La La Land - Cantando Estações (La La Land)

1/13/2017 02:20:00 AM |

A magia clássica dos musicais está de volta de uma forma bem romantizada e gostosa de assistir! Já inicio meu texto com essa frase, pois "La La Land - Cantando Estações" vai levar diversos curiosos aos cinemas, e muitos não gostam nem de musicais, muito menos de romances, agora se você gosta desses dois estilos e estiver pronto para se deliciar em canções lindas, muita dança e principalmente um roteiro bem trabalhado para mostrar que sonhos devem sim ser cultivados, independente de que lhe digam o contrário. E além disso, mesmo sendo um filme que utiliza de cenas clássicas do cinema mundial, diversos elos cheios de clichês e tudo mais, mas que não vamos reclamar nem ousar falar disso, pois o filme usa desses elementos com tanta classe e dignidade que ficamos apaixonados por ver cada momento, fazendo com que não queiramos que seus 128 minutos acabem de forma alguma, mesmo com um final digno de ser aplaudido de pé por ser completamente fora dos paradigmas comuns que todos esperariam.

Ao chegar em Los Angeles o pianista de jazz Sebastian conhece a atriz iniciante Mia e os dois se apaixonam perdidamente. Em busca de oportunidades para suas carreiras na competitiva cidade, os jovens tentam fazer o relacionamento amoroso dar certo enquanto perseguem fama e sucesso.

É fato que Damien Chazelle já começou a carreira fazendo um ótimo filme, "Whiplash - Em Busca da Perfeição" está aí para ser conferido com muito afinco, e lá ele já nos mostrava que seu tom musical é bem clássico e colocado para fora de maneira quase que explícita, mas não acabou empolgando tanto o público como vem fazendo agora, pois aqui ele trabalhou com muita delicadeza e doçura ao invés de algo mais desesperador e perfeccionista, e com isso até gerou leves gafes (por exemplo vemos diversas cenas dos artistas se esforçando para cantar e interpretar) que de forma alguma atrapalham, enquanto lá qualquer erro era notado e reclamado com muita aspereza. O resultado do filme é maior por ser bem trabalhado a esperança nos sonhos, no amor, em coisas boas, que mesmo no meio de truculências ou desaforos, ou até mesmo notícias ruins, pode voltar a sonhar e melhorar. Com um bom simbolismo referencial na história, a grande sacada do diretor foi transformar essa ideia num musical digno de ser visto como há muito tempo não víamos (sim, você irá lembrar de diversos longas em preto e branco que só viu alguma vez passando em algum canal cult da TV a cabo), e mais do que isso, ele não quis fazer algo bem simplório, junto de uma equipe maravilhosa conseguiu com não um, mais diversos planos-sequências maravilhosos de serem acompanhados, com fechamentos de lentes, trabalhos de iluminação precisos para realçar os atores principais nos momentos-chave, e por aí vai, criando algo incrível e único de ser visto. Ou seja, vai faltar espaço na prateleira da equipe para tantos prêmios, e não serão em vão.

Sobre as atuações, por incrível que pareça em um musical imenso, a maioria é figurante e só serve de elo para poucas cenas, pois a trama se fecha em seis atores no máximo, e todos fizeram muito bem seus papeis. Ryan Gosling já provou muitas vezes suas qualidades interpretativas, e  agora com seu Sebastian ele deu o show que faltava ao mostrar um bom sapateado, habilidades com instrumentos e claro cantando bem também, o que mostra uma completa habilidade dentro de todas as áreas artísticas para o ator, que fez bem tudo e ainda teve tempo para segurar bons olhares, encaixar paixão na interpretação e se fazer interessante na maior parte do tempo para que o público comprasse todas as suas viradas de lado, ou seja, perfeito. E o mesmo podemos dizer de Emma Stone, pois caindo muito em diversos filmes que reclamaram de suas performances, a atriz aqui conseguiu segurar muito bem a responsabilidade em diversas cenas para cantar praticamente sozinha (algumas vezes até sem ambientação musical) dando vida para a personagem Mia como raramente alguma outra atriz que não fosse cantora conseguiria fazer, e dessa forma a atriz consegue que todos olhem para ela com outros olhos, e que de toda forma irão sair da sala apaixonados (alguns bravos com algumas situações) com tudo o que faz em cena. Até o fim de 2016, com suas aparições em realities musicais para divulgar sua nova música, não conhecia quem era John Legend (sim, já havia escutado diversas canções suas, mas nunca ligado o nome do cantor à música), e agora vi que ele também tem boa pinta para atuação, fazendo um Keith bem encaixado para a proposta, e que claro cantando deu show. Finn Wittrock apareceu pouco com seu Greg, mas soube colocar olhares bem marcados e mesmo não sendo o que muitos desejavam ver, ele acabou fazendo bem suas cenas. E diferentemente do longa anterior do diretor aonde J.K. Simmons apareceu muito, e inclusive ganhou seu Oscar, aqui o ator foi notado somente em duas ou três cenas com seu Bill, e aproveitado menos ainda, pois as cenas foram minúsculas para o tamanho de sua interpretação, ou seja, praticamente uma apresentação amistosa para completar elenco. Dos demais, todos dançaram e cantaram muito bem!

