Thor: Ragnarok em Imax 3D

10/27/2017 02:02:00 AM |

Em caso de blockbusters gosto de ir ao cinema preparado para o que vou ver, e sempre torço por alguma reviravolta que me surpreenda, e com "Thor: Ragnarok" tinha a certeza de que me divertiria com muitas piadas (algumas certamente desnecessárias), e que veria um filme muito colorido pelos diversos trailers/pôsteres que foram mostrados, com boa trilha e com boas cenas de ação. E com toda certeza, foi exatamente isso o que vi nos 130 minutos de projeção, pois nada sai desse eixo, e acabamos saindo felizes com o que vemos na telona, porém acabou faltando aquele detalhe que faria o filme ficar incrível, alguma reviravolta mais impactante, um 3D mais imersivo e até mesmo mais referências para serem trabalhadas, pois mesmo quem não for um grande conhecedor das HQs vai conhecer praticamente tudo o que é mostrado lá, e sendo assim o resultado é algo bem feito, mas que poderia ser melhor ainda. Se você gosta de uma boa comédia de ação, com muitas piadas nerds em um filme muito colorido, pode ir para o cinema tranquilamente que não sairá desapontado com o que verá.

A sinopse mais básica e que não conta tudo o que acontece, nos fala que Thor precisa impedir o Ragnarok, a destruição de seu lar, Asgard, que agora está sob o poder da temida Hela. Mas o problema é que ele está preso do outro lado do universo, sem o seu martelo, e ainda tem de enfrentar seu ex-aliado e vingador, Hulk, numa batalha de gladiadores.

A grande sacada do diretor neozelandês Taika Waititi foi mudar completamente a concepção de estilo dos filmes do herói de Asgard, pois seus dois filmes anteriores ficavam bem em cima do muro se iriam ser cômicos ou mais dramáticos, trabalhando com situações difíceis, mas que no final acabam colocando uma ou duas cenas cômicas perdidas, que praticamente destoavam completamente de todo o restante, e aqui, ele não só jogou tudo para o ar, como transformou o longa em um estilo próprio de comédia, que faz rir do começo ao fim, unindo boas cenas de ação com lutas bem coreografadas em uma cenografia própria e cheia de dinâmica. Porém temos alguns detalhes que o diretor acabou esquecendo de trabalhar mais, para começar o tal Ragnarok que é o título do longa acontece tão rapidamente, que acabamos achando que o diretor acabou deixando de lado a ideia original, e além disso mesmo sendo convertido em 3D e em Imax 3D, estamos falando de um longa que se passa completamente no espaço, e assim sendo tudo pode voar e sair da tela, mas temos apenas uma grande cena bem feita no começo com uma boa imersão e o restante quase podemos tirar os óculos da cara, ou seja, certamente com toda a ação envolvida, e a alta quantidade de cores da trama, poderíamos até sair com tontura da sala se os efeitos fossem melhor utilizados. Ou seja, o resultado do trabalho do diretor é como seu personagem na trama (sim, o diretor atua também na trama como Korg, um dos gladiadores da trama) duro como pedra, mas extremamente divertido e cheio de piadas e boas sacadas para ficar lembrando.

Sobre as atuações, podemos dizer que todos sem exceção caíram perfeitamente dentro da personalidade de seus personagens, criando ótimas vertentes interpretativas e entregando o máximo que poderiam dar para que suas cenas fossem bem lembradas. Chris Hemsworth já incorporou o perfil de Thor faz tempo, com olhares bem marcados, postura corporal de lutador e tudo mais para entregar algo forte realmente, e aqui felizmente saiu-se bem com uma postura cômica, pois muitos esperavam que ele não fosse ter um tino cômico bem trabalhado, e acabaria desmoronando com todas as cenas divertidas, e muito pelo contrário, aparentou ter se divertido muito com tudo o que acaba acontecendo, apenas acabou exagerado demais toda hora os diversos flashbacks com seu pai para puxar seu poder real, mas isso nem foi culpa dele, e sim da edição/direção. Mark Ruffalo é daqueles atores que não tem como não adorar o trabalho que faz, pois aqui além de sair muito bem como Bruce Banner, mostrou que o Hulk também pode dialogar e ter ótimas interpretações sem ficar apenas esmagando tudo o que vier pela sua frente, e o carisma do ator/personagem aqui foi algo impressionante de acompanhar. Tom Hiddleston é o vilão mais heroico e amado da Marvel com seu Loki, e isso dificilmente vai mudar, de modo que se matarem ele em algum filme é capaz de reviverem ele com pelo menos uns mil flashbacks, pois o ator é muito bom no que faz, e aqui embora seja previsível seus momentos/movimentos (até foi feita uma piada com isso em uma das cenas!) ele acaba sempre surpreendendo e agradando. Cate Blanchett é uma tremenda atriz, e sua Hela chega com força total, mas embora saibamos do seu potencial, talvez uma atriz desconhecida, ou alguém com mais sede de expressão/ação agradaria mais, pois ela é daquelas que dominam demais os diálogos, e aqui, sua precisão acaba quase sendo inútil já que a personagem é mais de explodir do que falar realmente. Tessa Thompson acabou muito bem encaixada com sua Valquíria, trabalhando expressões fortes e até ousando com grandiosos movimentos de ação, e com uma personalidade bem encaixada, poderiam até ter falado mais sobre quem eram as valquírias, já apenas uma ceninha de flashback foi pouco para isso. Outro que acabou um pouco apagado demais, e certamente na história da trama tinha mais participação foi o Heindall de Idris Elba, que participou de dois a três grandes momentos, mas de uma maneira tão rápida, que nem deu tempo de explicar mais de sua situação atual, e o ator como bem sabemos é fenomenal e agradaria muito com toda certeza. Jeff Goldblum entregou um grão-mestre bem interessante, com altas projeções tecnológicas, e criando um personagem interessante para ser trabalhado mais para frente (como mostra a segunda cena pós-crédito) e de certo modo, a personalidade trabalhada mostrou algo até que chamativo, para um personagem que certamente acabaria ficando em segundo plano por outros diretores. Dentre os demais, tivemos ótimas participações também, e com personagens marcantes que poderiam até ter sido mais trabalhados, como Karl Urban com seu Skurge que oscilou bastante entre momentos fortes e outros bem apagados, Anthony Hopkins com seu Odin bem simbólico para a trama, mas que não avançou muito, e claro o grande destaque no começo para Benedict Cumberbatch com seu Doutor Estranho dando um show de cenas dinâmicas e divertidas junto dos protagonistas, de modo que mereceria aparecer até mais.

