Sobrenatural - A Última Chave (Insidious: The Last Key)

1/19/2018 02:08:00 AM |

Apenas faça uma conta rápida, quatro filmes custaram 26 milhões, e até agora com o quarto capítulo apenas começando sua rotação mundial, os quatro mesmos filmes já renderam mais de 400 milhões!!! E tem gente que achava que por ter escrito no título "A Última Chave", esse seria o último capítulo de "Sobrenatural"!! Vá sonhando, pois desse modo vamos ter até o capítulo infinito! Dito isso, temos de falar logo de cara algo que está confundindo muita gente, achando que esse filme é um prequel que se passa antes dos demais, ignore isso que você leu em diversos sites, pois sim, conta a história de como Elise "ganhou" seus poderes de médium na infância, mas a história se passa entre o primeiro e o segundo filme e conta com algo que está bem na moda, que é o abuso feminino. Ou seja, apenas para dar uma situada na cronologia, mesmo que todos tenham elementos conectantes, e caso algum dia você queira assistir numa ordem bem conexa (3,1,4,2), de modo que no filme Elise cite o caso de Quinn Brenner que vimos no terceiro filme ("Sobrenatural - A Origem"), e dando um leve spoiler no final desse quarto vemos Elise falando ao telefone com a esposa de Josh (do primeiro filme "Sobrenatural") sobre seu filho Dalton (que precisa de ajuda no filme "Sobrenatural - Capítulo 2"), ou seja, uma bela de uma bagunça de datas, mas que tudo fica bem colocado. Tirando esse detalhe de onde posicionar o filme, que sempre nos deixam confusos, o resultado da trama aqui segue o mesmo problema do terceiro longa, a falta de peso de um diretor como James Wan (que fez o primeiro e o segundo filme), e mesmo usando o texto sagaz de Leigh Whannel (que também é protagonista da trama desde o começo), acabamos vendo uma boa história mas que não assusta como poderia, deixando apenas como tema um tom de terror, e abusando do escuro para criar uma tensão e pegar o público desprevenido em certos momentos. Ou seja, temos uma história boa, de peso, mas que faltou o nome certo para explodir ela!

Uma das muitas sinopses que vimos espalhadas por aí nos diz que uma série de assombrações e espíritos têm tirado a paz das pessoas. A única capaz de caçar esses espíritos e pôr um fim ao terror é a médium Elise, que usa suas habilidades para contatar os mortos. Seu próximo trabalho é bem pessoal, quando é chamada para encontrar um espírito na casa onde cresceu.

Claro que volto sempre a frisar que uma boa história nem sempre vai acabar virando um bom filme, pois depende de vários pontos, e o principal em um longa de terror é uma boa direção que consiga transmitir o terror, que faça o público sair temeroso com algo, e claro, que também faça muitos assustar, e infelizmente o diretor "novato" Adam Robitel fez um trabalho bem fraco em cima do texto de Leigh Whannel, criando poucas perspectivas, entregando por diversas vezes mais do mesmo, e assim fazendo com que algo que poderia até ter um rumo inesperado, pois como disse no começo se levarmos a fundo a ideia de abuso feminino, que a trama ousa apontar que vem acontecendo há muito tempo e que muitos nem se tocam, ficasse simplório e esquecível demais, ou seja, faltou atitude. Outro detalhe que falhou demais, foi o exagero do escuro, tanto que temos diversas cenas que não vemos sequer os protagonistas em cena, ou seja, colocar um tom escuro em um longa de terror é de praxe para criar tensão, mas grande é aquele diretor que sabe o tom escuro correto para que seu filme mostre tudo o que precisa mostrar, e não apenas sumir com tudo e aparecer do nada com algum barulho alto ou algum bicho estranho para assustar, ou seja, é melhor o próximo filme desse diretor vir bem melhor, senão a chance dele ser esquecível também é bem alta.

Como é de praxe, Lin Shaye está muito bem no papel de Elise, criando pausas dramáticas bem expressivas, colocações corretas de sua personagem frente ao desconhecido, e mesmo nos momentos mais cômicos da trama, ela acabou acertando com sorrisos bem trabalhados, não soando perdida, ou seja, ainda é ela quem segura a onda do filme. Já disse isso outras vezes, e volto a frisar que Leigh Whannel é melhor roteirista do que diretor e ator, e se alguns de seus momentos soaram cômicos, sua cena final de "aproveitar" para dar em cima da mocinha, vai de encontro com algo que muitas mulheres têm brigado, e por pouco não estragou o miolo que tanto se falou sobre esse abuso, ou seja, podia ter ficado sem essa com seu Specs. A frase que Angus Sampson fala tantas vezes com seu Tucker revela exatamente o que ele e seu parceiro são: "ela é médium, nós somos médios", ou seja, de médio pra baixo a interpretação de ambos, funcionando como alívio cômico e nada mais. As demais garotas tiveram altos e baixos com olhares expressivos e algumas cenas bem encaixadas, mas faltou aquele detalhe de medo que gostamos de ver nas expressões, parecendo que todo mundo ali é altamente acostumado a ver fantasmas passeando pela casa, ou seja, poderiam bem mais, dando um leve destaque para Caitlin Gerard como Imogen. O grande Bruce Davison faz Christian aqui e até teve alguns bons momentos, mas nada que impressionasse, tendo destaque apenas na cena de reencontro de seu personagem com Elise, aonde demonstrou apatia e impacto cênico, mas faltou mais disso nas demais cenas para realmente impressionar.

Assim como nos demais filmes da franquia, o longa é bem econômico em relação à cenografia, tendo aqui uma casa com pouquíssimos móveis e detalhes, usando muita teia de aranha para criar um ar misterioso, e quando vamos para o outro lado dos espíritos a maquiagem fica a cargo de um ou dois personagens apenas para dar algum realce, ou seja, trabalham bem com o pouco, e o acerto acaba sendo bem encaixado. Não diria que foi o melhor uso, mas o filme poderia ter encaixado mais ainda com a ideia da prisão e juntado com o abuso que certamente daria altos papos nos meios de discussão. Como falei no começo, uma das grandes falhas do longa ficou a cargo da equipe de fotografia, que abusou demais de tons escuros bem fortes, e isso por bem pouco não estragou o longa por completo.

A trilha sonora de Joseph Bishara sempre encaixa bem com qualquer longa de terror, e aqui ele não abusou de ríspidos acordes para pegar o público desprevenido, criando algo mais complexo e bem trabalhado no contexto completo.

Enfim, diria que da franquia é o longa mais fraco de essência, mas o que trabalhou melhor as conexões, podendo dizer que fechou o ciclo, mesmo que para isso seja esquecível. Agora é esperar o que irão fazer para que a série continue, talvez ir para o final do segundo quando aparece uma nova entidade que não foi usada ainda, mas para isso teriam de abandonar o grande sucesso da trama que é Elise, ou seja, vai ser algo a ser bem pontuado. Mas falando desse ainda, posso dizer que recomendo ele somente para encaixar todas as pedras, conhecer mais como era Elise quando garotinha e completar tudo, mas de resto é uma pena que não seja um dos grandes nomes do terror que tanto esperávamos ver. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a outra estreia da semana no interior, então abraços e até breve.

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