A Lei da Noite (Live by Night)

2/25/2017 02:10:00 AM |

Quando paramos para ler a sinopse, ou assistimos ao trailer, ou até mesmo damos apenas uma olhada no elenco de "A Lei da Noite", ficamos intrigados por qual motivo o filme não anda aparecendo como ao menos indicado às diversas premiações? E ao conferir o longa é bem fácil de se ver a resposta, pois o longa mesmo não tendo enrolado em nada, apresenta tantos acontecimentos dos anos 20 nos EUA num curto período de tempo, trabalhando diversas nuances e situações, que parece que ficamos no mínimo umas 5 horas dentro do cinema, e que certamente se ao invés de um filme, cada fase da trama fosse desenvolvida em episódios, o resultado seria incrível de ver, enquanto que no cinema não é possível conseguir assimilar cada parte da forma que passa rapidamente sem muito desenvolvimento de cada momento. Ou seja, é um ótimo filme, mas que precisaria de muito mais tempo de tela, além dos 129 minutos mostrados, para que tudo ficasse perfeito e bem trabalhado.

A sinopse nos situa nos turbulentos anos 1920, quando a proibição da Lei Seca americana não interrompeu o fluxo de bebidas em estabelecimentos ‘underground’ dirigidos por mafiosos de boa lábia. A oportunidade de ganhar poder e dinheiro estava à disposição para qualquer homem com ambição e nervos suficientes, e Joe Coughlin, o filho do Superintendente da Polícia de Boston, há muito tempo deixou para trás sua rígida educação para sucumbir à adrenalina de ser um fora-da-lei. Mas, mesmo entre criminosos há regras, e Joe desobedece a maior delas: trair duplamente um poderoso chefão da máfia, roubando seu dinheiro e sua mulher. O romance ardente termina em tragédia, e Joe começa a trilhar uma rota de vingança, em que ambição, romance e traição o levam do submundo de Boston para os degraus esfumaçados dos porões de contrabando de rum na cidade de Tampa.

Já disse isso algumas vezes, sei que muitos não concordam, mas digo novamente, que Ben Affleck é muito melhor diretor do que ator, e precisa parar de querer fazer 20 funções no mesmo filme, pois seu estilo de direção é seco bem pautado e determinado para cair no teor que bons filmes dramáticos devem ser, e com isso você consegue acompanhar bem cada nuance que ele deseja mostrar. Não digo que ele esteja ruim como protagonista da trama, mas focando somente na direção (nem precisaria adaptar o roteiro também) ele conseguiria tirar bons proveitos dos diversos atores, e claro, exigir mais do protagonista para que tudo fluísse mais rápido (se queriam realmente um filme com tudo o que desejavam mostrar), mas ao embarcar na atuação também ele acabou dosando até bem as cenas em que não precisa tanto interpretar, e fazendo apenas a sua tradicional cara de canastrão quando entrava em foco. O filme é sua segunda adaptação de um livro de Dennis Lehane, e ele soube trabalhar bem cada momento da trama para que o longa tivesse uma percepção bem colocada, e claro que em mais uma produção de Leonardo DiCaprio, ele não iria jogar tanto dinheiro fora, com isso embora tenhamos ótimas cenografias, cada momento em cada lugar é usado à exaustão para que tudo ali passasse o conceito da época, do local, e principalmente do personagem principal que atua ali, como realmente acontece em uma série/novela, que volto a frisar, a trama seria um arraso nesse formato.

Com um elenco bem recheado de estrelas, fica difícil ver falhas nas atuações, pois todos conseguiram cair tão bem em seus papeis que como falei cada ato mereceria mais desenvolvimento, e com certeza todos brilhariam ainda mais. Como falei, particularmente não gosto do estilo de interpretação de Ben Affleck, mas seu Joe é bem trabalhado, faz o estilo romântico/canastrão com classe e se adapta bem a cada momento do filme, o que acaba resultando numa boa atuação, mas nada memorável. Chris Messina caiu muito bem na personalidade de Dion e trabalhando uma versatilidade meio latina acabou agradando bastante por não cair tanto em trejeitos mesmo que seu personagem pedisse isso em excesso, claro que com uma boa dinâmica ele foi colocado pronto para ser testado ali, e não decepcionou. Dentre as mulheres, tivemos um elenco de peso muito bem colocado, a começar pelas mil faces de Zoe Saldana com sua Graciela que trabalhando um lado meio robusto mas também bem sedutor e caliente que toda boa cubana sabe fazer, incorporando ares bem inspiradores demonstrou personalidade e acabou chamando atenção nas suas cenas. Depois tivemos Elle Fanning mostrando que sua juventude pode ser algo pontual, mas que a atriz sabe incorporar muito bem nos momentos de pregação de sua Loretta, dando um show literalmente. Também tivemos Sienna Miller como Emma, que claro com muita sensualidade e trejeitos fortes acabou chamando atenção nas poucas cenas que apareceu, agradando mais pelo estilo de cabaré que fez em alguns momentos. Dentre a turma da máfia, temos de pontuar os bons momentos de Remo Girone como Maso Pescatore que mereceria mais cenas, mas ficou como um personagem meio que de lado durante todo o filme para ressurgir bem ao final, e Robert Glenister como Albert White que até teve um bom começo, mas depois soou apagado por não estar no mesmo elo do protagonista. Dentre os demais, temos de pontuar com certeza os momentos fortes que envolveram tanto Matthew Maher como RD, Chris Cooper como Chefe Figgis e até mesmo Brendan Gleeson como o pai do protagonista, pois todos em cada momento preciso souberam chamar a atenção e convencer o público que seus papeis eram importantes para a trama, e com nuances bem formadas acabaram agradando bastante.

No conceito cênico, a produção foi bem cuidada para passar todo o ar dos anos 20 nos EUA, mostrando bem a Lei Seca que já vimos em outros filmes, os ataques da Ku Klux Klan, os bailes de cabarés misturando os ricos com suas mulheres e prostitutas, as cidades que dominadas por mistos de gangsters e latinos/cubanos controlavam tudo até com o apoio da polícia, e claro que tudo bem de forma conceitual e inspiradora para que nada ficasse muito forçado nem jogado, mas também não soasse falso demais, ou seja, com muitos elementos simbólicos para representar cada momento, e claro que com muitas armas interessantes de ver, mandando tudo pelos ares. A fotografia focou mais em tons que puxassem sempre para o marrom, para dar um ar envelhecido sem precisar recair no amarelado antigo, e assim ficou interessante de ver cada ângulo que a equipe que sempre acompanha Ben Affleck nos seus longas acabou encontrando para representar.

Enfim, é um filme bem feito, que pode até cansar um pouco quem não goste de filmes de máfia, e claro pela alta duração do longa (que friso ser pouca para tudo que é mostrado), mas quem for amante desse estilo, irá curtir cada momento e até ficar esperançoso para que quem sabe façam uma série baseada também no mesmo livro, desenvolvendo mais cada personagem, pois irá valer a pena. Portanto o resultado final é bem válido e agrada bastante, mas não é um filme que chama tanto a atenção por focar num estilo que anda meio em desuso, e sendo assim, poucos críticos e até votantes de prêmios acabaram não gostando tanto do que viram. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na segunda com mais textos de estreias dessa semana, então abraços e até lá.

0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado por comentar em meu site... desde já agradeço por ler minhas críticas...