acontecimento, e o fechamento, que esperaremos ser com chave de ouro, então vamos aguardar. Mas não desanimem de ver esse, pois temos ótimos momentos bem bacanas que causam tensão e cheio de ação para conferir.

A sinopse nos conta que três anos se passaram desde que os dinossauros destruíram o parque Jurassic World. Os que restaram agora vivem abandonados e lutam para sobreviver. A situação dos animais piora quando um vulcão está prestes a entrar em erupção. É quando Owen e Claire planejam uma operação de resgate para evitar uma nova extinção dos répteis. Mas essa tarefa pode causar graves consequências para a humanidade.

É engraçado como uma mudança de direção faz toda a diferença, pois enquanto Collin Trevorrow fez um primeiro filme divertido e gostoso de acompanhar, que mesmo com mortes fortes passava com naturalidade, aqui J.A. Bayona, que costuma fazer mais filmes dramáticos e de terror, acabou imprimindo uma trama mais densa, forte, cheia de tensão que causa um impacto bem interessante no público durante toda a exibição, fazendo com que as mortes sejam sofridas e diretas, sem muita aventura para passar, com personagens "humanos" querendo o mal sem precedentes, e com muitos animais mais "humanos" que tentam se salvar, ou seja, um filme cheio de contrapontos, que poderia ter rendido um filme incrível caso quisessem construir uma história mais envolvente, pois até temos muita coisa para ser trabalhada, tivemos personagens dos longas originais aparecendo, e muita ideologia sendo passada, mas o que ficará marcado são apenas as cenas de correria e matança, pois o filme deixa claro que isso é o que importa logo de cara.

Dentro das interpretações, diria que daria um Oscar para cada dinossauro, pelos ótimos olhares, trejeitos e dinâmicas que criaram, mas como eles não concorrem, vamos falar um pouco de cada um dos humanos que participaram do filme deles. Para começar Chris Pratt volta com seu Owen praticamente no mesmo ponto que iniciou o filme anterior, fazendo mesmos trejeitos, salvando os dinos e as moças indefesas, só que agora martelando um chalé após se separar da protagonista do primeiro filme ao invés de estar martelando sua moto também após uma noitada ruim com a protagonista, ou seja, deem um martelo para ele que é melhor que uma arma, e casem logo eles. Bryce Dallas Howard mudou o visual nesse meio tempo e sua Claire parece até mais nova do que no primeiro filme, e agora virou uma ativista pró-dinos, e seus trejeitos apaixonados pelos bichões são muito meigos e agradam bem, mas continua com o mesmo tom artificial do primeiro filme, ao menos agora usa botas ao invés de saltos para correr. Justice Smith e Daniella Pineda foram bem divertidos com seus papeis de Franklin e Zia, e serviram bem para isso, para dar um tom levemente cômico para a trama e nada mais, pois de resto apareceram em cenas jogadas e ficaram andando para lá e para cá, o rapaz ainda deu uns gritos exagerados que poderiam ser minimizados. Rafe Spall teoricamente virou um novo tipo de vilão com seu Eli Mills, soando bacana num primeiro momento, mas seus olhares e trejeitos entregaram rapidamente suas intenções, e o ator até foi bem, tirando seu desespero no leilão, que aí ficou estranho demais. Ted Levine fez um militar durão cheio de expressões, querendo montar seu belo colar e ficar bem rico após sua missão, mas apenas fez caras fortes com seu Wheatley não indo muito longe no teor da trama. A jovem Isabella Sermon até trabalhou bem com olhares desesperados, muito choro e caras assustadas para com sua Maisie, mas nada que impressione realmente, tirando suas desenvolturas nos telhados do casarão. Dentre a turma das antigas, temos BD Wong já em seu quinto filme da franquia (já tem direito a placa no memorial do longa!) com seu Dr. Wu, e como bem vemos, como ele que cria os dinos geneticamente modificados, irá ficar até o 10º filme, e após não surgir no longa anterior, temos a volta de Jeff Goldblum agora envelhecido com seu Malcolm depondo num tribunal, e talvez no longa seguinte tenha alguma importância mais forte do que apenas ficar falando. Dentre os demais, a maioria só serviu de comida para os dinos, e nada mais.

