Planeta Dos Macacos: A Guerra em 3D ( War For The Planet Of The Apes)

8/07/2017 01:22:00 AM |

É interessante quando um filme de alguma franquia antes de começar nos conta trechos do que vimos nos capítulos anteriores, e em "Planeta dos Macacos: A Guerra", a forma encontrada através quase que de uma forma literária bem elaborada com as palavras temas de cada um dos três filmes foi algo tão bem desenhado que já impressiona ali. Dito isso, não vá esperando ver um filme com guerras de tiros, explosões e tudo mais que verá nas primeiras cenas no longa inteiro, pois o embate é bem mais arquitetado e desenvolvido do que acontecendo realmente, e com isso o longa chega a ter até alguns momentos bem cansativos, que ou poderiam ser melhor explorados, ou até cortados para que o filme não ficasse tão longo, mas claro que aí não criaria toda a tensão para ser explorada e nem demoraria para acontecer o real clímax que a trama quis envolver. Mas mesmo tendo alguns pontos que "encheram linguiça", o resultado demonstra com o melhor enredo dos três últimos filmes, como estão aptos para desenvolver muito bem tramas misturando computação gráfica, capturas de movimento, e locações incríveis para que o final empolgue, comova e ainda agrade sem ficar forçado. Ou seja, muitos apostam que a trama terá mais um, dois ou até três filmes para aí sim fechar o ciclo que começou lá em 1968, mas com algumas surpresas aparecendo aqui, que já foram vistas no original, veremos o que tem a nos mostrar se resolverem fazer mais outros, pois aqui ao menos o ciclo desses três foi bem casado e resolvido. Veremos!

O longa nos mostra que humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel. Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. À medida em que a jornada finalmente os coloca cara a cara, César e o Coronel se enfrentam em uma batalha épica que determinará o destino de suas espécies e o futuro do planeta.

Se no primeiro filme o diretor Rupert Wyatt conseguiu transmitir toda uma ideologia em menos de duas horas, com Matt Reeves já não tivemos mais essa sorte, pois ele fez "O Confronto" com 130 minutos e agora "A Guerra" com 140, e mostrou que seu poder de síntese não estava tão aflorado, deixando que Andy Serkis pudesse trabalhar mais suas expressões, valorizando ainda mais o trabalho tão bem elaborado que o ator consegue fazer. Não digo que Reeves tenha falhado, muito pelo contrário, suas cenas são memoráveis, o conjunto de tensão cênica elaborada que fez com cada personagem soou icônico e vemos nuances sendo apresentadas a cada novo ato, porém o miolo necessitou de muitas apresentações, e isso é algo que faz filmes ficarem lentos demais, levando o público até se cansar com o andamento, ou seja, a história até pode nos prender, ter um envolvimento incrível para mostrar o processo de mudança da personalidade de César, a sagacidade dos macacos para resolver os problemas, mas Reeves poderia ter sido mais sucinto que agradaria da mesma forma e o longa seria impecável. Num contexto maior, o resultado até empolga, acaba sendo um filme incrível de assistir, fecha bem a trilogia atual com um consenso altamente inteligente de sentimentos, mas peca no excesso, não atingindo aonde poderia atingir, que é na emoção mais aflorada pelo lado humano dos macacos.

Sobre as interpretações, temos de falar basicamente sobre dois lados, os ótimos semblantes que só a captura de movimentos, e claro uma expressiva atuação de Andy Serkis consegue não apenas fazer com seu César, mas também dirigir os demais atores/macacos para que fizessem movimentos bem elaborados e expressões perfeitas para que os sentimentos reais não necessitassem ser criados por computadores, mas sim pelos próprios atores, e apenas depois fosse colocado a pelagem por cima das imagens capturadas, criando animais reais e interessantes de serem vistos, e claro quanto a Serkis, esse ainda vai ganhar prêmios pelas ótimas caras e bocas que consegue fazer junto de entonações incríveis que fez o personagem mostrar muitas emoções em cada ato diferente. Agora sobre o outro lado, Woody Harrelson deu a personalidade mais forte possível que pode para seu Coronel, sendo em diversos momentos até impactante demais com seus dizeres, trabalhando da mesma forma as cenas cruéis com as cenas duras, criando um vilão como há tempos a franquia não via, pois se Koba no anterior foi algo mais neurótico, aqui o buraco foi mais embaixo com a personalidade de destruição do soldado, e claro que com muitas caras e bocas, o ator mostrou todo seu potencial em ação. Dos demais, todos foram bem colocados, mas temos de dar um leve destaque para a garotinha Amiah Miller que com muita doçura, bons semblantes acabou sendo uma grata surpresa tanto para o filme, quanto para as ligações futuras, pois certamente vai ser muito importante nos demais momentos. Tenho de pontuar também o ótimo Bad Ape feito por Steve Zahn que funcionou perfeitamente para o alívio cômico da trama, agradando nos momentos certos, sem estragar toda a tensão do filme.

No conceito visual é fato que as ótimas locações deram um tom de guerra iminente, misturando florestas fechadas com muita neve para todos os lados, um quartel que lembra muito a segregação nazista, e claro um ambiente bem escuro para segurar a tensão a cada novo ato, de modo que a cada incursão dos personagens, fosse pelo chão, pelas arvores ou até mesmo pelo subsolo, tinha elementos para que observássemos tudo o que ocorreu antes, e o que poderia ocorrer no desenrolar da trama, mostrando que a equipe de arte elaborou cada detalhe como um grandioso jogo de videogame (aliás certamente devem explorar isso, pois funcionaria muito!) e assim o resultado acabou até maior do que a trama em si. A fotografia fez de propósito um longa escuro demais, para que tudo funcionasse ao aparecer de repente, mas como opção, talvez trabalhar apenas as sombras seria algo mais interessante, mesmo que aparecesse mais os defeitos de computação. Agora se você estava pensando em ir conferir em 3D, naquela dúvida cruel de pagar mais caro, fuja pras colinas e vá ver 2D tranquilamente, pois usaram a tecnologia apenas para dar algumas leves texturas de profundidade computacional nas cenas com os macacos, mas só, nenhum elemento voando para fora da tela (e olha que temos muitas explosões), nenhuma profundidade de campo (mesmo com batalhas épicas com muitos personagens), ou seja, nada de efeitos tridimensionais para valer ver dessa forma.

Enfim, é um filme muito tenso, que cria diversos âmbitos e discussões, mas que acabou pecando demais no tempo e na dinâmica, cansando um pouco (cheguei a ver pessoas levantando das poltronas para esticar as pernas de tão cansadas com tudo!). Não digo que um filme não possa ter 140 minutos, mas que para isso crie mais dinâmicas, e menos personagens/histórias para serem desenvolvidas futuramente, que aí sim tudo fica mais interessante. Ou seja, é muito válido conferir o longa para ver o desfecho de algo que começou lá em 2011 (ao menos essa trilogia) e que certamente desejam ligar com tudo o que vimos nos demais longas que já existiram, afinal esse é o nono filme da franquia toda, e ainda não vimos tudo o que pode ter acontecido até o planeta ser completamente dominado por macacos como foi mostrado nos primeiros filmes. Portanto, vá conferir descansado e curta o que verá, pois é um filmão. Fico por aqui já encerrando essa semana cinematográfica bem curta, mas volto na próxima quinta com mais textos, então abraços e até lá.

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