Casamento de Verdade (Jenny's Wedding)

6/05/2016 01:25:00 AM |

Já estamos acostumados a ver diversas comédias românticas mostrando casamentos, algumas apenas o pedido oficial, e claro sempre todo o envolvimento familiar dessa que segundo muitos é um dos melhores momentos da vida. E ultimamente temos visto inclusive Katherine Heigl em vários exemplares, e se já não fosse bem casada, poderíamos até afirmar que está desejando casar, pois gosta bastante dos longas do estilo. Pois bem, acontece também que ultimamente andamos ouvindo muito sobre a quebra da tal família tradicional, e tudo mais que andam chocando algumas pessoas, mas temos de ser sensatos que muitas pessoas se amam, e não temos que influenciar suas vidas, e independente de sexo, religião, raça, cor ou até mesmo partido político, as pessoas querem se unir, e constituir uma família (sendo tradicional de sua maneira), e até hoje os filmes/séries/novelas evitaram mostrar, mesmo que de modo superficial, o entremeio de quando alguém de uma família tradicionalíssima resolve assumir sua homossexualidade e ao mesmo tempo dizer que vai casar com a pessoa amada, e "Casamento de Verdade", mesmo que fugindo pelas beiradas e indo trabalhar mais o amor como um todo conseguiu mostrar bem que o apoio é o laço mais forte que uma família pode dar e o acontecer acaba sendo bonito e interessante de se ver. Ou seja, o filme até possui uma certa comicidade como é classificado, mas trabalha mais o envolvimento familiar dentro de uma situação que atualmente tem se tornado bem mais comum, e com um carisma gostoso de ver, a trama se torna agradável e vale o ingresso.

Jenny é uma mulher adulta que sofre grande pressão da família para encontrar um marido e se casar. Mas os pais ainda não sabem que Jenny é lésbica, e namora Kitty, que todos acreditam ser apenas uma colega. Quando revela sua orientação sexual, a família começa a revelar suas fissuras. Mesmo assim, Jenny pretende se casar, com a aprovação dos pais ou não.

A diretora Mary Agnes Donoghue é mais conhecida pelos roteiros que escreveu no passado do que pelo único filme que fez em 91, e por isso pode ser até considerada como uma estreante aqui frente às câmeras dessa história interessante que nos é mostrada. Não posso afirmar nada de monstruoso no seu estilo de direção, que tenha trabalhado ângulos diferenciados e perspectivas que façam o público ficar cativado por algo, mas certamente ela ousou em trabalhar bem a interpretação de cada um dos atores para que as dúvidas, principalmente dos pais, em que linha seguiriam de apoio à filha ou à seu meio tradicional junto aos amigos, vizinhos e afins, pois queira sim ou queira não, a mudança ocorre na vida de todos ao redor, e aqui a história permeou um lado interessante tanto no relacionamento familiar como acabou gerando distúrbios em todos para serem bem desenvolvidos dentro da proposta do roteiro. E nesse ponto, certamente a diretora agradou bastante e com um longa leve, mas com boas pretensões, conseguiu atingir a ideia de fazer o público refletir mais sobre o andamento da vida comum, afinal todos os atos geram ressentimentos, e só quem ama mesmo vai poder auxiliar o outro a seguir com sua vida de uma maneira mais feliz.

Falar das atuações aqui é algo que seria rodear em dizer excelente para todos, pois o grupo principal de atores se entregou de corpo e alma para seus personagens, colocando em suma diversas palavras que muitos têm vontade de dizer em uma discussão e não possuem coragem, e mais do que isso, por serem ótimos atores trabalharam bem as expressões com tanto simbolismo que acabam comovendo o público que está presente vendo a situação completa. Tom Wilkinson é um ator memorável que nos entrega um Eddie complexo como marido, afinal oficiais costumam ter uma postura mais rígida frente a situações conturbadas, e claro que ao dar conselho para os filhos espera sempre algo que lhe agrade também, e seu sofrimento é marcante e cheio de expressividade para fechar maravilhosamente com um ótimo texto bem colocado e envolvente. Da mesma forma Linda Emond consegue por muita personalidade em sua Rose, funcionando bem como uma matriarca completamente tradicional que se espelha nas filhas, claro sempre tendo aquela favorita nas brigas de irmãs, e o choque funcionou incrivelmente para ambos os lados nas três cenas que protagonizou como suas, tendo uma nuance incrível na cena do supermercado. Katherine Heigl, como disse, já está virando rainha dos filmes de casamentos, e sua Jenny é bem trabalhada, consegue envolver nos altos e baixos, e principalmente entrega à personagem uma simpatia interessante de acompanhar, o que já faz valer a apreciação de seus atos. Grace Gummer certamente carrega o peso de ter uma mãe extremamente premiada dentro do meio, mas a atriz que se parece incrivelmente com a mãe(Meryl Streep para quem não sabe), vem numa crescente forma de atuação que ao trabalhar bem o roteiro que lhe é entregue chama tanta atenção que certamente se o foco fossem quebras de relacionamento ela seria a que teve a melhor cena com sua Anne. Dos demais atores, cada um teve seu breve momento para chamar atenção, mas sem que ficasse extremamente com a câmera em si para determinar o fluxo da situação cênica, e dessa forma só vale destacar Alexis Bledel como Kitty por ser simbólica nas cenas mais enfáticas que acabaram à envolvendo.

Visualmente o clima do filme foi mais voltado para mostrar as situações, então não temos uma casa cheia de detalhes, mas ainda assim é possível ver todo o antro bem tradicionalista de uma família de classe média americana, com seus vizinhos tradicionais, que participam de clubes de amigos desde sempre e possuem na base os filhos que vão visitá-los nos feriados; o apartamento das garotas, mais cheio de detalhes atuais, sendo bem clean no contexto geral exibido e que nem chegou a ser muito trabalhado; e principalmente deram tanto enfoque na ideologia de que pessoas felizes possuem uma grama bem verde, enquanto as tristes acabam deixando sua grama morrer, que com mais meia hora de projeção já poderíamos falar que o filme era de Grace Gummer. A fotografia também não inovou muito, usando câmeras tradicionais e iluminações bem claras para não criar perspectivas de questionamentos, nem floreios pensantes, mas souberam dosar a alegria cômica, que poderia sair fora do padrão.

O conteúdo musical é um pouco repetitivo nas cenas, e acaba cansando por mostrar que essa é a música disso, essa outra é música daquilo, ficando quase que algo meio novelesco mesmo de se ver, mas todas claro tinham suas nuances e letras bem cabíveis dentro da proposta.

Enfim, não é um filme brilhante sobre o assunto, mas de modo geral consegue agradar bastante com o que nos é mostrado. Claro que uns vão se ligar mais ou menos na mensagem da trama, e sendo assim acabo recomendando ele para todos, afinal todos devemos aprender a respeitar mais as vontades de cada um, de acordo com seus gostos, e essa é a mensagem até maior do que a familiar dentro da trama. Só é uma pena que o filme não pegou tanto como deveria, pois estreou em Julho do ano passado nos EUA, saindo direto para DVD em diversos países, e só chega ao Brasil comercialmente na semana que vem (9/6), ou seja, não deve ficar rodando também muito tempo por aqui, e quem quiser ver vá correndo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto na Quinta com mais estreias, e se preparem, afinal nas próximas semanas vai ter texto saindo por todo lado aqui no site com a chegada de muitos filmes na cidade, então abraços e até breve.

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