Rei Arthur: A Lenda da Espada em 3D (King Arthur: Legend of the Sword )

5/19/2017 02:03:00 AM |

Sabe aquele filme que você viu o trailer só uma vez (mesmo indo ao cinema 5x por semana) e que achou uma maluquice completa, mas que ao ver dirigido por Guy Ritchie já sabe que aquela maluquice do trailer não será nem 10% da maluquice completa do longa? Pois bem, não precisava nem apostar que acertei completamente, pois a assinatura de Ritchie em "Rei Arthur: A Lenda da Espada" é tão forte que a cada nova cena de ação (e não são poucas!!) ficamos mais abismados com a qualidade técnica que ele consegue passar ao trabalhar bem tanto a história quanto a forma de desenvoltura dos personagens nas lutas, e com isso, um filme que foge completamente de tudo que já vimos sobre Excalibur, Arthur, Merlin, Camelot, e tudo mais que diversos outros longas já mostraram, consegue agradar do começo ao fim, divertindo demais, criando altas perspectivas, e quem sabe (como muitos já estão falando por aí) iniciar uma nova franquia do estilo, pois inventar histórias é fácil, só precisa ter lucro e certamente todos estarão dispostos para muito mais câmeras lentas mixadas com alta velocidade sequencial! Portanto, vá ao cinema se divertir com a trama, não ligue de colocar seus óculos 3D, pois valerá muito a pena, tudo o que acabará vendo na telona com muitos efeitos.

A sinopse nos conta que Arthur é um jovem das ruas que controla os becos de Londonium e desconhece sua predestinação até o momento em que entra em contato pela primeira vez com a Excalibur. Desafiado pela espada, ele precisa tomar difíceis decisões, enfrentar seus demônios e aprender a dominar o poder que possui para conseguir, enfim, unir seu povo e partir para a luta contra o tirano Vortigern, que destruiu sua família.

Acho bem bacana quando assistimos a um filme de determinado diretor já sabendo que estilo de elementos encontraremos na tela, pois por mais que os diretores façam longas de diferentes gêneros, eles sempre procuram colocar sua assinatura na trama, e as vezes isso costuma funcionar bem, por exemplo aqui o longa poderia emplacar facilmente como uma aventura tradicional, mas sem o apelo divertido, as cenas com câmeras lentas, os elementos alegóricos vindo em nossa direção, as múltiplas personalidades dos protagonistas, não seria um longa de Guy Ritchie, e principalmente não empolgaria tanto como a trama acabou conseguindo empolgar. Claro que muito do que vemos na tela passou antes pelas mãos dos roteiristas malucos que criaram uma história embasada em tudo da lenda, mas a confecção final da ideologia, junto das diversas possibilidades do estilo que o diretor tanto gosta de fazer, acabou dando novos vértices, e que talvez até funcione com mais um filme (seis como estão falando é exagero!!), pois poderiam trabalhar com coisas que até já vimos, mas de uma maneira diferenciada. O ponto chave da trama fica a cargo do desenvolvimento virtuoso em cima de um personagem que até poderia ser mais sério e criado de forma diferente, mas ao criar alguém "comum" para crescer com a trama, o diretor pode abusar de elementos cênicos de outros longas/séries, pode criar misticismos formais interessantes, e claro como é de praxe de seu estilo, pode abusar de efeitos especiais para todos os lados, pois a trama acabou permitindo essa abertura, desde que logo de cara nada ficasse "real" demais. Ou seja, só não diria que o que Ritchie fez foi algo perfeito, pelo excesso de ideologias pensantes reversas na trama (o que é uma característica sua, e que funcionou muito bem em Sherlock Holmes), pois jogar com o futuro para mudar um questionamento é legal, duas vezes soa bem, mas na terceira já incomoda demais, ou seja, as idas e vindas agradam, mas poderia forçar menos.

