Blade Runner 2049 em Imax 3D

10/07/2017 03:30:00 AM |

Sei que muitos são apaixonados pelo filme original de 1982 (esse ano só apareceu coisas boas no mundo, e claro que esse Coelho também!), mas convenhamos que embora seja um marco (que muitos nem enxergaram na versão original lançada!) o filme é bem lento e cansativo ao extremo, que só com muita vontade se consegue assistir aos 117 minutos de duração que parecem uma eternidade! Pois bem, só havia vistos pedaços dele na faculdade, e claro que com a estreia do novo agendado para essa semana, conferi por completo no final de semana passado (sim, quase dormi, mas sobrevivi!), e até gostei do que vi, embora não ache o melhor clássico de todos os tempos como muitos haviam me falado. Mas se a lentidão do original quase me matou, fiquei deveras assustado ao receber as programações dos cinemas com a duração de "Blade Runner 2049" que marcavam 163 minutos, ou seja, com os trailers quase 3 horas sentado assistindo algo no cinema sem parar, ou seja, entrei em pânico, e claro que deixei para conferir na sexta para poder hibernar no sábado, certo de que voltaria da sessão pronto para tacar um milhão de pedras no ritmo, falar que dormi na sessão e tudo mais. E eis que cá estou, após conferir o longa, engolindo todas as pedrinhas que iria jogar, pois COM TODA CERTEZA são as três melhores horas que passei assistindo a algo no cinema (ao menos nesse ano até agora!), pois não temos sequer um momento arrastado na trama, cada milésimo de segundo é usado com MAESTRIA para desenvolver os diversos atos da história, usando claro muita coisa do original (mas quem não viu não se assuste e vá tranquilamente que não irá ficar "muito" confuso com tudo o que é mostrado) e criando algo que será lembrado por muito tempo como um filme para reflexões, para curtir apenas e que conseguiu juntar o melhor de todas as qualidades que um longa deve ter: roteiro genial, direção impecável, atuações na medida certa, trilha sonora de arrepiar e uma direção artística e de fotografia incrível, os quais irei falar mais separadamente de cada ponto. Ou seja, vá correndo para a sala mais próxima, de preferência veja numa sala Imax se possível, pois tudo foi muito bem formatado para o estilo, e claro, um som top demais que o filme pede.

A sinopse nos situa na Califórnia, no ano de 2049. Após os problemas enfrentados com os Nexus 8, uma nova espécie de replicantes é desenvolvida, de forma que seja mais obediente aos humanos. Um deles é K, um blade runner que caça replicantes foragidos para a polícia de Los Angeles. Após encontrar Sapper Morton (Dave Bautista), K descobre um fascinante segredo: a replicante Rachel (Sean Young) teve um filho, mantido em sigilo até então. A possibilidade de que replicantes se reproduzam pode desencadear uma guerra deles com os humanos, o que faz com que a tenente Joshi, chefe de K, o envie para encontrar e eliminar a criança.

Chega a ser repetitivo falar o quanto Denis Villeneuve é um diretor preciso com o que pega para fazer, pois geralmente vemos muitos reclamarem de imensas cagadas que são feitas quando pegam obras clássicas originais e refilmam, ou fazem continuações desnecessárias, e embora muitos até tenham sido pegos de surpresa com a ideia de uma continuação de um clássico de mais de 30 anos (que inicialmente não deu bilheteria, muitos odiaram, mas que depois de aparecer diversas outras versões acabou virando um marco impressionante que muitos são inclusive apaixonados como sendo o filme número um de sua coleção clássica), aqui ao ser falado que seria inteiramente dirigido por Villeneuve e apenas produzido pelo diretor original Ridley Scott (que é bom, mas ultimamente anda errando feio a mão!) acabaram que todos ficaram quietos apenas aguardando com a certeza de que novamente veriam um clássico nos cinemas, e eis que o diretor pegou uma ótima história roteirizada na medida certa, com geniais pontos de virada (se alguém afirmar que sabia tudo o que iria acontecer, e quem era quem, está mentindo descaradamente!) que fazem seu queixo cair inúmeras vezes, e trabalhou para que tudo fluísse do começo ao fim criando muitas perspectivas para serem refletidas, muitas ideias para se debater, mas principalmente, não parando em momento algum para necessitar explicar ou puxar algo da sua memória, entregando um filme até simples de concepção, mas maravilhoso para acompanhar e se envolver. Ou seja, algo que é quase uma raridade, sendo completo de ideias, e brilhante para quem gosta de uma boa ficção científica acabar saindo pulando de emoção ao final da sessão com tamanha perfeição entregue a cada novo ato.

