Paixão Obsessiva (Unforgettable)

4/22/2017 10:06:00 PM |

Que existem muitas mulheres vingativas espalhadas mundo afora, e que nem sequer relevam separações, isso sabemos bastante, porém chegar aos limites máximos só mesmo vendo em filmes, pois conhecê-las é perigo na certa! Em "Paixão Obsessiva" vemos bem esse estilo que tanto já foi explorado por diversos longas e que sempre tentam dar um tom moderno para a loucura que ocorre na mente de algumas pessoas quando um relacionamento acaba, porém, o problema da trama é que o conceito acabou ficando novelesco demais, cansando pelo estilo que somente quem curte novelas vai se adequar à produção, torcendo para alguma das protagonistas e não notando as diversas falhas de roteiro que a trama contém como cinema realmente. Ou seja, não podemos dizer que é um filme ruim, mas também está bem longe de ser algo bem feito que empolgue bastante, de certo modo poderiam ter fugido dos clichês do estilo que agradaria bem mais, mas isso é algo que não vem ao caso agora que o longa já está feito, então quem gosta de uma novela pode ir conferir que é diversão na certa, mas caso não seja seu estilo predileto, evite!

A sinopse do longa nos conta que quando o casamento entre David e Tessa termina, ele fica com a casa e com a guarda da filha pequena. Tessa, furiosa com a situação, descobre que ele já está envolvido com uma nova mulher, Julia, uma vítima de abuso por parte do ex-marido. Enquanto Julia se adapta à vida de madrasta, Tessa bola um plano para sabotar a nova namorada de David e retomar o relacionamento.

Após produzir muitos longas, Denise Di Novi assume a frente do longa após outras diretoras não terem aceito dar um tratamento adequado ao roteiro, e em sua estreia na direção, o que vemos são câmeras bem tradicionais, com ângulos simples e uma montagem sem muitas reviravoltas, o que é bacana de ver, mas mostra que falta ainda ousadia para que ela desse uma pegada mais impactante que o longa pedia, pois faltaram fatos para demonstrar a loucura de ambas as protagonistas, seja pela violência doméstica de Julia, ou a forma conturbada de separação/criação de Tessa, que apenas são jogadas como parte da história, mas sem muita desenvoltura. Ou seja, a diretora mostra de forma simples e linear um tradicional caso de família, e que com um ar denso acaba transmitindo boas ideologias. Outro detalhe que faltou para a trama foi desenvolver um ritmo mais bem pautado, pois tudo ocorre rápido demais após o clímax, mas até chegar nele o longa é quase uma daquelas apresentações de escola lidas por um gago, que começa a cansar sem parar.

Quanto das atuações, é fato que Katherine Heigl é daquelas que sabem bem como ter um ar de vilania e loucura quando bem quer, e sua Tessa chega a ser incrível pelo ótimo semblante que faz, pelo tom de voz, e principalmente pelas atitudes, de modo que mesmo não sendo seu melhor papel no cinema/TV, podemos dizer que foi aonde mais mostrou facetas desconhecidas e que podem lhe render diversos outros bons papeis no cinema, pois chega a dar medo só de pensar em tudo o que ela ainda poderia fazer mais. Rosario Dawson é uma atriz de atitude também, mas exagera demais nas expressões, fazendo caras e bocas tão forçadas com sua Julia que não parece fluir naturalmente, mas de certa forma a dinâmica empregada por ela acaba agradando mais do que decepcionando. Agora precisavam ter arrumado um rapaz muito mais dinâmico para o papel de David, pois Geoff Stults pareceu mais perdido em cena que qualquer coisa, não chamando a responsabilidade cênica para si em momento algum que foi preciso, aparentando estar disposto somente para os brindes de sua cervejaria e nada mais, e embora o longa não seja aprofundado em seu personagem, poderia ter desenvolvido bem mais. Simon Kassianides mostrou presença com seu Michael, mas apareceu tão pouco em cena que nem teve tempo para um desenvolvimento maior, talvez um pouco mais de tela e o ator seria incrível. A garotinha Isabella Kay Rice trabalhou bem sua Lilly, com olhares tristes e uma desenvoltura bem carismática tradicional de crianças com pais separados, e soube ser singela quando precisou, então podemos dizer que foi o maior acerto da trama. Dos demais personagens, merecem destaque apenas Whitney Cummings que até apareceu bem com sua Ali, mas ficou de fora completamente da produção em suas cenas jogadas, e Cheryl Lady como a mãe de Tessa, que possivelmente só com olhares conseguimos ver que é pior ainda que a filha, mas também não teve grandes desenvolvimentos para se mostrar mais.

No conceito cênico até que arrumaram algumas locações interessantes, como as duas mansões aonde moram Tessa e David, uma cervejaria artesanal colocada apenas para dar enchimento à trama e um restaurante chique, mas simples pela locação em si, e além disso trabalharam com alguns elementos cênicos marcantes para dar símbolos ao suspense, como a aliança, a calcinha e o relógio, além de usar o cabelo das loiras como uma alegoria também para a trama, ou seja, um filme que pode ser considerado bem básico, tanto que ao subir os créditos todos não deu nem 3 minutos (o que é algo completamente incomum hoje em termos de Hollywood), mas que podemos dizer que foi bem feitinho. Agora a fotografia esqueceu de ser avisada que se tratava de um suspense, e nesse estilo se necessita muitas sombras, cenas mais escuras e tudo mais que vemos no começo do filme, mas depois acaba desandando, ou seja, um trabalho bem começado, mas que não se dilui durante toda a produção.

Enfim, um filme digamos que razoável, que por bem pouco não virou piada pronta com a forma que tudo ocorre, mas que felizmente saiu bem feito e não chega a ser uma sessão perdida. Recomendo ele mais para quem gosta de um estilo novelesco, pois a pegada é bem pautada em cima disso, senão quem for esperando um suspense mais clássico certamente acabará decepcionado com o que verá. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a última estreia da semana, então abraços e até lá.

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