Tempestade - Planeta em Fúria em Imax 3D (Geostorm)

10/20/2017 01:26:00 AM |

Filmes de destruição do planeta sempre costumam ter seus moldes tão bem encaixados que nem mais chamamos de clichês, mas sim de forma de bolo realmente, pois você já vai pronto para assistir sabendo exatamente o que vai encontrar: o pai de família que promete sobreviver e voltar para casa, o casalzinho que não está bem formado mas que vai arrumar um jeito de se apaixonar definitivamente, alguém tentando explorar algum jeito de sair ganhando com isso, pessoas desesperadas correndo e outras apenas olhando tudo acontecer, carros que não andariam nem a 100 km/h mas que correm na velocidade da luz no meio de um trânsito caótico e desesperado, pessoas técnicas falando palavras difíceis e que você mesmo sabendo sobre aquilo não vai entender nada, e claro, muita coisa sendo destruída em diversos países pelo planeta afora (sempre mostrando os países com maiores públicos de cinema, afinal esses que irão lotar as salas de cinema) e até fora dele se possível. Ou seja, "Tempestade - Planeta em Fúria" não vai ser diferente de forma alguma, muito pelo contrário, contém todos esses elementos, não necessariamente nessa ordem que coloquei, mas que sabendo o que vamos encontrar, acabamos nos divertindo com as situações, torcendo para que tudo seja ao menos aceitável (dizer crível é apelar demais, pois sabemos ser impossível metade do que ocorre sempre!), e com certeza vamos sempre esperar um ou outro elemento novo para se discutir, afinal nenhum diretor é igual ao outro, e também copiar na cara dura é feio demais, e aqui temos o novo engajamento do momento bem conectado: família + política + clima, ou seja, algo para se divertir. Talvez o maior defeito da trama tenha sido não acreditar na possibilidade dos efeitos em cima do roteiro, pois já que é pra destruir tudo em 3D numa tela imensa em Imax como estão tanto fazendo a propaganda, que coloque o mundo no chão, e aqui os efeitos foram até que bem feitos, mas faltou destruir a valer mesmo voando coisas pra todo lado, pois temos no máximo uns três ou quatro momentos que tudo parece valer mesmo ficar com os óculos.

A sinopse nos conta que depois de uma série de desastres naturais sem precedentes ameaçar o planeta, os líderes mundiais se unem para criar uma rede complexa de satélites para controlar o clima mundial e manter todos em segurança. Porém, agora, algo deu errado – o sistema criado para proteger a Terra passou a atacá-la, dando início a uma corrida contra o tempo para descobrir a verdadeira ameaça, antes que uma tempestade de proporções globais devaste tudo... e todos em seu caminho.

Depois de produzir muitos filmes de destruição, começando em 96 com "Independence Day", aonde também escreveu o roteiro, eis que Dean Devlin resolveu pela primeira vez coordenar um longa como diretor, e digamos que é exatamente essa a cara que o filme tem: de um principiante no estilo, que faltou ousadia para colocar tudo abaixo e agradar sem pensar muito, pois seu filme tem uma história bem colocada, um mote muito interessante, pois com todas as catástrofes climáticas que andam ocorrendo, é fato que muito em breve se fale em medidas para tentar controlar o clima através de ciência (se é que isso é possível!), e claro que também haverá muita confusão envolvendo política para que isso ocorra, então o que é mostrado no filme certamente pode ocorrer, mas quando falamos de destruição, o que queremos ver é tudo indo pelos ares realmente, e o diretor acabou focando em tantas coisas na história que acabou deixando toda a parte de ação realmente para valer em poucos minutos, e além disso, como foi noticiado em diversos lugares, o filme demorou muito para estrear por necessidade de refilmar muitas cenas, e isso se vê naturalmente principalmente no começo com o excesso de cortes e coisas que ficaram fora de uma sequência comum, ou seja, até poderiam ter entregue algo mais longo e melhor de história, mas aí acabaria cansando mais do que empolgando, e isso como já disse não é o que desejamos ver. Ou seja, melhor voltar a somente produzir e/ou escrever roteiros do que assumir a bronca e não conseguir, pois o resultado acabou embora bacana de se ver, faltando com a qualidade que poderia ter.

Sobre as atuações, gosto muito do estilo de atuar de Gerard Butler, que sabe dosar o tom família com ação e sempre incorporar uma pegada mais forte quando precisa mostrar experiência, mas aqui embora seja um dos protagonistas, ele é o que ficou mais apagado com a quantidade de cenas cortadas do espaço, e mesmo que todas as de seu Jake sejam bem cheias de ação, ficamos esperando mais vontade de ver ele realmente brigando com todos lá em cima como foi na sua melhor cena. Jim Sturgess é o típico ator que vai estar em cena pronto para tentar chamar a atenção, mas que não vai conseguir, de modo que seu Max possui boas sacadas e até agradaria mais cenas junto das personagens femininas, mas sabemos bem aonde vai levar seu romance, e sua forma de brigar com os homens soa falsa demais, funcionando bem pouco em cena. Falando nas garotas, a hacker divertida Zazie Beetz (que no ano que vem certamente irá detonar em "Deadpool 2") teve poucas cenas para mostrar serviço, mas vem dela a definição mais perfeita em inglês para Abbie Cornish que aqui foi traduzida "ela é gatíssima", e quem entende inglês irá traduzir melhor "she is hot", pois sua personagem Sarah só serviu mesmo para embelezar a tela, e abrilhantar as ótimas cenas de ação com o carro já mostradas no trailer, e que em grandiosidade ficaram melhores ainda, mas faltou mais para mostrar realmente a que veio. No lado politizado da trama, por bem mais que tentassem Andy Garcia não entregou nem 10% do que sabe fazer com seu Presidente Palma, e Ed Harris até entoou alguns momentos bem encaixados com seu Dekkom, mas precisaria de algo a mais para entregar tudo o que acaba influenciando nas últimas cenas, de modo que acabou faltando muito para mostrar realmente o que sabe também. Quanto dos demais, praticamente todos tiveram momentos espaçados, com leves destaques para as expressões da garotinha Talitha Bateman com sua Hannah, e para os momentos exagerados de Robert Sheehan com seu Duncan.

