A Última Ressaca Do Ano (Office Christmas Party)

12/13/2016 12:54:00 AM |

Ainda estou procurando a ideologia que a distribuidora chegou para transformar "A Festa de Natal da Empresa"(Office Christmas Party) em "A Última Ressaca do Ano", pois ao criar um novo "Projeto X" com uma temática natalina, adicionando a estrutura de filmes empresariais, o resultado foi uma bela bagunça, mas que de tão zoneada acaba sendo divertida, e claro que sem perder o ritmo, os roteiristas acabaram colocando piadas com tudo o que fosse possível, desenvolvendo a história de tal maneira que o propósito completo fosse um pouco esquecido, mas ainda finalizando de uma forma bem colocada (com algo proposto bem no comecinho e que talvez até fosse esquecido) que acaba agradando quem for disposto a se divertir. Porém se for esperando um filme com efe maiúsculo é capaz de sair decepcionado, e essa sem dúvida não era a proposta da trama, pois nessa época natalina, o que não podemos perder é o espírito de diversão.

A sinopse do longa nos conta que com a morte recente do pai, os irmãos Clay e Carol Vanston disputam o controle da empresa de tecnologia por ele criada. Presidente da companhia, ele é ameaçado por ela, CEO, que planeja inclusive demitir todos os funcionários. Visando impressionar um novo cliente que pode representar sua garantia no poder, Clay pede que seu braço direito, Josh, organize uma espetacular festa de Natal.

Não temos como dizer que o trabalho de Josh Gordon e Will Speck foi algo memorável no cinema cômico, mas seus filmes sempre prezam pela diversão mesmo que flua por caminhos tortuosos, e sendo assim, acabam entregando longas que primam por uma grande energia que geralmente começa mostrando algo palpável, e com o andar da trama acaba se perdendo, voltando ou não para o que desejavam mostrar logo de cara, mas sempre frisando, que vão te fazer rir com a bagunça. Talvez se o foco tivesse sido mantido de conseguir a conta usando alguns meios, e não misturando tanto a bagunça com diversos outros coadjuvantes, o longa fosse até mais interessante, mas como o longa não desandou tanto, o resultado do filme foi mantido, e os diretores souberam dosar o resultado repassando as boas qualidades de cada um sem ficar focado demais no recheio. Acredito que o maior problema do filme esteja no roteiro, que escrito por seis roteiristas, cada um desejou mostrar um pouco demais do personagem que tinha em mãos para desenvolver, e os diretores por não querer magoar ninguém acabou jogando tudo junto na panela final.

Felizmente a graça do filme passou longe de Jason Bateman, que insiste em fazer comédias mesmo não sendo uma pessoa divertida, e com boas nuances de seu Josh, ele acabou ficando bem no meio do caminho como um protagonista secundário que diverte menos do que poderia, mas mais do que caberia para seu personagem, e sendo assim é possível ligar ele como um bom elo, afinal os diretores já trabalharam com ele, e sabiam até onde podiam explorar. E da mesma forma Jenifer Aniston entrou na parada com sua Carol, porém com um tom de humor mais agressivo ela acabou conseguindo fazer rir, pois quem fica sério demais e impõe demais acaba soando forçado, e isso sem dúvida era o que desejavam. Agora quando a maluquice imposta por T.J.Miller para com seu Clay entra em ação não tem como não se divertir, pois usando bem a argumentação de que tudo é possível para fazer rir, o ator acaba se empolgando cantando, fazendo besteiras e até entrando numa boa dinâmica com os textos relacionados à outros filmes, e assim acaba caindo como uma luva na proposta. Dentre os demais personagens, acabamos nos divertindo bastante com Kate McKinnon mais pela ideologia de pessoas do RH que costumam ser extremamente chatas, e que sua personagem Mary incorporou tão bem, mas claro que para isso foi a personagem que mais apelou para exageros, o que poderiam ter economizado um pouco. Olivia Munn fez bem seu papel de Tracey, mas mais como a bela garota da informática que o chefe tem uma queda, e claro que vai ajudar bem no final, mas seu papel quase desaparece no meio do caminho.

Sobre o visual da trama, nesse estilo de filme tenho certeza absoluta que a equipe de arte fala para todos, levem o máximo de coisas malucas possíveis para o set, e vamos usar tudo, pois inicialmente até temos um escritório certinho, com salas tradicionais (claro que com personagens malucos que praticamente não trabalham nada), mas ao começar a festa, literalmente aparece de tudo (inclusive renas), e ao final a destruição é tão grande que nem se tivesse passado um tornado pelo set a bagunça teria sido tão grande, ou seja, um trabalho imenso da equipe artística. Com uma fotografia mista com cores bem vibrantes para dar o tom cômico, e pontuando algumas cenas mais densas de cor neutra misturadas com o branco da neve dando uma frieza, para que o filme tivesse um ar dramático em alguns momentos, o resultado ficou bem plausível, o que é bacana de ver que tiveram a preocupação disso tudo, mesmo dentro de uma maluquice completa.

O longa teve um ritmo bem cadenciado, com diversas canções funcionando como elo para as maluquices, mas principalmente encaixando bem como trilha sonora da festa, e sendo assim uma boa festa sempre é composta de boas músicas, então claro que deixo aqui o link para ouvir todas elas.

Enfim, um filme que vale mais pela diversão que causa, do que pela história que tentam passar, pois não é algo que se pode levar a sério, e muito menos tentar filosofar com esse estilo de longa, pois a proposta principal é a loucura. Portanto se você gosta desse estilo vá para o cinema e se divirta muito, mas se teve qualquer tipo de problema com outros que remetem à bagunça, evite. Bem fico por aqui hoje, mas volto amanhã com o primeiro texto da semana da Itinerância da Mostra Internacional, então abraços e até breve pessoal.

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