Dentro do conceito das atuações, o filme possui um elenco daqueles que chega a ser difícil para quem olhar em cada momento, e cada um felizmente teve seu momento preciso para mostrar o quão bom é, e ajudar o resultado funcional da trama, que claro teve a mão do diretor para encaixar cada um na sua qualidade dentro de cada cena. Para começar temos Ryan Gosling, que dificilmente não estará indicado mais uma vez às premiações com o que fez aqui com seu "K", criando desde semblantes bem filosóficos, passando por momentos emotivos e de dúvida, até ter seus grandes atos clássicos para serem lembrados outras vezes, de modo que você fica bobo com o que está vendo ele fazer, e torce para seu personagem, ou seja, um encontro de personalidades tão bem colocado que mostra que o diretor não estava errado ao não querer nenhum outro ator para o papel sem ser Gosling, pois o acerto foi impecável. Na sequência temos de falar das várias mulheres da produção, começando por Ana de Armas com sua bela Joi, mostrando uma evolução a mais do aplicativo que vimos no filme "Ela", e que com muita graciosidade e uma interação tão gostosa acaba envolvendo tanto o protagonista quanto o público com suas cenas. Mas se você gosta de alguém mais violento, o acerto na escolha da holandesa Sylvia Hoeks para o papel de Luv será empolgação total, com muitos olhares, muita pancadaria de altíssimo nível e poucas palavras, mostrando uma garra forte e bem colocada do começo ao fim. O papel de Robin Wright como a tenente Joshi foi pontual com alguns momentos mais impactantes e reflexivos, mas talvez algo a mais na sua cena com ambos os protagonistas caberia mais atitude, ainda que tenha agradado bastante no estilo durão que vemos nas mulheres policiais. Já nos últimos atos temos claro as participações bem usadas dos protagonistas do longa original, tendo um Harrison Ford (agora 35 anos mais velho do que quando estava quase em seu estilo completamente sexy e cheio de introspecção) entregando um personagem que sofreu muito nesse período que passou escondido de tudo o que ocorreu entre os dois filmes, trabalhando seu Deckard de maneira icônica e cheia de referências para agradar, afinal ele sabe bem como fazer bem esse estilo, e claro também tivemos mesmo que com pontuais usos de trechos do original e até alguns novos gravados (talvez com muita maquiagem) a participação de Sean Young com sua Rachael, o que ficou interessante de ser visto, e mostrou de certa forma que o passado pode bem se conectar com o atual. Tivemos também outras grandiosas participações no filme, começando com o grandalhão Dave Bautista mostrando que os grandões também podem ser sensíveis e socar bastante os protagonistas com seu Sapper Morton, depois duas rápidas aparições de Lennie James como o divertido (mas rígido) diretor do orfanato Mister Cotton, e do grande nome do Oscar de 2013, Barkhad Abdi voltando a boa forma interpretativa com seu Doc Badger. E claro que não poderia deixar de falar das DUAS cenas feitas por Jared Leto, que embora seja citado quase que no filme inteiro, afinal controla tudo agora com seu Wallace, acabou aparecendo bem pouco, mas mostrou uma precisão única de estilo para impor o que podemos dizer "medo" nos protagonistas. Tivemos ainda outras boas interpretações que agradaram muito, mas para falar delas acabaria dando spoilers, e isso é algo que não quero fazer.

