A Múmia em Imax 3D (The Mummy)

6/10/2017 02:43:00 AM |

Ao pensar em um "Avengers" no mundo do terror, criando/caçando/estudando monstros para combater outros monstros, a Universal Pictures decidiu criar seu "Universo Sombrio" no melhor estilo possível, e claro, sem muitas ideias de novos roteiros, refilmar seus clássicos do terror dos anos 60. A ideia em si é genial, colocando logo um comandante na organização que busca encontrar esses monstrões, porém o início errou feio em escolher o protagonista para o primeiro filme, pois Tom Cruise acabou exagerado demais em "A Múmia" transformando o longa numa extensão clássica de "Missão Impossível" versão dark, com monstros correndo atrás dele ao invés de terroristas, e sendo assim o filme acabou tendo um teor bem mais cômico (embora escuro e interessante por parte da fotografia) do que de terror mesmo como imaginavam os produtores. Claro que queriam algo mais em tom de aventura, mas não imaginavam virar o samba do crioulo doido que acabou virando. Não digo que é um filme ruim, pois as cenas de ação são bacanas, os efeitos bem interessantes, mas faltou trabalhar melhor o roteiro, e colocar um protagonista talvez menos conhecido para convencer mais, pois Cruise é Cruise, e isso vai ser em qualquer filme que colocarem ele agora, pulando, sendo arremessado a distância, e sequer mancar vai na sequência, ou seja, paia plus size!

O longa nos mostra que na Mesopotâmia, séculos atrás, Ahmanet tem seus planos interrompidos justamente quando está prestes a invocar Set, o deus da morte, de forma que juntos possam governar o mundo. Mumificada, ela é aprisionada dentro de uma tumba. Nos dias atuais, o local é descoberto por acidente por Nick Morton e Chris Vail, saqueadores de artefatos antigos que estavam na região em busca de raridades. Ao lado da pesquisadora Jenny Halsey, eles investigam a tumba recém-descoberta e, acidentalmente, despertam Ahmanet. Ela logo elege Nick como seu escolhido e, a partir de então, busca a adaga de Set para que possa invocá-lo no corpo do saqueador.

Outro fator que talvez seja errado, foi o de começar uma "franquia" com um diretor novato demais, pois Alex Kutzman praticamente tem sua estreia no comando das câmeras depois de produzir muitos filmes de aventura/super-heróis, e isso claro que lhe credenciou para a direção aqui, porém algo que teria de ser trabalhado com disposição, ir criando a situação tensa, e talvez colocando uma piadinha aqui, outra ali, acabou virando quase um filme de comédia pronto para sessão da tarde. Não digo que tenha sido um erro da escolha de estilo, pois vemos uma mão bem pontuada com sutilezas claras para serem desenvolvidas, trabalhando com efeitos bem colocados, câmeras em posições bem estratégicas de ângulos, um desenho de produção bem elaborado, contando a história completa bem montada no início, mas faltando o principal, desenvolver a história atual de forma coerente, e não abusar da inteligência do espectador, pois a cada nova lembrança do protagonista, víamos as mesmas cenas novamente, ou seja, umas 10x pelo menos vimos Ahmanet matando sua família, e isso cansa. Talvez se continuarem a franquia realmente (independente da bilheteria e da crítica que está queimando violentamente o longa), terão de trabalhar bastante para que tudo melhore realmente, e acabe virando algo mais visceral do que animado.