Falar do conceito cênico de um longa idealizado lá trás por Steven Spielberg, e que aqui é o responsável pela produção, é o mesmo que falar que tentar explicar a beleza sem saber o que falar, pois o filme tem tantos elementos bem colocados, como a ilha sendo devastada pelo vulcão com imagens impressionantes e incríveis (os dinossauros que sobram é de doer o coração numa cena tão bela quanto forte), as diversas paisagens mesmo que tudo destruído do parque ainda aparecendo, um navio imenso abarrotado de caminhões e jaulas gigantes com os dinossauros presos, uma mansão incrível cheia de detalhes para que acontecesse um leilão cheio de força, e claro muitos símbolos para remeter à todos os demais filmes. Dinossauros computadorizados sim, mas cada vez mais reais de texturas, assustando realmente e causando um impacto incrível. Efeitos de primeira linha que junto da tecnologia 3D conseguiram dar forma para o longa (não diria que tem tantas cenas com expressividade na tecnologia como alguns gostam, com muitas coisas saindo para fora da tela, mas alguns dinos vem bem perto da telona e até parecem estar na sala do cinema), mas certamente a funcionalidade da filmagem em 3D ajudou na composição do ambiente, e isso já é um excelente recurso. Ou seja, uma arte primorosa, que junto de uma equipe de fotografia que soube brincar com tons bem escuros, raios e choques para todo lado para dar tons de impacto, nas cenas na ilha a lava e os pedaços de pedra voando deram um tom avermelhado bem bonito no meio de toda a fumaça, ou seja, o diretor criou uma tensão realmente desde a primeira cena, e manteve o tom até o fim.

Enfim, é um filme bem forte e interessante de ser acompanhado, que diverte mais pela essência e causa tensão e desespero em diversas cenas, mas que passou bem longe do delicioso primeiro filme dessa nova trilogia, e precisarão acertar bem o tom no próximo para consertar e chamar o público novamente, pois aqui houveram falhas de ritmo bem grandes (o miolo cansa!), e sendo o miolo da trilogia, poderiam ter trabalhado muito mais no texto para incorporar tudo o que desejavam realmente. Ainda recomendo ele com certeza, pois a ação e a tensão, juntamente com os ótimos dinossauros realmente impressionam e valem assistir ao filme, mas esperava bem mais de história ou pelo menos de aventura vindo de algo que em 2015 marcou uma renovação no estilo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas amanhã estou de volta com os últimos filmes da minha super maratona, então abraços e até lá.

PS: Estou dando um 8 mas merecia um 7,5... apenas arredondei para cima pelas boas cenas dos dinossauros, que se pararmos pra pensar foram muito mais humanos que os que foram interpretados por atores.

PS2: A cena pós-crédito é tão inútil e rápida, apenas mostrando onde os primeiros dinos chegam, e nada mais.

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Custódia (Jusqu’à la Garde) (Custody)

6/15/2018 08:37:00 PM |

Alguns filmes trabalham situações que sabemos existir, mas que não desejamos ver acontecendo nem nas telonas, e uma delas que sempre tem força visual e impactante são os processos de separação, aonde se tem filhos para entrar na discussão de guardas. Até aí teríamos alguns julgamentos fortes e diversos desenvolvimentos que vários filmes fortes já trabalharam, mas o francês "Custódia" vai além quando temos uma pessoa violenta entre os pais, e aí meus amigos, se preparem para um filme que dá raiva, dá desespero, entre muitos outros sentimentos, pois embora tenha alguns momentos mais lentos para reflexões, o longa consegue ir tão forte para as cenas finais que impressiona muito ao final, e o resultado é de chocar realmente.

A sinopse nos conta que o casal Miriam e Antoine Besson acabar de se divorciar. E para garantir a proteção de seu filho do pai, que ela acusa de ser violento, Miriam pede a custódia exclusiva. O juiz, no entanto, acaba concedendo custódia compartilhada aos dois. Tomado quase como um refém entre seus pais, Julien fará tudo para evitar o pior.