Dentro do conceito visual a trama teve boas locações tanto para os momentos mais colocados dentro dos EUA, como a convenção do partido (que poderia ser mais impactante a cena!), as ruas de Hong Kong sendo destruídas, a praia do Rio de Janeiro, a praia e os superprédios de Dubai, e até mesmo as grandiosas cenas no espaço ficaram interessantes de se ver, mas claro que dentro de algo mais simbólico, tudo ficou muito computadorizado, pois certamente ninguém foi até a EEI e tudo ali ficou muito amplo demais, com maquinários cheios de detalhes e tudo mais, o que acabou ficando estranho de ver. Aliado aos conceitos de locação, os efeitos digitais até funcionaram bem, mas ficaram estranhos, com raios caindo quase que sequencialmente, fogo explodindo como bombas, e até mesmo os gelos e ondas ficaram estranhos, claro que sabemos que tudo é extremamente artificial, mas poderiam ter amenizado para parecer mais real (olhem o filme "O Impossível" do tsunami para ver como se faz ondas gigantes reais de forma falsa, mas convincente!!), e junte a isso que todos esses efeitos deveriam ter sido feitos de maneira melhor que combinasse com o 3D da trama, pois queríamos pedras de gelo em nossa direção, profundidades no espaço imensas com todos as peças da EEI voando para fora da tela, e muito mais, mas não quiseram ousar, entregando algo duro e simples demais, até mesmo para não funcionar infelizmente da melhor forma na sala Imax. E talvez essa falha na tridimensionalização seja por conta de uma fotografia dura, sem muitos tons amenos para contrastar com os tons mais puxados para o cinza escuro, com muitas cenas a noite, ou em iluminações exageradas de sol, que não deram um ar de profundidade mais correto, ou seja, falhou demais na forma técnica.

Outro detalhe que acabou faltando demais, foi uma trilha sonora mais envolvente, que prendesse a respiração do público e permeasse mais desespero na trama, pois tudo soou bem engessado, e com isso ficamos empolgados com o que vemos, mas não desesperados torcendo por tudo.

Enfim, estaria mentindo se falasse que não gostei do que vi, também estaria mentindo se falasse que não me diverti, pois bem ao contrário saí bem empolgado com tudo o que vi na telona, entrando completamente no clima, e me remetendo demais ao que vi há muitos anos atrás com "Armagedon", claro que de uma maneira simbólica, pois aqui temos tantos defeitos técnicos que precisei mensurar, que se fosse criticar realmente com unhas e dentes daria uma nota bem inferior para a trama, mas como acabei tendo mais sentimentos pela história do que reclamando das falhas, o resultado acaba empolgando e agradando de uma forma geral. Como bem disse, nas mãos de um diretor de maior renome e impacto, a trama seria grandiosa e entraria pro seleto hall de bons filmes de destruição, mas vai acabar sendo daqueles que vamos lembrar apenas mais pelo que vimos no trailer do que pelo longa em si. Bem é isso pessoal, se você gosta de se divertir sem se importar com clichês, coisas falsas demais, ligando apenas para uma boa ação, a chance de sair satisfeito com o que verá aqui é alta, mas do contrário fuja, pois a chance de apenas reclamar é mais alta ainda. Fico por aqui hoje, mas ainda tenho mais algumas estreias (das poucas que vieram para o interior) para conferir, então abraços e até breve.

2 comentários:

Para Lá Da Kapa disse...

"Geostorm — Ameaça Global" reata o tema das alterações climáticas, com o sonho de roubar o pódio ao clássico O Dia Depois de Amanhã.
Assisti a este filme com alguma expectativa. Não esperei que alcançasse a perícia do realizador Roland Emmerich ao conceber O Dia Depois de Amanhã e ainda bem! O enredo é satisfatório, embora tenha algumas cenas demasiado forçadas e óbvias. Fiquei mal impressionado com os efeitos visuais, que me recordaram as tardes a ver os filmes do canal Scifi, engraçados e sem orçamento para enfeites.

Apesar de tudo, "Geostorm" não deixa de ser um filme agradável para se ver numa tarde de domingo, onde as dimensões reduzidas da televisão reduzirão as limitações dos efeitos visuais.


Rating: 2,75 estrelas
O Nosso Blogue — www.paraladakapa.com

Fernando Coelho disse...

Olá amigo Para Lá Da Kapa, como você disse o exagero forçou a barra em muitas cenas, e muitos efeitos ruins, mas é da forma dita: numa tarde de domingo vai valer assistir em casa na TV... abraços!

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