Rodin

6/16/2017 12:36:00 AM |

Sempre questionamos o motivo das obras de Rodin serem quebradas, faltando pedaços, e até estranhas de se interpretar, e claro que ao sabermos que fariam um longa contando sua história, a maioria do público já ficou interessada em conferir "Rodin". Porém esqueceram de dizer ao diretor que desejávamos conhecer mais sobre a obra, seu estilo e tudo mais, não que fizesse um longa no mesmo estilo das obras do artista, ou seja, com muitas quebras de cenas (sendo diversas começadas e inacabadas), num ritmo de construção cênica que faz o público quase dormir de tão devagar nos diálogos/encenações, e principalmente na falta de algo mais determinante que contivesse algum ponto de clímax, afinal o cinema de ficção precisa de uma estrutura para amarrar, senão vira algo histórico e didático apenas. Não digo que o filme no todo seja ruim, pois a beleza das cenas e da estrutura de produção com muitas obras, mostrar o feitio de estátuas a partir de argila e gesso, apenas observando modelos rapidamente e depois criando formas é algo muito belo de se ver, mas que com certeza um diretor mais dinâmico faria um longa incrível, aonde todos desejariam ir a um museu ver as obras do artista, o que não aconteceu de forma alguma aqui.

O longa nos situa na Paris de 1880, onde Auguste Rodin finalmente recebe, aos 40 anos, sua primeira encomenda do Estado: "A Porta do Inferno", obra composta de figuras que farão sua glória, como "O Beijo" e "O Pensador". Ele divide sua vida com Rose, sua eterna companheira, quando conhece a jovem Camille Claudel, sua aluna mais talentosa, que rapidamente torna-se sua assistente e, em seguida, sua amante. Dez anos de paixão, mas também dez anos de admiração e cumplicidade compartilhada. Após a dissolução, Rodin continua a trabalhar com determinação. Ele deve encarar a rejeição e o entusiasmo que a sensualidade da sua escultura provoca e assina com seu Balzac, rejeitado enquanto vivo, ponto de partida incontestável da escultura moderna.

O trabalho do diretor e roteirista Jacques Doillon chega a ser aberto demais para a proposta, pois ao decidir fazer um filme "histórico" cabe a ele optar pela melhor ação possível de modo que seu filme flua, e ele acabou desenhando algo abstrato demais para seguir a linha do artista, e simples demais para que seu filme tivesse uma vida maior, pois a cada novo fade-out (cenas sendo fechadas com imagem em preto para uma nova cena seguinte) ele mostrou que não sabia como amarrar uma ponta na outra, deixando tudo jogado demais na tela, e isso é um dos erros mais amadores do cinema, ou seja, ou ele poderia ter feito algo mais didático com datas e tudo mais para mostrar os vários anos da vida do artista, ou ele poderia simplesmente ter escolhido uma época e desenvolvido bem ela, com brigas e afins, criando algo mais visceral e propício para agradar um público maior. Claro que irá ter os que saem apaixonados pelo estilo do diretor de criar uma obra quebrada e autêntica como era a essência do artista, mas volto na seguinte frase, que cinema precisa contar uma história ao menos, e aqui não tivemos uma finalizada ao menos.

Quanto das atuações, podemos dizer que Vincent Lindon caiu bem como Auguste Rodin, trabalhando um visual bem contextualizado, impositivo e que só com o olhar conseguiu dizer bem mais do que com palavras, e claro que também teve de aprender bastante sobre esculturas para com muita dinâmica ir criando algumas coisas em cena, porém faltou um pouco de atitude para chamar o longa para si, deixando escapar as cenas mais fáceis, e se concentrando demais na simplicidade cênica das cenas mais fortes. Izïa Higelin fez de sua Camille Claudel, uma rebelde sem causa que quer tudo e todos para si, principalmente a atenção, e como já vimos em outros filmes sobre a artista, ela era sim impositiva, mas não exagerada como a moça fez aqui, não posso afirmar qual é a verdadeira face da artista, afinal não conheci pessoalmente, mas prefiro a outra com toda certeza, principalmente a de Juliette Binoche. Séverine Caneele apareceu pouco como Rose Beuret, mas foi ao menos singela nas cenas que necessitaram mais expressão por parte da esposa oficial de Rodin, e com isso, vemos uma atriz simples escondida atrás de um papel simples também.

O ar visual que a equipe de arte encontrou para retratar o ano de 1880 foi bem interessante, pois colocou a dramaticidade envolvida em locações simples, e ao mesmo tempo cheias de muita arte para se expressar, com personagens famosos, obras famosas e claro que assim sendo tiveram de ter o capricho para que nada ficasse falso demais, o que acabou exigindo tanto da equipe artística, quanto dos protagonistas, que precisaram meter a mão na lama mesmo e fazer ao menos poses cênicas bem contextualizadas. A fotografia do longa é praticamente um dos maiores fatores de dar cansaço e sono no público, pois exageraram no marrom, chega a ser escuro demais cada cena com a dramatização toda e quase sem tonalidade alguma de contraste fazendo com que o filme além de não ter ritmo, ficasse apagado nas telas, ou seja, um erro crucial.

Enfim, é um filme que até possui uma proposta interessante, mas que acabou perdido entre estilos de linguagens e não alcançou nem metade do que poderia conquistar, o que é uma pena imensa, pois o artista Rodin merecia uma melhor homenagem, tal qual a última cena do filme chega a mostrar que sua obra-prima mais afetuosa acabou ficando jogada no Japão. Bem é isso pessoal, não recomendo o filme, pois com tantos outros bons longas passando no Festival Varilux, esse acaba sendo daqueles que ficamos esperando algo acontecer, saímos da sessão refletindo sobre ele, mas não conseguimos chegar até onde ele aconteceu mesmo, ou seja, fraco e com falhas demais para agradar. Fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais posts por aqui, então abraços e até logo mais.

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