Falar das atuações em longas de ação é algo bem fácil, pois sempre todos procuram correr demais e fazer caras e bocas fortes para serem notadas, e isso Tom Cruise sabe fazer com muita eficiência, afinal é um dos atores que mais faz longas de ação/aventura, e aqui seu Nick Morton é um personagem bem colocado, mas como frisei acima, talvez um ator diferente e menos forçado agradasse mais, pois ele já fez personagens demais desse estilo e já sabemos o que vai aprontar, ficando parecido demais com seu Ethan Hunt de "Missão Impossível" até praticamente as últimas cenas, quando aí sim começa a desenvolver melhor uma nova personalidade, que talvez vejamos nos demais filmes da franquia. Russel Crowe caiu muito bem para o papel do Dr. Henry Jekyll, tanto na personalidade médica/investigadora quanto na personalidade monstruosa, só que deram a ele um visual tão duro que aparentava estar mal colocado na trama, e isso só não foi pior por ele aparecer pouco, senão a chance de estrago também seria maior, ou seja, vai precisar se soltar mais, ou fazer mais para aparentar realmente um "líder" do grupo de caçadores de monstros que teoricamente a Universal deseja dele. Annabelle Wallis inicialmente aparentava que não faria a mocinha indefesa clássica de longas de terror, impondo trejeitos fortes e se mostrando uma arqueóloga mais interessante, porém com o desenrolar da trama, sua Jenny acaba ficando indefesa frente às forças do mal e acaba não evoluindo muito mais do que poderia. Podemos dizer que os mortos deram vida para o longa, pois tanto Sofia Boutella com sua Ahmanet, quanto Jake Johnson com seu Vail acabaram agradando demais tanto visualmente, quanto nos trejeitos e estilo de falar, de modo que Boutella ainda ousou trejeitos fortes, impactando bem tanto nas cenas antes de virar múmia com um visual ousado e bonito quanto trabalhando na maldade pura com olhares de vingança quando já mumificada, e Johnson partiu para o lado mais cômico, divertindo tanto vivo quanto morto como um morto muito louco e cheio de boas piadas.

Visualmente a trama conseguiu ser uma produção bem eloquente e cheia de símbolos, o que é uma característica marcante de aventuras épicas, e foi trabalhando nos cenários mais fortes, como a tumba dentro do metrô com os templários que acaba servindo para quase o longa inteiro, a tumba da mesopotâmia cheia de símbolos egípcios bem usada no começo para dar um simbolismo histórico, as boas cenas na igreja que depois mostra também algumas ideias de relíquias históricas além de fora dela ter as boas cenas de transformação de vivos em mortos, e principalmente toda a cenografia cheia de "easter-eggs" no laboratório de Jekyll aonde vemos outros possíveis personagens que irão aparecer na franquia, objetos que ele usará nas lutas e tudo mais de interessante de uma forma bem tecnológica que certamente nos longas dos anos 60 eles nem sequer pensavam em poder utilizar, mas que faziam bem feito também, ou seja, um filme de produção bem rica, que falou um pouco no contexto, mas que se arrumado na continuação pode florescer bem. Dentro do conceito fotográfico, a trama diversificou bem as cores, e mesmo usando muito de cinza e tons escuros para criar nuances clássicas de terror, tivemos bons elementos marcantes em dourado para realçar a riqueza dos povos egípcios e com isso agradar bem, além de não errarem tanto nas iluminações falsas, deixando bem pontuado cada momento para que o visual de fundo predominasse. Um ponto bem positivo para o longa ficou a cargo dos efeitos especiais de primeira linha, que ajudaram a criar tanto uma boa perspectiva 3D de profundidade, quanto nas 3 ou 4 cenas que desejaram que coisas saíssem para fora da tela fosse bem usado a tecnologia, tanto que na cena dos pássaros chega a ser difícil ver quem não desvie deles, e nas cenas de areia também, ou seja, mesmo que pouco utilizado, foram bem clássicos em não atrapalhar com a conversão.

Enfim, é um filme bem feito que falhou mais no exagero de personalidade do que no conteúdo em si, mas claro que mais história acabaria dando um tom melhor para a trama ao invés de deixar que Cruise saísse correndo, pulando, rolando, sendo arremessado sem ficar com nenhum arranhão. Ou seja, é um bem mais um blockbuster de aventura/ação do que um longa inicial de uma franquia de "terror" mais trabalhado que poderia ser. Portanto se você gosta do estilo "Missão Impossível" que Cruise sempre nos entrega bem, e juntar a isso alguns tons mais clássicos de terror com história (claro que sem botar medo em ninguém), pode ir conferir tranquilo com uma boa pipoca que é diversão na certa, mas se você desejava ver algo mais tenso, fuja, que a chance de se irritar é bem alta, Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com muitos textos, afinal essa semana está bem quente de longas, então abraços e até logo mais.

2 comentários:

mauro avelino disse...

Olá! Concordo! Bom filme! mas, na questão do 3D... deixou muito a desejar. Óima crítica! abraços"

Fernando Coelho disse...

Olá Mauro... pra falar a verdade só lembro mesmo da cena dos pássaros que foi bem foda, mas do resto o 3D é vagabundo... rsss... abraços!

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