Poderíamos falar muito sobre os diversos personagens e as respectivas atuações que tivemos no longa, mas todos fizeram tão bem seus papeis que soaria até repetitivo para cada um dos personagens secundários, e isso é bom, pois o diretor não precisou se preocupar em criar suas personalidades, deixando que fluíssem naturalmente e agradasse bastante com isso. Porém dos principais temos de pontuar em nível máximo o impacto do personagem Vortigern para com Jude Law, de tal maneira que acabamos realmente ficando com medo dele, sentindo raiva do que faz em algumas cenas e abismados com seus olhares, fazendo do personagem um daqueles vilões que tanto pedimos para ver nos longas, e que certamente mostra que sua parceria com o diretor tem tudo para sempre render bons frutos. Charlie Hunnam deu um tom meio canastrão para seu Arthur, de modo que não o vemos com trejeitos de rei nem ao final da trama, mas claro que isso não é um problema para o filme, afinal trabalharam bem essa possibilidade, e ela funciona, aliás usaram tanto do artifício de querer conquistar as mulheres para o longa, que em diversos momentos lá vai o ator tirar a camisa ou usar algo mais agarrado para mostrar a musculatura, o que é desnecessário muitas vezes. Embora o papel de Astrid Bergès-Frisbey seja importantíssimo com sua Maga, ela foi usada mais como algo subconsciente na trama, aparecendo pouco e fazendo trejeitos estranhos demais quando aparecia, e talvez pudessem ter dado para ela (ou para alguma outra atriz melhor) um impacto visual melhor e mais interessante de ver, ou seja, não foi algo ruim que fez, mas para o personagem merecia ser melhor. O mesmo podemos dizer de Djimon Hounsou com seu Bedivere, que logo de cara vemos nas cenas iniciais e já podemos dizer que ficará bem quando é chamado para a segunda parte do longa, mas ao funcionar mais como um conselheiro, acaba deixando o impacto forte que sabemos ser de sua personalidade para trás, fazendo um papel bom soar simples demais. Outro que vale um breve destaque é o garotinho Bleu Landau com seu Blue bem expressivo e que se souber pegar bons papeis tem futuro na indústria.

Agora se existe algo impressionante em filmes de época fantasiosos é a direção de arte, pois aqui temos tantos elementos cênicos para se divertir olhando, tantos cenários para vivenciar, tantos figurinos e alegorias que mesmo que a história fosse ruim de acompanhar, o longa sozinho nos falaria muita coisa, por exemplo no momento da provação do herói em sua jornada pelo mundo sombrio com tantos animais monstruosos, que só ali já foi um deslumbre mágico tão visual que os olhos chegam a saltar, depois as diversas cenas de batalhas épicas tanto no começo, quanto no miolo e para arrebatar no final temos mais uma, os diversos personagens com seus semblantes fortes, máscaras, cachorros soltando fumaça nos latidos, tudo passa muita beleza e temor, ou seja, é algo incrível de ver e que foi trabalhado com primor em cada cena, para que mesmo sabendo que muita coisa ali é digital, foi pensada para funcionar na telona. A fotografia do longa trabalhou bem tons cinzas e marrons para dar um ar de filme épico, mas trabalhou também muitas cores nos figurinos e diversos elementos criando nuances clássicas misturadas com muita modernidade, porém a grande sacada da trama ficou a cargo de não depender tanto das cores para criar a ambientação tridimensional que o longa tem, pois ao deixar que a funcionalidade do 3D ficasse somente para a pós-produção, o diretor teve o trabalho apenas de dirigir bem as cenas pensando já claro como ficariam com os efeitos finais (que volto a frisar, estão incríveis!) e assim tudo tivesse profundidade ao mesmo tempo que saísse bastante da tela, iluminando tudo na medida certa sem precisar estourar a luz, nem deixar nada na penumbra. Como já falei muito, apenas pontuo que é um dos poucos longas que ultimamente valem ser visto nas salas 3D, pois tem muita coisa saindo da tela para quem gosta desse estilo de efeito e tudo parece ter dinâmica com o estilo de aceleração (rápida e lenta) que o diretor gosta de trabalhar.

Outro destaque do longa ficou a cargo da ótima trilha sonora, com uma pegada forte e bem colocada que ditou o ritmo da trama do começo ao fim, criando momentos próprios para entoar canções e também muita orquestra para compor cada momento. E claro que deixo o link para todos ouvirem, afinal se é bom tem de ser compartilhado.

Enfim, é um filme que não decepciona pela ótima diversão e estética, mas que também podemos reclamar de não refletir nada, jogando tudo na cara do espectador, e esse que corra para pegar tudo e trabalhe desenvolvendo cada parte, pois temos uma apresentação de quase 10 minutos no máximo, um desfecho de mais ou menos isso também, e toda uma história no miolo, mas que mesmo nessa loucura não dá tempo de cansar. Ou seja, um filmão que agradará quem estiver disposto a curtir, e que quem desejar algo mais enfeitado irá reclamar com certeza, portanto assim fica a dica para quem estiver com receio de conferir, pois sabendo em qual grupo se enquadra, certamente irá ver o filme de maneira diferenciada, e irá gostar bastante do resultado final. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas essa semana tenho ainda muitas estreias para compartilhar minha opinião com vocês, então abraços e até breve.

2 comentários:

Anônimo disse...

Fala Fernando. Tirando o 3d, não aproveita nada. Acabou com a lenda do Rei Arthur. Detesto filmes com piadas sem graças. Acho que nota 8 não dá, no máximo 6. Valeu

Fernando Coelho disse...

Olá amigo anônimo!! Cara lendas são para serem contadas, inventadas e inovadas cada vez mais, aqui foi algo criativo ao menos, com uma versão diferenciada e que empolgou ao menos... confesso que revendo não sei se daria 8, mas curti bastante a trama... mas cada um com sua opinião, que é sempre válida. Abraços!

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