Punhos De Sangue (Chuck) (The Bleeder)

5/26/2017 01:51:00 AM |

Não sei se esperava mais luta na biografia de um lutador ou se por ser quem Stallone se baseou para criar Rocky desejava algo mais empolgante em "Punhos de Sangue" que não a história de um homem mulherengo, viciado e que como ele fala no começo: "você já deve ter me visto, mas não deve me conhecer" ou algo do tipo, pois é o longa é algo tão esquecível que certamente será daqueles que quem conferir, nem lembrará caso passe propaganda na TV quando for exibido em canal aberto. Ou seja, um filme bem abaixo da média que acaba cansando ao faltar um pouco de tudo, mas mais do que faltar, é algo que não necessitaria ser filmado, afinal a série Rocky já foi algo melhor que baseando em sua vida (claro que de modo fictício) mostrou como foi a vida de alguém que sobreviveu a uma luta contra o campeão dos pesos pesados, Muhammad Ali, e seguiu fazendo besteira na vida, mas como quiseram mostrar o lado inverso, acabaram fazendo isso que agora lançado não chega nem aos pés do sucesso do outro filme. Se você achou confuso tudo isso que disse agora, vamos ao resumo, se Rocky mostrou o engrandecimento de um homem nos seus aprendizados, aqui Chuck vê como esse mesmo homem se afundou achando que era famoso por ter sua vida contada nas telonas.

O longa nos mostra a verdadeira história de vida de Chuck Wepner, um vendedor de bebidas de Nova Jersey que aguentou por 15 rounds no incrível campeonato mundial de pesos pesados contra o maior lutador de todos os tempos, Muhammad Ali, e que inspirou Rocky, a bilionária franquia do cinema. Em seus dez anos como boxeador, Wepner teve o nariz quebrado oito vezes, 14 derrotas, dois nocautes e um total de 313 pontos. Mas suas lutas mais duras foram fora do ringue – vivendo uma vida de bebedeiras, drogas, mulheres, passando por altos e baixos ao extremo.

Não posso nem comparar outro trabalho do diretor Philippe Falardeau, afinal olhando sua filmografia não me lembro de nada dele (e se pensar bem, daqui a algumas horas não devo nem me lembrar desse!), mas o que posso falar logo de cara é que o estilo gráfico que escolheu para sua obra, com uma imagem suja e bem arranhada mostra que quis deixar um estilo próprio dos anos 70 mesmo na trama, e conseguiu, pois vemos o longa como uma trama bem envelhecida, que se passasse despercebida numa zapeada de canais na TV pensaríamos estar vendo um longa mais antigo, e não uma produção atual, e isso sim é um ponto positivo para ele, porém infelizmente o longa não decola, sendo mostrado logo no começo a luta com Ali, e aí você pensa, o que mais podemos ter para ser mostrado a respeito do personagem, e já lhe digo rápido, a relação (ou melhor não bem relacionada) com a esposa e outras mulheres, os amigos/parentes que são jogados rapidamente fora para o ego do protagonista, o ator/produtor hollywoodiano que vai explorar alguém que "quer" conhecer, seus vícios e loucuras, ou seja, uma vida cotidiana simples, que nada teve para chamar atenção, ou seja, um roteiro fraco de ideias, que até talvez seja tudo verdade, mas que não empolga e cansa na metade do caminho, e o diretor não soube como agilizar ou melhorar o que foi escrito, trabalhando bem pouco com nuances ou qualquer coisa do tipo.

No conceito da atuação, ao menos podemos dizer que todos foram bem esforçados para que a trama se desenvolvesse o mínimo que fosse, e isso se deve principalmente ao protagonista (que também assina a produção do longa) Liev Schreiber, que conseguiu criar vértices pontuais para seu Chuck adotando uma personalidade quase tão fechada (e egocêntrica) que acaba se destacando por não destoar do caminho proposto, pois vemos sempre determinado, coisa que muitos acabam se perdendo em textos fracos como é o caso aqui, e o ator sempre coloca a dinâmica à frente da tela, o que chama atenção e mostra o quanto ele é bom. Ron Pearlman faz bem seu papel de Al, mas é pouco utilizado, e talvez mostrando mais a vida do personagem na academia com sua conexão com o treinador/amigo agradasse bem mais, pois como bom ator que é, sabemos que Ron não decepcionaria. Elisabeth Moss também consegue fazer boas expressões com sua Phyliss, mas sempre que coloca alguma boa pontuação, já é cortada e vamos de novo para os problemas do protagonista, e isso cansa. Diria que é a participação mais icônica de Naomi Watts com sua Linda, pois funciona seus momentos jogados, até ser encaixada para o fechamento da trama, e talvez fosse até mais que foi mostrado, mas acabou totalmente inaproveitável seus bons momentos. Dos demais vale os rápidos destaques para os elementos mais conhecidos da trama, que são Pooch Hall como Muhammad Ali que aparece bem rapidamente para as entrevistas e luta, e Morgan Spector que acabou muito bem caracterizado como Stallone nos anos 70, ou seja, funcionou mais visualmente do que com diálogos para chamar atenção.

Sobre o visual da trama podemos dizer que foi algo bem colocado, trabalhando bem as nuances de época, mostrando o estilo de jornalistas, misturando cenas filmadas com reais para dar um contexto interessante nos momentos clássicos, mas ao acabar a parte que conhecemos, a equipe de arte teve mais preocupação com o figurino do que com o contexto em si, não tendo grande criatividade e usando mais locações internas para não precisar trabalhar tanto as locações, e não digo que isso seja algo ruim, mas o resultado acabou sendo apenas bem feito, sem nada para vangloriar, e olha que certamente se bem trabalhado seria algo para criar condições chamativas para prêmios, principalmente pelo estilo do longa. No conceito fotográfico, já falei que foi o maior acerto da trama em trabalhar com muita sujeira nas lentes e/ou efeitos na pós-produção, criando um aspecto arranhado e grosseiro nas imagens, o que deu um tom de filmagens antigas, e trabalhando bem com tons de sépia/amarelados em quase todas as locações, a iluminação acabou saturada agradando bastante o conceito da trama em si.

Enfim, é um filme que poderia ser muito melhor, mas que para isso precisaria de uma reformulação completa do roteiro, e certamente não seria uma biografia completa do personagem, mas como andam sem muitas ideias por aí, podemos esperar biografias de tantos personagens desnecessários, e o resultado de todos os longas serão bem próximos desse, ou seja, fracos e cansativos. Não posso recomendar o longa pela história em si, mas apenas como algo curioso para saber mais sobre o homem que Stallone se baseou para criar o Rocky, e nada mais, portanto se não tiver mais nada para conferir e gostar de longas fracos, essa é uma opção para o final de semana. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais estreias, então abraços e até logo mais.

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