Em sua primeira direção e roteiro de longas, Xavier Legrand, que com seu curta de estreia ("Avant que de tout perdre") acabou ganhando uma indicação ao Oscar 2014, conseguiu criar algo muito forte para um drama familiar, conectando elos fortes que ouvimos muitas vezes sobre abusos de pais, violência familiar e julgamentos aonde os juízes acabam nem ouvindo direito sobre o que lhe é mostrado e acabam fazendo coisas erradas. Mas a história poderia ser contada sobre diversos olhares, e o diretor soube criar uma forma simples e dura, que entrega logo de cara algumas mentiras e surpreende o público, mas com o impacto tanto na cena final, quanto na última cena exatamente que mostra uma realidade ainda mais forte do mundo, e não da situação do longa, ele foi criterioso e pontuou exatamente sua opinião para não deixar dúvidas de que lado estava, e assim sendo seu filme ficou incrível. Sei que muitos vão reclamar de o filme dar um encerramento brusco, sem muitas explicações ao final, mas o resultado do impacto funciona bem assim, então vale como foi feito.

Dentre as atuações, diria que é até difícil falar individualmente, pois a trama funciona na composição completa, e assim todos os protagonistas conseguiram chamar muita atenção. Léa Drucker entregou sua Miriam sensata no julgamento, desconfiada no apartamento, e em choque/desespero nas cenas finais, trabalhando de forma concisa nos olhares e falando o mínimo necessário. Denis Ménochet trabalhou um Antoine no limite da explosão, com olhares secos e até conseguiu enganar um pouco nos seus momentos mais leves, mas foi com impacto nas suas duas cenas mais fortes que mostrou atitude e até assustou. O jovem Thomas Gioria fez um Julien que inicialmente achamos meio bobo, e que até parece estar fazendo birra com seu "trauma" contra o pai, mas ao final o jovem mostrou sentimentos duros e acabamos vendo que o jovem soube bem trabalhar e entregar tudo expressivamente. Mathilde Auveneux apareceu pouco com sua Joséphine, e aparentou ser exageradamente mimada, e a atriz poderia ter feito um pouco mais para não soar simplória, embora tenha uma cena sua no banheiro completamente desnecessária para a trama (vão falar que pode ser outra coisa, algum envolvimento do pai e tudo mais, mas soou forçada e fora do contexto, um pouco ao menos). Quanto aos demais, todos dão boas conexões, mas sem destaques para a trama realmente valer.

No conceito cênico o longa trabalhou de forma bem simples com tudo, não tendo nada que surpreenda, desde as casas dos avós aonde se comem apenas, mas na dos pais temos um pouco mais de discussão à mesa, contou com um apartamento simples num conjunto residencial mais simples ainda, uma festa completamente doida apenas para ter alguma cena a mais, pois os diálogos lá dentro nem são ouvidos, mas os de fora até causam impacto (talvez a música "Proud Mary" cantada pela protagonista tenha algum sentido, mas nada muito além lá dentro), e sendo assim o filme não pode ser considerado como uma obra de elementos cênicos, funcionando mais pela tensão do roteiro em si do que pelo visual. A fotografia exagerou muito de cenas escuras, para realçar algo mais verossímil ao invés de ousar e colocar luzes falsas de abajures por exemplo, o que tornou o filme mais caseiro, e não digo que seja errado, mas acaba deixando a trama um pouco feia demais visualmente, e poderia ter sido algo mais valorizado talvez.

Enfim, é um filme que diria ser mais cru realmente, ou seja, de impacto, que vai lá, faz e acontece apenas, sem muitas firulas e tudo mais, aonde muitos sairão chocados e/ou revoltados com tudo, mas infelizmente isso acontece com uma certa frequência mundo afora, então vale a reflexão. E assim sendo fica minha recomendação como filme e também para que as mulheres conhecerem melhor seus parceiros antes de terem filhos, pois ninguém muda. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas daqui a pouco vou para mais um longa, então abraços e até amanhã com mais textos.