Outro ponto que sem dúvida alguma impressiona no longa tanto pelo tamanho dos ambientes, quanto pela quantidade de elementos cênicos é o trabalho da direção de arte que foi no mínimo incrível de acompanhar, e olhar para cada lado do longa, misturando cenas na cidade destruída, cenas em laboratórios digitais magistrais, cenas em desertos com esculturas enormes, um cassino em completo estado de decomposição, mas ainda mantendo seu status grandioso, muita tecnologia envolvendo carros, projeções e tudo mais que fizesse os olhos saltar para cada ângulo da tela, e claro também um grande destaque para a sala de Wallace com nuances de sombras de água nas paredes incríveis, e não só lá, mas em todos os momentos procuraram criar texturas visuais com água e sombras para que o cinema inteiro fosse bem trabalhado. E entrando nesse detalhe de sombras, é claro que temos de falar da excelente fotografia que criaram ambientes com tons densos e pós-apocalípticos, muitos tons neutros puxando para o escuro, criando cada ato diferente do outro, e claro muita paz nos ambientes de sonhos, fazendo algo que oscilasse bastante os sentimentos dos personagens e claro do público também. E claro que temos de falar do 3D, afinal na maioria do país o longa foi lançado nessas salas, e de cara tenho de falar para os amigos mais exaltados, e que gostam desse estilo, que não temos absolutamente nada saindo da tela em direção ao público, temos sim muita imersão cênica, e usando de técnicas de profundidade, a tecnologia de conversão acabou criando algo grandioso para olharmos para cada ângulo da tela e ver detalhes quase que colocados exclusivamente para serem observados, ou seja, não digo que o filme valha a pena ser visto em 3D, mas sim vale ser visto em salas Imax ou nas maiores que tiver em sua cidade para que tudo seja contemplado da maior forma possível, além claro de toda a sonoridade que essas salas passam.

E falando em sons, entramos em outro ponto fortíssimo da trama, pois o longa original de 82 é completamente marcado pela trilha forte de Vangelis, que até hoje é muito usada em diversos momentos, e que basta um acorde para sabermos de que filme é a trilha. E aqui, temos o grande mestre das trilhas sonoras Hans Zimmer bebendo da fonte nas composições de Vangelis, e incorporando outras sonoridades e acordes para que tudo ficasse bem marcante, pontuando cada momento como algo único, e repetindo o mínimo necessário para que soubéssemos o tom de cada cena com a trilha sendo acompanhada, ou seja, algo mágico de escutar, que junto de uma excelente mixagem de efeitos sonoros, tudo acaba penetrando em nossa mente ajudando ainda mais tanto no ritmo da produção, quanto na cadência exata de cada ato no longa. E claro como sempre faço, aqui está o link para poder ouvir e entrar no clima da produção mesmo antes de ir para o cinema.

Enfim, é o filme do ano (até o presente momento), empolgando, emocionando, e mais do que um conjunto completo que temos de ver, temos também agradecer o diretor original Ridley Scott que decidiu fazer aqui um único filme de quase 3 horas, pois certamente nas mãos de outros produtores, acabariam nos entregando dois ou três filmes arrastados de quase duas horas, e que não acabaria trazendo tantos sentimentos de uma única vez. Portanto, vá aos cinemas conferir a trama, se possível tente ver o filme de 82 antes de conferir esse para completar a experiência (reforço que não é obrigatório, mas ajuda em alguns momentos saber quem é o que), e depois claro venha discutir mais nos comentários, pois mais uma vez é daqueles filmes que vamos pensar muito nele por muito tempo. Bem é isso pessoal, pela empolgação e o tamanho do texto deixei bem claro a nota que vou dar, e vou parar por aqui antes que solte algum spoiler, mas volto amanhã com mais um texto de alguma das outras estreias que apareceram por aqui, então abraços e até breve.

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