Em momento algum o longa pontua uma data, mas usando como base o filme em cartaz no cinema que os protagonistas vão assistir, "Juventude Transviada", que é de 1955 podemos considerar como sendo a época em que a trama se passa. E sendo assim, todas as pontuações cênicas foram incríveis de ver, com boas ambientações nos estúdios de Hollywood, diversas cenas com amplos espaços bem trabalhados pelas câmeras para mostrar dinâmica e muita criatividade, e principalmente figurinos e cenografia completamente bem casadas para que as cores dessem um charme a mais para a trama. E como já havia ressaltado mais para cima, o trabalho do diretor de fotografia Linus Sandgren foi marcado por belíssimos planos-sequência, iluminações com dimmer de alta qualidade que foram fechando tudo ao redor para uma imensidão de escuridão deixando somente os protagonistas em realce, e claro muita magia e brilho nas cenas de profundidade dos sonhos, o que acaba envolvendo demais todo o público.

Como estamos falando de um musical, é claro que a trilha sonora está perfeita, e é deliciosa de escutar, mostrando o ótimo trabalho de composição dentro do roteiro que Justin Hurwitz fez para emocionar, dar ritmo na trama, e claro envolver do começo ao fim. E claro que vou deixar o link para todos ouvirem, mas o grande desejo desse Coelho que vos digita sempre é que "City of Stars" seja indicada ao Oscar para termos Ryan Gosling e Emma Stone cantando no palco principal da premiação, pois a música é linda e ambos foram muito bem cantando não só essa música como todas as demais.

Enfim, é um filme lindíssimo, que vale muito a pena ser conferido, e que emocionará muitos. Como disse no começo é algo feito para um público bem específico, portanto se não gosta de romances e musicais, passe bem longe da trama, mas do contrário vá e delicie-se com tudo o que é mostrado. Se tivesse notas quebradas daria 9,5 para a trama, pois embora seja algo perfeito, senti alguns momentos alongados demais, que poderiam ser mais simples e singelos, enquanto outros poderiam ser mais valorizados para mostrar um pouco a mais, mas é uma crítica mais técnica do que de alguém apaixonado pelo conteúdo, portanto, a nota não será completa. E com esses adendos, é claro que recomendo demais o longa, e fico por aqui hoje, furando um pouco o caminho, afinal esse veio em pré-estreia para a cidade, mas amanhã volto com as estreias, então abraços e até lá.

2 comentários:

Guilherme Zanuto disse...

Eu confesso que quando fui ver esse filme, entrei na sala VIP (aqui em São José do Rio Preto só foi exibido na sala VIP) meio descontente. Nunca tinha assistido um filme declaradamente musical (com exceção aos clássicos da Disney). Entretanto, aos poucos, o filme foi ganhando minha atenção e me prendendo. E minha sensação ao sair da sala foi complemente oposta à de quando entrei. Fiquei perplexo com a película. Realmente é o filme mais original que eu me lembro de ter assistido. Reúne música, teatro, dança, drama, romance... enfim, é um espetáculo completo! Realmente fui surpreendido, e ainda hoje me pego cantarolando os principais tema do filme, e assobiando "City of Stars", imitando o Ryan Gosling hahaha
Eu fiquei com tanta certeza que venceria o Oscar que acredito que eu teria cometido a mesma gafe que o apresentador da cerimônia hahaha.
Mesmo não sendo parte do público específico do filme (pelo menos até então), fiquei bastante satisfeito com ele. Sem contar o desfecho final, que é uma verdadeira chinelada na alma! E novamente, sua crítica foi precisa!
Parabéns pelo trabalho!

Fernando Coelho disse...

Valeu Guilherme!! Acredito que a maioria foi pega desprevenida igual você, pois musicais geralmente não agradam a galera em si... imagino a dor de pagar caro pensando que não vai gostar, ainda bem que ele mudou sua opinião, essa é a função de um bom filme!!! Cantarolar as músicas é algo tradicional demais! Quanto da gafe do Oscar, ainda não me conformo, pois "Moonlight" é bom sim, mas muito abaixo de "La La Land" e qualquer outro concorrente daquela lista, então eu não leria o nome "Moonlight"... Abraços e obrigado mais uma vez por curtir meu trabalho!

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