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A Aparição (L'apparition) (The Apparition)

6/15/2018 03:14:00 AM |

Já disse isso nessa semana, mas volto a afirmar que se existe um pessoal incrível para criação de roteiros, essa turma está na França, mas ainda a praça deles são dramas e comédias bem dirigidas que acabam saindo com um primor fora do comum, e quando tentam verter em algo mais fantasioso costumam cansar o público pela falta de ritmo e uma produção mais emocionante. Digo isso sem pensar duas vezes, e posso até me enganar, afinal sempre terá exceções, mas o que vimos aqui em "A Aparição" é um roteiro incrível sobre investigação, sobre fé, sobre verdades ou mentiras e muito mais, mas que ao transformar em algo capitular, e enrolar num desenvolvimento lento para que acabássemos acreditando num envolvimento maior, para que a investigação fosse a fundo e tudo mais, acabou que o longa que tinha uma essência incrível ficou cansativo demais, e com isso a trama cheia de detalhes não permeou o que poderia ser um feito de arrepiar nas mãos de uma equipe americana ou inglesa, que certamente não deixaria o longa em capítulos e resolveria tudo em meia dúzia de cenas. Não digo em hipótese alguma que o longa francês aqui seja ruim, muito pelo contrário, ele envolve e faz a discussão florescer muito dentro das diversas possibilidades, e até usando da resolução fraca e rápida ainda continua bom, mas falta muito ritmo para que ficasse agradável e interessante de conferir mais comercialmente.

A trama nos apresenta Jacques, grande repórter de um jornal francês, que recebe um misterioso telefonema do Vaticano. Em um pequeno vilarejo no sudeste da França, uma jovem de 18 anos afirma ter visto a aparição da Virgem Maria. Os rumores logo se espalham, e o fenômeno toma tal dimensão que milhares de peregrinos vão se reunir no local das supostas aparições. Jacques, que não tem nada a ver com esse mundo, aceita fazer parte de uma comissão de investigação encarregada de esclarecer esses eventos.

É estranho que o diretor e roteirista Xavier Giannoli, que é mais acostumado a fazer comédias dramáticas e romances, tenha criado uma história tão tensa, pois geralmente o gênero fantasioso, ou até vamos colocar com uma proposta de baseado em fatos reais, é comum de vermos outro tipo de diretores tramando, mas ele soube pontuar na trama detalhes bem críveis e interessantes de vermos no estilo, de modo que a ideia investigativa acaba funcionando bem e o longa tem um vértice dramático bem empossado. Mas como seu estilo é algo mais alegre ou com desenvolturas diferentes, fica fácil notar a dificuldade em conectar tudo, e dessa forma foi para o caminho mais fácil para um roteirista, que é capitular tudo e não necessitar mudar os caminhos da direção dentro do longa, deixando que cada capítulo se resolva por si, e dessa forma como sua história possuía muitas vertentes, seu filme acabou arrastado e longo, o que não era para acontecer, se apontasse logo o rumo da investigação e lá tudo fosse apresentado. Ou seja, o molde da trama é como se tivéssemos um livro completo contado na telona, com capítulos se desenvolvendo lentamente, para que no final concluíssemos a investigação da trama junto com os protagonistas e claro com o diretor, de forma que vamos até tendo algumas ideias no meio, mas o final mesmo só vamos saber no encerramento, e assim, falta com a dinâmica de cinema, que tem de ser mais forte para não cansar o público. Ou seja, não digo que seu longa tenha sido falho e ruim, pois a história é ótima, digna de livro realmente, mas faltou um ritmo mais acelerado para convencer a todos de sua opinião e aí sim comover quem estava vendo.