Quanto do visual da trama, embora quase tudo seja computação gráfica, a equipe se preocupou muito em criar cenários grandiosos para compor as cenas, criando ângulos bem trabalhados para mostrar as cidades aonde o longa se passa, e claro junto de uma gama de muitos objetos cênicos como naves, equipamentos caindo do céu, figurinos elaborados e muita simbologia cênica para que quem desejar caçar easter-eggs tenha muito trabalho. Aliado a esse grande trabalho da cenografia, entra em cena uma equipe de fotografia minuciosa que trabalhou tantos tons, que chega a ser difícil não se empolgar com alguma cena, pois desde cores bem quentes para criar a dinâmica de ação, misturando com outras mais coloridas para segurar o tom cômica, a trama chegou a ser desenvolvida em vários atos, tendo possibilidade até de alguns tons escuros em cenas mais densas com os vilões, mas nada que chegasse a puxar o longa para um ar dramático, afinal a escolha aqui como disse no começo foi entregar algo 100% cômico. Como já falei no começo também, o 3D é praticamente nulo no longa, mas nem por isso os efeitos foram fracos, e com isso, temos boas cenas interessantes, com tiros, saltos, fumaça, poeira e tudo mais que fosse possível para agradar os olhares mais atentos.

Como sempre digo, um bom filme contém uma boa trilha, e além de ótimas músicas instrumentais criadas por Mark Mothersbaugh, o encaixe perfeito de "Immigrant Song" de Led Zeppelin em diversos momentos, e "In The Face of Evil" do grupo Magic Sword foram de uma perfeição única, dando dinâmica para a trama, e envolvendo do começo ao fim.

Enfim, é uma grande esquete cômica, que quem gosta do estilo sairá da sessão extremamente feliz, se divertindo em 100% da trama, mas que quem desejar ver um pouco mais de história, talvez reclame bastante, pois acredito que a HQ realmente do Ragnarok conte muito mais de outros personagens, e não somente as cenas divertidas que foram escolhidas para fechar esse roteiro, tendo até mais dramaticidade e envolvimento para ser trabalhado talvez até em dois filmes, mas como bem sabemos esse não é o plano da Marvel, então como costumo dizer, compre uma boa pipoca e vá se divertir sem pensar muito, afinal longas de super-heróis não podem ser chatos, e aqui o resultado não fica chato de forma alguma. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, e amanhã posto a crítica da outra estreia da semana, então abraços e até breve.

8 comentários:

mauro avelino disse...

Olá Fernando! O 3d é mesmo nulo? Poxa... Rsrs aí desanima mas, já era esperado isso . A esperança de ser um bom 3d que nunca morre. Vou assistir em 3d para conferir já preparado graças as suas boas críticas . Abraços!

Fernando Coelho disse...

Olá Mauro... está cada dia mais difícil bons 3D, mas felizmente os diretores de "As Aventuras de Sammy" (o que considero o melhor 3D até hoje, talvez até empatando com "Avatar") voltaram com um bem bacana em "Big Pai, Big Filho"... tente ver!! Abraços!

Anônimo disse...

Fala Fernando. O 3d é muito bom, um dos melhores da marvel. Não entendi seus comentários. Acho que tem que fazer uma exame de vista. Rsss. Valeu Fernando. Desculpe a brincadeira.

Erica Fiore disse...

Concordo com o anônimo. Tão bom quanto Doutor Estranho. Tem 3d o filme todo.
Não dá pra assistir sem óculos não Fernando.

mauro avelino disse...

OLÁ Fernando! amigo... o 3D dos filmes sammy é magnifico! tomara que mantenha o mesmo padrão para este. valeu pela dica! abraços"

Fernando Coelho disse...

Sério galera, achei bem murchinho o 3D... claro que como disse temos muitos efeitos que utilizaram da tecnologia e ficou interessante, mas esperava algo no nível do Dr. Estranho, que aí sim saímos tontos da sala, aqui pareceu algo convertido apenas para ganhar dinheiro... amigo anonimo, já estou usando óculos por baixo dos óculos rsss... abraços!!

Marlon Santana Costa disse...

O 3D desse terceiro filme do Thor supera os 2 anteriores. Não é algo primoroso, mas não é ruim não. Só presta ver em 3D mesmo.

Fernando Coelho disse...

Olá novamente Marlon, vou realmente tentar ver novamente esse filme em 3D, pois não enxerguei nem metade do que a galera está falando, e todos que conversei reclamaram também da falta de mais cenas já que temos muita coisa no espaço... mas como você disse, não é primoroso, mas também não é ruim... apenas acredito que por ser um filme espacial, poderia ter muiiiiiiito mais!! Abraços!

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