Quanto das atuações, temos Vincent Lindon colocando seu Jacques com olhares tensos em busca de uma verdade, investigando em miúdos cada ponto como um bom jornalista vai a caça, e sintonizando cada momento com trejeitos cirúrgicos de tal forma que ficamos quase no bolso de sua camisa querendo ver cada minuto de investigação sua, e isso mostra que ele conseguiu nos conectar, e funcionar bem seu personagem, só talvez não concorde com suas últimas cenas, mas isso é do roteiro e não do ator, pois de resto foi perfeito. Como a esposa de Jacques diz, Galatéa Bellugi nos entregou uma Anna que dá mais medo do que devoção, de tal forma que seu olhar penetra no nosso, seus trejeitos são afiados e com a calma que vai falando vai entregando uma personalidade até leve, mas que tem de ser vista com muita calma. Patrick d'Assumçao com seu Padre Borrodine até foi humilde e interessante na concepção, demonstrou carinhos e também raivas, e oscilou bastante na condução, o que deixou muitas dúvidas no ar, e isso não poderia existir num filme investigativo. Anatole Taubman já de cara nos mostra que seu Anton é um picareta sem limites, e chega a dar raiva de ver que muitos por aí são iguaizinhos a ele, ou seja, trabalhou muito bem na personalidade, e jogou com trejeitos fortes que um vendedor deve realmente ter. O longa conta com muitos bons personagens, digo isso, sem colocar muitos bons atores na frente, pois os demais papeis soaram até debochados demais, e acabaram mais sendo figurantes com falas excessivas do que atores que fizeram por merecer algum destaque, e isso é ruim, pois poderiam ter trabalhado mais ao menos os outros personagens da investigação, para que tudo fluísse melhor, mas não tem jeito.

No conceito artístico, a equipe de arte trabalhou com muito afinco para que o longa fosse cheio de detalhes, começando com uma mostra de fotos fortes para entendermos um pouco o que aconteceu com o protagonista e seu amigo em meio a guerra (preste atenção nas fotos, será importante mais para o final do longa!), na sequência tivemos uma visita pelas áreas secretas do Vaticano (que não sei se é realmente daquela forma, mas soou convincente!), e chegamos finalmente para o vilarejo, aonde foram coesos em trabalhar uma igreja simples e cheia de fieis passeando pelas ruas, com fotos, velas e tudo mais da moça, criaram um sudário para ser investigado, trabalharam com elementos bem fortes no convento como a fabricação de pillows de plumas, e tudo mais, num trabalho bem minucioso e cheio de detalhes, passando até mesmo por diversos procedimentos de exames em hospitais, ou seja, detalhes em cima de detalhes para que a investigação fluísse, além de ir nas casas antigas da moça, conhecer cada cantinho de modo perfeito e mais preciso impossível. A fotografia floreou em tons escuros para criar uma dramaticidade mais forte e significativa, deixando tons bem claros com a garota na igreja para tentar passar uma serenidade e calma, mas nada muito fluído, ou seja, simples e efetivo que até poderia ter ido mais a fundo.

Enfim, é um longa que permeia bem a imaginação, que vai gerar muitas opiniões diferentes de acordo com a fé de cada um, mas que o diretor não quis apontar demais o dedo para não causar também, deixando que o fluxo e o público saísse da sessão com suas próprias opiniões. De modo geral, mesmo sendo lento demais, até recomendo ele, pois religião sendo investigada é algo sempre interessante de se discutir, então peço que vejam, mas irei torcer muito para que o roteiro caia na mão de algum diretor americano e aí sim teremos uma produção investigativa forte nos mesmos moldes de "O Código Da Vinci". Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, afinal ainda faltam cinco longas dessa maratona completa para conferir, então abraços e até logo mais.

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Sol da Meia-Noite (Midnight Sun)

6/14/2018 08:36:00 PM |

O mais interessante de filmes românticos que envolvem doenças é o fato de termos oportunidade de saber mais sobre ela, e claro, conhecer a doença, pois até antes de "Sol da Meia-Noite" sequer sabia dessa tal XP, e ao menos passado de forma bem rápida, agora caso algum dia saiba de alguém que tenha não irei levar para tomar um sol na praia. Dito isso, vamos falar do que interessa realmente, que é sobre o filme, e entrando nesse mérito, a trama é simples, bonitinha, mas tão carregada de clichês, que se ao menos tivessem me feito lavar o cinema, poderia até relevar os problemas de falta de técnica e furos de conteúdo, mas como esse é o maior problema do filme: o de não emocionar quando precisa. E sendo assim, a trama acaba soando apenas correta para ser daqueles que você assiste uma vez só é cansa sem talvez até querer ver o final, e olha que as garotas até mandaram bem nos trejeitos, a protagonista botou a voz pra jogo cantando realmente diversas músicas, e as paisagens foram interessantes, mas não decola, é o filho do mito Schwarzenegger precisa melhorar muito se quiser decolar também.

A sinopse nos conta que Katie é uma jovem de 17 anos que vive protegida dentro de sua casa desde a sua infância. Confinada no local durante os dias, ela possui uma rara doença que faz com que a menor quantidade de luz solar seja mortal. Sua situação muda quando seu destino se cruza com o de Charlie e eles iniciam um romance de verão.

Sim, o longa contém diversos momentos musicais, e deveria até ter mais, pois conhecido mais como diretor de videoclipes e de filmes musicais, o diretor Scott Speer, certamente conseguiria transformar a história triste que veio do anime japonês que foi baseado, "Taiyô No Uta" de Kenji Bando, em algo mais emocionante e vivenciado, mas talvez ficasse forte demais um musical sobre uma doença, ou seja, talvez fosse melhor um outro diretor. Digo isso, pois as cenas musicais foram boas, mas as cenas de envolvimento que mereciam um destaque maior para realmente emocionar o público, acabaram ficando tão em segundo plano, que mesmo os personagens chorando na tela, ficamos vendo como se nada tivesse acontecendo, e isso é um erro imenso que num primeiro tratamento de roteiro conseguiriam enxergar o problema. Ou seja, acabaram fazendo um filme bonito de essência, mas que não atinge quem poderia atingir, e acredito que o público-alvo que são adolescentes apaixonadas, irá ver e também sairão da sala normais sem borrar suas maquiagens.

Sobre as atuações, diria que Bella Thorne até entregou uma Katie Price coerente, bonita, cantou bastante com uma voz gostosa de conferir (embora logo de cara fique notável que gravou tudo em estúdio e depois usaram no filme), mas ficou no geral bem insossa, de modo que poderia ter atacado mais, afinal tudo era uma novidade para a personagem e ela só com a expressão de legal, ou seja, poderia dizer uhuu legal, mas não foi. Patrick Schwarzenegger precisa com urgência assumir uma personalidade de galã, pois já que não será um mito como seu pai foi, ele tem de usar sua beleza a favor e começar a criar um carisma em cima disso, pois seu Charlie Reed tinha tudo para ser daqueles que as garotas ficam caidinhas, mas é tão sem sal que desanima até ver a empolgação da garota em cima dele. Rob Riggle foi um pai bem colocado com seu Jack Price, demonstrando o carinho e também a preocupação para com a filha, mas soou um pouco bobo demais, e talvez pudesse ter sido mais forte em alguns momentos. Dentre os demais só vale destacar Quinn Shepard como Morgan, a melhor amiga, pois essa sim trabalhou realmente com carisma, sendo a amiga tradicional, colocando os olhares emocionados nos momentos certos e assim agradando até mais que os protagonistas realmente, e sendo assim, fica fácil ver o erro na direção de atores, quanto aos demais, figurantes a rodo.

No conceito artístico, seria muita hipocrisia se errassem nesse elemento, e assim sendo o romance floresce em um cais de grandes veleiros ao luar, tem uma casa riquíssima de elementos para mostrar a jovem presa com sua doença, bons momentos na curtição noturna incluindo shows em Seattle, viagem romântica de trem e tudo mais, ou seja, clichês em cima de clichês, mas que deixaram ao menos o filme bonito. A fotografia certamente odiou ler o roteiro e ver que 99% das cenas seriam noturnas, pois trabalhar boas iluminações sem soar falso a noite é algo bem complexo, mas souberam dosar os bons momentos e não falhar tanto, agradando com bons tons para contrastar ao menos.

A trilha sonora é bem agradável e gostosa de ouvir, com diversas canções interpretadas pela protagonista Bella Thorne, e claro que deixo aqui o link para todos conferirem.

Enfim, é um filme que poderia ser muito mais caso desejassem emocionar realmente, e não fazer apenas um longa teen cheio de clichês. Volto a falar que ele é bem bonitinho, mas isso é algo que não entrega nada, e sendo assim o resultado falha demais. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto daqui a pouco com mais um texto, afinal ainda faltam muitos filmes para encerrar minha super maratona, então abraços e até logo mais.

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